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1. Considerando os conceitos de norma, incidência e crédito tributário, responda: a) Que é lançamento tributário? Definir o conceito especificando: quem pode lançar, se é ato ou procedimento e qual a sua finalidade. O instituto do lançamento tributário diz respeito ao ato administrativo de caráter jurídico que insere norma individual e concreta no sistema, a qual possui em seu antecedente um fato jurídico tributário, corolário da transformação de um “evento”, e no seu consequente, a formalização de um vínculo obrigacional, delimitador dos critérios constantes da regra matriz de incidência tributária. Não obstante tratado no artigo 142 do CTN como espécie de procedimento, o lançamento é, em essência, ato administrativo que institui a relação implicacional entre os sujeitos da obrigação tributária. Afinal, o vocábulo “procedimento” induz à sequencia concatenada de atos direcionados a um fim e, em alguns casos, a constituição da norma individual e concreta decorre de uma única ação. Por fim, sobreleva repisar que tal inserção pode ser promovida pela autoridade administrativa, em ato de ofício, ou em razão de um processo de apuração do débito tributário pelo próprio sujeito passivo a ser homologado pela Administração. b) É correto afirmar que o lançamento tributário apresenta-se em três espécies? Se positiva a resposta, qual o critério que orienta tal classificação, ou seja, o que diferencia uma espécie da outra? Fala-se, em verdade, de modalidades de lançamento, que, de fato, são três (i) lançamento direto ou lançamento de ofício; (ii) lançamento misto ou por declaração; (iii) lançamento por homologação. Mister esclarecer, que essas modalidades se distinguem a depender do grau de participação do contribuinte/sujeito passivo na constituição do ato, sendo que: (i) na primeira modalidade, ou seja, no lançamento de ofício, o lançamento é realizado pela autoridade administrativa sem que haja qualquer intervenção do contribuinte, e sua previsão consta do art. 149 do CTN; (ii) na modalidade lançamento por declaração fisco e contribuinte colaboram e sua previsão está no art. 149 do CTN; e (iii) no lançamento por homologação, praticamente, apenas o administrado quem participa do processo, sendo que a atuação da Administração Pública se limita a homologar os atos por ele praticados expressa ou tacitamente, ocorrendo esta última hipótese em razão da inércia na manifestação da administração após determinado lapso temporal. Esta modalidade está prevista no art. 150 do CTN. c) O chamado lançamento por homologação é efetivamente lançamento? E o lançamento por declaração? No primeiro caso, considerando que é o próprio contribuinte que realiza o fato gerador e, por si só, apura o crédito tributário para antecipar o que, enquanto não houver fiscalização e subsequente homologação do lançamento pela Administração, seja ela expressa ou tácita, o lançamento não se convalidará, razão pela qual o ato que o sujeito passivo pratica consiste tão somente em atos preparatórios ao lançamento. Por sua vez, como o lançamento por declaração consiste em hipótese em que o sujeito passivo que realizar o fato gerador do tributo exerce obrigação acessória de fazer uma declaração sobre determinado fato, ao fazê-lo, emite norma individual e concreta que autoriza à Administração a proceder com ulterior cobrança do crédito tributário, essa modalidade efetivamente consiste em efetivo lançamento. d) O lançamento tem eficácia declaratória e/ou constitutiva? O que é declarado e/ou constituído? Quando isso ocorre? O lançamento tributário é ato administrativo com eficácia constitutiva, na medida em que dá ensejo à expedição de norma individual e concreta e, por conseguinte, ao surgimento do direito de perceber o crédito tributário, por parte do Ente tributante, bem como ao dever do sujeito passivo de pagar o débito. Enquanto o ato constitutivo pressupõe a criação de relação jurídica nova, o ato declaratório não se preza a outra coisa senão em relatar, na linguagem competente, relação jurídica pré-existente, sem que isso deflagre modificações no sistema jurídico. É o caso, por exemplo, da decisão judicial que declara a inconstitucionalidade de uma norma, afinal, seguindo-se a teoria da nulidade adotada no direito brasileiro, a