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ANÁLISE SENSORIAL DE ALIMENTOS Docente: Dra. Sabrina de Bona Sartor Semestre 2018-1 Lages, março de 2018. Análise Sensorial de Alimentos 2 -UNIFACVEST- 1. INTRODUÇÃO 1.1 Conceitos e Definições A Análise Sensorial foi definida como disciplina científica em 1975 pelo IFT (Institute of Food Tecnology), sendo definida como a disciplina científica usada para evocar (provocar), medir, analisar e interpretar reações às características dos alimentos e materiais como são percebidas pelos sentidos da visão, olfato, gosto, tato e audição (ABNT, 1993). O homem possui habilidade natural para avaliar alimentos, sendo esta utilizada para comprar, diferenciar e quantificar as características dos alimentos. Isso ocorre desde a infância (na preferência ou rejeição aos alimentos) até a vida adulta, por isso é natural a preferência por determinadas marcas ou alimentos. Com o uso desta habilidade padronizando-se a técnica e aplicando-se o tratamento estatístico adequado aos resultados tem-se a Avaliação Sensorial aplicada. Através da análise sensorial pode-se determinar a aceitabilidade e qualidade dos alimentos, com auxílio dos órgãos humanos dos sentidos. Seu uso estende-se desde as equipes sensoriais na indústria até a análise do efeito da embalagem no produto; além do monitoramento, melhoramento ou lançamento de novos produtos no mercado. Sua prática é considerada milenar nas indústrias de cerveja, vinho e destilados da Europa. No Brasil, a prática se iniciou em 1954 com degustadores para a classificação do café brasileiro. 1.2. Definições (ABNT,1993) Aceitação: Ato de um determinado indivíduo ou população ser favorável ao consumo de um produto. Aceitabilidade: Grau de aceitação de um produto favoravelmente recebido por um determinado indivíduo ou população, em termo de propriedades sensoriais. Atributo: Característica perceptível. Consumidor: Indivíduo que utiliza o produto. Degustação: Avaliação sensorial de um produto alimentício na cavidade oral. Degustador: Indivíduo que executa a degustação. Discriminação: Diferenciação qualitativa e/ou quantitativa entre dois ou mais estímulos. Equipe selecionada: É o grupo de julgadores selecionados. Hedônico: Relativo ao gostar e desgostar. Julgador ou provador: Indivíduo que participa do teste sensorial. Julgador selecionado: Indivíduo escolhido por sua acuidade em realizar um teste sensorial. Julgador treinado: Indivíduo selecionado e submetido a treinamento para determinado teste e produto. Painel: equipe de julgadores que realizam teste sensorial. Embora este termo esteja em desuso pelos pesquisadores atuais, muitas indústrias utilizam este nome para denominar sua equipe de sensorial. Perito ou Especialista (expert): Julgador que possui grande experiência com o produto, sendo capaz de realizar individualmente a avaliação sensorial deste. Preferência: Expressão do estado emocional ou reação afetiva de um indivíduo que o leva à escolha de um produto sobre outro(s). Sensação: Reação fisiológica de um indivíduo resultante de uma estimulação sensorial. Sensorial: Relativo ao uso dos órgãos dos sentidos. Triagem: Processo preliminar de seleção. 1.3. Aplicações da Análise Sensorial De acordo com Dutcosky (1996), a avaliação sensorial fornece suporte técnico para pesquisa, industrialização, marketing e controle de qualidade. Dentre as muitas aplicações da análise sensorial na indústria de alimentos e nas instituições de pesquisa, pode-se citar: Controle das etapas de desenvolvimento de um novo produto, como análise descritiva das amostras experimentais; classificar amostras de acordo com padrões estabelecidos Análise Sensorial de Alimentos 3 -UNIFACVEST- e/ou estabelecer que um dos vários produtos experimentais tenha aceitabilidade igual ou melhor que o padrão. Avaliação do efeito das alterações nas matérias-primas ou no processamento tecnológico sobre o produto final. Redução de custos. Controle de efeito da embalagem sobre os produtos acabados. Controle de qualidade. Estabilidade durante o armazenamento – Vida de prateleira. Teste de mercado de novos produtos ou produtos reformulados. 1.4. Funções do Analista Sensorial Determinar o objetivo do projeto Determinar o objetivo do teste Selecionar as amostras Delinear o teste Conduzir o teste Analisar os resultados Relatar os resultados 2. ATRIBUTOS SENSORIAIS Podemos considerar os atributos de um alimento de acordo com a seguinte classificação: 1) Qualitativos: Rendimento, proporção dos ingredientes, pesos líquidos e drenados (fatores quantitativos). 2) Não aparentes: fatores que podem afetar o poder de venda do produto do ponto de vista da saúde e os que o consumidor pode avaliar por meio dos seus sentidos (informações nutricionais, adulterante, etc.). 3) Sensoriais: O controle dos atributos sensoriais de qualidade não visa tanto à proteção do consumidor, mas é um meio para os fabricantes de alimentos determinarem a preferência do mercado com a finalidade de obter um produto que satisfaça tais características a uma máxima economia de produção. Os diferentes atributos que compõem a qualidade sensorial dos alimentos são integrados no cérebro, na forma de uma impressão global de qualidade, mesmo sendo eles percebidos individualmente pelos sentidos humanos. 2.1. Avaliação da qualidade sensorial A avaliação da qualidade sensorial de um alimento pelo indivíduo pode ser considerada subjetiva, tendo as seguintes limitações: Influência do meio ambiente; Estado de saúde do indivíduo; Falta de pontos de referência; Tendência à comparação em vez de medição; Inclinação pessoal. Análise Sensorial de Alimentos 4 -UNIFACVEST- Figura 1: Quadro de definição da Qualidade Sensorial. 2.2. Percepção Sensorial Percepção é o ato ou efeito de perceber; reconhecimento dos sentidos no reconhecimento de um objeto; recepção de um estímulo; sensação; intuição. Pode-se dizer que a percepção ocorre quando o observador toma consciência da sensação. O ser humano guarda as percepções e quando elas são mudadas ocorre a impressão. O estímulo provoca uma irritabilidade nos receptores. Os cinco sentidos ou receptores são utilizados na percepção do alimento, determinando a qualidade específica da percepção, são eles: Visão – Estímulo físico Olfato – Estímulo químico Tato – Estímulo físico Audição – Estímulo físico Gosto – Estímulo químico 2.3. Órgãos dos Sentidos Os sentidos humanos são diretamente aplicados na Análise Sensorial para que se obtenha a percepção a respeito do produto que está sendo analisado. 2.3.1 Olfato O nariz é o órgão físico que nos permite o sentido do olfato, que nos capacita a sentir o cheiro, quando estamos fisiologicamente saudáveis. Cheiros são produzidos por misturas complexas de moléculas odoríferas. Odor é a propriedade organoléptica perceptível pelo órgão olfativo quando certas substâncias voláteis são aspiradas sendo este sujeito a variáveis, como a fadiga e a adaptação. Evita-se o termo “cheiro” em análise sensorial. Além do odor, o sentido do olfato é também responsável pela percepção do aroma. Neste caso, após um alimento ser colocado na boca, as substâncias voláteis nele presentes liberadas dentro da boca alcançam o epitélio olfativo via nasofaringe (DUTCOSKY, 2013). Enquanto mastigamos um alimento, seu aroma característico é liberado na boca, passando às narinas através da nasofaringe, até o epitélio olfativo. No topo do nariz está o epitélio sensível, alcançado por pequena fração de ar da respiração. Esta área são dotadas de pêlos, quesão terminações dos neurônios olfativos, pois os bulbos olfativos fazem conexão com o cérebro, explicando o poder do olfato para evocar memórias e estimular emoções. Desta forma, o nariz humano é muito sensível as variedades de odores, sendo que essa sensibilidade varia com o indivíduo e diminui com a idade. Análise Sensorial de Alimentos 5 -UNIFACVEST- Técnicas de aspiração: A técnica adequada para testar odor é a de fazer aspirações rápidas para contato adequado do odor com os receptores sensoriais, evitando inalações profundas e longas. Deve-se aspirar uma determinada amostra o tempo suficiente para tomarem uma decisão a respeito do aroma que estão sentindo, porém este tempo não deve ser muito longo, tornando-os confusos ou mesmo dessensibilizados. Outra particularidade é que os candidatos devem sempre manter a boca fechada durante o processo de aspiração. A adaptação olfativa é um fator importante a ser considerado, pois um odor pode parecer mais fraco à medida que subsequentes aspirações vão sendo realizadas. Na avaliação do odor de um produto pode ocorrer o mascaramento de um odor por outro odor e após certo tempo de exposição a um determinado odor, o indivíduo deixa de percebê-lo. A adaptação pode tornar a detecção de um odor mais fraco, depois de ter aspirado um odor mais forte. Entretanto, este efeito adaptativo é temporário, e os candidatos retornam à sua sensibilidade inicial no intervalo que existe entre as amostras, em torno de 30 segundos. O cansaço olfativo é amenizado ao cheirarmos a pele do próprio pulso ou braço. O tempo total de análise de uma série de 15 a 20 amostras deve ser, no máximo, 15 minutos. Figura 2: Sistema Olfativo. 