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A gramática, a ortografia e a
pontuação
COMPREENDER A IMPORTÂNCIA DO ENSINO CONTEXTUALIZADO DA GRAMÁTICA, ORTOGRAFIA E
PONTUAÇÃO; QUE NÃO BASTA O ENSINO DAS REGRAS PARA QUE O ALUNO AS APRENDA, É PRECISO
QUE ELE ENTENDA PARA QUE AS UTILIZA ? ASSIM ELE SERÁ CAPAZ DE CONSTRUIR CONCEITOS A
RESPEITO DELAS.
Gramática
Segundo o Dicionário de linguística (1995, p. 313), GRAMÁTICA é a descrição completa da língua, isto é, dos
princípios de organização da língua. A Divisão da Gramática Normativa é a seguinte:
Fonologia: estabelece os princípios que regulam a estrutura sonora da língua.
Morfologia: estuda a estrutura da palavra e sua classificação.
Sintaxe: define a organização dos elementos internos da frase, estabelecendo a relação entre eles.
Semântica: estuda a relação entre conteúdos e significados.
Estilística: estuda a organização da linguagem do ponto de vista de seu conteúdo afetivo.
Há professores que defendem o ensino da gramática normativa no Ensino Fundamental, trabalhando as
regras e normas da língua por meio de exercícios de fixação, por acreditarem que o aluno poderá transferir
essas normas para seus textos. Outros ainda preferem eliminar a gramática de suas aulas, argumentando
que as pessoas só aprendem a escrever escrevendo e que, portanto, exercícios gramaticais não levam a uma
leitura compreensiva e a uma escrita adequada.
É preciso entender que as regras gramaticais fazem parte do aspecto lógico-matemático, ou seja, quando se
trabalha a gramática, desenvolve-se o raciocínio do aluno, por isso ela deve fazer parte do currículo da
Língua Portuguesa. Na verdade, o aluno só construirá e aplicará os conceitos gramaticais quando
compreender o seu uso.
O que se objetiva, principalmente nas séries iniciais, é que o aluno compreenda como a gramática pode
funcionar na organização de um texto, considerando que o discurso deva ser claro e eficiente entre os
interlocutores. 
 
Não adianta o aluno saber um monte de regras e palavras de uso gramatical se não souber para que servem
nem em que situações usá-las, então:
Assim, ainda de acordo com os PCN, "saber o que é substantivo, adjetivo, verbo, artigo, preposição, sujeito,
predicado etc. não significa ser capaz de construir bons textos, empregando bem esses conhecimentos".
É por isso que se ressalta a importância das atividades de revisão, refacção etc., pois serão momentos em
é no interior da situação de produção de texto, enquanto o escritor monitora a própria
escrita para assegurar sua adequação, coerência, coesão e correção, que ganham utilidade
os conhecimentos sobre os aspectos gramaticais. (PCN-LP, p. 58)
[...] é preciso considerar que, embora sejam peculiares as situações de análise linguística
(em que inevitavelmente se fala sobre língua), não se deve sobrecarregar os alunos com
um palavreado sem função, justificado exclusivamente pela tradição de ensiná-lo [...]
(PCN-LP, p. 58)
de modo geral, o ensino da ortografia dá-se por meio da apresentação e repetição verbal
de regras, com sentido de "fórmulas", e da correção que o professor faz de redações e
ditados, seguida de uma tarefa onde o aluno copia várias vezes as palavras que escreveu
errado. E, apesar do grande investimento feito nesse tipo de atividade, os alunos — se
bem que capazes de "recitar" as regras quando solicitados — continuam a escrever errado.
(p. 58)
que o professor terá a oportunidade de "ensinar o aluno a utilizar os conhecimentos que possui, ao mesmo
tempo em que é fonte de conteúdos a serem trabalhados" (p. 58).
O que importa é que o professor entenda que:
Além disso, para se decidir o que deve ou não ser ensinado, caberá uma análise do contexto e verificação de
sua utilidade para abordar os conteúdos de modo a facilitar a reflexão sobre a língua. O que for
desnecessário e irrelevante deverá ser excluído, para que não confunda os alunos.
Os aspectos gramaticais, assim como outros discursivos, como a pontuação, devem ser discutidos com os
alunos, a partir de suas próprias produções. Outro exemplo é ensinar concordância sem se falar em verbo ou
sujeito, fato que não significa que não se deva ensinar fonética, morfologia ou sintaxe, mas que deverão ser
abordadas à medida que forem necessárias para a reflexão sobre a língua.
De acordo com os PCN-LP:
A ortografia é um conhecimento que apresenta aspectos que têm "regras" (por exemplo, M antes de P e B) e
aspectos que não têm regras (por exemplo, palavras que se escrevem com X ou CH).
