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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA
CENTRO TECNOLÓGICO
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA QUÍMICA E ENGENHARIA DE ALIMENTOS
EQA 5333 - LABORATÓRIO DE FENÔMENOS DE TRANSPORTE E OPERAÇÕES
UNITÁRIAS PARA ENGENHARIA DE ALIMENTOS
TRANSFERÊNCIA DE CALOR POR CONDUÇÃO EM BARRAS DE SEÇÃO
CIRCULAR UNIFORME E CONVECÇÃO NATURAL
Relatório do experimento
Julia Martinelli
Larissa Wainstein
Letícia Frasson Martendal
Lilian de Lima Santos
Matheus Gilberto de Abreu
Pietro Piccolotto
Sofia Grechi Garcia
Vanessa Luiza da Silva
Florianópolis, 2019
ÍNDICE
1. INTRODUÇÃO
1.1 Objetivo
2. MATERIAIS E MÉTODOS
2.1 Equipamento
2.2 Materiais
2.3 Procedimento Experimental
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
3.1 Valores obtidos no experimento para temperatura da fonte quente (To) a 50oC
3.2 Perfil de temperatura ao longo das quatro barras metálicas para To = 50oC
3.3 Cálculo do coeficiente convectivo experimental para cada barra metálica (T0 = 50oC)
3.3.1 Aço inox 1’’
3.3.2 Aço inox 1/2’’
3.3.3 Alumínio 1/2’’
3.3.4 Cobre 1/2’’
3.4 Valores obtidos no experimento para temperatura da fonte quente (T0) a 75oC
3.5 Perfil de temperatura ao longo das quatro barras metálicas para To = 75oC
3.6 Cálculo do coeficiente convectivo experimental para cada barra metálica
3.6.1 Aço inox 1’’
3.6.2 Aço inox 1/2’’
3.6.3 Alumínio 1/2’’
3.6.4 Cobre 1/2’’
3.7 Cálculo do coeficiente convectivo teórico para cada barra metálica (To = 75oC)
3.8 Cálculo do erro associado às medidas do coeficiente convectivo para cada barra
metálica (To = 75oC)
4. CONCLUSÕES
5. ANEXOS
5.1 Memorial de Cálculo
REFERÊNCIAS
RESUMO
Para a determinação do perfil de temperatura em barras de seção circular uniforme, foram
realizados procedimentos em um aparato experimental que continha quatro barras, uma de 1” de
diâmetro em aço inox e três barras com 1/2” de diâmetro, sendo uma de aço inox, uma de
alumínio e outra de cobre. Uma extremidade de cada barra estava imersa dentro de um banho
termostático de água (fonte quente), comum controlador de temperatura, enquanto a outra
extremidade foi considerada estar à temperatura ambiente. Sabendo-se que o comprimento da
barra é muito maior que seu diâmetro, aplicou-se o modelo de barra semi-infinita com condição
de contorno de primeiro tipo. Cada barra possuía um sensor óptico deslizante para a medida de
temperatura ao longo de sua superfície, cada qual com um indicador digital. Foram estabelecidos
dois perfis de temperatura, um com o banho a 50ºC e outro a 75ºC. Após a estabilização das
temperaturas ao longo da barra foram coletados esses dados e calculados os coeficientes de
convecção natural para cada situação. Obtivemos os seguintes coeficientes convectivos naturais
para a fonte operando a 50oC, valores de 0,000171 W/m2.K para a barra de aço inox 1”, 0,00175
W/m2.K para a barra de aço inox ½”, 0,001592 W/m2.K para a barra de alumínio e 0,00179
W/m2.K para a barra de cobre. Para a temperatura da fonte operando a 75oC os valores foram de
12,24 W/m2.K para a barra de aço inox 1”, 18,61 W/m2.K para a barra de aço inox ½”, 16,41
W/m2.K para a barra de alumínio ½” e 18,97 W/m2.K para a barra de cobre ½”. Os dados
experimentais foram comparados com valores da literatura e, a partir destes, foram calculados os
desvios, levando-se em conta possíveis erros durante a coleta dos dados, como por exemplo os
erros inerentes ao equipamento (precisão de escala). Obteve-se um desvio em torno de 99% para
os valores do coeficiente convectivo a temperatura da fonte de 50oC e de 300% para a fonte
operando a 75oC. Notou-se uma grande diferença entre o valor experimental e o teórico, isso
deve ser decorrente do não isolamento da área do experimento, pois o grande número de pessoas,
as correntes de ar da sala e a alta variação da temperatura ambiente podem gerar convecção
forçada e aumentar o coeficiente experimental.
