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Pró-reitoria de EaD e CCDD 1 Liderança e Coaching Aula 1 Profas. Elizabeth Nery Sinnott e María del Carmen Hernández Gonçalves 2 Pró-reitoria de EaD e CCDD 2 Conversa inicial No desenvolvimento desta Rota de Aprendizagem, trataremos principalmente do surgimento da liderança e do coaching, de suas diferenças, dos papéis desempenhados pelos líderes e dos conceitos que regem as ações desses líderes em tempos de incerteza. Fazer um passeio pelo tempo, permite-nos relacionar as atividades desenvolvidas com as capacidades, habilidades e conhecimentos de cada uma das pessoas que influenciaram os grupos e o mundo no desenvolvimento da humanidade. A história da liderança acompanha e registra as atividades e momentos de grandes líderes, nos quais estes destacaram-se dirigindo outros homens, administrando países, organizando explorações, encabeçando e controlando guerras, administrando conflitos realizando negociações com o objetivo de vencer desafios e conduzir as pessoas em processos de mudança. O papel do líder na organização é imprescindível. As empresas necessitam atingir seus objetivos, e é nesse momento que o líder, por meio de suas ações, facilita a integração dos liderados na execução dos seus trabalhos, favorecendo inclusive o aprendizado em equipe. A história do coaching, assim como a da liderança, começou na Grécia antiga. Um de seus precursores foi Sócrates. O filósofo utilizava com seus discípulos um método que promovia o emprego do diálogo (método “socrático” ou “maiêutica”), como um processo indutivo, por meio de perguntas, mediante as quais conseguia trazer à luz as qualidades e obter as respostas que os alunos já tinham. Coaching é um método que o coach usa para ajudar as pessoas a descobrirem as respostas que já estão em suas mentes. Ninguém melhor do que a própria pessoa para compreender os assuntos relacionados a si mesma. O coach só serve de meio para exteriorizar estas respostas. Apesar de tudo estar relacionado, é importante entender as diferenças entre os dois conceitos, e o papel que cada um destes aspectos tem na vida da sociedade e da organização. Pró-reitoria de EaD e CCDD 3 Contextualizando Aproveite esta oportunidade e este momento, e inicie sua preparação para o futuro. Os seres humanos sempre buscam respostas, mas o importante é saber fazer as perguntas certas. Estamos sendo chamados para enfrentar a vida como ela é: imprevisível, caótica, desafiadora, confusa; e as pessoas, a sociedade e as organizações exigem de seus líderes inteligência para mostrar os caminhos. Sem dúvida, os grandes líderes e coaches percebem as pessoas como um todo: corpo, coração, mente e espírito. Estes aspectos são simultâneos e sequenciais. São construídos constantemente e precisam de atenção para poder atingir uma contribuição excepcional. Ao mesmo tempo, as pessoas na organização liberam seus talentos e capacidades quando encontram um líder que lhes inspire confiança, que as ajude a construir sua credibilidade definindo propósitos transparentes e convincentes, ao mesmo tempo que têm a capacidade de alinhar sistemas que atendam aos objetivos, metas e estratégias da organização. Coaches e líderes, quando desempenham seus papéis específicos frente aos grupos, contribuem para desenvolver pessoas e equipes de sucesso que trabalham por resultados, superando seus desempenhos e, ao mesmo tempo, enfrentando os desafios com criatividade e responsabilidade. Gestores líderes ou coaches que souberem trazer à tona as melhores qualidades das pessoas com quem trabalham, possibilitam e permitem a troca de conhecimento. Não é a nova tecnologia que permite esta troca, mas sim a qualidade das relações humanas. Talvez haja uma única previsão do futuro, e você, como gestor do século XXI, deve entender que qualquer organização que se distancie de seus funcionários e que se negue a cultivar relações significativas com eles, está destinada ao fracasso. Você já deve ter percebido que o objetivo desta Rota de Aprendizagem é construir os alicerces que lhe darão consistência para entender e perceber que 4 Pró-reitoria de EaD e CCDD 4 todos os processos próprios da organização dependem das pessoas que a comandam e tomam decisões. São os líderes que constroem novas realidades, quando ensinam e orientam seus colaboradores a superar a incerteza e os conflitos. Este é o desafio: acredite nestes novos caminhos e construa o seu! Problematizando Nada motiva mais os seres humanos do que o significado: já se viu funcionários desiludidos e deprimidos ganhar altos níveis de energia e percepção ao serem convidados a pensar sobre o significado de seu trabalho. Em tempos difíceis como estes, quando o bom trabalho é destruído por acontecimentos e decisões muito além de nossa área de influência, e quando somos sobrecarregados por tarefas sobre as quais não temos tempo de refletir, é muito importante que o líder faça com que as pessoas lembrem por que estão fazendo esse trabalho. (Adaptado de WHEATLEY, Margaret J. Liderança para tempos de incerteza. A descoberta de um novo caminho. São Paulo: Cultrix, 2006 p. 117.) Com relação à motivação das pessoas no trabalho que desenvolvem, avalie as seguintes afirmações. I. As pessoas se motivam quando delas é exigida uma maior carga de responsabilidade. II. O papel do líder é exigir cada vez mais dos funcionários para aumentar a produtividade. III. A verdadeira motivação pessoal se fortalece quando se compreende o valor e significado do próprio trabalho. É correto o que se afirma em A. I, apenas. B. II, apenas. Pró-reitoria de EaD e CCDD 5 C. II e III, apenas. D. III, apenas. E. I, II e III. Comentário A. Incorreto. Maior carga de trabalho não aumenta a motivação pessoal. B. Incorreto. Exigir cada vez mais dos funcionários para aumentar a produtividade sem contrapartida não melhora a motivação. C. Incorreto. Maior exigência não leva a maior motivação (II), embora a compreensão do significado do trabalho seja um grande fator de motivação. D. Correto. É compreendendo o valor e o significado do próprio trabalho que as pessoas se sentem mais motivadas. E. Incorreto. Pelas razões apresentadas. Pesquise Acreditamos que, com a chegada do século XXI, os cargos de gerência e os cursos universitários que produzem nossos futuros líderes devem ser testados e revistos. Pressionados pelos avanços tecnológicos, necessidade de lucro a curto prazo e reconhecimento, os líderes modernos frequentemente decidem esquecer coisas básicas como esperança, humildade, relações abertas, generosidade, flexibilidade, amor, etc. Leia as questões para iniciar sua pesquisa, e se surgirem outras, não duvide, faça-as e as responda. As perguntas a seguir poderão ser respondidas lendo e pesquisando no livro Coaching e mentoring, de Erika LOTZ e Gisele Gramms (editora Intersaberes, 2014). Encontre outras fontes, como internet, artigos, vídeos e entrevistas que possam lhe ajudar a encontrar respostas sobre o tema com óticas diferentes. Lembre-se de registrar sua fonte de informação. 6 Pró-reitoria de EaD e CCDD 6 Já que você é um gestor do século XXI, acreditamos que muitas dúvidas vêm à sua cabeça. Arrisque-se a responder as seguintes questões: 1. Onde encontrar coragem para ser um líder coach hoje em dia? 2. Qual é o maior desafio dos líderes e líderes coaches? 3. Liderar e conduzir pessoas implicaem responsabilidades? 4. Onde encontrar coragem para manter o rumo? Tema 1: Origem e histórico da liderança Acreditamos que em muitos momentos de sua vida acadêmica e profissional você tenha escutado a palavra “liderança”, e talvez tenha se perguntado: sempre existiu a liderança? Quando este conceito se iniciou? Como foi sua evolução? É o que vamos trabalhar neste tema. E descobrir a importância e o papel que a liderança desempenhou e desempenha em seu desenvolvimento ao longo da história. Apesar de hoje em dia a liderança parecer algum tipo de modismo corporativo, esta existe desde o alvorecer da história da humanidade, tanto que há muitos exemplos de líderes excepcionais e grandes revolucionários de seu respectivo tempo, como Jesus e Gandhi, entre outros; guerreiros espetaculares como Napoleão, Alexandre, o Grande e Carlos Magno. Vemos aqui como a liderança está associada a grandes pessoas que mudaram seu mundo e escreveram a história com suas ações e atitudes. Na idade média acreditava-se que a liderança era uma herança transmitida pela nobreza familiar, ou seja, o “sangue azul”, e não pelas habilidades necessárias. Esse tipo de pensamento era mais comum entre os monarcas. Outros imperadores acreditavam que sua capacidade de ser um grande líder vinha dos céus, como os egípcios, que acreditavam que o faraó era uma representação de Deus na terra e sua santidade, o alicerce para suas ações. É importante perceber que o conceito de liderança passa por várias fases, até chegar à era industrial. Com as duas grandes revoluções industriais ― a primeira marcada pela chegada do ferro e da energia a vapor, e a segunda Pró-reitoria de EaD e CCDD 7 pelo uso do aço e da energia elétrica ― a liderança passou a ter uma abordagem organizacional. No mundo corporativo de hoje, além de promover mudanças, é necessário ter e atingir metas no cenário organizacional, onde a ação e as atitudes do líder refletem diretamente na perenidade da organização. O mundo acadêmico, no qual você está inserido neste momento, buscou compreender o que faz um líder. Taylor e Fayol não se preocupavam com as implicações da liderança na organização. Já a teoria das relações humanas faz indagações sobre como a liderança afeta a organização. Ao mesmo tempo, esta teoria deu origem a outras teorias sobre a liderança, como a teoria dos traços, que diz que o líder é aquele que possui traços na personalidade que o distingue das demais pessoas. Depois surgiu a teoria sobre os estilos de liderança. Esta foca principalmente na forma como o líder se relaciona com seus subordinados, ou seja, a maneira como ele orienta as condutas e ações destes. Esta teoria diz que há três estilos: o autocrático, o democrático e o liberal. O estilo autocrático é aquele em que o líder dita as ordens. É o estilo adotado pelos militares; a relação é distante, áspera. O subordinado apenas cumpre ordens. O líder centraliza a autoridade e todas as decisões e, por consequência, os seus subordinados não são livres para qualquer escolha. O líder é dominador e o seu grupo o teme. No estilo democrático, a liderança conta com a participação dos subordinados. Estes são ouvidos e participam da tomada de decisões. A liderança democrática tem o líder como alguém que interage muito bem com a equipe, entusiasma as pessoas a participarem dos processos, como também importa-se com os indivíduos, com o trabalho e com o grupo. É um líder que age como 8 Pró-reitoria de EaD e CCDD 8 facilitador, orientando a equipe na identificação e solução dos problemas. O líder na liderança liberal concede absoluta liberdade para as decisões de cada um e do grupo. O líder não tem firmeza na sua postura e é bastante ambíguo. Outra teoria advinda de outras teorias das relações humanas foi a da liderança situacional. Esta basicamente diz que o líder tem a capacidade de adaptar a equipe às diferentes situações incontroláveis que uma organização enfrenta ao longo de sua história. A principal diferença deste tipo de liderança em relação às demais são as habilidades em diagnosticar o liderado, considerando seu desempenho atual nas tarefas, não na pessoa que é ou em seu potencial, mas sim em conhecer quais são os estilos de liderança para usá-los nos momentos adequados. Neste tipo de liderança, o líder se adapta diante das situações apresentadas, o que consiste da relação entre estilo do líder, maturidade do liderado e a situação em que se encontra. A chave da liderança situacional consiste em avaliar o nível de maturidade dos liderados e se comportar de acordo com o modelo. Como se pode perceber, não existe um estilo único de liderança, pois isto vai depender das pessoas e do contexto no qual se está inserido (trataremos mais a fundo destes temas nas próximas Rotas). Com isso, encerra-se a evolução da liderança através dos tempos e se reservam as páginas para o futuro que a espera. E esse futuro é nosso século XXI, no qual é necessário manter-se competitivo no mercado, e em que a necessidade do lucro, as inovações e as implementações tecnológicas exigem uma liderança efetiva. Liderança: seu papel no século XXI A liderança é importante em qualquer tipo de corporação. De acordo com Chiavenato (2000), a liderança é necessária em todos os tipos de Pró-reitoria de EaD e CCDD 9 organização humana, principalmente nas empresas e em cada um de seus departamentos. Ela é essencial em todas as funções da administração, pois o administrador precisa conhecer a natureza humana e saber conduzir as pessoas. As organizações enfrentam hoje pressões, mudanças, exigências de responsabilidade social, inclusão de minorias, cuidados com o meio ambiente, transparência e governança corporativa, fazendo necessário que a liderança ocupe e desempenhe o papel que lhe corresponde dentro do mundo corporativo, e por isso se faz necessária uma nova liderança. O líder deve preparar sua equipe e transformá-la em uma equipe flexível, que apoie a criatividade, a inovação e o empoderamento. Como vimos ao longo do desenvolvimento do tema, a liderança não é algo recente, mas sim uma prática que vem evoluindo ao longo da história da humanidade. É importante que você, como futuro gestor, entenda que a essência da liderança está na influência, na capacidade de desenvolver as pessoas e ocasionar mudanças para que estas se adaptem aos imprevisíveis cenários que estão fora de controle de qualquer líder. Imagine, por um momento, a extensão que podemos dar ao conceito de liderança. Ela pode incluir os deveres para com a sociedade por meio das organizações, onde se nutrem e se desenvolvem processos que contribuem para que se organize umaprendizado que dará espaço ao crescimento e desenvolvimento da própria organização e da sociedade. Somos aprendizes com uma sede insaciável de conhecimentos. Há muito a se aprender sobre liderança. A jornada do líder é um dinâmico e constante descobrimento de si mesmo, do ambiente no qual se está inserido e das pessoas com as quais se trabalha. Sem dúvida nenhuma, a liderança se torna algo essencial no mundo corporativo atual. Mesmo tendo a sensação de que o homem está perdendo seu valor para os avanços das novas tecnologias, a liderança é a prova de que sem o homem, as organizações não poderão desempenhar o seu papel. 10 Pró-reitoria de EaD e CCDD 10 Tema 2: Conceitos de Liderança Após estudarmos a evolução histórica da liderança, vamos trabalhar com o significado e o conceito de liderança. Para começarmos a entender o que realmenteé liderança, necessitamos compreender que o conceito dessa prática vem passando por transformações desde sempre. Muitos autores apresentam visões distintas sobre o tema e sobre a definição da palavra no contexto atual. Para determinados autores, a liderança se estabelece a partir de características da personalidade de cada pessoa. Outros consideram que a forma de comandar de cada líder ajuda na definição, assim como também o ambiente em que o individuo está inserido define a liderança. Bergamini (1994) defende que a liderança se estabelece por influência, ou seja, na capacidade do líder conseguir seguidores para atingir seus objetivos. Portanto, quando falamos sobre liderança, compreendemos que é a capacidade de fazer a gestão de um grupo de pessoas de forma a gerar resultados, alcançar os objetivos da organização e, principalmente, se converter esse grupo em uma equipe. Pode-se perceber, neste momento, que a responsabilidade do líder é identificar os diferentes comportamentos do ser humano dentro de uma organização e sua equipe, para que possa conhecer a motivação de cada um e assim utilize de ferramentas de gestão de pessoas que o auxiliem em suas tomadas de decisão, administrando os seus talentos e integrando a sua equipe cada vez mais. É importante que o líder promova em seu time a educação e o desenvolvimento. Desta maneira, a liderança efetiva fundamenta-se em dar aos colaboradores o que eles ainda não alcançaram por si próprios. Podemos, agora, diferenciar os conceitos de líder, chefe e gerente. Observe o seguinte quadro e perceba as diferenças entre estes três conceitos: Pró-reitoria de EaD e CCDD 11 CHEFE GERENTE LÍDER Motivado pelo desejo de sucesso pessoal. Altamente competitivo, independente. Procura receber crédito pessoal pelas realizações. Conhece a política interna da empresa e a usa para a vitória pessoal. Focalizado na ação rápida. Gasta mais tempo dando ordens. Acha improdutivo ficar ouvindo e assessorando. Impõe seu ponto de vista. Cria um clima negativo gerando insegurança e ameaça. Motivado pelo pensamento racional, usando-o como ponto de partida para a resolução dos problemas inerentes ao dia a dia. Altamente analítico. Preocupa-se em garantir a continuidade da empresa no tempo. Acha que o valor pessoal é desempenhar atividades tipicamente administrativas. Mantém a continuidade e a ordem, sistematizando procedimentos que garantam eficiência no desempenho nos processos organizacionais. Motivado pelo desejo de servir os liderados. Altamente colaborativo e interdependente. Procura dar crédito aos membros da equipe. Sensível ao que motiva os outros e os capacita a vencer, partilhando sua visão e metas. Focalizado no entendimento mútuo e na colaboração por parte de todos. Ouve profunda e respeitosamente, em especial aqueles que discordam. Acha que o valor pessoal está em trabalhar colaborando com os outros. Prefere ouvir primeiro e valorizar a opinião dos outros. Usa a confiança pessoal e o respeito para que todos aprendam com os erros. Fonte: Adaptado de Marinho e Oliveira, 2005, p. 8. Alguns autores, como Peter Drucker, salientam que a liderança eficaz se processa na exemplaridade e nos resultados, e não na popularidade, visibilidade de sua atuação, responsabilidade ou principalmente em possuir seguidores. Quando falamos de tipos diferentes de liderança, podemos abordar a teoria de liderança situacional de Hersey e Blanchard, a qual se trata de uma teoria contingencial que está focada nos liderados, ou seja, uma liderança que terá resultados a partir do nível de maturidade daqueles sob a tutela do líder. 12 Pró-reitoria de EaD e CCDD 12 Tema 3: Papéis desempenhados pelos líderes ao longo do tempo Note como ao longo dos temas vamos aprofundando nos conceitos, história e papéis desempenhados pelos líderes. Acreditamos que você já deva ter percebido que a liderança é uma ação que afeta a conduta e o rendimento dos membros de um grupo, confirmando-se a tese de que quando a liderança existe, modifica-se a motivação ou a competência dos membros de qualquer grupo. Num sentido mais amplo, isto implica em uma relação de influência particular entre os componentes de um grupo, na qual o líder proporciona aos integrantes recursos valiosos para a conquista de objetivos comuns. É importante que você, como gestor, tenha em mente que a liderança é uma ação sobre pessoas, nas quais se destacam sentimentos, interesses, aspirações, valores, atitudes, enfim, todos os tipos de reações humanas. Parafraseando Margareth Wheatly, na execução da liderança podemos convidar todas as pessoas a participar nos processos da empresa, para juntos encontrarmos o caminho. É importante agir partindo do pressuposto de que as pessoas se interessam umas pelas outras, e você, como gestor e líder, é a esperança para se criar um futuro pelo qual valha a pena trabalhar. Wheatly (2006) comenta que Mort Meyerson (antigo chairman da Perol Systems) em uma entrevista para a revista Fast Company, afirmou que a tarefa principal da liderança e por conseguinte do líder é reunir regularmente as pessoas, de modo que todas percebam com clareza o que estão fazendo e como se modificam à medida que fazem seu trabalho. Isso inclui informações sobre clientes, mercado, história e erros. Sem esquecer as palavras de Mort Meyerson, tentemos entender as ações e os papéis desempenhados pelos líderes ao longo do tempo. A seguir, veremos cronologicamente o surgimento de alguns líderes, mas nos deteremos principalmente na importância que suas ações tiveram para o desenvolvimento da humanidade. Pró-reitoria de EaD e CCDD 13 Dos líderes antigos, Alexandre foi o maior. Conquistou dúzias de povos e governou um império que compreendia Grécia, Egito e Índia. Júlio César foi um dos maiores imperadores que existiram. Ele estabeleceu as bases para o Império Romano e sua expansão. Napoleão Bonaparte foi um dos líderes mais paradigmáticos da história não somente por suas vitórias nos campos de batalha, mas também por seus mistérios. Ainda hoje é uma das pessoas mais estudadas da história. A história de Mahatma Gandhi tem inspirado a muitos idealistas no mundo. Lutou pela independência da Índia e pelos direitos dos hindus perante o Reino Unido. Utilizou a greve de fome com forma de protesto pacífico. Madre Teresa de Calcutá fundou uma organização dedicada a servir aos pobres, órfãos, doentes e moribundos. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz, e foi considerada uma das grandes líderes da humanidade. Martin Luther King foi pastor da igreja Batista. Sua forma de atuar consistia em organizar atividades pacíficas para lutar pelos direitos civis dos afro-americanos nos Estados Unidos. Ganhou o Prêmio Nobel da paz em 1964 e foi assassinado em 1968. Nelson Mandela lutou contra a segregação racial na África do Sul. Esteve preso por mais de 27 anos, e na prisão estudou Direito, formando-se pela Universidade de Londres. Foi-lhe oferecida a liberdade se renunciasse às suas ideias e à sua luta. Preferiu ficar na prisão e manter seus princípios. Graças aos seus esforços, a segregação racial foi banida da África do Sul e, em 1994, foi eleito o primeiro presidente negro por meios democráticos. Margaret Thatcher foi uma das mulheres mais importantes do século XX. Conquistou seu espaço em um momento em que as mulheres muito raramente tinham tal oportunidade. Ficou conhecida como a ”Dama de Ferro” por levar o ReinoUnido a ter novamente um lugar de destaque no mundo. Steve Jobs foi um empresário e magnata dos negócios na área da informática e da indústria do entretenimento americano. Foi co-fundador e presidente executivo da Apple e maior acionista individual da Walt Disney 14 Pró-reitoria de EaD e CCDD 14 Company. Jobs provou, então, que a cultura organizacional é um grande aliado de competitividade de uma empresa. Bill Gates, ainda muito jovem, tornou-se um dos mais bem-sucedidos empreendedores. Ao lado de seu amigo e parceiro empresarial Paul Allen, fundou a Microsoft — a mais importante e popular empresa produtora de software de todo o planeta. A partir desta pequena exposição sobre alguns dos líderes de maior destaque de todos os tempos, talvez possamos fazer uma interpretação sobre como estes lideravam seus processos. Fazendo uma leitura inspirada nos diferentes tipos de liderança e dos líderes apresentados, podemos arriscar a interpretar suas ações e ver que sua força residia na forma de influenciar os seus liderados e de os tornarem convictos de suas ações. Líderes como Nelson Mandela, Madre Teresa de Calcutá e Martin Luther King se preocuparam em elevar sua equipe diante das conquistas. São os integrantes do time que levam os processos ao sucesso. Acreditar na igualdade mostra como estes líderes tinham fé no potencial das pessoas, independente de seu contexto. Podemos então nos perguntar: o que estes três líderes têm em comum? A resposta é simples: os três tiveram influência e autoridade moral incontestáveis, independentemente de qualquer tipo de poder formal. Margareth Thatcher, por sua vez, dedicou-se a fortificar o senso de pertencimento de sua equipe para a instauração das duras políticas econômicas. Todos os líderes citados utilizaram seu poder formal para mudar o destino de seus liderados. De acordo com De Oliveira e Marinho (2005), existe também um segundo grupo de pessoas sobre as quais a história já fez seu julgamento. Podemos perceber que Adolf Hitler, Sadam Hussein e Augusto Pinochet entre outros utilizaram a liderança formal para praticar o exercício abusivo do poder, cometendo crimes contra a humanidade com violação flagrante dos direitos Pró-reitoria de EaD e CCDD 15 humanos. Hitler, em nome de um pretenso império alemão, assassinou seis milhões de judeus, além de fazer centenas de milhares de outras vítimas. Sadam Hussein governou o Iraque massacrando e eliminando qualquer voz que discordasse ou que fosse suspeita de discordar de seu regime. Pinochet manteve-se no governo chileno durante 17 anos à custa de torturas, mortes e ”desaparecimentos”. Pode-se concluir que assim como na liderança empresarial, o papel do líder é o de perpetuar a organização. Na liderança praticada por Gandhi, Mandela, King e Teresa de Calcutá, o legado nos inspira a refletir sobre o mais grande potencial humano para administrar situações complexas. Tema 4: História e surgimento do coaching História do Coaching O coaching é um tema muito comentado atualmente, porém poucas pessoas conhecem a sua origem e como foi a sua trajetória até os tempos atuais. Iniciaremos com alguns marcos da história do coaching; poderíamos inclusive afirmar que o coaching é tão antigo quanto a própria humanidade, o que mostra que o coaching não é algo novo, tampouco um modismo, pois tem suas origens em teorias filosóficas. Desde cerca de 1500 o termo coaching tem seu significado ligado aos condutores, que conduziam as carruagens e seus passageiros. Este mesmo significado foi atribuído aos professores, tutores e mestres com o passar do tempo. Esta referência era utilizada sempre que o termo era voltado á “condução” de alguém a um determinado destino. Por volta da década de 1950 a palavra coach utilizada pela primeira vez para se referir à habilidade de gerir pessoas, a fim de facilitar seu autodesenvolvimento, valorizando às suas competências tanto em sua vida profissional, como na pessoal. 