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is sn a3 sf l- ai sa Arminio e seus escritos As doutrinas b íb licas e teológicas, com o p a ssa r do tem po, foram desenvolvidas e aperfeiçoadas, de tal form a que a teologia que tem os hoje é fruto de um longo processo de pesquisa bíblica, m editação e debates na busca do que o hom em entende ser aquilo que Deus realm en te falou em sua Palavra. Uma das m ais im portantes doutrinas teo lógicas é a da Salvação. Ela aborda a form a com o som os salvos, por que som os salvos e o m ecan ism o dessa salvação. De acordo com a Palavra de Deus, a salvação é ofere cida a todos, m as a sua con cretização vai depender do livre-arbítrio hum ano, ou seja, o hom em precisa decidir entre re je itar sua vida de pecados e aceitar a Jesus Cristo como seu Salvador e Senhor, ou re jeitar a Cristo e su jeitar-se à perdição eterna. Jacó Armínio trouxe luz aos debates da salvação pela fé e, por m eio do estudo aprofundado da Palavra de Deus, nos ensin a que a p resciên cia de Deus não determina antecipadam ente quem vai ou não para o céu, pois Cristo morreu por todos indistintam ente, m as apenas aqueles que crerem serão salvos; e a graça de Deus, no to ca n te à salvação, pode ser resistid a pelo pecador. Obra: ARMÍNIO, Jacó. As Obras de Armínio. Rio de Janeiro: CPAD, 2015. Discipulando^P Sumário Tema: Portando uma Nova Identidade Comentarista: Silas Daniel ► Lição 1 - UM NOVO CARÁTER: A LEI DO REINO DE DEUS .......................................... 3 ► Lição 2 - VOCÊ É SAL E L U Z ................................................................................................ 70 ► Lição 3 - CRISTO, O DISCÍPULO EA LEI.................................................................................. 77 ► Lição 4 - DESVIANDO-SE DA CÓLERA E DO HOMICÍDIO.............................................24 ► Lição 5 - A FIDELIDADE NO CASAMENTO........................................................... ........... 31 ► Lição 6 - A HONESTIDADE COM AS PALAVRAS...............................................................38 ► Lição 7 - SOBRE A VINGANÇA E O AMOR.............................................................. ..............45 ► Lição 8 - SEM HIPOCRISIA, MAS COM VERDADE..........................................................52 ► Lição 9 - ORAÇÃO NÃO MECÂNICA, MAS CONSCIENTE........................................ 59 ► Lição 10 - A AMBIÇÃO DO DISCÍPULO: NÃO A “SEGURANÇA” DOS BENS MATERIAIS............ ..................................66 ► Lição 11 - NÃO JULGUE O PRÓXIMO, PARA QUE NÃO SEJAS JULGADO.................... 73 ► Lição 12- A BONDADE DE DEUS E OS FALSOS PROFETAS ............. ,.................... 80 ► Lição 13- JESUS É A NOSSA IDENTIDADE........................................................................ 87 1 | Discipularido Professor 4 Díscipulando Professor CASA PUBLICADORA DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS Av. Brasil, 34.401 - Bangu Rio de Janeiro - RJ - cep: 21852/002 TeL (21) 2406-7373 / Fax: (21) 2406-7326 Presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil José Wellington Bezerra da Costa Presidente do Conselho Administrativo José Wellington Costa Júnior Diretor Executivo Ronaldo Rodrigues de Souza Gerente de Publicações Alexandre Claudino Coelho Consultoria Doutrinária e Teológica Antonio Gilberto e Claudionor de Andrade Gerente Financeiro Josafá Franklin Santos Bomfim Gerente de Produção e Arte & Design Jarbas Ramires Silva Gerente Comercial Cícero da Silva Gerente da Rede de Lojas João Batista Guilherme da Silva Chefe de Arte S Design Wagner de Almeida Chefe do Setor de Educação Cristã César Moisés Carvalho Editor Marcelo Oliveira de Oliveira Projeto Gráfico - capa e miolo Jonas Lemos Diagramação Nathany Silvares EDITORIAL Prezado professor, Chegamos ao fim do nosso “curso” que fornece as primeiras informações ne cessárias ao viver cristão. Esse quarto e último ciclo de estudos fala da nova identidade do convertido ao Evangelho. No ciclo passado, estuda mos as aplicações práticas das grandes verdades da Bíblia. Neste, estudaremos acerca da aplicabilidade dos valores do Sermão do Monte. Toda a ética e a moral do Reino de Deus estão explicitadas nes se Sermão. O ensino do Sermão do Mon te é bálsamo para a nossa vida em Cristo. Que o Senhor o ajude no ensino des se último ciclo de estudos. Permita Deus, que nessa última etapa de aprendizado, você e os alunos possam regozijar-se por terem conhecido um pouco mais de como servir ao Mestre. Os Editores. 2 | Discipulando Professor 4 | a Lei Um Novo do Reino Caráter: de Deus TEXTO BÍBLICO BASE Mateus 5.1-12 1 - Jesus, vendo a multidão, subiu a um monte, e, assentando-se, aproximaram-se dele os seus discípulos; 2 - e, abrindo a boca, os ensinava, dizendo: 3 - Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos céus; 4 - bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados; 5 - bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra; 6 - bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos; 7 - bem-aventurados os misericordiosos, por que eles alcançarão misericórdia; 8 - bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus; 9 - bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus; 10 - bem-aventurados os que sofrem perse guição por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus; 11 - bem-aventurados sois vós quando vos injuriarem, e perseguirem, e, mentindo, disserem todo o mal contra vós, por minha causa. 12 - Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim per seguiram os profetas que foram antes de vós. MEDITAÇÃO Porque o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo. (Rm 14.17) REFLEXÃO BÍBLICA DIÁRIA ► SEGUNDA - Romanos 14.17-19 ► TERÇA-Salmos 51.17 ► QUARTA - Apocalipse 21.4 ► QUINTA-Hebreus 12.14 -t SEXTA - Mateus 6.33 ► SÁBADO - Míqueias 6.8 | Discipulando Professor 4 | ORIENTAÇÃO AO PROFESSOR INTERAGINDO COM O ALUNO O Sermão da Montanha é um dos textos mais importantes da Bíblia para o cristão, por que nele Jesus apresenta aos seus discípulos o alto padrão pelo qual eles devem se condu zir na vida. Esse padrão se choca frontalmen- te com o estilo de vida pregado pelo mundo. Por isso, a lição deste trimestre se constitui numa excelente oportunidade para incutir na mente e no coração dos seus alunos o estilo de vida do discípulo do Senhor no mundo. Na lição de hoje, enfoque as qualidades que o cristão deve manifestar em seu caráter, e que são apresentadas por Jesus nas oito beatitudes que abrem o seu célebre sermão. Aproveite para ressaltar como elas se diferen ciam dos valores apreciados pelo mundo. Em contraste com a autossuficiência, Jesus ensina a humildade de coração; em contraste com a indiferença, Jesus ensina a importância da sensibilidade espiritual; em contraste com o orgulho e a arrogância, Ele ensina a mansidão; em contraste com uma vida acomodada, Ele nos ensina a termos fome e sede pelas coisas espirituais; em con traste com o egoísmo, a misericórdia; em con traste com a malícia, a pureza de coração; em contraste com uma conduta situacionista, a fidelidade ao que é certo mesmo no momento de dificuldade. Destaque essas diferenças e inspire seus alunos a viverem o padrão do Reino de Deus em suas vidas. OBJETIVOS Sua aula deverá alcançar os seguintes objetivos: ► Conscientizar seus alunos sobre o que é a verdadeira felicidade segundo a Bíblia; ► Diferençar o padrão moral do Reino de Deus do estilo de vida do mundo; t Inspirar seus alunos a viverem o padrão estabelecido porJesus no Sermão do Monte. PROPOSTA PEDAGÓGICA Para introduzir a lição, proponha a se guinte reflexão aos seus alunos: “Afinal de contas, o que é felicidade? Ela está relacio nada a coisas ou a um modo de vida?” . Em seguida, explique-lhes que Jesus se importa va com esse tema porque, depois de esco lher os seus primeiros discípulos, Ele pregou o Sermão da Montanha, cujo objetivo era o de ensiná-los a viver e se conduzir. Conscientize os seus alunos sobre a importância de, como filhos de Deus, desen volvermos em nossas vidas as qualidades apresentadas por Jesus nas oito beatitudes expostas no Sermão do Monte. 4 | Discipulando Professor 4 | COMENTÁRIO | INTRODUÇÃO No primeiro ciclo do nosso curso, estudamos sobre o Reino de Deus e a pessoa de Jesus Cristo. Neste trimestre, o último, desta série de quatro ciclos de estudos, estudaremos o caráter dos filhos deste Reino, ou seja, os valores que devem orientar e caracterizar a vida de todos aqueles que um dia entregaram as suas vidas a Jesus, tomando-se filhos, membros e embaixadores do Reino de Deus. Como membros deste Rei no, temos a responsabilidade de viver de forma condizente com ele, e essa nova forma de viver encontra-se resumida no chamado Sermão da Montanha, proferido por Jesus no início do seu ministério terreno. Esse célebre sermão de Jesus encontra-se, em sua totalidade, nos capítulos 5 a 7 do Evangelho de Mateus, cujos textos servirão de base para o nosso estudo neste ciclo. 1. O SERMÃO DA MONTANHA E O CARÁTER DOS FILHOS DO REINO ► 1.1.0 Sermão da Montanha. O “Sermão da Montanha” ou “Sermão do Monte” é a mais célebre mensagem de Jesus registrada na Bíblia. Ele recebeu esse nome porque Jesus o proferiu quando estava assentado sobre um monte, rodeado por seus discípulos e tendo uma multidão na planície a ouvi-lo (Mt 5.1,2; Lc 6.17-20). Originalmente, Jesus proferiu esse ensino para os seus discípulos. Mas a multidão na planície, ao pé daquela elevação, também acabou desfrutando do seu ensinamento nesse dia (Mt 7.28). Quando proferiu esse sermão, o Mestre havia escolhido, não fazia muito tempo, os seus primeiros discípulos (Mt 4.12-25) e os doze apóstolos (Lc 6.12-16), e desejava agora, por meio desse sermão, ensiná-los sobre o verdadeiro discipulado, sobre como seus dis cípulos deveriam viver e se conduzir. O Sermão da Montanha apresenta, portanto, o padrão de vida e de comportamento estabelecido por Deus para os seus filhos. ► 1.2.0 caráter dos filhos do Reino. Jesus abre o Sermão da Montanha falando aos seus discípulos sobre um assunto muito importante: a relação entre o caráter e a felicidade. Ora, sa bemos que o objetivo de vida do ser humano é buscar a felicidade. Não há dúvida de que todas as pessoas, de alguma forma, procuram ser felizes. Entretanto, nem todas realmente conseguem isso. O máximo que a maioria consegue são momentos passageiros de euforia, não poucas vezes seguidos por momentos de depressão. No entanto, felicidade, tem a ver com o estilo de vida, ou seja, não tem nada a ver com “ter”, mas, sim, com “ser”. Mais especificamente, tem a ver com o que chamamos de “caráter”. É o que Jesus ensina em seu Sermão da Montanha. No texto bíblico que serve de base para a lição de hoje, vemos Jesus chamando de “bem-aventuradas” - ou “felizes” - pessoas que apresentam determinadas qualidades em seu caráter que são manifestadas no seu dia a dia. Ele não está falando, aqui, de temperamentos, mas de caráter que se manifesta em atitudes concretas, um caráter que é fruto da ação do Espírito de Deus em nossas vidas. Qualquer pessoa, não importa seu temperamento, uma vez que se submeta a essa ação divina, pode manifestar esse novo caráter em sua vida e, consequentemente, novas atitudes. Ao afirmar que felizes são os humildes, os mansos, os misericordiosos e os pacificadores, Jesus está dizendo que a verdadeira felicidade é uma conseqüência natural na vida daqueles que manifestam no seu dia a dia um estilo de vida baseado nos valores divinos. Somente esse estilo de vida, produzido pela transformação | Discipulando Professor 4 | que o Evangelho de Cristo opera em nossas vidas, pelo poder do Espírito Santo, poderá proporcionar a verdadeira felicidade. As qualidades desse novo estilo de vida são as marcas distintivas dos filhos do Reino, são marcas identificadoras dos verdadeiros filhos de Deus. Quando buscamos diariamente a Deus e permitimos Ele agir em nossas vidas, por intermédio da sua Palavra e da oração, o Espírito de Deus prodüz essas qualidades em nossa vida cotidiana (Gl 5.22). E entre os frutos por Ele produzidos em nós estão uma paz e uma alegria novas, diferentes e especiais. Essa alegria é de ordem espiritual, é um prazer e uma satisfação em servir a Deus e às pessoas, uma sensação de realização e de preenchimento de alma que nada neste mundo pode proporcionar. O amor de Deus é derramado em nosso coração (Rm 5.5), a presença divina se torna patente em nossa vida, animando-nos. E a paz que passamos a experimentar, a paz que vem de Cristo (Jo 14.27), é do tipo que “excede todo entendimento” (Fp 4.7), porque, diferentemente da paz mundana, ela não é sentida apenas nos momentos de bonança, o que é natural, mas também nos momentos de dificuldade, nos fazendo vencer o desespero e o medo nas situações difíceis. O filho de Deus consegue alegrar-se e exultar até mesmo na - e apesar da - perseguição, porque o Deus de paz guarda o seu coração em meio às dificuldades mais intensas. Por fim, é importante frisar ainda que quando Jesus diz que os filhos do Reino são bem-aventurados, Ele não se refere a uma realidade apenas presente da vida, mas tam bém ao que lhes reserva a eternidade. Logo, os filhos do Reino ganharão benesses eternas que nenhum outro ser humano poderá gozar: “herdarão a terra”, “serão fartos”, “verão a Deus”, receberão “grande galardão nos céus” (Mateus 5.5,6,8,12) etc. Sob qualquer perspectiva, seja a do presente ou a do futuro, os filhos do Reino são felizes. ^ AUXÍLIO DEVOCIONAL1 “O rei Herodes estabeleceu muitas novas cidades durante os quarenta anos do seu rei nado. Em cada ocasião, ele recrutou cidadãos, prometendo-lhes muitos benefícios especiais, incluindo cidadania, redução de impostos, ter ras etc. Este era um costume comum no Impé rio Romano durante a era de Augusto, quando muitas cidades novas foram fundadas. Mas é difícil imaginar um governante convocando ci dadãos e anunciando que no seu reino os re crutados receberão pobreza de espírito, man sidão, choro, fome e sede, e até mesmo per seguição. No entanto, essas são as bênçãos que Jesus oferece àqueles que reivindicam a cidadania que Ele descrevia. Além disso, o Rei Jesus disse que os pobres de espírito, os man sos e os que choram são bem-aventurados! Ele não oferece uma mudança nas condições, mas a bênção nas condições que desgostam os cidadãos deste mundo. As Bem-Aventuran- ças permanecerão um mistério, a menos que nos demos conta de que Jesus está falando de atitudes básicas e valores que produzem frutos espirituais” (RICHARDS, Lawrence. Co mentário Devocional da Bíblia. Rio de Janei ro: CPAD, 2012, p.556). 2. AS BEM-AVENTURANÇAS ► 2.1. “Bem-aventurados os pobres de espírito”. A expressão “pobres de espírito” se refere àqueles que são humildes de coração. Lucas 6.20 diz apenas “Bem-aventurados os pobres”, em vez de “Bem-aventurados os pobres de espírito”. Mas isso ocorre porque, na cultura judaica da época de Jesus, mais especificamente desde o fim do cativeiro babilônico, os judeus passaram a usar muitas vezes o termo “pobres” para se referir “aos piedosos, em contraste com os opressores ricos, ímpios e mundanos dos pobres”; logo, “as afirmações em Mateus [5.3] e Lucas [6.20]significam a mesma coisa” (Comentário Bíblico Beacon, CPAD, vol. 6, p.54). Os pobres de espírito são aqueles que reconhecem a sua necessidade espiritual, a 6 | Discipulando Professor 4 sua dependência de Deus; são aqueles que destronam o orgulho. Jesus diz que somente os que manifestam essa disposição em seus corações “herdarão o Reino de Deus”. ► 2.2. “Bem-aventurados os que cho ram”. Jesus refere-se aqui àqueles que são quebrantados de coração, sensíveis para as coisas de Deus, para o que é certo, para as coisas espirituais. São aqueles que choram, em primeiro lugar, arrependidos, em reconheci mento pelos seus pecados - estes alcançarão consolo através do perdão divino. Mas eles também são aqueles que choram sincera mente pelo seu próximo, sensibilizados pelo sofrimento e o estado espiritual dos outros, e intercedendo por estes com confiança no Senhor. São ainda aqueles que choram por mais de Deus para suas vidas. Todos estes “serão consolados”, abençoados pelo Senhor. ► 2.3. “Bem-aventurados os mansos”. Mansidão, aqui, não é uma aparência de mo déstia, nem é também uma referência a apenas ser paciente com as pessoas. O termo aqui refere-se a mais do que isso. Ele significa, sim, não ser arrogante, mas é, sobretudo, uma referência à submissão sincera a Deus, a uma atitude constante de submissão à vontade divina. É não exasperar-se, mas confiar em Deus, entregar sua vida totalmente a Ele e seguir plenamente a vontade divina para sua vida, não importando as circunstâncias. Os que assim procedem “herdarão a terra”, isto é, reinarão com Cristo na terra futura. ► 2.4. “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça”. A expressão "justiça” aqui é tanto uma alusão às bênçãos espirituais quanto à conduta ética; ela é tanto dotação graciosa da parte de Deus a ser experimentada quanto exigência ética a ser vivenciada. Uma coisa está intimamente relacionada à outra. “Fome e sede de justiça” é uma referência à busca ávida, prazerosa e constante pelo exercício da justiça divina em nossas vidas como uma forma de nos aprofundarmos mais na maravilhosa graça que recebemos do Se nhor. Ou seja, se alguém tem mesmo fome pelas coisas de Deus, sede por mais da sua presença sobre sua vida, então deve ter ao mesmo tempo fome e sede de buscar a sua vontade em obediência. Aqueles que buscam mais da vontade de Deus para as suas vidas recebem mais dEle. Eles serão “fartos”, isto é, plenamente satisfeitos em Deus. ► 2.5. “Bem-aventurados os misericor diosos”. Misericórdia é a bondade em ação. Quem recebeu a misericórdia de Deus tem a obrigação de ser misericordioso para com os outros. O cristão que não é misericordioso está, na prática, desprezando a misericórdia de Deus em sua vida, pela qual foi salvo. Jesus é claro: somente os misericordiosos “alcançarão misericórdia”. ► 2.6. “Bem-aventurados os limpos de coração”. Ser limpo de coração é ser puro de coração, é ter um coração santificado, o que só é possível quando permitimos que o amor de Deus seja derramado em nosso coração pelo Espírito Santo (Rm 5.5). Somente um co ração puro poderá ver Deus, no sentido tanto de usufruir da sua presença gloriosa aqui na terra quanto de um dia vê-lo face a face na eternidade. A Bíblia é clara: sem santificação, ninguém verá o Senhor (Hb 12.14). ► 2.7. “Bem-aventurados os pacifica dores”. Aqueles que foram salvos em Cristo têm paz com Deus (Rm 5.1) e são chamados para serem pacificadores, promotores da paz. Jesus apresenta o ser pacificador como uma característica marcante da identidade do cris tão, isto é, do caráter que ele deve manifestar como filho de Deus (Mt 5.9). Alguém que se diz cristão e semeia contendas, ou é do tipo que não está nem aí se “o circo pegar fogo”, não é um cristão verdadeiro. Pois um verdadeiro cristão faz tudo o que estiver ao seu alcance para promover a paz entre as pessoas. ► 2.8. “Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça”. Este texto não se aplica àqueles que se fazem de vítimas ou que deliberadamente provocam | Discipulando Professor 4 | situações de conflito, mas àqueles que, por fazerem o que é certo, por cumprirem a von tade de Deus, são perseguidos pelo mundo. Estes são bem-aventurados, porque Deus os galardoará grandemente nos céus pela sua fidelidade em melo às provações. ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 2 “A palavra ‘bem-aventurados’ refere-se ao estado abençoado daqufeles que, por seu rela cionamento com Cristo e a sua Palavra, rece beram de Deus o amor, o cuidado, a salvação e sua presença diária. Há certas condições neces sárias para recebermos as bênçãos do Reino de Deus. Para recebê-las, devemos viver segundo os padrões revelados por Deus nas Escrituras, e nunca pelos do mundo. A primeira destas con dições é ser ‘pobre de espírito’, o que significa reconhecermos que não temos qualquer autos- suficiência espiritual; que dependemos da vida do Espírito, do poder e da graça divinos para podermos herdar o Reino de Deus” (STAMPS, Donald. Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, p.1392). 3. NÓS SOMOS BEM-AVENTURADOS Os filhos de Deus são bem-aventurados, felizes, porque eles rejeitaram os valores do mundo e abraçaram os valores eternos do Reino de Deus, sem os quais é impossível alguém ser feliz neste mundo perdido. Ao final do Sermão do Monte, Jesus é claro: somente aqueles que praticam os valores ensinados por Ele em seu sermão, dentre eles, aqueles valores apresentados nas oito bem-aventuranças, não serão abalados es piritualmente, mas permanecerão firmes para sempre (Mt 7.24,25). ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 3 “A justiça é mencionada aqui represen tando todas as bênçãos espirituais (SI 24.5; Mt 6.33). Elas nos são compradas pela justi ça de Cristo, transmitidas e asseguradas pela imputação dessa justiça a nós, e confirmadas pela fidelidade de Deus. Vários fatos definem o que é essa justiça: o fato de Cristo ter sido feito a justiça de Deus por nós; o fato da justi ça de Deus ter sidó feita nEle; e o fato de todo homem ter sido renovado na justiça, tornando- se um novo homem, trazendo em si mesmo a imagem de Deus, passando a ter um interesse em Cristo e nas suas promessas. Destas coi sas devemos ter fome e sede. Nós verdadeira mente devemos desejá-las, como alguém que tem fome e sede deseja beber e comer e não consegue ficar satisfeito com nenhuma coisa, a não ser alimento e bebida; e será satisfeito com estas coisas, embora sinta necessidade de ou tras. Os nossos desejos de bênçãos espirituais devem ser fervorosos e importunos” (HENRY, Matthew. Comentário Bíblico do Novo Testa mento: Mateus a João. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p.45). CONCLUSÃO A verdadeira bem-aventurança está em Cristo. Em meio às tensões deste mundo, não há como se conduzir de forma melhor e mais abençoada se não seguindo às diretrizes de Jesus para a nossa forma de viver. Sejamos, pois, humildes de coração; sensíveis às coisas de Deus, sensíveis ao que é correto; sejamos submissos à vontade divina; sejamos pessoas que não se acomodam em sua vida espiritual, mas que buscam sempre mais de Deus; sejamos misericordiosos; pacificadores; puros de coração; sempre fiéis, mesmo em meio às provações. Somente assim seremos, de fato, bem-aventurados! APROFUNDANDO-SE “As virtudes que Jesus exalta no Sermão do Monte são quase que exatamente o oposto daquelas admiradas pelos gregos e romanos em seus dias” (Comentário Bíblico Beacon, vol.6, p.56). “Não é a pessoa que afirma ser bem-sucedida es piritualmente que encontra o Reino, mas 8 | Discipulando Professor 4 | o indivíduo que reconhece enquanto é pobre (v. 3). Não é a pessoa que está sa tisfeita com o que o mundo lhe oferece, mas a pessoa que chora, e olha além do brilhodo mundo, a que encontra consolo (v. 4). Não é a pessoa que é arrogante, mas o manso, que responde à voz de Deus, o que herdará a terra (v. 5). Os que serão fartos não são aqueles que estão satisfeitos com a sua própria justiça, mas os que têm fome e sede de uma justiça que não têm” (RICHARDS, Lawrence. Comentário Devocional da Bíblica. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p.556) r j SUGESTÃO N l / / DE LEITURA ► Crescimento em Cristo Orientações bíblicas para o novo convertido com exposições dos passos fundamentais da nova vida em Cristo e de como vivê-la vitoriosamente. ^ 12 Princípios para Fortalecer sua Cami nhada com Cristo Torne-se o tipo de pessoa que caminha com Deus e exerça influência de Deus em seu mundo. Com um panorama conciso, diversos exemplos e ideias práticas, este poderoso guia o ajudará a desenvolver a maturidade que todo o homem de Deus foi criado para refletir. VERIFIQUE SEU APRENDIZADO 1 . Qual o propósito do Sermão da Montanha? R. Ensinar sobre o verdadeiro discipulado, sobre como os discípulos de Cristo deveriam viver e se conduzir. 2 . O que é a verdadeira felicidade? R. A verdadeira felicidade é uma conseqü ência natural na vida daqueles que manifestam em seu caráter um estilo de vida baseado nos valores divinos. 3. Qual o significado da expressão “pobre de espírito”? R. Refere-se àqueles que são humildes de coração. 4. Quando Jesus falou dos “mansos” , Ele estava se referindo apenas àqueles que não são arrogantes com os outros? R. Não. Ele se referia também e principal mente à submissão sincera a Deus, a uma atitude constante de submissão à vontade divina. 5.0 que significa ter “fome e sede de justiça”? R. Se refere à conduta ética, isto é, a exi gência ética a ser vivenciada, quanto a fome pelas coisas de Deus, sede por mais da sua presença sobre nossas vidas. ► Enquanto os pregadores, oradores e professores de hoje seguem o costume grego e romano de ficar em pé para falar, os mestres judeus sempre se sentavam enquanto ensinavam (Comentário Bíbli co Beacon, CPAD, vol.6, p.53). Por isso encontramos na Bíblia Jesus proferindo muitos ensinos assentado, como no caso do Sermão da Montanha. | Discipulando Professor 4 | Vocêé Sal e Luz TEXTO BÍBLICO BASE Mateus 5,13-16 13 - Vós sois o sal da terra; e, se o sal for insí pido, com que se há de salgar? Para nada mais presta, senão para se lançar fora e ser pisado pelos homens. 14 - Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; 15 - Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas, no velador, e dá luz a todos que estão na casa. 16 - Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus. MEDITAÇÃO Para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo. (Fp 2.15) REFLEXÃO BÍBLICA DIÁRIA ► SEGUNDA - Provérbios 4.18 ► TERÇA - Filipenses 2.14,15 ► QUARTA - Malaquias 3.16-18 ► QUINTA-João 17.20-23 ► SEXTA - Efésios 5.8-13 ► SÁBADO-1 Pedro 2.9,10 10 | Discipulando Professor 4 I f -------^ ------------- - ----------- - í ORIENTAÇÃO AO PROFESSOR ► Conscientizar seus alunos das responsabili dades que temos de influenciar a sociedade. PROPOSTA PEDAGÓGICA INTERAGINDO COM O ALUNO Na lição de hoje, o seu objetivo principal deve ser conscientizar alunos de que ser filho de Deus não significa apenas ter a bênção divina sobre a nossa vida, mas também responsabi lidades. Seus alunos devem compreender que todo o cristão tem sobre si um chamado divino para fazer diferença neste mundo, influenciando-o positivamente com os valores do Evangelho. Seu aluno precisa saber ainda que essa influência positiva se manifesta não apenas através da pregação do Evangelho, mas tam bém por intermédio de uma vida que encarna os valores do Evangelho. Explique como as figuras do sal e da luz, usadas por Jesus, ilus tram perfeitamente o tipo de influência que o cristão deve exercer sobre o mundo. ► Inspirar seus alunos a fazerem a diferen ça neste mundo através da pregação do Evangelho e das boas ações que encar nam os valores divinos; Ressalte também a importância das boas obras, ressalvando que elas não devem ser praticadas por ostentação, mas como fruto do amor de Deus derramado em nossos corações. E, finalmente, enfatize que essa influência posi tiva que o cristão deve exercer sobre o mundo precisa se manifestar em todas as esferas de atuação do cristão, a começar da sua casa, pas sando pelo seu trabalho, escola e universidade, e atingindo todo o mundo. OBJETIVOS Sua aula deverá alcançar os se guintes objetivos ► Explicar o significado e as implica ções, na vida do cristão, das expres sões “sal da terra” e “ luz do mundo”; Inicie a aula falando da importância do sal e da luz para o nosso dia a dia. Em um pri meiro momento, destaque como é ruim comer algo sem sabor e como é desconfortável estar mos em um lugar mal iluminado. Em seguida, ressalte o contrário: como é agradável comer algo com sabor e como é bom estarmos em um ambiente iluminado. Após a exposição des ses contrastes, leia o texto bíblico que serve de base para a lição de hoje e introduza o assunto, enfatizando inicialmente que ser filho de Deus é uma bênção, mas esta bênção, como todas as outras, traz consigo responsabilidades. Acres cente, em seguida, que Jesus usou as figuras do sal e da luz exatamente para ilustrar o tipo de influência que somos chamados a exercer sobre a sociedade como cristãos. Não se es queça de aplicar os objetivos da lição ao dia a dia dos seus alunos, mostrando como eles podem fazer diferença no mundo onde estão. Discipulando Professor 4 COMENTÁRIO | INTRODUÇÃO Deus nos chamou para fazer diferença neste mundo, para influenciá-lo. Você não foi chamado por Deus para apenas receber bênçãos, mas para também, e principalmente, ser bênção para a vida das pessoas: bênção para sua família, bênção para a sua igreja, bênção para a sociedade e bênção para o mundo. Por isso, logo após Jesus falar sobre o caráter do cristão e a verdadeira felicidade, Ele passa a ensinar sobre a responsabilidade que o cristão tem de influenciar positivamente o mundo. E para ilustrar como deve se dar essa influência positiva, Jesus usou dois símbolos do cotidiano das pessoas: a luz e 0 sal. Veremos na lição de hoje como esses dois símbolos - o sal e a luz - ilustram perfei tamente a influência do cristão na sociedade. 1 . “VÓS SOIS O SAL DA TERRA” ► 1.1. “Sal da terra”. Jesus afirma que o cristão verdadeiro é como o “sal” (Mt 5.13). O sal” fala de um tipo específico de influência que o cristão exerce. O detalhe inicial, porém, é que Jesus não diz que seus discípulos deveriam ser “sal” apenas na região em que viviam. O mestre afirma que eles deveriam ser o “sal da terra” - isto é, deveriam fazer diferença em todo o mundo. Os discípulos de Cristo foram chamados para serem tes temunhas do Evangelho em Jerusalém, em toda Judeia e Samaria, e até os confins da Terra (Atos 1.8). Aplicando esse chamado às nossas vidas hoje, Jerusalém representaria a nossa cidade; Judeia representaria o nosso Estado; Samaria representaria os Estados vizinhos; e os confins da Terra representariam, claro, todo o mundo. ► 1.2. Os atributos do sal. Quanto ao tipo de influência ao qual Jesus se refere, sabemos que o sal tem dois atributos prin cipais: dar sabor e conservar. Logo, Jesus está dizendo que o cristão exerce influência sobre o mundo dando-lhe “sabor” e ajudan do a conservar determinadas coisas cuja íí Você não foi chamado por Deus paraapenas receber bênçãos, mas para também, e principalmente, ser benção para a vida das pessoas J5 12 | Discipulando Professor 4 | preservação significa um grande bem para a sociedade. Mas o que é “dar sabor” ao mundo? E que tipos de coisas o crente pode e deve preservar por meio da sua influência sobre a sociedade? ► 1.3. Dando sabor. Uma vez que o sal tem como função dar sabor, Jesus está afirmando, ao referir-se aos seus discípulos como “sal da terra”, que eles poderiam e deveriam dar “sabor” ao mundo por meio de suas vidas. Ao serem mansos, humildes, sensíveis moral e espiritualmente, incansáveis na busca de Deus, misericordiosos, limpos de coração e pacificadores (Mt 5.1-12), os discípulos estariam manifestando ao mundo, por meio de suas vidas, os valores divinos e, dessa forma, influenciando positivamente as pessoas. Ou seja, “salgar” o mundo, na linguagem de Jesus, significa, em primeiro lugar, influenciar positivamente as pessoas por intermédio do exemplo. Mas, não só pelo exemplo. Dar “sabor” ao mundo fala também da mensagem do Evangelho, que é a única a dar um sentido real à vida do ser humano. O Evangelho é o poder de Deus para salvação de todo aquele que nele crer (Rm 1.16). O testemunho cristão, seja por meio da pregação do Evangelho ou da própria vida que manifesta os valores do Reino de Deus no dia a dia, é o verdadeiro sentido de “dar sabor” ao mundo. ► 1.4. Conservando. O atributo de conservar, do elemento do sal, ilustra muito bem outro tipo de influência positiva que o cristão verdadeiro exerce sobre a sociedade: o poder de deter ou resistir à corrupção do mundo. Corrupção, aqui, é aquela tanto na área moral como espiritual - aliás, essas áreas estão intimamente relacionadas, porque a nossa condição espiritual afeta o nosso comportamento, nossas escolhas, nossa moral. Como “sal da terra”, o cristão verdadeiro não se conforma com o padrão moral e espiritual da sociedade em que vive, militando assim contra o mal e a corrupção na sociedade. ► 1.5. “Pisado pelos homens”. Jesus disse que se o sal perder os seus atributos, “ para nada mais presta, senão para se lançar fora e ser pisado pelos homens” (Mt 5.13). Isso significa que aqueles cristãos que deixam de cumprir a sua responsabilidade de influenciar o mundo positivamente com suas vidas particulares e com a mensagem do Evangelho são espiritualmente “ insípidos” e por isso acabam sendo “destruídos pelos maus costumes e pelos baixos valores da sociedade ímpia” (Bíblia de Estudo Pente- costal, CPAD, p.1393). AUXÍLIO DIDÁTICO 1 “O sal não perde a sua salinidade se é cloreto de sódio puro. Isso nos leva à suges tão do que Jesus quis dizer quando disse aos discípulos que eles deixariam de ser dis cípulos se perdessem o caráter do sal. O sal não refinado do Mar Morto continha a mistu ra de outros minerais. Deste sal em estado natural o cloreto de sódio poderia sofrer lixi- viação em conseqüência da umidade, torna do-se imprestável. O ensino rabínico asso ciava a metáfora do sal à sabedoria. Esta era a intenção de Jesus, visto que a palavra gre ga traduzia por ‘nada mais presta’ tem ‘tolo’ ou ‘louco’ como seu significado radicular [na raiz da palavra]. É tolice ou loucura os discí pulos perderem o caráter, já que assim eles são imprestáveis para o Reino e a Igreja, e colhem o desprezo” (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Eds.). Comentá rio Bíblico Pentecostal Novo Testamento. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p.43). 2. “VÓS SOIS A LUZ DO MUNDO” ► 2.1. “Luz do mundo”. Assim como no caso da expressão “sal da terra”, a expressão “ luz do mundo” deixa claro que o cristão deve exercer a sua influência no mundo inteiro, em todas as áreas de sua atuação na sociedade. Discipulando Professor 4 | A luz do Evangelho, manifestada em sua vida, não deve ser transmitida apenas para os seus familiares, mas no trabalho, na escola, na universidade etc. Onde o cristão estiver, ali, ele deve ser luz! ► 2.2. Refletindo a luz de Cristo. O mesmo Jesus que chamou seus discípulos de “ luz do mundo” afirmou certa vez que Ele era a “ luz do mundo” (Jo 8.12). Isso significa que a luz que devemos refletir ao mundo é a luz que recebemos de Cristo pelo poder do seu Evangelho e da ação do Espírito Santo em nossas vidas. Da mesma forma que “a lua reflete a luz do sol no lado escurecido da terra, a igreja deve refletir os raios do ‘Sol da Justiça’ [Jesus] (Ml 4.2) em um mundo escurecido pelo pecado” (Comentário Bíblico Beacon, vol.6, CPAD, p.57). 