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1 
 
 
 
 
Sumário 
1. INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ANATOMIA ............................................... 6 
2. SISTEMA ESQUELÉTICO ............................................................................... 10 
3. JUNTURAS ........................................................................................................ 39 
4. INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO SISTEMA MUSCULAR .......................... 50 
5. INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO SISTEMA NERVOSO ............................. 54 
6. INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO SISTEMA VASCULAR ........................... 57 
7. ROTEIRO PARA DISSECAÇÃO E ESTUDO DO MEMBRO TORÁCICO .. 61 
8. MUSCULOS DO MEMBRO TORÁCICO ....................................................... 71 
9. NERVOS DO MEMBRO TORÁCICO ............................................................. 85 
10. ARTÉRIAS DO MEMBRO TORÁCICO .......................................................... 89 
11. VEIAS DO MEMBRO TORÁCICO ................................................................. 94 
12. LINFÁTICOS DO MEMBRO TORÁCICO ...................................................... 96 
13. ROTEIRO PARA DISSECAÇÃO E ESTUDO DA PAREDE DO TÓRAX .... 96 
14. MÚSCULOS DA PAREDE DO TÓRAX ......................................................... 98 
15. NERVOS DA PAREDE DO TÓRAX ............................................................. 102 
16. ARTÉRIAS DA PAREDE DO TÓRAX .......................................................... 103 
17. VEIAS DA PAREDE DO TÓRAX ................................................................. 103 
18. LINFÁTICOS DA PAREDE DO TÓRAX ...................................................... 103 
19. ROTEIRO PARA DISSECAÇÃO E ESTUDO DA PAREDE DO ABDOME
 104 
20. MUSCULOS DA PAREDE DO ABDOME .................................................... 106 
21. NERVOS DA PAREDE DO ABDOME .......................................................... 109 
22. ARTÉRIAS DA PAREDE DO ABDOME ...................................................... 110 
2 
 
23. VEIAS DA PAREDE DO ABDOME .............................................................. 110 
24. LINFATICOS DA PAREDE DO ABDOME .................................................. 111 
25. ROTEIRO PARA A DISSECÇÃO E ESTUD0O DO MEMBRO PELVICO 111 
26. MUSCULOS DO MEMBRO PELVICO ......................................................... 119 
27. NERVOS DA PELVE E DO MEMBRO PELVICO ....................................... 128 
28. ARTÉRIAS DO MEMBRO PELVICO ........................................................... 132 
29. VEIAS DO MEMBRO PELVICO ................................................................... 136 
30. LINFATICOS DA PELVE E DO MEMBRO PELVICO ................................ 140 
31. ROTEIRO PARA DISSECAÇÃO E ESTUDO DO SISTEMA NERVOSO 
CENTRAL (SNC) .................................................................................................................. 144 
32. ROTEIRO PARA DISSECAÇÃO E ESTUDO DA CABEÇA ....................... 163 
33. MUSCULOS DA CABEÇA ............................................................................ 171 
34. NERVOS E GANGLIOS DA CABEÇA ......................................................... 176 
35. ARTERIAS DA CABEÇA ............................................................................... 188 
36. VEIAS DA CABEÇA ...................................................................................... 195 
37. LINFÁTICOS DA CABEÇA ........................................................................... 198 
38. BULBO DO OLHO, PÁLPEBRAS, TÚNICA CONJUNTIVA E APARELHO 
LACRIMAL 199 
39. OUVIDO (ORGÃO VESTIBULOCOCLEAR) ............................................... 203 
40. CAVIDADE DA BOCA .................................................................................. 212 
41. GLANDULAS SALIVARES ........................................................................... 222 
42. CAVIDADE NASAL E SEIOS PARANASAIS ............................................. 224 
43. FARINGE ......................................................................................................... 228 
44. LARINGE ......................................................................................................... 229 
45. ROTEIRO PARA A DISSECAÇÃO E ESTUDO DO PESCOÇO ................. 233 
46. MUSCULOS DO PESCOÇO ........................................................................... 234 
47. NERVOS DO PESCOÇO ................................................................................ 239 
48. ARTÉRIAS DO PESCOÇO ............................................................................. 240 
3 
 
49. VEIAS DO PESCOÇO ..................................................................................... 242 
50. LINFÁTICOS DO PESCOÇO ......................................................................... 243 
51. ESOFAGO E TRAQUEIA ............................................................................... 244 
52. GLÂNDULA TIREÓIDEA, GLÂNDULAS PARATIREÓIDEAS E TIMO . 245 
53. ROTEIRO PARA DISSECAÇÃO E ESTUDO DA CAVIDADE TORÁCICA
 247 
54. PULMOES E BRONQUIOS ............................................................................ 248 
55. PERICÁRDIO E CORAÇÃO .......................................................................... 250 
56. PLEURA E MEDIASTINO ............................................................................. 254 
57. NERVOS E GANGLIOS DA CAVIDADE TORÁCICA ............................... 256 
58. ARTÉRIAS DA CAVIDADE TORÁCICA .................................................... 260 
59. VEIAS DA CAVIDADE TORÁCICA ............................................................ 263 
60. LINFÁTICOS DA CAVIDADE TORÁCICA ................................................. 265 
61. ROTEIRO PARA A DISSSECAÇÃO E ESTUDO DA CAVIDADE 
ABDOMINAL ........................................................................................................................ 268 
62. ESTÔMAGO .................................................................................................... 271 
63. INTESTINOS ................................................................................................... 274 
64. FÍGADOS, VIAS BILIARES, PÂNCREAS E BAÇO .................................... 277 
65. RINS, URETERES E GLÂNDULA SUPRARRENAL .................................. 280 
66. PERITÔNIO ..................................................................................................... 283 
67. NERVOS E GÂNGLIOS DA CAVIDADE ABDOMINAL ........................... 286 
68. ARTERIAS DA CAVIDADE ABDOMINAL ................................................ 288 
69. VEIAS DA CAVIDADE ABDOMINAL ........................................................ 291 
70. LINFÁTICOS DA CAVIDADE ABDOMINAL ............................................. 293 
71. ROTEIRO PARA DISSECAÇÃO E ESTUDO DA CAVIDADE PÉLVICA, 
DOS ORGÃO GENITAIS EXTERNOS E DO ÚBERE ....................................................... 298 
72. ÓRGÃOS GENITAIS FEMININOS ............................................................... 299 
73. ÚBERE ............................................................................................................. 304 
4 
 
74. ÓRGÃOS GENITAIS MASCULINOS ........................................................... 306 
75. BEXIGA E PARTE PÉLVICA DOS URETERES .......................................... 315 
76. PARTE PELVICA DO PERITONIO ............................................................... 316 
77. NERVOS E GANGLIOS DA CAVIDADE PELVICA ................................... 317 
78. ARTÉRIAS DA CAVIDADE PÉLVICA ........................................................ 319 
79. VEIAS DA CAVIDADE PÉLVICA ................................................................ 321 
80. LINFÁTICOS DA CAVIDADE PÉLVICA .................................................... 322 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5 
 
 
Apresentação 
A disciplinade Anatomia dos Animais Domésticos abrange um amplo corpo de 
conhecimentos, multiplicado em face das várias espécies com as quais está envolvida. Esta 
complexidade reflete-se no fato de ela ser a disciplina de maior carga horária de todo o curso 
de Medicina Veterinária. Mesmo assim, esta carga horária tem sido progressivamente reduzida, 
já que o desenvolvimento da ciência veterinária nos últimos anos tem motivado a expansão da 
parte profissional do currículo em detrimento de sua parte básica, na qual se insere o estudo da 
anatomia. 
Na tentativa de adequar o ensino anatômico à carga horaria que lhe vem sendo atribuída 
e sem prejuízo da formação básica dos estudantes de Veterinária, iniciamos em 1970 a 
elaboração do presente texto, destinado a atender à rotina diária do aluno, obviamente sem a 
pretensão de substituir tratados clássicos existentes. 
A semelhança que existe em vários sistemas da economia animal nas diferentes espécies 
domesticas permite que uma dessa possa ser utilizada como padrão para estudo, evitando assim 
repetições desnecessárias. Tem-se usado como padrão a espécie ovina, graças ao seu porte 
adequado para estudo em grupo, a seu custo relativamente baixo e a sua intima afinidade 
anatômica com outros ruminantes de importância econômica, especialmente bovinos. 
A exceção do estudo dos ossos e das articulações, a matéria está exposta sob o ponto de 
vista topográfico. Para cada região, é apresentado o roteiro de dissecação, seguido da descrição 
teórica das estruturas dissecadas. Cerca de duzentas horas de aulas práticas, em módulos de três 
horas, têm sido suficientes para desenvolver o programa de dissecação proposto. Aspectos 
comparativos de órgãos e regiões em outras espécies, não constantes deste texto, são abordados 
em aulas teóricas e práticas suplementares. 
A nomenclatura oficial indicada pela Nomina Anatômica Veterinária. 
 
6 
 
1. INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA ANATOMIA 
1.1 Considerações Gerais 
A Anatomia Veterinária constitui o ramo da morfologia que estuda a conformação e a 
estrutura dos animais, especialmente daqueles que, pelo seu valor econômico, cientifico ou 
afetivo, são criados pelo homem. Ela tem caráter comparativo e, para facilitar o seu estudo, 
adota-se comumente uma espécie padrão, a partir da qual são feitas comparações com as demais 
espécies. Na UFMG, o animal adotado como padrão é o ruminante, devido, entre outros fatores, 
à sua importância econômica. 
O estudo da Anatomia pode ser feito utilizando-se duas abordagens clássicas: Anatomia 
Sistêmica e Anatomia Topográfica. Na Anatomia Sistêmica, o organismo animal é estudado 
através de seus sistemas ou aparelhos, isto é, conjuntos de órgãos de origens e estrutura 
semelhantes e associados para exercerem determinadas funções. Ela compreende, assim, vários 
ramos, como a Osteologia (estudo do esqueleto), a Miologia (estudo dos músculos), a 
Angiologia (estudo dos vasos), etc. Já na Anatomia Topográfica, focaliza-se uma determinada 
parte ou região do corpo, estudando-se em conjunto todos os órgãos ou estruturas dos diferentes 
sistemas que aí se encontram e se inter-relacionam. O conhecimento desta parte da Anatomia e 
de outro importante ramo dela derivado, a Anatomia Aplicada, constitui, assim, fator 
indispensável no exercício das técnicas de semiologia, clínica e cirurgia veterinária. 
 
1.1. Nomenclatura Anatômica Veterinária 
A Anatomia Veterinária, como as demais áreas da Morfologia, tem sua linguagem 
própria. Esta linguagem, compreende o conjunto de termos empregados para designar as 
inúmeras partes do organismo animal, constitui a Nomenclatura Anatômica Veterinária (NAV). 
Esta nomenclatura foi elaborada por uma comissão internacional de anatomistas veterinários, 
tendo como objetivo primordial padronizar os termos anatômicos veterinários. Ela se propõe, 
assim, a solucionar o problema criado pelo uso conflitante de nomenclaturas diversas, restritas 
a determinados países e até mesmo determinados autores. Sua primeira edição, depois de 
progressivos esforções, foi publicada em 1968, em Viena, sob o patrocínio da Associação 
Mundial dos Anatomistas Veterinários. Edições posteriores, com acréscimos e correções, foram 
publicadas em 1973. Seus princípios básicos são os seguintes: 
 - Cada estrutura anatômica, é designada por um único termo. 
 - Os termos, na lista oficial, são escritos em Latim mas os anatomistas de cada 
país tem liberdade de traduzi-los para sua respectiva língua. 
7 
 
 - Cada termo deve ser o mais curto e simples possível. 
 - Os termos devem ser fáceis de se lembrar e devem também anates de tudo, 
possuir valores instrutivos e descritivo. Ex.: Musculo flexor superficial dos dedos. 
 - As estruturas intimamente relacionadas do ponto de vista topográficos devem 
possuir nomes semelhantes. Ex.: Artéria femoral, veia femoral e nervo femoral. 
 - Os termos derivados de nomes próprios (epônimos), devem ser abolidos. Ex.: 
tendão calcanear comum, em vez de tendão de Aquiles. 
 
1.2. Divisão do corpo 
O corpo dos animais é dividido em cinco partes: cabeça, pescoço, tronco, membros e 
cauda. O tronco, por sua vez, é constituído de três segmentos contínuos – tórax, abdome e pelve 
– e os membros dividem-se em torácicos (anteriores) e pelvinos (posteriores) cada membro 
distinguem-se uma raiz, que se prende ao tronco uma parte livre. No membro torácico, a raiz é 
constituída em cintura escapular e a parte livre divide-se em braços, cotovelo, antebraço e mão. 
No membro pelvino a raiz é representada pelo cíngulo pélvico e a parte livre compreende coxa, 
joelho, perna e pé. 
1.3. Posição Anatômica 
Para se evitar o uso de termos diferentes ao se descrever o corpo animal, considerando-
se que a posição pode ser variável, achou-se conveniente adotar uma posição padrão, para que 
os pontos de referencia se mantenham constantes. Esta é a posição fundamental de descrição 
anatômica, que nos animais quadrupedes ficou estabelecida da seguinte maneira o animal esta 
de pé, com os quatro membros estendidos e firmemente apoiados no solo; o pescoço está 
encurvado para cima, formando um ângulo de cerca de 145º com o dorso; a cabeça mantem-se 
mais ou menos ereta num plano horizontal, de modo que as narinas estejam voltadas para a 
frente e os olhos para o horizonte. 
1.4. Planos e Eixos do corpo 
Na posição de descrição anatômica, o corpo do animal, excluídos os membros, pode ser 
delimitado por seis tangentes à sua superfície, os quais formam, com suas intersecções, um 
paralelepípedo imaginário. Estes planos são os seguintes: 
Dois planos horizontais, um tangente ao dorso – plano dorsal – e outro ao ventre do 
animal – plano ventral. Todos os planos paralelos a estes dois e que cortam o corpo do animal 
são chamados planos frontais, estes planos são poucos utilizados na Anatomia Veterinária. 
Dois planos verticais, cada um tangente a um lado do animal. São os planos laterais 
direito e esquerdo. Todos os planos que cortam o corpo do animal paralelamente aos planos 
8 
 
laterais são chamados planos sagitais. Um deles, o plano sagital mediano, ou simplesmente 
plano mediano, passa pelo meio do animal, dividindo-o em metades ou antímeros direito e 
esquerdo. 
Dois planos verticais, um tangente à cabeça – plano cranial – e outro à – plano caudal. 
Todos os planos que seccionam o corpo do animal paralelamente aos planos cranial e caudal 
são chamados planos transversais. 
Pode-se considerar ainda o corpo do animal como sendo atravessando por linhas 
imaginárias ou eixos. Assim, temos um eixo sagital, disposto verticalmente e unindo o centro 
do plano dorsal ao centro do plano ventral; um eixo longitudinal, que se estende 
horizontalmente do centro do plano cranial ao centro do plano caudal e um eixo transversal ou 
latero-lateral, disposto também horizontalmente mas unindo entre si os centros dos planos 
laterais direito e esquerdo. 
 
1.5. Termos indicativos de posiçãoe direção 
Para facilitar a descrição das diferentes estruturas anatômicas foram convencionados 
certos termos que indicam a posição e direção destas estruturas. Os principais termos são os 
seguintes: 
 
1.6. Lateral, medial, intermédio e mediano 
Os termos lateral e medial são utilizados para designar as faces de um órgão que estejam 
voltadas, respectivamente, para os planos lateral e sagital mediano. Mas a situação e posição 
dos órgãos são também indicados em função destes planos. Assim, temos que um órgão 
próximo ao plano mediano é medial ou situa-se medialmente em relação a outro que lhe fica 
lateralmente, isto é mais próximo do plano lateral direito ou esquerdo. O termo intermédio serve 
para designar uma posição intermediaria entre um órgão que lhe é lateral e outro que lhe é 
medial. Já o termo mediano é empregado para órgãos que ficam ao nível do plano sagital 
mediano, como por exemplo às vertebras. 
 
1.7. Cranial e caudal 
Uma face, ou estrutura, ou órgão, é cranial quando está voltado para ou mais próximo 
do plano cranial, em relação a outro que lhe é caudal, isto é, que está voltado para ou mais 
próximo do plano caudal. Na mão e no pé, o termo cranial é substituído por dorsal; já o termo 
caudal é substituído por palmar na mão, e plantar no pé. 
 
9 
 
1.8. Dorsal, ventral e médio 
Os termos dorsal e ventral são utilizados para designar faces ou órgãos que estejam 
voltados para ou mais próximos, respectivamente, dos planos dorsal e ventral. A posição 
intermediária entre dorsal e ventral é designada como média. 
 
1.9. Externo e interno 
Os adjetivos externo e interno, utilizados geralmente para órgãos cavitários, indicam as 
suas faces que estejam voltados, respectivamente, para o exterior ou para o interior das 
cavidades. 
 
1.10. Superficial e profundo 
Os termos superficial e profundo indicam posições, em órgãos ou regiões, que estejam 
mais próximos e mais afastados, respectivamente, da superfície considerada. 
 
1.11. Proximal e distal 
Para os membros e outros órgãos apendiculares (orelhas, cauda, etc), utilizam-se os 
termos proximal e distal, conforme a parte considerada se encontre mais próximo ou mais 
distante de sua raiz. São também utilizados para os segmentos e ramificações de vasos e nervos 
em relação ao coração e ao sistema nervoso central, respectivamente. É claro que, como nos 
demais casos, estes termos indicam uma posição relativa. Assim, por exemplo, o rádio é distal 
em relação ao úmero, mas ao mesmo tempo é proximal em relação ao carpo. 
 
1.12. Axial e abaxial 
Estes termos são utilizados para aquelas espécies em que o eixo funcional do membro 
passa entre os dedos III e IV, como acontece nos ruminantes. Nestes casos, a face do dedo que 
está voltado para o eixo é chamada axial e a face oposta, isto é, afastada do eixo, denomina-se 
abaxial. 
 
1.13. Rostral, superior e inferior 
O termo rostral é utilizado para designar a posição e direção das estruturas localizadas 
na cabeça, em substituição ao termo cranial, que neste caso, torna-se inconveniente. Os termos 
superior e inferior, largamente empregados na Anatomia Humana, foram mantidos em alguns 
casos na Anatomia Veterinária. Como exemplo, temos a designação das pálpebras e dos lábios, 
que, mesmo nos animais devem ser designados como superior e inferior. 
10 
 
2. SISTEMA ESQUELÉTICO 
2.1. Introdução aos estudos dos ossos 
 
2.2. Conceito 
O sistema esquelético, ou simplesmente esqueleto, compreende o conjunto de ossos e 
cartilagens que se unem para formar o arcabouço de sustentação do corpo animal. Em zoologia, 
este termo é empregado em sentido mais amplo, incluído também estruturas rígidas que 
revestem externamente o corpo de animais invertebrados ou mesmo de alguns vertebrados. Os 
ossos são órgãos constituídos por vários tipos de tecido, com destaque para o tecido conjuntivo 
especial denominado ósseo. As cartilagens associadas aos ossos são predominantemente dos 
tipos fibrosos e hialino. Alguns órgãos do sistema esquelético são constituídos exclusivamente 
de cartilagens são estudados na área de histologia. O termo osteologia, comumente usados, 
deriva da palavra grega osteon, que significa osso e logo, que se refere a uma determinada parte 
do conhecimento. Os termos latinos para osso sãoOs, ossis, dos quais o adjetivo ósseo é 
derivado. 
 
2.3. Divisão do esqueleto 
O esqueleto pode ser dividido em esqueleto axial, esqueleto apendicular e esqueleto 
visceral ou esplâncnicos. 
O esqueleto axial compreende os ossos que formam o eixo longitudinal do corpo, ou 
seja, ossos da cabeça, do pescoço, do tronco e da cauda. 
O esqueleto apendicular inclui os ossos dos membros torácicos e pelvinos. 
O esqueleto visceral ou esplâncnicos é constituído por alguns ossos que se desenvolvem 
no interior de determinadas vísceras, como por exemplo, o osso do coração do boie o osso do 
pênis do cão. 
A união entre os esqueletos axial e apendicular é feita por meio de cinturas. O cíngulo 
escapular une o membro torácico ao tórax e a cíngulo pélvico une o membro pelvino a pelve. 
 
2.4. Número de ossos 
O número de osso de um animal varia de acordo com a idade. O feto e os animais jovens 
têm número maior de ossos que os animais adultos, pois, nestes últimos, alguns ossos tendem 
a se fundir. Nos adultos, o numero de ossos também pode variar. Assim, em algumas espécies, 
tal como o carneiro, o numero de vertebras lombares pode ser 6 ou 7. O numero de vertebras 
11 
 
coccígeas é também bastante variável. Variações acentuadas no numero de ossos são 
verificadas entre diferentes espécies domésticas 
 
2.5. Tipos de ossos 
Comumente, os ossos são classificados, quanto à sua forma, em longos, curtos, planos 
e irregulares. 
• Ossos longos - São aqueles em que o comprimento é maior que a largura e a 
espessura. Estes ossos têm em geral, forma cilíndrica e ocorrem nos membros. 
Os ossos longos dos membros torácicos são o úmero, o rádio, a ulna, o 
metacárpico III + IV e as falanges proximal e media. No membro pélvico, os 
ossos fêmur, tíbia, metatársico III + IV e as falanges proximal e media são 
classificadas como ossos longos. Cada osso longo possui uma parte media, o 
corpo ou diáfise, e duas extremidades que são chamadas de epífises. Nos animais 
adultos, a diáfise dos ossos longos é continua com as epífises. Porém nos jovens, 
ela está separada das epífises por uma camada de cartilagem hialina, em forma 
de disco, denominada cartilagem epifisal. As epífises de um osso jovem crescem 
longitudinalmente nesta cartilagem. A região da diáfise adjacente a cartilagem 
epifisal é mais larga, constituída pela zona de crescimento e por ossos recém-
formados, e denomina-se metáfise. 
A parede da diáfise é constituída por substância óssea compacta, que delimita 
uma cavidade alongada, a cavidade contem medula óssea vermelha (de função 
hemocitopoiética), medula óssea amarela (rica em tecido adiposo) ou ambas. As 
metáfises e epífises são constituídas por uma rede de trabécula ósseas 
interligadas e orientadas segundo as linhas de força que passam pelo osso. Esta 
malha óssea é denominada substancia esponjosa. Seus espaços estão também 
ocupados por medula óssea. As superfícies externas das epífises e metáfises são 
revestidas por uma delgada camada de tecido ósseo compacto denominada 
substancia cortical. Nas superfícies articulares, os ossos longos são revestidos 
por cartilagem hialina. 
 
• Ossos curtos – são aqueles em que as principais dimensões têm valores 
aproximadamente iguais. Como exemplo de ossos curtos, citam-se os ossos do 
carpo e do tarso. Não tem cavidade medular e seu centro é formado por 
12 
 
substancia esponjosa. Suas superfícies articulares são também revestidas por 
cartilagem hialina. 
Os ossos sesamóides, encontrados próximos a inserção de determinados 
músculos, são ossos curtos que servem para modificar a direção dos tendões de 
alguns destesmúsculos. 
 
• Ossos planos – Os ossos planos tem duas dimensões principais, largura e 
comprimento. Eles são constituídos de duas camadas de substancia compactas 
separadas por uma camada de substancia esponjosa contendo medula óssea. A 
substancia esponjosa de ossos planos do crânio recebem a denominação especial 
de díploe. A escapula, o esterno e muitos ossos do crânio são do tipo plano. 
Alguns destes ossos são tão finos que apresentam apenas uma camada de 
substancia compacta. As superfícies articulares são revestidas por cartilagem 
hialina e, em certos ossos do crânio, por tecido conjuntivo fibroso 
 
• Ossos irregulares – como o nome indica, são ossos de forma tal que não se 
enquadram nos tipos anteriores. O osso do quadril, as vertebras e alguns ossos 
do crânio são deste tipo. Sua estrutura é variável. Podem ser constituídos por 
substancia esponjosa envolvida por substancia compacta ou ainda, dependendo 
da parte do osso considerado, por substancia compacta apenas. 
 
2.6. Ossos pneumáticos 
Alguns ossos do crânio possuem cavidades contendo ar. Por esta razão, não são 
classificados como pneumáticos e suas cavidades são denominadas seios. 
 
2.7. Contornos e acidentes ósseos 
A superfície dos ossos apresenta-se variável, com áreas planas e saliências e depressões. 
Estes acidentes são melhore vistos em ossos preparados, do0s quais foram removidas as 
estruturas moles que os envolvem. Os acidentes dos ossos servem, na maioria das vezes como 
superfícies de articulações com ossos vizinhos, como ponto de inserção de tendões e ligamentos 
ou ainda são impressões deixadas pelo contato com outros órgãos 
As saliências articulares proeminentes são denominadas côndilos, cabeça, capitulo, 
tróclea, dente, etc. Saliências que se prestam à inserção de tendões ou ligamentos recebem 
diferentes denominações, tais como túber, tubérculo, tuberosidade, alvéolo, trocânter, processo 
13 
 
e epicôndilo. As saliências lineares são denominadas linha, crista, espinha e promontório. Áreas 
lisas e planas na superfície óssea, articulares ou não, são conhecidas como asa, tábula, ramo ou 
lâmina. Depressões, articulares ou não são denominadas cavidades, fossas, fossetas ou fóveas. 
Fissura, incisura, sulco, colo e arco são termos que indicam os vários tipos de reentrâncias, 
geralmente não articulares, encontradas em ossos. 
 
2.8. Periósteo e Endósteo 
O periósteo é uma membrana conjuntiva que reveste externamente ossos, exceto nas 
superfícies articulares. Ele é constituído por uma camada externa fibrosa e uma camada interna 
mais celularizada com capacidade osteogênica. Durante o crescimento do animal, a camada 
interna é bastante desenvolvida. O endosteo é uma membrana interna e bastante desenvolvida. 
O endosteo é uma membrana conjuntiva que reveste a superfície interna de substancia 
compacta, na cavidade medular dos ossos longos. O periósteo das extremidades das epífises 
continua-se com a capsula articular. Ele se presta também a inserção de tendões. O periósteo 
recebe abundante inervação sensitiva, sendo os impulsos ai originados principalmente 
dolorosos. 
 
2.9. Vascularização e inervação 
Ossos são órgãos muito vascularizados. Eles recebem sua nutrição por meio de vasos 
periostais, vasos das articulações e vasos provenientes da medula óssea. Os vasos do periósteo 
originam-se de artérias que correm próximas a ele. Eles distribuem-se tanto no periósteo quanto 
na substância compacta. As epífises recebem nutrição principalmente de vasos que suprem as 
articulações. A cavidade medular, especialmente a dos ossos longos, recebe nutrição por meio 
da artéria nutrícia. Este vaso penetra no forame nutrício do osso, localizado na diáfise, atravessa 
a substancia compacta e distribui-se na medula óssea e na própria substancia compacta da 
diáfise. Os nervos alcançam os ossos acompanhando os vasos sanguíneos. Eles são sensitivos 
e vasomotores. Os impulsos sensitivos são principalmente dolorosos. 
 
2.10. Ossos do Membro Torácico 
2.11. Introdução 
Os ossos do membro torácico dos ruminantes domésticos estão localizados nos 
seguintes segmentos: Cíngulo escapular, braço, antebraço e mão. O cíngulo escapular está 
reduzido a um só osso, a escápula. Não há clavícula, presente em outros mamíferos como o 
homem. A união entre o tronco e membro torácico é feita por intermédio de vários músculos. 
14 
 
O braço tem por base óssea o úmero. No antebraço estão localizados o rádio e a ulna. A mão 
engloba os ossos do carpo, do metacarpo e dos dedos. Estes últimos são formados pelas falanges 
e pelos ossos sesamóides. 
 
2.12. Escápula 
A escápula é um osso plano, triangular, que está preso obliquamente à porção cranial da 
parede torácica por meio de diversos músculos. Distalmente ela articula-se com o úmero. 
A face lateral da escápula está dividida por uma saliência vertical alongada, a espinha 
da escápula, em fossas supraespinhal e infraespinhal. A fossa supraespinhal situa-se 
cranialmente à espinha da escápula. É pequena, estreita e estende-se distalmente até a metade 
do osso. É ocupada pelo músculo supraespinhal. A fossa infraespinhal é a mais longa e larga 
das duas: situa-se caudalmente à espinha da escápula e aloja o músculo infraespinhal. A espinha 
da escápula é bastante saliente nos ruminantes. Sua metade proximal é encurvada para trás. A 
borda livre da espinha apresenta, em seu terço médio, uma eminência rugosa denominada túber 
da espinha; sua extremidade distal, o acrômio, é saliente e pontiagudo (o acrômio é ausente nos 
equinos). 
A face medial da escapula é ligeiramente côncava e está aplicada ao tórax. Nela se 
encontra uma depressão, a fossa subescapular, mais acentuada no terço distal do osso. No terço 
proximal, encontra-se uma área rugosa, na qual se prende o músculo serrátil ventral. A fossa 
subescapular é ocupada pelo músculo subescapular. 
A extremidade distal da escápula constitui o ângulo ventral, o qual uma superfície 
articular côncava, de contorno arredondado, a cavidade glenóide, para articulação com a cabeça 
do úmero. O tubérculo supraglenoidal, de onde se origina o músculo bíceps, é uma saliência 
rugosa situada cranialmente, um pouco acima da cavidade glenóide. Da porção medial do 
tubérculo destaca-se uma pequena saliência, o processo coracóide, na qual se origina o músculo 
coracobraquial. 
O forame nutrício da escápula situa-se mais comumente no terço distal da face lateral, 
próximo à borda caudal. A cartilagem da escápula apresenta forma de meia-lua e está unida a 
borda dorsal da escápula. Ela representa a porção cartilaginosa da escápula fetal que não se 
ossificou. 
 
2.13. Úmero 
É o osso do braço. Articula-se proximalmente com a escápula e distalmente com o rádio 
e a ulna. Ele é constituído de corpo e duas extremidades, proximal e distal. 
15 
 
A extremidade proximal é constituída por cabeça, colo, tubérculo maior, tubérculo 
menor e sulco intertuberal. A cabeça tem a forma aproximada de uma calota achatada, voltada 
para cima e para trás e se articula com a cavidade glenóide da escápula. Nos bovinos, a cabeça 
está separada dos tubérculos e do sulco intertuberal por uma área rugosa, na qual se situam 
pequenos forames. No cabrito e no carneiro, a transição entre estas estruturas é feita 
suavemente, sem a presença de forames. O colo é bem definido somente na face caudal. O 
tubérculo maior é uma grande massa óssea, situada na borda lateral da extremidade proximal 
do úmero e constitui a parede lateral do sulco intertuberal. O úmero dos bovinos apresenta, logo 
abaixo do tubérculo maior, uma área rugosa circular, na qual se insere o tendão do músculo 
infraespinhal, denominada face do musculo infraespinhal. Esta área nos pequenos ruminantes 
não está bem delimitada. O tubérculo menor forma a parede medial do sulco intertuberal. O 
sulco intertuberal aloja o tendão do músculo bíceps. 
O corpo do úmero apresenta faces cranial, caudal laterale media. A face lateral é lisa e 
está ocupada quase totalmente por uma depressão larga e lisa e está ocupada quase totalmente 
por uma depressão larga e lisa, denominada sulco do músculo braquial, no qual se aloja o 
musculo braquial. A face medial apresenta próximo ao terço médio, uma área rugosa irregular, 
a tuberosidade redonda maior, onde se insere o musculo redondo maior. A face caudal do úmero 
é lisa e ocupada, em parte, pelo sulco do músculo braquial. A crista do úmero corre distalmente 
no corpo do osso sentido lateromedial e termina em uma depressão rasa, a fossa radial. Em sua 
porção inicial, a crista do úmero apresenta a tuberosidade deltoidea, onde se insere o músculo 
deltoide. A face cranial é curta, sem acidentes importantes. 
A extremidade distal é representada pelo côndilo, o qual é formado por capitulo, tróclea, 
fossa radial e fossa do olécrano. O capitulo e a tróclea constituem as superfícies articulares da 
extremidade distal do úmero. O capitulo é a superfície articular mais estreita e lateral; o restante 
constitui a tróclea, com seu aspecto típico de polia. Na face cranial da extremidade distal e 
acima da tróclea existe uma depressão rasa e rugosa, a fossa radial. Na face caudal encontra-se 
a fossa do olécrano, bem mais profunda que a radial, aloja parte do olécrano, que é a 
extremidade proximal da ulna. Os epicôndilos, lateral e medial, são duas proeminências 
irregulares, não articulares, situada a cada lado do côndilo. O epicôndilo lateral é saliente e dá 
origem aos músculos extensores do carpo e dos dedos. O epicôndilo medial é menor que o 
lateral e da origem aos músculos flexores do carpo e dos dedos. O forame nutrício do úmero 
está situado em seu terço médio 
. 
 
16 
 
2.14. Rádio e Ulna 
O rádio é o mais volumoso e o mais cranial dos dois ossos do antebraço. Articula-se 
proximalmente com o úmero, distalmente com o carpo e caudalmente com a ulna. O rádio é 
constituído de cabeça, colo, corpo e a tróclea. 
A cabeça apresenta duas cavidades articulares rasas, medial e lateral, que recebe, a 
tróclea e o capítulo do úmero, respectivamente. As duas cavidades estão separadas por uma 
área não articular, a fóvea da cabeça e do rádio. A tuberosidade do rádio é uma rugosidade 
pouco saliente, que se encontra na porção craniomedial do colo. Nos pequenos ruminantes, ela 
é relativamente mais evidente e localiza-se no corpo do rádio, um pouco abaixo do colo. A 
tuberosidade do radio dá a inserção ao tendão do músculo do bíceps. A face caudal da 
extremidade proximal do rádio apresenta facetas para articulação com a ulna. No animal adulto, 
esta face funde-se com a face adjacente da ulna. 
O corpo tem faces cranial e caudal, separadas pelas bordas lateral e medial. Estas bordas 
são lisas e não apresentam acidentes de importância. A face cranial é lisa e plana. A face caudal 
apresenta-se, no bovino, percorrida por sulcos. Parte desta face está aderida a ulna. Em duas 
áreas da face caudal não há contato entre rádio e a ulna. Aí se formam os espaços interósseos 
proximal e distal. 
O forame nutrício situa-se ao nível da borda lateral, no espaço interósseo proximal, e 
está voltado para a extremidade distal 
A extremidade distal do rádio é convexa. Sua porção está fundida à extremidade distal 
da ulna. A face articular cárpica ou tróclea do rádio apresenta três facetas dispostas 
obliquamente para articulação com os ossos cárpicos. A face cranial da extremidade distal 
apresenta dois sulcos rasos, delimitados por três discretas cristas verticais. O sulco lateral da 
passagem aos tendões. O medial aloja o tendão do músculo extensor radial do carpo. 
A ulna é um osso longo, com extremidade proximal mais desenvolvida que o restante. 
Ela apresenta duas extremidades e um corpo. 
A extremidade proximal inclui o olécrano, a incisura troclear e a incisura radial. O 
olécrano é a massa óssea que se projeta para cima e para trás; sua extremidade livre é 
tuberculada (túber do olécrano) e dá inserção ao músculo do tríceps. A face cranial da 
extremidade proximal apresenta uma projeção pontiaguda, o processo ancôneo e, abaixo deste, 
duas incisuras: incisura troclear (proximal) e incisura radial (distal). A incisura troclear tem 
perfil semilunar e articula-se com a troclear do úmero. A incisura radial, bem menor que a 
troclear, está em contato com a face caudal da extremidade proximal do rádio. 
17 
 
O corpo da ulna é alongado e está fundido ao rádio, exceto nos espaços interósseos. A 
extremidade distal é fundida ao rádio e termina com o processo estiloide, que se projeta 
distalmente, articulando-se com o osso ulnar do carpo. Nos pequenos ruminantes, o processo 
estiloide articula-se também com o osso acessório do carpo. 
 
2.15. Carpo 
O carpo é constituído de seis ossos curtos, dispostos em duas fileiras, proximal e distal. 
A fileira proximal articula-se com as extremidades distais do radio e da ulna. A fileira distal 
articula-se com a fileira proximal e com o osso metacárpico III + IV. 
Quatro ossos compõem a fileira proximal e recebem em sentido mediolateral, 
respectivamente, a denominação de radial do carpo, intermédio do carpo, ulnar do carpo e 
acessório do carpo. Dois ossos apenas formam a fileira distal e são, no mesmo sentido, cárpico 
II + III e o cárpico IV. O cárpico I é inexistente nos ruminantes. 
Os ossos do carpo articulam-se entre si e apresentam, consequência, varias facetas 
articulares. No bovino, o acessório do carpo possui apenas uma faceta para articulação com o 
ulnar do carpo. No carneiro e no cabrito, ele apresenta, além desta, outra faceta para a 
articulação com o processo estiloide da ulna. A superfície dorsal do carpo é plana e a superfície 
palmar é ligeiramente côncava e irregular. A concavidade constitui o sulco do carpo, que dá 
passagem aos tendões dos músculos flexores. 
 
2.16. Metacarpo 
Apenas um osso metacárpico completamente desenvolvido está presente nos ruminantes 
domésticos. Este é o metacárpico III + IV, constituído pelos ossos metacárpico III e metacárpico 
IV que se fundem durante a vida fetal. Vestígios desta fusão são os sulcos longitudinais dorsal 
e palmar, existente na superfície deste osso. Dois outros ossos metacárpicos, rudimentares, 
podem estar presentes. O metacárpico V é pequeno, rudimentar e estiloide. Nos bovinos é 
constante e apresenta-se articulado a face lateral da extremidade proximal do metacárpico III + 
IV. Nos pequenos ruminantes o metacárpico V pode apresentar-se como um pequeno e delgado 
osso, pode estar fundido ao metacárpico III + IV, formando uma crista ou pode estar ausente. 
O metacárpico II, presente nos bovinos, está fundido ao metacárpico III + IV, aparecendo em 
forma de crista. É inconstante nos pequenos ruminantes. 
O metacárpico III + IV é um osso longo e apresenta base, corpo e cabeça. A base é a 
extremidade proximal e articula-se com a fileira distal dos ossos do carpo, por meio de duas 
facetas articulares ligeiramente côncavas. Observa-se nos bovinos e, às vezes, nos pequenos 
18 
 
ruminantes, uma faceta para a articulação para o metacárpico V na face palmar do ângulo lateral 
da base. A porção dorsomedial da base apresenta a tuberosidade metacárpica, na qual se prende 
o tendão de inserção do musculo extensor radial do carpo. 
O corpo apresenta contorno elíptico. A face dorsal é convexa transversalmente e 
apresenta o sulco longitudinal dorsal, que é pouco manifesto nos ovinos e caprinos. Nas 
extremidades deste sulco encontram-se dois orifícios, os canais proximal e distal do metacarpo, 
que dão passagem as artérias perfurantes proximal e distal, respectivamente. O canal proximal 
é menos desenvolvido que o distal e, às vezes, falta. A face palmar é plana na sua maior 
extensão, sendo ligeiramente côncava no terço proximal. Tal como a face dorsal, apresenta um 
sulco longitudinal palmar, porem bem mais discreto. 
A extremidade distal, ou cabeça, articula-se com asprimeiras falanges e com os quatro 
ossos sesamóides proximais. Está dividida pela profunda incisura intertroclear em duas trócleas, 
medial e lateral. Cada tróclea apresenta uma crista, bastante proeminente no carneiro e no 
cabrito, que a divide em duas superfícies aproximadamente iguais. 
 
2.17. Falanges 
Os ruminantes domésticos possuem quatro dedos. O terceiro e o quarto são 
completamente desenvolvidos e possuem, cada um, três falanges com três ossos sesamóides. O 
segundo e o quinto dedos, também denominados paradígitos, são rudimentares e possuem um 
ou dois pequenos ossos que não se articulam com os ossos da mão e, por isto, não são vistos 
nos esqueletos 
A falange proximal articula-se com o metacárpico III + IV, a falange distal possui 
extremidade distal livre e a falange media situa-se entre as duas. As falanges proximal e média 
possuem em base, que está voltada para cima, corpo e cabeça. 
A falange proximal é um osso longo, possuindo cavidade medular. A base é mais larga 
do que a cabeça e apresenta duas facetas côncavas, separadas por um sulco, para articulação 
com a tróclea correspondente do metacárpico III + IV. Apresenta ainda caudalmente, duas 
pequenas facetas planas para articulação com os dois sesamóides proximais e , logo abaixo 
daquelas, dois tubérculos separados por um largo sulco. O corpo apresenta quatro faces: axial, 
abaxial, dorsal e palmar. A cabeça é formada por uma tróclea, que se articula com a base da 
falange média. Ela apresenta duas pequenas facetas e um sulco. 
A falange média é um osso longo, cuja cavidade medular é bastante reduzida. Sua base 
apresenta duas facetas côncavas para a tróclea da falange proximal. Na face palmar apresenta 
dois tubérculos que, nos bovinos, são mais desenvolvidos que os da falange proximal, 
19 
 
especialmente os abaxiais. A cabeça é representada por uma tróclea para articulação com a 
falange distal, semelhantes aquela da falange proximal. 
A falange distal difere das outras duas, apresentando quatro faces e três ângulos: A face 
solear apoia-se no solo por meio do casco; é lisa, lanceolada, com a extremidade aguda voltada 
para a frente e ligeiramente para dentro. A face parietal, ou abaxial, é convexa. Esta face 
apresenta inúmeros forames. Os dois maiores estão localizados nos ângulos caudal e proximal, 
respectivamente, e conduzem a um canal no interior do osso. A face axial é aquela voltada para 
os espaços interdigitais. É ligeiramente côncava e possui vários forames; os dois maiores têm 
localização variável e também se comunicam com um canal dentro do osso. A face articular 
apresenta-se dividida em duas partes por meio de uma crista e articula-se com a falange média. 
Uma faceta, situada caudalmente a face articular, serve para articulação com o osso sesamóide 
distal. 
 
2.18. Ossos sesamóides 
São pequenos ossos ovoides relacionados com as faces palmares das articulações 
metacarpofalângica e interfalângica distal. Nos ruminantes domésticos, existem quatro 
sesamóides proximais, dois para cada dedo, articulados com a cabeça do metacárpico III + IV 
e com a base da falange proximal. Em cada dedo existe um sesamóide distal, que é alongado 
no sentido transversal e se articula com a cabeça da falange media e com a falange distal. 
 
2.19. Coluna Vertebral, costelas, cartilagens costais e esterno 
A coluna vertebral é constituída por uma cadeia de ossos impares irregulares, situados 
no plano mediano desde o crânio até a cauda e denominados vértebras. A coluna vertebral é 
dividida em cinco regiões, de acordo com a parte do corpo do animal: cervical, torácico, lombar, 
sacral e caudal (coccígea). As vertebras são unidades independentes, exceto na região sacral, 
onde se encontram fundidas para formar o osso sacro. Seus corpos estão unidos entre si por 
meio do disco intervertebral, constituído de fibrocartilagem, e possuem entre si um pequeno 
grau de movimento, o que confere à coluna vertebral certa flexibilidade. O número de vértebras 
é variável, com exceção da região cervical, onde é constante em todos os mamíferos 
domésticos. A tabela abaixo indica o numero de vertebras de cada região e suas variações nos 
animais domésticos. 
 
 
 
20 
 
Animal Cervical Torácica Lombar Sacral Caudal 
Boi 7 13 6 4-5 18-20 
Caprino 7 13 6 4 11-13 
Carneiro 7 13 6-7 4 16-24 
Cavalo 7 18 6 5 17-20 
Porco 7 14-15 6-7 4 20-23 
Cão 7 13 7 3 20-22 
Gato 7 13 7 3 20-24 
Coelho 7 12 7 4 14-16 
Tabela 1 - Número de vértebras dos animais domésticos, segundo a espécie animal e as regiões da coluna. 
 
2.20. Características gerais das vértebras 
Uma vértebra típica consiste de corpo, arco vertebral e vários processos para inserções 
musculares e ligamentosas. 
O corpo é a parte mais ventral das vértebras; é mais ou menos cilíndrico e nele se predem 
as demais partes da vértebra. Os corpos de vértebras vizinhas são unidos pelo disco 
intervertebral, de natureza fibrocartilagínea. A cabeça constitui a extremidade cranial, convexa, 
do corpo, enquanto a extremidade caudal apresenta uma depressão, a fossa da vértebra. A face 
dorsal do corpo é plana e forma o assoalho de um amplo orifício, o forame vertebral. A face 
ventral é lisa, relaciona-se com músculos e outras estruturas e apresenta, medianamente, uma 
crista ventral. 
Dorsalmente ao corpo dispõe-se o arco, o qual delimita uma ampla abertura, o forame 
vertebral, que aloja e protege a medula espinhal. No arco vertebral distinguem-se, a cada lado, 
um pedículo e uma lâmina. O pedículo forma a parede lateral do arco e está unido ao corpo da 
vértebra. A lâmina se une com a do lado oposto, formando a parede dorsal do arco vertebral. O 
espaço limitado dorsalmente pelos arcos de duas vértebras adjacentes é denominado espaço 
interarcual. Nas transições occipto-atlântica, lombossacral e sacrococcígea, este espaço é amplo 
e utilizado para introdução de agulhas dentro do canal vertebral, com a finalidade de punção do 
líquor ou aplicação de anestésicos. 
O arco apresenta, nas bordas cranial e caudal dos pedículos, duas reentrâncias, as 
incisuras vertebrais cranial e caudal, respectivamente. As incisuras de duas vértebras adjacentes 
de nervos e vasos espinhais. Em alguns casos aparecem forames completos em lugar de 
incisuras, como por exemplo nas vértebras torácicas e lombares. 
De cada arco vertebral projeta-se mediana e dorsalmente o processo espinhoso, cuja 
forma varia conforme a região, atingido grande comprimento nas vértebras torácicas. Nos 
processos espinhosos inserem-se músculos e ligamentos. De cada lado do corpo da vértebra 
projetam-se os processos transversais, de forma também variável. Na região cervical, quase 
21 
 
todos os processos transversais estão perfurados em sua base pelo forame transversal, que aloja 
a artéria e nervo vertebrais. Na região torácica, eles são curtos e apresentam superfícies 
articulares, as fóveas costais transversais, para articulação com as costelas. Nas bordas cranial 
e caudal do arco vertebral encontram-se superfícies lisas, de forma variável, denominadas 
processos articulares. Eles articulam-se com seus correspondentes de vértebras adjacentes. 
 
2.21. Vértebras cervicais 
 
2.22. Atlas 
O atlas é a primeira vértebra cervical. É uma vértebra atípica, desprovida de corpo e 
processo espinhoso. No lugar do corpo aparecem duas massas laterais e dois arcos, um dorsal 
e outro ventral. 
O arco dorsal tem parede delgada e apresenta medianamente uma eminência rugosa, o 
tubérculo dorsal. Apresenta uma larga incisura em sua borda cranial e uma incisura menor em 
sua borda caudal. O arco ventral é mais espesso e apresenta, ventralmente, o tubérculo ventral. 
A face dorsal deste arco forma o assoalho do forame vertebral e, próximo à sua borda caudal, 
apresenta duas áreas lisas, as quais constituem a fóvea do dente, para articulação com o dente 
do áxis. 
As massas laterais apresentam, cranialmente, duas concavidades, as fóveasarticulares 
craniais, que se articulam com os côndilos do occipital. Caudalmente as massas laterais 
apresentam duas superfícies planas, as fóveas articulares caudais, para articulação com o áxis. 
No atlas, os processos transversais estão representados por duas asas, lâminas ósseas 
que se projetam lateralmente das massas laterais. Na face dorsal da asa, próximo à sua borda 
cranial, observa-se uma fosseta, na qual se abrem: medialmente, o forame vertebral lateral, que 
dá passagem ao primeiro nervo cervical; lateralmente abre-se o forame alar. Este último conduz 
vasos à medula e à vertebra. Na face ventral da asa, observa-se uma depressão, a fossa do atlas, 
na qual se abre o forame alar. Os ruminantes não possuem forame transversal na asa do atlas, 
ao contrário do que ocorre em outras espécies domesticas, como o cavalo. 
 
2.23. Áxis 
O áxis é a mais longa das vértebras cervicais. Caracteriza-se por apresentar o dente, uma 
saliência articular que se projeta cranialmente do corpo. O dente tem a forma aproximada de 
um hemicilindro. Ele articula-se com arco ventral e com a face interna das massas laterais do 
atlas. Os processos articulares craniais estão bastante modificados e circundam lateralmente o 
22 
 
dente. Articulam-se com as fóveas articulares caudais das massas laterais do atlas. A 
extremidade caudal é idêntica à da vértebra típica. Possui a fossa vertebral para a articulação 
com a cabeça da 3ª vértebra cervical. Os processos articulares caudais são bastante 
desenvolvidos. A face ventral é semelhante à das demais vértebras da região e apresenta uma 
crista ventral com um tubérculo proeminente na sua extremidade caudal. O processo espinhoso 
é uma lâmina espessa e perpendicular ao corpo. Caudalmente é mais alto e apresenta um 
tubérculo rugoso. Os processos transversais são pontiagudos, dirigem-se para trás, para cima e 
para fora. O forame vertebral lateral é desenvolvido, situado próximo a borda cranial do 
pendículo e dá passagem ao 2º nervo cervical. O forame transversal é pequeno e abre-se 
ventralmente ao forame vertebral lateral, podendo faltar em alguns casos. 
 
2.24. 3ª à 7ª vértebras cervicais 
As cinco últimas vértebras cervicais apresentam aproximadamente os mesmos 
caracteres morfológicos. A sexta e a sétima vértebra possuem particularidades próprias, sem, 
contudo, fugir do padrão da região. A terceira, quarta e quinta vértebras são cubóides e seus 
corpos diminuem de comprimento à medida que se distanciam na coluna. A crista ventral é 
menos cortante e termina sempre em um tubérculo que se projeta caudalmente. O arco é largo, 
forte e bastante regular. As incisuras vertebrais são bem marcadas. O processo espinhoso é 
proeminente e dirige-se cranialmente. Uma lâmina óssea une o pendículo do arco ao processo 
transversal, delimitando o forame transversal, que é de diâmetro muito amplo. O processo 
transversal é robusto, dirige-se para trás, para o lado e para cima. Projetando-se do corpo para 
frente e para baixo, observa-se o processo costal. A sexta cervical é mais curta que as 
precedentes. O arco é mais largo que o das anteriores devido à intumescência da medula 
espinhal neste ponto. O processo espinhoso é desenvolvido, pontiagudo e dirigido cranialmente. 
Os processos costais estão representados por largas lâminas ósseas, dispostas à semelhança de 
sela. A sétima vértebra cervical caracteriza-se por apresentar uma fóvea costal para articulação 
com a cabeça da primeira costela. O processo espinhoso é bem mais longo que o da vértebra 
precedente. A fóvea para articulação com a cabeça da 1ª costela situa-se a cada lado do extremo 
caudal do corpo. O forame transversal e o processo costal faltam em todos os ruminantes nessa 
vértebra. 
 
