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Angélica dos Santos Melo Guelpeli_Barra do Piraí_Seminário 7 corrigida

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
CURSO DE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA – UNIRIO 
CONSÓRCIO CEDERJ
SEMINÁRIO VII – TEMAS CONTEMPORÂNEOS EM EDUCAÇÃO
“FORMAÇÃO DOCENTE PARA A EDUCAÇÃO DAS RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS”
RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS NA EDUCAÇÃO INFANTIL
Angélica dos Santos Melo Guelpeli – UNIRIO[1: Graduanda do curso de Licenciatura em Pedagogia (LIPEAD) na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), inscrita no Polo de Barra do Piraí Apoio Presencial UAB/CEDERJ, matrícula 14216080270. Atualmente sou professora em Escola Privada, Colégio Comercial Cândido Mendes, atuando com séries iniciais – 4º ano.]
Introdução
A Educação Infantil é um espaço de interação social, onde a criança desde sua tenra idade começa a interagir entre elas e passam a desenvolver inúmeras potencialidades. É de grande preponderância na educação infantil a ocorrência de práticas pedagógicas inclusivas que as permite vivenciar a diversidade e saber lidar com ela, principalmente a questão étnico-racial. A educação infantil tem como objetivo preparar os educandos para seguir sua vida educacional nos anos seguintes de forma eficaz, ou seja, é trabalhado o todo da criança.
	É preciso discutir diversidade étnico-racial no currículo da educação infantil como prática pedagógica inclusiva. Trabalhar este assunto na educação infantil é favorecer a aquisição de valores e atitudes que vão contribuir para a socialização e o respeito às diferenças pelas crianças desde pequenas. Por muito tempo esses saberes na educação brasileira foram rebaixados, e de forma muito sutil, as questões étnicos-raciais foram silenciadas, evitando-se discussões a respeito. Esta falta de diálogo nas escolas, fomenta para a construção de indivíduos preconceituosos e discriminadores.
	Trabalhar diversidade étnico-racial na escola é contribui na superação de situações cotidianas que perpassam pelo racismo e por outras formas de discriminação para o exercício de uma convivência dialógica baseada no respeito às diferenças. Também é reconhecer que este nível de educação tem a função de inserir a criança na sociedade e cultura, assim, ela aprende e constrói costumes, opiniões e suas histórias. 
Desenvolvimento 
O exercício da cidadania proposto na Constituição Federal (BRASIL, 1988) destaca a valorização de heranças étnico-racial que formam a nossa nação. Na escola essa valorização está relacionada a práticas curriculares e pedagógicas que devem ter princípios, ações ao respeito às diferenças e ao cumprimento de direitos concedidos a todos os seres humanos.
	Pode-se afirmar que a diversidade étnico-racial é uma das bases para a Educação. Por isso a necessidade de se iniciar esse trabalho, desde a educação infantil baseando-se no respeito, nas relações sociais, promovendo a valorização das diferenças. Nesse aspecto, entra a ação do professor, que têm papel fundamental para criar um ambiente favorável para que essas ações aconteçam. O esforço do professor em minimizar o impacto entre as diferenças sociais de uma criança para a outra, principalmente quando ela é negra e a outra é branca, incentivar as potencialidades de ambas, igualando e oportunizando uma educação igualitária, justa. “As crianças pequenas são orientadas e apoiadas pelos adultos de referência, e na escola infantil esse papel é assumido por seus educadores e professores.” (PANIAGUA; PALACIOS, 2007, p. 132).
	O direito a inclusão fortalece a autonomia, a autoestima e a identidade da criança na Educação Infantil. Contudo, é preciso que a escola garanta o desenvolvimento cognitivo e social do educando, a partir da prática do professor no processo de ensino-aprendizagem valorizando temas relacionados à história que formam os povos brasileiros, que é um patrimônio para o país. 
	A escola é um lugar de convivências para a criança e um local de descobertas. Fazendo uma relação ao exposto, para algumas crianças negras e indígenas haverá oposições de aceitação promovida pelo vínculo de sua identidade com estereótipos que a própria sociedade difunde. Assim, a criança internaliza essas generalizações através do olhar do outro por desenvolver suas potencialidades. Segundo Moreira e Candau (2003), o papel da formação nesta temática é ajudar os professores a desenvolverem uma nova identidade, uma nova postura perante a diversidade cultural, assim como “novos saberes, novos objetivos, novos conteúdos, novas estratégias e novas formas de avaliação.” (p.157)
	As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil – DCNEI - determina que o currículo da Educação Infantil são “as práticas educacionais organizadas em torno do conhecimento e em meio às relações sociais que se travam nos espaços institucionais, e que afetam a construção das identidades das crianças” (BRASIL, 2009). Assim, o currículo da educação infantil busca vínculo com as experiências e saberes da criança com os conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural, artístico, científico e tecnológico da sociedade através das práticas docentes continuamente avaliadas que organizam o processo educacional diário das instituições.
	Para que isso aconteça é preciso que o currículo esteja de acordo com a Lei 10.639/2003 que altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira", a Lei 11.645/2008 que acrescenta a história indígena na temática História e Cultura Afro-Brasileira, e na Lei n. 9.394/96, excepcionalmente, destacando o artigo 26 que já tornava obrigatório a inclusão do ensino da História da África e da Cultura Afro-Brasileira nos currículos das escolas públicas e particulares. 
	O currículo que visa valorizar diferentes sujeitos que estão numa sala de aula deve priorizar as perspectivas políticas de raça e etnia para desconstruir os estereótipos e estigmas que estão entranhados historicamente na sociedade. Muitas crianças não sabem se proteger e negam sua própria cultura porque fazem parte de um sistema de ensino baseado ainda na colonização do Brasil, onde o branco, prevalece sobre o negro. 
	A concretização das leis, através de sua prática eficaz no currículo e de uma pedagogia inovadora na Educação Infantil, primeira fase da Educação Básica, incorpora todas as crianças com a intenção de garantir o pleno desenvolvimento do educando, através de ambientes educativos próprios as práticas de professores que tratam das questões da diversidade étnico-racial.
Considerações Finais
	A diversidade étnico-racial na Educação Infantil deve ser ativa e inclusiva visando trabalhar o todo da criança com a intenção de desconstruir estereótipos que a sociedade criou ao longo dos anos, fruto de um processo colonizador. As crianças que se deparam com um processo de assimilação em sala de aula bem distinto do tradicional e uma pedagogia inovadora terá mais liberdade de aprender os conteúdos programáticos. Há a necessidade de aprender as diferenças culturais e raciais, na apreensão de culturas, na manifestação do pensamento, nas expressões artísticas e do saber, no multiplicar de ideias e de concepções e na valorização da heterogeneidade étnico-racial. Não será apenas o cumprimento de transmissão dos conteúdos, do planejar e executar um plano de ensino com inovações. É compreender que há possibilidades de ajustes no planejamento e nas práticas, e não só reproduzir e concretizar o pensamento. 
Referências Bibliográficas
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: imprensa oficial, 1988. 
_______ Ministério de Educação. Lei nº 9.394 Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília, 1996. 
________Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-brasileira. MEC/SECAD, 2004.
 _______ Ministério de Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Infantil. Secretaria de Educação Básica. Brasília: MEC, 2010.
FERREIRA, 	H. S.
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