2.3. Iluminando lugares em trevas. A luz tem o poder de iluminar e aquecer. Da mesma forma, a influência do cristão na sociedade deve ser como a ação da luz, dissipando as trevas da confusão, do pecado, da imoralidade e do erro, e aquecendo aqueles que estão se sentindo “ frios” neste mundo. ^ AUXÍLIO DIDÁTICO 2 “Jesus explicou aos seus discípulos a verdadeira natureza do seu chamado: eles seriam o sal de um mundo sombrio e a luz de um mundo escuro e pecador, mas fariam isso apenas por causa daquele que veio como a ‘luz do mundo’. Esse grupo de ho mens trouxe o sal que podemos saborear e a luz que podemos ver todos os dias. A nos sa tarefa é transmitir a outros o ‘sal’ e ‘ilu miná-los’ através da verdade do Evangelho. A pergunta de Jesus: ‘Se o sal for insípido, com que se há de salgar?’ não requer uma resposta, pois todos sabem que, uma vez que o sal se deteriora, já não pode mais ser usado para conservar os alimentos. Assim como o sal conserva e realça o melhor sabor dos alimentos, os crentes devem ser o ‘sal da terra’ e influenciar as pessoas positivamente. Jesus disse aos seus discípulos que se qui sessem fazer a diferença no mundo também teriam que ser diferentes do mundo. Deus iria considerá-los responsáveis por manter a sua ‘salinidade’ (isto é, a sua utilidade). Devemos ser diferentes se quisermos fazer a diferença” (Comentário do Novo Testamento Apli cação Pessoal, vol.1, CPAD, 2012, p.38). 3. INFLUENCIANDO A SOCIEDADE ► 3.1. Boas obras. Ao final dessa passa gem, Jesus explica que a luz do cristão são as suas boas obras (Mt 5.16). Por intermédio das boas obras, o cristão manifesta os valores do Reino de Deus ao mundo, influenciando muitas vidas para o Senhor. Jesus ressalta que os diretamente afetados por essas boas ações, em resposta, louvam “vosso Pai, que está nos céus”. Quando encarnamos os valores do Evangelho em nossas vidas, louvamos a Deus, e o mais importante, nós colocamos em prática e ratificamos aquilo que afirmamos com os nossos lábios. E também nossas ações acabam inspirando poderosamente outras pessoas que não conhecem a Deus, a buscá-lo e adorá-lo. Em meio às trevas espirituais deste mundo, quando um crente pratica as boas obras, seus atos são como um facho de luz em meio às densas trevas, sendo logo percebidos pelas pessoas. ► 3.2 - Não se deve esconder a luz, mas manifestá-la. Ao falar do cristão como luz, Jesus enfatizou que essa luz deve ser manifestada, nunca escondida. Ele com para o cristão verdadeiro a uma cidade edificada sobre um monte, ressaltando que não dá para esconder uma cidade assim (Mt 5.14). Em seguida, o Mestre lembra que não se pode acender uma candeia e coio- cá-la debaixo do alqueire, mas no velador, para dar luz “a todos que estão na casa” (Mt 5.15). Candeia era uma lâmpada pequena 14 | Discipulando Professor 4 | nos dias de Jesus, geralmente do tamanho da mão de um homem, feita de barro e seu fogo era alimentado por azeite. O velador, por sua vez, era o local onde a candeia era colocada, e que sempre era um local alto, para que a luz da candeia pudesse, a partir de cima, aspergir sua luminosidade sobre todo o cômodo onde se encontrava. O alqueire era uma referência amedidas de cereal ou a cubas de farinha dç trigo medidas por um cesto. Ora, uma lâmpada nunca poderia ficar escondida debaixo de um cesto. Para alcançar o seu objetivo de iluminar “a todos que estão na casa”, ela deveria ser sempre colocada no lugar mais alto e ideal: o vela dor. Assim é o cristão: sua luz não deve ser escondida, mas manifestada de tal forma que possa alcançar e atingir a todos à sua volta. A luz que o cristão recebe de Cristo deve resplandecer “diante dos homens” (Mt 5.16a). E eles a veem justamente por meio das nossas boas obras (Mt 5.16b). ^ AUXÍLIO DIDÁTICO 3 “Não era incomum os judeus conside rarem Deus o Pai da nação de Israel, mas Ele ser o Pai de indivíduos é uma caracte rística do ensino de Jesus e também está bem desenvolvido na literatura da Igreja. O termo ‘vosso Pai’ ocorre frequentemen te no Sermão da Montanha (Mt 5.45; 6.1,9; 7.11). O motivo para fazermos obras é que as pessoas glorifiquem o Pai celestial, não a nós. Aqueles que fazem o bem por motivos egoístas recebem o odioso título de ‘hipó critas’ (Mt 6.1-4)” (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Eds.). Comentário Bí blico Pentecostal Novo Testamento. 1.ed, Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p.44). CONCLUSÃO O cristão não deve ser influenciado pelo mundo (Romanos 12.2), ele deve influenciar o mundo. Resumidamente, ser “sal da terra” e “ luz do mundo” nada mais é do que isso. O cristão é chamado por Deus para fazer diferença na vida das pessoas à sua volta, em todos os lugares onde se encontra. O cristão deve ser exemplo na sua família, como pai, mãe, esposa, esposo, filho, filha, irmão e irmã; ele deve ser exemplo na vida secular, como estudante, como profissional, como cidadão; ele deve ser uma “amostra ambulante” do amor de Deus ao mundo, manifestando-o em favor dos outros; deve pregar os valores do Evangelho em contraste com os valores invertidos deste mundo; e deve também levar a mensagem transfor madora do Evangelho ao maior número de pessoas como demonstração desse amor. Deus espera isso de seus filhos. Ser filho de Deus é a maior bênção que alguém pode experimentar na vida, mas, como toda bênção, esta também exige responsabilidades, deveres que não podem ser de forma alguma ignorados pelo cristão. i í A luz que o cristão recebe de Cristo deve resplandecer “diante dos ho mens” (Mt 5.16a) j j | Discipulando Professor 4 | APROFUNDANDO-SE “Os resultados do perdão” 1. Reconciliação. Deus perdoa, existe uma transformação imediata e completa no relacionamento. Em vez de hostili dade, há amor e aceitação. Em vez de inimizade, Deus está sempre trabalhando, ‘reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados, e pôs em nós a palavra da reconciliação’ (2 Co 5.19)... Quando Deus nos perdoa e nos purifica de nosso pecado, Ele também o esquece: ‘Porque serei misericordioso para com suas iniquidades e de seus pecados e de suas prevaricações não me lembrarei mais’ (Hb 8.12. Veja também S1103.12; Is 38.12)... o resultado do perdão é que Deus retira as acusações contra nós. Ele não nos imporá juízo por causa de nossos pecados. Jesus disse à mulher flagrada em adultério: ‘nem eu também te condeno; vai-te e não peques mais’ (Jo 8.11; veja também Rm 8.1)” (Billy Graham Responde. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, pp.258-59). SUGESTÃO DE LEITURA ^ Perfeitamente Imperfeito O ser humano, por natureza tem muitas falhas e defeitos. Através dos exemplos bíbli cos do Antigo Testamento podemos perceber que Abraão, Moisés, Elias e tantos outros passaram por momentos de desespero e aflição, mas foram usados por Deus apesar de suas imperfeições. Deus capacita os in capacitados, fortalece os fracos, consola os oprimidos e refrigera os aflitos. VERIFIQUE O SEU APRENDIZADO 1 . Quais os dois símbolos do dia a dia usados por Jesus para ilustrar a influência do cristão no mundo? R. O sake a luz. 2 . O atributo do sal em dar sabor refere-se a que tipo de influência que o cristão exerce na sociedade? R. A influência pelo exemplo. 3 . E o atributo do sal em conservar aponta para que tipo de responsabilidade do cristão? R. A responsabilidade de combater o mal e a corrupção na sociedade. 4 . O que significa ser “ luz do mundo”? R. A luz tem o poder de iluminar e aquecer. Da mesma forma, a influência do cristão na socie dade deve ser como a ação da luz, dissipando as trevas da confusão, do pecado e da imoralidade. 5,. Qual a importância das boas obras na vida do crente? R. Através das boas obras, o cristão manifesta os valores do Reino de Deus ao mundo, influenciando muitas vidas para Deus. ► “Antes do advento das caixas de gelo e dos modernos refrigeradores, o sal era um dos principais meios de conservar os alimen tos. Quando peixes eram transportados no lombo de burros por cento e sessenta quilômetros de Cafarnaum até Jerusalém, eles tinham que ser abundantemente salga dos. Assim, o seguidor de Cristo deve agir como um conservante do mundo. Não se pode deixar de imaginar o que aconteceria com a sociedade moderna, com toda a sua podridão moral, se não fosse a presença da igreja cristã” (Comentário Bíblico Beacon. vol.6. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p.57). 16 | Discipulando Professor 4 | TEXTO BÍBLICO BASE Mateus 5.17-20 17 - Não cuideis que vim destruir a iei ou os pro fetas; não vim ab-rogar, mas cumprir. 18 - Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei sem que tudo seja cumprido. 19 - Qualquer, pois, que violar um destes menores mandamentos e assim ensinar aos homens será chamado o menor no Reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no Reino dos céus. 20 - Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos céus. MEDITAÇÃO Porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê. (Rm 10.4) REFLEXÃO BÍBLICA DIÁRIA ► SEGUNDA - Gálatas 4.4 ► TERÇA - Lucas 24.25-27,44 ► QUARTA - Hebreus 4.14-16 ► QUINTA-Mateus 15.1-9 ► SEXTA-Lucas 18.9-14 ► SÁBADO - 1 Coríntios 13.1-7 Discipulando Professor 4 ORIENTAÇÃO AO PROFESSOR INTERAGINDO COM O ALUNO O objetivo da lição de hoje é fazer com que seus alunos entendam a relação que o discípulo de Cristo deve ter com a lei de Deus e também levá-los a compreender que não basta observar os mandamentos divinos - é preciso praticá-los com as motivações corretas. Será importante lembrar aos seus alunos também as diferenças entre a Antiga e a Nova Aliança, entre o Antigo e o Novo Testamentos, deixando claro, porém, que os preceitos morais e as lições espirituais da Velha Aliança e dos homens de Deus que viveram sob ela são váli dos ainda hoje para o cristão, razão pela qual o Antigo Testamento é ainda muito importante para o cristão. O Novo Testamento não aboliu o Anti go, mas o completou, tornando desnecessários apenas os seus ritos externos. Ao falar sobre a verdadeira vida de piedade em contraste com a religiosidade meramente mecânica, aproveite para contextualizar o assun to, frisando que hoje em dia há muitos cristãos que, infelizmente, acabaram caindo nesse tipo de mecanicismo e orgulho religioso, e que de vemos ter muito cuidado para que isso nunca aconteça conosco também em nossa caminhada de vida espiritual. í v ® J l 0 B JE T IV 0 S Sua aula de hoje deve alcançar os seguintes alvos: ► Explicar como Cristo cumpriu toda a lei e os profetas, e que lugar o Antigo Testa mento tem na vida do crente hoje; ► Diferençar a religião meramente me cânica da justiça do Reino de Deus; ► Despertar seus alunos a viverem um cristianismo autêntico, que não consis ta apenas em mera aparência religiosa,mas numa religião do coração. PROPOSTA PEDAGÓGICA Uma boa sugestão para esta aula, a fim de despertar já de início a interação dos alunos com o conteúdo a ser ministrado, é começar sua exposição listando uma série de atitudes corretas que podemos e devemos tomar em determinadas situações da nossa vida e, em seguida, perguntar aos seus alunos se é possí vel alguém realizar todas essas coisas com uma motivação absolutamente errada dominando o seu coração. Leve-os a refletir um pouco sobre essa possibilidade e, já na seqüência, apresen te-lhes o texto da lição de hoje, ressaltando que ela fala inclusive, e essencialmente, sobre esse assunto. Por fim, ao encerrar a exposição da lição de hoje, certífique-se de que seus alunos estejam diferençando bem a falsa piedade da verdadeira piedade cristã à luz do ensino de Jesus no Sermão da Montanha, e incentive-os a viverem um cristianismo genuíno em todos os dias de suas vidas. 18 | Discipulando Professor 4 | COMENTÁRIO | INTRODUÇÃO Depois de tudo o que foi apresentado por Jesus no início do seu Sermão da Montanha, era natural que muitos dos seus ouvintes o vissem como um revolucionário religioso, como alguém que queria destruir “a lei e os profetas” - isto é, que queria romper com todo o Antigo Testamento. Entretanto, Jesus faz questão de deixar claro que seu posicionamento era exatamente o oposto do C|ue estavam supondo naquele momento. Na verdade, Ele não viera destruir a lei e os profetas, mas, sim, cumprir o que diziam a lei e os profetas: “Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim ab-rogar, mas cumprir” (Mt 5.17). Mas, o que significa “cumprir a lei e os profetas”? O que Jesus queria dizer com isso exatamente? E qual a relação entre a vida e o ensino de Jesus e o Antigo Testamento? 1. CRISTO CUMPRIU TODA A LEI ► 1.1.0 que significa “cumprir a lei e os profetas”? Ao afirmar que viera “cumprir a lei e os profetas”, Jesus estava asseverando que Ele viera para cumprir os mandamentos e as promessas do Antigo Testamento, isto é, “seus preceitos e profecias”, além de “seus símbolos e tipos” (Comentário Bíblico Beacon, volume 6, CPAD, p.58). Sobre símbolos e tipos, basta lembrar que muito do que vemos nos cerimo niais litúrgicos judaicos registrados no Antigo Testamento, na Lei de Moisés, e mesmo em alguns episódios vividos por homens de Deus do passado, registrados também no Antigo Testamento, simbolizavam claramente Jesus e seu sacrifício na cruz por nós para remissão de nossos pecados. A Epístola aos Hebreus, por exemplo, é dedicada quase que totalmente a demonstrar como a pessoa e a obra de Jesus (sua vida, ministério, morte e ressurreição) estavam sim bolizadas e tipificadas no Antigo Testamento (Exemplos: os capítulos 7 a 10 de Hebreus). Um detalhe importante aqui é que Jesus está reconhecendo nessa passagem que as Escri turas do Antigo Testamento são divinamente inspiradas, porque, inclusive, apontam para Ele. ► 1.2. Profecias cumpridas. No Antigo Testamento, encontramos várias promessas e profecias sobre o Messias; em o Novo Testa mento, vemos o Messias - Jesus - cumprindo cada uma delas (Lc 24.44). A título de amostra, vejamos alguns desses cumprimentos: u Na verdade, Ele não viera des truir a lei e os profetas, mas, sim, cumprir o que diziam a lei ou os profetas; n Discipulando Professor 4 | a) Ele nasceu de uma virgem (Mt 1.18ss), como profetizado (Is 7.14); b) Ele nasceu em Belém (Lc 2.4ss), como profetizado (Mq 5.2); c) Ele é Deus encarnado (Is 7.14; 9.6; Mt 1.18ss); d) Ele entrou em Jerusalém sobre um jumento (Zc 9.9; Mc 11.1-10); n) Foi crucificado juntamente com malfei tores (Mc 15.27,28) e intercedeu por eles (Lc 23.34), como profetizado (Is 53.12); o) Seus ossos não foram quebrados (Jo 19.33-36), como profetizado (SI 34.20); p) Seu lado foi traspassado (Jo 19.34), como profetizado (Zc 12.10); q) Foi sepultado no túmulo de um rico (Mt 27.57-60), como profetizado (Is 53.9). ► 1.3. Jesus cumpriu todos os ritos da Lei de Moisés. Tudo aquilo que a Lei de Moisés exigia, Jesus cumpriu (Mt 8.4; 26.19; Lc 4.16; Jo 7.10; Gl 4.4). Inclusive, Ele condenou os fariseus de seus dias porque criavam tradições para descumprir a lei (Mt 15.6). Jesus se submeteu até mesmo ao ritual do batismo em águas, criado e ministrado em sua época por João Batista (Mt 3.13-17). Ele cumpriu toda a Lei por nós, viveu sem pecado, mas, mesmo sem pecado, se fez pecado por nós, levando toda a nossa culpa sobre si no madeiro (Is 53.5), para hoje e) Ele foi traído por um amigo (Mt 26.47-50; Jo 13.21-30), como profetizado (SI 41.9); f) Ele foi vendido por 30 moedas de prata (Mt 26.15), como profetizado (Zc 11.12); g) O dinheiro da sua venda, depois de atirado fora (Mt 27.3-7), foi para o oleiro, como profetizado (Zc 11.13); h) Bateram e cuspiram nele em sua morte (Mt 26.67,68), como profetizado (Is 50.6); i) Ficou mudo diante de seus acusadores (Mt 27.13,14), como profetizado (Is 53.7); j) Mesmo inocente, Ele seria morto, para se entregar como sacrifício pelos nossos pecados (Is 53.1-12); I) Tiraram sorte de suas vestes (Jo 19.23,24), como profetizado (SI 22.18); m) Ele foi traspassado nas mãos e nos pés (Lc 23.33; Jo 20.25-27), como profetizado (SI 22.16); 20 | Discipulando Professor 4 | í í [Jesus] mesmo sem pecado, se fez pecado por nós, levan do toda a nossa culpa sobre si no madeiro... 55 oferecer perdão e salvação pelo seu sangue, e interceder de forma perfeita por nós (Hb 4.14-16). ► 1.4. Em Cristo, a Lei Mosaica cumpre o seu objetivo. A Bíblia afirma que “o fim da Lei é Cristo” (Rm 10.4). A Lei apontava para Jesus e Ele a cumpriu cabalmente por nós. O que isso significa? Significa que não estamos sujeitos mais àquelas cerimônias e àqueles rituais litúrgicos do Antigo Testamento, que eram apenas símbolos da vida, pessoa e obra de Jesus (Cl 2.16,17; Hb 9.7-10). O próprio Jesus considerou as leis dietéticas já cumpridas (Mc 7.19), o que foi corroborado pelos seus discípulos (At 10.10-16; Gl 2.11-14). Entretanto, os aspectos morais da Lei, os princípios morais subjacentes em suas ordenanças e implícitos em seus ritos, ainda são válidos para nós hoje em dia: honrar a Deus acima de todas as coisas; a prática do amor; a condenação da mentira; o amor à verdade; a fidelidade conjugal etc. O próprio Jesus reiterou muitos desses mandamentos do Antigo Testamento, e ainda aprofundou o seu significado em Mateus 5.21-48. Outro detalhe é que, como disse Jesus, muitas das profecias do Antigo Testamento ainda hão de se cumprir (Mt 5.18). Ou seja, o Antigo Testamento ainda é muito importante para nós hoje (Rm 15.4). ► 1.5. O maior e o menor no Reino de Deus. Jesus apresenta nessa passagem um teste de grandeza. Ele deixa claro que aqueles que violam os mandamentos - os preceitos morais da Lei - e ainda criam ensinos e tradi ções para justificar tal conduta (Mt 15.6) são insignificantes em obras e vida, em relação ao Reino de Deus (Mt 5.19). Note que Jesus fala de “menores mandamentos” - ou seja, no Reino de Deus, mesmo os mandamentos divinos considerados “menores” são importantes. Na seqüência, Jesus afirma que “grande no Reino de Deus” é quem não apenas cumpre os mandamentos divinos, mas quem também ensina-os - e vice-versa: e também quem não apenas ensina-os, mas vive-os. Entretanto, é importante entender aqui que Jesus não estava falando de mero legalismo. Ele deixa isso claro no versículo seguinte (Mt 5.20), onde, como veremos a seguir, enfatizou que alguém pode ser minucioso no cumprimento de cada mandamento divino e mesmo assim estar longe do Reino, quando sua obediência é meramente formal, mecânica e orgulhosa. ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 1 “ ‘Nãovim ab-rogar, mas cumprir’ (Mt 5.17). O verbo ‘ab-rogar’ significa ‘soltar’ , ‘desatar’, ‘desprender’ como se faz com uma casa ou tenda (2Co 5.1). ‘Cumprir’ significa [no original grego dessa passagem] ‘encher por completo’ ou ‘completar’. Foi o que Jesus fez com a lei cerimonial, que apontava para Ele. Ele também guardou a lei moral. Ele veio completar a lei, revelar a total profundidade do significado que estava ligado a quem a guardava. [...] ‘Aquele, porém, que os cum prir e ensinar...’ (Mt 5.19). Jesus põe a prática antes da pregação. O professor tem de viver a doutrina antes de ensiná-la aos outros. Os escribas e fariseus eram homens que ‘dizem e não praticam’ (Mt 23.3), que pregam e não fazem. Este é o teste de grandeza que Cristo faz” (ROBERTSON, A. T. Comentário Mateus & Marcos à Luz do Novo Testamento Grego. Rio de Janeiro: CPAD, 2011, p.70). 2. O PERIGO DE SE FAZER DA LETRA UMA RELIGIÃO MECÂNICA ► 2.1. Uma religião voltada só para o exterior. Ao contrastar a justiça dos escribas e fariseus com a justiça dos filhos do Reino, Jesus deixa claro que esta excede àquela (Mt 5.19,20). Mas, em que sentido? Em primeiro lugar, no sentido de que a justiça dos escribas e fariseus era preocupada apenas com o exterior (Mt 6.1-8,16-18). Seus corações continuavam sujos, porque procuravam apenas a aprovação e o elogio dos homens. Jesus afirma que devemos fazer o que é certo por temor e amor a Deus, e não para receber o aplauso dos homens. Discipulando Professor 4 | > 2.2. Uma religião voltada para o or gulho pessoal e o aplauso dos homens. Em segundo lugar, os escribas e fariseus confiavam que eram salvos apenas pelo que faziam exte riormente na religião, quando na verdade Deus olha, não apenas para nossos atos, mas para o nosso coração, para a intenção com a qual fazemos as coisas (1 Co 13.1-7). A Parábola do Fariseu e do Publicano, contada por Jesus, é bem didática quanto a isso (Lc 18.9-14). Não basta seguir à risca as normas e os manda mentos bíblicos, se os obedeçemos de forma mecânica e orgulhosa, para sermos louvados pelos homens ou achando que somos salvos e abençoados pelas nossas boas ações. Não somos salvos pelas nossas boas obras; estas são apenas o nosso dever e devem ser também o nosso prazer. Somos salvos pela graça de Deus, mediante a fé na obra de Cristo na cruz do Calvário por nós (Ef 2.8-10). ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 2 “Muitos ficam confusos com a afir mação de Jesus de que veio cumprir a Lei e os profetas. [Em primeiro lugar,] Cristo fala aqui como um judeu dedicado, como outros rabinos do século I, a uma única tarefa: ex plicar o verdadeiro significado das palavras de Deus e, assim, ‘cumpri-las’. Mas [não só isto:] Cristo imediatamente se distingue de outros mestres. Os fariseus eram zelosos em guardar tanto a lei escrita quanto a oral, mas, ao explicar o verdadeiro significado da Palavra de Deus, Cristo estava prest es a revelar uma justiça que ultrapassava qualquer justiça que os fariseus imaginas sem possuir guardando os mandamentos. Como cidadãos do Reino de Jesus, você e eu somos chamados para viver uma vida justa. Mas devemos evitar o engano dos far iseus. Não devemos confundir a verdadeira justiça com - ou supor que por - fazermos determinadas coisas e evitarmos outras al cançamos elevada espiritualidade. O que fazemos é importante, é verdade, mas Deus está mais interessado no que somos” (RICH- 22 | Discipulando Professor 4 | ARDS, Lawrence, Comentário Devocion- al da Bíblia. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p.557). 3. A JUSTIÇA DO REINO DE DEUS ► 3.1. Uma religião do coração. Devemos sobejar em boas obras, mas como conseqüência da nossa salvação (Tt 2.12-14), como dever natural de filhos de Deus (2 Pe 1.3-10), como expressão real de nossa fé em Cristo (Tg 2.14-17), como manifestação da graça divina em nossas vidas (2 Co 9.8) e como gratidão e louvor por aquilo que Cristo fez por nós (Cl 1.10-12; 1 Co 10.31). Jamais como base para a nossa salvação (Ef 2.8,9). ► 3.2. Mais do que observâncias. Em suma, como lembra o teólogo Donald Stamps, os escribas e fariseus “observavam muitas regras, oravam, cantavam, jejuavam, liam as Escrituras e freqüentavam os cultos nas sinagogas”; porém, eles “substituíam as atitudes interiores corretas pelas aparências externas”. Por isso, Jesus afirma em Mateus 5.20 que a justiça que Deus deseja de seus filhos transcende a justiça dos escribas e fariseus, vai muito além da justiça deles. Mais precisamente, Ele está dizendo que “o coração e o espírito, e não somente os atos externos, devem conformar-se com a vontade de Deus, na fé e no amor” (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, p.1394). Essa é a verdadeira vida de piedade para o cristão. ► AUXÍLIO TEOLÓGICO 3 ‘“ ...será chamado grande no Reino dos Céus’ (Mt 5.19). A posição do crente no Reino dos Céus dependerá da sua atitude aqui, para com a lei de Deus, e da sua prática e ensino. A medida da fidelidade a Deus aqui determi nará a medida da nossa grandeza no céu. [...] A justiça dos escribas e fariseus era exclusi vamente exterior. [...] Jesus declara aqui que a justiça que Deus requer do crente vai além disso. O coração e o espírito, e não somente os atos externos, devem conformar-se com a vontade de Deus, na fé e no amor” (STAMPS, Donald (Ed.), Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, pp. 1393-94). CONCLUSÃO Que possamos sempre avaliar não apenas as nossas ações, mas também as nossas inten ções. Pois, como aprendemos hoje, não basta fazer o que deve ser feito; é preciso também fazê-lo com as motivações certas: nunca com orgulho, nunca almejando os aplausos das pessoas, mas sempre pelo dever e pelo prazer de fazer o que é justo, e sempre apoiados na graça de Deus. APROFUNDANDO-SE “As leis do Antigo Testamento destinadas diretamente ã nação de Israel, tais como as leis sacrificiais, cerimoniais, sociais e cívicas, já não são obrigatórias (Hb 10.1 -4). O crente não deve considerar a lei como sistema de mandamentos legais através do qual se pode obter méritos para o perdão e asalvação(GI2.16,19). Pelo contrário, a lei deve ser vista como um código moral para aqueles que já estão num relacionamento salvífico com Deus e que, por meio de sua obediência à lei, expressam a vida de Cristo dentro de si mesmos (Rm 6.15-22). A fé em Cristo é o ponto de partida para o cumprimento da lei. Mediante a fé nEle, Deus torna-se nosso Pai (Jo 1.12). Por isso, a obediência que prestamos como crentes não provém somente do nosso relacionamento com Deus como legislador soberano, mas também do relacionamento de filhos para com o Pai (Gl 4.6)” (STAMPS, Donald (Ed.). Bíblia de Estudo Pentecos tal. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p.1393). VERIFIQUE SEU APRENDIZADO 1 . O que significa “cumprir a lei e os profetas”? R. Cumprir os mandamentos e as promes sas do Antigo Testamento, isto é, seus preceitos e profecias, além de seus símbolos e tipos. 2. O que é o aspecto moral da Lei? E ele é válido ainda hoje? R. São os princípios morais subjacentes nas ordenanças e implícitos nos ritos do Antigo Testamento. Eles ainda são válidos para nós hoje. 3. Quem é o “menor” em relação ao Reino de Deus? R. Aqueles que violam os mandamentos - os preceitos morais da Lei - e ainda criam ensinos e tradições para justificar tal conduta. 4. Quem é o “maior” no Reino de Deus? R. É quem cumpre e ensina os manda mentos divinos. 5. Em que a justiça do Reino de Deus se diferencia da justiça dos escribas e fariseus? R. A justiça dos escribas e fariseus era pre ocupada apenas com o exterior. Seus corações continuavam sujos porque procuravam apenas a aprovação e o elogio dos homens. “A expressão ‘Em verdade vos digo’, que aparece no começo dasdeclarações mais enfáticas de Jesus, é a palavra grega amen, que é a transliteração da palavra hebraica que Jesus falou, e que é linguagem cristã especializada, denotando afirmação sagrada. Jesus assevera que nem um jota, a menor letra, nem uma serifa - ou adorno de uma letra de nenhuma maneira passará até que tudo se cumpra” (STAMPS, Donald (Ed.). Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p.44). Discipulando Professor 4 TEXTO BÍBLICO BASE Mateus 5,21-26 21 - Ouvistes que foi dito aos antigos: Não mata- rás; mas qualquer que matar será réu de juízo. 22 - Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão será réu de juízo, e qualquer que chamar a seu irmão de raca será réu do Sinédrio; e qualquer que lhe chamar de louco será réu do fogo do inferno. 23 - Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, 24 - deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai re conciliar-te primeiro com teu irmão, e depois vem, e apresenta a tua oferta. 25 - Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao oficial, e te encerrem na prisão. 26 - Em verdade te digo que, de maneira ne nhuma, sairás dali, enquanto não pagares o último ceitil. MEDITAÇÃO Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem. (Rm 12.21) REFLEXÃO BÍBLICA DIÁRIA ► SEGUNDA - Romanos 12.17-21 ► TERÇA - Gálatas 5.19-22 ► QUARTA - Colossenses 3.8 ► QUINTA - Mateus 5.7,9 ► SEXTA-1 Coríntios 6.1-11; 13.4-7 ► SÁBADO - 1 João 2.9-11 24 Discipulando Professor 4 | ORIENTAÇÃO AO PROFESSOR INTERAGINDO COM O ALUNO A ira é uma das reações naturais do ser humano. O propósito da lição de hoje é cha mar a atenção de seus alunos para o fato de que, embora seja uma reação natural, a ira pode se tornar algo muito mal e imensamen te destrutivo, quando ela ultrapassa alguns limites estabelecidos por Jesus no Sermão da Montanha. Deixe claro a eles que quem encoleriza-se contra seu irmão sem motivo, humilhando-o, agindo com rancor, é tão pe cador diante de Deus quanto àquele que as sassina outra pessoa. Frise que Jesus deixa claro que a cólera é o primeiro passo para o homicídio e que quem se encoleriza sem mo tivo contra outra pessoa já é “homicida” em seu coração, mesmo que não chegue às vias de fato em relação ao seu desafeto. Essa lição traz mais uma oportunidade de explorar várias situações hipotéticas do dia a dia de seus alunos nas quais o ensino de Jesus se aplicaria diretamente. Explorar essas situações fará com que o ensino de Jesus, ministrado na lição de hoje, se torne ainda mais claro, vivo e pertinente para as suas vidas. Não perca essa oportunidade. Aproveite e boa âula! ► Chamar a atenção para o fato de que a ira pode se tornar algo destrutivo em nossas vidas; ► Estimular seus alunos a viverem, na prá tica, seu chamado como pacificadores e agentes da misericórdia no Reino de Deus. PROPOSTA PEDAGÓGICA OBJETIVOS Sua aula de hoje deverá atingir os seguintes objetivos: ► Deixar claro aos alunos o caráter não -antinomísta do Evangelho; A fim de clarificar o máximo possível aos seus alunos quando a ira torna-se perniciosa na vida do cristão, ao chegar ao ponto desta aula em que, seguindo o roteiro da revista, o tema da ira finalmente será tratado, escreva no qua dro as três reflexões que o cristão deve fazer para distinguir quando a sua ira é perniciosa ou não e que estão explicitadas no corpo da lição. Em seguida, cite situações hipotéticas de ma nifestação de ira e peça aos seus alunos para avaliarem cada uma dessas situações à luz desses três critérios apresentados. Deixe seus alunos se envolverem bastante com a análise de cada situação até que eles demonstrem es tarem bem familiarizados com os critérios bíbli cos avaliadores da ira. Discipulando Professor 4 COMENTÁRIO | INTRODUÇÃO Na lição passada, vimos como Jesus aler tou os seus discípulos para a necessidade de a justiça deles exceder a dos escribas e fariseus. Agora, nos versículos seguintes a esse alerta, mais especificamente os versículos 21 a 48 do capítulo 5 de Mateus, Jesus reforça sua orien tação citando exemplos concretos do dia a dia. Ele apresenta em seqüência seis exemplos de justiça mais elevada, todos eles antecedidos pela expressão “Ouvistes que foi dito” (Mt 5.21,27,31,33,38,43), seguida pela expressão “Eu, porém, vos digo” (Mt 5.22,28,32,34,39,44). Jesus menciona seis ordenanças da Lei de Moisés e as aprofunda, demonstrando que a justiça do Reino de Deus é algo que vai muito além do que a letra da lei mosaica. Na lição de hoje, veremos especificamente o primeiro exemplo citado por Jesus, que envolve a questão da cólera e do homicídio. 1. O EVANGELHO NÃO É ANTINOMIANISTA ► 1.1. “Ouvistes que foi dito... Eu, porém, vos digo...”. Como vimos na lição passada, diferentemente do que os ouvintes de Jesus pensaram dele quando começaram a ouvir o seu Sermão da Montanha, Ele não viera destruir a lei ou ab-rogá-la, mas completá-la, aprofun dá-la, levar a compreensão dos mandamentos a outro nível. Em nenhum momento, ao citar esses seis exemplos concretos de justiça mais elevada, Jesus anula as ordenanças morais da lei, mas, ao contrário, aumenta as exigências relacionadas a essas ordenanças - ou melhor, aprofunda essas exigências, pois as leva direto ao coração da pessoa, como em seguida. A expressão “Eu, porém, vos digo” nunca traz na seqüência uma proibição que anula a exigência explícita da ordenança apresentada antes no “Ouvistes o que foi dito”. O “ Não matarás” não é seguido por um “Podem matar agora”, mas, sim, por um “Não apenas isso...”. Ou seja, Jesus não destrói a lei; Ele acrescenta a ela algo que a expande, que a torna mais profunda. Em outras palavras, Jesus nunca foi um antinomianista. ► 1.2. O que é o antinomianismo? Anti- nomianismo é um termo cunhado pela primeira vez no século 16 pelo reformador protestante Martinho Lutero para designar uma prática antiga entre algumas pessoas no meio cristão: a negação da importância dos mandamentos divinos para a vida do cristão. Em outras pa lavras, antinomianismo é o extremo oposto do legalismo. Ele é o que o apóstolo Judas denominou, na Epístola que leva o seu nome, de “transformar em libertinagem a graça de Deus” (Jd v.4 - ARA). O antinomianismo foi combatido por Jesus (Mt 7.15-27; Jo 14.15; 15.10,14) e pelos apóstolos - além de Judas, já mencionado, vemos também Paulo (Rm 3.31; Rm 6; Cl 3), Pedro (2 Pe 2), Tiago (Tg 2.14-26) e João, em sua Primeira Epístola, combatendo esse ensino errado. Aliás, João assevera explicitamente que escreveu sua primeira Epístola para combater a influência de duas heresias gnósticas de seu tempo, a saber: a negação da divindade de Cristo e a prática do antinomianismo (1 Jo 5.13). ► 1.3. Antinomianismo hoje. Infelizmente, a influência da mentalidade pós-moderna tem levado alguns ditos cristãos a confundirem obediência aos mandamentos divinos com legalismo e graça com ausência de normas de conduta. Trata-se de uma torção absurda de significados. Legalismo “é, de forma geral e à luz da Bíblia, a ideia de justificação pelas obras, a fixação imprópria de regras de conduta como necessidades para Salvação e a negligência ou ignorância em relação à graça de Deus” (DANIEL, Silas, A Sedução das Novas Teologias, CPAD, p. 54). Porém, para alguns cristãos pós-modernos, legalismo não é isso. Legalismo, imaginam, é qualquer tipo de exortação concernente à conduta moral. Por isso, para essas pessoas, “é proibido proibir”. Porém, o Novo Testamento está repleto de passagensque condenam contundentemente uma série de comportamentos (Mt 5.28-29; 1 Jo 2.15-17; 2 Tm 2.22; Tt 2.12; Tg 1.14; 1 Pe2.11). 