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Aparelho bucofaríngeo São formados por arcos faríngeos, bolsas faríngeas, sulcos faríngeos e membranas faríngeas, genericamente, e são responsáveis pela formação da região de cabeça e pescoço. Irão ser formados 4 arcos faríngeos (no final da 4ª semana todos já são bem visíveis), sendo que o primeiro par de arcos a aparecer é a mandíbula primitiva (1º par de arcos). Há o aparecimento do estomodeu. O primeiro arco faríngeo irá formar a proeminência maxilar e a proeminência mandibular. Os arcos faríngeos são compostos por cartilagens, nervos, vasos e músculos. Internamente aos arcos encontramos as bolsas faríngeas (ficam entre os arcos faríngeos e também encontramos 4 delas). O epitélio desta região é responsável pela origem do timo e glândulas exócrinas e endócrinas Destino dos arcos faríngeos: formação da face, cavidades nasais, boca, laringe, faringe e pescoço. No final da 4ª semana a membrana bucofaringea se rompe e dá origem à cavidade oral. Há a diferenciação da ectoderme em ectomesenquima. Esse, agora, continua sendo um tecido ectodérmico, mas passa a se comportar como mesoderma (tecido conjuntivo). Ausência de expressão da família Hox no ectomesenquima do primeiro arco faríngeo determina a região em que a face deve ser formada. Desenvolvimento da face: a face irá se desenvolver ao redor do estomodeu. Teremos, ao redor dele, 5 primórdios da face: uma proeminência frontonasal, um par de proeminências maxilares e um par de proeminências mandibulares. A frontonasal dará origem a testa e ao limite do nariz com o estomodeu. As maxilares formam os limites laterais do estomodeu e as mandibulares formam o limite caudal da boca primitiva. A proeminência mandibular irá se fusionar rapidamente, dando origem a mandíbula inferior e lábio inferior. Haverá a formação das fossetas nasais (oriundas das proeminências nasais). O sulco nasolacrimal separa as proeminências nasais laterais da proeminência maxilar. Haverá, também, a formação dos ouvidos entre os primeiros e o segundo arcos. As proeminências maxilares e a frontonasal tem que fechar ao mesmo tempo para formar o lábio e palato?. Problemas podem ser causados pela inibição da proliferação celular no primeiro arco (podendo faltar células para formar a mandíbula) e podem resultar na síndrome do 1º arco. Com o crescimento da mandíbula, a orelha vai ser empurrada para cima. Desenvolvimento do palato: O palato desenvolve-se a partir de dois primórdios, os palatos primário e secundário. Sua formação começa na sexta semana, mas não é completada até a 12ª semana. Vias moleculares, incluindo WNT E PRICKLE1 estão envolvidas nesse processo. Palato Primário: No início da sexta semana, o palato primário (processo mediano) começa a se desenvolver. É formado por proeminências nasais mediais, este segmento é inicialmente uma massa em forma de cunha de mesênquima entre as superfícies internas das proeminências maxilares das maxilas em desenvolvimento. O palato primário forma a face anterior e da linha média da maxila, a parte pré-maxilar da maxila. Palato Secundário: após a formação do palato primário, ocorre processos palatinos laterais (prateleiras palatinas) inicialmente projetam-se inferomedialmente em cada lado da língua. Depois os processos palatinos laterais assumem uma posição horizontal sobre a língua. Gradativamente, os ossos desenvolvem-se no palato primário, formando a parte pré-maxilar da maxila e mesmo tempo, os ossos estendem-se a partir das maxilas e dos ossos palatinos dentro dos processos palatinos laterais para formar o palato duro. As partes posteriores desses processos não se ossificam e vão formar o palato mole, incluindo sua projeção cônica mole, a úvula. Fenda labial e fenda palatina: As fendas do lábio superior e do palato são as anomalias congênitas craniofaciais mais comuns. Os defeitos são normalmente classificados de acordo com critérios de desenvolvimento, com