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1 Universidade Federal do Rio Grande do Norte Centro de Educação Departamento de Práticas Educacionais e Currículo Curso de Pedagogia Professor: Dr. Alexandre da Silva Aguiar RELATÓRIO O ESTÁGIO SUPERVISIONADO NA EJA: UMA EXPERIÊNCIA Sujeito-cidadão: a escola na construção de valores GILDENÁRIA ALVES MARQUES NATAL / RN DEZEMBRO/2016 2 RELATÓRIO SUJEITO-CIDADÃO: A ESCOLA NA CONSTRUÇÃO DE VALORES Relatório apresentado à Universidade Federal do Rio Grande do Norte/UFRN como requisito para avaliação da Conclusão do Curso para obtenção de título de Licenciatura em Pedagogia. Orientador: Dr. Alexandre da Silva Aguiar NATAL / RN DEZEMBRO/2016 3 BANCA EXAMINADORA Trabalho de conclusão de curso aprovado em: _____/______/_______ __________________________________________________ Prof.º Drº Alexandre da Silva Aguiar (Orientador) – UFRN NATAL / RN DEZEMBRO/2016 4 AGRADECIMENTOS Uma noite eu tive um sonho... Sonhei que estava andando na praia com o Senhor, e através do Céu, passavam cenas de minha vida. Para cada cena que passava, percebi que eram deixadas dois pares de pegadas na areia; um era o meu e o outro do Senhor. Quando a última cena de minha vida passou diante de nós, olhei para trás, para as pegadas na areia, e notei que muitas vezes no caminho da minha vida havia apenas um par de pegadas na areia. Notei também que isso aconteceu nos momentos mais difíceis e angustiosos da minha vida. Isso me aborreceu deveras, e perguntei então ao Senhor: “Senhor, Tu me disseste que, uma vez que eu resolvi Te seguir, Tu andarias sempre comigo, todo o caminho, mas notei que durante as maiores atribulações do meu viver havia na areia dos caminhos da vida, apenas um par de pegadas. Não compreendo porque nas horas em que eu mais necessitava de Ti, Tu me deixaste". Então o Senhor respondeu: “’Quando vistes na areia apenas um par de pegadas, foi exatamente aí que EU TE CARREGUEI EM MEUS BRAÇOS”. (Autora: Mary Stevenson) 5 ”Algumas coisas sempre parecem impossíveis até que sejam realizadas.” (Nelson Mandela) 6 Sumário INTRODUÇÃO ............................................................................................................................ 7 1.0 DESCRIÇÃO DO PROCESSO DE PLANEJAMENTO .................................................. 8 Justificativa .................................................................................................................................. 8 Caracterização do campo de Estágio ..................................................................................... 9 História da escola ....................................................................................................................... 9 2.0 DESCRIÇÃO REFLIXIVA DA INTERVENÇÃO INICIAL ............................................. 21 3.0 DESCRIÇÃO REFLEXIVA DA INTERVENÇÃO: (SISTEMATIZAÇÃO/EXECUÇÃO DO PROJETO DE TRABALHO) ............................................................................................ 25 3.1 Descrição das atividades realizadas .............................................................................. 25 3.1.1 Da observação ................................................................................................................ 25 3.1.2 Análise da observação .................................................................................................. 27 3.2 Descrição da regência ...................................................................................................... 32 3.2.1 Análise reflexiva da regência ........................................................................................ 39 4.0 AVALIAÇÃO ....................................................................................................................... 41 5.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................. 43 6.0 REFERÊNCIAS .................................................................................................................. 44 APÊNDICE ................................................................................................................................ 47 NATAL / RN DEZEMBRO/2016 7 INTRODUÇÃO A Prática de Ensino na Escola de 1º Grau caracteriza-se como o exercício da experiência profissional, por meio de uma vivência em ambientes escolares, levando o profissional à interpretação da realidade educacional nas instituições de ensino, possibilitando consolidar os conhecimentos teóricos adquiridos no decorrer do curso e estabelecer a relação entre teoria e prática. Sendo assim, o estágio supervisionado se torna um componente curricular que proporciona ao aluno a reflexão contextualizada, dando condições para que se torne autor de sua própria prática. Este Estágio Supervisionado, dentro do contexto da disciplina Prática de Ensino na Escola de 1º Grau, foi realizado em uma turma de 4ª/5ª série do Programa de Educação de Jovens e Adultos – EJA do turno noturno da Escola Municipal Professora Francisca Ferreira da Silva, localizado à Av. Industrial João Francisco da Mota, 3804 – Bom Pastor, BR 226 (KM 6) , Município de Natal, Estado do Rio Grande do Norte. Desta maneira, este relatório é composto da descrição das observações e das experiências vivenciadas no período de regência em sala de aula que se baseou nos quatro pilares da educação e também na tendência sócio- interacionista do processo de ensino-aprendizagem, em que busca desenvolver a aprendizagem através da interação mutua. Encontram-se descrito neste trabalho as observações não só do processo em sala de aula, como também, do ambiente escolar como um todo. Dentro deste pressuposto, procurou-se conviver e observar uma forma de direcionar a prática pedagógica como uma ação sustentada em fundamentos que englobam uma linha filosófica de aprendizagem e sua efetividade. 8 1.0 DESCRIÇÃO DO PROCESSO DE PLANEJAMENTO PROJETO: Sujeito-Cidadão: A Escola Na Construção De Valores Justificativa Este tema surgiu da necessidade de se trabalhar a questão da formação do sujeito enquanto cidadão, através da construção do tema transversal Ética, a partir das observações em sala de aula, onde pude articular aspectos que envolvem as relações de convívio com o outro. Segundo Piaget (1954) “os valores referem-se a trocas afetivas que o sujeito realiza com o exterior. Surgem da projeção de sentimentos positivos sobre objetos e ou pessoas e ou relações e ou sobre si mesmo”. Dessa maneira as relações éticas são estabelecidas previamente no contexto familiar, em seguida na escola e segue essa construção na própria sociedade quando adulto e que durante toda a nossa vida, construímos valores que irão caracterizar nossa personalidade. Sabendo que constituímos uma sociedade pautada nos valores e ideal democrático, na escola a relação professor-aluno, sujeito e sociedade desempenham papel fundamental no desenvolvimento da disciplina, na construção do currículo e desenvoltura no espaço escolar. Busca-se que este projeto lance oportunidades de diálogos,a propósito de uma construção da consciência ética. Sobretudo, faz necessário buscar efetivamente cultivar os valores éticos: o respeito mútuo, justiça e a compreensão através do diálogo. 9 Caracterização do campo de Estágio Escola Municipal Professora Francisca Ferreira da Silva Temporalidade: Cinco dias (20hs semanais) Professor Estagiário: Gildenária A. Marques Professor Supervisor: Luzimar Barbalho da Silva História da escola A Escola Municipal Professora Francisca Ferreira como unidade de ensino vinculada a Prefeitura Municipal de Natal está subordinada a Secretaria Municipal de Educação e se orienta pela legislação vigente do Sistema Nacional e Municipal de Ensino, sendo inaugurada no dia 31 de maio do ano de 1978 através do Decreto Lei n° 2.055/76 e Portaria de nº 078/96. Funcionando inicialmente num prédio cedido pela Empresa Frigorífica do Rio Grande do Norte (Ex-FRIGONARTE), anexa ao referido Órgão, apresentava instalações impróprias para o porte de uma unidade escolar, surgindo como proposta de ofertar ensino aos filhos dos funcionários para minimizar a escassez de escolas existentes no Bairro. A demanda de alunos que procuravam a instituição promoveu uma expansão da oferta de ensino durante o período de 1978 a 2002, impulsionando a escola a implantar no ano de 1981 alguns anexos em casas ou prédios alugados pela Prefeitura Municipal de Natal, formando um complexo espaço escolar. 