Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Design Arte Moda Tecnologia. São Paulo: 
Rosari, Universidade Anhembi Morumbi, Puc-Rio e Unesp-Bauru, 2012.
PALAVRAS-CHAVE
DESign; MEtoDoLogiA; PAinEL SEMântiCo.
RESuMo
O presente texto procura refletir sobre a utilização de painéis semânticos como 
técnica metodológica, não somente para concepção visual de interfaces gráficas, mas, 
principalmente como processo de visualização conceitual do projeto. Em sala de aula, 
com alunos da graduação em design digital, existe a necessidade de se conduzir as 
proposições ao mesmo tempo em que se ensina e se exercita a prática projetual em 
design. Assim, discute-se neste texto a relação entre a pesquisa científica e o método 
como etapas cruciais para elaboração de conceitos, e os painéis semânticos como um 
exercício de tradução visual em processos de criação. É possível perceber que esta 
técnica estimula sensivelmente o olhar dos envolvidos (stakeholders) para estabelecer 
relações consistentes entre os conceitos abstratos e a forma concreta das propostas de 
design em projetos acadêmicos.
Claudio Gusmão, msC.; Professor da Graduação em desiGn diGital, 
universidade anhembi morumbi; CGusmao@anhembimorumbi.edu.br
PAinEL SEMântiCo CoMo téCniCA MEtoDoLógiCA 
no EnSino DA PRátiCA PRojEtuAL EM DESign
Painel Semântico como técnica metodológica no ensino da prática projetual em design
Design Arte Moda Tecnologia. São Paulo: 
Rosari, Universidade Anhembi Morumbi, Puc-Rio e Unesp-Bauru, 2012.
1 Estudo realizado com alunos de 2º semestre em 2012 do Curso de Design Digital da Universidade Anhembi 
Morumbi, na disciplina de orientação para o Projeto Interdisciplinar que reúne competências das disciplinas 
correntes.
2 Adotaremos aqui, como definição o conceito de “que podemos deduzir o design como uma idéia, projeto 
ou um plano para a solução de um problema determinado. O design consistiria então, na corporificação 
desta idéia” (LÖBACH, 2001,p.16).
intRoDuÇÃo
Um dos maiores desafios do designer digital no ciclo de vida de um projeto, 
é a passagem entre os conceitos abstratos envolvidos e a materialidade; a forma, o 
conteúdo, o projeto de navegação e interação. Quando esta proposição é apresentada 
em sala de aula, em especial para alunos que estão iniciando o curso de graduação em 
Design Digital1, é preciso articular estes conceitos, que podem ser os mais diversos, 
com as demandas de um público alvo, e conformar soluções a partir dos limites e 
especificidades do suporte digital. Neste processo, são apresentadas metodologias 
projetuais e técnicas que os auxiliam a sistematizar e refletir para efetuarem escolhas 
cada vez mais coerentes dentro do ciclo de vida deste projeto. 
Neste artigo abordaremos algumas metodologias projetuais em design com o 
intuito de contextualizar o projeto acadêmico desenvolvido com os discentes, sem 
apresentar os requisitos técnicos necessários para a concepção de interfaces gráficas, 
pois nos interessa expor a utilização de uma técnica específica para suporte da tradução 
de conceitos abstratos verbais em discursos visuais.
O ensino da prática projetual, por meio dos paineis semânticos, visa organizar 
as imagens referenciais coletadas (tomando como base palavras-chave) para então 
estabelecer quais características visuais são relevantes e adequados ao projeto. 
Embora esta técnica seja cada vez mais difundida entre designers, gostaríamos de 
propor uma abordagem que auxilie especificamente os alunos que partem de algumas 
premissas acadêmicas para a prática projetual.
Primeiramente abordamos a relação existente entre pesquisa científica e 
metodologia projetual em design como etapas cruciais na conceituação do projeto. Em 
seguida, discorreremos sobre o conceito de painel semântico, seus desdobramentos e 
finalmente apresentamos um breve estudo de caso que reflete o uso desta técnica em 
sala de aula.