norma incompatível com o ordenamento constitucional assim o é desde a sua origem, de modo que a decisão nada mais faz do que declarar essa circunstância. e) Confrontar as noções de tempo no fato e tempo do fato. De forma muito didática, Aurora Tomazini de Carvalho estabelece que o tempo no fato consiste no “momento descrito como aquele que o fato jurídico se realizou[footnoteRef:1]”, enquanto o tempo do fato seria o instante em que a autoridade competente verte o evento em linguagem necessária para fazê-lo ingressar no direito para fins de incidência da norma jurídica. [1: CARVALHO, Aurora Tomazini de. Curso de teoria geral do direito, p 567.] Frise-se, outrossim, que importância prática em se distinguir ambos os instantes está na aferição correta da legislação a ser aplicada. No primeiro caso (tempo no fato), a norma jurídica a incidir será aquela válida e vigente no momento da ocorrência do evento e, no segundo caso, aplicam-se as normas que, em vigor, regulam o procedimento para constituição do fato jurídico no momento de sua realização. Em suma: “ao tempo do fato aplicam-se as normas de caráter processual, enquanto que ao tempo no fato norma de natureza material[footnoteRef:2]”. [2: Ibidem, p. 569.] f) O que é erro de fato e erro de direito? E mudança de critério jurídico? No que concerne aos conceitos de erro de direito e erro de fato, preambularmente se destaca que ambos se referem a equívocos incorridos pelo aplicador do direito no processo de interpretação, vez que a distinção repousa justamente no objeto interpretado. Pois bem. O erro de direito é aquele que decorre da confusão no instante de aplicação da norma jurídica individual e concreta, porquanto o intérprete parte de norma geral e abstrata que não se propõe a regular o caso concreto. Por isso, esta espécie de erro é verificada quando após aplicação da norma (individual e concreta), constata-se que a norma que deveria ser aplicada ao fato é outra. Lado outro, o erro de fato diz respeito à interpretação errônea das provas, a qual enseja equívoco na apreensão do fato jurídico constante do antecedente e/ou do consequente da norma individual e concreta. Ou seja: o erro de fato trata-se da “não correspondência entre as linguagens do sistema: a linguagem das provas e aquela que constitui a norma individual e concreta[footnoteRef:3]”. [3: CARVALHO, Aurora Tomazini de. Curso de teoria geral do direito, p 572.] 2. Dado o auto de infração fictício (anexo I), pergunta-se: a) Identifique as normas individuais e concretas veiculadas no respectivo auto de infração; 1) Norma que concretiza o ato administrativo de lançamento ante a ocorrência da RMIT: Dado o fato do sujeito passivo transferir ou fazer circular mercadorias entre estabelecimentos no dia 01/01/2014 no Estado de São Paulo; deve ser o dever do sujeito passivo Bate o Pé Industria e Calçados Ltda. recolher o crédito de ICMS, levando em consideração uma base de cálculo no valor de R$ 64.440,48 e a aplicação de alíquota no percentual de 18% sobre esse valor, resultando um crédito tributário no montante de R$ 11.599,29. 2) Norma instituidora de multa de ofício em razão do não pagamento do tributo: Dado o fato do sujeito passivo transferir ou fazer circular mercadorias entre estabelecimentos no dia 01/01/2014 no Estado de São Paulo e não recolher o imposto devido; deve ser a obrigação do sujeito passivo Bate o Pé Industria e Calçados Ltda. pagar multa à Fazenda Estadual no percentual de 50% sobre valor do imposto, perfazendo o montante de R$ 5.799,64. 3) Norma instituidora de juros moratórios em razão do não pagamento do tributo: Dado o fato do sujeito passivo transferir ou fazer circular mercadorias entre estabelecimentos no dia 01/01/2014 no Estado de São Paulo e ter atrasado no pagamentodo imposto devido; deve ser a obrigação do sujeito passivo Bate o Pé Industria e Calçados Ltda. pagar juros de mora no valor de R$ 1.274,92 à Fazenda Estadual. 