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1 CURSO DE MBA EM GESTÃO FINANCEIRA, AUDITORIA E CONTROLADORIA DISCIPLINA: CONTROLADORIA PROFESSOR: FABRÍCIO DO NASCIMENTO MOREIRA Mestre em Ciências Contábeis pela Universidade Federal do Rio de Janeiro 1. Conceitos, Objetivos e Estrutura 1.1. A Contabilidade como Ciência e o seu Papel na Controladoria Antes que seja feita a sinergia ou o link entre a ciência contábil e a controladoria é importante, ao nosso modo de ver, bem caracterizar a controladoria. A controladoria pode ser vista e estudada sob dois ângulos, embora distintos, porém, inter- relacionados. Ramo do Conhecimento Controladoria Unidade Administrativa Controladoria como Ramo do Conhecimento Apoiada na Teoria da Contabilidade e numa visão multidisciplinar é responsável pelo estabelecimento das bases teóricas e conceituais necessárias para a modelagem, construção e manutenção de sistema de informação que supram adequadamente as necessidades informativas dos gestores e os induzam a tomarem decisões ótimas. Controladoria como Unidade Administrativa É a área ou departamento da empresa aglutinador e direcionador de esforços dos demais gestores que conduzam à otimização do resultado global da organização. A Controladoria é a área coordenadora das informações sobre a gestão e não substitui a responsabilidade dos gestores por seus resultados obtidos, mas busca induzi-los à otimização do resultado global. Os gestores são gestores do negócio, suas responsabilidades envolvem as gestões operacional, financeira, econômica e patrimonial de suas respectivas áreas. E a Contabilidade? A Contabilidade, como ciência social, tem missão de ajudar o homem na busca de soluções para os inúmeros desafios que esse (o homem) vivencia em seu cotidiano. A contabilidade pode, também, ser vista e estudada como um sistema que transforma dados em informações: DADOS PROCESSAMENTO INFORMAÇÕES Compras Diários Folha de pagamento Razões Balanço Patrimonial Custos Balancetes Demonstração do Resultado 2 Receitas Conciliações Fluxo de caixa Etc... Etc.... Etc... O AICPA, American Institute of Certified Public Accountants, publicou em 1973 um relatório do grupo de estudos sobre os objetivos dos demonstrativos financeiros: “Uma afirmação geral é que... a função fundamental da Contabilidade é promover os usuários dos demonstrativos financeiros com informações que os ajudarão a tomar decisões...”. O prof. Iudícibus (1993:21) resume: “O objetivo da Contabilidade, portanto, pode ser resumido no fornecimento de informações econômicas para os vários usuários, de forma que propiciem decisões racionais”. Satisfazer as necessidades dos usuários é o objetivo do sistema de informação contábil, esses usuários podem ser destacados: USUÁRIOS DA INFORMAÇÃO CONTÁBIL TIPO DE INFORMAÇÃO REQUISITADA Acionistas - Fluxo de dividendos, valor de mercado das ações, lucro por ação etc. Financiadores - Geração de Fluxos de Caixa futuros suficientes para receber de volta o capital mais os juros, com segurança. Governo - Valor adicionado, produtividade, lucro tributável. Gestores - Visão de seus desempenhos, retorno sobre o ativo, retorno sobre patrimônio líquido, situação de liquidez e endividamento. A Contabilidade pode ainda direcionar as informações produzidas para dois tipos de usuários: Internos a Empresa Externos a Empresa A Contabilidade que processa dados e os transforma em informações para o usuário interno é denominada de Contabilidade Gerencial. A Contabilidade que processa dados e os transforma em informações para o usuário externo é denominada de Contabilidade Geral ou Financeira. É possível fazer algumas diferenças entre a Contabilidade Gerencial da Contabilidade Financeira. 3 CONTABILIDADE GERENCIAL CONTABILIDADE FINANCEIRA Usuários Gestores da empresa em vários níveis. Externos: Governo, Financiadores, Investidores etc. Liberdade de Sem restrições, exceto os custos em Restringidas pelos PFC. Escolha relação aos benefícios das decisões Gerenciais. Tempo Orientação para o futuro: orçamento, Orientação para o passado: custos padrão etc. avaliação histórica. Relatórios Detalhado por departamento, produtos Resumido: Empresa como um Processos etc. todo. Delineamento Campo de ação se define com menor Campo de ação se define com das Atividades precisão, multidisciplinar: Economia, maior precisão. Menor uso de Administração, Estatística, Matemática disciplinas afins. etc. Assim, os gestores (usuários internos) usam a Contabilidade Gerencial para decisões de: ● Planejamento e controle; ● Operações rotineiras de curto prazo, avaliação de desempenho; ● Operações não rotineiras: investir em equipamentos, preços, volume de produção, etc. Portanto: A Controladoria, como ramo do conhecimento, utiliza a contabilidade gerencial com informações que supram adequadamente as necessidades informativas dos gestores e os induzam a tomarem decisões ótimas. 1.2. O Sistema Empresa com o Objetivo da Eficiência e Eficácia de Resultados A Teoria dos Sistemas Surgiu de uma percepção dos cientistas, de que certos princípios e conclusões eram válidos e aplicáveis a diferentes ramos da ciência. Imbuído dessa filosofia, o biólogo alemão Ludumig Von Bertalanffy lançou em 1937 as bases da Teoria Geral dos Sistemas. Um sistema pode ser visto como uma combinação de coisas ou partes, formando um todo complexo ou unitário. Os sistemas podem ser classificados: 1. Capacidade de Interação com o Meio Ambiente a. Abertos - são capazes de interagir com seu ambiente, influenciando-o e ao mesmo tempo sendo por ele influenciado. Ex.: Seres vivos. b. Fechados – não são capazes de interagir com o ambiente, não realizando transações de trocas externas. Ex.: Relógios 4 2. Capacidade de Modificar suas Características por Meio de Realização de Atividades a. Dinâmicos – realizam atividade e, portanto, têm suas características alteradas conforme a ocorrência de eventos. Ex.: Seres vivos. b. Estáticos – não realizam atividade e, portanto, não modificam suas características e independem da ocorrência de eventos. Ex.: Sistema métrico. c. Homeostático – dispõem de mecanismo que os caracteriza como estáticos emrelação a seu ambiente externo, mas dinâmicos em relação a seu funcionamento. Ex.: Refrigerador. Empresa como Sistema Aberto e Dinâmico A empresa caracteriza-se como um sistema aberto e essencialmente dinâmico, isto é, como um conjunto de elementos interdependentes que interagem entre si para a consecução de um fim comum, em constante inter-relação com seu ambiente. Eficácia – significa atingir os objetivos traçados. Eficiência – significa a melhor forma de atingi-los. VISÃO SISTÊMICA DA EMPRESA INPUTS PROCESSAMENTO OUTPUTS Recursos materiais Recursos financeiros compra estoque produção Produtos e serviços Recursos tecnológicos vendas finanças transporte Etc... Eficiência Eficácia 5 Os recursos são escassos, assim os recursos consumidos pelas atividades empresariais requerem que sejam utilizados de forma eficiente. A continuidade da empresa requer que o valor econômico dos produtos e serviços gerados (receitas) seja suficiente para repor no mínimo o valor dos recursos consumidos (custos) para a realização de suas atividades. Os resultados da empresa determinam suas condições de continuidade, refletindo seus níveis de eficácia. 