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Resumo 
Tetraciclinas e 
Anfenicóis 
Lucas Domingos Ribeiro 
Universidade de Itaúna (UIT) 
Revisor: Vinicius Jesus 
 
 
 
 
2 Resumo de Tetraciclinas e Anfenicóis 
 
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1. Introdução 
 
As classes de medicamentos a serem descritas (Tetraciclinas e Anfenicóis) 
constituem-se como agentes antimicrobianos que comprometem a síntese proteica 
bacteriana. 
 
2. Tetraciclinas 
 
Trata-se de uma classe de antibióticos de largo espectro e que já foram de 
grande uso na prática médica. Essa classe inclui a Tetraciclina (fármaco de mesmo do 
grupo que faz parte), a Clortetraciclina, a Oxitetraciclina, a Demeclociclina, a Limeciclina, 
a Doxiciclina e a Minociclina. 
 
ORIGEM E QUÍMICA 
 
A Clortetraciclina e a Oxitetraciclina são sintetizadas pelo Streptomyces 
aureofaciens e pelo Streptomyces rimosus, respectivamente. A Tetraciclina é um 
antibiótico semissintético produzido a partir da Clortetraciclina. A Demeclociclina é o 
produto de uma cepa mutante do S. aureofaciens. e a Metaciclina, a Doxiciclina e a 
Minociclina são todas derivadas semissintéticas. 
 
 
 
 
 
FÓRMULAS ESTRUTURAIS DAS TETRACICLINAS 
Imagem retirada do livro Goodman & Gilman: As Bases Farmacológicas Da Terapêutica – 12ª ed 
 
 
 
 
3 Resumo de Tetraciclinas e Anfenicóis 
 
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MECANISMO DE AÇÃO 
 
Após a captura pelos microrganismos sensíveis por transporte ativo, as 
Tetraciclinas atuam inibindo a síntese proteica. Elas se ligam ao ribossomo 30S das 
bactérias, impedindo o acesso do aminoacil-RNAt ao local receptor no RNAr. Em altas 
concentrações no organismo humano, esses compostos podem comprometer a síntese 
de proteínas das células dos mamíferos. Devido ao seu modus operandi, são 
consideradas como fármacos bacteriostáticos – ou seja, as bactérias deixam de crescer 
com a atuação do fármaco – e não como bactericidas. 
 
 
 
ESPECTRO ANTIBACTERIANO 
 
O espectro de atividade antimicrobiana das tetraciclinas é muito amplo e inclui 
bactérias gram-positivas e gram-negativas, espiroquetas, alguns protozoários (p.ex., 
ameba) e bactérias “atípicas”, como Mycoplasma, Rickettsia, Chlamydia spp e 
Imagem retirada do livro Farmacologia Básica E Clínica – Katzung – 12ª ed 
 
 
 
 
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Treponema. As tetraciclinas não são ativas contra fungos. A Clortetraciclina e a 
Oxitetraciclina são utilizadas em preparações farmacológicas. Já a Minociclina é efetiva 
contra a Neisseria meningitidis e tem sido usada para erradicação de tal bactéria da 
nasofaringe de seus portadores. 
 
 
 
 
 
 
 
ASPECTOS FARMACOCINÉTICOS 
 
Absorção: geralmente administradas por via oral, no entanto podem também 
ser administradas por via parenteral e até por via tópica. A absorção da maioria das 
preparações pelo intestino é irregular e incompleta, porém pode ser melhorada na 
ausência de alimentos. Como as tetraciclinas são quelantes de íons metálicos (cálcio, 
magnésio, ferro, alumínio) formando complexos não-absorvíveis, absorção será 
diminuída na presença de leite e derivados, certos antiácidos e preparações com ferro. 
A Minociclina e a Doxiciclina são completamente absorvidas; 
 
Distribuição: apesar de possuírem baixa penetração no sistema nervoso central 
(SNC), as tetraciclinas se distribuem amplamente por todo o organismo humano, 
atingindo diversos tecidos. Está presente em grandes quantidades nos pulmões, na bile, 
na sinóvia e no fígado. As tetraciclinas também atravessam a barreira fetoplacentária, 
penetrando na circulação fetal e no líquido amniótico. Encontram-se também elevadas 
concentrações do fármaco no leite materno; 
 
