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Sociologia Geral 4º Aula Processos sociais Boa aula! Objetivos de aprendizagem Ao término desta aula, o aluno será capaz de: • identificar os diferentes tipos de contatos sociais que ocorrem entre os indivíduos; • caracterizar tipos de isolamento, interação social e cooperação social; • reconhecer o que é competição social e conflito social; • descrever como se dá a adaptação, a acomodação e assimilação dentro de um processo social. Conheceremos alguns processos sociais que podem ocorrer entre os indivíduos. Vamos conhecer algumas características dos diferentes tipos de contatos sociais existentes. Nesta aula verão como ocorre o isolamento social. O conceito, os tipos, as consequências e os mecanismos que reforçam o isolamento social. Abordaremos a Interação social, que junto com os contatos sociais são a essência da vida social. Veremos que a cooperação social é um fator indispensável para a manutenção e continuidade dos grupos sociais. Sendo que, todos esses aspectos, caracterizam os processos sociais. Se ao final desta aula tiverem alguma dúvida ou questionamento, vocês poderão saná-los por meio da ferramenta “fórum”, lá é o espaço para dúvidas e discussões. Vamos aprofundar conhecimentos! 84 23 Seções de estudo 1 - Processos sociais e contatos sociais 2 - Isolamento, interação e cooperação social 3 - Competição e conflito social e adaptação – acomodação – assimilação 1 - Processos sociais e contatos sociais “Processo é o nome que se dá à contínua mudança de alguma coisa em uma direção de nida” (OLIVEIRA, 1993). Sendo assim: CONCEITO Processo social indica interação repetitiva de padrões de comportamento geralmente encontrados na vida social. Isto é, indica interação social, movimento e mudança. Expressam as diversas maneiras pelas quais os indivíduos e os grupos relacionam-se, estabelecendo relações sociais. Descreveremos características de alguns processos sociais. Antes de identificarmos os principais processos sociais existentes, precisamos identificar o que é processo social. 1.1 - Contato social O contato social é a base da vida social. É o primeiro passo para que ocorra a interação social. É a primeira fase da associação humana. De acordo com Torre (1985), quando os contatos sociais são contínuos e prolongados, produzem: a) no indivíduo: • socialização (integração do indivíduo no grupo); • estimulação da inteligência (criação de situações novas que devem ser resolvidas); • libertação dos indivíduos dos costumes cristalizados (é-lhes dado conhecer outros costumes); • auxílio para a solução de problemas novos (através de trocas de ideias ou de experiências). b) no grupo: • justaposição de povos, costumes, instituições sociais e mudanças sociais; • aumento dos problemas, podendo levar até à desorganização social. 1.2 - Tipos de contatos sociais Os contatos sociais podem basear-se em bases físicas, psíquicas e psicofísicas: Os contatos com base física: são fundados em percepções sensitivas, isto é, estabelecidos por meio da visão, do olfato, audição, tato. Os contatos com base psíquica: são os que supõem uma troca de ideias ou emoções entre os indivíduos. Estabelecem-se, em grande parte, por meio do simbolismo verbal. Os contatos humanos em geral possuem simultaneamente base psiciofísica (TORRE, 1985). Esses contatos sociais podem ser diretos e indiretos: • diretos (ou face a face): são os estabelecidos de indivíduo para indivíduo, sem intermediários, e com a percepção física dos mesmos (TORRE, 1985, 47). Ex.: o médico atendendo seu paciente, o técnico dando instruções aos jogadores, o professor ministrando aulas aos alunos etc. (LAKATOS, 1986, p.82). • Indiretos: quando existem intermediários ou recursos técnicos (TORRE, 1985, p. 47). Ex: qualquer acontecimento, hoje, é imediatamente conhecido em quase todos os países do mundo, através das ligações telefônicas, radiofônicas, de telex, inclusive com o uso de satélites. Desta maneira, informantes e informados estão em contínuo contato indireto (LAKATOS, 1986, p. 82). Ainda sobre os tipos de contatos sociais, Torre (1985, p. 47-50) destacou três sociólogos norte-americanos que tiveram como objeto de análise os contatos sociais: CONCEITO 1- Para Cooley, os contatos podem ser primários e secundários. PRIMÁRIOS – Os contatos primários supõem associação íntima, e neles as sensações auditivas e visuais estão sempre presentes. São característicos da família, dos grupos de amizade. As relações estabelecidas são informais, íntimas intensas e possuem ns em si mesmas. SECUNDÁRIOS – Caracterizam-se pela maior distância social existente entre os indivíduos que entram em contato. Entre o cobrador e o passageiro de um veículo, entre o vendedor e o comprador das lojas de cidades grandes, entre o diretor e o operário de uma grande empresa. Também os contatos que se fazem por meios indiretos são secundários. 