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RESUMO – CASO 5 – NEUROLOGIA André Tavernard ANATOMIA Objetivo: compreender a vascularização cerebral. O sistema nervoso é formado de estruturas nobres e altamente especializadas, que exigem para o seu metabolismo um suprimento permanente e elevado de glicose e oxigênio. O consumo de oxigênio e glicose pelo encéfalo é muito elevado, o que requer um fluxo sanguíneo muito intenso. Quedas na concentração de glicose e oxigênio no sangue circulante ou, por outro lado, as suspensões do fluxo sanguíneo ao encéfalo não são toleradas por um período muito longo. A parada da circulação cerebral por mais de sete segundos leva o indivíduo a perda da consciência. Após cerca de cinco minutos começam aparecer lesões que são irreversíveis, pois, como se sabe, as células nervosas não se regeneram. O fluxo sanguíneo cerebral é muito elevado, sendo superado apenas pelo do rim e do coração. Calcula-se que em um minuto circula pelo encéfalo uma quantidade de sangue aproximadamente igual ao seu próprio peso. Vascularização Arterial do Encéfalo Polígono de Willis: O encéfalo é vascularizado através de dois sistemas: Vértebro-basilar (artérias vertebrais) e Carotídeo (artérias carótidas internas). Estas são artérias especializadas pela irrigação do encéfalo. Na base do crânio estas artérias formam um polígono anastomótico, o Polígono de Willis, de onde saem as principais artérias para vascularização cerebral. ARTÉRIAS CARÓTIDA INTERNA E VERTEBRAL As artérias vertebrais se anastomosam originado a artéria basilar, alojada no sulco basilar anterior. Ela se divide em duas artérias cerebrais posteriores que irrigam a parte posterior da face inferior de cada um dos hemisférios cerebrais. As artérias carótidas internas originam, em cada lado, uma artéria cerebral média e uma artéria cerebral anterior. As artérias cerebrais anteriores se comunicam através de um ramo entre elas que é a artéria comunicante anterior. As artérias cerebrais posteriores se comunicam com as arteriais carótidas internas através das artérias comunicantes posteriores. RESUMO – CASO 5 – NEUROLOGIA André Tavernard POLÍGONO DE WILLIS – ESQUEMA ARTÉRIAS DO ENCÉFALO – VISTA INFERIOR RESUMO – CASO 5 – NEUROLOGIA André Tavernard Artéria Carótida Interna (Sistema Carotídeo) Ramo de bifurcação da carótida comum, a carótida interna, após um trajeto mais ou menos longo pelo pescoço, penetra na cavidade craniana pelo canal carotídeo do osso temporal. A seguir, perfura a dura-máter e a aracnóide e, no início do sulco lateral, dividi-se em dois ramos terminais: as artérias cerebrais média e anterior. A artéria carótida interna, quando bloqueada pode levar a morte cerebral irreversível. Um entupimento da artéria carótida é uma ocorrência séria, e, infelizmente, comum. Clinicamente, as artérias carótidas internas e seus ramos são freqüentemente referidos como a circulação anterior do encéfalo. VISTA ANTERIOR DAS ARTÉRIAS CEREBRAL ANTERIOR E MÉDIA ARTÉRIA CEREBRAL MÉDIA Artéria Vertebral e Basilar (Sistema Vértebro-basilar) As artérias vertebrais seguem em sentido superior, em direção ao encéfalo, a partir das artérias subclávias próximas à parte posterior do pescoço. Passam através dos forames transversos das primeiras seis vértebras cervicais, perfuram a membrana atlanto-occipital, a dura- máter e a aracnoide, penetrando no crânio pelo forame magno. Percorrem a seguir a face ventral do bulbo e, aproximadamente ao nível do sulco bulbo-pontino, fundem-se para constituir um tronco único, a artéria basilar. As artérias vertebrais originam ainda as artérias espinhais e cerebelares inferiores posteriores. A artéria basilar percorre o sulco basilar da ponte e termina anteriormente, bifurcando- RESUMO – CASO 5 – NEUROLOGIA André Tavernard se para formar as artérias cerebrais posteriores direita e esquerda. A artéria basilar dá origem, além das cerebrais posteriores, às seguintes artérias: cerebelar superior, cerebelar inferior anterior e artéria do labirinto, suprindo assim áreas do encéfalo ao redor do tronco encefálico e cerebelo. O sistema vértebro- basilar e seus ramos são freqüentemente referidos clinicamente como a circulação posterior do encéfalo. ARTÉRIA CEREBRAL POSTERIOR E ANTERIOR ESQUEMA DAS ARTÉRIAS CEREBRAIS OR RESUMO – CASO 5 – NEUROLOGIA André Tavernard VASCULARIZAÇÃO DO CEREBELO ❖ Ramos da basilar: • A. cerebelar superior. • A cerebelar ínfero-anterior. ❖ Ramo da a. vertebral: • A. cerebelar ínfero-posterior. Sistema vértebro-basilar. Visualizam-se o nervo oculomotor (III) e as artérias cerebral posterior (ACP), cerebelar superior (ACS), basilar (AB), cerebelar ântero-inferior (ACAI), cerebelar póstero- inferior (ACPI), espinhal anterior (AEA) e vertebral (AV). TERRITÓRIOS DE IRRIGAÇÃO DAS ARTÉRIAS CEREBRAIS DIVISÃO DA ARTÉRIA CARÓTIDA INTERNA Classificação de Bouthiller C1 – Segmento Cervical C2 - Segmento Petroso C3 - Segmento Lacerum C4 - Segmento Cavernoso C5 - Segmento Clinóideo C6 - Segmento Oftálmico ou Supraclinóideo C7 - Segmento Comunicante ou Terminal RESUMO – CASO 5 – NEUROLOGIA André Tavernard A veia mais importante deste sistema é a veia cerebral magna ou veia de Galeno, para a qual converge todo o sangue do sistema venoso profundo do cérebro. Vascularização Venosa do Encéfalo As veias do encéfalo, de um modo geral, não acompanham as artérias, sendo maiores e mais calibrosas do que elas. Drenam para os seios da dura- máter, de onde o sangue converge para as veias jugulares internas, que recebem praticamente todo o sangue venoso encefálico. As veias jugulares externa e interna são as duas principais veias que drenam o sangue da cabeça e do pescoço. As veias jugulares externas são mais superficiais e drenam, para as veias subclávias, o sangue da região posterior do pescoço e da cabeça. As veias jugulares internas profundas drenam a porção anterior da cabeça, face e pescoço. Elas são responsáveis pela drenagem de maior parte do sangue dos vários seios venosos do crânio. As veias jugulares internas de cada lado do pescoço juntam-se com as veias subclávias para formar as veias braquiocefálicas, que transportam o sangue para a veia cava superior. As veias do cérebro dispõem-se em dois sistemas: sistema venoso superficial e sistema venoso profundo. Embora anatomicamente distintos, os dois sistemas são unidos por numerosas anastomoses. Sistema Venoso Superficial – Drenam o córtex e a substância branca subjacente. Formado por veias cerebrais superficiais (superiores e inferiores) que desembocam nos seios da dura-máter. Sistema Venoso Profundo – Drenam o sangue de regiões situadas mais profundamente no cérebro, tais como: corpo estriado, cápsula interna, diencéfalo e grande parte do centro branco medular do cérebro. RESUMO – CASO 5 – NEUROLOGIA André Tavernard VASCULARIZAÇÃO VENOSA DO ENCÉFALO RESUMO – CASO 5– NEUROLOGIA André Tavernard HISTOLOGIA Objetivo: descrever a histologia das meninges. CONSIDERAÇÕES GERAIS ❖ As meninges são formadas por: 3 camadas, dura- máter, aracnoide-máter e pia-máter, da mais externa para a mais interna. DURA-MÁTER ❖ Constituída de: tecido conjuntivo denso. • No crânio: contínua com o periósteo. • Na medula: separada do periósteo das vértebras pelo espaço peridural (contém veias, TCF e tecido adiposo). OBS¹ O espaço entre a aracnoide e a dura (subdural) não existe em condições normais. OBS² É inervada e vascularizada ARACNOIDE -MÁTER ❖ Partes: • Membrana em contato com a dura-máter. • Traves que se projetam para a pia-máter. ❖ Espaço subaracnóideo: é o espaço entre a aracnóide e a pia, entre as traves. ❖ Constituída de: tecido conjuntivo e epitélio pavimentoso estratificado de origem mesenquimatosa. ❖ Vilosidades da aracnoide: são dilatações fechadas na dura-máter que provocam saliências em seios venosos. • Função das vilosidades: transferir líquor para o sangue. O líquor atravessa a