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Metodologia do Ensino da Ginástica Escolar - livro

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o ideal pedagógico, em que a prática de exercícios físicos 
e de jogos deveria ser considerada na formação dos jovens, por isso, necessários 
nas escolas, mesmo que ainda sem uma finalidade didática e metodologia 
sistematizada de cultura corporal do movimento (PEREIRA, 2007). 
Simbolicamente, a partir de 1453, o exercício físico na Idade Moderna, 
quando da tomada de Constantinopla pelos turcos, passou a ser altamente 
valorizado como agente de educação, com contribuição de vários pedagogos, 
para a evolução do conhecimento da educação física com a publicação de obras 
relacionadas à pedagogia, à fisiologia e à técnica, levando à sistematização da 
ginástica (PAOLIELLO, 2011).
O corpo e a beleza física foram celebrados na arte renascentista. A mulher, 
antes ligada ao pecado, reapareceu, seminua e deslumbrante, em O Nascimento 
de Vênus, tela de Sandro Boticelli, pintada em 1485 (MATOS, GENTILE e 
FALZETTA, 2004).
FIGURA 26 – O NASCIMENTO DE VÊNUS, TELA DE SANDRO BOTICELLI
FONTE: Disponível em: <http://www.ufrgs.br/napead/repositorio/objetos/historia-arte/
imgs/idmod/Botticelli_08.jpg>. Acesso em: 14 set. 2015.
Michelangelo Buonarroti enfatizou a beleza do corpo masculino em Davi, 
escultura florentina, em 1504, e na imagem de Adão, pintada no teto da Capela 
Sistina entre 1508 e 1512.
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FIGURA 27 – DAVI DE MICHELANGELO BUONARROTI
FONTE: Disponível em: <http://3.bp.blogspot.com/-FkBnrqdTX44/UZ_
IjDtahfI/AAAAAAAAADw/_fSd3pevOEk/s1600/davi+(1).jpg>. Acesso em: 14 
set. 2015.
Leonardo da Vinci foi o maior dos “artistas-anatomistas” do Renascimento. 
Encheu vários cadernos com anotações e desenhos sobre o funcionamento de órgãos, 
ossos e músculos, que estudava dissecando cadáveres. Reproduzida à exaustão, uma 
das ilustrações dos diários, o Homem Vitruviano (1490), expressa o equilíbrio e as 
proporções da figura masculina (MATOS; GENTILE; FALZETTA, 2004).
FIGURA 28 – HOMEM VITRUVIANO, DE LEONARDO DA VINCI
FONTE: Disponível em: <https://upload.wikimedia.org/wikipedia/
commons/6/67/Tiepolo,_Giovanni_Battista_-_Pulcinella_and_the_
Tumblers_-_1797.jpg>. Acesso em: 14 set. 2015.
UNIDADE 1 | RESGATANDO AS RELAÇÕES ENTRE EDUCAÇÃO FÍSICA E A GINÁSTICA
NO AMBIENTE ESCOLAR
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O guerreiro rude deu lugar a um novo padrão masculino. Esse ideal de 
diversidade se manteve nos séculos seguintes, nos círculos de elite, reforçando a 
necessidade dos exercícios físicos. Até por volta do século XVIII acreditava-se que 
o corpo era apenas o resultado de uma herança genética, mas aos poucos, com 
o crescimento das cidades e o surgimento de novas ocupações, o físico passou 
a ser mais exigido. Por motivos de saúde, de higiene e de necessidade para o 
trabalho cada vez mais repetitivo e especializado (eram os primeiros sinais da 
Revolução Industrial), a prática de exercícios deveria ser estendida para a maioria 
da população e não se restringir ao esporte de elite. Assim, entra o corpo no século 
XIX (MATOS, GENTILE e FALZETTA, 2004).
Com a evolução do conhecimento da prática de exercícios físicos, foram 
publicadas obras relacionadas à pedagogia, à fisiologia e à técnica de execução. Os 
jogos populares, as danças folclóricas e o atletismo eram as formas mais comuns 
de exercícios físicos nesse período (OLIVEIRA e NUNOMURA, 2012).
Atualmente, as competições estão em alta, exigindo ao máximo a 
capacidade física dos atletas, com a superação de limites, quebra de recordes, 
vitória a todo custo. Os esportes de massa surgiram com uma série de 
transformações na vida urbana. A Inglaterra – cenário de mudanças desde a 
Revolução Industrial – foi também o berço dos esportes coletivos, tendo como 
origem as atividades praticadas em colégios e universidades. São elas (MATOS, 
GENTILE e FALZETTA, 2004):
FIGURA 29 – ESPORTES COLETIVOS COM INÍCIO NA INGLATERRA
Competições de barcos a remo, 1829, ano do primeiro 
desafio entre Oxford e Cambridge.
