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INSTITUTO TEOLÓGICO QUADRANGULAR UNIDADE Nº 006-RS – SANTIAGO/RS CURSO LIVRE DE TEOLOGIA MÉTODOS DE ESTUDOS BÍBLICOS Trabalho apresentado pelo Acadêmico JO- ÃO BATISTA DOS SANTOS ao Instituto Te- ológico Quadrangular (006-RS) como requi- sito para avaliação da disciplina de Métodos de Estudos Bíblicos do Curso Livre de Teo- logia, em 2011. SANTIAGO/RS, 2011 2 RESUMO Uma real necessidade para o tempo atual é a verdadeira abordagem da interpretação bíblica, pois precisamos de um alimento sólido e não de simples migalhas. É preciso aprender a arte de mastigar a Palavra e não apenas ficar sugando mamadeiras, que são para os recém nascidos na fé. Partindo do pressuposto de que a Escritura Sagrada é uma necessidade vital e não um deleite especulativo somente, entende-se que a in- terpretação da Bíblia é requisito indispensável para o crescimento na vida cristã. Para que isso seja possível, faz-se necessário conhecer os métodos usados para um exce- lente estudo bíblico. Palavras-chaves: Bíblia. Interpretação. Método de Estudo Bíblico. INTRODUÇÃO A Bíblia revela como Deus se agrada daqueles que buscam a sabedoria em Sua palavra. Através dela o Senhor Deus instrui em como se deve agir, pensar e falar e mostra a grandeza de seu poder. O conhecimento da Palavra de Deus guia a cumprir a vontade Dele, que é perfeita, e faz agir com prudência em todas as situações, desar- mando as armadilhas do inimigo e glorificando a Deus como um bom testemunho de Cristo. A Palavra de Deus é direcionada pelo Espírito Santo que age de forma eficaz, transformando a alma do crente, o libertando de tudo o que o aprisiona a Satanás, puri- ficando-o de todo pecado, santificando suas atitudes, palavras e pensamentos para que possa ter uma vida edificada naquele que o chamou para a divina luz. A Bíblia ilumina e revela os segredos de sua vida, a fim de direcioná-lo ao ca- minho que conduz à salvação. A Palavra de Deus é representada pela Espada do Espí- rito – item que compõe a armadura de Deus – que entra ao fundo da alma matando to- da e qualquer ação do inimigo. E o estudante humilde tem que ter um coração aberto para receber exatamente o que Deus quer lhe ensinar. Não deve ler a Bíblia simples- mente como se estivesse lendo um jornal, e não deve procurar nela suas próprias idei- as, mas as ideias de Deus. Para que haja uma meditação eficaz, o estudante da Pala- vra deve procurar um lugar tranqüilo e livre de interrupções, escolhendo trechos curtos ou versículos isolados, ler várias vezes em um determinado tempo e pensar no que leu durante todo o dia, realizando anotações do que entendeu. 3 Há uma prática muito ruim no meio evangélico brasileiro de se ler ou estudar a Bíblia de forma retalhada. A grande maioria das pessoas lê uns poucos versículos ou até mesmo um único versículo e imediatamente aplica o que ela entendeu. Isto tem le- vado a toda sorte de esquizofrenia interpretativa e tem distorcido completamente o sen- tido real dos textos bíblicos. Reportando à cena do deserto entre Jerusalém e o rio Jor- dão, quando Cristo, preparando-se para o Seu ministério público, retira-se para um je- jum de quarenta dias e noites sozinho, sofrendo fome e fadiga, conforme narrado no capítulo 4 do Evangelho de Mateus. Durante esse retiro, Satanás aparece e confronta o Mestre com três insidiosas tentações: gula, soberba e avareza. Por três vezes, Jesus se defende das sugestões do maligno com citações do livro de Deuteronômio (8:3, 6:16: e 6:13). O ponto interessante de análise no presente contexto se dá pelo fato de que Sa- tanás, vendo que para Cristo a Palavra tem autoridade, tenta uma jogada, citando a Escritura também. Satanás escolhe a afirmação de Moisés no Salmo 91:11-12 (“Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus cami- nhos. Eles te susterão nas suas mãos, para que não tropeces em alguma pedra.”). Ao comparar a fala de Satanás com o texto bíblico, nota-se que ele não cita mal o salmista, porém, faz o mau uso da passagem, apresentando mal a intenção do escritor do Salmo. Essa tática não mudou através dos séculos. Assim como Satanás apresentou falsamente as Escrituras a Cristo, o crente dos dias atuais pode estar certo de que a mesma coisa lhe acontece. Como, porém isso ocorre? De que lado se deve esperar os ataques do maligno? Na maioria das vezes isso ocorre quando a Bíblia é mal emprega- da, Por exemplo, quando se ignora o que a Bíblia diz sobre dado assunto; quando se toma um versículo fora do contexto; quando se lê uma passagem e a faz dizer o que ela não diz; quando se dá indevida ênfase às coisas menos importantes, e quando se usa a Bíblia para tentar levar Deus a fazer o que quer em vez daquilo que Deus quer que seja feito. Uma real necessidade para o tempo atual é a verdadeira abordagem da inter- pretação bíblica, pois precisamos de um alimento sólido e não de simples migalhas. É preciso aprender a arte de mastigar a Palavra e não apenas ficar sugando mamadeiras, que são para os recém nascidos na fé. Partindo do pressuposto de que a Escritura Sa- 4 grada é uma necessidade vital e não um deleite especulativo somente, entende-se que a interpretação da Bíblia é requisito indispensável para o crescimento na vida cristã. Nem todo mau uso da Palavra pode ser atribuído a um ataque movido por Sa- tanás, mesmo na ilustração acima referenciada, mas fica clara a necessidade de a- prender a usar com cuidado as Escrituras. O cristão deve, não somente conhecer de perto as regras de interpretação, como aplicar essas regras ao hábito de estudo da Bí- blia, hábito que dure toda a vida. Para que isso seja possível, faz-se necessário conhe- cer os métodos usados para um excelente estudo bíblico. A fim de que se possa tirar proveito máximo do texto bíblico é necessário antes de qualquer coisa respeitá-lo. Há vários métodos que podem e devem ser utilizados para se extrair a mensagem correta de um determinado livro da Bíblia: o Método Sintético, o Método Crítico, o Método Bio- gráfico, o Método Histórico, o Método Teológico, o Método Retórico, o Método por Tópi- cos ou Temático, o Método Analítico, o Método Devocional, o Método Indutivo, o Méto- do de Análise do Versículo e o Método Gramático-Histórico. Estes métodos não são propriamente “regras” de Estudo da Bíblia, mas são li- nhas de orientação que, caso seguidas, melhorarão o estudo das Escrituras. Há dife- rença entre fazer estudo monótono e profundo da Bíblia e estudar a Bíblia de modo es- timulante e que transforma a vida. Cada um destes métodos tem seu valor próprio e produz os efeitos que lhe são peculiares. O ideal, porém, para quem deseja extrair a mensagem mais fidedigna dos textos bíblicos é a junção destes diversos métodos, a- proveitando o que cada um tem de melhor. MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICOS 1. PRINCÍPIOS DE ESTUDO DA BÍBLIA A Palavra de Deus é o pão divino, sendo necessário se alimentar dele todos os dias para que haja, continuamente, um crescimento espiritual sadio e agradável ao Se- nhor, de forma a tornar a crente forte o suficiente para vencer as batalhas e alcançar a coroa da vida. A leitura bíblica torna o crente sábio, dando-lhe discernimento espiritual a fim de livrá-lo do perigo de indução ao erro, porque o capacita a perceber desvios de pregações realizadas por falsos profetas. 5 O passo a passo para uma leitura diária eficaz começa com a escolha do lugar e horários adequados, seguido de oração pedindo sabedoria de Deus para um bom en- tendimento da Palavra, e escolha do método de estudo, de acordo com os seusobjeti- vos, seja ele geral ou específico. Devem-se buscar recursos para um aprendizado mais completo, porém deve-se ficar atento aos comentários bíblicos e verificar se são exami- nados à luz das Escrituras. O estudo da Palavra de Deus orienta e dá discernimento para distinguir o que é verdadeiramente bíblico ou não. Diariamente há um bombardeio por perguntas ou comentários de pessoas que ensinam falsas doutrinas, o que torna o crente capaz de defender a fé e aquilo que aprende. HENRICHSEN (1993, p. 10 e 11), cita cinco princípios do estudo da Bíblia que aprendera quando ainda seminarista, e que lhe ajudaram a compreender a importância de recorrer às Escrituras como fonte primária, em vez de respigar verdades espirituais provenientes de estudos que outros fizeram. Esses princípios são abaixo elencados, independente do método que se venha a adotar. 