1.3. O Modelo de Gestão e o Processo de Gestão Modelo de Gestão Toda empresa possui um modelo de gestão, que se constitui de um conjunto de crenças e valores sobre a maneira de administrá-la. O modelo de gestão é fortemente influenciado pelas crenças e valores dos principais executivos da empresa, principalmente de seus proprietários e da alta administração. Modelo de Gestão Tradicional O modelo de gestão que denominamos de tradicional é resultante de nossas observações nas diversas entidades, por nós freqüentadas, em nossas ações profissionais. Destacam-se as seguintes ações: I – Processo de decisão tende a ser centralizado; II – Funções decorrentes da estrutura organizacional e responsabilidade não claramente identificada (áreas cinzentas); III – Autoridade decorrente da delegação informal do poder; IV – Estilo individualista – visão feudal das áreas da empresa – áreas estanques; V – Postura burocrática; VI – Processo de gestão centrado no realizado; VII – Avaliação de desempenho baseada em vários indicadores, como: faturamento, saldo de caixa, custos, volumes físicos, quantidade de devolução, níveis de estoque, satisfação do cliente, etc. Modelo de Gestão de Vanguarda Entende-se que o modelo sugerido atende os anseios mercadológicos de vanguarda, e assim destacam-se: I – Processo de decisão descentralizado; II – Funções e responsabilidade decorrentes da missão da empresa e da área específica do gestor; 6 III – Autoridade compatível com as funções e responsabilidades; IV – Estilo participativo – busca a integração; V – Postura empreendedora – faz acontecer – papel de “dono” do empreendimento sob sua responsabilidade; VI – Processo de gestão baseado: no planejamento (estratégico e operacional), execução e controle direcionado ao resultado ótimo; VII – Avaliação de desempenho baseada no resumido. É possível observar que o modelo de gestão compromissado com a continuidade dos empreendimentos, tem intrínseca correlação ou sintonia com o processo de gestão na tríade: Planejamento Execução Controle. Processo de Gestão A palavra “processo” reflete ocorrência ou como deve ocorrer (ação), e no contexto, como deve ocorrer a gestão das empresas. No panorama atual de incertezas macroeconômicas, acirrada competição, mercados sem fronteiras, uso intensivo da tecnologia, não cabe amadorismo ou improvisos na gestão das empresas, assim, o processo de gestão empresarial deve passar pelo Tri-pé: Planejamento Execução Controle Planejamento Estratégico As diretrizes estratégicas objetivam evitar ameaças, aproveitar oportunidades, utilizar os pontos fortes e superar os pontos fracos. Do planejamento estratégico deverão surgir produtos que a empresa irá ofertar, mercado de atuação, canais de distribuição, estrutura organizacional, objetivos econômicos. Os objetivos são de médio e longo prazo. Exemplo: 1. Nossa estratégia é automatizar a produção para diminuir custos e aumentar nossa participação no mercado. 2. Nossa estratégia é centralizar nossas vendas no eixo Rio – São Paulo fato que propiciará nossa expansão e crescimento. As estratégias são as mais diversas e tem como objetivo final preservar a continuidade dos empreendimentos no médio e longo prazo. Planejamento Operacional 7 Tem como objetivo viabilizar, econômica e financeiramente, as estratégias antes formuladas. Consiste na identificação, interação e avaliação de ações a serem implementadas. É no planejamento operacional que o orçamento global e setorial são elaborados, bem como, de maneira analítica, o custo padrão é fixado. Os objetivos são de curto prazo. Execução Fase em que os recursos são consumidos e os produtos gerados. Fase em que os fatos ocorrem, as ações são implementadas e as transações realizadas. A empresa compra, produz, vende, paga, recebe etc. Controle Ocorre nas áreas operacionais e na empresa, assim o controle é analítico e global simultaneamente. É possível delinear passos para o controle: 1 – prever os resultados (orçamentos, custo padrão etc.); 2 – reunir informações sobre o desempenho real (contabilidade); 3 – comparar o desempenho real com o previsto; e 4 – verificar as variações entre o desempenho real e o previsto e, como regra, corrigir a variação e direcioná-la a meta fixada A fase do controle corresponde à implementação de ações corretivas, quando os resultados realizados são diferentes dos planejados, no sentido de assegurar que os objetivos planejados sejam atingidos. 1.4. Controladoria: Missão e Estrutura e o Papel do Controller Missão da Controladoria A empresa é composta por várias áreas administrativas que, como regra, é de responsabilidade de um gestor, onde se pressupõe que envide esforços para que seu departamento atinja seus objetivos ou metas, porém a maximização isolada dos resultados das partes não conduz necessariamente à otimização do todo. Assim, se faz necessária a existência de uma área com visão holística (todo), visão ampla e possuidora de instrumentos adequados à promoção da otimização do todo. A missão da controladoria é: Assegurar a Otimização do Resultado da Empresa. 8 Estrutura da Controladoria 1. Funções da Controladoria São os objetivos da área controladoria: 1.1. Subsidiar o processo de gestão. Efetivo apoio às fazes do processo de gestão, por meio de um sistema de informação que permita simulações e projeções de eventos no processo de tomada de decisão. 1.2. Apoiar a avaliação de desempenho. Apoiar a avaliação de desempenho das áreas e respectivos gestores. 1.3.Apoiar a avaliação do resultado. Analisar o resultado dos produtos e serviços, monitorando e orientando o processo de estabelecimento de padrões. 