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Na publicidade anterior, o rosto magro do indivíduo estampado na nota e as frases logo abaixo dela revelam a intenção de A. explicar a diminuição do poder de compra da classe média nigeriana. B. elencar os efeitos da crise econômica na vida da população nigeriana. C. responsabilizar a classe política pela situação da economia nigeriana. D. buscar auxílio para solucionar o problema da desnutrição na Nigéria. E. chamar atenção para a desvalorização da moeda oficial da Nigéria. Alternativa E Resolução: A) INCORRETA – Embora a peça publicitária aborde a desvalorização do naira nigeriano (o que pode – ou não – interferir no poder de compra da população), não se faz nenhum tipo de recorte de classe. Além disso, a publicidade não explica as causas que levaram à diminuição do poder de compra dos nigerianos; somente aponta que o naira se desvalorizou. Logo, a afirmação da alternativa não se sustenta. B) INCORRETA – O verbo “elencar” sugere a produção de uma lista de itens, e isso invalida a alternativa B, pois a publicidade não elenca efeitos da crise econômica, apenas chama a atenção do leitor para a desvalorização do naira, tendo em vista o ano de 1986. C) INCORRETA – A publicidade não se ocupa de responsabilizar nenhum indivíduo pela situação da economia da Nigéria. Ela apenas aponta que o naira se desvalorizou desde 1986 e convida o leitor a pensar maneiras de revalorizá-lo, o que fica evidente na frase “What will #PlumpTheNaira?” (O que vai “engordar” o naira?). D) INCORRETA – Na nota de 500 nairas representada na peça publicitária, o rosto de Nnamdi Azikiwe (primeiro presidente da Nigéria) foi digitalmente alterado para aparentar magreza extrema. Isso pode levar a crer que a peça publicitária faz um apelo contra a desnutrição na Nigéria. Contudo, trata-se, na realidade, de uma alegoria do próprio enfraquecimento dessa moeda. Portanto, a afirmativa da alternativa D não se sustenta. E) CORRETA – Nessa peça publicitária, associa-se o rosto digitalmente modificado de Nnamdi Azikiwe aos dizeres “In 1986, this man could buy you a car. What can he buy you now? What will #PlumpTheNaira? Talk!” (Em 1986, esse homem poderia lhe comprar um carro. O que ele pode lhe comprar agora? O que vai #EngordarONaira? Manifeste-se!). Nessa frase, “this man” não se refere exatamente ao ex-presidente nigeriano estampado na nota de 500 nairas, mas sim, metonimicamente, à própria nota de 500 nairas, ou seja, aponta-se que essa nota não tem o mesmo valor que tinha antes; enfraqueceu-se. Portanto, conclui-se que a publicidade chama atenção para a desvalorização da moeda oficial da Nigéria, conforme propõe a alternativa E. B2C3 ENEM – VOL. 3 – 2018 LCT – PROVA I – PÁGINA 1BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO QUESTÃO 02 Saudi prince to donate $32bn fortune to charity Saudi Arabian billionaire Prince Alwaleed bin Talal has said he will donate his $32bn (£20bn; €29bn) personal fortune to charity. The 60-year-old nephew of King Salman is one of the world’s richest people. He said he had been inspired by the Gates Foundation, set up by Bill and Melinda Gates in 1997. The money would be used to foster cultural understanding, empower women, and provide vital disaster relief, among other things, he said. Mr. Gates praised the decision, calling it an “inspiration to all of us working in philanthropy around the world”. Prince Alwaleed is at number 34 on the Forbes list of the world’s richest people. The money will go to the prince’s charitable organisation, Alwaleed Philanthropies, to which he has already donated $3.5bn. The prince, who does not hold an official government position, is chairman of investment firm Kingdom Holding Company. Disponível em: <http://www.bbc.com>. Acesso em: 14 jul. 2015. Ajudar instituições de caridade é uma atividade de praxe entre personalidades. O príncipe Alwaleed, inspirado na fundação de Bill Gates, pretende doar sua fortuna para diversas causas, entre elas o(a) A. promoção da filantropia no mundo. B. combate à violência contra mulheres. C. construção da Alwaleed Philanthropies. D. erradicação do entendimento entre as culturas. E. envio de ajuda humanitária na ocorrência de calamidades. Alternativa E Resolução: No quarto parágrafo do texto, são enumerados os objetivos da doação feita pelo príncipe: estimular o entendimento cultural, empoderar as mulheres e promover ajuda humanitária em situações de catástrofe (“vital disaster relief ”). A única alternativa que apresenta corretamente um desses objetivos é a E. QUESTÃO 03 Disponível em: <http://www.bestadsontv.com>. Acesso em: 24 jan. 2017. 37JY DØØL Textos publicitários lançam mão de recursos verbais e não verbais com fins específicos. A peça anterior enfoca os problemas consequentes A. do uso de paredes de vidro nos recintos destinados a animais marinhos. B. da participação de animais selvagens em filmes e programas de televisão. C. da presença de animais psicologicamente instáveis em parques aquáticos. D. da rotina repetitiva imposta aos animais marinhos confinados em parques. E. do confinamento de animais marinhos com o propósito de entretenimento. Alternativa E Resolução: A) INCORRETA – A leitura do texto permite concluir que o problema central não são as paredes de vidro, e sim o confinamento em si. Logo, a alternativa está incorreta. B) INCORRETA – O texto não cita filmes e programas de televisão. A palavra “show” é utilizada na peça publicitária para fazer referência às atrações de parques aquáticos que envolvem animais marinhos como Hugo, a orca. C) INCORRETA – O texto indica que o confinamento de animais marinhos gera um estresse psicológico que pode ser fatal. Portanto, o problema enfocado pelo texto não é a presença de animais instáveis em parques aquáticos, e sim o fato de que o confinamento desses animais pode levá-los a desenvolver esses problemas. Logo, a alternativa está incorreta, pois distorce as informações contidas no texto. D) INCORRETA – Não há menção a uma rotina repetitiva no texto. O termo “repeatedly” é empregado para descrever a atitude da baleia Hugo que a levou à morte: bater a cabeça repetidamente no vidro do tanque. E) CORRETA – Para chegar à resposta, pode-se basear nas seguintes passagens do texto: “Confined in tanks for many years, Hugo started showing signs of psychological stress [...]; Captivity kills. Stop supporting marine parks”. Vê-se que o texto enfatiza os problemas causados aos animais pelo confinamento. Logo, a alternativa está correta. QUESTÃO 04 No speak English Mamacita is the big mama of the man across the street, third-floor front. […] The man saved his money to bring her here […] because she was alone with the baby boy in that country. He worked two jobs. He came home late and he left early. Every day. Then one day Mamacita and the baby boy arrived in a yellow taxi […]. Up, up, up the stairs she went […]. Then we didn’tsee her. […] I believe she doesn’t come out because she is afraid to speak English […]. She sits all day by the window […]. She still sighs for her pink house, and then I think she cries. I would. Sometimes the man gets disgusted. He starts screaming and you can hear it all the way down the street. […] ¡Ay, caray! We are home. This is home. Here I am and here I stay. Speak English. Speak English. Christ! 546G LCT – PROVA I – PÁGINA 2 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO ¡Ay! Mamacita […] lets out a cry, […] as if he had torn the only skinny thread that kept her alive, the only road out of that country. And then to break her heart forever, the baby boy, who has begun to talk, starts to sing the Pepsi commercial he heard on T.V. No speak English, she says to the child who is singing in the language that sounds like tin. No speak English, no speak English, and bubbles into tears. No, no, no, as if she can’t believe her ears. CISNEROS, S. No Speak English. In: The house on Mango Street. Vintage Books USA, 1991. Sandra Cisneros é uma escritora americana de ascendência mexicana. Em No speak English, a autora aborda desafios enfrentados por latinos que migram para os EUA, tais como A. a dificuldade de assimilação e inserção em uma nova cultura. B. a crise identitária de crianças criadas em lares multiculturais. C. o problema da violência doméstica em lares de imigrantes. D. o conflito entre pessoas de idades e culturas diferentes. E. a intolerância contra falantes de línguas estrangeiras. Alternativa A Resolução: A) CORRETA – Mamacita tem dificuldade para se encontrar no novo país. Sente falta de casa e recusa-se a falar inglês. Além disso, a ideia de que seu bebê esteja aprendendo a língua a atormenta. Isso evidencia sua dificuldade para assimilar e se inserir na cultura estadunidense. B) INCORRETA – No conto, o bebê não aparenta estar passando por nenhuma crise identitária. Pelo contrário: logo que começa a falar, ele se mostra bastante alinhado com a cultura local, cantando uma música em inglês que ouvira na TV. É justamente isso que aflige Mamacita. C) INCORRETA – Embora o homem perca a paciência com a nostalgia de Mamacita e trate-a de forma ríspida, não se pode afirmar que haja uma intenção autoral de apontar, por meio disso, a existência de violência doméstica sistêmica em lares de imigrantes. Essa alternativa, na verdade, pode ser considerada falaciosa, pois parte do evento pontual relatado no texto para descrever um grupo social inteiro. D) INCORRETA – Embora Mamacita e o homem sejam de idades diferentes (pois ela é mãe dele), ambos vêm do mesmo país, portanto têm a mesma cultura. Logo, o aspecto descrito na alternativa não se aplica ao texto. E) INCORRETA – Tanto Mamacita quanto o homem são falantes nativos do espanhol. O homem inclusive começa sua frase com “¡Ay, caray!”, que é uma interjeição castelhana que demonstra enfado. Portanto, o espanhol não é uma língua estrangeira para ele, o que invalida a alternativa. QUESTÃO 05 Election 2015: Tory inheritance tax plan “about values” Chancellor George Osborne has said Conservative plans to remove family homes worth up to £1m from inheritance tax “supports the basic human instinct to provide for your children”. It means more owners of homes in the UK would be able to pass them on to their children without paying tax. EYN3 The policy is likely to be at the centre of the Tory election manifesto, which will be launched next week. Labour said the Tories had promised such a move before and did not deliver. Deputy leader Harriet Harman contrasted the idea with Labour’s plan for a “mansion tax”, saying “people face a big choice”. “It’s becoming clearer and clearer as we get to the election how actually the Tories are helping a few people – and we want everybody to be better off,” she told BBC One’s Andrew Marr Show. The £1bn cost of the Conservative policy will be paid for by reducing tax relief on the pension contributions of people earning more than £150,000, says the party. Disponível em: <http://www.bbc.com/news/election-2015-32271505>. Acesso em: 12 dez. 2017. [Fragmento] A notícia anterior, publicada na época das eleições britânicas de 2015, aborda uma proposta que constituía a base da campanha do Partido Conservador. Essa proposta previa A. a cobrança de taxas sobre transmissões de imóveis familiares de qualquer valor. B. a redução dos valores pagos a pensionistas que recebem acima de 150 000 libras anuais. C. a isenção de impostos na transferência de imóveis de até um milhão de libras por motivo de herança. D. a elevação dos valores pagos pelo governo britânico àqueles que necessitam de auxílio-moradia. E. o aumento do valor dos impostos pagos sobre os planos de aposentadoria de funcionários públicos. Alternativa C Resolução: A) INCORRETA – A proposta dos Tories não contempla a cobrança de impostos sobre a transferência de imóveis de qualquer valor, mas sim, ao contrário, a isenção da cobrança sobre a transferência de imóveis cujo valor seja inferior a um milhão de libras esterlinas. B) INCORRETA – Na última frase do texto, lê-se o seguinte: “The £1bn cost of the Conservative policy will be paid for by reducing tax relief on the pension contributions of people earning more than £150,000, says the party”. Isso quer dizer que, para compensar o ônus aos cofres públicos causado pela mudança na taxação da transferência de imóveis, o Partido Conservador pretende reduzir a desoneração fiscal das contribuições ao fundo de pensões feitas por indivíduos cuja renda supera as 150 mil libras por ano. Com a redução dessas desonerações, os contribuintes passarão a pagar mais para o governo. Portanto, não se trata de reduzir o valor pago aos pensionistas, mas de aumentar o valor da contribuição dos futuros aposentados. C) CORRETA – Nos dois primeiros parágrafos do texto, explica-se que o plano do Partido Conservador é aumentar para um milhão de libras o valor máximo para que um imóvel seja isento do “imposto sobre herança” (inheritance tax). D) INCORRETA – O texto não faz referência a auxílios- -moradia, logo não é possível fazer a afirmação da alternativa D. E) INCORRETA – O texto não faz qualquer menção ao plano de aposentadoria de funcionários públicos britânicos, portanto a afirmação da alternativa não é cabível. ENEM – VOL. 3 – 2018 LCT – PROVA I – PÁGINA 3BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS Questões de 01 a 45 Questões de 01 a 05 (opção espanhol) QUESTÃO 01 Entrevista con Mario Benedetti Clárin: Hay un libro suyo que lleva por título La vida ese paréntesis [...] Y dentro de su paréntesis personal, ¿hay cosas de las que se arrepienta, algo que hubiera querido hacer de manera diferente? Mario Benedetti: Y sí, claro que sí, me he equivocado en muchas cosas. A veces me arrepiento de haber publicado un poema, no por cuestiones políticas, sino porque hoy lo veo y no creo que esté bien. Me he equivocado en haber publicado libros que todavía no estaban suficientemente maduros. Y en la vida misma también hay arrepentimientos. Hubiera deseado ser un joven más feliz, menos prejuicioso, menos ensimismado... También me arrepiento bastante de lo que fue mi actividad política, que en un momento fue muy intensa. Yo fui dirigente del Frente Amplio, pero a medida que iba pasando el tiempo advertí que no tenía la menor vocación para dirigente político, sí para militancia independiente, fuera del aparato partidario. Finalmente llegué a la conclusión de que podía tener una incidencia política mucho mayor a través de la literatura. Puede ser que me haya equivocado en muchas cosas, pero en lo que no me he equivocado es en mantener cierta coherencia política. A pesar de algunos errores circunstanciales, creo que volvería por el mismo camino aunque tal vez no con los mismos pasos, para no meter la pata. MARTINEZ, Ezequiel. Disponívelem: <http://edant.clarin.com/ diario/especiales/benedetti/nota1.htm>. Acesso em: 03 mar. 2015 (Adaptação). No trecho da entrevista ao jornal Clarín, o escritor e jornalista uruguaio Mario Benedetti afirma que se arrepende de ter A. escolhido as profissões de escritor e jornalista. B. provocado muitos prejuízos na juventude. C. publicado opiniões políticas em seus poemas. D. sido incoerente em suas concepções políticas. E. vivido momentos de intensa militância política. Alternativa E Resolução: No texto, Benedetti diz ter se arrependido de sua atividade política, pois percebeu com o tempo, que não tinha vocação para a militância partidária, e sim, para a militância independente por meio da literatura, o que torna correta a alternativa E. A alternativa A está incorreta porque no texto não há menção ao escritor ter se arrependido de sua atividade profissional. A alternativa B está incorreta porque ela explora a palavra “prejuicioso”, um falso cognato que em espanhol significa “preconceituoso”, de modo que o escritor declarou que gostaria de ter sido menos preconceituoso, e não que se arrepende de ter causado prejuízos na juventude. A alternativa C está incorreta, pois Benedetti acredita que sua vocação é a militância política por meio da literatura. Por fim, a alternativa D está incorreta porque o escritor afirma que manteve sua coerência política com apenas alguns erros circunstanciais. JRØD QUESTÃO 02 Retrato No tenía este rostro que tengo tan calmo, tan triste, tan magro, ni estos ojos tan vacíos, ni el labio amargo. No tenía estas manos sin fuerza, tan paradas, tan frías, tan muertas. No tenía este corazón que ni se muestra. Y no entiendo esta mudanza, tan simple, tan cierta, tan fácil. ¿En qué espejo se perdió mi rostro grácil? MEIRELES, C. Disponível em: <http://www.letrasenlinea.cl>. Acesso em: 24 out. 2017. Nesse poema de Cecília Meireles, o eu lírico faz um retrato de si próprio, A. comparando seu rosto com o de pessoas mais fortalecidas, que passaram pelas mesmas transformações. B. constatando as mudanças e transformações psicológicas e físicas pelas quais passou ao longo dos anos. C. compreendendo as mutações físicas e emocionais trazidas pelas experiências vivenciadas ao longo da vida. D. aceitando a fragilidade de seu corpo e o semblante magro e triste de seu rosto precocemente envelhecido. E. repudiando, assombrada, as transformações físicas e emocionais vivenciadas, perceptíveis em seu corpo e atitude. Alternativa E Resolução: O eu lírico do poema tem um posicionamento de repúdio e assombro diante das transformações que nota em seu corpo e em sua atitude, que podem ser percebidos na não aceitação constante de suas mudanças explicitadas nos trechos: “No tenía ...”, “Y no entiendo esta mudanza” e “¿En qué espejo se perdió mi rostro grácil?”. Portanto, a alternativa correta é a E. A alternativa A está incorreta porque o eu lírico se compara a si mesmo no passado e não com outras pessoas. A alternativa B está incorreta porque o eu lírico faz um retrato de si próprio não constatando apenas, mas rejeitando as mudanças, com as quais se entristece. As alternativas C e D estão incorretas porque o eu lírico não aceita nem compreende sua transformação. QUESTÃO 03 Tareas diarias para mantener el orden en casa 1. Deja la cama hecha siempre antes de salir de casa. ¡Qué feo queda volver de trabajar y ver la cama revuelta! 2. Recoge la mesa después de cada comida, nada más terminar. No te recuestes en el sofá antes de hacer eso. Luchar contra la pereza es duro. 3. Recoge la cocina. No basta con recoger la mesa y dejar todos los platos en la cocina. El fregadero no es un contenedor. Así que rápidamente los platos al lavavajillas. TKH1 LONV LCT – PROVA I – PÁGINA 4 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO 4. Antes de salir de una habitación, si ya has terminado lo que estabas haciendo, echa un vistazo y recógela. 5. Dobla y guarda la ropa en los armarios, tanto la que has llevado puesta ya aireada como si recoges el tendedero. Si amontonas en una silla, la montaña crecerá. 6. Plantéate hacer una tarea de la casa al día. Poner una lavadora, planchas, limpiar el polvo, ir a la compra… Solo una por día para no acumularlas todas. [...] 7. Tira la basura. No la acumules. 8. Planifica las comidas del día siguiente. Dedica unos días a pensar qué comerás y cenarás al día siguiente. Mira el interior de tu nevera para ver qué corre el riesgo de estropearse en su interior y aprovéchalo. Disponível em: <http://www.micasarevista.com>. Acesso em: 26 jan. 2016. [Fragmento] Para manter a ordem em uma casa, algumas tarefas diárias são necessárias. Entre essas atividades, a autora do texto sugere A. realizar todas as tarefas em um único dia da semana para ter mais tempo livre. B. dobrar e empilhar as roupas em uma cadeira de maneira para que não fiquem espalhadas. C. recolher a mesa após as refeições mesmo que a louça não seja lavada no mesmo dia. D. guardar a vassoura e os demais materiais de limpeza para que não fiquem acumulados. E. planejar a alimentação do dia seguinte para que os alimentos não estraguem na geladeira. Alternativa E Resolução: A alternativa correta é a E, como pode ser confirmado no oitavo tópico do texto, o qual afirma que devemos planejar as refeições do dia seguinte e conferir a geladeira para não correr o risco de que algum alimento estrague. A alternativa A está incorreta porque as tarefas apresentadas devem ser realizadas escalonadamente. A alternativa B está incorreta, pois as roupas devem ser guardadas no armário, evitando colocá-las em uma cadeira para que não fiquem amontoadas. A alternativa C está incorreta, pois deve-se colocar a louça na lava-louça logo após tirar a mesa. A alternativa D está incorreta, pois o texto não se refere a materiais de limpeza e onde guardá-los. QUESTÃO 04 Chicos en las redes o cómo huir de los adultos Perfiles paralelos, lenguaje en código, identidades falsas: en Internet los adolescentes construyen un mundo propio y alejado de la mirada adulta. Daniela Lepiscope no entendía por qué cuando entraba al perfil que Valentina tiene en Instagram le aparecían en la pantalla comentarios y fotos que ella no reconocía como de su hija. “Es que le presté mi usuario a Paz y ella me prestó el suyo. Lo hicimos porque yo bardeo mejor”, fue la respuesta casi crítica de la adolescente de 12 años. “¿Bardeo mejor? Te dije que por las redes no quiero que insultes porque queda horrible”, le recordó Daniela. “Ay, má, bardear no es insultar. Es responder de forma sagaz”, retrucó. Además de prestarles su usuario a las amigas, donde adoptan la identidad – al menos virtual – de la otra, Valentina también le contó a su mamá que inventa perfiles de gente que no existe para llamar la atención de unos chicos que juegan al rugby y que cambia la contraseña de acceso a su perfil de Instagram y Snapchat casi a diario. Daniela la escucha con atención y trata de comprender un poco más acerca de ese universo que habita su hija en Internet y del que ella está prácticamente excluida. Disponível em: <http://www.elpais.com.uy>. Acesso em: 02 mar. 2017. [Fragmento] O texto evidencia o quão particular se tornou o universo dos jovens e adolescentes após o advento da Internet. Ao usar a estrutura “Ay, má, bardear no es insultar. Es responder de forma sagaz”, a filha mostra-se A. impaciente com a falta de conhecimento da mãe. B. irônica perante o desejo da mãe de criar um perfil. C. compreensiva com o interesse exposto pela mãe. D. surpresa com as limitações apresentadas pela mãe. E. orgulhosa por saber mais sobre a Internet que sua mãe. DSTQ ENEM – VOL. 3 – 2018 LCT – PROVA I – PÁGINA 5BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO Alternativa A Resolução: A alternativa correta é a A, como pode ser confirmado na sexta linha do primeiro parágrafo: “responder de forma sagaz”, “retrucó”. O uso do verbo “retrucar” comprova a impaciênciada filha com o desconhecimento da mãe sobre o vocabulário referente à Internet e às redes sociais. A alternativa B está incorreta porque a mãe não manifesta desejo de ter um perfil, mas sim de compreender um pouco mais sobre o universo da filha. A alternativa C está incorreta, pois de acordo com o texto, a filha responde à mãe de forma ríspida nas duas ocasiões mencionadas no primeiro parágrafo. A alternativa D está incorreta, pois a filha não se mostra surpresa, mas sim impaciente e arredia ao interesse da mãe. A alternativa E está incorreta porque a filha não se vangloria por saber mais que a mãe em nenhum momento do texto. QUESTÃO 05 Las cosas El bastón, las monedas, el llavero, la dócil cerradura, las tardías notas que no leerán los pocos días que me quedan, los naipes y el tablero, un libro y en sus páginas la ajada violeta, monumento de una tarde sin duda inolvidable y ya olvidada, el rojo espejo occidental en que arde una ilusoria aurora. ¡Cuántas cosas, láminas, umbrales, atlas, copas, clavos, nos sirven como tácitos esclavos, ciegas y extrañamente sigilosas! Durarán más allá de nuestro olvido; no sabrán nunca que nos hemos ido. BORGES, J. L. Disponível em: <http://marcelosaraceno.tripod.com>. Acesso em: 16 jun. 2017. O poema de Jorge Luis Borges fala sobre diversas coisas e objetos. Nele, o foco do autor está direcionado para a(o) A. admiração causada por conseguirmos desapegar-nos de todos os bens materiais que adquirimos quando chegamos ao fim da vida. B. estranheza causada pelas pessoas que possuem muitas coisas sem verdadeira utilidade, visto que nada levaremos no momento da morte. C. assombro causado por possuirmos muitas coisas que têm significado e utilidade para nós, enquanto elas, por natureza, ignoram nossa existência. D. vaidade causada pela percepção de que nós, seres humanos, possuímos a crença egocêntrica de que temos direito sobre todas as coisas. E. ódio causado pela constatação de que somos mortais, enquanto todas as coisas e objetos dos quais nos servimos sobreviverão à nossa existência. Alternativa C Resolução: A alternativa correta é a C, pois o foco do autor está direcionado para o assombro devido ao fato de que todas as diversas coisas que possuímos não têm a menor consciência de nossa existência. As alternativas A, D e E são incorretas porque não é possível afirmar com base no poema que o autor sinta admiração, vaidade ou ódio no tocante aos objetos e a nossa relação com eles. A alternativa B é incorreta porque não é possível afirmar que os objetos citados não tenham verdadeira utilidade. Além disso, o tom predominante do poema é de assombro e reflexão acerca da relação dos seres com os objetos. NMAD LCT – PROVA I – PÁGINA 6 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO QUESTÃO 06 A presidente do Conselho Federal de Fonoaudiologia, Thelma Costa, comentou o tema da redação do Enem de 2017 – “Desafios para a Formação Educacional de Surdos no Brasil”. Segundo ela, o assunto da inclusão deveria ser debatido por todos, inclusive porque o deficiente auditivo faz parte da comunidade escolar, como qualquer pessoa com deficiência. “Os desafios são vários, porque existe a questão da formação do professor. O aluno, seja surdo ou com qualquer deficiência, é colocado na sala de aula, mas não é incluído. É muito mais fácil incluir pessoas com deficiência física, mas com relação ao surdo, é preciso ter um intérprete e uma maneira diferente de dar aula. É um desafio”, disse. O preconceito existe, ainda, na própria pessoa com deficiência auditiva. “A primeira pergunta que ela faz é se o aparelho vai aparecer. Como se, desaparecendo o aparelho, desaparece o problema. Isso é preconceito da própria pessoa. E a gente pergunta: ‘Mas você usa óculos? Qual é a dificuldade e a diferença?’”, acrescentou a especialista. VERDÉLIO, A. Hoje em dia, 12 nov. 2017. [Fragmento adaptado] A coesão textual é responsável por estabelecer relações entre as partes do texto. No trecho “desaparece o problema”, há uma inadequação entre o verbo e o seu modo verbal, ao se considerar a oração anterior, pois a A. ideia de suposição deixa de ser realçada. B. noção de consequência se torna incoerente. C. certeza da conclusão da ação deixa de existir. D. ação passa a ser representada como habitual. E. realização da ação passa a acontecer no passado. Alternativa A Resolução: Analisando o período “Como se, desaparecendo o aparelho, desaparece o problema”, identifica-se a ideia de hipótese que se pretende imprimir, já que o problema desapareceria caso o aparelho não ficasse exposto. Essa ideia é registrada pelo conectivo “se”. Nesse sentido, o tempo verbal que se relaciona com o verbo da oração “desaparecendo o aparelho” – que também poderia ser redigida “quando desaparecer” ou “ao desparecer” – é o pretérito imperfeito do modo subjuntivo: “desaparecesse”. Da maneira que foi proferida a frase no texto, perde-se a ideia de suposição, a qual deveria ser realçada. Portanto, está correta a alternativa A. A alternativa B está incorreta porque não há noção de consequência no texto, e sim conformidade, a qual denota suposição. A alternativa C está incorreta porque, mesmo grafando-se “desaparece” ou “desaparecesse”, ainda assim, não há certeza da conclusão da ação, já que ela ocorre num plano hipotético. A alternativa D está incorreta porque, mesmo que o tempo verbal de “desaparece”, presente do modo indicativo, possa denotar uma ação habitual, não há essa noção na frase, já que se trata de uma suposição. Por fim, a alternativa E está incorreta porque, sendo uma ação hipotética, ela aconteceria no futuro. FQG8 QUESTÃO 07 Disponível em: <http://revistagalileu.globo.com>. Acesso em: 13 dez. 2017. É usual, na Internet, a apropriação de diferentes gêneros para a composição de um novo texto. No meme anterior, o humor é alcançado por meio de A. conectivo aditivo com valor semântico de conclusão. B. hipérbole na quantidade de amigos virtuais dos usuários. C. descrição da atitude de alguns usuários de redes sociais. D. surpresa da personagem com a quantidade de amigos virtuais. E. fusão da reação da personagem com a insatisfação no texto verbal. Alternativa E Resolução: No meme, o autor posiciona-se criticamente acerca do comportamento de alguns usuários em redes sociais, os quais seriam contraditórios ao dizer que “amigo a gente conta no dedo” – significando que são poucos os amigos – e marcar um número altíssimo de pessoas. Essa crítica é percebida por meio da combinação dos elementos verbais e não verbais do texto: respectivamente a descrição do que fazem alguns usuários e o semblante contrariado do homem, a personagem Seu Madruga, do seriado de TV Chaves. Portanto, está correta a alternativa E. As demais alternativas não interpretam corretamente o texto ou não apontam o elemento gerador de humor. A alternativa A está incorreta porque o conectivo aditivo “e” apresenta valor semântico de oposição. A alternativa B está incorreta porque, mesmo que haja hipérbole em “58 pessoas”, o humor do meme só é alcançado por meio da fusão dos elementos verbo-visuais. A alternativa C está incorreta porque somente a descrição da atitude de alguns internautas não gera humor no texto. Finalmente, a alternativa D está incorreta porque a expressão da personagem não representa surpresa pelo alto número de amigos, mas insatisfação com o comportamento contraditório dos usuários. QUESTÃO 08 Os rios, de tudo o que existe vivo, vivem a vida mais definida e clara; para os rios, viver vale se definir e definir viver com a língua da água. O rio corre; e assim viver para o rio vale não só ser corrido pelo tempo: o rio o corre; e pois que com sua