2 – Os contatos, segundo Summer. Esse autor classi cou os contatos em: do nosso grupo e de grupo alheio. Do nosso grupo: os indivíduos pertencentes a um determinado grupo tendem, naturalmente, a se identi carem com os membros deste grupo e tornam-se conscientes das diferenças em relação aos grupos alheios. Pertencem ao “nosso grupo” pessoas com as quais mantemos relações de simpatia ou com quem compartilhamos as ideias e as crenças. O grupo alheio: é formado por pessoas que podem ser estranhas, adversárias, forasteiras ou inimigas. Para elas, nossos sentimentos são de indiferença e, às vezes, de inimizade. Desenvolvemos com o “nosso grupo” um código de comportamento oposto àquele que temos para o “grupo alheio”. 3 – Shaler classi cou os contatos em categóricos e simpáticos. Os CATEGÓRICOS são mantidos com pessoas de grupos diferentes dos nossos, com as quais não temos intimidade ou que vemos pela primeira vez. Não as tratamos como indivíduos reais, mas de acordo com as categorias a que pertencem ou a que julgamos pertencer. Assim é que para nós o Sr. X é o médico e como tal o tratamos. O Sr. Y é general e portanto nossos contatos com ele são de acordo com a sua categoria de general. Muitas vezes, todavia, desconhecemos essa categoria e então, segundo as roupas, posturas e gestos e outros traços exteriores, atribuímos uma categoria ao indivíduo: “caipira”, “grã- no”, “rico”, “doutor”. Por isso, algumas vezes nos enganamos, levados como fomos por aspectos externos. Os preconceitos, as primeiras 85 Sociologia Geral 24 impressões alimentadas em relação a indivíduos e grupos in uem nos contatos categóricos. CONTATOS SIMPÁTICOS – Aqui o elemento categórico desaparece. Há identi cação de interesses e identidade entre as pessoas. O Sr. X, na sua família ou entre amigos, não é tratado pela sua categoria de médico, mas como pessoa, da qual se conhecem gostos, hábitos e aversões. Neste tipo d contato, as pessoas são identi cadas e tratadas segundo suas características pessoais.’ Essas três classificações não se excluem, por exemplo: na família os contatos são “primários”, do “nosso grupo” e “simpáticos”. Vamos ampliar entendimentos? Acessem: <http://www.webartigos. com/articles/2212/1/Contatos-Sociais/pagina1.html>. A seguir veremos outros processos sociais existentes. 2 – Isolamento, interação e cooperação social Nesta seção veremos outros processos sociais e suas características. 2.1 Isolamento social Estudaremos sobre o conceito, os tipos, as consequências e os mecanismos que reforçam o isolamento social. Abordaremos também sobre a cultura de folk e “civilização”. CONCEITO 1) Conceito de isolamento social: o isolamento social seria a falta, ou a baixa, comunicação ou contato, entre os indivíduos ou grupos, que determinaria maior distância social entre eles. Podemos dizer que, hoje em dia, praticamente não existe isolamento social absoluto. Raros são os grupos sociais que não mantêm contatos com outros grupos sociais, geralmente temos notícias de variações de grau de isolamento. Por exemplo, quandocitamos uma comunidade isolada, significa que ela mantém raríssimos ou poucos contatos com as demais comunidades. “Em geogra a isolamento signi ca separação no espaço físico. Uma fazenda está isolada de uma cidade quando existe separando-as muitos quilômetros de distâncias ou grandes acidentes geográ cos ou, ainda, quando não há meios de comunicação e transporte. Isolamento social tem outro signi cado. Podemos estar juntos às pessoas e entre elas e nós existir um certo isolamento social” (TORRE, 1985, p. 50). O isolamento pode ser individual ou do indivíduo dentro do grupo ou sociedade. Sabemos que vários fatores podem ocasionar a baixa comunicação entre os indivíduos e grupos (TORRE, 1985, p. 51): • Fatores geográficos - barreiras naturais (montanhas, florestas, oceano), distância, ausência de meios de transportes etc.; • Fatores biológicos - sexo, idade, cor da pele (em sociedades onde existe preconceito), incapacidades fisiológicas; • Fatores habitudinais - hábitos diversos, costumes, crenças, língua, educação diferente; • Fatores psicológicos - interesses, sentimentos, atitudes e gostos diversos. Baseando-nos por esses fatores, estudaremos quatro tipos básicos de isolamento social. Lembramos que, embora se tratem de tipos exclusivos, um pode determinar os outros. 