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CORPOREIDADE E MOTRICIDADE HUMANA – UNIDADE II
EDUCAÇÃO FÍSICA 
QUALIDADE DE VIDA E CORPOREIDADE
A qualidade de vida exprime características pertencentes à corporeidade e à motricidade humana. Logo, a qualidade de vida e a corporeidade estão estreitamente ligadas entre si, pois são as formas, as condições e as possibilidades do ser humano se relacionar com o meio em que ele está inserido.
O termo qualidade de vida tem sido utilizado desde os anos 1960, principalmente com força política. O primeiro a utilizar essa expressão foi o presidente dos Estados Unidos, Lyndon Johnson, em seu discurso, ao relatar que “os objetivos não podem ser medidos através de balanços de bancos. Eles só podem ser medidos através da qualidade de vida que proporcionam às pessoas”.
O conhecimento popular se apropriou dessa expressão como uma forma de simplificar a melhora ou um padrão elevado de bem-estar nas vidas dos indivíduos, seja de ordem social, emocional ou econômica. Todavia, a compreensão sobre a qualidade de vida remete a inúmeras variáveis do conhecimento humano, nos âmbitos biológico, médico, social, econômico, político entre outros, portanto, há inter-relações de inúmeras variáveis.
QUALIDADE DE VIDA E CORPOREIDADE
De acordo com Seidl e Zannon (2004), o termo qualidade de vida é utilizado em duas vertentes de pensamentos:
• Na linguagem cotidiana, representando a população de uma forma geral, jornalistas, políticos, profissionais de diversas áreas e gestores de políticas públicas.
• Em pesquisas científicas, em diferentes áreas de conhecimento, como Economia, Sociologia, Educação, Medicina e demais áreas da saúde.
Qualidade de vida é um pressuposto totalmente humano e está relacionada ao grau de satisfação que é encontrado nos contextos da vida familiar, social, amorosa, estética e ao ambiente em que se está inserido. Com isso, a qualidade de vida irá refletir uma síntese da cultura, com os diversos elementos que a sociedade determina como padrão de conforto e bem-estar.
O grupo de estudos sobre qualidade de vida da Organização Mundial da Saúde (WHOQOL GROUP) definiu que a qualidade de vida é a percepção do indivíduo de sua posição na vida no contexto da cultura e sistemas de valores e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações (WHOQOL GROUP, 1995). Há seis domínios considerados principais, quais sejam: saúde física, estado psicológico, níveis de dependência, relacionamento social, características ambientais e padrão espiritual .
QUALIDADE DE VIDA E CORPOREIDADE
Dentre os diversos conceitos de qualidade de vida, Martin e Stockler (1998) percebem que a noção de qualidade de vida pode ser mensurada pela distância das expectativas individuais e a realidade vivida, ou seja, quanto menor for essa distância, melhor será a qualidade de vida.
A distância ou noção de distância entre a expectativa e a realidade remete a um plano individual, não ao coletivo, sendo determinado por três referenciais (MINAYO, 2000):
• Histórico: ligado ao tempo de desenvolvimento econômico, social e tecnológico. Porém os parâmetros de qualidade de vida diferem de sociedades diferentes e também em uma mesma sociedade em tempos históricos diferentes.
• Cultural: refere-se aos valores e necessidades dos povos ou sociedades, revelando assim seus costumes e suas tradições.
• Classes sociais: em sociedades que apresentam uma grande desigualdade entre classes, o padrão de qualidade de vida se relaciona ao bem-estar das camadas superiores e ascensão de classes inferiores para superiores.
Além dessa percepção individual de qualidade de vida, esse conceito é intrínseco, isto é, próprio de cada indivíduo e sofre influências de propagandas da mídia, dos alimentos e das campanhas políticas. 
QUALIDADE DE VIDA E CORPOREIDADE
Assim, cria-se a ideia de que elevar a qualidade depende somente dos esforços do sujeito.
Pela diversidade de domínios que estão relacionados ao termo, não existe uma concordância para um conceito único e definitivo, já que alguns destacam a importância de um bem-estar econômico, outros o sucesso pessoal ou o desenvolvimento social. Portanto, se faz necessário ter atenção a uma multiplicidade de fatores que envolvem o universo da qualidade de vida.
Mas para alguns autores a qualidade de vida tem uma ligação estreita com o desenvolvimento do ser humano, que representa as diversas combinações que um indivíduo está apto a fazer, ou seja, as diversas funcionalidades que compõem e que representam o estado da pessoa, abrangendo os diversos componentes que permeiam o cotidiano do indivíduo ou o modo como age em sua história e desenvolvimento.
Retornando a definição dada pela Organização Mundial da Saúde é possível estabelecer alguns aspectos para se conceber os indicadores de esferas objetivas e subjetivas, sempre tendo como perspectiva a visão do indivíduo.