água, viver vale suicidar-se, todo o tempo. MELO NETO, J. C. Disponível em: <http://amoraroxa.blogspot.com.br>. Acesso em: 14 dez. 2017. [Fragmento] OKXW HO3Q ENEM – VOL. 3 – 2018 LCT – PROVA I – PÁGINA 7BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINONo penúltimo verso do fragmento anterior, as duas ocorrências do vocábulo “o” podem ser classificadas, respectivamente, quanto à classe gramatical como A. artigo definido e pronome relativo. B. artigo definido e pronome pessoal. C. pronome relativo e pronome relativo. D. pronome relativo e pronome pessoal. E. pronome pessoal e pronome pessoal. Alternativa B Resolução: No verso “o rio o corre; e pois que com sua água”, a primeira ocorrência do vocábulo “o” é classificada como artigo definido masculino, pois determina o substantivo masculino “rio”, antecedendo-o. Já a segunda ocorrência é classificada como pronome pessoal oblíquo, pois substitui o termo “tempo”, visto no verso anterior, assumindo função sintática de objeto direto. Portanto, a alternativa correta é a B. QUESTÃO 09 Os cientistas Jeffrey C. Hall, Michael Rosbash e Michael W. Young ganharam na segunda-feira o Prêmio Nobel de Medicina de 2017 “por descobrirem os mecanismos moleculares que controlam o ritmo circadiano”, os fenômenos biológicos que ocorrem ritmicamente por volta da mesma hora do dia, como o sono. Suas descobertas, de acordo com o júri, explicam como as plantas, os animais e as pessoas sincronizam seus ritmos biológicos com as voltas do planeta Terra. Hall (Nova Iorque, 1945), Rosbash (Kansas City, 1944) e Young (Miami, 1949) utilizaram moscas da fruta em 1984 para isolar um gene que controla o ritmo biológico normal. Suas pesquisas mostraram que esse gene codifica uma proteína que se acumula nas células durante a noite e se degrada durante o dia, como detalha um comunicado do Instituto Karolinska de Estocolmo, responsável pela premiação. Depois, identificaram mais componentes do relógio interno, que também funciona nas células de outros organismos multicelulares, como os seres humanos. Disponível em: <https://brasil.elpais.com>. Acesso em: 13 dez. 2017. [Fragmento] Considerando as informações apresentadas, verifica-se que o excerto tem como um de seus objetivos A. mostrar a importância de um prêmio Nobel para a sociedade. B. explicar o projeto ganhador do Nobel de Medicina do ano 2017. C. exemplificar caminhos para o reconhecimento científico internacional. D. defender pesquisas e investimentos nas áreas medicinal e acadêmica. E. enaltecer os cientistas ganhadores para a valorização de conquistas pessoais. W336 Alternativa B Resolução: O texto jornalístico noticia quem são os ganhadores do Prêmio Nobel de Medicina de 2017, bem como qual projeto desenvolveram. Nesse sentido, dada a grande repercussão por trás da premiação anual, o texto, em especial o fragmento analisado, tem como objetivo explicar o projeto ganhador e sua relevância, uma vez que o público-alvo do veículo é constituído por pessoas cujo conhecimento acerca do tema é superficial. Assim, está correta a alternativa B. A alternativa A está incorreta porque o texto não aponta os supostos benefícios da premiação para a sociedade. A alternativa C está incorreta porque o texto não expõe maneiras de se adquirir reconhecimento científico internacional, mas explica e descreve o trabalho dos cientistas estadunidenses. A alternativa D está incorreta porque o texto foca apenas no projeto ganhador do Prêmio Nobel de Medicina de 2017, sem juízo de valor sobre pesquisas e investimentos nas áreas medicinal e acadêmica. Por fim, a alternativa E está incorreta porque o texto não enaltece os cientistas ganhadores por causa de suas conquistas pessoais, mas por causa da contribuição do projeto para a sociedade. QUESTÃO 10 Vira e mexe o dinheiro toma na moleira: é o pai da desigualdade, mãe da injustiça, filho da ganância, irmão da discórdia, tio do ressentimento, primo (por afinidade) da desilusão. Mas ouso afirmar que há um outro ativo muito mais injusto, pernicioso e mal distribuído a fustigar nossa miserável humanidade: a beleza. A beleza é congênita, aleatória e não meritocrática. Num país minimamente igualitário (não me refiro ao Brasil, claro), um pobre que se esforce bastante tem chances de acabar rico. Já um bebê que vier ao mundo com nariz de Nosferatu, orelhas de Dumbo e dentição do Shrek vai morrer tão feio quanto nasceu. O estado de bem-estar social, a ONU, George Soros ou o Médicos Sem Fronteiras são impotentes diante do feio. O cineasta Luis Buñuel começa sua autobiografia dizendo que ao chegar aos 80 sentiu uma paz inédita. A partir dali, ao cruzar com uma mulher deslumbrante, seguia impávido: estava livre da beleza. Ao contrário do dinheiro que, durante o século XX, aos trancos e barrancos, aqui e ali, foi sendo mais bem distribuído, a beleza concentrou-se. Antes das revistas, do cinema, da televisão, da Internet, a mais bonita do vilarejo era a mais bonita do mundo. Cada cafundó tinha seu Brad Pitt, sua Gisele. Chineses se mediam pelos padrões chineses, Yanomami pelos padrões Yanomami, congoleses pelo congolês. Agora todo mundo é feio, só o Brad Pitt e a Gisele é que não. Pior, mesmo o Brad Pitt e a Gisele são vítimas do esteticismo selvagem: a cada dia que passa, a cada hora, a cada minuto, se afastam do Brad Pitt e da Gisele que foram. O rico velho, se souber aplicar o dinheiro, fica mais rico, mas não existe aplicação para a beleza. M6GB LCT – PROVA I – PÁGINA 8 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO Aí vem o século XXI, império do Photoshop e chegamos à miséria absoluta. Até o ser humano considerado mais belo só será belo nas fotos, com filtro, na tela de um celular. Concentramos tanto a beleza que acabamos por extingui-la – o que não deixa de ser, de um modo estranho, certa forma de justiça. PRATA, A. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br>. Acesso em: 13 nov. 2017. [Fragmento] No fragmento, o autor mistura fatos e opiniões para compor seu projeto argumentativo. A passagem em que o teor factual prevalece é: A. “A beleza é congênita, aleatória e não meritocrática.” B. “O estado de bem-estar social, a ONU, George Soros ou o Médicos Sem Fronteiras são impotentes diante do feio.” C. “A partir dali, ao cruzar com uma mulher deslumbrante, seguia impávido: estava livre da beleza.” D. “Antes das revistas, do cinema, da televisão, da Internet, a mais bonita do vilarejo era a mais bonita do mundo.” E. “Aí vem o século XXI, império do Photoshop e chegamos à miséria absoluta.” Alternativa C Resolução: Na passagem “A partir dali, ao cruzar com uma mulher deslumbrante, seguia impávido: estava livre da beleza”, o autor apenas relata o que leu na autobiografia do cineasta Luis Buñuel. Assim, não há juízo de valor, já que o fragmento não é opinativo, mas factual. A alternativa correta, então, é a C. Nas passagens das outras alternativas, o caráter opinativo do texto é preponderante, uma vez que o posicionamento do autor é marcado, principalmente, pelo uso dos verbos de ligação “é” e “são”, e dos adjetivos “congênita”, “impotente”, “bonita” e “absoluta”, entre outros. Dessa forma, a principal diferença entre os trechos das alternativas é que na C o autor não exprime sua opinião, já que usa as palavras de outrem em seu relato. QUESTÃO 11 Foi coisa tão nova e tão desusada aos olhos humanos a semelhança daquele fero e espantoso monstro marinho que nesta província se matou no ano de 1564, que ainda por muitas partes do mundo se tenha já notícia dele, não deixarei, todavia, de dar aqui outra vez de novo [...]. Era quinze palmos de comprido e semeado de cabelos pelo corpo, e no focinho tinha umas sedas mui grande como bigodes. Os índios da terra chamam em sua língua iupiara, que quer dizer demônio-d’água. Alguns como estes se viram já nestas partes, mas acham-se raramente. E assim também deve de haver outros muitos monstros de diversos pareceres, que no abismo desse largo e espantoso mar se escondem, de não menos estranheza e admiração; e tudo se pode crer por difícil que pareça; porque os segredos da natureza não foram revelados todos ao homem, para que com razão possonegar, e ter por impossível as coisas que não viu, nem de que nunca teve notícia. GÂNDAVO, P. M. História da província de Santa Cruz. São Paulo: Hedra, 2008. p. 117-119. 9P4D As primeiras cartas de viagem registraram a então Terra de Santa Cruz e seus habitantes por meio de relatos, muitas vezes, imaginários. Imagens de mitos de origem medieval ou clássica aparecem conjugadas com descrições de elementos provenientes da cultura indígena, o que possibilita acreditar que os A. interesses da Coroa portuguesa em receber informações objetivas foram relevados pelos escrivães, tão somente dedicados a descrever o comportamento grotesco dos nativos. B. viajantes escreveram por analogia ao associar o desconhecido a ideias que já faziam parte da tradição ocidental e sistematizaram, desse modo, o conhecimento sobre o Novo Mundo. C. registros são documentos inverídicos produzidos para denegrir as crenças dos nativos no anseio de deslegitimá-los perante os europeus e possibilitar a sua rápida extinção. D. habitantes nativos se comportavam de maneira muito semelhante aos povos estrangeiros, estando a cultura indígena e a cultura europeia associadas intimamente uma à outra. E. documentos pertencentes à literatura de viagem, inéditos até o início do século XX, foram modificados na publicação para se tornarem mais interessantes ao público leitor da época. Alternativa B Resolução: Os registros feitos ao longo das Grandes Navegações refletem as crenças dos europeus, que, muito religiosos e supersticiosos, projetavam suas tradições nos acontecimentos que não conseguiam explicar. Um exemplo no texto de Pero de Magalhães Gândavo é o nome dado à criatura misteriosa, “demônio”, num óbvio sincretismo com o cristianismo. Portanto, está correta a alternativa B. A alternativa A está incorreta porque no fragmento não há descrição dos hábitos dos indígenas, os quais também não são tidos como grotescos. A alternativa C está incorreta porque o texto carece de alteridade, no entanto não foi produzido com o intuito de denegrir a cultura indígena ou promover sua extinção. A alternativa D está incorreta porque os povos ameríndios e os europeus apresentavam e ainda apresentam diferenças em vários âmbitos sociais, políticos, culturais, religiosos. Finalmente, a alternativa E está incorreta porque os textos não permaneceram inéditos nem foram modificados antes de sua publicação. QUESTÃO 12 Pesadão Vou reerguer o meu castelo Ferro e martelo Reconquistar o que eu perdi Eu sei que vão tentar me destruir Mas vou me reconstruir Vou ‘tá mais forte que antes Quando a maldade aqui passou E a tristeza fez abrigo Luz lá do céu me visitou EIHN ENEM – VOL. 3 – 2018 LCT – PROVA I – PÁGINA 9BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO E fez morada em mim Quando o medo se apossou Trazendo guerra sem sentido A esperança aqui ficou Segue vibrando E me fez lutar para vencer LIMA, I.; FALCÃO, M.; BISPO, P. Pesadão. In: Pesadão. Download digital. Warner, 2017. [Fragmento] Na letra da canção, o verso que se inicia por conjunção que estabelece elo conectivo com a oração que o sucede é: A. “Mas vou me reconstruir”. B. “Quando a maldade aqui passou”. C. “E a tristeza fez abrigo”. D. “E fez morada em mim”. E. “E me fez lutar para vencer”. Alternativa B Resolução: Analisando a estruturação das orações na letra, vê-se que o verso da alternativa B faz parte do período “Quando a maldade aqui passou / e a tristeza fez abrigo”, relacionando-se, então, com a oração do verso seguinte por meio da conjução “quando”. Portanto, essa é a alternativa correta. Analisando esses mesmos versos, vê-se que a conjunção “e” em “E a tristeza fez abrigo”, na alternativa C, impõe sentido de adição com a oração anterior, por isso está incorreta. A alternativa A está incorreta porque a conjunção “mas” traz sentido de oposição à oração anterior: “Eu sei que vão tentar me destruir”. Já as alternativas D e E estão incorretas porque a conjunção “e” também traz sentido de adição com as orações anteriores, quais sejam, respectivamente, “Luz lá do céu me visitou” e “Segue vibrando”. QUESTÃO 13 TEXTO I Flores Olhei até ficar cansado De ver os meus olhos no espelho Chorei por ter despedaçado As flores que estão no canteiro Os pulsos e os punhos cortados E o resto do meu corpo inteiro. Há flores cobrindo o telhado E embaixo do meu travesseiro Há flores por todos os lados Há flores em tudo que eu vejo GAVIN, Charles; MIKLOS, Paulo; BRITTO, Sérgio; BELLOTTO, Tony. Flores. In: Titãs. Õ Blésq Blom. LP. WEA, 1989. [Fragmento] NBYA TEXTO II No intento de compreendermos melhor acerca desta organização, basta concluirmos que toda manifestação literária é fruto resultante da visão do homem de acordo com o mundo que o rodeia, que diz respeito ao conteúdo, ou seja, o produto artístico em si, materializado por meio de uma técnica e uma estilística próprias (forma). Partindo desse pressuposto, os gêneros literários, segundo a concepção aristotélica proposta na Grécia Antiga (384-322 a.C.), foram classificados em lírico, dramático e épico. Atualmente, como o gênero épico praticamente foi extinto, prefere-se dividi-los em lírico, dramático e narrativo [...], cada qual com suas características que lhes são peculiares [...]. DUARTE, V. M. N. Disponível em: <www.alunosonline.com.br>. Acesso em: nov. 2014 (Adaptação). Considerando o que o texto II expressa sobre os gêneros literários e as características da canção dos Titãs, o gênero do texto I envolve, principalmente, A tema ligado diretamente à representação de um acontecimento, envolvendo viagens, aventuras, gestos heroicos e exaltação de feitos. B presença de um narrador que conta uma história de terceiros, mostrando a história de um povo ou de uma nação. C narrativa informal, que capta flagrantes da vida com um toque de sarcasmo, apresentando uma história completa, com personagens, conflito e temporalidade. D manifestação de um eu lírico que se expressa por meio dos elementos que acabam tomando suas características. E conflitos dos homens e de seu mundo, expondo manifestações da miséria humana, com o intuito de serem dramatizadas em cena. Alternativa D Resolução: O texto I é a letra de uma canção da banda Titãs, portanto pode ser compreendido como um texto literário, uma vez que compartilha inúmeras características com textos poéticos. Nesse sentido, sendo representante do gênero lírico, a letra dá vazão aos sentimentos e impressões da voz poética em um texto permeado de linguagem figurada, cuja intenção não é retratar o mundo exterior, mas aquele íntimo e concernente apenas ao autor. Está correta, portanto, a alternativa D. A alternativa A está incorreta porque o texto não representa acontecimento algum, apenas aquilo que sente o eu lírico. A alternativa B está incorreta porque não há narrador no texto, mas sim um eu lírico, o qual não conta história de outrem. A alternativa C está incorreta porque, novamente, não se trata de uma narração, mas de um texto lírico. A alternativa E, por fim, está incorreta porque o texto não trata de sentimentos universais ao ser humano, mas de percepções íntimas da voz poética. LCT – PROVA I – PÁGINA 10 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO QUESTÃO 14 Atualmente a população e os órgãos públicos têm exercido um papel fundamental na construção de uma sociedade sustentável, entendendo a importância da sustentabilidade e pressionando as organizações a se posicionarem perante as ações de sustentabilidade empresarial. Muitas organizações não aderem a projetos sustentáveis devido à delonga do retorno financeiro, porém esse cenário está mudando, as empresas estão repensando seus valores e, para Elson Aparecido dos Santos, Coordenador de Utilidades na Unilever e pós-graduado em Gestão da Sustentabilidade e Responsabilidade Corporativa na Unicamp, “as iniciativas com o viés de sustentabilidade estão sendo colocadas como prioridade independentedo benefício financeiro. Isso certamente será uma tendência por conta do grande momento que vivemos e dos compromissos assumidos pelos governantes do mundo para reduzir os impactos ambientas, mantendo o crescimento da economia”. Com essa evolução vemos que as organizações de origem privada e pública precisam tornar visíveis os projetos de sustentabilidade nos quais estão engajadas para que essas ações gerem credibilidade significativa frente à opinião pública. MIOTO, D.; MUNIZ, S. Disponível em: <https://portal.metodista.br>. Acesso em: 21 out. 2017. [Fragmento] Com base na argumentação construída, o texto apresenta uma proposta de intervenção para o problema da sustentabilidade nas organizações, que consiste em A. proporcionar transparência para os projetos de sustentabilidade. B. associar a sustentabilidade ao lucro para atrair as organizações. C. possibilitar a evolução das empresas para justificar os projetos. D. mobilizar a opinião pública em favor das empresas privadas. E. fomentar as parcerias entre empresas públicas e privadas. Alternativa A Resolução: Após apresentarem o problema de muitas organizações que não aderiram a projetos sustentáveis devido aos valores da empreitada, no último parágrafo os autores propõem como solução que as organizações de origem privada e pública deem visibilidade aos projetos de sustentabilidade para que essas ações gerem credibilidade significativa frente à opinião pública. Está correta, portanto, a alternativa A. A associação da sustentabilidade ao lucro para atrair as organizações, proposta em B, está incorreta porque a argumentação se desenvolve em torno de modificar os valores das empresas que somente esperam o lucro para uma visão sustentável. A alternativa C está incorreta porque a solução proposta também não consiste em possibilitar a evolução das empresas para justificar o projeto, mas sim em proporcionar visibilidade para eles. Não há indícios no texto que permitam a inferência de uma mobilização da opinião pública em favor das empresas privadas, e sim em favor da sustentabilidade, o que torna incorreta a alternativa D. Por fim, embora sejam citadas as empresas públicas e privadas, não se propõe parceria alguma entre elas, o que invalida a alternativa E. FF45 QUESTÃO 15 Reza a metáfora que, se você joga o sapo na água fervendo, ele pula fora, mas se você joga na água fria e vai esquentando a água aos poucos, ele não percebe e morre cozido. Pura lenda urbana (na verdade, rural – dificilmente você encontrará sapos pra ferver na cidade). Recentemente, biólogos fizeram o teste e descobriram que o sapo, ao perceber que está virando caldo, pula fora da panela, estragando ao mesmo tempo a sopa e a metáfora. Malditos biólogos. Que obsessão em estragar metáforas. A parábola servia muito bem para explicar um fenômeno tão comum quanto difícil de entender: por que as pessoas demoram tanto a pular fora de casamentos falidos, empregos deprimentes e governos autoritários. O ser humano demora pra perceber que a água está fervendo – e inventou a metáfora do sapo, coitado, logo ele que é tão melhor que a gente na sensibilidade à fervura. Seria mais justo se os sapos usassem, entre eles, a metáfora do humano. A água está esquentando, pessoal. E tem sapo achando que é jacuzzi. DUVIVIER, G. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br>. Acesso em: 13 nov. 2017. [Fragmento] No fragmento anterior, a partir da análise das tipologias textuais que o compõem, identifica-se como objetivo comunicativo central do autor A. defender um ponto de vista crítico sobre a lenta percepção das sociedades. B. descrever o contexto social atual que ilustra a parábola acerca dos sapos. C. expor a recente pesquisa científica que derrubou a metáfora dos sapos. D. relatar uma já superada crença popular acerca do comportamento dos sapos. E. sugerir que os brasileiros devem ser mais perspicazes ao tomarem decisões. Alternativa A Resolução: O texto apresenta caráter dissertativo- -argumentativo, assim o objetivo central do autor é a exposição de um fato ou ideia e a defesa de um ponto de vista. No trecho “A parábola servia muito bem para explicar um fenômeno tão comum quanto difícil de entender: por que as pessoas demoram tanto a pular fora de casamentos falidos, empregos deprimentes e governos autoritários. O ser humano demora pra perceber que a água está fervendo”, o autor se posiciona a respeito da percepção das pessoas nas sociedades, afirmando que elas, como o sapo da metáfora, demoram a assumir que as coisas andam ruins – ou mesmo nunca assumem. Portanto, está correta a alternativa A. A alternativa B está incorreta porque não há descrição de contexto social algum no fragmento, mas a exposição de situações análogas à parábola do sapo, segundo o autor: “casamentos falidos, empregos deprimentes e governos autoritários”. A alternativa C está incorreta porque o texto se limita a mencionar a pesquisa de biólogos que comprovam que os sapos pulam fora da panela ao perceberem que a temperatura da água está esquentando. A alternativa D está incorreta porque o texto não afirma que a parábola dos sapos já é compreendida como falsa pela população em geral. P9LS ENEM – VOL. 3 – 2018 LCT – PROVA I – PÁGINA 11BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO Por sua vez, a alternativa E está incorreta porque o autor sugere, na verdade, que os brasileiros tenham mais iniciativa para reagir a situações desfavoráveis, e não na tomada de decisões. QUESTÃO 16 IAT, a sigla inglesa para Teste de Associação Implícita, é o nome da técnica que revolucionou os estudos sobre o preconceito. Ao avaliar a facilidade com que associamos categorias como negros, gays, gordos, velhos etc. a conceitos positivos e negativos, ela permite não apenas acessar o inconsciente como também medir nosso grau de preconceito implícito, isto é, aquele que não admitimos nem para nós mesmos. E o que o IAT revela sobre o preconceito contra idosos? Há na discriminação etária um par de paradoxos bem intrigantes. Para começar, há a constatação de que, apesar de não se ter notícia de discursos de ódio ou mesmo de hostilidades sistemáticas contra idosos, o preconceito em relação a esse grupo é forte e disseminado. Quando medido pelo IAT, apenas 6% dos norte-americanos associam a velhice a algo positivo, contra 80% que relacionam juventude ao bem. Esse mesmo fenômeno aparece também em sociedades asiáticas, onde o respeito pelos mais idosos é tido como traço cultural marcante. Mais interessante ainda, os próprios idosos exibem, pelo IAT, níveis de preconceito contra os mais velhos semelhantes aos demonstrados por jovens, diferentemente do que ocorre com outras discriminações. A dissonância cognitiva se resolve quando usamos o IAT para avaliar como os idosos veem a si mesmos. O resultado, surpreendente, é que tanto jovens quanto idosos associam automaticamente seu eu com juventude, e não com velhice. Para os nossos cérebros, velho é só o outro. Seria o segredo da juventude eterna, se o corpo acompanhasse os desejos do cérebro e não fosse parando de funcionar direito. SCHWARTSMAN, H. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br>. Acesso em: 05 dez. 2017. [Fragmento adaptado] Textos opinativos valem-se de estratégias dissertativas diversas visando ao convencimento. No artigo, a apresentação de dados científicos corrobora a ideia de que a(o) A. discriminação contra idosos funciona de forma similar a qualquer outro tipo de preconceito. B. segredo da juventude eterna pode ser descoberto com a ajuda da pesquisa divulgada. C. Teste de Associação Implícita permite quantificar o grau de preconceito inconsciente. D. população estadunidense entende o envelhecimento de forma diferente da asiática. E. preconceito etário se manifesta de forma contraditória nos resultados encontrados. Alternativa E Resolução: No texto, a exposição do resultado de pesquisas e estudos serve para corroborara ideia de que existe um preconceito velado contra idosos, o qual não é percebido na sociedade como aquele contra outras categorias. Isso pode ser comprovado, por exemplo, no seguinte trecho: “há a constatação de que, apesar de não se ter notícia de discursos de ódio ou mesmo de hostilidades sistemáticas contra idosos, o preconceito em relação a esse grupo é forte e disseminado”. A alternativa correta, portanto, é a E. HDRN A alternativa A está incorreta porque apresenta uma afirmação que não se pode inferir do conteúdo do texto, já que o preconceito etário, embora forte e disseminado, não se revela por discursos de ódio ou manifestações de hostilidade. A alternativa B está incorreta porque, quando menciona o segredo da juventude eterna, o autor está, na verdade, sugerindo que ele só existiria se o corpo acompanhasse os desejos do cérebro, diferentemente do que foi encontrado na pesquisa. A alternativa C está incorreta porque apresenta uma descrição do Teste de Associação Implícita, e não o resultado da exposição dos dados encontrados por ele. Finalmente, a alternativa D está incorreta porque também apresenta uma afirmação não encontrada no texto, o qual diz justamente o contrário, que o fenômeno do preconceito etário também foi identificado em sociedades asiáticas pelo IAT. QUESTÃO 17 Vós, diz Cristo, Senhor nosso, falando com os pregadores, sois o sal da terra: e chama-lhes sal da terra, porque quer que façam na terra o que faz o sal. O efeito do sal é impedir a corrupção; mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela que têm ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a causa desta corrupção? Ou é porque o sal não salga, ou porque a terra se não deixa salgar. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores não pregam a verdadeira doutrina; ou porque a terra se não deixa salgar e os ouvintes, sendo verdadeira a doutrina que lhes dão, a não querem receber. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores dizem uma cousa e fazem outra; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes querem antes imitar o que eles fazem, que fazer o que dizem. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores se pregam a si e não a Cristo; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes, em vez de servir a Cristo, servem a seus apetites. Não é tudo isto verdade? Ainda mal! VIEIRA, A. Sermão de Santo Antonio. Disponível em: <http://www. bibvirt.futuro.usp.br>. Acesso em: 29 dez. 2017. Para convencer seus leitores e ouvintes, Antonio Vieira parte do raciocínio lógico em vez do apelo à emoção. No texto, o autor cria uma alegoria para A. analisar o comportamento de ouvintes corruptores do sal da terra. B. reiterar o papel do homem diante das provações do Novo Mundo. C. orientar sacerdotes renunciadores da vocação cristã da pregação. D. sintetizar a doutrina cristã segundo os interesses dos colonos. E. explicar o dever dos pregadores e dos ouvintes dos sermões. Alternativa E Resolução: No texto, Padre António Vieira cria uma alegoria em que os pregadores são representados pelo sal da terra, e os ouvintes, pela terra. Assim, segundo o fragmento do Sermão de Santo António, os pregadores têm o mesmo dever do sal, que “impede a corrupção” da terra, ou seja, eles devem pregar verdadeiramente a doutrina cristã. Já a terra deve se deixar salgar, isto é, os ouvintes devem receber e seguir a doutrina. 9HXI LCT – PROVA I – PÁGINA 12 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO Portanto, está correta a alternativa E. A alternativa A está incorreta porque, de acordo com o texto, o sal da terra não é corrompido, mas, na verdade, é quem impede a corrupção do solo, e é o pregador que impede a corrupção do ouvinte. A alternativa B está incorreta porque, embora seja tratado o fato de que os ouvintes devem receber a doutrina cristã, comportando-se de acordo com os preceitos da religião, não há menção à América portuguesa. A alternativa C está incorreta porque o fragmento não tem a intenção de orientar ex-pregadores, mas de convencer pregadores e ouvintes a seguirem a doutrina cristã. Finalmente, a alternativa D está incorreta porque no texto não há defesa dos interesses dos colonos; na verdade, no Sermão de Santo António, o autor critica os colonos portugueses pela exploração dos índios. QUESTÃO 18 A obsessão do Estado em controlar todos os comportamentos dos cidadãos tem como resultado um enfraquecimento da responsabilidade moral e cívica dos mesmos. A lei deveria ser o último recurso – depois da educação, da ética, da negociação e do compromisso entre os indivíduos. É agora o primeiro recurso. Assino por baixo. Entendo que a sociedade moderna não se pode resumir aos Dez Mandamentos que Moisés trouxe do Sinai. E muitos comportamentos que os nossos antepassados consideravam “normais” – violência doméstica, por exemplo – são hoje punidos como crimes públicos (e ainda bem). Mas como garantir que outros comportamentos normais (agora sem aspas) não serão apanhados pela rede da sobrecriminalização? Imagino potenciais crimes que os filhos dos nossos filhos terão receio de cometer: Crime de ódio privado: qualquer cidadão que expresse preconceitos raciais, sexuais, culturais ou religiosos em privado poderá conhecer denúncia se alguma testemunha entender fazê-lo. Com a evolução tecnológica, os apartamentos serão obrigatoriamente equipados com sensores antiódio, bastante semelhantes aos sensores antifumo, diretamente conectados com a delegacia do bairro. Crime de envelhecimento público: com os avanços da Medicina, será intolerável que um cidadão recuse tratamentos / cirurgias para ocultar / reverter o seu processo de envelhecimento, exibindo em público as marcas da decadência física e / ou neurológica. A imposição da velhice à sociedade será equiparada a um ato obsceno. COUTINHO, J. P. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br>. Acesso em: 09 dez. 2017. [Fragmento adaptado] O planejamento argumentativo requer a estruturação de um projeto de texto que tenha como intenção a persuasão do interlocutor. No texto, de forma irônica, esse projeto argumentativo tem por objetivo central criticar o(a) JBE5 A. caráter absurdo das leis que serão criadas no país num futuro próximo. B. existência de leis que controlam o cidadão a despeito de sua vontade. C. criminalização preocupante que os comportamentos civis têm sofrido. D. excesso de leis desnecessárias que têm sido criadas nos dias atuais. E. endurecimento da responsabilidade moral e cívica dos cidadãos. Alternativa C Resolução: Logo no primeiro parágrafo do fragmento em análise, o autor expõe seu posicionamento, permitindo entrever suas críticas à ação do Estado em, por meio de leis, cercear comportamentos civis tidos como normais. Ainda que ele entenda que a sociedade esteja mudando, ele expressa sua preocupação com a possibilidade de, no futuro, essa prática do Estado se tornar invasiva. Para tal, ele cita, de forma irônica, crimes hipotéticos num futuro próximo. Assim, está correta a alternativa C. A alternativa A está incorreta porque as leis que o autor cita são hipotéticas e intencionalmente absurdas para corroborar sua crítica. A alternativa B está incorreta porque não há no fragmento crítica a leis contrárias à vontade dos cidadãos. A alternativa D está incorreta porque a crítica do autor relaciona-se ao fato de o Estado primeiro criar a lei, quando deveria, antes, educar e conscientizar a população; portanto ele não afirma serem as leis desnecessárias, mas precipitadas. Por fim, a alternativa E está incorreta porque, segundo o autor, o controle excessivo do Estado, na verdade, causa “um enfraquecimento da responsabilidade moral e cívica” dos cidadãos. QUESTÃO 19 E vós, ó bem nascida segurança Da Lusitana antiga liberdade, E não menos certíssima esperança De aumento da pequena Cristandade; Vós, ó novo temor da Maura lança, Maravilha fatal da nossa idade, Dada ao mundopor Deus, que todo o mande, Pera do mundo a Deus dar parte grande; [...] Vereis amor da pátria, não movido De prêmio vil, mas alto e quase eterno; Que não é prêmio vil ser conhecido Por um pregão do ninho meu paterno. Ouvi: vereis o nome engrandecido Daqueles de quem sois senhor superno, E julgareis qual é mais excelente, Se ser do mundo Rei, se de tal gente. YQEL ENEM – VOL. 3 – 2018 LCT – PROVA I – PÁGINA 13BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO Ouvi: que não vereis com vãs façanhas, Fantásticas, fingidas, mentirosas, Louvar os vossos, como nas estranhas Musas, de engrandecer-se desejosas: As verdadeiras vossas são tamanhas, Que excedem as sonhadas, fabulosas, Que excedem Rodamonte e o vão Rugeiro, E Orlando, inda que fora verdadeiro. CAMÕES. L. V. Os Lusíadas. Disponível em: <http://www. dominiopublico.gov.br>. Acesso em: 26 dez. 2017. [Fragmento] As estrofes anteriores do poema épico Os Lusíadas consistem na parte em que o poeta o dedica a D. Sebastião, rei de incontestável importância para a nação portuguesa e para o cristianismo. Identificam-se aspectos da dedicatória na A. esperança de liberdade expressa pelo povo português, representado no texto pela voz poética. B. ameaça feita diretamente aos povos mouros – “a Maura lança” – em nome do deus dos católicos. C. atitude de louvor e de humildade do eu lírico e na evidência de que o texto trata de fatos históricos. D. interlocução da voz poética com as Musas, a quem pede bênçãos para as futuras façanhas do Rei. E. lealdade à pátria manifestada pelo eu lírico, o qual a demonstra sem esperar qualquer tipo de prêmio. Alternativa C Resolução: Na primeira estrofe do fragmento exposto, veem-se louvores do poeta ao rei D. Sebastião, a quem é dedicado o poema. São louvadas a ascendência do rei e sua representação para a difusão da fé cristã e para a independência portuguesa dos mouros. Na estrofe seguinte, há uma demonstração, perante o rei, da humildade do poeta, que modestamente considera seu poema “um pregão do ninho meu paterno”. Por sua vez, na terceira estrofe, ao enaltecer os atos do rei, o poeta ressalta que seu poema trata de fatos históricos, ou seja, reais, não de lendas ou fantasias. Assim, está correta a alternativa C. A alternativa A está incorreta porque, ainda que o poeta possa estar representando a nação portuguesa, não é isso que caracteriza a dedicatória de um poema épico, a qual deve sinalizar a quem são dedicados os versos. A alternativa B está incorreta porque não há uma ameaça explícita aos mouros, mas a declaração de que D. Sebastião será capaz de derrotá-los. A alternativa D está incorreta porque o eu lírico não se dirige às musas, o que, aliás, acomodaria as estrofes na parte da invocação. Na verdade, as musas são citadas para reforçar o fato de que o texto tratará de matéria real. Por fim, a alternativa E está incorreta porque, por mais que o eu lírico manifeste indiretamente lealdade a Portugal, não é esse o aspecto que define a dedicatória de um poema épico. Além disso, o prêmio recusado é decorrente do seu texto, não de seu patriotismo. QUESTÃO 20 ALEIJADINHO. O carregamento da cruz. 1796-1799. 208 × 114 × 65 cm. Madeira policromada. Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, Brasil. Na escultura anterior, de Aleijadinho, identifica-se a característica barroca da A. abordagem de passagem bíblica polêmica, que contesta a contrarreforma. B. expressão corporal, que revela emoções intensas e limite físico humano. C. representação de figuras bíblicas, que valoriza o poder econômico local. D. harmonia das dimensões, que remete às obras do período clássico. E. interpretação pessoal do artista, que demonstra liberdade estética. Alternativa B Resolução: Uma característica recorrente nas esculturas barrocas é o apelo à emoção para sensibilizar os espectadores, dado o contexto da Contrarreforma. Assim, na obra de Aleijadinho, vê-se a representação de Jesus Cristo como uma figura humana, que sofre pela dor causada pelo carregamento da cruz e que demonstra fraqueza física pelo esforço empreendido, como descrito na alternativa B. A alternativa A está incorreta porque o Barroco opunha-se à Reforma Protestante; assim, não pode contestar a si mesmo. A alternativa C está incorreta porque a representação de figuras bíblicas relacionava-se, na verdade, ao poder socio- -cultural da Igreja. A alternativa D está incorreta porque as obras de Aleijadinho não eram inspiradas nas obras clássicas, já que tinham como características expressividade intensa, queixo dividido, nariz alongado, olhos amendoados e com pupilas planas, boca entreaberta, entre outros. Por fim, a alternativa E está incorreta porque, ainda que Aleijadinho apresentasse características únicas com relação ao Barroco, a interpretação do autor não é livre da estética desse movimento, haja vista o conteúdo da obra e o apelo emocional imposto a ela. QUKG LCT – PROVA I – PÁGINA 14 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO QUESTÃO 21 TEXTO I ASSISTE AO ENTERRO DE UM TRABALHADOR DE EITO E OUVE O QUE DIZEM DO MORTO OS AMIGOS QUE O LEVARAM AO CEMITÉRIO – Essa cova em que estás, com palmos medida, é a cota menor que tiraste em vida. – é de bom tamanho, nem largo nem fundo, é a parte que te cabe neste latifúndio. – Não é cova grande. é cova medida, é a terra que querias ver dividida. MELO NETO, J. C. Morte e vida severina. Disponível em: <http://triplov.com>. Acesso em: 04 nov. 2015. [Fragmento] TEXTO II LATUFF. Disponível em: <https://latuffcartoons.wordpress.com>. Acesso em: 04 nov. 2015. O texto I é um fragmento de Morte e vida severina, obra que trata da condição de vida dos habitantes do Sertão nordestino. Comparando-o ao texto II, observa-se que há uma relação de A. complementação, pois o texto II mostra que o problema abordado no texto I foi resolvido. B. contraste, pois o texto II trata da questão indígena, e não do retirante nordestino. C. oposição, pois o texto II aborda a questão defendendo a perspectiva da bancada ruralista. D. redundância, pois ambos os textos retratam a miséria dos índios e dos nordestinos. E. semelhança, pois ambos criticam o problema da concentração de terras no Brasil. CC8I Alternativa E Resolução: O texto I, fragmento do famoso poema de João Cabral de Melo Neto, condena as circunstâncias em que vivem os trabalhadores do Sertão, habitantes de uma terra de difícil cultivo e oprimidos pelo sistema latifundiário. No texto II, charge de Latuff, vê-se um latifundiário demarcando as terras indígenas com covas, sugerindo que muitos deles serão mortos em consequência da PEC 215. Nesse sentido, vê-se que ambos os textos criticam, cada um à sua maneira, a concentração de terras no Brasil, a qual provoca diferentes problemas sociais no país. Portanto, a alternativa correta é a E. A alternativa A está incorreta porque o texto II não expõe a resolução do problema, mas, de forma irônica, diz o que poderia acontecer com a aprovação da PEC em pauta. As alternativas B e C estão incorretas porque os textos não se opõem. Já a alternativa D está incorreta porque cada texto lida com um estrato da população: o texto I trata dos sertanejos, e o texto II, dos índios. QUESTÃO 22 A imprensa foi pródiga em elogios ao anúncio das bodas entre o príncipe Harry e a atriz americana Meghan Markle. Como a futura duquesa de Sussex, além de estrangeira e plebeia, é filha de negra e divorciada, a interpretação prevalecente é a de que a conservadora monarquia inglesa está se modernizando e se adaptando aos novos tempos. A monarquia é, a meu ver, um dos mais chocantes paradoxos da modernidade. Como é que, em pleno século XXI, no qual a igualdade se tornou um dos principais objetivos perseguidos tanto no campo econômico como no político, algumas das mais avançadas sociedades do planeta, como Reino Unido, Holanda, Suécia, Noruega, ainda mantêm uma instituição que tem comoponto de partida a distinção jurídica entre nobres e plebeus? Não só a mantêm como ainda pagam para sustentá-la. E é até mais grave do que parece. Se, no plano da economia, ainda dá para argumentar que é preciso permitir alguma desigualdade – quem produz mais ou tem melhores ideias ganha mais – para assegurar o dinamismo do mercado e estimular o crescimento, nada parecido ocorre na política. Não vejo aqui nenhum raciocínio para justificar que um grupo de pessoas, apenas por ter nascido numa família, goze de um estatuto jurídico diferente daquele conferido ao restante dos cidadãos. Num mundo um pouco mais racional, a discussão não seria em torno de a monarquia estar ou não se modernizando, mas sim sobre a extinção desse fóssil institucional. Acredito, porém, que nosso essencialismo inato, somado a alguns milênios de propaganda pró-monárquica, em que príncipes e princesas são sempre retratados como heróis, nos fizeram perder a cabeça. SCHWARTSMAN, H. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br>. Acesso em: 09 dez. 2017. [Fragmento] 5GED ENEM – VOL. 3 – 2018 LCT – PROVA I – PÁGINA 15BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO O artigo alude à repercussão midiática de um casamento na família real britânica para, então, defender um ponto de vista mais amplo. O trecho do texto que explicita a tese endossada pelo autor é: A. “a interpretação prevalecente é a de que a conservadora monarquia inglesa está se modernizando e se adaptando aos novos tempos.” B. “algumas das mais avançadas sociedades do planeta [...] ainda mantêm uma instituição que tem como ponto de partida a distinção jurídica entre nobres e plebeus?” C. “Se, no plano da economia, ainda dá para argumentar que é preciso permitir alguma desigualdade [...], nada parecido ocorre na política.” D. “Não vejo aqui nenhum raciocínio para justificar que um grupo de pessoas [...] goze de um estatuto jurídico diferente daquele conferido ao restante dos cidadãos.” E. “Acredito, porém, que nosso essencialismo inato somado a alguns milênios de propaganda pró- -monárquica [...] nos fizeram perder a cabeça.” Alternativa D Resolução: O ponto de vista defendido pelo autor em seu texto é o fim das monarquias, dado o contexto sociopolítico atual do mundo. Assim, ao longo do texto são defendidos argumentos que justificariam a extinção dessa forma de governo, como a injusta distinção jurídica entre nobres e plebeus. Portanto, o trecho que explicita e sintetiza a tese do autor é visto na alternativa D, “Não vejo aqui nenhum raciocínio para justificar que um grupo de pessoas [...] goze de um estatuto jurídico diferente daquele conferido ao restante dos cidadãos”, em que ele marca sua opinião desfavorável às monarquias. A alternativa A está incorreta porque apresenta uma contextualização do assunto, numa afirmação que será contraposta nos parágrafos de desenvolvimento do texto. A alternativa B está incorreta porque é um questionamento feito pelo autor para corroborar seu ponto de vista. A alternativa C está incorreta porque também expõe um argumento. Por fim, a alternativa E está incorreta porque é a conclusão das ideias expostas. QUESTÃO 23 Conversei recentemente com minha obstetra sobre a hora do parto. Não quero que seja meu corpo a decidir que nenêx está pronto e sim que seja nenêx a decidir que é chegada a hora de liberar minhas costelas de tamanha dor. Ela me garantiu que essa é uma decisão muito mais de nenêx do que minha. Que alívio. A natureza, em sua sabedoria esplêndida, já era hipster millennial quando inventou o parto. Difícil registrar criança sem saber se criança quer ter a existência documentada. Por isso deixarei em aberto seu nascimento até que criança me diga: eu. Ou melhor: estou. Enquanto criança não aceitar que vive neste planeta, não forçarei a barra. Exame do pezinho: pularei. Quando puder caminhar assertivamente, o próprio pezinho decidirá se deseja ser examinado. Banho, vulgo invasão de um corpo por estranhos: só darei se recém-nascidx for ao encontro da água. KVDT Fico na dúvida sobre trazer filhx pra casa. Filhx já sabe se quer morar comigo? Aceita a limitação de um quarto, uma família composta por dois gêneros, uma cidade? Quer ser brasileiro? Quer ouvir o ensaio de carnaval da PUC? Muito complicado dar à luz pequerruchx descendente que ainda não decidiu se quer descender de mim e pode muito bem preferir o escurinho. BERNARDI, T. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br>. Acesso em: 09 dez. 2017. [Fragmento] A tese de um texto opinativo não está sempre explícita num único fragmento, sendo depreendida de sua leitura global. Nesse sentido, a crítica da crônica dirige-se A. ao questionamento educativo de um futuro próximo. B. à insegurança materna quanto a como criar seus filhos. C. ao comportamento pouco interventivo dos pais hipsters. D. ao dilema das mães contemporâneas sobre sua gravidez. E. à fluidez atual na atribuição de gênero a crianças millennial. Alternativa C Resolução: No primeiro parágrafo, em seu relato, a autora demonstra comportamento pouco interventivo em relação ao parto de seu bebê, expondo, ainda, que essa seria uma atitude hipster. Ao longo do texto, a autora enumera outras atitudes que não pretende tomar para não limitar a liberdade da criança, no entanto, o exagero proposital que ela impõe a essas ideias revelam sua crítica a pais e mães que incumbem os filhos de tomarem decisões importantes para suas vidas, mesmo sendo tão novos. Assim, sua crítica central está voltada para pais que criam seus filhos de forma pouco interventiva, aos quais ela chama de hipsters, como indicado na alternativa C. A alternativa A está incorreta porque o questionamento acerca de um método de criação das crianças acontece de forma irônica, estando a crítica do texto voltada, na verdade, para a atitude dos pais que o seguem. Além disso, esse método não é futuro, mas presente, pois muitas famílias já adotam práticas, como a de permitir que os filhos tomem decisões a respeito de sua criação. A alternativa B está incorreta porque a crítica tem como alvo pais que, segundo a autora, adotam métodos inadequados para criar seus filhos, e não mães que não sabem criá-los. A alternativa D está incorreta porque as dúvidas e decisões expostas no texto não representam dilemas das mães contemporâneas em geral, mas apenas daquelas consideradas hipsters pela autora. Por fim, a alternativa E está incorreta porque, quando a autora usa termos neutros para se referir à criança – “nenêx”, “filhx”, “pequerruchx” –, ela o faz de forma irônica, empregando o vocabulário dos hipsters, os verdadeiros alvos das críticas. QUESTÃO 24 Alegres campos, verdes arvoredos, claras e frescas águas de cristal, que em vós os debuxais1 ao natural, discorrendo da altura dos rochedos; 6E1V LCT – PROVA I – PÁGINA 16 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO Silvestres montes, ásperos penedos, compostos em concerto desigual, sabei que, sem licença de meu mal, já não podeis fazer meus olhos ledos2. E, pois me já não vedes como vistes, não me alegrem verduras deleitosas, nem águas que correndo alegres vêm. Semearei em vós lembranças tristes, regando-vos com lágrimas saudosas, e nascerão saudades de meu bem. CAMÕES, L. V. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br>. Acesso em: 22 nov. 2017. 1 rascunhais, esboçais, delineais. 2 contente, alegre, feliz. A lírica de Camões é vista como uma composição literária inovadora, sofisticada e erudita. Em contrapartida, ela traz em seu bojo vestígios das raízes medievais. No soneto anterior, destaca-se, como característica das cantigas trovadorescas, o(a) A. abandono à natureza ser justificado pela vivência de um amor profundo. B. mulher casta e idealizada ser comparada aos elementos da natureza. C. natureza ser o espaço de diálogo do sujeito poético consigo mesmo. D. eu lírico manifestar prudência ao resguardar a identidade da dama. E. homemapaixonado revelar submissão absoluta à pessoa amada. Alternativa C Resolução: No soneto, o eu lírico estabelece um diálogo com a natureza a fim de manifestar a tristeza causada pelo rompimento da relação amorosa. A partir do primeiro terceto, percebe-se uma alteração no comportamento do poeta. Em vez de “desenhar” as belezas naturais, ele passa a lamentar o fim dos momentos alegres que viveu ao lado da pessoa amada. Esse poema se assemelha à cantiga de amigo no que tange ao fato de a natureza ser um veículo de interlocução entre o eu lírico e seus próprios sentimentos. A natureza, no papel de confidente, se amolda ao comportamento do sujeito poético e, simultaneamente, parece proceder da forma como ele a imagina e a idealiza. Por consequência, está correta a alternativa C. As demais características da cantiga de amigo, como a presença de paralelismos e de um eu lírico feminino, não estão presentes no poema de Camões, porém. QUESTÃO 25 TEXTO I O mosquito que zomba do mundo Por que nossa orgulhosa civilização tecnológica do século XXI está perdendo a guerra para o inseto transmissor do temido vírus zika. VEJA. São Paulo: Abril, 2 463. ed., ano 49, n. 5, 03 fev. 2016. MTØB TEXTO II O mosquito O mundo é tão esquisito: Tem mosquito. [...] Tudo de mau Você reúne Mosquito pau Que morde e zune. Você gostaria De passar o dia Numa serraria – Gostaria? Pois você parece uma serraria! MORAES, V. Disponível em: <http://www.viniciusdemoraes.com.br>. Acesso em: 22 nov. 2017. [Fragmento] Os textos anteriores utilizam o mesmo recurso prosódico para encenar a realidade que pretendem representar. Para descrever a ação do mosquito no título do texto I e na segunda estrofe do texto II, empregou-se a A. anáfora. B. metáfora. C. assonância. D. onomatopeia. E. paronomásia. Alternativa D Resolução: No texto da revista, “zombar”, verbo de origem onomatopaica, foi empregado propositalmente para que o leitor o associasse à imagem do mosquito transmissor do vírus zika. O verbo “zombar” originou-se do espanhol “zumbar”, o qual também é um som imitativo. Etimologicamente, era uma espécie de reprodução do som emitido por pernilongos ou vespas e usado para vaiar (“zzz”). Surgiu daí a palavra “zombaria”. Nessa mesma linha de raciocínio, aparece o verbo “zunir”, que também é onomatopaico. Portanto, está correta a alternativa D. QUESTÃO 26 Nasce o Sol e não dura mais que um dia, Depois da Luz se segue a noite escura, Em tristes sombras morre a formosura, Em contínuas tristezas a alegria. Porém, se acaba o Sol, por que nascia? Se é tão formosa a Luz, por que não dura? Como a beleza assim se transfigura? Como o gosto da pena assim se fia? Mas no Sol, e na Luz falte a firmeza Na formosura não se dê constância, E na alegria sinta-se tristeza. Começa o mundo enfim pela ignorância, E tem qualquer dos bens por natureza A firmeza somente na inconstância. MATOS, G. Antologia poética. 9. ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 1998. (Coleção Prestígio) EX76 ENEM – VOL. 3 – 2018 LCT – PROVA I – PÁGINA 17BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO Há, no poema de Gregório de Matos, a abordagem de uma alternância existente entre dia e noite, alegria e tristeza e outros pares de opostos, o que consiste em uma expressão, principalmente, do tema barroco do(a) A. arrependimento por meio do apelo ao aspecto religioso. B. castigo em decorrência do pecado por meio do fim trágico. C. instabilidade e dissolução das coisas pela ação do tempo. D. misticismo do culto à morte por meio da fugacidade da vida. E. necessidade de gozar o dia decorrente da certeza da morte. Alternativa C Resolução: Considerando o contexto de produção do poema, a ideia de finitude transmitida pela noite que sucede o dia e pela tristeza que dissolve a alegria, por exemplo, ecoa o tema barroco da instabilidade e dissolução das coisas pela ação do tempo, conforme sugere a alternativa C. Alguns versos que comprovam essa temática no texto são “Nasce o Sol e não dura mais que um dia” e “Em contínuas tristezas [morre] a alegria”. O aspecto religioso do arrependimento ou do pecado, sugerido nas alternativas A e B, não é abordado no texto, o que as invalida. Embora a morte seja a culminância da ideia de finitude, não há o aspecto místico no poema por meio do qual se manifeste seu culto, o que invalida a alternativa D. Por fim, o tema de se aproveitar o dia sugerido na E, Carpe diem, poderia estar implícito na ideia de instabilidade das coisas, mas o foco do poema está na demonstração da instabilidade e na alternância, não havendo uma orientação para que se aproveite o dia devido à certeza da morte. QUESTÃO 27 Língua e Poder A linguagem é uma legislação, a língua é seu código. Não vemos o poder que reside na língua, porque esquecemos que toda língua é uma classificação, e que toda classificação é opressiva. [...] [...] Se chamamos de liberdade não só a potência de subtrair-se ao poder, mas também e sobretudo a de não submeter ninguém, não pode então haver liberdade senão fora da linguagem. Infelizmente, a linguagem humana é sem exterior: é um lugar fechado. Então, só nos resta, por assim dizer, trapacear com a língua, trapacear a língua. Essa trapaça salutar, essa esquiva [...] eu a chamo, quanto a mim: literatura. BARTHES, R. Aula. Tradução de Leyla Perrone-Moisés. São Paulo: Cultrix, 1988. Considerando as ideias propostas no texto lido, Roland Barthes sugere que, na relação do homem com a linguagem, ocorre um(a) A. independência do homem, em detrimento da língua e da literatura. B. normatização autoritária que somente é superada no universo da literatura. C. processo de alienação universal, pois é impedida a comunicação efetiva do usuário. D. série de situações arbitrárias em que o homem falha no uso da língua. E. trapaça que leva à criação de normas de uso da língua mais rigorosas. NROT Alternativa B Resolução: Roland Barthes defende que a linguagem e a língua são opressoras, uma vez que os detentores do seu conhecimento têm poder sobre aqueles que não o detêm. Portanto, para se ver livre dessa relação de opressão, seja como opressor ou como oprimido, deve-se recorrer à literatura, na qual não imperam as normas gramaticais e a qual os autores podem manipular de acordo com os próprios interesses. Está correta, dessa forma, a alternativa B. A alternativa A está incorreta porque a relação entre as pessoas e a linguagem, de acordo com o autor, cria opressão, que se opõe à independência ou à liberdade. A alternativa C está incorreta porque a comunicação não é impedida; na verdade ela é sistematizada pelas regras impostas. A alternativa D está incorreta porque, segundo o autor, a arbitrariedade está nas regras da língua, impostas por uma elite opressora, e não no seu uso. Por fim, a alternativa E está incorreta porque a trapaça, também de acordo com Roland Barthes, é a literatura, que subverte as rigorosas regras da língua. QUESTÃO 28 A chegada dos portugueses representou para os índios uma verdadeira catástrofe. Vindos de muito longe, com enormes embarcações, os portugueses, e em especial os padres, foram associados na imaginação dos tupis aos grandes xamãs (pajés), que andavam pela terra, de aldeia em aldeia, curando, profetizando e falando-lhes de uma terra de abundância. Os brancos eram ao mesmo tempo respeitados, temidos e odiados, como homens dotados de poderes especiais. Por outro lado, como não existia uma nação indígena, e sim grupos dispersos, muitas vezes em conflito, foi possível aos portugueses encontrar aliados entre os próprios indígenas, na luta contra os grupos que resistiam a eles. [...] Os índios que se submeteram ou foram submetidos sofreram a violência cultural, as epidemias e mortes. Do contato com o europeu, resultou uma população mestiça, que mostra, até hoje, sua presença silenciosa na formação da sociedade brasileira. FAUSTO, B. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 2000.p. 40-41. O encontro entre europeus e índios no Brasil, conforme retratado no texto em questão, foi catastrófico para os nativos, de acordo com o historiador Boris Fausto. Segundo esse historiador, a razão da catástrofe está no fato de ter havido um(a) A. conflito religioso que opôs interesses nativos e europeus. B. desejo do europeu de conhecer e interpretar a cultura nativa. C. idealização do homem europeu pelo homem nativo. D. interesse, mesmo que velado, do nativo pela miscigenação. E. necessidade de imposição cultural pelos europeus. 36N9 LCT – PROVA I – PÁGINA 18 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO Alternativa C Resolução: No texto de Boris Fausto, há um trecho que sintetiza o motivo de o encontro entre europeus e índios ser considerado por ele uma catástrofe: “os portugueses, e em especial os padres, foram associados na imaginação dos tupis aos grandes xamãs (pajés), que andavam pela terra, de aldeia em aldeia, curando, profetizando e falando-lhes de uma terra de abundância.” Assim, como tinham os europeus em grande estima, os índios foram muitas vezes manipulados e enganados, tendo sua cultura quase extinta pelos invasores. Está correta, portanto, a alternativa C. As demais alternativas estão incorretas porque não podem ser justificadas pelo texto e interpretam incorretamente os fatos relatados. A alternativa A está incorreta porque o conflito entre os nativos e os europeus não se deu por religião, mas pela ganância dos invasores pelos recursos naturais disponíveis na terra. A alternativa B está incorreta porque os europeus não tinham interesse na cultura dos índios, apenas nos recursos naturais dos quais eles gozavam. A alternativa D está incorreta porque os índios não pretendiam miscigenar-se com os europeus, o que aconteceu como consequência da organização social imposta por estes. Finalmente, a alternativa E está incorreta porque os europeus não tinham necessidade de se impor culturalmente; isso se deu por conveniência para viabilizar os interesses colonizatórios da metrópole. QUESTÃO 29 Se quer seguir-me, narro-lhe; não uma aventura, mas experiência, a que me induziram, alternadamente, séries de raciocínios e intuições. Tomou-me tempo, desânimos, esforços. Dela me prezo, sem vangloriar-me. Surpreendo-me, porém, um tanto à-parte de todos, penetrando conhecimento que os outros ainda ignoram. O senhor, por exemplo, que sabe e estuda, suponho nem tenha ideia do que seja na verdade – um espelho? Demais, decerto, das noções de física, com que se familiarizou, as leis da óptica. Reporto-me ao transcendente. Tudo, aliás, é a ponta de um mistério. Inclusive, os fatos. Ou a ausência deles. Duvida? Quando nada acontece, há um milagre que não estamos vendo. ROSA, J. G. O espelho. In: Primeiras estórias. 16. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985. [Fragmento] Considerando as partes que compõem uma narrativa, o fragmento do conto anterior, de Guimarães Rosa, corresponde A. à apresentação, pois introduz as personagens e o tema que será abordado. B. ao desenvolvimento, pois cria a expectativa sobre os acontecimentos narrados. C. ao clímax, pois representa o auge do conflito num momento de tensão na trama. D. à complicação, pois encadeia os fatos com o objetivo de construir um conflito. E. ao desfecho, pois apresenta a solução para um conflito instaurado anteriormente. Alternativa A Resolução: Pode-se perceber que o trecho apresenta o que será narrado: “não uma aventura, mas experiência”. Além disso, há a apresentação do narrador e do interlocutor, identificado como senhor “que sabe e estuda”. O trecho corresponde, nesse sentido, à apresentação da narrativa, pois introduz as personagens e o tema que será abordado, o que torna correta a alternativa A. Ainda não há o desenvolvimento de um enredo, como sugerido na B, ou o encadeamento de acontecimentos, como proposto na D, o que invalida essas alternativas. Tampouco está representado um momento de tensão, como sugerido na C, ou a solução de um conflito, conforme a alternativa E, o que também as tornam incorretas. QUESTÃO 30 BRUM, R. Disponível em: <http://www.marcianeurotica.com.br/>. Acesso em: 22 nov. 2017. Na tirinha, o vocábulo “apenas”, no último quadrinho, atribui à fala da personagem o sentido de A. adição. B. exclusão. C. retificação. D. explicação. E. intensidade. 