26 | Discipulando Professor 4 | Tais costumam generalizar dizendo que “tudo depende da consciência da pessoa”, entretanto, a Bíblia demonstra que nem tudo é questão de consciência (Gl 5.19-25). Os frutos dessa mentalidade equivoca da é um cristianismo meramente nominal. São pessoas que se declaram seguidoras de Jesus, mas cujo comportamento se choca frontalmente com os mandamentos divinos e não acham isso absolutamente nada de mais. Dizem que são de Deus, mas não estão interessadas em nenhum compromisso com seus mandamentos. Sua visão de Deus se dá apenas em termos utilitaristas ou na forma de uma “muleta” psicológica. No primeiro caso, o do Deus “utilitarista”, é quando se busca de Deus somente bênçãos materiais e físicas (a bênção de Deus acima do Deus da bênção), fazendo dEle o meio para um fim e não um fim em si mesmo; e no segundo caso, o do Deus como “muleta” psicológica, é quando tratam Deus apenas como um ser preocupado em estimular o ego de seus filhos, como um ser que está disposto a ser usado diariamente, por meio de palavras e gestos, apenas para inflar a autoestima dos seus simpatizantes sem se “ intrometer” na forma como desejam conduzir as suas vidas. Enfim, acham que o Evangelho é sinônimo de autoajuda, nada mais. Não nos iludamos: para ser verdadeira mente cristão, seguidor de Cristo, o Filho de Deus, não basta a pessoa ter apenas uma confissão de fé em Jesus. Mesmo que a pes soa tenha uma confissão de fé integralmente ortodoxa, isso não basta para ser considerada uma cristã verdadeira. Conforme o apóstolo João, as evidências da verdadeira fé cristã são crer em Jesus como Filho de Deus (isto é, na deidade de Jesus; e crer nEle como o Cristo, o Messias Prometido - 1 Jo 5.1,5-12,20 pois aquele que não aceita Jesus como Filho de Deus não tem a vida - 1 João 5.12); viver segundo os mandamentos divinos (1 Jo 2.3-6); amar seu irmão e praticar esse amor (1 Jo 2.9; 3.10; 5.1); não viver na prática do pecado, mas buscar sempre viver uma vida de santidade (1 Jo 3.2,3; 5.18); e não amar o mundo nem o seu estilo de vida (1 Jo 2.15-17). ► 1.4. A Lei e a Graça - A graça de Deus não nos libera da obrigação de obedecer às leis morais do Criador. A graça não é uma licença para a desobediência, mas a porta que Deus nos abre para a possibilidade de vivermos uma vida santa diante dEle. A Nova Aliança inclui mandamentos, determinações, ou seja, a lei moral. Jesus, e não Moisés, disse: “Se me amardes, obedecereis os meus mandamentos” (Jo 14.15). E mais: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele” (Jo 14.21). Em seu Sermão da Montanha, Jesus adverte-nos diretamente contra a ideia de que Ele estaria defendendo o antínomianismo. Cristo, como já vimos, fez questão de esclare cer que não negligenciava nem tinha o intento de destruir a Lei posteriormente ao cumpri-la toda (Mt 5.17-19). O que, então, foi abolido da Lei por meio de Cristo? Quando Jesus cumpriu a Lei, foram abo lidas as leis cerimoniais, que apontavam para o sacrifício de Cristo, e as leis regimentares. A lei moral, ou seja, o aspecto moral da Lei, permanece no Novo Testamento. >1.5. A “maldição da lei”. A “maldição da Lei”, de que fala o apóstolo Paulo em Gálatas 3.13, diz respeito às sanções punitivas a que estamos sujeitos por não podermos cumprir toda a Lei. Ao cumprir as exigências da Lei para nós, Cristo removeu a maldição da Lei para longe de nós, e não a Lei, isto é, os mandamentos morais de Deus para as nossas vidas. A graça de Deus não é chancela para a anarquia. Os mandamentos de Deus devem ser vividos, mas não mais como um peso. Não somos salvos por obedecer aos mandamentos divinos, mas somos salvos para vivermos segundo os mandamentos divinos. Não somos salvos para viver licenciosamente, mas para viver uma nova vida em Cristo. | Discipulando Professor 4 | ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 1 “[O vocábulo grego] mõros denota pri mariamente ‘lerdo’, ‘lento’ (derivado de uma raiz muh, ‘ser tolo’); por conseguinte, ‘estúpi do’, ‘tolo’, ‘louco’, ‘insensato’; é usado acerca de pessoas em Mateus 5.22 - ‘louco’. Aqui a palavra significa moralmente desprezível, um sem-vergonha, uma repreensão mais séria do que ‘raca’; o último menospreza a mente do homem e o chama de estúpido, louco; mõros menospreza seu coração e caráter; daí a con denação mais severa do Senhor” (Dicionário Vine. Rio de Janeiro: CPAD, 2011, pp.759,60). 2. CÓLERA: O PASSO PARA O HOMICÍDIO ► 2.1. “Não matarás”. O sexto manda mento do Decálogo, os Dez Mandamentos (Êx 20.13), mencionado nessa passagem por Jesus, significa “Não assassinarás”. Esse é o sentido do vocábulo hebraico traduzido por “Não matarás” no Antigo Testamento e reproduzido por Jesus a seus discípulos. Trata-se de matar intencionalmente. Jesus repete o mandamento, no entanto, em seguida, aprofunda mais ainda o seu significado para os seus discípulos. Ele afirma que qualquer pessoa que, sem motivo, está encolerizada contra o seu irmão já tem o homicídio estabelecido em seu coração. Mes mo que não venha a cometê-lo externamente, já o cometeu no coração, sendo, por isso, já réu do juízo divino (Mt 5.22). E mais: com essa afirmação, Jesus está ressaltando também o fato de que a cólera é o passo para o homicí dio, de maneira que evitar a cólera nos levará a evitar o cometimento do homicídio. ► 2.2. “Sem motivo”. Jesus não é contra o irar-se diante de uma injustiça cometida. Ele não condena a “ indignação santa”. O que Jesus está combatendo é a ira sem motivo ou sem moderação. O termo traduzido aqui por “sem motivo” é a palavra grega e/te, que significa, literalmente, “sem causa”, “sem nenhum bom efeito” e “sem moderação”. Eis aqui, portanto, no próprio sentido desse vocábulo, três critérios 28 | Discipulando Professor 4 | para avaliarmos se a nossa ira é lícita ou não. Em primeiro lugar, devemos nos perguntar: ela é baseada em uma causa coerente? Em segundo lugar, ela terá um bom efeito? Em terceiro lugar, ela se manifesta com moderação ou é uma ira desgovernada? ► 2.3. “Raca” e “louco”. As expressões “raca” e “ louco”, que aparecem no versículo 22, estavam entre as mais odiosas expressões usadas nos dias de Jesus para se referir a alguém, sendo que a segunda expressão - “louco” - era considerada pior ainda, conforme o contexto religioso judaico daquela época. “Raca” era um insulto de zombaria e desdém, cujo significado era “ indigno”. Tal insulto, dependendo do caso, era passível de julgamento pelo Sinédrio nos dias de Jesus. Já a expressão mõros, tradu zida como “ louco” nessa passagem, dentro do contexto religioso judaico da época, era mais do que uma zombaria. Enquanto “raca” significava uma pessoa indigna de ser hon rada, “louco” era uma pessoa indigna de ser amada, uma pessoa profana, o “réprobo”, um “filho do inferno”. Em outras palavras, o que Jesus está dizendo é que quem chamasse o seu irmão de “raca” podia ser apenas réu do Sinédrio, mas quem chamasse seu irmão, em um momento de ira, e sem motivo, de “ louco”, a não ser que se arrependesse diante de Deus e se retratasse diante de seu irmão, seria réu do juízo divino. Essa pessoa estaria cometendo assassinato pela língua. ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 2 “A palavra grega para ‘reconciliar-se’ (v.24 - diallasso) no Novo Testamento só é encontrada nesta passagem. Paulo usa kata- lasso e o composto duplo apokatallaso para a reconciliação unilateral que o homem deve ter com Deus. Isto é, o homem deve cessar a sua inimizade contra Deus e reconciliar-se através deCristo. Mas diallasso denota ‘con cessão mútua depois de hostilidade mútua’. O significado disso é claro. Quando alguém se reconcilia com Deus, tem que atender às condições divinas, porque o erro está de um único lado. Mas, quando alguém se reconcil ia com seu irmão, ambos têm que fazer con cessões, porque em toda discussão humana há dois lados. O que Jesus quer dizer, porém, é que a adoração de uma pessoa na casa de Deus não é aceita enquanto houver qualquer sentimento ruim entre o que seria o adorador e um ‘irmão’. O relacionamento com Deus não poderá estar correto enquanto o relaciona mento com um companheiro estiver errado” (Comentário Bíblico Beacon. Vol.6. Rio de Ja neiro: CPAD, 2006, p.59). 3. A “OFERTA NO ALTAR” E OS PROCESSOS LEGAIS ►3.1. Reconciliação antes da adoração. Jesus afirma que se um judeu trouxesse uma oferta para o Templo para ser apresentada no altar das ofertas e recordasse que um irmão tinha algo contra ele, deveria primeiro ir até seu irmão reconciliar-se com ele para só depois apresentar a sua oferta diante do altar (Mt 5.23,24). Essa oferta no altar era uma oferta de adoração a Deus. Logo, Jesus está dizendo que a adoração não será aceita por Deus se há algum irmão que se sente ofendido pelo adorador, que está magoado com o adorador por algo que ele fez ou disse lá atrás, porque o problema entre eles ainda não foi resolvido. Ou seja, não há relacionamento com Deus se não há bom relacionamento com meus irmãos. ► 3.2. O cristão e os processos legais. Nos versículos 25 e 26, Jesus se refere a outro caso. O contexto aqui já não é adoração, mas as disputas nos tribunais. Ele declara que seus discípulos devem resolver suas eventuais desa venças entre si para que não aconteça de um deles levar a questão às barras dos tribunais, o que fará com que inevitavelmente um dos dois vá para a prisão, onde pagará até o último centavo pelo que fez. Antes de enfrentar qualquer disputa judicial, o cristão deve buscar a conciliação, e deve fazê-lo o mais depressa possível. O apóstolo Paulo advertiria décadas depois os cristãos em Corinto sobre o mesmo (1 Co 6.1-11). ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 3 “Se a ofensa que causamos ao nosso ir mão, ao seu corpo, aos seus bens ou à sua re putação for tal que exija alguma ação na qual ele possa recuperar danos consideráveis, é sá bio de nossa parte, e é a nossa obrigação para com a nossa família, evitar isso por meio de uma submissão humilde e uma satisfação justa e pa cifica, para que, de outra maneira, ele não recu pere os danos pela lei e não nos coloque uma prisão. Em um caso como este, é melhor entrar em acordo, nas melhores condições que puder mos, do que suportarmos alguma punição; pois é inútil disputar com a lei, e existe o perigo de sermos esmagados por ela. Muitos arruinam as suas propriedades e os seus bens persistindo obstinadamente nas ofensas que fizeram, que poderiam ter sido resolvidas de modo pacifico, se cedessem em algo, rapidamente, no início do problema. O conselho de Salomão no caso de responsabilidade é: ‘Vai, humilha-te... e livra-te” (Pv 6.1-5)” (HENRY, Matthew. Comentário Bí blico do Novo Testamento: Mateus a João. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, pp.53,54). CONCLUSÃO Como podemos ver, por trás do pecado de homicídio há uma série de atitudes de coração que nem sempre se materializam em um homicídio, mas que se manifestam também de outras formas no nosso dia a dia e, muitas vezes, as pessoas nem se dão conta disso. Essas atitudes se manifestam na ira desgovernada, no rancor, na ofensa, nas disputas intensas, na falta de perdão, em um espírito vingativo, nas brigas desnecessárias nos tribunais, quando tudo poderia ter sido resolvido antes entre irmãos. Devemos ser pacificadores e misericordiosos (Mt 5.7,9). Que Deus nos ajude a vivermos em profundidade e plenitude a vontade de Deus para as nossas vidas. APROFUNDANDO-SE “Adorar a Deus é importante? Sim! Mas Jesus enfatizou a importância do coração | Discipulando Professor 4 | puro, dizendo que se nos lembrarmos de que alguém tem alguma coisa contra nós, devemos fazer as correções necessárias, ainda que isso signifique um adiamento da adoração. Mas o que é mais importante é a frase ‘Se... teu irmão tem alguma coisa contra ti’. Não somente somos responsáveis pela nossa própria ira, mas pela do nosso irmão! Se tivermos feito alguma coisa que aborreceu alguma pessoa, devemos re solver essa-questão imediatamente, para preservar nosso irmão de uma ira que é inapropriada no Reino de Deus. Isso talvez pareça difícil demais! Já parece difícil cui dar do nosso próprio relacionamento com Deus. E a verdade é que é realmente difícil demais. Mas é o que o nosso Rei espera. Se obedecermos, Ele fará em nós e em nossos relacionamentos o que jamais poderíamos fazer sozinhos” (RICHARDS, Lawrence. Comentário Devocional da Bíblia. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p.557). SUGESTÃO DE LEITURA ► Falando Honestamente Este é um livro franco, que fala sobre como se tornar espiritualmente saudável, identifi cando e combatendo doenças da alma que ameaçam enfraquecer a sua fé. A obra inclui a experiência do autor de lutar para encontrar a sua própria crença. É como um bate-papo com café entre dois amigos bem intencionados, mas conflitantes, onde Moore quer conversar com você como um amigo — francamente, carinhosamente e, às vezes, estridentemente. Falando Honestamente fará com que a sua alma se sinta viva, onde você e o mundo se tornarão melhores por isso. VERIFIQUE O SEU APRENDIZADO 1 . O que é antinomianismo? R. É a negação da importância dos mandamentos divinos para a vida do cristão. 2 . O que é de fato legalismo? R. É a ideia de justificação pelas obras, a fixação imprópria de regras de conduta como necessidades para salvação e a negligência ou ignorância em relação à graça de Deus. 3 . Quais as três características de uma ira pecaminosa? R. Ela não é baseada em uma causa coerente, não tem um bom efeito e é des governada. 4 . Qual a diferença, dentro do contexto judai co da época de Jesus, entre os insultos “raca” e “ louco”? R. Enquanto “ raca” significava uma pes soa indigna de ser honrada, “ louco” era uma pessoa indigna de ser amada, uma pessoa profana, o “réprobo”, um “filho do inferno”. 5 . 0 cristão deve buscar os tribunais sempre que tiver desavenças com seus irmãos? R. Não, o cristão deve evitar qualquer disputa judicial com seus irmãos; ele deve buscar a conciliação, e deve fazê-lo o mais depressa possível. . m TsVÜ ► “O ‘ceitil’ (Mt 5.26) - que hoje diríamos ser o “último centavo” - era, na verdade, dentro do sistema monetário do Império Romano da época de Jesus, o ‘quadrante’, que era “a menor moeda de cobre romano, valendo cerca de um quarto de um centavo” (Co mentário Bíblico Beacon. Vol.6. Rio de Janeiro: CPAD, p,60). 30 | Discipulando Professor 4 | a Fidelidade no Casamento TEXTO BÍBLICO BASE Mateus 5.27-32 27 - Ouvistes que foi dito aos antigos: Não come- terás adultério. 28 - Eu porém, vos digo que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar já em seu coração cometeu adultério com ela. 29 - Portanto, se o teu olho direito te escandalizar, arranca-o e atira-o para longe de ti, pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que todo o teu corpo seja lançado no inferno. 30 - E, se a tua mão direita te escandalizar, corta-a e atira-a para longe de ti, porque te é melhor que um dos teus membros se perca do que todo o teu corpo seja lançado no inferno. 31 - Também foi dito: Qualquer que deixar sua mulher, que lhe dê carta de desquite. 32 - Eu, porém, vos digo que qualquer que repudiar sua mulher, a não ser por causa de prostituição, faz que ela cometa adultério; e qualquerque casar com a repudiada comete adultério. MEDITAÇÃO Venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula; porém, aos que se dão à prostituição e aos adúlteros Deus os julgará. (Hb 13.4) REFLEXÃO BÍBLICA DIÁRIA ► SEGUNDA-Gênesis 2.18-25 ► TERÇA - Malaquias 2.13-17 ► QUARTA -1 Tessalonicenses 4.3-8 '► QUINTA - Provérbios 6.20-35 ► SEXTA -J ó 31.1 ► SÁBADO - Provérbios 5.15-20 | Discipulando Professor 4 | ORIENTAÇÃO AO PROFESSOR INTERAGINDO COM O ALUNO O propósito desta lição é esclarecer qual deve ser a conduta do cristão em relação ao casamento. É uma oportunidade de esclarecer aos seus alunos as diferenças entre os valores do Reino de Deus em relação ao casamento, de um lado, e os modismos relativistas do mundo, do outro. O primeiro venera o matrimônio e o leito sem mácula; o segundo, banaliza o sexo e os relacionamentos. Alerte também sobre o perigo da luxúria, que é destrutiva e um passo para a infidelidade conjugal. Destaque a se riedade desse assunto. Para enriquecer mais esta aula, despertando ainda mais o interesse e a participação dos seus alunos, fale sobre os deveres dos cônjuges um para com o outro e a necessidade que cada um deles tem de lutar pelo seu relacionamento. Finalmente, ressalte aos seus alunos que a bússola da nossa conduta não é os modismos do momento, divulgados pelos formadores de opinião seculares, mas a Bíblia Sagrada, a nossa única regra de fé e prática. Como filhos do Reino, devemos ser diferentes, remando contra a correnteza de imoralidade deste mundo. atingir os seguintes alvos: ► Conscientizar seus alunos de que não apenas o adultério é pecado, mas tam bém a luxúria; 32 | Discipulando Professor 4 | ► Apontar que o pecado não vem de fora para dentro, mas de dentro para fora; ► Enfatizar a indissolubilidade do casa mento como instituição divina. PROPOSTA PEDAGÓGICA Uma sugestão para introduzir o tema da lição de hoje aos seus alunos é começar lembrando que estamos em uma sociedade que vive sob uma opressiva divulgação da sensualidade, exibindo de forma grosseira a sensualidade em todos os programas, revistas, meios de comunicação em geral, nas ruas etc. Em seguida, ressalte como muitas famílias se encontram hoje destruídas ou desajustadas por causa do pecado da luxúria, da pornografia, da infidelidade, da prostituição, da fornicação, do vício sexual etc. Em seguida, apresente o texto da lição destacando que esse assunto também foi alvo da preocupação de Jesus. Mostre, en tão, o plano de Deus para a família, a partir do casamento, que é uma instituição divina criada com o propósito de ser indissolúvel. COMENTÁRIO | INTRODUÇÃO Estudaremos hoje o segundo caso con creto de justiça mais elevada dos seis que Jesus menciona em seqüência até o final do capítulo 5 de Mateus. Neste segundo caso, está em foco o sétimo mandamento do Decálogo: “Não cometerás adultério” (Êx 20.14; Dt 5,18). Mais uma vez, Jesus chama a atenção para o coração. Ele afirma que tão errado quanto à ação pecaminosa é a intenção pecaminosa, e que Deus olha tanto a ação quanto a intenção. No caso específico do adultério, não basta não cometê-lo: é preciso também não dar lugar à luxúria no coração, pois aquele que permite que a luxúria domine a sua alma, mesmo que não chegue a cometer adultério fisicamente, no seu coração já o cometeu (Mt 5.28). Isso significa também que a melhor forma de evitar a violação do sétimo mandamento é não dar lugar à luxúria em seu coração. 1. JESUS CONDENA A LUXÚRIA ► 1.1. Luxúria é algo sério. Na sociedade de hoje, a luxúria, infelizmente, já é vista como algo normal, quando na verdade, ela trata-se de algo pernicioso para a vida das pessoas, como o próprio Jesus asseverou em seu Sermão da Montanha. Para Jesus, a luxúria era algo sério. O termo traduzido como “cobiçar”, no versículo 28 de Mateus 5, no original grego, é epithumia, que significa “desejo intenso por algo ilícito”; enfim, luxúria, é lascívia. Como explica o te ólogo Donald Stamps, “não é o pensamento repentino que Satanás pode colocar na mente de uma pessoa, nem um desejo impróprio que surge de repente; trata-se, pelo contrário, de um pensamento ou desejo errado, aprovado pela nossa vontade; é um desejo imoral que a pessoa procurará realizar caso surja a opor tunidade; é o desejo íntimo de prazer sexual ilícito, imaginado e não resistido” (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, p.1394). É isso que Jesus está condenando explicitamente nessa passagem e que é a porta para a infidelidade conjugal. ► 1.2. “Arranca-o e atira-o para longe de ti”. A luxúria é algo tão sério, e ao mesmo tempo tão fácil de crescer no coração quando a pessoa lhe dá lugar, que Jesus usa uma forte figura de linguagem para enfatizar aos seus discípulos a necessidade de repeli-la radicalmente de suas vidas desde sua primeira manifestação. Ela é um mal que deve ser cortado radicalmente, isto é, pela raiz, porque a luxúria, uma vez alimentada, só cresce. A figura que Jesus usa para descrever a atitude que devemos tomar diante da luxúria é a de alguém que arranca o seu próprio olho ou a sua própria mão para que não se corrompa í t [...] tão errado quanto à ação pecaminosa é a intenção pecaminosa [...]. | Discipulando Professor 4 (Mt 5.29,30). A ideia aqui, obviamente, não é de arrancar os olhos e as mãos literalmente, mas, sim, a ideia de que “se olhar é um problema para você, evite fazê-lo”. Ou ainda, parafraseando e contextualizando essas palavras de Jesus para os dias de hoje, significa: “Você conhece suas fragilidades e sabe que não pode ficar brincando com determinadas coisas, porque elas poderão despertar em você desejos impuros, então não dê ocasião para elas, mas corte radicalmente todo tipo de situação que possa despertar a luxúria em seu coração. Talvez, o que provoca isso em você não é ao mesmo tempo tão provocativo para outra pessoa, mas o que importa é que você identifique o que o atrapalha nessa área e corte radicalmente de sua vida tudo aquilo que é fonte de alimentação da luxúria para você: deter minados filmes, revistas, programas, sites etc.” ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 1 O vocábulo grego traduzido por “es candalizar” em Mateus 5.29,30 é skandalizo e pode ser traduzido também como “fazer tropeçar” ou “fazer pecar” . O termo vem do substantivo skandalon (“escândalo”) que era usado originalmente para descrever “a isca de uma armadilha ou laço” e também, poste riormente, “o próprio laço ou armadilha” (Co mentário Bíblico Beacon, volume 6, CPAD, p. 60). Como afirma A. T. Robertson, “a noção 34 | Discipulando Professor 4 | [nessa passagem de Mateus] não é de escan dalizar, mas de armar uma armadilha. O subs tantivo skandalon [...] significa o pau na arma dilha que salta e fecha-a, quando o animal o toca”; ou seja, Jesus está falando de arrancar o “olho” e cortar a “mão” quando “se tratam de uma armadilha”. “Não devemos conside rar essas imagens mentais literalmente, mas como apelos vigorosos e veementes ao do mínio próprio. Jesus não está ordenando a mutilação do corpo, mas o controle do corpo contra o pecado. Quem brinca com fogo se queima. A cirurgia moderna ilustra primoro samente o ensino de Jesus. Se as amídalas, dentes ou apêndice estiverem infectados e não forem retirados, o corpo acabará pere cendo. Corte-os a tempo e a vida será salva. O que Jesus tem em mente é a cirurgia espi ritual” (ROBERTSON, A. T. Comentário Ma teus & Marcos à Luz do Novo Testamento Grego. Rio de Janeiro: CPAD, 2011, p.73). 2. A INTENÇÃO DO CORAÇÃO TRANSPARECERÁ NOS MEMBROS DO CORPO ► 2.1.0 pecado nasce no coração. Durante o seu ministério, e não apenas no Sermão da Montanha, Jesus enfatizou que o pecado nasce no coração do homem. Umdos momentos em que o fez, está registrado no Evangelho de Marcos, onde Ele afirma: “Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem” (Mc 7.21-23). É por isso que Salomão escreveu: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as saídas da vida” (Pv 4.23). Tiago, o irmão do Senhor, é claro quanto à origem das tentações. Ele declara que elas não provêm de Deus (Tg 1.13) e também não faz nenhuma referência a elas procederem diretamente do Diabo ou do mundo. O após tolo assevera, conforme aprendeu com Jesus, que a tentação tem a sua origem, na verdade, no próprio ser o humano, em sua natureza pecaminosa (Tg 1.14,15). Ou seja, o mundo e o Diabo são apenas agentes indutores externos da tentação. ► 2.2. A natureza pecaminosa. O proble ma do pecado está no fato de que os homens são pecadores por natureza. É verdade que a tentação envolve induções externas, porém o pecado sempre é uma escolha da pessoa que o comete. Em alguns momentos, o desejo de fazer o que é errado pode estar já presente de forma natural e em outras vezes, pode ser estimulado externamente, mas em qualquer dos casos o indivíduo sempre é o responsável. O pecado nunca vem de fora para dentro; ele está dentro de nós, é resultado de nossa natureza (Mc 7.15). O que vem de fora são apenas estí mulos para que o pecado se manifeste dentro de nós. Logo, as tentações, na verdade, não exercem alguma força sobre a pessoa para fazê-la cair, mas apenas revelam a natureza interior da pessoa e a fragilidade de sua vida espiritual naquele momento. Basta lembrar que se não houvesse natureza pecaminosa, nenhuma tentação seria de fato tentação. O que torna a tentação de fato “uma tentação" é o fato de que temos uma natureza pecami nosa. Como bem explica Tiago, “cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência” (Tg 1.14). Finalmente, é importante frisar ainda que ser tentado não é pecado; pecado é ceder à tentação. ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 2 “Quando um homem se compromete a ‘amar a sua esposa assim como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela’ (Ef 5.25), ele será sempre fiel. Há uma coisa com que a Igre ja pode contar: a fidelidade do Noivo. Nisto a esposa cujo marido a ama como Cristo amou a Igreja também pode confiar. Jeremy Taylor, o grande pregador do século 17, em seu ser mão The Marriage Ringo or the Misteriousness of Marriage (‘A Aliança do Casamento ou os Mistérios do Casamento’), faz esta cobrança relativa à fidelidade: ‘Acima de tudo [...] deixe o noivo preservar, com relação a ela, uma fé inviolável e uma castidade sem mácula, porque esta é uma aliança de casamento que amar ra dois corações por um laço eterno; é como a espada flamejante do querubim firmada na guarda do paraíso. [...] Castidade é a seguran ça do amor e preserva todo o mistério como os segredos de um templo. Sob essa tranca está depositada a segurança de famílias, a união de afeições, a reparação de brechas aciden tais’. Nossas esposas devem ser capazes de descansar em nossa fidelidade, tê-la como um fato. Tudo a nosso respeito - nossos olhos, lin guagem, compromissos e paixão - deve dizer a ela: ‘Sou e serei sempre fiel a você” ’ (HUGHES, R. Kent. Disciplinas do Homem Cristão. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, pp.43,44). 3. A INDISSOLUBILIDADE DO CASAMENTO ► 3.1. O divórcio. Jesus aproveita o tema do adultério para falar sobre a indissolubilida- de do casamento. Ele lembra, nos versículos 31 e 32 do texto bíblico base desta lição, que a lei permitia o divórcio (Dt 24.1-3), mas que, na verdade, muitos desses divórcios acabavam sendo adultérios autorizados legalmente, pois o correto seria o divórcio só ser permitido, de forma excepcional, nos casos de adultério, quando então o cônjuge ofendido teria a possibilidade de divorciar- se e casar-se novamente. Mais à frente, em Mateus 19.3-12, Jesus tratará mais detalha damente sobre esse assunto e deixará claro que o casamento foi criado por Deus para ser uma instituição indissolúvel (Mt 19.4-6). O divórcio em caso de adultério seria apenas uma excepcionalidade. ► 3.2. A questão do divórcio na época de Jesus. Na época de Jesus, havia duas correntes judaicas divergentes na interpretação do que a lei mosaica afirmava em relação ao divórcio: Shamai e Hillel. A lei mosaica dizia que era permitido o divórcio apenas quando^ | Discipulando Professor 4 | o homem não achasse mais “graça” em sua esposa “por haver nela coisa feia” (Dt 24.1). 3.2.1 Shammai. A primeira corrente judaica sobre o assunto, a mais antiga, era a do rabino Shammai, que entendia que a expressão “coisa feia” referia-se ao adultério, de maneira que a lei mosaica estaria afirmando que o divórcio só seria permitido no caso de adultério. 3.2.2. Hillel. Já a segunda corrente, liberal e mais recente, era a do rabino Hillel (60 a.C. - 20d.C.), que chegou a ser contemporâneo de Jesus, tendo falecido, porém, antes que Ele desse início ao seu ministério terreno. Hillel interpretava “coisa feia” como se significasse qualquer coisa desagradável, e não apenas como uma referência mosaica ao adultério, e ainda usava como ênfase para essa interpre tação a expressão “não achar graça em seus olhos”, de maneira que, na época de Jesus, muitas pessoas já se divorciavam “por qualquer motivo” (Mt 19.3), 3.2.3 A palavra de Jesus. Jesus, po rém, deixa claro que a interpretação de Shammai estava certa, mas Ele foi além, ressaltando também a necessidade de se evitar a luxúria no coração. Outro fato importante que se deve levar em conta é que, mesmo em caso de adultério, quando o divórcio seria excepcionalmente permitido, é possível o perdão e a reconstrução do relacionamento do casal diante de Deus, pois “o que Deus ajuntou não separe o homem” (Mt 19.4-8). ► 3.3.0 caso do cônjuge abandonado. Outra exceção que vemos na Bíblia para a permissão do divórcio é o caso do abandono do cônjuge. Nesse caso, na verdade, o cônjuge cristão não buscou o divórcio; ele é que foi abandonado pelo seu esposo(a). O apóstolo Paulo, escrevendo aos crentes em Corinto, é quem fala desse caso, referindo-se a cristãos que são abandonados 36 [ Discipulando Professor 4 | por seus cônjuges por causa da sua fé. Paulo assevera que o cônjuge cristão não deve divor ciar-se do não cristão, mas, ao contrário, fazer de tudo para ganhá-lo para Cristo (1 Co 7.13,14). Entretanto, no caso em que o cônjuge cristão é abandonado pelo não cristão por causa da sua fé, aquele está, obviamente, desobrigado de manter-se no casamento (1 Co 7.15). ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 3 “O cristão deve tomar muito cuidado para não admirar cenas imorais como as de filmes e da literatura pornográfica (2Tm 2.22; Tf 2.12; Tg 1.14; 1Pe 2.11; 2Pe 3.3; 1Jo 2.15,16; 1Co 6.18; Gl 5.19,21; Cl 3.5; Ef 5.5; Hb 13.4). Quan to a manter a pureza sexual, a mulher, igual mente como o homem, tem responsabilidade. A mulher cristã deve tomar cuidado para não se vestir de modo a atrair a atenção para o seu corpo e deste modo originar tentação no homem e instigar a concupiscência. Vestir-se com imodéstia é pecado (1Tm 2.9; 1Pe 3.2,3)” (STAMPS, Donald. Bíblia de Estudo Pente- costal. Rio de Janeiro: CPAD, p.1394). CONCLUSÃO Mais uma vez, Jesus demonstra a superio ridade da justiça no Reino de Deus em relação à justiça dos fariseus, que condenavam o adul tério, mas eram condescendentes em relação ao divórcio (Mt 19.3-8) e também à luxúria, por apegarem-se apenas à letra da lei - “Não adul- terarás" - sem refletir sobre aquiloque estava implícito nesse mandamento em relação à nossa vida interior. Inicialmente, até mesmo os seus discípulos acharam o posicionamento de Jesus em relação ao divórcio muito rígido (Mt 19.10). No mundo de hoje, onde a licenciosidade pre- pondera e onde os relacionamentos conjugais e o sexo são banalizados, as pessoas também tendem a ser condescendentes com o divórcio e a luxúria. Entretanto, como filhos do Reino, remamos contra a correnteza de imoralidade deste mundo, afirmando que “venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula; porém, aos que se dão à prostituição e aos adúlteros Deus os julgará” (Hb 13.4). APROFUNDANDO-SE ‘“ Qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar’ (Mt 5.28). Novamente vemos a mudança de ênfase [de Jesus]. O adultério é usar outra pessoa como objeto sexual. A luxúria é considerar outra pessoa como objeto sexual. Cristo deseja que percebamos que tanto o ato quanto a atitude são pecamino sos. A justiça exige que consideremos todos os seres humanos como pessoas dignas e de valor. Devemos servir os outros, e não usá-los. Novamente, Deus nos convoca para considerarmos a lei como uma revelação do coração de Deus - e uma revelação do tipo de pessoas que se tornarão aqueles que vivem no Reino de Jesus, quando o Rei usar o seu poder para transformá-las". ‘“ Qualquer que deixar a sua mulher’ (Mt 5.31,32). Esse preceito segue o padrão dos outros. A Lei permitia o divórcio, mas Cristo retornava ao ideal de Deus. Embora o divórcio possa não ser adul tério, ele é, teoricamente, uma violação da lealdade da aliança que os cônjuges devem um ao outro. [...] Aquilo de que os homens mais precisam não são tanto leis a seguir, mas uma renovação interna que os torna verdadeiramente justos” (RICHARDS, Lawrence. Comentário Devocional da Bíblia. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, pp.557-58). VERIFIQUE SEU APRENDIZADO 1 . Em o que consiste a luxúria? R. Desejo intenso sexual por algo ilícito, lascívia, licenciosidade, cobiça imoral. C.. O que Jesus quer dizer quando fala de arrancar o olho e a mão e atirá-los fora em Mateus 5.29,30? R. Cuidado com o que olha e corte da sua vida tudo aquilo que é fonte de alimentação da luxúria para você. 3 . De onde provêm o pecado? Ele vem de fora para dentro de nós? R. O pecado provém de dentro de nós. 4 Quais eram as duas correntes judaicas na época de Jesus sobre a questão do divórcio e o que elas diziam? R. As de Shammai e Hillel. Shammai entendia que a expressão “coisa feia” de Deuteronômio 24.1 referia-se ao adultério, de maneira que a lei mosaica estaria afirmando que o divórcio só seria permitido no caso de adultério. Já a corrente de Hillel, liberal, interpretava “coisa feia” como se significasse qualquer coisa desagradável, e não apenas como uma referência mosaica ao adultério. 5. Quais são as duas únicas exceções bíblicas quanto ao divórcio? R. No caso de adultério e de abandono do cônjuge. ► A expressão “coração” , na Bíblia, é uma referência, na maioria esmagadora das vezes, não ao músculo que é o centro da circulação sanguínea em nossos corpos, mas, sim, ao homem interior, ao intelecto, ao sentimento e à vontade. Ou seja, ao falar de coração, Jesus está se referindo ao centro da nossa personalidade, ao profun do do nosso ser, às nossas interioridades, à nossa alma. Discipulando Professor 4 TEXTO BÍBLICO BASE Mateus 5.33-37 33 - Outrossim, ouvistes que foi dito aos antigos: Não perjurarás, mas cumprirás teus juramen tos ao Senhor. 34 - Eu, porém, vos digo que, de maneira ne nhuma, jureis nem pelo céu, porque é o trono de Deus, 35 - nem pela terra, porque é o escabelo de seus pés, nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei, 36 - nem jurarás pela tua cabeça, porque não podes tornar um cabelo branco ou preto. 