Excreção: a principal via de eliminação das tetraciclinas se dá por via renal, 
embora também se concentrem no fígado e possam ser eliminadas pela bile no 
intestino, havendo reabsorção pela recirculação entero-hepática. 
Tetraciclinas 
Mycobacterium 
Chlamydia 
 Mycoplasma 
 Treponema 
0 
USOS TERAPÊUTICOS 
 Infecção por riquétsias 
Infecção por micoplasmas 
Clamídias e ISTs 
Infecções do trato urinário 
Acne 
 
 
 
 
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ALGUNS EXEMPLARES 
 
Doxiciclina: tetraciclina disponível no SUS em unidades básicas de saúde, sendo 
a via oral a via de administração mais comum. Combate bactérias gram-positivas, gram-
negativas, hemófilos e algumas enterobactérias. Além disso, combate germes 
“atípicos”, como clamídias, micoplasmas, ureaplasmas, riquétsias, treponema e é 
fortemente utilizada contra a leptospira. Sua utilização se dá como alternativa à 
penicilina G benzatina para tratamento de sífilis. 
 
Tigeciclina: fármaco que possui espectro de ação semelhante à Doxiciclina. É 
administrado por via parenteral (intravenosa) e apresenta importante papel no 
tratamento de infecções profundas (possui excelente penetração no parênquima 
pulmonar). É uma tetraciclina sintética derivada das glicilciclinas. 
 
EFEITOS ADVERSOS 
Dentre os efeitos adversos mais comuns, temos: distúrbios gastrintestinais 
causados inicialmente por irritação direta e mais tardiamente pela modificação da 
microbiota intestinal. Pode ocorrer deficiência de vitaminas do complexo B, bem como 
superinfecção. 
Como elas quelam os íons Ca2+, as tetraciclinas são depositas nos ossos e dentes 
em crescimento, sobretudo em crianças com menos de 8 anos, causando manchas e, às 
vezes, hipoplasia dentária e deformidades ósseas. Portanto, não devem ser 
administradas a crianças, mulheres grávidas ou mães em períodos de amamentação. 
Outro risco para as mulheres grávidas é a hepatoxicidade. 
Altas doses de tetraciclinas podem diminuir a síntese proteica nas células 
hospedeiras (efeito antianabólico que pode resultar em lesão renal). Além disso, o 
tratamento a longo prazo pode causar alterações na medula óssea. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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RESUMÃO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3. Anfenicóis 
 
São antibióticos bacteriostáticos de amplo espectro de atividade, bastante 
semelhante ao das tetraciclinas, atuando contra bactérias gram-positivas, gram-
negativas, riquétsias, clamídias e micoplasmas. Apresenta o Cloranfenicol como 
protótipo da classe. Além disso, outro exemplar conhecido é o Tianfenicol. 
 
3.1 Cloranfenicol 
Foi um fármaco produzido a partir do Streptomyces venezuelae desde 1948. Por volta 
de 1950, tornou-se evidente por provocar discrasias sanguíneas graves e fatais. Desde 
então, seu uso foi restringido para a terapia de pacientes com infecções potencialmente 
graves, como tifo, febre tifoide e meningite e que não respondiam a outros fármacos 
antimicrobianos. 
 O cloranfenicol é um composto estável, 
neutro, solúvel em água, porém pouco solúvel 
em álcool. Possui a seguinte fórmula estrutural: 
 
 
Imagem retirada do livro Farmacologia Básica E Clínica – Katzung – 12ª ed 
Imagem retirada do fórum de física e matemática da UFPR (http://pir2.forumeiros.com/t100623-ufpr) 
 
 
 
 
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MECANISMO DE AÇÃO 
 
Esse fármaco realiza a inibição da síntese das proteínas bacterianas ao se ligar à 
subunidade 50S do ribossomo bacteriano. 
 
ESPECTRO ANTIBACTERIANO 
 
O Cloranfenicol apresenta amplo espectro de atividade antimicrobiana, incluindo 
microrganismos gram-positivos, gram-negativos e riquétsias. Ele é bacteriostático para 
a maioria dos microrganismos, porém destrói o H. influenzae, sendo um dos antibióticoscom melhor ação contra esse germe. 
 
