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1 - Leia o texto: DNA de negros e pardos do Brasil é 60% a 80% europeu (Folha.com, 18/02/2011, Reinaldo José Lopes, editor de Ciência) “No Brasil, faz cada vez menos sentido considerar que brancos têm origem europeia e negros são ‘africanos’. Segundo um novo estudo, mesmo quem se diz ‘preto’ ou ‘pardo’ nos censos nacionais traz forte contribuição da Europa em seu DNA. O trabalho, coordenado por Sérgio Danilo Pena, da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), indica ainda que, apesar das diferenças regionais, a ancestralidade dos brasileiros acaba sendo relativamente uniforme. ‘A grande mensagem do trabalho é que [geneticamente] o Brasil é bem mais homogêneo do que se esperava’, disse Pena à Folha. De Belém (PA) a Porto Alegre, a ascendência europeia nunca é inferior, em média, a 60%, nem ultrapassa os 80%. Há doses mais ou menos generosas de sangue africano, enquanto a menor contribuição é a indígena, só ultrapassando os 10% na região Norte do Brasil. Quase mil Além de moradores das capitais paraense e gaúcha, foram estudadas também populações de Ilhéus (BA) e Fortaleza (compondo a amostra nordestina), Rio de Janeiro (correspondendo ao Sudeste) e Joinville (segunda amostra da região Sul). Ao todo, foram 934 pessoas. [...] Para analisar o genoma, os geneticistas se valeram de um conjunto de 40 variantes de DNA, os chamados indels (sigla de ‘inserção e deleção’). São exatamente o que o nome sugere: pequenos trechos de ‘letras’ químicas do genoma que às vezes sobram ou faltam no DNA. Cada região do planeta tem seu próprio conjunto de indels na população – alguns são típicos da África, outros da Europa. Dependendo da combinação deles no genoma de um indivíduo, é possível estimar a proporção de seus ancestrais que vieram de cada continente. Do ponto de vista histórico, o trabalho deixa claro que a chamada política do branqueamento – defendida por estadistas e intelectuais nos séculos 19 e 20, com forte conteúdo racista – acabou dando certo, diz Pena. Segundo os pesquisadores, a combinação entre imigração europeia desde o século 16 e casamento de homens brancos com mulheres índias e negras gerou uma população na qual a aparência física tem pouco a ver com os ancestrais da pessoa. Isso porque os genes da cor da pele e dos cabelos, por exemplo, são muito poucos, parte desprezível da herança genética, embora seu efeito seja muito visível. O trabalho está na revista ‘PLoS One’.” Após a leitura do texto, analise as seguintes afirmações: I - O termo raça não pode ser compreendido segundo uma perspectiva biológica, visto que, conforme os estudos mais recentes da genética, não existem raças, somos uma única raça humana. II - Uma explicação dada pela biologia para confirmar a existência das raças faz parte das concepções construídas pelo chamado racismo científico, durante o século XIX. III - Os genes da cor dos olhos e dos cabelos são os que definem a raça à qual a pessoa pertence. São corretas as afirmações: Resposta Selecionada: d. I e II. 2 - “Trata-se de um processo de valorização e resgate da história e da cultura africana e afro-brasileira, a fim de desfazer os estereótipos raciais construídos pelos grupos dominantes (brancos, homens, proprietários, livres e ricos).” Escolha a opção que melhor define esse conceito: Resposta Selecionada: b. Africanidades brasileiras. 3 - Analise o gráfico em seguida, que mostra dados comparativos do IBGE de 1999 e de 2009, publicados pelo jornal Folha de S.Paulo: A partir da interpretação desses dados, é incorreto afirmar que: Resposta Selecionada: c. Observando esses dados, podemos afirmar que as diferenças étnico-raciais são muito sutis, se comparadas às diferenças econômico-sociais na sociedade brasileira 4 - (Adaptação de concurso CETRO – 2008) Ao tratarmos a presença de racismo, preconceito e discriminação, nas escolas brasileiras, é correto afirmar que: Resposta Selecionada: d. Os currículos são fruto de escolhas políticas, daí a importância de se incluir em nossos currículos a problemática das relações étnico-raciais em todos os níveis escolares. 5- As afirmações a seguir mostram alguma relação com uma compreensão adequada a respeito do conceito de cultura, exceto: Resposta Selecionada: b. Essência ou substância de um determinado povo ou localidade. 