2.25. Vértebras Torácicas 
Existem 13 vértebras torácicas nos ruminantes domésticos. Em casos raros, pode-se 
encontrar 12 ou 14. As vértebras torácicas caracterizam-se por possuir fóveas costais para 
23 
 
articulação com as costelas, e processos espinhosos bastante desenvolvidos. O corpo das 
vértebras torácicas é relativamente longo, principalmente nos bovinos. A cada lado das 
extremidades do corpo, encontram-se as fóveas costais craniais e costais caudais. As fóveas 
costais das vértebras adjacentes formam, juntamente com o disco intervertebral, uma cavidade 
articular para a cabeça das costelas. A última vértebra torácica não possui as fóveas costais 
caudais. Os processos articulares craniais e caudais estão reduzidos a simples facetas articulares 
em quase todas as vértebras torácicas. 
Os processos transversais são curtos e grossos. Lateralmente apresentam uma superfície 
articular para o tubérculo da costela, a fóvea costal transversal. 
Os processos espinhosos são bastante desenvolvidos. Os da 3ª e 4ª vértebras são, 
geralmente, os mais altos e os subsequentes decrescem sucessivamente. São dirigidos no 
sentido caudal; o processo espinhoso da última vértebra torácica dos bovinos e da penúltima 
dos pequenos ruminantes é dirigido verticalmente. Alguns autores dão a esta vértebra o nome 
de anticlinal. Nos bovinos jovens, as extremidades livres dos processos espinhosos das 
primeiras vértebras torácicas são cartilaginosas. 
Nos bovinos, as incisuras vertebrais caudais são fechadas, constituindo um forame 
completo, o forame vertebral lateral, que dá a passagem a uma veia. Os forames intervertebrais 
dão passagem aos nervos espinhais torácicos. 
Os espaços interarcuais torácicas nos bovinos não existem, devido à superposição dos 
arcos vertebrais. Nos pequenos ruminantes, os dois últimos espaços interarcuais estão 
presentes. 
 
2.26. Vértebras lombares 
As vértebras lombares são em números de seis, contando-se sete em 50% dos ovinos. 
Caracterizam-se pelo seu processo transversal muito desenvolvido. Apresentam ainda os 
seguintes caracteres: o corpo é longo, arqueado ventralmente e mais largo nas extremidades. 
O arco das vértebras lombares aumenta progressivamente em altura e largura à medida 
que se distancia na região. Isto explica pelo fato de a medula espinhal apresentar, neste ponto 
outra intumescência. As incisuras vertebrais são profundas, onde muitas vezes, nas duas ou três 
primeiras vértebras, um septo ósseo chega a converte-las em forames vertebrais laterais. 
Os processos articulares craniais são tuberosos e suas facetas são muito côncavas, 
estando voltadas para o plano mediano. Os processos articulares caudais emergem da base do 
arco. Suas facetas articulares são convexas ventralmente e côncavas dorsalmente, de maneira 
apresentar o perfil em “S”. 
24 
 
Os processos transversais estendem-se lateralmente a partir do pedículo do arco. São 
lâminas horizontais dirigidas ligeiramente para frente. Seu comprimento aumenta até a 5ª. Os 
da 6ª vértebra são menores, mais espessos, pontiagudos e mais encurvados cranialmente. O 
processo espinhoso é laminar e quadrilátero. 
 
2.27. Sacro 
O sacro é formado por vértebras fundidas, em número de 4 ou 5 nos bovinos e 4 nos 
ovinos e caprinos. O sacro articula-se cranialmente com a última vertebra lombar, caudalmente 
com a primeira coccígea e lateralmente com o osso do quadril. 
Sua face dorsal é bastante irregular. Os processos espinhosos estão fundidos e 
constituem a crista sacral mediana. A crista sacral intermédia resulta da união dos processos 
articulares; é saliente e corre dorsalmente aos forames sacrais dorsais. Estes são 4 pares e variam 
em tamanho. No entanto, o último é sempre o maior deles. Os forames sacrais dorsais dão 
passagem aos ramos dorsais dos nervos espinhais sacrais. A crista sacral lateral é formada pelas 
extremidades dos processos transversais. 
O canal vertebral percorre longitudinalmente o sacro com o nome do canal sacral. Seu 
contorno é triangular, sendo mais amplo cranialmente. Comunica-se com os forames sacrais 
dorsais e com os sacrais pelvinos através dos forames intervertebrais. 
A face ventral é lisa. É cruzadapor linhas transversais que indicam os limites dos corpos 
vertebrais. Lateralmente, apresenta 4 pares de forames sacrais pelvinos, que são maiores que 
seus correspondentes da face dorsal e dão passagem aos ramos ventrais dos nervos sacrais. 
A base ou extremidade cranial apresenta duas expansões triangulares, as asas do sacro, 
que se dispõem a cada lado da cabeça do primeiro segmento. O promontório sacral é a saliência 
abaulada constituída pelas faces ventrais da extremidade caudal da última vértebra lombar, dos 
disco intervertebral e da extremidade cranial do sacro. 
 
2.28. Vértebras coccígeas 
As vértebras coccígeas diminuem progressivamente de tamanho devido à redução de 
seus processos espinhosos e transversais. As 5 ou 6 primeiras possuem arco completo e da face 
ventral de seus corpos projetam-se duas expansões discretas, os processos hemais. Estes 
delimitam um espaço, o arco hemal, pelo qual passam vasos sanguíneos. As últimas vértebras 
coccígeas têm a forma de cilindro. 
 
 
25 
 
2.29. Costelas e cartilagens costais 
Os ruminantes domésticos apresentam 13 pares de costelas; entretanto, pode-se, em 
alguns casos, encontrar 14 pares. As costelas são ossos longos, que formam o arcabouço da 
parede do tórax e dão proteção aos órgãos da cavidade torácica e parte dos órgãos abdominais. 
Articulam-se dorsalmente com as vértebras correspondentes e ventralmente com as cartilagens 
costais. As 6ª, 7ª e 8ª costelas destacam-se por sua maior largura. As três primeiras costelas dos 
bovinos são aproximadamente retas, enquanto que as restantes são ligeiramente curvas. As 
costelas dos pequenos ruminantes são, em geral, mais curvas que as dos bovinos. 
As 8 primeiras costelas unem-se ao esterno por meio das respectivas cartilagens costais. 
São denominadas, por isto, costelas verdadeiras ou esternais. As restantes são chamadas falas 
ou asternais, porque não se prendem ao esterno. Nos ovinos, a 13ª costela apresenta uma 
pequena cartilagem costal, que possui sua extremidade distal livre. 
As costelas são constituídas de cabeça, colo, tubérculo e corpo. A cabeça das costelas 
apresenta-se como uma saliência arredondada, que se prende ao corpo por um colo bastante 
nítido. Ela articula-se com as fóveas costal caudal e costal cranial de duas vértebras adjacentes. 
A cabeça e o colo formam com o corpo um ângulo reto, nas 7 primeiras costelas dos bovinos e 
nas 3 primeiras dos pequenos ruminantes. Nas costelas restantes, este ângulo aumenta 
gradativamente, até que, na última costela, a cabeça e o colo continuam-se com o corpo, sem 
limite nítido de separação. As costelas apresentam, na união entre o colo e o corpo, uma 
eminência denominada tubérculo da costela. Os tubérculos são bem desenvolvidos nas 
primeiras costelas, diminuindo de tamanho em sentido caudal. Os tubérculos apresentam uma 
faceta que se articula com as fóveas costais transversais das vértebras correspondentes, O corpo 
constitui a maior parte da costela. A face lateral do corpo é lisa e convexa. A face medial é lisa, 
côncava e apresenta um sulco que acompanha a borda caudal. Este sulco aloja a artéria, veia e 
o nervo intercostais e apresenta um ou dois forames nutrícios, próximos ao tubérculo costal. 
As cartilagens costais são segmentos de cartilagens hialina, que estão ligados à 
extremidade distal das costelas e, no caso das costelas esternais, ao esterno. Nas costelas 
asternais as cartilagens costais terminam em ponta e estão coladas umas as outras, de modo a 
formar o arco costal. As cartilagens costais ossificam-se nos animais adultos. As extremidades 
distais das cartilagens costais das costelas esternais apresentam facetas articulares para 
articulação com o esterno. 
 
 
 
26 
 
2.30. Esterno 
O esterno é um osso plano, que constitui a parede óssea ventral do tórax. Ele é formado 
por 7 segmentos ósseos denominados esternébras, as quais estão unidas por cartilagens 
interesternebrais de natureza hialina. 
O manúbrio constitui a esternébra mais cranial. Sua extremidade cranial é arredondada 
e recoberta por uma camada de cartilagem hialina, a cartilagem do manúbrio, que, às vezes, 
pode faltar. 
O corpo do esterno é a maior porção deste osso. Apresenta 5 esternebras bastante largas 
e achatadas no sentido dorsoventral. A primeira esternébra do corpo possui forma mais ou 
menos piramidal, cuja face cranaial articula-se com o manúbrio. As esternébras restantes do 
corpo alargam-se no sentido caudal, de modo que ele apresenta, no seu conjunto, uma forma 
mais ou menos triangular. As esternébras unem-se às vizinhas por meio de uma lâmina de 
cartilagem hialina. Estas sincondroses esternais tendem-se a ossificar no adulto, tornando o 
corpo uma peça óssea única. 
A última esternébra constitui o processo xifoide, ao qual se prende a cartilagem xifóidea. 
O processo xifoide é achatado e de forma mais ou menos triangular. Sua base une-se à última 
esternébra do corpo. O ápice é dirigido caudalmente e presta-se à inserção da cartilagem xifoide. 
Esta última é bastante desenvolvida nos ruminantes, apresentando-se laminar e de forma 
aproximadamente ovóide. 
 
2.31. Ossos do membro pélvico 
 
2.32. Introdução 
O membro pélvico dos ruminantes domesticos é constituído de quatro segmentos: 
cíngulo pélvico, coxa, perna e pé. O cíngulo pélvico compreende o osso do quadril. A coxa é 
constituída de apenas um osso, o fêmur. A perna tem como base óssea a tíbia, além da fíbula, 
que é rudimentar nos ruminantes, o pé compreende o tarso, o metatarso e os dedos. 
 
2.33. Osso do quadril 
O osso do quadril está formado por três ossos: Ílio, Ísquio e Púbis. No animal adulto, 
apresentam-se fundidos e formam, de cada lado, uma peça única colocada entre o membro 
pélvico, ventralmente, e a porção sacral da coluna vertebral, dorsalmente. 
 
 
27 
 
2.34. Ílio 
É o maior e mais cranial dos três ossos do quadril. É irregularmente triangular e 
apresenta, para estudo, uma asa, com duas faces, e o corpo. 
A asa é a porção mais larga do ílio e suas faces são denominadas glútea e sacropelvica. 
A face glútea é côncava e voltada dorsolateralmente. No bovino, apresenta uma discreta 
rugosidade, disposta longitudinalmente, denominada linha glútea. Nos pequenos ruminantes, 
esta linha não é rugosa e atravessa toda a face como um relevo retilíneo. A face sacropelvica é 
convexa, voltada para baixo e para frente. Possui uma área rugosa para articular com a asa do 
sacro. 
O eixo maior da asa do ílio orienta-se transversalmente e terminam em duas 
extremidades angulares, o túber sacral, situado medialmente, e o túber coxal, disposto 
lateralmente. Unindo os dois túberes encontra-se a crista ilíaca. O túber sacral continua 
caudalmente com uma ampla reentrância a incisura isquiática maior, que se estende até a 
espinha isquiática. 
O corpo do ílio é estreito e termina caudalmente fundindo-se ao pube e ao ísquio. Neste 
ponto de união, os três ossos formam o acetábulo, que é a cavidade articular para a cabeça do 
fêmur. A face medial d corpo apresenta uma discreta e descontinua elevação linear, chamada 
linha arqueada. Esta linha dirige-se ventralmente para o pube e é interrompida no terço médio 
por uma discreta elevação rugosa, o tubérculo do musculo psoas menor. A linha arqueada 
termina em uma pequena projeção, a eminencia iliopúbica, do púbis. 
 
2.35. Púbis 
O púbis é a menor dos três ossos e forma a porção cranial do assoalho do quadril. Ele é 
constituído de ramo cranial, ramo caudal e corpo. O ramo cranial dirige-se para frente para a 
fora, participando na formação do acetábulo. O ramo caudal é menor e mais delgado que o 
cranial e funde-se caudalmente com o ísquio. Os dois pubes unem-se no plano mediano, 
constituindo a parte cranial do púbis apresenta a discreta eminência iliopubica. O corpo é a área 
de união entre os ramos cranial e caudal. Em sua face ventral e encontra-se uma saliência, o 
tubérculo púbico ventral.2.36. Ísquio 
O ísquio constitui, juntamente com o do lado oposto, a porção caudal do assoalho da 
pelve. É um caso irregularmente achatado e apresenta para descrição: ramo, corpo, tabula, túber 
e incisura isquiática. 
28 
 
O ramo é a porção mais medial do osso e une-se com o do lado oposto e com o púbis, 
constituindo a parte caudal da sínfise pélvica. O corpo está unido, sem limites nítidos, com o 
ramo e estende-se até o acetábulo. A tabula é a porção mais larga do ísquio. Ela se continua 
caudodorsalmente com a tuberosidade isquiática, que é bastante desenvolvida, de contorno 
triangular, podendo ser facilmente palpável no animal vivo. A incisura isquiática menor é a 
reentrância do ísquio que se estende da espinha isquiática a tuberosidade isquiática. As bordas 
caudais dos dois ísquios delimitam uma reentrância, o arco isquiático. 
 
2.37. Acetábulo 
O acetábulo é a cavidade que aloja a cabeça do fêmur. Além da superfície articular 
propriamente dita, a cavidade acetabular apresenta uma área rugosa, não-articular, a fossa do 
acetábulo, destinada à inserção do ligamento da cabeça do fêmur. 
Nos ruminantes, a cavidade acetabular está voltada para baixo e para fora. A borda do 
acetábulo é irregularmente espessada e descontinua, devido à presença de duas incisuras: uma 
caudal (incisura do acetábulo) e outra cranial. A incisura cranial só está presenta nos bovinos 
 
2.38. Forame Obturador 
É o amplo orifício circunscrito pelo púbis e o ísquio. O forame apresenta algumas 
características ligadas ao sexo. Na fêmea, ele é mais largo e quase circular. No macho é mais 
estreito e ovoide. 
 
2.39. Pelve Óssea 
A pelve é a parte do tronco situado caudalmente ao abdome. Seu esqueleto é constituído 
pelos ossos do quadril, do sacro, e pelas três primeiras vértebras coccígeas. 
A pelve é alongada e cilíndricas, comprimida lateralmente (principalmente nos machos). 
Os ossos, com as partes moles que os recobrem, formam uma cavidade, denominada cavidade 
pélvica. Esta cavidade tem duas aberturas, uma cranial, e outra caudal. A primeira é mais ampla 
e é delimitada por uma linha imaginaria que passa pelo promontório sacral, pelo ílio e púbis. A 
abertura cranial da pelve tem conformação variável com o sexo, indo de ovoide a quase circular 
na fêmea, permanecendo ovoide nos machos. A cavidade pélvica tem um teto ou abobada 
formada pelo sacro e pelas três primeiras vertebras caudais, e um assoalho, representado pelo 
púbis e pelo ísquio dos dois lados. O forame obturador interrompe a continuidade óssea do 
assoalho pélvico. As paredes laterais são completadas por ligamentos e músculos. A Abertura 
caudal da pelve é menor que a cranial. Ela tem como contorno ventral o arco isquiático, que é 
29 
 
mais aberto nas fêmeas. A porção laterodorsal desta abertura está formada predominantemente 
por estruturas moles, destacando-se uma larga lâmina fibrosa, o ligamento sacrotuberal, tendo 
as vértebras caudais como elemento esquelético. Devido à múltiplas e importantes funções da 
cavidade pélvica, é necessário conhecer seus diâmetros. 
Diâmetro conjugado: É representado por uma linha vertical que une o promontório 
sacral ao extremo cranial da sínfise pélvica. 
Diâmetro transversal: Existem cinco diâmetros transversais. Três deles são delineados 
na abertura cranial da pelve e têm como referência a margem ventral da articulação sacro-iliaca 
o tubérculo do músculo psoas menor e a eminencia ilio-pubica, respectivamente. Os outros dois 
são representados pelas linhas que unem entre si os pontos mais altos das espinhas isquiáticas 
e os ângulos dorsais das tuberosidades isquiáticas. 
 
2.40. Fêmur 
O fêmur é o osso da coxa. É relativamente mais curto nos ruminantes que nas outras 
espécies domesticas. O fêmur é constituído de corpo e duas extremidades, proximal e distal 
A extremidade proximal consiste de cabeça, colo e trocânter maior e menor. A cabeça 
é uma proeminência articular esférica voltada medialmente. Articula-se com o acetábulo. Uma 
camada de cartilagem hialina cobre toda a face articular, exceto numa depressão central, a fóvea 
da cabeça do fêmur, onde se insere o ligamento da cabeça do fêmur. 
O colo é o segmento ósseo que prende a cabeça ao corpo. Seu limite com a cabeça é 
bem marcado medialmente. Lateralmente, a face articular da cabeça prolonga-se sobre ele. 
O trocânter maior é a protuberância que se destaca da face lateral da extremidade 
proximal do osso e se projeta para cima. Sua borda é romba, rugosa e arqueada. Sua face lateral 
é rugosa e convexa. Sua face medial é côncava e delimita uma depressão a fossa trocantérica. 
O trocânter menor é uma pequena saliência rugosa que se situa na face caudal da extremidade 
proximal. A crista intertrocantérica liga o trocânter maior ao trocânter menor, delimitando, 
juntamente com o primeiro, a fossa trocantérica. 
O corpo é cilíndrico e proporcionalmente maior nos pequenos ruminantes. É retilíneo 
nos bovino e ligeiramente encurvado nos pequenos ruminantes. AO nível da porção distal da 
face lateral apresenta uma depressão irregular, a fossa supracondilar, que é bastante rasa, 
principalmente nos pequenos ruminantes. Aí origina-se o musculo flexor superficial dos dedos. 
A face caudal apresenta rugosidades bem evidenciadas, que correm longitudinalmente. 
Geralmente, o forame nutrício localiza-se nesta face. 
30 
 
A extremidade distal é formada pela tróclea e pelos côndilos. A tróclea situa-se 
cranialmente, apresentando-se constituída por duas arestas, separadas por um sulco. Nos 
bovinos, a aresta medial é mais desenvolvida que a lateral e sua extremidade proximal alarga-
se consideravelmente. Nos pequenos ruminantes, as arestas têm, aproximadamente, o mesmo 
tamanho. 
Os dois côndilos, lateral e medial, são duas saliências globosas que se situam-se 
caudalmente à tróclea. A fossa intercondilar separa os dois côndilos. A face medial do côndilo 
medial é rugosa e apresenta uma saliência, o epicôndilo medial. O epicôndilo lateral, situado 
na face lateral do côndilo lateral, é menos desenvolvido que o medial. Abaixo e um pouco atrás 
do epicôndilo lateral encontram-se duas pequenas depressões, das quais a mais distal é a fossa 
do musculo poplíteo. Entre o côndilo lateral e a tróclea, encontra-se outra depressão, a fossa 
dos extensores. 
 
2.41. Patela 
A patela é uma grande sesamóide articulado à tróclea do fêmur. Tem forma 
aproximadamente triangular, com o vértice voltada para baixo. Sua face caudal apresenta duas 
faces articulares para a tróclea do fêmur. A cartilagem da patela prende-se no ângulo medial do 
osso. Nos pequenos ruminantes a patela é mais longa e mais estreita. 
 
2.42. Tíbia e Fíbula 
A tíbia é osso longo da perna. E nos bovinos é um pouco mais curta que o fêmur, nos 
pequenos ruminantes é mais longa. 
A extremidade proximal da tíbia é larga e aproximadamente triangular. Apresenta duas 
superfícies articulares, os côndilos medial e lateral, para articulação com os correspondentes 
côndilos do fêmur. Entre os dois côndilos, e aproximadamente no centro da extremidade 
proximal, projeta-se a eminencia intercondilar, no qual se distinguem dois tubérculos, sendo o 
medial o mais alto. As faces articulares dos côndilos e caudalmente pela área intercondilar 
caudal. Nestas áreas intercondilares inserem-se os ligamentos da articulação femorotibial. A 
incisura poplítea é uma reentrância que separa, caudalmente, os côndilos. A tuberosidade da 
tíbia constitui o ângulo cranial da extremidade proximal, é bastante larga e rugosa nos bovinos 
e estreita lisa nos pequenos ruminantes, está separada do côndilo lateral por uma reentrância, o 
sulco extensor. 
O corpo é inicialmente largo, de contorno triangular, e nos bovinos, torna-se mais 
delgado e quadrangular no terço médio e distal. Apresenta três faces, medial, lateral e caudal, 
31 
 
separadas por três bordas, cranial, medial e lateral. A face medial é larga e rugosaaté a metade 
do osso e pode ser percebida através da pele. A face lateral é lisa e ligeiramente retorcida. A 
face caudal é plana e está atravessada obliquamente por linhas musculares mais ou menos 
paralelas. O forame nutrício abre-se nesta face, próximo à borda lateral. 
A extremidade distal é bem menor que a extremidade proximal, porém mais larga que 
o corpo. Apresenta superfícies articulares para articulação com ossos do tarso e com o osso 
maleolar. A superfície para articulação com o osso tálus do tarso é denominada cóclea da tíbia. 
Está formada por dois sulcos, um lateral, largo e profundo, e um medial, mais profundoe 
estreito. Estes sulcos estão separados por uma crista, que pode apresentar uma fossa sinovial. 
A parede medial da cóclea avança distalmente, formando um processo denominado maléolo 
medial. Já a parede lateral é completada por um osso separado, o osso maleolar, pertence a 
fíbula. 
A fíbula é outro osso da perna e situa-se lateralmente à tíbia. Nos ruminantes, seu esboço 
cartilaginoso é completo, mas, na ossificação fica reduzido a duas extremidades, a proximal ou 
cabeça e a distal ou osso maleolar, unidos por uma corda fibrosa, que desaparece nas 
preparações. A cabeça da fíbula está geralmente fundida ao côndilo lateral da tíbia, mas pode 
também ocorrer articulada. Consta de pequena massa óssea que se projeta alguns centímetros 
distalmente e termina em ponta livre. No carneiro está constantemente fundida à tíbia e aparece 
com uma proeminência do côndilo lateral. No caprino, podem faltar completamente. 
O osso maleolar é constante em todos os ruminantes domésticos. Visto lateralmente, 
apresenta contorno aproximadamente quadrangular. A extremidade proximal apresenta duas 
facetas articulares separadas por um processo pontiagudo. A face medial se articula com o tálus. 
A face lateral é irregular. A face distal se articula com o calcâneo. 
 
2.43. Tarso 
O tarso dos ruminantes é constituído de cinco ossos, dispostos em duas fileiras. A fileira 
proximal compõe-se do tálus e do calcâneo. A fileira distal é formada pelos ossos quartocentral, 
társico II+III e társico I. 
O tálus caracteriza-se por apresentar duas trócleas, proximal e distal. A tróclea proximal 
articula-se com a cóclea da tíbia. A tróclea distal articula-se com o osso quartocentral, 
O calcâneo relaciona-se com a face lateroplantar do talus, com o qual se articula. O 
espaço limitado pela face lateral do tálus e a face medial do calcâneo é denominado seio do 
tarso. Do corpo do calcâneo projeta-se para cima o túber do calcâneo, que dá a inserção ao 
tendão calcanear comum. O corpo do calcâneo apresenta medialmente uma projeção óssea para 
32 
 
articulação com o tálus, que é denominada sustentáculo talar. A face plantar do sustentáculo 
talar forma com o corpo do calcâneo o sulco do calcâneo, por onde ocorre tendão do músculo 
flexor profundo dos dedos. A face dorsal do calcâneo articula-se com o osso maleolar. 
Distalmente o calcâneo articula-se com o osso quartocentral. 
O osso quartocentral é o mais desenvolvido da fileira distal. É formado pela fusão do 
osso central do tarso com o osso társico IV. É um osso largo que se estende de um lado ao outro 
e resulta da fusão dos ossos társicos II e társicos III. O osso társico I é pequeno e articula-se 
com o osso quartocentral e o metatársico III + IV. 
 
2.44. Metatarso 
No metatarso dos ruminantes, como no metacarpo, apenas um osso está completamente 
desenvolvido – o metatársico III+IV. O metatársico III+IV resulta da fusão do metatársico III 
com o metatársico IV, ainda na fase fetal. Os sulcos longitudinais dorsal e plantar, e a subdivisão 
do canal medular por um septo ósseo, nos animais jovens, comprovam esta fusão. Os outros 
ossos, o metatársico II e o metatársico V, estão, segundo a maioria dos autores, fundidos em 
forma de crista às bordas plantomedial e plantolateral, respectivamente, do metatársico III+IV. 
O osso pequeno e discóide que se articula com a face plantar da base do metatársico III+IV é 
um sesamóide típico dos artiodáctilos e denomina-se osso sesamóide do metatarso. 
O metatársico III+IV é bastante semelhante ao metacárpico III+IV, porém um pouco 
mais longo que este. A base ou extremidade articular proximal é larga e articula-se com a fileira 
distal dos ossos do tarso. Nos bovinos, um canal comunica o centro da base do osso com a sua 
face plantar e dá passagem a vasos. A tuberosidade do osso metatársico III+IV ocupa uma 
posição dorsomedial na base do osso. 
O corpo é de contorno aproximadamente quadrangular e mais larga nas epífises. A face 
dorsal é percorrida longitudinalmente pelo sulco longitudinal dorsal, bastante profundo nos 
bovinos. Nos pequenos ruminantes, este sulco só é evidente próximo às duas extremidades do 
osso. A face plantar é percorrida pelo sulco longitudinal plantar. O canal distal do metatarso é 
constante e bem desenvolvido. O canal proximal do metatarso falta frequentemente. A 
extremidade distal é semelhante àquela do metacárpico III+IV. 
 
2.45. Falanges e ossos sesamóides 
As falanges e ossos sesamóides do membro pélvico são semelhantes ao do membro 
torácico. A nomenclatura é adaptada à do membro pélvico, quando necessário. 
 
33 
 
2.46. Ossos do crânio e osso Hióide 
2.47. Introdução 
O crânio é formado por ossos unidos, em sua maioria, por junturas fibrosas denominadas 
suturas. No adulto, quase tidas elas estão ossificadas (sinostoses). O crânio do feto tem maior 
mobilidade devido ao fato de que os arcabouços ósseos não estão ainda completamente 
ossificados. Isto facilita suas passagens pela cavidade pélvica durante o parto. 
O crânio constitui invólucro para o encéfalo, forma cavidades que alojam os órgãos dos 
diversos sistemas sensoriais da cabeça e dão passagem às vísceras dos sistemas digestivo e 
respiratório. Os ossos do crânio são constituídos por duas lâminas de substância compacta, 
lâmina externa e interna, separadas pela díploe, que é uma camada de substancia esponjosa. O 
periósteo que reveste os ossos do crânio recebe os nomes de pericrânio e endocrânio, quando 
recobrem as lâminas externa e interna, respectivamente. 
O crânio pode ainda ser dividido em neurocrânio e esplancnocrânio. O primeiro 
compreende os ossos que envolvem o encéfalo e o segundo os ossos que protegem as partes 
cefálicas dos sistemas digestivo e respiratório. 
Estudaremos os ossos do crânio em conjunto, mencionando apenas os acidentes 
considerados mais importantes. 
 
2.48. Vista dorsal do crânio 
Quando se observa a face dorsal do crânio, verifica-se que ele possui forma 
aproximadamente triangular, com o vértice dirigindo em sentido rostral. Esta conformação é 
mais acentuada nos pequenos ruminantes. A face dorsal do crânio é formada por dois pares de 
ossos: nasais e frontais. 
Os ossos nasais são alongados, formam parte da parede dorsal da cavidade nasal e cada 
um apresenta a extremidade rostral dividida em dois ramos pontiagudos. Estão unidos na linha 
mediana por meio de uma sutura plana. Lateralmente, cada nasal está unido aos ossos maxilar 
e lacrimal e caudalmente articula-se com o osso frontal. 
O frontal é o maior dos ossos do crânio e formam, com seus homólogos do lado oposto, 
a parede dorsal da cavidade craniana. O perfil dos frontais varia com a raça, a idade e o sexo. 
Assim, nas raças europeias ele é mais ou menos reto, ao passo que em algumas raças zebuínas, 
como o Gir, ele é caracteristicamente convexo. Do ângulo caudolateral de cada frontal projeta-
se o processo cornual, que constitui a base óssea do chifre. Os processos cornuais desenvolvem-
se com a idade e modificam a forma do osso frontal. Algumas raças não possuem processo 
cornual, sendo esse fato um caráter hereditário dominantes. O frontal constitui as paredes dorsal 
34 
 
e medial da órbita óssea. De sua borda lateral destaca-se uma projeção laminar, o processo 
zigomático, que se dirige ventralmente parase unir ao processo frontal do osso zigomático. Os 
dois processos unidos formam o contorno caudal da orbita. A face dorsal de cada frontal é 
percorrida longitudinalmente pelo sulco supraorbital, o qual termina caudalmente no forame 
supraorbital. Este último continua-se no interior do osso como canal supraorbital, que 
finalmente se abre na parede dorsal da orbita óssea. O canal supraorbital dá passagem à veia do 
mesmo nome. 
O interior do osso frontal é oco e a cavidade formada entre as suas lâminas externa e 
interna constitui o extenso e complexo seio frontal, o qual se prolonga inclusive dentro do 
processo cornual. 
 
2.49. Vista caudal do crânio 
A face caudal do crânio é formada pelos ossos occiptais, parietais, temporais e frontais. 
Nos animais adultos, as suturas entre estes ossos apresentam-se pouco nítidas e os limites entre 
eles imprecisos. Esta face é plana nos bovinos, mas alongada e convexa nos pequenos 
ruminantes. Apresenta, mais ou menos em seu centro, uma saliência rugosa, a protuberância 
occiptal externa, onde se insere o ligamento da nuca. Ventralmente, a face caudal apresenta 
uma larga abertura, o forame magno, por onde sair a medula espinhal. A cada lado do forame 
magno encontram-se duas superfícies articulares convexas, os côndilos do occiptal. Os côndilos 
articulam-se com a primeira vértebra cervical ou atlas. Lateralmente aos côndilos encontram-
se os processos jugulares, duas saliências pontiagudas dirigidas ventralmente. 
 
2.50. Vista lateral do crânio 
Na face lateral do crânio, consideram-se os ossos da face, da órbita e da parede lateral 
da cavidade craniana. 
 
2.51. Ossos da face 
A face dos ruminantes está formada pelos seguintes ossos: maxila (osso maxilar), 
incisivo, zigomático, lacrimal, mandíbula, e nasal, este último já descrito. 
Maxila: É o osso mais desenvolvido da face, apresentando contorno aproximadamente 
quadrangular. Está unido dorsalmente aos ossos nasais, lacrimais e zigomáticos; rostralmente, 
une-se ao incisivo. Apresenta em sua porção media uma elevação linear, uma crista facial, a 
qual termina rostralmente em uma saliência rugosa, o túber facial, situado ao nível do 3º dente 
pré-molar, Rostralmente ao túber facial, ao nível do 1º dente pré-molar, encontra-se o forame 
35 
 
infraorbital, através do qual emergem a artéria, a veia e o nervo infraorbitais. Na borda ventral 
da maxila encontram-se os alvéolos para os dentes pré-molares e molares. O interior da maxila 
é ocupado por uma escavação – o seio maxilar. 
Incisivo: Situa-se rostralmente à maxila, formando a base óssea do extremo rostral do 
palato. Não apresenta como nas demais espécies, alvéolos para os dentes incisivos superiores, 
já que estes faltam nos ruminantes. 
Zigomático: Situa-se caudodorsalmente à maxila, formando parte da parede ventral da 
órbita óssea. De sua porção caudal destacam-se dois processos: processo frontal, que se dirige 
dorsalmente para se unir ao processo zigomático do osso frontal e formar o contorno caudal da 
órbita óssea; processo temporal, que se dirige caudalmente e se une ao processo zigomático do 
osso temporal para formar o arco zigomático. 
Lacrimal: É um pequeno osso intervalado entre os ossos nasal e frontal, dorsalmente, e 
maxila e zigomático, ventralmente. Forma parte da parede rostral da órbita óssea, onde 
apresenta um orifício, o forame lacrimal, que é o início do canal nasolacrimal. Este canal 
percorre o interior dos ossos lacrimal e maxilar e abre-se na cavidade nasal. 
Mandíbula: As mandíbulas, uma de cada lado, estão unidas rostralmente por uma 
sincondrose (união por meio de cartilagem hialina), ao nível do plano mediano. Cada mandíbula 
é formada por corpo, ângulo e ramo. O corpo é a porção rostral, disposta longitudinalmente. 
Apresenta uma face externa, voltada para a língua. A face externa é lisa e apresenta, próximo à 
extremidade rostral, um ou dois forames mentuais, por onde emergem os vasos e nervos 
mentuais. A face interna também é lisa. 
NA borda dorsal do corpo da mandíbula situam-se os alvéolos para os dentes da arcada 
inferior. Rostralmente, encontram-se os alvéolos para os dentes incisivos, quatro de cada lado. 
Caudalmente situam-se os alvéolos para os dentes pré-molares e molares. O trecho sem 
alvéolos, entre os incisivos e os pré-molares, denomina-se borda interalveolar. 
O ramo da mandíbula projeta-se dorsalmente a partir do ângulo. Sua extremidade dorsal, 
livre, apresenta-se dividida pela incisura mandibular em dois processos: processo coronóide, na 
frente, e processo condilar, atrás. No processo coronóide insere-se o músculo temporal. O 
processo condilar é formado por uma superfície articular, a cabeça, que se articula com o osso 
temporal, e, abaixo dela, uma porção estreita, o colo. A superfície lateral do ramo é plana, 
apresentando rugosidade para inserção do músculo masseter. A superfície medial do ramo 
apresenta um orifício, o forame da mandíbula, onde se inicia o canal da mandíbula, por onde 
passam os vasos e nervos alveolares mandibulares. Próximo do forame da mandíbula parte um 
36 
 
sulco, sulco milo-hióideo, que se dirige obliquamente em sentido rosto-ventral. Este sulco aloja 
o nervo milo-hióideo. 
 
2.52. Órbita óssea 
As órbitas osseas são duas cavidades que contém os bulbos dos olhos, músculos, vasos, 
nervos e parte do aparelho lacrimal, incluindo a glândula lacrimal. 
A parede medial da orbita é lisa e nela são encontrados três forames: a) forame 
orbitorredondo, o maior e mais ventral deles, servindo à passagem dos nervos oftálmicos e 
maxilar e de vasos sanguíneos; b) forame óptico, situado próximo ao forame orbitorredondo, 
um pouco acima e à frente deste, e que dá passagem ao nervo óptico e c) forame etmoidal, que 
se encontra na porção média da parede medial, acima do forame óptico. Rostralmente, no osso 
lacrimal, encontra-se o forame lacrimal, junto à borda medial da órbita. 
A parede dorsal da órbita é côncava e nela se encontra uma ligeira concavidade, a fossa 
da glândula lacrimal. No limite entre as paredes medial e dorsal encontra-se um orifício, a 
abertura do canal supraorbital. 
A parede ventral ou assoalho da órbita é incompleta. Rostralmente, é formada pela bula 
lacrimal, uma expansão globosa e oca, de paredes finas, formadas à custa dos ossos maxilar e 
lacrimal; por detrás, está constituída apenas por uma membrana conjuntiva, a periórbita, que 
desaparece nas preparações. 
A parede lateral também é incompleta, sendo formada apenas numa pequena extensão 
pelos processos frontal e zigomático dos ossos zigomático e frontal, respectivamente. O restante 
é formado pela periórbita. 
 
2.53. Parede lateral da cavidade craniana 
A Parede lateral da cavidade craniana é formada pelos ossos temporal, parietal e frontal. 
Temporal: O osso temporal pode ser dividido em três partes: escamosa, timpânica e 
petrosa. 
A parte escamosa é a porção mais dorsal do temporal. Ela forma a parede ventromedial 
da fossa temporal, uma extensa depressão da face lateral do crânio, na qual se aloja o músculo 
temporal. De sua borda lateral destaca-se uma lâmina óssea achatada dorsoventralmente, o 
processo zigomático do temporal, o qual se encurva Rostralmente e se une ao processo temporal 
do zigomático para formar o arco zigomático. Na face ventral da raiz do processo zigomático 
encontra-se uma área convexa, ovóide e lisa, o tubérculo articular, o qual se articula com o 
37 
 
processo condilar da mandíbula. Caudalmente ao tubérculo articular encontra-se um orifício, o 
forame retroarticular. Através deste forame emerge uma das veias emissárias do encéfalo. 
A parte timpânica do temporal situa-se ventralmente à parte escamosa, interposta entre 
esta última e a parte basilar do occipital. Nela estão situados o meato acústico externo e a bula 
timpânica. O meato acústico externo é um canal cilíndrico, situado atrás do forame 
retroarticular. Sua abertura externa denomina-seporo acústico externo; internamente, limita-se 
com a cavidade do tímpano, a qual forma a base óssea do ouvido médio. A bula timpânica é 
uma saliência mais ou menos globosa, oca, situada à frente do processo jugular do occipital. Da 
borda rostral da bula timpânica destaca-se o processo muscular, pontiagudo e dirigido 
rostralmente. 
A parte petrosa, na qual está contido o ouvido interno, e a menor e mais medial das três 
porções do temporal, sendo melhor vista na face interna da parede raniana. Externamente, ela 
forma o processo estilóide, o qual se apresenta como uma pequena projeção cilindroide, situada 
no fundo de uma cavidade situada lateralmente à bula timpânica. Nele se prende o osso hióide, 
que sera visto posteriormente. Logo atrás e lateralmente ao processo estiloide, situa-se o forame 
estilomastóideo, o qual representa a abertura externa do canal facial; por este forame, o nervo 
fácil emerge da cavidade craniana. 
Os ossos parietal e frontal formam a metade dorsal da parede da fossa temporal, já 
descrita. 
 
2.54. Vista ventral do crânio 
A face ventral do crânio apresenta-se dividida em duas porções bem distintas: rostral e 
caudal. 
A porção rostral apresenta-se como uma superfície bastante simples, onde se destacam 
o palato ósseo e os dentes. O palato ósseo apresenta-se ligeiramente côncavo e com um contorno 
aproximadamente retangular. Sua extremidade rostral é formada pelos corpos dos ossos 
incisivos, que, como já foi mencionado, não apresentam alvéolos dentários. A fissura 
interincisiva é uma pequena fenda mediana situada entre os corpos dos incisivos. Dos corpos 
dos incisivos destacam-se duas delgadas lâminas ósseas, os processos palatinos dos incisivos, 
que se dirigem caudalmente e delimitam, juntamente com a maxila de cada lado, duas fendas 
alongadas, as fissuras palatinas, dispostas longitudinalmente. O restante do palato ósseo é 
formado pelos processos palatinos das maxilas, rostralmente, e pelas lâminas horizontais dos 
palatinos, caudalmente. Os forames palatinos maiores são dois orifícios situados na parte caudal 
do palato ósseo. Nos bovinos, eles situam-se nas lâminas horizontais dos palatinos; nos 
38 
 
pequenos ruminantes, na sutura entre estes últimos e os processos palatinos das maxilas. Eles 
se continuam, rostralmente com duas depressões longitudinais discretas, os sulcos palatinos 
maiores, por onde correm os vasos e nervos de mesmo nome. 
A porção caudal da face ventral do crânio, ao contrário da rostral, é bastante irregular, 
apresentando inúmeras depressões, saliências e forames. Alguns destes já foram descritos nas 
faces lateral e caudal do crânio. Logo atrás do palato ósseo encontram-se duas lâminas ósseas 
verticais, mais ou menos paralelas. Elas são constituídas pelas lâminas perpendiculares dos 
ossos palatinos e pelos ossos pterigoides. O espaço entre as duas lâminas constituía a abertura 
caudal (coanas), da cavidade nasal. Entre cada lâmina e o extremo caudal da maxila do lado 
correspondentes forma-se uma depressão, a fossa pterigopalatina, na qual se encontram três 
forames: forame esfenopalatino, o maior e mais dorsal dos três; forame maxilar, estreito e meio 
oculto pela bula lacrimal e forame palatino caudal, o mais ventral, situado próximo à lâmina 
horizontal do palatino. 
O assoalho da cavidade craniana é formado no sentido caudorrostral, pelos seguintes 
ossos: parte basilar do occipital, basi-esfenóide e pré-esfenóide. Nos limites entre a parte basilar 
do occipital e o basi-esfenóide encontram-se duas saliências, os tubérculos musculares, bem 
desenvolvidos nos bovinos. Lateralmente a estes e na frente da bula timpânica encontram-se o 
forame oval, por onde emerge o nervo mandibular. Entre a bula timpânica e a parte basilar do 
occipital permanece uma fenda, a fissura petro-occipital. No fundo desta fissura encontra-se 
uma ampla abertura, o forame jugular, pelo qual emergem os nervos glossofaríngeo, vago e 
acessório. Logo atrás da fissura petro-occipital e lateralmente ao côndilo do occipital situa-se 
uma depressão, a fossa condilar, na qual se encontram um ou dois orifício, os canais do nervo 
hipoglosso. 
Rostralmente, o assoalho da cavidade craniana é formado pelos ossos basi-esfenóide e 
pré-esfenóide. Estes dois ossos são unidos por cartilagem, que se ossifica nos animas mais 
velhos. O pré-esfenóide, visto ventralmente, apresenta-se em sua maior parte encoberto pelo 
osso vômer, que se estende rostralmente para participar da formação do septo nasal. 
 
2.55. Osso hióide 
O hióide é um osso composto que se encontra entre a cabeça e o pescoço. Dorsalmente, 
articula-se com o processo estiloide do temporal, ventralmente, prende-se à língua e à laringe. 
Um grande número de músculos insere-se neste osso. 
O osso hióide é constituído dos seguintes segmentos: basi-hióide, tireo-hióide, cerato-
hióide, epi-hióide e estilo-hióide. O basi-hióide é ímpar, dispõe-se transversalmente e de sua 
39 
 
borda rostral projeta-se o processo lingual. Os tireo-hióides projetam-se do basi-hióide e 
dirigem-se caudalmente para se articular com a cartilagem tireóidea da laringe. Cada cerato-
hióide é uma projeção óssea dorsal que se articula com o epi-hióide. Este é um pequeno 
segmento ósseo interposto entre o cerato-hióide e o estilo-hióide. O estilo-hióide é o maior 
segmento ósseo do hióide é uma lâmina issea alongada que se dirige dorsocaudalmente para se 
prender no processo estiloide do temporal. 
 
3. JUNTURAS 
 
3.1. Introdução ao estudo das junturas 
 
3.2. Conceito 
Junturas são os meios pelos quais as partes rígidas do animal (ossos e, em alguns casos, 
cartilagens) se unem para formar o esqueleto. Além de sua função de união, um tipo especial 
de juntura – a juntura sinovial ou articulação propriamente dita – é constituída de modo a 
permitir o movimento de um segmento em relação ao outro. 
 
3.3. Classificação das junturas 
De acordo com a natureza do meio de união entre as superfícies articulares, as junturas 
são classificadas em três tipos: fibrosa, cartilaginosa e sinoviais. 
 
3.4. Junturas fibrosas 
São aquelas na quais a união entre dois ossos contíguos é constituída por tecido 
conjuntivo fibroso. Três tipos de junturas fibrosas são reconhecidos. 
Suturas: são as junturas fibrosas que ocorrem entre os ossos do crânio. De acordo com 
a morfologia das bordas articulares, as suturas classificam-se em planas (bordas articulares mais 
ou menos retilíneas, como na sutura internasal), escamosa (bordas articulares encaixando-se em 
bisel, como na sutura entre a lâmina horizontal do palatino e o processo palatino da maxila) e 
serrata (bordas articulares unindo-se em linha dentada, como na sutura interfrontal). No feto, a 
quantidade de tecido conjuntivo fibroso entre as bordas articulares é maior, o que confere aos 
ossos do crânio fetal um certo grau de mobilidade. Após o nascimento, com a idade, ocorre um 
processo de ossificação progressiva das suturas – sinostoses – com perda de mobilidade dos 
ossose, em muitos casos, dos seus limites. 
40 
 
Sindesmoses: São junturas fibrosas que ocorrem entre outros ossos que não os do crânio. 
Como exemplo, citam-se as uniões fibrosas que ocorrem entre cartilagens costais adjacentes. 
Com a idade, estas junturas também ossificam-se. 
Gonfose: é um termo especial utilizado para designar a juntura fibrosa entre a raiz do 
dente se seu alvéolo. 
 
3.5. Junturas cartilaginosas 
São aquelas em que o meio de união entre as superfícies articulares é constituído por 
tecido cartilaginoso e/ou fibrocartilagem. Segundo a natureza histológica da cartilagem de 
união, classificam-se em dois tipos. 
Sincondrose: Juntura cartilaginosa em que o meio de união é constituído por cartilagem 
hialina. Exemplos: sincondrose mandibular, nos bovinos. Com a idade, as sincondroses 
frequentemente ossificam-se. 
Sínfise: juntura cartilaginosa em que os ossos estão unidos por cartilagem fibrosa.Como 
exemplos, citam-se a sínfise pélvica e a união entre os corpos das vértebras (disco 
intervertebrais). Como as sincondroses, as sínfises podem ossificar-se com a idade, reduzindo 
progressivamente a mobilidade entre os ossos unidos. 
 
3.6. Junturas sinoviais 
São aquelas nas quais o meio interposto entre as superfícies articulares é um fluido 
especial – o liquido sinovial. Constituem as articulações propriamente ditas, junturas que têm a 
função de, além de unir dois ou mais elementos ósseos, possibilitar o deslocamento de um em 
relação a outro, resultando em movimento dos segmentos corporais. 
As junturas sinoviais são caracterizadas pela presença de capsula articular. Este é uma 
estrutura membranosa que envolve, à semelhança de um manguito, as extremidades dos ossos 
envolvidos. Assim, a cápsula articular delimita uma cavidade – cavidade articular – na qual está 
contido o liquido sinovial. A cápsula articular é constituída por duas túnicas: uma externa 
membrana fibrosa, e outra interna, membrana sinovial. A membrana fibrosa é resistente, 
formada por tecido conjuntivo denso; em alguns pontos, ela pode ser reforçada por faixas 
fibrosas mais espessas, os ligamentos capsulares. A membrana sinovial é lisa, brilhante e 
reveste internamente toda a cápsula articular. Em determinados pontos, ela forma expansões, 
as pregas e vilos sinoviais, que se projetam no interior da cavidade articular. É bastante inervada 
e vascularizada. O líquido sinovial, produzido pelas membranas sinoviais, é um fluído claro, 
transparente e dotado de viscosidade, devido à presença de mucinas; contém também albumina, 
41 
 
sais, gotículas lipídicas e resíduos celulares. Sua função primordial é lubrificar as superfícies 
articulares. De modo a reduzir o atrito e desgaste entre elas. Admite-se que desempenha função 
no transporte de nutrientes para as cartilagens articulares, que são avasculares, bem como na 
remoção de seus catabólitos. 
As cartilagens articulares são de natureza hialina e revestem toda a superfície de contato 
de um osso com outro. Elas são desprovidas de vascularização e de inervação. 
Na grande maioria das articulações, a função de união da cápsula articular é reforçada 
pelas presenças de faixas resistentes de tecido conjuntivo fibroso, os ligamentos. Além dos já 
mencionados ligamentos capsulares, situados na espessura da própria cápsula articular, existem 
ligamentos extracapsulares, como o nome indica, situam-se externamente à cápsula articular. 
Os ligamentos extracapsulares, como o nome indica, situam-se externamente à cápsula 
articular. Os ligamentos intra-articulares situam-se no interior da cavidade articular. 
Em algumas articulações encontram-se, interpostas entre as superfícies articulares, 
estruturas fibrocartilaginosas, os discos e os meniscos intra-articulares. Para ele, admitem-se 
duas funções: a) amortecer as pressões sobre a articulação; b) possibilitar melhor adaptação ou 
congruência de uma superfície articular à outra, facilitando o deslizamento. Meniscos são 
encontrados na articulação do joelho, enquanto disco intra-articular ocorre na articulação 
temporomandibular. 
Também no interior da cavidade articular pode ser encontrados acúmulos de tecido 
adiposo, revestidos por membranas sinovial, formando coxins mais ou menos desenvolvidos, 
como, por exemplo, o coxim adiposo infrapatelar da articulação do joelho. 
Em algumas articulações, a borda da superfície articular côncava é guarnecida por um 
anel de fibrocartilagem, formando estruturas chamadas lábios: lábio glenoidal, na cavidade 
glenóide, da escápula e lábio acetabular, no acetábulo do quadril, os lábios aumentam a 
profundidade da superfície articular e tendem a evitar fraturas de sua borda. 
 
3.7. Principais movimentos executados nas junturas sinoviais 
Em uma articulação, o movimento faz-se em torno de um eixo, que é sempre 
perpendicular ao plano no qual os segmentos ósseos envolvidos se movimentam. Os principais 
movimentos executados nas articulações são os seguintes: 
• Movimentos Angulares: Nestes movimentos ocorre diminuição ou aumento do 
ângulo entre o segmento que se desloca e àquele que se mantém fixo. No 
primeiro caso, ocorre flexão e no segundo, extensão. Quando o segmento móvel 
42 
 
se aproxima do plano mediano, ocorre adução e quando se afasta do mesmo 
plano, ocorre a abdução. 
• Rotação: é o movimento no qual o segmento gira em torno de seu próprio eixo 
longitudinal. Distinguem-se rotação no sentido do plano mediano ou pronação e 
rotação em sentindo oposto ou supinação. Estes movimentos são muitos 
limitados nos animais domésticos, mas rotação típica ocorre na articulação entre 
atlas e áxis. 
• Circundução: É um movimento complexo, resultante da combinação dos 
movimentos de adução, extensão, abdução, flexão e rotação. O extremo distal 
do segmento um cone, cujo vértice é a própria articulação. Nas grandes espécies 
domesticas, como o boi e o cavalo, este movimento é bastante limitado. 
 
3.8. Classificação funcional das junturas sinoviais 
De acordo com o número de eixos em torno dos quais se realizam os movimentos, 
as articulações classificam-se em três tipos: 
• Monoaxiais: Quando os movimentos se realizam em torno de um único eixo e em 
um único plano. Permitem apenas flexão e extensão, ocorrendo na grande maioria das 
articulações entre ossos dos membros; 
• Biaxiais: Quando os movimentos podem se realizar em torno de dois eixos e, 
portanto, em dois planos, permitindo flexão e extensão, adução e abdução. Um exemplo 
típico é a articulação temporomandibular; 
 • Triaxiais: Quando os movimentos podem se executar em torno de três eixos, 
permitindo flexão, extensão, adução, abdução, rotação e, resultando da combinação de 
todos, circundução. Como exemplo, cita -se a articulação do quadril. 
 