QUALIDADE DE VIDA E CORPOREIDADE
A análise sobre a perspectiva objetiva está relacionada aos elementos passíveis de serem quantificados e concretos, que podem sofrer transformações pelo ser humano. São considerados elementos objetivos fatores como alimentação, moradia, acesso à saúde, emprego, ou seja, necessidades que garantem a sobrevivência do indivíduo na sociedade.
Tomando por base esses aspectos objetivos são traçados índices de referência sobre características sociais e econômicas da população, e a partir desses índices criam-se políticas e ações voltadas para a melhoria da qualidade de vida da população.
Já na compreensão da qualidade de vida tendo como referência os elementos subjetivos, também são considerados aspectos concretos, no entanto, têm-se as variáveis históricas, sociais, culturais e de interpretação individual sobre as condições de bens materiais e de serviços do indivíduo. 
Nesse sentido, a caracterização da qualidade de vida não se dá somente por aspectos objetivos, mas também leva em consideração fatores subjetivos e emocionais, expectativas e possibilidades de um grupo social ou de um indivíduo quanto a suas realizações e percepção de sua vida, considerando inclusive questões referentes a prazer, felicidade e tristeza. 
QUALIDADE DE VIDA E CORPOREIDADE
Para a utilização dos elementos subjetivos, é necessário a caracterização sociocultural prévia do ambiente em que o grupo ou o sujeito vive.
Existe uma relação muito estreita entre os elementos objetivos e subjetivos, e nenhuma análise ou compreensão da qualidade de vida de um sujeito pode ser contextualizada sem antes estabelecer a qualidade de vida coletiva, observando o que é representado na definição da OMS, que contempla aspectos subjetivos e objetivos.
Um exemplo de tratamento de aspectos objetivos e subjetivos refere-se ao sistema de bem-estar da Escandinávia, baseado em três verbos básicos à vida humana: ter, amar e ser. O verbo ter está relacionado às condições necessárias para uma sobrevivência fora da situação de miséria, como habitação, emprego, condições físicas de trabalho, saúde e educação. O verbo amar diz respeito a relacionar-se com outras pessoas e, assim, formar uma identidade social. E o último verbo, ser, refere-se às necessidades de integração da sociedade em harmonia com a natureza, tendo como princípios a participação das pessoas nas decisões coletivas e atividades que influenciam a vida, como atividades políticas, tempo de lazer, oportunidades profissionais, contato com a natureza, atividades lúdicas e contemplativas.
Esses indicadores podem ser mensurados tanto em aspectos objetivos quanto subjetivos: (quadro)
A percepção objetiva da qualidade de vida
A esfera de percepção objetiva de qualidade de vida está relacionada à garantia e satisfação em ter acesso aos elementos essenciais e necessários para a sobrevivência do ser humano, como: água potável, alimentos, vestuário, serviço de saúde, trabalho digno, lazer, entre outros.
Pelo fato de serem bens de consumo (água, alimentos etc.) e atividades concretas (trabalho, serviços de saúde) não dependem, em princípio, de uma avaliaçãosubjetiva ou interpretação do indivíduo.
Os indicadores de percepção objetiva incluem três características:
• Aquisição de bens materiais.
• Avanços educacionais.
• Condições de saúde.
Esses indicadores têm como objetivo refletirem as características gerais de uma população, e não levam em consideração características históricas e culturais, e sim apenas questões socioeconômicas em relação aos bens de consumo 
A percepção objetiva da qualidade de vida
A percepção objetiva tem pontos positivos pela facilidade de obtenção de dados, criando um índice geral das condições de qualidade de vida, pois esses dados estão ligados a elementos como saúde, moradia, educação, transporte, entre outros seguimentos, sendo esse enfoque quantitativo, ou seja, lida com a presença ou ausência de determinado elemento em uma população.
Um instrumento muito utilizado para a aferição da percepção objetiva é o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Ele tem como objetivo apresentar uma perspectiva sobre o desenvolvimento humano, porém não compreende todas as vertentes pertencentes à complexidade do desenvolvimento do ser humano, principalmente a percepção subjetiva do indivíduo.
Segundo o PNUD (2016), o IDH é formado por três pilares: saúde, educação e renda, que são avaliados da seguinte forma:
• Uma vida longa e saudável (saúde) – mensurada pela expectativa de vida.
• Acesso ao conhecimento (educação) – medida por alguns fatores:
— Média de educação dos adultos, que é avaliada pela média de anos de estudos recebidos durante a vida após os 25 anos de idade. 
— Expectativas de anos de escolaridade para crianças na idade de iniciar a vida escolar.
• Padrão de vida (renda) – avaliada pela renda nacional bruta per capita , que é expressa em poder de paridade de compra.
A percepção objetiva da qualidade de vida
A classificação para determinar se um local tem um alto ou baixo desenvolvimento humano varia de 0 a 1. Quanto mais próximo do 1, maior é o desenvolvimento humano (PNUD, 2015):
• 0 a 550 – desenvolvimento humano baixo;
• 0,550 a 0,699 – desenvolvimento humano médio;
• 0,700 a 0,799 – desenvolvimento humano alto;
• 0,800 a 1 – desenvolvimento humano muito elevado.
