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Simulado Enem 2018 - 3º conjunto Prova I

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Manoel Parada

em

Ferramentas de estudo

Questões resolvidas

As peças publicitárias costumam associar recursos verbais e não verbais para obter efeitos de sentido específicos.
Na publicidade anterior, o rosto magro do indivíduo estampado na nota e as frases logo abaixo dela revelam a intenção de
A. explicar a diminuição do poder de compra da classe média nigeriana.
B. elencar os efeitos da crise econômica na vida da população nigeriana.
C. responsabilizar a classe política pela situação da economia nigeriana.
D. buscar auxílio para solucionar o problema da desnutrição na Nigéria.
E. chamar atenção para a desvalorização da moeda oficial da Nigéria.

Ajudar instituições de caridade é uma atividade de praxe entre personalidades.
O príncipe Alwaleed, inspirado na fundação de Bill Gates, pretende doar sua fortuna para diversas causas, entre elas o(a)
A. promoção da filantropia no mundo.
B. combate à violência contra mulheres.
C. construção da Alwaleed Philanthropies.
D. erradicação do entendimento entre as culturas.
E. envio de ajuda humanitária na ocorrência de calamidades.

Textos publicitários lançam mão de recursos verbais e não verbais com fins específicos.
A peça anterior enfoca os problemas consequentes
A. do uso de paredes de vidro nos recintos destinados a animais marinhos.
B. da participação de animais selvagens em filmes e programas de televisão.
C. da presença de animais psicologicamente instáveis em parques aquáticos.
D. da rotina repetitiva imposta aos animais marinhos confinados em parques.
E. do confinamento de animais marinhos com o propósito de entretenimento.

Sandra Cisneros é uma escritora americana de ascendência mexicana.
Em No speak English, a autora aborda desafios enfrentados por latinos que migram para os EUA, tais como
A. a dificuldade de assimilação e inserção em uma nova cultura.
B. a crise identitária de crianças criadas em lares multiculturais.
C. o problema da violência doméstica em lares de imigrantes.
D. o conflito entre pessoas de idades e culturas diferentes.
E. a intolerância contra falantes de línguas estrangeiras.

A notícia anterior, publicada na época das eleições britânicas de 2015, aborda uma proposta que constituía a base da campanha do Partido Conservador.
Essa proposta previa
A. a cobrança de taxas sobre transmissões de imóveis familiares de qualquer valor.
B. a redução dos valores pagos a pensionistas que recebem acima de 150 000 libras anuais.
C. a isenção de impostos na transferência de imóveis de até um milhão de libras por motivo de herança.
D. a elevação dos valores pagos pelo governo britânico àqueles que necessitam de auxílio-moradia.
E. o aumento do valor dos impostos pagos sobre os planos de aposentadoria de funcionários públicos.

Nesse poema de Cecília Meireles, o eu lírico faz um retrato de si próprio,
A. comparando seu rosto com o de pessoas mais fortalecidas, que passaram pelas mesmas transformações.
B. constatando as mudanças e transformações psicológicas e físicas pelas quais passou ao longo dos anos.
C. compreendendo as mutações físicas e emocionais trazidas pelas experiências vivenciadas ao longo da vida.
D. aceitando a fragilidade de seu corpo e o semblante magro e triste de seu rosto precocemente envelhecido.
E. repudiando, assombrada, as transformações físicas e emocionais vivenciadas, perceptíveis em seu corpo e atitude.

Para manter a ordem em uma casa, algumas tarefas diárias são necessárias. Entre essas atividades, a autora do texto sugere
A. realizar todas as tarefas em um único dia da semana para ter mais tempo livre.
B. dobrar e empilhar as roupas em uma cadeira de maneira para que não fiquem espalhadas.
C. recolher a mesa após as refeições mesmo que a louça não seja lavada no mesmo dia.
D. guardar a vassoura e os demais materiais de limpeza para que não fiquem acumulados.
E. planejar a alimentação do dia seguinte para que os alimentos não estraguem na geladeira.

O texto evidencia o quão particular se tornou o universo dos jovens e adolescentes após o advento da Internet.
Ao usar a estrutura “Ay, má, bardear no es insultar. Es responder de forma sagaz”, a filha mostra-se
A. impaciente com a falta de conhecimento da mãe.
B. irônica perante o desejo da mãe de criar um perfil.
C. compreensiva com o interesse exposto pela mãe.
D. surpresa com as limitações apresentadas pela mãe.
E. orgulhosa por saber mais sobre a Internet que sua mãe.

O poema de Jorge Luis Borges fala sobre diversas coisas e objetos. Nele, o foco do autor está direcionado para a(o)
A. admiração causada por conseguirmos desapegar-nos de todos os bens materiais que adquirimos quando chegamos ao fim da vida.
B. estranheza causada pelas pessoas que possuem muitas coisas sem verdadeira utilidade, visto que nada levaremos no momento da morte.
C. assombro causado por possuirmos muitas coisas que têm significado e utilidade para nós, enquanto elas, por natureza, ignoram nossa existência.
D. vaidade causada pela percepção de que nós, seres humanos, possuímos a crença egocêntrica de que temos direito sobre todas as coisas.
E. ódio causado pela constatação de que somos mortais, enquanto todas as coisas e objetos dos quais nos servimos sobreviverão à nossa existência.

A coesão textual é responsável por estabelecer relações entre as partes do texto. No trecho “desaparece o problema”, há uma inadequação entre o verbo e o seu modo verbal, ao se considerar a oração anterior, pois a
A. ideia de suposição deixa de ser realçada.
B. noção de consequência se torna incoerente.
C. certeza da conclusão da ação deixa de existir.
D. ação passa a ser representada como habitual.
E. realização da ação passa a acontecer no passado.

É usual, na Internet, a apropriação de diferentes gêneros para a composição de um novo texto. No meme anterior, o humor é alcançado por meio de
A. conectivo aditivo com valor semântico de conclusão.
B. hipérbole na quantidade de amigos virtuais dos usuários.
C. descrição da atitude de alguns usuários de redes sociais.
D. surpresa da personagem com a quantidade de amigos virtuais.
E. fusão da reação da personagem com a insatisfação no texto verbal.

Considerando o que o texto II expressa sobre os gêneros literários e as características da canção dos Titãs,
o gênero do texto I envolve, principalmente,
A tema ligado diretamente à representação de um acontecimento, envolvendo viagens, aventuras, gestos heroicos e exaltação de feitos.
B presença de um narrador que conta uma história de terceiros, mostrando a história de um povo ou de uma nação.
C narrativa informal, que capta flagrantes da vida com um toque de sarcasmo, apresentando uma história completa, com personagens, conflito e temporalidade.
D manifestação de um eu lírico que se expressa por meio dos elementos que acabam tomando suas características.
E conflitos dos homens e de seu mundo, expondo manifestações da miséria humana, com o intuito de serem dramatizadas em cena.

No fragmento anterior, a partir da análise das tipologias textuais que o compõem, identifica-se como objetivo comunicativo central do autor
A.
defender um ponto de vista crítico sobre a lenta percepção das sociedades.
descrever o contexto social atual que ilustra a parábola acerca dos sapos.
expor a recente pesquisa científica que derrubou a metáfora dos sapos.
relatar uma já superada crença popular acerca do comportamento dos sapos.
sugerir que os brasileiros devem ser mais perspicazes ao tomarem decisões.

Textos opinativos valem-se de estratégias dissertativas diversas visando ao convencimento. No artigo, a apresentação de dados científicos corrobora a ideia de que a(o)
A.
discriminação contra idosos funciona de forma similar a qualquer outro tipo de preconceito.
segredo da juventude eterna pode ser descoberto com a ajuda da pesquisa divulgada.
Teste de Associação Implícita permite quantificar o grau de preconceito inconsciente.
população estadunidense entende o envelhecimento de forma diferente da asiática.
preconceito etário se manifesta de forma contraditória nos resultados encontrados.

Para convencer seus leitores e ouvintes, Antonio Vieira parte do raciocínio lógico em vez do apelo à emoção. No texto, o autor cria uma alegoria para
A.
analisar o comportamento de ouvintes corruptores do sal da terra.
reiterar o papel do homem diante das provações do Novo Mundo.
orientar sacerdotes renunciadores da vocação cristã da pregação.
sintetizar a doutrina cristã segundo os interesses dos colonos.
explicar o dever dos pregadores e dos ouvintes dos sermões.

A obsessão do Estado em controlar todos os comportamentos dos cidadãos tem como resultado um enfraquecimento da responsabilidade moral e cívica dos mesmos. A lei deveria ser o último recurso – depois da educação, da ética, da negociação e do compromisso entre os indivíduos. É agora o primeiro recurso.
O planejamento argumentativo requer a estruturação de um projeto de texto que tenha como intenção a persuasão do interlocutor. No texto, de forma irônica, esse projeto argumentativo tem por objetivo central criticar o(a)
A. caráter absurdo das leis que serão criadas no país num futuro próximo.
B. existência de leis que controlam o cidadão a despeito de sua vontade.
C. criminalização preocupante que os comportamentos civis têm sofrido.
D. excesso de leis desnecessárias que têm sido criadas nos dias atuais.
E. endurecimento da responsabilidade moral e cívica dos cidadãos.

O texto I é um fragmento de Morte e vida severina, obra que trata da condição de vida dos habitantes do Sertão nordestino. Comparando-o ao texto II, observa-se que há uma relação de
O texto I é um fragmento de Morte e vida severina, obra que trata da condição de vida dos habitantes do Sertão nordestino. Comparando-o ao texto II, observa-se que há uma relação de
A. complementação, pois o texto II mostra que o problema abordado no texto I foi resolvido.
B. contraste, pois o texto II trata da questão indígena, e não do retirante nordestino.
C. oposição, pois o texto II aborda a questão defendendo a perspectiva da bancada ruralista.
D. redundância, pois ambos os textos retratam a miséria dos índios e dos nordestinos.
E. semelhança, pois ambos criticam o problema da concentração de terras no Brasil.

A tese de um texto opinativo não está sempre explícita num único fragmento, sendo depreendida de sua leitura global. Nesse sentido, a crítica da crônica dirige-se
A. ao questionamento educativo de um futuro próximo.
B. à insegurança materna quanto a como criar seus filhos.
C. ao comportamento pouco interventivo dos pais hipsters.
D. ao dilema das mães contemporâneas sobre sua gravidez.
E. à fluidez atual na atribuição de gênero a crianças millennial.

Há, no poema de Gregório de Matos, a abordagem de uma alternância existente entre dia e noite, alegria e tristeza e outros pares de opostos, o que consiste em uma expressão, principalmente, do tema barroco do(a)
A. arrependimento por meio do apelo ao aspecto religioso.
B. castigo em decorrência do pecado por meio do fim trágico.
C. instabilidade e dissolução das coisas pela ação do tempo.
D. misticismo do culto à morte por meio da fugacidade da vida.
E. necessidade de gozar o dia decorrente da certeza da morte.

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Questões resolvidas

As peças publicitárias costumam associar recursos verbais e não verbais para obter efeitos de sentido específicos.
Na publicidade anterior, o rosto magro do indivíduo estampado na nota e as frases logo abaixo dela revelam a intenção de
A. explicar a diminuição do poder de compra da classe média nigeriana.
B. elencar os efeitos da crise econômica na vida da população nigeriana.
C. responsabilizar a classe política pela situação da economia nigeriana.
D. buscar auxílio para solucionar o problema da desnutrição na Nigéria.
E. chamar atenção para a desvalorização da moeda oficial da Nigéria.

Ajudar instituições de caridade é uma atividade de praxe entre personalidades.
O príncipe Alwaleed, inspirado na fundação de Bill Gates, pretende doar sua fortuna para diversas causas, entre elas o(a)
A. promoção da filantropia no mundo.
B. combate à violência contra mulheres.
C. construção da Alwaleed Philanthropies.
D. erradicação do entendimento entre as culturas.
E. envio de ajuda humanitária na ocorrência de calamidades.

Textos publicitários lançam mão de recursos verbais e não verbais com fins específicos.
A peça anterior enfoca os problemas consequentes
A. do uso de paredes de vidro nos recintos destinados a animais marinhos.
B. da participação de animais selvagens em filmes e programas de televisão.
C. da presença de animais psicologicamente instáveis em parques aquáticos.
D. da rotina repetitiva imposta aos animais marinhos confinados em parques.
E. do confinamento de animais marinhos com o propósito de entretenimento.

Sandra Cisneros é uma escritora americana de ascendência mexicana.
Em No speak English, a autora aborda desafios enfrentados por latinos que migram para os EUA, tais como
A. a dificuldade de assimilação e inserção em uma nova cultura.
B. a crise identitária de crianças criadas em lares multiculturais.
C. o problema da violência doméstica em lares de imigrantes.
D. o conflito entre pessoas de idades e culturas diferentes.
E. a intolerância contra falantes de línguas estrangeiras.

A notícia anterior, publicada na época das eleições britânicas de 2015, aborda uma proposta que constituía a base da campanha do Partido Conservador.
Essa proposta previa
A. a cobrança de taxas sobre transmissões de imóveis familiares de qualquer valor.
B. a redução dos valores pagos a pensionistas que recebem acima de 150 000 libras anuais.
C. a isenção de impostos na transferência de imóveis de até um milhão de libras por motivo de herança.
D. a elevação dos valores pagos pelo governo britânico àqueles que necessitam de auxílio-moradia.
E. o aumento do valor dos impostos pagos sobre os planos de aposentadoria de funcionários públicos.

Nesse poema de Cecília Meireles, o eu lírico faz um retrato de si próprio,
A. comparando seu rosto com o de pessoas mais fortalecidas, que passaram pelas mesmas transformações.
B. constatando as mudanças e transformações psicológicas e físicas pelas quais passou ao longo dos anos.
C. compreendendo as mutações físicas e emocionais trazidas pelas experiências vivenciadas ao longo da vida.
D. aceitando a fragilidade de seu corpo e o semblante magro e triste de seu rosto precocemente envelhecido.
E. repudiando, assombrada, as transformações físicas e emocionais vivenciadas, perceptíveis em seu corpo e atitude.

Para manter a ordem em uma casa, algumas tarefas diárias são necessárias. Entre essas atividades, a autora do texto sugere
A. realizar todas as tarefas em um único dia da semana para ter mais tempo livre.
B. dobrar e empilhar as roupas em uma cadeira de maneira para que não fiquem espalhadas.
C. recolher a mesa após as refeições mesmo que a louça não seja lavada no mesmo dia.
D. guardar a vassoura e os demais materiais de limpeza para que não fiquem acumulados.
E. planejar a alimentação do dia seguinte para que os alimentos não estraguem na geladeira.

O texto evidencia o quão particular se tornou o universo dos jovens e adolescentes após o advento da Internet.
Ao usar a estrutura “Ay, má, bardear no es insultar. Es responder de forma sagaz”, a filha mostra-se
A. impaciente com a falta de conhecimento da mãe.
B. irônica perante o desejo da mãe de criar um perfil.
C. compreensiva com o interesse exposto pela mãe.
D. surpresa com as limitações apresentadas pela mãe.
E. orgulhosa por saber mais sobre a Internet que sua mãe.

O poema de Jorge Luis Borges fala sobre diversas coisas e objetos. Nele, o foco do autor está direcionado para a(o)
A. admiração causada por conseguirmos desapegar-nos de todos os bens materiais que adquirimos quando chegamos ao fim da vida.
B. estranheza causada pelas pessoas que possuem muitas coisas sem verdadeira utilidade, visto que nada levaremos no momento da morte.
C. assombro causado por possuirmos muitas coisas que têm significado e utilidade para nós, enquanto elas, por natureza, ignoram nossa existência.
D. vaidade causada pela percepção de que nós, seres humanos, possuímos a crença egocêntrica de que temos direito sobre todas as coisas.
E. ódio causado pela constatação de que somos mortais, enquanto todas as coisas e objetos dos quais nos servimos sobreviverão à nossa existência.

A coesão textual é responsável por estabelecer relações entre as partes do texto. No trecho “desaparece o problema”, há uma inadequação entre o verbo e o seu modo verbal, ao se considerar a oração anterior, pois a
A. ideia de suposição deixa de ser realçada.
B. noção de consequência se torna incoerente.
C. certeza da conclusão da ação deixa de existir.
D. ação passa a ser representada como habitual.
E. realização da ação passa a acontecer no passado.

É usual, na Internet, a apropriação de diferentes gêneros para a composição de um novo texto. No meme anterior, o humor é alcançado por meio de
A. conectivo aditivo com valor semântico de conclusão.
B. hipérbole na quantidade de amigos virtuais dos usuários.
C. descrição da atitude de alguns usuários de redes sociais.
D. surpresa da personagem com a quantidade de amigos virtuais.
E. fusão da reação da personagem com a insatisfação no texto verbal.

Considerando o que o texto II expressa sobre os gêneros literários e as características da canção dos Titãs,
o gênero do texto I envolve, principalmente,
A tema ligado diretamente à representação de um acontecimento, envolvendo viagens, aventuras, gestos heroicos e exaltação de feitos.
B presença de um narrador que conta uma história de terceiros, mostrando a história de um povo ou de uma nação.
C narrativa informal, que capta flagrantes da vida com um toque de sarcasmo, apresentando uma história completa, com personagens, conflito e temporalidade.
D manifestação de um eu lírico que se expressa por meio dos elementos que acabam tomando suas características.
E conflitos dos homens e de seu mundo, expondo manifestações da miséria humana, com o intuito de serem dramatizadas em cena.

No fragmento anterior, a partir da análise das tipologias textuais que o compõem, identifica-se como objetivo comunicativo central do autor
A.
defender um ponto de vista crítico sobre a lenta percepção das sociedades.
descrever o contexto social atual que ilustra a parábola acerca dos sapos.
expor a recente pesquisa científica que derrubou a metáfora dos sapos.
relatar uma já superada crença popular acerca do comportamento dos sapos.
sugerir que os brasileiros devem ser mais perspicazes ao tomarem decisões.

Textos opinativos valem-se de estratégias dissertativas diversas visando ao convencimento. No artigo, a apresentação de dados científicos corrobora a ideia de que a(o)
A.
discriminação contra idosos funciona de forma similar a qualquer outro tipo de preconceito.
segredo da juventude eterna pode ser descoberto com a ajuda da pesquisa divulgada.
Teste de Associação Implícita permite quantificar o grau de preconceito inconsciente.
população estadunidense entende o envelhecimento de forma diferente da asiática.
preconceito etário se manifesta de forma contraditória nos resultados encontrados.

Para convencer seus leitores e ouvintes, Antonio Vieira parte do raciocínio lógico em vez do apelo à emoção. No texto, o autor cria uma alegoria para
A.
analisar o comportamento de ouvintes corruptores do sal da terra.
reiterar o papel do homem diante das provações do Novo Mundo.
orientar sacerdotes renunciadores da vocação cristã da pregação.
sintetizar a doutrina cristã segundo os interesses dos colonos.
explicar o dever dos pregadores e dos ouvintes dos sermões.

A obsessão do Estado em controlar todos os comportamentos dos cidadãos tem como resultado um enfraquecimento da responsabilidade moral e cívica dos mesmos. A lei deveria ser o último recurso – depois da educação, da ética, da negociação e do compromisso entre os indivíduos. É agora o primeiro recurso.
O planejamento argumentativo requer a estruturação de um projeto de texto que tenha como intenção a persuasão do interlocutor. No texto, de forma irônica, esse projeto argumentativo tem por objetivo central criticar o(a)
A. caráter absurdo das leis que serão criadas no país num futuro próximo.
B. existência de leis que controlam o cidadão a despeito de sua vontade.
C. criminalização preocupante que os comportamentos civis têm sofrido.
D. excesso de leis desnecessárias que têm sido criadas nos dias atuais.
E. endurecimento da responsabilidade moral e cívica dos cidadãos.

O texto I é um fragmento de Morte e vida severina, obra que trata da condição de vida dos habitantes do Sertão nordestino. Comparando-o ao texto II, observa-se que há uma relação de
O texto I é um fragmento de Morte e vida severina, obra que trata da condição de vida dos habitantes do Sertão nordestino. Comparando-o ao texto II, observa-se que há uma relação de
A. complementação, pois o texto II mostra que o problema abordado no texto I foi resolvido.
B. contraste, pois o texto II trata da questão indígena, e não do retirante nordestino.
C. oposição, pois o texto II aborda a questão defendendo a perspectiva da bancada ruralista.
D. redundância, pois ambos os textos retratam a miséria dos índios e dos nordestinos.
E. semelhança, pois ambos criticam o problema da concentração de terras no Brasil.

A tese de um texto opinativo não está sempre explícita num único fragmento, sendo depreendida de sua leitura global. Nesse sentido, a crítica da crônica dirige-se
A. ao questionamento educativo de um futuro próximo.
B. à insegurança materna quanto a como criar seus filhos.
C. ao comportamento pouco interventivo dos pais hipsters.
D. ao dilema das mães contemporâneas sobre sua gravidez.
E. à fluidez atual na atribuição de gênero a crianças millennial.

Há, no poema de Gregório de Matos, a abordagem de uma alternância existente entre dia e noite, alegria e tristeza e outros pares de opostos, o que consiste em uma expressão, principalmente, do tema barroco do(a)
A. arrependimento por meio do apelo ao aspecto religioso.
B. castigo em decorrência do pecado por meio do fim trágico.
C. instabilidade e dissolução das coisas pela ação do tempo.
D. misticismo do culto à morte por meio da fugacidade da vida.
E. necessidade de gozar o dia decorrente da certeza da morte.