2.3.2 Gosto A língua é o orgão físico que nos permite o sentido do gosto, através das papila gustativas. Porém, a sensibilidade ao gosto não se limita somente à língua, mas também o palato duro, as amigdalas, epiglote e para certas pessoas também da mucosa dos lábios, bochechas e a superfície inferior da boca (lateralmente). O gosto é a sensação percebida pelos órgãos gustativos (botões gustativos) quando estimulados por determinadas substâncias solúveis e envolve a percepção dos 4 gostos básicos: doce, ácido, amargo e salgado, além do gosto metálico e atualmente o umami (do japonês: agradável, gostoso), explicando a atuação dos realçadores de sabor, tais como glutamato. Os compostos usados como referências para os gostos básicos são: - Doce: sacarose; Análise Sensorial de Alimentos 6 -UNIFACVEST- - Salgado: cloreto de sódio; - Ácido: ácido cítrico; - Amargo: cafeína; - Umami: glutamato de sódio; - Metálico: sulfato heptahidratado de ferro. A sensibilidade aos gostos básicos varia entre os indivíduos. Percepções patológicas geralmente causadas por acidentes, uso de fármacos, fatores genéticos, que são: Ageusia: perda do sentido do gosto. Hipogeusia: decréscimo da sensibilidade do gosto. Parageusia: alteração na sensibilidade do gosto (troca os sabores). Hipergeusia: acuidade excessiva ou aumentada da percepção do gosto. Embora apenas doce, salgado, amargo, ácido e umami sejam reconhecidos como gostos básicos, outras sensações são observadas quando um alimento é ingerido, relacionando-se o gosto com o olfato além de temperatura, pressão, adstringência, entre outros. Este conjunto de sensações táteis, gustativas e olfativas pode ser chamada de sabor ou flavor (DUTCOSKY, 2013). Figura 3: Zonas de percepção dos gostos básicos na língua. Técnicas de sabor: A quantidade de amostra que um candidato coloca na boca deve ser padronizada e adequada para cada avaliação. Para amostras com baixo desenvolvimento de sabor, é importante que permaneçam por um certo tempo na boca do provador, antes de serem deglutidas ou cuspidas. Quando isto ocorre, o tempo de permanência destas amostras na boca também deve ser padronizado (20 a 30 segundos). A deglutição realça o sabor, porém pode causar fadiga sensorial se muitas amostras são analisadas. A decisão sobre deglutir ou não a amostra, é de responsbilidade do orientador da equipe, pois todos os membros devem adotar procedimentos idênticos. Enxaguar a boca também é opção do provador, porém, uma vez feito, o procedimento deve ser repetido em todas as outras avaliações. Água mineral é recomendada, mas pode-se usar pão branco, biscoito, água e sal ou torradas. Água quente é interessante se produto testado é gorduroso. Análise Sensorial de Alimentos 7 -UNIFACVEST- O intervalo das amostras depende do tipo de produto em estudo, mas em geral padroniza-se de 20 a 30 segundos. 2.3.3 Visão Os olhos são os orgãos físicos que nos permite o sentido da visão. O receptor é a retina que contém dois tipos de células: os cones e os bastões. Os cones são para detectar a cor e os bastões para visualizar a forma e a luz escura. O olho é sempre mais efetivo para detectar diferenças de cor e forma do que qualquer instrumento. Através da visão obtemos as primeiras impressões dos produtos quanto à aparência geral, que engloba as características de cor, tamanho, formato, brilho, impurezas, etc. Luzes coloridas podem ser usadas para mascarar diferenças de cor e reduzir sua influência na avaliação sensorial. Os fatores que podem interferir nas avaliações visuais são: fadiga ocular, iluminação não uniforme, cor do ambiente, julgamento dos avaliadores e a desuniformidade nas avaliações. A aparência é muito importante, pois influencia na opinião do consumidor com relação a outros atributos no produto, influenciando na sua decisão de compra e conseqüente consumo ou não. O consumidor espera que o produto tenha cor que o caracteriza e reluta em consumir quando esta é diferente em tonalidade ou intensidade do esperado. Além disso, os sinais visuais são importantes no controle de qualidade da matéria-prima. 2.3.4 Tato e Audição Os sentidos do tato e audição simultaneamente permitem a percepção da textura de alimentos e bebidas. A boca e a mão podem fornecer informações táteis do alimento. A textura é definida como todas as propriedades reológicas e estruturais (geométricas e de superfície) de um alimento pelos receptores mecânicos, táteis e aventualmente pelos receptores visuais e auditivos. A textura é um importante atributo físico dos alimentos, sendo que as percepções táteis podem influenciar drasticamente o prazer de comer. A sensação do tato podem ser classificadas em: Sensações somestéticas: terminações nervosas superficiais na pele, epiderme, derme e tecido subcutâneo. Sensação: tato, pressão, calor, frio, coceira e cócegas. Nos alimentos granulosidade, arenosidade, cristalinidade e floculação são consideradas sensações somestéticas. Sensações cinestéticas: fibras menores do músculo, tendões e ligamentos. Correspondem ao movimento mecânico dos músculos resultantes do esforço excessivo feito pelos músculos da mão, maxilar ou língua e a sensação da força resultante (compressão, ruptura ou corte) sobre a amostra que está sendo manuseada ou mastigada, etc. Firmeza, adesividade e viscosidade são sensações cinestéticas. Outro meio do uso da sensação cinestética é o toque ao alimento, como por exemplo, oexame de maturação de frutas. Os alimentos ao serem consumidos geram sons característicos esperados pelo consumidor, por sua experiência prévia com determinado tipo de alimento. Os sons provocados pela mordida ou mastigação completam a percepção da textura e fazem parte da satisfação ao comer. As vibrações de mastigação e deglutição alcançam o ouvido interno por meio da trompa de Eustáquio ou pelos ossos do crânio. Num painel sensorial deve-se cuidar com ruídos estranhos que dispersem a atenção, pois istopode comprometer a capacidade de avaliação. 2.4. Métodos de Avaliação Sensorial Embora as sensações produzidas pelos cinco sentidos possam ser estudas e entendidas separadamente, sua detecção e percepção no cérebro ocorre simultaneamente e de maneira associada. Um produto azul, por exemplo, parece mais escuro em um ambiente mais silencioso. Assim, a percepção final de um alimento, que determina a aceitação ou não do mesmo, ocorre por Análise Sensorial de Alimentos 8 -UNIFACVEST- meio da interação entre todos os sentidos humanos. A análise sensorial utiliza, portanto, todos os sentidos humanos como ferramenta nas diversas metodologias empregadas. Segundo a NBR 12994/1993 (ABNT), os métodos sensoriais podem ser classificados em: discriminativos ou de diferença, de sensibilidade, descritivos e afetivos. Os métodos discriminativos indicam se existe ou não diferença perceptível entre as amostras. Os métodos de sensibilidade medem a habilidade de perceber, identificar e/ou diferenciar qualitativa e/ou quantitativamente um ou mais estímulos pelos órgãos dos sentidos. Os métodos descritivos são aplicados com o objetivo de se obter a caracterização qualitativa e quantitativa das amostras e traçar seu perfil sensorial. O principal objetivo dos testes afetivos é avaliar a resposta individual (aceitação ou preferência) de consumidores habituais ou potenciais de um produto a uma ideia ou a uma característica do mesmo. Estes são os principais testes aplicados a consumidores e podem ser amplamente usados no desenvolvimento de novos produtos. Figura 4: Métodos de Análise Sensorial. A escolha do método de para a análise sensorial de um produto deve se basear na resposta das seguintes questões fundamentais: O produto é aceito pelos consumidores? Qual a preferência do consumidor? TESTES AFETIVOS! Existe diferença perceptível entre o produto em estudo e algum produto convencional similar? TESTES DISCRIMINATIVOS! Quais os principais pontos de diferença? Que qualidades sensoriais estão presentes? Quais as suas intensidades? TESTES DESCRITIVOS! Análise Sensorial de Alimentos 9 -UNIFACVEST- 3. SELEÇÃO E TREINAMENTO DE PROVADORES Devemos contar sempre com dois tipos de provadores/julgadores para realizar análise sensorial: os não treinados e os treinados. Nos testes analíticos o provador é utilizado como um instrumento, portanto há necessidade de treiná-los. Porém, não se deve utilizar um provador treinado para a realização de métodos afetivos. 2.1. Características gerais dos provadores Deve estar entre 18 e 50 anos, desde que as pessoas pertencentes às faixas etárias excluídas não sejam objeto do estudo. Crianças ainda não têm capacidade de usar uma terminologia adequada para expressar suas próprias impressões sensoriais e pessoas com mais de 50 anos já não possuem uma boa acuidade sensorial devido à perda da sensibilidade das células sensoriais da língua. Mas quando crianças e idosos são os principais alvos do produto em estudo, deve-se fazer uma exceção, preferindo-as, mesmo que se tenha maior trabalho para treiná-las. Possuir paladar geneticamente normal (capacidade de reconhecer gostos básicos). Possuir boa saúde, sem infecções bucais ou nasais e bom apetite, não deve usar dentaduras, aparelhos, etc. (dispensar o provador caso ele esteja gripado). Possuir habilidade de concentração. Possuir sensibilidade média. Possuir capacidade de reproduzir os resultados (reprodutibilidade) e ter boa memória sensorial. E, principalmente ter boa vontade e demonstrar interesse em participar dos testes. 2.2. Experts Apenas 1 indivíduo e no máximo 2 ou 3. Devem possuir alta acuidade sensorial e reprodutibilidade, são altamente treinados com opinião muito respeitada, quando os padrões já estão definidos, por exemplo: café, vinho, queijos. São geralmente treinados por outro expert em aulas particulares. São atribuições de um expert: - Devem conhecer todos os defeitos; - Devem identificar os defeitos através de uma expressão verbal e apropriada; - Devem avaliar a intensidade do defeito; - Devem ser capazes de graduar (classificar) os produtos de uma maneira coerente. 2.3. Equipes de laboratórios ou equipes de discriminação/descrição Compostas por 6 a 20 julgadores treinados, com alta acuidade e capacidade de discriminação. Antes de serem treinados são selecionados com base na acuidade sensorial, usados para testes de pequena diferença, para medir a intensidade da característica e para análise descritiva. Não se deve utilizar essas pessoas para testes afetivos que devem ser feitos com consumidor. Eles são treinados para medir diferenças e não preferências. 