a fossa incisiva utilizada como um marco de referência Na 16ª semana, já temos proporções adequadas do rosto e suas estruturas já formadas. A proeminência maxilar fecha o palato e empurra a língua para dentro. O 1º arco faríngeo dará origem a mandíbula e maxila, o 2º arco dará origem aos ossículos do ouvido, o 3º ao pomo de Adão e o 4º à cartilagem cricóide e tireoide. Odontogênese Os dentes se desenvolvem a partir do ectoderma oral, do mesenquima (que será diferenciado devido a expressão de FGF3 e colágeno) e da crista neural. Independente do dente a ser formado o processo de odontogênese ocorre basicamente da mesma maneira. Teremos a formação da dentina, esmalte, cemento e osso. Haverá a formação de 10 brotinhos na região da maxila e 10 na região da mandíbula. Esses brotos darão origem aos dentes decíduos, que depois serão substituídos pelos dentes permanentes. O primeiro indício do desenvolvimento dentário ocorre no inicio da 6ª semana, quando se pode visualizar a lâmina dentaria (formato de U), que depois irá originar o broto dentário. A formação do dente segue a seguinte ordem: botão (ou broto), capuz, campânula, coroa e raiz. Estágio de Broto do Dente em Desenvolvimento: os brotos se desenvolvem (já sendo visíveis na 10ª semana) a partir de atividades mitóticas diferenciadas na lâmina dentária e, mais tarde, eles formarão os dentes decíduos. Posteriormente, também haverá o surgimento do broto do dente permanente. Estágio de Capuz do Desenvolvimento Dentário: conforme cada broto dentário é invaginado por mesênquima (primórdio da papila dentária e do folículo dentário), os brotos assumem formato de capuz. Há a produção do esmalte pelo órgão do esmalte. Juntos, a papila dentária e o órgão do esmalte formam o broto dentário. Haverá a formação do saco dentário (a partir do mesenquima que circunda o dente) que é o primórdio do cimento e do ligamento periodontal Estágio de Campânula do Desenvolvimento Dentário: ????? Estágio de Sino do Desenvolvimento Dentário: as células do mesenquima se diferenciam em odontoblastos, células produtoras de dentina (produzida primeiramente como pré-dentina). A pré-dentina irá se calcificar e tornar-se a dentina (tecido muito duro), havendo um retrocesso dos odontoblastos (entretanto sem perder sua função). Há a diferenciação de células em ameloblastos, as quais realizam a deposição do esmalte. As dobras do epitélio interno vão formar a coroa. A raiz é formada pela bainha epitelial da raiz (que aparece após a formação da dentina e do esmalte). Essa bainha crescerá no mesênquima e iniciará a formação da raiz. Erupção do dente: As células internas do saco dentário diferenciam-se em cimentoblastos, que produzem cimento que é restrito à raiz. O dente é preso pelo ligamento periodontal. Conforme os dentes decíduos se desenvolvem, eles começam um movimento lento e contínuo em direção à cavidade oral (irão “crescer para cima”). Esse processo é chamado de erupção. Aparelho respiratório Na 4ª semana de desenvolvimento, surge o divertículo respiratório ou laringotraqueal (futuro broto pulmonar), que é uma protuberância na parede ventral do intestino anterior. Esse divertículo irá se separar da “faringe primitiva” (mantendo comunicação com ela através do canal laríngeo primitivo) e irá formar 2 brotos brônquicos primários. As pregas traqueoesofágicas longitudinais se desenvolvem no divertículo, irão dar origem a um septo traqueoesofágico. Esse septo divide a porção cranial do intestino anterior em duas partes: uma parte ventral, o tubo laringotraqueal (o primórdio da laringe, da traqueia, dos brônquios e dos pulmões) e uma parte dorsal (primórdio da orofaringe e do esôfago). Desenvolvimento da laringe: vai se desenvolver através de parte do tubo laringotraqueal. As cartilagens da laringe se desenvolvem a partir do mesênquima que é derivado das células da crista neural. O primeiro par de brotos a aparecer são os brotos aritenoides, devido à