16 Pró-reitoria de EaD e CCDD 16 Na década de 1970 o termo surgiu no Brasil por meio do âmbito esportivo. Se partirmos para a utilização do termo coaching de uma forma mais contemporânea, podemos citar Timothy Gallwey como um dos nomes em relação à literatura sobre o assunto. Este atuava como professor de tênis, e afirmava que “o adversário dentro da nossa própria cabeça é mais poderoso do que o que está do outro lado da rede.” (Gallwey, 1996). O autor entendia que a relação do jogo de tênis com o processo de coaching estava muito próxima do papel do técnico em fazer perguntas, de modo a contribuir e ampliar a conscientização e percepção de como o jogador estava jogando. Para Gallwey, o jogo de tênis era como o jogo da vida, pois em ambos a forma de expressar o próprio potencial poderia ser a fonte de respostas para os nossos próprios questionamentos. Sabe-se que o coaching é um processo que favorece a autoconsciência, a reflexão e a ampliação da percepção de si próprio, identificando suas potências e fraquezas (Ferreira, 2008). Além disso, ele é um processo que apóia o indivíduo a estruturar os seus planos de desenvolvimento por meio de uma metodologia estruturada, podendo influenciar todos à sua volta. (Sinnott, 2015) A palavra coaching permite relacionar, por meio de uma metáfora, o coach como um veículo para transportar pessoas de onde estão para onde desejam chegar. Podemos também relacionar nesse momento o coaching a um processo que permite às pessoas enxergarem além do que são atualmente e para que estabeleçam como meta o que desejam se tornar no futuro, ampliando cada vez mais suas competências, seu desempenho, seu desempenho e também expandindo sua visão de mundo. O processo de coaching envolve alguns termos como o coach, que é quem conduz o processo e o coachee, que é a pessoa que passa pelo processo e está sendo beneficiada. Sinnott (2015) fala que como processo facilitador de aprendizagem, o Pró-reitoria de EaD e CCDD 17 coaching veio a contribuir para que os indivíduos se transformem, estimulando- os a repensarem a realidade e a enfrentarem os desafios presentes. De acordo com Krausz (2007), o coaching, por meio do método de questionamentos, contribui para que o indivíduo amplie a percepção das suas ações, e estabeleça objetivos e estratégias para alcançá-los, de forma que possa melhor utilizar as suas potencialidades. O coaching concentra-se em indivíduos, e não necessariamente em sistemas de negócios. Porém, é claro que, indiretamente, o processo irá provocar resultados e impactos positivos nos negócios. Krausz (2007) afirma que, tanto as organizações, quanto os gestores, buscam com o coaching atingir melhores resultados, bem como desenvolver, por meio de um processo de aprendizagem, as competências estratégicas para uma diferenciação no mercado. A autora considera o coaching como uma ferramenta de desenvolvimento que facilita o crescimento profissional do indivíduo com o propósito de atingir a satisfação pessoal e profissional. Esta mesma autora, Krausz (2007) aponta ainda que as empresas no mercado atual estão diante do desafio de promover a autoconsciência de seus líderes. Gestores com maior percepção do cenário em que estão inseridos tendem a facilitar a sua gestão de equipe, promovendo o desenvolvimento dos liderados e um relacionamento interpessoal mais eficiente e eficaz. (Sinnott, 2015) Portanto, podemos refletir que o processo de coaching tem como função principal a promoção do aprendizado e o desenvolvimento das pessoas. Dependendo do contextoem que a pessoa está inserida, ela causará impacto na organização com os resultados obtidos por meio do processo. A empresa terá benefícios em ter pessoas e equipes de alta performance, produzindo resultados mais eficazes e, além disso, pessoas mais alinhadas com os objetivos organizacionais. O coaching é um processo que facilita o desenvolvimento das pessoas envolvidas. 18 Pró-reitoria de EaD e CCDD 18 Tema 5: O líder coach Para conversarmos sobre a condição de um líder ser também um coach de sua equipe, podemos falar de algumas diferenças entre esses papéis. Quando identificamos que um líder tem objetividade nas suas explicações e argumentações e traz com clareza as suas expectativas em relação à sua equipe, esse líder está indo além do papel de um chefe. A atuação de um líder coach envolve uma colaboração frequente para o desenvolvimento das pessoas da sua equipe, fazendo com que os colaboradores se potencializem e elevem o seu desempenho. O líder é responsável pelo desenvolvimento de talentos. O líder coach trabalha muito com a exemplaridade. Ele coloca em prática as suas crenças por meio das atitudes. O objetivo de um líder é influenciar as pessoas positivamente para o atingimento dos resultados, porém, além de ser um líder, ele é um coach quando se preocupa com o desenvolvimento das pessoas e reforça o melhor delas. Portanto, o líder coach oferece feedbacks constantes, provendo às pessoas maior autoconhecimento e promovendo um maior comprometimento nas tarefas. Ajudar a equipe a buscar as próprias respostas empoderando-as nas tomadas de decisão caracteriza a postura de líder coach. Este promove o autodesenvolvimento para que cada um possa alcançar as metas estabelecidas, dando-lhes maior autonomia. O líder coach sabe o que quer ao engajar as pessoas em um mesmo propósito. No próprio processo ele identifica os perfis, as fortalezas e fraquezas dos colaboradores e os orienta constantemente. Além de tudo isso, ele pratica os seus valores e os da organização fazendo com que as pessoas tenham a clareza da importância disso. Como as pessoas de uma equipe podem ser muito diferentes, o líder coach investe na diversidade. Percebe que são exatamente as diferenças que irão contribuir para enriquecer um time, fortalecendo-o e o tornando mais completo e criativo. Pró-reitoria de EaD e CCDD 19 Uma característica fundamental do líder coach é saber delegar. Acreditamos que o processo de delegação só ocorre efetivamente quando existe um nível adequado de maturidade nas pessoas da equipe. Para isso, é necessário que o líder seja um facilitador, alguém que se preocupe com o desenvolvimento das pessoas e promova tal transformação. Quando falamos em foco na tarefa e nas pessoas, o líder coach tem conhecimento de sua equipe, compreende o funcionamento dela, suas capacidades, dificuldades, qualificações e limitações, por isso seu foco não é exclusivo na tarefa. Por fim, lembremo-nos da importância da atuação de um líder em formar os seus sucessores. Para formá-los é necessário conhecer os seus subordinados, preocupar-se com eles e mantê-los satisfeitos e focados nos objetivos e em seu desenvolvimento. O líder coach que cria a cultura de aprendizado, contribuindo para que sua equipe desenvolva suas capacidades, terá uma equipe mais resiliente, adaptável, confiante, criativa e brilhante. (Stéfano, p. 44) Segundo Stéfano (2012), a figura do líder coach está ligada a uma postura de liderança mais humanizada, mais voltada ao desenvolvimento da performance das equipes e das empresas. Podemos aqui mencionar alguns papéis do líder coach como sendo um parceiro estratégico, conforme relata Stéfano (2012): um líder que avalia o que falta, facilitando com que a equipe atinja os seus objetivos; ele proporciona aprendizados com o intuito de desenvolver competências tanto pessoais como técnicas; atua como um parceiro, fazendo com que a equipe encontre as suas próprias respostas, não resolvendo unicamente o problema existente. A generosidade está presente na atuação desse líder ao compartilhar a sua expertise, o seu conhecimento e inclusive o seu próprio tempo. Outro papel que o líder coach tem como característica predominante é o de transformador de paradigmas, ao questionar as crenças sociais e ampliar cada vez mais os modelos mentais dos envolvidos. Ele ajuda a equipe a sair do lugar comum, instigando as pessoas a perceberem e a utilizarem os seus 20 Pró-reitoria de EaD e CCDD 20 diferentes recursos internos, fazendo com que tenham, desta maneira, diferentes resultados. Finalmente, o desenvolvimento pessoal: acreditamos que existem algumas condições fundamentais para o sucesso de uma carreira, as quais envolvem competências comportamentais. O desenvolvimento pessoal permite o desenvolvimento interpessoal, a facilidade de resolver conflitos, o gerenciamento de equipes, a capacidade de motivação, e a adaptabilidade. Portanto, o líder coach tem como foco o desenvolvimento das pessoas em suas competências técnicas e comportamentais, pois sem estas a performance da equipe será diretamente impactada, afetando os resultados da organização. Trocando ideias Você deve ter percebido que ser líder ou líder coach hoje é um desafio. É importante entender que para desempenhar esses papéis é necessário absorver e incorporar a cultura da organização. Pensamos que, depois de ter estudado os conceitos relacionados a estas funções, você poderá responder, por meio do fórum, alguns questionamentos que lhe ajudarão a esclarecer suas dúvidas e a confirmar o que aprendeu. Lembre-se, é necessário que reflita para que possa expressar sua opinião. Vamos começar então. Prepare-se! Um dos desafios do líder é constituir, desenvolver e reter equipes, a fim de atingir objetivos organizacionais. Em sua opinião, quais você acredita serem as principais competências que um líder deve ter para desempenhar essa função? O líder é responsável pela optimização do uso dos recursos humanos? Qual é sua opinião? É importante que o gestor líder saiba comunicar-se com sua equipe? Pró-reitoria de EaD e CCDD 21 Na Prática 1. Leitura do caso Jack Welch adora liderar pessoas, e não gerenciá-las. Ele nem mesmo gosta da palavra “gerente”, pois ela reúne todas as características negativas associadas aos chefes, como controle, repressão e falta de comunicação. Welch é um líder nato, do tipo que gosta de criar uma visão e fazer com que as pessoas se apaixonem de tal forma por ela que mal consigam esperar para transformá-la em realidade. ”Isso é o que faz um verdadeiro líder”, afirma Welch. ”Alguém que desenvolve uma ideia e motiva as pessoas a executá-la”. Fonte: KRAMES, Jeffrey A. Os princípios da liderança de Jack Welch. Revista VOCÊ ⁄ SA. Rio de Janeiro: Sextante , 2006. Desenvolvimento PROFISSIONAL. No. 5 p. 6. 2. Identificação do que deve ser feito Depois de ler o que Welch disse sobre a liderança, e tendo em conta o estudado na Rota, analise a seguinte máxima: “Nós procuramos líderes capazes de energizar, motivar e inspirar, em vez de irritar, deprimir, controlar”. 3. Identificação da teoria/conteúdo que resolve o problema. Conceito de liderança, coaching, papéis desempenhados pelos líderes. Finalizando Nesta Rota, estudamos temas que mesmo sendo antigos têm uma importância muito grande e são sempre atuais. O mundo está em constante evolução. A transformação é a essência de nossa história. Desde sempre nos ensinaram que tanto importantes ações positivas como negativas levaram amudanças substanciais. Em outras palavras, que revolucionaram o pensamento do homem. Ao longo da história da liderança, é possível encontrar as bases do que deve ser um verdadeiro líder. Neste percurso, é possível descobrir o líder empresarial como agente de mudança. 22 Pró-reitoria de EaD e CCDD 22 O valor do líder pode ser percebido especialmente quando este desempenha seu papel, ou seja, quando coloca em prática sua capacidade de criar uma equipe, de motivá-la, ensiná-la e inserir as pessoas em um projeto comum, promovendo a confiança. Outro tema estudado, o histórico do coaching, nos ajudou a entender e conhecer o significado das palavras “coach” e “coaching” como sendo a ação de transportar ou levar alguém de um lugar a outro, ou ainda de um estado a outro. O importante é tomar consciência de que a verdadeira aprendizagem é aquela mediante a qual, por exemplo, você como gestor aprende a partir de seu autoconhecimento. Os temas tratados oportunizam a possibilidade para se perceber a evolução das ideias, dos comportamentos e das estratégias. A partir de um modo de comando e de controle é possível dar um salto que mude os comportamentos e leve esses líderes a se prepararem para os novos tempos, em que é necessário um comportamentpo diferente. Esperamos que os temas tratados tragam respostas para algumas questões fundamentais da liderança e do coaching. As organizações não funcionam sem pessoas que facilitem a realização a contento dos processos produtivos. O líder e o líder coach terão que ter em conta a importância do papel que desempenham na organização. O verdadeiro profissional é uma pessoa cujas ações apontam além de si mesmo. Lembre-se, este é o início de uma aventura. Quanto mais conhecimento e mais experiências, melhor. Entretanto é você, gestor, quem deve decidir a validade do que foi estudado aqui e de sua aplicabilidade por meio de ações práticas, de decisões e de se atrever a descobrir suas possibilidades como líder e de ter competência para realizá-las. Pró-reitoria de EaD e CCDD 23 Referências bibliográficas BENNIS, Warren. A invenção de uma vida. Rio de Janeiro: Campus, 1995. BERGAMINI, Cecília Whitaker. Liderança — Administração do Sentido. São Paulo: Editora Atlas, 1994. CHIAVENATO, Idalberto. Administração nos novos tempos. 6. ed. Rio de Janeiro: Campus, 2000. CORTELLA, Mario Sergio. Liderança em foco. Campinas: Papirus 7 Mares, 2013. DRUKER, Peter. O gerente eficaz. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1993. DI STÉFANO, Rhandy. O líder-coach: Líderes criando líderes. Rio de Janeiro: Qualitymark. 2012. GALLWEY, TIMOTY. O Jogo Interior de Tênis. São Paulo: Editora Textonovo, 1996. HALL Richard H. Organizações: estruturas processos e resultados. São Paulo: Prentice Hall, 2004. HERSEY, Paul; BLANCHARD, Kenneth. Psicologia para Administradores: a Teoria e As Técnicas da Liderança Situacional. São Paulo: Editora EPU, 2011. KOTTER, John P. Liderando a Mudança. Rio de Janeiro: Campus, 1997. KRAMES, Jeffrey A. Os princípios da liderança de Jack Welch. VOCÊ S/A. Rio de Janeiro: Sextante, 2006.. Coleção Desenvolvimento PROFISSIONAL. No. 5. 24 Pró-reitoria de EaD e CCDD 24 KRAUSZ, Rosa. Coaching Executivo: a conquista da liderança. São Paulo: Nobel, 2007. LOTZ, Erika, Gisele. GRAMMS, Lorena Carmen. Coaching e mentoring. Curitiba: Intersaberes, 2014. LEWIS, Howes. Lições de líderes do ontem, e do hoje. Portal da Liderança. Disponível em: <http://www.portaldalideranca.pt/arquivo/artigos- destaque/licoes-de-lideres-de-ontem-e-de-hoje>. Acesso em: 14 ago. 2016. MARINHO, M. Robson, DE OLIVEIRA, Figueiredo Jayr. Liderança: uma questão de competência. São Paulo: Saraiva, 2005. Os 5 maiores líderes da história mundial. Portal IBC. 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A partir desta perspectiva, o indivíduo ingressa na organização como um todo único e indivisível. Cada um dos temas que iremos tratar nesta Rota define uma nova história, e falaremos desse indivíduo que entrará na organização e que desempenhará um papel de líder ou liderado. Abordaremos também diferentes visões e dinâmicas nas quais um líder atua, ceremos as características individuais do líder e qual é o seu papel no mundo competitivo de hoje, assim como que perspectivas o cenário atual oferece para o desenvolvimento de estilos de liderança e formas de gestão que incluam as pessoas e que as levem a renunciar a velhas metas e ambições, para acreditar em novas perspectivas, criadas a partir do momento e das circunstâncias nas quais estão inseridas. Nessa nova dinâmica e com essas novas tendências, adentraremos no mundo, nos aspectos e nas vantagens que o processo de coaching oferece ao líder que se disponha a encontrar em si próprio novos ”insumos” que lhe permitam tornar-se um líder eficaz e coerente. Estes serão os fundamentos teóricos que nos guiarão para atingirmos nosso objetivo, no qual você, como gestor, terá um papel importante, porque cedo ou tarde, vai se encontrar em um desses dois lados: o do líder ou o do liderado. É importante admitir que sozinhos não encontraremos soluções. É preciso observar, escutar, aprimorar-se, para responder a esse mundo em constante mutação. Pró-reitoria de EaD e CCDD 3 Se permanecermos confusos, sem conceitos claros e trilhando os mesmos caminhos obscuros e incertos, não poderemos ser criativos para participar na mudança do mundo, adquirindo diferentes e novas formas de liderar. Contextualizando Imaginamos que você esteja pensando qual é a relevância destes temas. E talvez as respostas surjam à medida que os desenvolvamos. Também é possível que novas dúvidas apareçam, como fruto da reflexão e dos questionamentos. Acreditamos que você esteja de acordo de que é necessário que exista um líder centrado em princípios, que leia, pesquise e tenha uma grande paixão por expandir seus limites. Um líder orientado a servir e a desempenhar este papel como uma missão de vida, que irradie energia positiva e que acredite firmemente nas pessoas. As mudanças do século XXI fazem com que apareçam líderes que orientem as pessoas, confiando em suas próprias características e entendendo as novas tendências que permeiam a ação das organizações no mercado atual. Por isso, é preciso um líder eficaz que seja consciente de seus pontos fortes bem como de suas limitações, e que saiba percebere identificar as forças e o talento de seus liderados. Um líder que desenvolva, por meio de sua prática, o conceito de liderança situacional, na qual o estilo adotado dependerá da situação e do nível de desenvolvimento dos funcionários. Ninguém duvida de que o líder que experimentou um processo de coaching estará mais fortemente decidido para que, por meio de uma metodologia integrada, flexível e valiosa, reveja os métodos e práticas que 4 Pró-reitoria de EaD e CCDD 4 conduzirão os processos, as demandas e as necessidades atuais de sua organização. Voltando aos nossos objetivos, as perguntas e as respostas por você dadas deverão estar alinhadas às exigências do mundo de hoje. Futuramente este mundo será seu, e você terá de responder com inteligência, criatividade e conhecimento. Problematizando Dentro da realidade humana, o processo decisório é constituído por diferentes características e particularidades que envolvem a visão racional, subjetiva e cognitiva do indivíduo diante de determinadas situações. Dessa forma, os sistemas de informação e de inteligência se tornam essenciais no processo decisório e de resolução de problemas de forma assertiva. Perceber, identificar e definir o problema são etapas primordiais no sentido de criar e desenvolver soluções criativas para evitar situações problema. A partir da clara definição do problema, serão recomendadas ações estratégicas pertinentes que balizarão a condução do líder e de seus liderados. (Oliveira e Marinho, 2005) Na prática Na sociedade contemporânea, o indivíduo precisa possuir determinadas qualidades, características, habilidades e competências que o diferenciem dos outros e que ampliem sua visão de mundo, de história e do homem. Acreditamos que através de um diagnóstico individual, cada um poderá compreender seus pontos fortes e fragilidades bem como analisar oportunidades e ameaças apresentadas pelo meio, no sentido de criar capacidades, diferenciais e vantagens competitivas. Durante esta Rota, procuraremos entender a liderança como uma verdadeira competência quando esta estiver relacionada à capacidade do Pró-reitoria de EaD e CCDD 5 indivíduo de tomar decisões e de gerar resultados esperados. Este processo não só se dá nas empresas, mas também na vida cotidiana. Depois destas colocações, é importante que você, futuro gestor, se pergunte: dentro da óptica da liderança, é importante construir meios que possibilitem que no processo decisório sejam tomadas decisões que levem a ações mais acertadas e assertivas? O gestor líder deve estabelecer a avaliação de riscos a partir de que critérios? Tema 1: Características individuais do líder Um líder é alguém que inspira e que toma decisões que afetam a empresa de forma positiva. Pode-se dizer que é uma transformação interna que o levará a ter uma grande influência e conseguir lealdade a longo prazo. É uma pessoa que consegue reunir uma equipe que trabalhará por uma meta comum. Pensamos e acreditamos que o líder hoje deve ser capaz de lidar com o seu interior, ter autoconhecimento, viver de forma coerente, ser íntegro, estar preparado para compartilhar valores, ter claras as metas dos seus liderados, e possuir visão. Isto consequentemente vai gerar comprometimento das pessoas e fazê-las alcançar metas. Os líderes que têm sucesso são visionários, entusiasmados e inspiram seus comandados, e possuem certas características que os fazem diferenciar- se dos demais. Segundo Yamaoca (2015), quando se trata do futuro do trabalho, os gestores estão assumindo novas formas de atuação para que de fato se tornem grandes líderes. O líder do futuro é aquele que possui ênfase em suas competências, e seus comportamentos são definidos a partir da organização e de suas estratégias. Nesse sentido, as competências para a liderança são: ter uma visão ampla do negócio, saber gerenciar a complexidade e as mudanças, 6 Pró-reitoria de EaD e CCDD 6 desenvolver-se a si mesmo e aos outros, ter alinhamento emocional e focar em resultados. Quanto às características individuais, observe o quadro a seguir: CARACTERÍSTICAS DO LÍDER CARISMA Habilidade natural para atrair pessoas. Um líder carismático influencia a equipe de trabalho para que os membros deem o melhor de si para o benefício da empresa. LÍDER ATUANTE Deve ter um conhecimento profundo da empresa e saber manejar e organizar os recursos que tem à sua disposição. Estimula sua equipe para trazer resultados. ASSUME RESPONSABILIDADES O líder abre novos caminhos e permite que os membros de sua equipe alcancem o sucesso. Tem visão de longo prazo. Adianta- se aos problemas e detecta oportunidades. Toma decisões. ENTENDE NOVAS TECNOLOGIAS Como a tecnologia tornou-se uma parte crucial de como vivemos e trabalhamos, nunca foi tão importante para os líderes compreenderem as atuais tecnologias. INOVADOR Todo líder deve ser criativo para propor soluções inovadoras. Fomenta ideias novas e incita a equipe a enfrentar os riscos que estas possam gerar. Buscará sempre novas e melhores formas de fazer as coisas e mudar os processos. Esta é uma característica importante perante um mundo que avança rapidamente. NEGOCIADOR Um bom líder é um grande negociador. Vende bem suas ideias através da persuasão e da convicção. Preza o processo ganha- ganha. Pró-reitoria de EaD e CCDD 7 Estas são algumas das características necessárias hoje no exercício da liderança. Sem esquecer, por exemplo, que a honestidade é um valor ético que deve estar presente em qualquer pessoa que seja líder. Um líder conhece suas forças e as aproveita ao máximo, ao mesmo tempo que tem plena consciência de suas limitações e busca superá-las. Saber também reconhecer o bom trabalho de um funcionário faz parte da tarefa de ser líder. Essa é uma ferramenta de gestão que garante a satisfação dos profissionais deixando-os motivados a gerar melhores resultados. O foco é uma arte. É a capacidade de abrir mão de algo que não trará os resultados que se deseja no presente, para se concentrar no que realmente interessa. Não podemos tampouco esquecer da inteligência emocional, ou seja, a habilidade de manejar os sentimentos e as emoções próprias e dos demais. Estes movem as pessoas, e é necessário um líder que possa utilizá-los para guiar os pensamentos e as ações. Se alguém possuísse todas essas aptidões, estaríamos diante de um líder “completo”. Claro, tais características podem estar presentes em maior ou menor grau, mas para alguém ser um bom líder, elas devem estar presentes em seus comportamentos. Tema 2: Papel do líder no cenário competitivo atual Para responder aos novos desafios da diversidade, complexidade e incerteza do mundo atual, é necessário analisar a liderança que as empresas necessitam para alcançar a excelência competitiva. A liderança no cenário de hoje requer transparência e uma atitude de abertura para a experimentação. Podemos perceber que o mundo ao nosso redor, ou seja, a tecnologia, o mercado, os consumidores, os clientes, os administradores e os colaboradores estão em mudança a cada momento. É uma época revolucionária para os negócios, com um cenário competitivo no qual o segredo está em compartilhar o conhecimento. Esta é a 8 Pró-reitoria de EaD e CCDD 8 Era da Colaboração massiva, e é neste novo cenário, que a liderança tradicional é incapaz de dar uma resposta adequada aos desafios que surgem. Esta nova situaçãoestá incentivando mudanças substanciais nos modelos de criação de valor, e muitas empresas de sucesso em épocas passadas desaparecerão se não forem capazes de mudar e ajustar-se aos novos tempos. Vejamos no mapa mental a seguir as razões que, segundo Gary Hamel (2012), levam as empresas a inovar nos seus modelos de gestão-liderança para serem competitivas. O futuro é cada vez menos uma extrapolação do passado. Pró-reitoria de EaD e CCDD 9 Fonte: CABRERA, José. El Liderazgo en la era de la colaboración. Innovación en la gestión. <http://blog.cabreramc.com/por-que-este-blog/>. Acesso em: 11 dez. 2015. PAPEL DO LÍDER NO CENÁRIO ATUAL Aceleração das Mudanças Empresas devem adaptar-se às mudanças velozmente. Era digital Indústrias lutam para ter um papel relevante e sobreviver. entende a Cenário Competitivo o Inexistência de barreiras que protejam Empresas que dominam o mercado. Empresas emergentes questionam O domínio de empresas tradicionais. enfrenta o Conhecimento = ”commodity” ninguém sobrevive com Competências Únicas Conhecimento e capacidades tendem a circular livremente no mercado global. Inovação como proteção Capital humano e conhecimento. sabe que o conhecimento é 10 Pró-reitoria de EaD e CCDD 10 A nova realidade, as perspectivas econômicas e tendências neste mundo interdependente estão modificando profundamente o ambiente industrial e comercial. Essa mudança exige, com urgência, organizações competitivas que possam responder de forma positiva a esse cenário atual, assim como as tendências do mercado futuro. Neste contexto, o líder deve transformar a cultura organizacional dentro de uma dinâmica competitiva de esforço, desafios, adaptação e mudança constante. Ele precisa oferecer aos seus funcionários a visão de futuro da sua organização, os seus valores e a sua missão, e criar estratégias que envolvam as pessoas para que se atinjam resultados extraordinários. O líder precisa querer alcançar novos parâmetros e, assim focado, encontrar caminhos para colocar as mudanças vitoriosas em práticas. Em tal situação, deve-se buscar um equilíbrio entre as novas práticas emergentes de management e a experimentação, para encontrar modelos de gestão inovadores e que permitam criar as competências estratégicas necessárias neste momento em que o compartilhamento é chave. Na Era da Colaboração, as organizações vão enfrentar desafios que simplesmente estão fora do âmbito das competências tradicionais da administração. Perante um mundo incerto, o ponto de partida é reconhecer que nem as organizações tampouco seus líderes possuem algum tipo de resposta. Gerenciar esta complexidade requer questionamentos a respeito de quais seriam os caminhos para criar novas estruturas e novas formas de administrar. Os jovens que chegam hoje às empresas – nativos digitais – têm valores, motivações e expectativas radicalmente diferentes das dos atuais gestores. Por este motivo, é obrigação lhes oferecer a figura e a ação de um novo modelo de líder competitivo. Um líder que possa aproveitar suas qualidades e em última instância reter seu talento. O maior desafio para o gestor contemporâneo é fazer com que as pessoas adotem um novo modelo mental e o incorporem diante de todas estas mudanças com as quais terão de lidar em sua liderança. Pró-reitoria de EaD e CCDD 11 A maneira de liderar e gerir recursos humanos ou pessoas é determinante para as empresas que desejem obter sucesso num mundo competitivo. Tema 3: O que torna um líder eficaz Em um contexto como o atual, com tantas adversidades, as organizações estão cada vez mais em busca de lideres capazes de lidar com mudanças frequentes. Com tudo isso, podemos refletir e identificar como ser um líder capaz de atender as atuais demandas do mercado? Cada organização requer diferentes características desses profissionais, o que dependerá de sua área de atuação, das equipes envolvidas, da cultura da empresa, entre outras particularidades. Não existe um perfil fixo para o líder. As organizações preferem profissionais que estejam com suas características de personalidade, valores e competências alinhadas ao seu perfil, no caso o seu segmento de atuação e a imagem que esta tem no mercado. Convidamos você, enquanto gestor, a refletir o quanto é exigido de um líder. Se considerarmos que esse líder está inserido numa organização e está num mercado competitivo, sabemos que a demanda é com foco nos resultados. Os superiores sempre vão observar como está a sua produção, a sua reputação, o seu comando e a sua influência em relação aos liderados, pois são estes que irão alcançar os resultados esperados. É importante lembrar que o líder não pode se considerar como estando sempre certo. Um líder necessita compartilhar espaço com os demais profissionais e criar um ambiente empático, no qual os funcionários acomodem suas características cognitivas, emocionais e pessoais à empresa e aos processos para facilitar as relações. É fundamental ajudar as pessoas a se desenvolver e gerar cada vez mais autonomia em sua equipe. Por fim, para que se possa utilizar do processo de delegação, é necessário perceber de uma forma mais ampla as características dos funcionários e suas devidas funções, identificar os resultados e influenciar positivamente o seu crescimento gerando a maturidade adequada . 