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EXAME FÍSICO NO RN 
FEITO POR RAYZA CAVALCANTI 
No exame inicial, a atenção deve ser dirigida a determinar se há alguma anomalia 
congênita, se o RN fez uma transição bem-sucedida da vida fetal para a 
extrauterina, até que ponto a gestação, o trabalho de parto, o parto, os analgésicos 
ou anestésicos afetaram o RN e se o RN apresenta quaisquer sinais de infecção ou 
doença metabólica. 
SSVV e mensuração 
Temperatura (T): geralmente é aferida na axila. A temperatura retal pode ser 
aferida para confirmar uma temperatura axilar anormal, embora essas medidas 
tendam a se correlacionar de modo bastante estreito. A temperatura axilar normal 
está compreendida entre 36,5 e 37,4 ºC. 
Frequência cardíaca (FC): A FC normal varia de 120 a 
160 batimentos por minuto (bpm). Auscultar os 
batimentos na região precordial. Os batimentos 
cardíacos são melhor audíveis no bordo esquerdo do 
esterno, a palpação dos pulsos nos quatro membros 
é obrigatória. Pode se alterar dependendo da 
atividade e do estado do RN. Outro método de 
verificação da FC é por meio da oximetria de pulso. 
Frequência respiratória (FR): 
pode-se avaliar por ausculta ou 
observação direta os 
movimentos respiratórios 
(abdominais) em 1 minuto. A 
frequência normal no RN a termo 
varia de 30 a 60 movimentos por 
minutos (mpm). 
 
Pressão Arterial (PA): este parâmetro é utilizado em UTI neonatal ou Unidade 
Intermediária, por meio do monitor multiparâmetro. O manguito tradicional é 
inadequado para neonatos, por isso é necessário o auxílio do monitor 
multiparâmetro. Na falta de equipamento eletrônico adequado para essa medida 
pode-se utilizar o método simples de aferição “flush”. 
Dados antropométricos / mensuração 
Medidas antropométricas são importantes para o acompanhamento do 
crescimento e desenvolvimento do neonato e os mais utilizados são: Perímetro 
cefálico (PC), torácico (PT), comprimento (estatura) e peso (em gramas). 
PC: a medida da circunferência da cabeça deve ser feita passando-se uma fita 
métrica na altura da região occipital, imediatamente acima da orelha e da 
sobrancelha do RN, o que permite a maior circunferência. A circunferência cefálica 
de um RN a termo saudável é entre 32 e 37cm. 
PT: a fita deverá ser colocada na altura dos mamilos e percorrer em volta das 
costas, completando a circunferência do tórax. A medida deve ser realizada após 
uma inspiração do neonato antes da expiração. O PT em um RN a termo, mede 
entre 30 33cm e é aproximadamente 2cm menor do que o PC. 
Estatura: para medir a distância entre a cabeça e o calcanhar, o enfermeiro deverá 
utilizar uma régua antropométrica. Sua estatura deverá ser medida garantindo que 
seu corpo, em posição supina, toque a superfície subjacente; os MMII deverão 
estar estendidos e o calcanhar apoiado na superfície. O comprimento médio do RN 
está entre 48 e 53cm. 
Peso: a primeira pesagem deverá ocorrer logo após o nascimento, garantindo um 
ATN (Ambiente Térmico Neutro). Sugestivo reduzir as correntes de ar no ambiente 
e fazer a pesagem com o RN enrolado em uma fralda de pano, cujo peso deverá ser 
posteriormente descontado do peso total. 
 VOCÊ SABIA... 
 O RN pode perder até 10% do seu peso de nascimento nos primeiros 
5 dias de vida devido à perda de líquido extracelular, mecônio e 
adequação ao padrão alimentar extrauterino. 
AVALIAÇÃO DO CRÂNIO E FACE 
EXAME FÍSICO NO RN 
FEITO POR RAYZA CAVALCANTI 
Ossos do crânio: frontal, parietal e occipital, devem ser avaliados e as linhas de 
sutura (sagital, coronal, lambdoidal e metópica) devem ser palpadas. O 
fechamento clínico ocorre entre o 6º e 12º mês de vida. A mobilidade das suturas 
descarta a possibilidade de craniossinostose. 
 