parede da vilosidade e dos seios venosos para cair na circulação. PIA-MÁTER ❖ Característica: muito vascularizada e se adere ao tecido nervoso por meio dos astrócitos. • Face interna: em contato com astrócitos. • Face externa: composto por células mesenquimatosas. ❖ Espaços perivasculares: são os túneis preenchidos por pia-máter, que recobrem os vasos que penetram o sistema nervoso partindo do espaço subaracnóideo. Vilosidade da aracnoide-máter RESUMO – CASO 5 – NEUROLOGIA André Tavernard OBS Antes dos vasos virarem capilares eles perdem o revestimento de pia-máter. BARREIRA HEMATOENCEFÁLICA ❖ É uma: barreira funcional que dificulta a passagem de certas substâncias. ❖ Composto por: junções oclusivas e prolongamentos dos astrócitos (podem ter função direta na barreira ou indireta, por meio da indução das junções). São notadas poucas vesículas de pinocitose no endotélio dos capilares, esses capilares não são fenestrados. PLEXOS COROIDES E LÍQUIDO CEFALORRAQUIDIANO ❖ São: dobras da pia-máter que provocam saliências nos ventrículos. Formam o teto do 3º e 4º ventrículo e parte das paredes dos ventrículos laterais, canal central da medula e os espaços perivasculares. ❖ Constituídos por: TCF da pia-máter e células cuboides ou colunares baixas (células ependimárias), que são transportadoras de íons. ❖ Função: secretar líquor, que é um líquido límpido com pouquíssimas células descamadas e linfócitos (cerca de 2 – 5 por mm). ❖ O LCR é absorvido: nas vilosidades aracnóideas. OBS o SNC não possui vasos linfáticos. Referência: JUNQUEIRA, L.C.U. & CARNEIRO, J. Histologia Básica. 11ª Ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008. 524p. BIOQUÍMICA Objetivo: compreender as principais diferenças entre plasma e líquor. BIOQUÍMICA DO LÍQUOR FUNÇÕES • Fornecimento de nutrientes ao cérebro. • Remoção de produtos da atividade do SNC. • Proteção mecânica. • Lubrificante que evita o atrito. ❖ Produção: plexo coroide. ❖ Barreira hematoencefálica: define quais moléculas entram no líquor. COMPOSIÇÃO • Baixa concentração proteica. o O aumento da composição proteica muda a característica do líquor. • Glicose. • Pouquíssimas células, maioria linfócitos. o Pode encontrar tanto leucócitos (uma baixa quantidade não tem significado clínico), quanto hemácias. ❖ Busca se analisar: alterações na BHE. PRODUÇÃO E RENOVAÇÃO ❖ Pressão intracranial: crianças abaixo de 8 anos e obesos possuem pressão menor. o A quantidade de líquido coletado é pequena. o Taxa de renovação ∞ Taxa de formação e ∞ 1/volume de LCR. ❖ Taxa de renovação: 3x ao dia 500ml/dia em adultos. ❖ Volume total: 100 – 150 em adultos e 40 – 60 mL em RN. DIFERENCIAÇÃO DO PLASMA PARA O LCR ❖ Em termos normais: há uma grande diferenciação nos níveis de colesterol. o Líquor: 0,2mg/dL. o Plasma: 175,0 mg/dL. RESUMO – CASO 5 – NEUROLOGIA André Tavernard ❖ Principais alterações em patologias: o Cloreto. o Proteínas. o Glicose. o Presença de diferença com relação a osmolaridade. ALTERAÇÕES NO ASPECTO DO LÍQUOR (IMPORTANTE PARA DIAGNÓSTICO) ❖ Meningite bacteriana: o Aspecto: turvo. o Cor: leitosa ou xantocrômica. o Cloretos: diminuídos. o Glicose: diminuída. o Proteínas totais: aumentadas. o Cloretos: diminuídos. o Leucócitos: 200 a milhares. ❖ Meningite viral: o Aspecto: límpido. o Cor: incolor ou opalescente. o Cloretos: normais. o Glicose: levemente alterada. o Proteínas totais: levemente alteradas. o Globulinas: negativa ou positiva. o Leucócitos: 5 a 500. ANÁLISE LABORATORIAL 1. Bioquímica Evita alterações. 2. Microbiológica. 