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Sociologia Geral
4º Aula
Processos sociais 
Boa aula!
Objetivos de aprendizagem
Ao término desta aula, o aluno será capaz de:
• identificar os diferentes tipos de contatos sociais que ocorrem entre os indivíduos;
• caracterizar tipos de isolamento, interação social e cooperação social; 
• reconhecer o que é competição social e conflito social;
• descrever como se dá a adaptação, a acomodação e assimilação dentro de um processo social.
Conheceremos alguns processos sociais que podem 
ocorrer entre os indivíduos. Vamos conhecer algumas 
características dos diferentes tipos de contatos sociais 
existentes.
Nesta aula verão como ocorre o isolamento social. 
O conceito, os tipos, as consequências e os mecanismos 
que reforçam o isolamento social. 
Abordaremos a Interação social, que junto com os 
contatos sociais são a essência da vida social. Veremos 
que a cooperação social é um fator indispensável para 
a manutenção e continuidade dos grupos sociais. Sendo 
que, todos esses aspectos, caracterizam os processos 
sociais. 
Se ao final desta aula tiverem alguma dúvida ou 
questionamento, vocês poderão saná-los por meio 
da ferramenta “fórum”, lá é o espaço para dúvidas e 
discussões. Vamos aprofundar conhecimentos!
84
23
Seções de estudo
1 - Processos sociais e contatos sociais
2 - Isolamento, interação e cooperação social
3 - Competição e conflito social e adaptação – acomodação 
– assimilação
1 - Processos sociais e contatos sociais
 “Processo é o nome que se dá à contínua mudança de alguma coisa em 
uma direção de nida” (OLIVEIRA, 1993). Sendo assim:
CONCEITO
Processo social indica interação repetitiva de padrões de comportamento 
geralmente encontrados na vida social. Isto é, indica interação social, 
movimento e mudança. Expressam as diversas maneiras pelas quais os 
indivíduos e os grupos relacionam-se, estabelecendo relações sociais. 
Descreveremos características de alguns processos sociais.
Antes de identificarmos os principais processos sociais 
existentes, precisamos identificar o que é processo social.
1.1 - Contato social 
O contato social é a base da vida social. É o primeiro 
passo para que ocorra a interação social. É a primeira fase da 
associação humana.
De acordo com Torre (1985), quando os contatos sociais 
são contínuos e prolongados, produzem:
a) no indivíduo: 
• socialização (integração do indivíduo no grupo);
• estimulação da inteligência (criação de situações novas 
que devem ser resolvidas);
• libertação dos indivíduos dos costumes cristalizados 
(é-lhes dado conhecer outros costumes);
• auxílio para a solução de problemas novos (através de 
trocas de ideias ou de experiências).
b) no grupo: 
• justaposição de povos, costumes, instituições sociais e 
mudanças sociais;
• aumento dos problemas, podendo levar até à 
desorganização social.
1.2 - Tipos de contatos sociais
Os contatos sociais podem basear-se em bases físicas, 
psíquicas e psicofísicas:
Os contatos com base física: são fundados em percepções sensitivas, 
isto é, estabelecidos por meio da visão, do olfato, audição, tato.
Os contatos com base psíquica: são os que supõem uma troca de 
ideias ou emoções entre os indivíduos. Estabelecem-se, em grande 
parte, por meio do simbolismo verbal.
Os contatos humanos em geral possuem simultaneamente base 
psiciofísica (TORRE, 1985).
Esses contatos sociais podem ser diretos e indiretos: 
• diretos (ou face a face): são os estabelecidos de 
indivíduo para indivíduo, sem intermediários, e com a 
percepção física dos mesmos (TORRE, 1985, 47). Ex.: o 
médico atendendo seu paciente, o técnico dando instruções 
aos jogadores, o professor ministrando aulas aos alunos etc. 
(LAKATOS, 1986, p.82).
• Indiretos: quando existem intermediários ou recursos 
técnicos (TORRE, 1985, p. 47). Ex: qualquer acontecimento, 
hoje, é imediatamente conhecido em quase todos os países do 
mundo, através das ligações telefônicas, radiofônicas, de telex, 
inclusive com o uso de satélites. Desta maneira, informantes e 
informados estão em contínuo contato indireto (LAKATOS, 
1986, p. 82).
Ainda sobre os tipos de contatos sociais, Torre (1985, p. 
47-50) destacou três sociólogos norte-americanos que tiveram 
como objeto de análise os contatos sociais:
CONCEITO
1- Para Cooley, os contatos podem ser primários e secundários.
PRIMÁRIOS – Os contatos primários supõem associação íntima, 
e neles as sensações auditivas e visuais estão sempre presentes. 