12 Pró-reitoria de EaD e CCDD 12 Tema 4: A liderança situacional: diferenças entre estilos de ação e gestão Consideramos que falar de liderança hoje é um tema que está em grande evidência dentro das empresas, devido à importância de seu papel nesse mercado competitivo. São esses profissionais que irão desenvolver as equipes e, consequentemente, esses futuros talentos ocuparão seus lugares. A mudança é gerada pelos lideres que direcionarão cada vez mais os esforços para a obtenção de bons resultados. Os líderes, em sua atuação, devem ser educadores, transformadores e impulsionadores para que seus liderados se desenvolvam e agreguem valor ao seu desempenho, e devem também fomentar um ambiente de motivação no qual os liderados de sintam desafiados, que aprimore seu conhecimento e amplie suas competências. Além disso, o líder deve estar sempre interagindo com as pessoas envolvidas no negócio, poi isso é fundamental a estratégia de relacionar-se bem com sua equipe. No atual cenário, o trabalho eficaz do líder tem se tornado vital, pois os desafios são diversos e cada vez mais complexos, por isso há a necessidade de um líder saber conduzir as estratégias e as pessoas de forma diferenciada, e que saiba identificar as potencialidades e limitações de sua equipe. Um líder deve ser ainda um facilitador dos processos, e que atue de forma adequada conforme cada situação e contexto. Sabemos das frequentes mudanças e com isso, para que o líder tenha resultados eficazes, ele não pode ter uma única forma de abordar, de conduzir, de abordar e de desenvolver, mas sim ser capaz de perceber onde (e como) está inserido e quais impactos as pessoas estão sofrendo para que assim possa administrar, facilitando o fluxo de crescimento e a atuação da equipe. Falamos de liderança situacional quando a performance do líder é alinhada de acordo com o contexto. Sua atuação depende fundamentalmente de seu desempenho nas tarefasque estão sendo executadas, e do nível de Pró-reitoria de EaD e CCDD 13 maturidade dos liderados. De acordo com Paul Hersey e Kenneth Blanchard (s/d), na liderança situacional, organização poderá ter quatro estágios distintos de maturidade, e estes influenciam no estilo de agir do líder para alcançar o sucesso da gestão de pessoas. São eles: determinar, persuadir, compartilhar e delegar. Cada estágio tem uma particularidade ligada à tarefa e ao nível de maturidade de cada pessoa. Esse diagnóstico feito pelo líder é o que vai determinar a sua forma agir. Nos demais temas trabalharemos detalhadamente cada um desses estágios. Percebe-se que, conforme já dito aqui sobre as características desse estilo de liderança, podemos já identificar que a condição de adaptação é de grande importância, pois o líder só atuará de acordo com o cenário identificado. Alem da adaptação, é necessário haver uma comunicação assertiva aberta, facilitando o desenvolvimento das pessoas através de feedback e de feedforward (que significa dar ideias e orientações para o profissional visando o aperfeiçoamento de competências). Os pilares das ações são o presente, o futuro e a positividade, focados em maximizar potencialidades. Enquanto o feedback é mais usual em situações que já aconteceram, o feedforward foca em melhorias na ação que estão ocorrendo agora e visando o futuro, possbiltando perceber as suas diferenças, conduzindo para oportunidades reais, alinhando as suas expectativas à cultura da organização, oferecendo ativamente um suporte a elas por meio de seus exemplos e estimulando a autonomia. Como condição imprescindível, esse líder deve se autodesenvolver e ampliar o seu autoconhecimento para que possa ter cada vez mais melhores resultados com seu pessoal. Outra característica é que a base das orientações está focada em auxiliar no afloramento do potencial e de fortalezas dos funcionários, a partir de uma situação que correu bem, mas que pode melhorar, ao contrário do feedback, que no seu modo mais usual está focado no resultado do desempenho e faz a reorientação da ação que aconteceu. No entanto, no feedforward, como vimos anteriormente, o foco é valorizar as potencialidades, 14 Pró-reitoria de EaD e CCDD 14 fortalecer o que pode se tornar melhor e encorajar as pessoas a pensarem em como direcionar o futuro. Tema 5: O processo de coaching na formação do líder Sabemos que liderar uma equipe é algo complexo. Para que o líder realmente tenha bons resultados é necessário que ele desenvolva muitas competências técnicas e comportamentais para gerir as pessoas envolvidas. Fazer com que a equipe conquiste os resultados esperados pela organização e melhorar a sua performance é uma missão do líder, e isto não é fácil. Imagine que existem líderes nas organizações já com uma experiência considerável, com muitos anos nessa prática, mas que ainda necessitam aprender mais sobre como lidar com diferentes personalidades. Imagine então o grande desafio para o líder que está iniciando a sua carreira: o que realmente as empresas têm como expectativa em relação ao “iniciante”? Bem, vamos começar a refletir sobre a importância do investimento das organizações nesses profissionais. Você, como gestor, concorda que investir é estratégico? Desenvolver a potencialidade em liderança daqueles que já demonstram o seu talento em gerir pessoas é um grande diferencial entre as organizações. O processo de coaching está presente como uma ferramenta de alto valor. Essa ferramenta apresenta-se tanto para desenvolver ainda mais quem já atua na liderança quanto para os lideres que estão iniciando o grande desafio de gerir pessoas, pois o coaching desenvolve a potencialidade, o desempenho, o autoconhecimento e a assertividade do (jovem) líder. Esse processo de autodesenvolvimento favorece com que se identifique tanto suas suas potencialidades, como também suas limitações. Além disso, permite perceber competências para utilizá-las melhor, e entender melhor as diferenças entre as pessoas para também impulsionar o desenvolvimento delas. Todo esse processo se dá por meio de técnicas e ferramentas. O momento atual favorece uma grande reflexão sobre o quanto as Pró-reitoria de EaD e CCDD 15 organizações estão investindo em seus potenciais líderes. De que forma as empresas estão possibilitando a que estes se desenvolvam? Afinal, são eles que irão facilitar à equipe para que alcance os resultados esperados, fazendo com que a empresa se mantenha num mercado em constante mudança. Nota- se também que as organizações têm uma grande expectativa em relação aos seus talentos, porém de que forma elas estão investindo neles? Elas precisam estar alinhadas com o objetivo de valorização e investimento do capital humano. As organizações esperam que o líder faça uma gestão das pessoas efetiva e conduza a sua equipe estimulando-a de uma forma inspiradora. Quando falamos de jovens líderes, esses profissionais que gostam de desafios e não lidam muito bem com processos engessados e burocráticos, pois são dinâmicos, criativos, ousados e inovadores, refletindo o perfil da “geração Y”, as empresas necessitam conduzir os processos de uma forma que alinhe os valores da empresa aos pessoais destes jovens, atendendo às expectativas deles por meio de um investimento constante em aprimoramento. Na atuação desse líder haverá inúmeros desafios. Dessa forma, é importante a organização desenvolver em seus colaboradores determinados aspectos comportamentais, pois são os mais difíceis de serem aprendidos. Desenvolver as pessoas é fundamental, assim como focar na inteligência emocional. Quando falamos em desenvolvimento, percebemos a importância da ferramenta do coaching nesse processo. Suas técnicas irão facilitar a potencialização das habilidades, competências e pontos fortes, e também ajudarão a lidar de uma forma mais assertiva com seus liderados, e a focar mais nas pessoas e também em seus resultados, e consequentemente eliminando comportamentos sabotadores. O coaching impacta no desempenho do líder tornando-o um gestor mais humanizado que ajuda no desenvolvimento da sua equipe. Portanto, após essa reflexão identificamos que os resultados do processo de coaching são realmente extraordinários. Ele possibilita o desenvolvimento de habilidades e capacidades. É um recurso que fortalece a 16 Pró-reitoria de EaD e CCDD 16 preparação de um futuro líder. Aquele que teve a oportunidade de conhecer a ferramenta e tê-la como filosofia tem a possibilidade de transformar a cultura da organização com suas mudanças, que também atingem as pessoas envolvidas no processo, e também os demais que participam dos resultados. Por fim, quando falamos de um jovem líder, o processo de coaching tornará a sua visão mais sistêmica, facilitando a este atuar mais assertivamente e estabelecendo suas metas e planos de ação de forma mais definida. Com o auxilio dessa ferramenta, ele conseguirá ampliar importantes habilidades exigidas pelo mercado, como a comunicação clara e assertiva, a habilidade de dar feedbacks maduros, a ter flexibilidade, apresentar um relacionamento interpessoal mais favorável, maior facilidade de adaptação, autocontrole, aprender a lidar com diferentes modelos mentais, possuir resiliência, entre outras qualidades imprescindíveis à sua atuação. Trocando ideias As seguintes questões servirão de orientação para a criação de um texto coletivo. É importante que você dê e registre sua opinião sobre elas. No gerenciamento tradicional os resultados estão centradosno líder? As características individuais do líder o tornam um líder eficaz? O coaching é uma mudança de paradigma em relação às formas tradicionais de liderar um grupo. O líder coach está mais preocupado em desenvolver os membros da equipe do que em fiscalizar o trabalho e comportamento de seus liderados? Na Prática 1. Leitura do caso Lembre-se de que a cada dia estamos fazendo e reescrevendo a história. A vida é uma jornada rumo ao objetivo que cada um de nós estabelece para si, seja pessoal ou profissional. Pró-reitoria de EaD e CCDD 17 Você tem seu objetivo estabelecido? Sabe que estratégia utilizar para atingi-lo? Muitas pessoas não conseguem responder a estas perguntas adequadamente, por isso, não se sinta culpado por ser uma delas, pois o importante é você ter consciência disso e, a partir de agora, mudar de atitude e tomar posições em relação ao seu futuro. 2. Identificação do que deve ser feito Responda às seguintes questões: Em sua opinião, o coaching, como processo de desenvolvimento pessoal e profissional, provê as pessoas com as ferramentas, o conhecimento e as oportunidades de que precisam para se desenvolverem e se tornarem mais eficientes? Cite três resultados que o processo de coaching traz para a organização. Síntese Como você pôde perceber, os temas tratados nesta Rota visaram a se aprofundar em temas atuais. O líder se antecipa às mudanças e aos fatos. Deve ter autoridade para agir de uma forma que estimule respostas positivas para atingir as metas. Por meio de sua liderança, ele consegue que as pessoas se identifiquem com os objetivos e atinjam os resultados planejados. Nestes momentos de incerteza, de rápido crescimento e de mudanças políticas, sociais, econômicas e tecnológicas, os líderes podem aproveitar as situações para transformar em oportunidades os problemas que são enfrentados, e obter assim maior vantagem competitiva. É importante entender que o indivíduo que é um líder eficiente saiba, à medida que planeja as tarefas da equipe, atinja resultados, mantendo um ritmo de trabalho com qualidade, que estimule e desenvolva as competências individuais dos funcionários, buscando maior competitividade e resultados. Aos líderes deste novo milênio, que deverão enfrentar grandes desafios 18 Pró-reitoria de EaD e CCDD 18 que lhes permitam dar respostas e apresentar soluções que respondam às exigências do mercado competitivo. É importante destacar também o fato de que a liderança é situacional. É dizer que os líderes realizam suas atividades e oferecem perspectivas que possam servir como uma via diferente para identificar seus estilos de ação e de gestão, desejáveis em um gestor do século XXI. O processo de coaching na formação do líder, oferece a você, futuro gestor, informações de como esse processo melhora o desempenho e o rendimento do líder. Um líder necessita muitas vezes de um ”espelho” que o acompanhe em seus desafios profissionais. O coaching é um acompanhamento que permite ao líder assumir projetos e tarefas antes impossíveis de serem enfrentados. Note que todos os temas têm uma estreita relação. Espera-se que você, em seu papel de gestor, obtenha conhecimentos que lhe permitam, na prática diária, identificar seu papel de líder e perceber como os processos dentro da organização, alavancados por um processo de coaching, possibilitarão a você, em determinado momento, assumir seu papel como líder consciente e competente. Referências bibliográficas CABRERA, José. 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Elizabeth Nery Sinnott María del Carmen Hernández Gonçalves 2 Pró-reitoria de EaD e CCDD Conversa Inicial Nos estudos de administração, o termo decisão refere-se a um comportamento racional: a um pensamento e uma ação direcionados por objetivos. Trata-se de um processo que inclui reunir informações, propor alternativas, fazer análises comparativas e eleger uma ação que segue um critério predefinido. Cada um dos temas que iremos tratar nesta aula auxiliará a compreender com mais detalhes o processo de decisão, por meio do qual a organização, através de seus procedimentos, de seus líderes e funcionários, decide passar a uma ação que não é aleatória, e que implica em cruzar a linha entre a análise e a realização. O processo decisório, como explicação do rumo que toma a organização, inclui uma atitude construtiva por parte dos líderes, aos quais cabe tomar decisões baseadas em um processo reflexivo e conectadas com as necessidades reais — incluindo as demandas ambientais —, além de obter um alto rendimento das equipes que eles comandam e mobilizar recursos para melhorar o desempenho da organização como um todo. Acreditamos que o processo de coaching é um facilitador necessário para que se entendam melhor os fatores racionais do líder, vinculados à sua competência, à sua capacidade de fazer leituras e diagnósticos inteligentes da situação atual, e para que ele coloque em prática sua visão de futuro. É importante admitir que é necessário fazer leituras e análises sistêmicas para encontrar soluções que levem em conta todos os aspectos e variáveis que entram na tomada de decisões. Tendo em conta, portanto, que o processo decisório se orienta para a resolução de problemas, propomo-nos a esquematizar, através dos temas que serão tratados aqui, a importância dos conceitos envolvidos nesse processo. Você, como gestor consciente, deve preparar-se para um mercado com uma dinâmica diferente e mais rápida, no qual o domínio de conceitos como 3 Pró-reitoria de EaD e CCDD liderança, coaching, processos decisórios,entre outros, lhe trará um diferencial competitivo. Contextualizando Todos os temas que trataremos nesta aula serão de vital importância para um gestor atuante neste século. Os estilos de liderança contribuem para que a organização tome decisões acertadas. O trabalho do líder é criar um contexto adequado à sua equipe e dirigi-la na busca por novas respostas. A equipe, assim, empenha sua ação e sua inteligência para encontrar soluções coletivas. O sucesso das organizações mede-se pela capacidade que têm os líderes para gerenciar mudanças, tomar decisões e satisfazer as necessidades da organização. O processo de decisão do líder deve estar centrado na avaliação das ações, com a finalidade de determinar a eficiência da organização no mercado e as respostas da mesma às necessidades que se apresentam. Ao longo dos temas trabalhados nas aulas anteriores, você deve ter se convencido da importância do processo de coaching para os líderes que atuam numa organização. Este tem como consequência o favorecimento da gestão de suas equipes. Na Tailândia, meninos aprendem a conduzir elefantes de carga de grande porte, utilizando simplesmente uma pequena vareta de madeira. Esses elefantes transportam uma grande quantidade de troncos ao longo da jornada de trabalho. Dizemos que o verdadeiro coaching só será viável quando o líder conseguir redefinir “a partir de dentro” o seu verdadeiro papel. Se o líder se vê como o menino, inconscientemente considerará sua equipe como um grande elefante capaz de conseguir muitas coisas, quando bem dirigida. Se ele se vê como o elefante, porém, inconscientemente considerará sua equipe como... “troncos que ele tem de transportar”. 4 Pró-reitoria de EaD e CCDD Outro tema de que trataremos é o da responsabilidade social. Esta implica um enfoque ético de liderança e gestão empresarial, que se traduz em um comportamento responsável para com os diversos grupos de interesse: funcionários, clientes, acionistas, fornecedores, concorrentes e sociedade em geral, com o objetivo de satisfazer suas necessidades. Você poderá constatar, ao longo do desenvolvimento desses temas, que o compromisso com a ética e a responsabilidade social não se opõe à rentabilidade da organização. Os resultados alcançados baseiam-se em um marco, no qual prevalece o respeito à lei e a ação de empresas guiadas por uma série de princípios éticos. Pesquise O objetivo das organizações é tomar decisões acertadas que as tornem competitivas e que as mantenham na liderança de seus respectivos negócios. Nesta aula você ficará por dentro de conceitos e práticas que as organizações incorporam a seu modo de agir e que de algum modo garantem sua continuidade e destaque como organizações competitivas. Existem dados que comprovam a eficácia do processo de coaching no desenvolvimento pessoal e profissional do líder. É uma metodologia que se converte em uma grande fonte de desenvolvimento, autoconhecimento e crescimento profissional. Tema 1: Estilos de liderança e o processo decisório É importante ter em conta que quanto mais um líder adaptar seu estilo de comportamento de liderança para atender à situação particular e às necessidades de seus seguidores, tanto mais efetivo ele se torna na conquista de seus objetivos pessoais e organizacionais. Nesse caso, o estilo de liderança passa a depender de vários fatores: da personalidade, do caráter e das necessidades do grupo a ser gerenciado, e da situação imediata. 5 Pró-reitoria de EaD e CCDD Portanto, pode haver os mais diferentes estilos de liderança, assim como existem diferentes tipos de pessoas, situações, necessidades e ocasiões. A partir do estudo desse tema, você poderá perceber que existem várias teorias sobre o estilo de liderança. Parece-nos interessante e pertinente tratar os efeitos dos diferentes tipos de liderança sobre os processos da organização. Por exemplo, os líderes autocráticos acostumam liderar pelo medo e a desconfiança. Muitas vezes, as organizações dirigidas de maneira autocrática não são favoráveis às relações. Priorizam a cadeia de comando. Todos possuem seus grupos e sempre os protegem. A comunicação flui numa só direção — para cima — e disso pode resultar que as fofocas se convertam numa forma institucionalizada de difusão das notícias na organização. Este estilo de liderança pode sacrificar a iniciativa, as novas ideias e o desenvolvimento individual e grupal em troca de um entorno estruturado e hierárquico, no qual todos sabem exatamente o que devem fazer, seguindo ordens sem questioná-las. Se for eficiente, um líder benevolente-democrático saberá tudo o que acontece na organização. Seu nível de gestão será de controle, conhecerá as políticas e os procedimentos perfeitamente, resolverá os problemas de uma forma rápida e eficiente criando um ambiente fraterno, onde o importante é a manutenção da organização. Uma organização com este estilo de liderança é bem administrada, agradável para trabalhar. Os funcionários sentem-se seguros porque a supervisão é cordial, evitando colocar os funcionários uns contra os outros. Um líder democrático entende que a organização não existe sem as pessoas. Consulta-as para tomar decisões. Tem consciência do valor das opiniões dos funcionários, convida à participação, não só na tomada de decisões, mas na configuração da visão da organização. Permite que os funcionários expressem suas opiniões sobre os destinos da empresa. A liderança democrática enriquece as possibilidades da organização. 6 Pró-reitoria de EaD e CCDD Ao dar ênfase na igualdade, a liderança democrática fomenta as boas relações no âmbito da organização. Valoriza as pessoas ao pedir-lhes opiniões que serão incorporadas a uma decisão ou política final. O termo “laissez-faire” vem do francês, e significa “deixai fazer, deixai ir, deixai passar”. Ele se aplica a um estilo de liderança liberal, em que o líder não se impõe aos seus liderados e dá total liberdade para que o grupo tome as decisões e divida tarefas. Neste modelo, o líder raramente se envolve em discussões, pois entende que sua equipe possui maturidade e dispensa supervisão constante. Temos outros estilos de liderança. Por exemplo, o estilo paternalista. De acordo com um estudo feito por Alfredo Behrens (2016), que é professor e pesquisador do Programa de Estudos do Futuro (Profuturo) e da Fundação Instituto de Administração (FIA), foi comprovada a preferência do modelo de liderança paternalista, que relaciona a ação do gestor com proteção, amizade e familiaridade, por parte dos brasileiros. Para realizar esse estudo, o pesquisador contou com o apoio de colegas docentes de MBA no Brasil e no continente europeu, que apresentaram certos vídeos aos seus alunos e coletaram as preferências dos diferentes grupos. “O estilo de liderança preferido entre os estudantes europeus é o do líder com foco intelectual — dois terços da amostra pesquisada preferiram este modelo. O percentual no Brasil foi o mesmo, porém o tipo de líder escolhido foi o paternal e protecionista”, afirma o professor (Behrens, 2016). Alfredo Behrens defende que a liderança deve ser moldada ao que é esperado pelo colaborador. “Quando a liderança é adequada à realidade dos funcionários e ao que eles esperam de um líder a empresa torna-se mais produtiva” (Behrens, 2016) afirma. Esperamos que o estudo deste tema acrescente elementos de análise, para que você, como gestor, pense sobre os estilos de liderança aqui enumerados, ou mesmo outros que porventura venha a conhecer, e que com isso esteja preparadopara decidir por qual deles optar, quando estiver desempenhando seu trabalho de gestor. 7 Pró-reitoria de EaD e CCDD Não esqueça que a transformação das organizações se centra principalmente no desempenho das pessoas, por meio da partilha dos resultados. Por isso, o papel desempenhado pelos gestores, quando adotam seus estilos de liderança, passa a exigir competências que tornem as equipes mais autônomas e empreendedoras. Tema 2: Gestão de indivíduos, equipes e empresas Quando falamos de gestão de pessoas, remetemo-nos diretamente às grandes mudanças existentes nesse âmbito. O ritmo das mudanças ficou acelerado nas ultimas décadas, o que trouxe como consequência muitas transformações nas organizações e também na sociedade. Consideramos que as empresas são sistemas sociais complexos, que têm como exigência a transparência de orientação, objetivos e direção. Com isso, no cenário atual, as empresas que melhor se adaptam a esse processo têm ganhos maiores em decorrência da gestão estratégica de pessoas. As lideranças e seus talentos estão se tornando insuficientes para suprir a grande demanda das organizações. Principalmente, porque hoje o colaborador é o ativo mais importante nas empresas e, por isso, a satisfação do trabalhador tem sido um aspecto extremamente valorizado. Um dos mais importantes fatores para se alcançar tal satisfação, como se sabe, está ligado à excelência no exercício da liderança. Considera-se que tudo isso como desafios para a área de gestão de pessoas. Esta necessita identificar os talentos presentes dentro da organização e, principalmente, mantê-los, valorizando-os e desenvolvendo-os para que seja atingida a eficácia. Já nos referimos aqui à grande complexidade do cenário atuai, em que as condições de diversidade e interdependência são aspectos fundamentais. Consequentemente, os processos que regem as políticas de gestão de pessoas devem levar em conta o desenvolvimento dos indivíduos, para 8 Pró-reitoria de EaD e CCDD identificar suas competências, valorizar sua autonomia, sua capacidade de resolução e suas tomadas de decisão. Quando mencionamos a importância das interações e dos resultados que estas podem gerar, entendemos o quanto o líder necessita se desenvolver e desenvolver as pessoas. “(...) as equipes comportam a diversidade de conhecimentos, atitudes, habilidades e experiências cuja integração permite oferecer respostas rápidas, flexíveis e inovadoras aos problemas e resultados esperados, promovendo rendimento e melhorando a satisfação de seus integrantes” (Rico; Alcover de La Hera; Tabernero, 2010, p. 47). Pensamos que é necessário fazer uma distinção didática entre grupos e equipes. O Dicionário Caldas Aulete (2004, p. 412) define grupo como: “conjunto de pessoas ou objetos perto uns dos outros, formando um todo” e equipe como: “grupo de pessoas que realiza uma tarefa comum”... grupo que forma um time” (Dicionário Caldas Aulete, 2004, p. 322). A diferença parece sutil, mas tem implicações profundas. A semelhança está em que toda equipe é um grupo, mas com toda certeza nem todo grupo é uma equipe. A essência do grupo é a proximidade. Uma equipe, só pode ser composta por pessoas, já que não existem equipes de objetos. Para que fique mais claro, a essência da equipe é a pessoa, com toda a riqueza que ela encerra. Cada pessoa é um mundo diferente de ideias, sentimentos, vontades, temperamentos, histórias, capacidades de relacionamento e potenciais de realizações. A primeira diferença, portanto, está na essência. Podemos dizer que a segunda diferença está no modo de relacionamento. Um grupo é um conjunto de pessoas formando um todo, o que indica que todas as partes estão presentes. Na equipe, o principal aspecto é que todas as pessoas estão sintonizadas num relacionamento de parceria absoluta, o que implica um destino comum, ou seja, o sucesso de um é o sucesso de todos, da mesma forma como o fracasso de um é fracasso de todos. É esse senso de unidade e comprometimento com a missão que faz com que líderes e liderados formem uma só equipe. 