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O Segundo Livro de
Samuel
Esboço
ATIVIDADES DE DAVt APÓS A MORTE DE SAUL, 2 Samuel,
1.1— 4.12
A Versão do Mensageiro Amalequita sobre a Morte de 
Saul, 1 .1 -1 0 
A Lamentação de Davi por Saul e jônatas, 1 .1 1 -2 7 
Davi em Hebrom, com a Rei de Judá, 2.1 r-rl 1 
Um Encontro Momentoso entre Abner e Joabe,
2 .12— 3.1
Observação sobre a Família de Davi, 3 .2 -5 
Querela de Abner com Isbosete, Sua Aproximação de 
Davi, 3 .6-21
O Assassinato de Abner por Joabe, Davi Condena o Ato,
3 .2 2 -3 9
Davi Pune os Assassinos de Isbosete, 4.1 -1 2 
DAVI, REI DE ISRAEL E JUDÁ, 5 .1 — 15.6 
Davi Toma-se Rei de Israel, 5.1 -2 5 
Gonvite para ser Rei, 5.1 - 5 
Captura de Jerusalém, 5 .6 -1 0 
A Assistência Amigável do Rei de Tiro, 5.11,12 
Questões Domésticas, 5 .1 3 -1 6 
Hostilidade dos Filisteus, 5 .17 -2 5 A Arca é levada a 
Jerusalém, 6.1 -2 3 
Davi Deseja Edificar uma Casa para Deus, 7.1 -2 9 
A Aliança de Deus com Davi, 7.1 - 1 7 
A Resposta de Davi, 7 .1 8 -2 9 
Sucessos Militares de Davi, 8 .1 -1 8 
A Bondade de Davi para com o Filho de Jônatas, 9.1 -1 3 
Vitória sobre os Amonitas, 10 .1 -1 9 
O Grande Pecado de Davi, 11.1 — 12.25
Sua Paixão por Bate-Seba, 11.1 -2 7 
A Parábola de Natã e a Condenação de Deus, 12.1—14 . 
A Morte do Filho de Bate-Seba e o Nascimento de 
Salomão, 1 2 .15 -25 
Abnegação de Joabe, em Rabá, 12.26-31 
Amom Seduz a Tamar, 13.1 -3 9 
Reconciliação de Davi com Absalão, 14.1 — 15.6 
O Ardil de Joabe, 14.1 -2 0 
Absalão Levado a Jerusalém, 14 .2 1 -3 3 
A Auto-exaltação de Absalão, 1 5 .1 -6 
A REBELIÃO DE ABSALÃO, 15.7— 18.5 
A Insurreição de Absalão, 1 5 .7 -1 2 
Davi Foge de Jerusalém, 15.13— 16.14 
Usai Frustra o Conselho de Aitofel, 16.15— 17.23 
Davi em Maanaim, 17.24-29D avi Organiza as suas For­
ças, 1 8 .1 -5
A QUEDA DE ABSALÃO E VOLTA DE DAVI, 18.6— 24.25 
A Derrota de Israel e a Morte de Absalão, 18.6— 19.8 
Ganho e Perda, 1 8 .6 -1 8 
Davi Recebe a Notícia, 1 8 .19 -33 
Joabe Repreende a Lamentação de Davi, 19.1 - 8 
A Volta de Davi a Jerusalém, 1 9 .9 -4 3 
A Rebelião de Seba, 20.1 -2 6 A Fome por Causa do Crime 
de Saul, 2 1 .1 -1 4 
Fim do Feudo dos Gigantes, 2 1 .1 5 -2 2 
Cântico de Livramento de Davi, 22.1 -5 1 
As Últimas Palavras de Davi, 2 3 .1 -7 
Lista dos Chefes dos Heróis de Davi, 2 3 .8 -3 9 
O Recenseamento e o Castigo de Deus, 24.1 -1 5 
A Intervenção de Deus e a Intercessão de Davi,
2 4 .1 6 -2 5
Davi recebe a notícia da derrota 
e da morte de Saul
1 Depois da morte de Saul, voltando Davi da derrota dos amalequitas e estando já dois dias em Ziclague,0
2 sucedeu, ao terceiro dia, aparecer do ar­
raial de Saul um homem com as vestes rotas 
e terra sobre a cabeça; em chegando ele a 
Davi, inclinou-se, lançando-se em terra.b
3 Perguntou-lhe Davi: Donde vens? Ele 
respondeu: Fugi do arraial de Israel.
4 Disse-lhe Davi: Como foi lá isso? 
Conta-mo. Ele lhe respondeu: O povo fugiu 
da batalha, e muitos caíram e morreram, bem 
como Saul e Jônatas, seu filho.
1.1 °lSm 30.17
1.2f>lSm 4.12; 
2Sm 4.10
1.6
dS m 31.1-4
5 Disse Davi ao moço que lhe dava as 
novas: Como sabes tu que Saul e Jônatas, seu 
filho, são mortos?
6 Então, disse o moço portador das notí­
cias: Cheguei, por acaso, à montanha de Gil- 
boa, e eis que Saul estava apoiado sobre a sua 
lança, e os carros e a cavalaria apertavam 
com ele.c
7 Olhando ele para trás, viu-me e cha- 
mou-me. Eu disse: Eis-me aqui.
8 Ele me perguntou: Quem és tu? Eu res­
pondi: Sou amalequita.
9 Então, me disse: Arremete sobre mim e 
mata-me, pois me sinto vencido de cãibra. 
mas o tino se acha ainda todo em mim.
1.2 Ao terceiro dia. Davi gastou, desde que deixou Aquis em Ziclague, conclui-se que Saul morreu, cerca de dezoito dias
Afeque (29.11) até agora, uns vinte e um dias. Descontando- depois da profecia do pseudo-Samuel (e não no dia seguinte,
se os três dias que o mensageiro gastara, desde Gilboa até cf 1 Sm 28.19).
437 2 SAMUEL 1.26
10 Arremessei-me, pois, sobre ele e o ma­
tei, porque bem sabia eu que ele não viveria 
depois de ter caído. Tomei-lhe a coroa que 
trazia na cabeça e o bracelete e os trouxe aqui 
ao meu senhor.d
Davi manda matar o amalequita
11 Então, apanhou Davi as suas próprias 
vestes e as rasgou, e assim fizeram todos os 
homens que estavam com ele.e
12 Prantearam, choraram e jejuaram até à 
tarde por Saul, e por Jônatas, seu filho, e pelo 
povo do Senhor, e pela casa de Israel, por­
que tinham caído à espada.
13 Então, perguntou Davi ao moço porta­
dor das notícias: Donde és tu? Ele respondeu: 
Sou filho de um homem estrangeiro, amale­
quita.
14 Davi lhe disse: Como não temeste es­
tender a mão para matares o ungido do 
Senhor?f
15 Então, chamou Davi a um dos moços e 
lhe disse: Vem, lança-te sobre esse homem. 
Ele o feriu, de sorte que morreu.9
16 Disse-lhe Davi: O teu sangue seja so­
bre a tua cabeça, porque a tua própria boca 
testificou contra ti, dizendo: Matei o ungido 
do Senhor. h
O lamento de Davi por Saul e Jônatas
17 Pranteou Davi a Saul e a Jônatas, seu 
filho, com esta lamentação,
18 determinando que fosse ensinado aos 
filhos de Judá o Hino ao Arco, o qual está 
escrito no Livro dos Justos'.
19 A tua glória, ó IsraeM
foi morta sobre os teus altos!
1.10 d(6-10) 
ISm 31.1-6; 
1Cr 10.1-6
1.11 e2Sm 3.31
1.14 (Nm 12.8; 
ISm 24.6
1.15s2Sm4.10
1.16
MSm 26.9; 
2Sm 2.10;
1 Rs 2.32-33,37
1.18 «Js 10.13
1 .19 /2Sm 1.27
1 .20 ‘ Ex 15.20; 
ISm 18.6;
Mq 1.10
1.21 'Jz 25.23; 
ISm 10.1;
Jr 20.14
1.22
mISm 18.4
1.23 "Jz 14.18
1.26 «ISm 18.1
Como caíram os valentes!
20 Não o noticieis em Gate,* 
nem o publiqueis
nas ruas de Asquelom, 
para que não se alegrem 
as filhas dos filisteus, 
nem saltem de contentamento 
as filhas dos incircuncisos.
21 Montes de Gilboa,'
não caia sobre vós nem orvalho, 
nem chuva, 
nem haja aí campos 
que produzam ofertas, 
pois neles foi profanado 
o escudo dos valentes, 
o escudo de Saul, que jamais 
será ungido com óleo.
22 Sem sangue dos feridos,m
sem gordura dos valentes, 
nunca se recolheu 
o arco de Jônatas, 
nem voltou vazia a espada de Saul.
23 Saul e Jônatas, queridos e amáveis,n 
tanto na vida como na morte
não se separaram!
Eram mais ligeiros 
do que as águias, 
mais fortes do que os leões.
24 Vós, filhas de Israel,
chorai por Saul, 
que vos vestia de rica escarlata, 
que vos punha sobre os vestidos 
adornos de ouro.
25 Como caíram os valentes 
no meio da peleja!
Jônatas sobre os montes foi morto!
26 Angustiado estou por ti,0
1 .1 0 -1 6 O matei (10). Para alguns, Saul apenas desmaiou 
quando se lançou sobre a espada (1 Sm 31.4) e o amalequita 
matou-o depois. Mas o autor de 1 Cr 10.4,5 confirma a ver­
dade de que Saul se suicidou. O amalequita, isto sim, violou 
o cadáver quando roubou do mesmo a coroa e o bracelete; 
pelo que, Davi o condenou à morte, embora tenha entregue 
a coroa e o bracelete a Davi para granjear o seu favor.
• N. Hom. "O tríplice pecado do amalequita": 1) Falsidade: 
mentiu, dizendo que matou a Saul (9 -1 0 ; At 5 .3 -4 ); 2) Sacri­
légio: deslustrou o corpo do ungido do Senhor (10a; Dn 5.3);
3) Roubo: apoderou-se de coisas sagradas: coroa e bracelete 
de um rei (10b; Ml 3.9).
1.17 Lamentação (heb qinah, pl. qinoth). Nome que aparece 
aqui pela primeira vez e foi definido por K. Budde como, 
exclusivamente, canto de lamentação, e, cuja característica é
o acento poético 3 /2. Entretanto, há qinotti(es) que não se
regem pelo acento de 3/2, aqui; e há cantos líricos que, por 
sua vez, comportam o acento de 3 /2 (Sl 23).
1.18 Hino ao Arco. Arco pode simbolizar concerto (Gn 9.13), 
poder (Gn 49.24), amizade (1 Sm 18.4) e glória. Hino de 
"Glória". Livro dos justos (Yashar), ou "Correto" (Js 10.13). 
Um livro secular de cânticos de guerra (hojeperdido), que 
circulava ao lado dos livros canônicos.
1 .1 9 -2 7 Este canto é uma elegia de singular beleza que se 
divide em três estrofes: 19 a 24; 25 a 26 e 27, sendo que esta 
última é um paralelo do v 19. Cada estância é regida pelo 
coro: Como caíram os valentes.
1 .1 9 -2 4 O tema da elegia está no v 19. O v 20 expressa 
súplica; o 21, imprecação; o 22 e o 23, elogio, e o 24, grati­
dão. O v 21, na versão grega (LXX), se lê: "O escudo de Saul 
não estava ungido com óleo?".
1 .2 5 -2 6 Reverência à memória e ao amor de Jônatas.
2 SAMUEL 1.27 438
meu irmão Jônatas; 
tu eras amabilíssimo para comigo! 
Excepcional era o teu amor, 
ultrapassando o amor de mulheres.
27 Como caíram os valentes,p 
e pereceram as armas de guerra!
Davi é aclamado rei de Judá
2 Depois disto, consultou Davi ao Senhor, dizendo: Subirei a alguma das 
cidades de Judá? Respondeu-lhe o Senhor: 
Sobe. Perguntou Davi: Para onde subirei? 
Respondeu o SENHOR: Para Hebrom. 9
2 Subiu Davi para lá, e também as suas 
duas mulheresr, Ainoã, a jezreelita, e Abi­
gail, a viúva de Nabal, o carmelita.
3 Fez Davi subir os homens que estavam 
com ele, cada um com sua família; e habita­
ram nas aldeias de Hebrom.5
4 Então, vieram os homens de Judá e un­
giram ali Davi rei sobre a casa de Judá. E 
informaram Davi de que os homens de Jabes- 
Gileade* foram os que sepultaram Saul.
5 Então, enviou Davi mensageiros aos ho­
mens de Jabes-Gileade para dizer-lhes: Ben­
ditos do Senhor sejais vós, por esta 
humanidade para com vosso senhor, para com 
Saul, pois o sepultastes!"
6 Agora, pois, o Senhor use convosco de 
misericórdia e fidelidade; eu vos recompensa­
rei este bem que fizestes.1'
7 Agora, pois, sejam fortes as vossas 
mãos, e sede valentes, pois Saul, vosso se­
nhor, é morto, e os da casa de Judá me ungi­
ram rei sobre si.
1.27 p2Sm 1.19
2.1 qjz 1.1; 
ISm 23.2,4,9; 
2Sm 5.1,3;
1 Rs 2.11
2.2
«-1 Sm 25.42-43
2.3
s ISm 27.2-3; 
ICr 12.1
2.4
(ISm 31.11-13
2.5 “Rt2.20
2.6 v2Tm 1.16
2.8 ^ 1 Sm 14.50
2.11 *2Sm 5.5; 
1 Rs 2.11
2.12 yjs 18.25
2.13 ;Jr 41.12
Abner faz Isbosete rei de Israel
8 Abner, filho de Ner, capitão do exército 
de Saul, tomou a Isbosete, filho de Saul, e o 
fez passar a Maanaim,w
9 e o constituiu rei sobre Gileade, sobre os 
assuntas, sobre Jezreel, Efraim, Benjamim e 
sobre todo o Israel.
10 Da idade de quarenta anos era Isbosete, 
filho de Saul, quando começou a reinar sobre 
Israel, e reinou dois anos; somente a casa de 
Judá seguia a Davi.
1 1 0 tempo que Davi reinou em Hebrom 
sobre a casa de Judá foram sete anos e seis 
meses.*
Vitória de Davi sobre Isbosete
12 Saiu Abner, filho de Ner, com os ho­
mens de Isbosete, filho de Saul, de Maanaim 
a Gibeão. v
13 Saíram também Joabe, filho de Zeruia, 
e os homens de Davi e se encontraram uns 
com os outros perto do açude de Gibeão; pa­
raram estes do lado de cá do açude, e aqueles, 
do lado de lá.z
14 Disse Abner a Joabe: Levantem-se os 
moços e batam-se diante de nós. Respondeu 
Joabe: Levantem-se.
15 Então, se levantaram e avançaram em 
igual número: doze de Benjamim, da parte de 
Isbosete, filho de Saul, e doze dos homens de 
Davi.
16 Cada um lançou mão da cabeça do ou­
tro, meteu-lhe a espada no lado, e caíram 
juntamente; donde se chamou àquele lugar 
Campo das Espadas, que está junto a Gibeão.
1.27 Aqui temos outra forma de amém: pereceram. Na elegia 
não é mencionado o nome de Deus. A primeira parte é can­
tada por todos; a segunda é cantada pelas donzelas e a ter­
ceira pelos moços, em voz suave, triste, para ser repetida por 
todos em voz cheia e inflamada.
2.1 Abiatar, mediante Urim e Tumim, revelou a Davi que 
subisse para Hebrom, 37km a sudoeste de jerusaiém. He­
brom, era cidade histórica e de fama; lá repousavam os cor­
pos dos patriarcas e suas esposas (Gn 23; 4 9 .2 9 -3 3 ). Era mais 
antiga que Zoã (Tanis), a capital dos reis hicsos, no Egito 
(Nm 13.22). Josefo calculou a sua origem em cerca de 
2.300 a.C. ( Guerras judaicas, IV, 9.17). Calebe ganhou-a em 
herança (Is 1 4 .13 -15 ), foi lá, também, que Absalão se decla­
rou rei (2 Sm 15.10).
2.4 Davi é, publicamente, ungido rei pela casa de Judá.
2 .5 -7 Davi revelou-se homem de estado, quando elogiou o 
nobre gesto dos homens de |abes-Gileade (1 Sm 31 .11 -13 ); 
oferece-lhes vantagens e sugere, suavemente, que agora ele 
é rei.
2 .8 Abner. Primo de Saul (1 Sm 14 .5 0 -5 1 ). Como general 
comandante do exército, era o terceiro homem do reino de 
Saul. O primeiro era Saul e o segundo, Jônatas. Era superior, 
em todos os sentidos, a (oabe, general comandante do exér­
cito de Davi Is-Bosete "Homem do vexame". Nome ganho 
em conseqüência de sua morte humilhante (4 .5 -8 ) . Seu 
nome de nascimento era Esbaal, "Homem de Baal" ou "Ho­
mem do Senhor" (ver 1 Cr 8.33; 9.39).
2.9 E o constituiu rei. Após cinco anos de escaramuças e con­
chavos políticos, Abner consegue fazer com que o povo 
aceite a Is-Bosete como rei sobre Israel, na cidade de Maa­
naim (8). Para a mesma cidade, mais tarde, por ocasião da 
revolta de Absalão, foge também Davi (2 Sm 17.24), talvez 
por esta ser uma cidade assaz fortificada (ver 18.24).
2 .1 3 -1 6 Açude de Gibeom (13), ou Campo das Espadas (16). 
Lugar onde morreram, num duelo singular, vinte e quatro 
homens - doze de cada lado.
439 2 SAMUEL 3.2
17 Seguiu-se crua peleja naquele dia; po­
rém Abner e os homens de Israel foram derro­
tados diante dos homens de Davi.
Abner mata a Asael
18 Estavam ali os três filhos de Zeruia: 
Joabe, Abisai e Asael; Asael era ligeiro de 
pés, como gazela selvagem.0
19 Asael perseguiu a Abner e, na sua per­
seguição, não se desviou nem para a direita, 
nem para a esquerda.
20 Então, olhou Abner para trás e pergun­
tou: Es tu Asael? Ele respondeu: Eu mesmo.
21 Então, lhe disse Abner: Desvia-te para 
a direita ou para a esquerda, lança mão de um 
dos moços e toma-lhe a armadura. Porém 
Asael não quis apartar-se dele.
22 Então, Abner tomou a dizer-lhe: Des­
via-te de detrás de mim; por que hei de eu 
ferir-te e dar contigo em terra? E como me 
avistaria rosto a rosto com Joabe, teu irmão?
23 Porém, recusando ele desviar-se, Ab­
ner o feriu no abdômen com a extremidade 
inferior da lança, que lhe saiu por detrás. 
Asael caiu e morreu no mesmo lugar; todos 
quantos chegavam no lugar em que Asael 
caíra e morrera paravam.fa
Joabe persegue os homens de Abner
26 Então, Abner gritou a Joabe e disse: 
Consumirá a espada para sempre? Não sabes 
que serão amargas as suas conseqüências? 
Até quando te demorarás em ordenar ao povo 
que deixe de perseguir a seus irmãos?
27 Respondeu Joabe: Tão certo como vive 
Deus, se não tivesses falado, só amanhã cedo 
o povo cessaria de perseguir cada um a seu 
irmão.c
28 Então, Joabe tocou a trombeta, e todo o 
povo parou, e eles não perseguiram mais a 
Israel e já não pelejaram.
29 Abner e seus homens marcharam toda 
aquela noite pela planície; passaram o Jordão 
e, caminhando toda a manhã, chegaram a 
Maanaim.
30 Joabe deixou de perseguir a Abner; e, 
tendo ele ajuntado todo o povo, faltavam de­
zenove dos homens de Davi, além de Asael.
31 Porém os servos de Davi tinham ferido, 
dentre os de Benjamim e dentre os homens de 
Abner, a trezentos e sessenta homens, que ali 
ficaram mortos.
32 Levaram Asael e o enterraram na se­
pultura de seu pai, a qual estava em Belém. 
Joabe e seus homens caminharam toda aquela 
noite, e amanheceu-lhes o dia em Hebrom.
3 Durou muito tempo a guerra entre a casa de Saul e a casa de Davi; Davi se ia fortalecendo, porém os da casa de Saul se iam 
enfraquecendo.
Afamüia de Davi em Hebrom
I C r 3 .1 - 4
24 Porém Joabe e Abisai perseguiram Ab­
ner; e pôs-se o sol, quando chegaram eles ao 
outeiro de Amá, que está diante de Giá, junto 
ao caminho do desertode Gibeão.
25 Os filhos de Benjamim se ajuntaram 
atrás de Abner e, cerrados numa tropa, puse- 
ram-se no cimo de um outeiro. 2.27 c2Sm 2.14 2 Em Hebrom, nasceram filhos a Davi;
2.18 °1Cr 2.16; 
Ct 2.17
2.23 í>2Sm 3.27
2.18 Filhos de Zeruia (ver 1 Sm 26.6 e 2 Sm 17.25).
2 .1 9 -2 3 Asael. "Deus fez". Moço afoito, que mais confiava 
na ligeireza de suas pernas do que no sábio conselho de Ab­
ner. Com sua imprudência e precipitação, causou dois gran­
des males: retardou a unificação do reino de Israel (3.21), e 
provocou o derramar inútil de sangue valoroso (3.27). Abner, 
ao transpassá-lo, deu "motivo" para Joabe se constituir em 
vingador do sangue de Asael (Êx 2 1 .2 3 -2 5 ), ao que Joabe 
não tinha direito visto que Asael morrera em luta lícita. O 
sangue derramado em guerra era isento de vingança 
(1 Rs 2.5).
2.24 joabe e Abisai perseguiram Abner, devido aos ciúmes que 
Joabe tinha de Abner (3.25), por este ser mais célebre (3.6, 
21), mais querido (3 .2 0 ,31 -34 ), mais leal e generoso, tanto 
na guerra como no trato civil (2.26; 3.38; 1 Rs 2.32). E, pro­
vavelmente, Abner ocuparia o posto de general comandante 
de todo o exército dos dois reinos unidos (Israel e Judá, 3.21; 
ver 3.27, nota sobre "vingança").
2.26 Consumirá.. . a seus irmãos? Novamente o bom senso 
de Abner repreende a Joabe. Este último, diante da lógica, 
se retira. Mais tarde, porém, havia de matá-lo traiçoeira­
mente (3.27).
2 .3 0 -3 2 Enterraram na sepultura de seu pai. O pai de Asael é 
figura desconhecida. Zeruia, (sua mãe), ao contrário, é muito 
citada (1 Sm 26.6; 2 Sm 17.25).
3.1 Muito tempo. Sete anos, cinco dos quais foram gastos em 
escaramuças, e dois no reinado de Is-Bosete.
3 .2 -5 Dos seis filhos de Davi, de seis mulheres diferentes, 
nascidos em Hebrom, Amnom, é o primogênito, deu grande 
desgosto a seu pai (cap 13); Absalão, o terceiro filho, usur­
pou-lhe o trono (caps 13 -1 8 ); Adonias, o quarto, seguiu o 
caminho do anterior (1 Rs 1 .5 -7 ; 2.25). Os outros filhos são 
figuras apagadas, ou já teriam morrido.
2 SAMUEL 3.3 440
o primogênito foi Amnom, de Ainoã, a jez- 
reelita;d
3 o segundo, Quileabe, de Abigail, viúva 
de Nabal, o carmelita; o terceiro, Absalão, 
filho de Maaca, filha de Talmai, rei de 
Gesur;c
4 o quarto, Adonias, filho de Hagite; o 
quinto, Sefatias, filho de Abital;f
5 o sexto, Itreão, de Eglá, mulher de Davi; 
estes nasceram a Davi em Hebrom.
Abner faz aliança com Davi
6 Havendo guerra entre a casa de Saul e a 
casa de Davi, Abner se fez poderoso na casa 
de Saul.
7 Teve Saul uma concubina, cujo nome 
era Rispa, filha de Aiá. Perguntou Isbosete a 
Abner; Por que coabitaste com a concubina 
de meu pai ?s
8 Então, se irou muito Abner por causa 
das palavras de Isbosete e disse: Sou eu ca­
beça de cão para Judá? Ainda hoje faço bene­
ficência à casa de Saul, teu pai, a seus irmãos 
e a seus amigos e te não entreguei nas mãos 
de Davi? Contudo, me queres, hoje, culpar 
por causa desta mulher.h
9 Assim faça Deus segundo lhe parecer a 
Abner, se, como jurou o Senhor a Davi, não 
fizer eu,1
10 transferindo o reino/ da casa de Saul e 
estabelecendo o trono de Davi sobre Israel e 
sobre Judá, desde Dã até Berseba.
11 E nenhuma palavra pôde Isbosete res­
ponder a Abner, porque o temia.
12 Então, de sua parte ordenou Abner 
mensageiros a Davi, dizendo: De quem é a 
terra? Faze comigo aliança, e eu te ajudarei 
em fazer passar-te a ti todo o Israel.
3.2
dl Sm 25.43; 
ICr 3.1-4
3.3 ei Sm 27.8; 
2Sm 13.37
3.4 n Rs 1.5
3.7 g2Sm 16.21
3.8f>Dt23.18; 
ISm 24.15;
2Sm 9.8
3.9 iRt 1.17; 
ISm 15.28;
1 Rs 19.2;
1 Cr 12.23
3.10
/ISm 15.28
3.13 feGn 43.3; 
ISm 18.20
3.14
n s m 18.27
3.15
m1Sm 25.44
3.16
n2Sm 19.16
3.18 o2Sm 3.9
3.19
P1 Cr 12.29
3.21
<?2Sm 3.10; 
1 Rs 11.37
13 Respondeu Davi: Bem, eu farei aliança 
contigo, porém uma coisa exijo: quando vie­
res a mim, não verás a minha face, se pri­
meiro me não trouxeres a Mical, filha de 
Saul.*
14 Também enviou Davi mensageiros a 
Isbosete, filho de Saul, dizendo: Dá-me de 
volta minha mulher Mical, que eu desposei' 
por cem prepúcios de filisteus.
15 Então, Isbosete mandou tirá-la a seu 
marido, a Paltiel, filho de Laís.m
16 Seu marido a acompanhou, cami­
nhando e chorando após ela, até Baurim. 
Disse Abner: Vai-te, volta. E ele voltou."
17 Falou Abner com os anciãos de Israel, 
dizendo: Outrora, procuráveis que Davi rei­
nasse sobre vós.
18 Fazei-o, pois, agora, porque o Senhor 
falou a Davi, dizendo: Por intermédio de 
Davi, meu servo, livrarei o meu povo das 
mãos dos filisteus e das mãos de todos os seus 
inimigos.0
19 Da mesma sorte falou também Abner 
aos ouvidos de Benjamim; e foi ainda dizer a 
Davi, em Hebrom, tudo o que agradava a Is­
rael e a toda a casa de Benjamim.?
20 Veio Abner ter com Davi, em Hebrom, 
e vinte homens, com ele; Davi ofereceu um 
banquete a Abner e aos homens que com ele 
vieram.
21 Então, disse Abner a Davi: Levantar - 
me-ei e irei para ajuntar todo o Israel ao rei. 
meu senhor, para fazerem aliança contigo; tu 
reinarás sobre tudo que desejar a tua alma. 
Assim, despediu Davi a Abner, e ele se foi 
empaz.<?
3.6 Abner se fez poderoso. Primo de Saul e general chefe do 
exército (1 Sm 1 4 .50 -52 ), tornou-se virtual dono de Israel; 
Is-Bosete não passava de um preposto seu.
3.7 Concubina.. . Rispa. (2 1 .8 -1 1 ). As esposas e concubinas 
do rei, por tradição, pertenciam ao novo rei. Apossando-se 
alguém delas, era declarar-se investido de poder real 
(16 .20 -22 ; 1 Rs 2 .2 1 -2 2 ). As concubinas, por sua vez, não 
eram mulheres vadias, tinham direitos garantidos pela lei e, 
quando rejeitadas, não podiam ser vendidas como escravas; 
as vezes, exerciam o papel de donas de casa (Cn 16.2,3; 
21.10; Êx 2 1 .8 -1 1 ; Dt 21 .10 -14 ; Ml 2 .1 4 -1 6 ).
3.8 Cabeça de cão. Ser chamado de cão, animal imundo, era 
ser debochado e desprezado (9.8; 16.9; 1 Sm 17.43; 24.14). 
Por causa desta mulher. É possível que a acusação contra Ab­
ner tenha sido injusta. Rispa, por outro lado, era mulher de 
gestos e sentimentos admiráveis (ver 21.10).
3 .9 -1 1 Abner confessa ter sabido do direito de Davi, de ser 
este o rei sobre Israel todo.
3.13 Davi exige de volta a sua mulher Mical, pela qual pagou 
um preço dobrado (1 Sm 18.27). Ao mesmo tempo, o gesto 
de Davi era político, pois isso agradava aos amigos de Saul e 
à tribo de Benjamim.
3.17 Outrora, procuráveis. Indica que os anciãos de Israel já 
tinham pensado em Davi como rei sobre eles.
3 .19 Falou.. . aos ouvidos de Benjamim. Convencer a Benja­
mim, a tribo de Saul, era convencer a todos, pois ela, que era 
a principal na guerra (|z 2 0 .1 5 -2 1 ), concordando, tudo es­
tava resolvido.
3.20,21 Irei para ajuntar todo o Israel. Isto mostra que o ver­
dadeiro chefe dos israelitas era o próprio Abner, e não o re 
Is-Bosete.
441 2 SAMUEL 3.38
22 Eis que os servos de Davi e Joabe vie­
ram de uma investida e traziam consigo 
grande despojo; Abner, porém, já não estava 
com Davi, em Hebrom, porque este o havia 
despedido, e ele se fora em paz.
23 Chegando, pois, Joabe e toda a tropa 
que vinha com ele, disseram-lhe; Abner, filho 
de Ner, veio ter com o rei, o qual o despediu, 
e ele se foi em paz.