1.4.Gerir sistema de informação. Definir a base de dados que permita a organização dar informação necessária a gestão. 1.5.Atender aos agentes do mercado Atender as demandas externas: legislação e demais agentes do mercado. O Papel do Controller O Controller é o gestor do departamento controladoria, seu papel: através da gestão de eficiente sistema de informação, preservar a continuidade da empresa, viabilizando a sinergia entre as áreas, fazendo com que as atividades desenvolvidas conjuntamente alcancem resultados superiores aos que alcançariam se trabalhassem individualmente. Tarefa do Controller Manter o executivo principal da empresa informado sobre os rumos que ela deve tomar, onde pode ir e quais os caminhos que devem ser seguidos. 9 Requisitos para a Função de Controladoria a) Bom conhecimento do ramo de atividade ao qual a empresa faz parte; b) Conhecimento da empresa sobre: história, metas, políticas, problemas e estratégias; c) Habilidade para analisar informações contábeis, conhecimento de informática para propor modelos de simulação de resultados; d) Habilidade para bem expressar-se escrita e verbalmente, conhecimento dos princípios contábeis e legislação tributária que impactam a empresa. Princípios que Devem Manter o Trabalho do Controller Iniciativa, visão econômica, comunicação racional, síntese, visão voltada para o futuro, oportunidade, persistência, cooperação, imparcialidade, persuasão, consciência de suas próprias limitações e etc. PROCESSO DE GESTÃO – VISÃO SISTÊMICA DA EMPRESA – CONTROLADORIA PROCESSO DE GESTÃO • Planejamento Estratégico Orçamento Operacional Custo padrão • Execução Controladoria -ramo do conhecimento • Controle -área da empresa Controller 10 =Sistema de Informação Gerencial= VISÃO SISTÊMICA Lucro Ótimo Visão Holística Us$ 1.000.000 Sinergia entre as Áreas INPUTS OUTPUTS Rec. Financeiras Rec. Materiais Produtos e serviços Rec. Tecnológicas Receita= 400 600 800 200 = 2.000.000 Custo= 200 300 400 100 = 1.000.000 Resultado= 200 300 400 100 = 1.000.000 Eficiência Eficácia 1.5. Sistema de Informação da Controladoria – Agregando Valor a Empresa – O Foco da Controladoria A informação é o dado processado e ganha valor quando reduz a incerteza de uma decisão. A informação deve trazer benefício maior do que o custo de sua obtenção e promover aumento da qualidade da decisão. O sistema de informação deve ser desenhado para fornecer suporte ao processo de gestão em todas as fazes e necessita gerar informações oportunas, permitindo, assim, ações gerenciais antes e após a ocorrência dos eventos. O resultado planejado precisa ser efetivado e isto é favorecido por um modelo de informação capaz de fornecer informações úteis, relevantes e oportunas ao processo de gestão. O sistema de informação gerencial deve ser alicerçado nas partidas dobradas e o resultado mensurado de forma correta e, assim algumas premissas devem ser fixadas. 1 – A riqueza de uma empresa aumenta ou diminui à medida que o mercado reconhece maior ou menor valor para os ativos que ela possui. 2 – Quanto vale a empresa num determinado momento do tempo é a base ideal para o cálculo do custo de oportunidade, a ser cobrado, pelos proprietários, dos responsáveis pelos resultados globais da 11 empresa. É também a base de cálculo ideal para a cobrança da responsabilidade dos diversos gestores pela parcela de riqueza da empresa que está sob seu gerenciamento. 3 – Custeio Direto/ Variável é utilizado para a obtenção da margem de contribuição de cada evento econômico; ressalta-se que este método de custeio não é utilizado para atribuir valores aos ativos. 4 – Cada evento econômico que tem como contrapartida um ativo é apropriado um custo financeiro, calculado por uma taxa-padrão de captação de recursos financeiros no mercado. 5 – Cada evento econômico que tem como contrapartida um passivo é apropriado uma receita financeira, calculado por uma taxa-padrão de aplicação de recursos financeiros no mercado. 6 – Os materiais comprados são contabilizados pelo seu valor de reposição na condição à vista e a transferência destes para o estoque é concretizada pelo seu valor econômico (valor a vista de mercado). 7 – Os valores a receber de clientes são demonstrados pelo seu valor presente. 8 – Os valores a pagar de fornecedores são demonstrados pelo seu valor presente. 9 – O conceito de custo de oportunidade é utilizado para mensuração do resultado econômico e do custo de capital próprio da empresa. 10 – A receita é reconhecida à medida que a produção de produtos e serviços é realizada. 11 – A decisão de adquirir ou não adquirir um investimento obedece ao modelo do fluxo de caixa descontado. 12 – O conceito do lucro é o lucro econômico, o qual é apurado na comparação em dois momentos o Patrimônio líquido. T0 T1 Valor da Empresa Valor Agregado Valor da Empresa Exigível Exigível Ativo Resultado Ativo PL0 PL1-PL0 PL1 Mostraremos modelo de sistema de informação gerencial, pautado nas premissas antes expressas, o qual acreditamos sua eficácia à controladoria. Didaticamente, criaremos eventos que impactarão as seguintes áreas: 12 Finanças: proporciona os recursos de capital que todas as operações das outras atividades da empresa demandam. Estoque: estoca com segurança e controla física e financeiramente os materiais e produtos depositados nos armazéns e originados da atividade de compras e produção. Compras: contrata a aquisição de materiais no mercado externo que a empresa necessita e os coloca à disposição na área estoque. Vendas: atua no relacionamento da empresa com o mercado e procura colocar os produtos nas melhores condições de preço, prazo de recebimento e entrega. Nos fatos que serão contabilizados serão considerados: a) Taxa-padrão de captação de recursos financeiros no mercado = 2%. FATOS 1º/09/01 – Constituição de empresa com capital integralizado em dinheiro no valor de $ 200.000,00. 1º/10/01 – Compra a vistade mercadorias referente a 6.000 unidades a $ 19,00 cada, o que totaliza $ 114.000,00. 1º/11/01 – Compra a prazo de mercadorias referente a 6.000 unidades a $ 20,00 cada, o que totaliza $ 120.000,00. 