2.4. Equipe piloto ou equipe de aceitação de laboratório ou equipe de laboratório não treinada Composta por 25 a 50 pessoas, preferencialmente devem ter mais de 50 pessoas. Podem ser pessoas que trabalhem na instituição (cuidando para que as pessoas não sejam treinadas), mas deve-se ter cuidado com o erro de indulgência. Essa equipe é mais fácil de ser controlada e organizada do que a de consumidores. Usada para testes de preferência/aceitação, gostar/desgostar. 2.5. Equipe de consumidores Normalmente bem grande, com 200 a 500 pessoas. Não são treinadas, mede a atitude, opinião. Preferência/aceitação. Gostar/desgostar. Pode-se fazer o teste em um ponto central (biblioteca, escolas, etc.), pode ser feito na casa da pessoa, porém é mais difícil de controlar. Análise Sensorial de Alimentos 10 -UNIFACVEST- 4. CONDIÇÕES DOS TESTES 4.1. Quanto às cabines Devem ser individuais, evitando contato entre os provadores; Devem se situar adjacentes às áreas de preparação do produto e de servir amostras, de modo que possam ser servidas eficientemente; Devem possuir sinal luminoso para comunicação entre o provador e o experimentador; Podem ter cuspideiras ou computador, mas são equipamentos optativos. As cores da cabine não deve influenciar o produto (branca, cinza claro ou creme claro); A área interna deve possuir no mínimo uma luz colorida, além da luz branca. As cores: vermelha, azul e verde são as mais utilizadas para mascarar a cor do alimento quando este não deve interferir no teste aplicado. Figura 5: Cabines individuais para a realização de testes sensoriais. 4.2. Quanto ao laboratório Deve ser localizado em local sem muito barulho, limpo e isento de odores; As paredes devem ser preferencialmente brancas; Assegurar que haja saídas elétricas suficientes; A área de preparo das amostras deve seguir as orientações gerais de área de unidades de produção de alimentos (pia, geladeira, freezer, fogão e demais equipamentos possíveis de serem utilizados no preparo das amostras, como microondas, etc.) Deve ter iluminação uniforme, possuindo luz natural e fluorescente. Análise Sensorial de Alimentos 11 -UNIFACVEST- Figura 6: Laboratório de Análise Sensorial. 4.3. Quanto aos provadores Entender a importância do teste e para assegurar a cooperação e motivação; Alertar sobre a importância da concentração e de usar o tempo suficiente para completar os testes e evitar discussões desnecessárias e distrações durante o treinamento; Fornecer o máximo possível de informações sobre o propósito e resultados dos testes, porém de modo que essas informações não influenciem suas respostas; A evitar fumo, café, goma de mascar, balas, doces, líquidos para enxágüe da boca pelo menos meia hora antes da degustação; Cuidar da higiene bucal; Evitar usar batons, perfumes fortes ou cosméticos perfumados. Os julgadores devem lavar as mãos com sabão sem cheiro antes das avaliações, principalmentequando o teste for de odor; Ser pontual; Comunicar ao responsável pela condução dos testes se estiver com algum problema de saúde, como resfriado, congestão nasal, alergias, dores de cabeça, e nesses casos devem ser dispensados; Provar as amostras da esquerda para direita; Entre uma amostra e outra, lavar a boca conforme instrução do teste; Se a degustação abranger odor, aspecto visual e sabor, provar nesta ordem para que a avaliação de um atributo não influencie o julgamento dos demais; Leitura e correto preenchimento do questionário. 5. PREPARO E APRESENTAÇÃO DAS AMOSTRAS 5.1. Seleção da amostra Em toda a análise, todas as condições devem ser sempre muito bem padronizadas. Sem esta precaução os resultados ficam comprometidos. Vários cuidados são necessários para se assegurar a padronização: O analista sensorial deve determinar a quantidade necessária do produto (aconselha-se calcular uma quantidade a mais para o caso de algum problema ou de algum teste adicional); Deve ser mantido no laboratório para registro os dados pertinentes a origem do produto: quando e onde foi produzido, data e código do lote; Todo o produto representativo da amostra deve ser de uma única origem (mesmo lugar, linha de produção, data, etc.). Análise Sensorial de Alimentos 12 -UNIFACVEST- 5.2. Diluição e veículos A maioria dos produtos é servida como normalmente consumidos, entretanto, se, por exemplo, são apimentados ou condimentados ou condimentados, uma diluição é necessária, por exemplo, alguns patês; Em testes de diferença recomenda-se servir as amostras puras ou em sua forma de preparo mais simples, evitando-se a utilização de ingredientes ou veículos que possam afetar a percepção das propriedades sensoriais; Nas avaliações afetivas, recomenda-se a adoção de um veículo (carregadores), nos casos pertinentes. Para a escolha de veículos deve-se levar em conta o uso mais comum, freqüente e popular do produto. Sempre quando for utilizado veículo, é necessário cuidado adicional para evitar variações e interferências do mesmo sobre os julgamentos. Por exemplo, servir margarina com pão ou bolacha. 5.3. Quantidade de amostra A quantidade e tamanho dependerão da disponibilidade do material experimental; O tamanho da amostra deve ser mantido constante durante o experimento; Quando se usa uma amostra de referência, sua quantidade é duas vezes a da amostra experimental; Nunca se deve servir uma porção de consumo normal a menos que uma só amostra esteja sendo avaliada em testes afetivos; De maneira geral: 25g ou 30 mL. Esta quantidade pode variar conforme o teste aplicado. 5.4. Número de amostras Determinar com a equipe, durante o treinamento, o número de amostras que podem ser efetivamente testadas, considerando-se saturação e fadiga; Depende do tipo de produto, o número de características a serem avaliadas, o tipo de teste, a experiência da equipe e a sua motivação; O delineamento experimental e o número de tratamento a serem considerados, afetarão a análise estatística; Com o aumento do número de atributos, deve-se diminuir o número de amostras por sessão; Em geral, 6 a 7 atributos e 7 amostras são considerados o máximo absoluto para equipes treinadas. Já as avaliações visuais podem ser feitas com 20 a 30 amostras por sessão sem o problema de fadiga mental; Blocos completos: o provador recebe todas as amostras; Blocos incompletos: o provador recebe parte das amostras por cada sessão, até receber todas; Apresentação monádica: provador recebe uma amostra, avalia, amostra é retirada e outra é oferecida até o fim da sessão. Evita-se comparação direta. Boa opção para teste com consumidor; Apresentação em blocos completos: todas as amostras são servidas juntas. Alto efeito comparativo. Devem-se sempre provas da esquerda para direita. 5.5. Amostras de Referência Incluir sempre que possível (avaliar o tipo de teste aplicado); Auxilia a equipe e diminui a variação nos julgamentos; Amostras de referência podem ser colocadas na escala pela equipe; A referência deve ser a mesma em todas as avaliações, durante o experimento; Uma referência pode ser incluída como uma amostra codificada, a fim de checar a consistência das avaliações da equipe; a tarefa é coincidir a referência codificada com a amostra referência na intensidade dos atributos avaliados. 5.6. Codificação Não deve dar indício da identidade da amostra; Usar um número de 3 dígitos. Isto eliminará tendências pessoais de letras e números; Análise Sensorial de Alimentos 13 -UNIFACVEST- Para cada repetição, uma nova série de códigos é necessária; Caso o provador seja criança, pode-se usar símbolos (☼,♥), porém com cuidado; Nunca usar letras (A, B, C). 5.7. Ordem de Apresentação das Amostras As amostras devem ser rodiziadas quanto à sua posição de apresentação para balancear o experimento. Desta forma, durante todo o teste, cada amostra será permutada para ocupar diferentes posições. 5.8. Temperatura da Amostra As amostras devem ser rodiziadas quanto à sua posição de apresentação para balancear o experimento. Desta forma, durante todo o teste, cada amostra será permutada para ocupar diferentes posições. Esta é a fonte de muitos problemas. Em geral, é melhor servir à temperatura em que é normalmente consumido. Os extremos devem ser evitados, sendo que a faixa normal de consumo deve oscilar entre 7º C e 70ºC. As temperaturas consideradas ótimas para a avaliação de alguns produtos são apresentadas na Figura 7. Figura 7: Temperatura das amostras utilizadas em Análise Sensorial. Após as amostras terem sido distribuídas nos recipientes e logo antes de serem servidas deve-se verificar se estão na temperatura apropriada para o teste; Entretanto, em teste de diferença ou descritivos, a temperatura pode ser modificada em função de que a acuidade do gosto ou percepção é considerada mais intensa a temperatura entre 20º e 40ºC; Não cortar as amostras até que estejam prontas para servir, deve-se ter o cuidado para não ressecar as amostras ou isto afetará a avaliação sensorial; Evitar colocar as amostras em um forno ou sistema de aquecimento que as resseque e afete a avaliação sensorial, se colocar. 5.9. Utensílios Devem ser limpos, sem odor e sem sabor; Material ideal para servir: devem ser preferivelmente de vidro, porcelana vitrificada; Descartáveis são recomendados somente se tiver sido anteriormente testado, embora atualmente sejam bastante utilizados; Devem ser de formato que facilite a limpeza interna e externa; Características visuais podem interferir ou às vezes a camuflagem pode ser desejada; De fácil codificação; Adequado ao tipo de produto; Análise Sensorial de Alimentos 14 -UNIFACVEST- Adequado à temperatura do produto a ser servido; Não devem proporcionar qualquer sabor ou odor à amostra; Devem ser isentos de cor ou brancos, a menos que se queira mascarar diferenças visuais; Os recipientes devem ser aerados 24h após a lavagem; As amostras devem ser servidas em recipientes limpos, livres de odores estranhos, colocados em bandejas com guardanapos e talheres se for o caso; Cada provador deve receber, no mínimo, uma bandeja com amostras e água, o questionário e um lápis. É facultativo o uso de copos descartáveis para cuspir amostras. 