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Arminio e seus escritos
As doutrinas b íb licas e teológicas, com o 
p a ssa r do tem po, foram desenvolvidas e 
aperfeiçoadas, de tal form a que a teologia 
que tem os hoje é fruto de um longo processo 
de pesquisa bíblica, m editação e debates na 
busca do que o hom em entende ser aquilo 
que Deus realm en te falou em sua Palavra.
Uma das m ais im portantes doutrinas teo ­
lógicas é a da Salvação. Ela aborda a form a 
com o som os salvos, por que som os salvos 
e o m ecan ism o dessa salvação. De acordo 
com a Palavra de Deus, a salvação é ofere­
cida a todos, m as a sua con cretização vai 
depender do livre-arbítrio hum ano, ou seja,
o hom em precisa decidir entre re je itar sua 
vida de pecados e aceitar a Jesus Cristo como 
seu Salvador e Senhor, ou re jeitar a Cristo e 
su jeitar-se à perdição eterna. Jacó Armínio 
trouxe luz aos debates da salvação pela fé e, 
por m eio do estudo aprofundado da Palavra 
de Deus, nos ensin a que a p resciên cia de 
Deus não determina antecipadam ente quem 
vai ou não para o céu, pois Cristo morreu por 
todos indistintam ente, m as apenas aqueles 
que crerem serão salvos; e a graça de Deus, 
no to ca n te à salvação, pode ser resistid a 
pelo pecador.
Obra: ARMÍNIO, Jacó. As Obras de Armínio.
Rio de Janeiro: CPAD, 2015.
Discipulando^P
Sumário
Tema: Portando uma Nova Identidade
Comentarista: Silas Daniel
► Lição 1 - UM NOVO CARÁTER: A LEI DO REINO DE DEUS .......................................... 3
► Lição 2 - VOCÊ É SAL E L U Z ................................................................................................ 70
► Lição 3 - CRISTO, O DISCÍPULO EA LEI.................................................................................. 77
► Lição 4 - DESVIANDO-SE DA CÓLERA E DO HOMICÍDIO.............................................24
► Lição 5 - A FIDELIDADE NO CASAMENTO........................................................... ........... 31
► Lição 6 - A HONESTIDADE COM AS PALAVRAS...............................................................38
► Lição 7 - SOBRE A VINGANÇA E O AMOR.............................................................. ..............45
► Lição 8 - SEM HIPOCRISIA, MAS COM VERDADE..........................................................52
► Lição 9 - ORAÇÃO NÃO MECÂNICA, MAS CONSCIENTE........................................ 59
► Lição 10 - A AMBIÇÃO DO DISCÍPULO:
NÃO A “SEGURANÇA” DOS BENS MATERIAIS............ ..................................66
► Lição 11 - NÃO JULGUE O PRÓXIMO, PARA QUE NÃO SEJAS JULGADO.................... 73
► Lição 12- A BONDADE DE DEUS E OS FALSOS PROFETAS ............. ,.................... 80
► Lição 13- JESUS É A NOSSA IDENTIDADE........................................................................ 87
1 | Discipularido Professor 4
Díscipulando
Professor
CASA PUBLICADORA DAS 
ASSEMBLEIAS DE DEUS
Av. Brasil, 34.401 - Bangu
Rio de Janeiro - RJ - cep: 21852/002
TeL (21) 2406-7373 / Fax: (21) 2406-7326
Presidente da Convenção Geral das 
Assembleias de Deus no Brasil 
José Wellington Bezerra da Costa
Presidente do Conselho Administrativo 
José Wellington Costa Júnior
Diretor Executivo 
Ronaldo Rodrigues de Souza
Gerente de Publicações 
Alexandre Claudino Coelho 
Consultoria Doutrinária e Teológica 
Antonio Gilberto e 
Claudionor de Andrade
Gerente Financeiro
Josafá Franklin Santos Bomfim
Gerente de Produção e Arte & Design
Jarbas Ramires Silva
Gerente Comercial
Cícero da Silva
Gerente da Rede de Lojas
João Batista Guilherme da Silva
Chefe de Arte S Design 
Wagner de Almeida 
Chefe do Setor de Educação Cristã 
César Moisés Carvalho
Editor
Marcelo Oliveira de Oliveira
Projeto Gráfico - capa e miolo 
Jonas Lemos 
Diagramação 
Nathany Silvares
EDITORIAL
Prezado professor,
Chegamos ao fim do nosso “curso” 
que fornece as primeiras informações ne­
cessárias ao viver cristão.
Esse quarto e último ciclo de estudos 
fala da nova identidade do convertido ao 
Evangelho. No ciclo passado, estuda­
mos as aplicações práticas das grandes 
verdades da Bíblia. Neste, estudaremos 
acerca da aplicabilidade dos valores do 
Sermão do Monte. Toda a ética e a moral 
do Reino de Deus estão explicitadas nes­
se Sermão. O ensino do Sermão do Mon­
te é bálsamo para a nossa vida em Cristo.
Que o Senhor o ajude no ensino des­
se último ciclo de estudos. Permita Deus, 
que nessa última etapa de aprendizado, 
você e os alunos possam regozijar-se 
por terem conhecido um pouco mais de 
como servir ao Mestre.
Os Editores.
2 | Discipulando Professor 4 |
a Lei
Um Novo
do Reino
Caráter:
de Deus
TEXTO BÍBLICO BASE
Mateus 5.1-12
1 - Jesus, vendo a multidão, subiu a um monte,
e, assentando-se, aproximaram-se dele os 
seus discípulos;
2 - e, abrindo a boca, os ensinava, dizendo:
3 - Bem-aventurados os pobres de espírito,
porque deles é o Reino dos céus;
4 - bem-aventurados os que choram, porque
eles serão consolados;
5 - bem-aventurados os mansos, porque eles
herdarão a terra;
6 - bem-aventurados os que têm fome e sede
de justiça, porque eles serão fartos;
7 - bem-aventurados os misericordiosos, por­
que eles alcançarão misericórdia;
8 - bem-aventurados os limpos de coração,
porque eles verão a Deus;
9 - bem-aventurados os pacificadores, porque
eles serão chamados filhos de Deus;
10 - bem-aventurados os que sofrem perse­
guição por causa da justiça, porque deles 
é o Reino dos céus;
11 - bem-aventurados sois vós quando vos 
injuriarem, e perseguirem, e, mentindo,
disserem todo o mal contra vós, por minha 
causa.
12 - Exultai e alegrai-vos, porque é grande o 
vosso galardão nos céus; porque assim per­
seguiram os profetas que foram antes de vós.
MEDITAÇÃO
Porque o Reino de Deus não é comida nem 
bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito 
Santo. (Rm 14.17)
REFLEXÃO BÍBLICA DIÁRIA
► SEGUNDA - Romanos 14.17-19
► TERÇA-Salmos 51.17
► QUARTA - Apocalipse 21.4
► QUINTA-Hebreus 12.14 
-t SEXTA - Mateus 6.33
► SÁBADO - Míqueias 6.8
| Discipulando Professor 4 |
ORIENTAÇÃO AO
PROFESSOR
INTERAGINDO COM O ALUNO
O Sermão da Montanha é um dos textos 
mais importantes da Bíblia para o cristão, por­
que nele Jesus apresenta aos seus discípulos 
o alto padrão pelo qual eles devem se condu­
zir na vida. Esse padrão se choca frontalmen- 
te com o estilo de vida pregado pelo mundo. 
Por isso, a lição deste trimestre se constitui 
numa excelente oportunidade para incutir na 
mente e no coração dos seus alunos o estilo 
de vida do discípulo do Senhor no mundo.
Na lição de hoje, enfoque as qualidades 
que o cristão deve manifestar em seu caráter, 
e que são apresentadas por Jesus nas oito 
beatitudes que abrem o seu célebre sermão. 
Aproveite para ressaltar como elas se diferen­
ciam dos valores apreciados pelo mundo.
Em contraste com a autossuficiência, 
Jesus ensina a humildade de coração; em 
contraste com a indiferença, Jesus ensina a 
importância da sensibilidade espiritual; em 
contraste com o orgulho e a arrogância, Ele 
ensina a mansidão; em contraste com uma 
vida acomodada, Ele nos ensina a termos 
fome e sede pelas coisas espirituais; em con­
traste com o egoísmo, a misericórdia; em con­
traste com a malícia, a pureza de coração; em 
contraste com uma conduta situacionista, a 
fidelidade ao que é certo mesmo no momento 
de dificuldade.
Destaque essas diferenças e inspire seus 
alunos a viverem o padrão do Reino de Deus 
em suas vidas.
OBJETIVOS
Sua aula deverá alcançar os 
seguintes objetivos:
► Conscientizar seus alunos sobre o que é 
a verdadeira felicidade segundo a Bíblia;
► Diferençar o padrão moral do Reino de 
Deus do estilo de vida do mundo;
t Inspirar seus alunos a viverem o padrão 
estabelecido porJesus no Sermão do 
Monte.
PROPOSTA PEDAGÓGICA
Para introduzir a lição, proponha a se­
guinte reflexão aos seus alunos: “Afinal de 
contas, o que é felicidade? Ela está relacio­
nada a coisas ou a um modo de vida?” . Em 
seguida, explique-lhes que Jesus se importa­
va com esse tema porque, depois de esco­
lher os seus primeiros discípulos, Ele pregou 
o Sermão da Montanha, cujo objetivo era o de 
ensiná-los a viver e se conduzir.
Conscientize os seus alunos sobre a 
importância de, como filhos de Deus, desen­
volvermos em nossas vidas as qualidades 
apresentadas por Jesus nas oito beatitudes 
expostas no Sermão do Monte.
4 | Discipulando Professor 4 |
COMENTÁRIO | INTRODUÇÃO
No primeiro ciclo do nosso curso, estudamos 
sobre o Reino de Deus e a pessoa de Jesus Cristo. 
Neste trimestre, o último, desta série de quatro 
ciclos de estudos, estudaremos o caráter dos 
filhos deste Reino, ou seja, os valores que devem 
orientar e caracterizar a vida de todos aqueles 
que um dia entregaram as suas vidas a Jesus, 
tomando-se filhos, membros e embaixadores 
do Reino de Deus. Como membros deste Rei­
no, temos a responsabilidade de viver de forma 
condizente com ele, e essa nova forma de viver 
encontra-se resumida no chamado Sermão da 
Montanha, proferido por Jesus no início do seu 
ministério terreno. Esse célebre sermão de Jesus 
encontra-se, em sua totalidade, nos capítulos 5 a
7 do Evangelho de Mateus, cujos textos servirão 
de base para o nosso estudo neste ciclo.
1. O SERMÃO DA MONTANHA E O 
CARÁTER DOS FILHOS DO REINO
► 1.1.0 Sermão da Montanha. O “Sermão 
da Montanha” ou “Sermão do Monte” é a mais 
célebre mensagem de Jesus registrada na 
Bíblia. Ele recebeu esse nome porque Jesus 
o proferiu quando estava assentado sobre um 
monte, rodeado por seus discípulos e tendo 
uma multidão na planície a ouvi-lo (Mt 5.1,2; 
Lc 6.17-20). Originalmente, Jesus proferiu esse 
ensino para os seus discípulos. Mas a multidão 
na planície, ao pé daquela elevação, também 
acabou desfrutando do seu ensinamento nesse 
dia (Mt 7.28). Quando proferiu esse sermão, o 
Mestre havia escolhido, não fazia muito tempo, 
os seus primeiros discípulos (Mt 4.12-25) e os 
doze apóstolos (Lc 6.12-16), e desejava agora, 
por meio desse sermão, ensiná-los sobre o 
verdadeiro discipulado, sobre como seus dis­
cípulos deveriam viver e se conduzir. O Sermão 
da Montanha apresenta, portanto, o padrão 
de vida e de comportamento estabelecido por 
Deus para os seus filhos.
► 1.2.0 caráter dos filhos do Reino. Jesus 
abre o Sermão da Montanha falando aos seus 
discípulos sobre um assunto muito importante:
a relação entre o caráter e a felicidade. Ora, sa­
bemos que o objetivo de vida do ser humano é 
buscar a felicidade. Não há dúvida de que todas as 
pessoas, de alguma forma, procuram ser felizes. 
Entretanto, nem todas realmente conseguem 
isso. O máximo que a maioria consegue são 
momentos passageiros de euforia, não poucas 
vezes seguidos por momentos de depressão. 
No entanto, felicidade, tem a ver com o estilo 
de vida, ou seja, não tem nada a ver com “ter”, 
mas, sim, com “ser”. Mais especificamente, tem 
a ver com o que chamamos de “caráter”. É o 
que Jesus ensina em seu Sermão da Montanha.
No texto bíblico que serve de base para 
a lição de hoje, vemos Jesus chamando de 
“bem-aventuradas” - ou “felizes” - pessoas que 
apresentam determinadas qualidades em seu 
caráter que são manifestadas no seu dia a dia. 
Ele não está falando, aqui, de temperamentos, 
mas de caráter que se manifesta em atitudes 
concretas, um caráter que é fruto da ação do 
Espírito de Deus em nossas vidas. Qualquer 
pessoa, não importa seu temperamento, uma 
vez que se submeta a essa ação divina, pode 
manifestar esse novo caráter em sua vida e, 
consequentemente, novas atitudes.
Ao afirmar que felizes são os humildes, os 
mansos, os misericordiosos e os pacificadores, 
Jesus está dizendo que a verdadeira felicidade 
é uma conseqüência natural na vida daqueles 
que manifestam no seu dia a dia um estilo de 
vida baseado nos valores divinos. Somente esse 
estilo de vida, produzido pela transformação
| Discipulando Professor 4 |
que o Evangelho de Cristo opera em nossas 
vidas, pelo poder do Espírito Santo, poderá 
proporcionar a verdadeira felicidade.
As qualidades desse novo estilo de vida 
são as marcas distintivas dos filhos do Reino, 
são marcas identificadoras dos verdadeiros 
filhos de Deus. Quando buscamos diariamente 
a Deus e permitimos Ele agir em nossas vidas, 
por intermédio da sua Palavra e da oração, o 
Espírito de Deus prodüz essas qualidades em 
nossa vida cotidiana (Gl 5.22). E entre os frutos 
por Ele produzidos em nós estão uma paz e uma 
alegria novas, diferentes e especiais.
Essa alegria é de ordem espiritual, é um 
prazer e uma satisfação em servir a Deus e 
às pessoas, uma sensação de realização e 
de preenchimento de alma que nada neste 
mundo pode proporcionar. O amor de Deus 
é derramado em nosso coração (Rm 5.5), a 
presença divina se torna patente em nossa 
vida, animando-nos. E a paz que passamos a 
experimentar, a paz que vem de Cristo (Jo 14.27), 
é do tipo que “excede todo entendimento” (Fp 
4.7), porque, diferentemente da paz mundana, 
ela não é sentida apenas nos momentos de 
bonança, o que é natural, mas também nos 
momentos de dificuldade, nos fazendo vencer 
o desespero e o medo nas situações difíceis. 
O filho de Deus consegue alegrar-se e exultar 
até mesmo na - e apesar da - perseguição, 
porque o Deus de paz guarda o seu coração 
em meio às dificuldades mais intensas.
Por fim, é importante frisar ainda que 
quando Jesus diz que os filhos do Reino são 
bem-aventurados, Ele não se refere a uma 
realidade apenas presente da vida, mas tam­
bém ao que lhes reserva a eternidade. Logo, 
os filhos do Reino ganharão benesses eternas 
que nenhum outro ser humano poderá gozar: 
“herdarão a terra”, “serão fartos”, “verão a 
Deus”, receberão “grande galardão nos céus” 
(Mateus 5.5,6,8,12) etc.