6 - Observe a ilustração e o gráfico em seguida: A primeira ilustração é de um livro didático muito antigo, de 1975, enfatizando a figura de uma negra na posição de empregada doméstica. Os dados são recentes, de 2009, e confirmam que a maioria das mulheres negras ocupa cargo de doméstica. Com base nessas informações, reflita a respeito das seguintes afirmações: I - Não é possível estabelecer relação entre a ilustração e o gráfico apresentados, pois, no livro didático, trata-se de uma situação fictícia e, no gráfico do IBGE, os dados são levantados a partir da realidade. II - Professores devem estar atentos para os estereótipos presentes nos livros didáticos, uma vez que suas ilustrações podem expressar, induzir ou reforçar preconceitos raciais. III - Tanto a ilustração quanto o gráfico indicam que são as mulheres negras quem continuam a desempenhar, em sua maioria, as tarefas domésticas no Brasil, como uma espécie de "continuidade" da condição das escravas negras do Brasil colonial. IV - Em todas as regiões do Brasil, as mulheres negras continuam a desempenhar as funções domésticas nos lares brasileiros, ou seja, o número de mulheres negras ocupando cargo de empregada doméstica é sempre superior à média em cada região. V - No Brasil, vivemos uma democracia racial, visto sermos um país mestiço, em que as diferentes raças e etnias convivem e misturam-se de maneira harmoniosa. Assinale apenas as afirmações corretas: Resposta Selecionada: c. II, III e IV. 7- A respeito de imagens e representações do negro no Brasil, avalie as afirmações a seguir: I - Os estereótipos foram lentamente sendo construídos por meio de uma ideologia que procurava reforçar a ideia de que o país precisava passar necessariamente por um processo de branqueamento. II - A permanência dos estereótipos raciais foi amplamente reforçada pela literatura, que consolidou no inconsciente racial coletivo brasileiro a naturalidade de algumas atitudes, piadas e ditos populares de cunho preconceituoso. III - Os estereótipos a respeito do negro na escola são alimentados por atitudes cotidianas, tanto por parte dos alunos quanto de professores, funcionários, diretores e todos os envolvidos no processo escolar, independentemente de serem brancos ou negros. IV - A internalização da ideologia do branqueamento provoca uma naturalidade na produção e na recepção de imagens estereotipadas e padrões de beleza dominantes, além de uma aceitação passiva e concordância de que esses atores realmente não merecem fazer parte da representação do padrão ideal de beleza do país. Assinale a alternativa que apresenta o número de afirmações verdadeiras: Resposta Selecionada: e. 4. 8 - A respeito da relação entre o ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente – e as populações afrodescendentes, é incorreta a afirmação: Identifique-a: Resposta Selecionada: c. O ECA trouxe pouca contribuição à promoção da igualdade racial no Brasil, uma vez que apenas um de seus artigos trata especificamente da discriminação de raça, cor e origem. 9 - Segundo nossos estudos, os significados de racismo cobertos pela legislação brasileira atual podem ser apresentados nas afirmações a seguir, exceto: Marque a resposta correta: Resposta Selecionada: a. As ações de preconceito ou discriminação raciais praticadas noâmbito privado. 10 - Leia atentamente a letra da música “O Mestre-Sala dos Mares”, de Aldir Blanc e João Bosco, conhecida na interpretação de Elis Regina: “Há muito tempo nas águas da Guanabara O dragão do mar reapareceu Na figura de um bravo feiticeiro A quem a história não esqueceu Conhecido como o navegante negro Tinha a dignidade de um mestre-sala E ao acenar pelo mar na alegria das regatas Foi saudado no porto pelas mocinhas francesas Jovens polacas e por batalhões de mulatas Rubras cascatas Jorravam das costas dos santos entre cantos e chibatas Inundando o coração do pessoal do porão Que, a exemplo do feiticeiro, gritava então Glória aos piratas Às mulatas, às sereias Glória à farofa à cachaça, às baleias Glória a todas as lutas inglórias Que através da nossa história não esquecemos jamais Salve o navegante negro Que tem por monumento as pedras pisadas do cais Mas salve Salve o navegante negro Que tem por monumento as pedras pisadas do cais Mas faz muito tempo” Um professor que queira utilizar essa letra para trabalhar questões étnico-raciais com seus alunos poderá estabelecer as seguintes relações, exceto: Resposta Selecionada: a. Ao afirmarem que o negro “foi saudado no porto pelas mocinhas francesas, jovens polacas e por batalhões de mulatas”, os compositores explicitam o contexto festivo e glorioso em que se deu a chegada dos negros às terras brasileiras, então colônia de Portugal.