9 Pró-reitoria de EaD e CCDD A terceira diferença está em que toda equipe tem um sonho compartilhado. Em um grupo, cada membro pode ter seu sonho pessoal, não necessariamente ligado ao sonho dos outros. No caso da equipe, todos compartilham o mesmo sonho. Todos são responsáveis pelas vitórias e pelos fracassos. Com essas breves comparações, concluímos que o desenvolvimento de equipes de trabalho nas empresas é um fator muito importante no mercado competitivo. Quando os relacionamentos das equipes estão bem estruturados, tudo funciona melhor, inclusive as estratégias da organização, que são as que a transformam e sustentam sua manutenção no mercado. Por fim, acredita-se que uma equipe desenvolvida, como uma ferramenta poderosa para ampliar a esfera de ação e os resultados da empresa, em consonância com uma liderança eficaz, pode contribuir para o crescimento e para a aprendizagem organizacional, que se entende como um fator competitivo da organização e como este se faz necessária. Tema 3: Contextos organizacionais e o processo de decisão do líder Comecemos refletindo sobre a tomada de decisão. Quando ela ocorre? Quando falamos sobre a atuação do líder, sabemos que dentro das organizações sempre irão existir tarefas ligadas às suas tomadas de decisão. As regras e ordens dentro da empresa são transmitidas, muitas vezes, através de um processo de decisão, por meio da expressão escrita ou verbal, ou seja, e-mails, avaliações, memorandos, palestras, estabelecimentos de metas, missões, entre outras formas de comunicação. Sabemos que, dentro de um contexto organizacional, é essencial o processo de tomada de decisão, pois é através do exercício da liderança que se estabelece o melhor caminho a seguir. Por esse motivo, a liderança é um dos temas que mais se pesquisa atualmente, no âmbito da administração 10 Pró-reitoria de EaD e CCDD empresarial. O líder necessita de aptidões e determinadas competências para que alcance os resultados esperados de forma eficaz. Muitos estudos de determinados autores tentam explicar como surgiu a liderança. O líder nasce líder? Eis aqui um tema de reflexão! Você, enquanto gestor... o que pensa sobre isso? Uma das teorias sobre a natureza da liderança tenta explicá-la dando ênfase à teoria do grande homem. Segundo tal hipótese, teria sido em decorrência da atuação de grandes homens que se iniciaram as principais tendências na sociedade — sociais e culturais, por exemplo —, em decorrência das suas decisões! Por isso, fala-se muito em líder impulsionador, incentivador, estimulador: aquele que ressalta os aspectos positivos do que foi realizado pelos indivíduos: o trabalho cumprido! Aquele, enfim, que sabe que não dependeu somente das máquinas e da matéria-prima para obter um resultado bem-sucedido, e sim do trabalho das pessoas. Isso é liderança! Entendemos que as organizações se direcionam ao lucro e à produtividade. Mas, como fazer com isso ocorra de forma desejada? Estruturar uma empresa com vários funcionários não é uma tarefa simples, que dirá ter a certeza de que estes darão conta das metas estabelecidas, dos planos de ação que lhes foram designados, dos planejamentos: tomar decisões que gerem crescimento é uma tarefa desafiadora que cabe à liderança. Para que sejam estabelecidos objetivos e metas, primeiramente se faz necessário compreender o cenário existente, os problemas e, a partir dessa percepção, adotar um processo decisório que esteja alinhado à organização,visando o desenvolvimento e o desempenho esperados. Consideramos que o processo decisório requer, do gestor, determinadas habilidades para alcançar esse resultado. No entanto, existe um conjunto de pontos relevantes que o líder necessita conhecer para tomar a decisão correta. O relacionamento favorável, que motive e gere confiança junto aos funcionários, é um deles. Mas é muito importante, também, que esse gestor conheça as demandas do mercado em que está inserido, as oportunidades e 11 Pró-reitoria de EaD e CCDD ameaças que se apresentam, e também os pontos fortes e fracos da organização como um todo, para que assim possa estabelecer planos estratégicos efetivos. O processo de tomar decisões (ou processo decisório) é a sequência de etapas que vai da identificação de uma situação que oferece um problema ou oportunidade, até a escolha e colocação em prática de uma ação ou solução. Podemos acrescentar que a tomada de decisão se dá com a escolha da melhor solução para determinada situação ou oportunidade. Esse processo decisório é uma prática que pode apresentar dificuldades e, em muitos casos, gerar consequências boas ou ruins. Alguns autores referem-se ao processo decisório como um facilitador da tomada de decisões. A Teoria das Decisões, em administração, tem como precursor o economista Herbert Simon. Ela parte de pressupostos que dizem respeito ao comportamento humano, de acordo com a teoria comportamental, e propõe que cada individuo toma suas próprias decisões, mesmo dentro da empresa e em assuntos específicos, sempre identificando as regras racionais da organização e objetivando o alcance dos resultados esperados. Outros autores, abordando o processo de tomada de decisão nas organizações tomando como parâmetros outros aspectos, salientam a importância dos seguintes passos (Tomada de decisão nas organizações, 2016): 1) Expor o problema; 2) Traçar um esqueleto do problema e relacionar suas partes, a fim de construir um modelo; 3) Montar o problema de forma técnica; 4) Fazer uma simulação ou teste do modelo e suas possíveis soluções; 5) Determinar e delimitar uma forma de controle sobre a situação; 6) Colocar em prática a melhor solução dentro da organização. 12 Pró-reitoria de EaD e CCDD Alguns autores salientam que o processo decisório embasa fatores importantes. Perceber a situação que envolve a problemática conforme ela se apresenta é fundamental. Além disso, é imprescindível analisar a conjuntura para definir o que fazer, pois somente com esse subsídio o gestor poderá estabelecer suas metas. Por fim, é necessário avaliar e buscar alternativas para, só então, implementar estrategicamente uma decisão mais assertiva para a organização. Tema 4: O Processo de coaching como facilitador de desempenho na liderança Como já trabalhamos com o conceito de coaching anteriormente, sabemos que essa metodologia inovadora atua como um processo que torna mais fácil às pessoas alcançarem excelentes resultados, tanto em sua carreira profissional como em sua vida pessoal. Quando nos remetemos ao cenário atual das organizações, percebemos que, cada vez mais, o investimento nas competências humanas tem sido um fator essencial. Isso, por sua vez, vem impulsionando a qualidade das empresas e fazendo com que estas se tornem mais competitivas globalmente. Entendemos que a valorização das pessoas vem sendo considerada um aspecto muito importante. Mas, como se trabalha isso na organização? Quem poderá fazer isso nas equipes de trabalho? É possível afirmar que o gestor de pessoas, o líder, é o responsável por facilitar seu desenvolvimento? Que cabe ao líder promover a manutenção dos talentos na empresa? E esse gestor, esse líder? Como será desenvolvido e mantido? Hoje, muitos autores falam em liderança sustentável! Segundo Ian Hough e Mateus Kling, em pesquisa realizada pela instituição Brighter Planet (São Francisco/EUA), envolvendo 1.055 executivos americanos: Os programas de engajamento mais eficazes com relação à sustentabilidade, são aqueles cujos gestores, líderes, são os principais defensores. Eles são três vezes 13 Pró-reitoria de EaD e CCDD mais eficazes em relação àqueles em que o diretor de Sustentabilidade faz esse papel. O envolvimento de funcionários em estratégias de sustentabilidade em toda a empresa sugere que tanto a liderança de cima para baixo (top-down), pelos gestores, como a de baixo para cima (bottom-up,) exercida pelos funcionários, são abordagens igualmente viáveis. No entanto, nas organizações em que a alta liderança é o grande defensor da sustentabilidade, o resultado é mais eficaz do que nas organizações em que os funcionários são os principais motores. (Hough; Kling, citados por Empreender e intraempreender, 2014, p. 25) Tendo isso em mente, podemos considerar que a aplicação do processo de coaching com as lideranças estabelecerá uma gestão mais estratégica e sustentável nas empresas, pois ele favorece a ampliação dos modelos mentais, fortalecendo o potencial dos líderes para uma atuação mais eficaz. De acordo com Wolk (2008), o coaching é um novo estilo, por meio do qual o líder não apenas amplia as suas habilidades e competências, como também motiva, potencializa e enriquece o trabalho em equipe. Coaching trata-se fundamentalmente de autoconhecimento, que é uma condição essencial para qualquer mudança de comportamento e visão de mundo. Ele facilita a busca por clareza quanto ao seu propósito de vida, à sua missão, visão e valores, tanto no âmbito pessoal quanto no profissional. A prática do coaching entre as lideranças tem feito diferença considerável nas organizações, especialmente por propiciar que esses profissionais lidem melhor com os conflitos, aumentem a sua autoestima, saibam gerir melhor o tempo, desenvolvam uma comunicação assertiva com sua equipe, aprimorem os relacionamentos, entre outros aspectos. A participação no processo de coaching exige também a receptividade do coachee para o crescimento pessoal e para novas formas de aprendizado. Segundo o autor Withmore (2006), o coaching não é uma técnica fácil, a ser conduzida e aplicada em circunstâncias já determinadas; ele é uma forma de gerenciar, lidar com as pessoas, ser, estar, pensar; é a capacidade relevante de liderança em equipe. Para encerrar nossa reflexão sobre a importância do processo de coaching para a liderança, remetemo-nos à socióloga Rosa Krausz (2007), que 14 Pró-reitoria de EaD e CCDD considera que o sucesso e os resultados alcançados por uma equipe dependem fundamentalmente do estilo de liderança empregado. Tendo esse aspecto em mente, é possível perceber que o melhor estilo é aquele que se adapta ao cenário, à demanda atual e às pessoas envolvidas. Para que isso se dê, o líder necessita essencialmente ampliar o seu autoconhecimento e o seu nível de maturidade, a fim de lidar com as diversidades e adversidades existentes no exercício da sua gestão. A metodologia do coaching tem isso como principal objetivo! Tema 5: Cultura de responsabilidade social e o papel do líder Aos gestores que estejam interessados em agir de uma forma sustentável, lançamos um convite urgente a renovar o diálogo sobre a maneira como estamos construindo o mundo. Nós, como autoras destes temas, vemos a importância de que os futuros gestores entendam e se apropriem dos pensamentos e tendências abordados aqui. Sem dúvida, as decisões tomadas pelos líderes dentro das empresas têm também consequências no que diz respeito ao cuidado com o meio ambiente, decorrentesdas experiências, capacidades e iniciativas que possam ser tomadas. O primeiro passo é levar em conta o posicionamento da empresa, o modo como ela opera, a natureza do seu negócio e como a sustentabilidade se aplica nesse contexto. Alcançar metas de desempenho que incluam o desenvolvimento sustentável traz inúmeras vantagens para a organização. Sem dúvida nenhuma, a mais importante vigia e guardiã dos valores organizacionais e da mobilização da empresa é a sua liderança. As organizações de hoje entendem que uma atuação efetivamente sustentável passa pelo exemplo dos líderes. Portanto, como gestor, você deve entender a necessidade de que os empregados sejam inspirados pela sua liderança a compartilhar o valor da sustentabilidade de forma genuína, para que eles se sintam verdadeiramente integrantes da empresa. 15 Pró-reitoria de EaD e CCDD Trabalhar com uma estratégia clara e consistente de políticas e modelos de liderança, que atendam às expectativas das práticas empresariais que valorizam os conceitos de sustentabilidade e inovação, são mais do que ações isoladas, e isso leva a liderança a se ocupar de como a sustentabilidade é tratada nas reuniões da empresa; como são orientadas as decisões de investimento e a alocação de custos e recursos, e como se direciona a priorização de projetos. Não se trata apenas do discurso da liderança sobre a sustentabilidade, mas sim da ação, que deve ser tomada como parâmetro de decisão. É papel da liderança garantir que os processos organizacionais (produção, marketing, vendas, relacionamento com o cliente), tomem a sustentabilidade como orientação. Então, surgem questionamentos próprios do processo: Os fornecedores trabalham com parâmetros de sustentabilidade? O processo seguido na cadeia de valor obedece aos princípios da sustentabilidade? Como são orientados os processos produtivos, por exemplo: aproveitamento de resíduos, utilização da água e energia, reciclagem? Como se dá a relação com os clientes? Como disse João Carlos Brega CEO da Whirlpool, “Para criar um ambiente que estimule o colaborador a pensar e agir de maneira sustentável é preciso incentivar o desenvolvimento de valores, conhecimentos e atitudes em todas as áreas, em favor da criação de uma cultura de sustentabilidade” (Revista Ideia Sustentável, 2014, p. 30). Para tornar o tema intrínseco à cultura da organização, é preciso inseri-lo na missão e visão, com metas mensuráveis em todos os níveis e foco no engajamento e no comprometimento. Antes de qualquer outra coisa, a alta liderança deve entender que dar retorno diferenciado ao acionista só é possível se a empresa for sustentável, pois os consumidores estão cada vez mais conscientes. Assim, também, os colaboradores expressarão alto orgulho em trabalhar e pertencer à empresa. 16 Pró-reitoria de EaD e CCDD As atividades da gestão responsável podem variar de uma organização para outra, porém a sustentabilidade pede capacidades diferentes, como entender o que a tarefa do líder significa no nível sistêmico e na geração de impactos, o que implica que ele deva estar aberto a pensar de maneira ética. Precisamos entender que ser um líder responsável é também ser um líder que compreende e internaliza o significado de uma gestão sustentável. Estamos presenciando a transição de uma conduta calcada em métodos tradicionais para o exercício de uma liderança mais responsável, em que se destacam habilidades essenciais para que um gestor possa atuar com os valores da sustentabilidade numa organização. Trocando Ideias Refletir sobre estes temas torna-se necessário. É através de questionamentos que se descobrem novos caminhos. Leia com atenção as seguintes afirmações e reflita. 1) Sustentabilidade é o único caminho para a prosperidade. 2) Novo mundo, novas regras de sustentabilidade. 3) Sustentabilidade, responsabilidade e ética, compromisso da liderança hoje. 4) O coaching como mudança de modelo mental favorece a criação de uma cultura sustentável na organização. Na Prática Leitura do caso A Volvo passou, por exemplo, a aproveitar o calor gerado pelas máquinas de usinagem de motores para esquentar a água dos chuveiros no vestiário dos funcionários, antes aquecidas a gás. Além disso, identificou que, em algumas fases da fabricação, mesmo quando não havia veículos passando pela linha de montagem, as máquinas ficavam ligadas o tempo todo, pois demoravam a voltar ao funcionamento se desligadas. Assim, em junho de 2013, a empresa implantou uma inovação que ativa o maquinário, reduzindo o consumo de energia. A organização reduziu 65% da energia necessária para fabricar um veículo e 50% 17 Pró-reitoria de EaD e CCDD de suas emissões de gases de efeito estufa, devido a iniciativas simples. (Revista Ideia Sustentável, 2015, p. 33) Responda, com base no texto, as seguintes perguntas: 1. Em sua opinião, as pequenas modificações para a eficiência energética nas linhas de produção podem gerar resultados positivos, dentro de um processo de sustentabilidade adotado pelas empresas? Cite três resultados que lhe pareçam importantes. 2. Coloque-se dentro do processo acima citado e analise: Qual foi o papel dos líderes neste processo? Hoje é um desafio ou uma obrigação para as empresas, adotar e implantar estas novas formas de administrar? Há necessidade de um engajamento dos líderes, assim como de investir no desenvolvimento eficaz dos mesmos? O acompanhamento destes processos fornece ao líder informações para elevar os impactos positivos e reduzir os negativos? Síntese Você percebeu que os temas tratados nesta aula estão relacionados ao contexto atual das grandes demandas em relação aos profissionais e às organizações? Essas demandas se estabelecem em função das competências necessárias ao líder enquanto gestor de pessoas e não somente de processos, e também das organizações presentes que realmente investem no seu “capital humano”, para que as pessoas se sintam satisfeitas com a sua atuação e, ao mesmo tempo, para alcançar resultados de forma sustentáveis. Quando falamos de liderança, tratamos dos seus diferentes estilos. Os estilos definirão a atuação do líder e os resultados que se sustentarão a partir da sua gestão. 18 Pró-reitoria de EaD e CCDD Percebemos, neste estudo, que o processo de gestão da equipe tem sido uma prática muito valorizada, pois, cada vez mais, a competitividade do mercado tem exigido melhores resultados, e que boa parte do sucesso dessa técnica é garantida pela inovação. Refletimos, também, que a valorização das pessoas nas organizações é um aspecto fundamental, mas para que ela ocorra são necessários líderes que saibam priorizar a manutenção, o desenvolvimento e o reconhecimento de suas equipes e gerir de forma satisfatória os colaboradores da empresa. Entendemos que o contexto organizacional se desenvolve por meio das decisões e ações tomadas pelos líderes. Essas decisões, para serem bem- sucedidas, dependem da real percepção que o líder tenha das demandas existentes. Além da percepção, é necessário também analisar o processo e buscar alternativas eficazes de ação para a implementação. Conforme já estudamos, a metodologia do coaching tornará mais fácil que o líder utilize esse aprendizado para lidar melhor com as diversidades e adversidades existentes nas equipes. Para finalizarmos esta reflexão tão atual, resgatamos a importância de entender que, na qualidade de gestor, a responsabilidade pelos resultados cabe a você! Ela estáem relação direta com a sua exemplaridade. Você, gestor, é o grande inspirador das pessoas! Portanto, quando se almeja a sustentabilidade, deve-se inspirar uma visão sistêmica e compartilhar os valores que gerarão comprometimento em cada ação executada. Cada vez mais, ampliar a visão de mundo dos envolvidos na sua gestão e estabelecer estratégias que contribuam para a organização, as pessoas e o mundo em que estamos inseridos. 19 Pró-reitoria de EaD e CCDD Referências ACERVOSABER. 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Rio de Janeiro: Qualitymark, 2006. WOLK, L. Coaching: a arte de soprar brasas. Tradução de Maya Reyes. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2008. Pró-reitoria de EaD e CCDD 1 Liderança e Coaching Aula 4 Profa. Elizabeth Nery Sinnott Profa. María del Carmen Hernández Gonçalves Pró-reitoria de EaD e CCDD 2 Conversa Inicial A negociação, no processo decisório das organizações, é uma ação na qual intervêm pessoas ou instituições que possuem interesses diferentes, com o objetivo de chegar a um acordo amigável. Nesta aula, os temas abordados explorarão conceitos que facilitarão uma compreensão mais específica dessa questão, para que você entenda que negociar é um processo interativo de discussão que tem por objetivo influenciar os comportamentos de outras pessoas, para atingir acordos mutuamente satisfatórios e construir relações a longo prazo. Você, como gestor, deve ver com clareza que sem comunicação, não existe negociação. A comunicação desempenha um papel fundamental no funcionamento da empresa. O sucesso ou fracasso desta dependem de a comunicação ser empregada como ferramenta estratégica para a gestão. Na medida em que o processo se pratique dentro de um marco de comunicação ética e dos princípios da relação ganha-ganha, podem-se obter benefícios, tanto nos resultados, como no estabelecimento satisfatório de relações pessoais e profissionais. Em nossa época, um dos grandes desafios a enfrentar é a resolução de conflitos de modo pacífico. As empresas sentem necessidade cada vez maior de contar com técnicas, ferramentas e procedimentos eficazes, como o coaching, para atender à crescente diversidade de pessoas com diferentes interesses, desejos e necessidades, as quais geram, em algum momento, situações de divergência. O coaching gerencial — dentro de um contexto de liderança estratégica transformadora — amplia as competências do líder gerente, executivo ou diretivo, para que este possa enfrentar estrategicamente a liderança de pessoas, grupos e organizações, com o objetivo de melhorar radicalmente os níveis de desempenho e satisfação. As empresas veem hoje o coaching como uma ferramenta que ajuda nos processos de tomada de decisão. É um processo contínuo e complexo, em Pró-reitoria de EaD e CCDD 3 que interagem diferentes fatores, não só de tipo cognitivo, mas também emocional e social. O processo de coaching ajuda o líder a desenvolver-se pessoal e profissionalmente através da comunicação e faz com que sua influência positiva sobre a gestão de pessoas seja mais adequada e efetiva. Definitivamente, o coaching possibilita entender os processos com maior clareza e objetividade. Você deve ter percebido que, à medida que vamos avançando, os temas adquirem certa complexidade. Como gestor, é necessário que você os entenda e compreenda que a implantação desse processo como ferramentagerencial poderá contribuir para a criação de uma cultura de melhoria contínua, que mantenha a organização competitiva, com líderes e funcionários comprometidos. Cabe a você, como gestor consciente, ler, entender, refletir e preparar- se para um cenário em que a dinâmica de mudança se converte na palavra- chave diária, a fim de enfrentar os desafios que o mercado impõe. Contextualizando Os temas que serão tratados nesta aula enriquecerão, uma vez mais, seu conhecimento sobre os diferentes aspectos que você, enquanto gestor, deve dominar. É importante entender que uma organização representa um sistema que tem na cooperação entre as pessoas um fator primordial para sua existência. A empresa também funciona unicamente quando as pessoas trabalham para atingir um objetivo comum, mediante a ação de um líder que está à frente dos processos, facilitando as mudanças e fomentando o compromisso entre seus liderados. O coaching é uma forma de concentrar-se nessa ação e obter um melhor rendimento das pessoas, levando em conta o seu potencial. Não se trata simplesmente de uma ferramenta de gestão: é principalmente uma Pró-reitoria de EaD e CCDD 4 filosofia e um estilo de vida. Quanto antes você o integrar à sua vida, mais cedo se abrirá a imensa possibilidade de construir uma empresa mais competitiva, rentável, bem-sucedida e atraente, já que a inovação dos processos industriais traz para a organização maior visibilidade no mercado. As organizações, o coaching, a comunicação, a tomada de decisões e a gestão de pessoas, convertem-se em ações que tornam a empresa mais flexível, com trabalhadores que tomam decisões por si próprios, sempre orientadas aos resultados e aos clientes. Uma empresa capaz de reconhecer que a implantação de uma economia de serviços, em harmonia com a criatividade e o conhecimento, trabalha para que a organização explore ao máximo sua energia e capacidade inovadora, adaptando-se às condições enfrentadas, para assim caminhar com sucesso rumo ao futuro. Problematizando Existem, em termos de negociação, duas formas de se chegar a um acordo, ou seja, uma decisão. Uma é a barganha de propostas. Outra é a solução de problemas. A característica básica da barganha de propostas é que cada uma das partes defende a sua proposta sem se preocupar em entender ou aprofundar o entendimento daquilo que está sendo negociado. Já na solução de problemas, os negociadores seguem as etapas do processo decisório e de solução de problemas. Procuram primeiro compreender a situação para só então buscar soluções. A maneira como se decide, barganha de propostas ou solução de problemas, leva a três tipos de desfechos nas negociações. Primeiro, o acordo satisfaz aos interesses de ambos os negociadores. Segundo, o acordo satisfaz aos interesses de um deles em prejuízo do outro. Terceiro, a decisão é contrária aos interesses dos dois lados, ou seja, ambos saem perdendo. Quem negocia em termos de solução de problemas está buscando o primeiro dos desfechos. Sua postura é: “um acordo só é efetivamente bom quando os interesses de ambos os lados são atendidos”. Neste caso, existe um processo de tomada de decisão compartilhada. Quem negocia em termos de barganha de propostas, adota a seguinte postura: “cada um que defenda os seus interesses, não importando se em detrimento dos interesses da outra parte”. (Adaptado de Wanderlei, 2016) Em sua opinião, que título seria apropriado para o texto acima?: Pró-reitoria de EaD e CCDD 5 A. Problemas sem solução. B. Barganhar é preciso. C. Negociações infrutíferas. D. Decisões por interesse. E. Formas de negociar conflitos. Comentário A. Errado. O texto apresenta propostas de solução. B. Errado. Embora a barganha possa fazer parte de uma negociação, esse não é o foco principal do texto. C. Errado. O texto versa sobre formas de se chegar a soluções frutíferas. D. Errado. Embora os interesses façam parte das decisões, o texto é mais amplo, apresentando diversas formas de resolver conflitos. E. Certo. O texto apresenta formas de negociar os conflitos. Pesquise Um bom gestor deve, indiscutivelmente, conhecer os conceitos, tendências e formas de negociar, para poder tomar decisões objetivas e que tragam vantagens à organização na sua área de negócios. Nesta aula, você não só aprenderá novos conceitos, mas também terá que estabelecer uma relação entre os temas já estudados, para que assim sua aprendizagem seja mais completa. Consequentemente, você entenderá a importância de ter uma visão sistêmica, que lhe permitirá fazer leituras mais objetivas e tomar decisões mais reais e completas. Para resolver as seguintes questões é importante que você tenha lido os temas tratados em outras rotas, assim como outras fontes de informação que lhe deem subsídios para entender claramente o papel do coaching como fator relevante nos processos de negociação e resolução de conflitos nas organizações. O Coaching é uma ferramenta poderosa: Pró-reitoria de EaD e CCDD 6 No manejo de conflitos; Nos processos de negociação da organização, Na geração de soluções. Tema 1: Negociação e liderança A negociação está sempre presente em nossas vidas. Lembre-se: quando criança, você negociava a troca de figurinhas, carrinhos, bonecas. Na adolescência, talvez tenha negociado determinado preço para lavar o carro do vizinho. E na juventude, você negociou consigo mesmo: namorar, viajar, estudar uma profissão. A todo momento, você negocia com colegas de trabalho, família, amigos, clientes e fornecedores. Iniciar a aula com esse tema supõe que você, gestor, entende o que significa liderança e como um bom líder necessita ser um bom negociador. Quando falamos de líderes, não estamos nos referindo simplesmente àqueles indivíduos que exercem funções gerenciais ou detêm algum poder formal nas estruturas organizacionais. Referimo-nos a todos os que estão no comando de equipes, os que tomam decisões e precisam obter resultados com e por intermédio de outras pessoas, independentemente da posição, cargo ou contexto em que estejam atuando. Saber negociar é uma grande competência da liderança. Não pode faltar aos líderes esse importante atributo. Usar habilidades pessoais, aliadas às boas técnicas de negociação, mostra que os verdadeiros líderes são capazes de se transformar em “incentivadores de resultados”, tão necessários nestes tempos de mudanças. O ato de negociação, segundo Martinelli (2011), pode ser entendido como um processo que pode impactar de forma vasta as relações interpessoais, trazendo, ao mesmo tempo, benefícios contínuos para todos os envolvidos. Podemos encontrar outros conceitos de negociação, como o proposto por Lacombe (2004), que a define como o uso de condições, habilidades de Pró-reitoria de EaD e CCDD 7 comunicação e permutas para conseguir gerir conflitos existentes e, com isso, conquistar resultados consideráveis para as partes que esperam chegar a um acordo. Com base no exposto, pode-se ver que o líder necessita compreender profundamente certas técnicas destinadas a facilitar a conquista dos resultados, e também estabelecer um senso de cooperação na sua equipe. Hoje, é vantagem competitiva para o líder, como gestor de equipes