Sob qualquer perspectiva, seja a do presente 
ou a do futuro, os filhos do Reino são felizes.
^ AUXÍLIO DEVOCIONAL1
“O rei Herodes estabeleceu muitas novas 
cidades durante os quarenta anos do seu rei­
nado. Em cada ocasião, ele recrutou cidadãos, 
prometendo-lhes muitos benefícios especiais, 
incluindo cidadania, redução de impostos, ter­
ras etc. Este era um costume comum no Impé­
rio Romano durante a era de Augusto, quando 
muitas cidades novas foram fundadas. Mas é 
difícil imaginar um governante convocando ci­
dadãos e anunciando que no seu reino os re­
crutados receberão pobreza de espírito, man­
sidão, choro, fome e sede, e até mesmo per­
seguição. No entanto, essas são as bênçãos 
que Jesus oferece àqueles que reivindicam a 
cidadania que Ele descrevia. Além disso, o Rei 
Jesus disse que os pobres de espírito, os man­
sos e os que choram são bem-aventurados! 
Ele não oferece uma mudança nas condições, 
mas a bênção nas condições que desgostam 
os cidadãos deste mundo. As Bem-Aventuran- 
ças permanecerão um mistério, a menos que 
nos demos conta de que Jesus está falando 
de atitudes básicas e valores que produzem 
frutos espirituais” (RICHARDS, Lawrence. Co­
mentário Devocional da Bíblia. Rio de Janei­
ro: CPAD, 2012, p.556).
2. AS BEM-AVENTURANÇAS
► 2.1. “Bem-aventurados os pobres de 
espírito”. A expressão “pobres de espírito” se 
refere àqueles que são humildes de coração. 
Lucas 6.20 diz apenas “Bem-aventurados os 
pobres”, em vez de “Bem-aventurados os pobres 
de espírito”. Mas isso ocorre porque, na cultura 
judaica da época de Jesus, mais especificamente 
desde o fim do cativeiro babilônico, os judeus 
passaram a usar muitas vezes o termo “pobres” 
para se referir “aos piedosos, em contraste 
com os opressores ricos, ímpios e mundanos 
dos pobres”; logo, “as afirmações em Mateus 
[5.3] e Lucas [6.20]significam a mesma coisa” 
(Comentário Bíblico Beacon, CPAD, vol. 6, p.54).
Os pobres de espírito são aqueles que 
reconhecem a sua necessidade espiritual, a
6 | Discipulando Professor 4
sua dependência de Deus; são aqueles que 
destronam o orgulho. Jesus diz que somente 
os que manifestam essa disposição em seus 
corações “herdarão o Reino de Deus”.
► 2.2. “Bem-aventurados os que cho­
ram”. Jesus refere-se aqui àqueles que são 
quebrantados de coração, sensíveis para as 
coisas de Deus, para o que é certo, para as 
coisas espirituais. São aqueles que choram, 
em primeiro lugar, arrependidos, em reconheci­
mento pelos seus pecados - estes alcançarão 
consolo através do perdão divino. Mas eles 
também são aqueles que choram sincera­
mente pelo seu próximo, sensibilizados pelo 
sofrimento e o estado espiritual dos outros, 
e intercedendo por estes com confiança no 
Senhor. São ainda aqueles que choram por 
mais de Deus para suas vidas. Todos estes 
“serão consolados”, abençoados pelo Senhor.
► 2.3. “Bem-aventurados os mansos”.
Mansidão, aqui, não é uma aparência de mo­
déstia, nem é também uma referência a apenas 
ser paciente com as pessoas. O termo aqui 
refere-se a mais do que isso. Ele significa, 
sim, não ser arrogante, mas é, sobretudo, 
uma referência à submissão sincera a Deus, a 
uma atitude constante de submissão à vontade 
divina. É não exasperar-se, mas confiar em 
Deus, entregar sua vida totalmente a Ele e 
seguir plenamente a vontade divina para sua 
vida, não importando as circunstâncias. Os 
que assim procedem “herdarão a terra”, isto 
é, reinarão com Cristo na terra futura.
► 2.4. “Bem-aventurados os que têm 
fome e sede de justiça”. A expressão "justiça” 
aqui é tanto uma alusão às bênçãos espirituais 
quanto à conduta ética; ela é tanto dotação 
graciosa da parte de Deus a ser experimentada 
quanto exigência ética a ser vivenciada. Uma 
coisa está intimamente relacionada à outra.
“Fome e sede de justiça” é uma referência 
à busca ávida, prazerosa e constante pelo 
exercício da justiça divina em nossas vidas 
como uma forma de nos aprofundarmos mais 
na maravilhosa graça que recebemos do Se­
nhor. Ou seja, se alguém tem mesmo fome 
pelas coisas de Deus, sede por mais da sua 
presença sobre sua vida, então deve ter ao 
mesmo tempo fome e sede de buscar a sua 
vontade em obediência. Aqueles que buscam 
mais da vontade de Deus para as suas vidas 
recebem mais dEle. Eles serão “fartos”, isto 
é, plenamente satisfeitos em Deus.
► 2.5. “Bem-aventurados os misericor­
diosos”. Misericórdia é a bondade em ação. 
Quem recebeu a misericórdia de Deus tem 
a obrigação de ser misericordioso para com 
os outros. O cristão que não é misericordioso 
está, na prática, desprezando a misericórdia 
de Deus em sua vida, pela qual foi salvo. 
Jesus é claro: somente os misericordiosos 
“alcançarão misericórdia”.
► 2.6. “Bem-aventurados os limpos de 
coração”. Ser limpo de coração é ser puro de 
coração, é ter um coração santificado, o que 
só é possível quando permitimos que o amor 
de Deus seja derramado em nosso coração 
pelo Espírito Santo (Rm 5.5). Somente um co­
ração puro poderá ver Deus, no sentido tanto 
de usufruir da sua presença gloriosa aqui na 
terra quanto de um dia vê-lo face a face na 
eternidade. A Bíblia é clara: sem santificação, 
ninguém verá o Senhor (Hb 12.14).
► 2.7. “Bem-aventurados os pacifica­
dores”. Aqueles que foram salvos em Cristo 
têm paz com Deus (Rm 5.1) e são chamados 
para serem pacificadores, promotores da paz. 
Jesus apresenta o ser pacificador como uma 
característica marcante da identidade do cris­
tão, isto é, do caráter que ele deve manifestar 
como filho de Deus (Mt 5.9). Alguém que se diz 
cristão e semeia contendas, ou é do tipo que 
não está nem aí se “o circo pegar fogo”, não 
é um cristão verdadeiro. Pois um verdadeiro 
cristão faz tudo o que estiver ao seu alcance 
para promover a paz entre as pessoas.
► 2.8. “Bem-aventurados os que sofrem 
perseguição por causa da justiça”. Este 
texto não se aplica àqueles que se fazem de 
vítimas ou que deliberadamente provocam
| Discipulando Professor 4 |
situações de conflito, mas àqueles que, por 
fazerem o que é certo, por cumprirem a von­
tade de Deus, são perseguidos pelo mundo. 
Estes são bem-aventurados, porque Deus os 
galardoará grandemente nos céus pela sua 
fidelidade em melo às provações.
^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 2
“A palavra ‘bem-aventurados’ refere-se ao 
estado abençoado daqufeles que, por seu rela­
cionamento com Cristo e a sua Palavra, rece­
beram de Deus o amor, o cuidado, a salvação e 
sua presença diária. Há certas condições neces­
sárias para recebermos as bênçãos do Reino de 
Deus. Para recebê-las, devemos viver segundo 
os padrões revelados por Deus nas Escrituras, e 
nunca pelos do mundo. A primeira destas con­
dições é ser ‘pobre de espírito’, o que significa 
reconhecermos que não temos qualquer autos- 
suficiência espiritual; que dependemos da vida 
do Espírito, do poder e da graça divinos para 
podermos herdar o Reino de Deus” (STAMPS, 
Donald. Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de 
Janeiro: CPAD, p.1392).
3. NÓS SOMOS 
BEM-AVENTURADOS
Os filhos de Deus são bem-aventurados, 
felizes, porque eles rejeitaram os valores do 
mundo e abraçaram os valores eternos do 
Reino de Deus, sem os quais é impossível 
alguém ser feliz neste mundo perdido. Ao 
final do Sermão do Monte, Jesus é claro: 
somente aqueles que praticam os valores 
ensinados por Ele em seu sermão, dentre 
eles, aqueles valores apresentados nas oito 
bem-aventuranças, não serão abalados es­
piritualmente, mas permanecerão firmes para 
sempre (Mt 7.24,25).
^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 3
“A justiça é mencionada aqui represen­
tando todas as bênçãos espirituais (SI 24.5; 
Mt 6.33). Elas nos são compradas pela justi­
ça de Cristo, transmitidas e asseguradas pela
imputação dessa justiça a nós, e confirmadas 
pela fidelidade de Deus. Vários fatos definem 
o que é essa justiça: o fato de Cristo ter sido 
feito a justiça de Deus por nós; o fato da justi­
ça de Deus ter sidó feita nEle; e o fato de todo 
homem ter sido renovado na justiça, tornando- 
se um novo homem, trazendo em si mesmo a 
imagem de Deus, passando a ter um interesse 
em Cristo e nas suas promessas. Destas coi­
sas devemos ter fome e sede. Nós verdadeira­
mente devemos desejá-las, como alguém que 
tem fome e sede deseja beber e comer e não 
consegue ficar satisfeito com nenhuma coisa, a 
não ser alimento e bebida; e será satisfeito com 
estas coisas, embora sinta necessidade de ou­
tras. Os nossos desejos de bênçãos espirituais 
devem ser fervorosos e importunos” (HENRY, 
Matthew. Comentário Bíblico do Novo Testa­
mento: Mateus a João. Rio de Janeiro: CPAD, 
2010, p.45).
CONCLUSÃO
A verdadeira bem-aventurança está em 
Cristo. Em meio às tensões deste mundo, não 
há como se conduzir de forma melhor e mais 
abençoada se não seguindo às diretrizes de 
Jesus para a nossa forma de viver. Sejamos, 
pois, humildes de coração; sensíveis às 
coisas de Deus, sensíveis ao que é correto; 
sejamos submissos à vontade divina; sejamos 
pessoas que não se acomodam em sua vida 
espiritual, mas que buscam sempre mais de 
Deus; sejamos misericordiosos; pacificadores; 
puros de coração; sempre fiéis, mesmo em 
meio às provações. Somente assim seremos, 
de fato, bem-aventurados!
APROFUNDANDO-SE
“As virtudes que Jesus exalta no Sermão 
do Monte são quase que exatamente o 
oposto daquelas admiradas pelos gregos 
e romanos em seus dias” (Comentário 
Bíblico Beacon, vol.6, p.56). “Não é a 
pessoa que afirma ser bem-sucedida es­
piritualmente que encontra o Reino, mas
8 | Discipulando Professor 4 |
o indivíduo que reconhece enquanto é 
pobre (v. 3). Não é a pessoa que está sa­
tisfeita com o que o mundo lhe oferece, 
mas a pessoa que chora, e olha além do 
brilhodo mundo, a que encontra consolo 
(v. 4). Não é a pessoa que é arrogante, 
mas o manso, que responde à voz de 
Deus, o que herdará a terra (v. 5). Os que 
serão fartos não são aqueles que estão 
satisfeitos com a sua própria justiça, mas 
os que têm fome e sede de uma justiça 
que não têm” (RICHARDS, Lawrence. 
Comentário Devocional da Bíblica. Rio 
de Janeiro: CPAD, 2012, p.556)
r j SUGESTÃO 
N l / / DE LEITURA
► Crescimento em Cristo
Orientações bíblicas para o novo convertido 
com exposições dos passos fundamentais 
da nova vida em Cristo e de como vivê-la 
vitoriosamente.
 ^ 12 Princípios para Fortalecer sua Cami­
nhada com Cristo
Torne-se o tipo de pessoa que caminha 
com Deus e exerça influência de Deus em 
seu mundo. Com um panorama conciso, 
diversos exemplos e ideias práticas, este 
poderoso guia o ajudará a desenvolver a 
maturidade que todo o homem de Deus foi 
criado para refletir.
VERIFIQUE SEU
APRENDIZADO
1 . Qual o propósito do Sermão da Montanha?
R. Ensinar sobre o verdadeiro discipulado, 
sobre como os discípulos de Cristo deveriam 
viver e se conduzir.
2 . O que é a verdadeira felicidade?
R. A verdadeira felicidade é uma conseqü­
ência natural na vida daqueles que manifestam 
em seu caráter um estilo de vida baseado nos 
valores divinos.
3. Qual o significado da expressão “pobre 
de espírito”?
R. Refere-se àqueles que são humildes 
de coração.
4. Quando Jesus falou dos “mansos” , Ele 
estava se referindo apenas àqueles que não 
são arrogantes com os outros?
R. Não. Ele se referia também e principal­
mente à submissão sincera a Deus, a uma atitude 
constante de submissão à vontade divina.
5.0 que significa ter “fome e sede de justiça”?
R. Se refere à conduta ética, isto é, a exi­
gência ética a ser vivenciada, quanto a fome 
pelas coisas de Deus, sede por mais da sua 
presença sobre nossas vidas.
► Enquanto os pregadores, oradores e 
professores de hoje seguem o costume 
grego e romano de ficar em pé para falar, 
os mestres judeus sempre se sentavam 
enquanto ensinavam (Comentário Bíbli­
co Beacon, CPAD, vol.6, p.53). Por isso 
encontramos na Bíblia Jesus proferindo 
muitos ensinos assentado, como no caso 
do Sermão da Montanha.
| Discipulando Professor 4 |
Vocêé
Sal e Luz
TEXTO BÍBLICO BASE
Mateus 5,13-16
13 - Vós sois o sal da terra; e, se o sal for insí­
pido, com que se há de salgar? Para nada 
mais presta, senão para se lançar fora e 
ser pisado pelos homens.
14 - Vós sois a luz do mundo; não se pode
esconder uma cidade edificada sobre 
um monte;
15 - Nem se acende a candeia e se coloca
debaixo do alqueire, mas, no velador, e 
dá luz a todos que estão na casa.
16 - Assim resplandeça a vossa luz diante dos
homens, para que vejam as vossas boas 
obras e glorifiquem o vosso Pai, que está 
nos céus.
MEDITAÇÃO
Para que sejais irrepreensíveis e sinceros, 
filhos de Deus inculpáveis no meio de uma 
geração corrompida e perversa, entre a qual 
resplandeceis como astros no mundo. (Fp 2.15)
REFLEXÃO BÍBLICA DIÁRIA
► SEGUNDA - Provérbios 4.18
► TERÇA - Filipenses 2.14,15
► QUARTA - Malaquias 3.16-18
► QUINTA-João 17.20-23
► SEXTA - Efésios 5.8-13
► SÁBADO-1 Pedro 2.9,10
10 | Discipulando Professor 4 I
f -------^ ------------- - ----------- - í
ORIENTAÇÃO AO
PROFESSOR
► Conscientizar seus alunos das responsabili­
dades que temos de influenciar a sociedade.
PROPOSTA PEDAGÓGICA
INTERAGINDO COM O ALUNO
Na lição de hoje, o seu objetivo principal 
deve ser conscientizar alunos de que ser filho de 
Deus não significa apenas ter a bênção divina 
sobre a nossa vida, mas também responsabi­
lidades. Seus alunos devem compreender que 
todo o cristão tem sobre si um chamado divino 
para fazer diferença neste mundo, influenciando-o 
positivamente com os valores do Evangelho.