2) Tipos de isolamento social: a) Isolamento espacial ou físico: é a ausência de contatos ocasionada por fatores segregadores de caráter geofísico, ou seja, montanhas, vales, florestas, desertos, pântanos, rios, oceanos. Estes fatores e a distância entre as comunidades funcionam como isolantes, quando os meios de comunicação e os transportes de que dispõe a comunidade são rudimentares. É o nível tecnológico de uma comunidade que vai determinar a sua capacidade de contornar esses fatores (LAKATOS, 1986, p. 79). Os grupos isolados muito tempo vão assumindo forma própria, caracterizada pelas suas condições naturais e, ao mesmo tempo, pela ação do meio que os obriga a determinadas atividades. O homem do campo, no Brasil, vive num semi-isolamento junto com sua família, pois as fazendas são, em geral, afastadas umas das outras, com poucas estradas, distantes dos centros urbanos e sem meios de comunicação (TORRE, 1985, p. 51). Esse isolamento pode também derivar-se de uma privação de contatos, por exemplo, como acontece com um indivíduo que é “aprisionado ou expulso de sua comunidade” ou voluntariamente um eremita. O isolamento espacial quando como estendido a longos períodos, causam “isolamento estruturais (raças e sub-raças) e habitudinais (costumes, culturas diversas)”, determinando assim, diversidade entre os indivíduos e os grupos (TORRE, 1985, p. 52). b) Isolamento estrutural: é constituído pelas diferenças biológicas tais como sexo, raça, idade. A sociedade atribui funções e atividades diversas a homens e mulheres e, em consequência, cria diferença de interesses. É praticamente geral, em todas as sociedades, esta diferenciação por sexo; entretanto, é condicionada pela cultura particular do grupo (LAKATOS, 1986, p. 79). Além deste isolamento há isolamento de grupos étnicos e grupos de idades, como as “colônias” ou “turmas” da juventude, ou ainda, o isolamento dos indivíduos mais idosos (que já se transformou num problema da sociedade de hoje, tanto no Brasil, como no mundo todo). Onde, porém, mais se observa o isolamento estrutural nos casos de algumas incapacidades biológicas. Os cegos, os surdos, os mudos não podem compartilhar das experiências dos indivíduos comuns (TORRE, 1985, p. 52). O etnocentrismo opõe-se ao isolamento, pois, “é uma atitude de supervalorização das características do “nosso grupo” e de menosprezo por tudo o que do “grupo alheio”. Antigamente, o fanatismo religioso levava uma total impossibilidade de comunicação entre os elementos de credos diversos (LAKATOS, 1986, p. 81). 86 25 c) Isolamento habitudinal: diz respeito à separação ocasionada pela diferença de hábitos, costumes, usos, linguagem, religião e outros fatores. O primeiro e mais óbvio exemplo é o daqueles que não falam a mesma língua, cuja comunicação só poderá ser feita através de gestos. Mas essa diferença de linguagem não é a única diferença entre eles. Diferentes povos, em virtude de sua cultura característica, criam diferenças de hábitos e até de perspectivas em relação ao mundo (LAKATOS, 1986, p. 80-81). Torna-se difícil para os indivíduos ocidentais entenderem e aceitarem alguns costumes de povos que praticam o canibalismo, o infanticídio, o gerontocídio (eliminação dos membros mais velhos das tribos), prática de canibalismo, hábitos de higiene corporal e de alimentação. O isolamento habitudinal existe entre o primitivo e o “civilizado”, entre o ocidental e o oriental, entre o cristão e o budista etc. (TORRE, 1985, p. 53). d) Isolamento psíquico: é sutil impedimento de comunicação devido à participação nas experiências de grupos diversos dentro da mesma cultura. É um isolamento produzido pelas diferenças de atitudes, sentimentos, pontos de vista, interesses dos indivíduos pertencentes a uma mesma cultura. É o isolamento existente entre pessoas de classes ou grupos sociais diversos (TORRE, 1985, p. 53). É o isolamento que se veri ca entre o cientista e o analfabeto, entre o homem do campo e o da cidade [...] Clubes, partidos políticos, seitas, sociedades secretas dão aos seus participantes características e interesses diversos (LAKATOS, 1986, p. 79). 