Palavras - chave: transferência de calor, condução, convecção natural.
SIMBOLOGIA E NOMENCLATURA
A Área de seção transversal das barras m2
α Difusividade térmica m2/s
Cp Calor específico J/kg.K
D Diâmetro das barras m
h Coeficiente convectivo de transferência de calor W/m2.K
k Condutividade térmica dos materiais das barras W/m.K
L Comprimento total das barras m
T Temperatura local K
m Parâmetro ajustável 1/m
P Perímetro de seção transversal da barra m
T0 Temperatura em x=0 K
T∞ Temperatura ambiente K
t Tempo s
x Coordenada de posição m
β Parâmetro ajustável 1/K
ρ Massa específica dos materiais das barras kg/m3
v Viscosidade cinemática m2/s
Nu Número adimensional de Nusselt
Pr Número adimensional de Prandtl
Ra Número adimensional de Rayleigh
Gr Número adimensional de Grashof
1. INTRODUÇÃO
A transferência de calor, ou energia térmica, ocorre quando há um gradiente de
temperatura em um determinado volume de controle, até que seja alcançado o equilíbrio térmico.
Ou ainda, de acordo com a definição de Incropera (2008) é a energia térmica em trânsito devido
a uma diferença de temperaturas no espaço. Existem três tipos de transferência de calor:
condução , convecção e radiação.
Condução: ocorre quando há um gradiente de temperatura em um meio estacionário,
sólido ou fluido. É a transferência de energia das partículas mais energéticas para as menos
energéticas de uma substância devido às interações entre as partículas.
Convecção: transferência de calor ocorre entre uma superfície e um fluido em
movimento, com temperaturas diferentes. Como a movimentação das moléculas é maior em
fluidos, o calor é transferido mais facilmente. Se essa movimentação for apenas natural, devido
ao movimento browniano das moléculas, denomina-se convecção natural. Porém, se há um
escoamento de um fluido, ou seja, velocidade, denomina-se convecção forçada;
Radiação: ocorre por ondas eletromagnéticas sem necessitar de um meio material para se
propagar (ocorre mesmo no vácuo). Porém essa contribuição só é significativa para temperaturas
elevadas.
