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Avaliação da Aprendizagem – Profa. Jaqueline Barbosa da Silva Versão provisória em PDF do conteúdo da disciplina. O autor é o titular dos direitos autorais desta obra. Reprodução não autorizada. Uso estritamente pessoal. Para outra utilização, solicitar autorização prévia do titular dos direitos autorais. A disciplina Caros discentes, Nesta disciplina, realizaremos um estudo da avaliação da aprendizagem enquanto objeto de referência do campo da avaliação educacional através da construção de seu campo conceitual e praxiológico e dos diferentes atributos e modos de conceber e praticar a avaliação das aprendizagens dos estudantes. O presente plano de ensino serve como material de apoio para a disciplina “Avaliação da Aprendizagem”, que vivenciaremos neste primeiro semestre de 2011. Os conteúdos a serem trabalhados nas quatro unidades de estudo se basearam no livro AVALIAÇÃO NA PERSPECTIVA FORMATIVA-REGULADORA: pressupostos teóricos e práticos, de autoria do Prof. Dr. Janssen Felipe da Silva (Professor do Núcleo de Formação Docente/Campus Acadêmico do Agreste – Universidade Federal de Pernambuco/Docente permanente dos Programas de Pós-Graduação em Educação do Centro de Educação e do Centro Acadêmico do Agreste da UFPE/E-mail: janssenfelipe@hotmail.com). Nossa intenção ao adaptar os conteúdos do livro à disciplina foi a de oferecer subsídios para a reflexão no campo da avaliação educacional do ensino e aprendizagem em contextos significativos para o ensino básico da Língua Portuguesa e de Literatura de Língua Portuguesa, a partir dos pilares da avaliação formativa-reguladora, no que se refere à tomada de consciência pelos educadores à escola sedutora e à formação do docente como intelectual transformador. Queremos, portanto, contextualizar os pressupostos teóricos e epistemológicos da avaliação educacional do ensino e aprendizagem, caracterizando as concepções prática e político-pedagógica face à função social da educação escolar no cenário da educação brasileira, visando à compreensão do educando enquanto sujeito e agente desse processo. Esse objetivo será alcançado por meio dos conteúdos e propostas de atividades distribuídas em quatro unidades de ensino, ao longo da disciplina, às quais terão o intuito de levá-los(as), a: Avaliação da Aprendizagem – Profa. Jaqueline Barbosa da Silva Versão provisória em PDF do conteúdo da disciplina. O autor é o titular dos direitos autorais desta obra. Reprodução não autorizada. Uso estritamente pessoal. Para outra utilização, solicitar autorização prévia do titular dos direitos autorais. 1) Conhecer os pressupostos teóricos e epistemológicos da avaliação educacional do ensino e aprendizagem, no âmbito da função social da educação escolar brasileira. 2) Discutir a concepção prática e pedagógica da avaliação formativa-reguladora e sua importância na organização do trabalho pedagógico. 3) Compreender a formação docente na práxis da dinâmica pessoal e coletiva. 4) Refletir sobre a pertinência, a validade e os desafios epistemológicos e práticos dos processos avaliativos. O plano da disciplina foi organizado segundo a distribuição dos conteúdos referentes aos capítulos 3, 4 e 5, que compõem o livro-base. E, assim, as propostas de atividades tomaram como eixo a discussão teórica abordada no livro, a partir de autores renomados na área da avaliação, Ana Maria Saul, Phillipe Perrrenoud, Jussara Hoffmann, etc. Para o trabalho na unidade de estudo I, a discussão dos aspectos teóricos e epistemológicos da avaliação esta fundamentada pela trajetória do paradigma educacional. Na unidade II, a concepção prática e pedagógica da avaliação foi enfocada a partir do pressuposto da avaliação formativa-reguladora. Na unidade III, as exigências sobre a ação profissional do(a) professor(a) e sua formação é a premissa norteadora para a compreensão do docente como intelectual transformador: ensinar na e para a vida; compreender o aprendente como indivíduo global, histórico, situado que precisa responder aos problemas da vivência em sociedade; entender os processos de aprendizagem como dinâmicas pessoais e coletivas; considerar que a problemática de ensinar não se centra na transmissão dos conteúdos, mas em como se aprende e para que se aprende; reconhecer que o ato de educar é um ato político que exige um posicionamento do(a) professor(a) frente aos embates travados na sociedade; e que a educação escolar contribui para um projeto de sociedade. Avaliação da Aprendizagem – Profa. Jaqueline Barbosa da Silva Versão provisória em PDF do conteúdo da disciplina. O autor é o titular dos direitos autorais desta obra. Reprodução não autorizada. Uso estritamente pessoal. Para outra utilização, solicitar autorização prévia do titular dos direitos autorais. Na unidade IV, a avaliação educacional do ensino e aprendizagem é debatida à luz da função social da educação escolar, considerando sua complexidade quanto à pertinência, à validade e aos desafios epistemológicos e práticos dos processos avaliativos. Frisamos que a proposta da disciplina não pretende anular sua autonomia na realização das atividades. No decorrer do processo, você pode contribuir com a discussão dos conteúdos, participando ativamente do processo de interação, sugerindo leituras, indicando materiais, socializando descobertas, pois o sucesso da aprendizagem se materializará com o envolvimento e a participação ativa de cada um(a) de vocês, discentes matriculados neste Curso. Por fim, reconhecemos que a disciplina Avaliação da Aprendizagem é mais um componente curricular que se aliará aos demais, com o objetivo de contribuir com a formação de professores para o ensino básico da Língua Portuguesa e de Literatura de Língua Portuguesa, especificamente no que se refere à apreensão de uma concepção de educação que oportunize dialogar com os pressupostos pedagógicos e que privilegie a aprendizagem dos educandos. Ao longo dessas quatro unidades de estudo, cabe destacar uma atividade que irá acompanhar toda a sua produção no decorrer do estudo. Trata-se da escrita de um memorial, cuja finalidade é registrar, de forma reflexiva, os aspectos mais importante de cada conteúdo trabalhado, assinalando as possibilidades e os limites na trajetória das aprendizagens. A sistematização deste material será feita a partir do estudo, da experiência, das dicas e orientação, quando necessária, ao longo da disciplina, para que seja publicado ao término da unidade IV na plataforma Moodle. Antes deste material ser disponibilizado para o acesso do coletivo do grupo, vocês deverão antecipar comentários, reflexões e retirar dúvidas no último fórum de conversa intitulado “Trajetórias de aprendizagens sobre avaliação”. Que tenhamos uma ótima experiência de diálogo e troca de conhecimentos ao longo do nosso trabalho! Abraços! Jaqueline Barbosa Avaliação da Aprendizagem – Profa. Jaqueline Barbosa da Silva Versão provisória em PDF do conteúdo da disciplina. O autor é o titular dos direitos autorais desta obra. Reprodução não autorizada. Uso estritamente pessoal. Para outra utilização, solicitar autorização prévia do titular dos direitos autorais. Ementa Estudo da avaliação da aprendizagem enquanto objeto de referência do campo da avaliação educacional: a construção de seu campo conceitual e praxiológico; os diferentes atributos e modos de conceber e praticar a avaliação das aprendizagens dos alunos. Referências ANASTASIOU, Lea das Graças Camargos. Avaliação, Ensino e Aprendizagem: anotações para ações em currículo com matrizintegrativa... In: SILVA, Aida Maria Monteiro; MACHADO, Laêda Bezerra; MELO, Márcia Maria de Oliveira e AGUIAR, Maria da Conceição Carrilho de. Novas subjetividades, currículo, docência e questões pedagógicas na perspectiva da inclusão social, Recife: ENDIPE, 2006. pp. 69-90. BRASIL. O que é a avaliação?. In: Primeiro programa da série da TV Escola – Avaliação e aprendizagem, Mídias na educação – NCE, MEC, 2002. Disponível em http://midiaseducacao- videos.blogspot.com/2007/12/o-que-avaliao.html. Acesso em 10 de janeiro de 2011. ______. Ciclo de aprendizagem e avaliação. In: Segundo programa da série da TV Escola – Avaliação e aprendizagem, Mídias na educação – NCE, MEC, 2002. Disponível em http://midiaseducacao-videos.blogspot.com/2007/10/ciclo-de-aprendizagem-e-avaliao.html. Acesso em 10 de janeiro de 2011. ______. Avaliação e contexto social. In: Terceiro programa da série da TV Escola – Avaliação e aprendizagem, Mídias na educação – NCE, MEC, 2002. Disponível em http://midiaseducacao-videos.blogspot.com/2007/12/avaliao-e-contexto-social.html. Acesso em 10 de janeiro de 2011. ______. Projetos educacionais e avaliação. In: Quarto programa da série da TV Escola – Avaliação e aprendizagem, Mídias na educação – NCE, MEC, 2002. Disponível em http://midiaseducacao-videos.blogspot.com/2007/10/projetos-educacionais-e-avaliao.html. Acesso em 10 de janeiro de 2011. Avaliação da Aprendizagem – Profa. Jaqueline Barbosa da Silva Versão provisória em PDF do conteúdo da disciplina. O autor é o titular dos direitos autorais desta obra. Reprodução não autorizada. Uso estritamente pessoal. Para outra utilização, solicitar autorização prévia do titular dos direitos autorais. ______. Prova Brasil, INEP/MEC, Brasília, 2009. Disponível em http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=210&Itemid=324. Acesso em 28 de fevereiro de 2011. FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa, 37ª ed., SP: Paz e Terra, 2008. HOFFMANN, Jussara. Avaliação: mito e desafio: uma perspectiva construtiva, Porto Alegre: Mediação, 36ª ed., 2005. __________. Avaliar para promover: as setas do caminho, 8ª ed., Porto Alegre: Mediação, 2006. KENSKI, Vani Moreira. Caminhos futuros nas relações entre novas educações e tecnologias. In: SILVA, Ainda Maria Monteiro; MACEDO, Francimar Martins Teixeira; MELO, Márcia Maria de Oliveira; e, BARBOSA, Maria Lúcia de Figueiredo (Orgs.). Políticas Educacionais, Tecnologias e Formação do Educador: repercussões sobre a didática e as práticas de ensino, Recife: ENDIPE, 2006. pp. 213-226. LEAL, Telma Ferraz. Intencionalidades da avaliação na língua portuguesa. In: SILVA, Janssen Felipe da; HOFFMANN, Jussara e ESTEBAN, Maria Teresa (Orgs.). Práticas avaliativas e aprendizagens significativas em diferentes áreas do currículo, 6ª ed., Porto Alegre: Mediação, 2008. pp.19-31. PERRENOUD, Philippe. Avaliação: da excelência à regulação das aprendizagens – entre duas lógicas, trad. Patrícia Chittoni Ramos, Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1999. pp. 09-16. SALINAS, Dino. Prova amanhã! A avaliação entre a teoria e a realidade, trad. Magda Schwartzhaup Chaves, Porto Alegre: Artmed, 2004. SANTIAGO, Maria Eliete. Trabalho pedagógico e