1.1. Deve-se fazer investigação original. No caso de Atos 17:11, encontramos o exemplo de situação em que o crente deve ficar a sós com uma Bíblia aberta e dependendo do Espírito Santo como seu mes- tre. Aqui se encontra um incidente ocorrido na igreja primitiva, e nota-se que os irmãos bereanos, ao contrário dos tessalonicenses, ouviram com atenção o que Paulo e Silas tinham para dizer, mas preferiram conferi-lo com a fonte original. É importante que a convicção se forme com o que a Bíblia ensina, em vez de depender de credos, comentários, ou mesmo sermões. Estes podem fazê-lo voltar-se para a Palavra, como fizeram os bereanos, mas durante os tempos de prova, é a auto- ridade da inabalável palavra examinada pessoalmente que permanece. Para isso pode- se usar concordâncias, enciclopédias e dicionário bíblicos, os quais devem ser compa- nheiros constantes do estudante. Além disso, podem ser usados comentários e outras obras expositivas, porém apenas depois de ter sido aplicado o princípio da investigação original. Consultar um bom comentário depois de se completar o estudo da Palavra é proveitoso, particularmente se esse material for mostrado a outras pessoas ou se for 6 usado para dirigir um grupo de estudo bíblico. Se por ventura o estudante notar que está em desacordo com o comentador, especialmente sobre pontos importantes, deve- rá reexaminar as suas conclusões. A investigação original é um princípio importante e necessário que deve ser in- corporado na metodologia de estudo da palavra. Sempre haverá algo de novo e exci- tante acerca de uma verdade ensinada pelo Espírito Santo durante o tempo que passar pessoalmente com a Palavra de Deus. 1.2. Deve-se fazer sempre uma reprodução escrita. Já tiveste a experiência de ter um profundo pensamento, mas porque não o escreveu, esqueceu? Se isso ocorreu, provavelmente percebeste que quanto mais ten- tasse lembrar o pensamento, mais evasivo ficava. Isso é importante notar, pois essa frustradora experiência ilustra a importância de incorporar em seus métodos de estudo bíblico a reprodução escrita. Escrever e reunir os pensamentos são uma das diferen- ças-chave entre ler a Bíblia e estudá-la. Um rico reservatório de conhecimentos da Es- critura pode ser armazenado para uso futuro quando se emprega a reprodução escrita. 1.3. O estudo deve ser constante e sistemático. Aqui encontramos dois conceitos que constituem este princípio: ser constante e ser sistemático. O estudo da Bíblia deve ser constante, como fica implícito nas palavras “todos os dias”, relatadas em At 17:11, o que demonstra que os irmãos bereanos não estudavam a Bíblia um dia somente, esperando uma semana inteira para fazê-lo nova- mente. O seu contato com as Escrituras era constante. O outro conceito envolvido é o estudo sistemático da Palavra, através de um programa de estudo da Bíblia delineado sistematicamente a fim de desenvolver um equilibrado entendimento de toda a Palavra de Deus. Um capítulo aqui, um tópico ali, uma passagem noutra ocasião não são as melhores abordagens para se estudar a Bíblia. 1.4. O estudo deve ser “passa-a-vel”. Este conglomerado pode soar estranho, mas transmite um conceito importante: a intenção de Deus é, não só de que cresçamos e amadureçamos em nosso andar com 7 Ele, mas também de que ajudemos outros a desenvolverem ao máximo o seu potencial em prol de Jesus Cristo. Isto é possível ver na afirmação de Paulo a Timóteo, orientan- do que “o que da minha parte ouviste, através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir os outros.” (2º Tm 2:2) Cada crente deve ver-se como um elo entre duas gerações, passando ao outro aquilo que teve o privilégio de aprender. Se isso foi aplicado somente ao conteúdo do estudo, acaba-se por animar as pessoas a serem dependentes de seu mestre por “des- pejamento” desse conteúdo na mente delas, o que não é o objetivo precípuo para a compreensão da Palavra de Deus. O conceito bíblico de sacerdócio do crente significa que todos os cristãos têm o direito e a responsabilidade de alimentar-se da Palavra de Deus. A metodologia do estudo da Bíblia deve incluir o elemento de “passa-a-bilidade” para facilitar este grande ideal. 1.5. Deve-se aplicar o estudo à sua vida. Ester é um princípio muito importante quando incorporado às regras de inter- pretação, bem como na metodologia a ser estudada. Uma leitura rápida de quase cada porção da Bíblia revela como é importante a aplicação, na perspectiva de Deus. Ele espera que a Sua Palavra seja encarada com seriedade. Tiago orienta a tornar-se pra- ticante da palavra, e não somente ouvintes, se enganando a si mesmo (Tg 1:22). 2. ETAPAS A SEREM OBSERVADAS NO ESTUDO BÍBLICO. Para se fazer qualquer investigação bíblica, é necessária ter uma metodologia de trabalho. Os métodos são os passos a serem dados na pesquisa; é a forma de pro- cedimento para se chegar a um determinado fim. OBSERVAÇÃO ���� INTERPRETAÇÃO ���� APLICAÇÃO 2.1. OBSERVAÇÃO Depois de escolhida a passagem bíblica e o método que será utilizado, inicia- se a primeira etapa que é a observação. Nela será lido o texto várias vezes, em várias versões, fazendo suas anotações. Para essa etapa, o estudante irá fazer algumas per- 8 guntas ao texto até ficar bem familiarizado com a passagem. Quem? O quê? Onde? Quando? Por quê? Como? Observação é o "ato de reconhecer e anotar um fato ou ocorrência". Significa estar mentalmente ciente do que se vê. Quando se lê um texto bíblico, não se conse- gue extrair dele, todas as riquezas nele contida. Às vezes se pensa que a passagem não tem tantas informações para serem tiradas, mas, quando se lê comentários e ouve- se pregações sobre o mesmo texto, fica-se maravilhado com o que uma boa pesquisa pode fazer. A observação é aquela etapa do estudo bíblico onde vamos usar nosso tempo para trazer à tona todos os detalhes do texto, cujo propósito no estudo da Bíblia é saturar-se do conteúdo da passagem da Escritura. Ficar tão familiarizado quanto pos- sível com tudo que o escritor bíblico está dizendo, explícita ou implicitamente. A prática e a concentração são os dois ingredientes que aguçarão a sua perícia. A observação é o alicerce do estudo. 2.1.1. Regra fundamental para observação As últimas instruções de Jesus a Seus discípulos foram para prepará-los para o tempo em que Ele não estaria mais fisicamente com eles. (João 14.26 e João 16.13.) Por isso, a Regra Fundamental é estar na dependência do Espírito Santo, este é o segredo para eficiência em todas as etapas do estudo bíblico, especialmente da obser- vação. 2.1.2. Pré-requisitos para observação Toda pesquisa exige interesse por parte do pesquisador para que ela tenha sucesso.Além disso, os esforços e a perseverança durante o processo são fundamen- tais para se chegar ao objetivo. Aliada à perseverança tem-se a paciência. Um bom es- tudo bíblico, preparado com fidelidade ao texto, exige paciência, pois os resultados não surgem em minutos. É importante que o estudante vá registrando todas as informações num cader- no. Essas anotações serão importantes para a formatação do estudo bíblico. Evite fo- lhas soltas, pois elas podem sumir, perdendo assim informações importantes. Lembre- 9 se: registre tudo. Nenhum item ou idéia é insignificante. Escreva, para que sua mente fique livre em busca de novas informações. 