3. Citológica. CONDUTA CLÍNICA PARA COMPROVAÇÃO DA MENINGITE ❖ Coleta de LRC: preciso de um termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE). ❖ Vias clássicas de coleta: o Lombar (L3 – L4 e l4 – L5). o Suboccipital ou cisternal (na cisterna cerebelomedular). o Ventricular. ❖ Posição: o Decúbito lateral (posição fetal) e sentado inclinado para frente. OBS As vezes a punção é realizada para descomprimir, em casos de hipertensão casada pelo líquor. ❖ A pressão: irá variar a depender da posição e do local de retirada. ❖ Envio ao laboratório: imediato. Depois de 2h em temperatura normal e 4h em sistema refrigerado alteram-se as composições bioquímicas. ASPECTOS DO LCR ❖ Normal: límpido (água de rocha). o Até 45 células. ❖ Levemente turvo: 46 – 300células. ❖ Turvo/opalescente: 301 – 6000 células. ❖ Purulento: acima de 6000 células. ❖ Esbranquiçada ou branco: meningite purulenta. ❖ Esverdeada: casos avançados de pneumocócica. ❖ Verde-azulada: pseudomonas. ❖ Parda: melanossarcomatosa. ❖ Xantocrômica (coloração amarelada): bilirrubina, proteína e Hb. Causas de LCR xantocrômico: o Hemólise. o Biliar. o Hemorragia subaracnóide. RESUMO – CASO 5 – NEUROLOGIA André Tavernard EXAMES BIOQUÍMICOS 1. Glicorraquia É a medida de glicose no líquor. a. Em meningite por bactéria: diminui a glicorraquia, aumenta neutrófilo. b. Diabéticos com meningite: aumenta a glicose. c. Meningite viral: glicose normal e aumento dos linfócitos. 2. Proteínorraquia: a. Em suspeita de neurocistocercose: requere-se gama-globulinha. 3. Dosagem de Lactato: Associa-se ao metabolismo da glicose. 4. Reação de Pandy (quantitativo): indica aumento na taxa de proteína, sendo + para valores superiores a 40mg/mL. 5. Outros valores de referência: a. Cloreto. b. Ureia. c. DHL. d. Encefálico. e. TGO. f. ADA. FISIOLOGIA Objetivo: entender os mecanismos que regem o fluxo sanguíneo cerebral. ❖ Meningite: nunca é de sintoma abrupto Evolução imediata. É progressivo. Uma cefaléia. ❖ Região mais propensa à aneurisma: junção da a. comunicante anterior com a a. cerebral média. ESQUEMA DO CIRCULO ARTERIAL CEREBRAL (Polígono de Willis) ❖ Relação de patologia renal com aneurisma: Doença renal policística (doença autossômica dominante) está relacionada com o desenvolvimento de aneurismas. ❖ Em umas HAS: as artérias mais afetadas, seja por AVE hemorrágico como isquêmico são artérias ramos da a. cerebral média, as Aa. Lenticuloestriadas, que irrigam os núcleos da base.❖ Um AVE hemorrárigo que se comunique com o espaço subaracnóideo: irá causar uma redistribuição das massas cerebrais o As massas cerebrais são: ▪ Sangue arterial e sangue venoso, ▪ Cérebro, ▪ LCR. ❖ A expansão de uma massa irá gerar uma compensação diminuindo a quantidade de outras. ❖ Estudo das compensações de massa: Doutrina de Monro-Kellie. ❖ Mecanismos de controle da pressão: ajuste da posição da cabeça e hiperventilação. RESUMO – CASO 5 – NEUROLOGIA André Tavernard PARÂMETROS QUE TRABALHAM DIRETAMENTE NO FLUXO CEREBRAL ❖ Fluxo Sanguíneo Cerebral (FSC): 40 – 50 ml. ❖ PIC: em torno de 10 mmHg. ❖ PPC: 50mm. Zona de autorregulação cerebral (importante!): PAM pode variar de 50 – 150, sem alteração do fluxo sanguíneo cerebral. ❖ Pressão de perfusão cerebral (PPC): PPC = PAM – PIC. • A desregulação da PAM: para próximo de 150, desloca a curva para a direita. ❖ Metabolismo cerebral: o De todo o oxigênio que o corpo precisa: 20% do consumo é para o cérebro (taxa metabólica basal). o Do débito cardíaco: 15% é para o cérebro. ❖ Em hipercapneia: vasodilatação causará aumento do fluxo sanguíneo. ❖ Em AVE isquêmico: Aumenta O2 para diminuir dilatação. ❖ A imagem acima retrata: consequências do deslocamento de massa (provavelmente hematoma extradural). CIRCULAÇÃO DE LCE ❖ Tipos de hidrocefalia: o Comunicante: Diminuição da reabsorção ou superprodução de FCS. Produção sem reabsorção que compense a produção. o Não comunicante: Obstrução a livre circulação do LCR entre local de produção e de reabsorção. Saída Bloqueio Sem reabsorção eficaz. ❖ Consequência do aumento do LCR: o Crescimento do crânio. RESUMO – CASO 5 – NEUROLOGIA André Tavernard ALTERNATIVA DE DESCOMPRESSÃO ❖ Realiza-se: shunting. o Peritoneal (mais comum) o Atrial. PAPILEDEMA ❖ Utiliza-se: oftalmoscópio. o Verifica: espessamento do disco óptico. o Consequência do: aumento da pressão intracraniana.