1º/12/01 – O mercado valorizou a unidade de mercadorias que passou a valer $ 30,00 cada. 1º/01/02 – Venda a prazo de 1.000 unidades de mercadoria pelo preço unitário de $36,00. Período de 1º a 30/09/01 – Registro dos Fatos 1º/09/01 D – Caixa C – Capital Social 200.000,00 30/09/01 D – Custo de Oportunidade – Área Finanças C – Receita de Oportunidade - Área Sócios 4.000,00 $ 2000.000,00 x 2% Explicação: A área financeira passou 30 dias (1º a 30/09/01) via posse de R$200.000,00, poderia ter aplicado no mercado financeiro, assim é justo que reconheça custo de oportunidade em favor 13 dos investidores (sócios) que é a área que recebe receita de oportunidade ou paga custo de oportunidade conforme os gestores de ativos ou passivos tomem decisões. A taxa usada para o cálculo do custo de oportunidade é a de capitação de recursos financeiros no mercado. Apuração do Resultado Setorial A empresa, nesta fase inicial, possui fisicamente somente a área financeira e a área dos investidores (sócios) não existe fisicamente, somente tem a função de reconhecer o custo e a receita de oportunidade. Não existe o efetivo desembolso dos recursos nestes recolhimentos, o raciocínio é gerencial. Área de Finanças 1 – Custo de oportunidade = (4.000,00) Resultado = (4.000,00) Área dos Sócios 2 – Receitas de oportunidade = 4.000,00 Resultado = 4.000,00 Consolidação do Resultado - Resultado da Empresa A somatória dos resultados das áreas resulta no resultado – Empresa: 1 - Área de Finanças = (4.000,00) 2 - Área dos Sócios = 4.000,00 Resultado – Empresa = -0- Lucro do Balanço Patrimonial O Patrimônio Líquido final deverá representar o verdadeiro valor da empresa na data da elaboração do Balanço Patrimonial e o valor resultado seguindo o raciocínio: $ PL inicial = 200.000,00 Lucro Econômico = -0- PL inicial = 200.000,00 No modelo estudado, no PL não existem as nomenclaturas de capital, reservas e lucros, o PL representa o verdadeiro valor da empresa. 14 Balanço Patrimonial em 30/09/01 Ativo Circulante Disponibilidades 200.000,00 Total do Ativo 200.000,00 Passivo Patrimônio Líquido 200.000,00 Total do Passivo + PL 200.000,00 Período de 1º a 31/10/01 – Registro dos Fatos 1º/10/01 D – Estoque C – Caixa 114.000,00 6.000 un x $ 19,00 31/10/01 D – Custo de oportunidade - Finanças C – Receita de oportunidade - Sócios 1.720,00 $ 86.000,00 x 2% Explicação: O caixa passou 30 dias (1º a 31/10/01) com o saldo de R$ 86.000,00, daí o reconhecimento do custo de oportunidade pela área financeira em prol da área dos sócios. 31/10/01 D – Custo de oportunidade - Estoques C – Receita de oportunidade - Sócios 2.280,00 $ 114.000,00 x 2% Explicação: A área estoque passou 30 dias (1º a 31/10/01) com o valor de R$ 114.000,00, em estoque, assim é justo que “pague” ou reconheça aos investidores o do custo de oportunidade do período em que passou com os recursos. Apuração do Resultado Setorial em 31/10/01 Área Finanças Custo de oportunidade = (1.720,00) Resultado = (1.720,00) 15 Área Estoque Custo de oportunidade = (2.280,00) Resultado = (2.280,00) Área Sócios Receita de oportunidade = 1.720,00 Receita de oportunidade = 2.280,00 Resultado = 4.000,00 Consolidação do Resultado - Resultado da Empresa 1 - Área Finanças = (1.720,00) 2 - Área Estoque = (2.280,00) 3 - Área dos Sócios = 4.000,00 Resultado – Empresa = -0- PL em 31/10/01 PL inicial = 200.000,00 Lucro Econômico = -0- PL inicial = 200.000,00 Balanço Patrimonial em 31/10/01 Ativo Circulante Disponível Caixa 86.00,00 Estoque Mercadorias 114.000,00 Total do Ativo 200.000,00 Passivo Patrimônio Líquido 200.000,00 Total do Passivo + PL 200.000,00 16 Período de 01/11/01 a 30/11/01 – Registro dos Fatos 1º/11/01 D – Mercadorias 114.000,00 6.000 un x $ 19,00 C – Ajuste fornecedores 6.000 C – Fornecedores 120.000,000 30/11/01 D – Custo de oportunidade - Finanças C – Receita de oportunidade - Sócios 1.720,00 $ 86.000,00 x 2% 30 D – Custo de oportunidade - Estoques C – Receita de oportunidade - Sócios 2.280,00 $ 114.000,00 x 2% 30 D – Custo de oportunidade - Sócios C – Receita de oportunidade - Compras 2.280,00 $ 114.000,00 x 2% Explicação: A área compras, ao decidir pela compra a prazo permite a não ocorrência do desembolso de R$ 114.000,00, assim, é justo o reconhecimento para área compras a receita de oportunidade “paga” pela área sócios. Apuração do Resultado Setorial em 30/11/01 Área Finanças Custo de oportunidade = (1.720,00) Resultado = (1.720,00) Área Estoque Custo de oportunidade = (2.280,00) Resultado = (2.280,00) 17 Área Compras Receita de oportunidade = 2.280,00 Resultado = 2.280,00 Área Sócios Receita de oportunidade = 1.720,00 Receita de oportunidade = 2.280,00 Custo de oportunidade = (2.280,00) Resultado = 1.720,00 Consolidação do Resultado em 30/11/01 1 - Área Finanças = (1.720,00) 2 - Área Estoque = (2.280,00) 3 - Área Compras = 2.280,00 4 - Área dos Sócios = 1.720,00 Resultado – Empresa = -0- PL em 30/11/01 PL inicial = 200.000,00 Resultado Econômico = -0- PL inicial = 200.000,00 Balanço Patrimonial em 30/11/01 Ativo Circulante Disponível Caixa 86.00,00 Estoque Mercadorias 228.000,00 Total do Ativo 314.000,00 Passivo Circulante Fornecedores 120.000,00 Ajuste Vr. presente (6.000,00) Patrimônio Líquido 200.000,00 Total do Passivo + PL 314.000,00 18 Período de 1º a 31/12/01 – Registro dos Fatos 1º/12/01 12.000 un x $ 19,00 = $ 228.000,0012.000 un x $ 30,00 = $ 360.000,00 Ganho com estocagem = $132.000,00 D – Estoque - Mercadorias C – Ganho com estocagem 132.000,000 31/12/01 D – Custo de oportunidade - Finanças C – Receita de oportunidade - Sócios 1.720,00 $ 86.000,00 x 2% 31 D – Custo de oportunidade - Estoques C – Receita de oportunidade - Sócios 7.200,00 $ 360.000,00 x 2% 31 D – Custo de oportunidade - Sócios C – Receita de oportunidade - Compras 2.280,00 $ 114.000,00 x 2% Apuração do Resultado Setorial em 31/12/01 Área Finanças Custo de oportunidade = (1.720,00) Resultado = (1.720,00) Área Estoque Ganho com estocagem = 132.000,00 Custo de oportunidade = (7.200,00) Resultado = 124.800,00 19 Área Compras Receita de oportunidade = 2.280,00 Resultado = 2.280,00 Área Sócios Receita de oportunidade = 1.720,00 Receita de oportunidade = 7.200,00 Custo de oportunidade = (2.280,00) Resultado = 6.640,00 Consolidação do Resultado em 31/12/01 1 - Área Finanças = (1.720,00) 2 - Área Estoque = 124.800,00 3 - Área Compras = 2.280,00 4 - Área dos Sócios = 6.640,00 Resultado – Empresa = 132.000,00 PL em 30/11/01 PL inicial = $200.000,00 Resultado Econômico = $ 132.000,00 PL inicial = $332.000,00 Balanço Patrimonial em 31/12/01 Ativo Circulante Disponível Caixa 86.00,00 Estoque Mercadorias 360.000,00 Total do Ativo 446.000,00 Passivo Circulante Fornecedores 120.000,00 Ajuste Vr. presente (6.000,00) Patrimônio Líquido 332.000,00 Total do Passivo + PL 446.000,00 Período de 1º /01/02 a 31/01/02 – Registro dos Fatos 1º/01/02 D – Clientes 36.000,00 C – Ajuste Clientes 