4) Norma que trata da validade do veículo introdutor: Dado o fato de se ter constatado a transferência e circulação de mercadoria sem que tenha havido o devido recolhimento do imposto, deve ser o dever do fiscal do Estado de São Paulo, Josenias Alberto, lavrar o auto de infração e imposição de multa e aplicar a legislação pertinente. b) Confronte as noções de (i) auto de infração – documento, (ii) ato administrativo de imposição de multa, (iii) ato administrativo de lançamento e (iv) ato de notificação. Conceito Definição Auto de Infração – Documento É o suporte físico que sustenta 02 atos administrativos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento jurídico, sendo um de lançamento e outro de aplicação de penalidade. Ato Administrativo de Imposição de Multa É o ato de produção da norma individual e concreta que institui o pagamento da prestação pecuniária em decorrência de descumprimento do dever legal. Ato Administrativo de Lançamento É o ato administrativo realizado pelo fisco na produção norma individual e concreta no sistema relacionada ao tributo. Ato de Notificação É o ato administrativo que cientifica o sujeito passivo da norma individual e concreta produzida e relacionada ao pagamento da multa ou da penalidade, ingressando o lançamento no processo comunicacional do direito. c) Em sua opinião, em que instante nasce a obrigação tributária? E o crédito tributário? E, a multa tributária? Que significa “constituição definitiva do crédito”? A obrigação tributária principal surge a partir da expedição de norma individual e concreta oriunda do lançamento efetivado pelo Fisco ou de declaração elaborada pelo contribuinte, por se tratar do momento em que o “evento” é vertido em linguagem jurídica competente e sofre a aplicação da regra matriz de incidência tributária, inaugurando a relação jurídica tributária entre os respectivos sujeitos. No que tange ao crédito tributário, vislumbro que trata-se de elemento indissociável à obrigação tributária, porquanto se trata do próprio objeto versado na relação jurídica. Aqui, a expressão “crédito” não remonta à prestação pecuniária em si, mas ao direito que dispõe o sujeito ativo, de modo que o crédito tributário surge e desaparece ao mesmo tempo que a obrigação tributária. A multa, por sua vez, decorre de fato ilícito, consistente no descumprimento do dever de pagamento pelo sujeito passivo da obrigação no prazo e modo estipulado pela legislação. E, justamente por se tratar de constrição patrimonial, pressupõe aplicação pela autoridade competente. Por fim, quanto à constituição definitiva do crédito tributário, tem-se que esta ocorre no momento em que houver a notificação válida do lançamento efetuado pelo fisco, relativamente aos tributos lançados de ofício ou por declaração, e no momento em que a declaração correta é entregue pelo constituinte ao fisco, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação. 3. Empresa XXX, contribuinte de IPI, declara e formaliza seus créditos e débitos, compensa tais valores (não-cumulatividade) e, de acordo com a lei, realiza o pagamento do saldo devedor conforme discriminado abaixo: Posteriormente, o Fisco Federal glosa os créditos de IPI utilizados pela empresa devedora, sem, contudo, efetuar o lançamento de qualquer valor a título de tributo. Em seguida, encaminha para inscrição na dívida ativa os valores não pagos em razão do aproveitamento indevido dos créditos (R$ 200.000,00), pois entende não ser necessário o lançamento de ofício. Esses valores, por sua vez, são acrescidos das penalidades que o Fisco entende cabíveis, além dos juros de mora. Na sua opinião, está correto o proceder da Fazenda? Ainda, o aproveitamento de créditos da não-cumulatividade pode ser equiparado a pagamento antecipado? A glosa, por sua vez, resultaria em não pagamento? Justifique sua resposta (Vide anexo II e III). Compartilho do entendimento que a declaração correta do sujeito passivo é elemento hábil à constituição do crédito tributário, não havendo que se falar na necessidade de realização de lançamento de ofício pela Administração para que haja a cobrança do mesmo, nos termos da Súmula 436 do STJ. Sendo assim, estando o crédito constituído pelo sujeito passivo, a administração pode realizar a inscrição do débito em dívida ativa de imediato e, posteriormente, a sua cobrança judicial. Ademais, a resposta é a mesma no que diz respeito aos juros e penalidades, pois que a cobrança de valores a esses títulos decorre do crédito principal que, repita-se, fora constituído pelo sujeito passivo por meio de declaração correta. Noutro norte, caso a declaração seja falsa ou esteja incorreta caracteriza-se a ocorrência de “defeito” no pagamento do tributo o que ensejará a cobrança do valor remanescente/não pago. Ora, como a declaração não foi correta, ela não constituiu o crédito tributário, o que significa dizer que será necessário o lançamento pela Administração para a sua devida constituição. Esse lançamento será feito de ofício e com base em dados da própria administração que, em seguida, poderá fazer a cobrança administrativa respectiva. 