PESQuiSA CiEntÍFiCA E MétoDo no DESign
 Embora, este artigo não tenha a intenção de descrever, comparar ou debater 
a cerca das metodologias existentes, discorremos aqui sobre a utilização de técnica 
específica para conformação da materialidade de um projeto de design digital; assim, 
é necessário contextualizar primeiramente as metodologias projetuais para em seguida 
apresentar o projeto acadêmico desenvolvido.
Parece unânime, que fazer design2 diz respeito ao ato de projetar, a exercer 
escolhas a partir de etapas e técnicas no percurso existente entre um problema 
proposto e sua resolução. Para atingir este objetivo, faz-se necessário um método 
que norteie o pensamento projetual do designer. Assumimos as reflexões de Cipiniuk 
e Portinari (2006), que se apropriam da definição advinda do pensamento científico, 
para entender que
Método é a designação que se atribui a um conjunto de procedimentos 
racionais, explícitos e sistemáticos, postos em prática para se 
alcançar enunciados e resultados teóricos ou concretos ditos 
Painel Semântico como técnica metodológica no ensino da prática projetual em design
Design Arte Moda Tecnologia. São Paulo: 
Rosari, Universidade Anhembi Morumbi, Puc-Rio e Unesp-Bauru, 2012.
3 Sabemos que metodologias contemporâneas não abordam com rigidez etapas projetuais que se sucedem, 
porém é necessário lembrar que o estudo de caso refere-se a alunos em início de curso e, portanto, optamos 
por algo mais palatável a eles.
 
verdadeiros, de acordo com algum critério que se estabeleça como 
verdade (CIPINIUK e PORTINARI, 2006, p.17).
Abordar o método, inicialmente, sob esta ótica da pesquisa científica aponta 
para duas questões; sendo a primeira assumir a pesquisa em design com muitos pontos 
comuns em relação à pesquisa científica, e diferenciada pelos métodos de validação 
“desta verdade” (FACCA, 2008, p.29). A segunda, é que estamos refletindo sobre o 
ensino da prática projetual em um curso de design e os alunos iniciam seus projetos 
a partir da pesquisa científica para então, posteriormente, desenvolverem as etapas 
de projeto.
É crucial que estas abordagens sejam consideradas pois os alunos em início 
de curso tendem a perceber o design exclusivamente pelo caráter estético-visual; 
entende-se a dificuldade em reconhecer a importância do método, principalmente 
por que a pesquisa e o método são os agentes que propiciam o distanciamento e a 
visão ampla necessários para a solução dos problemas de design (MALDONADO apud 
CALVERA, 2006; COELHO, 2006). 
Nesta perspectiva, Facca (2008) afirma que
Ao somar a sistematização da pesquisa científica com o poder de 
transformação do conhecimento numa ação criativa, surge então, 
como resultado, a pesquisa aplicada ao design, considerada, 
então, como a relação entre teoria e prática, ciência pura e 
técnicas aplicadas. […] A pesquisa passou a proporcionar uma maior 
segurança e objetividade nas escolhas durante o processo projetual 
(FACCA, 2008, p.28-29).
Desta maneira, independentemente dos métodos de projeto adotados ao 
longo do percurso projetual, consideramos aqui improvável, para fins pedagógicos, ser 
possível dissociar a pesquisa científica da atividade projetual. 
A prática projetual, então, é composta por diversas etapas não lineares, que 
podem variar conforme as necessidades projetuais e os contextos específicos de cada 
projeto. Devemos observar que o produto resultante do ato projetual sendo matérico 
ou informacional, de caráter metalinguístico ou não, aponta de acordo com Ambrose 
(2010, p.6) para “um processo. Um sistema. Um modo de pensar”.