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SIMULADO 3 - ENEM 2018 - PROVA I
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LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS
Questões de 01 a 45
Questões de 01 a 05 (opção inglês)
QUESTÃO 01 
Disponível em: <http://www.adsoftheworld.com/media/print/weak_naira_2>. Acesso em: 11 dez. 2017.
As peças publicitárias costumam associar recursos verbais e não verbais para obter efeitos de sentido específicos. 
Na publicidade anterior, o rosto magro do indivíduo estampado na nota e as frases logo abaixo dela revelam a intenção de
A. 	 explicar a diminuição do poder de compra da classe média nigeriana.
B. 	 elencar os efeitos da crise econômica na vida da população nigeriana. 
C. 	 responsabilizar a classe política pela situação da economia nigeriana.
D. 	 buscar auxílio para solucionar o problema da desnutrição na Nigéria.
E. 	 chamar atenção para a desvalorização da moeda oficial da Nigéria.
Alternativa E
Resolução: 
A) INCORRETA – Embora a peça publicitária aborde a desvalorização do naira nigeriano (o que pode – ou não – interferir 
no poder de compra da população), não se faz nenhum tipo de recorte de classe. Além disso, a publicidade não explica 
as causas que levaram à diminuição do poder de compra dos nigerianos; somente aponta que o naira se desvalorizou. 
Logo, a afirmação da alternativa não se sustenta.
B) INCORRETA – O verbo “elencar” sugere a produção de uma lista de itens, e isso invalida a alternativa B, pois a publicidade 
não elenca efeitos da crise econômica, apenas chama a atenção do leitor para a desvalorização do naira, tendo em vista 
o ano de 1986. 
C) INCORRETA – A publicidade não se ocupa de responsabilizar nenhum indivíduo pela situação da economia da Nigéria. 
Ela apenas aponta que o naira se desvalorizou desde 1986 e convida o leitor a pensar maneiras de revalorizá-lo, o que 
fica evidente na frase “What will #PlumpTheNaira?” (O que vai “engordar” o naira?).
D) INCORRETA – Na nota de 500 nairas representada na peça publicitária, o rosto de Nnamdi Azikiwe (primeiro presidente 
da Nigéria) foi digitalmente alterado para aparentar magreza extrema. Isso pode levar a crer que a peça publicitária faz 
um apelo contra a desnutrição na Nigéria. Contudo, trata-se, na realidade, de uma alegoria do próprio enfraquecimento 
dessa moeda. Portanto, a afirmativa da alternativa D não se sustenta.
E) CORRETA – Nessa peça publicitária, associa-se o rosto digitalmente modificado de Nnamdi Azikiwe aos dizeres “In 1986, 
this man could buy you a car. What can he buy you now? What will #PlumpTheNaira? Talk!” (Em 1986, esse homem poderia 
lhe comprar um carro. O que ele pode lhe comprar agora? O que vai #EngordarONaira? Manifeste-se!). Nessa frase, “this 
man” não se refere exatamente ao ex-presidente nigeriano estampado na nota de 500 nairas, mas sim, metonimicamente, 
à própria nota de 500 nairas, ou seja, aponta-se que essa nota não tem o mesmo valor que tinha antes; enfraqueceu-se. 
Portanto, conclui-se que a publicidade chama atenção para a desvalorização da moeda oficial da Nigéria, conforme propõe 
a alternativa E.
B2C3
ENEM – VOL. 3 – 2018 LCT – PROVA I – PÁGINA 1BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
QUESTÃO 02 
Saudi prince to donate $32bn fortune to charity
Saudi Arabian billionaire Prince Alwaleed bin Talal has 
said he will donate his $32bn (£20bn; €29bn) personal fortune 
to charity.
The 60-year-old nephew of King Salman is one of the 
world’s richest people.
He said he had been inspired by the Gates Foundation, 
set up by Bill and Melinda Gates in 1997.
The money would be used to foster cultural understanding, 
empower women, and provide vital disaster relief, among 
other things, he said.
Mr. Gates praised the decision, calling it an “inspiration 
to all of us working in philanthropy around the world”.
Prince Alwaleed is at number 34 on the Forbes list of the 
world’s richest people.
The money will go to the prince’s charitable organisation, 
Alwaleed Philanthropies, to which he has already donated 
$3.5bn.
The prince, who does not hold an official government 
position, is chairman of investment firm Kingdom Holding 
Company. 
Disponível em: <http://www.bbc.com>. Acesso em: 14 jul. 2015.
Ajudar instituições de caridade é uma atividade de praxe 
entre personalidades. O príncipe Alwaleed, inspirado na 
fundação de Bill Gates, pretende doar sua fortuna para 
diversas causas, entre elas o(a)
A. 	promoção da filantropia no mundo.
B. 	combate à violência contra mulheres.
C. 	construção da Alwaleed Philanthropies.
D. 	erradicação do entendimento entre as culturas.
E. 	envio de ajuda humanitária na ocorrência de calamidades.
Alternativa E
Resolução: No quarto parágrafo do texto, são enumerados 
os objetivos da doação feita pelo príncipe: estimular o 
entendimento cultural, empoderar as mulheres e promover 
ajuda humanitária em situações de catástrofe (“vital disaster 
relief ”). A única alternativa que apresenta corretamente um 
desses objetivos é a E.
QUESTÃO 03 
Disponível em: <http://www.bestadsontv.com>. Acesso em: 24 jan. 2017.
37JY
DØØL
Textos publicitários lançam mão de recursos verbais e não 
verbais com fins específicos. A peça anterior enfoca os 
problemas consequentes 
A. 	do uso de paredes de vidro nos recintos destinados a 
animais marinhos.
B. 	da participação de animais selvagens em filmes e 
programas de televisão.
C. 	da presença de animais psicologicamente instáveis em 
parques aquáticos. 
D. 	da rotina repetitiva imposta aos animais marinhos 
confinados em parques.
E. 	do confinamento de animais marinhos com o propósito 
de entretenimento.
Alternativa E
Resolução:
A) INCORRETA – A leitura do texto permite concluir que o 
problema central não são as paredes de vidro, e sim o 
confinamento em si. Logo, a alternativa está incorreta.
B) INCORRETA – O texto não cita filmes e programas de 
televisão. A palavra “show” é utilizada na peça publicitária 
para fazer referência às atrações de parques aquáticos 
que envolvem animais marinhos como Hugo, a orca.
C) INCORRETA – O texto indica que o confinamento de 
animais marinhos gera um estresse psicológico que pode 
ser fatal. Portanto, o problema enfocado pelo texto não é 
a presença de animais instáveis em parques aquáticos, 
e sim o fato de que o confinamento desses animais 
pode levá-los a desenvolver esses problemas. Logo, a 
alternativa está incorreta, pois distorce as informações 
contidas no texto.
D) INCORRETA – Não há menção a uma rotina repetitiva no 
texto. O termo “repeatedly” é empregado para descrever 
a atitude da baleia Hugo que a levou à morte: bater a 
cabeça repetidamente no vidro do tanque.
E) CORRETA – Para chegar à resposta, pode-se basear nas 
seguintes passagens do texto: “Confined in tanks for many 
years, Hugo started showing signs of psychological stress 
[...]; Captivity kills. Stop supporting marine parks”. Vê-se 
que o texto enfatiza os problemas causados aos animais 
pelo confinamento. Logo, a alternativa está correta.
QUESTÃO 04 
No speak English
Mamacita is the big mama of the man across the street, 
third-floor front. […]
The man saved his money to bring her here […] because 
she was alone with the baby boy in that country. He worked 
two jobs. He came home late and he left early. Every day.
Then one day Mamacita and the baby boy arrived in a 
yellow taxi […].
Up, up, up the stairs she went […]. Then we didn’tsee 
her. […] I believe she doesn’t come out because she is 
afraid to speak English […]. She sits all day by the window 
[…]. She still sighs for her pink house, and then I think she 
cries. I would. 
Sometimes the man gets disgusted. He starts screaming 
and you can hear it all the way down the street. […]
¡Ay, caray! We are home. This is home. Here I am and 
here I stay. Speak English. Speak English. Christ!
546G
LCT – PROVA I – PÁGINA 2 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
¡Ay! Mamacita […] lets out a cry, […] as if he had torn 
the only skinny thread that kept her alive, the only road out 
of that country.
And then to break her heart forever, the baby boy, who 
has begun to talk, starts to sing the Pepsi commercial he 
heard on T.V.
No speak English, she says to the child who is singing 
in the language that sounds like tin. No speak English, no 
speak English, and bubbles into tears. No, no, no, as if she 
can’t believe her ears.
CISNEROS, S. No Speak English. In: The house on Mango Street. 
Vintage Books USA, 1991.
Sandra Cisneros é uma escritora americana de ascendência 
mexicana. Em No speak English, a autora aborda desafios 
enfrentados por latinos que migram para os EUA, tais como
A. 	a dificuldade de assimilação e inserção em uma nova 
cultura.
B. 	a crise identitária de crianças criadas em lares 
multiculturais.
C. 	o problema da violência doméstica em lares de 
imigrantes.
D. 	o conflito entre pessoas de idades e culturas diferentes.
E. 	a intolerância contra falantes de línguas estrangeiras.
Alternativa A
Resolução:
A) CORRETA – Mamacita tem dificuldade para se encontrar 
no novo país. Sente falta de casa e recusa-se a falar inglês. 
Além disso, a ideia de que seu bebê esteja aprendendo a 
língua a atormenta. Isso evidencia sua dificuldade para 
assimilar e se inserir na cultura estadunidense.
B) INCORRETA – No conto, o bebê não aparenta estar 
passando por nenhuma crise identitária. Pelo contrário: 
logo que começa a falar, ele se mostra bastante alinhado 
com a cultura local, cantando uma música em inglês que 
ouvira na TV. É justamente isso que aflige Mamacita.
C) INCORRETA – Embora o homem perca a paciência com 
a nostalgia de Mamacita e trate-a de forma ríspida, não se 
pode afirmar que haja uma intenção autoral de apontar, 
por meio disso, a existência de violência doméstica 
sistêmica em lares de imigrantes. Essa alternativa, na 
verdade, pode ser considerada falaciosa, pois parte do 
evento pontual relatado no texto para descrever um grupo 
social inteiro.
D) INCORRETA – Embora Mamacita e o homem sejam 
de idades diferentes (pois ela é mãe dele), ambos vêm 
do mesmo país, portanto têm a mesma cultura. Logo, o 
aspecto descrito na alternativa não se aplica ao texto.
E) INCORRETA – Tanto Mamacita quanto o homem são 
falantes nativos do espanhol. O homem inclusive começa 
sua frase com “¡Ay, caray!”, que é uma interjeição castelhana 
que demonstra enfado. Portanto, o espanhol não é uma 
língua estrangeira para ele, o que invalida a alternativa.
QUESTÃO 05 
Election 2015: Tory inheritance tax plan “about values” 
Chancellor George Osborne has said Conservative plans 
to remove family homes worth up to £1m from inheritance tax 
“supports the basic human instinct to provide for your children”. 
It means more owners of homes in the UK would be able 
to pass them on to their children without paying tax. 
EYN3
The policy is likely to be at the centre of the Tory election 
manifesto, which will be launched next week. 
Labour said the Tories had promised such a move before 
and did not deliver. 
Deputy leader Harriet Harman contrasted the idea with 
Labour’s plan for a “mansion tax”, saying “people face a big 
choice”. 
“It’s becoming clearer and clearer as we get to the election 
how actually the Tories are helping a few people – and we 
want everybody to be better off,” she told BBC One’s Andrew 
Marr Show. 
The £1bn cost of the Conservative policy will be paid for 
by reducing tax relief on the pension contributions of people 
earning more than £150,000, says the party. 
Disponível em: <http://www.bbc.com/news/election-2015-32271505>. 
Acesso em: 12 dez. 2017. [Fragmento]
A notícia anterior, publicada na época das eleições britânicas 
de 2015, aborda uma proposta que constituía a base da 
campanha do Partido Conservador. Essa proposta previa 
A. 	 a cobrança de taxas sobre transmissões de imóveis 
familiares de qualquer valor. 
B. 	 a redução dos valores pagos a pensionistas que 
recebem acima de 150 000 libras anuais.
C. 	 a isenção de impostos na transferência de imóveis de 
até um milhão de libras por motivo de herança.
D. 	 a elevação dos valores pagos pelo governo britânico 
àqueles que necessitam de auxílio-moradia. 
E. 	 o aumento do valor dos impostos pagos sobre os 
planos de aposentadoria de funcionários públicos. 
Alternativa C
Resolução:
A) INCORRETA – A proposta dos Tories não contempla a 
cobrança de impostos sobre a transferência de imóveis 
de qualquer valor, mas sim, ao contrário, a isenção da 
cobrança sobre a transferência de imóveis cujo valor seja 
inferior a um milhão de libras esterlinas.
B) INCORRETA – Na última frase do texto, lê-se o seguinte: 
“The £1bn cost of the Conservative policy will be paid for by 
reducing tax relief on the pension contributions of people 
earning more than £150,000, says the party”. Isso quer 
dizer que, para compensar o ônus aos cofres públicos 
causado pela mudança na taxação da transferência 
de imóveis, o Partido Conservador pretende reduzir 
a desoneração fiscal das contribuições ao fundo de 
pensões feitas por indivíduos cuja renda supera as 150 mil 
libras por ano. Com a redução dessas desonerações, 
os contribuintes passarão a pagar mais para o governo. 
Portanto, não se trata de reduzir o valor pago aos 
pensionistas, mas de aumentar o valor da contribuição 
dos futuros aposentados.
C) CORRETA – Nos dois primeiros parágrafos do texto, 
explica-se que o plano do Partido Conservador é 
aumentar para um milhão de libras o valor máximo para 
que um imóvel seja isento do “imposto sobre herança” 
(inheritance tax).
D) INCORRETA – O texto não faz referência a auxílios-
-moradia, logo não é possível fazer a afirmação da 
alternativa D.
E) INCORRETA – O texto não faz qualquer menção ao plano 
de aposentadoria de funcionários públicos britânicos, 
portanto a afirmação da alternativa não é cabível.
ENEM – VOL. 3 – 2018 LCT – PROVA I – PÁGINA 3BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS
Questões de 01 a 45
Questões de 01 a 05 (opção espanhol)
QUESTÃO 01 
Entrevista con Mario Benedetti
 Clárin: Hay un libro suyo que lleva por título La vida ese 
paréntesis [...] Y dentro de su paréntesis personal, ¿hay 
cosas de las que se arrepienta, algo que hubiera querido 
hacer de manera diferente?
 Mario Benedetti: Y sí, claro que sí, me he equivocado en 
muchas cosas. A veces me arrepiento de haber publicado un 
poema, no por cuestiones políticas, sino porque hoy lo veo y 
no creo que esté bien. Me he equivocado en haber publicado 
libros que todavía no estaban suficientemente maduros. 
Y en la vida misma también hay arrepentimientos. Hubiera 
deseado ser un joven más feliz, menos prejuicioso, menos 
ensimismado... También me arrepiento bastante de lo que fue 
mi actividad política, que en un momento fue muy intensa. 
Yo fui dirigente del Frente Amplio, pero a medida que iba 
pasando el tiempo advertí que no tenía la menor vocación 
para dirigente político, sí para militancia independiente, fuera 
del aparato partidario. Finalmente llegué a la conclusión 
de que podía tener una incidencia política mucho mayor a 
través de la literatura. Puede ser que me haya equivocado 
en muchas cosas, pero en lo que no me he equivocado es 
en mantener cierta coherencia política. A pesar de algunos 
errores circunstanciales, creo que volvería por el mismo 
camino aunque tal vez no con los mismos pasos, para no 
meter la pata.
MARTINEZ, Ezequiel. Disponívelem: <http://edant.clarin.com/
diario/especiales/benedetti/nota1.htm>. Acesso em: 03 mar. 2015 
(Adaptação).
No trecho da entrevista ao jornal Clarín, o escritor e jornalista 
uruguaio Mario Benedetti afirma que se arrepende de ter 
A. 	 escolhido as profissões de escritor e jornalista. 
B. 	 provocado muitos prejuízos na juventude.
C. 	 publicado opiniões políticas em seus poemas.
D. 	 sido incoerente em suas concepções políticas. 
E. 	 vivido momentos de intensa militância política. 
Alternativa E
Resolução: No texto, Benedetti diz ter se arrependido de 
sua atividade política, pois percebeu com o tempo, que não 
tinha vocação para a militância partidária, e sim, para a 
militância independente por meio da literatura, o que torna 
correta a alternativa E. A alternativa A está incorreta porque 
no texto não há menção ao escritor ter se arrependido de sua 
atividade profissional. A alternativa B está incorreta porque 
ela explora a palavra “prejuicioso”, um falso cognato que em 
espanhol significa “preconceituoso”, de modo que o escritor 
declarou que gostaria de ter sido menos preconceituoso, e 
não que se arrepende de ter causado prejuízos na juventude. 
A alternativa C está incorreta, pois Benedetti acredita que 
sua vocação é a militância política por meio da literatura. Por 
fim, a alternativa D está incorreta porque o escritor afirma 
que manteve sua coerência política com apenas alguns 
erros circunstanciais. 
JRØD
QUESTÃO 02 
Retrato 
No tenía este rostro que tengo
tan calmo, tan triste, tan magro,
ni estos ojos tan vacíos,
ni el labio amargo.
No tenía estas manos sin fuerza,
tan paradas, tan frías, tan muertas.
No tenía este corazón
que ni se muestra.
Y no entiendo esta mudanza,
tan simple, tan cierta, tan fácil.
¿En qué espejo se perdió
mi rostro grácil?
MEIRELES, C. Disponível em: <http://www.letrasenlinea.cl>. 
Acesso em: 24 out. 2017.
Nesse poema de Cecília Meireles, o eu lírico faz um retrato 
de si próprio,
A. 	 comparando seu rosto com o de pessoas mais fortalecidas, 
que passaram pelas mesmas transformações. 
B. 	 constatando as mudanças e transformações psicológicas 
e físicas pelas quais passou ao longo dos anos.
C. 	 compreendendo as mutações físicas e emocionais 
trazidas pelas experiências vivenciadas ao longo da vida. 
D. 	 aceitando a fragilidade de seu corpo e o semblante 
magro e triste de seu rosto precocemente envelhecido. 
E. 	 repudiando, assombrada, as transformações físicas e 
emocionais vivenciadas, perceptíveis em seu corpo e 
atitude. 
Alternativa E
Resolução: O eu lírico do poema tem um posicionamento 
de repúdio e assombro diante das transformações que nota 
em seu corpo e em sua atitude, que podem ser percebidos 
na não aceitação constante de suas mudanças explicitadas 
nos trechos: “No tenía ...”, “Y no entiendo esta mudanza” 
e “¿En qué espejo se perdió mi rostro grácil?”. Portanto, a 
alternativa correta é a E. A alternativa A está incorreta porque 
o eu lírico se compara a si mesmo no passado e não com 
outras pessoas. A alternativa B está incorreta porque o eu 
lírico faz um retrato de si próprio não constatando apenas, 
mas rejeitando as mudanças, com as quais se entristece. 
As alternativas C e D estão incorretas porque o eu lírico não 
aceita nem compreende sua transformação.
QUESTÃO 03 
Tareas diarias para mantener el orden en casa
1. Deja la cama hecha siempre antes de salir de casa. 
¡Qué feo queda volver de trabajar y ver la cama revuelta!
2. Recoge la mesa después de cada comida, nada más 
terminar. No te recuestes en el sofá antes de hacer eso. 
Luchar contra la pereza es duro.
3. Recoge la cocina. No basta con recoger la mesa y 
dejar todos los platos en la cocina. El fregadero no es un 
contenedor. Así que rápidamente los platos al lavavajillas.
TKH1
LONV
LCT – PROVA I – PÁGINA 4 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
4. Antes de salir de una habitación, si ya has terminado lo que estabas haciendo, echa un vistazo y recógela.
5. Dobla y guarda la ropa en los armarios, tanto la que has llevado puesta ya aireada como si recoges el tendedero. 
Si amontonas en una silla, la montaña crecerá.
6. Plantéate hacer una tarea de la casa al día. Poner una lavadora, planchas, limpiar el polvo, ir a la compra… Solo 
una por día para no acumularlas todas. [...]
7. Tira la basura. No la acumules.
8. Planifica las comidas del día siguiente. Dedica unos días a pensar qué comerás y cenarás al día siguiente. Mira el 
interior de tu nevera para ver qué corre el riesgo de estropearse en su interior y aprovéchalo.
Disponível em: <http://www.micasarevista.com>. 
Acesso em: 26 jan. 2016. [Fragmento]
Para manter a ordem em uma casa, algumas tarefas diárias são necessárias. Entre essas atividades, a autora do 
texto sugere 
A. 	realizar todas as tarefas em um único dia da semana para ter mais tempo livre. 
B. 	dobrar e empilhar as roupas em uma cadeira de maneira para que não fiquem espalhadas. 
C. 	recolher a mesa após as refeições mesmo que a louça não seja lavada no mesmo dia. 
D. 	guardar a vassoura e os demais materiais de limpeza para que não fiquem acumulados.
E. 	planejar a alimentação do dia seguinte para que os alimentos não estraguem na geladeira.
Alternativa E
Resolução: A alternativa correta é a E, como pode ser confirmado no oitavo tópico do texto, o qual afirma que devemos planejar 
as refeições do dia seguinte e conferir a geladeira para não correr o risco de que algum alimento estrague. A alternativa A 
está incorreta porque as tarefas apresentadas devem ser realizadas escalonadamente. A alternativa B está incorreta, pois as 
roupas devem ser guardadas no armário, evitando colocá-las em uma cadeira para que não fiquem amontoadas. A alternativa C 
está incorreta, pois deve-se colocar a louça na lava-louça logo após tirar a mesa. A alternativa D está incorreta, pois o texto 
não se refere a materiais de limpeza e onde guardá-los. 
QUESTÃO 04 
Chicos en las redes o cómo huir de los adultos
Perfiles paralelos, lenguaje en código, identidades falsas: en Internet los adolescentes construyen un mundo propio y 
alejado de la mirada adulta.
Daniela Lepiscope no entendía por qué cuando entraba al perfil que Valentina tiene en Instagram le aparecían en la 
pantalla comentarios y fotos que ella no reconocía como de su hija. “Es que le presté mi usuario a Paz y ella me prestó 
el suyo. Lo hicimos porque yo bardeo mejor”, fue la respuesta casi crítica de la adolescente de 12 años. “¿Bardeo mejor? 
Te dije que por las redes no quiero que insultes porque queda horrible”, le recordó Daniela. “Ay, má, bardear no es insultar. 
Es responder de forma sagaz”, retrucó.
Además de prestarles su usuario a las amigas, donde adoptan la identidad – al menos virtual – de la otra, Valentina también 
le contó a su mamá que inventa perfiles de gente que no existe para llamar la atención de unos chicos que juegan al rugby y 
que cambia la contraseña de acceso a su perfil de Instagram y Snapchat casi a diario. Daniela la escucha con atención y trata 
de comprender un poco más acerca de ese universo que habita su hija en Internet y del que ella está prácticamente excluida. 
Disponível em: <http://www.elpais.com.uy>. Acesso em: 02 mar. 2017. [Fragmento]
O texto evidencia o quão particular se tornou o universo dos jovens e adolescentes após o advento da Internet. Ao usar a 
estrutura “Ay, má, bardear no es insultar. Es responder de forma sagaz”, a filha mostra-se
A. 	impaciente com a falta de conhecimento da mãe.
B. 	irônica perante o desejo da mãe de criar um perfil. 
C. 	compreensiva com o interesse exposto pela mãe. 
D. 	surpresa com as limitações apresentadas pela mãe.
E. 	orgulhosa por saber mais sobre a Internet que sua mãe.
DSTQ
ENEM – VOL. 3 – 2018 LCT – PROVA I – PÁGINA 5BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
Alternativa A
Resolução: A alternativa correta é a A, como pode ser confirmado na sexta linha do primeiro parágrafo: “responder de 
forma sagaz”, “retrucó”. O uso do verbo “retrucar” comprova a impaciênciada filha com o desconhecimento da mãe sobre o 
vocabulário referente à Internet e às redes sociais. A alternativa B está incorreta porque a mãe não manifesta desejo de ter 
um perfil, mas sim de compreender um pouco mais sobre o universo da filha. A alternativa C está incorreta, pois de acordo 
com o texto, a filha responde à mãe de forma ríspida nas duas ocasiões mencionadas no primeiro parágrafo. A alternativa D 
está incorreta, pois a filha não se mostra surpresa, mas sim impaciente e arredia ao interesse da mãe. A alternativa E está 
incorreta porque a filha não se vangloria por saber mais que a mãe em nenhum momento do texto.
QUESTÃO 05 
Las cosas
El bastón, las monedas, el llavero,
la dócil cerradura, las tardías
notas que no leerán los pocos días
que me quedan, los naipes y el tablero,
un libro y en sus páginas la ajada
violeta, monumento de una tarde
sin duda inolvidable y ya olvidada,
el rojo espejo occidental en que arde
una ilusoria aurora. ¡Cuántas cosas,
láminas, umbrales, atlas, copas, clavos,
nos sirven como tácitos esclavos,
ciegas y extrañamente sigilosas!
Durarán más allá de nuestro olvido;
no sabrán nunca que nos hemos ido.
BORGES, J. L. Disponível em: <http://marcelosaraceno.tripod.com>. Acesso em: 16 jun. 2017.
O poema de Jorge Luis Borges fala sobre diversas coisas e objetos. Nele, o foco do autor está direcionado para a(o)
A. 	 admiração causada por conseguirmos desapegar-nos de todos os bens materiais que adquirimos quando chegamos ao 
fim da vida.
B. 	 estranheza causada pelas pessoas que possuem muitas coisas sem verdadeira utilidade, visto que nada levaremos no 
momento da morte.
C. 	 assombro causado por possuirmos muitas coisas que têm significado e utilidade para nós, enquanto elas, por natureza, 
ignoram nossa existência.
D. 	 vaidade causada pela percepção de que nós, seres humanos, possuímos a crença egocêntrica de que temos direito 
sobre todas as coisas.
E. 	 ódio causado pela constatação de que somos mortais, enquanto todas as coisas e objetos dos quais nos servimos 
sobreviverão à nossa existência.
Alternativa C
Resolução: A alternativa correta é a C, pois o foco do autor está direcionado para o assombro devido ao fato de que 
todas as diversas coisas que possuímos não têm a menor consciência de nossa existência. As alternativas A, D e E são 
incorretas porque não é possível afirmar com base no poema que o autor sinta admiração, vaidade ou ódio no tocante 
aos objetos e a nossa relação com eles. A alternativa B é incorreta porque não é possível afirmar que os objetos citados 
não tenham verdadeira utilidade. Além disso, o tom predominante do poema é de assombro e reflexão acerca da relação 
dos seres com os objetos.
NMAD
LCT – PROVA I – PÁGINA 6 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
QUESTÃO 06 
A presidente do Conselho Federal de Fonoaudiologia, 
Thelma Costa, comentou o tema da redação do Enem de 
2017 – “Desafios para a Formação Educacional de Surdos 
no Brasil”. Segundo ela, o assunto da inclusão deveria ser 
debatido por todos, inclusive porque o deficiente auditivo 
faz parte da comunidade escolar, como qualquer pessoa 
com deficiência.
“Os desafios são vários, porque existe a questão da 
formação do professor. O aluno, seja surdo ou com qualquer 
deficiência, é colocado na sala de aula, mas não é incluído. 
É muito mais fácil incluir pessoas com deficiência física, mas 
com relação ao surdo, é preciso ter um intérprete e uma 
maneira diferente de dar aula. É um desafio”, disse.
O preconceito existe, ainda, na própria pessoa com 
deficiência auditiva. “A primeira pergunta que ela faz é se o 
aparelho vai aparecer. Como se, desaparecendo o aparelho, 
desaparece o problema. Isso é preconceito da própria 
pessoa. E a gente pergunta: ‘Mas você usa óculos? Qual é 
a dificuldade e a diferença?’”, acrescentou a especialista.
VERDÉLIO, A. Hoje em dia, 12 nov. 2017. [Fragmento adaptado]
A coesão textual é responsável por estabelecer relações 
entre as partes do texto. No trecho “desaparece o problema”, 
há uma inadequação entre o verbo e o seu modo verbal, ao 
se considerar a oração anterior, pois a
A. 	 ideia de suposição deixa de ser realçada.
B. 	 noção de consequência se torna incoerente.
C. 	 certeza da conclusão da ação deixa de existir.
D. 	 ação passa a ser representada como habitual.
E. 	 realização da ação passa a acontecer no passado.
Alternativa A
Resolução: Analisando o período “Como se, desaparecendo 
o aparelho, desaparece o problema”, identifica-se a ideia 
de hipótese que se pretende imprimir, já que o problema 
desapareceria caso o aparelho não ficasse exposto. Essa 
ideia é registrada pelo conectivo “se”. Nesse sentido, o 
tempo verbal que se relaciona com o verbo da oração 
“desaparecendo o aparelho” – que também poderia ser 
redigida “quando desaparecer” ou “ao desparecer” – é o 
pretérito imperfeito do modo subjuntivo: “desaparecesse”. 
Da maneira que foi proferida a frase no texto, perde-se a 
ideia de suposição, a qual deveria ser realçada. Portanto, 
está correta a alternativa A. A alternativa B está incorreta 
porque não há noção de consequência no texto, e sim 
conformidade, a qual denota suposição. A alternativa C 
está incorreta porque, mesmo grafando-se “desaparece” 
ou “desaparecesse”, ainda assim, não há certeza da 
conclusão da ação, já que ela ocorre num plano hipotético. 
A alternativa D está incorreta porque, mesmo que o tempo 
verbal de “desaparece”, presente do modo indicativo, possa 
denotar uma ação habitual, não há essa noção na frase, já 
que se trata de uma suposição. Por fim, a alternativa E está 
incorreta porque, sendo uma ação hipotética, ela aconteceria 
no futuro.
FQG8 QUESTÃO 07 
Disponível em: <http://revistagalileu.globo.com>. 
Acesso em: 13 dez. 2017.
É usual, na Internet, a apropriação de diferentes gêneros 
para a composição de um novo texto. No meme anterior, 
o humor é alcançado por meio de
A. 	 conectivo aditivo com valor semântico de conclusão.
B. 	 hipérbole na quantidade de amigos virtuais dos usuários.
C. 	 descrição da atitude de alguns usuários de redes sociais.
D. 	 surpresa da personagem com a quantidade de amigos 
virtuais.
E. 	 fusão da reação da personagem com a insatisfação no 
texto verbal.
Alternativa E
Resolução: No meme, o autor posiciona-se criticamente 
acerca do comportamento de alguns usuários em redes 
sociais, os quais seriam contraditórios ao dizer que “amigo 
a gente conta no dedo” – significando que são poucos os 
amigos – e marcar um número altíssimo de pessoas. Essa 
crítica é percebida por meio da combinação dos elementos 
verbais e não verbais do texto: respectivamente a descrição 
do que fazem alguns usuários e o semblante contrariado 
do homem, a personagem Seu Madruga, do seriado de TV 
Chaves. Portanto, está correta a alternativa E. As demais 
alternativas não interpretam corretamente o texto ou não 
apontam o elemento gerador de humor. A alternativa A está 
incorreta porque o conectivo aditivo “e” apresenta valor 
semântico de oposição. A alternativa B está incorreta porque, 
mesmo que haja hipérbole em “58 pessoas”, o humor do 
meme só é alcançado por meio da fusão dos elementos 
verbo-visuais. A alternativa C está incorreta porque somente 
a descrição da atitude de alguns internautas não gera humor 
no texto. Finalmente, a alternativa D está incorreta porque a 
expressão da personagem não representa surpresa pelo alto 
número de amigos, mas insatisfação com o comportamento 
contraditório dos usuários.
QUESTÃO 08 
Os rios, de tudo o que existe vivo, 
vivem a vida mais definida e clara; 
para os rios, viver vale se definir 
e definir viver com a língua da água. 
O rio corre; e assim viver para o rio 
vale não só ser corrido pelo tempo: 
o rio o corre; e pois que com sua água, 
viver vale suicidar-se, todo o tempo.
MELO NETO, J. C. Disponível em: <http://amoraroxa.blogspot.com.br>. 
Acesso em: 14 dez. 2017. [Fragmento]
OKXW
HO3Q
ENEM – VOL. 3 – 2018 LCT – PROVA I – PÁGINA 7BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINONo penúltimo verso do fragmento anterior, as duas 
ocorrências do vocábulo “o” podem ser classificadas, 
respectivamente, quanto à classe gramatical como
A. 	 artigo definido e pronome relativo.
B. 	 artigo definido e pronome pessoal.
C. 	 pronome relativo e pronome relativo.
D. 	 pronome relativo e pronome pessoal.
E. 	 pronome pessoal e pronome pessoal.
Alternativa B
Resolução: No verso “o rio o corre; e pois que com sua 
água”, a primeira ocorrência do vocábulo “o” é classificada 
como artigo definido masculino, pois determina o substantivo 
masculino “rio”, antecedendo-o. Já a segunda ocorrência é 
classificada como pronome pessoal oblíquo, pois substitui 
o termo “tempo”, visto no verso anterior, assumindo função 
sintática de objeto direto. Portanto, a alternativa correta é a B.
QUESTÃO 09 
Os cientistas Jeffrey C. Hall, Michael Rosbash e 
Michael W. Young ganharam na segunda-feira o Prêmio 
Nobel de Medicina de 2017 “por descobrirem os mecanismos 
moleculares que controlam o ritmo circadiano”, os fenômenos 
biológicos que ocorrem ritmicamente por volta da mesma 
hora do dia, como o sono. Suas descobertas, de acordo 
com o júri, explicam como as plantas, os animais e as 
pessoas sincronizam seus ritmos biológicos com as voltas 
do planeta Terra.
Hall (Nova Iorque, 1945), Rosbash (Kansas City, 1944) 
e Young (Miami, 1949) utilizaram moscas da fruta em 1984 
para isolar um gene que controla o ritmo biológico normal. 
Suas pesquisas mostraram que esse gene codifica uma 
proteína que se acumula nas células durante a noite e 
se degrada durante o dia, como detalha um comunicado 
do Instituto Karolinska de Estocolmo, responsável pela 
premiação. Depois, identificaram mais componentes do 
relógio interno, que também funciona nas células de outros 
organismos multicelulares, como os seres humanos.
 Disponível em: <https://brasil.elpais.com>. Acesso em: 13 dez. 2017. 
[Fragmento]
Considerando as informações apresentadas, verifica-se que 
o excerto tem como um de seus objetivos
A. 	 mostrar a importância de um prêmio Nobel para a 
sociedade.
B. 	 explicar o projeto ganhador do Nobel de Medicina do 
ano 2017.
C. 	 exemplificar caminhos para o reconhecimento científico 
internacional.
D. 	 defender pesquisas e investimentos nas áreas 
medicinal e acadêmica.
E. 	 enaltecer os cientistas ganhadores para a valorização 
de conquistas pessoais. 
W336
Alternativa B
Resolução: O texto jornalístico noticia quem são os 
ganhadores do Prêmio Nobel de Medicina de 2017, bem 
como qual projeto desenvolveram. Nesse sentido, dada a 
grande repercussão por trás da premiação anual, o texto, 
em especial o fragmento analisado, tem como objetivo 
explicar o projeto ganhador e sua relevância, uma vez que 
o público-alvo do veículo é constituído por pessoas cujo 
conhecimento acerca do tema é superficial. Assim, está 
correta a alternativa B. A alternativa A está incorreta porque 
o texto não aponta os supostos benefícios da premiação 
para a sociedade. A alternativa C está incorreta porque o 
texto não expõe maneiras de se adquirir reconhecimento 
científico internacional, mas explica e descreve o trabalho 
dos cientistas estadunidenses. A alternativa D está 
incorreta porque o texto foca apenas no projeto ganhador 
do Prêmio Nobel de Medicina de 2017, sem juízo de valor 
sobre pesquisas e investimentos nas áreas medicinal e 
acadêmica. Por fim, a alternativa E está incorreta porque o 
texto não enaltece os cientistas ganhadores por causa de 
suas conquistas pessoais, mas por causa da contribuição 
do projeto para a sociedade.
QUESTÃO 10 
Vira e mexe o dinheiro toma na moleira: é o pai da 
desigualdade, mãe da injustiça, filho da ganância, irmão 
da discórdia, tio do ressentimento, primo (por afinidade) da 
desilusão. Mas ouso afirmar que há um outro ativo muito 
mais injusto, pernicioso e mal distribuído a fustigar nossa 
miserável humanidade: a beleza.
A beleza é congênita, aleatória e não meritocrática. 
Num país minimamente igualitário (não me refiro ao Brasil, 
claro), um pobre que se esforce bastante tem chances de 
acabar rico. Já um bebê que vier ao mundo com nariz de 
Nosferatu, orelhas de Dumbo e dentição do Shrek vai morrer 
tão feio quanto nasceu. O estado de bem-estar social, a ONU, 
George Soros ou o Médicos Sem Fronteiras são impotentes 
diante do feio.
O cineasta Luis Buñuel começa sua autobiografia 
dizendo que ao chegar aos 80 sentiu uma paz inédita. 
A partir dali, ao cruzar com uma mulher deslumbrante, seguia 
impávido: estava livre da beleza.
Ao contrário do dinheiro que, durante o século XX, 
aos trancos e barrancos, aqui e ali, foi sendo mais bem 
distribuído, a beleza concentrou-se. Antes das revistas, do 
cinema, da televisão, da Internet, a mais bonita do vilarejo 
era a mais bonita do mundo. Cada cafundó tinha seu 
Brad Pitt, sua Gisele. Chineses se mediam pelos padrões 
chineses, Yanomami pelos padrões Yanomami, congoleses 
pelo congolês. Agora todo mundo é feio, só o Brad Pitt e a 
Gisele é que não.
Pior, mesmo o Brad Pitt e a Gisele são vítimas do 
esteticismo selvagem: a cada dia que passa, a cada hora, a 
cada minuto, se afastam do Brad Pitt e da Gisele que foram. 
O rico velho, se souber aplicar o dinheiro, fica mais rico, mas 
não existe aplicação para a beleza. 
M6GB
LCT – PROVA I – PÁGINA 8 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
Aí vem o século XXI, império do Photoshop e chegamos 
à miséria absoluta. Até o ser humano considerado mais 
belo só será belo nas fotos, com filtro, na tela de um celular. 
Concentramos tanto a beleza que acabamos por extingui-la 
– o que não deixa de ser, de um modo estranho, certa forma 
de justiça. 
PRATA, A. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br>. Acesso em: 
13 nov. 2017. [Fragmento]
No fragmento, o autor mistura fatos e opiniões para compor 
seu projeto argumentativo. A passagem em que o teor factual 
prevalece é:
A. 	 “A beleza é congênita, aleatória e não meritocrática.”
B. 	 “O estado de bem-estar social, a ONU, George Soros 
ou o Médicos Sem Fronteiras são impotentes diante 
do feio.”
C. 	 “A partir dali, ao cruzar com uma mulher deslumbrante, 
seguia impávido: estava livre da beleza.”
D. 	 “Antes das revistas, do cinema, da televisão, da 
Internet, a mais bonita do vilarejo era a mais bonita do 
mundo.”
E. 	 “Aí vem o século XXI, império do Photoshop e chegamos 
à miséria absoluta.”
Alternativa C
Resolução: Na passagem “A partir dali, ao cruzar com 
uma mulher deslumbrante, seguia impávido: estava livre da 
beleza”, o autor apenas relata o que leu na autobiografia 
do cineasta Luis Buñuel. Assim, não há juízo de valor, já 
que o fragmento não é opinativo, mas factual. A alternativa 
correta, então, é a C. Nas passagens das outras alternativas, 
o caráter opinativo do texto é preponderante, uma vez que o 
posicionamento do autor é marcado, principalmente, pelo uso 
dos verbos de ligação “é” e “são”, e dos adjetivos “congênita”, 
“impotente”, “bonita” e “absoluta”, entre outros. Dessa forma, 
a principal diferença entre os trechos das alternativas é que 
na C o autor não exprime sua opinião, já que usa as palavras 
de outrem em seu relato.
QUESTÃO 11 
Foi coisa tão nova e tão desusada aos olhos humanos 
a semelhança daquele fero e espantoso monstro marinho 
que nesta província se matou no ano de 1564, que ainda por 
muitas partes do mundo se tenha já notícia dele, não deixarei, 
todavia, de dar aqui outra vez de novo [...]. Era quinze palmos 
de comprido e semeado de cabelos pelo corpo, e no focinho 
tinha umas sedas mui grande como bigodes. Os índios 
da terra chamam em sua língua iupiara, que quer dizer 
demônio-d’água. Alguns como estes se viram já nestas 
partes, mas acham-se raramente. E assim também deve de 
haver outros muitos monstros de diversos pareceres, que 
no abismo desse largo e espantoso mar se escondem, de 
não menos estranheza e admiração; e tudo se pode crer 
por difícil que pareça; porque os segredos da natureza não 
foram revelados todos ao homem, para que com razão 
possonegar, e ter por impossível as coisas que não viu, 
nem de que nunca teve notícia.
GÂNDAVO, P. M. História da província de Santa Cruz. São Paulo: 
Hedra, 2008. p. 117-119.
9P4D
As primeiras cartas de viagem registraram a então Terra de 
Santa Cruz e seus habitantes por meio de relatos, muitas 
vezes, imaginários. Imagens de mitos de origem medieval ou 
clássica aparecem conjugadas com descrições de elementos 
provenientes da cultura indígena, o que possibilita acreditar 
que os
A. 	interesses da Coroa portuguesa em receber informações 
objetivas foram relevados pelos escrivães, tão somente 
dedicados a descrever o comportamento grotesco dos 
nativos.
B. 	viajantes escreveram por analogia ao associar 
o desconhecido a ideias que já faziam parte da 
tradição ocidental e sistematizaram, desse modo, o 
conhecimento sobre o Novo Mundo. 
C. 	registros são documentos inverídicos produzidos 
para denegrir as crenças dos nativos no anseio de 
deslegitimá-los perante os europeus e possibilitar a sua 
rápida extinção.
D. 	habitantes nativos se comportavam de maneira muito 
semelhante aos povos estrangeiros, estando a cultura 
indígena e a cultura europeia associadas intimamente 
uma à outra. 
E. 	documentos pertencentes à literatura de viagem, 
inéditos até o início do século XX, foram modificados 
na publicação para se tornarem mais interessantes ao 
público leitor da época.
Alternativa B
Resolução: Os registros feitos ao longo das Grandes 
Navegações refletem as crenças dos europeus, que, muito 
religiosos e supersticiosos, projetavam suas tradições nos 
acontecimentos que não conseguiam explicar. Um exemplo 
no texto de Pero de Magalhães Gândavo é o nome dado 
à criatura misteriosa, “demônio”, num óbvio sincretismo 
com o cristianismo. Portanto, está correta a alternativa B. 
A alternativa A está incorreta porque no fragmento não há 
descrição dos hábitos dos indígenas, os quais também não 
são tidos como grotescos. A alternativa C está incorreta 
porque o texto carece de alteridade, no entanto não foi 
produzido com o intuito de denegrir a cultura indígena ou 
promover sua extinção. A alternativa D está incorreta porque 
os povos ameríndios e os europeus apresentavam e ainda 
apresentam diferenças em vários âmbitos sociais, políticos, 
culturais, religiosos. Finalmente, a alternativa E está incorreta 
porque os textos não permaneceram inéditos nem foram 
modificados antes de sua publicação.
QUESTÃO 12 
Pesadão
Vou reerguer o meu castelo 
Ferro e martelo 
Reconquistar o que eu perdi 
Eu sei que vão tentar me destruir 
Mas vou me reconstruir 
Vou ‘tá mais forte que antes 
Quando a maldade aqui passou 
E a tristeza fez abrigo 
Luz lá do céu me visitou 
EIHN
ENEM – VOL. 3 – 2018 LCT – PROVA I – PÁGINA 9BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
E fez morada em mim 
Quando o medo se apossou 
Trazendo guerra sem sentido 
A esperança aqui ficou 
Segue vibrando 
E me fez lutar para vencer
LIMA, I.; FALCÃO, M.; BISPO, P. Pesadão. In: Pesadão. Download 
digital. Warner, 2017. [Fragmento]
Na letra da canção, o verso que se inicia por conjunção que 
estabelece elo conectivo com a oração que o sucede é:
A. 	 “Mas vou me reconstruir”.
B. 	 “Quando a maldade aqui passou”.
C. 	 “E a tristeza fez abrigo”.
D. 	 “E fez morada em mim”.
E. 	 “E me fez lutar para vencer”.
Alternativa B
Resolução: Analisando a estruturação das orações na letra, 
vê-se que o verso da alternativa B faz parte do período 
“Quando a maldade aqui passou / e a tristeza fez abrigo”, 
relacionando-se, então, com a oração do verso seguinte por 
meio da conjução “quando”. Portanto, essa é a alternativa 
correta. Analisando esses mesmos versos, vê-se que a 
conjunção “e” em “E a tristeza fez abrigo”, na alternativa C, 
impõe sentido de adição com a oração anterior, por isso 
está incorreta. A alternativa A está incorreta porque a 
conjunção “mas” traz sentido de oposição à oração anterior: 
“Eu sei que vão tentar me destruir”. Já as alternativas D 
e E estão incorretas porque a conjunção “e” também traz 
sentido de adição com as orações anteriores, quais sejam, 
respectivamente, “Luz lá do céu me visitou” e “Segue 
vibrando”.
QUESTÃO 13 
TEXTO I
Flores
Olhei até ficar cansado
De ver os meus olhos no espelho
Chorei por ter despedaçado
As flores que estão no canteiro
Os pulsos e os punhos cortados
E o resto do meu corpo inteiro.
Há flores cobrindo o telhado
E embaixo do meu travesseiro
Há flores por todos os lados
Há flores em tudo que eu vejo
GAVIN, Charles; MIKLOS, Paulo; BRITTO, Sérgio; BELLOTTO, Tony. 
Flores. In: Titãs. Õ Blésq Blom. LP. WEA, 1989. [Fragmento]
NBYA
TEXTO II
 No intento de compreendermos melhor acerca desta 
organização, basta concluirmos que toda manifestação 
literária é fruto resultante da visão do homem de acordo 
com o mundo que o rodeia, que diz respeito ao conteúdo, 
ou seja, o produto artístico em si, materializado por meio de 
uma técnica e uma estilística próprias (forma). Partindo desse 
pressuposto, os gêneros literários, segundo a concepção 
aristotélica proposta na Grécia Antiga (384-322 a.C.), foram 
classificados em lírico, dramático e épico. Atualmente, como 
o gênero épico praticamente foi extinto, prefere-se dividi-los 
em lírico, dramático e narrativo [...], cada qual com suas 
características que lhes são peculiares [...].
DUARTE, V. M. N. Disponível em: <www.alunosonline.com.br>. 
Acesso em: nov. 2014 (Adaptação).
Considerando o que o texto II expressa sobre os gêneros 
literários e as características da canção dos Titãs, o gênero 
do texto I envolve, principalmente,
 A tema ligado diretamente à representação de um 
acontecimento, envolvendo viagens, aventuras, gestos 
heroicos e exaltação de feitos.
 B presença de um narrador que conta uma história de terceiros, 
mostrando a história de um povo ou de uma nação.
 C narrativa informal, que capta flagrantes da vida com um 
toque de sarcasmo, apresentando uma história completa, 
com personagens, conflito e temporalidade.
 D manifestação de um eu lírico que se expressa por meio 
dos elementos que acabam tomando suas características.
 E conflitos dos homens e de seu mundo, expondo 
manifestações da miséria humana, com o intuito de 
serem dramatizadas em cena.
Alternativa D
Resolução: O texto I é a letra de uma canção da banda 
Titãs, portanto pode ser compreendido como um texto 
literário, uma vez que compartilha inúmeras características 
com textos poéticos. Nesse sentido, sendo representante do 
gênero lírico, a letra dá vazão aos sentimentos e impressões 
da voz poética em um texto permeado de linguagem 
figurada, cuja intenção não é retratar o mundo exterior, mas 
aquele íntimo e concernente apenas ao autor. Está correta, 
portanto, a alternativa D. A alternativa A está incorreta porque 
o texto não representa acontecimento algum, apenas aquilo 
que sente o eu lírico. A alternativa B está incorreta porque 
não há narrador no texto, mas sim um eu lírico, o qual não 
conta história de outrem. A alternativa C está incorreta 
porque, novamente, não se trata de uma narração, mas de 
um texto lírico. A alternativa E, por fim, está incorreta porque 
o texto não trata de sentimentos universais ao ser humano, 
mas de percepções íntimas da voz poética.
LCT – PROVA I – PÁGINA 10 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
QUESTÃO 14 
Atualmente a população e os órgãos públicos têm exercido 
um papel fundamental na construção de uma sociedade 
sustentável, entendendo a importância da sustentabilidade e 
pressionando as organizações a se posicionarem perante as 
ações de sustentabilidade empresarial.
Muitas organizações não aderem a projetos sustentáveis 
devido à delonga do retorno financeiro, porém esse cenário 
está mudando, as empresas estão repensando seus 
valores e, para Elson Aparecido dos Santos, Coordenador 
de Utilidades na Unilever e pós-graduado em Gestão 
da Sustentabilidade e Responsabilidade Corporativa na 
Unicamp, “as iniciativas com o viés de sustentabilidade 
estão sendo colocadas como prioridade independentedo 
benefício financeiro. Isso certamente será uma tendência por 
conta do grande momento que vivemos e dos compromissos 
assumidos pelos governantes do mundo para reduzir os 
impactos ambientas, mantendo o crescimento da economia”.
Com essa evolução vemos que as organizações de 
origem privada e pública precisam tornar visíveis os projetos 
de sustentabilidade nos quais estão engajadas para que essas 
ações gerem credibilidade significativa frente à opinião pública.
MIOTO, D.; MUNIZ, S. Disponível em: <https://portal.metodista.br>. 
Acesso em: 21 out. 2017. [Fragmento]
Com base na argumentação construída, o texto apresenta uma 
proposta de intervenção para o problema da sustentabilidade 
nas organizações, que consiste em
A. 	 proporcionar transparência para os projetos de 
sustentabilidade.
B. 	 associar a sustentabilidade ao lucro para atrair as 
organizações. 
C. 	 possibilitar a evolução das empresas para justificar os 
projetos.
D. 	 mobilizar a opinião pública em favor das empresas 
privadas.
E. 	 fomentar as parcerias entre empresas públicas e 
privadas.
Alternativa A
Resolução: Após apresentarem o problema de muitas 
organizações que não aderiram a projetos sustentáveis 
devido aos valores da empreitada, no último parágrafo os 
autores propõem como solução que as organizações de 
origem privada e pública deem visibilidade aos projetos de 
sustentabilidade para que essas ações gerem credibilidade 
significativa frente à opinião pública. Está correta, portanto, 
a alternativa A. A associação da sustentabilidade ao lucro 
para atrair as organizações, proposta em B, está incorreta 
porque a argumentação se desenvolve em torno de 
modificar os valores das empresas que somente esperam 
o lucro para uma visão sustentável. A alternativa C está 
incorreta porque a solução proposta também não consiste 
em possibilitar a evolução das empresas para justificar o 
projeto, mas sim em proporcionar visibilidade para eles. 
Não há indícios no texto que permitam a inferência de uma 
mobilização da opinião pública em favor das empresas 
privadas, e sim em favor da sustentabilidade, o que torna 
incorreta a alternativa D. Por fim, embora sejam citadas 
as empresas públicas e privadas, não se propõe parceria 
alguma entre elas, o que invalida a alternativa E.
FF45 QUESTÃO 15 
Reza a metáfora que, se você joga o sapo na água 
fervendo, ele pula fora, mas se você joga na água fria e vai 
esquentando a água aos poucos, ele não percebe e morre 
cozido. Pura lenda urbana (na verdade, rural – dificilmente 
você encontrará sapos pra ferver na cidade). Recentemente, 
biólogos fizeram o teste e descobriram que o sapo, ao 
perceber que está virando caldo, pula fora da panela, 
estragando ao mesmo tempo a sopa e a metáfora. Malditos 
biólogos. Que obsessão em estragar metáforas.
A parábola servia muito bem para explicar um fenômeno 
tão comum quanto difícil de entender: por que as pessoas 
demoram tanto a pular fora de casamentos falidos, empregos 
deprimentes e governos autoritários. O ser humano demora 
pra perceber que a água está fervendo – e inventou a 
metáfora do sapo, coitado, logo ele que é tão melhor que a 
gente na sensibilidade à fervura. Seria mais justo se os sapos 
usassem, entre eles, a metáfora do humano.
A água está esquentando, pessoal. E tem sapo achando 
que é jacuzzi.
DUVIVIER, G. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br>. 
Acesso em: 13 nov. 2017. [Fragmento]
No fragmento anterior, a partir da análise das tipologias 
textuais que o compõem, identifica-se como objetivo 
comunicativo central do autor 
A. 	 defender um ponto de vista crítico sobre a lenta 
percepção das sociedades. 
B. 	 descrever o contexto social atual que ilustra a parábola 
acerca dos sapos. 
C. 	 expor a recente pesquisa científica que derrubou a 
metáfora dos sapos. 
D. 	 relatar uma já superada crença popular acerca do 
comportamento dos sapos. 
E. 	 sugerir que os brasileiros devem ser mais perspicazes 
ao tomarem decisões.
Alternativa A
Resolução: O texto apresenta caráter dissertativo- 
-argumentativo, assim o objetivo central do autor é a 
exposição de um fato ou ideia e a defesa de um ponto de 
vista. No trecho “A parábola servia muito bem para explicar 
um fenômeno tão comum quanto difícil de entender: por 
que as pessoas demoram tanto a pular fora de casamentos 
falidos, empregos deprimentes e governos autoritários. O ser 
humano demora pra perceber que a água está fervendo”, o 
autor se posiciona a respeito da percepção das pessoas nas 
sociedades, afirmando que elas, como o sapo da metáfora, 
demoram a assumir que as coisas andam ruins – ou mesmo 
nunca assumem. Portanto, está correta a alternativa A. 
A alternativa B está incorreta porque não há descrição de 
contexto social algum no fragmento, mas a exposição de 
situações análogas à parábola do sapo, segundo o autor: 
“casamentos falidos, empregos deprimentes e governos 
autoritários”. A alternativa C está incorreta porque o texto se 
limita a mencionar a pesquisa de biólogos que comprovam 
que os sapos pulam fora da panela ao perceberem que a 
temperatura da água está esquentando. A alternativa D está 
incorreta porque o texto não afirma que a parábola dos sapos 
já é compreendida como falsa pela população em geral. 
P9LS
ENEM – VOL. 3 – 2018 LCT – PROVA I – PÁGINA 11BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
Por sua vez, a alternativa E está incorreta porque o autor 
sugere, na verdade, que os brasileiros tenham mais iniciativa 
para reagir a situações desfavoráveis, e não na tomada de 
decisões.
QUESTÃO 16 
IAT, a sigla inglesa para Teste de Associação Implícita, 
é o nome da técnica que revolucionou os estudos sobre o 
preconceito. Ao avaliar a facilidade com que associamos 
categorias como negros, gays, gordos, velhos etc. a 
conceitos positivos e negativos, ela permite não apenas 
acessar o inconsciente como também medir nosso grau de 
preconceito implícito, isto é, aquele que não admitimos nem 
para nós mesmos. E o que o IAT revela sobre o preconceito 
contra idosos? Há na discriminação etária um par de 
paradoxos bem intrigantes. 
Para começar, há a constatação de que, apesar de não 
se ter notícia de discursos de ódio ou mesmo de hostilidades 
sistemáticas contra idosos, o preconceito em relação a 
esse grupo é forte e disseminado. Quando medido pelo IAT, 
apenas 6% dos norte-americanos associam a velhice a algo 
positivo, contra 80% que relacionam juventude ao bem. Esse 
mesmo fenômeno aparece também em sociedades asiáticas, 
onde o respeito pelos mais idosos é tido como traço cultural 
marcante. Mais interessante ainda, os próprios idosos 
exibem, pelo IAT, níveis de preconceito contra os mais velhos 
semelhantes aos demonstrados por jovens, diferentemente 
do que ocorre com outras discriminações. 
A dissonância cognitiva se resolve quando usamos o IAT 
para avaliar como os idosos veem a si mesmos. O resultado, 
surpreendente, é que tanto jovens quanto idosos associam 
automaticamente seu eu com juventude, e não com velhice. 
Para os nossos cérebros, velho é só o outro. Seria o segredo 
da juventude eterna, se o corpo acompanhasse os desejos 
do cérebro e não fosse parando de funcionar direito.
SCHWARTSMAN, H. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br>. 
Acesso em: 05 dez. 2017. [Fragmento adaptado] 
Textos opinativos valem-se de estratégias dissertativas 
diversas visando ao convencimento. No artigo, a apresentação 
de dados científicos corrobora a ideia de que a(o)
A. 	 discriminação contra idosos funciona de forma similar a 
qualquer outro tipo de preconceito. 
B. 	 segredo da juventude eterna pode ser descoberto com 
a ajuda da pesquisa divulgada. 
C. 	 Teste de Associação Implícita permite quantificar o 
grau de preconceito inconsciente.
D. 	 população estadunidense entende o envelhecimento 
de forma diferente da asiática. 
E. 	 preconceito etário se manifesta de forma contraditória 
nos resultados encontrados.
Alternativa E
Resolução: No texto, a exposição do resultado de pesquisas 
e estudos serve para corroborara ideia de que existe um 
preconceito velado contra idosos, o qual não é percebido 
na sociedade como aquele contra outras categorias. Isso 
pode ser comprovado, por exemplo, no seguinte trecho: 
“há a constatação de que, apesar de não se ter notícia de 
discursos de ódio ou mesmo de hostilidades sistemáticas 
contra idosos, o preconceito em relação a esse grupo é 
forte e disseminado”. A alternativa correta, portanto, é a E. 
HDRN
A alternativa A está incorreta porque apresenta uma 
afirmação que não se pode inferir do conteúdo do texto, já 
que o preconceito etário, embora forte e disseminado, não se 
revela por discursos de ódio ou manifestações de hostilidade. 
A alternativa B está incorreta porque, quando menciona 
o segredo da juventude eterna, o autor está, na verdade, 
sugerindo que ele só existiria se o corpo acompanhasse os 
desejos do cérebro, diferentemente do que foi encontrado 
na pesquisa. A alternativa C está incorreta porque apresenta 
uma descrição do Teste de Associação Implícita, e não o 
resultado da exposição dos dados encontrados por ele. 
Finalmente, a alternativa D está incorreta porque também 
apresenta uma afirmação não encontrada no texto, o qual diz 
justamente o contrário, que o fenômeno do preconceito etário 
também foi identificado em sociedades asiáticas pelo IAT.
QUESTÃO 17 
Vós, diz Cristo, Senhor nosso, falando com os 
pregadores, sois o sal da terra: e chama-lhes sal da terra, 
porque quer que façam na terra o que faz o sal. O efeito do sal 
é impedir a corrupção; mas quando a terra se vê tão corrupta 
como está a nossa, havendo tantos nela que têm ofício de 
sal, qual será, ou qual pode ser a causa desta corrupção? 
Ou é porque o sal não salga, ou porque a terra se não deixa 
salgar. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores não 
pregam a verdadeira doutrina; ou porque a terra se não deixa 
salgar e os ouvintes, sendo verdadeira a doutrina que lhes 
dão, a não querem receber. Ou é porque o sal não salga, e 
os pregadores dizem uma cousa e fazem outra; ou porque a 
terra se não deixa salgar, e os ouvintes querem antes imitar 
o que eles fazem, que fazer o que dizem. Ou é porque o sal 
não salga, e os pregadores se pregam a si e não a Cristo; 
ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes, em vez 
de servir a Cristo, servem a seus apetites. Não é tudo isto 
verdade? Ainda mal! 
VIEIRA, A. Sermão de Santo Antonio. Disponível em: <http://www.
bibvirt.futuro.usp.br>. Acesso em: 29 dez. 2017.
Para convencer seus leitores e ouvintes, Antonio Vieira parte 
do raciocínio lógico em vez do apelo à emoção. No texto, 
o autor cria uma alegoria para
A. 	 analisar o comportamento de ouvintes corruptores do 
sal da terra.
B. 	 reiterar o papel do homem diante das provações do 
Novo Mundo.
C. 	 orientar sacerdotes renunciadores da vocação cristã 
da pregação.
D. 	 sintetizar a doutrina cristã segundo os interesses dos 
colonos.
E. 	 explicar o dever dos pregadores e dos ouvintes dos 
sermões.
Alternativa E
Resolução: No texto, Padre António Vieira cria uma 
alegoria em que os pregadores são representados pelo 
sal da terra, e os ouvintes, pela terra. Assim, segundo o 
fragmento do Sermão de Santo António, os pregadores 
têm o mesmo dever do sal, que “impede a corrupção” 
da terra, ou seja, eles devem pregar verdadeiramente 
a doutrina cristã. Já a terra deve se deixar salgar, 
isto é, os ouvintes devem receber e seguir a doutrina. 
9HXI
LCT – PROVA I – PÁGINA 12 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
Portanto, está correta a alternativa E. A alternativa A está 
incorreta porque, de acordo com o texto, o sal da terra não é 
corrompido, mas, na verdade, é quem impede a corrupção 
do solo, e é o pregador que impede a corrupção do ouvinte. 
A alternativa B está incorreta porque, embora seja tratado 
o fato de que os ouvintes devem receber a doutrina cristã, 
comportando-se de acordo com os preceitos da religião, 
não há menção à América portuguesa. A alternativa C 
está incorreta porque o fragmento não tem a intenção de 
orientar ex-pregadores, mas de convencer pregadores 
e ouvintes a seguirem a doutrina cristã. Finalmente, a 
alternativa D está incorreta porque no texto não há defesa 
dos interesses dos colonos; na verdade, no Sermão de 
Santo António, o autor critica os colonos portugueses pela 
exploração dos índios.
QUESTÃO 18 
A obsessão do Estado em controlar todos os 
comportamentos dos cidadãos tem como resultado um 
enfraquecimento da responsabilidade moral e cívica dos 
mesmos. A lei deveria ser o último recurso – depois da 
educação, da ética, da negociação e do compromisso entre 
os indivíduos. É agora o primeiro recurso. 
Assino por baixo. Entendo que a sociedade moderna não 
se pode resumir aos Dez Mandamentos que Moisés trouxe do 
Sinai. E muitos comportamentos que os nossos antepassados 
consideravam “normais” – violência doméstica, por exemplo 
– são hoje punidos como crimes públicos (e ainda bem). 
Mas como garantir que outros comportamentos normais 
(agora sem aspas) não serão apanhados pela rede da 
sobrecriminalização? 
Imagino potenciais crimes que os filhos dos nossos filhos 
terão receio de cometer:
Crime de ódio privado: qualquer cidadão que expresse 
preconceitos raciais, sexuais, culturais ou religiosos em privado 
poderá conhecer denúncia se alguma testemunha entender 
fazê-lo. Com a evolução tecnológica, os apartamentos serão 
obrigatoriamente equipados com sensores antiódio, bastante 
semelhantes aos sensores antifumo, diretamente conectados 
com a delegacia do bairro.
Crime de envelhecimento público: com os avanços 
da Medicina, será intolerável que um cidadão recuse 
tratamentos / cirurgias para ocultar / reverter o seu processo 
de envelhecimento, exibindo em público as marcas da 
decadência física e / ou neurológica. A imposição da velhice 
à sociedade será equiparada a um ato obsceno.
COUTINHO, J. P. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br>. 
Acesso em: 09 dez. 2017. [Fragmento adaptado]
O planejamento argumentativo requer a estruturação de 
um projeto de texto que tenha como intenção a persuasão 
do interlocutor. No texto, de forma irônica, esse projeto 
argumentativo tem por objetivo central criticar o(a)
JBE5
A. 	 caráter absurdo das leis que serão criadas no país num 
futuro próximo.
B. 	 existência de leis que controlam o cidadão a despeito 
de sua vontade.
C. 	 criminalização preocupante que os comportamentos 
civis têm sofrido.
D. 	 excesso de leis desnecessárias que têm sido criadas 
nos dias atuais.
E. 	 endurecimento da responsabilidade moral e cívica dos 
cidadãos.
Alternativa C
Resolução: Logo no primeiro parágrafo do fragmento em 
análise, o autor expõe seu posicionamento, permitindo 
entrever suas críticas à ação do Estado em, por meio de 
leis, cercear comportamentos civis tidos como normais. 
Ainda que ele entenda que a sociedade esteja mudando, 
ele expressa sua preocupação com a possibilidade de, no 
futuro, essa prática do Estado se tornar invasiva. Para tal, 
ele cita, de forma irônica, crimes hipotéticos num futuro 
próximo. Assim, está correta a alternativa C. A alternativa A 
está incorreta porque as leis que o autor cita são hipotéticas 
e intencionalmente absurdas para corroborar sua crítica. 
A alternativa B está incorreta porque não há no fragmento 
crítica a leis contrárias à vontade dos cidadãos. A alternativa D 
está incorreta porque a crítica do autor relaciona-se ao fato 
de o Estado primeiro criar a lei, quando deveria, antes, educar 
e conscientizar a população; portanto ele não afirma 
serem as leis desnecessárias, mas precipitadas. Por fim, 
a alternativa E está incorreta porque, segundo o autor, 
o controle excessivo do Estado, na verdade, causa “um 
enfraquecimento da responsabilidade moral e cívica” dos 
cidadãos.
QUESTÃO 19 
E vós, ó bem nascida segurança 
Da Lusitana antiga liberdade, 
E não menos certíssima esperança 
De aumento da pequena Cristandade; 
Vós, ó novo temor da Maura lança, 
Maravilha fatal da nossa idade, 
Dada ao mundopor Deus, que todo o mande, 
Pera do mundo a Deus dar parte grande;
 