No experimento realizado, tem-se barras metálicas, pelas quais o calor é transferido por
condução de uma extremidade quente até a outra extremidade à temperatura ambiente. As
moléculas que constituem a barra começarão a ficar agitadas e chocar-se-ão umas com as outras
que não estão em contato com o aquecimento. Essa agitação será transmitida de molécula para
molécula até que todo o objeto fique aquecido. Além disso, a barra troca calor com o ar aos seus
arredores, que assume-se como ar estagnado. Logo, há também convecção natural. Nas barras do
experimento em questão, tem-se que seu comprimento é muito maior que seu diâmetro, logo
considera-se que a transferência de calor ocorre apenas na direção z, ou seja, no seu
comprimento. Adotando as seguintes hipóteses:
➔Transferência de calor por condução e convecção natural;
➔Fluxo de calor unidimensional em z;
➔Coordenadas cilíndricas;
➔Propriedades físicas dos materiaisconstantes (ρ, cp, k, α, h)
Obtém-se a seguinte equação:
= α - (T−T∞)∂t
∂T
∂x²
∂²T h P
ρc Ap
(1)
As condições de contorno assumidas para a resolução da equação (1) são todas de primeiro tipo:
T(0) = T0 (2)
T(L) = T∞ (3)
Utilizando essas condições de contorno e integrando a equação (1) com = 0, tem-se:∂t
∂T
T −T ∞
T −T0 ∞
= e−mz (4)
Onde:
m2 = = kA
hP 4h
kD
(5)
O coeficiente convectivo (h) é função do número adimensional de Nusselt, que depende de
diversos fatores e pode ser determinado por algumas correlações empíricas:
h = L
Nu k (6)
Para um cilindro semi-infinito, tem-se que o número de Nusselt médio é função do número de
Prandtl e de Rayleigh da seguinte forma, por Churchill e Chu:
= {0,60 + }2NuD 0,387RaD
1/6
[1 + (0,559/P r) ]9/16 8/27
(7)
Onde o número de Rayleigh (Ra) é dado por:
Ra = Pr Gr (8)
E o número de Grashof (Gr) por:
Gr = v a
g β (T − T )Dm ∞
3
(9)
Com sendo:β
= β 1T f
(10)
E Tf sendo:
Tf = 2
(T + T )∞ média
(11)
E o número de Prandtl (Pr) por:
Pr = = k
μ Cp v
α
(12)
1.1 Objetivo
Este experimento tem como objetivo principal monitorar, estudar e determinar o perfil de
temperatura ao longo de quatro barras de seção circular uniforme feitas com materiais diferentes,
sendo que duas delas são do mesmo material, mas possuem diâmetros diferentes.
Também é necessário determinar o coeficiente convectivo natural médio de transferência
de calor entre as barras e o ar ambiente, comparando os valores com a literatura.
2. MATERIAIS E MÉTODOS
2.1 Equipamento
O equipamento utilizado no experimento é uma bancada contendo um módulo com
quatro aletas (barras circulares) com sensores ópticos que deslizam sobre elas, onde é possível
determinar a temperatura em pontos diferentes da superfície das mesmas.
Figura 1 - Bancada de Transferência de calor natural
Fonte: Eco Educacional (2014)
2.2 Materiais
Os objetos em análise são quatro barras distintas, como segue:
● Barra A: Cobre com diâmetro igual a 12,7 mm;
● Barra B: Alumínio com diâmetro igual a 12,7 mm;
● Barra C: Aço inox com diâmetro igual a 12,7 mm;
● Barra D: Aço inox com diâmetro igual a 25,4 mm;
As barras estão inseridas em uma das extremidades em um Banho termostático que
contém água (Fonte quente) com um controlador de temperatura. A outra extremidade de barra
encontra-se isolada termicamente.
Alguns acessórios encontrados no equipamento estão relacionados abaixo.
Sensores e indicadores de temperatura: Sensor óptico deslizante que possibilidade a medida
da temperatura em diferentes pontos das barras. Cada sensor está conectado a um indicador de
temperatura.
Painel de controle: Este apresenta os valores de temperatura dos sensores e o controle do
aquecimento do banho termostático.
Sensor de temperatura: Mede a temperatura do ar ambiente e está localizado atrás do painel.
Figura 2 - Painel de controle do sistema
Fonte: Autores (2019)
2.3 Procedimento Experimental
Antes de iniciar o experimento deve-se verificar se recipiente do banho termostático está
cheio de água, com o nível do líquido atingindo o sensor, somente assim o aquecimento
funcionará.
Quando as barras atingirem o equilíbrio térmico para as temperaturas de 50oC e 75oC da
fonte quente, deve-se realizar a leitura da temperatura ao longo das quatro barras. As
temperaturas são fornecidas no painel eletrônico para cada ponto escolhido, sendo elas:
temperatura da fonte quente (To), temperatura ao longo das quatro barras (Tx).
