Aposila-Teorica-Administracao-Publica
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Apostila Teórica \u2013 Administração Pública \u2013 Professor Ygor Loureiro SUMÁRIO 
 
A Evolução da Administração Pública e a Reforma do Estado................................... 2 
 
Estrutura organizacional do Estado: Três Poderes.................................................... 6 
 
As três formas de Administração Pública.......................................................... ........ 7 
 
O Paradigma pós-burocrático....................................................................................10 
 
Governança e Governabilidade..................................................................................11 
 
Excelência nos Serviços Públicos.............................................................................12 
 
Excelência na Gestão dos Serviços Públicos............................................................15 
 
Gestão de resultados na prestação do serviço público............................................. 27 
 
Convergências e Diferenças entre a Gestão Pública e a Gestão Privada................. 35 
 
Empreendedorismo governamental e novas lideranças no setor público.................. 36 
 
O Paradigma do cliente na gestão pública............................................................... 40 
 
Qualidade................................................................................................................ 41 
 
Reengenharia ........................................................................................... ...............55 
 
Impactos sobre a configuração das organizações públicas e processos de gestão....57 
 
Decreto 5.378/2005................................................................................................. 60 
 
Decreto 9.094/2017.................................................................................................. 64 
 
 
 
 
 
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A Evolução da Administração Pública e a Reforma do Estado 
\u2022 Tendo em vista as práticas patrimonialistas (rent-seeking ou privatização do Estado 
\u2013 usar a máquina administrativa com fins privados) correntes em nossa cultura, 
Vargas optou pela adoção de um modelo que pautasse pelo controle minucioso das 
atividades-meio, ou seja, acreditou que a burocracia (modelo idealizado por 
Weber), dado seu caráter rígido e hierarquizado, poderia ordenar a máquina 
administrativa em nosso País. Criava-se o primeiro modelo estruturado de 
administração do Brasil. 
\u2022 Para facilitar sua implementação, contou com o apoio do DASP (Departamento 
Administrativo do Setor Público). Nessa época, em virtude da desconfiança total 
que havia no servidor público, o modelo burocrático revelava-se o mais adaptado. 
Com isso, Vargas almejava basicamente três coisas: criar uma estrutura 
administrativa organizada (uniforme), estabelecer uma política de pessoal com 
base no mérito e acabar com o nepotismo e corrupção existentes. 
\u2022 Com o passar do tempo, percebeu-se que a burocracia revelou ser um modelo 
pouco flexível, inadequado em cenários dinâmicos. 
\u2022 A partir daí, é possível identificar diversas tentativas de desburocratizar a máquina: 
a criação do COSB (Comitê de Simplificação da Burocracia), da SEMOR 
(Secretaria de Modernização da Reforma Administrativa), o Decreto-Lei 200/67, o 
PND (Programa Nacional de Desburocratização), dentre outros. 
\u2022 Em 1995, com a edição do plano diretor, começa a implantação, no Brasil, do 
chamado modelo gerencial. O modelo implica administrar a res publica de forma 
semelhante ao setor privado, de forma eficiente, com a utilização de ferramentas 
que consigam maximizar a riqueza do acionista, ou a satisfação do usuário 
(considerando-se a realidade do serviço público). Busca-se a adoção de uma 
postura mais empresarial, empreendedora, aberta a novas ideias e voltada para o 
incremento na geração de receitas e no maior controle dos gastos públicos. 
\u2022 Começa a ser difundida a ideia de devolução ao setor privado daqueles serviços 
que o Poder Público não tem condições de prestar com eficiência (privatizações), 
devendo o Estado devolver aquilo que cabe intrinsecamente a ele fazer 
(Diplomacia, Segurança, Fiscalização, etc.). 
\u2022 O que propôs, na verdade, foi a quebra de um paradigma, a redefinição do que 
caberia efetivamente ao Estado fazer e o que deveria ser delegado ao setor 
privado. De acordo com Osborne & Gaebler, em \u201cReinventando o Governo\u201d, são 
destacados princípios a serem observados na construção deste modelo: 
1. Formação de parcerias. 
2. Foco em resultados. 
3. Visão estratégica. 
4. Estado catalisador, em vez de remador. 
5. Visão compartilhada e busca da excelência. 
 
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\u2022 Assim, o modelo gerencial (puro, inicial), buscou responder com maior agilidade e 
eficiência aos anseios da sociedade, insatisfeita com serviços recebidos do setor 
público. Tal modelo contudo, representou o início do Managerialism 
(Gerencialismo), que, atualmente, congrega ainda, duas correntes: o Consumerism 
(Consumismo) e o Public Service Orientation (Orientação do Serviço Público - 
PSO). 
\u2022 A preocupação inicial do modelo gerencial foi o incremento da eficiência, tendo em 
vista as disfunções do modelo burocrático. Nessa fase, o usuário do serviço público 
é visto tão somente como o financiador do sistema. 
\u2022 No Consumerism, há o incremento na busca pela qualidade, decorrente da 
mudança do modo de ver o usuário do serviço, de mero contribuinte para cliente 
consumidor de serviços públicos. Nesse momento, há uma alteração no foco da 
organização: a burocracia, que normalmente é voltada para si mesma, passa a 
observar com maior cuidado a razão de sua existência: a satisfação de seu 
consumidor. 
\u2022 Com isso, buscar-se-á proporcionar um atendimento diferenciado com vistas ao 
atendimento de necessidades individualizadas. 
\u2022 Na fase mais recente, o entendimento de que o usuário do serviço deve ser visto 
como cliente-consumidor perdeu força, pois a ideia de consumidor poderia levar a 
um entendimento melhor para alguns e pior para outros, num universo em que 
todos têm os mesmos direitos. 
\u2022 É possível perceber isso quando levamos em consideração que clientes mais bem 
organizados e estruturados teriam mais poder para pleitear mais ou melhores 
serviços, culminando em prejuízo para os menos estruturados. Por isso, nesta 
abordagem é preferível o uso do conceito de cidadão, que, em vez de buscar a sua 
satisfação, estaria voltado para a consecução do bem-comum. O que se busca é a 
equidade, ou seja, o tratamento igual a todos os que se encontram em situações 
equivalentes. 
\u2022 Os cidadãos teriam, além de direitos, obrigações perante à sociedade, tais como a 
fiscalização da res publica, vindo a cobrar, inclusive, que os maus gestores sejam 
responsabilizados (accountability) por atos praticados com inobservância da 
Legislação ou do interesse público. 
\u2022 A fim de aprimorar seu aprendizado, a partir de agora, estaremos reproduzindo 
extratos do Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado. 
\u2022 Estado e sociedade formam, numa democracia, um todo indivisível: o Estado, cuja 
competência e limites de atuação estão definidos precipuamente na Constituição. 
\u2022 Deriva de seu poder de legislar e de tributar a população, da legitimidade que lhe 
outorga a cidadania, via processo eleitoral. 
\u2022 A sociedade, por seu turno, manifesta seus anseios e demandas por canais formais 
ou informais de contato com as autoridades constituídas. 
 
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\u2022 É pelo diálogo democrático entre o Estado e a sociedade que se definem as 
prioridades a que o Governo deve ater-se para a construção de um país mais 
próspero e justo. 
\u2022 Nos últimos anos, assistimos em todo o mundo a um debate acalorado \u2013 ainda