Assim, é apresentado inicialmente aos alunos o método baseado no binômio 
problema-solução proposto Bruno Munari em seu livro Das coisas nascem coisas. Este 
modelo apresenta aos alunos um projeto de design primordialmente composto por etapas 
subsequentes3, a serem conquistadas, e que seu início é baseado em problematizações 
(advindas da pesquisa científica); estas, por sua vez, procuram traduzir necessidades 
do ser-humano em relação ao seu ambiente, como afirma Munari (2008)
[…] no nosso ambiente as pessoas sentem a necessidade de ter, por 
exemplo, um carro maiseconômico ou uma maneira diferente de 
dispor em casa o espaço para as crianças, ou o novo recipiente mais 
prático para… Estas e muitas outras são necessidades das quais 
pode surgir um problema de design (MUNARI, 2008, p.39-40). 
Painel Semântico como técnica metodológica no ensino da prática projetual em design
Design Arte Moda Tecnologia. São Paulo: 
Rosari, Universidade Anhembi Morumbi, Puc-Rio e Unesp-Bauru, 2012.
Após a definição do problema, seguem etapas responsáveis por identificar os 
componentes deste problema, separá-los por categorias, pesquisas, coleta e análise 
de dados, para somente então adentrar à etapa da criação. Munari (2008) procura 
alertar que o reconhecimento do problema com clareza não resulta automaticamente 
em uma solução intuitiva e que deve haver uma etapa de geração de idéias, baseada 
em métodos claros para se chegar a soluções aplicáveis. 
Posteriormente iniciam-se, então, as fases de experimentação, de verificação 
e criação de modelo construtivo, protótipos ou, no caso das interfaces gráficas, os 
layouts. Neste momento projetual, o conteúdo abstrato relacionado ao projeto passa 
a ser traduzido em forma, promove-se a elaboração de uma identidade visual a partir 
dos conceitos abordados (MUNARI, 2008).
Nesta fase do processo, os painéis semânticos tendem a ser bastante efetivos 
pois promovem a passagem entre o verbal e o visual, contribuindo sobremaneira para 
a conceituação dos aspectos formais do projeto.
PAinEL SEMântiCo ou MooD BoARD
Semântica é o ramo da linguística que estuda o significado das palavras. Assim, 
o que buscamos por meio de imagens é a visualização dos significados evocados pelas 
palavras-chave e verbalizados em determinadas fases do projeto. 
O painel semântico ou mood board é uma técnica que busca traduzir a linguagem 
verbal em signos visuais. Durante o projeto, o designer articula conceitos abstratos ou 
metafóricos em imagens, evocando significação destes conceitos. 
A visualização das imagens pode dirimir dúvidas sobre o significado das palavras 
como afirma Bürdek (2005), e a utilização dos painéis semânticos no âmbito projetual 
apresenta-se como agente de criação e de mediação. 
Trabalhar com métodos visuais está gradualmente se tornando 
uma necessidade no desenvolvimento de produtos de design. As 
descrições verbais dos objetivos, conceitos e soluções não são mais 
suficientes, especialmente nos projetos desenvolvidos para um 
mercado global. As diferenças semânticas entre conceitos resultam 
em entendimentos equívocados, mesmo entre designers, técnicos 
e diretores de marketing da mesma equipe de desenvolvimento 
(BÜRDEK, 2005, p. 265).
O autor nos mostra que em uma equipe multidisciplinar é possível haver 
diferenças importantes nas atribuições de sentido entre os envolvidos, e as imagens 
contribuem para um discurso menos divergente.
Podemos perceber que não há regras rígidas ou pré-estabelecidas sobre como 
conduzir esta técnica projetual, e sim algumas premissas que devem norteá-la a fim 
de torná-la mais objetiva, e com aplicação em outras etapas projetuais que exijam 
esclarecer conceitos complexos. Esta técnica proporciona um modo visual capaz de 
estimular e inspirar o processo de desenvolvimento de projetos, “que devem ser 
consideradas por serem mais lógicas e empáticas para o contexto do design que a 
abordagem tradicional centrada no código verbal” (DENTON e McDONAGH, 2005, p.3). 