5.10. Limpeza entre amostras Fornecer um líquido para enxágüe da boca entre amostras; Água a temperatura ambiente é adequada para a maioria das amostras; Se a degustação for de alimentos gordurosos, usar água morna, chá claro morno diluído, água com limão ou uma fatiade maçã; Bolacha de água e sal ou pão usado para a remoção de sabores residuais. 5.11. Horário do teste Hora do dia influencia nos resultados, desse modo deve ser mantida constante; Os horários ideais para realização de avaliações sensoriais são aqueles entre refeições, quando os provadores não estiverem influenciados pela fome ou ausência dela; Ter em mente que: Se for muito cedo é difícil a avaliação de alimentos muito condimentados e picantes; Se for muito tarde há falta de motivação; Evitar segundas e sextas-feiras, vésperas e pós-feriados prolongados e horários de refeições. TERMOS ESTATÍSTICOS BÁSICOS QUE UTILIZAREMOS NA ANÁLISE SENSORIAL Análise estatística: Matemática aplicada aos dados de observação. Para maior confiabilidade, os dados de observação devem seguir um delineamento, deve fazer parte de um trabalho planejado com objetivo de testar nova hipótese e obter novos fatos. Hipótese nula (H0): hipótese que é colocada a prova em teste de hipótese. Em geral indica uma igualdade a ser contestada. Hipótese alternativa (H1): hipótese que será considerada como aceitável, caso a hipótese nula seja rejeitada. P-value (p): corresponde ao menor nível de significância que pode ser assumido para rejeitar a hipótese nula. É denominado por a. Dizemos que há significância estatística quando o p-value é igual ou menor que o nível de significância adotado. Os níveis de significância mais utilizados são 5% e 1%. De maneira prática é o nível de confiabilidade nos resultados. Na análise sensorial utilizamos p 5% ou p < 0,05. Assim, quando o valor do p for menor que 5%, rejeitamos a hipótese nula (H0) e aceitamos a hipótese alternativa (H1). Estatisticamente significativo: dizer que um resultado é estatisticamente significativo significa que as diferenças encontradas são grandes o suficiente para não serem atribuídas ao acaso. A importância em termos biológicos não deve ser julgada pelos estatísticos, mas sim pelos profissionais da área em que a pesquisa está sendo feita. Etapas da aplicação da estatística na Análise Sensorial: 1º → Definir as hipóteses. 2º → Realizar o teste sensorial adequado ao objetivo determinado. 3º → Aplicar a análise estatística apropriada para o teste sensorial aplicado. 4º → Se o parâmetro calculado for maior que o tabelado (p<0,05), rejeita-se H0 e se aceita H1. Análise Sensorial de Alimentos 15 -UNIFACVEST- 6. TESTES DE DIFERENÇAS OU DISCRIMINATIVOS Determinam se existe diferença perceptível entre as amostras. Os julgadores atuam como instrumentos para detectar diferença. São considerados métodos analíticos. O ideal é que os julgadores tenham passado por uma seleção e treinamento mínimo, de acordo com a complexidade de cada teste. Testes que estudaremos classificados como Testes de Diferença: Triangular; Duo-Trio; Comparação pareada e Teste de Ordenação. 6.1. Teste Triangular Este teste objetiva verificar se existe diferença entre duas amostras que sofreram tratamentos diferentes, como verificar se mudanças de ingredientes, processamento, embalagem ou estocagem, acarretou alterações sensoriais no produto. Serve para detectar pequenas diferenças e por este motivo é utilizado antes de outros testes, porque não avalia o grau, nem caracteriza os atributos responsáveis pela diferença, ou seja, avalia o produto globalmente. É utilizado para verificar se existe diferença perceptível entre dois produtos comparando-se três amostras, onde 2 são iguais e 1 diferente. As amostras devem ser apresentadas e pergunta-se qual a amostra diferente. Recomenda-se 20 a 40 julgadores, embora apenas 12 possam ser utilizados em casos mais simples. Intercalar a apresentação ABA, BAB, AAB, ABB e BAA; A análise estatística se baseia no número de acertos. Por se tratar de um teste rápido, objetivo e de pouca fadiga, normalmente se aproveita a mesma sessão do julgador para aplicar dois ou três grupos de testes independentes. O número de respostas corretas necessárias para estabelecer diferenças significativas é encontrado na Tabela 4, com probabilidade de acerto ao acaso: 1/3. EXEMPLO Situação: Uma empresa está testando uma nova embalagem para o molho de tomate e deseja saber se a nova embalagem provocará alteração perceptível na cor do produto, após 4 meses de armazenamento. Objetivo do teste: Determinar se a interação da nova embalagem com o molho causará alteração perceptível na cor do produto. Seleção de amostras: Embalar o molho do mesmo lote em embalagem nova (A) e na embalagem normal (B). Armazenar por 6 meses. Planejamento: Aplicar o teste triangular com 30 provadores, utilizando a ficha de avaliação da figura abaixo: Figura 8: Ficha de Avaliação utilizada no Teste Triangular. Análise Sensorial de Alimentos 16 -UNIFACVEST- Delineamento: As seis ordens de apresentação das amostras deve ser casualizada entre os julgadores: ABA, BAB, AAB, BBA, ABB e BAA. A equipe deve ser selecionada e treinada quanto ao uso do teste previamente. Ver abaixo: Resultados / Conclusão Número total de respostas: 30 Número de respostas indicando a amostra da embalagem nova como diferente: 13 Número mínimo de respostas coincidentes (tabela 4) para o nível de significância de 5% = 15. Se 13<15, conclui-se que não há diferença significativa (p>0,05) na cor entre as amostras acondicionadas na embalagem nova e na usual, após 6 meses de armazenamento. Exercícios Teste Triangular 1) O Teste Triangular foi aplicado para avaliar a seguinte diferença entre as amostras armazenadas em temperatura ambiente (Lages/SC), as quais foram produzidas e embaladas no mesmo dia, sob as mesmas condições de processamento: Amostra “A” = coco ralado com 45 dias de prateleira com antioxidante BHT Amostra “B” = coco ralado com 45 dias de prateleira sem antioxidante a) Escreva o objetivo do teste e os respectivos testes de hipóteses. b) Participaram da análise 19 julgadores selecionados, obtendo-se 9 respostas corretas. Qual é o resultado da análise? c) Estas mesmas amostras foram avaliadas com 60 dias de prateleira e, desta vez, participaram 17 julgadores, obtendo-se 10 respostas corretas. Qual é o resultado da análise? (indicando nível de significância) d) Qual a conclusão deste estudo? 2) Para determinar a diferença de sabor entre a composição de variedades de café aplicamos o teste triangular, utilizando as seguintes amostras: Amostra “A”: xícara de café com 96% variedade arábica proveniente de São Paulo (lote nº 102) e 4% robusta. Amostra “B”: xícara de café com 92% variedade arábica proveniente de São Paulo (lote nº 102) + 8% robusta. As condições de torrefação são idênticas e efetuadas no mesmo dia. O objetivo é o barateamento de custos, pois a variedade conilon é mais barata, porém com sabor característico bem mais suave. A análise foi desenvolvida por 22 julgadores selecionados e treinados e o número total de julgamentos corretos obtidos foi igual a 10. Pede-se: a) Escreva o objetivo do teste e os respectivos testes de hipóteses. b) O resultado de análise. Análise Sensorial de Alimentos 17 -UNIFACVEST- 6.2. Teste Duo-Trio O principal objetivo deste teste é verificar se existe diferença global perceptível entre duas amostras que receberam tratamentos diferentes. O teste consiste na apresentação de um padrão (controle) e 2 amostras, sendo uma das amostras igual ao padrão e a outra diferente. A principal vantagem deste teste é que a referência é apresentada, evitando confusão. Este teste é mais adequado quando o produto tem características marcantes, como apimentado, oleoso, ou característica pouco intensas, que demandem ter uma amostra padrão. Utiliza-se mínimo de 15 julgadores, sendo o ideal acima de 30. Para a análise do testedeve-se conferir as respostas corretas e conferir na tabela 2. A probabilidade de acertar ao acaso é ½ e as amostras devem ser servidas em todas as posições possíveis: P=A, A B P=A, B A P=B, A B P=B, B A EXEMPLO Situação: Um fabricante deseja mudar o fornecedor de cacau por outro mais barato, porém, não quer que as características sensoriais de seu chocolate alterem. Objetivo do teste: Determinar se ao utilizar o cacau do fornecedor X causará alguma alteração perceptível no produto. Seleção de amostras: Preparar as duas amostras: formulação usual (A) e formulação com o cacau do fornecedor X (B). Planejamento: Aplicar o teste Duo Trio com 26 julgadores, utilizando a ficha de avaliação abaixo. Figura 9: Ficha de Avaliação utilizada no Teste Duo-Trio. Delineamento: A ordem de apresentação das amostras deve ser balanceada entre os julgadores: AB, BA; intercalando as amostras no padrão. Resultados / Conclusão: Número total de respostas: 26 Número de respostas indicando a amostra igual ao padrão corretamente: 23 Número mínimo de repostas coincidentes (tabela 2) para o nível de significância de 5% = 18. Como 23>18, portanto existe diferença sensorial entre as duas amostras em nível de 5% de significância, logo, conclui-se que o cacau não deve ser substituído pelo produto do fornecedor X porque foi percebida uma diferença sensorial significativa (p< 0,05), entre as duas amostras. Análise Sensorial de Alimentos 18 -UNIFACVEST- Observações importantes: O teste duo-trio é mais simples para o provador, uma vez que é mais fácil procurar a amostra solicitada do que no teste triangular. Porém, o teste duo-trio é menos eficiente que o triangular porque a probabilidade de acertar ao acaso é ½ ao invés de 1/3 como no triangular; Assim como o teste triangular, o teste duo-trio verifica apenas se a as amostras testadas são diferentes, não avaliando qual é a diferença, ou se a diferença é grande ou pequena. Ou seja, avaliam diferença GLOBAL. Exercício Teste Duo-Trio 1) Um engenheiro de alimentos deseja verificar se, ao mudar o fornecedor do aroma sabor bacon do seu salgadinho alterará o sabor original do seu produto, pois o produto do atual fornecedor teve um aumento considerável e este valor não pode ser repassado ao seu produto, pois o mesmo é um produto para classe C. Aplicou-se o teste Duo-Trio para verificar se há diferença sensorial entre o produto com o aromatizante do fornecedor atual com o novo fornecedor. Aplicou-se o teste Duo- Trio em 38 julgadores e 19 respostas foram corretas. a) Escreva o objetivo do teste e os respectivos testes de hipóteses b) Apresente o resultado da análise e a sua conduta como tecnólogo, com base nos resultados obtidos no teste. c) Por que se optou pelo Duo-Trio ao realizar este teste? 