Ensaio a 50oC:
Passo 1: Regular a temperatura do banho termostático (fonte quente) para a temperatura de 50oC;
Passo 2: Aguardar o regime permanente de transferência de calor nas barras;
Passo 3: Anotar as temperaturas em cada posição (x) de cada barra e a temperatura da fonte
quente (To).
Obs.: Evitar deslocamentos de ar próximo às barras para não interferir na convecção de calor,
obtendo um coeficiente convectivo mais próximo ao natural.
Ensaio a 75oC:
Passo 1: Regular a temperatura do banho termostático (fonte quente) para a temperatura de 75oC;
Passo 2: Aguardar o regime permanente de transferência de calor nas barras;
Passo 3: Anotar as temperaturas em cada posição (x) de cada barra e a temperatura da fonte
quente (To).
Obs.: Evitar deslocamentos de ar próximo às barras para não interferir na convecção de calor,
obtendo um coeficiente convectivo mais próximo ao natural.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Através da realização do experimento, para diferentes tipos de barras metálicas
obtiveram-se diferentes perfis de temperatura de acordo com as propriedades de cada material.
Logo após, calculam-se os valores dos coeficientes convectivos de transferência de calor,
experimentais e teóricos, para cada caso, comparando-os.
Parte 1 - To = 50oC
3.1 Valores obtidos no experimento para temperatura da fonte quente (To) a 50oC
Abaixo encontram-se os dados obtidos para cada barra da bancada experimental, lidas no
painel eletrônico.
Tabela 1 - Temperatura ao longo da barra de aço inox 1”
Valores ao longo do comprimento da barra
T (oC) 34,05 29,15 27,6 26,9 26,7 26,55 26,95 26,7 26,85 26,8 27,15
d (cm) 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110
Tabela 2 - Temperatura ao longo da barra de aço inox 1/2”
Valores ao longo do comprimento da barra
T (oC) 30,05 27,5 26,9 26,45 26,5 26,45 26,4 26,45 26,4 26,35 26,45
d (cm) 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110
Tabela 3 - Temperatura ao longo da barra de alumínio 1/2”
Valores ao longo do comprimento da barra
T (oC) 37,6 34,0 31,7 29,9 28,75 28,1 27,3 27,05 26,85 26,8 26,7
d (cm) 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110
Tabela 4 - Temperatura ao longo da barra de cobre 1/2”
Valores ao longo do comprimento da barra
T (oC) 39,95 36,1 33,45 31,5 30,15 29,1 28,2 27,8 27,45 27,25 26,9
d (cm) 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110
3.2 Perfil de temperatura ao longo das quatro barras metálicas para To = 50oC
Sabemos que a condutividade para as barras de cobre e alumínio são maiores que as do
aço inox, tendo maior facilidade de condução de calor ao longo de seu comprimento. Como pode
ser visto na Figura 1, os valores de temperatura são mais elevados para essas barras em posições
perto da fonte quente e diminuem quanto mais se afastam dela.
Figura 1: Perfil para as quatro barras de acordo com o experimento em laboratório
O perfil para as barras de aço inox de 1’’ e ½’’ não se encontram devidamente
proporcionais a realidade, visto que diâmetros maiores tem a condução do calor mais dificultada
por causa da maior área transversal de contato. Ou seja, a barra com menor diâmetro (½’’)
deveria possuir o perfil de temperatura maior do que o da barra de maior diâmetro (1’’) sendo
ambas do mesmo material. O perfil desejado encontra-se na Figura 2.
Figura 2: Perfil para as quatro barras conforme as condições reais
3.3 Cálculo do coeficiente convectivo experimentalpara cada barra metálica (T0 = 50oC)
Para a obtenção do coeficiente convectivo ℎ, foram traçados os gráficos de
(T-T∞)/(T0-T∞) vs. d, apresentados abaixo. Com T∞ = 26,87ºC.
