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Elismarina Rufino Leonardo Ramos Mateus Aires CULTURA DO MELÃO Introdução O melão (Cucumis melo L.) é uma das oleráceas mais populares do mundo, é originário do sudoeste da África e Índia. Em 2007 a área cultivada foi de aproximadamente 1,27 milhões de ha, com produção de 26,8 milhões de t, no mundo ; Colheita de final de agosto a final de março, sendo as melhores épocas de exportação. De acordo com a Pesquisa Agrícola Municipal (PAM), do (IBGE), em 2016 a produção da fruta no Brasil chegou a 596.430 t, com valor da produção estimado em R$ 597,724 milhões. http://www.editoragazeta.com.br/sitewp/wp-content/uploads/2018/04/FRUTICULTURA_2018_dupla.pdf COSTA, Nivaldo Duarte. A cultura do melão. Área de Informação da Sede-Col Criar Plantar ABC 500P/500R Saber (INFOTECA-E), 2001. 2 Introdução O maior produtor mundial é a China, com 55% da produção mundial seguido de outros países como : Turquia, Irã, Estados Unidos, Espanha e Índia; o Brasil 12 ° maior produtor. Segundo a revista “Anuário Brasileiro da fruticultura – 2018” o Brasil produz cerca de 22 mil hectares: 20 mil na Chapada do Apodi, Rio Grande do Norte e do Ceará, 70% da produção se dá em RG. 2 mil na região de Petrolina, em Pernambuco. Introdução O melão é rico em elementos minerais, como potássio, sódio e fósforo; valor energético baixo, e porção comestível cerca de 55 % do fruto. Seu consumo é in natura e também na forma de suco; O fruto maduro tem propriedades medicinais como calmante, refrescante, alcalinizante, mineralizante, oxidante, diurético, laxante e emoliente. E também indicado para controle de algumas doenças. Classificação botânica Divisão: Angiospermae Classe: Dicotiledoneae Família: Cucurbitaceae Gênero: Cucumis Espécie: C. melo L. Clima É de extrema importância para a cultura desde a germinação das sementes até a definição da qualidade final do produto. Clima ideal semiárido, quente e seco para frutos com maiores teores de Brix (%), além de sabor agradável, mais aroma e maior consistência; 6 Clima É recomendável o plantio com exposição solar na faixa de 2.000 horas/ano a 3.000 horas/ano. A faixa de umidade relativa do ar ótima situa-se de 65 % a 75 %. 7 Época de plantio Regiões de clima frio - de outubro a fevereiro; Em clima ameno, de agosto a março; Em clima quente, durante o ano todo. Deve-se evitar, porém, as épocas de chuvas intensas. 8 Época de plantio No Rio Grande do Norte e no Ceará, o plantio vai de junho a dezembro, com maior concentração no período compreendido entre agosto e outubro. No Vale do São Francisco (Juazeiro e Petrolina), o ano todo, sendo mais entre novembro e abril. 9 Grupos varietais Cor da casca Superfície da casca Presença de rendilhado Formato do fruto Cor da polpa Tamanho da cavidade das sementes Aderência do pedúnculo 10 Fruto do melão – tipo baga http://www.esalq.usp.br/departamentos/lpv/lpv0621/MELAO.pdf 11 Cultivares 12 Cultivares Deve se considerar alguns aspectos : Procedência das sementes. Qualidades agronômicas. Resistência a doenças. Conservação pós-colheita. Facilidade de comercialização. Preferência do consumidor. 13 Cultivares Cultivar do tipo Amarelo Os frutos têm formato elíptico, casca amarelada, peso médio de 1,20 kg a 2,00 kg sabor extremamente doce. Resistentes ao vírus do mosaico do mamoeiro, estirpe melancia (PRSV – W), ao oídio, mildio, fusarium; alta produtividade para outros. 14 AF-682; Tropical ; AF-646; Gold Mine; Vereda; Goldex; Jangada. Híbrido Gold Mine Cultivar do tipo Amarelo Cultivares 15 Cultivares Tipo Pele de Sapo Resistente ao oídio e ao vírus do mosaico do mamoeiro, estirpe melancia (PRSV - W); Outros híbridos são resistentes ao míldio e ao Fusarium; Híbridos de plantas vigorosas com boa cobertura foliar; Coloração verde, com manchas verde escuras e amarelas; Boa conservação pós-colheita e Brix elevado; Peso médio variando de 1,3 a 4 kg de acordo com o hibrido.; polpa creme-verde-claro; O ciclo vai de médio a tardio. Híbridos Nilo; Juazeiro; Sancho; Tendency. 16 Cultivares Tipo Cantaloupe Frutos redondos, ligeiramente ovalados; Casca rendilhada, de cor verde, e polpa cor de salmão Ciclo de 65 a 70 dias, podendo chegar a 75 dias (Galileu); Híbrido de plantas vigorosas, produtivas e resistentes ao transportes; Tolerância ao Fusarium e ao oídio. Híbridos: Hy-mark; Torreon; Galileu. 