[...]
Vereis amor da pátria, não movido 
De prêmio vil, mas alto e quase eterno; 
Que não é prêmio vil ser conhecido 
Por um pregão do ninho meu paterno. 
Ouvi: vereis o nome engrandecido 
Daqueles de quem sois senhor superno, 
E julgareis qual é mais excelente, 
Se ser do mundo Rei, se de tal gente.
YQEL
ENEM – VOL. 3 – 2018 LCT – PROVA I – PÁGINA 13BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
Ouvi: que não vereis com vãs façanhas, 
Fantásticas, fingidas, mentirosas, 
Louvar os vossos, como nas estranhas 
Musas, de engrandecer-se desejosas: 
As verdadeiras vossas são tamanhas, 
Que excedem as sonhadas, fabulosas, 
Que excedem Rodamonte e o vão Rugeiro, 
E Orlando, inda que fora verdadeiro. 
CAMÕES. L. V. Os Lusíadas. Disponível em: <http://www.
dominiopublico.gov.br>. Acesso em: 26 dez. 2017. [Fragmento]
As estrofes anteriores do poema épico Os Lusíadas 
consistem na parte em que o poeta o dedica a D. Sebastião, 
rei de incontestável importância para a nação portuguesa e 
para o cristianismo. Identificam-se aspectos da dedicatória na
A. 	 esperança de liberdade expressa pelo povo português, 
representado no texto pela voz poética.
B. 	 ameaça feita diretamente aos povos mouros – “a 
Maura lança” – em nome do deus dos católicos.
C. 	 atitude de louvor e de humildade do eu lírico e na 
evidência de que o texto trata de fatos históricos.
D. 	 interlocução da voz poética com as Musas, a quem 
pede bênçãos para as futuras façanhas do Rei.
E. 	 lealdade à pátria manifestada pelo eu lírico, o qual a 
demonstra sem esperar qualquer tipo de prêmio.
Alternativa C
Resolução: Na primeira estrofe do fragmento exposto, 
veem-se louvores do poeta ao rei D. Sebastião, a quem 
é dedicado o poema. São louvadas a ascendência do rei 
e sua representação para a difusão da fé cristã e para a 
independência portuguesa dos mouros. Na estrofe seguinte, 
há uma demonstração, perante o rei, da humildade do 
poeta, que modestamente considera seu poema “um 
pregão do ninho meu paterno”. Por sua vez, na terceira 
estrofe, ao enaltecer os atos do rei, o poeta ressalta que 
seu poema trata de fatos históricos, ou seja, reais, não de 
lendas ou fantasias. Assim, está correta a alternativa C. 
A alternativa A está incorreta porque, ainda que o poeta possa 
estar representando a nação portuguesa, não é isso que 
caracteriza a dedicatória de um poema épico, a qual deve 
sinalizar a quem são dedicados os versos. A alternativa B 
está incorreta porque não há uma ameaça explícita aos 
mouros, mas a declaração de que D. Sebastião será capaz 
de derrotá-los. A alternativa D está incorreta porque o eu 
lírico não se dirige às musas, o que, aliás, acomodaria as 
estrofes na parte da invocação. Na verdade, as musas são 
citadas para reforçar o fato de que o texto tratará de matéria 
real. Por fim, a alternativa E está incorreta porque, por mais 
que o eu lírico manifeste indiretamente lealdade a Portugal, 
não é esse o aspecto que define a dedicatória de um poema 
épico. Além disso, o prêmio recusado é decorrente do seu 
texto, não de seu patriotismo.
QUESTÃO 20 
ALEIJADINHO. O carregamento da cruz. 1796-1799. 208 × 114 × 65 cm. 
Madeira policromada. Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, Brasil.
Na escultura anterior, de Aleijadinho, identifica-se a 
característica barroca da
A. 	 abordagem de passagem bíblica polêmica, que 
contesta a contrarreforma.
B. 	 expressão corporal, que revela emoções intensas e 
limite físico humano.
C. 	 representação de figuras bíblicas, que valoriza o poder 
econômico local.
D. 	 harmonia das dimensões, que remete às obras do 
período clássico.
E. 	 interpretação pessoal do artista, que demonstra 
liberdade estética.
Alternativa B
Resolução: Uma característica recorrente nas esculturas 
barrocas é o apelo à emoção para sensibilizar os 
espectadores, dado o contexto da Contrarreforma. Assim, 
na obra de Aleijadinho, vê-se a representação de Jesus 
Cristo como uma figura humana, que sofre pela dor causada 
pelo carregamento da cruz e que demonstra fraqueza física 
pelo esforço empreendido, como descrito na alternativa B. 
A alternativa A está incorreta porque o Barroco opunha-se à 
Reforma Protestante; assim, não pode contestar a si mesmo. 
A alternativa C está incorreta porque a representação de 
figuras bíblicas relacionava-se, na verdade, ao poder socio- 
-cultural da Igreja. A alternativa D está incorreta porque 
as obras de Aleijadinho não eram inspiradas nas obras 
clássicas, já que tinham como características expressividade 
intensa, queixo dividido, nariz alongado, olhos amendoados 
e com pupilas planas, boca entreaberta, entre outros. 
Por fim, a alternativa E está incorreta porque, ainda que 
Aleijadinho apresentasse características únicas com relação 
ao Barroco, a interpretação do autor não é livre da estética 
desse movimento, haja vista o conteúdo da obra e o apelo 
emocional imposto a ela.
QUKG
LCT – PROVA I – PÁGINA 14 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
QUESTÃO 21 
TEXTO I
 ASSISTE AO ENTERRO DE UM TRABALHADOR 
DE EITO E OUVE O QUE DIZEM DO MORTO OS AMIGOS 
QUE O LEVARAM AO CEMITÉRIO
– Essa cova em que estás, 
com palmos medida, 
é a cota menor 
que tiraste em vida. 
– é de bom tamanho, 
nem largo nem fundo, 
é a parte que te cabe 
neste latifúndio. 
– Não é cova grande. 
é cova medida, 
é a terra que querias 
ver dividida. 
MELO NETO, J. C. Morte e vida severina. Disponível em: 
<http://triplov.com>. Acesso em: 04 nov. 2015. [Fragmento]
TEXTO II
LATUFF. Disponível em: <https://latuffcartoons.wordpress.com>. 
Acesso em: 04 nov. 2015.
O texto I é um fragmento de Morte e vida severina, obra que 
trata da condição de vida dos habitantes do Sertão nordestino. 
Comparando-o ao texto II, observa-se que há uma relação de
A. 	complementação, pois o texto II mostra que o problema 
abordado no texto I foi resolvido.
B. 	contraste, pois o texto II trata da questão indígena, 
e não do retirante nordestino.
C. 	oposição, pois o texto II aborda a questão defendendo a 
perspectiva da bancada ruralista.
D. 	redundância, pois ambos os textos retratam a miséria 
dos índios e dos nordestinos.
E. 	semelhança, pois ambos criticam o problema da 
concentração de terras no Brasil.
CC8I Alternativa E
Resolução: O texto I, fragmento do famoso poema de João 
Cabral de Melo Neto, condena as circunstâncias em que 
vivem os trabalhadores do Sertão, habitantes de uma terra 
de difícil cultivo e oprimidos pelo sistema latifundiário. No 
texto II, charge de Latuff, vê-se um latifundiário demarcando 
as terras indígenas com covas, sugerindo que muitos deles 
serão mortos em consequência da PEC 215. Nesse sentido, 
vê-se que ambos os textos criticam, cada um à sua maneira, 
a concentração de terras no Brasil, a qual provoca diferentes 
problemas sociais no país. Portanto, a alternativa correta 
é a E. A alternativa A está incorreta porque o texto II não 
expõe a resolução do problema, mas, de forma irônica, diz o 
que poderia acontecer com a aprovação da PEC em pauta. 
As alternativas B e C estão incorretas porque os textos não 
se opõem. Já a alternativa D está incorreta porque cada 
texto lida com um estrato da população: o texto I trata dos 
sertanejos, e o texto II, dos índios.
QUESTÃO 22 
A imprensa foi pródiga em elogios ao anúncio das bodas 
entre o príncipe Harry e a atriz americana Meghan Markle. 
Como a futura duquesa de Sussex, além de estrangeira 
e plebeia, é filha de negra e divorciada, a interpretação 
prevalecente é a de que a conservadora monarquia inglesa 
está se modernizando e se adaptando aos novos tempos. 
A monarquia é, a meu ver, um dos mais chocantes 
paradoxos da modernidade. Como é que, em pleno século XXI, 
no qual a igualdade se tornou um dos principais objetivos 
perseguidos tanto no campo econômico como no político, 
algumas das mais avançadas sociedades do planeta, como 
Reino Unido, Holanda, Suécia, Noruega, ainda mantêm 
uma instituição que tem comoponto de partida a distinção 
jurídica entre nobres e plebeus? Não só a mantêm como 
ainda pagam para sustentá-la.
E é até mais grave do que parece. Se, no plano da 
economia, ainda dá para argumentar que é preciso permitir 
alguma desigualdade – quem produz mais ou tem melhores 
ideias ganha mais – para assegurar o dinamismo do mercado 
e estimular o crescimento, nada parecido ocorre na política. 
Não vejo aqui nenhum raciocínio para justificar que um grupo 
de pessoas, apenas por ter nascido numa família, goze de 
um estatuto jurídico diferente daquele conferido ao restante 
dos cidadãos.
Num mundo um pouco mais racional, a discussão não 
seria em torno de a monarquia estar ou não se modernizando, 
mas sim sobre a extinção desse fóssil institucional. Acredito, 
porém, que nosso essencialismo inato, somado a alguns 
milênios de propaganda pró-monárquica, em que príncipes 
e princesas são sempre retratados como heróis, nos fizeram 
perder a cabeça.
SCHWARTSMAN, H. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br>. 
Acesso em: 09 dez. 2017. [Fragmento] 
5GED
ENEM – VOL. 3 – 2018 LCT – PROVA I – PÁGINA 15BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
O artigo alude à repercussão midiática de um casamento 
na família real britânica para, então, defender um ponto 
de vista mais amplo. O trecho do texto que explicita a tese 
endossada pelo autor é: 
A. 	 “a interpretação prevalecente é a de que a conservadora 
monarquia inglesa está se modernizando e se 
adaptando aos novos tempos.”
B. 	 “algumas das mais avançadas sociedades do planeta 
[...] ainda mantêm uma instituição que tem como ponto 
de partida a distinção jurídica entre nobres e plebeus?”
C. 	 “Se, no plano da economia, ainda dá para argumentar 
que é preciso permitir alguma desigualdade [...], nada 
parecido ocorre na política.”
D. 	 “Não vejo aqui nenhum raciocínio para justificar que 
um grupo de pessoas [...] goze de um estatuto jurídico 
diferente daquele conferido ao restante dos cidadãos.”
E. 	 “Acredito, porém, que nosso essencialismo inato 
somado a alguns milênios de propaganda pró- 
-monárquica [...] nos fizeram perder a cabeça.”
Alternativa D
Resolução: O ponto de vista defendido pelo autor em seu 
texto é o fim das monarquias, dado o contexto sociopolítico 
atual do mundo. Assim, ao longo do texto são defendidos 
argumentos que justificariam a extinção dessa forma de 
governo, como a injusta distinção jurídica entre nobres e 
plebeus. Portanto, o trecho que explicita e sintetiza a tese 
do autor é visto na alternativa D, “Não vejo aqui nenhum 
raciocínio para justificar que um grupo de pessoas [...] 
goze de um estatuto jurídico diferente daquele conferido 
ao restante dos cidadãos”, em que ele marca sua opinião 
desfavorável às monarquias. A alternativa A está incorreta 
porque apresenta uma contextualização do assunto, 
numa afirmação que será contraposta nos parágrafos de 
desenvolvimento do texto. A alternativa B está incorreta 
porque é um questionamento feito pelo autor para corroborar 
seu ponto de vista. A alternativa C está incorreta porque 
também expõe um argumento. Por fim, a alternativa E está 
incorreta porque é a conclusão das ideias expostas.
QUESTÃO 23 
Conversei recentemente com minha obstetra sobre a 
hora do parto. Não quero que seja meu corpo a decidir que 
nenêx está pronto e sim que seja nenêx a decidir que é 
chegada a hora de liberar minhas costelas de tamanha dor. 
Ela me garantiu que essa é uma decisão muito mais de nenêx 
do que minha. Que alívio. A natureza, em sua sabedoria 
esplêndida, já era hipster millennial quando inventou o parto.
Difícil registrar criança sem saber se criança quer ter a 
existência documentada. Por isso deixarei em aberto seu 
nascimento até que criança me diga: eu. Ou melhor: estou. 
Enquanto criança não aceitar que vive neste planeta, não 
forçarei a barra.
Exame do pezinho: pularei. Quando puder caminhar 
assertivamente, o próprio pezinho decidirá se deseja ser 
examinado. Banho, vulgo invasão de um corpo por estranhos: 
só darei se recém-nascidx for ao encontro da água.
KVDT
Fico na dúvida sobre trazer filhx pra casa. Filhx já sabe 
se quer morar comigo? Aceita a limitação de um quarto, uma 
família composta por dois gêneros, uma cidade? Quer ser 
brasileiro? Quer ouvir o ensaio de carnaval da PUC?
Muito complicado dar à luz pequerruchx descendente 
que ainda não decidiu se quer descender de mim e pode 
muito bem preferir o escurinho.
BERNARDI, T. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br>. 
Acesso em: 09 dez. 2017. [Fragmento] 
A tese de um texto opinativo não está sempre explícita num 
único fragmento, sendo depreendida de sua leitura global. 
Nesse sentido, a crítica da crônica dirige-se 
A. 	 ao questionamento educativo de um futuro próximo.
B. 	 à insegurança materna quanto a como criar seus filhos.
C. 	 ao comportamento pouco interventivo dos pais hipsters.
D. 	 ao dilema das mães contemporâneas sobre sua gravidez.
E. 	 à fluidez atual na atribuição de gênero a crianças millennial.
Alternativa C
Resolução: No primeiro parágrafo, em seu relato, a autora 
demonstra comportamento pouco interventivo em relação 
ao parto de seu bebê, expondo, ainda, que essa seria 
uma atitude hipster. Ao longo do texto, a autora enumera 
outras atitudes que não pretende tomar para não limitar a 
liberdade da criança, no entanto, o exagero proposital que 
ela impõe a essas ideias revelam sua crítica a pais e mães 
que incumbem os filhos de tomarem decisões importantes 
para suas vidas, mesmo sendo tão novos. Assim, sua crítica 
central está voltada para pais que criam seus filhos de forma 
pouco interventiva, aos quais ela chama de hipsters, como 
indicado na alternativa C. A alternativa A está incorreta 
porque o questionamento acerca de um método de criação 
das crianças acontece de forma irônica, estando a crítica 
do texto voltada, na verdade, para a atitude dos pais que 
o seguem. Além disso, esse método não é futuro, mas 
presente, pois muitas famílias já adotam práticas, como a 
de permitir que os filhos tomem decisões a respeito de sua 
criação. A alternativa B está incorreta porque a crítica tem 
como alvo pais que, segundo a autora, adotam métodos 
inadequados para criar seus filhos, e não mães que não 
sabem criá-los. A alternativa D está incorreta porque as 
dúvidas e decisões expostas no texto não representam 
dilemas das mães contemporâneas em geral, mas apenas 
daquelas consideradas hipsters pela autora. Por fim, a 
alternativa E está incorreta porque, quando a autora usa 
termos neutros para se referir à criança – “nenêx”, “filhx”, 
“pequerruchx” –, ela o faz de forma irônica, empregando o 
vocabulário dos hipsters, os verdadeiros alvos das críticas.
QUESTÃO 24 
Alegres campos, verdes arvoredos, 
claras e frescas águas de cristal, 
que em vós os debuxais1 ao natural, 
discorrendo da altura dos rochedos; 
6E1V
LCT – PROVA I – PÁGINA 16 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
Silvestres montes, ásperos penedos, 
compostos em concerto desigual, 
sabei que, sem licença de meu mal, 
já não podeis fazer meus olhos ledos2. 
E, pois me já não vedes como vistes, 
não me alegrem verduras deleitosas, 
nem águas que correndo alegres vêm. 
Semearei em vós lembranças tristes, 
regando-vos com lágrimas saudosas, 
e nascerão saudades de meu bem.
CAMÕES, L. V. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br>. 
Acesso em: 22 nov. 2017.
1 rascunhais, esboçais, delineais.
2 contente, alegre, feliz.
A lírica de Camões é vista como uma composição literária 
inovadora, sofisticada e erudita. Em contrapartida, ela traz 
em seu bojo vestígios das raízes medievais. No soneto 
anterior, destaca-se, como característica das cantigas 
trovadorescas, o(a) 
A. 	 abandono à natureza ser justificado pela vivência de 
um amor profundo.
B. 	 mulher casta e idealizada ser comparada aos 
elementos da natureza.
C. 	 natureza ser o espaço de diálogo do sujeito poético 
consigo mesmo.
D. 	 eu lírico manifestar prudência ao resguardar a identidade 
da dama.
E. 	 homemapaixonado revelar submissão absoluta à pessoa 
amada.
Alternativa C
Resolução: No soneto, o eu lírico estabelece um diálogo 
com a natureza a fim de manifestar a tristeza causada 
pelo rompimento da relação amorosa. A partir do primeiro 
terceto, percebe-se uma alteração no comportamento 
do poeta. Em vez de “desenhar” as belezas naturais, ele 
passa a lamentar o fim dos momentos alegres que viveu 
ao lado da pessoa amada. Esse poema se assemelha à 
cantiga de amigo no que tange ao fato de a natureza ser 
um veículo de interlocução entre o eu lírico e seus próprios 
sentimentos. A natureza, no papel de confidente, se amolda 
ao comportamento do sujeito poético e, simultaneamente, 
parece proceder da forma como ele a imagina e a idealiza. 
Por consequência, está correta a alternativa C. As demais 
características da cantiga de amigo, como a presença de 
paralelismos e de um eu lírico feminino, não estão presentes 
no poema de Camões, porém.
QUESTÃO 25 
TEXTO I
O mosquito que zomba do mundo
Por que nossa orgulhosa civilização tecnológica do 
século XXI está perdendo a guerra para o inseto 
transmissor do temido vírus zika.
VEJA. São Paulo: Abril, 2 463. ed., ano 49, n. 5, 03 fev. 2016. 
MTØB
TEXTO II
O mosquito
O mundo é tão esquisito: 
Tem mosquito. 
 