 OBS: Verificar o tamanho, forma da cabeça, proporcionalidade com o rosto e o 
restante do corpo, aspecto e dimensões das suturas e fontanelas, 
avaliar presença de micro ou macrocefalia, além de lesões como: 
bossa serosanguínea, cefalohematoma, hematoma subgaleal, 
depressão óssea e aplasia cutânea. 
Fontanelas: anterior e posterior, devem ser palpadas 
com a polpa do dedo indicador delicadamente, as 
fontanelas devem ser moles. Fontanelas tensas ou 
fechadas devem causar preocupação por pressão 
intracraniana elevada devido a causas como meningite 
ou hemorragia intracraniana aguda, por outro lado se 
estiverem deprimidas pode indicar desidratação. 
 Você sabia... 
 Dependendo da duração do trabalho de parto e do tipo de parto a 
cabeça pode apresentar deformidades transitórias. 
Bossa serosanguínea (caput succedaneum): é a alteração 
mais frequente encontrada após o nascimento. 
Caracteriza-se por edema de couro cabeludo, 
depressível, uma massa mole, mal limitada, edemaciada 
e equimótica, localizada ao nível da apresentação do 
parto e que pode se deslocar para outras regiões 
conforme decúbito, desaparece nos primeiros dias de 
vida. 
Cefalo-hematoma: é um derrame sanguíneo 
subperióstico, que se desenvolve após o parto e se 
expande durante o primeiro dia de vida à medido que o 
sangue se acumula, de volume variável, limitando-se ao 
osso atingido. Pode calcificar e a regressão é espontânea, 
podendo demorar semanas ou meses para ser 
reabsorvido. Pode ser causa de hiperbilirrubinemia. 
Olhos: observar simetria, tamanho, forma, distância entre os olhos, posição do 
olho em relação à órbita, cor e aspecto da conjuntiva, esclera, córnea, íris e pupila, 
tamanho e inclinação das pálpebras e movimento ocular. 
Orelhas: observar o tamanho, a forma, inclinação, implantação e a existência de 
meato acústico externo e anomalias. A posição da orelha deve ser igual dos dois 
lados; sua implantação é considerada baixa se estiver situada abaixo do plano 
horizontal que passa pelo canto interno dos olhos. A inclinação do pavilhão 
auricular é de aproximadamente 15º posterior ao eixo verdadeiro da cabeça. Um 
ângulo maior que 20º indica rotação posterior. 
Nariz: avaliar forma, tamanho, simetria, 
permeabilidade, ruídos, secreção nasal e 
qualquer deformação pela posição 
intrauterina. 
Boca: deve ser inspecionada por fissuras 
palatinas. Examinar a boca, região peroral e 
orofaringe com relação a coloração, formato, 
EXAME FÍSICO NO RN 
FEITO POR RAYZA CAVALCANTI 
tamanho e continuidade do septo nasal, lábios, gengivas, palato mole e duro, 
úvula, mucosa oral, língua, presença de massas e quantidade de saliva. 
Pescoço: Em geral, o RN apresenta pescoço um pouco curto, dificultando a 
avaliação. Para examinar essa região é necessário levantar o queixo para expor o 
pescoço a uma avaliação completa. É necessário promover rotação, extensão e 
flexão, testando mobilidade, simetria da musculatura cervical e facilitando a 
visualização de massas, fendas, cistos e bócio. 
TÓRAX E ABDOME 
Tórax: deve-se inspecionar a forma e a simetria do tórax. Observados um ou mais 
mamilos acessórios na linha mamária. As clavículas devem ser palpadas. Crepitação 
ou, um “degrau” pode ser encontrado em caso de fratura de clavícula. A palpação 
da clavícula deve sempre ser repetida no exame de alta, pois algumas fraturas 
podem ser mais aparentes no segundo ou no terceiro dia de vida. Discretas 
retrações sub e intercostais são comuns em RN sadios pela elasticidade das paredes 
torácicas. Respiração em todo de 30-60 mpm. 
Achados Normais: Murmúrios 
Vesiculares (MV). São os sons 
fisiológicos da entrada e saída de ao dos 
pulmões. Podem estar presentes; 
diminuídos ou ausentes (estes dois 
últimos estão associados a processos 
patológicos). 
Achados Anormais: Ruídos Adventícios 
(RA). São os sons associados a processos patológicos. Os principais sons são:roncos; sibilos e estertores. 
OBS: pausas respiratórias curtas (cerca de 5 segundos) nos RN 
prematuros. Configura-se apneia quando o tempo de parada 
respiratória é maior que 20s ou menor, mas associada à cianose ou 
bradicardia. 
Aparelho Cardiovascular: Inicia-se pela avaliação de sinais ferais como cianose 
generalizada, ou durante o choro, dispneia, taquipnéia e perfusão periférica. Deve-
se palpar e comparar a amplitude dos pulsos periféricos e no precórdio analisar 
frêmitos e o íctus cardíaco. Na ausculta observar frequência, ritmo, intensidade das 
bulhas cardíacas e sopros. 
Inspeção: cianose, padrão respiratório (taquipneia, dispénia, BAN), abaulamento 
precordial, turgência jugular, ictus cordis (mais propulsivo na PCA). 
Palpação: realizar palpação de pulsos nos quatro membros (CoAo), precórdio.  
Frequência cardíaca entre 120-160 batimentos por minuto. 
Pressão arterial (PA): com manguito apropriado, neonatal. O valor normal da PA 
sistólica e diastólica: Tabelas. Consideramos o valor normal da pressão arterial 
média quando maior ou igual à idade gestacional. 
Ausculta: Bulhas – Hiperfonese e desdobramentos, ritmo. Identificar como sendo 
sistólico, diastólico ou contínuo. Quanto ao timbre, observar se é suave, rude ou 
aspirativo. 
Achados clínicos normais: a ausculta das bulhas B1 
e B2 que devem apresentar-se normofonéticas e 
rítmicas. Normalmente é registrado no prontuário 
da seguinte forma: 2Bulhas regulares 
normofonéticas (2BRNF). 
Achados anormais: pode ser bulhas hipo ou 
hiperfonéticas e arrítmicas, além de sopros (um som 
característico de fluxo de sangue junto com o 
fechamento da válvula), que podem ser sistólicos ou 
diastólicos. 
Sopros poderão estar ausentes ao nascimento mesmo em 
cardiopatias graves; 60% dos RN normais terão sopro nas 
primeiras 48 h de vida, em decorrência do fechamento do ducto 
arterial e do forame oval. 
EXAME FÍSICO NO RN 
FEITO POR RAYZA CAVALCANTI 
 ABDOME: observar o formato, tamanho, simetria, coloração, lesões de pele, 
circulação colateral, distensão, tumorações e ondas peristálticas visíveis. Quando 
comparado ao tórax o abdome é levemente arredondado, com o diâmetro acimo 
do umbigo maior que abaixo. A 
palpação abdominal deve ser 
feita de forma suave, movendo-
se dos quadrantes inferiores para 
os superiores, com as mãos 
aquecidas e quando o RN estiver 
calmo ou dormindo, situações em 
que o abdome estará mais 
flácido. 
Nesta região o enfermeiro deve observar 
anormalidades como: distensão abdominal. Sempre 
inicia o exame pela ausculta, na sequencia desta ordem 
7,4,1,2,3,6,9, e 5,8. 
O fígado, em geral, é palpável de 1 a 3,5 cm abaixo do 
rebordo costal direito, na linha clavicular média e sua 
borda é mole e fina. 
 
