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EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS EXERCÍCIO INTERMITENTE: Estado da Arte e Aplicações Práticas EditorEs: Prof. Dr. Fabrício Boscolo Del Vecchio Prof. Ms. Yuri Salenave Ribeiro Prof. Ms. Luan Merseburger Picanço Profª Ms. Leony Morgana Galliano PELOTAS, 2014 Exercício Intermitente: Estado da Arte e Aplicações Práticas Copyright © 2014 by OMP Editora Rua Francisco José Furtado, n. 30 (Térreo) – São Francisco – Manaus-AM Cep: 69079-200 Tel/Fax: (92) 3213-9222 E-mail: ompeditora@hotmail.com Revisão ortográfica: Capa: Atleta: Fotos: Projeto Gráfico: Rodrigo Lippi Todos os direitos reservados. 1.ª edição – 2014 Nenhuma parte deste livro pode ser reproduzida ou transmitida de nenhuma forma ou por quaisquer meios eletrônicos, mecânico, fotocopiado, gravado ou outro, sem autorização prévia por escrito da OMP Editora. E de um de seus organizadores, Fabrício Boscolo Del Vecchio. Quando solicitada autorização para publicação de alguma fotografia (imagens que não são de domínio público ou fora de contexto jornalístico) ou conteúdo de coautores, foi concedida e ratificada sem ônus em documento entregue via e-mail ou em mãos ao autor. CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ Impresso no Brasil Printed in Brazil APRESENTAÇÃO Pelotas, 26 de setembro de 2014 O livro “Exercício Intermitente: Estado da arte e aplicações práticas”, fruto do trabalho desenvolvido no interior da disciplina “Pesquisa em Exercício Físico Intermitente” do programa de pós-graduação em Educação Física da Escola Superior de Educação Física da Universidade Federal de Pelotas (ESEF/UFPel), visa ocupar lacuna na literatura técnica-científica nacional a respeito da temá- tica. Aponto a literatura nacional como objeto, pois em âmbito internacional, pesquisas com exercícios desta natureza se proliferam de modo muito veloz. Assim, o corpo de conhecimento internacionalmente produzido e publicado é amplo. Porém, pouco tem sido divulgado em português, para que acadêmicos de diferentes níveis e pessoas interessadas na temática possam se envolver. No interior da disciplina ministrada na ESEF/UFPel desde 2010, além de ocorrerem leituras sistemáticas do que é produzido sobre Exercício Intermitente, os discentes matriculados na mesma são estimulados a realizarem seminários, redigirem textos de diferentes naturezas acerca do assunto e elaborarem aplica- ções de métodos que envolvem este tipo de exercício físico. E, das edições de 2010 e 2011 decorre a presente obra. Ela é composta por sete capítulos, sendo cinco relacionados ao estado da arte e dois associados às aplicações práticas. São tratados temas de relevância na área, como uso da percepção subjetiva de esforço e exercício intermitente em diferentes grupos populacionais. Todos os capítulos contam com segmento inicial de contextualização teó- rica e temática, com tratamento das diferentes variáveis demográficas e, então, ganham características próprias. Encontram-se capítulos com amplas revisões, como o “Exercício Intermitente na Terceira Idade” e “Aplicações do Exercício Inter- mitente na Síndrome Metabólica”, bem como revisões sistemáticas da literatura, a exemplo de “Exercício intermitente e emagrecimento: revisão sistemática da literatura” e “Aplicações do Exercício Intermitente na Síndrome Metabólica”. Modalidades esportivas são trazidas nesta obra, a partir do futebol, com o capítulo intitulado “Revisão sistemática dos efeitos do futebol recreacional em adultos não atletas” e com o capítulo com dados primários obtidos com lutadores de taekwondo, denominado “Efeitos de três protocolos de treinamento específico de taekwondo em diferentes variáveis psicofisiológicas”. EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS6 A partir desta obra, o leitor poderá aprender mais sobre conceitos e apli- cações do exercício intermitente, empregado em diferentes realidades sociais e a partir de diferentes ópticas metodológicas. Prof. Dr. Fabrício Boscolo Del Vecchio Professor Adjunto, ESEF/UFPel SUMÁRIO estado da arte Treinamento intervalado de alta intensidade: definição de termos e variáveis manipuláveis ............................................................................................... 11 Percepção subjetiva de esforço aplicada ao treinamento intermitente de alta intensidade ..................................................................................................... 16 Exercício intermitente na terceira idade ........................................................... 28 Exercício intermitente e emagrecimento: revisão sistemática da lite- ratura ................................................................................................................................ 68 Revisão sistemática dos efeitos do futebol recreacional em adultos não atletas ...................................................................................................................... 83 Aplicações do exercício intermitente de alta intensidade na sín- drome metabólica ....................................................................................................... 105 apliCações prátiCas Comparação de dois tipos de recuperação ativa no tempo de exaustão em sprints repetidos no cicloergômetro .......................................................... 134 Efeitos de três protocolos de treinamento específico de taekwondo em diferentes variáveis psicofisiológicas ........................................................... 143 ESTADO DA ARTE TREINAMENTO INTERVALADO DE ALTA INTENSIDADE: DEFINIÇÃO DE TERMOS E VARIÁVEIS MANIPULÁVEIS Fabrício Boscolo Del Vecchio, Leony Morgana Galliano, Luan Merseburger Picanço, Yuri Salenave Ribeiro O objetivo do presente livro é apresentar informações a respeito de prescrições de treinos intervalados, os quais são caracterizados pela elevada intensidade dos estímulos. Dessa forma, é relevante a distinção entre as deno- minações a respeito do treino intervalado de alta intensidade que podem ser encontradas na literatura, assim como o esclarecimento acerca de variáveis e termos específicos referentes ao tema. deFinição de termos e tipos de treinamento interValado de alta intensidade O consumo máximo de oxigênio (VO2MAX) diz respeito à aptidão cardior- respiratória e representa a potência aeróbia máxima (BUCHHEIT; LAURSEN, 2013a). O VO2MAX é produto da diferença arteriovenosa de oxigênio, ou seja, o O2 é disponibilizado ao organismo e considera-se o que é ofertado menos a parte que não é utilizada. Sua representação pode ser feita por duas unidades de medida, em mililitros de O2 por litro de sangue (mL·L -1) ou em mL de O2 por quilogramas (kg) de massa corporal por minuto (mL·kg-1·min-1) (COLÉGIO AMERICANO DE MEDICINA DO ESPORTE, 2007). A velocidade associada ao VO2MAX (vVO2MAX) representa a intensidade na qual, em teste progressivo até a exaustão, é identificado o VO2MAX e pode explicitar diferenças individuais no desempenho aeróbio que o VO2MAX sozinho não consegue (BILLAT & KORALSZTEIN, 1996). Além disto, pode ser uma referência de intensi- dade a se usar na prescrição dos treinos e é considerada a menor intensidade necessária para se atingir o VO2MAX (BUCHHEIT & LAURSEN, 2013a). Outra variável relevante para a prescrição do HIIT é o tempo limite até a exaustão (Tlim), que diz respeito ao tempo máximo que o indivíduo suporta EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS12 em exercício em intensidade constante determinada previamente, e definida a partir de percentuais da vVO2MAX (BILLAT & KORALSZTEIN, 1996), sendo que normalmente se utiliza a própria vVO2MAX, ou seja, 100%. O Tlim é parâmetro fisiológico que pode ser relacionado ao metabolismo anaeróbioe apesar de se apresentarem na literatura valores médios encontrados com indivíduos treina- dos e não treinados, pode haver grande variabilidade entre indivíduos e entre modalidades esportivas (CRISP et al., 2013). O treino intervalado de alta intensidade (HIT ou HIIT, do termo em língua inglesa “High-Intensity Interval Training”) é composto por estímulos executados em alta, máxima ou supramáxima intensidade, embora não haja consenso sobre a denominação de HIIT (GIBALA et al., 2008; BUCHHEIT et al., 2013b). O primeiro grupo, composto por esforços de alta intensidade, é caracterizado pela orientação de esforços com níveis em torno de 90% do pico do consumo de oxigênio, podendo ser orientado por atividades executadas acima do segundo limiar ventilatório (GIBALA et al., 2008; SEILER et al., 2006). Já o segundo grupo, formado por esforços máximos ou supramáximos, também conhecido como atividades “all out”, caracteriza-se pela exigência do maior grau de intensidade que os participantes disponibilizam para a realização do exercício, ou, então, são protocolos desenvolvidos com intuito de propor demandas de intensidades superiores as máximo que os atletas desempenham em determinado parâmetro de avaliação (BUCHHEIT et al., 2013b). Esses grupos de HIIT podem ser subdivididos de acordo com algumas características, sendo os blocos de esforços curtos (<45 segundos) e longos (2 a 4 minutos) a denominação para os HIIT de alta intensidade (BUCHHEIT et al., 2013a), e para o grupo “all out”, também, curto e longo, mas com duração menor ou igual a 10 segundos e maiores que 20 a 30 segundos, respectivamente (BUCHHEIT et al., 2013b). É frequentemente encontrada na literatura a utilização dos termos sprints repetidos para designar os treinos “all out” curtos, e sprints intervalados para as sessões de treino all out tidas como longas. Outra perspectiva de denominação de protocolos de HIT é com relação à variável de velocidade de deslocamento na qual o indivíduo realiza o esforço (IAIA et al., 2010). Com isso, estímulos de intensidade máxima, com duração de 2 a 10 segundos, longos períodos de recuperação de 50 a 100 segundos (em relação ao tempo de esforço) podem ser, também, denominados como proto- colos de treino de velocidade. Já esforços com menor tempo de intervalado, comparado ao de velocidade, são caracterizados como sessões de resistência de velocidade, as quais podem ser subdividas em treino de produção e manutenção de velocidade. No caso do primeiro, a intensidade é submáxima (maior que 70% da velocidade máxima) com esforços durando até 40 segundos, e intervalos médios de, no mínimo, cinco vezes o tempo em atividade. Já no segundo, a intensidade é maior que 50% da velocidade máxima, com duração das ações variando de 5 a 90 segundos, e com menor tempo de recuperação entre os três tipos, sendo menor e igual a três vezes o tempo de estímulo. TREINAMENTO INTERVALADO DE ALTA INTENSIDADE 13 VariáVeis manipuladas no treinamento de alta intensidade Para a prescrição do HIIT, algumas variáveis devem ser levadas em consi- deração. A seguir, estas serão elencadas e apresentaremos uma breve discussão sobre suas características, sendo que existe ampla diversificação em relação à periodização, pois varia de acordo com o protocolo de treinamento adotado, características da modalidade e do praticante (IAIA & BANGSBO, 2010). 1) Intervalo de trabalho ou estímulo: Diz respeito ao período que se refere a realização do esforço de alta intensidade. Está consolidado que o aumento na duração do estímulo ofertado, até o limite de 75 s, sem incrementos no intervalo de recuperação, resulta na contribuição da fonte de energia glicolítica anaeróbia (BUCHHEIT & LAURSEN, 2013b). Em geral, o intervalo de trabalho tem duração de 10 segundos a 5 minutos, com intensidade acima do limiar anaeróbio (LAURSEN & JENKINS, 2002). 2) Intervalo de recuperação ou pausa: momento destinado à recuperação entre os intervalos de trabalho. O modo de intervalo pode ser “ativador”, quando há movimentos mais rápidos, ou “recuperador”, no caso de exer- cícios com menor grau exigência, e são distinguidos conforme o objetivo do treinamento (DANTAS, 2003). Dependendo do tipo de HIIT, o intervalo de recuperação pode durar um período curto de tempo, ~8 segundos e apresentar cerca de 60 repetições na sessão (GAESSER & ANGADI, 2011). Ressalta-se que o tipo de recuperação está relacionado com o protocolo de HIIT realizado. Porém, pode-se respeitar recuperações mais longas, da ordem de 4min e 30 s (GIBALA et al., 2008). 3) Distância: determinada pelo espaço a ser percorrido durante o intervalo de trabalho, quando o treinamento envolver esta variável, caso contrário, utiliza-se o tempo. 4) Tempo: emprega-se tempo como forma de controlar o esforço durante o intervalo de trabalho. É contabilizado através da faixa temporal utilizada para percorrer a distância definida ou para realizar alguma tarefa específica. 5) Intensidade: assim como o tempo, aplica-se intensidade como forma de controle de esforço no período de estímulo, é estabelecida através de testes prévios, citados na sessão anterior deste capítulo (VO2MAX, vVO2MAX, Tlim). 6) Duração: refere-se ao período total empregado na sessão de treinamento, considerando intervalo de trabalho e de recuperação. Geralmente, as sessões de HIIT englobam aquecimento, períodos de intervalo de trabalho/estímulo, intervalo de recuperação/pausa e resfriamento (GAESSER & ANGADI, 2011). A estimativa é que o agrupamento destas atividades demande um período entre 20 e 25 minutos, deste, de 8 a 16 minutos são destinados para o EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS14 exercício em alta intensidade (TREMBLAY et al., 1994; TRAPP et al., 2008; TJØNNA et al., 2008). Porém, há protocolos de HIIT com duração de 4 a 6 minutos “all out” com Teste de Wingate como intervalo de trabalho (GIBALA & McGee, 2008). 7) Número de repetições e séries: quantidade de estímulos a serem realizados durante o intervalo de trabalho. Quando o volume de trabalho é baixo, o número de séries de HIIT é maior, com duração variando entre 1-4 minutos (GIBALA & McGEE, 2008; KEMI & WISLØFF, 2010), dependendo da especifi- cidade da modalidade e do praticante. Sabe-se que intensidade, intervalo de trabalho e de recuperação são ele- mentos primordiais para o sucesso do programa de exercícios proposto. Logo após, destacam-se as variáveis relacionadas a número de intervalos e duração entre séries de esforços. É importante ressaltar que não há consenso na lite- ratura em relação à intensidade, duração e número de intervalos ideais para execução de HIIT, sendo que o ideal é que mais estudos sejam realizados para o que estabelecimento destas questões. Como é possível observar, há algumas informações pertinentes a respeito do HIIT as quais devem ser apresentadas previamente à leitura dos capítulos que se seguem neste livro, pois elas podem permitir o melhor entendimento do conteúdo exibido nas próximas páginas. reFerÊnCias 1. BILLAT, V.; KORALSZTEIN, J. P. Significance of the velocity at VO2máx and time to exhaustion at this velocity. Sports Medicine, v. 22, n. 2, p. 90-108, 1996. 2. BUCHHEIT, M.; LAURSEN, P. B. High-Intensity Interval Training, Solutions to the Programming Puzzle. Part I: Cardiopulmonary Emphasis. Sports Med, v. 43, n. 5, p. 313-338, 2013a. 3. BUCHHEIT, M.; LAURSEN, P. B. High-Intensity Interval Training, Solutions to the Programming Puzzle. Part II: Anaerobic Energy, Neuromuscular Load and Practical Applications. Sports Med, v. 43, n. 10, p. 927-54, 2013b. 4. COLÉGIO AMERICANO DE MEDICINA DO ESPORTE. Diretrizes do ACSM para os testes de esforço e sua prescrição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2007. 5. CRIPS, A. H.; VERLENGIA, R.; SINDORF, M. A. G.; GERMANO, M. D.; CASTRO,M. C.; LOPES, C. R. Time to exhaustion at VO2máx velocity in basketball and soccer athletes. Journal of Exercise Physiology Online, v. 16, n. 2, p. 82-91, 2013. TREINAMENTO INTERVALADO DE ALTA INTENSIDADE 15 6. DANTAS, E. H. M. A prática da preparação física. Rio de Janeiro: Shape, 2003. 7. GAESSER, G. A.; ANGADI, S.S. High-Intensity Interval Training for Health and Fitness: Can Less be More? J Appl Physiol, v. 111, n. 6, p. 1540-1, 2011. 8. GIBALA, M. J.; MCGEE, S. L. Metabolic adaptations to short-term high-intensity interval training: a little pain for a lot of gain? Exerc Sport Sci Rev, v. 36, n. 2, p. 58-63, 2008. 9. IAIA, F. M.; BANGSBO, J. Speed endurance training is a powerful stimulus for physiological adaptations and performance improvements of athletes. Scand Journal Med Sci Sports, v. 20, n. s2, p. 11-23, 2010. 10. KEMI, O. J.; WISLØFF, U. High-intensity aerobic exercise training improves the heart in health and disease. J Cardiopulm Rehabil Prev, v. 30, n. 1, p. 2-11, 2010. 11. LAURSEN, P. B.; JENKINS, D. G. The scientific basis for high-intensity interval training: optimising training programmes and maximising performance in highly trained endurance athletes. Sports Med, v. 32, n. 1, p. 53-73, 2002. 12. SEILER, K., S.; KJERLAND, G., Ø. Quantifyingtraining intensity distribution in elite High-intensity and high-volume training endurance athletes: is there evidence for an ‘‘optimal’’ distribution? Scand Med Sci Sports, 2006 v.16, p. 49–56, 2006. 13. TJØNNA, A. E.; LEE, S.J.; ROGNMO, Ø.; STØLEN, T.O.; BYE, A.; HARAM, P.M.; et al. Aerobic interval training versus continuous moderate exercise as a treatmentfor the metabolic syndrome: a pilot study. Circulation, v. 118, n. 4, p. 346-354, 2008. 14. TREMBLAY, A.; SIMONEAU, J. A.; BOUCHARD, C. Impact of exercise intensity onbody fatness and skeletal muscle metabolism. Metabolism, v. 43, n. 7, p. 814-818, 1994. 15. TRAPP, E. G.; CHISOLM, D.J.; FREUND, J.; BOUTCHER, S.H. The effects of highintensity intermittent exercise training on fat loss and fasting insulin levels ofyoung women. Int J Obes, v. 32, n. 4., p. 684-691, 2008. PERCEPÇÃO SUBJETIVA DE ESFORÇO APLICADA AO TREINAMENTO INTERMITENTE DE ALTA INTENSIDADE Bruno Prestes Gomes, Victor Silveira Coswig, Fabrício Boscolo Del Vecchio aproximações iniCiais ao treinamento de alta intensidade O treinamento intermitente de alta intensidade (HIIT) vem ganhando atenção no cenário acadêmico por apresentar respostas satisfatórias em ganhos nos sistemas cardiovascular, muscular esquelético e respiratório que, até então, eram fortemente relacionadas a exercícios de caráter longo, contínuo e mode- rado (GLAISTER, 2005). Evidências apontam vantagens fisiológicas favoráveis ao treinamento intenso em diferentes populações e para diferentes propósitos, como melhora na aptidão física, redução de gordura corporal e incremento da saúde de modo geral (GIBALA, 2009). A ideia central está baseada na intensidade dos estímulos, que pode pro- mover respostas adequadas a partir de esforços curtos seguidos de períodos de recuperação subsequentes. Estas características de treinamento poderiam, então, promover aumento na utilização de ácidos graxos, atividade enzimática oxidativa, entre outros mecanismos, como tamponamento de íons H+ e bomba de Na/K (LAURSEN; JENKINS, 2002). Isto pode significar aumento de desempenho físico em menor frequência de exposição aos estímulos e/ou treinos (IAIA et al., 2009). Ao considerar a prescrição do HIIT, quanto a modalidades esportivas, o principal objetivo dos treinadores e atletas é produzir o melhor desempenho em um momento de tempo específico, preferencialmente na competição; porém, até o presente momento, não foi identificado marcador que, sozinho, possa medir respostas de aptidão e fadiga ao exercício ou predizer desempenho (BORRE- SEN; LAMBERT, 2009). Adicionalmente, a prescrição de exercícios para saúde, nestas características, deve contemplar medidas que proporcionem parâmetros de controle do treinamento para que este seja eficaz e seguro, sendo que as respostas orgânicas são dependentes da intensidade (TRILK et al., 2011) e da duração do exercício (GOTO et al., 2007; GOTO etal., 2011). A partir disto, acredita-se que a otimização do processo de treinamento resulta em melhora de desempenho e bem estar físico e, para isso, o controle PERCEPÇÃO SUBJETIVA DE ESFORÇO APLICADA AO TREINAMENTO 17 de diferentes variáveis, como frequência, duração e intensidade dos exercícios contribui com a natureza e a magnitude dos efeitos do treinamento (BORRESEN; LAMBERT, 2009). o emprego da perCepção subjetiVa de esForço na presCrição do exerCíCio FísiCo A percepção subjetiva de esforço (PSE) é baseada na percepção de esforço e fadiga do sujeito durante o exercício e é utilizada com o objetivo de mensurar ou regular a intensidade do mesmo, através de valor numérico que representa o estado de cansaço durante exercício (BORG, 1970). Complementarmente, segundo Lambert e Borressen (2006), a PSE é baseada no entendimento da percepção do nível de esforço físico, traduzindo sensação subjetiva do estresse fisiológico, sendo que as taxas de esforço percebido servem para prevenção, controle e monitoramento das cargas das sessões de treino, evitando assim o overreaching e overtraining. Foster et al., (2001) introduziram a quantificação da carga de treino através de escala numérica a partir da PSE. O nível de estresse/cansaço é traduzido pela percepção global do atleta após trinta minutos do término da sessão de treino, realizando a seguinte pergunta: “como foi seu treino?”, e o cálculo da sessão diária de treino é realizado multiplicando o valor numérico da PSE pela duração ou número de repetições (carga da sessão = duração ou nº de repetições x PSE da sessão). A escala que descreve o esforço percebido (escala de Borg) avaliando e estimando percepção geral de estresse e cansaço possue formatos distintos de valor numérico e descritor: 6-20 (BORG, 1982, QUADRO 1) e 0-10 (FOSTER et al., 2001, QUADRO 2). QUADRO 1: Escala de Borg Original (6-20) 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 muito fácil Fácil relativamente fácil ligeiramente cansativo Cansativo muito cansativo exaustivo EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS18 Mudanças na PSE podem fornecer informações sobre como a execução do exercício deve ser regulada (BORG, 1970; GRANGE et al., 2004). Segundo Céline et al. (2011), na medida que os sujeitos podem definir o esforço através da PSE, eles podem melhorar a capacidade de auto-regular a carga de trabalho mais precisamente. No estudo de Garcin et al. (2005), demonstrou-se que a escala de percepção de esforço oferece reflexão subjetiva de respostas fisiológicas durante o exercício físico em ambos os sexos. Corroborando com estes achados, Kang et al. (2003) afirmam que a escala de esforço percebido é eficaz para estabelecimento da intensidade do exercício. Alguns estudos relatam diminuição da caracterização da PSE com o aumento da aptidão física (DEMELLO et al., 1987; HILL et al., 1987), enquanto que outros estudos sugerem que a PSE independe do nível de aptidão física do sujeito (BAR-OR et al., 1972; MIHEVIC, 1983). Segundo estudo de Garcin et al. (1999), com determinada intensidade de exercício, o nível de aptidão física do sujeito pode modificar a PSE; porém, a duração do exercício em intensidade relativa não se altera em função da aptidão física. Ainda sobre os achados do mesmo estudo, os autores relatam que não foi possível predizer o tempo de exaustão a partir da PSE. Os resultados deste estudo demonstram que, independentemente do nível de aptidão física do sujeito, os valores da PSE relatados na porcenta- gem do tempo de exaustão são iguais, mesmo quando o tempo de exaustãofoi estatisticamente diferente entre os grupos. Este ponto deve ser levado em consideração especialmente quando se prescreve a intensidade do exercício a partir da PSE para atletas com diferentes níveis de aptidão física. QUADRO 2: Escala de Borg Modificada (0-10) 0 0,5 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 nenhum muito, muito leve muito leve leve moderada pouco intensa intensa muito intensa muito, muito intensa máximo PERCEPÇÃO SUBJETIVA DE ESFORÇO APLICADA AO TREINAMENTO 19 Como sugerido por Garcin et al. (1999), a percepção de esforço representa percepção contínua que, provavelmente, descreva a soma e/ou interação de diferentes sensações que aumentem com a duração e intensidade do exercício. A PSE tem sido relacionada com variáveis fisiológicas usadas no monito- ramento da magnitude de estímulos físicos, como a concentração sérica de lactato, a frequência cardíaca e o consumo de oxigênio, e tem se mostrado confiável para controle da intensidade do exercício físico (CORBETT et al., 2009; DELLAL et al., 2010). Relata-se existência de padrão antecipatório da PSE, já que o cérebro compara permanentemente a PSE conscientemente gerada a partir da soma dos sinais suscitados a partir de diversos sistemas fisiológicos com uma PSE “padrão”, baseada na experiência. A PSE ainda pode contribuir para a regulação e interrupção da capacidade de manutenção do exercício, devido à sua forte ligação com potencial biológico, induzida por mudanças fisiológicas decorrentes do exercício (BILLAUT et al., 2011). O limiar de lactato foi identificado como equivalente à intensidade de, aproximadamente, 65% do VO2pico e valor entre 13 e 14 na escala de PSE de 6-20 pontos (BORG, 1982). Depois deste achado, alguns estudos têm relatado que os escores entre 13 e 15 da mesma escala seriam referentes à intensidade de limiar de lactato para jovens saudáveis (WELTMAN et al., 1995 apud SIMÕNS et al., 2010). O limiar de esforço percebido parece ser índice aeróbio confiável, devido a sua similaridade e alta relação com a potência crítica e consumo máximo de oxigênio na intensidade de steady state (NAKAMURA et al., 2005; NAKAMURA et al., 2008). Segundo Fontes et al. (2010), a PSE também é útil no controle da intensidade durante a pedalada exaustiva, fornecendo medida indireta da atividade muscular, o que pode identificar quando a exaustão está próxima, já que neste tipo de exercício a perda de força ocorre devido à fadiga das fibras musculares. Grant et al. (2002), em estudo com pessoas com mais de 50 anos de idade, ressaltam que quando se utiliza a PSE como forma de monitoramento, o meio ambiente pode influenciar a medida. Os autores encontraram valores de 11 na escala de BORG enquanto os indivíduos praticavam aula de dança em academia e, quando eles caminhavam sem intensidade definida, o valor encontrado foi de 10. Os autores ressaltam que, pelo fato de ter música na aula de dança, os sujeitos podem, inconscientemente, ter atribuído maior intensidade ao exercício. De modo geral, os estudos apresentam forte relação da PSE com outros indicadores fisiológicos de exercício, como consumo de oxigênio, frequência cardíaca e concentração de lactato (LAMBERT; BORRESEN, 2006); portanto, parece que a confiabilidade do método está razoavelmente bem estabelecida na literatura. EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS20 treinamento intermitente de alta intensidade e perCepção subjetiVa e esForço Existem poucos estudos disponíveis sobre respostas da PSE ao treina- mento intervalado (quadro 3), o que limita o entendimento sobre os efeitos de diferentes protocolos intermitentes na percepção subjetiva de esforço (SEILER; SJURSEN, 2004). Além disso, é difícil identificar a verdadeira intensidade alcançada durante o exercício, que pode ser definida como variável dependente limitada por diversas variáveis independentes: intensidade objetivada, duração do trabalho, tempo de recuperação, volume total do trabalho e percepção de esforço (SEI- LER; HETLELID, 2005). O estudo de Zavorsky et al. (1998) avaliou a economia de corrida em 10 sprints de 400 metros, na intensidade de 100% do VO2máx, com diferentes tempos de recuperação entre as repetições (60, 120 e 180 segundos), em 12 atletas de endurance treinados. Os resultados mostraram aumento significativo da PSE, rela- cionado à redução dos períodos de recuperação entre os sprints (14,4/16,1/17,7 com 180, 120 e 60 segundos de recuperação, respectivamente). Estes dados indicam trabalho “moderadamente difícil” com 180 segundos, “difícil” com 120 segundos e “muito difícil” com 60 segundos de recuperação entre as repetições. Tais valores foram associados à frequência cardíaca (FC), a qual mostrou resposta similar à PSE. Os autores especulam, de acordo com as variáveis fisiológica (FC) e psicológica (PSE), que mudanças na economia de corrida parecem ser maiores com menores períodos recuperativos. Porém, Seiler e Sjursen (2004) afirmam que a FC varia ao longo do tempo e sofre defasagem durante séries curtas de alta intensidade, como no treinamento intervalado, sendo que a PSE é provável ferramenta correspondente à verdadeira intensidade de trabalho estabelecida para determinada sessão de treino. PERCEPÇÃO SUBJETIVA DE ESFORÇO APLICADA AO TREINAMENTO 21 Q ua dr o 3: E m pr eg o da p er ce pç ão s ub je tiv a de e sf or ço n os e xe rc íc io s in te rm ite nt es d e al ta in te ns id ad e r ef er ên ci a o bj et iv o su je it os pr ot oc ol o de t re in o re su lt ad os Cé lin e et al ., (2 01 1) Co m pa ra r a pr es cr iç ão p el a FC e pe la P SE p ar a re gu la r a in te ns id ad e du ra nt e o tr ei na m en to in te rv al ad o em m ul he re s jo ve ns 27 M 4’ d e ex er cí ci o m od er ad o + 1’ in te ns o 3 x po r se m an a, du ra nt e 6 se m an as A m bo s (F C e PS E) p ro m ov er am a um en to de p ot ên ci a to le ra da e V O 2p ic o se ile r e sj ur se n (2 00 4) Q ua nt ifi ca r co m o a du ra çã o do t ra - ba lh o in te rv al ad o af et a na s re sp os - ta s fis io ló gi ca s e na P SE 9 H 3 M 1 x na s em an a, d e fo rm a ra nd om iz ad a: t re in os d e 1, 2, 4 e 6 m in ut os , c om t ax a de t ra ba lh o: r ec up er aç ão d e 1: 1 (2 4x 11 2x 2, 6 x4 e 4 x6 ), du ra nt e 4 se m an as A P SE a um en to u de f or m a co ns is te nt e du ra nt e o tr ei na m en to in te rv al ad o so b to da s as d ur aç õe s de t ra ba lh o se ile r e H el tl el id (2 00 5) Q ua nt ifi ca r co m o a du ra çã o do in te rv al o de d es ca ns o du ra nt e tr ei na m en to in te rv al ad o af et a o de se m pe nh o, r es po st as f is io ló gi ca s e a PS E 12 H 1 x na s em an a, d e fo rm a ra nd om iz ad a: t re in osd e 1, 2 e 6 m in ut os d e in te rv al o e ta xa f ix a de t ra ba lh o de 6 x4 ’ du ra nt e 3 se m an as A P SE a um en to u lin ea rm en te d ur an te a s sé rie s in te rv al ad as . N o fin al d a se xt a sé rie a PS E fo i s ig ni fic at iv am en te m ai or c om 2 ’ x 4’ d e in te rv al o de d es ca ns o bi lla ut e t al ., (2 01 1) In ve st ig ar a in flu ên ci a do c on he ci - m en to p ré vi o do n úm er o de s pr in ts no t ra ba lh o m ec ân ic o – 10 s pr in ts r ep et id os c om di fe re nt es in fo rm aç õe s so br e o nú m er o de s pr in ts a s er em ex ec ut ad os N en hu m a di fe re nç a si gn ifi ca tiv a fo i en co nt ra da n a PS E en tr e os g ru po s, ap re - se nt an do a um en to li ne ar d o pr im ei ro a o úl tim o sp rin t e pr op or ci on al a o nú m er o de s pr in ts r es ta nt es d el la l e t al ., (2 01 0) Im pa ct o fis io ló gi co d a FC , L AC e P SE em e xe rc íc io in te rm ite nt e co m e se m m ud an ça d e di re çã o 10 H – N es te e st ud o fo i e nc on tr ad a al ta t ax a de co nf ia bi lid ad e en tr e FC , L AC e P SE Za vo rs ky et a l., (1 99 8) Ec on om ia d e co rr id a co m d ife re nt es te m po s de r ec up er aç ão 12 H 10 s pr in ts a 1 00 % d o VO 2m áx co m r ec up er aç õe s en tr e as re pe tiç õe s de 6 0’ ’, 1 20 ’’ e 18 0’ ’ Au m en to s ig ni fic at iv o da P SE , a ss oc ia da à re sp os ta d e FC , d ire ta m en te p ro po rc io na l à re du çã o do t em po d e re cu pe ra çã o EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS22 Em outra investigação, Dellal et al. (2010) avaliaram impacto fisiológico a partir da FC, concentração de lactato (LAC) e PSE em dois protocolos de exercício intermitente: i) corrida tradicional em linha reta (IL) e; ii) corrida com mudanças de direção em 180 graus (IS) com 10 jogadores de futebol de elite. Foi utilizada escala de PSE de 0-10, adaptada por Foster et al. (2001), durante as 5 semanas que antecederam a investigação com objetivo de familiarização dos atletas com o instrumento. Neste estudo, alta taxa de confiabilidade foi encontrada entre FC, LAC e PSE. Quanto ao tipo de corrida, durante IS os valores de FC, LAC e PSE se mostraram significativamente maiores do que em IL. Segundo os autores, isto se deve ao fato de existir maior custo energético e atividade excêntrica nas trocas de direção, devido à necessidade de desacelerar e re-acelerar. Desta forma, existe maior solicitação de atividade glicolítica que pode ser relacionada à maior fadiga apresentada por IS, evidenciada pelo aumento de LAC (variação de 20.3-25.8%) e PSE (variação de 25.8-39.6%). Os autores ainda concluem que estas informações podem ajudar técnicos no planejamento de programas de treinamento intermitente mais específico, utilizando IL ou IS para induzir diferentes respostas fisiológicas. No estudo de Billaut et al. (2011), que investigou a influência do conheci- mento prévio do número de sprints no trabalho mecânico, eletromiografia (EMG) de superfície e PSE durante exercícios de sprints repetidos, foram comparados três modelos experimentais: i) Controle (CL), quando os atletas eram informados que iriam executar 10 sprints de 6 segundos por 24 segundos de recuperação, e realmente executavam os 10 sprints; ii) Engano (DC), no qual foi pedido aos atletas que executassem 5 sprints e então, ao quinto, eram solicitados 5 sprints adicionais