[...] 
 
Tudo de mau 
Você reúne 
Mosquito pau 
Que morde e zune. 
 
Você gostaria 
De passar o dia 
Numa serraria – 
Gostaria? 
 
Pois você parece uma serraria!
MORAES, V. Disponível em: <http://www.viniciusdemoraes.com.br>. 
Acesso em: 22 nov. 2017. [Fragmento]
Os textos anteriores utilizam o mesmo recurso prosódico 
para encenar a realidade que pretendem representar. Para 
descrever a ação do mosquito no título do texto I e na 
segunda estrofe do texto II, empregou-se a
A. 	 anáfora.
B. 	 metáfora.
C. 	 assonância.
D. 	 onomatopeia.
E. 	 paronomásia.
Alternativa D
Resolução: No texto da revista, “zombar”, verbo de origem 
onomatopaica, foi empregado propositalmente para que o 
leitor o associasse à imagem do mosquito transmissor do vírus 
zika. O verbo “zombar” originou-se do espanhol “zumbar”, 
o qual também é um som imitativo. Etimologicamente, era 
uma espécie de reprodução do som emitido por pernilongos 
ou vespas e usado para vaiar (“zzz”). Surgiu daí a palavra 
“zombaria”. Nessa mesma linha de raciocínio, aparece o 
verbo “zunir”, que também é onomatopaico. Portanto, está 
correta a alternativa D.
QUESTÃO 26 
Nasce o Sol e não dura mais que um dia, 
Depois da Luz se segue a noite escura, 
Em tristes sombras morre a formosura, 
Em contínuas tristezas a alegria. 
Porém, se acaba o Sol, por que nascia? 
Se é tão formosa a Luz, por que não dura? 
Como a beleza assim se transfigura? 
Como o gosto da pena assim se fia? 
Mas no Sol, e na Luz falte a firmeza 
Na formosura não se dê constância, 
E na alegria sinta-se tristeza. 
Começa o mundo enfim pela ignorância, 
E tem qualquer dos bens por natureza 
A firmeza somente na inconstância.
MATOS, G. Antologia poética. 9. ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 1998. 
(Coleção Prestígio)
EX76
ENEM – VOL. 3 – 2018 LCT – PROVA I – PÁGINA 17BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
Há, no poema de Gregório de Matos, a abordagem de uma 
alternância existente entre dia e noite, alegria e tristeza e 
outros pares de opostos, o que consiste em uma expressão, 
principalmente, do tema barroco do(a)
A. 	 arrependimento por meio do apelo ao aspecto religioso.
B. 	 castigo em decorrência do pecado por meio do fim trágico.
C. 	 instabilidade e dissolução das coisas pela ação do tempo.
D. 	 misticismo do culto à morte por meio da fugacidade 
da vida. 
E. 	 necessidade de gozar o dia decorrente da certeza 
da morte.
Alternativa C
Resolução: Considerando o contexto de produção do 
poema, a ideia de finitude transmitida pela noite que sucede 
o dia e pela tristeza que dissolve a alegria, por exemplo, 
ecoa o tema barroco da instabilidade e dissolução das 
coisas pela ação do tempo, conforme sugere a alternativa C. 
Alguns versos que comprovam essa temática no texto 
são “Nasce o Sol e não dura mais que um dia” e “Em 
contínuas tristezas [morre] a alegria”. O aspecto religioso 
do arrependimento ou do pecado, sugerido nas alternativas 
A e B, não é abordado no texto, o que as invalida. Embora 
a morte seja a culminância da ideia de finitude, não há o 
aspecto místico no poema por meio do qual se manifeste 
seu culto, o que invalida a alternativa D. Por fim, o tema 
de se aproveitar o dia sugerido na E, Carpe diem, poderia 
estar implícito na ideia de instabilidade das coisas, mas o 
foco do poema está na demonstração da instabilidade e 
na alternância, não havendo uma orientação para que se 
aproveite o dia devido à certeza da morte.
QUESTÃO 27 
Língua e Poder
 A linguagem é uma legislação, a língua é seu código. Não 
vemos o poder que reside na língua, porque esquecemos 
que toda língua é uma classificação, e que toda classificação 
é opressiva. [...]
 [...] Se chamamos de liberdade não só a potência de 
subtrair-se ao poder, mas também e sobretudo a de não 
submeter ninguém, não pode então haver liberdade senão 
fora da linguagem. Infelizmente, a linguagem humana é sem 
exterior: é um lugar fechado. Então, só nos resta, por assim 
dizer, trapacear com a língua, trapacear a língua. Essa trapaça 
salutar, essa esquiva [...] eu a chamo, quanto a mim: literatura.
BARTHES, R. Aula. Tradução de Leyla Perrone-Moisés. 
São Paulo: Cultrix, 1988.
Considerando as ideias propostas no texto lido, Roland 
Barthes sugere que, na relação do homem com a linguagem, 
ocorre um(a)
A. 	 independência do homem, em detrimento da língua e 
da literatura.
B. 	 normatização autoritária que somente é superada no 
universo da literatura.
C. 	 processo de alienação universal, pois é impedida a 
comunicação efetiva do usuário.
D. 	 série de situações arbitrárias em que o homem falha 
no uso da língua.
E. 	 trapaça que leva à criação de normas de uso da língua 
mais rigorosas.
NROT
Alternativa B
Resolução: Roland Barthes defende que a linguagem e a 
língua são opressoras, uma vez que os detentores do seu 
conhecimento têm poder sobre aqueles que não o detêm. 
Portanto, para se ver livre dessa relação de opressão, 
seja como opressor ou como oprimido, deve-se recorrer à 
literatura, na qual não imperam as normas gramaticais e a 
qual os autores podem manipular de acordo com os próprios 
interesses. Está correta, dessa forma, a alternativa B. 
A alternativa A está incorreta porque a relação entre as 
pessoas e a linguagem, de acordo com o autor, cria opressão, 
que se opõe à independência ou à liberdade. A alternativa C 
está incorreta porque a comunicação não é impedida; 
na verdade ela é sistematizada pelas regras impostas. 
A alternativa D está incorreta porque, segundo o autor, a 
arbitrariedade está nas regras da língua, impostas por uma 
elite opressora, e não no seu uso. Por fim, a alternativa E 
está incorreta porque a trapaça, também de acordo com 
Roland Barthes, é a literatura, que subverte as rigorosas 
regras da língua.
QUESTÃO 28 
A chegada dos portugueses representou para os 
índios uma verdadeira catástrofe. Vindos de muito longe, 
com enormes embarcações, os portugueses, e em especial 
os padres, foram associados na imaginação dos tupis aos 
grandes xamãs (pajés), que andavam pela terra, de aldeia 
em aldeia, curando, profetizando e falando-lhes de uma 
terra de abundância. Os brancos eram ao mesmo tempo 
respeitados, temidos e odiados, como homens dotados de 
poderes especiais.
Por outro lado, como não existia uma nação indígena, 
e sim grupos dispersos, muitas vezes em conflito, foi 
possível aos portugueses encontrar aliados entre os próprios 
indígenas, na luta contra os grupos que resistiam a eles. [...]
Os índios que se submeteram ou foram submetidos 
sofreram a violência cultural, as epidemias e mortes. 
Do contato com o europeu, resultou uma população mestiça, 
que mostra, até hoje, sua presença silenciosa na formação 
da sociedade brasileira.
FAUSTO, B. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 2000.p. 40-41.
O encontro entre europeus e índios no Brasil, conforme 
retratado no texto em questão, foi catastrófico para os 
nativos, de acordo com o historiador Boris Fausto. Segundo 
esse historiador, a razão da catástrofe está no fato de ter 
havido um(a)
A. 	conflito religioso que opôs interesses nativos e europeus.
B. 	desejo do europeu de conhecer e interpretar a cultura nativa.
C. 	idealização do homem europeu pelo homem nativo.
D. 	interesse, mesmo que velado, do nativo pela miscigenação.
E. 	necessidade de imposição cultural pelos europeus.
36N9
LCT – PROVA I – PÁGINA 18 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
Alternativa C
Resolução: No texto de Boris Fausto, há um trecho que sintetiza o motivo de o encontro entre europeus e índios ser 
considerado por ele uma catástrofe: “os portugueses, e em especial os padres, foram associados na imaginação dos 
tupis aos grandes xamãs (pajés), que andavam pela terra, de aldeia em aldeia, curando, profetizando e falando-lhes 
de uma terra de abundância.” Assim, como tinham os europeus em grande estima, os índios foram muitas vezes 
manipulados e enganados, tendo sua cultura quase extinta pelos invasores. Está correta, portanto, a alternativa C. 
As demais alternativas estão incorretas porque não podem ser justificadas pelo texto e interpretam incorretamente os fatos 
relatados. A alternativa A está incorreta porque o conflito entre os nativos e os europeus não se deu por religião, mas pela 
ganância dos invasores pelos recursos naturais disponíveis na terra. A alternativa B está incorreta porque os europeus não 
tinham interesse na cultura dos índios, apenas nos recursos naturais dos quais eles gozavam. A alternativa D está incorreta 
porque os índios não pretendiam miscigenar-se com os europeus, o que aconteceu como consequência da organização 
social imposta por estes. Finalmente, a alternativa E está incorreta porque os europeus não tinham necessidade de se 
impor culturalmente; isso se deu por conveniência para viabilizar os interesses colonizatórios da metrópole.
QUESTÃO 29 
Se quer seguir-me, narro-lhe; não uma aventura, mas experiência, a que me induziram, alternadamente, séries de 
raciocínios e intuições. Tomou-me tempo, desânimos, esforços. Dela me prezo, sem vangloriar-me. Surpreendo-me, 
porém, um tanto à-parte de todos, penetrando conhecimento que os outros ainda ignoram. O senhor, por exemplo, que sabe 
e estuda, suponho nem tenha ideia do que seja na verdade – um espelho? Demais, decerto, das noções de física, com que 
se familiarizou, as leis da óptica. Reporto-me ao transcendente. Tudo, aliás, é a ponta de um mistério. Inclusive, os fatos. 
Ou a ausência deles. Duvida? Quando nada acontece, há um milagre que não estamos vendo.
ROSA, J. G. O espelho. In: Primeiras estórias. 16. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985. [Fragmento]
Considerando as partes que compõem uma narrativa, o fragmento do conto anterior, de Guimarães Rosa, corresponde 
A. 	 à apresentação, pois introduz as personagens e o tema que será abordado.
B. 	 ao desenvolvimento, pois cria a expectativa sobre os acontecimentos narrados.
C. 	 ao clímax, pois representa o auge do conflito num momento de tensão na trama. 
D. 	 à complicação, pois encadeia os fatos com o objetivo de construir um conflito. 
E. 	 ao desfecho, pois apresenta a solução para um conflito instaurado anteriormente.
Alternativa A
Resolução: Pode-se perceber que o trecho apresenta o que será narrado: “não uma aventura, mas experiência”. Além 
disso, há a apresentação do narrador e do interlocutor, identificado como senhor “que sabe e estuda”. O trecho corresponde, 
nesse sentido, à apresentação da narrativa, pois introduz as personagens e o tema que será abordado, o que torna correta a 
alternativa A. Ainda não há o desenvolvimento de um enredo, como sugerido na B, ou o encadeamento de acontecimentos, 
como proposto na D, o que invalida essas alternativas. Tampouco está representado um momento de tensão, como sugerido 
na C, ou a solução de um conflito, conforme a alternativa E, o que também as tornam incorretas.
QUESTÃO 30 
BRUM, R. Disponível em: <http://www.marcianeurotica.com.br/>. Acesso em: 22 nov. 2017.
Na tirinha, o vocábulo “apenas”, no último quadrinho, atribui à fala da personagem o sentido de
A. 	 adição.
B. 	 exclusão.
C. 	 retificação.
D. 	 explicação.
E. 	 intensidade.
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ENEM – VOL. 3 – 2018 LCT – PROVA I – PÁGINA 19BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
Alternativa B
Resolução: Na fala “Você está há apenas duas horas 
sem comer um doce”, o advérbio “apenas” confere sentido 
de exclusão, pois limita o tempo durante o qual a garota 
está sem comer doce. Outras palavras que poderiam ser 
usadas e manteriam o sentido do texto são, por exemplo, 
“só”, “somente” e “exclusivamente”, essa última tornando 
mais clara a noção de exclusão. Portanto, está correta a 
alternativa B. Partindo dessa mesma análise, não podem 
ser identificadas na fala os sentidos de adição, retificação, 
explicação e intensidade.
QUESTÃO 31 
Cérebros e celulares: aliados ou inimigos?
Há cerca de trinta anos, algumas das maiores empresas 
de tecnologia do mundo, como Apple, IBM e Ericsson já 
vislumbravam o futuro da comunicação interpessoal. Na 
verdade, com o surgimento da Internet, muita coisa mudou. 
E mudou também a forma como as pessoas veem umas às 
outras e interagem entre si. Aquela conversa que se estendia 
por horas e horas, na porta de casa, com o intuito de atualizar 
todo tipo de assunto, ou mesmo o envio de cartas, recados 
e telegramas foram cedendo espaço a aparelhos portáteis 
cada vez mais funcionais, que ano após ano tornam obsoleto 
pelo menos um aspecto de nossas vidas.
Telefones públicos, máquinas fotográficas, agendas, 
calculadoras portáteis, relógios, alarmes, bloco de anotações… 
A velocidade com que isso tudo vai ficando restrito ao 
passado é realmente assustadora. E chega a preocupar os 
especialistas. Será que o futuro que está por vir é negativo 
no que diz respeito aos aspectos sociais humanos mais 
primitivos? Será que as pessoas estão preferindo teclar a 
conversar umas com as outras? Que tipo de impacto o uso 
dos smartphones pode trazer para o cérebro das pessoas e 
para a sociedade como um todo?
FARIA, L. Disponível em: <http://meucerebro.com>. Acesso em: 22 
nov. 2017. [Fragmento]
No texto, a passagem que modaliza o discurso do autor, 
explicitando o seu posicionamento acerca da temática, é:
A. 	 “Na verdade, com o surgimento da Internet, muita coisa 
mudou.”
B. 	 “E mudou também a forma como as pessoas veem 
umas às outras e interagem entre si.”
C. 	 “Telefones públicos, máquinas fotográficas, agendas, 
calculadoras portáteis, relógios, alarmes, bloco de 
anotações…”
D. 	 “A velocidade com que isso tudo vai ficando restrito ao 
passado é realmente assustadora.”
E. 	 “Que tipo de impacto o uso dos smartphones pode trazer 
para [...] a sociedade como um todo?”
X7HM
Alternativa D
Resolução: O tema do texto está relacionado ao fato de que 
as mídias digitais provocaram transformações nas relações 
interpessoais. Na passagem presente na alternativa D, 
o autor apresenta, de maneira explícita, a sua opinião acerca 
desse tema, marcada pelo verbo de ligação “é” e pelo adjetivo 
“assustadora”. Segundo ele, a interlocução por meio dos 
aparelhos portáteis, cada vez mais funcionais, vai ocupando 
o espaço de outras formas de comunicação, tais como a 
conversa na porta de casa, o envio de cartas, os recados e o 
telegrama. Já as demais alternativas estão incorretas porque 
são um relato do autor, que se limita a retratar a realidade 
sem imprimir seu ponto de vista.
QUESTÃO 32 
João Maria Padilha. Como não lembrar dessa figura 
batendo sua sineta no “Conde”? Como não lembrar do Seu 
João apitando impedimento de oitenta gerações de meninos? 
[...] Bom Jesus é assim, é a história de sua gente, de suas 
figuras. Do jornaleiro Alorindo, que nos trouxe a notícia 
que homens tinham caminhado na Lua. Bom Jesus da 
D. Marieta, com suasseringas, do Dr. Simões curando a 
gripe. Bom Jesus da Tijica, do Pastel e do Lambreta. E quem 
não se lembra do centenário Joãozinho, um índio, índio 
mesmo, tomando banho de sol nas calçadas de nós-de-
pinho na praça? Esse é o Bonja, com sua gíria peculiar [...]. 
RIBEIRO, P. Quando cai a neve no Brasil: crônicas. Porto Alegre: Artes 
e Ofícios, 2004.
Há no texto aspectos linguísticos que o inserem no gênero 
crônica, como a repetição de algumas construções frasais. 
Esses aspectos indicam um
A. 	 componente lírico firmado pela saudade.
B. 	 traço da experiência pessoal do narrador.
C. 	 item introdutor de um ensinamento moral.
D. 	 caráter ficcional componente da narrativa.
E. 	 elemento passado esquecido pelo narrador.
Alternativa B
Resolução: A utilização da expressão “como não lembrar” 
anuncia que a informação dita a seguir pelo narrador 
corresponde a traços de sua experiência pessoal resgatados 
pela memória. No caso, as informações são sobre João 
Maria Padilha batendo a sineta e apitando impedimentos. 
A alternativa correta é, portanto, a B. O lirismo sugerido na 
A não corresponde a uma característica desse gênero, o 
que invalida essa alternativa. Considerando que o trecho 
instaura uma dimensão temporal por meio da lembrança, 
ficam invalidadas a alternativa C, que propõe a inserção 
de um ensinamento moral, e D, que sugere a inserção de 
um aspecto ficcional. O elemento passado sugerido na E é 
resgatado pelo narrador, e não esquecido, como é comum 
ao gênero crônica, em que o autor toma eventos passados 
ou presentes como ponto de partida para uma reflexão.
PBNH
LCT – PROVA I – PÁGINA 20 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
QUESTÃO 33 
Deficientes no Brasil
IBGE. Censo 2010. Disponível em: <http://asdef.org.br>. Acesso em: 13 dez. 2017 (Adaptação).
No infográfico, está exposto um panorama sobre portadores de deficiência no Brasil. A análise dos dados estatísticos permite 
concluir que a
A. 	 maioria dos cidadãos deficientes apresenta dificuldade locomotora.
B. 	 deficiência auditiva e a deficiência visual atingem as mesmas pessoas.
C. 	 porcentagem da população com deficiência mental e motora é a mais baixa.
D. 	 parcela da população brasileira com uma ou mais deficiências ultrapassa um quinto do total.
E. 	 quantidade de pessoas com uma deficiência é inferior à daquelas com mais de uma deficiência.
Alternativa D
Resolução: Há no infográfico a informação de que 45,6 milhões de pessoas no Brasil possuem algum tipo de deficiência, o que 
equivale a 24% da população brasileira, ou seja, mais de um quinto dos cidadãos, como afirma corretamente a alternativa D. 
A alternativa A está incorreta porque a maioria da população brasileira que possui alguma deficiência apresenta, na verdade, 
deficiência visual. A alternativa B está incorreta porque não há no texto a informação de que a deficiência auditiva e a deficiência 
visual atinjam necessariamente as mesmas pessoas. A alternativa C está incorreta porque não há dados sobre pessoas que 
apresentem tanto deficiência mental quanto motora. Por sua vez, a alternativa E está incorreta porque também não há comparativo 
entre o número de pessoas com apenas uma deficiência e o número de pessoas com mais de uma. No entanto, pelos números 
divulgados é possível inferir que aproximadamente 15 milhões de pessoas têm mais de uma deficiência, ao passo que cerca de 
30 milhões de pessoas possuem uma deficiência apenas.
QUESTÃO 34 
Soneto
Mancebo sem dinheiro, bom barrete 
Medíocre o vestido, bom sapato 
Meias velhas, calção de esfola-gato 
Cabelo penteado, bom topete;
Presumir de dançar, cantar falsete, 
Jogo de fidalguia, bom barato, 
Tirar falsídia ao moço do seu trato, 
Furtar a carne à ama, que promete;
A putinha aldeã achada em feira, 
Eterno murmurar de alheias famas, 
Soneto infame, sátira elegante;
Cartinhas de trocado para a freira, 
Comer boi, ser Quixote com as damas, 
Pouco estudo: isto é ser estudante. 
MATOS, G. Gregório de Matos. Porto Alegre: L&PM Editores, 1986. p. 27-28.
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ENEM – VOL. 3 – 2018 LCT – PROVA I – PÁGINA 21BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
A obra de Gregório de Matos representa a estética 
barroca, vigente em sua época. A poesia do “Boca do 
Inferno” tematizou, além da religiosidade, a passagem 
do tempo, a sociedade e o amor – este tanto no 
plano platônico quanto nos planos erótico, carnal e 
escatológico. Um recurso empregado em textos barrocos 
que pode ser identificado no soneto anterior é a
A. 	intertextualidade em “Comer boi, ser Quixote com as 
damas”.
B. 	fala coloquial em “A putinha aldeã achada em feira”.
C. 	linguagem grotesca em “Tirar falsídia ao moço do seu trato”.
D. 	metalinguagem em “Soneto infame, sátira elegante”.
E. 	antítese em “Pouco estudo: isto é ser estudante”.
Alternativa E
Resolução: Entre as características propostas nas 
alternativas, quatro delas não apresentam características 
comuns à literatura barroca; são elas: a intertextualidade, 
a fala coloquial, a linguagem grotesca e a metalinguagem. 
Mesmo que elas possam ser identificadas no texto de 
Gregório de Matos, elas não estão associadas ao cultismo, 
que é o culto à forma rebuscada, e ao conceptismo, definido 
como o exercício do emprego de figuras de pensamento, 
tais como analogias, comparações, metáforas e antíteses. 
A antítese, aliás, está presente no último verso do soneto, 
“Pouco estudo: isto é ser estudante”, que contrapõe a 
ocupação do estudante com o hábito de não estudar para 
desfrutar os vícios da juventude. Portanto, está correta a 
alternativa E.
QUESTÃO 35 
(Eram três diabos que querem destruir a aldeia com pecados, 
aos quais resistem São Lourenço, São Sebastião e o Anjo 
da Guarda, livrando a aldeia e prendendo os tentadores 
cujos nomes são: Guaixará, que é o rei; Aimbirê e Saravaia, 
seus criados.)
GUAIXARÁ
[...] 
 
Quem bom costume é bailar! 
Adornar-se, andar pintado, 
tingir pernas, empenado 
fumar e curandeirar, 
andar de negro pintado. 
 
Andar matando de fúria, 
amancebar-se, comer 
um ao outro, e ainda ser 
espião, prender Tapuia, 
desonesto a honra perder. 
 