Apesar de ser um instrumento muito utilizado e reconhecido internacionalmente, o IDH apresenta limitantes metodológicos, pois ele se aplica à população em nível nacional, porém as realidades de cada região dos países não são retratadas, e é possível não ser visualizada a realidade em menor proporção ou regional.
Um exemplo disso é a aplicação de IDH para a esfera municipal no Brasil, realizado com os dados do IBGE, segundo o qual a nação apresenta municípios com altíssimos escores de IDH, como São Caetano do Sul – SP (0,862), Brasília – DF (0,824) e Florianópolis – SC (0,847), e, em contrapartida, escores muito baixos, como Melgaço – PA (0,418), Fernando Falcão – MA (0,443) e Japorã – MS (0,526) (PNUD, 2013).
A percepção objetiva da qualidade de vida
Conforme os dados apresentados identifica-se que o IDH nacional não reflete a verdadeira realidade ou as verdadeiras realidades que um país comporta, ou seja, a qualidade de vida de uma população, tendo como parâmetros somente a percepção objetiva de elementos concretos.
Por essa razão, a percepção da qualidade de vida somente por critérios objetivos, muitas vezes, é utilizada como propaganda política, dando uma visão generalista e homogênea de uma realidade que ainda apresenta muita desigualdade e é extremamente heterogênea principalmente no Brasil. Com isso, os dados que compõem essa percepção acabam englobando diferentes sujeitos em um mesmo contexto.
Apesar de identificar os níveis de qualidade de vida como uma percepção do indivíduo, não apresentando o que ocorre em um contexto mais global, a análise objetiva é importante para determinar uma melhor intervenção em áreas que necessitam de um melhor desenvolvimento, como saúde e ações sociais, direcionando uma melhoria para um determinado grupo.
A esfera de percepção objetiva é importante em dois aspectos: como instrumento de avaliação das condições de vida de um grupo ou população, indicando principalmente as áreas de carência de serviços, e por fornecer uma base de grupos com relação às características socioeconômicas em que estão inseridos.
A percepção subjetiva da qualidade de vida
A esfera de percepção subjetiva em um primeiro momento trabalha com as ações individuais diante da vida do próprio sujeito, como a expectativa de seus próprios níveis de qualidade de vida.
A esfera de percepção subjetiva em um primeiro momento trabalha com as ações individuais diante da vida do próprio sujeito, como a expectativa de seus próprios níveis de qualidade de vida.
Por percepção subjetiva se compreende o estilo de vida do sujeito, caracterizado pelos hábitos aprendidos e adotados durante a vida, que têm relação com a realidade social, ambiental e familiar. Desse modo, as ações que refletem na vida desse indivíduo, como os valores e as oportunidades, devem estar relacionados ao bem-estar do sujeito, como o controle do estresse, a nutrição, a prática de atividades físicas regulares, os cuidados com a saúde e o convívio social.
Essa percepção está relacionada a três questões: o bem-estar dentro das experiências individuais; a presença de aspectos positivos na vida do indivíduo (não apenas de aspectos negativos); uma medida global, não somente um único aspecto da vida.
A percepção subjetiva da qualidade de vida
Além disso, essa percepção relaciona-se com os valores não materiais como amor, felicidade, inserção social e realização social. Como é uma percepção subjetiva, é preciso levar em consideração as possibilidades de uma conceituação e valorização individual de muitas variáveis não possíveis de mensuração, e isso irá refletir no cotidiano do sujeito.
Assim, a esfera subjetiva está muitas vezes atrelada à ideia de felicidade. Por conseguinte, a felicidade está ligada a questões externas, não como algo subjetivo, mas uma qualidade desejada. Um segundo ponto está relacionado à forma como as pessoas avaliam os termos positivos da vida e uma terceira categoria considera a percepção positiva se sobrepondo a uma percepção negativa de satisfação da vida.
Cada sociedade irá determinar, por meio de sua cultura, quais são seus padrões de vida e assim direcionar as expectativas e os níveis de satisfação dos indivíduos que a compõem, e isso refletirá sobre o que é ou não é uma boa qualidade de vida, como o grau de satisfação pelas realizações dos indivíduos ou acesso a bens de consumo. Isso pode variar de acordo com a sociedade e os valores pessoais.
Um exemplo de como a cultura interfere nas escolhas pessoais e repercutirá na percepção subjetiva de uma população são as medidas tomadas pela Suécia, que em 2014recusou ser uma das candidatas a receber as Olímpiadas de 2022, pois seus representantes no governo tinham outras prioridades para investir os recursos
A percepção subjetiva da qualidade de vida
provenientes dos impostos. “Não é possível conciliar um projeto de sediar os Jogos Olímpicos com as prioridades de Estocolmo em termos de habitação, desenvolvimento e providência social”.
