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EXERCÍCIO 
INTERMITENTE:
ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS
EXERCÍCIO 
INTERMITENTE:
Estado da Arte e Aplicações Práticas
EditorEs:
Prof. Dr. Fabrício Boscolo Del Vecchio
Prof. Ms. Yuri Salenave Ribeiro
Prof. Ms. Luan Merseburger Picanço
Profª Ms. Leony Morgana Galliano
PELOTAS, 2014
Exercício Intermitente: Estado da Arte e Aplicações Práticas
Copyright © 2014 by OMP Editora
Rua Francisco José Furtado, n. 30 (Térreo) – São Francisco – Manaus-AM 
Cep: 69079-200 
Tel/Fax: (92) 3213-9222
E-mail: ompeditora@hotmail.com
Revisão ortográfica: 
Capa: 
Atleta: 
Fotos: 
Projeto Gráfico: Rodrigo Lippi
Todos os direitos reservados.
1.ª edição – 2014 
Nenhuma parte deste livro pode ser reproduzida ou transmitida de nenhuma forma ou por 
quaisquer meios eletrônicos, mecânico, fotocopiado, gravado ou outro, sem autorização prévia 
por escrito da OMP Editora. E de um de seus organizadores, Fabrício Boscolo Del Vecchio.
Quando solicitada autorização para publicação de alguma fotografia (imagens que não são 
de domínio público ou fora de contexto jornalístico) ou conteúdo de coautores, foi concedida 
e ratificada sem ônus em documento entregue via e-mail ou em mãos ao autor. 
CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE 
SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ
Impresso no Brasil
Printed in Brazil
APRESENTAÇÃO
Pelotas, 26 de setembro de 2014
O livro “Exercício Intermitente: Estado da arte e aplicações práticas”, fruto 
do trabalho desenvolvido no interior da disciplina “Pesquisa em Exercício Físico 
Intermitente” do programa de pós-graduação em Educação Física da Escola 
Superior de Educação Física da Universidade Federal de Pelotas (ESEF/UFPel), 
visa ocupar lacuna na literatura técnica-científica nacional a respeito da temá-
tica. Aponto a literatura nacional como objeto, pois em âmbito internacional, 
pesquisas com exercícios desta natureza se proliferam de modo muito veloz. 
Assim, o corpo de conhecimento internacionalmente produzido e publicado é 
amplo. Porém, pouco tem sido divulgado em português, para que acadêmicos 
de diferentes níveis e pessoas interessadas na temática possam se envolver. 
No interior da disciplina ministrada na ESEF/UFPel desde 2010, além de 
ocorrerem leituras sistemáticas do que é produzido sobre Exercício Intermitente, 
os discentes matriculados na mesma são estimulados a realizarem seminários, 
redigirem textos de diferentes naturezas acerca do assunto e elaborarem aplica-
ções de métodos que envolvem este tipo de exercício físico. E, das edições de 
2010 e 2011 decorre a presente obra. Ela é composta por sete capítulos, sendo 
cinco relacionados ao estado da arte e dois associados às aplicações práticas. 
São tratados temas de relevância na área, como uso da percepção subjetiva de 
esforço e exercício intermitente em diferentes grupos populacionais.
Todos os capítulos contam com segmento inicial de contextualização teó-
rica e temática, com tratamento das diferentes variáveis demográficas e, então, 
ganham características próprias. Encontram-se capítulos com amplas revisões, 
como o “Exercício Intermitente na Terceira Idade” e “Aplicações do Exercício Inter-
mitente na Síndrome Metabólica”, bem como revisões sistemáticas da literatura, 
a exemplo de “Exercício intermitente e emagrecimento: revisão sistemática da 
literatura” e “Aplicações do Exercício Intermitente na Síndrome Metabólica”.
Modalidades esportivas são trazidas nesta obra, a partir do futebol, com 
o capítulo intitulado “Revisão sistemática dos efeitos do futebol recreacional 
em adultos não atletas” e com o capítulo com dados primários obtidos com 
lutadores de taekwondo, denominado “Efeitos de três protocolos de treinamento 
específico de taekwondo em diferentes variáveis psicofisiológicas”.
EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS6
A partir desta obra, o leitor poderá aprender mais sobre conceitos e apli-
cações do exercício intermitente, empregado em diferentes realidades sociais 
e a partir de diferentes ópticas metodológicas.
 
Prof. Dr. Fabrício Boscolo Del Vecchio
Professor Adjunto, ESEF/UFPel
SUMÁRIO
estado da arte
Treinamento intervalado de alta intensidade: definição de termos e 
variáveis manipuláveis ............................................................................................... 11
Percepção subjetiva de esforço aplicada ao treinamento intermitente 
de alta intensidade ..................................................................................................... 16
Exercício intermitente na terceira idade ........................................................... 28
Exercício intermitente e emagrecimento: revisão sistemática da lite-
ratura ................................................................................................................................ 68
Revisão sistemática dos efeitos do futebol recreacional em adultos 
não atletas ...................................................................................................................... 83
Aplicações do exercício intermitente de alta intensidade na sín-
drome metabólica ....................................................................................................... 105
apliCações prátiCas
Comparação de dois tipos de recuperação ativa no tempo de exaustão 
em sprints repetidos no cicloergômetro .......................................................... 134
Efeitos de três protocolos de treinamento específico de taekwondo 
em diferentes variáveis psicofisiológicas ........................................................... 143
ESTADO 
DA ARTE
TREINAMENTO INTERVALADO 
DE ALTA INTENSIDADE: DEFINIÇÃO DE 
TERMOS E VARIÁVEIS MANIPULÁVEIS
Fabrício Boscolo Del Vecchio, Leony Morgana Galliano, 
Luan Merseburger Picanço, Yuri Salenave Ribeiro
O objetivo do presente livro é apresentar informações a respeito de 
prescrições de treinos intervalados, os quais são caracterizados pela elevada 
intensidade dos estímulos. Dessa forma, é relevante a distinção entre as deno-
minações a respeito do treino intervalado de alta intensidade que podem ser 
encontradas na literatura, assim como o esclarecimento acerca de variáveis e 
termos específicos referentes ao tema.
deFinição de termos e tipos de treinamento interValado 
de alta intensidade
O consumo máximo de oxigênio (VO2MAX) diz respeito à aptidão cardior-
respiratória e representa a potência aeróbia máxima (BUCHHEIT; LAURSEN, 
2013a). O VO2MAX é produto da diferença arteriovenosa de oxigênio, ou seja, o 
O2 é disponibilizado ao organismo e considera-se o que é ofertado menos a 
parte que não é utilizada. Sua representação pode ser feita por duas unidades 
de medida, em mililitros de O2 por litro de sangue (mL·L
-1) ou em mL de O2 
por quilogramas (kg) de massa corporal por minuto (mL·kg-1·min-1) (COLÉGIO 
AMERICANO DE MEDICINA DO ESPORTE, 2007).
A velocidade associada ao VO2MAX (vVO2MAX) representa a intensidade na qual, 
em teste progressivo até a exaustão, é identificado o VO2MAX e pode explicitar 
diferenças individuais no desempenho aeróbio que o VO2MAX sozinho não consegue 
(BILLAT & KORALSZTEIN, 1996). Além disto, pode ser uma referência de intensi-
dade a se usar na prescrição dos treinos e é considerada a menor intensidade 
necessária para se atingir o VO2MAX (BUCHHEIT & LAURSEN, 2013a).
Outra variável relevante para a prescrição do HIIT é o tempo limite até a 
exaustão (Tlim), que diz respeito ao tempo máximo que o indivíduo suporta 
EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS12
em exercício em intensidade constante determinada previamente, e definida 
a partir de percentuais da vVO2MAX (BILLAT & KORALSZTEIN, 1996), sendo que 
normalmente se utiliza a própria vVO2MAX, ou seja, 100%. O Tlim é parâmetro 
fisiológico que pode ser relacionado ao metabolismo anaeróbioe apesar de se 
apresentarem na literatura valores médios encontrados com indivíduos treina-
dos e não treinados, pode haver grande variabilidade entre indivíduos e entre 
modalidades esportivas (CRISP et al., 2013).
O treino intervalado de alta intensidade (HIT ou HIIT, do termo em língua 
inglesa “High-Intensity Interval Training”) é composto por estímulos executados 
em alta, máxima ou supramáxima intensidade, embora não haja consenso 
sobre a denominação de HIIT (GIBALA et al., 2008; BUCHHEIT et al., 2013b). O 
primeiro grupo, composto por esforços de alta intensidade, é caracterizado pela 
orientação de esforços com níveis em torno de 90% do pico do consumo de 
oxigênio, podendo ser orientado por atividades executadas acima do segundo 
limiar ventilatório (GIBALA et al., 2008; SEILER et al., 2006). Já o segundo grupo, 
formado por esforços máximos ou supramáximos, também conhecido como 
atividades “all out”, caracteriza-se pela exigência do maior grau de intensidade 
que os participantes disponibilizam para a realização do exercício, ou, então, 
são protocolos desenvolvidos com intuito de propor demandas de intensidades 
superiores as máximo que os atletas desempenham em determinado parâmetro 
de avaliação (BUCHHEIT et al., 2013b). 
Esses grupos de HIIT podem ser subdivididos de acordo com algumas 
características, sendo os blocos de esforços curtos (<45 segundos) e longos 
(2 a 4 minutos) a denominação para os HIIT de alta intensidade (BUCHHEIT et 
al., 2013a), e para o grupo “all out”, também, curto e longo, mas com duração 
menor ou igual a 10 segundos e maiores que 20 a 30 segundos, respectivamente 
(BUCHHEIT et al., 2013b). É frequentemente encontrada na literatura a utilização 
dos termos sprints repetidos para designar os treinos “all out” curtos, e sprints 
intervalados para as sessões de treino all out tidas como longas. 
Outra perspectiva de denominação de protocolos de HIT é com relação à 
variável de velocidade de deslocamento na qual o indivíduo realiza o esforço 
(IAIA et al., 2010). Com isso, estímulos de intensidade máxima, com duração de 
2 a 10 segundos, longos períodos de recuperação de 50 a 100 segundos (em 
relação ao tempo de esforço) podem ser, também, denominados como proto-
colos de treino de velocidade. Já esforços com menor tempo de intervalado, 
comparado ao de velocidade, são caracterizados como sessões de resistência de 
velocidade, as quais podem ser subdividas em treino de produção e manutenção 
de velocidade. No caso do primeiro, a intensidade é submáxima (maior que 70% 
da velocidade máxima) com esforços durando até 40 segundos, e intervalos 
médios de, no mínimo, cinco vezes o tempo em atividade. Já no segundo, a 
intensidade é maior que 50% da velocidade máxima, com duração das ações 
variando de 5 a 90 segundos, e com menor tempo de recuperação entre os 
três tipos, sendo menor e igual a três vezes o tempo de estímulo. 
TREINAMENTO INTERVALADO DE ALTA INTENSIDADE 13
VariáVeis manipuladas no treinamento de alta 
intensidade
Para a prescrição do HIIT, algumas variáveis devem ser levadas em consi-
deração. A seguir, estas serão elencadas e apresentaremos uma breve discussão 
sobre suas características, sendo que existe ampla diversificação em relação à 
periodização, pois varia de acordo com o protocolo de treinamento adotado, 
características da modalidade e do praticante (IAIA & BANGSBO, 2010).
1) – Intervalo de trabalho ou estímulo: Diz respeito ao período que se refere a 
realização do esforço de alta intensidade. Está consolidado que o aumento 
na duração do estímulo ofertado, até o limite de 75 s, sem incrementos 
no intervalo de recuperação, resulta na contribuição da fonte de energia 
glicolítica anaeróbia (BUCHHEIT & LAURSEN, 2013b). Em geral, o intervalo 
de trabalho tem duração de 10 segundos a 5 minutos, com intensidade 
acima do limiar anaeróbio (LAURSEN & JENKINS, 2002). 
2) – Intervalo de recuperação ou pausa: momento destinado à recuperação 
entre os intervalos de trabalho. O modo de intervalo pode ser “ativador”, 
quando há movimentos mais rápidos, ou “recuperador”, no caso de exer-
cícios com menor grau exigência, e são distinguidos conforme o objetivo 
do treinamento (DANTAS, 2003). Dependendo do tipo de HIIT, o intervalo 
de recuperação pode durar um período curto de tempo, ~8 segundos e 
apresentar cerca de 60 repetições na sessão (GAESSER & ANGADI, 2011). 
Ressalta-se que o tipo de recuperação está relacionado com o protocolo 
de HIIT realizado. Porém, pode-se respeitar recuperações mais longas, da 
ordem de 4min e 30 s (GIBALA et al., 2008).
3) – Distância: determinada pelo espaço a ser percorrido durante o intervalo 
de trabalho, quando o treinamento envolver esta variável, caso contrário, 
utiliza-se o tempo. 
4) – Tempo: emprega-se tempo como forma de controlar o esforço durante o 
intervalo de trabalho. É contabilizado através da faixa temporal utilizada para 
percorrer a distância definida ou para realizar alguma tarefa específica.
5) – Intensidade: assim como o tempo, aplica-se intensidade como forma de 
controle de esforço no período de estímulo, é estabelecida através de testes 
prévios, citados na sessão anterior deste capítulo (VO2MAX, vVO2MAX, Tlim).
6) – Duração: refere-se ao período total empregado na sessão de treinamento, 
considerando intervalo de trabalho e de recuperação. Geralmente, as sessões 
de HIIT englobam aquecimento, períodos de intervalo de trabalho/estímulo, 
intervalo de recuperação/pausa e resfriamento (GAESSER & ANGADI, 2011). 
A estimativa é que o agrupamento destas atividades demande um período 
entre 20 e 25 minutos, deste, de 8 a 16 minutos são destinados para o 
EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS14
exercício em alta intensidade (TREMBLAY et al., 1994; TRAPP et al., 2008; 
TJØNNA et al., 2008). Porém, há protocolos de HIIT com duração de 4 a 6 
minutos “all out” com Teste de Wingate como intervalo de trabalho (GIBALA 
& McGee, 2008). 
7) – Número de repetições e séries: quantidade de estímulos a serem realizados 
durante o intervalo de trabalho. Quando o volume de trabalho é baixo, o 
número de séries de HIIT é maior, com duração variando entre 1-4 minutos 
(GIBALA & McGEE, 2008; KEMI & WISLØFF, 2010), dependendo da especifi-
cidade da modalidade e do praticante.
Sabe-se que intensidade, intervalo de trabalho e de recuperação são ele-
mentos primordiais para o sucesso do programa de exercícios proposto. Logo 
após, destacam-se as variáveis relacionadas a número de intervalos e duração 
entre séries de esforços. É importante ressaltar que não há consenso na lite-
ratura em relação à intensidade, duração e número de intervalos ideais para 
execução de HIIT, sendo que o ideal é que mais estudos sejam realizados para 
o que estabelecimento destas questões.
Como é possível observar, há algumas informações pertinentes a respeito 
do HIIT as quais devem ser apresentadas previamente à leitura dos capítulos 
que se seguem neste livro, pois elas podem permitir o melhor entendimento 
do conteúdo exibido nas próximas páginas.
reFerÊnCias
1. BILLAT, V.; KORALSZTEIN, J. P. Significance of the velocity at VO2máx and 
time to exhaustion at this velocity. Sports Medicine, v. 22, n. 2, p. 90-108, 
1996.
2. BUCHHEIT, M.; LAURSEN, P. B. High-Intensity Interval Training, Solutions to 
the Programming Puzzle. Part I: Cardiopulmonary Emphasis. Sports Med, v. 
43, n. 5, p. 313-338, 2013a.
3. BUCHHEIT, M.; LAURSEN, P. B. High-Intensity Interval Training, Solutions to 
the Programming Puzzle. Part II: Anaerobic Energy, Neuromuscular Load 
and Practical Applications. Sports Med, v. 43, n. 10, p. 927-54, 2013b.
4. COLÉGIO AMERICANO DE MEDICINA DO ESPORTE. Diretrizes do ACSM para os 
testes de esforço e sua prescrição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2007.
5. CRIPS, A. H.; VERLENGIA, R.; SINDORF, M. A. G.; GERMANO, M. D.; CASTRO,M. C.; LOPES, C. R. Time to exhaustion at VO2máx velocity in basketball and 
soccer athletes. Journal of Exercise Physiology Online, v. 16, n. 2, p. 82-91, 
2013.
TREINAMENTO INTERVALADO DE ALTA INTENSIDADE 15
6. DANTAS, E. H. M. A prática da preparação física. Rio de Janeiro: Shape, 2003. 
7. GAESSER, G. A.; ANGADI, S.S. High-Intensity Interval Training for Health and 
Fitness: Can Less be More? J Appl Physiol, v. 111, n. 6, p. 1540-1, 2011.
8. GIBALA, M. J.; MCGEE, S. L. Metabolic adaptations to short-term high-intensity 
interval training: a little pain for a lot of gain? Exerc Sport Sci Rev, v. 36, n. 
2, p. 58-63, 2008.
9. IAIA, F. M.; BANGSBO, J. Speed endurance training is a powerful stimulus 
for physiological adaptations and performance improvements of athletes. 
Scand Journal Med Sci Sports, v. 20, n. s2, p. 11-23, 2010.
10. KEMI, O. J.; WISLØFF, U. High-intensity aerobic exercise training improves 
the heart in health and disease. J Cardiopulm Rehabil Prev, v. 30, n. 1, p. 
2-11, 2010.
11. LAURSEN, P. B.; JENKINS, D. G. The scientific basis for high-intensity interval 
training: optimising training programmes and maximising performance in 
highly trained endurance athletes. Sports Med, v. 32, n. 1, p. 53-73, 2002.
12. SEILER, K., S.; KJERLAND, G., Ø. Quantifyingtraining intensity distribution in 
elite High-intensity and high-volume training endurance athletes: is there 
evidence for an ‘‘optimal’’ distribution? Scand Med Sci Sports, 2006 v.16, p. 
49–56, 2006.
13. TJØNNA, A. E.; LEE, S.J.; ROGNMO, Ø.; STØLEN, T.O.; BYE, A.; HARAM, P.M.; 
et al. Aerobic interval training versus continuous moderate exercise as a 
treatmentfor the metabolic syndrome: a pilot study. Circulation, v. 118, n. 4, 
p. 346-354, 2008.
14. TREMBLAY, A.; SIMONEAU, J. A.; BOUCHARD, C. Impact of exercise intensity 
onbody fatness and skeletal muscle metabolism. Metabolism, v. 43, n. 7, p. 
814-818, 1994.
15. TRAPP, E. G.; CHISOLM, D.J.; FREUND, J.; BOUTCHER, S.H. The effects of 
highintensity intermittent exercise training on fat loss and fasting insulin 
levels ofyoung women. Int J Obes, v. 32, n. 4., p. 684-691, 2008.
PERCEPÇÃO SUBJETIVA DE 
ESFORÇO APLICADA AO TREINAMENTO 
INTERMITENTE DE ALTA INTENSIDADE
Bruno Prestes Gomes, Victor Silveira Coswig, Fabrício Boscolo Del Vecchio
aproximações iniCiais ao treinamento de alta intensidade 
O treinamento intermitente de alta intensidade (HIIT) vem ganhando 
atenção no cenário acadêmico por apresentar respostas satisfatórias em ganhos 
nos sistemas cardiovascular, muscular esquelético e respiratório que, até então, 
eram fortemente relacionadas a exercícios de caráter longo, contínuo e mode-
rado (GLAISTER, 2005). Evidências apontam vantagens fisiológicas favoráveis 
ao treinamento intenso em diferentes populações e para diferentes propósitos, 
como melhora na aptidão física, redução de gordura corporal e incremento da 
saúde de modo geral (GIBALA, 2009). 
A ideia central está baseada na intensidade dos estímulos, que pode pro-
mover respostas adequadas a partir de esforços curtos seguidos de períodos de 
recuperação subsequentes. Estas características de treinamento poderiam, então, 
promover aumento na utilização de ácidos graxos, atividade enzimática oxidativa, 
entre outros mecanismos, como tamponamento de íons H+ e bomba de Na/K 
(LAURSEN; JENKINS, 2002). Isto pode significar aumento de desempenho físico em 
menor frequência de exposição aos estímulos e/ou treinos (IAIA et al., 2009).
Ao considerar a prescrição do HIIT, quanto a modalidades esportivas, o 
principal objetivo dos treinadores e atletas é produzir o melhor desempenho em 
um momento de tempo específico, preferencialmente na competição; porém, até 
o presente momento, não foi identificado marcador que, sozinho, possa medir 
respostas de aptidão e fadiga ao exercício ou predizer desempenho (BORRE-
SEN; LAMBERT, 2009). Adicionalmente, a prescrição de exercícios para saúde, 
nestas características, deve contemplar medidas que proporcionem parâmetros 
de controle do treinamento para que este seja eficaz e seguro, sendo que as 
respostas orgânicas são dependentes da intensidade (TRILK et al., 2011) e da 
duração do exercício (GOTO et al., 2007; GOTO etal., 2011).
A partir disto, acredita-se que a otimização do processo de treinamento 
resulta em melhora de desempenho e bem estar físico e, para isso, o controle 
PERCEPÇÃO SUBJETIVA DE ESFORÇO APLICADA AO TREINAMENTO 17
de diferentes variáveis, como frequência, duração e intensidade dos exercícios 
contribui com a natureza e a magnitude dos efeitos do treinamento (BORRESEN; 
LAMBERT, 2009).
o emprego da perCepção subjetiVa de esForço na 
presCrição do exerCíCio FísiCo
A percepção subjetiva de esforço (PSE) é baseada na percepção de esforço e 
fadiga do sujeito durante o exercício e é utilizada com o objetivo de mensurar ou 
regular a intensidade do mesmo, através de valor numérico que representa o estado 
de cansaço durante exercício (BORG, 1970). Complementarmente, segundo Lambert 
e Borressen (2006), a PSE é baseada no entendimento da percepção do nível de 
esforço físico, traduzindo sensação subjetiva do estresse fisiológico, sendo que as 
taxas de esforço percebido servem para prevenção, controle e monitoramento das 
cargas das sessões de treino, evitando assim o overreaching e overtraining.
Foster et al., (2001) introduziram a quantificação da carga de treino através 
de escala numérica a partir da PSE. O nível de estresse/cansaço é traduzido 
pela percepção global do atleta após trinta minutos do término da sessão de 
treino, realizando a seguinte pergunta: “como foi seu treino?”, e o cálculo da 
sessão diária de treino é realizado multiplicando o valor numérico da PSE pela 
duração ou número de repetições (carga da sessão = duração ou nº de repetições 
x PSE da sessão). A escala que descreve o esforço percebido (escala de Borg) 
avaliando e estimando percepção geral de estresse e cansaço possue formatos 
distintos de valor numérico e descritor: 6-20 (BORG, 1982, QUADRO 1) e 0-10 
(FOSTER et al., 2001, QUADRO 2). 
QUADRO 1: Escala de Borg Original (6-20) –
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
muito fácil
Fácil
relativamente fácil
ligeiramente cansativo
Cansativo
muito cansativo
exaustivo
EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS18
Mudanças na PSE podem fornecer informações sobre como a execução 
do exercício deve ser regulada (BORG, 1970; GRANGE et al., 2004). Segundo 
Céline et al. (2011), na medida que os sujeitos podem definir o esforço através 
da PSE, eles podem melhorar a capacidade de auto-regular a carga de trabalho 
mais precisamente.
No estudo de Garcin et al. (2005), demonstrou-se que a escala de percepção 
de esforço oferece reflexão subjetiva de respostas fisiológicas durante o exercício 
físico em ambos os sexos. Corroborando com estes achados, Kang et al. (2003) 
afirmam que a escala de esforço percebido é eficaz para estabelecimento da 
intensidade do exercício.
Alguns estudos relatam diminuição da caracterização da PSE com o aumento 
da aptidão física (DEMELLO et al., 1987; HILL et al., 1987), enquanto que outros 
estudos sugerem que a PSE independe do nível de aptidão física do sujeito 
(BAR-OR et al., 1972; MIHEVIC, 1983). Segundo estudo de Garcin et al. (1999), 
com determinada intensidade de exercício, o nível de aptidão física do sujeito 
pode modificar a PSE; porém, a duração do exercício em intensidade relativa 
não se altera em função da aptidão física. Ainda sobre os achados do mesmo 
estudo, os autores relatam que não foi possível predizer o tempo de exaustão a 
partir da PSE. Os resultados deste estudo demonstram que, independentemente 
do nível de aptidão física do sujeito, os valores da PSE relatados na porcenta-
gem do tempo de exaustão são iguais, mesmo quando o tempo de exaustãofoi estatisticamente diferente entre os grupos. Este ponto deve ser levado em 
consideração especialmente quando se prescreve a intensidade do exercício a 
partir da PSE para atletas com diferentes níveis de aptidão física.
QUADRO 2: Escala de Borg Modificada (0-10) –
0
0,5
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
nenhum
muito, muito leve
muito leve
leve
moderada
pouco intensa
intensa
muito intensa
muito, muito intensa
máximo
PERCEPÇÃO SUBJETIVA DE ESFORÇO APLICADA AO TREINAMENTO 19
Como sugerido por Garcin et al. (1999), a percepção de esforço representa 
percepção contínua que, provavelmente, descreva a soma e/ou interação 
de diferentes sensações que aumentem com a duração e intensidade do 
exercício. 
A PSE tem sido relacionada com variáveis fisiológicas usadas no monito-
ramento da magnitude de estímulos físicos, como a concentração sérica de 
lactato, a frequência cardíaca e o consumo de oxigênio, e tem se mostrado 
confiável para controle da intensidade do exercício físico (CORBETT et al., 2009; 
DELLAL et al., 2010). Relata-se existência de padrão antecipatório da PSE, já que 
o cérebro compara permanentemente a PSE conscientemente gerada a partir 
da soma dos sinais suscitados a partir de diversos sistemas fisiológicos com 
uma PSE “padrão”, baseada na experiência. A PSE ainda pode contribuir para a 
regulação e interrupção da capacidade de manutenção do exercício, devido à 
sua forte ligação com potencial biológico, induzida por mudanças fisiológicas 
decorrentes do exercício (BILLAUT et al., 2011).
O limiar de lactato foi identificado como equivalente à intensidade de, 
aproximadamente, 65% do VO2pico e valor entre 13 e 14 na escala de PSE de 
6-20 pontos (BORG, 1982). Depois deste achado, alguns estudos têm relatado 
que os escores entre 13 e 15 da mesma escala seriam referentes à intensidade 
de limiar de lactato para jovens saudáveis (WELTMAN et al., 1995 apud SIMÕNS 
et al., 2010). O limiar de esforço percebido parece ser índice aeróbio confiável, 
devido a sua similaridade e alta relação com a potência crítica e consumo 
máximo de oxigênio na intensidade de steady state (NAKAMURA et al., 2005; 
NAKAMURA et al., 2008).
Segundo Fontes et al. (2010), a PSE também é útil no controle da intensidade 
durante a pedalada exaustiva, fornecendo medida indireta da atividade muscular, 
o que pode identificar quando a exaustão está próxima, já que neste tipo de 
exercício a perda de força ocorre devido à fadiga das fibras musculares. 
Grant et al. (2002), em estudo com pessoas com mais de 50 anos de 
idade, ressaltam que quando se utiliza a PSE como forma de monitoramento, 
o meio ambiente pode influenciar a medida. Os autores encontraram valores 
de 11 na escala de BORG enquanto os indivíduos praticavam aula de dança 
em academia e, quando eles caminhavam sem intensidade definida, o valor 
encontrado foi de 10. Os autores ressaltam que, pelo fato de ter música na 
aula de dança, os sujeitos podem, inconscientemente, ter atribuído maior 
intensidade ao exercício. 
De modo geral, os estudos apresentam forte relação da PSE com outros 
indicadores fisiológicos de exercício, como consumo de oxigênio, frequência 
cardíaca e concentração de lactato (LAMBERT; BORRESEN, 2006); portanto, 
parece que a confiabilidade do método está razoavelmente bem estabelecida 
na literatura.
EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS20
treinamento intermitente de alta intensidade e perCepção 
subjetiVa e esForço
Existem poucos estudos disponíveis sobre respostas da PSE ao treina-
mento intervalado (quadro 3), o que limita o entendimento sobre os efeitos de 
diferentes protocolos intermitentes na percepção subjetiva de esforço (SEILER; 
SJURSEN, 2004).
Além disso, é difícil identificar a verdadeira intensidade alcançada durante 
o exercício, que pode ser definida como variável dependente limitada por 
diversas variáveis independentes: intensidade objetivada, duração do trabalho, 
tempo de recuperação, volume total do trabalho e percepção de esforço (SEI-
LER; HETLELID, 2005).
O estudo de Zavorsky et al. (1998) avaliou a economia de corrida em 10 
sprints de 400 metros, na intensidade de 100% do VO2máx, com diferentes tempos 
de recuperação entre as repetições (60, 120 e 180 segundos), em 12 atletas de 
endurance treinados. Os resultados mostraram aumento significativo da PSE, rela-
cionado à redução dos períodos de recuperação entre os sprints (14,4/16,1/17,7 
com 180, 120 e 60 segundos de recuperação, respectivamente). Estes dados 
indicam trabalho “moderadamente difícil” com 180 segundos, “difícil” com 120 
segundos e “muito difícil” com 60 segundos de recuperação entre as repetições. 
Tais valores foram associados à frequência cardíaca (FC), a qual mostrou resposta 
similar à PSE. Os autores especulam, de acordo com as variáveis fisiológica (FC) 
e psicológica (PSE), que mudanças na economia de corrida parecem ser maiores 
com menores períodos recuperativos. Porém, Seiler e Sjursen (2004) afirmam 
que a FC varia ao longo do tempo e sofre defasagem durante séries curtas de 
alta intensidade, como no treinamento intervalado, sendo que a PSE é provável 
ferramenta correspondente à verdadeira intensidade de trabalho estabelecida 
para determinada sessão de treino.
PERCEPÇÃO SUBJETIVA DE ESFORÇO APLICADA AO TREINAMENTO 21
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EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS22
Em outra investigação, Dellal et al. (2010) avaliaram impacto fisiológico a 
partir da FC, concentração de lactato (LAC) e PSE em dois protocolos de exercício 
intermitente: i) corrida tradicional em linha reta (IL) e; ii) corrida com mudanças 
de direção em 180 graus (IS) com 10 jogadores de futebol de elite. Foi utilizada 
escala de PSE de 0-10, adaptada por Foster et al. (2001), durante as 5 semanas 
que antecederam a investigação com objetivo de familiarização dos atletas com 
o instrumento. Neste estudo, alta taxa de confiabilidade foi encontrada entre FC, 
LAC e PSE. Quanto ao tipo de corrida, durante IS os valores de FC, LAC e PSE se 
mostraram significativamente maiores do que em IL. Segundo os autores, isto se 
deve ao fato de existir maior custo energético e atividade excêntrica nas trocas 
de direção, devido à necessidade de desacelerar e re-acelerar. Desta forma, existe 
maior solicitação de atividade glicolítica que pode ser relacionada à maior fadiga 
apresentada por IS, evidenciada pelo aumento de LAC (variação de 20.3-25.8%) e 
PSE (variação de 25.8-39.6%). Os autores ainda concluem que estas informações 
podem ajudar técnicos no planejamento de programas de treinamento intermitente 
mais específico, utilizando IL ou IS para induzir diferentes respostas fisiológicas.