Seu aluno precisa saber ainda que essa 
influência positiva se manifesta não apenas 
através da pregação do Evangelho, mas tam­
bém por intermédio de uma vida que encarna 
os valores do Evangelho. Explique como as 
figuras do sal e da luz, usadas por Jesus, ilus­
tram perfeitamente o tipo de influência que o 
cristão deve exercer sobre o mundo.
► Inspirar seus alunos a fazerem a diferen­
ça neste mundo através da pregação do 
Evangelho e das boas ações que encar­
nam os valores divinos;
Ressalte também a importância das boas 
obras, ressalvando que elas não devem ser 
praticadas por ostentação, mas como fruto do 
amor de Deus derramado em nossos corações. 
E, finalmente, enfatize que essa influência posi­
tiva que o cristão deve exercer sobre o mundo 
precisa se manifestar em todas as esferas de 
atuação do cristão, a começar da sua casa, pas­
sando pelo seu trabalho, escola e universidade, 
e atingindo todo o mundo.
OBJETIVOS
Sua aula deverá alcançar os se­
guintes objetivos
► Explicar o significado e as implica­
ções, na vida do cristão, das expres­
sões “sal da terra” e “ luz do mundo”;
Inicie a aula falando da importância do 
sal e da luz para o nosso dia a dia. Em um pri­
meiro momento, destaque como é ruim comer 
algo sem sabor e como é desconfortável estar­
mos em um lugar mal iluminado. Em seguida, 
ressalte o contrário: como é agradável comer 
algo com sabor e como é bom estarmos em 
um ambiente iluminado. Após a exposição des­
ses contrastes, leia o texto bíblico que serve de 
base para a lição de hoje e introduza o assunto, 
enfatizando inicialmente que ser filho de Deus é 
uma bênção, mas esta bênção, como todas as 
outras, traz consigo responsabilidades. Acres­
cente, em seguida, que Jesus usou as figuras 
do sal e da luz exatamente para ilustrar o tipo 
de influência que somos chamados a exercer 
sobre a sociedade como cristãos. Não se es­
queça de aplicar os objetivos da lição ao dia 
a dia dos seus alunos, mostrando como eles 
podem fazer diferença no mundo onde estão.
Discipulando Professor 4
COMENTÁRIO | INTRODUÇÃO
Deus nos chamou para fazer diferença 
neste mundo, para influenciá-lo. Você não 
foi chamado por Deus para apenas receber 
bênçãos, mas para também, e principalmente, 
ser bênção para a vida das pessoas: bênção 
para sua família, bênção para a sua igreja, 
bênção para a sociedade e bênção para o 
mundo. Por isso, logo após Jesus falar sobre 
o caráter do cristão e a verdadeira felicidade, 
Ele passa a ensinar sobre a responsabilidade 
que o cristão tem de influenciar positivamente 
o mundo. E para ilustrar como deve se dar 
essa influência positiva, Jesus usou dois 
símbolos do cotidiano das pessoas: a luz e
0 sal. Veremos na lição de hoje como esses 
dois símbolos - o sal e a luz - ilustram perfei­
tamente a influência do cristão na sociedade.
1 . “VÓS SOIS O SAL DA TERRA”
► 1.1. “Sal da terra”. Jesus afirma que o 
cristão verdadeiro é como o “sal” (Mt 5.13). O 
sal” fala de um tipo específico de influência 
que o cristão exerce. O detalhe inicial, porém, 
é que Jesus não diz que seus discípulos 
deveriam ser “sal” apenas na região em que 
viviam. O mestre afirma que eles deveriam 
ser o “sal da terra” - isto é, deveriam fazer 
diferença em todo o mundo. Os discípulos 
de Cristo foram chamados para serem tes­
temunhas do Evangelho em Jerusalém, em
toda Judeia e Samaria, e até os confins da 
Terra (Atos 1.8). Aplicando esse chamado às 
nossas vidas hoje, Jerusalém representaria a 
nossa cidade; Judeia representaria o nosso 
Estado; Samaria representaria os Estados 
vizinhos; e os confins da Terra representariam, 
claro, todo o mundo.
► 1.2. Os atributos do sal. Quanto ao 
tipo de influência ao qual Jesus se refere, 
sabemos que o sal tem dois atributos prin­
cipais: dar sabor e conservar. Logo, Jesus 
está dizendo que o cristão exerce influência 
sobre o mundo dando-lhe “sabor” e ajudan­
do a conservar determinadas coisas cuja
íí
Você não foi 
chamado por 
Deus paraapenas receber 
bênçãos, mas 
para também, e 
principalmente, 
ser benção para 
a vida das 
pessoas
J5
12 | Discipulando Professor 4 |
preservação significa um grande bem para 
a sociedade. Mas o que é “dar sabor” ao 
mundo? E que tipos de coisas o crente pode 
e deve preservar por meio da sua influência 
sobre a sociedade?
► 1.3. Dando sabor. Uma vez que o
sal tem como função dar sabor, Jesus está 
afirmando, ao referir-se aos seus discípulos 
como “sal da terra”, que eles poderiam e 
deveriam dar “sabor” ao mundo por meio 
de suas vidas. Ao serem mansos, humildes, 
sensíveis moral e espiritualmente, incansáveis 
na busca de Deus, misericordiosos, limpos 
de coração e pacificadores (Mt 5.1-12), os 
discípulos estariam manifestando ao mundo, 
por meio de suas vidas, os valores divinos
e, dessa forma, influenciando positivamente 
as pessoas. Ou seja, “salgar” o mundo, na 
linguagem de Jesus, significa, em primeiro 
lugar, influenciar positivamente as pessoas 
por intermédio do exemplo. Mas, não só 
pelo exemplo. Dar “sabor” ao mundo fala 
também da mensagem do Evangelho, que 
é a única a dar um sentido real à vida do ser 
humano. O Evangelho é o poder de Deus para 
salvação de todo aquele que nele crer (Rm
1.16). O testemunho cristão, seja por meio da 
pregação do Evangelho ou da própria vida 
que manifesta os valores do Reino de Deus 
no dia a dia, é o verdadeiro sentido de “dar 
sabor” ao mundo.
► 1.4. Conservando. O atributo de 
conservar, do elemento do sal, ilustra muito 
bem outro tipo de influência positiva que o 
cristão verdadeiro exerce sobre a sociedade: 
o poder de deter ou resistir à corrupção do 
mundo. Corrupção, aqui, é aquela tanto na 
área moral como espiritual - aliás, essas 
áreas estão intimamente relacionadas, 
porque a nossa condição espiritual afeta o 
nosso comportamento, nossas escolhas, 
nossa moral. Como “sal da terra”, o cristão 
verdadeiro não se conforma com o padrão 
moral e espiritual da sociedade em que vive, 
militando assim contra o mal e a corrupção 
na sociedade.
► 1.5. “Pisado pelos homens”. Jesus 
disse que se o sal perder os seus atributos, 
“ para nada mais presta, senão para se 
lançar fora e ser pisado pelos homens” (Mt 
5.13). Isso significa que aqueles cristãos que 
deixam de cumprir a sua responsabilidade 
de influenciar o mundo positivamente com 
suas vidas particulares e com a mensagem 
do Evangelho são espiritualmente “ insípidos” 
e por isso acabam sendo “destruídos pelos 
maus costumes e pelos baixos valores da 
sociedade ímpia” (Bíblia de Estudo Pente- 
costal, CPAD, p.1393).
AUXÍLIO DIDÁTICO 1
“O sal não perde a sua salinidade se é 
cloreto de sódio puro. Isso nos leva à suges­
tão do que Jesus quis dizer quando disse 
aos discípulos que eles deixariam de ser dis­
cípulos se perdessem o caráter do sal. O sal 
não refinado do Mar Morto continha a mistu­
ra de outros minerais. Deste sal em estado 
natural o cloreto de sódio poderia sofrer lixi- 
viação em conseqüência da umidade, torna­
do-se imprestável. O ensino rabínico asso­
ciava a metáfora do sal à sabedoria. Esta era 
a intenção de Jesus, visto que a palavra gre­
ga traduzia por ‘nada mais presta’ tem ‘tolo’ 
ou ‘louco’ como seu significado radicular [na 
raiz da palavra]. É tolice ou loucura os discí­
pulos perderem o caráter, já que assim eles 
são imprestáveis para o Reino e a Igreja, e 
colhem o desprezo” (ARRINGTON, French 
L.; STRONSTAD, Roger (Eds.). Comentá­
rio Bíblico Pentecostal Novo Testamento.
1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p.43).
2. “VÓS SOIS A LUZ 
DO MUNDO”
► 2.1. “Luz do mundo”. Assim como no 
caso da expressão “sal da terra”, a expressão 
“ luz do mundo” deixa claro que o cristão deve 
exercer a sua influência no mundo inteiro, em 
todas as áreas de sua atuação na sociedade.
Discipulando Professor 4 |
A luz do Evangelho, manifestada em sua vida, 
não deve ser transmitida apenas para os 
seus familiares, mas no trabalho, na escola, 
na universidade etc. Onde o cristão estiver, 
ali, ele deve ser luz!
► 2.2. Refletindo a luz de Cristo. O
mesmo Jesus que chamou seus discípulos 
de “ luz do mundo” afirmou certa vez que Ele 
era a “ luz do mundo” (Jo 8.12). Isso significa 
que a luz que devemos refletir ao mundo é a 
luz que recebemos de Cristo pelo poder do 
seu Evangelho e da ação do Espírito Santo 
em nossas vidas. Da mesma forma que “a 
lua reflete a luz do sol no lado escurecido 
da terra, a igreja deve refletir os raios do ‘Sol 
da Justiça’ [Jesus] (Ml 4.2) em um mundo 
escurecido pelo pecado” (Comentário Bíblico 
Beacon, vol.6, CPAD, p.57).
2.3. Iluminando lugares em trevas. A luz
tem o poder de iluminar e aquecer. Da mesma 
forma, a influência do cristão na sociedade 
deve ser como a ação da luz, dissipando as 
trevas da confusão, do pecado, da imoralidade 
e do erro, e aquecendo aqueles que estão se 
sentindo “ frios” neste mundo.
^ AUXÍLIO DIDÁTICO 2
“Jesus explicou aos seus discípulos a 
verdadeira natureza do seu chamado: eles 
seriam o sal de um mundo sombrio e a luz 
de um mundo escuro e pecador, mas fariam 
isso apenas por causa daquele que veio 
como a ‘luz do mundo’. Esse grupo de ho­
mens trouxe o sal que podemos saborear e 
a luz que podemos ver todos os dias. A nos­
sa tarefa é transmitir a outros o ‘sal’ e ‘ilu­
miná-los’ através da verdade do Evangelho. 
A pergunta de Jesus: ‘Se o sal for insípido, 
com que se há de salgar?’ não requer uma 
resposta, pois todos sabem que, uma vez 
que o sal se deteriora, já não pode mais ser 
usado para conservar os alimentos. Assim 
como o sal conserva e realça o melhor sabor
dos alimentos, os crentes devem ser o ‘sal da 
terra’ e influenciar as pessoas positivamente. 
Jesus disse aos seus discípulos que se qui­
sessem fazer a diferença no mundo também 
teriam que ser diferentes do mundo. Deus iria 
considerá-los responsáveis por manter a sua 
‘salinidade’ (isto é, a sua utilidade). Devemos 
ser diferentes se quisermos fazer a diferença” 
(Comentário do Novo Testamento Apli­
cação Pessoal, vol.1, CPAD, 2012, p.38).
3. INFLUENCIANDO 
A SOCIEDADE
► 3.1. Boas obras. Ao final dessa passa­
gem, Jesus explica que a luz do cristão são 
as suas boas obras (Mt 5.16). Por intermédio 
das boas obras, o cristão manifesta os valores 
do Reino de Deus ao mundo, influenciando 
muitas vidas para o Senhor. Jesus ressalta 
que os diretamente afetados por essas boas 
ações, em resposta, louvam “vosso Pai, que 
está nos céus”. Quando encarnamos os valores 
do Evangelho em nossas vidas, louvamos a 
Deus, e o mais importante, nós colocamos 
em prática e ratificamos aquilo que afirmamos 
com os nossos lábios. E também nossas 
ações acabam inspirando poderosamente 
outras pessoas que não conhecem a Deus, 
a buscá-lo e adorá-lo. Em meio às trevas 
espirituais deste mundo, quando um crente 
pratica as boas obras, seus atos são como 
um facho de luz em meio às densas trevas, 
sendo logo percebidos pelas pessoas.
► 3.2 - Não se deve esconder a luz, 
mas manifestá-la. Ao falar do cristão como 
luz, Jesus enfatizou que essa luz deve ser 
manifestada, nunca escondida. Ele com­
para o cristão verdadeiro a uma cidade 
edificada sobre um monte, ressaltando que 
não dá para esconder uma cidade assim 
(Mt 5.14). Em seguida, o Mestre lembra que 
não se pode acender uma candeia e coio- 
cá-la debaixo do alqueire, mas no velador, 
para dar luz “a todos que estão na casa” 
(Mt 5.15). Candeia era uma lâmpada pequena
14 | Discipulando Professor 4 |
nos dias de Jesus, geralmente do tamanho 
da mão de um homem, feita de barro e seu 
fogo era alimentado por azeite. O velador, 
por sua vez, era o local onde a candeia era 
colocada, e que sempre era um local alto, 
para que a luz da candeia pudesse, a partir de 
cima, aspergir sua luminosidade sobre todo 
o cômodo onde se encontrava. O alqueire 
era uma referência amedidas de cereal ou 
a cubas de farinha dç trigo medidas por um 
cesto. Ora, uma lâmpada nunca poderia 
ficar escondida debaixo de um cesto. Para 
alcançar o seu objetivo de iluminar “a todos 
que estão na casa”, ela deveria ser sempre 
colocada no lugar mais alto e ideal: o vela­
dor. Assim é o cristão: sua luz não deve ser 
escondida, mas manifestada de tal forma 
que possa alcançar e atingir a todos à sua 
volta. A luz que o cristão recebe de Cristo 
deve resplandecer “diante dos homens” 
(Mt 5.16a). E eles a veem justamente por meio 
das nossas boas obras (Mt 5.16b).
^ AUXÍLIO DIDÁTICO 3
“Não era incomum os judeus conside­
rarem Deus o Pai da nação de Israel, mas 
Ele ser o Pai de indivíduos é uma caracte­
rística do ensino de Jesus e também está 
bem desenvolvido na literatura da Igreja. 
O termo ‘vosso Pai’ ocorre frequentemen­
te no Sermão da Montanha (Mt 5.45; 6.1,9; 
7.11). O motivo para fazermos obras é que 
as pessoas glorifiquem o Pai celestial, não a 
nós. Aqueles que fazem o bem por motivos 
egoístas recebem o odioso título de ‘hipó­
critas’ (Mt 6.1-4)” (ARRINGTON, French L.; 
STRONSTAD, Roger (Eds.). Comentário Bí­
blico Pentecostal Novo Testamento. 1.ed, 
Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p.44).
CONCLUSÃO
O cristão não deve ser influenciado pelo 
mundo (Romanos 12.2), ele deve influenciar 
o mundo. Resumidamente, ser “sal da terra”
e “ luz do mundo” nada mais é do que isso. 
O cristão é chamado por Deus para fazer 
diferença na vida das pessoas à sua volta, 
em todos os lugares onde se encontra.
O cristão deve ser exemplo na sua família, 
como pai, mãe, esposa, esposo, filho, filha, 
irmão e irmã; ele deve ser exemplo na vida 
secular, como estudante, como profissional, 
como cidadão; ele deve ser uma “amostra 
ambulante” do amor de Deus ao mundo, 
manifestando-o em favor dos outros; deve 
pregar os valores do Evangelho em contraste 
com os valores invertidos deste mundo; e 
deve também levar a mensagem transfor­
madora do Evangelho ao maior número de 
pessoas como demonstração desse amor. 