2.1.2. Requisitos para o sucesso na observação Como visto acima, o requisito fundamental para a etapa de Observação é a dependência do Espírito Santo. Alinhado ao requisito fundamental existem outros 4 re- quisitos, a saber: A observação exige um ato da vontade; exige persistência em saber; exige paciência; e exige registro diligente. A observação exige um ato da vontade - É preciso ter a disposição e o dese- jo de saber o que está no texto bíblico, e depois, de perceber e reconhecer o que lá es- tá. É preciso estar determinado a conhecer e a aprender. Ex.: se conhece uma pessoa e depois não lembra mais seu nome, é porque não tinha o propósito de aprender seu nome. Aprender começa com um ato da vontade – é preciso querer aprender. A observação exige persistência em saber - Aprender não é fácil, pois re- quer esforço e disciplina. Não se pode ter disciplina eficiente se não for uma pessoa disciplinada. Um dos segredos da persistência no estudo da Bíblia está em ver que os resultados realmente valem o esforço empenhado. Basta lembrar dos resultados positi- vos em sua vida pelo fato de ter estudado e compreendido os ensinamentos bíblicos. A observação exige paciência - Numa época onde as informações circulam em frações de segundos, a tendência é querer aprender e ter respostas na mesma ve- locidade. Mas, a verdadeira aprendizagem toma tempo e não se pode pegar atalhos no processo de aprendizagem, uma vez que os caminhos mais curtos são verdadeiros "curtos-circuitos", sem nenhum resultado. No estudo da Bíblia, assim como na vida cris- tã, o processo é tão importante como o produto. A observação exige registro diligente - Quando se revê anotações feitas em outros estudos, percebe que muitas você já havia se esquecido. Ao fazer breves obser- vações se corre o risco de perder o entendimento completo do que estudou. Por isso, é melhor registrar diligentemente todas as observações que faz. Assim, será possível ver a importância e o valor de suas anotações quando voltar a estudar a mesma porção bíblica. 10 2.2. INTERPRETAÇÃO Em seguida entra a fase de Interpretação, que é a etapa intermediária na con- fecção do estudo. Nela se usam as regras de interpretação, também chamada de Her- menêutica. Assim, será possível descobrir o que o autor estava querendo dizer com aquela passagem. A fase de interpretação é de fundamental importância no estudo bí- blico, pois se ela estiver errada, a aplicação, fatalmente estará também errada. 2.2.1. Por que fazer a interpretação bíblica? A mera leitura da Bíblia não significa que o leitor compreendeu o significado daquilo que leu. Entre as várias etapas concernentes ao estudo bíblico, a primeira delas consiste na observação do que a Bíblia diz. Porém a simples observação pode gerar dúvida sobre o que realmente diz o texto lido, causando confusão e interpretações er- rôneas. Tomando como exemplo o encontro entre Filipe e o Eunuco, relatado em Atos 8.26-31, mostra que uma orientação adequada ajuda as pessoas a interpretar o que lêem na Bíblia. A pergunta “compreendes o que vens lendo?” indicava a possibilidade de o leitor não estar entendendo, mas, também, que era possível entender. Aliás, quando o tesoureiro pediu que lhe explicasse a passagem, estava reconhecendo que, sozinho, não era capaz de entendê-la corretamente e que sentia necessidade de ajuda para interpretá-la. 2.2.2. Por que a interpretação bíblica é importante? É necessária a interpretação bíblica para corretamente aplicá-la aos dias atu- ais. Porém, é fundamental compreender o sentido textual para a época em que foi es- crito, com o fito de aplicá-lo corretamente na atualidade. Talvez esta seja a mais difícil e exigente das etapas que compreendem o estudo bíblico. Porém, quando este procedi- mento interpretativo torna-se único no processo do estudo bíblico, podem ocorrer mui- tos e graves erros, bem como, resultados dissociados da verdade. Uma das modalidades que vem crescendo no meio evangélico é o estudo bí- blico informal, onde grupos pequenos de pessoas se reúnem em suas casas ou igrejas com o nobre intuito de estudar e debater a Bíblia, porém será que esses indivíduos es- tão de fato preparados para chegarem a um consenso hermenêutico sobre cada pas- 11 sagem analisada? Estudar a Bíblia dessa forma, sem as diretrizes apropriadas da her- menêutica, pode gerar confusão e interpretações que se encontram até em inequívoco desacordo. Essas divergentes interpretações destacam o fato de que nem todos os lei- tores da Bíblia seguem os mesmos princípios interpretativos. Logo, a inexistência de uma hermenêutica coerente, terminará por causar ignorâncias, desmandos e difamação bíblica. A interpretação é a etapa essencial do estudo bíblico. Ao interpretar a Bíblia o leitor é conduzido à reflexão. Logo, este processo interpretativo deve apoiar-se primei- ramente na observação e, depois, conduzir à aplicação. Ela é um meio que visa um fim, não um fim em si mesma. A interpretação conduz o leitor, da leitura e observação, ao nível da aplicação prática. Por meio do estudo bíblico procura-se compreender o que Deus diz por meio dos textos sagrados, cujo objetivo é conduzir o leitor a uma compre- ensão mais íntima da mensagem contida no texto e não apenas superficial. Por meio da interpretação o crente é conduzido à maturidade espiritual, tornando-se mais parecido com Cristo. Esse processo de maturidade, portanto, consiste na aplicação dos conhe- cimentos bíblicos às nossas necessidades espirituais e atuais. Paulo orientando seu discípulo Timóteo diz que: “Toda escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação em jus- tiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra”. (2º Tm 3.16,17) Percebe-se no texto a exposição da utilidade da Palavra de Deus, pois sendo divinamente inspirada é útil para: a) Ensino: Transferência de conhecimento ou informação; b) Repreensão: Advertência feita pelo superior hierárquico em relação a um ato praticado pelo seu subordinado. c) Correção: Ato ou efeito de pôr em bom estado ou em boa disposição alguma coisa que apresenta defeito, erro, falha ou necessita de conserto. d) Educação: Aplicação dos métodos próprios para assegurar a formação e o desenvolvimento físico, intelectual e moral de um ser humano. Portanto, quando a interpretação bíblica é efetuada de maneira incorreta, a teo- logia individual ou coletiva, de um indivíduo ou da igreja, tornar-se-á desorientada, su- perficial e desequilibrada. Evidentemente o risco da interpretação – nunca devemos 12 esquecê-lo – é o risco da deformação, da distorção e do próprio erro. Mas, quando se trata do cristianismo, é também o risco puro e simples da fé. O risco de, por falta de au- dácia e lucidez, só transmitir um passado morto não é menos grave do que o do erro. A frase supracitada sintetiza a tarefa de todo cristão e, em particular, de todo teólogo: interpretar as verdadesde fé para novos tempos e contextos sem deixar de manter-se fiel a essas mesmas verdades. É preciso assumir a possibilidade do novo, da descoberta de sentidos cada vez mais maduros para nossas experiências de fé, pois somente assim o conhecimento teológico pode avançar. Certamente que essa tarefa não é fácil. Logo, a interpretação bíblica precisa ser imparcial, dissociada dos “grandes pa- radigmas” estabelecidos pela religiosidade ao longo dos tempos, pois todos os sistemas paradigmáticos estão caindo em ruínas, uma vez que a condição pós-moderna caracte- riza-se pela desconstrução dos discursos e estatutos científicos clássicos e, por conse- guinte, por uma intensa fragmentação, dissolução de laços e fidelidades institucionais. 2.3. APLICAÇÃO Após as observações e correta interpretação do texto, é preciso saber como as verdades e princípios bíblicos podem ser aplicados na vida pessoal. O propósito da Bí- blia não é aumentar o conhecimento, mas mudar a vida, o caráter. A observação procu- ra responder à pergunta: Que diz o texto? A interpretação procura descobrir o que signi- fica; e a aplicação vai procurar responder: E daí? A Palavra de Deus tem um poder transformador quando é observada, interpre- tada e aplicada o que foi aprendido. Aquele que pratica os ensinamentos bíblicos seja justificado, seja edificado, terá paz e será bem-aventurado. Tiago expressa veemente- mente que aquele que ouve a Palavra de Deus e não pratica, engana-se a si mesmo. (Tg 1:22-24) É como se olhasse seu rosto em um espelho e ao retirar-se esquece de como era sua aparência. Aquele que simplesmente ouve e não coloca em prática diari- amente, esquece-se do que se aprendeu. O praticar diário crava na mente e coração tudo o que se aprende e jamais vai esquecer. A aplicação é pessoal e vai de acordo com suas necessidades, desde que se- jam realizadas de acordo com os ensinamentos bíblicos e à luz das Escrituras. Nunca 13 aplique sobre o seu ponto de vista, mas de acordo com o que o Espírito Santo o instruir durante o estudo. Há aqueles que quando estudam sobre o perdão e que não gostam de “dar o braço a torcer”, praticam um perdão de acordo com suas ideias e não as ensi- nadas na Palavra de Deus. Deve-se prestar atenção na maneira certa da prática, pois Deus não somente vê as ações, mas conhece também os intentos do seu coração. 