No estudo de Billaut et al. (2011), que investigou a influência do conheci-
mento prévio do número de sprints no trabalho mecânico, eletromiografia (EMG) 
de superfície e PSE durante exercícios de sprints repetidos, foram comparados 
três modelos experimentais: i) Controle (CL), quando os atletas eram informados 
que iriam executar 10 sprints de 6 segundos por 24 segundos de recuperação, 
e realmente executavam os 10 sprints; ii) Engano (DC), no qual foi pedido aos 
atletas que executassem 5 sprints e então, ao quinto, eram solicitados 5 sprints 
adicionais e, iii) o que desconhecia número de sprints que deveria realizar (UN). 
Foram observadas, para todos os grupos, respostas crescentes de PSE (7 ± 2 
pontos para 19 ± 1 pontos) após o sprint 10. Contrariando a hipótese do estudo, 
de que a PSE alcançaria pico ao quinto sprint, nenhuma diferença significativa foi 
encontrada na PSE entre os grupos, apresentando aumento linear do primeiro ao 
último sprint e proporcional ao número de sprints restantes. Segundo os autores, 
isto se deve ao fato de que o instrumento utilizado apresentava percepção para o 
corpo todo e seria possível que avaliação localizada (por exemplo, para membros 
inferiores) durante esforços curtos e de alta intensidade apresentasse diferenças 
entre os grupos, o que evidenciaria estratégias variadas de ritmos.
Em outro trabalho, que objetivou identificar influências decorrentes de dife-
rentes durações de esforços na PSE, Seiler e Sjursen (2004) avaliaram 12 atletas (9 
homens e 3 mulheres) com histórico de pelo menos 4 anos de treinamento para 
eventos competitivos de corrida, com média mínima de 2 sessões de treinamento 
intervalado por semana. Durante as 4 semanas do estudo, cada atleta substituiu 
um treinamento intervalado do seu programa tradicional por uma sessão inter-
valada em laboratório. Os quatro protocolos intervalados tiveram séries de 1, 2, 
4 e 6 minutos de duração. As taxas de esforço: pausa foram fixadas em 1:1, e o 
trabalho total em 24 minutos por sessão (24x1, 12x2, 6x4 e 4x6 minutos). A PSE 
aumentou fortemente durante cada sessão intervalada, sob todas as durações 
PERCEPÇÃO SUBJETIVA DE ESFORÇO APLICADA AO TREINAMENTO 23
de trabalho, com tendência a ser menor no fim da série inicial de 1 minuto 
comparada com as séries intervaladas de 4 e de 6 minutos. Entretanto, o pico 
da PSE foi virtualmente idêntico nas quatro condições de duração de trabalho 
(variando de 18,8 ± 1 pontos a 17,2 ± 1 pontos). Segundo os autores, os atletas 
ajustam sua intensidade de tal forma que as respostas de lactato sanguíneo e 
PSE, durante cada sessão, apresentassem comportamento similar.
Já Seiler e Hetlelid (2005) avaliaram diferentes períodos de recuperação, 
com 12 corredores de distância, familiarizados com o treinamento aeróbio 
intervalado de alta intensidade. Em avaliação prévia, os atletas apresentaram 
pico da PSE de 18,3 ± 0,7. O protocolo de esforço consistiu de 6 séries de 4 
minutos de duração com diferentes intervalos de recuperação (1, 2 ou 4 minutos) 
e os resultados do estudo apresentaram crescimento linear da PSE ao longo da 
sessão intervalada. A intensidade foi percebida como 14-15 “difícil” no final da 
primeira série, mas alcançou 16-18 no final da última série. As respostas da PSE 
foram muito similares para as três condições de repouso. Entretanto, no final da 
sexta série, a PSE foi significantemente maior no intervalo de 2 minutos quando 
comparado como 4 minutos de recuperação (17,7 ± 1 pontos versus 16,9 ± 0,6 
pontos; p<0,05), porém, esta diferença estatística parece ser pouco significante 
do ponto de vista prático, pela pequena variação nos dados apresentados. 
Ainda, a percepção de esforço dos atletas aumentou a cada série, sendo que 
esta resposta pode ser relacionada devido à gradativa depleção do glicogênio 
em resposta aosestímulos repetidos (SPERLICH et al., 2010).
Contudo, a quantificação das cargas diárias das sessões de treino através 
da PSE é considerada como método eficaz de monitoramento, controle e 
prescrição das intensidades de trabalho no treinamento referente a diferentes 
tipos de estímulos, incluindo o treinamento intervalado de alta intensidade 
(FOSTER et al., 2001).
apliCações prátiCas
A PSE possui aplicabilidade fidedigna referente à mensuração das inten-
sidades em diferentes situações de estímulos. Ou seja, ela responde de forma 
diretamente proporcional ao aumento da intensidade, fornecendo informações 
relevantes quanto ao estresse gerado. Sendo assim, em um contexto esportivo, 
ela se consolida como ferramenta psicológica útil, podendo substituir marcadores 
fisiológicos de monitoramento de intensidade no treinamento.
indiCações Futuras
Diante do conteúdo apresentado, algumas reflexões podem ser relacio-
nadas à aplicação prática e consolidação teórica da PSE como ferramenta de 
EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS24
monitoramento e prescrição de carga de trabalho para exercícios intermitentes 
de alta intensidade. 
Quanto às aplicações práticas, é interessante que se considere a PSE segundo 
quatro ângulos diferentes: i) intensidade do estímulo e da recuperação, ii) inten-
sidade da sessão de treinamento completa, iii) amplitudes diferentes, mas com 
a mesma intensidade média e iv) relação da percepção de planejamento por 
parte do treinador com a percepção de execução por parte do atleta. Neste 
contexto, pode-se relacionar as diferentes respostas da PSE a variáveis que 
podem ser utilizadas com mesmo intuito de controle e prescrição de intensidade, 
como, VO2máx, velocidade corresponde ao VO2máx (vVO2máx), FC, concentração de 
lactato sanguíneo, v∆50, tempo limite, glicemia, além de avaliar-se também em 
diferentes tipos de modalidades.
ConClusão
A percepção subjetiva de esforço é instrumento de baixo custo, fácil aplica-
bilidade e alta confiabilidade, pois se mostra fortemente relacionada a variáveis 
fisiológicas utilizadas para determinação ou monitoramento de intensidade e 
índice de estresse metabólico em exercícios contínuos submáximos. No entanto, 
a PSE possui a mesma aplicabilidade e confiabilidade para exercícios intermi-
tentes supramáximos. Sendo assim, constitui-se como ferramenta útil e prática 
para prescrição e controle das cargas de trabalho do treinamento. Porém, mais 
estudos precisam ser conduzidos nesta perspectiva, para que se obtenham 
melhores esclarecimentos sobre a relação da percepção subjetiva de esforço e 
o treinamento intermitente de alta intensidade. 
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EXERCÍCIO INTERMITENTE NA 
TERCEIRA IDADE
Ana Cristina Perez, Anelita Helena Michellini Del Vecchio, 
Miriam Valério, Leony Morgana Galliano, Fabrício Boscolo Del Vecchio
introdução
O Conceito de idoso, transição demográfica e suas consequências
Pensando de forma ampla na definição de idoso, observamos que o conceito 
varia entre as principais entidades científicas e estatutos de cada país. Para a Orga-
nização Mundial da Saúde (OMS), em países desenvolvidos, classificam-se como 
pessoas idosas aquelas com idade a partir de 65 anos e, para residentes de países 
em desenvolvimento, como o Brasil, esta classificação é adequada para pessoas com 
idade acima de 60 anos. A Política Nacional do Idoso (Lei 8.842, de 4 de janeiro 
de 1994) indica que a terceira idade inicia aos 60 anos, dado corroborado pela 
Organização das Nações Unidas – ONU (DEPS, 2003). Sendo assim, este capítulo, 
considerará como idoso todos os indivíduos com 60 anos ou mais, apesar do reco-
nhecimento de que haja problemas na definição por corte etário, já que o estilo de 
vida de cada pessoa tem grande influência nas suas condições biológicas.
De modo geral, observa-se que a população mundial vem adquirindo hábitos 
prejudiciais à saúde, principalmente no que diz respeito à má alimentação e 
estilo de vida sedentário. Mesmo assim, o número de idosos cresce significati-
vamente no Brasil e em diversas regiões do mundo, isto se dá em decorrência 
da transição demográfica – termo utilizado para denominar o processo de 
redução das taxas de natalidade e mortalidade. A principal justificativa para este 
acontecimento contraditório é pautada nos avanços da medicina, que acabam 
proporcionando medicamentos e terapias que prolongam a vida da população 
(FLECK et al., 2003; VECCHIA et al., 2005).
Primeiramente, a taxa de idosos começou a aumentar de forma acen-
tuada nos países desenvolvidos, principalmente na Europa, devido ao maior 
desenvolvimento e consequente aumento na expectativa de vida. No Brasil, 
em 2010 havia 18 milhões de idosos – representando 12% da população, 
número expressivo ao ser comparado aos 14,5 milhões de pessoas com idade 
EXERCÍCIO INTERMITENTE NA TERCEIRA IDADE 29
acima de 60 anos em 2000 (IBGE, 2000). Ainda, há estimativa de que até 2025 
os brasileiros representem a sexta população de idosos no mundo, com apro-
ximadamente 32 milhões de pessoas acima dos 60 anos (KALACHE & GRAY, 
1985; CARVALHO & GARCIA, 2003) e que este número passe para 63 milhões 
em 2050 (BANCO MUNDIAL, 2011). A modificação na estrutura etária do país 
pode ser visualizada na figura 1.
Figura 1 – Evolução da estrutura etária brasileira em quatro diferentes –
décadas (1980, 1990, 2000 e 2020).
Em termos econômicos, as principais consequências da transição demográ-
fica são a redução de pessoas em idade produtiva, ou seja, disponíveis para o 
mercado de trabalho e a diminuição no crescimento econômico do país (PAIVA 
& WAJNMAN, 2005). Quanto aos aspectos relacionados à saúde, destaca-se que 
uma população envelhecida apresenta riscos elevados de desenvolver doenças 
e agravos não-transmissíveis, o que gera maior necessidade de medicamentos, 
atendimentos médicos e, desta forma, eleva o gasto da saúde pública nacional, 
já que a maior parte dos idosos não possui condições para arcar com despesas 
relacionadas aos planos de saúde e atendimentos clínicos particulares.
EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS30
Consequências orgânicas do envelhecimento 
O envelhecimento traz consigo o aparecimento de alterações fisiológicas e 
funcionais associadas. Observam-se desequilíbrios no sistema motor e cognitivo, 
perda de massa muscular, ganho de gordura, problemas posturais, diminuição do 
equilíbrio e flexibilidade. Desta forma a qualidade de vida do idoso é reduzida 
de forma expressiva (MATSUDO, 2001; SPIRDUSO, 1995). 
Através do envelhecimento, ocorre diminuição e/ou perda progressiva dos 
componentes da aptidão física, que exerce impacto negativo na saúde, nos fatores 
funcionais do idoso, além de aumentar as chances de redução da prática de ativi-
dade física e, consequentemente, o risco de doenças associadas ao sedentarismo, 
quedas e diminuição da capacidade de realizar atividades do dia-a-dia (SPIRDUSO, 
1995). Por outro lado, estudos indicam que maior aptidão física é inversamente 
proporcional ao aumento da taxa de mortalidade, está associada à prevenção de 
doenças e à melhora da qualidade de vida (RAJESKI et al., 1996).
Vale ressaltar que a sarcopenia, perda progressiva de força e massa muscular 
magra, é um dos fatores que influenciam na dependência dos idosos para a 
realização de tarefas de vida diárias, estudos indicam que existem decréscimos na 
resistência aeróbia (45%), força isométrica de preensão manual (40%), força nas 
pernas (70%), mobilidade articular (50%), coordenação neuromuscular (90%), ao 
compararmos jovens de 20 anos com idosos de 75 anos (IZQUIERDO et al., 1999; 
IZQUIERDO et al., 1999; CRUZ-GENTOFT et al., 2010). Além do processo natural 
de envelhecimento e redução da capacidade neuromuscular, a diminuição da 
prática de atividade física desempenha papel fundamental na perda de massa 
magra e força muscular (HERRERA & IZQUIERDO, 2012). Diversas intervenções 
vêm demonstrando que o treinamento de resistência traz benefícios impor-
tantes para o aumento de força e massa muscular em idosos; portanto,pode 
ser considerado como uma boa estratégia para manutenção da saúde física e 
funcional desta população (FRONTERA et al., 1988; CHARETTE et al., 1991; KOSEK 
et al., 2006; MARTEL et al., 2006; SINGH et al., 2002).
Outra alteração importante decorrente do envelhecimento é a modificação 
na perspectiva antropométrica, especificamente em relação ao peso, estatura e 
composição corporal (havendo redução da massa muscular magra). A redução 
da estatura é ocasionada pela compressão vertebral, estreitamento dos discos e 
cifose (FIATARONE-SINGH, 1998). Já a perda de peso, relaciona-se com diversas 
variáveis, a saber: mudanças nos neurotransmissores que controlam a saciedade 
e fome, medicamentos, depressão, estresse, variáveis nutricionais (MATSUDO, 
2002). Muitas vezes, o consumo alimentar nos idosos está relacionadocom 
integração social, solidão, isolamento, baixo acesso ao transporte e condição 
financeira, predispondo o idoso à falta de preocupação consigo, fazendo com 
que se alimente de maneira errada em relação a quantidade e qualidade (MAT-
SUDO, 2002; CAMPOS et al., 2000).
EXERCÍCIO INTERMITENTE NA TERCEIRA IDADE 31
A soma destas alterações físicas, funcionais e de cunho psíquico acarretam 
em aumento de doenças crônicas não transmissíveis (DANT) nos idosos. Ramos 
et al. (1993) indicam que a maioria dos indivíduos na terceira idade porta ao 
menos uma doença crônica. Em contrapartida, estudos afirmam que as DANT 
são perfeitamente preveníveis nesta população (VERAS et al., 2007; VERAS, 
2007). Portanto, estratégias de prevenção podem ser efetivas para proporcionar 
melhor qualidade de vida, sendo que a prática de atividade física regular tem 
relação bem estabelecida com prevenção de hipertensão arterial (BLAIR et 
al., 1984; FAGARD, 2005), doença arterial coronariana (SESSO et al., 2000), dia-
betes mellitus tipo II (KNOWLER et al., 2002), acidente vascular cerebral (LEE et 
al., 2003), osteoporose (KARLSSON, 2004;) alguns tipos de câncer (BLAIR et al., 
1989; FRIENDEIRECH & ORENSTEIN, 2002), obesidade (KON-BANERJI et al., 2003) e 
depressão (BLAKE et al., 2009).
Na figura 2 podemos observar como o ciclo da fragilidade se desenvolve 
entre os idosos, sendo que fatores como o envelhecimento muscoloesquelé-
tico, genética, hábitos de vida e doenças associadas com a idade avançada 
exercem forte impacto na redução da força e massa muscular (sarcopenia) e 
são altamente relacionados à série de fatores que incrementam a fragilidade, 
resultando em deteriorização funcional. 
Figura 2 – Ciclo da fragilidade desenvolvida por idosos (adaptada de Abi- –
zanda, 2010).
ENVELHECIMENTO MUSCULOESQUELÉTICO 
GENÉTICA E HÁBITOS DE VIDA 
DOENÇAS ASSOCIADAS AO ENVELHECIMENTO
PERDA PESO 
OCASIONADA PELO 
ENVELHECIMENTO
FADIGA
PERDAS DE 
FUNÇÕES
PERDA COGNITIVA
COMORBIDADES
ATEROSCLEROSE
DESNUTRIÇÃO ANOREXIA
HOSPITALIZAÇÕES
DEPRESSÃO
INATIVIDADE 
FÍSICA
DETERIORIZAÇÃO EM NÍVEL 
FUNCIONAL
 
 
 
 
 
 
SARCOPENIA
FRAGILIDADE
TAXA METÁBOLICA 
BASAL
VELOCIDADE MARCHA
GASTO ENERGIA
FORÇA
EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS32
Exercício físico na terceira idade 
Nesta etapa da vida a prática regular de exercícios físicos tem impacto 
bastante positivo na capacidade funcional (MATSUDO & MATSUDO, 1992). Bem 
orientados, programas de exercícios físicos proporcionam múltiplos efeitos 
benéficos nos aspectos antropométrico, neuromuscular, metabólico e psicoló-
gico, que, além de servirem na prevenção e tratamento das doenças próprias 
desta idade, colaboram para a manutenção e melhoria da qualidade de vida 
(BLUMENTHAL, 1982).
Os efeitos do exercício físico para melhora e/ou manutenção da aptidão 
física em pessoas mais velhas estão relacionados, principalmente, ao aumento da 
força muscular, flexibilidade, capacidade aeróbica, redução da gordura corporal, 
melhora da coordenação motora e do equilíbrio (MATSUDO & MATSUDO, 1992; 
MATSUDO et al., 2000; DIAS et al., 2006). 
Existem, na atualidade, muitos tipos de práticas corporais que podem 
ser oferecidos para este grupo populacional, gerando discussões sobre quais 
as melhores aplicações para a promoção da saúde em relação à adequação 
de intensidades, frequência e duração, buscando atender as necessidades e 
objetivos do indivíduo (BLAIR et al., 2004). Ainda, diversos tipos de exercícios 
físicos, com diferentes intensidades, têm sido utilizados para melhora da aptidão 
física de idosos. Os mais citados na literatura são exercícios de treinamento de 
força, flexibilidade e resistência aeróbica, os dois primeiros, com a finalidade 
de modificações morfológicas do aparelho locomotor, para que se obtenha 
maior força e amplitude dos movimentos das articulações. Já os exercícios de 
resistência aeróbia visam aumento e manutenção da capacidade do sistema 
cardiovascular, sendo que a combinação desses três tipos de exercícios tem 
sido recomendada como auxílio para redução de gordura corporal (JOHNS & 
WRIGHT, 1962; MATSUDO et al., 2000). 
Embora os efeitos benéficos dos exercícios físicos, de diferentes intensidades, 
sejam amplamente apontados pela literatura, tem sido relatado que os exercícios 
físicos com intensidades mais elevadas apresentam modificações benéficas mais 
expressivas na força, massa muscular, flexibilidade, resistência aeróbica e redução 
de gordura corporal, em detrimento de esforços físicos de menores intensidades 
(KRAEMER et al., 2002). Estudos indicam que exercícios de baixa intensidade 
podem ter efeitos insuficientes sobre força muscular, equilíbrio e outros aspectos 
importantes da aptidão física, pois acarretariam em baixos ganhos funcionais, não 
evitando, por exemplo, perdas degenerativas de massa e força muscular causadas 
pelo envelhecimento (NEVITT, 1997; SILVA & MATSURA, 2002).
O treinamento de força de alta intensidade tem apresentando resultados 
expressivos no que diz respeito ao aumento da capacidade funcional e dimi-
nuição do risco de quedas e fraturas. Fiatarone et al. (1990), em pesquisa com 
10 idosos na faixa etária de 90 anos, avaliaram os efeitos de oito semanas de 
EXERCÍCIO INTERMITENTE NA TERCEIRA IDADE 33
treinamento de alta intensidade, três vezes por semana. Os idosos realizaram 
três séries de oito repetições em cada membro inferior, com 50% de repetição 
máxima na primeira semana, aumentado para 80% na segunda semana. Os 
autores concluíram que programa realizado com treinamento de pesos com alta 
intensidade é capaz de aumentar a força muscular com consequente melhora 
da marcha, equilíbrio e capacidade funcional, diminuindo riscos maiores de 
quedas que poderiam resultar em fraturas (FIATARONE et al., 1990).
Em estudo de revisão, Mayer et al. (2011) investigaram quais os efeitos e 
recomendações de treinamento de força para manutenção e melhora da saúde 
em idosos. Os resultados indicam que o treinamento de força em idosos é 
ferramenta valiosa no que diz respeito à manutenção da saúde, pois, com o 
ganho de força diminuem riscos de doenças músculo-esqueléticas ligadas ao 
envelhecimento, melhorando, em geral, a função motora. Os autores concluem 
que o treinamento deve ser realizado de três a quatro vezes por semana e com 
intensidade de 60% a 85% de uma repetição máxima, sendo que treinamentos 
com maiores intensidades apresentam melhores resultados no que diz respeito 
à melhora na taxa de desenvolvimento de força (MAYER et al., 2011). 
O treinamento intermitente de alta intensidade (High Intensity Intervals 
Training – HIIT) tem demonstrado resultados positivos no aumento da aptidão 
física (BILLAT, 2001), recuperação de agravos (WHYTE et al., 2010) e treinamento 
esportivo para indivíduos de todas as idades (ESFARJANI & LAURSEN, 2007). 
Com efeito, sabe-se que em pessoas mais velhas, o treinamento com exercícios 
intermitentes de alta intensidade e curta duração podecontribuir com melhoras 
no desempenho locomotor e neuromuscular (THOMAS et al., 2007).
Didaticamente, os HIIT podem ser classificados como aeróbios e anaeróbios. 
Os esforços aeróbios são organizados de acordo com a sua duração: quando 
duram até dois minutos são denominados como de curta duração e, com 
tempo maior que este, são denominados de longa duração (BILLAT, 2001). Já 
os esforços anaeróbios, podem ser categorizados de duas maneiras: a primeira 
delas quanto à carga de trabalho: fixa ou all-out e a segunda quanto à dura-
ção, de curta, média e longa, respectivamente com 10 a 15 segundos, 15 a 45 
segundos e superior a 45 segundos (BILLAT, 2001). 
Conforme Laursen & Jenkins (2002), os HIIT consistem de repetidas séries 
de estímulos de alta intensidade e curta duração, seguidas de intervalos de 
recuperação (ativa ou passiva), sendo que o indivíduo não compensa a inten-
sidade do treinamento por uma maior duração de trabalho total. 
Normalmente, os estudos com HIIT focam em esportistas e o subsequente 
aumento do desempenho físico competitivo (LAURSEN & JENKINS, 2002) ou 
pessoas como diferentes agravos (WHYTE et al., 2010). Por outro lado, poucos 
são os estudos que utilizaram os efeitos deste tipo de exercício físico em pes-
soas idosas, apesar de existirem diversas evidências demonstrando que o HIIT 
pode ser prática positiva para os desfechos em saúde.
EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS34
Dessa forma, esta parte do capítulo tem como finalidade discutir estratégias 
de treinamento que envolveram a prática do HIIT como exercício para indiví-
duos na terceira idade. Serão apresentados métodos de exercício baseados em 
evidências científicas para que se possa contribuir para maior adesão, melhora 
na capacidade aeróbia, força neuromuscular e saúde de modo geral, por meio 
de prevenção e recuperação de agravos, decorrentes do envelhecimento. Como 
a literatura com este grupo no treinamento intervalado é escassa, além dos 
textos que focam idosos, serão incorporados estudos aplicados aos agravos 
mais comuns na terceira idade.
Treinamento intermitente de alta intensidade e aptidão física em idosos
A aptidão física pode ser definida como a capacidade de realizar esforços 
físicos sem fadiga excessiva, garantindo a sobrevivência de pessoas em boas 
condições orgânicas no meio ambiente em que vivem (GUEDES, 1996). Ela pode 
ser melhor analisada através dos seus componentes, os quais possuem várias e 
diferentes dimensões, observados através das variáveis fisiológicas como potência 
aeróbia máxima, força, flexibilidade e componentes da composição corporal, sendo 
compreendida também através da análise das capacidades físicas como agilidade, 
equilíbrio, coordenação motora, potência e velocidade (GAERTNER et al., 1991).
Através do envelhecimento, ocorre diminuição e/ou perda progressiva 
dos componentes da aptidão física, aumentando as chances de redução da 
prática de atividade física e, consequentemente, o risco de doenças associadas 
ao sedentarismo, quedas e diminuição da capacidade de realizar atividades do 
dia-a-dia (SPIRDUSO, 1995). Por outro lado, estudos indicam que maior aptidão 
física é inversamente proporcional ao aumento da taxa de mortalidade, estando 
associada à prevenção de doenças e à melhora da qualidade de vida (RAJESKI 
et al., 1996). Um estudo populacional realizado no Canadá avaliou a relação 
entre aptidão física e causas de mortalidade entre mulheres e homens. Os 
pesquisadores concluíram que indivíduos com maior gasto energético, a partir 
de uma vida mais ativa, tinham redução de 20 a 30% na taxa de mortalidade 
(VILLENEUVE et al., 1998).
Exercícios de altas intensidades têm sido utilizados com maior frequência 
nos últimos anos para manutenção e aumento da força muscular e flexibilidade 
em idosos. De modo geral, estudos indicam que indivíduos que estão na terceira 
idade, conseguem suportar bem cargas de treinamento de alta intensidade e 
apresentam aumento na flexibilidade através desse fortalecimento muscular, já 
que fatores relacionados à flexibilidade têm sido diretamente associados com 
melhora da manutenção da força e da resistência muscular (DANTAS, 1998; 
HAGERMAN et al., 2000).
Exercícios de intensidades mais elevadas também têm se mostrado bas-
tante efetivos para melhora da resistência aeróbia de pessoas mais velhas. 
EXERCÍCIO INTERMITENTE NA TERCEIRA IDADE 35
Estudos sobre o efeito desse tipo de treinamento na resistência aeróbia em 
idosos apontam aumentos significativos do VO2 máximo, o que contribui para 
diminuição de episódios de cansaço, redução da pressão arterial, desenvolvi-
mento de maior autonomia para realização das tarefas diárias e consequente 
melhor qualidade de vida (AMORIM & DANTAS, 2002; HAGERMAN et al., 2000; 
NEMOTO et al., 2007).
A manutenção do peso corporal adequado, em indivíduos mais velhos, 
também tem sido observada através da utilização de exercícios físicos de alta 
intensidade. Alguns estudos sobre treinamento de alta intensidade em idosos se 
mostraram bem satisfatórios no que diz respeito à redução de gordura corporal, 
dando ênfase na importância da duração e intensidade para que se tenham 
resultados positivos (FIATARONE-SINGH, 1998b; NEMOTO et al., 2007). 
Bom exemplo de exercício de alta intensidade que tem sido recomendado 
nos últimos anos, para manutenção e/ou melhora dos componentes da aptidão 
física em idosos, é o HIIT. Em estudo recente, Nemoto et al. (2007) pesquisaram 
homens e mulheres acima dos 60 anos, comparando os efeitos desse tipo de 
treinamento(entre 70- 85% do VO2) com treinamentos de baixa (aproximadamente 
40% do VO2) e moderada intensidade (entre 50-60% do VO2). Nesse estudo, 
foi concluído, através de testes de caminhada, que os exercícios intermitentes 
de alta intensidade foram mais eficazes para o aumento da força muscular, da 
capacidade aeróbia e para diminuição da pressão arterial em relação aos outros 
tipos de exercícios físicos em indivíduos nessa faixa etária. 
Para ratificar esses achados, Rogmono et al. (2004), em estudo randomizado, 
com indivíduos que possuíam doenças cardiovasculares, compararam os efeitos 
de exercícios físicos intermitentes de alta intensidade com exercícios físicos de 
intensidade moderada para o aumento de VO2. A partir de análise detalhada 
de 21 indivíduos em caminhada na esteira com intensidade moderada (50-60% 
do VO2) e alta (80-90% do VO2), três vezes por semana, durante dez semanas, 
concluíram que, com o HIIT, estes indivíduos tiveram o seu VO2 aumentando em 
17,9%, enquanto que em exercício de intensidade moderada o VO2 aumentou 
apenas 7,9%. Nesse sentido, os HIITs se apresentam como mais eficientes para 
melhora da resistência aeróbia que os exercícios de intensidade moderada; 
Além disto, podem ser mais e melhor utilizados como auxílio no tratamento e 
prevenção de doenças ligadas ao sistema cardiovascular, as quais são bastante 
comuns em indivíduos mais velhos. 
Laprete et al. (2009) pesquisaram os efeitos do HIIT em idosos de ambos 
os sexos, 19 mulheres e 16 homens. Neste estudo, foram realizados testes em 
cicloergômetro durante nove semanas, duas vezes por semana, com cada um 
dos indivíduos e de forma separada. Nesse período, os indivíduos praticavam 
ciclismo alternando potência de saída correspondente ao primeiro limiar ven-
tilatório (base) com ciclismo a uma potência correspondente ao o segundo 
limiar ventilatório (pico). Após avaliação dos resultados, os pesquisadores 
EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS36
concluíram que, após noves semanas de treino, os idosos tiveram o seu VO2 
pico aumentado, com consequente aumento da capacidade aeróbia e, ainda, 
verificou-se que o HIIT auxiliou na diminuição da pressão arterial, sugerindo 
que esse tipo de treinamento, pode ser ferramenta valiosa para manutenção da 
capacidade funcionale como prevenção e tratamento de doenças associadas 
ao envelhecimento.
A tabela 1 apresenta de forma resumida as características e resultados dos 
estudos sobre HIIT citados no texto.
Tabela 1. Efeitos do HIIT em relação a exercícios de baixa e moderada –
intensidade.
autor/ano intensidade Frequência/ duração principais resultados
Leprete 
et al., 2009
Ciclismo a uma potência 
de saída correspondente 
ao primeiro limiar venti-
latório (base) alternando 
com segundo limiar ven-
tilatório (pico), calculados 
separadamente em cada 
indivíduo
Duas vezes por 
semana, durante 
nove semanas
O HIIT aumenta a resistência 
aeróbia e diminui a pressão 
arterial em idosos de ambos 
os sexos
Nemoto 
et al., 2007
Grupo caminhada com 
baixa intensidade, (40% 
do VO2)
Grupo de caminhada com 
intensidade moderada 
(50-60% do VO2) 
Grupo decaminhada com 
alta intensidade (70- 85% 
do VO2)
Quatro ou mais 
dias por semana, 
durante cinco 
meses
O HIIT é mais eficaz no 
aumento da força muscular, 
da capacidade aeróbia e 
na diminuição da pressão 
arterial de idosos, do que 
exercícios de baixa e mode-
rada intensidade
Rogmono 
et al., 2004
Grupo de caminhada com 
intensidade moderada 
(50-60% do VO2) 
Grupo decaminhada com 
alta intensidade (80 – 90% 
do VO2)
Três vezes por 
semana durante 
10 semanas
O HIIT aumenta mais a resistên-
cia aeróbia com consequente 
auxílio para manutenção e 
prevenção de doenças cardio-
vasculares do que exercícios de 
intensidade moderada
Nos próximos itens serão descritos os efeitos do HIIT em diferentes vari-
áveis da aptidão física, as quais são relevantes para manutenção da saúde do 
idoso, como efeitos sobre a força muscular, controle e manutenção do peso 
corporal e uma abordagem geral de como, a partir desse tipo de treinamento, 
EXERCÍCIO INTERMITENTE NA TERCEIRA IDADE 37
indivíduos que estão nesta faixa etária possam obter ganhos expressivos para 
manutenção e melhora da saúde.
Redução da força muscular em idosos 
Aproximadamente na terceira década de vida, a força muscular atinge seu 
ápice, sendo preservada de forma satisfatória até os 40 anos, quando começa a 
diminuir, e esta redução ocorre de forma acelerada com avançar da idade (HUGHES 
et al., 2001; DESCHENES, 2004). A estimativa é que esta redução varie entre 20% e 
40% em pessoas com idade entre 70 e 80 anos, passando para dimuição superior 
a 50% a partir dos 90 anos (PÍCOLI et al., 2011; GARCIA, 2008). 