Para isso 
com os índios convivi. 
Vêm os tais padres agora 
com regras fora de hora 
prá que duvidem de mim. 
Lei de Deus que não vigora.
ANCHIETA, J. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br>. 
Acesso em: 26 dez. 2017. [Fragmento]
QG4G
O trecho do texto de José de Anchieta consiste na expressão 
do diabo Guaixará, que revela estar entre os indígenas 
influenciando seus costumes. Com base na fala dessa 
personagem e na perspectiva de que ela é combatida pelos 
santos católicos, identifica-se o objetivo da peça em
A. 	 informar os espectadores sobre o comportamento dos 
povos indígenas.
B. 	 influenciar na assimilação de comportamentos e na 
conversão de índios.
C. 	 convencer os índios a preservarem costumes mesmo 
na nova religião.
D. 	 descrever os povos autóctones e apresentá-los 
didaticamente à Europa.
E. 	 encenar o encontro amistoso entre os indígenas 
pagãos e os padres. 
Alternativa B
Resolução: O trecho mostra o discurso do diabo Guaixará – 
presente entre os indígenas para influenciar negativamente 
seus hábitos – e a perspectiva de que ele será combatido 
pelos santos católicos São Lourenço e São Sebastião, 
além do Anjo da Guarda. Esse embate estabelece uma 
perspectiva de que os costumes indígenas não eram 
adequados por estarem sob influência de demônios a serem 
combatidos pelos cristãos. O objetivo da peça seria, nesse 
sentido, a catequização dos índios, visando à assimilação 
de seus comportamentos e à sua conversão ao catolicismo, 
conforme sugere a alternativa B. A intenção do texto 
não é informar os espectadores sobre o comportamento 
dos povos indígenas, como propõe a alternativa A, pois 
os espectadores consistem nos próprios nativos, já que 
seriam o público-alvo dessas peças da literatura jesuítica. 
Considerando o contexto, o objetivo não pode ser convencer 
os índios a preservarem seus costumes na nova religião, 
pois a peça visa justamentemodificar os costumes que 
lhes são apresentados alegoricamente como influenciados 
pelo diabo Guaixará, o que invalida a alternativa C. Como 
o público-alvo da literatura jesuítica são os indígenas, 
o objetivo da peça não é apresentá-los à Europa, como 
proposto na D, o que também invalida essa alternativa. 
Por fim, não há indícios no texto de que seu objetivo seja 
encenar o encontro amistoso entre os indígenas pagãos 
e os padres, pois o conflito mostrado se dá entre uma 
entidade maligna e os santos católicos, numa alegoria da 
imposição do cristianismo sobre as religiões indígenas.
QUESTÃO 36 
A Câmara dos Deputados está analisando um projeto 
de lei que pretende tornar crime o compartilhamento ou 
divulgação de informações falsas ou “prejudicialmente 
incompletas” na Internet. 
Na justificativa, o deputado Luiz Carlos Hauly diz que 
atos como a disseminação de notícias falsas e incompletas 
na Internet “causam sérios prejuízos, muitas vezes 
irreparáveis, tanto para pessoas físicas ou jurídicas, as 
quais não têm garantido o direito de defesa sobre os fatos 
falsamente divulgados”.
ILAB
LCT – PROVA I – PÁGINA 22 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
É verdade que as notícias falsas têm sido um grande 
problema na Internet, tanto que Facebook e Google estão 
desenvolvendo tecnologias para combater a disseminação 
de boatos. Mas é preciso ter cuidado para não criar uma 
lei que sirva como instrumento de censura. Além disso, 
por mais que o conceito de “verdade” pareça óbvio, nem 
sempre é fácil determinar quando uma notícia é “falsa”. Sem 
contar que, com uma multa pesada, isso pode desencorajar 
principalmente o jornalismo investigativo.
HIGA, P. Disponível em: <https://tecnoblog.net>. 
Acesso em: 21 out. 2017. [Fragmento]
Com base no posicionamento do deputado sobre a punição 
para a disseminação de notícias falsas na Internet, o autor 
do texto argumenta de maneira
A. 	 ponderada, pois alerta para o perigo da censura e o 
possível enfraquecimento da investigação.
B. 	 favorável, pois concorda com os graves problemas 
gerados pela disseminação de boatos.
C. 	 indiferente, pois informa que empresas como Facebook 
e Google já combatem a prática.
D. 	 radical, pois demonstra que o conceito de verdade é 
óbvio e deve ser exigido pela lei.
E. 	 neutra, pois aponta os dois lados da situação e não se 
posiciona em favor de nenhum.
Alternativa A
Resolução: Considerando que o deputado Luiz Carlos 
Hauly defende a punição para a disseminação de 
notícias falsas na Internet, percebe-se que o autor do 
texto apresenta uma posição ponderada sobre o projeto, 
pois, mesmo reconhecendo os prejuízos causados pelo 
fenômeno, ele alerta para o fato de que não se deve criar 
“uma lei que sirva como instrumento de censura” e que 
desencoraje o jornalismo investigativo, que muitas vezes 
se baseia em suposições que poderiam ser enquadradas 
na categoria de “notícias falsas”. A análise ponderada do 
autor, que leva em conta ambos os lados da questão, fica 
exposta na construção “é preciso ter cuidado para não 
criar uma lei”, em que ele não se opõe por completo ao 
projeto, desde que este considere diferentes situações 
em torno do ofício do jornalista. Nesse sentido, está 
correta a alternativa A. Embora inicialmente concorde 
com o fato de a disseminação de boatos gerar problemas, 
a argumentação aponta para um ponto de vista contrário, 
o que invalida a alternativa B. A argumentação desenvolvida 
não é indiferente à do deputado, como proposto na C, 
pois, mesmo que o Facebook e o Google estejam tentando 
combater a disseminação de boatos, o autor demonstra 
preocupação com o fato, comprovada pela reflexão feita 
no texto. O autor não demonstra que o conceito de verdade 
é óbvio, como propõe a alternativa D, pois argumenta 
justamente que esse conceito, embora assim pareça, 
não determina o que é falso. Finalmente, sua posição não é 
neutra, como sugere a alternativa E, pois o autor apresenta 
o ponto de vista do deputado para, em seguida, mostrar 
um diferente posicionamento sobre o tema.
QUESTÃO 37 
Cantiga de amigo
Lá na casa dos Carneiros
Onde os violeiros vão cantar louvando você
Em cantiga de amigo
Cantando comigo somente porque você é
Minha amiga, mulher
Lua nova do céu que já não me quer
Dezessete é minha conta
Vem, amiga, e conta uma coisa linda pra mim
Conta os fios dos teus cabelos
Sonhos e anelos
Conta-me se o amor não tem fim
MELLO, E. F. Cantiga de amigo. In: Elomar. Das barrancas do Rio 
Gavião. LP. Phonogram, 1973. [Fragmento]
A letra da canção foi composta com inspiração nas poesias 
trovadorescas medievais. Embora apresente o título “Canção 
de amigo”, há, em seu conteúdo, uma característica das 
cantigas de amor, a qual consiste na presença de um eu lírico
A. 	 irônico, que critica os costumes de seu tempo com um 
discurso sarcástico.
B. 	 entristecido, que se dirige à mulher amada e fala do 
amor não correspondido.
C. 	 recatado, que abre mão de sua vida como violeiro para 
viver junto da amada.
D. 	 satírico, que aborda o tema do amor de forma abertamente 
erótica e agressiva.
E. 	 desiludido, que busca na natureza as respostas para a 
rejeição de sua amada.
Alternativa B
Resolução: Embora o título da canção seja “Cantiga 
de amigo”, seu eu lírico não é uma mulher que fala de 
um amor impossível de se concretizar, mas um eu lírico 
característico das cantigas de amor, a saber: um homem 
entristecido que se dirige à mulher amada e fala do amor 
não correspondido. A alternativa correta é, portanto, a B. 
O eu lírico irônico sugerido na A ou o satírico proposto na D 
são característicos das cantigas de escárnio e maldizer, e 
por isso essas alternativas estão incorretas. A alternativa C 
está incorreta porque, ainda que seja recorrente a figura 
do eu lírico que despreza títulos, riquezas e posses por 
causa de um amor, essa característica não está presente 
na letra. Finalmente, a alternativa E está incorreta porque 
o eu lírico não faz questionamentos à natureza, mas 
recorre a seus elementos, como a Lua, para expressar 
seus sentimentos pela amada.
QUESTÃO 38 
– [...] Deixe ver os olhos, Capitu.
Tinha-me lembrado a definição que José Dias dera 
deles, “olhos de cigana oblíqua e dissimulada.” Eu não sabia 
o que era oblíqua, mas dissimulada sabia, e queria ver se 
podiam chamar assim. Capitu deixou-se fitar e examinar. 
Só me perguntava o que era, se nunca os vira, eu nada achei 
extraordinário; a cor e a doçura eram minhas conhecidas. [...]
RERY
EXFØ
ENEM – VOL. 3 – 2018 LCT – PROVA I – PÁGINA 23BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
Retórica dos namorados, dá-me uma comparação 
exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de 
Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra 
da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. 
Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá ideia 
daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e 
enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga 
que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser 
arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, 
aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros, mas 
tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas 
vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, 
puxar-me e tragar-me. 
ASSIS, M. Dom Casmurro. Disponível em: <http://www.dominiopublico.
gov.br>. Acesso em: 26 dez. 2017. [Fragmento]
A descrição dos olhos da personagem Capitu como “olhos de 
ressaca”, feita pelo narrador, consiste na figura de linguagem 
denominada metáfora, porque
A. 	 atenua o poder de atração dos olhos por meio da 
resistência do narrador.
B. 	 emprega um termo no lugar do outro ao se referir à 
mulher pelos olhos.
C. 	 mescla diversos sentidos na mesma expressão, a 
percepção dos olhos.
D. 	 aproxima os olhos e a ressaca do mar pela força de 
atração de ambos.
E. 	 atribui a característica humana do olhar ao mar, um ser 
inanimado. 
Alternativa D
Resolução: O que caracteriza a expressão “olhos de 
ressaca” como metafóricaé a aproximação entre os 
elementos “olhos” e “ressaca”, em uma comparação 
implícita entre ambos devido à característica de possuírem, 
em comum, uma força de atração. A alternativa correta 
é, portanto, a D. As demais alternativas estão incorretas 
porque a atenuação caracterizaria um eufemismo; o 
emprego de um termo no lugar do outro consiste em 
uma metonímia; a mescla de diversos sentidos na 
mesma expressão seria uma sinestesia; e a atribuição de 
características animadas a seres inanimados seria uma 
personificação.
QUESTÃO 39 
Quais são as espécies mais ameaçadas 
de extinção no Brasil?
O Brasil possui atualmente 627 espécies ameaçadas 
de extinção, de acordo com pesquisa do Ministério do Meio 
Ambiente realizada em 2008. O levantamento anterior, feito 
em 1989, mostrava uma lista de 218 animais, mas não incluía 
peixes e outras espécies aquáticas.
O processo de extinção está relacionado ao 
desaparecimento de espécies ou grupos de espécies em 
um determinado ambiente ou ecossistema. Mas o surgimento 
e a extinção de espécies são eventos extremamente lentos, 
e que levam milhares ou até mesmo milhões de anos para 
ocorrer, a exemplo do que aconteceu com os dinossauros.
TCFG
Porém, o homem vem acelerando muito a taxa de 
extinção de espécies, a ponto de ter se tornado o principal 
agente deste processo. “Os animais em risco estão muitas 
vezes sufocados pelo desmatamento provocado pela 
pecuária, pela abertura de terras, pela poluição e a expansão 
urbana”, diz a bióloga Ellen Augusta de Freitas. 
JOENCK, A. Disponível em: <https://www.terra.com.br>. 
Acesso em: 21 out. 2017. [Fragmento]
A fala de uma bióloga é usada para reiterar um ponto de 
vista a respeito da extinção de animais no Brasil. Com base 
nisso, o texto defende que o
A. 	 processo é decorrente da própria cadeia evolutiva.
B. 	 agente responsável é principalmente o ser humano.
C. 	 evento ocorre lentamente e é inevitável aos humanos.
D. 	 levantamento exposto é pouco claro sobre a realidade.
E. 	 acontecimento é tão esperado como o dos dinossauros.
Alternativa B
Resolução: Considerando que a bióloga Ellen Augusta de 
Freitas aborda o fato de os animais muitas vezes serem 
sufocados por ações como a pecuária e a expansão urbana, 
percebe-se que sua fala reitera o posicionamento da autora 
de que o ser humano vem acelerando a taxa de extinção 
das espécies, a ponto de ter se tornado o principal agente 
desse processo. Assim, no último parágrafo do texto, vê-se 
o posicionamento da autora e a fala da bióloga, citada como 
autoridade no assunto. A alternativa correta é, portanto, a B. 
Nesse sentido, a frequência com que espécies vêm sendo 
extintas não é considerada natural nem esperada dentro 
do processo evolutivo, o que invalida as alternativas A e E. 
A alternativa C está incorreta porque, por mais que a 
extinção natural das espécies seja lenta e inevitável, como 
pode ser inferido do texto, o posicionamento defendido 
é de que o ser humano agravou a situação, apressando 
eventos naturais. Por fim, o texto expõe que o levantamento 
atual sobre as espécies é completo e que o anterior não 
incluía peixes e outras espécies aquáticas, o que invalida 
a alternativa D, que o caracteriza como pouco claro.
QUESTÃO 40 
Mestre, são plácidas
Todas as horas
Que nós perdemos,
Se no perdê-las,
Qual numa jarra,
Nós pomos flores.
Não há tristezas
Nem alegrias
Na nossa vida.
Assim saibamos,
Sábios incautos,
Não a viver,
LGLB
LCT – PROVA I – PÁGINA 24 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
Mas decorrê-la, 
Tranquilos, plácidos,
Tendo as crianças
Por nossas mestras,
E os olhos cheios
De Natureza...
[...]
O tempo passa,
Não nos diz nada.
Envelhecemos.
Saibamos, quase
Maliciosos,
Sentir-nos ir.
REIS, R. [Fernando Pessoa]. Obra poética. Rio de Janeiro: Aguilar, 
1965. p. 253. [Fragmento]
No fragmento do poema anterior, aborda-se a questão do 
tempo. Logo na abertura, o caráter poético faz-se presente 
por meio da mudança do significado da expressão “perder 
tempo”, que ganha sentido conotativo porque
 A constrói uma oposição entre as atitudes de pressa e 
contemplação. 
 B critica, por meio do eufemismo, a ideia de que viver 
significa aproveitar o tempo.
 C inverte seu caráter negativo usual, apontando a passagem 
do tempo como ganho.
 D recria, de maneira lírica, o ditado popular “Tempo é dinheiro”.
 E sugere, por metáforas, uma nova forma de relacionamento 
entre o homem e a natureza. 
Alternativa C
Resolução: A expressão idiomática “perder tempo” tem 
seu significado associado a ocupar-se com tarefas pouco 
produtivas ou desinteressantes. No entanto, Ricardo Reis 
atribui a ela sentido positivo em “Mestre, são plácidas / 
Todas as horas / Que nós perdemos”, sugerindo que 
quando essas horas são gastas em atividades tranquilas, 
que transmitem serenidade, elas, na verdade, são 
ganhas, e não perdidas, como aponta corretamente a 
alternativa C. A alternativa A está incorreta porque ainda 
que o poema transmita a ideia de oposição entre pressa 
e contemplação, ela não está sintetizada na expressão 
“perder tempo”. A alternativa B está incorreta porque a 
expressão em análise não é eufemística, ainda que o texto 
critique a necessidade de sempre aproveitar o tempo. 
A alternativa D está incorreta porque o texto não apresenta 
uma interpretação capitalista de como se gastar o tempo. 
Finalmente, na alternativa E, a sugestão do eu lírico não 
se relaciona apenas com a natureza, mas com todos os 
aspectos da vida.
QUESTÃO 41 
Lua branca
Oh, lua branca de fulgores e de encanto 
Se é verdade que ao amor tu dás abrigo 
Vem tirar dos olhos meus o pranto
[...]
Dá-me o luar de tua compaixão 
Oh, vem, por Deus, iluminar meu coração 
E quantas vezes lá no céu me aparecias
A brilhar em noite calma e constelada 
E em tua luz então me surpreendias 
Ajoelhado junto aos pés da minha amada
E ela a chorar, a soluçar, cheia de pejo 
Vinha em seus lábios me ofertar um doce beijo 
Ela partiu, me abandonou assim
Ó, lua branca, por quem és, tem dó de mim
GONZAGA, C. Disponível em: < https://www.letras.mus.br/>. 
Acesso em: 20 abr. 2016. [Fragmento]
O texto musical de Chiquinha Gonzaga apresenta uma 
interlocução que explora três pessoas do pronome em 
relação ao verbo. A combinação equilibrada entre verbo e 
pronome ocorre em
A. 	“vem”, no terceiro verso da primeira estrofe, com 
pronome de 3ª pessoa.
B. 	“dá”, no primeiro verso da segunda estrofe, com 
pronome de 3ª pessoa.
C. 	“aparecias”, no terceiro verso da segunda estrofe, com 
pronome de 3ª pessoa.
D. 	“surpreendias”, no segundo verso da terceira estrofe, 
com pronome de 2ª pessoa.
E. 	“vinha”, no segundo verso da quarta estrofe, com 
pronome de 2ª pessoa.
Alternativa D
Resolução: Analisando as combinações em cada uma das 
alternativas, vê-se que o verbo “surpreendias”, conjugado 
na segunda pessoa do pretérito imperfeito do modo 
indicativo, concorda com “tu”, que retoma “lua branca 
de fulgores e encanto”, sendo, portanto, D a alternativa 
correta. As alternativas A e B estão incorretas porque as 
formas verbais “vem” e “dá” estão conjugadas na segunda 
pessoa do modo imperativo afirmativo, e não na terceira. 
A alternativa C está incorreta porque o sujeito do verbo 
“aparecias” é “tu”, segunda pessoa, que também retoma 
“lua branca de fulgores e encanto”. Por fim, a alternativa E 
está incorreta porque o sujeito de “vinha” é “ela”, pronome 
de terceira pessoa.
QUESTÃO 42 
1. Sempre gostei da distinção clássica rostos vs. nomes. 
Você sabe: há pessoas que são boas com rostos. Outras 
são melhores nos nomes. 
Eu pertenço a uma terceira categoria: nem rostos nem 
nomes. Já pensei que era demência precoce, um efeito 
secundário de certas medicações. Hoje aceito a minha 
condição, que piora com a idade.
DKR6
TZRM
ENEM – VOL. 3 – 2018 LCT – PROVA I – PÁGINA 25BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
Conheço o nome de poucos amigos – os mais chegados, 
digamos. O resto é silêncio para mim, razão pela qual uso 
tantas vezes o tratamento “meu caro amigo”e “minha cara 
amiga”. As pessoas pensam que é simpatia natural. Não é. 
É ignorância onomástica pura. Quando a memória não ajuda, 
a senilidade pode ser uma graça. 
2. Houve um tempo em que eu alimentava a ilusão de 
que praticava exercício físico. “Costumo nadar três vezes por 
semana”, dizia eu, do alto da minha soberba, para médicos 
vários que se horrorizavam com os meus exames. A família 
desconfiava. Os amigos desconfiavam. 
Até que a minha senhora, intrigada com a condição do 
atleta, resolveu espreitar a piscina onde ele passava certas 
manhãs. 
Encontrou-o na água, sim, equipado a rigor. Mas o atleta 
boiava. Para que a imagem fosse mais decadente, só faltava 
uma coxinha de frango numa mão e uma caipirinha na outra. 
Acabou-se a fraude.
Hoje, vou à academia todas as segundas. Tenho um 
personal trainer, com formação militar, que me obriga a 
correr, pedalar, esticar, dobrar, desdobrar e, de vez em 
quando, vomitar. 
Quando abandono o meu calvário, nunca entro em 
restaurantes. Vou direto para a farmácia, onde procuro uma 
combinação perfeita de analgésicos e anti-inflamatórios que 
me acompanham durante toda a semana.
COUTINHO, J. P. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br>. 
Acesso em: 09 dez. 2017. [Fragmento adaptado] 
A crônica foi planejada e executada num formato pouco 
tradicional: em tópicos numerados. Como linha argumentativa 
em comum entre os dois tópicos, essa estruturação revela
A. 	 abordagem pessimista da terceira idade, que é vista 
como um período de degradação.
B. 	 análise autoafirmativa do sujeito idoso, que supera os 
obstáculos impostos pela idade. 
C. 	 defesa do exercício para o corpo e para a mente, que 
garante um envelhecimento saudável. 
D. 	 entendimento tragicômico do passar do tempo, que é 
aceito com bom humor pelo autor. 
E. 	 retórica debochada da terceira idade, que é entendida 
como época de vivências amargas. 
Alternativa D
Resolução: Nos dois tópicos do texto, o autor expõe 
situações que vive ou tem vivido em sua vida, as quais, 
segundo ele, tem se agravado com o avanço da idade. São 
elas a memória falha para nomes e rostos de pessoas e 
a má condição física. No entanto, em seu relato, o autor 
consegue extrair uma abordagem cômica e bem-humorada 
dos episódios narrados. Assim, está correta a alternativa D. 
A alternativa A está incorreta porque a abordagem do autor 
não é pessimista. A alternativa B está incorreta porque o 
autor também não se empodera como idoso. A alternativa C 
está incorreta porque o autor não se posiciona a favor de 
exercícios para o corpo e a mente, mas confessa que, com a 
passagem do tempo, ele tem percebido os impactos da idade. 
A alternativa E, por sua vez, está incorreta porque não 
há deboche por parte do autor, já que ele é capaz de se 
divertir com o que lhe acontece à medida que envelhece, 
portanto, ele não vê a velhice como um período amargo 
da vida.
QUESTÃO 43 
Senhor,
Posto que o Capitão-mor desta Vossa frota, e assim 
os outros capitães escrevam a Vossa Alteza a notícia do 
achamento desta Vossa terra nova, que se agora nesta 
navegação achou, não deixarei de também dar disso minha 
conta a Vossa Alteza, assim como eu melhor puder, ainda 
que – para o bem contar e falar – o saiba pior que todos fazer!
Todavia tome Vossa Alteza minha ignorância por boa 
vontade, a qual bem certo creia que, para aformosentar 
nem afear, aqui não há de pôr mais do que aquilo que vi e 
me pareceu.
Da marinhagem e das singraduras do caminho não darei 
aqui conta a Vossa Alteza – porque o não saberei fazer – e 
os pilotos devem ter este cuidado.
CAMINHA, P. V. A carta. Disponível em: < http://www.dominiopublico.
gov.br>. Acesso em: 26 dez. 2017. [Fragmento]
A introdução d’A carta revela a intenção do autor e a 
elaboração de seu relato. De acordo com o que está exposto 
no trecho, Pero Vaz de Caminha constrói seu texto atendendo 
à característica da literatura de informação de
A. 	 privilegiar uma construção estética baseada na forma 
do relato. 
B. 	 denunciar sem afetação os costumes pagãos na terra 
desconhecida.
C. 	 convencer o rei de sua competência comparável à de 
outros capitães.
D. 	 transmitir informações precisas do lugar sem interferência 
da fantasia.
E. 	 descrever experiências cotidianas e pessoais num 
diário de bordo.
Alternativa D
Resolução: No trecho, o autor revela sua intenção de elaborar 
seu relato por meio de um texto objetivo, já que não pretende 
“aformosentar nem afear” seu relato, mas sim descrever 
exatamente o que viu na terra desconhecida. O autor ressalta, 
ainda, que não escreverá “mais do que aquilo que vi e me 
pareceu”, ou seja, transmitirá informações precisas do lugar, 
o que caracteriza a literatura de informação. A alternativa 
correta é, portanto, a D. Por seu caráter objetivo, com intenção 
informativa, o gênero não privilegia a elaboração estética, 
conforme sugerido na A. Além disso, a denúncia de costumes 
sugerida na B traz a ideia de um juízo de valor que se afasta 
da descrição objetiva, o que torna incorreta essa alternativa. 
A alternativa C está incorreta porque, ainda que na carta 
constem trechos argumentativos, em que o autor busca 
convencer o Rei de Portugal das vantagens de colonização 
da terra invadida, no fragmento em análise identifica-se o 
propósito descritivo do texto, o qual é anunciado por Caminha. 
Por fim, a alternativa E está incorreta porque a finalidade do 
documento não é o registro de experiências pessoais do 
autor, mas de toda a tripulação em expedição.
2S89
LCT – PROVA I – PÁGINA 26 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
QUESTÃO 44 
WATERSON, B. Disponível em: <http://depositodocalvin.blogspot.com.br>. Acesso em: 14 dez. 2017.
Na fala do primeiro quadrinho, a coesão das ideias é estabelecida por meio de
A. 	 substantivo próprio, porque delimita a pessoa do discurso empregada.
B. 	 advérbio de negação, porque torna contraditória as ações do menino.
C. 	 substantivo abstrato, porque delimita a subjetividade do diálogo.
D. 	 locução verbal, porque condensa duas ações verbais em uma.
E. 	 pronome adjetivo, porque determina uma relação de catáfora.
Alternativa E
Resolução: Na sentença “Sabe Haroldo, eu não consigo entender esse negócio de morte”, a coesão das ideias é 
estabelecida pelo pronome adjetivo “esse”, o qual se refere a um termo posterior: “negócio de morte”. Assim, está correta 
a alternativa E. A alternativa A está incorreta porque o substantivo próprio “Haroldo” não delimita a pessoa do discurso 
empregada por Calvin, o emissor da mensagem, já que tanto a segunda quanto a terceira podem ser corretamente 
usadas. A alternativa B está incorreta porque o advérbio “não” se limita a negar a realização da ação por Calvin, sem 
fazer com que suas ações sejam contraditórias. A alternativa C está incorreta porque não são os substantivos “negócio” 
e “morte” que tornam o diálogo subjetivo, mas a abordagem do assunto. A alternativa D está incorreta porque não há 
locução verbal no período; o verbo “consigo” faz parte de uma oração, e “entender”, de outra.
QUESTÃO 45 
Disponível em: <http://www.aviacao.gov.br>. Acesso em: 13 dez. 2017.
7MKJ
VLGK
ENEM – VOL. 3 – 2018 LCT – PROVA I – PÁGINA 27BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
Na propaganda, combinam-se elementos verbais e não verbais para divulgar investimentos em aviação. Para a construção 
do texto, utilizou-se, como recurso persuasivo,
A. 	 duplicidade de sentido na composição do slogan.
B. 	 destaque à capacidade técnica e científica do país. 
C. 	 comparação de dados numéricos anteriores e atuais.
D. 	 indicação de página online para verificação dos dados.
E. 	 hipérbole nos elementos imagéticos do casal e do avião.
Alternativa A
Resolução: A expressão “ganhou asas” pode significar conotativamente “superou-se” ou, denotativamente, “tornou-se 
dotado de asas”, numa referência ao fato de os brasileiros estarem usando mais o transporte aéreo nos últimos anos. 
Já “voa junto” significa conotativamente “acompanha a superação” ou, denotativamente,“voa também”, aludindo aos 
investimentos feitos pelo Governo para atender à demanda da população por melhorias na infraestrutura dos terminais. 
Assim, o principal recurso do texto em pauta é a duplicidade de sentidos no slogan, como exposto na alternativa A. 
A alternativa B está incorreta porque o texto informa a quantidade de obras a serem realizadas e o valor dos investimentos, 
no entanto não enaltece a capacidade técnico-científica do país. A alternativa C está incorreta porque não há comparação 
entre dados atuais e anteriores, apenas a informação do que será feito a partir de então. A alternativa D está incorreta 
porque a indicação da página do Governo Federal serve para trazer credibilidade à divulgação e instruir o acesso a 
informações adicionais, e não para checar os dados. Por sua vez, a alternativa E está incorreta porque não há hipérbole 
na imagem, mas metáfora, na qual as asas do avião tornam-se as asas do casal, simbolizando a população brasileira 
desfrutando dos investimentos públicos na aviação civil.
LCT – PROVA I – PÁGINA 28 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
TEXTO I
Estigmatização da cultura do funk
O funk carioca, uma fusão das batidas do funk 
norte-americano e ritmos afro-brasileiros originado nos 
anos 70 e 80, enfrentou criminalização e críticas por ser 
associado a músicas cujas letras ultrapassam os limites do 
senso comum ao retratar violência, drogas e referências 
sexuais. Muitos artistas dizem que estão falando sobre a 
sua realidade e apontam para outros gêneros musicais que 
também incluem temas tabus, mas que não enfrentam reações 
com a mesma magnitude. Para muitos, a criminalização do 
funk, e por extensão a criminalização do passinho, é uma 
expressão da criminalização da pobreza.
CRONIN, S. Tradução de Fernanda Lima. Disponível em: 
<http://rioonwatch.org.br>. Acesso em: 02 jan. 2018. [Fragmento 
adaptado]
TEXTO II
A verdade é que, assim como outros importantes gêneros 
atrelados à música, o Passinho não tem origem precisa. 
A única certeza é que a dança, considerada mais como uma 
variação do funk carioca, vem tomando contornos próprios 
e conquistando reconhecimento nacional e internacional, 
além de influenciar na formação, no dia a dia e até mesmo 
nos sonhos de adolescentes e jovens. 
Ao assumir tal escopo, torna-se também um movimento 
social. “Além da riqueza estética da antropofágica 
coreografia, que incorpora vários estilos de dança e arrebata 
mesmo quem não gosta de funk, o Passinho é o meio que 
a juventude se expressa e tenta vencer, com criatividade 
e alegria, a batalha da vida, na qual é, invariavelmente, 
estigmatizada por sua cor e classe social”, comenta o diretor 
da Batalha do Passinho e roteirista, Rafael Dragaud.
LACERDA, V. Disponível em: <http://www.otempo.com.br>. 
Acesso em: 02 jan. 2018. [Fragmento]
INSTRUÇÕES PARA A REDAÇÃO
• O rascunho da redação deve ser feito no espaço apropriado. 
• O texto definitivo deve ser escrito à tinta, na folha própria, em até 30 linhas. 
• A redação que apresentar cópia dos textos da Proposta de Redação ou do Caderno de Questões terá o número de 
linhas copiadas desconsiderado para efeito de correção. 
Receberá nota zero, em qualquer das situações expressas a seguir, a redação que:
• desrespeitar os direitos humanos.
• tiver até 7 (sete) linhas escritas, sendo considerada “texto insuficiente”.
• fugir ao tema ou que não atender ao tipo dissertativo-argumentativo.
• apresentar parte do texto deliberadamente desconectada com o tema proposto.
TEXTOS MOTIVADORES
07FW
TEXTO III
Passinho e mudanças sociais
Acredita-se que o passinho é capaz de ajudar a 
amenizar a tensão entre diferentes favelas, uma vez que 
os dançarinos têm a capacidade de ultrapassar barreiras 
que separam territórios comandados por traficantes rivais. 
Para os dançarinos do passinho, ele dá a jovens 
homens negros, o grupo demográfico mais propenso a ser 
vítima de violência policial e coerção ao mundo do tráfico 
de drogas, um refúgio da violência e meios alternativos de 
ganhar status e dinheiro. O passinho tem um cunho político 
inerente através da afirmação do orgulho da cultura negra e 
da favela em um país que historicamente estigmatiza ambos.
Também inerente ao movimento do passinho é o senso de 
comunidade e pertencimento. Muitos dançarinos referem-se 
aos seus colegas como “família” e os mais veteranos 
possuem um sentimento de responsabilidade como guias 
da próxima geração, não somente na dança, mas em suas 
escolhas de vida.
CRONIN, S. Tradução de Fernanda Lima. Disponível em: 
<http://rioonwatch.org.br>. Acesso em: 02 jan. 2018. [Fragmento]
TEXTO IV
 
