Tbl 3- hormônios da tireoide e UCP
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Tbl 3- hormônios da tireoide e UCP


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Tbl 3- Hormônios da tireoide e UCP
Luana Mascarenhas
Tireotrofos: regulam a função da tireoide secretando o hormônio TSH (tireotrofina) como parte do eixo hipotálamo-hipofise-tireoide.
- O TSH é um dos três hormônios glicoproteicos hipofisário que também incluem FSH e LH.
- O TSH possui duas subunidades: uma subunidade alfa que é comum para o TSH, FSH e LH e uma subunidade beta que é específica. A glicosilação das subunidades aumenta sua estabilidade na circulação e potencializa a afinidade e a especificidade dos hormônios por seus receptores. O TSH se liga ao receptor nas células de folículo da tireoide. Além disso, ele estimula a hipertrofia, hiperplasia e a sobrevida das células epiteliais da tireoide. 
OBS: O iodo é essencial para a síntese dos hormônios tireoidianos, então em regiões com carência de iodo, o TSH aumenta, devido a ausência do feedback negativo por parte da tireoide. Níveis elevados de iodo podem produzir o crescimento da tireoide (o bócio).
- O tireotrofo hipofisário é estimulado pelo hormônio liberador de tireotrofina (TRH), o qual é produzido nos neurônios parvocelulares do hipotálamo. Esse TRH é sintetizado como um pró hormônio. O TRH é liberado principalmente devido o ritmo diurno, além do estresse (inibindo sua secreção). 
- A triiodotironina (t3) e tiroxina (t4) fazem retroalimentação negativa tanto nos tireotrofos hipofisário, quanto nos neurônios produtores de TRH.
Anatomia e histologia da tireoide:
A glândula tireoide é composta pelos lobos direito e esquerdo, que ficam situados anteriormente à traqueia. Os dois lobos são conectados por um istmo. A glândula é drenada por três veias: tireóidea superior, média e inferior, já a arterial fica por conta da artéria tireoide superior e inferior. A inervação é simpática (vasomotora), mas não secretomotora.
A unidade funcional é o folículo tireoidiano. A luz do folículo é preenchida com coloide, que é composto por tireoglobulina. Essa proteína é secretada na luz e iodada pelas células epiteliais da tireoide, servindo de arcabouço para produção dos hormônios tireoidianos. A glândula tireoide possui outro tipo de célula, além das foliculares. Dispersas no interior da glândula estão as células parafoliculares ou células C, que são fonte do hormônio polipeptídico calcitonina. 
Produção dos hormônios tireoidianos:
Os produtos de secreção da glândula tireoide são as iodotironinas, as quais são 90% T4 e 10% T3 (forma ativa do hormônio tireoidiano). Temos ainda a T3 reversa que é inativa.
Uma vez que o produto final da glândula tireoide é o T4, porém a forma ativa é o T3, o eixo tireoide depende intensamente da conversão periférica por meio de desiodases específicas. A maior parte da conversão de T4 em T3 é pela desiodase tipo 1 que ocorre nos tecidos com alto fluxo sanguíneo, como fígado e rins. 
OBS: No hipertireoidismo os níveis de D1 aumentam e contribuem para elevação dos níveis de T3.
OBS1: Importante: O encéfalo mantem níveis intracelulares constantes de T3 por meio da desiodase chamada tipo 2, a qual é expressa nas células da glia. O D2 também está presente nos tireotrofos hipofisário mediando a capacidade de retroalimentação de T4 circulante sobre a secreção do TSH. (No hipotireoidismo o nível de D2 aumenta, o que ajuda manter níveis constantes de T3 no encéfalo).
Também existe uma desiodase inativadora chamada de desiodase tipo 3, a qual converte T4 em T3 reverso inativo. (aumenta no hipertireoidismo, o que ajuda a amortecer a produção excessiva de T4). 
Equilíbrio do Iodeto:
O iodeto é concentrado ativamente na tireoide, glândula salivar, gástrica, lacrimal, mamaria e plexo coroide. De 80 microgramas de iodeto, 75% são secretados como hormônio tireoidiano e o restante como iodeto livre. A grande proporção de iodeto armazenado na forma de hormônio em relação à quantidade metabolizada diariamente protege contra a deficiência de iodeto por cerca de 2 meses.