10 O longo processo de expectativa para conquista de um prédio escolar (próprio), que correspondessem em termos de estruturas físicas e, material, mas principalmente coerente com o desenvolvimento das atividades de ensino, provocou várias mobilizações políticas com a comunidade do Bairro, reivindicando um espaço institucional que oferecesse um ambiente mais adequado ás necessidades profissionais de seus funcionários, e em particular, as formativas dos alunos. A inauguração da sede própria ocorre no dia 10/03/2003, coincidindo com o evento dos 25 anos de fundação, contando com a presença de várias autoridades municipais e estaduais. Foram mais de 20 anos de criação para que a Prefeitura de Natal construísse de fato, a Escola Municipal Francisca Ferreira da Silva. Entre o período de 1978 a 2003, o percurso histórico da escola demonstra que apesar das condições adversas diante da precária estrutura física, o quadro de procura e oferta não se altera. Houve um aumento significativo da clientela nos 25 anos de atividades, sendo perceptível o crescimento na oferta de ensino, concorrendo para revelar a existência de empenho dos gestores, docentes e funcionários para oferecer ensino para Comunidade. Para o melhor funcionamento da instituição, a escola conta com o porteiro, bibliotecário, auxiliar no laboratório de informática, merendeira, equipe de limpeza, psicopedagogos, professores polivalente, professores de áreas específicas, além de direção, coordenação e apoio pedagógico. No turno matutino são quinze professores polivalentes, dois de arte e educação física e de ensino religioso e inglês atendendo as especificidades do ensino fundamental I. Noturno vespertino, contamos com os professores por áreas de ensino atendendo as especificidades do 6º ao 9º ano do ensino fundamental II. Este turno também conta com o apoio da equipe gestora que corresponde a direção, coordenação pedagógica. 11 No turno noturno funciona a EJA atendendo a clientela que por alguns motivos não podem realizar seu estudo no período da infância e adolescência de forma satisfatória. Nesse ensino a equipe pedagógica, juntamente com os professores, realizam uma ação educativa diferenciada correspondendo as necessidades e anseios dos seus alunos. Em relação aos gestores, as representações passam por eleições diretas de acordo com as normas legais e aplicáveis, assim como se observa as diretrizes nacionais e regionais para o preenchimento das demais vagas dos colegiados (Conselhos Financeiro, Administrativo e Escolar), cada qual com seu Estatuto próprio orientado pelo Regimento Escolar. Localização da escola A Escola Municipal Professora Francisca Ferreira da Silva está localizada na Avenida Industrial João Francisco da Motta, nº 3804, Bairro Bom Pastor, Zona Oeste de Natal, Estado do Rio Grande do Norte sendo uma referência no Bairro Bom Pastor por se destacar em termos de estrutura física com amplo espaço sócio educativo que visa atender as demandas educativas da comunidade. Em relação ao contexto socioeconômico e cultural em que situa a escola, o bairro demonstra uma realidade com características semelhantes a outros bairros periféricos de Natal, tanto no que se referem aos níveis de escolarização, as taxas de emprego (e desemprego), as estatísticas da violência urbana, as precariedades das residências e do local de moradia, inclusive com favelas circunvizinhas de onde provêm muitos alunos residentes. Outros problemáticos presentes tratam-se da falta de saneamento básico que agravam as condições ambientais e eclodem os problemas de poluição e degradação da natureza, além da ausência de espaços públicos para esportes e lazer, entre outros fatores que demonstram existir, por parte do poder público, uma dispersão de políticas públicas voltadas à população local, cuja situação tem sido objeto de discussão nos projetos da escola. 12 Apesar de merecer um estudo mais detalhado, observei em relação ao perfil dos alunos, que a maioria é proveniente de famílias carentes, com renda familiar em torno de 01 salário mínimo e com ocupações sub-remuneradas (pequenos ofícios), além de contar com subsídios do Governo Federal, através de programas sociais como bolsa-escola, tributo da criança e PETI, todos eles estabelecidos pela condição de manterem os filhos na escola. Conferem especialmente aos alunos do turno noturno que são matriculados na Educação de Jovens e Adultos, o envolvimento em ocupações ou atividades temporárias, os chamados “bicos” (pequenos serviços). Um outro fator evidenciado, é a existência de um quadro de violência urbana que paira no cotidiano do bairro, incluindo como causas e conseqüências, o tráfico e consumo de drogas. A falta de emprego e a desintegração familiar também são fatores apontados nas discussões da escola, atribuindo um significado papel na problemática do baixo desempenho escolar, e por vezes, motivadores das indisciplinas existentes. Estrutura Física A escola encontra-se bem localizada as margens de uma das principais vias de acesso da cidade (km 6) e com espaço físico amplo. Dependências e vias adequadas a alunos com deficiência ou mobilidade reduzida. No prédio central temos a recepção, direção, secretaria, sala dos professores, coordenação, sala de multimídia, biblioteca, sala dos jogos e laboratório de informática, espaço de leitura, sala de multimeios (sala de convivência), sala de recursos multifuncionais para Atendimento Educacional Especializado (AEE), banheiro dos professores. Ao lado, temos o estacionamento da escola amplo, murado e com portão. No 1º anexo tem pátio coberto, refeitório, despensa, cozinha, banheiros masculinos e femininos (funcionários e alunos), banheiro adequado à educação infantil e adequado a alunos com deficiência ou mobilidade reduzida 13 O 2º anexo é composto por salas de aulas localizadas à direita e à esquerda do prédio central. No total são quinze salas. Ao lado temos a quadra de esportes coberta. Também agregados ao bloco C encontra-se a biblioteca e sala de judô. Em frente, temos o estacionamento da escola. A escolafunciona em três turnos que atendem alunos da educação infantil, ensino fundamental e educação de jovens e adultos, assegurando o pleno funcionamento das atividades a partir da existência de profissionais com formações de nível médio, graduação e pós-graduação em diversas áreas da educação. A Escola Municipal Francisca Ferreira é pioneira em manter um caráter Multifuncional de 24 horas, quando atua há vários anos num regime de 18 horas por dia (das 6 as 24h) e 07 dias por semana, realizando atividades educativas e afins por meio das modalidades de ensino (Educação Infantil, Ensino Fundamental, Educação de Jovens e Adultos), além de programas como Mais Educação, Celeiro, Segundo Tempo. Tal regime de funcionamento a torna rara no Brasil ao otimizar seu tempo e disponibilizar diferentes atividades que ampliam a relação escola-comunidade. Caracterização dos participes Para o melhor funcionamento da instituição, a escola conta com o porteiro, bibliotecário, auxiliar no laboratório de informática, merendeira, equipe de limpeza, psicopedagogos, professores polivalente, professores de áreas específicas, além de direção, coordenação e apoio pedagógico. No turno matutino são quinze professores polivalentes, dois de arte e educação física e de ensino religioso e inglês atendendo as especificidades do ensino fundamental I. Noturno vespertino, contamos com os professores por áreas de ensino atendendo as especificidades do 6º ao 9º ano do ensino fundamental II. Este 14 turno também conta com o apoio da equipe gestora que corresponde a direção, coordenação pedagógica. No turno noturno funciona a EJA atendendo a clientela que por alguns motivos não podem realizar seu estudo no período da infância e adolescência de forma satisfatória. Nesse ensino a equipe pedagógica, juntamente com os professores, realiza uma ação educativa diferenciada correspondendo as necessidades e anseios dos seus alunos. Em relação aos gestores, as representações passam por eleições diretas de acordo com as normas legais e aplicáveis, assim como se observa as diretrizes nacionais e regionais para o preenchimento das demais vagas dos colegiados (Conselhos Financeiro, Administrativo e Escolar), cada qual com seu Estatuto próprio orientado pelo Regimento Escolar. Estrutura Administrativa Organizacional Humanos: Professores, pessoal de apoio, direção entre outros. Espaço Físico: Quadra coberta, sala de aula, áreas livres e quadra poliesportiva. Materiais: Vídeo, aparelho de som, filmadora, jornais e revistas, cola tesoura, cartolina, papel madeira, caixas de papelão, cordas de cola, cores, salas diversas e etc. Projeto Celeiro O Projeto Celeiro 2013 foi desenvolvido para atrair alunos de nossa escola para estar atuando em atividades educativas. A modalidade desde trabalho é futsal, onde são desenvolvidos nas quintas-feiras das 10:00hs às 12:00hs (manhã) e 15:00hs às 18:00hs (tarde) e nas sextas-feiras de 09:00hs às 12:00hs (manhã) e 14:00 às 17:00hs. 15 Projeto Caráter Conta O Programa "O CARÁTER CONTA!" é uma parceria entre a ONG "Os Companheiros das Américas", Virginia StateUniversity (4-H), IEPES, GERED e Secretaria Municipal de Educação de Joinville, SC. Seu principal objetivo é a construção de uma cultura de paz nas escolas por meio da sistematização de valores nas atividades pedagógicas. Programas do MEC existentes na escola (Recursos do Governo) Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE) Criado em 1995, o Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE) tem por finalidade prestar assistência financeira, em caráter suplementar, às escolas públicas da educação básica das redes estaduais, municipais e do Distrito Federal e às escolas privadas de educação especial mantidas por entidades sem fins lucrativos, registradas no Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) como beneficentes de assistência social, ou outras similares de atendimento direto gratuito ao público. O programa engloba várias ações e objetiva a melhora da infra - estrutura física e pedagógica das escolas e o reforço da autogestão escolar nos planos financeiro, administrativo e didático, contribuindo para elevar os índices de desempenho da educação básica. Os recursos são transferidos independentemente da celebração de convênio ou instrumento congênere, de acordo com o número de alunos extraído do Censo Escolar do ano anterior ao do repasse. 