Futebol ganhou regulamento unificado (1843) - as regras de 
Cambridge - e 20 anos depois passou ao controle de uma 
associação nacional.
Boxe adotou em 1867 normas propostas pelo marquês 
de Queensberry. Em 1880, os ingleses fundaram uma 
Associação Atlética Amadora.
FONTE: Matos, Gentile e Falzetta, (2004)
TÓPICO 2 | CONHECENDO A HISTÓRIA DA GINÁSTICA
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Rapidamente, as inovações se espalharam pelo mundo. Em 1892, o barão 
francês Pierre de Coubertin propôs a reedição dos Jogos Olímpicos. Em sua opinião, 
a "exportação de atletas" seria o "comércio livre" do futuro e um instrumento para a 
paz mundial. Quatro anos depois, o rei da Grécia, Jorge I, abriu os primeiros jogos 
da era contemporânea (MATOS, GENTILE e FALZETTA, 2004).
Determinados modelos, especialmente os métodos ginásticos europeus 
do século XIX, constituídos a partir das diversas formas de se pensar os exercícios 
físicos em países da Europa, como Dinamarca, Áustria, Alemanha, França, 
Suécia e Inglaterra, construíram a ginástica contemporânea. Pode-se dizer que 
o movimento ginástico europeu é fruto do pensamento científico da época, que 
desejava atribuir um caráter de utilidade aos exercícios físicos, com princípios 
de ordem e disciplina, contribuindo assim para o afastamento da ginástica de 
seu núcleo primordial: o divertimento. Neste contexto, houve uma tentativa 
de negação das práticas populares de artistas de rua, de circo, acrobatas, entre 
outros, que apresentavam a ginástica como espetáculo, trazendo o corpo como 
centro de entretenimento (OLIVEIRA, 2007). 
Quatro principais escolas, a Escola Alemã, a Escola Sueca, a Escola 
Francesa, serviram de suporte para o surgimento dos principais métodos 
ginásticos, o que resultou nos três grandes movimentos ginásticos da Europa: o 
Movimento do Oeste na França, o Movimento do Centro na Alemanha, Áustria e 
Suíça e o Movimento do Norte, englobando os países da Escandinávia. E a Escola 
Inglesa, que se voltou para as atividades desportivas (SOUZA, 1997).
A Escola Alemã era de caráter extremamente nacionalista, com o 
objetivo de preparar os corpos para a defesa da pátria, criando um forte espírito 
nacionalista para atingir a unidade, com homens e mulheres fortes, robustos e 
saudáveis, apoiando-se nas ciências biológicas, para desenvolver seus métodos 
(DODÔ e REIS, 2014).
Em 1760, inspirado nas doutrinas pedagógicas de Jean-Jacques Rousseau 
(1712-1778) e John Locke (1632-1704), Johann Bernard Basedow (1723-1790) iniciou 
um processo de estruturação, denominado Método Alemão, que posteriormente 
atingiu o ápice com os trabalhos de Johann Christoph Friedrich Guts-Muths (1759-
1839), Adolph Spiess (1810-1854) e Friedrich Ludwig Jahn (1778-1852) (DODÔ e 
REIS, 2014).
Guts-Muths foi considerado o pai da ginástica pedagógica. Para ele, 
deveria ser organizada pelo Estado e ministrada todos os dias e para todos. 
Spiess preocupou-se com a inserção da ginástica nas escolas e procurou colocá-
la no mesmo plano das demais disciplinas escolares. Jahn, principal responsável 
pela disseminação do método entre a população, trouxe ao seu sistema o caráter 
militarista e extremamente patriótico, chegando a criar termos próprios, como, 
por exemplo, a palavra Turnen, que significa ginástica (DODÔ e REIS, 2014).
UNIDADE 1 | RESGATANDO AS RELAÇÕES ENTRE EDUCAÇÃO FÍSICA E A GINÁSTICA
NO AMBIENTE ESCOLAR
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Em um manual de ginástica escrito por Guts Muths, ele reconhece 
a importância da fisiologia como base para a elaboração do que chama de 
‘‘verdadeira teoria da ginástica’’. Ele cita 
que uma verdadeira teoria da ginástica deveria ser elaborada baseada 
em princípios fisiológicos e a prática de cada exercício regulada pelas 
qualidades físicas de cada indivíduo, mas tal perfeição não é esperada 
desse trabalho, feito somente pela genuína experiência de oito anos de 
prática, que me convenceram de que a ginástica é necessária à educação’.

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