Deus espera isso de seus filhos.
Ser filho de Deus é a maior bênção que 
alguém pode experimentar na vida, mas, 
como toda bênção, esta também exige 
responsabilidades, deveres que não podem 
ser de forma alguma ignorados pelo cristão.
i í
A luz que o 
cristão recebe 
de Cristo deve 
resplandecer 
“diante dos ho­
mens” (Mt 5.16a)
j j
| Discipulando Professor 4 |
APROFUNDANDO-SE
“Os resultados do perdão”
1. Reconciliação. Deus perdoa, existe 
uma transformação imediata e completa 
no relacionamento. Em vez de hostili­
dade, há amor e aceitação. Em vez de 
inimizade, Deus está sempre trabalhando, 
‘reconciliando consigo o mundo, não lhes 
imputando os seus pecados, e pôs em nós 
a palavra da reconciliação’ (2 Co 5.19)... 
Quando Deus nos perdoa e nos purifica 
de nosso pecado, Ele também o esquece: 
‘Porque serei misericordioso para com 
suas iniquidades e de seus pecados e 
de suas prevaricações não me lembrarei 
mais’ (Hb 8.12. Veja também S1103.12; Is
38.12)... o resultado do perdão é que Deus 
retira as acusações contra nós. Ele não nos 
imporá juízo por causa de nossos pecados. 
Jesus disse à mulher flagrada em adultério: 
‘nem eu também te condeno; vai-te e não 
peques mais’ (Jo 8.11; veja também Rm 
8.1)” (Billy Graham Responde. Rio de 
Janeiro: CPAD, 2012, pp.258-59).
SUGESTÃO 
DE LEITURA
 ^ Perfeitamente Imperfeito
O ser humano, por natureza tem muitas 
falhas e defeitos. Através dos exemplos bíbli­
cos do Antigo Testamento podemos perceber 
que Abraão, Moisés, Elias e tantos outros 
passaram por momentos de desespero e 
aflição, mas foram usados por Deus apesar 
de suas imperfeições. Deus capacita os in­
capacitados, fortalece os fracos, consola os 
oprimidos e refrigera os aflitos.
VERIFIQUE O SEU
APRENDIZADO
1 . Quais os dois símbolos do dia a dia usados 
por Jesus para ilustrar a influência do cristão 
no mundo?
R. O sake a luz.
2 . O atributo do sal em dar sabor refere-se a 
que tipo de influência que o cristão exerce na 
sociedade?
R. A influência pelo exemplo.
3 . E o atributo do sal em conservar aponta 
para que tipo de responsabilidade do cristão?
R. A responsabilidade de combater o mal 
e a corrupção na sociedade.
4 . O que significa ser “ luz do mundo”?
R. A luz tem o poder de iluminar e aquecer. 
Da mesma forma, a influência do cristão na socie­
dade deve ser como a ação da luz, dissipando as 
trevas da confusão, do pecado e da imoralidade.
5,. Qual a importância das boas obras na vida 
do crente?
R. Através das boas obras, o cristão 
manifesta os valores do Reino de Deus ao 
mundo, influenciando muitas vidas para Deus.
► “Antes do advento das caixas de gelo e dos 
modernos refrigeradores, o sal era um dos 
principais meios de conservar os alimen­
tos. Quando peixes eram transportados 
no lombo de burros por cento e sessenta 
quilômetros de Cafarnaum até Jerusalém, 
eles tinham que ser abundantemente salga­
dos. Assim, o seguidor de Cristo deve agir 
como um conservante do mundo. Não se 
pode deixar de imaginar o que aconteceria 
com a sociedade moderna, com toda a sua 
podridão moral, se não fosse a presença da 
igreja cristã” (Comentário Bíblico Beacon. 
vol.6. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p.57).
16 | Discipulando Professor 4 |
TEXTO BÍBLICO BASE
Mateus 5.17-20
17 - Não cuideis que vim destruir a iei ou os pro­
fetas; não vim ab-rogar, mas cumprir.
18 - Porque em verdade vos digo que, até que o 
céu e a terra passem, nem um jota ou um til 
se omitirá da lei sem que tudo seja cumprido.
19 - Qualquer, pois, que violar um destes menores
mandamentos e assim ensinar aos homens 
será chamado o menor no Reino dos céus; 
aquele, porém, que os cumprir e ensinar será 
chamado grande no Reino dos céus.
20 - Porque vos digo que, se a vossa justiça não 
exceder a dos escribas e fariseus, de modo 
nenhum entrareis no Reino dos céus.
MEDITAÇÃO
Porque o fim da lei é Cristo para justiça 
de todo aquele que crê. (Rm 10.4)
REFLEXÃO BÍBLICA DIÁRIA
► SEGUNDA - Gálatas 4.4
► TERÇA - Lucas 24.25-27,44
► QUARTA - Hebreus 4.14-16
► QUINTA-Mateus 15.1-9
► SEXTA-Lucas 18.9-14
► SÁBADO - 1 Coríntios 13.1-7
Discipulando Professor 4
ORIENTAÇÃO AO
PROFESSOR
INTERAGINDO COM O ALUNO
O objetivo da lição de hoje é fazer com que 
seus alunos entendam a relação que o discípulo 
de Cristo deve ter com a lei de Deus e também 
levá-los a compreender que não basta observar 
os mandamentos divinos - é preciso praticá-los 
com as motivações corretas.
Será importante lembrar aos seus alunos 
também as diferenças entre a Antiga e a Nova 
Aliança, entre o Antigo e o Novo Testamentos, 
deixando claro, porém, que os preceitos morais 
e as lições espirituais da Velha Aliança e dos 
homens de Deus que viveram sob ela são váli­
dos ainda hoje para o cristão, razão pela qual o 
Antigo Testamento é ainda muito importante para 
o cristão. O Novo Testamento não aboliu o Anti­
go, mas o completou, tornando desnecessários 
apenas os seus ritos externos.
Ao falar sobre a verdadeira vida de piedade 
em contraste com a religiosidade meramente 
mecânica, aproveite para contextualizar o assun­
to, frisando que hoje em dia há muitos cristãos 
que, infelizmente, acabaram caindo nesse tipo 
de mecanicismo e orgulho religioso, e que de­
vemos ter muito cuidado para que isso nunca 
aconteça conosco também em nossa caminhada 
de vida espiritual.
í v ® J l 0 B JE T IV 0 S
Sua aula de hoje deve alcançar 
os seguintes alvos:
► Explicar como Cristo cumpriu toda a lei 
e os profetas, e que lugar o Antigo Testa­
mento tem na vida do crente hoje;
► Diferençar a religião meramente me­
cânica da justiça do Reino de Deus;
► Despertar seus alunos a viverem um 
cristianismo autêntico, que não consis­
ta apenas em mera aparência religiosa,mas numa religião do coração.
PROPOSTA PEDAGÓGICA
Uma boa sugestão para esta aula, a fim 
de despertar já de início a interação dos alunos 
com o conteúdo a ser ministrado, é começar 
sua exposição listando uma série de atitudes 
corretas que podemos e devemos tomar em 
determinadas situações da nossa vida e, em 
seguida, perguntar aos seus alunos se é possí­
vel alguém realizar todas essas coisas com uma 
motivação absolutamente errada dominando o 
seu coração. Leve-os a refletir um pouco sobre 
essa possibilidade e, já na seqüência, apresen­
te-lhes o texto da lição de hoje, ressaltando que 
ela fala inclusive, e essencialmente, sobre esse 
assunto. Por fim, ao encerrar a exposição da 
lição de hoje, certífique-se de que seus alunos 
estejam diferençando bem a falsa piedade da 
verdadeira piedade cristã à luz do ensino de 
Jesus no Sermão da Montanha, e incentive-os 
a viverem um cristianismo genuíno em todos 
os dias de suas vidas.
18 | Discipulando Professor 4 |
COMENTÁRIO | INTRODUÇÃO
Depois de tudo o que foi apresentado por 
Jesus no início do seu Sermão da Montanha, 
era natural que muitos dos seus ouvintes o 
vissem como um revolucionário religioso, como 
alguém que queria destruir “a lei e os profetas”
- isto é, que queria romper com todo o Antigo 
Testamento. Entretanto, Jesus faz questão 
de deixar claro que seu posicionamento era 
exatamente o oposto do C|ue estavam supondo 
naquele momento. Na verdade, Ele não viera 
destruir a lei e os profetas, mas, sim, cumprir 
o que diziam a lei e os profetas: “Não cuideis 
que vim destruir a lei ou os profetas; não vim 
ab-rogar, mas cumprir” (Mt 5.17). Mas, o que 
significa “cumprir a lei e os profetas”? O que 
Jesus queria dizer com isso exatamente? E 
qual a relação entre a vida e o ensino de Jesus 
e o Antigo Testamento?
1. CRISTO CUMPRIU TODA A LEI
► 1.1.0 que significa “cumprir a lei e os 
profetas”? Ao afirmar que viera “cumprir a lei 
e os profetas”, Jesus estava asseverando que 
Ele viera para cumprir os mandamentos e as 
promessas do Antigo Testamento, isto é, “seus 
preceitos e profecias”, além de “seus símbolos 
e tipos” (Comentário Bíblico Beacon, volume
6, CPAD, p.58). Sobre símbolos e tipos, basta 
lembrar que muito do que vemos nos cerimo­
niais litúrgicos judaicos registrados no Antigo 
Testamento, na Lei de Moisés, e mesmo em 
alguns episódios vividos por homens de Deus 
do passado, registrados também no Antigo 
Testamento, simbolizavam claramente Jesus 
e seu sacrifício na cruz por nós para remissão 
de nossos pecados.
A Epístola aos Hebreus, por exemplo, é 
dedicada quase que totalmente a demonstrar 
como a pessoa e a obra de Jesus (sua vida, 
ministério, morte e ressurreição) estavam sim­
bolizadas e tipificadas no Antigo Testamento 
(Exemplos: os capítulos 7 a 10 de Hebreus). 
Um detalhe importante aqui é que Jesus está 
reconhecendo nessa passagem que as Escri­
turas do Antigo Testamento são divinamente 
inspiradas, porque, inclusive, apontam para Ele.
► 1.2. Profecias cumpridas. No Antigo 
Testamento, encontramos várias promessas e 
profecias sobre o Messias; em o Novo Testa­
mento, vemos o Messias - Jesus - cumprindo 
cada uma delas (Lc 24.44). A título de amostra, 
vejamos alguns desses cumprimentos:
u
Na verdade, Ele 
não viera des­
truir a lei e os 
profetas, mas, 
sim, cumprir o 
que diziam a lei 
ou os profetas;
n
Discipulando Professor 4 |
a) Ele nasceu de uma virgem (Mt 1.18ss), 
como profetizado (Is 7.14);
b) Ele nasceu em Belém (Lc 2.4ss), como 
profetizado (Mq 5.2);
c) Ele é Deus encarnado (Is 7.14; 9.6; Mt 
1.18ss);
d) Ele entrou em Jerusalém sobre um 
jumento (Zc 9.9; Mc 11.1-10);
n) Foi crucificado juntamente com malfei­
tores (Mc 15.27,28) e intercedeu por eles 
(Lc 23.34), como profetizado (Is 53.12);
o) Seus ossos não foram quebrados (Jo 
19.33-36), como profetizado (SI 34.20);
p) Seu lado foi traspassado (Jo 19.34), 
como profetizado (Zc 12.10);
q) Foi sepultado no túmulo de um rico (Mt 
27.57-60), como profetizado (Is 53.9).
► 1.3. Jesus cumpriu todos os ritos da 
Lei de Moisés. Tudo aquilo que a Lei de Moisés 
exigia, Jesus cumpriu (Mt 8.4; 26.19; Lc 4.16; Jo 
7.10; Gl 4.4). Inclusive, Ele condenou os fariseus 
de seus dias porque criavam tradições para 
descumprir a lei (Mt 15.6). Jesus se submeteu 
até mesmo ao ritual do batismo em águas, criado 
e ministrado em sua época por João Batista 
(Mt 3.13-17). Ele cumpriu toda a Lei por nós, 
viveu sem pecado, mas, mesmo sem pecado, 
se fez pecado por nós, levando toda a nossa 
culpa sobre si no madeiro (Is 53.5), para hoje
e) Ele foi traído por um amigo (Mt 26.47-50; 
Jo 13.21-30), como profetizado (SI 41.9);
f) Ele foi vendido por 30 moedas de prata 
(Mt 26.15), como profetizado (Zc 11.12);
g) O dinheiro da sua venda, depois de 
atirado fora (Mt 27.3-7), foi para o oleiro, 
como profetizado (Zc 11.13);
h) Bateram e cuspiram nele em sua morte 
(Mt 26.67,68), como profetizado (Is 50.6);
i) Ficou mudo diante de seus acusadores
(Mt 27.13,14), como profetizado (Is 53.7);
j) Mesmo inocente, Ele seria morto, para se 
entregar como sacrifício pelos nossos 
pecados (Is 53.1-12);
I) Tiraram sorte de suas vestes (Jo 19.23,24), 
como profetizado (SI 22.18);
m) Ele foi traspassado nas mãos e nos 
pés (Lc 23.33; Jo 20.25-27), como 
profetizado (SI 22.16);
20 | Discipulando Professor 4 |
í í
[Jesus] mesmo 
sem pecado, 
se fez pecado 
por nós, levan­
do toda a nossa 
culpa sobre si 
no madeiro...
55
oferecer perdão e salvação pelo seu sangue, e 
interceder de forma perfeita por nós (Hb 4.14-16).
► 1.4. Em Cristo, a Lei Mosaica cumpre 
o seu objetivo. A Bíblia afirma que “o fim da 
Lei é Cristo” (Rm 10.4). A Lei apontava para 
Jesus e Ele a cumpriu cabalmente por nós. O 
que isso significa? Significa que não estamos 
sujeitos mais àquelas cerimônias e àqueles 
rituais litúrgicos do Antigo Testamento, que 
eram apenas símbolos da vida, pessoa e obra 
de Jesus (Cl 2.16,17; Hb 9.7-10). O próprio Jesus 
considerou as leis dietéticas já cumpridas (Mc 
7.19), o que foi corroborado pelos seus discípulos 
(At 10.10-16; Gl 2.11-14). Entretanto, os aspectos 
morais da Lei, os princípios morais subjacentes 
em suas ordenanças e implícitos em seus ritos, 
ainda são válidos para nós hoje em dia: honrar 
a Deus acima de todas as coisas; a prática 
do amor; a condenação da mentira; o amor à 
verdade; a fidelidade conjugal etc. O próprio 
Jesus reiterou muitos desses mandamentos do 
Antigo Testamento, e ainda aprofundou o seu 
significado em Mateus 5.21-48. Outro detalhe 
é que, como disse Jesus, muitas das profecias 
do Antigo Testamento ainda hão de se cumprir 
(Mt 5.18). Ou seja, o Antigo Testamento ainda 
é muito importante para nós hoje (Rm 15.4).
► 1.5. O maior e o menor no Reino de 
Deus. Jesus apresenta nessa passagem um 
teste de grandeza. Ele deixa claro que aqueles 
que violam os mandamentos - os preceitos 
morais da Lei - e ainda criam ensinos e tradi­
ções para justificar tal conduta (Mt 15.6) são 
insignificantes em obras e vida, em relação ao 
Reino de Deus (Mt 5.19). Note que Jesus fala de 
“menores mandamentos” - ou seja, no Reino 
de Deus, mesmo os mandamentos divinos 
considerados “menores” são importantes. 