16 Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), implantado em 1955, garante, por meio da transferência de recursos financeiros, a alimentação escolar dos alunos de toda a educação básica (educação infantil, ensino fundamental, ensino médio e educação de jovens e adultos) matriculados em escolas públicas e filantrópicas. Seu objetivo é atender as necessidades nutricionais dos alunos durante sua permanência em sala de aula, contribuindo para o crescimento, o desenvolvimento, a aprendizagem e o rendimento escolar dos estudantes, bem como promover a formação de hábitos alimentares saudáveis. O PNAE tem caráter suplementar, como prevê o artigo 208, incisos IV e VII, da Constituição Federal, quando coloca que o dever do Estado (ou seja, das três esferas governamentais: União, estados e municípios) com a educação é efetivado mediante a garantia de "atendimento em creche e pré- escola às crianças de zero a seis anos de idade" (inciso IV) e "atendimento ao educando no ensino fundamental, através de programas suplementares de material didático-escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde" (inciso VII). A partir de 2010, o valor repassado pela União a estados e municípios foi reajustado para R$ 0,30 por dia para cada aluno matriculado em turmas de pré-escola, ensino fundamental, ensino médio e educação de jovens e adultos. As creches e as escolas indígenas e quilombolas passam a receber R$ 0,60. Por fim, as escolas que oferecem ensino integral por meio do programa Mais Educação terão R$ 0,90 por dia. Ao todo, o PNAE beneficia 45,6 milhões de estudantes da educação básica. O repasse é feito diretamente aos estados e municípios, com base no censo escolar realizado no ano anterior ao do atendimento. O programa é acompanhado e fiscalizado diretamente pela sociedade, por meio dos Conselhos de Alimentação Escolar (CAEs), pelo FNDE, pelo Tribunal de 17 Contas da União (TCU), pela Secretaria Federal de Controle Interno (SFCI) e pelo Ministério Público. A escola conta com este recurso, pois em todos os turnos os alunos têm o lanche disponível, com listagem de cardápio, inclusive bastante diversificado. Programa Nacional da Biblioteca Escolar (PNBE) A democratização do acesso às fontes de informação; o fomento à leitura e à formação de alunos e professores leitores; e o apoio à atualização e ao desenvolvimento profissional do professor são os principais objetivos do Programa Nacional Biblioteca da Escola – PNBE. Por meio da distribuição de acervos de obras de literatura, de pesquisa e de referência e outros materiais relativos ao currículo nas áreas de conhecimento da educação básica, o governo federal apóia o cidadão no exercício da reflexão, da criatividade e da crítica. Desde que foi criado, em 1997, o programa vem se modificando e se adequando à realidade e às necessidades educacionais. Sob a gestão do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE tem recursos financeiros originários do Orçamento Geral da União. Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) Para prover as escolas públicas de ensino fundamental e médio comlivros didáticos, dicionários e obras complementares de qualidade, o governo federal executa o Programa Nacional do Livro Didático. O Programa atende também aos alunos da Educação de Jovens e Adultos das redes públicas de ensino e das entidades parceiras do Programa Brasil Alfabetizado. O programa é executado em ciclos trienais alternados. Assim, a cada ano o FNDE adquire e distribui livros para todos os alunos de um segmento, que pode ser: anos iniciais do ensino fundamental, anos finais do ensino 18 fundamental ou ensino médio. Em 2011, o orçamento do PNLD é de R$ 1,2 bilhão, para a compra de livros didáticos do ensino médio e reposição e complementação do ensino fundamental. À exceção dos livros consumíveis, os livros distribuídos deverão ser conservados e devolvidos para utilização por outros alunos nos anos subseqüentes. Cada escola escolhe democraticamente, dentre os livros constantes no Guia do PNLD, aquele que deseja utilizar, levando em consideração seu planejamento pedagógico. Para garantir o atendimento a todos os alunos, são distribuídas também versões acessíveis (áudio, Braille e MecDaisy) dos livros aprovados e escolhidos no âmbito do PNLD. O Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) é o mais antigo dos programas voltados à distribuição de obras didáticas aos estudantes da rede pública de ensino brasileira e iniciou-se, com outra denominação, em 1929. Ao longo desses quase 70 anos, o programa foi se aperfeiçoando e teve diferentes nomes e formas de execução. PNLD é voltado para o ensino fundamental público, incluindo as classes de alfabetização infantil. A partir de 2001, o PNLD ampliou sua área de atuação e começou a atender, de forma gradativa, os alunos portadores de deficiência visual que estão nas salas de aula do ensino regular das escolas públicas com livros didáticos em Braille. Em 2004, com a Resolução nº 40, de 24/8/2004, ficou instituído o atendimento também aos estudantes portadores de necessidades especiais das escolas de educação especial públicas, comunitárias e filantrópicas, definidas no censo escolar, com livros didáticos de língua portuguesa, matemática, ciências, história, geografia e dicionários. 19 Programa Mais Educação O Programa Mais Educação, criado pela Portaria Interministerial nº 17/2007, aumenta a oferta educativa nas escolas públicas por meio de atividades optativas que foram agrupadas em macro campos como acompanhamento pedagógico, meio ambiente, esporte e lazer, direitos humanos, cultura e artes, cultura digital, prevenção e promoção da saúde, Edu - comunicação, educação científica e educação econômica. A iniciativa é coordenada pela Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD/MEC), em parceria com a Secretaria de Educação Básica (SEB/MEC) e com as Secretarias Estaduais e Municipais de Educação. Sua operacionalização é feita por meio do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). O programa visa fomentar atividades para melhorar o ambiente escolar, tendo como base estudos desenvolvidos pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), utilizando os resultados da Prova Brasil de 2005. Nesses estudos destacou-se o uso do “Índice de Efeito Escola – IEE”, indicador do impacto que a escola pode ter na vida e no aprendizado do estudante, cruzando-se informações socioeconômicas do município no qual a escola está localizada. Por esse motivo a área de atuação do programa foi demarcada inicialmente para atender, em caráter prioritário, as escolas que apresentam baixo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), situadas em capitais e regiões metropolitanas. Programa Escola Aberta O Programa Escola Aberta incentiva e apóia a abertura, nos finais de semana, de unidades escolares públicas localizadas em territórios de vulnerabilidade social. A estratégia potencializa a parceira entre escola e 20 comunidade ao ocupar criativamente o espaço escolar aos sábados e/ou domingos com atividades educativas, culturais, esportivas, de formação inicial para o trabalho e geração de renda oferecidas aos estudantes e à população do entorno. 