avaliação educacional. In: NETO, José Batista e SANTIAGO, Maria Eliete (Orgs.). Formação de professores e prática pedagógica, Recife: Fundação Joaquim Nabuco, Ed. Massangana, 2006. pp. 121-129. SAUL, Ana Maria. Avaliação Emancipatória: desafios à teoria e à prática de avaliação e reformulação de currículo, 7ª ed., São Paulo: Cortez, Autores Associados, 2006. pp. 25-64 SILVA, Janssen Felipe da. Avaliação na perspectiva formativa-reguladora: pressupostos teóricos e práticos, 3ª ed., Porto Alegre: Mediação, 2010. ZABALA, Antoni. Prática educativa, Porto Alegre: Artmed, 1998. Avaliação da Aprendizagem – Profa. Jaqueline Barbosa da Silva Versão provisória em PDF do conteúdo da disciplina. O autor é o titular dos direitos autorais desta obra. Reprodução não autorizada. Uso estritamente pessoal. Para outra utilização, solicitar autorização prévia do titular dos direitos autorais. Sumário 1. A AVALIAÇÃO EDUCACIONAL DO ENSINO E APRENDIZAGEM: campo conceitual e praxiológico 1.1 Origem histórica e epistemológica da avaliação educacional 1.2 Concepções e procedimentos da avaliação no âmbito da educação brasileira 2. PRESSUPOSTOS DA AVALIAÇÃO FORMATIVA-REGULADORA 2.1 Pedagogia do encantamento e os pressupostos pedagógicos 2.2 Educabilidade 2.3 Pedagogia diferenciada 2.4 Pesquisa como princípio do trabalho pedagógico 2.5 Centralidade nas aprendizagens significativas 2.6 Escola como lócus de aprendizagens, de multiplicidade cultural, de tensão e aberta a mudanças 2.7 Currículo flexível e contextualizado 2.8 Projeto Político-Pedagógico como elemento articulador e orientador da prática pedagógica 2.9 Compromisso social 3. EXIGÊNCIAS SOBRE A PRÁXIS E A FORMAÇÃO DOCENTE 3.1 O desenvolvimento integrado e contínuo nas trajetórias de aprendizagem 3.2 Intencionalidades do professor como intelectual transformador 4. DESAFIOS EPISTEMOLÓGICOS E PRÁTICOS DA AVALIAÇÃO EDUCACIONAL DO ENSINO E APRENDIZAGEM 4.1 Princípios norteadores da avaliação formativa-reguladora 4.2 Procedimentos avaliativos 4.3 Natureza das tarefas e dos instrumentos avaliativos Avaliação da Aprendizagem – Profa. Jaqueline Barbosa da Silva Versão provisória em PDF do conteúdo da disciplina. O autor é o titular dos direitos autorais desta obra. Reprodução não autorizada. Uso estritamente pessoal. Para outra utilização, solicitar autorização prévia do titular dos direitos autorais. 1. A avaliação educacional do ensino e aprendizagem: campo conceitual e praxiológico OBJETIVO: conhecer os pressupostos teóricos e epistemológicos da avaliação educacional do ensino e aprendizagem, no âmbito da função social da educação escolar brasileira. ATIVIDADE 1 No nosso primeiro encontro, voltaremos no tempo, recorrendo a nossa lembrança/memória de um passado que vez ou outra contamina o nosso presente e registrando lembranças da nossa trajetória de escolarização, que marcaram nossa experiência como estudante. Entre as situações recordadas, você pode registrar aquela considerada como significativa e marcante ou, talvez, uma situação que, na sua opinião, não deveria ser levada para a prática profissional. Não esqueça de destacar as pessoas presentes, o espaço e o contexto de ocorrência. Aguardo o registro e comentário no Fórum “Memória de situações avaliativas que marcaram a trajetória de escolarização”, no período de 12 a 26 de março, para que possamos compartilhar as lembranças. 1.1 Origem histórica e epistemológica da avaliação educacional A conversa inicial de resgate da memória de situações avaliativas que marcaram a trajetória de escolarização de vocês revelaram indiretamente nossas concepções de avaliação, ao anunciar práticas pedagógicas que lançaram mão de tratamentos (in)desejáveis evocados das experiências que compreendem a avaliação de forma equivocada. Ao mesmo tempo, também percebemos Avaliação da Aprendizagem – Profa. Jaqueline Barbosa da Silva Versão provisória em PDF do conteúdo da disciplina. O autor é o titular dos direitos autorais desta obra. Reprodução não autorizada. Uso estritamente pessoal. Para outra utilização, solicitar autorização prévia do titular dos direitos autorais. apreciações que ora ressaltaram o julgamento de valor sobre os resultadosalcançados nas relações estabelecidas e ora evidenciaram a concepção reducionista da avaliação, que parece muitas vezes desconectada do mundo. Embora, essas multiplicidades de vivências tenham marcado a nossa forma de compreender a avaliação, não podemos negar a influência dos nossos mestres com o pensamento de Ralph W. Tayler. FIQUE POR DENTRO Ralph W. Tyler (1902-1994) educador norte- americano de grande influência na teoria da avaliação educacional no Brasil. Defensor da proposta de “avaliação por objetivos” ficou conhecido nos meios educacionais pelo enfoque comportamentalista, destinado ao julgamento e modificação dos comportamentos. Dentre os trabalhos desenvolvidos, causou grande e duradouro impacto nos meios educacionais com o “Estudo dos Oito Anos”, o qual incluía uma variedade de procedimentos avaliativos tais como: testes, escalas de atitude, inventários, questionários, fichas de registro de comportamento (check lists) e outras medidas para colher evidências sobre o rendimento dos discentes numa perspectiva longitudinal. Vamos agora conhecer a origem histórica e epistemológica da avaliação educacional, aquela que considera a ideia de um único modelo de sociedade cunhado pela modernidade; e uma outra que transita pelo contexto difuso e obscuro das possibilidades da transição paradigmática, o qual emerge de uma realidade socioeducacional marcada por profundas ressignificações e conflitos em busca de novos sentidos para o currículo, a organização do trabalho pedagógico e a relação entre ensino e aprendizagem. Avaliação da Aprendizagem – Profa. Jaqueline Barbosa da Silva Versão provisória em PDF do conteúdo da disciplina. O autor é o titular dos direitos autorais desta obra. Reprodução não autorizada. Uso estritamente pessoal. Para outra utilização, solicitar autorização prévia do titular dos direitos autorais. Em seu sentido amplo, a avaliação apresenta-se como atividade associada à experiência cotidiana do ser humano, podendo ser compreendida como “[...] um conjunto de experiências e de vivências de professores e de alunos que tendem a evidenciar ou constatar determinadas aprendizagens do aluno com a finalidade de julgá-las” (SALINAS, 2004, p. 23). Quando centrada no paradigma educacional das aprendizagens significativas, a avaliação é concebida como “processo/instrumento de coleta de informações, sistematização e interpretação das informações, julgamento de valor do objeto avaliado através das informações tratadas e decifradas, e por fim, tomada de decisão” (SILVA, 2008, pp. 12-13). Quanto à avaliação da aprendizagem, Saul (2006, p. 48) define como [...] uma das dimensões do papel do professor, transformou-se numa verdadeira “arma”, em um instrumento de controle que tudo pode. Através deste uso exacerbado do poder, o professor mantém o silêncio, a “disciplina” dos alunos; ganha a “atenção” da classe, faz com que os alunos executem as tarefas de casa, não esqueçam os materiais... Vale lembrar que essas definições não esgotam a realidade nem o sentido das práticas. A seguir, serão estabelecidas breves considerações que dizem respeito às mudanças do contexto social que afetam diretamente a educação, a prática educativa e o ato de avaliar. A desestabilização da ordem moderna abre as portas das possibilidades como também das incertezas, encorajando-nos a sermos construtores de paradigmas alicerçados na relação entre a localidade e a globalidade, numa dinâmica de negociações constantes entre os Avaliação da Aprendizagem – Profa. Jaqueline Barbosa da Silva Versão provisória em PDF do conteúdo da disciplina. O autor é o titular dos direitos autorais desta obra. Reprodução não autorizada. Uso estritamente pessoal. Para outra utilização, solicitar autorização prévia do titular dos direitos autorais. diferentes. Por isso a realidade não comporta teorias fechadas, restritas, ações uniformes e pensamentos lineares. SILVA, 2010, p. 23. A proliferação dos pressupostos positivistas no tocante à avaliação da aprendizagem fez registrar a expansão das atividades de desenvolvimento do currículo, acentuando a necessidade de avaliar os programas educacionais. LEITURA BÁSICA Para aprofundar a discussão, recorrer à leitura de Ana Maria Saul (2006, pp. 25-64). E, assim, as abordagens quantitativa e qualitativa marcaram o panorama da avaliação educacional. Na abordagem quantitativa, os pressupostos éticos, epistemológicos e metodológicos carregam influência do rigor positivista, identificados na defesa da objetividade, no método hipotético- dedutivo, nas normas da metodologia estatística, numa maior ênfase nos produtos e resultados, no controle rigoroso, na manipulação e neutralidade, de modelo experimental e uma tendência a generalizações estatísticas. De acordo com essas considerações, a educação é concebida como um processo meramente tecnicista, assumindo a diferença entre fatos e valores, fins e objetivos e a neutralidade da intervenção tecnológica, através da comprovação dos objetivos previamente estabelecidos. Em reação a abordagem quantitativa, na década 60 se instalou o modelo qualitativo, com o propósito de compreender a realidade a fim de interpretar e intervir, bem como considerar a relativa objetividade da ciência. Avaliação da Aprendizagem – Profa. Jaqueline Barbosa da Silva Versão provisória em PDF do conteúdo da disciplina. O autor é o titular dos direitos autorais desta obra. Reprodução não autorizada. Uso estritamente pessoal. Para outra utilização, solicitar autorização prévia do titular dos direitos autorais. Esses dois modelos se inserem na discussão do panorama da avaliação educacional, mas não se esgotam em si mesmo. Apesar de não haver registro na literatura, conforme afirma Saul (2006), o surgimento do paradigma da avaliação emancipatória busca romper com os paradigmas clássicos, apresentados anteriormente, associando-se a três vertentes teórico-metodológicas: avaliação democrática, crítica institucional e pesquisa participante, caracterizada conforme a descrição apresentada no quadro a seguir. O PARADIGMA DA AVALIAÇÃO EMANCIPATÓRIA Características Descrição Natureza da avaliação Processo de análise e crítica de uma dada realidade visando a sua transformação. Enfoque • Qualitativo. • Praxiológico: busca aprender o fenômeno em seus movimentos e em sua relação com a realidade, objetivando a sua transformação, e não apenas a sua descrição. Interesse Emancipador, ou seja, libertador; visa provocar a crítica, libertando o sujeito de condicionamentos determinados. Vertente Político-pedagógica. Compromissos • Propiciar que pessoas direta ou indiretamente atingidas