e, iii) o que desconhecia número de sprints que deveria realizar (UN). Foram observadas, para todos os grupos, respostas crescentes de PSE (7 ± 2 pontos para 19 ± 1 pontos) após o sprint 10. Contrariando a hipótese do estudo, de que a PSE alcançaria pico ao quinto sprint, nenhuma diferença significativa foi encontrada na PSE entre os grupos, apresentando aumento linear do primeiro ao último sprint e proporcional ao número de sprints restantes. Segundo os autores, isto se deve ao fato de que o instrumento utilizado apresentava percepção para o corpo todo e seria possível que avaliação localizada (por exemplo, para membros inferiores) durante esforços curtos e de alta intensidade apresentasse diferenças entre os grupos, o que evidenciaria estratégias variadas de ritmos. Em outro trabalho, que objetivou identificar influências decorrentes de dife- rentes durações de esforços na PSE, Seiler e Sjursen (2004) avaliaram 12 atletas (9 homens e 3 mulheres) com histórico de pelo menos 4 anos de treinamento para eventos competitivos de corrida, com média mínima de 2 sessões de treinamento intervalado por semana. Durante as 4 semanas do estudo, cada atleta substituiu um treinamento intervalado do seu programa tradicional por uma sessão inter- valada em laboratório. Os quatro protocolos intervalados tiveram séries de 1, 2, 4 e 6 minutos de duração. As taxas de esforço: pausa foram fixadas em 1:1, e o trabalho total em 24 minutos por sessão (24x1, 12x2, 6x4 e 4x6 minutos). A PSE aumentou fortemente durante cada sessão intervalada, sob todas as durações PERCEPÇÃO SUBJETIVA DE ESFORÇO APLICADA AO TREINAMENTO 23 de trabalho, com tendência a ser menor no fim da série inicial de 1 minuto comparada com as séries intervaladas de 4 e de 6 minutos. Entretanto, o pico da PSE foi virtualmente idêntico nas quatro condições de duração de trabalho (variando de 18,8 ± 1 pontos a 17,2 ± 1 pontos). Segundo os autores, os atletas ajustam sua intensidade de tal forma que as respostas de lactato sanguíneo e PSE, durante cada sessão, apresentassem comportamento similar. Já Seiler e Hetlelid (2005) avaliaram diferentes períodos de recuperação, com 12 corredores de distância, familiarizados com o treinamento aeróbio intervalado de alta intensidade. Em avaliação prévia, os atletas apresentaram pico da PSE de 18,3 ± 0,7. O protocolo de esforço consistiu de 6 séries de 4 minutos de duração com diferentes intervalos de recuperação (1, 2 ou 4 minutos) e os resultados do estudo apresentaram crescimento linear da PSE ao longo da sessão intervalada. A intensidade foi percebida como 14-15 “difícil” no final da primeira série, mas alcançou 16-18 no final da última série. As respostas da PSE foram muito similares para as três condições de repouso. Entretanto, no final da sexta série, a PSE foi significantemente maior no intervalo de 2 minutos quando comparado como 4 minutos de recuperação (17,7 ± 1 pontos versus 16,9 ± 0,6 pontos; p<0,05), porém, esta diferença estatística parece ser pouco significante do ponto de vista prático, pela pequena variação nos dados apresentados. Ainda, a percepção de esforço dos atletas aumentou a cada série, sendo que esta resposta pode ser relacionada devido à gradativa depleção do glicogênio em resposta aosestímulos repetidos (SPERLICH et al., 2010). Contudo, a quantificação das cargas diárias das sessões de treino através da PSE é considerada como método eficaz de monitoramento, controle e prescrição das intensidades de trabalho no treinamento referente a diferentes tipos de estímulos, incluindo o treinamento intervalado de alta intensidade (FOSTER et al., 2001). apliCações prátiCas A PSE possui aplicabilidade fidedigna referente à mensuração das inten- sidades em diferentes situações de estímulos. Ou seja, ela responde de forma diretamente proporcional ao aumento da intensidade, fornecendo informações relevantes quanto ao estresse gerado. Sendo assim, em um contexto esportivo, ela se consolida como ferramenta psicológica útil, podendo substituir marcadores fisiológicos de monitoramento de intensidade no treinamento. indiCações Futuras Diante do conteúdo apresentado, algumas reflexões podem ser relacio- nadas à aplicação prática e consolidação teórica da PSE como ferramenta de EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS24 monitoramento e prescrição de carga de trabalho para exercícios intermitentes de alta intensidade. Quanto às aplicações práticas, é interessante que se considere a PSE segundo quatro ângulos diferentes: i) intensidade do estímulo e da recuperação, ii) inten- sidade da sessão de treinamento completa, iii) amplitudes diferentes, mas com a mesma intensidade média e iv) relação da percepção de planejamento por parte do treinador com a percepção de execução por parte do atleta. Neste contexto, pode-se relacionar as diferentes respostas da PSE a variáveis que podem ser utilizadas com mesmo intuito de controle e prescrição de intensidade, como, VO2máx, velocidade corresponde ao VO2máx (vVO2máx), FC, concentração de lactato sanguíneo, v∆50, tempo limite, glicemia, além de avaliar-se também em diferentes tipos de modalidades. ConClusão A percepção subjetiva de esforço é instrumento de baixo custo, fácil aplica- bilidade e alta confiabilidade, pois se mostra fortemente relacionada a variáveis fisiológicas utilizadas para determinação ou monitoramento de intensidade e índice de estresse metabólico em exercícios contínuos submáximos. No entanto, a PSE possui a mesma aplicabilidade e confiabilidade para exercícios intermi- tentes supramáximos. Sendo assim, constitui-se como ferramenta útil e prática para prescrição e controle das cargas de trabalho do treinamento. Porém, mais estudos precisam ser conduzidos nesta perspectiva, para que se obtenham melhores esclarecimentos sobre a relação da percepção subjetiva de esforço e o treinamento intermitente de alta intensidade. reFerÊnCias 1. BAR-OR, O.; SKINNER, J.S.; BUSKIRK, E.R.; BORG, G. Physiological and per- ceptual indicators of physical stress in 41-to 60-year-old men who vary in conditioning level and in body fatness. Med Science Sports and Exercise, v. 4, n. 2, p. 96-100, 1972. 2. BILLAT, L.V. Interval training for performance: a scientific and empirical practice special recommendations for middle- and long-distance running. Part I: aerobic interval training. Am J Sports Medicine, v. 31, n. 1, p. 13-31, 2001. 3. BILLAT, V.L.; FLECHET, B.; PETIT, B.; MURIAUX, G.; KORALSZTEIN, J. Interval training at VO2max: effects on aerobic performance and overtraining markers. Med Science Sports and Exercise, v. 31, n. 1, p. 156-163, 1999. 4. BILLAUT, F.; BISHOP, D. J.; SCHAERZ, S.; NOAKES, T. D. 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EXERCÍCIO INTERMITENTE NA TERCEIRA IDADE Ana Cristina Perez, Anelita Helena Michellini Del Vecchio, Miriam Valério, Leony Morgana Galliano, Fabrício Boscolo Del Vecchio introdução O Conceito de idoso, transição demográfica e suas consequências Pensando de forma ampla na definição de idoso, observamos que o conceito varia entre as principais entidades científicas e estatutos de cada país. Para a Orga- nização Mundial da Saúde (OMS), em países desenvolvidos, classificam-se como pessoas idosas aquelas com idade a partir de 65 anos e, para residentes de países em desenvolvimento, como o Brasil, esta classificação é adequada para pessoas com idade acima de 60 anos. A Política Nacional do Idoso (Lei 8.842, de 4 de janeiro de 1994) indica que a terceira idade inicia aos 60 anos, dado corroborado pela Organização das Nações Unidas – ONU (DEPS, 2003). Sendo assim, este capítulo, considerará como idoso todos os indivíduos com 60 anos ou mais, apesar do reco- nhecimento de que haja problemas na definição por corte etário, já que o estilo de vida de cada pessoa tem grande influência nas suas condições biológicas. De modo geral, observa-se que a população mundial vem adquirindo hábitos prejudiciais à saúde, principalmente no que diz respeito à má alimentação e estilo de vida sedentário. Mesmo assim, o número de idosos cresce significati- vamente no Brasil e em diversas regiões do mundo, isto se dá em decorrência da transição demográfica – termo utilizado para denominar o processo de redução das taxas de natalidade e mortalidade. A principal justificativa para este acontecimento contraditório é pautada nos avanços da medicina, que acabam proporcionando medicamentos e terapias que prolongam a vida da população (FLECK et al., 2003; VECCHIA et al., 2005). Primeiramente, a taxa de idosos começou a aumentar de forma acen- tuada nos países desenvolvidos, principalmente na Europa, devido ao maior desenvolvimento e consequente aumento na expectativa de vida. No Brasil, em 2010 havia 18 milhões de idosos – representando 12% da população, número expressivo ao ser comparado aos 14,5 milhões de pessoas com idade EXERCÍCIO INTERMITENTE NA TERCEIRA IDADE 29 acima de 60 anos em 2000 (IBGE, 2000). Ainda, há estimativa de que até 2025 os brasileiros representem a sexta população de idosos no mundo, com apro- ximadamente 32 milhões de pessoas acima dos 60 anos (KALACHE & GRAY, 1985; CARVALHO & GARCIA, 2003) e que este número passe para 63 milhões em 2050 (BANCO MUNDIAL, 2011). A modificação na estrutura etária do país pode ser visualizada na figura 1. Figura 1 – Evolução da estrutura etária brasileira em quatro diferentes décadas (1980, 1990, 2000 e 2020). Em termos econômicos, as principais consequências da transição demográ- fica são a redução de pessoas em idade produtiva, ou seja, disponíveis para o mercado de trabalho e a diminuição no crescimento econômico do país (PAIVA & WAJNMAN, 2005). Quanto aos aspectos relacionados à saúde, destaca-se que uma população envelhecida apresenta riscos elevados de desenvolver doenças e agravos não-transmissíveis, o que gera maior necessidade de medicamentos, atendimentos médicos e, desta forma, eleva o gasto da saúde pública nacional, já que a maior parte dos idosos não possui condições para arcar com despesas relacionadas aos planos de saúde e atendimentos clínicos particulares. EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS30 Consequências orgânicas do envelhecimento O envelhecimento traz consigo o aparecimento de alterações fisiológicas e funcionais associadas. Observam-se desequilíbrios no sistema motor e cognitivo, perda de massa muscular, ganho de gordura, problemas posturais, diminuição do equilíbrio e flexibilidade. Desta forma a qualidade de vida do idoso é reduzida de forma expressiva (MATSUDO, 2001; SPIRDUSO, 1995). Através do envelhecimento, ocorre diminuição e/ou perda progressiva dos componentes da aptidão física, que exerce impacto negativo na saúde, nos fatores funcionais do idoso, além de aumentar as chances de redução da prática de ativi- dade física e, consequentemente, o risco de doenças associadas ao sedentarismo, quedas e diminuição da capacidade de realizar atividades do dia-a-dia (SPIRDUSO, 1995). Por outro lado, estudos indicam que maior aptidão física é inversamente proporcional ao aumento da taxa de mortalidade, está associada à prevenção de doenças e à melhora da qualidade de vida (RAJESKI et al., 1996). Vale ressaltar que a sarcopenia, perda progressiva de força e massa muscular magra, é um dos fatores que influenciam na dependência dos idosos para a realização de tarefas de vida diárias, estudos indicam que existem decréscimos na resistência aeróbia (45%), força isométrica de preensão manual (40%), força nas pernas (70%), mobilidade articular (50%), coordenação neuromuscular (90%), ao compararmos jovens de 20 anos com idosos de 75 anos (IZQUIERDO et al., 1999; IZQUIERDO et al., 1999; CRUZ-GENTOFT et al., 2010). Além do processo natural de envelhecimento e redução da capacidade neuromuscular, a diminuição da prática de atividade física desempenha papel fundamental na perda de massa magra e força muscular (HERRERA & IZQUIERDO, 2012). Diversas intervenções vêm demonstrando que o treinamento de resistência traz benefícios impor- tantes para o aumento de força e massa muscular em idosos; portanto,pode ser considerado como uma boa estratégia para manutenção da saúde física e funcional desta população (FRONTERA et al., 1988; CHARETTE et al., 1991; KOSEK et al., 2006; MARTEL et al., 2006; SINGH et al., 2002). Outra alteração importante decorrente do envelhecimento é a modificação na perspectiva antropométrica, especificamente em relação ao peso, estatura e composição corporal (havendo redução da massa muscular magra). A redução da estatura é ocasionada pela compressão vertebral, estreitamento dos discos e cifose (FIATARONE-SINGH, 1998). Já a perda de peso, relaciona-se com diversas variáveis, a saber: mudanças nos neurotransmissores que controlam a saciedade e fome, medicamentos, depressão, estresse, variáveis nutricionais (MATSUDO, 2002). Muitas vezes, o consumo alimentar nos idosos está relacionadocom integração social, solidão, isolamento, baixo acesso ao transporte e condição financeira, predispondo o idoso à falta de preocupação consigo, fazendo com que se alimente de maneira errada em relação a quantidade e qualidade (MAT- SUDO, 2002; CAMPOS et al., 2000). EXERCÍCIO INTERMITENTE NA TERCEIRA IDADE 31 A soma destas alterações físicas, funcionais e de cunho psíquico acarretam em aumento de doenças crônicas não transmissíveis (DANT) nos idosos. Ramos et al. (1993) indicam que a maioria dos indivíduos na terceira idade porta ao menos uma doença crônica. Em contrapartida, estudos afirmam que as DANT são perfeitamente preveníveis nesta população (VERAS et al., 2007; VERAS, 2007). Portanto, estratégias de prevenção podem ser efetivas para proporcionar melhor qualidade de vida, sendo que a prática de atividade física regular tem relação bem estabelecida com prevenção de hipertensão arterial (BLAIR et al., 1984; FAGARD, 2005), doença arterial coronariana (SESSO et al., 2000), dia- betes mellitus tipo II (KNOWLER et al., 2002), acidente vascular cerebral (LEE et al., 2003), osteoporose (KARLSSON, 2004;) alguns tipos de câncer (BLAIR et al., 1989; FRIENDEIRECH & ORENSTEIN, 2002), obesidade (KON-BANERJI et al., 2003) e depressão (BLAKE et al., 2009). Na figura 2 podemos observar como o ciclo da fragilidade se desenvolve entre os idosos, sendo que fatores como o envelhecimento muscoloesquelé- tico, genética, hábitos de vida e doenças associadas com a idade avançada exercem forte impacto na redução da força e massa muscular (sarcopenia) e são altamente relacionados à série de fatores que incrementam a fragilidade, resultando em deteriorização funcional. Figura 2 – Ciclo da fragilidade desenvolvida por idosos (adaptada de Abi- zanda, 2010). ENVELHECIMENTO MUSCULOESQUELÉTICO GENÉTICA E HÁBITOS DE VIDA DOENÇAS ASSOCIADAS AO ENVELHECIMENTO PERDA PESO OCASIONADA PELO ENVELHECIMENTO FADIGA PERDAS DE FUNÇÕES PERDA COGNITIVA COMORBIDADES ATEROSCLEROSE DESNUTRIÇÃO ANOREXIA HOSPITALIZAÇÕES DEPRESSÃO INATIVIDADE FÍSICA DETERIORIZAÇÃO EM NÍVEL FUNCIONAL SARCOPENIA FRAGILIDADE TAXA METÁBOLICA BASAL VELOCIDADE MARCHA GASTO ENERGIA FORÇA EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS32 Exercício físico na terceira idade Nesta etapa da vida a prática regular de exercícios físicos tem impacto bastante positivo na capacidade funcional (MATSUDO & MATSUDO, 1992). Bem orientados, programas de exercícios físicos proporcionam múltiplos efeitos benéficos nos aspectos antropométrico, neuromuscular, metabólico e psicoló- gico, que, além de servirem na prevenção e tratamento das doenças próprias desta idade, colaboram para a manutenção e melhoria da qualidade de vida (BLUMENTHAL, 1982). Os efeitos do exercício físico para melhora e/ou manutenção da aptidão física em pessoas mais velhas estão relacionados, principalmente, ao aumento da força muscular, flexibilidade, capacidade aeróbica, redução da gordura corporal, melhora da coordenação motora e do equilíbrio (MATSUDO & MATSUDO, 1992; MATSUDO et al., 2000; DIAS et al., 2006). Existem, na atualidade, muitos tipos de práticas corporais que podem ser oferecidos para este grupo populacional, gerando discussões sobre quais as melhores aplicações para a promoção da saúde em relação à adequação de intensidades, frequência e duração, buscando atender as necessidades e objetivos do indivíduo (BLAIR et al., 2004). Ainda, diversos tipos de exercícios físicos, com diferentes intensidades, têm sido utilizados para melhora da aptidão física de idosos. Os mais citados na literatura são exercícios de treinamento de força, flexibilidade e resistência aeróbica, os dois primeiros, com a finalidade de modificações morfológicas do aparelho locomotor, para que se obtenha maior força e amplitude dos movimentos das articulações. Já os exercícios de resistência aeróbia visam aumento e manutenção da capacidade do sistema cardiovascular, sendo que a combinação desses três tipos de exercícios tem sido recomendada como auxílio para redução de gordura corporal (JOHNS & WRIGHT, 1962; MATSUDO et al., 2000). Embora os efeitos benéficos dos exercícios físicos, de diferentes intensidades, sejam amplamente apontados pela literatura, tem sido relatado que os exercícios físicos com intensidades mais elevadas apresentam modificações benéficas mais expressivas na força, massa muscular, flexibilidade, resistência aeróbica e redução de gordura corporal, em detrimento de esforços físicos de menores intensidades (KRAEMER et al., 2002). Estudos indicam que exercícios de baixa intensidade podem ter efeitos insuficientes sobre força muscular, equilíbrio e outros aspectos importantes da aptidão física, pois acarretariam em baixos ganhos funcionais, não evitando, por exemplo, perdas degenerativas de massa e força muscular causadas pelo envelhecimento (NEVITT, 1997; SILVA & MATSURA, 2002). O treinamento de força de alta intensidade tem apresentando resultados expressivos no que diz respeito ao aumento da capacidade funcional e dimi- nuição do risco de quedas e fraturas. Fiatarone et al. (1990), em pesquisa com 10 idosos na faixa etária de 90 anos, avaliaram os efeitos de oito semanas de EXERCÍCIO INTERMITENTE NA TERCEIRA IDADE 33 treinamento de alta intensidade, três vezes por semana. Os idosos realizaram três séries de oito repetições em cada membro inferior, com 50% de repetição máxima na primeira semana, aumentado para 80% na segunda semana. Os autores concluíram que programa realizado com treinamento de pesos com alta intensidade é capaz de aumentar a força muscular com consequente melhora da marcha, equilíbrio e capacidade funcional, diminuindo riscos maiores de quedas que poderiam resultar em fraturas (FIATARONE et al., 1990). Em estudo de revisão, Mayer et al. (2011) investigaram quais os efeitos e recomendações de treinamento de força para manutenção e melhora da saúde em idosos. Os resultados indicam que o treinamento de força em idosos é ferramenta valiosa no que diz respeito à manutenção da saúde, pois, com o ganho de força diminuem riscos de doenças músculo-esqueléticas ligadas ao envelhecimento, melhorando, em geral, a função motora. Os autores concluem que o treinamento deve ser realizado de três a quatro vezes por semana e com intensidade de 60% a 85% de uma repetição máxima, sendo que treinamentos com maiores intensidades apresentam melhores resultados no que diz respeito à melhora na taxa de desenvolvimento de força (MAYER et al., 2011). O treinamento intermitente de alta intensidade (High Intensity Intervals Training – HIIT) tem demonstrado resultados positivos no aumento da aptidão física (BILLAT, 2001), recuperação de agravos (WHYTE et al., 2010) e treinamento esportivo para indivíduos de todas as idades (ESFARJANI & LAURSEN, 2007). Com efeito, sabe-se que em pessoas mais velhas, o treinamento com exercícios intermitentes de alta intensidade e curta duração podecontribuir com melhoras no desempenho locomotor e neuromuscular (THOMAS et al., 2007). Didaticamente, os HIIT podem ser classificados como aeróbios e anaeróbios. Os esforços aeróbios são organizados de acordo com a sua duração: quando duram até dois minutos são denominados como de curta duração e, com tempo maior que este, são denominados de longa duração (BILLAT, 2001). Já os esforços anaeróbios, podem ser categorizados de duas maneiras: a primeira delas quanto à carga de trabalho: fixa ou all-out e a segunda quanto à dura- ção, de curta, média e longa, respectivamente com 10 a 15 segundos, 15 a 45 segundos e superior a 45 segundos (BILLAT, 2001). Conforme Laursen & Jenkins (2002), os HIIT consistem de repetidas séries de estímulos de alta intensidade e curta duração, seguidas de intervalos de recuperação (ativa ou passiva), sendo que o indivíduo não compensa a inten- sidade do treinamento por uma maior duração de trabalho total. Normalmente, os estudos com HIIT focam em esportistas e o subsequente aumento do desempenho físico competitivo (LAURSEN & JENKINS, 2002) ou pessoas como diferentes agravos (WHYTE et al., 2010). Por outro lado, poucos são os estudos que utilizaram os efeitos deste tipo de exercício físico em pes- soas idosas, apesar de existirem diversas evidências demonstrando que o HIIT pode ser prática positiva para os desfechos em saúde. EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS34 Dessa forma, esta parte do capítulo tem como finalidade discutir estratégias de treinamento que envolveram a prática do HIIT como exercício para indiví- duos na terceira idade. Serão apresentados métodos de exercício baseados em evidências científicas para que se possa contribuir para maior adesão, melhora na capacidade aeróbia, força neuromuscular e saúde de modo geral, por meio de prevenção e recuperação de agravos, decorrentes do envelhecimento. Como a literatura com este grupo no treinamento intervalado é escassa, além dos textos que focam idosos, serão incorporados estudos aplicados aos agravos mais comuns na terceira idade. Treinamento intermitente de alta intensidade e aptidão física em idosos A aptidão física pode ser definida como a capacidade de realizar esforços físicos sem fadiga excessiva, garantindo a sobrevivência de pessoas em boas condições orgânicas no meio ambiente em que vivem (GUEDES, 1996). Ela pode ser melhor analisada através dos seus componentes, os quais possuem várias e diferentes dimensões, observados através das variáveis fisiológicas como potência aeróbia máxima, força, flexibilidade e componentes da composição corporal, sendo compreendida também através da análise das capacidades físicas como agilidade, equilíbrio, coordenação motora, potência e velocidade (GAERTNER et al., 1991). Através do envelhecimento, ocorre diminuição e/ou perda progressiva dos componentes da aptidão física, aumentando as chances de redução da prática de atividade física e, consequentemente, o risco de doenças associadas ao sedentarismo, quedas e diminuição da capacidade de realizar atividades do dia-a-dia (SPIRDUSO, 1995). Por outro lado, estudos indicam que maior aptidão física é inversamente proporcional ao aumento da taxa de mortalidade, estando associada à prevenção de doenças e à melhora da qualidade de vida (RAJESKI et al., 1996). Um estudo populacional realizado no Canadá avaliou a relação entre aptidão física e causas de mortalidade entre mulheres e homens. Os pesquisadores concluíram que indivíduos com maior gasto energético, a partir de uma vida mais ativa, tinham redução de 20 a 30% na taxa de mortalidade (VILLENEUVE et al., 1998). Exercícios de altas intensidades têm sido utilizados com maior frequência nos últimos anos para manutenção e aumento da força muscular e flexibilidade em idosos. De modo geral, estudos indicam que indivíduos que estão na terceira idade, conseguem suportar bem cargas de treinamento de alta intensidade e apresentam aumento na flexibilidade através desse fortalecimento muscular, já que fatores relacionados à flexibilidade têm sido diretamente associados com melhora da manutenção da força e da resistência muscular (DANTAS, 1998; HAGERMAN et al., 2000). Exercícios de intensidades mais elevadas também têm se mostrado bas- tante efetivos para melhora da resistência aeróbia de pessoas mais velhas. EXERCÍCIO INTERMITENTE NA TERCEIRA IDADE 35 Estudos sobre o efeito desse tipo de treinamento na resistência aeróbia em idosos apontam aumentos significativos do VO2 máximo, o que contribui para diminuição de episódios de cansaço, redução da pressão arterial, desenvolvi- mento de maior autonomia para realização das tarefas diárias e consequente melhor qualidade de vida (AMORIM & DANTAS, 2002; HAGERMAN et al., 2000; NEMOTO et al., 2007). A manutenção do peso corporal adequado, em indivíduos mais velhos, também tem sido observada através da utilização de exercícios físicos de alta intensidade. Alguns estudos sobre treinamento de alta intensidade em idosos se mostraram bem satisfatórios no que diz respeito à redução de gordura corporal, dando ênfase na importância da duração e intensidade para que se tenham resultados positivos (FIATARONE-SINGH, 1998b; NEMOTO et al., 2007). Bom exemplo de exercício de alta intensidade que tem sido recomendado nos últimos anos, para manutenção e/ou melhora dos componentes da aptidão física em idosos, é o HIIT. Em estudo recente, Nemoto et al. (2007) pesquisaram homens e mulheres acima dos 60 anos, comparando os efeitos desse tipo de treinamento(entre 70- 85% do VO2) com treinamentos de baixa (aproximadamente 40% do VO2) e moderada intensidade (entre 50-60% do VO2). Nesse estudo, foi concluído, através de testes de caminhada, que os exercícios intermitentes de alta intensidade foram mais eficazes para o aumento da força muscular, da capacidade aeróbia e para diminuição da pressão arterial em relação aos outros tipos de exercícios físicos em indivíduos nessa faixa etária. Para ratificar esses achados, Rogmono et al. (2004), em estudo randomizado, com indivíduos que possuíam doenças cardiovasculares, compararam os efeitos de exercícios físicos intermitentes de alta intensidade com exercícios físicos de intensidade moderada para o aumento de VO2. A partir de análise detalhada de 21 indivíduos em caminhada na esteira com intensidade moderada (50-60% do VO2) e alta (80-90% do VO2), três vezes por semana, durante dez semanas, concluíram que, com o HIIT, estes indivíduos tiveram o seu VO2 aumentando em 17,9%, enquanto que em exercício de intensidade moderada o VO2 aumentou apenas 7,9%. Nesse sentido, os HIITs se apresentam como mais eficientes para melhora da resistência aeróbia que os exercícios de intensidade moderada; Além disto, podem ser mais e melhor utilizados como auxílio no tratamento e prevenção de doenças ligadas ao sistema cardiovascular, as quais são bastante comuns em indivíduos mais velhos. Laprete et al. (2009) pesquisaram os efeitos do HIIT em idosos de ambos os sexos, 19 mulheres e 16 homens. Neste estudo, foram realizados testes em cicloergômetro durante nove semanas, duas vezes por semana, com cada um dos indivíduos e de forma separada. Nesse período, os indivíduos praticavam ciclismo alternando potência de saída correspondente ao primeiro limiar ven- tilatório (base) com ciclismo a uma potência correspondente ao o segundo limiar ventilatório (pico). Após avaliação dos resultados, os pesquisadores EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS36 concluíram que, após noves semanas de treino, os idosos tiveram o seu VO2 pico aumentado, com consequente aumento da capacidade aeróbia e, ainda, verificou-se que o HIIT auxiliou na diminuição da pressão arterial, sugerindo que esse tipo de treinamento, pode ser ferramenta valiosa para manutenção da capacidade funcionale como prevenção e tratamento de doenças associadas ao envelhecimento. A tabela 1 apresenta de forma resumida as características e resultados dos estudos sobre HIIT citados no texto. Tabela 1. Efeitos do HIIT em relação a exercícios de baixa e moderada intensidade. autor/ano intensidade Frequência/ duração principais resultados Leprete et al., 2009 Ciclismo a uma potência de saída correspondente ao primeiro limiar venti- latório (base) alternando com segundo limiar ven- tilatório (pico), calculados separadamente em cada indivíduo Duas vezes por semana, durante nove semanas O HIIT aumenta a resistência aeróbia e diminui a pressão arterial em idosos de ambos os sexos Nemoto et al., 2007 Grupo caminhada com baixa intensidade, (40% do VO2) Grupo de caminhada com intensidade moderada (50-60% do VO2) Grupo decaminhada com alta intensidade (70- 85% do VO2) Quatro ou mais dias por semana, durante cinco meses O HIIT é mais eficaz no aumento da força muscular, da capacidade aeróbia e na diminuição da pressão arterial de idosos, do que exercícios de baixa e mode- rada intensidade Rogmono et al., 2004 Grupo de caminhada com intensidade moderada (50-60% do VO2) Grupo decaminhada com alta intensidade (80 – 90% do VO2) Três vezes por semana durante 10 semanas O HIIT aumenta mais a resistên- cia aeróbia com consequente auxílio para manutenção e prevenção de doenças cardio- vasculares do que exercícios de intensidade moderada Nos próximos itens serão descritos os efeitos do HIIT em diferentes vari- áveis da aptidão física, as quais são relevantes para manutenção da saúde do idoso, como efeitos sobre a força muscular, controle e manutenção do peso corporal e uma abordagem geral de como, a partir desse tipo de treinamento, EXERCÍCIO INTERMITENTE NA TERCEIRA IDADE 37 indivíduos que estão nesta faixa etária possam obter ganhos expressivos para manutenção e melhora da saúde. Redução da força muscular em idosos Aproximadamente na terceira década de vida, a força muscular atinge seu ápice, sendo preservada de forma satisfatória até os 40 anos, quando começa a diminuir, e esta redução ocorre de forma acelerada com avançar da idade (HUGHES et al., 2001; DESCHENES, 2004). A estimativa é que esta redução varie entre 20% e 40% em pessoas com idade entre 70 e 80 anos, passando para dimuição superior a 50% a partir dos 90 anos (PÍCOLI et al., 2011; GARCIA, 2008). A diminuição da força oriunda dos processos de envelhecimento é vasta- mente relatada na literatura científica, assim como a consequente redução na autonomia funcional, que acaba gerando uma maior dependência para realização de atividades rotineiras, ocasionando um declínio na qualidade de vida e bem- estar do idoso (ROLLAND et al., 2008; ASSUMPÇÃO et al., 2008; DESCHENES, 2004). Além disto, a redução da força exerce impacto na predisposição a sofrer eventos adversos, como quedas, fraturas, hospitalizações, discapacidade física, institucionalização e morte (HERRERO & IZQUIERDO, 2012). Há evidências, de que o impacto do envelhecimento na força muscular tem ação distinta entre cada indivíduo e grupos musculares, sendo mais acentuada nos membros inferiores (GRIMBY et al., 1992; HUGHES et al., 2001; IZQUIERDO et al., 2001). O declínio na força muscular pode ser decorrente de mecanismos neu- rológicos, ambientais e alterações músculo-esqueléticas características do envelhecimento (FRONTERA & BIGARD, 2002). Em 1989, Irwin H. Rosenber denominou a perda de massa muscular como sarcopenia, termo que vem do grego sarko (carne) e penia (pobreza), e é considerada o principal fator de diminuição de força muscular (ROSENBERGER, 1997; VALE et al., 2004; EVANS & CAMPBELL, 1993). A sarcopenia se relaciona com contrações musculares inadequadas resul- tantes de estresse oxidativo ou alterações no metabolismo proteico de actina e miosina, além de perda de miócitos, principamente nas fibras do tipo II (DREYER & VOLPI, 2005). Ainda, alterações bioquímicas nas mitocôndrias são fatores fundamentais no processo de declínio da força muscular. A redução da capacidade oxidativa e volume total das mitocôndrias é observada durante o envelhecimento, fatores altamente correlacionados com a apoptose do tecido músculo esquelético (PETERSON et al., 2012). Para além da relação mitocôndria e força muscular, na figura 3 são indicadas, as alterações na excreção de crea- tinina (utilizada para estimar de massa muscular magra) e na taxa metabólica basal geradas pelo envelhecimento. EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS38 Figura 3. A excreção de creatinina e a taxa metabólica basal (TMB) em função da idade (adaptada de Rosenberger, 1997). Força e exercício físico Há indicativos de que os sintomas da sarcopenia são maximizados em pessoas fisicamente inativas, porém também são observados em indivíduos que foram fisicamente ativos durante suas vidas, mas em menores proporções (PÍCOLI et al., 2011). O estudo de Costa & Neri (2011) com idosos brasileiros indicou que os sedentários apresentavam menor força de preensão manual em relação aos fisicamente ativos, sendo que não foi discriminado o tipo de ativi- dade física realizada. Após conduzir um ensaio clínico randomizado, oferecendo prática de atividade física versus aconselhamento para um estilo de vida ativo, Goodpaster et al. (2008) demonstraram que o grupo ativo apresentou menor redução na força muscular. Além dos benefícios amplamente conhecidos da prática de atividade física regular para a saúde, sabe-se que especificamente o treinamento resistido proporciona melhoria no declínio de força associado ao envelhecimento, sendo estratégia eficiente para controlar os efeitos da sarcopenia, além de acarretar ganhos de força muscular (BOTTARO et al., 2007; LIMA et al., 