A diminuição da força oriunda dos processos de envelhecimento é vasta-
mente relatada na literatura científica, assim como a consequente redução na 
autonomia funcional, que acaba gerando uma maior dependência para realização 
de atividades rotineiras, ocasionando um declínio na qualidade de vida e bem-
estar do idoso (ROLLAND et al., 2008; ASSUMPÇÃO et al., 2008; DESCHENES, 
2004). Além disto, a redução da força exerce impacto na predisposição a sofrer 
eventos adversos, como quedas, fraturas, hospitalizações, discapacidade física, 
institucionalização e morte (HERRERO & IZQUIERDO, 2012). Há evidências, de que 
o impacto do envelhecimento na força muscular tem ação distinta entre cada 
indivíduo e grupos musculares, sendo mais acentuada nos membros inferiores 
(GRIMBY et al., 1992; HUGHES et al., 2001; IZQUIERDO et al., 2001).
O declínio na força muscular pode ser decorrente de mecanismos neu-
rológicos, ambientais e alterações músculo-esqueléticas características do 
envelhecimento (FRONTERA & BIGARD, 2002). Em 1989, Irwin H. Rosenber 
denominou a perda de massa muscular como sarcopenia, termo que vem do 
grego sarko (carne) e penia (pobreza), e é considerada o principal fator de 
diminuição de força muscular (ROSENBERGER, 1997; VALE et al., 2004; EVANS 
& CAMPBELL, 1993).
A sarcopenia se relaciona com contrações musculares inadequadas resul-
tantes de estresse oxidativo ou alterações no metabolismo proteico de actina 
e miosina, além de perda de miócitos, principamente nas fibras do tipo II 
(DREYER & VOLPI, 2005). Ainda, alterações bioquímicas nas mitocôndrias são 
fatores fundamentais no processo de declínio da força muscular. A redução da 
capacidade oxidativa e volume total das mitocôndrias é observada durante o 
envelhecimento, fatores altamente correlacionados com a apoptose do tecido 
músculo esquelético (PETERSON et al., 2012). Para além da relação mitocôndria 
e força muscular, na figura 3 são indicadas, as alterações na excreção de crea-
tinina (utilizada para estimar de massa muscular magra) e na taxa metabólica 
basal geradas pelo envelhecimento.
EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS38
Figura 3. A excreção de creatinina e a taxa metabólica basal (TMB) em –
função da idade (adaptada de Rosenberger, 1997).
Força e exercício físico 
Há indicativos de que os sintomas da sarcopenia são maximizados em 
pessoas fisicamente inativas, porém também são observados em indivíduos 
que foram fisicamente ativos durante suas vidas, mas em menores proporções 
(PÍCOLI et al., 2011). O estudo de Costa & Neri (2011) com idosos brasileiros 
indicou que os sedentários apresentavam menor força de preensão manual em 
relação aos fisicamente ativos, sendo que não foi discriminado o tipo de ativi-
dade física realizada. Após conduzir um ensaio clínico randomizado, oferecendo 
prática de atividade física versus aconselhamento para um estilo de vida ativo, 
Goodpaster et al. (2008) demonstraram que o grupo ativo apresentou menor 
redução na força muscular.
Além dos benefícios amplamente conhecidos da prática de atividade física 
regular para a saúde, sabe-se que especificamente o treinamento resistido 
proporciona melhoria no declínio de força associado ao envelhecimento, sendo 
estratégia eficiente para controlar os efeitos da sarcopenia, além de acarretar 
ganhos de força muscular (BOTTARO et al., 2007; LIMA et al., 2011). É importante 
destacar que a capacidade de adaptação aos estímulos do treinamento de força 
EXERCÍCIO INTERMITENTE NA TERCEIRA IDADE 39
não é modificada com a idade, ou seja, indivíduos idosos apresentam adaptações 
ao exercício resistido semelhantes aos jovens (BARBANTI et al., 2004).
Trancoso & Farinatti (2002) avaliaram a força em idosas submetidas a 12 semanas 
de treinamento resistido, com frequência de duas vezes por semana de leg-press 
baixo e supino reto (duas séries com 10 repetições máximas (RM)), concluindo que 
nas primeiras quatro semanas houve ganho acentuado de força, com tendência a 
estabilização nas últimas semanas de programa. Já Ferri et al. (2003) propuseram 
exercícios de flexão plantar e extensão de joelhos com 80% de 1RM, frequência 
de três vezes por semana, durante 16 semanas com 16 homens idosos. Como 
conclusão, apresentaram que houve incremento de força no grupo de idosos e que 
este resultado é importante com vistas à realização de tarefas diárias que envolvem 
deslocamento, além de auxiliar no desenvolvimento de potência muscular.
Verdjik et al. (2009) realizaram intervenção de treinamento de resistência 
com 14 homens idosos, o treinamento aconteceu por 12 semanas com fre-
quência semanal de três dias. O programa de exercícios consistiu em quatro 
séries de leg press e extensão de joelhos, a carga de trabalho foi de 60% de 
1RM (10-15 repetições) e 75% de 1RM (8-10 repetições), respectivamente, nas 
primeiras quatro semanas. Após a quinta semana, o número de séries continuou 
o mesmo (quatro), passando para oito repetições em ambos os exercícios. A 
intensidade do leg press aumentou para 75% 1RM enquanto para o exercício 
de extensão de joelho elevou-se para 80% de 1RM. As intensidades foram 
ajustadas com base em testes de 1RM realizados nas semanas quatro e oito. 
Os resultados do estudo indicaram que houve incremento de massa muscular 
magra (57,4±1,6Kg para 58,0±1,7Kg) e redução da gordura total. Em relação 
à força muscular,houve ganhos de 1RM tanto no leg press (170±8Kg para 
210±10Kg) quanto para extensão de joelhos (88,4±111±5Kg).
Reid et al. (2008) compararam os efeitos de programas de power training 
de alta intensidade (POW) com treinamento de resistência com carga pro-
gressiva tradicional (STR) e grupo controle (CON), em relação ao aumento de 
força muscular de 57 idosos. Para o grupo POW foram oferecidas três séries 
com oito retições de leg press unilateral e extensão de joelhos direito, ambos 
com intensidade inferior a 70% 1RM, a fase concêntrica deveria ser realizada 
o mais rápido possível, mantendo a extensão completa por um segundo e a 
fase excêntrica por mais de dois segundos. Os exercícios do STR consistiram em 
três séries de oito repetições, a 70% 1RM, de leg press e extensão de joelhos 
(direito e esquerdo), a fase concêntrica com duração de mais de dois segundos, 
manutenção da extensão integral por um segundo e fase excêntrica por dois 
segundos. Ambos os protocolos foram realizados por 12 semanas com frequência 
de três vezes por semana. Ao fim do programa foi observado aumento expres-
sivo de força de extensão de joelhos para os grupos STR (41%) e POW (49%) 
ao serem comparados com o COM (p<0,01). Além disso, os autores destacam 
que houve incremento significativo (p<0,01) de força (~2,3 vezes) e potência 
muscular (~2,8 vezes) no grupo POW ao serem comparados com STR.
EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS40
Há indicativos de que estímulos muito baixos não sejam suficientes para 
gerar alterações na força muscular de idosos, fato comprovado por Carvalho et al. 
(2004) que submeteram 25 idosos à um programa de “ginástica de manutenção” 
durante seis meses, com frequência de duas vezes na semana e duração de 50 
minutos por sessão. O treinamento consistia em dez minutos de aquecimento, 
aproximadamente 15 minutos de exercícios de força para membros inferiores 
(utilizando peso corporal) e para membros superiores (peso corporal, peso 
livre de 1-3Kg e bandas elásticas), a periodização foi ajustada individualmente, 
mas de modo geral, os idosos realizavam duas a três séries com oito a quinze 
repetições. Ao término do treinamento resistido, era oferecido trabalho aeróbio; 
exercícios de coordenação e equilíbrio, jogos lúdicos e, como última etapa, 
atividades de relaxamento e alongamento. Após o término da intervenção não 
foram apresentadas alterações significativas em força máxima isocinética de 
flexores e extensores de joelho.
No quadro 1 são indicadas informações sobre os principais tipos de exer-
cícios recomendados para a população idosa com vistas à prevenção da fragi-
lidade, sendo eles o treinamento de força e o treinamento aeróbio. Os dados 
apresentados foram obtidos por meio de revisão de literatura conduzida por 
Landi et al. (2010).
Quadro 1 – Informações sobre os principais tipos de exercícios recomendados –
à prevenção de fragilidade em idosos.
treinamento aeróbio treinamento de Força
Características 
gerais
Grandes grupos musculares
Muitas repetições
Baixa resistência
Vários grupos musculares
Poucas repetições
Moderada/alta intensidade
recomendações Exercício de baixo impacto
Iniciar com baixa intensidade e 
duração
Realizar aquecimento e volta a 
calma
Medir força e potência iniciais e 
utilizar carga entre 40-50%
Parear grandes grupamentos mus-
culares (agonista-antagonista)
benefícios Condição cardiovascular Força
Capacidade 
funcionalComposição corporal Equilíbrio
Modificações a nível metabólico Potência
Resistência muscular
Tratamento de doenças crônicas
Aumento massa muscular magra
Adaptado de Landi et al., 2010
Geralmente, aos idosos são indicados exercícios físicos com intensidade 
leve a moderada; porém, o treinamento intermitente de alta intensidade tem 
se mostrado como opção oportuna para esta população, apesar dos poucos 
estudos publicados até então.
EXERCÍCIO INTERMITENTE NA TERCEIRA IDADE 41
Perda de Peso em Idosos
O crescimento da população idosa no Brasil e no mundo sinaliza a neces-
sidade de se conhecer mais sobre o impacto da saúde e do estado nutricional 
no envelhecimento (CAMPOS et al., 2006). Antigamente era comum relacionar 
a inatividade física e o ganho de peso como consequência natural da idade, 
porém, hoje já se sabe que esses fatores podem ser decorrentes do declínio 
do nível de atividade física e da alimentação inadequada baseada em alta 
ingestão calórica e consumo elevado de cereais refinados e gorduras (SIMÕES 
et al., 2011; CAMPOS et al., 2000). 
Um dos fatores associados ao envelhecimento sadio é boa nutrição durante 
a vida. Através da avaliação nutricional, é permitido identificar se os indiví-
duos apresentam algum risco nutricional, que estão ligados ao sobrepeso e a 
obesidade, a partir disso é possível estabelecer meios de intervenção com o 
objetivo de promover perda de peso e reduzir o desenvolvimento de patologias 
associadas ao excesso de peso, como hipertensão, doenças cardiovasculares e 
diabetes mellitus (SIMÕES et al., 2011).
O exercício físico aliado com a reeducação alimentar vem sendo utilizado 
como a principal conduta não medicamentosa nos programas de emagreci-
mento. Pensando nisso, tem-se buscado meios para a adesão de idosos em 
programas de emagrecimento através do exercício físico (MORENO et al., 2009). 
A maior parte dos protocolos de exercícios destinados a promover perda de 
gordura, focam no método regular estável, como, por exemplo, caminhadas e 
corridas em intensidades moderadas, porém estes tipos de protocolos acarretam 
em uma perda de peso insignificante (BOUTCHER, 2010).
Evidências demonstram que o HIIT possui potencial de ser um protocolo 
de exercício econômico, por exigir pouco tempo diário de dedicação e por se 
mostrar eficaz na redução de gordura corporal em indivíduos com excesso de 
peso (BOUTCHER, 2010). O HIIT também produz aumentos significativos na 
capacidade aeróbia e anaeróbia, trazendo significativas adaptações oxidativas 
e glicolíticas do músculo esquelético, o que promove efeitos promissores na 
ação aguda e crônica de perda de gordura subcutânea e abdominal naqueles 
indivíduos que apresentam excesso de peso. Considera-se que a brevidade de 
protocolos HIIT deve ser atraente para a maioria dos idosos interessados na 
redução de gordura (INELMEN et al., 2005).
Os idosos apresentam maior prevalência na alteração do estado nutricional 
em relação ao excesso de peso e a obesidade do que os adultos com idade 
inferior a 60 anos, pois além do consumo alimentar com maior ingestão de 
gordura e baixa ingesta de alimentos ricos em fibras, cálcio, zinco, magnésio 
e vitaminas A e D (CAMPOS et al., 2000), ocorre também a perda de massa 
muscular (sarcopenia) que proporciona queda da taxa de metabolismo basal e 
diminuição da atividade física entre os idosos (SILVA et al., 2006). A sarcopenia 
gera redução da capacidade funcional, da força, do equilíbrio, da flexibilidade 
EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS42
e diminuição da resistência aeróbia, fatores os quais, contribuem para o ganho 
de gordura corporal nos idosos (SILVA et al., 2006). Outro fator relacionado ao 
ganho de peso nos idosos está ligado a patologias e alterações fisiológicas pró-
prias da idade, como a menopausa que interfere na elevação do peso, pois há 
aumento da perda de cálcio nos ossos, que na maioria das vezes, não é reposto 
na dieta habitual, fator este que poderá ser agravado levando à osteoporose, 
diminuição da altura e alterações na quantidade e distribuição da adiposidade 
subcutânea (CAMPOS et al., 2000; OMS, 1995).
O aumento da prática esportiva vem crescendo atualmente na população 
idosa, no qual homens e mulheres acima dos 60 anos buscam encontram no 
exercício físico apoio para melhorar o padrão de saúde e estético (FREITAS et al., 
2007). Com isso a prática dos HIIT vemganhando espaço entre os idosos. Através 
disso, o presente tópico tem como finalidade abordar os principais métodos 
para a aplicação de exercícios no qual o HIIT possa modificar de forma positiva 
a redução da gordura corporal em indivíduos idosos (BLAIR et al., 2004).
Perda de Peso Relacionada ao HIIT em Idosos
 O crescimento da população de idosos em todo mundo despertou a aten-
ção dos profissionais de saúde, com vistas a elaborar estratégias que possam 
contribuir na prevenção e redução da sarcopenia e do aumento de gordura 
corporal, visto que a inatividade e a alimentação inadequada, muitas vezes, 
podem levar a alterações da composição corporal, funcionais, bioquímicas 
e produzir diminuição da capacidade de desempenho de atividades diárias 
(LEMOS et al., 2007).
Por se tratar de indivíduos acima de 60 anos, pensa-se, concomitantemente 
em meios para que os exercícios físicos aplicados a essa população sejam pra-
zerosos e de fácil adesão, afim de que estas pessoas, não abandonem a prática 
e possam usufruir de seus benefícios. Com isso, o HIIT parece ser de grande 
valia para os idosos, já que exige pouco despendimento de tempo aliado a 
resultados positivos no emagrecimento (DIAS et al., 2006).
Geralmente, os programas de exercícios físicos que visam o emagrecimento 
de idosos, focam no uso da atividade aeróbia contínua de longa duração e baixa 
intensidade, tal raciocícnio faz sentido, porque quanto maior o tempo de atividade 
física, maior será a quantidade de calorias empregadas, as quais podem desviar 
do armazenamento de tecido adiposo (triglicerídeos) (TALANIAN et al., 2007). 
No entanto, o HIIT exerce várias vantagens sobre o exercício contínuo quando 
comparados com os exercícios tradicionais (TALANIAN et al., 2007; TRAPP et 
al., 2008). Isso se mostrou evidente no estudo de Tremblay et al. (1994), que 
comparou treinamento contínuo endurance com HIIT. Apesar de gasto signifi-
cativamente menor de energia ao final do programa HIIT, os participantes deste 
grupo obtiveram maior redução na espessura total de dobras cutâneas, devido 
EXERCÍCIO INTERMITENTE NA TERCEIRA IDADE 43
às adaptações metabólicas que ocorrem no músculo esquelético que parecem 
favorecer o processo de oxidação de lipídios (TREMBLAY &BOUCHARD, 1994).
Na oportunidade o estudo de Tremblay & Bouchard (1994), o protocolo 
de treinamento constou de 20 semanas, composto por um período de condi-
cionamento de cinco semanas em um ciclo reclinado, o grupo de HIIT realizou 
sprints enquanto o de Treinamento de Endurance (TE) realizou um protocolo 
tradicional de exercício aeróbio, ao longo das 15 semanas restantes. Ambos os 
grupos progrediram na intensidade. Na conclusão do estudo, o grupo HIIT havia 
perdido três vezes mais gordura subcutânea comparado com o grupo de TE, 
apesar de gastar menos da metade de calorias durante o exercício, conforme 
mostra o quadro 2 abaixo.
Quadro 2. Comparação da perda de gordura no TE e HIIT –
modo (ergômetro) treinamento de baixa 
intensidade e longa 
duração
treinamento intervalado de alta 
intensidade
duração (minutos) 30 e elevado para 45 30
Frequência 4x/semana e elevado para 
5x/semana
25 sessões contínuas, metade com-
pletada antes da semana 5.
Semana 5 a 20: 19 sessões intervala-
das de longa distância e 16 sessões 
intervaladas de curta distância
intensidade 60% da FCres e aumen-
tado para 85% da FCres
Aquecimento 70% da FCres
60% da potência máxima em 
10 segundos e 70% da potência 
máxima em 90 segundos; aumen-
tando 5% a cada 3 semanas
gasto calórico (MJ) 120,4±31,0 57,9±14,4
perda de gordura (mm) 4,5 13,9
FCres = Frequência cardíaca de reserva.
Pesquisas que incluem o HIIT indicam que ele pode ser mais eficaz na 
redução de gordura corporal subcutânea e abdominal do que outros tipos de 
exercícios. Os fatores que parecem contribuir para esta vantagem lipolítica se dão 
devido ao HIIT aumentar o potencial do corpo para usar lipídios como substrato 
energético, principalmente após o esforço, pois há um maior aumento enzimas 
responsáveis pela beta-oxidação. Além disso, o HIIT aumenta o consumo de 
oxigênio pós-exercício – EPOC, provendo maior ação da termogênese induzida 
pela ingesta de alimentos e ação da leptina (hormônio responsável pela dimi-
nuição do apetite) (DIAS et al., 2006; DRAGO & CARNEVALI, 2010). Considerando 
que esses efeitos tem se mostrado mais positivos, com maior intensidade de 
exercício (GRAY et al., 1993; TREMBLAY & BOUCHARD, 1994).
EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS44
Em relação aos principais métodos para a aplicação dos exercícios HIIT, a 
maioria dos estudos demonstra análises de curto prazo (2 a 6 semanas), para 
que a adaptação do músculo esquelético promova mudanças na composição 
corporal (BOUTCHER, 2010). No entanto, alguns estudos como o de Tremblay 
et al. (1994), utilizaram programas mais longos para determinar o efeito do HIIT 
na perda de gordura abdominal. 
Conforme demonstra a tabela 2, no estudo de Tremblay et al. (1994), 
foi constado que após 24 semanas, os indivíduos do grupo HIIT perderam 
mais gordura subcutânea em comparação com o grupo de exercício aeróbio 
constante. Mais recentemente, Trapp et al. (2008) realizaram um programa de 
HIIT por 15 semanas, com três sessões semanais de 20 minutos em mulheres, 
cujo exercício consistia em pedalas de 8 segundos, seguido por 12 segundos 
de ciclismo de baixa intensidade enquanto outro grupo de mulheres realizou 
protocolo de ciclismo aeróbio durante 40 min. Os resultados mostraram que as 
mulheres no grupo HIIT perderam significativamente mais gordura subcutânea 
(2,5 kg) do que o outro programa. Dunn (2009) utilizou protocolo semelhante 
ao de HIIT, porém agregou uma suplementação de óleo de peixe e uma dieta 
mediterrânea (composta pelo alto consumo de frutas, vegetais, cereais, legu-
minosas, oleaginosas, peixes, leite e derivados, vinho e azeite de oliva) durante 
12 semanas. Em 15 mulheres jovens com excesso de peso, a combinação de 
HIIT, dieta, e o óleo de peixe resultou numa redução de 2,6 kg de gordura 
subcutânea (8%).
A mudança na dieta e os exercícios causam modificação no metabolismo, 
porém ela é mais evidente no grupo que se exercita de forma intermitente, 
independente do tipo de modalidade de exercício aplicada, sendo capaz de 
promover uma redução na adiposidade central e visceral (BERNARDES, 2004). 
No quadro 3 são apresentados resultados referentes à aplicação do HIIT para 
o emagrecimento, que pode contribuir com resultados satisfatórios nos idosos. 
No entanto, mais pesquisas são necessárias para identificar o tempo, intensi-
dade do protocolo e o período de intervenção do HIIT para alcançar resultados 
satisfatórios no emagrecimento.
EXERCÍCIO INTERMITENTE NA TERCEIRA IDADE 45
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EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS46
Quadro 3. Métodos de aplicação do HIIT para o emagrecimento em idosos –
autores, ano sessões de treinamento tempo (min) período modalidade
GIBALA e 
McGEE, 2008 Seis 15 minutos Duas semanas Aeróbio
TRAPP, 2007 Duas n.i * > duas vezes por semana Aeróbio
Legenda: * ni: não informado.
Ressalta-se que o profissional de educação física deverá avaliar a condição 
física do idoso, afim de que ele possa desempenhar o exercício físico de forma 
adequada, evitando agravos ou lesões a nível músculo-esquelético.
Doenças comuns em idosos 
As doenças próprias do envelhecimento, geralmente crônicas e múltiplas, 
vêm fazendo com que haja uma maior demanda de tempo e recursos aosserviços públicos de saúde, exigindo, na maioria das vezes, acompanhamento 
constante, medicação contínua e exames periódicos (COSTA & VERAS, 2003).
As doenças mais comuns que acometem os idosos, no Brasil e em diversas 
partes do mundo, são a hipertensão arterial sistêmica, diabetes, doenças do 
sistema osteomuscular, doenças respiratórias, cerebrovasculares, cardiovascu-
lares e transtornos mentais (ALMEIDA, 1999; COSTA & GUERRA, 2000; DESAI & 
ZHANG, 1999).
A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é, atualmente, uma das principais 
causas de mortalidade em indivíduos da terceira idade, está correlacionada 
à incidência de acidentes vasculares cerebrais e de doenças cardiovasculares 
(ROSENFELD, 2003; WANG & VASAN, 2005). 
As alterações cardíacas e bioquímicas do envelhecimento fazem com que 
indivíduos mais velhos tenham maior propensão ao desenvolvimento de HAS, 
pois mecanismos responsáveis pela manutenção da saúde e equilíbrio de alguns 
órgãos são afetados com o avanço da idade, como por exemplo, o aparecimento 
de modificações em estruturas cardíacas (espessamento irregular do pericárdio 
e propensão a depósito de gordura nas artérias), e, ainda, uma importante 
alteração bioquímica a qual resulta em menor quantidade de trifosfato de ade-
nosina (ATP) disponível, diminuindo a capacidade oxidativa das mitocôndrias, 
determinando menor capacidade de energia (AZUL et al., 1981). 
Em casos mais graves de HAS é necessária a utilização de tratamento far-
macológico, sendo que as principais formas de tratamento são os diuréticos, 
EXERCÍCIO INTERMITENTE NA TERCEIRA IDADE 47
betabloqueadores, antagonistas do cálcio, inibidores de enzima conversora e 
simpaticolíticos e, as formas de tratamento não-farmacológico, utilizados em 
casos mais leves são a restrição ao sódio, diminuição de tabagismo, redução 
de peso, períodos adequados de repouso e exercícios físicos, sendo que esse 
tipo de tratamento pode ser utilizado como auxílio ao no tratamento em casos 
mais graves (BRASIL, 1998; FILHO et al.,1983; SHOJI & FORJAZ, 2000).
A diabetes bem como a HAS, possui elevada ocorrência na terceira idade, 
principalmente a diabetes tipo 2, que é a de maior incidência e, complicações 
decorrentes como doença cardiovascular, cerebrovascular, retinopatia, nefropatia, 
neuropatias são bastante preocupantes em indivíduos mais velhos, pois as taxas 
de mortalidade aumentam com o passar da idade, devido aos aspectos citados 
anteriormente em relação às modificações anatômicas e bioquímicas, as quais 
acarretam também em muitos gastos ao sistema de saúde e na redução da 
qualidade de vida dos mesmos (BOURDEL- MARCHASSON et al., 1997). 
Em alguns casos, a HAS impõe limitações ao indivíduo, tanto para alimen-
tação como em alguns cuidados adicionais para realização de tarefas diárias 
e prática de exercícios físicos (LAURENTI et al., 1982). As principais formas de 
tratamento da diabetes são antidiabéticos orais e/ou insulina, mudança nos 
hábitos alimentares e prática regular de exercícios físicos bem orientados, 
os quais, em conjunto com mudanças nos hábitos alimentares servem como 
meio preventivo ao surgimento da diabetes tipo 2 (CHACRA & LERÁRIO, 1998; 
GUIMARÃES & TAKAIANAGUI, 2002).
Outro motivo importante de internação de idosos em hospitais tem sido 
as doenças do sistema osteomuscular, sendo que as maiores queixas dos idosos 
em serviços de saúde são a respeito de dores articulares, principalmente nos 
membros inferiores, dores lombares, na coluna cervical, relatos de reumatismos 
e osteoporose existentes (KENNES, 2001; TRELHA et al., 2006). 
A função muscular, que é diminuída com envelhecimento, tem efeitos diretos 
e significativos na saúde e qualidade de vida dos idosos, pois o controle postural, 
o equilíbrio e marcha ficam debilitados com essa redução de força, tornando 
difíceis tarefas simples, como pegar objetos, subir escadas e pequenas caminhadas 
e, ainda, com maiores riscos de desenvolver doenças associadas à idade, como 
reumatismo e osteoporose, faz com que os mesmos, tenham diminuída a sua 
autonomia e aumente os riscos de quedas, as quais podem acarretar em lesões 
ou até mesmo morte acidental (BRILL et al., 2000; DESCHENES, 2004). 
Algumas alternativas como exercício físico e alimentação balanceada têm 
sido recomendadas para que os efeitos negativos do envelhecimento no sistema 
osteomuscular sejam amenizados, sendo que os exercícios físicos podem atuar 
tanto na prevenção como na reabilitação, fortalecendo todo o sistema osteo-
muscular e, a alimentação balanceada, pode ser utilizada como medida para 
evitar o sobrepeso e obesidade, pois o excesso de peso pode sobrecarregar 
todo o sistema osteomuscular, prejudicando a saúde do mesmo e/ou agravando 
EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS48
doenças relacionadas ao envelhecimento já existentes (ANDERSON & FELSON, 
1998; LACOURT & MARINI, 2006).
As doenças respiratórias são uma importante causa de internações hospi-
talares e óbitos de idosos no Brasil e em diversas partes do mundo (GLEZEN 
et al., 2000; FRANCISCO et al., 2003). Bronquite crônica, pneumonias, infecção 
respiratória e enfisema pulmonar, se destacam como as doenças mais existentes 
nesta faixa etária bem como o causa da maioria dos óbitos (PEIXOTO et al., 2004; 
COSTA & GUERRA, 2000). Essas doenças são mais suscetíveis nos idosos, pois 
com o envelhecimento, ocorre uma diminuição da caixa torácica, da elasticidade 
pulmonar com consequente redução da pressão e inspiratória e respiratória, 
fazendo com que todo o mecanismo responsável pela respiração tenha sua 
eficiência reduzida (GLAGLIADI & FILHO, 2003; MARTINS et al., 2002). 
Em casos graves de doenças respiratórias, dependendo do caso e do tipo, 
tem-se utilizado como forma de tratamento os antibióticos, broncodilatadores, 
antialérgicos, corticóides e, vacinas contra gripe, exercícios físicos, evitar poluentes 
e tabagismo podem ser utilizados no auxílio do tratamento bem como meio 
de prevenção e redução dos efeitos da doença (BERQUÓ et al., 2004; FLETCHER 
et al.,1996; GONZALES et al., 1997).
As doenças cerebrovasculares (DCVs) são responsáveis pela incidência de 
muitos óbitos na população acima dos 30 anos e, com o passar dos anos, essa 
incidência vai aumentando, sendo que com idade superior aos 85 anos, 1800 
de 100000 indivíduos podem ser acometidos pelas DCVs (ELLISON et al.,1998; 
PITTELLA & DUARTE, 2002). 
As DCVs mais comuns que acometem os idosos são a aterosclerose cerebral, 
doença cerebrovascular hipertensiva, infarto cerebral, sendo que a principal forma 
de doença é o acidente vascular cerebral (AVC), isquêmico ou hemorrágico, 
que é terceira causa de morte em países industrializados e primeira causa de 
incapacidade em adultos (FURUKAWA et al., 2011; PEREIRA et al.,1993). 
Com consequências altamente incapacitantes, as DCV, podem, em alguns 
casos, deixar seqüelas irreversíveis como deformidades musculares, perda do 
movimento de um membro ou de todo o lado do corpo (hemiplegia), dificuldade 
com a fala e para comer, incontinência urinária e fecal, depressão e isolamento, 
fazendo com que o indivíduo acometido por esses tipos de doenças, tenha 
um acompanhamento constante e permanente de um cuidador (SILLIMAN et 
al., 1986; BOCCHI, 2004). 
Causas mais frequentes das doenças cerebrovasculares em idosos estão 
associadas ao abuso de álcool, diabetes, tabagismo, HAS, hipercolesterolemia, 
cardiopatias e sedentarismo (CHOR & LIMA, 2005; SACCO et al., 1997). As prin-
cipais formas de prevenção das DCVs são a prática de atividades físicas, dieta 
equilibrada e evitar abuso de álcool e tabaco e, a formas de tratamento podem 
ser farmacológicas, não-farmacológicas ou ambas, pois além da administração de 
cada medicação específica para cada tipo de doença, pode-se utilizar de fisiote-
EXERCÍCIO INTERMITENTE NA TERCEIRA IDADE 49
rapia,fonoaudiologia e atividade física durante as diversas etapas do tratamento 
(OLIVEIRA, 2001; NEVES et al., 2004; NEUFER, 1989; SILVA et al., 2009).
As doenças cardiovasculares (DCV) estão significamente associadas a 
altas taxas de mortalidade em indivíduos acima dos 80 anos (KASHYAP, 1989; 
MARAFON et al., 2003). As mais comuns em idosos são a doença coronariana, 
insuficiência cardíaca, cardiomiopatia hipertrófica, doença valvar e as arritmias 
(MEDEIROS et al., 2006; TRESCH, 1997). Os principais efeitos desses tipos de 
doenças são a redução da função cognitiva (decorrência da dificuldade de fluxo 
sanguíneo cerebral nas áreas responsáveis pela cognição), depressão (o prolon-
gamento no tempo de espera de cirurgias e/ou medo da morte, podem causar 
problemas importantes de ordem psicossocial) e fraqueza muscular respiratória 
(influenciada pela redução do fluxo sanguíneo para os músculos respirató-
rios) (HAMMOND et al., 2004; SCHALL et al., 1989). Os fatores de risco para as 
DCV são a obesidade, HAS, diabetes, dislipidemia, tabagismo, sedentarismo e 
antecedentes familiares (CRUZ et al., 2004; KANNEL, 1983). 
As formas de prevenção e tratamentos não-farmacológicos mais utilizados 
para DCV são a dieta equilibrada e exercícios físicos e, os tratamentos farmaco-
lógicos, dependendo do tipo de doença, são à base de diuréticos inibidores da 
enzima conversora de angiotensina (ECA), agentes betabloqueadores, digiáticos 
anticoagulantes e, ainda, intervenções cirúrgicas quando necessárias (ALMEIDA 
& MANFROI, 2007; RIBEIRO & MUSCARÁ, 2001; VANZELLI et al., 2005).