17 Cultivares Tipo Gália Solar King – Híbrido com excelente conservação pós-colheita, por cerca de 8 a 12 dias de prateleira, em condições ideais. Suas sementes têm elevado custo. 18 Cultivares Tipo Honeydew (melão branco) Frutos redondos; Casca de coloração creme, branco; Resistente a fusarium, algumas raças de oidio; Ciclo de aproximadamente 60 podendo chegar ate a 80 dias (Honeydew) Híbridos Orange County ; Saturno; Cultivar de polinização aberta. Honeydew 19 Cultivares Tipo melão branco Híbridos Orange County ; Saturno; Cultivar de polinização aberta. Honeydew 20 Cultivares Tipo Charentais Kousto RZ – Híbrido monoico, resistente ao oídio, raças 0, 1 e 2. Os frutos apresentam formato arredondado e peso médio de 1,0 kg a 1,2 kg. A casca é reticulada e a textura da polpa é firme e de coloração alaranjada. 21 Fenologia Melo, P.C 22 Solo Um solo ideal - 45 % da parte mineral, 5 % da parte orgânica, 25 % da parte gasosa e 25 % da parte líquida. A cultura do melão não tolera solos de baixadas úmidas, má drenagem, nem solos muito arenosos e rasos. pH do em torno de 6,0 a 7,5. Preferência por solos férteis, com 80 cm ou mais de profundidade, de textura média e com boa porosidade, com melhor infiltração da água, fácil drenagem e desenvolvimento radicular A cultura não tolera solos ácidos. A salinidade afeta o desenvolvimento das plantas, provocando decréscimo na produtividade, de 25 %, quando a condutividade elétrica for igual a 4 dS/m, e de 50 %, quando igual a 6 dS/m. 23 Calagem A calagem é necessária pois uma planta bem suprida de cálcio produz frutos com polpa mais firme e consistente. Independente se o solo necessita ou não o nutriente tem de ser disponibilizado para a planta. Em seguida a gradagem deverá ser feita. Para a adubação orgânica do melão, recomendam-se 20 m³ /ha de esterco de curral bem curtido, ou 2 t/ha de torta de mamona, também bem curtida 24 Adubação Devem ser aplicados em sulco, abaixo e ao lado da semente ou da muda do melão, antes do plantio. Micronutrientes: boro, cobre, ferro, manganês, molibdênio e zinco. Para a adubação orgânica do melão, recomendam-se 20 m³ /ha de esterco de curral bem curtido, ou 2 t/ha de torta de mamona, também bem curtida Recomenda-se usar as combinações sulfato de amônio e superfosfato triplo, ou uréia e superfosfato simples, para garantir o suprimento de enxofre às plantas. Para o potássio, é aconselhável o uso alternado do cloreto com o K2SO4 sulfato de potássio entre os cultivos, porque o excesso de cloreto no solo ocorre uma mais rápida deterioração dos frutos depois de colhidos. os micronutrientes, que são absorvidos em pequena quantidade, como boro, cobre, ferro, manganês, molibdênio e zinco. Esses micronutrientes são determinantes para os processos de crescimento, de síntese e de translocação de açúcares na planta, possibilitando maior produtividade e melhor qualidade dos frutos. 25 Tabela 3- Composição química dos fertilizantes mais utilizados na fertirrigação e época na qual devem ser aplicados no cultivo do melão. Adubação de cobertura 26 Em solo compactados é recomendável a subsolagem da área. A aração de 20 cm a 40 cm. Em seguida, uma gradagem leve, para nivelar o terreno. O plantio é feito por semeadura direta, utilizando-se, em média, de 0,8 kg a 2,0 kg de sementes por hectare. A semeadura é feita colocando-se duas ou três sementes por cova. Em híbridos, apenas 1 semente porcova (alto custo da semente); O plantio deve ser realizado em áreas já umedecidas. Outra forma de cultivo é a semeadura em bandejas de isopor, utilizando-se substrato apropriado e transplantio das mudas por volta de 10 a 12 dias após a semeadura (principalmente no caso de híbridos). Preparo do solo e plantio Hibridos - em virtude do alto preço e do bom percentual germinativo das sementes. 