2011). É importante destacar que a capacidade de adaptação aos estímulos do treinamento de força EXERCÍCIO INTERMITENTE NA TERCEIRA IDADE 39 não é modificada com a idade, ou seja, indivíduos idosos apresentam adaptações ao exercício resistido semelhantes aos jovens (BARBANTI et al., 2004). Trancoso & Farinatti (2002) avaliaram a força em idosas submetidas a 12 semanas de treinamento resistido, com frequência de duas vezes por semana de leg-press baixo e supino reto (duas séries com 10 repetições máximas (RM)), concluindo que nas primeiras quatro semanas houve ganho acentuado de força, com tendência a estabilização nas últimas semanas de programa. Já Ferri et al. (2003) propuseram exercícios de flexão plantar e extensão de joelhos com 80% de 1RM, frequência de três vezes por semana, durante 16 semanas com 16 homens idosos. Como conclusão, apresentaram que houve incremento de força no grupo de idosos e que este resultado é importante com vistas à realização de tarefas diárias que envolvem deslocamento, além de auxiliar no desenvolvimento de potência muscular. Verdjik et al. (2009) realizaram intervenção de treinamento de resistência com 14 homens idosos, o treinamento aconteceu por 12 semanas com fre- quência semanal de três dias. O programa de exercícios consistiu em quatro séries de leg press e extensão de joelhos, a carga de trabalho foi de 60% de 1RM (10-15 repetições) e 75% de 1RM (8-10 repetições), respectivamente, nas primeiras quatro semanas. Após a quinta semana, o número de séries continuou o mesmo (quatro), passando para oito repetições em ambos os exercícios. A intensidade do leg press aumentou para 75% 1RM enquanto para o exercício de extensão de joelho elevou-se para 80% de 1RM. As intensidades foram ajustadas com base em testes de 1RM realizados nas semanas quatro e oito. Os resultados do estudo indicaram que houve incremento de massa muscular magra (57,4±1,6Kg para 58,0±1,7Kg) e redução da gordura total. Em relação à força muscular,houve ganhos de 1RM tanto no leg press (170±8Kg para 210±10Kg) quanto para extensão de joelhos (88,4±111±5Kg). Reid et al. (2008) compararam os efeitos de programas de power training de alta intensidade (POW) com treinamento de resistência com carga pro- gressiva tradicional (STR) e grupo controle (CON), em relação ao aumento de força muscular de 57 idosos. Para o grupo POW foram oferecidas três séries com oito retições de leg press unilateral e extensão de joelhos direito, ambos com intensidade inferior a 70% 1RM, a fase concêntrica deveria ser realizada o mais rápido possível, mantendo a extensão completa por um segundo e a fase excêntrica por mais de dois segundos. Os exercícios do STR consistiram em três séries de oito repetições, a 70% 1RM, de leg press e extensão de joelhos (direito e esquerdo), a fase concêntrica com duração de mais de dois segundos, manutenção da extensão integral por um segundo e fase excêntrica por dois segundos. Ambos os protocolos foram realizados por 12 semanas com frequência de três vezes por semana. Ao fim do programa foi observado aumento expres- sivo de força de extensão de joelhos para os grupos STR (41%) e POW (49%) ao serem comparados com o COM (p<0,01). Além disso, os autores destacam que houve incremento significativo (p<0,01) de força (~2,3 vezes) e potência muscular (~2,8 vezes) no grupo POW ao serem comparados com STR. EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS40 Há indicativos de que estímulos muito baixos não sejam suficientes para gerar alterações na força muscular de idosos, fato comprovado por Carvalho et al. (2004) que submeteram 25 idosos à um programa de “ginástica de manutenção” durante seis meses, com frequência de duas vezes na semana e duração de 50 minutos por sessão. O treinamento consistia em dez minutos de aquecimento, aproximadamente 15 minutos de exercícios de força para membros inferiores (utilizando peso corporal) e para membros superiores (peso corporal, peso livre de 1-3Kg e bandas elásticas), a periodização foi ajustada individualmente, mas de modo geral, os idosos realizavam duas a três séries com oito a quinze repetições. Ao término do treinamento resistido, era oferecido trabalho aeróbio; exercícios de coordenação e equilíbrio, jogos lúdicos e, como última etapa, atividades de relaxamento e alongamento. Após o término da intervenção não foram apresentadas alterações significativas em força máxima isocinética de flexores e extensores de joelho. No quadro 1 são indicadas informações sobre os principais tipos de exer- cícios recomendados para a população idosa com vistas à prevenção da fragi- lidade, sendo eles o treinamento de força e o treinamento aeróbio. Os dados apresentados foram obtidos por meio de revisão de literatura conduzida por Landi et al. (2010). Quadro 1 – Informações sobre os principais tipos de exercícios recomendados à prevenção de fragilidade em idosos. treinamento aeróbio treinamento de Força Características gerais Grandes grupos musculares Muitas repetições Baixa resistência Vários grupos musculares Poucas repetições Moderada/alta intensidade recomendações Exercício de baixo impacto Iniciar com baixa intensidade e duração Realizar aquecimento e volta a calma Medir força e potência iniciais e utilizar carga entre 40-50% Parear grandes grupamentos mus- culares (agonista-antagonista) benefícios Condição cardiovascular Força Capacidade funcionalComposição corporal Equilíbrio Modificações a nível metabólico Potência Resistência muscular Tratamento de doenças crônicas Aumento massa muscular magra Adaptado de Landi et al., 2010 Geralmente, aos idosos são indicados exercícios físicos com intensidade leve a moderada; porém, o treinamento intermitente de alta intensidade tem se mostrado como opção oportuna para esta população, apesar dos poucos estudos publicados até então. EXERCÍCIO INTERMITENTE NA TERCEIRA IDADE 41 Perda de Peso em Idosos O crescimento da população idosa no Brasil e no mundo sinaliza a neces- sidade de se conhecer mais sobre o impacto da saúde e do estado nutricional no envelhecimento (CAMPOS et al., 2006). Antigamente era comum relacionar a inatividade física e o ganho de peso como consequência natural da idade, porém, hoje já se sabe que esses fatores podem ser decorrentes do declínio do nível de atividade física e da alimentação inadequada baseada em alta ingestão calórica e consumo elevado de cereais refinados e gorduras (SIMÕES et al., 2011; CAMPOS et al., 2000). Um dos fatores associados ao envelhecimento sadio é boa nutrição durante a vida. Através da avaliação nutricional, é permitido identificar se os indiví- duos apresentam algum risco nutricional, que estão ligados ao sobrepeso e a obesidade, a partir disso é possível estabelecer meios de intervenção com o objetivo de promover perda de peso e reduzir o desenvolvimento de patologias associadas ao excesso de peso, como hipertensão, doenças cardiovasculares e diabetes mellitus (SIMÕES et al., 2011). O exercício físico aliado com a reeducação alimentar vem sendo utilizado como a principal conduta não medicamentosa nos programas de emagreci- mento. Pensando nisso, tem-se buscado meios para a adesão de idosos em programas de emagrecimento através do exercício físico (MORENO et al., 2009). A maior parte dos protocolos de exercícios destinados a promover perda de gordura, focam no método regular estável, como, por exemplo, caminhadas e corridas em intensidades moderadas, porém estes tipos de protocolos acarretam em uma perda de peso insignificante (BOUTCHER, 2010). Evidências demonstram que o HIIT possui potencial de ser um protocolo de exercício econômico, por exigir pouco tempo diário de dedicação e por se mostrar eficaz na redução de gordura corporal em indivíduos com excesso de peso (BOUTCHER, 2010). O HIIT também produz aumentos significativos na capacidade aeróbia e anaeróbia, trazendo significativas adaptações oxidativas e glicolíticas do músculo esquelético, o que promove efeitos promissores na ação aguda e crônica de perda de gordura subcutânea e abdominal naqueles indivíduos que apresentam excesso de peso. Considera-se que a brevidade de protocolos HIIT deve ser atraente para a maioria dos idosos interessados na redução de gordura (INELMEN et al., 2005). Os idosos apresentam maior prevalência na alteração do estado nutricional em relação ao excesso de peso e a obesidade do que os adultos com idade inferior a 60 anos, pois além do consumo alimentar com maior ingestão de gordura e baixa ingesta de alimentos ricos em fibras, cálcio, zinco, magnésio e vitaminas A e D (CAMPOS et al., 2000), ocorre também a perda de massa muscular (sarcopenia) que proporciona queda da taxa de metabolismo basal e diminuição da atividade física entre os idosos (SILVA et al., 2006). A sarcopenia gera redução da capacidade funcional, da força, do equilíbrio, da flexibilidade EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS42 e diminuição da resistência aeróbia, fatores os quais, contribuem para o ganho de gordura corporal nos idosos (SILVA et al., 2006). Outro fator relacionado ao ganho de peso nos idosos está ligado a patologias e alterações fisiológicas pró- prias da idade, como a menopausa que interfere na elevação do peso, pois há aumento da perda de cálcio nos ossos, que na maioria das vezes, não é reposto na dieta habitual, fator este que poderá ser agravado levando à osteoporose, diminuição da altura e alterações na quantidade e distribuição da adiposidade subcutânea (CAMPOS et al., 2000; OMS, 1995). O aumento da prática esportiva vem crescendo atualmente na população idosa, no qual homens e mulheres acima dos 60 anos buscam encontram no exercício físico apoio para melhorar o padrão de saúde e estético (FREITAS et al., 2007). Com isso a prática dos HIIT vemganhando espaço entre os idosos. Através disso, o presente tópico tem como finalidade abordar os principais métodos para a aplicação de exercícios no qual o HIIT possa modificar de forma positiva a redução da gordura corporal em indivíduos idosos (BLAIR et al., 2004). Perda de Peso Relacionada ao HIIT em Idosos O crescimento da população de idosos em todo mundo despertou a aten- ção dos profissionais de saúde, com vistas a elaborar estratégias que possam contribuir na prevenção e redução da sarcopenia e do aumento de gordura corporal, visto que a inatividade e a alimentação inadequada, muitas vezes, podem levar a alterações da composição corporal, funcionais, bioquímicas e produzir diminuição da capacidade de desempenho de atividades diárias (LEMOS et al., 2007). Por se tratar de indivíduos acima de 60 anos, pensa-se, concomitantemente em meios para que os exercícios físicos aplicados a essa população sejam pra- zerosos e de fácil adesão, afim de que estas pessoas, não abandonem a prática e possam usufruir de seus benefícios. Com isso, o HIIT parece ser de grande valia para os idosos, já que exige pouco despendimento de tempo aliado a resultados positivos no emagrecimento (DIAS et al., 2006). Geralmente, os programas de exercícios físicos que visam o emagrecimento de idosos, focam no uso da atividade aeróbia contínua de longa duração e baixa intensidade, tal raciocícnio faz sentido, porque quanto maior o tempo de atividade física, maior será a quantidade de calorias empregadas, as quais podem desviar do armazenamento de tecido adiposo (triglicerídeos) (TALANIAN et al., 2007). No entanto, o HIIT exerce várias vantagens sobre o exercício contínuo quando comparados com os exercícios tradicionais (TALANIAN et al., 2007; TRAPP et al., 2008). Isso se mostrou evidente no estudo de Tremblay et al. (1994), que comparou treinamento contínuo endurance com HIIT. Apesar de gasto signifi- cativamente menor de energia ao final do programa HIIT, os participantes deste grupo obtiveram maior redução na espessura total de dobras cutâneas, devido EXERCÍCIO INTERMITENTE NA TERCEIRA IDADE 43 às adaptações metabólicas que ocorrem no músculo esquelético que parecem favorecer o processo de oxidação de lipídios (TREMBLAY &BOUCHARD, 1994). Na oportunidade o estudo de Tremblay & Bouchard (1994), o protocolo de treinamento constou de 20 semanas, composto por um período de condi- cionamento de cinco semanas em um ciclo reclinado, o grupo de HIIT realizou sprints enquanto o de Treinamento de Endurance (TE) realizou um protocolo tradicional de exercício aeróbio, ao longo das 15 semanas restantes. Ambos os grupos progrediram na intensidade. Na conclusão do estudo, o grupo HIIT havia perdido três vezes mais gordura subcutânea comparado com o grupo de TE, apesar de gastar menos da metade de calorias durante o exercício, conforme mostra o quadro 2 abaixo. Quadro 2. Comparação da perda de gordura no TE e HIIT modo (ergômetro) treinamento de baixa intensidade e longa duração treinamento intervalado de alta intensidade duração (minutos) 30 e elevado para 45 30 Frequência 4x/semana e elevado para 5x/semana 25 sessões contínuas, metade com- pletada antes da semana 5. Semana 5 a 20: 19 sessões intervala- das de longa distância e 16 sessões intervaladas de curta distância intensidade 60% da FCres e aumen- tado para 85% da FCres Aquecimento 70% da FCres 60% da potência máxima em 10 segundos e 70% da potência máxima em 90 segundos; aumen- tando 5% a cada 3 semanas gasto calórico (MJ) 120,4±31,0 57,9±14,4 perda de gordura (mm) 4,5 13,9 FCres = Frequência cardíaca de reserva. Pesquisas que incluem o HIIT indicam que ele pode ser mais eficaz na redução de gordura corporal subcutânea e abdominal do que outros tipos de exercícios. Os fatores que parecem contribuir para esta vantagem lipolítica se dão devido ao HIIT aumentar o potencial do corpo para usar lipídios como substrato energético, principalmente após o esforço, pois há um maior aumento enzimas responsáveis pela beta-oxidação. Além disso, o HIIT aumenta o consumo de oxigênio pós-exercício – EPOC, provendo maior ação da termogênese induzida pela ingesta de alimentos e ação da leptina (hormônio responsável pela dimi- nuição do apetite) (DIAS et al., 2006; DRAGO & CARNEVALI, 2010). Considerando que esses efeitos tem se mostrado mais positivos, com maior intensidade de exercício (GRAY et al., 1993; TREMBLAY & BOUCHARD, 1994). EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS44 Em relação aos principais métodos para a aplicação dos exercícios HIIT, a maioria dos estudos demonstra análises de curto prazo (2 a 6 semanas), para que a adaptação do músculo esquelético promova mudanças na composição corporal (BOUTCHER, 2010). No entanto, alguns estudos como o de Tremblay et al. (1994), utilizaram programas mais longos para determinar o efeito do HIIT na perda de gordura abdominal. Conforme demonstra a tabela 2, no estudo de Tremblay et al. (1994), foi constado que após 24 semanas, os indivíduos do grupo HIIT perderam mais gordura subcutânea em comparação com o grupo de exercício aeróbio constante. Mais recentemente, Trapp et al. (2008) realizaram um programa de HIIT por 15 semanas, com três sessões semanais de 20 minutos em mulheres, cujo exercício consistia em pedalas de 8 segundos, seguido por 12 segundos de ciclismo de baixa intensidade enquanto outro grupo de mulheres realizou protocolo de ciclismo aeróbio durante 40 min. Os resultados mostraram que as mulheres no grupo HIIT perderam significativamente mais gordura subcutânea (2,5 kg) do que o outro programa. Dunn (2009) utilizou protocolo semelhante ao de HIIT, porém agregou uma suplementação de óleo de peixe e uma dieta mediterrânea (composta pelo alto consumo de frutas, vegetais, cereais, legu- minosas, oleaginosas, peixes, leite e derivados, vinho e azeite de oliva) durante 12 semanas. Em 15 mulheres jovens com excesso de peso, a combinação de HIIT, dieta, e o óleo de peixe resultou numa redução de 2,6 kg de gordura subcutânea (8%). A mudança na dieta e os exercícios causam modificação no metabolismo, porém ela é mais evidente no grupo que se exercita de forma intermitente, independente do tipo de modalidade de exercício aplicada, sendo capaz de promover uma redução na adiposidade central e visceral (BERNARDES, 2004). No quadro 3 são apresentados resultados referentes à aplicação do HIIT para o emagrecimento, que pode contribuir com resultados satisfatórios nos idosos. No entanto, mais pesquisas são necessárias para identificar o tempo, intensi- dade do protocolo e o período de intervenção do HIIT para alcançar resultados satisfatórios no emagrecimento. EXERCÍCIO INTERMITENTE NA TERCEIRA IDADE 45 Ta be la 2 . Ef ei to d o H IIT s ob a g or du ra s ub cu tâ ne a, a g or du ra a bd om in al , m as sa c or po ra l e ci rc un fe rê nc ia d a ci nt ur a (B O U TC H ER , 2 01 0) . EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS46 Quadro 3. Métodos de aplicação do HIIT para o emagrecimento em idosos autores, ano sessões de treinamento tempo (min) período modalidade GIBALA e McGEE, 2008 Seis 15 minutos Duas semanas Aeróbio TRAPP, 2007 Duas n.i * > duas vezes por semana Aeróbio Legenda: * ni: não informado. Ressalta-se que o profissional de educação física deverá avaliar a condição física do idoso, afim de que ele possa desempenhar o exercício físico de forma adequada, evitando agravos ou lesões a nível músculo-esquelético. Doenças comuns em idosos As doenças próprias do envelhecimento, geralmente crônicas e múltiplas, vêm fazendo com que haja uma maior demanda de tempo e recursos aosserviços públicos de saúde, exigindo, na maioria das vezes, acompanhamento constante, medicação contínua e exames periódicos (COSTA & VERAS, 2003). As doenças mais comuns que acometem os idosos, no Brasil e em diversas partes do mundo, são a hipertensão arterial sistêmica, diabetes, doenças do sistema osteomuscular, doenças respiratórias, cerebrovasculares, cardiovascu- lares e transtornos mentais (ALMEIDA, 1999; COSTA & GUERRA, 2000; DESAI & ZHANG, 1999). A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é, atualmente, uma das principais causas de mortalidade em indivíduos da terceira idade, está correlacionada à incidência de acidentes vasculares cerebrais e de doenças cardiovasculares (ROSENFELD, 2003; WANG & VASAN, 2005). As alterações cardíacas e bioquímicas do envelhecimento fazem com que indivíduos mais velhos tenham maior propensão ao desenvolvimento de HAS, pois mecanismos responsáveis pela manutenção da saúde e equilíbrio de alguns órgãos são afetados com o avanço da idade, como por exemplo, o aparecimento de modificações em estruturas cardíacas (espessamento irregular do pericárdio e propensão a depósito de gordura nas artérias), e, ainda, uma importante alteração bioquímica a qual resulta em menor quantidade de trifosfato de ade- nosina (ATP) disponível, diminuindo a capacidade oxidativa das mitocôndrias, determinando menor capacidade de energia (AZUL et al., 1981). Em casos mais graves de HAS é necessária a utilização de tratamento far- macológico, sendo que as principais formas de tratamento são os diuréticos, EXERCÍCIO INTERMITENTE NA TERCEIRA IDADE 47 betabloqueadores, antagonistas do cálcio, inibidores de enzima conversora e simpaticolíticos e, as formas de tratamento não-farmacológico, utilizados em casos mais leves são a restrição ao sódio, diminuição de tabagismo, redução de peso, períodos adequados de repouso e exercícios físicos, sendo que esse tipo de tratamento pode ser utilizado como auxílio ao no tratamento em casos mais graves (BRASIL, 1998; FILHO et al.,1983; SHOJI & FORJAZ, 2000). A diabetes bem como a HAS, possui elevada ocorrência na terceira idade, principalmente a diabetes tipo 2, que é a de maior incidência e, complicações decorrentes como doença cardiovascular, cerebrovascular, retinopatia, nefropatia, neuropatias são bastante preocupantes em indivíduos mais velhos, pois as taxas de mortalidade aumentam com o passar da idade, devido aos aspectos citados anteriormente em relação às modificações anatômicas e bioquímicas, as quais acarretam também em muitos gastos ao sistema de saúde e na redução da qualidade de vida dos mesmos (BOURDEL- MARCHASSON et al., 1997). Em alguns casos, a HAS impõe limitações ao indivíduo, tanto para alimen- tação como em alguns cuidados adicionais para realização de tarefas diárias e prática de exercícios físicos (LAURENTI et al., 1982). As principais formas de tratamento da diabetes são antidiabéticos orais e/ou insulina, mudança nos hábitos alimentares e prática regular de exercícios físicos bem orientados, os quais, em conjunto com mudanças nos hábitos alimentares servem como meio preventivo ao surgimento da diabetes tipo 2 (CHACRA & LERÁRIO, 1998; GUIMARÃES & TAKAIANAGUI, 2002). Outro motivo importante de internação de idosos em hospitais tem sido as doenças do sistema osteomuscular, sendo que as maiores queixas dos idosos em serviços de saúde são a respeito de dores articulares, principalmente nos membros inferiores, dores lombares, na coluna cervical, relatos de reumatismos e osteoporose existentes (KENNES, 2001; TRELHA et al., 2006). A função muscular, que é diminuída com envelhecimento, tem efeitos diretos e significativos na saúde e qualidade de vida dos idosos, pois o controle postural, o equilíbrio e marcha ficam debilitados com essa redução de força, tornando difíceis tarefas simples, como pegar objetos, subir escadas e pequenas caminhadas e, ainda, com maiores riscos de desenvolver doenças associadas à idade, como reumatismo e osteoporose, faz com que os mesmos, tenham diminuída a sua autonomia e aumente os riscos de quedas, as quais podem acarretar em lesões ou até mesmo morte acidental (BRILL et al., 2000; DESCHENES, 2004). Algumas alternativas como exercício físico e alimentação balanceada têm sido recomendadas para que os efeitos negativos do envelhecimento no sistema osteomuscular sejam amenizados, sendo que os exercícios físicos podem atuar tanto na prevenção como na reabilitação, fortalecendo todo o sistema osteo- muscular e, a alimentação balanceada, pode ser utilizada como medida para evitar o sobrepeso e obesidade, pois o excesso de peso pode sobrecarregar todo o sistema osteomuscular, prejudicando a saúde do mesmo e/ou agravando EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS48 doenças relacionadas ao envelhecimento já existentes (ANDERSON & FELSON, 1998; LACOURT & MARINI, 2006). As doenças respiratórias são uma importante causa de internações hospi- talares e óbitos de idosos no Brasil e em diversas partes do mundo (GLEZEN et al., 2000; FRANCISCO et al., 2003). Bronquite crônica, pneumonias, infecção respiratória e enfisema pulmonar, se destacam como as doenças mais existentes nesta faixa etária bem como o causa da maioria dos óbitos (PEIXOTO et al., 2004; COSTA & GUERRA, 2000). Essas doenças são mais suscetíveis nos idosos, pois com o envelhecimento, ocorre uma diminuição da caixa torácica, da elasticidade pulmonar com consequente redução da pressão e inspiratória e respiratória, fazendo com que todo o mecanismo responsável pela respiração tenha sua eficiência reduzida (GLAGLIADI & FILHO, 2003; MARTINS et al., 2002). Em casos graves de doenças respiratórias, dependendo do caso e do tipo, tem-se utilizado como forma de tratamento os antibióticos, broncodilatadores, antialérgicos, corticóides e, vacinas contra gripe, exercícios físicos, evitar poluentes e tabagismo podem ser utilizados no auxílio do tratamento bem como meio de prevenção e redução dos efeitos da doença (BERQUÓ et al., 2004; FLETCHER et al.,1996; GONZALES et al., 1997). As doenças cerebrovasculares (DCVs) são responsáveis pela incidência de muitos óbitos na população acima dos 30 anos e, com o passar dos anos, essa incidência vai aumentando, sendo que com idade superior aos 85 anos, 1800 de 100000 indivíduos podem ser acometidos pelas DCVs (ELLISON et al.,1998; PITTELLA & DUARTE, 2002). As DCVs mais comuns que acometem os idosos são a aterosclerose cerebral, doença cerebrovascular hipertensiva, infarto cerebral, sendo que a principal forma de doença é o acidente vascular cerebral (AVC), isquêmico ou hemorrágico, que é terceira causa de morte em países industrializados e primeira causa de incapacidade em adultos (FURUKAWA et al., 2011; PEREIRA et al.,1993). Com consequências altamente incapacitantes, as DCV, podem, em alguns casos, deixar seqüelas irreversíveis como deformidades musculares, perda do movimento de um membro ou de todo o lado do corpo (hemiplegia), dificuldade com a fala e para comer, incontinência urinária e fecal, depressão e isolamento, fazendo com que o indivíduo acometido por esses tipos de doenças, tenha um acompanhamento constante e permanente de um cuidador (SILLIMAN et al., 1986; BOCCHI, 2004). Causas mais frequentes das doenças cerebrovasculares em idosos estão associadas ao abuso de álcool, diabetes, tabagismo, HAS, hipercolesterolemia, cardiopatias e sedentarismo (CHOR & LIMA, 2005; SACCO et al., 1997). As prin- cipais formas de prevenção das DCVs são a prática de atividades físicas, dieta equilibrada e evitar abuso de álcool e tabaco e, a formas de tratamento podem ser farmacológicas, não-farmacológicas ou ambas, pois além da administração de cada medicação específica para cada tipo de doença, pode-se utilizar de fisiote- EXERCÍCIO INTERMITENTE NA TERCEIRA IDADE 49 rapia,fonoaudiologia e atividade física durante as diversas etapas do tratamento (OLIVEIRA, 2001; NEVES et al., 2004; NEUFER, 1989; SILVA et al., 2009). As doenças cardiovasculares (DCV) estão significamente associadas a altas taxas de mortalidade em indivíduos acima dos 80 anos (KASHYAP, 1989; MARAFON et al., 2003). As mais comuns em idosos são a doença coronariana, insuficiência cardíaca, cardiomiopatia hipertrófica, doença valvar e as arritmias (MEDEIROS et al., 2006; TRESCH, 1997). Os principais efeitos desses tipos de doenças são a redução da função cognitiva (decorrência da dificuldade de fluxo sanguíneo cerebral nas áreas responsáveis pela cognição), depressão (o prolon- gamento no tempo de espera de cirurgias e/ou medo da morte, podem causar problemas importantes de ordem psicossocial) e fraqueza muscular respiratória (influenciada pela redução do fluxo sanguíneo para os músculos respirató- rios) (HAMMOND et al., 2004; SCHALL et al., 1989). Os fatores de risco para as DCV são a obesidade, HAS, diabetes, dislipidemia, tabagismo, sedentarismo e antecedentes familiares (CRUZ et al., 2004; KANNEL, 1983). As formas de prevenção e tratamentos não-farmacológicos mais utilizados para DCV são a dieta equilibrada e exercícios físicos e, os tratamentos farmaco- lógicos, dependendo do tipo de doença, são à base de diuréticos inibidores da enzima conversora de angiotensina (ECA), agentes betabloqueadores, digiáticos anticoagulantes e, ainda, intervenções cirúrgicas quando necessárias (ALMEIDA & MANFROI, 2007; RIBEIRO & MUSCARÁ, 2001; VANZELLI et al., 2005). Os transtornos mentais mais frequentes na população idosa são a demên- cia e a depressão, sendo que a demência ocorre em idosos com idades mais avançadas e a depressão é o distúrbio de saúde mental mais frequente na terceira idade e com maior associação à mortalidade e morbidade, principal- mente quando acompanhada com doença física (ALMEIDA, 1999; WEYERER et al.,1995). Em relação à depressão, o doente frequentemente apresenta insatisfação com seu estilo de vida, isolamento, irritação e até mesmo tendências a idéias de morte, tendo como principais causas os fatores genéticos, doenças incapa- citantes, luto, abandono, etc (OLIVEIRA et al., 2006; STELLA et al., 2002). Na demência ocorre diminuição de memória, sobretudo para fatos recentes, associada a déficit cognitivo, os quais podem resultar em maiores riscos de que- das e fraturas, tendo como causas mais frequentes, doenças cerebrovasculares, doença de Alzheimer (DA), demência vascular (DV), demência com corpos de Lewy (DCL) e demência frontotemporal (DFT) (CARAMELLI & BARBOSA, 2002; CARVALHO & COUTINHO, 2002; ROMÁN, 2002; SALGADO et al.,1994). As formas de tratamento da depressão são focadas em psicoterapia, inter- venção psicofarmacológica e exercícios físicos (utilizados para aumento da taxa de endorfinas, reduzindo transtornos depressivos e causando bem-estar) e, para demência, são antipsicóticos, benzodiazepínicos, antidepressivos, anticonvulsi- vantes e também os exercícios físicos com mesmo propósito da utilização em EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS50 indivíduos com depressão (ABBOTT et al., 2004; COOPER, 1982; TAMAI, 2002; STELLA et al., 2002). HIIT e doenças em idosos Exercícios físicos, de diversas intensidades, são amplamente citados na lite- ratura como forma de prevenção, manutenção e tratamento não-farmacológico de doenças associadas ao envelhecimento (COOPER, 1982; FLETCHER et al., 1996; ABBOTT et al., 2004; STELLA et al., 2002; ALMEIDA & MANFROI, 2007). Embora, exercícios de baixa e moderada intensidade já tragam benefícios à saúde física e mental de indivíduos mais velhos, estudos apontam que, com exercícios de intensidades mais elevadas, esses ganhos em relação à saúde podem ser mais expressivos tanto na prevenção como para auxílio para o tratamento de enfermidades nesta faixa etária, sendo que grande parte dos estudos, voltados a esse público, dizem respeito a benefícios voltados a doenças cardiovasculares (GUIRAUD et al., 2009; NEMOTO et al., 2007; ROGMONO et al., 2004; FREYSSIN et al., 2012; WISLOFF et al., 2009). A hipótese de que exercícios de intensidades mais elevadas podem ser mais eficientes para auxílio no tratamento de enfermidades é abordada por Freyssin et al. (2012). Esses pesquisadores estudaram 26 indivíduos adultos com insuficiência cardíaca crônica (comum em idosos), os quais foram separados em dois grupos (grupo exercício contínuo e grupo HIIT). Esses indivíduos realizaram testes de ciclismo, durante oito semanas, sendo que, ao final dos testes, foram comparados os efeitos desses tipos exercícios nos dois grupos. Os resultados do estudo apontaram que o HIIT, para esse tipo de população, parece ser mais eficaz do que os exercícios contínuos no que diz respeito à melhoria do VO2 max, aumento na duração e capacidade do exercício. Outro estudo que compara os efeitos dos exercícios de altas intensidades com exercícios de baixa e moderadas intensidades para maximizar benefícios à saúde cardiovascular é a pesquisa de Wisloff et al. (2009). Através de um artigo de revisão, os autores da pesquisa apresentam dados de vários outros estudos que mostram que, além de um maior aumento do VO2 max, exercícios de intensidades mais elevadas têm se mostrado mais eficientes para melhora do funcionamento cardíaco durante a sístole e a diástole, aumentando mais a capacidade de gerar força durante todo o funcionamento do sistema cardio- vascular. Ainda, no mesmo estudo, são apresentadas pesquisas que relatam que exercícios de altas intensidades podem ser mais eficientes para desenvol- vimento da hipertrofia cardíaca fisiológica induzida por exercício (associada à melhora do funcionamento do sistema cardiovascular) bem como na diminuição da hipertrofia cardíaca patológica (associada à morbidade e mortalidade) em comparação aos outros tipos de exercícios (COX et al.,1986; LEVY et al., 1990; OLIVEIRA & KRIEGER, 2002; WISLOFF et al., 2001). EXERCÍCIO INTERMITENTE NA TERCEIRA IDADE 51 Cornish et al. (2011) realizaram uma revisão sistemática de estudos que, compararam os efeitos do treino intermitente em relação à exercícios contínuos de intensidade moderada em pacientes com doença arterial coronariana, maiores de 18 anos, com diagnóstico e/ou tratados cirurgicamente devido à doença. Após análise dos resultados dos diversos estudos pesquisados, Cornish et al. (2011) concluíram que, a melhora na aptidão cardiorrespiratória, função endotelial e morfologia do ventrículo esquerdo, aspectos importantes para manutenção e controle da doença, são mais significativas em exercícios intermitentes se com- paradas com exercícios convencionais contínuos de intensidade moderada. Comparando exercício intermitente com exercício aeróbio constante para prevenção de doenças cardiovasculares, Tordi et al. (2010) avaliaram 11 homens adultos saudáveis, os quais realizaram sessões de testes ciclismo com exercício intermitente e com exercício aeróbio constante. Durante ambos os testes foram monitoradas a frequência cardíaca, a pressão arterial, a velocidade de onda do pulso, a rigidez arterial e controle autonômico cardíaco. Os resultados do estudo de Tordi et al. (2010) apontaram que, com a maior frequência cardíaca, a qual é atingida pelo exercício intermitente, ocorrem altera- ções vasculares periféricas, desencadeando a liberação de agentes vasoativos do endotélio, resultando em adaptações vasculares importantes. Em decorrência dessas adaptações, a rigidez arterial, que é fator contribuinte para o desenvolvimento de doença cardiovascular, é diminuída, comprovando que, o exercício intermitente pode ser mais eficiente como auxílio para o tratamento e/ou prevenção da rigi- dez arterial se comparado com exercícios aeróbios contínuos, os quais, durante a pesquisa,não resultaram em adaptações vasculares significativas. Hansen et al. (2010), em um estudo de revisão, investigaram o impacto de diferentes modalidades de exercícios na prevenção e/ou auxílio no tratamento de indivíduos que possuem risco e/ou doença cardíaca, síndrome metabólica e diabetes tipo 2. Os resultados da investigação