8ZØJ NEØZ ENEM – VOL. 3 – 2018 LCT – PROVA I – PÁGINA 19BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO Alternativa B Resolução: Na fala “Você está há apenas duas horas sem comer um doce”, o advérbio “apenas” confere sentido de exclusão, pois limita o tempo durante o qual a garota está sem comer doce. Outras palavras que poderiam ser usadas e manteriam o sentido do texto são, por exemplo, “só”, “somente” e “exclusivamente”, essa última tornando mais clara a noção de exclusão. Portanto, está correta a alternativa B. Partindo dessa mesma análise, não podem ser identificadas na fala os sentidos de adição, retificação, explicação e intensidade. QUESTÃO 31 Cérebros e celulares: aliados ou inimigos? Há cerca de trinta anos, algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo, como Apple, IBM e Ericsson já vislumbravam o futuro da comunicação interpessoal. Na verdade, com o surgimento da Internet, muita coisa mudou. E mudou também a forma como as pessoas veem umas às outras e interagem entre si. Aquela conversa que se estendia por horas e horas, na porta de casa, com o intuito de atualizar todo tipo de assunto, ou mesmo o envio de cartas, recados e telegramas foram cedendo espaço a aparelhos portáteis cada vez mais funcionais, que ano após ano tornam obsoleto pelo menos um aspecto de nossas vidas. Telefones públicos, máquinas fotográficas, agendas, calculadoras portáteis, relógios, alarmes, bloco de anotações… A velocidade com que isso tudo vai ficando restrito ao passado é realmente assustadora. E chega a preocupar os especialistas. Será que o futuro que está por vir é negativo no que diz respeito aos aspectos sociais humanos mais primitivos? Será que as pessoas estão preferindo teclar a conversar umas com as outras? Que tipo de impacto o uso dos smartphones pode trazer para o cérebro das pessoas e para a sociedade como um todo? FARIA, L. Disponível em: <http://meucerebro.com>. Acesso em: 22 nov. 2017. [Fragmento] No texto, a passagem que modaliza o discurso do autor, explicitando o seu posicionamento acerca da temática, é: A. “Na verdade, com o surgimento da Internet, muita coisa mudou.” B. “E mudou também a forma como as pessoas veem umas às outras e interagem entre si.” C. “Telefones públicos, máquinas fotográficas, agendas, calculadoras portáteis, relógios, alarmes, bloco de anotações…” D. “A velocidade com que isso tudo vai ficando restrito ao passado é realmente assustadora.” E. “Que tipo de impacto o uso dos smartphones pode trazer para [...] a sociedade como um todo?” X7HM Alternativa D Resolução: O tema do texto está relacionado ao fato de que as mídias digitais provocaram transformações nas relações interpessoais. Na passagem presente na alternativa D, o autor apresenta, de maneira explícita, a sua opinião acerca desse tema, marcada pelo verbo de ligação “é” e pelo adjetivo “assustadora”. Segundo ele, a interlocução por meio dos aparelhos portáteis, cada vez mais funcionais, vai ocupando o espaço de outras formas de comunicação, tais como a conversa na porta de casa, o envio de cartas, os recados e o telegrama. Já as demais alternativas estão incorretas porque são um relato do autor, que se limita a retratar a realidade sem imprimir seu ponto de vista. QUESTÃO 32 João Maria Padilha. Como não lembrar dessa figura batendo sua sineta no “Conde”? Como não lembrar do Seu João apitando impedimento de oitenta gerações de meninos? [...] Bom Jesus é assim, é a história de sua gente, de suas figuras. Do jornaleiro Alorindo, que nos trouxe a notícia que homens tinham caminhado na Lua. Bom Jesus da D. Marieta, com suasseringas, do Dr. Simões curando a gripe. Bom Jesus da Tijica, do Pastel e do Lambreta. E quem não se lembra do centenário Joãozinho, um índio, índio mesmo, tomando banho de sol nas calçadas de nós-de- pinho na praça? Esse é o Bonja, com sua gíria peculiar [...]. RIBEIRO, P. Quando cai a neve no Brasil: crônicas. Porto Alegre: Artes e Ofícios, 2004. Há no texto aspectos linguísticos que o inserem no gênero crônica, como a repetição de algumas construções frasais. Esses aspectos indicam um A. componente lírico firmado pela saudade. B. traço da experiência pessoal do narrador. C. item introdutor de um ensinamento moral. D. caráter ficcional componente da narrativa. E. elemento passado esquecido pelo narrador. Alternativa B Resolução: A utilização da expressão “como não lembrar” anuncia que a informação dita a seguir pelo narrador corresponde a traços de sua experiência pessoal resgatados pela memória. No caso, as informações são sobre João Maria Padilha batendo a sineta e apitando impedimentos. A alternativa correta é, portanto, a B. O lirismo sugerido na A não corresponde a uma característica desse gênero, o que invalida essa alternativa. Considerando que o trecho instaura uma dimensão temporal por meio da lembrança, ficam invalidadas a alternativa C, que propõe a inserção de um ensinamento moral, e D, que sugere a inserção de um aspecto ficcional. O elemento passado sugerido na E é resgatado pelo narrador, e não esquecido, como é comum ao gênero crônica, em que o autor toma eventos passados ou presentes como ponto de partida para uma reflexão. PBNH LCT – PROVA I – PÁGINA 20 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO QUESTÃO 33 Deficientes no Brasil IBGE. Censo 2010. Disponível em: <http://asdef.org.br>. Acesso em: 13 dez. 2017 (Adaptação). No infográfico, está exposto um panorama sobre portadores de deficiência no Brasil. A análise dos dados estatísticos permite concluir que a A. maioria dos cidadãos deficientes apresenta dificuldade locomotora. B. deficiência auditiva e a deficiência visual atingem as mesmas pessoas. C. porcentagem da população com deficiência mental e motora é a mais baixa. D. parcela da população brasileira com uma ou mais deficiências ultrapassa um quinto do total. E. quantidade de pessoas com uma deficiência é inferior à daquelas com mais de uma deficiência. Alternativa D Resolução: Há no infográfico a informação de que 45,6 milhões de pessoas no Brasil possuem algum tipo de deficiência, o que equivale a 24% da população brasileira, ou seja, mais de um quinto dos cidadãos, como afirma corretamente a alternativa D. A alternativa A está incorreta porque a maioria da população brasileira que possui alguma deficiência apresenta, na verdade, deficiência visual. A alternativa B está incorreta porque não há no texto a informação de que a deficiência auditiva e a deficiência visual atinjam necessariamente as mesmas pessoas. A alternativa C está incorreta porque não há dados sobre pessoas que apresentem tanto deficiência mental quanto motora. Por sua vez, a alternativa E está incorreta porque também não há comparativo entre o número de pessoas com apenas uma deficiência e o número de pessoas com mais de uma. No entanto, pelos números divulgados é possível inferir que aproximadamente 15 milhões de pessoas têm mais de uma deficiência, ao passo que cerca de 30 milhões de pessoas possuem uma deficiência apenas. QUESTÃO 34 Soneto Mancebo sem dinheiro, bom barrete Medíocre o vestido, bom sapato Meias velhas, calção de esfola-gato Cabelo penteado, bom topete; Presumir de dançar, cantar falsete, Jogo de fidalguia, bom barato, Tirar falsídia ao moço do seu trato, Furtar a carne à ama, que promete; A putinha aldeã achada em feira, Eterno murmurar de alheias famas, Soneto infame, sátira elegante; Cartinhas de trocado para a freira, Comer boi, ser Quixote com as damas, Pouco estudo: isto é ser estudante. MATOS, G. Gregório de Matos. Porto Alegre: L&PM Editores, 1986. p. 27-28. OJHY XCYL ENEM – VOL. 3 – 2018 LCT – PROVA I – PÁGINA 21BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO A obra de Gregório de Matos representa a estética barroca, vigente em sua época. A poesia do “Boca do Inferno” tematizou, além da religiosidade, a passagem do tempo, a sociedade e o amor – este tanto no plano platônico quanto nos planos erótico, carnal e escatológico. Um recurso empregado em textos barrocos que pode ser identificado no soneto anterior é a A. intertextualidade em “Comer boi, ser Quixote com as damas”. B. fala coloquial em “A putinha aldeã achada em feira”. C. linguagem grotesca em “Tirar falsídia ao moço do seu trato”. D. metalinguagem em “Soneto infame, sátira elegante”. E. antítese em “Pouco estudo: isto é ser estudante”. Alternativa E Resolução: Entre as características propostas nas alternativas, quatro delas não apresentam características comuns à literatura barroca; são elas: a intertextualidade, a fala coloquial, a linguagem grotesca e a metalinguagem. Mesmo que elas possam ser identificadas no texto de Gregório de Matos, elas não estão associadas ao cultismo, que é o culto à forma rebuscada, e ao conceptismo, definido como o exercício do emprego de figuras de pensamento, tais como analogias, comparações, metáforas e antíteses. A antítese, aliás, está presente no último verso do soneto, “Pouco estudo: isto é ser estudante”, que contrapõe a ocupação do estudante com o hábito de não estudar para desfrutar os vícios da juventude. Portanto, está correta a alternativa E. QUESTÃO 35 (Eram três diabos que querem destruir a aldeia com pecados, aos quais resistem São Lourenço, São Sebastião e o Anjo da Guarda, livrando a aldeia e prendendo os tentadores cujos nomes são: Guaixará, que é o rei; Aimbirê e Saravaia, seus criados.) GUAIXARÁ [...] Quem bom costume é bailar! Adornar-se, andar pintado, tingir pernas, empenado fumar e curandeirar, andar de negro pintado. Andar matando de fúria, amancebar-se, comer um ao outro, e ainda ser espião, prender Tapuia, desonesto a honra perder. Para isso com os índios convivi. Vêm os tais padres agora com regras fora de hora prá que duvidem de mim. Lei de Deus que não vigora. ANCHIETA, J. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br>. Acesso em: 26 dez. 2017. [Fragmento] QG4G O trecho do texto de José de Anchieta consiste na expressão do diabo Guaixará, que revela estar entre os indígenas influenciando seus costumes. Com base na fala dessa personagem e na perspectiva de que ela é combatida pelos santos católicos, identifica-se o objetivo da peça em A. informar os espectadores sobre o comportamento dos povos indígenas. B. influenciar na assimilação de comportamentos e na conversão de índios. C. convencer os índios a preservarem costumes mesmo na nova religião. D. descrever os povos autóctones e apresentá-los didaticamente à Europa. E. encenar o encontro amistoso entre os indígenas pagãos e os padres. Alternativa B Resolução: O trecho mostra o discurso do diabo Guaixará – presente entre os indígenas para influenciar negativamente seus hábitos – e a perspectiva de que ele será combatido pelos santos católicos São Lourenço e São Sebastião, além do Anjo da Guarda. Esse embate estabelece uma perspectiva de que os costumes indígenas não eram adequados por estarem sob influência de demônios a serem combatidos pelos cristãos. O objetivo da peça seria, nesse sentido, a catequização dos índios, visando à assimilação de seus comportamentos e à sua conversão ao catolicismo, conforme sugere a alternativa B. A intenção do texto não é informar os espectadores sobre o comportamento dos povos indígenas, como propõe a alternativa A, pois os espectadores consistem nos próprios nativos, já que seriam o público-alvo dessas peças da literatura jesuítica. Considerando o contexto, o objetivo não pode ser convencer os índios a preservarem seus costumes na nova religião, pois a peça visa justamentemodificar os costumes que lhes são apresentados alegoricamente como influenciados pelo diabo Guaixará, o que invalida a alternativa C. Como o público-alvo da literatura jesuítica são os indígenas, o objetivo da peça não é apresentá-los à Europa, como proposto na D, o que também invalida essa alternativa. Por fim, não há indícios no texto de que seu objetivo seja encenar o encontro amistoso entre os indígenas pagãos e os padres, pois o conflito mostrado se dá entre uma entidade maligna e os santos católicos, numa alegoria da imposição do cristianismo sobre as religiões indígenas. QUESTÃO 36 A Câmara dos Deputados está analisando um projeto de lei que pretende tornar crime o compartilhamento ou divulgação de informações falsas ou “prejudicialmente incompletas” na Internet. Na justificativa, o deputado Luiz Carlos Hauly diz que atos como a disseminação de notícias falsas e incompletas na Internet “causam sérios prejuízos, muitas vezes irreparáveis, tanto para pessoas físicas ou jurídicas, as quais não têm garantido o direito de defesa sobre os fatos falsamente divulgados”. ILAB LCT – PROVA I – PÁGINA 22 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO É verdade que as notícias falsas têm sido um grande problema na Internet, tanto que Facebook e Google estão desenvolvendo tecnologias para combater a disseminação de boatos. Mas é preciso ter cuidado para não criar uma lei que sirva como instrumento de censura. Além disso, por mais que o conceito de “verdade” pareça óbvio, nem sempre é fácil determinar quando uma notícia é “falsa”. Sem contar que, com uma multa pesada, isso pode desencorajar principalmente o jornalismo investigativo. HIGA, P. Disponível em: <https://tecnoblog.net>. Acesso em: 21 out. 2017. [Fragmento] Com base no posicionamento do deputado sobre a punição para a disseminação de notícias falsas na Internet, o autor do texto argumenta de maneira A. ponderada, pois alerta para o perigo da censura e o possível enfraquecimento da investigação. B. favorável, pois concorda com os graves problemas gerados pela disseminação de boatos. C. indiferente, pois informa que empresas como Facebook e Google já combatem a prática. D. radical, pois demonstra que o conceito de verdade é óbvio e deve ser exigido pela lei. E. neutra, pois aponta os dois lados da situação e não se posiciona em favor de nenhum. Alternativa A Resolução: Considerando que o deputado Luiz Carlos Hauly defende a punição para a disseminação de notícias falsas na Internet, percebe-se que o autor do texto apresenta uma posição ponderada sobre o projeto, pois, mesmo reconhecendo os prejuízos causados pelo fenômeno, ele alerta para o fato de que não se deve criar “uma lei que sirva como instrumento de censura” e que desencoraje o jornalismo investigativo, que muitas vezes se baseia em suposições que poderiam ser enquadradas na categoria de “notícias falsas”. A análise ponderada do autor, que leva em conta ambos os lados da questão, fica exposta na construção “é preciso ter cuidado para não criar uma lei”, em que ele não se opõe por completo ao projeto, desde que este considere diferentes situações em torno do ofício do jornalista. Nesse sentido, está correta a alternativa A. Embora inicialmente concorde com o fato de a disseminação de boatos gerar problemas, a argumentação aponta para um ponto de vista contrário, o que invalida a alternativa B. A argumentação desenvolvida não é indiferente à do deputado, como proposto na C, pois, mesmo que o Facebook e o Google estejam tentando combater a disseminação de boatos, o autor demonstra preocupação com o fato, comprovada pela reflexão feita no texto. O autor não demonstra que o conceito de verdade é óbvio, como propõe a alternativa D, pois argumenta justamente que esse conceito, embora assim pareça, não determina o que é falso. Finalmente, sua posição não é neutra, como sugere a alternativa E, pois o autor apresenta o ponto de vista do deputado para, em seguida, mostrar um diferente posicionamento sobre o tema. QUESTÃO 37 Cantiga de amigo Lá na casa dos Carneiros Onde os violeiros vão cantar louvando você Em cantiga de amigo Cantando comigo somente porque você é Minha amiga, mulher Lua nova do céu que já não me quer Dezessete é minha conta Vem, amiga, e conta uma coisa linda pra mim Conta os fios dos teus cabelos Sonhos e anelos Conta-me se o amor não tem fim MELLO, E. F. Cantiga de amigo. In: Elomar. Das barrancas do Rio Gavião. LP. Phonogram, 1973. [Fragmento] A letra da canção foi composta com inspiração nas poesias trovadorescas medievais. Embora apresente o título “Canção de amigo”, há, em seu conteúdo, uma característica das cantigas de amor, a qual consiste na presença de um eu lírico A. irônico, que critica os costumes de seu tempo com um discurso sarcástico. B. entristecido, que se dirige à mulher amada e fala do amor não correspondido. C. recatado, que abre mão de sua vida como violeiro para viver junto da amada. D. satírico, que aborda o tema do amor de forma abertamente erótica e agressiva. E. desiludido, que busca na natureza as respostas para a rejeição de sua amada. Alternativa B Resolução: Embora o título da canção seja “Cantiga de amigo”, seu eu lírico não é uma mulher que fala de um amor impossível de se concretizar, mas um eu lírico característico das cantigas de amor, a saber: um homem entristecido que se dirige à mulher amada e fala do amor não correspondido. A alternativa correta é, portanto, a B. O eu lírico irônico sugerido na A ou o satírico proposto na D são característicos das cantigas de escárnio e maldizer, e por isso essas alternativas estão incorretas. A alternativa C está incorreta porque, ainda que seja recorrente a figura do eu lírico que despreza títulos, riquezas e posses por causa de um amor, essa característica não está presente na letra. Finalmente, a alternativa E está incorreta porque o eu lírico não faz questionamentos à natureza, mas recorre a seus elementos, como a Lua, para expressar seus sentimentos pela amada. QUESTÃO 38 – [...] Deixe ver os olhos, Capitu. Tinha-me lembrado a definição que José Dias dera deles, “olhos de cigana oblíqua e dissimulada.” Eu não sabia o que era oblíqua, mas dissimulada sabia, e queria ver se podiam chamar assim. Capitu deixou-se fitar e examinar. Só me perguntava o que era, se nunca os vira, eu nada achei extraordinário; a cor e a doçura eram minhas conhecidas. [...] RERY EXFØ ENEM – VOL. 3 – 2018 LCT – PROVA I – PÁGINA 23BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá ideia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros, mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me. ASSIS, M. Dom Casmurro. Disponível em: <http://www.dominiopublico. gov.br>. Acesso em: 26 dez. 2017. [Fragmento] A descrição dos olhos da personagem Capitu como “olhos de ressaca”, feita pelo narrador, consiste na figura de linguagem denominada metáfora, porque A. atenua o poder de atração dos olhos por meio da resistência do narrador. B. emprega um termo no lugar do outro ao se referir à mulher pelos olhos. C. mescla diversos sentidos na mesma expressão, a percepção dos olhos. D. aproxima os olhos e a ressaca do mar pela força de atração de ambos. E. atribui a característica humana do olhar ao mar, um ser inanimado. Alternativa D Resolução: O que caracteriza a expressão “olhos de ressaca” como metafóricaé a aproximação entre os elementos “olhos” e “ressaca”, em uma comparação implícita entre ambos devido à característica de possuírem, em comum, uma força de atração. A alternativa correta é, portanto, a D. As demais alternativas estão incorretas porque a atenuação caracterizaria um eufemismo; o emprego de um termo no lugar do outro consiste em uma metonímia; a mescla de diversos sentidos na mesma expressão seria uma sinestesia; e a atribuição de características animadas a seres inanimados seria uma personificação. QUESTÃO 39 Quais são as espécies mais ameaçadas de extinção no Brasil? O Brasil possui atualmente 627 espécies ameaçadas de extinção, de acordo com pesquisa do Ministério do Meio Ambiente realizada em 2008. O levantamento anterior, feito em 1989, mostrava uma lista de 218 animais, mas não incluía peixes e outras espécies aquáticas. O processo de extinção está relacionado ao desaparecimento de espécies ou grupos de espécies em um determinado ambiente ou ecossistema. Mas o surgimento e a extinção de espécies são eventos extremamente lentos, e que levam milhares ou até mesmo milhões de anos para ocorrer, a exemplo do que aconteceu com os dinossauros. TCFG Porém, o homem vem acelerando muito a taxa de extinção de espécies, a ponto de ter se tornado o principal agente deste processo. “Os animais em risco estão muitas vezes sufocados pelo desmatamento provocado pela pecuária, pela abertura de terras, pela poluição e a expansão urbana”, diz a bióloga Ellen Augusta de Freitas. JOENCK, A. Disponível em: <https://www.terra.com.br>. Acesso em: 21 out. 2017. [Fragmento] A fala de uma bióloga é usada para reiterar um ponto de vista a respeito da extinção de animais no Brasil. Com base nisso, o texto defende que o A. processo é decorrente da própria cadeia evolutiva. B. agente responsável é principalmente o ser humano. C. evento ocorre lentamente e é inevitável aos humanos. D. levantamento exposto é pouco claro sobre a realidade. E. acontecimento é tão esperado como o dos dinossauros. Alternativa B Resolução: Considerando que a bióloga Ellen Augusta de Freitas aborda o fato de os animais muitas vezes serem sufocados por ações como a pecuária e a expansão urbana, percebe-se que sua fala reitera o posicionamento da autora de que o ser humano vem acelerando a taxa de extinção das espécies, a ponto de ter se tornado o principal agente desse processo. Assim, no último parágrafo do texto, vê-se o posicionamento da autora e a fala da bióloga, citada como autoridade no assunto. A alternativa correta é, portanto, a B. Nesse sentido, a frequência com que espécies vêm sendo extintas não é considerada natural nem esperada dentro do processo evolutivo, o que invalida as alternativas A e E. A alternativa C está incorreta porque, por mais que a extinção natural das espécies seja lenta e inevitável, como pode ser inferido do texto, o posicionamento defendido é de que o ser humano agravou a situação, apressando eventos naturais. Por fim, o texto expõe que o levantamento atual sobre as espécies é completo e que o anterior não incluía peixes e outras espécies aquáticas, o que invalida a alternativa D, que o caracteriza como pouco claro. QUESTÃO 40 Mestre, são plácidas Todas as horas Que nós perdemos, Se no perdê-las, Qual numa jarra, Nós pomos flores. Não há tristezas Nem alegrias Na nossa vida. Assim saibamos, Sábios incautos, Não a viver, LGLB LCT – PROVA I – PÁGINA 24 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO Mas decorrê-la, Tranquilos, plácidos, Tendo as crianças Por nossas mestras, E os olhos cheios De Natureza... [...] O tempo passa, Não nos diz nada. Envelhecemos. Saibamos, quase Maliciosos, Sentir-nos ir. REIS, R. [Fernando Pessoa]. Obra poética. Rio de Janeiro: Aguilar, 1965. p. 253. [Fragmento] No fragmento do poema anterior, aborda-se a questão do tempo. Logo na abertura, o caráter poético faz-se presente por meio da mudança do significado da expressão “perder tempo”, que ganha sentido conotativo porque A constrói uma oposição entre as atitudes de pressa e contemplação. B critica, por meio do eufemismo, a ideia de que viver significa aproveitar o tempo. C inverte seu caráter negativo usual, apontando a passagem do tempo como ganho. D recria, de maneira lírica, o ditado popular “Tempo é dinheiro”. E sugere, por metáforas, uma nova forma de relacionamento entre o homem e a natureza. Alternativa C Resolução: A expressão idiomática “perder tempo” tem seu significado associado a ocupar-se com tarefas pouco produtivas ou desinteressantes. No entanto, Ricardo Reis atribui a ela sentido positivo em “Mestre, são plácidas / Todas as horas / Que nós perdemos”, sugerindo que quando essas horas são gastas em atividades tranquilas, que transmitem serenidade, elas, na verdade, são ganhas, e não perdidas, como aponta corretamente a alternativa C. A alternativa A está incorreta porque ainda que o poema transmita a ideia de oposição entre pressa e contemplação, ela não está sintetizada na expressão “perder tempo”. A alternativa B está incorreta porque a expressão em análise não é eufemística, ainda que o texto critique a necessidade de sempre aproveitar o tempo. A alternativa D está incorreta porque o texto não apresenta uma interpretação capitalista de como se gastar o tempo. Finalmente, na alternativa E, a sugestão do eu lírico não se relaciona apenas com a natureza, mas com todos os aspectos da vida. QUESTÃO 41 Lua branca Oh, lua branca de fulgores e de encanto Se é verdade que ao amor tu dás abrigo Vem tirar dos olhos meus o pranto [...] Dá-me o luar de tua compaixão Oh, vem, por Deus, iluminar meu coração E quantas vezes lá no céu me aparecias A brilhar em noite calma e constelada E em tua luz então me surpreendias Ajoelhado junto aos pés da minha amada E ela a chorar, a soluçar, cheia de pejo Vinha em seus lábios me ofertar um doce beijo Ela partiu, me abandonou assim Ó, lua branca, por quem és, tem dó de mim GONZAGA, C. Disponível em: < https://www.letras.mus.br/>. Acesso em: 20 abr. 2016. [Fragmento] O texto musical de Chiquinha Gonzaga apresenta uma interlocução que explora três pessoas do pronome em relação ao verbo. A combinação equilibrada entre verbo e pronome ocorre em A. “vem”, no terceiro verso da primeira estrofe, com pronome de 3ª pessoa. B. “dá”, no primeiro verso da segunda estrofe, com pronome de 3ª pessoa. C. “aparecias”, no terceiro verso da segunda estrofe, com pronome de 3ª pessoa. D. “surpreendias”, no segundo verso da terceira estrofe, com pronome de 2ª pessoa. E. “vinha”, no segundo verso da quarta estrofe, com pronome de 2ª pessoa. Alternativa D Resolução: Analisando as combinações em cada uma das alternativas, vê-se que o verbo “surpreendias”, conjugado na segunda pessoa do pretérito imperfeito do modo indicativo, concorda com “tu”, que retoma “lua branca de fulgores e encanto”, sendo, portanto, D a alternativa correta. As alternativas A e B estão incorretas porque as formas verbais “vem” e “dá” estão conjugadas na segunda pessoa do modo imperativo afirmativo, e não na terceira. A alternativa C está incorreta porque o sujeito do verbo “aparecias” é “tu”, segunda pessoa, que também retoma “lua branca de fulgores e encanto”. Por fim, a alternativa E está incorreta porque o sujeito de “vinha” é “ela”, pronome de terceira pessoa. QUESTÃO 42 1. Sempre gostei da distinção clássica rostos vs. nomes. Você sabe: há pessoas que são boas com rostos. Outras são melhores nos nomes. Eu pertenço a uma terceira categoria: nem rostos nem nomes. Já pensei que era demência precoce, um efeito secundário de certas medicações. Hoje aceito a minha condição, que piora com a idade. DKR6 TZRM ENEM – VOL. 3 – 2018 LCT – PROVA I – PÁGINA 25BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO Conheço o nome de poucos amigos – os mais chegados, digamos. O resto é silêncio para mim, razão pela qual uso tantas vezes o tratamento “meu caro amigo”e “minha cara amiga”. As pessoas pensam que é simpatia natural. Não é. É ignorância onomástica pura. Quando a memória não ajuda, a senilidade pode ser uma graça. 2. Houve um tempo em que eu alimentava a ilusão de que praticava exercício físico. “Costumo nadar três vezes por semana”, dizia eu, do alto da minha soberba, para médicos vários que se horrorizavam com os meus exames. A família desconfiava. Os amigos desconfiavam. Até que a minha senhora, intrigada com a condição do atleta, resolveu espreitar a piscina onde ele passava certas manhãs. Encontrou-o na água, sim, equipado a rigor. Mas o atleta boiava. Para que a imagem fosse mais decadente, só faltava uma coxinha de frango numa mão e uma caipirinha na outra. Acabou-se a fraude. Hoje, vou à academia todas as segundas. Tenho um personal trainer, com formação militar, que me obriga a correr, pedalar, esticar, dobrar, desdobrar e, de vez em quando, vomitar. Quando abandono o meu calvário, nunca entro em restaurantes. Vou direto para a farmácia, onde procuro uma combinação perfeita de analgésicos e anti-inflamatórios que me acompanham durante toda a semana. COUTINHO, J. P. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br>. Acesso em: 09 dez. 2017. [Fragmento adaptado] A crônica foi planejada e executada num formato pouco tradicional: em tópicos numerados. Como linha argumentativa em comum entre os dois tópicos, essa estruturação revela A. abordagem pessimista da terceira idade, que é vista como um período de degradação. B. análise autoafirmativa do sujeito idoso, que supera os obstáculos impostos pela idade. C. defesa do exercício para o corpo e para a mente, que garante um envelhecimento saudável. D. entendimento tragicômico do passar do tempo, que é aceito com bom humor pelo autor. E. retórica debochada da terceira idade, que é entendida como época de vivências amargas. Alternativa D Resolução: Nos dois tópicos do texto, o autor expõe situações que vive ou tem vivido em sua vida, as quais, segundo ele, tem se agravado com o avanço da idade. São elas a memória falha para nomes e rostos de pessoas e a má condição física. No entanto, em seu relato, o autor consegue extrair uma abordagem cômica e bem-humorada dos episódios narrados. Assim, está correta a alternativa D. A alternativa A está incorreta porque a abordagem do autor não é pessimista. A alternativa B está incorreta porque o autor também não se empodera como idoso. A alternativa C está incorreta porque o autor não se posiciona a favor de exercícios para o corpo e a mente, mas confessa que, com a passagem do tempo, ele tem percebido os impactos da idade. A alternativa E, por sua vez, está incorreta porque não há deboche por parte do autor, já que ele é capaz de se divertir com o que lhe acontece à medida que envelhece, portanto, ele não vê a velhice como um período amargo da vida. QUESTÃO 43 Senhor, Posto que o Capitão-mor desta Vossa frota, e assim os outros capitães escrevam a Vossa Alteza a notícia do achamento desta Vossa terra nova, que se agora nesta navegação achou, não deixarei de também dar disso minha conta a Vossa Alteza, assim como eu melhor puder, ainda que – para o bem contar e falar – o saiba pior que todos fazer! Todavia tome Vossa Alteza minha ignorância por boa vontade, a qual bem certo creia que, para aformosentar nem afear, aqui não há de pôr mais do que aquilo que vi e me pareceu. Da marinhagem e das singraduras do caminho não darei aqui conta a Vossa Alteza – porque o não saberei fazer – e os pilotos devem ter este cuidado. CAMINHA, P. V. A carta. Disponível em: < http://www.dominiopublico. gov.br>. Acesso em: 26 dez. 2017. [Fragmento] A introdução d’A carta revela a intenção do autor e a elaboração de seu relato. De acordo com o que está exposto no trecho, Pero Vaz de Caminha constrói seu texto atendendo à característica da literatura de informação de A. privilegiar uma construção estética baseada na forma do relato. B. denunciar sem afetação os costumes pagãos na terra desconhecida. C. convencer o rei de sua competência comparável à de outros capitães. D. transmitir informações precisas do lugar sem interferência da fantasia. E. descrever experiências cotidianas e pessoais num diário de bordo. Alternativa D Resolução: No trecho, o autor revela sua intenção de elaborar seu relato por meio de um texto objetivo, já que não pretende “aformosentar nem afear” seu relato, mas sim descrever exatamente o que viu na terra desconhecida. O autor ressalta, ainda, que não escreverá “mais do que aquilo que vi e me pareceu”, ou seja, transmitirá informações precisas do lugar, o que caracteriza a literatura de informação. A alternativa correta é, portanto, a D. Por seu caráter objetivo, com intenção informativa, o gênero não privilegia a elaboração estética, conforme sugerido na A. Além disso, a denúncia de costumes sugerida na B traz a ideia de um juízo de valor que se afasta da descrição objetiva, o que torna incorreta essa alternativa. A alternativa C está incorreta porque, ainda que na carta constem trechos argumentativos, em que o autor busca convencer o Rei de Portugal das vantagens de colonização da terra invadida, no fragmento em análise identifica-se o propósito descritivo do texto, o qual é anunciado por Caminha. Por fim, a alternativa E está incorreta porque a finalidade do documento não é o registro de experiências pessoais do autor, mas de toda a tripulação em expedição. 