6.000,00 20 C – Receita de Vendas 30.000,00 1.000 un x $ 30,00 D – CMV C – Estoque - Mercadorias 30.000,000 1.000 un x $ 30,00 31/01/02 D – Custo de oportunidade - Finanças C – Receita de oportunidade - Sócios 1.720,00 $ 86.000,00 x 2% 31 D – Custo de oportunidade - Estoques C – Receita de oportunidade - Sócios 6.600,00 $ 330.000,00 x 2% 31 D – Custo de oportunidade - Vendas C – Receita de oportunidade – Sócios 720,00 $ 114.000,00 x 2% 31 D – Custo de oportunidade - Sócios C – Receita de oportunidade - Compras 2.280,00 $ 114.000,00 x 2% Apuração do Resultado Setorial em 31/01/02 1 - Área Finanças Custo de oportunidade = (1.720,00) Resultado = (1.720,00) 2 - Área Estoque Custo de oportunidade = (6.600,00) CMV = (30.000,00) Resultado = (36.000,00) 21 3 - Área Vendas Receita de Vendas = 30.000,00 Custo de oportunidade = (720,00) Resultado = 29.280,00 4 - Área Sócios Receita de oportunidade = 1.720,00 Receita de oportunidade = 6.600,00 Receita de oportunidade = 720,00 Custo de oportunidade = (2.280,00) Resultado = 6.760,00 5 - Área Compras Receita de oportunidade = 2.280,00 Resultado = 2.280,00 Consolidação do Resultado em 31/12/01 1 - Área Finanças = (1.720,00) 2 - Área Estoque = (36.600,00) 3 - Área Vendas = 29.280,00 4 - Área dos Sócios = 6.760,00 5 - Área Compras = 2.280,00 Resultado – Empresa = -0- PL em 30/11/01 PL inicial = 332.000,00 Resultado Econômico = -0- PL inicial = $332.000,00 Balanço Patrimonial em 31/01/02 Ativo Circulante Disponível Caixa 86.00,00 Crédito Clientes 36.000,00 Ajuste Vr. presente (6.000,00) Estoque Mercadorias 330.000,00 Total do Ativo 446.000,00 Passivo Circulante Fornecedores 120.000,00 Ajuste Vr. presente (6.000,00) Patrimônio Líquido 332.000,00 Total do Passivo + PL 446.000,00 Apure o resultado e os procedimentos dos seguintes fatos no final do período. 22 01/02/02 – Recebimento de Clientes 01/03/02 – Pagamentos de fornecedores 2. Controladoria na Estratégia A estratégia passou a ocupar o mundo empresarial, em meados dos anos 60, em resposta à obsolescência dos tradicionais planejamentos de médio e longo prazo e à dificuldade desses instrumentos se adaptarem a um ambiente turbulento, em constante mutação. Somente nos meados dos anos 70 surgiu o planejamento estratégico como um método estruturado para determinar o futuro. A estratégia é o programa geral para a consecução dos objetivos da empresa e, portanto, para o desempenho de sua missão (missão é a finalidade própria da empresa, o que a diferencia de suas concorrentes). 2.1. A Controladoria na Estratégia e o Planejamento Estratégico Missão da controladoria Viabilizar e otimizar os resultados da empresa. A diferença entre o resultado que a empresa teria sem uma controladoria e o resultado que a empresa teria com uma controladoria corresponde ao valor agregado por ela para a empresa. O planejamento estratégico → Nesse ambiente de extrema competição entre as empresas, os gestores devem planejar suas ações, reavaliando, de tempos em tempos, o desempenho real com o planejado. → O planejamento estratégico tem como premissa assegurar o cumprimento da missão da empresa. → Essa fase do processo de gestão gera conjunto de diretrizes estratégicas de caráter qualitativo que visa orientar a etapa do planejamento operacional. As diretrizes estratégicas visam: ● evitar as ameaças ● aproveitar as oportunidades ● utilizar os pontos fortes e superar as diferenças dos pontos fracos. → O processo de planejamento estratégico contempla a análise das variáveis do ambiente externo (identificação das oportunidades e ameaças) e do ambiente interno da empresa (identificação de seus pontos fortes e fracos). 23 Controladoria estratégica No processo de planejamento, a controladoria estratégica tem os seguintes papéis: I- Otimizar o resultado das áreas; II- Coordenar os diversos orçamentos das diversas áreas; III- Produzir informações gerenciais e gerenciá-las; IV- Criar simulações de desempenho e resultados. 2.2. Sistema de Informação e o Acompanhamento do Negócio A informação que tenha como finalidade o acompanhamento do negócio empresarial deve ser simples e clara, registrando o orçamento, utilizando os conceitos de vanguarda de custos e contabilidade, ações que refletirão as decisões tomadas porocasião do planejamento em termos monetários e, posteriormente, permitirá o confronto dos resultados reais com os planejados, possibilitando ações de controle. O sistema de informação deverá contemplar os seguintes aspectos: I- Estruturado sob o conceito de banco de dados: plano de contas, plano de áreas de responsabilidade / centro de resultados, contabilidade gerencial e contabilidade societária; II- A mensuração das transações é efetuada com os seguintes conceitos: valor de mercado, reconhecimento de receita pela produção dos bens e serviços, custo de oportunidade etc. III- Aos recursos e produtos/ serviços das atividades são atribuídos, respectivamente, custos e receitas com base em valor de mercado. 2.3. Controle de Metas Estratégicas baseado no Balanced Scorecard (BSC) No inicio dos anos 90 os norte-americanos Robert Kaplan, professor de Harvad Business School, e David Norton, presidente do Rewaissance Worldwide Strategy Group, começaram a questionar a validade da utilização de apenas indicadores financeiros para a gestão das empresas, tais como: retorno sobre os investimentos, perdas, lucros, produtividade por funcionário etc. Os pesquisadores citados sentiram necessidade de preencher a lacuna existente, a fim de apresentar instrumentos gerenciais para atender aos usuários da controladoria preocupados com o gerenciamento do futuro estratégico das empresas. O Balanced Scorecard é composto por medidas financeiras e não financeiras, para manter ou expandir seu poder de competição (das empresas) no ambiente mercadológico-empresarial. Os objetivos e medidas do Scorecard derivam da visão e estratégia da empresa. Sem a clara definição de suas metas estratégicas, torna-se difícil para a empresa manter-se ou expandir suas atividades no mundo contemporâneo empresarial. 