pareceram indicar que o HIIT, pode ser mais eficiente do que exercícios de baixa e intensidade moderada, pois, segundo a grande maioria dos estudos pesquisados, o HIIT, causa um maior impacto sobre VO2 max, no aumento da sensibilidade à insulina e na regulação do controle glicêmico em relação aos outros tipos de exercícios, auxiliando, dessa forma, como melhor meio no controle e prevenção para esses tipos de enfermidades. Em relação à Diabetes, Earnest et al. (2012) comparam os efeitos do exercí- cio aeróbio contínuo com o treinamento intermitente em homens sedentários, com idade entre 30 e 60 anos e com risco de resistência à insulina. Os exer- cícios consistiam no treinamento em esteira, durante três meses, os quais os indivíduos eram separados em dois grupos de forma aleatória (grupo exercício contínuo e grupo exercício intermitente). Foram avaliados também o VO2 max e antropometria, os quais são fatores de risco para resistência à insulina. Após análise dos resultados de ambos os grupos, Earnest e colegas con- cluíram que, embora o VO2 max tenha melhorado em ambos os grupos de exer- EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS52 cícios, a redução da gordura corporal e a diminuição da resistência à insulina foi significamente maior no grupo de exercício intermitente e, ainda, esse tipo de exercício foi melhor tolerado, pois todos os indivíduos que participaram desse grupo concluíram os testes enquanto que no grupo do exercício aeróbio contínuo houve a desistência de alguns participantes. Pensando dessa forma, o HIIT vem sendo utilizado como alternativa e ferra- menta valiosa na manutenção da saúde e/ou auxílio no tratamento de doenças de indivíduos mais velhos, doentes crônicos e populações que pertencem a algum grupo de risco (WHITEHURST, 2012). Em relação à utilização do HIIT como auxílio na prevenção e/ou trata- mento de doenças em idosos, Nemoto et al. (2007) compararam os efeitos do HIIT em relação ao sedentarismo e ao exercício contínuo de intensidade moderada para melhora da pressão arterial e aptidão física em 246 (60 homens e 186 mulheres) adultos saudáveis de meia idade e idosos (44 - 78 anos). Os indivíduos foram separados em três grupos: grupo sem caminhada (man- tendo estilo de vida sedentário), grupo caminhada contínua de intensidade moderada (instruídos a andar no mínimo quatro dias por semana, mais de 8000 passos, utilizando um pedômetro para monitoração dos mesmos em aproximadamente 50 % VO2 pico) e grupo HIIT de caminhada (equipados com acelerômetro para medir a intensidade dos passos e pedômetro para moni- toração dos mesmos, instruídos a andar quatro ou mais vezes por semana com caminhada entre 70 e 85% VO2 pico). Após análise dos resultados, Nemoto et al. (2007) concluíram que a melhora da pressão arterial (redução da pressão arterial sistólica em repouso) foi significa- mente maior no grupo HIIT de caminhada bem como o aumento da capacidade aeróbia, da extensão e flexão do joelho nesse tipo de exercício se comparado aos testes em indivíduos sedentários e os que realizaram caminhada contínua de intensidade moderada. Guiraud et al. (2009) estudaram os efeitos de diferentes protocolos de HIIT(intervalos de 15 segundos ou 60 segundos e fase de recuperação passiva ou ativa), em 19 indivíduos (17 homens e duas mulheres) com doença arterial coronariana (DAC), no qual avaliaram, através de testes de ciclismo em bicicleta ergométrica, como se comportavam esses indivíduos durante os diferentes tipos de testes. Os autores da pesquisa concluíram que, embora todos os testes se mostrarem seguros e com boa adesão, intervalos de 15 segundos e recuperação passiva foi o modo mais ideal para esse tipo de população, pois o tempo para exaustão era mais longo e, o conforto e o VO2 max durante os testes foi melhor maximizado se comparado à maior intervalo e a recuperação ativa. Uma pesquisa que deve ser observada para futuros estudos com a popu- lação idosa, a qual envolve o HIIT, é o estudo de Hulzebos et al. (2011). Um indivíduo do sexo feminino, de 16 anos com diagnóstico de fibrose cística e condições médicas associadas, como doença pulmonar e hepática, foi convidada EXERCÍCIO INTERMITENTE NA TERCEIRA IDADE 53 a participar do estudo em um período de seis semanas, três vezes por semana de treinamento com HIIT. Cada sessão consistia de 10-20 intervalos, alternando com 30 segundos de alta intensidade (50-90% do VO2) de pedaladas em bici- cleta ergométrica e 60 segundos de período de recuperação. Após as seis semanas de treinamento, os resultados do estudo apontaram que o VO2 max e a capacidade de exercício foram significamente aumentados, mostrando, dessa forma, que o HIIT pode ser eficiente como auxílio para o tratamento e melhora da qualidade de vida, especialmente em indivíduos com fibrose cística que possuem algum tipo de limitação ventilatória. Os efeitos do HIIT em doenças cerebrovasculares e transtornos mentais em indivíduos de meia idade e idosos, não foram encontrados na literatura. Ainda, possíveis estudos sobre os efeitos do HIIT em indivíduos mais velhos com fibrose cística e os diferentes protocolos de HIIT que podem ser utilizados para outros tipos de enfermidades além da DAC, poderiam ser pesquisados. Diante destes fatos, sugerem-se pesquisas futuras sobre esses temas. Considerações finais Dentre os diversos programas de exercícios físicos voltados à população idosa, o HIIT se apresenta como proposta inovadora e efetiva para proporcio- nar melhorias na saúde, aptidão física, força muscular e emagrecimento. Além dos benefícios demonstrados, destaca-se que a prática do HIIT pode ser mais estimulante e promover maior adesão dos praticantes, por demandar períodos reduzidos de treino, fator importante ao considerarmos que a falta de tempo é uma das barreiras mais citadas como empecilho para a prática regular de atividade física (METCALFE et al., 2011). Ainda existem poucos estudos publicados utilizando HIIT para idosos; porém, os resultados apresentados até então são superiores ao serem comparados aos chamados “exercícios tradicionais”. É importante ressaltar que, sabendo das consequências do envelhecimento para a saúde e qualidade de vida, além do exponencial crescimento da população idosa, alternativas que minimizem estes agravos devem ser pensadas e propostas. Neste capítulo apontamos diversos benefícios dos HIIT para a população idosa, porém é essencial que o praticante goste da modalidade e a realize de forma prazerosa. reFerÊnCias 1. ABBOTT, R.D; WHITE, L.R; ROSS, G.W; MASAKI, K.H; CURB, J.D; PETROVITCH, H. Walking and dementia in physical capable elderly men. JAMA, v. 292, n. 12, p. 1447-53, 2004. 2. ABIZANDA, S.P. Update on frailty. Rev Esp Geriatr Gerontol, v.45, n. 2, p. 106–10, 2010. EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS54 3. ALMEIDA, O.P. Idosos atendidos em serviço de emergência de saúde mental: características demográficas e clínicas. Rev Bras Psiquiatr; v. 21, n. 1, p. 12-18, 1999. 4. ALMEIDA, A.S; MANFROI, W.C. Peculiaridades no tratamento da cardiopatia isquêmica no idoso. 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EXERCÍCIO INTERMITENTE E EMAGRECIMENTO: REVISÃO SISTEMÁTICA DA LITERATURA Gabriela Brisolara Xavier, Tainá de Freitas Uszacki, Tanísia Hipólito, Fabrício Boscolo Del Vecchio introdução O aumento da prevalência de sobrepeso e obesidade na população se constitui como problema mundial de saúde pública (DUMITH et al., 2011). Essa condição implica em consequências para a saúde e está associada a níveis elevados de diabetes tipo II e doenças cardiovasculares, ocasionando grande impacto econômico, gerando gastos para a população e governos (KARNIELI, 2008). Pesquisa americana aplicada há algumas décadas, cujo objetivo era avaliar as tendências e prevalência de obesidade nos Estados Unidos entre 1960 e 1994, encontrou dados de crescimento da prevalência de obesidade, indepen- dentemente da etnia ou nível socioeconômico dos indivíduos (FLEGAL et al., 1998). Esses valores seguem aumentando e caracterizam a necessidade de se organizarem políticas de intervenção para tentar controlar a obesidade, que atualmente é vista como emergência de saúde pública mundial (ALEXANDER et al., 2012; LIANG et al., 2012; JUNAIBI et al., 2012). Em estudo realizado no Brasil, foram coletados dados referentes ao período de 2006 à 2010 de sistema de monitoramento realizado por meio de inquérito telefônico, o qual avalia fatores de risco e proteção para doenças crônicas não transmissíveis (VIGITEL). A população monitorada pelo mesmo corresponde a adultos com idade igual ou superior a 18 anos, residentes em domicílios com telefone fixo nas capitais de 26 estados brasileiros e Distrito Federal. Os resul- tados do estudo apontam o excesso de peso e obesidade nos indivíduos de ambos os sexos, assim como maior tempo destinado a assistir TV por três ou mais horas por dia, caracterizando comportamento sedentário. Neste estudo, em relação ao excesso de peso e obesidade, encontraram-se os seguintes dados: aproximadamente 48% do total de indivíduos que respon- EXERCÍCIO INTERMITENTE E EMAGRECIMENTO 69 deram ao questionário apresentaram níveis de índice de massa corporal (IMC) igual ou maior a 25kg/m², o que caracteriza o excesso de peso (Quadro 1). Por outro lado, 15% dessa amostra apresentou IMC maior ou igual a 30kg/m², caracterizado como obesidade. Índice de Massa Corporal baseada nas conclusões do National Health and Nutrition Examination Survey II (NHANES II) com o intuito de apontar a massa corporal ideal para cada gênero Quadro 1. Classificação do Índice de Massa Corporal imC em Homens imC em mulheres Classificação < 20,7 < 19,1 abaixo do peso ideal 20,7 - 26,4 19,1 - 25,8 no peso ideal 26,4 - 27,8 25,8 - 27,3 marginalmente acima do peso 27,8 - 31,1 27,3 - 32,3 acima do peso ideal > 31,1 > 32,3 obeso Quando os dados foram comparados em relação ao sexo, os homens apre- sentaram valores superiores de excesso de peso em relação às mulheres; porém, as mesmas demonstraram valores superiores nos níveis de obesidade. Um dado preocupante é o fato de a obesidade e sobrepeso acometerem não somente adultos jovens e maduros, como também crianças e adolescentes (KOWAL et al., 2012). Tais informações permitem iniciar breve questionamento sobre a função da Educação Física escolar e seu compromisso com a qualidade de vida e saúde de seus praticantes, como também o real panorama reproduzido nas aulas de Educação Física. Há muitas décadas a ciência reconhece os benefícios da prática de exercícios e atividades físicas como fator de proteção contra doenças crônico degenerativas, além do ganho em saúde e qualidade de vida (NAHAS et al., 1992; MAGALHÃES et al., 2005; HALLAL et al., 2006). Com o objetivo de garantir que os alunos, tanto do ensino fundamen- tal quanto do médio, vivenciem as diferentes práticas corporais de modo a desenvolverem a cultura corporal em diferentes contextos, incluindo o campo de lazer e saúde, o Ministério da Educação (MEC) desenvolveu os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs). Porém, como já comentado anteriormente, mui- tas vezes essa idealização oriunda das leis não é corretamente reproduzida na prática, no cotidiano da Educação Física escolar, fato que pode ser confirmado pelo estudo de Gupta et al. (2012), no qual foram encontrados valores elevados de massa corporal e de percentuais de gordura em crianças e adolescentes. No EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS70 Brasil, estima-se que 22,1% dos jovens (5-19 anos) sejam obesos, dado que leva à realização de questionamentos sobre o impacto das medidas atuais utilizadas para o tratamento da obesidade, além de estimular a busca por estratégias que possam contribuir para a diminuição destes índices e promover maior prática e adesão aos exercícios físicos por parte de jovens e adultos. A busca por redução na gordura corporal é tendência que acomete diferentes populações e faixas etárias, podendo ser motivada por questões relacionadas à saúde como por objetivos estéticos. Neste sentido a restrição calórica e o exer- cício físico são estratégias utilizadas no tratamento e prevenção do sobrepeso e obesidade (JAKICIC et al., 2003). Os exercícios aeróbios, com intensidade baixa a moderada e de longa duração, têm sido apontados por muitos pesquisadores como a estratégia de treinamento mais eficiente para aqueles indivíduos que objetivam reduzir a gordura corporal (WILMORE & COSTILL, 2001), baseando-se na teoria que durante tais exercícios as gorduras sejam utilizadas como principal fonte de energia (BROOKS, 1994). Ainda hoje este conceito é utilizado por profissionais de educação física e pela população em geral como a forma mais eficaz para o emagrecimento, tendo sido amplamente popularizado. Entretanto, pesquisas demonstram que os exercícios aeróbios de baixa intensidade são pouco eficien- tes para o emagrecimento (GENTIL, 2010). Alguns estudos foramconduzidos comparando protocolos de exercício de baixa intensidade com alta intensidade, encontrando-se adaptações semelhantes quanto à redução da gordura corporal nos diferentes grupos ou até mesmo maiores reduções nos grupos treinando em intensidades mais altas (JAKICIC et al., 2003). Neste contexto, o método de exercício intermitente de alta intensidade, que pode ser conceituado de forma geral como séries repetidas de exercício com curta a moderada duração (10s-5min) em intensidade superior ao limiar anae- róbico, separadas por períodos breves de descanso ou atividade em intensidade baixa (LAURSEN E JENKINS, 2002), é apresentado como proposta alternativa aos métodos tradicionais de exercícios contínuos de longa duração e intensidade moderada, que são comumente utilizados em programas de emagrecimento, mas que não têm resultado em perda de peso expressiva, como vem sendo demonstrado por alguns pesquisadores (WU et al., 2009). A possibilidade de trabalhar tanto as capacidades aeróbias, quanto anae- róbias revela amplo espaço para esse tipo de treinamento, como já vem sido utilizado em vários esportes (TABATA et al., 1996; SPERLICH et al., 2010; KOHN et al., 2011). O mais interessante nesse método são as diferentes combinações de intensidade, duração e volume, sendo possível trabalhar de forma máxima e/ou supramáxima. Neste sentido, este trabalho tem como objetivo revisar estudos que verificaram os efeitos de diferentes tipos de protocolos de treinamento intermitente de alta intensidade na redução da gordura corporal e indicar se este método é eficiente para o emagrecimento. EXERCÍCIO INTERMITENTE E EMAGRECIMENTO 71 materiais e métodos Tipos de estudo e critérios de inclusão Em estudo prévio (BOUTCHER, 2011), realizou-se revisão de literatura sobre treinamento intermitente e emagrecimento. O presente estudo pretende ampliar a discussão sobre este importante tema e será caracterizado como revisão sis- temática de estudos de intervenção. Os critérios de inclusão estabelecidos para esta revisão foram: (a) resultados referentes à composição corporal ou oxidação de gorduras deveriam ser apresentados e relacionados ao exercício intermitente de alta intensidade; (b) os estudos deveriam se caracterizar como intervenções em humanos; e (c) apenas estudos em inglês foram considerados. Base de dados A base de dados PubMed/Medline foi consultada no período de março a abril de 2012 e como, estratégia de busca, utilizaram-se os seguintes descritores/ palavras chave: “high intensity interval training”, “high intensity interval exercise”, “high intensity intermittent training”, “high intensity intermittent exercise” e estes combinados com “fat” e “body composition”. Alguns destes descritores, embora não estejam presentes no Medical Subjetcs Readings (MeSH), foram incluídos por serem comumente encontrados em estudos sobre o tema. As buscas com as diferentes combinações de descritores resultaram em total de 122 artigos. Exclusão Os 122 artigos foram analisados, primeiramente, quanto aos seus títulos e resumos por dois autores independentemente. Dos 122 estudos, 41 se mostraram duplicados nas buscas com diferentes combinações de descritores, resultando em total real de 81 textos. Aplicando-se os critérios supracitados, excluindo-se os estudos duplicados e aqueles que se configuravam como revisões, 29 artigos foram pré-selecionados. Em um segundo momento, foram conduzidas, independentemente por três revisores, avaliações na íntegra dos 29 artigos pré-selecionados, analisando-se a relação dos mesmos com a temática específica. Os artigos não aceitos para esta revisão, nesta etapa, foram excluídos pelos seguintes motivos: 1) impossi- bilidade de obter a versão completa e 2) analisavam os efeitos do treinamento intermitente, mas não relacionado ao emagrecimento (Figura 1). Após essa etapa, foram considerados relevantes e incluídos nesta revisão 9 estudos, com sua qualidade metodológica avaliada por meio da escala de Downs e Black (1998), adaptada por Monteiro & Victora (2005). A mesma visa responder questões da ferramenta subdivididas por categorias de clareza na EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS72 redação do artigo, validade externa, validade interna (viés e confusão), controle de fatores de confusão e poder estatístico. Cada questão recebeu pontuação igual a 0 ou 1 (exceto a pergunta 5, que gera até dois pontos), portanto, cada artigo poderia receber, no máximo, 24 pontos. Figura 1 . Fluxograma da estratégia das intervenções incorporadas no pre- sente estudo. resultados e disCussão Nove estudos de intervenção foram incluídos na presente revisão. Estes arti- gos apresentaram características heterogêneas quanto às populações analisadas, protocolos adotados (tipo de esforço e recuperação) e períodos de intervenção. Na tabela 1 são apresentadas e sumarizadas as características gerais dos estudos incluídos na revisão, bem como o escore para qualidade metodológica e, na tabela 2, os protocolos adotados e principais resultados. Os sujeitos que compuseram as amostras dessas diferentes pesquisas caracterizaram-se pela particularidade de gênero, somente homens ou somente EXERCÍCIO INTERMITENTE E EMAGRECIMENTO 73 mulheres, assim como pela combinação de homens e mulheres compondo a mesma amostra. Quanto ao nível de atividade física, esses indivíduos eram, em alguns estudos, recrecionalmente ativos (BURGOMASTER et al., 2008; PERRY et al., 2008; TALANIAN et al., 2007) e, ainda, algumas amostras compostas por indivíduos sedentários ou fisicamente inativos (SARTOR et al. 2010; WHYTE et al., 2010; NYBO et al., 2010; TRAPP et al. 2008; TJØNNA et al., 2008; TJØNNA et al., 2009). Já em relação à composição corporal, alguns sujeitos estavam dentro do padrão eutrófico (TALANIAN et al., 2007; Trapp et al., 2008), considerado ideal pela Organização Mundial da Saúde (OMS), enquanto outros não (WHYTE et al., 2010; TJØNNA et al., 2009), inclusive apresentando quadros como Síndrome Metabólica (TJØNNA et al., 2008). Conforme o exposto, percebe-se que os estudos analisando os efeitos do treinamento intermitente de alta intensidade foram conduzidos em sujeitos com características heterogêneas, o que sugere aplicabilidade desse tipo de treinamento para diferentes populações. EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS74 EXERCÍCIO INTERMITENTE E EMAGRECIMENTO 75 A maioria dos estudos analisados (TJONNA et al., 2008; TRAPP et al., 2008; TJONNA et al., 2009; NYBO et al., 2010; WHYTE et al., 2010) apresentou dados significativos em relação ao aumento do consumo máximo de oxigênio após intervenções utilizando exercício intermitente que variaram desde duas até 16 semanas. Podem-se destacar os resultados obtidos no estudo de Whyte et al.(2010), no qual homens sedentários e com sobrepeso, submetidos ao protocolo intermitente de Wingate, constituído de 30 segundos de atividade máxima ou supramáxima por 30 segundos de descanso ativo ou parado, melhoram signifi- cativamente seu VO2max em 8,4% com apenas duas semanas de treinamento. Corroborando com esses achados, pesquisa conduzida com jovens mulheres universitárias demonstrou que o modelo de treinamento intervalado de alta intensidade pode ser medida efetiva para melhorias do condicionamento físico, sistema cardiovascular e controle de sobrepeso (SIJIE et al., 2012). Dentre os estudos que verificaram alterações no consumo máximo de oxigênio, a maior parte demonstrou diferenças significativas entre programas de treinamento com estímulo contínuo versus modelo intermitente de alta intensidade, de modo que o último vem se mostrando mais eficiente para esse fim a curto e longo prazo. Entretanto, é preciso destacar estudo de Burgomaster et al., (2008), no qual os autores não encontraram diferença significativaentre protocolo de treinamento de sprint intervalado e treinamento de endurance em relação aos valores de VO2pico em homens e mulheres saudáveis após intervenção de seis semanas. Os autores concluíram que, apesar da ausência de significância, o treinamento de sprint intervalado de alta intensidade seria estratégia mais efetiva para aumentar o potencial de ação de alguns marcadores genéticos do musculo esquelético e tecido adiposo, no que diz respeito a maior oxidação de carboidratos e gordura, respectivamente, quando comparado ao modelo tradicional de treinamento. A melhora na capacidade cardiorrespiratória promovida pelo HIIT é muito importante, considerando-se que este é um dos componentes da aptidão física relacionada à saúde (CASPERSEN et al., 1985) e importante indicador de boa saúde (BLAIR et al., 2009). Alterações de medidas antropométricas como redução na gordura corpo- ral total, gordura subcutânea e massa corporal, promovidas pelo treinamento intermitente de alta intensidade, foram observadas em alguns estudos com diferentes populações. Por exemplo, Trapp et al. (2008) realizaram pesquisa com duração de 15 semanas em mulheres saudáveis comparando protocolo de exercício intermitente de alta intensidade com exercícios no estado estável. O protocolo do grupo de exercício intervalado de alta intensidade, com taxa de trabalho/recuperação de 8 segundos de sprint máximo em cicloergômetro intercalados por 12 segundos de recuperação ativa, apresentava duração de 20 minutos por sessão, incluindo aquecimento e volta à calma, praticado três vezes por semana. Já o protocolo do grupo de exercício em estado estável, consistia EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS76 em 40 minutos de trabalho em cicloergômetro, com carga confortável à 60% do VO2pico. O protocolo intermitente induziu alterações significantes quanto à redução de gordura subcutânea e total diferentemente do protocolo em estado estável que não resultou em modificações significativas. O método de exercício intermitente parece efetivo e eficaz para o con- trole e alterações na composição corporal em ambos os sexos. Heydari et al. (2012) conduziram programa de exercício intermitente de alta intensidade em homens jovens com sobrepeso por período de 12 semanas com sessões de 20 minutos três vezes por semana. O protocolo consistia de esforços de 8 segun- dos separados por períodos de recuperação de 12 segundos. Assim como no estudo de Trapp et al. (2008), verificaram-se reduções significativas na gordura corporal total, abdominal e do tronco, além de diminuição na gordura visceral e aumento de massa magra. O HIIT demonstra potencial para promoção de adaptações relacionadas à redução de gordura corporal, através de protocolo com volume e frequências reduzidas aliados a intensidade elevada.Esses resultados são muito promissores não só para prevenção, mas também como alternativa de tratamento, já que obesidade e sobrepeso estão, juntamente com associações de idade ou gênero, relacionados com vários distúrbios, na sua maioria, metabólicos (JAMES, 1998). Os possíveis mecanismos responsáveis pela redução na gordura corporal induzida pelo HIIT ainda não foram determinados; entretanto, podem estar associados à maior oxidação de gordura durante e, principalmente, após o exercício intermitente (BOUTCHER, 2011). Algumas investigações apresentaram resultados significativos em relação à oxidação de gordura (BURGOMASTER et al., 2008; PERRY et al., 2008; SARTOR et al., 2010; TALANIAN et al., 2007). Pode-se destacar o estudo de Perry et al. (2008), o qual aplicou protocolo de treinamento intermitente de alta intensidade em indivíduos recreacionalmente ativos e encontrou adaptações musculares e metabólicas envolvidas diretamente na lipólise, tal como maior atividade das enzimas citrato sintetase e proteínas como a FAT/CD36, FABPpm, resultando em valores de oxidação de gordura 60% maiores pós intervenção do que no período de pré-treinamento. De forma semelhante, Talanian et al. (2007) encon- traram em apenas sete sessões de treinamento intermitente de alta intensidade aumento do VO2pico e oxidação de gordura no corpo inteiro durante o exercício e atividade aumentada das enzimas mitocondriais. Outro fator relevante a ser destacado é o controle insulínico promovido por esse tipo de exercício. Além de melhorar a capacidade aeróbia, através do aumento do VO2max e promover alterações na composição corporal, alguns autores (TJONNA et al., 2009; SARTOR et al., 2010) demonstraram que exercícios de alta intensidade podem promover adaptações metabólicas capazes de aumentar a sensibilidade à insulina, assim como regulação de glicose sanguínea em sujeitos com sobrepeso e obesidade. EXERCÍCIO INTERMITENTE E EMAGRECIMENTO 77 Na prescrição de exercícios intermitentes de alta intensidade diferentes tipos de protocolos podem ser adotados seguindo-se os princípios do método. Entretanto, devem-se analisar de forma individualizada as características do sujeito para o qual se deseja aplicar o exercício, verificando-se nível de condicionamento, condições de saúde, presença de lesões, dentre vários fatores. Intensidades de esforço máximas (all out/ Sprint Interval Training) que são sugeridas em muitos protocolos (WHYTE et al., 2010; TABATA et al., 2004) podem ser muito intensas para serem mantidas por indivíduos com baixa aptidão física, sedentários ou com sobrepeso iniciando em um programa de treinamento, dificultando a aderência (TALANIAN et al., 2006). Com o objetivo de investigar se exercícios intermitentes em intensidades muito altas poderiam ser toleradas por indivíduos sedentários e obesos e se estes obteriam os mesmos resultados que indivíduos jovens com boa aptidão física, estudo conduzido por Whyte et al. (2010), adotando o protocolo de Wingate já descrito anteriormente, encontrou reduções significativas na circunferências da cintura e quadril. Porém os autores advertem que, apesar dos benefícios relacionados à saúde encontrados com este protocolo em homens obesos, é prematura a recomendação desta forma de exercício em intensidade máxima para a população em geral. Para indivíduos iniciantes, podem-se empregar protocolos menos inten- sos com exercícios submáximos nos períodos de esforços, aumentando-se a intensidade progressivamente para que adaptação ao estímulo ocorra de forma gradual, pois se sabe que o risco de acidente cardiovascular é proporcional ao aumento da intensidade principalmente em indivíduos idosos, sedentários ou com algum problema cardíaco (THOMPSON et al., 2007). Um exemplo de pro- tocolo submáximo que se mostrou eficaz para o emagrecimento é apresentado no estudo de Talanian et al. (2006) no qual eram realizados por sessão total de 10 esforços de 4 minutos à 90% do VO2pico intercalados por dois minutos de repouso. Além disso, pode-se optar por iniciar com período de adaptação com exercícios contínuos em intensidades moderadas para então progredir para exercícios intermitentes em intensidades mais altas (GENTIL, 2010). Existem evidências indicando que o exercício intermitente possa ser apli- cado sem nenhum efeito negativo em populações específicas, incluindo sujeitos com insuficiência cardíaca, doença coronariana e hipertensão (WISLOFF et al., 2009). TjØnna et al. (2008) conduziram pesquisa em indivíduos com síndrome metabólica demonstrando que o exercício em alta intensidade foi superior ao contínuo em intensidade moderada para reverter os fatores de risco para síndrome metabólica. O protocolo adotado consistiu de 4 sprints de 4 minu- tos à 90% da frequência cardíaca máxima (FCmax) separados por 3 minutos de recuperação ativa à 70% da FCmax. Em adolescentes obesos também foram encontrados resultados positivos quanto à redução de fatores de risco cardiovasculares, aumento do VO2max e EXERCÍCIOINTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS78 diminuição de massa gorda, utilizando-se protocolo em esteira de 4 intervalos de 4 minutos à 90-95% da FCmax intercalados por 3 minutos de recuperação ativa à 70% da FCmax realizado duas vezes por semana (TJØNNA et al., 2009). Outro estudo com meninos comparou protocolo de exercício intermitente com contínuo, observando-se aumento no VO2pico de ambos os grupos, entretanto o treinamento intervalado resultou em maiores modificações. O treinamento intervalado parece ser bem tolerado por crianças e adolescentes, pois estes apresentam recuperação rápida e tem maior resistência a fadiga do que adultos (RATEL et al., 2003). Para indivíduos com nível de condicionamento físico mais elevado podem ser empregados protocolos em intensidades supramáximas, acima de 100% do VO2max. Exemplos desses tipos de protocolos podem ser encontrados em diver- sos estudos (TABATA et al., 1996; GIBALA et al., 2006). Burgomaster et al. (2008) realizaram estudo aplicando o protocolo de Wingate em homens e mulheres saudáveis pelo período de 6 semanas, e obtiveram resultados satisfatórios em relação à oxidação de gorduras. A maioria dos protocolos nos estudos foi realizada em ciclo-ergômetro, possivelmente pela maior praticidade de aplicação, controle e facilidade que o mesmo oferece para sujeitos destreinados durante a realização de um protocolo de treinamento intermitente. Isso se dá, pois o indivíduo necessita de maior agilidade e rapidez de execução dos movimentos em altas intensidades, com padrões de movimento relativamente bem dominados. Contudo, podem-se adaptar os protocolos para serem implementados de diferentes modos: esteira, pista, piscina, etc. Os períodos de esforço e recuperação devem ser empregados de modo adequado para cada indivíduo, sendo que o tipo de recuperação poderá ser realizado de forma ativa ou passiva. Existe evidência sugerindo que a recu- peração ativa (30-40% do VO2max) promova remoção mais rápida de lactato sanguíneo após exercício em alta intensidade (Thirietl et al., 1993). Em con- trapartida, verificou-se que a recuperação ativa tem demonstrado diminuir o desempenho no exercício intermitente de alta intensidade quando comparada a recuperação passiva, com o tempo até exaustão sendo significativamente diferente (DUPONT et al., 2004). Considerações Finais O exercício intermitente de alta intensidade pode proporcionar as mesmas adaptações metabólicas que o treinamento contínuo de longa duração e baixa/ moderada intensidade (BURGOMASTER et al., 2008). Entretanto, devido a suas características de curta duração e menor volume total de treinamento possui vantagens em relação ao contínuo quando se considera que a falta de tempo EXERCÍCIO INTERMITENTE E EMAGRECIMENTO 79 é apontada com uma das principais barreiras à prática de atividade física (REICHERT et al., 2007). De acordo com os estudos analisados, percebe-se que o treinamento intermitente de alta intensidade pode atuar de forma efetiva no aumento da oxidação de gorduras, diminuição de massa gorda, melhora na capacidade aeróbia e sensibilidade à insulina. Entretanto, mais estudos são necessários para determinar protocolos eficientes para o emagrecimento, estabelecendo-se a intensidade, duração, tipo e tempo de recuperação mais adequados para esse fim nas diferentes populações, bem como análise das respostas crônicas e não apenas agudas. apliCações prátiCas Em função do seu delineamento o exercício intermitente de alta intensi- dade permite que distintas populações desfrutemde sua prática para otimizar modelos de treinamento, maior aderência a prática de atividade física regular, assim como utilizar os benefícios no controle de peso corporal e doenças do sistema cardiovascular. reFerÊnCias 1. AL JUNAIBI, A., ABDULLE, A., SABRI, S., HAG-ALI, M., NAGELKERKE, N. The prevalence and potential determinants of obesity among school children and adolescents in Abu Dhabi, United Arab Emirates. Int J Obes, v. 37, n. 1, p. 68-74, 2012. 2. ALEXANDER, S.A., FROHLICH, K.L., FUSCO, C. Playing for health? 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Exerc Sport Sci Rev, v. 37, n. 3, p. 139-46, 2009. 27. WU, T.; GAO, X.; CHEN, M.; VAN DAM, R.M. Long-term effectiveness of diet- plus-exercise interventions vs. diet-only interventions for weight loss: a meta-analysis. Obes Rev, v. 10, n. 3, p. 313-23, 2009. REVISÃO SISTEMÁTICA DOS EFEITOS DO FUTEBOL RECREACIONAL EM ADULTOS NÃO ATLETAS1 Yuri Salenave Ribeiro1,2, Luis Américo Álvares Mezquita1, Fabricio B Del Vecchio1,2 1 Escola Superior de Educação Física – Universidade Federal de Pelotas. 