MECANISMO DE RESISTÊNCIA 
 
Ocorre basicamente por duas vias: 
1. Inativação enzimática através de acetilação enzimática do antibiótico, devido à 
presença nos germes resistentes de cloranfenicol acetiltransferase; 
2. Diminuição da permeabilidade da droga aos ribossomos bacterianos. 
 
ASPECTOS FARMACOCINÉTICOS 
 
Administrado oralmente, o Cloranfenicol é rapidamente absorvido pelo trato 
gastrintestinal, alcançando concentrações máximas em 2-3h. Também pode ser 
administrado por via parenteral, tópica e ocular. Apresenta excelente penetração 
tecidual e nos líquidos corporais, sobretudo no SNC, ao atravessar a barreira 
hematoencefálica e se distribuir pelo líquor (LCR). Além disso, atravessa a barreira 
fetoplacentária, podendo causar efeitos tóxicos ao feto em gestantes. Possui alta 
biodisponibilidade tanto para a administração via oral (90%) quanto para a endovenosa 
(70%). No entanto, em tecido ósseo e em fetos, a penetração é comprometida. A 
excreção é feita por via renal. 
 
 
ALGUNS EXEMPLARES 
USOS TERAPÊUTICOS 
 
Infecção por riquétsias Meningite bacteriana Febre Tifoide 
 
 
 
 
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O cloranfenicol inibe as enzimas do citocromo P450 hepático podendo, assim, 
prolongar a meia-vida de diversos fármacos que são metabolizados por esse sistema. 
Tais fármacos incluem: Varfarina, Dicumarol, Fenitoína, Clorpropamida, inibidores de 
proteases antirretrovirais, Rifabutina e Tolbutamida. Por outro lado, alguns fármacos 
cuja administração é crônica, como o Fenobarbital, ou a administração aguda de 
Rifampicina podem alterar a eliminação do Cloranfenicol, podendo resultar em 
concentrações subterapêuticas do fármaco. 
 
EFEITOS ADVERSOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1) Reações de hipersensibilidade com ocorrência de 
exantema cutâneos maculares ou vesiculares. 
2) Toxicidade hematológica, afetando a medula óssea 
Efeito tóxico → anemia, leucopenia ou 
trombocitopenia 
Resposta idiossincrásica → anemia 
aplásica, pode causar pancitopenia fatal 
3) Em lactantes, pode causar a síndrome do bebê cinzento, pois o cloranfenicol é excretado no leite materno 
4) A administração oral pode cursar com náuseas, vômitos, gosto desagradável, diarreia e irritação perineal. 
Pode ainda ocorrer visão embaçada e parestesias digitais. 
Imagem do site: https://pt.wikipedia.org/wiki/Exantema 
 
 
 
 
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RESUMÃO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Referências bibliográficas 
 
1. GILMAN, Alfred; GOODMAN, Louis S. As bases farmacológicas da terapêutica. 10. ed. 
Rio de Janeiro: McGraw-Hill, 2005. 1614 p. v. 1. Disponível em: 
<https://www.passeidireto.com/pergunta/33914452/base-farmacologica-da-
terapeutica---goodman-e-gilman-12-edpdf>. Acesso em: 20 out. 2018. 
2. RANG, H.P et al. Rang & Dale: Farmacologia. 8ª. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016. 1939 
p. v. 1. Disponível em: <https://www.elsevier.com/books/rang-andampamp-dales-
pharmacology/ritter/978-0-7020-5362-7>. Acesso em: 20 out. 2018. 
3. KATZUNG, Bertram G. (Org.). Farmacologia Básica e Clínica. 12. ed. Porto Alegre: 
AMGH, 2014. 1244 p. v. 1. Disponível em: 
<https://www.passeidireto.com/arquivo/29107406/farmacologia-basica-e-clinica---
bertram-katzung---12-edicao>. Acesso em: 20 out. 2018. 
4. SanarFlix – Plataforma Online em Medicina 
 
 
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10 Resumo de Tetraciclinas e Anfenicóis 
 
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