rápida proliferação do mesenquima nessa região. Os brotos vão crescendo em direção a língua, formando o canal laríngeo a partir, do que antesera, a glote primitiva, que possui formato de T e apresenta uma pequena fenda (temporária). Essa fenda irá aumentar de tamanho, durante a 10ª semana, havendo a formação dos ventrículos da laringe. Haverá a formação das pregas vocais e pregas vestibulares na mucosa. Desenvolvimento da traqueia: o divertículo laringotraqueal forma a traqueia e duas evaginações laterais, os brotos brônquicos primários. O revestimento endodérmico do tubo laringotraqueal varia: endoderma com epitélio respiratório e glândulas e mesoderma esplâncnico com cartilagem, tecido conjuntivo e músculos. Fístula traqueoesofágica (FTE): é muito comum, ocorrendo mais no sexo masculino do que feminino e está comumente associada com a atresia esofágica. A FTE ocorre devido a divisão incompleta da parte cranial do intestino anterior nas partes respiratórias e esofágicas durante a quarta semana. A fusão incompleta das pregas traqueoesofágicas resulta em um septo traqueoesofágico defeituoso e uma FTE entre a traqueia e o esôfago. Dentre os vários tipos de FTE, a mais comum é a atresia esofágica (retratado em A, que é quando o esôfago termina em fundo cego). Desenvolvimento dos brônquios e dos pulmões: o desenvolvimento ocorrerá a partir do broto pulmonar ou respiratório (que se desenvolveu, por sua vez, a partir da extremidade caudal do divertículo laringotraqueal durante a 4ª semana). Esse broto, como já falado, se divide em 2 brotos brônquicos primários. Eles vão crescer para dentro dos canais pericardioperitoneais (futuramente será a região pleural) e logo serão formados os brotos brônquicos secundários e terciários. No início da quinta semana, a conexão de cada broto brônquico com a traqueia aumenta para formar o primórdio do brônquio principal (direito e esquerdo). Os brônquios não apresentam cartilagem, glândulas e nem nódulos linfáticos. Eles possuem cílios e células caliciformes. O brônquio principal subdivide-se em brônquio secundário que forma os ramos lobares (“brônquios terciários”). Os brônquios lobares sofrerão varias ramificações, até que surgirão os brônquios segmentares (que começam a se formar na 7ª semana). Por volta da 24ª semana, com auxilio do mesenquima circundande, há o desenvolvimento dos bronquíolos terminais e os bronquíolos respiratórios. Eles são formados por epitélio cubico simples. Os ductos alveolares (formados no final do período fetal) determinarão o início da porção respiratória. A partir dos bronquíolos respiratórios, haverá a formação (devido a expansão na parede dos bronquíolos respiratórios) dos alvéolos pulmonares. Esses são importantes porque seu epitélio é capaz de realizar trocas gasosas O limiar da vida é, teoricamente, quando há aproximação entre os vasos sanguíneos e alvéolos para ocorrer as trocas gasosas. Maturação dos Pulmões: A maturação dos pulmões é dividida em quatro estágios histológicos: o pseudoglandular, o canalicular, saco terminal e o estágio alveolar. Estágio Pseudoglandular (6ª à 16ª semana): O pulmão se assemelha a uma glândula endócrina. Com 16 semanas, as principais estruturas pulmonares já estão formadas, menos as envolvidas com trocas gasosas, então a respiração ainda não é possível. Os fetos que nascem nesse período são considerados como não viáveis. Estágio Canalicular (16ª à 24ª semana): a luz dos brônquios e dos bronquíolos terminais tornam-se maiores e o tecido pulmonar torna-se altamente vascularizado. Por volta da 24ª semana, cada bronquíolo terminal forma dois ou mais bronquíolos respiratórios, que irão se dividir em três a seis passagens: os ductos alveolares primitivos. Estágio de Saco Terminal (24ª à 32ª semana): formam-se vários sacos terminais (alvéolos primitivos) e seus epitélios tornam-se muito finos. Formação da barreira hematoaérea (possibilita as trocas gasosas). Na 26ª semana, os