21 2.0 DESCRIÇÃO REFLIXIVA DA INTERVENÇÃO INICIAL Conforme os PCNs do Ensino Fundamental (1998) Para o professor a escola não é apenas lugar de reprodução de relações de trabalho alienadas e alienantes. É, também, lugar de possibilidade de construção de relações de autonomia, de criação e recriação de seu próprio trabalho, de reconhecimento de si, que possibilita redefinir sua relação com a instituição, com o Estado, com os alunos, suas famílias e comunidades, (pág. 38). Sabemos também que a Educação de jovens e Adultos, depois de tantas lutas, está prevista hoje em lei, conforme aponta a LDB (lei n° 9394/96), em seu artigo 37: “a Educação de Jovens e Adultos será destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria. No final desse período temos também a Elaboração do Plano Nacional de Educação (PNE), e nesse mesmo período acontece a V CONFINTEA/Conferencia Nacional de Educação para adultos, que teve como foco a discussão das políticas públicas e para a Educação de Jovens e Adultos. O PNE apresenta 10 diretrizes e 20 metas seguidas de estratégias. Tanto as metas quanto as estratégias premiam iniciativas para todos os níveis, modalidade e etapas educacionais”. Apesar da EJA ser orientada pelas normas legais, ela passa por sérios desafios. Aos adultos da EJA, os desafios não são poucos. Estes se vêem com a responsabilidade de manutenção de suas famílias, educação dos filhos e sob a pressão social de mostrar estabilidade financeira e segurança. Como responder a todas estas expectativas, na atual conjuntura social, política e econômica que nos é posta? E se tratando de adultos à margem do processo de escolarização? Os idosos, então, que além destas ainda carregam a carga do preconceito, numa sociedade em que a velhice é vista como doença, a situação é bem pior. Estes são os alunos da EJA, com suas expectativas e peculiaridades, com um objetivo comum de formação escolar e contam, ainda, com um grande desafio neste processo: aprender a conviver não só entre seus pares, como 22 também na relação diária com os outros segmentos da comunidade escolar, ou seja, professores, funcionários, especialistas (supervisor e orientador educacional), direção, entre outros. Em sua obra Pedagogia do Oprimido Paulo Freire ressalta que o diálogo se constitui da palavra verdadeira, que implica ação e reflexão. Segundo Freire, não é no silêncio que os homens se fazem, mas nas palavras, no trabalho, na ação-reflexão (FREIRE, 2003, p. 92). A escola é o local adequado para esta vivência, que pode ocorrer por meio da realização de projetos que partam desta temática. Assumir esta postura numa sociedade de contradições é algo que requer superação, pois vivemos numa sociedade que, historicamente, reforça o contra valor e a desumanização do homem. É necessário trazer esta reflexão para a sala de aula. Essa perspectiva pedagógica, antes de ser uma proposta didática é uma opção político-pedagógica. A diferença tem que ser respeitada, valorizada e posta em prática para auto-estima do sujeito. Neste sentido, Santos propõe que é preciso ensinar que: “O cidadão é multidimensional. Cada dimensão se articula com as demais na procura de um sentido para a vida. Isso é que dele faz um indivíduo em busca do futuro,a partir de uma concepção de mundo” (2002, p.42). O cidadão é aquele sujeito que se reconhece como ser histórico transformador e solidário. Ainda, para o autor, cidadão “é o indivíduo que tem a capacidade de entender o mundo, a sua situação no mundo e de compreender os seus direitos para poder reivindicá- los” (SANTOS, 1997, p.133). Portanto o objetivo é tratar da discriminação social pela qual, determinados grupos sociais passam na dimensão histórica e espacial do ser cidadão. Levá-los a refletir e compreender, bem como, se identificar por meio de conteúdos (textos, imagens e mídias) o contexto social em que este grupo esta inserido e as características que o definem, fazendo-os perceber que a 23 diversidade da cultura faz parte da formação de um povo, onde todos se constituem como sujeitos históricos. Além disso, trabalharei o conceito de pobreza que é uma forma específica de preconceito, baseada nas diferenças sociais e culturais existentes. E a prática pedagógica contribui de modo específico, isto é, propriamente pedagógico para a democratização da sociedade, na medida em que se compreende como se coloca a questão da democracia relativamente à natureza própria do trabalho pedagógico. (SAVIANI, 1987,80-82). A escola acaba ocultando informações importantes para a construção da identidade positiva, individual e de grupo. Ou seja, é perceptível de forma externalizada ou implicitamente a não valorização nos vários espaços e inclusive na escola e livros didáticos. A inversão do globo ocular inverte a visão, focalizando a importância pessoal, reforçando o egoísmo, a desestima, a postura de autodefesa e de coitadinho, gerando exclusão e isolamento. A sala de aula é um espaço diferenciado de resgate de uma dívida social, no caso da modalidade EJA, que necessita ser um ambiente aberto e acolhedor, estimulador e inclusivo. Educadores têm o desafio de fazer com que os educandos percebam que estar com auto-estima elevada, além de ter boa saúde física e mental (essencial no processo ensino-aprendizagem), representa tornar-se um indivíduo mais seguro e bem resolvido, não se abatendo facilmente diante das intempéries da vida, erguendo a cabeça após o insucesso da repetência escolar e encarando-a com naturalidade e como oportunidade de aprendizagem e amadurecimento. Sendo, por meio da educação escolar que são firmados os conhecimentos que posteriormente são disseminados na sociedade. Os educadores devem ter a consciência de que estão formando sujeitos que irão construir o futuro, então porque não colocar em suas aulas um pensamento mais social, onde levará os alunos a não serem alienados da sua própria história. 24 Portanto, é extremamente importante que a educação e a informação possibilitem as pessoas o mais relevante passo a ser dado como forma de respeito com o próximo para a construção de uma sociedade de fato mais democrática e igualitária. 25 3.0 DESCRIÇÃO REFLEXIVA DA INTERVENÇÃO: (SISTEMATIZAÇÃO/EXECUÇÃO DO PROJETO DE TRABALHO) 3.1 Descrição das atividades realizadas 3.1.1 Da observação O período de observação e regência na escola foi realizado individualmente. O primeiro contato nesta Instituição de ensino foi para devida apresentação a Coordenação e Gestão desta. O segundo contato foi para definição da sala e do professor, definidas pela coordenação pedagógica, que sugeriu, portanto, que o estágio se realizasse na turma B do Nível II - Ensino Fundamental I, na modalidade EJA, segundo estas, a escolha seu deu, pelo fato de ser mais enriquecedor para minha experiência como docente devido à turma apresentar várias dificuldades no que se refere à aprendizagem. O estágio supervisionado é de suma importância, enquanto componente curricular para formação profissional do Pedagogo. Trata-se de uma atividade pratica essencial, que oportuniza a este futuro profissional o exercício efetivo da docência em sala de aula, visto que, nos oportuna a elaborar uma proposta didática de acordo com a realidade em que estes sujeitos estão inseridos. Com isto, a observação e diagnóstico da prática em sala de aula, visam à elaboração e execução da proposta pedagógica. O desenvolvimento do estagio proporciona o estabelecimento de relações entre a prática pedagógica e os fundamentos teóricos adquiridos ao longo do curso de Pedagogia, bem como, a elaboração da proposta de estágio de acordo com as peculiaridades e possibilidades da sala de aula. Libâneo (2004) ressalta a importância da apropriação da teoria para se pensar a prática: [...] necessidade da reflexão sobre a prática a partir da apropriação de teorias como marco para as melhorias das práticas de ensino, em 26 que o professor é ajudado a compreender o seu próprio pensamento, a refletir de modo crítico sobre sua prática e, também, a aprimorar seu modo de agir, seu saber-fazer, à medida que internaliza novos instrumentos de ação (LIBÂNEO, 2004, p. 137). Este presente estágio curricular obrigatório teve como objetivo inicial a visita á escola, necessidade primaria para que se pudesse estabelecer um laço de confiança entre as pastes envolvidas nessa prática, em seguida fez-se necessária outra visita para que a turma fosse definida, em seguida observada e analisada. Esse primeiro contato foi de suma importância, também para conhecer o espaço em que desenvolveria a prática, no caso na turma B de EJA, bem como para conhecer e ser apresentada a alguns gestores, a professora da sala de aula em cuja turma estaria estagiando, além é claro de ter o primeiro contato com os alunos. Após está prévia observação ainda tive um período para observar o ambiente escolar e a turma que me acolheria. A partir dai foi possível esboçar uma estratégia, de ensino, que alcançasse o aluno-alvo, considerado como sujeito único com necessidades e carências que precisam ser supridas dentro de sala de aula. Meu objetivo, no período de observação, era saber avaliar o ambiente escolar da turma em questão. Só assim existiria a possibilidade de que as intervenções de docência fossem eficazes. Neste processo de observação foi possível identificar peculiaridades dos alunos de EJA considerando eles como sujeitos com necessidades e carências que precisam ser supridas dentro de sala de aula. Sendo assim o objetivo, principal a inicio no período de observação era no sentido de turma de estágio, estabelecer possibilidade de que as intervenções de docência fossem produtivas. 