3) Mecanismos que reforçam o isolamento social: O isolamento social é a ausência, ou baixa, comunicação ou contato social, existem mecanismos que podem reforçar esse processo. As atitudes sociais e particulares, assim como os arranjos dos grupos, servem como mecanismos para reforçarem o isolamento social. São eles: Entre as atitudes sociais e particulares podemos citar o egoísmo, o etnocentrismo, preconceitos, timidez, pedantismo, retraimento, aversão, suspeitas. Ex.: O sociólogo Mannheim considera que a timidez, o preconceito e a desconfiança são capazes de produzir um isolamento parcial semelhante ao ocasionado pelos defeitos físicos (OLIVEIRA, 1998, p. 18). Entre os arranjos grupais enumeram-se os sistemas de castas, classes, sociedades secretas, partidos, seitas e as organizações profissionais. Ex.: Um exemplo histórico bastante conhecido do preconceito é o antissemitismo, voltado contra os judeus. Foi especialmente violento na Idade Média e, de 1933 a 1945, nos países dominados pela ideologia nazista. A África do Sul é outro exemplo de país onde existia uma legislação que afastava do convívio social uma parte da população: era o apartheid, em que a minoria branca impunha à maioria negra, relegando seus membros à condição de cidadãos de segunda classe (OLIVEIRA, 1998, p. 18). 4) Consequências do isolamento social: Encontramos consequências do isolamento social dos indivíduos no grupo ou dos indivíduos que vivem em grupos isolados. No indivíduo, devemos levar em consideração se este já passou ou não pelo processo de socialização. Se o isolamento for completo, antes da socialização, isto é, logo nos primeiros anos de vida, se o indivíduo for afastado dos demais seres humanos, ocorrerá o que chamamos de Homus ferus. Ex.: muitos poucos são os casos devidamente estudados por cientistas sobre crianças que foram encontradas vivendo isoladas ou em companhia de animais. De todos os casos relatados, o mais famoso é o das “meninas-lobo” da Índia. Quando encontradas, apresentavam características de animais: andavam sobre os quatro membros, soltavam grunhidos e tinham apurada visão noturna (LAKATOS, 1986, p.80). Se o isolamento não for completo, pronunciado, origina no indivíduo isolado uma mentalidade retardada. Ex.: Kingsley Davis cita o caso de duas meninas ilegítimas que, até a idade de mais ou menos 6 anos, permaneceram trancafiadas em um quarto. Ana permaneceu sozinha e somente as suas necessidades biológicas de sobrevivência foram satisfeitas;Isabel foi mantida em reclusão juntamente com a mãe, surda-muda. Ambas as crianças, ao serem descobertas, apresentavam mentalidade retardada. Ana assemelhava-se a um bebê: imóvel e indiferente a tudo; Isabel procedia quase como um animal selvagem, manifestando receio e hostilidade. Nenhuma das duas falava. Após um processo de socialização, apresentavam progressos notáveis, mas, infelizmente, faleceram em poucos dias (LAKATOS, 1986, p. 80). De um grupo, quando ocasiona costumes sedimentados, quase sem nenhuma alteração, tendo procedimentos padronizados dos indivíduos. Ex.: habitantes de uma área rural de Quebec, Canadá, que falam francês arcaico e mantêm inalterados os seus costumes desde sua imigração (LAKATOS, 1986, p. 81). Vamos discutir esses assuntos em nosso fórum. Acesse na Plataforma. Aguardo vocês! Nos dias de hoje podemos identi car situações onde ocorrem o isolamento social? 5) Cultura de folk e “civilização: O contato e o isolamento social levam à criação de duas culturas opostas, que os sociólogos e os antropólogos denominam cultura de folk e civilização. Leiam este paralelo sobre a diferença entre cultura de folk e civilização, destacado em Torre (1985, p. 55-56). O esquema abaixo apresenta o que Donald Pierson (op. cit., p. 166) características que diferencia cultura de folk de civilização. Observem o quadro comparativo, são somente informações para que percebam a diferença: 87 Sociologia Geral 26 Cultura de folk Civilização 1- A de povos rurais, isolados, provincianos, relativamente xos, pré-letrados, com sociedade simples, homogênea, “sagrada”, baseada em relações de parentesco. 