37 - Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; não, não, porque o que passa disso é de proce dência maligna. MEDITAÇÃO Pelo que deixai a mentira e falai a verdade cada um com o seu próximo; porque somos membros uns dos outros. (Ef 4.25) REFLEXÃO BÍBLICA DIÁRIA ► SEGUNDA-Números 30.2 ► TERÇA - Eclesiastes 5.4,5 ► QUARTA - Tiago 5.12 ► QUINTA - Colossenses 4.6 ► SEXTA - Salmos 24.3-5 ► SÁBADO - Salmos 3.3 38 | Discipulando Professor 4 | ORIENTAÇÃO AO PROFESSOR INTERAGINDO COM O ALUNO O objetivo da lição de hoje é conscientizar seus alunos sobre a necessidade de falarem sempre a verdade, negarem a duplicidade, o engodo e a falsidade em suas ações e afirma ções, e serem exemplos de pessoas verdadei ras onde quer que elas estejam. Este é um tema muito importante porque vai de encontro a um dos grandes problemas dos nossos dias: a fal ta de honestidade, de transparência, de se falar sempre a verdade, de ser verdadeiro sempre, A própria internet é um exemplo disso. Em 2012, uma pesquisa feita com milhares de pessoas na grande rede mundial de computadores mostrou que 80% das pessoas que usam internet men tem na grande rede. Em 2014, uma pesquisa no Brasil com 4 mil estudantes revelou que 72,5% dos jovens admitiam mentir na internet. Essas pesquisas são apenas uma pequena amostra de como a prática da mentira está dissemina da, e desde cedo, na vida das pessoas como se fosse algo absolutamente normal. Desafie seus alunos a serem diferentes, a viverem uma vida de sinceridade, verdade, transparência, honran do seus compromissos, sendo verdadeiros em todas as suas declarações e ações. OBJETIVOS Na lição de hoje, sua aula deve alcançar os seguintes objetivos: ► Explicar aos seus alunos que o juramen to, a não ser em casos especiais, não é uma prática cristã; ► Enfatizar a necessidade de o cristão ser honesto em todas as suas palavras; ► Conscientizar seus alunos de que o cristão deve repudiar a mentira e abraçar a verdade. PROPOSTA PEDAGÓGICA Uma vez que o tema desta lição é a ho nestidade no falar, o que se constitui uma ne cessidade premente em nossos dias, comece a sua aula contextualizando esse importante tema para o dia a dia. Inicie lembrando que, infelizmente, vivemos em uma sociedade na qual a desonestidade é quase dominante, onde as instituições sofrem com casos graves de cor rupção e onde muita gente acredita que para “se dar bem” é preciso ser pelo menos um pouco desonesto. Em seguida, enfatize que na época de Jesus também havia uma crise de honestida de, com as pessoas quebrando seus juramentos e achando isso nada demais. As próprias au toridades religiosas dos dias de Cristo haviam aberto brechas para que se utilizassem certos tipos de juramentos que não seriam considera dos como de cumprimento obrigatório. Explique que foi em resposta a tudo isso que Jesus falou sobre o terceiro mandamento. Discipulando Professor 4 COMENTÁRIO | INTRODUÇÃO Hoje, estudaremos, sob a perspectiva da justiça mais elevada pregada por Cristo, o terceiro mandamento do Decálogo (Êx 20.7a), que é o que proíbe o perjúrio. Esse mandamento divino fala originalmente de não tomar o nome de Deus em vão, isto é, levianamente, hipocri tamente, e isso incluía, claro, o falso juramento usando o nome de Deus. Esse mandamento era levado tão a sério no Antigo Testamento que o próprio Deus, no Decálogo, afirmava que não tomaria por inocente quem tomasse “o seu nome em vão” (Êx 20.7b). Aliás, naquela época, quem blasfemasse e amaldiçoasse a Deus publicamente no meio do seu povo era punido com a morte (Lv 24.15,16). Em o Novo Testamento, não há mais punição com morte para esse tipo de pecado, como também não há para o descumprimento de qualquer outro mandamento divino, mas isso não significa que tal pecado seja considerado por Deus agora de pouca importância. Ele ofende hoje a Deus tanto quanto ofendia antes, e todoaquele que o comete se não arrepender-se, haverá de dar contas um dia diante de Deus pela sua atitude blasfema tomada em vida. Atentemos, pois, para o que Jesus fala sobre esse mandamento. 1. NÃO JUREIS NEM PELO CÉU NEM PELA TERRA ►1.1. De maneira nenhuma jureis. Ao apresentar mais um exemplo da justiça mais 40 | Discipulando Professor 4 | elevada do Reino de Deus, Jesus foi além do senso comum em sua época na exposição das verdades divinas que estavam implícitas no terceiro mandamento. Ele afirmou que o homem e a mulher não apenas pecam quando proferem falso juramento; eles, na verdade, nem deveriam jurar por nada. Deveriam tão somente serem sempre verdadeiros e honestos em suas afirmações e promessas. O cristão só deve proferir juramento nos casos em que é obrigado a isso por força dos magistrados civis, pois tal medida é necessária para fins legais no que diz respeito ao julgamento de causas seculares (Hb 6.16), Os votos de casamento e os chamados “juramentos profissionais”, que também têm força legal, também não se aplicam ao caso do juramento proibido. São condenados por Jesus apenas os juramentos desnecessários e os irreverentes, isto é, aqueles juramentos que não são obrigados por força da lei e aqueles feitos por brincadeira ou por falsidade, hipocrisia e manipulação. 1.2. Honestidade o tempo todo. Ao afirmar que seus discípulos não deveriam jurar “de maneira nenhuma” (Mt 5.34), Jesus estava frisando o fato de que é da natureza humana não cumprir promessas, mentir ou relaxar no cumprimento total de um compromisso assumido publicamente. Sabendo disso, Jesus, que conhecia muito bem a natureza humana, vai direto ao âmago da questão; Ele proíbe a prática do juramento ordinário, o juramento comum, do dia a dia, para propor algo muito mais importante: o ser honesto todo tempo e o tempo todo, estejamos sob juramento ou não. ► 1.3. Nem pelo céu, nem pela terra. Essa orientação de Jesus de não jurar nem pelo céu e nem pela terra nos remete a duas coisas: primeiro, a uma prática muito comum em seus dias de se fazer juramentos invocando entidades genéricas, como o céu e a terra, como uma forma de subterfúgio para poder mentir. Um ditado rabino antigo afirmava: “Como o céu e a terra passarão, assim tam bém o juramento passará, pois os conclamou como testemunhas". Assim pensavam os que usavam desse expediente. Entretanto, Jesus afirma que quem usasse desse subterfúgio se equivocava em seu objetivo, porque esquecia que jurar pelos céus é jurar “pelo trono de Deus”, e jurar pela terra é jurar “pelo estrado dos seus pés”. Mas, em segundo lugar, quando Jesus se refere a jurar pelo céu e pela terra Ele também estava, implicitamente, se referindo ao jurar de forma geral, seja invocando coisas da terra, seja invocando coisas do céu como garantia de que se está proferindo a verdade ao prometer ou afirmar alguma coisa. Jesus rompeu com isso ao dizer que não se deve jurar por nada na terra e por nada no céu, porque, além de ser algo muito sério, é absolutamente desnecessário, uma vez que o cristão não precisa jurar para dizer a verdade. Ele sempre deverá dizer a verdade. ► 1.4. A verdade deve ser a regra. Jesus cita ainda o caso específico daqueles que jura vam por Jerusalém, por ser um local sagrado para os judeus, ou pelas suas próprias cabeças (Mt 5.35,36). Era outra prática muito comum em seus dias, e que, como no caso anterior, eram juramentos muito sérios e absolutamente desnecessários, uma vez que, como filhos de Deus, não precisamos proferir juramentos para dizer a verdade. A verdade deve ser o nosso “dia a dia” como cristãos. ► 1.5. As duas categorias de juramen tos usadas nos dias de Jesus. Um detalhe importante é que, na época de Jesus, as autoridades religiosas em Israel haviam classificado os juramentos em dois grupos: o grupo daqueles juramentos que não poderiam ser descumpridos de maneira nenhuma, e o grupo daqueles juramentos que poderiam ser descumpridos à vontade, sem prejuízo espiritual para quem descumprisse esses juramentos. Uma lista trazendo essas duas categorias de juramentos aparece no contun dente discurso de Jesus contra os escribas e fariseus registrado em Mateus 23. A lista se encontra mais precisamente nos versículos de 16 a 22 do referido capítulo. De forma geral, os juramentos que invocassem o nome de Deus eram de cumprimento obrigatório. Entretanto, Jesus ensina o contrário: um juramento deve ter cumprimento obrigatório independente mente se foi realizado invocando o nome de Deus ou não. E mais: o uso de um juramento é uma desnecessidade quando a palavra da pessoa já é normalmente confiável - é “sim, sim” ou “não, não”. Aliás, fazer juramento é uma confissão implícita de que nem sempre estamos falando a verdade. ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 1 '“ De maneira nenhuma jureis’ (Mt 5.34). [...] Claro que Jesus não proíbe juramentos em tribunais, porque Ele mesmo respondeu a Caifás sob juramento (Mt 26.63,64). Paulo fez apelos solenes a Deus (1Co 15.31; 1Ts 5.27). Jesus proíbe todas as formas de profanação. Os judeus eram mestres na arte de perder-se em minúcias sobre juramentos permissíveis í í [...] quem é verdadeiramen te honesto não precisa fazer juramento. Bas ta um simples í í " 5 5 í í * * 55sim ou nao . J 5 J Discipulando Professor 4 J Tiago [Tg 5.12] nem Jesus [Mt 5.33-37] tinham a intenção de proibir o juramento sério e ofi cial ordenado nas Escrituras (Dt 6.13; 10.20; Is 65.16; Jr 4.2; 12.16). Ambos estavam preocu pados com o uso irreverente do nome de Deus e advertiam contra o falar desonesto que re queria um juramento para apoiar cada afirma ção. O caminho para evitar ofensa desse tipo é fazer uso da linguagem simples e sincera: ‘Que a vossa palavra seja sim, sim e não, não’” (Comentário Bíblico Beacon. Vol. 10. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p.193). ou formas de profanação” (ROBERTSON, A. T., Comentário Mateus & Marcos à Luz do Novo Testamento Grego. Rio de Janeiro: CPAD, 2011, p.74). 2. AS PALAVRAS DO DISCÍPULO DEVEM SER “SIM, SIM” E “ NÃO, NÃO” ► 2.1. A pessoa honesta. A essência do ensino de Jesus sobre essa questão dos juramentos é que quem é verdadeiramente honesto não precisa fazer juramento. Basta um simples “sim” ou “não”. Sua simples palavra já é suficiente. Tiago, o irmão do Senhor, reforça mais à frente esse importante ensino de Jesus, inclusive citando quase que com 100% de fidelidade as palavras de Jesus registradas pelo apóstolo Mateus (Tg 5.12). ► 2,2. “Sim, sim” e “não, não”. As ex pressões “sim, sim” e “não, não” denotam uma ênfase. É como se Jesus estivesse dizendo aos seus discípulos: “Se é sim, é sim mesmo! E quando for não, é não mesmo!”. Ou seja, não há duplo padrão para o verdadeiro cristão. O padrão para este é um só. Nada de coxear entre dois pensamentos. y AUXÍLIO TEOLÓGICO 2 “Debaixo da pressão das circunstâncias, há uma tendência de se falar explosivamente e se usar o nome de Deus em vão com jura mentos precipitados e irreverentes. [...] Nem 42 | Discipulando Professor 4 | 3. SEJAMOS HONESTOS COM AS NOSSAS PALAVRAS ► 3.1. Palavras e ações. Deus quer que sejamos honestos não apenas em nossas atitudes, mas também em nossas palavras. Ele deseja que falemos sempre a verdade uns com os outros (Ef 4.25). O verdadeiro cristão não vive em duplicidade, e muito menos em falsidade. Muito pelo contrário: as suas ações sempre condizem com as suas afirmações e vice-versa. As suas palavras sempre significam um forte compromisso. ► 3.2. Procedência maligna. A Bíblia Sa grada afirma que o Diabo é o “pai da mentira” (Jo 8.44) - ou seja, a mentira faz parte de sua essência. Fazer juramentos falsos é, portanto, tomar o partido dele. Esse é o significado da expressão “deprocedência maligna” (Mt 5.37). A mentira não faz parte da vida do seguidor de Cristo. Jesus é a verdade (Jo 8.32,36; 14.6). “Deus é luz, e não há nele treva nenhuma” (1 Jo 1.5). ► 3.3. Sendo verdadeiros. Deus é o Deus da verdade e fomos chamados para pregarmos a verdade, vivermos a verdade e sermos verdadeiros em tudo. Como ressalta o pastor Elienai Cabral, “vivemos em um mundo de mentiras que influencia a vida da humanidade. O papel do cristão é não só proclamar a verdade, mas viver a verdade no seu comportamento cotidiano. [...] A mentira [...] vem maquiada de falsa imagem da verdade, escondendo a realidade moral e espiritual por baixo dessa maquiagem. Deus sempre abominou a mentira. A Igreja de Jesus Cristo não pode e não deve permitir que o espírito de mentira domine a sua mente (Cl 3.9). Mentes dominadas por sentimentos carnais fantasiam seus pensamentos com mentiras. Deus abomina a mentira e a sua Palavra diz em Salmos 119.163: ‘Abomino e aborreço a falsidade’. É verdadeiro aquilo que é autêntico e não se baseia em suposições, boatos, mentiras e coisas sem comprovação, f...] Atitudes verdadeiras têm a ver com o caráter de quem as pratica” (Filipenses - A humildade de Cristo como exemplo para a Igreja, CPAD, pp.135-36). ► AUXÍLIO TEOLÓGICO 3 “ Portanto, em todas as nossas comu nicações, devemos nos contentar com ‘sim, sim’ e ‘não, não’ (Mt 5.37). Nas conversas normais, se afirmamos alguma coisa, deve mos somente dizer: 'Sim, é assim’; e se for necessário, para evidenciar a nossa certeza de alguma coisa, podemos nos manifestar dizendo: ‘Sim, sim, realmente é assim’. ‘Na verdade, na verdade’ era o ‘sim, sim’ do nos so Salvador. Da mesma forma, para negar uma coisa, é suficiente dizer: ‘Não’; ou se for necessário repetir a negação, dizer ‘Não, não’; e se a nossa fidelidade for conhecida, que isto seja suficiente para termos crédito; e se ela for questionada, reforçar o que dize mos com juramentos não será nada além de torná-lo mais duvidoso. Aquele que é capaz de engolir um juramento profano não con seguirá discernir uma mentira. É uma pena que isto que Cristo coloca na boca de to dos os seus discípulos precise ser fortale cido, segundo alguns, por outras maneiras, quando qualquer coisa além de sim e não nos é proibido, e não somos orientados a fazer uso de outras palavras. É fácil perce ber a razão: porque o que passa disso é de procedência maligna. [...] ‘Todo homem é mentiroso’ (Rm 3.4) e, consequentemente, os homens usam estas declarações porque desconfiam uns dos outros e pensam que sem estas palavras não se pode acreditar neles” (HENRY, Matthew. Comentário Bíbli co do Novo Testamento - Mateus a João. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p.57). CONCLUSÃO Cada ensino de Jesus traz consigo muitas reflexões enríquecedoras sobre as nossas vidas. Neste caso em particular, este seu ensino que apreciamos na lição de hoje, em resumo, revela a importância que a palavra tem ou deve ter na vida das pessoas, e que, infelizmente, tem sido muito esquecida em nossos dias. Que sejamos colunas de inte gridade, verdade e honestidade neste mundo onde a mentira se tornou o “pão de cada dia” de muitas pessoas. Lembremo-nos que Deus nos chamou para sermos “sal da terra” e “ luz do mundo” (Mt 5.13-16). APROFUNDANDO “O cerne deste mandamento é proibir o costume de juramento falso, pois o verdadeiro juramento se fazia median te a invocação do nome de Deus (Lv 19.12). Era uma necessidade imperiosa que todos falassem a verdade, bem como era dever de cada um honrar o compromisso assumido com os homens e diante de Deus. Era dever de todos cumprir os votos feitos a Deus; a lei era clara sobre essa responsabilidade (Nm 30.2; Dt 23.21). Essa exigência divina se fazia necessária por causa da inclinação humana à mentira. Era grande a falsidade no relacionamento entre familiares e ami gos. Ninguém podia confiar em ninguém, já que a falta de sinceridade era a marca do povo. Não era uma questão de desvio ocasional, mas de estilo de vida (Jr 9.2-5). | Discipulando Professor 4 Uma sociedade não pode viver numa decadência dessa; a vida se torna insu portável. Mas, as autoridades religiosas de Israel classificaram os juramentos em duas categorias: os que podiam ser des- cumpridos e os que não podiam. Há uma lista deles em Mateus 5.33-37; 23.16-22. O Senhor Jesus reprovou com veemência essa violação dos escribas e fariseus. A interpretação/abínica da época permitia violar o terceiro mandamento e fazer de conta que ele não havia sido violado. O terceiro mandamento é um apelo à santi ficação do nome de Deus. Na oração do ‘Pai Nosso’, Jesus nos ensinou a abrir a oração santificando o nome de Deus: ‘Santificado seja o teu nome’” (SOARES, Esequias. Os Dez Mandamentos. Rio de Janeiro: CPAD, 2015, p.59). SUGESTÃO DE LEITURA ► Falando Honestamente Este é um livro franco, que fala sobre como se tornar espiritualmente saudável, identifi cando e combatendo doenças da alma que ameaçam enfraquecer a sua fé. A obra inclui a experiência do autor de lutar para encontrar a sua própria crença. Falando Honestamente fará com que a sua alma se sinta viva, onde você e o mundo se tornarão melhores por isso. VERIFIQUE O SEU APRENDIZADO 1 . Apresente um resumo do ensino de Jesus sobre os juramentos. As pessoas não apenas pecam quando proferem falso juramento; elas, na verdade, nem deveriam jurar por nada. Deveriam tão somente serem sempre verdadeiras e honestas em suas afirmações e promessas. 2 . Em que casos o juramento não é proibido por Jesus? Nos casos em que a pessoa é obrigada a isso por força dos magistrados civis, pois tal medida é necessária para fins legais no que diz respeito ao julgamento de causas seculares (Hb 6.16). Nos votos de casamento e os chamados “juramentos profissionais”, que também têm força legal, também não se aplica a condenação de Jesus em relação aos juramentos. 3 . Por que os judeus juravam até pela cida de de Jerusalém? Por considerarem-na uma cidade sagrada. 4 . Quantas e quais eram as categorias de ju ramento estabelecidas pelos fariseus na época de Jesus? Eram duas: os julgamentos que a pessoa não era obrigada a cumprir e aqueles que as pessoas eram obrigadas a cumprir. 5. 0 que significam as expressões “sim, sim” e “não, não” As expressões “sim, sim” e “não, não” de notam uma ênfase. É como se Jesus estivesse dizendo aos seus discípulos: “Se é sim, é sim mesmo! E quando for não, é não mesmo!”. ► “Era comum no judaísmo do século 1 fazer uma distinção entre as promessas compulsórias e as não compulsórias. Por exemplo, uma pessoa que jurasse pelo altar do Templo não se via obrigada pelo seu juramento, mas se jurasse pelo ouro do altar, era obrigada a cumprir o seu juramento. Jesus eliminou o engano envolvido e disse: ‘Seja, porém, o vosso falar: sim, sim’. Seja o tipo de pessoa cuja palavra signifique um forte compromisso” (RICHARDS, Lawrence. Comentário De- vocional da Bíblia. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p.558). 44 | Discipulando Professor 4 j TEXTO BÍBLICO BASE Mateus 5.38-48 38 - Ouvistes que foi dito: Oiho por olho e dente por dente, 39 - Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal; mas, se qualquer te bater na face direita, ofere- ce-lhe também a outra; 40 - e ao que quiser pleitear contigo e tirar-te a vestimenta, larga-lhe também a capa; 41 -e, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas. 42 - Dá a quem te pedir e não te desvies daquele que quiser que lhe emprestes. 43 - Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e aborrecerás o teu inimigo. 44 - Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelosque vos maltratam e vos perseguem, 45 - para que sejas filhos do Pai que está nos céus; porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons e a chuva desça sobre justos e injustos. 46 - Pois, se amardes os que vos amam, que galar dão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo? 47 - E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim? 48 - Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai, que está nos céus. MEDITAÇÃO A ninguém torneis mal por mal; procurai as coisas honestas perante todos os homens. (Rm 12.17) REFLEXÃO BÍBLICA DIÁRIA ► SEGUNDA - Romanos 12.9-! ► TERÇA - Provérbios 20.22 ► QUARTA - Provérbios 24.29 ► QUINTA - Provérbios 25.21,22 ► SEXTA - Salmos 112.5 ► SÁBADO - 1 Coríntios 13.1-7 | Discipulando Professor 4 | ORIENTAÇÃO AO PROFESSOR INTERAGINDO COM O ALUNO Esta lição apresenta princípios do Reino de Deus que chocam-se frontalmente com o senso comum da sociedade de nossa época, assim como aconteceu com a sociedade da época de Jesus. Isso porque Jesus fala aqui de não reagirmos às agressões dos inimigos e ainda amá-los e orarmos em favor deles. Explique aos seus alunos que não é fácil mesmo viver esses princípios ensinados por Jesus, mas é, sim, possível. Em primeiro lugar, somente aqueles que um dia passaram pela conversão em Cristo, permitindo a ação do Espírito Santo de Deus em suas vidas, têm a possibilidade de viver esses princípios em sua plenitude, pois foi gerada neles, desde o dia em que entregaram-se a Cristo, uma nova nature za. Só com a natureza antiga, pecaminosa, o ser humano nunca atingiria os ideais do Reino de Deus. Para isso, é preciso uma nova natu reza, de ordem espiritual. E em segundo lugar, lembre aos seus alunos também que quando passamos, como cristãos, por dificuldades, po demos buscar forças em Deus, que derramará o seu amor em nossos corações (Rm 5.5) para nos dar condições de cumprir a sua vontade. ° b je t iv o s Na lição de hoje, sua aula precisa atingir os seguintes alvos: ► Enfatizar aos seus alunos que o cristão não deve ser litigioso e deve ser generoso; ► Explicar que o amor do cristão deve ser como o amor de Deus, estendendo-se também para os seus inimigos; ► Conscientizar seus alunos de que o cristão é chamado para viver uma vida de perfeição em Cristo. PROPOSTA PEDAGÓGICA A lição de hoje constitui-se uma excelen te oportunidade para você clarificar na men te de seus alunos alguns dos princípios mais elevados do Reino de Deus, e que envolvem o amor aos inimigos, a renúncia, o perdão, a compaixão, a generosidade, a liberalidade e o desprendimento. Para ilustrar esses princí pios, reúna resumos de histórias e belas ex periências de grandes homens de Deus do passado que encarnaram esses princípios. Essas histórias enriquecerão ainda mais a sua aula e, com certeza, inspirarão os seus alunos a viverem os ideais do Reino de Deus. Lem bre-se que, como professor de discipulado, você deve não apenas orientar os seus alunos e esclarecer suas dúvidas, mas também esti mulá-los, inspirá-los a viverem os valores do Evangelho no dia a dia de suas vidas. 46 | Discipulando Professor 4 | 1. A VINGANÇA NÃO É DE CRISTO ► 1.1. A outra face, a capa, a segunda milha e o emprestar. Quando Jesus usa a figura do “dar a outra face”, do “dar a capa” e do “andar a segunda milha”, Ele não está sendo literalista, mas está usando essas figuras fortes para enfatizar um princípio: o cristão não deve ser litigioso. Ele não deve ser retaliador, não deve retribuir o mal com o mal, mas deve ser perdoador, pacificador, não beligerante, e sim superior em suas ações. Ele não deve se igualar ao agressor, descendo ao seu nível, contra-atacando com outra agressão, mas deve buscar a paz, a conciliação. Da mesma forma, quando Jesus fala de “dar a quem pedir” e “não se desviar daquele que quer que lhe empreste” (Mt 5.42), Ele não está dizendo que o cristão deve sair por aí dando dinheiro a qualquer um que lhe pedir, mas, sim, que deve ser generoso; que estando em condições de dar e emprestar, e a causa sendo justa, o cristão deve, sim, dar e emprestar. Mas tal não pode ser um amor COMENTÁRIO | INTRODUÇÃO Na lição de hoje, Jesus lembra o princípio básico de justiça na lei de Moisés, representado na expressão “Olho por olho e dente por dente” (Êx 21.24; Lv 24.20; Dt 19.21). Ao estabelecer esse princípio no Antigo Testamento, em ne nhum momento Deus estava encorajando os homens a saírem por aí retribuindo todas as agressões que sofressem. O objetivo divino era evitar que criminosos recebessem penas maiores que os seus crimes cometidos, con trolando os excessos, tão comuns no antigo Oriente Próximo. Tratava-se da defesa do que hoje é conhecido como princípio penal da pro porcionalidade da pena em relação ao crime. É um princípio correto e justo. Porém, Jesus, não condenando o princípio legal, apresenta, por sua vez, uma alternativa mais elevada para os seus discípulos: a não retaliação. E em seguida, enfatiza o amor como algo a ser estendido não só a quem nos ama, mas também aos nossos inimigos (Mt 5.43-48). burro, tolo, imprudente, leviano, mas um amor sábio. O amor é prudente (1 Co 13.4-6). ► 1.2. A “vingança” na Bíblia. Tanto no Antigo quanto no Novo Testamentos, encontra mos muitas passagens que falam de vingança como algo positivo, notadamente as passagens que se referem à vingança divina - fato que, às vezes, causa uma certa estranheza ao leitor hodierno da Bíblia. Isso porque o termo vingança traz à nossa mente a ideia de algo que não tem um valor ético louvável. Como, então, entender essa discrepância? A questão é que o termo vingança, em si mesmo, em seu sentido original e não com a conotação popular que ganhou com o passar do tempo, nada mais é do que castigar ou punir alguém de quem recebemos uma lesão real, seja ela uma lesão em palavras ou atos. É nesse sentido que o termo aparece muitas vezes na Bíblia. Nesses casos, vingar significa literalmente defender, indenizar, compensar, desafrontar, isto é, responder justa e propor cionalmente a uma lesão genuína. Resumindo, vingar, nesses casos, significa fazer justiça. É como quando afirmamos nos dias de hoje que quando um criminoso é condenado na justiça pelo seu crime, a pessoa que foi lesada por ele e a sociedade são vingadas. Vingança, portanto, em seu sentido origi nal usado na Bíblia, só aparece como um mal quando é (1) fruto de um senso distorcido de | Discipulando Professor 4 | W Í justiça, (2) aplicada desproporcionalmente e (3) aplicada pelos meios e pelas pessoas erradas. Vingança nessas condições é o que chamamos de vingança no sentido popular usado hoje em dia: é fazer justiça pelas próprias mãos, sem um julgamento justo e sem regras que respeitem os direitos do acusado. Ora, a Bíblia condena esse tipo de coisa. Aliás, a sociedade ocidental condena essa vingança porque seu sistema jurídico foi erigido sobre os princípios judai- co-cristãos. Portanto, o termo “vingança” na Bíblia nem sempre significa mero revanchismo, resposta ilegal ou desproporcional a um ataque que sofremos ou retribuir uma maldade com outra maldade. Depende muito do contexto onde ela se encontre no texto sagrado. Na maioria das vezes em que o termo aparece na Bíblia, o sentido é apenas de fazer justiça, como no caso de Apocalipse 6.10, onde a vingança é executada pelo Justo Juiz: Deus. ► 1.3. C risto e o perdão. A Bíblia, de forma geral, desestimula os servos de Deus a buscarem vingança (no sentido original bí blico) aqui na Terra. Em lugar disso, estimula os servos de Deus a exercerem o poder do perdão - e isso não só no Novo Testamento, mas no Antigo Testamento também(Lv 19.18), de maneira que quando Jesus estava orien tando seus discípulos a não retribuírem o mal com o mal, mas perdoarem e serem bondosos 48 | Discipulando Professor 4 | com os que os maltratavam, Ele não estava, na verdade, falando de nada que fosse com pletamente estranho à lei mosaica. Sim, a lei mosaica legitimava o “olho por olho”; ela não o condenava. Porém, ela também apresentava o perdão como uma alternativa (Lv 19.18). Jesus, por outro lado, colocou o perdão em primeiro plano. E mais: seguindo o princípio da justiça mais elevada, de que falamos na Lição 3 desta revista, Ele foi além, condenando de forma geral o retribuir o mal com o mal. Ou seja, a vingança não é de Cristo. ► 1.4. Cristo não desautorizou de forma geral a reparação legal. Quando Jesus diz para seus filhos preferirem sofrer o dano em vez de procurar repará-lo, não está desautorizando de forma geral a reparação legal, muito menos a reparação via justiça secular em casos graves. Ele mesmo citou como bom exemplo o caso de uma viúva que importunava um juiz iníquo para que este julgasse com correção a sua causa, e seu dano fosse finalmente reparado legalmente (Lc 18.1-8). O que Jesus estava querendo dizer é que nunca devemos fazer justiça com as nossas próprias mãos e que devemos relevar as injustiças e maus tratamentos do cotidiano, que sofremos eventualmente no dia a dia. E mais: que devemos também confiar que o Senhor, que é o Justo Juiz, e que também foi ofendido por aquela ofensa ou ataque a seus filhos, irá vingar (julgar, compensar, reparar, punir, castigar) o mal feito contra seus filhos. Há também o fato, frisado nas Sagradas Es crituras, de que, independente de a punição secular ser dada ou não ao ofensor, o cristão ofendido deve sempre perdoar o ofensor e não retribuir o crime com outro crime, a maldade com outra maldade, o erro com outro erro. Não retribuir o mal com o mal não quer dizer que, cometido um crime contra mim, minha família ou próximos, não devamos denunciar o crime para que o criminoso seja preso e condenado pelos seus crimes. Não retribuir o mal com o mal quer dizer: “Não haja com ele da mesma forma que ele agiu com você. Não retribua a maldade com maldade, injustiça com injustiça. E, apesar de tudo, não guarde mágoa ou rancor, mas perdoe e siga em frente”. ► 1.5.0 poder do perdão. O perdão exerce um poder transformador tanto sobre a vida de quem é o ofendido quanto de quem é o ofensor. Sobre o ofendido, tem o poder de curar a ferida aberta; e em relação ao ofensor, tem o poder de fazer com que reflita sobre seus atos, caia em si, arrependa-se e mude seu comportamento. O amor constrange.' O amor transforma. Mas, para isso, deve ser um perdão, um amor, não só em palavras, mas também em obras (Rm 12.20), o que só é possível pela ação do Espírito Santo em nossas vidas (Rm 5.5). ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 1 ‘“Sede vós perfeitos como é perfeito o vosso Pai que está nos céus’ (Mt 5.48). Este parece ser um conselho desesperador, mas a interpretação correta é que, na esfera huma na, devemos ser perfeitos, assim como Deus é perfeito na esfera divina. Este é o alvo e o obje tivo da vida cristã. O contexto imediato [dessa passagem] sugere que ‘perfeito’ deva ser in terpretado como perfeição em amor. Isto pode ser experimentado na vida aqui e agora (1Jo 2.5; 4.12,17,18). [...] A perfeição transcendente do amor de Deus é vista em (1) sua universa lidade, pois todos os homens estão incluídos; (2) em sua compaixão, pois Ele a estende aos ímpios e indignos, incluindo aqueles que não o amam em retribuição; (3) em sua praticida- de, pois busca ativamente o bem-estar deles enviando a chuva e o sol - e, acima de tudo, enviando o seu Filho. Somente quando o nos so amor é assim perfeito é que eie pode ser considerado sobrenatural e verdadeiramente cristão. Tal amor não é só o nosso dever atual, mas o nosso privilégio atual, através do poder do Espírito. Sem ele, o que fazemos mais do que os outros? Deus graciosamente concede a todos aqueles que o buscam um amor perfeito por Ele e por sua vontade. Depois disso, o cris tão busca uma manifestação ainda mais perfei ta desse amor em sua vida e conduta. Por ser mos finitos, essa perfeita manifestação nunca será completamente alcançada neste mundo, mas cada seguidor consagrado de Cristo deve constantemente se esforçar para alcançá-la (Fp 3.12-14)” (Comentário Bíblico Beacon. Vol. 10. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p.62). 2. AMAR O PRÓXIMO É AMAR A DEUS ► 2.1. Amai a vossos inimigos. Jesus tratou antes do tema da vingança justamente porque Ele queria, na seqüência, falar sobre amar os nossos inimigos. O interessante é que Jesus, ao citar o mandamento “Amarás o teu próximo” (Mt 5.43a), que se encontra no Antigo Testamento justamente naquela passagem que também condenava a vin gança (Lv 19.18), acrescentou em seguida “...e aborrecerás o teu inimigo” (Mt 5.43b), o que não está escrito em parte alguma do Antigo Testamento. A razão para isso é que Jesus estava chamando a atenção dos seus discípulos para um acréscimo que os mestres judeus de seus dias haviam feito e que consideravam uma fiel interpretação do texto sagrado. Segundo eles, o próximo que eles deveriam amar e do qual nunca deveriam se vingar era o seu próprio povo, os da sua religião, e não as pessoas de forma geral. É verdade que há passagens do Antigo Testamento que dá margens para essa interpretação, mas também é fato que não há nenhuma ordem explícita de odiar os inimigos no Antigo Testamento. Jesus, por sua vez, condena explicitamente esse acréscimo, afirmando que devemos, sim, amar os nossos inimigos, aqueles que nos maltratam e perseguem, sejam ou não do nosso povo, família, grupo ou fé. ► 2.2. Deus é compassivo com todos: devemos ser como Ele. O próprio Deus, conforme frisa Jesus, mesmo condenando a impiedade, pela sua graça e misericórdia, concede sol e chuva para justos e injustos igualmente (Mt 5.45b). Ora, se somos filhos de | Discipulando Professor 4 I Deus, se o amamos mesmo como nosso Pai e Senhor, devemos agir como Ele (Mt 5.45a). Ou seja, amar o próximo é amar a Deus. ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 2 ‘“ Não resistais ao mal’ (Mt 5.39). Jesus não está falando contra a administração da correta justiça aos malfeitores (Rm 13.1-4). Os versículos que se seguem (w.43-48) indi cam que Ele se refere ao caso de amarmos os nossos inimigos (v.44; Lc 6.27). Não deve mos reagir com espírito de ódio contra o mal praticado contra nós, mas de maneira que demonstre que possuímos valores centrados em Cristo e no seu Reino. Nosso tratamento para com aqueles que nos fazem mal deve ser de tal modo que os leve a aceitar Cristo como ,seu Salvador. Como exemplos desse espírito, compare Gênesis 13.1-13 com Gênesis 14.14, e Gênesis 50.19-21 com Gênesis 37.18-28. Veja também 1 Samuel 24.26, Lucas 23.34 e Atos 7.60” (STAMPS, Donald. Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, p.1395). 3. BUSCANDO A PERFEIÇÃO DE CRISTO ► 3.1. A nossa justiça não deve se igua lar a dos publicanos. Os publicanos eram os cobradores de impostos para o Império Romano. Exatamente por sua função, mas não apenas por ela, pois costumavam ter também uma vida de devassidão, os publicanos eram considerados desprezíveis pela maioria dos judeus de sua época. Eles eram tidos “como estando no patamar mais baixo da escala da iniqüidade” pelos judeus dos tempos de Jesus (Comentário Bíblico Beacon, vol.6. CPAD, p. 61). Logo, Jesus afirma que se os escribas e os fariseus defendiam que deveríamos odiar os nossos inimigos, eles estavam, na prática, defendendo uma ética que em nada se dis tanciava da ética dos publicanos (Mt 5.46,47). Ou seja, a justiça dos escribas e fariseus era tão baixa quanto àdos publicanos, a quem desprezavam. A nossa justiça, como filhos do 50 | Discipulando Professor 4 | Reino, deve exceder a de ambos. Devemos seguir o padrão do nosso Pai (Mt 5.48), que é o padrão de Cristo. ► 3.2. Chamados para sermos perfeitos. Não somos perfeitos, mas somos chamados para sermos perfeitos (Mt 5.48). A vida cristã, essencialmente, nada mais é do que isso: um processo constante de aperfeiçoamento operado por Deus em nossas vidas pela ação do seu Santo Espírito; um processo diário de santificação. E o nosso modelo nesse pro cesso, o nosso alvo, o nosso padrão, é Cristo (Rm 8.28,29; Ef 4.12-16). Busquemos, pois, a perfeição de Cristo! ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 3 “A marca do verdadeiro filho ‘do Pai que está no céu’ (Mt 5.45) é ter o coração do Pai. Repare na acusação do irmão mais velho da Parábola do Filho Pródigo, em Lucas, o moti vo de ele recusar amar seu irmão errante (Lc 15.25-31). Assim também Jesus exige amor incondicional. O perdão amoroso recebido de Deus requer que o perdão amoroso seja dado aos outros (Mt 6.12; 18.21-35)” (Stan ley Horton (Ed.). Teologia Sistemática. Uma Perspectiva Pentecostal. 1 .ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1996, p.48). CONCLUSÃO O padrão ético do cristão está bem acima do padrão ético do mundo. Simplesmente, esse padrão é o padrão de Deus. Logo, devemos honrar a Deus e nos tornar cada vez mais humildes pelo fato de termos o compromisso de pregarmos e vivermos os valores divinos neste mundo tão corrompido. Cristo é o nosso modelo. Sigamos, pois, o seu exemplo APROFUNDANDO-SE “O mandamento de Jesus foi: ‘Não retribua a agressão!’ Ele aplicou este princípio de cinco maneiras específicas: ofereça a outra face (v.39), deixe levar a sua capa (v.40), acompanhe a pessoa em uma segunda milha (v.41), dê a quem lhe pedir e não se desvie daquele que quiser que lhe empreste (v.42). Muitas pessoas têm presumido que essas palavras de Jesus devem ser entendidas de forma totalmente literal. Mas pensar um pouco a respeito mostrará como esta posição é equivocada. Por exemplo, se um homem pedir algum dinheiro para se embriagar, será que você fez uma boa ação? Você agiu de acordo com um amor inteligente? Ou será que aquilo que você pretendia que fosse uma bênção se tornou uma maldi ção? O que Jesus estava ordenando era um espírito generoso e compassivo em relação aos necessitados. O que se deve sempre lembrar é que ‘a letra mata, e o Espírito vivifica’ (2 Co 3.6). A nova lei de Jesus é primeiramente um novo espírito. O Mestre estava principalmente interessado nas atitudes. Deve ser reconhecido que o Sermão da Montanha trata, em toda a sua extensão, de princípios e não de regras” (Comentário Bíblico Beacon. Vol.6. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p.61). VERIFIQUE O SEU APRENDIZADO 1 . O que Jesus estava ensinando ao usar as figuras da “outra face”, do “dar a capa” e do “andar a segunda milha”? R. Ele está usando essas figuras fortes para enfatizar um princípio: o cristão não deve ser litigioso. Ele não deve ser retaliador, não deve retribuir o mal com o mal, mas deve ser perdoador, pacificador, não beligerante, supe rior em suas ações. Ele não deve se igualar ao agressor, descendo ao seu nível, contra-ata cando com outra agressão, mas deve buscar a paz, a conciliação. 2. Quando é que o termo “vingança”, em seu sentido original na Bíblia, aparece em um senti do totalmente negativo, que é o usado hoje? R. Quando é fruto de um senso distorcido de justiça, aplicada desproporcionalmente e pelos meios e pessoas errados. 3 . Jesus desautorizou de forma geral a busca por reparação legal? R. Não. Ele mesmo citou como bom exemplo o caso de uma viúva que importunava um juiz iníquo para que este julgasse com correção a sua causa, e seu dano fosse finalmente repa rado legalmente (Lc 18.1-8). 4. Há algum texto do Antigo Testamento con denando a vingança? Se sim, qual? R. Sim, há: Levítico 19.18. 5. No que consiste, essencialmente, a vida cristã? R. Ela é um processo constante de aperfei çoamento operado por Deus em nossas vidas pela ação do seu Santo Espírito; um processo diário de santificação. “É dever dos cristãos desejar, aspirar e perseverar em direção à perfeição na graça e na santidade (Fp 3.12-14). E devemos estudar este assunto para que possamos estar de acordo com o exemplo do nosso Pai celestial (1 Pe 1.15,16). [...] A perfeição de Deus é mostrada [aos homens] à medi da que Ele perdoa as ofensas, recebe os estranhos e faz bem aos iníquos e ingratos. A nossa responsabilidade consiste em procurarmos ser perfeitos, assim como Ele é perfeito. Nós, que devemos tudo o que somos à generosidade divina, deve mos imitá-la tão bem quanto pudermos” (HENRY, Matthew. Comentário Bíblico do Novo Testamento - Mateus a João. Rio de Janeiro: CPAD, 2013, pp.60-61). | Discipulando Professor 4 j w S e í v V Sem Hipocrisia, m as com Verdade TEXTO BÍBLICO BASE Mateus 6.1-4 1 - Guardai-vos de fazer a vossa esmola diante dos homens, para serdes vistos por eles; aliás, não tereis galardão junto de vosso Pai, que está nos céus. 2 - Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. 3 - Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita, 4 - para que a tua esmola seja dada oculta mente, e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente. MEDITAÇÃO O amor seja não fingido. Aborrecei o mal e apegai-vos ao bem. (Rm 12.9) REFLEXÃO BÍBLICA DIÁRIA ► SEGUNDA-Lucas 12.33 ► TERÇA-Atos 10.1-4,31 ► QUARTA - Romanos 12.8,9 ► QUINTA-2 Coríntios9.13 ► SEXTA - Lucas 11.40-42 ► SÁBADO - Deuteronômio 6.5 52 | Discipulando Professor 4 | ORIENTAÇÃO AO PROFESSOR INTERAGINDO COM O ALUNO Aproveite o conteúdo da lição de hoje para alertar os seus alunos a nunca perderem de vista o propósito das boas obras que realizam como crentes em Cristo. Ressalte que todos nós, se não vigiarmos, corremos o risco de algum dia cair no mesmo pecado cometido pelos fariseus nos dias de Jesus, que se dedicavam muito às boas obras, mas com o propósito errado. Aquilo que deveria ser realizado com amor não fingido acabou, com o passar do tempo, se tornando uma reli gião mecânica para os fariseus e descambando para o uso das boas obras como meio para se conquistar os elogios e aplausos dos homens. Leve seus alunos a não perderem em suas mentes e corações o espírito do Evangelho. Lembre a importância das boas obras na vida do crente, mas destacando também que os “atos de justiça” (esmolas, oração e jejum) não devem ser vistos nunca como base da nossa salvação, mas como conseqüência natural dela; e que quando as boas obras estão deslocadas de seu verdadeiro lugar na vida do crente, elas acabam perdendo o caráter que devem ter na vida do cristão, se tornando “muletas” para a salvação ou meios de ganhar os louvores dos homens. Deus nos livre de uma coisa ou outra! OBJETIVOS Na lição de hoje, sua aula deve obter os seguintes objetivos: ► Conscientizar os seus alunos sobre a importância de ajudar aos outros, mas sempre pelas motivações certas; ► Orientar os seus alunos sobre a necessida de da discrição na prática das boas obras, em oposição à ostentação da piedade; ► Enfatizar aos seus alunos o prazer que Deus tem em galardoar, com bênçãos, aqueles que se dedicam à sua obra com amor sincero. PROPOSTA PEDAGÓGICA As três palavras-chave que resumem toda a lição de hoje são “motivação”, “discrição” e “galardão”. Portanto, para você começar a aula hoje de forma diferente, uma sugestão é iniciá-la já escrevendono quadro essas três palavras-chave logo depois de saudar a clas se, e anunciar em seguida que falará sobre cada uma delas a partir do ensino de Jesus em Mateus 6.1-4, que é o texto bíblico base da lição de hoje. Após ler o texto com a classe, comece a exposição da lição. Dessa forma, você acabará despertando a curiosidade da sua turma desde o início da aula, fazendo-os acompanhar sua exposição até chegar ao sentido de cada uma dessas palavras dentro do ensino de Jesus no Sermão da Montanha. Tal ação dinamizará sua aula. Experimente. | Discipulando Professor 4 | COMENTÁRIO | INTRODUÇÃO A esmola, a oração e o jejum eram prá ticas bastante comuns do judaísmo nos dias de Jesus. Eles eram considerados exigências básicas para um judeu piedoso. Jesus, por sua vez, não poderia deixar de falar sobre esses importantes assuntos em seu sermão, só que combatendo as distorções freqüentes na prática dessas exigências. Nos primeiros oito versículos do capítulo 6 de Mateus, Ele redefine essas três práticas, resgatando seu real sentido para a vida dos servos de Deus. Ou seja, mais uma vez Ele contrasta a justiça do Reino de Deus com o conceito popular de justiça ensinado e pregado pelas autoridades religiosas de sua época. O foco de Jesus é, mais uma vez, a pureza de motivos. Vejamos, nesta lição, o ensino de Cristo sobre as esmolas. 1. ESMOLAS SEM HIPOCRISIA ► 1.1. “Quando, pois, deres esmola”. A primeira coisa que chama a atenção neste texto do Sermão da Montanha é que a prática de dar esmola como ato de justiça estava tão arraigada entre os judeus da época de Jesus, que nosso Senhor não diz “Se deres esmola”, mas, sim, “Quando deres esmola”. Isso quer dizer que os seus ouvintes tinham o hábito natural de dar esmolas. Que bom seria se as pessoas de hoje tivessem o bom hábito de ajudar as outras! Entretanto, mesmo que todos tivessem esse hábito, isso não seria ainda tudo, porque, como aprendemos com Jesus, além do ato correto, é preciso ter a motivação correta. ► 1.2. Motivos errados. Jesus condena o uso indevido da prática de dar esmolas. Ele não estava condenando o fato dos fariseus darem esmolas, mas, sim, os motivos errados pelos quais estes e muitas pessoas em seus dias es- tavam dando esmolas. Ou seja, Jesus chama a atenção dos seus discípulos para as motivações corretas. Mesmo boas coisas podem ser feitas pelas motivações mais vis. Não basta que algo em si seja bom, mas que os meios e as intenções de fazer tal coisa sejam também boas. ► 1.3. Hipocrisia. As pessoas que dão esmolas pelos motivos errados são chamados por Jesus de “hipócritas” (Mt 6.2). O vocábu lo grego traduzido aqui como “hipócrita” é hypokrites, que significa literalmente “ator”. Nada mais pertinente, uma vez que a descrição que Jesus faz da atitude desses homens que dão esmolas objetivando serem louvados pelas pessoas é a de atores em plena atuação. Esses homens gostavam de dar esmolas em lugares públicos, onde pudessem ser vistos pela maior quantidade de pessoas na hora de conceder as esmolas. Eles atuavam, literalmente, como bons moços, visando ao elogio e aos aplausos das pessoas, à sua própria glorificação. A expressão “tocar trombeta” denota isso. A ideia aqui é de chamar a atenção das pessoas. Jesus reprova contundentemente essa atitude, enfatizando que o dar esmolas não é um ato que existe para glorificar quem as doa, mas para beneficiar o próximo mais necessitado. O ato deve ser feito com amor, e o amor é desinteressado; ele não busca os seus próprios interesses (1 Co 13.5). ► AUXÍLIO TEOLÓGICO 1 “A palavra grega hypokrites significa ‘al guém que interpreta um papel’, um persona gem em uma obra teatral. Dezesseis dos 27 usos dessa palavra no Novo Testamento são encontrados no Evangelho de Mateus, que ca racteriza o hipócrita como uma pessoa cujos atos pretendem impressionar os observadores (Mt 6.1-3,16-18), cujo foco está nos enfeites e não nas questões centrais da religião (Mt 15.1 - 21) e cuja conversa espiritual esconde motivos corruptos. Em Mateus 6, o hipócrita está em contraste com a pessoa de fé, cujo relacio namento com Deus é ‘secreto’” (RICHARDS, Lawrence. Comentário Devocional da Bíblia. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p.559). 2. AJUDANDO O PRÓXIMO SEM ALARDE ► 2.1. A ostentação de piedade. Jesus, em nenhum momento, objetiva alertar os seus 54 | Discipulando Professor 4 discípulos sobre alguma espécie de “perigo” ou “pecado” em as pessoas verem as suas boas obras. Ao contrário, Ele mesmo havia dito antes que as boas obras dos seus discípulos deveriam ser vistas pelos homens, para que eles glorifi- cassem a Deus (Mt 5.16). O que Jesus condena aqui é a ostentação de piedade, é fazer as boas obras para ser glorificado pelos homens em vez de fazê-las como fruto do amor de Deus por nós e pelo próximo. As boas obrgs não são para serem escondidas, pois uma lâmpada escondida debaixo do alqueire não é útil (Mt 5.15). Por outro lado, elas não devem ter como centro da atenção quem faz as boas obras, mas, sim, Deus, que as impele e inspira pelo seu amor derramado em nossos corações. As boas obras, portanto, devem ser feitas com discrição. ► 2.2. “Já receberam o seu galardão”. O vocábulo grego traduzido por “galardão” ou “recompensa” em Mateus 6.2 é apecho, que era usado com frequência nos recibos emitidos nos dias de Jesus. Ou seja, “a força plena da afirmação de Jesus é que aquele que almeja e obtém o louvor dos homens está dando virtualmente um recibo de Totalmente pago’” ; logo, essa declaração de Jesus quer dizer que “não haverá nenhum outro galardão aguardando por essa pessoa no céu” (Comentário Bíblico Beacon. vol.6, CPAD, p. 63). ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 2 “A doença no coração dos fariseus, nos tempos antigos, era a doutrina sem amor. Com os ensinamentos dos fariseus, Cristo tinha poucos problemas; mas, com o espírito fari- saico, Ele teve uma incessante batalha até o fim. Foi a religião que colocou Cristo na cruz, a religião sem o Espírito no interior. É inútil negar que Cristo foi crucificado por pessoas que hoje seriam chamadas de ‘fundamentalistas’. Isto deve ser inquietante, se não completamente angustiantes para nós, que nos orgulhamos de nossa ortodoxia. Uma alma não abençoada, apesar de cheia da verdade literal, pode ser pior que um pagão que se ajoelha diante de um fetiche. Estamos seguros somente quan do o amor de Deus é derramado em nossos corações pelo Espírito Santo, somente quan do nossos intelectos são habitados pelo fogo amoroso que veio no Pentecostes, Pois o Es pírito Santo não é um luxo, não é algo acres centado de vez em quando para produzir um tipo especial de cristão, uma vez a cada ge ração. Não. Ele é para cada filho de Deus que tem uma necessidade vital; e o fato de que Ele enche e habita o seu povo é mais que uma lân guida esperança. É, na verdade, um imperativo inevitável” (Bíblia com Anotações A. W. To- zer. Rio de Janeiro: CPAD, 2013, p.1157). 3. DEUS VÊ O BEM QUE FAZEMOS EM SECRETO ► 3.1. “Não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita”. Jesus usa aqui mais uma figura de linguagem, desta feita para enfatizar a necessidade de fazermos o bem às pessoas sem querer chamar a atenção para nós mesmos. A expressão “não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita” é outro hiperboiismo de Jesus, assim como o “arrancar o olho” ou o “cortar a mão” para “atirar para longe de ti” em Mateus 5.29,30, os quais comentamos na Lição 5 desta revista. Hiperboiismo é uma expressão ou imagem exagerada para enfatizar alguma coisa; no caso, um princípio. A imagem da mão direita fazendo algo com discrição, que nem mesmo a sua “colega”, a mão esquerda, bem ali ao lado, | Discipulando Professor 4 | percebe o que ela faz, traz uma mensagem muitoclara para nós. Jesus está dizendo, em outras palavras: “Não faça boas obras com alarde, mas faça-as com discrição”. Não é esconder as ações de maneira obsessiva e quase neuroticamente, como se estivéssemos escondendo das outras pessoas algo muito feio da nossa parte. É tão somente fazer o que precisa ser feito com o cuidado de não chamar a atenção para si, sem ostentação, sem exibicionismo, sem vaidade. ► 3.2. “E teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente”. Ainda que ninguém aqui na terra - a não ser você e a pessoa beneficiada - saiba das ações que você praticou em benefício de uma pessoa, saiba que o teu Pai celestial está vendo e conhece tudo, e promete recompensar você pelo bem que está fazendo. Deus honra os seus filhos que o honram com as suas vidas, com suas palavras, com suas ações, com sua dedicação sincera e apaixonada. Nós muitas vezes sentimos a necessidade de sermos reconhecidos pelas pessoas quando fazemos alguma coisa que julgamos muito significativa. Esse é um sentimento natural, mas que devemos tomar o cuidado para que eventualmente não se torne em algo doentio, vaidoso. E uma das formas de evitar que isso aconteça é lembrar que o bem que fazemos “em oculto”, isto é, com discrição, sem alarde, e que - justamente por isso - muitas vezes não chama a atenção das pessoas, é reconhecido e visto com amor, prazer e alegria pelo nosso Pai celestial, a quem amamos e que nos ama com amor eterno! Como declara Matthew Henry, um pastor inglês do século 17, “o fato de Deus ver todas as coisas em secreto é um terror para os hipócritas, mas é um conforto para os cristãos sinceros”. ► 3.3. A recompensa divina. Jesus promete que o próprio Pai nos recompensará pelo que fizermos para Ele aqui na terra em favor dos outros. E essa recompensa, que se dará na Eternidade, será pública, diante dos homens e dos anjos. A Bíblia dá a entender que o galardão celestial será alguma espécie í í Deus honra os seus filhos que o honram com as suas vidas, com suas pala vras, com suas ações, com sua dedicação sincera e apaixonada. 33 56 | Discipulando Professor 4 | de poder (Ap 1.6; 5.9,10), glória (Mt 5.12; cf. 2 Co 4.17,18) e posição que os fiéis a Deus rece berão na Eternidade como recompensa pela sua dedicação humilde, sincera e fervorosa a Deus na terra (Mt 20.20-28; 1 Co 3.8). ► 3.4. Deus: Gaiardoador dos que o buscam sinceramente. A Bíblia diz que Deus tem prazer em abençoar. Ele é gaiardoador de todos que o buscam (Hb 11.6). Veja que grande contraste: àqueles que fazem boas obras visando à glória entre os homens terão um galardão humano, passageiro, vazio em sua essência. Entretanto, aqueles que faziam boas obras visando à glória de Deus receberão um galardão divino, eterno, perene, de glória indizível (Pv 11.18; Mt 25.23). Vale a pena ser vir ao Senhor! Somos salvos pela sua graça, abençoados na terra e, depois, galardoados na Eternidade pelo que fizemos em seu nome, para sua glória, quando estávamos aqui. Portanto, como disse o apóstolo Paulo: “Não sejamos cobiçosos de vanglorias, irritando-nos uns aos outros, invejando-nos uns aos outros; “[...] não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfale cido”; “Mas longe esteja de mim o gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo” (Gl 5.26; 6.9,14). ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 3 “Uma autoestima saudável é importante, porque alguns se depreciam; por outro lado, alguns se superestimam. O segredo para uma avaliação honesta e precisa é conhecer a base do nosso valor próprio - a nossa identidade com Cristo. Sem Ele, não conseguimos nada pelos padrões esternos; nEle, somos valiosos e capazes de desempenhar um serviço digno. Avaliar-se segundo os padrões do mundo, de sucesso e realizações, pode fazer com que você superestime o seu valor aos olhos dos outros, deixando de perceber o seu verdadei ro valor aos olhos de Deus" (Manual da Bíblia de Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p.71). CONCLUSÃO Desde o Antigo Testamento, Deus deixou claro o que deseja de seus filhos. Através do profeta Miqueias, Ele afirmou: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a beneficência, e andes humildemente com o teu Deus?” (Mq 6.8). O que Jesus exige dos filhos do Reino nada mais é do que isso: amor sincero por Deus e pelo próximo, bondade, humildade, integridade, submissão à vontade divina. Aqueles que fazem a obra de Deus com esse espírito, com esse sentimento, nunca buscarão a glória para si quando estiverem praticando uma boa ação, mas sempre farão o que devem fazer em favor de seu próximo para glória de Deus e por amor ao seu próximo, nunca por interesse meramente pessoal. Boas ações não devem ser nunca uma competição de egos ou um exibicionismo de “piedade externa”, mas, sim, uma demons tração sincera do amor de Deus derramado em nossos corações e em favor dos neces sitados. Qualquer coisa diferente disso é apenas aparência de piedade, e não piedade cristã de fato. É hipocrisia, farisaísmo, e não vida cristã genuína. Deus nos livre desse cristianismo artificial, falso, teatralizado. Que vivamos um cristianismo verdadeiro, genuíno, do coração! APROFUNDANDO-SE “ ‘Guardai-vos de fazer a vossa esmola diante dos homens, para serdes vistos por eles; aliás, não tereis galardão junto de vosso Pai, que está nos céus’ (Mt 6.1). Deus recompensa atos altruístas feitos em segredo. É mais fácil fazer o que é certo quando recebemos reconhecimento e louvor. Para ter certeza de que os nossos motivos não são egoístas, devemos rea lizar nossas boas obras silenciosamente, ou em segredo, sem nenhum | Discipulando Professor p = - sobre recompensa. Jesus diz que deve mos examinar os nossos motivos em três áreas: generosidade (Mt 6.2-4), oração (Mt 6.5,6) e jejum (Mt 6.16-18). Esses atos não devem ser egocêntricos, mas centrados em Deus, feitos não para que pareçamos bons, mas para que a bondade de Deus seja vista. A recompensa que Deus prome te não é material, e nunca é dada àqueles que a buscam [istoé, que fazem as coisas só por recompensas]. Fazer alguma coisa apenas para si mesmo(a) não é um sacri fício de amor. Na sua próxima boa ação, pergunte-se: ‘Eu ainda faria isto se nin guém jamais descobrisse que eu o fiz?’” (Manual da Bíblia de Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p.706). SUGESTÃO DE LEITURA ► Quando Falar na Hora Certa A vida, material e espiritual, depende da capacidade e disposição de falar e calar no tempo apropriado. Mas como perceber esse momento e identificar quando o silêncio é ouro e quando não é? VERIFIQUE O SEU APRENDIZADO ! . O que Jesus condenou exatamente na prática de dar esmolas como executada pelos fariseus de sua época? R. Jesus condenou o uso indevido da prática de dar esmolas por parte dos fariseus. Ele condenou os motivos errados pelos quais eles e muitas pessoas em seus dias estavam dando esmolas, porque os fariseus faziam o bem hipocritamente, visando ao elogio e aos aplausos das pessoas. 2 . O que Jesus quer dizer quando afirma que muitos das sinagogas “tocavam trombeta diante de si” ao dar esmolas? R. A expressão significa chamar a atenção das pessoas para si. Jesus reprova contunden temente essa atitude, enfatizando que o dar esmolas não é um ato que existe para glorificar quem doa as esmolas. 3 . O que Jesus quer dizer quando afirma que os que “tocavam trombeta diante de si” já haviam “recebido o seu galardão”? R. Aquele que almeja e obtém o louvor dos homens está dando virtualmente um re cibo de “Totalmente pago”. Logo, não haverá nenhum outro galardão aguardando por essa pessoa no céu”.4 . O que significa a orientação de Jesus de que “não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita”? R. Não faça boas obras com alarde, mas faça-as com discrição. 5 . Que recompensa pública é esta que os filhos de Deus receberão no céu por suas boas obras na terra realizadas em amor? R. O galardão celestial, que será alguma espécie de poder, glória e posição que os fiéis a Deus receberão na Eternidade como recom pensa pela sua dedicação humilde, sincera e fervorosa a Deus na terra. “A doação caridosa era tão importante neste período [de Jesus] que a palavra he braica para ‘justiça’ adquiriu o significado de ‘dar esmolas’. Este talvez seja o motivo pelo qual a prática de dar esmolas seja discutida primeiramente aqui [na seção do Sermão da Montanha sobre os atos de justiça: esmolas, oração e jejum], Hoje em dia, a oração provavelmente receberia o primeiro lugar, e dar esmolas o último” (Comentário Bíblico Beacon. Vol.6. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p.62). 58 | Discípulando Professor 4 Lição 9 TEXTO BÍBLICO BASE Mateus 6.5-18 5 - E, quando orares, não sejas como os hipócri tas, pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. 6 - Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai, que vê o que está oculto; e teu Pai, que vê o que está oculto, te recompensará. 7 - E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que, por muito fala rem, serão ouvidos. 8 - Não vos assemelheis, pois, a eles, porque vosso Pai sabe o que vos é necessário antes de vós lho pedirdes. 9 - Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome. 10 - Venha o teu Reino. Seja feita a tua vontade, tanto na terra como no céu. 1 1 - 0 pão nosso de cada dia dá-nos hoje. 12 - Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores. 13 - E não nos induzas à tentação, mas livra-nos do mal; porque teu é o Reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém! 14 - Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós. 15 - Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas. 16 - E, quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas, porque desfiguram o rosto, para que aos homens pareça que jejuam. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. 17 - Porém tu, quando jejuares, unge a cabeça e lava o rosto, 18 - para não pareceres aos homens que jejuas, mas sim a teu Pai, que está oculto; e teu Pai, que vê o que está oculto, te recompensará. MEDITAÇÃO £ buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o i/osso coração. (Jr 29.13) REFLEXÃO BÍBLICA DIÁRIA ► SEGUNDA - Romanos 12.12 ► TERÇA - Lucas 18.1-8 ► QUARTA - Colossenses 4.2 ► QUINTA-Lucas 18.9-14 ► SEXTA - Marcos 9.25-29 SÁBADO-Lucas 21.36 | Díscipulando Professor 4 | Oração não Mecânica, mas Consciente ORIENTAÇÃO AO PROFESSOR INTERAGINDO COM O ALUNO A lição de hoje é uma oportunidade para falar aos seus alunos sobre dois temas muito importantes para a vida do cristão: a oração e o jejum. Seu objetivo será explicar do que se trata a oração, qual o seu propósito e importância na vida do crente; o que é o jejum e como ele é importante para o cristão em momentos específicos da sua vida; e apresentar de forma didática a Oração do Pai Nosso. ►Apresentar didaticamente a oração- modelo ensinada por Jesus, chamada “Oração do Pai Nosso”; Estimule os seus alunos a jejuarem e a se tornarem homens e mulheres de oração. Para inspirá-los a isso, você pode incrementar sua aula com histórias inspiradoras sobre oração. Mas tenha cuidado para que tais histórias não ocupem muito tempo em sua aula ao ponto de a exposição de todo o conteúdo da lição ser comprometida. Use sabiamente o tempo que você tem de aula. Lembre-se que as funções principais do discipulador são esclarecer e orientar seus alunos quanto às verdades da Palavra de Deus, e inspi rá-los a viverem uma vida cristã piedosa, santa, madura e fervorosa. Não se esqueça de orar sempre pelos seus alunos e pelo conteúdo a ser ministrado. Afinal, sua responsabilidade é muito grande, mas também igualmente prazerosa. OBJETIVOS ^ 5 / Na lição de hoje, sua aula deve a t e r alcançar os seguintes objetivos: ► Explicar do que se trata realmente 0 momento da oração, qual 0 seu caráter e importância para a vida do cristão; 60 j Discipulando Professor 4 1 ► Conscientizar seus alunos sobre a im portância do jejum e diferenciá-lo do je jum hipócrita. PROPOSTA PEDAGÓGICA Um dos pontos altos da lição de hoje é a Oração do Pai Nosso, a oração-modelo ensina da por Jesus aos seus discípulos e que resume todos os aspectos de uma oração ideal. Logo, para apresentar didaticamente aos seus alunos o significado de cada expressão dessa prece para 0 entendimento do caráter e do propósito da oração, coloque no quadro e separe aos poucos cada frase dessa oração à medida que você for explicando cada uma delas, para que 0 conteúdo fique muito bem fixado na mente e no coração dos seus alunos. Aproveite para estimular seus alunos a, nos seus próximos mo mentos de oração, seguirem esse “roteiro” ideal de oração ensinado por Jesus. Com certeza, isso vai enriquecer ainda mais a vida de oração e de comunhão com Deus de seus alunos. COMENTÁRIO | INTRODUÇÃO Assim como é possível dar esmolas pelas motivações erradas, é possível orar e jejuar do minado por motivações erradas. E assim como é possível realizar boas obras como fruto de uma religião meramente mecânica e ativista, é possível também orar e jejuar de forma mecânica e meramente ritualística. É o que Jesus alerta na passagem em apreço do Sermão da Montanha que estudaremos na iição de hoje. Nela, Cristo ensina que a oração é, na verdade, uma conversa com o Pai Celestial e apresenta um modelo de oração para inspirar os seus discípulos a orarem de forma correta. Na chamada “Oração do Pai Nosso”, encontramos, resumidamente, tudo aquilo que deve haver em uma oração. E Jesus ainda ensina aos seus discípulos sobre como deve se dar o momento de oração. Aprendamos a orar com Jesus! 1. A ORAÇÃO É UMA CONVERSA COM O PAI ► 1.1. A falsa oração: uma forma de aparentar piedade. Jesus inicia sua exposição sobre o importante tema da oração condenando mais uma vez a ostentação de “piedade” dos fariseus, desta vez manifestada nas orações públicas que realizavam nas sinagogas e nas esquinas das ruas (Mt 6.5). Tudo isso eles faziam “para serem vistos pelos homens”, assim como no caso das esmolas (Mt 6.1,2). Eles chegavam a orar em pé nas esquinas só para parecerem piedosos diante dos demais judeus. ► 1.2. A oração deve ser um momento particular de intimidade com Deus. Jesus nunca condenou a oração coletiva no Templo ou nas casas, mas reprovou, sim, as orações públicas nas sinagogas e nas ruas com objetivos exibicio- nistas. Ele mesmo participava das reuniões das sinagogas (Lc 4.16 - “segundo o seu costume”), que incluíam momentos de oração coletiva, e instou com seus discípulos Pedro, Tiago e João certa vez para que orassem juntamente com Eie, fazendo-lhe companhia na oração e nas súplicas que derramou diante do Pai no momento tão intenso do Getsêmani (Mt 26.36-38,40). A ênfase de Jesus, porém, sempre foi na oração em particular, individual, na vida privada, realizada individualmente entre o cristão e o seu Pai Celestial (Mt 6.6). Mesmo na oração do Getsêmani Jesus chegou a ficar só em alguns momentos (Mt 26.39). A oração em privado é muito importante. É necessárioorar com os nossos irmãos, com nossos familiares, com nosso cônjuge, com nossos filhos etc., mas devemos, sobretudo, ter momentos particu lares de oração. Devemos valorizar muito os momentos a sós com Deus. Devemos valorizar muito as experiências particulares com Deus em oração, porque são parte importante e imprescindível do nosso crescimento e ama durecimento espirituais, e do aprofundamento da nossa comunhão com o nosso Pai Celestial. ► 1.3. Respostas de Deus. Jesus afirma que o Pai recompensará os filhos que o buscam “em oculto” (Mt 6.6), isto é, em particular, na intimidade, em suas orações. Essa “recompensa” a que se refere Jesus é a resposta de Deus às nossas petições feitas em oração (Mt 6.8). O Senhor é galardoador dos que o buscam (Hb 11.6). Deus tem prazer em abençoar os seus filhos. ► 1.4. “Vãs repetições”. Ao reprovar as “vãs repetições” (Mt 6.7), Jesus não está condenando todo tipo de repetição na oração. Ele mesmo, em seu momento de angústia no Getsêmani, passou horas em oração “dizendo as mesmas palavras" (Mt 26.44). Jesus se refere claramente a repetições que, com Ele mesmo designa, são “vãs”, isto é, vazias, mecânicas, e deixa claro ainda que se refere a um hábito dos gentios (“...como os gentios...”, Mt 6.7), isto é, a um costume dos pagãos que provavelmente era imitado pelos fariseus para chamar a atenção das pessoas que presenciavam as suas orações públicas. Possivelmente, esses judeus religiosos imitavam tal prática porque achavam que ela denotava espiritualidade, Como bem explica o teólogo A. T. Robertson, os pagãos da antigui dade “pensavam que por meio de repetições infinitas e muitas palavras eles informariam os deuses sobre o que estivessem precisando e os cansariam para que lhes concedessem os pedidos, mas a intenção dos fariseus não era ganhar os ouvidos de Deus, mas os | Discipulando Professor 4 homens" (Comentário Mateus & Marcos à Luz do Novo Testamento Grego. Rio de Janeiro: CPAD, 2011, p.81). ► 1.5. “Blá, blá, blá”. Não precisamos ficar repetindo informações para Deus em oração, como se Ele dependesse que essas informações fossem repetidas por nós para então saber - ou não se esquecer - delas; nem precisamos orar em público floreando as nossas palavras, pavoneando nossas preces, como se quiséssemos impressionar as pessoas à nossa volta com a nossa “bela oratória” de oração. Tudo isso para Deus é, literalmente, o que chamamos de “Blá-blá-blá”. O vocábulo traduzido por “vãs repetições” nessa passagem do ensino de Jesus é battalogeõ, que, segundo obras especializadas, como o Dicionário Vine, que traz o significado exegético e expositivo das palavras do Antigo e do Novo Testamentos, é uma palavra “provavelmente advinda de uma frase aramaica e de caráter onomatopeico” (Dicionário Vine, CPAD, p. 1049). Ou seja, battalogeõ é uma onomatopéia como o nosso “Blá, blá, blá”, e com o mesmo significado deste: palavras sem sentido e mecanicamente repetidas. Orações mecânicas, empavonadas para impressionar as pessoas, são para Deus mero “Blá, blá, blá” para os seus ouvidos. ► 1.6. Uma relação de amor sincero entre um Pai e seus filhos. Jesus orientou seus discípulos a se dirigirem a Deus em oração chamando-o de “Pai”. Tal prática não era comum na cultura judaica da época. O uso que Jesus faz dessa expressão para se referir a Primeira Pessoa da Trindade, e o fato de ensinar seus discípulos a se dirigirem assim a Ela, demonstra o desejo que Cristo tinha de seus discípulos entenderem que o momento da oração era um momento de intimidade, de comunhão, de relação sincera e aberta entre Pai e filho. E, numa relação assim, a conversa é sempre de respeito, reverência, mas também, e sobretudo, amorosa, sincera. Deus quer que os nossos momentos de oração sejam corretamente entendidos como momentos em que os filhos de Deus se lançam nos braços de seu Pai celestial para abrirem seus corações para Ele, terem comunhão com Ele, 62 | Discipulando Professor 4 | gozarem de sua presença, ouvirem a sua voz e receberem toda força e consolo de que precisam. ^ AUXÍLIO DIDÁTICO 1 ‘“ E não nos induzas à tentação’ (Mt 6.13). ‘Induzir’ é uma palavra que aborrece muitas pessoas. Parece que apresenta Deus como agente ativo em nos sujeitar à tentação, uma ação especificamente negada em Tiago 1.13. A palavra grega aqui traduzida por tentação significa ‘tentativa’, ‘experiência’ ou ‘teste’, como em Tiago 1.2. É como [o teólogo Martin Richardson] Vincent a considera nesse trecho. Deus realmente nos testa ou nos peneira, ainda que não nos tente para o mal. Ninguém entendeu a tentação tão bem como Jesus, porque o Diabo o tentou usando toda forma de abordagem e todos os tipos de pecado, mas sem sucesso. No jardim do Getsêmani, Jesus diz a Pedro, Tiago e João: ‘Orai, para que não entreis em tentação’ (Lc 22.40). Esta é a ideia desse excerto. Nessa passagem, te mos o que os gramáticos chamam ‘imperativo permissivo’. A ideia é: ‘Não nos permitas ser induzidos à tentação’. Há um escape (1Co 10.31), mas é um risco terrível” (ROBERTSON, A. T. Comentário Mateus & Marcos à Luz do Novo Testamento Grego. Rio de Janeiro: CPAD, 2011, p.84). 