Na seqüência, Jesus afirma que “grande no 
Reino de Deus” é quem não apenas cumpre 
os mandamentos divinos, mas quem também 
ensina-os - e vice-versa: e também quem não 
apenas ensina-os, mas vive-os. Entretanto, 
é importante entender aqui que Jesus não 
estava falando de mero legalismo. Ele deixa 
isso claro no versículo seguinte (Mt 5.20),
onde, como veremos a seguir, enfatizou que 
alguém pode ser minucioso no cumprimento 
de cada mandamento divino e mesmo assim 
estar longe do Reino, quando sua obediência 
é meramente formal, mecânica e orgulhosa.
^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 1
“ ‘Nãovim ab-rogar, mas cumprir’ (Mt 
5.17). O verbo ‘ab-rogar’ significa ‘soltar’ , 
‘desatar’, ‘desprender’ como se faz com uma 
casa ou tenda (2Co 5.1). ‘Cumprir’ significa 
[no original grego dessa passagem] ‘encher 
por completo’ ou ‘completar’. Foi o que Jesus 
fez com a lei cerimonial, que apontava para 
Ele. Ele também guardou a lei moral. Ele veio 
completar a lei, revelar a total profundidade 
do significado que estava ligado a quem a 
guardava. [...] ‘Aquele, porém, que os cum­
prir e ensinar...’ (Mt 5.19). Jesus põe a prática 
antes da pregação. O professor tem de viver 
a doutrina antes de ensiná-la aos outros. Os 
escribas e fariseus eram homens que ‘dizem 
e não praticam’ (Mt 23.3), que pregam e não 
fazem. Este é o teste de grandeza que Cristo 
faz” (ROBERTSON, A. T. Comentário Mateus
& Marcos à Luz do Novo Testamento Grego. 
Rio de Janeiro: CPAD, 2011, p.70).
2. O PERIGO DE SE FAZER 
DA LETRA UMA RELIGIÃO 
MECÂNICA
► 2.1. Uma religião voltada só para o 
exterior. Ao contrastar a justiça dos escribas 
e fariseus com a justiça dos filhos do Reino, 
Jesus deixa claro que esta excede àquela (Mt
5.19,20). Mas, em que sentido? Em primeiro 
lugar, no sentido de que a justiça dos escribas e 
fariseus era preocupada apenas com o exterior 
(Mt 6.1-8,16-18). Seus corações continuavam 
sujos, porque procuravam apenas a aprovação e 
o elogio dos homens. Jesus afirma que devemos 
fazer o que é certo por temor e amor a Deus, 
e não para receber o aplauso dos homens.
Discipulando Professor 4 |
> 2.2. Uma religião voltada para o or­
gulho pessoal e o aplauso dos homens. Em
segundo lugar, os escribas e fariseus confiavam 
que eram salvos apenas pelo que faziam exte­
riormente na religião, quando na verdade Deus 
olha, não apenas para nossos atos, mas para 
o nosso coração, para a intenção com a qual 
fazemos as coisas (1 Co 13.1-7). A Parábola do 
Fariseu e do Publicano, contada por Jesus, é 
bem didática quanto a isso (Lc 18.9-14). Não 
basta seguir à risca as normas e os manda­
mentos bíblicos, se os obedeçemos de forma 
mecânica e orgulhosa, para sermos louvados 
pelos homens ou achando que somos salvos 
e abençoados pelas nossas boas ações. Não 
somos salvos pelas nossas boas obras; estas 
são apenas o nosso dever e devem ser também 
o nosso prazer. Somos salvos pela graça de 
Deus, mediante a fé na obra de Cristo na cruz 
do Calvário por nós (Ef 2.8-10).
^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 2
“Muitos ficam confusos com a afir­
mação de Jesus de que veio cumprir a Lei 
e os profetas. [Em primeiro lugar,] Cristo fala 
aqui como um judeu dedicado, como outros 
rabinos do século I, a uma única tarefa: ex­
plicar o verdadeiro significado das palavras 
de Deus e, assim, ‘cumpri-las’. Mas [não só 
isto:] Cristo imediatamente se distingue de 
outros mestres. Os fariseus eram zelosos 
em guardar tanto a lei escrita quanto a oral, 
mas, ao explicar o verdadeiro significado 
da Palavra de Deus, Cristo estava prest­
es a revelar uma justiça que ultrapassava 
qualquer justiça que os fariseus imaginas­
sem possuir guardando os mandamentos. 
Como cidadãos do Reino de Jesus, você e 
eu somos chamados para viver uma vida 
justa. Mas devemos evitar o engano dos far­
iseus. Não devemos confundir a verdadeira 
justiça com - ou supor que por - fazermos 
determinadas coisas e evitarmos outras al­
cançamos elevada espiritualidade. O que 
fazemos é importante, é verdade, mas Deus 
está mais interessado no que somos” (RICH-
22 | Discipulando Professor 4 |
ARDS, Lawrence, Comentário Devocion- 
al da Bíblia. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, 
p.557).
3. A JUSTIÇA DO 
REINO DE DEUS
► 3.1. Uma religião do coração. Devemos 
sobejar em boas obras, mas como conseqüência 
da nossa salvação (Tt 2.12-14), como dever 
natural de filhos de Deus (2 Pe 1.3-10), como 
expressão real de nossa fé em Cristo (Tg
2.14-17), como manifestação da graça divina 
em nossas vidas (2 Co 9.8) e como gratidão 
e louvor por aquilo que Cristo fez por nós (Cl 
1.10-12; 1 Co 10.31). Jamais como base para 
a nossa salvação (Ef 2.8,9).
► 3.2. Mais do que observâncias.
Em suma, como lembra o teólogo Donald 
Stamps, os escribas e fariseus “observavam 
muitas regras, oravam, cantavam, jejuavam, 
liam as Escrituras e freqüentavam os cultos 
nas sinagogas”; porém, eles “substituíam as 
atitudes interiores corretas pelas aparências 
externas”. Por isso, Jesus afirma em Mateus 
5.20 que a justiça que Deus deseja de seus 
filhos transcende a justiça dos escribas e 
fariseus, vai muito além da justiça deles. Mais 
precisamente, Ele está dizendo que “o coração 
e o espírito, e não somente os atos externos, 
devem conformar-se com a vontade de Deus, 
na fé e no amor” (Bíblia de Estudo Pentecostal, 
CPAD, p.1394). Essa é a verdadeira vida de 
piedade para o cristão.
► AUXÍLIO TEOLÓGICO 3
‘“ ...será chamado grande no Reino dos 
Céus’ (Mt 5.19). A posição do crente no Reino 
dos Céus dependerá da sua atitude aqui, para 
com a lei de Deus, e da sua prática e ensino. 
A medida da fidelidade a Deus aqui determi­
nará a medida da nossa grandeza no céu. [...] 
A justiça dos escribas e fariseus era exclusi­
vamente exterior. [...] Jesus declara aqui que 
a justiça que Deus requer do crente vai além 
disso. O coração e o espírito, e não somente
os atos externos, devem conformar-se com a 
vontade de Deus, na fé e no amor” (STAMPS, 
Donald (Ed.), Bíblia de Estudo Pentecostal. 
Rio de Janeiro: CPAD, 2005, pp. 1393-94).
CONCLUSÃO
Que possamos sempre avaliar não apenas 
as nossas ações, mas também as nossas inten­
ções. Pois, como aprendemos hoje, não basta 
fazer o que deve ser feito; é preciso também 
fazê-lo com as motivações certas: nunca com 
orgulho, nunca almejando os aplausos das 
pessoas, mas sempre pelo dever e pelo prazer 
de fazer o que é justo, e sempre apoiados na 
graça de Deus.
APROFUNDANDO-SE
“As leis do Antigo Testamento destinadas 
diretamente ã nação de Israel, tais como 
as leis sacrificiais, cerimoniais, sociais e 
cívicas, já não são obrigatórias (Hb 10.1 -4). 
O crente não deve considerar a lei como 
sistema de mandamentos legais através do 
qual se pode obter méritos para o perdão e 
asalvação(GI2.16,19). Pelo contrário, a lei 
deve ser vista como um código moral para 
aqueles que já estão num relacionamento 
salvífico com Deus e que, por meio de 
sua obediência à lei, expressam a vida de 
Cristo dentro de si mesmos (Rm 6.15-22). 
A fé em Cristo é o ponto de partida para 
o cumprimento da lei. Mediante a fé nEle, 
Deus torna-se nosso Pai (Jo 1.12). Por 
isso, a obediência que prestamos como 
crentes não provém somente do nosso 
relacionamento com Deus como legislador 
soberano, mas também do relacionamento 
de filhos para com o Pai (Gl 4.6)” (STAMPS, 
Donald (Ed.). Bíblia de Estudo Pentecos­
tal. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p.1393).
VERIFIQUE SEU
APRENDIZADO
1 . O que significa “cumprir a lei e os profetas”?
R. Cumprir os mandamentos e as promes­
sas do Antigo Testamento, isto é, seus preceitos 
e profecias, além de seus símbolos e tipos.
2. O que é o aspecto moral da Lei? E ele é 
válido ainda hoje?
R. São os princípios morais subjacentes 
nas ordenanças e implícitos nos ritos do Antigo 
Testamento. Eles ainda são válidos para nós hoje.
3. Quem é o “menor” em relação ao Reino 
de Deus?
R. Aqueles que violam os mandamentos
- os preceitos morais da Lei - e ainda criam 
ensinos e tradições para justificar tal conduta.
4. Quem é o “maior” no Reino de Deus?
R. É quem cumpre e ensina os manda­
mentos divinos.
5. Em que a justiça do Reino de Deus se 
diferencia da justiça dos escribas e fariseus?
R. A justiça dos escribas e fariseus era pre­
ocupada apenas com o exterior. Seus corações 
continuavam sujos porque procuravam apenas 
a aprovação e o elogio dos homens.
“A expressão ‘Em verdade vos digo’, que 
aparece no começo dasdeclarações mais 
enfáticas de Jesus, é a palavra grega amen, 
que é a transliteração da palavra hebraica 
que Jesus falou, e que é linguagem cristã 
especializada, denotando afirmação sagrada. 
Jesus assevera que nem um jota, a menor 
letra, nem uma serifa - ou adorno de uma letra 
de nenhuma maneira passará até que tudo 
se cumpra” (STAMPS, Donald (Ed.). Bíblia de 
Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 
2005, p.44).
Discipulando Professor 4
TEXTO BÍBLICO BASE
Mateus 5,21-26
21 - Ouvistes que foi dito aos antigos: Não mata- 
rás; mas qualquer que matar será réu de juízo.
22 - Eu, porém, vos digo que qualquer que, 
sem motivo, se encolerizar contra seu irmão 
será réu de juízo, e qualquer que chamar a 
seu irmão de raca será réu do Sinédrio; e 
qualquer que lhe chamar de louco será réu 
do fogo do inferno.
23 - Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar e 
aí te lembrares de que teu irmão tem alguma 
coisa contra ti,
24 - deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai re­
conciliar-te primeiro com teu irmão, e depois 
vem, e apresenta a tua oferta.
25 - Concilia-te depressa com o teu adversário, 
enquanto estás no caminho com ele, para que 
não aconteça que o adversário te entregue 
ao juiz, e o juiz te entregue ao oficial, e te 
encerrem na prisão.
26 - Em verdade te digo que, de maneira ne­
nhuma, sairás dali, enquanto não pagares o 
último ceitil.
MEDITAÇÃO
Não te deixes vencer do mal, mas vence o 
mal com o bem. (Rm 12.21)
REFLEXÃO BÍBLICA DIÁRIA
► SEGUNDA - Romanos 12.17-21
► TERÇA - Gálatas 5.19-22
► QUARTA - Colossenses 3.8
► QUINTA - Mateus 5.7,9
► SEXTA-1 Coríntios 6.1-11; 13.4-7
► SÁBADO - 1 João 2.9-11
24 Discipulando Professor 4 |
ORIENTAÇÃO AO
PROFESSOR
INTERAGINDO COM O ALUNO
A ira é uma das reações naturais do ser 
humano. O propósito da lição de hoje é cha­
mar a atenção de seus alunos para o fato de 
que, embora seja uma reação natural, a ira 
pode se tornar algo muito mal e imensamen­
te destrutivo, quando ela ultrapassa alguns 
limites estabelecidos por Jesus no Sermão 
da Montanha. Deixe claro a eles que quem 
encoleriza-se contra seu irmão sem motivo, 
humilhando-o, agindo com rancor, é tão pe­
cador diante de Deus quanto àquele que as­
sassina outra pessoa. Frise que Jesus deixa 
claro que a cólera é o primeiro passo para o 
homicídio e que quem se encoleriza sem mo­
tivo contra outra pessoa já é “homicida” em 
seu coração, mesmo que não chegue às vias 
de fato em relação ao seu desafeto.
Essa lição traz mais uma oportunidade 
de explorar várias situações hipotéticas do 
dia a dia de seus alunos nas quais o ensino 
de Jesus se aplicaria diretamente. Explorar 
essas situações fará com que o ensino de 
Jesus, ministrado na lição de hoje, se torne 
ainda mais claro, vivo e pertinente para as 
suas vidas. Não perca essa oportunidade. 
Aproveite e boa âula!
► Chamar a atenção para o fato de que 
a ira pode se tornar algo destrutivo em 
nossas vidas;
► Estimular seus alunos a viverem, na prá­
tica, seu chamado como pacificadores e 
agentes da misericórdia no Reino de Deus.
PROPOSTA PEDAGÓGICA
OBJETIVOS
Sua aula de hoje deverá atingir 
os seguintes objetivos:
► Deixar claro aos alunos o caráter não 
-antinomísta do Evangelho;
A fim de clarificar o máximo possível aos 
seus alunos quando a ira torna-se perniciosa na 
vida do cristão, ao chegar ao ponto desta aula 
em que, seguindo o roteiro da revista, o tema 
da ira finalmente será tratado, escreva no qua­
dro as três reflexões que o cristão deve fazer 
para distinguir quando a sua ira é perniciosa ou 
não e que estão explicitadas no corpo da lição. 
Em seguida, cite situações hipotéticas de ma­
nifestação de ira e peça aos seus alunos para 
avaliarem cada uma dessas situações à luz 
desses três critérios apresentados. Deixe seus 
alunos se envolverem bastante com a análise 
de cada situação até que eles demonstrem es­
tarem bem familiarizados com os critérios bíbli­
cos avaliadores da ira.
Discipulando Professor 4
COMENTÁRIO | INTRODUÇÃO
Na lição passada, vimos como Jesus aler­
tou os seus discípulos para a necessidade de a 
justiça deles exceder a dos escribas e fariseus. 
Agora, nos versículos seguintes a esse alerta, 
mais especificamente os versículos 21 a 48 do 
capítulo 5 de Mateus, Jesus reforça sua orien­
tação citando exemplos concretos do dia a dia. 
Ele apresenta em seqüência seis exemplos de 
justiça mais elevada, todos eles antecedidos 
pela expressão “Ouvistes que foi dito” (Mt 
5.21,27,31,33,38,43), seguida pela expressão “Eu, 
porém, vos digo” (Mt 5.22,28,32,34,39,44). Jesus 
menciona seis ordenanças da Lei de Moisés e 
as aprofunda, demonstrando que a justiça do 
Reino de Deus é algo que vai muito além do que 
a letra da lei mosaica.
Na lição de hoje, veremos especificamente 
o primeiro exemplo citado por Jesus, que envolve 
a questão da cólera e do homicídio.