1- A de povos urbanizados em contato com todo o mundo; cosmopolitas, móveis, letrados, com sociedade complexa, heterogênea, “secular”, baseada na conveniência, impessoal e contrato. 2- Onde os contatos predominantes são primários; os indivíduos têm status predeterminado; encontram-se quase todas as situações de suas vidas; compartilham quase todas as experiências particulares; os costumes são uniformes e cristalizados; os hábitos dos indivíduos são transmitidos apenas oralmente, de geração a geração. 2- Onde os contatos predominantes são secundários; os indivíduos encontram-se somente em uma ou poucas situações de sua vida, não compartilham as experiências particulares; os costumes estão em uxo; não mais controlam os hábitos dos indivíduos como antigamente, devido à complexidade das relações, alterações fáceis de um status e papel para outro; surto de novos problemas para os quais não existe solução nos costumes anteriores. 3- Onde há no máximo de estabilidade social; mínimo de mudança social; mínimo de desorganização social; máximo de acomodação social; mínimo de alteração nos hábitos dos indivíduos; mínimo de desorganização pessoal. 3- Onde há mudança social; alterações nos hábitos do indivíduo; desorganização social; problemas sociais. 4- Condição principal: isolamento. 4- Condição principal: contato. 5- Outrora, campo principal de estudo do etnólogo. Ex: aldeia tribal. 5- Outrora, campo principal de estudo do sociólogo. Ex: metrópole moderna. 2.2 Interação social CONCEITO “Entendemos por comunicação o mecanismo pelo qual existem e se desenvolvem as relações humanas, isto é, todos os símbolos mentais e os meios de propagá-los no espaço e preservá-los no tempo. A comunicação abrande as expressões faciais, as atitudes, os gestos, os matizes de voz, as palavras, as publicações, as ferrovias, o telégrafo, o telefone e todas as mais recentes descobertas na conquista do espaço e do tempo” (Charles H. Cooley, Social Organization, Nova York, 1909, págs. 61-65 apud TORRE, 1885, p. 65). CONCEITO Quando duas ou mais pessoas estão em contato entre si e estabelece- se uma comunicação, ocorre uma ação recíproca entre elas, isto é, suas ideias, sentimentos ou atitudes provocarão reações umas nas outras, ocorrendo uma modi cação do comportamento de todos. As pessoas in uenciam e sofrem in uência dos outros. Quando isso ocorre dizemos então que existe uma interação social entre elas (DIAS, 1997, p. 38). Podemos a rmar que os contatos sociais e a interação social são a essência da vida social, portanto, indispensáveis à associação humana. Pode ocorrer entre uma pessoa e outra, entre uma pessoa e um grupo ou ainda entre um grupo e outro. A forma que a interação social assume chama-se relação social. Um professor dando aula tem um tipo de relação social com seus alunos – a relação pedagógica. Da mesma forma, uma pessoa comprando e outra vendendo estabelecem uma relação econômica. Além dessas, as relações podem ser políticas, religiosas, culturais, familiares etc. (OLIVEIRA, 1998, p. 23). A forma mais típica de interação social, como já vimos, é aquela em que há influência recíproca entre os participantes. Mas alguns autores falam em interação social quando apenas Vamos discutir sobre isso no Fórum! Vocês concordam com o exposto acima? A comunicação, uma das formas de interação, enquanto ser social, é fundamental ao homem e a sua cultura. Ela se expressa por meio de: • não vocais, como expressões, traços fisionômicos e etc.; • sons não articulados, baseados em emoções e inflexões de voz; • palavras e símbolos. um dos elementos influencia o outro. Isso acontece quando um dos polos da interação está representado por um meio de comunicação apenas físico, como a televisão, o livro, uma gravação. Assim é que, quando um indivíduo assiste a um programa de televisão, ele pode ser influenciado pelo programa, mas não o influencia. Ocorre, nesse caso, uma interação não recíproca. Neste tipo de interação, apenas um dos lados influencia o outro (OLIVEIRA, 1998, p. 23). É importante que você entenda e compreendam bem a questão da comunicação, seja ela de como for, como um dos mecanismos pelos quais há as relações humanas entre os indivíduos. Agora veremos como se dá o processo de cooperação entre os indivíduos. 