3.3.1 Aço inox 1’’
Através do coeficiente angular da reta (-0,0439), obtemos o valor de m e substituímos na
Equação 5 para o cálculo do h.
Logo, h = 0,000171 W/m2K
3.3.2 Aço inox 1/2’’
Sendo o coeficiente angular, m, no valor de -0,197, temos: h = 0,00172 W/m2K
3.3.3 Alumínio 1/2’’
Sendo o coeficiente angular, m, no valor de -0,046, temos: h = 0,00159 W/m2K
3.3.4 Cobre 1/2’’
Sendo o coeficiente angular, m, no valor de -0,0375 o valor de h encontra-se abaixo.
h = 0,00179 W/m2K
Quadro 1 - Comparação do h experimental com h teórico, para a temperatura de 50oC da fonte
quente.
Aço inox 1’’ Aço inox ½’’ Alumínio ½” Cobre ½”
Valor do h
experimental
(W/m2.K)
0,000171 0,001725 0,001592 0,00179
Valor do h
teórico
0,3279 0,3273 0,3282 0,3284
Erro (%) 99,95 99,47 99,51 99,45
Os erros encontrados demonstram o quanto os valores experimentais influenciaram no
cálculo do coeficiente convectivo do ar para diferentes barras. Alguns fatores que podem ter
agravado esses erros foram: A variação da temperatura ambiente ao longo do experimento,
devido a presença de várias pessoas no ambiente e as correntes de ar na mesma; A proximidade
entre as barras, gerando uma troca de calor por convecção; Os manipuladores do equipamento ou
o próprio equipamento pode ter modificado algum valor experimental, visto que não seria
possível conseguir valores ideais com o equipamento, mas também não tão discrepantes como o
ocorrido.
Parte 2 - To = 75oC
3.4 Valores obtidos no experimento para temperatura da fonte quente (T0) a 75oC
Tabela 5 - Temperatura ao longo da barra de aço inox 1”
Valores ao longo do comprimento da barra
T (oC) 40,65 31,4 28,35 27,3 26,7 26,85 26,65 26,6 26,35 26,2 26,65
d (cm) 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110
Tabela 6 - Temperatura ao longo da barra de aço inox 1/2”
Valores ao longo do comprimento da barra
T (oC) 34,95 28 26,85 26,4 26,25 26,2 26,2 26,05 26,1 26,15 26,15
d (cm) 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110
Tabela 7 - Temperatura ao longo da barra de alumínio 1/2”
Valores ao longo do comprimento da barra
T (oC) 49,2 41,5 36,8 32,9 30,6 29,25 28,1 27,5 26,95 26,65 26,5
d (cm) 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110
Tabela 8 - Temperatura ao longo da barra de cobre 1/2”
Valores ao longo do comprimento da barra
T (oC) 54,7 46,3 40,25 36,35 33,15 31,4 29,95 28,75 28 27,4 27
d (cm) 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110
3.5 Perfil de temperatura ao longo das quatro barras metálicas para To = 75oC
3.6 Cálculo do coeficiente convectivo experimental para cada barra metálica
Para a obtenção do coeficiente convectivo ℎ, foram traçados os gráficos de
(T-T∞)/(T0-T∞) vs. d, apresentados abaixo. Com T∞ = 26,87ºC.
3.6.1 Aço inox 1’’
Através do coeficiente angular da reta (-0,113), obtemos o valor de m e substituímos na
Equação 5 para o cálculo do h.