Os transtornos mentais mais frequentes na população idosa são a demên-
cia e a depressão, sendo que a demência ocorre em idosos com idades mais 
avançadas e a depressão é o distúrbio de saúde mental mais frequente na 
terceira idade e com maior associação à mortalidade e morbidade, principal-
mente quando acompanhada com doença física (ALMEIDA, 1999; WEYERER 
et al.,1995). 
Em relação à depressão, o doente frequentemente apresenta insatisfação 
com seu estilo de vida, isolamento, irritação e até mesmo tendências a idéias 
de morte, tendo como principais causas os fatores genéticos, doenças incapa-
citantes, luto, abandono, etc (OLIVEIRA et al., 2006; STELLA et al., 2002). 
Na demência ocorre diminuição de memória, sobretudo para fatos recentes, 
associada a déficit cognitivo, os quais podem resultar em maiores riscos de que-
das e fraturas, tendo como causas mais frequentes, doenças cerebrovasculares, 
doença de Alzheimer (DA), demência vascular (DV), demência com corpos de 
Lewy (DCL) e demência frontotemporal (DFT) (CARAMELLI & BARBOSA, 2002; 
CARVALHO & COUTINHO, 2002; ROMÁN, 2002; SALGADO et al.,1994). 
As formas de tratamento da depressão são focadas em psicoterapia, inter-
venção psicofarmacológica e exercícios físicos (utilizados para aumento da taxa 
de endorfinas, reduzindo transtornos depressivos e causando bem-estar) e, para 
demência, são antipsicóticos, benzodiazepínicos, antidepressivos, anticonvulsi-
vantes e também os exercícios físicos com mesmo propósito da utilização em 
EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS50
indivíduos com depressão (ABBOTT et al., 2004; COOPER, 1982; TAMAI, 2002; 
STELLA et al., 2002).
HIIT e doenças em idosos
Exercícios físicos, de diversas intensidades, são amplamente citados na lite-
ratura como forma de prevenção, manutenção e tratamento não-farmacológico 
de doenças associadas ao envelhecimento (COOPER, 1982; FLETCHER et al., 1996; 
ABBOTT et al., 2004; STELLA et al., 2002; ALMEIDA & MANFROI, 2007).
Embora, exercícios de baixa e moderada intensidade já tragam benefícios 
à saúde física e mental de indivíduos mais velhos, estudos apontam que, com 
exercícios de intensidades mais elevadas, esses ganhos em relação à saúde 
podem ser mais expressivos tanto na prevenção como para auxílio para o 
tratamento de enfermidades nesta faixa etária, sendo que grande parte dos 
estudos, voltados a esse público, dizem respeito a benefícios voltados a doenças 
cardiovasculares (GUIRAUD et al., 2009; NEMOTO et al., 2007; ROGMONO et al., 
2004; FREYSSIN et al., 2012; WISLOFF et al., 2009). 
A hipótese de que exercícios de intensidades mais elevadas podem ser 
mais eficientes para auxílio no tratamento de enfermidades é abordada por 
Freyssin et al. (2012). Esses pesquisadores estudaram 26 indivíduos adultos com 
insuficiência cardíaca crônica (comum em idosos), os quais foram separados em 
dois grupos (grupo exercício contínuo e grupo HIIT). Esses indivíduos realizaram 
testes de ciclismo, durante oito semanas, sendo que, ao final dos testes, foram 
comparados os efeitos desses tipos exercícios nos dois grupos. Os resultados 
do estudo apontaram que o HIIT, para esse tipo de população, parece ser mais 
eficaz do que os exercícios contínuos no que diz respeito à melhoria do VO2 max, 
aumento na duração e capacidade do exercício.
Outro estudo que compara os efeitos dos exercícios de altas intensidades 
com exercícios de baixa e moderadas intensidades para maximizar benefícios 
à saúde cardiovascular é a pesquisa de Wisloff et al. (2009). Através de um 
artigo de revisão, os autores da pesquisa apresentam dados de vários outros 
estudos que mostram que, além de um maior aumento do VO2 max, exercícios 
de intensidades mais elevadas têm se mostrado mais eficientes para melhora 
do funcionamento cardíaco durante a sístole e a diástole, aumentando mais a 
capacidade de gerar força durante todo o funcionamento do sistema cardio-
vascular. Ainda, no mesmo estudo, são apresentadas pesquisas que relatam 
que exercícios de altas intensidades podem ser mais eficientes para desenvol-
vimento da hipertrofia cardíaca fisiológica induzida por exercício (associada à 
melhora do funcionamento do sistema cardiovascular) bem como na diminuição 
da hipertrofia cardíaca patológica (associada à morbidade e mortalidade) em 
comparação aos outros tipos de exercícios (COX et al.,1986; LEVY et al., 1990; 
OLIVEIRA & KRIEGER, 2002; WISLOFF et al., 2001).
EXERCÍCIO INTERMITENTE NA TERCEIRA IDADE 51
Cornish et al. (2011) realizaram uma revisão sistemática de estudos que, 
compararam os efeitos do treino intermitente em relação à exercícios contínuos 
de intensidade moderada em pacientes com doença arterial coronariana, maiores 
de 18 anos, com diagnóstico e/ou tratados cirurgicamente devido à doença. Após 
análise dos resultados dos diversos estudos pesquisados, Cornish et al. (2011) 
concluíram que, a melhora na aptidão cardiorrespiratória, função endotelial e 
morfologia do ventrículo esquerdo, aspectos importantes para manutenção e 
controle da doença, são mais significativas em exercícios intermitentes se com-
paradas com exercícios convencionais contínuos de intensidade moderada. 
Comparando exercício intermitente com exercício aeróbio constante para 
prevenção de doenças cardiovasculares, Tordi et al. (2010) avaliaram 11 homens 
adultos saudáveis, os quais realizaram sessões de testes ciclismo com exercício 
intermitente e com exercício aeróbio constante. Durante ambos os testes foram 
monitoradas a frequência cardíaca, a pressão arterial, a velocidade de onda do 
pulso, a rigidez arterial e controle autonômico cardíaco. 
Os resultados do estudo de Tordi et al. (2010) apontaram que, com a maior 
frequência cardíaca, a qual é atingida pelo exercício intermitente, ocorrem altera-
ções vasculares periféricas, desencadeando a liberação de agentes vasoativos do 
endotélio, resultando em adaptações vasculares importantes. Em decorrência dessas 
adaptações, a rigidez arterial, que é fator contribuinte para o desenvolvimento de 
doença cardiovascular, é diminuída, comprovando que, o exercício intermitente 
pode ser mais eficiente como auxílio para o tratamento e/ou prevenção da rigi-
dez arterial se comparado com exercícios aeróbios contínuos, os quais, durante 
a pesquisa,não resultaram em adaptações vasculares significativas.
Hansen et al. (2010), em um estudo de revisão, investigaram o impacto de 
diferentes modalidades de exercícios na prevenção e/ou auxílio no tratamento 
de indivíduos que possuem risco e/ou doença cardíaca, síndrome metabólica 
e diabetes tipo 2. Os resultados da investigação pareceram indicar que o HIIT, 
pode ser mais eficiente do que exercícios de baixa e intensidade moderada, pois, 
segundo a grande maioria dos estudos pesquisados, o HIIT, causa um maior impacto 
sobre VO2 max, no aumento da sensibilidade à insulina e na regulação do controle 
glicêmico em relação aos outros tipos de exercícios, auxiliando, dessa forma, como 
melhor meio no controle e prevenção para esses tipos de enfermidades.
Em relação à Diabetes, Earnest et al. (2012) comparam os efeitos do exercí-
cio aeróbio contínuo com o treinamento intermitente em homens sedentários, 
com idade entre 30 e 60 anos e com risco de resistência à insulina. Os exer-
cícios consistiam no treinamento em esteira, durante três meses, os quais os 
indivíduos eram separados em dois grupos de forma aleatória (grupo exercício 
contínuo e grupo exercício intermitente). Foram avaliados também o VO2 max e 
antropometria, os quais são fatores de risco para resistência à insulina. 
Após análise dos resultados de ambos os grupos, Earnest e colegas con-
cluíram que, embora o VO2 max tenha melhorado em ambos os grupos de exer-
EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS52
cícios, a redução da gordura corporal e a diminuição da resistência à insulina 
foi significamente maior no grupo de exercício intermitente e, ainda, esse tipo 
de exercício foi melhor tolerado, pois todos os indivíduos que participaram 
desse grupo concluíram os testes enquanto que no grupo do exercício aeróbio 
contínuo houve a desistência de alguns participantes. 
Pensando dessa forma, o HIIT vem sendo utilizado como alternativa e ferra-
menta valiosa na manutenção da saúde e/ou auxílio no tratamento de doenças 
de indivíduos mais velhos, doentes crônicos e populações que pertencem a 
algum grupo de risco (WHITEHURST, 2012). 
Em relação à utilização do HIIT como auxílio na prevenção e/ou trata-
mento de doenças em idosos, Nemoto et al. (2007) compararam os efeitos 
do HIIT em relação ao sedentarismo e ao exercício contínuo de intensidade 
moderada para melhora da pressão arterial e aptidão física em 246 (60 homens 
e 186 mulheres) adultos saudáveis de meia idade e idosos (44 - 78 anos). 
Os indivíduos foram separados em três grupos: grupo sem caminhada (man-
tendo estilo de vida sedentário), grupo caminhada contínua de intensidade 
moderada (instruídos a andar no mínimo quatro dias por semana, mais de 
8000 passos, utilizando um pedômetro para monitoração dos mesmos em 
aproximadamente 50 % VO2 pico) e grupo HIIT de caminhada (equipados com 
acelerômetro para medir a intensidade dos passos e pedômetro para moni-
toração dos mesmos, instruídos a andar quatro ou mais vezes por semana 
com caminhada entre 70 e 85% VO2 pico).
Após análise dos resultados, Nemoto et al. (2007) concluíram que a melhora 
da pressão arterial (redução da pressão arterial sistólica em repouso) foi significa-
mente maior no grupo HIIT de caminhada bem como o aumento da capacidade 
aeróbia, da extensão e flexão do joelho nesse tipo de exercício se comparado 
aos testes em indivíduos sedentários e os que realizaram caminhada contínua 
de intensidade moderada.
Guiraud et al. (2009) estudaram os efeitos de diferentes protocolos de 
HIIT(intervalos de 15 segundos ou 60 segundos e fase de recuperação passiva 
ou ativa), em 19 indivíduos (17 homens e duas mulheres) com doença arterial 
coronariana (DAC), no qual avaliaram, através de testes de ciclismo em bicicleta 
ergométrica, como se comportavam esses indivíduos durante os diferentes tipos 
de testes. Os autores da pesquisa concluíram que, embora todos os testes se 
mostrarem seguros e com boa adesão, intervalos de 15 segundos e recuperação 
passiva foi o modo mais ideal para esse tipo de população, pois o tempo para 
exaustão era mais longo e, o conforto e o VO2 max durante os testes foi melhor 
maximizado se comparado à maior intervalo e a recuperação ativa.
Uma pesquisa que deve ser observada para futuros estudos com a popu-
lação idosa, a qual envolve o HIIT, é o estudo de Hulzebos et al. (2011). Um 
indivíduo do sexo feminino, de 16 anos com diagnóstico de fibrose cística e 
condições médicas associadas, como doença pulmonar e hepática, foi convidada 
EXERCÍCIO INTERMITENTE NA TERCEIRA IDADE 53
a participar do estudo em um período de seis semanas, três vezes por semana 
de treinamento com HIIT. Cada sessão consistia de 10-20 intervalos, alternando 
com 30 segundos de alta intensidade (50-90% do VO2) de pedaladas em bici-
cleta ergométrica e 60 segundos de período de recuperação. Após as seis 
semanas de treinamento, os resultados do estudo apontaram que o VO2 max 
e a capacidade de exercício foram significamente aumentados, mostrando, 
dessa forma, que o HIIT pode ser eficiente como auxílio para o tratamento e 
melhora da qualidade de vida, especialmente em indivíduos com fibrose cística 
que possuem algum tipo de limitação ventilatória.
Os efeitos do HIIT em doenças cerebrovasculares e transtornos mentais em 
indivíduos de meia idade e idosos, não foram encontrados na literatura. Ainda, 
possíveis estudos sobre os efeitos do HIIT em indivíduos mais velhos com fibrose 
cística e os diferentes protocolos de HIIT que podem ser utilizados para outros 
tipos de enfermidades além da DAC, poderiam ser pesquisados. Diante destes 
fatos, sugerem-se pesquisas futuras sobre esses temas.
Considerações finais 
Dentre os diversos programas de exercícios físicos voltados à população 
idosa, o HIIT se apresenta como proposta inovadora e efetiva para proporcio-
nar melhorias na saúde, aptidão física, força muscular e emagrecimento. Além 
dos benefícios demonstrados, destaca-se que a prática do HIIT pode ser mais 
estimulante e promover maior adesão dos praticantes, por demandar períodos 
reduzidos de treino, fator importante ao considerarmos que a falta de tempo 
é uma das barreiras mais citadas como empecilho para a prática regular de 
atividade física (METCALFE et al., 2011).
Ainda existem poucos estudos publicados utilizando HIIT para idosos; porém, 
os resultados apresentados até então são superiores ao serem comparados aos 
chamados “exercícios tradicionais”. É importante ressaltar que, sabendo das 
consequências do envelhecimento para a saúde e qualidade de vida, além do 
exponencial crescimento da população idosa, alternativas que minimizem estes 
agravos devem ser pensadas e propostas. Neste capítulo apontamos diversos 
benefícios dos HIIT para a população idosa, porém é essencial que o praticante 
goste da modalidade e a realize de forma prazerosa.
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EXERCÍCIO INTERMITENTE 
E EMAGRECIMENTO: REVISÃO 
SISTEMÁTICA DA LITERATURA
Gabriela Brisolara Xavier, Tainá de Freitas Uszacki, 
Tanísia Hipólito, Fabrício Boscolo Del Vecchio
introdução
O aumento da prevalência de sobrepeso e obesidade na população se 
constitui como problema mundial de saúde pública (DUMITH et al., 2011). 
Essa condição implica em consequências para a saúde e está associada a 
níveis elevados de diabetes tipo II e doenças cardiovasculares, ocasionando 
grande impacto econômico, gerando gastos para a população e governos 
(KARNIELI, 2008). 
Pesquisa americana aplicada há algumas décadas, cujo objetivo era avaliar 
as tendências e prevalência de obesidade nos Estados Unidos entre 1960 e 
1994, encontrou dados de crescimento da prevalência de obesidade, indepen-
dentemente da etnia ou nível socioeconômico dos indivíduos (FLEGAL et al., 
1998). Esses valores seguem aumentando e caracterizam a necessidade de se 
organizarem políticas de intervenção para tentar controlar a obesidade, que 
atualmente é vista como emergência de saúde pública mundial (ALEXANDER 
et al., 2012; LIANG et al., 2012; JUNAIBI et al., 2012).
Em estudo realizado no Brasil, foram coletados dados referentes ao período 
de 2006 à 2010 de sistema de monitoramento realizado por meio de inquérito 
telefônico, o qual avalia fatores de risco e proteção para doenças crônicas não 
transmissíveis (VIGITEL). A população monitorada pelo mesmo corresponde a 
adultos com idade igual ou superior a 18 anos, residentes em domicílios com 
telefone fixo nas capitais de 26 estados brasileiros e Distrito Federal. Os resul-
tados do estudo apontam o excesso de peso e obesidade nos indivíduos de 
ambos os sexos, assim como maior tempo destinado a assistir TV por três ou 
mais horas por dia, caracterizando comportamento sedentário.
Neste estudo, em relação ao excesso de peso e obesidade, encontraram-se 
os seguintes dados: aproximadamente 48% do total de indivíduos que respon-
EXERCÍCIO INTERMITENTE E EMAGRECIMENTO 69
deram ao questionário apresentaram níveis de índice de massa corporal (IMC) 
igual ou maior a 25kg/m², o que caracteriza o excesso de peso (Quadro 1). 
Por outro lado, 15% dessa amostra apresentou IMC maior ou igual a 30kg/m², 
caracterizado como obesidade.
Índice de Massa Corporal baseada nas conclusões do National Health and 
Nutrition Examination Survey II (NHANES II) com o intuito de apontar a massa 
corporal ideal para cada gênero
Quadro 1. Classificação do Índice de Massa Corporal –
imC em Homens imC em mulheres Classificação
< 20,7 < 19,1 abaixo do peso ideal
20,7 - 26,4 19,1 - 25,8 no peso ideal
26,4 - 27,8 25,8 - 27,3 marginalmente acima do peso
27,8 - 31,1 27,3 - 32,3 acima do peso ideal
> 31,1 > 32,3 obeso
Quando os dados foram comparados em relação ao sexo, os homens apre-
sentaram valores superiores de excesso de peso em relação às mulheres; porém, 
as mesmas demonstraram valores superiores nos níveis de obesidade. 
Um dado preocupante é o fato de a obesidade e sobrepeso acometerem 
não somente adultos jovens e maduros, como também crianças e adolescentes 
(KOWAL et al., 2012). Tais informações permitem iniciar breve questionamento 
sobre a função da Educação Física escolar e seu compromisso com a qualidade 
de vida e saúde de seus praticantes, como também o real panorama reproduzido 
nas aulas de Educação Física.
Há muitas décadas a ciência reconhece os benefícios da prática de exercícios 
e atividades físicas como fator de proteção contra doenças crônico degenerativas, 
além do ganho em saúde e qualidade de vida (NAHAS et al., 1992; MAGALHÃES 
et al., 2005; HALLAL et al., 2006). 
Com o objetivo de garantir que os alunos, tanto do ensino fundamen-
tal quanto do médio, vivenciem as diferentes práticas corporais de modo a 
desenvolverem a cultura corporal em diferentes contextos, incluindo o campo 
de lazer e saúde, o Ministério da Educação (MEC) desenvolveu os Parâmetros 
Curriculares Nacionais (PCNs). Porém, como já comentado anteriormente, mui-
tas vezes essa idealização oriunda das leis não é corretamente reproduzida na 
prática, no cotidiano da Educação Física escolar, fato que pode ser confirmado 
pelo estudo de Gupta et al. (2012), no qual foram encontrados valores elevados 
de massa corporal e de percentuais de gordura em crianças e adolescentes. No 
EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS70
Brasil, estima-se que 22,1% dos jovens (5-19 anos) sejam obesos, dado que leva 
à realização de questionamentos sobre o impacto das medidas atuais utilizadas 
para o tratamento da obesidade, além de estimular a busca por estratégias que 
possam contribuir para a diminuição destes índices e promover maior prática 
e adesão aos exercícios físicos por parte de jovens e adultos.
A busca por redução na gordura corporal é tendência que acomete diferentes 
populações e faixas etárias, podendo ser motivada por questões relacionadas à 
saúde como por objetivos estéticos. Neste sentido a restrição calórica e o exer-
cício físico são estratégias utilizadas no tratamento e prevenção do sobrepeso 
e obesidade (JAKICIC et al., 2003).
Os exercícios aeróbios, com intensidade baixa a moderada e de longa 
duração, têm sido apontados por muitos pesquisadores como a estratégia 
de treinamento mais eficiente para aqueles indivíduos que objetivam reduzir 
a gordura corporal (WILMORE & COSTILL, 2001), baseando-se na teoria que 
durante tais exercícios as gorduras sejam utilizadas como principal fonte de 
energia (BROOKS, 1994). Ainda hoje este conceito é utilizado por profissionais 
de educação física e pela população em geral como a forma mais eficaz para 
o emagrecimento, tendo sido amplamente popularizado. Entretanto, pesquisas 
demonstram que os exercícios aeróbios de baixa intensidade são pouco eficien-
tes para o emagrecimento (GENTIL, 2010). Alguns estudos foramconduzidos 
comparando protocolos de exercício de baixa intensidade com alta intensidade, 
encontrando-se adaptações semelhantes quanto à redução da gordura corporal 
nos diferentes grupos ou até mesmo maiores reduções nos grupos treinando 
em intensidades mais altas (JAKICIC et al., 2003).
Neste contexto, o método de exercício intermitente de alta intensidade, que 
pode ser conceituado de forma geral como séries repetidas de exercício com 
curta a moderada duração (10s-5min) em intensidade superior ao limiar anae-
róbico, separadas por períodos breves de descanso ou atividade em intensidade 
baixa (LAURSEN E JENKINS, 2002), é apresentado como proposta alternativa aos 
métodos tradicionais de exercícios contínuos de longa duração e intensidade 
moderada, que são comumente utilizados em programas de emagrecimento, 
mas que não têm resultado em perda de peso expressiva, como vem sendo 
demonstrado por alguns pesquisadores (WU et al., 2009).
A possibilidade de trabalhar tanto as capacidades aeróbias, quanto anae-
róbias revela amplo espaço para esse tipo de treinamento, como já vem sido 
utilizado em vários esportes (TABATA et al., 1996; SPERLICH et al., 2010; KOHN et 
al., 2011). O mais interessante nesse método são as diferentes combinações de 
intensidade, duração e volume, sendo possível trabalhar de forma máxima e/ou 
supramáxima. Neste sentido, este trabalho tem como objetivo revisar estudos 
que verificaram os efeitos de diferentes tipos de protocolos de treinamento 
intermitente de alta intensidade na redução da gordura corporal e indicar se 
este método é eficiente para o emagrecimento.
EXERCÍCIO INTERMITENTE E EMAGRECIMENTO 71
materiais e métodos
Tipos de estudo e critérios de inclusão
Em estudo prévio (BOUTCHER, 2011), realizou-se revisão de literatura sobre 
treinamento intermitente e emagrecimento. O presente estudo pretende ampliar 
a discussão sobre este importante tema e será caracterizado como revisão sis-
temática de estudos de intervenção. Os critérios de inclusão estabelecidos para 
esta revisão foram: (a) resultados referentes à composição corporal ou oxidação 
de gorduras deveriam ser apresentados e relacionados ao exercício intermitente 
de alta intensidade; (b) os estudos deveriam se caracterizar como intervenções 
em humanos; e (c) apenas estudos em inglês foram considerados.
Base de dados 
A base de dados PubMed/Medline foi consultada no período de março a 
abril de 2012 e como, estratégia de busca, utilizaram-se os seguintes descritores/
palavras chave: “high intensity interval training”, “high intensity interval exercise”, 
“high intensity intermittent training”, “high intensity intermittent exercise” e estes 
combinados com “fat” e “body composition”. Alguns destes descritores, embora 
não estejam presentes no Medical Subjetcs Readings (MeSH), foram incluídos por 
serem comumente encontrados em estudos sobre o tema. As buscas com as 
diferentes combinações de descritores resultaram em total de 122 artigos.
Exclusão 
Os 122 artigos foram analisados, primeiramente, quanto aos seus títulos e 
resumos por dois autores independentemente. Dos 122 estudos, 41 se mostraram 
duplicados nas buscas com diferentes combinações de descritores, resultando 
em total real de 81 textos. Aplicando-se os critérios supracitados, excluindo-se 
os estudos duplicados e aqueles que se configuravam como revisões, 29 artigos 
foram pré-selecionados. 
Em um segundo momento, foram conduzidas, independentemente por três 
revisores, avaliações na íntegra dos 29 artigos pré-selecionados, analisando-se 
a relação dos mesmos com a temática específica. Os artigos não aceitos para 
esta revisão, nesta etapa, foram excluídos pelos seguintes motivos: 1) impossi-
bilidade de obter a versão completa e 2) analisavam os efeitos do treinamento 
intermitente, mas não relacionado ao emagrecimento (Figura 1).
Após essa etapa, foram considerados relevantes e incluídos nesta revisão 
9 estudos, com sua qualidade metodológica avaliada por meio da escala de 
Downs e Black (1998), adaptada por Monteiro & Victora (2005). A mesma visa 
responder questões da ferramenta subdivididas por categorias de clareza na 
EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS72
redação do artigo, validade externa, validade interna (viés e confusão), controle 
de fatores de confusão e poder estatístico. Cada questão recebeu pontuação 
igual a 0 ou 1 (exceto a pergunta 5, que gera até dois pontos), portanto, cada 
artigo poderia receber, no máximo, 24 pontos.
Figura 1 – . Fluxograma da estratégia das intervenções incorporadas no pre-
sente estudo.
resultados e disCussão
Nove estudos de intervenção foram incluídos na presente revisão. Estes arti-
gos apresentaram características heterogêneas quanto às populações analisadas, 
protocolos adotados (tipo de esforço e recuperação) e períodos de intervenção. 
Na tabela 1 são apresentadas e sumarizadas as características gerais dos estudos 
incluídos na revisão, bem como o escore para qualidade metodológica e, na 
tabela 2, os protocolos adotados e principais resultados.
Os sujeitos que compuseram as amostras dessas diferentes pesquisas 
caracterizaram-se pela particularidade de gênero, somente homens ou somente 
EXERCÍCIO INTERMITENTE E EMAGRECIMENTO 73
mulheres, assim como pela combinação de homens e mulheres compondo 
a mesma amostra. Quanto ao nível de atividade física, esses indivíduos 
eram, em alguns estudos, recrecionalmente ativos (BURGOMASTER et al., 
2008; PERRY et al., 2008; TALANIAN et al., 2007) e, ainda, algumas amostras 
compostas por indivíduos sedentários ou fisicamente inativos (SARTOR et al. 
2010; WHYTE et al., 2010; NYBO et al., 2010; TRAPP et al. 2008; TJØNNA et 
al., 2008; TJØNNA et al., 2009). Já em relação à composição corporal, alguns 
sujeitos estavam dentro do padrão eutrófico (TALANIAN et al., 2007; Trapp 
et al., 2008), considerado ideal pela Organização Mundial da Saúde (OMS), 
enquanto outros não (WHYTE et al., 2010; TJØNNA et al., 2009), inclusive 
apresentando quadros como Síndrome Metabólica (TJØNNA et al., 2008). 
Conforme o exposto, percebe-se que os estudos analisando os efeitos do 
treinamento intermitente de alta intensidade foram conduzidos em sujeitos 
com características heterogêneas, o que sugere aplicabilidade desse tipo de 
treinamento para diferentes populações.
EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS74
EXERCÍCIO INTERMITENTE E EMAGRECIMENTO 75
A maioria dos estudos analisados (TJONNA et al., 2008; TRAPP et al., 2008; 
TJONNA et al., 2009; NYBO et al., 2010; WHYTE et al., 2010) apresentou dados 
significativos em relação ao aumento do consumo máximo de oxigênio após 
intervenções utilizando exercício intermitente que variaram desde duas até 
16 semanas. Podem-se destacar os resultados obtidos no estudo de Whyte et 
al.(2010), no qual homens sedentários e com sobrepeso, submetidos ao protocolo 
intermitente de Wingate, constituído de 30 segundos de atividade máxima ou 
supramáxima por 30 segundos de descanso ativo ou parado, melhoram signifi-
cativamente seu VO2max em 8,4% com apenas duas semanas de treinamento. 
Corroborando com esses achados, pesquisa conduzida com jovens mulheres 
universitárias demonstrou que o modelo de treinamento intervalado de alta 
intensidade pode ser medida efetiva para melhorias do condicionamento físico, 
sistema cardiovascular e controle de sobrepeso (SIJIE et al., 2012).
Dentre os estudos que verificaram alterações no consumo máximo de 
oxigênio, a maior parte demonstrou diferenças significativas entre programas 
de treinamento com estímulo contínuo versus modelo intermitente de alta 
intensidade, de modo que o último vem se mostrando mais eficiente para esse 
fim a curto e longo prazo. Entretanto, é preciso destacar estudo de Burgomaster 
et al., (2008), no qual os autores não encontraram diferença significativaentre 
protocolo de treinamento de sprint intervalado e treinamento de endurance em 
relação aos valores de VO2pico em homens e mulheres saudáveis após intervenção 
de seis semanas. Os autores concluíram que, apesar da ausência de significância, 
o treinamento de sprint intervalado de alta intensidade seria estratégia mais 
efetiva para aumentar o potencial de ação de alguns marcadores genéticos do 
musculo esquelético e tecido adiposo, no que diz respeito a maior oxidação 
de carboidratos e gordura, respectivamente, quando comparado ao modelo 
tradicional de treinamento. 
A melhora na capacidade cardiorrespiratória promovida pelo HIIT é muito 
importante, considerando-se que este é um dos componentes da aptidão física 
relacionada à saúde (CASPERSEN et al., 1985) e importante indicador de boa 
saúde (BLAIR et al., 2009).
Alterações de medidas antropométricas como redução na gordura corpo-
ral total, gordura subcutânea e massa corporal, promovidas pelo treinamento 
intermitente de alta intensidade, foram observadas em alguns estudos com 
diferentes populações. Por exemplo, Trapp et al. (2008) realizaram pesquisa 
com duração de 15 semanas em mulheres saudáveis comparando protocolo 
de exercício intermitente de alta intensidade com exercícios no estado estável. 
O protocolo do grupo de exercício intervalado de alta intensidade, com taxa 
de trabalho/recuperação de 8 segundos de sprint máximo em cicloergômetro 
intercalados por 12 segundos de recuperação ativa, apresentava duração de 20 
minutos por sessão, incluindo aquecimento e volta à calma, praticado três vezes 
por semana. Já o protocolo do grupo de exercício em estado estável, consistia 
EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS76
em 40 minutos de trabalho em cicloergômetro, com carga confortável à 60% 
do VO2pico. O protocolo intermitente induziu alterações significantes quanto à 
redução de gordura subcutânea e total diferentemente do protocolo em estado 
estável que não resultou em modificações significativas.
O método de exercício intermitente parece efetivo e eficaz para o con-
trole e alterações na composição corporal em ambos os sexos. Heydari et al. 
(2012) conduziram programa de exercício intermitente de alta intensidade em 
homens jovens com sobrepeso por período de 12 semanas com sessões de 20 
minutos três vezes por semana. O protocolo consistia de esforços de 8 segun-
dos separados por períodos de recuperação de 12 segundos. Assim como no 
estudo de Trapp et al. (2008), verificaram-se reduções significativas na gordura 
corporal total, abdominal e do tronco, além de diminuição na gordura visceral 
e aumento de massa magra.
O HIIT demonstra potencial para promoção de adaptações relacionadas à 
redução de gordura corporal, através de protocolo com volume e frequências 
reduzidas aliados a intensidade elevada.Esses resultados são muito promissores 
não só para prevenção, mas também como alternativa de tratamento, já que 
obesidade e sobrepeso estão, juntamente com associações de idade ou gênero, 
relacionados com vários distúrbios, na sua maioria, metabólicos (JAMES, 1998). 
Os possíveis mecanismos responsáveis pela redução na gordura corporal 
induzida pelo HIIT ainda não foram determinados; entretanto, podem estar 
associados à maior oxidação de gordura durante e, principalmente, após o 
exercício intermitente (BOUTCHER, 2011).
Algumas investigações apresentaram resultados significativos em relação 
à oxidação de gordura (BURGOMASTER et al., 2008; PERRY et al., 2008; SARTOR 
et al., 2010; TALANIAN et al., 2007). Pode-se destacar o estudo de Perry et al. 
(2008), o qual aplicou protocolo de treinamento intermitente de alta intensidade 
em indivíduos recreacionalmente ativos e encontrou adaptações musculares e 
metabólicas envolvidas diretamente na lipólise, tal como maior atividade das 
enzimas citrato sintetase e proteínas como a FAT/CD36, FABPpm, resultando 
em valores de oxidação de gordura 60% maiores pós intervenção do que no 
período de pré-treinamento. De forma semelhante, Talanian et al. (2007) encon-
traram em apenas sete sessões de treinamento intermitente de alta intensidade 
aumento do VO2pico e oxidação de gordura no corpo inteiro durante o exercício 
e atividade aumentada das enzimas mitocondriais.