2.3 Cooperação social Os homens para viverem em sociedade se organizam, formando unidades, o que podemos chamar de grupos, comunidade ou sociedades. Para que haja essa organização, eles cooperam entre si. CONCEITO Para Torre (1985, p. 72) cooperação é: “a união de esforços ou auxílio mútuo para a realização de objetivos comuns. [...] signi ca atuação, ação em comum, em harmonia”. A cooperação é um fator indispensável para a manutenção e continuidade dos grupos e sociedades. Pode ser: • Temporária: Os indivíduos se reúnem para a execução de uma tarefa durante um período determinado. Exemplos: fazer uma lição em conjunto, mutirão; • Contínua: quando ocorre entre indivíduos ou grupo que, fixados em determinado local, necessitam sempre da colaboração uns dos outros. Exemplo: controle da poluição; • Direta: Os indivíduos ou grupos realizam, em conjunto, coisas semelhantes. Dividi-se em: trabalho associado – amigas fazendo compras juntas em supermercado; trabalho suplementar – colheita; integração de trabalhos diversos – 88 27 CONCEITO A competição é um processo social que ocorre com os indivíduos ou grupos sociais e, que consiste na disputa consciente ou inconsciente por bens e vantagens sociais limitadas em número e oportunidades. [...] é um processo social importante para o funcionamento das sociedades. De modo geral, a competição é regulamentada de modo a se tornar um processo útil para o desenvolvimento social e das nações (DIAS, 1997, p. 40). A cooperação surge, inevitavelmente, pelo fato de que nenhum indivíduo é autossu ciente, tendo de especializar-se em determinado ramo. Podemos citar como exemplo um engenheiro que necessita da colaboração do médico, do agricultor, do industrial etc. (LAKATOS, 1986, p. 88). cuja característica principal é que os trabalhos diferentes visam à consecução de objetivos comuns. Exemplo: construção de uma residência, havendo a necessidade de trabalhos diferentes especialistas. Nas sociedades altamente civilizadaspredominam a cooperação indireta e a integração de trabalhos diversos. Existem dois interesses que levam o homem à cooperação: Interesses comuns - os interesses comuns tendem a unir os indivíduos e os conduzir à cooperação. As mesmas crenças unem os homens numa mesma religião; os mesmos ideais políticos são a base dos partidos; interesses comuns unem os homens em classes, grupos, agremiações; Interesses que se interpenetram – a cooperação também pode ser motivada por interesses que se interpenetram, se harmonizam. Assim é que nas formas de cooperação econômica do mundo atual, o capitalista coopera fornecendo o capital para obter juros máximos; o empresário coopera assumindo a responsabilidade e direção para obter um alto salário; e o operário, que só tem a vender sua força de trabalho, coopera visando receber seu baixo salário. Saber mais Vamos discutir esses assuntos em nosso fórum. Acessem a Plataforma. Aguardo vocês! Nesta seção veremos outros tipos de contatos sociais, que com suas características auxiliam nos processos sociais entre os indivíduos. 3.1 Competição e conflito O comerciante que tenta conquistar e trazer os fregueses de outro comerciante para o seu estabelecimento e os estudantes que lutam para conquistarem uma vaga no vestibular estão envolvidos em um processo de competição. 3 - Competição e con ito social e adaptação - acomodação - assimilação Torna-se uma força que impulsiona os indivíduos a agirem uns contra os outros, a buscarem cada vez mais um “lugar ao sol”. Origina-se de uma vontade de obter uma posição social mais elevada, de conseguir uma importância ou destaque maior em seu grupo social, de ter poder, riqueza etc. Agora, e como se dá o con ito? CONCEITO O con ito: quando a competição apresenta características de elevada tensão social, surge o con ito. O conflito social: • é um processo pelo qual indivíduos ou grupos procuram recompensas pela eliminação ou enfraquecimento dos competidores; • reveste-se de atitude consciente, emocional e transitória, • na sua forma mais extrema leva à eliminação total dos oponentes. Ao contrário da competição, o con ito não