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Aprendizagem e Desenvolvimento Motor Prof° Daniel Barbosa Desenvolvimento da ação O bebê era um ser ativo, e não reativo. Sistemas de ação apresentam tanto componentes sensoriais como componentes motores e são organizados fundamentalmente, diferentemente dos sistemas motores. Desenvolvimento da ação Falando de Anatomia e Fisiologia: A inervação periférica de músculos, ligamentos, pele e órgãos apresenta caminhos provados aferentes e eferentes (aferente: do sistema nervosos central para a periferia – seriam os comandos enviados pelo cérebro; eferente: da periferia para o sistema nervoso central – aquilo que é percebido e transmitido ao sistema nervoso central). Desenvolvimento da ação Há uma incoerência na proposta de que a aferência seja informação sensorial e a eferência seja comando motor. Muitos movimentos utilizam os dois processos, assim o comando enviado (output) pode ter, algumas vezes, funções sensoriais, assim como a entrada (input) vai ter função motora. DO MOVIMENTO PARA A AÇÃO Soluções repetitivas “são também necessárias, porque, sob condições naturais, condições externas, nunca se repetem [...]”. Consequentemente, é necessário para “ganhar experiência relevante a todas as várias modificações da tarefa [...] para animal não pode haver confusão para as modificações futuras da tarefa em condições externas” (BERNSTEIN, 1967). “Habilidade motora é a capacidade de resolver um ou outro tipo de problema motor” (BERNSTEIN, 1967). Seleção das ações Gibson (1979, 1986) apontou o nicho (local) onde cada espécie vive e pode ser entendido como um campo de oportunidades para aplicar e entender suas ações e as potencialidades (affordances) que elas despertam. Estes affordances são os problemas que devem ser resolvidos. Desenvolvimento motor versus desenvolvimento da ação Noção mais abrangente do comportamento humano: a palavra movimento perde seu sentido; As teorias da ação passaram a ser o foco dos estudos; O termo desenvolvimento da ação parece ser mais adequado ao evento que está sendo abordado. Modelos de desenvolvimento motor - Modelo de Gallahue Modelos de desenvolvimento motor - Modelo de Gallahue Modelos de desenvolvimento motor - Modelo de Gallahue Modelos de desenvolvimento motor - Modelo de Gallahue Kephart (1960), um problema crucial para a aquisição de habilidades específicas é a falta do pleno desenvolvimento das aptidões básicas. Halverson (1966), bem como Godfrey e Kephart (1969), afirmaram a importância de se conhecer os atributos dos movimentos que compõem as habilidades básicas ou os movimentos fundamentais, para uma contribuição mais efetiva do desenvolvimento motor do escolar. Modelos de desenvolvimento motor - Modelo de Gallahue A manifestação do estágio elementar no movimento fundamental de arremessar teria significados diferentes entre uma criança de 4 anos e um adolescente de 15 anos. Godfrey e Kephart (1969) defendem que a classificação dos movimentos fundamentais em estágios facilitaria a discussão, avaliação e identificação de desvios, assim como a programação para instrução adequada. Modelo de Manoel e Connolly Modelo de Manoel e Connolly Esse modelo, além de representar as mudanças internas do organismo (processo), destaca uma nova concepção de movimento e ação. Entende o movimento como unidades de ação, e ação, por sua vez, é um conjunto de meios motores (movimentos) para atingir uma meta, portanto somente pode ser analisada levando‑se em consideração o contexto. Modelo de Manoel e Connolly Fase de emergência do movimento: movimentos pré‑natais e pós‑natais, interação dinâmica de elementos (sistema nervoso central e sistema musculoesquelético). Fase de emergência das ações motoras: A intenção para agir seria construída com apoio nessas percepções (sensoriais), causando a transição do movimento para a ação. Modelo de Manoel e Connolly Fase de estabilização e adaptação de ações motoras: formação de programas de ação hierarquicamente organizados para aumento da complexidade do movimento. Fase de acomodação e degeneração de ações motoras: com o envelhecimento, mudanças acontecem para se acomodar às alterações orgânicas. DESEMPENHO MOTOR EM ADULTOS E IDOSOS Alterações biológicas, fisiológicas e morfológicas nos sistemas dos adultos: Células do tecido conjuntivo passam por cerca de cinquenta divisões durante o ciclo da vida de um sujeito (HAYFLYCK, 1980); A produção de radicais livres; A homeostasia do corpo; A ingestão de antioxidantes e restrições na dieta. Sistema musculoesquelético Redução na estatura: alinhamento da coluna ou à má postura, diminuição da densidade dos discos intervertebrais, perda da densidade mineral óssea, chamada de osteoporose. Porém, mesmo com a perda da densidade óssea, através da atividade física é possível manter a musculatura fortalecida, amenizando os prejuízos. Sistema musculoesquelético 55 anos 65 anos 75 anos Sistema musculoesquelético Com a idade a estrutura e a função do sistema muscular podem diminuir. As fibras musculares são subtraídas (em número e tamanho) com o avanço da idade. Articulações e tecidos