3.9. Classificação morfológica das junturas sinoviais 
De acordo com a forma das superfícies articulares, as articulações classificam-se nos 
seguintes tipos: 
• Plana: Articulação em que as superfícies articulares são planas ou ligeiramente curvas, 
permitindo apenas deslizamento de uma sobre a outra em qualquer direção. Exemplo: 
articulação entre os ossos do carpo; 
• Gínglimo: Articulação que permite apenas movimentos angulares de flexão e 
extensão, à maneira de dobradiça. O nome, no caso, não se refere à morfologia das superfícies 
articulares, mas à aparência do movimento executado. Exemplo: articulação do cotovelo; 
43 
 
• Cilindróide: Articulação em que as superfícies articulares são segmentos de cilindro, 
permitindo, portanto, movimentos de rotação. Exemplo: articulação entre o atlas e o dente do 
áxis; 
• Condilar: Articulação em que uma superfície articular ovóide, o côndilo, se aloja em 
uma cavidade elíptica. É do tipo biaxial, permitindo flexão e extensão, adução e abdução. 
Exemplo: articulação temporomandibular; 
• Esferóide: Articulação em que uma das superfícies articulares é um segmento de 
esfera e oposta é uma concavidade na qual a primeira se encaixa. É do tipo triaxial, permitindo 
movimentos de flexão, extensão, adução, abdução, rotação e circundução. Exemplos: 
articulação entre a cavidade glenóide e a cabeça de escápula e a cabeça do úmero (ombro) e 
entre o acetábulo e a cabeça do fêmur (quadril). 
 
3.10. Articulações do Membro Torácico 
 
3.11. Articulação do Ombro 
É a articulação entre a cavidade glenóide da escápula e a cabeça do úmero. é do tipo 
esferoide e tri-axial, permitindo movimentos de flexão, extensão, adução, abdução, rotação e 
circundução. Os quatro últimos movimentos são, no entanto, bastante limitados pela massa 
muscular adjacente. Nesta articulação, a união entre as extremidades ósseas é mantida apenas 
pela cápsula articular e pelos músculos e tendões que a cruzam, não existindo ligamentos. A 
borda da cavidade glenóide é guarnecida por um anel de fibrocartilagem, o lábio glenoidal. 
 
3.12. Articulação docotovelo 
 Esta articulação composta envolve a tróclea e capitulo do úmero, as duas superfícies 
articulares da cabeça do rádio e a incisura troclear do olécrano. É do tipo gínglimo e uniaxial, 
permitindo apenas movimentos de flexão e extensão. Além da cápsula articular, as 
extremidades do úmero e do rádio são mantidas unidas por dois ligamentos, intimamente 
aderidos à capsula: ligamento colateral lateral, que se estende do epicôndilo lateral do úmero a 
uma pequena elevação na face lateral da cabeça do rádio e o ligamento colateral medial, que 
une o epicôndilo medial do úmero à face medial da cabeça do rádio. A cabeça e colo do rádio 
estão, por sua vez, unidos à ulna pelos ligamentos rádioulnares lateral e medial, pouco 
desenvolvidos. No bovino, os ligamentos rádioulnares comumente ossificam-se no adulto. 
 
 
44 
 
 
3.13. Articulação do carpo 
 É uma articulação composta complexa, podendo ser subdividida em três porções: 
articulação rádio-ulno-cárpica, entre os extremos distais do rádio e ulna e a fileira proximal dos 
ossos do carpo; articulação intercárpica, entre a fileira proximal e a fileira distal dos ossos do 
carpo e articulação carpometacárpica, entre a fileira distal dos ossos cárpicos e a extremidade 
proximal dos ossos metacárpicos. As três porções estão envolvidas por uma cápsula articular 
comum, que se prende proximalmente na extremidade distal do rádio e distalmente na 
extremidade na extremidade proximal do metacarpo. Dois ligamentos extracapsulares estão 
presentes: ligamento colateral lateral e ligamento colateral medial. O ligamento colateral lateral 
do carpo estende-se do processo estilóide da ulna à face lateral da extremidade proximal do 
metacarpo. O ligamento colateral medial do carpo, mais largo que o lateral, une a face medial 
do extremo distal do rádio à face medial do extremo proximal do metacarpo. Ambos os 
ligamentos colaterais estão intimamente aderidos à cápsula articular. Além destes, inúmeros 
ligamentos intra-articulares estão presentes na articulação do carpo. Assim, na face dorsal 
encontram-se os ligamentos intercárpicos dorsais, unindo entre si os ossos do carpo, e os 
ligamentos carpometacárpicos dorsais, que ligam os ossos da fileira distal do carpo aos ossos 
do metacarpo. Correspondentemente, na face palmar do carpo existem ligamentos intercárpicos 
palmares e ligamentos carpometacárpicos palmares, difíceis de serem individualizados devido 
à grande espessura da cápsula articular nesta área. Finalmente, existem vários ligamentos 
intercárpicos interósseos, que unem entre si as faces de contacto dos ossos do carpo. 
 Considerada como um todo. A articulação do carpo funciona como um gínglimo e é 
uniaxial, permitindo apenas flexão e extensão. Entre os ossos cárpicos e o metacarpo, no 
entanto, as articulações são planas, permitindo ligeiro deslizamento de uma superfície sobre 
outra. 
 
3.14. Articulação metacarpofalângica 
 É também uma articulação composta do tipo gínglimo, formada entre as duas trócleas 
do metacárpico III e IV, as superfícies articulares proximais das falanges proximais e os quatro 
sesamóides proximais. É do tipo uniaxial, permitindo apenas flexão e extensão. 
 Nesta articulação participam inúmeros ligamentos, além do músculo interósseo III e 
IV, que, nos ruminantes, é quase que exclusivamente tendíneo e funciona como ligamento, 
fazendo parte do sistema passivo de suporte do corpo do animal. Os principais ligamentos a 
serem identificados são os seguintes: ligamentos colaterais abaxiais, unindo, a cada lado, o 
45 
 
extremo distal do metacarpo à face abaxial de cada falange proximal; ligamentos sesamóides 
colaterais, que unem cada sesamóide abaxial à face abaxial de cada falange proximal; 
ligamentos intersesamóideos, que unem entre si os quatro sesamóides proximais; ligamento 
sesamóideos oblíquos, que unem o tubérculo axial de cada falange proximal ao sesamóide axial 
do lado oposto; ligamento interdigital proximal, que une as faces axiais das falanges proximais 
entre si, impedindo divergência excessiva entre os dois dedos principais. O músculo interósseo 
III e IV será descrito no capítulo referente a músculos do membro torácico. 
 
3.15. Articulação interfalângica proximal 
 É a articulação entre as falanges proximal e média; é do tipo gínglimo e uniaxial, 
permitindo movimentos de flexão e extensão. Seus principais ligamentos são o colateral 
abaxial, que une as faces dorso-abaxiais das falanges proximal e média; colateral axial, que se 
prende nas faces axiais das falanges proximal e média; palmar axial, que une as faces palmares 
das falanges proximal e média. Ligando entre si as falanges médias dos dedos principais 
encontra-se o ligamento interdigital distal ou cruzado; proximalmente ele se prende no 
tubérculo abaxial e, distalmente, no sesamóide distal e na face axial da falange média do lado 
oposto. 
 
3.16. Articulação interfalângica distal 
 É formada pela extremidade distal da falange média, pela extremidade proximal da 
falange distal e pelo osso sesamóide distal, estando parcialmente contida dentro do casco. É do 
tipo gínglimo, uniaxial, mas seus movimentos de flexão e extensão são limitados pela presença 
do casco. Seus principais ligamentos são o colateral abaxial, que se prende proximalmente na 
face abaxial da falange média e distalmente na face parietal da falange distal e no sesamóide 
distal; colateral axial, que une as faces axiais das falanges média e distal; ungulosesamóide 
axial, que une a face axial do sesamóide distal à face axial da falange distal. 
 
3.17. Articulações do membro pélvico 
 
3.18. Articulação sacro-ilíaca 
É a articulação entre a face sacropélvica da asa do ílio e a base do sacro. É do tipo plano, 
mas no adulto suas superfícies articulares não são lisas e sua mobilidade é muito reduzida. A 
cápsula articular é reforçada, na maior parte do seu contorno, por feixes fibrosos que formam o 
ligamento sacro-ilíaco ventral. 
46 
 
 O osso do quadril está também unido ao sacro e às primeiras vértebras coccígeas pelo 
ligamento sacrotuberal. Este é uma extensa e resistente lâmina conjuntiva que se prende 
dorsalmente na crista sacral lateral e nos processos transversais das primeiras vértebras 
coccígeas e ventralmente na espinha e túber isquiáticos. Constitui grande parte da parede lateral 
da cavidade pélvica, mas interrompe-se ao nível das incisuras isquiáticas maior e menor, de 
modo a formar com estas os forames isquiáticos maior e menor. 
 Os pubes e ísquios de lados opostos estão unidos no plano mediano por uma lâmina de 
fibrocartilagem, constituindo esta união a sínfise pélvica. Com a idade, esta sínfise ossifica-se 
progressivamente. 
 
3.19. Articulação do quadril 
É formada pelo acetábulo e pela cabeça do fêmur. Como a articulação do ombro, é do 
tipo esferóide e triaxial; seus movimentos incluem flexão, extensão, adução, abdução, rotação 
e circundução. Sua cápsula articular prende-se proximalmente na borda do acetábulo e 
distalmente no colo do fêmur. A borda do acetábulo é guarnecida por um espesso anel de 
fibrocartilagem, o lábio acetabular; este ao nível da incisura acetabular cranial recebe o nome 
de ligamento transverso do acetábulo. No interior da cavidade articular encontra-se o ligamento 
da cabeça do fêmur, que se prende na fossa acetabular e na fóvea da cabeça do fêmur. 
 
3.20. Articulação do joelho 
 É uma articulação composta. Considerada como um todo é do tipo gínglimo e uniaxial, 
permitindo quase que exclusivamente flexão e extensão. Pode ser dividida em duas porções: 
articulação femoropatelar e articulação femorotibial. 
 A articulação femorapatelar faz-se entre a tróclea do fêmur e a superfície articular da 
patela. A patela está presa ao fêmur por dois ligamentos: ligamento femoropatelar lateral, que 
se estende da borda lateral da patela até o epicôndilo lateral do fêmur, e ligamento femoropatelar 
medial,que une a cartilagem da patela a uma área acima do epicôndilo medial do fêmur. 
Distalmente, a patela prende-se à tuberosidade da tíbia por três potentes faixas fibrosas, os 
ligamentos patelares lateral, intermédio e medial. 
 A articulação femorotibial é aquela entre os côndilos do fêmur e os côndilos da tíbia. 
Entre as duas superfícies articulares interpõem-se os meniscos lateral e medial, constituídos por 
fibrocartilagem e unidos à tíbia e ao fêmur por vários ligamentos. Dois ligamentos 
extracapsulares unem o fêmur à tíbia: ligamento colateral lateral, que se estende do epicôndilo 
lateral do fêmur à face lateral da cabeça da tíbia, na área de fusão com a cabeça da fíbula; 
47 
 
ligamento colateral medial, que une o epicôndilo medial do fêmur à face medial da cabeça da 
tíbia. Os ligamentos intra-articulares são os seguintes: ligamento meniscofemoral, que se 
estende da face caudal do menisco lateral ao côndilo medial do fêmur; ligamento cruzado 
cranial, que se estende da área intercondilar cranial da tíbia à face medial do côndilo lateral do 
fêmur; ligamento cruzado caudal, que cruza com o anterior, estendendo-se da incisura poplítea 
da tíbia à fossa intercondilar do fêmur; ligamentos craniais dos meniscos, que unem, de cada 
lado, as faces craniais dos meniscos lateral e medial à eminência intercondilar da tíbia; 
ligamentocaudal do menisco lateral, que liga a face caudal do menisco lateral à incisura poplítea 
e ligamento caudal do menisco medial, da face caudal deste menisco à área intercondilar caudal. 
 O corpo adiposo infrapatelar situa-se distalmente à patela, profundamente aos 
ligamentos patelares; nas peças preparadas, ele é retirado para visualização dos ligamentos 
intra-articulares. 
 
3.21. Articulação do tarso 
 É também uma articulação composta. Funciona, em conjunto, como gínglimo, sendo 
os seus movimentos apenas flexão e extensão. Entre os ossos do tarso e estes e o metatarso, no 
entanto, as articulações são planas, permitindo certo grau de deslizamento. Como no carpo, a 
articulação do tarso pode ser dividida em três porções: tibiotársica, entre a cóclea da tíbia, o 
tálus e o calcâneo; intertársica, entre a fileira proximal e a fileira distal dos ossos do tarso e 
tarsometatársica, entre os ossos da fileira distal do tarso e a base do metatarso. 
 As três porções são envolvidas por uma na extremidade distal da tíbia e distalmente na 
base do metatarso. A cada lado da articulação do tarso dispõem-se dois ligamentos colaterais, 
longo e curto. O ligamento colateral lateral longo estende-se da face lateral da extremidade 
distal da tíbia e osso maleolar à base do metatarso; o ligamento colateral lateral curto passa 
profundamente ao primeiro e suas fibras dirigem-se para trás, indo inserir-se no calcâneo. Os 
ligamentos colaterais mediais, longo e curto, originam-se no maléolo medial. O longo insere-
se no osso centroquarto e o curto no tálus e calcâneo. Além destes, uma espessa faixa fibrosa, 
o ligamento plantar do tarso, estende-se desde a face plantar do calcâneo até a face plantar da 
base do metatarso, reforçando por detrás a articulação. 
 Os ligamentos intra-articulares são numerosos, unindo entre si os ossos do tarso e estes 
ao metatarso. 
 
3.22. Articulações metatarsofalângica e interfalângicas 
 São semelhantes às correspondentes do membro torácico 
48 
 
3.23. Articulações da cabeça 
A única juntura sinovial encontrada na cabeça é a articulação temporomandibular, entre 
a parte escamosa do temporal (tubérculo articular e fossa mandibular) e a cabeça da mandíbula. 
Entre as duas superfícies articulares dispõe-se uma estrutura fibrocartilaginosa, o disco 
articular, cuja borda está aderida à cápsula articular. É uma articulação do tipo condilar, biaxial, 
permitindo movimentos de flexão, extensão e lateralidade. É bastante móvel e em grande 
importância no mecanismo de mastigação. As mandíbulas movimentam-se num plano vertical, 
em torno de um eixo que passa pelas duas articulações temporomandibulares, aproximando-se 
ou afastando-se da maxila. Os movimentos de lateralidade, importantes na trituração do 
alimento, resultam de uma ligeira rotação das cabeças das mandíbulas em torno de um eixo 
vertical. 
 As demais junturas entre ossos do crânio são, em sua maioria, suturas. Estas são de 
vários tipos (plana, escamosa, serreada) e recebem seus nomes de acordo com os dois ossos 
unidos: sutura frontonasal, sutura internasal, sutura temporoparietal, etc. sincondroses são 
encontradas entre os corpos das mandíbulas (sincondrose mandibular), entre a parte basilar do 
occipital e o basiesfenóide (sincondrose esfeno-occipital), entre o basiesfenóide e o pré-
esfenóide (sincondrose interesfenoidal). Tanto as suturas como as sincondroses frequentemente 
ossificam-se com a idade. 
 
3.24. Articulações da coluna vertebral 
Ao longo da coluna vertebral, os corpos das vértebras estão unidos entre si por estruturas 
fibrocartilaginosas denominadas discos intervertebrais. Cada disco intervertebral apresenta um 
anel fibroso periférico e uma área central de consistência mole, o núcleo pulposo. Este último 
é um remanescente da notocorda, sendo a fibrocartilagem aí substituída por tecido conjuntivo 
do tipo mucoso. Além dos discos intervertebrais, os corpos vertebrais estão unidos pelos 
ligamentos longitudinais dorsal e ventral. O ligamento longitudinal dorsal dispõe-se ao longo 
das faces dorsais dos corpos das vértebras e dos discos intervertebrais, estendendo-se do áxis 
até o sacro. O ligamento longitudinal ventral une as superfícies ventrais dos corpos vertebrais 
e dos discos intervertebrais, estendendo-se da região torácica ao sacro; é particularmente bem 
desenvolvido ao nível das vértebras lombares. 
 Os arcos vertebrais articulam-se entre si por meio de junturas sinoviais entre os 
processos articulares craniais e caudais de vértebras adjacentes. 
 Os processos espinhosos das vértebras estão unidos pelos ligamentos supraespinhoso e 
interespinhosos. O ligamento supraespinhoso une os ápices dos processos espinhosos, 
49 
 
estendendo-se ao longo de toda a coluna. Os ligamentos interespinhosos são lâminas 
fibroelásticas que unem cada processo espinhoso ao subsequente, ocluindo os espaços entre 
eles. 
 O ligamento da nuca é um potente ligamento fibroelástico, que se prende cranialmente 
na protuberância occipital externa e nos processos espinhosos das vértebras cervicais e 
caudalmente nos processos espinhosos das vértebras torácicas. Sua principal função é auxiliar 
na manutenção da cabeça e pescoço e mantê-los eretos. Ele é dividido em duas porções: parte 
funicular e parte laminar. A parte funicular é um cordão espesso que se estende 
longitudinalmente da protuberância occipital externa até os processos espinhosos das vértebras 
torácicas; ao nível das vértebras lombares, ele desaparece fundindo-se com o ligamento 
supraespinhoso. A parte laminar é achatada verticalmente e une os processos espinhosos das 
vértebras cervicais, exceto o atlas, à parte funicular; dispõe-se longitudinalmente, separando os 
lados direito e esquerdo da musculatura dorsal do pescoço. 
 As junturas intervertebrais permitem movimentos de flexão dorsal, flexão ventral, 
flexão lateral e rotação. Entre uma vértebra e outra estes movimentos são pequenos, mas de sua 
soma resultam movimentos consideráveis de um segmento da coluna em relação a outro. As 
vértebras cervicais e coccígeas são as que se movimentam mais livremente. 
 A articulação atlanto-occipital é formada pelos côndilos do occipital e as fóveas 
articulares craniais do atlas. Morfologicamente, é do tipo condilar, mas na realidade funciona 
como um gínglimo, permitindo quase que só flexão e extensão da cabeça; pequeno movimento 
de lateralidade pode, no entanto, ocorrer. As duas cápsulas articulares são reforçadas pela 
presença das membranas atlanto-occipital dorsal e ventral, que unem, respectivamente,as 
bordas dorsal e ventral do forame magno aos arcos dorsal e ventral do atlas. Além destas, há os 
ligamentos laterais, que se prendem cranialmente nos processos jugulares do occipital e 
caudalmente nas bordas das asas do atlas. 
 A articulação atlantoaxial envolve, de um lado, as fóveas articulares caudais e a fóvea 
do dente no atlas e, de outro, os processos articulares craniais e o dente do áxis. É uma típica 
articulação cilindroide, funcionando o dente do áxis como o eixo de rotação do atlas e, por 
consequência, da cabeça. Além da cápsula articular, as superfícies articulares são mantidas 
unidas pelos seguintes ligamentos: ligamento interespinhoso, que se estende do tubérculo dorsal 
do atlas ao processo espinhoso do áxis; ligamento do dente do áxis, que, une a face dorsal do 
dente à uma área rugosa na face interna do arco ventral do atlas. 
 
 
50 
 
3.25. Articulações costovertebrais 
 Compreendem duas articulações separadas: articulação da cabeça da costela e 
articulação costotransversal. São ambas junturas sinoviais, dotadas de cápsula articular e 
ligamentos. Na articulação da cabeça da costela existem dois ligamentos: radiado e intra-
articular. O radiado estende-se ventralmente do colo da costela aos corpos de duas vértebras 
adjacentes e ao disco intervertebral. O intra-articular, situado dentro da cápsula articular, une a 
cabeça da costela à face dorsal do corpo da vértebra correspondente. Na articulação 
costotransversal, o processo transverso de cada vértebra está unida à parte não-articular do 
tubérculo da costela pelo ligamento costotransversal, bem evidente. 
 Nas articulações costovertebrais, o movimento executado, quando as costelas se 
expandem na inspiração, é o de rotação em torno de um eixo que passa pelo centro da cabeça e 
pelo tubérculo da costela. 
 
3.26. Articulações costocondrais, esternocostais e interesternebra is 
 As costelas estão unidas às respectivas cartilagens costais por junturas fibrosas; no 
bovino, no entanto, as junturas costocondrais da 2ª à 11ª costelas são sinoviais. Entre as 
cartilagens costais e o esterno, as junturas são também sinoviais, de modo a permitir rotação 
das cartilagens quando as costelas se expandem. As últimas cartilagens costais estão unidas 
entre si por tecido fibroelástico, formando o arco costal. 
 As esternébras estão unidas uma à outra pelas sincondroses interesternebrais, que 
tendem a se ossificar no adulto. Entre o manúbrio e o corpo do esterno, no entanto, a juntura é 
do tipo sinovial. 
 
4. INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO SISTEMA MUSCULAR 
 
4.1. Conceito 
Os músculos são órgãos responsáveis pelo movimento que os animais são capazes de 
realizar. O movimento deve-se à contração executada pelas células ou fibras musculares de 
determinado músculo. 
 O tecido muscular e, consequentemente, os músculos, são classificados, sob os pontos 
de vista morfológico e fisiológico, em três categorias: liso, cardíaco e esquelético. O músculo 
liso constitui uma das túnicas da maioria das vísceras ocas e dos vasos sanguíneos. Suas células 
são fusiformes e não possuem estriações. O movimento resultante da contração das fibras 
51 
 
musculares lisas é lento e escapa ao controle voluntário do animal. O músculo cardíaco é um 
tipo especial. Ele é constituído por células alongadas e ramificadas, que se anastomosam com 
as vizinhas e possuem estriações transversais. O movimento resultante é rítmico, vigoroso e 
involuntário. O músculo esquelético é constituído por fibras estriadas esqueléticas, que são 
caracteristicamente longas, não anastomosadas e com estriações transversais. A contração do 
músculo esquelético é rápida, vigorosa e está sob a vontade do indivíduo (voluntária). 
 O vocábulo latino musculus significa pequeno camundongo (mus). O efeito da 
contração muscular sob a pele lembra o correr de um ratinho e esta é, provavelmente, a razão 
de sua denominação. Já o termo grego para musculo é mios, daí se originando os termos 
miologia (estudo dos músculos), miosite (inflamação do músculo), etc. 
 
4.2. Componentes estruturais do músculo esquelético 
 Os músculos esqueléticos são encontrados em situações diversas. A maioria deles 
apresenta-se individualizada, dispõe-se ao longo do esqueleto e cruza uma ou mais articulações. 
A contração destes músculos provoca o movimento dos segmentos ósseos interessados. Outros 
músculos não se encontram diretamente presos ao esqueleto. Neste caso, eles podem ser 
superficiais, de tal modo que estão ligados à pele. A sua contração provoca o movimento da 
própria pele. Eles são denominados músculos cutâneos. Há ainda outros músculos esqueléticos 
que se encontram relacionados com vísceras, nas quais eles guardam seus orifícios naturais; são 
denominados esfíncteres. 
 Cada fibra muscular é envolvida por uma tênue película de tecido conjuntivo 
denominada endomísio. Por sua vez, a fibras são agrupadas em feixes pelo perimísio, de 
composição morfológica semelhante à do endomísio. O epimísio envolve externamente todos 
os feixes de fibras de um determinado músculo. Os feixes musculares constituem a parte 
carnosa ou ventre de um músculo esquelético típico e, geralmente, situam-se na parte média 
deste músculo. As extremidades servem para fixação do músculo e são denominadas tendões 
ou aponeuroses. Os tendões têm forma aproximadamente cilíndrica ao passo que as 
aponeuroses são largas e finas. Como já foi apontado, alguns músculos deixam de se prender 
em ossos para assim o fazerem na pele, cartilagens, cápsulas articulares ou em outro músculo. 
Em muitos músculos, seus tendões são tão curtos que dão a impressão de estarem se prendendo 
no osso por meio de suas fibras musculares. 
 
 
 
52 
 
4.3. Origem e inserção 
 Toda vez que o músculo se contrai, uma de suas extremidades permanece fixa enquanto 
a outra se desloca. A extremidade que permanece fixa durante a contração denomina-se origem 
ou cabeça e a que se desloca constitui a inserção ou cauda do músculo. Todavia, como estes 
termos são convencionais, existem muitas situações em que se torna difícil reconhecer a origem 
e a inserção de um músculo. Nos membros torácicos e pélvicos, a origem é sempre proximal 
em relação à inserção. 
 
4.4. Bainhas Sinoviais 
 Em determinados locais, os tendões correm em contato com extensas superfícies 
ósseas. Aí, estes tendões são envolvidos por dupla membrana conjuntivo-sinovial, interligadas 
pelo mesotendão. A cavidade limitada pelas membranas é preenchida por líquido semelhante 
ao líquido sinovial das cavidades articulares. Este sistema facilita o deslocamento do tendão 
pela diminuição de seu atrito com as partes duras. Estas membranas são altamente 
vascularizadas e podem, ocasionalmente, inflamar-se, ocasionando graves afecções. A 
inflamação das bainhas sinoviais é denominada tendovaginite. 
 
4.5. Bolsas sinoviais 
 As bolsas sinoviais são sacos de tecido conjuntivo revestidos internamente por 
membrana sinovial e preenchidos por líquido viscoso semelhante ao sinovial. As bolsas 
sinoviais aparecem em pontos de atrito entre tendões e ossos e entre a pele e ossos. Tal como 
as bainhas, elas também auxiliam o movimento pela diminuição do atrito entre ar partes em 
contato. Algumas bolsas inflamam-se (bursites) com certa facilidade. 
 
4.6. Fáscias 
 As fáscias são lâminas de tecido conjuntivo que envolvem os músculos e, por 
conseguinte, separam-nos uns dos outros. Elas funcionam como uma bainha elástica para os 
músculos, tornando assim mais eficiente a ação muscular. A separação entre os músculos é feita 
por septos intermusculares que partem profundamente da fáscia e que podem se prender nos 
ossos. As fáscias proporcionam espaço para que nervos e vasos atinjam os músculos. 
 
4.7. Nomenclatura dos músculos 
 Os músculos são denominados de acordo com sua posição no esqueleto (ex: intercostal, 
peitoral, parótidoauricular, nasal), forma (ex: trapézio,romboide, serrátil, deltoide, grácil, 
53 
 
piriforme), direção de suas fibras (ex: reto, oblíquo, transverso) ou ainda de acordo com a ação 
que executa (ex: flexor, extensor, abdutor, tensor). 
 
4.8. Classificação dos músculos 
 Os músculos podem ser classificados segundo vários critérios. Abaixo estão algumas 
classificações mais comumente utilizadas. 
 
4.9. Quanto à disposição das fibras musculares 
 As fibras dos músculos esqueléticos estão paralelas ou obliquamente dispostas em 
relação ao eixo de contração do músculo. Fibras paralelas são encontradas nos músculos longos 
e nos largos. Nos músculos longos dos membros, as fibras tendem a convergir para os tendões, 
conferindo aspecto fusiforme ao músculo. Músculos que possuem fibras oblíquas em relação 
aos tendões são denominados peniformes (em forma de pena). Quando as fibras se prendem 
numa só borda do tendão, o músculo é do tipo unipenado; quando as fibras se prendem em duas 
bordas, ele é bipenado e quando elas se prendem em dois ou mais tendões, ele é classificado 
como multipenado. 
 
4.10. Quanto à origem 
 A maioria dos músculos apresenta apenas um tendão de origem. Os músculos que se 
originam por dois, três ou quatro tendões são denominados bíceps, tríceps ou quadríceps, 
respectivamente. Cada um destes tendões de origem é denominado cabeça, daí a razão da 
denominação destes músculos. 
 
4.11. Quanto ao ventre muscular 
 A maioria dos músculos esqueléticos possui apenas um ventre. Entretanto, alguns 
apresentam dois ou mais ventres. Os músculos com dois ventres são denominados digástricos. 
Músculos poligástricos são aqueles que possuem mais de dois ventres, como o musculo reto do 
abdome. 
 
4.12. Quanto à inserção 
 De modo geral, os músculos inserem-se por meio de um tendão. No entanto, alguns 
músculos inserem-se por dois tendões. Estes são denominados bicaudados. Músculos 
policaudados são aqueles que se inserem por mais de dois tendões. 
 
54 
 
5. INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO SISTEMA NERVOSO 
 
5.1. Considerações gerais 
Todo o organismo vivo é capaz de exercer funções básicas denominadas vegetativas, 
tais como reprodução, digestão, contractilidade e irritabilidade. Nos vertebrados superiores, as 
células são especializadas para exercerem uma ou mais destas funções. Por exemplo, a célula 
muscular é essencialmente contrátil, enquanto que o neurônio possui estrutura que lhe permite 
conduzir impulsos nervosos, daí dizer-se que o neurônio é caracteristicamente irritável. 
 O estudo filogenético e ontogenético do sistema nervoso auxilia o entendimento deste 
complexo sistema. À medida que sua complexidade aumenta na escala zoológica, permanecem 
padrões que podem ser reconhecidos nos níveis inferiores da evolução. 
 
5.2. Sistema nervoso difuso 
 Exemplo de sistema nervoso é observado, pela primeira vez na filogênese, em 
celenterados, como a hidra. Entre as camadas epiteliais que revestem externamente o corpo e 
internamente o tubo digestivo destes animais, encontram-se células nervosas constituindo redes 
por todo o seu corpo. Estas células nervosas estabelecem conexões com células sensitivas do 
ectoderma e com células musculares da camada interna. O estímulo proveniente do exterior 
distribui-se de maneira difusa por todo o organismo, com impulsos correndo na célula nervosa 
em qualquer direção. 
 
5.3. Centralização do sistema nervoso 
 A partir dos platelmintos e anelídeos, os animais tendem à centralização do sistema 
nervoso. Nestes animais, o sistema nervoso central é caracterizado pela presença de um órgão 
cerebral primitivo, situado na extremidade rostral do animal. O comportamento destes animais 
é mais complexo que o dos celenterados. Dois feixes de fibras nervosas partem daquele órgão 
cerebral e distribuem-se nos tecidos do animal. Nos anelídeos, de corpo segmentado, os dois 
feixes apresentam dilatações denominadas gânglios em cada segmento. Cada gânglio age como 
centro coordenador, que recebe os impulsos provenientes do segmento próprio. Para a 
locomoção do indivíduo, entre os diversos segmentos. Os neurônios que conduzem os impulsos 
da periferia para o gânglio são denominados neurônios aferentes ou sensitivos. Do gânglio 
partem impulsos para os órgãos efetuadores (músculos e glândulas) por meio dos neurônios 
55 
 
eferentes ou motores. Neurônios de associação são aqueles que estabelecem comunicação entre 
os diversos segmentos corporais e servem para auxiliar na coordenação do sistema nervoso. 
 
5.4. Arco reflexo 
 Ao se estimular adequadamente a superfície corporal do anelídeo, aparece 
imediatamente a contração do segmento envolvido. O arco reflexo simples consiste na 
possibilidade de se responder, segmentar e involuntariamente, a um estímulo apropriado. Os 
elementos envolvidos no arco reflexo simples são o receptor, o neurônio sensitivo, o gânglio 
(centro modulador onde ocorre a sinapse), o neurônio motor e o órgão efetuador (músculo). 
Como a contração se efetua apenas num segmento, este reflexo é conhecido como 
intrasegmentar. Quando o reflexo envolve mais de um segmento, ele recebe o nome de 
intersegmentar e o neurônio de associação é o responsável pela difusão do impulso para os 
diversos segmentos envolvidos. 
 
5.5. Organização geral do sistema nervoso 
 
5.6. Divisão anatômica do sistema nervoso 
 Vimos que, durante a filogênese, o sistema nervoso passa de difuso a centralizado. Com 
isto, os estímulos do ambiente, tanto interno quanto externo, têm que ser levados da periferia 
para o centro coordenador e daí para os órgãos efetuadores. Assim, podemos dividir o sistema 
nervoso dos animais em sistema nervoso central (SNC) e sistema nervoso periférico (SNP). O 
primeiro está alojado na cavidade craniana e no canal vertebral. O segundo localiza-se por fora 
deste esqueleto axial. Como esta divisão tem interesse principalmente didático, ela não é 
absoluta, pois os dois sistemas estão intimamente ligados, tanto morfológica quanto 
funcionalmente. O SNC é composto do encéfalo, que está localizado no crânio, e da medula 
espinhal, situada dentro do canal vertebral. O encéfalo pode ser ainda subdividido em cérebro, 
cerebelo e tronco encefálico. O tronco encefálico é formado pelo istmo (mesencéfalo), ponte e 
bulbo. 
 O SNP é constituído de nervos (espinhais e cranianos), gânglios e terminações 
nervosas. Os nervos são cordões esbranquiçados, formados por fibras nervosas, que unem o 
sistema nervoso central aos órgãos periféricos. Os nervos espinhais estão ligados à medula 
espinhal, enquanto que os nervos cranianos ligam-se ao encéfalo. O número de nervos espinhais 
é variável nas espécies domésticas e está relacionado com o número de vértebras. Os nervos 
cranianos, por outro lado, têm o mesmo número em todos os animais domésticos. Os gânglios 
56 
 
podem ser sensitivos ou motores viscerais. Estes últimos pertencem ao sistema nervoso 
autônomo. As terminações nervosas são encontradas nas extremidades distais das fibras 
nervosas e podem ser sensitivas ou motoras. 
 
5.7. Divisão segmentar ou metamérica do sistema nervoso 
 O sistema nervoso central está ligado ao sistema nervoso periférico pelos nervos. A 
conexão entre estas partes se faz de uma maneira ordenada e por segmentos. Daí podemos 
dividir o SN em segmentar e suprasegmentar. O primeiro engloba o sistema nervoso periférico 
e as partes do sistema nervoso central que estão ligadas aos nervos, isto é, a medula espinhal e 
o tronco encefálico. O segundo é constituído pelo cérebro e cerebelo. Estruturalmente, as partes 
que compõem cada um destes sistemas são semelhantes. No segmentar, a substância branca 
recobre a cinzenta, enquanto que na suprasegmentar a substância branca é envolvida pela 
cinzenta. O suprasegmentar controla todas as atividades do segmentar. 
 
5.8. Divisão funcional do sistema nervoso 
 Funcionalmente, o sistema nervoso pode ser dividido em sistema nervoso davida de 
relação e sistema nervoso visceral. 
 O sistema nervoso da vida de relação ou somático tem a função de integrar o animal no 
ambiente que o cerca. Assim, ele possui uma parte aferente, que conduz os estímulos captados 
na superfície corporal e proveniente do ambiente. A parte eferente transporta impulsos 
adequados para os músculos estriados esqueléticos, responsáveis pela locomoção do animal e 
pela sua integração no ambiente. 
 O sistema nervoso visceral, também denominado vegetativo ou autônomo, está 
relacionado com a inervação das vísceras. O controle visceral por este sistema é um mecanismo 
importante na manutenção da hemostasia (constância do meio interno). Ele possui também uma 
parte aferente e outra eferente. O componente aferente conduz impulsos originados ao nível das 
vísceras, em visceroreceptores, para o sistema nervoso central. A parte eferente é constituída 
por fibras que conduzem impulsos originados no SNC até as vísceras, onde terminam em 
músculo liso, em músculo cardíaco ou em glândulas. A parte eferente é considerada como 
sistema nervoso autônomo propriamente dito e pode ser dividida em simpático e 
parassimpático. 
 
 
 
57 
 
5.9. Organização e funcionamentos gerais do sistema nervoso 
 Os impulsos originados de estímulos provenientes do exterior (ex: pele) ou do interior 
do animal (músculos, tendões, articulações e vísceras) percorrem fibras nervosas de neurônios 
sensitivos, cujos corpos estão situados em gânglios sensitivos. Destes neurônios partem outras 
fibras que penetram no SNC (na medula ou no tronco encefálico). Estas fibras podem ir direta 
ou indiretamente a neurônios motores, cujos corpos situam-se dentro do SNC. Destes neurônios 
partem fibras eferentes que irão estimular músculos ou glândulas. Está formado assim o arco 
reflexo (intra ou intersegmentar). É o que acontece quando o animal toma uma picada de agulha 
e imediatamente afasta o membro envolvido. Quando o animal toma “consciência” do ocorrido, 
significa que os neurônios sensitivos que levaram o impulso, ligaram-se a neurônios de 
associação situados no cérebro (córtex cerebral), onde ele se torna “consciente” e o animal 
interpreta-o como sensibilidade dolorosa. O animal pode então tomar outras atitudes, tais como 
afastar-se imediatamente da fonte de estímulo. Para tal, o cérebro “comanda” seus neurônios 
motores e a ordem segue por meio de impulsos que correm nas fibras destes neurônios até o SN 
segmentar. Aí, elas terminam em neurônios que irão levar os estímulos até os órgãos 
efetuadores, no caso os músculos estriados esqueléticos. O cerebelo é o órgão que coordena as 
ações motoras dos músculos. 
 
6. INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO SISTEMA VASCULAR 
 
6.1. Conceito 
Os vasos sanguíneos arranjaram-se em extensa rede tubular fechada, cujos componentes 
possuem composição estrutural e diâmetro variáveis. Como o nome indica, no interior desta 
rede circula um dos humores mais importantes do organismo animal, o sangue. A manutenção 
da circulação sanguínea, de sua pressão, dos mecanismos de trocas entre o sangue e os tecidos 
e a composição do sangue constituem objeto de outras disciplinas e, por esta razão, não são 
aqui abordados. 
O coração é o órgão central do sistema, sendo encarregado de bombear o sangue para 
todas as partes do corpo. Ele também participa ativamente na função de retorno do sangue 
destas mesmas partes. 
 
 
 
58 
 
6.2. Tipos de vasos sanguíneos 
 Existem vários tipos de vasos sanguíneos. Estes são classificados de acordo com a 
constituição de sua parede, diâmetro e sentido do fluxo do sangue em relação ao coração. Deste 
modo, podem-se reconhecer as artérias, os capilares e as veias. 
 
6.3. Artérias 
 São órgãos tubulares nos quais o sangue circula centrifugamente em relação ao coração. 
No animal vivo, as artérias têm cor amarela ou amarelada, apresentam pulsação característica 
e, quando são seccionadas, o sangue sai em esguichos. No cadáver, têm cor esbranquiçada, 
estão vazias e o lume mantém-se patente. De acordo com o calibre, elas podem ser classificadas 
em artérias de grande, médio e pequeno calibres e arteríolas. Nas artérias de grande calibre 
predomina o tecido elástico e, por isto, são denominadas artérias elásticas. A aorta, o tronco 
braquiocefálico e o tronco pulmonar são artérias deste tipo. A constituição morfológica destas 
artérias confere-lhes capacidade de dilatação. Assim, a aorta armazena um volume apreciável 
de sangue e é capaz de transformar o fluxo sanguíneo intermitente, ao nível da saída do coração, 
em fluxo contínuo, porém pulsátil. 
 As artérias de médio e pequeno calibres são conhecidas como musculares em razão do 
grande contingente de fibras musculares lisas, que participam na constituição de suas paredes. 
O tecido elástico, embora reduzido, ainda continua presente. A proporção entre fibras 
musculares lisas e tecido elástico nestas artérias é variável. As artérias do encéfalo, por 
exemplo, contêm poucas fibras musculares em suas paredes. As artérias de médio e pequeno 
calibres são as mais numerosas artérias do corpo. São, portanto, as artérias que distribuem o 
sangue pelo organismo animal (artérias distribuidoras). 
 As arteríolas são as últimas divisões das artérias. Em geral, elas ocorrem no interior dos 
órgãos. Suas paredes são constituídas predominantemente de fibras musculares lisas. As 
arteríolas oferecem grande resistência ao fluxo sanguíneo, diminuindo a pressão do sangue 
antes de circular nos capilares. 
 Durante seu percurso, as artérias dividem-se em novos ramos, à semelhança dos galhos 
de uma árvore. Consideram-se como ramos terminais aqueles que partem de um tronco 
principal e estes então deixam de existir como tal. Ramos colaterais, por sua vez, são aqueles 
emitidos ao longo do percurso de um tronco principal, sem que este perca sua identidade. 
Geralmente, os ramos colaterais são emitidos do tronco principal em ângulo agudo. Quando a 
emissão é um ângulo obtuso, o fluxo de sangue no ramo colateral tem sentido inverso ao tronco 
principal. Por isto, este ramo colateral recebe o nome especial de recorrente. 
59 
 
6.4. Capilares 
 Os capilares formam extensas redes de vasos sanguíneos microscópicos situados no 
interior dos órgãos e nas quais desembocam as arteríolas. Suas paredes são membranas 
semipermeáveis. Elas deixam passar para o tecido o oxigênio e outros nutrientes e recebem dele 
CO2 e resíduos do metabolismo tissular. A densidade de capilares varia de um órgão para outro, 
sendo mais abundante nos órgãos mais ativos. Alguns órgãos, como epiderme, córnea, lente e 
cartilagens hialinas não possuem capilares. 
 
6.5. Veias 
 As veias formam a parte da rede de vasos sanguíneos que transporta o sangue dos 
tecidos para o coração. O sentido da corrente sanguínea nas veias é, portanto, contrário daquele 
nas artérias. Os pequenos vasos que recolhem o sangue dos plexos capilares constituem as 
vênulas. Estas confluem para veias que se tornam cada vez mais calibrosas à medida que se 
aproximam do coração. A estrutura da parede das veias é semelhante à das artérias. No entanto, 
a parede é mais delgada que a das artérias correspondentes. Por outro lado, seu diâmetro é 
geralmente maior que das artérias correspondentes. Sua túnica média tem poucas fibras 
musculares lisas e pouco tecido elástico. As veias apresentam, caracteristicamente, pregas na 
superfície interna da parede, denominadas válvulas. As válvulas estão presentes na maioria das 
veias, exceto nas veias do cérebro e nas veias cavas; servem para auxiliar o retorno do sangue 
ao coração. 
 
6.6. Anastomoses 
 A união entre dois ramos arteriais ou entre duas veias é denominada anastomose. 
Anastomoses arteriais são encontradas nos membros, em vísceras e na base do encéfalo. Em 
caso de obstrução de um dos ramos anastomóticos, a circulação pode ser mantida por meio do 
outro ramo que participa da anastomose.Este mecanismo de manutenção do fluxo adequado de 
sangue, denominado circulação colateral, pode ser feito também à custa da rede capilar do órgão 
em tela. 
 Existe um tipo de anastomose que se faz diretamente entre uma arteríola e uma vênula, 
em situação pré-capilar. Este tipo especial de anastomose é encontrado na pele de certas regiões 
do corpo animal, bem como no intestino. É um mecanismo de desvio de sangue da rede capilar 
e acionado quando há necessidade de conservar energia. O segmento de união entre os dois 
vasos anastomóticos possui uma parede de estrutura bastante complexa, na qual se destaca uma 
espessa camada muscular. 
60 
 
6.7. Redes admiráveis 
 Certas artérias, num determinado ponto de seu curso, dividem-se em dezenas de 
ramículos de pequeno comprimento e calibre, os quais, logo após, reúnem-se novamente para 
reconstruir o tronco arterial. Estes arranjos arteriais são encontrados nos ruminantes e porco 
(ex: rede admirável oftálmica e rede admirável epidural rostral). 
 
6.8. Seios venosos 
 São estruturas revestidas internamente por endotélio, de cavidade ampla, repletas de 
sangue venoso e que se dispõem no curso de determinados sistemas venosos. Alguns seios 
podem conter artérias ou mesmo redes admiráveis. É possível que este último arranjo sirva a 
mecanismos termorreguladores. 
 
6.9. Tipos de circulação sanguínea 
 
6.10. Circulação sistêmica 
 É a circulação que se inicia no ventrículo esquerdo do coração com o sangue oxigenado. 
Este abandona o ventrículo esquerdo através da aorta e por meio de suas artérias distribuidoras 
alcança os diferentes órgãos. Após suprir os tecidos, o sangue retorna ao coração desaguando 
no átrio direito, através das veias cava cranial e caudal. 
 
6.11. Circulação pulmonar 
 É a circulação que tem início no ventrículo direito do coração e atinge a rede capilar do 
pulmão, correndo inicialmente no tronco pulmonar e depois nas artérias pulmonares. Após 
sofrer a hematose, o sangue oxigenado abandona os pulmões por meio das veias pulmonares e 
chega ao átrio esquerdo. 
 
6.12. Circulação portal 
 Nesta circulação, um tronco venoso está interposto entre duas redes capilares. Os 
exemplos de circulação portal são os sistemas porta-hepático e o sistema porta-hipofisário. A 
veia porta está situada entre capilares do intestino e do fígado. 
 
6.13. Sistema linfático 
 O sistema linfático auxilia o sistema vascular sanguíneo na drenagem dos líquidos 
tissulares. Ele é constituído de vasos linfáticos, tecido linfático ou linfoide e de linfa. O tecido 
61 
 
linfático encontra-se difuso em alguns órgãos ou organiza-se em estruturas isoladas 
denominadas linfonodos. As grandes moléculas de proteínas dos líquidos tissulares que não 
atravessam as paredes dos capilares sanguíneos são absorvidas pelo sistema linfático. Além 
disto, o sistema produz os linfócitos que são lançados na corrente sanguínea. Um linfonodo ou 
um grupo de linfonodos que recebem vasos linfáticos aferentes de uma região do corpo animal 
pode ser denominado linfocentro. 
 
6.14. Vasos linfáticos 
 Os vasos linfáticos são formados inicialmente por uma rede capilar linfática. Os 
capilares desta rede têm diâmetro irregular e são mais amplos que os capilares sanguíneos. A 
linha aí formada então para vasos linfáticos maiores, visíveis macroscopicamente. Em suas 
paredes aparecem constrições regulares, lhes conferem o aspecto de rosário. Estas constrições 
correspondem, internamente, à inserção de válvulas, abundantes nestes vasos e que estão 
dispostas de modo a não permitir o refluxo da linfa. Os vasos linfáticos correm em grupos e, 
geralmente, estão intercalados com linfonodos. Os vasos linfáticos acabam por desembocar em 
troncos linfáticos. Estes são em número reduzido e, portanto, coletam a linfa de extensas regiões 
corporais. O ducto torácico é o mais calibroso dos vasos linfáticos. A maioria dos troncos 
linfáticos desemboca neste ducto. Os capilares linfáticos estão presentes em todos os tecidos 
que apresentam capilares sanguíneos, exceto no SNC e medula óssea. 
 
7. ROTEIRO PARA DISSECAÇÃO E ESTUDO DO MEMBRO 
TORÁCICO 
 
7.1. Faces laterais do ombro e do braço 
7.2. 
7.2.1. A dissecação começa com a retirada da pele, que deve ser demonstrada pelo 
instrutor. A remoção da pele deve ser feita cuidadosamente, a fim de se evitar cortar 
estruturas mais profundas. Faça uma incisão na pele sobre a linha mediana ventral, 
desde o terço médio do pescoço até a cicatriz umbilical. Em seguida, faça três 
incisões perpendiculares àquela. Uma, a partir do ponto de origem da primeira 
incisão até a linha mediana dorsal, cruzando a região lateral do pescoço. Outra, da 
linha mediana ventral até a face medial da articulação do cotovelo, atravessando a 
axila. A terceira começa na cicatriz umbilical e passa sobre a região abdominal 
62 
 
lateral até a linha mediana dorsal. Remova a pele desde a linha mediana ventral até 
a linha mediana dorsal. Na altura do cotovelo, faça uma incisão contornando esta 
articulação. A pele do antebraço e da mão não será removida nesta fase. 
 
7.2.2. Identifique, logo abaixo da pele, o músculo cutâneo do tronco. Este é um músculo 
de forma laminar que se estende da face lateral do ombro até as faces laterais da 
pelve e da coxa, cobrindo o tórax e o abdome. 
 
7.2.3. Identifique agora os músculos peitorais. Estes músculos ocupam o espaço entre o 
esterno e a face medial do braço. De acordo com o sentido de suas fibras, podemos 
reconhecer o músculo peitoral superficial e o músculo peitoral profundo. Como o 
nome indica, o músculo peitoral superficial cobre parcialmente o peitoral profundo. 
Em algumas peças, é necessário remover o tecido conjuntivo, predominantemente 
adiposo, que recobre estes músculos. 
 
7.2.4. Neste item, deverão ser identificados, no sentido craniocaudal, os músculos 
braquiocefálico, omotransverso, trapézio e grande dorsal. Este último está encoberto 
pelo músculo cutâneo do tronco. Estes músculos servem para prender o membro 
torácico ao pescoço e ao tronco. Se necessário, remova o conjuntivo que os recobre. 
Rebata ventralmente o cutâneo do tronco para visualizar o grande dorsal. 
 
7.2.5. Identifique a veia cefálica, que corre sobre o músculo braquiocefálico, vindo da face 
medial cranial do antebraço em direção ao pescoço. 
 
7.2.6. Localize a espinha da escápula. Cranialmente a ela e sob a aponeurose do trapézio, 
identifique o músculo supraespinhal, que se aloja na fossa supraespinhal da 
escápula. Caudalmente à espinha, identifique o músculo infraespinhal, que ocupa a 
fossa de mesmo nome da escápula. Identifique agora o músculo deltoide. Ele é 
constituído de duas partes. A parte cranial é denominada, acromial e a caudal é 
denominada escapular. As suas aponeuroses recobrem parcialmente o músculo 
infraespinhal e fundem-se à fáscia que recobre este músculo. 
 
7.2.7. Identifique os músculos tríceps e tensor da fáscia do antebraço. Eles ocupam o 
ângulo caudal formado pela escápula e pelo úmero. O tríceps é o mais cranial e, 
63 
 
nesta face, aparecem duas de suas cabeças: cabeça lateral e a cabeça longa. A cabeça 
lateral é a menor e a mais cranial. Localize o limite entre as duas cabeças do tríceps. 
O músculo tensor da fáscia do antebraço é alongado, estreito e situa-se caudalmente 
à cabeça longa do tríceps. 
7.2.8. Isole com cuidado a cabeça lateral do tríceps e seccione-a transversalmente ao nível 
de seu terço médio. Afaste os cotos (ou segmentos) do músculo e identifique, 
inicialmente, o nervo radial. Disseque-o distalmente até sua divisão em ramo 
superficial e ramo profundo. Cranialmente ao nervo radial localize o músculo 
braquial. Caudalmente àquele nervo localize o músculo ancôneo, que se dirige para 
o olecrano. 
 
7.2.9. Determine os limites das partes acromial e escapular do deltoide. Em cada uma 
delas, faça uma secção transversal ao nível deseu terço médio. Afaste os cotos da 
parte escapular e identifique profundamente o nervo axilar, que se ramifica nesta 
área. Localize aí, também, profundamente à parte recém-exposta do músculo 
infraespinhal, o pequeno músculo redondo menor. Finalmente, afaste os cotos da 
parte acromial do deltoide e identifique o ramo do nervo axilar para o músculo 
braquiocefálico. 
 
7.2.10. Faça uma revisão do estudo dos principais acidentes da escápula, úmero, rádio e 
ulna. Reveja também, em peças isoladas, as articulações do ombro e do cotovelo. 
 
