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1 Clínica Cirúrgica II - urologia 09.11.19 PRIAPRISMO E ESCROTO AGUDO FISIOLOGIA CICLO SEXUAL MASCULINO: Relembrando anatomia e microarquitetura peniana Pênis possui: 2 corpos cavernosos + 1 corpo esponjoso Corpo cavernoso = trabéculas (m. liso) + espaços cavernoso (espaços lacunares) Microarquitetura peniana: tec. conjuntivo (estrutural) + m. liso + endotélio Vascularização: Aa pudendas internas (D e E) Aa cavernosas(De E) ramos helicinais espaços lacunares Plexo subalbulgíneo Vv. Emissárias Veia dorsal profunda do pênis Há uma constante mudança de equilíbrio entre os fatores pró-eréteis e os antieréteis. A excitação sexual é o resultado do aumento da atividade parassimpática e da diminuição da atividade simpática. Controle da ereção (fenômeno neurovascular) - A ereção é coordenada no sistema nervoso central. - Os estímulos sexuais (visuais, táteis, etc) são integrados no hipotálamo e a mensagem é transmitida para o pênis através da medula espinhal e do centro sacral da ereção (N. pélvico – fibras parassimpáticas libera Ox nítrico (NO) e Acetilcolina (Ach). - Estímulos (visuais, mentais ou da própria região genital) chegam na medula através do N. pudendo interno (estimulo genital) e das fibras parassimpáticas do N. Pélvico. - As fibras parassimpáticas liberam NO e Ach que leva ao relaxamento dos vasos (artérias profundas do pênis) + ingurgitamento do tecido erétil pelo sangue que leva a ereção. Além disso, a liberação de NO e Ach causa relaxamento do m. trabecular dos tecidos eréteis + estimulação das glândulas bulboretrais que secretam fluido bulboretral aquele que sai antes do homem ejacular. - Dentro do endotélio, o NO entra na célula endotelial fazendo com que a GMP se transforme em GMP Cíclico que a redução do cálcio intracelular. Essa redução causa relaxamento das fibras musculares lisas levando ao aumento do fluxo de sangue e consequente distensão dos espaços lacunares - O Corpo cavernoso é cheio de lacunas (espaços lacunares) e conforme o sangue vai entrando há distensão desses espaços. Com a distensão desses espaços, ocorre a compressão do plexo subalbugíneo (veia) 2 Clínica Cirúrgica II - urologia contra a túnica albugínea, o que leva a venoclusão (diminui saída de sangue aumenta pressão intracavernosa = a rigidez). - O sistema simpático atua na detumescência peniana (flacidez). O sistema simpático se ativa levando ao aumento da concentração intra-celular de cálcio e de GMP = relaxamento da musculatura lisa peniana. - Além disso ocorre diminuição da liberação de NO e ação da enzima 5- fosfodiesterase que transforma GMP-c em GMP levando ao relaxamento da musculatura peniana (detumescência peniana). *O Viagra é inibidor da 5-fosfodiesterase, e outros medicamento para disfunção erétil também (siarex, levitra, dejavu) *Quando ocorre desequilíbrio entre o relaxamento e contração da musculatura erétil ocorre o priapismo e disfunção erétil (tema será abordado em outra aula) PRIAPISMO Definição: ereção peniana por mais de 4 horas, não associada a relação sexual ou mantida após ela. *Afrodite + Dionísio: priapo (deus da fertilidade) Epidemiologia: - Incidência (1,5 por 100.000 homens/ano): Adultos (87,3%); crianças neonatos (12,6%) - Picos de incidência: Pediátrico (5-10 anos) e Adulto (20-50 anos) Etiologia: principal - Anemia falciforme (30-42%) crianças!!! - Crianças: Anemia falciforme (67%); leucemia (115); trauma (11%); idiopática (11%) - Adultos: uso ou abuso de drogas (21%); trauma perineal (12%); Anemia falciforme (11%) Classificação: existem 3 tipos de priaprimo - Isquêmico (baixo fluxo) Ocorre obstrução da drenagem do sangue venoso que impede entrada de sangue arterial nos corpos cavernosos (geralmente ocorre após ereção: sangue não sai dos corpos cavernosos, ou seja, o pênis não retornar ao estado de flacidez; como as células precisam de oxigênio a medida que o tempo http://www.institutofichera.com.br/site/sexologia-ginecologia/fisiologia-da-erecao/attachment/fisiologia-da-erecao-05/ http://www.institutofichera.com.br/site/sexologia-ginecologia/fisiologia-da-erecao/attachment/fisiologia-da-erecao-06/ 3 Clínica Cirúrgica II - urologia passa ocorre hipoxemia, isquemia com liberação de mediadores inflamatórios, podendo levar a necrose). Urgência urológica!!! Causas principais: injeção de drogas vasoativas em quem não necessita (jovens que utilizam drogas para disfunção erétil para impressionar as parceiras e anemia falciforme) - Recorrente (início noturno e principal causa é anemia falciforme) - Alto fluxo: *infográfico abaixo Diagnóstico: - Ao Ex físico: avaliação da genitália, do períneo e do abdome e palpação de corpos cavernosos, esponjosos e glande - Avaliação metabólica: feita através da gasometria cavernosa (punciona corpo cavernoso do paciente com gelco e retira o sangue para realização da gasometria) - Se PO2 da gasometria for: < 40mmHg = priapismo de baixo fluxo → realizar hemograma, teste de falcização e eletroforese de hemoglobina e dosagem de drogas ilícitas na urina - exatamente para investigar as principais causas de priapismo no adulto) > 80 (sangue aspirado é vermelho vivo) = priapismo de alto fluxo→ realizar USG Doppler de pênis e arteriografia seletiva) Tratamento: - Baixo fluxo: Puncionar o pênis para retirada do sangue (esvaziamento mecânico do corpo cavernoso) + ejeção a cada 5 min de solução de adrenalina para promover vasoconstrição, visto que pode causar isquemia devido ao retorno abrupto da vascularização) Se anemia falciforme: medidas de suporte (hiper hidratação, oxigenoterapia, analgeia e transfusão de sangue se necessário) Se a punção não der certo = cirurgia de Winter (fistula entre corpo cavernoso e corpo esponjoso – punciono a glande até o corpo cavernoso causando essa fistula fazendo o movimento de ordenha para retirada do sangue) – ordenha proximal para distal (parou a ordenha a fistula fecha). Se não der certo = abrir a glande e o corpo cavernoso para retirada do sangue. Complicações: fibrose e necrose do corpo cavernoso e disfunção erétil (por isso é uma Urgência urológica!) - Recorrente: fluxograma! 