3. A RAZÃO DE ESTUDAR A BÍBLIA POR SI MESMO Alguém pode perguntar: Porque devo estudar a Bíblia por mim mesmo? Uma infinidade de pessoas já não fez esse estudo? Qual a razão de tentar fazer isto de novo? 1. A primeira razão para estudar a Bíblia por si mesmo é simples: não se de- ves absorver a "teologia" dos que o rodeiam. Esta sempre foi a causa da apostasia e idolatria de Israel. Porém, é possível usar um exemplo moderno para ilustrar esse ponto: Os primeiros missionários de determinada denominação batizavam para a re- missão de pecados. Hoje em dia, porém, a prática mais comum desta denominação não é esta. Qual a razão? Simples: como os primeiros obreiros diziam não ter necessidade de estudar a Bíblia (mas pregavam "inspirados" pelo Espírito, sem preparo prévio), com o tempo, esta denominação foi absorvendo a teologia evangélica mais forte no país que ensinava: a não essencialidade do batismo. Moral da história: quem não estuda para aprender o que é certo, vai aprender de muitos modos o que é errado. Entendendo a Teologia como o estudo das coisas acerca de Deus, esta obrigatoriamente deve partir da visão de Deus e não da visão humana. 2. Outra razão para fazer um estudo bíblico independente é a má exegese en- contrada na literatura sobre a Bíblia. Se um professor da escola dominical preparar suas aulas consultando comentários, vai acabar ensinando mentiras em nome de Deus. Por exemplo: num conceituado comentário, a parábola do fermento é alegorizada e a lição que o autor procura transmitir é que a "a falsa doutrina se infiltra em todas as par- tes do reino". O autor usa muitas referências e parece ter avaliado a opinião contrária. Como saber se ele está certo? Precisamos fazer um estudo próprio, caso contrário se- remos induzidos a pensar como o comentarista quer que pensemos. Muitos exemplos 14 deste tipo poderiam ser usados, mas o ponto é que não se pode ensinar opinião huma- na. Tem-se a obrigação de verificar tudo, e o melhor meio de fazê-lo é estudar sem in- fluência alheia. 3. Um motivo importante para o estudo bíblico é o fato de não se possuir um "intérprete oficial" da Bíblia como a Igreja Romana, ou como os Russelitas (Teste- munhas de Jeová). Cada cristão e cada geração cristã tem o dever de estudar e de- terminar o que a Bíblia está dizendo. Se não fizer isto, se está sujeito a endossar al- guma forma de "credo oral", que substitui as Escrituras como critério da verdade. 4. Um estudo honesto e independente das Escrituras ajuda a tirar os tex- tos bíblicos do seu "sentido comum". Chama-se sentido comum aquele sentido que sempre se dá ao texto até o dia em que se aprende o que realmente o texto queria di- zer. Quando um católico lê a palavra "batismo", o sentido comum associado a esta pa- lavra evoca a imagem de um sacerdote jogando água na testa de um nenê. Um estudo sério e independente mostra que este sentido comum está errado. O estudo bíblico independente faz com que se tire os "óculos" que sempre faziam ver as coisas com uma determinada cor: a cor das idéias preconcebidas ou pré-conhecidas. 5. Estudar a Bíblia faz com que se deixe de usar os textos como "textos- prova" de doutrinas, e busque a mensagem íntegra que o Espírito Santo quis trans- mitir através do escritor do texto sagrado. 6. Um estudo bíblico renovado impede aquela tendência de ser eclético e dar ao texto bíblico vários sentidos. Um estudo sério leva em conta o fato de o escri- tor original ter tido em mente algo que se precisa saber. Não adianta somar tudo o que se diz sobre um texto; é preciso determinar o que o texto diz. 7. Por último, crê-se que a razão mais importante para um estudo bíblico sério é a vontade de Deus. Deus quer que o crente se aproprie da sua vontade. A Bíblia é o registro dela. Logo, é essencial que se estude a palavra de Deus e procure compreen- 15 dê-la. Não existe conselho mais repetido nas Escrituras, direta e indiretamente. Deus é eternamente sábio. Se ele, nesta sabedoria, deixou sua vontade revelada em um livro, então tem-se a certeza de que é possível compreender a vontade dele pelo estudo deste livro. Se não o fizer ou desistir da tarefa, o crente estará blasfemando contra a sabedoria de Deus. 3. MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICOS Segundo OLIVEIRA (1991, p. 61), método é a maneira ordenada de fazer al- guma coisa, ou um procedimento seguindo passo a passo, destinado a levar o estudan- te a uma conclusão, de forma a não privar a mente da sua capacidade criadora quanto à ideias; pelo contrário, servir-lhe-á como elemento disciplinador e orientador do desen- volvimento organizado do seu estudo. Isso, porque ao entrar no estudo bíblico, o estu- dante irá aprender termos passos a serem seguidos no estudo da Bíblia. À medida que seguir seus passos notará como o Espírito Santo ilumina a verdade, numa ação compa- rada à ação do sol e da chuva gerando fartura para o agricultor, a partir da semente viva. E, assim, como o método do agricultor (plantio e colheita), ajuda a ação do sol e da chuva a produzir abundantes colheitas, assim também o estudo metódico da Escritu- ra nos ajudará a receber a revelação da verdade através do Espírito Santo, de maneira progressiva e organizada. 3.1. O Método Sintético: O objetivo deste método é fazer oestudante se aproximar do livro como um to- do, procurando compreender o seu sentido como uma unidade. Neste método a preo- cupação não está nos detalhes, mas sim, no esboço do argumento e da aplicação de forma geral. Uma fatídica falácia exegética é buscar a compreensão de um determinado assunto bíblico, não considerando o que toda a Bíblia fala sobre ele. Este método trata- se de um estudo amplo e global de um livro da Bíblia, considerando o que toda a divina revelação, fala sobre ele. O método sintético de estudo bíblico aborda cada livro da Bí- blia como unidade, e procura entender o seu sentido como um todo. Não se interessa pelos pormenores, mas pelo escopo global do livro. Com o método analítico analisamos o texto através de um microscópio. Com o método sintético, analisamos o texto através 16 de um telescópio. O que o escritor, movido pelo Espírito Santo, tinha em mente quando escreveu? Qual é o pensamento chave e a idéia principal do livro? Como atinge ele o seu objetivo? São desta espécie as questões relevantes para o método sintético. Os anúncios referentes ao conteúdo do livro ajudam a encontrar o tema princi- pal. Tais anúncios são afirmações que o autor faz, antecipadamente, dizendo o que vem a seguir, como no caso do Evangelho de Mateus, que começa com o seguinte a- núncio: “Livro da genealogia de Jesus Cristo, Filho de Davi, filho de Abraão”, trazendo a seguir a genealogia de Jesus. Também pode se evocar 1° Co 7:25, onde Paulo diz: “Com respeito às virgens...” referindo-se ao conteúdo que vem depois. Isso ajuda o estudante a preparar o estudo da Bíblia para o que vem a seguir e dá uma pista do de- senvolvimento temático do livro. Regras para o Método Sintético 1 - Leia o livro ou a carta atentamente e sem interrupções, procurando ler o li- vro do começo ao fim de uma só vez, preferencialmente usando várias traduções para possibilitar um melhor entendimento. 2 – Leia pela segunda vez, anotando as observações, dificuldades, referências e aplicações possíveis, o que pode ajudá-lo no esboço final. 3 – Leia uma terceira vez, procurando descobrir a autoria, a data em que foi escrito, onde foi escrito, para quem foi escrito e por quem foi escrito. Procure descobrir também o estado emocional do autor (irado, triste, feliz, preocupado, etc.), quais são os principais personagens e quais regiões geográficas são mencionadas no livro. 4 – Veja o pano de fundo, em que circunstâncias a carta ou livro foi escrito. 5 – Qual era o objetivo da carta? É importante buscar perceber a categoria do livro (história, poesia, biografia, lei, profecia ou carta), enfatizando palavras-chaves, que são as palavras importantes ou mais repetidas pelo autor. 