7.2.11. Estudem, no capítulo de músculos do membro torácico, os músculos até agora 
identificados. Com relação ao nervo radial, seu estudo será feito em conjunto com 
os outros nervos do plexo braquial. 
 
7.3. Axila 
 
7.3.1. Para dissecar a axila, é necessário seccionar os músculos que prendem o membro 
torácico ao pescoço e ao tronco. Trace um arco de 20-25 cm de raio, centrado no 
acrômio e seccione, no sentido craniocaudal, os músculos braquiocefálico, 
omotransversal, trapézio, cutâneo do tronco e grande dorsal. 
 
64 
 
7.3.2. Delimite as bordas cranial e caudal do músculo peitoral superficial e seccione-o 
transversalmente em seu terço médio. Rebata os cotos do músculo peitoral 
superficial e delimite o músculo peitoral profundo. Seccione também este último em 
seu terço médio e rebata seus cotos. 
 
7.3.3. Com o braço ligeiramente abduzido, disseque ao nível da articulação do ombro e 
medialmente ao músculo braquiocefálico, o delgado músculo subclávio e a artéria 
cervical superficial. Estas estruturas situam-se dorsalmente à veia cefálica. 
 
7.3.4. Remova com cuidado os tecidos conjuntivo e adiposo da região axilar. À medida 
que estes tecidos são removidos, aparecem os nervos componentes do plexo braquial 
e a artéria e veia axilares. Neste item, a tarefa consiste apenas em isolar estas 
estruturas, sem a preocupação de dar-lhes nome. 
 
7.3.5. Agora, seccione, no sentido craniocaudal, o músculo subclávio, a artéria cervical 
superficial, a veia cefálica, os nervos do plexo braquial e a artéria e veia axilares. 
Esta secção deve ser feita rente ao pescoço e à parede do tórax. 
 
7.3.6. Identifique o músculo serrátil ventral, que recobre a parede lateral do tórax e a parte 
caudal do pescoço, indo prender-se na face medial da escápula. Seccione 
transversalmente este músculo, junto à escápula. 
 
7.3.7. Após estas manobras, o membro está preso ao tronco apenas pelo músculo 
romboide. Este está situado profundamente ao trapézio. Seccione transversalmente, 
liberando o membro torácico. 
 
7.3.8. Identifique, na face medial da escápula, no sentido craniocaudal, os músculos 
supraespinhal, subescapular e redondo maior. Como se pode notar, o músculo 
supraespinhal aloja-se na fossa supraespinhal e cobre a borda cranial da escápula. O 
músculo subescapular é constituído por 3 fascículos que convergem distalmente, 
fundindo-se num ventre único ao nível do ângulo distal da escápula. O músculo 
redondo maior situa-se ao longo da borda caudal da escápula, unido parcialmente 
ao subescapular. Sua extremidade distal separa-se deste último para se prender no 
úmero. Relaciona-se lateralmente com o músculo grande dorsal. 
65 
 
 
7.3.9. Neste item, serão dissecados os nervos do plexo braquial. Antes de iniciar esta 
dissecação, identifique os linfonodos axilares, em número de 1 ou 2; eles são 
estruturas ovoides ou arredondadas, com 0,5 a 1,0 cm de diâmetro. 
 
O plexo braquial é formado por feixes nervosos provenientes dos ramos ventrais dos 
três últimos nervos espinhais cervicais e do primeiro nervo espinhal torácico. Cada 
nervo espinhal emerge do forame intervertebral respectivo. Do plexo braquial 
originam-se os nervos para o membro torácico. Identifique, no sentido craniocaudal, 
o tronco comum dos nervos supraescapular e subescapular cranial, o tronco comum 
dos nervos subescapular caudal, toracodorsal, axilar e radial e o tronco comum dos 
nervos ulnar, mediano e musculocutâneo. 
 
7.3.10. Disseque o nervo supraescapular até sua penetração no espaço entre os músculos 
supraespinhal e subescapular. Siga o nervo subescapular cranial até sua penetração 
no músculo subescapular. Passe a dissecar agora os nervos do segundo tronco. 
Acompanhe o nervo subescapular caudal até sua ramificação na parte caudal do 
músculo subescapular. Disseque o nervo toracodorsal até alcançar a face profunda 
do músculo grande dorsal. Verifique a penetração do nervo axilar no espaço entre 
os músculos subescapular e redondo maior. Disseque o nervo radial até seu limite 
com o músculo peitoral profundo. Disseque também o terceiro tronco até este 
mesmo limite. 
 
7.3.11. Disseque a artéria axilar até sua bifurcação em artérias subescapular e braquial. A 
artéria braquial corre distalmente e sua dissecação será feita na face medial do braço. 
A artéria subescapular dirige-se proximalmente, no espaço entre os músculos 
subescapular e redondo maior. Ela emite ramos para musculatura do ombro e do 
braço. O estudo destes ramos poderá ser feito no capítulo referente a artérias do 
membro torácico. Verifique que as artérias axilar, braquial e subescapular são 
acompanhadas por veias satélites homônimas. 
 
7.3.12. Disseque o linfonodo cervical superficial na face profunda do músculo 
braquiocefálico, cranialmente ao músculo supraespinhal. Geralmente, este 
linfonodo está recoberto por tecido conjuntivo adiposo, que deverá ser removido. 
66 
 
Verifique também, adjacente ao referido linfonodo, a distribuição da artéria cervical 
superficial, já identificada (item 7.2.3). 
 
7.3.13. Estude os músculos identificados nesta região. 
 
7.4. Face medial do braço 
 
7.4.1. Separe o coto braquial do músculo peitoral superficial do coto braquial do músculo 
peitoral profundo. Rebata ambos os cotos cranialmente, de modo a expor a face 
medial do braço. 
 
7.4.2. Retire com cuidado a fáscia que recobre esta região. Identifiquem, no sentido 
craniocaudal, os músculos bíceps do braço, coracobraquial, tríceps e tensor da fáscia 
do antebraço. O bíceps do braço estende-se ao longo da face cranial do úmero. 
Caudalmente ao bíceps encontra-se o coracobraquial, que se estende do processo 
coracóide da escápula até o terço médio do corpo do úmero. O tríceps e o tensor da 
fáscia do antebraço já são conhecidos. Nesta face, pode-se identificar, além da 
cabeça longa, a cabeça medial do tríceps. Esta última situa-se entre o corpo do úmero 
e a cabeça longa. 
 
7.4.3. Retome a dissecação do nervo radial. Note seus ramos musculares para o tríceps e 
disseque-os até sua penetração entre as cabeças medial e longa deste músculo. Daí, 
ele passa à face lateral do braço, onde já foi dissecado. 
 
7.4.4. Retome a dissecação do tronco comum dos nervos mediano, musculocutâneo e 
ulnar. Disseque, inicialmente, o nervo ulnar, que se destaca do tronco ao nível do 
terço proximal do braço e corre em direção ao olecrano, ao longo da borda cranial 
da parte longa do tríceps. Verifique o nervo cutâneo do antebraço, que se destaca do 
ulnar nesta região. Interrompa a dissecação do nervo ulnar ao nível do cotovelo. 
 
7.4.5. Disseque agora o ramo muscular proximal do nervo musculocutâneo, que se destaca 
da porção inicial do tronco, dirige-se cranialmente, atravessa o terço médio do 
músculo coracobraquial e termina no bíceps do braço. 
 
67 
 
7.4.6. Disseque distalmente, acompanhando a artéria braquial, o nervo mediano e o nervo 
musculocutâneo, que se encontram fundidos num único tronco. Verifique que, no 
terço distal do braço, o nervo musculocutâneo separa-se do mediano e penetra no 
espaço entre o úmero e o bíceps do braço, para ramificar-se no músculo braquial. 
Siga o nervo mediano até o nível do cotovelo. 
 
7.4.7. Finalmente, disseque a artéria braquial até o cotovelo e note seus vários ramos 
musculares na face medial do braço. 
 
7.4.8. Estudeos músculos, vasos e nervos dissecados nesta região. 
 
7.5. Antebraço e mão 
7.6. 
7.6.1. Faça uma incisão vertical na pele da face medial do antebraço e da mão, até o casco. 
Faça outra incisão perpendicular à primeira, na face medial do carpo. Remova a 
pele, rebatendo-a nos sentidos cranial e caudal, até contornar completamente os 
segmentos que serão dissecados. 
 
7.6.2. Disseque, na tela subcutânea da face cranial do antebraço, a veia cefálica e o ramo 
superficial do nervo radial. 
 
7.6.3. Para a dissecação das veias tributárias da veia cefálica e dos nervos originados do 
ramo superficial do radial, consulte suas descrições nos capítulos de veias e de 
nervos do membro torácico. Faça o mesmo para a dissecação dos nervos cutâneo 
cranial (debaixo do deltoide), cutâneo lateral (debaixo do nervo radial), cutâneo 
medial e cutâneo caudal do antebraço (vem do nervo ulnar). 
 
7.6.4. Seccione longitudinalmente a fáscia do antebraço ao longo da borda medial do rádio. 
Rebata esta fáscia cranial e caudalmente e libere as inserções do peitoral superficial 
e do braquiocefálico. 
 
7.6.5. Identifique cranialmente ao rádio, o músculo extensor radial do carpo e a inserção 
dos músculos bíceps e braquial. O extensor radial do carpo situa-se ao longo da face 
cranial do rádio. O bíceps e o braquial inserem-se no terço proximal do rádio. 
68 
 
 
7.6.6. Identifique cruzando a face medial da articulação do cotovelo, uma estreita fita 
fibrosa, que corresponde ao músculo pronador redondo. Caudalmente a este 
músculo e ao rádio identifique os músculos flexor radial do carpo e flexor ulnar do 
carpo; destes, o flexor ulnar do carpo é o mais caudal. 
 
7.6.7. Observe a artéria braquial e o nervo mediano cruzando a face profunda do músculo 
pronador redondo. Para prosseguir sua dissecação, seccione os músculos pronador 
redondo e flexor radial do carpo em seus terços médios. Afaste os cotos destes 
músculos e disseque os ramos musculares do nervo mediano e da artéria braquial. 
Disseque a origem da artéria interróssea comum, que é o último ramo da artéria 
braquial e que se dirige para o espaço interósseo proximal. Após a emissão da artéria 
interóssea comum, a artéria braquial passa a chamar-se artéria mediana, 
acompanhando o nervo mediano. 
 
7.6.8. Continue agora a dissecar distalmente a artéria e nervos medianos. No terço médio 
do antebraço, a artéria mediana emite a delgada artéria radial. Acompanhe nervo 
mediano e as artérias mediana e radial até o nível do carpo. 
 
7.6.9. Retome a dissecação do nervo ulnar a partir do cotovelo. Note que ele passa 
profundamente á origem ulnar do flexor ulnar do carpo, onde emite vários ramos 
musculares. Acompanhe-o distalmente na face caudal do antebraço, sob a borda 
caudal do músculo flexor ulnar do carpo. Próximo ao carpo verifique sua bifurcação 
em ramo dorsal e ramo palmar. 
 
7.6.10. Estude agora os músculos flexor superficial dos dedos e flexor profundo dos dedos. 
Seus ventres situam-se profundamente aos músculos flexor radial do carpo e flexor 
ulnar do carpo e seus tendões correm na face palmar do metacárpico III e IV, 
estendendo-se até a face palmar dos dedos III e IV. Seccione o flexor ulnar do carpo 
em seu terço médio e note que ele cobre o ventre do flexor superficial dos dedos. 
Observe que o ventre deste último divide-se, no terço distal do antebraço, em partes 
superficial e profunda. Afaste os músculos flexor superficial dos dedos e flexor 
radial do carpo e identifique as várias cabeças do músculo flexor profundo dos 
dedos. 
69 
 
 
7.6.11. Disseque, no canal cárpico, os tendões dos músculos flexor superficial e flexor 
profundo dos dedos, as artérias mediana e radial e o nervo mediano. Note que a parte 
profunda do flexor superficial dos dedos está presa ao tendão do flexor profundo 
dos dedos por duas estruturas. Destas duas, a proximal é curta e tendínea, 
correspondendo ao músculo interflexor proximal. A distal é mais extensa e carnosa 
e constitui o músculo interflexor distal. 
 
7.6.12. Prossiga, na face palmar do metacarpo, a dissecação das artérias mediana e radial e 
do nervo mediano. Verifique, no terço médio ou distal do metacarpo, a anastomose 
da artéria radial com a artéria mediana. Prossiga, distalmente, a dissecação da artéria 
mediana até o nível da articulação metacarpofalângica, onde ela passa a chamar-se 
artéria digital palmar comum III. Disseque esta última no espaço interdigital e 
verifique sua bifurcação final em artérias palmares próprias dos dedos III e IV. 
7.6.13. Retome a dissecação do nervo ulnar no ponto em que ele se divide em ramos dorsal 
e palmar. O ramo dorsal será estudado na face lateral da mão. Disseque o ramo 
palmar na face palmar do metacarpo e note, a este nível, sua união com o ramo 
comunicante do nervo mediano. Consulte agora o capítulo referente a nervos do 
membro torácico para estabelecer a distribuição do ramo palmar do nervo ulnar. 
Faça o mesmo em relação aos ramos terminais do nervo mediano. 
 
7.6.14. Neste item serão estudados os tendões dos músculos flexor superficial dos dedos, 
flexor profundo dos dedos e interósseo III e IV. Observe no terço médio do 
metacarpo, a fusão dos tendões das partes superficial e profunda do flexor 
superficial dos dedos num único tendão. Note que o tendão do flexor superficial dos 
dedos bifurca-se ao nível da articulação metacarpofalângica, formando um tendão 
para cada dedo principal. Identifique profundamente ao tendão do flexor superficial 
dos dedos, o tendão do flexor profundo dos dedos e, profundamente a este, o 
músculo interósseo III e IV. Este último músculo está constituído, nos ruminantes, 
exclusivamente de tecido fibroso e forma cintas ligamentosas que envolvem a 
articulação metacarpofalângica. 
Tal como ocorre com o flexor superficial dos dedos, o tendão do músculo flexor 
profundo dos dedos também se divide, ao nível da articulação metacarpofalângica, 
num tendão para cada dedo principal. Cada um destes tendões corre no interior de 
70 
 
um canal formado pela fusão do tendão do flexor superficial dos dedos com parte 
do músculo interósseo III e IV. Para verificar esta situação, faça uma secção 
longitudinal na parede deste canal. Finalmente, note as inserções dos músculos 
flexores superficial e profundo dos dedos nas falanges média e distal, 
respectivamente. 
 
7.6.15. Localize o ramo dorsal do nervo ulnar e disseque-o distalmente na face lateral do 
carpo e metacarpo. Estude a distribuição de seus ramos terminais descrita no 
capítulo de nervos do membro torácico. 
 
7.6.16. Remova a fáscia que recobre os músculos da face lateral do antebraço. Identifique 
o músculo extensor radial do carpo. Este é um potente músculo que ocupa a face 
cranial do antebraço e cujo tendão se insere na extremidade proximal do metacárpico 
III e IV. Observe, ao nível do terço distal do rádio, o pequeno músculo abdutor longo 
do polegar cujo tendão cruza obliquamente, nos sentidos lateromedial e 
proximodistal, o tendão do músculo extensor radial do carpo. 
Os demais músculos da face lateral do antebraço situam-se caudalmente ao extensor 
radial do carpo e são, no sentido craniocaudal, os seguintes: extensor do dedo III, 
extensor comum dos dedos, extensor do dedo IV e ulnar lateral. Para identifica-los 
com segurança, é necessário dissecar seus tendões distalmente até suas inserções. 
Note que o tendão do extensor comum dos dedos bifurca-se ao nível da articulação 
metacarpofalângica, enviando um tendão para cada dedo principal. Finalmente, 
observe que o tendão do ulnar lateral insere-se no carpo. 
 
7.6.17. Retome a dissecação do ramo profundo do nervo radial. Verifique sua penetração 
no espaço entre os músculos braquial e extensor radial do carpo. Estude a 
distribuição deste ramo no capítulo referente a nervos do membro torácico. 
 
7.6.18. Estude os músculos, vasos e nervos dissecados. 
 
7.7.Revisão geral do membro torácico 
 
7.7.1. Reconheça, tanto em esqueletos como em peças dissecadas, os segmentos do 
membro torácico. 
71 
 
 
7.7.2. Faça revisão dos termos indicativos de posição e direção utilizados no membro 
torácico, com seus significados e exemplos. 
 
7.7.3. Estude os ossos do membro torácico, com ênfase nas saliências ósseas articulares e 
nas que servem para origem e inserção musculares. 
 
7.7.4. Estude as articulações do membro torácico, com ênfase nas superfícies articulares 
envolvidas, nos ligamentos, presentes e nos movimentos executados. 
 
7.7.5. Estude os músculos do membro torácico. Para cada um deles, verifique, nas peças 
dissecadas e em peças especiais, sua origem, inserção e inervação. A ação dos 
músculos é, na maioria das vezes, complexa. Num dado movimento executado pelo 
animal, vários grupos musculares estão envolvidos, tornando difícil individualizar a 
ação de cada um deles. Agrupe os músculos de determinada região por sua ação e 
inervação. 
 
7.7.6. Estude os principais troncos arteriais dissecados e determine suas áreas de 
distribuição. 
 
7.7.7. Estude as veias e linfonodos dissecados, determinando suas respectivas áreas de 
drenagem. 
 
7.7.8. Estude os nervos do plexo braquial para o membro torácico. Determine seu trajeto, 
áreas cutâneas por eles supridas e grupos musculares por eles inervados. 
 
8. MUSCULOS DO MEMBRO TORÁCICO 
 
8.1. Músculos da cintura escapular 
 Estes músculos mantêm o membro torácico preso ao tronco. 
 
8.2. Cutâneo do tronco 
72 
 
 É um extenso músculo de forma laminar que recobre o tronco, desde o ombro até a 
pelve, situando-se na tela subcutânea. Suas fibras dirigem-se principalmente em sentido 
craniocaudal. A contração destas0 fibras provoca movimento brusco da pele adjacente. É 
inervado por ramos cutâneos de nervos intercostais, lombares e sacrais e pelo nervo torácico 
lateral. 
 
8.3. Peitoral superficial 
 Está situado na porção ventrocranial do tórax e é constituído de duas porções distintas; 
músculo peitoral descendente e músculo peitoral transverso. O músculo peitoral descendente é 
o mais espesso. Origina-se no manúbrio do esterno por uma rafe fibrosa comum aos músculos 
dos dois lados. É constituído de dois ventres: um superficial, que se prende na fáscia do braço 
e na cabeça e colo do rádio e um profundo, que se prende apenas nas fáscias do braço. O 
músculo peitoral descendente relaciona-se superficialmente com a pele, lateralmente com o 
músculo braquiocefálico e profundamente com os músculos esternocefálico e peitoral 
profundo. O músculo peitoral transverso é uma lâmina muscular larga, bastante delgada e de 
coloração mais clara. Originando-se ventralmente no esterno, desde a primeira até a sexta 
cartilagem costal, cruza a axila e a face medial da articulação do cotovelo e insere-se na fáscia 
do antebraço. Relaciona-se superficialmente com a pele e profundamente com o músculo 
peitoral profundo. 
 O músculo peitoral superficial é irrigado por ramos das artérias torácica externa e 
torácica interna. 
 Ação e inervação: é adutor do membro e, de acordo com a posição do tronco, leva o 
membro para frente ou para trás. Quando o membro está fixo, puxa o tronco para o lado. É 
inervado pelos nervos, peitoral cranial, peitoral caudal e intercostal V. 
 
8.4. Peitoral profundo 
 É um músculo bastante largo, delgado e de contorno triangular, que ocupa quase toda 
a área lateroventral do tórax. Origina-se por uma rafe fibrosa na face ventral do esterno, nas 
cartilagens costais das costelas esternais (nos bovinos, a partir da costela II e nos pequenos 
ruminantes, a partir da V) e na túnica flava do abdome. Insere-se nos tubérculos maior e menor 
do úmero e no processo coracóide da escápula, por meio do tendão de origem do músculo 
coracobraquial. Uma pequena porção projeta-se dorsalmente e confunde-se com o músculo 
supra-espinhal. Relaciona-se, superficialmente, com o músculo peitoral superficial e a pele; 
dorsolateralmente, com o músculo cutâneo do tronco; lateralmente, com os músculos da face 
73 
 
medial do braço e, profundamente, com os músculos serrátil ventral, reto do tórax, intercostais 
externos e o tendão de origem do músculo reto do abdome, e ainda com a face externa das 
costelas e do esterno. 
 O músculo peitoral profundo é irrigado por ramos das artérias torácica externa, 
intercostais, torácica interna e transversa da escápula. 
 Ação e inervação: é adutor do membro e, de acordo com a posição do tronco, leva o 
membro para frente ou para trás. Quando o membro está fixo, puxa o tronco para o lado. É 
inervado por, nervo peitoral cranial, peitoral caudal e intercostal V. 
 
8.5. Braquiocefálico 
 É longo e delgado, ocupando a porção cranial do braço e lateral do pescoço. Uma cinta 
fibrosa denominada intersecção clavicular, que corresponde à clavícula, atravessa a estrutura 
do músculo ao nível da articulação do ombro e o divide em duas porções, cleidobraquial e 
cleidocefálica. A intersecção clavicular está ausente nos pequenos ruminantes. Nestes animais, 
a articulação do ombro é usada como ponto de referência para a divisão do músculo. 
 Nos bovinos, o músculo cleidobraquial insere-se na borda cranial do úmero, logo 
abaixo da tuberosidade deltoidea. Nos pequenos ruminantes, ele estende-se mais distalmente, 
inserindo-se na face medial da cabeça e colo do rádio, juntamente com a porção superficial do 
músculo peitoral descendente. Relaciona-se, profundamente, com o músculo peitoral profundo 
e, superficialmente, com a pele, fáscia braquial e veia cefálica, que o cruza obliquamente, 
próximo ao seu terço distal. Sua inserção está coberta pela porção profunda do músculo peitoral 
descendente. 
 O músculo cleidocefálico está constituído de duas porções: cleido-occipital e 
cleidomastóidea. Nos bovinos, elas estão separadas cranialmente. Nos pequenos ruminantes, 
elas se acham fundidas. A porção cleido-occipital insere-se no osso occipital e a 
cleidomastóidea no processo mastoide do osso temporal. Superficialmente, o músculo 
cleidocefálico relaciona-se com a pele e fáscia da região cervical lateral. Profundamente, com 
o músculo omotransverso, a porção cervical do serrátil ventral, o linfonodo cervical superficial 
e o nervo acessório. 
 As artérias torácicas externa e interna cervical superficial irrigam o músculo 
braquiocefálico. 
 Ação e inervação: quando o braço está apoiado no solo, a cabeça e o pescoço são 
inclinados lateralmente. Quando estes permanecem imóveis, o membro é deslocado 
74 
 
cranialmente. O músculo cleidobraquial é inervado por um ramo do nervo axilar; o músculo 
cleidocefálico é inervado por ramos dos nervos cervicais. 
 
8.6. Omotransverso 
 É um músculo longo, estreito e delgado, que se origina na asa do atlas e, algumas vezes, 
no processo transversal do áxis. Ocupa a face lateral do pescoço, profundamente ao músculo 
braquiocefálico, ao qual está parcialmente fundido. Seu terço distal está entre o braquiocefálico, 
ventralmente, e a porção cervical do trapézio, dorsalmente, e insere-se na espinha da escápula. 
Relaciona-se profundamente, em seu terço distal, com o linfonodo cervical superficial. 
 A irrigação do músculo omotransverso é feita por ramos das artérias vertebral e cervical 
superficial. 
 Ação e inervação: puxa o membro para a frente. Com o membro fixo, inclina a cabeça 
e o pescoço par ao lado. É inervado por ramos dos nervos cervicais. 
 
8.7. Trapézio 
 É um músculo superficial, triangular, que prende a escápula ao tórax e pescoço. Embora 
não se observe nenhuma linha nítida de divisão em sua estrutura, é estudado como possuindo 
duas partes: 
• Cervical: é delgada, plana e triangular. Origina-se por uma rafe fibrosa na linha 
mediana dorsal. Nos bovinos, estende-se, até o terço médio do pescoço. Insere-se na espinha da 
escápula por curta aponeurose. 
• Torácica: é tambémplana e triangular. Nos bovinos é menos extensa que a porção 
cervical, porém mais espessa. Nos pequenos ruminantes, é mais extensa que a cervical. Origina-
se, nos bovinos, no ligamento supraespinhal, ao nível das seis ou sete primeiras torácicas. Nos 
ovinos e caprinos, sua origem vai da segunda à decima-segunda torácica. Sua inserção é no 
túber da espinha da escápula. 
 O músculo trapézio é irrigado por ramos superficiais das artérias intercostais e 
cervical superficial. 
 Ação e inervação: o músculo, como um todo, age como elevador da escápula. A porção 
cervical puxa a escápula para cima e para frente. A porção torácica leva a escápula para cima e 
para trás. A sua inervação é feita pelo nervo acessório. (XI par craniano). 
 
8.8. Romboide cervical e romboide torácico 
75 
 
 Originam-se no ligamento da nuca, desde o terço médio do pescoço até o nível dos seis 
primeiros processos espinhosos das vértebras torácicas. Ambos se inserem na face medial da 
cartilagem da escápula. 
 São irrigados por ramos da artéria subescapular. 
 Ação e inervação: o romboide cervical eleva cranialmente a escápula ou inclina a 
cabeça e o pescoço lateralmente. O romboide torácico auxilia na elevação da escápula e fixação 
do membro no tronco. São inervados pelos ramos dorsais dos nervos cervicais VI e VII. 
 
8.9. Grande dorsal 
 É um músculo de forma triangular, delgado, situado obliquamente no tórax e que se 
estende até a face medial do braço. Suas fibras musculares são bem evidentes e correm, a 
princípio, paralelas umas às outras, para depois convergirem à medida que atingem o braço. 
Sua origem estende-se do terço médio das costelas IX a XII e, por meio de uma aponeurose, 
até a fáscia toracolombar. Insere-se por meio de curto tendão na tuberosidade redonda maior, 
juntamente com o músculo redondo maior. Relaciona-se, superficialmente, com o músculo 
cutâneo do tronco, que o recobre quase totalmente e ainda com a parte torácica do trapézio, 
tríceps e tensor da fáscia do antebraço. 
 É irrigado pela artéria toracodorsal. 
 Ação e inervação: o membro estando livre puxa-o para trás e para cima, auxiliando 
ainda na sua adução. Com o membro fixo, auxilia no deslocamento cranial do tronco. É 
inervado por ramos do nervo toracodorsal. 
 
8.10. Serrátil ventral 
 É um largo músculo em forma de leque que prende a escápula ao tórax e ao pescoço. 
Seu nome deve-se à forma serreada de sua borda ventral. Sua porção cervical insere-se nos 
processos costais das vértebras cervicais III a VI e no processo transverso da vértebra cervical 
VI. No tórax, suas digitações prendem-se na face externa das 9 primeiras costelas, descrevendo 
um arco de concavidade dorsal. O limite entre as porções torácica e cervical é bem nítido ao 
nível de sua borda ventral. Neste pontoas duas porções estão separadas, dando passagem aos 
ramos ventrais dos 2 últimos nervos e do primeiro nervo torácico. No bovino, também o 
segundo nervo torácico passa por este espaço. O músculo serrátil ventral origina-se na face 
medial da escápula. 
 É irrigado por ramos das artérias cervical profunda, intercostais e escapular dorsal. 
76 
 
 Ação e inervação: auxilia na sustentação do tronco, quando considerado em conjunto 
com o do lado oposto. A contração simultânea dos dois eleva o tronco, a porção cervical auxilia 
na elevação do pescoço e a porção torácica participa na inspiração. É inervado por ramos dos 
nervos cervicais, torácico longo, intercostais e torácico lateral. 
 
8.11. Subclávio 
 É uma estreita faixa muscular, situada cranialmente à articulação escapuloumeral, em 
meio a quantidade variável de tecido adiposo. Origina-se na cartilagem costal I, na região 
peitoral e insere-se na face profunda do músculo braquiocefálico. 
 É irrigado por ramos da artéria cervical superficial, com a qual está intimamente 
relacionada. 
 Ação e inervação: sua ação é reduzida e parece atuar mantendo o músculo 
braquiocefálico junto à face lateral do pescoço. É inervado por ramos dos nervos peitorais 
craniais. 
 
8.2. Músculos da face lateral da escápula 
 
8.2.1. Deltóide 
 O músculo deltoide apresenta forma triangular. Situa-se na face lateral da articulação 
do ombro. Compreende duas partes: uma cranial, acromial e outra caudal, escapular. A parte 
acromial tem origem no acrômio e na espinha da escápula e insere-se na tuberosidade deltoidea 
do úmero. A parte escapular tem origem na espinha da escápula, por meio de uma aponeurose 
que cobre o músculo infra-espinhal, e no terço proximal da borda caudal da escápula. Insere-se 
na fáscia braquial, superficialmente à cabeça lateral do tríceps. Relaciona-se superficialmente 
com a pele, fáscia omobraquial e a borda caudal do músculo cleidobraquial; profundamente, 
com as cabeças lateral e longa do tríceps, redondo menor e infra-espinhal. 
 Entre as duas partes do músculo deltoide emergem ramos da artéria e veia circunflexas 
caudais do úmero, pelos quais é irrigado. 
 Ação e inervação: flexiona a articulação do ombro e abduz o braço. É inervado por 
ramos do nervo axilar. 
 
8.2.2. Supraespinhal 
 O músculo supraespinhal ocupa a fossa supraespinhal. Originando-se na fossa 
supraespinhal e na espinha da escápula e insere-se, por meio de dois tendões, respectivamente 
77 
 
nos tubérculos maior e menor do úmero. Relaciona-se superficialmente com os músculos 
trapézio e omotransversal. Sua inserção no tubérculo menor do úmero está coberta pela porção 
cranial do músculo peitoral profundo. 
 O músculo supraespinhal é irrigado por ramos da artéria cervical superficial. 
 Ação e inervação: estende a articulação do ombro. É inervado por ramos do nervo 
supra-escapular. 
 
8.2.3. Infraespinhal 
 Ocupa a fossa infraespinhal. Origina-se nesta e na cartilagem e na espinha da escápula. 
Insere-se na porção caudal do tubérculo maior do úmero e numa área imediatamente abaixo 
desta. Sob seu tendão de inserção, observa-se uma bolsa sinovial bastante desenvolvida. 
Relaciona-se superficialmente, em sua metade proximal, com a parte torácica do trapézio e o 
grande dorsal, e em sua metade distal, com o deltoide. Profundamente, sua borda caudal 
relaciona-se com a cabeça longa do tríceps e o redondo menor. 
 É irrigado por ramos das artérias cervical superficial e subescapular. 
 Ação e inervação: estende a articulação do ombro. É inervado por ramos do nervo 
supraescapular. 
 
8.2.4. Redondo menor 
 É um músculo pequeno, situado na borda caudal da escápula, entre os músculos 
infraespinhal e deltoide, superficialmente, e a cabeça longa do tríceps, profundamente. Origina-
se na metade distal da borda caudal da escápula. Insere-se na face lateral da extremidade 
proximal do úmero, numa área situada logo abaixo da inserção do infraespinhal. Recebe 
irrigação de ramos das artérias subescapular e circunflexa caudal do úmero. 
 Ação e inervação: flexiona a articulação do ombro. É inervado por ramos do nervo 
axilar. 
8.3. Músculos da face medial da escápula 
 
8.3.1. Subescapular 
 Ocupa toda a extensão da fossa subescapular, com exceção das áreas adjacentes aos 
ângulos cranial e caudal da escápula. Relaciona-se cranialmente com o supraespinhal e 
caudalmente com o redondo maior. Origina-se na fossa subescapular e insere-se no tubérculo 
menor do úmero e área adjacente. 
É irrigado por ramos da artéria subescapular. 
78 
 
 Ação e inervação: sua ação é de adução do braço. É inervado pelos nervos 
subescapulares cranial e caudal, e por ramos dos nervos axilar e toracodorsal. 
 
8.3.2. Redondo maior 
 É um músculo alongado, de contorno triangular, situado na face medial do ombro e do 
braço, caudalmente à articulação do ombro. Relaciona-se lateralmente com os músculos grande 
dorsal e cabeça longa do tríceps; cranialmente, com o subescapular, artéria e veias 
subescapulares e nervo axilar; medialmente, com o serrátil ventral. Origina-se na borda caudalda escápula e insere-se na tuberosidade redonda do úmero. 
 É irrigado por ramos da artéria subescapular. 
 Ação e inervação: flexiona a articulação do ombro. É inervado pelos nervos axilar e 
toracodorsal. 
 
8.4. Músculos do braço 
 
8.4.1. Bíceps do braço 
 Situa-se na porção cranial do braço e está coberto pelos músculos peitorais. Origina-se 
por forte tendão no tubérculo supraglenoide da escápula. Este tendão está coberto pela 
extremidade distal do músculo supraespinhal e corre no sulco intertubercular, onde existe uma 
bolsa sinovial desenvolvida. Insere-se por curto tendão na tuberosidade do rádio. Relaciona-se 
cranial e medialmente com os músculos peitorais; caudalmente com o corpo do úmero e o 
músculo coracobraquial e lateralmente com o músculo braquial. É irrigado por ramos da artéria 
braquial. 
 Ação e inervação: sua ação é estender o ombro e flexionar o cotovelo. É inervado pelo 
nervo musculocutâneo. 
 
8.4.2. Coracobraquial 
 É um músculo situado na face medial da articulação do ombro. Origina-se no processo 
coracóide da escápula e insere-se na face medial do colo e em grande extensão na face 
craniomedial do úmero. Sua irrigação é feita por ramos da artéria braquial. 
 Ação e inervação: é adutor do braço e estende a articulação do ombro. É inervado pelo 
nervo musculocutâneo. 
 
8.4.3. Braquial 
79 
 
 É um músculo volumoso que ocupa o sulco do músculo braquial do úmero. Origina-se 
na borda cranial do úmero e na metade proximal do sulco. Sua inserção se dá na borda medial 
e na face caudal do rádio, um pouco abaixo da tuberosidade do rádio e ainda na borda medial 
da extremidade proximal da ulna. Relaciona-se lateralmente, com o nervo radial e com a cabeça 
lateral do tríceps e, cranialmente, com o terço distal do músculo cleidobraquial. 
 Ação e inervação: flexiona a articulação do cotovelo. Sua inervação é feita pelos nervos 
musculocutâneo e mediano. 
 
8.4.4. Tríceps do braço 
 É o maior músculo do braço. Possui três cabeças principais e uma acessória. A cabeça 
longa é mais volumosa. Origina-se na borda caudal da escápula. Ocupa o ângulo formado pela 
escápula e o úmero e insere-se no olecrano e na fáscia do antebraço. A cabeça lateral está 
parcialmente coberta pelo músculo deltoide. Origina-se acima da tuberosidade deltoide, numa 
área rugosa lateral, adjacente ao colo do úmero. Insere-se no olecrano, em sua face lateral. A 
cabeça medial origina-se, juntamente com a acessória, na face medial do úmero, logo abaixo 
da cabeça e do tubérculo menor. Insere-se na face medial do olecrano. São várias as relações 
do músculo tríceps. Lateralmente, relaciona-se com a pele e as duas partes do deltoide. A cabeça 
lateral relaciona-se profundamente com os músculos braquial e ancôneo, nervo radial e origem 
do músculo extensor radial do carpo. A cabeça longa relaciona-se medialmente com os 
músculos peitorais, coracobraquial, redondo maior e grande dorsal. O nervo radial passa entre 
as cabeças lateral, longa e medial do músculo. 
 É irrigado por ramos das artérias subescapular e braquial. 
 Ação e inervação: flexiona a articulação do ombro e estende o cotovelo, sendo esta sua 
ação mais efetiva. Sua inervação é feita pelo nervo radial. 
 
8.4.5. Tensor da fáscia do antebraço 
 É um estreito músculo situado na face caudal do braço e que se estende do terço 
proximal da borda caudal da escápula à face medial do olecrano, juntamente com o tríceps. Este 
músculo não possui conexões com a fáscia do antebraço, ao contrário do que seu nome sugere. 
 É irrigado por ramos da artéria subescapular. 
 Ação e inervação: flexiona a articulação do ombro e estende a articulação do cotovelo. 
É inervado pelo nervo radial. 
 
8.4.6. Ancôneo 
80 
 
 É um músculo pequeno, alongado, situado profundamente na face lateral do braço e 
coberto pela cabeça lateral do tríceps. Origina-se na face caudal e na borda lateral da metade 
distal do úmero e insere-se na face lateral do olecrano. É irrigado por ramos da artéria 
subescapular. 
 Ação e inervação: sua ação é estender a articulação do cotovelo. É inervado pelo nervo 
radial. 
 
8.5. Músculos do antebraço e da mão 
 
8.5.1. Pronador redondo 
 É um músculo pequeno e rudimentar, constituído quase que exclusivamente de fibras 
tendíneas. Estende-se obliquamente na face medial da articulação do cotovelo. Origina-se no 
epicôndilo medial do úmero e insere-se no terço proximal da borda medial do rádio. Relaciona-
se medialmente com a artéria braquial, o nervo mediano e a inserção dos músculos bíceps e 
braquial. Nos pequenos ruminantes, está coberto no seu terço proximal pela inserção comum 
dos músculos peitoral superficial e braquiocefálico. Caudalmente relaciona-se com o músculo 
flexor radial do carpo. É irrigado pela artéria braquial. 
 Ação e inervação: por ser rudimentar, sua ação muscular é bastante reduzida. Auxilia o 
ligamento colateral medial da articulação do cotovelo. É inervado pelo nervo mediano. 
 
8.5.2. Flexor radial do carpo 
 É um músculo longo e estreito, de ventre muscular reduzido, situado na face medial do 
antebraço, caudalmente à borda medial do rádio. Originando-se no epicôndilo medial do úmero 
e insere-se na face palmar da base do osso metacárpico III e IV. Situa-se entre os músculos 
pronador redondo e flexor ulnar do carpo. Relaciona-se, superficialmente, com a fáscia do 
antebraço e pele e, profundamente, com a artéria e nervo mediano e o músculo flexor superficial 
dos dedos. Seu tendão corre na face medial do carpo. É irrigado por ramos da artéria mediana. 
 Ação e irrigação: flexiona a articulação do carpo. É inervado pelo nervo mediano. 
 
8.5.3. Flexor ulnar do carpo 
 É um músculo largo e delgado, situado superficialmente na porção caudal da face 
medial do antebraço. Está coberto pela fáscia do antebraço e relaciona-se, profundamente, com 
o músculo flexor superficial dos dedos. Origina-se no epicôndilo medial do úmero. Insere-se 
no osso acessório do carpo. É irrigado por ramos da artéria mediana. 
81 
 
 Ação e inervação: flexiona a articulação do carpo. É inervado pelo nervo mediano. 
 
8.5.4. Flexor superficial dos dedos 
 É um músculo fusiforme, cujo ventre está dividido em partes superficial e profunda. 
Situa-se no antebraço profundamente ao músculo flexor ulnar do carpo. Sua origem está 
parcialmente fundida à do flexor ulnar do carpo e prende-se no epicôndilo medial do úmero. 
Ao nível do carpo, a parte profunda está unida ao tendão do músculo flexor profundo dos dedos 
por um forte tendão (músculo interflexor proximal). O músculo flexor superficial possui dois 
tendões que correm na face palmar do carpo e do metacarpo. O tendão da parte superficial passa 
no interior do ligamento anular do carpo, enquanto que o tendão da parte profunda passa pelo 
canal do carpo, onde está unido ao tendão do músculo flexor profundo dos dedos pelo músculo 
interflexor distal. No terço distal do metacarpo, os tendões do músculo flexor superficial dos 
dedos fundem-se num curto tendão comum. Após pequeno trajeto, este se divide num ramo 
para cada dedo principal. Ao nível dos sesamóides proximais, cada ramo une-se à parte 
superficial do músculo interósseo III e IV, constituindo um canal fibroso para o tendão do 
músculo flexor profundo dos dedos. Logo abaixo dos sesamóides proximais, cada ramo divide-
se em partes axial, intermédia e abaxial. A parte intermédia é a mais forte e insere-se no 
sesamóide distal. As partes axial e abaxial são mais delgadas e inserem-se nos tubérculos da 
face palmar da base da falange média. 
 O músculo flexor superficial dos dedos é irrigado por ramos da artéria braquial. 
 Ação e inervação: flexiona as articulações metacarpofalângica e interfalângica 
proximal. Auxilia na sustentação do corpo do animal. É inervado por ramos dos nervos ulnar e 
mediano. 
 
8.5.5. Flexor profundo dos dedos 
 É bastante desenvolvido nos ruminantes.Situa-se na face caudal do rádio, parcialmente 
coberto pelos músculos flexores radial do carpo, ulnar do carpo e superficial dos dedos. Possui 
de quatro a cinco cabeças: uma radial, duas ou três umerais e uma ulnar. Estas cabeças unem-
se na face palmar do carpo num tendão comum que se estende até a extremidade distal da face 
palmar do metacárpico III e IV, onde se divide em dois ramos, um para cada dedo principal. 
Cada ramo passa no canal fibroso formado pelos músculos flexor superficial dos dedos e 
interósseo III e IV e vai inserir-se na falange distal correspondente. 
 A cabeça radial é pequena e triangular. Origina-se n face caudal do terço proximal do 
rádio. Seu ventre está aderido à face caudal do rádio e continua-se por delgado tendão, que se 
82 
 
une aos tendões das outras porções na altura do carpo. Nos pequenos ruminantes, a cabeça 
radial é relativamente mais alongada. Nos ovinos, seu tendão insere-se na porção medial da 
face palmar do metacárpico III e IV. As cabeças umerais são as mais volumosas e variam em 
número, de duas a três. Usualmente, elas são duas. Originam-se numa área da extremidade 
distal do úmero, caudal ao epicôndilo medial. Ao nível da face palmar do carpo unem-se num 
tendão comum. A cabeça ulnar é também triangular e está situada na borda caudal do antebraço, 
coberta parcialmente pelo músculo flexor ulnar do carpo. Nos bovinos, ela está coberta pelo 
músculo flexor ulnar do carpo apenas na face medial do antebraço. Origina-se na face medial, 
borda caudal e face lateral da ulna, logo abaixo do olecrano. Seu longo tendão corre distalmente 
no antebraço entre as cabeças umerais e o músculo ulnar lateral, unindo-se ao tendão comum 
ao nível da face palmar do carpo. 
 O músculo flexor profundo dos dedos é irrigado por ramos das artérias braquial e 
interóssea comum. As cabeças ulnar e umerais recebem ainda ramos da artéria colateral ulnar. 
 Ação e inervação: flexiona as falanges e, ligeiramente, o carpo. A cabeça radial é 
inervada por filetes do nervo mediano, a cabeça ulnar pelo nervo ulnar e as cabeças umerais 
pelos nervos mediano e ulnar. 
 
8.5.6. Interflexores 
 Descritos com o músculo flexor superficial dos dedos. 
 
8.5.7. Ulnar lateral (extensor ulnar do carpo) 
 Situa-se na face laterolateral do antebraço, relacionando-se cranialmente com o 
músculo extensor do dedo IV, caudomedialmente com o músculo flexor do carpo e 
profundamente com as cabeças umerais e ulnar do músculo flexor profundo dos dedos. Origina-
se numa área da face lateral da extremidade distal do úmero, caudalmente ao epicôndilo lateral. 
Sua porção carnosa é achatada e continua-se por dois tendões que se inserem no osso acessório 
do carpo e na base do metacárpico III e IV. Nos bovinos, insere-se ainda no metacárpico V. é 
irrigado por ramos da artéria interóssea comum e da artéria braquial. 
 Ação e inervação; flexiona a articulação do carpo e estende a articulação do cotovelo. 
É inervado pelo ramo profundo do nervo radial. 
 
8.5.8. Extensor radial do carpo 
 Ocupa a porção craniolateral do antebraço. Origina-se na parede lateral da fossa do 
olecrano e na fossa radial do úmero. Seu tendão de inserção passa no sulco medial da 
83 
 
extremidade distal do rádio e na face dorsal da articulação do carpo e insere-se na tuberosidade 
do metacárpico III e IV. Relaciona-se, superficialmente, com a fáscia do antebraço e, 
profundamente, com a face craniomedial do rádio. É irrigado por ramos da artéria circunflexa 
caudal do úmero. 
 Ação e inervação: estende a articulação do carpo e flexiona a do cotovelo. É inervado 
pelo ramo profundo do nervo radial. 
 
8.5.9. Abdutor longo do polegar 
 É um músculo que ocupa a face lateral da extremidade distal do antebraço, possuindo 
uma porção carnosa triangular, achatada e um tendão que cruza obliquamente o tendão do 
músculo extensor radial do carpo e a articulação do carpo. Origina-se na metade distal da face 
lateral do corpo da ulna e do rádio. Insere-se na borda medial da base do metacárpico III e IV. 
É irrigado por ramos da artéria interóssea comum. 
 Ação e inervação: estende a articulação do carpo. É inervado pelo ramo profundo do 
nervo radial. 
 
8.5.10. Extensor do dedo III 
 Situa-se na face lateral do antebraço e estende-se obliquamente na face dorsal do 
metacarpo. Relaciona-se superficialmente com a fáscia do antebraço, caudalmente com o 
músculo extensor comum dos dedos e, profundamente, com a borda lateral do rádio e ventre do 
músculo abdutor longo do polegar. Sua porção carnosa é estreita e alongada, originando-se no 
epicôndilo lateral do úmero. Seu tendão começa no terço distal do antebraço, passa no sulco 
lateral da extremidade distal do rádio e na face dorsolateral do carpo. Depois, cruza 
obliquamente a face dorsal do metacarpo para correr na face dorsal do dedo III, onde se insere. 
Alguns autores o consideram como parte do músculo extensor comum dos dedos. É irrigado 
por ramos da artéria interóssea comum. 
 Ação e inervação: estende as articulações interfalângicas, metacarpofalângicas e do 
carpo. Atua ainda na abdução do dedo III. É inervado pelo ramo profundo do nervo radial. 
 
8.5.11. Extensor comum dos dedos 
 É um músculo longo, situado na face lateral do antebraço e estende-se do cotovelo às 
falanges distais dos dedos principais. É constituído de duas partes. A parte umeral é a maior e 
origina-se no epicôndilo lateral do úmero, em companhia dos músculos extensor do dedo III e 
extensor do dedo IV. A parte ulnar situa-se profundamente à umeral e origina-se na face lateral 
84 
 
da metade proximal do corpo da ulna. Seu delgado tendão une-se ao da parte umeral ao nível 
do terço distal do antebraço. O tendão do músculo extensor comum dos dedos corre 
caudalmente ao do músculo extensor do dedo III, acompanhando-o no carpo e metacarpo. Ao 
nível da articulação metacarpofalângica, ele divide-se em dois ramos. Cada um destes ramos 
corre na face dorsal do respectivo dedo e insere-se na falange distal. 
 O músculo extensor comum dos dedos é irrigado por ramos da artéria interóssea 
comum. 
 Ação e inervação: atua na extensão do carpo e dos dedos. É inervado pelo ramo 
profundo do nervo radial. 
 
8.5.12. Extensor do dedo IV 
 É um músculo alongado, de contorno triangular, situado na face lateral do antebraço. 
Origina-se lateralmente na cabeça do rádio, no ligamento colateral lateral da articulação do 
cotovelo e no corpo da ulna. Nos pequenos ruminantes, este músculo origina-se também no 
epicôndilo lateral do úmero e sua origem ulnar estende-se somente até a metade do corpo da 
ulna. Seu tendão corre distalmente na face lateral do carpo e do metacarpo. Ao nível da 
extremidade distal do metacarpo, ele passa para a face dorsal do dedo IV, onde se insere. O 
músculo extensor do dedo IV relaciona-se cranialmente com a parte umeral do músculo 
extensor comum dos dedos e caudalmente com o músculo ulnar lateral. 
O músculo extensor do dedo IV é irrigado por ramos da artéria interóssea comum. 
 Ação e inervação: estende as articulações do dedo IV e abduz o mesmo. É inervado 
pelo ramo profundo do nervo radial. 
 
8.5.13. Interósseo III e IV 
 É um músculo único que, nos adultos, está constituído principalmente de tecido 
conjuntivo fibroso. Situa-se na face palmar do osso metacárpico III e IV e envia 
prolongamentos à face dorsal dos dedos. Nos ovinos, origina-se também no metacárpico V. 
 Está constituído de partes superficial e profunda. A parte superficial é delgada e 
constituída quase que exclusivamente de tecido conjuntivo fibroso. Na extremidade distal do 
metacárpico III e IV, a parte superficial do interósseo III e IV para cada dedo forma, juntamente 
com os ramos do tendão do músculo flexor superficial dos dedos, os canais que dão passagem 
aos tendões do músculo flexor profundo dos dedos. A parte profunda divide-se, ao nível da 
extremidade distal do metacárpicoIII e IV, em partes lateral, intermédia e medial. As partes 
lateral e medial são menores que a intermédia e dirigem-se para as faces abaxiais dos dedos 
85 
 
principais, onde elas inserem-se nos sesamóides proximais abaxiais. Além disto, elas se 
continuam dorsodistalmente e vão se fundir com os tendões dos músculos extensores do dedo 
IV e do dedo III, respectivamente. A parte intermédia corre distalmente na face palmar do 
metacárpico III e IV, envia fibras aos sesamóides axiais proximais e atinge o espaço interdigital. 
Aqui, a parte intermédia volta-se dorsalmente e bifurca-se, terminando na face dorsal de cada 
dedo unindo-se aos tendões dos músculos extensor do dedo III e extensor do dedo IV. É irrigado 
por ramo da artéria radial. 
 Ação e inervação: filogeneticamente, o músculo corresponde aos músculos flexores da 
articulação metacarpofalângica. Durante a evolução, eles sofreram adaptação funcional e 
passaram a exercer o papel de ligamento. O músculo interósseo III e IV é considerado como 
parte do sistema passivo de suporte do animal. É inervado pelo ramo profundo do nervo ulnar. 
 
9. NERVOS DO MEMBRO TORÁCICO 
 
9.1. Nervos da axila, do ombro e do braço 
Os nervos para o membro torácico originam-se do plexo braquial. Nos caprinos e 
ovinos, o plexo braquial é formado pelas uniões dos ramos ventrais dos nervos espinhais 
cervicais VI, VII e VIII e torácico I. No bovino, além destes ramos, o torácico II também 
participa na formação do plexo braquial. Os nervos periféricos que se originam do plexo 
braquial serão descritos a seguir. 
 
9.2. Supraescapular 
 O nervo supraescapular, cujas fibras derivam dos nervos cervicais VI e VII, passa entre 
os músculos supraespinhal e subescapular. Ele inerva estes dois músculos e o infra-espinhal. 
 
9.3. Subescapulares 
Os nervos subescapulares contêm fibras dos nervos cervicais VI e VII. O nervo 
subescapular cranial deixa o plexo braquial em companhia do nervo supraescapular e penetra 
na parte cranial do músculo subescapular. O nervo subescapular caudal acompanha o nervo 
toracodorsal ou axilar, ou ambos e finalmente penetra na parte caudal do músculo subescapular. 
 