São característicos da família, dos grupos de amizade. As relações 
estabelecidas são informais, íntimas intensas e possuem ns em si 
mesmas.
SECUNDÁRIOS – Caracterizam-se pela maior distância social existente 
entre os indivíduos que entram em contato. Entre o cobrador e o 
passageiro de um veículo, entre o vendedor e o comprador das lojas 
de cidades grandes, entre o diretor e o operário de uma grande 
empresa. Também os contatos que se fazem por meios indiretos são 
secundários.
2 – Os contatos, segundo Summer. Esse autor classi cou os contatos 
em: do nosso grupo e de grupo alheio.
Do nosso grupo: os indivíduos pertencentes a um determinado grupo 
tendem, naturalmente, a se identi carem com os membros deste grupo 
e tornam-se conscientes das diferenças em relação aos grupos alheios. 
Pertencem ao “nosso grupo” pessoas com as quais mantemos relações 
de simpatia ou com quem compartilhamos as ideias e as crenças.
O grupo alheio: é formado por pessoas que podem ser estranhas, 
adversárias, forasteiras ou inimigas. Para elas, nossos sentimentos são 
de indiferença e, às vezes, de inimizade. Desenvolvemos com o “nosso 
grupo” um código de comportamento oposto àquele que temos para o 
“grupo alheio”. 
3 – Shaler classi cou os contatos em categóricos e simpáticos.
Os CATEGÓRICOS são mantidos com pessoas de grupos diferentes 
dos nossos, com as quais não temos intimidade ou que vemos pela 
primeira vez. Não as tratamos como indivíduos reais, mas de acordo 
com as categorias a que pertencem ou a que julgamos pertencer. 
Assim é que para nós o Sr. X é o médico e como tal o tratamos. O Sr. 
Y é general e portanto nossos contatos com ele são de acordo com 
a sua categoria de general. Muitas vezes, todavia, desconhecemos 
essa categoria e então, segundo as roupas, posturas e gestos e outros 
traços exteriores, atribuímos uma categoria ao indivíduo: “caipira”, “grã-
 no”, “rico”, “doutor”. Por isso, algumas vezes nos enganamos, levados 
como fomos por aspectos externos. Os preconceitos, as primeiras 
85
Sociologia Geral 24
impressões alimentadas em relação a indivíduos e grupos in uem nos 
contatos categóricos.
CONTATOS SIMPÁTICOS – Aqui o elemento categórico desaparece. 
Há identi cação de interesses e identidade entre as pessoas. O Sr. X, 
na sua família ou entre amigos, não é tratado pela sua categoria de 
médico, mas como pessoa, da qual se conhecem gostos, hábitos e 
aversões. Neste tipo d contato, as pessoas são identi cadas e tratadas 
segundo suas características pessoais.’
Essas três classificações não se excluem, por exemplo: 
na família os contatos são “primários”, do “nosso grupo” e 
“simpáticos”.
Vamos ampliar entendimentos? Acessem: <http://www.webartigos.
com/articles/2212/1/Contatos-Sociais/pagina1.html>. 
A seguir veremos outros processos sociais existentes.
2 – Isolamento, interação e 
cooperação social
Nesta seção veremos outros processos sociais e suas 
características.
2.1 Isolamento social
Estudaremos sobre o conceito, os tipos, as consequências 
e os mecanismos que reforçam o isolamento social. 
Abordaremos também sobre a cultura de folk e “civilização”.
CONCEITO
1) Conceito de isolamento social: o isolamento social seria a falta, ou 
a baixa, comunicação ou contato, entre os indivíduos ou grupos, que 
determinaria maior distância social entre eles.
Podemos dizer que, hoje em dia, praticamente não existe 
isolamento social absoluto. Raros são os grupos sociais que 
não mantêm contatos com outros grupos sociais, geralmente 
temos notícias de variações de grau de isolamento. Por 
exemplo, quandocitamos uma comunidade isolada, significa 
que ela mantém raríssimos ou poucos contatos com as demais 
comunidades.
“Em geogra a isolamento signi ca separação no espaço físico. Uma 
fazenda está isolada de uma cidade quando existe separando-as 
muitos quilômetros de distâncias ou grandes acidentes geográ cos ou, 
ainda, quando não há meios de comunicação e transporte. Isolamento 
social tem outro signi cado. Podemos estar juntos às pessoas e entre 
elas e nós existir um certo isolamento social” (TORRE, 1985, p. 50).