2S89 LCT – PROVA I – PÁGINA 26 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO QUESTÃO 44 WATERSON, B. Disponível em: <http://depositodocalvin.blogspot.com.br>. Acesso em: 14 dez. 2017. Na fala do primeiro quadrinho, a coesão das ideias é estabelecida por meio de A. substantivo próprio, porque delimita a pessoa do discurso empregada. B. advérbio de negação, porque torna contraditória as ações do menino. C. substantivo abstrato, porque delimita a subjetividade do diálogo. D. locução verbal, porque condensa duas ações verbais em uma. E. pronome adjetivo, porque determina uma relação de catáfora. Alternativa E Resolução: Na sentença “Sabe Haroldo, eu não consigo entender esse negócio de morte”, a coesão das ideias é estabelecida pelo pronome adjetivo “esse”, o qual se refere a um termo posterior: “negócio de morte”. Assim, está correta a alternativa E. A alternativa A está incorreta porque o substantivo próprio “Haroldo” não delimita a pessoa do discurso empregada por Calvin, o emissor da mensagem, já que tanto a segunda quanto a terceira podem ser corretamente usadas. A alternativa B está incorreta porque o advérbio “não” se limita a negar a realização da ação por Calvin, sem fazer com que suas ações sejam contraditórias. A alternativa C está incorreta porque não são os substantivos “negócio” e “morte” que tornam o diálogo subjetivo, mas a abordagem do assunto. A alternativa D está incorreta porque não há locução verbal no período; o verbo “consigo” faz parte de uma oração, e “entender”, de outra. QUESTÃO 45 Disponível em: <http://www.aviacao.gov.br>. Acesso em: 13 dez. 2017. 7MKJ VLGK ENEM – VOL. 3 – 2018 LCT – PROVA I – PÁGINA 27BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO Na propaganda, combinam-se elementos verbais e não verbais para divulgar investimentos em aviação. Para a construção do texto, utilizou-se, como recurso persuasivo, A. duplicidade de sentido na composição do slogan. B. destaque à capacidade técnica e científica do país. C. comparação de dados numéricos anteriores e atuais. D. indicação de página online para verificação dos dados. E. hipérbole nos elementos imagéticos do casal e do avião. Alternativa A Resolução: A expressão “ganhou asas” pode significar conotativamente “superou-se” ou, denotativamente, “tornou-se dotado de asas”, numa referência ao fato de os brasileiros estarem usando mais o transporte aéreo nos últimos anos. Já “voa junto” significa conotativamente “acompanha a superação” ou, denotativamente,“voa também”, aludindo aos investimentos feitos pelo Governo para atender à demanda da população por melhorias na infraestrutura dos terminais. Assim, o principal recurso do texto em pauta é a duplicidade de sentidos no slogan, como exposto na alternativa A. A alternativa B está incorreta porque o texto informa a quantidade de obras a serem realizadas e o valor dos investimentos, no entanto não enaltece a capacidade técnico-científica do país. A alternativa C está incorreta porque não há comparação entre dados atuais e anteriores, apenas a informação do que será feito a partir de então. A alternativa D está incorreta porque a indicação da página do Governo Federal serve para trazer credibilidade à divulgação e instruir o acesso a informações adicionais, e não para checar os dados. Por sua vez, a alternativa E está incorreta porque não há hipérbole na imagem, mas metáfora, na qual as asas do avião tornam-se as asas do casal, simbolizando a população brasileira desfrutando dos investimentos públicos na aviação civil. LCT – PROVA I – PÁGINA 28 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO TEXTO I Estigmatização da cultura do funk O funk carioca, uma fusão das batidas do funk norte-americano e ritmos afro-brasileiros originado nos anos 70 e 80, enfrentou criminalização e críticas por ser associado a músicas cujas letras ultrapassam os limites do senso comum ao retratar violência, drogas e referências sexuais. Muitos artistas dizem que estão falando sobre a sua realidade e apontam para outros gêneros musicais que também incluem temas tabus, mas que não enfrentam reações com a mesma magnitude. Para muitos, a criminalização do funk, e por extensão a criminalização do passinho, é uma expressão da criminalização da pobreza. CRONIN, S. Tradução de Fernanda Lima. Disponível em: <http://rioonwatch.org.br>. Acesso em: 02 jan. 2018. [Fragmento adaptado] TEXTO II A verdade é que, assim como outros importantes gêneros atrelados à música, o Passinho não tem origem precisa. A única certeza é que a dança, considerada mais como uma variação do funk carioca, vem tomando contornos próprios e conquistando reconhecimento nacional e internacional, além de influenciar na formação, no dia a dia e até mesmo nos sonhos de adolescentes e jovens. Ao assumir tal escopo, torna-se também um movimento social. “Além da riqueza estética da antropofágica coreografia, que incorpora vários estilos de dança e arrebata mesmo quem não gosta de funk, o Passinho é o meio que a juventude se expressa e tenta vencer, com criatividade e alegria, a batalha da vida, na qual é, invariavelmente, estigmatizada por sua cor e classe social”, comenta o diretor da Batalha do Passinho e roteirista, Rafael Dragaud. LACERDA, V. Disponível em: <http://www.otempo.com.br>. Acesso em: 02 jan. 2018. [Fragmento] INSTRUÇÕES PARA A REDAÇÃO • O rascunho da redação deve ser feito no espaço apropriado. • O texto definitivo deve ser escrito à tinta, na folha própria, em até 30 linhas. • A redação que apresentar cópia dos textos da Proposta de Redação ou do Caderno de Questões terá o número de linhas copiadas desconsiderado para efeito de correção. Receberá nota zero, em qualquer das situações expressas a seguir, a redação que: • desrespeitar os direitos humanos. • tiver até 7 (sete) linhas escritas, sendo considerada “texto insuficiente”. • fugir ao tema ou que não atender ao tipo dissertativo-argumentativo. • apresentar parte do texto deliberadamente desconectada com o tema proposto. TEXTOS MOTIVADORES 07FW TEXTO III Passinho e mudanças sociais Acredita-se que o passinho é capaz de ajudar a amenizar a tensão entre diferentes favelas, uma vez que os dançarinos têm a capacidade de ultrapassar barreiras que separam territórios comandados por traficantes rivais. Para os dançarinos do passinho, ele dá a jovens homens negros, o grupo demográfico mais propenso a ser vítima de violência policial e coerção ao mundo do tráfico de drogas, um refúgio da violência e meios alternativos de ganhar status e dinheiro. O passinho tem um cunho político inerente através da afirmação do orgulho da cultura negra e da favela em um país que historicamente estigmatiza ambos. Também inerente ao movimento do passinho é o senso de comunidade e pertencimento. Muitos dançarinos referem-se aos seus colegas como “família” e os mais veteranos possuem um sentimento de responsabilidade como guias da próxima geração, não somente na dança, mas em suas escolhas de vida. CRONIN, S. Tradução de Fernanda Lima. Disponível em: <http://rioonwatch.org.br>. Acesso em: 02 jan. 2018. [Fragmento] TEXTO IV Campanha promovida pelo Festival #15Contra16 contra a redução da maioridade penal em 2015. Disponível em: <https://pt-br.facebook.com>. Acesso em: 02 jan. 2018. PROPOSTA DE REDAÇÃO A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da Língua Portuguesa sobre o tema “Caminhos para a socialização dos jovens por meio do funk”, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista. ENEM – VOL. 3 – 2017 LCT – PROVA I – PÁGINA 29BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO A proposta de redação orienta-se por uma temática geral: CAMINHOS PARA A SOCIALIZAÇÃO DOS JOVENS POR MEIO DO FUNK Toda a coletânea apresenta informações referentes a esse tema e, de modo geral, também oferece elementos para que os alunos consigam problematizar seu enfoque. A proposição de um título não é obrigatória na redação do Enem. No entanto, caso os alunos decidam assim, a correção deve penalizar apenas aqueles que colocarem o tema como título. Itens de correção de acordo com a grade Enem: I. Item destinado à avaliação da composição linguística do texto (uso da norma-padrão). São considerados os aspectos de domínio gramatical explorados na estruturação do raciocínio: concordância verbo-nominal, acentuação gráfica, ortografia, variedade vocabular, pontuação, entre outros recursos que, caso sejam mal utilizados, devem ser penalizados. O aspecto linguístico deve ser considerado em função do conteúdo do texto. Desse modo, se o texto for claro, mas apresentar algumas falhas gramaticais, que não prejudiquem o conjunto textual, elas devem ser penalizadas de forma moderada ou mesmo não ser penalizadas. • Número máximo de erros linguísticos para a obtenção de nota total nessa competência: dois erros (acima disso, penalizar na correção). Este item é avaliado em consonância com o item IV. II. Na compreensão do tema, os alunos devem problematizar a questão da criminalização do gênero musical funk carioca e de seus artistas e apreciadores, em oposição à socialização que ele promove, principalmente, aos jovens de baixa renda no Brasil. Nesse sentido, os alunos devem discutir como esse gênero musical pode ser agente de mudanças sociais e indicar quais ações as propiciariam. Analisando os textos-base, vê-se no texto I uma análise em que o autor traça brevemente a história do funk no Brasil e afirma existir a estigmatização do gênero, a qual teria origem no conteúdo das letras e no fato de a maioria dos artistas virem de comunidades com altos índices de criminalidade. Os textos II e III mostram como o “passinho”, uma dança derivada do funk carioca e, por consequência, do hip-hop, tem ajudado jovens de favelas a se socializarem e não se envolverem na criminalidade. Esses textos revelam o potencial da cultura desse gênero musical de inserir na sociedade jovens de minorias que historicamente têm poucas oportunidades, já que incute neles senso de responsabilidade e de comunidade. Já o texto IV é parte de uma campanha – promovida por um festival de música – que se opôs à redução da maioridade penal e promoveu o funk como forma de combater a criminalidade entre os jovens. Com relação ao cumprimentodo objetivo, os alunos devem perceber a necessidade de criar um enfoque problematizador do tema (desafios e perspectivas), já que é solicitada a criação de uma proposta de intervenção. Desse modo, podem propor uma tese de raciocínio relacionada, por exemplo, à importância de se promover a cultura do funk e do hip-hop como ferramenta de socialização entre jovens de comunidades carentes, em analogia a outras atividades artísticas ou esportivas. Também se pode defender o funk e o “passinho” da criminalização sofrida socialmente, uma vez que, na verdade, eles podem tirar muitos jovens das situações de risco associadas às drogas e ao crime. • Sinalizar, na correção, existência ou ausência da tese de raciocínio. Caso não haja tese no texto dos alunos, este item deve ser penalizado com maior rigor (nota mínima ou zero). Penalizar também a presença de trechos mais longos que escapem às tipologias argumentativa e expositiva (como os de cunho narrativo). Este item é avaliado em consonância com o item III. III. Com relação à terceira habilidade avaliada, domínio da estrutura textual argumentativa, os alunos devem confirmar ou discutir sua tese por meio de estratégias argumentativas diversificadas, com certo grau de ineditismo e autoria, procurando fugir, ao menos parcialmente, de uma abordagem atrelada ao senso comum. No caso dessa proposta, os alunos podem argumentar que manifestações culturais como o “passinho”, por terem se originado em estratos marginalizados da população, sofrem preconceito, o que termina por criminalizá-las, como tem acontecido sistematicamente com a pobreza no Brasil. Assim, é importante reforçar que o funk, independentemente do conteúdo de suas letras, é legítimo como manifestação cultural e representa uma minoria cujas ambições e vontades são as mesmas das classes sociais mais confortáveis. Ainda, é importante discutir os caminhos para a socialização promovidos pelo funk. Pode-se defender o engajamento dos jovens que estudam música e dança e desenvolvem com a comunidade um vínculo social que os motiva a promover ações para melhorar as condições dela. As principais consequências disso são menos jovens envolvendo-se com a criminalidade e buscando mais oportunidades de estudo e emprego, além de perseguir uma carreira artística de prestígio. • A ausência de problematização do enfoque deve ser penalizada (com nota igual ou inferior a 50%). Este item deve ser avaliado em conexão com o item II, para que não haja penalização dupla dos mesmos problemas. IV. Na quarta habilidade, domínio da estrutura linguístico-semântica, os alunos devem demonstrar uso coerente de sequências discursivas, especialmente no que diz respeito às cadeias coesivas construídas no texto, com o auxílio de determinadas ferramentas da norma-padrão (pontuação, conectores etc.). As relações coesivas devem ser avaliadas entre as sentenças e entre os parágrafos. LCT – PROVA I – PÁGINA 30 ENEM – VOL. 3 – 2017 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO • Este item deve ser avaliado em conexão com o item I, para que não haja penalização dupla dos mesmos problemas. V. Na quinta habilidade avaliada, proposta de intervenção, os alunos devem propor estratégias para solucionar as situações- -problema apresentadas ao longo do texto. Nesse sentido, deve haver detalhamento e variedade nas propostas apresentadas. Em relação ao tema em questão, devem ser apontadas medidas que viabilizem a socialização dos jovens por meio da imersão na cultura do funk. Uma intervenção importante é a conscientização a respeito da descriminalização desse gênero musical, o que pode ser reforçado por campanhas promovidas por artistas, juntamente de canais midiáticos, atingindo grande parcela da população. Artistas e apreciadores de funk e do “passinho” também podem se mobilizar para criar oficinas de música e dança para jovens, incentivando-os a organizar coletivos artísticos relacionados ao funk. Essa postura engajada ajudaria na quebra do paradigma que rodeia essa manifestação cultural no Brasil. • A intervenção proposta pelos alunos deve estar em conformidade com a tese e a argumentação desenvolvidas ao longo do texto. Do contrário, deve haver penalização. ENEM – VOL. 3 – 2017 LCT – PROVA I – PÁGINA 31BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS Questões de 46 a 90 QUESTÃO 46 O Positivismo na História seria aquela corrente [...] que no século XIX definiu que “os documentos falam por si próprios”, consistindo o trabalho do historiador em apresentar os “fatos” indicados pelos documentos. Assim, além de carecer de interpretações e de hipóteses de fundo, essa historiografia caracterizar-se-ia por ser dedicada aos fenômenos políticos, isto é, aos atos dos “grandes líderes” e à vida (política) das nações, sem dúvida, aí incluídas, as guerras. LACERDA, G. Augusto Comte e o “positivismo” redescobertos. In: Revista de Sociologia e Política. Curitiba, v. 17, n. 34, 2009. O positivismo de Comte influenciou diversas áreas das ciências humanas. Uma característica positivista que norteia a busca de um estudo dos fatos é a A. integração das áreas humanas do conhecimento. B. valorização da neutralidade e da objetividade. C. constatação da importância da pesquisa. D. produção de conhecimento utilitário. E. politização das ciências humanas. Alternativa B Resolução: Auguste Comte foi o responsável por sistematizar as ideias positivistas, ajudando a divulgá-las. Para ele, o positivismo defende que o único conhecimento verdadeiro é resultado da ciência experimental. Ou seja, o método científico, observação e experimento, é o meio para se alcançar o conhecimento. Ademais, o positivismo possui outros princípios, ressaltados por Comte em seus escritos, como: os fatos são a base da elaboração das leis; busca por leis universais que regem todos os fenômenos; rejeição às explicações metafísicas e religiosas; e, por fim, objetividade e neutralidade. Este último princípio advém da influência científica do cenário da época, dominado pelas ciências naturais, em que Comte se baseou para alicerçar seus ideais científicos. Dessa maneira, a alternativa correta é a B. Vamos analisar as demais alternativas: A) Não há menção, no texto-base, a uma integração das áreas humanas do conhecimento. C) O texto-base, embora fale sobre uma pesquisa de História, não demonstra com argumentos a importância da pesquisa. D) O texto-base não reflete a produção de conhecimento utilitário por parte do positivismo. E) O texto-base não indica, por parte do positivismo, uma necessidade de politização das ciências humanas. A1GØ QUESTÃO 47 O intento dos nacionalistas catalães de convocar de forma unilateral um referendo de independência declarado ilegal pela Justiça causou um enorme racha com o resto da Espanha e dentro da própria Catalunha. O governo espanhol enviou uma grande força policial à região, no canto nordeste do país, e prendeu vários dirigentes políticos que comandavam a organização do plebiscito. [...] A Catalunha nunca foi uma nação independente, mas tem há muito um governo próprio, conhecido como Generalitat. Ela estava integrada dentro do reino de Aragão, cuja unificação com Castela, em 1492, deu origem ao nascimento da Espanha. Tem uma língua própria, falada pela maioria da população. A Catalunha sempre foi uma das regiões mais ricas do país e uma das primeiras a conseguir o desenvolvimento industrial. Disponível em: <https://brasil.elpais.com>. Acesso em: 17 out. 2017. A relação entre Espanha e Catalunha, descrita no texto, está vinculada ao processo de organização do Estado espanhol, consolidado ainda no século XV, e demonstra a A. integração dos diversos grupos étnicos da população espanhola. B. supressão de algumas culturas após a consolidação do Estado. C. construção da pluralidade cultural como ameaça ao modelo de Estado-nação. D. fragmentação do território espanhol em regiões independentes. E. obstrução espanholaao desenvolvimento econômico da região. Alternativa C Resolução: A unificação política do Estado Nacional espanhol não garantiu uma unidade cultural entre os diversos grupos étnicos que compunham os reinos, que, unidos sob a liderança de Aragão e Castela, dariam origem à Espanha, o que provocou ao longo da história do país alguns conflitos com objetivos separatistas, como o caso catalão. O intento catalão de se tornar independente da Espanha, ainda no século XXI, revela que a pluralidade cultural espanhola representa uma ameaça ao modelo de Estado-nação, o que torna correta, portanto, a alternativa C e contraria a alternativa A. A alternativa B está incorreta, pois, apesar do processo de organização do Estado espanhol, no século XV, ter tido como principal tarefa a criação de uma nacionalidade que sobrepusesse as diversas identidades preexistentes à unificação, é possível observar, ainda no século XXI, a força da cultura da região da Catalunha, que tem uma língua própria, falada pela grande maioria da população. A alternativa D também está incorreta, pois, apesar da condição de comunidade autônoma, a Catalunha não é uma região independente na Espanha. Por fim, o texto afirma que a Catalunha “sempre foi uma das regiões mais ricas do país e uma das primeiras a conseguir o desenvolvimento industrial”, o que contraria a alternativa E. 25MU CH – PROVA I – PÁGINA 32 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO QUESTÃO 48 A origem do absolutismo pode ser vinculada a uma série de processos que se desenvolveram desde o fim da Idade Média. Na verdade, o absolutismo foi um desdobramento do processo de centralização dos Estados Nacionais europeus e contou com o apoio da maioria dos setores da sociedade – não foi mera imposição de reis despóticos. Em uma época de grande instabilidade, em que a ordem e a segurança eram tão necessárias, o absolutismo foi desejado [...]. MOUTON, R. Coleção Estudo EM1. Belo Horizonte: Editora Bernoulli, 2015. v. 2, p. 4. O texto relaciona a origem do absolutismo à crise do Sistema Feudal e aos interesses de vários setores da sociedade europeia. Entre esses grupos que desejavam a centralização do poder destacam-se os A. camponeses, que garantiriam do soberano uma política de proteção das atividades de subsistência e de extinção da servidão. B. setores da nobreza, que almejavam recuperar os privilégios feudais de nascimento e de isenção de impostos perdidos durante a crise do feudalismo. C. intelectuais, que ambicionavam benesses nobiliárias concedidas pelo rei como recompensa pelo apoio expresso na formulação da Teoria do Direito Divino. D. grupos mercantis, que aspiravam a unificação do mercado interno a partir da fixação das fronteiras nacionais do reino. E. membros do clero, que pretendiam intensificar o combate aos infiéis muçulmanos por meio da submissão do poder real aos desígnios da Igreja. Alternativa D Resolução: O absolutismo tem suas origens no processo de formação dos Estados Modernos, que deve ser entendido no contexto das transformações ocorridas na Baixa Idade Média, período cujas contradições levaram ao declínio dos particularismos feudais em favor do fortalecimento da autoridade real. Os interesses dos diferentes grupos sociais possibilitaram a formação de uma conjuntura favorável à centralização político-administrativa sob a forma de um Estado unificado. Entre esses grupos, destacou-se a burguesia que via na organização dos Estados Nacionais a possibilidade de colocar fim aos particularismos e a diversidade de sistemas de pesos, medidas e moedas que dificultavam as transações comerciais e emperravam os lucros mercantis. Assim, a unificação do mercado interno, a partir da fixação das fronteiras nacionais do reino, por meio da centralização político-administrativa, atendiam os interesses desses grupos mercantis, o que torna correta a alternativa D. ONAX A alternativa A está incorreta, pois, na sociedade do Antigo Regime, desenvolvida frente à concepção absolutista, os camponeses, bem como os trabalhadores urbanos e a burguesia, eram responsáveis pelo sustento do Estado e dos grupos privilegiados e não gozavam de nenhuma forma de proteção do soberano. A alternativa B também está incorreta, pois o Estado Moderno foi um novo arranjo que garantiu a manutenção da estrutura social aristocrática e estamental do período feudal. De maneira geral, os teóricos do direito divino já eram nobres ou faziam parte do clero, o que invalida a alternativa C. Por fim, a alternativa E também está incorreta, pois o crescente poder dos reis impôs limites ao domínio universal da Igreja, que se manifestava desde a Idade Média. QUESTÃO 49 Além da progressão impressionante do custo de transporte das fazendas aos portos, assusta a falta de competitividade do Brasil frente aos grandes produtores de grãos no mundo. Na média nacional, Luiz Fayet estima que transportar a produção até um terminal portuário chega a custar quatro vezes as despesas estimadas nos Estados Unidos e na Argentina. Disponível em: <https://www.em.com.br/>. Acesso em: 17 nov. 2017. A rede de transporte de cargas no Brasil apresenta vários entraves. Considerando os problemas citados no texto, a intermodalidade de transportes seria uma alternativa para o(a) A. crescimento dos custos de manutenção da estrutura ferroviária por causa da priorização desse modal. B. redução contínua do volume de cargas do modal aquaviário por efeito da baixa demanda internacional. C. distanciamento das áreas de produção tanto dos portos quanto das estruturas de transportes já existentes. D. elevação do tempo de espera para o embarque portuário em consequência da maior rotatividade. E. lentidão no percurso rodoviário para distâncias reduzidas em razão do encalhe de soja no trajeto. Alternativa C Resolução: A interiorização da produção do agronegócio brasileiro constitui um problema no transporte de mercadorias no país, pois a distância entre as áreas de produção e as de escoamento aumentou. A expansão da fronteira agrícola para o Centro-Oeste – e que já alcança o Norte –, associada ao crescimento da indústria de base e de bens de consumo no Nordeste, são as principais causas dessa distância maior. A alternativa A está incorreta pois a estrutura ferroviária tem baixo custo de manutenção e o modelo priorizado no país é o rodoviário. A alternativa B está incorreta, pois a redução do volume de cargas por navio não é solucionada pela intermodalidade. A alternativa D está incorreta, pois a intermodalidade não resolveria a ineficiência portuária. A alternativa E está incorreta, pois o transporte rodoviário tem um bom desempenho para o deslocamento em curtas distâncias. 429D ENEM – VOL. 3 – 2018 CH – PROVA I – PÁGINA 33BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO QUESTÃO 50 Planalto Colúmbia – Estados Unidos * representação sem escala PRESS, F.; SIEVER, R.; GROTZINGER, J.; JORDAN, T. H. Para entender a Terra. 4. ed. Porto Alegre: Bookman, 2006. O Planalto Colúmbia, representado no mapa anterior, foi formado pelo empilhamento de diversas camadas de basalto. Como mecanismos de criação de formas de relevo, destacam-se as forças endógenas do planeta Terra. No caso do Planalto Colúmbia, sua gênese se relaciona à força endógena conhecida como A. vulcanismo. B. tectonismo. C. epirogênese. D. orogênese. E. intemperismo. Alternativa A Resolução: A lava basáltica, ao irromper em um terreno plano, pode se espalhar sob forma de lençóis espessos, formando um derrame de lava. Quando os derrames sucessivos de lava basáltica se empilham, formam-se imensos planaltos, como o Planalto de Colúmbia. As alternativas B, C e D estão incorretas porque o tectonismo compreende o deslocamento de massas rochosas construindo ou reorganizando a estrutura terrestre em decorrência de tensões na crosta. A epirogênese e a orogênese são exemplos de tectonismo. A alternativa E está incorreta porque ointemperismo é uma força exógena e não endógena. QUESTÃO 51 Essencialmente, o Absolutismo era apenas isto: um aparelho de dominação feudal alargado e reforçado, destinado a fixar as massas camponesas na sua posição social tradicional [...]. Por outras palavras, o Estado absolutista nunca foi um árbitro entre a aristocracia e a burguesia, ainda menos um instrumento da burguesia nascente contra a aristocracia: ele era a nova carapaça política de uma nobreza atemorizada [...]. ANDERSON, P. Linhagens do Estado Absolutista. Trad. Porto: Afrontamento, 1984. W6F7 5ØWV De acordo com o texto, a forma absolutista de organização do poder monárquico nos Estados modernos europeus, entre os séculos XVI e XVIII, representou a A. transformação da estrutura socioeconômica dos Estados. B. fragilização da relação entre o rei e os grupos dominantes. C. manutenção da dominação da nobreza nos quadros sociais. D. ascensão política de grupos tradicionalmente negligenciados. E. pacificação dos conflitos entre os diversos atores da sociedade. Alternativa C Resolução: O texto destaca que o absolutismo foi “um aparelho de dominação feudal alargado e reforçado, destinado a fixar as massas camponesas na sua posição social tradicional” e “era a nova carapaça política da nobreza”, indicando que a organização de Estados de caráter absolutista tinha como objetivo a manutenção da dominação da nobreza sobre as demais camadas sociais, o que torna correta a alternativa C e contraria a alternativa A. O absolutismo fortaleceu a relação entre a monarquia e os grupos dominantes, como nobreza e clero, uma vez que, ao conceder privilégios a esses grupos, o rei ampliava seus poderes sobre eles, o que invalida a alternativa B. A alternativa D também está incorreta, pois, segundo o texto, o absolutismo visava a persistência dos quadros sociais herdados do feudalismo. Por fim, de acordo com o texto, o absolutismo “nunca foi árbitro entre a aristocracia e a burguesia”, o que contraria o argumento apresentado na alternativa E. QUESTÃO 52 TEXTO I A refutação consistia, em certo sentido, da parte destrutiva do método, ou seja, o método socrático levava o interlocutor a reconhecer sua própria ignorância. Primeiro ele forçava uma definição do assunto sobre o qual a investigação versava; depois, escavava de vários modos a definição fornecida, explicitava e destacava as carências e contradições que implicava; então exortava o interlocutor a tentar nova definição, criticando-a e refutando-a com o mesmo procedimento; até o momento em que o interlocutor se declarava ignorante. REALE, G. História da Filosofia: filosofia pagã. 3. ed. São Paulo, 2007 (Adaptação). TEXTO II Os sofistas, pela primeira vez na filosofia grega, desviaram o olhar da natureza e dirigiram-no mais amplamente para o homem; segundo, foram eles os primeiros a fazer do pensamento objeto de pensamento, dando início a uma crítica de suas condições, possibilidades e limites. E por último submeteram os padrões dos valores éticos a uma reflexão perfeitamente racional, com isso abrindo possibilidade de a ética ser tratada cientificamente, e de fazer-se dela um sistema filosófico coerente. STÖRIG, H. J. História geral da Filosofia. 