9.4. Peitorais 
86 
 
Os nervos peitorais originam-se principalmente dos nervos cervicais VI e VII. Apesar 
de haver variações de origem e trajeto, os nervos peitorais podem ser divididos em craniais e 
caudais. Alças destes nervos envolvendo a artéria braquial são observadas no caprino e bovino. 
Os nervos peitorais craniais inervam as partes craniais do peitoral superficial e peitoral 
profundo. Os nervos peitorais caudais inervam a parte caudal do peitoral profundo e, algumas 
vezes, a parte caudal do peitoral superficial. 
 
9.5. Musculocutâneo 
O nervo musculocutâneo origina-se dos nervos cervical VI e VII, nos caprinos e ovinos 
e dos VI, VII e VII, nos bovinos. Ele cruza a face lateral da artéria axilar e une-se ao nervo 
mediano, constituindo a alça axilar. O nervo musculocutâneo inerva os músculos 
coracobraquial e bíceps, por meio de seu ramo muscular proximal e continua-se distalmente no 
braço unido ao nervo mediano. Ao nível do terço distal do braço, ele separa-se do nervo 
mediano, emite o ramo muscular dista para o músculo braquial e continua-se como ramo 
cutâneo medial do antebraço que supre a pele da face medial do antebraço. 
 
9.6. Mediano 
O nervo mediano é formado por fibras do nervo cervical VII (e do torácico I, no bovino). 
Ele cruza a face medial da artéria axilar e forma a alça axilar com o nervo musculocutâneo. Ele 
corre distalmente na face medial do braço e caudalmente aos músculos coracobraquial e bíceps. 
 
9.7. Ulnar 
O nervo ulnar tem a mesma origem do mediano. Na axila, ele corre junto à artéria axilar, 
em companhia do nervo mediano. Ao nível do terço médio do braço, inclina-se caudalmente e 
cruza a artéria braquial. Na face medial da cabeça longa do tríceps, emite o nervo cutâneo caudal 
do antebraço. 
 
9.8. Radial 
O nervo radial deriva suas fibras dos nervos cervicais VII e VIII e torácico I. relaciona-
se, lateralmente, com as artérias subescapular e toracodorsal e, medialmente, com suas veias 
satélites. Ao atingir o espaço compreendido entre o músculo redondo maior e as cabeças medial 
e longa do tríceps, ele fornece um grande contingente de fibras àquelas cabeças e ao músculo 
tensor da fáscia do antebraço. O nervo radial continua correndo distolateralmente, passando 
entre as cabeças medial e acessória do tríceps, para alcançar o sulco do músculo braquial. Neste 
87 
 
percurso, ele situa-se entre o músculo braquial e cabeça lateral do tríceps. Emite ramos para a 
cabeça lateral do tríceps e para o músculo ancôneo. Nos bovinos, o nervo radial também pode 
enviar ramo ao músculo braquial. Num ponto variável, acima da articulação do cotovelo, ele 
divide-se em ramos superficial e profundo. 
 
9.9. Axilar 
O nervo axilar é formado por fibras dos nervos cervicais VI e VII, no caprino e ovino e 
dos cervicais VII e VIII, no bovino. Ele corre lateralmente no espaço entre os músculos 
subescapular, redondo maior e cabeça longa do tríceps, passando caudalmente à articulação do 
ombro. O nervo axilar envia ramos aos músculos flexores do ombro (extremidade distal do 
subescapular, redondo maior, redondo menor e deltoide). Um ramo do nervo axilar passa entre 
a parte acromial do deltoide e o tubérculo maior do úmero para penetrar na face profunda do 
músculo cleidobraquial. O nervo cutâneo cranial do antebraço emerge entre as duas partes do 
músculo deltoide, cruza a extremidade distal do músculo cleidobraquial, passa profundamente 
à veia cefálica e inerva fáscia e pele da face cranial do braço e do antebraço. 
 
9.10. Toracodorsal 
O nervo toracodorsal é constituído por fibras do nervo cervical VIII e do torácico I, no 
caprino e ovino. No bovino, o torácico II também participa de sua formação. Distribui-se 
principalmente no músculo grande dorsal, podendo, no entanto, enviar fibras ao redondo maior 
e peitoral profundo. 
 
9.11. Nervos do antebraço e da mão 
 
9.12. Radial 
Num ponto pouco acima da articulação do cotovelo, o nervo radial divide-se em ramos 
superficial e profundo. O ramo superficial corre distalmente, cruza a face lateral do terço distal 
do músculo braquial e atinge a face cranial do antebraço. Aqui, ele corre na fáscia antebraquial. 
Relaciona-se inicialmente com a veia cefálica. Na extremidade proximal do antebraço, emite o 
nervo cutâneo lateral do antebraço. Nos bovinos, este último pode, em alguns casos, unir-se 
com o ramo dorsal do nervo ulnar, na face lateral do carpo. Na metade distal do antebraço, o 
ramo superficial do nervo radial está associado à veia cefálica acessória. No carpo, ele corre 
lateralmente à veia digital dorsal comum III. Na face dorsal do metacarpo, o ramo superficial 
divide-se em nervo digital dorsal comum II e nervo dorsal comum III. O ponto de divisão é 
88 
 
variável: ele pode ocorrer no carpo, no metacarpo ou ao nível da articulação 
metacarpofalângica. O nervo digital dorsal comum II constitui a divisão medial do ramo 
superficial do nervo radial. Após curto trajeto, ele envia pequeno ramo – o nervo digital dorsal 
próprio II ao dedo II, e continua-se na face dorsal do dedo III como nervo digital dorsal próprio 
III abaxial. O nervo digital dorsal comum III divide-se em nervo digital dorsal próprio III axial 
e nervo digital dorsal próprio IV axial, ao nível da articulação metacarpofalângica. O ramo 
superficial do nervo radial envia ramos à pele e fáscia durante seu trajeto no antebraço e mão. 
O ramo profundo do nervo radial passa distalmente entre os músculos braquial e extensor radial 
do carpo, onde envia ramos para o último. Em alguns casos, podem-se observar pequenos ramos 
também para o músculo braquial. O ramo profundo continua seu trajeto passando entre o 
músculo extensor radial do carpo do rádio. Finalmente, enviaramificações aos músculos 
extensores do dedo III, comum dos dedos e do dedo IV e ao abdutor longo do polegar. Inerva 
também o músculo ulnar lateral. 
9.13. Mediano 
Ao nível da face medial da articulação do cotovelo, o nervo mediano, juntamente com 
a artéria braquial, corre profundamente às inserções comuns do músculo braquiocefálico e do 
músculo peitoral descendente. Aqui, emite forte ramo que, após curto trajeto, ramifica-se na 
face profunda dos músculos pronador redondo, flexor radial do carpo, flexor superficial dos 
dedos e nas cabeças umerais do flexor profundo dos dedos. Na extremidade proximal do 
antebraço, o nervo mediano passa profundamente ao músculo pronador redondo, em companhia 
da artéria braquial, onde fornece o nervo interósseo do antebraço. Este dirige-se lateralmente 
na face caudal do rádio, envia ramos à cabeça radial do músculo flexor profundo dos dedos e 
termina ramificando-se na membrana interóssea, que oblitera o espaço interósseo proximal. O 
nervo mediano prossegue distalmente o seu curso na face medial do antebraço, profundamente 
ao músculo flexor radial do carpo, junto à artéria mediana. Na metade distal do antebraço, o 
nervo e a artéria tronam-se superficiais, passando entre os tendões dos músculos flexores radial 
do carpo e superficial dos dedos. O nervo mediano passa na face palmar do carpo, próximo ao 
osso acessório do carpo e, num ponto variável do metacarpo, emite os nervos digital palmar 
comum II, digital palmar III axial e o digital palmar IV axial. O nervo digital palmar comum 
II, ao nível da articulação metacarpofalângica, emite o nervo digital palmar próprio II (para o 
dedo II) e se continua como nervo digital palmar próprio III abaxial. O nervo digital palmar 
próprio III abaxial ramifica-se nas faces palmar e abaxial do dedo III. O nervo digital palmar 
III axial corre obliquamente na face medial do terço distal do metacarpo, passa profundamente 
entre os dedos II e V para correr e ramificar-se na face axial do dedo III. O nervo digital palmar 
89 
 
IV axial emite o ramo comunicante com o ramo palmar do nervo ulnar, passa entre os dedos II 
e V e ramifica-se na face axial do dedo IV. Durante seu trajeto, o nervo mediano envia ramos 
para os músculos interflexores. 
 
9.14. Ulnar 
Na face medial do braço, o nervo ulnar emite o nervo cutâneo caudal do antebraço. Este 
cruza a face medial da articulação do cotovelo e distribui-se na pele e na fáscia da face medial 
do antebraço, atingindo a face medial do carpo. Ao nível da articulação do cotovelo, o nervo 
ulnar passa profundamente entre as origens umeral e ulnar do músculo flexor ulnar do carpo, 
onde envia ramos para este músculo, para o músculo flexor superficial dos dedos e para as 
cabeças umerais e ulnar do músculo flexor profundo dos dedos. O nervo ulnar continua seu 
trajeto distal correndo na borda caudal do antebraço entre os músculos ulnar lateral e flexor do 
carpo. Ao nível do terço distal do antebraço divide-se em ramos palmar e dorsal. O ramo palmar 
aprofunda-se entre os tendões dos músculos flexor ulnar do carpo e ulnar lateral e passa n face 
medial do osso acessório do carpo, abaixo do qual fornece o ramo profundo para o músculo 
interósseo III e IV. O ramo palmar continua descendo n Face palmar do metacarpo e, ao nível 
do terço distal deste, une-se ao ramo comunicante do nervo mediano. O tronco formado por 
esta união constitui o nervo digital palmar comum IV. Este envia um ramo ao dedo V (nervo 
digital palmar próprio V) e continua-se como nervo digital palmar próprio IV abaxial. 
 O ramo dorsal do nervo ulnar cruza o tendão do músculo ulnar lateral para correr na 
face lateral do metacarpo, como nervo digital dorsal comum IV. Envia ramos à pele e fáscia 
desta região e, ao nível da articulação metacarpofalângica, fornece o nervo digital dorsal próprio 
V para o dedo V e continua-se como nervo digital dorsal próprio IV abaxial. 
 
10. ARTÉRIAS DO MEMBRO TORÁCICO 
 
10.1. Artérias da axila, do ombro e do braço 
 A principal artéria que leva o sangue ao membro torácico é a artéria axilar. Ela é a 
continuação da artéria subclávia. O membro torácico é também irrigado em parte, 
especialmente no ombro, pela artéria cervical superficial, originária da artéria subclávia. 
 
10.1.1. Cervical superficial 
90 
 
 Origina-se da artéria subclávia ao nível da entrada do tórax e passa dorsalmente ao 
longo da borda cranial do músculo supraespinhal, correndo profundamente aos músculos 
braquiocefálico, omotransverso e trapézio, ramifica-se na face profunda do músculo trapézio. 
Além de fornecer ramos musculares aos músculos acima citados, ao músculo subclávio e ao 
linfonodo cervical superficial, ela emite a artéria supraescapular (ramo supraescapular, nos 
bovinos). Esta é relativamente calibrosa e dirige-se para a borda cranial do músculo 
supraespinhal, onde se divide em ramos lateral e medial. O ramo lateral penetra na face 
craniolateral do músculo supraespinhal, dirige-se dorsalmente e aparece novamente na 
superfície do músculo, ramificando-se na fáscia e na pele próximas do ângulo cranial da 
cartilagem escapular. O ramo medial envia pequenos ramos ao músculo peitoral profundo, ao 
músculo subescapular e a face medial da articulação do ombro. 
 
10.1.2. Axilar 
 A artéria axilar começa ao nível da borda cranial da costela I. Daí, ela corre 
lateralmente, passa sobre o músculo peitoral profundo e termina bifurcando-se em artérias 
subescapular e braquial. A artéria axilar emite os seguintes ramos: 
• Artéria torácica externa: nasce próximo à costela I, corre ventralmente e emite ramos 
para os músculos braquiocefálico, omotransverso, peitoral superficial, peitoral profundo e 
subclávio. 
• Pequenos ramos musculares, que se originam próximo à terminação da artéria axilar e 
irrigam os músculos coracobraquial e deltoide. 
• Nos bovinos, ela emite a artéria supraescapular, que acompanha o nervo de mesmo 
nome. 
 
10.1.3. Subescapular 
 A artéria subescapular dirige-se dorsalmente entre os músculos subescapular e redondo 
maior e termina na área adjacente ao ângulo caudal da escápula. Durante seu trajeto, emite as 
artérias circunflexa caudal do úmero, toracodorsal e circunflexa da escápula. 
 A artéria circunflexa caudal do úmero penetra, juntamente com o nervo axilar, no 
espaço compreendido entre os músculos redondo maior, tríceps (cabeça longa) e subescapular, 
passando caudalmente à articulação do ombro. Aqui ela emite a artéria colateral radial e passa 
entre as cabeças longa e lateral do tríceps e, ao chegar à face profunda do deltoide, divide-se 
em vários ramos delgados que vascularizam as cabeças longa e lateral do tríceps e os músculos 
deltoide, redondo menor e infraespinhal. A artéria colateral radial corre distalmente no braço 
91 
 
entre as cabeças lateral e longa do tríceps. Acompanhando o nervo radial, ela distribui-se 
naquelas cabeças, bem como no músculo ancôneo e na extremidade proximal do músculo 
extensor radial do carpo. Dá origem à artéria nutrícia do úmero. Sua continuação no antebraço 
recebe o nome de artéria antebraquial superficial cranial. No metacarpo, ela divide-se nas 
artérias digitais dorsais comuns II e III, que vão suprir a face dorsal dos dedos. Estas são de 
pequeno calibre e de pouca importância funcional. 
 A artéria toracodorsal segue ao longo das faces mediais dos músculos redondo maior e 
grande dorsal. Distribui-se, juntamente com o nervo toracodorsal, na face profunda do músculo 
grande dorsal. Emite também ramos para o músculo redondo maior e para os linfonodos 
axilares. 
 A artéria circunflexa da escápula dirige-se cranialmente entre os músculos subescapular 
e cabeça longa do tríceps. Divide-se em dois ramos, medial e lateral. O ramo medial irriga 
principalmente o músculo subescapular. O ramo lateral dá origem à artéria nutrícia da escápula 
e ramifica-se no músculo infraespinhal.10.1.4. Braquial 
 A artéria braquial origina-se da bifurcação da artéria axilar. Ela percorre distalmente, 
trajeto retilíneo no braço, passando primeiro entre os músculos coracobraquial e cabeça medial 
do tríceps e depois entre esta e o bíceps. Medialmente, está coberta pelos músculos peitorais e 
relaciona-se com os nervos musculocutâneo, mediano e ulnar. No cotovelo, a artéria braquial é 
cruzada medialmente pelo músculo pronador redondo. Um pouco abaixo da articulação do 
cotovelo, ela emite a artéria interóssea comum e continua-se como artéria mediana. No braço, 
ela dá origem aos seguintes ramos: 
• Artéria circunflexa cranial do úmero: é um pequeno ramo que se origina da face cranial 
da artéria braquial e corre juntamente com o ramo muscular proximal do nervo musculocutâneo, 
através do músculo coracobraquial. Ela irriga este músculo e termina penetrando no terço 
proximal do músculo bíceps. Em alguns casos, ela pode originar-se da artéria subescapular ou 
da artéria circunflexa caudal do úmero. 
• Artéria profunda do braço: é um curto ramo que emerge da face caudal da artéria 
braquial e distribui-se nas cabeças medial e longa do tríceps. 
• Artéria colateral ulnar: origina-se da face caudal da artéria braquial, ao nível do terço 
distal do braço. Ela tem trajeto caudodistal, fornece pequenos ramos para a cabeça longa do 
tríceps e para o peitoral superficial e ramifica-se na fáscia e na pele da face medial da articulação 
do cotovelo. 
92 
 
• Artéria transversa do cotovelo: emerge da face lateral da artéria braquial, passando 
entre o músculo bíceps e a face cranial da articulação do cotovelo. Aqui ela se divide em ramos 
proximal e distal. O ramo proximal atinge a face profunda da cabeça lateral do músculo tríceps, 
passando entre o úmero e o músculo braquial. Ele fornece ramos para o braquial, cabeça lateral 
do tríceps e extensor radial do carpo e anastomosa-se com a artéria colateral radial. O ramo 
distal emerge sobre a origem do músculo radial do carpo. Ele irriga este músculo e divide-se 
em dois ramos. Um destes continua distalmente no antebraço e ramifica-se nos músculos 
extensor radial do carpo e extensor comum dos dedos e anastomosa-se com a artéria recorrente 
interóssea. O outro desce ao longo do tendão de inserção do músculo braquial, anastomosa-se 
com um ramo da artéria interóssea comum e finalmente termina no músculo extensor radial do 
carpo. 
 
10.2. Artérias do antebraço e da mão 
 
10.2.1. Braquial 
 Após emitir a artéria transversa do cotovelo, a artéria braquial passa profundamente à 
inserção comum dos músculos braquiocefálico e peitoral descendente. Na extremidade 
proximal do antebraço, ela passa profundamente ao músculo pronador redondo, emite um forte 
ramo muscular e a artéria interóssea comum e continua-se como artéria mediana. 
 O ramo muscular dirige-se caudalmente e distribui-se nos músculos pronador redondo, 
flexor radial do carpo, flexor ulnar do carpo, flexor superficial dos dedos e nas cabeças umerais 
e ulnar do músculo flexor profundo dos dedos. O ramo muscular pode, em alguns casos, 
originar-se da artéria interóssea comum. 
 A artéria interóssea comum é o último ramo da artéria braquial. Logo após sua origem, 
emite a artéria interóssea caudal, que corre ao longo das cabeças umerais do músculo flexor 
profundo dos dedos e se distribui nos músculos flexor radial do carpo, flexor superficial dos 
dedos e cabeças umerais do músculo flexor profundo dos dedos. 
Próximo à face palmar do carpo, ela anastomosa-se com o ramo palmar da artéria 
interóssea cranial. A artéria interóssea comum dirige-se para o espaço interósseo proximal, onde 
emite as artérias nutrícias do rádio e da ulna e se continua como artéria interóssea cranial. Esta 
atravessa o espaço interósseo proximal e atinge a face lateral do rádio. Daí corre distalmente no 
sulco longitudinal que une o espaço interósseo proximal ao distal. Próximo ao meio do 
antebraço emite um forte ramo muscular, que se ramifica nos músculos extensor comum dos 
dedos, extensor radial do carpo e abdutor longo do polegar. Na metade distal do antebraço, ela 
93 
 
está coberta pelo músculo abdutor longo do polegar. Ao nível do espaço interósseo distal, 
bifurca-se nos ramos dorsal e palmar, o ramo dorsal corre na face dorsolateral do carpo, onde 
se distribui enviando ramos à cápsula articular e à rede dorsal do carpo. Desta, origina-se a 
artéria metacárpica dorsal III, que corre distalmente no sulco longitudinal dorsal do metacárpico 
III e IV. Durante seu curso na região metacárpica, ela recebe o ramo perfurante proximal e 
envia pequenos ramos aos tendões, bainhas tendinosas e periósteo. Próximo à articulação 
metacarpofalângica, a artéria metacárpica dorsal III une-se com o ramo perfurante distal, que 
se origina do arco palmar profundo. Depois, ela desce sobre o dorso da articulação 
metacarpofalângica como artéria digital dorsal comum III. Ao nível do terço médio da falange 
proximal, esta emite as artérias digitais dorsais próprias III e IV, que correm no espaço 
interdigital e se anastomosam com ramos da artéria digital palmar comum III. 
 O ramo palmar da artéria interóssea cranial corre espaço interósseo distal e divide-se 
em ramos superficial e profundo. O ramo superficial envia ramos para a articulação do carpo, 
para os músculos ulnar lateral, flexor ulnar do carpo e flexor superficial dos dedos. Envia ramos 
ainda para o arco palmar proximal. O ramo profundo irriga a face palmar do carpo e 
anastomosa-se com pequenos ramos da artéria radial, formando a rede palmar do carpo situada 
no canal cárpico. 
 
10.2.2. Mediana 
 A artéria mediana corre distalmente no antebraço, entre o músculo flexor radial do 
carpo e a borda medial do rádio, acompanhando o nervo mediano. No terço médio do antebraço, 
ela gradualmente cruza a face profunda do músculo flexor radial do carpo e continua-se no 
canal cárpico, profundamente ao retináculo flexor. Próximo à articulação metacarpofalângica, 
ela une-se ao ramo anastomótico que emerge ao arco palmar profundo e continua-se como 
artéria digital palmar comum III. 
 A artéria mediana fornece os seguintes ramos: 
• Ramos musculares: são alguns ramúsculos que se distribuem nos músculos bíceps 
braquial, pronador redondo, extensor radial do carpo e que finalmente ramificam-se na fáscia e 
pele da face medial do antebraço. 
• Artéria radial: emerge da artéria mediana ao nível do terço médio do antebraço. Ela 
corre distalmente no aspecto mediopalmar do carpo, situando-se cranialmente à artéria 
mediana. Ao nível do terço proximal do metacarpo, ela emite a artéria metacárpica palmar II, 
que se comunica com a artéria metacárpica palmar III. Ao nível do terço proximal do metacarpo, 
ela desemboca na artéria mediana. 
94 
 
 
10.2.3. Artéria digital palmar comum III 
 É a mais calibrosa e, por conseguinte, a mais importante artéria da mão dos ruminantes. 
Ela corre distalmente entre os paradígitos (dedos II e V). Ao nível do terço médio das falanges 
proximais, emite os ramos comunicantes. Estes correm transversalmente na face palmar das 
falanges proximais, sob os tendões flexores e unem-se às artérias digitais palmares próprias III 
e IV abaxiais. A artéria digital palmar comum III continua correndo distalmente no espaço 
interdigital. Neste ponto, comunica-se com a artéria digital dorsal comum III emite um ramo 
para o coxim interdigital e, depois de curto trajeto, divide-se em artérias digitais palmares 
próprias III e IV axiais. Cada uma destas emite o ramo palmar, que supre a face palmar e o 
cório da falange distal. Além deste, envia também pequenos ramos à face axial do respectivo 
dedo e emite a artéria coronal, que corre dorsalmente na falange média e se distribui na face 
dorsal do dedo. As artérias digitais palmares III e IV axiais, finalmente, penetram na falange 
distal, onde formam o arco terminal, do qual partem inúmeros ramúsculospara o cório. 
 As delgadas artérias digitais palmares comuns II e IV emergem do arco palmar 
superficial e, próximo aos paradígitos, dividem-se em artérias digitais palmares própria II e 
própria III abaxial e artérias digitais palmares própria V e própria IV abaxial, respectivamente. 
 
11. VEIAS DO MEMBRO TORÁCICO 
 
 A drenagem venosa do membro torácico é feita por meio de um sistema superficial e 
um sistema profundo. O sistema superficial é constituído pela veia cefálica e suas tributárias, 
ao passo que o sistema profundo é representado pela veia axilar e suas tributárias. Somente as 
veias do sistema profundo seguem as artérias correspondentes. Os dois sistemas comunicam 
entre si por meio de ramos anastomóticos. 
 
11.1. Veias superficiais 
 
11.1.1. Cefálica 
 A veia cefálica origina-se da veia radial, um pouco acima do carpo. Ela corre 
proximalmente na face cranial do antebraço, onde recebe a veia cefálica acessória. Acima do 
cotovelo, ela passa em frente ao músculo braquiocefálico. Dirige-se para o sulco jugular e, 
depois de passar cranialmente ao músculo subclávio, desemboca na veia jugular externa. 
95 
 
 
11.1.2. Radial 
 A veia radial origina-se ao nível do terço distal do metacarpo, da união dos ramos 
palmares superficial e profundo. Ela então sobe no metacarpo, ao longo da borda medial do 
músculo interósseo III e IV. Depois de perfurar a fáscia profunda do antebraço, ela desemboca 
na veia mediana. 
 
11.1.3. Cefálica acessória 
 Representa a continuação da veia digital dorsal comum III, acima do carpo. Esta se 
origina ao nível do espaço interdigital e é formada pela união das veias digitais dorsais próprias 
III e IV, que provêm dos plexos da face dorsal das falanges distais. 
 
11.1.4. Digital dorsal comum III 
 A veia digital dorsal comum III assim formada corre proximalmente em direção à 
articulação metacarpofalângica. Após cruzar superficialmente a face dorsal desta articulação, a 
veia inclina-se medialmente sobre os tendões extensores, em direção ao carpo. 
 
11.2. Veias profundas 
 
11.2.1. Axilar 
 É formada pela união das veias subescapulares e braquial. Ela corre na região axilar em 
direção ao tórax e se continua, ao nível da costela I, como veia subclávia. Durante seu trajeto, 
recebe as veias das regiões axilar e escapular. 
 
11.2.2. Braquial 
 É a continuação da veia mediana, podendo ser dupla. Ela corre proximalmente no braço 
com a artéria braquial e nervos mediano e ulnar. Na porção proximal do braço, a veia está em 
relação com nervo radial. Durante o seu percurso no braço, a veia braquial recebe vários 
afluentes. 
 
11.2.3. Mediana 
 Nos ruminantes domésticos, ela tem a mesma situação e disposição da artéria mediana. 
No terço distal do metacarpo, ela recebe o ramo medial proveniente do arco venoso palmar 
96 
 
superficial. Abaixo deste nível, a veia mediana recebe a denominação de veia digital palmar 
comum III. 
 
12. LINFÁTICOS DO MEMBRO TORÁCICO 
 Os vasos linfáticos do membro torácico são tributários de dois linfocentros: cervical 
superficial (a ser descrito no pescoço) e axilar. O linfocentro compõe-se de linfonodos pequenos 
(0,5 – 1,0 cm, nos pequenos ruminantes e 2,0 – 3,0 cm, nos bovinos), ovoides ou arredondados, 
às vezes achatados, situados na região axilar, em estreita relação com os componentes do plexo 
braquial e artéria e veia axilares. Há, comumente, dois linfonodos mais craniais, situados ao 
nível do extremo ventral da costela I, ventralmente à origem da artéria axilar, e outro situado 
mais caudalmente, junto ao extremo distal do músculo redondo maior, em relação com a artéria 
e veia toracodorsais. Os primeiros são chamados linfonodos axilares da costela I e o último 
linfonodo axilar próprio. 
 Nos ovinos pode haver ainda, fazendo parte do linfocentro axilar, um ou mais 
linfonodos cubitais (do cotovelo), situados no terço distal da face medial do braço, junto à 
artéria e veia braquiais e nervo mediano. 
 Área de drenagem: para os linfonodos axilares convergem vasos linfáticos provenientes 
da face medial da escápula, braço e antebraço e da porção cranial da região costal. Seus vasos 
eferentes desembocam geralmente nos linfonodos cervicais profundos caudais, mas podem 
também ir diretamente aos troncos traqueais ou ainda ao ducto torácico. 
 
13. ROTEIRO PARA DISSECAÇÃO E ESTUDO DA PAREDE DO 
TÓRAX 
13.1. Rebata ventralmente os cotos esternais dos músculos peitoral superficial e peitoral 
profundo até a linha mediana ventral. 
 
13.2. Localize e disseque as raízes do plexo braquial no limite entre as partes cervical e 
torácica do músculo serrátil, já estudado. 
 
13.3. Identifique e disseque os nervos frênico, torácico longo e torácico lateral. O nervo 
frênico supre o músculo diafragma; neste item, será dissecado apenas seu trajeto 
cervical. Verifique sua origem dos ramos ventrais dos nervos cervicais V e VI e note 
97 
 
que ele corre caudoventralmente até penetrar na cavidade do tórax. O nervo torácico 
longo origina-se do plexo braquial e corre caudalmente sobre o músculo serrátil 
ventral, onde se distribui. O nervo torácico lateral também se origina do plexo 
braquial, corre caudalmente na parede do tórax, ventralmente ao nervo torácico 
longo. Ele distribui-se numa ampla área do tórax e do abdome. Seu curso e 
distribuição deverão ser vistos em peças especiais. 
 
13.4. Disseque ventralmente ao plexo braquial, os cotos da artéria e veia axilares. 
 
13.5. Identifique agora o músculo reto do tórax, que se estende obliquamente do terço 
ventral da costela I até as cartilagens costais III e IV. Este músculo pode estar 
ausente em alguns animais. Sua aponeurose cruza superficialmente a aponeurose do 
músculo reto do abdome. Identifique este último músculo. Ele se estende do esterno 
até o pube. No tórax, ele está constituído apenas por uma delgada aponeurose, que 
recobre a face ventral do esterno. 
 
13.6. Libere no sentido caudocranial, as inserções costais do músculo serrátil ventral, até 
a costela III. 
 
13.7. Note os espaços intercostais, cada um deles preenchido por um músculo intercostal 
externo. Localize o espaço intercostal V remova seu músculo intercostal externo. 
Para isto, faça inicialmente uma incisão vertical neste músculo ao longo da borda 
caudal da costela V. A incisão deve ser feita com cuidado, pois este músculo é 
bastante delgado e, profundamente a ele, localiza-se outro delgado músculo, o 
intercostal interno. Para completar a remoção do intercostal externo, libere-o de sua 
inserção na borda cranial da costela VI. Note que as fibras do músculo intercostal 
interno têm direção contrária às do intercostal externo. 
 
13.8. Identifique os músculos serrátil dorsal cranial, serrátil dorsal caudal, iliocostal e 
longíssimo. Os dois primeiros são formados por delgados fascículos que se prendem 
de modo oblíquo no terço dorsal das costelas III a VI e das costelas X a XIII, 
respectivamente. Os músculos iliocostal e longíssimo formam a massa muscular que 
preenche o espaço entre os ângulos das costelas e os processos espinhosos das 
vértebras torácicas; dos dois, o longíssimo é o mais dorsal e volumoso. Ele estende-
98 
 
se do ílio e do sacro até a cabeça; no tórax ele recebe a denominação de longíssimo 
torácico. 
 
13.9. Passe a estudar agora a face interna da parede do tórax. Observe que esta face é 
revestida por uma membrana serosa e brilhante, a pleura costal. Note, por 
transparência, a artéria, a veia e o nervo intercostais, que correm verticalmente ao 
longo da borda caudal de cada costela. Remova a pleura do espaço intercostal V. 
Observe que ela está presa ao músculo intercostal interno e ao periósteo das costelas 
por uma delicada trama conjuntiva, a fáscia endotorácica. Disseque a artéria, a veia 
e o nervo intercostais deste espaço. 
 
13.10. Identifique o músculo transverso do tórax, que recobre a faceinterna do esterno. 
Verifique, penetrando entre este músculo e o esterno, a artéria e veia torácica 
internas. 
 
13.11. Verifique a inserção do músculo diafragma na parede do tórax. Este músculo separa 
a cavidade torácica da cavidade abdominal e será visto novamente no estudo da 
cavidade torácica. 
 
13.12. Faça uma revisão dos ossos que compõem a parede torácica. Estude os músculos, 
vasos e nervos identificados neste capítulo. 
 
13.13. O estudo das artérias, veias e linfáticos da parede do tórax será completado quando 
da dissecação da cavidade torácica. 
 
14. MÚSCULOS DA PAREDE DO TÓRAX 
 
14.1. Peitoral superficial, peitoral profundo e serrátil ventral 
 Estes músculos estão descritos no item 8.1. 
 
14.2. Reto do tórax 
 É um músculo situado próximo à abertura cranial do tórax. Origina-se por um curto 
tendão na borda lateral da costela e insere-se, através de uma aponeurose, nas cartilagens costais 
99 
 
II a V. É irrigado por ramos das primeiras artérias intercostais. Ele pode faltar em alguns 
animais. 
 Ação e inervação: auxilia na inspiração, puxando as cartilagens costais e costelas para 
frente e para fora. É inervado por ramos dos nervos intercostais. 
 
14.3. Intercostais externo e interno 
 Os músculos intercostais preenchem os espaços intercostais. Considerando a direção 
das fibras, podem-se identificar dois grupos musculares. Os músculos intercostais externos 
originam-se na borda caudal de cada costela, dirigem-se caudoventralmente e inserem-se na 
borda cranial da costela seguinte. Os intercostais internos, por outro lado, originam-se na borda 
cranial de cada costela, correm cranioventralmente e inserem-se na borda caudal da costela 
precedente. Os músculos intercostais internos estão separados da pleura costal pela tênue fáscia 
endotorácica. São irrigados por ramos das artérias intercostais. 
 Ação e inervação: os intercostais externos puxam as costelas para frente e para fora, 
auxiliando na inspiração. Os intercostais internos, de ação discutível, parecem puxar as costelas 
pra trás e para fora. São inervados pelos nervos intercostais. 
 
14.4. Serrátil dorsal cranial 
 É constituído por quatro ou cinco fascículos, situados ao nível dos ângulos costais das 
costelas III a VI, sobre os músculos iliocostal e longíssimo torácico. Originase por uma 
aponeurose na porção profunda da fáscia cervicotorácica. Suas fibras dirigem-se para baixo e 
para trás e inserem-se nos terços dorsais das costelas III a VI. É irrigado por ramos das artérias 
intercostais. 
 Ação e inervação: auxilia na inspiração e é inervado por ramos dos nervos intercostais. 
 
14.5. Serrátil dorsal caudal 
 É um músculo constituído por quatro fascículos, situados ao nível do ângulo costal das 
quatro últimas costelas. Está coberto, em parte, pelo músculo grande dorsal. Origina-se na 
lâmina profunda da fáscia toracolombar e insere-se no terço dorsal das quatro últimas costelas. 
É irrigado por ramos das artérias intercostais. 
 Ação e inervação: auxilia na expiração, puxando as costelas para trás. É inervado por 
ramos dos nervos intercostais. 
 
14.6. Retrator da costela 
100 
 
 Este músculo ocupa o ângulo formado pela última costela e a coluna vertebral. Situa-
se caudalmente ao músculo serrátil dorsal caudal, do qual não está nitidamente separado. 
Origina-se na lâmina profunda da fáscia toracolombar e insere-se no terço dorsal da borda 
caudal da última costela. É irrigado por ramos da artéria costoabdominal e das primeiras 
lombares. 
 Ação e inervação: puxa para trás a última costela, na expiração. É inervado por ramos 
do nervo costoabdominal e do lombar I. 
 
14.7. Transverso do tórax 
 É um músculo largo e delgado que ocupa a face interna do esterno e as faces internas 
das cartilagens costais II a VII. Possui poucas fibras tendíneas. Suas fibras têm trajeto 
transversal, originam-se no ligamento do esterno e inserem-se na face interna das articulações 
costocondrais. Nos pequenos ruminantes, os músculos de ambos antímeros unem-se no plano 
mediano, enquanto que nos bovinos suas fibras não atingem aquele plano. Relaciona-se 
dorsalmente com a fáscia endotorácica, pleura parietal e pericárdio e ventralmente com o 
esterno, vasos torácicos internos e músculos intercostais. O músculo transverso do tórax é 
irrigado por ramos da artéria torácica interna. 
 Ação e inervação: atua na expiração, puxando as cartilagens costais e respectivas 
costelas para dentro e para trás. É inervado pelos nervos intercostais correspondentes. 
 
14.8. Diafragma 
 O diafragma é uma lâmina musculotendínea que separa as cavidades torácica e 
abdominal. É formado por uma parte carnosa periférica e uma parte central tendínea (centro 
tendíneo). Apresenta duas faces: uma torácica, convexa e uma abdominal, côncava. A porção 
carnosa do diafragma é dividida em 3 partes: lombar,costal e esternal. A parte lombar consiste 
dos pilares, direito e esquerdo. O pilar direito insere-se no ligamento longitudinal ventral da 
coluna vertebral e, por meio deste, no corpo das 4 primeiras vértebras lombares. O pilar 
esquerdo é menor e também se insere nas duas primeiras vértebras lombares por meio do 
ligamento longitudinal ventral. O pilar direito é alargado e ultrapassa o plano mediano. Ele é 
fendido para dar passagem ao esôfago, constituindo esta fenda o hiato esofágico. Um outro 
hiato, denominado hiato aórtico, situa-se entre os dois pilares e dá passagem à artéria aorta, ao 
ducto torácico e à porção inicial da veia ázigos esquerda. A parte costal insere-se nas costelas 
e na cartilagem costal VIII. A linha de inserção costal do diafragma inicia-se ao nível do terço 
proximal da última costela e dirige-se para a frente e para baixo, quase em linha reta, até 
101 
 
alcançar a extremidade distal da costela VIII e da respectiva cartilagem costal. A parte esternal 
do diafragma insere-se na face dorsal da cartilagem xifóide do esterno. O centro tendíneo é a 
porção central, não muscular, do diafragma, de forma mais ou menos triangular, apresentando 
o forame para a passagem da veia cava caudal. O diafragma é irrigado pelas artérias frênica 
caudal e musculofrênica. 
 Ação e inervação: o diafragma é o principal músculo da inspiração. Sua contração faz 
reduzir a convexidade de sua face torácica, provocando aumento do volume da cavidade do 
tórax. É suprido pelo nervo frênico. 
 
 
 
14.9. Longíssimo e iliocostal 
 Estes dois músculos pertencem ao longo e potente grupo muscular denominado eretor 
da espinha, que se estende desde a pelve até o crânio, ocupando, a cada lado, o espaço entre os 
processos transversais e os processos espinhosos das vértebras. São constituídos por fascículos 
que se dispõem em série, ao longo da coluna vertebral. 
 O iliocostal é o mais lateral deles. Seus fascículos originam-se nos processos 
transversais das primeiras vértebras lombares e inserem-se no terço proximal das costelas, até 
o processo transversal da última vértebra cervical. 
 O longíssimo origina-se na crista ilíaca, na crista sacral mediana e no ligamento 
supraespinhal. Seus fascículos inserem-se nos processos transversais das vértebras lombares, 
torácicos e quatro últimas cervicais, bem como na extremidade proximal das costelas. Este 
músculo recebe as denominações de longíssimo lombar, longíssimo torácico e longíssimo 
cervical, conforme a região da coluna vertebral com o qual se relaciona. 
 Ambos os músculos são irrigados por ramos das artérias lombares, intercostais dorsais 
e cervical profunda. 
 O músculo espinhal, que também pertence ao complexo músculo eretor da espinha, é 
descrito de modo conflitante pelos anatomistas veterinários e, em razão de sua pouca 
importância prática, não será aqui considerado. 
 Ação e inervação: os componentes do músculo eretor da espinha atuam na flexão da 
coluna vertebral. Eles são supridos por ramos dorsais dos nervos espinhais.102 
 
15. NERVOS DA PAREDE DO TÓRAX 
 
15.1. Nervos intercostais 
 Os nervos intercostais são os ramos ventrais dos nervos espinhais torácicos. Nos 
ruminantes, são em número de 13 pares, designados como T1, T2, ..., T13, de acordo com o 
segmento da medula espinhal de onde se originam. 
 Cada nervo espinhal torácico, logo após emergir do forame intervertebral, divide-se em 
ramos dorsal e ventral. O ramo dorsal dirige-se dorsolateralmente e divide-se em ramos medial 
e lateral. O ramo medial inerva a musculatura da região (músculos longíssimo e iliocostal). O 
ramo lateral emerge entre os músculos longíssimo e iliocostal, corre sobre a fáscia toracolombar 
e divide-se em ramos cutâneos dorsais lateral e medial, que inervam a fáscia e pele relativas. O 
ramo ventral é bem mais desenvolvido que o dorsal e constitui o nervo intercostal. Está unido 
ao tronco simpático por meio dos ramos comunicantes. Nos bovinos, os ramos ventrais de T1 
e T2 participam na formação do plexo braquial. Já nos caprinos e ovinos, apenas o de T1 
encontra na formação do plexo. 
Cada nervo intercostal corre em sentido ventral no espaço intercostal. Associado à 
artéria e veia intercostais, dispondo-se o feixe vasculonervoso junto à borda caudal de cada 
costela. Em seu terço proximal, cada nervo intercostal corre entre os músculos intercostais 
externo e interno, passando a ocupar depois uma posição predominantemente justapleural. Os 
nervos intercostais inervam os músculos intercostais, peitorais e transverso do tórax. Os mais 
caudais inervam também a parte cranial dos músculos abdominais (reto, oblíquos e transverso 
do abdome). Além dos ramos musculares, emitem ainda ramos cutâneos, dispostos em duas 
séries: ramos cutâneos laterais e ramos cutâneos ventrais. Os ramos cutâneos laterais perfuram 
os músculos intercostais externos, serrátil ventral e oblíquo externo do abdome, emergindo em 
série ao nível do terço médio da parede lateral do tórax. Eles inervam o músculo cutâneo do 
tronco, fáscia e pele relativas. Os ramos cutâneos ventrais alinham-se no terço ventral da parede 
lateral do tórax, emergindo ao nível dos espaços intercostais. Enviam ramos aos músculos 
peitorais e porção cranioventral dos músculos abdominais e terminam ramificando-se na pele 
da região. Alguns deles, os mais craniais, unem-se com ramos colaterais do nervo torácico 
lateral. Da união do ramo cutâneo ventral de T3 com um ramo colateral do nervo torácico lateral 
resulta a formação do nervo intercostobraquial, que se distribui na face caudolateral da axila e 
do braço. 
103 
 
 O ramo ventral do último nervo espinhal torácico constitui o nervo costoabdominal, 
que corre na borda caudal da última costela e inerva os músculos oblíquos, transverso e reto do 
abdome, além de emitir ramos cutâneos semelhantes aos dos intercostais. 
 
15.2. Nervo torácico 
 O nervo torácico longo deriva suas fibras dos nervos cervicais VII e VIII e corre em 
sentido caudal entre os músculos escalenos. Distribui-se na parte torácica do músculo serrátil 
ventral. No caprino, inerva a parte cervical deste músculo. 
 
15.3. Nervo torácico lateral 
 O nervo torácico lateral tem a mesma origem que a do toracodorsal. Corre caudalmente 
na parede torácica e apresenta conexões com os ramos cutâneos dos nervos intercostais. Inerva 
a pele da parede torácica lateral, da parede abdominal ventral e do flanco, como também o 
músculo cutâneo do tronco. 
16. ARTÉRIAS DA PAREDE DO TÓRAX 
 
16.1. Torácica externa: descrita no item 10.1 
16.2. Tronco costocervical: descrito no item 58.2.2.2 
16.3. Torácica interna: descrita no item 58.2.2.2 
16.4. Intercostais dorsais: descritas no item 58.2.4 
16.5. Costoabdominal: descrita no item 58.2.5 
 
17. VEIAS DA PAREDE DO TÓRAX 
 
17.1. Ázigos esquerda: descrita no item 59.3 
17.2. Costocervical: descrita no item 59.4.1 
17.3. Torácica interna: descrita no item 59.4.2 
17.4. Ázigos direita: descrita no item 59.4.3 
 
18. LINFÁTICOS DA PAREDE DO TÓRAX 
 
104 
 
18.1. Linfocentro axilar: descrito no item 12 
18.2. Linfocentro torácico dorsal: descrito no item 60.1 
18.3. Linfocentro torácico ventral: descrito no item 60.3 
 
19. ROTEIRO PARA DISSECAÇÃO E ESTUDO DA PAREDE DO 
ABDOME 
 
19.1. Faça uma incisão vertical na pele do abdome, desde a linha mediana ventral até a 
linha mediana dorsal, passando em frente à coxa. Contorne o prepúcio ou a mama e 
rebata a pele dorsalmente, terminando por removê-la. 
 
19.2. Rebata caudalmente o músculo cutâneo do tronco e observe a origem do músculo 
grande dorsal nas ultimas costelas e na fáscia toracolombar. 
 
19.3. Identifique e disseque, na porção ventral da parede do abdome, a artéria e veia 
epigástricas caudais superficiais, que correm próximo ao prepúcio ou à mama, 
paralelamente à linha mediana ventral. Fêmeas em lactação apresentam a veia 
epigástrica caudal superficial com calibre bastante aumentado e trajeto 
caracteristicamente sinuoso. 
 
19.4. Observe, em machos, os músculos prepuciais cranial e caudal, que são fascículos 
carnosos derivados do músculo cutâneo do ronco e que se dirigem para o óstio 
prepucial. 
 
19.5. Neste item, serão dissecados os músculos que compõem a parede do abdome, ou 
seja: oblíquo externo do abdome, oblíquo interno do abdome, reto do abdome e 
transverso do abdome. O oblíquo externo e o reto do abdome são os mais 
superficiais. O primeiro está constituído por uma parte carnosa e uma parte 
aponeurótica. A parte carnosa do oblíquo externo do abdome cobre o terço distal 
das últimas costelas, nas quais se origina. Esta origem tem contorno serreado e 
relaciona-se, á maneira de engrenagem, com o músculo serrátil ventral. Verifique 
que a parte carnosa do oblíquo externo está coberta por uma fáscia contendo tecido 
elástico, que não deve ser removida. A parte aponeurótica estende-se até a linha 
105 
 
mediana ventral e recobre quase totalmente o músculo reto do abdome, que pode ser 
visto por transparência. Note que o músculo reto do abdome é poligástrico, estando 
seus vários ventres separados por faixas conjuntivas transversais paralelas, as 
intersecções tendíneas. 
 
19.6. Libere no sentido carniocaudal, a origem costal do músculo oblíquo externo do 
abdome. Após liberá-lo da última costela, seccione-o da fáscia toracolombar. Agora, 
rebata-o ventralmente, seccionando sua aponeurose no sentido vertical, ao longo da 
borda cranial da coxa, até o terço médio da parede abdominal. 
 
19.7. Identifique profundamente ao oblíquo externo, o músculo oblíquo interno do 
abdome. Este também é constituído de partes carnosa e aponeurótica. Note que as 
fibras da parte carnosa têm direção inversa às do obliquo externo e se estendem da 
fáscia toracolombar e túber coxal em direção cranioventral. Verifique que a parte 
aponeurótica do oblíquo interno se funde ventralmente com a parte aponeurótica do 
oblíquo externo. Estas duas partes aponeuróticas fundidas constituem uma lâmina 
especial, denominada túnica flava do abdome. Este nome deve-se a seu aspecto 
amarelado, em virtude da presença de grande quantidade de fibras elásticas, que 
conferem a característica distensibilidade da parede abdominal. As intersecções 
tendíneas do músculo reto do abdome estão aderidas à túnica flava. 
 
19.8. Seccione o músculo oblíquo interno do abdome próximo a suas origens e rebata-o 
ventralmente. Identifique profundamente a ele, o músculo transverso do abdome e 
observe que este é também constituído de partes carnosa e aponeurótica. As fibras 
de sua parte carnosa têm direção vertical. Sua parte aponeurótica está 
principalmente fundida com a parte aponeurótica do músculo oblíquo interno do 
abdome e situa-se profundamente ao músculo reto do abdome. 
 
19.9. Identifique os ramos craniais da artéria e veia circunflexas profundas do ílio, que 
aparecem sobre o músculo transverso do abdome, próximo ao túber coxal. 
Identifique,correndo verticalmente sobre o músculo transverso do abdome os ramos 
ventrais dos últimos nervos espinais torácicos (nervos intercostais) e dos primeiros 
nervos espinais lombares. Identifique, correndo na face profunda do terço cranial do 
músculo reto do abdome, as artérias e veia epigástricas craniais superficiais. Note 
106 
 
que elas perfuram o músculo reto do abdome e a aponeurose do oblíquo externo do 
abdome para se distribuírem na parede ventral do abdome, sobre o músculo cutâneo 
do tronco. 
 
19.10. Note que as aponeuroses dos músculos abdominais unem-se com as do lado oposto 
na linha mediana ventral. Esta união constitui a linha alba, que é avascular e um dos 
sítios de eleição para incisões na parede do abdome. A linha alba prende-se ao pube 
por um espessamento fibroso denominado tendão prepúbico. 
 
19.11. Identifique, revestindo internamente a parede do abdome, a lâmina parietal do 
peritônio. 
 
19.12. Identifique e estude o canal inguinal; note suas diferenças entre macho e fêmea. 
 
19.13. Estude agora os músculos, vasos e nervos da parede do abdome e o canal inguinal. 
 
 
 
20. MUSCULOS DA PAREDE DO ABDOME 
 
20.1. Oblíquo externo do abdome 
 É o mais superficial dos músculos da parede abdominal. É largo, delgado e cobre a 
parede abdominal e a parte da parede torácica. Apresenta uma parte carnosa, que se estende 
desde as sete últimas costelas, fáscia toracolombar e túber coxal até a metade da parede 
abdominal. Suas fibras mais ventrais correm obliquamente no sentido dorsoventral e 
craniocaudal. Na porção dorsal do músculo, as fibras são ligeiramente oblíquas e dirigem-se no 
sentido craniocaudal. 
 Sua parte aponeurótica é delgada, porém resistente, cobre superficialmente o músculo 
reto do abdome, prende-se firmemente às intersecções tendíneas deste último e termina na linha 
alba e no tendão prepúbico com o másciaúsculo do lado oposto. Na metade caudal da parede 
abdominal, está fundida à aponeurose do músculo oblíquo interno do abdome. 
 O músculo oblíquo externo do abdome origina-se na face externa das sete últimas 
costelas por meio de digitações que se engrenam com as do músculo serrátil ventral. Ele é 
107 
 
irrigado pelas últimas artérias intercostais e pelo ramo cranial da artéria circunflexa profunda 
do ílio. 
 Inervação: é inervado por ramos dos cinco últimos nervos intercostais, nervo costo-
abdominal e dois primeiros nervos lombares. 
 
20.2. Obliquo interno do abdome 
 É largo e constitui a segunda camada muscular da parede abdominal. Origina-se no 
túber coxal e na porção profunda da fáscia toracolombar. Insere-se na linha alba e no tendão 
prepúbico. Sua parte carnosa tem forma aproximada de um leque e estende-se até o nível do 
meio da parede lateral do abdome. Suas fibras têm sentido dorsoventral e craniocaudal. Nos 
pequenos ruminantes, parte do músculo destaca-se do restante e insere-se na borda caudal da 
última costela. As fibras musculares continuam-se por uma parte aponeurótica, que é delgada, 
mas bastante potente, sendo constituída por duas lâminas na porção mais cranial do músculo. 
A lâmina superficial da parte aponeurótica abrange toda a extensão do músculo e prende-se na 
linha alba, após fundir-se com a aponeurose do músculo oblíquo externo do abdome. Sua 
metade caudal funde-se também com a aponeurose do músculo transverso do abdome e as 
aponeuroses dos três músculos, assim fundidas, relacionam-se profundamente com o músculo 
reto do abdome e inserem-se no tendão prepúbico. A lâmina profunda é bastante delgada. 
Apresenta-se mais desenvolvida na metade cranial do músculo e, após curto trajeto, funde-se à 
aponeurose do músculo transverso do abdome. Sua borda cranial confunde-se com o tecido 
conjuntivo frouxo situado entre o arco costal e o músculo oblíquo externo do abdome. 
 O músculo oblíquo interno do abdome é irrigado por ramos da artéria costoabdominal, 
da artéria circunflexa profunda do ílio e da epigástrica caudal superficial. 
 Inervação: nervo costo-abdominal e dois primeiros nervos lombares. 
 