1. O EVANGELHO NÃO É 
ANTINOMIANISTA
► 1.1. “Ouvistes que foi dito... Eu, porém, 
vos digo...”. Como vimos na lição passada, 
diferentemente do que os ouvintes de Jesus 
pensaram dele quando começaram a ouvir o 
seu Sermão da Montanha, Ele não viera destruir 
a lei ou ab-rogá-la, mas completá-la, aprofun­
dá-la, levar a compreensão dos mandamentos 
a outro nível. Em nenhum momento, ao citar 
esses seis exemplos concretos de justiça mais 
elevada, Jesus anula as ordenanças morais da 
lei, mas, ao contrário, aumenta as exigências 
relacionadas a essas ordenanças - ou melhor, 
aprofunda essas exigências, pois as leva direto 
ao coração da pessoa, como em seguida.
A expressão “Eu, porém, vos digo” nunca 
traz na seqüência uma proibição que anula a 
exigência explícita da ordenança apresentada 
antes no “Ouvistes o que foi dito”. O “ Não 
matarás” não é seguido por um “Podem matar 
agora”, mas, sim, por um “Não apenas isso...”. 
Ou seja, Jesus não destrói a lei; Ele acrescenta
a ela algo que a expande, que a torna mais 
profunda. Em outras palavras, Jesus nunca 
foi um antinomianista.
► 1.2. O que é o antinomianismo? Anti- 
nomianismo é um termo cunhado pela primeira 
vez no século 16 pelo reformador protestante 
Martinho Lutero para designar uma prática 
antiga entre algumas pessoas no meio cristão: 
a negação da importância dos mandamentos 
divinos para a vida do cristão. Em outras pa­
lavras, antinomianismo é o extremo oposto 
do legalismo. Ele é o que o apóstolo Judas 
denominou, na Epístola que leva o seu nome, 
de “transformar em libertinagem a graça de 
Deus” (Jd v.4 - ARA). O antinomianismo foi 
combatido por Jesus (Mt 7.15-27; Jo 14.15; 
15.10,14) e pelos apóstolos - além de Judas, 
já mencionado, vemos também Paulo (Rm 
3.31; Rm 6; Cl 3), Pedro (2 Pe 2), Tiago (Tg
2.14-26) e João, em sua Primeira Epístola, 
combatendo esse ensino errado. Aliás, João 
assevera explicitamente que escreveu sua 
primeira Epístola para combater a influência 
de duas heresias gnósticas de seu tempo, a 
saber: a negação da divindade de Cristo e a 
prática do antinomianismo (1 Jo 5.13).
► 1.3. Antinomianismo hoje. Infelizmente, 
a influência da mentalidade pós-moderna tem 
levado alguns ditos cristãos a confundirem 
obediência aos mandamentos divinos com 
legalismo e graça com ausência de normas de 
conduta. Trata-se de uma torção absurda de 
significados. Legalismo “é, de forma geral e à 
luz da Bíblia, a ideia de justificação pelas obras, 
a fixação imprópria de regras de conduta como 
necessidades para Salvação e a negligência ou 
ignorância em relação à graça de Deus” (DANIEL, 
Silas, A Sedução das Novas Teologias, CPAD, p. 
54). Porém, para alguns cristãos pós-modernos, 
legalismo não é isso. Legalismo, imaginam, é 
qualquer tipo de exortação concernente à conduta 
moral. Por isso, para essas pessoas, “é proibido 
proibir”. Porém, o Novo Testamento está repleto 
de passagensque condenam contundentemente 
uma série de comportamentos (Mt 5.28-29; 1 
Jo 2.15-17; 2 Tm 2.22; Tt 2.12; Tg 1.14; 1 Pe2.11).
26 | Discipulando Professor 4 |
Tais costumam generalizar dizendo que “tudo 
depende da consciência da pessoa”, entretanto, 
a Bíblia demonstra que nem tudo é questão de 
consciência (Gl 5.19-25).
Os frutos dessa mentalidade equivoca­
da é um cristianismo meramente nominal. 
São pessoas que se declaram seguidoras de 
Jesus, mas cujo comportamento se choca 
frontalmente com os mandamentos divinos 
e não acham isso absolutamente nada de­
mais. Dizem que são de Deus, mas não estão 
interessadas em nenhum compromisso com 
seus mandamentos. Sua visão de Deus se dá 
apenas em termos utilitaristas ou na forma de 
uma “muleta” psicológica. No primeiro caso, 
o do Deus “utilitarista”, é quando se busca de 
Deus somente bênçãos materiais e físicas (a 
bênção de Deus acima do Deus da bênção), 
fazendo dEle o meio para um fim e não um fim 
em si mesmo; e no segundo caso, o do Deus 
como “muleta” psicológica, é quando tratam 
Deus apenas como um ser preocupado em 
estimular o ego de seus filhos, como um ser 
que está disposto a ser usado diariamente, por 
meio de palavras e gestos, apenas para inflar 
a autoestima dos seus simpatizantes sem se 
“ intrometer” na forma como desejam conduzir 
as suas vidas. Enfim, acham que o Evangelho 
é sinônimo de autoajuda, nada mais.
Não nos iludamos: para ser verdadeira­
mente cristão, seguidor de Cristo, o Filho de 
Deus, não basta a pessoa ter apenas uma 
confissão de fé em Jesus. Mesmo que a pes­
soa tenha uma confissão de fé integralmente 
ortodoxa, isso não basta para ser considerada 
uma cristã verdadeira. Conforme o apóstolo 
João, as evidências da verdadeira fé cristã são 
crer em Jesus como Filho de Deus (isto é, na 
deidade de Jesus; e crer nEle como o Cristo, 
o Messias Prometido - 1 Jo 5.1,5-12,20 
pois aquele que não aceita Jesus como Filho 
de Deus não tem a vida - 1 João 5.12); viver 
segundo os mandamentos divinos (1 Jo 2.3-6); 
amar seu irmão e praticar esse amor (1 Jo 2.9; 
3.10; 5.1); não viver na prática do pecado, mas 
buscar sempre viver uma vida de santidade (1
Jo 3.2,3; 5.18); e não amar o mundo nem o seu 
estilo de vida (1 Jo 2.15-17).
► 1.4. A Lei e a Graça - A graça de Deus 
não nos libera da obrigação de obedecer às leis 
morais do Criador. A graça não é uma licença 
para a desobediência, mas a porta que Deus 
nos abre para a possibilidade de vivermos uma 
vida santa diante dEle. A Nova Aliança inclui 
mandamentos, determinações, ou seja, a lei 
moral. Jesus, e não Moisés, disse: “Se me 
amardes, obedecereis os meus mandamentos” 
(Jo 14.15). E mais: “Aquele que tem os meus 
mandamentos e os guarda, esse é o que me 
ama; e aquele que me ama será amado de 
meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a 
ele” (Jo 14.21).
Em seu Sermão da Montanha, Jesus 
adverte-nos diretamente contra a ideia de 
que Ele estaria defendendo o antínomianismo. 
Cristo, como já vimos, fez questão de esclare­
cer que não negligenciava nem tinha o intento 
de destruir a Lei posteriormente ao cumpri-la 
toda (Mt 5.17-19). O que, então, foi abolido da 
Lei por meio de Cristo?
Quando Jesus cumpriu a Lei, foram abo­
lidas as leis cerimoniais, que apontavam para 
o sacrifício de Cristo, e as leis regimentares. 
A lei moral, ou seja, o aspecto moral da Lei, 
permanece no Novo Testamento.
>1.5. A “maldição da lei”. A “maldição da 
Lei”, de que fala o apóstolo Paulo em Gálatas 3.13, 
diz respeito às sanções punitivas a que estamos 
sujeitos por não podermos cumprir toda a Lei. 
Ao cumprir as exigências da Lei para nós, Cristo 
removeu a maldição da Lei para longe de nós, 
e não a Lei, isto é, os mandamentos morais de 
Deus para as nossas vidas. A graça de Deus não 
é chancela para a anarquia. Os mandamentos 
de Deus devem ser vividos, mas não mais como 
um peso. Não somos salvos por obedecer aos 
mandamentos divinos, mas somos salvos para 
vivermos segundo os mandamentos divinos. 
Não somos salvos para viver licenciosamente, 
mas para viver uma nova vida em Cristo.
| Discipulando Professor 4 |
^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 1
“[O vocábulo grego] mõros denota pri­
mariamente ‘lerdo’, ‘lento’ (derivado de uma 
raiz muh, ‘ser tolo’); por conseguinte, ‘estúpi­
do’, ‘tolo’, ‘louco’, ‘insensato’; é usado acerca 
de pessoas em Mateus 5.22 - ‘louco’. Aqui a 
palavra significa moralmente desprezível, um 
sem-vergonha, uma repreensão mais séria do 
que ‘raca’; o último menospreza a mente do 
homem e o chama de estúpido, louco; mõros 
menospreza seu coração e caráter; daí a con­
denação mais severa do Senhor” (Dicionário 
Vine. Rio de Janeiro: CPAD, 2011, pp.759,60).
2. CÓLERA: O PASSO PARA 
O HOMICÍDIO
► 2.1. “Não matarás”. O sexto manda­
mento do Decálogo, os Dez Mandamentos 
(Êx 20.13), mencionado nessa passagem por 
Jesus, significa “Não assassinarás”. Esse é o 
sentido do vocábulo hebraico traduzido por “Não 
matarás” no Antigo Testamento e reproduzido 
por Jesus a seus discípulos. Trata-se de matar 
intencionalmente. Jesus repete o mandamento, 
no entanto, em seguida, aprofunda mais ainda 
o seu significado para os seus discípulos. Ele 
afirma que qualquer pessoa que, sem motivo, 
está encolerizada contra o seu irmão já tem o 
homicídio estabelecido em seu coração. Mes­
mo que não venha a cometê-lo externamente, 
já o cometeu no coração, sendo, por isso, já 
réu do juízo divino (Mt 5.22). E mais: com essa 
afirmação, Jesus está ressaltando também o 
fato de que a cólera é o passo para o homicí­
dio, de maneira que evitar a cólera nos levará 
a evitar o cometimento do homicídio.
► 2.2. “Sem motivo”. Jesus não é contra 
o irar-se diante de uma injustiça cometida. Ele 
não condena a “ indignação santa”. O que Jesus 
está combatendo é a ira sem motivo ou sem 
moderação. O termo traduzido aqui por “sem 
motivo” é a palavra grega e/te, que significa, 
literalmente, “sem causa”, “sem nenhum bom 
efeito” e “sem moderação”. Eis aqui, portanto, 
no próprio sentido desse vocábulo, três critérios
28 | Discipulando Professor 4 |
para avaliarmos se a nossa ira é lícita ou não. 
Em primeiro lugar, devemos nos perguntar: 
ela é baseada em uma causa coerente? Em 
segundo lugar, ela terá um bom efeito? Em 
terceiro lugar, ela se manifesta com moderação 
ou é uma ira desgovernada?
► 2.3. “Raca” e “louco”. As expressões 
“raca” e “ louco”, que aparecem no versículo 
22, estavam entre as mais odiosas expressões 
usadas nos dias de Jesus para se referir a alguém, 
sendo que a segunda expressão - “louco” - era 
considerada pior ainda, conforme o contexto 
religioso judaico daquela época. “Raca” era um 
insulto de zombaria e desdém, cujo significado 
era “ indigno”. Tal insulto, dependendo do caso, 
era passível de julgamento pelo Sinédrio nos 
dias de Jesus. Já a expressão mõros, tradu­
zida como “ louco” nessa passagem, dentro 
do contexto religioso judaico da época, era 
mais do que uma zombaria. Enquanto “raca” 
significava uma pessoa indigna de ser hon­
rada, “louco” era uma pessoa indigna de ser 
amada, uma pessoa profana, o “réprobo”, um 
“filho do inferno”. Em outras palavras, o que 
Jesus está dizendo é que quem chamasse o 
seu irmão de “raca” podia ser apenas réu do 
Sinédrio, mas quem chamasse seu irmão, em 
um momento de ira, e sem motivo, de “ louco”, 
a não ser que se arrependesse diante de Deus 
e se retratasse diante de seu irmão, seria réu 
do juízo divino. Essa pessoa estaria cometendo 
assassinato pela língua.
^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 2
“A palavra grega para ‘reconciliar-se’ 
(v.24 - diallasso) no Novo Testamento só é 
encontrada nesta passagem. Paulo usa kata- 
lasso e o composto duplo apokatallaso para 
a reconciliação unilateral que o homem deve 
ter com Deus. Isto é, o homem deve cessar 
a sua inimizade contra Deus e reconciliar-se 
através deCristo. Mas diallasso denota ‘con­
cessão mútua depois de hostilidade mútua’.
O significado disso é claro. Quando alguém 
se reconcilia com Deus, tem que atender às 
condições divinas, porque o erro está de um
único lado. Mas, quando alguém se reconcil­
ia com seu irmão, ambos têm que fazer con­
cessões, porque em toda discussão humana 
há dois lados. O que Jesus quer dizer, porém, 
é que a adoração de uma pessoa na casa de 
Deus não é aceita enquanto houver qualquer 
sentimento ruim entre o que seria o adorador 
e um ‘irmão’. O relacionamento com Deus não 
poderá estar correto enquanto o relaciona­
mento com um companheiro estiver errado” 
(Comentário Bíblico Beacon. Vol.6. Rio de Ja­
neiro: CPAD, 2006, p.59).
3. A “OFERTA NO ALTAR”
E OS PROCESSOS LEGAIS
►3.1. Reconciliação antes da adoração.
Jesus afirma que se um judeu trouxesse uma 
oferta para o Templo para ser apresentada no 
altar das ofertas e recordasse que um irmão tinha 
algo contra ele, deveria primeiro ir até seu irmão 
reconciliar-se com ele para só depois apresentar 
a sua oferta diante do altar (Mt 5.23,24). Essa 
oferta no altar era uma oferta de adoração a Deus. 
Logo, Jesus está dizendo que a adoração não 
será aceita por Deus se há algum irmão que se 
sente ofendido pelo adorador, que está magoado 
com o adorador por algo que ele fez ou disse lá 
atrás, porque o problema entre eles ainda não 
foi resolvido. Ou seja, não há relacionamento 
com Deus se não há bom relacionamento com 
meus irmãos.
► 3.2. O cristão e os processos legais.
Nos versículos 25 e 26, Jesus se refere a outro 
caso. O contexto aqui já não é adoração, mas 
as disputas nos tribunais. Ele declara que seus 
discípulos devem resolver suas eventuais desa­
venças entre si para que não aconteça de um 
deles levar a questão às barras dos tribunais, o 
que fará com que inevitavelmente um dos dois vá 
para a prisão, onde pagará até o último centavo 
pelo que fez. Antes de enfrentar qualquer disputa 
judicial, o cristão deve buscar a conciliação, e 
deve fazê-lo o mais depressa possível. O apóstolo 
Paulo advertiria décadas depois os cristãos em 
Corinto sobre o mesmo (1 Co 6.1-11).
^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 3
“Se a ofensa que causamos ao nosso ir­
mão, ao seu corpo, aos seus bens ou à sua re­
putação for tal que exija alguma ação na qual 
ele possa recuperar danos consideráveis, é sá­
bio de nossa parte, e é a nossa obrigação para 
com a nossa família, evitar isso por meio de uma 
submissão humilde e uma satisfação justa e pa­
cifica, para que, de outra maneira, ele não recu­
pere os danos pela lei e não nos coloque uma 
prisão. Em um caso como este, é melhor entrar 
em acordo, nas melhores condições que puder­
mos, do que suportarmos alguma punição; pois 
é inútil disputar com a lei, e existe o perigo de 
sermos esmagados por ela. Muitos arruinam as 
suas propriedades e os seus bens persistindo 
obstinadamente nas ofensas que fizeram, que 
poderiam ter sido resolvidas de modo pacifico, 
se cedessem em algo, rapidamente, no início do 
problema. O conselho de Salomão no caso de 
responsabilidade é: ‘Vai, humilha-te... e livra-te” 
(Pv 6.1-5)” (HENRY, Matthew. Comentário Bí­
blico do Novo Testamento: Mateus a João. Rio 
de Janeiro: CPAD, 2010, pp.53,54).