2 Grupo de Estudos e Pesquisas em Treinamento Esportivo e Desempenho Físico. introdução A adoção de estilo de vida saudável pode contribuir no aumento da qua- lidade de vida da população, sendo que a promoção e prática de atividade física (AF) são possibilidades de destaque (DEL VECCHIO et al., 2007). Neste contexto, relatam-se efeitos positivos da prática regular de AF em diferentes indicadores de saúde, assim como para variáveis da aptidão física, sendo que estes achados são observados em diferentes populações, com variados meios e métodos de prescrição de treinamentos (GONÇALVES, 2004) Por isso, a AF é reconhecida como instrumento para o enfrentamento de diferentes agravos (TANASESCU et al., 1994-2000). Assim, nos últimos anos a quantidade de diretrizes e orientações para que pessoas sejam fisicamente ativas tem aumentado, e diversas recomendações são publicadas com este objetivo. Porém, reconhece-se que apesar de tais esforços, o nível de inatividade física e de sedentarismo ainda é elevado em âmbito mundial(HALLAL et al., 2012) Adicionalmente, baixos níveis de AF estão relacionados com agravos de origem cardiovascular, musculoesquelética, além de prejuízos metabólicos (LEE et al., 2012). Sendo assim, estratégias adicionais são necessárias na tentativa para modificação deste panorama, fazendo com que estudos investiguem os efeitos da utilização de esportes como modo 1 Artigo publicado na Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde, v. 18, n. 6, p. 655-668. EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS84 de realização de AF, e seus efeitos na saúde da população (PELLEGRINOTTI 1998). Dentre as diversas possibilidades de prática, destaca-se que o futebol é o esporte mais popular do mundo (RODRIGUEZ et al., 2005), com registro de cerca de 240 milhões de jogadores em 200 países na Federação Internacional de Futebol (FIFA)(WONG et al. 2005). Em âmbito nacional, estudo de coorte com 4.350 adolescentes observou que atividades esportivas eram praticadas por 68% das meninas e 82% dos meninos, e entre 60 e 70% deles jogavam futebol de modo regular(SILVA et al., 2009). Em se tratando da ciência e produção de conhecimento na modalidade, indicam-se publicações sobre a competição de futebol (LAGO et al., 2009) com pesquisas acerca das ações executadas (BANGSBO et al., 1991; MOHR et al., 2003; CASTAGNA et al., 2003; DI SALVO et al., 2007), do desempenho físico e das demandas fisiológicas (BANGSBO 1994; MOHR et al., 2004; KRUSTRUP et al., 2006) e, mais recentemente, contextualizações da aplicação dos jogos em espaço reduzidos (HOFF et al., 2002; IMPELLIZZERI et al., 2006; KELLY et al., 2009). Assim, há elevada participação de jogadores profissionais ou amadores como sujeitos de avaliação e treinamento nas variadas possibilidades de investigações apresentadas. Considerando-se que o percentual de pessoas praticantes de esporte competitivo é muito baixo(SILVA et al., 2009), e conhecendo as demandas da modalidade, estudos recentes têm averiguado as possibilidades e os efeitos da prática do futebol em âmbito não competitivo ou profissional, considerando utilizá-lo como instrumento para aprimoramento da aptidão física e melhora da saúde de praticantes recreacionais (KRUSTRUP et al., 2010; RANDERS et al., 2010). Sendo assim, o objetivo desta revisão sistemáticaé apresentar e discutir os resultados de diferentes programas de treinamento utilizando o futebol como estratégia para melhoria da saúde, aptidão física e do desempenho motor de homens e mulheres adultos não atletas. métodos Para cumprimento dos sucessivos passos metodológicos, e elaboração desta revisão sistemática, foram consideradas as indicações do modelo PRISMA, Preferred Reporting Items for Systematic reviews and Meta-Analyses (LIBERATI et al., 2009). A busca dos artigos tratando desta temática ocorreu até 31 de janeiro de 2013, embora não tenha ocorrido limite de data de publicação. Foram adotados como critérios de elegibilidade manuscritos que não tratavam de experimentos com contexto de treinamento competitivo para atletas, incidência e/ou recu- peração de lesões, indivíduos com idade inferior a 18 anos, prática de outras modalidades esportivas e investigações tratando de suplementação nutricional. REVISÃO SISTEMÁTICA DOS EFEITOS DO FUTEBOL 85 Além disso, foram considerados somente estudos com dados originais, experi- mentais ou quase experimentais, tendo inglês como idioma primário, e artigos apresentando resultados referente a variáveis da aptidão física relacionada a saúde e desempenho. Para recuperação dos textos, acessaram-se as bases de dados eletrônicas do PubMed, Science Direct e High Wire, sendo que foram utilizados os descritores, juntamente com limitadores, em língua inglesa “(effect OR effects)” e “AND (“recreational soccer OR “recreational football”). Ademais, foi adotada recuperação específica de textos a partir da identificação dos autores que se repetiram em maior quantidade dos artigos da busca com descritores. Destaca-se que não houve restrição quanto ao tempo de duração dos pro- gramas de treinamentos utilizados (excetuando-se efeitos agudos), tampouco quanto ao sexo. Inicialmente os revisores (em pares) analisaram os títulos e resumos da totalidade dos textos encontrados nas buscas. Destes, selecionaram os que preencheram os critérios de inclusão. Nos casos em que os revisores tiveram dúvidas quanto à exclusão imediata do artigo, eles se reuniram e consideraram a opinião de um revisor complementar. Depois desta etapa de leitura dos títulos e resumos, os artigos triados foram obtidos na íntegra e, posteriormente, exa- minados de acordo com os critérios de inclusão estabelecidos. Por fim, foram selecionados para a revisão os artigos que atingiram os critérios após a leitura integral dos manuscritos. Com respeito à organização e sistematização das informações, após recu- peração dos artigos completos, foi realizada leitura que permitiu divisão das investigações em dois grandes grupos, segundo sexo: Futebol Recreacional e Mulheres (FutRM) e Futebol Recreacional e Homens (FutRH). Para apresentação dos resultados, os estudos foram organizados em três grandes grupos, sendo eles: i) Variáveis Antropométricas; ii) Variáveis Fisiológicas; iii) Variáveis de Desem- penho. Os dados exibidos tratam de apresentar as alterações decorrentes do período pré para o pós-intervenção aplicado para os grupos de treinamento com futebol, sendo que os valores descritos são expressos com as suas res- pectivas unidades de medidas. Em todos os resultados a seguir apresentados como estatisticamente significativos, foram observados valores-p ≤ 0,05 em seus respectivos artigos originais. resultados De acordo os termos utilizados para busca, encontraram-se 119 artigos nas fontes da pesquisa. Encerrada a avaliação do título, e do resumo quando necessário, foram excluídos 107 deles por não estarem de acordo com a temá- tica, restando 13 investigações, após detecção e contabilização dos trabalhos duplicados durante a busca nas bases de dados. Destas, quatro foram retiradas por serem “executive summary”, revisão, não ser artigo completo e incluírem EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS86 outras modalidades esportivas. Além dos nove artigos que restaram a partir dos procedimentos indicados acima, consideraram-se mais quatro estudos na presente revisão, os quais foram identificados a partir da busca por autores nas bases de dados. Entretanto, um dos artigos foi excluído por apresentar resultados referentes a efeitos agudos em distintas sessões de treino. Assim, configurou-se total de 12 artigos originais utilizados, sendo todos experimentais e com apenas um dos trabalhos desenvolvidos fora da Dinamarca (Copenhagen), o qual foi realizado em Zurique, Suiça (KNOEPFLI-LENZIN et al., 2010). No Quadro 1 se observam as características das diferentes amostras submeti- das aos treinamentos com futebol. Após a identificação e tabulação das variáveis, não foi encontrado efeito negativo da prática do FutRH e FutRM. É importante relatar que, além da diferença de objetivos para realização do estudo, não há padronização na totalidade de métodos utilizados para verificar o efeito do FutRM e FutRH em todos os artigos, o que pode representar distintas variáveis, e esse fato se reflete na apresentação dos resultados dessa revisão. Sendo assim, os dados que obtiveram maior frequência de aparecimento entre os manuscritos estão apresentados graficamente, como observado nas figuras de 1 a 4. É importante afirmar que as medidas de dispersão entre os estudos não é padronizada, e que as mesmas estão indicadas, para cada manuscrito, no Quadro 1. Variáveis Antropométricas Considerando as variáveis apresentadas na Figura 1, e os nove estudos que foram incorporados nesse grupo(KRUSTRUP et al., 2010; KRUSTRUP et al., 2009; KRUSTRUP et al., 2010; RANDERS et al., 2011), apenas dois não apresenta- ram alteração quanto ao total de massa gorda corporal(KRUSTRUP et al., 2010; KRUSTRUP et al., 2010) e percentual de gordura corporal(KRUSTRUP et al., 2010; KRUSTRUP et al., 2010), quatro quanto à massa corporal total(KRUSTRUP P et al., 2010; KRUSTRUP et al., 2010; RANDERS et al., 2010; RANDERS et al., 2011), e um para o total de massa magra corporal (KNOEPFLI-LENZIN et al., 2010). Dois dos estudos não tinham por objetivo verificar o efeito do treinamento sobre nenhuma dessas variáveis(HELGE et al., 2010; BANGSBO et al., 2010). Individualmente, estudos exibem diminuição de tecido adiposo nos mem- bros superiores (MMSS) da ordem de 1,7kg, com redução de 1,1% de gordura androide e 1,2% de genóide, referentes à quantidade de gordura da região abdominal e do quadril, respectivamente, a partir de intervenção com FutRM desenvolvida ao longo de 16 semanas (KRUSTRUP et al., 2010), diminuição apenas na gordura genóide, com valores médios de 2,5%24, encontrou-se aumento de 10,7% na massa magra dos membros inferiores (MMII)(HELGE et al., 2010), assim como média de 1,5kg através do FutRM30. Para a área de seção transversa dos MMII com FutRM, registram-se incrementos de 7,4% e 4,8% para os hemicorpos esquerdo e direito, respectivamente(HELGE et al., 2010). REVISÃO SISTEMÁTICA DOS EFEITOS DO FUTEBOL 87 Com relação ao FutRH, localizam-se redução de 1,1kg de massa gorda dos MMSS e de 0,5 kg nos MMII, com um programa que durou 12 semanas, e observou-se diminuição no percentual de gordura androide (de 2,8%) e genóide (de 2,2%)31, apontam-se aumento de 9% na massa magra em relação à condição pré-intervenção (KRUSTRUP et al., 2010), e redução de 3,3cm na circunferência da cintura, assim como queda de 0,02 na razão cintura-quadril dos homens participantes do grupo intervenção, que realizavam prática de futebol duas vezes por semana, com 60 minutos por sessão (KNOEPLI-LENZIN et al., 2010). Variáveis Fisiológicas Quanto ao grupo de desfechos fisiológicos, direcionaram-se dez artigos(KRUSTRUP et.at., 2010; KRUSTRUP et al., 2009; KRUSTRUP et al., 2010; RANDERS et al., 2011; ANDERSEN et al., 2010), e as Figuras 2 e 3 apresentam as variáveis comuns à maioria dos estudos. Na Figura 2, três artigos não demonstraramalterações na pressão sanguínea sistólica (KRUSTRUP et al., 2010; KNOEPFLI-LENZIN et al., 2010; RANDERS et al., 2011) quatro na pressão sanguínea diastólica(KRUSTRUP et al., 2010; KRUSTRUP et al., 2010) e um na frequência cardíaca de repouso (RANDERS et al., 2011). Três manuscritos não tinham como objetivo principal verificar o efeito do FutRM e FutRH através dessas variáveis (HELGE et al., 2010; BANGSBO et al., 2010; KRUSTRUP et al., 2010). Na Figura 3, observa-se que todos os artigos apresentaram melhora na potência aeróbia máxima após período de treinamentos, três não relatam efeito sobre a venti- lação pico em teste progressivo máximo (HELGE et al., 2010; KNOEPFLI-LENZIN et al., 2010; ANDERSEN et al., 2010), e cinco estudos não exibem alteração na quantidade de capilares por fibra (KRUSTRUP et al., 2010; RANDERS et al., 2010; KNOEPFLI-LENZIN et al., 2010; RANDERS et al., 2011; ANDERSEN et al., 2010). Adicionalmente, apenas um destes artigos tinha nenhuma destas variáveis como desfecho principal (HELGE et al., 2010) Registram-se modificações crônicas em aspectos hemodinâmicos (pressão sanguínea e frequência cardíaca) e, na segunda, em variáveis relacionadas ao condicionamento aeróbio. Outros resultados tratam da melhora de variáveis durante teste progressivo de campo, com menor frequência de acumulação de lactato muscular de 9 mmol/kg dw.min, concentração de lactato muscular após três minutos de recuperação do teste de 23 mmol/kg dw com FutRH de 12 semanas (KRUSTRUP et al., 2010). Ademais, investigações encontraram valores médios de lactato sanguíneo menores durante esforço progressivo em esteira, com redução de 1,2 e 2,6 mmol/L nas velocidades de 6,5 e 8,0 km/h, respectivamente (KRUSTRUP et al., 2010), e diminuição de 0,5 e 0,9 mmol/L para as mesmas intensidades após período de treinamento entre mulheres30. Com homens, verificam-se efeito positivo no lactato sanguíneo com redução de 1,1; 1,9; 3,3 e 4,2 mmol/L para as velocidades EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS88 de 6,5; 8,0; 9,5 e 11 km/h, respectivamente, comparadas com o momento antes da prática do futebol recreacional (RANDERS et al., 2010) Também se apresen- tam evidências de que FutRH pode diminuir o lactato sanguíneo neste tipo de esforço, pois para as mesmas intensidades houve diminuição de 1,1; 1,5; 2,5 e 4,5 mmol/L após período de treinamento (KRUSTRUP et al. 2009). Através da mesma avaliação progressiva em esteira em participantes homens, exibem-se melhora do consumo de oxigênio pico em 0,35 l/min, diminuição na contribuição do componente lento do consumo de oxigênio de 0,19 l/min a 9,5 km/h e 0,08 l/min a 11 km/h, e menor razão de troca respiratória para 8, 9,5 e 11 km/h em 0,06, 0,07, 0,09(KRUSTRUP et al., 2010). Além disso, baixa de 13 bpm em 6,5 km/h, 19 bpm em 8,0 km/h, 21 bpm em 9,5 km/h e 22 bpm em 11 km/h32, decréscimo na frequência cardíaca de mulheres em 6 e 14 bpm, quando correram nas velocidades 6,5e 8 km/h, respectivamente(RANDERS et al., 2010). Ainda, encontram-se modificações em variáveis da variabilidade da frequência cardíaca (nas quais, o aumento do tempo pode ser interpretado como efeito positivo do FutRH e FutRM) de participantes do sexo masculino, com aumento de 8% na pNN50, de 5 milissegundos no SD1, além de, aproximadamente, 9 milissegundos no RMSSD(KNOEPFLI-LENZIN et al., 2010). Complementarmente, observou-se acréscimo de 13% no volume máximo de sangue ejetado durante teste progressivo após período de treinos(KNOEPFLI-LENZIN et al., 2010). Com relação à pressão sanguínea (PS), relata-se redução de 10 mmHg na PS média em homens(KNOEPFLI-LENZIN et al., 2010), e diminuição de 5 mmHg na PS média de mulheres que treinaram com futebol recreativo(KRUSTRUP et al., 2010). Complementarmente, investigações registraram resultados positivos rela- cionados à atividade enzimática após período de treinamento com futebol para indivíduos não treinados. Encontram-se atividade aumentada em 11% para a Citrato Sintase (CS) e 9% para a 3-hidroxiacil-CoenzimaA Desidrogenase (HAD) em mulheres (BANGSBO et al., 2010), sendo que essas enzimas compõem os processos metabólicos de utilização de oxigênio para abastecimento enérgico das tarefas motoras desempenhadas. Com o FutRH, apresenta-se acréscimo de 14% na atividade da CS, incremento de 15% na área média de fibras musculares e diminuição de 10,7% na quantidade de fibras de contração rápida do tipo “x” (FTx) (KRUSTRUP et al., 2010). Ainda, além de melhora na atividade da CS de 18%, área média de fibra muscular de 10% e diminuição na quantidade de fibras musculares FTx de 6,4%, os estoques de glicogênio tiveram aumento de 21%, quando comparado ao momento pré-intervenção(RANDERS et al., 2010). No que diz respeito às variáveis relacionadas ao metabolismo lipídico, mostra-se valor menor de 0,13 na razão LDL/HDL em mulheres(KRUSTRUP et al., 2010), e encontra-se diminuição de 0,06 em homens (RANDERS et al., 2011). Ainda, o valor de LDL foi menor em 0,4 mmol/L (RANDERS et al., 2011; KRUSTRUP et al., 2009), além de decréscimo de 5,2% no colesterol circulante no sangue no momento pós-intervenção com FutRH(KNOEPFLI-LENZIN et al., 2010). REVISÃO SISTEMÁTICA DOS EFEITOS DO FUTEBOL 89 Quanto as medidas relacionadas aos componentes estruturais ósseos, encon- trou-se aumento de 1,3% na densidade mineral óssea total de mulheres(KRUSTRUP et al., 2010), observou-se aumento de 2,6% para o MMII direito e, aproxima- damente, 2% para o MMII esquerdo na densidade mineral óssea da tíbia para as medidas totais, trabecular e cortical-subcortical(HELGE et al., 2010). No caso das intervenções com FutRH, relatam-se melhora na densidade mineral óssea dos MMII de 2%(RANDERS et al., 2010), e Krustrup (2012) aumento de 3,2% na massa óssea dos MMII em homens, os quais treinaram 12 semanas(KRUSTRUP et al., 2009). Variáveis de Desempenho Variáveis de desempenho foram identificadas em nove investigações (KRUS- TRUP et al., 2010; HELGE et al., 2010; PEDERSEN et al., 2009), e as com maior frequência estão representadas na Figura 4. Esse é o grupo que exibe maior variedade de medidas, e se indica que poucos estudos utilizaram métodos semelhantes. Isso não significa ausência de alterações após período de treina- mento, mas sim que as avaliações para as diferentes medidas de desempenho não foram similares entre os estudos. Os resultados relacionados às variáveis de desempenho em teste progres- sivo, avaliação postural e de velocidade analisadas nos estudos, e que foram incluídos nesta revisão, estão exibidos na Figura 4. Além disso, avaliações pós- intervenção da capacidade física de força em mulheres apresentaram modifi- cações positivas entre 11%29 e 24% (KRUSTRUP et al., 2010) para força máxima isocinética concêntrica rápida (240º/s) da musculatura posterior da coxa. Já para a força máxima isocinética concêntrica lenta (30º/s), identificam-se aumento de 11% para o quadríceps(KRUSTRUP et al., 2010), e Helge et al. (2010) melhora de 9% para a porção posterior da coxa em mulheres29. Ainda como resultados do FutRM, conduziram-se também mensurações da força máxima dinâmica excêntrica, com dados evidenciando incrementos de 16%, 21% e 17% para a força isocinética rápida do quadríceps, rápida da região posterior e lenta do quadríceps, respectivamente(KRUSTRUP et al., 2010). Já para a força isométrica pico, tanto a musculatura do quadríceps, quanto a posterior da coxa apresentaram melhora de rendimento, com 12% para o quadríceps e 23% para a porção posterior da coxa(KRUSTRUP et al., 2010). Ainda, foram observados valores maiores para a taxa de desenvolvimento de força em ambos os segmentos corporais – anterior e posterior da coxa, res- pectivamente de 35% e 29%(KRUSTRUP et al., 2010). Com relação à velocidade máxima atingida durante teste progressivo, relatam-se aumento de 0,9 km/hapós período de FutRH (KNOEPFLI-LENZIN et al., 2010), e melhora de 12% na velocidade máxima durante teste de velocidade de 30 metros, após intervenção com FutRM (BANGSBO et al., 2010). Ademais, apresentam-se efeito positivo do EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS90 FutRM com aumento de 6% no desempenho de salto vertical, uma medida de potência de membros inferiores(HELGE et al., 2010). Para as avaliações relacionadas com a postura corporal, há evidências de que o futebol recreacional pode proporcionar melhoras em diferentes elementos, tanto para homens, quanto para mulheres. Isso pode ser devido à dinâmica dos movimentos exigidos para o esporte, no qual frequentemente ações motoras com aceleração e desaceleração, além das diversas possibili- dades de mudanças de direção são recorrentes, tornando necessário ajuste dos segmentos corporais de maneira rápida e intensa(JAKOBSEN et al., 2011; PEDERSEN et al., 2009). Encontram-se melhoras no tempo de reação e ampli- tude de movimento quando a região do tronco é exposta a carga externa de forma aleatória, sendo que houve diminuição do tempo em 27% e menor deslocamento em 42% para mulheres submetidas a intervenção com FutRM de 64 semanas(KRUSTRUP et al., 2010). Já para homens, observa-se diminui- ção de 15% no tempo de reação, e 24% na amplitude de movimento do tronco(PEDERSEN et al., 2009). Ainda, apresentam-se resultados mostrando melhora no controle postural de homens quanto expostos a tarefas de desequilíbrio, sendo que houve menor deslocamento corporal de 18,2%, área de deslocamento de 30,2%, menor varia- bilidade de descolamento anteroposterior (AP) de 9,5%, médio-lateral (ML) de 23,2%, de velocidade AP de 17,8% e ML de 19,9%, além de força de reação vertical de 18% e menor quantidade de erros em teste de equilíbrio de 41% após intervenção(JAKOBSEN et al., 2011). disCussão O principal achado do presente estudo foi verificar que a utilização do futebol como exercício físico, com programas de intervenção por períodos entre 12 e 16 semanas, para adultos não atletas de ambos os sexos, pode proporcio- nar efeitos positivos em três grandes conjuntos de variáveis: antropométricas, fisiológicas e de desempenho físico. O emprego desta modalidade como meio de treino para melhora da qualidade de vida da população pode ser estratégia oportuna no contexto atual, pois se registra aumento de fatores e doenças relacionadas à inatividade física(Krustrup, 2010). Mais recentemente, a metodologia dos jogos em espaços reduzidos (JER) se apresenta como meio de prescrição de treinamento, pois sua especificidade permite o desenvolvimento de grande quantidade de elementos que compõem a modalidade e o treinamento direcionado ao rendimento esportivo (GAMBLE, 2010). Como a estrutura das modalidades coletivas esportivas é intermitente, ou seja, esforços de alta e baixa intensidade são desempenhados, os estímulos prescritos podem promover efeitos fisiológicos de maneira equivalente a tarefas contínuas, além de incremento do rendimento em testes motores, adaptações REVISÃO SISTEMÁTICA DOS EFEITOS DO FUTEBOL 91 musculares positivas(KRUSTRUP et al., 2010), embora nenhuma alteração possa ser observada. Neste sentido, poucos são os estudos que não exibem alguma alteração nas variáveis de interesse propostas; porém, mesmo assim, o aumento e melhora de relações sociais, assim como efeitos positivos de caráter psicológico podem ser observados (KRUSTRUP et al., 2010). Considerando os três grupos de variáveis em conjunto, pelo menos metade dos artigos apresentou efeito positivo da intervenção com futebol recreacional. Estratificando por variáveis, nas de cunho antropométrico e fisiológico, pelo menos 50% dos estudos apresenta incremento, e, nas de desempenho, quase a totalidade de estudos identificou aumento da aptidão física para realizar diferentes tarefas motoras. Sendo assim, a incorporação de exercícios com características semelhantes aos relatados por estes estudos, e com objetivo de modificar variáveis da aptidão física, é condicionada à identifi- cação dos benefícios que a mesma pode proporcionar para que se justifique sua aplicação e desenvolvimento. Por estes motivos, a promoção destas práticas no contexto da saúde pode ser justificada (KHAN et al., 2012). Na presente revisão é observada redução na média de massa corporal, massa gorda e percentual de gordura, assim como aumento da massa magra total dos sujeitos envolvidos. Considerando as características iniciais dos indi- víduos submetidos ao período de treinamento, estes resultados podem servir como incentivo para que práticas em pequenos grupos sejam incluídas dentro de programas de atividades físicas que objetivam modificar positivamente variáveis antropométricas. Isso se dá porque a execução de JER permite a realização de esforços de alta intensidade de maneira intermitente, e ativida- des com essas características se mostram eficientes para tal fim (IRVING et al., 2008; TREMBLAY et al., 1994; TRAPP et al., 2008). Adicionalmente, melhoras na PS e frequência cardíaca de repouso (FCrep) também foram observadas após FutRM e FutRH em pelo menos três artigos. Ou seja, a prática de mini-jogos pode permitir que medidas hemodinâmicas sofram adaptações positivas, tanto para PS sistólica, quanto PS diastólica, além da FCrep, sendo que esta última corresponde ao aprimoramento da função cardíaca através de aumento do ven- trículo esquerdo, o que proporciona maior volume de sangue ejetado durante a contração(POWERS et al., 2009). Outra importante modificação observada versa sobre o lactato sanguíneo (Lac) durante esforço progressivo em esteira. Quando suas concentrações se apresentam com menores valores para a mesma intensidade após período de treinamento, entende-se que os indivíduos melhoraram sua aptidão física (KISS et al., 2009). Esse ganho pode decorrer do desenvolvimento e aprimoramento de componentes do sistema energético aeróbio(GASTIN 2001; BILLAT 2001; GLAISTER 2005). As adaptações do sistema aeróbio foram identificadas em nove dos doze estudos (KRUSTRUP et al., 2010; KRUSTRUP et al., 2009; KRUSTRUP et al., 2010; EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS92 BANGSBO et al., 2010; RANDERS et al., 2010; KRUSTRUP et al., 2010; KNOEPFLI- LENZIN et al., 2010; RANDERS et al., 2011; ANDERSEN et al., 2010) sendo que a potência aeróbia máxima e a ventilação pico melhoraram em comparação com a situação pré-intervenção. Ainda, modificações encontradas nas enzimas relacionadas a esse sistema (CS, HAD) servem como suporte para tais achados. Isto ocorre em virtude da natureza intermitente dos JER que, comprovadamente, constituem-se como estratégia adequada para prescrição de treinos, cujo intuito é provocar melhoras na aptidão aeróbia dos indivíduos(IMPELLIZZERI et al., 2006; KRUSTRUP et al., 2010; HILL-HASS et al., 2011). Esses achados podem contribuir para que programas de condicionamento físico incluam esforços de intensidades altas, não somente nas prescrições para sujeitos treinados ou atletas, mas que ocorra de modo recreacional e divertido(BARLETT et al., 2011). Registram-se melhoras no desempenho físico (Figura 4), incluindo compo- nentes como força muscular e potência. O aprimoramento da força muscular possibilita: aumento da força funcional para atividades cotidianas (ZATSIORSKY et al., 2008), pela capacidade aumentada de produzir força, ou por melhora de componentes neurais e/ou por maior quantidade de massa muscular; fortale- cimento dos tecidos conjuntivos, melhorando a estabilidade das articulações e ajudando a prevenir lesões (STONE et al., 2006), melhora da composição corporal, decorrente de maior taxa metabólica proporcionada pelo aumento da massa magra e qualificação da modelagem óssea (FERRY et al., 2011), podendo reduzir o risco de osteoporose.Com isso, práticas físicas que incorporam JER, como no FutRM e FutRH, se apresentam como ferramentas alternativas para processos de treinamento de populações sem características competitivas. Entretanto, a utilização do esporte não se limita ao campo da elevação do nível de atividade física e melhora no condicionamento físico. Mensagens de promoção da saúde também podem ser introduzidas e desenvolvidas com pro- gramas que se utilizam da prática esportiva como meio de treinamento (PRIEST et al., 2008; FINCH et al., 2010). De acordo com evidências recentes, educar as pessoas pode promover efeitos positivos em suas práticas relacionadas ao tema da saúde e, ainda, alcançar comportamentos no sentido de reduzir os problemas oriundos das doenças transmissíveis, como a HIV/AIDS(NYAMWAYA 2008; CHRIS- TODOULOS et al., 2006; WORLD HEALTH ORGANISATION 2010). Portanto, projetos direcionando esforços no sentido de promover educação em saúde, ao mesmo tempo em que proporcionam decréscimo dos riscos de doenças transmissíveis e não transmissíveis decorrentes da inatividade ou baixos níveis de atividade física surgem com elevado potencial com vistas ao aprimoramento destes dois fatores que atuam sobre a saúde populacional(DVORAK et al., 2010). Algumas iniciativas já estão sendo desenvolvidos por clubes esportivos em âmbito internacional, mas, mesmo com a expressiva manifestação social que o esporte apresenta, é de grande surpresa que pouco tenha sido publicado sobre esta temática de promoção da saúde(DONALDSON et al.,2012). Com a utilização do esporte, o desenvolvimento de pontos que estimulem o conhecimento de REVISÃO SISTEMÁTICA DOS EFEITOS DO FUTEBOL 93 hábitos e atitudes saudáveis pode ser incorporado, além de incluir os aspectos de saúde voltados para o desenvolvimento da aptidão física (WORLD HEALTH ORGANISATION 2010). Apesar de, primariamente, a função dos clubes ser promo- ção e organização de oportunidades para competições, algumas comunidades esportivas estão se envolvendo ativamente no contexto social, no sentido de promover a saúde(SIMONSEN-REHN et al., 2006; KOKKO et al., 2009). Portanto, a busca por diferentes estratégias de prescrição de treinamen- tos para desenvolvimento e aprimoramento da aptidão física é relevante na promoção de estilo de vida ativo e saudável, assim como no planejamento de programas de treino. Com isso, a presente investigação pretendeu demonstrar que a prática recreacional do futebol, a partir dos JER, é eficiente para produzir resultados positivos em variáveis antropométricas, fisiológicas e de rendimento em não atletas. Aliado a isso, utilizar tal estratégia pode ser excelente possibili- dade de educar em saúde, através da transmissão de conhecimentos referentes a aspectos de vida saudável, os quais são conectados com fatores técnico-tático ou físico da modalidade esportiva desempenhada. reFerÊnCias 1 DEL VECCHIO, F. B.; GONÇALVES, A. A promoção à saúde constrói a vigilância em saúde: contribuições para a Educação Física. Rev Conexões; v. 5, n. 2, p. 64-77, 2007 2. MALTA, D. C., CASTRO, A. M. D., CRUZ, D. K. A., GOSH, C. S. 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I de nt ifi ca çã o do s es tu do s, da s va riá ve is de m og rá fic as , a nt ro po m ét ric as e fi sio ló gi ca s do s su je ito s de a m bo s os s ex os , al ém d as c ar ac te rís tic as d os d ife re nt es t ip os d e tr ei na m en to s de se m pe nh ad os n os e st ud os a va lia do s ne st a in ve st ig aç ão . es tu d o n id a d e (a no s) m C in ic ia l (k g) es ta tu ra (c m ) im C in ic ia l (k g/ m 2 ) % g in ic ia l Vo 2m a x in ic ia l (m l.k g. m in -1 ) Ca ra Ct er ís ti Ca s d o tr ei n a m en to m u lH er es a nd er se n et a l. 37 * TF ut ( n= 19 ) 36 ,5 ± 8 ,2 69 ± 1 0, 5 - 24 ,3 ± 4 ,1 33 ,9 ± 7 34 ,7 ± 5 ,2 2- 3 se ss õe s/ se m ; du ra çã o: 6 0 m in ; 1 6 se m M in i-j og os c om 5x 5/ 7x 7/ 9x 9 jo ga do ra s ba ng sb o et a l. 30 * * TF ut ( n= 21 ) 19 -4 9 70 ,5 ± 1 ,4 - - 34 ,2 ± 0 ,9 34 ,8 ± 0 ,6 2 se ss õe s/ se m ; d ur aç ão 60 m in ; 1 6 se m M in i- jo go s co m 5 x5 /7 x7 /9 x9 jo ga do ra s Kr us tr up e t al . 2 4 * TF ut ( n= 7) 40 ± 3 71 ,5 ± 3 ,3 - 24 ,6 ± 1 ,3 34 ,4 ± 1 ,8 34 ,3 ± 1 ,1 2 se ss õe s/ se m ; du ra çã o: 6 0 m in ; 1 6 m es M in i-j og os c om 5x 5/ 7x 7/ 9x 9 jo ga do ra s H el ge e t al . 2 9 * TF ut ( n= 12 ) 36 ,3 ± 8 ,2 68 ,3 ± 1 0, 3 16 8, 1 ± 5, 7 - - - 2 se ss õe s/ se m ; du ra çã o: 6 0 m in ; 1 4 se m M in i-j og os c om 5x 5/ 7x 7/ 9x 9 jo ga do ra s Kr us tr up e t al . 2 8 ** TF ut ( n= 21 ) 37 ± 2 71 ,6 ± 2 ,3 16 9 ± 0, 02 25 ± 0 ,9 35 ,8 ± 1 ,2 34 ,8 ± 0 ,6 2 se ss õe s/ se m ; du ra çã o: 6 0 m in ; 1 6 se m M in i-j og os c om 5x 5/ 7x 7/ 9x 9 jo ga do ra s pe de rs en e t al . 3 6 ** TF ut ( n= 19 ) 19 -4 5 68 ,6 ± 1 ,6 - 24 ,1 ± 0 ,6 33 ,4 ± 1 ,1 34 ,6 ± 1 ,1 3- 4 se ss õe s/ se m ; du ra çã o: 6 0 m in ; 1 6 se m M in i-j og os c om 5x 5/ 7x 7/ 9x 9 jo ga do ra s EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS100 Co nt in ua çã o do Q ua dr o 1 es tu d o n id a d e (a no s) m C in ic ia l (k g) es ta tu ra (c m ) im C in ic ia l (k g/ m 2 ) % g in ic ia l Vo 2m a x in ic ia l (m l.k g. m in -1 ) Ca ra Ct er ís ti Ca s d o tr ei n a m en to H o m en s ja ko bs en e t al . 3 5 * TF ut ( n= 10 ) 30 ,3 ± 5 ,8 8 0, 4 ± 10 ,1 18 0, 9 ± 6 – 24 ,9 ± 8 39 ,6 ± 3 ,2 3 se ss õe s/ se m ; d ur a- çã o: 4 5 m in ; 1 2 se m M in i-j og o co m 5 x5 jo ga do re s ra nd er s et a l. 31 * * TF ut ( n= 10 ) 20 -4 3 84 ,2 ± 2 ,5 – – 23 ,6 ± 2 ,6 39 ,7 ± 0 ,9 3 se ss õe s/ se m ; 6 0 m in ; 12 s em M in i-j og os c om 4x 4; 5x 5 jo ga do re s Kr us tr up e t al . 3 2 ** TF ut ( n= 12 ) 20 -4 3 84 ,4 ± 2 ,4 – – 24 ,5 ± 1 ,1 39 ,4 ± 0 ,9 2- 3 se ss õe s/ se m ; du ra çã o: 6 0 m in ; 1 2 se m M in i-j og os c om 5x 5/ 7x 7 jo ga do re s Kr us tr up e t al . 