Doenças III - Prova 1
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Doenças III - Prova 1


Disciplina<strong>doenças Infecciosas</strong>40 materiais44 seguidores
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Doenças III \u2013 Aulas Christian 
Febre Aftosa 
A febre aftosa no Brasil está em processo muito avançado de erradicação, nos estamos 
aguardando a passagem do país para área livre sem vacinação, o que pelas metas do Ministério 
da Agricultura, se dará em 2023. Então o estagio sem vacinação e sem a ocorrência da doença é 
o estágio mais avançado que a gente pode ter para um país ou região como livre desse vírus. 
Por conta de sua alta contagiosidade, temos uma alta morbidade, e por isso, temos um prejuízo 
enorme associado a essa doença. 
Por que precisamos ter um programa de erradicação da febre aftosa? 
Ela não é uma zoonose significativa, é de pouquíssima importância porque praticamente não tem 
relato de casos em humanos e se tem, não tem comprovação formal que seja o vírus da febre 
aftosa. 
Ela precisou ser erradicada porque, como ela tem alta morbidade, vai infectar muitos animais e 
ela vai atingir os biungulados. O vírus tem adaptação a infectar células epiteliais de biungulados e 
entre os biungulados, os que tem dois dedos ou unhas, existem duas espécies que são criticas 
para a economia brasileira, que são os bovinos e os suínos. 
Entao nos estamos falando de um vírus de elevada morbidade que atinge duas espécies 
extremamente importantes para a economia brasileira. Nesses animais essa doença causa uma 
infecção aguda febril com a famosa formação das aftas na cavidade oral que da o nome a doença 
e durante esse curso agudo, pode acontecer mortalidade, embora ela não tenha uma letalidade 
alta, mas como ela é muito infectante, então temos muitos animais infectados, e, portanto, 
sempre há mortalidade. 
Para a maioria dos animais, por causa da febre intensa que pode durar até uma semana, pode 
causar redução da produtividade, que é muito significativa ao final do curso agudo da doença. Se 
pesamos estes animais antes e depois, vemos que há perdas superiores as vezes a 10% do peso 
do animal. Em suínos é inviável manter esses animais e no caso de bovino de corte também não 
se recupera mais o peso que se pretenderia atingir. No caso dos bovinos de leite, os animais 
chegam a ter quebra do leite de até 80%. Essa redução da produtividade é um aspecto muito 
importante e cada vez mais importante porque a produção de carne e leite é uma commodity, se 
temos uma doença retirando o pouco que se ganha, o prejuízo é enorme. 
Além disso, essa doença provoca vesículas que depois se rompem formando erosões no epitélio 
externo do teto. O vírus não causa mastite nos bovinos, não infecta glândula mamaria, porem ele 
causa lesões muitas vezes até no óstio do teto e isso é ótimo para proliferar Staphylococcus 
aureus no epitélio do teto e o S. aureus é extremamente favorecido quando se tem lesões no teto 
para causar mastite ascendente. Entao atrás de um surto de febre aftosa, normalmente num 
rebanho bovino, tem surtos de mastite. 
O vírus causa lesões podais também, vesículas e inflamação naquela área de junção da unha 
com a pele, conhecida também como coroa do casco, e nessa região com essa inflamação, como 
a unha não se expande, essa lesão provoca uma inflamação interna que principalmente nos 
suínos, pode levar ao descolamento da unha do animal. O suíno, por exemplo, é um animal muito 
pesado e que concentra seu peso numa área muito pequena, então se ele perde o casco, ele não 
anda por causa da dor. Então ele perde muito peso, desidratada e comumente morre. 
No caso dos bovinos é muito comum ter infecções bacterianas que se aproveita, já que é uma 
área contaminada, e provocam surtos de pododermatite bacteriana, na mesma lógica da mastite. 
E finalmente, as mortalidades, que podem passar de 10%, principalmente nos animais mais 
jovens, bezerros e leitões. 