24 Então, Joabe foi ao rei e disse; Que 
fizeste? Eis que Abner veio ter contigo; 
como, pois, o despediste, indo-se ele livre­
mente?
25 Bem conheces Abner, filho de Ner. 
Veio parà enganar-te, tomar conhecimento de 
tuas empresas e sondar todos os teus planos/
26 Retirando-se Joabe de Davi, enviou 
mensageiros após Abner, e o fizeram voltar 
desde o poço de Sirá, sem que Davi o sou­
besse.
27 Tomando, pois, Abner a Hebrom, 
Joabe o tomou à parte, no interior da porta, 
para lhe falar em segredo, e ali o feriu 
no abdômen, e ele morreu, agindo assim 
Joabe emvingança do sangue de seu irmão 
Asael.5
28 Sabendo-o depois Davi, disse; Inocen­
tes somos eu e o meu reino, para com o 
Se n h o r , para sempre, do sangue de Abner, 
filho de Ner.1
29 Caia este sangue sobre a cabeça de 
Joabe e sobre toda a casa de seu pai! Jamais 
falte da casa de Joabe quem tenha fluxo, 
quem seja leproso, quem se apóie em muleta, 
quem caia à espada, quem necessite de 
pão.u
30 Joabe, pois, e seu irmão Abisai mata­
Joabe mata a Abner à traição 3.25 <1 Sm 29.6
3.27 s2Sm 2.23; 
1 Rs 2.5
3.28 (Dt 19.13; 
1 Rs 2.31
3.29 “ Lv 15.2; 
1 Rs 2.32-33
3.30 ^2Sm 2.23
3.31
"Gn 37.34; 
2Sm 1.2,11
3.33
*2Sm 13.12-13
3.35 yRt 1.17; 
2Sm 1.12
ram Abner, por ter morto seu irmão Asael na 
peleja, em Gibeão.v
Davi lamenta a morte de Abner
31 Disse, pois, Davi a Joabe e a todo o 
povo que com ele estava: Rasgai as vossas 
vestes, cingi-vos de panos de saco e ide pran­
teando diante de Abner. E o rei Davi ia se­
guindo o féretro.*v
32 Sepultaram Abner em Hebrom; o rei 
levantou a voz e chorou junto da sepultura de 
Abner; chorou também todo o povo.
33 E o rei, pranteando a Abner, disse:x 
Teria de morrer Abner
como se fora um perverso?
34 As tuas mãos não estavam atadas, 
nem os teus pés,
carregados de grilhões; 
caíste como os que caem 
diante dos filhos da maldade!
E todo o povo chorou muito mais por 
ele.
35 Então, veio todo o povo fazer que Davi 
comesse pão, sendo ainda dia; porém Davi 
jurou, dizendo: Assim me faça Deus o que lhe 
aprouver, se eu provar pão ou alguma coisa 
antes do sol posto.)'
36 Todo o povo notou isso e lhe pareceu 
bem, assim como lhe pareceu bem tudo 
quanto o rei fez.
37 Todo o povo e todo o Israel, naquele 
mesmo dia, ficaram sabendo que não proce­
dera do rei que matassem a Abner, filho 
de Ner.
38 Então, disse o rei aos seus homens: 
Não sabeis que, hoje, caiu em Israel um prín­
cipe e um grande homem?
3 .2 2 -2 5 É possível que a ausência de Joabe tenha sido deter­
minada por Davi; pois, com ele presente, não teria sido possí­
vel realizar qualquer conferência política com Abner (ver nota 
sobre 2.24).
3.26 Poço de Sirá. Fica a uns 4km de Jerusalém.
3.27 No interior da porta. Lugar onde se resolviam os negó­
cios do povo. Tribunal popular (D t 22.15; 25.7; Lm 5.14).
• N . Hom. "Vingança". O sentimento de vingança é causa de 
fracasso de qualquer relação pública. Vingança do Sangue, da 
parte de Joabe, não passava de simples pretexto para se livrar 
de um seu rival (2 .1 9 -3 3 ; 3 .3 3 -34 ; 1 Rs 2.5; Êx 21.14). M o­
vido por esse vil sentimento, Joabe cometeu ações que o pri­
varam do apoio e estima de Davi (28,39; 19.13), 
determinaram a sua própria morte (1 Rs 2 .5 -6 ,3 1 ) e, provo­
caram um anátema sobre seus descendentes (29; 1 Rs 2.33). 
3.28,29 Davi declarou-se inocente do sangue de Abner e
lança o anátema sobre Joabe e sua descendência 
(1 Rs 2 .28 -3 4 ): quem se apóie em muleta. A tradução literal 
seria: "quem pegue no fuso": e significa, "estropiado, mole, 
efeminado".
3 .3 0 -3 2 Abner era nobre (38) e estimado pelo povo. Sua 
popularidade foi a principal causa da sua morte. Joabe, inve­
joso, matou-o para livrar-se de um rival. Justificou-se, porém, 
com a desculpa de vingador do sangue de seu irmão 
(1 Rs 2 .5 -6 ).
3 .33,34 A ode fúnebre de Davi revela que Abner foi morto 
como se fora um perverso. De mãos e pés livres, podia se de­
fender facilmente, mas não o fez, pois não esperava ser ata­
cado traiçoeiramente.
3.37 Ficaram sabendo. O povo ficou sabendo que não foi 
Davi o autor da morte de Abner; caso contrário, a situação 
política se agravaria ainda mais.
2 SAMUEL 3.39 442
39 No presente, sou fraco, embora ungido 
rei; estes homens, filhos de Zeruia, são mais 
fortes do que eu. Retribua o Senhor ao que 
fez mal segundo a sua maldade. *
A morte de Isbosete
4 Ouvindo, pois, o filho de Saul que Abner morrera em Hebrom, as mãos se lhe 
afrouxaram, e todo o Israel pasmou.0
2 Tinha o filho de Saul a seu serviço dois 
homens, capitães de tropas; um se chamava 
Baaná, o outro, Recabe, filhos de Rimom, o 
beerotita, dos filhos de Benjamim, porque 
também Beerote era tida como pertencente a 
Benjamim.b
3 Tinham fugido os beerotitas para Gitaim 
e ali têm morado até ao dia de hoje.c
4 Jônatasd, filho de Saul, tinha um filho 
aleijado dos pés. Era da idade de cinco anos 
quando de Jezreel chegaram as notícias da 
morte de Saul e de Jônatas; então, sua ama o 
tomou e fugiu; sucedeu que, apressando-se 
ela a fugir, ele caiu e ficou manco. Seu nome 
era Mefibosete.
5 Indo Recabe e Baaná, filhos de Rimom, 
beerotita, chegaram à casa de Isbosete, no 
maior calor do dia, estando este a dormir, ao 
meio-dia.
6 Ali, entraram para o interior da casa, 
como que vindo buscar trigo, e o feriram no 
abdômen; Recabe e Baaná, seu irmão, esca­
param.6
7 Tendo eles entrado na casa, estando ele 
no seu leito, no quarto de dormir, feriram-no 
e o mataram. Cortaram-lhe depois a cabeça e
3.39
z2Sm 19.7;
1 Rs 2.5-6,33-34; 
SI 28.4;
2Tm 4.14
4.1 aEd 4.4; 
Mt 2.3
4.2 í>Js 18.25
4.3 cNe 11.33
4.4 d2Sm 9.3
4.6 «?2Sm 2.23
4.8 n Sm 19.2
4.9gGn48.16; 
1 Rs 1.29
4.10
*2Sm 1.1-16
4.11 'Gn 9.5-6
4 .1 2 /2Sm 1.15
5.1 *Gn 29.14; 
ICr 11.1
a levaram, andando toda a noite pelo caminho 
da planície.
8 Trouxeram a cabeça de Isbosete ao rei 
Davi, a Hebrom, e lhe disseram: Eis aqui a 
cabeça de Isbosete, filho de Saul, teu inimigo, 
que procurava tirar-te a vida; assim, o 
Senhor vingou, hoje, ao rei, meu senhor, de 
Saul e da sua descendência.f
9 Porém Davi, respondendo a Recabe e a 
Baaná, seu irmão, filhos de Rimom, o beero­
tita, disse-lhes: Tão certo como vive o 
Senhor, que remiu a minha alma de toda a 
angústia, 9
10 se eu logo lancei mão daquele que me 
trouxe notícia^, dizendo: Eis que Saul é 
morto, parecendo-lhe porém aos seus olhos 
que era como quem trazia boas-novas, e 
como recompensa o matei em Ziclague,
11 muito mais a perversos, que mataram a 
um homem justo em sua casa, no seu leito; 
agora, pois, não requereria eu o seu sangue 
de vossas mãos e não vos exterminaria da 
terra?'
12 Deu Davi ordem aos seus moços; eles, 
pois, os mataram e, tendo-lhes cortado as 
mãos e os pés, os penduraram junto ao açude 
em Hebrom; tomaram, porém, a cabeça de 
Isbosete, e a enterraram na sepultura de Ab­
ner, em Hebrom./
Davi é ungido rei de todo o Israel
IC r 11.1-3
5 Então, todas as tribos de Israel vieram a Davi, a Hebrom, e falaram, dizendo: So­
mos do mesmo povo de que tu és.*
2 Outrora, sendo Saul ainda rei sobre nós,
3.39 Sou fraco. Davi confessa que os filhos de Zeruia eram 
mais fortes. |oabe, além de ser prepotente, ciumento e vinga­
tivo, tinha nas suas mãos o comando dos "600 homens" de 
Davi.
4.1 A importância de Abner era tal que, com sua morte, o 
Estado de Israel se desmoronou imediatamente. O próprio 
Is-Bosete, se mantinha ainda no poder, devido à fidelidade de 
Abner à casa de Saul.
4.3 Gitaim. Parece ser a atual Tell-Abu-Hamid. Ninguém 
sabe ao certo, entretanto, onde fica Gitaim e quando fugiram 
para lá os beerotitas. Caso o v 4 se relacione com o v 3, como 
pensam alguns, então a fuga se deu por ocasião da morte de 
lônatas (1 Sm 31.7).
4 .4 Mefibosete, "Quebrador de ídolos", ou "Exterminador de 
vergonha". Seu nome original era Meribe-Baal, "Lutador de 
Baal (Senhor)", (1 Cr 8.34). Do mesmo modo o nome Esbaal, 
"Homem de Baal (Senhor)", (1 Cr 8.33), passou a ser escrito
Is-Bosete, "Homem do vexame". O fenômeno filológico de 
substituir a parte final - baal, "Senhor" - por bosete, "vergo­
nha", "vexame", deu-se em razão da palavra baal ter-se po­
luído, identificando-se com a idolatria.
4 .6 O texto hebraico é obscuro, mas no texto grego (LXX) se 
lê: "A porteira da casa, estando a limpar o trigo, cochilava e 
adormeceu;assim, os irmãos Recabe e Baaná não foram nota­
dos".
• N. Hom. 4.12 "Salário do pecado". No AT prevalece a 
lei de talião, "olho por olho, dente por d e n te .. ." (Êx 
21 .2 4 -2 5 ). No NT, Cristo mudou esta lei para "qualquer 
que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra” 
(M t 5.39). No AT, os pecados recaem sobre os animais 
sacrificados (Lvcaps 3 -7 ) , ou sobre o próprio culpado 
(Êx 21.14,23); no NT, os mesmos pecados recaem sobre o 
"único Mediador" (1 Tm 2.5), para aquele que crê em Jesus 
(Io 3.16); mas para aquele que não crê, os pecados perma­
necem nele mesmo, e o salário é a morte (Rm 6.23).
443 2 SAMUEL 5.20
eras tu que fazias entradas e saídas militares 
com Israel; também o Senhor te disse: Tu 
apascentarás o meu povo de Israel e serás 
chefe sobre Israel.'
3 Assim, pois, todos os anciãos de Israel 
vieram ter com o rei, em Hebrom; e o rei Davi 
fez com eles aliança em Hebrom, perante o 
Senhor. Ungiram Davi rei sobre Israel.m
4 Da idade de trinta anos era Davi quando 
começou a reinar; e reinou quarenta anosn.
5 Em Hebrom, reinou0 sobre Judá sete 
anos e seis meses; em Jerusalém, reinou trinta 
e três anos sobre todo o Israel e Judá.
Davi conquista Sião
IC r 11.4-9
6 Partiu o rei com os seus homens para 
Jerusalém, contra os jebuseusP que habita­
vam naquela terra e que disseram a Davi: Não 
entrarás aqui, porque os cegos e os coxos te 
repelirão, como quem diz: Davi não entrará 
neste lugar.
7 Porém Davi tomou a fortaleza de Sião; 
esta é a Cidade de Davi.
8 Davi, naquele dia, mandou dizer: Todo 
o que está disposto a ferir os jebuseus suba 
pelo canal subterrâneo e fira os cegos e os 
coxos, a quem a alma de Davi aborrece. (Por 
isso, se diz: Nem cego nem coxo entrará na 
casa.)r
9 Assim, habitou Davi na fortaleza e lhe 
chamou a Cidade de Davi; foi edificando em 
redor, desde Milo e para dentro.5
10 Ia Davi crescendo em poder cada vez 
mais, porque o Senhor, Deus dos Exércitos, 
era com ele.
5 .2 'ISm 16.1; 
2Sm 7.7;
Sl 78.71
5.3 ™jz 11.11; 
ISm 23.18;
2Rs 11.17;
1 Cr 11.3
5.4n1Rs2.ll; 
ICr 29.27
5.5 o ICr 3.4; 
29.27
5.6 P|s 15.63; 
Jzl.21
5.7 <?2Sm 5.9;
1 Rs 2.10
5.8 rl Cr 11.6-9
5.9 s2Sm 5.7
5.11 tl Rs 5.2; 
ICr 14.1
5.13 "Dt 17.17; 
ICr 3.9
5.14 v 1 Cr 3.5
5.17
"2Sm 23.14; 
ICr 11.16
5.18 *|s 15.8
5.19
KlSm 23.2;
2Sm 2.1
O reinado de Davi reconhecido por Hirão
ICr 14.1-2
11 Hirão, rei de Tiro, enviou mensageiros 
a Davi, e madeira de cedro, e carpinteiros, e 
pedreiros, que edificaram uma casa a Davi.'
12 Reconheceu Davi que o Senhor o 
confirmara rei sobre Israel e que exaltara o 
seu reino por amor do seu povo.
Os filhos de Davi
que nasceram em Jerusalém
IC r 3.5-9; 14.3-7
13 Tomou Davi mais concubinas e mulhe­
res de Jerusalém, depois que viera de He­
brom, e nasceram-lhe mais filhos e filhas.u
14 São estes os nomes dos que lhe nasce­
ram em Jerusalém: Samua, Sobabe, Natã, 
Salom ão/
15 Ibar, Elisua, Nefegue, Jafia,
16 Elisama, Eliada e Elifelete.
Davi derrota os filisteus
IC r 14.8-16
17 Ouvindo, pois, os filisteus que Davi 
fora ungido rei sobre Israel, subiram todos 
para prender a Davi; ouvindo-o, desceu Davi 
à fortaleza.w
18 Mas vieram os filisteus e se estende­
ram pelo vale dos Refains.*
19 Davi consultou ao Senhor, dizendo: 
Subirei contra os filisteus? Entregar-mos-ás 
nas mãos? Respondeu-lhe o Senhor: Sobe, 
porque, certamente, entregarei os filisteus nas 
tuas mãos.»'
20 Então, veio Davi a Baal-Perazim e os
5.6 Jerusalém. Nas cartas de Tell-el-Amarna (c. 1.400 a.C.) é 
chamada de Urusalim. Era cidade de Melquisedeque 
(Gn 14.18). Pertencia aos jebuseus (Js 15.63); parte da 
mesma (1 Sm 17.54; Jz 1.8) situava-se na divisa de Judá com 
Benjamim. Tudo indica que os jebuseus davam livre acesso 
até à cidade principal, aos homens de Saul e aos de Is-Bosete, 
mas não aos de Davi (Jz 1.21).
5.7 Fortaleza de Sião. Achava-se na colina oriental e era a 
parte mais fortificada, onde se achava a acrópole, o templo e
o palácio real. A cidade em si, a parte murada, não passava de 
quatro hectares.
5 .8 Suba pelo canal subterrâneo. Trata-se de uma conquista 
engenhosa, por meio de um túnel. O fato era contestado por 
muitos críticos até que C. Warren, em 1867, e descobriu o 
túnel cavado pelos jebuseus, para levar a água da Fonte da 
Virgem (situada na parte externa) ao interior da cidade. Lê-se 
ainda em 1 Cr 11.6: "Qualquer que ferir os jebuseus será 
chefe e comandante". Joabe, que tinha caído no desagrado
de Davi (3.39), fez um tremendo esforço e conquistou a ci­
dade. Passou, assim, de comandante de 600 homens 
(1 Sm 27.2; 2 Sm 2.12) para chefe do exército, o que lhe 
poupou a vida por algum tempo (1 Rs 2 .2 8 -3 5 ).
5.11 Hirão, rei de Tiro. Rei fenício, amigo de Davi e de Salo­
mão por cerca de 34 anos (1 Rs 9 .1 0 -1 4 ).
5 .1 3 -1 6 Muitos filhos, no AT, era um sinal de bênção divina, 
e, muitas mulheres e concubinas era uma indicação da segu­
rança do Estado, pois, cada uma representava um contrato 
político ou econômico. Do ponto de vista religioso, esse ônus 
político era uma calamidade (Dt 17.17).
5 .1 7 -2 5 As duas arremetidas dos filisteus contra Israel são 
cronologicamente anteriores à conquista de Jerusalém por 
Davi (6 -9 ).
5.17 Desceu Davi à fortaleza. De Hebrom desceu Davi à ca­
verna de Adulão (1 Sm 22.1; 22.4,5; 2 Sm 23.13).
5.20 Baal-Perazim. "Senhor das separações definitivas". 
Como divisor de águas que separa os rios que se dirigem, uns
2 SAMUEL 5.21 444
derrotou ali; e disse: Rompeu o S e n h o r as 
fileiras inimigas diante de mim, como quem 
rompe águas. Por isso, chamou o nome da­
quele lugar Baal-Perazim.z
21 Os filisteus deixaram lá os seus ídolos; 
e Davi e os seus homens os levaram.0
22 Os filisteus tomaram a subir e se esten­
deram pelo vale dos Refains.b
23 Davi consultou ao Senhor, e este lhe 
respondeu: Não subirás; rodeia por detrás de­
les e ataca-os por defronte das amoreiras.c
24 E há de ser que, ouvindo tu um es­
trondo de marcha pelas copas das amoreiras, 
então, te apressarás: é o S en h o r que saiu 
diante de ti, a ferir o arraial dos filisteus. d
25 Fez Davi como o Se n h o r lhe orde­
nara; e feriu os filisteus desde Geba até che­
gar a Gezer.e
Davi traz para Jerusalém a arca
IC r 1 3 .5 -1 4
6 Tomou Davi a ajuntar todos os escolhi­dos de Israel, em número de trinta mil.
2 Dispôs-se e, com todo o povo que tinha 
consigo, partiu para Baalá de Judá, para leva­
rem de lá para cima a arca de Deus, sobre a 
qual se invoca o Nome, o nome do S e n h o r 
dos Exércitos, que se assenta acima dos que­
rubins f.
3 Puseram a arca de Deus num carro novo 
e a levaram da casa de Abinadabes, que es­
tava no outeiro; e Uzá e Aiô, filhos de Abina- 
dabe, guiavam o carro novo.
4 Levaram-no com a arca de Deus, da
5.20 *ls 28.21
5.21 °Dt 7.5; 
1014.12
5.22
01014.13
5.23 c2Sm 5.19
5.24 rfjz 4.14; 
2Rs 7.6
5.25 ejs 16.10; 
ICr 14.16
6.2 f í x 25.22
6.3 91 Sm 7.1-2
6.4 M Sm 7.1
6.6 «Nm 4.15; 
ICr 13.9
6.7 /ISm 6.19 
6.9 *S1119.120 
6.10 '1013 .13 
6.11 m IO 26.5
6.12
"1015 .25
casa de Abinadabe, que estava no outeiro; e 
Aiô ia adiante da arca.h
5 Davi e toda a casa de Israel alegravam- 
se perante o Senhor, com toda sorte de ins­
trumentos de pau de faia, com harpas, com 
saltérios, com tamboris, com pandeiros e com 
címbalos.
6 Quando chegaram à eira de Nacom, es­
tendeu Uzá a mão à arca de Deus e a segurou, 
porque os bois tropeçaram.'
7 Então, a ira do Senhor se acendeu con­
tra Uzá, e Deus o feriu ali por esta irreverên­
cia; e morreu ali junto à arca de Deus./
8 Desgostou-se Davi, porque o Senhor 
irrompera contra Uzá; e chamou aquele lugar 
Perez-Uzá, até ao dia de hoje.
9 Temeu Davi ao Senhor, naquele dia, e 
disse: Como virá a mim a arcado Senhor?*
10 Não quis Davi retirar para junto de si a 
arca do Senhor, para a Cidade de Davi; mas 
a fez levar à casa de Obede-Edom, o geteu.'
11 Ficou a arca do Senhor em casa de 
Obede-Edom, o geteu, três meses; e o 
Senhor o abençoou"1 e a toda a sua casa.
A arca é levada para Jerusalém
I C r 1 5 .2 5 -1 6 .3
12 Então, avisaram a Davi, dizendo: 
O S en h o r abençoou a casa de Obede-Edom 
e tudo quanto tem, por amor da arca de Deus; 
foi, pois, Davi e, com alegria, fez subir a arca 
de Deus da casa de Obede-Edom, à Cidade de 
Davi."
13 Sucedeu que, quando os que levavam a
para o M ar Morto e outros para o Mediterrâneo, aquele lugar 
dividiria, definitivamente, os filisteus dos israelitas.
5.21 ídolos. Diz o texto grego (LXX), cf 1 Cr 14.12, que os 
filisteus tinham trazido os seus deuses, os quais, ao mandado 
de Davi, foram queimados.
6.1 Trinta mil. O texto grego (LXX) dá "setenta mil".
6 .2 Desde 1 Sm 6.21 até 2 Sm 6.3, passaram-se cerca de 60 
a 70 anos.
6.3 Carro novo. Os filisteus usaram carro novo (1 Sm 6.7), Is­
rael não podia imitá-los, tinha que obedecer à lei e carregar 
a arca do Senhor nos ombros (Êx 25.14; Js 6.6).
• N. Hom. 6 .7 "Pecado de irreverência". Por irreverência à 
arca do Senhor morreram Uzá, os filhos de Eli (1 Sm 4.3,4, 
11) e os homens de Bete-Semes (1 Sm 6.19). Todas as 
coisas que são do Senhor ou lhe são dedicadas, são 
santas ao Senhor (N m 4.15 ); maltratá-las ou menosprezá- 
las, era cometer irreverência. Gastar as dízimas, que são 
santas ao Senhor (Lv 27.30), é irreverência; profanar o dia 
do Senhor, o dia das primícias dos ressurretos (1 Co 15.20),
que é da santa convocação (Lv 2 3 .7 -1 4 ), é irreverência; 
tomar o nome do Senhor (que é santo), em vão (Êx 20.7), é 
irreverência; levar os negócios e o mundo para a igreja (Jo
2 .1 3 -1 6 ; M t2 1 .1 2 )é irreverência.
6.10 Obede-Edom. "Servo de Edom", ou "Servo do homem". 
Um levita da casa de Corá, porteiro (1 Cr 13.14; 26.1,4) e 
geteu; especialista em certo instrumento musical, ou espécie 
de música. O salmo 84 é um exemplo dessa música.
6 .12 Por amor da arca de Deus. Obede-Edom fora aben­
çoado. Davi queria as mesmas bênçãos para a nova capital - 
Jerusalém. O texto grego (LXX) diz: "Estava com ele (Davi) 
sete coros carregando a arca, e para o sacrifício um novilho e 
ovelhas". Sete coros seriam sete conjuntos de levitas cantores 
(1 Cr 15).
6.13 Seis passos. Os seis primeiros passos dados trariam um 
sinal de que, ou o cerimonial estava certo ou não. Nada acon­
tecendo, o ato era aceito como certo; e ofereceram, em sacri­
fício, sete novilhos e sete carneiros (1 Cr 15.26). O sacrifício 
era único.
445 2 SAMUEL 7.9
arca do Senhor tinham dado seis passos, sa­
crificava ele bois e carneiros cevados.0
14 Davi dançava com todas as suas forças 
diante do SE N H O R ; e estava cingido de uma 
estola sacerdotal de linho, p
15 Assim, Davi, com todo o Israel, fez 
subir a arca do Senhor, com júbilo e ao som 
de trombetas.9
16 Ao entrar a arca do Senhor na Cidade 
de Davi, Mical, filha de Saul, estava olhando 
pela janela e, vendo ao rei Davi, que ia sal­
tando e dançando diante do Senhor, o des­
prezou no seu coração/
17 Introduziram a arca do Senhor e puse­
ram-na no seu lugar, na tenda que lhe armara 
Davi; e este trouxe holocaustos e ofertas pací­
ficas perante o Senhor.5
18 Tendo Davi trazido holocaustos e ofer­
tas pacíficas, abençoou o povo em nome do 
Senhor dos Exércitos.'
19 E repartiu a todo o povo e a toda a 
multidão de Israel, tanto homens como mu­
lheres, a cada um, um bolo de pão, um bom 
pedaço de carne e passas. Então, se retirou 
todo o povo, cada um para sua casa.u
Mical repreendida por Davi
20 Voltando Davi para abençoar a sua 
casa, Mical, filha de Saul, saiu a encontrar-se 
com ele e lhe disse: Que bela figura fez o rei 
de Israel, descobrindo-se, hoje, aos olhos das 
servas de seus servos, como, sem pejo, se 
descobre um vadio qualquer!v
21 Disse, porém, Davi a Mical: Perante o 
Senhor, que me escolheu a mim antes do 
que a teu pai e a toda a sua casa, mandando- 
me que fosse chefe sobre o povo do Senhor, 
sobre Israel, perante o Senhor me tenho ale­
grado. w
22 Ainda mais desprezível me farei e me
6.13 oNm 4.15; 
1 Rs 8.5; 
1015.2,15,26
6.14 pÊx 15.20; 
ISm 2.18;
ICr 15.27
6.15
ql Cr 15.28
6.16 MCr 15.29
6.17 si Rs 8.5; 
ICr 15.1;
S1132.8
6.18 t1 Rs 8.55;
1 Cr 16.2
6.19 “ ICr 16.3
6.20 *(19-20)
1 Cr 16.43
6.21
«ISm 13.14 
6.23
*1Sm 15.35;
Mt 1.25
7.1 Kl Cr 17.1
7.2 *ÊX 26.1; 
2Sm 5.11
7.3
°1Rs 8.17-18; 
ICr 22.7
7.51)1 Rs 5.3; 
ICr 22.8
7.6
4x40.18-19;
1 Rs 8.16
7.7
«Lv 26.11-12; 
2Sm 5.2;
SI 78.71-72;
At 20.28
7.8
«ISm 16.11-12
humilharei aos meus olhos; quanto às servas, 
de quem falaste, delas serei honrado.
23 Mical, filha de Saul, não teve filhos, 
até ao dia da sua morte. *
A aliança do Senhor com Davi
IC r 1 7 .1 -1 5
7 Sucedeu que, habitando o rei Davi em sua própria casa, tendo-lhe o Se n h o r 
dado descanso de todos os seus inimigos em 
redor,/
2 disse o rei ao profeta Natã: Olha, eu 
moro em casa de cedros, e a arca de Deus se 
acha numa tenda.2
3 Disse Natã ao rei: Vai, faze tudo quanto 
está no teu coração, porque o S e n h o r é 
contigo.0
4 Porém, naquela mesma noite, veio a pa­
lavra do Se n h o r a Natã, dizendo:
5 Vai e dize a meu servo Davi: Assim diz 
o S e n h o r : Edificar-me-ás tu casa para mi­
nha habitação?*
6 Porque em casa nenhuma habitei desde 
o dia em que fiz subir os filhos de Israel do 
Egito até ao dia de hoje; mas tenho andado 
em tenda, em tabemáculo.c
7 Em todo lugar em que andei com todos 
os filhos de Israel, falei, acaso, alguma pala­
vra com qualquer das suas tribos, a quem 
mandei apascentar o meu povo de Israel, di­
zendo: Por que não me edificais uma casa de 
cedro?d
8 Agora, pois, assim dirás ao meu servo 
Davi: Assim diz o Se n h o r dos Exércitos: 
Tomei-te da malhada, de detrás das ovelhas, 
para que fosses príncipe sobre o meu povo, 
sobre Israel.e
9 E fui contigo, por onde quer que an- 
daste, eliminei os teus inimigos diante de ti e
6.14 Estola sacerdotal. Para tomar parte no cerimonial, Davi 
tinha que vestir as roupas sacerdotais; trajes civis ou reais não 
serviam. Estes seriam irreverência e profanação.
6.20 Descobrindo-se, hoje, aos olhos das servas. Na sua dança 
ritualista, toda frenética, as roupas de Davi esvoaçavam de 
modo a aparecerem partes desnudas de seu corpo (16). A 
rigidez de Mical revela um recalque oculto; sofreria de com­
plexo por não ter dado filhos a Davi (23).
7.1 O cap 7 é o clímax dos livros de Samuel. Contém uma 
profecia ampla de atos imediatos e de atos remotos. 
Os imediatos tratam de Davi e seus descendentes seculares; 
os remotos, tratam da pessoa de Cristo e do seu reinado 
eterno (1 1 -1 4 ).
7.7 Tribos. É provável que em lugar de "tribos" (Shbti), origi­
nalmente fosse "juizes" (Shfti), visto que a grafia das duas 
palavras é igual, apenas com a diferença de um pequeno sinal 
dependurado numa das letras, que transforma b em f na pala­
vra "juizes". A palavra "juizes" encontra-se no v 11, e tam­
bém na passagem paralela em 1 Cr 17.6.