Campanha promovida pelo Festival #15Contra16 contra a 
redução da maioridade penal em 2015.
Disponível em: <https://pt-br.facebook.com>. Acesso em: 02 jan. 2018.
PROPOSTA DE REDAÇÃO
A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua 
formação, redija texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da Língua Portuguesa sobre o 
tema “Caminhos para a socialização dos jovens por meio do funk”, apresentando proposta de intervenção que 
respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos 
para defesa de seu ponto de vista.
ENEM – VOL. 3 – 2017 LCT – PROVA I – PÁGINA 29BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
A proposta de redação orienta-se por uma temática geral: 
CAMINHOS PARA A SOCIALIZAÇÃO DOS JOVENS POR MEIO DO FUNK
Toda a coletânea apresenta informações referentes a esse tema e, de modo geral, também oferece elementos para que os 
alunos consigam problematizar seu enfoque. A proposição de um título não é obrigatória na redação do Enem. No entanto, 
caso os alunos decidam assim, a correção deve penalizar apenas aqueles que colocarem o tema como título. 
Itens de correção de acordo com a grade Enem: 
I. Item destinado à avaliação da composição linguística do texto (uso da norma-padrão). São considerados os aspectos de 
domínio gramatical explorados na estruturação do raciocínio: concordância verbo-nominal, acentuação gráfica, ortografia, 
variedade vocabular, pontuação, entre outros recursos que, caso sejam mal utilizados, devem ser penalizados. O aspecto 
linguístico deve ser considerado em função do conteúdo do texto. Desse modo, se o texto for claro, mas apresentar 
algumas falhas gramaticais, que não prejudiquem o conjunto textual, elas devem ser penalizadas de forma moderada ou 
mesmo não ser penalizadas. 
• Número máximo de erros linguísticos para a obtenção de nota total nessa competência: dois erros (acima disso, penalizar 
na correção). Este item é avaliado em consonância com o item IV. 
II. Na compreensão do tema, os alunos devem problematizar a questão da criminalização do gênero musical funk carioca 
e de seus artistas e apreciadores, em oposição à socialização que ele promove, principalmente, aos jovens de baixa 
renda no Brasil. Nesse sentido, os alunos devem discutir como esse gênero musical pode ser agente de mudanças 
sociais e indicar quais ações as propiciariam. Analisando os textos-base, vê-se no texto I uma análise em que o autor 
traça brevemente a história do funk no Brasil e afirma existir a estigmatização do gênero, a qual teria origem no conteúdo 
das letras e no fato de a maioria dos artistas virem de comunidades com altos índices de criminalidade. Os textos II e III 
mostram como o “passinho”, uma dança derivada do funk carioca e, por consequência, do hip-hop, tem ajudado jovens 
de favelas a se socializarem e não se envolverem na criminalidade. Esses textos revelam o potencial da cultura desse 
gênero musical de inserir na sociedade jovens de minorias que historicamente têm poucas oportunidades, já que incute 
neles senso de responsabilidade e de comunidade. Já o texto IV é parte de uma campanha – promovida por um festival de 
música – que se opôs à redução da maioridade penal e promoveu o funk como forma de combater a criminalidade entre 
os jovens. Com relação ao cumprimentodo objetivo, os alunos devem perceber a necessidade de criar um enfoque 
problematizador do tema (desafios e perspectivas), já que é solicitada a criação de uma proposta de intervenção. Desse 
modo, podem propor uma tese de raciocínio relacionada, por exemplo, à importância de se promover a cultura do funk 
e do hip-hop como ferramenta de socialização entre jovens de comunidades carentes, em analogia a outras atividades 
artísticas ou esportivas. Também se pode defender o funk e o “passinho” da criminalização sofrida socialmente, uma vez 
que, na verdade, eles podem tirar muitos jovens das situações de risco associadas às drogas e ao crime.
• Sinalizar, na correção, existência ou ausência da tese de raciocínio. Caso não haja tese no texto dos alunos, este item 
deve ser penalizado com maior rigor (nota mínima ou zero). Penalizar também a presença de trechos mais longos que 
escapem às tipologias argumentativa e expositiva (como os de cunho narrativo). Este item é avaliado em consonância 
com o item III. 
III. Com relação à terceira habilidade avaliada, domínio da estrutura textual argumentativa, os alunos devem confirmar ou 
discutir sua tese por meio de estratégias argumentativas diversificadas, com certo grau de ineditismo e autoria, procurando 
fugir, ao menos parcialmente, de uma abordagem atrelada ao senso comum. No caso dessa proposta, os alunos podem 
argumentar que manifestações culturais como o “passinho”, por terem se originado em estratos marginalizados da população, 
sofrem preconceito, o que termina por criminalizá-las, como tem acontecido sistematicamente com a pobreza no Brasil. 
Assim, é importante reforçar que o funk, independentemente do conteúdo de suas letras, é legítimo como manifestação 
cultural e representa uma minoria cujas ambições e vontades são as mesmas das classes sociais mais confortáveis. Ainda, 
é importante discutir os caminhos para a socialização promovidos pelo funk. Pode-se defender o engajamento dos jovens 
que estudam música e dança e desenvolvem com a comunidade um vínculo social que os motiva a promover ações para 
melhorar as condições dela. As principais consequências disso são menos jovens envolvendo-se com a criminalidade e 
buscando mais oportunidades de estudo e emprego, além de perseguir uma carreira artística de prestígio.
• A ausência de problematização do enfoque deve ser penalizada (com nota igual ou inferior a 50%). Este item deve ser 
avaliado em conexão com o item II, para que não haja penalização dupla dos mesmos problemas. 
IV. Na quarta habilidade, domínio da estrutura linguístico-semântica, os alunos devem demonstrar uso coerente de 
sequências discursivas, especialmente no que diz respeito às cadeias coesivas construídas no texto, com o auxílio de 
determinadas ferramentas da norma-padrão (pontuação, conectores etc.). As relações coesivas devem ser avaliadas entre 
as sentenças e entre os parágrafos. 
LCT – PROVA I – PÁGINA 30 ENEM – VOL. 3 – 2017 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
• Este item deve ser avaliado em conexão com o item I, para que não haja penalização dupla dos mesmos problemas. 
V. Na quinta habilidade avaliada, proposta de intervenção, os alunos devem propor estratégias para solucionar as situações- 
-problema apresentadas ao longo do texto. Nesse sentido, deve haver detalhamento e variedade nas propostas apresentadas. 
Em relação ao tema em questão, devem ser apontadas medidas que viabilizem a socialização dos jovens por meio da 
imersão na cultura do funk. Uma intervenção importante é a conscientização a respeito da descriminalização desse gênero 
musical, o que pode ser reforçado por campanhas promovidas por artistas, juntamente de canais midiáticos, atingindo grande 
parcela da população. Artistas e apreciadores de funk e do “passinho” também podem se mobilizar para criar oficinas de 
música e dança para jovens, incentivando-os a organizar coletivos artísticos relacionados ao funk. Essa postura engajada 
ajudaria na quebra do paradigma que rodeia essa manifestação cultural no Brasil. 
• A intervenção proposta pelos alunos deve estar em conformidade com a tese e a argumentação desenvolvidas 
ao longo do texto. Do contrário, deve haver penalização. 
ENEM – VOL. 3 – 2017 LCT – PROVA I – PÁGINA 31BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS
Questões de 46 a 90
QUESTÃO 46 
O Positivismo na História seria aquela corrente [...] que no 
século XIX definiu que “os documentos falam por si próprios”, 
consistindo o trabalho do historiador em apresentar os “fatos” 
indicados pelos documentos. Assim, além de carecer de 
interpretações e de hipóteses de fundo, essa historiografia 
caracterizar-se-ia por ser dedicada aos fenômenos políticos, 
isto é, aos atos dos “grandes líderes” e à vida (política) das 
nações, sem dúvida, aí incluídas, as guerras.
LACERDA, G. Augusto Comte e o “positivismo” redescobertos. 
In: Revista de Sociologia e Política. Curitiba, v. 17, n. 34, 2009. 
O positivismo de Comte influenciou diversas áreas das 
ciências humanas. Uma característica positivista que norteia 
a busca de um estudo dos fatos é a 
A. 	 integração das áreas humanas do conhecimento.
B. 	 valorização da neutralidade e da objetividade. 
C. 	 constatação da importância da pesquisa.
D. 	 produção de conhecimento utilitário.
E. 	 politização das ciências humanas.
Alternativa B
Resolução: Auguste Comte foi o responsável por sistematizar 
as ideias positivistas, ajudando a divulgá-las. Para ele, o 
positivismo defende que o único conhecimento verdadeiro 
é resultado da ciência experimental. Ou seja, o método 
científico, observação e experimento, é o meio para se 
alcançar o conhecimento. Ademais, o positivismo possui 
outros princípios, ressaltados por Comte em seus escritos, 
como: os fatos são a base da elaboração das leis; busca por 
leis universais que regem todos os fenômenos; rejeição às 
explicações metafísicas e religiosas; e, por fim, objetividade 
e neutralidade. Este último princípio advém da influência 
científica do cenário da época, dominado pelas ciências 
naturais, em que Comte se baseou para alicerçar seus ideais 
científicos. Dessa maneira, a alternativa correta é a B. 
Vamos analisar as demais alternativas:
A) Não há menção, no texto-base, a uma integração das 
áreas humanas do conhecimento.
C) O texto-base, embora fale sobre uma pesquisa de 
História, não demonstra com argumentos a importância 
da pesquisa. 
D) O texto-base não reflete a produção de conhecimento 
utilitário por parte do positivismo.
E) O texto-base não indica, por parte do positivismo, uma 
necessidade de politização das ciências humanas. 
A1GØ
QUESTÃO 47 
O intento dos nacionalistas catalães de convocar de 
forma unilateral um referendo de independência declarado 
ilegal pela Justiça causou um enorme racha com o resto 
da Espanha e dentro da própria Catalunha. O governo 
espanhol enviou uma grande força policial à região, no canto 
nordeste do país, e prendeu vários dirigentes políticos que 
comandavam a organização do plebiscito. 
[...]
A Catalunha nunca foi uma nação independente, 
mas tem há muito um governo próprio, conhecido como 
Generalitat. Ela estava integrada dentro do reino de Aragão, 
cuja unificação com Castela, em 1492, deu origem ao 
nascimento da Espanha. Tem uma língua própria, falada 
pela maioria da população. A Catalunha sempre foi uma das 
regiões mais ricas do país e uma das primeiras a conseguir 
o desenvolvimento industrial.
Disponível em: <https://brasil.elpais.com>. Acesso em: 17 out. 2017.
A relação entre Espanha e Catalunha, descrita no texto, está 
vinculada ao processo de organização do Estado espanhol, 
consolidado ainda no século XV, e demonstra a
A. 	 integração dos diversos grupos étnicos da população 
espanhola.
B. 	 supressão de algumas culturas após a consolidação do 
Estado.
C. 	 construção da pluralidade cultural como ameaça ao 
modelo de Estado-nação.
D. 	 fragmentação do território espanhol em regiões 
independentes.
E. 	 obstrução espanholaao desenvolvimento econômico 
da região. 
Alternativa C
Resolução: A unificação política do Estado Nacional 
espanhol não garantiu uma unidade cultural entre os diversos 
grupos étnicos que compunham os reinos, que, unidos sob 
a liderança de Aragão e Castela, dariam origem à Espanha, 
o que provocou ao longo da história do país alguns conflitos 
com objetivos separatistas, como o caso catalão. O intento 
catalão de se tornar independente da Espanha, ainda no 
século XXI, revela que a pluralidade cultural espanhola 
representa uma ameaça ao modelo de Estado-nação, o 
que torna correta, portanto, a alternativa C e contraria a 
alternativa A. A alternativa B está incorreta, pois, apesar do 
processo de organização do Estado espanhol, no século XV, 
ter tido como principal tarefa a criação de uma nacionalidade 
que sobrepusesse as diversas identidades preexistentes 
à unificação, é possível observar, ainda no século XXI, 
a força da cultura da região da Catalunha, que tem uma 
língua própria, falada pela grande maioria da população. 
A alternativa D também está incorreta, pois, apesar da 
condição de comunidade autônoma, a Catalunha não é uma 
região independente na Espanha. Por fim, o texto afirma 
que a Catalunha “sempre foi uma das regiões mais ricas do 
país e uma das primeiras a conseguir o desenvolvimento 
industrial”, o que contraria a alternativa E.
25MU
CH – PROVA I – PÁGINA 32 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
QUESTÃO 48 
A origem do absolutismo pode ser vinculada a uma série 
de processos que se desenvolveram desde o fim da Idade 
Média. Na verdade, o absolutismo foi um desdobramento do 
processo de centralização dos Estados Nacionais europeus 
e contou com o apoio da maioria dos setores da sociedade 
– não foi mera imposição de reis despóticos. Em uma época 
de grande instabilidade, em que a ordem e a segurança 
eram tão necessárias, o absolutismo foi desejado [...].
MOUTON, R. Coleção Estudo EM1. Belo Horizonte: Editora Bernoulli, 
2015. v. 2, p. 4.
O texto relaciona a origem do absolutismo à crise do Sistema 
Feudal e aos interesses de vários setores da sociedade 
europeia. Entre esses grupos que desejavam a centralização 
do poder destacam-se os
A. 	camponeses, que garantiriam do soberano uma política 
de proteção das atividades de subsistência e de extinção 
da servidão.
B. 	setores da nobreza, que almejavam recuperar os 
privilégios feudais de nascimento e de isenção de 
impostos perdidos durante a crise do feudalismo.
C. 	intelectuais, que ambicionavam benesses nobiliárias 
concedidas pelo rei como recompensa pelo apoio 
expresso na formulação da Teoria do Direito Divino.
D. 	grupos mercantis, que aspiravam a unificação do 
mercado interno a partir da fixação das fronteiras 
nacionais do reino.
E. 	membros do clero, que pretendiam intensificar o 
combate aos infiéis muçulmanos por meio da submissão 
do poder real aos desígnios da Igreja.
Alternativa D
Resolução: O absolutismo tem suas origens no processo 
de formação dos Estados Modernos, que deve ser 
entendido no contexto das transformações ocorridas na 
Baixa Idade Média, período cujas contradições levaram 
ao declínio dos particularismos feudais em favor do 
fortalecimento da autoridade real. Os interesses dos 
diferentes grupos sociais possibilitaram a formação de uma 
conjuntura favorável à centralização político-administrativa 
sob a forma de um Estado unificado. Entre esses grupos, 
destacou-se a burguesia que via na organização dos 
Estados Nacionais a possibilidade de colocar fim aos 
particularismos e a diversidade de sistemas de pesos, 
medidas e moedas que dificultavam as transações 
comerciais e emperravam os lucros mercantis. Assim, 
a unificação do mercado interno, a partir da fixação das 
fronteiras nacionais do reino, por meio da centralização 
político-administrativa, atendiam os interesses desses 
grupos mercantis, o que torna correta a alternativa D. 
ONAX A alternativa A está incorreta, pois, na sociedade do Antigo 
Regime, desenvolvida frente à concepção absolutista, os 
camponeses, bem como os trabalhadores urbanos e a 
burguesia, eram responsáveis pelo sustento do Estado 
e dos grupos privilegiados e não gozavam de nenhuma 
forma de proteção do soberano. A alternativa B também 
está incorreta, pois o Estado Moderno foi um novo arranjo 
que garantiu a manutenção da estrutura social aristocrática 
e estamental do período feudal. De maneira geral, os 
teóricos do direito divino já eram nobres ou faziam parte do 
clero, o que invalida a alternativa C. Por fim, a alternativa 
E também está incorreta, pois o crescente poder dos 
reis impôs limites ao domínio universal da Igreja, que se 
manifestava desde a Idade Média.
QUESTÃO 49 
Além da progressão impressionante do custo de 
transporte das fazendas aos portos, assusta a falta de 
competitividade do Brasil frente aos grandes produtores de 
grãos no mundo. Na média nacional, Luiz Fayet estima que 
transportar a produção até um terminal portuário chega a 
custar quatro vezes as despesas estimadas nos Estados 
Unidos e na Argentina.
Disponível em: <https://www.em.com.br/>. Acesso em: 17 nov. 2017.
A rede de transporte de cargas no Brasil apresenta vários 
entraves. Considerando os problemas citados no texto, 
a intermodalidade de transportes seria uma alternativa 
para o(a)
A. 	 crescimento dos custos de manutenção da estrutura 
ferroviária por causa da priorização desse modal.
B. 	 redução contínua do volume de cargas do modal 
aquaviário por efeito da baixa demanda internacional.
C. 	 distanciamento das áreas de produção tanto dos portos 
quanto das estruturas de transportes já existentes.
D. 	 elevação do tempo de espera para o embarque 
portuário em consequência da maior rotatividade.
E. 	 lentidão no percurso rodoviário para distâncias 
reduzidas em razão do encalhe de soja no trajeto.
Alternativa C
Resolução: A interiorização da produção do agronegócio 
brasileiro constitui um problema no transporte de mercadorias 
no país, pois a distância entre as áreas de produção e 
as de escoamento aumentou. A expansão da fronteira 
agrícola para o Centro-Oeste – e que já alcança o Norte 
–, associada ao crescimento da indústria de base e de 
bens de consumo no Nordeste, são as principais causas 
dessa distância maior. A alternativa A está incorreta pois 
a estrutura ferroviária tem baixo custo de manutenção e 
o modelo priorizado no país é o rodoviário. A alternativa B 
está incorreta, pois a redução do volume de cargas por navio 
não é solucionada pela intermodalidade. A alternativa D está 
incorreta, pois a intermodalidade não resolveria a ineficiência 
portuária. A alternativa E está incorreta, pois o transporte 
rodoviário tem um bom desempenho para o deslocamento 
em curtas distâncias.
429D
ENEM – VOL. 3 – 2018 CH – PROVA I – PÁGINA 33BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
QUESTÃO 50 
Planalto Colúmbia – Estados Unidos
* representação sem escala 
PRESS, F.; SIEVER, R.; GROTZINGER, J.; JORDAN, T. H. Para 
entender a Terra. 4. ed. Porto Alegre: Bookman, 2006.
O Planalto Colúmbia, representado no mapa anterior, 
foi formado pelo empilhamento de diversas camadas 
de basalto. Como mecanismos de criação de formas de 
relevo, destacam-se as forças endógenas do planeta Terra. 
No caso do Planalto Colúmbia, sua gênese se relaciona à 
força endógena conhecida como
A. 	 vulcanismo. 
B. 	 tectonismo. 
C. 	 epirogênese. 
D. 	 orogênese. 
E. 	 intemperismo. 
Alternativa A
Resolução: A lava basáltica, ao irromper em um terreno plano, 
pode se espalhar sob forma de lençóis espessos, formando 
um derrame de lava. Quando os derrames sucessivos de 
lava basáltica se empilham, formam-se imensos planaltos, 
como o Planalto de Colúmbia. As alternativas B, C e D estão 
incorretas porque o tectonismo compreende o deslocamento 
de massas rochosas construindo ou reorganizando a 
estrutura terrestre em decorrência de tensões na crosta. 
A epirogênese e a orogênese são exemplos de tectonismo. 
A alternativa E está incorreta porque ointemperismo é uma 
força exógena e não endógena. 
QUESTÃO 51 
Essencialmente, o Absolutismo era apenas isto: um 
aparelho de dominação feudal alargado e reforçado, 
destinado a fixar as massas camponesas na sua posição 
social tradicional [...]. Por outras palavras, o Estado 
absolutista nunca foi um árbitro entre a aristocracia e a 
burguesia, ainda menos um instrumento da burguesia 
nascente contra a aristocracia: ele era a nova carapaça 
política de uma nobreza atemorizada [...].
ANDERSON, P. Linhagens do Estado Absolutista. Trad. Porto: 
Afrontamento, 1984.
W6F7
5ØWV
De acordo com o texto, a forma absolutista de organização 
do poder monárquico nos Estados modernos europeus, entre 
os séculos XVI e XVIII, representou a
A. 	 transformação da estrutura socioeconômica dos Estados.
B. 	 fragilização da relação entre o rei e os grupos dominantes.
C. 	 manutenção da dominação da nobreza nos quadros 
sociais. 
D. 	 ascensão política de grupos tradicionalmente 
negligenciados.
E. 	 pacificação dos conflitos entre os diversos atores da 
sociedade.
Alternativa C
Resolução: O texto destaca que o absolutismo foi “um 
aparelho de dominação feudal alargado e reforçado, 
destinado a fixar as massas camponesas na sua posição 
social tradicional” e “era a nova carapaça política da 
nobreza”, indicando que a organização de Estados de 
caráter absolutista tinha como objetivo a manutenção da 
dominação da nobreza sobre as demais camadas sociais, o 
que torna correta a alternativa C e contraria a alternativa A. 
O absolutismo fortaleceu a relação entre a monarquia e os 
grupos dominantes, como nobreza e clero, uma vez que, 
ao conceder privilégios a esses grupos, o rei ampliava 
seus poderes sobre eles, o que invalida a alternativa B. 
A alternativa D também está incorreta, pois, segundo o 
texto, o absolutismo visava a persistência dos quadros 
sociais herdados do feudalismo. Por fim, de acordo com o 
texto, o absolutismo “nunca foi árbitro entre a aristocracia e 
a burguesia”, o que contraria o argumento apresentado na 
alternativa E.
QUESTÃO 52 
TEXTO I
A refutação consistia, em certo sentido, da parte 
destrutiva do método, ou seja, o método socrático levava 
o interlocutor a reconhecer sua própria ignorância. Primeiro 
ele forçava uma definição do assunto sobre o qual 
a investigação versava; depois, escavava de vários modos 
a definição fornecida, explicitava e destacava as carências 
e contradições que implicava; então exortava o interlocutor 
a tentar nova definição, criticando-a e refutando-a com 
o mesmo procedimento; até o momento em que o interlocutor 
se declarava ignorante. 
REALE, G. História da Filosofia: filosofia pagã. 3. ed. 
São Paulo, 2007 (Adaptação).
TEXTO II
Os sofistas, pela primeira vez na filosofia grega, 
desviaram o olhar da natureza e dirigiram-no mais 
amplamente para o homem; segundo, foram eles os 
primeiros a fazer do pensamento objeto de pensamento, 
dando início a uma crítica de suas condições, possibilidades 
e limites. E por último submeteram os padrões dos valores 
éticos a uma reflexão perfeitamente racional, com isso 
abrindo possibilidade de a ética ser tratada cientificamente, 
e de fazer-se dela um sistema filosófico coerente.
STÖRIG, H. J. História geral da Filosofia. 2. ed. 
Petrópolis: Editora Vozes, 2009 (Adaptação).
Y43Q
CH – PROVA I – PÁGINA 34 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
A principal diferença entre as duas visões acerca da Filosofia 
encontra-se na
A. 	 refutação das conclusões dialéticas.
B. 	 valorização do raciocínio filosófico.
C. 	 teoria sobre a origem do homem. 
D. 	 concepção acerca da verdade.
E. 	 busca da felicidade humana.
Alternativa D
Resolução: O conflito filosófico entre Sócrates (e 
posteriormente Platão) e os sofistas é um dos pontos mais 
relevantes da história da Filosofia. Enquanto os primeiros – 
Sócrates e Platão – defendiam uma concepção de verdade 
objetiva e absoluta, ou seja, independente de qualquer 
pensamento, discurso ou opinião de qualquer pessoa, os 
segundos defendiam uma concepção mais antropológica 
da verdade, que ficou expressa na famosa sentença de 
Protágoras: “O homem é a medida de todas as coisas.” 
Assim, a principal diferença entre essas visões consistia 
na concepção acerca da verdade defendida por cada uma 
delas, sendo a resposta correta a alternativa D.
QUESTÃO 53 
Sócrates: Imaginemos que existam pessoas morando 
numa caverna. Pela entrada dessa caverna entra a luz vinda 
de uma fogueira situada sobre uma pequena elevação que 
existe na frente dela. Os seus habitantes estão lá dentro 
desde a infância, algemados por correntes nas pernas e no 
pescoço, de modo que não conseguem mover-se nem olhar 
para trás, e só podem ver o que ocorre à sua frente. [...] 
Naquela situação, você acha que os habitantes da caverna, 
a respeito de si mesmos e dos outros, consigam ver outra 
coisa além das sombras que o fogo projeta na parede ao 
fundo da caverna? 
PLATÃO. A República. In: PERINE, M. 
São Paulo: Editora Scipione, 2002. (Adaptação)
As sombras, no “Mito da caverna”, de Platão, representam 
metaforicamente 
A. 	 o mundo inteligível e ideal.
B. 	 as ideias perfeitas e imutáveis.
C. 	 o conhecimento verdadeiro do real.
D. 	 as ilusões proporcionadas pela religião.
E. 	 as ideias falsas formuladas no mundo sensível.
Alternativa E
Resolução: A alegoria da caverna é um dos argumentos 
mais conhecidos e renomados da história da filosofia. 
Segundo Platão, o mundo sensível em que vivemos não 
era capaz de levar os homens ao verdadeiro conhecimento, 
uma vez que a realidade sensível era mutável e imperfeita. 
Assim, as sombras da caverna consistiam em falsas ideias 
formuladas no mundo sensível, sendo a resposta correta a 
alternativa E.
KMQS
QUESTÃO 54 
Pirâmide etária Brasil – 1980
80+
75-79
70-74
65-69
60-64
55-59
50-54
45-49
40-44
35-39
30-34
25-29
20-24
15-19
10-14
5-9
0-4
HOMENS MULHERES
IBGE.
Pirâmide etária Brasil – 2050
80+
75-79
70-74
65-69
60-64
55-59
50-54
45-49
40-44
35-39
30-34
25-29
20-24
15-19
10-14
5-9
0-4
HOMENS MULHERES
IBGE.
Os indicadores demográficos das pirâmides etárias brasileiras 
de 1980 e 2050 demonstram que
A. 	 a taxa de mortalidade diminuiu, a taxa de natalidade 
reduziu e a expectativa de vida aumentou. 
B. 	 a população absoluta diminuiu, a taxa de fecundidade 
declinou e a expectativa de vida aumentou. 
C. 	 a População Economicamente Ativa diminuiu, a 
fecundidade diminuiu e a proporção de idosos subiu.
D. 	 a taxa de dependência econômica aumentou, o número 
de jovens cresceu e a quantidade de adultos reduziu.
E. 	 o número de mortes ultrapassou o de nascimentos, 
o desequilíbrio de gênero acentuou e a população 
envelheceu.
Alternativa A
Resolução: De acordo com as pirâmides etárias brasileiras, o 
perfil da população mudou. Nota-se que entre 1980 e 2050 a 
taxa de mortalidade diminuiu (topo largo), a taxa de natalidade 
abaixou (base estreita) e a expectativa de vida aumentou 
(ápice largo). A alternativa B está incorreta porque as pirâmides 
etárias não demonstram que a população absoluta diminuiu. 
CRWN
ENEM – VOL. 3 – 2018 CH – PROVA I – PÁGINA 35BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
A alternativa C está incorreta pois o corpo da pirâmide, que 
representa a População Economicamente Ativa, ficou mais 
largo entre 1980 e 2050, o que significa que essa parcela da 
população aumentou. A alternativa D está incorreta, pois na 
pirâmide de 2050 o número de jovens reduziu e o de adultos 
subiu. A alternativa E está incorreta porque a quantidade 
de nascimentos no Brasil é maior que a de mortes, e não 
há desequilíbrio acentuado entre o número de mulheres e 
o de homens.
QUESTÃO 55 
Aqui radica a ideia da vocação em sua forma suprema. 
A entrega ao carisma do profeta ou do líder na guerra ou do 
grande demagogo na ekklesia ou no Parlamento significa 
que este é considerado, pessoalmente, o “líder” dos homens, 
em virtude de uma “vocação” interna, e que estes não se 
submetem aele em virtude do costume ou de estatutos, 
mas sim porque acreditam nele. [...] Altamente decisiva é 
antes a natureza dos recursos de que dispõem. A questão 
de como as potências politicamente dominantes vieram a 
manter-se no poder aplica-se a todos os tipos de dominação 
política, em todas as suas formas, tanto a tradicional quanto 
a legal e a carismática.
WEBER, M. Economia e sociedade: fundamentos da sociologia 
compreensiva. Brasília: Editora Universidade de Brasília; São Paulo: 
Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 1999. 
Tradicional, legal e carismática são os tipos de dominação 
para Max Weber. Especificamente, o que caracteriza a 
dominação carismática é a 
A. 	 confiança nas qualidades do líder.
B. 	 esperança na tradição e nos costumes. 
C. 	 convicção nas leis vigentes da sociedade.
D. 	 obediência a um sistema de regras e de valores.
E. 	 crença no aparato legal e burocrático do Estado.
Alternativa A
Resolução: Para Max Weber, a dominação indica uma 
desigualdade de poder que determina a existência de, no 
mínimo, dois grupos: um dominante e um dominado. Logo, a 
dominação é considerada legítima quando existe um nível de 
aceitação e concordância por parte de quem é subordinado 
ao poder dominante. Na teoria weberiana, existem três tipos 
puros, isto é, tipos ideais, de dominação legítima: tradicional, 
racional-legal e carismática. Este último tipo “caracteriza-se 
pela crença nas qualidades do líder, que podem ser da 
ordem da coragem, do heroísmo, dos dons sobrenaturais, 
da inteligência ou da simpatia, e geralmente são atreladas 
a uma grande capacidade oratória e ao uso da propaganda 
ideológica” (DELAZARI, F. Durkheim e Weber. In: Coleção 
Estudo 6V: Sociologia. Belo Horizonte: Bernoulli Sistema de 
Ensino, 2018. v. 1. p. 20). Assim, percebe-se que a alternativa 
correta é a A.
Vamos analisar as demais alternativas: 
B) A obediência, esperança ou seguimento de costumes e 
tradições são identificados, por Weber, na dominação 
tradicional. 
4V3H
C) A existência de um sistema de regras, obedecido pelos 
integrantes do grupo, é característica da dominação 
racional-legal.
D) Como ressaltado anteriormente, a obediência a um 
sistema de regras, racionalmente elaborado, é vinculada 
à dominação racional-legal.
E) O Estado moderno, para Weber, é um exemplo da 
aplicação da dominação racional-legal e do modelo 
burocrático.
QUESTÃO 56 
Houve embriões de capitalismo na sociedade babilônica, 
romana, chinesa e hindu, mas em parte alguma esses 
elementos deram margem à racionalização que caracteriza 
o desenvolvimento do capitalismo moderno. Esse fenômeno 
é peculiar à sociedade ocidental. [...]. O etos protestante foi 
uma das fontes da racionalização da vida que contribuiu 
para formar o que ele [Max Weber] chama de o “espírito 
capitalista”. [...]. O judaísmo contribuiu de maneira indireta 
para o nascimento do capitalismo, legando ao cristianismo 
sua hostilidade à magia, que por toda parte estereotipou a 
técnica e a economia. Essa hostilidade à magia e também o 
fato de, contrariamente às religiões do Oriente, o cristianismo 
ter sido uma religião plebeia tiveram por consequência o 
processo de desencanto do mundo que sempre assumiu 
maior amplitude com o movimento de secularização 
registrada no fim da Idade Média.
FREUND, J. Sociologia de Max Weber. Trad. de Luís Claudio de 
Castro. 4ª ed. Rio de Janeiro: Forense-Universitária, 1987. p. 128.
De acordo com o texto, o capitalismo se desenvolveu na 
Europa Ocidental em função da 
 A expansão do cristianismo, que favoreceu as relações 
capitalistas ao exaltar valores humanitários como o 
perdão e o amor ao próximo.
 B expansão da fé protestante, que contribuiu para disseminar 
valores como a disciplina, a austeridade e o amor ao 
trabalho. 
 C diminuição do processo de desencantamento do 
mundo, que possibilitou a criação de condições para o 
desenvolvimento capitalista nas sociedades modernas. 
 D difusão dos valores cristãos, que favoreceram as 
atitudes de contemplação e de resignação diante da vida 
governada pela graça de Deus.
 E ampliação do espírito capitalista, que foi marcado pela 
irracionalidade com que seus adeptos se lançaram 
na busca pela realização do desejo de acúmulo de 
bens materiais.
Alternativa B
Resolução: Em A ética protestante e o espírito do capitalismo, 
Weber desenvolve um estudo que compreende religião e 
relações sociais. Dessa maneira, objetivando estabelecer 
um vínculo entre economia capitalista e o conteúdo 
doutrinal do protestantismo, Weber percebe a ocorrência 
de afinidades eletivas entre essas duas categorias, contudo, 
sem estabelecer uma causalidade estrita entre ambas. 
EOK5
CH – PROVA I – PÁGINA 36 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
Em outras palavras, a reforma protestante trouxe à tona uma nova perspectiva de homem e de mundo, com uma maior 
valorização do indivíduo e da razão. Isto é, para Weber, a concepção puritana de vida, oriunda do código moral protestante, 
ajudou na formação do homo oeconomicus do mundo moderno. Por isso, “os valores éticos do protestantismo não são a 
causa do capitalismo [...], mas devem ser lidos como um dos seus elementos fundamentais. Esse vínculo íntimo entre religião 
e economia trouxe um novo olhar sobre as complexas relações sociais das sociedades contemporâneas.” (DELAZARI, F. 
Durkheim e Weber. In: Coleção Estudo 6V: Sociologia. Belo Horizonte: Bernoulli Sistema de Ensino, 2018. v. 1. p. 21). Assim, 
a alternativa correta é a B.
Vamos analisar as demais alternativas:
A) A argumentação weberiana versa em torno da ascensão do protestantismo e não do cristianismo. Ao mesmo tempo, os 
valores éticos do protestantismo, ressaltados por Weber, que influenciaram o sistema capitalista estão mais vinculados a 
questões como o lucro, a disciplina e a ascese ligada ao trabalho. 
C) O processo de desencantamento do mundo é marcado pelo declínio das formas míticas e mágicas para ordenar e explicar 
a vida social. De fato, não foi o declínio desse processo que criou condições para o florescimento do sistema capitalista. 
D) Os valores protestantes que ajudaram nesse processo da consolidação do capitalismo são, para Weber, aqueles ligados 
ao trabalho. 
E) Weber não diz, em sua obra, que a ampliação do espírito capitalista foi demarcada pela irracionalidade. 
QUESTÃO 57 
Fragmento da capa de O Estado de S.Paulo, 11/11/1989.
Ø777
Alemães ocidentais e orientais sobem no muro de Berlim; comemoração da abertura da fronteira entre as duas Alemanhas e o gesto simbólico, 
com o martelo, antecipando a derrubada do muro
ENEM – VOL. 3 – 2018 CH – PROVA I – PÁGINA 37BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
A capa do jornal de novembro de 1989 noticiou o contexto 
internacional marcado por diversos acontecimentos 
geopolíticos e que foi uma consequência direta da(o)
A. 	 limitação do poder das democracias europeias. 
B. 	 disputa militar entre países do continente europeu.
C. 	 rejeição do neoliberalismo entre países da Europa. 
D. 	 crescimento da extrema direita no Velho Continente.
E. 	 derrocada dos regimes socialistas no Leste Europeu.
Alternativa E
Resolução: A capa do jornal O Estado de S. Paulo, de 11 de 
novembro de 1989, noticiou a queda do Muro de Berlim e 
do ditador comunista búlgaro. Ambos os eventos conduzem 
à resposta correta da questão, pois naquele contexto os 
regimes comunistas estavam em declínio e os países 
do Leste Europeu se tornavam independentes da União 
Soviética. Em 1991, a Guerra Fria acabou com a dissolução 
da União Soviética. A alternativa A está incorreta porque a 
democracia se difundiu entre os países. A alternativa B está 
incorreta pois na Guerra Fria os embates entre Estados 
Unidos e União Soviética foram indiretos. Entre os países 
europeus não houve conflitos armados naquela época. 
A alternativa C está incorreta porque o neoliberalismo se 
alastrava nos países capitalistas e a queda do muro não se 
deve à rejeição dessa política econômica. A alternativa D 
está incorreta,pois a derrubada do Muro de Berlim não 
decorre do crescimento da extrema direita.
QUESTÃO 58 
A monocultura acompanha necessariamente a grande 
propriedade tropical; os dois fatos são correlatos e derivam 
das mesmas causas.
PRADO JÚNIOR, Caio. Formação do Brasil contemporâneo. São 
Paulo: Brasiliense, 1977. p. 121.
Uma das causas que explica a correlação estabelecida 
no trecho, relacionada à economia açucareira na América 
Portuguesa, é a
A. 	 carência de mão de obra livre.
B. 	 deficiência das técnicas de produção.
C. 	 necessidade da produção em larga escala.
D. 	 disponibilidade dos investimentos metropolitanos.
E. 	 precariedade dos meios de transporte.
Alternativa C
Resolução: A economia açucareira desenvolveu-se na 
América Portuguesa baseada na produção monocultura, 
em gigantescas propriedades fundiárias, voltada para o 
mercado externo. Para atender à grande demanda europeia 
pelo produto e visando a obtenção de lucros, a economia 
açucareira necessitava da produção em larga escala, o que 
torna válida a alternativa C. A alternativa A está incorreta, pois 
as atividades nos engenhos não se limitavam ao exercício 
da agricultura, e muitas delas eram realizadas pela mão 
de obra livre. A alternativa B também está incorreta, pois 
a complexidade do engenho e a necessidade do domínio 
de uma série de técnicas de produção promoveram um 
cenário de especialização. Contrariamente ao indicado na 
alternativa D, a produção açucareira na América, sobretudo 
nas primeiras décadas de colonização, não contou com 
GM7N
financiamentos da Coroa, mas com investimentos de 
particulares. Por fim, a alternativa E também está incorreta, 
pois a qualidade dos meios de transporte do período não 
corresponde a uma explicação da correlação estabelecida 
entre monocultura e grandes propriedades.
QUESTÃO 59 
Protágoras partiu de uma concepção segundo a qual 
a pena da lei deve ter uma função educativa, uma função 
cívica e pedagógica em razão da possibilidade própria da 
natureza humana de ser educada. E essa função educativa 
da lei pressupõe a participação do Estado como um todo, 
com sua força educadora, a conduzir sistematicamente a 
educação dos seus cidadãos. Protágoras fazia da própria 
lei um instrumento de educação como se pode verificar da 
sua avançada teoria da pena com função educativa, dentro 
da doutrina da prevenção especial e da prevenção geral, 
calcada no princípio de retribuição. “Não creia a justiça 
existente por natureza ou automaticamente adquirida, mas 
conquistada por meio de ensinamento e exercício.” Como 
se nota, a justiça é adquirida, por ensinamento e exercício. 
Antes que Aristóteles o dissesse, já o dissera Protágoras: a 
justiça é uma virtude.
SALGADO, J. C. O espírito do Ocidente ou a razão como medida: 
Protágoras de Abdera, a educação, o Estado e a justiça. Revista 
Brasileira de Estudos Políticos, Belo Horizonte, n. 109, pp. 411-436, 
jul./dez. 2014.
Na Antiguidade Grega, a formação integral do cidadão – 
considerados os aspectos intelectual, moral e cívico – era um 
tema a que se dava muita importância. Vários pensadores 