27 O espaçamento depende do fim comercial, da cultivar e da área a ser produzida: Pequenas áreas : 2 m entre fileiras e de 0,3 m - 0,5 m entre plantas; Grandes áreas : espaçamento de 2m a 3 m, entre fileiras e de 12 cm a 50 cm. Para frutos menores a fim de exportação : faz o plantio em fileiras duplas, deixando-se uma planta em cada lado do gotejador ou sulco de irrigação. Isso permite intensa competição entre plantas, que produzem um maior número de frutos de tamanho menor Preparo do solo e plantio O espaçamento ideal da cultura depende da característica genética da cultivar, do nível de tecnologia empregado pelo produtor e, principalmente, da exigência do mercado em relação ao tamanho dos frutos. 28 Desbaste de plantas: plantas com quatro a cinco folhas definitivas, em torno de 12 a 15 dias da germinação, elimina se as mais fracas . É feita por corte com facas ou tesouras, ou por arranquio manual. Polinização – o melão é uma planta monoica. A floração acontece de 18 a 25 dias após o plantio, surgindo primeiro as flores masculinas; e após 3 a 5 dias, inicia-se o aparecimento simultâneo das flores masculinas e femininas. A abertura ocorre de uma a duas horas após o aparecimento do sol, e o fechamento, à tarde, permanecendo assim apenas por um dia. Tratos Culturais 29 A presença de abelhas durante a fase de florescimento é fundamental, tanto para melhorar o pegamento dos frutos e a produtividade, quanto para diminuir o número de frutos defeituosos. Raleamento de frutos – melhorar o tamanho e a qualidade dos frutos, eliminação dos frutos malformados. Tratos Culturais ABELHAS - Recomenda-se evitar pulverizações com inseticidas durante a fase de florescimento, principalmente pela manhã, e instalar colmeias nas proximidades da cultura, quando houver poucas abelhas no local. RALEAMENTO Estresses hídricos e problemas de polinização são as principais causas de frutos malformados. Pragas, doenças e formato ou cicatriz estilar grande também podem provocar a má-formação. Nas grandes empresas produtoras de melão, não se faz o raleamento, quando os frutos são destinados à exportação. Maiores adensamentos de plantas são utilizados para conseguir frutos pequenos, que são preferidos por esse mercado. 30 Estresses hídricos e problemas de polinização são as principais causas de frutos malformados. Pragas, doenças e formato ou cicatriz estilar grande também podem provocar a má-formação. Controle de plantas daninhas – tração animal entre linhas, e capina manual e localizadas. Ainda não existem herbicidas seletivos para o melão. Tratos Culturais 31 Calçamento dos frutos – Consiste em calçar o fruto com dois pedaços de bambu, palha ou capim seco, a fim de impedir o contato direto dos frutos com o solo, evita o apodrecimento (principalmente na época chuvosa, na fase próxima à colheita) provocado por pragas, como a broca das hastes e a brocadas cucurbitáceas. Tratos Culturais 32 Distúrbios fisiológicos – A deposição deficiente ou desuniforme de pólen nos lóbulos estigmáticos pode promover o crescimento irregular do ovário, ocasionando má-formação e tornando o fruto imprestável pela classificação comercial. Desequilíbrio hídrico na fase inicial do crescimento do fruto causa o afinamento do fruto na região próxima ao pedúnculo, fenômeno conhecido, vulgarmente, como fruto cabacinha. Tratos Culturais 33 Irrigação é realizada principalmente por gotejamento, com frequência de irrigação inferior a 2 dias. Do plantio à colheita necessita de 300 mm a 550 mm, dependendo das condições climáticas e da cultivar. O estádio de frutificação é o período mais crítico quanto à deficiência de água no solo. Fertirrigação : é dependente da cultivar, e do tipo de fertilizante a ser usado. Irrigação A deficiência de água reduz o pegamento e o tamanho de frutos, comprometendo a produtividade, enquanto o excesso favorece a ocorrência de doenças e a lixiviação de nutrientes. É o período de máxima necessidade hídrica da cultura, e a umidade do solo deve permanecer próxima à capacidade de campo. Fertilizantes com maior potencial de lixiviação, como os nitrogenados, devem ser aplicados mais freqüentemente que aqueles com menor potencial, como os potássicos. 