24 O BSC é ferramenta estratégica imprescindível para que as empresas de qualquer setor orientem seus desempenho presente e futuro, direcionando energias, habilidades e conhecimentos específicos dos trabalhadores dos mais diversos setores da empresa em busca da realização de metas estratégicas e da lucratividade. Para avaliar e controlar o desempenho da empresa vinculada a sua estratégia, o BSC sugere quatro perspectivas: financeira, clientes, processos de negócios internos e aprendizados e crescimento. Assim, os responsáveis pelas áreas levantam as metas de cada área e os principais indicadores que devem ser acompanhados para impulsionar o desempenho da empresa. PERSPECTIVA FINANCEIRA PERSPECTIVA DO CLIENTE PERSPECTIVA INTERNA DA EMPRESA PERSPECTIVA DE INOVAÇÃO E APRENDIZADO ENFOQUE A empresa está gerando recursos para honrar seus compromissos Como os clientes vêem a empresa, como os clientes podem ser melhor atendidos. Em quais processos a empresa deve continuamente aperfeiçoar-se. Capacidade de melhorar, continuar e se preparar para os desafios futuros. INDICADORES Devem mostrar se a execução da estratégia da empresa está contribuindo para honrar a totalidade dos compromissos. Devem mostrar se os serviços prestados estão de acordo com a missão da empresa. Devem mostrar se os processos estão alinhados e geram valor. Devem mostrar como a empresa pode aprender e desenvolver-se para garantir o crescimento. EXEMPLOS: Fluxo de caixa, índices de liquidez. Pontualidade na entrega, satisfação de clientes. Qualidade e produtividade. Índices de rotatividade de estoque, avaliação de faltas, novos produtos/ modelos. As medidas associadas às quatro perspectivas podem comunicar e ajudar a implementar uma estratégia consistente. As medidas diversificadas devem ter uma relação direta com a estratégia e se interligar por uma série de relações de causa e efeito. Juntas descrevem a trajetória estratégica e mostram como investimentos no treinamento de funcionários, tecnologia da informação e produtos e serviços inovadores, melhoram radicalmente o desempenho futuro da empresa. Perspectivas financeiras A elaboração do Balanced Scorecard deve ser um incentivo para que as áreas ou departamentos (unidades de negócio) vinculem seus objetivos financeiros à estratégia da empresa. As metas financeiras devem priorizar: ● a receita e o crescimento de mercado; 25 ● lucratividade; ou ● a geração de fluxo de caixa. As medidas financeiras de desempenho indicam se a estratégia de uma empresa, sua implementação e execução estão contribuindo para a melhoria dos resultados financeiros. Indicadores financeiros: Receita operacional Retorno sobre o investimento Lucratividade Aumento/mix de receita Produtividade da redução de custos Perspectiva dos clientes As empresas devem identificar os segmentos de clientes e mercado. Esses segmentos representam as fontes que irão produzir os componentes de receita dos objetivos financeiros da empresa. A perspectiva dos clientes permite que as empresas alinhem suas medidas essenciais de resultado relacionadas aos clientes – satisfação, fidelidade, retenção, captação e lucratividade – com segmentos específicos de clientes e mercados. Permite, ainda, a clara identificação e avaliação das propostas de valor dirigidas a esses segmentos. Exemplos de indicadores: ● participação no mercado ● desenvolvimento de novos produtos ● retenção de clientes ● captação de clientes ● satisfação de clientes Perspectivas dos produtos internos O BSC permite o correto enfoque de quais processos empresariais são essenciais para que a empresa obtenha nível de excelência. Deve mostrar se os processos e a operação estão alinhados com os objetivos estratégicos. Buscam-se indicadores que apontem casos de ineficiência e ineficácia na condução dos processos como: → Retrabalho → Desperdício 26 → Perda e outras características negativas dos processos internos. Perspectivas de crescimento e aprendizagem A gestão do conhecimento, mapeamento e gestão de pessoas, o desenvolvimento da verdadeira “organização de aprendizagem” dá suporte a perspectivas que garantem solidez, valor fundamental para as empresas de futuro. A habilidade da empresa em inovar, melhorar, aprender e se superar está em consonância com a maximização do valor da empresa. Essa perspectiva identifica a infra-estrutura necessária para gerar crescimento e melhoria de longo prazo. Medidas de desempenho: → Satisfação dos funcionários → Retenção dos funcionários → Produtividade dos funcionários. 2.4. Principais Indicadores de Desempenho Empresarial – Abordagem Tradicional (Análise através de índices) O Papel dos Índices de Balanço Um índice é como uma vela acesa num quarto escuro. Índice é a relação entre contas ou grupos de contas das Demonstrações Financeiras, que visa evidenciar determinado aspecto da situação econômica ou financeira de uma empresa. A característica fundamental dos índices é fornecer visão ampla da situação econômica ou financeira da empresa. Quantos Índices são necessários para uma boa análise? O importante não é cálculo de grande número de índices, mas de um conjunto de índices que permita conhecer a situação da empresa, segundo o grau de profundidade desejada da análise. Aspectos da Empresa Revelados pelos Índices Pode-se subdividir a análise das Demonstrações Financeiras em análise da situação financeira e análise da situação econômica.27 Inicialmente, analisa-se a situação financeira separadamente da situação econômica, no momento seguinte, juntam-se as conclusões dessas duas análises. Assim, os índices são divididos em índices que evidenciam aspectos da situação financeira e índices que evidenciam aspectos da situação econômica. Quadro-resumo dos Índices Apresenta-se a seguir um quadro que resume os principais índices que devem ser utilizados na análise de balanços. 28 Quadro-resumo dos índices SÍMBOLOS ÍNDICE FÓRMULA INDICA INTERPRE TAÇÃO 1. CT/PL 2. PC/CT 3. AP/PL 4. AP/PL + ELP Estrutura de capital ● participação de capitais de terceiros ● composição do endividamento ● imobilização do patrimônio liquido ● imobilização dos recursos não correntes Capitais de terceiros x 100 Patrimônio liquido Passivo circulante x 100 Capitais de terceiros Ativo permanente x 100 Patrimônio líquido Ativo permanente x 100 Patrimônio líquido + exigível a longo prazo Quanto a empresa tomou de capitais de terceiros para cada $100 de capital próprio. Qual o percentual de obrigações a curto prazo em relação às obrigações totais. Quantos reais a empresa aplicou no ativo permanente para cada $100 de PL. Que percentual dos recursos não correntes foi destinado ao ativo permanente. Quanto menor, melhor. Quanto menor, melhor. Quanto menor, melhor. Quanto menor, melhor. 