4. Com relação ao lançamento por homologação, pergunta-se: a) Que é homologação? O que se homologa: (i) o pagamento efetuado antecipadamente; (ii) a norma individual e concreta posta pelo contribuinte; ou (iii) ambos? Justifique sua resposta. Homologação é o ato pelo qual a Administração Pública chancela expressa ou tacitamente os atos praticados e as informações recebidas pelo contribuinte. Destarte, a homologação do “lançamento” efetivado pelo contribuinte por parte da Administração Pública implica na concordância da norma individual e concreta posta pelo contribuinte e do pagamento realizado antecipadamente. Afinal, não estando estes dois aspectos em perfeita consonância, não haverá a homologação e sim a determinação de revisão do “lançamento” efetivado pelo contribuinte para ajustes e adequação. b) Quando se verifica a homologação expressa? Trata-se de ato administrativo? Ainda, é possível revisar-se o ato homologatório expresso? Há no direito positivo a possibilidade de pagamento de tributos sem lançamento? A homologação expressa trata-se de ato administrativo que se verifica quando a Administração, após exercer o controle/fiscalização sobre os dados prestados e os valores pagos pelo contribuinte, manifesta-se como “de acordo”. Ademais, considerando que esse ato de homologação do lançamento extingue o crédito tributário, é possível dizer que o mesmo possui eficácia extintiva. 5. A Lei n. 10.035/00 estabelece que serão executados, nos autos da reclamação trabalhista, os créditos previdenciários devidos em decorrência da decisão proferida pelos Juízes e Tribunais, resultantes de condenação ou homologação do acordo. Pergunta-se: a decisão judicial, cognitiva ou homologatória, constitui o crédito tributário? E, eventuais acordos posteriores entre os litigantes? Há necessidade de lançamento? Como ficam os princípios do contraditório e da ampla defesa? (Vide anexos IV, V e IV). Considerando que o lançamento é prerrogativa da autoridade administrativa, assim como o é a verificação da norma individual e concreta resultante de lançamento promovido pelo contribuinte, nos termos do art. 142 do CTN[footnoteRef:4], a decisão judicial cognitiva ou homologatória não é capaz de constituir o crédito tributário. [4: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.(Grifo nosso) Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob penade responsabilidade funcional. ] No entanto, mencionado posicionamento merece ressalvas, em virtude de hipótese excepcional expressamente prevista no Art. 114, VIII, da Constituição Federal, a qual prevê que a Justiça do Trabalho tem competência para executar as contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamentos efetuados em decorrência de sentenças proferidas pelo Juízo Trabalhista, de modo que, nesses casos, a decisão proferida pelos juízes ou tribunais trabalhistas poderá ser considerada como uma espécie de lançamento produtora de norma individual e concreta, por expressa previsão legal. Ora, se não se considerar que a decisão emanada é uma espécie de lançamento, não é possível que haja a formação do vínculo obrigacional e, muito menos, que haja a execução do tributo, acarretando a inaplicabilidade de norma constitucional, o que não se admite. Ainda, com relação ao princípio do contraditório e ampla defesa, não há qualquer espécie de ofensa para a hipótese em que a própria decisão judicial “constitui” o crédito tributário e viabiliza a sua execução, haja vista que tais princípios vigoram ao longo de todo o processo judicial trabalhista e a obrigação do pagamento de contribuições previdenciárias decorre do reconhecimento do não recolhimento de verbas trabalhistas devidas. 