do período dedicaram profundas e extensas reflexões ao 
tema. A reflexão de Protágoras 
A. 	 garante caráter educativo às leis.
B. 	 nega a utilidade punitiva das leis.
C. 	 identifica a justiça com a natureza.
D. 	 unifica as noções de justiça e razão.
E. 	 propõe a punição como função do Estado.
Alternativa A
Resolução: Esse trecho que comenta a filosofia de Protágoras 
traz um elemento não muito explorado sobre o pensador. 
Protágoras – bem como a sofística em geral – é associado à 
retórica, ao relativismo e às divergências com o pensamento 
socrático-platônico. Essa reflexão de Protágoras pensa um 
caráter não punitivo, mas educativo, para as leis, sendo correta, 
portanto, a alternativa A. 
Analisaremos as alternativas:
B) Protágoras não está, no trecho, negando a utilidade punitiva 
das leis, mas sim pensando a utilidade educativo-formativa.
C) No texto mesmo lemos que “Não creia a justiça existente por 
natureza ou automaticamente adquirida, mas conquistada 
por meio de ensinamento e exercício”, o que invalida essa 
alternativa.
D) Em momento algum do texto é sugerida essa união, por 
isso esse tipo de inferência é inválido.
E) A proposição de Protágoras é a lei com função educadora.
8QDI
CH – PROVA I – PÁGINA 38 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
QUESTÃO 60 
Nos séculos XVI e XVII, a exploração da região 
amazônica acabou surgindo como uma solução para o papel 
econômico anteriormente desempenhado pelas especiarias 
indianas. Afinal, esse espaço do território colonial acabou se 
mostrando rico em frutas, sementes, raízes e outras plantas 
que tinham finalidades medicinais e culinárias. Cacau, 
cravo, guaraná, urucum, poaia e baunilha foram alguns dos 
produtos que ficaram conhecidos como as tais “drogas do 
sertão”.
Na maioria das vezes, a extração das drogas do sertão 
era feita pelas missões jesuítas que se localizavam no 
interior do território e aproveitavam da mão de obra indígena 
disponível. Paralelamente, os bandeirantes, em suas 
incursões pelo interior, também realizavam essa mesma 
atividade com o objetivo de vender esses produtos na região 
litorânea. De modo geral, a extração das drogas do sertão 
atendia demandas provenientes tanto do mercando interno 
como do mercado externo.
SOUSA, Rainer Gonçalves. As drogas do sertão. Brasil Escola. 
Disponível em: <http://brasilescola.uol.com.br/historiab/as-drogas-
sertao.htm>. Acesso em: 27 dez. 2017.
A análise do texto indica que a exploração das drogas do 
sertão diferenciou-se das demais atividades econômicas do 
Brasil Colonial, na medida em que
A. 	 promoveu a conquista e ocupação de terras interioranas.
B. 	 ignorou os interesses mercantilistas da Coroa portuguesa.
C. 	 introduziu o sistema de escambo na relação com os índios.
D. 	 patrocinou pesquisas científicas da flora e fauna brasileiras.
E. 	 resultou da conciliação de interesses religiosos e 
econômicos.
Alternativa E
Resolução: A exploração das drogas do sertão, na atual 
região amazônica, valeu-se da mão de obra indígena que 
era recrutada pelos jesuítas, responsáveis pela fundação 
de dezenas de missões e reduções na Bacia do Rio 
Amazonas. Nesse sentido, as atividades extrativistas na 
região, diferentemente das demais atividades econômicas 
desenvolvidas ao longo do Período Colonial, se deu 
pela conciliação dos interesses missionários dos padres 
jesuítas e dos interesses mercantis da Coroa portuguesa, 
o que torna correta, portanto, a alternativa E. A alternativa 
A está incorreta, pois, ainda que a ocupação religiosa e a 
exploração econômica da região amazônica tenham sido 
de extrema importância para garantir a conquista de terras 
interioranas, outras atividades econômicas coloniais, como a 
pecuária e a mineração, desempenharam semelhante papel. 
A alternativa B também está incorreta, pois diante da grande 
demanda europeia e do alto preço atribuído aos produtos 
exóticos da região amazônica, a extração das drogas do 
sertão atendia aos interesses mercantilistas portugueses. 
Contrariamente ao indicado na alternativa C, o escambo 
era praticado na Colônia desde as primeiras décadas 
da colonização portuguesa na exploração do pau-brasil. 
ØUJD Por fim, a alternativa D também está incorreta, pois, ainda 
que houvesse relatos de naturalistas acerca da fauna e 
da flora da região, a exploração das drogas do sertão não 
patrocinou pesquisas científicas sobre a região. 
QUESTÃO 61 
[...] o mercantilismo aparece, primeiramente, como um 
sistema unificador. Seu adversário era a fusão medieval 
de universalismo e particularismo e tendia, principalmente, 
a impor os objetivos do Estado em um campo econômico 
homogêneo, sujeitando toda a atividade econômica às 
opiniões mais adaptadas às necessidades do Estado e de 
seu território, e que se concebiam como que formando uma 
unidade.
HECKSCHER, Eli. La época mercantilista: historia de la organización 
y las ideas econômicasdesde el final de la edad media hasta 
la sociedad liberal. México: Fondo de Cultura Económica, 1943 
(Adaptação).
O texto destaca uma característica do conjunto de práticas 
econômicas dos Estados Europeus, durante a Idade Moderna, 
que tinha como uma de suas bases o(a)
A. 	 incentivo às atividades de livre comércio.
B. 	 organização de alianças entre os países.
C. 	 estímulo às importações de manufaturas. 
D. 	 redução do papel do Estado na economia.
E. 	 extinção das barreiras do mercado interno.
Alternativa E
Resolução: O conjunto de práticas econômicas dos Estados 
europeus, sobretudo das monarquias absolutistas, durante 
a Idade Moderna, recebeu o nome de mercantilismo. 
As primeiras práticas mercantilistas tiveram sua origem 
em meados do século XV, quando a Europa sofria com a 
escassez de metais preciosos, e atingiram seu auge no 
século XVI. Como indicado pelo texto-base, “o mercantilismo 
aparece, primeiramente, como um sistema unificador”. 
No âmbito interno, buscando fortalecer a economia dos 
Estados, o mercantilismo procurou eliminar as barreiras, 
unificando os mercados dentro de um mesmo país, 
o que torna correta a alternativa E. A defesa da intervenção 
do Estado na economia era um dos fundamentos do 
mercantilismo. Assim, com o objetivo de fortalecer os países 
europeus, os chefes de Estado aprovavam leis que regulavam 
as atividades econômicas em seu território, impondo limites ao 
livre comércio, o que torna inválidas, portanto, as alternativas 
A e D. A alternativa B está incorreta, pois o mercantilismo 
não estava baseado na organização de alianças entre os 
países, mas buscava, por meio de um saldo positivo em 
suas transações comerciais, garantir sua superioridade em 
relação às demais nações. Por fim, a alternativa C também 
está incorreta, pois, para garantir o sucesso na acumulação 
de riquezas, era necessário que os Estados regulamentassem 
o comércio de produtos vindos do exterior. Assim, o aumento 
das tarifas aduaneiras foi o principal método para alcançar 
tal objetivo, pois reduzia as chances de entrada dos produtos 
estrangeiros em um Estado. 
9NØØ
ENEM – VOL. 3 – 2018 CH – PROVA I – PÁGINA 39BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
QUESTÃO 62 
Uma grande parte do trabalho era executada pelos 
não cidadãos e escravos, e trabalho e política, casa e 
pólis estavam, portanto, muito claramente separados. 
O pertencimento à categoria de cidadão, portanto, continuou 
o único verdadeiramente importante, mais importante que 
o pertencimento doméstico. [...]. É na Atenas do quinto 
século que a identidade política foi realizada do modo mais 
puro. Para os grandes grupos de cidadãos, serem cidadãos 
(e soldados) era a principal atividade e a principal fonte 
de rendimentos. Aquilo não seria possível a não ser que 
uma grande parte da atividade econômica fosse realizada 
por metecos e escravos, os quais, assim como as cidades 
aliadas, estavam ali para permitir esta vida política.
MEIER, Christian. La Naissance du politique. Paris: Gallimard, 1995.
A organização sociopolítica da cidade-estado de Atenas, 
a partir do século V a.C., foi marcada, segundo o texto, pela
A. 	 participação dos diversos grupos sociais na política.
B. 	 atuação política como caminho de enriquecimento.
C. 	 valorização de aspectos privados na ação política.
D. 	 separação entre cidadania ativa e atuação militar.
E. 	 associação de ociosidade e participação política.
Alternativa E
Resolução: O texto destaca que na sociedade ateniense do 
século V a.C. o pertencimento à categoria de cidadão era o 
aspecto mais importante da cidade. Os cidadãos atenienses 
dedicavam-se à vida política da polis, visto que “grande parte 
do trabalho era executada pelos não cidadãos e escravos”, de 
forma que, para os atenienses, a participação política estava 
associada à liberdade e a ociosidade, o que torna correta, 
portanto, a alternativa E. A alternativa A está incorreta, pois, 
como indicado anteriormente, a dedicação dos cidadãos 
à vida política só era possível porque grande parte da 
atividade econômica da cidade era executada por metecos 
e escravos, que eram excluídos da participação política. 
A alternativa B também está incorreta, pois, apesar de o texto 
apontar que ser cidadão era a principal atividade e a principal 
fonte de rendimentos dos atenienses, a atuação política não 
representou uma forma de enriquecimento. Contrariamente 
ao indicado na alternativa C, o texto afirma que casa e polis 
estavam separadas e que o pertencimento à categoria de 
cidadão era mais importante que o pertencimento doméstico. 
Por fim, a ociosidade permitiu aos cidadãos atenienses 
atuarem não só na política, mas também nas atividades 
militares, o que torna inválida a alternativa D.
QUESTÃO 63 
Tema da redação do Enem [2017], o “Desafios para 
formação educacional de surdos” foi ilustrado na prova com 
um gráfico indicando uma queda de matrículas entre esse 
público – algo que nem o Ministério da Educação soube explicar. 
2R6V
UWDQ
[...] Mostrando uma redução de 23% no universo de 
estudantes surdos de 2011 a 2016, o gráfico dá a entender 
que esse público estaria deixando a escola. Mas esse é 
apenas um entre dois outros fatores: a queda no número de 
alunos que adquirem a surdez ao longo da vida e a própria 
transição demográfica por que passa o Brasil.
REDUÇÃO DE “novos surdos” e evasão explicam tema de redação do 
Enem. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/>. 
Acesso em: 10 nov. 2017 (Adaptação).
Considerando o desafio citado no texto, por que a 
transição demográfica brasileira ajuda a explicar o que está 
acontecendo com a quantidade de matrículas de crianças 
surdas na educação básica?
A. 	 A elevada taxa de mortalidade infantil, comparada à de 
países em nível de desenvolvimento socioeconômico 
semelhante, justifica o decréscimo da quantidade de 
crianças surdas e sem surdez.
B. 	 A estrutura etária jovem da população, que tem baixo 
crescimento vegetativo em razão das elevadas taxas 
de natalidade e de mortalidade, restringe a quantidade 
de crianças com e sem surdez. 
C. 	 O chamado bônus demográfico, que proporciona 
condições favoráveis ao país e caracteriza-se 
pelo aumento do componente juvenil da razão de 
dependência, explica a queda do número de matrículas.
D. 	 A implosão demográfica, última fase da transição 
demográfica, é caracterizada pelo declínio da população 
e, consequentemente, menor número de crianças 
surdas e sem surdez.
E. 	 O envelhecimento populacional gera menos crianças 
em idade escolar, tanto as surdas quanto as sem 
surdez, e, portanto, menos matrículas.
Alternativa E
Resolução: O Brasil passa por uma mudança do perfil 
populacional que é o envelhecimento. Essa fase da 
transição demográfica caracteriza-se por baixas taxas 
de fecundidade e pelo aumento da idade mediana. Isso 
significa maior quantidade de pessoas na idade adulta e 
aumento da proporção de idosos. A redução do número de 
crianças em idade escolar, tanto surdas quanto sem surdez, 
e, consequentemente, a queda do número de matrículas 
na educação básica, é, portanto, um dos resultados do 
envelhecimento da população. A alternativa A está incorreta 
porque a mortalidade infantil no Brasil está continuamente 
em declínio e não justifica a queda das matrículas escolares. 
A alternativa B está incorreta, pois caracteriza a fase inicial 
da transição demográfica pela qual o Brasil já passou. 
A alternativa C está incorreta porque o bônus demográfico 
corresponde ao momento em que a razão de dependência de 
crianças e idosos está reduzida e o contingente populacional 
em idade ativa é maior. A alternativa D está incorreta, pois o 
Brasil está na fase do envelhecimento e não na da implosão 
demográfica.
CH – PROVA I – PÁGINA 40 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
QUESTÃO 64 
TEXTO I
Fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana 
e da paternidade responsável, [...] é livre decisão do casal, 
competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e 
científicospara o exercício desse direito, vedada qualquer 
forma coercitiva por parte de instituições oficiais ou privadas. 
BRASIL. Constituição Federal de 1988. Promulgada em 5 de outubro 
de 1988. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
constituicao/constituicao.htm>. Acesso em: 13 dez. 2017.
TEXTO II
[...] orienta-se por ações preventivas e educativas e pela 
garantia de acesso igualitário a informações, meios, métodos 
e técnicas disponíveis para a regulação da fecundidade.
É proibida a utilização das ações a que se refere o caput 
para qualquer tipo de controle demográfico.
BRASIL. Lei nº 9 263, de 12 de janeiro de 1996. Brasília, DF, jan. 1996. 
Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9263.htm>. 
Acesso em: 13 dez. 2017.
Os trechos da Constituição e da Lei 9 623 / 96 transcritos 
caracterizam o seguinte meio de regulação da fecundidade 
da população brasileira:
A. 	 Tempo de licença maternidade aumentado.
B. 	 Restrição aos métodos contraceptivos.
C. 	 Subsídios a famílias numerosas. 
D. 	 Esterilização em massa. 
E. 	 Planejamento familiar.
Alternativa E
Resolução: Planejamento familiar e controle da natalidade 
são conceitos distintos. Por um lado, o planejamento 
familiar relaciona-se a aspectos como a idade ao se casar 
e ao se ter o primeiro filho, o tempo entre as gestações e 
métodos de concepção e contracepção. Por outro lado, 
o controle da natalidade é uma espécie de planejamento 
familiar forçado como exigência do Estado. As alternativas 
A, B e C estão incorretas porque são ações que incentivam 
a natalidade. A alternativa D está incorreta porque as 
campanhas de esterilização em massa são medidas 
antinatalistas promovidas por alguns governos para conter 
o crescimento populacional. 
QUESTÃO 65 
Foi cerca de vinte anos depois de ele (Sócrates) ter 
bebido cicuta em 387 (a.C.), o ano em que “a paz do Rei” 
trouxe às cidades gregas uma certa tranquilidade, que Platão 
fundou a sua escola no ginásio da Academia. O professor 
e os seus discípulos procuravam em conjunto a verdade 
em longas discussões “dialéticas”, das quais os diálogos 
platônicos nos oferecem uma transposição literária. 
FLACELIÉRE, R. A vida quotidiana dos gregos no século de Péricles. 
Lisboa: Ed. Livros do Brasil, 1937. 
GEØS
Q8HF
Entendido também como método de análise conceitual, 
a dialética tem como objetivo final levar o interlocutor a(ao)
A. 	 verdades absolutas e eternas.
B. 	 formulações abstratas e irreais.
C. 	 conhecimento opinativo sobre os seres.
D. 	 discussões acerca da origem do cosmos.
E. 	 perguntas impossíveis de serem respondidas.
Alternativa A
Resolução: Uma das inovações mais significativas da 
filosofia socrático-platônica diz respeito aos métodos 
propostos por esses pensadores. Com a dialética, Platão 
visava auxiliar a contemplação das ideias, ou seja, das 
verdades absolutas e eternas. Assim, a resposta correta 
é a alternativa A, a qual afirma que levar o interlocutor a 
verdades absolutas e eternas é o objetivo final da dialética.
Analisaremos as alternativas:
B) A dialética tem como objetivo levar o interlocutor a 
formulações abstratas, porém, elas não são irreais. Pelo 
contrário, essas abstrações, em seu último estágio, são 
aquilo de mais real a que o homem pode ter acesso.
C) Sócrates e Platão se opuseram ferozmente a qualquer 
modalidade de conhecimento que fosse embasado em 
opiniões.
D) Esse tema é tratado pelos filósofos anteriores a Sócrates, 
os chamados pré-socráticos.
E) O objetivo de Platão era levar o homem a um conhecimento 
que fosse sólido, uno, imutável e perfeito, não a perguntas 
que não pudessem ser respondidas.
QUESTÃO 66 
Ora, parece-nos difícil que, de cada página deste livro, 
por assim dizer, não se extraia, ao contrário, a impressão de 
que o indivíduo é dominado por uma realidade moral que o 
ultrapassa: é a realidade coletiva. [...] Mas sentiremos que 
são forças reais, vivas e atuantes, que, pela maneira como 
determinam o indivíduo, comprovam que não dependem 
dele; pelo menos, se ele entra como elemento na combinação 
de que elas resultam, elas se impõem a ele à medida que 
se formam. Nessas condições, compreenderemos melhor 
como a Sociologia pode e deve ser objetiva, uma vez que 
tem diante de si realidades tão definidas e tão resistentes 
quanto aquelas de que trata o psicólogo ou o biólogo. 
DURKHEIM, É. O suicídio: estudo de sociologia. 
São Paulo: Martins Fontes, 2000.
O texto reflete um dos pilares da Sociologia de Durkheim 
que está manifesto na ideia de:
A. 	 Prevalência da Psicologia sobre a Sociologia nos 
estudos sociais.
B. 	 Centralidade das ações individuais para a existência 
do coletivo.
C. 	 Sujeição das regras morais aos traços da consciência 
individual.
D. 	 Predominância dos indivíduos sobre as regras morais 
e sociais.
E. 	 Primazia da sociedade diante dos indivíduos que a 
compõem. 
ICNA
ENEM – VOL. 3 – 2018 CH – PROVA I – PÁGINA 41BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
Alternativa E
Resolução: No texto-base da questão, Durkheim está 
ressaltando um aspecto importante de sua teoria sociológica. 
Para o sociólogo francês, a sociedade se assemelha a um 
organismo vivo e o todo, a coletividade, é algo maior do 
que a soma das partes que a compõem, as consciências 
individuais. Assim, Durkheim determina, em sua teoria, 
o conceito de consciência coletiva. Ou seja, embora 
todos os indivíduos possuam uma consciência individual, 
eles são influenciados e determinados pelas formas de 
comportamento padronizadas do grupo social no qual estão 
inseridos. Logo, “pode-se afirmar, com Durkheim, que a 
consciência coletiva determina a consciência individual” 
(DELAZARI, F. Durkheim e Weber. In: Coleção Estudo 6V: 
Sociologia. Belo Horizonte: Bernoulli Sistema de Ensino, 
2018. v. 1. p. 14). Partindo, então, da ideia de Durkheim 
acerca da primazia da consciência coletiva sobre as 
consciências individuais, podemos perceber que a alternativa 
correta é a E.
Vamos analisar as demais alternativas:
A) Para o estudo dos fatos sociais, o próprio Durkheim 
assinalou a viabilidade exclusiva da Sociologia, uma vez 
que esta última se ocupa dos fatos oriundos da sociedade, 
ao passo que a Psicologia é responsável pelo estudo da 
mente humana.
B) Para Durkheim, as ações individuais são frutos das 
relações coletivas, uma vez que os fatos sociais são 
exteriores, gerais e coercitivos, em relação aos indivíduos.
C) É a consciência coletiva que, para Durkheim, dita as 
regras e comportamentos esperados dos indivíduos. 
D) A sociedade é quem tem primazia, para Durkheim. Isto é, 
o todo é maior do que a soma de todas as partes. 
QUESTÃO 67 
Terremoto na fronteira entre Irã e Iraque já é o que 
mais matou em 2017
USGS.
AGU5
O Irã é uma das regiões do mundo em que terremotos são 
frequentes. O país já foi atingido por tremores intensos no 
passado. 
[...]
O principal motivo da vulnerabilidade a esse tipo de 
fenômeno geológico é o encontro entre as placas tectônicas 
Arábica e Eurasiática.
Disponível em: <http://www.bbc.com/>. Acesso em: 26 dez. 2017.
Conforme o mapa, o terremoto na região citada no texto 
provavelmente caracterizou-se por 
A. 	 maior distância do hipocentro.
B. 	 menor intensidade no epicentro.
C. 	 menor tremor em Sarpol-e Zahab.
D. 	 maior destruição no sul do Iraque. 
E. 	 maior magnitude em Darbandikhan.
Alternativa E
Resolução: De acordo com o mapa da questão, Darbandikhan 
estava mais próxima do epicentro – ponto da superfície 
terrestre sobre o foco de um terremoto –, e por isso foi a 
cidade com maior magnitude do tremor. Prova disso é que 
a escala de intensidade do tremor mostra que o terremoto 
lá foi muito forte. A alternativa A está incorreta porque 
o hipocentro – ponto no interior da Terra que configura 
o foco de um abalo sísmico – é sob o epicentro, abaixo 
das cidades representadas no mapa. A alternativa B está 
incorreta, pois o epicentro registra a maior intensidade do 
terremoto. A alternativa C está incorreta porque Sarpol-e 
Zahabfoi a cidade mais atingida do lado iraniano, conforme 
a força medida do terremoto e a proximidade do epicentro. 
A alternativa D está incorreta pois o sul do Iraque está 
distante do epicentro e não registrou os tremores, como 
consta no mapa. 
QUESTÃO 68 
O Brasil e a Índia respondem atualmente, em conjunto, 
por pouco mais da metade da cana produzida mundialmente. 
Tal fato assume especial relevância quando se consideram 
possíveis expansões da produção de cana, principalmente 
pela grande diferença de modelos de produção agrícola 
consagrados no Brasil (concentrados em grandes produtores) 
e pela Índia (baseados em pequenos produtores).
Disponível em: <http://www.novacana.com/cana-de-acucar/producao-
cana-de-acucar-brasil-e-mundo/#producao-pelo-mundo>. 
Acesso em: 08 mar. 2015.
Na comparação da produção do açúcar no Brasil atual 
e colonial, de acordo com o texto, existe em comum no 
passado e no presente brasileiro o(a)
 A ênfase produtora com foco no mercado interno.
 B influência decisiva dos grandes proprietários fundiários.
 C monopólio da produção açucareira.
 D uso intensivo de tecnologia direcionada ao setor agrícola.
 E utilização do trabalho não qualificado.
J9BS
CH – PROVA I – PÁGINA 42 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
Alternativa B
Resolução: Ao estabelecer uma relação entre a produção 
canavieira no Brasil e na Índia, na atualidade, o texto afirma 
que a produção açucareira brasileira está concentrada 
em grandes produtores, o que se assemelha ao modelo 
produtivo do período colonial, no qual, os altos custos 
para a instalação dos engenhos contribuíam para que a 
produção do açúcar se desse em grandes áreas, sob a 
influência de grandes proprietários fundiários, o que torna 
correta a alternativa B. A alternativa A está incorreta, pois, 
tanto no Período Colonial como na atualidade, a produção 
açucareira está voltada, sobretudo para o mercado externo. 
A alternativa C também está incorreta, pois, em nenhum dos 
momentos destacados, o Brasil possuía o monopólio da 
produção açucareira, o que é demonstrado pelo próprio texto, 
ao afirmar a importância da Índia na produção canavieira 
mundial. Ainda que a economia açucareira colonial brasileira 
exigisse uma complexa estrutura produtiva, não havia um 
uso intensivo de tecnologia, o que invalida a alternativa D. 
Por fim, a alternativa E também está incorreta, pois a 
complexidade dos engenhos coloniais promoveu um cenário 
de especialização, exigindo, assim como hoje, a utilização 
do trabalho qualificado.
QUESTÃO 69 
No primeiro século de colonização, a lavoura de cana 
foi implantada em várias regiões [...]. A partir de Olinda, 
a atividade se desdobrou em direção à Paraíba e ao 
Rio Grande do Norte. Da Bahia, caminhou para Sergipe 
e Alagoas. De Ilhéus, para Porto Seguro. Do Rio de Janeiro, 
para Campos dos Goytacazes e, posteriormente, para 
Minas Gerais – onde se especializou a produção de 
aguardente e rapadura para os escravos das lavras, 
enquanto São Paulo e Espírito Santo, até a segunda 
metade do século XVIII, conheceram um retrocesso ou fraco 
crescimento da lavoura da cana.
DEL PRIORE, Mary. Histórias da gente brasileira – Colônia. 
São Paulo: Leya Editora, 2016. v. 1.
O texto anterior retrata a disseminação da cana pelo território 
e associa o seu plantio à(ao)
A. 	 hegemonia da região nordeste em relação à produção 
açucareira e aos derivados da cana.
B. 	 predomínio da matriz africana na escravidão praticada 
nos engenhos açucareiros coloniais.
C. 	 variação das finalidades do uso da cana conforme a 
região onde a plantação era realizada.
D. 	 sucesso econômico gerado pela produção açucareira 
às capitanias em que era implantada.
E. 	 pacto colonial, sendo Portugal parte interessada na 
lucrativa produção de açúcar no Brasil.
Alternativa C
Resolução: Ainda no século XVI, a América Portuguesa 
encontrou sua principal vocação: a economia canavieira. Os 
engenhos se espalharam pelo Brasil de maneira intensa nas 
primeiras décadas da colonização. Em 1570, já haviam 60 
fazendas de cana-de-açúcar. Em 1610, já eram mais de 400. 
CDHN
Ao abordar a expansão da cana-de-açúcar pela colônia 
portuguesa na América, o texto destaca que em Minas 
Gerais a economia canavieira estava voltada para produção 
de aguardente e rapadura, para os escravos empregados 
nas lavras, associando, assim, o plantio da cana à variação 
dos fins de seu uso conforme a região onde era realizada 
o cultivo, o que torna correta a alternativa C. A alternativa A 
está incorreta, pois, ainda que as áreas de maior destaque 
na produção açucareira estivessem no Nordeste, o texto não 
associa o plantio da cana à hegemonia da região na produção 
do açúcar. A alternativa B também está incorreta, pois, apesar 
do trabalho escravo, sobretudo o de matriz africana, ter sido 
predominante na agricultura de exportação do Brasil, o texto 
não relaciona o cultivo canavieiro ao tipo de mão de obra 
utilizada nos engenhos coloniais. Apesar de a produção 
açucareira ter representado mais lucratividade na atividade 
econômica colonial, o texto demonstra que havia capitanias, 
como Espírito Santo, que apresentaram fraco crescimento 
da lavoura da cana, o que invalida a alternativa D. 
Por fim, a alternativa E também está incorreta, pois, ainda 
que a exploração canavieira estivesse baseada no pacto 
colonial, pelo qual a metrópole portuguesa garantia seus 
lucros, o texto não associa o plantio da cana ao exclusivismo 
econômico português.
QUESTÃO 70 
Já tivemos oportunidade de nos perguntar de onde vêm 
todas as coisas. Hoje em dia muitas pessoas acreditam, 
umas mais, outras menos, que em algum momento tudo 
surgiu do nada. Este pensamento não era muito difundido 
entre os gregos. Por alguma razão, eles sempre partiam do 
fato de que sempre existiu “alguma coisa”. [...] O que instigava 
os gregos era saber como a água podia se transformar em 
peixes vivos, ou como a terra sem vida podia se transformar 
em árvores frondosas ou em flores multicoloridas. [...] 
eles acreditavam que determinada substância básica estava 
por trás de todas essas transformações. Não é muito fácil 
explicar como eles chegaram a esta ideia. Sabemos apenas 
que ela se desenvolveu a partir da noção de que deveria 
haver uma substância básica, que fosse a causa oculta, 
por assim dizer, de todas as transformações da natureza.
GAARDER, J. O mundo de Sofia. Trad. de João Azenha Jr. São Paulo: 
Companhia das Letras, 1998. p. 45 (Adaptação).
Ao buscarem uma substancia básica, causa de todas as 
transformações da natureza, os pré-socráticos
 A criavam respostas fantasiosas sobre a organização do 
cosmos.
 B investigavam, por meio da observação, o princípio que 
deu origem ao cosmos.
 C pretendiam explicar a origem divina do universo.
 D recorriam às explicações míticas sobre os mistérios da 
natureza. 
 E refletiam sobre questões éticas e políticas.
4HNI
ENEM – VOL. 3 – 2018 CH – PROVA I – PÁGINA 43BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
Alternativa B
Resolução: A questão aborda o significado da busca pela substância básica, tarefa empreendida pelos filósofos conhecidos 
como pré-socráticos – ou filósofos da natureza. Nessa busca, os pré-socráticos investigavam, por meio da investigação do 
mundo, da realidade e de como ela era regida por suas leis, a fim de encontrar um princípio originário, uma arché. Muitos 
são os exemplos disso, como a água foi para Tales de Mileto e o átomo para Demócrito. Assim, a alternativa correta é a B.
Analisaremos as alternativas:
A) Os pensadores não criavam respostas fantasiosas, mas especulativas. Lembre-se sempre que essas pessoas foram 
importantes para dar a base ao que hoje conhecemos como ciência.
C) Os pré-socráticos não tinham esse objetivo, a origem divina do mundo foi apresentada pela tradição mítica.
D) Idem da alternativa anterior.
E) Esses pensadores não tinham como centro da sua investigação os problemas antropológicos, tendo essas discussões 
vindo a ganhar espaço com Sócrates e os sofistas.QUESTÃO 71 
MAPA-MÚNDI. Séc. 15. Disponível em: <http://senioresescribas.blogspot.com>. 
Acesso em: 05 jan. 2015.
WALDSEEMÜLLER, Martin. Mapa-múndi, 1507. Disponível em: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br>. 
Acesso em: 05 jan. 2015.
DB45
CH – PROVA I – PÁGINA 44 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
Apesar de terem sido produzidos em um período muito 
próximo, os dois mapas apresentam diferenças que nos 
permitem inferir que
 A a compreensão detalhada da costa africana foi 
prejudicada pelo advento do tráfico de escravos na 
região.
 B as dificuldades de navegação do Mediterrâneo, em virtude 
da presença árabe, impediram um melhor detalhamento 
desse mar.
 C as narrativas dos navegantes vindos do Novo Mundo 
foram determinantes para o melhor entendimento dos 
aspectos geográficos do planeta.
 D as regiões asiáticas eram profundamente negligenciadas 
pelos navegantes europeus, visto a ausência de detalhes 
do território oriental.
 E o conhecimento das regiões do mundo ainda permaneceria 
profundamente precário até o advento dos satélites, 
no século XX.
Alternativa C
Resolução: Os mapas elaborados no contexto da Expansão 
marítima europeia, do século XVI, apresentados na questão, 
se diferenciam, sobretudo, pela inserção, no segundo 
mapa, das terras americanas e pela ampliação do Oceano 
Atlântico, o que foi possível graças às narrativas dos 
navegantes vindos do Novo Mundo, melhorando, assim, o 
entendimento dos aspectos geográficos do planeta, como 
indicado pela alternativa C. A alternativa A está incorreta, pois 
o advento do tráfico negreiro na costa africana contribuiu 
para o maior conhecimento da região. A alternativa B 
também está incorreta, pois o comércio no Mediterrâneo 
era realizado desde a Antiguidade, o que contribuiu para 
um amplo conhecimento dos detalhes desse mar no período 
das Grandes Navegações europeias. Contrariamente ao 
indicado na alternativa D, a análise dos mapas evidencia a 
representação das regiões asiáticas, o que revela o interesse 
dos navegantes europeus pelo território oriental. Por fim, a 
alternativa E também está incorreta, pois, apesar do maior 
detalhamento das regiões do planeta após o advento dos 
satélites, os mapas apresentados na questão revelam um 
avançado conhecimento das regiões do mundo.
QUESTÃO 72 
Esse messias é incondicionalmente apoiado pelo povo 
português, o “povo do Messias de Lisboa” [...]. Os que são 
partidários do Mestre, neste discurso são os bons cristãos 
e considerados “bons portugueses”: a população de Lisboa 
e os nobres segundos. Já a nobreza tradicional e o rei de 
Castela, que por sua vez apoia o papa de Avignon, passam 
a ser apresentados no discurso do cronista como o “outro”, 
a representação do Mal. D. João é visto como o verdadeiro 
“protetor” da nacionalidade portuguesa, com apoio de Deus 
e do povo português.
Disponível em: <http://www.academia.edu>. Acesso em: 12 out. 2017.
6FAØ
O texto destaca parte dos escritos de Fernão Lopes, que foi 
contratado pelo sucessor de Dom João I (o Mestre de Avis), 
o infante Dom Duarte (1398-1431), para colocar em crônica 
a vida dos reis da dinastia de Avis. O discurso analisado 
demonstra que o cronista
A. 	 idealiza um sentimento de nacionalidade portuguesa 
para legitimar o poder do monarca bastardo.
B. 	 diviniza o Mestre de Avis para autenticar o poder de 
uma dinastia questionada pelo papado romano.
C. 	 preconiza uma memória fictícia para exaltar uma 
dinastia considerada ilegítima pelos portugueses.
D. 	 romantiza a formação da dinastia portuguesa pautado 
no direito divino para coibir as críticas ao absolutismo.
E. 	 demoniza a nobreza e o monarca de Castela para 
conter a ameaça contra a nova dinastia portuguesa.
Alternativa A
Resolução: 
A) CORRETA – Fernão Lopes, cronista a serviço da Dinastia 
de Avis, idealiza uma imagem para o primeiro rei dessa 
linhagem, Dom João I, governante bastardo, que sem a 
revolução (1383-1385) não teria condição de se tornar 
rei português. Por meio do texto, é possível perceber que 
para legitimar a dinastia, o Mestre de Avis foi transformado 
em símbolo da identidade nacional portuguesa, apoiado 
por Deus e pelo povo – idealizando um sentimento de 
nacionalidade ainda inexistente na época.
B) INCORRETA – A Dinastia de Avis não foi questionada 
pelo papado romano, forçando a produção desse tipo 
de texto. A análise mostra que o papa de Avignon 
é demonizado pelo cronista, isso ocorre porque no 
episódio do Cisma do Ocidente, a Dinastia de Avis apoiou 
o papado romano.
C) INCORRETA – A Revolução de Avis consolidou o poder 
dessa dinastia, que foi aclamada por diversos grupos 
sociais, portanto, não foi considerada ilegítima.
D) INCORRETA – O cronista foi contratado para exaltar 
a Dinastia de Avis, como forma de criar uma memória 
nacional. Não foi o caso de conter alguma crítica em 
relação ao absolutismo, como pode se observar no 
próprio texto.
E) INCORRETA – Após a Revolução de Avis, especialmente 
no contexto sinalizado no enunciado, não existiu uma 
ameaça de golpe ao governo por parte dos grupos citados 
na afirmativa.
QUESTÃO 73 
Durkheim apresenta o fenômeno do suicídio como 
a prova maior de que a felicidade não aumenta com 
o progresso. O suicídio é maior nas sociedades 
modernas do que nas do passado. O livro que Durkheim 
escreveu sobre o suicídio está estreitamente ligado 
ao estudo da divisão do trabalho (O Suicídio – 1897). 
Durkheim aprova a divisão orgânica do trabalho que 
considera um desenvolvimento normal do capitalismo. 
F9RN
ENEM – VOL. 3 – 2018 CH – PROVA I – PÁGINA 45BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
Aprova a diferenciação dos indivíduos em profissões; a 
regressão da autoridade da tradição; o domínio crescente 
da razão. Contudo, afirma que os homens não estão mais 
felizes na sociedade moderna, expressão que comprova 
com o aumento dos suicídios. Discute o conceito de 
anomia, ausência ou desintegração das normas sociais, 
conceito que vai ter um papel predominante no estudo 
do suicídio.
LUCENA, C. O pensamento educacional de Émile Durkheim. 
In: Revista HISTEDBR On-line. Campinas, n. 40, 2010. Disponível em: 
<http://www.histedbr.fe.unicamp.br/revista/edicoes/40/art18_40.pdf>. 
Acesso em: 19 dez. 2017. 
Ao refletir sobre a modernidade, Durkheim encontra 
no suicídio a influência da anomia presente no mundo 
pós-Revolução Industrial. O sociólogo mostra, com seus 
estudos, que o suicídio revela, prioritariamente, um
A. 	 desequilíbrio psicológico do indivíduo. 
B. 	 comportamento natural orgânico.
C. 	 problema oriundo do capitalismo.
D. 	 produto da sociedade industrial.
E. 	 fenômeno patológico coletivo.
Alternativa E
Resolução: Émile Durkheim, em sua teoria, se propôs a 
estudar o suicídio. Dessa maneira, o sociólogo francês 
afirmou que o suicídio era um fenômeno que possuía causas 
sociais e que suas motivações não residiam estritamente nas 
consciências individuais, isto é, nos indivíduos. Em sua obra, 
O Suicídio – Estudo de Sociologia, Durkheim aplicou seu 
método sociológico para demonstrar que existem diversas 
relações de causa e efeito por trás de uma decisão tida apenas 
como individual. Logo, “Durkheim reforça a conclusão de que 
o suicídio não é um fenômeno meramente individual, mas um 
fator que possui várias causas sociais que se impõem sobre 
a decisão dos indivíduos” (DELAZARI, F. Durkheim e Weber. 
In: Coleção Estudo 6V: Sociologia. Belo Horizonte: Bernoulli 
Sistema de Ensino, 2018. v. 1. p. 17). Por fim, um dos suicídios 
estudados pelo autor foi o suicídio anômico, identificado em 
um quadro de anomia social onde fatos sociais patológicos 
tendem a ocorrer de forma mais frequente. Assim, a alternativa 
correta é a E. 
Vamos analisar as demais alternativas: 
A) Ao contrário, Durkheim postula o suicídio como um 
fenômeno que não depende apenas de fatos advindos 
dos indivíduos. 
B) Durkheim demonstra o suicídio como sendo um fenômeno 
social, isto é, não é natural. 
C) O próprio texto-base argumenta que o suicídiojá existia 
em sociedades anteriores ao capitalismo. 
D) Mais uma vez, o texto-base demonstra a existência de 
suicídios antes da era da modernidade. 
QUESTÃO 74 
No nome de Deus, Amém. Nós, cujos nomes 
estão escritos abaixo, os leais súditos do nosso temido 
Soberano Senhor, Rei James, pela Graça de Deus, 
de Inglaterra, França e Irlanda, Rei e Defensor da Fé. 
7DXI
Tendo empreendido para a Glória de Deus, e Avanço da 
Fé Cristã, e Honra do nosso Rei e País, uma viagem para 
estabelecer a primeira colônia no norte da Virgínia; os 
presentes fazemos pacto solene e mutuamente na Presença 
de Deus e nós próprios, para conjuntamente formar um 
Corpo Político Civil para nossa Ordem, Preservação e 
Fomento dos objetivos referidos acima; e por virtude disso, 
constituir e formular Leis justas e igualitárias, Ordenanças, 
Atas, Constituições e Ofícios, de tempos a tempos, quando 
se considerar conveniente e próprio para o bem Geral da 
Colônia; à qual prometemos toda a submissão e obediência. 
Em testemunho disto, temos subscrito os nossos nomes em 
Cape Cod no dia onze de novembro, no Reinado do nosso 
Soberano Senhor, Rei James de Inglaterra, França e Irlanda, 
o décimo oitavo, e da Escócia, quinquagésimo quarto. Ano 
do Nosso Senhor, 1620.
O PACTO do Mayflower. Disponível em: <www.allabouthistory.org>. 
Acesso em: 13 dez. 2017. 
O texto remete ao pacto assinado por consenso pelos 