5. LG 6. LC 7. LS Liquidez ● liquidez geral ● liquidez corrente ● liquidez seca Ativo circulante + realizável a longo prazo Passivo circulante + exigível a longo prazo Ativo circulante Passivo circulante Disponível + títulos a receber + outros Ativo de rápida conversibilidade Passivo circulante Quanto a empresa possui de ativo circulante + realizável a longo prazo para cada $1 de divida total. Quanto a empresa possui de ativo circulante para cada $1 de passivo circulante. Quanto a empresa possui de ativo líquido para cada $1 de passivo circulante. Quanto maior, melhor. Quanto maior, melhor. Quanto maior, melhor. 8. V/AT 9. LL/V 10. LL/PL Rentabilidade ● giro do ativo ● margem liquida ● rentabilidade do ativo ● rentabilidade do patrimônio liquido Vendas liquidas Ativo Lucro líquido x 100 Vendas liquidas Lucro liquido x 100 Ativo Lucro liquido x 100 Patrimônio liquido médio Quanto a empresa vendeu para cada $1 de investimento total. Quanto a empresa obtém de lucro para cada $100 vendidos. Quanto a empresa obtém de lucro para cada $100 de investimento total. Quanto a empresa obtém de lucro para cada $100 de capital próprio investido, em média, no exercício. Quanto maior, melhor. Quanto maior, melhor. Quanto maior, melhor. Quanto maior, melhor. 29 Análise vertical/Horizontal Análise vertical O percentual de cada conta mostra sua real importância no conjunto. Análise vertical baseia-se em valores percentuais das demonstrações financeiras. Na análise vertical do balanço calcula-se o percentual de cada conta em relação ao total do ativo. Apresenta-se a seguir a Análise Vertical dos Balanços da Cia. BIG: BALANÇO DE 31.12x1 31.12x2 31.12x3 ATIVO CIRCULANTE FINANCEIRO ●Disponível ●Aplicações financeiras SOMA OPERACIONAL ●Clientes ●Estoque SOMA Total do ativo circulante PERMANENTE ●Investimentos ●mobilizado ●Diferido Total do ativo permanente TOTAL DO ATIVO PASSIVO CIRCULANTE OPERACIONAL ●Fornecedores ●Outras obrigações SOMA FINANCEIRO ●Empréstimos bancários ●Dupls. Descontados SOMA Total do passivo circulante EXIGÍVEL A LONGO PRAZO ●Empréstimos ●Financiamentos Total do exig. a longo prazo CAPITAIS DE TERCEIROS PATRIMÔNIO LIQUIDO ●Capital e reservas ●Lucros acumulados Total do patrimônio liquido TOTAL DO PASSIVO Valor absoluto AV Valor absoluto AV Valor absoluto AV 34.665 128.969 163.634 1.045.640 751.206 1.796.846 1.960.480 72.250 693.448 -.- 765.698 2.726.178 708.536 275.623 984.159 66.165 290.633 256.798 1.340.957 314.360 -.- 314.360 1.653.317 657.083 413.778 1.070.861 2.726.178 1 5 6 38 28 66 72 3 25 - 28 100 26 10 36 2 11 13 49 12 - 12 61 24 15 39 100 26.309 80.915 107.224 1.122.152 1.039.435 2.161.947 2.269.171 156.475 1.517.508 40.896 1.714.879 3.984050 630.065 289.698 928.763 83.429 393.885 477.314 1.406.077 792.716 378.072 1.170.788 2.576.865 1.194.157 213.028 1.407.185 3.984.050 1 2 3 28 26 54 57 4 38 1 43 100 16 7 23 2 10 12 35 20 10 30 65 30 5 35 100 25.000 62.000 87.000 1.529.061 1.317.514 2.846.575 2.933.575 228.075 2.401.648 90.037 2.719.760 5.653.335 688.791 433.743 1.122.523 158.044 676.699 834.743 1.957.277 1.494.240 533.991 2.028.231 3.985.508 1.350.830 316.997 1.667.827 5.653.335 0,5 1,5 2 27 23 50 52 4 42 2 48 100 12 8 20 3 12 15 35 26 9 35 70 24 6 30 100 30 DEMONSTRAÇÕES DE RESULTADOS Exercício findo em 31.12x1 31.12x2 31.12x3 RECEITA LÍQUIDA Custo dos produtos vend. Lucro bruto Despesas operacionais Outras rec./ desp. Opera. LUCRO OPERACIONAL (antes dos resultados financeiros) Receitas financeiras Despesas financeiras LUCRO OPERACIONAL Resultado não operacional LUCRO ANTES DO I.R. LUCRO LÍQUIDO Valor absoluto AV Valor absoluto AV Valor absoluto AV 4.793.123 3.621.530 1.171.593 495.993 8.394 683.994 10.860 284.308 410.546 1.058 411.604 223.741 100 76 24 10 - 14 - 6 8 - 8 4,66 4.425.866 3.273.530 1.152.336 427.225 17.581 742.692 7.562 442.816 307.438 -.- 307.438 167.116 100 74 26 9 - 17 - 10 7 - 7 3,77 5.851.586 4.218.671 1.632.915 498.025 27.777 1.162.671 5.935 863.298 305.304 -.-305.304 165.956 100 72 28 8 - 20 - 15 5 5 2,83 31 Análise Horizontal A evolução de cada conta mostra os caminhos trilhados pela empresa e as possíveis tendências. Baseia-se na evolução de cada conta de uma série de demonstrações financeiras em relação à demonstração anterior e/ou em relação a uma demonstração financeira básica, geralmente a mais antiga da série. BALANÇO DE 31.12x1 31.12x2 31.12x3 ATIVO CIRCULANTE FINANCEIRO ●Disponível ●Aplicações financeiras SOMA OPERACIONAL ●Clientes ●Estoque SOMA Total do ativo circulante PERMANENTE ●Investimentos ●mobilizado ●Diferido Total do ativo permanente TOTAL DO ATIVO PASSIVO CIRCULANTE OPERACIONAL ●Fornecedores ●Outras obrigações SOMA FINANCEIRO ●Empréstimos bancários ●Dupls. Descontados SOMA Total do passivo circulante EXIGÍVEL A LONGO PRAZO ●Empréstimos ●Financiamentos Total do exig. a longo prazo CAPITAIS DE TERCEIROS PATRIMÔNIO LIQUIDO ●Capital e reservas ●Lucros acumulados Total do patrimônio liquido TOTAL DO PASSIVO Valor absoluto AH Valor absoluto AH Valor absoluto AH 34.665 128.969 163.634 1.045.640 751.206 1.796.846 1.960.480 72.250 693.448 -.- 765.698 2.726.178 708.536 275.623 984.159 66.165 290.633 356.798 1.340.957 314.360 -.- 314.360 1.653.317 657.083 413.778 1.070.861 2.726.178 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 26.309 80.915 107.224 1.122.512 1.039.435 2.161.947 2.269.171 156.475 1.517.508 40.896 1.714.879 3.984.050 639.065 289.698 928.763 83.429 393.885 477.314 1.406.077 792.716 378.072 1.170.788 2.576.865 1.194.157 213.028 1.407.185 3.984.050 76 63 65 107 138 100 116 217 218 - 224 146 90 105 94 126 136 134 105 252 - 372 156 182 51 131 146 25.000 62.000 87.000 1.529.061 1.317.514 2.846.575 2.933.575 228.075 2.401.648 90.037 2.719.760 5.653.335 688.791 433.743 1.122.523 158.044 676.699 834.743 195.277 1.494.240 533.991 2.028.231 3.985.608 1.350.830 316.997 1.667.827 1.653.335 72 48 53 146 175 158 150 316 346 - 355 207 97 157 114 238 233 234 146 475 - 645 241 206 77 156 207 32 DEMOSNTRAÇÕES DE RESULTADO Exercício findo em 31.12x1 31.12x2 31.12x3 RECEITA LÍQUIDA Custo dos produtos vend. Lucro bruto Despesas operacionais Outras rec./ desp. Opera. LUCRO OPERACIONAL (antes dos resultados financeiros) Receitas financeiras Despesas financeiras LUCRO OPERACIONAL Resultado não operacional LUCRO ANTES DO I.R. LUCRO LÍQUIDO Valor absoluto AH Valor absoluto AH Valor absoluto AH 4.793.123 3.621.530 1.171.593 495.993 8.394 683.994 10.860 284.308 410.546 1.058 411.604 223.741 100 100 100 100 - 100 - 100 100 - 100 100 4.425.866 3.273.530 1.152.336 427.225 17.581 742.692 7.562 442.816 307.438 -.- 307.438 167.116 92 90 98 89 - 108 - 156 75 - 75 75 5.851.586 4.218.671 1.632.915 498.025 27.777 1.162.671 5.935 863.298 305.304 -.