2 6 ** TF ut ( n= 13 ) 30 ± 2 82 ,9 ± 2 ,9 18 2 ± 2 24 ,9 ± 0 ,8 24 ,9 ± 2 ,3 39 ,6 ± 1 ,5 2- 3 se ss õe s/ se m ; du ra çã o: 6 0 m in ; 1 2 se m M in i-j og os c om 5x 5/ 6x 6/ 7x 7 jo ga do re s Kn oe pf li- le zi n et al .33 * TF ut ( n= 15 ) 37 ± 4 82 ,1 ± 8 ,7 – 26 ± 3 – – 2 se ss õe s/ se m ; d ur a- çã o: 6 0 m in ; 1 2 se m M in i-j og os ra nd er s et a l.3 4 * TF ut ( n= 22 ) 37 ± 1 0 73 ,3 ± 1 6, 7 – 22 ,9 ± 3 ,9 19 ,4 ± 8 ,5 36 ,7 ± 7 ,6 4 se ss õe s/ se m ; d ur a- çã o: 2 5 m in ; 1 2 se m M in i-j og o co m 4 x4 jo ga do re s + se ss ão d e fo rç a M C= M as sa c or po ra l; IM C= Ín di ce d e m as sa c or po ra l; % G =P er ce nt ua l d e go rd ur a; TF ut =T re in am en to F ut eb ol ; S em = Se m an as ; M in = M in ut os ; M ês = m es es ; * D es vi o Pa dr ão ; * *E rr o Pa dr ão REVISÃO SISTEMÁTICA DOS EFEITOS DO FUTEBOL 101 Figura 1. Modificações, em kg e % de gordura corporal (%G), relacionados às variáveis antropométricas após período de intervenção com futebol (M: massa; #: Estudo com mulheres). Figura 2. Modificações, em mmHg e bpm, relacionadas às variáveis fisio- lógicas de pressão sanguínea sistólica e diastólica, assim como para a frequência cardíaca de repouso (FCrep) após os treinamentos com futebol, respectivamente. (#: Estudo com mulheres) EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS102 Figura 3. Modificações, em % e Litros, para as variáveis fisiológicas de Potência Aeróbia Máxima (PAM), Ventilação Pico e Capilares por Fibra após o treinamento de futebol. (#: Estudo com mulheres). Figura 4. Modificações, em % e segundos, para diferentes variáveis de desempenho no tempo limite de teste progressivo de esteira e campo, percentual de erros em avaliação postural, e medida de velocidade pro- porcionada pelo treinamento de futebol (Prog: progressivo; D: direita; E: esquerda; #: Estudo com mulheres). REVISÃO SISTEMÁTICA DOS EFEITOS DO FUTEBOL 103 Q ua dr o 1 . I de nt ifi ca çã o do s es tu do s, da s va riá ve is de m og rá fic as , a nt ro po m ét ric as e fi sio ló gi ca s do s su je ito s de a m bos os s ex os , al ém d as c ar ac te rís tic as d os d ife re nt es t ip os d e tr ei na m en to s de se m pe nh ad os n os e st ud os a va lia do s ne st a in ve st ig aç ão . ES TU D O N ID A D E (a no s) M C In ic ia l (k g) Es ta tu ra (c m ) IM C In ic ia l (k g/ m 2 ) % G In ic ia l VO 2M AX In ic ia l (m l.k g. m in -1 ) CA RA C TE RÍ ST IC A S D O TR EI N A M EN TO M U LH ER ES A nd er se n et a l. 37 * TF ut ( n= 19 ) 36 ,5 ± 8 ,2 69 ± 1 0, 5 – 24 ,3 ± 4 ,1 33 ,9 ± 7 34 ,7 ± 5 ,2 2- 3 se ss õe s/ se m ; du ra çã o: 6 0 m in ; 1 6 se m M in i-j og os c om 5x 5/ 7x 7/ 9x 9 jo ga do ra s Ba ng sb o et a l. 30 * * TF ut ( n= 21 ) 19 -4 9 70 ,5 ± 1 ,4 – – 34 ,2 ± 0 ,9 34 ,8 ± 0 ,6 2 se ss õe s/ se m ; du ra çã o 60 m in ; 1 6 se m M in i-j og os c om 5x 5/ 7x 7/ 9x 9 jo ga do ra s Kr us tr up e t al . 2 4 * TF ut ( n= 7) 40 ± 3 71 ,5 ± 3 ,3 – 24 ,6 ± 1 ,3 34 ,4 ± 1 ,8 34 ,3 ± 1 ,1 2 se ss õe s/ se m ; du ra çã o: 6 0 m in ; 1 6 m es M in i-j og os c om 5x 5/ 7x 7/ 9x 9 jo ga do ra s H el ge e t al . 2 9 * TF ut ( n= 12 ) 36 ,3 ± 8 ,2 68 ,3 ± 1 0, 3 16 8, 1 ± 5, 7 – – – 2 se ss õe s/ se m ; du ra çã o: 6 0 m in ; 1 4 se m M in i-j og os c om 5x 5/ 7x 7/ 9x 9 jo ga do ra s Kr us tr up e t al . 2 8 ** TF ut ( n= 21 ) 37 ± 2 71 ,6 ± 2 ,3 16 9 ± 0, 02 25 ± 0 ,9 35 ,8 ± 1 ,2 34 ,8 ± 0 ,6 2 se ss õe s/ se m ; du ra çã o: 6 0 m in ; 1 6 se m M in i-j og os c om 5x 5/ 7x 7/ 9x 9 jo ga do ra s Pe de rs en e t al . 3 6 ** TF ut ( n= 19 ) 19 -4 5 68 ,6 ± 1 ,6 – 24 ,1 ± 0 ,6 33 ,4 ± 1 ,1 34 ,6 ± 1 ,1 3- 4 se ss õe s/ se m ; du ra çã o: 6 0 m in ; 1 6 se m M in i-j og os c om 5x 5/ 7x 7/ 9x 9 jo ga do ra s EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS104 Co nt in ua çã o do Q ua dr o 1 ES TU D O N ID A D E (a no s) M C In ic ia l (k g) Es ta tu ra (c m ) IM C In ic ia l (k g/ m 2 ) % G In ic ia l VO 2M AX In ic ia l (m l.k g. m in -1 ) CA RA C TE RÍ ST IC A S D O TR EI N A M EN TO H O M EN S Ja ko bs en e t al . 3 5 * TF ut ( n= 10 ) 30 ,3 ± 5 ,8 8 0, 4 ± 10 ,1 18 0, 9 ± 6 – 24 ,9 ± 8 39 ,6 ± 3 ,2 3 se ss õe s/ se m ; d ur a- çã o: 4 5 m in ; 1 2 se m M in i-j og o co m 5 x5 jo ga do re s Ra nd er s et a l. 31 * * TF ut ( n= 10 ) 20 -4 3 84 ,2 ± 2 ,5 – – 23 ,6 ± 2 ,6 39 ,7 ± 0 ,9 3 se ss õe s/ se m ; 6 0 m in ; 1 2 se m M in i- jo go s co m 4 x4 ;5 x5 jo ga do re s Kr us tr up e t al . 3 2 ** TF ut ( n= 12 ) 20 -4 3 84 ,4 ± 2 ,4 – – 24 ,5 ± 1 ,1 39 ,4 ± 0 ,9 2- 3 se ss õe s/ se m ; du ra çã o: 6 0 m in ; 1 2 se m M in i-j og os c om 5x 5/ 7x 7 jo ga do re s Kr us tr up e t al . 2 6 ** TF ut ( n= 13 ) 30 ± 2 82 ,9 ± 2 ,9 18 2 ± 2 24 ,9 ± 0 ,8 24 ,9 ± 2 ,3 39 ,6 ± 1 ,5 2- 3 se ss õe s/ se m ; du ra çã o: 6 0 m in ; 1 2 se m M in i-j og os c om 5x 5/ 6x 6/ 7x 7 jo ga do re s Kn oe pf li- Le zi n et a l.3 3 * TF ut ( n= 15 ) 37 ± 4 82 ,1 ± 8 ,7 – 26 ± 3 – – 2 se ss õe s/ se m ; d ur a- çã o: 6 0 m in ; 1 2 se m M in i-j og os Ra nd er s et a l.3 4 * TF ut ( n= 22 ) 37 ± 1 0 73 ,3 ± 1 6, 7 – 22 ,9 ± 3 ,9 19 ,4 ± 8 ,5 36 ,7 ± 7 ,6 4 se ss õe s/ se m ; d ur a- çã o: 2 5 m in ; 1 2 se m M in i-j og o co m 4 x4 jo ga do re s + se ss ão d e fo rç a M C= M as sa c or po ra l; IM C= Ín di ce d e m as sa c or po ra l; % G =P er ce nt ua l d e go rd ur a; TF ut =T re in am en to F ut eb ol ; S em = Se m an as ; M in = M in ut os ; M ês = m es es ; * D es vi o Pa dr ão ; * *E rr o Pa dr ão APLICAÇÕES DO EXERCÍCIO INTERMITENTE DE ALTA INTENSIDADE NA SÍNDROME METABÓLICA2 Fabrício Boscolo Del Vecchio, Leony Morgana Galliano, Victor Silveira Coswig introdução A síndrome metabólica (SM) é conceituada pela associação de diversos fatores de riscos metabólicos, como diabetes mellitus tipo 2 (DM2), hipertensão arterial, obesidade abdominal e dislipidemias (níveis elevados de triglicerídeos (TG) e baixos níveis de HDL – colesterol), além da presença de resistência à insulina (RI) (GRUNDY et al., 2004). Acerca de seu diagnóstico, há diferenças entre as entidades de saúde no estabelecimento de critérios para a identificação da SM (GRUNDY et al., 2004; BALKAU et al., 2002; I DIRETRIZ BRASILEIRA DE DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DA SÍNDROME METABÓLICA, 2005). Com o intuito de estabelecer um critério padronizado, uma normatização foi constituída em 2004 com a participação de diversas organizações de saúde (I DIRETRIZ BRASILEIRA DE DIAGNÓSTICO E TRA- TAMENTO DA SÍNDROME METABÓLICA, 2005). Assim, atualmente, diagnostica-se SM a partir da presença de, pelo menos, três dos seguintes componentes: i) Circunferência abdominal aumentada, a partir de análise dos padrões da popu- lação estudada; ii) Pressão arterial ≥130/85 mmHg; iii) Glicemia em jejum ≥100 mg/dL ou estar em tratamento anti-hiperglicemiante; iv) Triglicerídeos ≥150 mg/dL ou estar em tratamento para dislipidemias; v) Colesterol HDL <40 mg/ dL (homens) e <50 mg/dL (mulheres) ou estar em tratamento para dislipide- mias (I DIRETRIZ BRASILEIRA DE DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DA SÍNDROME METABÓLICA, 2005). 2 Artigo publicado na Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde, v. 18, n. 6, p. 669-687. EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADODA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS106 A prevalência mundial da SM é incerta e existem poucos estudos com tamanho amostral adequado para estimativas nacionais. Comparando resultados encontrados entre os anos de 1988 e 1994 na população estadunidense com pesquisas realizadas entre 1999 e 2000, verificou-se aumento na prevalência da SM de 50 para 64 milhões na população acima de 20 anos e, especialmente, no sexo feminino(FORD et al., 2004). No mesmo estudo, considerando a falta de padronização entre os valores de referência para classificar a SM, os autores observaram que utilizando o conceito do National Cholesterol Education Program (NCEP) em 3.601 adultos, a prevalência de SM foi de 34,5%, enquanto que, com os critérios do International Diabetes Federation (IDF), esta prevalência foi de 39%. Em ambas as classificações foram encontradas prevalências superiores entre os homens(FORD et al., 2004). Considerando que o exercício físico é uma forma de terapia não-medi- camentosa para a prevenção e o tratamento da SM, o objetivo do presente capítulo é apresentar os diferentes estudos que fizeram uso desta estratégia e seus principais achados, com foco na aplicação do exercício intermitente de alta intensidade (HIIT). resultados de interVenções Com exerCíCios FísiCos Considerando intervenções baseadas na prática de exercício físico, Seligman et al. (2011) conduziram um estudo com 75 portadores de SM que foram aleatorizados em três grupos: i) intervenção de 10.000 passos diários, contabilizados por pedômetro; ii) prática de exercício físico supervisionado, três dias por semana, com intensidade vigorosa e aconselhamento para caminhada rápida nos dias restantes; iii) aconselhamento para prática de caminhada diária com duração de 1 hora. Todos os grupos receberam orien- tações nutricionais. Após 12 semanas houve modificação do perfil lipídico, redução de pressão arterial, albumina e glicose em todos os grupos, porém com magnitude superior no grupo que realizou exercícios supervisionados. Após 1 ano de acompanhamento, 64% dos participantes deixaram de ter SM, no entanto não houve descrição estratificada dos grupos neste momento da avaliação, o que prejudica o entendimento de qual estratégia foi mais efetiva no tratamento da SM (SELIGMAN et al., 2011). Resultados semelhantes foram encontrados num estudo multicêntrico italiano no qual 691 portadores de DM2 e SM foram designados para: 1) um grupo controle, que recebeu aconselhamento para prática de atividade física regular; 2) um grupo intervenção, que consistia na prática de exercício físico progressivo aeróbio e de força, duas vezes por semana e com alta intensidade. Após 12 meses, o grupo intervenção apresentou ganhos de aptidão física, além APLICAÇÕES DO EXERCÍCIO INTERMITENTE DE ALTA INTENSIDADE 107 de redução da pressão arterial, circunferência abdominal, glicemia, RI e hemo- globina glicada (HbA1c – determina risco para DM2). Os autores ressaltaram que ofertar programas de exercício físico de alta intensidade e supervisionados pode ser uma estratégia adequada para a promoção de mudanças no estilo de vida de pacientes com o perfil apresentado (BALDUCCI et al., 2010). Com o intuito de investigar os efeitos do exercício físico após a redução de massa corporal e melhora do perfil metabólico de 102 indivíduos com SM, Thomas et al. (2010) ofereceram aos voluntários um programa de exercício físico supervisionado associado a aconselhamento nutricional por um período de 4 a 6 meses, visando a redução de 10% na massa corporal. Na segunda fase do estudo, os voluntários foram randomizados em dois grupos: grupo “sem exercício físico”, que continuou recebendo acompanhamento nutricional, e grupo “treinamento físico”, que realizou a prática de exercício físico supervi- sionado em, no mínimo, três vezes por semana. Esta segunda fase tinha por objetivo auxiliar os sujeitos a recuperarem parcialmente a massa corporal de forma saudável e controlada. Durante a fase inicial, todos os marcadores da SM sofreram alterações importantes, principalmente relacionadas à redução da massa corporal. Porém, na segunda fase, as melhoras foram mantidas apenas no grupo que realizou treinamento físico. Neste sentido, este estudo é con- siderado o primeiro a demonstrar que os benefícios metabólicos podem ser mantidos mesmo quando há recuperação parcial de massa corporal perdida com a dieta(THOMAS et al., 2010). O Studies of a Targeted Risk Reduction Intervention through Defined Exer- cise (STRRIDE-AT/RT) foi a primeira investigação que objetivou comparar os efeitos do treinamento resistido isolado (TR), dos exercícios aeróbios (EA) e da combinação de ambos (TR-EA), nos componentes da SM. O grupo TR era realizado 3 vezes por semana em oito de exercícios de força com oito a doze repetições e o EA consistia de 120 min por semana em 75% do consumo máximo de oxigênio (VO2máx). Após oito meses, os grupos EA e TR-EA apre- sentaram redução da massa corporal, TG e circunferência abdominal, enquanto melhores índices de pressão arterial foram observados apenas no grupo TR-EA. Quanto ao grupo TR, não houve modificações em nenhum componente da SM(BATEMAN et al., 2011). Também avaliando a combinação de prática de exercícios aeróbios e resistidos, Jurca et al., (2004) registraram efeitos benéficos nos componentes lipídicos, glicêmicos e pressóricos e Mecca et al. (2012) relataram redução de 24% na prevalência de SM conseguida principalmente pela redução da circun- ferência abdominal. Como o conceito de SM é relativamente recente ainda é escasso o número de ensaios clínicos randomizados que analisaram os efeitos da prática de exercí- cio físico supervisionado em indivíduos com todos os fatores simultaneamente. EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS108 Porém, as revisões sistemáticas e metanálises apontam resultados positivos das intervenções baseadas em exercício físico, predominantemente aeróbios contínuos, na redução de glicemia em jejum, circunferência abdominal, pressão arterial e dislipidemia, o que pode diminuir o risco cardiovascular e a presença de SM(TORRES-LEAL et al., 2009). Ressalta-se que a combinação de exercício físico com restrição na ingesta calórica promove melhorias superiores em todos os componentes da SM(CAMHI et al., 2010; BO et al., 2008). Mesmo que prática de exercícios aeróbios de intensidade moderada seja recomendada para promover modificações metabólicas e fisiológicas, observa-se um crescimento nos estudos baseados no conceito “time efficency”, ou seja, a utilização de exercícios curtos com intensidade alta. Estes exercícios parecem: i) demonstrar ganhos expressivos de condicionamento físico, ii) gerar modificação da composição corporal a partir da diminuição da circunferência abdominal e do percentual de gordura e iii) proporcionar mudanças no perfil glicêmico e da resistência à insulina (TALANIAN et al., 2012; TJØNNA et al., 2008; SOUZA et al., 2005). Desta forma, é possível que estes exercícios sejam especialmente benéficos na SM. exerCíCio intermitente de alta intensidade Algumas recomendações de atividade física para saúde se baseiam em exercícios contínuos de intensidade moderada que proporcionam, como visto anteriormente, aumento da potência aeróbia (VO2máx) e redução e prevenção dos fatores de risco associadas à SM (MITSUHASHI et al., 2007). No entanto, a associação de estímulos anaeróbios e aeróbios parece promover melhor controle metabólico que as atividades aeróbias isoladas (EARNEST, 2008). Neste sentido, melhoras na sensibilidade insulínica estão mais relacionadas a exercício de alta intensidade e de baixo volume(LAURSEN et al., 2002). Neste contexto, os HIIT têm sido sugeridos como alternativa para promover maiores melhoras em menor tempo e aumentar a motivação e aderência aos programas de exercícios (BABRAJ et a.,2009). Embora não haja textos especificamente voltados à classificação e concei- tuação do que é o HIIT, alguns trabalhos destacam que HIIT pode ser definido como exercícios de curta a moderada duração (10 s a 5 min) realizados em inten- sidades superiores ao limiar anaeróbio/máxima fase estável do lactato(LAURSEN et al., 2002) e seguidos de pausas passivas ou ativas. Por outro lado, Gibala e McGee (2008) pontuam que o HIIT é o exercício com esforços repetidos na maior intensidade possível (all-out) ou próxima àquela do VO2max (>90% do VO2pico). Assim, para melhor compreensão dos estudos com HIIT, as intensidades empregadas nos protocolos de treino serão sempre explicitadas. APLICAÇÕES DO EXERCÍCIO INTERMITENTE DE ALTA INTENSIDADE 109 respostas orgâniCas agudas relaCionadas ao Hiit Apesar de existirem dados consistentes sobre os efeitos decorrentes do treinamento de alta intensidade, informações sobre respostas agudas são relativamente limitadas (BUCHHEIT et al., 2012). De acordo com Boutcher (2011), a partir das alterações imediatas e pós-esforço na frequência cardíaca (FC), hormônios, nível glicêmico, concentrações de lactato (LAC) e reatividade metabólica podem ser feitas inferências relacionadas aos fatores de risco associados à SM. Por exemplo, parece existir correlação entre obesidade, RI, disfunção no ventrículo esquerdo e disfunção diastólica e a SM(PETERSON et al., 2004). Neste contexto, Ha et al. (2011) compararam a resposta de grupos de hipertensos com e sem SM (não diabéticos) a um teste incremental em cicloergômetro (25w a cada 3min) e concluíram que a SM influencia as funções sistólica e diastólica durante o exercício dinâmico, visto que a reserva contrátil, similar entre os grupos na situação de repouso, mostrou-se reduzida nos por- tadores da SM durante exercício. Da mesma forma, marcadores de disfunção diastólica, já presentes no repouso nos hipertensos com SM, aumentaram a cada estágio do protocolo de exercício, o que denota que esta disfunção é mantida durante esforço. A síntese dos efeitos agudos/imediatos do HIIT é apresentada no quadro 1. EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS110 Q ua dr o 1: Sí nt es e do s ef ei to s ag ud os do H IIT . es tu do Ca ra ct er ís ti ca s do g ru po ti po d e tr ei no in te ns id ad e do t re in o d es fe ch o W el tm an e t al . ( 20 08 ) Ad ul to s ob es os e nã o- ob es os 1) H IIT = 3 x de 1 0m in x 10 m in 2) E E= 3 0 m in 1) H IIT = en tr e LL e V O 2p ic o 2) E E= e nt re L L e VO 2p ic o Re su lta do s su ge re m q ue a m bo s os p ro to co lo s po de m p ro m ov er a um en to n a se cr eç ão d e G H m ed id o 24 h pó s- tr ei no . H a et a l. (2 01 1) H ip er te ns os co m S M * H ip er te ns os se m S M * Pr ot oc ol o pr og re ss iv o 25 w a c ad a 3m in 25 w a c ad a 3 m in SM é in de pe nd en te m en te a ss oc ia da c om d is fu nç ão s is tó - lic a do v en tr íc ul o es qu er do e m p ac ie nt es h ip er te ns os Ri ch ar ds e t a l. (2 01 0) H om en s, ad ul - to s sa ud áv ei s 4s ér ie s de 3 0s eg x 4 m in Al l-o ut RI é a fe ta da d e m an ei ra c rô ni ca , v is to q ue n ão h á ef ei to ev id en ci ad o 72 h ap ós s es sã o ún ic a. Cr is tm as s et al . ( 19 99 b) H om en s, ad ul - to s sa ud áv ei s 40 m in d e ex er cí ci o in te rv al ad o: 1) C ur to : 6 se s x 9s eg 2) L on go : 2 4s eg x 3 6s eg Ra zã o de t ro ca re sp ira tó ria (d e 0, 96 a 0 ,9 9) Pr ot oc ol o cu rt o pr om ov eu m ai or es t ax as d e ox id aç ão de g or du ra e d e ox id aç ão d e ca rb oi dr at os . E ss a di fe re nç a oc or re u de vi do a f at or es m et ab ól ic os r el ac io na do s a fib ra s m us cu la re s ox id at iv as . Cr is tm as s et al . ( 19 99 a) H om en s, ad ul - to s sa ud áv ei s 1) 9 0m in c on tín uo 2) 9 0m in 1 2s eg x 1 8s eg 1) 6 0% V O 2p ic o 2) 1 20 % VO 2p ic o Ex is te d ife re nç a na u til iz aç ão d os s ub st ra to s en tr e os d ife re nt es p ro to co lo s. Se nd o qu e o H IIT pr om ov eu m ai or o xi da çã o gl ic ol íti ca e o xi da çã o de g or du ra 3 v ez es m en or q ue o p ro to co lo c on tín uo . APLICAÇÕES DO EXERCÍCIO INTERMITENTE DE ALTA INTENSIDADE 111 Co nt in ua çã o do Q ua dr o 1 es tu do Ca ra ct er ís ti ca s do g ru po ti po d e tr ei no in te ns id ad e do t re in o d es fe ch o M an dr ou ka s et a l. (2 01 1) H om en s, ad ul to s sa ud áv ei s 1) 3 2m in c on tín uo 2) 3 2m in ( 4m in x 4 m in ) Re cu pe ra çã o at iv a x pa ss iv a 1) 1 2k m /h 2) 1 2k m /h x 8k m /h O p ro to co lo c on tín uo p ar ec eu m ai s ef ic ie nt e na s ol ic ita çã o do c om po ne nt e ca rd io va sc ul ar p or in du zi r m ai or F Cm áx e m ai or V O 2. G ill en e t al . (2 01 2) Po rt ad or es de D M 2 10 sé rie s de 6 0s eg x6 0s eg 90 % F Cm áx Re du çã o no t em po e m h ip er gl ic em ia , m en or p ic o gl ic ê- m ic o pó s- re fe iç ão , r ed uç ão n a gl ic em ia 6 0- 12 0m in p ós - re fe iç ão e r ed uç ão d o te m po a ba ix o da c ur va g lic êm ic a. G os se lin e t al . (2 01 1) Ad ul to s jo ve ns fis ic am en te at iv os 1) E E= 2 0m in 2) H IIT ( se g) = 30 x3 0/ 6 0x 30 / 90 x3 0/ 6 0x 60 1) 7 0% V O 2m áx 2) 9 0% V O 2m áx A s de m an da s fis io ló gi ca s sã o m ai or es n o H IIT do q ue n o EE , e a s re sp os ta s do H IIT d ep en de m da r az ãoe sf or ço :p au sa a pl ic ad a. G ot o et a l. (2 01 1) H om en s sa ud áv ei s 1) 1 x3 0m in 2) 3 x1 0m in 60 % V O 2m áx A c ar ac te rís tic a in te rm ite nt e co nt rib ui p ar a m ai or ta xa d e ox id aç ão d e go rd ur a du ra nt e ex er cí ci o. sm = Sí nd ro m e m et ab ól ic a; d m 2= D ia be te s M el lit us t ip o2 ; e e= E xe rc íc io d e in te ns id ad e e du ra çã o qu e pr om ov a es ta do -e st áv el ; H iit = H ig h In te ns ity In te rm ite nt T ra in in g (E xe rc íc io in te rm ite nt e de a lta in te ns id ad e) ; F Cr es = Fr eq uê nc ia c ar dí ac a de r es er va ; tm = Tr ab al ho m áx im o; m C= M as sa c or po ra l; m g = M as sa g or da ; r i= R es is tê nc ia in su lín ic a; g H = H or m ôn io d o cr es ci m en to ; ll = Li m ia r de la ct at o; A ll- ou t= E sf or ço s ex ec ut ad os n a m ai or in te ns id ad e po ss ív el . * = A m bo s gr up os s em D M 2. EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS112 Respostas cardiovasculares Quanto ao componente cardiovascular, respostas agudas apontam que um estímulo único de 30 seg all-out, apesar de apresentar demanda de aproxima- damente 90% da FCmax e do VO2pico, não aumenta a capacidade máxima de ejeção cardíaca (BUCHHEIT et al., 2012) Porém, este esforço implica na contribuição de 17% do sistema ATP-CP, 45% do sistema glicolítico e 38% do metabolismo oxidativo (SPENCER et al., 2005). Assim, infere-se que a melhora no desempenho físico advinda do treinamento com estas características corresponda a ganhos periféricos, pois para se obter melhoras centrais é necessária uma maior quanti- dade de esforço e/ou estímulos mais longos, superiores a 1 min (BUCHHEIT et al., 2012). Com isso, a partir da soma dos estímulos, ainda considerando 30 seg de atividade all-out, a demanda aeróbia é aumentada gradativamente a cada esforço subsequente, sendo que na terceira série de 30 seg, com recuperação de 4 min entre cada uma, a contribuição aeróbia chega a 70% (TRUMP et al., 1996). Ainda considerando a demanda energética dos estímulos, Cristmass et al. (1999), ao compararem protocolo submáximo contínuo (90min a 60% do VO2pico) com protocolo intermitente de alta intensidade (90min, 12s a 120% VO2pico e 18s em repouso), identificaram que a oxidação de gordura é três vezes maior no primeiro e a oxidação glicolítica é predominante no segundo protocolo, apesar de VO2 e gasto energético semelhantes. A mesma proporção metabólica foi encontrada na comparação de 40 min de exercício intermitente curto (6 x 9 s) e longo (24 x 36 s), com intensidade de esforço determinada a partir da razão de troca respiratória (entre 0,96 e 0,99) (CHRISTMASS et al., 1999). Outro aspecto é que por apresentar maior solicitação aeróbia, corridas de 32 min parecem ser mais eficientes na solicitação do sistema cardiovascular (maior FC e maior VO2 médios durante a sessão) se executadas de maneira contínua (12km/h) que quando comparadas ao mesmo tempo de corrida realizado de maneira intervalada (4min a 12km/h x 4min a 8km/h), indepen- dentemente do tipo de recuperação aplicada, ativa com 4 min a 8 km/h ou passiva(MANDROUKAS et al., 2011). Analisados os dados anteriores em conjunto, pode parecer mais vantajoso fazer para o exercício contínuo, mas não o é. A intolerância ao exercício e a possibilidade de desistência durante a sessão de treino aumentam consideravelmente quando tal estratégia é adotada. Ao se realizar exercícios contínuos em cicloergômetro na potência máxima (100 a 102% da potência do VO2max), registram-se durações de 4 a 6 min; por outro lado, ao se intervalar esforços e pausas de 15 s, o exercício pode ser mantido por até uma hora (BILLAT, 2011). Currie et al. (2012) realizaram uma investigação acerca das alterações na função endotelial em dez indivíduos com doença arterial coronariana. Para isto, aplicaram-se uma sessão de treino de intensidade moderada (30min a 55% do VO2pico) e uma de HIIT (dez séries de 1min a 80% do VO2pico com intervalos de 1min a 10% do VO2 pico). O trabalho total foi maior nos exercícios mode- APLICAÇÕES DO EXERCÍCIO INTERMITENTE DE ALTA INTENSIDADE 113 rados (166±52kJ) em relação ao HIT (93±28kJ); porém não foram encontradas diferenças nas respostas agudas da função endotelial (CURRIE et al., 2012). Resposta glicêmica e insulínica A hiperglicemia pós-refeição é considerada o principal fator agravante das complicações relacionadas ao DM2, incluindo as DCV. Gillen et al. (2012), ao monitorarem o comportamento do nível glicêmico de indivíduos com DM2 durante 24h após uma sessão de 10 min de HIIT (10x60s em 90% da FCmax por 60 s de recuperação) e compararem com grupo que não se exercitou, evi- denciaram valores menores do tempo em hiperglicemia (>10 mmol/L), do pico glicêmico pós-refeição, na glicemia entre 60 e 120 min pós-refeição e da área sob a curva glicêmica por 3 h. Assim, o referido protocolo, com duração total de 20 min, constitui-se como uma estratégia prática e temporalmente eficiente para o controle glicêmico nesta população. Apesar das recomendações de 2,5 h/sem de exercícios aeróbios para prevenir a progressão da DM2 (EINHORN et al., 2003), e de 4-7 h/sem para a manutenção de massa corporal saudável (ACSM, 2001), tem sido sugerido que sessões curtas de 10-20 min de HIIT podem manter a sensibilidade insulínica no dia do exercício. Neste caso, a característica intermitente, que tem mostrado efetividade na redução da concentração de insulina de jejum, pode auxiliar indivíduos pouco condicionados a cumprirem suas metas diárias (BOLLINGER & LAFONTAINE, 2011). Whyte et al. (2012) investigaram estímulos de alta intensidade executados de maneira intermitente (4 x 30 s all-out por 4,5 min de recuperação) ou em um único sprint máximo até que fosse atingido mesmo trabalho total do pro- tocolo intermitente. Estes autores concluíram, a partir de coletas realizadas no dia seguinte, que os dois protocolos foram capazes de promover aumento da oxidação de gordura (intermitente: 63% vs sprint único: 38%), porém, o sprint único apresentou tempo total menor (20min vs 3,3min). Os autores especularam que treino com sprint único pode ser uma ferramenta temporalmente eficiente, já que mostrou aumento da SI e da oxidação de gordura em homens adultos com sobrepeso e obesos. Por outro lado, Richards et al. (2010) reportaram não haver resposta significante de aumento da SI 72h após sessão única de HIIT (4 x 30 s all-out por 4 min de recuperação) e concluíram que o aumento evidenciado a partir de seis sessões do mesmo protocolo foi decorrente do impacto crônico do treinamento. Obesidade De maneira aguda, a mobilização da gordura visceral abdominal está mais associada a exercícios de maior intensidade que induzem secreção de hormônios lipolíticos (GH), aumentam o gasto energético pós-exercício e elevam a oxidação da gordura fornecendo um maior balanço energético negativo (YOSHIOKA et EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS114 al., 2001; IRVING et al., 2008; TRAPP et al., 2008; IRVING et al., 2009). Tsekouras et al. (2008) evidenciaram que a secreção de lipoproteínas de muito baixadensidade (VLDL) e TG apresenta redução significativa 48 h pós-treino. Neste mesmo estudo, os autores afirmaram que existe aumento na disponibilidade de AGL no plasma sanguíneo 24h pós-treino, e estas alterações são favoráveis ao metabolismo lipídico, que está associado à redução de fatores risco de doença coronariana e aterosclerose (TSEKOURAS et al., 2008). respostas orgâniCas CrôniCas relaCionadas ao Hiit De acordo com Boutcher (2010), as respostas crônicas estão relacionadas às modificações na aptidão aeróbia e anaeróbia, adaptações musculares, redução dos níveis de insulina de jejum e SI que ocorrem após um período de treina- mento. Apesar de a maior parte dos estudos que investigaram os efeitos do HIIT de maneira crônica ser baseada em períodos curtos de treinamento (2 a 6 semanas), existem evidências dos efeitos após 15(TRAPP et al., 2008; TREMBLAY et al., 1994) e até mesmo 32 semanas (GUTIN et al., 2002). A síntese de diferentes respostas crônicas do HIIT é apresentada no quadro 2. Respostas Cardiovasculares Considerando o risco cardiovascular aumentado de indivíduos com SM, é importante ressaltar que elevações na aptidão cardiorrespiratória estão asso- ciadas à redução de risco, sendo que a intensidade é um fator determinante na indução de melhora nesta variável. Neste sentido um treinamento de alta intensidade (3 d/sem acima do limiar de lactato (LL) e 2 d/sem abaixo do LL) promoveu ganhos superiores na aptidão cardiorrespiratória (14% vs 9% VO2pico) do que os induzidos por intensidades menores (5 d/sem abaixo do LL), após 16 semanas de intervenção, estando ambos os protocolos associados à redução da pressão arterial de repouso (IRVING et al., 2008). Adicionalmente, estímulos de sprints promovem adaptações orgânicas positi- vas, que possibilitam a manutenção do desempenho em alta intensidade. Dentre estas, são evidenciadas melhora da distensibilidade arterial, da função endotelial, da capacidade oxidativa muscular e dos estoques de glicogênio (BOUTCHER, 2011). Freyssin et al. (2012) observaram resultados consideravelmente superiores em pacientes com insuficiência cardíaca crônica com HIIT (3 séries, com interva- los de 5min entre elas, de 12 sprints de 30 s em 80% da potência máxima x 60 s de recuperação passiva) quando comparado ao exercício contínuo (45min na velocidade do limiar ventilatório1). O grupo HIIT apresentou ganhos no VO2pico (27%), na duração do exercício (47%), na captação de O2 durante exercício máximo (18%) e no VO2 consumido na velocidade do limiar ventilatório1 (22%), o que não foi observado no protocolo de treino contínuo(FREYSSIN et al., 2012). APLICAÇÕES DO EXERCÍCIO INTERMITENTE DE ALTA INTENSIDADE 115 Q ua dr o 2: Sí nt es e do s ef ei to s or gâ ni co s cr ôn ic os d o H IIT . es tu do Ca ra ct er ís ti ca s do gr up o ti po d e tr ei no in te ns id ad e do tr ei no d es fe ch o G ut in e t al . (2 00 2) Ad ol es ce nt es ob es os 1) A lta in te ns id ad e 2) B ai xa in te ns id ad e 8 M es es 1) 7 5 a 80 % VO 2p ic o 2) 5 0 a 60 % VO 2p ic o M el ho r de se m pe nh o no V O 2m áx , e sp ec ia lm en te a pa rt ir do p ro to co lo d e m ai or in te ns id ad e, e r ed u- çã o da g or du ra v is ce ra l e t ot al , i nd ep en de nt e da in te ns id ad e. Irv in g et a l. (2 00 9) Ad ul to s co m S M 1) 3 d/ se m H IIT + 2 d/ se m E E 2) 5 d/ se m E E 16 S em an as 1) 3 d/ se m a ci m a do L L 2d /s em a ba ix o do L L 2) 5 d/ se m a ba ix o do L L Fo i e vi de nc ia do a um en to s up er io r da s ec re çã o no tu rn a de G H a p ar tir d o H IIT . A di ci on al m en te , al te ra çõ es f av or áv ei s na c om po si çã o co rp or al fo ra m id en tif ic ad as , i nd ep en de nt em en te d a in te ns id ad e. Tr em bl ay e t al . ( 19 94 ) Ad ul to s jo ve ns 1) H IIT c ur to = 10 a 1 5 sp rin ts d e 10 a 1 5s eg x re cu pe ra çã o at é at in gi r 12 0 a 13 0 bp m 2) H IIT lo ng o= 5 a 6 s pr in ts d e 60 a 9 0 se g x re cu pe ra çã o at é at in gi r 12 0 a 13 0 bp m 15 S em an as 3) E E= 3 0 a 45 m in d ur an te 2 0 Se m an as 1) 6 0% d o TM em 1 0s eg 2) 7 0% d o TM em 9 0s eg 3) 6 0% a 8 5% d a FC re s Pr ot oc ol os in te rm ite nt es p ro m ov er am m ai or re du çã o da g or du ra s ub cu tâ ne a at ra vé s do f av o- re ci m en to d os p ro ce ss os d e ox id aç ão li pí di ca . Ba br aj e t al . (2 00 9) Ad ul to s jo ve ns se de nt ár io s 6 se ss õe s de 4 -6 s ér ie s de W in ga te (3 0s eg x 4m in ) 2 Se m an as Al l-o ut Aç ão i ns ul ín ic a e ho m eo st as e da g lic em ia f or am ot im iz ad as e m f un çã o do a lto v ol um e de m as sa m us cu la r e nv ol vi da e p el a al ta ta xa d e qu eb ra e re s- sí nt es e de g lic og ên io d er iv ad as d a al ta in te ns id ad e. M og ha da si e t al . ( 20 11 ) Ad ul to s co m s ob re - pe so e o be so s 45 m in C on tín uo p or 1 2 Se m an as 80 % V O 2m ax A lt a in te ns id ad e m os tr ou e le va çã o do s ní ve is de a di po ne ct in a e re du çã o da R I, re la ci on ad os a au m en to d a ex pr es sã o do R N A m e m a du lto s o be so s. EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS116 Co nt in ua çã o do Q ua dr o 2 es tu do Ca ra ct er ís ti ca s do gr up o ti po d e tr ei no in te ns id ad e do tr ei no d es fe ch o M et ca lfe et a l. (2 01 1) Ad ul to s sa ud áv ei s e se de nt ár io s Se m an as 2 -3 – 2 s ér ie s de 1 0s eg x 3 m in e 40 se g Se m an as 4 -9 – 2 s ér ie s de 1 5s eg x 3 m in e 30 se g Se m an as 1 0- 18 – 2 s ér ie s de 2 0s eg x 3m in e 2 0s eg To ta l d e 18 S em an asAl l-o ut O p ro to co lo d e H IIT r ed uz id o fo i s uf ic ie nt e pa ra pr om ov er a um en to d a se ns ib ili da de a in su lin a e do V O 2p ic o. A nd re w s et al . ( 20 11 ) H om en s ad ul to s co m D M 2 30 m in d e ca m in ha da 5 d/ se m d ur an te 12 M es es M od er ad a N ão h ou ve d ife re nç a na re sp os ta g lic êm ic a a pa rt ir do p ro to co lo d e ex er cí ci os d ev id o a in te ns id ad e se r in su fic ie nt e pa ra p ro m ov er t al a da pt aç ão . Li tll e et a l. (2 01 1) H om en s ad ul to s co m D M 2 6 se ss õe s de 1 0 sé rie s de 6 0s eg x 6 0s eg du ra nt e 2 Se m an as 90 % F Cm ax Tr ei na m en to in te ns o é ef ic ie nt e pa ra m el ho ra r co nt ro le g lic êm ic o em p ac ie nt es c om D M 2, v is to a re du çã o da g lic em ia 2 4 pó s- tr ei no , a um en to d a ca pa ci da de m ito co nd ria l e G LU T4 . Ts ek ou ra s et al . ( 20 08 ) H om en s ad ul to s se de nt ár io s 3d /s em , 3 2m in = 4m in x 4 m in du ra nt e 2 M es es 4m in a 6 0% e 4m in a 9 0% d o VO 2m áx Fo i e vi de nc ia da r ed uç ão n as t ax as d e VL D L e TG ta nt o em je ju m q ua nt o na t ax a de s ec re çã o he pá - tic a. E st as a da pt aç õe s po de m d im in ui r o ris co d e es te at os e he pá tic a