Outro fator relevante a ser destacado é o controle insulínico promovido 
por esse tipo de exercício. Além de melhorar a capacidade aeróbia, através do 
aumento do VO2max e promover alterações na composição corporal, alguns autores 
(TJONNA et al., 2009; SARTOR et al., 2010) demonstraram que exercícios de alta 
intensidade podem promover adaptações metabólicas capazes de aumentar a 
sensibilidade à insulina, assim como regulação de glicose sanguínea em sujeitos 
com sobrepeso e obesidade.
EXERCÍCIO INTERMITENTE E EMAGRECIMENTO 77
Na prescrição de exercícios intermitentes de alta intensidade diferentes 
tipos de protocolos podem ser adotados seguindo-se os princípios do método. 
Entretanto, devem-se analisar de forma individualizada as características do sujeito 
para o qual se deseja aplicar o exercício, verificando-se nível de condicionamento, 
condições de saúde, presença de lesões, dentre vários fatores. Intensidades de 
esforço máximas (all out/ Sprint Interval Training) que são sugeridas em muitos 
protocolos (WHYTE et al., 2010; TABATA et al., 2004) podem ser muito intensas 
para serem mantidas por indivíduos com baixa aptidão física, sedentários ou 
com sobrepeso iniciando em um programa de treinamento, dificultando a 
aderência (TALANIAN et al., 2006). 
Com o objetivo de investigar se exercícios intermitentes em intensidades 
muito altas poderiam ser toleradas por indivíduos sedentários e obesos e se estes 
obteriam os mesmos resultados que indivíduos jovens com boa aptidão física, 
estudo conduzido por Whyte et al. (2010), adotando o protocolo de Wingate 
já descrito anteriormente, encontrou reduções significativas na circunferências 
da cintura e quadril. Porém os autores advertem que, apesar dos benefícios 
relacionados à saúde encontrados com este protocolo em homens obesos, é 
prematura a recomendação desta forma de exercício em intensidade máxima 
para a população em geral. 
Para indivíduos iniciantes, podem-se empregar protocolos menos inten-
sos com exercícios submáximos nos períodos de esforços, aumentando-se a 
intensidade progressivamente para que adaptação ao estímulo ocorra de forma 
gradual, pois se sabe que o risco de acidente cardiovascular é proporcional ao 
aumento da intensidade principalmente em indivíduos idosos, sedentários ou 
com algum problema cardíaco (THOMPSON et al., 2007). Um exemplo de pro-
tocolo submáximo que se mostrou eficaz para o emagrecimento é apresentado 
no estudo de Talanian et al. (2006) no qual eram realizados por sessão total 
de 10 esforços de 4 minutos à 90% do VO2pico intercalados por dois minutos 
de repouso. Além disso, pode-se optar por iniciar com período de adaptação 
com exercícios contínuos em intensidades moderadas para então progredir para 
exercícios intermitentes em intensidades mais altas (GENTIL, 2010).
Existem evidências indicando que o exercício intermitente possa ser apli-
cado sem nenhum efeito negativo em populações específicas, incluindo sujeitos 
com insuficiência cardíaca, doença coronariana e hipertensão (WISLOFF et al., 
2009). TjØnna et al. (2008) conduziram pesquisa em indivíduos com síndrome 
metabólica demonstrando que o exercício em alta intensidade foi superior 
ao contínuo em intensidade moderada para reverter os fatores de risco para 
síndrome metabólica. O protocolo adotado consistiu de 4 sprints de 4 minu-
tos à 90% da frequência cardíaca máxima (FCmax) separados por 3 minutos de 
recuperação ativa à 70% da FCmax. 
Em adolescentes obesos também foram encontrados resultados positivos 
quanto à redução de fatores de risco cardiovasculares, aumento do VO2max e 
EXERCÍCIOINTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS78
diminuição de massa gorda, utilizando-se protocolo em esteira de 4 intervalos 
de 4 minutos à 90-95% da FCmax intercalados por 3 minutos de recuperação 
ativa à 70% da FCmax realizado duas vezes por semana (TJØNNA et al., 2009). 
Outro estudo com meninos comparou protocolo de exercício intermitente com 
contínuo, observando-se aumento no VO2pico de ambos os grupos, entretanto 
o treinamento intervalado resultou em maiores modificações. O treinamento 
intervalado parece ser bem tolerado por crianças e adolescentes, pois estes 
apresentam recuperação rápida e tem maior resistência a fadiga do que adultos 
(RATEL et al., 2003).
Para indivíduos com nível de condicionamento físico mais elevado podem 
ser empregados protocolos em intensidades supramáximas, acima de 100% do 
VO2max. Exemplos desses tipos de protocolos podem ser encontrados em diver-
sos estudos (TABATA et al., 1996; GIBALA et al., 2006). Burgomaster et al. (2008) 
realizaram estudo aplicando o protocolo de Wingate em homens e mulheres 
saudáveis pelo período de 6 semanas, e obtiveram resultados satisfatórios em 
relação à oxidação de gorduras.
A maioria dos protocolos nos estudos foi realizada em ciclo-ergômetro, 
possivelmente pela maior praticidade de aplicação, controle e facilidade que o 
mesmo oferece para sujeitos destreinados durante a realização de um protocolo 
de treinamento intermitente. Isso se dá, pois o indivíduo necessita de maior 
agilidade e rapidez de execução dos movimentos em altas intensidades, com 
padrões de movimento relativamente bem dominados. Contudo, podem-se 
adaptar os protocolos para serem implementados de diferentes modos: esteira, 
pista, piscina, etc. 
Os períodos de esforço e recuperação devem ser empregados de modo 
adequado para cada indivíduo, sendo que o tipo de recuperação poderá ser 
realizado de forma ativa ou passiva. Existe evidência sugerindo que a recu-
peração ativa (30-40% do VO2max) promova remoção mais rápida de lactato 
sanguíneo após exercício em alta intensidade (Thirietl et al., 1993). Em con-
trapartida, verificou-se que a recuperação ativa tem demonstrado diminuir o 
desempenho no exercício intermitente de alta intensidade quando comparada 
a recuperação passiva, com o tempo até exaustão sendo significativamente 
diferente (DUPONT et al., 2004).
Considerações Finais
O exercício intermitente de alta intensidade pode proporcionar as mesmas 
adaptações metabólicas que o treinamento contínuo de longa duração e baixa/
moderada intensidade (BURGOMASTER et al., 2008). Entretanto, devido a suas 
características de curta duração e menor volume total de treinamento possui 
vantagens em relação ao contínuo quando se considera que a falta de tempo 
EXERCÍCIO INTERMITENTE E EMAGRECIMENTO 79
é apontada com uma das principais barreiras à prática de atividade física 
(REICHERT et al., 2007). De acordo com os estudos analisados, percebe-se que 
o treinamento intermitente de alta intensidade pode atuar de forma efetiva 
no aumento da oxidação de gorduras, diminuição de massa gorda, melhora 
na capacidade aeróbia e sensibilidade à insulina. Entretanto, mais estudos 
são necessários para determinar protocolos eficientes para o emagrecimento, 
estabelecendo-se a intensidade, duração, tipo e tempo de recuperação mais 
adequados para esse fim nas diferentes populações, bem como análise das 
respostas crônicas e não apenas agudas.
apliCações prátiCas
Em função do seu delineamento o exercício intermitente de alta intensi-
dade permite que distintas populações desfrutemde sua prática para otimizar 
modelos de treinamento, maior aderência a prática de atividade física regular, 
assim como utilizar os benefícios no controle de peso corporal e doenças do 
sistema cardiovascular.
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REVISÃO SISTEMÁTICA DOS EFEITOS 
DO FUTEBOL RECREACIONAL EM 
ADULTOS NÃO ATLETAS1
Yuri Salenave Ribeiro1,2, Luis Américo Álvares Mezquita1, 
Fabricio B Del Vecchio1,2
1 Escola Superior de Educação Física – Universidade Federal de Pelotas.
2 Grupo de Estudos e Pesquisas em Treinamento Esportivo e Desempenho 
Físico.
introdução
A adoção de estilo de vida saudável pode contribuir no aumento da qua-
lidade de vida da população, sendo que a promoção e prática de atividade 
física (AF) são possibilidades de destaque (DEL VECCHIO et al., 2007). Neste 
contexto, relatam-se efeitos positivos da prática regular de AF em diferentes 
indicadores de saúde, assim como para variáveis da aptidão física, sendo que 
estes achados são observados em diferentes populações, com variados meios 
e métodos de prescrição de treinamentos (GONÇALVES, 2004) Por isso, a AF é 
reconhecida como instrumento para o enfrentamento de diferentes agravos 
(TANASESCU et al., 1994-2000). 
Assim, nos últimos anos a quantidade de diretrizes e orientações para que 
pessoas sejam fisicamente ativas tem aumentado, e diversas recomendações 
são publicadas com este objetivo. Porém, reconhece-se que apesar de tais 
esforços, o nível de inatividade física e de sedentarismo ainda é elevado em 
âmbito mundial(HALLAL et al., 2012) Adicionalmente, baixos níveis de AF estão 
relacionados com agravos de origem cardiovascular, musculoesquelética, além 
de prejuízos metabólicos (LEE et al., 2012). Sendo assim, estratégias adicionais 
são necessárias na tentativa para modificação deste panorama, fazendo com 
que estudos investiguem os efeitos da utilização de esportes como modo 
1 Artigo publicado na Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde, v. 18, n. 6, p. 655-668.
EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS84
de realização de AF, e seus efeitos na saúde da população (PELLEGRINOTTI 
1998). Dentre as diversas possibilidades de prática, destaca-se que o futebol é 
o esporte mais popular do mundo (RODRIGUEZ et al., 2005), com registro de 
cerca de 240 milhões de jogadores em 200 países na Federação Internacional 
de Futebol (FIFA)(WONG et al. 2005). Em âmbito nacional, estudo de coorte 
com 4.350 adolescentes observou que atividades esportivas eram praticadas 
por 68% das meninas e 82% dos meninos, e entre 60 e 70% deles jogavam 
futebol de modo regular(SILVA et al., 2009).
Em se tratando da ciência e produção de conhecimento na modalidade, 
indicam-se publicações sobre a competição de futebol (LAGO et al., 2009) 
com pesquisas acerca das ações executadas (BANGSBO et al., 1991; MOHR et 
al., 2003; CASTAGNA et al., 2003; DI SALVO et al., 2007), do desempenho físico 
e das demandas fisiológicas (BANGSBO 1994; MOHR et al., 2004; KRUSTRUP et 
al., 2006) e, mais recentemente, contextualizações da aplicação dos jogos em 
espaço reduzidos (HOFF et al., 2002; IMPELLIZZERI et al., 2006; KELLY et al., 2009). 
Assim, há elevada participação de jogadores profissionais ou amadores como 
sujeitos de avaliação e treinamento nas variadas possibilidades de investigações 
apresentadas. 
Considerando-se que o percentual de pessoas praticantes de esporte 
competitivo é muito baixo(SILVA et al., 2009), e conhecendo as demandas da 
modalidade, estudos recentes têm averiguado as possibilidades e os efeitos da 
prática do futebol em âmbito não competitivo ou profissional, considerando 
utilizá-lo como instrumento para aprimoramento da aptidão física e melhora 
da saúde de praticantes recreacionais (KRUSTRUP et al., 2010; RANDERS et al., 
2010).
Sendo assim, o objetivo desta revisão sistemáticaé apresentar e discutir os 
resultados de diferentes programas de treinamento utilizando o futebol como 
estratégia para melhoria da saúde, aptidão física e do desempenho motor de 
homens e mulheres adultos não atletas.
métodos
Para cumprimento dos sucessivos passos metodológicos, e elaboração desta 
revisão sistemática, foram consideradas as indicações do modelo PRISMA, Preferred 
Reporting Items for Systematic reviews and Meta-Analyses (LIBERATI et al., 2009).
A busca dos artigos tratando desta temática ocorreu até 31 de janeiro de 
2013, embora não tenha ocorrido limite de data de publicação. Foram adotados 
como critérios de elegibilidade manuscritos que não tratavam de experimentos 
com contexto de treinamento competitivo para atletas, incidência e/ou recu-
peração de lesões, indivíduos com idade inferior a 18 anos, prática de outras 
modalidades esportivas e investigações tratando de suplementação nutricional. 
REVISÃO SISTEMÁTICA DOS EFEITOS DO FUTEBOL 85
Além disso, foram considerados somente estudos com dados originais, experi-
mentais ou quase experimentais, tendo inglês como idioma primário, e artigos 
apresentando resultados referente a variáveis da aptidão física relacionada 
a saúde e desempenho. Para recuperação dos textos, acessaram-se as bases 
de dados eletrônicas do PubMed, Science Direct e High Wire, sendo que foram 
utilizados os descritores, juntamente com limitadores, em língua inglesa “(effect 
OR effects)” e “AND (“recreational soccer OR “recreational football”). Ademais, foi 
adotada recuperação específica de textos a partir da identificação dos autores 
que se repetiram em maior quantidade dos artigos da busca com descritores. 
Destaca-se que não houve restrição quanto ao tempo de duração dos pro-
gramas de treinamentos utilizados (excetuando-se efeitos agudos), tampouco 
quanto ao sexo.
Inicialmente os revisores (em pares) analisaram os títulos e resumos da 
totalidade dos textos encontrados nas buscas. Destes, selecionaram os que 
preencheram os critérios de inclusão. Nos casos em que os revisores tiveram 
dúvidas quanto à exclusão imediata do artigo, eles se reuniram e consideraram 
a opinião de um revisor complementar. Depois desta etapa de leitura dos títulos 
e resumos, os artigos triados foram obtidos na íntegra e, posteriormente, exa-
minados de acordo com os critérios de inclusão estabelecidos. Por fim, foram 
selecionados para a revisão os artigos que atingiram os critérios após a leitura 
integral dos manuscritos. 
Com respeito à organização e sistematização das informações, após recu-
peração dos artigos completos, foi realizada leitura que permitiu divisão das 
investigações em dois grandes grupos, segundo sexo: Futebol Recreacional e 
Mulheres (FutRM) e Futebol Recreacional e Homens (FutRH). Para apresentação 
dos resultados, os estudos foram organizados em três grandes grupos, sendo 
eles: i) Variáveis Antropométricas; ii) Variáveis Fisiológicas; iii) Variáveis de Desem-
penho. Os dados exibidos tratam de apresentar as alterações decorrentes do 
período pré para o pós-intervenção aplicado para os grupos de treinamento 
com futebol, sendo que os valores descritos são expressos com as suas res-
pectivas unidades de medidas. Em todos os resultados a seguir apresentados 
como estatisticamente significativos, foram observados valores-p ≤ 0,05 em 
seus respectivos artigos originais.
resultados
De acordo os termos utilizados para busca, encontraram-se 119 artigos 
nas fontes da pesquisa. Encerrada a avaliação do título, e do resumo quando 
necessário, foram excluídos 107 deles por não estarem de acordo com a temá-
tica, restando 13 investigações, após detecção e contabilização dos trabalhos 
duplicados durante a busca nas bases de dados. Destas, quatro foram retiradas 
por serem “executive summary”, revisão, não ser artigo completo e incluírem 
EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS86
outras modalidades esportivas. Além dos nove artigos que restaram a partir 
dos procedimentos indicados acima, consideraram-se mais quatro estudos na 
presente revisão, os quais foram identificados a partir da busca por autores nas 
bases de dados. Entretanto, um dos artigos foi excluído por apresentar resultados 
referentes a efeitos agudos em distintas sessões de treino. Assim, configurou-se 
total de 12 artigos originais utilizados, sendo todos experimentais e com apenas 
um dos trabalhos desenvolvidos fora da Dinamarca (Copenhagen), o qual foi 
realizado em Zurique, Suiça (KNOEPFLI-LENZIN et al., 2010).
No Quadro 1 se observam as características das diferentes amostras submeti-
das aos treinamentos com futebol. Após a identificação e tabulação das variáveis, 
não foi encontrado efeito negativo da prática do FutRH e FutRM. É importante 
relatar que, além da diferença de objetivos para realização do estudo, não há 
padronização na totalidade de métodos utilizados para verificar o efeito do FutRM 
e FutRH em todos os artigos, o que pode representar distintas variáveis, e esse fato 
se reflete na apresentação dos resultados dessa revisão. Sendo assim, os dados 
que obtiveram maior frequência de aparecimento entre os manuscritos estão 
apresentados graficamente, como observado nas figuras de 1 a 4. É importante 
afirmar que as medidas de dispersão entre os estudos não é padronizada, e que 
as mesmas estão indicadas, para cada manuscrito, no Quadro 1.
Variáveis Antropométricas
Considerando as variáveis apresentadas na Figura 1, e os nove estudos 
que foram incorporados nesse grupo(KRUSTRUP et al., 2010; KRUSTRUP et al., 
2009; KRUSTRUP et al., 2010; RANDERS et al., 2011), apenas dois não apresenta-
ram alteração quanto ao total de massa gorda corporal(KRUSTRUP et al., 2010; 
KRUSTRUP et al., 2010) e percentual de gordura corporal(KRUSTRUP et al., 2010; 
KRUSTRUP et al., 2010), quatro quanto à massa corporal total(KRUSTRUP P et 
al., 2010; KRUSTRUP et al., 2010; RANDERS et al., 2010; RANDERS et al., 2011), e 
um para o total de massa magra corporal (KNOEPFLI-LENZIN et al., 2010). Dois 
dos estudos não tinham por objetivo verificar o efeito do treinamento sobre 
nenhuma dessas variáveis(HELGE et al., 2010; BANGSBO et al., 2010).
Individualmente, estudos exibem diminuição de tecido adiposo nos mem-
bros superiores (MMSS) da ordem de 1,7kg, com redução de 1,1% de gordura 
androide e 1,2% de genóide, referentes à quantidade de gordura da região 
abdominal e do quadril, respectivamente, a partir de intervenção com FutRM 
desenvolvida ao longo de 16 semanas (KRUSTRUP et al., 2010), diminuição apenas 
na gordura genóide, com valores médios de 2,5%24, encontrou-se aumento de 
10,7% na massa magra dos membros inferiores (MMII)(HELGE et al., 2010), assim 
como média de 1,5kg através do FutRM30. Para a área de seção transversa dos 
MMII com FutRM, registram-se incrementos de 7,4% e 4,8% para os hemicorpos 
esquerdo e direito, respectivamente(HELGE et al., 2010).
REVISÃO SISTEMÁTICA DOS EFEITOS DO FUTEBOL 87
Com relação ao FutRH, localizam-se redução de 1,1kg de massa gorda 
dos MMSS e de 0,5 kg nos MMII, com um programa que durou 12 semanas, e 
observou-se diminuição no percentual de gordura androide (de 2,8%) e genóide 
(de 2,2%)31, apontam-se aumento de 9% na massa magra em relação à condição 
pré-intervenção (KRUSTRUP et al., 2010), e redução de 3,3cm na circunferência 
da cintura, assim como queda de 0,02 na razão cintura-quadril dos homens 
participantes do grupo intervenção, que realizavam prática de futebol duas 
vezes por semana, com 60 minutos por sessão (KNOEPLI-LENZIN et al., 2010). 
Variáveis Fisiológicas
Quanto ao grupo de desfechos fisiológicos, direcionaram-se dez 
artigos(KRUSTRUP et.at., 2010; KRUSTRUP et al., 2009; KRUSTRUP et al., 2010; 
RANDERS et al., 2011; ANDERSEN et al., 2010), e as Figuras 2 e 3 apresentam 
as variáveis comuns à maioria dos estudos. Na Figura 2, três artigos não 
demonstraramalterações na pressão sanguínea sistólica (KRUSTRUP et al., 2010; 
KNOEPFLI-LENZIN et al., 2010; RANDERS et al., 2011) quatro na pressão sanguínea 
diastólica(KRUSTRUP et al., 2010; KRUSTRUP et al., 2010) e um na frequência 
cardíaca de repouso (RANDERS et al., 2011). Três manuscritos não tinham como 
objetivo principal verificar o efeito do FutRM e FutRH através dessas variáveis 
(HELGE et al., 2010; BANGSBO et al., 2010; KRUSTRUP et al., 2010). Na Figura 3, 
observa-se que todos os artigos apresentaram melhora na potência aeróbia 
máxima após período de treinamentos, três não relatam efeito sobre a venti-
lação pico em teste progressivo máximo (HELGE et al., 2010; KNOEPFLI-LENZIN 
et al., 2010; ANDERSEN et al., 2010), e cinco estudos não exibem alteração na 
quantidade de capilares por fibra (KRUSTRUP et al., 2010; RANDERS et al., 2010; 
KNOEPFLI-LENZIN et al., 2010; RANDERS et al., 2011; ANDERSEN et al., 2010). 
Adicionalmente, apenas um destes artigos tinha nenhuma destas variáveis como 
desfecho principal (HELGE et al., 2010)
Registram-se modificações crônicas em aspectos hemodinâmicos (pressão 
sanguínea e frequência cardíaca) e, na segunda, em variáveis relacionadas ao 
condicionamento aeróbio. Outros resultados tratam da melhora de variáveis 
durante teste progressivo de campo, com menor frequência de acumulação 
de lactato muscular de 9 mmol/kg dw.min, concentração de lactato muscular 
após três minutos de recuperação do teste de 23 mmol/kg dw com FutRH de 
12 semanas (KRUSTRUP et al., 2010). 
Ademais, investigações encontraram valores médios de lactato sanguíneo 
menores durante esforço progressivo em esteira, com redução de 1,2 e 2,6 mmol/L 
nas velocidades de 6,5 e 8,0 km/h, respectivamente (KRUSTRUP et al., 2010), 
e diminuição de 0,5 e 0,9 mmol/L para as mesmas intensidades após período 
de treinamento entre mulheres30. Com homens, verificam-se efeito positivo no 
lactato sanguíneo com redução de 1,1; 1,9; 3,3 e 4,2 mmol/L para as velocidades 
EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS88
de 6,5; 8,0; 9,5 e 11 km/h, respectivamente, comparadas com o momento antes 
da prática do futebol recreacional (RANDERS et al., 2010) Também se apresen-
tam evidências de que FutRH pode diminuir o lactato sanguíneo neste tipo de 
esforço, pois para as mesmas intensidades houve diminuição de 1,1; 1,5; 2,5 e 
4,5 mmol/L após período de treinamento (KRUSTRUP et al. 2009).
Através da mesma avaliação progressiva em esteira em participantes homens, 
exibem-se melhora do consumo de oxigênio pico em 0,35 l/min, diminuição na 
contribuição do componente lento do consumo de oxigênio de 0,19 l/min a 9,5 
km/h e 0,08 l/min a 11 km/h, e menor razão de troca respiratória para 8, 9,5 
e 11 km/h em 0,06, 0,07, 0,09(KRUSTRUP et al., 2010). Além disso, baixa de 13 
bpm em 6,5 km/h, 19 bpm em 8,0 km/h, 21 bpm em 9,5 km/h e 22 bpm em 11 
km/h32, decréscimo na frequência cardíaca de mulheres em 6 e 14 bpm, quando 
correram nas velocidades 6,5e 8 km/h, respectivamente(RANDERS et al., 2010). 
Ainda, encontram-se modificações em variáveis da variabilidade da frequência 
cardíaca (nas quais, o aumento do tempo pode ser interpretado como efeito 
positivo do FutRH e FutRM) de participantes do sexo masculino, com aumento 
de 8% na pNN50, de 5 milissegundos no SD1, além de, aproximadamente, 9 
milissegundos no RMSSD(KNOEPFLI-LENZIN et al., 2010). Complementarmente, 
observou-se acréscimo de 13% no volume máximo de sangue ejetado durante 
teste progressivo após período de treinos(KNOEPFLI-LENZIN et al., 2010). Com 
relação à pressão sanguínea (PS), relata-se redução de 10 mmHg na PS média em 
homens(KNOEPFLI-LENZIN et al., 2010), e diminuição de 5 mmHg na PS média 
de mulheres que treinaram com futebol recreativo(KRUSTRUP et al., 2010).
Complementarmente, investigações registraram resultados positivos rela-
cionados à atividade enzimática após período de treinamento com futebol para 
indivíduos não treinados. Encontram-se atividade aumentada em 11% para a 
Citrato Sintase (CS) e 9% para a 3-hidroxiacil-CoenzimaA Desidrogenase (HAD) 
em mulheres (BANGSBO et al., 2010), sendo que essas enzimas compõem os 
processos metabólicos de utilização de oxigênio para abastecimento enérgico 
das tarefas motoras desempenhadas. Com o FutRH, apresenta-se acréscimo de 
14% na atividade da CS, incremento de 15% na área média de fibras musculares 
e diminuição de 10,7% na quantidade de fibras de contração rápida do tipo 
“x” (FTx) (KRUSTRUP et al., 2010). Ainda, além de melhora na atividade da CS 
de 18%, área média de fibra muscular de 10% e diminuição na quantidade de 
fibras musculares FTx de 6,4%, os estoques de glicogênio tiveram aumento de 
21%, quando comparado ao momento pré-intervenção(RANDERS et al., 2010). 
No que diz respeito às variáveis relacionadas ao metabolismo lipídico, 
mostra-se valor menor de 0,13 na razão LDL/HDL em mulheres(KRUSTRUP et 
al., 2010), e encontra-se diminuição de 0,06 em homens (RANDERS et al., 2011). 
Ainda, o valor de LDL foi menor em 0,4 mmol/L (RANDERS et al., 2011; KRUSTRUP 
et al., 2009), além de decréscimo de 5,2% no colesterol circulante no sangue no 
momento pós-intervenção com FutRH(KNOEPFLI-LENZIN et al., 2010).
REVISÃO SISTEMÁTICA DOS EFEITOS DO FUTEBOL 89
Quanto as medidas relacionadas aos componentes estruturais ósseos, encon-
trou-se aumento de 1,3% na densidade mineral óssea total de mulheres(KRUSTRUP 
et al., 2010), observou-se aumento de 2,6% para o MMII direito e, aproxima-
damente, 2% para o MMII esquerdo na densidade mineral óssea da tíbia para 
as medidas totais, trabecular e cortical-subcortical(HELGE et al., 2010). No caso 
das intervenções com FutRH, relatam-se melhora na densidade mineral óssea 
dos MMII de 2%(RANDERS et al., 2010), e Krustrup (2012) aumento de 3,2% na 
massa óssea dos MMII em homens, os quais treinaram 12 semanas(KRUSTRUP 
et al., 2009).
Variáveis de Desempenho
Variáveis de desempenho foram identificadas em nove investigações (KRUS-
TRUP et al., 2010; HELGE et al., 2010; PEDERSEN et al., 2009), e as com maior 
frequência estão representadas na Figura 4. Esse é o grupo que exibe maior 
variedade de medidas, e se indica que poucos estudos utilizaram métodos 
semelhantes. Isso não significa ausência de alterações após período de treina-
mento, mas sim que as avaliações para as diferentes medidas de desempenho 
não foram similares entre os estudos.
Os resultados relacionados às variáveis de desempenho em teste progres-
sivo, avaliação postural e de velocidade analisadas nos estudos, e que foram 
incluídos nesta revisão, estão exibidos na Figura 4. Além disso, avaliações pós-
intervenção da capacidade física de força em mulheres apresentaram modifi-
cações positivas entre 11%29 e 24% (KRUSTRUP et al., 2010) para força máxima 
isocinética concêntrica rápida (240º/s) da musculatura posterior da coxa. Já para 
a força máxima isocinética concêntrica lenta (30º/s), identificam-se aumento de 
11% para o quadríceps(KRUSTRUP et al., 2010), e Helge et al. (2010) melhora 
de 9% para a porção posterior da coxa em mulheres29. Ainda como resultados 
do FutRM, conduziram-se também mensurações da força máxima dinâmica 
excêntrica, com dados evidenciando incrementos de 16%, 21% e 17% para a 
força isocinética rápida do quadríceps, rápida da região posterior e lenta do 
quadríceps, respectivamente(KRUSTRUP et al., 2010). 
Já para a força isométrica pico, tanto a musculatura do quadríceps, quanto 
a posterior da coxa apresentaram melhora de rendimento, com 12% para o 
quadríceps e 23% para a porção posterior da coxa(KRUSTRUP et al., 2010). 
Ainda, foram observados valores maiores para a taxa de desenvolvimento de 
força em ambos os segmentos corporais – anterior e posterior da coxa, res-
pectivamente de 35% e 29%(KRUSTRUP et al., 2010). Com relação à velocidade 
máxima atingida durante teste progressivo, relatam-se aumento de 0,9 km/hapós período de FutRH (KNOEPFLI-LENZIN et al., 2010), e melhora de 12% na 
velocidade máxima durante teste de velocidade de 30 metros, após intervenção 
com FutRM (BANGSBO et al., 2010). Ademais, apresentam-se efeito positivo do 
EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS90
FutRM com aumento de 6% no desempenho de salto vertical, uma medida de 
potência de membros inferiores(HELGE et al., 2010). 
Para as avaliações relacionadas com a postura corporal, há evidências 
de que o futebol recreacional pode proporcionar melhoras em diferentes 
elementos, tanto para homens, quanto para mulheres. Isso pode ser devido 
à dinâmica dos movimentos exigidos para o esporte, no qual frequentemente 
ações motoras com aceleração e desaceleração, além das diversas possibili-
dades de mudanças de direção são recorrentes, tornando necessário ajuste 
dos segmentos corporais de maneira rápida e intensa(JAKOBSEN et al., 2011; 
PEDERSEN et al., 2009). Encontram-se melhoras no tempo de reação e ampli-
tude de movimento quando a região do tronco é exposta a carga externa 
de forma aleatória, sendo que houve diminuição do tempo em 27% e menor 
deslocamento em 42% para mulheres submetidas a intervenção com FutRM 
de 64 semanas(KRUSTRUP et al., 2010). Já para homens, observa-se diminui-
ção de 15% no tempo de reação, e 24% na amplitude de movimento do 
tronco(PEDERSEN et al., 2009). 
Ainda, apresentam-se resultados mostrando melhora no controle postural 
de homens quanto expostos a tarefas de desequilíbrio, sendo que houve menor 
deslocamento corporal de 18,2%, área de deslocamento de 30,2%, menor varia-
bilidade de descolamento anteroposterior (AP) de 9,5%, médio-lateral (ML) de 
23,2%, de velocidade AP de 17,8% e ML de 19,9%, além de força de reação 
vertical de 18% e menor quantidade de erros em teste de equilíbrio de 41% 
após intervenção(JAKOBSEN et al., 2011).
disCussão
O principal achado do presente estudo foi verificar que a utilização do 
futebol como exercício físico, com programas de intervenção por períodos entre 
12 e 16 semanas, para adultos não atletas de ambos os sexos, pode proporcio-
nar efeitos positivos em três grandes conjuntos de variáveis: antropométricas, 
fisiológicas e de desempenho físico. 