27 3.1.2 Análise da observação Foram dois dias de observação, nesse primeiro momento apenas a sala de aula, atuação dos alunos, atuação didática e postura profissional do professor regente. A turma fora previamente avisada da minha presença na sala de aula, a partir daquele primeiro contato, bem como do exercício do estágio na semana seguinte. Dia 30 de março de 2015 deu-se meu primeiro contato com a sala de aula. Antes disso, fui chamada a sala dos professores para conversar com a coordenadora juntamente com a professora. Alguns pontos foram acertados com estas, principalmente sobre as etapas da observação e regência e sobre o perfil da turma, as principais dificuldades, horários, freqüência e conduta de estagiário dentro da instituição e disse que ajudaria no que precisasse. Traçado o perfil desta turma, foi possível a elaboração das propostas de atividade que fossem condizentes com a realidade e necessidades dos alunos Neste dia estiveram presentes na sala doze (12) estudantes e questionei a professora sobre afreqüência dos mesmos, esta relatou que dos vinte e oito (28) matriculados apenas quatorze (14) são assíduos na sala de aula. A turma a qual observei, alguns alunos relataram que estavam na escola apenas para passar o tempo, alguns trouxeram a tona a sua realidade social ao declarar que estavam ali somente pelo lanche oferecido, outros apenas pelas atividades extraclasse, como esporte, outros relataram o desejo pelo aprendizado, mas que não conseguem se concentrar na aula, devido o número de alunos repetentes, considerados bagunceiros, além de adolescentes com dificuldades cognitivas, idosos que demonstravam cansaço físico e entre outros aspectos peculiares dos alunos de EJA. Diante disso percebi que a turma é bastante heterogênea no que se refere ao ensino e aprendizagem, contando com a minoria de alunos que já conseguem ler e a escrever e outros que ainda encontram-se no processo de 28 alfabetização. Segundo a professora, a maioria estava alfabetizado, quatro alunos ainda estavam no nível pré-silábico, e um aluno no nível silábico. Conforme abordagem teórica de Ferreiro, encontramos quatro diferentes níveis de escrita. No nível Pré-Silábico a escrita não apresenta nenhuma correspondência sonora, isto é, que não fazem correspondência entre grafia e som. [...] No nível Silábico, a criança procura efetuar correspondência entre grafia e sílaba, geralmente uma grafia para cada sílaba o que não exclui alguns casos problemáticos derivados de exigências de quantidade mínima de letras. [...] No nível Silábico- Alfabético a sistematicidade da tarefa executada pela criança se dá no sentido de que cada grafia corresponde a um som. [...] No nível Alfabético, a escrita é organizada com base na correspondência entre grafias e fonemas. (FERREIRO, 1985, p. 55). Para Soares (1985), a alfabetização é conceituada como sendo um processo contínuo na vida do ser humano. Isso realmente acontece, mas é preciso tomar cuidado para não confundir processo de aquisição da língua (oral e escrita) e desenvolvimento da língua (oral e escrita), este último item é sim um processo contínuo. Constatou-se que a relação com a professora é muito boa, tendo um relacionamento de reciprocidade com todos os alunos, alguns são participativos, porém outros demonstraram certa inibição para responder as perguntas, talvez essa ação deva-se a minha presença em sala de aula. No primeiro dia, as aulas observadas foram de Língua Portuguesa e Matemática. Conforme informado pela professora, a prioridade é ensinar apenas a leitura e escrita e as operações iniciais de matemática: adição e subtração. Desta forma, iniciou a aula revisando o assunto da aula anterior, através do gênero fabulas, com o texto “O fazendeiro, seu filho e o burro”. Na seqüência uma atividade copiada na lousa com perguntas e respostas. Em seguida a professora começou a corrigir a atividade, alguns nem mesmo se dispuseram a tentar, outros não haviam terminado. A atividade era simples, onde solicitava 29 que os alunos, copiassem um ditado com as palavras fazendeiro, estrada, burro e pé, e outro exercício em que exigia dos alunos completarem a frase. O que mais me chamou atenção nessas atividades não foram os estudantes não terem conseguido completar a mesma, mas sim o tipo de atividade, pois não expressava significado sendo que poderia ter sido feita a mesma atividade com um texto que fosse próximo da realidade do estudante. No ensino da matemática usou-se uma atividade no quadro de complete com os números, colocando cada algarismo na posição que ocupa, onde o assunto abordava as três operações, (somar, subtrair e multiplicar), o objetivo era ensinar os educandos a aprenderem as contas e resolver problemas usando as operações, pois segundo a professora, muitos alunos apresentam dificuldades quando a atividade é resolver problemas, pois os mesmos não sabem qual operação usar. Observei falta de envolvimento por parte da turma, frente a este método de alfabetização, pois a maioria da turma estava dispersa a essa metodologia, que em nada valorizava o cotidiano do aluno de EJA, grande parte da turma já se retirava da sala de aula e percorriam os corredores, teve aluno que preferiu jogar bola na quadra no horário da aula. Um dos desafios enfrentados pelos professores é correlacionar os conteúdos matemáticos com a vida cotidiana dos alunos. É o que afirma Santos (2005): O adulto, que é trabalhador, traz consigo uma matemática “sua”, isto é, uma matemática particular que precisa, a partir dela, ser sistematizada para assim ele poder entender a matemática dos livros e também poder aplicá-la no seu trabalho, dando-lhe oportunidade do domínio básico da escrita e da matemática, instrumentos fundamentais para a aquisição de conhecimentos mais avançados (SANTOS, 2005, p. 3). Passado esse primeiro momento, deu-se continuidade a aula, agora com tema “os benefícios das tecnologias – vantagens e desvantagens”, discutindo sobre o uso do celular, em especial em sala de aula, das dificuldades em fazer uso certo do mesmo. Não houve atividade escrita, apenas discussão do tema, 30 fazendo relação com o comportamento destes alunos em sala de aula quanto ao uso do celular. Segundo Magda Soares (2003), letrar é mais que alfabetizar, é ensinar a ler e escrever dentro de um contexto onde a escrita e a leitura tenham sentido e façam parte da vida do aluno. Portanto podemos constatar diferenças entre ensinar o código de escrita, sua codificação e decodificação, e nortear a prática docente em instrumentalizar o aluno para se utilizar desse código em situações onde a leitura e a escrita sejam utilizadas de forma real e objetiva. Necessário que as atividades de leitura escrita sejam dinâmicas e realizadas com a integração do sujeito no seu mundo social. De acordo com a teoria de Ausubel (1976), quando a aprendizagem significativa não se efetiva, o aluno utiliza a aprendizagem mecânica, isto é, decora o conteúdo, que não sendo significativo para ele, é armazenado de maneira isolada, podendo inclusive esquecê-lo em seguida. E é a aprendizagem mecânica que leva muitos alunos e até professores a acreditarem que o ensino se efetivou. Segundo Santos (2008, p. 33) a aprendizagem somente ocorre se quatro condições básicas forem atendidas: a motivação, o interesse, a habilidade de compartilhar experiências e a habilidade de interagir com os diferentes contextos. Sendo assim, o desafio que se estabelece para os educadores é: despertar motivos para a aprendizagem, tornar as aulas interessantes para os educandos, trabalhar com conteúdos relevantes para que possam ser compartilhados em outras experiências, além da escola, e tornar a sala de aula um ambiente altamente estimulante para a aprendizagem. Sobre mediação pedagógica Freire (1981), afirma que na proposta metodológica para a alfabetização de adultos, a mediação deve está presente, por exemplo, no uso das palavras geradoras e as imagens que são associadas 31 a elas. Para o autor o aluno se alfabetiza quando se apropria do universal, por meio da particularidade que estas palavras revelam, e esta particularidade, ao se relacionar com o singular de cada um dos alunos, se configura. No segundo dia de observação, compareceram cinco (5) dos vinte e oito (28) matriculados. Era véspera de feriado da “semana santa”, dado o alto número de evasão só houve aula no primeiro horário, dentro do enfoque cultural da “semana santa” a professora trouxe um texto com o tema “cristianismo e a semana santa”. Mais uma vez houve discussão do tema e uma atividade escritade complete as palavras. Neste dia a minha co-participação desenvolvida foi muito proveitosa e prazerosa, pois os estudantes já confiavam em tirar as dúvidas comigo e queriam que eu os ajudasse. O grupo se tornou uma equipe onde eu e a professora da sala atuamos como parceiras e para aguçar a vontade de aprender dos que estavam na sala no dia. Dessa maneira, buscando entender um pouco mais desse processo de ensino-aprendizagem onde o educador tenta despertar o interesse do aluno e nesse mesmo processo é cativado e passa também a fazer parte desse processo de ensino-aprendizagem, como menciona Freire (1970) onde nos diz que: Desta maneira, o educador já não é o que apenas educa, mas o que, enquanto educa, é educado, em diálogo com o educando que, ao ser educado, também educa. Ambos, assim, se tornam sujeitos do processo em que crescem juntos e em que os argumentos de autoridade já, não valem. (1970, p.39) A aula foi encerrada com o desfecho da educadora, falando da atribuição da fé para não desistir dos seus objetivos Concluído esse período de contato inicial, passei pelo processo de reflexão do que foi observado, para então escolher as melhores alternativas 32 para que houvesse um aproveitamento satisfatório no período da prática efetiva. Este foi o momento preciso de adaptação das intervenções: elaboração das aulas, escolhas dos materiais e recursos, redefinições teórico- metodológicas entre outros aspectos. Não há prática educativa sem objetivos; uma vez que estes integram o ponto de partida, as premissas gerais para o processo pedagógico (LIBÂNEO, 1994- pág.122). Nesse passo, as intervenções foram realizadas e a prática de docência finalmente ultrapassou a linha das teorias e alcançou a sala de aula que detalharei logo a seguir. 