CONCLUSÃO
Como podemos ver, por trás do pecado de 
homicídio há uma série de atitudes de coração que 
nem sempre se materializam em um homicídio, mas 
que se manifestam também de outras formas no 
nosso dia a dia e, muitas vezes, as pessoas nem 
se dão conta disso. Essas atitudes se manifestam 
na ira desgovernada, no rancor, na ofensa, nas 
disputas intensas, na falta de perdão, em um 
espírito vingativo, nas brigas desnecessárias nos 
tribunais, quando tudo poderia ter sido resolvido 
antes entre irmãos. Devemos ser pacificadores e 
misericordiosos (Mt 5.7,9). Que Deus nos ajude a 
vivermos em profundidade e plenitude a vontade 
de Deus para as nossas vidas.
APROFUNDANDO-SE
“Adorar a Deus é importante? Sim! Mas
Jesus enfatizou a importância do coração
| Discipulando Professor 4 |
puro, dizendo que se nos lembrarmos de 
que alguém tem alguma coisa contra nós, 
devemos fazer as correções necessárias, 
ainda que isso signifique um adiamento da 
adoração. Mas o que é mais importante é 
a frase ‘Se... teu irmão tem alguma coisa 
contra ti’. Não somente somos responsáveis 
pela nossa própria ira, mas pela do nosso 
irmão! Se tivermos feito alguma coisa que 
aborreceu alguma pessoa, devemos re­
solver essa-questão imediatamente, para 
preservar nosso irmão de uma ira que é 
inapropriada no Reino de Deus. Isso talvez 
pareça difícil demais! Já parece difícil cui­
dar do nosso próprio relacionamento com 
Deus. E a verdade é que é realmente difícil 
demais. Mas é o que o nosso Rei espera. Se 
obedecermos, Ele fará em nós e em nossos 
relacionamentos o que jamais poderíamos 
fazer sozinhos” (RICHARDS, Lawrence. 
Comentário Devocional da Bíblia. Rio de 
Janeiro: CPAD, 2012, p.557).
SUGESTÃO 
DE LEITURA
► Falando Honestamente
Este é um livro franco, que fala sobre como 
se tornar espiritualmente saudável, identifi­
cando e combatendo doenças da alma que 
ameaçam enfraquecer a sua fé.
A obra inclui a experiência do autor de lutar 
para encontrar a sua própria crença. É como 
um bate-papo com café entre dois amigos 
bem intencionados, mas conflitantes, onde 
Moore quer conversar com você como um 
amigo — francamente, carinhosamente e, às 
vezes, estridentemente.
Falando Honestamente fará com que a sua 
alma se sinta viva, onde você e o mundo se 
tornarão melhores por isso.
VERIFIQUE O SEU
APRENDIZADO
1 . O que é antinomianismo?
R. É a negação da importância dos 
mandamentos divinos para a vida do cristão.
2 . O que é de fato legalismo?
R. É a ideia de justificação pelas obras, a 
fixação imprópria de regras de conduta como 
necessidades para salvação e a negligência 
ou ignorância em relação à graça de Deus.
3 . Quais as três características de uma ira 
pecaminosa?
R. Ela não é baseada em uma causa 
coerente, não tem um bom efeito e é des­
governada.
4 . Qual a diferença, dentro do contexto judai­
co da época de Jesus, entre os insultos “raca” 
e “ louco”?
R. Enquanto “ raca” significava uma pes­
soa indigna de ser honrada, “ louco” era uma 
pessoa indigna de ser amada, uma pessoa 
profana, o “réprobo”, um “filho do inferno”.
5 . 0 cristão deve buscar os tribunais sempre 
que tiver desavenças com seus irmãos?
R. Não, o cristão deve evitar qualquer 
disputa judicial com seus irmãos; ele deve 
buscar a conciliação, e deve fazê-lo o mais 
depressa possível.
.
m TsVÜ
► “O ‘ceitil’ (Mt 5.26) - que hoje diríamos ser 
o “último centavo” - era, na verdade, dentro 
do sistema monetário do Império Romano 
da época de Jesus, o ‘quadrante’, que era 
“a menor moeda de cobre romano, valendo 
cerca de um quarto de um centavo” (Co­
mentário Bíblico Beacon. Vol.6. Rio de 
Janeiro: CPAD, p,60).
30 | Discipulando Professor 4 |
a Fidelidade 
no Casamento
TEXTO BÍBLICO BASE
Mateus 5.27-32
27 - Ouvistes que foi dito aos antigos: Não come- 
terás adultério.
28 - Eu porém, vos digo que qualquer que atentar 
numa mulher para a cobiçar já em seu coração 
cometeu adultério com ela.
29 - Portanto, se o teu olho direito te escandalizar, 
arranca-o e atira-o para longe de ti, pois te é 
melhor que se perca um dos teus membros do 
que todo o teu corpo seja lançado no inferno.
30 - E, se a tua mão direita te escandalizar, corta-a 
e atira-a para longe de ti, porque te é melhor que 
um dos teus membros se perca do que todo o 
teu corpo seja lançado no inferno.
31 - Também foi dito: Qualquer que deixar sua 
mulher, que lhe dê carta de desquite.
32 - Eu, porém, vos digo que qualquer que repudiar
sua mulher, a não ser por causa de prostituição, 
faz que ela cometa adultério; e qualquerque 
casar com a repudiada comete adultério.
MEDITAÇÃO
Venerado seja entre todos o matrimônio 
e o leito sem mácula; porém, aos que se dão 
à prostituição e aos adúlteros Deus os julgará. 
(Hb 13.4)
REFLEXÃO BÍBLICA DIÁRIA
► SEGUNDA-Gênesis 2.18-25
► TERÇA - Malaquias 2.13-17
► QUARTA -1 Tessalonicenses 4.3-8
'► QUINTA - Provérbios 6.20-35
► SEXTA -J ó 31.1
► SÁBADO - Provérbios 5.15-20
| Discipulando Professor 4 |
ORIENTAÇÃO AO
PROFESSOR
INTERAGINDO COM O ALUNO
O propósito desta lição é esclarecer qual 
deve ser a conduta do cristão em relação ao 
casamento. É uma oportunidade de esclarecer 
aos seus alunos as diferenças entre os valores 
do Reino de Deus em relação ao casamento, de 
um lado, e os modismos relativistas do mundo, 
do outro. O primeiro venera o matrimônio e o 
leito sem mácula; o segundo, banaliza o sexo 
e os relacionamentos. Alerte também sobre o 
perigo da luxúria, que é destrutiva e um passo 
para a infidelidade conjugal. Destaque a se­
riedade desse assunto. Para enriquecer mais 
esta aula, despertando ainda mais o interesse 
e a participação dos seus alunos, fale sobre os 
deveres dos cônjuges um para com o outro e 
a necessidade que cada um deles tem de lutar 
pelo seu relacionamento. Finalmente, ressalte 
aos seus alunos que a bússola da nossa conduta 
não é os modismos do momento, divulgados 
pelos formadores de opinião seculares, mas 
a Bíblia Sagrada, a nossa única regra de fé e 
prática. Como filhos do Reino, devemos ser 
diferentes, remando contra a correnteza de 
imoralidade deste mundo.
atingir os seguintes alvos:
► Conscientizar seus alunos de que não 
apenas o adultério é pecado, mas tam­
bém a luxúria;
32 | Discipulando Professor 4 |
► Apontar que o pecado não vem de fora 
para dentro, mas de dentro para fora;
► Enfatizar a indissolubilidade do casa­
mento como instituição divina.
PROPOSTA PEDAGÓGICA
Uma sugestão para introduzir o tema 
da lição de hoje aos seus alunos é começar 
lembrando que estamos em uma sociedade 
que vive sob uma opressiva divulgação da 
sensualidade, exibindo de forma grosseira a 
sensualidade em todos os programas, revistas, 
meios de comunicação em geral, nas ruas etc. 
Em seguida, ressalte como muitas famílias se 
encontram hoje destruídas ou desajustadas por 
causa do pecado da luxúria, da pornografia, da 
infidelidade, da prostituição, da fornicação, do 
vício sexual etc. Em seguida, apresente o texto 
da lição destacando que esse assunto também 
foi alvo da preocupação de Jesus. Mostre, en­
tão, o plano de Deus para a família, a partir do 
casamento, que é uma instituição divina criada 
com o propósito de ser indissolúvel.
COMENTÁRIO | INTRODUÇÃO
Estudaremos hoje o segundo caso con­
creto de justiça mais elevada dos seis que 
Jesus menciona em seqüência até o final do 
capítulo 5 de Mateus. Neste segundo caso, está 
em foco o sétimo mandamento do Decálogo: 
“Não cometerás adultério” (Êx 20.14; Dt 5,18). 
Mais uma vez, Jesus chama a atenção para o 
coração. Ele afirma que tão errado quanto à 
ação pecaminosa é a intenção pecaminosa, e 
que Deus olha tanto a ação quanto a intenção. 
No caso específico do adultério, não basta não 
cometê-lo: é preciso também não dar lugar à 
luxúria no coração, pois aquele que permite 
que a luxúria domine a sua alma, mesmo que 
não chegue a cometer adultério fisicamente, 
no seu coração já o cometeu (Mt 5.28). Isso 
significa também que a melhor forma de evitar 
a violação do sétimo mandamento é não dar 
lugar à luxúria em seu coração.
1. JESUS CONDENA A LUXÚRIA
► 1.1. Luxúria é algo sério. Na sociedade 
de hoje, a luxúria, infelizmente, já é vista como 
algo normal, quando na verdade, ela trata-se de 
algo pernicioso para a vida das pessoas, como 
o próprio Jesus asseverou em seu Sermão da 
Montanha. Para Jesus, a luxúria era algo sério. 
O termo traduzido como “cobiçar”, no versículo
28 de Mateus 5, no original grego, é epithumia, 
que significa “desejo intenso por algo ilícito”; 
enfim, luxúria, é lascívia. Como explica o te­
ólogo Donald Stamps, “não é o pensamento 
repentino que Satanás pode colocar na mente 
de uma pessoa, nem um desejo impróprio que 
surge de repente; trata-se, pelo contrário, de 
um pensamento ou desejo errado, aprovado 
pela nossa vontade; é um desejo imoral que a 
pessoa procurará realizar caso surja a opor­
tunidade; é o desejo íntimo de prazer sexual 
ilícito, imaginado e não resistido” (Bíblia de 
Estudo Pentecostal, CPAD, p.1394). É isso que 
Jesus está condenando explicitamente nessa 
passagem e que é a porta para a infidelidade 
conjugal.
► 1.2. “Arranca-o e atira-o para longe de 
ti”. A luxúria é algo tão sério, e ao mesmo tempo 
tão fácil de crescer no coração quando a pessoa 
lhe dá lugar, que Jesus usa uma forte figura de 
linguagem para enfatizar aos seus discípulos a 
necessidade de repeli-la radicalmente de suas 
vidas desde sua primeira manifestação. Ela é um 
mal que deve ser cortado radicalmente, isto é, 
pela raiz, porque a luxúria, uma vez alimentada, 
só cresce. A figura que Jesus usa para descrever 
a atitude que devemos tomar diante da luxúria é 
a de alguém que arranca o seu próprio olho ou 
a sua própria mão para que não se corrompa
í t
[...] tão errado 
quanto à ação 
pecaminosa 
é a intenção 
pecaminosa [...].
| Discipulando Professor 4
(Mt 5.29,30). A ideia aqui, obviamente, não é de 
arrancar os olhos e as mãos literalmente, mas, 
sim, a ideia de que “se olhar é um problema para 
você, evite fazê-lo”. Ou ainda, parafraseando e 
contextualizando essas palavras de Jesus para 
os dias de hoje, significa: “Você conhece suas 
fragilidades e sabe que não pode ficar brincando 
com determinadas coisas, porque elas poderão 
despertar em você desejos impuros, então não dê 
ocasião para elas, mas corte radicalmente todo 
tipo de situação que possa despertar a luxúria 
em seu coração. Talvez, o que provoca isso em 
você não é ao mesmo tempo tão provocativo 
para outra pessoa, mas o que importa é que 
você identifique o que o atrapalha nessa área e 
corte radicalmente de sua vida tudo aquilo que é 
fonte de alimentação da luxúria para você: deter­
minados filmes, revistas, programas, sites etc.”
^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 1
O vocábulo grego traduzido por “es­
candalizar” em Mateus 5.29,30 é skandalizo 
e pode ser traduzido também como “fazer 
tropeçar” ou “fazer pecar” . O termo vem do 
substantivo skandalon (“escândalo”) que era 
usado originalmente para descrever “a isca 
de uma armadilha ou laço” e também, poste­
riormente, “o próprio laço ou armadilha” (Co­
mentário Bíblico Beacon, volume 6, CPAD, 
p. 60). Como afirma A. T. Robertson, “a noção
34 | Discipulando Professor 4 |
[nessa passagem de Mateus] não é de escan­
dalizar, mas de armar uma armadilha. O subs­
tantivo skandalon [...] significa o pau na arma­
dilha que salta e fecha-a, quando o animal o 
toca”; ou seja, Jesus está falando de arrancar 
o “olho” e cortar a “mão” quando “se tratam 
de uma armadilha”. “Não devemos conside­
rar essas imagens mentais literalmente, mas 
como apelos vigorosos e veementes ao do­
mínio próprio. Jesus não está ordenando a 
mutilação do corpo, mas o controle do corpo 
contra o pecado. Quem brinca com fogo se 
queima. A cirurgia moderna ilustra primoro­
samente o ensino de Jesus. Se as amídalas, 
dentes ou apêndice estiverem infectados e 
não forem retirados, o corpo acabará pere­
cendo. Corte-os a tempo e a vida será salva. 
O que Jesus tem em mente é a cirurgia espi­
ritual” (ROBERTSON, A. T. Comentário Ma­
teus & Marcos à Luz do Novo Testamento 
Grego. Rio de Janeiro: CPAD, 2011, p.73).
2. A INTENÇÃO DO CORAÇÃO 
TRANSPARECERÁ NOS 
MEMBROS DO CORPO
► 2.1.0 pecado nasce no coração. Durante 
o seu ministério, e não apenas no Sermão da 
Montanha, Jesus enfatizou que o pecado nasce no 
coração do homem. Umdos momentos em que 
o fez, está registrado no Evangelho de Marcos, 
onde Ele afirma: “Porque do interior do coração 
dos homens saem os maus pensamentos, os 
adultérios, as prostituições, os homicídios, os 
furtos, a avareza, as maldades, o engano, a 
dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a 
loucura. Todos estes males procedem de dentro 
e contaminam o homem” (Mc 7.21-23). É por 
isso que Salomão escreveu: “Sobre tudo o que 
se deve guardar, guarda o teu coração, porque 
dele procedem as saídas da vida” (Pv 4.23).
Tiago, o irmão do Senhor, é claro quanto 
à origem das tentações. Ele declara que elas 
não provêm de Deus (Tg 1.13) e também não 
faz nenhuma referência a elas procederem 
diretamente do Diabo ou do mundo. O após­
tolo assevera, conforme aprendeu com Jesus, 
que a tentação tem a sua origem, na verdade, 
no próprio ser o humano, em sua natureza 
pecaminosa (Tg 1.14,15). Ou seja, o mundo e o 
Diabo são apenas agentes indutores externos 
da tentação.