por uma ação educacional escrevam a sua própria história. • O avaliador se compromete com a “causa” dos grupos que se propõe a avaliar. Conceitos básicos • Emancipação. • Decisão democrática. • Transformação. • Crítica educativa. Objetivos • “Iluminar” o caminho da transformação. • Beneficiar audiências em termos de torná-las autodeterminadas. Avaliação da Aprendizagem – Profa. Jaqueline Barbosa da Silva Versão provisória em PDF do conteúdo da disciplina. O autor é o titular dos direitos autorais desta obra. Reprodução não autorizada. Uso estritamente pessoal. Para outra utilização, solicitar autorização prévia do titular dos direitos autorais. Alvos da avaliação Programas educacionais ou sociais. Pressupostos metodológicos • Antidogmatismo. • Autenticidade e compromisso. • Restituição sistemática(direito à informação). • Ritmo e equilíbrio da ação-reflexão. Momentos da avaliação • Descrição da realidade. • Crítica da realidade. • Criação coletiva. Procedimentos • Dialógico. • Participante. • Utilização de técnicas do tipo: entrevistas livres, debates. Tipos de dados • Predominantemente qualitativos. • Utilizam-se também dados quantitativos. Papel do avaliador • Coordenador e orientador do trabalho avaliativo. • O avaliador, preferentemente, pertence à equipe que planeja e desenvolve um programa. Requisitos do avaliador • Experiência em pesquisa e em avaliação. • Habilidade de relacionamento interpessoal. Fonte: Ana Maria Saul, Avaliação Emancipatória: desafios à teoria e à prática de avaliação e reformulação de currículo, 2006, p. 64. Agora vamos rever os paradigmas apresentados anteriormente no desdobramento das concepções e práticas avaliativas permeadas no âmbito da educação brasileira. Avaliação da Aprendizagem – Profa. Jaqueline Barbosa da Silva Versão provisória em PDF do conteúdo da disciplina. O autor é o titular dos direitos autorais desta obra. Reprodução não autorizada. Uso estritamente pessoal. Para outra utilização, solicitar autorização prévia do titular dos direitos autorais. 1.2 Concepções e procedimentos da avaliação no âmbito da educação brasileira O paradigma centrado no ensino responsabilizou a escola pela forma linear e uniforme de ensinar, distanciando-se das necessidades das comunidades, tornando um lugar dos conteúdos fragmentados e da aplicação de instrumentos que visam diagnosticar o desempenho. Nesse paradigma identificamos equívocos e contradições em torno da dicotomia educação e avaliação. Os professores têm a tendência de dicotomizar o ato de educar e o momento da avaliação, como sendo ações distintas e não relacionadas. Ou seja, cria-se constantemente “hierarquias de excelência”, denominação utilizada por Perrenoud (1999) para designar as comparações, classificações, normas, definições preestabelecidas pelo sistema educativo e assumidas na prática dos professores na relação com os discentes. LEITURA BÁSICA Para compreender as duas principais lógicas do sistema, a tradicional e a emergente, estamos indicando o estudo de Perrenoud (1999, pp. 09-16). Hoffmann (2005, p. 15) nos chama a atenção quanto ao papel da avaliação, sendo ela essencial à educação, inerente e indissociável enquanto concebida como problematização, questionamento e reflexão sobre a ação. Para a autora, um(a) professor(a) que não avalia constantemente a ação educativa, no sentido indagativo, investigativo do termo, instala sua docência em verdades absolutas, pré-moldadas e terminais. Essa postura rígida assumida pelo docente no processo avaliativo revela sua função seletiva, classificatória, burocrática, punitiva, a qual foi responsável ao longo da trajetória da educação brasileira pela descaracterização da avaliação como processo de construção do conhecimento. Avaliação da Aprendizagem – Profa. Jaqueline Barbosa da Silva Versão provisória em PDF do conteúdo da disciplina. O autor é o titular dos direitos autorais desta obra. Reprodução não autorizada. Uso estritamente pessoal. Para outra utilização, solicitar autorização prévia do titular dos direitos autorais. E assim, cabe nos interrogarmos sobre: Qual o nível de consciência dos docentes quanto às influências teóricas em sua prática? Em que medida os professores se percebem recorrendo a práticas que enfatizam posturas autoritárias? Ou, ainda, quais os esforços demonstrados na superação das práticas que atribuem sentido e significado à aprendizagem dos estudantes, rompendo com o caráter metódico e instrumentalizado? Com essa reflexão inicial, reiteramos o quanto os docentes podem estar desempenhando suas práticas sob a influência de modelos paradigmáticos centrados na forma discriminatória e seletiva do ensino. É importante ainda salientar as diferentes implicações na interação professor(a)-estudante diante do pressuposto da avaliação somativa e da avaliação formativa. AVALIAÇÃO SOMATIVA AVALIAÇÃO FORMATIVA Os resultados são do(a) professor(a). O(A) professor(a) compartilha os resultados com o estudantes. Passa ao lado do processo de aprendizagem. Entra no processo de aprendizagem e faz parte integrante dele. Tem como objetivo classificar os estudantes e certificar os níveis. Tem como objetivo promover o processo ensino-aprendizagem. Avaliação da Aprendizagem – Profa. Jaqueline Barbosa da Silva Versão provisória em PDF do conteúdo da disciplina. O autor é o titular dos direitos autorais desta obra. Reprodução não autorizada. Uso estritamente pessoal. Para outra utilização, solicitar autorização prévia do titular dos direitos autorais. DE OLHO VIVO Para uma breve revisão dos conteúdos apresentados nesta unidade, acesse o primeiro programa da série da TV Escola – Avaliação e aprendizagem, intitulado “O que é avaliação?”, disponível em: http://midiaseducacao-videos.blogspot.com/2007/12/o-que- avaliao.html. SINOPSE DA SÉRIE: A série é composta de quatro programas que trata das diversas metodologias utilizadas para avaliar o aprendizado dos estudantes: avaliação diagnóstica, formativa e somativa. Mostra que não há um modelo a ser seguido. É preciso desenvolver um processo de avaliação de acordo com o projeto político-pedagógico da escola. A série também levanta questões como "O que é avaliação? Por que avaliar? O que e como avaliar?", além de abordar critérios para a construção do processo de avaliação e as dificuldades cotidianas encontradas para implementar uma nova cultura avaliativa. Nesse primeiro programa, vamos revisar os pressupostos trabalhados nesta unidade de estudo. ATIVIDADE 2 O inicio da escrita do memorial privilegiou uma das situações vivenciadas na trajetória de escolarização. Para a continuidade dessa sistematização, explicite, a partir dos estudos de Saul (2006, pp. 25-64), Perrenoud (1999, pp. 09-16), além das demais reflexões teóricas que você tenha acessado para a discussão do conteúdo nesta unidade de estudo, a quem deve servir a avaliação? Atenção: Ao final de cada Unidade de Ensino, após a realização das leituras obrigatórias e demais atividades indicadas, siga o mesmo procedimento orientado nesta atividade, quanto ao registro no memorial das descobertas, reflexões e aprendizagens. Avaliação da Aprendizagem – Profa. Jaqueline Barbosa da Silva Versão provisória em PDF do conteúdo da disciplina. O autor é o titular dos direitos autorais desta obra. Reprodução não autorizada. Uso estritamente pessoal. Para outra utilização, solicitar autorização prévia do titular dos direitos autorais. 2. Pressupostos da avaliação formativa- reguladora OBJETIVO: discutir a concepção prática e pedagógica da avaliação formativa-reguladora e sua importância na organização do trabalho pedagógico. Quando se expressa a terminologia avaliação, de forma quase que espontânea, vem de imediato à mente os instrumentos que utilizamos com os estudantes e os resultados que se obtém com os mesmos. E essa concepção não é exclusiva do(a) professor(a), mas, principalmente, dos estudantes e seus familiares. Como afirma Zabala (1998, p. 195), Os professores, as administrações, os pais e os próprios alunos se referem à avaliação como o instrumento ou processo para avaliar o grau de alcance, de cada menino e menina, em relação a determinados objetivosprevistos nos diversos níveis escolares. Diante dessa compreensão, eliminamos um velho chavão recorrente entre nós, discentes e docente, que é reduzir o (in)sucesso da prática escolar a atribuição de valores numéricos dados as tarefas sem a devida definição de critérios. Isso não é avaliação! Avaliação da Aprendizagem – Profa. Jaqueline Barbosa da Silva Versão provisória em PDF do conteúdo da disciplina. O autor é o titular dos direitos autorais desta obra. Reprodução não autorizada. Uso estritamente pessoal. Para outra utilização, solicitar autorização prévia do titular dos direitos autorais. Como nos afirma Freire (2008, p. 47) “[...] ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção”. Nessa lógica, a avaliação não pode ser concebida como sendo uma prova, um teste, um questionário, entre outros. Vamos recuperar a definição de avaliação em Hoffmann (2006, p. 40) [...] encontro, abertura ao diálogo, integração. Uma trajetória de conhecimentos percorrida num mesmo tempo e cenário por alunos e professores. Trajetos que se desencontram, por vezes, e se cruzam por outras, mas seguem em frente, na mesma direção. Ou seja, O processo de aprendizagem do aluno não segue percursos programados a priori pelo professor. É no cotidiano escolar que os alunos revelam, tempos e condições necessárias ao processo. O tempo da avaliação é decorrente de suas demandas e estratégias de aprendizagem e não do curso das atividades inicialmente previstas pelos professores. Uma tarefa igual não é cumprida ao mesmo tempo por todos, porque não representa o mesmo desafio, o que vale para inúmeras situações. Fazê-los cumprir ao mesmo tempo prejudica os alunos que têm mais dificuldade, e o “tempo de espera” torna-se fator desestimulante para outros. Isso se transfere a qualquer situação escolar, o que sugere ao professor o ajuste do tempo e das provocações frente à heterogeneidade do grupo, respeitando-a uns e outros em seus tempos. Idem, p. 41. Podemos, assim, pensar em como nos fazemos professores e estudantes ao mesmo tempo nesse processo, uma vez que somos seres inacabados que pertencemos a uma instituição chamada Avaliação da Aprendizagem – Profa. Jaqueline Barbosa da Silva Versão provisória em PDF do conteúdo da disciplina. O autor é o titular dos direitos autorais desta obra. Reprodução não autorizada. Uso estritamente pessoal. Para outra utilização, solicitar autorização prévia do titular dos direitos autorais. escola, que tem como principal responsabilidade orientar a construção dos sujeitos e agente nela envolvida. Esse desafio nos aproxima dos pressupostos da chamada avaliação formativa- reguladora, a qual, segundo Silva (2010), envolve alguns princípios pedagógicos, os quais exemplificaremos em seguida. VOCÊ SABIA? Avaliar # Medir Avaliar - é, ao mesmo tempo, ampliar as oportunidade de aprendizagem e manter uma postura de abertura permanente às disponibilidades reais e as múltiplas interpretações. Medir - conotação de atribuição a valores numéricos que utiliza-se, geralmente, de escalas padrões (0 a 10 ou 0 a 100) ou conceitos escalonados e vale-se de sua impressão geral. 