O emprego desta modalidade como meio de treino para melhora da qualidade 
de vida da população pode ser estratégia oportuna no contexto atual, pois se 
registra aumento de fatores e doenças relacionadas à inatividade física(Krustrup, 
2010). Mais recentemente, a metodologia dos jogos em espaços reduzidos (JER) 
se apresenta como meio de prescrição de treinamento, pois sua especificidade 
permite o desenvolvimento de grande quantidade de elementos que compõem 
a modalidade e o treinamento direcionado ao rendimento esportivo (GAMBLE, 
2010). Como a estrutura das modalidades coletivas esportivas é intermitente, 
ou seja, esforços de alta e baixa intensidade são desempenhados, os estímulos 
prescritos podem promover efeitos fisiológicos de maneira equivalente a tarefas 
contínuas, além de incremento do rendimento em testes motores, adaptações 
REVISÃO SISTEMÁTICA DOS EFEITOS DO FUTEBOL 91
musculares positivas(KRUSTRUP et al., 2010), embora nenhuma alteração possa 
ser observada. 
Neste sentido, poucos são os estudos que não exibem alguma alteração nas 
variáveis de interesse propostas; porém, mesmo assim, o aumento e melhora de 
relações sociais, assim como efeitos positivos de caráter psicológico podem ser 
observados (KRUSTRUP et al., 2010). Considerando os três grupos de variáveis 
em conjunto, pelo menos metade dos artigos apresentou efeito positivo da 
intervenção com futebol recreacional. Estratificando por variáveis, nas de cunho 
antropométrico e fisiológico, pelo menos 50% dos estudos apresenta incremento, 
e, nas de desempenho, quase a totalidade de estudos identificou aumento da 
aptidão física para realizar diferentes tarefas motoras. Sendo assim, a incorporação 
de exercícios com características semelhantes aos relatados por estes estudos, e 
com objetivo de modificar variáveis da aptidão física, é condicionada à identifi-
cação dos benefícios que a mesma pode proporcionar para que se justifique sua 
aplicação e desenvolvimento. Por estes motivos, a promoção destas práticas no 
contexto da saúde pode ser justificada (KHAN et al., 2012).
Na presente revisão é observada redução na média de massa corporal, 
massa gorda e percentual de gordura, assim como aumento da massa magra 
total dos sujeitos envolvidos. Considerando as características iniciais dos indi-
víduos submetidos ao período de treinamento, estes resultados podem servir 
como incentivo para que práticas em pequenos grupos sejam incluídas dentro 
de programas de atividades físicas que objetivam modificar positivamente 
variáveis antropométricas. Isso se dá porque a execução de JER permite a 
realização de esforços de alta intensidade de maneira intermitente, e ativida-
des com essas características se mostram eficientes para tal fim (IRVING et al., 
2008; TREMBLAY et al., 1994; TRAPP et al., 2008). Adicionalmente, melhoras na 
PS e frequência cardíaca de repouso (FCrep) também foram observadas após 
FutRM e FutRH em pelo menos três artigos. Ou seja, a prática de mini-jogos 
pode permitir que medidas hemodinâmicas sofram adaptações positivas, tanto 
para PS sistólica, quanto PS diastólica, além da FCrep, sendo que esta última 
corresponde ao aprimoramento da função cardíaca através de aumento do ven-
trículo esquerdo, o que proporciona maior volume de sangue ejetado durante 
a contração(POWERS et al., 2009).
Outra importante modificação observada versa sobre o lactato sanguíneo 
(Lac) durante esforço progressivo em esteira. Quando suas concentrações se 
apresentam com menores valores para a mesma intensidade após período de 
treinamento, entende-se que os indivíduos melhoraram sua aptidão física (KISS 
et al., 2009). Esse ganho pode decorrer do desenvolvimento e aprimoramento 
de componentes do sistema energético aeróbio(GASTIN 2001; BILLAT 2001; 
GLAISTER 2005).
As adaptações do sistema aeróbio foram identificadas em nove dos doze 
estudos (KRUSTRUP et al., 2010; KRUSTRUP et al., 2009; KRUSTRUP et al., 2010; 
EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS92
BANGSBO et al., 2010; RANDERS et al., 2010; KRUSTRUP et al., 2010; KNOEPFLI-
LENZIN et al., 2010; RANDERS et al., 2011; ANDERSEN et al., 2010) sendo que 
a potência aeróbia máxima e a ventilação pico melhoraram em comparação 
com a situação pré-intervenção. Ainda, modificações encontradas nas enzimas 
relacionadas a esse sistema (CS, HAD) servem como suporte para tais achados. 
Isto ocorre em virtude da natureza intermitente dos JER que, comprovadamente, 
constituem-se como estratégia adequada para prescrição de treinos, cujo intuito 
é provocar melhoras na aptidão aeróbia dos indivíduos(IMPELLIZZERI et al., 2006; 
KRUSTRUP et al., 2010; HILL-HASS et al., 2011). Esses achados podem contribuir 
para que programas de condicionamento físico incluam esforços de intensidades 
altas, não somente nas prescrições para sujeitos treinados ou atletas, mas que 
ocorra de modo recreacional e divertido(BARLETT et al., 2011).
Registram-se melhoras no desempenho físico (Figura 4), incluindo compo-
nentes como força muscular e potência. O aprimoramento da força muscular 
possibilita: aumento da força funcional para atividades cotidianas (ZATSIORSKY 
et al., 2008), pela capacidade aumentada de produzir força, ou por melhora de 
componentes neurais e/ou por maior quantidade de massa muscular; fortale-
cimento dos tecidos conjuntivos, melhorando a estabilidade das articulações e 
ajudando a prevenir lesões (STONE et al., 2006), melhora da composição corporal, 
decorrente de maior taxa metabólica proporcionada pelo aumento da massa 
magra e qualificação da modelagem óssea (FERRY et al., 2011), podendo reduzir 
o risco de osteoporose.Com isso, práticas físicas que incorporam JER, como no 
FutRM e FutRH, se apresentam como ferramentas alternativas para processos 
de treinamento de populações sem características competitivas. 
Entretanto, a utilização do esporte não se limita ao campo da elevação do 
nível de atividade física e melhora no condicionamento físico. Mensagens de 
promoção da saúde também podem ser introduzidas e desenvolvidas com pro-
gramas que se utilizam da prática esportiva como meio de treinamento (PRIEST 
et al., 2008; FINCH et al., 2010). De acordo com evidências recentes, educar as 
pessoas pode promover efeitos positivos em suas práticas relacionadas ao tema 
da saúde e, ainda, alcançar comportamentos no sentido de reduzir os problemas 
oriundos das doenças transmissíveis, como a HIV/AIDS(NYAMWAYA 2008; CHRIS-
TODOULOS et al., 2006; WORLD HEALTH ORGANISATION 2010). Portanto, projetos 
direcionando esforços no sentido de promover educação em saúde, ao mesmo 
tempo em que proporcionam decréscimo dos riscos de doenças transmissíveis 
e não transmissíveis decorrentes da inatividade ou baixos níveis de atividade 
física surgem com elevado potencial com vistas ao aprimoramento destes dois 
fatores que atuam sobre a saúde populacional(DVORAK et al., 2010).
Algumas iniciativas já estão sendo desenvolvidos por clubes esportivos em 
âmbito internacional, mas, mesmo com a expressiva manifestação social que o 
esporte apresenta, é de grande surpresa que pouco tenha sido publicado sobre 
esta temática de promoção da saúde(DONALDSON et al.,2012). Com a utilização 
do esporte, o desenvolvimento de pontos que estimulem o conhecimento de 
REVISÃO SISTEMÁTICA DOS EFEITOS DO FUTEBOL 93
hábitos e atitudes saudáveis pode ser incorporado, além de incluir os aspectos 
de saúde voltados para o desenvolvimento da aptidão física (WORLD HEALTH 
ORGANISATION 2010). Apesar de, primariamente, a função dos clubes ser promo-
ção e organização de oportunidades para competições, algumas comunidades 
esportivas estão se envolvendo ativamente no contexto social, no sentido de 
promover a saúde(SIMONSEN-REHN et al., 2006; KOKKO et al., 2009).
Portanto, a busca por diferentes estratégias de prescrição de treinamen-
tos para desenvolvimento e aprimoramento da aptidão física é relevante na 
promoção de estilo de vida ativo e saudável, assim como no planejamento de 
programas de treino. Com isso, a presente investigação pretendeu demonstrar 
que a prática recreacional do futebol, a partir dos JER, é eficiente para produzir 
resultados positivos em variáveis antropométricas, fisiológicas e de rendimento 
em não atletas. Aliado a isso, utilizar tal estratégia pode ser excelente possibili-
dade de educar em saúde, através da transmissão de conhecimentos referentes 
a aspectos de vida saudável, os quais são conectados com fatores técnico-tático 
ou físico da modalidade esportiva desempenhada.
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REVISÃO SISTEMÁTICA DOS EFEITOS DO FUTEBOL 101
Figura 1. – Modificações, em kg e % de gordura corporal (%G), relacionados 
às variáveis antropométricas após período de intervenção com futebol (M: 
massa; #: Estudo com mulheres).
Figura 2. – Modificações, em mmHg e bpm, relacionadas às variáveis fisio-
lógicas de pressão sanguínea sistólica e diastólica, assim como para a 
frequência cardíaca de repouso (FCrep) após os treinamentos com futebol, 
respectivamente. (#: Estudo com mulheres)
EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS102
Figura 3. – Modificações, em % e Litros, para as variáveis fisiológicas de 
Potência Aeróbia Máxima (PAM), Ventilação Pico e Capilares por Fibra após 
o treinamento de futebol. (#: Estudo com mulheres).
Figura 4. – Modificações, em % e segundos, para diferentes variáveis de 
desempenho no tempo limite de teste progressivo de esteira e campo, 
percentual de erros em avaliação postural, e medida de velocidade pro-
porcionada pelo treinamento de futebol (Prog: progressivo; D: direita; E: 
esquerda; #: Estudo com mulheres).
REVISÃO SISTEMÁTICA DOS EFEITOS DO FUTEBOL 103
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APLICAÇÕES DO EXERCÍCIO 
INTERMITENTE DE ALTA INTENSIDADE 
NA SÍNDROME METABÓLICA2
Fabrício Boscolo Del Vecchio, Leony Morgana Galliano, 
Victor Silveira Coswig
introdução
A síndrome metabólica (SM) é conceituada pela associação de diversos 
fatores de riscos metabólicos, como diabetes mellitus tipo 2 (DM2), hipertensão 
arterial, obesidade abdominal e dislipidemias (níveis elevados de triglicerídeos 
(TG) e baixos níveis de HDL – colesterol), além da presença de resistência à 
insulina (RI) (GRUNDY et al., 2004).
Acerca de seu diagnóstico, há diferenças entre as entidades de saúde no 
estabelecimento de critérios para a identificação da SM (GRUNDY et al., 2004; 
BALKAU et al., 2002; I DIRETRIZ BRASILEIRA DE DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO 
DA SÍNDROME METABÓLICA, 2005). Com o intuito de estabelecer um critério 
padronizado, uma normatização foi constituída em 2004 com a participação de 
diversas organizações de saúde (I DIRETRIZ BRASILEIRA DE DIAGNÓSTICO E TRA-
TAMENTO DA SÍNDROME METABÓLICA, 2005). Assim, atualmente, diagnostica-se 
SM a partir da presença de, pelo menos, três dos seguintes componentes: i) 
Circunferência abdominal aumentada, a partir de análise dos padrões da popu-
lação estudada; ii) Pressão arterial ≥130/85 mmHg; iii) Glicemia em jejum ≥100 
mg/dL ou estar em tratamento anti-hiperglicemiante; iv) Triglicerídeos ≥150 
mg/dL ou estar em tratamento para dislipidemias; v) Colesterol HDL <40 mg/
dL (homens) e <50 mg/dL (mulheres) ou estar em tratamento para dislipide-
mias (I DIRETRIZ BRASILEIRA DE DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DA SÍNDROME 
METABÓLICA, 2005).
2 Artigo publicado na Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde, v. 18, n. 6, p. 669-687.
EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADODA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS106
A prevalência mundial da SM é incerta e existem poucos estudos com 
tamanho amostral adequado para estimativas nacionais. Comparando resultados 
encontrados entre os anos de 1988 e 1994 na população estadunidense com 
pesquisas realizadas entre 1999 e 2000, verificou-se aumento na prevalência da 
SM de 50 para 64 milhões na população acima de 20 anos e, especialmente, 
no sexo feminino(FORD et al., 2004). No mesmo estudo, considerando a falta 
de padronização entre os valores de referência para classificar a SM, os autores 
observaram que utilizando o conceito do National Cholesterol Education Program 
(NCEP) em 3.601 adultos, a prevalência de SM foi de 34,5%, enquanto que, 
com os critérios do International Diabetes Federation (IDF), esta prevalência foi 
de 39%. Em ambas as classificações foram encontradas prevalências superiores 
entre os homens(FORD et al., 2004). 
Considerando que o exercício físico é uma forma de terapia não-medi-
camentosa para a prevenção e o tratamento da SM, o objetivo do presente 
capítulo é apresentar os diferentes estudos que fizeram uso desta estratégia 
e seus principais achados, com foco na aplicação do exercício intermitente de 
alta intensidade (HIIT).
resultados de interVenções Com exerCíCios FísiCos
Considerando intervenções baseadas na prática de exercício físico, 
Seligman et al. (2011) conduziram um estudo com 75 portadores de SM que 
foram aleatorizados em três grupos: i) intervenção de 10.000 passos diários, 
contabilizados por pedômetro; ii) prática de exercício físico supervisionado, 
três dias por semana, com intensidade vigorosa e aconselhamento para 
caminhada rápida nos dias restantes; iii) aconselhamento para prática de 
caminhada diária com duração de 1 hora. Todos os grupos receberam orien-
tações nutricionais. Após 12 semanas houve modificação do perfil lipídico, 
redução de pressão arterial, albumina e glicose em todos os grupos, porém 
com magnitude superior no grupo que realizou exercícios supervisionados. 
Após 1 ano de acompanhamento, 64% dos participantes deixaram de ter SM, 
no entanto não houve descrição estratificada dos grupos neste momento da 
avaliação, o que prejudica o entendimento de qual estratégia foi mais efetiva 
no tratamento da SM (SELIGMAN et al., 2011).
Resultados semelhantes foram encontrados num estudo multicêntrico 
italiano no qual 691 portadores de DM2 e SM foram designados para: 1) um 
grupo controle, que recebeu aconselhamento para prática de atividade física 
regular; 2) um grupo intervenção, que consistia na prática de exercício físico 
progressivo aeróbio e de força, duas vezes por semana e com alta intensidade. 
Após 12 meses, o grupo intervenção apresentou ganhos de aptidão física, além 
APLICAÇÕES DO EXERCÍCIO INTERMITENTE DE ALTA INTENSIDADE 107
de redução da pressão arterial, circunferência abdominal, glicemia, RI e hemo-
globina glicada (HbA1c – determina risco para DM2). Os autores ressaltaram que 
ofertar programas de exercício físico de alta intensidade e supervisionados pode 
ser uma estratégia adequada para a promoção de mudanças no estilo de vida 
de pacientes com o perfil apresentado (BALDUCCI et al., 2010).
Com o intuito de investigar os efeitos do exercício físico após a redução 
de massa corporal e melhora do perfil metabólico de 102 indivíduos com SM, 
Thomas et al. (2010) ofereceram aos voluntários um programa de exercício 
físico supervisionado associado a aconselhamento nutricional por um período 
de 4 a 6 meses, visando a redução de 10% na massa corporal. Na segunda 
fase do estudo, os voluntários foram randomizados em dois grupos: grupo 
“sem exercício físico”, que continuou recebendo acompanhamento nutricional, 
e grupo “treinamento físico”, que realizou a prática de exercício físico supervi-
sionado em, no mínimo, três vezes por semana. Esta segunda fase tinha por 
objetivo auxiliar os sujeitos a recuperarem parcialmente a massa corporal de 
forma saudável e controlada. Durante a fase inicial, todos os marcadores da SM 
sofreram alterações importantes, principalmente relacionadas à redução da 
massa corporal. Porém, na segunda fase, as melhoras foram mantidas apenas 
no grupo que realizou treinamento físico. Neste sentido, este estudo é con-
siderado o primeiro a demonstrar que os benefícios metabólicos podem ser 
mantidos mesmo quando há recuperação parcial de massa corporal perdida 
com a dieta(THOMAS et al., 2010).
O Studies of a Targeted Risk Reduction Intervention through Defined Exer-
cise (STRRIDE-AT/RT) foi a primeira investigação que objetivou comparar os 
efeitos do treinamento resistido isolado (TR), dos exercícios aeróbios (EA) e 
da combinação de ambos (TR-EA), nos componentes da SM. O grupo TR era 
realizado 3 vezes por semana em oito de exercícios de força com oito a doze 
repetições e o EA consistia de 120 min por semana em 75% do consumo 
máximo de oxigênio (VO2máx). Após oito meses, os grupos EA e TR-EA apre-
sentaram redução da massa corporal, TG e circunferência abdominal, enquanto 
melhores índices de pressão arterial foram observados apenas no grupo TR-EA. 
Quanto ao grupo TR, não houve modificações em nenhum componente da 
SM(BATEMAN et al., 2011). 
Também avaliando a combinação de prática de exercícios aeróbios e 
resistidos, Jurca et al., (2004) registraram efeitos benéficos nos componentes 
lipídicos, glicêmicos e pressóricos e Mecca et al. (2012) relataram redução de 
24% na prevalência de SM conseguida principalmente pela redução da circun-
ferência abdominal. 
Como o conceito de SM é relativamente recente ainda é escasso o número 
de ensaios clínicos randomizados que analisaram os efeitos da prática de exercí-
cio físico supervisionado em indivíduos com todos os fatores simultaneamente. 
EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS108
Porém, as revisões sistemáticas e metanálises apontam resultados positivos 
das intervenções baseadas em exercício físico, predominantemente aeróbios 
contínuos, na redução de glicemia em jejum, circunferência abdominal, pressão 
arterial e dislipidemia, o que pode diminuir o risco cardiovascular e a presença 
de SM(TORRES-LEAL et al., 2009). Ressalta-se que a combinação de exercício 
físico com restrição na ingesta calórica promove melhorias superiores em todos 
os componentes da SM(CAMHI et al., 2010; BO et al., 2008).
Mesmo que prática de exercícios aeróbios de intensidade moderada seja 
recomendada para promover modificações metabólicas e fisiológicas, observa-se 
um crescimento nos estudos baseados no conceito “time efficency”, ou seja, a 
utilização de exercícios curtos com intensidade alta. Estes exercícios parecem: i) 
demonstrar ganhos expressivos de condicionamento físico, ii) gerar modificação 
da composição corporal a partir da diminuição da circunferência abdominal e 
do percentual de gordura e iii) proporcionar mudanças no perfil glicêmico e 
da resistência à insulina (TALANIAN et al., 2012; TJØNNA et al., 2008; SOUZA 
et al., 2005). Desta forma, é possível que estes exercícios sejam especialmente 
benéficos na SM. 
exerCíCio intermitente de alta intensidade
Algumas recomendações de atividade física para saúde se baseiam em 
exercícios contínuos de intensidade moderada que proporcionam, como visto 
anteriormente, aumento da potência aeróbia (VO2máx) e redução e prevenção 
dos fatores de risco associadas à SM (MITSUHASHI et al., 2007).
No entanto, a associação de estímulos anaeróbios e aeróbios parece promover 
melhor controle metabólico que as atividades aeróbias isoladas (EARNEST, 2008). 
Neste sentido, melhoras na sensibilidade insulínica estão mais relacionadas a 
exercício de alta intensidade e de baixo volume(LAURSEN et al., 2002). Neste 
contexto, os HIIT têm sido sugeridos como alternativa para promover maiores 
melhoras em menor tempo e aumentar a motivação e aderência aos programas 
de exercícios (BABRAJ et a.,2009). 
Embora não haja textos especificamente voltados à classificação e concei-
tuação do que é o HIIT, alguns trabalhos destacam que HIIT pode ser definido 
como exercícios de curta a moderada duração (10 s a 5 min) realizados em inten-
sidades superiores ao limiar anaeróbio/máxima fase estável do lactato(LAURSEN 
et al., 2002) e seguidos de pausas passivas ou ativas. Por outro lado, Gibala e 
McGee (2008) pontuam que o HIIT é o exercício com esforços repetidos na 
maior intensidade possível (all-out) ou próxima àquela do VO2max (>90% do 
VO2pico). Assim, para melhor compreensão dos estudos com HIIT, as intensidades 
empregadas nos protocolos de treino serão sempre explicitadas.
APLICAÇÕES DO EXERCÍCIO INTERMITENTE DE ALTA INTENSIDADE 109
respostas orgâniCas agudas relaCionadas ao Hiit
Apesar de existirem dados consistentes sobre os efeitos decorrentes do 
treinamento de alta intensidade, informações sobre respostas agudas são 
relativamente limitadas (BUCHHEIT et al., 2012). De acordo com Boutcher 
(2011), a partir das alterações imediatas e pós-esforço na frequência cardíaca 
(FC), hormônios, nível glicêmico, concentrações de lactato (LAC) e reatividade 
metabólica podem ser feitas inferências relacionadas aos fatores de risco 
associados à SM. Por exemplo, parece existir correlação entre obesidade, RI, 
disfunção no ventrículo esquerdo e disfunção diastólica e a SM(PETERSON et 
al., 2004). Neste contexto, Ha et al. (2011) compararam a resposta de grupos 
de hipertensos com e sem SM (não diabéticos) a um teste incremental em 
cicloergômetro (25w a cada 3min) e concluíram que a SM influencia as funções 
sistólica e diastólica durante o exercício dinâmico, visto que a reserva contrátil, 
similar entre os grupos na situação de repouso, mostrou-se reduzida nos por-
tadores da SM durante exercício. Da mesma forma, marcadores de disfunção 
diastólica, já presentes no repouso nos hipertensos com SM, aumentaram a 
cada estágio do protocolo de exercício, o que denota que esta disfunção é 
mantida durante esforço. A síntese dos efeitos agudos/imediatos do HIIT é 
apresentada no quadro 1.
EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS110
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2.
EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS112
Respostas cardiovasculares
Quanto ao componente cardiovascular, respostas agudas apontam que um 
estímulo único de 30 seg all-out, apesar de apresentar demanda de aproxima-
damente 90% da FCmax e do VO2pico, não aumenta a capacidade máxima de 
ejeção cardíaca (BUCHHEIT et al., 2012) Porém, este esforço implica na contribuição 
de 17% do sistema ATP-CP, 45% do sistema glicolítico e 38% do metabolismo 
oxidativo (SPENCER et al., 2005). Assim, infere-se que a melhora no desempenho 
físico advinda do treinamento com estas características corresponda a ganhos 
periféricos, pois para se obter melhoras centrais é necessária uma maior quanti-
dade de esforço e/ou estímulos mais longos, superiores a 1 min (BUCHHEIT et al., 
2012). Com isso, a partir da soma dos estímulos, ainda considerando 30 seg de 
atividade all-out, a demanda aeróbia é aumentada gradativamente a cada esforço 
subsequente, sendo que na terceira série de 30 seg, com recuperação de 4 min 
entre cada uma, a contribuição aeróbia chega a 70% (TRUMP et al., 1996). 
Ainda considerando a demanda energética dos estímulos, Cristmass et al. 
(1999), ao compararem protocolo submáximo contínuo (90min a 60% do VO2pico) 
com protocolo intermitente de alta intensidade (90min, 12s a 120% VO2pico e 
18s em repouso), identificaram que a oxidação de gordura é três vezes maior 
no primeiro e a oxidação glicolítica é predominante no segundo protocolo, 
apesar de VO2 e gasto energético semelhantes. A mesma proporção metabólica 
foi encontrada na comparação de 40 min de exercício intermitente curto (6 x 9 s) 
e longo (24 x 36 s), com intensidade de esforço determinada a partir da razão 
de troca respiratória (entre 0,96 e 0,99) (CHRISTMASS et al., 1999).
Outro aspecto é que por apresentar maior solicitação aeróbia, corridas de 
32 min parecem ser mais eficientes na solicitação do sistema cardiovascular 
(maior FC e maior VO2 médios durante a sessão) se executadas de maneira 
contínua (12km/h) que quando comparadas ao mesmo tempo de corrida 
realizado de maneira intervalada (4min a 12km/h x 4min a 8km/h), indepen-
dentemente do tipo de recuperação aplicada, ativa com 4 min a 8 km/h ou 
passiva(MANDROUKAS et al., 2011).
Analisados os dados anteriores em conjunto, pode parecer mais vantajoso fazer 
para o exercício contínuo, mas não o é. A intolerância ao exercício e a possibilidade 
de desistência durante a sessão de treino aumentam consideravelmente quando 
tal estratégia é adotada. Ao se realizar exercícios contínuos em cicloergômetro na 
potência máxima (100 a 102% da potência do VO2max), registram-se durações de 
4 a 6 min; por outro lado, ao se intervalar esforços e pausas de 15 s, o exercício 
pode ser mantido por até uma hora (BILLAT, 2011).
Currie et al. (2012) realizaram uma investigação acerca das alterações na 
função endotelial em dez indivíduos com doença arterial coronariana. Para isto, 
aplicaram-se uma sessão de treino de intensidade moderada (30min a 55% do 
VO2pico) e uma de HIIT (dez séries de 1min a 80% do VO2pico com intervalos 
de 1min a 10% do VO2 pico). O trabalho total foi maior nos exercícios mode-
APLICAÇÕES DO EXERCÍCIO INTERMITENTE DE ALTA INTENSIDADE 113
rados (166±52kJ) em relação ao HIT (93±28kJ); porém não foram encontradas 
diferenças nas respostas agudas da função endotelial (CURRIE et al., 2012). 
Resposta glicêmica e insulínica
A hiperglicemia pós-refeição é considerada o principal fator agravante 
das complicações relacionadas ao DM2, incluindo as DCV. Gillen et al. (2012), 
ao monitorarem o comportamento do nível glicêmico de indivíduos com DM2 
durante 24h após uma sessão de 10 min de HIIT (10x60s em 90% da FCmax 
por 60 s de recuperação) e compararem com grupo que não se exercitou, evi-
denciaram valores menores do tempo em hiperglicemia (>10 mmol/L), do pico 
glicêmico pós-refeição, na glicemia entre 60 e 120 min pós-refeição e da área 
sob a curva glicêmica por 3 h. Assim, o referido protocolo, com duração total 
de 20 min, constitui-se como uma estratégia prática e temporalmente eficiente 
para o controle glicêmico nesta população. Apesar das recomendações de 2,5 
h/sem de exercícios aeróbios para prevenir a progressão da DM2 (EINHORN 
et al., 2003), e de 4-7 h/sem para a manutenção de massa corporal saudável 
(ACSM, 2001), tem sido sugerido que sessões curtas de 10-20 min de HIIT podem 
manter a sensibilidade insulínica no dia do exercício. Neste caso, a característica 
intermitente, que tem mostrado efetividade na redução da concentração de 
insulina de jejum, pode auxiliar indivíduos pouco condicionados a cumprirem 
suas metas diárias (BOLLINGER & LAFONTAINE, 2011). 
Whyte et al. (2012) investigaram estímulos de alta intensidade executados 
de maneira intermitente (4 x 30 s all-out por 4,5 min de recuperação) ou em 
um único sprint máximo até que fosse atingido mesmo trabalho total do pro-
tocolo intermitente. Estes autores concluíram, a partir de coletas realizadas no 
dia seguinte, que os dois protocolos foram capazes de promover aumento da 
oxidação de gordura (intermitente: 63% vs sprint único: 38%), porém, o sprint 
único apresentou tempo total menor (20min vs 3,3min). Os autores especularam 
que treino com sprint único pode ser uma ferramenta temporalmente eficiente, 
já que mostrou aumento da SI e da oxidação de gordura em homens adultos 
com sobrepeso e obesos.
Por outro lado, Richards et al. (2010) reportaram não haver resposta significante 
de aumento da SI 72h após sessão única de HIIT (4 x 30 s all-out por 4 min de 
recuperação) e concluíram que o aumento evidenciado a partir de seis sessões 
do mesmo protocolo foi decorrente do impacto crônico do treinamento.
Obesidade
De maneira aguda, a mobilização da gordura visceral abdominal está mais 
associada a exercícios de maior intensidade que induzem secreção de hormônios 
lipolíticos (GH), aumentam o gasto energético pós-exercício e elevam a oxidação 
da gordura fornecendo um maior balanço energético negativo (YOSHIOKA et 
EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS114
al., 2001; IRVING et al., 2008; TRAPP et al., 2008; IRVING et al., 2009). Tsekouras 
et al. (2008) evidenciaram que a secreção de lipoproteínas de muito baixadensidade (VLDL) e TG apresenta redução significativa 48 h pós-treino. Neste 
mesmo estudo, os autores afirmaram que existe aumento na disponibilidade de 
AGL no plasma sanguíneo 24h pós-treino, e estas alterações são favoráveis ao 
metabolismo lipídico, que está associado à redução de fatores risco de doença 
coronariana e aterosclerose (TSEKOURAS et al., 2008).
respostas orgâniCas CrôniCas relaCionadas ao Hiit
De acordo com Boutcher (2010), as respostas crônicas estão relacionadas às 
modificações na aptidão aeróbia e anaeróbia, adaptações musculares, redução 
dos níveis de insulina de jejum e SI que ocorrem após um período de treina-
mento. Apesar de a maior parte dos estudos que investigaram os efeitos do 
HIIT de maneira crônica ser baseada em períodos curtos de treinamento (2 a 6 
semanas), existem evidências dos efeitos após 15(TRAPP et al., 2008; TREMBLAY 
et al., 1994) e até mesmo 32 semanas (GUTIN et al., 2002). A síntese de diferentes 
respostas crônicas do HIIT é apresentada no quadro 2.
Respostas Cardiovasculares
Considerando o risco cardiovascular aumentado de indivíduos com SM, é 
importante ressaltar que elevações na aptidão cardiorrespiratória estão asso-
ciadas à redução de risco, sendo que a intensidade é um fator determinante 
na indução de melhora nesta variável. Neste sentido um treinamento de alta 
intensidade (3 d/sem acima do limiar de lactato (LL) e 2 d/sem abaixo do LL) 
promoveu ganhos superiores na aptidão cardiorrespiratória (14% vs 9% VO2pico) 
do que os induzidos por intensidades menores (5 d/sem abaixo do LL), após 16 
semanas de intervenção, estando ambos os protocolos associados à redução 
da pressão arterial de repouso (IRVING et al., 2008). 
Adicionalmente, estímulos de sprints promovem adaptações orgânicas positi-
vas, que possibilitam a manutenção do desempenho em alta intensidade. Dentre 
estas, são evidenciadas melhora da distensibilidade arterial, da função endotelial, 
da capacidade oxidativa muscular e dos estoques de glicogênio (BOUTCHER, 
2011). Freyssin et al. (2012) observaram resultados consideravelmente superiores 
em pacientes com insuficiência cardíaca crônica com HIIT (3 séries, com interva-
los de 5min entre elas, de 12 sprints de 30 s em 80% da potência máxima x 60 
s de recuperação passiva) quando comparado ao exercício contínuo (45min na 
velocidade do limiar ventilatório1). O grupo HIIT apresentou ganhos no VO2pico 
(27%), na duração do exercício (47%), na captação de O2 durante exercício máximo 
(18%) e no VO2 consumido na velocidade do limiar ventilatório1 (22%), o que não 
foi observado no protocolo de treino contínuo(FREYSSIN et al., 2012).
