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2 - sociologia

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bens de consumo. É aí 
que os meios de comunicação ganharam o papel 
de transformar o povo em massa e de dar-lhe a 
forma que convinha. Surgiu, então, o Welfare State 
(Estado de bem-estar social), também baseado 
em nos acordos de Bretton Woods. E nasceram, 
ainda, a doutrina Truman e o Plano Marshall20. 
Truman foi presidente dos EUA entre 1945-53, 
e sua doutrina pregava o fortalecimento do 
capitalismo para evitar a expansão do socialismo 
– guerra ao Socialismo/Comunismo. Marshall 
foi um assessor do governo na época em que se 
planejaram os altos investimentos na recuperação 
da Europa com o objetivo de afastar o Socialismo.
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17 - http://cnec.lk/05w5 18 - http://cnec.lk/0613 19 - http://cnec.lk/05wf 20 - http://cnec.lk/05wg
Fig.6.6
Fig.6.7
 Movimentos e manifestações culturais
17Volume 2
 Cabe perguntar como isso afeta nossa sociedade atualmente, em termos de cultura. Como 
vimos, cultura é muito mais do que manifestações artísticas. Não é o que a grande mídia mostra. 
A seção “Cultura” no jornal Folha de São Paulo traz, em geral, programações de eventos – não traz 
artigos de antropólogos discutindo problemas culturais. O conceito antropológico de cultura já foi 
analisado, mas o que está por trás da noção de cultura da mídia?
 Uma análise, a partir dos conceitos de massifi cação, permite inferir que a “cultura” veiculada pela 
mídia representa os interesses dos donos dos meios de comunicação e de quem lhes paga para 
divulgar tal ou qual tema sob tal ou qual ponto de vista. Essa elite do poder tem muito claro para si 
que é preciso construir uma opinião que lhe seja favorável para se preservar no poder.
 Alguns fi lósofos brasileiros (Marilena Chauí21 e Viviane Mosé22, por exemplo) apontam que 
a seleção de pontos de vista e assuntos, bem como a maneira de abordá-los, feita pela mídia 
brasileira é um trabalho de desinformação porque não dá nenhum contexto para que o leitor/
espectador/ouvinte forme sua própria opinião. Nesse sentido, a “informação” é massifi cada, sem 
qualquer tratamento, sem contexto e sem conteúdo para uma massa indistinta de pessoas.
 Deleuze23 e Guattari24, em um momento em que discutem linguística e semiótica, afi rmam que a 
comunicação não tem por objetivo informar coisa alguma. O que se transmite é, antes de mais nada, 
o mínimo necessário para que uma opinião seja reproduzida, isto é, apropriada pela pessoa, acatada 
como correta sem avaliação – o que automaticamente legitima a opinião da mídia – e difundida. O 
conceito que esses fi lósofos utilizam é o de palavra de ordem. Signifi ca que a informação é apenas 
a necessária para transmitir ordens e garantir seu cumprimento, sem deixar saber de quem veio a 
ordem e qual é a sua fi nalidade.
 Chamamos palavras de ordem não uma categoria particular de enunciados explícitos (por 
exemplo, no imperativo), mas a relação de qualquer enunciado com pressupostos implícitos 
[...]. As palavras de ordem não remetem, então, somente aos comandos, mas a todos os atos 
que estão ligados aos enunciados por uma “obrigação social”. Não existe enunciado que não 
apresente esse vínculo, direta ou indiretamente. Uma pergunta, uma promessa, são palavras de 
ordem. [...] 
DELEUZE; GUATTARI, 1996, pp.:95-6, grifo do original.
 Quer dizer, não é porque a “informação” não aparece na forma de uma ordem que ela não seja 
uma ordem indireta. Aliás, a maneira mais efi ciente de se obter domínio (obediência) é aquela 
pela qual as pessoas não percebem que estão sendo manipuladas. A ausência de contexto das 
informações midiáticas cumpre este papel. O pressuposto implícito é que a ordem não será 
questionada.
 Costuma-se dizer que o jornalista responde às perguntas: O quê? Quem? Como? Quando? 