GENITÁLIA E RETO 
Sexo masculino: avalia-se tamanho do pênis, 
posição do meato uretral, prepúcio, posição 
dos testículos e aspecto da bolsa escrotal. O 
cm do pênis é variável com a idade 
gestacional, devendo ter no mínimo 2,5 a 
3,5cm em RN com 40 semanas. Em crianças 
mais gordas, o pênis pode estar retraído e 
coberto pela gordura suprapubiana. Ao nascimento, aproximadamente 4% dos 
RN a termo apresentam descida incompleta dos testículos e 60% algum grau de 
hidrocele. 
Sexo feminino: observa-se 
tamanho e localização dos 
grandes e pequenos lábios, 
clitóris, meato uretral, 
abertura da vagina anovulvar. 
Posicionamento do orifício da 
vagina e da uretra. 
Reto: atentar para a condição 
conhecida como ânus imperfurado. 
PELE 
Normalmente a pele do RN é lisa, macia e rosada com perfusão rápida. Pode 
apresentar icterícia leve nos primeiros dias de vida ou cianose de extremidades 
decorrente de temperatura ambiental baixa ou durante exame prolongado. Deve-
se observar alterações de pele como pletora, palidez, má perfusão, cianose 
generalizada, icterícia intensa, descamação, edema, lesões, hematomas, 
equimoses, petéquias, alterações de pigmentação e tumorações. 
MMSS E MMII 
O enfermeiro atende-se à integridade; movimento e tônus muscular; e observa 
minuciosamente os pontos de pulso como: MMSS: pulso radial e braquial; MMII: 
pulso femoral e pedioso. Avaliar amplitude, frequência e ritmo. 
 
 
 
 
EXAME FÍSICO NO RN 
FEITO POR RAYZA CAVALCANTI 
 
 
 
 
 
EXAME FÍSICO NO RN 
FEITO POR RAYZA CAVALCANTI 
 
REFERÊNCIAS 
ENFERMAGEM NA SAÚDE DA CRIANA E DO ADOLESCENTE (AVA) 
CLOHERTY JOHN P.; EICHENUJALD ERIC C.;HANSEN ANNE R.; STARK ANN R.- 
MANUAL DE NEONATOLOGIA – 7º EDIÇÃO – GEN; GUANABARA KOOGAN. 
SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE – MANUAL DE NEONATOLOGIA – 
AGOSTO/2015. 
PROENF – ATUALIZAÇÃO EM SAÚDE MATERNA E NEONATAL.

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