Aula 3 - PROJETOS INTERNACIONAIS - MOTIVAÇÕES E RISCOS
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Aula 3 - PROJETOS INTERNACIONAIS - MOTIVAÇÕES E RISCOS


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AULA 3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ESTRATÉGIAS DE 
INTERNACIONALIZAÇÃO E 
COMÉRCIO EXTERIOR 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. João Alfredo Lopes Nyegray 
 
 
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CONVERSA INICIAL 
Um exemplo de projeto simples pode ser organizar uma festa de 
aniversário ou um casamento. E os projetos internacionais, como podem ser 
exemplificados? Um exemplo plausível pode ser organizar uma viagem 
internacional com vários destinos para várias pessoas. É necessário considerar o 
que levar, o que não levar, quanto economizar, quais pessoas irão, optar pelas 
melhores passagens e pelos hotéis com o melhor custo benefício, aprender 
alguma coisa da língua do país de destino e por aí vai. Perceba, os projetos 
internacionais se familiarizam com os projetos domésticos, mas com muito mais 
coisa para se levar na bagagem! 
CONTEXTUALIZANDO 
Na órbita do nosso planeta, a cerca de 400 quilômetros de altura, circula a 
estação espacial internacional. Trata-se de um projeto iniciado em 1998, com 
esforços conjuntos de pelo menos quatro países mais a União Europeia. Além 
disso, outros 15 países possuem acordo de cooperação para utilizar os 
laboratórios da Estação Espacial, onde se realizam pesquisas, testes, buscas de 
novas tecnologias e experimentos diversos. Além de ser um grande e complexo 
projeto internacional, a Estação Espacial Internacional é um exemplo de 
cooperação entre diversos países. 
Tal qual ocorreu com a Estação Espacial, numa escala muito grande de 
tempo, recursos e participantes, uma série de empresas realizam parcerias e 
projetos conjuntos com fins de atingir um mesmo objetivo. Esses projetos podem 
ser grandiosos, como o do exemplo, ou menores, mas devem sempre trazer um 
ganho para as partes envolvidas. 
TEMA 1 \u2013 PROJETOS INTERNACIONAIS: MOTIVAÇÕES E RISCOS 
Os projetos internacionais têm muito em comum com os projetos 
domésticos: existe a necessidade de um escopo claro, de um limite de tempo, de 
um planejamento de custos e também de riscos. No entanto, a diferença essencial 
está no propósito, na quantidade de pessoas envolvidas e no risco maior. Uma 
das melhores maneiras de entender os projetos internacionais é por meio de 
exemplos: \u201cuma empresa efetuando um grande projeto de construção num país, 
que envolve múltiplos subcontratos; duas empresas fundindo suas operações, 
 
 
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uma empresa implantando um novo produto numa nova região\u201d (Lientz, Rea, 
2003). 
Veja, existem milhares de exemplos possíveis de projetos internacionais. 
Todas as grandes marcas estrangeiras que hoje atuam em nosso país, um dia 
tiveram no Brasil apenas um projeto de atuação, que veio a se concretizar. 
Montadoras de veículos, fábricas de roupas e de bebidas, lojas de vestuário e de 
cosméticos e ainda vários outros tipos de estabelecimento estão em nosso 
mercado hoje pois seu projeto deu certo. 
E você sabe dizer por que os riscos dos projetos internacionais são 
maiores? Em primeiro lugar, pois existe uma incerteza maior. Se você está 
enviando um produto, fazendo uma parceria ou mesmo trazendo algo do exterior, 
não se pode ter certeza de que o público alvo do país de destino vai mesmo gostar 
do item e consumi-lo como se espera. Nesse caso, as diferenças culturais 
possuem um impacto significativo. Imagine que você envia roupas brancas para 
a China. Aqui todos usamos camisas, camisetas, calças e uma série de outros 
itens dessa cor. No entanto, na China, o branco é a cor do luto. Da mesma 
maneira, bonés verdes para uma outra cultura representam maridos traídos. Muito 
da incerteza nos projetos internacionais deriva de todas essas diferenças. 
TEMA 2 \u2013 GESTÃO ESTRATÉGICA 
A estratégia é uma maneira que se escolhe para se chegar a algum lugar 
ou para atingir um determinado objetivo. Colocando de outra forma, \u201cestratégia é 
um plano, ou algo equivalente \u2013 uma direção, um guia ou curso de ação para o 
futuro, um caminho para ir daqui até ali\u201d (Ahlstrand; Lampel; Mintzberg, 2010). 
Mas, para que serve? Veja: \u201ca estratégia deve conduzir uma organização através 
de mudanças e reformas de maneira a assegurar crescimento e sucesso 
sustentáveis. Sem uma estratégia claramente definida, as organizações tendem 
a perder o rumo, como um barco sem velas nem leme em meio a uma tempestade\u201d 
(Carter; Clegg; Kornberger, 2010). 
Portanto, a estratégia serve para que as empresas saibam onde estão, 
aonde querem chegar e o que farão para chegar lá. Sabendo onde se está e onde 
se quer chegar, traçar a estratégia fica mais fácil. É como se você estivesse em 
frente a uma montanha e precisasse decidir o que fazer para chegar do outro lado: 
escalando, cavando um túnel ou desviando. Essa lógica da estratégia como um 
 