sacos terminais são revestidos principalmente por pneumócitos tipo I (ocorre troca gasosa), também estão presentes os pneumócitos tipo II, que secretam o surfactante pulmonar, uma mistura complexa de fosfolipídios e proteínas. O surfactante é importante porque diminui a tensão superficial na interface ar-líquido alveolar e porque mantém a estabilidade alveolar, impedindo seu colapso no final da expiração. A partir da 26ª semana, o feto já possui sacos alveolares e surfactante o suficiente para sobreviver caso nasça prematuramente. As concentrações da fosfatidilcolina, do fosfatidilglicerol e de proteínas do surfactante no líquido amniótico têm sido utilizadas como marcadores bioquímicos, da maturação pulmonar. Estágio Alveolar (32ª até aos 8 anos de idade): Os pulmões agora produzem quantidade adequada de surfactante, são considerados órgãos de trocas gasosas e não mais secretores e tem vascularização suficiente para garantir as trocas respiratórias. Ao final do período fetal (38 semanas), os pulmões são capazes de realizar a respiração, pois a membrana alveolocapilar (barreira de difusão pulmonar ou membrana respiratória) é delgada o suficiente para realizar as trocas gasosas. A transição da dependência da placenta na troca gasosa para a troca gasosa autônoma requer as seguintes mudanças adaptativas dos pulmões: produção de surfactante nos sacos alveolares, transformação dos pulmões de órgãos secretores para órgãos capazes de realizar as trocas gasosas e estabelecimento das circulações sistêmicas e pulmonar em paralelo. O desenvolvimento dos pulmões durante os primeiros meses após o nascimento é caracterizado pelo aumento exponencial na superfície da barreira hematoaérea através da multiplicação dos alvéolos e capilares. Já o desenvolvimento alveolar estará, praticamente, completo aos 3 anos de idade, mas novos alvéolos serão acrescentados até aproximadamente 8 anos de idade. Feto oligoidrâmnio: Quando o oligoidrâmnio (quantidade insuficiente de líquido amniótico) o desenvolvimento é severo e crônico por causa do vazamento ou diminuição na produção do líquido amniótico, o desenvolvimento pulmonar é retardado e pode resultar em severa hipoplasia pulmonar com restrição do tórax fetal. Síndrome da angústia (ou deficiência) respiratória: A deficiência do surfactante é a principal causa, afeta aproximadamente 2% dos recém-nascidos; sendo aqueles nascidos prematuramente mais suscetíveis. Essas crianças desenvolvem uma respiração rápida e com dificuldade logo após o nascimento. Hipoplasia pulmonar: Em bebês com hérnia diafragmática congênita, o pulmão é incapaz de se desenvolver normalmente, pois este é comprimido pelo posicionamento anormal das vísceras abdominais. A hipoplasia pulmonar é caracterizada por uma marcante redução do volume pulmonar e uma hipertrofia do músculo liso das artérias pulmonares. Pulmão acessório: Um pequeno pulmão acessório (sequestro pulmonar) é incomum. Quase sempre este se localiza na base do pulmão esquerdo e não é funcional. Não causa maiores problemas, mas se for grande, deve ser retirado. Sistema digestório O intestino primitivo se forma na 4ª semana, quando há os dobramentos do embrião. Parte do saco vitelínico é incorporado ao embrião e há a aderência de mesoderma esplâncnico, dando origem ao intestino primitivo. Ele é composto pela endoderme do saco vitelino (formará epitélio e glândulas) e mesoderme esplâncnico (formará tecido conjuntivo, muscular e componentes peritoneais). É fechado inicialmente na sua extremidade cranial pela membrana bucofaríngea e na sua extremidade caudal pela membrana cloacal. Intestino anterior Intestino posterior O intestino primitivo é dividido em 3 partes: intestino anterior, intestino médio e intestino posterior. A partir da 4ª semana, diferentes famílias gênicas passam a dominar diferentes e especificas áreas do intestino primitivo, o que vai fazer com que, principalmente, a mucosa de cada área seja