Onde? Por quê? Ora, estas questões nada mais são do que o contexto, o local do discurso, a 
historicidade dos fatos. Quando tomamos uma reportagem mais vulgar, as respostas a estas 
perguntas básicas estão ausentes. O fato de isso passar despercebido pelas pessoas é sinal de 
que se mordeu a isca, aceitou-se o que está escrito/dito como chegou até nós.
 Um fato social expressivo desta descontextualização é que as notícias são cada vez menores. 
Linhas. Etiquetas (“tags”). Apenas rotulamos, não analisamos. Os comentários na internet são, em 
sua maioria, fora do contexto e sem fundamento por essa mesma razão.
 Não signifi ca que sejamos bobos. O fato acontece porque, às vezes, faz-se uma leitura 
inadvertida, crendo na imparcialidade de quem reporta a “informação”. Nem os positivistas, 
que acreditavam que os dados empíricos eram incontestáveis, deixavam isso passar sem 
questionamento. Quando tomamos dados, prega o positivismo, devemos verifi car a qualidade da 
fonte, como construíram-se os dados. Além do mais, como veremos (seção 7) no caso da história 
do conceito de cultura, os valores sociais mudam com o tempo e, por isso mesmo, a fonte de 
informação deve ser situada no tempo, para ser corretamente interpretada.
 Há um dizer popular que afi rma: papel e internet aceitam qualquer coisa. Certamente, no 
papel e na internet é possível escrever qualquer coisa sem que a veracidade do que foi escrito
21 - http://cnec.lk/0619 22 - http://cnec.lk/061d 23 - http://cnec.lk/060x 24 - http://cnec.lk/060p
Sociologia
18 1ª série do Ensino Médio
seja contestada. O que se chama de entrelinha é esta parte do discurso que não é dita, que 
está implícita, subjacente, e que se tenta evidenciar para tomar uma posição adequada frente à 
informação.
 Pode-se dizer, ainda, que a defi nição do que é e do que não é “cultura” passa pelo arbítrio 
de quem veicula a informação. Por que determinados eventos aparecem e outros nem sequer 
são mencionados?
 Em certo sentido, esta pregação ideológica visa a legitimar uma ordem social. Divulga ideias 
e valores que, se não forem contextualizados, levam a pessoa a pensar e a agir como alguém 
deseja. É por isso que a leitura é difícil e desencorajada. É por isso que este texto não vai ao ponto 
sem atualizar o contexto histórico, o lugar do discurso. É por isso que o professor tem de mediar 
a história.
Exercícios de sala
1 Analise a charge com os conceitos de cultura de massa
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6.2 Contracultura (http://cnec.lk/05wp)
A contestação desses aparelhos ideológicos de Estado – conforme uma expressão de Louis Althusser25 – não é exclusividade dos dias atuais. Em todas as civilizações do mundo houve 
contestadores. A reforma protestante na Idade Média foi uma contestação da ideologia católica. 
O socialismo contestou fortemente o capitalismo.
 Estudaremos, nesta seção, alguns movimentos 
de contracultura, que se referem a diversos 
eventos e movimentos sociais, principalmente as 
manifestações de estudantes parisienses de maio 
de 1968.
 Os movimentos de maio de 1968 são apenas os mais 
conhecidos. Eles têm antecedentes e sucessores. O 
contexto geral da Europa, 20 anos após a II Guerra 
Mundial, era de conformismo. Uma “paz” muito 
tensa, com o “inimigo vermelho” a menos de 500 
km. De fato, o Estado de bem-estar social apenas 
oferecia bens de massa (em grande quantidade 
e acessíveis à massa amorfa de trabalhadores) 
e incentivava o consumismo como a perfeição do capitalismo. Nos EUA, essa “realização” era 
representada pelo slogan: american dream (sonho americano) ou american way of life (jeito 
americano de vida). Recentemente diz-se smile (sorria) – claramente uma palavra de ordem – 
que ainda preserva subentendido “sorria, porque você está no melhor dos mundos”, como se não

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