refugiados ingleses puritanos que, a bordo do navio 
Mayflower, aportaram em Massachusetts, dando início à 
colonização da Nova Inglaterra, na América. O acordo é 
considerado um modelo de documento constitucional porque 
propunha a
A. 	 imposição do puritanismo como religião oficial.
B. 	 criação de um sistema baseado no autogoverno.
C. 	 reformulação do direito consuetudinário britânico.
D. 	 aplicação na América da teoria do contrato social 
de Hobbes.
E. 	 representação política dos colonos no Parlamento inglês.
Alternativa B
Resolução: Durante a dinastia Stuart, os britânicos 
vivenciaram uma série de distúrbios políticos e religiosos 
que estimulou um intenso quadro migratório para a região 
colonial inglesa na América. O pacto firmado no navio 
Mayflower, demonstrado na questão, revela o objetivo dos 
refugiados ingleses puritanos de fundarem na América uma 
colônia baseada no autogoverno, com a possibilidade de 
escolherem seus governantes e elaborarem suas próprias 
leis, o que torna correta a alternativa B. A alternativa A está 
incorreta, pois, ainda que os puritanos tenham encontrado 
no Novo Mundo a possibilidade de professar a sua fé sem 
serem perseguidos, o pacto do Mayflower não oficializava 
o puritanismo como a religião oficial. A alternativa C 
também está incorreta, pois o direito britânico não estava 
fundamentado nos costumes ou práticas da sociedade, mas 
sim em um processo formal de elaboração das leis. Ainda que 
a organização da sociedade da Nova Inglaterra tenha sua 
origem em um pacto firmado entre os refugiados puritanos, 
no Mayflower, tal acordo não estava baseado na teoria do 
contrato social de Hobbes, segundo o qual os indivíduos 
abririam mão de parte de sua liberdade natural em favor do 
soberano, que garantiria a ordem e impediria a destruição 
mútua entre os indivíduos, o que invalida a alternativa D. 
Por fim, a alternativa E também está incorreta, pois o pacto 
do Mayflower não propunha a representação política dos 
colonos no Parlamento inglês.
CH – PROVA I – PÁGINA 46 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
QUESTÃO 75 
Entre 1150 e 1340, uma nova sociedade urbana se instaura. Embora situada no feudalismo, não são as hierarquias da 
sociedade feudal que melhor podem caracterizá-la, mas um novo tipo de estratificação social ligado à economia, à propriedade 
urbana, ao dinheiro, à influência na cidade. Porém as “ordens” tradicionais também estão presentes: a nobreza nem sempre, 
pois com frequência ela se opõe à cidade; a Igreja, em compensação, é onipresente tanto no temporal como no espiritual.
LE GOFF, Jacques. O apogeu da cidade medieval. Tradução de Antônio de Pádua Danesi. São Paulo: Martins Fontes, 1992. 
(O Homem e a História)
O texto aponta para o ressurgimento urbano na Europa, durante a Baixa Idade Média, associando-o à 
A. 	 independência em relação ao sistema feudal.
B. 	 rejeição dos valores da Igreja pelos citadinos.
C. 	 reconfiguração das relações socioeconômicas.
D. 	 supressão dos conflitos entre os atores sociais.
E. 	 escalada política de grupos ligados ao comércio. 
Alternativa C
Resolução: O crescimento demográfico verificado na Europa a partir do século XI provocou a revitalização urbana e comercial. 
Entre 1150 e 1340, o mundo urbano medieval viveu seu apogeu. A expansão comercial provocou transformações nas estruturas 
da sociedade europeia, que viu surgir novas forças sociais vinculadas às cidades. Novas formas de sociabilidade surgiam no 
mundo urbano, produzindo efeitos nas estruturas feudais. Como demonstrado pelo texto, não são as hierarquias da sociedade 
feudal que melhor podem caracterizar a sociedade urbana, mas um novo tipo de estratificação social ligado à economia, 
indicando que no universo urbano medieval houve uma reconfiguração das relações socioeconômicas, o que torna correta a 
alternativa C. A alternativa A está incorreta, pois, apesar da sociedade urbana apresentar uma configuração diferente daquela 
observada na sociedade feudal, o texto indica que as cidades medievais estavam situadas no feudalismo. Além disso, apesar 
de vinculadas às atividades comerciais, as cidades dependiam da produção agrícola dos feudos. A alternativa B também 
está incorreta, pois, ainda que a Igreja Católica, detentora de grande poder, se posicionasse contra essas mudanças, ela 
era, segundo o texto, onipresente na sociedade medieval, tanto no temporal quanto no espiritual, não sendo correto associar 
o ressurgimento comercial e urbano à contestação dos valores da Igreja pelos citadinos. A alternativa D erra ao associar o 
ressurgimento das cidades à supressão dos conflitos entre os atores sociais, pois o próprio texto afirma que a nobreza com 
frequência se opunha à cidade. Por fim, ainda que a expansão urbana tenha contribuído para o surgimento de novas forças 
sociais vinculadas ao comércio, como a burguesia, ela não representou a ascensão política desses grupos, o que invalida 
a alternativa E.
QUESTÃO 76 
“Gibi Você Sabia?”, Descobrimento do Brasil com a Turma do Sítio do Pica-Pau Amarelo, Editora Globo.
Em 1492, Cristóvão Colombo, financiado pela Coroa Espanhola, realizou uma das maiores descobertas de todos os tempos: 
as terras do Oeste, ou seja, encontrou a ilha Guanahani, hoje Bahamas. Havia uma grande rivalidade entre Espanha e 
Portugal com relação às novas terras e, por isso, assinaram o Tratado de Tordesilhas, visando garantir a posse de cada país 
a determinado(a)
A. 	 espaço, já que era delimitado por fronteiras reconhecidas.
B. 	 região, visto que a área possuía homogeneidade natural.
C. 	 território, pois havia interesse em dominar as áreas. 
D. 	 lugar, dado os vínculos afetivos dos colonizadores.
E. 	 local, porque ambos o reivindicavam. 
UVLK
9ALØ
ENEM – VOL. 3 – 2018 CH – PROVA I – PÁGINA 47BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
Alternativa C
Resolução: A disputa entre Portugal e Espanha pela posse 
de novas terras, que deu origem ao Tratado de Tordesilhas, 
faz alusão à categoria geográfica “território”, que diz respeito 
à ideia de poder, dominação e conquista. A alternativa A está 
incorreta porque o espaço geográfico é produto das relações 
humanas e suas intervenções no espaço. A alternativa B está 
incorreta, pois, ainda que haja alguma homogeneidade nos 
domínios de vegetação descobertos, esse não é o motivo 
de Tordesilhas. A alternativa D está incorreta porque os 
vínculos afetivos com as novas terras não são explicitados no 
texto-base. A alternativa E está incorreta, pois “local” é 
um termo genérico para designar um ponto na superfície 
terrestre e não faz referência à reinvindicaçãode territórios.
QUESTÃO 77 
“A grande onda de Kanagawa”, também conhecida 
apenas como “A onda”, criada pelo artista japonês Katsushika 
Hokusai (1760-1849), é uma das mais conhecidas imagens 
da arte japonesa no mundo e a mais famosa no gênero. Ela 
é a primeira da série do artista, denominada “Trinta e seis 
vistas do monte Fuji”. 
A GRANDE onda de Kanagawa. Disponível em: <http://virusdaarte.
net/>. Acesso em: 16 nov. 2017.
Considerando que a xilografia anterior tem no fundo o Monte 
Fuji, no Japão, o provável fenômeno natural representado é:
A. 	 Isostasia, busca do equilíbrio de massas litosféricas no 
arco de ilhas japonês. 
B. 	 Epirogênese, movimentação vertical e lenta da crosta 
em regiões vulcânicas.
C. 	 Corrente de convecção, formada por diferenças de 
temperatura no manto. 
D. 	 Tsunami, provocado por terremoto e / ou vulcanismo no 
Círculo de Fogo. 
E. 	 Gêiser, jato intermitente de água superaquecida no 
Oceano Pacífico. 
Alternativa D
Resolução: O enunciado informa que a região representada 
na xilografia é o Japão, cujas ilhas fazem parte do Círculo 
de Fogo do Pacifico, onde está concentrada a maior parte 
dos terremotos e vulcões do mundo e onde, eventualmente, 
tsunamis são formadas – ondas gigantes, que se deslocam 
no oceano em alta velocidade, e que, ao atingirem em menor 
profundidade as linhas de costa, ganham altura, invadindo 
de modo agressivo as praias, provocando catástrofes. 
1ERV
A alternativa A está incorreta porque isostasia é a busca de 
equilíbrio da densidade da litosfera sobre a astenosfera e o 
arco de ilhas é resultante da colisão de placas oceânicas. 
A alternativa B está incorreta, pois a epirogênese é a 
movimentação vertical da crosta, que é soerguida ou rebaixada, 
geralmente lenta e por extensa região, resultado do equilíbrio 
isostático. A alternativa C está incorreta porque a corrente de 
convecção no manto é responsável pelo deslocamento das 
placas tectônicas por meio do fluxo de fluidos quentes. Esse 
mecanismo não está representado na ilustração. A alternativa 
E está incorreta, pois gêiser é uma fonte de água termal em 
regiões vulcânicas. A imagem representa ondas e não jatos de 
água fortemente aquecida característicos de gêiser. 
QUESTÃO 78 
A distribuição espacial da logística de transportes no 
território brasileiro revela uma predominância do modal 
rodoviário, bem como sua concentração na região Centro-Sul 
com destaque para o estado de São Paulo.
Mesmo com distribuição desigual pelo território nacional, 
a malha rodoviária tem vascularização e densidade muito 
superiores às dos outros modais de transporte e só não 
predomina na região amazônica, onde o transporte por 
vias fluviais tem grande importância devido à densa rede 
hidrográfica natural.
Por outro lado, a distribuição das ferrovias e hidrovias 
é bem reduzida e tem potencial muito pouco explorado, 
especialmente em um país das dimensões do Brasil.
Disponível em: <http://www.brasil.gov.br/infraestrutura/2014/11/ibge-mapeia-
a-infraestrutura-dos-transportes-no-brasil>. 
Acesso em: 11 fev. 2016.
Considerando as características do sistema de transportes 
brasileiro, descritas no texto anterior, o modal rodoviário, 
apesar das desvantagens comparativas – como maior custo 
de manutenção e menor capacidade de carga –, pode ser 
considerado o mais eficiente em áreas da região Sudeste, pois a
A. 	topografia mais acidentada e a proximidade entre 
alguns centros consumidores justificam sua utilização.
B. 	população com maior poder aquisitivo poderá utilizar o 
meio mais caro para transporte de suas cargas.
C. 	circulação de grande quantidade de tecnologia demanda 
o emprego de um meio de transporte seguro.
D. 	produção voltada para o mercado externo exige o 
aproveitamento de um transporte de alcance continental.
E. 	indústria produz bens que não poderiam ser escoados 
por meio hidroviário pelo grande volume e peso.
Alternativa A
Resolução: Boa parte do relevo do Sudeste corresponde aos 
mares de morros, portanto, tem uma topografia acidentada. 
Além disso, a região tem a economia mais dinâmica do 
país, constituindo o que Milton Santos denominou região 
concentrada, onde as redes e os fluxos são os mais densos 
no Brasil. A alternativa B está incorreta, pois existe o objetivo 
de transportar com os menores custos. A alternativa C está 
incorreta porque o modal rodoviário não é o mais seguro. 
A alternativa D está incorreta pois para longas distâncias o 
transporte aquaviário é o ideal. A alternativa E está incorreta 
porque o modal aquaviário tem grande capacidade de carga. 
TIXQ
CH – PROVA I – PÁGINA 48 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
QUESTÃO 79 
Algumas cidades funcionaram como entrepostos de 
mercadorias [...], caso do Rio de Janeiro e de Ouro Preto. 
Essa última recebia vinho, manufaturas, ferramentas, 
escravos e remédios, revendendo-os a outros núcleos. 
Dentro das capitanias circulavam os produtos da terra: 
toucinho, aguardente, açúcar, couro, gado e algodão, além 
de milho e feijão.
DEL PRIORE, Mary. Histórias da gente brasileira – Colônia. 
São Paulo: Leya Editora, 2016. v. 1.
O trecho anterior descreve o cotidiano dos centros urbanos 
brasileiros do Período Colonial e os associa a
A. 	 eixos centrais da economia colonial, que era sustentada 
pelas transações comerciais.
B. 	 polos de extração de ouro, o que fazia das cidades 
centros de circulação de riquezas.
C. 	 núcleos economicamente secundários, sendo a 
produção açucareira a predominante.
D. 	 elos mercantes, promovendo intercâmbio de produtos 
intracoloniais e metropolitanos.
E. 	 pontos de apoio à atuação dos bandeirantes, que 
desbravavam o território brasileiro.
Alternativa D
Resolução: O texto-base indica que algumas das cidades 
coloniais funcionavam como elos mercantes, nos quais 
eram realizadas a compra e a venda de toda sorte de 
produtos vindos de outras capitanias e da própria metrópole, 
promovendo, assim, o intercâmbio comercial com as demais 
regiões da Colônia e com Portugal, o que torna correta a 
alternativa D. A alternativa A está incorreta, pois, embora 
tenham sido fundamentais para a dinâmica econômica, os 
centros urbanos coloniais não representavam os eixos centrais 
da economia colonial, que ainda estava fundamentada nas 
atividades para exportação. A alternativa B também está 
incorreta, pois, apesar da grande circulação de riquezas nos 
centros urbanos desenvolvidos nas regiões mineradoras 
da colônia, o texto não associa os núcleos urbanos, 
necessariamente, a polos de extração de ouro, visto que o 
Rio de Janeiro, destacado no texto, não se constituiu em um 
polo de extração aurífera. O texto destaca que os centros 
urbanos desempenharam um importante papel na economia 
do Brasil Colônia, não sendo correto, portanto, associá-los a 
núcleos econômicos secundários, o que invalida a alternativa C. 
Por fim, a alternativa E também está incorreta, pois o texto-base 
não aborda esse aspecto das cidades coloniais. 
QUESTÃO 80 
Vota o conselheiro no parente, porque é parente; vota 
no amigo, porque é amigo; vota no recomendado, porque é 
recomendado; e os mais dignos e beneméritos, porque não 
têm amizade, nem parentesco, nem valia, ficam de fora. 
Acontece isso muitas vezes? Queria Deus que alguma vez 
deixe de ser assim. 
VIEIRA, Antônio. Sermões. v. 1, t.1, p. 61. In: ARAUJO, Emanuel. 
O teatro dos vícios. 3. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2008. p. 288.
3CED
VGK8
O jesuíta Antônio Vieira expõe aspectos da administração 
colonial portuguesa que reportam a práticas políticas 
contemporâneas no Brasil, identificadas na
A. 	 valorização da meritocracia para ocupação de cargos 
públicos.
B. 	 imposição de interesses eclesiásticos na administração 
pública.
C. 	 determinação do vínculo parental para constituir função 
pública.
D. 	 adoção de práticas contrárias à impessoalidade 
administrativa.
E. 	 união entre interesse público e privado como fator de 
eficiência.
Alternativa D
Resolução: A alternativa A está incorreta,pois o próprio texto 
indica que os beneméritos ficam de fora da atuação pública 
por não terem parentesco ou relação de amizade com as 
autoridades. A alternativa B está incorreta, pois o texto não 
atesta qualquer prioridade eclesiástica nos interesses da 
administração pública, apesar da crítica referida ser proferida 
por um clérigo. A alternativa C está incorreta pois reduz a 
constituição de agente público ao vínculo parental, quando, 
no texto, esse é apenas um dos vínculos possíveis para 
determinação da indicação, mas não o único. A alternativa D 
está correta, pois o favorecimento de parentes e pessoas 
próximas por meio do voto do conselheiro, no caso colonial, 
reporta a práticas frequentes na política atual brasileira 
que ferem o princípio da impessoabilidade administrativa. 
A letra E está incorreta, pois não há, no texto, relação direta 
entre eficiência administrativa e integração dos interesses 
privados e públicos, mas, pelo contrário, o próprio texto, em 
sua essência, é uma crítica a esse tipo de prática.
QUESTÃO 81 
A mecanização da cafeicultura paulista está afastando 
os migrantes da região produtora mais tradicional do estado, 
a Alta Mogiana. 
Agora, a região montanhosa da Mantiqueira, onde está 
o município de São João da Boa Vista, é a que atrai o maior 
número de trabalhadores volantes, os migrantes.
Levantamento do IEA (Instituto de Economia Agrícola) 
mostrou que, na última safra, em média, a região de 
São João da Boa Vista atraiu cerca de 15,3 mil migrantes. 
[...]
Por ser área montanhosa, é difícil a implantação da 
colheita mecanizada e o café precisa ser apanhado com as 
mãos, disse Maria Carlota Vicente, pesquisadora do IEA. 
[...] 
Essa é a primeira vez que o IEA compila dados sobre 
trabalhadores volantes. Assim, não há dados históricos que 
indiquem a presença dessa mão de obra ao longo dos anos 
na cultura de café. 
491V
ENEM – VOL. 3 – 2018 CH – PROVA I – PÁGINA 49BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
Mas, para Irineu Monteiro, presidente do sindicato do 
produtor rural de Patrocínio Paulista, cada vez menos os 
produtores buscam trabalhadores de fora para participarem 
da colheita. “Tudo por causa da máquina”, disse.
OLIVEIRA, E. Mecanização afasta migrantes do café. Disponível em: 
<http://www1.folha.uol.com.br>. Acesso em: 27 dez. 2017.
O texto caracteriza o declínio do seguinte tipo de migração:
A. 	 retorno. 
B. 	 sazonal.
C. 	 pendular.
D. 	 intrarregional. 
E. 	 rural-urbana.
Alternativa B
Resolução: A migração sazonal ou transumância é o 
deslocamento temporário de pessoas em uma certa época 
do ano. É o caso dos trabalhadores rurais que migram para 
as áreas de lavouras, e que retornam para a sua terra de 
origem quando a safra termina. O texto-base descreve a 
queda desse tipo de migração por causa da mecanização 
do campo. A alternativa A está incorreta porque a migração 
de retorno consiste na volta do migrante para a cidade natal 
depois de muito tempo longe. A alternativa C está incorreta, 
pois a migração pendular é o fluxo diário de estudantes e 
trabalhadores entre uma cidade e outra. A alternativa D 
está incorreta porque a migração intrarregional acontece 
internamente em uma mesma região, e os trabalhadores 
podem ser de outras regiões. A alternativa E está incorreta, 
pois, conforme o texto da questão, os migrantes se deslocam 
para trabalhar no campo.
QUESTÃO 82 
A rede de paralelos e meridianos sobre a qual 
desenhamos um mapa constitui o que chamamos de 
projeção cartográfica. Ela permite representar uma superfície 
curva em uma superfície plana com menor distorção do que 
a vista no simples achatamento do elipsoide. Observe os 
mapas a seguir:
DORLING KINDERSLEY WORLD ATLAS. London (Adaptação). 
XE7Q
Cada uma das projeções cartográficas apresenta 
características únicas. No caso da projeção cônica, a grande 
vantagem é
 A manter a proporcionalidade das áreas representadas.
 B permitir a navegação de todo o globo terrestre.
 C possibilitar a comparação das áreas continentais e 
oceânicas.
 D representar, com boa qualidade, as áreas próximas das 
médias latitudes.
 E salientar a forma correta dos continentes.
Alternativa D
Resolução: A projeção cônica é o globo projetado sobre um 
cone que em seguida é planificado. Embora usada para outras 
latitudes, é muito mais aplicada para representar as latitudes 
médias onde as deformações são mínimas. A alternativa A 
está incorreta porque, como pode ser constatado no mapa da 
questão, a Groenlândia está esticada. Portanto, a projeção 
cônica não mantém a proporção das áreas representadas 
com a realidade, isso é, não é uma projeção equivalente. 
A alternativa B está incorreta, pois a carta náutica é mais 
indicada para a navegação. A alternativa C está incorreta 
porque a representação de mares e continentes na projeção 
cônica é incompleta. A alternativa E está incorreta, pois nem 
toda projeção cônica mantém a conformidade.
QUESTÃO 83 
Ao conquistar 12,6% dos votos na eleição nacional 
deste domingo [24/09/17], segundo resultados ainda não 
consolidados, a AfD [Alternativa para a Alemanha] ganha 
94 mandatos e é a primeira bancada nacionalista populista de 
direita a ocupar o Bundestag [parlamento alemão] na história 
do pós-Guerra. Além disso, provavelmente será a segunda 
maior força de oposição no Parlamento alemão, atrás 
dos social-democratas, que já anunciaram não pretender 
negociar uma coalizão de governo com Angela Merkel.
CHASE, J. A ascensão dos nacionalistas na Alemanha. Disponível em: 
<http://www.dw.com/>. Acesso em: 25 set. 2017 (Adaptação). 
É considerado um motivo para a ascensão do partido 
nacionalista citado na notícia:
A. 	 A democracia instável na Alemanha. 
B. 	 O discurso favorável à integração europeia. 
C. 	 A defesa do retorno ao socialismo soviético. 
D. 	 A manutenção das políticas de Bem-Estar Social. 
E. 	 A crise dos refugiados na Europa nos últimos anos.
Alternativa E
Resolução: A crise dos refugiados na Europa, provocada 
sobretudo pelos conflitos no Oriente Médio, gerou reações como 
o aumento dos votos para um partido nacionalista na Alemanha 
que não ocupava o parlamento desde o fim da Segunda Guerra 
Mundial. A alternativa A está incorreta porque a democracia 
alemã é sólida. A alternativa B está incorreta porque o partido 
nacionalista tem um discurso eurocético. A alternativa C está 
incorreta, pois o partido em questão é de direita e não defende 
o retorno do socialismo soviético. A alternativa D está incorreta, 
pois a permanência das políticas do Estado de Bem-Estar Social 
na Alemanha não é considerada um motivo para a ascensão 
do partido nacionalista.
PIEL
CH – PROVA I – PÁGINA 50 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
QUESTÃO 84 
A expansão da escravidão na Itália romana aprofundou 
o fosso que separava os cidadãos ricos dos pobres [...]. 
Possuir escravos tornou-se um meio de acumular riqueza, 
em homens e em força produtiva, homens que podiam ser 
usados para proteger, para afirmar a própria riqueza de seus 
senhores, e até mesmo para coagir outros cidadãos, mas 
que permitiam, também, fazer render a riqueza. Escravos 
podiam ser adquiridos para produzir mais riquezas, tornando 
assim interessante e viável a aquisição e exploração de mais 
meios de produção, como terras, oficinas e instrumentos de 
trabalho. [...] A riqueza extraordinária de certos membros 
da aristocracia senatorial romana só foi possível, e só é 
compreensível, pela presença maciça de escravos.
Disponível em: <http://www.scielo.br>. Acesso em: 26 out. 2017.
Na sociedade romana antiga, marcada pela utilização da 
mão de obra cativa, a propriedade de escravos, segundo o 
texto, representou um
A. 	 critério definidor da participação ativa na política da 
Roma Antiga.
B. 	 elemento promovedor da desestabilização econômica 
do Império. 
C. 	 aspecto influenciador nas relações entre os cidadãos 
romanos livres.
D. 	 fator desencadeador de conflitos entre os membros 
da aristocracia.
E. 	 princípio fundamentador da divisãoentre cidadãos e 
não cidadãos.
Alternativa C
Resolução: A sociedade romana antiga estava assentada 
sobre o sistema escravista de produção. As populações 
derrotadas, durante a expansão territorial romana, eram 
transformadas em mão de obra escrava. Desse modo, 
Roma tornou-se a capital de um vasto império, possuidor 
de grandes quantidades de terra e escravos. De acordo 
com o texto, “a expansão da escravidão na Itália romana 
aprofundou o fosso que separava os cidadãos ricos dos 
pobres”, constituindo-se em um importante elemento na 
relação entre os cidadãos livres ricos e pobres, o que torna 
correta a alternativa C. Ainda que o texto afirme que a 
riqueza extraordinária de certos membros da aristocracia 
senatorial romana só foi possível pela presença massiva de 
escravos, não há no texto subsídios que permitam afirmar 
que a propriedade de escravos correspondesse a um 
critério definidor da participação ativa na política romana, o 
que invalida a alternativa A. A alternativa B está incorreta, 
pois, como apontado anteriormente, a sociedade romana 
antiga se baseava no modelo de produção escravista. 
A desestabilização econômica do Império Romano e seu 
colapso estão relacionados à retração das conquistas e 
à diminuição do fluxo de prisioneiros que serviam como 
escravos, o que provocou o aumento dos preços dos 
escravos e a pouca produtividade registrada em virtude 
da escassez de mão de obra. A alternativa D também está 
incorreta, visto que no texto não há indícios de que a posse 
de escravos tenha desencadeado conflitos entre os membros 
da aristocracia romana. Por fim, a posse de escravos não era 
um critério definidor da cidadania, visto que o texto demostra 
que a posse de cativos podia ser utilizada para coagir outros 
cidadãos, o que contraria a alternativa E.
YBV8 QUESTÃO 85 
Durante o século XVII, a Coroa autorizou traslados de 70 
a 80 pessoas para o serviço [do vice-rei] e sua família, cifra 
que nem sempre foi respeitada. Ao conde de Montesclaros, 
por exemplo, foi permitido levar 70 criados, mas terminou 
por viajar com 83. Além disso, houve exceções, como as 
do conde de Alba de Aliste, o Duque de Alburquerque, ou o 
conde de Baños, os quais puderam levar até 100 indivíduos. 
A este número somavam-se as esposas e os filhos dos 
escolhidos para o serviço.
ZAPATERO, Alberto Baena. As vice-rainhas e o exercício do poder na 
Nova Espanha. Revista de História da USP. São Paulo, n. 176, 2017.
Durante o período em que manteve parte da América 
sob seu domínio, a Espanha custeou o deslocamento de 
espanhóis para suas colônias. De acordo com o texto, esse 
deslocamento visava
A. 	 reforçar as tropas espanholas, a fim de conquistar 
os indígenas e manter a ordem nos redutos coloniais 
hispano-americanos.
B. 	 aumentar a matriz europeia no Novo Continente, 
fazendo com que a miscigenação tendesse ao 
embranquecimento das sociedades coloniais.
C. 	 simular a sociedade de corte espanhola, de modo 
que as elites coloniais se sentissem integradas à 
monarquia.
D. 	 realocar inimigos da Coroa Espanhola, aos quais seria 
dada a oportunidade de recomeçar suas vidas do outro 
lado do Atlântico.
E. 	 viabilizar o trabalho da Igreja Católica, que contaria 
com um maior número de cristãos.
Alternativa C
Resolução: O texto-base revela que os representantes 
da Coroa espanhola trasladados para a América para 
ocuparem o cargo de vice-rei foram autorizados a serem 
acompanhados por uma comitiva formada por familiares, 
achegados e criados. Em alguns casos, a comitiva do 
vice-rei impressionava, sendo comparada à grandiosidade 
do séquito do próprio rei da Espanha. Dessa forma, os 
representantes reais e suas comitivas puderam reproduzir, 
em alguma medida, a sociedade de corte espanhola na 
América, contribuindo para que as elites coloniais se 
sentissem integradas à monarquia, o que torna correta 
a alternativa C. A alternativa A está incorreta, pois os 
espanhóis que se deslocaram para a América, destacados 
no texto, compuseram a elite administrativa colonial e não 
as tropas espanholas. A alternativa B também está incorreta, 
pois, ainda que o deslocamento desses espanhóis para 
a colônia contribuísse para aumentar a matriz europeia 
no Novo Continente, não havia, no período, uma política 
de branqueamento da população, mas sim um esforço 
do Estado espanhol para evitar a miscigenação, o que é 
evidenciado pela vinda das esposas e filhos do vice-rei. 
Contrariamente ao indicado na alternativa D, os espanhóis 
que se deslocaram para a América não eram inimigos 
da Coroa espanhola, mas representavam os interesses 
espanhóis na colônia. Por fim, a alternativa E também está 
incorreta, pois o texto não relaciona o deslocamento dos 
espanhóis para o Novo Continente à viabilização do projeto 
evangelizador da Igreja Católica.
RF13
ENEM – VOL. 3 – 2018 CH – PROVA I – PÁGINA 51BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
QUESTÃO 86 
Tarauacá 5,1º
Terremotos no Brasil
Montes 
Claros 4,1º 
São Paulo
Curitiba
Rio de
Janeiro
VitóriaBelo Horizonte
Goiânia
Cuiabá
Teresina
Fortaleza
Natal
Recife
Aracaju
Salvador
São LuísBelém
Manaus
COLÔMBIA
PANAMÁ
VENEZUELA
GUIANA
Oceano
Atlântico
Oceano
Pacífico
BRASIL
SURINAME
GUIANA FRANCESA
BOLÍVIA
CHILE
ARGENTINA
URUGUAI
PARAGUAI
PERU
EQUADOR
Brasília
Porto Alegre
Disponível em: <http://thoth3126.com.br/brasil-terremoto-de-51o-graus-proximo-a-tarauaca-acre/>. Acesso em: 20 nov. 2014 (Adaptação).
Mesmo se localizando ao centro da Placa Sul-Americana, o Brasil tem sofrido abalos. Os sismos no país raramente possuem 
magnitude e intensidade elevadas. Nesse contexto, a ocorrência de tremores, respectivamente, em Tarauacá e em Montes Claros, 
destacados no mapa, pode ser justificada pela
A. 	 acomodação de camadas subterrâneas e pela movimentação das placas que formam a dorsal mesoatlântica.
B. 	 construção de hidrelétricas que pressionaram o solo e pela reativação de uma dobra datada do Cretáceo.
C. 	 extrusão vulcânica no Peru e pelo desmoronamento do subsolo devido à proximidade com áreas de mineração.
D. 	 percolação da água com deslizamento de massa e pela dissolução dos terrenos constituídos por rochas calcárias.
E. 	 proximidade com a área de encontro das Placas Sul-Americana e de Nazca e pela presença de uma falha geológica.
Alternativa E
Resolução: Estudos indicam que os abalos sísmicos na região do Acre são gerados pelo mergulho da placa tectônica de 
Nazca sob a placa Sul-Americana, sobre a qual o Brasil está. Já os terremotos em Montes Claros (MG), são provocados pela 
movimentação de falha geológica a 1 quilômetro de profundidade. A alternativa A está incorreta porque os tremores no Nordeste 
se relacionam com expansão da dorsal mesoatlântica. A alternativa B está incorreta, pois os sismos em Montes Claros são 
causados por uma falha geológica na crosta e não uma dobra. A alternativa C está incorreta porque os tremores sísmicos em 
Montes Claros têm origem nos movimentos da falha e não há evidência de que a exploração nas pedreiras tenha relação com 
a atividade sísmica. A alternativa D está incorreta, pois, na região do Acre representada no mapa, são recorrentes os tremores 
correlacionados ao levantamento andino. 
QUESTÃO 87 
O termo globalização é normalmente utilizado a propósito de um conjunto de transformações socioeconômicas que vêm 
atravessando as sociedades contemporâneas em todos os cantos do mundo. Tais transformações constituem um conjunto 
de novas realidades e problemas que parecem implicar acrescidas dificuldades e novos desafios [...], de tal modo que 
acontecimentos, decisões e atividades numa região do mundo podem ter significado para indivíduos e atividades em regiões 
distintas do globo. 
CAMPOS, L.; CANAVEZES, S. Introdução à globalização. Disponível em: <https://dspace.uevora.pt/>. Acesso em: 22 dez. 2017. [Fragmento]
JJ7Y
52VØ
CH – PROVA I – PÁGINA 52 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
O texto discute os efeitos da globalização na contemporaneidade. Uma das consequênciasdo processo citado é a(o)
A. 	 intensificação da dependência econômica dos países, à medida que sua confiabilidade frente aos investimentos internacionais 
depende de avaliações de agentes externos.
B. 	 expansão da integração do espaço mundial por meio do estímulo dos países ao fluxo de capitais, mercadorias e pessoas 
através das fronteiras.
C. 	 interdependência crescente entre as nações, a qual diminui a possibilidade de conflitos entre países centrais e periféricos. 
D. 	 ampliação da capacidade dos países de realizar investimentos públicos em áreas prioritárias.
E. 	 aumento do controle estatal em razão das políticas neoliberais características da globalização.
Alternativa A
Resolução: O processo de globalização é marcado pela crescente interligação e interdependência entre Estados, organizações 
e indivíduos do mundo inteiro nas esferas das relações econômicas, sociais e políticas. A alternativa B está incorreta porque 
há estímulo ao livre trânsito de capitais e mercadorias, mas os fluxos de pessoas são barrados por legislações migratórias 
restritivas, muros, cercas e barreiras fortificadas, sobretudo se saem das áreas mais pobres do globo em direção às regiões 
mais ricas. A alternativa C está incorreta, pois os conflitos internacionais não diminuíram com a globalização. As alternativas 
D e E estão incorretas porque o papel do Estado nos países neoliberais é limitado.
QUESTÃO 88 
Reclamada para as mais variadas funções a instituição [câmara municipal] vai se alargando, tornando-se imperialista 
e absorvendo, em inúmeros casos abusivamente, funções e atribuições de outros órgãos. Arrogavam-se poderes, nossos 
velhos concelhos, os mais diversos, alguns eivados de manifesta incompetência.
ZENHA, E. O município no Brasil: 1532-1700. São Paulo: Instituto Progresso Editorial, 1948.
O processo vivenciado pelas câmaras municipais, no contexto de implantação e consolidação do sistema colonial na 
América portuguesa, apresentado pelo texto, demonstra o(a)
A. 	 desinteresse da Metrópole em investir na organização colonial.
B. 	 fragilidade do município frente às instâncias metropolitanas.
C. 	 independência administrativa vivenciada pelos poderes locais. 
D. 	 fragmentação política portuguesa no interior da colônia.
E. 	 eficiência dos quadros políticos das municipalidades coloniais. 
Alternativa D
Resolução: As câmaras municipais desempenharam um importante papel na estrutura da administração colonial portuguesa 
na América, sendo fundamentais para o controle político local e para a análise de assuntos alusivos ao cotidiano da população 
e a harmonização das regras do Império português com as especificidades regionais da colônia. Entretanto, conforme 
demonstrado no texto, as câmaras municipais brasileiras experimentaram uma hipertrofia de suas funções, contribuindo 
para uma fragmentação da política portuguesa no interior da colônia, o que torna correta a alternativa D. A alternativa A está 
incorreta, pois as câmaras municipais foram estabelecidas pelo poder metropolitano como parte do sistema administrativo 
colonial. A alternativa B também está incorreta, pois, o texto indica que as câmaras municipais alargaram suas atribuições, 
evidenciando o fortalecimento, e não a fragilização, dos municípios frente às instâncias metropolitanas. Apesar de terem 
experimentado uma relativa autonomia administrativa, os poderes locais não eram independentes administrativamente da 
metrópole, o que contraria a alternativa C. Por fim, a alternativa E também está incorreta, visto que o texto destaca que alguns 
dos concelhos municipais estavam manchados pela incompetência.
QUESTÃO 89 
Todo material fluido (normalmente nos estados físicos gasoso ou líquido) tende a se movimentar em função das trocas 
térmicas com materiais de densidade e temperatura diferentes. Esse movimento pode ser observado em vários fenômenos 
naturais, como os atmosféricos, e em vários mecanismos artificiais de aquecimento e resfriamento de ambientes.
Tendo como referência a dinâmica interna do planeta Terra, o nome desse movimento e a maneira como ele repercute na 
superfície terrestre são, respectivamente, 
A. 	 inversão convectiva com formação de dobramentos orogenéticos. 
B. 	 correntes térmicas com extravasamento do magma em vulcões. 
C. 	 correntes de convecção com movimento das placas tectônicas. 
D. 	 células de convecção com derretimento de ferro e níquel. 
E. 	 inversão térmica com reciclagem das rochas magmáticas. 
FVCN
UAB3
ENEM – VOL. 3 – 2018 CH – PROVA I – PÁGINA 53BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO
Alternativa C
Resolução: As correntes de convecção descrevem os movimentos verticais feitos pelo magma quando este adquire diferentes 
densidades e temperaturas, em função da maior ou menor proximidade com o núcleo ou a crosta. Nas proximidades do núcleo 
da Terra, a temperatura é muito elevada, fazendo com que o material magmático nessa região perca densidade e suba. 
Ao se aproximar da crosta esse material se resfria, aumentando sua densidade e retornando para as camadas mais profundas 
do planeta. Todo este movimento interno, juntamente com as características físicas do material magmático na astenosfera, 
explica o movimento das placas tectônicas. A alternativa A, apesar de descrever uma consequência das correntes de 
convecção magmática, traz o nome incorreto do movimento responsável pela orogenia. A alternativa B está incorreta, pois 
há outros condicionantes, como a tectônica compressional ou extensional, associados ao extravasamento do magma. A 
alternativa D está incorreta, pois a maior quantidade de ferro e níquel é encontrada no núcleo terrestre. A alternativa E 
está incorreta porque “inversão térmica” é o nome dado a um fenômeno atmosférico. 
QUESTÃO 90 
Pirâmides Etárias Absolutas
Idade
Mais de 90
85 a 89
80 a 84
75 a 79
70 a 74
65 a 69
60 a 64
55 a 59
50 a 54
45 a 49
40 a 44
35 a 39
30 a 34
25 a 29
20 a 24
15 a 19
10 a 14
5 a 9
1 a 4
0 a 1
10 108 86 64 42 2 10 108 86 64 42 2 8 86 64 42 2
Homens Mulheres
2013
PIRÂMIDES ETÁRIAS ABSOLUTAS
2040 2060
Milhões de
pessoas
IBGE.
A análise da estrutura etária da população brasileira no período representado demonstra que o(a)
A. 	 número de adultos continuou o mesmo, como mostra o corpo largo das pirâmides. 
B. 	 mortalidade infantil cresceu conforme o estreitamento da base da pirâmide etária. 
C. 	 crescimento vegetativo aumentou à medida que a expectativa de vida se elevou. 
D. 	 governo deve gastar mais com saúde e previdência devido ao aumento da expectativa de vida.
E. 	 janela de oportunidades permanece em razão da expressiva População Economicamente Ativa. 
Alternativa D
Resolução: Nas pirâmides etárias, o ápice indica a população de idosos. Dessa forma, um ápice largo representa uma elevada 
expectativa de vida, que é o número médio de anos que uma pessoa vive em determinado lugar, enquanto um ápice estreito 
indica uma reduzida expectativa de vida. Com o aumento da longevidade, o governo deve investir mais em seus sistemas de 
saúde e previdenciário como forma de cuidar do expressivo número de idosos. A alternativa A está incorreta porque o corpo da 
pirâmide, que representa a população adulta, estreitou-se progressivamente. A alternativa B está incorreta, pois a diminuição da 
base das pirâmides diz respeito à queda da taxa de natalidade. A alternativa C está incorreta, pois, com o declínio da fecundidade, 
o crescimento vegetativo diminui. A alternativa E está incorreta porque a PEA em 2060 será bem menor do que em 2013, como 
mostra o corpo das pirâmides, e a janela de oportunidade demográfica terá se encerrado.
Z4OD
CH – PROVA I – PÁGINA 54 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO

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