diferente. Genes Hox e ParaHox, bem como sinais do Shh, BMP e Wnt, regulam a diferenciação regional do intestino primitivo para formar suas três partes. Após a 4ª semana, para continuar seu desenvolvimento, é necessário que o intestino primitivo tenha boa irrigação: deve apresentarplexo nervoso e ramo arterial. Intestino anterior: formado basicamente, pela região inteira que compreende o estomodeu até o inicio do gastrointestinal. Ou seja, compreende boca, faringe, esôfago, estômago, parte proximal do duodeno, fígado, pâncreas e vesícula biliar. Desenvolvimento do Esôfago: começa a se formar junto com a traqueia. Inicialmente, ele é curto e fechado, mas vai crescer e cavitar rapidamente. Mesoderma esplênico (i.e. visceral) vai dar origem as camadas musculares e conjuntivas Atresia esofágica: ocorre devido ao desvio do septo traqueoesofágico para uma 0064ireção posterior e, também, da separação incompleta do esôfago do tubo laringotraqueal. Está comumente associado à fístula traqueoesofágica e nascimento prematuro. Um feto com atresia esofágica não consegue deglutir o líquido amniótico, ou seja, será polidrâmnio (acumulo de liquido amniótico). Alguns sintomas são a salivação excessiva e rejeição à alimentação oral com regurgitação imediata e tosse. Para confirmar a suspeita, é necessário fazer raio X com contraste. Desenvolvimento do Estômago: na 4ª semana, aparece uma dilatação na região que se tornará o estomago primitivo. Ela aprece como um alargamento fusiforme da parte caudal do estomago primitivo. Ele irá crescer e se alargar dorsoventralmente, sendo que seu lado dorsal crescerá mais que seu lado ventral. Rotação do Estômago: O alargamento do mesentério, dos órgãos adjacentes e o próprio crescimento das paredes do estômago contribuem para sua rotação. Irá girar 90 graus em torno do seu eixo longitudinal. Basicamente, o que ocorre durante a rotação: ele começa a girar e ter crescimento (dilatação) na região dorsal, essa dilatação irá pesar e “cair” um pouco. O ligamento mesogástrio (dorsal e ventral) mantém e sustenta o estomago no local. A rotação do estomago irá influenciar no posicionamento de outras estruturas (como a formação da bolsa omental, que é resultante do puxamento do lado esquerdo do mesogástrio dorsal). Estenose hipertrófica do piloro: ocorre espessamento muscular (estenose) do canal pilórico, região do esfíncter distal do estômago. Isso provoca obstrução da passagem de alimento, o estômago torna-se muito distendido e há vômitos. Desenvolvimento do Duodeno: é a porção distal do intestino anterior e proximal do intestino posterior. Devido à rotação do estomago, o duodeno vai ficar “torto”, vai assumir uma forma de “C”, mas vai continuar cilíndrico. É onde origina os brotos hepático e pancreático. Desenvolvimento do Fígado: origina-se a partir do divertículo hepático. Ele irá aumentar de tamanho rapidamente e começa a se dividir em duas porções enquanto cresce entre as camadas do mesogástrio ventral. A porção cranial do divertículo é o primórdio do fígado e a porção caudal é o primórdio da vesícula biliar. As células endodérmicas irão se proliferar em cordões, formando cordões de hepatócitos que se anastomosam aos vasos sanguíneos, dando origem aos primórdios dos sinusoides hepáticos. Desenvolvimento do Pâncreas: se desenvolve a partir dos brotos pancreáticos dorsal e ventral. O broto pancreático ventral desenvolve-se próximo ao ducto biliar, já o broto pancreático dorsal se desenvolve no mesentério dorsal. Com a rotação do duodeno, o broto ventral migra para a região dorsal e funde-se com o broto dorsal e, consequentemente, seus ductos se anastomosam Histogênese do Pâncreas: forma-se o parênquima e os ácinos pancreáticos começam a se desenvolver ao redor dos ductos pancreáticos. As ilhotas pancreáticas se desenvolvem a partir de células que se separam dos túbulos e se localizam entre os ácinos. A secreção de insulina começa na 10ª semana. Desenvolvimento