6 – Qual era o momento histórico? 7 – Descreva a visão panorâmica. 8 – Faça um esboço, pois com o conhecimento adquirido através dos itens an- teriores, o estudante estará preparado para fazer um esboço do que se trata o livro co- mo um todo. Porém estudar o livro não se trata apenas de se familiarizar com ele, mas, 17 colocar em prática e fazer uma aplicação pessoal de alguma revelação recebida en- quanto estudava, sempre buscando compartilhar isso com alguém. 3.2. O Método Analítico: É o contraponto do Método Sintético, pois exige uma pesquisa detalhada do li- vro ou parte dele, analisando a sua estrutura gramatical e a partir disto estabelece um esboço pormenorizado que expresse com o máximo de exatidão possível o significado dessa estrutura. O método analítico está diretamente ligado a terceira regra da herme- nêutica, e deseja contribuir com o trabalho do hermeneuta. Trata-se do exame cuidado- so do capítulo ou passagem bíblica em foco. Analisar a Bíblia é estudar o objeto do ca- pítulo ou passagem bíblica em seus pormenores, tendo o cuidado de anotar até os mais minúsculos aspectos, é este o objetivo do estudo analítico da Bíblia, não obstante, ser detalhista. Com ele procuramos examinar cuidadosa e completamente uma passagem bíblica. O propósito é compreender o que o hagiógrafo tinha em mente quando escre- veu àqueles a quem se dirigia. Segundo HENRICHSEN (1993, p. 21), o estudo analítico da Bíblia é o “feijão com arroz” do estudo da Escritura, pois mesmo que avencem os anos, sempre se esta- rá apoiado nele como o sustentáculo do seu programa de estudo da Bíblia, por ser bá- sico para o completo conhecimento da Palavra, permitindo ao estudante deparar-se com o porquê o escritor disse do modo como o disse. Na abordagem analítica se estu- da o conteúdo de cada livro. O estudo analítico da Bíblia é o momento exaustivo do es- tudo da santa palavra de Deus. O objetivo deste método é reconstruir tão claramente quanto possível o pensamento original do autor. Este método examina tudo como por um microscópio. Usando a ilustração de uma biblioteca, na abordagem analítica você estuda o conteúdo de cada livro. Regras Para Método Analítico 01. Leia a passagem cuidadosamente (03 vezes) e aplique as quatro regras: observação, interpretação, correlação e aplicação. 02. Bombardeia a passagem com perguntas como: Quem? Quê? Onde? Quando? Por quê? Como? 18 03. Divida o capítulo em tópicos, pois há muitos capítulos que contam várias histórias, parábolas, profecias, etc., como o caso de Mateus 13 que contém a parábola do semeador; a parábola do trigo e do joio; as parábolas do grão de mostarda e do fer- mento; e as parábolas do tesouro escondido, da pérola e da rede. 04. Anote as palavras chaves. 05. Descubra o pensamento-chave de cada versículo que é de extrema impor- tância para fazer uma sólida e correta interpretação do texto. 06. Delimite os assuntos que o pensamento chave está expressando e faça um sumário destes assuntos. Quando descobrir a idéia central do capítulo, leia-o mais uma vez e reescreva o capítulo com suas próprias palavras, acrescentando suas observa- ções, interpretações e descobertas, o que enriquecerá o conhecimento e possibilitará se aprofundar em algo específico que lhe interessou no texto. 07. Descubra a idéia eixo dos resultados acima e destile esta idéia em uma sentença. 08. Correlacione com outros capítulos ou passagens, como no caso de um es- tudo sobre cura, podendo se correlacionar a cura dos 10 leprosos (Lc 17:11-19), com a cura da mulher que tinha um fluxo de sangue (Mt 9:18-22) e a cura do cego de Jericó (Mc 10:46-52). 09. Faça uma aplicação pessoal, pois não basta só aprender, mas sim praticar o que aprendeu. 3.3. Método indutivo Caso haja um desejo intrínseco do leitor para entender a Palavra de Deus por si mesmo, analisando-a dentro de suas próprias possibilidades hermenêuticas, se habi- ta o sentimento de fazer algo mais além de simplesmente ler a Bíblia ano após ano e supostamente interpretá-la de acordo com os comentários de outras pensadores. Este é o método certo para o trabalhador intelectual. Segundo CAPELETTO (2010, p. 57), o método indutivo tem como objetivo “induzir” o leitor a interagir profundamente com as Escrituras, adquirindo um conhecimento detalhado, através da análise de parte por par- te e versículo por versículo com paciência, absorvendo o máximo de cada texto. Esse método foi elaborado para aqueles que não se contentam em simplesmente ler a Bíblia, 19 dia após dia, mas que buscam sentidos e explicações em cada palavra, letra, vírgula ou acento do texto a ser estudado. O método indutivo de estudo da Bíblia é o único do gênero, pois foi concebido para que o leitor tenha uma interação profunda com a Palavra de Deus. Com o método indutivo, você mesmo será o autor das notas de estudo. Imagine a terra de Israel, mas ao invés de estar desfrutandoa beleza de sua criação, você está apenas olhando para um cartão postal e dizendo: Ah! Agora eu conheço a terra de Israel. Por incrível que pareça é desta maneira que muitas pessoas estudam a palavra de Deus. Elas lêem comentários, estudam artigos, consultam especialistas, quando poderiam estar explo- rando as Escrituras por si mesmas, aprendendo com entusiasmo de uma forma tal, que mudaria suas vidas. O método indutivo proporciona este deleite. É um método de estu- do pessoal, que tem como objetivo desenvolver o aprendizado de uma maneira eficaz e profunda, fazendo o amante da palavra discernir o significado de tudo aquilo que se está estudando, com o objetivo claro de poder aplicar a sua própria vida. Se você quer conhecer a Deus tendo um relacionamento profundo e significati- vo com Jesus Cristo, e quer viver uma vida cristã com fidelidade, sabendo o que Deus quer para sua vida, você precisa mais do que ler a Bíblia ou estudar o que outra pessoa tem a dizer sobre ela. É mister interagir com a santa palavra de Deus pessoalmente, absorvendo a sua mensagem e permitindo que Deus possa gravar as suas verdades em seu coração, em sua mente e em sua vida. O objetivo principal do método indutivo de estudo bíblico é conhecer a verdade pessoalmente, discernindo o que ela significa e aplicando esta verdade a vida do indivíduo. Características do Método Indutivo - Convite à Ação: Dê instruções específicas sobre cada livro da Bíblia. Ao se- gui-las, você entrará diretamente no processo do estudo indutivo. - Convite à Reflexão: Faça ao texto perguntas que o levarão a pensar com pro- fundidade, colocando-o em contato com as principais verdades e ensinos de cada livro. - Visão Panorâmica: Faça sempre o resumo esboçado que o ajudará a memo- rizar o tema, o propósito e a estrutura de cada livro. - Mapas e Quadros Históricos: Consulte estes subsídios para o estudo bíblico. 20 - Notas: Relacione fatos interessantes acerca da história, da cultura, dos rela- cionamentos familiares e dos costumes nos tempos bíblicos. - Quadros temáticos: Elabore-os com o objetivo de proporcionar uma visão mais abrangente da Palavra de Deus. - Ilustrações, Cronografias e Mapas: Você poderá criar diversos recursos visu- ais para uma compreensão mais rápida dos principais acontecimentos históricos e da vida espiritual do povo escolhido de Deus, no contexto da história do mundo. 3.4. Método de Análise do Versículo A base da reflexão hermenêutica busca pressuposto neste método. É o estudo de um só versículo da Bíblia com referência ao seu contexto imediato. A derrocada hermenêutica e exegética da contemporaneidade se explica na ausência ou subtração da aplicação deste método. È improvável conquistar entendimento aprofundado e profí- cuo, sem observar com atenção este método. O método de estudo bíblico pela análise do versículo é o estudo mais simples, e é visto com bons olhos pela hermenêutica, pois estabelece uma linha de pensamento sobre um único versículo, considerando o seu contexto imediato, o que nos remete à segunda e terceira regras da hermenêutica. Mas, não se deixe enganar por sua simpli- cidade. É um método de estudo bíblico extremamente proveitoso e recompensador, é um esplêndido lugar para começar. Muitos acadêmicos entenderam ser gratificante es- se tipo de estudo, e retornam constantemente a ele em busca de alívio para suas almas. O estudo bíblico é apenas um método de focagem escriturística. É mister, de- dicar-se também a um programa de leitura da Bíblia. Idealmente, é desse programa de leitura que haverá o despertamento do versículo que será estudado. Na margem da sua Bíblia, ou numa folha de papel aparte, se preferir, anote os possíveis versículos para estudo. Quando estiver pronto para iniciar o seu estudo, escolha dessas possibilidades aquela em que quer concentrar-se. Talvez queira considerar a possibilidade de decorar o versículo. Esta combinação no estudo da Bíblia é muito eficaz. Regras Para Método de Análise do Versículo 1 – Escolha o versículo através de um plano de leitura. 