2.1 Pedagogia do encantamento e os pressupostos pedagógicos Ao considerar que a educação é um processo de envolvimento das diversas dimensões do ser humano (afetiva, religiosa, intuitiva, racional, instintiva, etc), as práticas educativas se alicerçam no respeito às diferenças advindas do compromisso social mais amplo que envolve um projeto societário. Avaliação da Aprendizagem – Profa. Jaqueline Barbosa da Silva Versão provisória em PDF do conteúdo da disciplina. O autor é o titular dos direitos autorais desta obra. Reprodução não autorizada. Uso estritamente pessoal. Para outra utilização, solicitar autorização prévia do titular dos direitos autorais. 2.2 Educabilidade Os focos da avaliação são o ensino (o quê e como se ensina) e a aprendizagem (o quê e como se aprende), entendendo que todos os estudantes aprendem, sendo que o que os diferencia são seus ritmos e suas formas (idem, pp. 33-34). 2.3 Pedagogia diferenciada A compreensão desse pressuposto exige uma aproximação com os conceitos de antecipação e mediação. Na antecipação, o processo avaliativo é alimentado pela coleta de informações que desvelam os impedimentos que dificultam os processos de aprendizagem. Na mediação, há uma complementação da anterior, servindo de regulação entre a ação docente e discente durante a efetivação das situações didáticas (ibidem). Ou seja, Silva (2010, p. 35) nos alerta sobre a compreensão desse princípio pedagógico afirmando que Diferenciar a pedagogia não é simplesmente diversificar as atividades, não é apenas adotar inúmeras situações de ensino, é tornar cada seqüência didática significativa para os aprendentes. E ser significativa é dialogar com as necessidades de aprendizagens encontradas na heterogeneidade da sala de aula, tendo a intencionalidade de formar sujeitos críticos e participativos para a vivência social. . Avaliação da Aprendizagem – Profa. Jaqueline Barbosa da Silva Versão provisória em PDF do conteúdo da disciplina. O autor é o titular dos direitos autorais desta obra. Reprodução não autorizada. Uso estritamente pessoal. Para outra utilização, solicitar autorização prévia do titular dos direitos autorais. 2.4 Pesquisa como princípio do trabalho pedagógico Esse pressuposto toma a pesquisa como princípio do trabalho pedagógico, ressaltando que [...] a pesquisa docente não visa normatizar ou regulamentar a prática educativa e a realidade socioeducacional [...]. A pesquisa na escola produz conhecimentos que tornam a ação educativa mais reflexiva, consistente e pertinente com os condicionamentos do real. SILVA (2010, p. 36). Como vocês estão observando, a pesquisa ultrapassa a ideia de uma mera informação. O cotidiano torna-se objeto de investigação e conduz a situações didáticas pertinentes ao contexto socioeducacional. ATENÇÃO Veja o exemplo a seguir e realize seu registro individualmente para socializar posteriormente no fórum de conversa, referente à atividade 3, identificando os propósitos avaliativos e a condução da professora no encaminhamento da tarefa. Desenvolvendo um estudo sobre eleições, no Estado, uma turma de alunos, da 6ª série (7° ano do Ensino Fundamental ), se propôs a entrevistar pessoas da comunidade sobre escolhas de partido político e razões para tais escolhas. As entrevistas foram gravadas, filmadas e apresentadas à classe em vários dias consecutivos. Como as apresentações e discussões se estenderam por um longo tempo, ao final do bimestre, a professora da disciplina atribuiu-lhes conceitos pelas Avaliação da Aprendizagem – Profa. Jaqueline Barbosa da Silva Versão provisória em PDF do conteúdo da disciplina. O autor é o titular dos direitos autorais desta obra. Reprodução não autorizada. Uso estritamente pessoal. Para outra utilização, solicitar autorização prévia do titular dos direitos autorais. entrevistas feitas, porque, conforme justificou, não teve tempo para aplicar outras tarefas. Alunos que fizeram um menor número de entrevistas receberam conceitos inferiores aos demais. A partir dos conceitos atribuídos, ficaram, então, em recuperação. Fonte: Depoimento retirado do livro “Avaliar para promover: as setas do caminho”, Jussara Hoffmann, 2006, p. 45.NOTA Em 6 de fevereiro de 2006, foi aprovada a Lei N° 11.274, que instituiu o ensino fundamental de nove anos de duração. No portal do MEC você encontra informações sobre o as mudanças decorrente dessa alteração (http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view= article&id=12377&Itemid=627). VOCÊ SABIA? - Nenhum(a) professor(a) possui a habilidade de acompanhar, ao mesmo tempo, todos(as) os(as) alunos(as), sobre “o todo” de sua aprendizagem. - É impossível avaliar os estudantes todo o tempo. - Nem todas as situações de sala de aula ou tarefas realizadas pelo discente têm por objetivo a verificação de suas aprendizagens. 2.5 Centralidade nas aprendizagens significativas O desafio do presente pressuposto é não só favorecer as aprendizagens individuais, mas, sobretudo, coletivas. Ou seja, deslocar o foco da escola do ensino uniforme para a aprendizagem significativa, construindo formas de ensinar e de aprender que integrem os sujeitos. Avaliação da Aprendizagem – Profa. Jaqueline Barbosa da Silva Versão provisória em PDF do conteúdo da disciplina. O autor é o titular dos direitos autorais desta obra. Reprodução não autorizada. Uso estritamente pessoal. Para outra utilização, solicitar autorização prévia do titular dos direitos autorais. O espaço e o tempo educativo nessa perspectiva são revisitados, ressignificando os processos didáticos de maneira que favoreça e sejam atrativos para os aprendentes, lhes oferecendo possibilidade de superação das aprendizagens mecânicas, baseadas na memorização, na repetição, na reprodução e na cópia. Acerca desse pressuposto, proponho uma reflexão dialética entre os destaques e desafios apresentados por Silva (2010) e os elementos evidenciados no clipe da música “Estudo Errado”, de Gabriel Pensador (1995). Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=m08sChqOgYk Se você já conhece, aproveite a oportunidade para colocar à tona suas ideias. Segue abaixo um excerto da letra da música para ajudar nas reflexões do estudo. ESTUDO ERRADO Gabriel O Pensador [...] Então dessa vez eu vou estudar até decorar cumpádi Pra me dar bem e minha mãe deixar ficar acordado até mais tarde [...] A rua é perigosa então eu vejo televisão (Tá lá mais um corpo estendido no chão) Na hora do jornal eu desligo porque eu nem sei nem o que é inflação - Ué não te ensinaram? - Não. A maioria das matérias que eles dão eu acho inútil Em vão, pouco interessantes, eu fico pu.. Tô cansado de estudar, de madrugar, que sacrilégio (Vai pro colégio!!) Então eu fui relendo tudo até a prova começar Voltei louco pra contar: Manhê! Tirei um dez na prova Me dei bem tirei um cem e eu quero ver quem me reprova Decorei toda lição Não errei nenhuma questão Não aprendi nada de bom Mas tirei dez (boa filhão!) Avaliação da Aprendizagem – Profa. Jaqueline Barbosa da Silva Versão provisória em PDF do conteúdo da disciplina. O autor é o titular dos direitos autorais desta obra. Reprodução não autorizada. Uso estritamente pessoal. Para outra utilização, solicitar autorização prévia do titular dos direitos autorais. Quase tudo que aprendi, amanhã eu já esqueci Decorei, copiei, memorizei, mas não entendi Quase tudo que aprendi, amanhã eu já esqueci Decorei, copiei, memorizei, mas não entendi Decoreba: esse é o método de ensino Eles me tratam como ameba e assim eu não raciocino Não aprendo as causas e conseqüências só decoro os fatos Desse jeito até história fica chato Mas os velhos me disseram que o "porque" é o segredo Então quando eu num entendo nada, eu levanto o dedo [...] O sistema bota um monte de abobrinha no programa Mas pra aprender a ser um ingonorante (...) [...] Eu gosto dos professores e eu preciso de um mestre Mas eu prefiro que eles me ensinem alguma coisa que preste - O que é corrupção? Pra que serve um deputado? Não me diga que o Brasil foi descoberto por acaso! [...] Matei a aula porque num dava Eu não agüentava mais E fui escutar o Pensador escondido dos meus pais Mas se eles fossem da minha idade eles entenderiam (Esse num é o valor que um aluno merecia!) [...] 2.6 Escola como lócus de aprendizagens, de multiplicidade cultural, de tensão e aberta a mudanças Esse pressuposto evidencia a necessidade de criação de uma nova cultura avaliativa, compreendendo que a função da escola ultrapassa a seleção e a classificação, incluindo uma práxis transformadora que toma a escola como lócus de aprendizagens, pensando no trabalho pedagógico coletivo, dialógico e democrático. Avaliação da Aprendizagem – Profa. Jaqueline Barbosa da Silva Versão provisória em PDF do conteúdo da disciplina. O autor é o titular dos direitos autorais desta obra. Reprodução não autorizada. Uso estritamente pessoal. Para outra utilização, solicitar autorização prévia do titular dos direitos autorais. Essa escola em construção rompe com as barreiras da administração burocrática e materizaliza sua função planejando no coletivo suas necessidades culturais, políticas e pedagógicas. 2.7 Currículo flexível e contextualizado Nesse pressuposto, o currículo toma como foco a aprendizagem significativa, destacando a diversificação e o diálogo com as necessidades de aprendizagens dos aprendentes. Conforme nos lembra Silva (2010, p. 42), um currículo flexível, integrado e contextualizado, possibilita a articulação do saber sistemático com o saber do cotidiano, levando a ação docente a tratar os conteúdos curriculares oficiais de forma a torná-los significativos aos aprendentes através de estratégias de ensino problematizadora. O esquema a seguir apresenta de forma sistemática uma organização curricular centrada nos processos de aprendizagens. Essa ideia de currículo possibilita a articulação do saber sistematizado com o saber do cotidiano, levando o docente a tratar os conteúdos curriculares oficiais de forma a torná-los significativos aos aprendentes através de estratégias de ensino problematizadora. Avaliação da Aprendizagem – Profa. Jaqueline Barbosa da Silva Versão provisória em PDF do conteúdo da disciplina. O autor é o titular dos direitos autorais desta obra. Reprodução não autorizada. Uso estritamente pessoal. Para outra utilização, solicitar autorização prévia do titular dos direitos autorais. 