APLICAÇÕES DO EXERCÍCIO INTERMITENTE DE ALTA INTENSIDADE 115
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EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS118
Ainda considerando a função cardíaca, o treinamento em intensidades 
supramáximas (>240% da intensidade do VO2 max) aumentaram o volume de 
ejeção do ventrículo esquerdo e o VO2máx e reduziram a FCrep (TRILK et al., 
2011). Este protocolo, de 4-7 séries de sprints de 30 s all-out, seguidos de 4 
min de recuperação passiva, mostrou-se adequado para o aprimoramento do 
componente aeróbio central em mulheres com sobrepeso/obesas sedentárias 
após quatro semanas de prática. Os autores concluíram, portanto, que exercícios 
intensos podem promover ganhos cardiovasculares importantes para a manuten-
ção de saúde e redução do risco de mortalidade por doenças crônicas relacio-
nadas à obesidade e o sedentarismo, em aproximadamente metade do período 
descrito para exercícios contínuos de maior volume e menor intensidade(TRILK 
et al., 2011). Corroborando com estes achados, Trapp et al. (2008)encontraram 
aumento superior da capacidade aeróbia com do HIIT quando comparado ao 
exercício contínuo moderado (23 vs 19% no VO2 pico), mesmo com o volume 
de treinamento aeróbio sendo maior no segundo grupo (36 vs 120min/sem).
Gutin et al. (2002) associaram aulas sobre estilo de vida saudável a exercí-
cios físicos por oito meses e encontraram melhora do VO2 max de adolescentes 
obesos com protocolo de maior intensidade (75 a 80% VO2pico). Além disso, 
esta melhor resposta foi positivamente correlacionada ao tempo gasto em ati-
vidades vigorosas, o mesmo não aconteceu no grupo que executou exercícios 
em intensidade moderada (50 a 60% VO2pico). Em outra investigação, Astorino 
et al. (2011) aplicaram um protocolo com testes de Wingate (30seg all-out x 
4min de recuperação passiva) durante 6 sessões (4x nas sessões 1 e 2; 5x nas 
sessões 3 e 4; 6x nas sessões 5 e 6) em jovens ativos e identificaram aumento 
no VO2max e na potência de ejeção cardíaca, o que reflete uma melhora na 
função cardíaca e na captação de O2. Morikawa et al. (2011) avaliaram os efeitos 
do treinamento de caminhadas intervaladas no autorrelato de doenças em 666 
idosos japoneses. Os participantes foram divididos em três grupos distintos 
conforme o VO2max inicial. O protocolo de exercício consistiu em cinco séries 
de 3 min de caminhada lenta (40% VO2pico) seguidos por 3 min de caminhada 
rápida (entre 70-80% VO2pico) em ≥4 dias/sem. Após quatro meses, o treina-
mento de caminhada intermitente aumentou o VO2pico e reduziu a incidência 
de doenças relacionadas ao estilo de vida. Adicionalmente, a incidência de 
doenças cardíacas foi maior entre o grupo de VO2pico mais baixo que os demais, 
uma tendência semelhante foi observada para as variáveis hipertensão e uso 
de medicamentos para hiperglicemia.
Ainda considerando a população de idosos, o declínio do VO2 pico, 30% 
a cada década após os 30 anos(OGAWA et al., 1992), mostrou-se amenizado 
com duas sessões semanais de HIIT durante 9 semanas. O protocolo de 30 
min (6x de 4min no limiar ventilarório1 alternados com 1min no limiar ven-
tilatório2) aumentou o VO2 pico em 15% em homens e mulheres maiores de 
60 anos. Segundo os autores, as adaptações se relacionaram ao decréscimo 
da quebra de glicogênio e ao aumento da solicitação da via oxidativa decor-
APLICAÇÕES DO EXERCÍCIO INTERMITENTE DE ALTA INTENSIDADE 119
rente do treinamento, o que gerou melhora no transporte e na captação de 
O2 (LEPRETRE et al., 2009).
Resposta glicêmica e insulínica
Em um estudo, Andrews et al. (2011) reportaram não haver diferença na 
resposta glicêmica após o tratamento com dieta e a combinação da dieta com 
a atividade física em homens adultos com DM2. Os autores propuseram que o 
protocolo de exercícios utilizado (exercícios moderados em 5 dias/sem) não teve 
intensidade insuficiente e que a associação entre exercícios aeróbios e anaeróbios 
poderia melhorar o controle metabólico. Esta suposição vai ao encontro dos 
achados produzidos por Trapp et al. (2008), que evidenciaram redução de 31% 
na insulina plasmática de jejum após 15 semanas de HIIT, enquanto exercícios 
moderados apresentaram resultado modesto (9% de redução). Assim, os autores 
sugeriram o HIIT como uma forma eficiente de exercício para a normalização 
de disfunções endócrinas e, em longo prazo, a redução da concentração de 
insulina pode aumentar a oxidação de gordura e reduzir a massa corporal. Há 
ainda indícios de que 4 meses de caminhadas intervaladas de alta intensidade 
resultem em maiores melhoras no controle glicêmico, redução da massa e da 
gordura corporal e ganho no VO2 max em pessoas com DM do que a caminhada 
contínua de intensidade moderada (KARSTOFT et al., 2012).
Os efeitos do exercício aeróbio sobre a ação da insulina parecem ser 
independentes da resposta na composição corporal e a melhora na RI parece 
estar relacionada a esforços de alta intensidade. O músculo esquelético apre-
senta grande atuação na captação de glicose, assim, apenas alguns minutos de 
exercício intervalado de alta intensidade (6 sessões de 15min em duas semanas, 
4-6 a séries de Wingate) podem otimizar substancialmente a ação insulínica 
e a homeostase da glicose em adultos jovens sedentários em função do alto 
volume de massa muscular envolvida e pela alta taxa de quebra e ressíntese 
de glicogênio derivada da alta intensidade(BABRAJ et al., 2009). Complementar-
mente, Little et al. (2011) aplicaram seis sessões de HIIT (10x60seg a 90% FCmáx 
x 60seg recuperação) em duas semanas em adultos com DM2 e evidenciaram 
redução da média da glicemia 24h (7,6 vs 6,6 mmol/L), aumento da capacidade 
mitocondrial e GLUT4 muscular (principal transportador da glicose no músculo 
esquelético) em aproximadamente 369%. De forma semelhante, outro estudo 
observou que 6 sessões de treinos (8 a 12 esforços de 1 min em 100% da 
potência pico, intercalados por 75 s de recuperação) por 2 semanas também 
elevaram o conteúdo de GLUT4(LITTLE et al., 2010). Adicionalmente, apenas uma 
semana de esforços de 30 s all-out em bicicleta ergométrica, alternados por 4 
min de recuperação, já aumentou a quantidade de GLUT4 muscular e, após 
uma semana de destreinamento, esta quantidade se manteve 20% superior à 
situação de baseline(BURGOMASTER et al., 2007). Estes achados evidenciam que 
o treinamentointenso de baixo volume pode rapidamente melhorar o controle 
EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS120
glicêmico e induzir adaptações musculares associadas à saúde metabólica em 
pacientes com DM2.
Complementarmente, pacientes com obesidade, HAS, DCV, DM2 e RI 
apresentam níveis baixos de adiponectina e o aumento da concentração desta 
proteína no plasma está associado à melhora da tolerância a glicose e da SI. 
Neste contexto, Moghadasi et al. (2011) evidenciaram que 12 semanas de trei-
namento intenso (80% VO2max por 45min) elevaram adiponectina e reduziram 
a RI em adultos obesos.
Reforçando o conceito de eficiência temporal, Metcalfe et al. (2011) avaliaram 
as respostas orgânicas decorrentes de uma versão reduzida de HIIT (RE-HIIT) 
para identificar a dose mínima necessária para obtenção de benefícios à saúde. 
Nesta investigação, 3 sessões/sem de apenas 10 min foram executadas durante 
seis semanas (2 x 10-20seg all-out, com intervalos de aproximadamente 3min) 
e foram suficientes para promover aumento da SI (28%) e do VO2pico (15%). 
Estes resultados indicaram que o RE-HIIT parece ser capaz de melhorar a saúde 
metabólica e a capacidade aeróbia de maneira temporalmente eficiente e se 
constitui como uma alternativa aos protocolos convencionais para tratamento 
de DM2. Neste sentido, estudo recente registrou que 4 sessões semanais de 
HIIT, com esforços all-out realizados de modo intermitente (8 x 20 s x 10 s 
de recuperação passiva, total de 16min/sem), geraram ganhos de 7 a 8% no 
VO2max, semelhantes à realização de 30 min de exercícios contínuos em ~85% 
da FCmax, com total de 120 min semanais(McRAE et al., 2012).
Obesidade
De maneira crônica, o HIIT influencia o balanço lipídico favorecendo a redu-
ção da gordura corporal (YOSHIOKA et al., 2001). Confirmando esta afirmação, 
houve maior redução da gordura subcutânea decorrente do HIIT (esforços curtos 
= 10 a 15 tiros de 10 a 15 s a 60% do trabalho máximo mensurado em teste de 
10 s e estímulos longos = 5 a 6 tiros de 60 a 90 s a 70% do trabalho máximo 
mensurado em teste de 90 s; com recuperação até a FC atingir de 120 a 130 
bpm) do que de um protocolo contínuo (30 a 45min entre 60% e 85% da FC 
de reserva)(TREMBLAY et al., 1994). Resultado semelhante foi encontrado por 
Trapp et al. (2008) com mulheres jovens inativas e saudáveis após 15 semanas 
de treinamento. Quando comparado ao grupo que executou exercício contínuo 
e moderado (60% VO2pico durante 20-40min), o grupo que fez HIIT (60 x 8 s 
all-out x 12 s 20-30 rpm) apresentou reduções maiores na gordura corporal total, 
gordura subcutânea da coxa e gordura abdominal, que podem estar associadas 
à supressão de apetite e/ou aumento da utilização lipídica. 
Adicionalmente, resultados encontrados por Irving et al. (2008) indicam que 
o exercício intenso é mais eficiente que o moderado para alterar a composição 
corporal de mulheres obesas portadoras de SM, pois foi evidenciada maior 
APLICAÇÕES DO EXERCÍCIO INTERMITENTE DE ALTA INTENSIDADE 121
redução da gordura subcutânea abdominal (-47 cm² vs -11 cm2) e da gordura 
visceral abdominal (-24 cm² vs -7 cm²) com este treinamento. Por outro lado, 
Gutin et al. (2002) afirmam não haver efeito claro da intensidade do exercício 
na melhora da composição corporal e adiposidade visceral de jovens (13 a 16 
anos) obesos que executaram exercícios contínuos em diferentes intensidades 
(75 a 80% VO2pico e 50 a 60% VO2pico), o que aparentemente denota diferença 
nas respostas à intensidade do exercício relacionada à idade. 
Além disso, após dois meses de HIIT, alternando 60 e 90% do VO2max a 
cada 4min durante 32min, foram evidenciadas reduções de ~28% nas taxas 
de VLDL e TG, tanto nas concentrações de jejum, quanto na taxa de secreção 
hepática. A relevância destes achados está ligada pela influência na redução 
dos riscos relacionados às altas concentrações de gordura no fígado (esteatose 
hepática) e hipertrigliceridemias(TSEKOURAS et al., 2008). 
Em outra perspectiva, a adiposidade abdominal está associada à redução 
na secreção do hormônio do crescimento (GH). Neste sentido, Irving et al. (2009)
relataram que 16 semanas de treinamento de alta (3 d/sem acima do LL e 2 d/
sem abaixo do LL) e moderada intensidades (5 d/sem abaixo do LL), aumentaram 
a secreção noturna de GH (65 vs 49%, respectivamente) e promoveram alterações 
favoráveis na composição corporal, independentemente da intensidade. Estes 
dados suportam a ideia da aplicação de exercícios para potencializar a secreção 
do referido hormônio e reduzir riscos a saúde em adultos obesos portadores de 
SM. Resultado semelhante foi evidenciado com o exercício contínuo (30min entre 
LL e VO2pico) e intervalado (3x10min entre LL e VO2pico x 10min), sugerindo 
que tanto exercícios contínuos quanto intermitentes são efetivos no aumento 
da secreção de GH 24 h pós-treino(WELTMAN et al, 2008).
Complementarmente, Boutcher (2011)relatou que os mecanismos para 
perda de gordura induzida pelo HIIT incluem aumento da oxidação de gordura 
durante e, principalmente, pós-exercício, redução da sensação de fome, aumento 
da capacidade de oxidação de AGL no músculo esquelético pela demanda de 
remoção de lactato e íons de hidrogênio (H+) e de ressíntese de glicogênio, 
níveis elevados de GH e melhora na sensibilidade insulínica. 
Cabe ressaltar, entretanto, que dos estudos analisados, apenas dois apre-
sentaram equivalência de demanda metabólica (calorias/sessão) entre os proto-
colos intermitente e contínuo utilizados na comparação e, como este controle 
relevante para a interpretação das respostas, sugere-se que estudos futuros 
que comparem diferentes modos de exercício e/ou diferentes intensidades 
considerem esta variável.
indiCações do Hiit para os Componentes da sm
Nesta parte do texto será considerada a aplicabilidade prática do HIIT em 
cada um dos componentes da SM, a qual é sintetizada no quadro 3. 
EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS122
Quadro 3 – : Síntese dos efeitos do HIIT nas variáveis da Síndrome Metabólica.
Variável de interesse e 
respectiva referência principais desfechos observados
Composição Corporal
Irving et al. (2009) Circunferência da cintura; MC; IMC; MG; GA; GVA
Gutin et al. (2002) GVA; ↓Adiposidade total
Irving et al. (2008) �Circunferência da cintura; GA; Gordura abdominal sub-cutânea; GVA;
Moghadasi et al. (2011) GA; GVA; Gordura subcutânea; MC
Cardiovascular
Tsekouras et al. (2008) VO2pico (18%)
Metcalfe etl al. (2011) H= VO2pico (15%); M= VO2pico (12%)
Babraj et al. (2009) VO2pico (6%)
Gutin et al. (2002) VO2máx-170; VO2máx
Freyssin et al. (2012) VO2pico (27%); VO2-LV1 (22%); Captação de O2
Astorino et al. (2011) VO2máx; VCO2máx; Captação de O2
Irving et al. (2009) VO2pico;
Irving et al. (2008) VO2pico;
Moghadasi et al. (2011) VO2máx;
Trilk et al. (2011) VO2máx; Função circulatória; FC; Volume de ejeção
Tabata et al. (1996) VO2máx; Capacidade anaeróbia
metabólico
Tsekouras et al. (2008) VLDL-TG (28%)
Metcalfe etl al. (2011) H= SI (28%)
Babraj et al. (2009) AGL (17%); SI (23%) / Área abaixo da curva- GLI (12%); Insulina (37%); AGL (26%)
Weltman et al. (2008) GH
Irving et al. (2009) GH (65%)
Little et al. (2011) �GLI 24h pós-treino (13%); GLI pós-prandial (30%); GLUT4 (369%)
Gillen et al. (2012) Tempo em hiperglicemia; Pico glicêmico pós-prandial; Glicemia 60-120min pós-prandial
Moghadasi et al. (2011) Expressão do RNAm de adiponectina (57%); GLI-jejum; Insulina; RI
Rubin et al. (2003) GH
Hood et al. (2011) GLUT4 (260%); Insulina-jejum (16%); SI (35%)
mC= Massa corporal; mg= Massa gorda; ri= Resistência insulínica; Vo2máx= Consumo 
máximo de oxigênio; VCo2máx= Consumo máximo de gás carbônico; tg= Triglicerídeos; 
Vldl= lipoproteína de muito baixa densidade; GH= Hormônio do crescimento;SI= sensibilidade a insulina; H= Homens; m= Mulheres; gli= Glicose; agl= Ácido Graxos 
Livres; Vo2máx-170= Consumo máximo de oxigênio a 170 bpm; Vo2-lV1= Consumo de 
oxigênio na intensidade do limiar ventilatório 1; imC= Índice de massa corporal; 
gVa= Gordura visceral abdominal; ga= Gordura abdominal.
APLICAÇÕES DO EXERCÍCIO INTERMITENTE DE ALTA INTENSIDADE 123
Os efeitos do HIIT na redução da gordura subcutânea e abdominal são promisso-
res no tratamento do sobrepeso e, consequentemente, na redução da circunferência 
da cintura que é um marcador de risco cardíaco (BOUTCHER, 2011). 
Em relação à HAS, as recomendações não farmacológicas para o seu trata-
mento envolvem dieta e exercício aeróbio de intensidade moderada em função 
da redução da pressão arterial sistólica e diastólica e melhora na função arterial 
causadas por este treinamento (COLLIER et al., 2011). Porém, protocolos de alta 
intensidade com menor demanda temporal e maior grau motivacional promo-
veram estas adaptações em obesos sedentários (TRILK et al., 2011)e em doentes 
cardíacos (FREYSSIN et al., 2012). Assim, sugere-se que estudos com maiores 
níveis de evidência devem ser conduzidos com pacientes hipertensos.
A RIparece ser um fator fisiopatológico relevante da DM2, além de estar 
relacionada com outros problemas de saúde pública atual, como a obesidade 
e as DCV (GIBALA et al., 2010). Recomendações para seu combate englobam 
exercícios de alto volume e intensidade moderada, visando atingir aumento de 
desempenho físico, aumento da capacidade oxidativa e melhora do mecanismo 
de transporte da glicose (SCHNEIDER & MORGADO, 1995). Porém, exercícios 
intermitentes de alta intensidade têm mostrado resultados satisfatórios com 
maior eficiência temporal (ASTORINO et al., 2012; GIBALA et al., 2010). 
Para portadores de DM, os exercícios físicos devem promover as seguintes 
ações: i) auxílio na manutenção da massa corporal magra e redução da massa 
gorda e; ii) melhora da função cardiovascular, da sensibilidade insulínica, do perfil 
lipídico, do controle glicêmico e da pressão arterial(CASTRO et al., 2011). Portanto, 
entende-se que a partir dos protocolos intermitentes anteriormente citados, o 
HIIT parecem ser mais eficientes para atender estas demandas (TRAPP et al., 
2008; LITTLE et al., 2011; EARNEST, 2008), contrastando com as recomendações 
tradicionais de esforços contínuos com duração de 20 a 60 min e intensidade 
entre 50% e 80% do VO2 de reserva(CASTRO et al., 2011).
Quanto à função cardiovascular, o HIIT parece ter efeito importante (KES-
SLER et al. 2012; GUIRAUDI et al., 2012), principalmente por aumentar o limiar 
ventilatório, o que apresenta relevância clínica por melhorar a capacidade de 
suportar exercícios submáximos e a percepção de qualidade de vida. Além 
disso, o HIIT pode induzir regressão de marcadores de disfunção no ventrículo 
esquerdo, diminuir a resistência vascular e a disfunção endotelial e aumentar a 
capacidade oxidativa dos músculos periféricos(FREYSSIN et al., 2012).
ConClusões
Os exercícios intermitentes de alta intensidade se mostram úteis no tra-
tamento de fatores que caracterizam a SM. Além da eficiência temporal, da 
motivação e maior aderência ao processo de treinamento, a otimização dos 
EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS124
resultados em prazos menores que os promovidos em exercícios contínuos 
tornam o HIIT um meio de treino interessante a ser adicionado na prescrição 
de exercício para esta população.
Especificamente quanto ao processo de treinamento, sugere-se que 
sedentários portadores de síndrome metabólica sigam uma progressão linear 
de intensidades e regressão concomitante do tempo dos estímulos, visando 
a introdução gradativa de exercícios intensos na rotina de treinamento. Esta 
introdução deve respeitar a tolerância em diferentes estágios, a saber:
1) Protocolos intermitentes longos e submáximos, como os de Bartlett – et al. 
(2011), 6 x 3 min a 90% VO2max com intervalos de 3 min a 50% VO2max 
ou de Mandroukas et al. (2011), 4 min a 12 km/h x 4 min a 8 km/h, podem 
servir como introdução aos novos estímulos ainda que coexistindo com os 
exercícios moderados, longos e contínuos.
2) A medida que a aptidão física aumenta, esforços intermitentes mais cur- –
tos e próximos da intensidade máxima, como os de Little et al. (2011), 10 x 
60s em 90% FCmax x 60 s recuperação podem potencializar os resultados 
e apresentar redução da demanda temporal das sessões.
3) Seguindo a progressão, indivíduos portadores de SM já treinados podem –
alternar os protocolos anteriormente mencionados com sessões de intensi-
dade supramáxima, como as descritas por Trapp et al. (1999)60 x 8 s all-out 
x 12 s a 20-30 rpm, ou de Metcalfe et al. (2011) 2 x 10-20 s all-out por 3 
min e 20 s de recuperação, ou ainda Richards et al. (2010), 4 x 30 s all-out 
por 4 min de recuperação.
Faz-se necessário reforçar que esta indicação segue uma lógica linear de 
progressão do treinamento e que métodos não lineares também podem ser 
considerados para prescrição do HIIT.
Em resumo, com o aumento da prevalência da SM, exercícios intermitentes 
de alta intensidade parecem ser uma alternativa relevante para a prevenção e o 
tratamento dos fatores de risco que a compõem. Desta forma, diferentes proto-
colos de treinamento de alta intensidade com potencial motivacional e eficiência 
temporal podem aumentar a adesão aos programas de exercícios que objetivam 
reduzir os fatores de risco das doenças crônicas, estando eles isolados ou agru-
pados (SM). Sugere-se, portanto que tal modo de exercício seja considerado na 
prescrição e nas recomendações de atividades para promoção da saúde na SM.
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APLICAÇÕES 
PRÁTICAS
COMPARAÇÃO DE DOIS TIPOS 
DE RECUPERAÇÃO ATIVA NO TEMPO 
DE EXAUSTÃO EM SPRINTS REPETIDOS 
NO CICLOERGÔMETRO
Gabriela Marini Oliveira, Marcos Atrib Zanchet, Fabrício Boscolo Del Vecchio
introdução
Muitas atividades esportivas, principalmente esportes coletivos ou com 
características de longa duração, como badminton, basquete, futebol e ciclismo, 
são de natureza intermitente, ou seja, caracterizadas por esforços repetidos 
máximos ou submáximos de curta duração, alternados com períodos de recu-
peração durante cada esforço, o qual é seguido de intensidade muito mais 
baixa ou interrupção. Essas características se referem ao exercício intermitente 
de alta intensidade (DORADO; SANCHIS-MOYSI; CALBET, 2004).
Segundo Glaister (2005), os esportes de natureza intermitente, de maneira 
geral, consistem em tiros breves repetidos (menores ou iguais a 6 segundos) 
de trabalho máximo/submáximo intercalados com períodos de recuperação 
relativamente curtos (menores ou iguais a 60 segundos) de intensidade baixa/
moderada. Complementarmente, sabe-se que sprints ou tiros, são esforços de 
curta duração, desempenhados em alta intensidade e velocidade, igual ou 
superior à velocidade máxima do limiar de lactato (BILLAT, 2001).
A condição física para se desempenhar sprints repetidos de curta duração 
durante um breve período de tempo tem sido sugerida como componente 
relevante da aptidão de esportistas de diferentes modalidades (BUCHHEIT 
et al., 2010). Embora muitos estudos tenham investigado a capacidade de 
sprints repetidos durante os últimos 10 anos, a duração dos sprints, o número 
de repetições, a duração e o tipo de recuperação, geralmente, não refletem 
as possíveis demandas fisiológicas de esportes como o ciclismo (SPENCER 
et al., 2006).
COMPARAÇÃO DE DOIS TIPOS DE RECUPERAÇÃO ATIVA NO TEMPO DE EXAUSTÃO 135
Para Spencer et al. (2005), a distância e a duração de sprints em esportes 
coletivos de campo são pouco variável, estando entre 10-20m e 2-3 segundos, 
respectivamente. Contrariamente aos dados supracitados a respeito da distân-
cia e duração dos sprints, existe variação considerável durante os jogos desses 
esportes (ex.: 20-60 sprints) e distância total de sprint (entre 700-1000 m). Além 
disso, para se aumentar o entendimento sobre a capacidade de sprintarrepeti-
damente nos esportes coletivos de campo, mais pesquisas são necessárias para 
documentar as análises tempo-movimento da atividade de sprints repetidos 
durante competições de esportes coletivos (SPENCER et al., 2005). 
Neste contexto, existem poucas pesquisas de investigação sobre a natureza 
específica de sprints repetidos no que se relaciona ao ciclismo. Isso se deve ao 
fato da discrepância de protocolos e/ou entre os grupos amostrais de cada 
pesquisa, impossibilitando possíveis relações entre os achados (BILLAUT; BISHOP, 
2009; LAURSEN; JENKINS, 2002). Adicionalmente, o processo de evolução do 
desempenho também depende da qualidade das transições entre os estímulos. 
Assim, a forma de recuperação adequada para cada evento esportivo se torna 
aspecto relevante do treinamento(PASTRE et al., 2009).
A recuperação pós-esforço consiste em restaurar de forma mais eficiente os 
sistemas energéticos do organismo para reduzir a limitação no desempenho e risco 
de lesões. Esse intervalo entre esforços pode ser feito de diferentes formas, entre 
elas estão o repouso (recuperação passiva), crioterapia, alongamentos, massagem 
e exercícios de baixa intensidade (ZARROUK et al., 2011; PASTRE et al., 2009). 
Tem sido reportado que o exercício de baixa intensidade ou recupera-
ção ativa (RA) facilitam a recuperação da fadiga muscular, pois proporcionam 
decréscimo na concentração de lactato sanguíneo através de oxidação ou con-
versão em glicose e aminoácidos (BROOKS; FAHEY, 2005) e, consequentemente, 
podem contribuir aumentando o desempenho em atividades com eventos de 
alta intensidade como sprints repetidos (FUJITA et al., 2009). Mesmo sendo a 
RA o método mais antigo de regeneração pós-esforço, este ainda vem sendo 
amplamente discutido na literatura (PASTRE et al., 2009).
Resumidamente, a recuperação ativa se caracteriza por período de “descanso” 
entre um sprint e outro, com manutenção do movimento o qual pode ser idên-
tico à prática do sprint, utilizando-se os mesmos grupos musculares envolvidos 
(porém com intensidade consideravelmente menor) ou com a movimentação de 
grupos musculares que não são recrutados durante os sprints. Por outro lado, a 
recuperação passiva tem como característica a interrupção total do movimento, 
seja ela por qualquer grupo muscular, envolvido ou não na prática do período 
de sprint (BROOKS; FAHEY, 2005.)
Assim, o objetivo deste estudo foi investigar a diferença no tempo de 
exaustão entre dois tipos de recuperação ativa no desempenho em sprints no 
ciclo ergômetro. 
EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS136
materiais e métodos
Tipo de estudo e caracterização das variáveis
O estudo proposto é de caráter experimental, randomizado. Como variáveis 
dependentes foram elencadas o tempo até a exaustão e o número de sprints e, 
como variável independente, o tipo de recuperação ativa (utilizando membros 
superiores ou inferiores). 
Sujeitos, critérios de inclusão e exclusão
Considerando como critérios de inclusão: i) formação em Educação Física, 
ii) idade compreendida entre 18 e 30 anos e iii) ausência de lesão em membros 
superiores ou inferiores que prejudicassem a execução dos testes nos 6 meses 
que antecederam a avaliação, 7 sujeitos de ambos os sexos foram elegíveis 
para compor a amostra.
Delineamento do estudo e coleta dos dados
Para mensuração das variáveis e realização dos protocolos de teste e inter-
venção, os participantes assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido 
e compareceram às dependências da Escola Superior de Educação Física da 
Universidade Federal de Pelotas (ESEF/UFPel). Os indivíduos foram alocados 
aleatoriamente por meio de sorteio simples em dois grupos: 1 – Recuperação 
ativa utilizando membros inferiores (RAI) ou 2 – Recuperação ativa exercitando 
membros superiores (RAS). Logo após, foi realizado aquecimento durante 2 
minutos no cicloergometro com carga fixada de 25 W, seguido por sprints 
máximos com duração de 10 segundos no mesmo cicloergômetro com carga 
fixada de 400 W. Ao final de cada sprint o sujeito indicava o valor referente 
à percepção subjetiva de esforço (PSE) e realizava o período de recuperação 
ativa definido a priori com 50s de duração, em seguida, realizava novo sprint. 
O ciclo sprint/recuperação foi repetido até a desistência voluntária do avaliado, 
ou interrompido quando o participante não era capaz de manter a velocidade 
de sprint acima de 80% da velocidade máxima, considerada como pico de 
velocidade do primeiro sprint (LAURSEN; JENKINS, 2002).
 A cerca da recuperação, o grupo RAS realizava a recuperação ativa com 
exercício de remada contra a resistência da faixa elástica theraband® de cor 
verde (resistência moderada), já o grupo RAI, continuava a pedalada no ciclo-
ergômetro com carga de 25 W e velocidade entre 30 e 50 rpm (SPENCER et 
al., 2006) (FIGURA 1).
Foram coletados o número de sprints realizado por cada sujeito, a percepção 
subjetiva de esforço (PSE) ao final de cada sprint e o tempo de exaustão. Para 
avaliar a PSE foi utilizada a Escala de Borg pontuada de 6 – muito fácil – até 
20 – exaustivo(FOSS et al., 2000).
COMPARAÇÃO DE DOIS TIPOS DE RECUPERAÇÃO ATIVA NO TEMPO DE EXAUSTÃO 137
Figura 1. Posicionamento da – theraband no ciclo ergômetro para realização 
da RAI e RAS.
Análise dos dados:
Os resultados serão apresentados na forma tabular. Empregou-se estatística 
descritiva para apresentadação dos dados, assumindo-se a média como medida 
de centralidade e o desvio padrão (dp) como medida de dispersão
resultados 
Quanto aos resultados, registra-se que o estímulo com remada proporcionou 
possibilidade de execução de 5 a 12 sprints ao passo que a recuperação com 
membros inferiores possibilitou de 3 a 8 esforços. O tempo total da sessão de 
treino, até se chegar à exaustão, no grupo RAS foi de 10 ± 3,46 minutos, ao 
passo que no RAS foi de 6,25 ± 2,21 minutos (Tabela 1).
Ao se considerar os tipos de recuperação, observa-se que o treino com 
remada gerou maior número de sprints e maior percepção subjetiva de esforço 
(Tabela 2).
Tabela 1: Média ± desvio padrão dos grupos RAI e RAS para tempo de –
exaustão e número de sprints
RAS RAI
Sujeito A1 B1 C1 Média ± dp B1 B2 B3 B4 Média ± dp
Tempo até exaustão (min) 6 12 12 10±3,46 4 9 5 7 6,25± 2,21
Número de sprints 5 11 12 9,33±3,78 3 8 4 6 5.25± 2,21
RAI – Recuperação ativa com membros inferiores
RAS – Recuperação ativa com membros superiores
EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS138
disCussão
O principal achado do presente estudo foi a evidência de maior quantidade 
e duração de esforços no grupo que realizou recuperação ativa utilizando a mus-
culatura não envolvida no movimento de teste (sprint em cicloergômetro).
Um estudo realizado por Margaria et al. (1969), usando intensidades suficientes 
para a exaustão dos sujeitos entre 30-40 segundos de corrida em esteira, sugeriu 
que com recuperação suficiente (> ou igual a 25”), o ATP necessário para abastecer 
10” de trabalho intermitente “pesado” derivou predominantemente da degradação 
de PCr. Entretanto, esta conclusão foi altamente especulativa, já que a PCr não 
foi medida no estudo. Por outro lado, Gaitanos et al. (1993) evidenciaram que 
após 10 sessões de esforços de 6 segundos intercalados por recuperação de 20 
segundos, a décima série apresenta a PCr como maior fonte energética.