2. ed. Petrópolis: Editora Vozes, 2009 (Adaptação). Y43Q CH – PROVA I – PÁGINA 34 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO A principal diferença entre as duas visões acerca da Filosofia encontra-se na A. refutação das conclusões dialéticas. B. valorização do raciocínio filosófico. C. teoria sobre a origem do homem. D. concepção acerca da verdade. E. busca da felicidade humana. Alternativa D Resolução: O conflito filosófico entre Sócrates (e posteriormente Platão) e os sofistas é um dos pontos mais relevantes da história da Filosofia. Enquanto os primeiros – Sócrates e Platão – defendiam uma concepção de verdade objetiva e absoluta, ou seja, independente de qualquer pensamento, discurso ou opinião de qualquer pessoa, os segundos defendiam uma concepção mais antropológica da verdade, que ficou expressa na famosa sentença de Protágoras: “O homem é a medida de todas as coisas.” Assim, a principal diferença entre essas visões consistia na concepção acerca da verdade defendida por cada uma delas, sendo a resposta correta a alternativa D. QUESTÃO 53 Sócrates: Imaginemos que existam pessoas morando numa caverna. Pela entrada dessa caverna entra a luz vinda de uma fogueira situada sobre uma pequena elevação que existe na frente dela. Os seus habitantes estão lá dentro desde a infância, algemados por correntes nas pernas e no pescoço, de modo que não conseguem mover-se nem olhar para trás, e só podem ver o que ocorre à sua frente. [...] Naquela situação, você acha que os habitantes da caverna, a respeito de si mesmos e dos outros, consigam ver outra coisa além das sombras que o fogo projeta na parede ao fundo da caverna? PLATÃO. A República. In: PERINE, M. São Paulo: Editora Scipione, 2002. (Adaptação) As sombras, no “Mito da caverna”, de Platão, representam metaforicamente A. o mundo inteligível e ideal. B. as ideias perfeitas e imutáveis. C. o conhecimento verdadeiro do real. D. as ilusões proporcionadas pela religião. E. as ideias falsas formuladas no mundo sensível. Alternativa E Resolução: A alegoria da caverna é um dos argumentos mais conhecidos e renomados da história da filosofia. Segundo Platão, o mundo sensível em que vivemos não era capaz de levar os homens ao verdadeiro conhecimento, uma vez que a realidade sensível era mutável e imperfeita. Assim, as sombras da caverna consistiam em falsas ideias formuladas no mundo sensível, sendo a resposta correta a alternativa E. KMQS QUESTÃO 54 Pirâmide etária Brasil – 1980 80+ 75-79 70-74 65-69 60-64 55-59 50-54 45-49 40-44 35-39 30-34 25-29 20-24 15-19 10-14 5-9 0-4 HOMENS MULHERES IBGE. Pirâmide etária Brasil – 2050 80+ 75-79 70-74 65-69 60-64 55-59 50-54 45-49 40-44 35-39 30-34 25-29 20-24 15-19 10-14 5-9 0-4 HOMENS MULHERES IBGE. Os indicadores demográficos das pirâmides etárias brasileiras de 1980 e 2050 demonstram que A. a taxa de mortalidade diminuiu, a taxa de natalidade reduziu e a expectativa de vida aumentou. B. a população absoluta diminuiu, a taxa de fecundidade declinou e a expectativa de vida aumentou. C. a População Economicamente Ativa diminuiu, a fecundidade diminuiu e a proporção de idosos subiu. D. a taxa de dependência econômica aumentou, o número de jovens cresceu e a quantidade de adultos reduziu. E. o número de mortes ultrapassou o de nascimentos, o desequilíbrio de gênero acentuou e a população envelheceu. Alternativa A Resolução: De acordo com as pirâmides etárias brasileiras, o perfil da população mudou. Nota-se que entre 1980 e 2050 a taxa de mortalidade diminuiu (topo largo), a taxa de natalidade abaixou (base estreita) e a expectativa de vida aumentou (ápice largo). A alternativa B está incorreta porque as pirâmides etárias não demonstram que a população absoluta diminuiu. CRWN ENEM – VOL. 3 – 2018 CH – PROVA I – PÁGINA 35BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO A alternativa C está incorreta pois o corpo da pirâmide, que representa a População Economicamente Ativa, ficou mais largo entre 1980 e 2050, o que significa que essa parcela da população aumentou. A alternativa D está incorreta, pois na pirâmide de 2050 o número de jovens reduziu e o de adultos subiu. A alternativa E está incorreta porque a quantidade de nascimentos no Brasil é maior que a de mortes, e não há desequilíbrio acentuado entre o número de mulheres e o de homens. QUESTÃO 55 Aqui radica a ideia da vocação em sua forma suprema. A entrega ao carisma do profeta ou do líder na guerra ou do grande demagogo na ekklesia ou no Parlamento significa que este é considerado, pessoalmente, o “líder” dos homens, em virtude de uma “vocação” interna, e que estes não se submetem aele em virtude do costume ou de estatutos, mas sim porque acreditam nele. [...] Altamente decisiva é antes a natureza dos recursos de que dispõem. A questão de como as potências politicamente dominantes vieram a manter-se no poder aplica-se a todos os tipos de dominação política, em todas as suas formas, tanto a tradicional quanto a legal e a carismática. WEBER, M. Economia e sociedade: fundamentos da sociologia compreensiva. Brasília: Editora Universidade de Brasília; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 1999. Tradicional, legal e carismática são os tipos de dominação para Max Weber. Especificamente, o que caracteriza a dominação carismática é a A. confiança nas qualidades do líder. B. esperança na tradição e nos costumes. C. convicção nas leis vigentes da sociedade. D. obediência a um sistema de regras e de valores. E. crença no aparato legal e burocrático do Estado. Alternativa A Resolução: Para Max Weber, a dominação indica uma desigualdade de poder que determina a existência de, no mínimo, dois grupos: um dominante e um dominado. Logo, a dominação é considerada legítima quando existe um nível de aceitação e concordância por parte de quem é subordinado ao poder dominante. Na teoria weberiana, existem três tipos puros, isto é, tipos ideais, de dominação legítima: tradicional, racional-legal e carismática. Este último tipo “caracteriza-se pela crença nas qualidades do líder, que podem ser da ordem da coragem, do heroísmo, dos dons sobrenaturais, da inteligência ou da simpatia, e geralmente são atreladas a uma grande capacidade oratória e ao uso da propaganda ideológica” (DELAZARI, F. Durkheim e Weber. In: Coleção Estudo 6V: Sociologia. Belo Horizonte: Bernoulli Sistema de Ensino, 2018. v. 1. p. 20). Assim, percebe-se que a alternativa correta é a A. Vamos analisar as demais alternativas: B) A obediência, esperança ou seguimento de costumes e tradições são identificados, por Weber, na dominação tradicional. 4V3H C) A existência de um sistema de regras, obedecido pelos integrantes do grupo, é característica da dominação racional-legal. D) Como ressaltado anteriormente, a obediência a um sistema de regras, racionalmente elaborado, é vinculada à dominação racional-legal. E) O Estado moderno, para Weber, é um exemplo da aplicação da dominação racional-legal e do modelo burocrático. QUESTÃO 56 Houve embriões de capitalismo na sociedade babilônica, romana, chinesa e hindu, mas em parte alguma esses elementos deram margem à racionalização que caracteriza o desenvolvimento do capitalismo moderno. Esse fenômeno é peculiar à sociedade ocidental. [...]. O etos protestante foi uma das fontes da racionalização da vida que contribuiu para formar o que ele [Max Weber] chama de o “espírito capitalista”. [...]. O judaísmo contribuiu de maneira indireta para o nascimento do capitalismo, legando ao cristianismo sua hostilidade à magia, que por toda parte estereotipou a técnica e a economia. Essa hostilidade à magia e também o fato de, contrariamente às religiões do Oriente, o cristianismo ter sido uma religião plebeia tiveram por consequência o processo de desencanto do mundo que sempre assumiu maior amplitude com o movimento de secularização registrada no fim da Idade Média. FREUND, J. Sociologia de Max Weber. Trad. de Luís Claudio de Castro. 4ª ed. Rio de Janeiro: Forense-Universitária, 1987. p. 128. De acordo com o texto, o capitalismo se desenvolveu na Europa Ocidental em função da A expansão do cristianismo, que favoreceu as relações capitalistas ao exaltar valores humanitários como o perdão e o amor ao próximo. B expansão da fé protestante, que contribuiu para disseminar valores como a disciplina, a austeridade e o amor ao trabalho. C diminuição do processo de desencantamento do mundo, que possibilitou a criação de condições para o desenvolvimento capitalista nas sociedades modernas. D difusão dos valores cristãos, que favoreceram as atitudes de contemplação e de resignação diante da vida governada pela graça de Deus. E ampliação do espírito capitalista, que foi marcado pela irracionalidade com que seus adeptos se lançaram na busca pela realização do desejo de acúmulo de bens materiais. Alternativa B Resolução: Em A ética protestante e o espírito do capitalismo, Weber desenvolve um estudo que compreende religião e relações sociais. Dessa maneira, objetivando estabelecer um vínculo entre economia capitalista e o conteúdo doutrinal do protestantismo, Weber percebe a ocorrência de afinidades eletivas entre essas duas categorias, contudo, sem estabelecer uma causalidade estrita entre ambas. EOK5 CH – PROVA I – PÁGINA 36 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO Em outras palavras, a reforma protestante trouxe à tona uma nova perspectiva de homem e de mundo, com uma maior valorização do indivíduo e da razão. Isto é, para Weber, a concepção puritana de vida, oriunda do código moral protestante, ajudou na formação do homo oeconomicus do mundo moderno. Por isso, “os valores éticos do protestantismo não são a causa do capitalismo [...], mas devem ser lidos como um dos seus elementos fundamentais. Esse vínculo íntimo entre religião e economia trouxe um novo olhar sobre as complexas relações sociais das sociedades contemporâneas.” (DELAZARI, F. Durkheim e Weber. In: Coleção Estudo 6V: Sociologia. Belo Horizonte: Bernoulli Sistema de Ensino, 2018. v. 1. p. 21). Assim, a alternativa correta é a B. Vamos analisar as demais alternativas: A) A argumentação weberiana versa em torno da ascensão do protestantismo e não do cristianismo. Ao mesmo tempo, os valores éticos do protestantismo, ressaltados por Weber, que influenciaram o sistema capitalista estão mais vinculados a questões como o lucro, a disciplina e a ascese ligada ao trabalho. C) O processo de desencantamento do mundo é marcado pelo declínio das formas míticas e mágicas para ordenar e explicar a vida social. De fato, não foi o declínio desse processo que criou condições para o florescimento do sistema capitalista. D) Os valores protestantes que ajudaram nesse processo da consolidação do capitalismo são, para Weber, aqueles ligados ao trabalho. E) Weber não diz, em sua obra, que a ampliação do espírito capitalista foi demarcada pela irracionalidade. QUESTÃO 57 Fragmento da capa de O Estado de S.Paulo, 11/11/1989. Ø777 Alemães ocidentais e orientais sobem no muro de Berlim; comemoração da abertura da fronteira entre as duas Alemanhas e o gesto simbólico, com o martelo, antecipando a derrubada do muro ENEM – VOL. 3 – 2018 CH – PROVA I – PÁGINA 37BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO A capa do jornal de novembro de 1989 noticiou o contexto internacional marcado por diversos acontecimentos geopolíticos e que foi uma consequência direta da(o) A. limitação do poder das democracias europeias. B. disputa militar entre países do continente europeu. C. rejeição do neoliberalismo entre países da Europa. D. crescimento da extrema direita no Velho Continente. E. derrocada dos regimes socialistas no Leste Europeu. Alternativa E Resolução: A capa do jornal O Estado de S. Paulo, de 11 de novembro de 1989, noticiou a queda do Muro de Berlim e do ditador comunista búlgaro. Ambos os eventos conduzem à resposta correta da questão, pois naquele contexto os regimes comunistas estavam em declínio e os países do Leste Europeu se tornavam independentes da União Soviética. Em 1991, a Guerra Fria acabou com a dissolução da União Soviética. A alternativa A está incorreta porque a democracia se difundiu entre os países. A alternativa B está incorreta pois na Guerra Fria os embates entre Estados Unidos e União Soviética foram indiretos. Entre os países europeus não houve conflitos armados naquela época. A alternativa C está incorreta porque o neoliberalismo se alastrava nos países capitalistas e a queda do muro não se deve à rejeição dessa política econômica. A alternativa D está incorreta,pois a derrubada do Muro de Berlim não decorre do crescimento da extrema direita. QUESTÃO 58 A monocultura acompanha necessariamente a grande propriedade tropical; os dois fatos são correlatos e derivam das mesmas causas. PRADO JÚNIOR, Caio. Formação do Brasil contemporâneo. São Paulo: Brasiliense, 1977. p. 121. Uma das causas que explica a correlação estabelecida no trecho, relacionada à economia açucareira na América Portuguesa, é a A. carência de mão de obra livre. B. deficiência das técnicas de produção. C. necessidade da produção em larga escala. D. disponibilidade dos investimentos metropolitanos. E. precariedade dos meios de transporte. Alternativa C Resolução: A economia açucareira desenvolveu-se na América Portuguesa baseada na produção monocultura, em gigantescas propriedades fundiárias, voltada para o mercado externo. Para atender à grande demanda europeia pelo produto e visando a obtenção de lucros, a economia açucareira necessitava da produção em larga escala, o que torna válida a alternativa C. A alternativa A está incorreta, pois as atividades nos engenhos não se limitavam ao exercício da agricultura, e muitas delas eram realizadas pela mão de obra livre. A alternativa B também está incorreta, pois a complexidade do engenho e a necessidade do domínio de uma série de técnicas de produção promoveram um cenário de especialização. Contrariamente ao indicado na alternativa D, a produção açucareira na América, sobretudo nas primeiras décadas de colonização, não contou com GM7N financiamentos da Coroa, mas com investimentos de particulares. Por fim, a alternativa E também está incorreta, pois a qualidade dos meios de transporte do período não corresponde a uma explicação da correlação estabelecida entre monocultura e grandes propriedades. QUESTÃO 59 Protágoras partiu de uma concepção segundo a qual a pena da lei deve ter uma função educativa, uma função cívica e pedagógica em razão da possibilidade própria da natureza humana de ser educada. E essa função educativa da lei pressupõe a participação do Estado como um todo, com sua força educadora, a conduzir sistematicamente a educação dos seus cidadãos. Protágoras fazia da própria lei um instrumento de educação como se pode verificar da sua avançada teoria da pena com função educativa, dentro da doutrina da prevenção especial e da prevenção geral, calcada no princípio de retribuição. “Não creia a justiça existente por natureza ou automaticamente adquirida, mas conquistada por meio de ensinamento e exercício.” Como se nota, a justiça é adquirida, por ensinamento e exercício. Antes que Aristóteles o dissesse, já o dissera Protágoras: a justiça é uma virtude. SALGADO, J. C. O espírito do Ocidente ou a razão como medida: Protágoras de Abdera, a educação, o Estado e a justiça. Revista Brasileira de Estudos Políticos, Belo Horizonte, n. 109, pp. 411-436, jul./dez. 2014. Na Antiguidade Grega, a formação integral do cidadão – considerados os aspectos intelectual, moral e cívico – era um tema a que se dava muita importância. Vários pensadores do período dedicaram profundas e extensas reflexões ao tema. A reflexão de Protágoras A. garante caráter educativo às leis. B. nega a utilidade punitiva das leis. C. identifica a justiça com a natureza. D. unifica as noções de justiça e razão. E. propõe a punição como função do Estado. Alternativa A Resolução: Esse trecho que comenta a filosofia de Protágoras traz um elemento não muito explorado sobre o pensador. Protágoras – bem como a sofística em geral – é associado à retórica, ao relativismo e às divergências com o pensamento socrático-platônico. Essa reflexão de Protágoras pensa um caráter não punitivo, mas educativo, para as leis, sendo correta, portanto, a alternativa A. Analisaremos as alternativas: B) Protágoras não está, no trecho, negando a utilidade punitiva das leis, mas sim pensando a utilidade educativo-formativa. C) No texto mesmo lemos que “Não creia a justiça existente por natureza ou automaticamente adquirida, mas conquistada por meio de ensinamento e exercício”, o que invalida essa alternativa. D) Em momento algum do texto é sugerida essa união, por isso esse tipo de inferência é inválido. E) A proposição de Protágoras é a lei com função educadora. 8QDI CH – PROVA I – PÁGINA 38 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO QUESTÃO 60 Nos séculos XVI e XVII, a exploração da região amazônica acabou surgindo como uma solução para o papel econômico anteriormente desempenhado pelas especiarias indianas. Afinal, esse espaço do território colonial acabou se mostrando rico em frutas, sementes, raízes e outras plantas que tinham finalidades medicinais e culinárias. Cacau, cravo, guaraná, urucum, poaia e baunilha foram alguns dos produtos que ficaram conhecidos como as tais “drogas do sertão”. Na maioria das vezes, a extração das drogas do sertão era feita pelas missões jesuítas que se localizavam no interior do território e aproveitavam da mão de obra indígena disponível. Paralelamente, os bandeirantes, em suas incursões pelo interior, também realizavam essa mesma atividade com o objetivo de vender esses produtos na região litorânea. De modo geral, a extração das drogas do sertão atendia demandas provenientes tanto do mercando interno como do mercado externo. SOUSA, Rainer Gonçalves. As drogas do sertão. Brasil Escola. Disponível em: <http://brasilescola.uol.com.br/historiab/as-drogas- sertao.htm>. Acesso em: 27 dez. 2017. A análise do texto indica que a exploração das drogas do sertão diferenciou-se das demais atividades econômicas do Brasil Colonial, na medida em que A. promoveu a conquista e ocupação de terras interioranas. B. ignorou os interesses mercantilistas da Coroa portuguesa. C. introduziu o sistema de escambo na relação com os índios. D. patrocinou pesquisas científicas da flora e fauna brasileiras. E. resultou da conciliação de interesses religiosos e econômicos. Alternativa E Resolução: A exploração das drogas do sertão, na atual região amazônica, valeu-se da mão de obra indígena que era recrutada pelos jesuítas, responsáveis pela fundação de dezenas de missões e reduções na Bacia do Rio Amazonas. Nesse sentido, as atividades extrativistas na região, diferentemente das demais atividades econômicas desenvolvidas ao longo do Período Colonial, se deu pela conciliação dos interesses missionários dos padres jesuítas e dos interesses mercantis da Coroa portuguesa, o que torna correta, portanto, a alternativa E. A alternativa A está incorreta, pois, ainda que a ocupação religiosa e a exploração econômica da região amazônica tenham sido de extrema importância para garantir a conquista de terras interioranas, outras atividades econômicas coloniais, como a pecuária e a mineração, desempenharam semelhante papel. A alternativa B também está incorreta, pois diante da grande demanda europeia e do alto preço atribuído aos produtos exóticos da região amazônica, a extração das drogas do sertão atendia aos interesses mercantilistas portugueses. Contrariamente ao indicado na alternativa C, o escambo era praticado na Colônia desde as primeiras décadas da colonização portuguesa na exploração do pau-brasil. ØUJD Por fim, a alternativa D também está incorreta, pois, ainda que houvesse relatos de naturalistas acerca da fauna e da flora da região, a exploração das drogas do sertão não patrocinou pesquisas científicas sobre a região. QUESTÃO 61 [...] o mercantilismo aparece, primeiramente, como um sistema unificador. Seu adversário era a fusão medieval de universalismo e particularismo e tendia, principalmente, a impor os objetivos do Estado em um campo econômico homogêneo, sujeitando toda a atividade econômica às opiniões mais adaptadas às necessidades do Estado e de seu território, e que se concebiam como que formando uma unidade. HECKSCHER, Eli. La época mercantilista: historia de la organización y las ideas econômicasdesde el final de la edad media hasta la sociedad liberal. México: Fondo de Cultura Económica, 1943 (Adaptação). O texto destaca uma característica do conjunto de práticas econômicas dos Estados Europeus, durante a Idade Moderna, que tinha como uma de suas bases o(a) A. incentivo às atividades de livre comércio. B. organização de alianças entre os países. C. estímulo às importações de manufaturas. D. redução do papel do Estado na economia. E. extinção das barreiras do mercado interno. Alternativa E Resolução: O conjunto de práticas econômicas dos Estados europeus, sobretudo das monarquias absolutistas, durante a Idade Moderna, recebeu o nome de mercantilismo. As primeiras práticas mercantilistas tiveram sua origem em meados do século XV, quando a Europa sofria com a escassez de metais preciosos, e atingiram seu auge no século XVI. Como indicado pelo texto-base, “o mercantilismo aparece, primeiramente, como um sistema unificador”. No âmbito interno, buscando fortalecer a economia dos Estados, o mercantilismo procurou eliminar as barreiras, unificando os mercados dentro de um mesmo país, o que torna correta a alternativa E. A defesa da intervenção do Estado na economia era um dos fundamentos do mercantilismo. Assim, com o objetivo de fortalecer os países europeus, os chefes de Estado aprovavam leis que regulavam as atividades econômicas em seu território, impondo limites ao livre comércio, o que torna inválidas, portanto, as alternativas A e D. A alternativa B está incorreta, pois o mercantilismo não estava baseado na organização de alianças entre os países, mas buscava, por meio de um saldo positivo em suas transações comerciais, garantir sua superioridade em relação às demais nações. Por fim, a alternativa C também está incorreta, pois, para garantir o sucesso na acumulação de riquezas, era necessário que os Estados regulamentassem o comércio de produtos vindos do exterior. Assim, o aumento das tarifas aduaneiras foi o principal método para alcançar tal objetivo, pois reduzia as chances de entrada dos produtos estrangeiros em um Estado. 9NØØ ENEM – VOL. 3 – 2018 CH – PROVA I – PÁGINA 39BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO QUESTÃO 62 Uma grande parte do trabalho era executada pelos não cidadãos e escravos, e trabalho e política, casa e pólis estavam, portanto, muito claramente separados. O pertencimento à categoria de cidadão, portanto, continuou o único verdadeiramente importante, mais importante que o pertencimento doméstico. [...]. É na Atenas do quinto século que a identidade política foi realizada do modo mais puro. Para os grandes grupos de cidadãos, serem cidadãos (e soldados) era a principal atividade e a principal fonte de rendimentos. Aquilo não seria possível a não ser que uma grande parte da atividade econômica fosse realizada por metecos e escravos, os quais, assim como as cidades aliadas, estavam ali para permitir esta vida política. MEIER, Christian. La Naissance du politique. Paris: Gallimard, 1995. A organização sociopolítica da cidade-estado de Atenas, a partir do século V a.C., foi marcada, segundo o texto, pela A. participação dos diversos grupos sociais na política. B. atuação política como caminho de enriquecimento. C. valorização de aspectos privados na ação política. D. separação entre cidadania ativa e atuação militar. E. associação de ociosidade e participação política. Alternativa E Resolução: O texto destaca que na sociedade ateniense do século V a.C. o pertencimento à categoria de cidadão era o aspecto mais importante da cidade. Os cidadãos atenienses dedicavam-se à vida política da polis, visto que “grande parte do trabalho era executada pelos não cidadãos e escravos”, de forma que, para os atenienses, a participação política estava associada à liberdade e a ociosidade, o que torna correta, portanto, a alternativa E. A alternativa A está incorreta, pois, como indicado anteriormente, a dedicação dos cidadãos à vida política só era possível porque grande parte da atividade econômica da cidade era executada por metecos e escravos, que eram excluídos da participação política. A alternativa B também está incorreta, pois, apesar de o texto apontar que ser cidadão era a principal atividade e a principal fonte de rendimentos dos atenienses, a atuação política não representou uma forma de enriquecimento. Contrariamente ao indicado na alternativa C, o texto afirma que casa e polis estavam separadas e que o pertencimento à categoria de cidadão era mais importante que o pertencimento doméstico. Por fim, a ociosidade permitiu aos cidadãos atenienses atuarem não só na política, mas também nas atividades militares, o que torna inválida a alternativa D. QUESTÃO 63 Tema da redação do Enem [2017], o “Desafios para formação educacional de surdos” foi ilustrado na prova com um gráfico indicando uma queda de matrículas entre esse público – algo que nem o Ministério da Educação soube explicar. 2R6V UWDQ [...] Mostrando uma redução de 23% no universo de estudantes surdos de 2011 a 2016, o gráfico dá a entender que esse público estaria deixando a escola. Mas esse é apenas um entre dois outros fatores: a queda no número de alunos que adquirem a surdez ao longo da vida e a própria transição demográfica por que passa o Brasil. REDUÇÃO DE “novos surdos” e evasão explicam tema de redação do Enem. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/>. Acesso em: 10 nov. 2017 (Adaptação). Considerando o desafio citado no texto, por que a transição demográfica brasileira ajuda a explicar o que está acontecendo com a quantidade de matrículas de crianças surdas na educação básica? A. A elevada taxa de mortalidade infantil, comparada à de países em nível de desenvolvimento socioeconômico semelhante, justifica o decréscimo da quantidade de crianças surdas e sem surdez. B. A estrutura etária jovem da população, que tem baixo crescimento vegetativo em razão das elevadas taxas de natalidade e de mortalidade, restringe a quantidade de crianças com e sem surdez. C. O chamado bônus demográfico, que proporciona condições favoráveis ao país e caracteriza-se pelo aumento do componente juvenil da razão de dependência, explica a queda do número de matrículas. D. A implosão demográfica, última fase da transição demográfica, é caracterizada pelo declínio da população e, consequentemente, menor número de crianças surdas e sem surdez. E. O envelhecimento populacional gera menos crianças em idade escolar, tanto as surdas quanto as sem surdez, e, portanto, menos matrículas. Alternativa E Resolução: O Brasil passa por uma mudança do perfil populacional que é o envelhecimento. Essa fase da transição demográfica caracteriza-se por baixas taxas de fecundidade e pelo aumento da idade mediana. Isso significa maior quantidade de pessoas na idade adulta e aumento da proporção de idosos. A redução do número de crianças em idade escolar, tanto surdas quanto sem surdez, e, consequentemente, a queda do número de matrículas na educação básica, é, portanto, um dos resultados do envelhecimento da população. A alternativa A está incorreta porque a mortalidade infantil no Brasil está continuamente em declínio e não justifica a queda das matrículas escolares. A alternativa B está incorreta, pois caracteriza a fase inicial da transição demográfica pela qual o Brasil já passou. A alternativa C está incorreta porque o bônus demográfico corresponde ao momento em que a razão de dependência de crianças e idosos está reduzida e o contingente populacional em idade ativa é maior. A alternativa D está incorreta, pois o Brasil está na fase do envelhecimento e não na da implosão demográfica. CH – PROVA I – PÁGINA 40 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO QUESTÃO 64 TEXTO I Fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana e da paternidade responsável, [...] é livre decisão do casal, competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e científicospara o exercício desse direito, vedada qualquer forma coercitiva por parte de instituições oficiais ou privadas. BRASIL. Constituição Federal de 1988. Promulgada em 5 de outubro de 1988. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ constituicao/constituicao.htm>. Acesso em: 13 dez. 2017. TEXTO II [...] orienta-se por ações preventivas e educativas e pela garantia de acesso igualitário a informações, meios, métodos e técnicas disponíveis para a regulação da fecundidade. É proibida a utilização das ações a que se refere o caput para qualquer tipo de controle demográfico. BRASIL. Lei nº 9 263, de 12 de janeiro de 1996. Brasília, DF, jan. 1996. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9263.htm>. Acesso em: 13 dez. 2017. Os trechos da Constituição e da Lei 9 623 / 96 transcritos caracterizam o seguinte meio de regulação da fecundidade da população brasileira: A. Tempo de licença maternidade aumentado. B. Restrição aos métodos contraceptivos. C. Subsídios a famílias numerosas. D. Esterilização em massa. E. Planejamento familiar. Alternativa E Resolução: Planejamento familiar e controle da natalidade são conceitos distintos. Por um lado, o planejamento familiar relaciona-se a aspectos como a idade ao se casar e ao se ter o primeiro filho, o tempo entre as gestações e métodos de concepção e contracepção. Por outro lado, o controle da natalidade é uma espécie de planejamento familiar forçado como exigência do Estado. As alternativas A, B e C estão incorretas porque são ações que incentivam a natalidade. A alternativa D está incorreta porque as campanhas de esterilização em massa são medidas antinatalistas promovidas por alguns governos para conter o crescimento populacional. QUESTÃO 65 Foi cerca de vinte anos depois de ele (Sócrates) ter bebido cicuta em 387 (a.C.), o ano em que “a paz do Rei” trouxe às cidades gregas uma certa tranquilidade, que Platão fundou a sua escola no ginásio da Academia. O professor e os seus discípulos procuravam em conjunto a verdade em longas discussões “dialéticas”, das quais os diálogos platônicos nos oferecem uma transposição literária. FLACELIÉRE, R. A vida quotidiana dos gregos no século de Péricles. Lisboa: Ed. Livros do Brasil, 1937. GEØS Q8HF Entendido também como método de análise conceitual, a dialética tem como objetivo final levar o interlocutor a(ao) A. verdades absolutas e eternas. B. formulações abstratas e irreais. C. conhecimento opinativo sobre os seres. D. discussões acerca da origem do cosmos. E. perguntas impossíveis de serem respondidas. Alternativa A Resolução: Uma das inovações mais significativas da filosofia socrático-platônica diz respeito aos métodos propostos por esses pensadores. Com a dialética, Platão visava auxiliar a contemplação das ideias, ou seja, das verdades absolutas e eternas. Assim, a resposta correta é a alternativa A, a qual afirma que levar o interlocutor a verdades absolutas e eternas é o objetivo final da dialética. Analisaremos as alternativas: B) A dialética tem como objetivo levar o interlocutor a formulações abstratas, porém, elas não são irreais. Pelo contrário, essas abstrações, em seu último estágio, são aquilo de mais real a que o homem pode ter acesso. C) Sócrates e Platão se opuseram ferozmente a qualquer modalidade de conhecimento que fosse embasado em opiniões. D) Esse tema é tratado pelos filósofos anteriores a Sócrates, os chamados pré-socráticos. E) O objetivo de Platão era levar o homem a um conhecimento que fosse sólido, uno, imutável e perfeito, não a perguntas que não pudessem ser respondidas. QUESTÃO 66 Ora, parece-nos difícil que, de cada página deste livro, por assim dizer, não se extraia, ao contrário, a impressão de que o indivíduo é dominado por uma realidade moral que o ultrapassa: é a realidade coletiva. [...] Mas sentiremos que são forças reais, vivas e atuantes, que, pela maneira como determinam o indivíduo, comprovam que não dependem dele; pelo menos, se ele entra como elemento na combinação de que elas resultam, elas se impõem a ele à medida que se formam. Nessas condições, compreenderemos melhor como a Sociologia pode e deve ser objetiva, uma vez que tem diante de si realidades tão definidas e tão resistentes quanto aquelas de que trata o psicólogo ou o biólogo. DURKHEIM, É. O suicídio: estudo de sociologia. São Paulo: Martins Fontes, 2000. O texto reflete um dos pilares da Sociologia de Durkheim que está manifesto na ideia de: A. Prevalência da Psicologia sobre a Sociologia nos estudos sociais. B. Centralidade das ações individuais para a existência do coletivo. C. Sujeição das regras morais aos traços da consciência individual. D. Predominância dos indivíduos sobre as regras morais e sociais. E. Primazia da sociedade diante dos indivíduos que a compõem. ICNA ENEM – VOL. 3 – 2018 CH – PROVA I – PÁGINA 41BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO Alternativa E Resolução: No texto-base da questão, Durkheim está ressaltando um aspecto importante de sua teoria sociológica. Para o sociólogo francês, a sociedade se assemelha a um organismo vivo e o todo, a coletividade, é algo maior do que a soma das partes que a compõem, as consciências individuais. Assim, Durkheim determina, em sua teoria, o conceito de consciência coletiva. Ou seja, embora todos os indivíduos possuam uma consciência individual, eles são influenciados e determinados pelas formas de comportamento padronizadas do grupo social no qual estão inseridos. Logo, “pode-se afirmar, com Durkheim, que a consciência coletiva determina a consciência individual” (DELAZARI, F. Durkheim e Weber. In: Coleção Estudo 6V: Sociologia. Belo Horizonte: Bernoulli Sistema de Ensino, 2018. v. 1. p. 14). Partindo, então, da ideia de Durkheim acerca da primazia da consciência coletiva sobre as consciências individuais, podemos perceber que a alternativa correta é a E. Vamos analisar as demais alternativas: A) Para o estudo dos fatos sociais, o próprio Durkheim assinalou a viabilidade exclusiva da Sociologia, uma vez que esta última se ocupa dos fatos oriundos da sociedade, ao passo que a Psicologia é responsável pelo estudo da mente humana. B) Para Durkheim, as ações individuais são frutos das relações coletivas, uma vez que os fatos sociais são exteriores, gerais e coercitivos, em relação aos indivíduos. C) É a consciência coletiva que, para Durkheim, dita as regras e comportamentos esperados dos indivíduos. D) A sociedade é quem tem primazia, para Durkheim. Isto é, o todo é maior do que a soma de todas as partes. QUESTÃO 67 Terremoto na fronteira entre Irã e Iraque já é o que mais matou em 2017 USGS. AGU5 O Irã é uma das regiões do mundo em que terremotos são frequentes. O país já foi atingido por tremores intensos no passado. [...] O principal motivo da vulnerabilidade a esse tipo de fenômeno geológico é o encontro entre as placas tectônicas Arábica e Eurasiática. Disponível em: <http://www.bbc.com/>. Acesso em: 26 dez. 2017. Conforme o mapa, o terremoto na região citada no texto provavelmente caracterizou-se por A. maior distância do hipocentro. B. menor intensidade no epicentro. C. menor tremor em Sarpol-e Zahab. D. maior destruição no sul do Iraque. E. maior magnitude em Darbandikhan. Alternativa E Resolução: De acordo com o mapa da questão, Darbandikhan estava mais próxima do epicentro – ponto da superfície terrestre sobre o foco de um terremoto –, e por isso foi a cidade com maior magnitude do tremor. Prova disso é que a escala de intensidade do tremor mostra que o terremoto lá foi muito forte. A alternativa A está incorreta porque o hipocentro – ponto no interior da Terra que configura o foco de um abalo sísmico – é sob o epicentro, abaixo das cidades representadas no mapa. A alternativa B está incorreta, pois o epicentro registra a maior intensidade do terremoto. A alternativa C está incorreta porque Sarpol-e Zahabfoi a cidade mais atingida do lado iraniano, conforme a força medida do terremoto e a proximidade do epicentro. A alternativa D está incorreta pois o sul do Iraque está distante do epicentro e não registrou os tremores, como consta no mapa. QUESTÃO 68 O Brasil e a Índia respondem atualmente, em conjunto, por pouco mais da metade da cana produzida mundialmente. Tal fato assume especial relevância quando se consideram possíveis expansões da produção de cana, principalmente pela grande diferença de modelos de produção agrícola consagrados no Brasil (concentrados em grandes produtores) e pela Índia (baseados em pequenos produtores). Disponível em: <http://www.novacana.com/cana-de-acucar/producao- cana-de-acucar-brasil-e-mundo/#producao-pelo-mundo>. Acesso em: 08 mar. 2015. Na comparação da produção do açúcar no Brasil atual e colonial, de acordo com o texto, existe em comum no passado e no presente brasileiro o(a) A ênfase produtora com foco no mercado interno. B influência decisiva dos grandes proprietários fundiários. C monopólio da produção açucareira. D uso intensivo de tecnologia direcionada ao setor agrícola. E utilização do trabalho não qualificado. J9BS CH – PROVA I – PÁGINA 42 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO Alternativa B Resolução: Ao estabelecer uma relação entre a produção canavieira no Brasil e na Índia, na atualidade, o texto afirma que a produção açucareira brasileira está concentrada em grandes produtores, o que se assemelha ao modelo produtivo do período colonial, no qual, os altos custos para a instalação dos engenhos contribuíam para que a produção do açúcar se desse em grandes áreas, sob a influência de grandes proprietários fundiários, o que torna correta a alternativa B. A alternativa A está incorreta, pois, tanto no Período Colonial como na atualidade, a produção açucareira está voltada, sobretudo para o mercado externo. A alternativa C também está incorreta, pois, em nenhum dos momentos destacados, o Brasil possuía o monopólio da produção açucareira, o que é demonstrado pelo próprio texto, ao afirmar a importância da Índia na produção canavieira mundial. Ainda que a economia açucareira colonial brasileira exigisse uma complexa estrutura produtiva, não havia um uso intensivo de tecnologia, o que invalida a alternativa D. Por fim, a alternativa E também está incorreta, pois a complexidade dos engenhos coloniais promoveu um cenário de especialização, exigindo, assim como hoje, a utilização do trabalho qualificado. QUESTÃO 69 No primeiro século de colonização, a lavoura de cana foi implantada em várias regiões [...]. A partir de Olinda, a atividade se desdobrou em direção à Paraíba e ao Rio Grande do Norte. Da Bahia, caminhou para Sergipe e Alagoas. De Ilhéus, para Porto Seguro. Do Rio de Janeiro, para Campos dos Goytacazes e, posteriormente, para Minas Gerais – onde se especializou a produção de aguardente e rapadura para os escravos das lavras, enquanto São Paulo e Espírito Santo, até a segunda metade do século XVIII, conheceram um retrocesso ou fraco crescimento da lavoura da cana. DEL PRIORE, Mary. Histórias da gente brasileira – Colônia. São Paulo: Leya Editora, 2016. v. 1. O texto anterior retrata a disseminação da cana pelo território e associa o seu plantio à(ao) A. hegemonia da região nordeste em relação à produção açucareira e aos derivados da cana. B. predomínio da matriz africana na escravidão praticada nos engenhos açucareiros coloniais. C. variação das finalidades do uso da cana conforme a região onde a plantação era realizada. D. sucesso econômico gerado pela produção açucareira às capitanias em que era implantada. E. pacto colonial, sendo Portugal parte interessada na lucrativa produção de açúcar no Brasil. Alternativa C Resolução: Ainda no século XVI, a América Portuguesa encontrou sua principal vocação: a economia canavieira. Os engenhos se espalharam pelo Brasil de maneira intensa nas primeiras décadas da colonização. Em 1570, já haviam 60 fazendas de cana-de-açúcar. Em 1610, já eram mais de 400. CDHN Ao abordar a expansão da cana-de-açúcar pela colônia portuguesa na América, o texto destaca que em Minas Gerais a economia canavieira estava voltada para produção de aguardente e rapadura, para os escravos empregados nas lavras, associando, assim, o plantio da cana à variação dos fins de seu uso conforme a região onde era realizada o cultivo, o que torna correta a alternativa C. A alternativa A está incorreta, pois, ainda que as áreas de maior destaque na produção açucareira estivessem no Nordeste, o texto não associa o plantio da cana à hegemonia da região na produção do açúcar. A alternativa B também está incorreta, pois, apesar do trabalho escravo, sobretudo o de matriz africana, ter sido predominante na agricultura de exportação do Brasil, o texto não relaciona o cultivo canavieiro ao tipo de mão de obra utilizada nos engenhos coloniais. Apesar de a produção açucareira ter representado mais lucratividade na atividade econômica colonial, o texto demonstra que havia capitanias, como Espírito Santo, que apresentaram fraco crescimento da lavoura da cana, o que invalida a alternativa D. Por fim, a alternativa E também está incorreta, pois, ainda que a exploração canavieira estivesse baseada no pacto colonial, pelo qual a metrópole portuguesa garantia seus lucros, o texto não associa o plantio da cana ao exclusivismo econômico português. QUESTÃO 70 Já tivemos oportunidade de nos perguntar de onde vêm todas as coisas. Hoje em dia muitas pessoas acreditam, umas mais, outras menos, que em algum momento tudo surgiu do nada. Este pensamento não era muito difundido entre os gregos. Por alguma razão, eles sempre partiam do fato de que sempre existiu “alguma coisa”. [...] O que instigava os gregos era saber como a água podia se transformar em peixes vivos, ou como a terra sem vida podia se transformar em árvores frondosas ou em flores multicoloridas. [...] eles acreditavam que determinada substância básica estava por trás de todas essas transformações. Não é muito fácil explicar como eles chegaram a esta ideia. Sabemos apenas que ela se desenvolveu a partir da noção de que deveria haver uma substância básica, que fosse a causa oculta, por assim dizer, de todas as transformações da natureza. GAARDER, J. O mundo de Sofia. Trad. de João Azenha Jr. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. p. 45 (Adaptação). Ao buscarem uma substancia básica, causa de todas as transformações da natureza, os pré-socráticos A criavam respostas fantasiosas sobre a organização do cosmos. B investigavam, por meio da observação, o princípio que deu origem ao cosmos. C pretendiam explicar a origem divina do universo. D recorriam às explicações míticas sobre os mistérios da natureza. E refletiam sobre questões éticas e políticas. 4HNI ENEM – VOL. 3 – 2018 CH – PROVA I – PÁGINA 43BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO Alternativa B Resolução: A questão aborda o significado da busca pela substância básica, tarefa empreendida pelos filósofos conhecidos como pré-socráticos – ou filósofos da natureza. Nessa busca, os pré-socráticos investigavam, por meio da investigação do mundo, da realidade e de como ela era regida por suas leis, a fim de encontrar um princípio originário, uma arché. Muitos são os exemplos disso, como a água foi para Tales de Mileto e o átomo para Demócrito. Assim, a alternativa correta é a B. Analisaremos as alternativas: A) Os pensadores não criavam respostas fantasiosas, mas especulativas. Lembre-se sempre que essas pessoas foram importantes para dar a base ao que hoje conhecemos como ciência. C) Os pré-socráticos não tinham esse objetivo, a origem divina do mundo foi apresentada pela tradição mítica. D) Idem da alternativa anterior. E) Esses pensadores não tinham como centro da sua investigação os problemas antropológicos, tendo essas discussões vindo a ganhar espaço com Sócrates e os sofistas.QUESTÃO 71 MAPA-MÚNDI. Séc. 15. Disponível em: <http://senioresescribas.blogspot.com>. Acesso em: 05 jan. 2015. WALDSEEMÜLLER, Martin. Mapa-múndi, 1507. Disponível em: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br>. Acesso em: 05 jan. 2015. DB45 CH – PROVA I – PÁGINA 44 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO Apesar de terem sido produzidos em um período muito próximo, os dois mapas apresentam diferenças que nos permitem inferir que A a compreensão detalhada da costa africana foi prejudicada pelo advento do tráfico de escravos na região. B as dificuldades de navegação do Mediterrâneo, em virtude da presença árabe, impediram um melhor detalhamento desse mar. C as narrativas dos navegantes vindos do Novo Mundo foram determinantes para o melhor entendimento dos aspectos geográficos do planeta. D as regiões asiáticas eram profundamente negligenciadas pelos navegantes europeus, visto a ausência de detalhes do território oriental. E o conhecimento das regiões do mundo ainda permaneceria profundamente precário até o advento dos satélites, no século XX. Alternativa C Resolução: Os mapas elaborados no contexto da Expansão marítima europeia, do século XVI, apresentados na questão, se diferenciam, sobretudo, pela inserção, no segundo mapa, das terras americanas e pela ampliação do Oceano Atlântico, o que foi possível graças às narrativas dos navegantes vindos do Novo Mundo, melhorando, assim, o entendimento dos aspectos geográficos do planeta, como indicado pela alternativa C. A alternativa A está incorreta, pois o advento do tráfico negreiro na costa africana contribuiu para o maior conhecimento da região. A alternativa B também está incorreta, pois o comércio no Mediterrâneo era realizado desde a Antiguidade, o que contribuiu para um amplo conhecimento dos detalhes desse mar no período das Grandes Navegações europeias. Contrariamente ao indicado na alternativa D, a análise dos mapas evidencia a representação das regiões asiáticas, o que revela o interesse dos navegantes europeus pelo território oriental. Por fim, a alternativa E também está incorreta, pois, apesar do maior detalhamento das regiões do planeta após o advento dos satélites, os mapas apresentados na questão revelam um avançado conhecimento das regiões do mundo. QUESTÃO 72 Esse messias é incondicionalmente apoiado pelo povo português, o “povo do Messias de Lisboa” [...]. Os que são partidários do Mestre, neste discurso são os bons cristãos e considerados “bons portugueses”: a população de Lisboa e os nobres segundos. Já a nobreza tradicional e o rei de Castela, que por sua vez apoia o papa de Avignon, passam a ser apresentados no discurso do cronista como o “outro”, a representação do Mal. D. João é visto como o verdadeiro “protetor” da nacionalidade portuguesa, com apoio de Deus e do povo português. Disponível em: <http://www.academia.edu>. Acesso em: 12 out. 2017. 6FAØ O texto destaca parte dos escritos de Fernão Lopes, que foi contratado pelo sucessor de Dom João I (o Mestre de Avis), o infante Dom Duarte (1398-1431), para colocar em crônica a vida dos reis da dinastia de Avis. O discurso analisado demonstra que o cronista A. idealiza um sentimento de nacionalidade portuguesa para legitimar o poder do monarca bastardo. B. diviniza o Mestre de Avis para autenticar o poder de uma dinastia questionada pelo papado romano. C. preconiza uma memória fictícia para exaltar uma dinastia considerada ilegítima pelos portugueses. D. romantiza a formação da dinastia portuguesa pautado no direito divino para coibir as críticas ao absolutismo. E. demoniza a nobreza e o monarca de Castela para conter a ameaça contra a nova dinastia portuguesa. Alternativa A Resolução: A) CORRETA – Fernão Lopes, cronista a serviço da Dinastia de Avis, idealiza uma imagem para o primeiro rei dessa linhagem, Dom João I, governante bastardo, que sem a revolução (1383-1385) não teria condição de se tornar rei português. Por meio do texto, é possível perceber que para legitimar a dinastia, o Mestre de Avis foi transformado em símbolo da identidade nacional portuguesa, apoiado por Deus e pelo povo – idealizando um sentimento de nacionalidade ainda inexistente na época. B) INCORRETA – A Dinastia de Avis não foi questionada pelo papado romano, forçando a produção desse tipo de texto. A análise mostra que o papa de Avignon é demonizado pelo cronista, isso ocorre porque no episódio do Cisma do Ocidente, a Dinastia de Avis apoiou o papado romano. C) INCORRETA – A Revolução de Avis consolidou o poder dessa dinastia, que foi aclamada por diversos grupos sociais, portanto, não foi considerada ilegítima. D) INCORRETA – O cronista foi contratado para exaltar a Dinastia de Avis, como forma de criar uma memória nacional. Não foi o caso de conter alguma crítica em relação ao absolutismo, como pode se observar no próprio texto. E) INCORRETA – Após a Revolução de Avis, especialmente no contexto sinalizado no enunciado, não existiu uma ameaça de golpe ao governo por parte dos grupos citados na afirmativa. QUESTÃO 73 Durkheim apresenta o fenômeno do suicídio como a prova maior de que a felicidade não aumenta com o progresso. O suicídio é maior nas sociedades modernas do que nas do passado. O livro que Durkheim escreveu sobre o suicídio está estreitamente ligado ao estudo da divisão do trabalho (O Suicídio – 1897). Durkheim aprova a divisão orgânica do trabalho que considera um desenvolvimento normal do capitalismo. F9RN ENEM – VOL. 3 – 2018 CH – PROVA I – PÁGINA 45BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO Aprova a diferenciação dos indivíduos em profissões; a regressão da autoridade da tradição; o domínio crescente da razão. Contudo, afirma que os homens não estão mais felizes na sociedade moderna, expressão que comprova com o aumento dos suicídios. Discute o conceito de anomia, ausência ou desintegração das normas sociais, conceito que vai ter um papel predominante no estudo do suicídio. LUCENA, C. O pensamento educacional de Émile Durkheim. In: Revista HISTEDBR On-line. Campinas, n. 40, 2010. Disponível em: <http://www.histedbr.fe.unicamp.br/revista/edicoes/40/art18_40.pdf>. Acesso em: 19 dez. 2017. Ao refletir sobre a modernidade, Durkheim encontra no suicídio a influência da anomia presente no mundo pós-Revolução Industrial. O sociólogo mostra, com seus estudos, que o suicídio revela, prioritariamente, um A. desequilíbrio psicológico do indivíduo. B. comportamento natural orgânico. C. problema oriundo do capitalismo. D. produto da sociedade industrial. E. fenômeno patológico coletivo. Alternativa E Resolução: Émile Durkheim, em sua teoria, se propôs a estudar o suicídio. Dessa maneira, o sociólogo francês afirmou que o suicídio era um fenômeno que possuía causas sociais e que suas motivações não residiam estritamente nas consciências individuais, isto é, nos indivíduos. Em sua obra, O Suicídio – Estudo de Sociologia, Durkheim aplicou seu método sociológico para demonstrar que existem diversas relações de causa e efeito por trás de uma decisão tida apenas como individual. Logo, “Durkheim reforça a conclusão de que o suicídio não é um fenômeno meramente individual, mas um fator que possui várias causas sociais que se impõem sobre a decisão dos indivíduos” (DELAZARI, F. Durkheim e Weber. In: Coleção Estudo 6V: Sociologia. Belo Horizonte: Bernoulli Sistema de Ensino, 2018. v. 1. p. 17). Por fim, um dos suicídios estudados pelo autor foi o suicídio anômico, identificado em um quadro de anomia social onde fatos sociais patológicos tendem a ocorrer de forma mais frequente. Assim, a alternativa correta é a E. Vamos analisar as demais alternativas: A) Ao contrário, Durkheim postula o suicídio como um fenômeno que não depende apenas de fatos advindos dos indivíduos. B) Durkheim demonstra o suicídio como sendo um fenômeno social, isto é, não é natural. C) O próprio texto-base argumenta que o suicídiojá existia em sociedades anteriores ao capitalismo. D) Mais uma vez, o texto-base demonstra a existência de suicídios antes da era da modernidade. QUESTÃO 74 No nome de Deus, Amém. Nós, cujos nomes estão escritos abaixo, os leais súditos do nosso temido Soberano Senhor, Rei James, pela Graça de Deus, de Inglaterra, França e Irlanda, Rei e Defensor da Fé. 7DXI Tendo empreendido para a Glória de Deus, e Avanço da Fé Cristã, e Honra do nosso Rei e País, uma viagem para estabelecer a primeira colônia no norte da Virgínia; os presentes fazemos pacto solene e mutuamente na Presença de Deus e nós próprios, para conjuntamente formar um Corpo Político Civil para nossa Ordem, Preservação e Fomento dos objetivos referidos acima; e por virtude disso, constituir e formular Leis justas e igualitárias, Ordenanças, Atas, Constituições e Ofícios, de tempos a tempos, quando se considerar conveniente e próprio para o bem Geral da Colônia; à qual prometemos toda a submissão e obediência. Em testemunho disto, temos subscrito os nossos nomes em Cape Cod no dia onze de novembro, no Reinado do nosso Soberano Senhor, Rei James de Inglaterra, França e Irlanda, o décimo oitavo, e da Escócia, quinquagésimo quarto. Ano do Nosso Senhor, 1620. O PACTO do Mayflower. Disponível em: <www.allabouthistory.org>. Acesso em: 13 dez. 2017. O texto remete ao pacto assinado por consenso pelos refugiados ingleses puritanos que, a bordo do navio Mayflower, aportaram em Massachusetts, dando início à colonização da Nova Inglaterra, na América. O acordo é considerado um modelo de documento constitucional porque propunha a A. imposição do puritanismo como religião oficial. B. criação de um sistema baseado no autogoverno. C. reformulação do direito consuetudinário britânico. D. aplicação na América da teoria do contrato social de Hobbes. E. representação política dos colonos no Parlamento inglês. Alternativa B Resolução: Durante a dinastia Stuart, os britânicos vivenciaram uma série de distúrbios políticos e religiosos que estimulou um intenso quadro migratório para a região colonial inglesa na América. O pacto firmado no navio Mayflower, demonstrado na questão, revela o objetivo dos refugiados ingleses puritanos de fundarem na América uma colônia baseada no autogoverno, com a possibilidade de escolherem seus governantes e elaborarem suas próprias leis, o que torna correta a alternativa B. A alternativa A está incorreta, pois, ainda que os puritanos tenham encontrado no Novo Mundo a possibilidade de professar a sua fé sem serem perseguidos, o pacto do Mayflower não oficializava o puritanismo como a religião oficial. A alternativa C também está incorreta, pois o direito britânico não estava fundamentado nos costumes ou práticas da sociedade, mas sim em um processo formal de elaboração das leis. Ainda que a organização da sociedade da Nova Inglaterra tenha sua origem em um pacto firmado entre os refugiados puritanos, no Mayflower, tal acordo não estava baseado na teoria do contrato social de Hobbes, segundo o qual os indivíduos abririam mão de parte de sua liberdade natural em favor do soberano, que garantiria a ordem e impediria a destruição mútua entre os indivíduos, o que invalida a alternativa D. Por fim, a alternativa E também está incorreta, pois o pacto do Mayflower não propunha a representação política dos colonos no Parlamento inglês. CH – PROVA I – PÁGINA 46 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO QUESTÃO 75 Entre 1150 e 1340, uma nova sociedade urbana se instaura. Embora situada no feudalismo, não são as hierarquias da sociedade feudal que melhor podem caracterizá-la, mas um novo tipo de estratificação social ligado à economia, à propriedade urbana, ao dinheiro, à influência na cidade. Porém as “ordens” tradicionais também estão presentes: a nobreza nem sempre, pois com frequência ela se opõe à cidade; a Igreja, em compensação, é onipresente tanto no temporal como no espiritual. LE GOFF, Jacques. O apogeu da cidade medieval. Tradução de Antônio de Pádua Danesi. São Paulo: Martins Fontes, 1992. (O Homem e a História) O texto aponta para o ressurgimento urbano na Europa, durante a Baixa Idade Média, associando-o à A. independência em relação ao sistema feudal. B. rejeição dos valores da Igreja pelos citadinos. C. reconfiguração das relações socioeconômicas. D. supressão dos conflitos entre os atores sociais. E. escalada política de grupos ligados ao comércio. Alternativa C Resolução: O crescimento demográfico verificado na Europa a partir do século XI provocou a revitalização urbana e comercial. Entre 1150 e 1340, o mundo urbano medieval viveu seu apogeu. A expansão comercial provocou transformações nas estruturas da sociedade europeia, que viu surgir novas forças sociais vinculadas às cidades. Novas formas de sociabilidade surgiam no mundo urbano, produzindo efeitos nas estruturas feudais. Como demonstrado pelo texto, não são as hierarquias da sociedade feudal que melhor podem caracterizar a sociedade urbana, mas um novo tipo de estratificação social ligado à economia, indicando que no universo urbano medieval houve uma reconfiguração das relações socioeconômicas, o que torna correta a alternativa C. A alternativa A está incorreta, pois, apesar da sociedade urbana apresentar uma configuração diferente daquela observada na sociedade feudal, o texto indica que as cidades medievais estavam situadas no feudalismo. Além disso, apesar de vinculadas às atividades comerciais, as cidades dependiam da produção agrícola dos feudos. A alternativa B também está incorreta, pois, ainda que a Igreja Católica, detentora de grande poder, se posicionasse contra essas mudanças, ela era, segundo o texto, onipresente na sociedade medieval, tanto no temporal quanto no espiritual, não sendo correto associar o ressurgimento comercial e urbano à contestação dos valores da Igreja pelos citadinos. A alternativa D erra ao associar o ressurgimento das cidades à supressão dos conflitos entre os atores sociais, pois o próprio texto afirma que a nobreza com frequência se opunha à cidade. Por fim, ainda que a expansão urbana tenha contribuído para o surgimento de novas forças sociais vinculadas ao comércio, como a burguesia, ela não representou a ascensão política desses grupos, o que invalida a alternativa E. QUESTÃO 76 “Gibi Você Sabia?”, Descobrimento do Brasil com a Turma do Sítio do Pica-Pau Amarelo, Editora Globo. Em 1492, Cristóvão Colombo, financiado pela Coroa Espanhola, realizou uma das maiores descobertas de todos os tempos: as terras do Oeste, ou seja, encontrou a ilha Guanahani, hoje Bahamas. Havia uma grande rivalidade entre Espanha e Portugal com relação às novas terras e, por isso, assinaram o Tratado de Tordesilhas, visando garantir a posse de cada país a determinado(a) A. espaço, já que era delimitado por fronteiras reconhecidas. B. região, visto que a área possuía homogeneidade natural. C. território, pois havia interesse em dominar as áreas. D. lugar, dado os vínculos afetivos dos colonizadores. E. local, porque ambos o reivindicavam. UVLK 9ALØ ENEM – VOL. 3 – 2018 CH – PROVA I – PÁGINA 47BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO Alternativa C Resolução: A disputa entre Portugal e Espanha pela posse de novas terras, que deu origem ao Tratado de Tordesilhas, faz alusão à categoria geográfica “território”, que diz respeito à ideia de poder, dominação e conquista. A alternativa A está incorreta porque o espaço geográfico é produto das relações humanas e suas intervenções no espaço. A alternativa B está incorreta, pois, ainda que haja alguma homogeneidade nos domínios de vegetação descobertos, esse não é o motivo de Tordesilhas. A alternativa D está incorreta porque os vínculos afetivos com as novas terras não são explicitados no texto-base. A alternativa E está incorreta, pois “local” é um termo genérico para designar um ponto na superfície terrestre e não faz referência à reinvindicaçãode territórios. QUESTÃO 77 “A grande onda de Kanagawa”, também conhecida apenas como “A onda”, criada pelo artista japonês Katsushika Hokusai (1760-1849), é uma das mais conhecidas imagens da arte japonesa no mundo e a mais famosa no gênero. Ela é a primeira da série do artista, denominada “Trinta e seis vistas do monte Fuji”. A GRANDE onda de Kanagawa. Disponível em: <http://virusdaarte. net/>. Acesso em: 16 nov. 2017. Considerando que a xilografia anterior tem no fundo o Monte Fuji, no Japão, o provável fenômeno natural representado é: A. Isostasia, busca do equilíbrio de massas litosféricas no arco de ilhas japonês. B. Epirogênese, movimentação vertical e lenta da crosta em regiões vulcânicas. C. Corrente de convecção, formada por diferenças de temperatura no manto. D. Tsunami, provocado por terremoto e / ou vulcanismo no Círculo de Fogo. E. Gêiser, jato intermitente de água superaquecida no Oceano Pacífico. Alternativa D Resolução: O enunciado informa que a região representada na xilografia é o Japão, cujas ilhas fazem parte do Círculo de Fogo do Pacifico, onde está concentrada a maior parte dos terremotos e vulcões do mundo e onde, eventualmente, tsunamis são formadas – ondas gigantes, que se deslocam no oceano em alta velocidade, e que, ao atingirem em menor profundidade as linhas de costa, ganham altura, invadindo de modo agressivo as praias, provocando catástrofes. 