20.3. Transverso do abdome 
 É um músculo largo e delgado que constitui a camada muscular mais profunda da 
parede abdominal. É constituída de partes carnosa e aponeurótica. Origina-se nos processos 
transversais das vértebras lombares e na face interna do arco costal. As fibras da parte carnosa 
têm sentido dorsoventral e são perpendiculares às do músculo reto do abdome. A parte 
aponeurótica é delgada na porção caudal do músculo, mais espessa na porção cranial e está 
separada internamente do peritônio parietal por uma lâmina conjuntiva, a fáscia transversal. A 
metade cranial do músculo situa-se profundamente ao músculo reto do abdome e sua 
aponeurose insere-se na linha alba, constituindo a bainha interna para o músculo reto do 
108 
 
abdome. A aponeurose da metade caudal, por outro lado, funde-se à do músculo oblíquo interno 
do abdome e corre superficialmente ao músculo reto do abdome, constituindo sua bainha 
externa. O limite entre as partes carnosa e aponeurótica situa-se ao nível de uma linha curva de 
concavidade cranial que se estende, aproximadamente, desde a cartilagem xifóidea até o túber 
coxal. 
 O músculo transverso do abdome é irrigado por ramos das artérias circunflexa profunda 
do ílio e epigástrica. 
 Inervação: últimos nervos intercostais, nervo costoabdominal e dois primeiros nervos 
lombares. 
 
20.4. Reto do abdome 
 É um músculo longo e delgado que se estende desde o esterno até o pube. Está situado 
no assoalho da parede abdominal e suas fibras têm sentido craniocaudal. O músculo reto do 
abdome do antímero direito está separado do esquerdo por um espaço de cerca de 5 a 8cm, 
ocupado pelas aponeuroses dos músculos oblíquos. O músculo reto do abdome apresenta cinco 
intersecções tendíneas, dispostas transversalmente e separadas umas das outras por espaços 
regulares. São constituídas de tecido conjuntivo e dão inserção às aponeuroses dos músculos 
oblíquos. O segmento muscular compreendido entre as intersecções tendíneas II e III é 
atravessado pela veia epigástrica cranial superficial. O músculo relaciona-se superficialmente 
com as aponeuroses dos músculos oblíquos do abdome e com o músculo peitoral profundo. 
Profundamente, está relacionado com o músculo transverso do abdome. 
 É irrigado por ramos das artérias epigástricas superficiais. 
 Inervação: últimos nervos intercostais, nervo costoabdominal e três primeiros nervos 
lombares. 
 
20.5. Ação dos músculos abdominais 
 Os músculos abdominais compõem a parede do abdome e suas contrações fazem 
pressão sobre as vísceras da cavidade abdominal durante a micção, a defecação, o parto e a 
expiração forçada. Os músculos retos do abdome, em conjunto, flexionam a articulação 
lombosacral, arqueando o dorso do animal. 
 
20.6. Canal inguinal 
 O canal inguinal é uma passagem virtual situada dorso-lateralmente ao tendão 
prépubico, na porção caudal da parede abdominal. Está presente em ambos os sexos. O canal é 
109 
 
considerado mais potencial que real e estende-se entre os músculos oblíquos do abdome. Os 
ânulos inguinais constituem os limites do canal e têm forma de fenda. A parede medial do canal 
é representada pela borda caudal do músculo oblíquo interno do abdome. A parede lateral, por 
sua vez, está formado pela aponeurose do músculo oblíquo externo do abdome. O ligamento 
inguinal é a porção da aponeurose do músculo oblíquo externo do abdome relacionada com o 
canal inguinal. O ânulo inguinal profundo é formado cranialmente pelo músculo oblíquo interno 
do abdome e caudalmente pela borda dorsal do ligamento inguinal. O ânulo inguinal superficial 
está situado na aponeurose do músculo oblíquo externo do abdome. O comprimento do canal 
inguinal, medido entre os ânulos inguinais, é variável. O canal é atravessado pela artéria e veia 
pudendas externas, nervos e vasos linfáticos, comuns a ambos os sexos.Nos machos, é 
atravessado ainda pelo funículo espermático, túnica vaginal e músculo cremáster. 
 
21. NERVOS DA PAREDE DO ABDOME 
 
21.1. Ílio-hipogástrico 
 O ramo ventral de L1 emite pequenos ramos para os músculos psoas maior, psoas 
menor e quadrado lombar e continua-se como nervo ílio-hipogástrico. Este passa entre os 
músculos quadrado lombar e psoas maior e divide-se em ramos superficial e profundo. O ramo 
superficial atravessa os músculos da parede abdominal, envia filetes aos músculos transverso 
do abdome e oblíquo externo do abdome e distribui-se na pele da região do flanco como ramo 
cutâneo lateral. O ramo profundo dirige-se caudoventralmente entre o peritônio e o músculo 
transverso do abdome, passa próximo ao ânulo inguinal interno, envia ramos para os músculos 
transverso e oblíquo interno do abdome e distribui-se na porção caudal do músculo reto do 
abdome. Envia ainda o ramo cutâneo ventral para a pele da região do prepúcio e escroto, no 
macho e da mama, na fêmea. Nos animais com sete vértebras lombares, os ramos ventrais de 
L1 a L2 são os nervos ílio-hipogástricos cranial e caudal, respectivamente. Nestes animais o 
ramo ventral de L3 corresponde ao nervo ílioinguinal. 
 
21.2. Ílioinguinal 
 O ramo ventral de L2 envia ramúsculos aos músculos psoas e quadrado lombar. Ele 
continua-se como nervo ílio-inguinal e recebe, em alguns casos, um ramo comunicante do ramo 
ventral de L1. Envia ainda ramo comunicante a L3. O nervo ílioinguinal comporta-se 
110 
 
semelhante ao nervo ílio-hipogástrico, correndo paralela e caudalmente a ele. Seu ramo 
superficial distribui-se também na face lateral da coxa. 
 
21.3. Genitofemoral 
 O ramo ventral de L3 inerva os músculos psoas e quadrado lombar. Está em 
comunicação com L3 e L4. Sua participação na formação do nervo genitofemoral depende se 
este se apresenta único ou duplo. O nervo genitofemoral geralmente origina-se de L3, porém 
pode receber também fibras de L2 e L4. Dirige-se caudoventralmente e fornece um ramo para 
o músculo oblíquo interno do abdome. Em seu curso em direção ao canal inguinal, ele cruza o 
nervo cutâneo lateral da coxa e a artéria e veia circunflexas profundas do ílio. Ele acompanha 
a artéria pudenda externa e divide-se em dois ramos. Um deles distribui-se na pele do prepúcio 
e escroto. No macho e na pele da mama, na fêmea. O outro, além de inervar estas estruturas, 
distribui-se também no músculo cremáster e na túnica vaginal. 
 
21.4. Costoabdominal: 
Descrito no item 15.1. 
21.5. Torácico lateral 
 Descrito no item 15.3. 
 
22. ARTÉRIAS DA PAREDE DO ABDOME 
 
22.1. Epigástrica cranial superficial: descrita no item 58.2.2.2. 
22.2. Epigástrica caudal superficial: descrita no item 28.1.2. 
22.3. Circunflexa profunda do ílio: descrita no item 28.1.1. 
22.4. Costoabdominal: descrita no item 58.2.5. 
 
23. VEIAS DA PAREDE DO ABDOME 
23.1. Epigástrica cranial superficial: descrita no item 59.4.2. 
23.2. Epigástrica caudal superficial: descrita no item 29.2.1. 
 
111 
 
24. LINFATICOS DA PAREDE DO ABDOME 
 
24.1. Linfocentro inguinofemoral: descrito no item 30.3 
 
25. ROTEIRO PARA A DISSECÇÃO E ESTUD0O DO MEMBRO 
PELVICO 
 
25.1. Face lateral da pelve 
 
25.2. Faça uma incisão circular na pele do terço médio da perna. Em seguida, 
faça uma incisão vertical na pele da face medial da coxa, desde a raiz do 
membro até alcançar a incisão da perna. Rebata todas as peles 
dorsalmente, contornando a raiz da cauda, o ânus e os órgãos genitais 
externos. 
 
25.3. Observe a parte pélvica do músculo cutâneo do tronco e, correndo sobre 
ele, os ramos cutâneos dos últimos nervos lombares e dos nervos sacrais. 
 
25.4. Localize, entre o túber isquiático e a raiz da cauda, o ramo cutâneo do 
nervo pudendo. Disseque-o distalmente na face caudal da coxa. 
 
25.5. Remova a fáscia da face lateral da pelve e identifique, no sentido 
craniocaudal, o músculo tensor da fáscia lata, glúteo superficial. O tensor 
da fáscia lata em contorno triangular e estende-se verticalmente do túber 
coxal à borda cranial da coxa. O glúteo médio é o músculo volumoso que 
ocupa a face glútea do ílio. Sua parte caudal está parcialmente coberta 
pelo glúteo superficial. Este último continua-se distalmente, na face 
lateral da coxa, com o músculo bíceps femoral, constituindo os dois uma 
única massa muscular. 
 
25.6. Seccione transversalmente o músculo glúteo superficial ao nível do 
trocanter maior do fêmur e rebata-o dorsalmente. Isole o músculo glúteo 
médio e seccione-o transversalmente em seu terço médio. Afaste, ao 
112 
 
máximo, os cotos do músculo glúteo médio e note, profundamente a ele, 
o músculo glúteo acessório, ao qual está parcialmente fundido. 
 
25.7. Identifique, profundamente aos músculos glúteos, o ligamento 
sacrotuberal, que é uma lâmina fibrosa e brilhante que se estende do 
sacro ao osso do quadril. Disseque, sobre o ligamento sacrotuberal, o 
nervo isquiático, a artéria e veia glúteas caudais e o linfonodo isquiático. 
O nervo isquiático é largo e delgado e emerge da cavidade pélvica através 
do forame isquiático maior. Disseque seus ramos para os músculos 
glúteos e para o músculo tensor da fáscia lata. Verifique que o ramo para 
o tensor da fáscia lata, antes de alcançá-lo, atravessa o músculo glúteo 
acessório. Os vasos glúteos caudais e o linfonodo isquiático situam-se 
sob o músculo glúteo superficial, próximo ao túber isquiático. 
 
25.8. Identifique os músculos glúteo profundo, gêmeo e quadrado femoral, 
sobre os quais corre o nervo isquiático. 
 
25.9. Estude os músculos, nervos, vasos e linfonodos até agora dissecados. 
 
25.10. Face lateral da coxa 
 
25.11. Identifique a fáscia lata, que é uma lâmina fibrosa e brilhante na qual se 
prendem os músculos tensor da fáscia lata e bíceps femoral. Remova a 
fáscia superficial da face lateral da coxa, tendo-se o cuidado de preservar 
a fáscia lata. 
 
25.12. Identifique, caudalmente à fáscia lata, o músculo bíceps femoral. 
Verifique que ele apresenta uma parte cranial, mais larga e cujas fibras 
dirigem-se obliquamente no sentido caudocranial, e uma parte caudal, 
mais estreita e com fibras dirigidas verticalmente. 
 
25.13. Identifique, constituindo a borda caudal da coxa, os músculos 
semitendinoso e semimembranoso. O semitendinoso é o mais lateral dos 
dois. 
113 
 
25.14. Libere a borda cranial do bíceps de sua inserção na fáscia lata. Rebata 
esta última cranialmente e observe, sob ela, o músculo vasto lateral. 
 
25.15. Seccione transversalmente o bíceps femoral, ao nível do joelho. Rebata -
o caudalmente e verifique, correndo profundamente a ele, o nervo 
isquiático. Disseque, ao nível do terço proximal da coxa, os ramos deste 
nervo para os músculos bíceps femoral, semitendinoso e semimebranoso. 
Na extremidade distal da coxa, verifique a bifurcação do nervo isqui ático 
em nervos fibular comum e tibial. O nervo fibular comum é o mais lateral 
dos dois. Disseque a origem do nervo cutâneo lateral da sur a. Este é um 
delgado ramo que se pode originar do nervo isquiá tico, do nervo fibular 
comum ou, mais raramente, do nervo tibial. 
 
25.16. Identifique a veia safena lateral, no ponto onde ela penetra no espaço 
entre os músculos bíceps femoral e semitendinoso. Verifique que ela é 
acompanhada pelo nervo cutâneo lateral da sura. Disseque -a 
proximalmente até sua união com ramos musculares provenientes dos 
músculos bíceps femoral, semitendinoso e semimembranoso. A partir 
daí, a veia safena lateral passa a chamar-se veia femoral profunda. Junto 
a esta, disseque os ramos musculares da artéria femoral profunda, cujo 
tronco será dissecado na face medial da coxa. 
 
25.17. Disseque, junto à veia safena lateral e a terminação do nervo isquiático, 
o linfonodo poplíteo, que pode estar envolvido em quantidade variável 
de tecido adiposo. 
 
25.18. Retome a dissecação domúsculo vasto lateral. Este músculo faz parte do 
grupo muscular denominado quadríceps femoral. Seccione 
transversalmente o vasto lateral, em seu terço médio. Rebata seus cotos 
e identifique profundamente a ele, os músculos reto femoral e vasto 
intermédio, que são dois outros componentes do quadríceps femoral. O 
reto femoral é o mais cranial dos dois. O quarto componente do 
quadríceps é o músculo vasto medial, que será visto na face m edial da 
coxa. 
114 
 
 
25.19. Identifique o músculo adutor, situado entre o vasto intermédio, 
cranialmente e o semimembranoso, caudalmente. Verifique que seu 
ventre é perfurado, no terço médio, pela veia femoral profunda e pelos 
ramos musculares da artéria femoral profunda. 
 
25.20. Estude os músculos, nervos, vasos e linfonodos até agora dissecados. 
 
25.21. Face medial da coxa 
 
25.22. Localize o músculo tensor da fáscia lata e verifique que esta fáscia 
estende-se também na face medial da coxa, recobrindo o músculo reto 
femoral. Disseque, correndo verticalmente na face medial do tensor da 
fáscia lata, o ramo caudal da artéria circunflexa profunda do ílio e o 
nervo cutâneo lateral da coxa. 
 
25.23. Identifique o linfonodo subilíaco, situado cranialmente ao músculo 
tensor da fáscia lata e envolvido em quantidade variável de tecido 
adiposo. 
 
25.24. Remova, com cuidado, a fáscia que recobre os músculos superficiais da 
face medial da coxa. Estes são, no sentido craniocaudal, os mús culos 
tensor da fáscia lata, vasto medial, sartório e grácil. O vasto medial, 
pertencente ao grupo quadríceps, recobre parcialmente o reto femoral e 
está preso à fáscia lata. O sartório é um músculo estreito, delgado e sua 
extremidade proximal apresenta-se dividida em cabeças cranial e caudal. 
O grácil é largo, delgado e recobre o semimembranoso. 
 
25.25. Disseque a artéria, veia e nervo femorais emergindo da cavidade 
abdominal e passando, na raiz do membro, entre as duas cabeças do 
sartório. Seccione a cabeça caudal do sartório e rebata-a cranialmente. 
Verifique que a maior parte do nervo femoral penetra no músculo 
quadríceps femoral. O restante deste nervo corre distalmente junto à 
artéria e veia femorais e constitui o nervo safeno. Disseque os vasos 
115 
 
femorais e o nervo safeno distalmente até o ponto em que a artéria 
femoral emite no terço médio da coxa, a artéria safena. Verifique que a 
artéria e o nervo safenos passam a correr juntos dis talmente na face 
medial da coxa, emergindo da borda caudal do sartório. 
 
25.26. Seccione transversalmente os músculos grácil e sartório em seu terço 
médio e rebata seus cotos proximal e distal. Ao rebater o coto proximal 
do grácil, verifique, chegando à sua face profunda, ramos do nervo 
obturatório e da artéria femoral profunda. Identifique caudalmente ao 
sartório, os músculos pectíneo, adutor e semimembranoso. Os músculos 
adutor e semimembranoso já foram estudados na face lateral da coxa; 
reconheça-os agora na face medial. O músculo pectíneo é pequeno, 
triangular e está situado entre o sartório e o adutor. 
 
25.27. Disseque, penetrando sob o músculo pectíneo, a artéria e veia femorais 
profundas, que emergem da cavidade abdominal e correm caudalmente 
junto à raiz do membro, ao longo do corpo do ílio. 
 
25.28. Rebata cranialmente, ao máximo, os cotos dista is dos músculos sartório 
e grácil, de modo a visualizar a inserção do semimembranoso. Retome a 
dissecação da artéria e veia femorais, até sua penetração sob a porção 
distal do semimembranoso. Isole o semimembranoso dos músculos 
semitendinoso e adutor. Seccione-o próximo à sua inserção, no sentido 
do trajeto femoral. Identifique, profundamente ao semimembranoso, a 
cabeça medial do músculo gastrocnêmio. Disseque a artéria femoral até 
sua penetração neste músculo. A este nível, ela emite a artéria do fêmur, 
que se dirige caudodistalmente, penetrando no gastrocnêmio. A artéria 
caudal do fêmur é o último ramo da artéria femoral. Após sua origem, a 
artéria femoral passa a chamar-se artéria poplítea. 
 
25.29. Perna e pé 
 
116 
 
25.30. Faça uma incisão longitudinal na pele da face medial da perna e do pé 
até o casco. Contorne este último e remova cuidadosamente toda a pele 
do membro. 
 
25.31. Na face lateral da perna, continue a dissecação distal da veia safena 
lateral e do nervo cutâneo lateral da sura até o tarso. Verifique que a veia 
safena lateral é formada, ao nível do terço médio da perna, pela união de 
dois ramos, cranial e caudal. 
 
25.32. Rebata cranialmente o coto distal do bíceps femoral, juntamente com sua 
aponeurose. Disseque o nervo fibular comum, correndo obliquamente 
sobre os músculos da face lateral da perna, até sua penetração entre estes. 
 
25.33. Identifique, inicialmente, a cabeça lateral do músculo gastrocnêmio. Este 
é o músculo mais caudal da perna e insere-se no calcâneo através de um 
potente tendão, denominado tendão calcanear comum. Em seguida, 
identifique o músculo sóleo; este é uma estreita cinta muscular qu e se 
origina na face lateral da articulação do joelho e se funde caudalmente 
com o gastrocnêmio. Cranialmente ao sóleo e ao tendão calcanear 
comum, identifique o músculo flexor profundo dos dedos, cujo tendão 
corre na face caudal da tíbia (o músculo flexor superficial dos dedos está 
envolvido pelas cabeças do gastrocnêmio e será visto na face medial da 
perna). Verifique agora o músculo extensor do dedo IV, situado na face 
lateral da tíbia, cranialmente ao flexor profundo dos dedos. 
 
25.34. Passe a dissecar os músculos da face cranial da perna. Este grupo 
muscular está separado do músculo extensor do dedo IV pelo nervo 
fibular comum. Identifique, inicialmente, o músculo fibular longo, cujo 
ventre é triangular e situa-se imediatamente à frente do nervo fibular 
comum; seu tendão insere-se na face lateral do osso társico I. Identifique 
agora os músculos fibular terceiro, extensor do dedo III e ext ensor longo 
dos dedos. Os ventres dos músculos extensor do dedo III e extensor longo 
dos dedos estão recobertos pelo fibular terceiro, o qual constitui a borda 
cranial da perna. Verifique que os tendões destes três músculos estão 
117 
 
contidos, na face cranial da extremidade distal da perna e do tarso, por 
uma cinta fibrosa transversal, o retináculo dos extensores. Seccione este 
retináculo e identifique, no sentido mediolateral, os tendões do fibular 
terceiro, do extensor do dedo III e do extensor longo dos dedo s. Este 
último corresponde ao músculo extensor comum dos dedos dos membros 
torácico. Identifique, finalmente, o músculo tibial cranial, cujo ventre 
situa-se na face lateral da tíbia, craniomedialmente ao músculo fibular 
terceiro. 
 
25.35. Disseque o nervo fibular comum penetrando entre os músculos fibular 
longo e extensor do dedo IV. Verifique seus ramos para os músculos da 
face lateral da perna e sua divisão final em nervos fibular superficial e 
fibular profundo, que correm distalmente na perna. Acompanhe, 
inicialmente, o nervo fibular superficial. Ele é o mais lateral dos dois. 
Ao nível do tarso, ele corre medialmente ao ramo cranial da veia safena 
lateral. 
 
25.36. Para dissecação e estudo do nervo fibular superficial ao nível do pé, 
consulte sua descrição no capítulo de nervos do membro pélvico. O nervo 
fibular profundo será dissecado mais tarde. 
 
25.37. Passe a estudar as estruturas da face medial da perna. Identifique 
inicialmente, nesta face, os músculos fibular terceiro, tibial cranial e 
flexor profundo dos dedos, já vistos na face lateral da perna. 
Caudalmente ao flexor profundo dos dedos, identifique a cabeça medial 
do gastrocnêmio. Verfique que o músculo flexor profundo dos dedos é 
composto de três partes, que são denominadas, no sentido craniocaudal, 
de músculos flexor longo dos dedos, flexor longo do hálux e tibial caudal. 
 
25.38. Seccione a cabeça medial do gastrocnêmiojunto à sua origem e af aste 
seus cotos, de modo a visualizar o nervo tibial e a artéria poplítea. 
Disseque o nervo tibial, verificando seus ramos para a musculatura 
caudal da perna. Prossiga sua dissecação até o nível do tarso e verifique 
118 
 
aí sua bifurcação em nervos plantar late ral e plantar medial. O nervo 
plantar medial é o mais cranial dos dois. 
 
25.39. Para prosseguir na dissecação e estudo dos nervos plantare s ao nível do 
pé, consulte o capítulo referente a nervos do membro pélvico. 
 
25.40. Identifique o músculo flexor superficial dos dedos, cujo ventre é 
envolvido pelas cabeças lateral e medial do gastrocnêmio. Seu tendão, 
juntamente com o tendão do gastrocnêmio, participa na formação do 
tendão calcanear comum. 
 
25.41. Disseque a artéria poplítea na face caudal do joelho. Seu trajeto é curto 
e ela logo se divide em artérias tibial cranial e tibial caudal. Identifique 
o músculo poplíteo, que ocupa a face caudal da extremidade proximal da 
tíbia, situando-se proximalmente aos ventres do músculo flexor profundo 
dos dedos. Observe que a artéria tibial caudal é a menor das duas e corre 
sobre a face caudal do músculo poplíteo. A artéria tibial cranial é a 
continuação direta da artéria poplítea e penetra sob o músculo de mesmo 
nome. Interrompa, neste nível, sua dissecação. 
 
25.42. Volte à face lateral da perna e disseque, correndo sobre a face cranial da 
tíbia, a artéria tibial cranial e o nervo fibular profundo. Acompanhe -os 
distalmente e verifique que ambos passam sob o retináculo dos 
extensores. Neste ponto, a artéria tibial cranial passa a chamar -se artéria 
dorsal do pé. 
 
25.43. Para continuar a dissecação do nervo fibular profundo e da artéria dorsal 
do pé, consulte suas descrições nos capítulos de nervos e de vasos do 
membro pélvico, respectivamente. 
 
25.44. Identifique, na face dorsal do pé, os tendões dos músculos extensor do 
dedo IV, extensor longo dos dedos e extensor do dedo III. Observe, no 
terço proximal do metatarso, profundamente ao tendão do extensor longo 
dos dedos, o pequeno músculo extensor curto dos dedos. Note, ao nível 
119 
 
da articulação metatarsofalângica, a bifurcação do tendão do extensor 
longo dos dedos, originando um ramo para cada dedo principal. 
 
25.45. Disseque na face plantar do pé, os tendões dos músculos flexor 
superficial dos dedos, flexor profundo dos dedos e interósseo III e IV. 
Observe que a disposição destes tendões é semelhante à de seus 
homônimos do membro torácico. Disseque estes tendões seguindo as 
mesmas manobras utilizadas no membro torácico. 
 
25.46. Estude os músculos, vasos e nervos até agora dissecados. 
 
25.47. Revisão geral do membro pélvico. 
 Faça revisão do membro pélvico, utilizando a mesma sequencia empregada para revisão 
do membro torácico (item 7.5) 
 
26. MUSCULOS DO MEMBRO PELVICO 
 
26.1. Músculos da face lateral da pelve 
 Os músculos da face lateral da pelve são o glúteo superficial, o glúteo médio, o glúteo 
acessório, o glúteo profundo, o gêmeo e o tensor da fáscia lata. O músculo bíceps femoral, por 
originar-se na crista sacral mediana, atravessa esta região. Porém, como está localizado quase 
que totalmente na coxa, será descrito com os músculos da face lateral da coxa. 
 
Glúteo superficial 
 Nos ruminantes, ele está fundido ao músculo bíceps femoral. Nos pequenos ruminantes, 
ele se une ao músculo bíceps femoral apenas em parte, podendo ser identificável. 
 
Glúteo médio 
 É um músculo potente que ocupa a face lateral da pelve. Origina-se na aponeurose do 
músculo longíssimo lombar, nos túberes sacral e coxal e no ligamento sacrotuberal. Insere-se 
no trocânter maior do fêmur. Sua porção profunda é mais ou menos separável e recebe o nome 
de músculo glúteo acessório. Este se origina no túber coxal e na face dorsal do corpo do ílio. 
120 
 
Insere-se também no trocânter maior. São irrigados por ramos das artérias glúteas cranial e 
caudal. 
 Ação e inervação: o músculo glúteo médio estende a articulação do quadril e, quando 
atua em conjunto com o músculo glúteo acessório, produz rotação lateral do membro. Quando 
o membro está fixo ao solo, estes dois músculos auxiliam na elevação do tronco. São inervados 
pelos nervos glúteos cranial e caudal. 
 
Glúteo profundo 
 É um músculo de forma aproximadamente triangular, que se origina na espinha 
isquiática e no ligamento sacrotuberal e insere-se no trocanter maior. É irrigado por ramos da 
artéria glútea caudal. 
 Ação e inervação: auxilia na flexão e abdução da articulação do quadril. É inervado por 
ramos do nervo glúteo caudal. 
 
Gêmeo 
 É um músculo único dos ruminantes domésticos. Sua origem está intimamente unida à 
borda caudal do músculo glúteo profundo. Origina-se na face lateral do ísquio e insere-se na 
fossa trocantérica, juntamente com os músculos obturadores. É irrigado por ramos da artéria 
glútea caudal. 
 Ação e inervação: estende a articulação do quadril e auxilia na rotação lateral do fêmur. 
É inervado por ramos do nervo glúteo caudal. 
 
Tensor da fáscia lata 
 É um músculo triangular que se origina no túber coxal e insere-se na fáscia lata e, por 
meio desta, na patela. É irrigado por ramos da artéria circunflexa profunda do ílio. 
 Ação e inervação: flexiona a articulação do quadril e estende a do joelho. É inervado 
por um ramo do nervo isquiático. 
 
26.2. Músculos da face lateral da coxa 
 
Bíceps femoral 
 É um músculo longo e espesso, cuja porção carnosa estende-se desde a face lateral da 
pelve até a face lateral da coxa e joelho. A porção glútea do músculo bíceps femoral dos 
ruminantes domésticos está fundida ao músculo glúteo superficial. Nos pequenos ruminantes 
121 
 
podemos notar o limite entre estas duas partes. Alguns autores denominam o conjunto destes 
dois músculos de músculo glúteobíceps. Origina-se na crista sacral mediana, no ligamento 
sacrotuberal e no túber isquiático. Insere-se na fáscia lata e, por meio de uma larga aponeurose, 
na patela, no ligamento patelar lateral, na crista da tíbia e no túber do calcâneo (por meio do 
tendão calcanear comum). Relaciona-se superficialmente com a fáscia lateral da coxa. Sua 
porção glútea cobre parcialmente o músculo glúteo médio, o nervo isquiático e o músculo 
glúteo profundo. Na coxa, o músculo situa-se cranialmente ao músculo semitendinoso, ao qual 
está parcialmente fundido. Relaciona-se profundamente com o nervo isquiático e com o 
músculo adutor e, em parte, com o músculo vasto lateral. Na perna, ele cobre o nervo fibular 
comum e os músculos extensores da perna e do pé. É irrigado por ramos das artérias glútea 
caudal, femoral profunda e caudal do fêmur. 
 Ação e inervação: Quando o membro está apoiado no solo, ele estende as articulações 
do quadril, do joelho e do tarso. Com o membro livre, flexiona as articulações do quadril e do 
joelho. É inervado por ramos do nervo isquiático. 
 
Semitendinoso 
 É um músculo longo que se origina no túber isquiático. Dirige-se distalmente na face 
caudal da coxa, entre os músculos bíceps femoral e semimembranoso. No terço proximal da 
coxa, inclina-se medialmente, situando-se profundamente ao músculo bíceps femoral. Insere-
se na tuberosidade da tíbia e, por uma aponeurose, no tendão calcanear comum. É irrigado por 
ramos da artéria femoral profunda. 
 Ação e inervação: estende as articulações do quadril, do joelho e do tarso quando o 
membro está fixo no solo, puxando, por conseguinte, o tronco para frente. 
Com o membro livre, flexiona o joelho, produz rotação medial da perna e puxa o 
membro para trás. É inervado por ramos do nervo isquiático. 
 
26.3. Músculos da face cranial da coxa 
 
Quadríceps femoral (vasto lateral, vasto intermédio, reto femoral e 
vasto medial) 
 Os músculos da face cranial da coxa constituem um potente grupo muscular 
representado pelo músculo quadríceps femoral. Ele incluio vasto lateral, o vasto intermédio, o 
reto femoral e o vasto medial. Os músculos vasto lateral e reto femoral encontram-se fundidos, 
exceto em suas origens. O músculo vasto intermédio está aderido à face cranial do fêmur, 
122 
 
profundamente ao vasto lateral e ao reto femoral. O vasto medial situa-se na face medial da 
coxa. O reto femoral origina-se no ílio, enquanto que os outros se originam no fêmur. Todos 
inserem-se na patela. O vasto lateral é o maior deles. Origina-se por curto tendão trocânter 
maior do fêmur. Relaciona-se superficialmente com a fáscia lata. Seu tendão de origem cruza 
lateralmente o do músculo glúteo acessório. O reto femoral é também um músculo bastante 
desenvolvido, que se origina no corpo do ílio, sob o músculo glúteo profundo. Seus dois tendões 
se combinam num ventre único, que corre distalmente entre os ventres dos músculos vasto 
lateral e vasto medial. O vasto intermédio situa-se na face cranial do fêmur e é o mais medial 
destes músculos. Sua borda caudal está parcialmente fundida ao músculo pectíneo. O músculo 
quadríceps femoral é irrigado por ramos da artéria femoral. 
 Ação e inervação: estende o joelho e flexiona a articulação do quadril. É inervado por 
ramos do nervo femoral. 
 
26.4. Músculos da face medial da coxa 
 Os músculos da face medial da coxa são: tensor da fáscia lata, reto femoral, vasto 
medial, sartório, ilíaco, psoas maior, pectíneo, grácil, adutor, semimembranoso, quadrado 
femoral, obturador externo e obturador interno. O tensor da fáscia lata, reto femoral e vasto 
medial já foram descritos. O ilíaco e o psoas maior, topograficamente, pertencem também à 
região sublombar, porém serão descritos juntamente com os músculos da face medial da coxa. 
 
Sartório 
 É um delgado músculo que se origina por duas cabeças. A cabeça cranial origina-se na 
fáscia que recobre o músculo iliopsoas. A cabeça caudal origina-se no corpo do ílio, logo acima 
do acetábulo. Insere-se, juntamente com o grácil, na fáscia medial da perna. Relaciona-se 
superficialmente com a tela subcutânea e pele da face medial da coxa e, profundamente, com 
os vasos femorais e o nervo safeno. É irrigado por ramos da artéria femoral. 
 Ação e inervação: flexiona a articulação do quadril e estende a do joelho. É inervado 
por ramos do nervo safeno. 
 
Ilíaco e psoas maior 
 O músculo ilíaco origina-se na face sacropelvica da asa e na face ventral do corpo do 
ílio e insere-se, juntamente com o músculo psoas maior, no trocânter menor do fêmur. O 
músculo psoas maior origina-se na face interna da extremidade dorsal das duas últimas costelas 
e nos processos transversais das vertebras lombares. Devido às suas inserções comuns no 
123 
 
trocânter menor, são considerados como um único músculo. Denomindado iliopsoas. O 
músculo iliopsoas relaciona-se lateralmente com os músculos transverso e oblíquo interno do 
abdome e ventralmente é cruzado pela artéria, veia e nervo femorais. Relaciona-se ainda 
ventralmente com o músculo sartório. A artéria e a veia ilíaca externas correm medialmente ao 
músculo psoas maior. O músculo iliopsoas é irrigado por ramos das artérias circunflexa 
profunda do ílio e femoral. 
 Ação e inervação: flexiona a articulação do quadril. É inervado por ramos dos nervos 
lombares e pelo nervo femoral. 
 
Pectíneo 
 É um músculo bem desenvolvido nos ruminantes domésticos, de forma 
aproximadamente triangular. Origina-se na borda cranial do pube, na eminência iliopúbica e no 
tendão prépubico. Insere-se na face caudal do corpo do fêmur. O músculo pectíneo está 
parcialmente fundido aos músculos vasto medial, adutor e grácil. É irrigado por ramos da artéria 
femoral profunda. 
 Ação e inervação: auxilia na adução do membro. Flexiona a articulação do quadril. É 
inervado por ramos do nervo obturatório. 
 
 Semimembranoso 
 É um músculo potente situado na face caudomedial da coxa. Origina-se na face ventral 
do ísquio, no arco isquiático e no túber isquiático. Insere-se no epicôndilo e no côndilo medial 
do fêmur e no côndilo medial da tíbia. É irrigado por ramos da artéria femoral profunda. 
 Ação e inervação: com o membro fixo, estende as articulações do quadril e do joelho, 
levando, consequentemente, o tronco para frente. Com o membro livre, flexiona as articulações 
do quadril e do joelho. É inervado por ramos do nervo isquiático. 
 
Quadrado femoral 
 É um pequeno músculo que se origina na face ventral do túber isquiático. Situa-se entre 
o músculo gêmeo, dorsalmente e o músculo obturador externo, ventralmente. Insere-se no 
trocânter menor do fêmur. É coberto pelo músculo bíceps femoral. É irrigado por ramos das 
artérias glútea caudal e femoral profunda. 
 Ação e inervação: estende a articulação do quadril, levando o membro para trás. É 
inervado por ramos do nervo obturatório. 
 
124 
 
Obturador externo 
 É um músculo que se origina na face ventral da pelve e insere-se na fossa trocantérica. 
Relaciona-se ventromedialmente com os músculos pectíneo e adutor e, caudalmente, com o 
músculo quadrado femoral. Dorsalmente, está associado, em parte e sem limite nítido de 
demarcação, o músculo obturador interno. É irrigado por ramos da artéria femoral profunda. 
 Ação e inervação: supina e aduz o membro. É inervado por ramos do nervo obturatório. 
 
Obturador interno 
 Ocupa quase todo o assoalho da pelve. Suas fibras dirigem-se para fora através do 
forame obturado e associam-se com as do músculo externo, para inserirem-se juntos na fossa 
trocantérica. É irrigado por ramos da artéria obturatória. 
 Ação e inervação; tem a mesma ação e inervação do músculo obturador externo. 
 
Adutor 
 É um músculo de forma aproximadamente triangular, situado entre os músculos 
pectíneo e semimembranoso. Origina-se na face ventral do ísquio e do pube e insere-se, 
juntamente com o músculo pectíneo, na face caudal do fêmur. É irrigado por ramos da artéria 
femoral profunda. 
 Ação e inervação: aduz o membro quando este está fixo e leva o tronco para frente e 
para o lado. É inervado por ramos do nervo obturatório. 
 
Grácil 
 É um músculo largo e laminar que recobre quase toda a face medial da coxa. Origina-
se na sínfise pélvica e, juntamente com o músculo pectíneo, no tendão pré-púbico. Insere-se, 
juntamente com o músculo sartório, na fáscia medial da perna. Relaciona-se profundamente 
com o músculo semimembranoso e cranialmente com o músculo pectíneo. Superficialmente, é 
cruzado pelos vasos e nervo safenos e é recoberto pela pele. É irrigado por ramos da artéria 
femoral profunda. 
 Ação e inervação: auxilia na adução do membro e é extensor da articulação do joelho. 
Quando o membro está fixo, ele leva o tronco para o lado. É inervado por ramos do nervo 
obturatório. 
 
26.5. Músculos da face craniolateral da perna 
125 
 
 Os músculos craniolaterais da perna são: tibial cranial, fibular terceiro, extensor do 
dedo III, extensor longo dos dedos, fibular longo e extensor do dedo IV. Todos estes músculos 
são inervados por ramos do nervo fibular comum e irrigados pela artéria tibial cranial. 
 
Tibial cranial 
 É um músculo que ocupa a face lateral da tíbia, estando coberto pelos músculos fibular 
terceiro, extensor longo dos dedos e extensor do dedo III. Origina-se na tuberosidade e no 
côndilo lateral da tíbia. Sua porção carnosa constitui apenas o terço proximal do músculo. O 
restante é formado por um longo e delgado tendão, que passa pelo retináculo proximal dos 
extensores. Profundamente ao retináculo, ele desvia-se medialmente, perfura o tendão de 
inserção do músculo fibular terceiro e insere-se na extremidade proximal do osso metatársico 
III e IV. 
 Ação: flexiona o tarso. 
 
Fibular terceiro 
 É o mais superficial dos músculos da face cranial da perna. É bastante desenvolvido 
nos ruminantes domésticos. Sua origem está fundida às dos músculos extensores longo dos 
dedos e do dedo III. Origina-sepor longo tendão na fossa dos extensores do fêmur. Este tendão 
aloja-se no sulco extensor da tíbia e corre entre os músculos tibial cranial, profundamente, e 
fibular longo, cranialmente. Seu tendão de inserção é também longo e potente. Está preso à face 
cranial da extremidade distal da tíbia pelo retináculo proximal dos extensores e insere-se na 
extremidade proximal do osso metatársico III e IV, cranialmente ao tendão do músculo tibial 
cranial. 
 Ação: flexiona o tarso. 
 
Extensor do dedo III 
 Está coberto pelo músculo fibular terceiro e sua porção carnosa está quase que 
totalmente fundida a ele. Origina-se por um tendão comum na fossa dos extensores do fêmur. 
Ao nível do terço médio da tíbia, seu ventre destaca-se do músculo tibial cranial e continua-se 
por um tendão bem individualizado. Este passa pelo retináculo proximal dos extensores, corre 
na face dorsal do osso metatársico III e IV, onde se relaciona lateralmente com o tendão do 
músculo extensor longo dos dedos. Finalmente, insere-se na face dorsal das falanges proximal 
e média do dedo III. 
 Ação: estende o dedo III. 
126 
 
 
Extensor longo dos dedos 
 Este músculo corresponde ao músculo extensor comum dos dedos do membro torácico. 
Seu ventre também está unido ao músculo fibular terceiro. Seu tendão torna-se individualizado 
do terço distal da perna e passa pelo retináculo proximal dos extensores. Ao nível da 
extremidade distal do metatarso, bifurca-se num tendão para cada dedo, indo inserir-se cada 
tendão na falange distal do dedo III e do dedo IV. 
Ação: estende os dedos III e IV. 
 
Fibular longo 
 É um músculo situado superficialmente na face lateral da perna. Sua porção carnosa é 
de forma triangular e origina-se na tuberosidade e no côndilo lateral da tíbia. Ela se continua 
distalmente por um tendão que ocorre na face lateral da perna. O tendão cruza superficialmente 
o tendão do músculo extensor do dedo IV e, ao nível da extremidade distal da tíbia, curva-se 
distocaudalmente, passando na face lateral do tarso. A este nível, o tendão relaciona-se 
profundamente com o ligamento colateral lateral da articulação tarsometatársica, alojando-se 
no sulco do osso centroquarto. O tendão corre então transversalmente na face plantar do tarso, 
entre o centroquarto e o metatársico III e IV, para inserir-se no osso társico I. 
 Ação: flexiona o tarso e atua na pronação do pé. 
 
Extensor do dedo IV 
 É um forte músculo que se origina no ligamento colateral lateral da articulação do 
joelho, na cabeça da fíbula e no côndilo lateral da tíbia. Situa-se entre os músculos fibular longo 
e flexor profundo dos dedos, com o qual está intimamente fundido. Seu tendão ocupa um sulco 
na face lateral da extremidade distal da tíbia, percorre a face dorsolateral do metatársico III e 
IV e insere-se na face dorsal das falanges proximal e média do dedo IV. 
 Ação: estende o dedo IV. 
 
Extensor curto dos dedos 
 É um músculo pequeno, que se origina na face dorsal do osso tálus e insere-se no tendão 
do músculo extensor longo dos dedos. 
 É irrigado pela artéria metatársica dorsal III. 
 Ação e inervação: auxilia o músculo extensor longo dos dedos. É inervado pelo nervo 
fibular profundo. 
127 
 
 
26.6. Músculos da face caudal da perna 
 Os músculos da face caudal da perna são: gastrocnêmio, sóleo, flexor superficial dos 
dedos, flexor profundo dos dedos e poplíteo. São inervados pelo nervo tibial. 
 
Gastrocnêmio 
 É o maior dos músculos da perna. Origina-se por duas cabeças. A cabeça medial 
origina-se no epicôndilo medial do fêmur e área adjacente. A lateral origina-se no epicôndilo 
lateral do fêmur e área adjacente. As duas cabeças fundem-se numa única massa muscular, 
próximo às suas origens. O ventre do músculo gastrocnêmio envolve o músculo flexor 
superficial dos dedos. Seu tendão é único e dirige-se distalmente em torno do tendão do músculo 
flexor superficial dos dedos. Insere-se no túber do calcâneo. O tendão do músculo 
gastrocnêmio, juntamente com o do músculo flexor superficial dos dedos e as aponeuroses dos 
músculos bíceps femoral e semitendinoso, constituem o tendão calcanear comum (conhecido 
no homem também como tendão de Aquiles). O músculo gastrocnêmio é irrigado por ramos da 
artéria caudal do fêmur. 
 Ação: estende o tarso e flexiona o joelho. 
 
Flexor superficial dos dedos 
 É um músculo bastante desenvolvido, que se origina na fossa supracondilar do fêmur. 
Seu tendão participa na formação do tendão calcanear comum e cobre o túber do calcâneo, no 
qual se prende lateralmente. Está separado do túber do calcâneo pela extensa bolsa sinovial 
calcanear. Suas inserções, bem como suas relações com os músculos flexor profundo dos dedos 
e interósseo III e IV, são semelhantes às do membro torácico. É irrigado por ramos da artéria 
caudal do fêmur. 
 Ação: flexiona o joelho, estende o tarso e flexiona os dedos principais. 
 
Sóleo 
 É um delgado músculo situado na face do terço proximal da perna. Cruza obliquamente 
as origens dos músculos extensor do dedo IV e flexor longo do hálux e penetra sob a porção 
lateral do gastrocnêmio. Origina-se no côndilo lateral da tíbia e na cabeça da fíbula. Insere-se 
na porção lateral do músculo gastrocnêmio. É irrigado por um pequeno ramo da artéria tibial 
caudal. 
128 
 
 O grupo muscular formado pelo sóleo juntamente com as cabeças lateral e medial do 
gastrocnêmio recebe o nome de músculo tríceps sural. 
 Ação: auxilia o músculo gastrocnêmio na extensão do tarso. 
 
Flexor profundo dos dedos 
 O músculo flexor profundo dos dedos está constituído de três porções: tibial caudal, 
flexor longo do hálux(digital lateral) e flexor longo dos dedos(digital medial). O tibial caudal é 
a mais caudal das três porções, o flexor longo dos dedos é a porção mais cranial e o flexor longo 
do hálux é a porção maior e se coloca entre as duas. Todas estas três porções originam-se no 
côndilo lateral da tíbia e na cabeça da fíbula. O flexor longo do hálux origina-se ainda na face 
caudal da tíbia não ocupada pelo músculo poplíteo. O músculo flexor longo dos dedos também 
se origina na metade proximal da face caudal da tíbia. Os tendões do tibial caudal e do flexor 
longo do hálux fundem-se na altura do tarso e correm no sulco do calcâneo. O tendão do 
músculo flexor longo dos dedos passa pelo sulco maleolar, curva-se distocaudalmente e une-
se, na face plantar do tarso, ao tendão comum dos dois primeiros. O tendão comum do músculo 
flexor profundo dos dedos comporta-se, ao nível do metatarso e das falanges, da mesma maneira 
que o flexor profundo dos dedos do membro torácico. É irrigado pela artéria tibial caudal. 
 Ação: flexiona as falanges e, indiretamente, estende a articulação do tarso. 
 
Poplíteo 
 É um músculo triangular que ocupa a face caudal da tíbia. Origina-se por um tendão na 
fossa do poplíteo do fêmur e insere-se na metade proximal da face caudal do corpo da tíbia, 
dispondo-se suas fibras obliquamente no sentido lateromedial. Relaciona-se superficialmente 
com os músculos gastrocnêmio e flexor superficial dos dedos e distalmente com os ventres do 
músculo flexor profundo dos dedos. É irrigado por ramos das artérias tibial cranial e tibial 
caudal. 
 Ação e inervação: auxilia na flexão da articulação do joelho. É inervado pelo nervo 
tibial. 
27. NERVOS DA PELVE E DO MEMBRO PELVICO 
 
27.1. Nervos da pelve e da coxa (Plexo lombossacral) 
 O Plexo lombossacral é constituído pelos ramos ventrais dos nervos lombares e sacrais. 
Os ramos dorsais dos nervos lombares e sacrais dispõem-se como nos outros nervos espinhais. 
129 
 
 
27.2. Cutâneo lateral da coxa 
 O ramo ventral de L4 inerva os músculos psoas e quadrado lombar, como também o 
músculo ilíaco. Sua continuação representa o nervo cutâneo lateral da coxa, que também pode 
receber fibras de L3 e L5. O nervo cutâneo lateral da coxa corre lateralmente sobre o músculoiliopsoas, depois passa medialmente ao músculo tensor da fáscia lata, para então se distribuir 
na face cranial da coxa até a região do joelho. 
 
27.3. Femoral 
 O ramo ventral de L5, que geralmente está em comunicação com L4 e L5, fornece 
filetes para o músculo iliopsoas e continua-se como nervo femoral. Participa ainda na formação 
do nervo obturatório. O nervo femoral passa sob o músculo psoas maior e acompanha os vasos 
femorais. O nervo femoral corre ventralmente em direção ao membro pélvico e, ao nível do 
pube, envia ramos ao músculo quadríceps femoral e continua-se como nervo safeno. Este último 
segue os vasos femorais, coberto pelo músculo sartório. Envia ramos aos músculos sartório e 
pectíneo e prossegue distalmente, juntamente com a artéria safena, para se distribuir na pele da 
face medial da perna. 
 
27.4. Obturatório 
 Os ramos ventrais de L5 e L6 fornecem ramos que irão constituir o nervo obturatório. 
Este corre na face medial do corpo do ílio, em direção à borda cranial do forame obturado. Após 
atravessar este forame, ele envia ramos para os músculos obturadores, adutor, pectíneo e grácil. 
 
27.5. Glúteo cranial 
 É constituído principalmente por fibras de L6. Imediatamente após a sua origem, 
divide-se em vários ramos que se distribuem nos músculos glúteos. 
 
27.6. Isquiático 
 É o maior dos nervos do plexo lombossacral. Os ramos ventrais de L6, S1 e S2 dirigem-
se caudalmente e reúnem-se para formar o nervo isquiático, ao nível do forame isquiático maior. 
Após deixar a cavidade pélvica através deste forame, o nervo isquiático corre profundamente 
na face lateral da pelve, onde passa primeiro sobre o ligamento sacrotuberal e depois sobre os 
músculos glúteo profundo e gêmeo. Neste ponto, o nervo isquiático é bastante largo, achatado 
e está coberto pelos músculos glúteo acessório, glúteo médio e bíceps femoral. Após passar 
130 
 
sobre o músculo gêmeo, ele dirige-se distalmente na coxa, onde se relaciona superficialmente 
com o músculo bíceps femoral e profundamente com os músculos quadrado femoral, adutor, 
semitendinoso e semimembranoso. Na face lateral da pelve, o nervo isquiático fornece ramos 
para os músculos tensor da fáscia lata, gêmeo, quadrado femoral e obturador interno. Um 
grande ramo muscular emerge da borda caudal do nervo isquiático, ao nível da articulação do 
quadril, e distribui-se nos músculos bíceps femoral, semitendinoso e semimembranoso. 
 Na coxa, o nervo isquiático pode emitir o nervo cutâneo lateral da sura, que corre 
juntamente com a veia safena lateral e distribui-se na pele da face lateral do tarso. Um pouco 
abaixo da origem deste último, o nervo isquiático divide-se em nervos fibular comum e tibial. 
 
27.7. Glúteo caudal 
 Origina-se principalmente de S2. Ele divide-se imediatamente em vários ramúsculos 
que inervam os músculos glúteo médio e bíceps femoral. 
 
27.8. Cutâneo caudal da coxa 
 É pequeno e origina-se da borda dorsal do nervo isquiático. Ele corre caudalmente na 
face lateral do ligamento sacrotuberal. Ao nível do forame isquiático menor, ele divide-se em 
dois ramos. O ramo medial passa pelo forame e une-se ao pudendo. O ramo lateral pode unir-
se ao ramo cutâneo proximal do nervo pudendo ou pode penetrar no músculo bíceps e inervar 
a pele próximo à área do ramo cutâneo proximal do nervo pudendo. 
 
27.9. Pudendo 
 Origina-se principalmente de S3, recebendo ainda contribuições de S2 e S4. Este nervo 
está descrito no capítulo de nervos da cavidade pélvica. 
 
27.10. Nervos da perna e do pé 
 
27.11. Fibular comum 
 O nervo fibular comum corre distalmente sob a porção distal do músculo bíceps femoral 
e relaciona-se profundamente com a cabeça do músculo gastrocnêmio. Próximo ao côndilo 
lateral do fêmur, ele fornece um longo e delgado filete, que inerva o músculo fibular longo. O 
nervo fibular comum então penetra entre os músculos fibular longo e extensor longo dos dedos 
e divide-se em nervos fibular superficial e fibular profundo. A este nível, ele envia diversos 
131 
 
filetes para os músculos fibular longo, tibial cranial, fibular terceiro, extensor longo dos dedos, 
extensor do dedo III e extensor do dedo IV. 
 