34 BROCA-DAS-CUCURBITÁCEAS – Diaphania nitidalis, Diaphania hyalinata . Danos: As lagartas atacam folhas, brotos, ramos, flores e frutos. Abertura de galerias na polpa dos frutos. Controle: Bacillus thuringiensis Berliner (Dipel®) Produtos seletivos, MIP . Pragas do Meloeiro Imagem : Agrolink Observa-se que os brotos e as folhas nos ramos atacados secam. Quando o ataque é severo, ocorre abertura de galerias na polpa dos frutos, inviabilizando-os para a comercialização 35 PULGÃO – Aphis gossypii Glover Danos : plantas novas atacadas apresentam brotações e folhas deformadas. Vetor do vírus do mosaico na cultura do melão; Pragas do Meloeiro Controle: Controle dos vetores fora da área cultivada ; Eliminação de plantas hospedeiras. Observa-se que os brotos e as folhas nos ramos atacados secam. Quando o ataque é severo, ocorre abertura de galerias na polpa dos frutos, inviabilizando-os para a comercialização 36 Murcha de fusário – Fusarium oxysporum sp. Doenças causadas por fungos Agrolink 37 Antracnose – Colletotrichum gloeosporioides f. sp. Cucurbitae Doenças causadas por fungos Agrolink 38 Míldio – Pseudoperonospora cubensis; Doenças causadas por fungos Agrolink 39 Oídio – Podosphaera xanthii Doenças causadas por fungos 40 Podridão do colo – Macrophomina phaseolina; Doenças causadas por fungos http://www.esalq.usp.br/departamentos/lpv/lpv0621/MELAO.pdf 41 Cancro das hastes, crestamento gomoso ou podridão de micosfaerela – Dydimella bryoniae; Doenças causadas por fungos http://www.esalq.usp.br/departamentos/lpv/lpv0621/MELAO.pdf 42 Mancha aquosa ou mancha bacteriana do fruto – Acidovorax avenae subsp. Citrulli Doenças causadas por bactérias e nematoide Galhas – Meloidogyne incognita 43 Vírus da mancha anelar do mamoeiro (Papaya ringspot virus – type watermelon – PRSV-w). Vírus do mosaico amarelo da abobrinha (Zucchini yellow mosaic virus – ZYMV). Vírus do mosaico da melancia (Watermelon mosaic virus – WMV). Vírus do mosaico do pepino (Cucumber mosaic virus – CMV). Amarelão (Melon yellowing associated vírus – MyaV) Doenças causadas por vírus 44 Vírus da mancha anelar do mamoeiro (Papaya ringspot virus – type watermelon – PRSV-w). Doenças causadas por vírus Sintomas induzidos por PRSV-w em melão. Nas folhas observam – se sintomas de faixa verde das nervuras e rugosidade no limbo foliar . Imagem : Embrapa 45 Colheita de 50 a 65 dias dependendo da cultivar plantada; Cor e aspecto da casca: a coloração da casca deve ser uniforme de acordo com as características do hibrido utilizado; Teor de Brix(%): mínimo de 9, porém quanto mais alto melhor na comercialização; Firmeza da polpa: importante para transporte e conservação pós colheita. Algumas cultivares desenvolvem uma rachadura próxima ao pedúnculo , a colheita por tanto deve ser realizada antes do aparecimento da mesma, para que não seja porta de entrada de patógenos. E nas horas mais frescas do dia . Colheita 46 Os frutos colhidos devem ficar protegidos do sol, até o local de embalagem. O manuseio deve ser cuidadoso; Evitar velocidade alta e estradas irregulares. Na embalagem os frutos devem ser limpos sem resíduos de terra. São selecionados, classificados e acondicionados em caixas. Embalagem e Conservação 47 Frutosdestinados à exportação são paletizados e submetidos a um resfriamento rápido, em túneis de ar forçado. Temperaturas de 4° - 10° C; Umidade relativa: de 85% - 95% Embalagem e Conservação O objetivo é baixar a temperatura o mais rápido possível, até alcançar aquela que seja ideal para o armazenamento do tipo específico de melão. 48 Referências https://www.hfbrasil.org.br/br/melao-cepea-plantio-da-safra-2018-19-se-intensifica-no-rn-ce.aspx https://www.noticiasagricolas.com.br/noticias/hortifruti/216500-melao-plantio-da-safra-201819-se-intensifica-no-rnce.html#.XA1T1WhKjIU COSTA, Nivaldo Duarte. A cultura do melão. Área de Informação da Sede-Col Criar Plantar ABC 500P/500R Saber (INFOTECA-E), 2001. http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/o-cultivo-e-o-mercado-do-melao,5a8837b644134410VgnVCM2000003c74010aRCRD http://www.cpatsa.embrapa.br:8080/sistema_producao/spmelao/socioeconomia.html http://www.esalq.usp.br/departamentos/lpv/lpv0621/MELAO.pdf BRAGA SOBRINHO, R. et al. Monitoramento de pragas na produção integrada do meloeiro. Embrapa Agroindústria Tropical-Documentos (INFOTECA-E), 2003. VIANA, F. M. P. et al. Recomendaçoes para o controle das principais doenças que afetam a cultura do melao na regiao Nordeste. Embrapa Agroindústria Tropical-Circular Técnica (INFOTECA-E), 2001. https://www.agrolink.com.br/problemas/podridao-de-raizes_2592.html 49