• N. Hom. 7 .8,9 "Mudança maravilhosa": 1) Deus muda 
a convicção humilde do homem (Tomei-te da malhada, 
8; Êx 3.1 -4 ); 2) Deus guarda o homem (Fui contigo.. . eli­
minei os teus inimigos, 9; SI 23); 3) Deus engrandece o 
nome do homem (Fiz grande o teu nome, 9; Gn 17.5);
4) Deus muda-o para uma condição maravilhosa (Para que 
fosses príncipe.. . , 8; 1 Pe 2.9).
2 SAMUEL 7.10 446
fiz grande o teu nome, como só os grandes 
têm na terra.f
10 Prepararei lugar para o meu povo, para 
Israel, e o plantarei, para que habite no seu 
lugar e não mais seja perturbado, e jamais 
os filhos da perversidade o aflijam, como 
dantes,9
11 desde o dia em que mandei houvesse 
juizes sobre o meu povo de Israel. Dar-te-ei, 
porém, descanso de todos os teus inimigos; 
também o Senh o r te faz saber que ele, o 
Sen h o r , te fará casa.h
12 Quando teus dias se cumprirem e des- 
cansares com teus pais, então, farei levantar 
depois de ti o teu descendente, que procederá 
de ti, e estabelecerei o seu reino.1'
13 Este edificará uma casa ao meu nome, 
e eu estabelecerei para sempre o trono do seu 
reino,/
14 Eu lhe serei por pai*, e ele me será por 
filho; se vier a transgredir, castigá-lo-ei com 
varas de homens e com açoites de filhos de 
homens.
15 Mas a minha misericórdia se não apar­
tará dele, como a retirei de Saul, a quem tirei 
de diante de ti.;
16 Porém a tua casa e o teu reino serão 
firmados para sempre diante de ti; teu trono 
será estabelecido para sempre.m
17 Segundo todas estas palavras e con­
forme toda esta visão, assim falou Natã a 
Davi.
Ações de graças de Davi
1 C r 1 7 .1 6 -2 7
18 Então, entrou o rei Davi na Casa do
7.9 fCn 12.2; 
ISm 18.14;
2Sm 5.10
7.10 9SI 44.2; 
Am 9.15
7.11 í>Èx1.21; 
ISm 12.9,11; 
2Sm 1.27;
IRs 11.38;
Sl 106.42
7.12 'Dt 31.16; 
IRs 1.21;
At 13.36
7.13
/2Sm28.16;
1 Rs 5.5;
ICr 22.10
7.14 *2Co 6.18; 
Hb 1.5; Ap 21.7
7.15
'ISm 15.23;
1 Rs 11.13,34
7.16
m2Sm 7.13;
)o 12.34
7.18 "Cn 32.10
7.19
°2Sm 7.12-13
7.20 pGn 18.19
7.22 ?Dt 3.24;
1 Sm 2.2; 
1016.25;
2Cr 2.5; Is 45.5,
18.22
7.23 rDt 4.7;
Ne 1.10
7.24sD t 26.18
Sen h o r , ficou perante ele e disse: Quem sou 
eu, Senh o r Deus, e qual é a minha casa, para 
que me tenhas trazido até aqui?n
19 Foi isso ainda pouco aos teus olhos, 
Senh o r Deus, de maneira que também fa- 
laste a respeito da casa de teu servo para tem­
pos distantes; e isto é instrução para todos os 
homens, ó Senh o r Deus.0
20 Que mais ainda te poderá dizer Davi? 
Pois tu conheces bem a teu servo, ó Senh o r 
Deus.P
21 Por causa da tua palavra e segundo o 
teu coração, fizeste toda esta grandeza, 
dando-a a conhecer a teu servo.
22 Portanto, grandíssimo és, ó Senh o r 
Deus, porque não há semelhante a ti, e não há 
outro Deus além de ti, segundo tudo o que nós 
mesmos temos ouvido.1!
23 Quem há como o teu povo, como Is­
rael, gente única na terra, a quem tu, ó Deus, 
foste resgatar para ser teu povo? E para fazer 
a ti mesmo um nome e fazer a teu povo estas 
grandes e tremendas coisas, para a tua terra, 
diante do teu povo, que tu resgataste do Egito, 
desterrando as nações e seus deuses?'
24 Estabeleceste teu povo Israel por teu 
povo para sempre e tu, ó Sen h o r , te fizeste 
o seu Deus.5
25 Agora, pois, ó Sen h o r Deus, quanto a 
esta palavra que disseste acerca de teu servo 
e acerca da sua casa, confirma-a para sempre 
e faze como falaste.
26 Seja para sempre engrandecido o teu 
nome, e diga-se: O Se n h o r dos Exércitos é 
Deus sobre Israel; e a casa de Davi, teu servo, 
será estabelecida diante de ti.
7.11 Be, o Senhor te fará casa. A casa refere-se à descendên­
cia de Davi, particularmente à pessoa de Cristo.
7.13 Este versículo, praticamente, é a razão de ser dos livros 
de Samuel. Refere-se a Cristo e a seu reino, embora se refira, 
também, a Salomão. A paráfrase deste versículo se acha em 
M t 16.18.
7 .14 Se viera transgredir. Tradução melhor seria: "mesmo no 
seu sofrimento pela iniqüidade". De acordo com A. Clarke, o 
verbo hebraico behaevotho não está no infinito ativo de qal, 
"cometer iniqüidade", mas em nifai, e significa "sofrer a ini­
qüidade". A paráfrase deste versículo está em Is 5 3 .3 -4 ; 
M t 2 7 .3 8 -4 1 ; M c 14.65. Quando Isaías (9 .6 ) menciona o 
menino que nasceu, refere-se ao texto de 2 Sm 7.14. Idem, 
Lc 1.32 e At 2.30. Para os críticos que negam a revelação 
divina e as profecias, este versículo (14) é espúrio (De Vaux); 
ou de origem duvidosa (Desnovers); ou adição de copistas 
(Wellhausen); ou é um parêntese (Driver).
7.16 Diante de ti; teu trono.. . Na Siríaca e no texto grego 
(LXX) se lê; "diante de mim; teu tro n o .. .", o que parece mais 
certo. Não diante de Davi, mas sim diante de Deus; não o 
trono de Davi, mas o trono de Cristo.
• N. Hom. 7.23 "Um povo único". O povo de Israel é um 
milagre. Esparso pela face da terra, perseguido e chacina­
do, continua com a sua nacionalidade, tradição, religião e 
cultura. E isso por cerCa de dois milênios. Em Gênesis se fala 
do mesmo como do povo predestinado, abençoado (12.2), 
numeroso (13.16), herdeiro das nações (17.8; 27.29), vence­
dor (22.17), exaltado (22.18). Davi vê nele o povo resgatado 
(23), o povo de Deus (23,24). Foi este povo que legou à 
humanidade o AT e foi dele que nasceu |esus Cristo. Se o povo 
de Israel desaparecesse da terra, a Bíblia perderia o seu valor e 
a obra de Deus, em relação ao homem, estaria em "xeque-mate".
7.24 f tu, à Senhor, te fizeste o seu Deus. Esta é uma promessa 
particular ao povo de Deus que se encontra por toda a Bíblia 
(Cn 17.7. . . Ap 21.3).
447 2 SAMUEL 8.13
27 Pois tu, ó Senh o r dos Exércitos, Deus 
de Israel, fizeste ao teu servo esta revelação, 
dizendo: Edificar-te-ei casa. Por isso, o teu 
servo se animou para fazer-te esta oração.
28 Agora, pois, ó Se n h o r Deus, tu 
mesmo és Deus, e as tuas palavras são ver­
dade, e tens prometido a teu servo este bem.'
29 Sê, pois, agora, servido de abençoar a 
casa do teu servo, a fim de permanecer para 
sempre diante de ti, pois tu, 6 Se n h o r Deus,
o disseste; e, com a tua bênção, será, para 
sempre, bendita a casa do teu servo.u
Diversas vitórias de Davi
ICr 18.1-13
8 Depois disto, feriu Davi os filisteus e os sujeitou; e tomou de suas mãos as rédeas da metrópole.v
2 Também derrotou os moabitas; fê-los 
deitar em terra e os mediu: duas vezes um 
cordel, para os matar; uma vez um cordel, 
para os deixar com vida. Assim, ficaram os 
moabitas por servos de Davi e lhe pagavam 
tributo.w
3 Também Hadadezer, filho de Reobe, rei 
de Zobá, foi derrotado por Davi, quando 
aquele foi restabelecer o seu domínio sobre o 
rio Eufrates.*
4 Tomou-lhe Davi mil e setecentos cava­
leiros e vinte mil homens de pé; Davi jarretou 
todos os cavalos dos carros, menos para cem 
deles.)'
7.28 f|0 17.17
7.29
"2Sm 22.51
8.1 *-1018.1
8.2 "Nm 24.17; 
ISm 10.27;
2Sm 24.6,14
8.3 *Gn 15.18; 
2Sm 10.6
8.4 >-|s 11 -6
8.5
1^ Rs 11.23-25
8.6 a2Sm 7.9
8.7 i>1 Rs 10.16
8.10 d C r 18.10
8.11 dl Rs 7.51;
1018.11
5 Vieram os siros de Damasco a socorrer 
Hadadezer, rei de Zobá; porém Davi matou 
dos siros vinte e dois mil homens.z
6 Davi pôs guarnições na Síria de Da­
masco, e os siros ficaram por servos de Davi 
e lhe pagavam tributo; e o Sen h o r dava vitó­
rias a Davi, por onde quer que ia.°
7 Tomou Davi os escudos de ouro que 
havia com os oficiais de Hadadezer e os 
trouxe a Jerusalém.6
8 Tomou mais o rei Davi mui grande 
quantidade de bronze de Betá e de Berotai, 
cidades de Hadadezer.
9 Então, ouvindo Toí, rei de Hamate, que 
Davi derrotara a todo o exército de Hada­
dezer,
10 mandou seu filho Jorão ao rei Davi, 
para o saudar e congratular-se com ele por 
haver pelejado contra Hadadezer e por havê-
lo ferido (porque Hadadezer de contínuo fazia 
guerra a Toí). Jorão trouxe consigo objetos de 
prata, de ouro e de bronze,c
11 os quais também o rei Davi consagrou 
ao Sen h o r , juntamente com a prata e o ouro 
que já havia consagrado de todas as nações 
que sujeitara:d
12 da Síria, de Moabe, dos filhos de 
Amom, dos filisteus, de Amaleque e dos des- 
pojos de Hadadezer, filho de Reobe, rei de 
Zobá.
13 Ganhou Davi renome, quando, ao vol-
7.27 Edificar-te-ei casa. Não se refere à casa-edifício, mas 
sim, à descendência de Davi e, particularmente, à pessoa de 
Cristo.
8.1 Rédeas da metrópole. Controle da cidade de Gate 
(1 Cr 18.1); ou rédeas dopoder, que por sua vez, pode signi­
ficar o poder da renda e dos tributos, que iam até então para 
Gate, mas agora iriam para as mãos de Davi.
8 .2 Versículo de difícil interpretação. Deitar em terra, significa 
"sub]ugar". Cordel, medida padrão (Am 7.17). Aqueles cuja 
culpa não excedesse aos limites da "lei" (um cordel), seriam 
poupados; aqueles cuja culpa excedesse à "lei" padrão (dois 
cordéis), seriam executados. Era uma espécie de tribunal do 
povo.
8.3 Hadadezer ou Hadarezer. "Deus do sol" (1 Cr 18.8). 
Zobá, ficava ao norte de Damasco, entre os rios de Oronto e 
Eufrates.
8.4 Davi inutilizou os cavalos capturados, menos deles, que 
reservou para uso comum e para reprodução (15.1). Mais 
tarde, Salomão usaria esses cavalos para seus carros e cavalei­
ros (1 Rs 4,26).
8.5 Matou dos siros vinte e dois mil homens. Ao vencer os 
siros, Davi retardou o nascimento de uma nova potência
mundial, a Síria, por uns cinqüenta anos, que conseguiu reer­
guer-se depois de Salomão.
8.8 Betá e Berotai. Em 1 Cr 18.8 são chamados de "Tibate" 
e "Cum".
8.10,11 Objetos de prata, de ouro e de bronze.. . consagrou- 
os ao Senhor (1 Cr 18.8; 2 2 .2 -5 ,1 4 ). Toda a riqueza em ouro, 
prata, etc. obtida em guerras, era dedicada ao futuro templo 
em jerusalém.
8.13 Dezoito mil homens. O texto grego diz: "Dezoito mil 
edomitas", (cf 1 Cr 18.12). Uma leitura melhor seria: "Ga­
nhou Davi renome, quando, na volta, depois de ferir os siros 
(5), encontrou inesperadamente edomitas no Vale do Sal, os 
quais, venceu somente com o direto auxílio de Deus, ma­
tando dezoito mil homens". Foi nessa ocasião que escreveu
o salmo 60. • N. Hom. Renome. Ganha-se o renome na 
guerra, na ciência, nas artes, na política, mas especialmente 
na humildade. O exemplo está em jesus, que se humilhou 
e ganhou um nome que está acima de todo o nome 
(Fp 2 .8 -9 ). Pelo salmo 60 percebe-se que a vitória de Davi, e 
com ela o renome, foi conseqüência de um milagre de Deus, 
conseguida pela oração de um coração angustiado 
(SI 60.10,11 a); pela não confiança na força do homem (11b);
2 SAMUEL 8.14 448
tar de ferir os siros, matou dezoito mil ho­
mens no vale do SaR
14 Pôs guarnições em Edom, em todo o 
Edom pôs guarnições, e todos os edomitas 
ficaram por servos de Davi; e o Senh o r dava 
vitórias a Davi, por onde quer que ia /
Oficiais de Davi
2Sm 20.23-26; ICr 18.14-17
15 Reinou, pois, Davi sobre todo o Israel; 
julgava e fazia justiça a todo o seu povo.
16 Joabe, filho de Zeruia, era comandante 
do exército; Josafá, filho de Ailude, era cro- 
nista.s
17 Zadoque, filho de Aitube, e Aimele­
que, filho de Abiatar, eram sacerdotes, e Se- 
raías, escrivão.h
18 E Benaia, filho de Joiada, era o coman­
dante da guarda real: Os filhos de Davi, po­
rém, eram seus ministros.'
A bondade de Davi 
para com o filho de Jônatas
9 Disse Davi: Resta ainda, porventura, al­guém da casa de Saul/, para que use eu 
de bondade para com ele, por amor de Jô­
natas?
2 Havia um servo na casa de Saul cujo 
nome era Ziba; chamaram-no qué viesse a 
Davi. Perguntou-lhe o rei: És tu Ziba? Res­
pondeu: Eu mesmo, teu servo.*
3 Disse-lhe o rei: Não há ainda alguém da 
casa de Saul para que use eu da bondade de 
Deus para com ele? Então, Ziba respondeu ao 
rei: Ainda há um filho de Jônatas', aleijado 
de ambos os pés.
8.13 eSl 60, 
título
8.14 fCn 27.29; 
Nm 24.18;
2Sm 24.6
8.16
9 2Sm 19.13;
1 Rs 4.3;
1Cr11.6
8.17 l>Kr 24.3
8.18
'ISm 30.14; 
1018.17
9.1
/ISm 20.15-17
9.2 fc2Sm 16.1
9.3 '2Sm 4.4
9.4
^ S m 17.27
9.7 "2Sm 9.1
9.8
<• ISm 24.14; 
2Sm 16.9
9.9p2Sm 16.4
9.10 <)2Sm 9.7
9.12 0 0 8.34
9.13 s2Sm 9.3
4 E onde está? Perguntou-lhe o rei. Ziba 
lhe respondeu: Está na casa de Maquir, filho 
de Amiel, em Lo-Debar.m
5 Então, mandou o rei Davi trazê-lo de 
Lo-Debar, da casa de Maquir, filho de Amiel.
6 Vindo Mefibosete, filho de Jônatas, fi­
lho de Saul, a Davi, inclinou-se, prostrando- 
se com o rosto em terra. Disse-lhe Davi: 
Mefibosete! Ele disse: Eis aqui teu servo!
7 Então, lhe disse Davi: Não temas, por­
que usarei de bondade para contigo, por amor 
de Jônatas, teu pai, e te restituirei todas as 
terras de Saul, teu pai, e tu comerás pão sem­
pre à minha mesa."
8 Então, se inclinou e disse: Quem é teu 
servo, para teres olhado para um cão morto tal 
como eu?°
9 Chamou Davi a Ziba, servo de Saul, e 
lhe disse: Tudo o que pertencia a Saul e toda 
a sua casa dei ao filho de teu senhor.P
10 Trabalhar-lhe-ás, pois, a terra, tu, e 
teus filhos, e teus servos, e recolherás os fru­
tos, para que a casa de teu senhor tenha pão 
que coma; porém Mefibosete, filho de teu 
senhor, comerá pão sempre à minha mesa. 
Tinha Ziba quinze filhos e vinte servos.1?
11 Disse Ziba ao rei: Segundo tudo quanto 
meu senhor, o rei, manda a seu servo, assim
o fará. Comeu, pois, Mefibosete à mesa de 
Davi, como um dos filhos do rei.
12 Tinha Mefibosete um filho pequeno, 
cujo nome era Mica. Todos quantos moravam 
em casa de Ziba eram servos de Mefibosete/
13 Morava Mefibosete em Jerusalém, por­
quanto comia sempre à mesa do rei. Ele era 
coxo de ambos os pés.5
e, pelo socorro que vem somente de Deus (12). Vale do Sal, 
uma depressão ao sul do Mar Morto.
8 .16 Cronista (mazkir). Alguns traduzem mazkir por "mestre 
de cerimônias", quando o mais certo é "historiador", ou "cro­
nista".
8.17 Aimeleque, filho de Abiatar da casa de Eli, foi o que se 
aliou a Davi desde o princípio (1 Sm 2 2 .2 0 -2 3 ; 23.6). A pro­
fecia contra a casa de Eli, cumpriu-se nele em 1 Rs 2 .2 6 -2 7 . 
Escrivão (sofer), em geral significava "ministro do Estado".
8.18 Guarda real, ou força mercenária. Era composta de es­
trangeiros: quereteus e peleteus (20.23; 1 Cr 18.17). A LXX 
traduz quereteus por "cretenses" {Sf 2.5; Ez 25.16). Peleteus, 
parece que era uma pequena tribo filistéia a serviço de Davi. 
Esta força mercenária atuava na área política, onde o ele­
mento nacional não era desejável. Saul, por exemplo, usou 
essa força na matança dos sacerdotes em Nobe
(1 Sm 2 2 .1 8 -1 9 ). O Targum traduz quereteus e peleteus por 
arqueiros e fundibulários.
9.1 O cap 9 é posterior ao incidente do cap 21.1 -1 4 .
9 .2 Ziba. Homem desleal e ambicioso (1 6 .1 -4 ; 19 .24 -30 ).
9 .8 Cão morto (3.8; 16.9). Revela o estado psíquico de Mefi­
bosete - abalado e complexado pela morte de seus irmãos e 
sobrinhos (21.1 -1 4 ); e, que nada sabia do juramento de Davi 
a Jônatas, seu pai.
9.11 Comeu.. . à mesa de D avi.. . Além de cumprir seu voto 
(1 Sm 20 .1 2 -2 7 ), Davi agiu como diplomata, amparando o 
último descendente de Saul, ganhando, assim, a simpatia da 
tribo de Benjamim.
9.12 Quando Davi começou a reinar Mefibosete tinha cinco 
anos (4.4). Mas ele agora já tem um filho pequeno, Mica, que 
continuará a descendência de jônatas (1 Cr 8.35). Isso coloca 
a idade de Mefibosete acima de 25 anos, e o episódio aqui, 
por cerca do vigésimo ano do reinado de Davi.
449 2 SAMUEL 10.19
Davi derrota os amonitas e os siros
ICr 19.1-19
1 A Depois disto, morreu o rei dos filhos 
X U de Amom, e seu filho Hanum reinou 
em seu lugar.1
2 Então, disse Davi: Usarei de bondade 
para com Hanum, filho de Naás, como seu pai 
usou de bondade para comigo. E enviou Davi 
servos seus para o consolar acerca de seu pai; 
e vieram os servos de Davi à terra dos filhos 
de Amom.
3 Mas os príncipes dos filhos de Amom 
disseram a seu senhor, Hanum: Pensas que, 
por Davi te haver mandado consoladores, está 
honrando a teu pai? Porventura, não te enviou 
ele os seus servos para reconhecerem a ci­
dade, espiá-la e destruí-la?
4 Tomou, então, Hanum os servos de 
Davi, e lhes rapou metade da barba, e lhes 
cortou metade das vestes até às nádegas, e os 
despediu.u
5 Sabedor disso, enviou Davi mensageiros 
a encontrá-los, porque estavam sobremaneiraenvergonhados. Mandou o rei dizer-lhes: 
Deixai-vos estar em Jericó, até que vos tome 
a crescer a barba; e, então, vinde.
6 Vendo, pois, os filhos de Amom que se 
haviam tomado odiosos a Davi, mandaram 
mensageiros tomar a soldo vinte mil homens 
de pé dos siros de Bete-Reobe e dos siros de 
Zobá, mil homens do rei de Maaca e doze mil 
de Tobe. v
7 O que ouvindo Davi, enviou contra eles 
a Joabe com todo o exército dos valentes.w
8 Saíram os filhos de Amom e ordenaram 
a batalha à entrada da porta, e os siros de 
Zobá e Reobe e os homens de Tobe e Maaca 
estavam à parte no campo."
9 Vendo, pois, Joabe que estava preparada 
contra ele a batalha, tanto pela frente como 
pela retaguarda, escolheu dentre todos o que
io.i n c r 19.1
10.4" Is 20.4
10.6 vGn 34.30; 
ISm 13.4;
2Sm 8.3,5
10.7 w2Sm 23.8
10.8 *2Sm 10.6
10.12 rDt 31.6; 
ISm 3.18;
1Co 16.13
10.18
 ^1 Cr 19.18
10.19 °2Sra 8.6
havia de melhor em Israel e os formou em 
linha contra os siros;
10 e o resto do povo, entregou-o a Abisai, 
seu irmão, o qual o formou em linha contra os 
filhos de Amom.
11 Disse Joabe: Se os siros forem mais 
fortes do que eu, tu me virás em socorro; e, se 
os filhos de Amom forem mais fortes do que 
tu, eu irei ao teu socorro.
12 S ê forte, pois; pelejemos varonilmente 
pelo nosso povo e pelas cidades de nosso 
Deus; e faça o S e n h o r o que bem lhe 
parecer, y
13 Então, avançou Joabe com o povo que 
estava com ele, e travaram peleja contra os 
siros; e estes fugiram de diante deles.
14 Vendo os filhos de Amom que os siros 
fugiam, também eles fugiram de diante de 
Abisai e entraram na cidade; voltou Joabe dos 
filhos de Amom e tomou a Jerusalém.
15 Vendo, pois, os siros que tinham sido 
desbaratados diante de Israel, tomaram a re- 
fazer-se.
16 E Hadadezer fez sair os siros que esta­
vam do outro lado do rio, e vieram a Helã; 
Sobaque, chefe do exército de Hadadezer, 
marchava adiante deles.
17 Informado Davi, ajuntou a todo o Is­
rael, passou o Jordão e foi a Helã; os siros se 
puseram em ordem de batalha contra Davi e 
pelejaram contra ele.
18 Porém os siros fugiram de diante de 
Israel, e Davi matou dentre os siros os ho­
mens de setecentos carros e quarenta mil ho­
mens de cavalo; também feriu a Sobaque, 
chefe do exército, de tal sorte que mor­
reu ali.z
19 Vendo, pois, todos os reis, servos de 
Hadadezer, que foram vencidos, fizeram paz 
com Israel e o serviram; e temeram os siros de 
ainda socorrer aos filhos de Amom.»
10.2 Naás. Provavelmente era o filho do rei Naás de
1 Sm 11.
• N. Hom. 10.3 "Os maus conselheiros", freqüentemente, 
levam as pessoas a sofrerem conseqüências funestas: 1) Inter­
pretaram mal os sentimentos de Davi (3); 2) Ofenderam os 
mensageiros (4 -5 ) e ganharam a inimizade de Davi (6);
3) Provocaram uma guerra inútil (7); 4 ) Gastaram muito di­
nheiro em assalariar os siros (6); 5) Perderam a guerra (14).
10.4 í lhes rapou metade da barba. A barba, símbolo de dig­
nidade, rapada, era uma grande vergonha; mas mutilada, 
constituía-se em gravíssima ofensa.
10.8 À entrada da porta da cidade de Rabá, capital de Amom.
10.12 Pelejemos.. . pelo nosso povo. Alguns, baseando-se no 
v 11, de que a arca do Senhor estava acompanhando a 
guerra, traduzem esta frase por: "Pelejemos.. . pela arca do 
Senhor" (De Vaux).
10.13,14 Joabe, estrategicamente, ataca em primeiro lugar 
os famosos siros; estes, desbaratados, amedrontariam Amom, 
que se tornaria presa fácil, depois.
10.16 Da outra banda do rio. Refere-se ao oeste do Rio Eufra- 
tes (1 Rs 4.24).
10.18 Setecentos carros. Em 1 Cr 19.18 se lê: "sete mil car­
ros", que é tido por alguns como melhor texto.
2 SAMUEL 11.1 450
Davi comete adultério com Bate-Seba
n Decorrido um anob, no tempo em que os reis costumam sair para a guerra, enviou Davi a Joabe, e seus servos, 
com ele, e a todo o Israel, que destruíram os 
filhos de Amom e sitiaram Rabá; porém Davi 
ficou em Jerusalém.
2 Uma tarde, levantou-se Davi do seu 
leito e andava passeando no terraço da casa 
real; daí viu uma mulher que estava tomando 
banho; era ela mui formosa.c
3 Davi mandou perguntar quem era. Dis- 
seram-lhe: É Bate-Seba, filha de Eliã e mu­
lher de Urias, o heteu.d
4 Então, enviou Davi mensageiros que a 
trouxessem; ela veio, e ele se deitou com ela. 
Tendo-se ela purificado da sua imundícia, 
voltou para sua casa.E
5 A mulher concebeu e mandou dizer a 
Davi: Estou grávida.
Davi e Urias
6 Então, enviou Davi mensageiros a 
Joabe, dizendo: Manda-me Urias, o heteu. 
Joabe enviou Urias a Davi.
7 Vindo, pois, Urias a Davi, perguntou 
este como passava Joabe, como se achava o 
povo e como ia a guerra.
8 Depois, disse Davi a Urias: Desce a tua 
casa e lava os pés. Saindo Urias da casa real, 
logo se lhe seguiu um presente do rei.f
9 Porém Urias se deitou à porta da casa 
real, com todos os servos do seu senhor, e não 
desceu para sua casa.
10 Fizeram-no saber a Davi, dizendo: 
Urias não desceu a sua casa. Então, disse
11.1 01 Cr 20.1
11.2 cGn 34.2; 
Jó 31.1
11.3
à 2 S m 23.39
11.4 «Lv 15.19; 
SI 51 título
11.8 ^Gn 18.4
11.11 g 2 S m 7 .2
11.13
^Cn 19.33; 
2Sm 19.9
11.14
M Rs 21.8-9
11.15
/2Sm 12.9
Davi a Urias: Não vens tu de uma jornada? 
Por que não desceste a tua casa?
11 Respondeu Urias a Davi: A arca, Israel 
e Judá ficam em tendas; Joabe, meu senhor, e 
os servos de meu senhor estão acampados ao 
ar livre; e hei de eu entrar na minha casa, para 
comer e beber e para me deitar com minha 
mulher? Tão certo como tu vives e como vive 
a tua alma, não farei tal coisa.9
12 Então, disse Davi a Urias: Demora-te 
aqui ainda hoje, e amanhã te despedirei. 
Urias, pois, ficou em Jerusalém aquele dia e o 
seguinte.
13 Davi o convidou, e comeu e bebeu 
diante dele, e o embebedou; à tarde, saiu 
Urias a deitar-se na sua cama, com os servos 
de seu senhor; porém não desceu a sua casa.h
A morte de Urias
14 Pela manhã, Davi escreveu uma carta a 
Joabe e lha mandou por mão de Urias.'
15 Escreveu na carta, dizendo: Ponde 
Urias na frente da maior força da peleja; e 
deixai-o sozinho, para que seja ferido e 
morra./
16 Tendo, pois, Joabe sitiado a cidade, pôs 
a Urias no lugar onde sabia que estavam ho­
mens valentes.
17 Saindo os homens da cidade e pele­
jando com Joabe, caíram alguns do povo, dos 
servos de Davi; e morreu também Urias, o 
heteu.
18 Então, Joabe enviou notícias e fez sa­
ber a Davi tudo o que se dera na batalha.
19 Deu ordem ao mensageiro, dizendo:
11.1 Tempo em que os reis costumam sair para a guerra. Na 
primavera, depois das chuvas.
• N. Hom. 11.2 O pecado do adultério. Levantou-se Davi 
do seu leito e andava passeando.. . Quando uma pessoa está 
na ociosidade e deixa que os outros façam as suas obrigações 
(1), passando o seu tempo a dormir e a passear (2), começa a 
ver coisas que não devem ser vistas (2), a cobiçar coisas proi­
bidas (2; Êx 20.17) e a cometer atos condenados (4; Êx 20.14). 
Davi já estava com os seus cinqüenta anos de idade, quan­
do olhou para uma mulher casada, fez com que ela viesse à 
sua presença e cometeu o pecado de adultério. Pouco lhe va­
leu o seu glorioso passado; maculou-o. Esqueceu-se da ma­
ravilhosa profecia de Natã (7 .8 -1 7 ); empanou o brilho de 
sua carreira. A queda de Davi veio justamente durante o perío­
do de suas maiores conquistas (2 Sm caps 8 -1 2 ; 1 Co 10.12).