O isolamento pode ser individual ou do indivíduo dentro 
do grupo ou sociedade. Sabemos que vários fatores podem 
ocasionar a baixa comunicação entre os indivíduos e grupos 
(TORRE, 1985, p. 51):
• Fatores geográficos - barreiras naturais (montanhas, 
florestas, oceano), distância, ausência de meios de transportes etc.;
• Fatores biológicos - sexo, idade, cor da pele 
(em sociedades onde existe preconceito), incapacidades 
fisiológicas;
• Fatores habitudinais - hábitos diversos, costumes, 
crenças, língua, educação diferente;
• Fatores psicológicos - interesses, sentimentos, atitudes 
e gostos diversos.
Baseando-nos por esses fatores, estudaremos quatro 
tipos básicos de isolamento social. Lembramos que, embora 
se tratem de tipos exclusivos, um pode determinar os outros.
2) Tipos de isolamento social:
a) Isolamento espacial ou físico: é a ausência de 
contatos ocasionada por fatores segregadores de caráter 
geofísico, ou seja, montanhas, vales, florestas, desertos, 
pântanos, rios, oceanos. Estes fatores e a distância entre as 
comunidades funcionam como isolantes, quando os meios de 
comunicação e os transportes de que dispõe a comunidade 
são rudimentares. É o nível tecnológico de uma comunidade 
que vai determinar a sua capacidade de contornar esses fatores 
(LAKATOS, 1986, p. 79).
Os grupos isolados muito tempo vão assumindo forma própria, 
caracterizada pelas suas condições naturais e, ao mesmo tempo, pela 
ação do meio que os obriga a determinadas atividades. O homem do 
campo, no Brasil, vive num semi-isolamento junto com sua família, pois 
as fazendas são, em geral, afastadas umas das outras, com poucas 
estradas, distantes dos centros urbanos e sem meios de comunicação 
(TORRE, 1985, p. 51).
Esse isolamento pode também derivar-se de uma 
privação de contatos, por exemplo, como acontece com um 
indivíduo que é “aprisionado ou expulso de sua comunidade” 
ou voluntariamente um eremita.
O isolamento espacial quando como estendido a longos 
períodos, causam “isolamento estruturais (raças e sub-raças) 
e habitudinais (costumes, culturas diversas)”, determinando 
assim, diversidade entre os indivíduos e os grupos (TORRE, 
1985, p. 52).
b) Isolamento estrutural: é constituído pelas diferenças 
biológicas tais como sexo, raça, idade. A sociedade atribui funções 
e atividades diversas a homens e mulheres e, em consequência, 
cria diferença de interesses. É praticamente geral, em todas as 
sociedades, esta diferenciação por sexo; entretanto, é condicionada 
pela cultura particular do grupo (LAKATOS, 1986, p. 79). 
Além deste isolamento há isolamento de grupos étnicos 
e grupos de idades, como as “colônias” ou “turmas” da 
juventude, ou ainda, o isolamento dos indivíduos mais idosos 
(que já se transformou num problema da sociedade de hoje, 
tanto no Brasil, como no mundo todo).
Onde, porém, mais se observa o isolamento estrutural 
nos casos de algumas incapacidades biológicas. Os cegos, os 
surdos, os mudos não podem compartilhar das experiências 
dos indivíduos comuns (TORRE, 1985, p. 52).
O etnocentrismo opõe-se ao isolamento, pois, “é uma atitude de 
supervalorização das características do “nosso grupo” e de menosprezo 
por tudo o que do “grupo alheio”. Antigamente, o fanatismo religioso 
levava uma total impossibilidade de comunicação entre os elementos 
de credos diversos (LAKATOS, 1986, p. 81).
86
25
c) Isolamento habitudinal: diz respeito à separação 
ocasionada pela diferença de hábitos, costumes, usos, 
linguagem, religião e outros fatores. O primeiro e mais óbvio 
exemplo é o daqueles que não falam a mesma língua, cuja 
comunicação só poderá ser feita através de gestos. Mas essa 
diferença de linguagem não é a única diferença entre eles. 
Diferentes povos, em virtude de sua cultura característica, 
criam diferenças de hábitos e até de perspectivas em relação ao 
mundo (LAKATOS, 1986, p. 80-81). 
Torna-se difícil para os indivíduos ocidentais entenderem 
e aceitarem alguns costumes de povos que praticam o 
canibalismo, o infanticídio, o gerontocídio (eliminação dos 
membros mais velhos das tribos), prática de canibalismo, 
hábitos de higiene corporal e de alimentação. 
O isolamento habitudinal existe entre o primitivo e o 
“civilizado”, entre o ocidental e o oriental, entre o cristão e o 
budista etc. (TORRE, 1985, p. 53).
d) Isolamento psíquico: é sutil impedimento de 
comunicação devido à participação nas experiências de grupos 
diversos dentro da mesma cultura. É um isolamento produzido 
pelas diferenças de atitudes, sentimentos, pontos de vista, 
interesses dos indivíduos pertencentes a uma mesma cultura. 