2.8 Projeto político-pedagógico como elemento articulador e orientador da prática pedagógica As novas maneiras de organizar, pensar e agir das gerações digitais vão influenciar as ações e práticas pedagógicas em todos os seus níveis e formas, nos exigindo uma reflexão no modo de pensar e organizar o trabalho na escola influenciada pela nova realidade tecnológica. Para Kenski (2006, p. 218) isso vai mudar, e muito, a concepção do ensino. Caem por terra as definições do que é ensino presencial ou a distância . Teremos sim, estudantes próximos, em conexão, independente do lugar em que estejamos. NOTA Ver “Caminhos futuros nas relações entre novas educações e tecnologias” de Vani Moreira Kenski. In: SILVA, Ainda Maria Monteiro; MACEDO, Francimar Martins Teixeira; MELO, Márcia Maria de Oliveira; e, BARBOSA, Maria Lúcia de Figueiredo (Orgs.). Políticas Educacionais, Tecnologias e Formação do Educador: repercussões sobre a didática e as práticas de ensino, Recife: ENDIPE, 2006. pp. 213-226. LEITURA COMPLEMENTAR Para aprofundar a discussão da tríade teoria educacional,teoria pedagógica e trabalho pedagógico convido vocês a se aproximarem da leitura de Santiago (2006, pp. 121-129). No caso da avaliação educacional, o projeto político-pedagógico da escola e o planejamento didático do(a) professor(a) se constituem de partilha, colaboração, reflexão e negociação, evitando os “arranjos das imprecisões”. Avaliação da Aprendizagem – Profa. Jaqueline Barbosa da Silva Versão provisória em PDF do conteúdo da disciplina. O autor é o titular dos direitos autorais desta obra. Reprodução não autorizada. Uso estritamente pessoal. Para outra utilização, solicitar autorização prévia do titular dos direitos autorais. 2.9 Compromisso social Esse último pressuposto conduz ao combate à discriminação sócio-política-econômico-étnica e à imposição da cultura do mercado global-excludente. [...] o conhecimento acadêmico e experiencial em si só não bastam para a ação docente, é preciso se utilizar deles para desenvolver uma reflexão fundamentada sobre a realidade vivida. SILVA (2010, p. 46). LEITURA BÁSICA No capítulo 3, “Pressupostos da avaliação formativa-reguladora” deste livro, você terá a possibilidade de intensificar seus estudos sobre a temática abordada nesta unidade. Boas reflexões! O conjunto desses pressupostos apresenta as exigências que deverão conduzir o trabalho pedagógico da escola e do profissional comprometido com a qualidade do ensino. Nessa dinâmica, a avaliação formativa-reguladora se aproxima da trajetória de construção do conhecimento, enquanto [...] mecanismo integrativo e regulador da prática docente e das aprendizagens, ocupando um lugar mediador na ação educativa, sendo fonte de informações descritivas e interpretativas dos percursos e dos conteúdos de aprendizagens dos aprendentes e das situações didáticas e da relação entre ambos. Idem, p. 58. Avaliação da Aprendizagem – Profa. Jaqueline Barbosa da Silva Versão provisória em PDF do conteúdo da disciplina. O autor é o titular dos direitos autorais desta obra. Reprodução não autorizada. Uso estritamente pessoal. Para outra utilização, solicitar autorização prévia do titular dos direitos autorais. Assim, a avaliação deverá se voltar para os pressupostos do ensino e aprendizagem, observando as formas e as estratégias de desenvolvimento do conhecimento lançadas pelos estudantes, o fornecimento de informações que envolvem o processo educativo (cognitivo, afetivo, cultural e aquelas que venham a fazer parte do cotidiano do sujeito) e a diferenciação dos processos avaliativos, a partir das necessidades dos educando quanto aos conteúdos ou os objetivos curriculares, uma vez que a padronização desqualifica a complexidade do fenômeno educativo. Pensar todo esse processo só é possível se tivermos clareza sobre a função social do ensino, para que não continuemos selecionando aqueles que denominamos como sendo os melhores, muitas vezes sem conceber quais as nossas intenções educacionais, e sem conhecermos as aprendizagens dos nossos estudantes, além de desconsiderar a multiplicidade do sujeito, com suas experiências, realidade, história e vivências culturais. Logo, o desafio se encontra alicerçado na não-neutralidade da ação educativa, desenvolvendo uma práxis que desvele o posicionamento político-epistemológico e pedagógico, colaborando com a superação dos mecanismos de reprodução e opressão da sociedade. DE OLHO VIVO Acesse o segundo programa da série TV Escola “Ciclo de aprendizagem e avaliação” (http://midiaseducacao-videos.blogspot.com/2007/10/ciclo-de- aprendizagem-e-avaliao.html). Boa reflexão! ATIVIDADE 3 Vamos socializar nossas reflexões no coletivo? No fórum “Os pressupostos pedagógicos e a escola contemporânea”, que ocorrerá no período de 25 a 30 de abril, devemos privilegiar a discussão proporcionada por Silva (2010, pp. 31-46) e as reflexões que essa leitura Avaliação da Aprendizagem – Profa. Jaqueline Barbosa da Silva Versão provisória em PDF do conteúdo da disciplina. O autor é o titular dos direitos autorais desta obra. Reprodução não autorizada. Uso estritamente pessoal. Para outra utilização, solicitar autorização prévia do titular dos direitos autorais. junto as demais indicações nos remeteram diante da música “Estudo Errado”, de Gabriel Pensador (1995) e do vídeo “Ciclo de aprendizagem e avaliação” (2002). LEITURA COMPLEMENTAR Caso sintam necessidade em revisar os conteúdos da unidade acessem a entrevista de Silva (2002) “Avaliação Formativa Reguladora: Intencionalidade, Características e Princípios” (http://www.construirnoticias.com.br/asp/materia.asp?id=1401). Além dessa entrevista, na revista TV Escola, N. 29 de 2002, você encontra outras discussões relacionadas à educação, acessando a revista na íntegra, através do link: http://tvescola.mec.gov.br/images /stories/revista/pdf/revista29completa.pdf. O MEC também disponibiliza outros materiais relacionados a escola, os quais podem ser acessados através do site: http://tvescola.mec.gov.br/. ATENÇÃO Não se esqueça de continuar o registro das ideias e reflexões advindas desta unidade, no memorial. Já pensou no título que será atribuído? Lembre-se que esse gênero textual remete a um relato pessoal e social relacionado à reconstrução de acontecimentos vivenciados e que transmitiram experiências diante das relações de grupo, escolarização, profissão e leitura. É uma reinvenção a dialogicidade, a palavra, a memória, na tensão entre o particular e a totalidade. Avaliação da Aprendizagem – Profa. Jaqueline Barbosa da Silva Versão provisória em PDF do conteúdo da disciplina. O autor é o titular dos direitos autorais desta obra. Reprodução não autorizada. Uso estritamente pessoal. Para outra utilização, solicitar autorização prévia do titular dos direitos autorais. 3. Exigências sobre a práxis e a formação docente OBJETIVO: compreender a formação docente na práxis da dinâmica pessoal e coletiva. O ponto de partida desta unidade requer definir a concepção de professor que defendemos para a atuação profissional. As contribuições teóricas apresentadas anteriormente deixaram pistas para a compreensão da formação de professores numa sociedade global e com perspectiva intercultural e global. Nessa direção, a compreensão de formação numa perspectiva multidimensional perpassa por cinco dimensões: (1) antropológica, (2) epistemológica, (3) axiológica, (4) praxiológica, e (5) política, as quais constituem a unidade e a complexidade transdimensional da formação inicial e continuada. LEITURA BÁSICA Sobre o tema desta unidade, o Capítulo 4 “Exigências sobre a práxis e a formação do professor” do livro/texto base da disciplina permitirá compreender, de forma aprofundada, a discussão dos conteúdos. SILVA, Janssen Felipe da. Exigências sobre a práxis e a formação do professor. Avaliação na perspectiva formativa-reguladora: pressupostos teóricos e práticos, 3ª ed., Porto Alegre: Mediação, 2010. pp. 47-55. Avaliação da Aprendizagem – Profa. Jaqueline Barbosa da Silva Versão provisória em PDF do conteúdo da disciplina. O autor é o titular dos direitos autorais desta obra. Reprodução não autorizada. Uso estritamente pessoal. Para outra utilização, solicitar autorização prévia do titular dos direitos autorais. 3.1 O desenvolvimento integrado e contínuo nas trajetórias de aprendizagem Na relação teoria e prática, o desenvolvimentointegrado e contínuo da aprendizagem pressupõe o abandono das verdades absolutas, das medidas padronizadas e das estatísticas, sobre o sentido essencial dos atos avaliativos de interpretação e de valor sobre o objeto da avaliação, o agir consciente e a abertura para a aprendizagem permanente frente ao exercício de interpretação, produção de saberes, superação de desafios, escuta, diálogo e de argumentação entre os envolvidos. Escutar é obviamente algo que vai além da possibilidade auditiva de cada um. Escutar, no sentido aqui discutido, significa a disponibilidade permanente por parte do sujeito que escuta para a abertura à fala do outro, ao gesto do outro, às diferenças do outro. Isto não quer dizer, evidentemente, que escutar exija de quem realmente escuta sua redução ao outro que fala. Isto não seria escuta, mas auto-anulação FREIRE, 2008, p. 119. A responsabilidade do processo avaliativo na escola é de responsabilidade tanto do coletivo, como de cada um em particular, onde ressaltamos a importância da auto-avaliação, do grupo e do(a) professor(a), nesse processo. Essa perspectiva avaliativa nos remete a pensar na aprendizagem dos estudantes, na instituição e no sistema escolar. Enquanto a escola não combater a reprovação, as possibilidades efetivas de um processo de ensino e aprendizagem que reflitam os saberes dos estudantes estarão secundarizados na organização pedagógica. Nesta direção, a proposta de ensino organizada em ciclos, implica numa mudança ampla no uso e nos resultados da avaliação da escola. Avaliação da Aprendizagem – Profa. Jaqueline Barbosa da Silva Versão provisória em PDF do conteúdo da disciplina. O autor é o titular dos direitos autorais desta obra. Reprodução não autorizada. Uso estritamente pessoal. Para outra utilização, solicitar autorização prévia do titular dos direitos autorais. VOCÊ SABIA? A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, N° 9.394 de dezembro de 1996 explicita em seu artigo 23 que “A educação básica poderá organizar-se em séries anuais, períodos semestrais, ciclos, alternância regular de períodos de estudos, grupos não seriados [...], sempre que o interesse do processo de aprendizagem assim o recomendar”. FIQUE POR DENTRO No nosso Estado, a rede municipal de ensino de Recife, desde 2002 implantou a proposta de ensino em ciclos. No Brasil, a Escola Plural (Belo Horizonte) e Escola Cidadã (Porto Alegre) também experienciaram essa mudança na organização do ensino. Pesquise e conheça mais sobre essas experiências. Boas descobertas! LEITURA COMPLEMENTAR O livro “Ciclos, seriação e avaliação: confronto de lógica” (2003), da autoria de Luiz Carlos de Freitas esclarece as lógicas da escola e de sua avaliação fazendo reflexões sobre concepções de educação e de políticas públicas, ressaltando os ciclos em uma perspectiva de mudança na função da escola e do trabalho pedagógico. Avaliação da Aprendizagem – Profa. Jaqueline Barbosa da Silva Versão provisória em PDF do conteúdo da disciplina. O autor é o titular dos direitos autorais desta obra. Reprodução não autorizada. Uso estritamente pessoal. Para outra utilização, solicitar autorização prévia do titular dos direitos autorais. 