11.3 Bate-Seba. "Filha de juramento"; também chamada 
Bate-Sua, "Filha de opulência" (1 Cr 3.5). Tanto Eliã (seu pai) 
como Urias faziam parte do famoso grupo dos trinta heróis
(23.34,39). Urias era heteu, mas um prosélito judaico e oficial 
de grande valor, tanto em coragem como em moral.
1 1 .6 -2 5 "A imparcialidade da Bíblia". D a v i... jo a b e ... 
Urias.. . Bate-Seba. Neste capítulo encontramos: um herói, 
de grandevalor moral, que é profundamente ultrajado, traído 
e morto como cão sarnento, que é Urias; uma mulher infiel e 
ambiciosa que recebe um galardão real, de ser esposa do rei, 
que é Bate-Seba; um rei que se desmorona pela imoralidade, 
traição e covardia, que é Davi; e um general inescrupuloso, 
que compactua com propostas infames e assassina seu amigo 
e companheiro de armas, que é (oabe. O adultério, todavia, 
traz as suas conseqüências e das mais funestas. E o que nos 
impressiona, é a imparcialidade e a objetividade da Bíblia, que 
registra tudo, nada ocultando.
11.8 Desce a tua casa e lava os pés. Isto é, vai a tua casa e 
deita-te com tua mulher; o que Urias não fez. Não entrou em 
sua casa e não lavou os seus pés. Dormiu na rua e não enco­
briu o pecado de Davi.
451 2 SAMUEL 12.7
Se, ao terminares de contar ao rei os aconteci­
mentos desta peleja,
20 suceder que ele se encolerize e te diga: 
Por que vos chegastes assim perto da cidade 
a pelejar? Não sabíeis vós que haviam de ati­
rar do muro?
21 Quem feriu a Abimeleque*, filho de 
Jerubesete? Não lançou uma mulher sobre 
ele, do muro, um pedaço de mó corredora, de 
que morreu em Tebes? Por que vos chegastes 
ao muro? Então, dirás: Também morreu teu 
servo Urias, o heteu.
22 Partiu o mensageiro e, chegando, fez 
saber a Davi tudo o que Joabe lhe havia man­
dado dizer.
23 Disse o mensageiro a Davi: Na ver­
dade, aqueles homens foram mais poderosos 
do que nós e saíram contra nós ao campo; 
porém nós fomos contra eles, até à entrada da 
porta.
24 Então, os flecheiros, do alto do muro, 
atiraram contra os teus servos, e morreram 
alguns dos servos do rei; e também morreu o 
teu servo Urias, o heteu.
25 Disse Davi ao mensageiro: Assim dirás 
a Joabe: Não pareça isto mal aos teus olhos, 
pois a espada devora tanto este como aquele; 
intensifica a tua peleja contra a cidade e der- 
rota-a; e, tu, anima a Joabe.
Davi casa com Bate-Seba
26 Ouvindo, pois, a mulher de Urias que 
seu marido era morto, ela o pranteou.
11.21 fc|z 9.53
11.27
'2Sm12.9
12.1 mSISI, 
título
12.6 "Ex 22.1
27 Passado o luto, Davi mandou buscá-la 
e a trouxe para o palácio; tomou-se ela sua 
mulher e lhe deu à luz um filho. Porém isto 
que Davi fizera foi mal aos olhos do 
Senhor/
Natã repreende a Davi
1 O O Senhor enviou Natã a Davim. 
i_ Z* Chegando Natã a Davi, disse-lhe: 
Havia numa cidade dois homens, um rico e 
outro pobre.
2 Tinha o rico ovelhas e gado em grande 
número;
3 mas o pobre não tinha coisa nenhuma, 
senão uma cordeirinha que comprara e criara, 
e que em sua casa crescera, junto com seus 
filhos; comia do seu bocado e do seu copo 
bebia; dormia nos seus braços, e a tinha como 
filha.
4 Vindo um viajante ao homem rico, não 
quis este tomar das suas ovelhas e do gado 
para dar de comer ao viajante que viera a ele; 
mas tomou a cordeirinha do homem pobre e 
a preparou para o homem que lhe havia 
chegado.
5 Então, o furor de Davi se acendeu sobre­
maneira contra aquele homem, e disse a Natã: 
Tão certo como vive o SENHOR, o homem 
que fez isso deve ser morto.
6 E pela cordeirinha restituirá quatro ve­
zes, porque fez tal coisa e porque não se com­
padeceu."
7 Então, disse Natã a Davi: Tu és o ho-
11.27 f lhe deu à luz um filho. Já tinha decorrido cerca de um 
ano e, Davi pensava ter encoberto o seu pecado. Esqueceu-se 
da verdade: "e sabei que o vosso pecado vos há de achar" 
(Nm 32.23).
12.1 Natã, "Dádiva". Um profeta de Deus, colocado na corte 
de Davi (7 .3 ) e na de Salomão (1 Rs 1.11,34). No AT, os pro­
fetas possuíam uma ascendência moral e espiritual sobre os 
reis; isto, pelo motivo de levarem uma vida piedosa e íntegra. 
Eram homens em quem o próprio Deus podia confiar.
• N. Hom. "As Dádivas de Deus a Davi" (10 -1 2 ): 1) Deus lhe 
enviou Natã ("Dádiva"), para revelar o seu pecado (1 -7 ); 
2) Enviou a morte da criança (18), para lhe mostrar o salário 
do pecado (Rm 6.23); 3) Enviou a vergonha do incesto, na 
pessoa de seus filhos, Tamar e Amnom (1 3 .1 -2 3 ), para lhe 
lembrar a podridão moral que ele mesmo semeou (11.4);
4) Enviou a morte de Amnom (1 3 .2 8 -2 9 ), para lhe lembrar a 
morte de Urias (9; 11.15); 5) Enviou o usurpador do trono, 
na pessoa de seu filho, Absalão (1 5 .1 -1 8 ), para lhe lembrar 
que usurpou o lugar de Urias (11.3); 6) Enviou a vergonha e 
a afronta quando Absalão coabitou com as suas concubinas 
(16.21 -2 2 ) , para lhe lembrar o que ele fez à mulher de Urias 
(1 1 .2 -4 ); 7) Enviou a morte traiçoeira de Absalão
(1 8 .1 2 -1 5 ), para lhe lembrar a traição na morte de Urias (9;
11 .14-17); 8) Enviou a praga (2 4 .1 0 -1 7 ), para lhe lembrar o 
seu orgulho e torná-lo humilde. Diz Paulo: "Todas as coisas 
cooperam para o bem daqueles que amam a Deus" 
(Rm 8.28).
12.6 Restituirá quatro vezes (Êx 22.1; Lc 19.8). Na LXX se lê: 
"restituirá sete vezes".
12.7 Tu és o homem. Quanta coragem! O rei podia mandar 
matar a Natã, como já o havia feito com Urias. • N. Hom. 
"Deveres de um profeta" (Natã): 1) Profetizar (7 .8 -1 7 ), i.e, 
receber as mensagens de Deus e entregá-las aos homens, o 
que exige uma completa submissão à vontade de Deus 
(2 Pe 1.21); 2) Denunciar o mal (1 -1 2 ), o que exige uma 
extraordinária coragem (7; Ef 6.20); 3) Proclamar o perdão 
do Senhor (13; )o 20.23), o que exige integridade de alma 
e fidelidade à palavra de Deus; 4 ) Orientar o povo (7.5;
1 Rs 1 .11 -14 ), o que exige conhecimento de pessoas, de si­
tuações e de doutrinas; 5) Assumir responsabilidades 
(1 Rs 1.34,45), o que exige autoridade; 6) Cuidar da corte 
(música nos cultos, 2 Cr 29.25), o que exige talento; 7) Re­
gistrar os eventos da história (2 Cr 9.29), o que exige capaci­
dade literária e crítica.
2 SAMUEL 12.8 452
mem. Assim diz o S e n h o r , Deus de Israel: 
Eu te ungi rei sobre Israel e eu te livrei das 
mãos de Saul;0
8 dei-te a casa de teu senhor e as mulheres 
de teu senhor em teus braços e também te dei 
a casa de Israel e de Judá; e, se isto fora 
pouco, eu teria acrescentado tais e tais coisas.
9 Por que, pois, desprezaste a palavra do 
S e n h o r , fazendo o que era mal perante ele? 
A Urias, o heteu, feriste à espada; e a sua 
mulher tomaste por mulher, depois de o matar 
com a espada dos filhos de Amom.P
10 Agora, pois, não se apartará a espada 
jamais da tua casa, porquanto me desprezaste 
e tomaste a mulher de Urias, o heteu, para ser 
tua mulher. <f
11 Assim diz o Se n h o r : Eis que da tua 
própria casa suscitarei o mal sobre ti, e toma­
rei tuas mulheresr à tua própria vista, e as 
darei a teu próximo, o qual se deitará com 
elas, em plena luz deste sol.
12 Porque tu o fizeste em oculto, mas eu 
farei isto perante todo o Israel e perante 
o sol.5
13 Então, disse Davi a Natã: Pequei contra
o Se n h o r . Disse Natã a Davi: Também o 
S e n h o r te perdoou o teu pecado; não mor- 
rerás.f
14 Mas, posto que com isto deste motivo 
a que blasfemassem os inimigos do S e n h o r , 
também o filho que te nasceu morrerá.u
15 Então, Natã foi para sua casa.
A morte do filho de Bate-Seba
E o S e n h o r fériu a criança que a mulher 
de Urias dera à luz a Davi; e a criança adoe­
ceu gravemente.
16 Buscou Davi a Deus pela criança; je- 
juou Davi e, vindo, passou a noite prostrado 
em terra.v
17 Então, os anciãos da sua casa se ache-
12.7
°1Sm 16.13
12.9
pNm 15.31;
1 Sm 15.19; 
2Sm 11.15-17, 
27
12.10 <?Am 7.9
12.11
>-2Sm 16.22
12.12
s2Sm 16.22
12.13
(ISm 15.24; 
2Sm 24.10; 
Sl 32.1,5; 
Mq 7.18
12.14 u|s 52.5; 
Rm 2.24
12.16
^Sm 13.31
12.20 >vRt 3.3
12.22 *ls 38.1; 
Jn 3.9
12.23
y\ó 7.8-10
12.24
?1Cr 22.9
garam a ele, para o levantar da terra; porém 
ele não quis e não comeu com eles.
18 Ao sétimo dia, morreu a criança; e te­
miam os servos de Davi informá-lo de que a 
criança era morta, porque diziam:Eis que, 
estando a criança ainda viva, lhe falávamos, 
porém não dava ouvidos à nossa voz; como, 
pois, lhe diremos que a criança é morta? Por­
que mais se afligirá.
19 Viu, porém, Davi que seus servos co­
chichavam uns com os outros e entendeu que 
a criança era morta, pelo que disse aos seus 
servos: É morta a criança? Eles responderam: 
Morreu.
20 Então, Davi se levantou da terra; la- 
vou-se, ungiu-se, mudou de vestes, entrou na 
Casa do S e n h o r e adorou; depois, veio para 
sua casa e pediu pão; puseram-no diante dele. 
e ele comeu.w
21 Disseram-lhe seus servos: Que é isto 
que fizeste? Pela criança viva jejuaste e cho- 
raste; porém, depois que ela morreu, te levan- 
taste e comeste pão.
22 Respondeu ele: Vivendo ainda a 
criança, jejuei e chorei, porque dizia: Quem 
sabe se o S e n h o r se compadecerá de mim, e 
continuará viva a criança?*
23 Porém, agora que é morta, por que je- 
juaria eu? Poderei eu fazê-la voltar? Eu irei a 
ela, porém ela não voltará para mim.»'
24 Então, Davi veio a Bate-Seba, conso- 
lou-a e se deitou com ela; teve ela um filho 
a quem Davi deu o nome de Salomão; e o 
Se n h o r o amou.*
25 Davi o entregou nas mãos do profeta 
Natã, e este lhe chamou Jedidias, por amor do 
S e n h o r .
Davi conquista Rabá
I C r 2 0 .1 -3
26 Entretanto, pelejou Joabe contra Rabá.
12.10 Não se apartará a espada jamais da tua casa. Quanto 
Davi não sofreu por causa do seu pecado! Morre a criança 
(18); Tamar é violentada (1 3 .1 0 -1 7 ); morre Amnom 
(1 3 .23 -29 ); revolta-se Absalão (1 5 .1 -1 4 ); morre Absalão 
(1 8 .14 -15 ); morre Adonias (1 Rs 2.25). Estas coisas são algu­
mas das conseqüências do pecado de Davi (ver 
N. Hom. 12.1).
12.11 Tomarei tuas mulheres.. . em plena luz deste sol. Absa­
lão toma as concubinas de seu próprio pai e coabita com elas 
diante dos olhos de todos (16.21 -2 2 ); e não às ocultas como 
o fez seu pai, com a mulher de Urias (11.4).
12.13 Pequei contra o Senhor. O pecado é perdoado, mas as
conseqüências perduram. O clímax, num verdadeiro arrepen­
dimento, é a palavra "pequei". Somente neste estado a graça 
de Deus pode manifestar-se eficientemente. Foi nessa ocasiãc 
que Davi escreveu o salmo 51.
12.23 Por que jejuaria eu? Essa é uma característica singular 
de Davi - esquecer-se das coisas desagradáveis e das que já 
estão no passado. É uma virtude que prolonga a vida de uma 
pessoa.
12.24 Salomão. "Pacífico".
12.25 jedidias. "O amado do Senhor". O nome dado por 
Deus, mediante Natã.
1 2 .2 6 -2 8 A história da guerra contra Amom, interrompida
453 2 SAMUEL 13.13
dos filhos de Amom, e tomou a cidade real.0
27 Então, mandou Joabe mensageiros a 
Davi e disse: Pelejei contra Rabá e tomei a 
cidade das águas.
28 Ajunta, pois, agora o resto do povo, e 
cerca a cidade, e toma-a, para não suceder 
que, tomando-a eú, se aclame sobre ela o meu 
nome.
29 Reuniu, pois, Davi a todo o povo, e 
marchou para Rabá, e pelejou contra ela, e a 
tomou.
30 Tirou a coroa da cabeça do seu rei; o 
peso da coroa era de um talento de ouro, e 
havia nela pedras preciosas, e foi posta na 
cabeça de Davi; e da cidade levou mui grande 
despojo.b
31 Trazendo o povo que havia nela, fê-lo 
passar a serras, e a picaretas, e a machados de 
ferro, e em fomos de tijolos; e assim fez a 
todas as cidades dos filhos de Amom. Voltou 
Davi com todo o povo para Jerusalém.
0 incesto de Amnom
1 O Tinha Absalão, filho de Davi, uma 
X J formosa irmã, cujo nome era Tamar. 
Amnom, filho de Davi, se enamorou dela.c
2 Angustiou-se Amnom por Tamar, sua 
irmã, a ponto de adoecer, pois, sendo ela vir­
gem, parecia-lhe impossível fazer-lhe coisa 
alguma.
3 Tinha, porém, Amnom um amigo cujo 
nome era Jonadabe, filho de Siméia, irmão de 
Davi; Jonadabe era homem mui sagaz.d
4 E ele lhe disse: Por que tanto emagreces 
de dia para dia, ó filho do rei? Não mo dirás?
12.26 a Dt 3.11; 
ICr 20.1
12.30
f>1Cr 20.2
13.1
c2Sm 3.2-3; 
ICr 3.9
13.3 dlSrn 16.9
13.6 «Cn 18.6
13.9 'Gn 45.1
13.11
gCn 39.12
13.12
í>Cn 34.7; 
Jz 19.23
Então, lhe disse Amnom: Amo Tamar, irmã 
de Absalão, meu irmão.
5 Disse-lhe Jonadabe: Deita-te na tua 
cama e finge-te doente; quando teu pai vier 
visitar-te, dize-lhe: Peço-te que minha irmã 
Tamar venha e me dê de comer pão, pois, 
vendo-a eu preparar-me a comida, comerei 
de sua mão.
6 Deitou-se, pois, Amnom e fingiu-se 
doente; vindo o rei visitá-lo, Amnom lhe 
disse: Peço-te que minha irmã Tamar venha e 
prepare dois bolos à minha presença, para que 
eu coma de sua mão.e
7 Então, Davi mandou dizer a Tamar em 
sua casa: Vai à casa de Amnom, teu irmão, e 
faze-lhe comida.
8 Foi Tamar à casa de Amnom, seu irmão, 
e ele estava deitado. Tomou ela a massa e a 
amassou, fez bolos diante dele e os cozeu.
9 Tomou a assadeira e virou os bolos 
diante dele; porém ele recusou comer. Disse 
Amnom: Fazei retirar a todos da minha pre­
sença. E todos se retiraram/
10 Então, disse Amnom a Tamar: Traze a 
comida à câmara, e comerei da tua mão. To­
mou Tamar os bolos que fizera e os levou a 
Amnom, seu irmão, à câmara.
11 Quando lhos oferecia para que co­
messe, pegou-a e disse-lhe: Vem, deita-te co­
migo, minha irmã. a
12 Porém ela lhe disse: Não, meu irmão, 
não me forces, porque não se faz assim em 
Israel; não faças tal loucura.h
13 Porque, aonde iria eu com a minha ver­
gonha? E tu serias como um dos loucos de
em 11.1, pelo pecado de Davi, recomeça aqui. Joabe con­
quista a cidade baixa que fornece a água, e, por motivos 
políticos, insiste que Davi venha conquistar a parte alta da 
cidade, onde reside o rei.
12.30 Tirou a coroa da cabeça do seu rei. No texto hebraico, 
a palavra escrita "seu rei'', é mlcm, que tanto pode ser lido por 
malcam, "seu rei", como por Miicom, deus principal de Amom 
(1 Rs 11.5,33), pois a escrita hebraica é igual. No texto grego 
(LXX) está: "Tirou a coroa da cabeça de Miicom, seu re i" .. .
O peso da coroa era de um talento de ouro. Um talento (Kikkar) 
pesa c. 30 kg.
12.31 É texto difícil e discutido. Uma versão mais justa seria: 
"E ao povo que nela havia, desterrou-o para trabalhar com a 
picareta (abrindo estradas e vales de segurança), com macha­
dos (derrubando matas) e para trabalhar com tijolos para os 
fornos".
13.1 Absalão.. . Tamar.. . Amnom.. . Absalão e Tamar eram 
filhos de Maaca, filha de Talmai, rei de Cesur (3.3). Amnom,
o primogênito de Davi era filho de Ainoã, a jezreelita (3.2).
13.3 Amigo.. . jonadabe, primo de Amnom, era o intrigante 
da corte; sagaz (heb hakam, sábio) e perverso. • N . Hom. 
"Más companhias" (Jonadabe), levam pessoas a conversas 
imorais (4), a fingimentos e mentiras (5 -6 ) e a atos proibidos 
e contra a ética (8 -1 4 ).
13.8 fez bolos (heb "Fez corações"). As filhas do rei conhe­
ciam a arte culinária. Bolos ( lebiloth) eram pastéis em forma 
de coração.
13.13 Maior é esta injúria, lançando-me fora, do que a outra 
que me fizeste. Pela lei, o casamento entre irmãos era proi­
bido (Lv 18.6,9; Dt 27.22); mas entre os povos vizinhos, per­
manecia ainda o costume antigo de casar-se com irmãs, caso 
estas não fossem, também, filhas da mesma mãe. era o caso 
de Abrão e Sarai (Cn 20.2,12). Também pode ser que Tamar, 
sendo filha de uma estrangeira, não conhecesse bem a lei 
mosaica. Este pecado perdurou até à época de Ezequiel 
(22 .11).
2 SAMUEL 13.14 454
Israel. Agora, pois, peço-te que fales ao rei, 
porque não me negará a ti.'
14 Porém ele não quis dar ouvidos ao que 
ela lhe dizia; antes, sendo mais forte do que 
ela, forçou-a e se deitou com ela./
15 Depois, Amnom sentiu por ela grande 
aversão, e maior era a aversão que sentiu por 
ela que o amor que ele lhe votara. Disse-lhe 
Amnom: Levanta-te, vai-te embora.
16 Então, ela lhe disse: Não, meu irmão; 
porque maior é esta injúria, lançando-mefora, do que a outra que me fizeste. Porém ele 
não a quis ouvir.
17 Chamou a seu moço, que o servia, e 
disse: Deita fora esta e fecha a porta após ela.
18 Trazia ela uma túnica talar de mangas 
compridas, porque assim se vestiam as donze­
las filhas do rei. Mesmo assim o servo a dei­
tou fora e fechou a porta após ela.k
19 Então, Tamar tomou cinza sobre a ca­
beça, rasgou a túnica talar de mangas compri­
das que trazia, pôs as mãos sobre a cabeça e 
se foi andando e clamando.1
20 Absalão, seu irmão, lhe disse: Esteve 
Amnom, teu irmão, contigo? Ora, pois, minha 
irmã, cala-te; é teu irmão. Não se angustie o 
teu coração por isso. Assim ficou Tamar e 
esteve desolada em casa de Absalão, seu 
irmão.
21 Ouvindo o rei Davi todas estas coisas, 
muito se lhe acendeu a ira.
22 Porém Absalão não falou com Amnom 
nem mal nem bem; porque odiava a Amnom, 
por ter este forçado a Tamar, sua irmã.™
Absalão mata a Amnom
23 Passados dois anos, Absalão tosquiava
13.13 'Lv 18.9
13.14
i Dt 22.25; 
2Sm12.il
13.18
kGn 37.3; 
SI 45.14
13.19 <|s 7.6; 
2Sm 1.2; Jr 2.37
13.22
mGr\ 24.50
13.23
"Gn 38.12-13; 
ISm 25.4,36
13.28 ojz 19.6; 
Ru 3.7;
ISm 25.36;
Sl 104.15
13.31
p2Sm 1.11
13.32
q2Sm 13.3
em Baal-Hazor, que está junto a Efraim, e 
convidou Absalão todos os filhos do rei.n
24 Foi ter Absalão com o rei e disse: Eis 
que teu servo faz a tosquia; peço que com o 
teu servo venham o rei e os seus servidores.
25 O rei, porém, disse a Absalão: Não, fi­
lho meu, não vamos todos juntos, para não te 
sermos pesados. Instou com ele Absalão, po­
rém ele não quis ir; contudo, o abençoou.
26 Então, disse Absalão: Se não queres ir, 
pelo menos deixa ir conosco Amnom, meu 
irmão. Porém o rei lhe disse: Para que iria ele 
contigo?
27 Insistindo Absalão com ele, deixou ir 
com ele Amnom e todos os filhos do rei.
28 Absalão deu ordem aos seus moços, 
dizendo: Tomai sentido; quando o coração de 
Amnom estiver alegre de vinho, e eu vos dis­
ser: Feri a Amnom, então, o matareis. Não 
temais, pois não sou eu quem vo-lo ordena? 
Sede fortes e valentes.0
29 E os moços de Absalão fizeram a Am­
nom como Absalão lhes havia ordenado. En­
tão, todos os filhos do rei se levantaram, cada 
um montou seu mulo, e fugiram.
30 Iam eles ainda de caminho, quando 
chegou a notícia a Davi: Absalão feriu todos 
os filhos do rei, e nenhum deles ficou.
31 Então, o rei se levantou, rasgou as suas 
vestes e se lançou por terra; e todos os seus 
servos que estavam presentes rasgaram tam­
bém as suas vestes.P
32 Mas Jonadabe, filho de Siméia, irmão 
de Davi, respondeu e disse: Não pense o meu 
senhor que mataram a todos os jovens, filhos 
do rei, porque só morreu Amnom; pois assim 
já o revelavam as feições de Absalão, desde o 
dia em que sua irmã Tamar foi forçada por 
Amnom.1?
13.21 Muito se lhe acendeu a ira. E a LXX acrescenta: "mas 
não quis afligir o espírito de Amnom, seu filho, por que o 
amava por ser o seu primogênito".
13.23 Absalão tosquiava. Era uma grande festa, de fartura e 
de banquetes (1 Sm 2 5 .4 -5 ).
13.27 O texto grego (LXX) acrescenta no fim do versículo: "E 
Absalão preparou um banquete, como banquete de rei" 
(1 Sm 25.36).
13.28 Quando o coração de Amnom estiver alegre de vinho. 
Amnom morreu vítima do seu vício. Bêbado, não podia ofere­
cer resistência à altura. • N . Hom. O mal da bebida. A Am­
nom aplicam-se as palavras: "Este nosso filh o .. . é dissoluto e 
beberrão" (D t 21.20). Por causa da bebida perdeu o reino 
terreno (sendo filho primogênito, era o herdeiro natural do 
trono), o reino de Deus ( I Co 6.10) e a sua própria vida.
Os efeitos da bebida na Bíblia são funestos: Noé perdeu a 
compostura e se expôs ao ridículo (Gn 9 .2 0 -2 2 ); Ló perdeu a 
noção das coisas e cometeu o incesto (Gn 19 .32 -35 ); Belsa- 
zar perdeu a sobriedade, o reino e a vida (Dn 5). O vinho 
contamina o corpo e a mente (Dn 1.8,15,17); enfraquece o 
moral (Hc 2.15); escarnece do homem e priva-lhe da sabedo­
ria (Pv 20.1); fá-lo esquecer-se da lei e perverte o direito 
(Pv 31.5); é vingativo, pois, no fim morde como cobra 
(Pv 23.32). A ordem de Deus a Arão e seus filhos foi: “Vinhc 
nem bebida forte tu e teus filhos não bebereis, quando en- 
trardes na tenda da congregação" (Lv 10.9). E, a dedaraçãc 
de Paulo é: " . . .os bêbados não herdarão o reino de Deus' 
(1 Co 6.10).
13.29 . . .cada um montou no seu mulo, e fugiram. Aqui, peii 
primeira vez, são mencionados muares a serviço da casa real
455 2 SAMUEL 14.14
33 Não meta, pois, agora, na cabeça o rei, 
meu senhor, tal coisa, supondo que morreram 
todos os filhos do rei; porque só morreu 
Amnom.r
34 Absalão fugiu. O moço que estava de 
guarda, levantando os olhos, viu que vinha 
muito povo pelo caminho por detrás dele, 
pelo lado do monte.5
35 Então, disse Jonadabe ao rei: Eis aí 
vêm os filhos do rei; segundo a palavra de teu 
servo, assim sucedeu.
36 Mal acabara de falar, chegavam os fi­
lhos do rei e, levantando a voz, choraram; 
também o rei e todos os seus servos choraram 
amargamente.
Absalão foge para Talmai
37 Absalão, porém, fugiu e se foi a Tal- 
mai(, filho de Amiúde, rei de Gesur. E Davi 
pranteava a seu filho todos os dias.
38 Assim, Absalão fugiu, indo para Gesur, 
onde esteve três anos.u
39 Então, o rei Davi cessou de perseguir a 
Absalão, porque já se tinha consolado acerca 
de Amnom, que era morto.v
Absalão volta para Jerusalém
U Percebendo, pois, Joabe, filho de Ze- ruia, que o coração do rei começava a inclinar-se para Absalão,w
2 mandou trazer de Tecoa uma mulher sá­
bia e lhe disse: Finge que estás profunda­
mente triste, põe vestidos de luto, não te unjas 
com óleo e sê como mulher que há já muitos 
dias está de luto por algum morto.*
3 Apresenta-te ao rei e fala-lhe tais e tais 
palavras. E Joabe lhe pôs as palavras na 
boca.)'
4 A mulher tecoíta apresentou-se ao rei, e,
13.33 
r2Sm 19.19
13.34
s2Sm 13.38
13.37 í2Sm 3.3
13.38
u2Sm 14.23
13.39
>-Cn 38.12
14.1
w2Sm 13.39
14.2 *Rt 3.3; 
2Cr 11.6
14.3 /Ex 4.15; 
2Sm 14.19
14.4
^ISm 20.41; 
2Sm 1.2;
2 Rs 6.26,28
14.5 °2Sm 12.1
14.7
fJNm 35.19
14.9 cCn 27.13; 
ISm 25.24;
2Sm 3.28-29;
1 Rs 2.33
14.11
■*Nm 35.19; 
ISm 14.45
14.13 ejz 20.2; 
2Sm 13.37-38
inclinando-se, prostrou-se com o rosto em 
terra, e disse: Salva-me, ó rei!z
5 Perguntou-lhe o rei: Que tens? Ela res­
pondeu: Ah! Sou mulher viúva; morreu meu 
marido.0
6 Tinha a tua serva dois filhos, os quais 
brigaram entre si no campo, e não houve 
quem os apartasse; um feriu ao outro e o 
matou.
7 Eis que toda a parentela se levantou con­
tra a tua serva, e disseram: Dá-nos aquele que 
feriu a seu irmão, para que o matemos, em 
vingança da vida de quem ele matou e para 
que destruamos também o herdeiro. Assim, 
apagarão a última brasa que me ficou, de 
sorte que não deixam a meu marido nome, 
nem sobrevivente na terra.6
8 Disse o rei à mulher: Vai para tua casa, 
e eu darei ordens a teu respeito.
9 Disse a mulher tecoíta ao rei: A culpa, ó 
rei, meu senhor, caia sobre mim e sobre a casa 
de meu pai; o rei, porém, e o seu trono sejam 
inocentes.c
10 Disse o rei: Quem falar contra ti, traze- 
mo a mim; e nunca mais te tocará.
11 Disse ela: Ora, lembra-te, ó rei, do 
S e n h o r , teu Deus, para que os vingadores do 
sangue não se multipliquem a matar e exter­
minem meu filho. Respondeu ele: Tão certo 
como vive o S e n h o r , não há de cair no chão 
nem um só dos cabelos de teu filho.d
12 Então, disse a mulher: Permite que a 
tua serva fale uma palavra contigo, ó rei, meu 
senhor. Disse ele: Fala.
13 Prosseguiu a mulher: Por que pensas tu 
doutro modo contra o povo de Deus? Pois, em 
pronunciando o rei esse juízo, condena-se a si 
mesmo, visto que não quer fazer voltar o seu 
desterrado.e
14 Porque temos de morrere somos como
13.38 Absalão foge para abrigar-se junto a seu avô materno, 
rei Talmai, em Gesur, Síria (3.3).