2. A ORAÇÃO QUE JESUS ENSINOU ► 2.1.0 propósito da Oração do Pai Nosso. A Oração do Pai Nosso (Mt 6.9-13) não trata de uma oração para ser repetida mecanicamente. Ela é apenas um modelo de oração ensinado por Jesus aos seus discípulos resumindo tudo o que uma oração deve ter; é um esboço didático da oração ideal. Erra, portanto, quem faz dessa oração apenas mais uma oração mecânica. Isso é tudo o que Jesus não queria que ela fosse. Analisemos a seguir cada trecho dessa oração- modelo e o que basicamente ela nos ensina. ► 2.2. “Pai nosso”. O termo “nosso” denota intimidade. Na abertura desse modelo de oração ideal, mais uma vez Jesus enfatiza a intimidade reverente que deve haver entre os filhos do Reino e o seu Paí Celestial. Ele não é simplesmente “o Pai”. Ele é o “nosso Pai” ! Aleluia! ► 2.3. “Santificado seja o teu nome”. Essa expressão significa “Que teu nome seja santificado em minha vida!”. O cristão deve ter como objetivo principal de sua vida exaltar e glorificar a Deus. E ele faz isso quando escolhe encarnar os princípios do Evangelho em sua vida, quando decide honrar a Deus em seus pensamentos, palavras e ações. Essa expres são significa também que a oração ideal deve não apenas ser um momento de intimidade, reverência, sinceridade e amor (“Paí nosso”), mas deve também começar com adoração (“Santificado seja o teu nome”). ► 2.4. “Venha o teu reino”. Trata-se de um pedido para que Deus reine sobre nós; ou melhor, para que seu senhorio esteja não apenas sobre nós, mas que alcance todo o mundo. Essa expressão demonstra a preocupação que o filho de Deus deve ter em ver a expansão do Reino de Cristo na terra. Devemos orar pela conversão de vidas, pela obra de Deus, pelos nossos irmãos, pela causa divina na terra, e não apenas por nossas questões pessoais. Elas vêm depois. ► 2.5. “Seja feita a tua vontade”. Aqui vemos uma petição específica para que a von tade divina seja cumprida em nossa vida, na vida de nossos familiares, na vida de nossos irmãos. A expressão “Tanto na terra como no céu” (Mt 6.10b) significa que da mesma forma que a vontade de Deus é cumprida no céu - e lá ela é cumprida de forma plena - ela seja cumprida em nossas vidas aqui na terra. ► 2.6. “O pão nosso de cada dia dá-nos hoje". Finalmente, vemos a petição por necessi dades pessoais, particulares e do nosso próximo (“pão nosso”). Essas petições devem fazer parte das nossas orações. Deus nos estimula a orar pedindo a sua ajuda, graça, força e intervenções em nosso favor e em favor dos nossos entes queridos, suprindo as nossas necessidades(Mt 7.7-11). Entretanto, a oração, como já vimos até aqui, não é constituída apenas de petições por questões pessoais. Em primeiro plano está a nossa comunhão com Deus, a adoração, a glória de Deus, a expansão do Reino de Deus, a vontade de Deus para nossas vidas, e logo depois vêm as nossas necessidades pessoais. Em primeiro lugar está “o Reino de Deus e a sua justiça”, e “Todas essas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6.33). Primeiro vem o “Pai nosso”, depois o “pão nosso”. ► 2.7. “Perdoa as nossas dívidas, assim- como nós perdoamos”. Na oração, precisa mos tratar também, arrependidos, dos nossos pecados, das nossas falhas diárias. Mas, não só isso: devemos também ter disposição para perdoar os nossos ofensores. ► 2.8. “E não nos induzas à tentação, mas livra-nos do mal”. Devemos orar para que Deus nos livre de toda artimanha do Ma ligno contra as nossas vidas. Se quisermos proteção divina, devemos buscar a presença de Deus. Não podemos querer a proteção divina se não buscamos a sua presença. Deus promete livrar aqueles que “habitam” em sua presença (SI 91.1). Isso não significa dizer que quem busca a Deus está isento de aflições, mas sim, que quando elas nos sobrevierem, Deus, com certeza, nos dará vitória em todas elas (SI 34.19). Quanto à expressão “E não nos induzas à tentação”, ela significa “E não permita que sejamos provados de tal forma que não suportemos”, pois o termo traduzido por “ tentação” aqui quer dizer “provação”. - ► 2.9. “Porque teu é o Reino, o poder e a glória para sempre”. A oração ideal começa com adoração e termina com adoração. Ela é [ Discipulando Professor 4 | um momento especial de comunhão com o nosso Pai Celestial, com o Deus do universo. Portanto, a nossa oração deve começar e ter minar com um momento especial de devoção, de adoração sincera e fervorosa à glória dEle. ► 2.10. “Amém!” A expressão “Amém!” significa literalmente “Assim seja!”. Quando concluímos nossas orações com “Amém!”, estamos dizendo a Deus: “Senhor, te peço que tudo o que coloquei diante de ti seja uma realidade”, “Peço que seja assim”. E quando acrescentamos “Em nome de Jesus” ao “Amém”, estamos dizendo “Pedimos-te que seja assim em nome de Jesus”, isto é, “por Jesus”, “pelos méritos de Jesus”. Esta é uma bela forma de concluir nossas orações, reconhecendo que tudo o que somos e temos o são por intermé dio de Jesus. ^ AUXÍLIO DIDÁTICO 2 “O significado exato das palavras ‘de cada dia’ (Mt 6.11) - encontrada apenas na oração do Pai Nosso - é incerta. A palavra grega epiousion tem sido traduzida como ‘o necessário para a existência’, ‘para o dia de hoje’ , ‘para amanhã’, ‘para o futuro’. A expres são ‘de cada dia’ é melhor. Uma necessidade mais urgente é o perdão: ‘Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores’ (Mt 6.12). Aquele que carrega um espírito que não perdoa os outros deve parar antes de oferecer esta oração. Suponha que Deus o tome por sua palavra: que esperança haveria para ele? A versão de Lucas da Oração do Pai Nosso apresenta ‘pe cados’ em vez de ‘dívidas’ (Lc 11.4). Todo ser humano está em dívida, pois ‘todos pecaram’ (Rm 3.23)” (Comentário Bíblico Beacon. Vol. 10. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p.64). 3. ORAÇÃO E JEJUM ► 3.1.0 jejum espiritual e o jejum hipó crita. Nos dias de Jesus, havia religiosos que, infelizmente, fingiam-se contritos e jejuavam só para parecerem espirituais e ganharem a honra do povo pela sua “consagração”. Entretanto, esse jejum não era recebido por Deus. O jejum 64 | Discipulando Professor 4 | verdadeiro é abstinência de alimentos como um desprendimento espontâneo das coisas terrenas para se focar nas coisas espirituais. Ele é algo pessoal, intimo, que você faz para Deus e não para aparecer para os outros. Esse jejum, que é de ordem espiritual, é recebido por Deus. ^ AUXÍLIO DIDÁTICO 3 “Há três formas principais de jejum vistas na Bíblia: (a) Jejum normal - a abstenção de todos os alimentos, sólidos ou líquidos, mas não de água (Mt 4.2); (b) Jejum absoluto - a abstenção tanto de alimentos como de água (Ef 4.16; At 9.9). Normalmente, este tipo de jejum não deve ir além de três dias, pois a partir daí o organismo se desidrata, o que é muito nocivo à saúde. Moisés e Elias fizeram jejum absoluto por 40 dias, mas sob condições sobrenaturais (Dt 9.9,18; Êx 34.28; 1Rs 19.8); (c) Jejum parcial - uma restrição alimentar, e não uma abstenção total dos alimentos (Dn 10.3)” (STAMPS, Donald (Ed.). Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, pp. 1396-97). CONCLUSÃO Que todos os nossos “atos de justiça” - como eram chamadas as práticas das esmolas, da oração e do jejum nos dias de Jesus - sejam realizados cumprindo o propósito pelo qual existem: glorificar a Deus, e não aos homens. APROFUNDANDO “Todo filho de Deus deve ter um lugar para estar a sós com Deus a fim de buscá-lo. Sem isto, a oração secreta não terá a du ração desejada ou será casual. Jesus tinha seus lugares secretos para orar (Mt 14.23; Mc 1.35; Lc 4.42; 5.16; 6.12). Nós também devemos disciplinar nossa vida a fim de mantermos nossa comunhão com Deus e demonstrar nosso amor por Ele. A oração secreta é especialmente importante de ma nhã cedo, para dedicarmos a Deus o nosso dia; no fim da tarde, para render-lhe graças por suas misericórdias; e nos momentos em que o Espírito nos impulsiona a orar. A promessa é que nosso Pai nos recompen sará abertamente com a resposta à nossa oração, com sua presença íntima e com honra genuína por toda a eternidade. [...] ‘Orareis assim’ (Mt 6.9) - Com esta oração modelo [do Pai Nosso], Cristo indicou áreas de interesse que devem constar da oração do cristão. [...] A brevidade desta oração não significa que devemos ser breves quando oramos. Às vezes, Cristo orava a noite inteira (Lc 6.12)” (STAMPS, Donald (Ed.). Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, pp.1395-96). Ty SUGESTÃO DE LEITURA > Pai Nosso Analisando exaustivamente a oração ensi nada por Jesus aos seus discípulos, o autor leva você a descobrir os grandes tesouros de uma vida plena e vitoriosa. ► Jejum e Oração O autor expõe neste livro estudos bíblicos sobre o jejum, que colocados em prática resultarão em bênçãos espirituais e materiais para o povo de Deus. 2. O que são as “vãs repetições" que Jesus condenou? R. São palavras vazias e mecânicas que destoam do caráter do momento da oração. 3 . Qual o propósito da Oração do Pai Nosso? R. Ser um modelo de oração resumindo tudo o que uma oração deve ter; é um esboço didático da oração ideal. 4. O que quer dizer “Venha o teu reino”? R. Trata-se de um pedido para que Deus reine sobre nós; ou melhor, para que seu senhorio esteja não apenas sobre nós, mas que alcance todo o mundo. Essa expressão demonstra a preocupação que o filho de Deus deve ter em ver a expansão do Reino de Cristo na terra. 5 . Qual a diferença entre o jejum espiritual e o hipócrita? R. No jejum hipócrita, fingia-se contrição e se jejuava só para parecer espiritual e ganhar a honra do povo pela sua “consagração”. O jejum verdadeiro é abstinência de alimentos como um desprendimento espontâneo das coisas terrenas para se focar nas coisas espirituais. Ele é algo pessoal, íntimo, que você faz para Deus e não para aparecer para os outros. Você sabi VERIFIQUE O SEU APRENDIZADO I . Como deve se dar a oração? R. Deve ser um momento sincero e particular de intimidade com Deus. “Muitos fariseus jejuavam duas vezes por semana como um dever religioso. Estes não eram jejuns de 24 horas, mas jejuns de 12 horas, de sol a sol. Jesus não criticou o costume de jejuar. O que Ele realmente criticou foram aqueles que anunciavam seu jejum desfigurandoseu rosto. O que fazemos para Deus deve ser feito para Deus. O que fizermos para ‘mostrar aos homens’ estará corrompido" (RICHARDS, Lawrence. Comentário Devocional da Bíblia. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p.560). | Discipulando Professor 4 | A Am bição do x X Discípulo: não à Segurança dos Bens Materiais TEXTO BÍBLICO BASE Mateus 6.24-34 24 - Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há de odiar um e amar o outro ou se dedi cará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom. 25 - Por isso, vos digo: não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de co mer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo, mais do que a vestimenta? 26 - Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas? 27 - E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura? 28 - E, quanto ao vestuário, porque andais solíci tos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham, nem fiam. 29 - E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. 30 - Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pequena fé? 31 - Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos ou que beberemos ou com que nos vestiremos? 32 - (Porque todas essas coisas os gentios procuram.) Decerto, vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas essas coisas; 33 - Mas buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas. 34 - Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal. MEDITAÇÃO Porque o amor do dinheiro é a raiz de toda espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores. (1 Tm 6.10) REFLEXÃO BÍBLICA DIÁRIA ► SEGUNDA -1 Timóteo 6.6-12 ► TERÇA - Hebreus 13.5 ► QUARTA - Filipenses 4.10-13 ► QUINTA - 1 Pedro 1.3,4 ► SEXTA - Filipenses 4.6-8 ► SÁBADO -1 Timóteo 6.17-19 66 | Discipulando Professor 4 | ORIENTAÇÃO AO PROFESSOR INTERAGINDO GOM O ALUNO Quem nunca esteve ansioso alguma vez em relação à conquista de algum bem material? Ainda mais nesta era do consumismo, onde até mesmo coisas consideradas supérfluas são tratadas muitas vezes, por muitas pesso as, como se fossem artigos de primeiríssima necessidade. Aproveite, portanto, o conteúdo da lição de hoje para conscientizar os seus alunos a remarem contra a correnteza deste mundo mais uma vez; a não seguirem o espírito materialista, cobiçoso e inquieto deste mundo, mas a aprenderem a priorizar o espiritual, a não se deixarem ser consumidos pelas ambições deste mundo e a trabalharem pelo seu sustento e pela melhoria de suas condições materiais e sociais sem ansiedade doentia e confiando sempre e plenamente em Deus, no seu cuida do diário por nós e na sua provisão amorosa. Estimule os seus alunos também a ajudarem os mais necessitados e abundarem em boas obras, lembrando-os que, inclusive, dessa for ma, eles estarão amontoando galardão divino sobre suas vidas na eternidade. Conscientize -os de que investir no Reino de Deus, nas coisas espirituais, é o maior e melhor investimento que alguém pode fazer na existência. OBJETIVOS Na lição de hoje, sua aula deve alcançar os seguintes propósitos; ► Conscientizar seus alunos de que os bens materiais são passageiros e nunca devem ser o centro de nossas vidas; ► Enfatizar que devemos priorizar as “ri quezas espirituais” em nossa vida; ► Conscientizar seus alunos a não esta rem ansiosos pelas coisas dessa vida, mas aprenderem a quietude cristã. PROPOSTA PEDAGÓGICA Em suma, esta lição de hoje enfatiza duas verdades espirituais que estão entrelaçadas, que são dois lados de uma mesma moeda: de um lado, o fato de que não devemos valorizar os bens materiais mais do que Deus e o seu Reino em nossas vidas; e de outro, o fato de que quando fazemos isso, Deus cuida de nós, suprindo as nossas necessidades materiais. Ou seja, há uma mensagem de repreensão e de consolo ao mesmo tempo no texto bíblico que serve de base para a lição de hoje, e você deve saber explorar bem isso ao ministrar o conteúdo dela aos seus alunos na aula de hoje. Enfatize que o problema não são as coisas materiais, mas onde colocamos o nosso coração, isto é, quais são as nossas prioridades; e que quando priorizamos as coisas certas, as demais coisas também são acrescentadas pela graça divina (Mt 6.33). Discipulando Professor 4 COMENTÁRIO | INTRODUÇÃO Na lição de hoje, estudaremos o ensino de Jesus contra o materialismo, que sempre foi um dos principais maies para a vida espi ritual. Trata-se do apego e da obsessão pelas coisas materiais, pelos bens terrenos. Jesus não condenou os bens terrenos, mas, sim, o apego a eles. Há pessoas que, infelizmente, vivem mais para amontoar bens na terra do que para qualquer outra coisa. A finalidade da vida dessas pessoas é o material; as coisas espirituais ficam em segundo plano, quando não em terceiro, no seu dia a dia. Entretanto, Jesus nos ensina a priorizarmos o espiritual. Não é negar ou condenar o material. Ele é importante, só não é o mais importante nem deve ser o centro da nossa vida. O centro da nossa vida deve ser Deus. Aliás, Ele é a razão do nosso viver, o sentido das nossas vidas. Fomos feitos por Ele e para Ele. Glórias, pois, a Ele! 1. A RIQUEZA DA TERRA EA RIQUEZA DO CÉU ► 1.1. A loucura de amontoar riquezas na terra. Jesus chamou a atenção dos seus discípulos para a loucura que é uma pessoa viver apenas amontoando riquezas na terra. Ele não está aqui condenando o ser rico, mas, sim, a obsessão em enriquecer mais e mais, de maneira a apenas amontoar riquezas em vez de usá-las de forma sábia. Jesus cita como exemplos realidades de sua época: quem ajun- tava muitas roupas acabava perdendo muitas delas para as traças, que faziam a festa; quem amontoava metais, fazia com que boa parte deles, por não estarem em circulação, fossem acometidos pela ferrugem; e quem guardava seus bens mais preciosos nas paredes de suas casas, que geralmente eram feitas de barro, muitas vezes eram alvos de ladrões, que “mi navam” as paredes das casas, cavavam-nas, para roubar as riquezas dos outros (Mt 6.19). Claro que muita coisa mudou de lá para cá na questão dos métodos de preservação das coisas, mas a principal lição de Jesus aqui, para as nossas vidas, permanece. O que Jesus quis dizer nessa passagem é que os bens materiais são passageiros, razão pela qual não devemos ficar presos a eles, não devemos permitir que eles nos dominem, mas devemos ser bons mordomos, administradores sábios e liberais dos bens que recebemos. ► 1.2. Riqueza do céu. A única riqueza que pode ser amontoada sem prejuízo para a pessoa, enfatiza Jesus, é a riqueza de ordem espiritual (Mt 6.20), isto é, tudo aquilo que faze mos para Deus aqui na terra e que resultará em galardão para nós na eternidade. Acumulemos boas obras, dedicação sincera à obra de Deus, e seremos grandemente galardoados nos céus. ► 1.3. “Onde estiver o vosso tesouro, ali estará também o vosso coração”. Essa frase lapidar de Cristo quer dizer que se considera mos mais os bens terrenos do que as riquezas espirituais, então nosso coração está preso às coisas terrenas; e se valorizamos mais as coi sas celestiais do que os bens materiais, então claramente nosso coração está voltado para o céu. O que desejamos: ser escravos do que perece ou servosde um Reino incorruptível? O que é melhor: servir a Deus ou às riquezas? ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 1 ‘“ Não é a vida mais do que o mantimen to, e o corpo, mais do que a vestimenta?’ (Mt 6.25). Sim, sem dúvida. Jesus diz que há mo tivos para entendermos o verdadeiro valor das coisas presentes, porque Ele as fez, Ele as 68 | Discipulando Professor 4 | sustenta, e nos sustenta através delas; e esta situação fala por si só. Perceba que a nossa vida é uma bênção maior do que a nossa sub sistência. É verdade que a vida não pode sub sistir sem o sustento, mas o mantimento e a vestimenta, que são aqui apresentados como inferiores à vida e ao corpo, são como o or namento e o prazer, e temos a tendência de ser solícitos em relação a estas coisas. O man timento e a vestimenta.são úteis para a vida, e o seu fim é mais nobre e excelente do que os meios. A comida mais saborosa e a melhor roupa são da terra, mas a vida é o sopro de Deus. A vida é a luz dos homens, o mantimento é apenas o azeite que alimenta a luz, de forma que a diferença entre o rico e o pobre é muito insignificante, visto que, nas maiores coisas, eles ficam no mesmo nível, e diferem apenas em algo que tem dimensões menores” (HEN- RY, Matthew. Comentário Bíblico do Novo Testamento: Mateus a João. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p.75). 2. NÃO PODEMOS SERVIR A DEUS E AO DINHEIRO ► 2.1. Olhos maus, corpo em trevas; olhos bons, corpo iluminado. Nos versículos 22 a 24, Jesus fala sobre a necessidade de haver no cristão uma unidade correta de propósitos. Para isso, Ele usa mais uma figura de linguagem. Nesse caso, os olhos e o corpo. Diz Jesus que se os olhos forem bons, o corpo terá luz; e se foram ma j s , o corpo estará em trevas. Olhos falam de foco, de visão. Ou seja, Jesus está afirmando que se nosso foco e visão forem equivocados, toda a nossa vida estará imersa em trevas; mas se nossos foco e visão forem acertados, estaremos na luz. Não pode haver sobre nós luz — que simboliza aqui a presença de Deus —, se não há um foco acertado, uma unidade de propósito, uma pureza de intenção em tudo o que fazemos. Devemos priorizar a Deus. Não podemos dividir o nosso foco, dividir a nossa lealdade. Deus tem que reinar sem rival no trono do nosso coração. Ele é o nosso foco. ► 2.2. “Mamom”: o amor ao dinheiro. A palavra “Mamom” é a forma aramaica para dinheiro ou riquezas usada nos dias de Jesus. Logo, “servir a Mamom” significa “servir às riquezas”, colocá-las como prioridade em nossas vidas. A Bíblia classifica como algo ruim o amor às riquezas, o confiar nelas. Isso está claro também em várias outras passagens das Escrituras. A Bíblia nos diz, por exemplo, que passamos a ser ímpios em relação às riquezas quando: (1) passamos a amar as riquezas (1 Tm 6.10); (2) as riquezas passam a ser senhor em nossas vidas e não um ser vo (Mt 6.24); (3) tornamo-nos avarentos (Lc 12.15a); (4) passamos a medir a qualidade da nossa vida pela abundância do que possuímos (Lc 12.15b); (5) pomos o coração nas riquezas (Mt 6.19-21), colocamos nossa esperança nelas (1 Tm 6.17b); (6) tornamo-nos altivos, soberbos, arrogantes, por causa das riquezas (1 Tm 6.17a); (7) cobiçamos as riquezas (1 Tm 6.10), tornamo-las a obsessão da nossa vida (1 Tm 6.9). Como já disse alguém com grande i í Deus tem que reinar sem rival no trono do nosso coração. Ele é o nosso foco. j j | Discipulando Professor 4 acerto, “as riquezas são um excelente servo, mas um péssimo senhor”. Que as riquezas nos sirvam, e não nós a elas. Afinal, nós não servimos ao que perece. Servimos a Deus. ► 2.3. Ser pobre ou rico materialmente não tem, necessariamente, nada a ver com condição espiritual. Há casos na Bíblia de servos de Deus ricos e pobres, de servos de Deus ricos que empobreceram e de servos de Deus pobres que enriqueceram. Por exemplo: Abraão foi rico; Isaque foi rico; Jacó nasceu em uma família rica, depois foi ganhar a vida como empregado de seu tio Labão até que Deus o fez enriquecer sem precisar da ajuda de seus pais; o rico Jó era um homem justo e reto diante de Deus, mas se tornou miserável e voltou a ser rico; o profeta Jeremias era pobre, permaneceu assim e morreu assim; os profetas Sofonias e Isaías foram aristocratas palacianos, mas o profeta Amós foi um simples camponês; o pobre Lázaro da história contada por Jesus em Lucas 16, e que morreu pobre e na miséria, era um homem justo; a Bíblia diz que um profeta que realmente “temia ao Senhor” e auxiliava no ministério do profeta Eliseu morreu pobre e endividado (2 Rs 4.1), mas sua esposa acabou prosperando após um milagre de Deus (2 Rs 4.7) etc. Deus abençoa, sim, materialmente os seus filhos, mas bens materiais não podem ser necessariamente sinal da bênção de Deus, se não o que dizer de ímpios que são prósperos financeiramente, mas infelizes por não terem Jesus em suas vidas? As riquezas não são o mais importante na vida de um crente. Muito longe disso, podem se tornar ainda um mal, quando se tornam um deus na vida da pessoa. Deus nos livre disso! ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 2 “O Novo Testamento nos adverte sobre o perigo da inversão de valores. [...] [Ele] nar ra o encontro que Jesus Cristo teve com certo homem (Lc 12.2-5). Nessa passagem, encon tramos alguém que está mais preocupado em ‘ter’ do que em ‘ser’. Ele queria ‘ter’, isto é, possuir muitos bens materiais, mas mostrou total descaso em ‘ser’ alguém zeloso com as coisas espirituais (Lc 12.21). ‘Ter’ está relacio nado com aquilo que possuímos, enquanto ‘ser’ tem a ver com aquilo que somos. De fato, o relato sagrado diz que quando Deus pediu conta da alma daquele homem, ele nada ti nha preparado (Lc 12.20). Possuir bens e ter dinheiro é bom, e a riqueza em si não é má. O que fazemos com ela pode, sim, transformar- se em algo danoso (SI 62.10). De fato, a Bíblia condena o amor ao dinheiro (1Tm 6.10) e não a aquisição dele. O Novo Testamento cita cris tãos que possuíam bens e não os condena por isso, como, por exemplo, José de Arimateia (Mt 27.57), Zaqueu (Lc 19.2) e Dorcas (At 9.36). Mas quando se trata de riquezas, parece que há um desequilíbrio crônico entre ‘ser’ e ‘ter’. Parece que para muitos ter posses é melhor do que ser amigo de Deus (Lc 18.24). [...] Esse desejo exacerbado por trás das posses está in timamente relacionado ao exercício do poder. Queremos ‘ter’, isto é, possuir, para mostrar quem somos. Alguém já disse que existe muita gente comprando o que não precisa, com o di nheiro que não tem, para mostrar o que não é” (GONÇALVES, José. A Prosperidade à Luz da Bíblia. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, pp.72-73). 3. VIVENDO A QUIETUDE DO REINO DE DEUS ► 3.1. “Não andeis cuidadosos”. Ain da dentro do tema materialísmo ou foco ou obsessão nas coisas terrenas, Jesus fala, na seqüência, nos versículos 25 a 34, sobre a ansiedade em relação às coisas materiais. E Ele não está falando mais de amontoar rique zas, mas de necessidades básicas. Jesus diz a seus discípulos que eles devem aprender a confiar na providência divina, crer que Deus haverá de prover todas as nossas necessida des básicas: da alimentação ao vestuário. Ou seja, o cristão deve fazer a sua parte, que é trabalhar (1 Ts 4.11,12) - assim como os pás saros são diligentes e as plantas se esforçam normalmente para crescer e confiar que 70 | Discipulando Professor 4 j Deus cuidará dEle (SI 127.1,2). Afinai, como lembra Jesus, Deus cuida das aves do céu e dos lírios do campo, que valem menos do que nós; então como Ele não cuidaria de nós, que somos os seus filhos amados? Confiemos no Senhor! Não permitamos que as ansiedades pelas coisas naturais dessa vida nos levem a um estado desnecessário e doentio de preocupação. Não devemos ficar ansiosos pelo que haveremosde comer, beber ou vestir (v.31), porque nosso Pai Celestial sabe muito bem do que precisamos (v.32). Apenas façamos a nossa parte e confiemos em sua provisão amorosa. ► 3.2. O contentamento cristão - Em Tiago 1.9-11, Tiago fala que da mesma forma que o cristão pobre deve alegrar-se em sua melhora de vida (v,9), o cristão rico também deve alegrar-se nas circunstâncias difíceis (v.10a), porque as riquezas terrenas são passageiras, transitórias, logo não devemos nos apegar a elas (vv.10b-11). Ou seja, o cristão deve aceitar as ordens da providência divina com gratidão. O cristão transforma a sua provação em grande alegria quando ele reconhece na provação uma oportunidade para amadurecer e fortalecer-se na fé (Tg 1.2-4); quando ele se aproxima de Deus em oração, pedindo-lhe sabedoria (Tg 1.5-8); e quando ele aceita com gratidão a soberania e a providência divinas em todas as circunstâncias de sua vida (Tg 1.9-11), sabendo que Deus está no controle de tudo e Ele sabe o que faz e o que é melhor para a sua vida (Rm 8.28; 12.2). O apóstolo Paulo declara: “[...] já aprendi a contentar-me com o que tenho. Sei estar abatido, e sei também ter em abundância; em toda maneira, e em todas as coisas, estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer neces sidade. Posso todas as coisas naquele que me fortalece” (Fp 4.11-13). Em 1 Timóteo 6.8, ele ainda diz: “Tendo, porém, sustento, e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes”. 0 que Tiago e Paulo estão dizendo é que, rico ou pobre, o cristão deve ser humilde e tempe- rante. O cristão deve aprender a ser contente e satisfeito em todas as situações da vida. ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 3 “ ‘Não andeis cuidadosos’ (Mt 6.25). Je sus não está dizendo que é errado o cristão tomar providências para suprir suas futuras necessidades materiais (2 Co 12.14; 1 Tm 5.8). O que Ele realmente reprova aqui é a ansiedade ou a preocupação angustiosa da pessoa, revelando sua falta de fé no cuida do e no amor paternais de Deus (Ez 34.12; 1 Pe 5.7)” (STAMPS, Donald (Ed.). Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p. 1397). CONCLUSÃO A vida cristã não despreza as coisas ma teriais, muito menos as nossas necessidades materiais, mas tem como foco o espiritual, e isso não quer dizer que o material deve ser anulado pelo espiritual, mas, sim, que deve estar subordinado ao espiritual. Deus deseja que sejamos bons mordomos de tudo o que temos recebido de sua parte, inclusive, as bênçãos materiais. Quando aprendemos isso, usufruímos melhor do que temos, somos mais sábios na administração de nossos recursos, não ficamos presos às ansiedades consumistas Discipulando Professor 4 desta vida e somos mais contentes e gratos a Deus por tudo que temos, em vez de nos sentirmos sempre e doentiamente insatisfeitos com tudo o que conquistamos na vida. APROFUNDANDO-SE “O materialismo é um sintoma comum e fatal de hipocrisia como qualquer outro, porque por nenhum pecado Satanás pode ter um domínio mais seguro e mais rápido da alma, sob a capa de uma profissão de religião visível e admissível, do que por meio do materialismo. Portanto, tendo nos alertado contra cobiçar o louvor dos homens, Cristo, em seguida, nos alerta contra cobiçar a riqueza do mundo; também devemos prestar atenção a isto para que não sejamos como os hipócritas e não façamos o que eles fazem. O erro fundamental de que eles são culpados consiste em escolher o mundo como o seu galardão. Devemos, portanto, estar alertas contra a hipocrisia e o materialismo na escolha que fazemos do nosso tesou ro, do nosso fim e dos nossos senhores” (HENRY, Matthew. Comentário Bíblico do Novo Testamento - Mateus a João. Rio de Janeiro: CPAD, 2013, p.70). 2 . Quais as únicas riquezas que podem ser amontoadas sem prejuízo para a pessoa que as têm? R. As riquezas espirituais. 3 . 0 que significa a metáfora usada por Jesus dos “olhos bons, corpo iluminado; olhos maus, corpo em trevas”? R, Se nossos foco e visão forem equivoca dos, toda a nossa vida estará imersa em trevas; mas se nossos foco e visão forem acertados, estaremos na luz. Não pode haver sobre nós luz, que simboliza aqui a presença de Deus, se não há um foco acertado, uma unidade de propósito, uma pureza de intenção em tudo o que fazemos. 4. O que significa “Mamom”? R. É a palavra aramaica usada nos dias de Jesus para designar o dinheiro e a riqueza. 5 . 0 que é o contentamento cristão ensinado na Bíblia? R. O cristão deve aprender a ser contente e satisfeito em todas as situações da vida. VERIFIQUE O SEU APRENDIZADO 1 . Ao falar contra o amontoar riquezas na terra, que mensagem Jesus estava querendo enfatizar aos seus discípulos de ontem e de hoje? R. Os bens materiais são passageiros, razão pela qual não devemos ficar presos a eles, não devemos permitir que eles nos do minem, mas devemos ser bòns mordomos, administradores sábios e liberais dos bens que recebemos pela graça de Deus. » ÍiÍg ^ Í| S IÍÍg ^ g ^ l^ | § | » S i® ^ iií3 S f ► “Quando compreendermos o quanto Deus realmente nos ama, não mais nos sentiremos pressionados para ‘correr atrás’ das necessida des da vida. Isso nos liberta para estabelecer as prioridades corretas, e buscar ‘primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça’ (Mt 6.33). Que alegria não se preocupar com nada, exceto agradar a Jesus!” (RICHARDS, Lawrence. Comentário Devocional da Bíblia. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p.560). 72 | Discipulando Professor 4 Não Julgue o Próximo, para que não sejas julgado TEXTO BÍBLICO BASE Mateus 7.1-6 1 - Não julgueis, para que não sejais julgados, 2 - porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós. 3 - E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão e não vês a trave que está no teu olho? 4 - Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no teu? 5 - Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e, então, cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão. 6 - Não deis aos cães as.coisas santas, nem deiteis aos porcos as vossas pérolas; para que não ás pisem e, vottando-se, vos despedacem. MEDITAÇÃO Olhai por vós mesmos. E se teu irmão pecar contra ti, repreende-o; e se ele se arrepender, perdoa-lhe. (Lc 17.3) REFLEXÃO BÍBLICA DIÁRIA ► SEGUNDA - Romanos 14.4,13 ► TERÇA - João 7.24 ► QUARTA - Lucas 17.1 -4 ► QUINTA - Romanos 2.1 ► SEXTA -1 Coríntios 4.3-5 ► SÁBADO -1 Coríntios 11.28-32 | Discipulando Professor 4 I ORIENTAÇÃO AO PROFESSOR INTERAGINDO COM O ALUNO Através da lição de hoje, você deve dei xar claro aos seus alunos que nem todo tipo de julgamento é bom, Há julgamentos que são necessários serem feitos e há outros que são mero criticismo, julgamentos maldosos, intriga, juízos meramente condenatórios que não acrescentam nada positivo na vida das pessoas, mas, ao contrário, destroem vidas. Fale também sobre a necessidade de o cristão ser mais rigoroso na avaliação que ele faz de si mesmo do que nas eventuais avaliações que porventura venha fazer sobre as outras pessoas. Aliás, estimule seus alunos a realiza rem periodicamente um autoexame diante de Deus. Explique que esse autoexame deve ser feito com oração, pedindo ajuda ao Espírito Santo para nos orientar. Lembre o exemplo do salmista Davi, no Salmo 139, versículos 23 e 24, onde ele pede a Deus para sondá-lo e aju dá-lo a encontrar os “caminhos maus” em seu interior que precisam ser extirpados para que ele possa prosseguir pelo “caminho eterno” . Dessa forma, essa aula terá uma importância muito grande para o crescimento espiritual dos seus alunos, que é uma dasprincipais razões de ser das aulas do Discipulado Cristão. 0BJETIV0S Sua aula deverá alcançar os se- guintes objetivos: ► Explicar aos seus alunos que eles de vem repugnar os julgamentos maldosos e os juízos meramente condenatórios; ► Enfatizar a necessidade de o cristão ser mais rigoroso na avaliação de si mesmo do que na avaliação dos outros; ► Conscientizar seus alunos sobre a ne cessidade de realizarmos um autoexame com a ajuda de Deus, buscando o aper feiçoamento cristão. PROPOSTA PEDAGÓGICA Para que a lição de hoje seja bem compre endida pelos seus alunos, é preciso que você diferencie bem o “julgar” positivo de que fala a Bíblia (Jo 7.24; 1 Jo 4.1; 1 Co 5.12,13) do “jul gar” negativo, de que falam passagens como a de Mateus 7.1 -5. Para isso, você pode criar exemplos práticos desses dois tipos de julga mento, situações hipotéticas que ilustram muito bem essa diferença. Você pode fazer isso até interagindo com seus alunos na sala de aula, fazendo alguns deles participarem de cada uma das “encenações” das situações que você idealizou. Sem dúvida alguma, depois dessa apresentação prática do tema, seus alunos terão maior probabilidade de guardar em suas mentes o real significado do “julgar” condenado por Jesus em seu Sermão da Montanha. 