6.3. Teste de Comparação Pareada Os testes de comparação pareada são direcionais, ou seja, avalia um determinado atributo sensorial (doçura, acidez, etc.), por isso a conclusão sobre a diferença será apenas para o atributo específico que foi solicitado ao julgador. Ex: verificar qual amostra é mais doce, ou mais ácida, ou mais aromática, etc. O teste consiste na apresentação de duas amostras e o provador deve dizer qual das duas tem maior intensidade de uma característica bem definida. A probabilidade de acerto ao acaso é de ½. As amostras devem ser servidas nas duas combinações: AB / BA. Quanto à equipe de julgadores, seguem-se as recomendações do teste duo-trio, porém deve- se garantir que os provadores detectem corretamente o atributo sensorial medido: doçura, acidez, aroma, firmeza, etc. 6.3.1. Teste de Diferença Direcional – Monocaudal Determinar se duas amostras se difere em um atributo específico; É o mais simples e mais utilizado, aplicado para determinar se há necessidade de aplicar outros métodos mais sofisticados; Duas amostras são servidas juntas. O julgador deve prová-la da esquerda para a direita e deve detectar qual amostra é diferente; Provador requer mínimo de treinamento, porém se for para reconhecer um sabor estranho em produtos já comercializados precisa de julgadores altamente treinados; Deve-se usar em média 20 julgadores; Antes do teste deve-se fazer o reconhecimento do atributo apresentando amostras referências, até que os julgadores reconheçam a diferença. Para avaliar a significância estatística, consultar a tabela 2; EXEMPLO Situação: Devido a troca do tipo de laranja para a realização do suco de laranja de uma empresa X, observou-se que o suco fabricado com o novo tipo de laranja apresentava uma acidez ligeiramente maior comparada ao suco realizado com o tipo anterior de laranja. Objetivo do teste: Determinar se o aumento na acidez do novo suco de laranja seria percebida sensorialmente. Análise Sensorial de Alimentos 19 -UNIFACVEST- Seleção de amostra: A = suco de laranja feito com a laranja antiga B = suco de laranja feito com a nova laranja (mais ácida) Planejamento: Aplicar o teste com 20 provadores, utilizando a ficha abaixo, perguntando se a amostra B é mais ácida. Figura 10: Ficha de Avaliação utilizada no Teste de Diferença Monocaudal. Hipóteses: Hipótese nula (H0): Acidez A=Acidez B Hipótese alternativa (H1): Acidez B>Acidez A Delineamento: Apresentar as amostras simultâneas e igualmente nas ordens AB e BA, aleatoriamente para cada provador. Análise dos resultados: - Total de respostas: 20 - Número de respostas corretas indicando a amostra B (com acidez mais alta) como a mais ácida: 16. - Número mínimo de respostas coincidentes (tabela 2) para o nível de significância: 5%=15 (p<0,05) 1%=16 (p<0,01) 0,1%=18 (p<0,001) Resultado/Conclusão: Como o nosso número de respostas foi 16, existe diferença sensorial entre as duas amostras em nível de 1% de significância. Ou, há diferença estatisticamente significante na acidez entre as amostras A e B, onde B é mais ácido que A (p<0,01). Neste caso, podemos afirmar com 99% de certeza que a diferença entre as amostras é perceptível. Nota importante: Se apenas 14 pessoas indicassem a amostra B como sendo a mais ácida não haveria diferença significativa entre elas. Isto não significaria que as amostras fossem iguais, mas sim, que a diferença não foi percebida sensorialmente com significância estatística. 6.3.2. Teste de Diferença – Bicaudal Teste bicaudal: teste cujo objetivo é testar apenas se as médias (ou proporções) são iguais ou diferentes e não estabelecer qual delas é maior ou menor. Este teste possui duas hipóteses alternativas. EXEMPLO: Situação: Uma pesquisa demonstrou que os consumidores preferem sucos naturais. Foram desenvolvidos dois tipos de pó para suco de maracujá (A e B) com sabor muito próximo do suco natural de maracujá, e a indústria quer saber qual dos dois tem a característica mais próxima do suco natural. Análise Sensorial de Alimentos 20 -UNIFACVEST- Objetivo do projeto: Desenvolver um produto com maior característica de suco de maracujá natural. Objetivo do teste: Verificar qual sabor é mais parecido com o do suco de maracujá natural. Planejamento do teste: Como diferentes pessoas podem ter idéias diferentes sobre o sabor do suco de maracujá fresco, são necessários 80 julgadores. A ficha para realização do teste aparece abaixo. Figura 11: Ficha de Avaliação utilizada no Teste de Diferença Bicaudal. Hipóteses: Hipótese nula (H0): Amostra A = Amostra B (A e B tem sabores parecidos com o suco de maracujá natural). Hipótese alternativa (H1): Amostra B ≠ Amostra A onde: Amostra A mais parecida com suco natural ou Amostra B mais parecida com suco natural Qualquer uma das alternativas é aceitável, poisnão se tem indicação prévia de qual amostra tem sabor mais próximo do natural, sendo caracterizado então, o teste BICAUDAL. Delineamento: Apresentar as amostras simultâneas e igualmente nas ordens AB e BA. Resultado/Conclusão: Número total de respostas: 80 Contar qual das amostras foram mais indicadas. Número de respostas indicando a amostra A como o sabor mais fresco de laranja: 56 Consultar na tabela 3 os números equivalentes em nível de significância 5%, 1% e 0,1%, para 80 respostas: 5%=50, 1%=52 e 0,1%=56 Logo, como 56 julgadores consideraram a amostra A como a mais próxima do sabor natural e a amostra A diferiu significativamente da amostra B em 0,1%, a amostra A foi considerada como o suco mais próximo do suco natural de maracujá. Observações importantes: Sabendo-se qual amostra deveria apresentar maior intensidade do atributo avaliado, utiliza- se o teste monocaudal. Exemplo: verificar se os julgadores conseguem diferenciar a doçura de uma bebida láctea com 1% de açúcar e outra com 2% de açúcar. Como se espera que, se houver diferença, a amostra com 2% será o mais doce, deverá ser feito o teste monocaudal. Se não se sabe qual amostra deveria apresentar maior intensidade do atributo avaliado, utiliza-se o teste bicaudal. Exemplo: substitui-se certa concentração de aspartame por Análise Sensorial de Alimentos 21 -UNIFACVEST- ciclamato de sódio e deseja-se saber se as gelatinas diferem em doçura. Neste caso, não se sabe qual é a mais doce, assim, deverá ser feito o teste bicaudal. Exercícios de Testes de Comparação Pareada Para cada caso abaixo, determine se o teste seria monocaudal ou bicaudal, escreva a pergunta a ser feita na ficha ao provador, analise o resultado e conclua o teste. 1) Na modificação do processamento de uma indústria de vinagre, percebeu-se que a acidez titulável ficou ligeiramente maior no vinagre com o novo processamento comparada ao vinagre com processamento anterior. Desta forma, procedeu-se ao teste de comparação pareada para verificar se este aumento da acidez titulável seria percebido sensorialmente, desta forma, 30 julgadores fizeram o teste e 15 acertaram qual era o vinagre mais ácido. 2) Com objetivo de diminuir o teor do ingrediente Glutamato Monossódico (GMS) de um tempero tradicional, observou-se que, dentre as poucas opções de realçadores de sabor no mercado o extrato de levedura seca inativa (LSI) seria uma das opções, mas, ao desenvolver o novo produto, a concentração do LSI não foi consensual entre a equipe de P&D, ficando em dúvida entre a troca total do GMS por LSI ou a troca por metade GSM e a outra metade LSI. Procedeu-se então ao teste sensorial a fim de detectar qual das duas formulações teria o sabor final do tempero tradicional 100% GSM. Foi realizado o teste de comparação pareada com 25 julgadores onde 15 julgaram a formulação GMS/LSI mais próxima da tradicional e 11 julgaram a formulação LSI como mais próxima da formulação tradicional. 3) Ao trocar o fornecedor de erva mate para obtenção de chá mate, observou-se que o teor de polifenóis (tanino) era ligeiramente mais alto que a erva anterior. Sabe-se que os taninos são responsáveis pelo gosto amargo dos chás mate. Como o objetivo não era mudar o sabor final do chá, e sim, manter o gosto amargo do chá anterior, procedeu-se ao teste de comparação pareada, com o objetivo de avaliar se o alto teor da nova erva mate influenciaria no gosto amargo do chá. Procedeu-se ao teste de comparação pareada, com 22 julgadores, sendo este teste repetido 2 vezes, a fim de se obter maior número de respostas e ter um resultado mais confiável. Do total de respostas, 21 selecionaram o chá procedente da nova erva como mais amargo. 