21 2 – Delimite o contexto. 3 – Aplique as quatro regras básicas. 4 – Resuma cada um dos versículos com suas palavras. 5 – Escolha a aplicação mais viável. 6 – Descubra a idéia eixo da passagem. 7 – Numa sentença escreva a essência da passagem. 8 – Escolha um título para a passagem. Este método torna fácil o aprendizado diário da Bíblia em um pouco por dia, permitirá estabelecer um vínculo de compromisso como Deus, pois quando se estuda um versículo, deve-se buscar medita-lo durante todo o dia, sempre o trazendo à memó- ria e tomando posse das bênçãos, correções e reflexões que as palavras transmitem. É um método ótimo para os momentos de evangelização, quando surge uma pergunta ou alguém espera por alguma palavra de consolo. 3.5. O Método Morfológico Tendo em vista que o significado de uma palavra, muitas vezes, vai além da nossa compreensão de quando simplesmente a lemos, o método morfológico ajuda a desvendar as facetas atrás de cada palavra de uma maneira enriquecedora e esplêndi- da, ampliando nossa visão quanto à interpretação bíblica. Este método tem por objetivo analisar minuciosamente a origem, definição e ocorrências de determinadas palavras da Bíblia, e descobrir o que o autor quis transmitir quando o empregou no contexto. É de extrema importância ter a compreensão exata dos significados das palavras para que possamos entender as verdades transmitidas por Deus a nós. A Bíblia foi originalmente escrita em hebraico, aramaico e grego, e por se tratar de idiomas diferentes ao nosso, a tradução, o significado das palavras nem sempre é exato a esses idiomas, sendo às vezes necessário usar várias palavras para conseguir chegar perto da tradução de uma única palavra no original. Pode acontecer de várias palavras gregas serem traduzidas para uma só em português, ou uma palavra grega ser traduzida para várias palavras no nosso idioma, ou uma palavra original ser traduzi- da numa frase inteira em português. Ao utilizar este método deve se ter em mente que o estudo deve se apoiar no significado original da palavra, e sua análise firmada no 22 contexto do versículo, parágrafo e capítulo, para se obter uma interpretação perfeita do que a Bíblia realmente revela. Isto requer mais materiais de apoio párea consulta e in- vestigação da palavra, como: Bíblias de estudo; Bíblias de várias traduções, concor- dância exaustiva, dicionário bíblico e comum, enciclopédia bíblica e livro com estudo de palavras. Regras para um estudo morfológico: 1. Escolha da palavra que se pretende estudar, através de um versículo que lhe chamou a atenção; 2. Busque seu significado na língua portuguesa com a ajuda de um dicionário comum, e não se esqueça de anotar todos os sinônimos; 3. Ao definir o significado da palavra compare com as outras traduções da bí- blia para ampliar a compreensão; 4. Descubra o significado da palavra no original (hebraico, aramaico ou grego); 5. Analise como a palavra foi empregada no contexto da passagem para um melhor entendimento; 6. Descubra outras ocorrências da palavra na Bíblia com a ajuda da concor- dância bíblica; 7. Escreva como pode fazer uso do que aprendeu na aplicação pessoal. 3.6. O Método Temático O estudo dos temas bíblicos é de extrema importância para os que gostam de se aprofundar num assunto específico e que pode ser utilizado na formulação de ser- mões ou mesmo para uma aula da escola bíblica. Esse método solicita a centralização do estudo somente em passagens da Bíblia que dizem respeito ao tema solicitado, ou seja, não está ligadoao texto, mas ao assunto do texto. Procura no texto as referências a um determinado tópico, formando um ensino unificado deste tema, pro exemplo: amor, liberdade, justificação. É a investigação sobre um tema escolhido, em toda a Bíblia ou numa porção dela. Irmã da hermenêutica temática, não está ligada diretamente ao texto, mas ao assunto do texto. 23 Na Epístola aos Romanos, Paulo apresenta certo número de temas diferentes, e os une, tecendo com eles a mensagem que quer transmitir. Exemplos desses temas são: a fé, a graça, a justificação, o Espírito Santo, e o pecado. O tratamento que dá a cada um desses temas não é completo, mas nos dá algum discernimento sobre o que Deus entende deles. Isto acontece com todos os hagiógrafos da Bíblia. Cada um deles toca numa porção de temas ao desenvolver o seu assunto. No método temático de estudar a Bíblia, imergiremos em busca de um tema escolhido através da Bíblia. A que profundidade se chegará nesse estudo, dependerá do tempo de investimento e do objetivo global. Após escolher um tema para estudar, será mister pesquisá-lo na Bíblia toda. No entanto, quanto maior for o tema, mais estrei- to terá de ser o estudo. Por exemplo, estudar o pecado na Bíblia, seria demasiadamen- te cansativo, por isso torna-se necessário estreitá-lo, como por exemplo, o ensino de João sobre o pecado em sua primeira carta. É um método simples, que tem o objetivo de estudar um tema bíblico, tendo como base as perguntas referentes ao que será estudado: O quê? Por quê? Quando? Como? Onde? Quem? Não há necessidade de usar todos esses questionamentos ou nessa mesma ordem, podendo ser utilizados os que forem compatíveis com o assunto, mesmo que se repitam. Porém não convém que se façam tantas perguntas, pois o es- tudo pode se tornar maçante e cansativo, fazendo-o desanimar. Procure limitar-se ao máximo de cinco questões. Regras Para Método Temático 1 - Escolha o tema que pretende pesquisar. 2 – Faça uma lista de outros textos ou versículos (referências bíblicas) que a- bordam o mesmo assunto. 3 – Faça cinco perguntas sobre o tema e responda cada uma baseando-se nas informações colhidas nas referências bíblicas encontradas. 4 – Elabore um resumo geral. 5 – Estabeleça pontos importantes para uma aplicação pessoal. 3.7. O Método Biográfico 24 Com base nas indicações encontradas no próprio livro, produz-se um quadro do autor e seu público alvo, interpretando o contexto à luz destes personagens. O estu- do biográfico, pesquisa sobre o caráter dos personagens bíblicos. Esta espécie de es- tudo bíblico é vibrante, pois proporciona a oportunidade de sondar o caráter dos perso- nagens, que estão na Bíblia, e de aprender com suas vidas. O objetivo é compreender hermeneuticamente a biografia dos personagens bí- blicos, a fim de, entendê-los com maior profundidade. Quando você estuda pessoas como Abraão e Moisés, notará a necessidade de restringir o estudo a áreas como: “O que diz o novo testamento sobre Abraão" e, “Moisés durante o êxodo". Lute sempre para manter os seus estudos bíblicos em tamanho manejável. No estudo da Bíblia pelo método biográfico, estão incluídos os seguintes ele- mentos ou Tipos de biografias: - Narrativas simples. A escritura contém informações biográficas por causa dos propósitos específicos dos seus autores. A primeira razão é de simplesmente dar uma lista de fatos para fins de registro. Isto é chamado de narrativa simples. É uma simples narrativa de fatos históricos. Esse tipo de informação biográfica é comum, e, pode ser encontrada nas escrituras e pode ser estudada com referência a muitos per- sonagens bíblicos, dos mais diferentes tipos. - Exposição narrativa. A segunda razão pela qual o escritor da Bíblia inclui in- formações biográficas em seus livros é para usar as narrativas (a história de uma pes- soa) como meio de ensinar uma lição histórica. Neste caso, os fatos vão além do sim- ples registro. Eles aí estão para ensinar. - Exposição do caráter. Neste caso, o interesse principal do autor é apresen- tar os fatos em relação ao progresso espiritual e o caráter da pessoa que está sendo estudada. - Argumentação. A quarta razão é (menos usada) para um escritor bíblico in- cluir informações biográficas na escritura, é para provar um ponto de vista. Deste modo, os fatos da vida do indivíduo são usados para convencer alguém de alguma coisa. O- casionalmente perceberemos esse objetivo nos evangelhos referentes à vida de Jesus, ou nos escritos do apóstolo Paulo. 