e hi pe rt rig lic er id em ia s. A st or in o et a l. (2 01 1) Jo ve ns a tiv os 6 se ss õe s de s ér ie s de W in ga te (3 0s eg x 4 m in ), du ra nt e 2 se m an as 4x n os d ia s 1 e 2 / 5x n os d ia s 3 e 4 / 6x no s di as 5 e 6 Al l-o ut In cr em en to n o VO 2m áx e n a po tê nc ia d e ej eç ão ca rd ía ca a p ar tir d a m el ho ra n a fu nç ão c ar dí ac a e na c ap ta çã o de O 2. Tr ilk e t al . (2 01 1) M ul he re s co m so br ep es o/ ob es as e se de nt ár ia s 4- 7 sé rie s de 3 0s eg a ll- ou t x 4 m in , d ur an te 4 se m an as A ci m a d e 24 0% da in te ns id ad e do VO 2m áx Au m en to d o vo lu m e de e je çã o pe lo v en tr íc ul o es qu er do , a um en to d o VO 2m áx e re du çã o da F Cr ep . Tr ap p et a l. (2 00 8) M ul he re s jo ve ns e se de nt ár ia s 1) H IIT = 60 s ér ie s de 8 se g x 12 se g 2) E E= 2 0m in a 4 0m in 15 S em an as 1) A ll- ou t 2) 6 0% V O 2p ic o Au m en to n a ca pa ci da de a er ób ia a bs ol ut a e re du - çã o da in su lin a de je ju m , n a go rd ur a co rp or al to ta l, go rd ur a su bc ut ân ea d a co xa e g or du ra ab do m in al a p ar tir d o H IIT . APLICAÇÕES DO EXERCÍCIO INTERMITENTE DE ALTA INTENSIDADE 117 Co nt in ua çã o do Q ua dr o 2 es tu do Ca ra ct er ís ti ca s do gr up o ti po d e tr ei no in te ns id ad e do tr ei no d es fe ch o Irv in g et a l. (2 00 8) M ul he re s ob es as co m S M 1) 3 d/ se m H IIT e 2 d/ se m E E 2) 5 d/ se m E E 16 S em an as 1) 3 d/ se m a ci m a do L L 2d /s em ab ai xo do L L 2) 5 d/ se m a ba ix o do L L M ai or g an ho d e po tê nc ia a er ób ia e m ai or re du çã o da g or du ra a bd om in al t ot al , d a go rd ur a su bc ut ân ea a bd om in al e d a go rd ur a vi sc er al ab do m in al a p ar tir d o pr ot oc ol o in te ns o. Fr ey ss in e t al . (2 01 2) Pa ci en te s co m f al ha ca rd ía ca c rô ni ca 1) H IIT = 3 sé rie s, co m i nt er va lo d e 5m in en tr e el as , de 1 2 sp rin ts d e 30 se g x 60 se g 2) E E= 4 5m in 8 Se m an as 1) 8 0% V O 2m áx 2) L im ia r ve nt ila - tó rio 1 H IIT p ro m ov eu g an ho s no V O 2p ic o, t es te d e du ra çã o de e xe rc íc io , c ap ta çã o de O 2 du ra nt e ex er cí ci o m áx im o e no V O 2 co ns um id o na v el o- ci da de d o lim ia r ve nt ila tó rio 1 . O m es m o nã o fo i ev id en ci ad o co m o p ro to co lo c on tín uo . Ta ba ta e t al . (1 99 6) H om en s ad ul to s jo ve ns u ni ve rs i- tá rio s 7- 8 sé rie s 20 se g x 10 se g 6 Se m an as 17 0% V O 2m áx H IIT p re sc rit o de m an ei ra a de qu ad a po de p ro m o- ve r ad ap ta çõ es n os s is te m as a er ób io e a na er ób io , pr ov av el m en te , p el a al ta in te ns id ad e im po st a em am bo s os s is te m as . H oo d et a l. (2 01 1) Ad ul to s jo ve ns se de nt ar io s 10 x 1m in x 1 m in 2 Se m an as 80 -9 5% F Cr es O p ro to co lo p ro po st o in du zi u ra pi da m en te a da pt a- çõ es n a bi og ên es e m ito co nd ria l m us cu lo es qu el ét ic a, au m en to d e G LU T4 e m el ho ra n a se ns ib ili da de a in su lin a e re pr es en ta a lte rn at iv a te m po ra lm en te ef ic ie nt e pa ra redu çã o de ri sc os m et ab ól ic os a s aú de . sm = Sí nd ro m e m et ab ól ic a; d m 2= D ia be te s M el lit us t ip o2 ; e e= E xe rc íc io d e in te ns id ad e e du ra çã o qu e pr om ov a es ta do -e st áv el ; H iit = H ig h In te ns ity In te rm itt en t Tr ai ni ng ( Ex er cí ci o in te rm ite nt e de a lta in te ns id ad e) ; F Cm áx = Fr eq uê nc ia c ar dí ac a m áx im a; F Cr es = Fr eq uê nc ia c ar dí ac a de re se rv a; F Cr ep = Fr eq uê nc ia c ar dí ac a de r ep ou so ; t m = Tr ab al ho m áx im o; m C= M as sa c or po ra l; m g = M as sa g or da ; r i= R es is tê nc ia in su lín ic a; ll = Li m ia r de la ct at o; V o 2m áx = Co ns um o m áx im o de o xi gê ni o; t g = Tr ig lic er íd eo s; V ld l= li po pr ot eí na d e m ui to b ai xa d en si da de ; g H = H or m ôn io d o cr es ci m en to ; A ll- ou t = Es fo rç os e xe cu ta do s na m ai or in te ns id ad e po ss ív el . EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS118 Ainda considerando a função cardíaca, o treinamento em intensidades supramáximas (>240% da intensidade do VO2 max) aumentaram o volume de ejeção do ventrículo esquerdo e o VO2máx e reduziram a FCrep (TRILK et al., 2011). Este protocolo, de 4-7 séries de sprints de 30 s all-out, seguidos de 4 min de recuperação passiva, mostrou-se adequado para o aprimoramento do componente aeróbio central em mulheres com sobrepeso/obesas sedentárias após quatro semanas de prática. Os autores concluíram, portanto, que exercícios intensos podem promover ganhos cardiovasculares importantes para a manuten- ção de saúde e redução do risco de mortalidade por doenças crônicas relacio- nadas à obesidade e o sedentarismo, em aproximadamente metade do período descrito para exercícios contínuos de maior volume e menor intensidade(TRILK et al., 2011). Corroborando com estes achados, Trapp et al. (2008)encontraram aumento superior da capacidade aeróbia com do HIIT quando comparado ao exercício contínuo moderado (23 vs 19% no VO2 pico), mesmo com o volume de treinamento aeróbio sendo maior no segundo grupo (36 vs 120min/sem). Gutin et al. (2002) associaram aulas sobre estilo de vida saudável a exercí- cios físicos por oito meses e encontraram melhora do VO2 max de adolescentes obesos com protocolo de maior intensidade (75 a 80% VO2pico). Além disso, esta melhor resposta foi positivamente correlacionada ao tempo gasto em ati- vidades vigorosas, o mesmo não aconteceu no grupo que executou exercícios em intensidade moderada (50 a 60% VO2pico). Em outra investigação, Astorino et al. (2011) aplicaram um protocolo com testes de Wingate (30seg all-out x 4min de recuperação passiva) durante 6 sessões (4x nas sessões 1 e 2; 5x nas sessões 3 e 4; 6x nas sessões 5 e 6) em jovens ativos e identificaram aumento no VO2max e na potência de ejeção cardíaca, o que reflete uma melhora na função cardíaca e na captação de O2. Morikawa et al. (2011) avaliaram os efeitos do treinamento de caminhadas intervaladas no autorrelato de doenças em 666 idosos japoneses. Os participantes foram divididos em três grupos distintos conforme o VO2max inicial. O protocolo de exercício consistiu em cinco séries de 3 min de caminhada lenta (40% VO2pico) seguidos por 3 min de caminhada rápida (entre 70-80% VO2pico) em ≥4 dias/sem. Após quatro meses, o treina- mento de caminhada intermitente aumentou o VO2pico e reduziu a incidência de doenças relacionadas ao estilo de vida. Adicionalmente, a incidência de doenças cardíacas foi maior entre o grupo de VO2pico mais baixo que os demais, uma tendência semelhante foi observada para as variáveis hipertensão e uso de medicamentos para hiperglicemia. Ainda considerando a população de idosos, o declínio do VO2 pico, 30% a cada década após os 30 anos(OGAWA et al., 1992), mostrou-se amenizado com duas sessões semanais de HIIT durante 9 semanas. O protocolo de 30 min (6x de 4min no limiar ventilarório1 alternados com 1min no limiar ven- tilatório2) aumentou o VO2 pico em 15% em homens e mulheres maiores de 60 anos. Segundo os autores, as adaptações se relacionaram ao decréscimo da quebra de glicogênio e ao aumento da solicitação da via oxidativa decor- APLICAÇÕES DO EXERCÍCIO INTERMITENTE DE ALTA INTENSIDADE 119 rente do treinamento, o que gerou melhora no transporte e na captação de O2 (LEPRETRE et al., 2009). Resposta glicêmica e insulínica Em um estudo, Andrews et al. (2011) reportaram não haver diferença na resposta glicêmica após o tratamento com dieta e a combinação da dieta com a atividade física em homens adultos com DM2. Os autores propuseram que o protocolo de exercícios utilizado (exercícios moderados em 5 dias/sem) não teve intensidade insuficiente e que a associação entre exercícios aeróbios e anaeróbios poderia melhorar o controle metabólico. Esta suposição vai ao encontro dos achados produzidos por Trapp et al. (2008), que evidenciaram redução de 31% na insulina plasmática de jejum após 15 semanas de HIIT, enquanto exercícios moderados apresentaram resultado modesto (9% de redução). Assim, os autores sugeriram o HIIT como uma forma eficiente de exercício para a normalização de disfunções endócrinas e, em longo prazo, a redução da concentração de insulina pode aumentar a oxidação de gordura e reduzir a massa corporal. Há ainda indícios de que 4 meses de caminhadas intervaladas de alta intensidade resultem em maiores melhoras no controle glicêmico, redução da massa e da gordura corporal e ganho no VO2 max em pessoas com DM do que a caminhada contínua de intensidade moderada (KARSTOFT et al., 2012). Os efeitos do exercício aeróbio sobre a ação da insulina parecem ser independentes da resposta na composição corporal e a melhora na RI parece estar relacionada a esforços de alta intensidade. O músculo esquelético apre- senta grande atuação na captação de glicose, assim, apenas alguns minutos de exercício intervalado de alta intensidade (6 sessões de 15min em duas semanas, 4-6 a séries de Wingate) podem otimizar substancialmente a ação insulínica e a homeostase da glicose em adultos jovens sedentários em função do alto volume de massa muscular envolvida e pela alta taxa de quebra e ressíntese de glicogênio derivada da alta intensidade(BABRAJ et al., 2009). Complementar- mente, Little et al. (2011) aplicaram seis sessões de HIIT (10x60seg a 90% FCmáx x 60seg recuperação) em duas semanas em adultos com DM2 e evidenciaram redução da média da glicemia 24h (7,6 vs 6,6 mmol/L), aumento da capacidade mitocondrial e GLUT4 muscular (principal transportador da glicose no músculo esquelético) em aproximadamente 369%. De forma semelhante, outro estudo observou que 6 sessões de treinos (8 a 12 esforços de 1 min em 100% da potência pico, intercalados por 75 s de recuperação) por 2 semanas também elevaram o conteúdo de GLUT4(LITTLE et al., 2010). Adicionalmente, apenas uma semana de esforços de 30 s all-out em bicicleta ergométrica, alternados por 4 min de recuperação, já aumentou a quantidade de GLUT4 muscular e, após uma semana de destreinamento, esta quantidade se manteve 20% superior à situação de baseline(BURGOMASTER et al., 2007). Estes achados evidenciam que o treinamentointenso de baixo volume pode rapidamente melhorar o controle EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS120 glicêmico e induzir adaptações musculares associadas à saúde metabólica em pacientes com DM2. Complementarmente, pacientes com obesidade, HAS, DCV, DM2 e RI apresentam níveis baixos de adiponectina e o aumento da concentração desta proteína no plasma está associado à melhora da tolerância a glicose e da SI. Neste contexto, Moghadasi et al. (2011) evidenciaram que 12 semanas de trei- namento intenso (80% VO2max por 45min) elevaram adiponectina e reduziram a RI em adultos obesos. Reforçando o conceito de eficiência temporal, Metcalfe et al. (2011) avaliaram as respostas orgânicas decorrentes de uma versão reduzida de HIIT (RE-HIIT) para identificar a dose mínima necessária para obtenção de benefícios à saúde. Nesta investigação, 3 sessões/sem de apenas 10 min foram executadas durante seis semanas (2 x 10-20seg all-out, com intervalos de aproximadamente 3min) e foram suficientes para promover aumento da SI (28%) e do VO2pico (15%). Estes resultados indicaram que o RE-HIIT parece ser capaz de melhorar a saúde metabólica e a capacidade aeróbia de maneira temporalmente eficiente e se constitui como uma alternativa aos protocolos convencionais para tratamento de DM2. Neste sentido, estudo recente registrou que 4 sessões semanais de HIIT, com esforços all-out realizados de modo intermitente (8 x 20 s x 10 s de recuperação passiva, total de 16min/sem), geraram ganhos de 7 a 8% no VO2max, semelhantes à realização de 30 min de exercícios contínuos em ~85% da FCmax, com total de 120 min semanais(McRAE et al., 2012). Obesidade De maneira crônica, o HIIT influencia o balanço lipídico favorecendo a redu- ção da gordura corporal (YOSHIOKA et al., 2001). Confirmando esta afirmação, houve maior redução da gordura subcutânea decorrente do HIIT (esforços curtos = 10 a 15 tiros de 10 a 15 s a 60% do trabalho máximo mensurado em teste de 10 s e estímulos longos = 5 a 6 tiros de 60 a 90 s a 70% do trabalho máximo mensurado em teste de 90 s; com recuperação até a FC atingir de 120 a 130 bpm) do que de um protocolo contínuo (30 a 45min entre 60% e 85% da FC de reserva)(TREMBLAY et al., 1994). Resultado semelhante foi encontrado por Trapp et al. (2008) com mulheres jovens inativas e saudáveis após 15 semanas de treinamento. Quando comparado ao grupo que executou exercício contínuo e moderado (60% VO2pico durante 20-40min), o grupo que fez HIIT (60 x 8 s all-out x 12 s 20-30 rpm) apresentou reduções maiores na gordura corporal total, gordura subcutânea da coxa e gordura abdominal, que podem estar associadas à supressão de apetite e/ou aumento da utilização lipídica. Adicionalmente, resultados encontrados por Irving et al. (2008) indicam que o exercício intenso é mais eficiente que o moderado para alterar a composição corporal de mulheres obesas portadoras de SM, pois foi evidenciada maior APLICAÇÕES DO EXERCÍCIO INTERMITENTE DE ALTA INTENSIDADE 121 redução da gordura subcutânea abdominal (-47 cm² vs -11 cm2) e da gordura visceral abdominal (-24 cm² vs -7 cm²) com este treinamento. Por outro lado, Gutin et al. (2002) afirmam não haver efeito claro da intensidade do exercício na melhora da composição corporal e adiposidade visceral de jovens (13 a 16 anos) obesos que executaram exercícios contínuos em diferentes intensidades (75 a 80% VO2pico e 50 a 60% VO2pico), o que aparentemente denota diferença nas respostas à intensidade do exercício relacionada à idade. Além disso, após dois meses de HIIT, alternando 60 e 90% do VO2max a cada 4min durante 32min, foram evidenciadas reduções de ~28% nas taxas de VLDL e TG, tanto nas concentrações de jejum, quanto na taxa de secreção hepática. A relevância destes achados está ligada pela influência na redução dos riscos relacionados às altas concentrações de gordura no fígado (esteatose hepática) e hipertrigliceridemias(TSEKOURAS et al., 2008). Em outra perspectiva, a adiposidade abdominal está associada à redução na secreção do hormônio do crescimento (GH). Neste sentido, Irving et al. (2009) relataram que 16 semanas de treinamento de alta (3 d/sem acima do LL e 2 d/ sem abaixo do LL) e moderada intensidades (5 d/sem abaixo do LL), aumentaram a secreção noturna de GH (65 vs 49%, respectivamente) e promoveram alterações favoráveis na composição corporal, independentemente da intensidade. Estes dados suportam a ideia da aplicação de exercícios para potencializar a secreção do referido hormônio e reduzir riscos a saúde em adultos obesos portadores de SM. Resultado semelhante foi evidenciado com o exercício contínuo (30min entre LL e VO2pico) e intervalado (3x10min entre LL e VO2pico x 10min), sugerindo que tanto exercícios contínuos quanto intermitentes são efetivos no aumento da secreção de GH 24 h pós-treino(WELTMAN et al, 2008). Complementarmente, Boutcher (2011)relatou que os mecanismos para perda de gordura induzida pelo HIIT incluem aumento da oxidação de gordura durante e, principalmente, pós-exercício, redução da sensação de fome, aumento da capacidade de oxidação de AGL no músculo esquelético pela demanda de remoção de lactato e íons de hidrogênio (H+) e de ressíntese de glicogênio, níveis elevados de GH e melhora na sensibilidade insulínica. Cabe ressaltar, entretanto, que dos estudos analisados, apenas dois apre- sentaram equivalência de demanda metabólica (calorias/sessão) entre os proto- colos intermitente e contínuo utilizados na comparação e, como este controle relevante para a interpretação das respostas, sugere-se que estudos futuros que comparem diferentes modos de exercício e/ou diferentes intensidades considerem esta variável. indiCações do Hiit para os Componentes da sm Nesta parte do texto será considerada a aplicabilidade prática do HIIT em cada um dos componentes da SM, a qual é sintetizada no quadro 3. EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS122 Quadro 3 : Síntese dos efeitos do HIIT nas variáveis da Síndrome Metabólica. Variável de interesse e respectiva referência principais desfechos observados Composição Corporal Irving et al. (2009) Circunferência da cintura; MC; IMC; MG; GA; GVA Gutin et al. (2002) GVA; ↓Adiposidade total Irving et al. (2008) �Circunferência da cintura; GA; Gordura abdominal sub-cutânea; GVA; Moghadasi et al. (2011) GA; GVA; Gordura subcutânea; MC Cardiovascular Tsekouras et al. (2008) VO2pico (18%) Metcalfe etl al. (2011) H= VO2pico (15%); M= VO2pico (12%) Babraj et al. (2009) VO2pico (6%) Gutin et al. (2002) VO2máx-170; VO2máx Freyssin et al. (2012) VO2pico (27%); VO2-LV1 (22%); Captação de O2 Astorino et al. (2011) VO2máx; VCO2máx; Captação de O2 Irving et al. (2009) VO2pico; Irving et al. (2008) VO2pico; Moghadasi et al. (2011) VO2máx; Trilk et al. (2011) VO2máx; Função circulatória; FC; Volume de ejeção Tabata et al. (1996) VO2máx; Capacidade anaeróbia metabólico Tsekouras et al. (2008) VLDL-TG (28%) Metcalfe etl al. (2011) H= SI (28%) Babraj et al. (2009) AGL (17%); SI (23%) / Área abaixo da curva- GLI (12%); Insulina (37%); AGL (26%) Weltman et al. (2008) GH Irving et al. (2009) GH (65%) Little et al. (2011) �GLI 24h pós-treino (13%); GLI pós-prandial (30%); GLUT4 (369%) Gillen et al. (2012) Tempo em hiperglicemia; Pico glicêmico pós-prandial; Glicemia 60-120min pós-prandial Moghadasi et al. (2011) Expressão do RNAm de adiponectina (57%); GLI-jejum; Insulina; RI Rubin et al. (2003) GH Hood et al. (2011) GLUT4 (260%); Insulina-jejum (16%); SI (35%) mC= Massa corporal; mg= Massa gorda; ri= Resistência insulínica; Vo2máx= Consumo máximo de oxigênio; VCo2máx= Consumo máximo de gás carbônico; tg= Triglicerídeos; Vldl= lipoproteína de muito baixa densidade; GH= Hormônio do crescimento;SI= sensibilidade a insulina; H= Homens; m= Mulheres; gli= Glicose; agl= Ácido Graxos Livres; Vo2máx-170= Consumo máximo de oxigênio a 170 bpm; Vo2-lV1= Consumo de oxigênio na intensidade do limiar ventilatório 1; imC= Índice de massa corporal; gVa= Gordura visceral abdominal; ga= Gordura abdominal. APLICAÇÕES DO EXERCÍCIO INTERMITENTE DE ALTA INTENSIDADE 123 Os efeitos do HIIT na redução da gordura subcutânea e abdominal são promisso- res no tratamento do sobrepeso e, consequentemente, na redução da circunferência da cintura que é um marcador de risco cardíaco (BOUTCHER, 2011). Em relação à HAS, as recomendações não farmacológicas para o seu trata- mento envolvem dieta e exercício aeróbio de intensidade moderada em função da redução da pressão arterial sistólica e diastólica e melhora na função arterial causadas por este treinamento (COLLIER et al., 2011). Porém, protocolos de alta intensidade com menor demanda temporal e maior grau motivacional promo- veram estas adaptações em obesos sedentários (TRILK et al., 2011)e em doentes cardíacos (FREYSSIN et al., 2012). Assim, sugere-se que estudos com maiores níveis de evidência devem ser conduzidos com pacientes hipertensos. A RIparece ser um fator fisiopatológico relevante da DM2, além de estar relacionada com outros problemas de saúde pública atual, como a obesidade e as DCV (GIBALA et al., 2010). Recomendações para seu combate englobam exercícios de alto volume e intensidade moderada, visando atingir aumento de desempenho físico, aumento da capacidade oxidativa e melhora do mecanismo de transporte da glicose (SCHNEIDER & MORGADO, 1995). Porém, exercícios intermitentes de alta intensidade têm mostrado resultados satisfatórios com maior eficiência temporal (ASTORINO et al., 2012; GIBALA et al., 2010). Para portadores de DM, os exercícios físicos devem promover as seguintes ações: i) auxílio na manutenção da massa corporal magra e redução da massa gorda e; ii) melhora da função cardiovascular, da sensibilidade insulínica, do perfil lipídico, do controle glicêmico e da pressão arterial(CASTRO et al., 2011). Portanto, entende-se que a partir dos protocolos intermitentes anteriormente citados, o HIIT parecem ser mais eficientes para atender estas demandas (TRAPP et al., 2008; LITTLE et al., 2011; EARNEST, 2008), contrastando com as recomendações tradicionais de esforços contínuos com duração de 20 a 60 min e intensidade entre 50% e 80% do VO2 de reserva(CASTRO et al., 2011). Quanto à função cardiovascular, o HIIT parece ter efeito importante (KES- SLER et al. 2012; GUIRAUDI et al., 2012), principalmente por aumentar o limiar ventilatório, o que apresenta relevância clínica por melhorar a capacidade de suportar exercícios submáximos e a percepção de qualidade de vida. Além disso, o HIIT pode induzir regressão de marcadores de disfunção no ventrículo esquerdo, diminuir a resistência vascular e a disfunção endotelial e aumentar a capacidade oxidativa dos músculos periféricos(FREYSSIN et al., 2012). ConClusões Os exercícios intermitentes de alta intensidade se mostram úteis no tra- tamento de fatores que caracterizam a SM. Além da eficiência temporal, da motivação e maior aderência ao processo de treinamento, a otimização dos EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS124 resultados em prazos menores que os promovidos em exercícios contínuos tornam o HIIT um meio de treino interessante a ser adicionado na prescrição de exercício para esta população. Especificamente quanto ao processo de treinamento, sugere-se que sedentários portadores de síndrome metabólica sigam uma progressão linear de intensidades e regressão concomitante do tempo dos estímulos, visando a introdução gradativa de exercícios intensos na rotina de treinamento. Esta introdução deve respeitar a tolerância em diferentes estágios, a saber: 1) Protocolos intermitentes longos e submáximos, como os de Bartlett et al. (2011), 6 x 3 min a 90% VO2max com intervalos de 3 min a 50% VO2max ou de Mandroukas et al. (2011), 4 min a 12 km/h x 4 min a 8 km/h, podem servir como introdução aos novos estímulos ainda que coexistindo com os exercícios moderados, longos e contínuos. 2) A medida que a aptidão física aumenta, esforços intermitentes mais cur- tos e próximos da intensidade máxima, como os de Little et al. (2011), 10 x 60s em 90% FCmax x 60 s recuperação podem potencializar os resultados e apresentar redução da demanda temporal das sessões. 3) Seguindo a progressão, indivíduos portadores de SM já treinados podem alternar os protocolos anteriormente mencionados com sessões de intensi- dade supramáxima, como as descritas por Trapp et al. (1999)60 x 8 s all-out x 12 s a 20-30 rpm, ou de Metcalfe et al. (2011) 2 x 10-20 s all-out por 3 min e 20 s de recuperação, ou ainda Richards et al. (2010), 4 x 30 s all-out por 4 min de recuperação. Faz-se necessário reforçar que esta indicação segue uma lógica linear de progressão do treinamento e que métodos não lineares também podem ser considerados para prescrição do HIIT. Em resumo, com o aumento da prevalência da SM, exercícios intermitentes de alta intensidade parecem ser uma alternativa relevante para a prevenção e o tratamento dos fatores de risco que a compõem. Desta forma, diferentes proto- colos de treinamento de alta intensidade com potencial motivacional e eficiência temporal podem aumentar a adesão aos programas de exercícios que objetivam reduzir os fatores de risco das doenças crônicas, estando eles isolados ou agru- pados (SM). Sugere-se, portanto que tal modo de exercício seja considerado na prescrição e nas recomendações de atividades para promoção da saúde na SM. reFerÊnCias 1. American College of Sports Medicine. ACSM stand position on the appro- priate intervention strategies for weight loss and prevention of weight regain for adults. 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APLICAÇÕES PRÁTICAS COMPARAÇÃO DE DOIS TIPOS DE RECUPERAÇÃO ATIVA NO TEMPO DE EXAUSTÃO EM SPRINTS REPETIDOS NO CICLOERGÔMETRO Gabriela Marini Oliveira, Marcos Atrib Zanchet, Fabrício Boscolo Del Vecchio introdução Muitas atividades esportivas, principalmente esportes coletivos ou com características de longa duração, como badminton, basquete, futebol e ciclismo, são de natureza intermitente, ou seja, caracterizadas por esforços repetidos máximos ou submáximos de curta duração, alternados com períodos de recu- peração durante cada esforço, o qual é seguido de intensidade muito mais baixa ou interrupção. Essas características se referem ao exercício intermitente de alta intensidade (DORADO; SANCHIS-MOYSI; CALBET, 2004). Segundo Glaister (2005), os esportes de natureza intermitente, de maneira geral, consistem em tiros breves repetidos (menores ou iguais a 6 segundos) de trabalho máximo/submáximo intercalados com períodos de recuperação relativamente curtos (menores ou iguais a 60 segundos) de intensidade baixa/ moderada. Complementarmente, sabe-se que sprints ou tiros, são esforços de curta duração, desempenhados em alta intensidade e velocidade, igual ou superior à velocidade máxima do limiar de lactato (BILLAT, 2001). A condição física para se desempenhar sprints repetidos de curta duração durante um breve período de tempo tem sido sugerida como componente relevante da aptidão de esportistas de diferentes modalidades (BUCHHEIT et al., 2010). Embora muitos estudos tenham investigado a capacidade de sprints repetidos durante os últimos 10 anos, a duração dos sprints, o número de repetições, a duração e o tipo de recuperação, geralmente, não refletem as possíveis demandas fisiológicas de esportes como o ciclismo (SPENCER et al., 2006). COMPARAÇÃO DE DOIS TIPOS DE RECUPERAÇÃO ATIVA NO TEMPO DE EXAUSTÃO 135 Para Spencer et al. (2005), a distância e a duração de sprints em esportes coletivos de campo são pouco variável, estando entre 10-20m e 2-3 segundos, respectivamente. Contrariamente aos dados supracitados a respeito da distân- cia e duração dos sprints, existe variação considerável durante os jogos desses esportes (ex.: 20-60 sprints) e distância total de sprint (entre 700-1000 m). Além disso, para se aumentar o entendimento sobre a capacidade de sprintarrepeti- damente nos esportes coletivos de campo, mais pesquisas são necessárias para documentar as análises tempo-movimento da atividade de sprints repetidos durante competições de esportes coletivos (SPENCER et al., 2005). Neste contexto, existem poucas pesquisas de investigação sobre a natureza específica de sprints repetidos no que se relaciona ao ciclismo. Isso se deve ao fato da discrepância de protocolos e/ou entre os grupos amostrais de cada pesquisa, impossibilitando possíveis relações entre os achados (BILLAUT; BISHOP, 2009; LAURSEN; JENKINS, 2002). Adicionalmente, o processo de evolução do desempenho também depende da qualidade das transições entre os estímulos. Assim, a forma de recuperação adequada para cada evento esportivo se torna aspecto relevante do treinamento(PASTRE et al., 2009). A recuperação pós-esforço consiste em restaurar de forma mais eficiente os sistemas energéticos do organismo para reduzir a limitação no desempenho e risco de lesões. Esse intervalo entre esforços pode ser feito de diferentes formas, entre elas estão o repouso (recuperação passiva), crioterapia, alongamentos, massagem e exercícios de baixa intensidade (ZARROUK et al., 2011; PASTRE et al., 2009). Tem sido reportado que o exercício de baixa intensidade ou recupera- ção ativa (RA) facilitam a recuperação da fadiga muscular, pois proporcionam decréscimo na concentração de lactato sanguíneo através de oxidação ou con- versão em glicose e aminoácidos (BROOKS; FAHEY, 2005) e, consequentemente, podem contribuir aumentando o desempenho em atividades com eventos de alta intensidade como sprints repetidos (FUJITA et al., 2009). Mesmo sendo a RA o método mais antigo de regeneração pós-esforço, este ainda vem sendo amplamente discutido na literatura (PASTRE et al., 2009). Resumidamente, a recuperação ativa se caracteriza por período de “descanso” entre um sprint e outro, com manutenção do movimento o qual pode ser idên- tico à prática do sprint, utilizando-se os mesmos grupos musculares envolvidos (porém com intensidade consideravelmente menor) ou com a movimentação de grupos musculares que não são recrutados durante os sprints. Por outro lado, a recuperação passiva tem como característica a interrupção total do movimento, seja ela por qualquer grupo muscular, envolvido ou não na prática do período de sprint (BROOKS; FAHEY, 2005.) Assim, o objetivo deste estudo foi investigar a diferença no tempo de exaustão entre dois tipos de recuperação ativa no desempenho em sprints no ciclo ergômetro. EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS136 materiais e métodos Tipo de estudo e caracterização das variáveis O estudo proposto é de caráter experimental, randomizado. Como variáveis dependentes foram elencadas o tempo até a exaustão e o número de sprints e, como variável independente, o tipo de recuperação ativa (utilizando membros superiores ou inferiores). Sujeitos, critérios de inclusão e exclusão Considerando como critérios de inclusão: i) formação em Educação Física, ii) idade compreendida entre 18 e 30 anos e iii) ausência de lesão em membros superiores ou inferiores que prejudicassem a execução dos testes nos 6 meses que antecederam a avaliação, 7 sujeitos de ambos os sexos foram elegíveis para compor a amostra. Delineamento do estudo e coleta dos dados Para mensuração das variáveis e realização dos protocolos de teste e inter- venção, os participantes assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido e compareceram às dependências da Escola Superior de Educação Física da Universidade Federal de Pelotas (ESEF/UFPel). Os indivíduos foram alocados aleatoriamente por meio de sorteio simples em dois grupos: 1 – Recuperação ativa utilizando membros inferiores (RAI) ou 2 – Recuperação ativa exercitando membros superiores (RAS). Logo após, foi realizado aquecimento durante 2 minutos no cicloergometro com carga fixada de 25 W, seguido por sprints máximos com duração de 10 segundos no mesmo cicloergômetro com carga fixada de 400 W. Ao final de cada sprint o sujeito indicava o valor referente à percepção subjetiva de esforço (PSE) e realizava o período de recuperação ativa definido a priori com 50s de duração, em seguida, realizava novo sprint. O ciclo sprint/recuperação foi repetido até a desistência voluntária do avaliado, ou interrompido quando o participante não era capaz de manter a velocidade de sprint acima de 80% da velocidade máxima, considerada como pico de velocidade do primeiro sprint (LAURSEN; JENKINS, 2002). A cerca da recuperação, o grupo RAS realizava a recuperação ativa com exercício de remada contra a resistência da faixa elástica theraband® de cor verde (resistência moderada), já o grupo RAI, continuava a pedalada no ciclo- ergômetro com carga de 25 W e velocidade entre 30 e 50 rpm (SPENCER et al., 2006) (FIGURA 1). Foram coletados o número de sprints realizado por cada sujeito, a percepção subjetiva de esforço (PSE) ao final de cada sprint e o tempo de exaustão. Para avaliar a PSE foi utilizada a Escala de Borg pontuada de 6 – muito fácil – até 20 – exaustivo(FOSS et al., 2000). COMPARAÇÃO DE DOIS TIPOS DE RECUPERAÇÃO ATIVA NO TEMPO DE EXAUSTÃO 137 Figura 1. Posicionamento da theraband no ciclo ergômetro para realização da RAI e RAS. Análise dos dados: Os resultados serão apresentados na forma tabular. Empregou-se estatística descritiva para apresentadação dos dados, assumindo-se a média como medida de centralidade e o desvio padrão (dp) como medida de dispersão resultados Quanto aos resultados, registra-se que o estímulo com remada proporcionou possibilidade de execução de 5 a 12 sprints ao passo que a recuperação com membros inferiores possibilitou de 3 a 8 esforços. O tempo total da sessão de treino, até se chegar à exaustão, no grupo RAS foi de 10 ± 3,46 minutos, ao passo que no RAS foi de 6,25 ± 2,21 minutos (Tabela 1). Ao se considerar os tipos de recuperação, observa-se que o treino com remada gerou maior número de sprints e maior percepção subjetiva de esforço (Tabela 2). Tabela 1: Média ± desvio padrão dos grupos RAI e RAS para tempo de exaustão e número de sprints RAS RAI Sujeito A1 B1 C1 Média ± dp B1 B2 B3 B4 Média ± dp Tempo até exaustão (min) 6 12 12 10±3,46 4 9 5 7 6,25± 2,21 Número de sprints 5 11 12 9,33±3,78 3 8 4 6 5.25± 2,21 RAI – Recuperação ativa com membros inferiores RAS – Recuperação ativa com membros superiores EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS138 disCussão O principal achado do presente estudo foi a evidência de maior quantidade e duração de esforços no grupo que realizou recuperação ativa utilizando a mus- culatura não envolvida no movimento de teste (sprint em cicloergômetro). Um estudo realizado por Margaria et al. (1969), usando intensidades suficientes para a exaustão dos sujeitos entre 30-40 segundos de corrida em esteira, sugeriu que com recuperação suficiente (> ou igual a 25”), o ATP necessário para abastecer 10” de trabalho intermitente “pesado” derivou predominantemente da degradação de PCr. Entretanto, esta conclusão foi altamente especulativa, já que a PCr não foi medida no estudo. Por outro lado, Gaitanos et al. (1993) evidenciaram que após 10 sessões de esforços de 6 segundos intercalados