Do ponto de vista prático, a técnica consiste em coletar e reunir imagens 
referenciais sobre os diversos aspectos relativos ao projeto, especificamente três 
grupos principais: objetos, pessoas e ambientes e organizá-las visualmente em um 
painel para que todos os envolvidos no processo possam, através de diversos pontos 
de vista, observar, refletir e articular as características citadas nestas referências. 
Pode-se extrair do painel semântico referências como cor, forma, texturas, tipografia 
Painel Semântico como técnica metodológica no ensino da prática projetual em design
Design Arte Moda Tecnologia. São Paulo: 
Rosari, Universidade Anhembi Morumbi, Puc-Rio e Unesp-Bauru, 2012.
4 http://moodstream.gettyimages.com/
5 http://www.moodshare.co/
6 http://pinterest.com/
e também conceitos subjetivos, figuras de linguagem, a metáfora, o símbolo, assim 
como o estilo de vida ou emoções que dizem respeito especificamente ao público-alvo 
(FACCA, 2012).
Pode-se criar um painel semântico fisicamente (colagem de elementos de outros 
suportes impressos, ou ilustrações) e/ou digitalmente. O painel semântico físico é 
concebido a partir de imagens coletadas através da mídia impressa (quando coletadas 
digitalmente devem ser igualmente impressas) e coladas em um grande painel e fixado, 
preferencialmente em uma parede. Desta maneira, a equipe a qualquer momento 
pode visualizá-lo em seu ambiente estimulando a empatização acerca do tema. No 
formato digital, o painel pode ser construído utilizando softwares gráficos ou mesmo 
aplicativos que possibilitem a reunião e organização de imagens no ambiente online 
como o MoodStream4 , MoodShare5 e até mesmo o Pinterest6, gratuito e passível de 
compartilhar imagens entre usuários. Deve ser realizado preferencialmente em grupo 
para que evoque múltiplos pontos de vista. 
Como mencionamos antes a criação do painel semântico necessita ser orientada 
por etapas para garantir a efetividade da técnica. De acordo com Jacques e Santos 
(2009) podem ser adotadas cinco fases:
1º) compreensão exaustiva do problema projetual, o que pode ser 
alcançado através de dinâmicas ou valendo-se de técnicas como o 
brainstorming;
2º) transformação do entendimento verbal do problema projetual 
em linguagem escrita – brainwriting; 
3º) transformação da linguagem escrita em visual, ou seja, a busca 
por imagens que realmente identifiquem ou traduzam a palavra ou 
o termo listado, ou as necessidades que se procura atender a partir 
dos objetivos de projeto que se quer alcançar; 
4º) montagem da ambiência visual, construída pela composição do 
painel; 
5º) definição de cartela de cores, formas e texturas a serem 
utilizadas no produto, pode-se ainda descrever o painel através 
de um pequeno texto para auxiliar sua compreensão (JACQUES e 
SANTOS, 2009, p.532).
Figura 1: Diagrama contendo as etapas de processo do painel semântico.
Fonte: (EDWARDS et al., 2009, p.6)
Painel Semântico como técnica metodológica no ensino da prática projetual em design
Design Arte Moda Tecnologia. São Paulo: 
Rosari, Universidade Anhembi Morumbi, Puc-Rio e Unesp-Bauru, 2012.
Este processo tem o caráter iterativo (Figura 1), onde após as definições 
geradas pelo brainstorming, vem a coleta de imagens, seleção, organização visual no 
painel e reflexão. Este processo cíclico promove refinamento e esclarecimento das 
proposições das características do projeto. 