27.11.1.1. Fibular superficial 
É a maior das duas divisões do nervo fibular comum. Ele corre distalmente e, cerca do 
meio da perna, cruza gradualmente a face profunda do músculo fibular longo e aparece 
superficialmente no sulco formado pelo músculo fibular terceiro, cranialmente e fibular 
longo e extensor do dedo III, caudalmente. Ao nível do tarso, ele corre medialmente à veia 
safena lateral. No metatarso, ele fornece o nervo digital dorsal comum IV. Este emite o 
nervo digital dorsal próprio V e se continua na face dorsal do dedo IV como nervo digital 
dorsal próprio IV abaxial. O nervo fibular superficial prossegue distalmente, correndo junto 
com os tendões dos músculos extensores e emite vários filetes para a fáscia e pele da face 
dorsal do metatarso. Próximo ao terço médio desta região, ele fornece o nervo digital dorsal 
comum II e se continua como nervo digital dorsal comum III. O nervo digital dorsal comum 
II envia o nervo digital dorsal próprio II e se continua na face dorsal do dedo III como nervo 
digital dorsal próprio III abaxial. O nervo digital dorsal comum III recebe o nervo 
metatársico dorsal III e divide-se em nervos digitais dorsais próprios III e IV axiais. 
 
27.11.1.2. Fibular profundo 
Ele corre profundamente no sulco formado pelos músculos fibular longo e extensor do 
dedo IV. Depois, ele se continua ao longo do extensor longo dos dedos e passa sob o 
retináculo proximal dos extensores. Na face dorsal do tarso, ele libera um filete para o 
músculo extensor curto dos dedos. Ao nível do metatarso, ele denomina-se nervo 
metatársico dorsal III. Um pouco abaixo da articulação metatarsofalângica, emerge entre os 
tendões do músculo extensor longo dos dedos e une-se ao nervo digital dorsal comum III. 
 
27.12. Tibial 
 Após sua separação do nervo fibular comum, o nervo tibial emite ramúsculos que 
inervam a cabeça lateral do músculo gastrocnêmio e o músculo flexor superficial dos dedos. 
Ele então penetra entre as duas cabeças do músculo gastrocnêmio e ramificase nos músculos 
poplíteo, sóleo e flexor profundo dos dedos. No terço distal da perna, ele situa-se cranialmente 
ao tendão calcanear comum. Ao nível do túber do calcâneo, divide-se em nervo plantar medial 
e nervo plantar lateral. 
 
132 
 
27.12.1.1. Plantar medial 
Ele corre distalmente ao longo do aspecto medioplantar do tarso, sendo parcialmente 
coberto pela borda do ligamento plantar da articulação do tarso. Próximo à articulação 
metatarsofalângica emite o nervo digital plantar comum II e se continua como nervo digital 
plantar comum III. O nervo digital plantar comum II emite o nervo digital plantar próprio 
II e continua-se como nervo digital plantar próprio III abaxial. O nervo digital plantar 
comum III passa entre os dedos II e V e divide-se em nervos digitais plantares próprios III 
e IV axiais. Estes recebem ramos comunicantes do nervo metatársico dorsal III. 
 
27.12.1.2. Plantar lateral 
Após separar-se do nervo plantar medial, corre em direção à borda lateral do pé, 
profundamente ao ligamento plantar da articulação do tarso. Ele desce inicialmente ao longo 
da borda lateral do ligamento plantar e depois no sulco formado pelos tendões dos músculos 
flexores e o músculo interósseo III e IV. Ao nível da extremidade proximal do metatarso. 
Ele emite o ramo profundo para o músculo interósseo III e IV e continua-se como nervo 
digital plantar comum IV. Ao nível da extremidade distal do metatarso, emite o nervo digital 
plantar próprio V e se continua como nervo digital plantar próprio IV abaxial. 
 
28. ARTÉRIAS DO MEMBRO PELVICO 
 
28.1. Ilíaca externa 
 A artéria ilíaca externa origina-se da artéria aorta abdominal, ventralmente ao corpo da 
vértebra lombarV. ela corre ventrocaudalmente ao longo das faces mediais dos músculos psoas 
maior e ilíaco e, após emitir a artéria femoral profunda, continua-se como artéria femoral. A 
artéria ilíaca externa emite os seguintes ramos: 
 
28.2. Circunflexa profunda do ílio 
 Logo após sua origem da ilíaca externa, divide-se em ramos cranial e caudal. O ramo 
cranial passa cranialmente ao corpo do ílio e divide-se em vários ramos que irrigam os músculos 
sublombares, longíssimo lombar, glúteo médio, tensor da fáscia lata e a pele adjacente. 
Continua-se cranialmente entre os músculos oblíquo interno e transverso do abdome. Irriga-os, 
como também o músculo oblíquo externo do abdome. O ramo caudal dirige-se ventralmente, 
emitindo ramos para os músculos oblíquos e transverso do abdome. Atravessa a parede 
133 
 
abdominal entre os músculos ilíaco e obliquo interno do abdome e acompanha o nervo cutâneo 
lateral da coxa. Ele irriga os músculos tensor da fáscia lata e cutâneo do tronco e a pele da 
porção craniomedial da coxa. 
 
28.3. Femoral profunda 
 Origina-se da ilíaca externa ao nível da raiz do membro. Dirige-se caudalmente, sob o 
pube, entre os músculos obturador externo, iliopsoas e pectínio e atinge a face cranial do 
músculo adutor. Ela emite o tronco pudendo-epigástrico. 
 O tronco pudendo-epigástrico corre por um curto trajeto e divide-se em artérias 
epigástrica caudal e pudenda externa. Nos bovinos e ovinos, o tronco pudendo epigástrico emite 
um pequeno ramo, a artéria abdominal caudal, que se distribui na parede abdominal. O músculo 
cremáster, nos bovinos e caprinos, é suprido por um pequeno ramo (artéria cremastérica). A 
artéria epigástrica caudal passa entre os músculos oblíquo interno e transverso do abdome 
fornece alguns ramos para o último e finalmente penetra no músculo reto do abdome. A artéria 
pudenda externa abandona a cavidade abdominal através do ânulo inguinal interno. Após 
emergir no ânulo inguinal externo, fornece um ramo para os linfonodos inguinais, ramos para 
as mamas caudais na fêmea e para o escroto, no macho, e se continua como artéria epigástrica 
caudal superficial. Esta última fornece ramos para as mamas craniais ou para o escroto e 
prepúcio. Finalmente ela termina ramificando-se na parede abdominal caudal. 
 A artéria femoral profunda, após emitir o tronco pudendo-epigástrico, distribui-se nos 
músculos adutor, semitendinoso e bíceps femoral. Além disto, fornece vários ramúsculos para 
o linfonodo poplíteo. Ela emite o ramo obturatório, que irriga o músculo obturador interno, e 
finalmente anastomosa-se com a artéria, um ramo da artéria pudenda interna. Segundo a NAV 
(1973), o segmento da artéria femoral profunda após a emissão do tronco pudendo epigástrico 
constitui a artéria circunflexa medial do fêmur. 
 
28.4. Femoral 
 É a continuação da artéria ilíaca externa após a emissão da artéria femoral profunda. 
Ao atingir a inserção do músculo pectíneo, ela gradualmente se dirige distolateralmente em 
torno da face caudal do fêmur. Ao penetrar entre as duas cabeças do músculo gastrocnêmio, 
continua-se como artéria poplítea. Emite os seguintes ramos: 
 
28.5. Ramos para o músculo iliopsoas 
 
134 
 
28.6. Artéria circunflexa lateral do fêmur 
 Esta artéria dirige-se distocranialmente e penetra no músculo quadríceps femoral, 
acompanhando o nervo femoral. 
28.7. Ramos musculares para os músculos sartório, vasto medial, pectíneo 
e semimembranáceo 
 
28.8. Artéria safena 
 Origina-se da artéria femoral próximo ao meio da coxa e corre distalmente, 
acompanhando o nervo safeno. Na região da perna, ela gradualmente atinge o seu aspecto 
caudal. Um pouco abaixo do túber do calcâneo, ela divide-se em artérias plantar lateral e plantar 
medial. Durante seu curso, emite ramos para os músculos pectíneo, grácil, semimembranoso e 
sartório e também ramos para a pele e fáscia da região da perna. 
 
28.8.1.1. Artéria plantar lateral 
É a menor das duas e ramifica-se na fáscia e pele da face lateral do tarso. Contribui para 
a formação do arco plantar profundo. 
 
28.8.1.2. Artéria plantar medial 
Representa a continuação da artéria safena. Ao nível do metatarso, ela emite um ramo 
calibroso, a artéria digital plantar comum III, que irriga a face plantar dos dedos III e IV. 
 
28.9. Artéria descendente do joelho 
 É uma artéria relativamente calibrosa que emite pequenos ramos para os músculos 
sartório, vasto medial, semimembranoso e vasto intermédio. Ramifica-se na face medial da 
articulação do joelho. 
 
28.10. Artéria nutrícia do fêmur 
 Origina-se da artéria femoral, um pouco acima do epicôndilo medial do fêmur e penetra 
no forame nutrício deste osso. 
 
28.11. Artéria caudal do fêmur 
 É um forte vaso que supre os músculos da face caudal da coxa e da perna, destacando-
se da borda caudal da artéria femoral, ao nível da face caudal da articulação do joelho. É o 
último ramo da artéria femoral. 
135 
 
 
28.12. Poplítea 
 É a continuação direta da artéria femoral, após a emissão da artéria caudal do fêmur. 
Ela constitui um curto tronco, dentro da fossa intercondilar do fêmur, onde se divide em dois 
ramos, as artérias tibial cranial e tibial caudal. 
 
28.13. Tibial caudal 
 É a menor das duas, corre entre os côndilos do fêmur e continua-se ao longo do aspecto 
caudal do músculo poplíteo, para finalmente ramificar-se nas porções do músculo flexor 
profundo dos dedos. Durante seu curso, fornece ramos para os músculos poplíteo e flexor 
superficial dos dedos. 
 
28.14. Tibial cranial 
 É a continuação direta da artéria poplítea. Passa profundamente ao músculo poplíteo, 
onde fornece ramos para este músculo, como também para o músculo flexor profundo dos 
dedos. Gradualmente, ela atinge a borda caudolateral da tíbia, perfura a membrana interóssea 
da perna e aparece na face lateral da tíbia. Próximo ao espaço interósseo proximal, ela emite 
um forte ramo que supre os músculos tibial cranial, fibular longo, fibular terceiro, extensor 
longo dos dedos e extensor do dedo III. 
 A artéria tibial cranial prossegue distalmente na face dorsal do tarso, sob o retináculo 
proximal dos extensores e aí passa a denominar-se artéria dorsal do pé. Fornece ramos para a 
rede társica dorsal, bem como para a cápsula da articulação do tarso. Ao nível da articulação 
intertársica, ela emite a artéria társica perfurante, a qual atravessa a articulação ttarsometatársica 
e se abre no arco plantar profundo. Após emitir a artéria társica perfurante, a artéria dorsal do 
pé continua-se como artéria metatársica dorsal III. No metatarso, esta fornece alguns 
ramúsculos para o músculo extensor curto dos dedos. Um pouco acima da articulação 
metatarsofalângica, recebe o ramo perfurante distal, proveniente do arco plantar profundo. A 
artéria metatársica dorsal III continua-se então como artéria digital dorsal comum III. Ao nível 
do espaço interdigital, ela une-se à artéria digital plantar comum III e finalmente divide-se em 
artérias digitais dorsais próprias III e IV. 
 A artéria tibial cranial emite ramos superficiais que vão constituir as artérias digitais 
dorsais comuns II e IV, as quais não tem importância prática em virtude do reduzido calibre. 
 
136 
 
29. VEIAS DO MEMBRO PELVICO 
 Como no membro torácico, a drenagem venosa do membro pélvico é feita por meio de 
veias superficiais e veias profundas, interligadas por ramos anastomóticos. 
 
29.1. Veias superficiais 
 
29.2. Safena lateral 
 É o mais calibroso dos troncos venosos superficiais do membro pélvico e sua posição 
subcutânea faz com que seja um dos sítios de eleição para punções e injeções endovenosas, nos 
animais domésticos de pequeno porte. Resulta da união de dois ramos – ramo cranial e ramo 
caudal – ao nível do terço distal da face lateral da perna, no espaço entre o músculo flexor 
profundo dos dedos e o tendão calcanear comum. Corre obliquamente em direçãoà face caudal 
da perna e, acompanhando a borda caudal do músculo gastrocnêmio, penetra entre os músculos 
bíceps e semitendinoso. Passa a correr, então, profundamente na face lateral da coxa, 
relacionando-se com o linfonodo poplíteo, os nervos tibial, fibular comum e cutâneo lateral da 
sua sura e os músculos bíceps femoral, semitendinoso e adutor, dos quais recebe vários e 
calibrosos ramos. Ao nível do terço médio da coxa, mergulha entre os músculos adutor e 
semimembranoso, acompanhando os ramos terminais da artéria femoral profunda. Passa, a 
partir deste ponto, a denominar-se veia femoral profunda, como satélite da artéria homônima. 
 O ramo cranial da veia safena lateral é formado, ao nível do terço distal do metatarso, 
pela união das veias digitais dorsais comuns III e IV. Corre proximalmente em direção ao tarso, 
acompanhando o nervo fibular superficial, lateralmente aos tendões dos músculos extensores 
dos dedos. Ao nível da face dorsal do tarso, recebe um calibroso ramo anastomótico da veia 
dorsal do pé, além de ramos da rede társica dorsal. Um pouco mais acima, anastomosa-se ainda 
com o ramo superficial da veia tibial cranial, bem desenvolvido nos bovinos e inconstante nos 
pequenos ruminantes. Ultrapassando proximalmente o tarso, o ramo cranial dirige-se 
obliquamente para trás, para unir-se ao ramo caudal. A veia digital dorsal comum III forma-se 
no espaço interdigital, pela união das veias digitais dorsais próprias III e IV axiais. Corre 
proximalmente no espaço interdigital, onde se anastomosa com a veia interdigital (proveniente 
da veia digital plantar comum III) e, um pouco mais acima, com a veia metatársica dorsal III. 
Atingindo o terço distal do metatarso, une-se à veia digital dorsal comum IV. As veias digitais 
dorsais próprias III e IV axiais representam a continuação proximal das veias coronais dos 
referidos dedos. A veia digital dorsal comum IV origina-se do arco plantar profundo distal, 
137 
 
situado profundamente ao músculo interósseo III e IV, na face caudal do extremo distal do 
metatarso. Comumente, apresenta-se como uma continuação direta da veia digital plantar 
comum IV, oriunda do mesmo arco. Após curto trajeto em direção a face dorsal do metatarso, 
anastomosa-se com a veia digital dorsal comum III. 
 O ramo caudal da veia safena lateral origina-se ao nível do aspecto plantolateral da 
extremidade proximal do metatarso, a partir do arco plantar profundo, situado profundamente 
ao músculo interósseo III e IV. Aparece, porém, tanto nos bovinos como nos pequenos 
ruminantes, como uma continuação da veia metatársica plantar IV, tributária do referido arco. 
Corre inicialmente na face lateral do calcâneo e, em seguida, junto à face caudal da extremidade 
distal da tíbia e ao tendão do flexor profundo dos dedos. A este nível, emite o ramo anastomótico 
com a veia safena medial, bem desenvolvida nos bovinos, mas pouco evidente nos pequenos 
ruminantes. Um pouco mais acima, termina unindo-se ao ramo cranial e formando a veia safena 
lateral. 
 
29.3. Veia safena medial 
 Dispõe-se subcutaneamente na face medial da perna e da coxa, juntamente com a artéria 
e nervo safenos. É formada pela união das veias plantar lateral e plantar medial, ao nível da 
depressão existente entre a túber do calcâneo e o tendão do músculo flexor profundo dos dedos. 
Segue proximalmente na face medial da perna, entre o tendão calcanear comum e a borda caudal 
do músculo flexor profundo dos dedos e atingindo a face medial da coxa, passa a correr sobre 
a aponeurose do músculo grácil. Ao nível do terço médio da coxa, aprofunda-se entre o músculo 
grácil e o músculo sartório, indo desembocar na veia femoral. 
 A veia plantar medial corre na face caudomedial do tarso, sobre o sustentáculo do tálus, 
juntamente com o nervo plantar medial, sendo formada pela união de dois ramos: profundo e 
superficial. O ramo profundo provém do arco plantar profundo, emergindo cranialmente ao 
extremo proximal do músculo interósseo III e IV. O ramo superficial origina-se do arco plantar 
profundo distal e corre proximalmente, junto com o nervo plantar medial, entre o músculo 
interósseo III e IV e os tendões dos músculos flexores dos dedos. A veia plantar lateral origina-
se do arco plantar profundo, juntamente com o ramo caudal da veia safena lateral. Corre na face 
caudal do tarso, associada ao nervo plantar lateral. 
 
29.4. Veias profundas 
 
29.5. Femoral profunda 
138 
 
 Apresenta-se como a continuação direta da veia safena lateral, nos planos profundos da 
coxa. Corre inicialmente entre as fibras do músculo adutor, passando em seguida, com artéria 
homônima, entre os músculos pectíneo e iliopsoas. Prossegue em direção cranial sobre a face 
medial do músculo iliopsoas, indo desembocar na veia ilíaca externa, ao nível da região 
inguinal. Em seu trajeto, a veia femoral profunda recebe várias tributárias. 
 
29.6. Femoral 
 Situa-se na face medial da coxa, ao lado da artéria homônima. Origina-se, como 
continuação direta da veia poplítea, ao nível da face caudal da extremidade distal do fêmur. 
Corre proximalmente, passando no sulco formado pelos músculos vasto medial, adutor e 
pectíneo e coberta pelo músculo sartório. Após curto trajeto sobre a face medial do músculo 
iliopsoas, desemboca na veia ilíaca externa. São suas tributárias as seguintes veias, todas elas 
satélites dos ramos da artéria femoral: circunflexa lateral do fêmur, safena medial, descendente 
do joelho e caudais do fêmur. 
 
29.7. Poplítea 
 Localiza-se, junto com a artéria homônima, na fossa poplítea, caudalmente à articulação 
do joelho, sendo formada pela união das veias tibial cranial e tibial caudal. Após receber as 
veias do joelho (provenientes da articulação do joelho), segue proximalmente por curto trajeto 
até a junção com as veias caudais do fêmur, quando então passa chamar-se veia femoral. 
 
29.8. Tibiais 
 A veia tibial caudal, como a artéria homônima, é pouco desenvolvida e corre na face 
caudal do músculo poplíteo. A veia tibial cranial, geralmente dupla, acompanha a artéria tibial 
cranial e o nervo fibular profundo, ao longo da face craniolateral da tíbia, profundamente aos 
músculos extensores dos dedos. Nos bovinos, emite, ao nível do terço distal da perna, um ramo 
superficial, que se anastomosa com o ramo cranial da veia safena lateral. Atingindo a 
extremidade proximal do corpo da tíbia, desvia-se para a face caudal da mesma, onde corre 
profundamente ao músculo poplíteo. Emergindo deste, une-se à veia tibial caudal, formando a 
veia poplítea. 
 
29.9. Dorsal do pé 
 É um curto tronco venoso, restrito à face dorsal do tarso, profundamente aos tendões 
dos músculos extensores dos dedos. Continua-se proximalmente como veia tibial cranial e 
139 
 
distalmente como veia metatársica dorsal III. Emite um ramo anastomótico, bem desenvolvido, 
para o ramo cranial da veia safena lateral e comunicase com o arco plantar profundo por meio 
da veia társica perfurante. 
 
29.10. Metatársica dorsal III 
 Representa a continuação distal da veia dorsal do pé, após a emissão da veia társica 
perfurante. Usualmente dupla, corre na face dorsal do osso metatársico III e IV, profundamente 
aos tendões dos músculos extensores dos dedos. Após a emissão do ramo perfurante distal, que 
atravessa o canal distal do metatarso e termina no arco plantar profundo distal, a veia 
metatársica dorsal III anastomosa-se, no espaço interdigital, com a veia digital dorsal comum 
III. 
 
29.11. Arco plantar profundo 
 É formado, nos ruminantes domésticos, pela anastomose entre a veia plantar lateral e o 
ramo profundo da veia plantar medial. Dispõe-se transversalmente na extremidade proximal da 
face plantar do osso metatársico III e IV, profundamente ao músculo interósseo III e IV. Para o 
arco plantar profundo confluem as veias metatársicas plantares II, III e IV e a veia társica 
perfurante, esta provenienteda veia dorsal do pé. 
 As veias metatársicas plantares II, III e IV originam-se do arco plantar profundo distal 
e seguem paralelamente na face plantar do osso metatársico III e IV, profundamente ao músculo 
interósseo III e IV, até desembocarem no arco plantar profundo. Das três veias, a medial (II) e 
a lateral (IV) são bem desenvolvidas, enquanto a intermédia (III) apresenta-se bastante 
reduzida. 
 
29.12. Arco plantar profundo distal 
 Está situado na extremidade distal da face plantar do osso metatársico III e IV, 
profundamente ao músculo interósseo III e IV. Dá origem às veias metatársicas plantares II, III 
e IV e ao ramo superficial da veia plantar medial, os quais seguem proximalmente no metatarso. 
Recebe, por outro lado, as veias digitais palntares comuns II, III e IV, provenientes dos dedos 
e o ramo perfurante distal, oriundo da veia metatársica dorsal III. 
 
29.13. Digitais plantares comuns 
 A veia digital plantar comum II corre na face abaxial do dedo III, sendo formada pela 
união das veias digital plantar própria III abaxial e digital dorsal própria III abaxial. Recebe 
140 
 
ainda, antes de desembocar no arco plantar profundo distal, as veias digital plantar própria II e 
digital dorsal própria II. A veia digital plantar comum III corre no espaço interdigital, sendo 
formada pela união das veias digitais plantares próprias III e IV axiais. Antes de desembocar 
no arco plantar profundo distal, comunica-se com a veia digital dorsal comum III por meio da 
veia interdigital. A veia digital plantar comum IV é formada pela união das veias digitais plantar 
própria IV abaxial e dorsal própria IV abaxial. Corre na face abaxial do dedo IV, desembocando 
no arco plantar profundo distal. Antes de sua desembocadura, recebe ainda as veias digitais 
dorsal própria V e plantar própria V. As veias digitais plantares comunicam-se com as veias 
digitais dorsais por vários ramos anastomóticos, que correm transversalmente na face plantar 
das falanges proximal e média. 
 
30. LINFATICOS DA PELVE E DO MEMBRO PELVICO 
 A linfa da pelve e do membro pélvico é drenada para linfonodos que podem ser 
agrupados nos seguintes linfocentros: iliossacral, iliofemoral, inguinofemoral, isquiádico e 
poplíteo. 
 
30.1. Linfocentro iliossacral 
 Compreende os linfonodos agrupados em torno da terminação da artéria aorta e da 
origem da veia cava caudal, e os situados ao longo de seus ramos principais: ilíaca externa, 
ilíaca interna, sacral mediana e circunflexa profunda do ílio. 
 
30.2. Linfonodos ilíacos mediais 
 Localiza-se junto à porção terminal da aorta e inicial da veia cava caudal, em relação 
com a origem das artérias ilíacas externa e interna. Ocorrem em número variável (3 a 5 nos 
pequenos ruminantes e 6 a 8 nos bovinos) e apresentam-se geralmente alongados, podendo seu 
comprimento atingir até 5 cm nos bovinos e 3 cm nos pequenos ruminantes. Seus vasos 
aferentes provêm da região sublombar, dos rins, da suprarrenal, da parede pélvica e das vísceras 
da cavidade pélvica. Para eles confluem também os linfáticos do testículo e epidídimo (através 
do funículo espermático) e, principalmente, os vasos eferentes dos demais linfonodos da pelve 
e do membro pélvico. Os linfonodos ilíacos mediais funcionam, assim, como um centro de 
convergência, direta ou indireta, da linfa de quase toda a metade caudal do corpo do animal. 
Seus vasos eferentes confluem para formar o tronco lombar, descrito no item 70.5.1. 
 
141 
 
30.3. Linfonodos ilíacos laterais 
 Ocorrem, em número de um ou dois, ao nível da bifurcação da artéria circunflexa 
profunda do ílio, na face ventral do músculo psoas maior e medialmente à origem do músculo 
tensor da fáscia lata. São pouco desenvolvidos nos bovinos, medindo o maior deles cerca de 
1,5 – 2,5 cm de diâmetro. Nos pequenos ruminantes, normalmente não existem. Sua área de 
drenagem abrange a porção caudodorsal da parede abdominal, o peritônio, a face medial da 
coxa e planos profundos da região glútea. Para eles confluem também os vasos linfáticos 
provenientes dos linfonodos subilíaco e coxal. Seus vasos eferentes desembocam, em parte, nos 
linfonodos ilíacos mediais e, em parte, no tronco lombar. 
 
30.4. Linfonodos hipogástricos 
 Situam-se na parede lateral da cavidade pélvica, ao longo do trajeto da artéria ilíaca 
interna e seus ramos, na face medial do ligamento sacrotuberal. São pequenos, achatados e seu 
número é muito variável, sendo de 1 a 8 nos bovinos e, geralmente, 2 ou 3 nos pequenos 
ruminantes. Em alguns casos, podem estar ausentes. Recebem linfáticos provenientes da parede 
pélvica, dos órgãos genitais internos masculinos e femininos, bexiga, vulva, cauda e ainda dos 
linfonodos isquiáticos e poplíteo. Seus vasos eferentes drenam para os linfonodos ilíacos 
mediais. 
 
30.5. Linfonodos sacrais 
 Constituem um grupo ímpar de linfonodos situados junto à origem da artéria sacral 
mediana, em estreita relação com os linfonodos ilíacos mediais, com os quais podem se 
confundir. Seus vasos aferentes provêm da parede dorsal da cavidade pélvica e seus eferentes 
drenam para os linfonodos ilíacos mediais. 
 Ao linfocentro iliossacral pertencem também os linfonodos anorretais, localizados 
lateral e dorsalmente à porção terminal do reto, em situação retroperitoneal. São pequenos e 
pouco numerosos, podendo faltar nos pequenos ruminantes. Drenam o reto e ânus e seus vasos 
eferentes convergem para os linfonodos ilíacos mediais. 
 
30.6. Linfocentro iliofemoral 
 Compreende os linfonodos iliofemorais, situados na região inguinal, ao longo do trajeto 
das artérias ilíaca externa e femoral. Nos bovinos, estão comumente reduzidos a apenas um, 
bem desenvolvido (5-6 cm de comprimento) e situado junto à artéria ilíaca externa, caudalmente 
ao ponto de origem da artéria circunflexa profunda do ílio. Nos pequenos ruminantes, sua 
142 
 
presença é inconstante. Para os linfonodos iliofemorais confluem vasos linfáticos dos planos 
profundos do membro pélvico, diretamente ou por intermédio do linfonodo poplíteo. Seus vasos 
eferentes vão em parte aos linfonodos ilíacos mediais e em parte diretamente ao tronco lombar. 
 Nos bovinos, o linfocentro iliofemoral inclui também o linfonodo epigástrico. Situado 
ao longo do trajeto da artéria epigástrica caudal, entre o peritônio e o tendão pré-púbico. É 
pequeno, inconstante e, quando presente, drena a linfa da parede ventral da cavidade abdominal, 
inclusive o peritôneo. Seus vasos eferentes dirigem-se para o linfonodo iliofemoral. 
 
30.7. Linfocentro inguinofemoral 
 Neste linfocentro, também conhecido como linfocentro inguinal superficial, estão 
incluídos o linfonodo subilíaco e os linfonodos mamários ou escrotais, responsáveis pela 
drenagem linfática de grande parte da parede abdominal, membro pélvico, períneo e órgãos 
genitais externos. 
 
30.8. Linfonodo subilíaco 
 Está situado lateralmente à aponeurose do músculo oblíquo externo do abdome, 
imediatamente cranial ao músculo tensor da fáscia lata. È bem desenvolvido nos ruminantes 
domésticos e, devido à sua localização superficial, facilmente palpável externamente. Sua 
forma é alongada, medindo cerca de 3-4 cm de comprimento nos pequenos ruminantes e 6-12 
cm nos bovinos. Sua área de drenagem é muito ampla, abrangendo a porção caudal da parede 
torácica, paredes lateral e ventral do abdome, regiões glútea e lateral da coxa, faces cranial e 
lateral da perna, prepúcio. Seus vasos eferentes correm na face medial do músculo tensor da 
fáscia lata, junto ao ramo caudal da artéria circunflexa profunda do ílio, e penetram na cavidade 
abdominal, onde desembocam, em sua maioria, nos linfonodos ilíacos mediais. 
 
30.9. Linfonodos mamários ou escrotais 
 Estes linfonodos, também chamados genericamente de inguinais superficiais, estão, 
conforme seu nome indica, em estreita relação com a mama, na fêmea e com o escroto, no 
macho.30.9.1.1. Linfonodos mamários 
Estão situados, nos ruminantes, junto ao ângulo dorsocaudal do corpo da mama, sob o 
extremo ventral do períneo e em relação com os ramos mamários da artéria pudenda 
externa. São comumente em número de 2 a cada lado, de forma arredondada ou discoide e 
143 
 
relativamente bem desenvolvidos, alcançando o maior deles cerca de 1,5 – 2,0 cm de 
diâmetro nos pequenos ruminantes e 4 – 6 cm nos bovinos.seus vasos aferentes provêm 
principalmente da mama, vulva, períneo e face medial da coxa. Seus eferentes, reunidos em 
2 ou 3 troncos, drenam, na maioria dos casos, para os linfonodos ilíacos mediais. 
 
30.9.1.2. Linfonodos escrotais: 
São os correspondentes dos linfonodos mamários, no macho. Situam-se 
dorsolateralmente à flexura sigmoidea do pênis, caudalmente ao funículo espermático e em 
relação com os ramos escrotais da artéria pudenda externa. Ocorrem geralmente em número 
de 2 a cada lado do pênis, tendo uma forma alongada ou ovóide nos pequenos ruminantes e 
ovóide ou reniforme nos bovinos. Suas dimensões são variáveis, alcançando o maior deles 
cerca de 3-6 cm nos bovinos e 2,0 – 2,5 nos pequenos ruminantes. 
 Sua área de drenagem abrange o pênis, escroto, prepúcio, períneo e face medial da coxa 
e perna. Seus vasos eferentes penetram na cavidade abdominal através do canal inguinal e vão 
desembocar nos linfonodos ilíacos mediais. 
 O linfocentro inguinofemoral compreende ainda, nos bovinos, alguns pequenos 
linfonodos de pouca importância ou inconstantes, como os linfonodos coxal, coxal acessório e 
da fossa paralombar. O linfonodo coxal situa-se na face profunda do músculo tensor da fáscia 
lata, entre este e a extremidade proximal do músculo quadríceps. Drena os músculos tensor da 
fáscia lata e quadríceps e seus vasos eferentes vão aos linfonodos ilíacos mediais. O linfonodo 
coxal acessório é inconstante e, quando presente, situa-se na face lateral do músculo tensor da 
fáscia lata. Drena a pele adjacente e seus vasos eferentes confluem para o linfonodo subilíaco. 
O linfonodo da fossa paralombar, como indica o nome, localiza-se subcutâneamente na fossa 
paralombar, caudalmente à última costela. Seus vasos aferentes provêm da pele da porção 
caudal do tórax e da fossa paralombar; seus eferentes vão, em sua maioria, ao linfonodo 
subilíaco. 
 
30.10. Linfocentro isquiádico 
 Compreende os linfonodos isquiádicos, tuberal e glúteo, situados nos planos profundos 
da face lateral da pelve. 
 
30.11. Linfonodos isquiáticos 
 Ocorrem em numero de 1 ou 2, situando-se entre a face profunda do músculo 
gluteobíceps e a face lateral do ligamento sacrotuberal, relacionando-se com os ramos da artéria 
144 
 
glútea caudal. Apresentam-se arredondados ou ovoides, achatados, com diâmetro de 2 - 3 cm 
nos bovinos e 1 – 1,5 cm nos pequenos ruminantes. Para eles confluem linfáticos provenientes 
do reto e ânus, vulva, raiz do pênis, glândula bulbouretral, próstata, pele e musculatura da cauda, 
região glútea e face lateral da coxa, como também do linfonodo poplíteo. Seus vasos eferentes 
confluem para os linfonodos hipogástricos 
 
30.12. Linfonodo tuberal 
 É pouco desenvolvido e inconstante. Quando presente, localiza-se medialmente ao 
túber isquiádico, em meio a tecido adiposo e em posição relativamente superficial. Seus vasos 
aferentes próvêm da cauda, reto, ânus, vulva e região perineal; seus eferentes drenam para os 
linfonodos hipogástricos. 
 
30.13. Linfonodo glúteo 
 Ocorre apenas nos bovinos, na face lateral do ligamento sacrotuberal, nas imediações 
do forame isquiático maior e do nervo isquiático. Recebe linfáticos da musculatura glútea e 
seus eferentes vão aos linfonodos hipogástricos e ilíacos mediais. 
 
30.14. Linfocentro poplíteo 
 É constituído, nos ruminantes domésticos, por um único e bem desenvolvido linfonodo 
– linfonodo poplíteo – situado no extremo distal da face lateral da coxa, entre a parte caudal do 
músculo bíceps femoral e o músculo semitendinoso, em estreita relação com a veia safena 
lateral e os nervos tibial, fibular comum e cutâneo lateral da sura. Apresenta-se geralmente 
arredondado ou ovóide, com um comprimento de 3,0 – 4,5 cm nos bovinos e 2,0 – 2,5 cm nos 
pequenos ruminantes. Sua área de drenagem compreende as regiões lateral e caudal da perna e, 
principalmente, o tarso, o metatarso e os dedos. Seus vasos eferentes confluem tanto para os 
linfonodos ilíacos mediais como para os linfonodos isquiáticos. 
 
31. ROTEIRO PARA DISSECAÇÃO E ESTUDO DO SISTEMA 
NERVOSO CENTRAL (SNC) 
 
31.1. Medula espinhal 
 A medula espinhal é a parte do SNC que está alojada no canal vertebral. Apresenta-se 
como espesso cordão de tecido nervoso, que se estende desde a transição occípito-atlântica até 
145 
 
o nível das vértebras L6, S1 ou S2. Rostralmente continua-se com o bulbo. Seu comprimento 
total está na dependência do tamanho do animal e do número de vértebras. 
 O estudo da medula deverá ser feito em fragmentos e em peças preparadas de modo a 
exibir a medula em toda a sua extensão. Nas peças para estudo, a medula e as demais partes do 
SNC sofreram ação de soluções embalsamadoras e, por isso, apresentam-se como estruturas 
mais ou menos rígidas. Deve ser lembrado, no entanto, que no vivente o SNC encontra-se em 
estado semigelatinoso e é bastante frágil. 
 Estude inicialmente a medula inteira, verificando sua extensão, suas relações com a 
coluna vertebral e seus envoltórios (meninges). Verifique que a medula não tem contorno 
uniforme em sua extensão; assim, nas regiões cervical e torácica, ela é cilíndrica, de contorno 
quase circular, tornando-se achatada dorsoventralmente na região lombar. Ao nível da transição 
cervicotorácica e da região lombar, ela apresenta duas discretas dilatações, as intumescências 
cervical e lombar, de onde se originam as raízes dos nervos espinhais que vão inervar os 
membros torácico e pélvico, respectivamente. Próximo à sua extremidade caudal, a medula 
afila-se gradualmente, recebendo esta porção o nome de cone medular. Do ápice do cone parte 
um cordão formado pela pia-máter, o filamento terminal, que vai se prender, juntamente com 
os outros envoltórios da medula, nas primeiras vértebras coccígeas. 
 Identifique e estude os envoltórios da medula: dura-máter, aracnoide e piamáter. A 
dura-máter é a membrana externa,resistente, que envolve toda a medula, formando um saco 
tubular, o saco dural. O espaço entre a dura-máter e a parede do canal vertebral constitui o 
espaço epidural, preenchido por tecido adiposo e plexos venosos. A aracnoide é a túnica média, 
sendo formada por uma lâmina acoplada à duramáter e por uma rede de trabéculas muito 
delicadas, que vão se prender na pia-máter. Entre a dura-máter e a aracnoide permanece um 
espaço virtual, o espaço subdural, preenchido por fina película de líquido. Abaixo da aracnoide, 
entre esta e a pia-máter, encontra-se o espaço subaracnóideo, onde circula o líquor. A pia-máter 
é a membrana interna, delgada e em estreito contacto com o tecido nervoso. Ela forma ao longo 
das faces laterais da medula uma série de pequenas projeções triangulares que vão se prender 
na aracnoide e que formam, em conjunto, o ligamento denticulado. 
 Depois de estudar os envoltórios medulares, passe a estudar a superfície da medula 
espinhal, tanto nos fragmentos como nas peças inteiras. Verifique que a medula é percorrida 
longitudinalmente por vários sulcos, tanto na face dorsal como na face ventral. Identifique, na 
face dorsal da medula, o sulco mediano dorsal. A cada lado deste, no contorno dorsolateral da 
medula, encontra-se o sulco lateral dorsal. Verifique que neste último prende-se uma série de 
pequenos filamentos, os filamentos radiculares, que se reúnem para formar a raiz dorsal de cada 
146 
 
nervo espinhal. Identifique, na raiz dorsal, imediatamente antes da união desta com a raiz 
ventral, uma pequena dilatação maciça – o gânglioespinhal, situado próximo ao forame 
intervertebral. Na face dorsal da porção cervical da medula aparece um terceiro sulco, o sulco 
intermédio dorsal, pouco nítido e disposto entre os sulcos mediano dorsal e lateral dorsal. 
 A face ventral da medula é percorrida medianamente por uma fenda, a fissura mediana 
ventral. A cada lado desta, identifique o sulco lateral ventral, menos evidente que o lateral 
dorsal. Verifique, prendendo-se no sulco lateral ventral, os filamentos radiculares da raiz 
ventral. Acompanhe a raiz ventral até sua união com a raiz dorsal para formar cada nervo 
espinhal. Verifique a emergência dos nervos espinhais através dos forames intervertebrais. O 
1º par de nervos cervicais (C1) atravessa o forame vertebral lateral do atlas. De C2 a C7, a 
emergência se faz pelo forame intervertebral situado cranialmente à vértebra de número 
correspondente. O C8 emerge entre as vértebras C7 e T1. Os nervos seguintes têm seu ponto de 
emergência situado caudalmente à vertebra de número correspondente. O número de pares dos 
nervos espinhais varia de acordo com o número de vértebras do animal. Aproveite a 
oportunidade e recorde o número de vértebras, por região, das várias espécies domésticas. 
 A presença das raízes dos nervos espinhais confere à medula uma aparente segmentação 
externa. Cada segmento medular é conceituado como a porção da medula espinhal na qual se 
prende um par de nervos. Assim, existem tantos segmentos quantos os pares de nervos 
espinhais. Durante o desenvolvimento fetal, cada segmento corresponde, aproximadamente, à 
respectiva vértebra, com o nervo espinhal atravessando o forame intervertebral situado nas 
imediações. O maior crescimento da coluna vertebral em relação à medula no período pós-fetal 
provoca aparente tração cranial de toda a medula, mais acentuada nos segmentos lombares, 
sacrais e coccígeos. Com isto, os pares de nervos destas regiões adquirem raízes cada vez 
maiores, as quais têm que correr por extensão razoável no canal vertebral até atingir o forame 
intervertebral respectivo. Este feixe de raízes, juntamente com o filamento terminal, assemelha-
se à cauda de cavalo e o conjunto formado recebe, por isto, o nome de cauda equina. No adulto, 
as porções lombar e sacral cranial do canal vertebral contêm todos os segmentos lombares, 
sacrais e coccígeos da medula espinhal. 
 Passe a estudar agora a estrutura macroscópica da medula espinhal, utilizando para isto 
fragmentos seccionados transversalmente. Verifique que a medula espinhal é formada por um 
manto de substância envolvendo um núcleo de substância cinzenta. A cor esbranquiçada da 
substância branca é devida à presença de numerosas fibras mielínicas organizadas em cordões. 
Observe, no entanto, que em peças formolizadas mais antigas a substancia branca pode 
apresentar-se escurecida e a substância cinzenta um pouco mais clara. 
147 
 
 Estude inicialmente a substância cinzenta. Ela é constituída de corpos de neurônio, 
fibras amielínicas e numerosos vasos sanguíneos. Verifique que, num corte transversal, ela se 
apresenta com o formato aproximado de um H. o braço dorsal do H constitui, a cada lado, o 
corno dorsal da medula; o braço ventral constitui o corno ventral. Unindo os cornos dorsal e 
ventral de um lado aos mesmos do lado oposto encontra-se uma barra transversal, a comissura 
cinzenta, no centro da qual se encontra o canal central da medula. Ao nível das porções torácica 
e lombar cranial da medula aparece, no limite entre os cornos dorsal e ventral, uma pequena 
expansão lateral de substância cinzenta, o corno lateral, pouco evidente. 
 Quanto à substancia branca, verifique que seu contorno é marcado pelos sulcos que 
percorrem longitudinalmente a medula. Observe que o sulco mediano dorsal continua-se, em 
sua estrutura, com o delgado septo mediano dorsal, que se aprofunda até alcançar a comissura 
cinzenta. Ventralmente, a fissura mediana ventral também se aprofunda na substancia branca 
sem, contudo, alcançar a comissura cinzenta. Entre esta ultima e o fundo da fissura mediana 
ventral permanece uma delgada camada de substância branca – a comissura branca. A 
substancia branca pode ser dividida, a cada lado da medula, em três porções denominadas 
funículos: dorsal, lateral e ventral. Num corte transversal, o funículo dorsal aparece como a área 
de substancia branca disposta entre o septo mediano dorsal e o ponto de emergência dos 
filamentos radiculares da raiz dorsal. O funículo lateral é a área de substancia branca situada, a 
cada lado, entre os pontos de emergência das raízes dorsal e ventral. Finalmente, o funículo 
ventral situa-se entre a emergência dos filamentos radiculares da raiz ventral e a fissura mediana 
ventral. 
31.2. Encéfalo 
 O encéfalo é a porção do sistema nervoso central contida na cavidade craniana. O 
estudo de sua morfologia será iniciado pelo bulbo, que é sua parte mais caudal. 
 
31.3. Bulbo 
 O bulbo apresenta-se como continuação direta do extremo cranial da medula espinhal, 
sendo o limite entre eles representado por um plano imaginário que passa imediatamente em 
frente ao filamento radicular mais cranial do 1º nervo cervical. Rostralmente, o bulbo limita-se 
com a ponte, estando separado desta por uma depressão transversal pouco profunda. Sua forma 
geral assemelha-se à de um cone truncado, achatado dorsoventralmente e com base voltada para 
a ponte. O bulbo repousa sobre a parte basilar do occipital e sua face dorsal apresenta-se quase 
que inteiramente coberta pelo cerebelo. O canal central da medula prolonga-se rostralmente no 
148 
 
interior do bulbo por cerca de 1/3 de seu comprimento até se abrir, em sua face dorsal, na fossa 
romboide. 
 Inicie o estudo do bulbo pela face ventral. Observe que ela é convexa transversalmente 
e apresenta-se percorrida longitudinalmente por uma depressão mediana, a fissura mediana 
ventral, que é a continuação da mesma na medula espinhal. Identifique a cada lado da fissura 
mediana ventral, uma elevação longitudinal, que se denomina pirâmide. As pirâmides contêm 
fibras nervosas descendentes. Na transição com a medula espinhal, parte das fibras nervosas 
das pirâmides cruza para o lado oposto, provocando uma interrupção mais ou menos acentuada 
da fissura mediana ventral. Este entrecruzamento de fibras é denominado decussação das 
pirâmides. Lateralmente a cada pirâmide encontra-se uma elevação denominada oliva, que é 
bastante desenvolvida no homem, mas muito discreta nos animais domésticos. A cada lado do 
extremo rostral das pirâmides, encontra-se discreta elevação disposta transversalmente, o corpo 
trapezoide. 
 Passe a identificar agora os nervos cranianos que se originam na face ventral do bulbo. 
Identifique inicialmente o nervo abducente, cujas fibras emergem nos limites entre a 
extremidade medial do corpo trapezoide, a ponte e o extremo rostral da pirâmide. Ao nível da 
extremidade lateral do corpo trapezoide encontra-se a origem do nervo facial (VII par) e, 
imediatamente lateral a este, o nervo vestibulococlear (VIII par), mais volumoso que o primeiro. 
Na borda lateral do bulbo, identifique no sentido rostrocaudal, a partir da raiz do nervo 
vestibulococlear, as radículas dos nervos glossofaríngeo (IX par), vago (X par) e acessório (XI 
par). Estas radículas emergem em série, sem limites nítidos de demarcação entre elas. Procure 
finalmente as delicadas radículas do (XII par) que se originam em série lateralmente ao terço 
caudal de cada pirâmide. 
 Para estudar a face dorsal do bulbo, é necessário remover o cerebelo. Para isto, seccione 
cuidadosamente os pedúnculos cerebelares, que são fortes colunas de substância branca que 
unem o cerebelo ao bulbo, à ponte e ao mesencéfalo. Identifique inicialmente, no terço caudal 
do bulbo, o sulco mediano dorsal, contínuo com o da medula. A cada lado deste sulco encontra-
se o fascículo grácil e, lateralmente a este, o fascículo cuneiforme,ambos provenientes da 
medula. Rostralmente, os fascículos grácil e cuneiforme terminam em duas discretas elevações, 
os tubérculos dos núcleos grácil e cuneiformes. Rostralmente, estes tubérculos continuam-se 
com uma forte coluna, denominada corpo restiforme. Os corpos restiformes, um de cada lado, 
constituem os pedúnculos cerebelares caudais e formam também as paredes laterais da metade 
caudal da fossa romboide. 
 
149 
 
31.4. Ponte 
 A ponte, vista ventralmente, apresenta-se como uma larga cinta disposta 
transversalmente adiante do bulbo e caudalmente ao mesencéfalo. Suas extremidades laterais 
dirigem-se dorsalmente e penetram no cerebelo, constituindo os pedúnculos cerebelares médios 
ou braços da ponte. As fibras nervosas transversais que constituem grande parte da estrutura da 
ponte formam a via que une os hemisférios cerebrais aos hemisférios cerebelares. O 
desenvolvimento da ponte é, portanto, proporcional ao dos hemisférios cerebrais e cerebelares. 
Por esta razão, nos animais domésticos, ao contrário do homem, a ponte alcança 
desenvolvimento apenas razoável. 
 Identifique, na face ventral da ponte, o sulco basilar, na mesma direção da fissura 
mediana ventral do bulbo. Este sulco é percorrido pela artéria basilar. Procure próximo às 
extremidades laterais da ponte, a origem do nervo trigêmeo (V par), um volumoso conjunto de 
fibras que emerge no limite entre o bulbo e a ponte, rostralmente às origens do facial e 
vestibulococlear. 
 A face dorsal da ponte constitui a porção rostral do assoalho do 4º ventrículo, que será 
visto adiante. 
 
31.5. Quarto ventrículo 
 O 4º ventrículo é uma cavidade, cujo assoalho é representado pela fossa romboide, uma 
larga depressão escavada na face dorsal do bulbo e da ponte. Estude a fossa romboide, tendo-
se previamente retirado o cerebelo. Verifique que ela é percorrida longitudinalmente pelo sulco 
mediano e por dois sulcos situados lateralmente a este, os sulcos limitantes. Aproveite agora 
para reidentificar os pedúnculos cerebelares, seccionados transversalmente quando se retirou o 
cerebelo. Atenção para as suas posições em corte transversal: o pedúnculo cerebelar médio 
(braço da ponte) é o mais rostral e lateral, o pedúnculo cerebelar rostral (proveniente do 
mesencéfalo) é o mais medial e o pedúnculo cerebelar caudal situa-se caudalmente aos dois 
primeiros. A fossa romboide continua-se rostralmente, no interior do mesencéfalo, com o 
aqueduto cerebral. 
 O teto do 4º ventrículo é formado pelos véus medulares rostral e caudal. O véu medular 
rostral é uma delgada lâmina de substancia branca que se estende da face ventral do cerebelo à 
face dorsal do mesencéfalo. Com a retirada do cerebelo, ele foi rompido. Abaixo dele situa-se 
a abertura caudal do aqueduto cerebral. O véu medular caudal une a face ventral do cerebelo à 
face dorsal do bulbo. Ele é praticamente constituído pela tela corióide do 4º ventrículo, revestida 
externamente pela pia-máter. A partir da tela corióide originam-se tufos vasculares revestidos 
150 
 
de epitélio ependimário, que se invaginam na cavidade do 4º ventrículo, constituindo os plexos 
corióides. Estes são reconhecidos macroscopicamente pela sua coloração escura e seu aspecto 
esponjoso. 
 O 4º ventrículo comunica-se com o espaço subaracnóideo por meio de três aberturas 
situadas ao nível do véu medular caudal. Estas são a abertura mediana e as aberturas laterais do 
4º ventrículo, difíceis de serem identificadas macroscopicamente. 
 
31.6. Cerebelo 
 O cerebelo está situado sobre a face dorsal do mesencéfalo, da ponte e do bulbo, aos 
quais está ligado pelos pedúnculos cerebelares rostral, médio e caudal, respectivamente. Ocupa 
a fossa caudal da cavidade craniana e está separado dos hemisférios cerebrais por uma prega 
transversal de dura-máter, o tentório do cerebelo. 
 Estude inicialmente a morfologia externa do cerebelo. Verifique que ele é formado por 
uma porção mediana, denominada vérmis, à qual se prendem duas massas laterais, os 
hemisférios cerebelares. Observe que a superfície tanto do vérmis como dos hemisférios 
apresenta-se marcada por inúmeros sulcos, que delimitam pequenas elevações alongadas, 
denominadas folhas do cerebelo. Estas folhas reúnem-se em grupos, separados por sulcos mais 
profundos ou fissuras, constituindo cada grupo um lóbulo do cerebelo. 
 Seccione sagitalmente o cerebelo e estude a sua morfologia interna, bastante 
simplificada. Verifique que ele é formado por um centro de substância branca, o corpo medular 
do cerebelo, revestido por um manto de substância cinzenta, o córtex do cerebelo. Observe o 
pregueamento do córtex, formando as folhas do cerebelo. Estas se dispõem ao longo de faixas, 
as lâminas brancas, que se irradiam a partir do corpo medular. 
 
31.7. Mesencéfalo 
 O mesencéfalo situa-se rostralmente à ponte, formando com esta e o bulbo o conjunto 
denominado tronco encefálico. É constituído por uma parte dorsal, o teto, e uma parte ventral, 
representada pelos pedúnculos cerebrais. É percorrido internamente pelo aqueduto cerebral, que 
une o 4º ao 3º ventrículos. 
 Identifique, na face ventral do mesencéfalo, os pedúnculos cerebrais, duas espessas 
colunas ligeiramente convergentes em sentido caudal, limitadas rostralmente pelos tractos 
ópticos e caudalmente pela ponte. Entre os dois pedúnculos permanece uma depressão, a fossa 
interpenducular. Localize, a este nível, as raízes de cada nervo oculomotor (III par). 
151 
 
 Passe a estudar agora a face dorsal do mesencéfalo. Localize aí os colículos, que são 
quatro eminências arredondadas dispostas num par rostral e outro par caudal. Os colículos 
rostrais são os mais desenvolvidos e estão separados entre si por um pequeno sulco longitudinal. 
Os colículos caudais estão separados entre si por uma larga depressão central. De cada um deles 
origina-se, lateralmente, um discreto prolongamento, o braço do colículo caudal. Este termina 
numa pequena elevação ovóide, o corpo geniculado medial, pertencente ao tálamo. Identifique, 
logo atrás dos colículos caudais, as raízes do nervo troclear (IV par); este é o único nervo 
craniano que se origina na face dorsal do tronco encefálico. 
 