3.2 Intencionalidades do professor como intelectual transformador A lógica do professor como intelectual transformador é permeada por um conjunto de intencionalidades da práxis educativa, que pretende, segundo Silva (2010, p. 53): • romper a estrutura parcializada do ensino, desenvolvendo uma organização integradora dos saberes; • acompanhar e intervir no desenvolvimento dos aprendentes e em suas inserções na sociedade; • organizar os conteúdos de aprendizagem a partir de situações- problemas significativas; • mobilizar os aprendentes para que alcancem os objetivos previamente negociados e definidos, tendo como referência os temas geradores (situações problemas) e como fim o conhecimento sobre a realidade e a formação da cidadania; • construir uma diversidade de situações educativas que possibilitem processos não só de aprendizagens, mas, sobretudo, de humanização dos sujeitos envolvidos; • desafiar-se permanentemente em construir uma postura político- pedagógica teoricamente consistente com a pluralidade sociocultural de seu cotidiano escolar. Tal processo gera informações constantes que nos indicam aproximações ou distanciamentos, saberes e intencionalidades fundadas na curiosidade do docente. Avaliação da Aprendizagem – Profa. Jaqueline Barbosa da Silva Versão provisória em PDF do conteúdo da disciplina. O autor é o titular dos direitos autorais desta obra. Reprodução não autorizada. Uso estritamente pessoal. Para outra utilização, solicitar autorização prévia do titular dos direitos autorais. ATENÇÃO Você já assistiu ao filme “Escritores da Liberdade”? Assista-o e anote a concepção prática e pedagógica da avaliação identificada na trama, para realizarmos nossa próxima atividade. BREVES CONSIDERAÇÕES: O filme "Escritores da Liberdade" (Freedom Writers, EUA, 2007) aborda, de uma forma comovente e instigante, o desafio da educação em um contexto social problemático e violento. Baseado numa história real a trama ocorre em torno da jovem professora, Erin Gruwell, que entra como novata em uma instituição de "ensino médio", a fim de lecionar Língua Inglesa e Literatura para uma turma de adolescentes considerados "turbulentos", inclusive envolvidos com gangues. Ao perceber os grandes problemas enfrentados por tais estudantes, a professora Erin resolve adotar novos métodos de ensino, ainda que sem a concordância da diretora do colégio. A entrega de um caderno para que escrita diária dos alunos, sobre aspectos de suas próprias vidas, desde conflitos internos até problemas familiares foi o ponto de partida para o trabalho pedagógico a ser encaminhado pela professora, através do livro "O Diário de Anne Frank". Com o propósito de garantir a troca de experiências de vida entre os estudantes, se deparou com diversos obstáculos, desde a burocracia até a resistência aos novos paradigmas pedagógicos. Dê uma olhada no trailer do filme (http://www.youtube.com/watch?v=ulXtAIt6Z_o) e, o mais rápido possível, tente assisti-lo na íntegra. Bom filme! ATIVIDADE 4 Chegou a hora de você se aproximar mais dos colegas. Organizem-se em grupos, no máximo seis pessoas, para realizar essa atividade. Após assistir à trama do filme “Escritores da Liberdade” (2007), identifique os elementos que permearam a prática educativa da professora Erin Gruwell, a partir da discussão apresentada por Silva (2010, pp. 47-55) e, em grupos, apresentem seus registros e reflexões individuais para que juntos possam selecionar os elementos que irão compor a discussão acerca das exigências sobre a ação profissional do docente. Após o estudo teórico e o acesso à exibição do filme, assista ao Avaliação da Aprendizagem – Profa. Jaqueline Barbosa da Silva Versão provisória em PDF do conteúdo da disciplina. O autor é o titular dos direitos autorais desta obra. Reprodução não autorizada. Uso estritamente pessoal. Para outra utilização, solicitar autorização prévia do titular dos direitos autorais. terceiro programa da série TV Escola “Avaliação e contexto social” (2002), para que o debate em grupo seja constituído pelas diferentes ideias que permearam o cumprimento das tarefas elencadas anteriormente. Levem as anotações para a discussão no grupo e escolham aquelas queconsiderarem pertinentes à seguinte interrogação: “Mudar a avaliação e/ou mudar a escola?”. E vamos à socialização das nossas reflexões no período de 23 a 28 de maio no fórum de conversa. Bom trabalho! NOTA Esse programa possibilita uma análise direcionada ao contexto social, especificamente, aquele interligado a dinâmica do cotidiano da escola (http://midiaseducacao-videos.blogspot.com/2007/12/avaliao-e- contexto-social.html). E, se atentem aos elementos semelhantes ao tema em estudo da unidade com a trama do filme “Escritores da liberdade” e os elementos que contextualizaram o vídeo sobre o cotidiano escolar. 4. Desafios epistemológicos e práticos da avaliação educacional do ensino e aprendizagem OBJETIVO: refletir a pertinência, a validade e os desafios epistemológicos e práticos dos processos avaliativos. Avaliação da Aprendizagem – Profa. Jaqueline Barbosa da Silva Versão provisória em PDF do conteúdo da disciplina. O autor é o titular dos direitos autorais desta obra. Reprodução não autorizada. Uso estritamente pessoal. Para outra utilização, solicitar autorização prévia do titular dos direitos autorais. Até o presente momento, nossas reflexões se voltaram para a (re)construção do que, talvez, venha sendo concebido por alguns e algumas de vocês como sendo avaliação. Uma vez levantada todas essas provocações pedagógicas, quero esclarecer que elas não estão sendo colocadas como uma desautorização do processo que vocês possam vir concebendo no dia- a-dia da escola. Ao contrário, quero que deixemos de pensar isoladamente as nossas práticas, pois a escola é um espaço de coletividade e, sendo vista dessa forma, as nossas atitudes e atividades devem caminhar nessa mesma perspectiva. É com o objetivo de alcançar essa finalidade que se estabelece o desafio proposto ao educador contemporâneo. Não dá mais para permanecermos trancados nos quadrados das salas, desenvolvendo atividades que não levem os estudantes a expressarem seus conhecimentos de mundo, nem fecharmos os nossos olhos para as aprendizagens que estão sendo proporcionadas na “escola da vida”. Devemos pensar numa escola que estimule a pergunta, a crítica e a criação, na construção coletiva do conhecimento, articulando o saber do cotidiano com o saber escolar. Além disso, é preciso que se conceba a escola como local de ensino-e-aprendizagem, e não como prédio, por que ela é, segundo Paulo Freire, [...] o lugar onde se faz amigos, não se trata só de prédios, salas, quadros, programas, horários, conceitos... Escola é, sobretudo, gente, gente que trabalha, que estuda, que se alegra, se conhece, se estima. O diretor é gente, o coordenador é gente, o professor é gente, o aluno é gente, cada funcionário é gente. E a escola será cada vez melhor na medida em que cada um se comporte como colega, amigo, irmão. Nada de ilha cercada de gente por todos os lados. Nada de conviver com as pessoas e depois descobrir que não tem amizade a ninguém, nada de ser como o tijolo que forma a parede, indiferente, frio, só. Importante na escola não é só estudar, não é só trabalhar, é também criar laços de amizade, é criar ambiente de camaradagem, é conviver, é se amarrar nela! Avaliação da Aprendizagem – Profa. Jaqueline Barbosa da Silva Versão provisória em PDF do conteúdo da disciplina. O autor é o titular dos direitos autorais desta obra. Reprodução não autorizada. Uso estritamente pessoal. Para outra utilização, solicitar autorização prévia do titular dos direitos autorais. Sendo assim, devemos nos voltar para as finalidade e objetivos da educação, analisando as nossas práticas, questionando-nos cotidianamente sobre o por que apresentarmos/trabalharmos determinados conteúdos, e não outros. Qual a nossa concepção de “conteúdo de aprendizagem” no trabalho com as disciplinas? Também devemos nos questionar sobre o que o estudante deve aprender, para não só propagar a função da escola, mas, sobretudo, vincular o ensino dos conteúdos aos conhecimentos prévios. É nessa perspectiva que Zabala (1998) analisa a complexidade dos processos de ensino e aprendizagem, bem como suas potencialidades para entender o crescimento dos diferentes sujeitos. Ele identifica as intenções educativas a partir de conteúdos (1) conceituais, (2) procedimentais, e (3) atitudinais, para que não venhamos a sobrecarregar um em função do outro. Ou seja, por mais específico que seja um conteúdo ele se encontra sempre associado e, portanto, é apreendido junto com conteúdos de outra natureza, eliminando a aprendizagem do “tudo ou nada”, equívoco que contradiz o objetivo fundamental da avaliação, enquanto sistemática, coerente, processual, problematizadora, indagadora, investigadora e questionadora da reflexão sobre a ação. LEITURA COMPLEMENTAR Quer saber mais sobre os conteúdos de aprendizagem? Leia o segundo capítulo, A função social e a concepção sobre os processos de aprendizagem: instrumentos de análise, do livro “A prática educativa” de Antoni Zabala (1998). Avaliação da Aprendizagem – Profa. Jaqueline Barbosa da Silva Versão provisória em PDF do conteúdo da disciplina. O autor é o titular dos direitos autorais desta obra. Reprodução não autorizada. Uso estritamente pessoal. Para outra utilização, solicitar autorização prévia do titular dos direitos autorais. 