74 | Discipulando Professor 4 | COMENTÁRIO | INTRODUÇÃO Na lição de hoje, veremos o ensino de Jesus a respeito da forma como devemos nos conduzir diante das falhas das outras pessoas. Sua crítica recai sobre a questão do juízo, e o alvo original desse trecho do seu Sermão da Montanha parece ser mais uma vez os escribas e fariseus, que eram conhecidos pela forma arrogante como tratavam as outras pessoas que eles entendiam não serem “dignas”. Logo, Jesus não está aqui condenando todo tipo de julgamento, como pode parecer à primeira vista, para os mais desatentos, mas apenas o julgamento falso e o julgamento arrogante. Vejamos, a seguir, as principais lições que aprendemos sobre os outros e também sobre nós mesmos a partir dessa importante parte do ensino do Mestre. 1. NÃO DEVEMOS SER JULGA DORES DOS OUTROS ► 1.1. Juízo de condenação. Quando Jesus condena julgarmos os outros (Mt 7.1), Ele não está condenando, por exemplo, os magistrados civis que julgam as causas dos homens - isto é, Ele não estava condenando a instituição judiciária, que é um braço importante e necessário para o Estado cumprir a sua função de proteção social (Rm 13.1-7). Jesus também não estava dizendo que nunca devemos ter posições definidas em relação às atitudes e pensamentos expressos das pessoas. Se fosse assim, o próprio Jesus não orientaria seus discípulos depois a fazerem esse tipo de avaliação, alertando, porém, que não deveriam fazê-la segundo padrões pró prios, mas, sim, “segundo a reta justiça”, isto é, segundo o padrão divino (Jo 7.24). Em seu Sermão da Montanha, Jesus está condenando uma disposição doentia à crítica, e uma crítica condenatória. O teólogo A. T. Robertson, já falecido e considerado um dos maiores especia listas em grego do Novo Testamento em todos os tempos, frisa que o vocábulo traduzido em Mateus 7.1 como “julgar” refere-se “ao hábito da disposição de condenar e criticar”, à “crítica acentuada e injusta” (Comentário Mateus & Marcos à Luz do Novo Testamento Grego, CPAD, p.91). Jesus está condenando a crítica injusta, o falar mal dos outros, a crítica arrogante, maldosa e destrutiva. O julgar aqui não tem nada a ver com “avaliar”, mas, sim, com “condenar”. E é um juízo feito pelas pessoas em particular. 1.2. “Para que não sejais julgados”. Je sus apresenta a razão dessa proibição do juízo maldoso e condenatório: “[...] para que não sejais julgados” (Mt 7.1b). O que Cristo está dizendo aqui é que aqueles que se mostram mais rigorosos e juizes dos outros serão naturalmente os que mais estarão sujeitos à censura de terceiros. Quem muito exige será muito exigido pelos outros. Se os misericordiosos alcançarão misericórdia (Mt 5.7), os não misericordiosos também não rece berão misericórdia quando cometerem alguma falha. O próprio Deus estabelece que devemos aprender a perdoar os outros se queremos receber o perdão de Deus. Jesus nos ensinou a orar nessa perspectiva (Mt 6.12). ► 1.3. “Com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós”. Esse é o princípio da proporcionalidade. A mesma medida que usarmos para medir os nossos irmãos será usada para nos medir. O propósito de Jesus ao alertar os seus discípulos para isso é conscienti zá-los de que eles devem evitar serem rigorosos no relacionamento com os seus irmãos. Precisa mos reconhecer que todos nós somos falhos e dependentes da graça e da misericórdia divina. Ninguém é superior ao outro, mas todos somos pecadores agraciados pela misericórdia divina. Isso não significa dizer que devemos relevar o pecado, como se ele não fosse nada demais, nem que um cristão que cometeu um pecado que escandalizou seus irmãos não é passível de disciplina da igreja, mas que mesmo na disciplina devemos agir com amor, e não com arrogância; com misericórdia, e não com o intuito de “es magar” aquele ou aquela que já está sofrendo as conseqüências de seus próprios pecados. ► AUXÍLIO TEOLÓGICO 1 “Jesus condena o hábito de criticar os ou tros sendo nós mesmos faltosos. O crente deve ,^ | Díscipulando Professor 4 I primeiramente submeter-se ao justo padrão de Deus, antes de pensar em examinar e influenciar a conduta de outros cristãos (Mt 7.3-5). Cristo não está aqui abolindo a necessidade do exer cido do discernimento e de fazermos avaliação dos pecados dos outros. O crente é ordenado a identificar falsos ministros dentro da igreja (Mt 7.15) e a avaliar o caráter de certas pessoas (Mt 7.6; Jo 7.24; 1 Co 5.12; Gl 1.9; 1 Tm 4.1; 1 Jo 4.1). Mateus 7.1 não deve servir de desculpa para a omissão do exercício da disciplina eclesiástica (Mt 18.15)’’ (STAMPS, Donald (Ed.). Bíblia de Es tudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p.1398). 2. DEVEMOS PRIMEIRO OLHAR PARA NÓS MESMOS ► 2.1. O argueiro e a trave. O termo “argueiro”, que aparece nos versículos 4 e 5, não é uma referência a um grão de pó, mas a uma lasquinha de madeira, um pedacinho muito pequeno, que cai no olho da pessoa, prejudicando e irritando o olho. Já o termo “trave”, que aparece nesses mesmos versículos, é uma alusão a uma viga ou travessa enorme, que segura muitas tábuas. Ou seja, Jesus está usando aqui de uma hipérbole mais uma vez: “Por que reparas na minúscula lasquinha de madeira irritando o olho do teu irmão e não vês antes a imensa viga no teu olho?”. Há, inclu sive, um antigo ditado árabe, provavelmente inspirado nas palavras de Jesus, que afirma: “Como tu vês a lasca no olho do teu irmão, e não vês a viga-mestra no teu próprio olho?”. 76 | Discipulando Professor 4 j ► 2.2. Um princípio ético. Em primeiro lugar, Jesus está estabelecendo aqui um princípio ético claro: por questão de ética, uma pessoa não pode chamar a atenção de outra por ter cometido o mesmo erro que ela cometeu, a não ser que chame a sua atenção particularmente, e em amor, e reconhecendo, antes de qualquer palavra, o seu próprio erro. E se seu próprio erro ainda não foi resolvido, que ela resolva antes o seu próprio erro, antes de querer cuidar dos erros das outras pessoas. Se a pessoa não agir assim, agirá como um perfeito hipócrita, como afirma Jesus (Mt 7.5). Antes do argueiro do outro, a nossa própria trave: “[...] tira primeiro a trave do teu olho e, então, cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão”. ► 2.3. Devemos ser mais tolerantes com o próximo do que com os nossos próprios erros. Em segundo lugar, o ensino de Jesus sobre o “argueiro” e a “trave” significa que devemos ser mais tolerantes com os erros do próximodo que com os nossos próprios erros. Aquilo que é “argueiro” no meu irmão, quando o vejo em mim, devo vê-lo como uma “trave”. Aliás, já imaginou se todos agissem assim? Como o mundo seria totalmente diferente! ► 2.4. Visão distorcida. Em terceiro lugar, os olhos são usados nesta metáfora de Jesus não por acaso. Olhos falam de visão. Logo, Jesus está afirmando aqui que não assumir e resolver os nossos próprios erros distorce a nossa visão das coisas, das situações e das pessoas. Somente depois de nos livrarmos daquilo que turva a nossa visão, poderemos ajudar de forma correta aqueles que estão passando por situação semelhante à nossa. Somente depois de nos livrarmos de nossa “trave” poderemos ajudar nossos irmãos com seus “argueiros”. ► AUXÍLIO TEOLÓGICO 2 “ ‘Não julgueis para que não sejais jul gados’ (Mt 7.1). Aqui, ‘julgar’ não é ‘avaliar’, mas ‘condenar’ ou ‘criticar’ . Como o relacio namento de cada cristão com Deus é ‘se- ereto’, não temos nenhuma base para julgar os motivos ou as convicções [íntimas] dos outros, nem mesmo seus fracassos e suas fraquezas. Se desejarmos ser críticos, deve mos ser críticos de nós mesmos. Existe uma diferença entre essa advertência e o chama do de Paulo para que a igreja discipline os pecadores (1 Co 5.1-12). Quando um crente professante insiste em um comportamen to que a Bíblia claramente identifica como sendo pecado, devemos concordar com as Escrituras e punir. Neste caso, nós não julga mos, mas concordamos com o julgamento da Palavra de Deus. Jesus estava falando, nesse texto de Mateus, sobre um espírito de crítica ou uma arrogância que nos leva a su por que temos o direito de julgar o coração dos outros. Não é isso. Assim como a verda deira natureza do nosso relacionamento com Deus é uma coisa ‘secreta’, também o é a verdadeira natureza do relacionamento dos outros [com Deus]. Aqueles que desejam ser bem-sucedidos vivendo no Reino atual de Cristo devem se proteger contra esse es pírito de crítica e de orgulho” (RICHARDS, Lawrence, Comentário Devocional da Bí blica. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p. 560). 3. E SE FÔSSEMOS JULGADOS PELA SEVERIDADE DE DEUS? ► 3.1. Uma reflexão muito importante. Sempre quando precisarmos lidar com o pro blema de um irmão, um bom exercício para nós será fazer a seguinte reflexão: “E se fôssemos julgados pela severidade de Deus?”. Comentando esse texto de Mateus, que ora estudamos hoje, o teólogo britânico Matthew Henry, do século 17, faz a seguinte e precisa reflexão: “O que faremos quando Deus se levantar (Jó 31.14)? O que seria de nós, se Deus fosse tão rigoroso e severo ao nos julgar como somos ao julgar os nossos irmãos? Se Ele fosse nos pesar na mesma balança? Podemos justamente espe rar que isso [julgar-nos com a mesma medida que julgamos os outros] venha a acontecer, se formos exagerados ao registrar o que nossos irmãos fazem de errado. Nisso, como em outras coisas, o violento comportamento dos homens irá recair sobre suas próprias cabeças” (Comen tário Bíblico do Novo Testamento - Mateus a João, CPAD, pp.77-78). ► 3.2. Sobre dar “coisas santas” aos “cães” e “pérolas” aos “porcos”. O versículo 6 de Mateus 7 parece, à primeira vista, destoar completamente do assunto dos versículos 1 a 5 e dos temas da bondade de Deus e dos falsos profetas, que são tratados a seguir, nos versículos de 7 a 20. Porém, isso é apenas uma impressão. O que Jesus afirma ali está intimamente ligado com o tema do juízo condenatório. Ao orientar seus discípulos a não lançarem “coisas santas” aos “cães” e “pérolas” aos “porcos”, para que estes não as “pisem” e depois voltem-se contra os discípulos para os “despedaçarem”, Jesus está querendo dizer que devemos ser pruden tes em nosso zelo contra o pecado. Em alguns casos - e isso significa que é importante ter discernimento para identificá-los -, convém não sair por aí aconselhando e exortando aqueles que realmente merecem censura (os religiosos hipócritas e pecadores de forma geral declara damente arrogantes e zombadores), porque isso poderá ser perda de tempo, uma vez que eles í i Se desejarmos ser críticos, devemos ser críticos de nós mesmos 55 | Discípulando Professor 4 | poderão não dar ouvidos aos seus importantes conselhos e depois ainda se voltarão contra você, que só queria ajudá-los. Lançar uma pérola para um porco ou para um cão é como lançar uma pedra contra ele - isso só irá irritá-lo. Ou seja, em determinados casos, é melhor não perder tempo voltando-se para essa gente. ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 3 “O fato de nos abstermos de julgar os outros, pois isso seria um grande pecado, não quer dizer que não devemos reprová -los, porque isso representa um grande de ver. E também pode ser uma forma de salvar uma alma da morte e de evitar que nossas almas participem da sua culpa. Agora, ob serve que nem todos estão aptos a censu rar. Aqueles que são culpados das mesmas faltas que acusam-nos outros, ou pior, que trazem vergonha sobre si mesmos, não são aqueles que têm a melhor condição de fa zer o bem àqueles que reprovam (Mt 7.3-5)” (HENRY, Matthew. Comentário Bíblico do Novo Testamento: Mateus a João. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p.80). CONCLUSÃO Que esse importante ensino de Jesus sobre o juízo condenatório possa ser aplicado em nossa vida, sábia e obedientemente, para que possamos nos conduzir com sabedoria no relacionamento com o nosso próximo. Esses conselhos do Mestre são “pérolas” que seriamos absolutamente tolos em desprezar. Se assim o fizéssemos, seriamos como os “porcos” e “cães” de sua fala. Deus, porém, pela sua graça, nos deu discernimento para entender e apreciar o valor das “pérolas” do Evangelho!. APROFUNDANDO-SE ‘“ Não deis aos cães as coisas santas’ (Mt 7.6). [...] Quem iria curar e ajudar aqueles que não desejam ser curados e ajudados? [...] Não é apropriado tirar o pão das crian ças para lançá-lo aos cães. No entanto, devemos ser cuidadosos com quem con denamos como ‘cão’ ou ‘porco’, e não fazê-lo antes de um cuidadoso julgamento e somente com evidências indiscutíveis. Muitos pacientes são perdidos, quando são assim considerados. Se os devidos meios tivessem sido usados, eles poderiam ter sido salvos. Da mesma forma que devemos ter cuidado para não chamarmos o bom de mau, julgando todos os ensinadores como hipócritas; devemos também prestar aten ção para não chamarmos os desesperados de maus, julgando que todos os iníquos sejam ‘cães’ e ‘porcos’” (HENRY, Matthew. Comentário Bíblico do Novo Testamento - Mateus a João. Rio de Janeiro: CPAD, 2013, p.81). u Deus, porém, pela sua graça, nos deu discer nimento para entender e apreciar o valor das “pérolas” do Evangelho! 53 78 | Discipulando Professor 4 | SUGESTÃO DE LEITURA ► Quem é Você para Julgar Como podemos nos precaver do farisaísmo, de um lado, e da credulidade descuidada, de outro? Como saber o que deve ser julgado e como os julgamentos devem ser feitos? Quais são os parâmetros para nos guiar? Neste livro, você encontrará resposta para essas e outras perguntas e se tornará um cristão vigilante e de alto-impacto que ama a verdade e está disposto a viver por ela, mesmo com grande custo pessoal. ► Faces do Perdão Os autores F. LeRon Schuts e Steven J. Sandage, teólogo e psicólogo respectiva mente, ao escreverem Faces do Perdão, se preocuparam em estudar o significado de perdão e como as pessoas o praticam em sua cultura. R. O de que uma pessoa não pode chamar a atenção de outra por ter cometido o mesmo erro que ela cometeu, a não ser que chame a sua atenção particularmente, e em amor, e reconhecendo, antes de qualquer palavra, o seu próprio erro. E se seu próprio erro ainda não foi resolvido, que ela resolva antes o seupróprio erro antes de querer cuidar dos erros das outras pessoas. 3 . Qual o propósito do autoexame que o cris tão deve praticar com frequência em sua vida? R. O cristão deve sempre avaliar a sua própria vida, pedindo a Deus que o ajude nessa avaliação, para que possa acertar os seus passos, aperfeiçoando sua vida espiritual. 4. O que são as “pérolas” e “coisas santas” de que fala Jesus? R. Os conselhos do Evangelho.. 5. Quem são os “porcos” e “cães”? R. ímpios zombadores, arrogantes, escar- necedores, que rejeitam deliberadamente os conselhos do Evangelho e se voltam contra os servos de Deus que querem lhes ajudar. VERIFIQUE O SEU APRENDIZADO 1 . Que tipo de julgamento Jesus está con denando? R. Jesus está condenando uma disposição doentia à crítica, e uma crítica condenatória. Ele está condenando a crítica injusta, o falar mal dos outros, bem como a crítica arrogante, maldosa, destrutiva. 2. Que princípio ético Jesus está estabele cendo ao usar as figuras do argueiro e da trave nos olhos? ► “De certo modo, os apóstolos e os profetas eram sua fundação (Ef 2.20), os represen tantes autorizados por Jesus Cristo para completar a revelação de sua Palavra ao seu povo. Nesse sentido básico do apostolado, não poderia haver sucessão dos apóstolos depois daqueles que haviam testemunhado o ministério e a ressurreição do Senhor Jesus (At 1.21,22) [...]” (Dicionário Bíbli co Wycliffe. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p.952). | Discipulando Professor 4 | Data ___ / ___ / a Bondade de D6US e os falsos profetas TEXTO BÍBLICO BASE Mateus 7.7-20 7 - Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á. 8 - Porque aquele que pede recebe; e o que busca encontra; e, ao que bate, se abre. 9 - E qual dentre vós é o homem que, pedindo- lhe pão o seu filho, lhe dará uma pedra? 10 - E, pedindo-lhe peixe, lhe dará uma ser pente? 11 - Se, vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que lhe pedirem? 12 - Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas. 13 - Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; 14 - E porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem. 15 - Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores. 16 - Por seus frutos os conhecereis. Porventura, colhem-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? 17 - Assim, toda árvore boa produz bons frutos, e toda árvore má produz frutos maus. 18 - Não pode a árvore boa dar maus frutos, nem a árvore má dar frutos bons. 19 - Toda árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo. 20 - Portanto, pelos seus frutos os conhecereis. MEDITAÇÃO Misericordioso e piedoso é o Senhor; lon- gânimo e grande em benignidade. (S1103.8) REFLEXÃO BÍBLICA DIÁRIA ► SEGUNDA - Salmos 103.1-22 ► TERÇA - Êxodo 34.5-7 ► QUARTA - Jeremias 33.3 ► QUINTA - Mateus 24.11,24 ► SEXTA- 2 Pedro 2.1-8 ► SÁBADO -1 João 2.3-6 80 | Discipulando Professor 4 | ORIENTAÇÃO AO PROFESSOR INTERAGINDO.COM O ALUNO Enfatize aos seus alunos a seriedade do Evangelho. Cristo não pregou uma mensagem que abria espaço para um meio-termo. Muito pelo contrário, a Boa Notícia do Evangelho é apresentada como sendo a única alternativa para o ser humano. A mensagem do Evangelho é uma mensagem de amor, graça e misericórdia da parte de Deus em favor dos seres humanos, mas também é uma conclamação para que o ser humano se arrependa dos seus pecados e volte-se totalmente para Deus, que está sempre pronto para recebê-lo enquanto ainda há vida e a porta da graça não se fecha. ► Enfatizar que o Evangelho fala claramen te de dois caminhos, logo não há meio termo quando o assunto é a salvação; ► Esclarecer aos seus alunos como eles podem identificar um falso profeta e o perigo que é ser enganado por esse tipo de gente. Explique-lhes também o perigo das seitas, dos falsos mestres, daqueles que se apresen tam com uma aparência de piedade, mas na verdade são lobos devoradores. Mostre-lhes como identificar um falso profeta e incentive -os a não temerem o espírito relativista deste mundo, mas proclamarem a mensagem do Evangelho, com toda a sua clareza e impacto natural sobre a vida das pessoas. Lembre-os que assim como o Evangelho um dia os alcan çou, Deus quer alcançar outras vidas também pela instrumentalidade deles. OBJETIVOS Na lição de hoje, sua aula deve alcançar os seguintes alvos: ► Conscientizar seus alunos de que vale a pena perseverar em oração porque nos so Pai celestial é bom, nos ouve e quer o nosso bem; PROPOSTA PEDAGÓGICA Uma sugestão interessante para esta aula, na sua parte final, quando o tema são os falsos profetas, é elencar no quadro uma série de características dos falsos profetas, e de seus seguidores, encontradas na Bíblia e explicar cada uma dessas características. 0 Auxílio Teológico 3 da lição de hoje traz uma lista, feita pelo teólogo Donald Stamps, trazendo algumas dessas características que poderiam ser apresentadas e expli cadas em sala de aula. Com certeza, essa sugestão deve enriquecer mais a sua aula e torná-la ainda mais interessante aos seus alunos, uma vez que se espera que eles es tejam, devido à seriedade e à importância do assunto, interessados em identificar bem qualquer falso profeta e evitar caírem no en gano como muitos já caíram na história e es tão caindo ainda hoje. | Discipulando Professor 4 | COMENTÁRIO | INTRODUÇÃO Na lição de hoje, começaremos a ver a parte final do Sermão da Montanha. Aqui, Je sus se aproxima do final de sua exposição. Ele fala sobre a bondade de Deus e, em seguida, introduz o desfecho do sermão, conclamando seus ouvintes a tomarem uma decisão. Depois de tudo o que falou, fica claro que só há dois caminhos, duas portas, duas alternativas: uma leva,à perdição e a outra, à salvação. Não há meio-termo: ou você está em um caminho ou você está no outro. Para reforçar o seu alerta sobre o falso caminho, Jesus fala dos falsos profetas e como identificá-los para não sermos enveredados pelo caminho da perdição. Atentemos, pois, aos alertas de Jesus. 1. DEUS É BOM ► 1.1. “Pedi e dar-se-vos-á”. Em pri meiro lugar, Jesus inicia essa parte falando sobre a bondade divina. A bondade de Deus é manifestada em nossa vida, não apenas na bênção da salvação e no seu cuidado diário por nós, mas também em sua disposição em nos abençoar. Sim, Ele é galardoador dos que o buscam (Hb 11.6). Mas nem sempre o bus camos como deveríamos; ou, então, às vezes, pedimos coisas que pensamos que serão para o nosso bem, quando, na verdade, não serão. Ou seja, pedimos mal (Tg 4.3). A Bíblia diz que Deus só atenderá àquilo que estiver dentro de sua vontade (1 Jo 5.14), que é boa, perfeita e agradável (Rm 12.2). Confiemos! Ele sabe o que é melhor para as nossas vidas. ► 1.2. “Pedir”, “buscar” e “bater”. Je sus usa esses três verbos em seqüência para descrever a atitude dos seus discípulos em relação à oração. Eles deveriam colocar os pedidos nesta ordem dramática crescente: primeiro, pede; depois, busca; por fim, bate. Buscar é uma atitude mais fervorosa ainda que pedir; e bater já é um ato de maior dramaticidade, quase de desespero. Em outras palavras, Jesus está dizendo aqui: “Não pare de clamar! Peça”. í í Buscar é uma atitude mais fervorosa ainda que pedir; e bater já é um ato de maior dramati cidade, quase de desespero. Em outras palavras, Jesus estádizendo aqui: “Não pare de clamar! Peça” . 53 82 | Discipulando Professor 4 Ora, por que Deus, às vezes, adia a chegada das respostas que pedimos? Muitas vezes porque ainda não é a hora de receber mos e também porque durante o processo em que continuamos a pedir a Ele pela bênção, o Altíssimo aperfeiçoará a nossa vida, para que finalmente quando a bênção chegar, es tejamos em condições de recebê-la. Dessa forma, a oração não é apenas um meio para recebermos algo de Deus, mas também um dos meios pelos quais Deus nos prepara para recebermos o que precisamos. ► 1.3. A certeza da bondade de Deus estimula nossa perseverança. Deus é bom e, por isso, podemos nos aproximar dEle com confiança, pelos méritos de Cristo, como seus filhos, e pedirmos a Ele com humildade o que precisarmos. É isso que Jesus afirma. Ele estimula os seus discípulos a perseverarem em oração, pedindo a Deus o que precisam, justamente porque eles podem ter certeza de que Deus deseja abençoá-los (Mt 7.7-11). O Pai Celestial nos ouvirá justamente porque Ele nos ama. Se até mesmo um pai, aqui na terra, por mais imperfeito que seja, não daria pedra ao seu filho que pede um peixe, muito mais o Pai Celestial, que é bom e perfeito, dará a seus filhos, a quem ama, o que realmente precisam e pedem a Ele (Mt 7.11). ► 1.4. A “Regra de Ouro”. Jesus encerra seu ensino sobre a bondade divina manifestada através da sua busca em oração pelo crente com o que tradicionalmente ficou conhecido como “A Regra de Ouro”: “Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós” (Mt 7.12). E Ele ainda acrescenta que esse princípio sintetiza toda “a lei e os profetas” - ou seja, resume todos os preceitos morais do Antigo Testamento. Esse princípio, claro, ainda é válido para nós hoje. A prática cristã não é nada menos do que isso. ► AUXÍLIO TEOLÓGICO 1 “ Havia falsos profetas nos tempos do Antigo Testamento. Jesus prediz a vinda de ‘falsos cristos e falsos profetas’ (Mt 24.24) que desviarão a muitos. No tempo deter minado, eles surgirão como se fossem an jos de luz, assim como Satanás faz. Entre eles haveria judaizantes (2Co 11.13-15) e protognósticos (1 Tm 4.1; 1 Jo 4.1). No mo mento em que Jesus falava, já existiam os falsos profetas (At 13.6; 2Pe 2.1). Por fora, parecem ‘ovelhas’, mas por dentro são ‘lo bos devoradores’, ávidos pelo poder, ganho e orgulho. É uma tragédia que tais homens e mulheres tenham reaparecido ao longo dos séculos e sempre encontrem vítimas. Lobos são mais perigosos do que cães e porcos” (ROBERTSON, A. T. Comentário Mateus & Marcos à Luz do Novo Testamento Grego. Rio de Janeiro: CPAD, 2011, p.93). 2. ELE NOS OFERECE A ESCOLHA DE DOIS CAMINHOS ► 2.1. Os dois caminhos e as duas portas. Já iniciando o final do seu sermão, Jesus conclama seus discípulos e ouvintes de forma geral a tomarem a decisão certa. E para descrever a importância dessa decisão e os perigos de confundi-la, Jesus usa a imagem dos dois caminhos, que já fora usada antes no Antigo Testamento (SI 1; Jr 21.8), sendo que agora Ele acrescenta também as duas portas: o caminho para perdição é espaçoso e sua porta é larga, e o caminho para salvação é apertado e sua porta é estreita (Mt 7.13,14). ► 2.2. Renúncia. Esses dois caminhos e essas duas portas significam que o caminho para salvação exige renúncia, enquanto o caminho da perdição, não. Como bem define o teólogo Myer Pearlman, “o caminho espa çoso é um caminho onde não há necessidade de grande esforço para andar nele. Basta abandonar-se à turba e ser levado por ela. O homem, como criatura [espiritualmente] caída, tende para o mal. E, satisfeito consigo mesmo, consentindo nos costumes egoístas da sociedade e no hábito do mal refinado, deixando-os correr livremente, será levado | Discipulando Professor 4 | por maligna correnteza à morte eterna. O caminho é largo, porque ali se acham aqueles entregues aos prazeres, sensuais, céticos, ateus e criminosos. A destruição é o seu fim, este determinado pela natureza do caminho. O resultado lógico e inevitável será a destruição da fé, do amor, da esperança e do caráter. O fim do caminho é a dor da condenação final da parte de Deus e o eterno banimento de sua presença” (Mateus: O Evangelho do Grande Rei, CPAD, p.41). A expressão “porta” dá a ideia de início, entrada. Logo, isso quer dizer que não só o caminho para a perdição é espaçoso, como a entrada a esse caminho é larga, cheia de facilidades. Já a porta da salvação é estreita e o caminho, apertado, pois exigem renúncia. O resultado natural disso, como afirma o próprio Jesus, é que poucos são os que tomam o ca minho certo, e muitos são os que se perdem pelo caminho destrutivo das facilidades. ^ AUXÍLIO DIDÁTICO 2 “Falsos profetas ‘podem enganar algu mas pessoas o tempo todo, e todas as pes soas por algum tempo, mas não todas as pessoas o tempo todo’. Nosso Senhor ensi na-nos a como reconhecê-los (Mt 7.15-18). O fruto corresponde à árvore. A verdadeira obra é produto do ser. De modo que, mais cedo ou mais tarde, a natureza do falso pro feta há de se revelar. Pode parecer verdadei ro no começo, mas os efeitos (frutos) do seu ministério - a vida ou a doutrina manchada - o trairão (At 8.13,18,23)” (PEARLMAN, Myer. Mateus: O Evangelho do Grande Rei. Rio de Janeiro: CPAD, 1995, p.43), 3. A MENTIRA DOS FALSOS PROFETAS ► 3.1. Os falsos profetas. Após alertar sobre os dois caminhos, Jesus alerta sobre os falsos profetas, que são guias para o falso caminho; são enganadores, falsos mestres, lobos em pele de ovelha. E lobos devoradores (Mt 7.15b) - ou seja, seu estrago é grande no meio do rebanho que o acolhe, que lhe dá ouvidos. Mas, como identificá-los? Como ter certeza de que estamos na frente de um falso profeta e não de um homem de Deus? Jesus usou um critério bastante simples para isso: o das duas árvores. ► 3.2. “Por seus frutos os conhecereis”: os dois tipos de árvores. Segundo Jesus, uma das melhores formas de identificar o falso profeta é analisar os seus frutos. Uma árvore boa não produzirá frutos maus, e uma árvore má não produzirá frutos bons. Árvore má? Frutos maus. Árvore boa? Frutos bons. Os frutos, aqui, representam a conduta, as obras, as ações, as atitudes das pessoas. Isto é, os falsos profetas serão facilmente identificados quando olharmos não para suas palavras lisonjeiras, mas para suas atitudes, suas ações, sua forma de ser. “Pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7.19). ► 3.3. “Corta-se e lança-se no fogo”. O final do falso profeta e de seus seguidores é a condenação eterna. As palavras de Jesus aqui são claras: “toda a árvore que não dá bom fruto” terá inevitavelmente esse fim (Mt 7.19). A não ser que haja arrependimento e volta genuína para Deus, todos que tomam esse caminho serão condenados para sempre. Eis a seriedade e o cuidado que devemos ter com falsos ensinos e falsos mestres, que muitas vezes aparecem com uma áurea de piedade absolutamente falsa, enganando a muitos. Devemos conhe cer bem a Palavra de Deus, buscar de Deus o discernimento espiritual e estarmos atentos para os frutos da pessoa para nos certificar de que não estamos sendo enganados. ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 3 “Os falsos mestres exteriormente pa recem justos, mas ‘interiormente são lobos 84 | Díscipulando Professor 4 | devoradores’ (Mt 7.15). Eles devem ser iden tificados pelos seus ‘frutos’. Os ‘frutos’ dos falsos mestres consistem, principalmente, no caráter dos seus seguidores (1 Jo 4.5,6). O falso mestre produzirá discípulos que ma nifestarão as seguintes características: (1) Serão cristãos professos, cuja lealdade é dedicada mais a indivíduos do que à Palavra de Deus (Mt 7.21); honram e servem a cria tura mais do quêao seu Criador (Rm 1.25); (2) serão seguidores que se ocupam mais com seus próprios desejos do que com a glória e a honra de Deus. Sua doutrina será mais antropocêntrica do que teocêntrica (Mt 7.21-23; 2 Tm 4.3); (3) serão seguidores que aceitam doutrinas e tradições dos homens, mesmo que isso contradiga a Palavra de Deus (Mt 7.24-27; 1 Jo 4.6); (4) serão se guidores que buscam mais as experiências religiosas e as manifestações sobrenaturais do que a Palavra de Deus e seus padrões de a Uma árvore boa não pro duzirá frutos maus, e uma árvore má não produzirá frutos bons 35 justiça; a sua experiência religiosa ou mani festações espirituais são a sua autoridade final quanto à autenticidade da verdade (Mt 7.22,23), e não todo o conselho da Pala vra de Deus; (5) serão seguidores que não suportarão a são doutrina, mas procurarão mestres que lhes ofereçam a salvação, em conjunto com o caminho largo da injustiça (Mt 7.13,14,23; 2 Tm 4.3)” (STAMPS, Donald (Ed.). Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p.1399). CONCLUSÃO No mundo de hoje, reina o relativismo. As pessoas não gostam muito de definições claras, de certo e errado, bom e mal. Tudo é muito turvo, impreciso. Porém, o Evangelho é diferente: há bem e mal, certo e errado, céu e inferno, acerto e erro, luz e trevas. Há dois caminhos, duas portas, duas alternativas. Cabe a nós tomarmos o caminho certo, entrarmos pela porta certa e permanecermos nesse ca minho. Mas, não só isso. Não tenhamos receio de pregar a mensagem objetiva do Evangelho a este mundo de incertezas, de indefinições, de flexibilidade moral, de valores invertidos. A luz do Evangelho tem o poder de dissipar as trevas e trazer para a luz todos aqueles que estavam profundamente imersos nelas. APROFUNDANDO-SE “Uma cédula falsificada pode trabalhar muito enquanto passa de mão em mão, comprando coisas boas. Mas toda a sua utilidade não a salvará da destruição quando o caixa do banco declarar: ‘É falsa!’. É possível ao homem de falso cora ção fazer certas coisas boas. Pode-se até perceber edificação pela sua mensagem, porque Deus honra a sua Palavra. Mas a pregação não o salvará da sentença do Juiz: ‘Apartai-vos de mim, vós que pra- ticais a iniqüidade!’. Mais cedo ou Discipulando Professor 4 u mais A 'Ú M tarde, o verdadeiro caráter de cada um será revelado. A árvore boa produz bons frutos; a árvore má, frutos maus. 0 que se pode fazer por alguém que reconhece ser árvore má e deseja ser mudado? Cristo enxertado na vida altera o caráter do ho mem, e esta alteração produzirá nova con duta. Cristo não somente salva, mas salva totalmente, transformando pensamentos e intuitos do coração” (PEARLMAN, Myer. Mateus: O Evangelho do G rande Rei. Rio de Janeiro: CPAD, pp.43-44). SUGESTÃO DE LEITURA ^ Assim diz o Senhor? Se você deseja conhecer mais a Deus, se já recebeu uma profecia ou se foi usado no ministério profético, então este livro é para você! ► A Sedução das Novas Teologias Neste livro, você vai perceber como os princípios da pós-modernídade estão inva dindo as igrejas e afetando negativamente a Teologia. Talvez você já tenha entrado em contato com alguns ensinos e propostas como Igreja Emergente, Teísmo Aberto, Teologia Quantíca, Ortodoxia Generosa e com o chamado evangelho da auto-ajuda, mas nem saibia do que se tratavam. Por isso, é necessário despertar a igreja para a necessidade de uma fé ortodoxa, engajada e sob o poder do Espírito para vencer os desafios do nosso tempo. C.. Qual é a chamada “Regra de Ouro” , ensi nada por Jesus? R. O resumo do espírito da lei e dos profetas proferido por Jesus: “Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós” (Mt 7.12). 3 . O que significam os caminhos apertado e espaçoso, e as portas estreita e larga, citadas por Jesus? R. Significam que o caminho para salvação exige renúncia, enquanto o caminho da per dição, não. A expressão “porta” dá a ideia de início, entrada. Logo, ela quer dizer que não só o caminho para a perdição é espaçoso, como a entrada para esse caminho é larga, cheia de facilidades. Já a porta da salvação é estreita e o caminho, apertado, pois exigem renúncia. 4 . Como identificar um falso profeta? R. Pelos seus frutos: obras, ações, atitudes. 5. Qual será o destino do falso profeta e de seus seguidores? R. A condenação eterna (Mt 7.19). VERIFIQUE O SEU APRENDIZADO 1 . 0 que Jesus invocou como base para nossa perseverança em oração? R. A bondade do Pai celestial. “A Regra de Ouro havia sido declarada de forma negativa antes da vinda de Cristo. Confúcío dis se: ‘Não faça aos outros o que você não gostaria que fizessem a você’. Os mestres judeus tinham um ditado similar. Mas, é geralmente reconhe cido que Jesus foi o primeiro a apresentá-lo de uma forma positiva. Isso é algo muito diferente. Deixar de ferir é uma coisa; estender uma mão para ajudar é outra. Esta atitude positiva é ilustrada pela Parábola do Bom Samaritano (Lc 10.30-35)” (Comentário Bíblico Beacon. vol.6. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, pp.68-9). 86 | Discipulando Professor 4 | / / JeSUS é a nossa identidade TEXTO BÍBLICO BASE Mateus 7.21-29 21 - Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. 