pode ser permanente e nem duradouro. E a sua permanência pode prejudicar o funcionamento da sociedade ou de um sistema de convivência entre diversas nações. [...] O con ito externo tende a integrar internamente um grupo. O con ito com outro grupo proporciona aos membros uma saída externa para suas hostilidades e ressentimentos, aliviando, desse modo, grande quantidade de tensões internas (DIAS, 1997, p. 40). Os indivíduos ou grupos competem por: dinheiro, emprego, alimento, sucesso, afeto de outras pessoas, prestígio, sucesso, por um pedaço de terra e por outras infinidades de motivos. Os conflitos podem ser raciais, religiosos, econômicos, políticos, etc. Frequentemente vemos no noticiário dos telejornais e relatos de conflitos em diversas localidades no mundo. Os combates entre tropas; os violentos choques raciais entre negros e brancos; a fuga de detentos; crianças e jovens sendo mortos, todos esses são exemplos de conflitos sociais. Segundo Oliveira (1998, p. 27), enquanto a competição toma forma de luta pela existência, como a obtenção de alimento, de um emprego etc.; o conflito toma as formas de rivalidade, discussão, disputa, litígio, guerra; é mais evidente na luta entre partidos políticos, seitas religiosas e nações. Para Torre (1996, p. 90) deve-se atribuir, tanto para a competição quanto para o conflito, as seguintes consequências: • divisão do trabalho; • desenvolvimento de uma ordem econômica; • distribuição das instituições no espaço social; • efetivação de uma configuração espacial das populações; • estabilidade ou modificações da própria ordem política; • mudanças que se operam nas relações e na importância relativa de grupos distintos (ou classes), integrantes da sociedade. A adaptação social de um indivíduo ao grupo não signi ca necessariamente conformidade social, mas supõe a utilização de certa margem de liberdade ou de autonomia que o meio concede. Esta liberdade ou autonomia varia de sociedade para sociedade, exigindo algumas delas uma conformidade mais completa e estrita do que outras. Mas é evidentemente que, para a sobrevivência da coletividade, 89 Sociologia Geral 28 deve existir um certo denominador comum entre os componentes e um certo grau de adesão e conformidade às normas estabelecidas (LAKATOS, 1996, p. 91). Agora veremos o último tipo de contato social, que é a adaptação, acomodação e assimilação social. 3.2 Adaptação – acomodação - assimilação A adaptação do indivíduo ao meio social realiza-se principalmente em três níveis: • nível biológico e psicomotor; • nível afetivo; • nível do pensamento. CONCEITO Sobre a acomodação, Oliveira (1998) a rma que: Podemos dizer, portanto, que a acomodação é o ajustamento de indivíduo ou grupos apenas nos aspectos externos do comportamento. Ele provoca a diminuição do con ito. Este só aparece com a assimilação (OLIVEIRA, 1998, p.29-31). Esse mesmo autor acredita que: A assimilação é a solução de nitiva e tranquila do con ito social. Pela assimilação se suspendem os con itos. Trata-se de um processo de ajustamento pelo qual os indivíduos ou grupos diferentes tornam-se mais semelhantes. Difere da acomodação porque implica em modi cações internas no indivíduo ou no grupo, sendo geralmente inconsciente e involuntária. As modi cações internas envolvem, pois, mudanças na maneira de pensar, de sentir e de agir. A assimilação processa-se por um mecanismo de imitação, exigindo um certo tempo para se realizar. É um processo longo e complexo. O exemplo típico de assimilação é do imigrante. Ele, que a princípio se acomodou no novo país, vai sem perceber, se deixando envolver pelos costumes, símbolos, tradições e língua da nova pátria. No Brasil, tivemos os casos da assimilação dos alemães, em Santa Catarina e dos japoneses em São Paulo, entre outros. No início, esses imigrantes falavam línguas bastante diferentes da nossa, além de trazerem valores e costumes diversos. Enquanto esses elementos se mantiverem enraizados no espírito e nos hábitos dos imigrantes, cada grupo chegou a construir uma espécie de corpo estranho na sociedade brasileira. Viviam sicamente próximos dos brasileiros, mas culturalmente ainda estavam longe. Somente quando as características marcantes de suas culturas de origem se atenuaram ou se des zeram – sendo substituídas pelos hábitos e costumes