Para evitar esse quadro, nos poderíamos pensar em não erradicar a doença, vamos 
simplesmente adotar uma medida corretiva através de vacinação, mantendo a imunidade alta dos 
animais e assim evitar que o vírus cause a sua patogenia, entretanto, essa estratégia, se ela não 
visa a erradicação, ela se torna muito cara também, porque a vacina contra a febre aftosa não é 
barata, requer um protocolo intensivo com duas vacinações ao ano, e além disso, como é um 
vírus muito transmissível, são necessárias medidas auxiliares, como depopulações, bloqueio 
sanitário, vigilância para rastrear o vírus, educação sanitária, campanhas, etc. 
Um trabalho que foi desenvolvido avaliando 25 anos do programa, avaliou os custos do Programa 
Nacional de Erradicação da Febre Aftosa e nesses 25 anos, o programa custou 30 bilhões de 
dólares para os cofres públicos, fora o que é gasto pela iniciativa privada. É um programa 
extremamente caro, um ano desse programa representa mais de 6 vezes o orçamento anual 
médio do ministério da agricultura, o programa é possível porque a iniciativa privada paga 90% 
desse programa. Então nos estamos falando de custos que estão aplicados diretamente sobre o 
produtor. 
Como o vírus é altamente contagioso, e como ainda pode permanecer infectando por mais de 
dois anos quando congelado em pH adequado, que é o neutro, e essas condições nos podemos 
encontrar, por exemplo, na medula óssea de animais que estavam na fase viremica da doença e 
que foram abatidos, então nessas condições, podemos encontrar o vírus na carne por mais de 2 
anos se congelado por \u2013 16 a \u2013 20º. 
O que acontece com os países que não tem febre aftosa? Eles fazem restrição comercial, então a 
partir do momento que um pais notifica a febre aftosa, a OIE embarga as importações de carne 
desse país. Essa é uma estratégia que tem interesse econômico. Leva a uma depreciação do 
valor da carne exportada. 
Na vigência de surto vai haver desemprego, perda de competitividade nacional ate que o pais 
seja declarado livre novamente, e isso pode demorar até 2 anos. Então o pais tem que solicitar a 
OIE um certificado de livre e ela só da esse certificado 2 anos após o ultimo foco. 
Consequentemente, um pais que tem febre aftosa não pode ser um grande competidor no 
mercado internacional de carne. 
Em conjunto, a febre aftosa está para os bovinos como a PSC está para os suínos, como a 
Influenza Aviaria e Doença de Newcastle estão para a avicultura. Todos esses exemplos são de 
vírus extremamente contagiosos que causam grandes prejuízos e impedem o processo regular 
dos produtos desses animais. Essa restrição comercial é uma ameaça muito grande ao comércio 
internacional. 
É uma doença aguda, febril, os primeiros sinais clínicos nos animais são a perda de apetite e 
prostração devido a febre. Essa febre surge subitamente e geralmente em vários animais do 
rebanho, porque durante o período de incubação, que não é longo, de 2 a 3 dias, esse animal já 
esta transmitindo o vírus, então quando o vírus chega e infecta um animal do rebanho e esse 
animal apresenta salivação, muitos ou todos os outros animais do rebanho já estão infectados. 
Febre aguda e salivação abundante: essa salivação tanto é porque o animal produz mais saliva, 
porque as lesões bucais estimulam a salivação e também porque esse animal deglute menos, já 
que o vírus causa lesões no esôfago, faringe e laringe. Então vemos bovinos com febre, 
subitamente doentes, prostrados e salivando. 
No exame bucal desse animal, na língua observamos vesículas que também podem estar 
presentes na gengiva do animal, no palato e em qualquer parte do epitélio da cavidade oral, e 
essas vesículas evoluem rapidamente para se romper e o animal perde esse epitélio daquela 
região da vesícula. 
Animais com o tiloma também é comum, grande massa de tecido inflamatório crônico granuloso 
entre os dedos resultante da formação de vesícula que se rompem e as bactérias aproveitando 
essa lesão, infectam. O procedimento para isso é a dissecção do dedo. As afecções podais 
também trazem grandes problemas para os bovinos. 
É uma doença aguda, então, normalmente pelo decimo dia o animal já vai se sentir melhor, 
bovinos adultos dificilmente morrem,