22 - Muitos me dirão naquele Dia: Senhor, Se nhor, não profetizamos nós em teu nome? E, em teu nome, não expulsamos demô nios? E, em teu nome, não fizemos muitas maravilhas? 23 - E, então, lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticfis a iniqüidade. 24 - Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha. 25 - E desceu a chuva, e correram rios, e asso- praram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha. 26 - E aquele que ouve estas minhas palavras e as não cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia. 27 - E desceu a chuva, e correram rios, e asso- praram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda. 28 - E aconteceu que, concluindo Jesus este discurso, a multidão se admirou da sua doutrina, 29 - porquanto os ensinava com autoridade e não como os escribas. MEDITAÇÃO Pelo que, rejeitando toda imundícia e acúmu lo de malícia, recebei com mansidão a palavra em vós enxertada, a qual pode salvar a vossa alma. (Tg 1.21) REFLEXÃO BÍBLICA DIÁRIA ► SEGUNDA - Tiago 1.21 -27 ► TERÇA - 2 Pedro 2.17-22 ► QUARTA - 1 João 2.3-6 ► QUINTA-1 João 2.18,19 ► SEXTA - Colossenses 3.12 ► SÁBADO - Mateus 24.24,25 | Discipulando Professor 4 ORIENTAÇÃO AO PROFESSOR INTERAGINDO COM O ALUNO Ao final desta última revista de Discipu- lando, chame a atenção de seus alunos para a exortação final de Jesus em seu Sermão da Montanha para que seus discípulos vivam de acordo com a fé que afirmam professar. Fale sobre a importância do compromisso com os valores do Reino de Deus, sobre a importância de ter uma vida totalmente orientada pelos princípios do Evangelho, esposados na Bíblia Sagrada, nossa única regra de fé e prática. Como trata-se da última lição, você pode aproveitar para rememorar resumidamente alguns pontos do ensino de Jesus no Sermão da Montanha e enfatizar o compromisso firme que devemos ter de encarnar esses valores em nosso dia a dia. Conclua a lição exaltando a pessoa de Cristo como o nosso grande exemplo, nosso modelo a ser perseguido, o “manequim” de nossa fé, o alvo da nossa vocação, Aquele a quem devemos imitar todos os dias como filhos do Reino. E não se esqueça deressaltar tam bém a recompensa divina que receberão todos aqueles que fazem de Cristo o Senhor, modelo e alvo de suas vidas. OBJETIVOS Na lição de hoje, sua aula deve alcançar os seguintes objetivos: ► Deixar claro aos seus alunos o perigo de uma falsa profissão de fé em Jesus; > Explicar a necessidade de vivermos uma vida sobre fundamento verdadeiro; ► Conscientizar seus alunos que Cristo é o nosso grande modelo, o exemplo a ser seguido, a nossa identidade, como filhos do Reino. PROPOSTA PEDAGÓGICA Conscientize seus alunos a não se dei xarem guiar por um tipo de cristianismo bas tante popular hoje em dia, que professa fé em Jesus, mas não tem compromisso algum com o Evangelho de Cristo. Você não precisa ne cessariamente citar o nome de celebridades ou pessoas famosas de hoje que se dizem cristãos, mas não vivem de fato o Evangelho. Basta você mencionar, hipoteticamente, algu mas incoerências bastante comuns na vida da queles que, nos dias de hoje, seguem um falso evangelho, um evangelho que não é realidade em suas vidas. O objetivo dessa explanação é destacar a seus alunos mais uma vez, e de forma enfática, a necessidade de vivermos o Evangelho e não apenas professá-lo e pregá -Io. Portanto, nada melhor do que, através des ses exemplos hipotéticos inspirados na reali dade, ilustrar de forma prática e contextualiza- da a mensagem de Jesus para os nossos dias. 88 Discipulando Professor 4 COMENTÁRIO | INTRODUÇÃO Para fechar com chave de ouro o seu ser mão, o Mestre apresenta uma ilustração clara e contundente sobre a obediência à Palavra de Deus como o verdadeiro teste do discipulado cristão (Mt 7.24-29). Isto é, nessa parte final do Sermão da Montanha, encontramos uma síntese de toda a sua mensagem e um alerta sobre a necessidade de vivermos de fato a mensagem do Evangelho do Reino de Deus. 1. A CONDENAÇÃO DOS FALSOS PROFETAS ► 1.1. Uma falsa profissão de fé. Jesus é claro: não adianta termos uma profissão de fé correta; é preciso viver conforme essa profissão de fé correta (Mt 7.21), e isso só é possível quando permitimos que a mensagem da Palavra de Deus se torne uma realidade em nossa vida (Tg 1.21), inclusive buscando todos os dias a presença do Espírito Santo para nos ajudar cotidianamente a viver as verdades do Evangelho (Fp 2.13). Jesus disse: “Nem todo o que me diz ‘Senhor! Senhor!’...”. Ou seja, não basta chamar Jesus de “Senhor”; é preciso também viver como se Ele fosse realmente Senhor de nossas vidas. 1.2. Operação de milagres não é tudo. Jesus enfatiza aos seus discípulos e à multidão que o ouvia (Mt 7.28) que nem mesmo milagres são comprovação definitiva de um verdadeiro discipulado cristão. Os milagres fazem, sim, parte da vida cristã, entretanto, eles não po dem ser considerados a prova definitiva. Jesus afirma que é possível alguém efetuar milagres, até mesmo em nome dEle, se apresentando como porta-voz do Reino de Deus, mas mesmo assim serem falsos discípulos, porque eles não fazem “a vontade do Pai, que está nos céus” (Mt 7.21). Mas “praticam a iniqüidade” (Mt 7.22,23). Pois como Jesus disse: “Por seus frutos o conhecereis” (Mt 7.16). 1.3. Sem comunhão com Deus. Jesus afirma que, infelizmente, muitos, e não pou cos, tomarão o caminho do falso discipulado: “Muitos me dirão naquele Dia...” (Mt 7.22). Ele afirma também que tais pessoas nunca foram realmente “conhecidas” por Ele: “Nunca vos conheci...” (Mt 7.23). O verbo “conhecer” aqui, como em muitas outras passagens da Bíblia, significa ter um relacionamento íntimo, estar em comunhão pessoal com alguém. Logo, o que Jesus está declarando é que não há relacionamento entre Jesus e um falso discí pulo. Só há comunhão entre Cristo e os seus verdadeiros discípulos. 1.4. A condenação dos falsos discípulos e profetas. Jesus é igualmente claro sobre a condenação daqueles que são falsos discípulos e/ou profetas: “Apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade” (Mt 7.23). Enquanto estamos vivos há tempo de consertarmo-nos com Deus. Porém, se desperdiçarmos essa oportunidade e morrermos em duplicidade de u [...] não basta chamar Jesus de “Senhor”; é preciso também viver como se Ele fosse realmente Senhor de nossas vidas. J5 j Discipulando Professor 4 | vida, vivendo descarada e deliberadamente um falso evangelho, nosso destino será a separação eterna de Deus. ► AUXÍLIO DIDÁTICO 1 “Os discípulos não serão julgados pelo que dizem (‘Senhor, Senhor’) ou pelas ma ravilhas que fazem, mas pelo caráter viven- ciado neste mundo (veja também a Parábola das Ovelhas e Bodes em Mateus 25.31-46). Jesus sustenta que misericórdia dada será recebida com misericórdia (Mt 5.7; 6.14). [...] A expressão ‘naquele dia’ (Mt 7.22) re- fere-se ao dia do julgamento (Mt 24.36; Lc 10.12). Repare também na característica de Mateus: ‘Reino dos Céus’ (Mt 7.21). [...] Este ‘governo de Deus’ requer atos de mi sericórdia como sinal de que a misericórdia de Deus foi recebida no coração, pois o seu Reino de misericórdia visa a dar o perdão jurídico bem como transformar a natureza, disposição e caráter daquele que o recebe” (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Ro- ger (Eds.). Comentário Bíblico Pentecos tal Novo Testamento. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p. 62). 2. EM QUE ESTAMOS ALICERÇADOS? ► 2.1. O homem insensato e o homem prudente. Como desfecho do seu célebre sermão, Jesus usa mais uma ilustração, onde Ele fala de um homem insensato e de um ho mem sábio. O insensato é aquele que edificou a sua casa sobre a areia (Mt 7.26), e o homem prudente é aquele que edificou a sua casa sobre a rocha (Mt 7.24); ou seja, todo aquele que não pratica, ou não cumpre o Evangelho - isto é, não o vive -, é um verdadeiro tolo, pois conhece a verdade, mas não a aplica em sua vida, de maneira que está semeando condenação para si. O prudente é aquele que, conhecendo a verdade, teme e aplica-a sábia e obedientemente à sua vida. Este nunca será 90 | Discipulando Professor 4 | abalado pelas circunstâncias (2 Co 4.8,9), porque ele está firmado em Jesus, de maneira que Cristo vive nele (2 Co 4.10). 2.2. Duas casas, dois fundamentos. Nessa ilustração de Jesus, as duas casas representam a nossa vida; e se guardar a Palavra de Deus é ser edificado sobre a rocha e o oposto é ser edificado sobre a areia, isso significa dizer que ser edificado sobre a rocha representa edificar a vida verdadeiramente sobre a Palavra de Deus, e ser edificado sobre a areia é, por sua vez, edificar a vida sobre um fundamento falso, sobre uma falsa confissão de fé, sobre uma vida de incoerência e desobediência à Palavra de Deus. 2.3. Vencendo as tempestades da vida. Agora, Jesus afirma que as duas casas sofreram as mesmas intempéries. Tanto a casa edificada sobre a areia quanto a casa edificada sobre a rocha enfrentaram “chuva”, “ rios” e “ventos” (Mt 7.25,27). Entretanto, uma casa naturalmente permaneceu de pé - a edificada sobre a rocha - e a outra veio abaixo - a edificada sobre a areia. Isso sig nifica que aquele que tem sua vida edificada sobre um fundamento verdadeiro resiste às tempestades da vida, enquanto aquele que edifica sua vida sobre um fundamento falso não resistirá às tempestades mais intensas. Ou seja, é como disse o apóstolo João, “aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre” (1 Jo 2.17). 2.4. Sobrevivendo ao julgamento di vino. Essa tempestade de que fala Jesus em sua ilustração final não representa apenas as adversidades desta vida, mas também o julgamento divino, que aparece na Bíblia, em algumas passagens, descrito metaforicamente como uma inundação (Is 28.17; Ez 13.10-16). Em outras palavras, Jesus está dizendo também aqui que quando o juízo divino se manifestar,aqueles que estiverem sobre fundamento verdadeiro não serão destruídos, mas aqueles que estiverem edificados sobre um fundamento falso não sobreviverão ao julgamento divino. 3. JESUS: A NOSSA VERDADEIRA IDENTIDADE ► A autoridade de Jesus. A multidão se maravilhou com o ensino de Jesus, re conhecendo nEie uma autoridade que não viam nos escribas e fariseus (Mt 7.28,29). Essa autoridade de Jesus era uma autoridade divina que se refletia naturalmente em suas palavras e gestos. Mais do que isso: quando Jesus falava de humildade, amor, misericórdia etc, eles viam em sua própria vida aquilo que Ele estava ensinando, de maneira que suas palavras ganhavam um peso muito maior. Pregar e ensinar com autoridade o Evangelho é pregá-lo e ensiná-lo vivendo-o e sob o poder divino, como Jesus o fez. ^ AUXÍLIO DIDÁTICO 2 “O que está em jogo não é o nosso compromisso verbal para com o Senhor. Somente fazendo sua vontade é que mani festamos, de maneira adequada, a expres são do nosso relacionamento para com Ele (Mt 7.21-23). Por todo o Sermão do Monte, Jesus tira suas conclusões com uma ilus tração poderosa. Construímos sobre fun damento sólido ao praticarmos as palavras de Jesus. Somente assim estaremos em condições de suportar as tempestades da vida (Mt 7.24-28). O versículo-chave aqui é Mateus 7.24: os ensinamentos de Jesus são uma rocha sólida. [,..] Jesus conclui o sermão com quatro advertências, cada qual caracterizada por comparações duplas: as duas estradas (Mt 7.13,14), as duas árvores (Mt 7.15-20), as duas afirmativas (Mt 7.21 - 23) e os dois construtores (Mt 7.24-27). Es tejamos certos de ter feito, de cada dupla, a escolha mais sábia” (RICHARDS, Lawrence. Guia do Leitor da Bíblia. Rio de Janeiro: CPAD, 2007, CPAD, p.609). í í O prudente é aquele que, conhecendo a verdade, teme e aplica-a sábia e obedientemente à sua vida. 5 5 3.2. Jesus: o nosso exemplo. Cristo enfatiza que o discípulo verdadeiro é aquele que segue de fato ao seu senhor. Ele não apenas o chama de “senhor”, mas se relaciona com ele de fato como tal. O discípulo tem o seu mestre como modelo, padrão, exemplo a ser seguido. O apóstolo Paulo, que foi um discípulo verdadeiro de Cristo, afirmou aos seus discipulandos: “Sede meus imitadores, como também eu, de Cristo” (1 Co 11.1). So mos chamados para seguir os seus passos, para viver como Ele viveu. Isso significa que a verdadeira identidade do cristão é Cristo. Aliás, a expressão “cristão” nada mais quer dizer do que “seguidor de Cristo". Todo aquele que se declara como cristão deve viver como | Discipulando Professor 4 | tal. Todo aquele que se diz filho de Deus, ci dadão do Reino dos Céus, deve imitar o seu Senhor e viver segundo os valores do Reino ao qual pertence. Esse é o ideal máximo dos filhos do Reino (Rm 8.29; Fp 3.13,14). ► AUXÍLIO DIDÁTICO 3 “Cada um de nós tem uma casa para construir, e essa casa representa a nos sa esperança em relação ao céu. Deve ser nosso principal e constante cuidado fazer com que nosso chamado e eleição fiquem garantidos, assim como a nossa salvação. [...] Muitos nunca se importam com isso; é o que está mais longe do seu pensamento. Eles estão construindo para este mundo, como se fossem permanecer aqui para sem pre, e não se importam em construir algo em um outro mundo. [...] Existe uma rocha pro videnciada para nós, sobre a qual podemos construir essa casa - essa rocha é Cristo. Jesus Cristo foi colocado como a sua fun dação, e nenhuma outra fundação pode ser colocada (Is 28.16; 1 Co 3.11). Ele é a nossa esperança (1 Tm 1.1). Esse é o Cristo que está em nós” (HENRY, Matthew. Comentá rio Bíblico do Novo Testamento: Mateus a João. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p.89). ► AUXÍLIO DIDÁTICO 3.1 “Quando é que os cristãos da nossa época perceberão que somente a confissão de fé não é suficiente e que a fé genuína nos leva à obediência? As Sagradas Escri turas procuram, acima de tudo, fazer com que as pessoas ouçam a Palavra de Deus, mas o ouvir válido é aquele ouvir que gera obediência. Devemos lembrar que a palavra hebraica utilizada para ‘ouvir’ é normalmen te traduzida como ‘obedecer’. A obediên cia não ocorre sem que façamos escolhas, compromissos e um exercício da vontade alimentado pelo Espírito. A salvação não é alcançada de outra maneira. Não basta ter mos a aparência de bondade. Saber o que é correto não é suficientemente correto. Na verdade, precisaremos colocar em prática o que sabemos ser correto. Por que a negligência em se colocar em prática os ensinos de Jesus no Sermão do Monte mostra que a pessoa é tola e a sua prática demonstra que ela é prudente? Imagine um mundo - ou uma comunidade - onde as pessoas não abusam verbalmen te umas das outras quando estão furiosas, onde elas não são cobiçosas e não violam os votos matrimoniais, onde elas sempre dizem a verdade, não fazem retaliação da violência sofrida e amam os seus inimigos. Todos nós gostaríamos de viver nesse lugar, não é mesmo? A negligência em vivermos dessa forma é autodestrutiva e tola. Uma vida assim cria estabilidade e paz. E esta é a concentração, de forma suficientemente vá lida, na sabedoria de se seguir a Jesus por toda a nossa vida neste mundo. A parábola trata, primariamente, do tema do Juízo Fi nal. Se o Juízo de Deus for levado a sério, a negligência em vivermos segundo a vontade dEle realmente será uma tolice. i i Existe uma rocha providenciada para nós, sobre a qual podemos construir essa casa - essa rocha é Cristo. 11 92 | Disciplilando Professor 4 | Será que precisaremos enfatizar um juízo? Por mais que repudiemos essa ideia, o Juízo é um aspecto essencial do ensino cristão. Se não haverá juízo, não precisa mos de salvação e o que fizermos, na ver dade, não importará. Jesus ensina que a vida importa. A obediência a Jesus importa” (SNODGRASS, Klyne. Compreendendo as Parábolas de Jesus: Guia Completo. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, pp.475-76). ^ AUXÍLIO DIDÁTICO 3.2 “A obediência nos desafia a ir além do mero entendimento. Algumas das pessoas da multidão eram especialistas em dizer às outras o que fazer, mas não percebiam o essencial das próprias leis de Deus. Jesus deixou claro, no entanto, que obedecer à lei de Deus é mais importante que explicá-la. É muito mais fácil estudar as leis de Deus e dizer aos outros que devem obedecer a elas do que colocá-las em prática. Como está sua obediência a Deus? A obediência nos desafia a ir além da mera conformidade. Os fariseus eram exi gentes e escrupulosos em seus esforços para obedecer às suas leis. Assim, como poderia Jesus nos convocar a uma justiça maior que a deles? A fraqueza dos fariseus era o fato de que se contentavam em obe decer externamente às leis, sem permitir que Deus transformasse seus corações (ou atitudes). Jesus estava dizendo, portanto, que a qualidade de nossa bondade deve ser maior que a dos fariseus. Eles pareciam piedosos, mas estavam longe do Reino de Deus. Deus julga o nosso coração, além das nossas obras, pois é no coração que está a nossa verdadeira lealdade. Esteja igualmen te preocupado com as suas atitudes, que as pessoas não veem, como também com as suas ações, que são vistas por todos. A obediência os desafia a agir por Deus e para Deus com amor. Jesus estava di zendo que os Seus ouvintes precisavam de um tipo de justiça completamente diferen te (amor e obediência), e não apenas uma versão mais intensa da justiça dos fariseus (submissão legal). A nossa justiça deve (1) se originar do que Deus faz em nós, e não do que podemos fazer sozinhos; (2) ser cen trada em Deus, e não egocêntrica; (3) es tar baseada na reverência por Deus, e não na aprovação das pessoas; (4) e ir além daobediência à lei, para que possamos viver segundo os princípios que estão por trás da lei” (Manual da Bíblia de Aplicação Pesso al. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, pp.576-77). ^ AUXÍLIO DIDÁTICO 3.3 “Cada pessoa está a imprimir na alma o caráter que vai passar à eternidade. Esta casa para a alma é composta dos nossos atos, palavras, pensamentos, esperanças e ambições. Como o bicho da seda, tecemos o nosso caráter até atingirmos o próximo está gio de vida. As coisas que dizemos, pesamos ou fazemos permanecem conosco, embora pareçam transitórias. Elas permanecem em nossa memória e hábitos, de centenas de maneiras, a influenciar-nos o caráter. Por tanto, a grande pergunta é: O que você está edificando? Falando figurativamente, algu mas pessoas estão edificando lojas e imer gindo nos negócios; outras constroem casas de prazer, onde dissipam suas vidas em fri volidade; outras ainda fazem prisões, onde jazem atados pelas cordas do pecado. Mas, graças a Deus, há muitas pessoas edifican do templos para adorar e servir a Deus. Ou tra pergunta importante: Que materiais você esta colocando na sua construção? Cada ato de pecado, covardia, egoísmo ou ambigüida de representa material inferior. Bondade, pa ciência, generosidade e consagração repre sentam material sólido” (PEARLMAN, Myer. Mateus: O Evangelho do Grande Rei. Rio de Janeiro: CPAD, 1995, pp.45-46). | Discipulando Professor 4 | CONCLUSÃO O Evangelho de Cristo nos conclama à obediência. O Reino de Deus nada mais é do que Deus reinando sem rival no trono do nosso coração. Não há Evangelho de Cristo em nossa vida se não procuramos viver como Ele andou. Cristo é a nossa identidade. Viva mos, pois, os seus passos, a sua mensagem, o seu exemplo, a sua vida, não apenas hoje, mas todos os dias. Só assim poderemos, de fato, dizer que somos seguidores de Cristo. Só assim poderemos vencer as tempestades da vida e, no dia do juízo divino, sermos louvados por Deus pela nossa fidelidade sincera a Ele. APROFUNDANDO-SE “Alguns que se autodenominam atletas podem gabar-se de sua atuação em um esporte, mas isso não prova suas habilidades inatas. Do mesmo modo, nem todo aquele que fala sobre o céu faz parte do Reino de Deus. Jesus está mais preocupado com o nosso compor tamento do que com o nosso discurso. Ele quer que façamos o que é certo, e não apenas ensinemos o que é correto. A sua casa, que representa sua vida (Mt 7.24), resistirá às tempestades da vida apenas se você fizer o que é correto, em vez de apenas falar disso. Aquilo que você faz não pode ser diferente do que você diz crer. [...] No dia do Juízo, haverá o ajuste final de contas (Mt 7.22). Deus resolverá todas as pendências, julgando o pecado e recompensando a fé. Edificar a casa sobre a rocha (Mt 7.24) significa ser um discípulo que ouve e coloca em prática o que aprendeu, e não que age com impru dência e superficialidade. A obediência é o sólido fundamento para que possamos resistir às tempestades da vida. [...] Como uma casa feita de papelão, a vida do tolo se desmancha, reduzindo-se a pó” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p. 1231). 94 | Discipulando Professor 4 | í t 0 Reino de Deus nada mais é do que Deus reinando sem rival no trono do nosso coração. Não há Evange lho de Cristo em nossa vida se não procuramos viver como Ele andou. Cristo é nossa identi dade. 5J r j SUGESTÃO / DE LEITURA ► Como vencer a Frustação Espiritual O que leva um crente dedicado, ativo, ope roso, sincero em sua fé, honesto em sua devoção, a desenvolver uma vida espiritual doentia, marcada por neuroses, bizarrias e frustrações? Por que há pessoas que quanto mais se dedicam à.sua vida espiritual, quanto mais buscam a Deus, acabam neurotizadas, em vez de encontrar cura e equilíbrio para seus corações? Através deste livro, você descobrirá que a cura para as feridas da alma passa inexo ravelmente por uma compreensão correta sobre quem é Deus, a vida cristã e a natu reza humana, sempre à luz das Sagradas Escrituras. ► Uma Jornada de Fé O livro do Êxodo é famoso por mostrar o início da escravidão dos hebreus pelos egíp cios, a escolha de Moisés como libertador e a forma como Deus retirou os hebreus do jugo egípcio. E nele, a figura de Moisés ocupa um lugar central. Moisés foi, sem dúvida alguma, uma das maiores personalidades e um dos maiores heróis da fé de todos os tempos. Nesta obra, acompanharemos a história de Moisés no Êxodo bem como o seu legado para o povo de Israel, para a humanidade como um todo e para a igreja até os dias de hoje ► Crescimento em Cristo Orientações bíblicas para o novo convertido com exposições dos passos fundamentais da nova vida em Cristo e como vivê-la vito riosamente. VERIFIQUE O SEU APRENDIZADO 1 . Qual é o verdadeiro teste do discipulado cristão? R. O teste da obediência. 2 . É possível alguém se dizer de Jesus, falar e operar milagres em seu nome, e ser um falso discípulo dEle? R. Sim, quando ele não pratica o Evangelho em sua vida, no dia a dia. 3 . Qual será a condenação dos falsos discí pulos e profetas? R. Serão separados eternamente de Deus. 4 . O que significam as duas casas e os dois fundamentos da ilustração final de Jesus no Sermão do Monte? R. As duas casas representam a nossa vida; a rocha representa o fundamento verda deiro, a Palavra de Deus não apenas pregada, mas vivida; e a areia é o fundamento falso, uma falsa confissão de fé, uma vida de incoerência e desobediência à Palavra de Deus. 5 . Qual é a nossa maior referência e exemplo como filhos do Reino? R. O Senhor Jesus. ► “O clima da Palestina é como o do sul da Califórnia [EUA], sob muitos aspectos. Os leitos dos rios ficam secos durante a maior parte do ano. Mas quando as chuvas do inverno e da primavera chegam, surgem as inundações. Jesus retratou o ouvinte descuidado como um homem que de for ma insensata construiu a sua casa sobre a areia, e então a perdeu. As casas na Palestina eram em sua maioria construí das com pedras ou com tijolos secos ao sol. Quando as tempestades dissolviam a argamassa, as paredes tendiam a cair” (Comentário Bíblico Beacon. vol.6. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p.69). | Discipulando Professor 4 | LIVRARIAS CPAD RIO DE JANEIRO • CPAD Matriz Av. Brasil. 34,401 - Bangu - CEP21852-000 - Rio de Ja neiro - RJ / Tel.: (21) 2406-7373 - Fax: (21) 2406-7326 E-mail: comerciai@cpadcom.br Telemarketing 0800-21-7373 Ligação gratuita (de segunda a sexta, das 8h30 às 20h. e aos sábados, das 8h30 às 18h) • SAC (Serviço de Atendimento ao Cliente) • Atendimento a Livreiros • Atendimento a Colportores, Seminaristas • Atendimento a Igrejas, Pastores: Consumidores • Revenda de Periódicos • Assinaturas de Periódicos Livraria Virtual http://www.cpad.com.br • VICENTE DE CARVALHO AV. VICENTE DE CARVALHO, 1083 - 21210-000 - RIO DE JANEIRO / FONE: 21- 2481-2101/2481-2350 E-MAIL: vicentecarvalho@cpad.com.br Gerente: Severino Joaquim da Silva Filho • NOVA IGUAÇU AV. GOVERNADOR AMARAL PEIXOTO, 427 LOJA 101E 103 - GALERIA VEPLAN - CENTRO - CEP. 26210-060 FONE: 21- 26674061/2667-8163 EMAIL: novaiguaçu@cpad.com.br Gerente: Patrick Oliveira • NITERÓI RUA AURELIANO LEAL, 47 LOJA A E B CENTRO - 24020-110 - NITERÓI / TEL21- 2620-4318/2621-4038 EMAIL: niteroi@cpad.com.br Gerente: Heder Silva de Calazans •CENTRO RUA PRIMEIRO DE MARÇO. 8 TEL.21-2509-3258/2507-5948 EMAIL: vendas.rj@cpad.com.br Gerente: Charles Belmonte • SHOPPING JARDIM GUADALUPE AV. BRASIL 22.155 - ESPAÇO COMERCIAL 115/01 GUA DALUPE / TEL. 21- 3369-2487 EMAIL: Guadalupe@cpad.com.br AMAZONAS RUA BARROSO, 36 CENTRO - CEP. 69010-050 MANAUS - AM / TEL. 92- 2126-6950/ EMAIL: Manaus@cpad.com.br Gerente: Jucicleide Gomes da Silva BAHIA AV. ANTONIO CARLOS MAGALHÃES. 4009 - LOJA A - CEP. 402-000 - PITUBA/SALVADOR TEL 71- 2104-5300/ EMAIL: salvador@cpad.com.br Gerente: Mauro Gomes da Silva BRASÍLIA SETOR COMERCIAL SUL - QD 5 BL C. LOJA 54 - GALE RIA OUVIDOR - CEP. 70305-918 /DF TEL. 61- 2107-4750/ EMAIL: brasilia@cpad.com.br Gerente: Marco Aurélio da Silva ESPÍRITO SANTO BOULEVARD SHOPPING VILA VELHA - ES ROD. DO SOL. 5000 LOJA 1074/1075 - PRAIA-DEITAPE- RICA CEP 29102-020 - VILA VELHA TEL. 27-3202-2723 /EMAIL: vendas.es@cpad.com.br Gerente: Ricardo Silva MARANHÃO RUA DA PAZ. 428 CENTRO - SÃO LUIZ CEP. 65020-450 TEL 98-3231-6030/2108-8400/E-MAIL: saoiuiz@cpad. com.br Gerente: Willians Roberto Ferreira MINAS GERAIS RUA SÃO PAULO, 1371 - LOJA 23 CENTRO CEP. 30170-131 - BELO HORIZONTE MG TEL 31-3431-4000 E-MAIL: beiohorizonte@cpad.com.br Gerente: Wisdamy Almeida PARANÁ RUA SENADOR XAVIER DA SILVA 450 CENTRO CÍVICO CEP. 80530-060 CURITIBA / TEL.41-2117-7950 E-MAIL: Curitiba@cpad.com.br Gerente: Maria Madalena Pimentel da Silva PERNAMBUCO AV. DANTAS BARRETO, 1021 - SÃO JOSÉ CEP. 50020-000 - RECIFE TEL.81-3424-6600 / 2128-4750 E-MAIL; recife@cpad.com.br Gerente: Edgard Pereira dos Santos Junior SANTA CATARINA RUA SETE DE SETEMBRO. 142 LOJA 1 CENTRO CEP. 88.010.060 FLORIANÓPOLIS TEL.48-3225-3923/3225-1128 E-MAILfloripa@cpad.com.br Gerente: Geziel Damasceno SÃO PAULO RUA CONSELHEIRO COTEGIPE. 2010 BELENZINHO CEP. 03058-000 SP / TEL 11-2198-2702 E-MAIL: saopaulo@cpad.com.br Gerente-. Jefferson de Freitas Galeria Pedro Jorge Distribuidor CPAD Rua Senador Pompeu, 834 loja 27 - Centro CEP. 60025-000 - Fortaleza - CE - Tel.: (85) 3231-3004 E-mail: vendas.cpad@casadabiblia.com Gerente: José Maria Nogueira Ura E. L. Gouveia Distribuidor CPAD Av. Governador José Melcher. 1.579 - Centro 66060-230 - Belém - Pará / Tel.; (91) 3222-7965 E-MAIL: gouveia@pastorfirmino.com.br Gerente: Benedito de Moraes Jr. Livraria Assembleia de Deus Distribuidor CPAD Av. Rubens de Mendonça, 3.500 - Centro 78040-400 - Cuiabá - MT / Tel..- (65) 3644-2136 E-MAIL e-mail: iivraria@cantares.com.br Gerente: Edmilson José Silva CPAD ESTADOS UNIDOS 3939 NORTH FEDERAL HIGHWAY - POMPANO BEACH. FL 33064 USA / TEL.954-941-9588/954-941-4034 E-MAIL: editpatmos.com Gerente-, Jonas Mariano CPAD PORTUGAL AV. ALMIRANTE GAGO COUTINHO158-1700-030 - LIS BOA PORTUGAL / TEL. 351-21-842-9190 351-21-840-9361 / E-MAIL capu@capu.pt CPAD JAPÃO GUNMA-KEN OTA-SHISHIMOHAMADA-CHO 304-4 T 373-0821 / TEL.81-276-48-8131/81-8942-3669 E-MAIL: cpadjp@hotmail.com Gerente-. Joelma Watabe Barbosa | Discípulando Professor 4 CONFERENCIAS REGIÃO SUDESTE 25a CONFERÊNCIA DE ESCOLA 24, 25, 26 e 27 de março de 2016 26a CONFERÊNCIA DE ESCOLA DOMI 21, 22, 23 e 24 de julho de JOINVILLE - SC 27a CONFERENCIA DE ESCOLA DOM 22, 23, 24 e 25 de setembro de 2016 com.br ora da Escola Dom inical i r -' : - ; - . 24a- CONFERÊNCIA MUNDIAL PENTECOSTAL 7 A IO DE SETEMBRO DE 2016 Discipulando^Pnull Díscipulandonull do Reinonull de Deusnull TEXTO BÍBLICO BASEnull MEDITAÇÃOnull PROFESSORnull INTERAGINDO COM O ALUNOnull PROPOSTA PEDAGÓGICAnull COMENTÁRIO | INTRODUÇÃOnull 1.nullO SERMÃO DA MONTANHA E O CARÁTER DOS FILHOS DO REINOnull ^ AUXÍLIO DEVOCIONAL1null 2.nullAS BEM-AVENTURANÇASnull ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 2null 3.nullNÓS SOMOS BEM-AVENTURADOSnull ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 3null CONCLUSÃOnull APROFUNDANDO-SEnull r j SUGESTÃO Nl// DE LEITURAnull APRENDIZADOnull Sal e Luznull TEXTO BÍBLICO BASEnull MEDITAÇÃOnull PROPOSTA PEDAGÓGICAnull OBJETIVOSnull COMENTÁRIO | INTRODUÇÃOnull 1 . “VÓS SOIS O SAL DA TERRA” íínull J5null AUXÍLIO DIDÁTICO 1null 2. “VÓS SOIS A LUZ DO MUNDO” ^ AUXÍLIO DIDÁTICO 2null 3.nullINFLUENCIANDO A SOCIEDADEnull ^ AUXÍLIO DIDÁTICO 3null CONCLUSÃOnull APROFUNDANDO-SEnull SUGESTÃO DE LEITURAnull APRENDIZADOnull TEXTO BÍBLICO BASEnull MEDITAÇÃOnull PROFESSORnull INTERAGINDO COM O ALUNOnull PROPOSTA PEDAGÓGICAnull COMENTÁRIO | INTRODUÇÃOnull 1.nullCRISTO CUMPRIU TODA A LEInull 55null ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 1null 2.nullO PERIGO DE SE FAZER DA LETRA UMA RELIGIÃO MECÂNICAnull ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 2null 3.nullA JUSTIÇA DO REINO DE DEUSnull ► AUXÍLIO TEOLÓGICO 3 CONCLUSÃOnull APROFUNDANDO-SEnull APRENDIZADOnull TEXTO BÍBLICO BASEnull MEDITAÇÃOnull PROFESSORnull INTERAGINDO COM O ALUNOnull PROPOSTA PEDAGÓGICAnull OBJETIVOSnull COMENTÁRIO | INTRODUÇÃOnull 1.nullO EVANGELHO NÃO É ANTINOMIANISTAnull ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 1null 2.nullCÓLERA: O PASSO PARA O HOMICÍDIOnull ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 2null 3. A “OFERTA NO ALTAR” E OS PROCESSOS LEGAISnull ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 3null CONCLUSÃOnull APROFUNDANDO-SEnull SUGESTÃO DE LEITURAnull APRENDIZADOnull a Fidelidade no Casamentonull TEXTO BÍBLICO BASEnull MEDITAÇÃOnull PROFESSORnull INTERAGINDO COM O ALUNOnull PROPOSTA PEDAGÓGICAnull COMENTÁRIO | INTRODUÇÃOnull 1.nullJESUS CONDENA A LUXÚRIAnull ítnull ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 1null 2.nullA INTENÇÃO DO CORAÇÃO TRANSPARECERÁ NOS MEMBROS DO CORPOnull ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 2null 3.nullA INDISSOLUBILIDADE DO CASAMENTOnull ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 3null CONCLUSÃOnull APROFUNDANDO-SEnull APRENDIZADOnull TEXTO BÍBLICO BASEnull PROFESSORnull INTERAGINDO COM O ALUNOnull OBJETIVOSnull PROPOSTA PEDAGÓGICAnull COMENTÁRIO | INTRODUÇÃOnull 1.nullNÃO JUREIS NEM PELO CÉU NEM PELA TERRAnull ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 1null íínull J5null 2. AS PALAVRAS DO DISCÍPULO DEVEM SER “SIM, SIM” E “NÃO, NÃO” y AUXÍLIO TEOLÓGICO 2null 3. SEJAMOS HONESTOS COM AS NOSSAS PALAVRASnull ► AUXÍLIO TEOLÓGICO 3 CONCLUSÃOnull APROFUNDANDOnull SUGESTÃO DE LEITURAnull APRENDIZADOnull TEXTO BÍBLICO BASEnull MEDITAÇÃOnull PROFESSORnull INTERAGINDO COM O ALUNOnull PROPOSTA PEDAGÓGICAnull 1. A VINGANÇA NÃO É DE CRISTOnull COMENTÁRIO | INTRODUÇÃOnull ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 1null 2.nullAMAR O PRÓXIMO É AMAR A DEUSnull ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 2null 3.nullBUSCANDO A PERFEIÇÃO DE CRISTOnull ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 3null CONCLUSÃOnull APROFUNDANDO-SEnull APRENDIZADOnull Hipocrisia, mas com Verdadenull TEXTO BÍBLICO BASEnull MEDITAÇÃOnull PROFESSORnull INTERAGINDO COM O ALUNOnull OBJETIVOSnull PROPOSTA PEDAGÓGICAnull COMENTÁRIO | INTRODUÇÃOnull 1.nullESMOLAS SEM HIPOCRISIAnull ► AUXÍLIO TEOLÓGICO 1 2.nullAJUDANDO O PRÓXIMO SEM ALARDEnull ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 2null 3.nullDEUS VÊ O BEM QUE FAZEMOS EM SECRETOnull íínull 33null ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 3null SUGESTÃO DE LEITURAnull APRENDIZADOnull Lição 9null TEXTO BÍBLICO BASEnull MEDITAÇÃOnull mas Conscientenull PROFESSORnull INTERAGINDO COM O ALUNOnull OBJETIVOSnull PROPOSTA PEDAGÓGICAnull COMENTÁRIO | INTRODUÇÃOnull 1. A ORAÇÃO É UMA CONVERSA COM O PAInull ^ AUXÍLIO DIDÁTICO 1null 2.nullA ORAÇÃO QUE JESUS ENSINOUnull ^ AUXÍLIO DIDÁTICO 2null 3.nullORAÇÃO E JEJUMnull ^ AUXÍLIO DIDÁTICO 3null CONCLUSÃOnull APROFUNDANDOnull Ty SUGESTÃO DE LEITURAnull APRENDIZADOnull TEXTO BÍBLICO BASEnull MEDITAÇÃOnull PROFESSORnull INTERAGINDO GOM O ALUNOnull OBJETIVOSnull PROPOSTA PEDAGÓGICAnull COMENTÁRIO | INTRODUÇÃOnull 1. A RIQUEZA DA TERRA EA RIQUEZA DO CÉUnull ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 1null 2.nullNÃO PODEMOS SERVIR A DEUS E AO DINHEIROnull iínull jjnull ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 2null 3.nullVIVENDO A QUIETUDE DO REINO DE DEUSnull ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 3null CONCLUSÃOnull APROFUNDANDO-SEnull APRENDIZADOnull Não Julgue o Próximo, para que não sejas julgadonull TEXTO BÍBLICO BASEnull MEDITAÇÃOnull PROFESSORnullINTERAGINDO COM O ALUNOnull PROPOSTA PEDAGÓGICAnull COMENTÁRIO | INTRODUÇÃOnull 1.nullNÃO DEVEMOS SER JULGADORES DOS OUTROSnull ► AUXÍLIO TEOLÓGICO 1 2.nullDEVEMOS PRIMEIRO OLHAR PARA NÓS MESMOSnull ► AUXÍLIO TEOLÓGICO 2 3.nullE SE FÔSSEMOS JULGADOS PELA SEVERIDADE DE DEUS?null íinull 55null ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 3null CONCLUSÃOnull APROFUNDANDO-SEnull SUGESTÃO DE LEITURAnull APRENDIZADOnull a Bondadenull falsos profetasnull TEXTO BÍBLICO BASEnull MEDITAÇÃOnull OBJETIVOSnull PROPOSTA PEDAGÓGICAnull COMENTÁRIO | INTRODUÇÃOnull 1.nullDEUS É BOMnull íínull 53null ► AUXÍLIO TEOLÓGICO 1 2.nullELE NOS OFERECE A ESCOLHA DE DOIS CAMINHOSnull ^ AUXÍLIO DIDÁTICO 2null 3.nullA MENTIRA DOS FALSOS PROFETASnull ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 3null 35null CONCLUSÃOnull APROFUNDANDO-SEnull SUGESTÃO DE LEITURAnull APRENDIZADOnull JeSUS é a nossa identidadenull TEXTO BÍBLICO BASEnull MEDITAÇÃOnull PROFESSORnull INTERAGINDO COM O ALUNOnull PROPOSTA PEDAGÓGICAnull COMENTÁRIO | INTRODUÇÃOnull 1.nullA CONDENAÇÃO DOS FALSOS PROFETASnull J5null ► AUXÍLIO DIDÁTICO 1 2.nullEM QUE ESTAMOS ALICERÇADOS?null 3.nullJESUS: A NOSSA VERDADEIRA IDENTIDADEnull ^ AUXÍLIO DIDÁTICO 2null íínull 55null ► AUXÍLIO DIDÁTICO 3 ► AUXÍLIO DIDÁTICO 3.1 iinull 11null ^ AUXÍLIO DIDÁTICO 3.2null ^ AUXÍLIO DIDÁTICO 3.3null CONCLUSÃOnull APROFUNDANDO-SEnull ítnull 5Jnull r j SUGESTÃO / DE LEITURAnull APRENDIZADOnull