conectivos passam pelo mesmo processo de perda de função. A capacidade de flexibilidade das articulações se limita. Sistema musculoesquelético Conteúdo muscular normal em adulto fisicamente ativo (A) e sarcopenia em idoso sedentário (B) Sistema nervoso central (SNC) A cada dia perdemos neurônios que não são substituídos. O cérebro do idoso é menor e pesa menos que o cérebro de um adulto. Apesar dos aspectos positivos da plasticidade cerebral, com o passar da idade, a capacidade de transmissão de impulsos também fica prejudicada. Queda na quantidade de oxigênio disponível para o cérebro. Sistemas circulatório e respiratório Perda da elasticidade das artérias pode vir acompanhada de um acúmulo (calcificação) de tecidos (tecido conectivo/colágeno e até mesmo gordura) na parede dessas artérias. A função respiratória pulmonar tende a começar a declinar entre 40 e 50 anos de idade. Sistemas sensoriais O sistema visual, o auditivo e o proprioceptivo com certeza são os mais influenciados com o avanço da idade. A propriocepção (senso de consciência corporal e de posição) está muito ligada ao sistema vestibular, responsável por nos fornecer informações a respeito da nossa posição no espaço. Sistemas sensoriais Adultos de meia-idade e idosos têm relatado que frequentemente experimentam a sensação de vertigem (tontura), pode afetar diretamente o equilíbrio. Receptores também estão localizados nas articulações, se estiverem comprometidas, a captação e o envio das informações ficarão prejudicados. Sistema motor - Tempo de reação O declínio do tempo de reação (intervalo de tempo entre a manifestação do estímulo e o início da resposta motora), vital para o comportamento motor humano. Provoca uma lentidão nas respostas motoras em todos os deveres cotidianos. Quanto mais familiar a tarefa, quanto melhor a qualidade do sinal (SPIRDUSO; MACRAE, 1990). Sistema motor - Equilíbrio e postura Para a manutenção da postura e da orientação, é preciso uma interação complexa entre os sistemas musculoesquelético e neural. Os componentes musculoesqueléticos incluem: amplitude de movimento da articulação; flexibilidade espinal; propriedades dos músculos; relações biomecânicas entre os segmentos corporais ligados. Sistema motor - Equilíbrio e postura Os componentes neurais são: processos motores: incluem a organização dos músculos pelo corpo em sinergias musculares (ritmo e sequenciamento da ativação de grupos musculares); processo sensorial/perceptual: envolvem a disposição e a interação dos sistemas visual, vestibular e somatossensorial (informações sobre a posição do corpo no espaço); Sistema motor - Equilíbrio e postura processos de níveis superiores: essenciais para o mapeamento da sensação à ação e a garantia dos aspectos antecipatórios e adaptativos (capacidade de modificar as informações sensoriais e as respostas motoras programadas).As estruturas física e biológica do indivíduo, como altura, peso e tamanho dos pés, podem ser determinantes para a capacidade de orientação e equilíbrio dos indivíduos. Sistema motor - Equilíbrio e postura O controle postural é um elemento‑chave para o desempenho motor, que está intimamente ligado ao tempo de reação. O declínio da força e do controle muscular, na flexibilidade das articulações e nas características físicas, também interage para alterar o processo de equilíbrio e postura. Sistema motor - Equilíbrio e postura Estratégias de controle postural (tornozelo, quadril e passada) após perda de equilíbrio. Sistema motor - Equilíbrio e postura Então, como prevenir o risco de queda? A prática da atividade física e o trabalho de flexibilidade articular podem atenuar as perdas de força muscular, provocando menos instabilidade e aumento da capacidade articular de ação. PADRÃO DA MARCHA A marcha é composta basicamente de três elementos: a progressão (padrões rítmicos de ativação muscular nas pernas e no tronco que movem o corpo na direção desejada); o controle postural (restabelecer e manter a postura apropriada); a adaptação (considerar as alterações que o ambiente e o organismo oferecem e fazer os ajustes imediatos necessários). PADRÃO DA MARCHA A marcha é dividida em fase de apoio (na qual temos os dois pés no chão) e fase de balanço (na qual um dos pés está em fase aérea enquanto o outro está apoiado). Em um comportamento de andar ideal, cada fase – de apoio e de balanço – compõe 50% do ciclo da marcha. Qualquer variação na composição dessa porcentagem representa alteração no padrão da marcha. PADRÃO DA MARCHA PADRÃO DA MARCHA De maneira geral, são estas as alterações observadas na marcha em idosos: velocidade encurtada; comprimento reduzido do passo; ritmo diminuído do passo; aumento da largura da passada; extensão da fase de apoio; aumento do tempo em duplo apoio; diminuição da fase de balanço; abreviação de balanço do braço; PADRÃO DA MARCHA redução da flexão do quadril, joelho e tornozelo; pé mais plano no choque do calcanhar; estabilidade dinâmica subtraída durante o apoio; coativação muscular elevada; contração da potência de geração de impulso; diminuição da potência de absorção no choque do calcanhar.