 
Pelo fato de a percepção subjetiva ser mais complexa, as expectativas e os gostos dos indivíduos irão variar de acordo com a sua classe social; essa perspectiva influenciará de forma direta a sua percepção individual a respeito da vida. Além das divisões de classes sociais, questões como diferenças culturais, separadas pela história ou grupos étnicos, fazem com que o tipo de percepção também se altere.
Conseguir quantificar ou mensurar as variáveis da esfera de percepção subjetiva da qualidade de vida é complexo, pois ela é composta de uma multiculturalidade, e compreender essa realidade apresenta muita dificuldade. Os instrumentos da esfera de percepção objetiva apresentam uma maior facilidade para serem aplicados, porém excluem as diversas faces da cultura de uma sociedade, colocando em dúvida os resultados eos índices obtidos.
Para conseguir mensurar os fatores culturais que constroem a percepção sobre a qualidade de vida e com isso a esfera subjetiva, é necessário a análise da percepção do indivíduo a respeito da satisfação e das expectativas que irão considerar as diversas primícias culturais da sociedade contemporânea em que ele está inserido.
A percepção subjetiva da qualidade de vida
Mesmo que a variável seja constituída de uma percepção, isto é, uma visão subjetiva de um indivíduo, ela caracteriza a sua realidade histórica, econômica e de saúde, e isso é construído em relação à carga cultural, a qual é derivada das relações do homem com os bens materiais que exercem algum tipo de interferência em sua vida. Logo, a esfera subjetiva é válida e de extrema importância para as discussões e o entendimento a respeito da qualidade de vida.
A relação entre as esferas das percepções objetiva e subjetiva
A qualidade de vida é um campo de conhecimento que envolve diversas áreas de conhecimento, denotando várias formas de ser abordada. Por isso é preciso compreender como as esferas objetiva e subjetiva relacionam-se entre si para a construção de uma percepção mais completa da qualidade de vida de um sujeito ou da população.
Há dois tipos de perspectivas – uma objetiva e outra subjetiva –, e ambas não podem ser mensuradas de maneira segregada, pois elas se complementam, formando assim o conhecimento da qualidade de vida. Contudo, se faz necessário saber quais são as diferenças entre essas duas esferas de percepção, pois essa divisão se apresenta de maneira muito sútil. A questão é que a qualidade de vida lida com inúmeros fatores que afetam a vida do sujeito, e esses fatores estão relacionados entre si.
A relação entre as esferas das percepções objetiva e subjetiva
Pelo fato de ocorrer essa interdependência entre os fatores que compõem as esferas objetiva e subjetiva, é difícil definir em qual esfera determinado fator se encaixa, ou seja, as relações são inevitáveis, por causa da influência entre as esferas de percepção.
A relação confusa entre essas esferas pode estar relacionada ao conceito de qualidade ambiental que, de acordo com Barbosa (1998), é constituído por um conjunto de juízo de valores relacionados ao estado ou às condições que o ambiente proporciona, ou seja, a forma como o ambiente influencia a qualidade de vida dos sujeitos. O ambiente, então, irá refletir o contexto social em que o sujeito está inserido, sendo um determinante para suas possibilidades de desejos, necessidades e realizações.
Perante essa reflexão, a posição que o sujeito ocupa na sociedade, seus hábitos e seu comportamento serão delimitados pela hierarquia social; o que os sujeitos de determinado grupo consomem e utilizam, além de seus bens, diferenciarão as estruturas sociais. E para assumir as características simbólicas de determinado grupo, o indivíduo precisa ter as condições que lhe permitam realizar esses desejos.
Essa diferenciação entre as classes ou estruturas sociais irá reproduzir diversas possibilidades e expectativas de realizações para a obtenção de bem-estar e conforto na sociedade. Isso se deve porque os indivíduos que integram cada camada social têm objetivos e necessidades diferentes, as quais são exteriorizadas no estilo de vida – construção histórico-social do sujeito que influencia seus hábitos.
A relação entre as esferas das percepções objetiva e subjetiva
As condições monetárias e de manutenção da subsistência de alguns indivíduos são melhores que as de outros, assim, os indivíduos com melhores condições monetárias e de subsistência terão uma possibilidade maior de escolhas em relação a suas ações para a adoção de um estilo de vida. Essas possibilidades são desenvolvidas de acordo com o modo de vida das pessoas, que irá permitir fazer escolhas que direcionem o estilo de vida.
Ter uma boa perspectiva de qualidade de vida dependerá de quais possibilidades o sujeito tem para satisfazer as suas necessidades fundamentais, e isso está relacionado com a capacidade de realização do indivíduo, o qual depende das oportunidades reais para que as ações ocorram – em outras palavras, o sujeito deve ser o principal ator social, isto é, alguém que atua, que age na sociedade. Segundo Almeida et al. (2012), a construção de uma boa ou má percepção de qualidade de vida está ligada:
• À percepção relativa à qualidade do ambiente em que o indivíduo se encontra.