- 305.304 165.956 122 116 140 100 - 158 - 304 75 - 75 75 Repare-se que na construção dos percentuais para elaboração da análise horizontal se usa a técnica dos números-índices em que no primeiro ano todos os valores são considerados iguais a 100. Através da regra de três obtém-se os valores dos anos seguintes; a variação é o que falta para 100. Por exemplo: os estoques apresentam índices 389 em x3; isto significa que cresceram 289%. Objetivos da Análise Vertical / Horizontal Em termos genéricos, os objetivos são os seguintes: ● Análise Vertical: mostrar a importância de cada conta em relação à demonstração financeira a que pertence e, através da comparação com padrões do ramo ou com percentuais da própria empresa em anos anteriores, permite inferir se há itens fora das proporções normais. ● Análise Horizontal: mostrar a evolução de cada conta das demonstrações financeiras e, pela comparação entre si, permitir tirar conclusões sobre a evolução da empresa. 2.5. Análise Comparativa com Concorrentes Avaliação de Índices através de padrões A avaliação dos índices de uma empresa, relativamente às demais do mesmo ramo e praça, pode ser feita através do uso das tabelas de índices-padrão. É com base nos nove decis encontrados que podem ser avaliados com precisão os índices. a) O custo de uma atividade compreende todos os sacrifícios de recursos necessários para desempenhá-la; b) A atribuição de custos às atividades deve ser feita de forma mais criteriosa possível, de acordo com a seguinte ordem de prioridade: 33 1. Alocação direta; 2. Rastreamento; 3. Rateio. Rastreamento é uma alocação com base na identificação da relação de causa e efeito entre a ocorrência da atividade e a geração dos custos. c) Direcionadores de recursos – identifica como as atividades consomem recursos e serve para custear as atividades e demonstra a relação entre os recursos consumidos e as atividades; d) Direcionadores de atividades – identifica a maneira como os produtos “consomem” atividades e serve para custear produtos ou outros objetos de custeamento e indica a relação entre as atividades e os produtos. e) Embora possível, o ABC não tem como objetivo custear estoques para efeito de balanço publicável ou DIPJ, sua eficácia é gerencial; f) Não diferencia custo como consumo de recursos incorridos em nível de chão de fábrica e despesa como consumo de recursos incorridos fora do setor produtivo. Casos Custeio RKW – Reichskuratorium Für Wirtschaftlichtkeit Origem: Alemanha, pós-guerra, por um órgão semelhante ao nosso antigo CIP – Conselho Interministerial de Preços. Características a) Consiste no rateio não só dos custos de produção como também de todas as despesas da empresa, inclusive financeiras, a todos os produtos; 34 b) Com este rateio, chega-se ao valor de “produzir e vender” (incluindo administrar e financiar), basta agora adicionar o lucro desejado para se ter o preço de venda final.c) Método de custeio que pode até ser usado numa economia de decisão totalmente centralizada, dificilmente consegue ter sucesso numa economia de mercado, mesmo que parcialmente controlada pelo governo. 4.2. Relação Custo – Volume- Lucro A análise custo x volume x lucro é uma ferramenta importante no planejamento, porque explora o relacionamento existente entre as suas quatro principais variáveis: custo – receita - volume de saídas - lucro. Outras utilidades: seleção de melhor mix de vendas alternativas de produtos aceitação de ordens especiais seleção de canais de distribuição estratégia de entrar em novos mercados etc. Conceitos que alicerçam: Custo quanto ao volume de produção: fixo e variáveis Custo quanto a identidade com o objeto: diretos e indiretos Caso: A fábrica Nova Esperança produz uma bola que vende por $ 60. Os custos fixos de produção são de $ 120.000 por ano, e o custo variável é de $ 20 por unidade. O volume anual de produção é de 40.000, mas pode ser aumentado para 50.000. Problema a) Qual será o impacto nos custos totais do aumento planejado de produção? b) Qual será o impacto no lucro? 35 Unidades vendidas 40.000 50.000 Total Unidade Total Unidade 1. Receita 2.400.000 60,00 3.000.000 60,00 2. (-) Custo variáv. 800.000 20,00 1.000.000 20,00 3. = Margem de cont.1.600.000 40,00 2.000.000 40,00 4. (-) Custo fixo 120.000 3,00 120.000 2,40 5. = Lucro líquido 1.480.000 37,00 1.880.000 37,60 A análise mostra: - Os custos variáveis totais aumentam proporcionalmente com o volume das saídas, enquanto que o custo variável unitário é constante; - O custo fixo total, entretanto, é constante em ambos os níveis de atividade; - Assim, o custo fixo unitário diminui quando as saídas de produção aumentam e aumenta quando essas saídas diminuem; - Por causa dessa diminuição do custo fixo unitário, o custo total unitário para um nível de atividade de 50.000 é menor que aquele para um nível de 40.000. - Se assumirmos que o preço de vendas permanece constante, a diminuição de custo aumentará a lucratividade. Essas são as análises que são abstraídas da relação custo x volume x lucro. Ponto de Equilíbrio Contábil Nasce da conjunção das receitas totais com os custos totais (RT = CT). No ponto de equilíbrio o resultado é zero. Acima do ponto de equilíbrio ocorre o lucro e abaixo o prejuízo. Ponto de Equilíbrio Econômico Para ser calculado considera o conceito de custo de oportunidade. Ponto de Equilíbrio Financeiro Para o cálculo não serão considerados valores que não impactam o caixa da empresa. 36 Margem de Segurança Calculada em percentual, é o que ultrapassa o ponto de equilíbrio, ocorrendo sua redução, mesmo assim, não entra na faixa de prejuízo. Aplicação dos Conceitos A Livraria Amazônia Ltda. alugou stand no CENTUR para uma feira de livros e pagou R$ 5.000,00 pelo espaço alugado. Convencionou com as editoras que os livros não vendidos seriam devolvidos para as respectivas editoras e que pagaria o valor único de R$ 20,00 por cada livro. Padronizou o preço unitário de venda em R$ 30,00 e que saber: a) Qual a quantidade vendida e o faturamento que permitirá a inexistência de prejuízo? b) Qual a quantidade vendida que permitirá lucro de R$ 5.000,00? c) Considerando que a alíquota do imposto de renda somada com a da contribuição social atinge 24%, qual a quantidade a ser vendida para obter lucro após os impostos, dos mesmos R$ 5.000,00? d) Se vender 700 unidades, em percentual, qual a margem de segurança? = Vamos você pode resolver!! =