31.8. Diencéfalo 
 O diencéfalo é a porção do encéfalo situada sob os hemisférios cerebrais, apresentando-
se como continuação direta, em sentido rostral, do mesencéfalo. No diencéfalo estão 
compreendidos o tálamo, o hipotálamo e o epitálamo, além de uma área de delimitação difícil, 
o subtálamo, situado nos limites com o mesencéfalo. 
 Para estudar o diencéfalo, é necessário seccionar, ao nível do plano mediano, todo o 
encéfalo. A secção deverá ser feita cuidadosamente, para permitir o estudo nas duas metades. 
 
31.8.1.1. Tálamo 
Os tálamos são duas grandes massas de substancia cinzenta, de forma ovóide, colocadas 
obliquamente logo acima da extremidade rostral dos pedúnculos cerebrais e adiante dos 
colículos rostrais. Eles estão unidos ao nível do plano mediano, constituindo esta união a 
aderência intertalâmica. Em secção sagital, a aderência intertalâmica aparece como uma 
área mais clara de contorno aproximadamente circular, situada ao nível do terço médio do 
diencéfalo, em torno da aderência permanece uma cavidade anular, que constitui o 3º 
ventrículo. 
 A face dorsal do tálamo é lisa, ligeiramente convexa e está parcialmente coberta pela 
tela corióide do 3º ventrículo. Afaste dorsalmente, com cuidado, as estruturas situadas acima 
do tálamo e observe que, lateralmente, sua face dorsal está separada de uma massa arredondada, 
o núcleo caudado, por uma depressão linear, o sulco talamocaudado. 
 A face lateral do tálamo é ocultada e está intimamente relacionada com a cápsula 
interna, um grande conjunto de fibras nervosas que une os hemisférios cerebrais aos centros 
segmentares. A cápsula interna será vista em cortes transversais do encéfalo. A face ventral do 
tálamo também é ocultae está em contato com o hipotálamo e o mesencéfalo. 
 
152 
 
31.8.1.2. Hipotálamo 
O hipotálamo é a porção do diencéfalo situada ventralmente ao tálamo. Ele forma o 
assoalho e a parte ventral da parede lateral do 3º ventrículo. Nele estão compreendidos o 
corpo mamilar, o túber cinéreo, o quiasma óptico e os tratos ópticos. Estas estruturas são 
vistas externamente na face ventral do diencéfalo, logo adiante dos pedúnculos cerebrais. 
O corpo mamilar é uma pequena saliência arredondada situada no extremo rostral da fossa 
interpenducular. O túber cinéreo é uma discreta elevação situada imediatamente à frente do 
corpo mamilar e nele se prende uma pequena haste, o infundíbulo da neuro-hipófise. Com 
a retirada do encéfalo da cavidade craniana, o infundíbulo é geralmente seccionado; com 
isto, pode-se observar no centro do túber cinéreo um orifício, que corresponde ao recesso 
hipofisário do 3º ventrículo. Rostralmente ao túber cinéreo encontra-se o quiasma óptico, 
ponto de convergência dos dois nervos ópticos. Do quiasma se originam os tractos ópticos, 
duas faixas divergentes de substância branca que se dirigem caudolateralmente, terminando 
cada uma delas ao nível do corpo geniculado lateral do lado correspondente. O quiasma e 
os tractos ópticos assinalam externamente o limite entre o diencéfalo e o rinencéfalo, este 
último uma das partes do telencéfalo. 
 
31.8.1.3. Epitálamo 
O epitálamo compreende o corpo pineal e estruturas adjacentes. O corpo pineal 
apresenta-se como uma estrutura ovóide, de coloração frequentemente escura, alojada numa 
depressão formada entre os tálamos e os colículos rostrais. Está preso ao restante do 
diencéfalo por meio de um curto pedículo. O 3º ventrículo invagina-se por uma pequena 
extensão no interior do corpo pineal, formando uma pequena cavidade, o recesso pineal. 
Identifique também, logo abaixo do corpo pineal, uma pequena área de substância branca, 
de contorno ovóide, a comissura caudal. Esta é formada por um feixe de fibras que unem 
os dois hemisférios cerebrais, apresentando-se aqui seccionada transversalmente. 
 
31.8.1.4. Terceiro ventrículo 
O 3º ventrículo é a estreita cavidade de forma anular que circunda a aderência 
intertalâmica. Suas paredes são formadas por estruturas componentes do diencéfalo, exceto 
a parede rostral, que é formada por estruturas pertencentes ao telencéfalo. 
 A parede ventral, ou assoalho do 3º ventrículo, é formada, no sentido rostrocaudal, pelo 
quiasma óptico, túber cinéreo, corpo mamilar e extremo rostral do mesencéfalo. Ao nível do 
quiasma óptico e do túber cinéreo, o 3º ventrículo invagina-se e forma duas pequenas 
153 
 
expansões, o recesso óptico e o recesso hipofisário. Este último, como o nome indica, prolonga-
se ventralmente no interior do infundíbulo da neurohipófise. 
As paredes laterais do 3º ventrículo são formadas, a cada lado, dorsalmente pelo tálamo 
e ventralmente pelo hipotálamo. O limite entre estes dois é representado pelo sulco 
hipotalâmico, disposto longitudinalmente na parede lateral do 3º ventrículo e pouco evidente 
nos animais domésticos. 
 O limite rostral do 3º ventrículo é formado pela comissura rostral e lâmina terminal, 
estruturas pertencentes ao telencéfalo, mas que serão vistas agora. A comissura rostral é uma 
pequena área de substância branca, de contorno ovoide, situada acima do quiasma óptico. A 
lâmina terminal é uma fina lâmina de substância cinzenta que une os dois hemisférios cerebrais, 
estendendo-se do quiasma óptico à comissura rostral. Esta última, tal como a comissura caudal, 
é um feixe de fibras nervosas que cruza o plano mediano para interligar os dois hemisférios 
cerebrais. 
 O teto do 3º ventrículo é muito estreito, sendo constituído apenas pela tela corióide do 
3º ventrículo, com seus respectivos plexos corióides. Identifique a este nível, afastando 
cuidadosamente a tela corióidea, o forame interventricular, que comunica o 3º ventrículo com 
cada ventrículo lateral. Caudalmente, o 3º ventrículo está em comunicação com o aqueduto 
cerebral. 
 
31.9. Telencéfalo 
 O telencéfalo compreende duas grandes massas irregularmente ovoides, os hemisférios 
cerebrais, situadas dorsal e rostralmente ao diencéfalo, com o qual estão intimamente 
relacionados. Os dois hemisférios estão incompletamente separados, ao nível do plano 
mediano, por profunda depressão, a fissura longitudinal do cérebro. Esta fissura é ocupada por 
extensa prega de dura-máter, a foice do cérebro, que no entanto, não atinge o seu fundo. Este, 
por sua vez, é formado por espessa camada de fibras nervosas dispostas transversalmente, o 
corpo caloso, que constitui importante meio de união entre os hemisférios. Caudalmente, os 
hemisférios cerebrais estão separados do cerebelo pela fissura transversa do cérebro, na qual se 
aloja outra prega da dura-máter, o tentório do cerebelo. 
 Cada hemisfério apresenta, para descrição, três faces: dorsolateral, medial e basilar. A 
face dorsolateral é convexa e adapta-se à face interna da cavidade craniana. A face medial é 
plana e forma a parede da fissura longitudinal do cérebro. A face basilar é bastante irregular e 
está voltada para o assoalho da cavidade craniana. As faces dorsolateral e medial estão 
separadas pela borda dorsal. Podem-se distinguir, nos hemisférios cerebrais, dois polos: frontal 
154 
 
ou rostral e occipital ou caudal. O polo frontal tem contorno aproximadamente triangular e seu 
ápice está dirigido rostralmente. O polo caudal situa-se no extremo oposto e apresenta contorno 
arredondado ou aproximadamente quadrangular. 
 Como no cerebelo, cada hemisfério cerebral é formado por um núcleo de substância 
branca, denominado centro semi-oval, envolvido por uma camada de substância cinzenta – o 
córtex cerebral. A superfície do córtex apresenta-se caracteristicamente marcada por grande 
número de depressões, os sulcos, os quais delimitam elevações sinuosas que se denominam 
giros. O número e desenvolvimento destes sulcos e giros variam entre as espécies domésticas, 
devendo ser lembrado que as aves não possuem. A formação de sulcos e giros pelo córtex 
cerebral determina grande aumento em sua área, levando-o a uma maior complexidade de suas 
funções. 
 
31.9.1.1. Rinencéfalo 
O rinencéfalo engloba o conjunto de estruturas situadas na face basilar do hemisfério, 
dispostas rostral e lateralmente ao diencéfalo. Este termo não é inteiramente satisfatório, pois 
atualmente sabe-se que esta porção do telencéfalo não está relacionada somente com a olfação; 
entretanto, o uso tradicional do termo o manteve. O rinencéfalo está separado do restante do 
hemisfério pelo sulco rinal lateral. O sulco rinal lateral delimita lateralmente o rinencéfalo, 
estendendo-se longitudinalmente desde o polo rostral até o polo caudal do hemisfério. 
 Identifique no extremo rostral do rinencéfalo, o bulbo olfatório. Este é uma estrutura 
de forma ovóide, achatada dorsoventralmente, que se aloja na fossa etmoidal. Sua face ventral 
é convexa e a ela chegam as fibras do nervo olfatório ( I par). Estas se originam na mucosa 
olfatória da cavidade nasal e atingem o bulbo olfatório depois de atravessarem a lâmina crivosa 
do etmoide. Elas são muito delicadas e, ao se retirar o encéfalo, ficam retidas na fossa etmoidal. 
 O bulbo olfatório está unido ao restante do hemisfério por uma coluna de substância 
branca, o pedúnculo olfatório. Este é curto e logo se divide, caudalmente, em duas faixas 
divergentes, os tractos olfatórios lateral e medial. O tracto olfatório lateral é bem desenvolvido 
e dirige-se caudolateralmente, estando separado do polo frontal do hemisfério pela parte rostral 
do sulco rinal lateral. Caudalmente, ele se continua com o lobo piriforme. O tracto olfatório 
medial é menor e dirige-se caudomedialmente. Os dois tractos olfatórios delimitam uma área 
triangular, ligeiramente elevada, denominada trígono olfatório, cujo limite caudalé 
representado pelo tracto óptico. 
 O lobo piriforme é uma saliência volumosa, de ápice arredondado, situada lateralmente 
a cada tracto óptico, do qual está separado por uma profunda fissura. Rostralmente, ele é 
155 
 
contínuo com o tracto olfatório lateral; caudalmente continua-se com os giros do polo occipital 
do hemisfério. Seu limite lateral é representado pela parte caudal do sulco rinal lateral. O lobo 
piriforme contém dois ou mais giros, separados por sulcos de número e extensão variáveis. 
 
31.9.1.2. Sulcos e giros dos hemisférios cerebrais 
A superfície dos hemisférios cerebrais, como já foi referido, apresenta-se marcada por 
inúmeros sulcos, os quais delimitam os giros. O número e grau de desenvolvimento destes 
sulcos e giros variam entre as espécies domésticas. Apresentamos aqui uma descrição sumária 
dos sulcos e giros mais importantes, levando-se em conta seu desenvolvimento e sua frequência 
nas várias espécies. 
 Na face dorsolateral encontram-se a fissura lateral ou silviana e os sulcos suprasilviano 
e central, além de outros menos importantes. 
A fissura lateral ou silviana é uma depressão profunda, disposta mais ou menos 
verticalmente no terço médio do hemisfério, estendendo-se em sentido dorsal a partir do sulco 
rinal lateral. Ela representa, superficialmente, o limite entre os polos frontal e occipital e marca 
também a divisão do sulco rinal lateral em partes rostral e caudal. Seu trajeto é algo irregular e 
frequentemente ela apresenta-se, após curto percurso, dividida em três ramos. A artéria média 
do cérebro, que é a mais calibrosa das artérias que supre cada hemisfério, corre por est fissura. 
 O sulco suprasilviano dispõe-se longitudinalmente na face dorsolateral do hemisfério, 
situando-se logo acima da fissura lateral. Seu trajeto é longo, estendendo-se irregularmente 
desde o polo frontal até o polo occipital. 
 O sulco central é um pequeno sulco transverso que cruza a borda dorsal do hemisfério, 
ao nível do polo frontal, prolongando-se por uma pequena extensão na face medial. 
 Os principais giros situados na face dorsolateral do cérebro são os seguintes: 
• Giro Silviano rostral – é o giro situado logo à frente da fissura lateral ou silviana. 
• Giro Silviano caudal – situa-se imediatamente caudal à fissura silviana. 
• Giros pré-central e pós-central – situam-se, respectivamente, rostral e caudalmente ao 
sulco central. 
A face medial do hemisfério cerebral é percorrida longitudinalmente por um longo 
sulco, o qual é dividido em três porções: sulco genual, sulco esplenial e sulco calcarino. O sulco 
genual é a porção rostral, situada no polo frontal, adiante do joelho do corpo caloso. O sulco 
esplenial é a porção média, situada acima da parte caudal (esplênio) do corpo caloso. O sulco 
calcarino é a porção mais caudal, encurvada em direção ventral, ao nível do polo occipital. 
Os principais giros encontrados na face medial do hemisfério são: 
156 
 
• Giro do cíngulo – é longo e delimitado ventralmente pelo corpo caloso e dorsalmente 
pelos sulcos genual, esplenial e calcarino. 
• Giro occipital – é a área do córtex situada caudalmente ao sulco calcarino, no polo 
occipital. 
 
31.9.1.3. Núcleos da base, corpo caloso e fórnix 
Os núcleos da base são massas de substância cinzenta situadas no interior de cada 
hemisfério cerebral, ventralmente ao centro semioval do cérebro. Eles são em número de 
quatro: caudado, lentiforme, claustro e amigdaloide. O núcleo caudado é o mais 
desenvolvido dos quatro e situa-se dorsolateralmente ao tálamo, do qual está separado pelo 
sulco talamocaudado. Ele se apresenta como uma elevação ovóide na parede ventrolateral 
do ventrículo lateral, rostralmente ao hipocampo. Este último é um giro, pertencente ao 
rinencéfalo, que se invagina para o interior do hemisfério, formando uma eminência 
também ovóide na porção caudal do ventrículo lateral. Os demais núcleos da base somente 
são visíveis em cortes transversais dos hemisférios. Identifique, num corte transversal feito 
logo adiante do tálamo, o núcleo caudado, que forma o contorno ventrolateral do ventrículo 
lateral. Lateralmente ao núcleo caudado encontra-se uma espessa faixa de substância 
branca, a cápsula interna, formada por fibras que unem o córtex cerebral ao tronco 
encefálico e medula. O núcleo lentiforme situa-se ventrolateralmente à capsula interna e seu 
limite lateral é representado pela cápsula externa, uma delgada faixa de substância branca. 
O claustro é o mais lateral dos núcleos da base, apresentando-se como uma pequena fita 
vertical de substância cinzenta, separada do lentiforme pela cápsula externa. O núcleo 
amigdaloide, funcionalmente incluído no rinencéfalo, situa-se na extremidade caudal, 
afilada, do núcleo caudado, no interior do lobo piriforme. Ele não precisa ser identificado. 
 O corpo caloso é uma larga cinta de fibras transversais que une os dois hemisférios 
cerebrais, constituindo o fundo da fissura longitudinal do cérebro. Em corte sagital mediano, 
ele apresenta-se como uma faixa de substancia branca estendida longitudinalmente, dispondo-
se em forma de “C” com a concavidade em sentido ventral. Sua extremidade rostral denomina-
se joelho e curva-se ventralmente em direção à comissura rostral. A porção média do corpo 
caloso é denominada tronco e a extremidade caudal constitui o esplênio. O corpo caloso forma 
o teto dos ventrículos laterais. O fórnix é uma estrutura constituída de substância branca 
disposta obliquamente sobre o tálamo e o 3º ventrículo e ventralmente ao corpo caloso. É 
formado de três porções: colunas, corpo e crura (pernas). As colunas constituem a porção rostral 
do fórnix; elas estão curvadas ventral e caudalmente em direção ao corpo mamilar. O corpo é a 
157 
 
porção média do fórnix. As crura são os prolongamentos caudais do corpo, terminando ao nível 
do hipocampo. O fórnix está unido ao corpo caloso por uma fina lâmina de tecido nervoso, o 
septo pelúcido. 
 
31.9.1.4. Ventrículos laterais 
São as cavidades existentes no interior dos hemisférios cerebrais. Cada ventrículo é formado 
por uma área central, da qual se originam duas expansões: o corno rostral e o corno ventral. O 
corno rostral situa-se à frente do forame interventricular e está em comunicação com a cavidade 
do bulbo olfatório por meio de estreito canal. O corno ventral está voltado ventrocaudalmente, 
em direção ao lobo piriforme. Os dois ventrículos estão separados entre si, ao nível do plano 
mediano, pelo septo pelúcido, já descrito. Em seu interior encontram-se os plexos corióides dos 
ventrículos laterais, semelhantes aos dos demais ventrículos. 
 
31.10. Meninges encefálicas 
 Estude as meninges encefálicas em peças isoladas. Tal como a medula, o encéfalo está 
envolvido por três meninges, denominadas, de fora para dentro, dura-máter, aracnoide e pia-
máter. Elas possuem estrutura peculiar que as tornam distintas umas das outras. A pia-máter e 
a aracnoide são conhecidos coletivamente como leptomeninge e a dura-máter, por ser espessa 
e muito mais resistente, é denominada paquimeninge. 
 A dura-máter é uma membrana constituída predominantemente de fibras colágenas e 
está disposta em duas lâminas. A lâmina externa é o próprio endósteo dos ossos que formam a 
cavidade craniana. A lâmina interna ou meníngea é contínua com a dura-máter espinhal. As 
lâminas externa e interna estão intimamente unidas entre si, exceto em alguns pontos, onde elas 
delimitam cavidades cheias de sangue, denominadas seios da dura-máter (vide item 31.6). A 
superfície interna da dura-máter forma pregas dentro da cavidade craniana. Destas pregas, a 
mais desenvolvida é a foice do cérebro, que se dispõe longitudinalmente no plano mediano, 
ocupando a fissura longitudinal do cérebro. O tentório do cerebelo é uma prega disposta 
transversalmente em relação à foice do cérebro, separando parcialmente os hemisférios 
cerebrais do cerebelo.Ao nível da sela túrcica (depressão na face interna do basiesfenóide, que 
contêm a hipófise), a lâmina interna da dura-máter separa-se da lâmina externa e constitui o 
diafragma da sela túrcica. Este diafragma separa a hipófise da face ventral do diencéfalo, sendo 
perfurado no centro pelo infundíbulo da neuro-hipófise. A dura-máter é inervada por ramos 
sensitivos provenientes do nervo trigêmeo e vascularizada pelas artérias meníngeas. 
158 
 
 A aracnoide encefálica dispõe-se à semelhança da aracnoide espinhal. Os espaços 
subdural e subaracnóideo também estão presentes. Em relação ao espaço subaracnóideo, ele 
forma, em determinados pontos da superfície do encéfalo, dilatações conhecidas como cisternas 
subaracnóideas. A maior delas é a cisterna cerebelomedular ou magna, que se localiza entre a 
face caudal do cerebelo e a face dorsal do bulbo. Outras cisternas menores estão presentes na 
face ventral do encéfalo, tal como a quiasmática e a interpenduncular. As cisternas 
subaracnóideas estão repletas de líquor. 
 A pia-máter está intimamente aderida ao encéfalo. Ela aprofunda-se nas cavidades dos 
ventrículos encefálicos, constituindo os plexos corióides. 
 
31.11. Irrigação do encéfalo 
 O suprimento sanguíneo do encéfalo nos animais domésticos é feito por três artérias: 
carótida interna, occipital e vertebral. Há, no entanto, algumas diferenças entre as espécies no 
que se refere ao trajeto e contribuição destas artérias à circulação cerebral. 
 O cavalo e o cão apresentam a artéria carótida interna bem desenvolvida, sendo esta a 
principal responsável pela irrigação da maior parte do encéfalo. Já nos ruminantes, a artéria 
carótida interna só existe no feto; no adulto, seu segmento extracraniano está reduzido a um 
cordão fibroso. Nestas espécies (bovino, caprino e ovino, a artéria carótida interna é substituída 
por ramos da artéria maxilar, os quais penetram na cavidade craniana e formam em torno da 
hipófise uma intrincada rede arterial, a rede admirável epidural rostral. Desta rede partem dois 
troncos, que correspondem às artérias carótidas internas em seu segmento intracraniano. 
 Quanto às artérias occipital e vertebral, sua participação na circulação cerebral é 
também mais efetiva no cavalo e cão. Elas se anastomosam na base do crânio para formar a 
artéria basilar, responsável pela irrigação da porção caudal do encéfalo (parte do cerebelo, bulbo 
e ponte). Por outro lado, nos ruminantes a participação das artérias vertebral e occipital na 
irrigação do encéfalo é pequena ou ausente. Nos bovinos elas formam, na base do osso occipital, 
uma rede admirável epidural caudal, da qual partem ramos que se anastomosam com a rede 
rostral. Nos caprinos e ovinos, embora as artérias vertebral e occipital se anastomosem, não 
formam a rede admirável epidural caudal e não se comunicam com a rede rostral. Portanto, 
enquanto nos bovinos as artérias vertebral e occipital contribuem em pequena escala para a 
irrigação do encéfalo, nos pequenos ruminantes esta contribuição não existe. 
 Ao atingir a base do cérebro, as duas artérias carótidas internas dividem-se, cada uma 
delas, em dois ramos divergentes. Um destes dirige-se rostralmente e constitui a artéria rostral 
do cérebro. Desta origina-se, rostrolateralmente ao quiasma óptico, a artéria média do cérebro, 
159 
 
que se dirige dorsolateralmente para correr na fissura silviana e distribuir-se na superfície 
dorsolateral do hemisfério cerebral. Após a emissão da artéria média do cérebro, a artéria rostral 
do cérebro curva-se medialmente e prossegue ao longo da borda medial do pedúnculo olfatório. 
Une-se com a do lado oposto por meio da artéria comunicante rostral e curva-se dorsalmente, 
penetrando na fissura longitudinal do cérebro. Distribui-se na porção rostral e superfície medial 
do hemisfério. 
 O outro ramo resultante da bifurcação da artéria carótida interna corre caudalmente e 
denomina-se artéria comunicante caudal. Desta origina-se as artérias caudal do cérebro e rostral 
do cerebelo. A artéria caudal do cérebro dirige-se dorsocaudalmente e penetra sob o lobo 
piriforme para distribuir-se na porção caudal do hemisfério. A artéria rostral do cerebelo 
origina-se logo atrás da caudal do cérebro, ao nível dos pedúnculos cerebrais, e dirige-se para 
a superfície rostral do cerebelo, onde se distribui. 
 Após a emissão da artéria rostral do cerebelo, a artéria comunicante caudal unese com 
a do lado oposto para formar a artéria basilar. Esta estende-se caudalmente, passando no sulco 
basilar da ponte e na fissura mediana ventral do bulbo. Termina anastomosando-se caudalmente 
com a artéria espinhal ventral, que corre na face ventral da medula. Há, entre as espécies 
domésticas, uma diferença quanto ao sentido do fluxo sanguíneo na artéria basilar. No cavalo 
e cão, nos quais a artéria basilar é formada pelas artérias vertebral e occipital, o fluxo é em 
sentido caudorrostral. Nos ruminantes, por outro lado, a artéria basilar resulta da união das 
artérias comunicantes caudais e o fluxo é no sentido rostrocaudal. Da artéria basilar origina-se 
a artéria caudal do cerebelo, que se distribui na superfície caudodorsal deste órgão. 
 As artérias comunicantes rostral e caudal determinam a formação, na base do cérebro, 
de um circuito arterial fechado, que recebe o nome de círculo arterial do cérebro. Apesar da 
formação deste circuito, demonstrou-se que não há mistura do sangue proveniente de uma 
artéria carótida interna com o sangue procedente da homônima do lado oposto. Como exemplo, 
citam-se casos de abcessos cutâneos, de onde são levados focos bacterianos por meio do sistema 
arterial até o encéfalo. Aí se reproduzem lesões mais comumente do mesmo lado onde ocorre 
o abcesso cutâneo. 
 
31.12. Drenagem venosa do encéfalo 
 As veias que drenam as diversas partes do encéfalo convergem para os seios da dura-
máter, cavidades revestidas de endotélio situadas entre as lâminas externa e interna da dura-
máter encefálica. Estes seios, por sua vez, comunicam-se, através de veias denominadas 
emissárias, com as veias extracranianas, tributárias da veia jugular externa. 
160 
 
 
31.13. Veias encefálicas 
 As veias do encéfalo caracterizam-se por serem desprovidas de musculatura lisa, por 
suas paredes delgadas, pela ausência de válvulas e por não acompanharem o trajeto das artérias 
encefálicas. De acordo com sua topografia e área de drenagem, são divididas nos seguintes 
grupos 
 
31.13.1.1. Veias dorsais do cérebro 
Drenam as faces dorsolateral e medial dos hemisférios cerebrais e desembocam, em sua 
maioria, no seio sagital dorsal. Ocorrem em número variável, geralmente 5-6 3m cada 
hemisfério, podendo ser divididas em rostrais, médias e caudais. 
 
31.13.1.2. Veias ventrais do cérebro 
Drenam a face ventral dos hemisférios cerebrais, rinencéfalo, diencéfalo, mesencéfalo e 
ponte. Correm em sentido caudal, reunindo-se geralmente num tronco comum, que passa 
lateralmente ao lobo piriforme e penetra no tentório do cerebelo, indo desembocar no seio 
transverso. 
 
31.13.1.3. Veia magna do cérebro 
É a responsável pela drenagem venosa das partes profundas do telencéfalo e diencéfalo, 
principalmente dos núcleos da base, tálamo, plexos corióides, septo pelúcido e corpo caloso. 
Resulta da união, ventralmente ao fórnix e dorsalmente ao tálamo, das veias internas do cérebro. 
Dirige-se dorsocaudalmente, passando logo atrás do esplênio do corpo caloso, onde recebe a 
veia do corpo caloso. Penetra no extremo caudal da foice do cérebro, continuando-se na 
espessura desta como seio reto. 
 
31.13.1.4. Veias do cerebelo 
As veias do cerebelo são dorsais e ventrais. As veias dorsais correm nas superfícies dorsal 
e lateral do cerebelo e drenam, em sua maior parte, para o seio transverso. As ventrais drenam 
a face ventral do cerebelo, recebendo ainda tributárias do bulbo e ponte. Confluem geralmente 
para o seio basilar.31.14. Seios da dura-máter 
161 
 
 São cavidades revestidas internamente por endotélio, existentes entre as lâminas 
externo e interna da dura-máter encefálica e para as quais é drenado o sangue venoso do 
encéfalo. Além das veias encefálicas, os seios da dura-máter recebem também veias meníngeas, 
provenientes da própria dura-máter, e veias diplóicas, oriundas do díploe dos ossos do crânio. 
Deles originam-se veias emissárias, cuja função é comunica-los com as veias extracranianas. 
Distinguem-se nos ruminantes, como nas demais espécies domésticas, um sistema dorsal e 
outro ventral, intercomunicantes. 
 
31.15. Sistema dorsal 
 Compreende os seios sagital dorsal, reto, transverso, temporal e sigmoide. Os seios 
sagital ventral e petroso dorsal, presentes em várias espécies, não ocorrem nos ruminantes 
domésticos. 
31.15.1.1. Seio sagital dorsal 
Dispõe-se longitudinalmente na foice do cérebro, ao longo da inserção desta na crista 
sagital interna do crânio. Estende-se desde as proximidades da crista galli até a junção da foice 
com o tentório do cerebelo, onde encontra o seio reto e os seios transversos, formando a 
dilatação denominada confluente dos seios. Para o seio sagital dorsal conflui a maior parte das 
veias dorsais do cérebro. 
 
31.15.1.2. Seio reto 
Forma-se, no extremo caudal da foice do cérebro, como uma continuação direta da veia 
magna do cérebro. Corre obliquamente na espessura da foice, em direção caudodorsal e, após 
curto trajeto, desemboca na confluente dos seios. 
 
31.15.1.3. Seios transversos 
Originam-se de cada lado da confluente dos seios e dispõem-se transversalmente, ao 
longo da inserção do tentório do cerebelo na crista occipital interna. Para os seios transversos 
confluem as veias ventrais do cérebro e as veias dorsais do cerebelo. Ventralmente, próximo ao 
canal temporal, cada seio transverso bifurca-se dando origem aos seios temporal e sigmoide. 
 
31.15.1.4. Seio temporal 
Corre cranioventralmente e penetra no canal temporal, do qual emerge através do 
forame retro-articular, com o nome de veia emissária do forame retro-articular. Esta, por 
sua vez, desemboca na veia temporal superficial, tributária da veia maxilar. 
162 
 
 
31.15.1.5. Seio sigmoide 
Dirige-se caudoventralmente e penetra no canal condilar do occipital, onde dá origem à 
veia emissária do canal hipoglosso. Esta atravessa o referido canal e termina ncorporando-
se ao seio basilar e plexo vertebral. 
 
31.16. Sistema ventral ou basilar 
 Compreende-se seios situados no assoalho da cavidade craniana: basilar, petroso 
ventral e cavernosos. 
 
31.16.1.1. Seio basilar 
Situa-se na espessura da dura-máter que reveste a parte basilar do occipital. Tem aspecto 
plexiforme, apresentando-se como uma continuação rostral do plexo vertebral. 
Rostralmente, o seio basilar é contínuo com os seios cavernosos e petroso ventral. 
Comunica-se ainda, através da veia emissária do canal do hipoglosso, com o seio sigmoide. 
 
31.16.1.2. Seio petroso ventral 
Localiza-se entre a parte petrosa do temporal e a borda lateral da porção basilar do 
occipital (fissura petrobasilar). É pouco desenvolvido nos ruminantes domésticos, 
confundindo-se rostralmente com o seio cavernoso e caudalmente com o seio basilar. 
 
31.16.1.3. Seios cavernosos 
Situam-se sobre o corpo do basi-esfenóide e sob o diafragma da sela túrcica. Neles está 
contida a rede admirável epidural rostral, formada por ramos da artéria maxilar. Unindo os 
seios cavernosos direito e esquerdo há, nos bovinos, dois seios intercavernosos, um situado 
rostral e outro caudalmente à hipófise. Nos pequenos ruminantes, ocorre apenas o seio 
intercavernoso caudal. Os seios cavernosos estão em ampla comunicação, caudalmente, 
com o seio basilar e o seio petroso ventral. Comunicam-se ainda com o sistema venoso 
extracraniano, através de duas emissárias: veia emissária do forame orbitorredondo, que 
desemboca na veia oftálmica externa e veia emissária do forame oval, tributária da veia 
maxilar. 
 
31.17. Líquor 
163 
 
 O líquido cérebro-espinhal, ou simplesmente líquor, é o fluido que ocupa o espaço 
subaracnóideo, os ventrículos encefálicos e o canal central da medula espinhal. A maior parte 
do líquor é produzida ao nível dos plexos corióides e o restante pelo próprio tecido nervoso, 
pelas paredes ventriculares e pela superfície subaracnóidea da pia-máter. Os plexos corióides, 
localizados no interior dos ventrículos cerebrais, são constituídos de um eixo conjuntivo 
altamente vascularizado, revestido por epitélio simples cuboidal. O mecanismo de formação do 
líquor é ainda objeto de discussões, sendo que simples filtração ou secreção ativa são os 
processos comumente citados. O líquor, produzido nos plexos corióides dos ventrículos laterais 
e do terceiro ventrículo, passa ao quarto ventrículo e daí alcança o espaço subaracnóideo 
através, principalmente, das aberturas laterais. Uma pequena quantidade penetra no canal 
central da medula. Ao alcançar o espaço subaracnóideo, o líquor distribui-se em suas partes 
encefálica e medular. Finalmente, ele é absorvido ao nível das granulações aracnóideas, que 
são expansões globosas da aracnoide para o interior do lume dos seios da duramáter. As 
granulações aracnoides são encontradas, sobretudo no seio sagital dorsal. Nos ruminantes 
domésticos elas não estão desenvolvidas como em outras espécies, como o homem, no qual 
podem ser observadas macroscopicamente. A proporção de líquor nos diversos compartimentos 
do eixo cérebro-espinhal depende do ciclo cardíaco. Durante a sístole, o líquor é forçado para 
dentro dos ventrículos encefálicos e do canal da medula e, ao contrário, na diástole ele é dirigido 
para o espaço subaracnóideo. A despeito deste movimento de ida e volta o líquor prece circular 
no sentido dos ventrículos para o espaço subaracnóideo. Neste caso, a propulsão do líquor é 
devido à pulsação dos plexos corióides e à “vis a tergo” do líquor recém-formado. 
 O líquor pode ser retirado, para exame, ao nível da cisterna magna e do espaço 
interarcual lombossacral. Modificações em sua composição química ou a presença de 
elementos celulares estranhos são indícios de alterações do sistema nervoso central. 
 
32. ROTEIRO PARA DISSECAÇÃO E ESTUDO DA CABEÇA 
 
32.1. Face 
O estudo da face deve ser feito em uma hemicabeça, de preferencia acompanhada da 
metade cranial do pescoço. Remova toda a pele do pescoço, da face e do crânio, 
contornando a base da orelha, os chifres, a órbita, os lábios e a narina. 
Identifique, logo abaixo da pele, o músculo cutâneo da face, cujas fibras dispõem-se no 
sentido caudorrostral. Ele é delgado, transparente e está, em alguns pontos, intimamente 
164 
 
aderido à pele. Identifique o músculo parótidoauricular, que é uma delgada cinta muscular 
cujas fibras dispõem-se verticalmente a partir da base da orelha e recobrem a glândula 
parótida. 
Rebata rostrodorsalmente, evitando atingir estruturas mais profundas, os músculos 
cutâneo da face e parótidoauricular. Observe, profundamente ao músculo parótido-
auricular, a glândula parótida e delimite o contorno desta glândula. Identifique, na borda 
rostral da parótida e ás vezes parcialmente coberto por ela, o linfonodo parotídico. 
Separe os músculos parótido-auricular e cutâneo da face e rebata este último 
rostralmente até sua inserção nos lábios. Identifique o potente músculo masseter, que ocupa 
a superfície lateral do ramo da mandíbula e a face lateral da maxila, rostralmente à glândula 
parótida. 
Identifique, emergindo da borda cranial da parótida e correndo em sentido rostral sobre 
o músculo masseter, as seguintes estruturas: artéria e veia transversas da face, ramo bucal 
dorsal do nervo facial, ducto parotídico e ramo bucal ventral do nervo facial. Estes dois 
últimos correm com pequenas variações, próximo à borda ventral do masseter. Identifique, 
cruzando obliquamente aborda ventral do corpo da mandíbula, no sentido rostroventral, a 
veia facial. A artéria facial ocorre somente nos bovinos; nestes animais, ela tem o mesmo 
percurso da veia facial. 
Identifique agora os músculos elevador nasolabial, malar, zigomático, bucinador e 
depressor do lábio inferior. O elevador nasolabial é delgado e suas fibras dispõem-se 
obliquamente em sentido dorsoventral na região lateral do nariz. O malar é também delgado, 
situa-se caudalmente ao elevador nasolabial, dispondo-se suas fibras mais ou menos 
verticalmente a partir da pálpebra inferior. O zigomático é uma cinta muscular delgada e 
estreita, que se estende caudorrostralmente do osso zigomático às imediações dos lábios. O 
bucinador situa-se imediatamente à frente do masseter; suas fibras, dispostas verticalmente, 
entram na formação da parede da bochecha. O depressor do lábio inferior situa-se 
ventralmente ao bucinador; suas fibras dirigem-se longitudinalmente para o lábio inferior, 
mas caudalmente confundem-se com as do bucinador. Note, em caprinos, a inserção, no 
osso zigomático, do músculo esternozigomático que constitui uma das partes do músculo 
esternocefálico. 
Seccione, em seus terços médios, os músculos elevador nasolabial e zigomático e rebata 
seus cotos. Profundamente ao músculo elevador nasolabial, identifique os músculos 
elevador do lábio superior, canino e depressor do lábio superior. Note suas origens comuns, 
próximo ao túber facial, e a disposição em leque de seus ventres. O elevador do lábio 
165 
 
superior é o mais dorsal e seu tendão de inserção une-se com o do lado oposto. O depressor 
do lábio superior é o mais ventral e o canino posição média. 
Disseque rostralmente a veia facial. Observe que ela recebe, logo acima do lábio 
superior, a veia lateral do nariz. Um pouco mais acima, verifique que a veia facial é formada 
pela união das veias angular do olho e dorsais do nariz. 
Disseque rostralmente o ramo bucal dorsal do nervo facial. Verifique que ele passa sob 
o músculo zigomático, onde frequentemente forma uma alça em torno da veia facial. 
Termine sua dissecação nos músculos da região lateral do nariz e lábio superior. 
Disseque agora o ramo bucal ventral do nervo facial até sua penetração no músculo 
depressor do lábio inferior. Note que, próximo à borda rostral do masseter, ele emite um 
ramo que se dirige dorsalmente para unir-se ao ramo bucal dorsal. 
Seccione, próximo à origem, os músculos elevador do lábio superior, canino e depressor 
do lábio superior. Disseque, profundamente a eles, o nervo e a artéria infraorbitais, que 
emergem do forame infraorbital e se distribuem na região lateral do nariz, lábio superior e 
vestíbulo nasal. 
Disseque rostralmente a artéria transversa da face nos pequenos ruminantes e a artéria 
facial nos bovinos. Verifique, próximo à borda rostral do masseter, sua divisão em artérias 
labial superior e labial inferior. 
Disseque o ducto parotídico a partir do ângulo rostroventral da parótida, acompanhando-
o junto à borda rostral do masseter, até o ponto em que ele perfura o músculo bucinador. 
Identifique as glândulas bucais dorsais e bucais ventrais. As primeiras situam-se sob o 
músculo zigomático e as segundas estão parcialmente encobertas pelo músculo bucinador. 
Disseque o nervo auriculopalpebral. Tal como os ramos bucal dorsal e bucal ventral, ele 
origina-se do nervo facial no interior da glândula parótida. Siga os ramos bucais dorsal e 
ventral caudalmente na estrutura desta glândula, até encontrar a origem do nervo 
auriculopalpebral. No carneiro, este nervo origina-se diretamente do nervo facial, enquanto 
no boi e no caprino ele origina-se do nervo facial por um tronco comum com o ramo bucal 
dorsal. Prossiga a dissecação do nervo auriculopalpebral dorsalmente. Note que ele passa 
profundamente aos músculos rostrais da orelha, aos quais emite ramos. Seccione estes 
músculos e continue a dissecação do nervo auriculopalpebral, verificando que ele é 
acompanhado pela artéria temporal superficial. Ao nível do arco zigomático, o nervo 
auriculopalpebral passa a chamar-se ramo zigomático. Disseque este último até sua 
terminação nas pálpebras. 
166 
 
Os ramos cutâneos do nervo auriculotemporal que se distribuem na face, bem como os 
ramos profundos do nervo facial, não precisam ser dissecados. 
Verifique, sob a borda ventral da mandíbula ou do masseter, a união da veia facial com 
a veia lingual, formando a veia linguofacial. Disseque esta última caudalmente até sua união 
com a veia maxilar, a qual emerge da borda ventral da parótida. Da união das veias 
linguofacial e maxilar resulta a veia jugular externa, que corre caudalmente no pescoço. 
Identifique, no ângulo entre as veias linguofacial e jugular externa, a glândula 
mandibular e os linfonodos mandibulares. 
Estude os músculos, vasos, nervos, glândulas e linfonodos até agora dissecados. 
 
32.2. Região retrofaríngea 
A dissecação desta região é feita na face medial da hemicabeça. Inicialmente, identifique 
o occipital, o atlas, o áxis, o esôfago, a traquéia. A laringe e a faringe. A região retrofaríngica 
compreende o espaço situado entre a faringe, a base do crânio e a face ventral do atlas. 
Remova o músculo longo do pescoço, que se situa ao longo da face ventral das vértebras 
cervicais. Identifique a glândula mandibular e o linfonodo retrofaríngico medial; este último 
pode estar envolvido em quantidade variável de tecido adiposo. 
Identifique, correndo sobre o esôfago, o feixe vasculo-nervoso formado pelo tronco 
vagossimpático e a artéria carótida comum. Disseque em sentido cranial o tronco 
vagossimpático. Note o ponto em que o tronco simpático separa-se do nervo vago. O tronco 
simpático é o mais delgado e ventral dos dois. Continue a dissecação em sentido cranial do 
tronco simpático e, próximo à base do crânio, identifique o gânglio cervical cranial. As 
fibras que partem da extremidade cranial do gânglio constituem o nervo carótido interno. 
Elas penetram no forame jugular. 
Retome a dissecação, em sentido cranial, do nervo vago, até sua emergência no forame 
jugular. Note que o vago emite, na região retrofaríngica, o nervo laríngico cranial e o ramo 
faríngico, os quais correm na estrutura da glândula mandibular e distribuem-se na parede 
da laringe, da faringe e do esôfago. O ramo faríngico é o mais cranial dos dois. Siga-o 
distalmente até visualizar sua distribuição na musculatura da faringe e da porção cranial do 
esôfago. Note sua união com o ramo faríngico do nervo glossofaríngico, na face dorsal da 
faringe, formando o plexo faríngico. Disseque agora o nervo laríngico cranial até sua 
penetração na face lateral da laringe, em companhia da artéria laríngica cranial, pouco 
desenvolvida. 
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Identifique, cranialmente ao gânglio cervical cranial, o delgado nervo glossofarìngico, 
que corre em direção à parede dorsal da faringe. 
Identifique e disseque os nervos acessório e hipoglosso, que, ao emergirem do crânio, 
estão intimamente associados ao vago. Verifique que o nervo acessório corre 
caudodorsalmente em direção à face lateral do pescoço. Já o nervo hipoglosso encurva-se 
cranioventralmente, passando lateralmente ao vago e a artéria carótida comum, em direção 
à base da língua. 
Disseque, na extremidade cranial do pescoço, a artéria carótida comum. Verifique que 
ela emite nesta região, as artérias tireóidea cranial e laríngica cranial, que se dirigem, 
respectivamente, para a glândula tireóidea e a laringe. Ao nível da região retrofaríngica, 
note que a artéria car ótida comum termina dividindo-se nos seguintes ramos: tronco 
linguofacial (nos bovinos) ou artéria lingual (nos pequenos ruminantes), artéria occipital e 
artéria carótida externa. O tronco linguofacial (ou artéria lingual) dirige-se 
rostroventralmente. A artéria occipital dirige-se dorsalmente para a base do crânio. A artéria 
carótida externa é a mais calibrosa das trêse dirige-se dorsorrostralmente, como 
continuação da artéria carótida comum. 
Estude os nervos, vasos e linfonodos da região dissecada. 
 
32.3. Região intermandibular 
A dissecação desta região requer a remoção da mandíbula. Para isto, este osso deve ser 
liberado de seu periósteo, juntamente com as estruturas que se prendem tanto em sua face lateral 
como em sua face medial, desde o lábio inferior até o nível da base da orelha. Serre o ramo da 
mandíbula, o mais dorsalmente possível, e termine sua remoção. 
Identifique, na face medial da mandíbula, o nervo e as artérias alveolares mandibulares 
penetrando no forame da mandíbula. Na face lateral, observe a emergência do nervo e das 
artérias mentuais ao nível do forame mentual. O nervo e a artéria mentual foram seccionados 
ao se remover o osso, o mesmo acontecendo com o nervo e as artérias alveolares mandibulares. 
Separe o músculo masseter do músculo bucinador e rebata o primeiro dorsalmente. 
Identifique, profundamente ao masseter, as glândulas bucais dorsais, a veia profunda da face e 
o nervo bucal. A veia profunda da face desemboca na veia facial. Disseque rostralmente o nervo 
bucal, até sua penetração no bucinador; este nervo é sensitivo e distribui-se na mucosa da 
bochecha. 
Identifique, na região intermandibular, o músculo milo-hióideo e o ventre rostral do 
músculo digástrico, cujas inserções na mandíbula foram seccionadas. O músculo milo-hióideo 
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é laminar, suas fibras dispõem-se transversalmente e compõem, com as fibras do músculo 
homônimo do lado oposto, a camada muscular mais superficial da região intermandibular. O 
ventre rostral do músculo digástrico é alongado e insere-se na face medial do corpo da 
mandíbula, cruzando lateralmente as fibras do músculo milohióideo. 
Identifique o potente músculo pterigoideo medial, cujas fibras dirigem-se obliquamente 
no sentido ventrocaudal, para inserir-se na face medial da mandíbula. Com a retirada desta 
última, sua inserção foi seccionada. 
Observe, cruzando obliquamente a face lateral do músculo pterigoideo medial, o 
delgado nervo milohióideo.Disseque-o proximalmente até sua origem do nervo alveolar 
mandibular. Note que este último está seccionado; sua penetração no forame da mandíbula já 
foi vista. 
Disseque, rostralmente, o nervo milohióideo. Observe seus ramos para o ventre rostral 
do músculo digástrico e para o músculo milohióideo. 
Identifique agora o nervo lingual. Para isto, seccione o nervo milo-hióideo e afaste 
lateralmente a inserção mandibular do músculo milo-hióideo. Disseque o nervo lingual 
rostralmente. Verifique que ele emite o nervo sublingual e penetra na base da língua. O nervo 
sublingual corre rostralmente, em direção à mucosa do assoalho da boca. 
Identifique a glândula mandibular e seu ducto excretor. Este último corre em sentido 
rostral, acompanhando inicialmente o nervo lingual e depois o nervo sublingual. Este ducto 
desemboca na carúncula sublingual, que será vista no estudo da cavidade da boca. 
Identifique a glândula sublingual, situada ao longo da face lateral da língua, 
medialmente ao nervo sublingual e ao ducto mandibular. A sua divisão em partes 
monostomática e polistomática, tal como descrita no capítulo de glândulas salivares, é difícil 
de ser observada. 
Observe, originando-se da borda ventral do nervo lingual, delgados ramos que vão aos 
pequenos gânglios mandibulares. Estes são em número variável, pertencem à parte 
parassimpática do sistema nervoso autônomo e estão situados no espaço entre o nervo lingual 
e o ducto mandibular. Destes gânglios partem fibras que vão inervar as glândulas mandibular e 
sublingual. 
Rebata dorsalmente o músculo pterigoideo medial. Identifique, profundamente a ele, o 
osso estilohióide do hióide, o tendão do músculo digástrico e o ventre caudal deste último. 
Disseque o nervo hipoglosso e a artéria lingual, que correm em sentido rostral, 
profundamente ao ventre caudal do músculo digástrico, até penetrarem na base da língua. 
 
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32.4. Região infratemporal 
Esta região situa-se caudalmente à maxila e ventralmente ao arco zigomático. 
Inicialmente, remova o tecido conjuntivo que recobre as estruturas desta região. 
Remova também o segmento remanescente da mandíbula, juntamente com a inserção 
do músculo temporal. 
Identifique a origem da artéria carótida externa, a apartir da artéria carótida comum, 
ambas já vistas na região retrofaríngica. Disseque a artéria carótida externa, profundamente à 
glândula parótida. Verifique que, nesta região, ela emite a artéria auricular caudal, o ramo 
massetérico e a artéria temporal superficial. A primeira dirigese para a face caudal da orelha. O 
ramo massetérico foi seccionado quando se retirou a mandíbula. A artéria temporal superficial 
dirige-se dorsalmente, acompanhando o nervo auriculopalpebral, já identificado na dissecação 
da face. 
Identifique, correndo dorsalmente na região infratemporal; a artéria maxilar, que é a 
continuação da artéria carótida externa após a emissão da artéria temporal superficial. Note, 
originando-se da artéria maxilar, a artéria alveolar mandibular, que foi seccionada ao se retirar 
a mandíbula. 
Identifique, cruzando profundamente a artéria maxilar, o nervo mandibular. Disseque 
seus ramos: nervo bucal, lingual, alveolar mandibular e auriculotemporal. Os três primeiros já 
foram identificados. O nervo auriculotemporal origina-se da borda caudal do nervo mandibular 
e dirige-se para a pele da face. 
Observe que o nervo mandibular, ao emergir do forame oval, é envolvido pelo gânglio 
ótico, que aparece como uma dilatação discreta. 
 
32.5. Região da órbita 
A dissecação da órbita deve ser precedida da revisão da órbita óssea. Feito isso, remova 
da cavidade craniana o encéfalo e a dura-máter. Preserve, no entanto, a saída dos nervos 
cranianos. 
Afaste lateralmente a orelha e remova as estruturas moles que revestem dorsal e 
lateralmente a face externa do crânio. Faça uma incisão oblíqua na parede dorsolateral do 
crânio, à face da parte petrosa do osso temporal. Faça uma segunda incisão óssea segundo um 
plano transversal que passe pela fossa etmoidal, até a borda dorsal da órbita óssea, atravessando 
o seio frontal. Seccione o processo frontal do zigomático. Libere as inserções das pálpebras em 
todo o contorno da borda da órbita. Finalmente, remova a parede óssea até a base do crânio. 
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Identifique, inicialmente, a glândula lacrimal, que tem forma discoide e situa-se 
dorsolateralmente na órbita. Seus ductos excretores são numerosos e difíceis de serem 
identificados. 
Verifique que, na região desprovida de osso, a órbita é delimitada por uma membrana 
fibrosa, a periórbita. 
Observe o ramo zigomáticotemporal do nervo oftálmico, que é uma das divisões 
principais do nervo trigêmeo. Este ramo provém do interior da órbita, perfura dorsolateralmente 
a periórbita e corre caudalmente em direção à base do chifre, onde se divide em vários ramos, 
denominados ramos cornuais. 
Remova cuidadosamente a periórbita. Identifique o nervo troclear, que provém do 
vértice da órbita e corre rostralmente em direção ao músculo oblíquo dorsal, no qual penetra. 
Este músculo é o mais medial dos músculos dorsais do bulbo do olho; próximo à borda da 
órbita, ele encurva-se em sentido lateral, passando sobre uma pequena cartilagem denominada 
tróclea. 
Os ramos superficiais do nervo oftálmico que são vistos nesta fase da dissecação, com 
exceção do ramo zigomáticotemporal, não necessitam ser dissecados. A seguir, identifique os 
músculos reto dorsal e elevador da pálpebra superior. Eles situam-se lateralmente ao músculo 
oblíquo dorsal, na face dorsal da órbita. O elevador da pálpebra superior é estreito, situa-se 
sobre o reto dorsal e, como o nome indica, insere-se na pálpebra superior. Seccione no terço 
médio estes dois músculos. Note, penetrando em suas faces profundas e próximo às suas 
origens,

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