vencedoras, ter a capacidade de negociar. Isso equivale a descobrir o que é necessário para que o equilíbrio dos processos responda de “forma certa” às tendências e necessidades das organizações. Deve ficar claro para o líder que negociar não é colocar tudo em discussão. Não implica, também, que os argumentosapresentados pela maioria prevaleçam, nem que a autoridade do gestor fique pressa ao consenso. Nesse caso, você estará se perguntando o que é negociar? A resposta que se apresenta é que é necessário estabelecer com clareza quais as regras que regerão as relações do grupo. É também que é preciso deixar claro quais os princípios e valores que permeiam as relações, para que elas fluam de maneira livre, intervindo positivamente na construção dos processos da empresa. Negociar é determinar o peso de cada conceito e princípio de valor, ou seja, o líder não negocia sua posição, ele a destaca na equipe. A equipe se desenvolve a partir dele. Assim se inicia a negociação. Equipes bem lideradas levam a sério seus compromissos, porque estão sendo lideradas com padrões de relacionamento bem definidos. Quando as regras estão bem definidas, a negociação se converte na capacidade de perceber-se no outro e buscar, de forma coletiva, caminhos que tragam benefícios para todos. O líder que sabe negociar entende as fases pelas quais deve transitar a negociação, que vão desde a definição de princípios, conceitos e valores, passando pela aceitação harmoniosa do grupo e desenvolvendo-se no campo dos sentimentos de filiação, adesão e cooperação. Pró-reitoria de EaD e CCDD 8 Nos processos de negociação, ressaltam-se dois tipos de habilidades: técnicas e interpessoais. As primeiras estão relacionadas ao conhecimento de métodos, processos, “macetes” para negociação (p.e., etapas para a condução da negociação); a outra diz respeito ao conhecimento interpessoal dos negociadores (qual o estilo de cada um, quais suas forças, fraquezas, necessidades, motivações etc.). Inegavelmente, a habilidade técnica tem merecido mais atenção que a interpessoal. Uma terceira habilidade — o conhecimento do negócio — é extremamente específica de cada negociação. Trata-se do conhecimento mínimo do assunto que é objeto da negociação, fundamental até mesmo para se saber se a negociação foi boa ou não. Abordaremos, a seguir, o item das habilidades interpessoais. Pensamos que esta seja, provavelmente, a dimensão mais frequentemente esquecida nesse processo. Os líderes negociadores poderiam ser agrupados em quatro estilos. Quadro 1: Estilos de líder CATALISADOR APOIADOR CONTROLADOR ANALÍTICO Estilo controlador O controlador é aquele que toma decisões rápidas, está sempre preocupado com o uso do seu tempo, com a redução de custos; nas discussões, não faz rodeios: vai direto ao assunto. É organizado, conciso, objetivo; sua meta básica é conseguir resultados. Estilo analítico O analítico é aquele que gosta de fazer perguntas, obter o máximo de informações, coletar todos os dados disponíveis, sempre se preocupando em saber todos os detalhes de cada empreendimento antes de iniciar qualquer tarefa ou tomar qualquer decisão. Pró-reitoria de EaD e CCDD 9 Apoiador O apoiador é orientado para o relacionamento. Não é preconceituoso. Quando participa de uma negociação sua voz é suave, sempre busca a associação de ideias. Sua postura é de afabilidade o que aumenta a possibilidade de uma boa negociação. Estilo catalizador O negociador deste estilo é extremamente criativo, sempre com novas ideias, entusiasta de grandes empreendimentos, inovador. É o homem das coisas novas, dos grandes projetos e decisões. Às vezes, é visto como superficial, irreal, estratosférico, em suas decisões e ações. Orientado para ideias, tem necessidade de reconhecimento de sua competência pelos outros e, quanto à confiança, demonstra mais sinceridade e menos credibilidade. Você se perguntará: qual o melhor estilo? Todos eles são bons. O importante é conhecer o nosso estilo e buscar identificar também o estilo da pessoa com quem estamos negociando ou nos comunicando. Uma das chaves para o êxito no processo de negociação/comunicação é saber apresentar as nossas ideias de uma forma que cause mais impacto ao outro negociador. Podemos concluir dizendo que o líder de hoje precisa desenvolver as questões colocadas anteriormente. Líderes de sucesso constroem negociações de sucesso porque reconhecem que a flexibilidade e a confiança são caminhos que facilitam os processos de negociação. Considerar as necessidades alheias tão importantes quanto as nossas, bem como ter predisposição para mudanças, inovações e negociações, são também atitudes fundamentais para o processo de negociação, na medida em que tendem a fazer com que a outra parte se predisponha a dialogar conosco. Pró-reitoria de EaD e CCDD 10 Tema 2: A comunicação no processo de negociação entre líder e liderados Começaremos, agora, a trabalhar aspectos relacionados à importância da comunicação para a liderança e à sua repercussão no processo de negociação. O que pensamos quando falamos de líder? Já trabalhamos sobre muitos aspectos relacionados ao perfil, postura, competências necessárias para essa função etc. Entretanto, percebemos que a liderança só terá resultados favoráveis quando a comunicação for clara, assertiva e integradora, pois os grandes problemas das organizações são consequências das falhas no processo de comunicação. O líder está em contato frequente com os demais envolvidos na gestão, por isso necessita fazer com que a comunicação gere resultados desejáveis. Muitas vezes, o motivo para que os contatos ocorram é decidir, negociar, entender, conhecer as dinâmicas existentes na organização e entre as pessoas. Alguns autores reconheceram que, para se obter uma comunicação eficaz, é necessário o processo de autodesenvolvimento e autoconhecimento. Talvez seja por essa razão que a área de gestão de pessoas investe o capital humano das empresas em programas comportamentais destinados a elevar a satisfação dos seus colaboradores e aprimorar os potenciais de seus líderes. Quando discutimos o emprego de metodologias de desenvolvimento, devemos indagar que oportunidades de desenvolvimento a empresa oferece aos seus líderes; por exemplo: se ela inclui e enfatiza o aperfeiçoamento da comunicação. A comunicação tem como objetivo fazer com que as pessoas se mantenham informadas sobre os processos da organização, e também incentiva que o colaborador seja mais participativo e motivado. Além disso, as pessoas que atuam nas empresas decidem e negociam, por meio da comunicação, diferentes aspectos do cenário existente. Essas mesmas Pró-reitoria de EaD e CCDD 11 pessoas tomam decisões e negociam conforme a sua visão de mundo, suas experiências, ou seja, tomam como referência o seu próprio modelo mental, incluindo seu conhecimento, seus valores e crenças. Sabemos que existe uma demanda no mercado em relação a certos perfis profissionais, nos dias de hoje. Atualmente, as competências comportamentais são mais esperadas do que, propriamente, as habilidades técnicas ou mesmo as decorrentes da formação profissional. A expectativa das empresas está ligada à proatividade, à participação na gestão, à flexibilidade, ao trabalho em equipe, à facilidade nas relações interpessoais, à ética, à capacidade de tomada de decisão, à visão ampla e sistêmica, à negociação, e também à habilidade de direcionar o foco a diferentes oportunidades, não somente à solução de problemas. Principalmente, à capacidade de se comunicar! Os conflitos existem nas organizações tanto quanto na vida pessoal! Quando se fala em conflitos, é possível perceber que o papel do líder, nesse contexto, é exatamente o de administrá-los para que as pessoas envolvidas possam elevar seu nível de maturidade e saber, cada vez mais,enfrentar adversidades. O líder necessita ter atitude para lidar com os eventos que se apresentam no cotidiano de uma empresa. Isso requer maturidade e autoconhecimento elevado. Pontuada pelo importante aspecto da comunicação, tanto no exercício da liderança quanto durante os processos de negociação, a atuação do gestor em todos os âmbitos da empresa, uma vez que ele se comunica com todos os envolvidos, requer a percepção de que os canais por onde passam as informações precisam ter clareza, assertividade, objetividade e empatia, para fazer com que as pessoas compreendam a mensagem da melhor forma. Comunicar é empenhar-se para obter a dedicação de cada pessoa, de forma que ela esteja comprometida com o resultado almejado e com os interesses da organização. Comunicar é fazer com que os profissionais sintam-se envolvidos com os objetivos estabelecidos e saibam inequivocamente qual o seu significado no processo de alcançá-los. Pró-reitoria de EaD e CCDD 12 (...) diante do impacto das mudanças nas relações/colaboradores, a comunicação precisa ser repensada, definindo-se com clareza e objetividade seu papel dentro dos demais processos transformadores das organizações, onde os comunicadores (líderes/gestores), para serem bem-sucedidos, devem conhecer com maior profundidade o público interno para qual dirigem suas mensagens de maneira clara, objetiva e assertiva, a fim de alcançarem seus objetivos. (Portal do RH, 2016) Em decorrência das inúmeras mudanças ocorridas no setor, as situações tornaram-se mais complexas, e as decisões, consequentemente, mais difíceis de serem abordadas. Com isso, exige-se da atuação do líder uma maior assertividade nas decisões tomadas, e para conquistá-la ele requer um nível de maturidade elevado, excelente comunicabilidade com os envolvidos, bom relacionamento interpessoal, visão sistêmica do contexto em que está inserido e, por fim, ao relacionar-se com os seus liderados, capacidade de inspirar grandes mudanças e aptidão para os desafios subsequentes. Cada líder age de acordo com a sua personalidade, de acordo com o seu perfil psicológico dentro da organização onde está inserido. As ações destes gestores são fortemente determinadas por esses fatores. São ações importantes como tomada de decisão, comunicação e relacionamento interpessoal no trabalho, relacionamento com stakeholders, entre outras. Certamente que são esperados determinados perfis de certos tipos de gestores, que fazem parte das mais diversas tipologias de organizações, com suas relevantes e interessantes culturas organizacionais. (Lima, 2012, p. 26) Diante das várias reflexões existentes sobre o tema, vale lembrar que o gestor, o líder, necessita fazer uma avaliação crítica frequente da organização em que está inserido, e também da sua equipe. Cabe a ele identificar como está a sua atuação enquanto gestor, percebendo os aspectos positivos e as oportunidades de desenvolvimento. Para que tudo isso? Para que ele possa sempre se autodesenvolver e buscar a evolução da empresa. A liderança deve utilizar-se de habilidades e instrumentos importantes para que esse processo ocorra de forma efetiva, como a comunicação assertiva, a negociação, o relacionamento interpessoal e, principalmente, a ética. Pró-reitoria de EaD e CCDD 13 Tema 3: O coaching e a influência positiva na gestão de pessoas Já entendemos que fazer a gestão de pessoas, gerir equipes é um grande desafio para os gestores, no cenário atual. Isso se dá por inúmeras razões, entre elas a grande competitividade, o mercado em ebulição devido à grande concorrência e a necessidade estratégica de manter os talentos na organização. Quando nos referimos ao gestor de pessoas, sabemos da importância desse posto, e como ele exige, cada vez mais, desenvolver e potencializar as competências e habilidades na sua atuação. A expressão gestão de pessoas remete-nos aos processos de liderança que vimos nos textos anteriores. Já sabemos, portanto, o quanto as organizações estão investindo nessa prática. Vamos começar falando sobre a liderança, sobre a gestão de pessoas. O que os líderes eficazes fazem, nesse sentido, para se diferenciarem dos demais? O líder, esse profissional que conduz, desenvolve e também tem a responsabilidade de motivar as pessoas, requer de si próprio uma evolução permanente de suas habilidades e competências, para estar cada vez mais preparado para lidar com as suas necessidades, as dos outros, e com as adversidades existentes. Uma prova da importância de investir no capital humano é a pesquisa realizada pela Universidade de Harvard sobre as principais ‘Ameaças às Vantagens Competitivas’, que aponta que, para superar empresas que ocupam o primeiro lugar em seu segmento, e tem [sic] como base o desenvolvimento de pessoas, é necessário pelo menos sete anos de tentativas, por parte das concorrentes, ao contrário das organizações que elegem como elementos de competição — preço, produto ou propaganda e publicidade, que segundo a pesquisa, levam menos de um ano para serem superadas. (Marques, 2016a) Quando falamos de capital humano, sabemos que a liderança é a principal responsável por manter os talentos — ou seja, as pessoas — nas Pró-reitoria de EaD e CCDD 14 empresas. Pensando nisso, começamos a questionar qual o perfil desse líder? O que ele precisa desenvolver em si próprio para melhor desenvolver as pessoas? Por que determinadas pessoas atingem o sucesso, atuando sempre em liderança, em todas as empresas por que passam? Muitos autores relatam que os líderes eficazes concentram-se na sua ação e desenvolvem-se continuamente. Podemos falar de algumas questões que impactam positivamente o desempenho do líder. Uma condição importante é ter estabelecido a sua missão de vida, ou seja, saber a que veio a este mundo. Em outras palavras, ter um autoconhecimento elevado! Saber qual legado deseja deixar para as pessoas? O líder precisa ter definido quais são os seus valores fundamentais. Ter caráter! Ser ético! É possível, também, perceber a importância das competências pessoais. Quais delas podem facilitar sua relação com a equipe, tanto no que diz respeito à capacidade de comunicação quanto ao seu autodesenvolvimento. Os líderes dotados de tais competências são humildes, têm autoconfiança, atraem, são exemplares: inspiram e desenvolvem as pessoas. Formam os seus sucessores! Estabelecem a direção a seguir, com foco no desenvolvimento e nos resultados! O líder eficaz exerce uma grande influência na organização, pois define que direção tomar, traz maior clareza quanto aos objetivos e como alcançá-los, vê oportunidades no caos, pois tem sua atenção voltada para o futuro. Por outro lado, ele tem de estar alinhado às condições sociais do presente, conciliando os valores organizacionais com a preservação do ambiente, as ações de responsabilidade social e de sustentabilidade. Quando refletimos sobre a liderança eficaz, percebemos que aquele que a exerce adota uma prática voltada ao alcance de resultados cada vez maiores. Desenvolve a capacidade de inovação para obter vantagens competitivas e crescimento organizacional. A área de gestão de pessoas tem investido muito em métodos não tradicionais de treinamento e desenvolvimento. Quanto a esse aspecto, os setores responsáveis por investir em capital humano nas empresas já Pró-reitoria de EaD e CCDD 15 constataram que a metodologia do coaching tem trazido resultados muito significativos na evolução humana. O coaching vem sendo considerado um processo capaz de elevar o autoconhecimento e a autoestima, facilitandoinclusive a atuação do gestor, pois o líder se permite não apenas o próprio crescimento como também facilita o da sua equipe, alinhado a cultura da organização com a prática dos colaboradores. Além disso, o coaching tem potencializado as capacidades das pessoas que passam por esse processo, pois elas aprendem a lidar melhor com os conflitos existentes e desenvolvem maior assertividade, o que facilita as relações interpessoais e, como consequência, a empresa passa a ter ganhos estratégicos a partir dos resultados eficazes assim conquistados. Com isso, sabemos que o líder que imprime marcas positivas nas organizações é aquele que estabelece uma relação de confiança, que eleva a maturidade dos seus liderados; delega-lhes funções, assim dividindo com eles seu poder e suas responsabilidades; é bom ouvinte, o que o torna realmente capacitado a conhecer sua equipe e as necessidades que ela apresenta; faz com que as pessoas se comprometam com a visão e a missão da empresa; comemora as conquistas. Sobretudo, as competências comportamentais vêm se destacando cada vez mais, pois o líder eficaz, além de dominar o processo estratégico da empresa, ser inovador, entender profundamente os processos organizacionais, elevar a produtividade, tomar excelentes decisões e outras ações, necessita também formar as pessoas, desenvolvê-las, e isso requer autoconhecimento elevado, resiliência frente às adversidades, habilidade para mobilizar as pessoas a alcançar resultados e inspirar seus liderados e a organização como um todo. Portanto, com bases nessa reflexão, reconhecemos que o papel do líder na organização é fundamental, pois é ele quem faz com que as pessoas alcancem os resultados propostos com excelência. A área de gestão de pessoas tem percebido fortemente essas mudanças e vem investindo em Pró-reitoria de EaD e CCDD 16 metodologias inovadoras e estruturadas, como o coaching, para que o desempenho dos seus colaboradores tenha um valor cada vez maior. Figura 1: O que fazem os líderes eficazes Fonte: Portal Leadership (2016). Tema 4: Tomada de decisões mediante a orientação do coaching Como disse Peter Drucker (1978): “Coaching é tornar produtivas as forças do indivíduo”. Sabemos que tomar decisões não é uma tarefa fácil! As empresas e as pessoas apresentam dificuldades em efetuar suas escolhas. Muitas vezes, as empresas e profissionais que gerem as pessoas não dão a autonomia necessária para que fluam as decisões e responsabilidades. Isso tudo pode resultar em acúmulo de tarefas para os gestores, centralizando assim o controle e impedindo que eles adotem uma posição mais estratégica de ação. Comecemos refletindo sobre algumas condições que impedem a tomada de decisão. Necessitamos tomar decisões a todo momento: caso ou compro uma bicicleta? Vou viajar neste final de semana, ou não? Pró-reitoria de EaD e CCDD 17 Decisões são fundamentais para se chegar a um resultado de sucesso. Afinal, são inúmeras as situações que exigem que tomemos uma decisão! Tais situações requerem de nós uma visão crítica acerca de tudo o que ocorre à nossa volta. Observamos com muita frequência que pessoas inseguras têm dificuldades de decidir algo, até mesmo que prato pedir num restaurante! Isso está muito ligado ao baixo autoconhecimento. Tais pessoas não têm clareza do que querem, do que gostam, para onde pretendem ir, o que não desejam para a sua vida etc. Podemos dizer, então, que o autoconhecimento é fundamental para que se tomem decisões efetivas. Quando temos clareza do que desejamos e aonde queremos chegar, nossa decisão passa a ser mais assertiva. O importante é ter foco! Muitos profissionais preferem não decidir sozinhos, o que poderia caracterizar falta de autoconfiança. Outros, ao contrário, têm a grande necessidade de centrar a decisão na sua pessoa, alheios às ideias que outros lhes tenham oferecido. Quando falamos, acima, sobre a autoconfiança, afirmamos que toda decisão resulta de modelos mentais; portanto, dependem de como as pessoas lidam com as suas competências comportamentais. Sabendo disso, podemos formular questões fundamentais sobre em que medida o processo de coaching pode ser um grande facilitador na tomada de decisões. Se considerarmos que o coaching possibilita ampliar a visão de mundo, ampliar o modelo mental, podemos dizer que essa metodologia conscientiza, faz com que a pessoa identifique as suas competências comportamentais e técnicas e, a partir disso, trace seu desenvolvimento pessoal e profissional. O coaching aprimora uma visão estratégica! A metodologia de coaching faz com que a pessoa estabeleça objetivos, metas bem claras de acordo com o seu processo de conscientização em relação a si própria e ao meio que está inserida. À medida que começa a desenvolver a sua consciência, ela modifica suas reações, seus Pró-reitoria de EaD e CCDD 18 comportamentos diante da vida. Consegue perceber melhor suas potencialidades e suas limitações e, com isso, o processo de tomada de decisão é mais coerente com a sua existência e muito mais efetivo, trazendo melhores resultados. Se o coaching estabelece objetivos, através de encontros estruturados e focados nas metas a atingir, ele possibilita desenvolver habilidades, competências, autoconfiança, autoconhecimento e outros aspectos, fazendo com que o coachee tenha maior capacidade de engajar outras pessoas nas decisões que se apresentam, e também de desenvolvê-las, de motivá-las, de promover sua confiança, aprimorando cada vez mais as relações interpessoais e obtendo uma atuação mais eficaz na organização. Portanto, para que haja sucesso na tomada de decisão, é necessário que a pessoa tenha clareza das suas metas, amplie as suas potencialidades e coloque-se em ação, engajando de uma forma confiante os demais envolvidos. Figura 2: Capacidades favorecidas pelo coaching Fonte: http://www.peoplesmart.com.br Pró-reitoria de EaD e CCDD 19 Tema 5: Coaching organizacional como ferramenta da gestão empresarial Como já conversamos suficientemente sobre o conceito de coaching, vamos agora falar das funções do coaching organizacional. A metodologia do coaching tem sido muito utilizada em contextos organizacionais como um processo facilitador da aprendizagem, destinado a ampliar as habilidades e competências. As organizações têm percebido que uma metodologia que facilita o desenvolvimento do conhecimento dos seus colaboradores apresenta resultados positivos, além de incrementar os programas de treinamento e desenvolvimento aplicados pela área de gestão de pessoas. Além de ser um processo de aprendizagem, o coaching tem sido muito utilizado na formação de lideranças. O líder, afinal, também tem o papel de desenvolver as competências do seu liderado. Sabemos que o atual cenário de competitividade necessita de líderes e liderados capazes de solucionar problemas com excelência. O liderado, muitas vezes, não identifica as limitações que o impedem de ter uma atuação mais eficiente. Quando isso acontece, o coaching, utilizado pelo líder, possibilita desenvolvê-lo, identificando e trabalhando as suas necessidades e potencializando as suas qualidades. Facilitando, enfim, sua vida profissional e pessoal. Uma vez que é considerado um processo facilitador nas organizações, o coaching tem sido muito defendido, pois é considerado um modo altamente positivo de criar e desenvolver equipes de alta performance. Tendo tudo isso em conta, de forma alguma podemosconsiderar o coaching um modismo. Ele tem beneficiado efetivamente a obtenção de resultados nas empresas. Quando nos remetemos a uma das grandes preocupações do mercado atual, a de não ter verdadeiros líderes atuando nas empresas, concluímos que, se os líderes de hoje não estão formando os seus sucessores — o que é sua função primordial —, eles não estão sendo líderes de fato! Pró-reitoria de EaD e CCDD 20 Concluímos, a partir disso, que o líder necessita de um autoconhecimento em constante desenvolvimento. Seu nível de maturidade precisa ser elevado, pois ele necessita formar novos líderes, inclusive para ocupar o seu lugar. O autoconhecimento permitirá que ele lide melhor com os diferentes modelos mentais, compreendendo o funcionamento de cada liderado, e também o dos seus pares. Terá uma inteligência emocional mais desenvolvida, maior autoestima e, assim, promoverá uma relação madura e mais confiante com as pessoas. Além disso, sabemos que o coaching facilita inclusive a motivação dos colaboradores, fazendo com suas relações interpessoais sejam mais efetivas, as metas traçadas se tornem mais claras e que tenham empoderamento para tomar decisões e enfrentar novos desafios. As empresas estão muito interessadas em investir no desenvolvimento dos seus profissionais. Em fazer com que estes agreguem mais valor à sua missão por meio do conhecimento e de seu talento. Que sejam mais autônomos e que tenham mais capacidade de transformação, tanto de si próprios quanto da organização. E, claro, que tudo isso resulte no impacto de um desempenho mais efetivo. O coaching tem se apresentado como uma ferramenta que pode ser utilizada tanto na formação dos líderes, no desenvolvimento dos liderados, quanto na gestão das equipes. É um conjunto de técnicas que tem como foco o aprimoramento dos colaboradores, direcionando seus pontos fortes de forma que estes sejam mais utilizados, atenuando as fraquezas e otimizando os resultados da organização. Dessa forma, a utilização do coaching como ferramenta nas organizações atuais tem sido altamente eficaz, inclusive na execução das tarefas; ou seja, os colaboradores são mais fortalecidos quanto à sua capacidade e, com isso, melhoram a sua performance. O coaching representa um processo facilitador do aprendizado, aperfeiçoando as competências, amparando os líderes para a obtenção de uma maior sintonia e equilíbrio com sua equipe, favorecendo que essa contribuição os impulsione rumo a Pró-reitoria de EaD e CCDD 21 mudanças organizacionais, gerando benefícios também pessoais para os profissionais ali inseridos. Eu suma, isso tudo representa um benefício tanto pessoal quanto coletivo. Concluímos que o coaching gera um processo de descoberta! Ele difere das intervenções tradicionais de desenvolvimento. A eficácia de sua metodologia está ligada à possibilidade de alinhar a necessidade pessoal aos objetivos e à visão da empresa. Autores declaram que, após a implantação desse processo, os colaboradores demonstraram maior comprometimento e engajamento à obtenção dos resultados almejados, mais facilidade para lidar com as adversidades e um senso de propósito comum. Além disso, os papéis profissionais tornaram-se mais definidos após o desenvolvimento das competências. Por fim, as empresas reconheceram que o investimento nas pessoas tem dividendos bastante assertivos, em função do clima organizacional positivo resultante e da obtenção de resultados de forma cada vez mais excelente. Trocando Ideias Para fazer questionamentos é importante conhecer os temas sobre os quais vamos conversar. Um gestor deve estar atento às diferentes perguntas que possam surgir, às decisões que devem ser tomadas, as tendências do mercado, às competências dos funcionários, à resolução dos conflitos e às negociações necessárias para o bom funcionamento da organização. Leia as seguintes afirmações e reflita: 1) As organizações de hoje sofrem uma grande incapacidade para resolver problemas. 2) Muitas reuniões para resolver conflitos se transformam em campos de batalha, cujas decisões baseiam-se no poder e não na inteligência. 3) A essência do coaching é fazer perguntas que promovam a identificação de novas perspectivas e possibilidades que conduzam a empresa a encontrar novas soluções. Pró-reitoria de EaD e CCDD 22 Registre suas conclusões. Na Prática Leitura de caso Em toda parte, líderes em formação estão determinados a liderar de um jeito novo, a não repetir os erros e abusos do passado. Eles estão em todas as organizações, com a clara determinação de liderar de maneira diferente. Acreditam na criatividade e no interesse inato das pessoas e sabem que elas podem ser estimuladas a participar do que acontece na empresa. Corajosos, praticam a inovação constante — sempre que veem um problema, veem também uma possibilidade. Buscam a melhor reação e quando uma resposta não funciona, experimentam outra. Pensam naturalmente em termos de interdependência, rastreando os problemas por onde quer que seja, considerando causas múltiplas em vez de sintomas isolados. Pensam em termos de complexos sistemas globais sem deixar de trabalhar localmente. Fonte: Wheatley, 2006, p. 149-150. Depois de ler o texto como você responderia as seguintes questões: 1) O coaching organizacional é uma ferramenta que estimula a reflexão para potencializar o desempenho e o aprendizado do indivíduo? 