Logo, h = 12,24 W/m2K
3.6.2 Aço inox 1/2’’
Sendo o coeficiente angular, m, no valor de -0,197, temos: h = 18,61 W/m2K
3.6.3 Alumínio 1/2’’
Sendo o coeficiente angular, m, no valor de -0,0467, temos: h = 16,41 W/m2K
3.6.4 Cobre 1/2’’
Sendo o coeficiente angular, m, no valor de -0,0386 o valor de h encontra-se abaixo.
h = 18,97 W/m2K
3.7 Cálculo do coeficiente convectivo teórico para cada barra metálica (To = 75oC)
Quadro 2 - Valores calculados de h teórico e das variáveis utilizadas no cálculo, para a
temperatura da fonte quente a 75°C
Barra Pr Tf (K) β (1/K) Gr Ra Nu
hteórico
(W/m².K)
Inox 1'' 0,7062 300,7691 0,0033248 2239,7269 1581,7449 2,8771 2,9790
Inox 1/2'' 0,7062 300,1145 0,0033320 35,4126 25,0091 1,3206 2,7348
Alumínio
1/2'' 0,7062 302,6895 0,0033037 991,3880 700,1402 2,4241 5,0201
Cobre
1/2'' 0,7062 303,9304 0,0032902 1446,2946 1021,4054 2,6216 5,4290
3.8 Cálculo do erro associado às medidas do coeficiente convectivo para cada barra metálica (To
= 75oC)
Quadro 3 - Comparação do h experimental com h teórico, para a temperatura de 75oC da fonte
quente.
Barra h experimental (W/m².K) h teórico (W/m².K) Erro (%)
Inox 1'' 12,24 2,98 310,88
Inox 1/2'' 18,61 2,73 580,49
Alumínio 1/2'' 16,41 5,02 226,89
Cobre 1/2'' 18,97 5,43 249,42
4. CONCLUSÕES
Através da realização do experimento, cuja finalidade foi a determinação do coeficiente
de transferência de calor convectivo para o ar ao redor de diferentes barras, verificou-se que os
perfis de temperatura desenvolvidos ao longo de tais barras são exponenciais. Além disso, é
perceptível a influência dos diferentes materiais no que se refere aos perfis de temperatura ao
longo das barras.
Percebeu-se, também, que quanto maior o coeficiente de condução de calor do material
(sendo o cobre o material com maior coeficiente), mais altas serão as temperaturas ao longo da
barra, fator já esperado, já que o calor consegue se propagar longitudinalmente pela barra antes
de dissipar por convecção logo no início.
Por fim, foi notória a influência externa no experimento. O fato de pessoas circularem
pela sala, e a porta ser aberta e fechada, gerou uma alta discrepância entre os dados previstos
teoricamente e os valores calculados experimentalmente e, associado a isso e devido a demora do
experimento, houve grandes e irregulares variações da temperatura ambiente, o que pode ter tido
grande significância nos resultados alcançados.
5. ANEXOS
5.1 Memorial de Cálculo
Para a realização dos cálculos utilizam-se os parâmetros e propriedades fixados nas
Tabelas 9 e 10.
Tabela 9 - Parâmetros utilizados na realização dos cálculos
Parâmetros Valores Unidade
Gravidade 9,81 m/s2
k (inox) 15,1 W/m.K
k (alumínio) 237 W/m.K
k (cobre) 401 W/m.K
Diâmetro (1'') 0,0254 m
Diâmetro (1/2'') 0,0127 m
Tabela 10 - Propriedades do ar a 300K
Propriedades Valores Unidade
α 0.0000225 m2/s
k 0,0263 W/m.K
v 0.00001589 m2/s
Fonte: Adaptado de Incropera (2008).