13.39 As falhas de Davi residiam nas mulheres e na educação 
de seus filhos. Nada fez para corrigir a Amnom, que pela lei 
devia morrer (Lv 18.29), o que foi cumprido, indiretamente, 
por Absalão. E quando Absalão mata a Amnom, persegue-o 
por longos meses, estabelecendo uma discriminação entre 
seus filhos, o que agrava no futuro, tanto na vida política 
como a doméstica, de Davi.
14.1 Tecoa. Fica uns 18km ao sul de Jerusalém; terra onde 
nasceria o profeta Amós (Am 1.1).
1 4 .5 -2 6 Neste capítulo, joabe, pensando que Absalão pu­
desse ser o natural herdeiro de Davi (visto que o segundo
filho, Quileabe (3 .3 ) era uma figura inexpressiva, ou já 
morto), pleiteava o seu perdão e a sua volta, mediante a farsa 
de uma mulher tecoíta, que fala a Davi em parábola e lhe 
expõe uma situação em que são visados, indiretamente, Am­
nom e Absalão. O rei entende a parábola e autoriza a volta de 
Absalão (21).
14.7 A última brasa, "o último descendente". As Escrituras 
chamam freqüentemente de brasa, lâmpada, ou luz, o suces­
sor da família (21.17; 1 Rs 11.36; Sl 132.17); por sua vez, de 
"lareira" que contém brasas, vem lar, ou família. Os gregos 
usavam a mesma figura; as poucas pessoas salvas do dilúvio 
de Deucalion, são chamadas de brasas vivas (zopüra).
14.14 Este versículo, provavelmente, lembrou a Davi o seu
2 SAMUEL 14.15 456
águas derramadas na terra que já não se po­
dem juntar; pois Deus não tira a vida, mas 
cogita meios para que o banido não perma­
neça arrojado de sua presença/
15 Se vim, agora, falar esta palavra ao rei, 
meu senhor, é porque o povo me atemorizou; 
pois dizia a tua serva: Falarei ao rei; porven­
tura, ele fará segundo a palavra da sua serva.
16 Porque o rei atenderá, para livrar a sua 
serva da mão do homem que intenta destruir 
tanto a mim como a meu filho da herança de 
Deus.
17 Dizia mais a tua serva; Seja, agora, a 
palavra do rei, meu senhor, para a minha tran­
qüilidade; porque, como um anjo de Deus, 
assim é o rei, meu senhor, para discernir entre
o bem e o mal. O Se n h o r , teu Deus, será 
contigo, s
18 Então, respondeu o rei e disse à mu­
lher: Peço-te que não me encubras o que eu te 
perguntar. Respondeu a mulher: Pois fale o 
rei, meu senhor.
19 Disse o rei: Não é certo que a mão de 
Joabe anda contigo em tudo isto? Respondeu 
ela: Tão certo como vive a tua alma, ó rei, 
meu senhor, ninguém se poderá desviar, nem 
para a direita nem para a esquerda, de tudo 
quanto o rei, meu senhor, tem dito; porque 
Joabe, teu servo, é quem me deu ordem e foi 
ele quem ditou à tua serva todas estas pa­
lavras/
20 Para mudar o aspecto deste caso foi 
que o teu servo Joabe fez isto. Porém sábio é 
meu senhor, segundo a sabedoria de um anjo 
de Deus, para entender tudo o que se passa na 
terra.1’
14.14
fNm 35.15; 
|ó 34.15
14.17
®2Sm 14.20
14.19
»>2$m14.3
14.20
'2Sm 14.17
14.23
(2Sm 13.37
14.24
‘ Cn 43.3; 
2Sm 3.13
14 .25 'Is 1.6
14.27
">2Sm 18.18
14.28
"2Sm 14.24
21 Então, o rei disse a Joabe: Atendi ao 
teu pedido; vai, pois, e traze o jovem Absalão.
22 Inclinando-se Joabe, prostrou-se em 
terra, abençoou o rei e disse: Hoje, reconheço 
que achei mercê diante de ti, ó rei, meu se­
nhor; porque o rei fez segundo a palavra do 
seu servo.
23 Levantou-se Joabe, foi a Gesur e 
trouxe Absalão a Jerusalém./
24 Disse o rei: Tome para a sua casa e não 
veja a minha face. Tomou, pois, Absalão para 
sua casa e não viu a face do re i/
A beleza de Absalão
25 Não havia, porém, em todo o Israel 
homem tão celebrado por sua beleza como 
Absalão; da planta do pé ao alto da cabeça, 
não havia nele defeito algum/
26 Quando cortava o cabelo (e isto se fa­
zia no fim de cada ano, porquanto muito lhe 
pesava), seu peso era de duzentos siclos, se­
gundo o peso real.
27 Também nasceram a Absalão três fi­
lhos e uma filha, cujo nome era Tamar; esta 
era mulher formosa à vista.m
Absalão admitido à presença de Davi
28 Tendo ficado Absalão dois anos em Je­
rusalém e sem ver a face do rei,”
29 mandou ele chamar a Joabe, para o en­
viar ao rei; porém ele não quis vir. Mandou 
chamá-lo segunda vez, mas ainda não quis 
ele vir.
30 Então, disse aos seus servos: Vede ali o 
pedaço de campo de Joabe pegado ao meu, e 
tem cevada nele; ide e metei-lhe fogo. E os
próprio pecado, o seu arrependimento e o delicioso perdão 
que recebera de Deus.
14.19 A mão de joabe anda contigo. Pela linguagem da mu­
lher, Davi, literato consumado, descobriu o estilo de )oabe.
14.20 Poro entender tudo o que se passa na terra, de que uma 
grande parte do povo simpatizava com Absalão.
14.22 Percebe-se, neste versículo, que as relações entre 
joabe e Davi eram tensas. Seus temperamentos rivalizavam-se 
e um não confiava no outro.
14.24 Amargurava-se Absalão por ter-lhe proibido o rei de 
visitar a corte. Psicologicamente, "meio perdão" é pior do 
que nenhum perdão (32). As conseqüências disso se manifes­
tam na rebelião posterior de Absalão. • N . Hom. Há um per­
dão que perdoa mas não esquece. Foi o perdão de Davi em 
relação a Absalão, seu filho; perdão que criou uma revolta 
interna no moço para, mais tarde, se manifestar em declarada 
rebelião (1 7 .1 -1 2 ). O outro perdão é o perdão de Deus, o 
que perdoa e esquece completamente o passado; é expresso
nas palavras: "Desfaço as tuas transgressões como a né­
voa. . ." (Is 44.22). O verbo "desfazer" (heb manah) significa 
ainda, "eliminar", "exterminar" (Gn 7.4) e "apagar", como 
quem apaga a escrita de giz do quadro negro, cujo pó é 
impossível de ser recomposto. O amor de Deus é assim, am­
plo, pleno e eterno em que o sangue de Jesus Cristo nos 
purifica de todo e qualquer pecado (1 |o 1.7).
14.26 Seu peso (de cabelos) era de duzentos siclos. Cerca de
2,7 kg. O corte de cabelo era feito uma vez por ano. Josefo 
informa que os judeus costumavam untar os cabelos com 
óleo e espargir nele ouro em pó, a fim de que flamejassem ao 
sol. Absalão, vaidoso como era, untava-se com freqüência, de 
modo que no fim do ano o seu cabelo podia possuir um peso 
respeitável.
14.27 Tudo indica que os três filhos de Absalão morreram 
antes do pai (18.18). A sua filha Tamar, acrescenta a LXX, 
"tornou-se a mulher de Roboão, filho de Salomão, e lhe deu 
um filho, Abias" (cf M t 1.7).
457 2 SAMUEL 15.14
servos de Absalão meteram fogo nesse pe­
daço de campo.
31 Então, Joabe se levantou, e foi à casa 
de Absalão, e lhe disse: Por que meteram 
fogo os teus servos no pedaço de campo que 
é meu?
32 Respondeu Absalão a Joabe: Mandei 
chamar-te, dizendo: Vem cá, para que te en­
vie ao rei, a dizer-lhe: Para que vim de Ge- 
sur? Melhor me fora estar ainda lá. Agora, 
pois, quero ver a face do rei; se há em mim 
alguma culpa, que me mate.
33 Então, Joabe foi ao rei e lho disse. Cha­
mou o rei a Absalão, e este se lhe apresentou 
e inclinou-se sobre o rosto em terra, diante do 
rei. O rei beijou a Absalão.0
A revolta de Absalão e a fuga de Davi
1 r* Depois disto, Absalão fez aparelhar 
J- J para si um carro e cavalos e cin­
qüenta homens que corressem adiante dele.P
2 Levantando-se Absalão pela manhã, pa­
rava à entrada da porta; e a todo homem que 
tinha alguma demanda para vir ao rei a juízo, 
o chamava Absalão a si e lhe dizia: De que 
cidade és tu? Ele respondia: De tal tribo de 
Israel é teu servo.
3 Então, Absalão lhe dizia: Olha, a tua 
causa é boa e reta, porém não tens quem te 
ouça da parte do rei.
4 Dizia mais Absalão: Ah! ,Quem me dera 
ser juiz na terra, para que viesse a mim todo 
homem que tivesse demanda ou questão, para 
que lhe fizesse justiça! <J
14.35 «Gn 33.4
15.1
p2Sm 12.11; 
1 Rs 1.5
15.4 <?|z 9.29
15.6 'Rm 16.18
15.7 s1Sm 16.1
15.8
iGn 28.20-21; 
ISm 16.2;2Sm 13.38
15.11
"Gn 20.5; 
ISm 9.13
15 .12 ''Is 15.51
15.13 w\z 9.3; 
2Sm 15.6
5 Também, quando alguém se chegava 
para inclinar-se diante dele, ele estendia a 
mão, pegava-o e o beijava.
6 Desta maneira fazia Absalão a todo o 
Israel que vinha ao rei para juízo e, assim, ele 
furtava o coração dos homens de Israel/
7 Ao cabo de quatro anos, disse Absalão 
ao rei: Deixa-me ir a Hebrom cumprir o voto 
que fiz ao Se n h o r .5
8 Porque, morando em Gesur, na Síria, fez
o teu servo um voto, dizendo: Se o Senh o r 
me fizer tomar a Jerusalém, prestarei culto ao 
Sen h o r . (
9 Então, lhe disse o rei: Vai-te em paz. 
Levantou-se, pois, e foi para Hebrom.
10 Enviou Absalão emissários secretos 
por todas as tribos de Israel, dizendo: Quando 
ouvirdes o som das trombetas, direis: Absalão 
é rei em Hebrom!
11 De Jerusalém foram com Absalão du­
zentos homens convidados, porém iam na sua 
simplicidade, porque nada sabiam daquele 
negócio.u
12 Também Absalão mandou vir Aitofel,
o gilonita, do conselho de Davi, da sua cidade 
de Gilo; enquanto ele oferecia os seus sacrifí­
cios, tomou-se poderosa a conspirata, e cres­
cia em número o povo que tomava o partido 
de Absalão.1'
13 Então, veio um mensageiro a Davi, di­
zendo: Todo o povo de Israel segue decidida­
mente a Absalão.w
14 Disse, pois, Davi a todos os seus ho­
mens que estavam com ele em Jerusalém: Le-
14.33 O rei beijou o Absalão. O beijo do rei, embora fosse 
somente cerimonial, representava o perdão e o beneplácito 
real.
15.1 Absalão, "Pai da paz". Existia uma lei de primogenitura 
(bekhorah, Dt 2 1 .1 5 -1 7 ) que na vida de Davi era difícil de ser 
observada, por ser homem de muitas mulheres e de muitos 
filhos. O segundo filho, Quileabe (3.3), parece ter morrido; a 
única referência a ele está em 1 Cr 3.1, onde é chamado de 
Daniel. O herdeiro natural seria Absalão, o terceiro filho. E 
este, formoso e insinuante, sabia o que queria. Cinqüenta ho­
mens. Heródoto conta que Pisístrato tornou-se tirano de Ate­
nas, por aparecer na praça pública, todo ferido, e 
queixando-se da oposição como culpada. Os atenienses de- 
ram-lhe, então, uma escolta de cinqüenta homens, com os 
quais, se apossou da Acrópole e tornou-se o Senhor da ci­
dade. Foi o que fez Absalão, com os cinqüenta moços, à sua 
disposição, foi conquistando o rei aos poucos.
15.2 À entrada da porta. Era o lugar onde estavam sendo 
resolvidos os negócios do povo e pronunciados os juízos 
(Gn 19.1; Dt 21.19; 22.15; Rt 4.1).
15.6 Furtava o coração dos homens de Israel, mediante lisonja 
e falsidade. Pelo texto grego (LXX), isto levou quatro anos, ou 
cf o texto hebraico (TM), quarenta anos (7).
15.9 Hebrom (ver 2.1), a antiga Quiriate-Arba (|s 15.13). Era 
a mais representativa das cidades e onde nascera Absa­
lão (3.3).
15.12 Aitofel, o gilonita. Conselheiro de Davi (16.23;
1 Cr 27.33), passou para o lado de Absalão. Bate-Seba era a 
sua neta (11.3; 23.34) e ele não podia perdoar a Davi o crime 
de ter seduzido à mesma e de ter morto seu marido, Urias.
• N. Hom. 15.14 Fujamos. "Foge.. . destes" (2 T m 3.5). Às 
vezes, a vitória está na fuga. Davi fugiu da sua fortaleza (Jeru­
salém) com poucos a acompanharem-no. Ganhou, pòrém, tem­
po e com o tempo a guerra (1 8 .6 -8 ). Ló fugiu da opulência 
(Sodoma) e ganhou sua vida; José fugiu dos braços da mulher 
de Potifar e ganhou o mundo de então (Gn 39.12; 4 1 .56 -57 ); 
Moisés fugiu do conforto (Egito) e salvou o povo de Israel da 
escravidão (Êx 2.15; 12.41; At 7 .29 ,35-36; Hb 11 .23 -29 ); 
os cristãos fugiram da segurança (Judéia) e salvaram suas 
vidas (Mc 1 3 .1 4 -1 8 ). Fugi da "impureza" (1 Co 6.18), da
2 SAMUEL 15.15 458
vantai-vos, e fujamos, porque não poderemos 
salvar-nos de Absalão. Dai-vos pressa a sair, 
para que não nos alcance de súbito, lance 
sobre nós algum mal e fira a cidade a fio de 
espada.*
15 Então, os homens do rei lhe disseram: 
Eis aqui os teus servos, para tudo quanto de­
terminar o rei, nosso senhor.
16 Saiu o rei, e todos os de sua casa o 
seguiram; deixou, porém, o rei dez concubi­
nas, para cuidarem da casa.)'
17 Tendo, pois, saído o rei com todo o 
povo após ele, pararam na última casa.
18 Todos os seus homens passaram ao pé 
dele; também toda a guarda real e todos os 
geteus, seiscentos homens que o seguiram de 
Gate, passaram adiante do rei.z
A lealdade de Itai
19 Disse, pois, o rei a Itai, o geteu; Por 
que irias também tu conosco? Volta e fica-te 
com quem vier a ser o rei, porque és estran­
geiro e desterrado de tua pátria.0
20 Chegaste ontem, e já te levaria eu, 
hoje, conosco a vaguear, quando eu mesmo 
não sei para onde vou? Volta, pois, e faze 
voltar a teus irmãos contigo. E contigo sejam 
misericórdia e fidelidade.b
21 Respondeu, porém, Itai ao rei: Tão 
certo como vive o S e n h o r , e como vive o rei, 
meu senhor, no lugar em que estiver o rei, 
meu senhor, seja para morte seja para vida, lá 
estará também o teu servo.c
22 Então, disse Davi a Itai: Vai e passa 
adiante. Assim, passou Itai, o geteu, e todos 
os seus homens, e todas as crianças que esta­
vam com ele.
15.14
*2Sm 19.9
15.16
y2Sm 16.21-22
15.18
^2Sm 8.18
15.19
°2Sm18.2
15.20
MSm 23.13
15.21
cR tl.16-17
15.23
rf2Sml6.2
15.24
«?Nm4.15
15.25 fS\ 43.3
15.26
gNm 14.8; 
ISm 3.18;
2Sm 22.20;
1R$ 10.9; 
2Cr9.8
15.27
*1Sm 9.9;
2Sm 17.17
15.28 'SI 63, 
título
1530
j2Sm 19.4;
S1126.6;
Jr 14.3-4
23 Toda a terra chorava em alta voz; e 
todo o povo e também o rei passaram o ri­
beiro de Cedrom, seguindo o caminho do 
deserto.01
Zadoque, Abiatar e Husai 
voltam para Jerusalém
24 Eis que Abiatar subiu, e também Zado­
que, e com este todos os levitas que levavam 
a arca da Aliança de Deus; puseram ali a arca 
de Deus, até que todo o povo acabou de saú­
da cidade.e
25 Então, disse o rei a Zadoque: Toma a 
levar a arca de Deus à cidade. Se achar eu 
graça aos olhos do S e n h o r , ele me fará vol­
tar para lá e me deixará ver assim a arca como 
a sua habitação/
26 Se ele, porém, disser: Não tenho prazer 
em ti, eis-me aqui; faça de mim como melhor 
lhe parecer. 9
27 Disse mais o rei a Zadoque, o sacer­
dote: Ó vidente, tu e Abiatar, voltai em paz 
para a cidade, e convosco também vossos 
dois filhos, Aimaás, teu filho, e Jônatas, filho 
de Abiatar.h
28 Olhai que me demorarei nos vaus1 do 
deserto até que me venham informações 
vossas.
29 Zadoque, pois, e Abiatar levaram i 
arca de Deus para Jerusalém e lá ficaram.
30 Seguiu Davi pela encosta das Olivei­
ras, subindo e chorando; tinha a cabeça co­
berta e caminhava descalço; todo o povo que 
ia com ele, de cabeça coberta, subiu cho­
rando./
31 Então, fizeram saber a Davi, dizendo 
Aitofel está entre os que conspiram com Ab-
"idolatria" (1 Co 10.14), das "paixões carnais da moci­
dade", (2 Tm 2.22) e "salvai as vossas vidas" ( |r 48.6; 51.6).
15.18 Como sempre, a velha guarda dos geteus e mais al­
guns poucos, ficaram com Davi; os outros ficaram com Absa­
lão, na oposição.
15.19 Itai, o geteu. Era um filisteu, grande general (18.2) e de 
comovente fidelidade a Davi.
15.23 O caminho do deserto. Era o caminho de Jerusalém a 
Jericó, através da ponta norte do deserto de Judá.
15.25 Torna a levar a arca de Deus à cidade. Os sacerdotes, 
Zadoque e Abiatar iam levando a arca do Senhor consigo 
para o exílio. Davi, porém, lhes ordenou que a levassem de 
volta. Medida de grande valor estratégico, pois com a arca 
voltariam também os sacerdotes amigos de Davi, os quais 
haviam de anotar e transmitir-lhe as notícias (35) oportuna­
mente, mediante Aimaás e Jônatas (27), seus mensageira 
secretos (36).
15.27 Zadoque, o sacerdote.. . vidente. Vidente (roê) e nái 
profeta (nabi), o que revela ser Zadoque e não Abiatar querr 
carregava o Urim e o Tumim, mediante o qual se "via” *resposta de Deus (ver 1 Sm 14.18).
15.30 Cabeça coberta. Sinal de lamentação (Et 6.12 
Ez 24.17) e de arrependimento, porque descuidou dos negó­
cios do Estado, da educação de seus filhos e muito se distu» 
com mulheres e em derramar sangue inutilmente.
15.31,32 O Senhor, peço-te que transtornes em loucura o cor- 
selho de Aitofel. Oração de Davi, que fora feita no lugar oret 
se achava um altar a Deus (24.18). Parece que Davi parot 
aqui, justamente para orar. Husai, segundo a LXX, "gran« 
amigo de Davi" (37), acaba de chegar em resposta a es» 
oração.
459 2 SAMUEL 16.11
salão. Pelo que disse Davi: Ó S e n h o r , peço- 
te que transtornes em loucura o conselho de 
Aitofel.*
32 Ao chegar Davi ao cimo, onde se cos­
tuma adorar a Deus, eis que Husai, o arquita, 
veio encontrar-se com ele, de manto rasgado 
e terra sobre a cabeça.'
33 Disse-lhe Davi: Se fores comigo, ser- 
me-ás pesado.m
34 Porém, se voltares para a cidade e dis- 
seres a Absalão: Eu serei, ó rei, teu servo, 
como fui, dantes, servo de teu pai, assim, 
agora, serei teu servo, dissipar-me-ás, então,
0 conselho de Aitofel.n
35 Tens lá contigo Zadoque e Abiatar, sa­
cerdotes. Todas as coisas, pois, que ouvires 
da casa do rei farás saber a esses sacerdotes.0
36 Lá estão com eles seus dois filhos, Ai- 
maás, filho de Zadoque, e Jônatas, filho de 
Abiatar, por meio deles, me mandareis notí­
cias de todas as coisas que ouvirdes.P
37 Husai, pois, amigo de Davi, veio para a 
cidade, e Absalão entrou em Jerusalém. <1
Davi e Ziba
1 /T Tendo Davi passado um pouco além,
1 W dobrando o cimo, eis que lhe saiu ao 
encontro Ziba, servo de Mefibosete', com 
dois jumentos albardados e sobre eles duzen­
tos pães, cem cachos de passas, cem frutas de 
verão e um odre de vinho.
2 Perguntou o rei a Ziba: Que pretendes 
com isto? Respondeu Ziba: Os jumentos são 
para a casa do rei, para serem montados; o 
pão e as frutas de verão, para os moços come­
rem; o vinho, para beberem os cansados no 
deserto.s
3 Então, disse o rei: Onde está, pois, o 
filho de teu senhor? Respondeu Ziba ao rei: 
Eis que ficou em Jerusalém, pois disse: Hoje,
15.31
k2Sm 16.23
15.32 /Js 16.2; 
2Sm 1.2
15.33
m2Sm 19.35
15.34
rí2Sm 16.19
15.35
o2Sm 17.15-16
15.36
P2Sm 15.27
15.37
<?25m 16.15-16; 
ICr 27.33
16.1
r2Sm 9.9-10 
16.2
s2Sm 15.23
16.3
í2Sm 19.27
16.4 "Pv 18.13
16.5
v^Sm 19.16;
1 Rs 2.8,44
16.7wDt13.13
16.8 * \i 9.24; 
2Sm 1.16;
1 Rs 2.32-33
16.9 ylx 22.28; 
1Sm 24.14;
2Sm 9.8
16.10
*2Sm 19.22;
2Rs 18.25;
Rm 9.20;
1 Pe 2.23
16.11
aGn 15.4;
2Sm 12.11
a casa de Israel me restituirá o reino de 
meu pai.'
4 Então, disse o rei a Ziba: Teu é tudo que 
pertence a Mefibosete. Disse Ziba: Eu me 
inclino e ache eu mercê diante de ti, ó rei, 
meu senhor.u
Davi amaldiçoado por Simei
5 Tendo chegado o rei Davi a Baurim, eis 
que dali saiu um homem da família da casa de 
Saul, cujo nome era Simei, filho de Gera; saiu 
e ia amaldiçoando.v
6 Atirava pedras contra Davi e contra to­
dos os seus servos, ainda que todo o povo e 
todos os valentes estavam à direita e à es­
querda do rei.
7 Amaldiçoando-o, dizia Simei: Fora da­
qui, fora, homem de sangue, homem de 
Belial;w
8 o S e n h o r te deu, agora, a paga de todo 
o sangue da casa de Saul, cujo reino usur- 
paste; o S e n h o r já o entregou nas mãos de 
teu filho Absalão; eis-te, agora, na tua des­
graça, porque és homem de sangue.*
9 Então, Abisai, filho de Zeruia, disse ao 
rei: Por que amaldiçoaria este cão morto ao 
rei, meu senhor? Deixa-me passar e lhe tirarei 
a cabeça.)'
10 Respondeu o rei: Que tenho eu con- 
vosco, filhos de Zeruia? Ora, deixai-o amal­
diçoar; pois, se o S e n h o r lhe disse: 
Amaldiçoa a Davi, quem diria: Por que assim 
fizeste?*
11 Disse mais Davi a Abisai e a todos os 
seus servos: Eis que meu próprio filho pro­
cura tirar-me a vida, quanto mais ainda este 
benjamita? Deixai-o; que amaldiçoe, pois o 
S e n h o r lhe ordenou.0
• N. Hom. 15.32 "Junto ao altar" (S I41). Há anos, quando 
a peste matava milhares de pessoas, Davi levantou, às pres­
sas, um altar provisório ao Senhor (pois o altar construído no 
deserto por Moisés achava-se em Gibeom, 1 Cr 21.29, na eira 
de Araúna o jebuseu (1 Cr 22.1; 2 Cr 3.1), no Monte Moriá, 
onde mais tarde o Templo seria construído. Também para o 
Monte das Oliveiras corria Davi nas horas difíceis e adorava 
ao Senhor. Fato curioso. Os estrangeiros estavam com Davi, 
enquanto grandes patrícios como Aitofel (16.23; 1 Cr 27.33; 
Sl 41.9), estavam com Absalão. Para esse lugar de encontro, 
Deus enviou a Davi a "espada" de Itai, o geteu; a "sabe­
doria" do idoso Husai, o arquita. Faltava, somente, a "paz" do 
terceiro estrangeiro, o grande Urias, o heteu, de fim tão triste 
e que tirou a paz da vida de Davi (1 2 .9 -1 1 ). Mas Davi, con­
trito e arrependido, suplica a Deus que lhe conceda a paz 
na atuação do amigo Husai, que há de transtornar o con­
selho de Aitofel (1 7 .5 -1 4 ).
16.1 Ziba, servo de Mefibosete. Homem perspicaz e infiel 
(1 9 .2 5 -3 0 ), previu que Davi voltaria vitorioso, e tratou de 
assegurar o seu próprio futuro. Às custas de seu amo, levou os 
víveres de que Davi tanto necessitaria, em sua fuga.
16.4 Teu é tudo que pertence o Mefibosete. Davi precipita-se 
no seu julgamento e comete injustiça. Meses depois, desco­
briria a mentira de Ziba (19 .24 -30 ).
16.7,8 Homem de sangue. Simei refere-se à matança dos sete 
descendentes de Saul, mortos por gibeonitas (2 1 .1 -9 ).
2 SAMUEL 16.12 460
12 Talvez o Se n h o r olhará para a minha 
aflição e o S e n h o r me pagará com bem a sua 
maldição deste dia.*
13 Prosseguiam, pois, o seu caminho, 
Davi e os seus homens; também Simei ia ao 
longo do monte, ao lado dele, caminhando e 
amaldiçoando, e atirava pedras e terra con­
tra ele.
14 O rei e todo o povo que ia com ele 
chegaram exaustos ao Jordão e ali descan­
saram.
Husai professa lealdade a Absalão
15 Absalão, pois, e todo o povo, homens 
de Israel, vieram a Jerusalém; e, com ele, 
Aitofel.c
16 Tendo-se apresentado Husai, o arquita, 
amigo de Davi, a Absalão, disse-lhe: Viva o 
rei, viva o rei!d
17 Porém Absalão disse a Husai: É assim 
a tua fidelidade para com o teu amigo Davi? 
Por que não foste com o teu amigo?e
18 Respondeu Husai a Absalão: Não, mas 
àquele a quem o S e n h o r elegeu, e todo este 
povo, e todos os homens de Israel, a ele per­
tencerei e com ele ficarei.
19 Ainda mais, a quem serviria eu? Por­
ventura, não seria diante de seu filho? Como 
servi diante de teu pai, assim serei diante 
de tU
16.12&Rm 8.28
16.15
c2Sm 15.37
16.16
d2Sm 15.37
16.17
e2Sm 19.25
16.19
'2Sm 15.34
16.21
9Cn 34.30; 
ISm 13.4; 
2Sm 2.7
16.22
»>2Sm 12.11-12
16.23
'2Sm 15.12
17.2/Dt 25.18; 
2Sm 16.14
Absalão e as concubinas de Davi
20 Então, disse Absalão a Aitofel: Dai o 
vosso conselho sobre o que devemos fazer.
21 Disse Aitofel a Absalão: Coabita com 
as concubinas de teu pai, que deixou para 
cuidar da casa; e, em ouvindo todo o Israel 
que te fizeste odioso para com teu pai, ani- 
mar-se-ão todos os que estão contigo.9
22 Armaram, pois, para Absalão uma 
tenda no eirado, e ali, à vista de todo o Israel, 
ele coabitouh com as concubinas de seu pai.
23 O conselho que Aitofel dava, naqueles 
dias, era como resposta de Deus a uma con­
sulta; tal era o conselho de Aitofel, tanto para 
Davi como para Absalão.'
O conselho de Aitofel e de Husai
n Disse ainda Aitofel a Absalão: Deixa-me escolher doze mil homens, e me disporei, e perseguirei Davi esta noite.
2 Assaltá-lo-ei, enquanto está cansado e 
frouxo de mãos; espantá-lo-ei; fugirá todo o 
povo que está com ele; então, matarei apenas 
o rei./
3 Farei voltar a ti todo o povo; pois a volta 
de todos depende daquele a quem procuras 
matar;assim, todo o povo estará em paz.
4 O parecer agradou a Absalão e a todos 
os anciãos de Israel.
5 Disse, porém, Absalão: Chamai, agora, 
a Husai, o arquita, e ouçamos também o que 
ele dirá.