1ERV A alternativa A está incorreta porque isostasia é a busca de equilíbrio da densidade da litosfera sobre a astenosfera e o arco de ilhas é resultante da colisão de placas oceânicas. A alternativa B está incorreta, pois a epirogênese é a movimentação vertical da crosta, que é soerguida ou rebaixada, geralmente lenta e por extensa região, resultado do equilíbrio isostático. A alternativa C está incorreta porque a corrente de convecção no manto é responsável pelo deslocamento das placas tectônicas por meio do fluxo de fluidos quentes. Esse mecanismo não está representado na ilustração. A alternativa E está incorreta, pois gêiser é uma fonte de água termal em regiões vulcânicas. A imagem representa ondas e não jatos de água fortemente aquecida característicos de gêiser. QUESTÃO 78 A distribuição espacial da logística de transportes no território brasileiro revela uma predominância do modal rodoviário, bem como sua concentração na região Centro-Sul com destaque para o estado de São Paulo. Mesmo com distribuição desigual pelo território nacional, a malha rodoviária tem vascularização e densidade muito superiores às dos outros modais de transporte e só não predomina na região amazônica, onde o transporte por vias fluviais tem grande importância devido à densa rede hidrográfica natural. Por outro lado, a distribuição das ferrovias e hidrovias é bem reduzida e tem potencial muito pouco explorado, especialmente em um país das dimensões do Brasil. Disponível em: <http://www.brasil.gov.br/infraestrutura/2014/11/ibge-mapeia- a-infraestrutura-dos-transportes-no-brasil>. Acesso em: 11 fev. 2016. Considerando as características do sistema de transportes brasileiro, descritas no texto anterior, o modal rodoviário, apesar das desvantagens comparativas – como maior custo de manutenção e menor capacidade de carga –, pode ser considerado o mais eficiente em áreas da região Sudeste, pois a A. topografia mais acidentada e a proximidade entre alguns centros consumidores justificam sua utilização. B. população com maior poder aquisitivo poderá utilizar o meio mais caro para transporte de suas cargas. C. circulação de grande quantidade de tecnologia demanda o emprego de um meio de transporte seguro. D. produção voltada para o mercado externo exige o aproveitamento de um transporte de alcance continental. E. indústria produz bens que não poderiam ser escoados por meio hidroviário pelo grande volume e peso. Alternativa A Resolução: Boa parte do relevo do Sudeste corresponde aos mares de morros, portanto, tem uma topografia acidentada. Além disso, a região tem a economia mais dinâmica do país, constituindo o que Milton Santos denominou região concentrada, onde as redes e os fluxos são os mais densos no Brasil. A alternativa B está incorreta, pois existe o objetivo de transportar com os menores custos. A alternativa C está incorreta porque o modal rodoviário não é o mais seguro. A alternativa D está incorreta pois para longas distâncias o transporte aquaviário é o ideal. A alternativa E está incorreta porque o modal aquaviário tem grande capacidade de carga. TIXQ CH – PROVA I – PÁGINA 48 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO QUESTÃO 79 Algumas cidades funcionaram como entrepostos de mercadorias [...], caso do Rio de Janeiro e de Ouro Preto. Essa última recebia vinho, manufaturas, ferramentas, escravos e remédios, revendendo-os a outros núcleos. Dentro das capitanias circulavam os produtos da terra: toucinho, aguardente, açúcar, couro, gado e algodão, além de milho e feijão. DEL PRIORE, Mary. Histórias da gente brasileira – Colônia. São Paulo: Leya Editora, 2016. v. 1. O trecho anterior descreve o cotidiano dos centros urbanos brasileiros do Período Colonial e os associa a A. eixos centrais da economia colonial, que era sustentada pelas transações comerciais. B. polos de extração de ouro, o que fazia das cidades centros de circulação de riquezas. C. núcleos economicamente secundários, sendo a produção açucareira a predominante. D. elos mercantes, promovendo intercâmbio de produtos intracoloniais e metropolitanos. E. pontos de apoio à atuação dos bandeirantes, que desbravavam o território brasileiro. Alternativa D Resolução: O texto-base indica que algumas das cidades coloniais funcionavam como elos mercantes, nos quais eram realizadas a compra e a venda de toda sorte de produtos vindos de outras capitanias e da própria metrópole, promovendo, assim, o intercâmbio comercial com as demais regiões da Colônia e com Portugal, o que torna correta a alternativa D. A alternativa A está incorreta, pois, embora tenham sido fundamentais para a dinâmica econômica, os centros urbanos coloniais não representavam os eixos centrais da economia colonial, que ainda estava fundamentada nas atividades para exportação. A alternativa B também está incorreta, pois, apesar da grande circulação de riquezas nos centros urbanos desenvolvidos nas regiões mineradoras da colônia, o texto não associa os núcleos urbanos, necessariamente, a polos de extração de ouro, visto que o Rio de Janeiro, destacado no texto, não se constituiu em um polo de extração aurífera. O texto destaca que os centros urbanos desempenharam um importante papel na economia do Brasil Colônia, não sendo correto, portanto, associá-los a núcleos econômicos secundários, o que invalida a alternativa C. Por fim, a alternativa E também está incorreta, pois o texto-base não aborda esse aspecto das cidades coloniais. QUESTÃO 80 Vota o conselheiro no parente, porque é parente; vota no amigo, porque é amigo; vota no recomendado, porque é recomendado; e os mais dignos e beneméritos, porque não têm amizade, nem parentesco, nem valia, ficam de fora. Acontece isso muitas vezes? Queria Deus que alguma vez deixe de ser assim. VIEIRA, Antônio. Sermões. v. 1, t.1, p. 61. In: ARAUJO, Emanuel. O teatro dos vícios. 3. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2008. p. 288. 3CED VGK8 O jesuíta Antônio Vieira expõe aspectos da administração colonial portuguesa que reportam a práticas políticas contemporâneas no Brasil, identificadas na A. valorização da meritocracia para ocupação de cargos públicos. B. imposição de interesses eclesiásticos na administração pública. C. determinação do vínculo parental para constituir função pública. D. adoção de práticas contrárias à impessoalidade administrativa. E. união entre interesse público e privado como fator de eficiência. Alternativa D Resolução: A alternativa A está incorreta,pois o próprio texto indica que os beneméritos ficam de fora da atuação pública por não terem parentesco ou relação de amizade com as autoridades. A alternativa B está incorreta, pois o texto não atesta qualquer prioridade eclesiástica nos interesses da administração pública, apesar da crítica referida ser proferida por um clérigo. A alternativa C está incorreta pois reduz a constituição de agente público ao vínculo parental, quando, no texto, esse é apenas um dos vínculos possíveis para determinação da indicação, mas não o único. A alternativa D está correta, pois o favorecimento de parentes e pessoas próximas por meio do voto do conselheiro, no caso colonial, reporta a práticas frequentes na política atual brasileira que ferem o princípio da impessoabilidade administrativa. A letra E está incorreta, pois não há, no texto, relação direta entre eficiência administrativa e integração dos interesses privados e públicos, mas, pelo contrário, o próprio texto, em sua essência, é uma crítica a esse tipo de prática. QUESTÃO 81 A mecanização da cafeicultura paulista está afastando os migrantes da região produtora mais tradicional do estado, a Alta Mogiana. Agora, a região montanhosa da Mantiqueira, onde está o município de São João da Boa Vista, é a que atrai o maior número de trabalhadores volantes, os migrantes. Levantamento do IEA (Instituto de Economia Agrícola) mostrou que, na última safra, em média, a região de São João da Boa Vista atraiu cerca de 15,3 mil migrantes. [...] Por ser área montanhosa, é difícil a implantação da colheita mecanizada e o café precisa ser apanhado com as mãos, disse Maria Carlota Vicente, pesquisadora do IEA. [...] Essa é a primeira vez que o IEA compila dados sobre trabalhadores volantes. Assim, não há dados históricos que indiquem a presença dessa mão de obra ao longo dos anos na cultura de café. 491V ENEM – VOL. 3 – 2018 CH – PROVA I – PÁGINA 49BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO Mas, para Irineu Monteiro, presidente do sindicato do produtor rural de Patrocínio Paulista, cada vez menos os produtores buscam trabalhadores de fora para participarem da colheita. “Tudo por causa da máquina”, disse. OLIVEIRA, E. Mecanização afasta migrantes do café. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br>. Acesso em: 27 dez. 2017. O texto caracteriza o declínio do seguinte tipo de migração: A. retorno. B. sazonal. C. pendular. D. intrarregional. E. rural-urbana. Alternativa B Resolução: A migração sazonal ou transumância é o deslocamento temporário de pessoas em uma certa época do ano. É o caso dos trabalhadores rurais que migram para as áreas de lavouras, e que retornam para a sua terra de origem quando a safra termina. O texto-base descreve a queda desse tipo de migração por causa da mecanização do campo. A alternativa A está incorreta porque a migração de retorno consiste na volta do migrante para a cidade natal depois de muito tempo longe. A alternativa C está incorreta, pois a migração pendular é o fluxo diário de estudantes e trabalhadores entre uma cidade e outra. A alternativa D está incorreta porque a migração intrarregional acontece internamente em uma mesma região, e os trabalhadores podem ser de outras regiões. A alternativa E está incorreta, pois, conforme o texto da questão, os migrantes se deslocam para trabalhar no campo. QUESTÃO 82 A rede de paralelos e meridianos sobre a qual desenhamos um mapa constitui o que chamamos de projeção cartográfica. Ela permite representar uma superfície curva em uma superfície plana com menor distorção do que a vista no simples achatamento do elipsoide. Observe os mapas a seguir: DORLING KINDERSLEY WORLD ATLAS. London (Adaptação). XE7Q Cada uma das projeções cartográficas apresenta características únicas. No caso da projeção cônica, a grande vantagem é A manter a proporcionalidade das áreas representadas. B permitir a navegação de todo o globo terrestre. C possibilitar a comparação das áreas continentais e oceânicas. D representar, com boa qualidade, as áreas próximas das médias latitudes. E salientar a forma correta dos continentes. Alternativa D Resolução: A projeção cônica é o globo projetado sobre um cone que em seguida é planificado. Embora usada para outras latitudes, é muito mais aplicada para representar as latitudes médias onde as deformações são mínimas. A alternativa A está incorreta porque, como pode ser constatado no mapa da questão, a Groenlândia está esticada. Portanto, a projeção cônica não mantém a proporção das áreas representadas com a realidade, isso é, não é uma projeção equivalente. A alternativa B está incorreta, pois a carta náutica é mais indicada para a navegação. A alternativa C está incorreta porque a representação de mares e continentes na projeção cônica é incompleta. A alternativa E está incorreta, pois nem toda projeção cônica mantém a conformidade. QUESTÃO 83 Ao conquistar 12,6% dos votos na eleição nacional deste domingo [24/09/17], segundo resultados ainda não consolidados, a AfD [Alternativa para a Alemanha] ganha 94 mandatos e é a primeira bancada nacionalista populista de direita a ocupar o Bundestag [parlamento alemão] na história do pós-Guerra. Além disso, provavelmente será a segunda maior força de oposição no Parlamento alemão, atrás dos social-democratas, que já anunciaram não pretender negociar uma coalizão de governo com Angela Merkel. CHASE, J. A ascensão dos nacionalistas na Alemanha. Disponível em: <http://www.dw.com/>. Acesso em: 25 set. 2017 (Adaptação). É considerado um motivo para a ascensão do partido nacionalista citado na notícia: A. A democracia instável na Alemanha. B. O discurso favorável à integração europeia. C. A defesa do retorno ao socialismo soviético. D. A manutenção das políticas de Bem-Estar Social. E. A crise dos refugiados na Europa nos últimos anos. Alternativa E Resolução: A crise dos refugiados na Europa, provocada sobretudo pelos conflitos no Oriente Médio, gerou reações como o aumento dos votos para um partido nacionalista na Alemanha que não ocupava o parlamento desde o fim da Segunda Guerra Mundial. A alternativa A está incorreta porque a democracia alemã é sólida. A alternativa B está incorreta porque o partido nacionalista tem um discurso eurocético. A alternativa C está incorreta, pois o partido em questão é de direita e não defende o retorno do socialismo soviético. A alternativa D está incorreta, pois a permanência das políticas do Estado de Bem-Estar Social na Alemanha não é considerada um motivo para a ascensão do partido nacionalista. PIEL CH – PROVA I – PÁGINA 50 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO QUESTÃO 84 A expansão da escravidão na Itália romana aprofundou o fosso que separava os cidadãos ricos dos pobres [...]. Possuir escravos tornou-se um meio de acumular riqueza, em homens e em força produtiva, homens que podiam ser usados para proteger, para afirmar a própria riqueza de seus senhores, e até mesmo para coagir outros cidadãos, mas que permitiam, também, fazer render a riqueza. Escravos podiam ser adquiridos para produzir mais riquezas, tornando assim interessante e viável a aquisição e exploração de mais meios de produção, como terras, oficinas e instrumentos de trabalho. [...] A riqueza extraordinária de certos membros da aristocracia senatorial romana só foi possível, e só é compreensível, pela presença maciça de escravos. Disponível em: <http://www.scielo.br>. Acesso em: 26 out. 2017. Na sociedade romana antiga, marcada pela utilização da mão de obra cativa, a propriedade de escravos, segundo o texto, representou um A. critério definidor da participação ativa na política da Roma Antiga. B. elemento promovedor da desestabilização econômica do Império. C. aspecto influenciador nas relações entre os cidadãos romanos livres. D. fator desencadeador de conflitos entre os membros da aristocracia. E. princípio fundamentador da divisãoentre cidadãos e não cidadãos. Alternativa C Resolução: A sociedade romana antiga estava assentada sobre o sistema escravista de produção. As populações derrotadas, durante a expansão territorial romana, eram transformadas em mão de obra escrava. Desse modo, Roma tornou-se a capital de um vasto império, possuidor de grandes quantidades de terra e escravos. De acordo com o texto, “a expansão da escravidão na Itália romana aprofundou o fosso que separava os cidadãos ricos dos pobres”, constituindo-se em um importante elemento na relação entre os cidadãos livres ricos e pobres, o que torna correta a alternativa C. Ainda que o texto afirme que a riqueza extraordinária de certos membros da aristocracia senatorial romana só foi possível pela presença massiva de escravos, não há no texto subsídios que permitam afirmar que a propriedade de escravos correspondesse a um critério definidor da participação ativa na política romana, o que invalida a alternativa A. A alternativa B está incorreta, pois, como apontado anteriormente, a sociedade romana antiga se baseava no modelo de produção escravista. A desestabilização econômica do Império Romano e seu colapso estão relacionados à retração das conquistas e à diminuição do fluxo de prisioneiros que serviam como escravos, o que provocou o aumento dos preços dos escravos e a pouca produtividade registrada em virtude da escassez de mão de obra. A alternativa D também está incorreta, visto que no texto não há indícios de que a posse de escravos tenha desencadeado conflitos entre os membros da aristocracia romana. Por fim, a posse de escravos não era um critério definidor da cidadania, visto que o texto demostra que a posse de cativos podia ser utilizada para coagir outros cidadãos, o que contraria a alternativa E. YBV8 QUESTÃO 85 Durante o século XVII, a Coroa autorizou traslados de 70 a 80 pessoas para o serviço [do vice-rei] e sua família, cifra que nem sempre foi respeitada. Ao conde de Montesclaros, por exemplo, foi permitido levar 70 criados, mas terminou por viajar com 83. Além disso, houve exceções, como as do conde de Alba de Aliste, o Duque de Alburquerque, ou o conde de Baños, os quais puderam levar até 100 indivíduos. A este número somavam-se as esposas e os filhos dos escolhidos para o serviço. ZAPATERO, Alberto Baena. As vice-rainhas e o exercício do poder na Nova Espanha. Revista de História da USP. São Paulo, n. 176, 2017. Durante o período em que manteve parte da América sob seu domínio, a Espanha custeou o deslocamento de espanhóis para suas colônias. De acordo com o texto, esse deslocamento visava A. reforçar as tropas espanholas, a fim de conquistar os indígenas e manter a ordem nos redutos coloniais hispano-americanos. B. aumentar a matriz europeia no Novo Continente, fazendo com que a miscigenação tendesse ao embranquecimento das sociedades coloniais. C. simular a sociedade de corte espanhola, de modo que as elites coloniais se sentissem integradas à monarquia. D. realocar inimigos da Coroa Espanhola, aos quais seria dada a oportunidade de recomeçar suas vidas do outro lado do Atlântico. E. viabilizar o trabalho da Igreja Católica, que contaria com um maior número de cristãos. Alternativa C Resolução: O texto-base revela que os representantes da Coroa espanhola trasladados para a América para ocuparem o cargo de vice-rei foram autorizados a serem acompanhados por uma comitiva formada por familiares, achegados e criados. Em alguns casos, a comitiva do vice-rei impressionava, sendo comparada à grandiosidade do séquito do próprio rei da Espanha. Dessa forma, os representantes reais e suas comitivas puderam reproduzir, em alguma medida, a sociedade de corte espanhola na América, contribuindo para que as elites coloniais se sentissem integradas à monarquia, o que torna correta a alternativa C. A alternativa A está incorreta, pois os espanhóis que se deslocaram para a América, destacados no texto, compuseram a elite administrativa colonial e não as tropas espanholas. A alternativa B também está incorreta, pois, ainda que o deslocamento desses espanhóis para a colônia contribuísse para aumentar a matriz europeia no Novo Continente, não havia, no período, uma política de branqueamento da população, mas sim um esforço do Estado espanhol para evitar a miscigenação, o que é evidenciado pela vinda das esposas e filhos do vice-rei. Contrariamente ao indicado na alternativa D, os espanhóis que se deslocaram para a América não eram inimigos da Coroa espanhola, mas representavam os interesses espanhóis na colônia. Por fim, a alternativa E também está incorreta, pois o texto não relaciona o deslocamento dos espanhóis para o Novo Continente à viabilização do projeto evangelizador da Igreja Católica. RF13 ENEM – VOL. 3 – 2018 CH – PROVA I – PÁGINA 51BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO QUESTÃO 86 Tarauacá 5,1º Terremotos no Brasil Montes Claros 4,1º São Paulo Curitiba Rio de Janeiro VitóriaBelo Horizonte Goiânia Cuiabá Teresina Fortaleza Natal Recife Aracaju Salvador São LuísBelém Manaus COLÔMBIA PANAMÁ VENEZUELA GUIANA Oceano Atlântico Oceano Pacífico BRASIL SURINAME GUIANA FRANCESA BOLÍVIA CHILE ARGENTINA URUGUAI PARAGUAI PERU EQUADOR Brasília Porto Alegre Disponível em: <http://thoth3126.com.br/brasil-terremoto-de-51o-graus-proximo-a-tarauaca-acre/>. Acesso em: 20 nov. 2014 (Adaptação). Mesmo se localizando ao centro da Placa Sul-Americana, o Brasil tem sofrido abalos. Os sismos no país raramente possuem magnitude e intensidade elevadas. Nesse contexto, a ocorrência de tremores, respectivamente, em Tarauacá e em Montes Claros, destacados no mapa, pode ser justificada pela A. acomodação de camadas subterrâneas e pela movimentação das placas que formam a dorsal mesoatlântica. B. construção de hidrelétricas que pressionaram o solo e pela reativação de uma dobra datada do Cretáceo. C. extrusão vulcânica no Peru e pelo desmoronamento do subsolo devido à proximidade com áreas de mineração. D. percolação da água com deslizamento de massa e pela dissolução dos terrenos constituídos por rochas calcárias. E. proximidade com a área de encontro das Placas Sul-Americana e de Nazca e pela presença de uma falha geológica. Alternativa E Resolução: Estudos indicam que os abalos sísmicos na região do Acre são gerados pelo mergulho da placa tectônica de Nazca sob a placa Sul-Americana, sobre a qual o Brasil está. Já os terremotos em Montes Claros (MG), são provocados pela movimentação de falha geológica a 1 quilômetro de profundidade. A alternativa A está incorreta porque os tremores no Nordeste se relacionam com expansão da dorsal mesoatlântica. A alternativa B está incorreta, pois os sismos em Montes Claros são causados por uma falha geológica na crosta e não uma dobra. A alternativa C está incorreta porque os tremores sísmicos em Montes Claros têm origem nos movimentos da falha e não há evidência de que a exploração nas pedreiras tenha relação com a atividade sísmica. A alternativa D está incorreta, pois, na região do Acre representada no mapa, são recorrentes os tremores correlacionados ao levantamento andino. QUESTÃO 87 O termo globalização é normalmente utilizado a propósito de um conjunto de transformações socioeconômicas que vêm atravessando as sociedades contemporâneas em todos os cantos do mundo. Tais transformações constituem um conjunto de novas realidades e problemas que parecem implicar acrescidas dificuldades e novos desafios [...], de tal modo que acontecimentos, decisões e atividades numa região do mundo podem ter significado para indivíduos e atividades em regiões distintas do globo. CAMPOS, L.; CANAVEZES, S. Introdução à globalização. Disponível em: <https://dspace.uevora.pt/>. Acesso em: 22 dez. 2017. [Fragmento] JJ7Y 52VØ CH – PROVA I – PÁGINA 52 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO O texto discute os efeitos da globalização na contemporaneidade. Uma das consequênciasdo processo citado é a(o) A. intensificação da dependência econômica dos países, à medida que sua confiabilidade frente aos investimentos internacionais depende de avaliações de agentes externos. B. expansão da integração do espaço mundial por meio do estímulo dos países ao fluxo de capitais, mercadorias e pessoas através das fronteiras. C. interdependência crescente entre as nações, a qual diminui a possibilidade de conflitos entre países centrais e periféricos. D. ampliação da capacidade dos países de realizar investimentos públicos em áreas prioritárias. E. aumento do controle estatal em razão das políticas neoliberais características da globalização. Alternativa A Resolução: O processo de globalização é marcado pela crescente interligação e interdependência entre Estados, organizações e indivíduos do mundo inteiro nas esferas das relações econômicas, sociais e políticas. A alternativa B está incorreta porque há estímulo ao livre trânsito de capitais e mercadorias, mas os fluxos de pessoas são barrados por legislações migratórias restritivas, muros, cercas e barreiras fortificadas, sobretudo se saem das áreas mais pobres do globo em direção às regiões mais ricas. A alternativa C está incorreta, pois os conflitos internacionais não diminuíram com a globalização. As alternativas D e E estão incorretas porque o papel do Estado nos países neoliberais é limitado. QUESTÃO 88 Reclamada para as mais variadas funções a instituição [câmara municipal] vai se alargando, tornando-se imperialista e absorvendo, em inúmeros casos abusivamente, funções e atribuições de outros órgãos. Arrogavam-se poderes, nossos velhos concelhos, os mais diversos, alguns eivados de manifesta incompetência. ZENHA, E. O município no Brasil: 1532-1700. São Paulo: Instituto Progresso Editorial, 1948. O processo vivenciado pelas câmaras municipais, no contexto de implantação e consolidação do sistema colonial na América portuguesa, apresentado pelo texto, demonstra o(a) A. desinteresse da Metrópole em investir na organização colonial. B. fragilidade do município frente às instâncias metropolitanas. C. independência administrativa vivenciada pelos poderes locais. D. fragmentação política portuguesa no interior da colônia. E. eficiência dos quadros políticos das municipalidades coloniais. Alternativa D Resolução: As câmaras municipais desempenharam um importante papel na estrutura da administração colonial portuguesa na América, sendo fundamentais para o controle político local e para a análise de assuntos alusivos ao cotidiano da população e a harmonização das regras do Império português com as especificidades regionais da colônia. Entretanto, conforme demonstrado no texto, as câmaras municipais brasileiras experimentaram uma hipertrofia de suas funções, contribuindo para uma fragmentação da política portuguesa no interior da colônia, o que torna correta a alternativa D. A alternativa A está incorreta, pois as câmaras municipais foram estabelecidas pelo poder metropolitano como parte do sistema administrativo colonial. A alternativa B também está incorreta, pois, o texto indica que as câmaras municipais alargaram suas atribuições, evidenciando o fortalecimento, e não a fragilização, dos municípios frente às instâncias metropolitanas. Apesar de terem experimentado uma relativa autonomia administrativa, os poderes locais não eram independentes administrativamente da metrópole, o que contraria a alternativa C. Por fim, a alternativa E também está incorreta, visto que o texto destaca que alguns dos concelhos municipais estavam manchados pela incompetência. QUESTÃO 89 Todo material fluido (normalmente nos estados físicos gasoso ou líquido) tende a se movimentar em função das trocas térmicas com materiais de densidade e temperatura diferentes. Esse movimento pode ser observado em vários fenômenos naturais, como os atmosféricos, e em vários mecanismos artificiais de aquecimento e resfriamento de ambientes. Tendo como referência a dinâmica interna do planeta Terra, o nome desse movimento e a maneira como ele repercute na superfície terrestre são, respectivamente, A. inversão convectiva com formação de dobramentos orogenéticos. B. correntes térmicas com extravasamento do magma em vulcões. C. correntes de convecção com movimento das placas tectônicas. D. células de convecção com derretimento de ferro e níquel. E. inversão térmica com reciclagem das rochas magmáticas. FVCN UAB3 ENEM – VOL. 3 – 2018 CH – PROVA I – PÁGINA 53BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO Alternativa C Resolução: As correntes de convecção descrevem os movimentos verticais feitos pelo magma quando este adquire diferentes densidades e temperaturas, em função da maior ou menor proximidade com o núcleo ou a crosta. Nas proximidades do núcleo da Terra, a temperatura é muito elevada, fazendo com que o material magmático nessa região perca densidade e suba. Ao se aproximar da crosta esse material se resfria, aumentando sua densidade e retornando para as camadas mais profundas do planeta. Todo este movimento interno, juntamente com as características físicas do material magmático na astenosfera, explica o movimento das placas tectônicas. A alternativa A, apesar de descrever uma consequência das correntes de convecção magmática, traz o nome incorreto do movimento responsável pela orogenia. A alternativa B está incorreta, pois há outros condicionantes, como a tectônica compressional ou extensional, associados ao extravasamento do magma. A alternativa D está incorreta, pois a maior quantidade de ferro e níquel é encontrada no núcleo terrestre. A alternativa E está incorreta porque “inversão térmica” é o nome dado a um fenômeno atmosférico. QUESTÃO 90 Pirâmides Etárias Absolutas Idade Mais de 90 85 a 89 80 a 84 75 a 79 70 a 74 65 a 69 60 a 64 55 a 59 50 a 54 45 a 49 40 a 44 35 a 39 30 a 34 25 a 29 20 a 24 15 a 19 10 a 14 5 a 9 1 a 4 0 a 1 10 108 86 64 42 2 10 108 86 64 42 2 8 86 64 42 2 Homens Mulheres 2013 PIRÂMIDES ETÁRIAS ABSOLUTAS 2040 2060 Milhões de pessoas IBGE. A análise da estrutura etária da população brasileira no período representado demonstra que o(a) A. número de adultos continuou o mesmo, como mostra o corpo largo das pirâmides. B. mortalidade infantil cresceu conforme o estreitamento da base da pirâmide etária. C. crescimento vegetativo aumentou à medida que a expectativa de vida se elevou. D. governo deve gastar mais com saúde e previdência devido ao aumento da expectativa de vida. E. janela de oportunidades permanece em razão da expressiva População Economicamente Ativa. Alternativa D Resolução: Nas pirâmides etárias, o ápice indica a população de idosos. Dessa forma, um ápice largo representa uma elevada expectativa de vida, que é o número médio de anos que uma pessoa vive em determinado lugar, enquanto um ápice estreito indica uma reduzida expectativa de vida. Com o aumento da longevidade, o governo deve investir mais em seus sistemas de saúde e previdenciário como forma de cuidar do expressivo número de idosos. A alternativa A está incorreta porque o corpo da pirâmide, que representa a população adulta, estreitou-se progressivamente. A alternativa B está incorreta, pois a diminuição da base das pirâmides diz respeito à queda da taxa de natalidade. A alternativa C está incorreta, pois, com o declínio da fecundidade, o crescimento vegetativo diminui. A alternativa E está incorreta porque a PEA em 2060 será bem menor do que em 2013, como mostra o corpo das pirâmides, e a janela de oportunidade demográfica terá se encerrado. Z4OD CH – PROVA I – PÁGINA 54 ENEM – VOL. 3 – 2018 BERNOULLI S ISTEMA DE ENSINO