 
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caminho a ser percorrido com um curso de ação tem sido utilizada desde os anos 
1950 para auxiliar as empresas a atingirem seus objetivos. 
Estudiosos da área de gestão estratégica acabaram por criar as chamadas 
\u201cestratégias genéricas\u201d, que seriam aquelas passíveis de utilização por diversas 
organizações de diversos portes e segmentos. A primeira delas é a chamada 
estratégia de diferenciação. Trata-se de criar um produto ou serviço exclusivo da 
minha empresa, diferenciado, que só eu tenha daquela forma. É o caso da Nike, 
da Coca-Cola, da Apple e de tantas outras grandes empresas com produtos 
únicos. 
A segunda das estratégias genéricas é a de liderança de custos. É o caso 
das empresas que não visam criar nada de altamente inovador ou diferenciado, 
mas buscam oferecer um determinado produto pelo preço mais baixo. Chamada 
também de \u201cpolítica de preços\u201d ou \u201cliderança de custos\u201d essa estratégia parte da 
economia de escala: produzir muito a baixos preços. 
Por fim, a terceira estratégia genérica consiste na chamada estratégia de 
enfoque, ou seja, a empresa foca suas atividades e esforços para oferecer 
produtos e serviços para um pedaço pequeno do mercado, buscando um tipo 
único de comprador, muitas vezes pouco interessado em preços baixos. O melhor 
exemplo possível desse tipo de estratégia é a fabricante de aviões Embraer. Não 
é todo mundo que pode comprar um avião executivo, não é mesmo? 
Essas estratégias genéricas podem ser escolhidas por uma empresa 
qualquer, conforme seja sua realidade. Da mesma forma, podem ser aplicadas 
aos projetos de alguma maneira, seja por meio da criação de um produto único e 
diferenciado, seja por meio do oferecimento de produtos baratos ou de produtos 
com foco num mercado muito específico. Muitos são aqueles que criticam essas 
estratégias justamente por serem genéricas demais. Ainda assim, elas podem 
servir aos mais diversos interesses, e seu propósito é, justamente, serem 
genéricas. 
TEMA 3 \u2013 ESTRATÉGIA PARA PROJETOS INTERNACIONAIS 
Imagine que você trabalha num frigorífico que corta e embala proteínas 
bovinas. Você iniciaria um projeto internacional para enviar cortes de carne bovina 
para a Índia, por exemplo? Possivelmente não, uma vez que os indianos \u2013 por 
motivos religiosos \u2013 não consomem carne bovina. Esse exemplo visa mostrar um 
dos diversos pontos que deve ser levado em consideração quando se está 
 
 
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delineando um projeto internacional: o público alvo. O sucesso ou fracasso do seu 
projeto está diretamente relacionado aos desejos ou necessidades que você 
atende de um determinado público. Assim, não basta ofertar um produto ou 
serviço, e esperar que ele venda. Deve-se, antes de mais nada, garantir que esse 
item à venda seja adequado às necessidades dos clientes e regulamentações do 
país de destino. 
Nesse sentido, uma das primeiras preocupações deve ser com os 
costumes culturais, já tratados anteriormente. É óbvio que não devemos oferecer 
carne bovina na Índia ou automóveis com o volante do lado esquerdo na Austrália 
ou África do Sul. No entanto, existem outras diferenças bem mais sutis que devem 
ser pensadas de antemão. Um desses pontos importantes refere-se às leis