• N. Hom. 16.12 O Senhor o lhará.. . O exílio, para Davi, 
foi uma bênção. Escreveu os salmos 3,4,27,41,55,61,62,63, 
um tesouro espiritual e literário. Ainda aprendeu a: 1) Humi- 
Ihar-se; "Sara a minha alma, porque pequei contra ti" (SI
41.4); confessando os seus pecados, passou por um aviva- 
mento espiritual; 2) Confiar no Senhor somente; "Só ele é a 
minha rocha e a minha salvação (SI 62.1 -2 ); 3) Não se irar 
inutilmente; "Iraivos e não pequeis" (SI 4.4); o que Davi 
ainda não tinha aprendido em 2 Sm 14.24. A resposta para
o tipo de ofensas de Simei (5 -8 ) é "consultar o coração no tra­
vesseiro" (SI 4.4); 4 ) Louvar a Deus no sofrimento; "Bendito 
seja o Senhor" (SI 41.13); todos louvam a Deus na alegria 
e na fartura, mas quase nunca na penúria e no sofrimento;
5) Amar a casa do Senhor (SI 2 7 .4 -6 ); 6) Deixar a vingança 
com o Senhor. "A ti, Senhor, pertence a graça: pois a cada 
um retribuis segundo as suas obras" (SI 62.12).
16.14 Ao lordõo. Esta expressão falta tanto no texto hebraico 
(TM), como no texto grego (LXX); está, porém, num manus­
crito grego, Targum de Lagarde. |ulga-se que, ali, Davi com­
pôs os salmos 3,41 e 63, nos quais se reflete um profundo 
sentimento de confiança no Senhor.
16.18 Quando Husai fala com Absalão (em seu coração e 
mente), refere-se ao rei Davi e não a Absalão.
16.22 Uma tenda no eirado. O mesmo lugar de onde Dav* 
avistou Bate-Seba (11.2); e ali, à vista de todo o Israel, ek 
coabitou com as concubinas de seu pai. O que Davi fez oculto. 
Absalão fê-lo em público. De acordo com as leis da época, 
somente aos reis cabia o direito de possuir as mulheres de set 
antecessor deposto, ou morto. Heródoto informa que Smer- 
dis, tendo se apossado do trono da Pérsia, depois da mortt 
de Cambises, esposou as mulheres deste (Lib. III. 6.68). Pete 
lei mosaica, Absalão merecia a morte (Lv 20.11), e, é o qut 
aconteceu logo depois (18.14,15). Aitofel visou, com este 
ato, cortar qualquer possibilidade de reconciliação entre At- 
salão e Davi. Husai não consegue evitar a consumação dessi 
infâmia; isto porque, a profecia de Natã tinha que se cumpri- 
(12.11,12).
17.1 Doze mil homens. Seria número suficiente para acaba- 
com a última resistência de Davi; e, daí por diante, Absalic 
ficaria rei inconteste de Israel; tanto por força de conquisa. 
como por direito civil, sendo herdeiro legal do trono. Eis r 
conselho do grande sábio, Aitofel.
17.3 Farei voltar a ti todo o povo. O texto grego (LXX) acres­
centa: "como noiva que volta a seu noivo". Por aí se vê q i* 
Aitofel era profundo conhecedor da psicologia do povo.
461 2 SAMUEL 17.22
6 Tendo Husai chegado a Absalão, este 
lhe falou, dizendo: Desta maneira falou Aito­
fel; faremos segundo a sua palavra? Se não, 
fala tu.
7 Então, disse Husai a Absalão: 
O conselho que deu Aitofel desta vez não 
é bom.
8 Continuou Husai: Bem conheces teu pai 
e seus homens e sabes que são valentes e 
estão enfurecidos como a ursa no campo, rou­
bada dos seus cachorros; também teu pai é 
homem de guerra e não passará a noite com o 
povo.k
9 Eis que, agora, estará de espreita nal- 
guma cova ou em qualquer outro lugar; e será 
que, caindo no primeiro ataque alguns dos 
teus, cada um que o ouvir dirá: Houve derrota 
no povo que segue a Absalão.
10 Então, até o homem valente, cujo cora­
ção é como o de leões, sem dúvida desmaiará; 
porque todo o Israel sabe que teu pai é herói 
e que homens valentes são os que estão 
com ele.1
11 Eu, porém, aconselho que a toda pressa 
se reúna a ti todo o Israel, desde Dã até Ber- 
seba, em multidão como a areia do mar; e que 
tu em pessoa vás no meio deles.m
12 Então, iremos a ele em qualquer lugar 
em que se achar e facilmente cairemos sobre 
ele, como o orvalho cai sobre a terra; ele não 
ficará, e nenhum dos homens que com ele 
estão, nem um só.
13 Se ele se retirar para alguma cidade, 
todo o Israel levará cordas àquela cidade; e 
arrastá-la-emos até ao ribeiro, até que lá não 
se ache nem uma só pedrinha.
14 Então, disseram Absalão e todos os ho­
mens de Israel: Melhor é o conselho de Husai, 
o arquita, do que o de Aitofel. Pois ordenara
17.8 *Os 13.8
17.10 /|s 2.11
17.11
mCn 22.17
17.14
"2Sm 15.31
17.15
o2Sm 15.35
17.16
p2Sm 15.28
17.17 qjs 2.4; 
2Sm 15.27,36
17.18
r2Sm 16.5
17.19 i)s 2.6
17.20 (Êx 1.19
17.21
u2Sml 7.15-16
o S e n h o r que fosse dissipado o bom conse­
lho de Aitofel, para que o mal sobreviesse 
contra Absalão.n
15 Disse Husai a Zadoque e a Abiatar, 
sacerdotes: Assim e assim aconselhou Aitofel 
a Absalão e aos anciãos de Israel; porém as­
sim e assim aconselhei eu.°
16 Agora, pois, mandai avisar depressa a 
Davi, dizendo: Não passes esta noite nos vaus 
do deserto, mas passa, sem demora, ao outro 
lado, para que não seja destruído o rei e todo
o povo que com ele está.P
17 Estavam Jônatas e Aimaás junto a En- 
Rogel; e uma criada lhes dava aviso, e eles 
iam e diziam ao rei Davi, porque não podiam 
ser vistos entrar na cidade.'?
18 Viu-os, porém, um moço e avisou a 
Absalão; porém ambos partiram logo, apres­
sadamente, e entraram em casa de um ho­
mem, em Baurim, que tinha um poço no seu 
pátio, ao qual desceram/
19 A mulher desse homem tomou uma co­
berta, e a estendeu sobre a boca do poço, e 
espalhou grãos pilados de cereais sobre ela; 
assim, nada se soube.5
20 Chegando, pois, os servos de Absalão à 
mulher, àquela casa, disseram: Onde estão 
Aimaás e Jônatas? Respondeu-lhes a mulher: 
Já passaram o vau das águas. Havendo-os 
procurado, sem os achar, voltaram para Jeru­
salém.'
21 Mal se retiraram, saíram logo os dois 
do poço, e foram dar aviso a Davi, e lhe 
disseram: Levantai-vos e passai depressa as 
águas, porque assim e assim aconselhou Aito­
fel contra vós outros.u
22 Então, Davi e todo o povo que com ele
17.8 Não passará a noite com o povo. Isto é, não dormirá esta 
noite.
17.14 O argumento de Husai é mais de efeito psicológico 
que prático. Mas Deus ouviu a oração de Davi (15.31) e con­
fundiu o bom conselho (o conselho eficiente) de Aitofel.
• N. Hom. "Deus confunde os que vão contra os seus esco­
lhidos". 1) Confundiu o conselho de Aitofel (1 -4 ) contra 
Davi; 2) Confundiu as maldições de Balaão contra o povo de 
Israel (Nm 24.10); 3) Confunde os príncipes que se levantam 
contra o seu ungido (SI 2.5). Nunca será confundido, porém, 
aquele que crê no Senhor Jesus Cristo (Rm 9.33; 10.11; 
)l 2.32).
17.16 Mandai avisar depressa a Davi. Husai não sabe que 
conselho Absalão vai seguir; informa Davi a respeito, e acon­
selha o deslocamento do seu grupo.
17.17 Rogel ("Fonte de Rogel"). Fica na parte sudeste da ci­
dade; conhecida como a Fonte da Virgem, a atual Fonte de 
Jó. Uma criada lhes dava aviso. Uma criada podia mover-se 
com mais facilidade, sem ser suspeita, como que indo à fonte 
e voltando carregando a água, transmitindo pelo caminho 
as mensagens. Davi possuía vários adeptos seus em 
lerusalém: os dois sacerdotes com seus filhos, Husai, criadas, 
etc.
17.20 já passaram o vau das águas. O texto hebraico é vago; 
lê-se: "já passaram o mikal (que é de significado obscuro)". 
Na LXX está: "Passaram, há pouco, as águas". Na Vulgata: 
"Passaram apressadamente depois de beberem um pouco 
d'água".
2 SAMUEL 17.23 462
estava se levantaram e passaram o Jordão; 
quando amanheceu, já nem um só havia que 
não tivesse passado o Jordão.
23 Vendo, pois, Aitofel que não fora se­
guido o seu conselho, albardou o jumento, 
dispôs-se e foi para casa e para a sua cidade; 
pôs em ordem os seus negócios e se enforcou; 
morreu e foi sepultado na sepultura do 
seu pai. v
24 Davi chegou a Maanaim.Absalão, 
tendo passado o Jordão com todos os homens 
de Israel,”'
25 constituiu a Amasa em lugar de Joabe 
sobre o exército. Era Amasa filho de certo 
homem chamado Itra, o ismaelita, o qual se 
deitara com Abigail, filha de Naás, e irmã de 
Zeruia, mãe de Joabe/
26 Israel, pois, e Absalão acamparam-se 
na terra de Gileade.
A vitória do exército de Davi 
sobre o de Absalão
27 Tendo Davi chegado a Maanaim, Sobi, 
filho de Naás, de Rabá, dos filhos de Amom, 
e Maquir, filho de Amiel, de Lo-Debar, e 
Barzilai, o gileadita, de Rogelim,)'
28 tomaram camas, bacias e vasilhas de 
barro, trigo, cevada, farinha, grãos torrados, 
favas e lentilhas;
29 também mel, coalhada, ovelhas e quei­
jos de gado e os trouxeram a Davi e ao povo 
que com ele estava, para comerem, porque 
disseram: Este povo no deserto está faminto, 
cansado e sedento.2
17.23 
^Sm 15.12
17.24
"Gn 32.2; 
2Sm 2.8
17.25
*1Cr 2.16-17
17.27
y2Sm 9.4; 
IRs 2.7
17.29
z2Sm 16.2
18.2
o2Sm 15.19
18.3
t>2Sm 21.17
18.5
c2Sm 18.12
18.6 djs 17.15
1 Q Contou Davi o povo que tinha con- 
X O sigo e pôs sobre eles capitães de mil 
e capitães de cem.
2 Davi enviou o povo: um terço sob o 
comando de Joabe, outro terço sob o de Abi­
sai, filho de Zeruia e irmão de Joabe, e o outro 
terço sob o de Itai, o geteu. Disse o rei ao 
povo: Eu também sairei convosco.0
3 Respondeu, porém, o povo: Não sairás, 
porque, se formos obrigados a fugir, não se 
importarão conosco, nem ainda que metade 
de nós morra, pois tu vales por dez mil de nós. 
Melhor será que da cidade nos prestes 
socorro.b
4 Tomou-lhes Davi: O que vos agradar, 
isso farei. Pôs-se o rei ao lado da porta, e todo 
o povo saiu a centenas e a milhares.
5 Deu ordem o rei a Joabe, a Abisai e a 
Itai, dizendo: Tratai com brandura o jovem 
Absalão, por amor de mim. Todo o povo ou­
viu quando o rei dava a ordem a todos os 
capitães acerca de Absalão.c
6 Saiu, pois, o povo ao campo, a encon- 
trar-se com Israel, e deu-se a batalha no bos­
que de Efraim.d
7 Ali, foi o povo de Israel batido diante 
dos servos de Davi; e, naquele mesmo dia. 
houve ali grande derrota, com a perda de 
vinte mil homens.
8 Porque aí se estendeu a batalha por toda 
aquela região; e o bosque, naquele dia, consu­
miu mais gente do que a espada.
A morte de Absalão
9 Indo Absalão montado no seu mulo, en-
17.23 Aitofel.. . se enforcou. Sábio como era, compreendeu 
imediatamente que, dando tempo a Davi, a causa de Absalão 
estava perdida; e, para não sofrer o vexame de ser executado 
por Davi, preferiu suicidar-se. Embora a tradição hebraica 
condene o suicídio, ignora-se a sua exata posição no AT 
(1 Sm 31.5).
17.25 Amasa. Sobrinho de Davi e primo de joabe. Provavel­
mente neto do rei Naás (1 Sm 1 1 .1 -2 ). A interpretação exata 
deste versículo é difícil. Para alguns rabinos, Naás é outro 
nome de jessé, pai de Davi; para outros, Naás é o nome da 
mulher de Jessé; para outros mais, Naás foi o primeiro marido 
da mulher de Jessé. Abigail e Zeruia seriam meias-irmãs do rei 
Davi (ver 1 Cr 2.16).
17.27 Sobi, filho de Naás. Irmão de Hanum (10.1) e neto do 
rei Naás de 1 Sm 11.1. Maquir, filho de Amiel. O antigo prote­
tor de Mefibosete (9.4). Barzilai (19.31 -3 9 ).
17.29 Os salmos 4,61 e 62 são atribuídos a essa época da 
vida de Davi.
18.1 Nestas alturas, Davi já tem consigo um grande exército.
18.3 O povo. Ou o exército, pensava, como Aitofel (17.3) 
que o rei Davi era a única pessoa visada por Absalão, peto 
que não devia se expor. Pois tu vales por dez mil de nós 
(1 Sm 18.7), este é o texto grego (LXX). No texto hebraicc 
temos; "agora vales dez mil de nós". Como as palavrai 
"agora" ( ‘attah) e "tu" ('attah) são parecidas, é provável que
o escriba, ao copiá-las, tenha tomado uma pela outra.
18.5 Deu ordem o rei a joabe para não matar Absalão. O r& 
arrependido (16.12), amava agora a seu filho. Davi criou unr 
império, mas não soube conquistar o amor de seus filhos, 
agora, conquista mais uma vitória e perde mais um filho.
18.6 Bosque de Efraim, onde Jefté matou quarenta e dois mi 
efraimitas (Jz 12.6).
18.8 E o bosque.. . consumiu mais gente.. . porque estes pe­
receram nos precipícios rochosos e nos pântanos traiçoeiros 
do bosque.
18.9 Preso nele pela cabeça. Para uns, Absalão foi preso petes 
cabelos num galho; para outros, foi preso pela cabeça ent» 
dois galhos.
463 2 SAMUEL 18.28
controu-se com os homens de Davi; entrando 
o mulo debaixo dos ramos espessos de um 
carvalho, Absalão, preso nele pela cabeça, fi­
cou pendurado entre o çéu e a terra; e o mulo, 
que ele montava, passou adiante.
10 Vendo isto um homem, fez saber a 
Joabe e disse: Vi Absalão pendurado num 
carvalho.
11 Então, disse Joabe ao homem que lho 
fizera saber: Viste-o! Por que logo não o fe- 
riste ali, derrubando-o por terra? E forçoso 
me seria dar-te dez moedas de prata e um 
cinto.
12 Disse, porém, o homem a Joabe: Ainda 
que me pesassem nas mãos mil moedas de 
prata, não estenderia a mão contra o filho do 
rei, pois bem ouvimos que o rei te deu ordem 
a ti, a Abisai e a Itai, dizendo: Guardai-me o 
jovem Absalão.e
13 Se eu tivesse procedido traiçoeira­
mente contra a vida dele, nada disso se escon­
deria ao rei, e tu mesmo te oporias.
14 Então, disse Joabe: Não devo perder 
tempo, assim, contigo. Tomou três dardos e 
traspassou com eles o coração de Absalão, 
estando ele ainda vivo no meio do carvalho.
15 Cercaram-no dez jovens, que levavam 
as armas de Joabe, e feriram a Absalão, e o 
mataram.
16 Então, tocou Joabe a trombeta, e o 
povo voltou de perseguir a Israel, porque 
Joabe deteve o povo.
17 Levaram Absalão, e o lançaram no 
bosque, numa grande cova, e levantaram so­
bre ele mui grande montão de pedras; todo o 
Israel fugiu, cada um para a sua casa/
18 Ora, Absalão, quando ainda vivia, le­
vantara para si uma coluna, que está no vale 
do Rei, porque dizia: Filho nenhum tenho 
para conservar a memória do meu nome; e
18.12
e2Sm 18.5
18.17 f|s 7.26
18.18
sGn 14.17; 
2Sm 14.27
18.24A2Rs9.17
deu o seu próprio nome à coluna; pelo que até 
hoje se chama o Monumento de Absalão.s
Davi chora amargamente 
a morte de Absalão
19 Então, disse Aimaás, filho de Zadoque: 
Deixa-me correr e dar notícia ao rei de que já 
o S e n h o r o vingou do poder de seus ini­
migos.
20 Mas Joabe lhe disse: Tu não serás, 
hoje, o portador de novas, porém outro dia o 
serás; hoje, não darás a nova, porque é morto
o filho do rei.
21 Disse Joabe ao etíope: Vai tu e dize ao 
rei o que viste. Inclinou-se a Joabe e correu.
22 Prosseguiu Aimaás, filho de Zadoque, 
e disse a Joabe: Seja o que for, deixa-me 
também correr após o etíope. Disse Joabe: 
Para que, agora, correrias tu, meu filho, pois 
não terás recompensa das novas?
23 Seja o que for, tomou Aimaás, correrei. 
Então, Joabe lhe disse: Corre. Aimaás correu 
pelo caminho da planície e passou o etíope.
24 Davi estava assentado entre as duas 
portas da entrada; subiu a sentinela ao terraço 
da porta sobre o muro e, levantando os olhos, 
viu que um homem chegava correndo só.h
25 Gritou, pois, a sentinela e o disse ao 
rei. O rei respondeu: Se vem só, traz boas 
notícias. E vinha andando e chegando.
26 Viu a sentinela outro homem que cor­
ria; então, gritou para a porta e disse: Eis que 
vem outro homem correndo só. Então, disse o 
rei: Também este traz boas-novas.
27 Disse mais a sentinela: Vejo o correr 
do primeiro; parece ser o correr de Aimaás, 
filho de Zadoque. Então, disse o rei: Este ho­
mem é de bem e trará boas-novas.
28 Gritou Aimaás e disse ao rei: Paz! In­
clinou-se ao rei, com o rosto em terra, e disse:
18.13 E tu mesmo te oporias, ou "e tu mesmo não me defen- 
derias". Isto é, matando a Absalão, Joabe não o defenderia 
perante o rei.
18.14 Estando ele ainda vivo. |oabe não o matarade todo. 
Induz a seus moços que o matem, para que a culpa recaia 
sobre uma coletividade, a fim de que a culpa individual pu­
desse ser dissimulada.
• N. Hom. 18.18 Monumento de Absalão. Tendo perdido a 
seus filhos, Absalão, a exemplo dos faraós, erigiu no vale 
dos reis, um monumento em sua própria memória; uma 
coluna de vaidade que falava de seus feitos. Mas depois 
outro monumento a Absalão, foi erigido no bosque de Efraim 
(17), uma coluna de vergonha que falava de sua traição. O
pecado de Absalão foi quádruplo; matou a seu irmão 
Amnom (13 .2 8 -2 9 ; Êx 21.14); incitou o povo à rebeldia 
(15.6; N m l6 ) ; declarou guerra a seu pai (16.15; 17.26; 
Lv 20.9); e adulterou com as concubinas do rei (16.22; 
Lv 20.11). Tudo isto, pela lei, merecia a morte.
18.24 Entre as duas portas. Uns interpretam como o trecho 
do muro entre as duas portas que controlavam os dois muros 
e era uma praça forte de guerra, o que é bem provável, visto 
que, nas horas difíceis, tanto Is-Bosete como Davi, procuram 
refúgio ali (2 .8 -10 ; 17.24).
18.25 Se vem só, traz boas notícias. Caso as notícias fossem 
más, muitos correriam, e cada um para o seu lado, procu­
rando o escape.
2 SAMUEL 18.29 464
Bendito seja o S e n h o r , teu Deus, que nos 
entregou os homens que levantaram a mão 
contra o rei, meu senhor.
29 Então, perguntou o rei: Vai bem o jo ­
vem Absalão? Respondeu Aimaás: Vi um 
grande alvoroço, quando Joabe mandou o teu 
servo, ó rei, porém não sei o que era.
30 Disse o rei: Põe-te ao lado e espera 
aqui. Ele se pôs e esperou.
31 Chegou o etíope e disse: Boas-novas 
ao rei, meu senhor. Hoje, o S e n h o r te vingou 
do poder de todos os que se levantaram con­
tra ti.
32 Então, disse o rei ao etíope: Vai bem o 
jovem Absalão? Respondeu o etíope: Sejam 
como aquele os inimigos do rei, meu senhor, 
e todos os que se levantam contra ti para
0 mal.
33 Então, o rei, profundamente comovido, 
subiu à sala que estava por cima da porta e 
chorou; e, andando, dizia: Meu filho Absalão, 
meu filho, meu filho Absalão! Quem me dera 
que eu morrera por ti, Absalão, meu filho, 
meu filho!1
Joabe reprova a Davi
1 Q Disseram a Joabe: Eis que o rei anda 
X y chorando e lastima-se por Absalão.
2 Então, a vitória se tomou, naquele 
mesmo dia, em luto para todo o povo; porque, 
naquele dia, o povo ouvira dizer: O rei está de 
luto por causa de seu filho.
3 Naquele mesmo dia, entrou o povo às
18.33
'2Sm 19.4
19.3
/2Sm 19.32
19.4
*2S m 15.30
19.9
í2Sm 15.14
furtadelas na cidade, como o faz quando foge 
envergonhado da batalha./
4 Tendo o rei coberto o rosto, exclamava 
em alta voz: Meu filho Absalão, Absalão, 
meu filho, meu filho!k
5 Então, Joabe entrou na casa do rei e lhe 
disse: Hoje, envergonhaste a face de todos os 
teus servos, que livraram, hoje, a tua vida, e 
a vida de teus filhos, e de tuas filhas, e a vida 
de tuas mulheres, e de tuas concubinas,
6 amando tu os que te aborrecem e aborre­
cendo aos que te amam; porque, hoje, dás a 
entender que nada valem para contigo prínci­
pes e servos; porque entendo, agora, que, se 
Absalão vivesse e todos nós, hoje, fôssemos 
mortos, então, estarias contente.
7 Levanta-te, agora, sai e fala segundo o 
coração de teus servos. Juro pelo S e n h o r 
que, se não saíres, nem um só homem ficará 
contigo esta noite; e maior mal te será isto do 
que todo o mal que tem vindo sobre ti desde 
a tua mocidade até agora.
8 Então, o rei se levantou e se assentou à 
porta, e o fizeram saber a todo o povo, di­
zendo: Eis que o rei está assentado à porta. 
Veio, pois, todo o povo apresentar-se diante 
do rei. Ora, Israel havia fugido, cada um para 
a sua tenda.
9 Todo o povo, em todas as tribos de Is­
rael, andava altercando entre si, dizendo: 
O rei nos tirou das mãos de nossos inimigos, 
livrou-nos das mãos dos filisteus e, agora, 
fugiu da terra por causa de Absalão.1
10 Absalão, a quem ungimos sobre nós, já
18.29 Vi um grande alvoroço. Aimaás, filho do sacerdote Za­
doque, entrega a sua mensagem de um modo suave, a não 
provocar choques emocionais.
18.32 Sejam como aquele.. . O etíope, talvez por ser estran­
geiro, entrega a sua mensagem de um modo rude, que cau­
sou profundo impacto em Davi. Há mensageiros que 
entregam a sua mensagem com prazer sádico, alegrando-se 
com a dor alheia; outros, ao contrário, entregam-na com lá­
grimas nos olhos, procurando evitar o sofrimento vão.
• N. Hom. "Tipos de mensageiros": 1) Construtivo. Aimaás, 
que entregou a mensagem de um modo brando (28 -2 9 );
2) Destrutivo. O etíope, que entregou a mesma mensagem 
de um modo rude (3 1 -3 3 ); 3) Vocacionado. Aimaás, que 
saiu por último e chegou primeiro (19-20 ,22 ,2 3 ); 4) Assala­
riado. O etíope, que saiu primeiro e chegou por último 
(2 1 -2 3 ).
18.33 Meu filho Absalão. No fundo, Davi compreende que o 
verdadeiro culpado é ele mesmo. Arrependido, chora amar­
gamente pelo filho.
19.2 A vitória se tornou luto. Davi deixa-se vencer pela dor -
procedimento tão diferente daquele de 12.22,23.
19.6 Amando tu os que te aborrecem e aborrecendo aos que te 
amam. |oabe dá uma lição de moral a Davi. A superioridade 
política de Churchill sobre Lloyd Ceorge consistia no fato de 
que Churchill agradava a seus amigos e ignorava a oposição: 
enquanto Lloyd Ceorge agradava à oposição e se esquecia de 
seus amigos. Há pessoas que aproveitam o seu tempo na5 
oportunidades que surgem, enquanto outros há, que gastarr
o seu tempo nos problemas que nunca terminam. Aquela; 
vencem; estas sofrem.
19.7 Nenhum homem ficará contigo esta noite. O que mostra 
a autoridade de |oabe sobre o exército e sobre Davi. É por issc 
que Davi pensou em substituí-lo por Amasa (13,14).
19.9 Israel discute o problema do rei e reconhece o valor e c 
direito de Davi, antes da tribo de Judá (43).
19.10 Por que vos calais.. . Refere-se aos ancião-s de Isras 
que deviam providenciar (antes de Judá) o cerimonial da voto 
do rei Davi a Jerusalém. O texto grego (LXX) ainda acres­
centa: "E o rei ficou ciente da opinião de Israel".
465 2 SAMUEL 19.27
morreu na peleja; agora, pois, por que vos 
calais e não fazeis voltar o rei?
Davi volta para Jerusalém
11 Então, o rei Davi mandou dizer a Zado­
que e a Abiatar, sacerdotes: Falai aos anciãos 
de Judá: Por que serieis vós os últimos em 
tomar a trazer o rei para a sua casa, visto que 
aquilo que todo o Israel dizia já chegou ao rei, 
até à sua casa?
12 Vós sois meus irmãos, sois meu osso e 
minha carne; por que, pois, serieis os últimos 
em tomar a trazer o rei?m
13 Dizei a Amasa: Não és tu meu osso e 
minha carne? Deus me faça o que lhe aprou- 
ver, se não vieres a ser para sempre coman­
dante do meu exército, em lugar de Joabe."
14 Com isto moveu o rei o coração de 
todos os homens de Judá, como se fora um só 
homem, e mandaram dizer-lhe: Volta, ó rei, 
tu e todos os teus servos.0
15 Então, o rei voltou e chegou ao Jordão; 
Judá foi a Gilgal, para encontrar-se com o rei, 
a fim de fazê-lo passar o Jordão.P
Simei encontra-se com Davi
16 Apressou-se Simei'?, filho de Gera, 
benjamita, que era de Baurim, e desceu com 
os homens de Judá a encontrar-se com o rei 
Davi.
17 E, com ele, mil homens de Benjamim, 
como também Ziba, servo da casa de Saul, 
acompanhado de seus quinze filhos e seus 
vinte servos, e meteram-se pelo Jordão à vista 
do reir
18 e o atravessaram, para fazerem passar a 
casa real e para fazerem o que lhe era agradá­
vel. Então, Simei, filho de Gera, prostrou-se
19.12
m2Sm 5.1
19.13 nRt 1.17; 
2Sm 17.25
19.14 °]z 20.1
19.15 Pjs 5.9
19.16
q2 S m 16.5-13
19.17 f2Sm 9.2
19.19
s1Sm 22.15; 
2Sm 13.33
19.20
í25m 16.5
19.21
«Êx 22.28
19.22
v1Sm 11.13; 
2Sm 16.10
19.23 
*1 Rs 2.8-9
19.24
*2Sm 9.1-13; 
16.1-4
19.25
K2Sm 16.17
diante do rei, quando este ia passar o Jordão,19 e lhe disse: Não me imputes, senhor, a 
minha culpa e não te lembres do que tão per­
versamente fez teu servo, no dia em que o rei, 
meu senhor, saiu de Jerusalém; não o conser­
ves, ó rei, em teu coração.5
20 Porque eu, teu servo, deveras confesso 
que pequei; por isso, sou o primeiro que, de 
toda a casa de José, desci a encontrar-me com 
o rei, meu senhor.'
21 Então, respondeu Abisai, filho de Ze­
ruia, e disse: Não morreria, pois, Simei por 
isto, havendo amaldiçoado ao ungido do 
Sen h o r?u
22 Porém Davi disse: Que tenho eu con- 
vosco, filhos de Zeruia, para que, hoje, me 
sejais adversários? Morreria alguém, hoje, em 
Israel? Pois não sei eu que, hoje, novamente 
sou rei sobre Israel?v
23 Então, disse o rei a Simei: Não morre- 
rás. E lho jurou.w
Mefibosete encontra-se com Davi
24 Também Mefibosete", filho de Saul, 
desceu a encontrar-se com o rei; não tinha 
tratado dos pés, nem espontado a barba, nem 
lavado as vestes, desde o dia em que o rei 
saíra até ao dia em que voltou ém paz.
25 Tendo ele chegado a Jerusalém a en­
contrar-se com o rei, este lhe disse: Por que 
não foste comigo, Mefibosete?)'
26 Ele respondeu: Ó rei, meu senhor, o 
meu servo me enganou; porque eu, teu servo, 
dizia: albardarei um jumento e montarei para 
ir com o rei; pois o teu servo é coxo.
27 Demais disto, ele falsamente me acu­
sou a mim, teu servo, diante do rei, meu se­
nhor; porém o rei, meu senhor, é como um
19.11 Por que serieis vós os últimos.. . Davi, por meio dos 
sacerdotes Zadoque e Abiatar, incita os anciãos de Judá, a que 
não fossem os últimos a participar à nova introdução do rei 
em Jerusalém.
• N . Hom . 1 9 .1 0 -1 2 "Dever". 1) O que é justo deve ser 
feito sem demora (1 0 -1 1 ; At 16.31); 2) Os sacerdotes têm 
a obrigação de expô-lo (11; Ez 33 .7 -9 ); 3) Os anciãos têm 
dever de executá-lo (11; Jz 11.5; Nm 1 1 .16 -17 ).