4 Clínica Cirúrgica II - urologia - Alto fluxo: não requer urgência – tratar com sintomáticos e bolsa de gelo e em alguns casos (embolização seletiva na artéria lacerada que está levando ao aparecimento da fístula) ESCROTO AGUDO Definição: aumento e doloroso da bolsa testicular devido a uma enfermidade no seu interior que pode estar acompanhado de sinais locais e gerais da doença - Dor e aumento do volume testicular = causa frequente de visita ao OS - Escroto agudo está para o urologista acima como o abdome agudo está para o cirurgião geral - Necessidade de diagnóstico rápido e preciso para definir conduta (cirúrgica ou expectante) Diagnósticos diferenciais Aspectos importantes na Anamnese: - Anamnese: idade (crianças, adultos e idosos), tempo de início da dor (súbito ou gradual), AP (sexualidade – IST); cirúrgicas pregressas (hérnia, criptorquidia), episódio semelhante anterior AP: IST, quadros virais (parotidite – orquite pós caxumba) *Paciente jovem, relação sexual desprotegida, queda do estado geral, febre, dor e aumento do volume testicular (antecedente de gonorreia) TORÇÃO TESTICULAR - Torção completa no próprio eixo - Faixa etária + acometida: 07-16 anos - Espontânea ou traumática - Evento isquêmico causa dor: testículo torce no próprio eixo (não tem vascularização isquemia ou necrose) - Pode torcer ou destorcer (raro) - Principalmente causa de dor escrotal na infância - Se não revertido = isquemia com perda de função do órgão 5 Clínica Cirúrgica II - urologia - Ocorre por uma fixação anômala do testículo (12% dos homens) problema na suspensão testicular Testículo normal: fixação posterior a túnica vaginal Testículo “anormal”: fixação proximal (testículo “livre” – “badalode sino”) - Existe a torção intravaginal e a extravaginal - Torção mais comum: intravaginal ou em badalo de sino (esquema 2) – corresponde a 2/3 dos casos): Cordão espermático longo ou escroto amplo Anomalias da linha de reflexão da túnica vaginal Inexistência do gubernáculo Anomalias arteriais (crianças maiores) - Torção extravaginal (esquema 1): mais comum no RN Ausência de aderências normais entre o testículo e as túnicas escrotais Quadro clínico: Dor testicular súbita Aumento do volume testicular Náusea e dor abdominal Exame físico: Anteriorização do epidídimo e porção testicular elevada (horizontaliza e sobe) Reflexo cremastérico ausente Aumento do volume global testicular Diagnóstico: Principal exame: USG escrotal com doppler* Se detectada a torção = cirurgia!! *USG doppler: sensibilidade de 63-100% e especificidade de 97-100% A manifestações ecográficas traduzem-se por: aumento das dimensões do testículo; diminuição e heterogeneidade da ecogenicidade; visualização do ponto de torsão do cordão espermático; hidrocelo reactivo e espessamento da parede escrotal. A avaliação por color Doppler é fundamental, havendo diminuição ou ausência de fluxo. Tratamento Avaliar se é viável: Testículo viável (não sofreu isquemia) = orquidopexia: fixação do testículo na parede interna Se não for viável: orquiectomia e orquidopexia contralateral *A intervenção deve ser bilateral SEMPRE (independente da viabilidade do testículo acometido), ou seja, realizar procedimento no testículo normal, visto que, se houve torção significa que o paciente tem alteração anatômica na fixação do testículo, sendo assim, devemos garantir que o outro testículo não vá sofrer torção posteriormente. 6 Clínica Cirúrgica II - urologia Complicações: - Infarto testicular - Atrofia (tem que fazer implante de prótese) - Infertilidade TORÇÃO DE APÊNDICE TESTICULAR - Apêndices testiculares: formações polipoides testículos e epidídimo resquícios do ducto de Muller e Wollf, respectivamente - Torção evento isquêmico = dor - QD: semelhante a torção testicular, porém é MENOS exuberante - EF: sinal da mancha azul: cor azul no polo superior testicular - CD: semelhante a torção testicular ORQUIEPIDIDIMITE - Via descendente (ducto deferente): associação com infecções do trato urinário e uropatia obstrutiva baixa - Causa aumento do fluxo sanguíneo e abscesso (DD com torção testicular e de apêndice) - Hematogênica - Linfática: - Adulto jovem (sexualmente ativo): Clamídia e gonococos - Homens > 35 anos: Gram negativos (ITU) - QD: dor com piora progressiva, aumento do volume testicular, febre com calafrios, prostração e anorexia. - EF: Sinal de Prenn melhora da dor ao elevar o testículo (principal diagnóstico diferencial entre orquiepididimite e torção testicular; na torção há piora da dor a elevação do testículo) - TTO: antibioticoterapia (ag causal); analgesia, AINH, suspensório escrotal