4) Com o objetivo de aumentar o gosto salgado de um produto alimentício sem aumentar o seu teor de sódio, foram testadas duas novas fórmulas, uma delas substituindo parte do cloreto de sódio por cloreto de potássio e outra formulação substituindo parte do cloreto de sódio por cloreto de cálcio. Procedeu-se ao teste de comparação pareada com objetivo de verificar qual dos dois teria ficado mais salgado, sendo que os dois produtos tiveram, com a nova formulação, teores de sódio reduzidos. Participaram do teste 32 julgadores e 24 optaram pela formulação com cloreto de potássio. 5) Ao alterar o tipo de corante do refrigerante para obter a coloração amarela, observou-se leve alteração na cor do produto para mais intensa, comparado ao corante anteriormente utilizado. Desta forma, procedeu-se ao teste de comparação pareada, a fim de verificar se essa alteração na cor seria percebida pelos consumidores do refrigerante. Participaram do teste 38 julgadores, sendo que 26 perceberam que o novo corante tinha coloração mais intensa. 6) Numa nova formulação de pé-de-moleque, substituiu-se parte do xarope de glicose por frutose. Sabe-se que a frutose possui poder adoçante maior que a glicose, desta forma, foi realizado um teste sensorial para verificar se o aumento de frutose aumentaria a doçura do produto final, comparado com o produto processado apenas com xarope de glicose. Foi realizado o teste de comparação pareada com 30 julgadores, repetido 2 vezes e obteve-se 33 respostas afirmando que o produto com frutose era mais doce comparado com o produto formulado apenas com xarope de glicose. Análise Sensorial de Alimentos 22 -UNIFACVEST- 6.4. Teste de Ordenação Este teste permite a comparação de 3 ou mais amostras com relação a um atributo como acidez, doçura, etc. em um único teste, verificando se estas diferem entre si. Os resultados são ordinais. Consiste na apresentação de 3 ou mais amostras de maneira casualizada e balanceada e os julgadores são solicitados a ordená-las (na ordem crescente ou decrescente) quanto à intensidade de um determinado atributo. Recomenda-se que o provador faça uma primeira ordenação das amostras e teste-as de novo para verificar se a ordem está realmente correta. Os resultados são calculados pela soma das ordens para cada amostra e avaliados estatisticamente pelo teste de Friedman, usando a tabela de Newell e MacFarlane (tabela 5). Este teste estatístico indica a diferença crítica entre os totais de ordenação, de acordo com o número de tratamento testado e o número de julgamentos obtidos. Se duas amostras diferirem por um número maior ou igual ao número tabelado, pode-se dizer que há diferença significativa entre elas. Número de julgadores: não usar menos de 8 e se possível usar 16 ou mais para melhorar a discriminação. EXEMPLO Situação: Uma determinada linhagem de frango foi separada em 3 grupos, sendo que cada grupo foi alimentado com um tipo de ração diferente. Objetivo do teste: comparar a textura de carne branca de frango alimentado com 3 rações diferentes. Seleção de amostras: Preparar o frango, no mesmo processo de cocção, para comparação da textura da carne. Planejamento: Aplicar o teste ordenação com 8 provadores, utilizando a ficha de avaliação abaixo. Ordenar as amostras de carne de acordo com a textura, sendo a mais macia ordenada em primeiro lugar e a mais dura em último. Figura 12: Ficha de Avaliação utilizada no Teste de Ordenação. Delineamento: A ordem de apresentação das amostras deve seguir a ordem A, B, C. Resultados: A partir da soma dos valores de cada amostra, faremos o quadro abaixo para achar a diferença entre o total de cada amostra com as demais, constrói-se o quadro abaixo: Análise Sensorial de Alimentos 23 -UNIFACVEST- Pela tabela 5, a diferença crítica entre os totais de ordenação em nível de 5% é 10. Assim, todas as amostras que diferirem entre si por um valor maior ou igual a 10 são significativamente diferentes (p<0,05). Comparação das amostras R1-R2=13-12=1 não diferem entre si. R1-R3=13-23=10diferem entre si (5%) R2-R3=12-23 = 11 diferem entre si (5%) Conclusão: A carne branca de frango alimentado com as rações 1 e 2 não houve diferença significativa na textura mais dura em relação às demais, ao nível de significância 5%. Portanto, as duas podem ser usadas para se obter uma textura macia. Exercício de Teste de Ordenação 1) Foi desenvolvido um suco de frutas dietético com 2,5% de adoçante. O Controle de Qualidade deseja saber qual variação na porcentagem de adoçante da formulação que não afetaria a intensidade do gosto doce do produto. Foram preparadas amostras do suco de frutas com 1,5% (A); 2,0%(B); 2,5%(C); 3,0%(D) e 3,5%(E) de adoçante e foi aplicado o teste de ordenação com 15 provadores, utilizando a ficha de avaliação abaixo. Analise os resultados e verifique se há diferença significativa entre as amostras, conclua qual a variação que pode ocorrer no processamento sem alterar a doçura e faça uma tabela com os resultados. Análise Sensorial de Alimentos 24 -UNIFACVEST- 7. TESTES AFETIVOS Testes afetivos são ferramentas importantes, pois acessam diretamente a opinião (preferência e/ou aceitabilidade) do consumidor já estabelecido ou potencial de um produto, sobre características específicas do produto ou idéias sobre o mesmo; devido a isso também são chamados de teste de consumidor. Algumas bibliografias os referenciam como métodos subjetivos. Os testes afetivos podem ser classificados em duas categorias: a) Testes de preferência: Quando o objetivo é avaliar a preferência do consumidor quando ele compara dois ou mais produtos entre si. *Preferência pode ser definida como: - Escolha de uma amostra em relação à outra; - Contínuo psicológico do afetivo (percepção do agradável até o desagradável) através dos quais baseiam a escolha. b) Testes de aceitabilidade: Quando o objetivo do teste é avaliar o grau com que consumidores gostam ou desgostam de um produto. *Aceitabilidade pode ser definida como: - Expressão do grau de gostar; - Uma experiência caracterizada por uma atitude positiva; - Pela utilização atual do produto (hábito de comprar ou consumir um alimento). É importante salientar que a Análise Sensorial foca as características sensoriais do produto e determina qual o produto preferido e/ou melhor, aceito por um determinado público alvo em função de suas características; enquanto que a Pesquisa de Mercado enfoca populações, identifica os consumidores para os quais os produtos serão direcionados e desenvolve estratégias para alcançar esses consumidores. Portanto, elas são áreas separadas, mas que desenvolvem atividades que se relacionam e se complementam. 7.1. Aplicação dos Testes Afetivos Testes afetivos são usados principalmente por fabricantes de produtos de venda direta ao consumidor, mas podem também ser uma importante estratégia para fabricantes de ingredientes como aromas, corantes, aditivos, misturas de pré-preparo de alimentos e organizações prestadoras de serviço, etc. As principais aplicações dos testes afetivos podem-se citar: - Manutenção da qualidade do produto; - Otimização de produtos e/ou processos; - Desenvolvimento de novos produtos. 7.2. Equipe de Participantes nos Testes Afetivos O grupo de pessoas para participar dos testes afetivos deve ser selecionado como amostragem representativa de uma população, no caso o mercado consumidor, sobre a qual o analista estuda. Esse grupo deve ser composto por consumidores ou consumidores em potencial do produto a ser testado, uma vez que os bens de consumo e serviços são direcionados para atingir populações alvo, mercados selecionados ou segmentados da população cuidadosamente selecionados. Na amostragem da população de consumidores não é recomendado o uso de funcionários da empresa interessada no teste, porque estes podem facilmente reconhecer produtos da empresa e, portanto, ter atitude positiva com relação ao produto porque ajudaram a fabricá- lo, como terem atitude negativa porque se encontram em atrito com a mesma. Em testes afetivos essa seleção não está relacionada a habilidades sensoriais, como discriminar amostras ou descrever atributos do produto, e sim, em encontrar pessoas que se incluam na população alvo a qual o produto é destinado. Análise Sensorial de Alimentos 25 -UNIFACVEST- A seleção do grupo alvo deve levar em consideração as faixas etárias dos consumidores e a proporção de sua representatividade dentro da população, principalmente no caso de produtos de consumo dependentes da idade. A faixa de idade de 4 a 12 anos é a escolhida para testes com brinquedos, doces, cereais achocolatados, biscoitos, etc., a de 12 a 19 anos para roupas, revistas, divertimentos, salgadinhos, biscoitos, refrigerantes, etc. a de 20 a 35 anos é nos países desenvolvidos que recebe mais atenção porque geralmente não tem grandes gastos familiares e consequentemente possui alto potencial de consumo. É nessa idade em que se formam os hábitos de consumo. Acima de 35 anos os gastos familiares aumentam geralmente com a aquisição de imóveis e após os 55 anos há preocupação com aspectos relacionados com a saúde e as pessoas tendem a ser mais econômicas. Outros fatores que também devem ser levados em consideração é o sexo, estado civil, localização geográfica, nacionalidade, raça, religião, educação, etc. 7.3. Locais de Aplicação dos Testes Afetivos Os testes afetivos podem ser aplicados em ambiente de laboratório, onde as condições são mais passíveis de controle, em locais centralizados (central location) e em domicílios. Teste em laboratórios: São realizados no ambiente do laboratório de análise sensorial, em cabines individuais; O número de consumidores varia de 25 a 50 indivíduos; O número de amostras testadas varia de 2 a 5 em cada sessão de teste É utilizado para seleção preliminar de amostras para futuros testes, gerar informações para a área de desenvolvimento de produtos e processos; Tem como principais