É o isolamento existente entre pessoas de classes ou grupos 
sociais diversos (TORRE, 1985, p. 53).
É o isolamento que se veri ca entre o cientista e o analfabeto, entre o 
homem do campo e o da cidade [...] Clubes, partidos políticos, seitas, 
sociedades secretas dão aos seus participantes características e 
interesses diversos (LAKATOS, 1986, p. 79).
3) Mecanismos que reforçam o isolamento 
social:
O isolamento social é a ausência, ou baixa, comunicação 
ou contato social, existem mecanismos que podem reforçar 
esse processo. As atitudes sociais e particulares, assim como os 
arranjos dos grupos, servem como mecanismos para reforçarem o 
isolamento social. São eles:
Entre as atitudes sociais e particulares podemos citar o 
egoísmo, o etnocentrismo, preconceitos, timidez, pedantismo, 
retraimento, aversão, suspeitas. 
Ex.: O sociólogo Mannheim considera que a timidez, 
o preconceito e a desconfiança são capazes de produzir um 
isolamento parcial semelhante ao ocasionado pelos defeitos 
físicos (OLIVEIRA, 1998, p. 18).
Entre os arranjos grupais enumeram-se os sistemas 
de castas, classes, sociedades secretas, partidos, seitas e as 
organizações profissionais.
Ex.: Um exemplo histórico bastante conhecido do 
preconceito é o antissemitismo, voltado contra os judeus. Foi 
especialmente violento na Idade Média e, de 1933 a 1945, nos 
países dominados pela ideologia nazista. A África do Sul é 
outro exemplo de país onde existia uma legislação que afastava 
do convívio social uma parte da população: era o apartheid, 
em que a minoria branca impunha à maioria negra, relegando 
seus membros à condição de cidadãos de segunda classe 
(OLIVEIRA, 1998, p. 18).
4) Consequências do isolamento social:
Encontramos consequências do isolamento social dos 
indivíduos no grupo ou dos indivíduos que vivem em grupos 
isolados.
No indivíduo, devemos levar em consideração se este já 
passou ou não pelo processo de socialização. 
Se o isolamento for completo, antes da socialização, 
isto é, logo nos primeiros anos de vida, se o indivíduo for 
afastado dos demais seres humanos, ocorrerá o que chamamos 
de Homus ferus.
Ex.: muitos poucos são os casos devidamente estudados 
por cientistas sobre crianças que foram encontradas vivendo 
isoladas ou em companhia de animais. De todos os casos 
relatados, o mais famoso é o das “meninas-lobo” da Índia. 
Quando encontradas, apresentavam características de animais: 
andavam sobre os quatro membros, soltavam grunhidos e 
tinham apurada visão noturna (LAKATOS, 1986, p.80).
Se o isolamento não for completo, pronunciado, origina no 
indivíduo isolado uma mentalidade retardada. 
Ex.: Kingsley Davis cita o caso de duas meninas ilegítimas 
que, até a idade de mais ou menos 6 anos, permaneceram 
trancafiadas em um quarto. Ana permaneceu sozinha e 
somente as suas necessidades biológicas de sobrevivência 
foram satisfeitas;Isabel foi mantida em reclusão juntamente 
com a mãe, surda-muda. Ambas as crianças, ao serem 
descobertas, apresentavam mentalidade retardada. Ana 
assemelhava-se a um bebê: imóvel e indiferente a tudo; Isabel 
procedia quase como um animal selvagem, manifestando 
receio e hostilidade. Nenhuma das duas falava. Após um 
processo de socialização, apresentavam progressos notáveis, 
mas, infelizmente, faleceram em poucos dias (LAKATOS, 
1986, p. 80).
De um grupo, quando ocasiona costumes sedimentados, 
quase sem nenhuma alteração, tendo procedimentos 
padronizados dos indivíduos. 
Ex.: habitantes de uma área rural de Quebec, Canadá, que 
falam francês arcaico e mantêm inalterados os seus costumes 
desde sua imigração (LAKATOS, 1986, p. 81).
Vamos discutir esses assuntos em nosso fórum. Acesse na Plataforma. 
Aguardo vocês! Nos dias de hoje podemos identi car situações onde 
ocorrem o isolamento social?
5) Cultura de folk e “civilização:
O contato e o isolamento social levam à criação de 
duas culturas opostas, que os sociólogos e os antropólogos 
denominam cultura de folk e civilização.
Leiam este paralelo sobre a diferença entre cultura de folk 
e civilização, destacado em Torre (1985, p. 55-56). O esquema 
abaixo apresenta o que Donald Pierson (op. cit., p. 166) 
características que diferencia cultura de folk de civilização. 