25 Regras Para Método Biográfico 1 – Escolha o personagem que você quer estudar e estabeleça os limites do estudo, por exemplo: “A vida de Davi, antes de tornar-se rei”. 2 – Localize todas as referências que relatam o personagem e resuma em uma sentença cada uma delas. 3 - Descubra e anote: Quem era? O que fazia? Onde morava? Quando viveu? Por que fez e o que fez? Qual o seu caráter? Qual sua importância na história? Onde nasceu? Quem foram seus pais? Qual sua vocação? Era casado? Com quem? Teve filhos? Como eram? Como o personagem morreu? 4 – Escreva um breve esboço da vida do personagem. Inclua os acontecimen- tos e características importantes, declarando os fatos, sem interpretação. Se possível mantenha o material em ordem cronológica. 5 – Registre a virtude e as fraquezas do personagem. 6 – Escolha o versículo-chave para a vida do personagem. 7 – Resuma a vida do personagem em uma sentença (pode ser positiva ou ne- gativa). 3.8. O Método Histórico: Neste método, procura-se reproduzir o pano de fundo histórico e geográfico do livro, relacionando como estas coisas afetam sua interpretação. Posto que os livros da Bíblia foram escritos dentro de um contexto histórico, e dado que estes livros foram diri- gidos a pessoas que viveram em situações históricas concretas, torna-se imperativo estudarmos o sentido histórico do livro para podermos compreender a mensagem do autor. A interpretação de uma peça literária depende do seu fundo histórico. As alusões a fatos contemporâneos, lugares, tendências, movimentos em questões do dia em que foi escrita, devem aplicar-se sempre de uma forma que ilumine claramente o pensa- mento do escritor. Só é possível obter uma perspectiva verdadeira do seu significado e ensinamento a luz do contexto, que, neste caso, é a situação que o produziu. A herme- nêutica, embargada pela terceira regra aprofundará suas considerações, tendo o auxílio deste método. 26 O estudo da Bíblia pelo método histórico é, essencialmente, o descobrimento do fundo histórico de um livro em sua forma mais ampla. Para ter êxito num estudo dessa natureza, o estudioso da Bíblia deverá adotar o seguinte procedimento: a - Começar a sua investigação num livro específico, escolhido para o estudo. b - Mediante o uso de uma concordância bíblica, buscar os dados correspon- dentes ao fundo histórico noutros livros da Bíblia que tenham relação com o livro texto por você escolhido. O estudo da Bíblia pelo método histórico pode aplicar-se a dois diferentes tipos de estudo: o estudo do livro inteiro e o estudo de um fato histórico distinto. O fundo his- tórico de um livro bíblico pode ser achado quando detectados os seguintes elementos: data; lugar; ocasião do escritor; escritor e sua identidade; os destinatários e suas carac- terísticas e problemas; os costumes contemporâneos; a literatura contemporânea; as crenças e religiões no tempo em que o livro foi escrito; meio ambiente social, político, geográfico e espiritual do escritor, dos destinatários da obra e dos personagens nela citados. 3.9. O Método Teológico: A mensagem do livrose manifesta através das doutrinas nele encontrada, de maneira que enfatiza seu aspecto espiritual. A Bíblia é nossa fonte de conhecimento teológico. Em alguns de seus livros o ensinamento doutrinário se encontra de forma implícita, enquanto que em outros de forma explícita. Há livros do Novo testamento, especialmente algumas das epístolas de Paulo, onde o principal objetivo é transmitir ensinamento teológico. Apesar de a Bíblia estar cheia de ensinamentos teológicos, poucas vezes eles são encontrados registrados numa forma sistemática. Sistematizar a doutrina bíblica é um privilégio do estudante da Bíblia. Teologia é o estudo da revelação que Deus fez a respeito de si mesmo, de sua relação com a criação e principalmente com o homem. O livro fonte deste estudo é a Bíblia Sagrada. A teologia procura tirar decisões sobre vários tópicos, amplos e impor- tantes, presentes na Bíblia. A que se assemelha Deus? Qual é a natureza do homem? Qual é a doutrina da salvação realmente válida? São estes os tipos de assuntos de que 27 trata a teologia bíblica. Os princípios teológicos são aquelas amplas regras que tratam da formulação da sã doutrina cristã: Condições Para o Método Teológico 1 - O estudo bíblico pelo método teológico pode definir-se como o processo de investigar um livro individual da Bíblia, um tema doutrinário específico, ou a Bíblia em geral, para reunir, comparar e organizar as declarações doutrinárias. 2 - O estudo teológico de um livro da Bíblia visa encontrar e considerar o mate- rial teológico implícito ou explícito nele. Consiste em salientar e determinar a mensagem teológica principal. 3 - O estudo teológico de um tema doutrinário bíblico pode ser estudado como: Uma palavra (Ex: graça, lei, amor, vida, fé, pecado, etc.) ou um elemento teológico (Ex: O espírito Santo no livro de Atos, Cristo numa epístola de Paulo, a segunda vinda de Cristo em 2º Tessalonicenses.) 4 - O estudo teológico da Bíblia toda, requer uma sistematização geral e em sequência de cada livro, abordando sistematicamente o assunto objeto do estudo. Regras Para Método Teológico 1ª. Regra: É necessário compreender gramaticamente a Bíblia, antes de com- preendê-la teologicamente. 2ª. Regra: Uma doutrina não pode ser considerada bíblica, a não ser que re- suma e inclua tudo o que a escritura diz sobre ela. 3ª. Regra: Quando parecer que duas doutrinas ensinadas na Bíblia são contra- ditórias, aceite ambas como escriturísticas, crendo confiantemente que elas se explica- rão dentro de uma unidade mais elevada. 4ª. Regra: Um ensinamento simplesmente implícito na escritura pode ser con- siderado bíblico quando uma comparação de passagens correlatas o apóia. 3.10. O Método Retórico: Este método enfatiza as questões lingüísticas destacando o emprego sintático das frases, bem como as figuras de linguagem utilizada pelo autor para transmitir seus 28 princípios doutrinários. A análise retórica considera os textos bíblicos como textos per- suasivos, que são formados por 3 elementos: o orador, o discurso e o público. Aplica- dos à Bíblia esses três personagens são, respectivamente, o autor, o texto e o destina- tário. Esse método presta atenção em três elementos de persuasão do discurso: a auto- ridade do orador, as argumentações do discurso e as reações que este provoca no pú- blico. Para melhor apurar os textos e suas mensagens, se estudam os diferentes estilos de discurso existentes na literatura, seja bíblica que extra-bíblica. 3.11. O Método Devocional: O propósito central é a aplicação do texto à vida pessoal do leitor. Este é o mé- todo mais popular e leigo, usado e abusado pelos pregadores mais simplórios. Os vá- rios métodos de estudo da Bíblia abordados ao longo deste estudo, sem dúvida, muito ajudará a compreender o material bíblico e a mensagem que Deus quer nos comunicar através da Sua Palavra. Porém, podemos ir mais além, concluindo com a abordagem do estudo bíblico pelo método Devocional. Todos os métodos estudados são de grande importância para o estudo bíblico efetivo, porém, "o âncora de todo estudo é o método devocional, pelo qual as verdades reveladas por meio dos vários métodos, aplicam-se às necessidades do crente em particular.” Noutras palavras, o método devocional "per- sonaliza" o estudo bíblico. O método devocional de estudo da Bíblia permite certo grau de flexibilidade, podendo aplicar-se a uma só palavra, uma frase, versículo, capítulo, ou livro inteiro da Bíblia. Desenvolvimento Deste Método -Paráfrase – Transcrever com novas palavras a idéia central de um texto. -Integralização – Acrescentar aspectos relevantes e expressar uma opinião pessoal. -Problemas pessoais – Consiste em um exercício de redação, transcrever os desacertos. -Decisões pessoais – É a explicação reprodutiva de um texto. 