• Ao oferecimento de oportunidades e condições para realização de satisfação das necessidades básicas as quais a própria sociedade estipula como essenciais.
A percepção da qualidade de vida – boa ou ruim – vai depender da compreensão do sujeito em relação ao ambiente em que está inserido, juntamente com as ações que realiza para a manutenção de suas necessidades e expectativas.
INSTRUMENTO PARA MEDIÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA
Os estudos sobre qualidade de vida, segundo Almeida et al. (2012), podem ser classificados de acordo com quatro abordagens:
• Econômica: tem como principais elementos os indicadores sociais, como renda, transporte, acesso aos serviços públicos, entre outros.
• Biomédica: refere-se às condições de se oferecer melhoria na vida dos enfermos, principalmente em relação à saúde e níveis de funcionamento social.
• Psicológica: busca indicadores que tratam das reações subjetivas do indivíduo com suas experiências sobre qualidade de vida, sendo avaliado por sua própria vida, felicidade e satisfação.
• Geral: abordagem multidimensional que apresenta uma organização mais complexa e dinâmica dos componentes. Valores, inteligência e interesses pessoais são fatores que devem ser considerados.
Sendo assim, os parâmetros mais complexos estão relacionados às ideias de ser, pertencer e transformar. O ser se relaciona com as habilidades individuais, a inteligência, os valores e as experiências de vida; o pertencer se associa às ligações interpessoais, às escolhas, além da participação em grupos e da inclusão em programas sociais; o transformar trata das práticas, como trabalho, programas educacionais, oportunidades de desenvolvimento das habilidades em estudos formais e informais. 
Esses parâmetros apresentam uma organização de muito dinamismo entre si, que considera a pessoa e o ambiente, bem como as oportunidades e os obstáculos.
INSTRUMENTO PARA MEDIÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA
Gutierrez e Almeida (2006) ainda qualificam que a noção de qualidade de vida remete à relação entre o sujeito e a sociedade, tendo como parâmetros alguns referenciais:
• Desenvolvimento econômico, social e tecnológico da sociedade.
• Valores, necessidades e tradições.
• Separações sociais, pois as ideias de qualidade de vida se relacionam aos ideais de bem-estar das camadas superiores e à passagem para essas camadas.
Os instrumentos que são utilizados para a avaliação e a mensuração da qualidade de vida variarão de acordo com a abordagem e os objetivos dos estudos. O IDH e o WHOQOL são uma tentativa de padronização de medida, permitindo a comparação entre sociedades.
Índice de Desenvolvimento Humano – IDH
Uma das formas mais tradicionais e usadas como classificação em nível mundial para avaliar a qualidade de vida em grandes populações ou nos diversos países é o Índice de Desenvolvimento Humano.
O IDH é um instrumento que tenta obter uma visão da realidade global de um país, e tem como parâmetros os âmbitos de saúde, educação e renda, porém não abrange os componentes relacionados ao desenvolvimento do ser humano.
Índice de Desenvolvimento Humano – IDH
O IDH não consegue quantificar os níveis de felicidade do indivíduo, os níveis de democracia, de participação da população na sociedade nem as desigualdades sociais presentes, ou quanto os sujeitos conseguem ter sua sustentação garantida.
A qualidade de vida de um indivíduo ou população não pode ser medida somente de uma perspectiva objetiva, como a renda, por exemplo, mas também é necessária a perspectiva subjetiva da pessoa a respeito da forma como ela concebee entende o contexto social.
Logo, essa qualidade é construída a partir da relação entre diversos fatores, como biológicos, sociais e psicológicos, além da integração entre o sujeito e a sociedade, considerando-se o período da vida e o meio sociocultural em que ele está inserido.
A avaliação da qualidade de vida envolverá aspectos físicos, psicológicos, sociais e espirituais, e para se ter uma mensuração confiável é necessário incluir diversos domínios independentes e que são aspectos de extrema importância para obter uma concepção integral da qualidade de vida de um sujeito 
Os instrumentos WHOQOL - 100 e WHOQOL - bref
O WHOQOL Group, um grupo de estudos e pesquisa em qualidade de vida da Organização Mundial de Saúde, em um trabalho colaborativo multicêntrico, ou seja, abordando diversas culturas, desenvolveu o WHOQOL-100, que é um instrumento de qualidade de vida composto de 100 itens, divididos em seis domínios e 24 facetas.
DOMÍNIOS DO WHOQOL-100 – quadro
A construção desse instrumento ocorreu em quatro estágios, que vão desde a tentativa da construção de um conceito ou um consenso para a qualidade de vida por experts (peritos) da área, passando pela confecção de um instrumento piloto e a testagem em campo.
Mesmo não apresentando um conceito sobre qualidade de vida, três pilares referentes ao constructo desse termo foram definidos, por meio dos especialistas na temática de diversas culturas. Os três aspectos fundamentais são (FLECK, 1998):
• Subjetividade.
• Multidimensionalidade.
• Presença de dimensões positivas e negativas.