Observem o quadro comparativo, são somente informações 
para que percebam a diferença:
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Sociologia Geral 26
Cultura de folk Civilização
1- A de povos rurais, isolados, 
provincianos, relativamente xos, 
pré-letrados, com sociedade 
simples, homogênea, “sagrada”, 
baseada em relações de 
parentesco.
1- A de povos urbanizados em 
contato com todo o mundo; 
cosmopolitas, móveis, letrados, com 
sociedade complexa, heterogênea, 
“secular”, baseada na conveniência, 
impessoal e contrato. 
2- Onde os contatos 
predominantes são primários; 
os indivíduos têm status 
predeterminado; encontram-se 
quase todas as situações de suas 
vidas; compartilham quase todas 
as experiências particulares; 
os costumes são uniformes e 
cristalizados; os hábitos dos 
indivíduos são transmitidos 
apenas oralmente, de geração a 
geração.
2- Onde os contatos predominantes 
são secundários; os indivíduos 
encontram-se somente em uma 
ou poucas situações de sua vida, 
não compartilham as experiências 
particulares; os costumes estão em 
 uxo; não mais controlam os hábitos 
dos indivíduos como antigamente, 
devido à complexidade das relações, 
alterações fáceis de um status e 
papel para outro; surto de novos 
problemas para os quais não existe 
solução nos costumes anteriores.
3- Onde há no máximo de 
estabilidade social; mínimo de 
mudança social; mínimo de 
desorganização social; máximo 
de acomodação social; mínimo 
de alteração nos hábitos 
dos indivíduos; mínimo de 
desorganização pessoal.
3- Onde há mudança social; 
alterações nos hábitos do indivíduo; 
desorganização social; problemas 
sociais.
4- Condição principal: isolamento. 4- Condição principal: contato.
5- Outrora, campo principal de 
estudo do etnólogo. Ex: aldeia 
tribal.
5- Outrora, campo principal de 
estudo do sociólogo.
Ex: metrópole moderna.
2.2 Interação social
CONCEITO
“Entendemos por comunicação o mecanismo pelo qual existem e se 
desenvolvem as relações humanas, isto é, todos os símbolos mentais 
e os meios de propagá-los no espaço e preservá-los no tempo. A 
comunicação abrande as expressões faciais, as atitudes, os gestos, os 
matizes de voz, as palavras, as publicações, as ferrovias, o telégrafo, o 
telefone e todas as mais recentes descobertas na conquista do espaço 
e do tempo” (Charles H. Cooley, Social Organization, Nova York, 1909, 
págs. 61-65 apud TORRE, 1885, p. 65).
CONCEITO
Quando duas ou mais pessoas estão em contato entre si e estabelece-
se uma comunicação, ocorre uma ação recíproca entre elas, isto é, 
suas ideias, sentimentos ou atitudes provocarão reações umas nas 
outras, ocorrendo uma modi cação do comportamento de todos. 
As pessoas in uenciam e sofrem in uência dos outros. Quando isso 
ocorre dizemos então que existe uma interação social entre elas 
(DIAS, 1997, p. 38).
Podemos a rmar que os contatos sociais e a interação social são 
a essência da vida social, portanto, indispensáveis à associação 
humana. Pode ocorrer entre uma pessoa e outra, entre uma pessoa e 
um grupo ou ainda entre um grupo e outro. A forma que a interação 
social assume chama-se relação social. 
Um professor dando aula tem um tipo de relação social 
com seus alunos – a relação pedagógica. Da mesma forma, 
uma pessoa comprando e outra vendendo estabelecem uma 
relação econômica. Além dessas, as relações podem ser 
políticas, religiosas, culturais, familiares etc. (OLIVEIRA, 
1998, p. 23).
A forma mais típica de interação social, como já vimos, é 
aquela em que há influência recíproca entre os participantes. 
Mas alguns autores falam em interação social quando apenas 
Vamos discutir sobre isso no Fórum!
Vocês concordam com o exposto acima?
A comunicação, uma das formas de interação, enquanto 
ser social, é fundamental ao homem e a sua cultura. Ela se 
expressa por meio de:
• não vocais, como expressões, traços fisionômicos e etc.;
• sons não articulados, baseados em emoções e inflexões 
de voz;
• palavras e símbolos.
um dos elementos influencia o outro. Isso acontece quando 
um dos polos da interação está representado por um meio 
de comunicação apenas físico, como a televisão, o livro, 
uma gravação. Assim é que, quando um indivíduo assiste a 
um programa de televisão, ele pode ser influenciado pelo 
programa, mas não o influencia. Ocorre, nesse caso, uma 
interação não recíproca. Neste tipo de interação, apenas um 
dos lados influencia o outro (OLIVEIRA, 1998, p. 23).