É inegável as diferenças entre os envolvidos no painel semântico diante das 
experiências pessoais, formações culturais e educacionais, e de acordo com com 
Edwards, et al. (2009) este pode ser um ponto negativo da técnica pois,
A experiência pessoal e a inspiração do criador do painel semântico 
levanta uma questão relacionada a abstração extrema, o que poderia 
afetar a eficácia dos painéis semânticos. Além disso, nas equipes de 
projeto, os indivíduos envolvidos carregam diversas experiências e 
culturas distintas, o que pode não fornecer uma linguagem visual 
global e compartilhado por meio das imagens abstratas. Um painel 
semântico automatizado, neste caso, pode ser uma solução sem os 
fatores humanos que afetam a composição dos painéis semânticos 
(EDWARDS, FADZLI e SETCHI, 2009, p.6).
 Dentro da sala de aula, embora tenhamos equipes mais homogêneas este fato 
pode também ocorrer, porém, cabe ao facilitador (neste caso o professor orientador) 
conduzir este processo, que é iterativo, estimulando a reflexão sobre as imagens e 
com isso procurando mediar as diferenças dentro da equipe, para que as mesmas 
enriqueçam e complexifiquem o processo.
Descrevemos nestetópico a maneira mais difundida de conceber os painéis 
semânticos, e no próximo item pretende-se discorrer sobre como este processo é 
conduzido em sala de aula, juntamente com nossos alunos, a fim de suprir necessidades 
pedagógicas específicas e tornando mais acessível o aprendizado da prática projetual 
em sala de aula.
PAinéiS SEMântiCoS E A PRátiCA PRojEtuAL EM 
SALA DE AuLA
A partir do tema “Design e Hipermídia: Memória gráfica, sonora e étnico-social 
da Música Popular Brasileira” os grupos de alunos tem como objetivo de projeto a 
produção de um website autoral, que apresente conteúdo informacional baseado em 
elementos iconográficos – como textos, imagens, vídeos e audios oriundos da pesquisa 
teórica referencial.
Artistas previamente selecionados da música popular brasileira como Noel Rosa, 
Adoniran Barbosa e Chiquinha Gonzaga, são opções de escolha para os alunos. Após 
escolher o artista, inicia-se o processo de pesquisa, buscando a delimitação do objeto 
de estudo, já que a história destes artistas propciam as mais diversas abordagens.
Após a etapa de problematização da pesquisa e consequente pesquisa 
referencial, os alunos já possuem dados suficientes para iniciar o processo de geração 
de ideias. Vale lembrar que embora haja a preocupação projetual sobre os diversos 
aspectos inerentes à construção de um website, como o design de informação, 
interação e navegação, neste momento abordaremos a criação do discurso visual e 
a tradução dos conceitos abstratos fomentando a elaboração da interface gráfica. Os 
alunos devem então identificar os principais conceitos que envolvem seu objeto de 
estudo, como por exemplo o sofrimento do sertanejo provocado pela seca, a esperança 
de chuva e a consequente felicidade trazida por ela, etc. Estes conceitos nortearão o 
processo de criação, tornando o processo criativo mais consistente do ponto de vista 
projetual. 
Painel Semântico como técnica metodológica no ensino da prática projetual em design
Design Arte Moda Tecnologia. São Paulo: 
Rosari, Universidade Anhembi Morumbi, Puc-Rio e Unesp-Bauru, 2012.
O trabalho discente que tomaremos como exemplo, abordou o sub-tema Luiz 
Gonzaga e como objeto de estudo a influência do cantor na popularização da cultura 
nordestina para o proprio Brasil; as canções utilizadas descrevem as mazelas do sertão 
nordestino enquanto buscam pela fé do sertanejo. A tristeza e a falta de perspectiva 
de uma vida melhor é cantada e refletida na música “Asa Branca”, já a alegria, a 
esperança e a fé, na música “A volta da Asa Branca”. O grupo optou por explorar 
a segunda música, menos popular que a primeira, ampliando o caráter de certo 
ineditismo no conteúdo a ser disponibilizado no website. Dessa maneira o conceito de 
esperança foi priorizado pelos alunos, que passaram à produção do painel semântico.