29 3.12. Método Gramático-Histórico No decorrer da história da hermenêutica, muitos métodos de interpretação fo- ram criados, visando facilitar a compreensão do texto sagrado. Destacando-se entre os demais, temos o método gramático-histórico, que acredito ser o mais eficaz na compre- ensão da santa palavra. Este método acredita na inerrância da Bíblia e, portanto aceita sua historicidade e veracidade, ele procura entender sua mensagem à época e aplicá-la aos nossos dias. Uma derrocada dos métodos interpretativos é mais do que certo, enquanto ou- tros coadunam com a efemeridade dos seus hagiógrafos. Diante de tentativas interpre- tativas e boa vontade, as impropriedades teológicas não são poucas. O método gramá- tico-histórico, cujos pressupostos e procedimentos interpretativos básicos, estão alicer- çados num fundamento imutável, preserva a sua contemporaneidade. O método gramático-histórico é imperativo na tentativa de compreender os da- dos bíblicos por meio de considerações metodológicas derivadas somente das Escritu- ras. Este método objetiva deixar extrínseco o significado correto das Escrituras que Deus planejou comunicar, sendo plenamente compreendido pelo autor humano e seus contemporâneos ou não. Este método é fundamentado em alguns pressupostos neces- sários. Pressupostos básicos do método gramático-histórico: 1) Somente a Bíblia: A autoridade e a unidade das Escrituras são tais que a Escritura é a norma final com respeito ao conteúdo e ao método de interpretação. 2) A Bíblia é a autoridade suprema e não está sujeita ao princípio da crítica. Os dados bíblicos são aceitos com seu valor de face e não estão sujeitos a uma norma ex- terna para determinar confiabilidade, adequação, inteligibilidade. 3) Rejeição do princípio da analogia, pois se admite a atividade singular de Deus, descrita na Escritura e no processo de formação da Escritura. 4) Rejeição do princípio da correlação, pois admitimos a intervenção divina na história como descrita na Escritura. 30 5) Unidade da Escritura. Uma vez que os diversos autores foram guiados por um único autor divino, a Escritura pode ser comparada com Escritura para formular dou- trina. 6) Natureza transtemporal da Escritura. Deus fala através do profeta para uma cultura específica, contudo a mensagem transcende os condicionamentos culturais co- mo verdade eterna. 7) O elemento divino e humano das Escrituras não pode ser separado. Procedimentos Hermenêuticos Básicos do método gramático-histórico: 1) Contexto Histórico. Tentativa de compreender o pano de fundo histórico con- temporâneo no qual Deus se revelou. 2) Análise literária. Exame das características literárias do material bíblico em sua forma canônica. 3) Análise teológica dos livros bíblicos. Um estudo da ênfaseteológica de cada hagiógrafo da Bíblia, examinado no contexto mais amplo da unidade de toda a Escritura. Isto permite que a Bíblia seja sua própria intérprete e as várias ênfases teológicas este- jam em harmonia umas com as outras. 4) Análise diacrônica. É a tentativa de traçar o desenvolvimento dos vários te- mas e motivos cronologicamente através da Bíblia em sua forma canônica. Tal análise metodológica pressupõe uma noção bíblica da revelação, segundo a qual Deus progressivamente concedeu mais luz às gerações posteriores sem contra- dizer a revelação anteriormente concedida, tendo Cristo como ápice desta Revelação. O entendimento da revelação, somente poderá ser esclarecido através de um método funcional. Portanto, a escolha do método é fundamental para uma salutar hermenêutica. CONCLUSÃO Partindo do pressuposto de que a Bíblia revela como Deus se agrada daqueles que buscam a sabedoria em Sua palavra e que através dela o Senhor Deus instrui em como se deve agir, pensar e falar e mostra a grandeza de seu poder, o estudante hu- milde tem que ter um coração aberto para receber exatamente o que Deus quer lhe en- sinar. Não deve ler a Bíblia simplesmente como se estivesse lendo um jornal, e não de- 31 ve procurar nela suas próprias ideias, mas as ideias de Deus. Para que haja uma medi- tação eficaz, o estudante da Palavra deve procurar um lugar tranqüilo e livre de inter- rupções, escolhendo trechos curtos ou versículos isolados, ler várias vezes em um de- terminado tempo e pensar no que leu durante todo o dia, realizando anotações do que entendeu. Há uma prática muito ruim no meio evangélico de se ler ou estudar a Bíblia de forma retalhada, usando poucos versículos ou até mesmo um único versículo e imedia- tamente aplica o que ela entendeu, resultando em toda sorte de esquizofrenia interpre- tativa e tem distorcido completamente o sentido real dos textos bíblicos. Essa tática não mudou através dos séculos, pois, assim como Satanás apresentou falsamente as Escri- turas a Cristo, o crente dos dias atuais pode estar certo de que a mesma coisa lhe a- contece. Uma real necessidade para o tempo atual é a verdadeira abordagem da inter- pretação bíblica, pois precisamos de um alimento sólido e não de simples migalhas. É preciso aprender a arte de mastigar a Palavra e não apenas ficar sugando mamadeiras, que são para os recém nascidos na fé. Partindo do pressuposto de que a Escritura Sa- grada é uma necessidade vital e não um deleite especulativo somente, entende-se que a interpretação da Bíblia é requisito indispensável para o crescimento na vida cristã. Nem todo mau uso da Palavra pode ser atribuído a um ataque movido por Sa- tanás, mesmo na ilustração acima referenciada, mas fica clara a necessidade de a- prender a usar com cuidado as Escrituras. O cristão deve, não somente conhecer de perto as regras de interpretação, como aplicar essas regras ao hábito de estudo da Bí- blia, hábito que dure toda a vida. Para que isso seja possível, faz-se necessário conhe- cer os métodos usados para um excelente estudo bíblico. A fim de que se possa tirar proveito máximo do texto bíblico é necessário antes de qualquer coisa respeitá-lo. Como foi analisado, há vários métodos que podem e devem ser utilizados para se extrair a mensagem correta de um determinado livro da Bíblia: o Método Sintético, o Método Crítico, o Método Biográfico, o Método Histórico, o Método Teológico, o Método Retórico, o Método por Tópicos ou Temático, o Método Analítico, o Método Devocional, o Método Indutivo, o Método de Análise do Versículo e o Método Gramático-Histórico. 32 Porém, uma coisa deve ficar bem esclarecida: estes métodos não são propria- mente “regras” de Estudo da Bíblia, mas são linhas de orientação que, caso seguidas, melhorarão o estudo das Escrituras. Há diferença entre fazer estudo monótono e pro- fundo da Bíblia e estudar a Bíblia de modo estimulante e que transforma a vida. Cada um destes métodos tem seu valor próprio e produz os efeitos que lhe são peculiares. O ideal, porém, para quem deseja extrair a mensagem mais fidedigna dos textos bíblicos é a junção destes diversos métodos, aproveitando o que cada um tem de melhor. BIBLIOGRAFIA BEZERRA, Cícero Manoel. Homilética. Curitiba: SGEC/IEQ, 2010 BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada – Tradução de João Ferreira de Almeida – Edição Revista e Corrigida. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2001. ________________. Bíblia Sagrada – Tradução de João Ferreira de Almeida – Edição Revista e Atualizada. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2010. ________________. Bíblia Sagrada – Versão Vulgata. Tradução Pe. Matos Soares. 45ª Edição. São Paulo: Edições Paulinas, 1988. ________________. Bíblia Sagrada de Referência Thompson com versículos e ca- deia temática – Edição Contemporânea da Tradução de João Ferreira de Almeida – Cadeia Temática por Frank Charles Thompson. 8ª Edição. São Paulo: Editora Vida, 1998. BRAGA, JAMES. Como Preparar Mensagens Bíblicas. 6ª impressão. Deerfield, Flóri- da: Editora Vida, 1991. CAPELETTO, Aline Puche. Métodos de Estudo Bíblicos. Curitiba: SGEC/IEQ, 2010. CONTU, Lécio. Hermenêutica. Curitiba: SGEC/IEQ, 2010. HAWKINS, THOMAS. 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