4.1 Princípios norteadores da avaliação formativa-reguladora Na implementação desse processo avaliativo destaca-se o princípio da negociação, da pertinência cognitivo-epistemológica, formativo, emancipador e ético. A negociação dialoga em torno dos critérios, dos objetivos, dos conteúdos e dos procedimentos do processo avaliativo. A pertinência cognitivo-epistemológica refere-se à condição da avaliação manter uma possível simetria entre os conteúdos curriculares, o planejamento e a efetiva ação avaliativa do docente em comum sintonia com as potencialidades de aprendizagem dos alunos. O formativo favorece o permanente desenvolvimento social, cognitivo e afetivo do aprendente, entrecruzando o trabalho docente com a contínua desconstrução e reconstrução do estudante. O emancipador é norteado pelo projeto político-pedagógico, elaborando o planejamento e a prática avaliativa baseada em situações que visam provocar a crítica, de modo a libertar o sujeito dos condicionantes deterministas. O ético defende uma avaliação do ensino e aprendizagem justa e a serviço de quem aprende. Por fim, esses princípios contemplam a diversidade e o aprimoramento da natureza educativa e da sua base epistemológica. Avaliação da Aprendizagem – Profa. Jaqueline Barbosa da Silva Versão provisória em PDF do conteúdo da disciplina. O autor é o titular dos direitos autorais desta obra. Reprodução não autorizada. Uso estritamente pessoal. Para outra utilização, solicitar autorização prévia do titular dos direitos autorais. PRINCÍPIOS / NEGOCIAÇÃO DO TRABALHO AVALIATIVO • Diálogo • Pertinência – cognitivo / epistemológica • Formativo (intencionalidade educativa) • Ético-emancipador CARACTERÍSTICAS METODOLÓGICAS Processual• Contínua • Diversidade procedimental e instrumental • Sistemática • Esses princípios requerem uma reflexão permanente e um diálogo constante entre o trabalho avaliativo e a prática pedagógica, com as novas produções da área educacional. ATENÇÃO O último programa “Projetos educacionais e avaliação” (2002) – disponível em http://midiaseducacao-videos.blogspot.com/2007/10/projetos- educacionais-e-avaliao.html,da série TV Escola, permitirá revisar a avaliação educacional do ensino e aprendizagem, refletindo as possibilidades e desafios práticos, através da inserção de projetos na prática pedagógica. Esse vídeo ainda irá ajudar a revisar os conteúdos trabalhados na unidade anterior, “Exigências sobre a práxis e a formação docente”, e antecipará a discussão dos conteúdos seguintes. Avaliação da Aprendizagem – Profa. Jaqueline Barbosa da Silva Versão provisória em PDF do conteúdo da disciplina. O autor é o titular dos direitos autorais desta obra. Reprodução não autorizada. Uso estritamente pessoal. Para outra utilização, solicitar autorização prévia do titular dos direitos autorais. 4.2 Procedimentos avaliativos Há diversos caminhos metodológicos para se trilhar a avaliação formativa-reguladora. A seguir podemos conhecer uma possibilidade de percurso: • conhecer o objeto a ser avaliado; • negociar e estabelecer previamente os objetivos e os critérios avaliativos; • escolher e construir uma variedade de instrumento avaliativo, levando em consideração os critérios estruturantes: viabilidade, utilidade, pertinência e exatidão; • aplicar transversalmente e sistematicamente os instrumentos dispositivos de regulação das situações pedagógicas; • registrar, organizar e interpretar as informações coletadas, enquanto fonte de informações para a compreensão do procedimento educativo; • fazer juízo de valor e tomar decisões; • comunicar os resultados parciais (reguladores) e finais (integrativos), favorecendo a auto- regulação e integração das diversas etapas do trabalho pedagógico. É importante considerar, como nos alerta Silva (2010, p. 73), que a avaliação formativa-reguladora exige uma reestruturação nas condições de trabalho do(a) professor(a) e na sua valorização econômica. Outro aspecto importante a destacar é o quantitativo de estudantes por sala, a ausência e inadequação de material didático, disponibilidade de tempo integral para o docente organizar as aulas, registrar e interpretar a produção dos estudantes e pesquisar para diversificar sua prática. Como nos aponta o autor, essas são condições de trabalho que dificultam ou mesmo inviabilizam um ensino e uma aprendizagem significativos e uma avaliação formativa-reguladora. Avaliação da Aprendizagem – Profa. Jaqueline Barbosa da Silva Versão provisória em PDF do conteúdo da disciplina. O autor é o titular dos direitos autorais desta obra. Reprodução não autorizada. Uso estritamente pessoal. Para outra utilização, solicitar autorização prévia do titular dos direitos autorais. 4.3 Natureza das tarefas e dos instrumentos avaliativos A discussão sobre a natureza dos instrumentos avaliativos está associada às funções da avaliação do ensino e aprendizagem. Essas funções dependem da intencionalidade do trabalho pedagógico que está sendo vivenciado e da base teórica que está orientando o projeto de sociedade que desejamos. Assim, a decisão sobre o tipo de instrumento a ser utilizado depende basicamente da realidade (área de conhecimento, nível de ensino, número de discentes, tempo disponível, etc) e dos objetivos de conhecimento, podendo destacar algumas orientações gerais: • avaliar como sendo mais uma experiência de aprendizagem; • tentar elaborar atividades levando em consideração os diferentes níveis de desenvolvimento; • contemplar procedimentos e estratégias avaliativas que possam ser modificadas no decorrer do processo; • usar diferentes instrumentos para a coleta de informação. A clareza das tarefas avaliativas favorece a construção de processos de aprendizagem relevantes à efetivação de um ensino orientado pelo trabalho pedagógico em função de sua qualidade socioeducativa. VOCÊ SABIA? A natureza dos instrumentos avaliativos está associada às funções da avaliação do ensino e aprendizagem. E que essas funções dependem da intencionalidade, do momento do trabalho pedagógico, da base teórica que estamos nos orientando e do projeto de sociedade que queremos efetivar. Avaliação da Aprendizagem – Profa. Jaqueline Barbosa da Silva Versão provisória em PDF do conteúdo da disciplina. O autor é o titular dos direitos autorais desta obra. Reprodução não autorizada. Uso estritamente pessoal. Para outra utilização, solicitar autorização prévia do titular dos direitos autorais. Ainda relacionado ao uso dos instrumentos avaliativos, leia atentamente as interrogações a seguir, apresentados por Silva (2010, p. 77), e tente incluir suas reflexões no memorial. ATENÇÃO • Um teste de cinquenta questões, para ser respondido em uma hora, possibilita aos educandos pensar para responder? • Uma pesquisa sugerida pelo professor, sem dar aos alunos as orientações e as condições necessárias para seu desenvolvimento, é uma atividade avaliativa viável? O comando dado por uma professora para a realização de uma tarefa, apresentado abaixo, nos alerta sobre o estranhamento e a descontextualização, muitas vezes, das atividades escolares. Vejamos o comando e a análise do mesmo. COMANDO ANÁLISE A professora entrou na sala de aula e disse aos alunos que eles deveriam escrever um texto “como uma prosa”. Mais adiante, ela disse que eles deveriam fazer “uma dissertação”, dar “a sua opinião”, fazer “um tipo de texto argumentativo”. Depois, ela colocou perguntas no quadro, dizendo que eles deveriam escrever “um texto corrido a partir das perguntas”. Por fim, ela escreveu as perguntas: Como é seu nome? Você tem algum apelido? Não há delimitação do gênero de texto a ser produzido (É uma carta? Um artigo de opinião? Um depoimento pessoal?), da finalidade, do destinatário e, além disso, as perguntas do roteiro não ajudam a criança a inferir nenhum objetivo possível para o texto. Nesse dia, uma criança, desesperada diante da tarefa, elaborou o seguinte título para o texto: “As estranhas perguntas que me fazem”. Avaliação da Aprendizagem – Profa. Jaqueline Barbosa da Silva Versão provisória em PDF do conteúdo da disciplina. O autor é o titular dos direitos autorais desta obra. Reprodução não autorizada. Uso estritamente pessoal. Para outra utilização, solicitar autorização prévia do titular dos direitos autorais. Qual? Por quê? Você ajuda em sua casa? O que você faz? Você acha que existe serviço de homem e serviço de mulher? O que você sente quando está ajudando alguém? Fonte: Comando e análise retirado do texto “Intencionalidades da avaliação na língua portuguesa” de Telma Ferraz Leal, 2008, p.24. São comuns essas situações no cotidiano das escolas, que esbarram, entre outros, na ausência de conhecimento sobre o processo avaliativo. Como podemos superar essas e outras tantas situações? ATIVIDADE 5 Com base nas informações apresentadas nas seções 4.1, 4.2 e 4.3, assuma o papel de um(a) professor(a) que deseja superar os desafios epistemológicos e práticos da avaliação educacional do ensino e aprendizagem. Aproveite o exemplo do comando e análise do episódio acima e leia atentamente o texto que segue, apresentado na prova de redação do ENEM 2010. A partir dos temas a que o mesmo se reporta, apresente uma proposta de atividade na área da Língua Portuguesa que contemple as exigências da escola contemporânea, identificando o propósito de contribuir com a pertinência e clareza para a aprendizagem dos estudantes a que se destina a tarefa. Logo, você deverá explicitar o conteúdo de ensino, o público-alvo selecionado parao trabalho, o objetivo do trabalho com o conteúdo, a descrição em hora/aula dos comandos e procedimentos da atividade, e, por fim, o uso do texto indicado como ilustração para a verificação da aprendizagem dos estudantes. Avaliação da Aprendizagem – Profa. Jaqueline Barbosa da Silva Versão provisória em PDF do conteúdo da disciplina. O autor é o titular dos direitos autorais desta obra. Reprodução não autorizada. Uso estritamente pessoal. Para outra utilização, solicitar autorização prévia do titular dos direitos autorais. Ou seja, o(a) professor(a) deverá solicitar aos estudantes registros que permitam levar em consideração os princípios norteadores da avaliação formativa-reguladora, possibilitando apreender a compreensão dos estudantes diante do conteúdo de aprendizagem selecionado para o trabalho em pauta. Após a elaboração da atividade, publique sua produção no AVA e socialize suas ideias com o coletivo do grupo. * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * O FUTURO DO TRABALHO Esqueça os escritórios, os salários fixos e a aposentadoria. Em 2020, você trabalhará em casa, seu chefe terá menos de 30 anos e será uma mulher. Felizmente, nunca houve tantas ferramentas disponíveis para mudar o modo como trabalhamos e, consequentemente, como vivemos. E as transformações estão acontecendo. A crise despedaçou companhias gigantes tidas até então como modelos de administração. Em vez de grandes conglomerados, o futuro será povoado de empresas menores reunidas em torno de projetos em comum. Os próximos anos também vão consolidar mudanças que vêm acontecendo há algum tempo: a busca pela qualidade de vida, a preocupação com o meio ambiente, e a vontade de nos realizarmos como pessoas também em nossos trabalhos. “Falamos