Entendemos aqui que há duas vertentes de imagens referenciais neste projeto; 
a primeira está relacionada à biografia do cantor refletida por fotos de família, locais, 
vestuário ou mesmo capas de disco. A segunda, relacionada ao conceito estabelecido, 
neste caso a esperança. Os alunos selecionam imagens relativas ao conceito, e outras 
que podem não estar diretamente relacionadas ao objeto de estudo mas que refletem 
as mais diferentes perspectivas a cerca do conceito estabelecido. 
Os alunos são estimulados a evitarem imagens genéricas pois, o painel 
semântico deve apresentar conteúdos visuais (inclusive biográficos) que traduzem o 
textual. Dessa maneira, um registro sobre a emoção proporcionada pela chuva trazida 
pela asa branca significa o projeto mais que uma foto do cantor.
Uma terceira vertente de imagens, consideradas também significativas ao longo 
do processo, são as de criação autoral. Após a seleção das referencias os alunos são 
estimulados a produzirem individualmente, sem dimensões definidas ou foco específico 
nas interfaces, pois se tratam de exercícios de experimentação de linguagem. Embora 
imagens autorais não sejam comumente inseridas em painéis semânticos, propomos 
aqui que estas façam parte do processo a fim de que os membros do grupo possam 
visualizar as diversas opções de discursos visuais; pretende-se neste processo 
estabelecer uma proposição mais homogênea a cerca dos conceitos e, obviamente, 
das imagens que serão produzidas. 
Assim, após a coleta e consequente organização das imagens em um painel 
semântico com imagens biográficas, conceituais e autorais (Figura 2), entende-se que 
o confronto de conteúdos será importante para evocar reflexões a cerca do objeto de 
estudo e apontar escolhas projetuais.
Figura 2 - Diagrama de composição e organização das imagens do painel semântico. 
Fonte: Desenvolvido pelo autor
Painel Semântico como técnica metodológica no ensino da prática projetual em design
Design Arte Moda Tecnologia. São Paulo: 
Rosari, Universidade Anhembi Morumbi, Puc-Rio e Unesp-Bauru, 2012.
Neste processo de escolhas, um movimento de intersecção dos conteúdos visuais 
agrupa centralmente as imagens que melhor traduzem o objeto de estudo, enquanto 
afasta para as laterais do painel aquelas que se revelam mais descontextualizadas 
(Figura 3). Importa enfatizar, na pesquisa realizada pelos alunos sobre o nordeste, a 
planta conhecida como dente-de-leão traduz o significado de esperança e estabelece 
uma relação direta com o projeto, portanto, foi escolhida como elemento gráfico 
simbólico das relações viscerais entre o artista e o sertão.
Figura 3 - Painel Semântico criado pelos alunos. Fonte: Arquivo
Pudemos perceber que após este processo a interface gráfica construída 
se mostra mais consistente nos aspectos concernentes à linguagem não verbal. Os 
elementos simbólicos tomam lugar de destaque reforçando o conteúdo verbal proposto. 
É possível identificar os elementos revelados a partir do painel semântico e que foram 
incorporados no processo de criação autoral da interface gráfica do projeto (Figura 4).
Figura 4 - Interface gráfica do website resultante do processo
Painel Semântico como técnica metodológica no ensino da prática projetual em design
Design Arte Moda Tecnologia. São Paulo: 
Rosari, Universidade Anhembi Morumbi, Puc-Rio e Unesp-Bauru, 2012.
ConSiDERAÇÕES FinAiS
No ensino da prática projetual em design se faz crucial que os alunos percebam, 
reflitam e incorporem as técnicas metodológicas utilizadas a fim de que, mais que 
etapas a serem cumpridas, e sim que haja uma reflexão em cada uma delas para que 
não haja uma automatização destes processos e com isso a atitude projetual se torne 
apenas um check-list de tarefas.