do Baço: Derivado de células mesenquimais, se desenvolve na 5ª semana e é lobulado no feto. O mesogástrio funde-se com o peritônio originando o ligamento esplenorrenal. O baço irá se tornar o reservatório de células imunes e o centro hematopoiético. Baços acessórios: uma ou mais massas esplênicas em uma dobra peritoneal (além do baço principal), podem estar isoladas ou ligadas por faixas finas e ocorre em aproximadamente 10% das pessoas. Intestino médio: é constituído por toda porção do saco vitelínico, ou seja, restante do duodeno, jejuno, íleo, ceco, cólon ascendente e parte do cólon transverso. Herniação da alça do intestino médio, rotação da alça do intestino médio e retração das alças intestinais: A herniação ocorre porque não há espaço suficiente na cavidade abdominal para o intestino médio que está em rápido crescimento. Há a formação de uma alça intestinal ventral em forma de U, a alça do intestino médio, que se projeta para dentro dos remanescentes do celoma extraembrionário na parte proximal do cordão umbilical. Ocorre uma rotação da alça no sentido anti-horário ao redor do eixo da artéria mesentérica superior. Essa rotação traz a porção cranial (intestino delgado) da alça para a direita e a porção caudal (intestino grosso) para a esquerda. Durante a rotação, a porção cranial se alonga e forma as alças intestinais (por exemplo, o jejuno e o íleo primitivos). Durante a 10ª semana ocorre ao retorno/entrada do intestino e a consequente redução da hérnia do intestino médio. Onfalocele congênita: resulta na persistência da herniação do conteúdo abdominal na parte proximal do cordão umbilical, sendo a herniação do intestino, fígado e intestinos, as mais comuns (é como se ele não entrasse, vai ficar pra fora). Gastrosquise: é um defeito congênito da parede abdominal que permite a extrusão das vísceras abdominal sem envolver o cordão umbilical. Rotação invertida: Em casos raros, a alça do intestino médio gira no sentido horário, em vez de girar no sentido anti-horário e como consequência, o duodeno fica localizado anterior à artéria mesentérica superior, e não posteriormente a ela. Divertículo de Meckel: ocorre persistência ou remanescência da porção proximal do conduto (que porra é essa?) vitelino e consequente comunicação do íleo ao meio externo através do umbigo. Ausência de rotação do intestino médio: o cólon fica do lado esquerdo e há obstrução da artéria mesentérica superior. Intestino posterior: compreende o terço terminal do cólon transverso, cólon descendente, sigmóide, reto, endoderme que reveste a bexiga e uretra. Cloaca: é uma câmara revestida por endoderma que fica em contato com o ectoderma superficial na membrana cloacal. Essa é constituída pelo endoderma da cloaca e o ectoderma da fosseta anal. O septo urorretal (formado devido à sinalização endodérmica da β-catenina) aparece. Posteriormente, conforme ele cresce, ele irá dividir a cloaca em três partes: o reto, a parte cranial do canal anal e o seio urogenital. Canal anal: possui origem dupla, sendo formado por uma camada endodérmica (intestino posterior) e outra ectodérmica (proctodeu), as quais se fusionam para originar o canal anal (essa junção origina a linha pectínea). Linha branca ou linha anocutânea é o local onde a composição do epitélio anal muda de células colunares para pavimentosas estratificadas. Anomalias anorretais: ocorre septação anormal da cloca pelo septo urorretal, podendo resultar em atresia retal e fístulas entre reto e uretra, bexiga urinária ou vagina. Estenose anal: o ânus e o canal anal são estreitos Sistema cardiovascular Princípios básicos: a função do coração é circular o sangue para o corpo. Possui 2 bombas distintas: bombeia sangue para pulmão (pequena circulação) e bombeia sangue para o corpo (grande circulação). O coração apresenta 4 cavidades, 2 átrios e 2 ventrículos e é o primeiro órgão funcional. Inicialmente, não tem compartimentos, mas já tem a função de