2) O coaching é um processo que envolve comunicação? 3) A liderança coaching trabalha principalmente para romper uma cultura de vitimização por parte dos funcionários e contribui para que desenvolvam proatividade em seus pensamentos e em suas escolhas. Síntese Então, gestor: vamos recapitular o que trabalhamos nesta aula?! O que mais chamou atenção nos temas tratados? Você identificou que os aspectos trabalhados estão novamente ligados à prática do mercado atual? Pró-reitoria de EaD e CCDD 23 Vejamos! Falamos sobre o processo de negociação e a importância da comunicação para que tenhamos resultados favoráveis na atuação profissional. Também ressaltamos a grande importância da metodologia do coaching nas organizações e o quanto ela está favorecendo o desenvolvimento dos colaboradores e também facilitando as tomadas de decisão realizadas pelos líderes. Por fim, retomamos o coaching como uma ferramenta estratégica na gestão empresarial. Entendemos que é importante que o líder tenha clareza das regras, dos processos da organização, e conheça cada vez mais as particularidades da sua equipe. Isso tudo facilitará o processo de negociação do líder. Afinal de contas, você aprendeu que negociação é determinar o peso de cada conceito e princípio de valor. O próprio líder não negocia sua posição, mas sim a destaca perante a equipe. E quais são os facilitadores para que o líder tenha condições favoráveis no processo de negociação? Um dos aspectos fundamentais, como vimos, é a comunicação, pois as pessoas decidem, relacionam-se e negociam através dela. Além de outros fatores, como a importância do autodesenvolvimento e do autoconhecimento do líder para que ele tenha uma atuação de excelência em sua posição de formador de pessoas. Se considerarmos que as condições comportamentais têm favorecido a atuação do líder nas organizações, como já falamos aqui, além de aprimorar o autoconhecimento e aumentar a autoestima, a área de gestão de pessoas também identifica a importância de desenvolver os seus líderes e liderados através da metodologia inovadora e estruturada do coaching. A empresa percebe resultados positivosnesse processo de desenvolvimento, pois ele traz para o líder melhores condições para gerir a sua equipe, e também para os processos de negociação. Não se pode deixar de afirmar, também, que a organização ganha, com o investimento em capital humano, maior vantagem competitiva no atual cenário de concorrência. Pró-reitoria de EaD e CCDD 24 Referências A IMPORTÂNCIA da comunicação na negociação. 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Muitas organizações hoje enfrentam forças internas e externas que incidem sobre elas e frequentemente operam mudanças. No transcurso desta aula, você estudará temas que permitirão responder perguntas que geralmente os gestores se fazem: minha organização está utilizando adequadamente as ferramentas, técnicas e métodos necessários à gestão de pessoas? Como os talentos da empresa estão sendo aproveitados? Como posso aliar a capacidade da minha empresa com a estratégia e os objetivos da mesma? Mediante a prática da avaliação dos recursos humanos, através do uso das ferramentas e métodos apropriados, é possível conhecer os caminhos seguidos pela organização para valorizar o cumprimento das diversas funções pelas pessoas que a integram. Isso permite que o processo de coaching adapte a estrutura ao estilo de trabalho vigente, incentive as práticas para o desenvolvimento da liderança, a fim de conseguir um máximo desempenho que leve os líderes e funcionários a aplicar o manejo dos conhecimentos, das ferramentas e competências de que o negócio necessita para conservar seu lugar no mercado. Contextualizando Trataremos de temas muito atuais nesta aula, para que você obtenha um amplo conhecimento sobre eles, pois isso lhe permitirá, enquanto gestor, Pró-reitoria de EaD e CCDD 3 defender suas decisões de modo confiável, graças à sua capacidade de administrar, processar e analisar dados de maneira rápida e eficaz. Uma estratégia fundamental para a retenção de talentos reside em identificar, cativar e desenvolver os funcionários. O desenvolvimento do capital humano é um processo integral, que estimula, através das práticas do líder- coach, a aprendizagem e aquisição de conhecimentos, aas quais posteriormente estimularão, por sua vez, o desenvolvimento de lideranças, que utilizarão ferramentas e conhecimentos para reforçar as competências de outros funcionários. Administrar pessoas, portanto, é reforçar por meio do processo do coaching o know-how dos funcionários, tanto para o benefício pessoal de cada um deles, quanto para o rendimento da equipe de trabalho e para o avanço da organização e da comunidade. Tais ações trazem consigo maior produtividade e satisfação em todosos níveis. O coaching, não é simplesmente uma ferramenta de gestão, é principalmente uma prática que vem sendo adotada por organizações que querem se destacar no mercado, pois oferece grandes vantagens à organização, aos gestores e à sua vida. Problematizando A liderança é uma habilidade cada vez mais exigida nas empresas. Entretanto, ainda é pequeno o número de profissionais com esta característica bem desenvolvida. Estudos realizados nas empresas brasileiras apontam que, em nosso país, há uma cultura corporativa voltada a administrar — que é obter resultados através das pessoas (CHIAVENATO, 2005) [sic]. Com isso, a liderança que diz respeito à forma como influenciamos os outros — não é desenvolvida e aparece de forma tímida na maioria dos executivos. Percebendo que muitos profissionais com excelente potencial não desenvolvem tudo aquilo que poderiam, exatamente por falta de feedback, treinamento e mentores, surge a proposta do Coaching (CHIAVENATO, 2005) [sic]. Porque o Coaching é uma ferramenta que trabalha de forma onde o líder vai impulsionar seu talento, criar competências e mapear suas potencialidades com o apoio e a ajuda do coach. O coach vai ajudar o líder no estabelecimento de objetivos empresariais e pessoais que são necessários para o atingimento do resultado esperado. (Seminário, 2016) Pró-reitoria de EaD e CCDD 4 Em sua opinião, o título mais adequado ao texto apresentado é A. Coaching e liderança. B. Liderança e objetivos empresariais. C. Administração da liderança. D. Papel dos executivos empresariais. E. Cultura empresarial e administração. Comentário A. Certo. O texto apresenta o papel no coach no desenvolvimento do líder nas empresas. B. Errado. Embora a liderança busque alcançar os objetivos empresariais, esta não é a proposta do texto. C. Errado. O texto não aborda como administrar a liderança, mas a necessidade e importância dos líderes. D. Errado. O foco do texto está no desenvolvimento das habilidades dos líderes e não no papel dos executivos. E. Errado. O texto menciona que há uma cultura brasileira mais voltada para a administração do que para o desenvolvimento da liderança, mas a essência do texto está focada na relação liderança-coaching. Tema 1: As Ferramentas do Líder e a Gestão de Pessoas e de Empresas No desenvolvimento desta aula, trataremos principalmente das ferramentas gerenciais ou administrativas que proporcionam auxílio mediante uma série de técnicas modernas que permite aos líderes tomar decisões importantes e oportunas quando surge algum tipo de desequilíbrio nos processos produtivos, econômicos, políticos e, principalmente, sociais que constituem a natureza e a essência da empresa. Vivemos, atualmente, numa época de informação e conhecimento, em que se faz necessário apoderar-se de tendências e métodos modernos, que facilitem o funcionamento do sistema empresarial. As técnicas ou ferramentas gerenciais podem ser aplicadas desde o entorno interno da organização, como Pró-reitoria de EaD e CCDD 5 é o caso do just of time, processo muito próprio e inerente à organização, mas como também é importante conhecer e aplicar técnicas que recolham informação do exterior para o interior da empresa, constituindo assim uma série de entradas (inputs), as quais a empresa pode utilizar para sua melhoria, como é o caso do benchmarking. Ao longo do desenvolvimento deste tema, você perceberá que nos concentraremos principalmente nas ferramentas estudadas nesta aula. Partiremos do princípio de que outras ferramentas utilizadas pela organização já foram estudadas em outros temas ou aulas; portanto, iremos nos referir a elas apenas de forma resumida. Vamos, então, estudar uma série de ferramentas utilizadas pela administração para auxiliar o líder na tomada de decisões e para melhorar a qualidade de seus processos. Coaching organizacional As pessoas são a principal ferramenta do coaching gerencial. Como já vimos, entende-se por coaching o processo de ajudar as pessoas ou equipes a obter o máximo rendimento a partir de suas capacidades. Significa extrair forças dessas pessoas e ajudá-las a transcender suas barreiras e limitações pessoais, para alcançar o melhor de si mesmas e para que possam atuar da forma mais eficaz, como membros de uma equipe. Para isso, o processo de coaching enfatiza tanto a tarefa quanto as relações. O coaching, como ferramenta administrativa, exerce uma grande influência no desempenho da empresa e, por sua grande efetividade e capacidade de análise, tem grande transcendência no mundo empresarial. É uma ferramenta muito empregada nos últimos anos, já que acarreta benefícios, como: melhorar o desempenho e a produtividade; aprimorar o comportamento e a atitude em todas as áreas; incrementar a capacidade de aprendizagem; favorecer as relações entre líderes e liderados; interferir positivamente no aumento da produtividade e produzir mais ideias criativas. Feedback Pró-reitoria de EaD e CCDD 6 O termo significa “reorientação”, e refere-se a uma ação exercida pelo líder no monitoramento de seus liderados e equipes, com vistas ao melhor resultado. É considerado uma das ferramentas essenciais para as relações nas organizações. O feedback é fundamental para o desenvolvimento de equipes, sendo a principal forma de alinhar o trabalho do profissional com o que de fato a organização espera. A ferramenta é ideal para aprimorar o trabalho dos colaboradores, através da busca pelo aperfeiçoamento, pois trata-se de um importante recurso, que permite à pessoa perceber como está sua conduta profissional, em que ela está acertando e quais são os pontos que deve melhorar. Um feedback assertivo consegue munir o colaborador de informações sobre aspectos específicos que precisam ser trabalhados para que ele consiga evoluir profissionalmente e até mesmo pessoalmente. Além disso, o processo deixa bem clara a visão que a organização tem dele e quais são as principais expectativas a seu respeito. Feedforward O termo pode ser entendido como “olhar para a frente”: é buscar otimizar o processo de desenvolvimento de cada profissional e, dessa forma, monitorar o processo de consolidação do futuro desejado. Significa dar ideias e orientações para o profissional, visando o aperfeiçoamento de competências. Os pilares das ações são o presente, o futuro e a positividade, todos direcionados a maximizar potencialidades. O feedforward foca em melhorias, nas ações que ocorrem no momento presente, porém tendo em vista o futuro. A base das orientações do feedforward destina- se a auxiliar o afloramento dos potenciais e dos pontos fortes das pessoas, partindo de uma situação positiva que ainda pode melhorar. Atua em direção contrária à do feedback, que no seu modo mais usual está focado no resultado do desempenho e na sua reorientação, na ação que aconteceu. Trabalharemos mais profundamente estas duas ferramentas, feedback e feedforward, no Tema 4, Ferramentas facilitadoras de resultados. Pró-reitoria de EaD e CCDD 7 Balanced ScoreCard (BSC) É uma ferramenta de gestão que traduz a estratégia da empresa em um conjunto coerente de indicadores. Constitui a principal ferramenta metodológica para que a estratégia adotada se configure num conjunto de medidas de atuação, as quais proporcionam a estrutura necessária para um sistema de gestão e medição. Empowerment É uma ferramenta de qualidade total. Auxilia os líderes fornecendo-lhes elementos para fortalecer os processos que levam as empresas ao desenvolvimento.Benchmarking É o processo caracterizado pela avaliação dos produtos de uma determinada empresa perante os líderes do mercado em que ela atua. Vários são os aspectos analisados, tais como: retorno do investimento, indicadores de produtividade, custos, entre outros, desde que possam ser devidamente comparados. O objetivo principal do benchmarking é aproveitar técnicas, gestões, rotinas e procedimentos utilizados pela concorrência, que possam ser adaptados à empresa que o executa. Qualidade total Significa que todos estejam envolvidos na obtenção da qualidade, em todos os níveis e funções da empresa, de forma a assegurar que se satisfaçam as demandas do cliente em tudo o que é feito na organização. Ciclo PDCA O ciclo PDCA deve ser aplicado quando for necessário orientar a preparação e execução de atividades planejadas visando seu melhor desenvolvimento. As siglas PDCA referem-se às palavras, em língua inglesa, que indicam quatro passos: Pró-reitoria de EaD e CCDD 8 Plan (planejar): seleção, pela equipe, de um processo ou atividade, ou ainda um equipamento, que necessite melhoria. Do (fazer): implementação do plano definido na fase anterior. Check (verificar): avaliação e, se for o caso, reavaliação do plano. Act (agir): caso o sucesso seja alcançado, o novo processo se transforma em novo plano. Programa 5S O programa 5S é muito conhecido e aplicado por algumas empresas que se preocupam com a sua produtividade. É um programa de educação, que dá ênfase à prática imediata de hábitos saudáveis que permitam a integração de pensar, agir e sentir. As ações iniciais de quem é tocado pelo programa são de natureza mecânica: classificar, ordenar e limpar. Chegamos, assim, ao final deste tema. Esperamos que você tenha entendido que, em meio a um processo altamente dinâmico, as organizações precisam adaptar-se aos novos tempos. Saber utilizar as ferramentas apropriadas no momento certo depende da interpretação que você, como gestor, faça da realidade. As ferramentas estão a serviço do líder para que ele possa adequar-se às inovações, ao desafio de gerir pessoas, a tornar reais as práticas que podem levá-lo a perceber-se dentro de um processo de crescimento na estrutura organizacional. Tema 2: O líder coach no processo de retenção de talentos Neste momento, iremos resgatar alguns conceitos de liderança, coaching, líder coach e como a prática do gestor é facilitadora na retenção dos talentos da organização. Quando refletimos sobre a importância de investir cada vez mais na formação dos gestores, podemos entender o que se diz sobre a valorização do capital humano na empresa. Mas, realmente, por que as empresas, hoje, têm tal percepção? Investir nas pessoas! Conservar seus talentos! Desenvolver os indivíduos de forma mais efetiva nas empresas! Investir na formação de líderes! Favorecer a aplicação da metodologia do coaching aos gestores! Pró-reitoria de EaD e CCDD 9 Sabemos que a responsabilidade em atrair e reter os profissionais de talento alinhados a cultura da organização cabe aos gestores das empresas. Tendo isso em mente, você concorda que esses gestores necessitam estar preparados, atentos e desenvolvidos para gerirem pessoas? Entendemos que o gestor, no âmbito da sua prática, precisa discernir os envolvidos na sua gestão para poder identificar as oportunidades para a manifestação dos talentos e, principalmente, antecipar-se aos riscos de perder os profissionais de maior valor. Lançar desafios é importante para que eles progridam em suas carreiras, assim como proporcionar um clima organizacional favorável, para que os indivíduos sintam-se motivados a ali permanecerem. O gestor necessita entender as necessidades e desejos de seus liderados. Como ele consegue fazer isso? Claro que entendemos que o líder precisa ser bem desenvolvido, ter um nível de maturidade e autoconhecimento elevado para lidar com as adversidades dos indivíduos e da organização. Ele está ali para fazer a gestão das pessoas! Portanto, o líder tem que entender os aspectos que motivam essas pessoas, ouvindo-as, conversando com elas, questionando-as, para então fornecer oportunidades de crescimento, de desenvolvimento de suas habilidades e de progressão na sua carreira. Quando falamos de entender os envolvidos, remetemo-nos ao fator fundamental que faz com que as pessoas permaneçam nas empresas: o nível de satisfação elevado por estar ali. É sabido que a remuneração não é o principal fator, mas sim os desafios, as possibilidades de crescimento, a relação saudável com o gestor, o clima positivo na equipe e a frequência das propostas de desenvolvimento. Estes são aspectos mais determinantes para a permanência dos colaboradores. As empresas vêm procurando inúmeras ferramentas, metodologias e práticas para favorecer a retenção dos seus profissionais talentosos. Muitas vezes, porém, elas não detectam qual o melhor caminho para identificar as reais necessidades das pessoas e, assim, poder fazer algo a partir disso. Trata-se, afinal, de um grande desafio! Pró-reitoria de EaD e CCDD 10 O importante é conservar os seus talentos, reforçando continuamente os seus potenciais e desenvolvendo os gaps existentes. Portanto, se é um desafio para as empresas, também o é para os gestores. Um líder que acompanha seus liderados, que o desenvolve, que contribui para a sua conscientização, que agrega valor à sua prática, que faz a si próprio um exemplo durante a sua atuação... são esses os aspectos que caracterizam um líder coach. É ele quem faz uma gestão mais humanizada e se preocupa com o nível de satisfação dos seus liderados. Estimula-os a manterem o foco sempre nos seus objetivos e nos da organização. Estabelece o alinhamento dos valores da empresa com os da sua equipe, fazendo com que cada um tenha uma visão ampla de onde está inserido e de qual o seu valor. Algumas práticas e metodologias são de extrema importância para que se obtenham tais resultados na gestão. Podemos lembrar de alguns aspectos nesse sentido: comunicação clara e assertiva, ouvir os indivíduos, identificar as necessidades e o desempenho dos liderados, propor atividades desafiadoras, reforçar os comprometimentos, são fatores que influenciam a atuação e a manutenção das pessoas na empresa. Podemos citar, também, algumas práticas do líder coach para melhorar o processo de retenção de talentos nas organizações: Feedback e reconhecimento constantes – reforçar o potencial existente e incentivar o estabelecimento de planos de ação para obter melhorias. Gestão por competências – alinhar-se à área de gestão de pessoas, implantar programas que possam incentivar a manutenção dos profissionais talentosos, recorrendo a uma remuneração variável, conforme as competências e os resultados obtidos. Coaching – atuação do líder enquanto coach, através de uma gestão mais humanizada e focada no desenvolvimento do liderado, contribuindo assim para o cumprimento das suas aspirações. Avaliação de desempenho – perceber as necessidades do liderado e se a empresa as está atendendo. Pró-reitoria de EaD e CCDD 11 Comunicação assertiva – manter conversas impulsionadoras, mediante reuniões frequentes, alinhando cada vez mais o liderado ao negócio, e permitindo que ele contribua com ideias e sugestões. Incentivar o plano de carreira – valorizar o autodesenvolvimento e a aprendizagem contínua. O grande desafio, nesse contexto, é conciliar os desejos, inspirações e anseios dos indivíduos que atuam no mercado atual com as necessidadese valores das organizações. Percebemos que os profissionais inseridos nas empresas, como já afirmamos, buscam oportunidades de ascensão na carreira e, principalmente, valorização e reconhecimento. O líder coach, atuando no processo de retenção de talentos, terá facilidade para identificar e desenvolver o potencial dos liderados. O líder coach volta sua atenção também para a aprendizagem, ele identifica as potencialidades, os talentos e faz com que os indivíduos sejam bem orientados e se desenvolvam cada vez mais. O líder coach faz com que o liderado tenha consciência da sua prática, perceba os seus potencias e se empenhe no próprio crescimento. O líder coach incentiva o indivíduo a ver que a motivação é interna e que ele pode estabelecer as suas metas pessoais e profissionais de forma mais sustentável. Segundo Gil (2007), a necessidade de um coach pode estar no desenvolvimento da liderança, na etiqueta, na lapidação da personalidade, na construção de segurança, nas habilidades pessoais, nas relações públicas ou interpessoais, no gerenciamento de crises, na construção da carreira ou mesmo na aparência pessoal. Coach é por excelência o profissional do empowerment, pois o que lhe compete é dar poder para que a pessoa efetive as mudanças necessárias em seu ambiente de trabalho ou em sua conduta. (Bertolla, 2016, p.3) Por fim, concluímos que o líder enquanto coach será um grande facilitador do desenvolvimento das pessoas, fazendo também com que os profissionais talentosos permanecem nas organizações, satisfeitos e produzindo de forma eficaz, como as corporações esperam. Pró-reitoria de EaD e CCDD 12 Tema 3: Estrutura do processo de coaching voltado ao desenvolvimento de lideranças Vamos falar sobre a importância do processo de coaching no desenvolvimento de lideranças. O coaching é considerado uma prática intensa, destinada à formação de líderes nas organizações. O coaching para as lideranças organizacionais é uma ferramenta de aprendizagem bastante elevada, que tem como objetivo potencializar a performance dos líderes no mercado de trabalho. Sabemos que, nesse cenário competitivo, as empresas cada vez mais tentam se destacar com melhores resultados. Superar a concorrência, ter profissionais mais qualificados, talentosos e dotados das capacidades demandadas pelo mundo corporativo, com competências comportamentais elevadas e conhecimentos atualizados, são alguns objetivos extremamente valorizados. Com as mudanças que se verificam no mercado, exige-se que o desenvolvimento dos profissionais inseridos nas empresas acompanhe esse cenário em constante mutação. Ter gestores qualificados, preparados, que saibam lidar com as adversidades advindas também da globalização é um fator de extrema importância. Exige-se que esses líderes estejam aptos a administrar a competividade atual. Os líderes necessitam também ter a capacidade de desenvolver os seus liderados de maneira constante, para que estes acompanhem as mudanças existentes, de forma a conquistar maior qualidade nos resultados e um nível de satisfação cada vez mais elevado. É importante sempre trabalhar as competências individuais para estas estejam alinhadas às competências organizacionais. Isso significa desenvolver cada liderado conforme o seu modelo mental, único, reconhecendo nele um ser humano que tem desejos, necessidades e aspirações quanto à sua vida pessoal e profissional. Também é fundamental promover a sua saúde física, mental e social. Sabemos que muitos autores referem-se ao coaching como uma eficaz ferramenta para fortalecer os indivíduos, contribuindo assim ao investimento no capital humano. Com isso, essa prática auxilia efetivamente no Pró-reitoria de EaD e CCDD 13 desenvolvimento dos líderes para que estes possam humanizar a sua gestão, gerando novas relações, novos talentos, novas práticas, elevando o prazer da produção e, como consequência, obtendo resultados mais inovadores no contexto competitivo. O processo de coaching vem trazendo resultados bastante satisfatórios na gestão de pessoas. Essa metodologia facilita que o líder se integre às competências da corporação e dissemine valores, fortalecendo assim a sua equipe, fazendo com que os indivíduos tenham uma visão mais sistêmica do processo em que estão inseridos, envolvam-se de diferentes maneiras e se comprometam com a obtenção de melhores conquistas para a organização. Em decorrência da aplicação dessa metodologia, competências diferentes irão surgir tanto por parte do líder quanto dos liderados. Essas mudanças referem-se não somente à capacidade técnica dos indivíduos, mas também, especificamente, à sua performance. O processo acompanha os envolvidos nas conquistas, visando impulsioná-los cada vez mais, conferindo poder para que eles transformem suas ações em melhores resultados. É bom lembrar que a prática do coaching consiste em favorecer a interação de forma a facilitar o processo de aprendizagem, disseminar o conhecimento, e também ampliar as habilidades dos indivíduos. Portanto, vale repetir, o coaching é um grande facilitador da atuação do líder, pois possibilita desenvolvê-lo para que ele, estrategicamente, empodere, fortaleça e potencialize os integrantes da sua equipe, para que eles atinjam os melhores objetivos da organização. Coaching é um processo de alto impacto para o aumento da produtividade, pois significa compromisso com os resultados e com a realização das pessoas e pressupõe disposição para cooperar. Quando a equipe está muito competitiva, a prática de coaching restabelece os vínculos entre as pessoas e a preocupação com o desenvolvimento dos outros; e quando ela está cooperativa demais, ou até complacente, provoca uma reflexão sobre a responsabilidade pelos resultados. (ARAÚJO,1994, p.29) Devido às frequentes mudanças por que passa o mundo empresarial, o trabalho em equipe pode se desestabilizar em função de resistências, de ocorrência simultânea de fases diferentes, de reações positivas ou negativas. Pró-reitoria de EaD e CCDD 14 Consequentemente, conflitos podem surgir em decorrência de dificuldades na comunicação, desmotivação, decisões precipitadas, entre outros dilemas. Portanto, a gestão efetiva e mais humanizada das equipes é fundamental para manter o equilíbrio necessário e promover a inteligência emocional, para que ocorra o êxito no desempenho das funções. Conforme Chiavenato (2002), a prática do coaching já vem sendo utilizada para fazer com que as pessoas aprendam a pensar e a refletir conforme o filósofo grego Sócrates. Como se pode ver, o processo não é novo! Em sua época, o filósofo reunia pessoas para promover discussões existenciais e filosóficas. Seu objetivo com essas discussões era propor temas, ideias, perguntar, ouvir a todos, ensinar e aprender. A principal intenção desses momentos considerados sagrados era ampliar a mente dos seus discípulos, mas também favorecer o autoconhecimento! O aprendizado era constante, diário. Hoje, após 2500 anos terem transcorrido, o mesmo método é aplicado pelas organizações, a ponto de, atualmente, ter-se transformado numa eficaz ferramenta para o desenvolvimento das pessoas, das lideranças e das empresas. Por fim, é importante resgatar alguns aspectos positivos do processo de coaching para o desenvolvimento da liderança. O coaching proporcionará uma série de outros benefícios, de acordo com as necessidades específicas do líder e da empresa, tais como (Ápice, 2016): Desenvolvimento do potencial individual de cada executivo; Clareza nos objetivos e ações; Melhoria nos relacionamentos interpessoaise facilidade para o trabalho em equipe; Melhora na comunicação e no poder de influência; Desenvolvimento das principais capacidades para liderar com eficiência; Desenvolvimento eficiente da equipe; Melhora na capacidade de tomada de decisão; Melhor administração e otimização do tempo e melhora significativa da produtividade; Pró-reitoria de EaD e CCDD 15 Maior uso da criatividade; Aumento da autoestima e da autoconfiança; Gerenciamento