Tenta-se evitar uma leitura literal das referencias visuais por parte dos alunos 
pois estas podem induzí-los ao erro. Ao estabelecer relações diretas, pontuando a 
obviedade formal das imagens corre-se o risco, por exemplo, de propor que a interface 
gráfica seja monocromática ou sépia pois as imagens referenciais são antigas e 
desgastadas pelo tempo, abandonando o conteúdo presente nas mesmas. Assim, o foco 
estaria equivocadamente nas questões formais e não nas conceituais ou contextuais, 
que julga-se mais fundamentais neste processo. O uso de painéis semânticos com base 
em palavras-chave, que descrevem características formais em vez de conceitos, não 
propiciam a abrangência e consistencia necessárias para a criação autoral.
Sabemos que as técnicas metodológicas podem gerar resultados variados 
dependendo de alguns fatores como a composição da equipe de trabalho e as 
características do objeto de estudo. Também, não propomos que haja um único 
método ou uma única técnica metodológica ao longo da prática projetual. Desejamos 
sim, refletir sobre a relevancia da construção dos painéis semânticos para garantir 
projetual mais consistente.
REFERÊnCiAS
AMBROSE, Gavin; HARRIS, Paul. Design Thinking. Lausanne: AVA Publishing, 2010.
BÜRDEK, Bernhard E. Design: The History, Theory and Practice of Product Design. 
Basel: Birkhäuser, 2005.
CALVERA, Anna. Treinando pesquisadores para o design: algumas consideraçõese 
muitas preocupações acadêmicas. Revista Design em Foco, Salvador, v. III, nº1, p.97-
120, jan./jun. 2006.
CIPINIUK, Alberto; PORTINARI, Denise B. Sobre Métodos de Design. In: COELHO, Luiz 
A. L. (org.). Design Método. Rio de Janeiro: Ed. PUC-RIO; Teresópolis: Novas Idéias, 
2006. p. 17-38.
COELHO, Luiz A. L. (org.) Design Método. Rio de Janeiro: Ed. Puc-Rio; Teresópolis: 
Novas Idéias, 2006. 182p.
_________________.Percebendo o método. In: COUTO, Rita M. de Souza; OLIVEIRA, 
Alfredo J. (org.). Formas do Design. Rio de Janeiro: 2AB, PUC-Rio, 1999. p. 28-51.
EDWARDS, A.; FADZLI, S. A.; SETCHI, R.. A comparative study of developing physical 
and digital mood boards. Apresentado no: 5th International Conference on Innovative 
Production Machines and Systems (I*PROMS’09), Cardiff, UK, 2009.
FACCA, Cláudia A. O designer como pesquisador: uma abordagem metodológica 
da pesquisa aplicada ao design de produtos. Dissertação (Mestrado em Design) – 
Universidade Anhembi Morumbi, São Paulo, 2008.
_________________. Como criar um Painel Semântico ou “Mood Board”?. Disponível 
em: <http://chocoladesign.com/como-criar-um-painel-semantico-ou-mood-board>. 
Acesso em: 20 abril 2013.
Painel Semântico como técnica metodológica no ensino da prática projetual em design
Design Arte Moda Tecnologia. São Paulo: 
Rosari, Universidade Anhembi Morumbi, Puc-Rio e Unesp-Bauru, 2012.
JACQUES, Jocelise J.; SANTOS, Ronise F. dos. O Painel Semântico como Ferramenta 
no Desenvolvimento de Produtos. Anais V CIPED, Bauru, p. 531-538, 10 – 12/10/2009.
MCDONAGH, D.; DENTON, H. Exploring the degree to which individual students share 
a common perception of specific mood boards: observations relating to teaching, 
learning and team-based design. Design Studies, 26(1), p. 35-53, Elsevier, 2005.
MUNARI, Bruno. Das coisas nascem coisas. Tradução de José Manuel de Vasconcelos. 
São Paulo: Martins Fontes, 2008.

Mais conteúdos dessa disciplina