Os aspectos que têm regras podem ser reconstruídos pelo aluno, pois fazem parte de um conhecimento
lógico-matemático, conforme já citado, e os não regrados referem-se a um conhecimento social arbitrário,
ou seja, só podem ser adquiridos por meio da formação mental da palavra, que significa formar o repertório
das palavras mais utilizadas e ganhar consciência da forma como são escritas, independente de como são
faladas, mas:
ainda que tenha um forte apelo à memória, a aprendizagem da ortografia não é um
processo passivo: trata-se de uma construção individual, para a qual a intervenção
pedagógica tem muito a contribuir. (PCN-LP, p. 58)
estratégias didáticas para o ensino da ortografia se articulem em torno de dois eixos
básicos: o da distinção entre o que é "produtivo" e o que é "reprodutivo" na notação da
ortografia da língua, permitindo no primeiro caso o descobrimento explícito de regras
geradoras de notações corretas e, quando não, a consciência de que não há regras que
justifiquem as formas corretas fixadas pela norma; e a distinção entre palavras de uso
frequente e infrequente na linguagem escrita impressa. (PCN-LP, p. 58)
a partir da compreensão de que o procedimento de pontuar é parte da atividade de
textualização, essa abordagem se mostra inadequada e indica a necessidade de rever
algumas ideias, nem sempre explícitas, sobre as quais esta didática se apoia. A primeira
delas é que a pontuação serviria para indicar as pausas na leitura em voz alta e a segunda
é que o que se pontua são as frases. (PCN-LP, p. 59)
Falar das dificuldades em ensinar e aprender ortografia é colocar em discussão posições controvertidas e
preconceituosas, pontos de vista extremistas, tanto pelos defensores da "ingenuidade" do idioma como
pelos que lutam pela "liberdade de expressão" e veem na norma ortográfica uma fonte de censura e
repressão.
É necessário promover um trabalho didático sistemático com vistas a ensinar ortografia, ou seja, ajudar o
aluno a internalizá-la em lugar de simplesmente exigir que ele não apresente erros ao escrever. Para isso,
faz-se necessário que as:
Um trabalho de linguagem deve levar em consideração que comunicar oralmente ou por escrito não só pode
como deve ser ensinado sistematicamente, de modo a favorecer a "inferência dos princípios de geração da
escrita convencional, a partir da explicitação das regularidades do sistema ortográfico" (p. 58), que é
possível acontecer quando fazemos o aluno refletir sobre a escrita, ou seja, constatar como se escrevem as
palavras e, para isso, ele precisará confrontar sua escrita com a escrita convencional.
Conforme aponta o PCN-LP (p. 59), as "formas ortográficas mais frequentes na escrita devem ser aprendidas
o quanto antes", não com a finalidade de se determinar quais palavras ensinar, desconsiderando as outras,
mas sim para se tratar de modo diferente. "É preciso que se diferencie o que deve estar automatizado o mais
cedo possível para liberar a atenção do aluno para outros aspectos da escrita e o que pode ser objeto de
consulta ao dicionário." (p. 59)
Não devemos confundir o ensino de pontuação com os sinais de pontuação. Por isso, o PCN-LP aponta que
Ao se propor um trabalho de pontuação com os alunos, o professor deverá ter em mente que os sinais de
pontuação são elementos da língua escrita responsáveis por separar as informações de um texto, e não
simples "pausas para respirar". O ideal seria não fazer essa relação de pontuação/respiração.
Quando as crianças produzem textos, é muito comum quenão façam uso da pontuação, pois utilizam outro
tipo de marcação como aí, e, daí, então, para relacionar as informações entre si. E, ao trabalharmos a
pontuação nesses textos, que poderá ser em conjunto, será o momento de propormos as substituições
dessas marcas de oralidade pelos sinais de pontuação. "A pontuação aparece sempre em posições que
indicam fronteiras sintático-semânticas" (PCN-LP, p. 60), ou seja, não pode ser vista como um apanhado de
frases, mas sim como um caminho que contém partes (parágrafos, frases) que precisam ser agrupadas e
reagrupadas de modo que indiquem os sentidos do texto propostos pelo autor, obtendo efeitos estilísticos.
"A única regra obrigatória da pontuação é a que diz onde não se pode pontuar: entre o sujeito e o verbo e
entre o verbo e seu complemento. Tudo o mais são possibilidades." (PCN-LP, p. 60) Inverso à ortografia, na
pontuação o certo e o errado nem sempre é definitivo, ou seja, há, muitas vezes, mais de uma possibilidade
de pontuar um texto. Portanto, para saber pontuar não precisamos aprender regras, mas um procedimento
que recaia diretamente sobre a textualidade.
Tal procedimento só será passível de ser aprendido se houver uma parceria com quem o souber executar,
pois, no intercâmbio entre as partes, serão trocadas ideias sobre as decisões que cada um tomou ao pontuar
e por quê; serão analisadas alternativas tanto do ponto de vista do que se deseja quanto dos aspectos
estilísticos, sendo escolhida a mais adequada; serão observados os usos específicos da pontuação nos
diferentes gêneros e em textos de diversos autores.
Agora que você já estudou esta aula, resolva o quiz e verifique seu conhecimento. Caso fique
alguma dúvida, leve a questão ao Fórum e divida com seus colegas e professor.
QUIZ (https://ead.uninove.br/ead/disciplinas/web/_g/smelp80/a20q01_smelp80.htm)
REFERÊNCIA
Brasil. Parâmetros Curriculares Nacionais – Língua Portuguesa. Brasília: MEC/SEF, 1997.
CÓCCO, Maria Fernanda; HAILER, Marco Antonio. Alp novo: análise, linguagem e pensamento. Coleção Alp.
São Paulo: FTD, 1999.
DUBOIS, Jean et al. Dicionário de linguística. São Paulo: Cultrix, 1995.
https://ead.uninove.br/ead/disciplinas/web/_g/smelp80/a20q01_smelp80.htm

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