Os instrumentos WHOQOL - 100 e WHOQOL - bref
A ideia de se utilizar uma diversidade cultural na construção desse instrumento mundial é, a partir dessas realidades diferentes, tentar ao máximo reduzir as interferências culturais, principalmente pertencentes à perspectiva subjetiva dos sujeitos – diferentes de um instrumento formado em uma única realidade, como a dos Estados Unidos.
O instrumento utiliza uma escala de respostas do tipo Likert, em três escalas: escala de intensidade (nada; muito pouco; mais ou menos; bastante; extremamente); escala de frequência (nunca; raramente; às vezes; repetidamente; sempre); escala de avaliação (muito ruim; ruim; nem ruim/nem bom; bom; muito bom, e muito insatisfeito; insatisfeito nem satisfeito/nem satisfeito; satisfeito; muito satisfeito).
TABELAS
A tradução desse instrumento para o português foi realizada pelo Departamento de Psiquiatria e Medicina Legal da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, respeitando os parâmetros e a metodologia propostos pela OMS.
No entanto, esse instrumento que apresenta 100 questões tem a característica de ser longo e sua aplicação exige um tempo maior por parte do entrevistado e do entrevistador. Portanto, diante dessa realidade e da necessidade de um questionário mais conciso, o grupo de Qualidade de Vida da OMS desenvolveu uma versão abreviada do WHOQOL-100, criando o WHOQOLbref 
Os instrumentos WHOQOL - 100 e WHOQOL - bref
DOMÍNIOS E FACETAS DO WHOQOLBREF – quadro
Tanto o IDH como os WHOQOL-100 e WHOQOLbref têm suas metodologias e validades comprovadas, permitindo comparações entre os estudos, porém ambos apresentam limitações, uma vez que cada um pretende avaliar uma esfera e especificações de uma sociedade e do indivíduo em cada contexto.
No Brasil, a produção de conhecimento é relativamente nova, e a cada ano tem aumentado não apenas em alguns grupos determinados, mas também em indivíduos com alguma patologia determinada, levando em consideração o conhecimento de como a enfermidade compromete a vida dos indivíduos, focalizando na qualidade de vida relacionada à saúde.
QUALIDADE DE VIDA E CORPOREIDADE
Qual a relação existente entre a qualidade de vida e a corporeidade? Em um primeiro momento é difícil relacioná-las, mas é preciso uma reflexão sobre os conceitos que compõem a qualidade de vida e a corporeidade, a fim de se realizar a associação entre eles.
Quando se reflete sobre a construção da corporeidade, principalmente na sociedade ocidental, temos a separação ou a dicotomia de corpo e mente, passando pelo cartesianismo (proposta de René Descartes), até chegar ao conhecimento mais aprofundado e contemporâneo de Foucault e Merleau-Ponty, que consideram a corporeidade como a dinâmica de um indivíduo dentro de um mundo, interagindo e modificando-o por intermédio e aprendizado do corpo integral.
É interessante observar que a corporeidade e a qualidade de vida aludem ao indivíduo para que ele seja um ser de transformação, mediante o corpo e a cultura em que está inserido, e não apenas um mero reprodutor de uma cultura, de um poder ou de paradigmas sociais.
A qualidade de vida e, principalmente, os aspectos pertinentes à esfera de percepção subjetiva estão estreitamente relacionados às experiências do corpo humano no mundo em que ele vive. No entanto, para que essa experiência seja de fato uma transformação do ser humano e do mundo, é necessário que se tenha uma educação que se fundamente
QUALIDADE DE VIDA E CORPOREIDADE
na noção de que o homem não é um ser composto apenas de sua inteligência, mas de seu corpo, sua sensibilidade e sua imaginação.
Pela corporeidade, o homem tem de compreender de uma forma significativa os aspectos culturais, pois a qualidade de vida também está relacionada com uma caracterização, uma delimitação e com o reflexo cultural da sociedade. O corpo não é “nada mais” que um símbolo da sociedade em que ele vive; o corpo reproduz em escala menor os perigos e poderes que são atribuídos à estrutura social vigente.
Em face disso, a qualidade de vida é um processo que deve ser incorporado pelo sujeito, por meio da corporeidade, que tenta entender o ser humano em seu sentido mais amplo, relacionado com sua história e sua cultura. Entretanto, para que isso ocorra, não é possível reduzir o ser humano a uma única esfera de compreensão ou somente a uma visão/interpretação objetiva.
Na sociedade atual, os valores da pós-modernidade e a noção da qualidade de vida estão relacionados ao consumo de bens, ou melhor, aos sonhos de consumo, como o consumo estético e o consumo material, por exemplo, e isso acaba por afastar o sentido de que a qualidade de vida e a corporeidade estão intimamente ligadas, pois sem essa relação o processo para o desenvolvimento de ambas perde o sentido dos conjuntos e das marcas culturais que compõem o sujeito e a sociedade em que se relaciona.