Tabela 2: Percepção subjetiva de esforço dos sujeitos durante cada – sprint, 
segundo tipo de recuperação
Percepção subjetiva de esforço (6 – 20) Média ± dp
Grupo sujeito S1 S2 S3 S4 S5 S6 S7 S8 S9 S10 S11 S12
RAS A1 10 13 15 16 16 14 ± 2,5
A2 14 16 16 17 18 18 19 19 19 19 19 17.6 ± 1,7
A3 9 9 11 11 13 13 15 15 17 17 19 20 14 ± 3,7
Grupo 15,2 ± 2,6
RAI B1 13 14 14 13,6 ± 0,6
B2 11 12 12 14 15 17 19 20 15 ± 3,4
B3 10 15 17 19 15,3 ± 3,9
B4 11 12 13 13 14 14 12,8 ± 1,2
Grupo 14,1±2,2
dp = Desvio Padrão 
RSA = Recuperação ativa com membros superiores 
RAI = Recuperação ativa com membros inferiores
Glaister (2005) relata que durante breves períodos de trabalho máximo a 
provisão de ATP é mantida através da integração complexa de vários processos 
metabólicos. Esses processos trabalham juntos para atingir o pico de taxa de 
rotatividade de ATP, em torno de 15mmol ATP/Kg ms/seg. Entretanto, como 
os tiros são repetidos, a resposta metabólica é determinada pela duração dos 
períodos de recuperação intervenientes.
Acredita-se que os resultados do presente estudo tenham ocorrido por conta 
da degradação de fosfocreatina (PCr) sofrida pela musculatura envolvida no sprint, 
a qual não obteve ressíntese do elemento durante a recuperação ativa, com movi-
mento de menor intensidade, por manter os tecidos musculares envolvidos nos 
sprints, do início ao fim do teste, continuamente em movimento (SPRIET, 2006). 
COMPARAÇÃO DE DOIS TIPOS DE RECUPERAÇÃO ATIVA NO TEMPO DE EXAUSTÃO 139
Talvez, isso seja melhor explicado pelo fato de que, durante um único 
sprint, consideráveis contribuições da degradação de PCr e glicólise anaeróbia 
fornecem a grande maioria da produção de ATP, resultando na depleção de 
apenas parte dos estoques de PCr (TRUMP et al., 1996). Diferentemente, durante 
sprints repetidos, a contribuição relativa da glicogenólise anaeróbia é reduzida, 
o que é parcialmente explicado pelo aumento no metabolismo aeróbio, o que 
pode ter ocorrido no caso da recuperação utilizando-se a musculatura envolvida 
nesses esforços de alta intensidade. Além disso, a degradação e a ressíntese 
das taxas de PCr estão relacionadas com a diminuição do desempenho e com 
perda de nucleótidos de purina, que também pode ocorrer durante sprints 
subsequentes (SPENCER, 2005).
Assim, os sujeitos que executaram recuperação sem recrutamento da mus-
culatura envolvida nos sprints podem ter sofrido depleção menor nos estoques 
de PCr, retardando o tempo de exaustão do experimento (HARRIS, 1976).
Este achado vai de encontro aos resultados encontrados por Spencer et al. 
(2008), que não encontraram diferenças significantes na análise de variáveis san-
guíneas comparando grupos de diferentes intensidades de recuperação ativa. 
Já Dourado et al. (2004), que comparam três diferentes tipos de recuperação 
(recuperação ativa com pedalada, alongamento e supino) durante exercício de 
alta intensidade em cicloergômetro, encontraram melhoras no desempenho no 
grupo que realizou recuperação ativa utilizando a mesma musculatura envolvida 
no teste.Isso pode ser explicado pelo aumento na produção de energia aeróbia 
devido à cinética rápida de VO2 combinada com o tempo maior de trabalho 
(SMITH; HILL. 1991).
Em estudo realizado por Trump et al. (1996), foram recrutados 7 sujeitos 
saudáveis que realizaram 3 tiros em cicloergômetro de 30” (100rpm) com 4’ 
de recuperação entre os tiros. Após o segundo tiro, a circulação sanguínea de 
uma das pernas dos indivíduos foi oclusa com manguito durante o período de 
recuperação para prevenir a ressíntese de PCr, enquanto a circulação da outra 
perna se mantinha intacta (controle). Então, o manguito foi removido e o tiro 
3 foi executado. Nos tiros 1 e 2, o trabalho total produzido pelas duas pernas 
foi muito similar. Porém, após o tiro 3, a oclusão preveniu a ressíntese de PCr e 
também resultou em altos níveis significativos de lactato e [H+]. Os resultados 
encontrados pelos autores sugerem que a PCr contribuiu com ~15% do pro-
vimento total de ATP durante o terceiro tiro de pedalada isocinética máxima 
e a maior parte do ATP foi fornecida durante os primeiros 15”. A glicogenólise 
contribuiu minimamente com o fornecimento de ATP(~10-15%) durante o ter-
ceiro tiro de 30s., sugerindo que o metabolismo aeróbio se torna a fonte de 
ATP dominante durante esse modelo de protocolo com sprints repetidos.
Franchini et al. (2003) compararam a concentração de lactato sanguíneo e 
performance em exercícios intermitentes utilizando recuperação ativa ou passiva 
em atletas de judô após o combate. Observou-se maior redução na concentração 
EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS140
de lactato sanguíneo quando utilizada a recuperação ativa, o que é explicado 
pela oxidação do lactato através da musculatura ativa (GAITANOS et al., 1993). 
Entretanto, esse achado não se relacionou com melhora na performance dos 
exercícios, já que não houve diferença no desempenho entre os diferentes 
tipos de recuperação. 
Porém, esse estudo apresenta diversas limitações e os resultados devem ser 
interpretados com cautela. Por exemplo, indica-se que o tamanho da amostra 
foi pequeno e, além disso, algumas variáveis como aptidão física, composição 
corporal e experiência na modalidade avaliada não foram controladas e compa-
radas entre os grupos, o que pode ter interferido nos resultados descritos.
Considerações Finais
Com base nos resultados deste estudo, a recuperação utilizando segmento 
corporal não envolvido no movimento ou na recuperação passiva da musculatura 
responsável pelo movimentodo sprint parece apresentar melhores resultados 
para desempenho de sprints repetidos, pois os indivíduos do grupo em questão 
atingiram número maior de ciclos de esforço e alcançaram maior tempo de 
atividade até chegarem à exaustão. 
De acordo grande parte da literatura consultada, geralmente recuperações 
ativa da musculatura envolvida em sprints são mais eficientes; porém, nosso 
estudo mostrou o contrário desses achados. Por conta da metodologia esco-
lhida, na literatura corrente não foram encontrados dados que pudessem ser 
objeto de comparação fidedigna. Assim, mais estudos se fazem necessários para 
afirmarmos se recuperação ativa com remada foi responsável pela maior quan-
tidade e duração de esforços com possível contribuição na síntese de PCr e na 
remoção do lactato ou, se o simples fato do não recrutamento da musculatura 
envolvida na RAI (membros inferiores) tenha proporcionado menor gasto das 
fontes energéticas em questão.
Algumas questões ainda precisam ser revistas para uma melhor avaliação 
da situação descrita, tais como: nível de aptidão física dos indivíduos, faixa 
etária, sexo e composição corporal. 
reFerÊnCias 
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EFEITOS DE TRÊS PROTOCOLOS 
DE TREINAMENTO ESPECÍFICO 
DE TAEKWONDO EM DIFERENTES 
VARIÁVEIS PSICOFISIOLÓGICAS
Rossano Diniz, Daniel Guimarães Soares, Fabrício Boscolo Del Vecchio
introdução 
Dentre todos os esportes olímpicos de combate, um dos mais praticados 
no mundo é o Taekwondo (TKD), o qual é desenvolvido em 189 países filiados 
à World Taekwondo Federation (WFT) e por mais de 50 milhões de adeptos. 
Adicionalmente, ele tem uma grande observação dentro do campo científico, 
especialmente em questões como a preparação físico-técnica (Fargas, 1999; 
Bridge et al., 2007).
Ao ser considerado esporte intervalado de alta intensidade (Campos et al., 
2009), registra-se que ele tem relações de esforço:pausa de 1:3 a 1:4, ou seja, 
cada ação de alta intensidade de 3 a 5 segundos é seguida por um tempo 
de 3 a 4 vezes maior em baixa intensidade (normalmente com uso do step). 
Isto se dá em lutas simuladas ou mesmo dentro de uma competição, que em 
geral tem lutas de 3 rounds de 2 minutos, com 1 minuto de intervalo entre 
eles (Franchini; Vecchio, 2012)
Para a prescrição de exercícios específicos no TKD, além do estudo tem-
poral da modalidade, faz-se necessária avaliação de parâmetros fisiológicos de 
performance, pois,durante o treinamento, devem ser conhecidas e controladas 
diversas variáveis, dentre elas, a frequência cardíaca máxima, o limiar anaeróbio 
e o nível de tolerância ao lactato (Gómez, 2001).
Diante de diferentes fatores, como capacidade física elevada, experiência 
em competições e musculatura preparada para esforços supramáximos, o 
treinamento intervalado de alta intensidade (HIIT) se torna relevante por con-
EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS144
tribuir com estímulos que elevem a aptidão física dos lutadores (Ravier et al., 
2009; Farzad et al., 2011). Vários estudos com esportes de combate já foram 
realizados demonstrando a relevância do HIIT, e estes dados são no Muay-Thai 
(Crisafulli et al., 2009) e no Karate (Ravier et al., 2009), por exemplo. Ademais, 
a literatura pertinente ao tema estabelece que, para formular um programa de 
treinamento físico em lutas, deve-se levar em conta o metabolismo aeróbio e 
anaeróbio, sempre direcionando para a especificidade do combate (Degoutte 
et al., 2003; Ravier et al., 2009; Farzad et al., 2011).
Neste contexto, diferentes trabalhos buscaram verificar o impacto agudo e 
crônico do HIIT em praticantes de lutas. Na primeira perspectiva, constatou-se 
elevada demanda cardiopulmonar (Crisafulli et al., 2009), com a frequência cardíaca 
chegando a 182 ± 1,6 bpm,quando da realização de simulação de combate do 
Muay-Thai, bem como aumento do GH plasmático, insulina, glicose e concentração 
de lactato após esforços de 60 s com 60 s de recuperação com estímulos de Kick-
Boxing (Ghanbari-Niaki et al., 2010). No entanto, mais recentemente, observou-se 
que simulação de combate baseada na análise temporal e dos movimentos do 
Taekwondo não foi suficiente para mimetizar as demandas da modalidade quanto 
às diversas variáveis biológicas, basicamente em decorrência do menor estresse 
envolvido no protocolo de treino em comparação à luta (Bridge et al., 2012).
O TET proporcionou a prescrição de três realidades diferentes de esforços 
a partir da possibilidade de verificar o desempenho máximo de cada atleta 
usando os gestos do esporte simulando uma realidade mais próxima da luta. 
Segundo o estudo sobre o TET este é o maior objetivo deste teste (Sant’ana 
et al., 2009). Neste sentido, o presente estudo objetivou avaliar o impacto do 
exercício intermitente de alta intensidade, estruturado a partir de teste progres-
sivo específico, em diferentes variáveis psicofisiológicas. 
materiais e métodos
tipo de estudo
Constitui-se como estudo quase experimental, por não apresentar grupo 
controle, e de medidas repetidas. O mesmo foi realizado na Escola Superior de 
Educação Física, da Universidade Federal de Pelotas.
sujeitos 
Inicialmente, foram envolvidos neste estudo 11 atletas de taekwondo do 
sexo masculino, com mais de 12 meses de treinamento, participantes do projeto 
de iniciação ao esporte desenvolvido pela Escola Superior de Educação Física, 
EFEITOS DE TRêS PROTOCOLOS DE TREINAMENTO ESPECÍFICO DE TAEKWONDO 145
na Universidade Federal de Pelotas. No entanto, dois deles abandonaram as 
atividades ao longo das coletas e um se lesionou em treinamento. Assim, a 
amostra final contou com oito indivíduos.
Os lutadores envolvidos no estudo, com graduação entre amarela e verde 
ponta azul, com 14,9 ± 0,94 anos, 55,9 ± 10,11 Kg, estatura de 1,66 ± 0,9 m e 
índice de massa corporal (IMC) de 20,28 ± 2,22 Kg/m2, foram informados sobre 
os riscos e benefícios associados ao protocolo de teste e assinaram o termo de 
consentimento livre e esclarecido.
Ainda acerca dos participantes do estudo, são categorizados na classe 
júnior e já participaram de competições de âmbito nacional e internacional, 
tendo experiência na modalidade, o que minimiza alguns fatores psicológicos 
que interferem nas questões fisiológicas.
Para o presente estudo, foram determinados como critérios de inclusão: 
ser atleta do projeto, ter entre 14 a 17anos (categoria Junior no Taekwondo), 
participar do treinamento ininterrupto da modalidade durante mais de 12 meses 
e não apresentar qualquer lesão ósteo-articular que impossibilitasse a realização 
do teste incremental e das sessões de treinamento.
O quadro 1 explicita a participação dos atletas em eventos da modalidade 
e número de competições e medalhas que obtiveram recentemente.
EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS146
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EFEITOS DE TRêS PROTOCOLOS DE TREINAMENTO ESPECÍFICO DE TAEKWONDO 147
delineamento do estudo
Todos os procedimentos ocorreram nas dependências da Escola Superior 
de Educação Física da Universidade Federal de Pelotas, e foram conduzidos por 
profissionais previamente treinados, acadêmicos de graduação ou mestrado em 
Educação Física, sob supervisão contínua e proximal de professor orientador.
Os protocolos foram executados com intervalo mínimo de 48 h entre 
eles, de modo que um teste ou treinamento não interferisse nos resultados do 
subsequente. Durante todo processo de investigação, os atletas foram instru-
ídos a não realizarem esforços físicos 24 horas antecedentes à realização dos 
procedimentos a serem conduzidos na respectiva sessão.
O estudo foi organizado em quatro diferentes sessões, com realização do 
Teste Específico de Taekwondo (TET) na primeira sessão e, nas outras três sessões, 
foram realizados treinos com intensidades diferentes, baseadas no TET.
Sessão 1 – Anamnese e medidas de repouso
No primeiro dia, após anamnese, para descrição demográfica dos envolvidos, 
avaliaram-se diferentes variáveis, a saber:
a) Massa corporal e estatura, com balança portátil com precisão de 0,01 
kg e estadiômetro com precisão de 0,1 cm;
b) Frequência Cardíaca (FC) e parâmetros da sua variabilidade (VFC) 
em repouso, na posição em pé, com registro contínuo por sete 
minutos (Paschoal, Trevizan et al., 2009) Lípides e Capacidade Física 
de Crianças obesas e Não-obesas</title><secondary-title>Arq Bras 
Cardiol</secondary-title></titles><periodical><full-title>Arq Bras Car-
diol</full-title></periodical><pages>239-46</pages><volume>93</
volume><number>3</number><dates><year>2009</year></
dates><urls></urls></record></Cite></EndNote> a partir de monitor 
Polar® RS800 (Polar™, Finlândia);
c) Frequência final de chute em teste progressivo específico do Taekwondo 
(TET), e;
d) Percepção Subjetiva de Esforço (PSE) pré e pós-teste específico, com 
emprego da escala de 0-10 (Foster et al., 2001). 
teste progressiVo espeCíFiCo para atletas de taeKwondo (tet)
O teste progressivo específico de Taekwondo (TET) foi realizado para 
identificar em que nível de esforço se encontravam os atletas e, posterior-
mente, contribuir na prescrição dos três protocolos de treino, com base no 
percentual de esforço.
EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS148
O teste se inicia com estágio de 100 segundos, no qual devem ocorrer 6 
chutes, sendo que o tempo entre um chute e o próximo, neste estágio, é de 
18 segundos. A partir dos próximos estágios os intervalos entre os chutes e o 
tempo de duração dos estágios diminuem; porém, aumenta-se o número de 
chutes aplicados (Sant’ana et al., 2009). 
As sequências de chutes (Bandal Tchagui) foram iniciadas como membro 
inferior direito, alternando a cada novo golpe, sendo que nos intervalos entre um 
chute e outro os atletas ficavam em posição de luta e saltitando (realizando step). 
Para controle dos estágios por parte dos avaliadores, e indicação do momento de 
chute a ser realizado pelos lutadores, realizaram-se silvos sucessivos com apito.
A finalização do teste foi determinada através dos seguintes critérios: a) 
o praticante não conseguir acompanhar a frequência de chutes (determinada 
por sinal sonoro); b) não alcançar a altura previamente estipulada e demarcada 
com colete de Taekwondo, na altura de seu tronco; c) exaustão voluntária. Estes 
critérios foram observados por avaliador, previamente treinado e experiente na 
modalidade, durante a aplicação do protocolo do teste. O último estágio no 
qual o atleta conseguiu realizar esforços até o final foi adotado comoo nível de 
esforço do TET.
As relações de esforço, tempo e frequência de chutes podem ser observadas 
no quadro 2. Nele, a primeira coluna apresenta cada estágio do teste, na segunda 
coluna é exibida a duração de cada estágio, na terceira coluna está disposto o 
tempo acumulado e ajustado, na quarta coluna se observa a quantidade total 
de chutes (QTC) correspondente a cada estágio do teste e, por fim, na quinta 
coluna são apresentados os intervalos entre os chutes.
Quadro 2. Delineamento do Teste Progressivo Específico Para Praticantes –
de Taekwondo (TET)
estágios duração (s) duração ajustada e acumulada (s)
QtC do 
estágio
intervalos entre 
os chutes (s)
1 100 100 6 16
2 84 180 10 8
3 77,1 260 14 5
4 73,3 330 18 4
5 70,9 405 22 3
6 69,2 470 26 2
7 68,0 540 30 2
8 67,1 605 34 2
9 66,3 675 38 1,7
10 65,7 740 42 1,5
11 65,2 805 46 1,4
12 64,8 870 50 1,2
QTC= Quantidade total de chutes
EFEITOS DE TRêS PROTOCOLOS DE TREINAMENTO ESPECÍFICO DE TAEKWONDO 149
Sessões 2 a 4 – Intervenções
Sequencialmente à sessão 1, foram realizadas três sessões de treino, com 
ordem de execução determinada previamente e de modo aleatório, e que 
fizeram uso de diferentes intensidades de esforço. 
Nelas, ocorreu registro da FC e VFC, por 5 min antes e após o término do 
esforço. Também se mensurou a concentração de lactato sanguíneo [Lac] pré- e 
pós-treino na primeira sessão (imediatamente antes e um minuto após o término 
do estímulo), e pós-treino nas outras duas sessões. Para a [Lac], empregou-se o 
equipamento Lactate Plus (Nova Biomedical Co™, Waltham, MA).
protoColos das sessões de treino
Após estudo piloto, realizado com três atletas que se encaixavam nos 
critérios de inclusão para o estudo, e que não participaram das coletas finais, 
foram estruturados os protocolos de treino. 
Os treinamentos foram elaborados de forma a aproximar ao máximo 
possível de uma luta de Taekwondo, que tem 3 rounds de 2 minutos, com 
intervalo de 1 minuto entre rounds (Vecchio e Franchini, 2011). Deste modo, 
três protocolos de treino, baseados no percentual máximo de esforço, e com 
diferentes durações, foram estruturados:
1º Treino, 75% do TET (TET75): Constituiu-se de estímulo contínuo, realizado a –
75% do desempenho máximo obtido no TET, sendo executada a referida fre-
quência de chutes durante 6 minutos (360 segundos), sem interrupções;
2º Treino, 100% do TET (TET100): Constituiu-se de treino intervalado, realizado –
a 100% do desempenho observado no TET, sendo executado em 3 séries 
de 2 minutos cada, com intervalo de 1 min entre séries;
3º Treino, 150% do TET (TET150): Treino intervalado, realizado a 150% do –
valor final considerado no TET, em 6 séries de 1 minuto, com intervalo de 
30 segundos entre séries.
Para realização do TET e de todos os protocolos de treino, empregou-se saco 
de pancadas de 30 Kg, da marca Punch®, com colete de treinamento específico 
do Taekwondo envolvendo-o para facilitar a precisão do chute. Com vistas a 
tornar o esforço mais próximo da realidade, o colete foi ajustado na altura do 
tronco de cada um dos atletas. 
Adicionalmente, o quadro 3 apresenta as diferentes características dos 
treinos propostos.
EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS150
Quadro 3. Características dos treinamentos. –
tet75 tet100 tet150
Duração total do esforço (min) 6 6 6
Duração total de pausa (s) 0 120 150
Número de esforços 1 3 6
Tempo do bloco de esforço (min) 6 2 1
Tempo do bloco de pausa (s) 0 60 30
Frequência de chutes (#/s) 1 / 3’’ 1 / 2’’ 1 / 0,5’’
Média de golpes por bloco 120,4±24 54,45±12,3 40,36±9,06
Total de golpes realizados 120,4±24 163,36±36,9 242,18±54,35
#/s: chutes por segundo.
proCedimento de Coleta e registro de dados
Os dados de FC e VFC foram coletados com cardiofrequencímetro (Polar® 
RS800CX, Polar Eletro OU, Finlândia), transferidos para software Polar ProTrainer 
5™ e analisados no software Kubios HRV 2.0 (University of Kuopio, Finlândia). 
Para o domínio da frequência da VFC os limites foram fixados em intervalos 
de 0,15 – 0,40 Hz para o componente de alta frequência (HF), 0,04 – 0,14 Hz 
para o componente de baixa frequência (LF), e <0,04 Hz para o componente 
de muito baixa frequência (VLF) conforme descrito na literatura (FRONCHETTI 
et al., 2007). O monitoramento e registro da FC e VFC foram realizados durante 
cinco minutos antes do início de cada intervenção e cinco minutos imediata-
mente após o término das mesmas (TASK FORCE ESC AND NASPE, 1996). Vale 
ressaltar que todas as coletas foram realizadas com os lutadores em posição 
ortostática, pois a mesma representa a adotada durante os esforços propostos 
(ALONSO et al., 1998). Para a FC, serão considerados os valores de FC média 
e FC máxima, em batimentos por minuto (bpm), atingidas em cada um dos 
momentos de coleta.
Os parâmetros da VFC, adequadamente registrados com equipamento e 
procedimentos validados de filtragem dos dados (QUINTANA et al., 2012), são 
organizados em três domínios, a saber: tempo, frequência e não-linear (FRON-
CHETTI et al., 2007). Quanto às variáveis do domínio do tempo, serão coletadas e 
analisadas: i) média dos intervalos R-R (MedRR); ii) desvio padrão dos intervalos 
R-R normais (SDNN); iii) raiz quadrada da média das diferenças sucessivas ao 
quadrado (rMSSD); e iv) porcentagem de intervalos sucessivos com diferença 
maior que 50ms (pNN50). No domínio da frequência, os componentes espectrais 
de: i) VLF (0 – 0,04 Hz); ii) LF (0,04 – 0,15); iii) HF (0,15 – 0,4); e iv) razão LF/HF. 
Por fim, no domínio não-linear: i) desvio padrão dos intervalos R-R instantâneos 
(SD1); e ii) desvio padrão dos intervalos R-R em longo prazo (SD2).
EFEITOS DE TRêS PROTOCOLOS DE TREINAMENTO ESPECÍFICO DE TAEKWONDO 151
análise estatístiCa
Todos os valores são descritos em média e desvio padrão. Empregou-se 
o teste t pareado para comparar o resultado pré e pós-sessão de treinamento 
para distribuição normal e variâncias homogêneas. As rotinas de análises foram 
executadas no pacote estatístico Stata. Assumiu-se p ≤ 0,05 como diferença 
estatisticamente significativa.
resultados
CaraCteriZação dos atletas enVolVidos no estudo
Os atletas envolvidos no estudo apresentavam 15 ± 0,93 anos, massa cor-
poral de 56,13 ± 11 kg, estatura de 1,66 ± 0,11 m, e o IMC foi de 20,24 ± 2,48 
kg/m2. A graduação se encontrava entre amarela e verde ponta azul e todos 
tinham no mínimo 12 meses de treinamento, tendo participado de competições 
de âmbito nacional e internacional.
Quanto à avaliação específica, o desempenho no TET foi até o estágio 
7±1,6. Neste contexto, a PSE na situação antes do Teste Progressivo Específico 
de Taekwondo foi ao estágio 2 ± 1,07 e após o TET chegou ao estágio 8,13 
± 1,55.
eFeitos de diFerentes intensidades de treino nas VariáVeis 
de interesse
No protocolo a 75% do TET, os esforços se localizaram no estágio de 
intensidade do estágio 5,5 ± 1,73 do teste, tendo uma média de golpes por 
treino 120,4±24 durante 6 minutos. No protocolo a 100% do TET, os esforços 
estiveram entre o estágio 7,8 ± 2,06, com média de 54,45±12,3 golpes no pe-
ríodo de 2 minutos, chegando a 163,36±36,9 chutes em 3 rounds de 2 minutos 
e intervalo de 1 minuto. Por fim, no protocolo de 150% do TET, a intensidade 
chegou ao estágio 11,5 ± 3,32, executando uma média de 40,36±9,06 golpes 
durante 1 minuto, chegando a 242,18±54,35 chutes em 6 rounds de 1 minuto 
e 30 segundos de descanso.
A tabela 1 expressa os valores pré e pós-esforço, segundo protocolo de 
treino e variável de interesse. A PSE, FCmax, FC média e diversas variáveis da 
VFC modificaram de um momento para o outro nos diferentes treinos reali-
zados. A figura 1 aponta que a concentração de lactato sanguíneo não diferiu 
das situações pré (8,4±7,1 mmol) e pós-esforço no estímulo a 75% (8,6±2,0) e 
100% (7,6±2,3) do TET, exceto no protocolo150%, no qual se atingiu 12,2 ± 3,2 
mmol (p < 0,001).
EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS152
Adicionalmente, as figuras de 2 a 4 exemplificam a curva da FC nos diferen-
tes protocolos de treino propostos. Nelas, observam-se os períodos de esforço 
e de intervalo, característicos de cada sessão de treino.
Figura 1. Concentração de lactato sanguíneo, segundo tipo de treino espe- –
cífico de taekwondo.
EFEITOS DE TRêS PROTOCOLOS DE TREINAMENTO ESPECÍFICO DE TAEKWONDO 153
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EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS154
Figura 2. Frequência cardíaca no protocolo de treinamento a 75% do TET. –
Figura 3. Frequência cardíaca no protocolo de treinamento a 100% do TET. –
Figura 4. Frequência cardíaca no protocolo de treinamento a 150% do TET. –
EFEITOS DE TRêS PROTOCOLOS DE TREINAMENTO ESPECÍFICO DE TAEKWONDO 155
disCussão
Este estudo avaliou características de diferentes treinamentos baseados em 
valores decorrentes de teste progressivo específico, o TET. Além da originalidade 
do mesmo, registra-se que sua especificidade também pode ser destacada como 
ponto relevante. Adicionalmente, indica-se que o principal achado do estudo foi 
que as concentrações de lactato sanguíneo e variáveis do controle autonômico 
cardíaco responderam de modo diferenciado, segundo protocolo realizado.
Foram observadas diferenças significativas entre os protocolos de treinamento 
a TET75, TET100 e TET150, segundo dados apresentados na tabela 1, quando 
relacionados com PSE, FC, FCmáx, FCmédia e a Variabilidade da FC. As figuras 
1,2 e 3 explicitam que a variação do esforço se apresenta diferenciada em cada 
um dos protocolos mencionados.
Durante o exercício físico, os intervalos R-R numa série temporal tendem a 
diminuir devido ao aumento da frequência cardíaca, sendo que o exercício físico 
tende a modificar as variáveis e intervêm na melhora da regulação autonômica 
com consequente aumento da variação da frequência cardíaca e a frequência 
cardíaca máxima (Cambri, Fronchetti et al., 2008). Tendo em vista as relações de 
dinâmica da FC bem evidenciadas nas figuras 2, 3 e 4, percebe-se as mudanças 
ocorridas em um treinamento intervalado de alta intensidade. Evidencia-se 
assim como o atleta se mantém treinando durante mais tempo em sua inten-
sidade máxima mantendo as variáveis fisiológicas semelhantes entre estas três 
intensidades de treinamento.Notam-se diferenças significativas evidenciadas em 
um só protocolo, no protocolo considerado contínuo nas variáveis SDNN, VLF 
e SD2, de variabilidade da freqüência cardíaca e no protocolo intermitente de 
alta intensidade realizado a 150% do TET, na variável LF/HF. 
Neste estudo, através dos protocolos TET75, TET100 e TET150, registrou-se 
FCmax em 193±10,9 bpm, 194,4±12,4 bpm e 196,4±10,0 bpm, estes valores 
corroboram com os encontrados em um estudo com atletas de TKD franceses, 
experientes, que em treinamento de TKD obtiveram entre 64,7-81,4 % FCmáx 
(Bridge, Jones, Hitchen, Sanchez, 2007). Resultados semelhantes foram encon-
trados em outro estudo de BridgeMcNaughton, Close, Drust (2012) com 10 
atletas de TKD britânicos avaliados em luta e treinamento obtendo registros 
de FCmax 190 ± 9 (luta) e 176 ± 5 (treino).
Para a VFC, o treino a 75% foi o único que diminuiu de modo estatistica-
mente significante as variáveis SDNN, VLF (Hz) e SDNN. Por outro lado, o treino 
a 150% foi o único que elevou de modo significante a razão LF/HF e, por fim, 
o TET a 100% não gerou modificações no HF.Ocorreu diferença significativa na 
variável LAC que no treinamento em intensidade de 150% do desempenho do 
TET chegou a 12,2±3,2mmol, diferenciando-se do TET75 e TET100, nos quais as 
concentrações atingiram 8,4±7,1 e 8,6±2,0 mmol, respectivamente. Em um estudo 
realizado com atletas de taekwondo lituanos após uma luta de TKD de 3 hounds 
EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS156
e 3 minutos com intervalos de 1 minuto, tempo oficial pela WTF as concentrações 
máximas de LA foram de 10.2 ± 1.2 (Bouhlel, Jouini et al., 2006). 
Objetivando o treinamento atlético é visto que durante o protocolo TET150, 
o atleta consegue manter sua capacidade máxima utilizando-se do treinamento 
intervalado de alta intensidade, desta forma sendo considerado o protocolo que 
mais se aproxima dos níveis de esforços alcançados em combates de TKD.
ConClusão
Elaborar diferentes estímulos de protocolos de treinamento intervalado a 
partir dos valores de desempenho encontrados através do TET pode ser uma boa 
estratégia de preparação física para atletas de taekwondo, obtendo a vantagem 
de usar os gestos mais próximos da realidade de uma luta. 
O protocolo de treinamento a 150% do desempenho TET parece ser o 
que mais se aproximou da realidade de um combate de taekwondo no que 
se refere às relações de esforço pausa encontradas na literatura. Apesar disso 
parece ser interessante realizar os três protocolos de forma evolutiva em dife-
rentes fases do treinamento. Porém são necessários mais estudos para garantir 
esta afirmação.
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	Intermitente-2014.10.30-CAPA.kidle
	Livro-Intermitente-DIAGRAMADO.2014.10.07-Fabrício
	Treinamento intervalado de alta intensidade
	Percepção subjetiva de esforço aplicada ao treinamento intermitente
	Exercício intermitente na terceira idade
	Exercício intermitente e emagrecimento
	Revisão sistemática dos efeitos do futebol recreacional
	Exercício intermitente na síndrome metabólica
	Tipo de recuperação ativa
	Treinamento intermitente no taekwondo
	Intermitente-2014.10.30-Contracapa

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