É importante que você entenda e compreendam bem 
a questão da comunicação, seja ela de como for, como um 
dos mecanismos pelos quais há as relações humanas entre 
os indivíduos. Agora veremos como se dá o processo de 
cooperação entre os indivíduos.
2.3 Cooperação social
Os homens para viverem em sociedade se organizam, 
formando unidades, o que podemos chamar de grupos, 
comunidade ou sociedades. Para que haja essa organização, 
eles cooperam entre si. 
CONCEITO
Para Torre (1985, p. 72) cooperação é: “a união de esforços ou auxílio 
mútuo para a realização de objetivos comuns. [...] signi ca atuação, 
ação em comum, em harmonia”.
A cooperação é um fator indispensável para a manutenção 
e continuidade dos grupos e sociedades. Pode ser:
• Temporária: Os indivíduos se reúnem para a execução 
de uma tarefa durante um período determinado. Exemplos: 
fazer uma lição em conjunto, mutirão;
• Contínua: quando ocorre entre indivíduos ou grupo 
que, fixados em determinado local, necessitam sempre da 
colaboração uns dos outros. Exemplo: controle da poluição;
• Direta: Os indivíduos ou grupos realizam, em conjunto, 
coisas semelhantes. Dividi-se em: trabalho associado – 
amigas fazendo compras juntas em supermercado; trabalho 
suplementar – colheita; integração de trabalhos diversos – 
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27
CONCEITO
A competição é um processo social que ocorre com os indivíduos ou 
grupos sociais e, que consiste na disputa consciente ou inconsciente 
por bens e vantagens sociais limitadas em número e oportunidades. [...] 
é um processo social importante para o funcionamento das sociedades. 
De modo geral, a competição é regulamentada de modo a se tornar um 
processo útil para o desenvolvimento social e das nações (DIAS, 1997, 
p. 40).
A cooperação surge, inevitavelmente, pelo fato de que nenhum indivíduo é 
autossu ciente, tendo de especializar-se em determinado ramo. Podemos 
citar como exemplo um engenheiro que necessita da colaboração do 
médico, do agricultor, do industrial etc. (LAKATOS, 1986, p. 88).
cuja característica principal é que os trabalhos diferentes visam 
à consecução de objetivos comuns. Exemplo: construção de 
uma residência, havendo a necessidade de trabalhos diferentes 
especialistas. 
Nas sociedades altamente civilizadaspredominam a 
cooperação indireta e a integração de trabalhos diversos.
Existem dois interesses que levam o homem à cooperação:
Interesses comuns - os interesses comuns tendem a unir 
os indivíduos e os conduzir à cooperação. As mesmas crenças 
unem os homens numa mesma religião; os mesmos ideais 
políticos são a base dos partidos; interesses comuns unem os 
homens em classes, grupos, agremiações;
Interesses que se interpenetram – a cooperação 
também pode ser motivada por interesses que se interpenetram, 
se harmonizam. Assim é que nas formas de cooperação 
econômica do mundo atual, o capitalista coopera fornecendo 
o capital para obter juros máximos; o empresário coopera 
assumindo a responsabilidade e direção para obter um alto 
salário; e o operário, que só tem a vender sua força de trabalho, 
coopera visando receber seu baixo salário.
Saber mais
Vamos discutir esses assuntos em nosso fórum. Acessem a Plataforma. 
Aguardo vocês!
Nesta seção veremos outros tipos de contatos sociais, que 
com suas características auxiliam nos processos sociais entre 
os indivíduos.
3.1 Competição e conflito
O comerciante que tenta conquistar e trazer os fregueses de 
outro comerciante para o seu estabelecimento e os estudantes 
que lutam para conquistarem uma vaga no vestibular estão 
envolvidos em um processo de competição.
3 - Competição e con ito social e 
adaptação - acomodação - assimilação
Torna-se uma força que impulsiona os indivíduos a agirem 
uns contra os outros, a buscarem cada vez mais um “lugar ao 
sol”. Origina-se de uma vontade de obter uma posição social 
mais elevada, de conseguir uma importância ou destaque maior 
em seu grupo social, de ter poder, riqueza etc.
Agora, e como se dá o con ito?
CONCEITO
O con ito: quando a competição apresenta características de elevada 
tensão social, surge o con ito. 
O conflito social:
• é um processo pelo qual indivíduos ou grupos 
procuram recompensas pela eliminação ou enfraquecimento 
dos competidores;
• reveste-se de atitude consciente, emocional e 
transitória,
• na sua forma mais extrema leva à eliminação total dos 
oponentes.