19.13 Amasa.. . comandante. Foi um ato que agradou a to­
dos (14), tanto a Israel como a Judá, em razão de Amasa ser 
deveras estimado, enquanto Joabe era apenas temido.
19.20 Pequei; por isso, sou o primeiro.. . Simei pede perdão 
pelo que disse e fez ao rei (1 6 .5 -1 3 ). Era caudilho impor­
tante, chefe de mil homens (17). Casa de josé. Nesta referên­
cia Simei incluía a sua própria tribo. A de Benjamim, por ser 
Benjamim irmão de José (Gn 3 5 .16 -18 ), que por sua vez, era
pai de Manassés e de Efraim (Cn 41.51 -5 2 ) . Assim, a casa de 
josé representava três tribos: Benjamim, Manassés e Efraim 
(Nm 2 .1 8 -2 4 ).
19.22 Para que, hoje, me sejais adversários? A palavra ("adver­
sário" em hebraico é satan, donde veio o nome de Satanás. 
Com isto, confirma-se a tensão oculta que havia entre Davi e 
os filhos de Zeruia (1 Sm 26.6; 2 Sm 17.25).
19.24 Mefibosete.. . não tinha tratado dos pés, nem espontado 
a barba (Ez 24.17); estado que expressava a lealdade e amor 
ao rei ausente.
19.25 Tendo ele chegado a jerusalém. Em hebraico, a palavra 
"Jerusalém" não leva nenhuma preposição, razão por que al­
guns traduzem esta frase por: "Quando Jerusalém (população 
da cidade) chegou a encontrar-se com o rei"; e outros por: 
"Tendo ele (Mefibosete) chegado de Jerusalém.. ." mudando 
a preposição a por de.
2 SAMUEL 19.28 466
anjo de Deus; faze, pois, o que melhor te 
parecer.z
28 Porque toda a casa de meu pai não era 
senão de homens dignos de morte diante do 
rei, meu senhor; contudo, puseste teu servo 
entre os que comem à tua mesa; que direito, 
pois, tenho eu de clamar ao rei?0
29 Respondeu-lhe o rei; Por que ainda fa­
las dos teus negócios? Resolvo que repartas 
com Ziba as terras.
30 Disse Mefibosete ao rei: Fique ele, 
muito embora, com tudo, pois já voltou o rei, 
meu senhor, em paz à sua casa.
Barzilai encontra-se com Davi
31 Também Barzilai6, o gileadita, desceu 
de Rogelim e passou com o rei o Jordão, para
o acompanhar até ao outro lado.
32 Era Barzilai mui velho, da idade de 
oitenta anos; ele sustentara o rei quando este 
estava em Maanaim, porque era homem mui 
rico.c
33 Disse o rei a Barzilai: Vem tu comigo, 
e te sustentarei em Jerusalém.
34 Respondeu Barzilai ao rei: Quantos se­
rão ainda os dias dos anos da minha vida? 
Não vale a pena subir com o rei a Jerusalém.
35 Oitenta anos tenho hoje; poderia eu 
discernir entre o bom e o mau? Poderia o teu 
servo ter gosto no que come e no que bebe? 
Poderia eu mais ouvir a voz dos cantores e 
cantoras? E por que há de ser o teu servo 
ainda pesado ao rei, meu senhor?
36 Com o rei irá o teu servo ainda um 
pouco além do Jordão; por que há de me 
retribuir o rei com tal recompensa?
19.27
^2Sm 14.17
19.28 o2Sm 9.7
19.31
&2Sm 17.27-29
19.32
c2Sm 17.27
19.35 dSI 90.10
19.37 ei Rs 2.7
19.39
'Gn 31.55
19.41
g2Sm 19.15
19.42
H25m 19.12
19.43 i|z 8.1
37 Deixa voltar o teu servo, e morrerei na 
minha cidade e serei sepultado junto de meu 
pai e de minha mãe; mas eis aí o teu servo 
Quimã; passe ele com o rei, meu senhor, e 
faze-lhe o que bem te parecer.6
38 Respondeu o rei: Quimã passará 
comigo, e eu lhe farei como for do teu 
agrado e tudo quanto desejares de mim eu te 
farei.
39 Havendo, pois, todo o povo passado o 
Jordão e passado também o rei, este beijou a 
Barzilai e o abençoou; e ele voltou para sua 
casa/
40 Dali, passou o rei a Gilgal, e Quimã 
passou com ele; todo o povo de Judá e metade 
do povo de Israel acompanharam o rei.
41 Eis que todos os homens de Israel vie­
ram ter com o rei e lhe disseram: Por que te 
furtaram nossos irmãos, os homens de Judá, e 
conduziram o rei, e a sua casa através do 
Jordão, e todos os homens de Davi com 
e!es?9
42 Então, responderam todos os homens 
de Judá aos homens de Israel: Porque o rei é 
nosso parente; por que, pois, vos irais por 
isso? Porventura, comemos à custa do rei ou 
nos deu algum presente? h
43 Responderam os homens de Israel aos 
homens de Judá e disseram: Dez tantos temos 
no rei, e mais a nós nos toca Davi do que a 
vós outros; por que, pois, fizestes pouco caso 
de nós? Não foi a nossa palavra a primeira 
para fazer voltar o nosso rei? Porém a palavra 
dos homens de Judá foi mais dura do que a 
palavra dos homens de Israel.1
19.29 Davi não reparou a sua injusta sentença, de 16.4. Pro­
vavelmente, por ter apreciado os presentes tão oportunos 
que Ziba lhe trouxe naquela hora trágica (16.1,2).
19.31 Barzilai, o gileadita. Um homem de rara beleza moral. 
Com 80 anos de idade, ainda revelava ser combativo (32), 
inteligente (35), atencioso (36) e amigo (37).
19.37 Quimã. Diz Josefo que era filho de Barzilai, o que pa­
rece estar de acordo com 1 Rs 2.7.
19.40 Todo o povo de judá e metade do povo de Israel.. . Judá 
houve-se com parcialidade quando privou uma grande parte 
de Israel de tomar parte na recondução do rei a Jerusalém.
19.42 Porventura comemos à custa do rei ou nos deu algum 
presente? Davi não exercia o favoritismo para com os de Judá, 
como Saul o fazia em relação à tribo de Benjamim 
(1 Sm 22.7).
19.43 Dez tantos temos no rei. Lit "dez mãos", referindo-se
ao fato de que Israel era composto de dez tribos e Judá de 
duas. O rei era considerado propriedade do povo em termos 
proporcionais. A palavra dos homens de judá foi mais dura.. 
Isto é, deram uma resposta arrogante - um gesto apolítico - 
que logo provocou graves perturbações políticas para Dav
(20.2). • N. Hom. "Palavras duras". A palavra dura suscita 
1) A ira (Pv 15.1), que vem tão facilmente e parece tão ser 
importância. Foi por causa da ira, entretanto, provocada pek 
rebeldia do povo no deserto, que Moisés não entrou na "tens 
prometida" '(S1106.32; Nm 20 .7 -1 3 ); 2) A separação entre 
Israel e judá (20.2). A mesma cena se repete pela "dura res­
posta" de Roboão, quando Israel se separa definitivamente de 
Judá (1 Rs 12.13,16). Pela "dureza de coração" há separaçãc 
entre esposos (Mc10.5), entre irmãos (Gn 2 7 .4 1 -4 3 ) e entre 
povos (1 Rs 12.13,16); 3) A guerra, o derramamento de sarv 
gue, é o resultado final das "duras palavras" (20.4,7
2 Cr 13.3).
467 2 SAMUEL 20.17
A sedição de Seba e a sua morte
^ A Então, se achou ali, por acaso, um 
Z * \ J homem de Belial, cujo nome era 
Seba, filho de Bicri, homem de Benjamim, o 
qual tocou a trombeta e disse: Não fazemos 
parte de Davi/, nem temos herança no filho 
de Jessé; cada um para as suas tendas, ó 
Israel.
2 Então, todos os homens de Israel se se­
pararam de Davi e seguiram Seba, filho de 
Bicri; porém os homens de Judá se apegaram 
ao seu rei, conduzindo-o desde o Jordão até 
Jerusalém.
3 Vindo, pois, Davi para sua casa, a Jeru­
salém, tomou o rei as suas dez concubinask, 
que deixara para cuidar da casa, e as pôs em 
custódia, e as sustentou, porém não coabitou 
com elas; e estiveram encerradas até ao dia 
em que morreram, vivendo como viúvas.
4 Disse o rei a Amasa: Convoca-me, para 
dentro de três dias, os homens de Judá e apre­
senta-te aqui.'
5 Partiu Amasa para convocar os homens 
de Judá; porém demorou-se além do tempo 
que lhe fora aprazado.
6 Então, disse Davi a Abisai: Mais mal, 
agora, nos fará Seba, o filho de Bicri, do que 
Absalão; pelo que toma tu os servos de teu 
senhor e persegue-o, para que não ache para 
si cidades fortificadas e nos escape.m
7 Então, o perseguiram os homens de 
Joabe, a guarda real e todos os valentes; estes 
saíram de Jerusalém para perseguirem Seba, 
filho de Bicri.n
8 Chegando eles, pois, à pedra grande que 
está junto a Gibeão, Amasa veio perante eles; 
trazia Joabe vestes militares e sobre elas um
20.1 y 1 Rs 12.16; 
2Cr 10.16
20.3
*2Sm 16.22
20.4
<2Sm 19.13
20.6
m2Sm11.ll; 
1 Rs 1.33
20.7
"2Sm 8.18; 
1 Rs 1.38
20.9 °M t 26.49
20.10
P2Sm 2.23; 
1 Rs 2.5
20.14
<í2Rs 15.29; 
2Cr 16.4
20.15
r2Rs 19.32
cinto, no qual, presa aos seus lombos, estava 
uma espada dentro da bainha; adiantando-se 
ele, fez cair a espada.
9 Disse Joabe a Amasa: Vais bem, meu 
irmão? E, com a mão direita, lhe pegou a 
barba, para o beijar.0
10 Amasa não se importou com a espada 
que estava na mão de Joabe, de sorte que este
o feriu com ela no abdômen e lhe derramou 
por terra as entranhas; não o feriu segunda 
vez, e morreu. Então, Joabe e Abisai, seu ir­
mão, perseguiram a Seba, filho de Bicri.p
11 Mas um, dentre os moços de Joabe, 
parou junto de Amasa e disse: Quem está do 
lado de Joabe e é por Davi, siga a Joabe.
12 Amasa se revolvia no seu sangue no 
meio do caminho; vendo o moço que todo o 
povo parava, desviou a Amasa do caminho 
para o campo e lançou sobre ele um manto; 
porque via que todo aquele que chegava a ele 
parava.
13 Uma vez afastado do caminho, todos 
os homens seguiram Joabe, para perseguirem 
Seba, filho de Bicri.
14 Seba passou por todas as tribos de Is­
rael até Abel-Bete-Maaca; e apenas os beritas 
se ajuntaram todos e o seguiram, i
15 Vieram Joabe e os homens, e o cerca­
ram em Abel-Bete-Maaca, e levantaram con­
tra a cidade um montão da altura do muro; e 
todo o povo que estava com Joabe trabalhava 
no muro para o derribar/
16 Então, uma mulher sábia gritou de den­
tro da cidade: Ouvi, ouvi; dizei a Joabe: 
Chega-te cá, para que eu fale contigo.
17 Chegando-se ele, perguntou-lhe a mu­
lher: Es tu Joabe? Respondeu: Eu sou. Ela lhe
20.1 Homem de Belial, "homem indigno" (1 Sm 1.16). Lutero 
diz que este era um dos grandes patifes da alta nobreza e 
que, no meio do povo, possuía admiradores.
20.2 Então, todos os homens se separaram de Davi. Esta foi a 
resposta de Israel às duras palavras de Judá (19.43).
20.5 Amasa.. . demorou-se. Não se sabe bem o motivo, mas 
tudo indica que foi por influência de Joabe que, deposto do 
comando, trabalhou então contra Amasa (19.13).
20.6 E nos escape. Em heb encontramos: "e nos arranque os 
olhos". Davi, igual a Aitofel (17.1,2), sendo um grande estra­
tegista, preparou uma "guerra relâmpago". Atacar inespera­
damente a um inimigo não preparado e desguarnecido 
proporcionaria uma vitória rápida e certa.
20.8 Pedra grande. Rochedo isolado nas montanhas de 
Efraim. Amasa veio perante eles. Tendo recrutado o povo, jun- 
tou-se aos outros para assumir o comando geral.
20.9,10 joabe.. . lhe pegou a barba, para o beijar. Fingindo 
submissão e amizade ao seu comandante e primo, Joabe 
mata-o, cometendo outra vez uma ação traiçoeira (3.27;
1 Rs 2.5).
20 .12 Como o povo estava indeciso, se ficava ao lado de 
Amasa ferido, ou se seguia a Joabe, um partidário deste es­
condeu o corpo daquele numa moita e, assim, o povo, não 
vendo mais a Amasa, seguiu a Joabe.
20.15 Abel-Bete-Maaca. Uma cidade antiga, do tempo da 
Era do Bronze (c. 1500 a.C.), mencionada nos anais de Ti- 
glate-Pileser e de Totmés III. Conhecida ainda como Abel- 
Main (2 Cr 16.4).
20.16 Mulher sábia. Talvez fosse a governadora da cidade, 
uma segunda Débora (Jz 4 .4 -1 4 ). A cidade de Abel devia ser 
uma espécie de Atenas, onde vicejava a sabedoria. Daí o pro­
vérbio: peça-se um conselho em Abel (18).
2 SAMUEL 20.18 468
disse: Ouve as palavras de tua serva. Disse 
ele: Ouço.
18 Então, disse ela: Antigamente, se cos­
tumava dizer: Peça-se conselho em Abel; e 
assim davam cabo das questões.
19 Eu sou uma das pacíficas e das fiéis em 
Israel; e tu procuras destruir uma cidade e 
uma mãe em Israel; por que, pois, devorarias 
a herança do S e n h o r ?5
20 Respondeu Joabe e disse: Longe, longe 
de mim que eu devore e destrua!
21 A coisa não é assim; porém um homem 
da região montanhosa de Efraim, cujo nome é 
Seba, filho de Bicri, levantou a mão contra o 
rei, contra Davi; entregai-me só este, e reti- 
rar-me-ei da cidade. Então, disse a mulher a 
Joabe: Eis que te será lançada a sua cabeça 
pelo muro.
22 E a mulher, na sua sabedoria, foi ter 
com todo o povo, e cortaram a cabeça de 
Seba, filho de Bicri, e a lançaram a Joabe. 
Então, tocou este a trombeta, e se retiraram da 
cidade, cada um para sua casa. E Joabe voltou 
a Jerusalém, a ter com o rei.(
Oficiais de Davi
2Sm 8.15-18; ICr 18.14-17
23 Joabe era comandante de todo o exér­
cito de Israel; e Benaia, filho de Joiada, da 
guarda real;u
24 Adorão, dos que estavam sujeitos a tra­
balhos forçados; Josafá, filho de Ailude, era o 
cronista.1'
20.19
sISm 26.19; 
2Sm 21.3
20.22
fEc 9.14-15
20.23
"2Sm 8.16
20.24
v2Sm 8.16; 
1 Rs 4.3,6
20.25
>v2Sm 8.17; 
1 Rs 4.4
20.26
*2Sm 23.38
21.2 yjs 9.3-15
21.3
^2Sm 20.19
21.6
o 1 Sm 10.24
25 Seva, o escrivão; Zadoque e Abiatar, 
os sacerdotes;w
26 e também Ira, o jairita, era ministro de 
Davi.*
Vingados os gíbeonitas
1 Houve, em dias de Davi, uma fome 
Á j _L de três anos consecutivos. Davi con­
sultou ao Se n h o r , e o S e n h o r lhe disse: Há 
culpa de sangue sobre Saul e sobre a sua casa, 
porque ele matou os gibeonitas.
2 Então, chamou o rei os gibeonitas)' e 
lhes falou. Os gibeonitas não eram dos filhos 
de Israel, mas do resto dos amorreus; e os 
filhos de Israel lhes tinham jurado poupá-los, 
porém Saul procurou destruí-los no seu zelo 
pelos filhos de Israel e de Judá.
3 Perguntou Davi aos gibeonitas: Que 
quereis que eu vos faça? E que resgate vos 
darei, para que abençoeis a herança do 
S e n h o r ?*
4 Então, os gibeonitas lhe disseram: Não é 
por prata nem ouro que temos questão com 
Saul e com sua casa; nem tampouco pretende­
mos matar pessoa alguma em Israel. Disse 
Davi: Que é, pois, que quereis que vos faça?
5 Responderam ao rei: Quanto ao homem 
que nos destruiu e procurou que fôssemos 
assolados, sem que pudéssemos subsistir em 
limite algum de Israel,
6 de seus filhos se nos dêem sete homens, 
para que os enforquemos ao S e n h o r , em Gi­
beá de Saul, o eleito do S e n h o r . Disse o rei: 
Eu os darei.0
• N . Hom. 20 .18"O conselho sábio", evita a guerra 
(22; Ec 9.18), poupa o tempo (pois o tempo gasto era o 
tempo de parlamentar, 1 6 -2 2 ); e economiza a despesa (pois 
a guerra, em si, custou apenas uma cabeça, 22).
20.19 E uma mãe em Israel. Refere-se à cidade de Abel, mãe 
em Israel. No texto grego (LXX) se lê: "E tu procuras destruir 
uma cidade, metrópole em Israel".
20.22 Cortaram a cabeça de Seba. O conselho sábio da mu­
lher resultou na troca da cabeça de um só, pela vida de mui­
tos (Jo 11.49,50).
20.23 loabe reconquista o seu posto de general supremo das 
tropas, mesmo contra a vontade de Davi.
20.24 Cronista, recolhia e anotava os eventos históricos do 
povo.
20.25 Escrivão, ministro que cuidava das finanças e dos direi­
tos do Estado.
20.26 Ministro (coen, sacerdote), conselheiro, uma espécie 
de coordenador do Estado (8 .1 6 -1 8 ).
21.1 Os capítulos 21 a 24 são uma espécie de apêndice ao
livro de Samuel; compõe-se de eventos históricos e comple­
mentos poéticos, cuja ordem cronológica é irregular. O tre­
cho de 2 1 .1 -1 4 , por exemplo, deve ser colocado, 
cronologicamente, antes do capítulo 9. Uma fome de três 
anos.. . Uma fome que é mencionada somente neste lugar. 
Culpa de sangue. O pecado era sempre vingado, senão na 
própria pessoa, então na sua descendência (Êx 20.5).
21.2 Os gibeonitas.. . resto dos amorreus. Os gibeonitas eram 
heveus e não amorreus (Js 11.19). O nome amorreu era dado 
genericamente a todo o antigo habitante de Canaã 
(Gn 15.16; Am 2.9).
21.6 Nos dêem sete homens, para que os enforquemos. Este 
castigo (heb yaka) era previsto somente para os apóstatas 
(Nm 25.4) e não se aplicava, propriamente, aos descendentes 
de Saul. Mas os gibeonitas, gente manhosa, já haviam enga­
nado Israel uma vez (Js 9 .3 -1 5 ); e não é de estranhar que, 
aproveitando-se das circunstâncias a seu favor, repetissem a 
façanha. Se Davi tivesse consultado somente a Deus e não aos 
gibeonitas (3,4), provavelmente a resposta seria outra.
469 2 SAMUEL 21.22
7 Porém o rei poupou a Mefibosete, filho 
de Jônatas, filho de Saul, por causa do jura­
mento ao Senhor b, que entre eles houvera, 
entre Davi e Jônatas, filho de Saul.
8 Porém tomou o rei os dois filhos de 
Rispa, filha de Aiá, que tinha tido de Saul, a 
saber, a Armoni e a Mefibosete, como tam­
bém os cinco filhos de Merabec, filha de 
Saul, que tivera de Adríel, filho de Barzilai, 
meolatita;
9 e os entregou nas mãos dos gibeonitas, 
os quais os enforcaram no monte, perante o 
S e n h o r ; caíram os sete juntamente. Foram 
mortos nos dias da ceifa, nos primeiros dias, 
no princípio da ceifa da cevada.d
10 Então, Rispa, filha de Aiá, tomou um 
pano de saco e o estendeu para si sobre uma 
penha, desde o princípio da ceifa até que so­
bre eles caiu água do céu; e não deixou que as 
aves do céu se aproximassem deles de dia, 
nem os animais do campo, de noite.e
11 Foi dito a Davi o que fizera Rispa, filha 
de Aiá e concubina de Saul.
12 Então, foi Davi e tomou os ossos de 
Saulf e os ossos de Jônatas, seu filho, dos 
moradores de Jabes-Gileade, os quais os fur­
taram da praça de Bete-Seã, onde os filisteus 
os tinham pendurado, no dia em que feriram 
Saul em Gilboa.
13 Dali, transportou os ossos de Saul e os 
ossos de Jônatas, seu filho; e ^juntaram tam­
bém os ossos dos enforcados.
14 Enterraram os ossos de Saul e de Jôna­
tas, seu filho, na terra de Benjamim, em Zela, 
na sepultura de Quis, seu pai. Fizeram tudo o
21.7
f>1Sm 20.15-17; 
2Sm 9.1-7
21.8
dS m 18.19
21.9 <<2Sm 6.17
21.10
<■ Dt 21.23; 
2Sm 3.7
21.12
HSm 31.11-13
21.14 gjs 7.26; 
2Sm 24.25
21.17
íl2Sm 18.3; 
IRs 11.36
21.18
'ICr 11.29
21.19 /ICr 20.5
21.20
MCr 20.6
21.21
'1 Sm 16.9
que o rei ordenara. Depois disto, Deus se tor­
nou favorável para com a terra.ff
Gigantes mortos pelos homens de Davi
1 Cr 20.4-8
15 De novo, fizeram os filisteus guerra 
contra Israel. Desceu Davi com os seus ho­
mens, e pelejaram contra os filisteus, ficando 
Davi mui fatigado.
16 Isbi-Benobe descendia dos gigantes; o 
peso do bronze de sua lança era de trezentos 
siclos, e estava cingido de uma armadura 
nova; este intentou matar a Davi.
17 Porém Abisai, filho de Zeruia, socor­
reu-o, feriu o filisteu e o matou; então, os 
homens de Davi lhe juraram, dizendo: Nunca 
mais sairás conosco à peleja, para que não 
apagues a lâmpada de Israel.h
18 Depois disto, houve ainda, em Gobe, 
outra peleja contra os filisteus; então, Sibecai, 
o husatita, feriu a Safe, que era descendente 
dos gigantes.'
19 Houve ainda, em Gobe, outra peleja 
contra os filisteus; e Elanã, filho de Jaaré- 
Oregim, o belemita, feriu a Golias, o geteu, 
cuja lança tinha a haste como eixo de 
tecelão./
20 Houve ainda outra peleja; esta foi em 
Gate, onde estava um homem de grande esta­
tura, que tinha em cada mão e em cada pé seis 
dedos, vinte e quatro ao todo; também este 
descendia dos gigantes.k
21 Quando ele injuriava a Israel, Jônatas, 
filho de Siméia, irmão de Davi, o feriu.1
22 Estes quatro nasceram dos gigantes em
21.10 Desde o princípio da ceifa; que se dava nos meses de 
abril e maio. Até que sobre eles caísse a água do céu, mais ou 
menos no mês de outubro. Durante todo esse tempo, Rispa 
guardava os corpos, ou melhor, os ossos de seus filhos. O 
caso de Rispa é um dos mais dramáticos exemplos de amor 
materno na literatura universal.
2 1 .1 2 -1 4 Davi presta a última homenagem à família de Saul, 
inumando os seus corpos condignamente na sepultura de 
Quis, jazigo da família em Cibeá (1 Sm 10.26).
2 1 .1 5 -2 2 Esta crônica é colocada, por alguns, depois do 
cap 5, e por outros, depois do cap 12.
21.16 Trezentos siclos. Cerca de 4 kg.
21.17 Lâmpada de Israel. Refere-se à Glória de Israel e aos 
herdeiros do trono de Davi (ver 14.7).
21.19 Oregim, aparece duas vezes no versículo, sendo que a 
segunda é traduzida por "tecelão". Caso a primeira palavra 
não seja supérflua, como pensam alguns (por não estar em
1 Cr 20.5), deve ser traduzida, também, igual à segunda, por 
"tecelão", E Elanã. . . o belemita feriu Cotias. Em
1 Sm 17.50,51 diz-se que Davi matou Golias: e em 1 Cr 20.5 
lemos: "E Elanã; filho de |air, feriu a Lami, irmão de Golias.. ." 
Pergunta-se: Onde está a verdade? Estudando-se os textos, 
verifica-se que a passagem de 1 Cr 20.5, refere-se ao mesmo 
evento de 2 Sm 21.19. Comparando-se os textos hebraicos 
entre si, nota-se uma grande semelhança entre a escrita de
1 Cr 20.5, Ath-Laemi ahi (ath, partícula intraduzível do objeto 
direto Laemi, "Lami", e ahi, "irmão d e .. ." ) com a de
2 Sm 21.19, Beth Laemi ath (beth Laemi, "belemita", e ath, 
sinal de obj. dir.). Isso nos leva à conclusão de que houve uma 
alteração de letras nas palavras beth e ath, que, corrigidas em
2 Sm 21.19, nos dão o ath (partícula do obj. dir.) em lugar de 
beth (na palavra inicial), e ahi ("irmão de") em lugar de ath 
(na palavra final). Assim, restauradas as palavras, lemos: "E 
Elanã, filho de (Jair ou) Jaaré-tecelão feriu a Lami, irmão de 
Golias.. ."
2 SAMUEL 22.1 470
Gate; e caíram pela mão de Davi e pela mão 21.22
Cr 20.8de seus homens.m
C â n t i c o d e D a v i e m a ç õ e s d e g r a ç a s
Sl 18.1-50
22.1 "Êx 15.1; 
Sl 18 título 9
O Falou Davi ao Senhor as palavras 
deste cântico, no dia em que o
22.2 »Dt 32.4
22.3 pGn 15.1; 10
Senhor o livrou das mãos de todos os seus Pv 18.10;
inimigos e das mãos de Saul.n Lc 1.69 11
2 E disse;0 22.6 íSI 116.3
0 Senhor é a minha rocha,
22.7 'Êx 3.7; 12a minha cidadela,
o meu libertador; ]n 2.2
3 o meu Deus, o meu rochedoP 22.8 sJz 5.4; 13
em que me refugio; Sl 77.18
o meu escudo, a força 22.9 tSI 97.3;
da minha salvação, 
o meu baluarte e o meu refúgio.
Hb 12.29 14
Ó Deus, da violência tu me salvas. 22.10
uÊx 20.21;
1 Rs 8.12; Is 64.1
154 Invoco o Senhor,digno de ser louvado,
e serei salvo dos meus inimigos. 22.11 *S1104.3
165 Porque ondas de morte 22.12
me cercaram, 
torrentes de impiedade
*7Sm 22.10
me impuseram terror;
6 cadeias infernais me cingiram.í
22.13
*2Sm 22.9
e tramas de morte 22.14 y\z 5.20;
17me surpreenderam. Is 30.30
7 Na minha angústia/ 22.15
invoquei o SENHOR, ^Dt 32.23;
18clamei a meu Deus; Hc 3.11
ele, do seu templo, 22.16 °Èx 15.8;
ouviu a minha voz, 
e o meu clamor chegou
Mt 8.26
aos seus ouvidos. 22.17 b%\ 144.7 19
8 Então, a terra se abalou e tremeu,s 22.18
vacilaram também c2Sm 22.1
os fundamentos dos céus 
e se estremeceram, 
porque ele se indignou.
Das suas narinas, subiu fumaça,' 
e, da sua boca, fogo devorador; 
dele saíram carvões, em chama. 
Baixou ele os céus, e desceu,u 
e teve sob os pés densa escuridão. 
Cavalgava um querubim e voou;v 
e foi visto sobre as asas do vento. 
Por pavilhão pôs, ao redor de si," 
trevas, ajuntamento de águas, 
nuvens dos céus.
Do resplendor* 
que diante dele havia, 
brasas de fogo se acenderam. 
Trovejou o Se n h o r desde os céus; 
o Altíssimo levantou a sua voz. 
Despediu setas/ 
e espalhou os meus inimigos, 
e raios, e os desbaratou.
Então, se viu o leito das águas,0 
e se descobriram 
os fundamentos do mundo, 
pela repreensão do Sen h o r , 
pelo iroso resfolgar 
das suas narinas.
Do alto, me estendeu ele a mão* 
e me tomou; 
tirou-me das muitas águas. 
Livrou-me do forte inimigo,c 
dos que me aborreciam, 
porque eram mais poderosos 
do que eu.
Assaltaram-me 
no dia da minha calamidade, 
mas o Senh o r m e serviu
22.1 O cap 22 situa-se, historicamente, no tempo de 7.1, ou 
talvez um pouco depois da promessa messiânica de Natã a 
Davi (comp v 51 com 7.16). É um cântico de ação de graças 
que, mais tarde, levemente alterado e a fim de servir ao culto 
público, entrou no Saltério como salmo 18.
22.2 Disse. O cântico está escrito num estilo de 3 /2 e 3 /3, de 
natureza sinonímica e com realces antitéticos (27,28). Consi- 
dere-se que a poesia hebraica não pode ser interpretada nem 
traduzida linha por linha, senão em conexão com outra linha, 
em geral com a segunda, quando o paralelismo é simples. Por 
exemplo a primeira linha do v 2: O Senhor é a minha rocha, é 
inseparável da segunda: A minha cidadela, o meu Libertador, 
que é o mesmo pensamento, apenas expresso em outros ter­
mos, às vezes um pouco ampliado. Por sinal, os verbos deste 
canto são traduzidos bem intuitivamente. Há verbos que de­
veriam ir para o imperfeito mas vão para o presente (4,30) ou
para o perfeito (21), etc. Acontece, porém, que o tradutor 
nem sempre pode se valer das secas leis gramaticais, quando 
existem outras leis, filológicas e poéticas, cuja natureza pro­
porciona uma tradução mais liberal e de critério mais ob­
jetivo.