competente de emoções; Diminuição dos níveis de estresse; Habilidades para gerenciar conflitos; Mais equilíbrio e realização pessoal; Aumento da qualidade de vida, mais disposição, vitalidade e bem- estar; Aumento no nível de motivação e comprometimento; Senso de responsabilidade e melhor visão de futuro. Tema 4: Ferramentas facilitadoras de resultados: feedback e feedforward Se definirmos coaching como o processo de desenvolver uma relação e um entorno por meio dos quais as pessoas possam descobrir sua grandeza, enfrentar-se com suas deficiências e lados obscuros, obter mais de seu potencial e atingir seus objetivos no trabalho e na profissão, uma das coisas mais valiosas que qualquer pessoa pode obter de um coach é o feedback (retroalimentação). Através deste, recebemos informação sobre algo que fizemos ou falamos, ou simplesmente “somos”, e que, usado de forma correta, tanto por quem dá o feedback quanto por quem o recebe, converte-se numa potente arma de desenvolvimento pessoal. Você deve ter percebido que a maioria das pessoas, especialmente em nosso contexto cultural, confunde o feedback com a crítica destrutiva. E por processos e razões pessoais de quem o recebe, assume as dimensões de um ataque direto à sua pessoa ou às suas ideias. Observamos, também, que todos os tipos de feedback são limitados, por centrarem-se no passado, naquilo que aconteceu, deixando de fora a grande variedade de oportunidades com que se depara no futuro. Para evitar estes inconvenientes, nos últimos anos, desde que foi criado por Marshall Goldsmith, tem-se popularizado um novo modo de dar informação: o feedforward (prealimentação) — literalmente, “alimentar para a frente” —, que Pró-reitoria de EaD e CCDD 16 é uma forma estruturada de ajudar as pessoas a encontrar ideias novas a respeito de qualquer situação. Talvez você tenha visto a seguinte afirmação: “feedback é o princípio, mas feedforward é o fim”! O jogo de palavras da sentença remete à importância desses dois conceitos fundamentais da gestão de pessoas e também à sua inter-relação e complementaridade. Perceba que, enquanto o feedback identifica necessidades e reorienta a ação para o resultado, o feedforward direciona o caminho para o futuro do desenvolvimento. A boa notícia é que o feedforward complementa o feedback, de formam que ambos constituem ferramentas essenciais ao processo de desenvolvimento dos profissionais e das equipes. Em nenhum momento há substituição de um pelo outro, pois ambos complementam-se e otimizam-se para a gestão de pessoas. Ambos são muito importantes, principalmente para que os líderes possam usá-los no desenvolvimento da alta performance individual e de equipe. Além disso, o uso do feedforward permite que várias pessoas possam dar ideias e sugestões de melhorias capazes de contribuir para alcançar os resultados da equipe. Com tantos benefícios, o feedforward vem conquistando os líderes, consultores, coaches, entre outros profissionais dotados de uma visão de futuro que apoia e monitora o desenvolvimento. Pode-se concluir que feedforward significa dar ideias e orientações para o profissional, visando o aperfeiçoamento de suas competências. Os pilares das ações são o presente, o futuro e a positividade, todos eles focados em maximizar potencialidades. Enquanto o feedback é mais usual em situações que já aconteceram, o feedforward concentra-se na melhoria das ações que ocorrem no presente, visando o futuro. Outra diferença é que a base das orientações está focada em auxiliar a elevação do potencial e das potencialidades das pessoas, e parte de uma situação que, embora tenha corrido bem, poderia melhorar. Ao contrário do feedback, que diz respeito ao resultado de um desempenho, na ação que aconteceu, e almeja uma reorientação, para o feedforward o foco é valorizar as potencialidades, é Pró-reitoria de EaD e CCDD 17 fortalecer o que pode se tornar melhor e encorajar as pessoas a pensarem em como direcionar o futuro. Para entender melhor estes dois conceitos, é necessário conhecer e compreender as principais características que os identificam. Vejamos, então, o Quadro 1, que permitirá compreender as diferenças entre essas duas práticas e também suas semelhanças. Quadro 1: Características do feedback e do feedforward FEEDBACK FEEDFORWARD Aplicável: a mensagem deve conter elementos concretos para o receptor que lhe sejam úteis para corrigir ou modificar seu comportamento. Portanto, o feedback deve ser dirigido a um comportamento suscetível de ser modificado pelo receptor. Neutro: deve-se evitar todo tipo de juízo de valor ao se emitir um feedback. Dessa forma, minimiza-se a possibilidade de a pessoa que o receber ficar na defensiva. Oportuno: resulta muito mais efetivo quando se realiza imediatamente depois da ação em questão. Solicitado: se o feedback for solicitado, é muito melhor e mais eficaz. Objetivo: deve centrar-se no problema. Direto: é necessário oferecer o feedback pessoal e diretamente. Específico: Um feedback específico contém uma mensagem concreta. Não Auxiliar: auxilia o indivíduo a visualizar e a se concentrar apenas num futuro promissor. Olhar sempre à frente, sem medo de cometer novos erros. Adotado pela liderança: inclusive no processo de avaliação de desempenho. Direcionado ao futuro: as chances de pensar que a ferramenta será induzida por incidentes ocorridos entre os profissionais passa a ser descartada. A base é o futuro: toma como base o que pode ser realizado no futuro e não aquilo que já foi feito. Isso ajuda as pessoas a receber uma devolutiva sobre suas performances com mais serenidade. Concentra-se nas soluções: o ter uma visão de futuro estimula os talentos a enfrentarem os novos desafios e a não se pautarem pelas falhas cometidas anteriormente. Por isso, a receptividade costuma ser muito positiva. Reforça a possibilidade de mudança do profissional: Indica a necessidade de trabalhar determinadas competências essenciais ao cargo que exerce. Pró-reitoria de EaD e CCDD 18 se perde o seu significado. Comprovado: dar feedback é um modo de comunicação; por isso, devemos nos certificar de que a mensagem tenha sido recebida. Estimula ideias: fortalece as ideias e, consequentemente, o potencial criativo das pessoas. Não é julgamento: O feedforward não significa um julgamento dado por superior, mas sim um caminho para troca de ideias. Como futuro gestor e estudioso desses temas, você deve entender que não se trata de abandonar a prática do feedback, mas sim de entender que, em muitos casos, o feedforward pode ser mais eficiente e, sobretudo, mais bem recebido. É certo que o feedback e o feedforward respondem, cada um, à especificidade formativa dos profissionais. Ambas as ferramentas oferecem possibilidades úteis. Como gestor de hoje, você deve entender que o desafio das empresas modernas não é tratar de “espremer” ao máximo seus “recursos humanos” para atingir os níveis de resultados requeridospelos stakeholders, mas sim visualizar uma teoria alternativa que permita “potencializar” os “talentos individuais”, para desenvolver novas capacidades organizacionais que projetem e coloquem em sintonia as expectativas das pessoas e dos objetivos corporativos. Tema 5: As contribuições do coaching na gestão de equipes Convido você, gestor, a resgatar alguns termos importantes para trabalharmos o último tema dessa aula. Para falarmos de equipes, necessitamos diferenciar equipe de grupo, e este de time, pois essa definição terá impacto sobre o processo de atuação da liderança. O que é Time? Grupo? Equipe? Um trabalho em conjunto diferencia-se pela dinâmica que ocorre internamente e pelos resultados da atuação da gestão nesse trabalho. Pró-reitoria de EaD e CCDD 19 O time é um conjunto de indivíduos que reunidos para fins esportivos, com o intuito de alcançar os resultados almejados graças aos seus talentos e habilidades. É um conjunto de pessoas comprometidas. Por esse motivo, devem ter relações favoráveis para facilitar o objetivo a ser alcançado. Casado (2002) afirma que o grupo tem a possibilidade de se converter em uma equipe, a partir do momento em que percebe o seu funcionamento e quando se dividem as responsabilidades e as metas, de forma a atender às necessidades de todos as pessoas ali envolvidas. Krausz (2007) considera que os resultados e o sucesso de uma equipe também dependem dos estilos de liderança utilizados. O técnico desempenha um papel importante no direcionamento e desenvolvimento de sua equipe. Ele determina procedimentos, cria estratégias e utiliza-se de estilos de liderança para conseguir vantagens competitivas. (Araújo; Ferreira, 2009). Os estilos de gestão de um líder caracterizam-se por diversos aspectos: a forma de tomar decisão, como se estabelecem as relações interpessoais na sua gestão, a utilização do seu estilo e os resultados que conquista com este. A sua flexibilidade quanto à postura a ser adotada conforme o cenário que se apresente são aspectos que caracterizam o estilo que ele assume ao liderar a sua equipe. Quando falamos de liderança coaching, remetemo-nos ao entendimento da postura do líder como facilitador, responsável pelo desenvolvimento do seu liderado. O líder coach é aquele que faz a gestão humanizada, que facilita que o indivíduo maximize a sua consciência, que amplie a sua percepção de mundo, que potencialize as suas competências, que possa cada vez mais fortalecer os indivíduos quanto à motivação e ao amadurecimento pessoal. O líder coach, ao adotar esse estilo de gestão, tem condições de conquistar um ambiente favorável ao crescimento dos envolvidos, fazendo com que eles se responsabilizem por suas potencialidades, limitações e resultados. Esse estilo de liderança possibilita um ambiente mais voltado à aprendizagem contínua. A equipe tem possibilidade de estar mais empoderada para enfrentar possíveis decisões e sucessões. O líder coach e seu liderado — que muitas vezes é chamado de coachee — trabalham unidos, mediante o estabelecimento de metas para o Pró-reitoria de EaD e CCDD 20 crescimento pessoal e profissional, por meio de uma relação confiável e madura, em que as duas partes se responsabilizam pelos objetivos definidos. Gallwey (2016) refere-se que tanto o técnico quanto o líder têm a prática de guiar, orientar e organizar o fluxo para o desenvolvimento da aprendizagem. Há alguns sabotadores sempre presentes no comportamento humano, camuflando e impedindo o aumento do desempenho: é o que o autor chama de “jogo interior”. O objetivo, enquanto líder coach, é propiciar que o indivíduo supere os obstáculos através do seu autoconhecimento, do seu autodesenvolvimento, e que a sua aprendizagem seja contínua, para que ele acredite em si e alcance a maximização da sua performance. Como já mencionamos a respeito da importância de uma gestão mais humanizada, esta encontra-se muito ligada à condição de que o líder se ocupe de cuidar dos aspectos comportamentais presentes na equipe, mas também à sua percepção dos impactos que esses aspectos podem exercer na obtenção dos resultados. A área de gestão de pessoas já identifica a importância de atribuir o valor necessário à inteligência emocional dos indivíduos que atuam na empresa. Portanto, com o mercado em “ebulição”, os resultados obtidos pela empresa devem ser cada vez mais inovadores e de caráter tão diferenciado quanto as ofertas existentes. Com isso, é estratégico que as organizações proporcionem ambientes criativos, invistam nos gestores para prepará-los e desenvolvê-los, a fim de que saibam gerir as pessoas, impulsionando-as a alcançar o que têm de melhor. Diante desse cenário, o uso da metodologia do coaching para a gestão de equipes tem sido uma excelente forma de obter o melhor das pessoas no que diz respeito à sua atuação. O objetivo é desenvolver as equipes para aumentar o desempenho. A atribuição do coach é facilitar a comunicação, promover o comprometimento, conduzir a energia para melhor transformar a realidade. O coaching ajuda a praticar a proatividade, seja consigo próprio ou com os demais, gerindo melhor o seu tempo e desenvolvendo resiliência no trato com as diversidades e adversidades advindas das relações interpessoais. Trata-se de superar os desafios de uma forma mais consistente, de observar o Pró-reitoria de EaD e CCDD 21 potencial de crescimento existente, implementando cada vez mais valor à alta performance. Tal metodologia constitui-se num processo de construção, nas equipes, seja das melhores práticas, seja da maneira como as pessoas contribuem com o seu desempenho, favorecendo sempre o crescimento pessoal e profissional. Por fim, entendemos que o coaching é uma condição extremamente positiva, enquanto aprendizado contínuo, por inovar a prática e as relações das equipes. Pois ele desenvolve a capacidade de analisar, ouvir, relacionar-se, observar, decidir, organizar, comprometer-se, comunicar-se, entre outras, tão importantes à gestão das pessoas. Trocando ideias Adquirir conhecimentos é sempre importante. Os temas desenvolvidos fornecem elementos para que você possa resolver situações concretas no exercício da gestão. Por isso, é importante estar sempre preparado. Através das situações expostas a seguir, você se lembrará dos aspectos mais importantes, que poderão levá-lo a optar por práticas capazes de favorecer o desempenho da sua ação profissional. É essencial que, neste momento, você desempenhe o papel de gestor. Quais serão suas respostas frente a estas perguntas? 1) O que você pretende alcançar ao final de um processo de coaching? 2) O processo de coaching na gestão de equipes contribui para que estas não percam seu foco e alcancem seu objetivo? 3) O que você tem realizado para alcançar seu objetivo? Registre suas respostas. Na Prática Leitura do caso Imagine a seguinte situação: você decidiu “ser um melhor ouvinte”. Pró-reitoria de EaD e CCDD 22 1) Descreva seu objetivo para alguém que você conhece: melhor amigo, professor, pais etc. 2) Peça para essa pessoa dar duas sugestões que poderão ajudá-lo a alcançar uma mudança positiva no comportamento que você quer mudar. Se você conversar com alguém conhecido, a única regra é que não pode haver qualquer menção ao passado. Tudo diz respeito ao futuro. (Adaptado de Barrichelo, 2016) Identificação do que deve ser feito a) No diálogo com a pessoa que escolheu, você diz: Eu quero ser um melhor ouvinte. Você poderia sugerir duas ideias que eu possa aplicarno futuro e que me ajudariam a conseguir esse objetivo? b) Concentre sua atenção na outra pessoa. Coloque-se em uma “atitude de escuta”. Não a interrompa, quer discordando, quer concordando. c) Ouça atentamente as sugestões que ela der. Tome nota. A única regra é que você não está autorizado de forma alguma a julgar ou criticar as sugestões recebidas. d) Repita o processo com outras pessoas. Quando busca ideias via feedforward, você não está limitado a uma só pessoa. Falar com uma pessoa só, restringiria drasticamente a obtenção de uma imagem fiel do que você está fazendo errado. Depois de ler o texto, como você responderia às perguntas enumeradas no item anterior? Síntese Nesta aula, tratamos de assuntos voltados à gestão: ferramentas que poderão ser empregadas na gestão da equipe; como gerir as pessoas; como a Pró-reitoria de EaD e CCDD 23 metodologia do coaching pode facilitar a elevar a performance dos envolvidos na organização. Vimos que existe uma série de técnicas atuais que têm permitido aos gestores facilitar a tomada de decisão, inclusive implementando atitudes positivas nas relações interpessoais da sua equipe, trazendo assim mais equilíbrio aos processos produtivos. O feedback é uma dessas ferramentas, que tem permitido aprimorar a atuação dos indivíduos em prol do seu aperfeiçoamento. Ele possibilita uma percepção cada vez maior das próprias limitações e aponta caminhos para fazer algo a respeito delas por meio de planos de ação. O feedforward, por sua vez, é uma ferramenta mais voltada ao desenvolvimento dirigido a futuras oportunidades. O BSC traduz a estratégia da organização em medidas de atuação. O empowerment facilita e fortalece os processos. Além destas, temos também outras ferramentas, como o benchmarking, a qualidade total, o ciclo PDCA e o programa 5S, que fazem parte de um instrumental possível de ser utilizado para, cada vez mais, implementar melhorias na sua gestão, com consequentes resultados para a empresa. Tratamos também da importância da atuação do líder coach para manter os talentos na empresa e como ele deverá focar na aprendizagem, identificando as potencialidades dos indivíduos e desenvolvendo-os de forma contínua. O líder coach tornará mais fácil ao liderado ampliar sua consciência em relação à sua prática, valorizando-o quanto às suas possibilidades, que assim se tornam cada vez maiores. O coaching também vem sendo visto como um processo que tem contribuído ao desenvolvimento de lideranças, pois é considerado como uma ferramenta de aprendizagem que tem o intuito de potencializar a performance dos líderes. Em decorrentes de tantas mudanças, as empresas estão percebendo a importância do desenvolvimento de lideranças, para que estas possam fazer uma gestão efetiva das pessoas. E o coaching tem gerado condições positivas à expansão das competências necessárias para que o líder possa liderar! Pró-reitoria de EaD e CCDD 24 Quando entendemos que as empresas demandam resultados como a excelência das pessoas, reconhecemos que é de grande importância sabermos utilizar ferramentas capazes de facilitar a obtenção dos resultados esperados. Concentramo-nos, aqui, no feedback e no feedforward. Como já foi bastante pontuado, quando se refere à diferença entre esses dois processos, costuma- se dizer que “feedback é o princípio, mas feedforward é o fim”. Com isso, encerramos nossa reflexão quanto às ferramentas e metodologias que podem ser utilizadas nas organizações para que estas obtenham resultados efetivos. As contribuições do processo de coaching na gestão de equipes têm sido muito importantes, principalmente quando se sabe que o grande diferencial atual é o investimento das empresas em pessoas. O coaching tem favorecido essa postura de forma relevante, fazendo com que as pessoas que integram as equipes sintam-se mais valorizadas, mais conscientes do seu próprio funcionamento, percebendo suas limitações, mas também capazes de expandir suas potencialidades e competências, para que possam melhor utilizá-las neste cenário atual, tão competitivo e tão exigente. Referências bibliográficas ARAÚJO, A. Coach: um parceiro para seu sucesso. São Paulo: Gente, 1994. ARAÚJO, K. de; FERREIRA, M. A. de A. O exercício da liderança por meio do estilo coaching na gestão de equipes. Revista Administração em Diálogo, n. 13, v. 2, 2009, p. 47-72 . 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No âmbito da liderança, as decisões tomadas não podem ser vistas como eventos isolados. Cabe ao líder entender que o processo decisório deve levar em conta aspectos que agilizem o processo. Líderes importantes, que tomam decisões, incluem em suas práticas: Averiguação do meio, procurando descobrir práticas que os ajudem a perceber e identificar questões iminentes. Construção de bons relacionamentos, fomentando a camaradagem e estabelecendo uma rede de parcerias interna e externamente. Caráter e coragem, tomando decisões com base em valores. Avaliação dos resultados, enfocando os efeitos das decisões e responsabilizando-se pela direção da execução. Criação de ciclos de ensino virtuosos, promovendo um ambiente no qual as pessoas valorizem a verdade e ensinem umas às outras. Autoconfiança para errar, sabendo que não estão livres de cometer erros, buscando feedback e feedforward, admitindo possíveis erros e retraçando as fases decisórias, conforme haja necessidade. Os temas desta aula são permeados por dinâmicas a serem seguidas nos processos de tomada de decisão. Serão discutidos assuntos importantes e delicados, que devem ser tratados pelos líderes com bom senso. Recomendamos que todo gestor, ao ver-se diante da necessidade de tomar uma decisão, busque sempre uma base de conhecimentos que lhe ajude a deliberar com sucesso. Nesta aula, aprofundaremos temas que são próprios da Era do Conhecimento, na qual a sapiência do líder é fundamental para entender e Pró-reitoria de EaD e CCDD 3 diferenciar conceitos importantes como coaching, mentoring e counseling, que ajudam a analisar e acompanhar as práticas diárias de uma organização. Trataremos também de outro tema de grande relevância: o Pipeline de Liderança, teoria de Ram Charan que configura um modelo de sucesso para identificar futuros líderes, avaliar suas competências, planejar sua evolução e medir resultados, orientar as ações das empresas e construir equipes alinhadas em todos os níveis da organizacionais. Ao final desta aula, você terá condições de perceber e reconhecer as tendências que caracterizam as ações do líder coach como impulsionador de uma equipe. Contextualização Como dizem muitas pessoas, “existe um tempo para melhorar, para se preparar e planejar: igualmente existe um tempo para partir para a ação” (Klink, 2000). Acreditamos que esse tempo chegou. Depois de ter se familiarizado com os conceitos de liderança e comunicação e com história do surgimento do coaching, conflitos, retenção de talentos, entre outros, convidamos você a tornar-se o construtor de seus processos de liderança, imaginando-se como um gestor holístico, que se preocupa com todos os estágios de um processo, tem conhecimento e domínio do significado de negociação, deseja participar ativamente na utilização das ferramentas de gestão empresarial e reconhece que o líder coach deve ter foco de interesse nos processos, para saber com segurança onde estará o fim da travessia. Hoje existe uma tendência de analisar e acompanhar as experiências e as práticas da organização, e não simplesmente seguir a teoria. Sabemos também que, para ser um gestor, não basta ter força de vontade. Se o profissional tiver senso de organização, responsabilidade, entendimento dos processos, capacidade de trabalhar com as pessoas e de tomar decisões, mas não possuir o mínimo de preparo, todas essas habilidades serão inúteis. Por isso, é necessário preparar-se, e os temas desta aula poderão guiá-lo. Pró-reitoria de EaD e CCDD 4 Tema 1: Era do conhecimento e o papel do líder Grandes desafios surgiram na Era do Conhecimento. Muitas mudanças ocorreram, principalmente na forma de liderar as pessoas. Hoje, as lideranças enfocam o desenvolvimento dos indivíduos: os gestores são mais participativos, valorizam os colaboradores e procuram utilizar ferramentas mais eficazes na gestão, como, por exemplo, o feedback. As competências do líder são muito diferentes no atual cenário. Facilidade no relacionamento interpessoal e habilidade para trabalhar em equipe são condições indispensáveis na Era do Conhecimento, que vem causando um enorme impacto nas empresas, em função das intensas mudanças de paradigma. A instabilidade é uma característica presente nas organizações, em decorrência do volume de mudanças. Com isso, os líderes tiveram que mudar as suas formas de condução nos processos de liderança. As ideias de controle, comando e de total subordinação precisaram ser abandonadas. No século XXI, o líder necessita agir com flexibilidade e compartilhar seus conhecimentos; saber lidar com as diferenças; formar os seus sucessores; envolver os colaboradores no processo, promovendo a aprendizagem, levando-os a atuar de modo independente, a ter suas próprias ideias e a agir com maior autonomia. Paralelamente, o estilo de liderança na Era do Conhecimento vem sendo alterado. Mudanças na economia, nas relações trabalhistas, entre outras, exigem do gestor um novo estilo, com uma visão mais sistêmica do processo gerencial de pessoas. Isso ocorre não só no Brasil, como também em outros países. O líder de hoje necessita desenvolver-se para acompanhar as mudanças da Era do Conhecimento. Ele deve saber estimular os seus liderados, ser criativo, comunicar-se com facilidade, lidar bem com as adversidades, desenvolver talentos, gerir a partir de uma visão holística, dar feedback construtivo e valorizar os potenciais das pessoas, facilitando o crescimento de cada um, levando em conta as limitações individuais. Pró-reitoria de EaD e CCDD 5 É importante ao gestor do século XXI adotar um modelo de aprendizagem para a sua equipe. Essa diretriz está relacionada com o modelo de Learning Organization (“organizações que aprendem”), segundo o qual as pessoas são estimuladas a elevar cada vezmais o seu grau de satisfação em relação a suas atividades. Isso gera espírito de coletividade, facilitando também as relações interpessoais. Cabe ao líder confiar na sua equipe, para que esta desenvolva uma estrutura de vínculo fortalecida. Hoje, são condições fundamentais para a liderança lidar com as ideias dos outros, entender as diferenças, trabalhar com uma previsão do futuro e administrar as possibilidades, facilitar o desenvolvimento das pessoas e levá-las a se autogerenciem, bem como incentivar a autonomia das equipes. Nas próximas décadas, os líderes deverão fortalecer cada vez mais os seus valores e acreditar nas possibilidades de crescimento das pessoas, além de estarem sempre disponíveis ao aprendizado. Nesse contexto da Era do Conhecimento, qual seria o melhor estilo de liderança? Na verdade, um estilo não é melhor que o outro. O mais importante nesse cenário é que o gestor saiba gerenciar o conhecimento entre os seus liderados. Ele deve identificar quais são os conhecimentos imprescindíveis à organização e disseminá-los entre a sua equipe. Ele deve facilitar às pessoas que se desenvolvam com excelência. Quando comparamos a liderança tradicional com a liderança nesta nova era, sabemos que existe uma influência mútua entre a cultura da organização e as práticas do líder. O cenário atual, que envolve conhecimento, propicia fundamentalmente o comprometimento das pessoas, gerando crescimento. Observemos a seguir um quadro comparativo entre o líder tradicional e o líder da Era do Conhecimento, para entendermos algumas diferenças sobre a liderança na atualidade. Pró-reitoria de EaD e CCDD 6 Quadro 1: Líder tradicional x Líder na Era do Conhecimento Líder tradicional Líder na Era do Conhecimento Apoia-se em regras, normas e procedimentos. Rotina é uma batalha constante a ser vencida. Distingue suas ações das dos subordinados, tendo cada um o seu papel. Comunica o suficiente para manter as coisas funcionando. Vê, acompanha e controla tudo. Delega o que fazer. Poder baseado no cargo. Trabalho é simples troca econômica. Visão de especialista. Apoia-se nas pessoas e em suas capacidades e habilidades. Rotina é o reinício de novas oportunidades. Distingue suas ações pela competência. Debate, pesquisa. Vê, acompanha e controla o que é mais importante. Delega como fazer. Poder baseado na competência. Trabalho é um processo de enriquecimento cultural, além de uma troca econômica. Visão de generalista. Fonte: Gestãopessoas7, 2016. Tema 2: O pipeline da liderança No atual cenário empresarial, as organizações buscam líderes que saibam gerir pessoas, cargos e negócios efetivamente, e dispõem de diversas ferramentas para identificar quão significativa é a influência das lideranças na evolução da corporação. Alguns modelos nos permitem reconhecer futuros líderes, saber das suas competências, delinear o seu crescimento, identificar como conduzem as práticas da organização e, consequentemente, como implantam uma equipe alinhada aos resultados esperados. Esse modelo caracteriza o Pipeline de Liderança. De acordo com Paulo Campos, consultor do LAB SSJ: Utilizando este modelo, é possível construir e desenvolver planos de carreira, preparar sucessões com planejamento e formar seus próprios líderes com base nas seis passagens críticas que um profissional que atinge um alto