Ao contrário da competição, o con ito não pode ser permanente e nem 
duradouro. E a sua permanência pode prejudicar o funcionamento da 
sociedade ou de um sistema de convivência entre diversas nações. [...] 
O con ito externo tende a integrar internamente um grupo. O con ito 
com outro grupo proporciona aos membros uma saída externa para 
suas hostilidades e ressentimentos, aliviando, desse modo, grande 
quantidade de tensões internas (DIAS, 1997, p. 40).
Os indivíduos ou grupos competem por: dinheiro, 
emprego, alimento, sucesso, afeto de outras pessoas, prestígio, 
sucesso, por um pedaço de terra e por outras infinidades de 
motivos.
Os conflitos podem ser raciais, religiosos, 
econômicos, políticos, etc.
Frequentemente vemos no noticiário dos telejornais e 
relatos de conflitos em diversas localidades no mundo. Os 
combates entre tropas; os violentos choques raciais entre 
negros e brancos; a fuga de detentos; crianças e jovens sendo 
mortos, todos esses são exemplos de conflitos sociais.
Segundo Oliveira (1998, p. 27), enquanto a competição 
toma forma de luta pela existência, como a obtenção de 
alimento, de um emprego etc.; o conflito toma as formas de 
rivalidade, discussão, disputa, litígio, guerra; é mais evidente na 
luta entre partidos políticos, seitas religiosas e nações.
Para Torre (1996, p. 90) deve-se atribuir, tanto para a 
competição quanto para o conflito, as seguintes consequências:
• divisão do trabalho;
• desenvolvimento de uma ordem econômica;
• distribuição das instituições no espaço social;
• efetivação de uma configuração espacial das populações;
• estabilidade ou modificações da própria ordem 
política;
• mudanças que se operam nas relações e na importância 
relativa de grupos distintos (ou classes), integrantes da 
sociedade.
A adaptação social de um indivíduo ao grupo não signi ca 
necessariamente conformidade social, mas supõe a utilização de certa 
margem de liberdade ou de autonomia que o meio concede. Esta 
liberdade ou autonomia varia de sociedade para sociedade, exigindo 
algumas delas uma conformidade mais completa e estrita do que 
outras. Mas é evidentemente que, para a sobrevivência da coletividade, 
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Sociologia Geral 28
deve existir um certo denominador comum entre os componentes e 
um certo grau de adesão e conformidade às normas estabelecidas 
(LAKATOS, 1996, p. 91).
Agora veremos o último tipo de contato social, que é a 
adaptação, acomodação e assimilação social. 
3.2 Adaptação – acomodação - 
assimilação
A adaptação do indivíduo ao meio social realiza-se 
principalmente em três níveis: 
• nível biológico e psicomotor; 
• nível afetivo; 
• nível do pensamento.
CONCEITO
Sobre a acomodação, Oliveira (1998) a rma que:
Podemos dizer, portanto, que a acomodação é o ajustamento de 
indivíduo ou grupos apenas nos aspectos externos do comportamento. 
Ele provoca a diminuição do con ito. Este só aparece com a assimilação 
(OLIVEIRA, 1998, p.29-31). Esse mesmo autor acredita que:
A assimilação é a solução de nitiva e tranquila do con ito social. Pela 
assimilação se suspendem os con itos. Trata-se de um processo de 
ajustamento 
pelo qual os indivíduos ou grupos diferentes tornam-se mais 
semelhantes. Difere da acomodação porque implica em modi cações 
internas no indivíduo ou no grupo, sendo geralmente inconsciente e 
involuntária. As modi cações internas envolvem, pois, mudanças na 
maneira de pensar, de sentir e de agir.
A assimilação processa-se por um mecanismo de imitação, exigindo 
um certo tempo para se realizar. É um processo longo e complexo.
O exemplo típico de assimilação é do imigrante. Ele, que a princípio se 
acomodou no novo país, vai sem perceber, se deixando envolver pelos 
costumes, símbolos, tradições e língua da nova pátria.
No Brasil, tivemos os casos da assimilação dos alemães, em Santa 
Catarina e dos japoneses em São Paulo, entre outros. No início, esses 
imigrantes falavam línguas bastante diferentes da nossa, além de 
trazerem valores e costumes diversos. Enquanto esses elementos 
se mantiverem enraizados no espírito e nos hábitos dos imigrantes, 
cada grupo chegou a construir uma espécie de corpo estranho na 
sociedade brasileira. Viviam sicamente próximos dos brasileiros, mas 
culturalmente ainda estavam longe. Somente quando as características 
marcantes de suas culturas de origem se atenuaram ou se des zeram 
– sendo substituídas pelos hábitos e costumes brasileiros – é que 
esses imigrantes puderam ser assimilados (e de fato o foram). Eles 
se des zeram de sua primeira identi cação cultural e passaram a 
se identi car com a nova cultura, tornando-se parte integrante da 
sociedade adotada. Outro exemplo de assimilação é a conversão. O 
indivíduo convertido religiosamente, politicamente ou loso camente, 
abandona suas antigas atitudes, convicções e sentimentos, adotando 
os novos. Enquanto a revolução é um fenômeno social puramente 
exterior, a conversão é um fenômeno nitidamente interior.