22.8 A terra se abalou. Para uns, é a figura poética referindo- 
se à maravilhosa providência de Deus na vida de Seu povo 
(jz 5 .4 -3 2 ); para outros, refere-se à guerra com os si­
ros (8.5).
22.9 Fumaça. Seu sinônimo, fogo devorador, está na segunda 
linha, e refere-se à ira de Deus.
22.11 Querubim. Anjo de feitio especial (1 Sm 4.4; Ez 1 .5 -14 
e cap 10).
22.16 Alguns vêem neste versículo a travessia do Mar Verme­
lho, sob a direção de Moisés.
22.19 Referência a uma provável perseguição de Saul.
471 2 SAMUEL 22.42
de amparo. 22.20
<*2Sm 15.26
os que nele se refugiam.
20 Trouxe-me para um lugar espaçoso;d 32 Pois quem é Deus,n
livrou-me, porque ele se agradou 22.21 senão o Se n h o r ?
de mim. e1Sm 26.23; E quem é rochedo,
21 Retribuiu-me o Se n h o r 5 2Sm 22.25; 1 Rs 8.32 senão o nosso Deus?
segundo a minha justiça, 33 Deus é a minha fortaleza0
recompensou-me 22.22 e a minha força
conforme a pureza fGn 18.19 e ele perfeitamente desembaraça
das minhas mãos. 22.23 sDt 7.12 o meu caminho.
22 Pois tenho guardado, 34 Ele deu a meus pés
os caminhos do Senh o r 22.24 h Gn 6.9 a ligeireza das corçasP
e não me apartei perversamente
22.25
'2Sm 22.21
e me firmou nas minhas alturas.
do meu Deus. 35 Ele adestrou as minhas mãos1)
23 Porque todos os seus juízoss para o combate,
me estão presentes, 22.26 /M t 5.7 de sorte que os meus braços
e dos seus estatutos
22.27 *Lv 26.23
vergaram um arco de bronze.
não me desviei. 36 Também me deste
24 Também fui inculpável,, 22 .28 /Êx 3.7-8; o escudo do teu salvamento,
para com ele Sl 72.12-13; 
Dn 4.37
e a tua clemência me engrandeceu.
e me guardei da iniqüidade. 37 Alongaste sob meus passosr
25 Daí, retribuir-me o Sen h o r 1 22.31 o caminho,
segundo a minha justiça, mDt 32.4; 
Dn 4.37
e os meus pés não vacilaram.
segundo a minha pureza 38 Persegui os meus inimigos,
diante dos seus olhos. 22.32 "ISm 2.2 e os derrotei,
26 Para com o benigno,; e só voltei depois de haver dado
benigno te mostras; 
com o íntegro, também íntegro.
22.33 oÊx 15.2; 
}ó 22.3; Is 12.2 39
cabo deles. 
Acabei com eles,5
27 Com o puro, puro te mostras;k 
com o perverso, inflexível.
22.34 PHc 3.19 esmagando-os a tal ponto, 
que não puderam levantar-se;
28 Tu salvas o povo humilde,1 22.35 9S1144.1 caíram sob meus pés.
mas, com um lance de vista, 22.37 rPv4.12 40 Pois de força me cingiste1
abates os altivos. para o combate
29 Tu, Senhor, és a minha lâmpada; 22.39 s Ml 4.3 e me submeteste os que
o Se n h o r derrama luz
22.40 fS118.32
se levantaram contra mim.
nas minhas trevas. 41 Também puseste em fugau
30 Pois contigo desbarato exércitos, 22.41 os meus inimigos,
com o meu Deus, salto muralhas. "Gn 49.8; e os que me odiaram,
31 O caminho de Deus é perfeito;™ Js 10.24 eu os exterminei.
a palavra do Senhor é provada; 22.42 y\ó 27.9; 42 Olharam /
ele é escudo para todos Is 1.15 mas ninguém lhes acudiu,
22.21 Alguns traduzem os dois verbos no futuro, "retribuir- 
m e-á" e "recompensar-me-á" (gramaticalmente certo).
22.29 Tu.. . és a minha lâmpada. O sinônimo de lâmpada é 
o Senhor, na segunda linha.
• N. Hom. 22.30 "Com Deus não há impossíveis". Não havia 
cidade fortificada que Davi não conquistasse, nem outro 
qualquer obstáculo que não superasse (7 .8 -9 ) . Feriu a um 
leão e um urso (1 Sm 1 7 .3 4 -3 5 ). Matou Golias (1 Sm 
1 7 .41 -56 ). Venceu os jebuseus e conquistou a jerusalém 
(5 .6 -1 0 ). Venceu a Amom e conquistou Rabá (12.29). Sub­
jugou a Moabe (8.2), ao rei de Zobá (8.3), os siros (8.6) e 
os edomitas, conquista que lhe deu renome (8.13). Mas tudo
isso era insignificante diante da vitória que conseguiu: 
1) quando confessou o seu pecado e pediu um coração novo 
(Sl 51); 2) quando venceu o seu orgulho e foi transfor­
mado em um novo ser (salmos 6,32,38,102); 3) quando 
Deus o presenteou com a Sua maravilhosa promessa de 
ligá-lo à linhagem de Cristo (7 .1 2 -1 6 ).
2 2 .3 4 -5 0 Com o auxílio de Deus, Rocha poderosa e segura, 
Davi cantava vitórias: Deus adestrou-lhe as mãos para o com­
bate (35); derrotou os inimigos (38); esmagou-os como a 
lama das ruas (43); livrou-o da traição interna e tornou-o 
cabeça das nações (44). Bendiz a Rocha da Salvação (47), 
cujo nome será celebrado entre as nações (50).
2 SAMUEL 22.43 472
sim, para o Senhor, 
mas ele não respondeu.
43 Então, os moí como o pó da terra;1 
esmaguei-os e, como a lama
das ruas, os amassei.
44 Das contendas do meu povo*
me livraste 
e me fizeste cabeça das nações; 
povo que não conheci me serviu.
45 Os estrangeiros se me sujeitaram; 
ouvindo a minha voz, me
obedeceram.
46 Sumiram-se os estrangeiros)' 
e das suas fortificações
saíram espavoridos.
47 Vive o Senhor, e bendita sejaz
a minha Rocha!
Exaltado seja o meu Deus, 
a Rocha da minha salvação!
48 O Deus que por mim0
tomou vingança 
e me submeteu povos;
49 o Deus que me tirou6
dentre os meus inimigos; 
sim, tu que me exaltaste 
acima dos meus adversários 
e me livraste do homem violento.50 Celebrar-te-eic, pois,
entre as nações, ó Senhor, 
e cantarei louvores ao teu nome.
51 É ele quem dá grandes vitóriasd
ao seu rei 
e usa de benignidade 
para com o seu ungido, 
com Davi e sua posteridade, 
para sempre.
22.43
»2Rs13.7;
Is 10.6; Mq 7.10
22.44 
 ^Dt 28.13;
2Sm 3.1; Is 55.5
22 .46 /Mq 7.17
22.47 *SI 89.26
22.48 o S1144.2
22.49 bSI 140.1
22.50 cRm 15.9
22.51
rf2Sm 7.12-13
23.1
e1 Sm 16.12-13; 
2Sm 7.8-9
23.2 '2Pe1.21
23.3 9 Ex 18.21 ; 
2Sm 22.2,32; 
2Cr 19.7,9
23.4 njz 5.31; 
Pv4.18
23.5
<2Sm 7.15-16; 
Is 55.3
As últimas palavras de Davi
^ Q São estas as últimas palavras de 
Davi:e
Palavra de Davi, filho de Jessé, 
palavra do homem 
que foi exaltado, 
do ungido do Deus de Jacó, 
do mavioso salmista de Israel.
2 O Espírito do Senhor f
fala por meu intermédio, 
e a sua palavra 
está na minha língua.
3 Disse o Deus de Israel,9
a Rocha de Israel a mim me falou: 
Aquele que domina com justiça 
sobre os homens, 
que domina no temor de Deus,
4 é como a luz da manhã,6
quando sai o sol, 
como manhã sem nuvens, 
cujo esplendor, depois da chuva, 
faz brotar da terra a erva.
5 Não está assim com Deus'
a minha casa?
Pois estabeleceu comigo 
uma aliança eterna, 
em tudo bem definida e segura.
Não me fará ele prosperar 
toda a minha salvação 
e toda a minha esperança?
6 Porém os filhos de Belial
serão todos lançados fora 
como os espinhos, 
pois não podem ser tocados 
com as mãos,
7 mas qualquer, para os tocar, 
se armará de ferro
22.51 O cântico desfecha-se com a mensagem messiânica 
referindo-se à profecia de Natã (7 .1 2 -1 6 ). • N. Hom. "O 
cuidado de Deus". Deus cuida de seus escolhidos: 1) Com 
Deus, há somente vitórias (51a); os próprios males se tornam 
em bem (Rm 8.17; 2 Co 12.10; ver N. Hom. 22.30); 2) A 
bondade de Deus manifesta-se no seu amor para com os 
Seus escolhidos (51 b), ainda que, às vezes, de sabor amargo 
(Rm 8 .18 -3 9 ); 3) O cuidado de Deus para com Seus escolhi­
dos não muda (51c; Ml 3.6), embora tudo mude (SI 46.2) e 
o homem falhe (SI 41.4; M t 3.7; Jr 3 1 .33 -34 ).
2 3 .1 -7 As últimas palavras de Davi, registradas neste salmo 
são parecidas com a última bênção de jacó (Gn 49). Numa 
visão geral inspirada, revela uma mensagem messiânica com­
pleta, coroando assim a sua vida de maior poeta do AT, e o 
maior no gênero, na literatura universal.
23.1 Palavra de um homem exaltado e salvo por Deus. Em 
heb, o termo "palavra" (neum) expressa "inspiração" e, parti­
cularmente, mensagens proféticas, inclusive as de Balaão 
(Nm 24.3,4,15,16) e as de Agur (Pv 30.1, "Oráculos de 
Agur").
23.2 O Espirito Santo assiste ao homem e ensina-lhe o que 
deve falar (M t 10.20; |o 14.26).
23.3 Jesus Cristo, a Rocha, domina com justiça e temor.
23.4 Graça e chuvas de bênçãos não faltarão aos salvos.
23.5 A casa de Deus, aqui, refere-se a Cristo e Sua Igreja, que 
são perpétuos (7 .9 -1 6 ).
23 .6 ,7 Os ímpios (2 Sm 1.16) perecerão (M t3 .1 0 ; 
13 .30 ,40 -42 ). O texto destes dois versículos é um tanto obs­
curo. O fato explica-se pelo motivo de que os homens terv 
tam melhorar, a priori, (com suas corrigendas) as profecias 
escatológicas que realmente são claras e preciosas e serão 
entendidas, completamente, no tempo oportuno, especial­
mente as profecias que se referem à pessoa de |esus Cristo.
473 2 SAMUEL 23.22
e da haste de uma lança; 
e a fogo serão totalmente queimados 
no seu lugar.
Os valentes de Davi
IC r 11.10-47
8 São estes os nomes dos valentes de 
Davi; Josebe-Bassebete, filho de Taquemoni, 
o principal de três; este brandiu a sua lança 
contra oitocentos e os feriu de uma vez.
9 Depois dele, Eleazar, filho de Dodô, fi­
lho de Aoí, entre os três valentes que estavam 
com Davi, quando desafiaram os filisteus ali 
reunidos para a peleja. Quando já se haviam 
retirado os filhos de Israel/
10 ele se levantou e feriu os filisteus, até 
lhe cansar a mão e ficar pegada à espada; 
naquele dia, o Sen h o r efetuou grande livra­
mento; e o povo voltou para onde Eleazar 
estava somente para tomar os despojos.
11 Depois dele, Sama, filho de Agé, o ha- 
rarita, quando os filisteus se ajuntaram em 
Lei, onde havia um pedaço de terra cheio de 
lentilhas; e o povo fugia de diante dos fi­
listeus.*
12 Pôs-se Sama no meio daquele terreno, 
e o defendeu, e feriu os filisteus; e o Senh o r 
efetuou grande livramento.
13 Também três dos trinta cabeças desce­
ram e, no tempo da sega, foram ter com Davi, 
à caverna de Adulão; e uma tropa de filisteus 
sé acampara no vale dos Refains.1
23 .9 /lC r 11.12
23.11
M C r ll . 13-14
23.13
H Sm 22.1; 
2Sm 5.18; 
ICr 11.15
23.14
m1Sm 22.4-5
23.17
"Lv 17.10
23.18
° 1 Cr 11.20
23.20
pÊx 15.15; 
ICr 11.22
14 Davi estava na fortaleza, e a guarnição 
dos filisteus, em Belém."1
15 Suspirou Davi e disse: Quem me dera 
beber água do poço que está junto à porta de 
Belém!
16 Então, aqueles três valentes romperam 
pelo acampamento dos filisteus, e tiraram 
água do poço junto à porta de Belém, e toma- 
ram-na, e a levaram a Davi; ele não a quis 
beber, porém a derramou como libação ao 
Se n h o r .
17 E disse: Longe de mim, ó Sen h o r , 
fazer tal coisa; beberia eu o sangue dos ho­
mens que lá foram com perigo de sua vida? 
De maneira que não a quis beber. São estas as 
coisas que fizeram os três valentes.”
18 Também Abisai, irmão de Joabe, filho 
de Zeruia, era cabeça de trinta; e alçou a sua 
lança contra trezentos e os feriu. E tinha nome 
entre os primeiros três.0
19 Era ele mais nobre do que os trinta e 
era o primeiro deles; contudo, aos primeiros 
três não chegou.
20 Também Benaia, filho de Joiada, era 
homem valente de Cabzeel e grande em 
obras; feriu ele dois heróis de Moabe. Desceu 
numa cova e nela matou um leão no tempo da 
neve.P
21 Matou também um egípcio, homem de 
grande estatura; o egípcio trazia uma lança, 
mas Benaia o atacou com um cajado, arran- 
cou-lhe da mão a lança e com ela o matou.
22 Estas coisas fez Benaia, filho de
23.8 O texto hebraico deste versículo é obscuro. Não há so­
mente o problema dos nomes próprios, que por alguns são 
traduzidos literalmente; há, também, o problema da frase, 
adino haetseni que alguns traduzem arbitrariamente por 
"brandiu a sua lança". A mesma frase, na Vulgata (texto la­
tino), é traduzida por "pequeno verme da madeira"; e na LXX 
(texto grego), por "Adino, o Asonato" (nome próprio). Na 
LXX, este versículo está: "Estes são os poderosos de Davi: 
leboste, o cananeu, chefe dos três, Adino, o Asonato, este 
desembainhou a espada contra os oitocentos, matando-os de 
vez". josabe-Bassebete. Parece que o nome mais certo seria o 
de 1 Cr 11.11, "|asobeão, hacmonita", que se juntou a Davi 
em Ziclague (1 Cr 12.1,6). Principal de três. Os valentes de 
Davi se dividiam em três grupos. Tanto o primeiro grupo 
(8.12) como o segundo (chefes dos trinta, 1 3 -2 3 ) era com­
posto de três pessoas cada, e o terceiro (2 4 -3 9 ) era de trinta. 
Na lista de Crônicas (1 Cr 1 1 .1 0 -4 6) há quarenta e sete pes­
soas. Provavelmente, o grupo começou com o número de 
trinta e cresceu paulatinamente. Era composto de parentes de 
Davi, heteus, amonitas, moabitas, siros de Zobá, cananeus, 
etíopes e gibeonitas. O relato de 2 3 .8 -3 9 é a continuação do 
cap 21.22.
2 3 .9 Eleazar. É do tem po em que Davi matou Golias 
(1 Sm 17).
23.11 Sarrtá. Atribui-se que seria companheiro de Eleazar.
23.13 Três.. . dos trinta. No texto hebraico está, "trinta dos 
trinta", enquanto na LXX (1 Cr 11.15) está, "três dos trinta", 
que é o texto correto.
23.14 Fortaleza. Refere-se à fortaleza de Adulão (1 Sm 22.1).
23.17 Lá foram com perigo de sua vida. A água do poço de 
Belém ficava distante cerca de 30km.
• N , Hom. 2 3 .1 5 -1 7 "Amigos fiéis": 1) Davifoi um amigo fiel 
(1 Sm 1 8 .1 -8 ; 20; 2 3 .15 -18 ; 2 Sm 9); 2) Por isso teve ami­
gos fiéis (16); 3) Amigos fiéis dão a vida pelos amigos (17; 
jo 15 .13 -15 ).
23 .20 Benaia (8 .18; 20 .23), filho do sacerdote joiada 
(1 Cr 27.5 e 12.27), mais tarde constituído supremo general 
do exército (1 Rs 2.35). Dois heróis de Moabe. Diz a LXX: 
"Dois filhos de Ariel e Moabe". Ariel significa "leão" e é sinô­
nimo de herói.
2 SAMUEL 23.23 474
Joiada, pelo que teve nome entre os primeiros 
três valentes.
23 Era mais nobre do que os trinta, porém 
aos três primeiros não chegou, e Davi o pôs 
sobre a sua guarda.?
24 Entre os trinta figuravam: Asael, irmão 
de Joabe; Elanã, filho de Dodô, de Belém;r
25 Sama, harodita; Elica, harodita;s
26 Heles, paltita; Ira, filho de Iques, 
tecoíta;
27 Abiezer, anatotita; Mebunai, husatita;
28 Zalmom, aoíta; Maarai, netofatita;
29 Helebe, filho de Baaná, netofatita; Itai, 
filho de Ribai, de Gibeá, dos filhos de Ben­
jamim;
30 Benaia, piratonita; Hidai, do ribeiro de 
Gaás;'
31 Ábi-Albom, arbatita; Azmavete, ba- 
rumita;
32 Eliaba, saalbonita; os filhos de Jasém; 
Jônatas;
33 Sama, hararita; Aião, filho de Sarar, 
ararita;
34 Elifelete, filho de Aasbai, filho de um 
maacatita; Eliã, filho de Aitofel, gilonita;
35 Hezrai, carmelita; Paarai, arbita;
36 Igal, filho de Natã, de Zobá; Bani, 
gadita;
37 Zeleque, amonita; Naarai, beerotita, o 
que trazia as armas de Joabe, filho de Zeruia;
38 Ira, itrita; Garebe, itrita;"
39 Urias, heteu; ao todo, trinta e sete.1'
O levantamento do censo
IC r 2 1 .1 -6
A Tomou a ira do Sen h o r a acender- 
se contra os israelitas, e ele incitou
23.23
<?2Sm 8.18
23.24
r2Sm 2.18
23.25
slCr 11.27
23.30 t|z 2.9
23.38
u2Sm 20.26
23.39
^SmlU
24.1
« ^ S m 21.1; 
1Cr 27.23-24
24.2 *]z 20.1
24.5 yNm 32.1; 
Dt 2.36
24.6 íjs 19.28; 
|z 18.28-29
24.9 o 1 Cr 21.5
a Davi contra eles, dizendo: Vai, levanta o 
censo de Israel e de Judá.w
2 Disse, pois, o rei a Joabe, comandante 
do seu exército: Percorre todas as tribos de 
Israel, de Dã até Berseba, e levanta o censo do 
povo, para que eu saiba o seu número/
3 Então, disse Joabe ao rei: Ora, multipli­
que o S e n h o r , teu Deus, a este povo cem 
vezes mais, e o rei, meu senhor, o veja; mas 
por que tem prazer nisto o rei, meu senhor?
4 Porém a palavra do rei prevaleceu con­
tra Joabe e contra os chefes do exército; saiu, 
pois, Joabe com os chefes do exército da pre­
sença do rei, a levantar o censo do povo de 
Israel.
5 Tendo eles passado o Jordão, acampa- 
ram-se em Aroer, à direita da cidade que 
está no meio do vale de Gade, e foram a 
Jazer, y
6 Daqui foram a Gileade e chegaram até 
Cades, na terra dos heteus; seguiram a Dã-Jaã 
e viraram-se para Sidom;2
7 chegaram à fortaleza de Tiro e a todas 
as cidades dos heveus e dos cananeus, 
donde saíram para o Neguebe de Judá, a 
Berseba.
8 Assim, percorreram toda a terra e, ao 
cabo de nove meses e vinte dias, chegaram a 
Jerusalém.
9 Deu Joabe ao rei o recenseamento do 
povo: havia em Israel oitocentos mil homens 
de guerra, que puxavam da espada; e em Judá 
eram quinhentos mil.0
Davi escolhe o castigo
IC r 2 1 .7 -1 7
10 Sentiu Davi bater-lhe o coração, de-
23.39 Ao todo trinta e sete. Os seis, dos dois primeiros gru­
pos, mais os trinta do último grupo, e mais o chefe geral 
(omisso aqui), provavelmente Amasa (17.25; 1 Cr 12.18,38), 
morto por |oabe (20.10), pois, Joabe então já era rejeitado. O 
terceiro do segundo grupo também é omisso; julga-se que 
seria Aitofel, guerreiro valente (17.1) e conselheiro de Davi 
(1 Cr 27.33; 2 Sm 15.12 e 17.23).
24.1 O episódio do cap 24 é colocado antes do cap 9: al­
guns, de acordo com 1 Cr 20.1 -8 , o colocam depois da con­
quista de Rabá (11.1). Tornou. . . refere-se à fome do 
cap 21.1 -1 4 . A ira do Senhor.. . incitou a Davi. Em 1 Cr 21.1 
lemos: "Então Satanás (heb satan, "adversário") se levantou 
contra Israel e incitou a Davi". As duas expressões (idiotismos 
hebraicos) correspondem à frase: "Davi foi tentado". O censo 
regia-se por cláusulas especiais da lei (Êx 3 0 .1 2 -1 5 ; 
Nm 1 .2 -4 ,4 7 -4 9 ). Não podiam ser contados os levitas, as
mulheres e pessoas menores de vinte anos; e quando o censo 
era comum, se orientava somente pelo motivo de resgate, 
uma espécie de imposto per capita (religioso), para a causa 
do Senhor. • N . Hom. Contas humanas. 1) Davi contava 
exércitos; 2) Certos "pregadores" contam as conversões,
3) Certos "crentes" contam as suas boas obras 
(Lc 18 .11 -13 ); 4) Paulo, porém, contava suas "fraquezas' 
(2 Co 11 .1 -12 .10 ).
24.9 Havia em Israel oitocentos mil homens de guerra.. . e err 
judá quinhentos mil. Isto mostra que o propósito de Davi era 
mais militar que religioso. A ordem de Deus foi quebrada e 
veio o castigo. Os dados do mesmo evento, em Crônicas 
(1 Cr 21.5), entretanto, são diferentes. O fato explica-se, em 
parte pela falha dos copistas, e em parte por uma confusão de 
letras hebraicas que representariam números e que seriam 
semelhantes entre si, quanto à forma (13).
475 2 SAMUEL 24.24
pois de haver recenseado o povo, e disse ao 
Senhor: Muito pequei no que fiz; porém, 
agora, ó Senhor, peço-te que perdoes a ini­
qüidade do teu servo; porque procedi mui lou­
camente. b
11 Ao levantar-se Davi pela manhã, veio 
a palavra do Senhor ao profeta Gade, vi­
dente de Davi, dizendo:c
12 Vai e dize a Davi: Assim diz o 
Senhor: Três coisas te ofereço; escolhe uma 
delas, para que ta faça.
13 Veio, pois, Gade a Davi e lho fez saber, 
dizendo: Queres que sete anos de fome te 
venham à tua terra? Ou que, por três meses, 
fujas diante de teus inimigos, e eles te persi­
gam? Ou que, por três dias, haja peste na tua 
terra? Delibera, agora, e vê que resposta hei 
de dar ao que me enviou.d
14 Então, disse Davi a Gade: Estou em 
grande angústia; porém caiamos nas mãos do 
Senhor, porque muitas são as suas miseri­
córdias; mas, nas mãos dos homens, não 
caia eu.c
15 Então, enviou o Senhor a peste a Is­
rael, desde a manhã até ao tempo que deter­
minou; e, de Dã até Berseba, morreram 
setenta mil homens do povo.f
16 Estendendo, pois, o Anjo do Senhor a 
mão sobre Jerusalém, para a destruir, arrepen- 
deu-se o Senhor do mal e disse ao Anjo que 
fazia a destruição entre o povo: Basta, retira a 
mão. O Anjo estava junto à eira de Araúna, o 
jebuseu.9
24.10
MSm 13.13; 
2Sm 12.13
24.11
c1Sm 9.9; 
1 Cr 29.29
24.13
dl Cr 21.12
24.14
fS1103.8; 
Is 47.6
24.15
MCr 21.14
24.16 9Cn 6.6; 
ISm 15.11;
ICr 21.15,18; 
2Cr3.1; 
jl 2.13-14
24.17
MCr21.17
24.18
/ICr 21.18
24.21
/Gn 23.8-16
24.22
URs 19.21
24.23
'Ez 20.40-41
17 Vendo Davi ao Anjo que feria o 
povo, falou ao Senhor e disse: Eu é que pe­
quei, eu é que procedi perversamente; porém 
estas ovelhas que fizeram? Seja, pois, a tua 
mão contra mim e contra a casa de meu 
pai.h
Davi erige um altar na eira de Araúna
ICr 21.18-27
18 Naquele mesmo dia, veio Gade ter com 
Davi e lhe disse: Sobe, levanta ao Senhor 
um altar na eira de Araúna, o jebuseu.'
19 Davi subiu segundo a palavra de Gade, 
como o Senhor lhe haviú ordenado.
20 Olhou Araúna do alto e, vendo que vi­
nham para ele o rei e os seus homens, saiu e 
se inclinou diante do rei, com o rosto em 
terra.
21 E perguntou: Por que vem o rei, meu 
senhor, ao seu servo? Respondeu Davi: Para 
comprar de ti esta eira, a fim de edificar nela 
um altar ao Senhor, para que cesse a praga 
de sobre o povo J
22 Então, disse Araúna a Davi: Tome e 
ofereça o rei, meu senhor, o que bem lhe 
parecer; eis aí os bois para o holocausto, 
e os trilhos, e a apeiragem dos bois para a 
lenha.k
23 Tudo isto, ó rei, Araúna oferece ao rei; 
e ajuntou: Que o Senhor, teu Deus, te seja 
propício.'
24 Porém o rei disse a Araúna: Não, maseu to comprarei pelo devido preço, porque
24.13 Sete anos de fome. Em 1 Cr 21.12 se lê: "Três anos de 
fome"; e assim está na LXX. "Três anos", parece ser o texto 
mais correto. As letras hebraicas, zain e vav, que correspon­
dem aos números 7 e 3, respectivamente, são parecidas entre 
si quanto à forma e por isso mesmo, facilmente confundidas.
24.14 Davi escolheu a peste. Dos dois outros castigos, Davi 
podia se livrar pessoalmente. Escolheu, porém, a peste, da 
qual ele mesmo não podia se livrar, para sofrer junto com o 
povo, o que mostra o seu arrependimento.
24.15 Até o tempo que determinou. Tempo que não se refere 
ao fim dos três dias, mas sim, às 15 horas do primeiro dia, 
que era a hora da oração (At 3.1 ;10.3).
24.16 0 Anjo do Senhor. Neste caso, sinônimo de peste - o 
mal enviado (15) - que ceifava as vidas. Arrependeu-se o Se­
nhor: é um antropopatismo (ver 1 Sm 15.11). 0 arrependi­
mento do Senhor significava que o Senhor "deixou de fazer o 
que estava fazendo", não andava mais ao lado do homem
(mas Davi voltou a andar com Deus, e isso fez cessar a causa 
que provocou a peste). Houve mudança, não em Deus, mas 
no homem.
24.18 Um altar na eira de Araúna. Vendo a peste aproximar- 
se de Jerusalém, Davi aprofunda o seu arrependimento, e 
diante da palavra de Gade, levanta, às pressas, um altar ao 
Senhor, porque o altar que Moisés fizera, estava em Cibeom 
(1 Cr 21.29); em |erusalém estava, numa instalação provisó­
ria, apenas a arca do Senhor (6 .1 2 -1 9 ).
24.24 Não oferecerei.. . holocaustos que não me custem nada. 
A oferta de Davi foi de grande valor, e não uma esmola qual­
quer. Comprou a eira por "600 siclos de ouro" (1 Cr 21.25) e 
pelos bois pagou 50 siclos de prata. (Ao todo no câmbio atual 
de 1974, cerca de 70.000,00). Mais tarde, Salomão construiu 
um templo no valor entre trinta a cinqüenta bilhões de cru­
zeiros (no M onte Moriá, onde também Abraão ofereceu o seu 
filho Isaque em holocausto a Deus).
2 SAMUEL 24.25 476
não oferecerei ao S e n h o r , meu Deus, holo­
caustos que não me custem nada. Assim, Davi 
comprou a eira e pelos bois pagou cinqüenta 
siclos de prata.m
24.24
Cr 21.24-25
24.25
"2Sm 21.14
25 Edificou ali Davi ao Se n h o r um altar 
e apresentou holocaustos e ofertas pacíficas. 
Assim, o S e n h o r se tomou favorável para 
com a terra, e a praga cessou de sobre Israel.n
• N. Hom. 24.24,25 "Dar sempre o melhor". 1) Davi não 
deu esmolas nem sobras; deu uma fortuna; 2) Abraão deu 
o seu filho único, e Deus o abençoou (Gn 2 2 .2 -8 ); 3) Deus
deu o seu Filho unigênito para salvar o mundo (Jo 3.16). Os 
salvos do Senhor, porém, às vezes não dão nem o dízimo, e 
por isso sofrem tantos revezes (M l 3 .6 -1 0 ; Lv 2 7 .30 -32 ).

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