tanto em desperdício de recursos naturais e energia, mas e quanto ao desperdício de talentos?”, diz o filósofo e ensaísta suíço Alain de Botton em seu novo livro The Pleasures and Sorrows of Works (Os prazeres e as dores do trabalho, ainda inédito no Brasil). Fonte: Prova de redação do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM)/2010. Avaliação da Aprendizagem – Profa. Jaqueline Barbosa da Silva Versão provisória em PDF do conteúdo da disciplina. O autor é o titular dos direitos autorais desta obra. Reprodução não autorizada. Uso estritamente pessoal. Para outra utilização, solicitar autorização prévia do titular dos direitos autorais. ATENÇÃO Continuando o registro no memorial Com base no diálogo apresentado na tirinha da Mafalda ao lado, continue assumindo o papel de professor(a), conforme solicitado na atividade anterior. Na situação que se segue, explore ao máximo a natureza educativa, intencional e sistemática, do registro da avaliação, quando atribui o conceito “péssimo” a um estudante. PESQUISA Já que falamos em instrumentos avaliativos e princípios de avaliação que contemplam a diversidade, quero solicitar de vocês uma revisão dos estudos desta unidade para que possamos “cair em campo”. Você já ouviu falar na Prova Brasil? Qual o objetivo da mesma? Qual o público a quem ela se destina? Quando e onde ela acontece? Mesmo que essa lhe seja uma temática familiar, quero convidar você para conhecer a Prova Brasil acessando o portal do MEC através dos links: ●http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view= article&id=210:apresentacao-prova-brasil&catid=143:prova- brasil&Itemid=324 ●http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view= article&id=209&Itemid=326 ●http://provabrasil2009.inep.gov.br/. Após consultar as informações sobre a Prova Brasil, pesquise outros instrumentos avaliativos dessa mesma natureza e enriqueça seu Avaliação da Aprendizagem – Profa. Jaqueline Barbosa da Silva Versão provisória em PDF do conteúdo da disciplina. O autor é o titular dos direitos autorais desta obra. Reprodução não autorizada. Uso estritamente pessoal. Para outra utilização, solicitar autorização prévia do titular dos direitos autorais. memorial, realizando comparação e apresentando suas considerações sobre a função e o objetivo avaliativo dos mesmos. Observe atentamente o prazo da atividade, que deverá respeitar o período de 13 a 18 de junho. De olho vivo! Os instrumentos escolhidos e construídos devem atender aos critérios de viabilidade, utilidade, pertinência e boa elaboração. Os instrumentos de avaliação definem a dimensão do diálogo entre alunos e professor e a avaliação é parte integrante e permanente da ação pedagógica diária que precisa ser pensada quanto ao redimensionamento da prática. No texto “Avaliação, ensino e aprendizagem: anotações para ações em currículo com matriz integrativa...”, Lea das Graças Anastasiou (2006, pp. 69-90) nos possibilita reflexões sobre o tema em pauta desta unidade. Para conhecer outros comandos e análises, leia o capítulo “Intencionalidades da avaliação na língua portuguesa” produzido por Telma Ferraz Leal (2008, pp. 19-31) que se encontra no livro Práticas avaliativas e aprendizagens significativas: em diferentes áreas do currículo, organizado por Janssen Felipe da Silva; Jussara Hoffmann e Maria Teresa Esteban. PARA REFLETIR Situar a discussão da avaliação na relação ensino e aprendizagem e no âmbito educacional significa nos remetermos às potencialidades dos educadores no fazer pedagógico, o qual se vincula a um projeto de mundo e educação, exigindo a presença constante do ato de avaliar e reavaliar o processo educativo. O desafio deverá levar em consideração as condições objetivas, históricas e concretas na qual o trabalho será desenvolvido. E, para que realmente Avaliação da Aprendizagem – Profa. Jaqueline Barbosa da Silva Versão provisória em PDF do conteúdo da disciplina. O autor é o titular dos direitos autorais desta obra. Reprodução não autorizada. Uso estritamente pessoal. Para outra utilização, solicitar autorização prévia do titular dos direitos autorais. haja uma modificação que potencialize os conhecimentos e as aprendizagens dos estudantes, o(a) professor(a) deverá (1) se convencer da necessidade de mudar e (2) vislumbrar o caminho da mudança. Se, de um lado, a avaliação reflete e crítica a realidade; do outro, termina descobrindo as necessidades do trabalho educativo, através dos problemas existentes e que deverão ser resolvidos. Ou seja, como aprender na mudança? Como avançar nos nossos conhecimentos? Como fazer das nossas sistematizações uma ponte de reflexão para a autoavaliação das nossas ações e prática pedagógicas? Como valorizar os conhecimentos que nos chegam através dos nossos estudantes? E como continuar explorando as possibilidades de ensino e aprendizagem que nos são proporcionadas, mas que ainda estão encobertas pelo medo de ousar a fazer diferente em nossas práticas? ATIVIDADE 6 No nosso último fórum, “Trajetórias de aprendizagens sobre avaliação”, o alicerce da discussão estará relacionado aos elementos contemplados nas análises de Silva (2010, pp. 57-80), especificamente, no que se refere a responsabilidade profissional docente diante do sistema educacional. Em outras palavras, cada um(a) de vocês deverá se posicionar de forma crítica e reflexiva, a partir dos registros do grupo, quanto à natureza político-pedagógica da avaliação educacional do ensino e aprendizagem, seu lugar e desafio nas práticas de avaliação, considerando, entre outros, o quarto programa da série TV Escola “Projetos educacionais e avaliação” (2002),o vídeo da Prova Brasil (2009), e, a atividade elaborada na área de Língua Portuguesa, solicitada na atividade 5. Para essa atividade, devemos nos organizar para contribuir com o debate no período de 20 a 22 de junho. Avaliação da Aprendizagem – Profa. Jaqueline Barbosa da Silva Versão provisória em PDF do conteúdo da disciplina. O autor é o titular dos direitos autorais desta obra. Reprodução não autorizada. Uso estritamente pessoal. Para outra utilização, solicitar autorização prévia do titular dos direitos autorais. ATIVIDADE 7 Chegamos ao término do semestre! Nesse trajeto, percebemos o quanto é complexo o ato de avaliar. Embora reconheçamos as possibilidades da avaliação formativa-reguladora, sua complexidade exige compromisso no respeito aos ritmos, diferenças e tempos de aprendizagens dos educandos. É com a certeza de que somos seres inconclusos e estamos (re)aprendendo diante dos desafios que a educação nos apresenta, que encerraremos com reticências as discussões vivenciadas nessa disciplina. Logo, deixaremos, em formato de memorial, os registros que nos foram possibilitados ao longo de cada unidade de ensino, os quais privilegiaram leituras, reflexões, comentários, pesquisas, etc. Os memoriais serão publicados para acesso do coletivo do grupo, na plataforma Moodle, e poderão ser consultados para, quando necessário, registrar as observações, comentários, reflexões, sugestões, etc. Atenção: Para essa atividade, deveremos estar atentos aos prazos finais de publicação na plataforma, o qual deverá respeitar o período de 27 a 30 de junho. Um breve “até logo” Despeço-me agradecendo as oportunidades de aprendizagens proporcionadas e desejo que vocês sejam professores engajados politicamente, numa prática democrática a favor da ética, do diálogo e da coletividade. Como falar de avaliação exige tomada de decisão, ruptura, respeito, risco, pesquisa, deixo vocês com Freire (2008) e desejo que as formas de Avaliação da Aprendizagem – Profa. Jaqueline Barbosa da Silva Versão provisória em PDF do conteúdo da disciplina. O autor é o titular dos direitos autorais desta obra. Reprodução não autorizada. Uso estritamente pessoal. Para outra utilização, solicitar autorização prévia do titular dos direitos autorais. interação e comunicação se intensifiquem a cada vivência/experiência proporcionada no decorrer do Curso com os diferentes componentes curriculares. Abraços! Jaqueline Barbosa * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * Não posso ser professor(a) se não percebo cada vez melhor que, por não poder ser neutra, minha prática exige de mim uma definição. Uma tomada de posição. Decisão. Ruptura. Exige de mim que escolha entre isto e aquilo. Não posso ser professor(a) a favor de quem quer que seja e a favor de não importa o quê. Não posso ser professor(a) a favor simplesmente do Homem ou da Humanidade, frase de uma vaguidade demasiado contrastante com a concretude da prática educativa. Sou professor(a) a favor da decência contra o despudor, a favor da liberdade contra o autoritarismo, da autoridade contra a licenciosidade, da democracia contra a ditadura de direita ou de esquerda. Sou professor(a) a favor da luta constante contra qualquer forma de discriminação, contra a dominação econômica dos indivíduos ou das classes sociais. Sou professor(a) contra a ordem capitalista vigente que inventou esta aberração: a miséria na fartura. Sou professor(a) a favor da esperança que me anima apesar de tudo. Sou professor(a) contra o desengano que me consome e imobiliza. Sou professor(a) a favor da boniteza de minha própria prática, boniteza que dela some se não cuido do saber que devo ensinar, se não brigo por este saber, se não luto pelas condições materiais necessárias sem as quais meu corpo, descuidado, corre o risco de se amofinar e de já não ser o testemunho que deve ser de lutador pertinaz, que cansa mas não desiste. Boniteza que se esvai de minha prática se, cheio de mim mesmo arrogante e desdenhoso dos estudantes, não canso de me admirar. Assim como não posso ser professor(a) sem me achar capacitado para ensinar certo e bem os conteúdos de minha disciplina não posso, por outro lado, reduzir minha prática docente ao puro ensino daqueles conteúdos. Esse é um momento apenas de minha atividade pedagógica. Tão importante quanto ele, o ensino dos Avaliação da Aprendizagem – Profa. Jaqueline Barbosa da Silva Versão provisória em PDF do conteúdo da disciplina. O autor é o titular dos direitos autorais desta obra. Reprodução não autorizada. Uso estritamente pessoal. Para outra utilização, solicitar autorização prévia do titular dos direitos autorais. conteúdos, é o meu testemunho ético ao ensiná-los. É a decência com que o faço. É a preparação científica revelada sem arrogância, pelo contrário, com humildade. É o respeito jamais negado ao educando, a seu saber de “experiência feito” que busco superar com ele. Tão importante quanto o ensino dos conteúdos e a minha coerência na classe. A coerência entre o que digo, o que escrevo e o que faço. FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa, 37ª. ed., SP: Paz e Terra, 2008. p. 102-103.