3.2 Descrição da regência A primeira aula foi um tipo de prospecção crítica, a fim de descobrir a melhor maneira de abordagem do conteúdo, para melhor compreensão dos alunos. Do outro lado, percebi os olhares ansiosos querendo saber como seria minha aula. Tenho certeza da importância do diálogo franco, aberto, professor/ aluno, para a construção recíproca de conhecimentos. Pensando na minha formação escolar, como nós aprendíamos de qual modo nossos professores nos ensinavam. Naturalmente os tempos são outros, mas os meios de percepção, e de apreciação das aulas, ainda são os mesmos. Porém, uma das minhas preocupações era de não reproduzir os erros de uma educação tradicional, em que estive alicerçada. Afinal, quais os efeitos das nossas ações em sala de aula, em quanto sujeitos mediadores de conhecimento? Apenas transferir conteúdos? De maneira mecânica, sem interação? Apropriando-se da concepção construtivista no processo das interações educativas em sala de aula, Zabala (1998) nos lembra de que: 33 Pra aprender é indispensável que haja um clima e um ambiente adequados, constituídos por um marco de relações em que predominem a aceitação, a confiança, o respeito mutuo e a sinceridade. Aprendizagem é potencializada quando convergem as condições que estimulam o trabalho e o esforço. (ZABALA, 1998, pág. 100). No decorrer do processo de ensino-aprendizagem, através do curso de Pedagogia, entendemos que a música enquanto linguagem, letra, deve ser percebida em toda sua estrutura, como sua poesia, metáforas e rimas que também compreendem aspectos essências na interpretação como documento histórico, e não somente como um texto. Sabendo que o trabalho em sala de aula com a música que é vasta em evidencia histórica, requer um cuidado maior por parte do professor, contudo apresenta possibilidades no sentido de ser um documento que abre espaço para a reflexão não apenas da música tratada em sala de aula, visa também trabalhar a linguagem usada na composição desta música, a visão de mundo que o autor enxergou e tenta transmitir através desta canção, assim como a representatividade social e histórica que ela revela e constrói. Nessa perspectiva trabalhei no primeiro dia a temática “Cidadão” através da música “Cidadão” de autoria do baiano Lúcio Barbosa, na voz do cantor Zé Ramalho, com reprodução de cópias. Ocorreram alguns imprevistos e com isso os alunos ficaram inquietos, o que não afetou em nada a apreciação da música. Passado o momento de percepção auditiva, iniciei uma discussão a respeito do contexto cultural em que aquela música está inserida, qual a realidade do sujeito ali evidenciado e da sua relação com o tema proposto, ou seja, do que se trata a música? Quais as características do personagem principal? Ele era um cidadão? Porque o outro não o considerou como tal? Em seguida apliquei uma atividade de interpretação de texto, simples. A princípio houve apreensão por grande parte da turma, depois envolvimento, alguns até entenderam de imediato a dinâmica da aula, mesmo com a dificuldade em contextualizar essas informações através da escrita, neste 34 momento se fez necessário à mediação direta no auxilio desta atividade. (Por falta de tempo a atividade transcendeu a sala, tornando-se Atividade de casa). De acordo com Emília Ferreiro (1995, pág. 33) é preciso levar a sério as conseqüências do desenvolvimento psicogenético, significa colocar os educandos com seus esquemas de assimilação, no centro do processo de aprendizado – percebendo-se que estes aprendem dentro de marcos sociais, não no isolamento. Significa aceitar que todos na sala de aula têm a capacidade de ler e escrever cada um em seu próprio nível, inclusive o professor. Entendo que a interação com o outro é fundamental, visto que é na interação que se o sujeito se desenvolve melhor facilitando o seu aprendizado, ou seja, a sociedade tem um papel fundamental nesse processo de aprendizado, o papel do professor como mediador deste conhecimento é fundamental, buscando maneiras de interação para que o conhecimento seja compartilhado. É importante o estimulo no desenvolvimento do processo de alfabetização, para que haja investigação e aprofundamento em detalhes sobre leitura e escrita de cada aluno. Entendo que na alfabetização, podemos encontrar varias etapas onde cada aluno passara de um nível para o outro, como ocorre com a Educação de Jovens e Adultos, alguns passam com maior facilidade para o próximo ciclo, outros precisam de uma atenção maior do professor e para isso esse educador precisa de uma metodologia que possa estimular seus alunos a buscarem ter curiosidade para poder alcançar êxito nos desafios propostos. Como menciona Soares (2003, pág. 92) onde nos diz que: Ao exercício efetivo e competente da tecnologia da escrita denomina- se letramento que implica habilidades várias, tais como: capacidade de ler ou escrever para atingir diferentes objetivos – para informar-se, para interagir com outros, para imergir no imaginário, no estético, para ampliar conhecimentos, para seduzir ou induzir, para divertir-se, para orientar-se, para apoio à memória, para catarse...; habilidades de interpretar e produzir diferentes tipos e gêneros de textos, habilidades de orientar-se pelos protocolos de leitura que marcam o texto ou de lançar mão desses protocolos, ao escrever, atitudes de 35 inserção efetiva no mundo da escrita, tendo interesse e prazer em ler e escrever, sabendo utilizar a escrita para encontrar para ou fornecer informações e conhecimentos, escrevendo ou lendo de forma diferenciada, segundo as circunstâncias, os objetivos, o interlocutor (...). No segundo dia de aula, demos continuidade à aula do dia anterior, iniciando esta aula corrigindo individualmente a atividade de casa, neste momento foi possíveluma maior aproximação com o educando. Para o segundo momento, reservei o jogo silábico com cartas ou baralho alfabético como ferramenta pedagógica, no auxilio a sondagem de escrita e trabalho coletivo. Foi proposto à turma dividir-se em dois grupos para realização de uma atividade lúdica, através do jogo de baralhos silábicos, adaptado ao uso das letras, por mim confeccionados. A finalidade desse jogo era usar palavras, com modelos de escrita convencional. A atividade se deu da seguinte maneira; os alunos tinham que formar palavras trissilábicas contidas na música “Cidadão”, a cada rodada o grupo que fizesse as primeiras trincas ganhava pontos contabilizados no quadro, e com isso brindes levados pela estagiaria. De inicio houve certa resistência por pensarem que, seria apenas um jogo de baralho, alguns adultos de idade mais avançada, logo esbravejaram; “é jogo de azar”, mas depois que perceberam se tratar apenas de cartas feitas com cartolinas com silabas, acabaram se envolvendo de maneira espetacular. Houve envolvimento da turma, interação entre os sujeitos e aquele ar de competição foi importante para instigá-los a desenvolver o processo de alfabetização, na construção de palavras. Em um determinado momento, alguns alunos ainda no nível pré-silabico, que não reconhecem a escrita ainda como uma representação do falado, se inibiram a participar do jogo. Percebendo essa dificuldade intermediei a atividade reescrevendo no quadro a música “Cidadão”, para ajudá-los nessa construção de saberes. No que diz respeito a este assunto, Zabala afirma: 36 Do papel que tem para a aprendizagem a avaliação que os professores fazem de seus alunos e da necessidade de que as ajudas que ofereçam sejam adequadas a suas possibilidades reais, decorre que a função básica dos professores deve ser incentivar os alunos a realizar o esforço que lhes permita continuar progredindo. (ZABALA, 1998, pág. 103). Depois desta atividade lúdica, em um terceiro momento dentro desta temática circulei pela sala de aula algumas imagens representativas, baseadas em valores a vida. Convidei-os então a descrever oralmente cada imagem. Houve de imediato uma identificação com os fatos ocorridos na música, no seu cotidiano, em especial no âmbito escolar. Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (1998, p. 38): O que se torna significativo e relevante consolida seu aprendizado. O que ele aprende fundamenta a construção e a reconstrução de seus valores e práticas cotidianas e as suas experiências sociais e culturais. O que o sensibiliza molda a sua identidade nas relações mantidas com a família, os amigos, os grupos mais próximos e mais distantes e com a sua geração. O que provoca conflitos e dúvidas estimula-o a distinguir, explicar e dar sentido para o presente, o passado e o futuro, percebendo a vida como suscetível de transformação. Por fim trabalhamos como o gênero Poesia. A razão da escolha se dá porque a linguagem poética é, por excelência, portadora dos elementos lúdicos que proporcionam prazer ao texto (Amarilha, 2009 pág. 26). A proposta do poema, como se argumentou, na exploração de um conceito, imagem ou ideia, é síntese de um processo de observação do mundo de forma disciplinada, mas também impregnada de subjetividade. Além disso, o desafio exige resposta para que se alcance a significação (Amarilha, 2009 pág. 33). Em pequenos pergaminhos, o poema “Cidadão, Cidadania” – LIMA, Regina Célia Villaça, foi distribuído aos alunos, os mesmos foram convidados a fazer a leitura em silêncio, depois uma leitura dirigida e em seguida apresentei um resumo, ressaltando os pontos chave a serem observados. Para concluir, 37 pedir que escrevessem um sonho, ou desejo e retomasse aqueles “pergaminhos” ao baú. Como já nos dizia Libâneo (1994, Pág. 128): Antes os conteúdos devem incluir elementos da vivência prática dos alunos para torná-los mais significativos, mais vivos, mais vitais, de modo que eles possam assimilá-los de forma ativa e consciente (LIBÂNEO, 1994 pág. 128). Um ponto a ser observado é que, apesar da professora supervisora ter afirmado que a maioria da turma se encontrava alfabetizada, nesta atividade com pergaminhos, diagnostiquei tratar-se do inverso, pois, parte da turma ainda estava no nível pré-silábico, quando desafiados a realizar uma escrita livre, um número significante apenas desenhou seus anseios e desejos. Somente uns quatro alunos conseguirem progredir na escrita. A intenção desta metodologia foi levar o aluno a pensar criticamente sobre determinada situação. Da sua interação com o meio e agir sobre o mesmo. Incentivar o senso criativo, o pensar a leitura e a escrita como parte do seio meio social. Nesse sentido Libâneo (1994), nos mostra que: Orientar as tarefas de ensino para objetivo educativo de formação da personalidade, isto é, ajudar os alunos a escolherem um caminho na vida, a terem atitudes e convicções que norteiem suas opções diante dos problemas e situações da vida real (LIBÂNEO, 1994, Pág. 71). Para a terceira aula separei o filme “Um sonho possível”. A intenção foi realizar a apreciação e análise do filme, para que o aluno se posicionar-se frente às realidades, valorizando a cooperação e a solidariedade como instrumento de formação do caráter do ser humano. O cinema está no universo escolar, seja porque ver filmes (na telona ou na telinha) é uma prática usual em quase todas as camadas sociais da sociedade, seja porque se ampliou, nos meios educacionais, reconhecimento de que, em ambientes urbanos, o cinema desempenha um papel importante na formação cultural das pessoas. (DUARTE, 2002, p.86) 38 Conscientizar os jovens da necessidade do cuidado com o outro e a importância de se construir um mundo mais justo e fraterno. Promover a conscientização crítico-social como forma de mudança da realidade, tornando- os verdadeiros cidadãos. Entretanto este foi mais um dia de caos. Mais uma vez não houve colaboração dos recursos necessários para o andamento da aula, somente depois de muita insistência foi possível darmos inicio a aula, com isto não foi possível os alunos apreciar todo o filme e tão pouco realizarmos qualquer atividade. Fizemos um acordo e decidimos finalizar o filme na próxima aula. Na quarta aula antes de darmos continuidade ao filme, fizemos uma retrospectiva, uma síntese verbalizada sobre a historia narrada no filme. Entendo que para proporcionar ao aluno a construção do seu conhecimento através de atividades com filmes, é fundamental conhecer as características e as circunstancias do filme escolhido, ter um planejamento didático-pedagógico adequado para que o filme realmente construa conhecimento. Portanto, foi possível perceber o envolvimento de toda sala quanto aos fatos narrados naquele filme. O ultimo encontro, foi para construção do Painel Temático com o tema “Aluno Cidadão”, antes disso, fizemos uma roda de conversa para relatos de suas experiências com o tema abordado no projeto e da relação deste com o filme “Um sonho possível”. O cinema ao ser integrado à educação surge como um elemento que possibilita a aprendizagem, garantindo com isso uma participação na atividade educativa. Por isso, o uso do cinema no âmbito escolar como instrumento de aprendizagem deve considerar necessidades e objetivos. Tenho plena convicção que os alunos entenderam a proposta da aula e, fico feliz por ter colaborado um pouquinho em sua construção social. 39 Almeida (2001, p.48) explica a utilização do cinema na educação, da seguinte forma: [...] é importante porque traz para a escola aquilo que ela se nega a ser e quepoderia transformá-la em algo vívido e fundamental: participante ativa da cultura e não repetidora e divulgadora de conhecimentos massificados, muitas vezes já deteriorados, defasados [...]. (apud. Napolitano, 2003, p.12) Acredito ter alcançado o meu objetivo, de fazer aulas mais dinâmicas e próximas da realidade dos alunos, para levar a teoria à vida diária. Mesmo com todas as dificuldades apresentadas. 3.2.1 Análise reflexiva da regência O projeto foi desenvolvido durante os cinco (5) dias da regência, onde teve como base, o resgate da identidade dos educandos onde foram vistos essas necessidades a partir de várias questões durante o período de observação em sala de aula, em alguns momentos em que os alunos falaram sobre suas experiências de vida e contaram a sua origem. Segundo Libâneo (2001, pág. 141), “O currículo constitui o elemento nuclear do projeto pedagógico, é ele que viabiliza o processo de ensino- aprendizagem”. Portanto, tudo que se faz na escola, é considerado currículo. Mas, ele só é valioso quando forem observados os materiais e os critérios para sua efetivação na realização do ensino. Onde o professor pode construir novas competências, articulando-as com os conhecimentos e as aprendizagens dos alunos entorno do saber escolar. Quanto à prática pedagógica, busquei trabalhar a concepção de ensino desenvolvida por Paulo Freire, onde nos ensina que uma pessoa precisa da outra para ensinar e haver aprendizado para ambas. Acredito também na questão da aproximação da significação para o processo de ensino- aprendizagem entre professor-aluno, ou seja, precisa haver uma justa posição 40 dos conteúdos científicos com a prática, ou seja, o que é vivenciado pelos protagonistas desta aprendizagem, o educador e o educando. Um aspecto relevante nesse estágio referente a este conceito foi quando iniciado a regência, pois foi o momento em que percebi o quanto aprendemos com eles e o quanto eles podem nos ensinar, seja com suas experiências de vida, socializadas em alguns momentos das aulas, seja no próprio empenho no desenvolver das atividades propostas. E fomos aprendendo juntos, construindo conhecimentos, de tal forma que estava não só ensinado conteúdos, mas aprendendo como eles também. Sabemos que são no convívio diário com o professor e com os colegas, que o educando vai, paulatinamente, exercitando hábitos, atitudes e assimilando valores. O professor deve estimular o aluno, para que haja orientação no seu aprendizado, subsidiando a construção do saber. Pois, o professor deve motivar os alunos, sabendo comunicar-se e conservando um bom relacionamento. Segundo Paulo Freire (1997, Pág.25), “ninguém ensina nada a ninguém e ninguém aprende nada sozinho”. De fato, sem o aluno não existe professor, e sem professor não existe aluno. Conclui-se que o professor tem um papel muito importante a desenvolver junto a seus alunos, sendo intermediado dentro da sala de aula, fazendo com que a interação social entre professor-aluno e a relação aluno- aluno aconteça. Portanto, considero relevante a minha prática pedagógica, os motivos para realização de um planejamento voltado para a formação de cidadãos críticos e reflexivos atuantes na sociedade. Formando cidadãos críticos e participativos, facilitando o desenvolvimento do trabalho pedagógico, atendendo a necessidade dos alunos. 