Visão geral da síntese de hormônios tireoidianos:
Requer dois precursores: o iodeto e tireoglobulina. O iodeto é transportado pelas células da face basal (vascular) para a face apical (luminal folicular) do epitélio da tireoide. Já tireoglobulina é sintetizada e secretada pela membrana apical para a luz folicular. Logo, a síntese envolve um movimento de basal para apical.
A síntese do hormônio tireoidiano envolve a endocitose da tireoglobulina iodada e movimento apical para basal das vesículas endocitóticas que se fundem aos lisossomos. A tireoglobulina é degrada enzimaticamente pelas enzimas lisossomais, resultando na liberação de hormônios da tireoide. Por fim, os hormônios tireoidianos se movem pela membrana basolateral e depois para o sangue. Desse modo, a secreção envolve um movimento de apical para basal.
Síntese de iodotironinas em um arcabouço de tireoglobulina:
O iodeto é transportado ativamente para tireoide contra gradientes eletroquímicos por um simporter de sódio-iodeto (NIS), localizado na membrana basolateral das células epiteliais da tireoide. A força determinante para esse transportador ativo secundário é fornecida pela sódio/potássio atpase na membrana plasmática. A expressão do NIS é inibida pelo iodeto e estimulada por TSH. 
Após entrar na glândula o iodeto move-se rapidamente para a membrana plasmática apical das células epiteliais. Dali, o iodeto é transportado para a luz dos folículos por um transportador iodo/cloreto independente de sódio, chamado de pendrina. 
O iodeto é imediatamente oxidado e incorporado em resíduos de tirosina no interior da tireoglobulina. Uma iodação única fornece uma monoiodotirosina (MIT), uma segunda iodação fornece diiodotirosina (DIT). Após a iodação, duas moléculas de DIT são acopladas para formar T4 e uma de MIT e uma de DIT para formar T3. Toda a sequencia de reações é catalisada pela tireoide peroxidase. 
Secreção de hormônios tireoidianos:
Quando a tireoglobulina é iodada, ela é armazenada na luz do folículo como coloide. A liberação de T4 e T3 no sangue é iniciada por endocitose da forma coloide a partir da luz folicular pelos processos de macro e micropinocitose. As vesículas endocitóticas fundem-se então com lisossomos e a tireoglobulina é degradada. As moléculas de MIT e DIT, que também são liberadas durante a proteólise da tireoglobulina, são rapidamente desiodadas no interior da célula folicular pela enzima iodotirosina desiodase. O iodeto é então reciclado na síntese de T4 e T3 e esses são liberados enzimaticamente pelo lado basal da célula e entram no sangue.
Transporte e metabolismo dos hormônios tireoidianos:
T4 e T3 secretadas circulam no sangue ligado de modo quase completo a proteínas, a principal é a globulina de ligação a tiroxina, além da transtirretina (15%). T3 livre é biologicamente ativa e medeia os efeitos do hormônio tireoidiano sobre tecidos periféricos, além de exercer retroalimentação negativa sobre a hipófise e hipotálamo. 
OBS: TGB: Mantém um grande reservatório circulante de T4, capaz de tamponar qualquer alteração aguda da função da tireoide, além disso, a ligação de T4 e T3 plasmáticas a proteínas previne a perda dessas moléculas na urina e como consequência serve de reservatório de iodeto.
OBS1: Efeito de Wolff-Chaikoff: Quando a ingestão de iodeto está baixa, a taxa de hormônio tireoidiano diminui também. Porém, se a ingestão de iodeto ultrapassar 2mg/dia, a concentração intraglandular de iodeto ative um nível que suprime a atividade de TPO, bloqueando a biossíntese hormonal.
OBS2: Devido a sua capacidade de aprisionar e incorporar o iodo na tireoglobulina (chamada organificação), a atividade da tireoide pode ser avaliada por captação de iodo radioativo. Uma captação elevada indica hipertireoidismo. Uma captação baixa indica hipotireoidismo. 
Regulação da função da tireoide:
O regulador mais importante da função e do crescimento da tireoide é o eixo do hormônio liberador da tireoide-hormônio estimulante da tireoide. O TSH promove ações rápidas, como pinocitose de gotículas de coloide no citoplasma, que representam tireoglobulina no interior de vesículas