nível de senioridade precisa atravessar em sua carreira – sempre respeitando o desenvolvimento e planejamento característicos de cada etapa, a expertise dos talentos e a perenidade de negócio. (Teixeira, 2016) Pró-reitoria de EaD e CCDD 7 O indiano Ram Charan, consultor de negócios, autor de vários best- sellers sobre liderança, desenvolveu a Teoria do Pipeline de Liderança com vistas aos desafios da gestão, a partir da percepção da necessidade de preparar efetivamente os líderes para exercerem seu papel com excelência, mas também ao desenvolvimento das habilidades necessárias para que ocorresse o avanço do líder em sua carreira profissional. Charan propôs sua teoria em meio ao contexto de globalização, processo que levou o mercado a entrar em ebulição, o que passou a exigir respostas cada vez mais rápidas e aperfeiçoadas às demandas em cada área das organizações. Consequentemente, exige-se que os profissionais se empenhem cada vez mais para se atualizarem, buscando constantemente por inovação e maior eficácia, a fim de lidar com os inúmeros desafios que se colocam na posição de liderança. Para o avanço da carreira de líder, o profissional precisa transformar algumas condições e aprimorar determinadas habilidades. Atualizar os conhecimentos adquiridos durante a sua formação, acrescendo-os daqueles provenientes da área de atuação da organização em que está inserido. Isso o torna mais competitivo. Já mencionamos a teoria de Ram Charan. Mas, afinal, o que realmente é o pipeline de liderança? Trata-se de um modelo que torna mais fácil detectar o potencial do perfil de liderança em que o profissional está atuando, ou seja, identificar o que pode ser desenvolvido; analisar as suas competências, para viabilizar o planejamento do seu crescimento; e também medir os seus resultados para dirigir as ações da organização e edificar uma equipe alinhada aos propósitos presentes. A teoria do pipeline da liderança recebeu este nome devido à metáfora do pipeline, um cano que se curva em seis pontos e que representam as seis principais transições do indivíduo na carreira profissional. Por existirem diferentes níveis de liderança nas organizações, existem também diferenças significativas nos requisitos profissionais para cada nível devido à distinção das habilidades de cada um. Assim, para que o líder obtenha sucesso em sua nova posição, é preciso atentar-se às mais importantes transições, como a de: Gerenciar a si mesmo a gerenciar outros; Pró-reitoria de EaD e CCDD 8 Gerenciar outros a gerenciar gestores; Gerenciar gestores a gerente funcional; Gerente funcional a gerente de negócios; Gerente de negócios a gerente de grupo; Gerente de grupo a gestor corporativo. (Mundo Carreira, 2016) Cada passagem envolve desenvolvimento de habilidades tanto técnicas quanto comportamentais. Algumas são mais específicas, como: gerenciar a si mesmo, executar tarefas, entre outras. O profissional necessita estar sempre em desenvolvimento para ocupar a posição de liderança sobre um grupo. Com todo esse processo de aprendizagem, a organização precisa antecipar e elaborar estratégias de programas de desenvolvimento para esses líderes. Por fim, a utilização dos modelos de pipeline de liderança possibilita que os profissionais implementem e ampliem as suas carreiras, e também que eles formem seus sucessores de forma planejada e efetiva, conseguindo extrair o melhor dos seus liderados. Tema 3: A influência do coaching na gestão da inovação Vamos refletir sobre o processo de globalização e quais demandas ficaram mais evidentes a partir do seu advento? Estamos numa era em que as informações circulam de maneira extremamente rápida e em que a inovação é necessária para manter as empresas atuando num mercado extremamente competitivo. O mesmo acontece com as trajetórias e carreiras profissionais. As pessoas necessitam se atualizar! Todo profissional deve estar atento ao contexto existente, à urgência das demandas, e às mudanças do mercado. Em outras palavras, desenvolver o seu conhecimento! É importante lembrarque inovação é um processo de implementar coisas. A criatividade, por sua vez, é um processo do pensar. É interessante saber essa diferença! O fato de estarmos inseridos numa era de muitas mudanças exige dos profissionais inovações constantes no que diz respeito às suas práticas. Pró-reitoria de EaD e CCDD 9 A inovação é resultado do conhecimento adquirido pelo profissional e da prática resultante desse conhecimento. Espera-se que esse profissional pense de maneira diferente do que a maioria, ou seja, que ele esteja ligado à atualidade, às tendências reais. Nesse cenário, as organizações procuram profissionais que sejam inovadores e criativos. Como já falamos anteriormente, pessoas que tenham certas competências, como facilidade no relacionamento interpessoal, habilidade para colaborar com a equipe, e também que sejam impulsionadoras, que contribuam para o desenvolvimento das pessoas, que sejam proativas e positivas. E, claro, que tenham sua visão sempre voltada à obtenção dos resultados almejados pela empresa! Alguns autores fornecem algumas dicas sobre como desenvolver a criatividade esperada pelo mercado: a pessoa deve sempre ter sonhos, metas e projetar ideias futuras; ser empática e atenta aos detalhes ao seu redor, para poder implementar ações efetivas. Arriscar é importante! Fazer acontecer, mais ainda! A ousadia e a convicção de suas próprias capacidades são qualidades fundamentais para alcançar resultados. Por fim, é necessário transformação! Quando a inovação ocorre na prática, é importante ser diferente, sair do esperado. É essencial elevar o seu autoconhecimento, ser uma pessoa disciplinada, ser líder de si mesmo, ter metas definidas, ser persistente, e também encarregar-se efetivamente da transformação necessária para a organização. Sem dúvida, em consequência dessas atitudes, a motivação estará cada vez mais presente! Com base nos resultados de várias pesquisas, alguns autores afirmam que os métodos clássicos não têm trazido bons resultados no que diz respeito ao desenvolvimento dos profissionais, nos dias atuais. Sabe-se que a razão disso reside nas diferentes demandas enfrentadas pelas organizações, e nas frequentes mudanças operadas no mercado altamente competitivo. Segundo Fleury e Fleury (1995), “observa-se que, na atualidade, a procura é por metodologias caracterizadas pela ênfase na ação e nos resultados, na customização, contextualização e brevidade dos processos de aprendizagem e Pró-reitoria de EaD e CCDD 10 desenvolvimento de novas competências, habilidades, conhecimentos e comportamentos”. O aperfeiçoamento dos profissionais tem sido realizado por meio de métodos que tornem mais fácil às pessoas alcançar os resultados pretendidos pela organização. Devido a essa busca por suprir a demanda de novas posturas, novos comportamentos profissionais, o processo de coaching tem sido uma das alternativas mais estratégicas para manter o foco no desenvolvimento. Essa ferramenta tem sido considerada extremamente eficaz no que diz respeito à melhoria da performance dos profissionais, como atestam os resultados atingidos após a implantação desse processo. O coaching tem possibilitado que os profissionais obtenham efeitos que se multiplicam na organização como um todo. A estrutura da organização, os seus processos tanto técnicos quanto sociais e também comportamentais, têm sido alterados a partir do desenvolvimento dos profissionais neles envolvidos. E essa alteração vem sendo percebida como coletiva, partindo do líder, da sua equipe e do âmbito da organização. Essa prática de desenvolvimento tem suprindo as expectativas das empresas, pois ajuda o indivíduo a ampliar o seu autoconhecimento, a sua maturidade, as suas competências, fazendo com que isso resulte em ações diferenciadas, conforme as necessidades das corporações. Esses indivíduos conseguem potencializar seus aspectos positivos e trabalhar de maneira mais efetiva as suas limitações, gerando um aprendizado contínuo. O processo de coaching reforça as competências dos profissionais, mantendo, ao mesmo tempo, uma orientação voltada para os resultados. Sua metodologia tem como objetivo fazer com que as pessoas estabeleçam a sua missão de vida, ampliem a sua visão de mundo, percebam melhor as suas competências e melhor as utilizem. Consequentemente, o indivíduo irá superar melhor os desafios, elevando assim a sua performance. O processo irá instigar uma maior percepção de si próprio e do meio em que se está inserido. Para encerrar nossas reflexões sobre o tema, lembramos que o coaching é considerado uma metodologia estrutural e altamente eficaz, que visa o desenvolvimento das pessoas, provoca a autoconsciência e favorece o Pró-reitoria de EaD e CCDD 11 fluxo dos pensamentos. É um processo destinado a inspirar os indivíduos a maximizarem seu potencial pessoal e profissional, de acordo com a International Coaching Federation (ICF). Consequentemente, essa ferramenta tem provocado mudanças nas organizações, operadas pelos profissionais que se submeteram ao processo. Tais indivíduos demonstraram maior eficiência e eficácia na sua atuação, e também elevaram o seu desempenho a uma prática cada vez mais inovadora, tanto na gestão de pessoas quanto na implementação de novas ideias, produtos e serviços. Tema 4: Diferenças entre coaching, mentoring e counseling É bastante provável que você, seja na própria empresa, seja em aulas ou leituras, já tenha tomado contato com ao menos uma destas três palavras: coaching, mentoring e counseling. Mas qual é o significado real de cada uma delas? Nesta aula, trabalharemos principalmente o conceito de coaching aplicado à liderança e às ações que lhe são próprias. Vamos agora entender os conceitos de mentoring e counseling, para, depois, perceber as suas diferenças e semelhanças. De maneira breve, lembremos o que é o coaching. O termo vem de coach, que significa “preparar”, “treinar”. O vocábulo coach começou a ser utilizado em meados do século XIX. Sintetizando, o coaching está orientado à melhoria do desempenho pessoal e profissional com o fim de incentivar um maior desenvolvimento do próprio potencial. Já o mentoring provém da raiz mentor, oriunda do grego mentor, que procede do poema épico grego A Odisseia, de Homero. Nessa obra, o personagem Odisseu decide preparar seu filho Telêmaco para ser rei. Com esse intuito, contrata o sábio Mentor como tutor de seu filho, incumbindo-lhe de transferir ao seu filho seu conhecimento e sua sabedoria. Em resumo, o mentoring está orientado a facilitar a aprendizagem de uma questão específica, através de uma relação que mistura o apoio e a experiência na disciplina que o mentor intenta ensinar. Pró-reitoria de EaD e CCDD 12 O vocábulo counseling, por sua vez, deriva da palavra inglesa counsel, que significa “consultar” ou “pedir conselho”. E o termo counsel vem do latim consulere, que quer dizer “consultar”. Portanto, o significado de counseling está ligado às ideias de consultar, aconselhar, orientar, informar, assessorar, indicar. Podemos, então, dizer que o counseling facilita a tomada de decisões de forma autônoma por parte de quem consulta. Assim, trata-se de um assessoramento quanto à situação vital, às metas, valores e ao futuro do cliente. O counseling, em resumo, é uma profissão surgida nos anos 1950, que opera num espaço intermediário entre o educacional, o social e o psicológico. Vejamos, agora, as diferenças e semelhanças entre as três modalidades, pois isso fornecerá os elementos necessários para que você identifique com mais clareza suaspráticas no mundo corporativo. A primeira semelhança é que tanto o coaching quanto o mentoring possuem elementos de counseling, entendendo-se este como um conjunto de habilidades, já que pressupõe a base necessária para o desenvolvimento da relação. As habilidades que devem possuir um coach ou um mentor incluem as habilidades básicas de um counselor, que são: a arte de saber escutar e compreender o escutado; ter consciência de si mesmo; estabelecer um clima de confiança e boa comunicação com o cliente; expressar-se clara e concisamente; observar e saber perguntar. Assim, o counseling converte-se em um referencial de atitudes indispensáveis para o eficaz desenvolvimento das intervenções, sejam elas de coaching ou de mentoring. Pode-se, no entanto, diferenciar counseling e coaching, já que o primeiro, convertido em ferramenta para a prevenção e a reinserção social, tem seu olhar voltado a valores que se destinam a ajudar as pessoas em suas diferentes dimensões: biológica, psicológica, social e espiritual. Por outro lado, tanto no que diz respeito ao counseling quanto ao coaching, não se exige um saber oriundo da experiência, e nisso ambos se diferenciam do mentoring, no qual é importante que o mentor tenha experiência no que busca desenvolver em seu protegido. No counseling e no coaching, o saber centra-se no estabelecimento e no desenvolvimento de um processo facilitador do potencial da pessoa. Pró-reitoria de EaD e CCDD 13 A relação que se dá, na prática, entre estes métodos, é que eles não são terapêuticos. Na psicoterapia, persegue-se a cura de uma doença e a superação do passado. O counseling, o coaching e o mentoring estão direcionados a alcançar o desenvolvimento e o crescimento pessoal para o futuro. Na psicoterapia, busca-se a reestruturação da personalidade, visando a obter no paciente um melhor ajuste, relacionado ao princípio da realidade. Quando se lê com mais calma sobre o counseling, percebe-se que nele são trabalhados mais intensamente os temas pessoais do que no coaching e no mentoring. Esperamos que fique claro que o counseling trabalha principalmente para que o indivíduo tenha um conhecimento mais aprofundado de si mesmo, com a finalidade de melhorar sua própria capacidade de autoconhecimento, autocontrole e autodireção. O tipo de relação prática que se dá nestes três modelos diferencia-se da educação tradicional, no sentido de que eles estão centrados nas qualidades da pessoa a quem se dirigem e não possuem um enfoque geral, como é o caso da tradicional forma de agir da educação. Queremos terminar este tema apresentando um quadro, que o ajudará a entender melhor as diferenças entre coaching, mentoring e counseling. Pró-reitoria de EaD e CCDD 14 Quadro 2: Diferenças entre o coaching, mentoring e counseling COACHING MENTORING COUNSELING O que é? É um processo que estimula a pessoa a agir, otimizando seu potencial e o sentido de sair do estado atual para alcançar os resultados por ela desejados. É uma abordagem de orientação profissional e pessoal com elevada amplitude, em que um profissional com larga experiência e forte sustentação teórica e prática – o mentor – auxilia um profissional menos experiente. Processo que facilita a resolução de problemas. Fomenta o desenvolvimento e a utilização do potencial da pessoa. Ferramenta de aplicação Perguntas. Diálogos de transmissão de conhecimentos, orientação referente à rotina das atividades, aconselhamento. Mapeia e traça estratégias para a obtenção do sucesso e superação. Foco Ação e resultados. Desenvolvimento da carreira. Atenção focalizada sobre a pessoa, antes e mais que no problema. Envolve Presente e futuro. Passado, presente e futuro. Passado, presente e futuro. Aborda Como o coachee age em função dos resultados a serem alcançados. Como agir no âmbito profissional e de carreira. Como compreender e lidar com os problemas sociais, comportamentais e pessoais. Quem faz Um coach ⁄ um líder coach. Um mentor. Um counselor. Resultados Alcance de metas e objetivos. Transferência de conhecimentos e expertise para o desenvolvimento de competências. Atendimento individual que ajuda a pessoa a se confrontar com suas dificuldades profissionais proporcionando um autoconhecimento para seu crescimento. Fonte: Lotz; Gramms, 2014, p. 224. Adaptado pelas autoras. Como você pôde perceber, neste tema trabalhamos as diferenças e semelhanças entre coaching, mentoring e counseling em termos de conceitos, ferramentas de aplicação, foco, protagonistas, resultados e abordagens de cada um. Em muitos momentos, esses três processos se complementam e podem mesmo, em determinados casos, auxiliarem-se mutuamente. É Pró-reitoria de EaD e CCDD 15 importante entender que são conceitos diferentes, que têm processos também diferentes. Esperamos, com o desenvolvimento dos conceitos trabalhados nos temas, ter contribuído para a sua aprendizagem. Acreditamos que a riqueza dos mesmos lhe dará os elementos de análise necessários nestes tempos da Era do Conhecimento. Tema 5: Tendências da atuação do líder coach como impulsionador de equipes No que se refere ao coaching e à prática da liderança, é possível perceber que, nas últimas décadas, muitas transformações ocorreram no cenário corporativo. Principalmente no que diz respeito ao papel do líder! O estilo de liderança está muito mais flexível quanto ao contexto, às pessoas e ao cenário altamente competitivo da atualidade. O estilo que o líder irá utilizar dependerá de vários fatores presentes na organização, como a cultura, as novas gerações, os impactos da vida pessoal, entre outros. A conexão entre o líder e os liderados tem trazido excelentes resultados. Desenvolver uma gestão mais humanizada favorece o comprometimento das pessoas com o trabalho, e também fortalece o clima de confiança nas equipes. Muitos desafios estão presentes na prática da gestão. Principalmente quando nos deparamos com as mudanças decorrentes do desenvolvimento tecnológico. Isso tem feito os líderes se adaptarem, inclusive à tendência de adotar novas formas de trabalho, com menos controle, menos autoridade e mais colaboração. Empresas que adotam modos diferentes de trabalhar, em que o gestor não se encontra próximo fisicamente, têm feito com que esses líderes adaptem o seu papel a uma forma de atuação mais colaborativa e inspiradora. Entre estes, encontra-se o líder que orienta, aprimora o seu desempenho e desenvolve o dos demais, sempre facilitando a ampliação das competências, tanto individuais quanto coletivas, favorecendo assim os melhores resultados da organização. Esse perfil está ligado ao líder coach! Entendemos que é um grande desafio para os gestores — assim como para os seus liderados — mudar seu comportamento. Para que isso aconteça, Pró-reitoria de EaD e CCDD 16 é necessário que eles ampliem o seu modelo mental, ou seja, a sua visão de mundo, para assim obterem resultados diferentes! As pesquisas mostram que alguns aspectos que levam as pessoas a elegerem “as melhores empresas para se trabalhar” envolvem a condução do gestor na sua prática de liderança e um clima organizacional favorável, um ambiente psicológico positivo. Se a prática do líder for direcionada a inspirar a equipe a atingir os seus próprios resultados, sem impô-los, esse gestor obterá inevitavelmente um melhor desempenho da sua equipe.O líder coach estimula as pessoas a traçarem metas, sempre focando o seu futuro e reforçando as suas possibilidades. A conquista da confiança é fundamental! Dificilmente algum integrante de uma equipe em que impera a confiança faltará com a verdade, ou deixará de cumprir o que foi acordado. O coaching é um processo facilitador empregado para que as habilidades do indivíduo estimulem outros aspectos importantes, como a comunicação assertiva, a facilidade no relacionamento interpessoal, o desenvolvimento da capacidade das pessoas para resolver problemas, todos pontos importantes para que se fortaleçam os vínculos de uma equipe. A adoção de modelos de coaching na liderança promove maior autonomia entre as pessoas que integram a equipe. O papel do líder coach não é dar respostas, mas sim fazer com que a sua equipe encontre as respostas que precisam para o seu dia-a-dia, de forma a promover um ambiente que ao mesmo tempo é desafiador e promove o desenvolvimento dos indivíduos que estão trabalhando com ele. O papel de uma liderança moderna deve ser sempre desenvolver as pessoas para que elas sejam capazes de assumir cada vez riscos e responsabilidades maiores. Os ambientes modernos de trabalho são capazes de dar autonomia para as pessoas e inspirá-las a desempenhar o seu trabalho sem que haja uma supervisão controladora. (Instituto Nefesh, 2016) O coaching pode ser considerado um processo de construção, aplicado no cotidiano das relações e trocas entre líderes e liderados. Seu foco é sempre Pró-reitoria de EaD e CCDD 17 dirigido ao desenvolvimento e aperfeiçoamento dos indivíduos, para que seus objetivos sejam realizados como decorrência maior da sua performance. O líder coach facilita o desenvolvimento de um ambiente psicológico positivo, contribui para que o liderado dê o melhor de si em sua atuação, orienta o indivíduo para que ele tome as melhores decisões, estimula a melhoria do seu desempenho, encoraja-o para ele que seja responsável pelas suas metas e desafios, empodera-o para o seu crescimento pessoal e profissional, numa relação frequentemente empática. Existem alguns pontos essenciais na prática do líder coach. A manutenção da relação com seus liderados e o empenho para que eles se desenvolvam continuamente, por meio de feedbacks frequentes. O esforço de envolver todos a participarem nos processos de forma ativa, trazendo mais autonomia a todos os envolvidos. O estímulo constante às ideias e, como decorrência disso, a recompensa aos liderados através de maiores desafios e projetos de desenvolvimento. Com isso, concluímos que a importância do líder coach — sempre apto a comemorar cada conquista — consiste em impulsionar as pessoas a estarem motivadas e se sentirem valorizadas naquilo que produzem. A liderança baseada em coaching eleva o nível de maturidade dos liderados, possibilitando que o líder adote outras práticas, como o processo de delegação. A notável tendência de atuação do líder coach nas equipes que integram as organizações vem impactando diretamente a evolução das pessoas e os resultados das empresas. Quando o líder adota a cultura de coaching, ele passa a favorecer principalmente a maximização dos processos e a ampliação da visão dos liderados sobre o que está sendo realizado. Além disso, ele irá propiciar que as pessoas desenvolvam sua consciência pessoal e profissional, consequentemente melhorando a sua performance perante a corporação. Trocando Ideias É importante que você, como gestor, saiba reconhecer quais são as tendências e as dinâmicas que agem sobre o processo de decisão. Observar e detectar quais as tendências que persistem desde o passado, as que se Pró-reitoria de EaD e CCDD 18 manifestam hoje e que, com toda probabilidade, seguirão reproduzindo-se no futuro, caso não se tomem providências que alterem seus caminhos. Você deve identificar quais são as dinâmicas de mudança, os processos que fazem com que essas tendências se rompam, e os que determinam que se produzam variações, mudanças. Para poder comentar as afirmativas formuladas abaixo, é importante que você desempenhe o papel de gestor: 1) Para que o cenário futuro esteja bem construído, as hipóteses sobre as quais se realiza esse futuro devem cumprir cinco condições: pertinência, coerência, verdade, importância e transparência. Registre sua opinião. 2) Com base no estudado, comente a seguinte frase de Gaston Berger: “O futuro como razão de ser do presente”. Registre seus comentários. Na Prática Leitura de caso Imagine a seguinte situação: José Carlos é analista de redes em uma empresa multinacional. É jovem, tem atitudes claras e aspira a ser chefe da equipe em um futuro não muito distante. Mesmo assim, muitas vezes suas aspirações não saem de acordo com o que ele espera. Não se integrou na equipe muito bem. É um pouco agressivo com os outros funcionários. Trata-os e enxerga-os como inferiores a ele em suas habilidades no trabalho e na gestão. Tenta chamar a atenção só para si nas reuniões, para mostrar sua capacidade. Centra-se mais no seu futuro que no trabalho presente. (Adaptado de Quintanilla, 2016) A partir do texto, apresenta-se a pergunta: o que fazemos com José Carlos? Sabemos que ele tem talento e poderia ser valioso para a empresa. Mas como conseguir que ele se desenvolva e mostre todo o seu potencial? 1) O que você pensa que o coaching faria? 2) O que faria o mentoring? Pró-reitoria de EaD e CCDD 19 3) Como procederia o counseling? Síntese Ao concluir esta aula, percebemos que, em decorrência das grandes mudanças ocorridas na Era do Conhecimento, as organizações necessitam, mais do que nunca, aprender como manter o seu lugar nesse cenário competitivo. Muitos desafios surgiram. Com o avanço da tecnologia, possibilitou-se um fluxo muito grande e veloz de informações, o que favoreceu o advento de uma Era do Conhecimento. Com isso, os profissionais necessitam adaptar-se rapidamente às novas formas de atuar e de liderar. A demanda de novas posturas profissionais e de novas práticas requer diferentes competências a serem desenvolvidas. Na Era do Conhecimento, o líder deve adequar-se às mudanças dela advindas. Ele tem que ser mais apoiador, perceber oportunidades nas rotinas, acompanhar, desenvolver os seus liderados, ter uma visão mais generalista, mais sistêmica em relação aos processos, ter um poder baseado na competência e outras práticas, para que se sustente a sua atuação na liderança, favorecendo então o alcance de diferentes resultados. E quando falamos em desenvolvimento, esse líder também tem uma visão ampla em relação às suas conquistas e às da equipe. O seu processo de crescimento também pode ser baseado na teoria do pipeline da liderança! Vimos que os desafios que residem nessa prática exigem que a evolução das suas competências seja constante. É necessária uma preparação efetiva. O modelo proposto por Ram Charan possibilita identificar o potencial do perfil de liderança em que se está atuando, para que se tenha subsídios para identificar o que ainda precisa ser desenvolvido. Assim, esses líderes têm a possibilidade de ampliar as suas carreiras e de exercer mais efetivamente seu papel. Em decorrência de tantas mudanças já vistas no nosso estudo, sabemos que, consequentemente, haverá a necessidade de adotar um processo de inovação. As organizações esperam resultados diferenciados. Que principalmente o líder pense diferente. Ele é, muitas vezes, o responsável por impulsionar as pessoas a fazerem o melhor, e também por extrair delas a melhor atuação possível.Percebemos que o processo de coaching tem Pró-reitoria de EaD e CCDD 20 contribuído muito para o desenvolvimento dos líderes, para que estes se tornem mais eficientes e eficazes em sua atuação, tendo como resultado ideias mais inovadoras. Aprendemos nesta aula que não somente a metodologia do coaching tem trazido resultados positivos para as pessoas, por estimular a ação e otimizar o potencial do indivíduo: também processos como o mentoring e o counseling mostram-se profícuos. Como vimos, o mentoring está mais voltado para facilitar a aprendizagem por meio de uma relação de apoio e experiência por parte do mentor. O counseling, por sua vez, é considerado um método que facilita a resolução de problemas mediante a utilização do potencial do próprio indivíduo. Podemos concluir que as organizações demandam lideranças efetivas. Diante desse cenário em ebulição, a prática do líder deve concentrar-se cada vez mais em inspirar as pessoas a atingirem os melhores resultados. Com isso, o líder passa a empregar práticas diferenciadas para facilitar o seu percurso. Uma delas é a sua atuação como líder coach, com o intuito de facilitar o desenvolvimento das pessoas, reforçando o potencial de cada indivíduo, para elevar de forma efetiva a sua performance nas corporações. Referências bibliográficas ABREU, C. I. M.; BOBSIN, D. Mudança e liderança na era do conhecimento: um desafio para repensar a gestão organizacional. 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