QUALIDADE DE VIDA E CORPOREIDADE
Diante disso, a qualidade de vida está ligada – vem juntamente – com a corporeidade, o corpo vivo, o corpo vivido, pois uma pessoa só irá compreender e identificar a sua qualidade de vida sabendo como é a corporeidade.
Assim, a corporeidade parte de um processo de aprendizagem pelo corpo, que tem como objetivo compreender o ser humano, pois a relação com o corpo é com outro ser humano, dando sentido a sua existência, sua história e a sua cultura, trazendo este protagonismo social que a qualidade de vida proporciona.
E a corporeidade, juntamente com a incorporação de uma qualidade de vida significante, promove uma transcendência, que irá exigir um processo de entendimento e aprendizado significativo da cultura, pois com isso se constrói a história, a partir disso se perpetua a cultura que auxilia na construção do corpo.
Incorporar a dimensão de corpo ativo e qualidade de vida em um processo de educação requer pensamento e trabalho complexos, uma vez que não existe um caminho, uma receita como resposta, mas sim uma motivação e um desafio de reflexão, tendo como ideia de que é um conhecimento multidimensional que é preciso adquirir, sabendo que surgirão dificuldades e incertezas de que as respostas não serão claras.
QUALIDADE DE VIDA E CORPOREIDADE
A prática de um exercício físico é um fator importante para a prevenção e o tratamento de doenças, bem como garantir melhorias nos estados físicos e emocionais do indivíduo. Entretanto, é necessário ter ciência de algumas variáveisa fim de garantir uma prática de acordo com idade, sexo, condições socioeconômicas, entre outras, para saber como orientar essa prática. 
A atividade física “representa parte da preparação do homem para a atividade profissional ou alguma outra atividade”. Perante isso, a atividade física pode ser caracterizada como um instrumento em que o indivíduo pode modificar e adaptar seu corpo para, assim, obter melhoria em sua qualidade de vida.
EDUCAÇÃO FÍSICA E QUALIDADE DE VIDA
A Educação Física e a qualidade de vida sempre tiveram uma relação bem estreita, independentemente do conceito adotado, ambas conectam aspectos físicos, emocionais e de relacionamento, sempre associados ao bem-estar.
Nos últimos anos, tem aumentado o interesse pela adesão à prática regular de atividades físicas, com os mais diversos objetivos, sendo eles estéticos, de promoção ou manutenção da saúde. 
EDUCAÇÃO FÍSICA E QUALIDADE DE VIDA
A cultura de uma sociedade em que o sujeito está inserido determinará como se dá a relação entre a atividade física e a qualidade de vida.
Os hábitos saudáveis dos indivíduos e os estilos de vida, que compreendem principalmente a esfera de percepção subjetiva de cuidados à saúde, interferem nas atitudes cotidianas. 
Percebe-se que os hábitos que interferem no cotidiano englobam ações, como alimentação, relacionamentos interpessoais e prática de atividade física. Em face disso, é inegável que a incorporação de hábitos saudáveis advém do comprometimento do indivíduo a uma rotina apropriada, desde que as suas condições de vida favoreçam essas escolhas.
Na sociedade atual, é atribuída uma colocação privilegiada para a atividade física, a fim de conquistar uma situação melhor de saúde, denotando uma função ampliada, embora advinda de um único conceito e, por consequência, resumindo as diversas dimensões que permeiam o ser humano.
A atividade física está relacionada ao movimento humano, realizado pelo próprio corpo e seus componentes, gerando um gasto energético, independentemente de ser uma atividade sistematizada ou até mesmo uma atividade da vida cotidiana.
EDUCAÇÃO FÍSICA E QUALIDADE DE VIDA
É “vendido” um paradigma de que a atividade física está sempre conectada com a saúde, gerando estereótipos de saúde e boa forma.
A atividade física, assim como a saúde, apresenta um composto de variáveis e opções existentes, a prática de atividade deve estar de acordo com as características e as expectativas do indivíduo.
O predomínio por atividade “A” ou “B” muda com o passar dos anos. Na década de 1970 havia predominância pelas atividades da ginástica aeróbica.
Já nos anos de 1980, a atividade predominante era o treinamento de força, principalmente pelo aumento no número de fabricantes de máquinas e equipamentos para academia. Essa ideia permanece até hoje, pois se uma academia não tiver os últimos equipamentos e recursos disponíveis no mercado ela será considerada defasada.
Na década de 1990, a Educação Física no Brasil se tornava uma profissão regulamentada, dando um maior investimento em qualificação, credibilidade e profissionalismo. No entanto, o movimento fitness ainda conseguia angariar e sensibilizar a sociedade a respeito do combate ao sedentarismo, principalmente por ações vinculadas nas mídias, com discursos motivacionais redundantes e sem embasamento científico. Esse movimento também é responsável por instaurar alguns conceitos de que para se ter um
EDUCAÇÃO FÍSICA E QUALIDADE DE VIDA
grande ganho, ou seja, benefícios fisiológicos, é preciso “treinar bastante” – enfatizando a ideia de “quanto mais, melhor”. Muitas vezes, essa abordagem é acompanhada por um número muito elevado de dias e horas de treinamento, assim como o uso indiscriminado de agentes anabolizantes.