41 4.0 AVALIAÇÃO No início da regência tive dificuldades de assumir a turma, primeiramente por nunca ter assumido um turma antes, nem como professora auxiliar, e por ser um pouco tímida, porém no decorrer das aulas fui ficando mais segura, e isso a professora titilar da turma me proporcionou muito bem, o que foi muito bom para meu desempenho, o que me ajudou e a turma muito carismática, tirando apenas um aluno ou outro, e a professora falou que era normal desse aluno, seu mau humor, mas que tudo foi se resolvendo. Quanto a minha atuação vivenciei do cotidiano, procurando detectar características significativas para o ensino-aprendizagem, como: auto-estima, leitura, produção textual. Com respaldo nos Parâmetros Curriculares Nacionais, foram relevantes as observações dos sujeitos envolvidos no estudo, pois para que estes desenvolvessem uma aprendizagem, foi necessária para seu envolvimento, me colocando em posição de mediadora, fim proporcionar sentido aos objetivos propostos, fazendo com que eles tivessem conhecimento sobre cidadania. Assim, esse período de regência foi relevante para minha pratica pedagógica, onde as experiências valeram para transformar as teorias estudadas, de forma critica e reflexiva. Mesmos com todos os desafios enfrentados, pode-se afirmar que a EJA é uma educação possível e necessária, pois dá oportunidade às pessoas que não tiveram acesso aos estudos enquanto crianças. E para que a mesma obtenha êxito, é preciso que haja compromisso e parceria, tanto por parte do aluno, que precisa ter responsabilidade e força de vontade, quanto por parte do professor, que precisa sempre levar em conta o perfil de sua turma, pesquisar novas metodologias e conteúdos que realmente sejam significativos para a vida do discente. Sem esquecer-se da escola, que é responsável pelos projetos, levando em conta as particularidades de seu público, sem precisar estar readequando propostas e materiais destinados às crianças. E por fim, os governos, que precisam elaborar políticas para a EJA e destinar verbas 42 específicas. Só assim essa modalidade poderá conquistar o seu espaço e ter o seu merecido valor e respeito. Deixo como reflexão, o pensar em uma Pedagogia mais significativa, na perspectiva de praticas pedagógica cujo intuito esteja voltado à melhor aprendizagem dos alunos e, com uma linguagem mais próxima da realidade de seus alunos respeitando sua história, cultura, crenças e valores e, que resultem na formação de um indivíduo mais ativo. (...) A educação deve ser desinibidora e não restritiva. É necessário darmos oportunidades para que os educadores sejam eles mesmos. (FREIRE (2001, p.32) 43 5.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS Através do Relatório - O Estágio Supervisionado na EJA: Uma experiência buscou-se relatar de forma clara e precisa os aspectos da minha experiência em sala de aula. Ao iniciá-lo, fiquei apreensiva de não ter adquirido competências necessárias para sua construção, mas percebi que com esforço e conhecimentos extraídos ao longo do curso, seria possível sua efetivação, possibilitando-me novas reflexões sobre temáticas educacionais. Nesse sentido, o Trabalho de Conclusão de Curso, oportunizou-me a ação reflexiva, durante toda a sua construção. A luz do que foi estudado durante o referido curso, pude refletir sobre as múltiplas tendências e paradigmas educacionais, ressaltando que as práticas dos docentes foram condizentes com a oratória aplicada e as teorias apresentadas aos discentes. Pois pude fazer uso das teorias adquiridas, pois cabe a mim enquanto aluno-docente valer a efetivação de conhecimentos. Diante disto, não importa as dificuldades, de que maneira foram repassados os conhecimentos, de que forma inovadora ou não, o que realmente importa é se houve aprendizado. Com isto, posso salientar que de acordo com meu desempenho, pude articular os embasamentos teóricos com a minha pratica educativa. 44 6.0 REFERÊNCIAS AMARILHA, Marly. Estão mortas as fadas? / Marly Amarilha; prefacio de Eliana Yunes. 8. Ed. – Petrópolis, Vozes, 2009. ALMEIDA, Milton J. Imagens e sons: anova cultura oral. 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ESPECÍFICOS: Compreensão da realidade social; Possibilitar o aluno a reconhecer-se como sujeito atuante do meio, através do senso crítico; Expressão oral e escrita METODOLOGIA 51 Breve explanação do tema a ser trabalhado; Levantamento dos conhecimentos prévios acerca do que sabem sobre cidadania; Em seguida, será exibida a música: “Cidadão” de Lúcio Barbosa; leitura compartilhada da letra e logo após será feito uma roda de conversa, para discussão da relação dos alunos com o tema. Atividade de escrita – Gênero musica. RECURSOS DIDÁTICOS Cópias; Aparelho de som; AVALIAÇÃO A avaliação continua. Plano de aula 02 UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE EDUCAÇÃO DISCIPLINA : Prática de Ensino na Escola de 1º grau PROFESSORA: Luzimar Barbalho Da Silva Escola Municipal Professora Francisca Ferreira da Silva 52 Estagiária responsável pela aula: Gildenária A. Marques Disciplina: Língua Portuguesa Turma: EJA – Nível II – Fundamental I Data: 05 de maio de 2015 Tempo previsto: 3h/a Tema: Sondagem da escrita OBJETIVOS GERAL: Identificar Direitos e Deveres pessoais e coletivos – respeito ao próximo. ESPECÍFICOS: Compreensão da realidade social; Distinguir a correspondência sonora entre as sílabas; Reconhecer as palavras construídas pertinentes a temática; Expressão oral e escrita METODOLOGIA Distribuição de imagens representativas, baseadas em valores a vida; Discutiremos o que representa para a sociedade as ações representadas nas imagens: Por que, para que, o que mudou? Leitura dirigida poema “Cidadão, Cidadania” – Lima, Regina Célia Villaça – Editora Fapi Ltda. Atividade com o gênero textual poema – comparar o gênero textual musica e poema, diferença e semelhança. 53 RECURSOS DIDÁTICOS Cópias;AVALIAÇÃO A avaliação continua. Plano de aula 03 UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE EDUCAÇÃO DISCIPLINA : Prática de Ensino na Escola de 1º grau PROFESSORA: Luzimar Barbalho Da Silva Escola Municipal Professora Francisca Ferreira da Silva Estagiária responsável pela aula: Gildenária A. Marques Disciplina: História Turma: EJA – Nível II – Fundamental I Data: 06 de maio de 2015 Tempo previsto: 3h/a Tema: Igualdade social e relação com sua realidade OBJETIVOS GERAL : Compreender que as histórias individuais são partes integrantes de histórias coletivas. ESPECÍFICOS : Estimular o pensamento critico. 54 METODOLOGIA Exibição do filme “Um sonho possível”. (129 min) RECURSOS DIDÁTICOS Televisão com DVD, Filme “Um sonho possível” – Gênero drama – Distribuidora: Warner Bros – Ano 2010. Aparelho de áudio; AVALIAÇÃO A avaliação continua. Plano de aula 04 UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE EDUCAÇÃO DISCIPLINA : Prática de Ensino na Escola de 1º grau PROFESSORA: Luzimar Barbalho Da Silva Escola Municipal Professora Francisca Ferreira da Silva Estagiária responsável pela aula: Gildenária A. Marques Disciplina: História Turma: EJA – Nível II – Fundamental ITurma: EJA – Nível II – 55 Fundamental I Data : 07 de maio de 2015 Tempo previsto : 3h/a Tema : Quem sou no mundo OBJETIVOS GERAL : ESPECÍFICOS : Promover a construção coletiva e a aprendizagem contextualizada. METODOLOGIA Refletir sobre as situações vividas pelo personagem do filme; Relacionar as vivências familiares com as apresentada no filme; Debater sobre as atitudes dos personagens e comparar com as próprias vivências do dia-a-dia. RECURSOS DIDÁTICOS Cartolina, lápis para colori, tesoura, cola e fita; AVALIAÇÃO A avaliação continua. 56 UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE EDUCAÇÃO DISCIPLINA : Prática de Ensino na Escola de 1º grau PROFESSORA: Luzimar Barbalho Da Silva Escola Municipal Professora Francisca Ferreira da Silva Estagiária responsável pela aula: Gildenária A. Marques Disciplina: História Turma: EJA – Nível II – Fundamental I Data : 08 de maio de 2015 Tempo previsto : 3h/a Tema : Quem sou no mundo OBJETIVOS GERAL : Reconhecer-se como participante ativo da sociedade nas relações econômicas do Estado. ESPECÍFICOS : Promover a construção coletiva e a aprendizagem contextualizada. Fazer com que o aluno faça uma reflexão e auto-avaliação sobre suas atitudes; Construir uma imagem positiva de si e o respeito ao próximo METODOLOGIA 57 Discussão a respeito dos direitos humanos, da igualdade social retratados no filme; Este momento será destinado a relatos dos alunos, sobre o que aprendemos no decorrer do projeto; Produção coletiva de texto do gênero poema, com o tema “Aluno Cidadão”; Produção de cartazes para o Painel Temático. RECURSOS DIDÁTICOS Cartolina, lápis para colorir, tesoura, cola e fita; AVALIAÇÃO Avaliação continua. 58 Atividades 59 60 61 62 63