Concluindo, o aspecto importante da assimilação é que ela implica uma 
modi cação sensível da personalidade. O processo de assimilação 
atinge áreas profundas e externas da personalidade, envolvendo 
valores e atitudes fundamentais. As modi cações que ocorrem dizem 
respeito à maneira de pensar, sentir e agir (OLIVEIRA, 1998, p. 29-31).
Assim a Aula 04, com suas seções de estudo, teve como 
objetivo apresentar para vocês os diferentes tipos de contatos 
socais existentes e características dos mesmos, nos baseando 
nos classificações elaboradas pelos diferentes teóricos.
Quando, num con ito, um dos adversários derrota o outro, o derrotado, 
para não correr o risco de ser totalmente liquidado, aceita as condições 
impostas pelo vencedor. Ocorre uma acomodação, pois o vencido 
aceita as condições impostas, cando numa situação de subordinação. 
A escravização dos vencidos, comum na Antiguidade, é um caso típico 
de acomodação.Quando alguém cumpre uma lei ou segue um costume com os quais 
não concorda, só para evitar sanções, também se enquadra num caso 
de acomodação. Por exemplo, um estrangeiro que não aprecia o modo 
de vida do país em que mora acomoda-se a ele apenas para car bem 
com aqueles que o recebem. Normalmente, os imigrantes recém-
chegados entram num processo de acomodação: deixam de lado sua 
língua e seus costumes, adaptam-se à nova vida. Tudo para prevenir do 
pior: o con ito.
A acomodação é o processo social em que o indivíduo ou o grupo 
se ajustam a uma situação de con ito, sem que tenham sofrido 
transformações internas. É uma solução super cial do con ito, porque 
este continua latente, isto é, pode ocorrer novamente. Isto ocorre 
porque na acomodação não há mudança de pensamentos, sentimentos 
e atitudes; as mudanças são apenas exteriores.
Chegamos, assim, ao nal da quarta aula. Espero que 
agora tenha cado mais claro o entendimento de vocês 
sobre os processos sociais. Saiba mais sobre o que 
abordamos nessa aula: 
Retomando a aula
1 – Processos sociais e contatos sociais
O contato social é a base da vida social. É o primeiro 
passo para que ocorra a interação social. É a primeira fase da 
associação humana. Os contatos sociais possuem base física e 
psíquica. Podem ser diretos e indiretos.
2 – Isolamento, interação e cooperação social
O isolamento pode ser individual ou do indivíduo dentro 
do grupo ou sociedade. Podem ter: Fatores psicológicos, 
Fatores geográficos, Fatores biológicos e Fatores habitudinais.
3 - Competição e conflito social e adaptação – 
acomodação – assimilação
A competição é um processo social que ocorre com 
os indivíduos ou grupos sociais e, que consiste na disputa 
consciente ou inconsciente por bens e vantagens sociais 
limitadas em número e oportunidades. É um processo social 
importante para o funcionamento das sociedades.
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 Ao contrário da competição, o conflito não pode ser 
permanente e nem duradouro. E a sua permanência pode 
prejudicar o funcionamento da sociedade ou de um sistema de 
convivência entre diversas nações. 
Podemos dizer, portanto, que a acomodação é o ajustamento 
de indivíduo ou grupos apenas nos aspectos externos do 
comportamento. Ele provoca a diminuição do conflito. Este só 
aparece com a assimilação.
DIAS, Reinaldo. Fundamentos de sociologia geral. Campinas, 
SP: Alínea. 1997.
___. Sociologia aplicada ao comércio exterior. Campinas, SP: 
Editora Alínea. 1997.
LAKATOS, Eva Maria. Sociologia geral. 6. ed. rev. e ampl. 
SP: Atlas, 1990
OLIVEIRA, Pérsio Santos de. Introdução à filosofia. SP: 
Ática, 20 edição. 1996
TORRE, M. B. Della. O Homem e a sociedade: uma 
introdução à sociologia. SP: Companhia Editora Nacional, 
1985, 13 edição.
Vale a pena
Vale a pena ler
• Contatos sociais. In: <http://www.youtube.com/
watch?v=JFjpG01choA>.
Vale a pena assistir
Minhas anotações
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