Atualmente, em oposição ao estilo fitness , que ainda apresenta grande influência, foi desenvolvida a abordagem de wellness, a qual tem como fundamento filosófico o conceito de bem-estar, em oposição à ideia fitness . Assim, passa a ser atribuído um valor maior aos ideais de como o indivíduo se sente ao fazer uma atividade. A ioga, o tai chi chuan e o pilates, por exemplo, ganharam muito adeptos.
De acordo com Almeida et al . (2004, p. 48), é possível enumerar duas categorias que influenciam a aptidão do indivíduo para essas práticas:
• Atividade física incorporada ao estilo de vida: prática que não tem o objetivo de alcançar os limites físicos do organismo, focando no antissedentarismo, no prazer pela prática e na socialização. As atividades podem ou não ser sistematizadas, não excluindo a sensação de cansaço e esforço.
• Atividade física ligada ao treinamento e melhoria de performance atlética: busca o rendimento atlético máximo para uma excelente performance . Sempre acontece de uma forma sistematizada, com variáveis de controle relacionadas ao objetivo determinado. Engloba-se às situações de treinamento esportivo e estético.
EDUCAÇÃO FÍSICA E QUALIDADE DE VIDA
Com essas duas abordagens é possível verificar uma variação muito grande, uma heterogeneidade de práticas, porém ambas ainda tentam trabalhar o bem-estar dos indivíduos, independentemente do objetivo específico de prática.
Para relacionar a atividade física com a saúde, deve-se considerar os seguintes aspectos
• Características do sujeito.
• Aptidão física.
• Sentido da prática.
• Objetivo da prática.
Na atividade física, como em qualquer atividade, ocorrem trocas de informações e, com elas, alterações em preceitos morais e éticos, influenciadores da formação e do desenvolvimento a respeito da qualidade de vida do sujeito.
A prática regular da atividade física, quando desenvolvida de uma forma que respeite as características do indivíduo – incluindo-se seus aspectos culturais – acarreta benefícios para os diversos sistemas que integram o organismo, assim como é importante para o tratamento de algumas patologias.
VER PATOLOGIAS NA APOSTILA – PÁG. 88
ESPORTE E QUALIDADE DE VIDA
O esporte, uma das atividades físicas que tem muita influência na qualidade de vida do indivíduo e até de sociedades inteiras, pode favorecer mudanças no modo e condições dos sujeitos (de uma forma profissional ou não).
O esporte tem função para a vida do homem em sociedade, principalmente na questão da socialização, em que são transmitidos valores, diversas formas de sociabilização, educação e saúde. Embora possa ser considerado como expressão de uma arte, ele também tem sido usado como palco para banalização e violência social.
O esporte também sofre uma imensa influência mercadológica e da mídia; consequentemente, acaba sofrendo processos de discriminação por parte de uma parcela dos profissionais que trabalham com atividade física e qualidade de vida.
O esporte possui algumas dimensões, a saber:
• Papel histórico, sua racionalização e a ligação com os capitais simbólicos, artísticos e de poder.
• Dimensão científica.
• Ligação com a industrialização e a profissionalização.
• Mídia, políticas públicas, preconceito e violência.
• Transmissão de valores integrados às ações culturais de um grupo social.
ESPORTE E QUALIDADE DE VIDA
No Brasil (1998), através da Lei nº 9.615/1998, ficou reconhecido que as manifestações do esporte são:
• Esporte educacional: praticado nos sistemas de ensino e em formas assistemáticas de educação, evitando-se a seletividade, a hipercompetitividade de seus praticantes, com a finalidade de alcançar o desenvolvimento integral do indivíduo e a sua formação para o exercício da cidadania e a prática do lazer.
• Esporte participação: caracterizado pela prática voluntária, compreendendo as modalidades desportivas com finalidade de contribuir para a integração dos praticantes na plenitude da vida social, na promoção da saúde e educação e na preservação do meio ambiente.
• Esporte rendimento: praticado segundo regras nacionais e internacionais, com a finalidade de obter resultados, integrar pessoas e comunidades do país e estas com as de outras nações.
• Esporte formação: caracterizadopelo fomento e conquista inicial dos conhecimentos esportivos, que irão garantir a competência técnica esportiva, com objetivo do aperfeiçoamento qualitativo e quantitativo da prática dos esportes no que se refere à competição, à recreação e ao alto rendimento.
O esporte não está relacionado somente ao rendimento esportivo, ao atingir metas e recordes mundiais, mas também às modalidades esportivas serem utilizadas como uma possiblidade de movimentos diversos, com uma intencionalidade e uma relação entre as potencialidades dos corpos dos seres humanos, tendo assim uma interação social, em que isso faz parte de um processo de desenvolvimento da cidadania.

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