SEMIOLOGIA DO APARELHO CARDIOVASCULAR + valvopatias
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SEMIOLOGIA DO APARELHO CARDIOVASCULAR + valvopatias


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Celso Lucas \u2013 MED 76 
SEMIOLOGIA DO APARELHO CARDIOVASCULAR 
\u2022 O exame do aparelho cardiovascular, em especial do coração, envolve 
as seguintes etapas semiológicas: inspeção, palpação e ausculta. A 
percussão não possui tanto valor prático. 
 
\u2022 Anamnese: é na queixa principal e na HDA que o raciocínio clínico, 
fundamental para os diagnósticos relacionados ao sistema em 
questão, começa. Os principais sintomas relacionados são: 
 
- Dispneia, ortopneica e dispneia paroxística noturna; 
- Síncope e lipotimia; 
- Palpitações; 
- Angina de peito e outras dores torácicas 
- Sintomas inespecíficos, como fadiga, astenia, vertigem, etc. 
 
\u2022 Faz parte do exame do aparelho cardiovascular a avaliação dos pulsos 
arteriais. Os pulsos mais usados são: carotídeo, femoral e radial. 
 
\u2022 O que devo avaliar no pulso radial? 
 
\u2713 Frequência 
\u2713 Amplitude 
\u2713 Tensão ou dureza 
\u2713 Onda do pulso 
\u2713 Ritmo 
\u2713 Estado da parede arterial 
\u2713 Simetria 
 
\u2022 O que devo avaliar no pulso carotídeo? 
 
\u2713 Estado da parede arterial 
\u2713 Presença de frêmito/sopro 
\u2713 Amplitude e tipo do pulso 
\u2022 Por que é importante avaliar também o pulso femoral? lembrando que ele 
deve ser sempre palpado e, inclusive, comparar a sua amplitude com o pulso 
radial. 
R: É importante, principalmente, nos casos de coarctação da aorta. Um pulso 
femoral menor ou ausente em relação ao radial na mesma altura pode ser um 
forte indicativo da condição supracitada. Lembrando que a coarctação de 
aorta é o comum principalmente em crianças, sendo a principal causa de HAS 
nessa faixa etária. 
\u2022 Um fator muito importante a ser considerado é o tipo de onda do 
pulso, que pode ser: 
 
\u2713 Pulso fino ou filiforme: é um pulso que possui baixa amplitude, 
estando presente nos casos de estenose valvar severa (estenose 
aórtica) e nos casos de choque hipovolêmico ou Insuficiência 
cardíaca, dentre outros. 
\u2713 Pulso de Corrigan, célere ou em martelo d\u2019água: sua principal 
característica é que possui grande amplitude e surge e desaparece 
rapidamente. Deve-se ao aumento da pressão diferencial, estando 
presente na insuficiência aórtica. 
\u2713 Pulso bisferiens ou bífido: é caracterizado por um duplo pico 
sistólico. Está presente nos casos de insuficiência aórtica crônica, 
associada ou não a uma estenose aórtica leve. Outra causa é 
cardiomiopatia hipertrófica obstrutiva. Esse pulso surge quando 
grande volume sistólico é ejetado por um ventrículo com boa 
contratilidade. 
\u2713 Pulso dicrótico: é um pulso com duplo pico, um na sístole e outro na 
diástole. Ocorre em casos de reduzido débito cardíaco, como nos 
choques hipovolêmicos. 
\u2713 Pulso parvus et tardus: parvus = pequena amplitude e tardus = 
ascensão lenta e sustentada. Ocorre nos casos de estenose aórtica, 
sendo mais percebido nas artérias carótidas. 
\u2713 Pulso alternante: nesse tipo ocorre alternação da amplitude. Está 
presente na insuficiência cardíaca em fase avançada. É um sinal de 
mau prognóstico. 
\u2713 Pulso paradoxal (ou de Kussmaul): observa-se diminuição da 
intensidade do pulso durante a inspiração, sendo a exacerbação de um 
fenômeno natural. Como se explica: durante a inspiração há um 
aumento do retorno venoso para o VD, promovendo leve 
deslocamento do septo interventricular para dentro do VE, que 
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compensa \u201cdistendendo\u201d sua parede lateral. Quando algo impede essa 
acomodação, o pulso diminui significativamente, pois a quantidade 
de sangue ejetado é menor. Nesse sentido, ocorre em situações que 
restringem o enchimento ventricular ou que aumentam a pós-carga do 
VD, como nos casos do tamponamento cardíaco e na DPOC, 
respectivamente. 
 