Exemplo de cálculo para a barra de Inox 1'', com a fonte quente à temperatura de 75ºC,
ou seja T0 = 75ºC e T∞ = 26,87:
Para o cálculo do h experimental, deve-se calcular o valor de m, fornecido pela Equação 4:
T −T ∞
T −T0 ∞
= e−mz (4)
Para tanto, faz-se uma tabela com os seguintes valores:
d (distância) T (ºC) T −T ∞
T −T0 ∞
10 40.65 0.2863079161
20 31.4 0.09412009142
30 28.35 0.03075005194
40 27.3 0.008934136713
50 26.7 -0.003532100561
60 26.85 -0.0004155412425
70 26.65 -0.004570953667
80 26.6 -0.005609806773
90 26.35 -0.0108040723
100 26.2 -0.01392063162
115 26.65 -0.004570953667
Para que se possa construir o gráfico:
E encontrar o valor de m através da equação da curva exponencial:
y = 0,887e-0,113x, portanto m = - 0,113 cm-1 = -11,3 m-1Com isso calcula-se o h através da Equação 5, manipulada de forma a isolar h:
h = = = 12.24 W/m2K4
kDm²
4
15,1(W /m.K)0,0254(m)(−11,3m ) −1 2
(5)
Para o cálculo do coeficiente convectivo teórico pode-se usar a Equação 6:
h = L
Nu k (6)
Entretanto utiliza-se a correlação de Nu médio, para um cilindro semi-infinito, para o cálculo, a
qual depende de muitas outras variáveis. Portanto calcula-se primeiro as variáveis dependentes.
A Equação 12 fornece o número de Prandtl (Pr):
Pr = = = = 0,7062k
μ Cp v
α 0,0000225 (m²/s)
0,00001589 (m²/s)
(12)
A Equação 11 fornece temperatura Tf , para o cálculo, faz-se a média das temperaturas ao longo
do tubo Tm = 28.52ºC = 301.67K, e de T∞ = 26.87 ºC = 300.02 K:
Tf = = = 300,84 K2
(T + T )∞ m
2
(301,67 + 300,02)K
(11)
Com isso obtém-se , Equação 10:β
= = = 0,003324 K-1β 1T f
1300,84 K (10)
E pode-se calcular o número de Grashof (Gr), Equação 9, por:
Gr = =v a
g β (T − T )Dm ∞
3
= 2463,360,00001589 (m²/s).0,0000225 (m²/s)
9,81(m/s²).0,003324 (K ).( 300,02 − 301,67)K.(0,0254m)−1 3
(9)
Obtendo-se também o número de Rayleigh (Ra), Equação 8:
Ra = Pr Gr = 0,7062 . 2463,36 = 1739,68 (8)
Que podem ser aplicados na Equação 7, para se obter o valor Nusselt:
= {0,60 + }2 =NuD 0,387RaD
1/6
[1 + (0,559/P r) ]9/16 8/27
{0,60 + }2 = 2,93680,387.1739,68
1/6
[1 + (0,559/0,7062) ]9/16 8/27
(7)
E portanto calcular o coeficiente convectivo teórico, Equação 6:
h = = = 3,0409L
Nu k
0,0254 (m)
2,9368.0,0263 (W /mK)
(6)
Por fim calcula-se o erro associado:
Erro (%) = x 100 = x 100 = 310,88%|| h teórico
h experimental − h teórico |
|
|
| 2,98
12,24 − 2,98 |
|
REFERÊNCIAS
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CARSLAW, S. and JAEGER, J. C. Conduction of Heat in Solids. Oxford University Press,
1959.
CROSBY, E. J. Experimentos sobre Fenômenos de Transporte en las Operaciones Unitárias de la
Industria Química, Editoral Hispano Americano S. A., 1968.
ECO EDUCACIONAL; Roteiro didático operacional – Bancada de transferência de calor por
condução em barras de seção circular uniforme e convecção natural. – NCD Indústria e
Comércio de Equipamentos Didáticos Ltda. – São José – SC. 2014.
HOLMAN, J. P. Transferência de Calor. McGraw-Hill, 1993.
INCROPERA, Frank P. Fundamentos de Transferência de Calor e de massa. Rio de Janeiro:
LTC, 2008.
KREITH, F. Princípios de Transmissão de Calor. Editora Edgar-Blucher Ltda., 1977.
WELTY, J.R.; WICKS, C. E.; WILSON, R. E.; RORRER, G. L. Fundamentals of Momentum,
Heat and Mass Transfer. Editora John Wiley and Sons, 5a ed.