bombear o tecido sanguíneo para nutrir o embrião. No inicio da 4ª semana, ele já é funcional, mas ainda se está se organizando morfologicamente, sendo possível perceber batimentos cardíacos na 6ª semana. Desenvolvimento inicial do coração e dos vasos sanguíneos: O sistema cardiovascular é derivado principalmente do mesoderma lateral esplâncnico. Na metade da 3ª semana, as células progenitorascardíacas migram através da linha primitiva para a camada esplênica do mesoderma da placa lateral (região anterior à membrana bucofaringea), onde será formado a área cardiogênica primaria (ACP) ou primeiro campo cardíaco (PCC), que possui formato de ferradura. Essas células irão formar grande parte do coração, e o restante (resto do futuro ventrículo direito e via de saída, a qual consiste no tronco arterial e cone arterial) é derivado do segundo campo cardíaco (SCC). Essas células serão induzidas a formar mioblastos (o que ocorre devido à presença de discos intercalares nas fibras) e depois sofrerão um processo de vasculogenese, formando a região cardiogênica. Ao mesmo tempo, haverá também o aparecimento, bilateral ao redor da linha média, das aortas dorsais (devido a entrada do saco vitelínico) e de 2 tubos endocárdios (antes eram 2 cordões que se canalizaram). Haverá também o desenvolvimento da cavidade pericárdica (a partir do celoma intraembrionário adjacente) que será importante na hora do dobramento do tubo. Com o dobramento do embrião, a membrana bucofaringea é empurrada para frente e o sistema cardíaco se move para região cervical e posteriormente para o tórax. Ademais, também com o dobramento lateral do embrião, os tubos endocárdicos do coração se aproximam e fundem-se para formar um único tubo cardíaco. Essa fusão começa na extremidade cranial e se estende até a região caudal. Enquanto o tubo se posiciona, ele vai rotacionar e dobrar, projetando-se cada vez mais para cavidade pericárdica. O tubo cardíaco é formado por 3 camadas: endocárdio (revestimento endotelial interno), miocárdio (composto por mioblastos que migram do mesenquima) e o epicárdio ou pericárdio visceral (mesoderma visceral da cavidade pericardica). O coração, até o final da 4ª semana, tem a forma tubular, com câmaras comunicantes e dispostas em série. Ele é formado por 1 átrio, 1 ventrículo, tronco arterioso, que conduz fluxo de saída (início da aorta e artéria pulmonares), bulbo cardíaco e seio venoso, que atua como fluxo de entrada. O coração se encontra como em A até o final da 4ª semana. Formação da alça bulboventricular: ocorre quando coração se dobra sobre si mesmo, em razão do crescimento mais acentuado do ventrículo e bulbo. Assim, o átrio e seio venoso passam a situar-se dorsalmente ao ventrículo e bulbo (como mostrado em C). O coração tubular une-se aos vasos sanguíneos do embrião, do saco vitelino e do córion, formando o Sistema Cardiovascular Primitivo Desenvolvimento de Veias Associadas ao Coração Embrionário: teremos 3 veias importantes na 4ª semana: as veias vitelinas, que retornam o sangue pobre em oxigênio da vesícula umbilical; as veias umbilicais que transportam o sangue bem oxigenado do saco coriônico e as veias cardinais comuns que retornam o sangue pobre em oxigênio do corpo do embrião para o coração. Conforme o fígado se desenvolve, as veias umbilicais perdem suas conexões com o coração e se esvaziam no fígado. A veia umbilical direita desaparece durante a sétima semana, deixando a veia umbilical esquerda como o único vaso transportando o sangue bem oxigenado da placenta para o embrião. Artérias Intersegmentares: Trinta ou mais ramos da aorta dorsal, chamadas de artérias intersegmentares, passam entre e transportam sangue para os somitos e seus derivados. Na região cervical elas unem-se para formar artéria vertebral; no tórax formam as artérias intercostais; no abdome formam as artérias lombares; já o 5º par de artérias lombar permanece como artérias ilíacas comuns e na região