por recuperação de 20 segundos, a décima série apresenta a PCr como maior fonte energética. Tabela 2: Percepção subjetiva de esforço dos sujeitos durante cada sprint, segundo tipo de recuperação Percepção subjetiva de esforço (6 – 20) Média ± dp Grupo sujeito S1 S2 S3 S4 S5 S6 S7 S8 S9 S10 S11 S12 RAS A1 10 13 15 16 16 14 ± 2,5 A2 14 16 16 17 18 18 19 19 19 19 19 17.6 ± 1,7 A3 9 9 11 11 13 13 15 15 17 17 19 20 14 ± 3,7 Grupo 15,2 ± 2,6 RAI B1 13 14 14 13,6 ± 0,6 B2 11 12 12 14 15 17 19 20 15 ± 3,4 B3 10 15 17 19 15,3 ± 3,9 B4 11 12 13 13 14 14 12,8 ± 1,2 Grupo 14,1±2,2 dp = Desvio Padrão RSA = Recuperação ativa com membros superiores RAI = Recuperação ativa com membros inferiores Glaister (2005) relata que durante breves períodos de trabalho máximo a provisão de ATP é mantida através da integração complexa de vários processos metabólicos. Esses processos trabalham juntos para atingir o pico de taxa de rotatividade de ATP, em torno de 15mmol ATP/Kg ms/seg. Entretanto, como os tiros são repetidos, a resposta metabólica é determinada pela duração dos períodos de recuperação intervenientes. Acredita-se que os resultados do presente estudo tenham ocorrido por conta da degradação de fosfocreatina (PCr) sofrida pela musculatura envolvida no sprint, a qual não obteve ressíntese do elemento durante a recuperação ativa, com movi- mento de menor intensidade, por manter os tecidos musculares envolvidos nos sprints, do início ao fim do teste, continuamente em movimento (SPRIET, 2006). COMPARAÇÃO DE DOIS TIPOS DE RECUPERAÇÃO ATIVA NO TEMPO DE EXAUSTÃO 139 Talvez, isso seja melhor explicado pelo fato de que, durante um único sprint, consideráveis contribuições da degradação de PCr e glicólise anaeróbia fornecem a grande maioria da produção de ATP, resultando na depleção de apenas parte dos estoques de PCr (TRUMP et al., 1996). Diferentemente, durante sprints repetidos, a contribuição relativa da glicogenólise anaeróbia é reduzida, o que é parcialmente explicado pelo aumento no metabolismo aeróbio, o que pode ter ocorrido no caso da recuperação utilizando-se a musculatura envolvida nesses esforços de alta intensidade. Além disso, a degradação e a ressíntese das taxas de PCr estão relacionadas com a diminuição do desempenho e com perda de nucleótidos de purina, que também pode ocorrer durante sprints subsequentes (SPENCER, 2005). Assim, os sujeitos que executaram recuperação sem recrutamento da mus- culatura envolvida nos sprints podem ter sofrido depleção menor nos estoques de PCr, retardando o tempo de exaustão do experimento (HARRIS, 1976). Este achado vai de encontro aos resultados encontrados por Spencer et al. (2008), que não encontraram diferenças significantes na análise de variáveis san- guíneas comparando grupos de diferentes intensidades de recuperação ativa. Já Dourado et al. (2004), que comparam três diferentes tipos de recuperação (recuperação ativa com pedalada, alongamento e supino) durante exercício de alta intensidade em cicloergômetro, encontraram melhoras no desempenho no grupo que realizou recuperação ativa utilizando a mesma musculatura envolvida no teste.Isso pode ser explicado pelo aumento na produção de energia aeróbia devido à cinética rápida de VO2 combinada com o tempo maior de trabalho (SMITH; HILL. 1991). Em estudo realizado por Trump et al. (1996), foram recrutados 7 sujeitos saudáveis que realizaram 3 tiros em cicloergômetro de 30” (100rpm) com 4’ de recuperação entre os tiros. Após o segundo tiro, a circulação sanguínea de uma das pernas dos indivíduos foi oclusa com manguito durante o período de recuperação para prevenir a ressíntese de PCr, enquanto a circulação da outra perna se mantinha intacta (controle). Então, o manguito foi removido e o tiro 3 foi executado. Nos tiros 1 e 2, o trabalho total produzido pelas duas pernas foi muito similar. Porém, após o tiro 3, a oclusão preveniu a ressíntese de PCr e também resultou em altos níveis significativos de lactato e [H+]. Os resultados encontrados pelos autores sugerem que a PCr contribuiu com ~15% do pro- vimento total de ATP durante o terceiro tiro de pedalada isocinética máxima e a maior parte do ATP foi fornecida durante os primeiros 15”. A glicogenólise contribuiu minimamente com o fornecimento de ATP(~10-15%) durante o ter- ceiro tiro de 30s., sugerindo que o metabolismo aeróbio se torna a fonte de ATP dominante durante esse modelo de protocolo com sprints repetidos. Franchini et al. (2003) compararam a concentração de lactato sanguíneo e performance em exercícios intermitentes utilizando recuperação ativa ou passiva em atletas de judô após o combate. Observou-se maior redução na concentração EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS140 de lactato sanguíneo quando utilizada a recuperação ativa, o que é explicado pela oxidação do lactato através da musculatura ativa (GAITANOS et al., 1993). Entretanto, esse achado não se relacionou com melhora na performance dos exercícios, já que não houve diferença no desempenho entre os diferentes tipos de recuperação. Porém, esse estudo apresenta diversas limitações e os resultados devem ser interpretados com cautela. Por exemplo, indica-se que o tamanho da amostra foi pequeno e, além disso, algumas variáveis como aptidão física, composição corporal e experiência na modalidade avaliada não foram controladas e compa- radas entre os grupos, o que pode ter interferido nos resultados descritos. Considerações Finais Com base nos resultados deste estudo, a recuperação utilizando segmento corporal não envolvido no movimento ou na recuperação passiva da musculatura responsável pelo movimentodo sprint parece apresentar melhores resultados para desempenho de sprints repetidos, pois os indivíduos do grupo em questão atingiram número maior de ciclos de esforço e alcançaram maior tempo de atividade até chegarem à exaustão. De acordo grande parte da literatura consultada, geralmente recuperações ativa da musculatura envolvida em sprints são mais eficientes; porém, nosso estudo mostrou o contrário desses achados. Por conta da metodologia esco- lhida, na literatura corrente não foram encontrados dados que pudessem ser objeto de comparação fidedigna. Assim, mais estudos se fazem necessários para afirmarmos se recuperação ativa com remada foi responsável pela maior quan- tidade e duração de esforços com possível contribuição na síntese de PCr e na remoção do lactato ou, se o simples fato do não recrutamento da musculatura envolvida na RAI (membros inferiores) tenha proporcionado menor gasto das fontes energéticas em questão. Algumas questões ainda precisam ser revistas para uma melhor avaliação da situação descrita, tais como: nível de aptidão física dos indivíduos, faixa etária, sexo e composição corporal. reFerÊnCias 1. BILLAUT, F.; BISHOP, D. Muscle fatigue in males and females during multiple- sprint exercise. Sports Medicine, v. 39, n. 4, p. 257-78, 2009. 2. BILLAT, V. Interval training for performance: a scientific and empirical prac- tice. special recommendations for middle- and long-distance running. Part I: Aerobic interval training. Sports Medicine, v. 31, n. 1, p. 13-31, 2001. 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EFEITOS DE TRÊS PROTOCOLOS DE TREINAMENTO ESPECÍFICO DE TAEKWONDO EM DIFERENTES VARIÁVEIS PSICOFISIOLÓGICAS Rossano Diniz, Daniel Guimarães Soares, Fabrício Boscolo Del Vecchio introdução Dentre todos os esportes olímpicos de combate, um dos mais praticados no mundo é o Taekwondo (TKD), o qual é desenvolvido em 189 países filiados à World Taekwondo Federation (WFT) e por mais de 50 milhões de adeptos. Adicionalmente, ele tem uma grande observação dentro do campo científico, especialmente em questões como a preparação físico-técnica (Fargas, 1999; Bridge et al., 2007). Ao ser considerado esporte intervalado de alta intensidade (Campos et al., 2009), registra-se que ele tem relações de esforço:pausa de 1:3 a 1:4, ou seja, cada ação de alta intensidade de 3 a 5 segundos é seguida por um tempo de 3 a 4 vezes maior em baixa intensidade (normalmente com uso do step). Isto se dá em lutas simuladas ou mesmo dentro de uma competição, que em geral tem lutas de 3 rounds de 2 minutos, com 1 minuto de intervalo entre eles (Franchini; Vecchio, 2012) Para a prescrição de exercícios específicos no TKD, além do estudo tem- poral da modalidade, faz-se necessária avaliação de parâmetros fisiológicos de performance, pois,durante o treinamento, devem ser conhecidas e controladas diversas variáveis, dentre elas, a frequência cardíaca máxima, o limiar anaeróbio e o nível de tolerância ao lactato (Gómez, 2001). Diante de diferentes fatores, como capacidade física elevada, experiência em competições e musculatura preparada para esforços supramáximos, o treinamento intervalado de alta intensidade (HIIT) se torna relevante por con- EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS144 tribuir com estímulos que elevem a aptidão física dos lutadores (Ravier et al., 2009; Farzad et al., 2011). Vários estudos com esportes de combate já foram realizados demonstrando a relevância do HIIT, e estes dados são no Muay-Thai (Crisafulli et al., 2009) e no Karate (Ravier et al., 2009), por exemplo. Ademais, a literatura pertinente ao tema estabelece que, para formular um programa de treinamento físico em lutas, deve-se levar em conta o metabolismo aeróbio e anaeróbio, sempre direcionando para a especificidade do combate (Degoutte et al., 2003; Ravier et al., 2009; Farzad et al., 2011). Neste contexto, diferentes trabalhos buscaram verificar o impacto agudo e crônico do HIIT em praticantes de lutas. Na primeira perspectiva, constatou-se elevada demanda cardiopulmonar (Crisafulli et al., 2009), com a frequência cardíaca chegando a 182 ± 1,6 bpm,quando da realização de simulação de combate do Muay-Thai, bem como aumento do GH plasmático, insulina, glicose e concentração de lactato após esforços de 60 s com 60 s de recuperação com estímulos de Kick- Boxing (Ghanbari-Niaki et al., 2010). No entanto, mais recentemente, observou-se que simulação de combate baseada na análise temporal e dos movimentos do Taekwondo não foi suficiente para mimetizar as demandas da modalidade quanto às diversas variáveis biológicas, basicamente em decorrência do menor estresse envolvido no protocolo de treino em comparação à luta (Bridge et al., 2012). O TET proporcionou a prescrição de três realidades diferentes de esforços a partir da possibilidade de verificar o desempenho máximo de cada atleta usando os gestos do esporte simulando uma realidade mais próxima da luta. Segundo o estudo sobre o TET este é o maior objetivo deste teste (Sant’ana et al., 2009). Neste sentido, o presente estudo objetivou avaliar o impacto do exercício intermitente de alta intensidade, estruturado a partir de teste progres- sivo específico, em diferentes variáveis psicofisiológicas. materiais e métodos tipo de estudo Constitui-se como estudo quase experimental, por não apresentar grupo controle, e de medidas repetidas. O mesmo foi realizado na Escola Superior de Educação Física, da Universidade Federal de Pelotas. sujeitos Inicialmente, foram envolvidos neste estudo 11 atletas de taekwondo do sexo masculino, com mais de 12 meses de treinamento, participantes do projeto de iniciação ao esporte desenvolvido pela Escola Superior de Educação Física, EFEITOS DE TRêS PROTOCOLOS DE TREINAMENTO ESPECÍFICO DE TAEKWONDO 145 na Universidade Federal de Pelotas. No entanto, dois deles abandonaram as atividades ao longo das coletas e um se lesionou em treinamento. Assim, a amostra final contou com oito indivíduos. Os lutadores envolvidos no estudo, com graduação entre amarela e verde ponta azul, com 14,9 ± 0,94 anos, 55,9 ± 10,11 Kg, estatura de 1,66 ± 0,9 m e índice de massa corporal (IMC) de 20,28 ± 2,22 Kg/m2, foram informados sobre os riscos e benefícios associados ao protocolo de teste e assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido. Ainda acerca dos participantes do estudo, são categorizados na classe júnior e já participaram de competições de âmbito nacional e internacional, tendo experiência na modalidade, o que minimiza alguns fatores psicológicos que interferem nas questões fisiológicas. Para o presente estudo, foram determinados como critérios de inclusão: ser atleta do projeto, ter entre 14 a 17anos (categoria Junior no Taekwondo), participar do treinamento ininterrupto da modalidade durante mais de 12 meses e não apresentar qualquer lesão ósteo-articular que impossibilitasse a realização do teste incremental e das sessões de treinamento. O quadro 1 explicita a participação dos atletas em eventos da modalidade e número de competições e medalhas que obtiveram recentemente. EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS146 Q ua dr o 1. H is tó ric o co m pe tit iv o do s at le ta s de t ae kw on do p ar tic ip an te s do e st ud o, s eg un do ê xi to d es po rt iv o. Co m p. R eg io na l Co m p. E st ad ua l Co m p. N ac io na l Co m p. In te rn ac io na l Co m pe tiç õe s em 2 01 1/ 20 12 M ed al ha s 20 11 /2 01 2 A tle ta s/ m c/ m np s/ m c/ m np s/ m c/ m np s/ m c/ m np 1 X X X X 4 2 2 X X X X 1 0 3 X X X X 2 2 4 X X X X 2 2 5 X X X X 1 0 6 X X X X 2 2 7 X X X X 1 0 8 X X X X 1 1 9 X X X X 3 1 10 X X X X 3 1 11 X X X X 0 0 Co m p. = C om pe tiç ão ; s /m = S em m ed al ha , c /m =C om m ed al ha e n p= N ão p ar tic ip ou . EFEITOS DE TRêS PROTOCOLOS DE TREINAMENTO ESPECÍFICO DE TAEKWONDO 147 delineamento do estudo Todos os procedimentos ocorreram nas dependências da Escola Superior de Educação Física da Universidade Federal de Pelotas, e foram conduzidos por profissionais previamente treinados, acadêmicos de graduação ou mestrado em Educação Física, sob supervisão contínua e proximal de professor orientador. Os protocolos foram executados com intervalo mínimo de 48 h entre eles, de modo que um teste ou treinamento não interferisse nos resultados do subsequente. Durante todo processo de investigação, os atletas foram instru- ídos a não realizarem esforços físicos 24 horas antecedentes à realização dos procedimentos a serem conduzidos na respectiva sessão. O estudo foi organizado em quatro diferentes sessões, com realização do Teste Específico de Taekwondo (TET) na primeira sessão e, nas outras três sessões, foram realizados treinos com intensidades diferentes, baseadas no TET. Sessão 1 – Anamnese e medidas de repouso No primeiro dia, após anamnese, para descrição demográfica dos envolvidos, avaliaram-se diferentes variáveis, a saber: a) Massa corporal e estatura, com balança portátil com precisão de 0,01 kg e estadiômetro com precisão de 0,1 cm; b) Frequência Cardíaca (FC) e parâmetros da sua variabilidade (VFC) em repouso, na posição em pé, com registro contínuo por sete minutos (Paschoal, Trevizan et al., 2009) Lípides e Capacidade Física de Crianças obesas e Não-obesas</title><secondary-title>Arq Bras Cardiol</secondary-title></titles><periodical><full-title>Arq Bras Car- diol</full-title></periodical><pages>239-46</pages><volume>93</ volume><number>3</number><dates><year>2009</year></ dates><urls></urls></record></Cite></EndNote> a partir de monitor Polar® RS800 (Polar™, Finlândia); c) Frequência final de chute em teste progressivo específico do Taekwondo (TET), e; d) Percepção Subjetiva de Esforço (PSE) pré e pós-teste específico, com emprego da escala de 0-10 (Foster et al., 2001). teste progressiVo espeCíFiCo para atletas de taeKwondo (tet) O teste progressivo específico de Taekwondo (TET) foi realizado para identificar em que nível de esforço se encontravam os atletas e, posterior- mente, contribuir na prescrição dos três protocolos de treino, com base no percentual de esforço. EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS148 O teste se inicia com estágio de 100 segundos, no qual devem ocorrer 6 chutes, sendo que o tempo entre um chute e o próximo, neste estágio, é de 18 segundos. A partir dos próximos estágios os intervalos entre os chutes e o tempo de duração dos estágios diminuem; porém, aumenta-se o número de chutes aplicados (Sant’ana et al., 2009). As sequências de chutes (Bandal Tchagui) foram iniciadas como membro inferior direito, alternando a cada novo golpe, sendo que nos intervalos entre um chute e outro os atletas ficavam em posição de luta e saltitando (realizando step). Para controle dos estágios por parte dos avaliadores, e indicação do momento de chute a ser realizado pelos lutadores, realizaram-se silvos sucessivos com apito. A finalização do teste foi determinada através dos seguintes critérios: a) o praticante não conseguir acompanhar a frequência de chutes (determinada por sinal sonoro); b) não alcançar a altura previamente estipulada e demarcada com colete de Taekwondo, na altura de seu tronco; c) exaustão voluntária. Estes critérios foram observados por avaliador, previamente treinado e experiente na modalidade, durante a aplicação do protocolo do teste. O último estágio no qual o atleta conseguiu realizar esforços até o final foi adotado comoo nível de esforço do TET. As relações de esforço, tempo e frequência de chutes podem ser observadas no quadro 2. Nele, a primeira coluna apresenta cada estágio do teste, na segunda coluna é exibida a duração de cada estágio, na terceira coluna está disposto o tempo acumulado e ajustado, na quarta coluna se observa a quantidade total de chutes (QTC) correspondente a cada estágio do teste e, por fim, na quinta coluna são apresentados os intervalos entre os chutes. Quadro 2. Delineamento do Teste Progressivo Específico Para Praticantes de Taekwondo (TET) estágios duração (s) duração ajustada e acumulada (s) QtC do estágio intervalos entre os chutes (s) 1 100 100 6 16 2 84 180 10 8 3 77,1 260 14 5 4 73,3 330 18 4 5 70,9 405 22 3 6 69,2 470 26 2 7 68,0 540 30 2 8 67,1 605 34 2 9 66,3 675 38 1,7 10 65,7 740 42 1,5 11 65,2 805 46 1,4 12 64,8 870 50 1,2 QTC= Quantidade total de chutes EFEITOS DE TRêS PROTOCOLOS DE TREINAMENTO ESPECÍFICO DE TAEKWONDO 149 Sessões 2 a 4 – Intervenções Sequencialmente à sessão 1, foram realizadas três sessões de treino, com ordem de execução determinada previamente e de modo aleatório, e que fizeram uso de diferentes intensidades de esforço. Nelas, ocorreu registro da FC e VFC, por 5 min antes e após o término do esforço. Também se mensurou a concentração de lactato sanguíneo [Lac] pré- e pós-treino na primeira sessão (imediatamente antes e um minuto após o término do estímulo), e pós-treino nas outras duas sessões. Para a [Lac], empregou-se o equipamento Lactate Plus (Nova Biomedical Co™, Waltham, MA). protoColos das sessões de treino Após estudo piloto, realizado com três atletas que se encaixavam nos critérios de inclusão para o estudo, e que não participaram das coletas finais, foram estruturados os protocolos de treino. Os treinamentos foram elaborados de forma a aproximar ao máximo possível de uma luta de Taekwondo, que tem 3 rounds de 2 minutos, com intervalo de 1 minuto entre rounds (Vecchio e Franchini, 2011). Deste modo, três protocolos de treino, baseados no percentual máximo de esforço, e com diferentes durações, foram estruturados: 1º Treino, 75% do TET (TET75): Constituiu-se de estímulo contínuo, realizado a 75% do desempenho máximo obtido no TET, sendo executada a referida fre- quência de chutes durante 6 minutos (360 segundos), sem interrupções; 2º Treino, 100% do TET (TET100): Constituiu-se de treino intervalado, realizado a 100% do desempenho observado no TET, sendo executado em 3 séries de 2 minutos cada, com intervalo de 1 min entre séries; 3º Treino, 150% do TET (TET150): Treino intervalado, realizado a 150% do valor final considerado no TET, em 6 séries de 1 minuto, com intervalo de 30 segundos entre séries. Para realização do TET e de todos os protocolos de treino, empregou-se saco de pancadas de 30 Kg, da marca Punch®, com colete de treinamento específico do Taekwondo envolvendo-o para facilitar a precisão do chute. Com vistas a tornar o esforço mais próximo da realidade, o colete foi ajustado na altura do tronco de cada um dos atletas. Adicionalmente, o quadro 3 apresenta as diferentes características dos treinos propostos. EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS150 Quadro 3. Características dos treinamentos. tet75 tet100 tet150 Duração total do esforço (min) 6 6 6 Duração total de pausa (s) 0 120 150 Número de esforços 1 3 6 Tempo do bloco de esforço (min) 6 2 1 Tempo do bloco de pausa (s) 0 60 30 Frequência de chutes (#/s) 1 / 3’’ 1 / 2’’ 1 / 0,5’’ Média de golpes por bloco 120,4±24 54,45±12,3 40,36±9,06 Total de golpes realizados 120,4±24 163,36±36,9 242,18±54,35 #/s: chutes por segundo. proCedimento de Coleta e registro de dados Os dados de FC e VFC foram coletados com cardiofrequencímetro (Polar® RS800CX, Polar Eletro OU, Finlândia), transferidos para software Polar ProTrainer 5™ e analisados no software Kubios HRV 2.0 (University of Kuopio, Finlândia). Para o domínio da frequência da VFC os limites foram fixados em intervalos de 0,15 – 0,40 Hz para o componente de alta frequência (HF), 0,04 – 0,14 Hz para o componente de baixa frequência (LF), e <0,04 Hz para o componente de muito baixa frequência (VLF) conforme descrito na literatura (FRONCHETTI et al., 2007). O monitoramento e registro da FC e VFC foram realizados durante cinco minutos antes do início de cada intervenção e cinco minutos imediata- mente após o término das mesmas (TASK FORCE ESC AND NASPE, 1996). Vale ressaltar que todas as coletas foram realizadas com os lutadores em posição ortostática, pois a mesma representa a adotada durante os esforços propostos (ALONSO et al., 1998). Para a FC, serão considerados os valores de FC média e FC máxima, em batimentos por minuto (bpm), atingidas em cada um dos momentos de coleta. Os parâmetros da VFC, adequadamente registrados com equipamento e procedimentos validados de filtragem dos dados (QUINTANA et al., 2012), são organizados em três domínios, a saber: tempo, frequência e não-linear (FRON- CHETTI et al., 2007). Quanto às variáveis do domínio do tempo, serão coletadas e analisadas: i) média dos intervalos R-R (MedRR); ii) desvio padrão dos intervalos R-R normais (SDNN); iii) raiz quadrada da média das diferenças sucessivas ao quadrado (rMSSD); e iv) porcentagem de intervalos sucessivos com diferença maior que 50ms (pNN50). No domínio da frequência, os componentes espectrais de: i) VLF (0 – 0,04 Hz); ii) LF (0,04 – 0,15); iii) HF (0,15 – 0,4); e iv) razão LF/HF. Por fim, no domínio não-linear: i) desvio padrão dos intervalos R-R instantâneos (SD1); e ii) desvio padrão dos intervalos R-R em longo prazo (SD2). EFEITOS DE TRêS PROTOCOLOS DE TREINAMENTO ESPECÍFICO DE TAEKWONDO 151 análise estatístiCa Todos os valores são descritos em média e desvio padrão. Empregou-se o teste t pareado para comparar o resultado pré e pós-sessão de treinamento para distribuição normal e variâncias homogêneas. As rotinas de análises foram executadas no pacote estatístico Stata. Assumiu-se p ≤ 0,05 como diferença estatisticamente significativa. resultados CaraCteriZação dos atletas enVolVidos no estudo Os atletas envolvidos no estudo apresentavam 15 ± 0,93 anos, massa cor- poral de 56,13 ± 11 kg, estatura de 1,66 ± 0,11 m, e o IMC foi de 20,24 ± 2,48 kg/m2. A graduação se encontrava entre amarela e verde ponta azul e todos tinham no mínimo 12 meses de treinamento, tendo participado de competições de âmbito nacional e internacional. Quanto à avaliação específica, o desempenho no TET foi até o estágio 7±1,6. Neste contexto, a PSE na situação antes do Teste Progressivo Específico de Taekwondo foi ao estágio 2 ± 1,07 e após o TET chegou ao estágio 8,13 ± 1,55. eFeitos de diFerentes intensidades de treino nas VariáVeis de interesse No protocolo a 75% do TET, os esforços se localizaram no estágio de intensidade do estágio 5,5 ± 1,73 do teste, tendo uma média de golpes por treino 120,4±24 durante 6 minutos. No protocolo a 100% do TET, os esforços estiveram entre o estágio 7,8 ± 2,06, com média de 54,45±12,3 golpes no pe- ríodo de 2 minutos, chegando a 163,36±36,9 chutes em 3 rounds de 2 minutos e intervalo de 1 minuto. Por fim, no protocolo de 150% do TET, a intensidade chegou ao estágio 11,5 ± 3,32, executando uma média de 40,36±9,06 golpes durante 1 minuto, chegando a 242,18±54,35 chutes em 6 rounds de 1 minuto e 30 segundos de descanso. A tabela 1 expressa os valores pré e pós-esforço, segundo protocolo de treino e variável de interesse. A PSE, FCmax, FC média e diversas variáveis da VFC modificaram de um momento para o outro nos diferentes treinos reali- zados. A figura 1 aponta que a concentração de lactato sanguíneo não diferiu das situações pré (8,4±7,1 mmol) e pós-esforço no estímulo a 75% (8,6±2,0) e 100% (7,6±2,3) do TET, exceto no protocolo150%, no qual se atingiu 12,2 ± 3,2 mmol (p < 0,001). EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS152 Adicionalmente, as figuras de 2 a 4 exemplificam a curva da FC nos diferen- tes protocolos de treino propostos. Nelas, observam-se os períodos de esforço e de intervalo, característicos de cada sessão de treino. Figura 1. Concentração de lactato sanguíneo, segundo tipo de treino espe- cífico de taekwondo. EFEITOS DE TRêS PROTOCOLOS DE TREINAMENTO ESPECÍFICO DE TAEKWONDO 153 Ta be la 1 . V al or es p ré e p ós -e sf or ço , s eg un do p ro to co lo s de t re in o e va riá ve is d e in te re ss e. 75 % d o TE T 10 0% d o TE T 15 0% d o TE T Pr é Pó s Pr é Pó s Pr é Pó s PS E (u a) 3, 8± 2, 8 8, 5± 1, 7* 4± 1, 4 6, 2± 2, 2* 2, 75 ±1 ,5 8, 5± 1, 0* ** FC m ax ( bp m ) 11 6± 12 ,8 19 3± 10 ,9 ** * 11 2, 6± 7, 1 19 4, 4± 12 ,4 ** * 12 0, 8± 8, 7 19 6, 4± 10 ,0 ** * FC m éd ia ( bp m ) 92 ,4 ±1 0, 7 13 8, 7± 11 ,1 ** * 86 ,6 ±9 ,9 13 4± 9, 0* ** 96 ±8 ,9 14 5, 4± 13 ,3 ** * M ED RR (b s) 65 6, 2± 70 ,1 43 4, 7± 33 ,7 ** * 70 1, 9± 94 ,7 44 6, 8± 35 ,7 ** * 63 6, 1± 61 ,8 41 5, 3± 37 ,8 ** * SD N N (b s) 67 ,4 ±1 4, 6 53 ,2 4± 8, 1* * 76 ,6 ±2 5, 4 61 ,2 ±1 3, 8 58 ,1 ±1 8, 0 48 ,3 ±1 3, 8 rM SS D ( m s) 39 ,1 ±1 4, 9 4, 3± 1, 2* ** 40 ,7 ±2 7, 7 5, 6± 3, 3* * 36 ,0 ±1 1, 8 4, 2± 1, 9* ** pN N 50 ( m s) 14 ,8 ±1 2, 1 0, 04 ±0 ,1 ** 18 ,9 ±1 7, 7 0* 14 ,5 ±8 ,2 0, 8± 0, 2* ** VL F (H z) 18 00 ±9 70 ,2 59 9, 2± 20 6, 7* * 17 25 ,4 ±1 55 2, 8 70 4, 7± 48 9, 8 83 6, 7± 77 5, 6 58 2, 1± 35 0, 5 LF ( H z) 22 98 ,2 ±7 66 ,2 54 ,2 ±4 3, 7* ** 23 67 ,5 ±1 23 3, 3 46 ,6 ±3 2, 0* ** 15 08 ,5 ±1 06 6, 3 27 ,1 ±1 4, 9* * H F (H z) 62 5± 42 9, 1 8± 5, 7* ** 13 61 ,1 ±2 26 3, 3 6, 9± 3, 8 41 8, 9± 32 0, 4 3, 25 ±2 ,0 ** LF /H F (H z) 7, 0± 9, 9 7, 49 ±3 ,5 4, 5± 3, 2 18 ,1 ±3 1, 7 4, 6± 3, 4 9, 85 ±6 ,5 * SD 1 27 ,7 ±1 0, 6 3, 05 ±0 ,8 6* ** 27 ,7 9± 26 ,1 8 3, 1± 0, 61 * 25 ,7 3± 8, 41 3, 01 ±1 ,3 9* ** SD 2 90 ,9 ±1 9, 3 75 ,1 ±1 1, 4* 10 2, 0± 30 ,4 86 ,4 ±1 9, 5 77 ,6 ±2 6, 3 68 ,2 ±1 9, 5 M ED RR - m éd ia d os in te rv al os R -R (b at id as s in us ai s) , S D N N - de sv io p ad rã o do s in te rv al os R -R (b at id as s in us ai s) , r M SS D - ra iz q ua dr ad a da m éd ia d as d ife re nç as s uc es si va s ao q ua dr ad o( m ili ss eg un do s) , p N N 50 - po rc en ta ge m d e in te rv al os s uc es si vo s co m d ife re nç a m ai or qu e 50 m ili ss eg un do s( m ili ss eg un do s) , V LF - co m po ne nt e de m ui to b ai xa f re qü ên ci a( H er tz ), LF - co m po ne nt e de b ai xa f re qü ên ci a (H er tz ), H F- c om po ne nt e de a lta f re qü ên ci a( H er tz ), LF /H F- r az ão b ai xa f re qü ên ci a/ a lta f re qü ên ci a( H er tz ), SD 1- d es vi o pa dr ão d os in te rv al os R -R in st an tâ ne os (b at id as s in us ai s) , S D 2- d es vi o pa dr ão d os in te rv al os R -R e m lo ng o pr az o( ba tid as s in us ai s) ; * = p <0 ,0 5; * * = p< 0, 01 ; * ** = p <0 ,0 01 EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS154 Figura 2. Frequência cardíaca no protocolo de treinamento a 75% do TET. Figura 3. Frequência cardíaca no protocolo de treinamento a 100% do TET. Figura 4. Frequência cardíaca no protocolo de treinamento a 150% do TET. EFEITOS DE TRêS PROTOCOLOS DE TREINAMENTO ESPECÍFICO DE TAEKWONDO 155 disCussão Este estudo avaliou características de diferentes treinamentos baseados em valores decorrentes de teste progressivo específico, o TET. Além da originalidade do mesmo, registra-se que sua especificidade também pode ser destacada como ponto relevante. Adicionalmente, indica-se que o principal achado do estudo foi que as concentrações de lactato sanguíneo e variáveis do controle autonômico cardíaco responderam de modo diferenciado, segundo protocolo realizado. Foram observadas diferenças significativas entre os protocolos de treinamento a TET75, TET100 e TET150, segundo dados apresentados na tabela 1, quando relacionados com PSE, FC, FCmáx, FCmédia e a Variabilidade da FC. As figuras 1,2 e 3 explicitam que a variação do esforço se apresenta diferenciada em cada um dos protocolos mencionados. Durante o exercício físico, os intervalos R-R numa série temporal tendem a diminuir devido ao aumento da frequência cardíaca, sendo que o exercício físico tende a modificar as variáveis e intervêm na melhora da regulação autonômica com consequente aumento da variação da frequência cardíaca e a frequência cardíaca máxima (Cambri, Fronchetti et al., 2008). Tendo em vista as relações de dinâmica da FC bem evidenciadas nas figuras 2, 3 e 4, percebe-se as mudanças ocorridas em um treinamento intervalado de alta intensidade. Evidencia-se assim como o atleta se mantém treinando durante mais tempo em sua inten- sidade máxima mantendo as variáveis fisiológicas semelhantes entre estas três intensidades de treinamento.Notam-se diferenças significativas evidenciadas em um só protocolo, no protocolo considerado contínuo nas variáveis SDNN, VLF e SD2, de variabilidade da freqüência cardíaca e no protocolo intermitente de alta intensidade realizado a 150% do TET, na variável LF/HF. Neste estudo, através dos protocolos TET75, TET100 e TET150, registrou-se FCmax em 193±10,9 bpm, 194,4±12,4 bpm e 196,4±10,0 bpm, estes valores corroboram com os encontrados em um estudo com atletas de TKD franceses, experientes, que em treinamento de TKD obtiveram entre 64,7-81,4 % FCmáx (Bridge, Jones, Hitchen, Sanchez, 2007). Resultados semelhantes foram encon- trados em outro estudo de BridgeMcNaughton, Close, Drust (2012) com 10 atletas de TKD britânicos avaliados em luta e treinamento obtendo registros de FCmax 190 ± 9 (luta) e 176 ± 5 (treino). Para a VFC, o treino a 75% foi o único que diminuiu de modo estatistica- mente significante as variáveis SDNN, VLF (Hz) e SDNN. Por outro lado, o treino a 150% foi o único que elevou de modo significante a razão LF/HF e, por fim, o TET a 100% não gerou modificações no HF.Ocorreu diferença significativa na variável LAC que no treinamento em intensidade de 150% do desempenho do TET chegou a 12,2±3,2mmol, diferenciando-se do TET75 e TET100, nos quais as concentrações atingiram 8,4±7,1 e 8,6±2,0 mmol, respectivamente. Em um estudo realizado com atletas de taekwondo lituanos após uma luta de TKD de 3 hounds EXERCÍCIO INTERMITENTE: ESTADO DA ARTE E APLICAÇÕES PRÁTICAS156 e 3 minutos com intervalos de 1 minuto, tempo oficial pela WTF as concentrações máximas de LA foram de 10.2 ± 1.2 (Bouhlel, Jouini et al., 2006). Objetivando o treinamento atlético é visto que durante o protocolo TET150, o atleta consegue manter sua capacidade máxima utilizando-se do treinamento intervalado de alta intensidade, desta forma sendo considerado o protocolo que mais se aproxima dos níveis de esforços alcançados em combates de TKD. ConClusão Elaborar diferentes estímulos de protocolos de treinamento intervalado a partir dos valores de desempenho encontrados através do TET pode ser uma boa estratégia de preparação física para atletas de taekwondo, obtendo a vantagem de usar os gestos mais próximos da realidade de uma luta. O protocolo de treinamento a 150% do desempenho TET parece ser o que mais se aproximou da realidade de um combate de taekwondo no que se refere às relações de esforço pausa encontradas na literatura. Apesar disso parece ser interessante realizar os três protocolos de forma evolutiva em dife- rentes fases do treinamento. Porém são necessários mais estudos para garantir esta afirmação. reFerÊnCias 1. BOUHLEL, E.; JOUINI, A.; GMADA, N.; NEFZI, A.; BEN ABDALLAH, K.; TABKA, Z. Heart Rate and blood lactate responses during Taekwondo training and competition. Science & Sports, v. 21, p. 285-290, 2006. 2. BRIDGE, C.A.; MCNAUGHTON, L.R.; CLOSE, G.L.; DRUST, B. Taekwondo exercise protocols do not recreate the physiological responses of championship combat. Int J Sports Med, 2013. 3. CAMBRI, L.T.; FRONCHETTI, F.; DE-OLIVEIRA, F.R.; GEVAERD, M. Variabilidade da frequencia cardíaca e controle metabólico. Arq Sanny Pesq Saúde, v. 1, n. 1, p. 72-82, 2008. 4. 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Intermitente-2014.10.30-CAPA.kidle Livro-Intermitente-DIAGRAMADO.2014.10.07-Fabrício Treinamento intervalado de alta intensidade Percepção subjetiva de esforço aplicada ao treinamento intermitente Exercício intermitente na terceira idade Exercício intermitente e emagrecimento Revisão sistemática dos efeitos do futebol recreacional Exercício intermitente na síndrome metabólica Tipo de recuperação ativa Treinamento intermitente no taekwondo Intermitente-2014.10.30-Contracapa