6. Sobre as hipóteses correlatas às alterações do lançamento, responda: a) Há diferença entre erro de direito e mudança de critério jurídico, para fins de revisão do lançamento tributário? Há possibilidade de revisão do lançamento fundado em erro de direito? E em erro de fato? Qualquer erro de fato é suficiente para fundamentar a alteração do lançamento? (Vide anexos VII, VIII e IX). A princípio, não há diferença entre erro de direito e mudança de critério jurídico para fins de revisão do lançamento tributário, vez que em ambas as hipóteses não há fundamento que justifique a revisão. Nesse mesmo sentido é o teor do Art. 146 do CTN, bem como o recente entendimento do STJ e do extinto TRF, senão vejamos: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. EQUÍVOCO NA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. ALÍQUOTA. ERRO DE DIREITO. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Hipótese em que se discute se a indicação, pelo contribuinte, de legislação errônea na Declaração de Importação devidamente recebida pela autoridade alfandegária consiste em erro de fato e, portanto, pode dar ensejo à posterior revisão, pela Fazenda, do tributo devido; ou se trata-se de mudança de critério jurídico, cuja revisão é vedada pelo CTN. 2. A jurisprudência desta Corte é pacífica no sentido de que o erro de direito (o qual não admite revisão) é aquele que decorre da aplicação incorreta da norma. Precedentes. Por outro lado, o erro de fato é aquele consubstanciado "na inexatidão de dados fáticos, atos ou negócios que dão origem à obrigação tributária" (EDcl no REsp 1174900/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 09/05/2011). (...) 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no Ag 1422444/AL, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/10/2012, DJe 11/10/2012) TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MANDADO DE SEGURANÇA. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. AUTUAÇÃO POSTERIOR. REVISÃO DE LANÇAMENTO. ERRO DE DIREITO. SÚMULA 227/TRF. PRECEDENTES. 1. "A mudança de critério jurídico adotado pelo fisco não autoriza a revisão do lançamento" (Súmula 227 do TFR). 2. A revisão de lançamento do imposto, diante de erro de classificação operada pelo Fisco aceitando as declarações do importador, quando do desembaraço aduaneiro, constitui-se em mudança de critério jurídico, vedada pelo CTN. 3. O lançamento suplementar resta, portanto, incabível quando motivado por erro de direito. (Precedentes: Ag 918.833/DF, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ 11.03.2008; AgRg no REsp 478.389/PR, Min. HUMBERTO MARTINS, DJ. 05.10.2007, p. 245; REsp 741.314/MG, Rela. Min. ELIANA CALMON, DJ. 19.05.2005; REsp 202958/RJ, Rel. Ministro FRANCIULLI NETTO, DJ 22.03.2004; REsp 412904/SC, Rel. Min. LUIZ FUX, DJ 27/05/2002, p. 142; Resp nº 171.119/SP, Rela. Min. ELIANA CALMON, DJ em 24.09.2001). 4. Recurso Especial desprovido. (REsp 1112702/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/10/2009, DJe 06/11/2009) TFR Súmula nº 227 Mudança de Critério Jurídico Adotado pelo Fisco - Revisão de Lançamento - Imposto de Importação - Serviços Aduaneiros A mudança de critério jurídico adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento. Com relação ao segundo questionamento, para que um ato de lançamento seja entendido como válido, é imprescindível que os seus requisitos estejam em perfeita consonância com as prescrições legais, razão pela qual o único erro que justifica a alteração do ato de lançamento é o erro de fato (desajuste interno na estrutura do enunciado), pois que o erro de direito caracteriza nítido descompasso entre a norma geral e abstrata e a norma individual e concreta sendo, portanto, inválido. A corroborar com esse entendimento, são as jurisprudências supra. Por fim, não se vislumbra a possibilidade de qualquer erro de fato ser suficiente para fundamentar a alteração do lançamento, em razão da redação do Art. 149, inc. VIII, do CTN que estabelece, taxativamente, quais as hipóteses em que o lançamento efetuado pode ser revisto de ofício pela Autoridade Administrativa em razão de erro de fato, observado o prazo decadencial do crédito tributário. b) A alteração da base de cálculo, ou da sistemática de apuração do tributo pode ser feita mediante retificação do lançamento? A eleição errônea da base de cálculo, ou da sistemática de apuração configura-se como erro de fato, erro de direito ou mudança do critério jurídico? Tem o condão de acarretar anulação do lançamento? (Vide anexos X, XI e XII)