vantagens o controle no preparo e apresentação das amostras, rápido retorno dos resultados e baixo custo; Tem como principal desvantagem que o teste é realizado em condições e quantidades não similares àquelas em que o indivíduo consome o produto, o que pode influenciar na detecção e identificação dos atributos positivos e negativos. Testes de localização central (“Central location”): São usualmente conduzidos em áreas em que há um grande potencial de consumidores, como escolas, shopping centers, clubes ou locais similiares. As pessoas podem ser pré- selecionadas interceptadas no local, inquiridas se desejam participar do teste e selecionadas de acordo com os pré-requisitos estabelecidos no teste; Geralmente se coleta de 50 a 300 respostas (pessoas) em cada local onde o teste é realizado e os produtos são preparados fora da visão dos provadores, servidos em pratos, copos, xícaras ou em outra vasilha adequada codificados com números de 3 dígitos. Como o potencial de distração pode ser alto, as instruções e as questões devem ser claras e concisas; O número de amostras testadas pode variar de 2 a 4; Temos como principais vantagens que os organizadores que podem esclarecer quaisquer dúvidas prontamente e as condições são favoráveis à obtenção de alta porcentagem de retorno de respostas de uma grande parcela da população testada. Dentre as desvantagens podemos citar a menor possibilidade de controle das condições do teste, menor individualidade nos julgamentos, barulhos, etc.; se comparado com o teste realizado em laboratório; produto é testado em condições não similares àquelas que normalmente consumiriam o produto e o custo é elevado. Testes domiciliares (“in home”) Na maioria das vezes os testes domiciliares representam a finalização do testede consumidor. É realizado na casa do consumidor sob condições normais de uso do produto. Os participantes são selecionados para representar a população alvo podendo também ser obtida a opinião da família inteira. Deve-se levar em conta a influência dos membros da Análise Sensorial de Alimentos 26 -UNIFACVEST- família entre si. Em complementação podem-se obter informações sobre a embalagem e as instruções de uso do produto; O número de famílias pode variar de 50 a 100 famílias, e tamanho típico da amostra é de 75 a 300 famílias por cidade, em 3 a 4 cidades diferentes; Geralmente são testados um ou dois produtos, para serem avaliados e comparados. Número maior de amostras envolve risco de menor retorno de resposta devido a férias familiares, desistências, perda de formulários, desinteresse, etc.; Dentre as vantagens tem-se que o produto é preparado e consumido de forma global e sob reais condições de uso; o julgamento é obtido sob condições estabelecidas de uso freqüente, ao invés de se basear numa primeira impressão de contato com o produto, podem fornecer informações sobre compras repetitivas, além de se obter maior número de informações (embalagem, instruções de preparo, preço, etc.) porque as pessoas têm mais tempo disponíveis para preencher o questionário; Na análise das desvantagens temos o tempo longo para se ter resultados (1 a 4 semanas), alto custo, questionários mal e/ou não respondidos e pouco ou nenhum controle é possível sobre as condições de preparação e teste dos produtos. 7.4. TESTES DE ACEITAÇÃO Os testes afetivos são utilizados quando se necessita conhecer o “status afetivo” dos consumidores com relação ao(s) produto(s), desta forma se utiliza das escalas hedônicas. As escalas hedônicas são aquelas que expressam o gostar ou desgostar. As melhores escalas são as balanceadas, uma vez que apresentam igual número de categorias positivas e negativas, ao contrário das não balanceadas. As escalas não balanceadas não são tão amplamente utilizadas por apresentarem mais termos no lado positivo da escala do que no negativo, que por sua vez apresenta os termos mais espaçados, e alguns pesquisadores consideram que podem não ser muito claras para o provador e fornecer resultados distorcidos. Os testes de aceitabilidade são muito parecidos com os testes de diferença de atributo, com a exceção de que se avalia a aceitabilidade ou o gostar/desgostar. Exemplos destas escalas são apresentados abaixo: a) Escalas Hedônicas Faciais Figura 13: Modelos de Escala Hedônicas Faciais. a) Escalas Hedônicas Verbais com 9, 7 e 5 categorias Figura 14: Modelos de Escala Hedônicas Verbais. Análise Sensorial de Alimentos 27 -UNIFACVEST- Aplicação dos testes de aceitabilidade O provador recebe as amostras codificadas e é solicitado a avaliar os seus sentimentos com relação a cada amostra utilizando um das escalas citadas acima, conforme o objetivo e população alvo do teste; Pode-se avaliar somente a aceitação global, ou seja, o produto como um todo, ou também, avaliar a aceitação de atributos do produto, como cor, aroma, gosto, etc., que pode ser observada nas fichas a seguir: Figura 15: Ficha modelo de Teste Afetivo – Aceitação. Figura 16: Ficha modelo de Teste Afetivo – Aceitação. Análise Sensorial de Alimentos 28 -UNIFACVEST- Na maioria dos casos é desejável que se apresente uma amostra de cada vez, sequencialmente, ou seja, uma após a outra. Todos os provadores devem provar todas as amostras, utilizando-se ordens alternadas na apresentação; Pode-se dar os atributos a ser avaliado (como as fichas exemplificadas), como também, pode-se solicitar que o provador descreva as características que ele considerou positiva e negativa. Após estas respostas, quantifica-se em percentual os atributos levantados; Os resultados devem ser avaliados por análise de variância para verificar se existe diferença significativa entre as amostras, e havendo três ou mais amostras e o resultado for p< 0,05, segue-se com o teste de Tukey (teste de médias) para verificar quais amostras diferem entre si. EXEMPLO Problema / Situação: Uma indústria de produtos cárneos deseja fazer uma avaliação prévia da aceitabilidade de presunto defumado, com três níveis diferentes de defumação, para selecionar os mais aceitos que posteriormente deverão ser testados nas casas dos consumidores. Objetivo do teste: Determinar qual ou quais das amostras podem ser apresentados aos consumidores em teste de aceitabilidade a ser realizado nos seus domicílios, desta forma, tem como principal objetivo medir a aceitabilidade de cada amostra de presunto. Delineamento do teste: Uma equipe de 30 consumidores avaliou três amostras de presunto preparados com diferentes tempos de defumação, através de escala hedônica de 9 pontos. As amostras foram servidas seqüencialmente aos provadores sob delineamento de blocos completos balanceados com relação a ordem de apresentação das amostras (ABC, ACB, BAC, BCA, CAB, CBA). Segue a ficha utilizada para avaliação dos provadores: Figura 17: Ficha do Teste de Aceitação. Análise Sensorial de Alimentos 29 -UNIFACVEST- Colocar a planilha de resultados no Excel, para realizar a Análise de Variância – ANOVA. Interpretação dos dados: Lembrete – linhas: julgadores / colunas: amostras Julgadores = como o valor de p foi maior que 0,05, significa que não houve diferença estatisticamente significante entre os julgadores. Amostras = como o valor de p foi menor que 0,05, significa que houve diferença estatisticamente significante entre as amostras padrão, A, B e C comprovado pelo valor do p<0,001 (p =0,0000000000000813 ou 8,13 -16). Para determinarmos quais amostras diferem entre si, é necessário realizar o teste de Tukey. O teste de Tukey serve para testar várias médias entre si, ou seja, fazer múltiplas comparações. A Anova nos diz se existe ou não diferença significativa entre os tratamentos e o teste de Tukey Análise Sensorial de Alimentos 30 -UNIFACVEST- mostra quais médias diferem entre si. Desta forma, ele é usado quando se deseja comparar as médias obtidas de um experimento com mais de 2 amostras. 7.5. TESTES DE PREFERÊNCIA Esses testes são usados especificamente quando se deseja colocar um produto em competição direta em relação a outro, como em situações de melhoria de produto ou de competição em igualdade. O teste de preferência força a escolha de um item sobre o outro(s), não indicando se o indivíduo gostou ou não dos produtos, portanto o pesquisador deve ter conhecimento prévio sobre a avaliação efetiva dos produtos. Os testes de preferência mais utilizados são: - Preferência pareada; - Ordenação de preferência. 