brasileiros – é que esses imigrantes puderam ser assimilados (e de fato o foram). Eles se des zeram de sua primeira identi cação cultural e passaram a se identi car com a nova cultura, tornando-se parte integrante da sociedade adotada. Outro exemplo de assimilação é a conversão. O indivíduo convertido religiosamente, politicamente ou loso camente, abandona suas antigas atitudes, convicções e sentimentos, adotando os novos. Enquanto a revolução é um fenômeno social puramente exterior, a conversão é um fenômeno nitidamente interior. Concluindo, o aspecto importante da assimilação é que ela implica uma modi cação sensível da personalidade. O processo de assimilação atinge áreas profundas e externas da personalidade, envolvendo valores e atitudes fundamentais. As modi cações que ocorrem dizem respeito à maneira de pensar, sentir e agir (OLIVEIRA, 1998, p. 29-31). Assim a Aula 04, com suas seções de estudo, teve como objetivo apresentar para vocês os diferentes tipos de contatos socais existentes e características dos mesmos, nos baseando nos classificações elaboradas pelos diferentes teóricos. Quando, num con ito, um dos adversários derrota o outro, o derrotado, para não correr o risco de ser totalmente liquidado, aceita as condições impostas pelo vencedor. Ocorre uma acomodação, pois o vencido aceita as condições impostas, cando numa situação de subordinação. A escravização dos vencidos, comum na Antiguidade, é um caso típico de acomodação.Quando alguém cumpre uma lei ou segue um costume com os quais não concorda, só para evitar sanções, também se enquadra num caso de acomodação. Por exemplo, um estrangeiro que não aprecia o modo de vida do país em que mora acomoda-se a ele apenas para car bem com aqueles que o recebem. Normalmente, os imigrantes recém- chegados entram num processo de acomodação: deixam de lado sua língua e seus costumes, adaptam-se à nova vida. Tudo para prevenir do pior: o con ito. A acomodação é o processo social em que o indivíduo ou o grupo se ajustam a uma situação de con ito, sem que tenham sofrido transformações internas. É uma solução super cial do con ito, porque este continua latente, isto é, pode ocorrer novamente. Isto ocorre porque na acomodação não há mudança de pensamentos, sentimentos e atitudes; as mudanças são apenas exteriores. Chegamos, assim, ao nal da quarta aula. Espero que agora tenha cado mais claro o entendimento de vocês sobre os processos sociais. Saiba mais sobre o que abordamos nessa aula: Retomando a aula 1 – Processos sociais e contatos sociais O contato social é a base da vida social. É o primeiro passo para que ocorra a interação social. É a primeira fase da associação humana. Os contatos sociais possuem base física e psíquica. Podem ser diretos e indiretos. 2 – Isolamento, interação e cooperação social O isolamento pode ser individual ou do indivíduo dentro do grupo ou sociedade. Podem ter: Fatores psicológicos, Fatores geográficos, Fatores biológicos e Fatores habitudinais. 3 - Competição e conflito social e adaptação – acomodação – assimilação A competição é um processo social que ocorre com os indivíduos ou grupos sociais e, que consiste na disputa consciente ou inconsciente por bens e vantagens sociais limitadas em número e oportunidades. É um processo social importante para o funcionamento das sociedades. 90 29 Ao contrário da competição, o conflito não pode ser permanente e nem duradouro. E a sua permanência pode prejudicar o funcionamento da sociedade ou de um sistema de convivência entre diversas nações. Podemos dizer, portanto, que a acomodação é o ajustamento de indivíduo ou grupos apenas nos aspectos externos do comportamento. Ele provoca a diminuição do conflito. Este só aparece com a assimilação. DIAS, Reinaldo. Fundamentos de sociologia geral. Campinas, SP: Alínea. 1997. ___. Sociologia aplicada ao comércio exterior. Campinas, SP: Editora Alínea. 1997. LAKATOS, Eva Maria. Sociologia geral. 6. ed. rev. e ampl. SP: Atlas, 1990 OLIVEIRA, Pérsio Santos de. Introdução à filosofia. SP: Ática, 20 edição. 1996 TORRE, M. B. Della. O Homem e a sociedade: uma introdução à sociologia. SP: Companhia Editora Nacional, 1985, 13 edição. Vale a pena Vale a pena ler • Contatos sociais. In: <http://www.youtube.com/ watch?v=JFjpG01choA>. Vale a pena assistir Minhas anotações 91