1. Inspeção e palpação 
\u2022 Devem ser feitos juntos 
\u2022 Os seguintes parâmetros devem ser avaliados: 
\u2713 Pesquisa de frêmito cardiovascular. 
\u2713 Análise do ictus cordis 
\u2713 Análise de batimentos ou movimentos visíveis ou palpáveis 
\u2713 Pesquisa de abaulamentos e retrações 
 
\u2756 Pesquisa de abaulamentos e retrações: 
 
\u2022 Faça a observação do tórax em duas incidências: frontal e tangencial 
\u2022 Abaulamentos no precórdio: podem indicar aneurisma da aorta, 
cardiomegalia, derrame pericárdico e alterações da própria caixa. 
\u2022 Em crianças: a dilatação do ventrículo direito deforma facilmente o 
precórdio. As principais causas são cardiopatias congênitas e lesões 
valvares reumáticas. 
- Levantamento em massa do precórdio: um exemplo é no caso de 
hipertrofia do ventrículo direito. Isso é perceptível porque a borda 
paraesternal dos espaços intercostais 3, 4 e 5 corresponde à localização 
anatômica do ventrículo direito. 
- Retração sistólica apical: pode ocorrer também nos casos de hipertrofia do 
ventrículo direito. Nesse caso observa-se movimento em báscula: retração 
apical + impulso paraesternal. 
 
\u2756 Análise do ictus cordis 
 
\u2022 O que é o ictus? também chamado de choque de ponta ou ápice 
cardíaco, corresponde à ponta do ventrículo esquerdo, localizando-se 
na linha hemiclavicular esquerda ao nível do 5° espaço intercostal. 
\u2022 O que devo avaliar do ictus? 
- Localização 
- Extensão 
- Mobilidade 
- Intensidade 
- Localização do ictus: 
\u2022 Varia de acordo com o biótipo do paciente, mas geralmente é no 5° 
EI esquerdo. 
\u2022 Mudança de posição pode indicar hipertrofia ou dilatação do VD, 
como também derrame pleural. 
\u2022 Mudança na posição do ictus ocorre, por exemplo, na insuficiência e 
estenose aórtica, insuficiência mitral e hipertensão arterial. 
- Extensão do ictus cordis: 
\u2022 Para avaliar a extensão, utilize as polpas digitais para palpá-lo; 
\u2022 Determina sua extensão de acordo com o número de polpas usadas 
para encobri-lo. 
\u2022 Normal: de 1 a 3 polpas digitais. 
- Intensidade do ictus cordis: 
\u2022 Faça a palpação com as polpas digitais. Caso não consiga, coloque o 
paciente em decúbito lateral esquerdo (posição de Pachon) 
\u2022 O ictus pode estar hipercinético, hipercinético difuso, hipocinético 
difuso, propulsivo sustentado e desviado. 
- Mobilidade do ictus cordis: 
\u2022 Avalia-se a mobilidade do ictus marcando sua posição nos dois 
decúbitos laterais e no decúbito dorsal; 
\u2022 O normal é um desvio de até 2 cm 
\u2022 Nos casos de sínfise pericárdica não há deslocamento 
 
Celso Lucas \u2013 MED 76 
\u2756 Análise de movimentos visíveis ou palpáveis: nos casos de bulhas 
hiperfonéticas pode-se sentir um choque contra a mão de curta 
duração, condição denominada \u201cchoque valvar palpável\u201d. 
 
\u2756 Análise de frêmito: 
 
\u2022 Frêmito e a sensação tátil do sopro; 
\u2022 O frêmito cardiovascular é dito como semelhante ao ronronar do gato, 
sendo chamado, também, de frêmito catário. 
\u2022 O que devo avaliar do frêmito? Situação no ciclo cardíaco, 
intensidade e localização. 
 
2. Ausculta 
 
I. Focos de ausculta: 
 
 
 
\u2022 Foco aórtico: localiza-se no 2° espaço intercostal direito (na altura 
do ângulo de Louis). 
\u2022 Foco pulmonar: localiza-se no 3° espaço intercostal esquerdo, na 
linha paraesternal. 
\u2022 Foco aórtico acessório: localiza-se no 3° espaço intercostal 
esquerdo, abaixo do foco pulmonar. 
\u2022 Foco tricúspide: localiza-se no 4 espaço intercostal, na linha 
paraesternal. 
\u2022 Foco mitral: corresponde ao ápice do coração, estando na mesma 
localização que o ictus cordis. 
\u2022 Os focos aórtico e pulmonar são os focos da base. 
 
II. Localização dos fenômenos esteatoacústicos no ciclo cardíaco 
Os sons podem ser: 
\u2022 Protossisntólico \u2013 no início da sístole 
\u2022 Mesosistólico \u2013 no meio da sístole 
\u2022 Telessistólico \u2013 no fim da sístole 
 
\u2022 Protodiastólico \u2013 no início da diástole 
\u2022 Mesodiastólico \u2013 no meio da diástole 
Celso Lucas \u2013 MED 76 
\u2022 Telediastólico \u2013 no fim da diástole. Tbm chamado de pré-sistólico 
 
\u2022 Holosistólico \u2013 durante toda a sístole 
\u2022 Holodiastólico \u2013 durante toda a diástole 
 
III. Bulhas cardíacas 
 
\u2022 São sons provenientes de determinados tipos de vibração das 
estruturas cardíacas durante o ciclo cardíaco. 
\u2022 Normalmente, duas bulhas são audíveis com o estetoscópio: B1 
(primeira bulha)