7.5.1. Teste de Preferência Pareada Teste com 2 amostras – testa a escolha de uma amostra sobre a outra (A,B). O procedimento segue o mesmo princípio que o teste de Comparação Pareada: Teste de diferença bicaudal; Anote o número total de testes aplicados e some o número de provadores que preferiram cada amostra; Identifique a amostra indicada pela maioria dos provadores como sendo a mais preferida (com maior total de respostas); Consulte a tabela 3 da apostila e verifique o número mínimo de respostas para o número total de testes aplicados, a 5% de significância ou menos; Se a soma da amostra indicada como preferida for maior ou igual ao número mínimo tabelado, conclua que há preferência significativa de uma amostra em relação à outra em nível de significância testado. Análise Sensorial de Alimentos 31 -UNIFACVEST- EXEMPLO Situação: O serviço de merenda escolar do estado deseja saber qual das duas variedades delaranja que tem disponível para a produção de suco de laranja pasteurizado deve ser encaminhada para a merenda escolar. Objetivo do teste: Determinar se os alunos (consumidores) preferem o suco de laranja da variedade A ou suco da B. Delineamento do teste: Setenta e dois alunos dos que recebiam a merenda escolar foram convidados a participar do teste que foi realizado numa escola. Todos receberam as duas amostras codificadas com números de 3 dígitos e servidas simultaneamente, metade na ordem AB e metade na ordem BA. Os alunos foram forçados a escolherem uma das amostras como a mais preferida e a utilizarem a ficha de avaliação abaixo: Condução do teste: O número total de respostas foi 72, sendo que a amostra preferida foi a A, com 49 respostas. Ao olhar os níveis de significância para 72 respostas, encontramos: 5% (p<0,05) = mínimo 45 respostas como preferidas 1% (p<0,01) = mínimo 48 respostas como preferidas 0,1% (p<0,001) = mínimo de 51 respostas como preferida Resultados/Conclusão: De acordo com o resultado acima, como tivemos 49 respostas positivas para o suco A, o suco de laranja A foi significantemente preferido em relação ao suco B em nível de 1% de significância (p<0,01). É possível separar atributos específicos e realizar o teste de preferência pareada para cada atributo, para sabermos quais características levam o consumidor a preferir determinado alimento. Figura 18: Ficha de Avaliação de Preferência. Análise Sensorial de Alimentos 32 -UNIFACVEST- 7.5.2. Teste de Ordenação da Preferência Teste com 3 ou mais amostras; O procedimento segue o mesmo princípio que o Teste de Ordenação. O consumidor recebe 3 ou mais amostras codificadas com números de três dígitos, sendo solicitado avaliá-las e ordená-las em ordem crescente ou decrescente de preferência. As amostras devem ser apresentadas simultaneamente, em ordem balanceada e aleatorizada; Dê a ordem de 1 para a amostra menos preferida e a 4 para a mais preferida ou o inverso. Usando o método de Friedman (tabela 6) e com a soma das ordens recebidas por cada amostra, compare as somas das ordens para determinar se as amostras diferiram significantemente entre si, sendo que as amostras com as menores somas são as mais preferidas. EXEMPLO Problema / Situação: O gerente de desenvolvimento de uma indústria elaborou 3 formulações de sorvete de morango (A; B; C) usando essências de custos diferentes e que em testes de preliminares mostraram ser aceitáveis. Objetivos do teste: Determinar a ordem de preferência das 3 formulações. Delineamento do teste: Um grupo de 50 consumidores de sorvete de morango receberam, num local central, as 3 amostras de sorvete em copos plásticos codificados com números de três dígitos. As amostras foram seguidas servidas sequencialmente e os consumidores foram solicitados a ordenarem as amostras quanto as suas preferências, de acordo com a ficha de avaliação abaixo: Figura 19: Ficha do Teste de Ordenação de Preferência. Resultados: Organizar em uma tabela os resultados do teste, dando nota 1 para a mais preferida e nota 3 para a menos preferida, conforme a tabela a seguir: Análise Sensorial de Alimentos 33 -UNIFACVEST- Número total de Julgamentos: 50 Número de amostras testadas: 3 Diferença mínima entre totais de ordenação para estabelecer diferença de preferência significativa entre amostras a 5% de significância: 24 (tabela 5) A partir da soma dos valores de cada amostra (última linha do quadro anterior), obtém-se a diferença entre as somatórias totais e compara-se o valor ao valor encontrado na tabela 5. Como usou-se 1 para a mais preferida e 3 para a menos preferida, sabe-se que a amostra A, com menor soma, foi a mais preferida. No entanto, deve-se verificar se estatisticamente ela foi mais preferida. A x B = 123-66 = 57. Como 57 é >24, houve preferência significativa, onde a A foi mais preferida em relação à B. A x C = 111-66 = 45. Como 45 é > 24, houve preferência significativa,onde a A foi mais preferida em relação à C. B x C = 123-111 = 12. Como 12 á <24, não houve preferência entre as duas amostras B e C. Conclusão: A amostra preferida em relação às 3 amostras servidas foi a A. Exercícios de Testes de Aceitação 1) Qual a diferença entre testes de aceitabilidade e preferência? 2) Cite e explique brevemente as formas de aplicação dos testes afetivos, levando em consideração as vantagens e desvantagens. 3) Após a aprovação da substituição de parte do glutamato monossódico por extrato seco de levedura do tempero de macarrão instantâneo, prosseguiu-se com um teste de consumidor, para conferir se os consumidores realmente prefeririam o novo tempero. Foi realizado um teste em laboratório, com 52 prováveis consumidores do produto. 30 preferiram a amostra com extrato seco de levedura enquanto 22 preferiram a anterior, somente com glutamato monossódico. Qual a conclusão deste teste? 7.6. MÉTODOS ADICIONAIS Índice de Aceitabilidade (I.A.) Pesquisas sobre as preferências do consumidor e a aceitabilidade de produtos alimentícios por meio da análise sensorial são bastante divulgadas na literatura científica e praticadas na indústria de alimentos. O índice de aceitabilidade (IA) é feito tendo como base as notas médias obtidas no teste de aceitabilidade. Para o cálculo é adotada a seguinte expressão matemática: 𝐼𝐴 = 𝐴 𝐵 𝑥100 Onde; A = nota média obtida para o produto; B = nota máxima da escala utilizada para avaliar o produto; O IA com boa repercussão tem sido considerado superior a 70% (DUTCOSKY, 2013). Outra forma de avaliar o IA é fazer sua representação gráfica para melhor visualização das notas obtidas. Análise Sensorial de Alimentos 34 -UNIFACVEST- Além desta avaliação, o IA pode ser usado para avaliar aceitação alimentar, utilizando a fórmula abaixo: 𝐼𝐴 = 𝑃𝑒𝑠𝑜 𝑜𝑢 𝑣𝑜𝑙𝑢𝑚𝑒 𝑑𝑒 𝑎𝑙𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑐𝑜𝑛𝑠𝑢𝑚𝑖𝑑𝑜 𝑃𝑒𝑠𝑜 𝑜𝑢 𝑣𝑜𝑙𝑢𝑚𝑒 𝑑𝑒 𝑎𝑙𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑠𝑒𝑟𝑣𝑖𝑑𝑜 𝑥100 Amostragem: mínimo 300 pessoas. Aplicação: horário que oferece a refeição, devendo ser acompanhado pelo técnico qualificado. Resultados: valor mínimo aceitável = 70% Teste escala de ação "Escala de ação" representa uma modificação da escala hedônica clássica. Estabelece-se uma série de categorias de respostas, em termos de "gostar" e "não gostar". Segue abaixo um exemplo possível: □ Eu comeria isto, muito frequentemente □ Eu comeria isto, frequentemente □ Eu comeria isto, mas não sairia da minha rotina □ Eu Não gosto, mas se fosse preciso, comeria □ Eu comeria isto se não tivesse outra escolha □ Eu comeria isto raramente □ Eu não comeria isto de jeito nenhum Escala de intenção de compra Seguido do teste de aceitabilidade, pode-se utilizar uma escala de intenção de compra. Embora não haja muita consistência, segundo os pesquisadores de marketing, pode-se utilizá-la como indicativo de possível venda do produto. Segue abaixo um exemplo possível: □ Certamente eu compraria □ Provavelmente eu compraria □ Talvez eu compraria / Talvez eu não compraria □ Provavelmente eu não compraria □ Certamente eu não compraria Análise Sensorial de Alimentos 35 -UNIFACVEST- TABELAS TABELA 1 – Números ao acaso Análise Sensorial de Alimentos 36 -UNIFACVEST- TABELA 2 – Testes de comparação pareada-diferença e duo-trio (monocaudal) Número mínimo de respostas corretas para estabelecer diferença significativa entre as amostras, em vários níveis de significância (se o número de respostas corretas for maiorou igual ao número tabelado, existe diferença significativa entre as amostras, ao nível de significância observado). Análise Sensorial de Alimentos 37 -UNIFACVEST- TABELA 3 – Testes de comparação pareada-diferença (bicaudal) Número mínimo de respostas corretas para estabelecer diferença significativa entre as amostras, em vários níveis de significância (se o nº de julgamentos em que uma amostra é preferida for maior que o nº tabelado, esta amostra é significativamente preferida em relação à outra, ao nível de significância observado). Análise Sensorial de Alimentos 38 -UNIFACVEST- TABELA 4 – Teste Triangular (p=1/3) Número mínimo de respostas corretas para estabelecer diferença significativa entre as amostras, em vários níveis de significância (se o número de respostas corretas for maior ou igual ao número tabelado, existe diferença significativa entre as amostras, ao nível de significância observado). Análise Sensorial de Alimentos 39 -UNIFACVEST- TABELA 5 – Teste de Ordenação Tabela de Newell e Mac Farlane. Diferenças críticas entre os totais das somas de ordenação Análise Sensorial de Alimentos 40 -UNIFACVEST- TABELA 6 – Valores críticos para o teste de Dunnett ( α = 5% e 1%) Comparações monocaudais – h: nº de amostras incluindo o padrão. Análise Sensorial de Alimentos 41 -UNIFACVEST- TABELA 7 – Valores críticos de q para o teste de Tukey ( α = 5% e 1%) Análise Sensorial de Alimentos 42 -UNIFACVEST- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMBONI, R. M. C. Apostila de Análise Sensorial (teórico-prática) Programa de Pós Graduação em Ciência dos Alimentos, UFSC, 2009. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. Análise sensorial de alimentos e bebidas -Terminologia – NBR 12806. São Paulo: ABNT, 1993. BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Métodos Físico-Químicos para Análise de Alimentos / Ministério da Saúde, Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Brasília: Ministério da Saúde, 2005. 1018 p. (Série A. Normas e Manuais Técnicos). Cap VI – Análise Sensorial. DUTCOSKY, S.D. Análise sensorial de alimentos. Curitiba: Champagnat, 2013. 531p FERREIRA, V.L.P.; ALMEIDA, T.C.A.; PETTINELLI, M.L.C.V.; DA SILVA, M.A.A.P.; CHAVES, J.B.P.; BARBOSA, E.M.B. Testes afetivos. In: Análise Sensorial Testes Discriminativos e Afetivos. Campinas: Profíqua, 1ª ed., 2000, p. 54-71. JAEGER, S.R. Non-sensory factors in sensory science research. Food Quality and Preference, v.17, p .132–144, 2006. MEILGAARD, M.R.; CIVILLE, G.V.; CARR, B.T. Sensory evaluation techniques. 4ª ed. Boca Raton, FL: CRC Press, 2007, 448p. O´MAHONY,M. Sensory Evaluation of Food. Statistical Methods and Procedures. Marcel Dekker Inc., 1986, p. 487. SILVA, M.A.A.P. Métodos de avaliação sensorial de alimentos. Apostila. Campinas: Escola de Extensão da UNICAMP, 1997, p.71. TEIXEIRA, E. Apostila de análise sensorial. UFSC, 2000.