sacra formam as artérias sacras laterais. Destino das Artérias Vitelinas e Umbilicais: Ramos ventrais ímpares da aorta dorsal suprem o saco vitelino, alantoide e córion. As artérias vitelinas vão para saco vitelino e intestino primitivo, se dividindo em 3 (celíaca, mesentérica superior e mesentérica inferior). As artérias umbilicais passam pelo pedículo e torna-se contínuo com córion e placenta embrionária, tornando-se as artérias ilíacas internas. Coarctação da aorta: caracterizada por uma constrição aórtica de comprimento variável Septação do Coração Primitivo: ocorrerá formação das 4 cavidades (câmaras). A divisão do canal atrioventricular, átrio primitivo, ventrículo e trato de saída começa durante o meio da quarta semana e termina no final da 8ª semana. Septação do Canal Atrioventricular: Formação dos coxins endocárdicos por células mesenquimais (dorsal e ventral). Os coxins endocárdicos AV se desenvolvem de uma matriz extracelular especializada (geleia cardíaca) e contribuem para a formação das válvulas AV. Septação do Átrio Primitivo: Ocorre pela formação e fusão de dois septos, o septo primum e o septo segundum (ambos contribuem para a divisão do átrio em 2, é como se o primeiro septo começasse a septação e o outro terminasse). Haverá uma comunicação funcional entre os átrios no feto, chamada de forame oval, que permitirá que a maior parte do sangue oxigenado que entra no átrio direito a partir da VCI, passe para o átrio esquerdo. Ele será fechado logo após o nascimento (porque o átrio esquerdo irá exercer mais pressão que o átrio direito). Septação do Ventrículo: Ocorre devido a formação do septo interventricular, com o auxilio de miócitos para formar a porção muscular do septo interventricular. Entretanto, a septação não é completa, havendo um forame interventricular em formato crescente entre a margem livre do septo interventricular e os coxins endocárdicos fusionados. Esse forame irá se fechar no final da sétima semana. Vasculogênese: é a formação dos vasos sanguíneos. Eles surgem por brotamento a partir de vasos preexistentes e ilhotas sanguíneas. As primeiras ilhotas surgem na 3ª semana no mesoderma extraembrionário que envolve o saco vitelínico e mais tarde surgirão em outras regiões. Os fatores associados à indução da vasculogênese são FGF2 (fator de crescimento de fibroblasto 2) e VEGF (fator de crescimento endotelial vascular). Circulação embriológica e fetal: os batimentos tem início no 21º ao 22º dia após a concepção, a oxigenação ocorre na placenta, o pulmão não realiza a função de trocas e o sangue é desviado do fígado e dos pulmões. O ducto venoso desvia o sangue do fígado, o forame oval permite que o sangue flua do AD para o AE e o ducto arterioso desvia sangue da artéria pulmonar para aorta. Todas essas estruturas irão se fechar após o nascimento. Também ocorrerá a constrição dos vasos umbilicais, a expansão dos pulmões e o aumento do fluxo sanguíneo. Hiperplasia do ventrículo direito: é um distúrbio na migração de células da crista neural morte e proliferação celular. Como consequências, temos: ventrículo esquerdo pequeno ou não funcional, o sangue passa por um desvio no septo atrial, há mistura de sangue venoso com arterial, atresia da abertura da aorta ou da válvula mitral e ocorre óbito nas primeiras semanas. Ectopia cardíaca: é uma condição rara, o coração está em uma localização anormal. A ectopia do coração geralmente está associada à grande separação das metades do esterno (não fusão) e a um saco pericárdico aberto. Tetralogia de Fallot: ocorrem 4 defeitos: estenose da artéria pulmonar (obstrução do fluxo de saída ventricular direito), defeito do septo ventricular; dextraposição da aorta (substituição ou sobreposição da aorta) e hipertrofia ventricular direita. O tratamento inicial pode exigir a colocação cirúrgica de um desvio temporário, mas, em muitos casos, o reparo cirúrgico primário é o tratamento de escolha na infância precoce.