► 2.2. A natureza pecaminosa. O proble­
ma do pecado está no fato de que os homens 
são pecadores por natureza. É verdade que a 
tentação envolve induções externas, porém o 
pecado sempre é uma escolha da pessoa que 
o comete. Em alguns momentos, o desejo de 
fazer o que é errado pode estar já presente 
de forma natural e em outras vezes, pode ser 
estimulado externamente, mas em qualquer dos 
casos o indivíduo sempre é o responsável. O 
pecado nunca vem de fora para dentro; ele está 
dentro de nós, é resultado de nossa natureza 
(Mc 7.15). O que vem de fora são apenas estí­
mulos para que o pecado se manifeste dentro 
de nós. Logo, as tentações, na verdade, não 
exercem alguma força sobre a pessoa para 
fazê-la cair, mas apenas revelam a natureza 
interior da pessoa e a fragilidade de sua vida 
espiritual naquele momento. Basta lembrar 
que se não houvesse natureza pecaminosa, 
nenhuma tentação seria de fato tentação. O 
que torna a tentação de fato “uma tentação" 
é o fato de que temos uma natureza pecami­
nosa. Como bem explica Tiago, “cada um é 
tentado, quando atraído e engodado pela sua 
própria concupiscência” (Tg 1.14). Finalmente, 
é importante frisar ainda que ser tentado não 
é pecado; pecado é ceder à tentação.
^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 2
“Quando um homem se compromete a 
‘amar a sua esposa assim como Cristo amou 
a Igreja e se entregou por ela’ (Ef 5.25), ele 
será sempre fiel. Há uma coisa com que a Igre­
ja pode contar: a fidelidade do Noivo. Nisto a 
esposa cujo marido a ama como Cristo amou 
a Igreja também pode confiar. Jeremy Taylor, 
o grande pregador do século 17, em seu ser­
mão The Marriage Ringo or the Misteriousness 
of Marriage (‘A Aliança do Casamento ou os
Mistérios do Casamento’), faz esta cobrança 
relativa à fidelidade: ‘Acima de tudo [...] deixe 
o noivo preservar, com relação a ela, uma fé 
inviolável e uma castidade sem mácula, porque 
esta é uma aliança de casamento que amar­
ra dois corações por um laço eterno; é como 
a espada flamejante do querubim firmada na 
guarda do paraíso. [...] Castidade é a seguran­
ça do amor e preserva todo o mistério como os 
segredos de um templo. Sob essa tranca está 
depositada a segurança de famílias, a união 
de afeições, a reparação de brechas aciden­
tais’. Nossas esposas devem ser capazes de 
descansar em nossa fidelidade, tê-la como um 
fato. Tudo a nosso respeito - nossos olhos, lin­
guagem, compromissos e paixão - deve dizer a 
ela: ‘Sou e serei sempre fiel a você” ’ (HUGHES, 
R. Kent. Disciplinas do Homem Cristão. Rio 
de Janeiro: CPAD, 2005, pp.43,44).
3. A INDISSOLUBILIDADE 
DO CASAMENTO
► 3.1. O divórcio. Jesus aproveita o tema 
do adultério para falar sobre a indissolubilida- 
de do casamento. Ele lembra, nos versículos
31 e 32 do texto bíblico base desta lição, 
que a lei permitia o divórcio (Dt 24.1-3), mas 
que, na verdade, muitos desses divórcios 
acabavam sendo adultérios autorizados 
legalmente, pois o correto seria o divórcio 
só ser permitido, de forma excepcional, nos 
casos de adultério, quando então o cônjuge 
ofendido teria a possibilidade de divorciar- 
se e casar-se novamente. Mais à frente, em 
Mateus 19.3-12, Jesus tratará mais detalha­
damente sobre esse assunto e deixará claro 
que o casamento foi criado por Deus para 
ser uma instituição indissolúvel (Mt 19.4-6). 
O divórcio em caso de adultério seria apenas 
uma excepcionalidade.
► 3.2. A questão do divórcio na época 
de Jesus. Na época de Jesus, havia duas 
correntes judaicas divergentes na interpretação 
do que a lei mosaica afirmava em relação ao 
divórcio: Shamai e Hillel. A lei mosaica dizia 
que era permitido o divórcio apenas quando^
| Discipulando Professor 4 |
o homem não achasse mais “graça” em sua 
esposa “por haver nela coisa feia” (Dt 24.1).
3.2.1 Shammai. A primeira corrente 
judaica sobre o assunto, a mais antiga, 
era a do rabino Shammai, que entendia 
que a expressão “coisa feia” referia-se ao 
adultério, de maneira que a lei mosaica 
estaria afirmando que o divórcio só seria 
permitido no caso de adultério.
3.2.2. Hillel. Já a segunda corrente, 
liberal e mais recente, era a do rabino 
Hillel (60 a.C. - 20d.C.), que chegou a ser 
contemporâneo de Jesus, tendo falecido, 
porém, antes que Ele desse início ao seu 
ministério terreno. Hillel interpretava “coisa 
feia” como se significasse qualquer coisa 
desagradável, e não apenas como uma 
referência mosaica ao adultério, e ainda 
usava como ênfase para essa interpre­
tação a expressão “não achar graça em 
seus olhos”, de maneira que, na época de 
Jesus, muitas pessoas já se divorciavam 
“por qualquer motivo” (Mt 19.3),
3.2.3 A palavra de Jesus. Jesus, po­
rém, deixa claro que a interpretação de 
Shammai estava certa, mas Ele foi além, 
ressaltando também a necessidade de 
se evitar a luxúria no coração. Outro fato 
importante que se deve levar em conta é 
que, mesmo em caso de adultério, quando o 
divórcio seria excepcionalmente permitido, 
é possível o perdão e a reconstrução do 
relacionamento do casal diante de Deus, 
pois “o que Deus ajuntou não separe o 
homem” (Mt 19.4-8).
► 3.3.0 caso do cônjuge abandonado. Outra 
exceção que vemos na Bíblia para a permissão 
do divórcio é o caso do abandono do cônjuge. 
Nesse caso, na verdade, o cônjuge cristão não 
buscou o divórcio; ele é que foi abandonado pelo 
seu esposo(a). O apóstolo Paulo, escrevendo 
aos crentes em Corinto, é quem fala desse caso, 
referindo-se a cristãos que são abandonados
36 [ Discipulando Professor 4 |
por seus cônjuges por causa da sua fé. Paulo 
assevera que o cônjuge cristão não deve divor­
ciar-se do não cristão, mas, ao contrário, fazer 
de tudo para ganhá-lo para Cristo (1 Co 7.13,14). 
Entretanto, no caso em que o cônjuge cristão é 
abandonado pelo não cristão por causa da sua 
fé, aquele está, obviamente, desobrigado de 
manter-se no casamento (1 Co 7.15).
^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 3
“O cristão deve tomar muito cuidado para 
não admirar cenas imorais como as de filmes 
e da literatura pornográfica (2Tm 2.22; Tf 2.12; 
Tg 1.14; 1Pe 2.11; 2Pe 3.3; 1Jo 2.15,16; 1Co 
6.18; Gl 5.19,21; Cl 3.5; Ef 5.5; Hb 13.4). Quan­
to a manter a pureza sexual, a mulher, igual­
mente como o homem, tem responsabilidade. 
A mulher cristã deve tomar cuidado para não 
se vestir de modo a atrair a atenção para o 
seu corpo e deste modo originar tentação no 
homem e instigar a concupiscência. Vestir-se 
com imodéstia é pecado (1Tm 2.9; 1Pe 3.2,3)” 
(STAMPS, Donald. Bíblia de Estudo Pente- 
costal. Rio de Janeiro: CPAD, p.1394).
CONCLUSÃO
Mais uma vez, Jesus demonstra a superio­
ridade da justiça no Reino de Deus em relação 
à justiça dos fariseus, que condenavam o adul­
tério, mas eram condescendentes em relação 
ao divórcio (Mt 19.3-8) e também à luxúria, por 
apegarem-se apenas à letra da lei - “Não adul- 
terarás" - sem refletir sobre aquiloque estava 
implícito nesse mandamento em relação à nossa 
vida interior. Inicialmente, até mesmo os seus 
discípulos acharam o posicionamento de Jesus 
em relação ao divórcio muito rígido (Mt 19.10). 
No mundo de hoje, onde a licenciosidade pre- 
pondera e onde os relacionamentos conjugais 
e o sexo são banalizados, as pessoas também 
tendem a ser condescendentes com o divórcio 
e a luxúria. Entretanto, como filhos do Reino, 
remamos contra a correnteza de imoralidade 
deste mundo, afirmando que “venerado seja 
entre todos o matrimônio e o leito sem mácula; 
porém, aos que se dão à prostituição e aos 
adúlteros Deus os julgará” (Hb 13.4).
APROFUNDANDO-SE
‘“ Qualquer que atentar numa mulher 
para a cobiçar’ (Mt 5.28). Novamente vemos 
a mudança de ênfase [de Jesus]. O adultério 
é usar outra pessoa como objeto sexual. A 
luxúria é considerar outra pessoa como objeto 
sexual. Cristo deseja que percebamos que 
tanto o ato quanto a atitude são pecamino­
sos. A justiça exige que consideremos todos 
os seres humanos como pessoas dignas e 
de valor. Devemos servir os outros, e não 
usá-los. Novamente, Deus nos convoca para 
considerarmos a lei como uma revelação do 
coração de Deus - e uma revelação do tipo de 
pessoas que se tornarão aqueles que vivem 
no Reino de Jesus, quando o Rei usar o seu 
poder para transformá-las".
‘“ Qualquer que deixar a sua mulher’ (Mt 
5.31,32). Esse preceito segue o padrão 
dos outros. A Lei permitia o divórcio, 
mas Cristo retornava ao ideal de Deus. 
Embora o divórcio possa não ser adul­
tério, ele é, teoricamente, uma violação 
da lealdade da aliança que os cônjuges 
devem um ao outro. [...] Aquilo de que 
os homens mais precisam não são tanto 
leis a seguir, mas uma renovação interna 
que os torna verdadeiramente justos” 
(RICHARDS, Lawrence. Comentário 
Devocional da Bíblia. Rio de Janeiro: 
CPAD, 2012, pp.557-58).
VERIFIQUE SEU
APRENDIZADO
1 . Em o que consiste a luxúria?
R. Desejo intenso sexual por algo ilícito, 
lascívia, licenciosidade, cobiça imoral.
C.. O que Jesus quer dizer quando fala de 
arrancar o olho e a mão e atirá-los fora em 
Mateus 5.29,30?
R. Cuidado com o que olha e corte da sua 
vida tudo aquilo que é fonte de alimentação da 
luxúria para você.
3 . De onde provêm o pecado? Ele vem de fora 
para dentro de nós?
R. O pecado provém de dentro de nós.
4 Quais eram as duas correntes judaicas na 
época de Jesus sobre a questão do divórcio e
o que elas diziam?
R. As de Shammai e Hillel. Shammai 
entendia que a expressão “coisa feia” de 
Deuteronômio 24.1 referia-se ao adultério, de 
maneira que a lei mosaica estaria afirmando 
que o divórcio só seria permitido no caso 
de adultério. Já a corrente de Hillel, liberal, 
interpretava “coisa feia” como se significasse 
qualquer coisa desagradável, e não apenas 
como uma referência mosaica ao adultério.
5. Quais são as duas únicas exceções bíblicas 
quanto ao divórcio?
R. No caso de adultério e de abandono 
do cônjuge.
► A expressão “coração” , na Bíblia, é uma 
referência, na maioria esmagadora das 
vezes, não ao músculo que é o centro da 
circulação sanguínea em nossos corpos, 
mas, sim, ao homem interior, ao intelecto, 
ao sentimento e à vontade. Ou seja, ao 
falar de coração, Jesus está se referindo ao 
centro da nossa personalidade, ao profun­
do do nosso ser, às nossas interioridades, 
à nossa alma.
Discipulando Professor 4
TEXTO BÍBLICO BASE
Mateus 5.33-37
33 - Outrossim, ouvistes que foi dito aos antigos:
Não perjurarás, mas cumprirás teus juramen­
tos ao Senhor.
34 - Eu, porém, vos digo que, de maneira ne­
nhuma, jureis nem pelo céu, porque é o trono 
de Deus,
35 - nem pela terra, porque é o escabelo de seus
pés, nem por Jerusalém, porque é a cidade 
do grande Rei,
36 - nem jurarás pela tua cabeça, porque não 
podes tornar um cabelo branco ou preto.
37 - Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; não, 
não, porque o que passa disso é de proce­
dência maligna.
MEDITAÇÃO
Pelo que deixai a mentira e falai a verdade 
cada um com o seu próximo; porque somos 
membros uns dos outros. (Ef 4.25)
REFLEXÃO BÍBLICA DIÁRIA
► SEGUNDA-Números 30.2
► TERÇA - Eclesiastes 5.4,5
► QUARTA - Tiago 5.12
► QUINTA - Colossenses 4.6
► SEXTA - Salmos 24.3-5
► SÁBADO - Salmos 3.3
38 | Discipulando Professor 4 |
ORIENTAÇÃO AO
PROFESSOR
INTERAGINDO COM O ALUNO
O objetivo da lição de hoje é conscientizar 
seus alunos sobre a necessidade de falarem 
sempre a verdade, negarem a duplicidade, o 
engodo e a falsidade em suas ações e afirma­
ções, e serem exemplos de pessoas verdadei­
ras onde quer que elas estejam. Este é um tema 
muito importante porque vai de encontro a um 
dos grandes problemas dos nossos dias: a fal­
ta de honestidade, de transparência, de se falar 
sempre a verdade, de ser verdadeiro sempre, A 
própria internet é um exemplo disso. Em 2012, 
uma pesquisa feita com milhares de pessoas na 
grande rede mundial de computadores mostrou 
que 80% das pessoas que usam internet men­
tem na grande rede. Em 2014, uma pesquisa no 
Brasil com 4 mil estudantes revelou que 72,5% 
dos jovens admitiam mentir na internet. Essas 
pesquisas são apenas uma pequena amostra 
de como a prática da mentira está dissemina­
da, e desde cedo, na vida das pessoas como se 
fosse algo absolutamente normal. Desafie seus 
alunos a serem diferentes, a viverem uma vida 
de sinceridade, verdade, transparência, honran­
do seus compromissos, sendo verdadeiros em 
todas as suas declarações e ações.
OBJETIVOS
Na lição de hoje, sua aula deve 
alcançar os seguintes objetivos:
► Explicar aos seus alunos que o juramen­
to, a não ser em casos especiais, não é 
uma prática cristã;
► Enfatizar a necessidade de o cristão ser 
honesto em todas as suas palavras;
► Conscientizar seus alunos de que o 
cristão deve repudiar a mentira e abraçar 
a verdade.
PROPOSTA PEDAGÓGICA
Uma vez que o tema desta lição é a ho­
nestidade no falar, o que se constitui uma ne­
cessidade premente em nossos dias, comece 
a sua aula contextualizando esse importante 
tema para o dia a dia. Inicie lembrando que, 
infelizmente, vivemos em uma sociedade na 
qual a desonestidade é quase dominante, onde 
as instituições sofrem com casos graves de cor­
rupção e onde muita gente acredita que para “se 
dar bem” é preciso ser pelo menos um pouco 
desonesto. Em seguida, enfatize que na época 
de Jesus também havia uma crise de honestida­
de, com as pessoas quebrando seus juramentos 
e achando isso nada demais. As próprias au­
toridades religiosas dos dias de Cristo haviam 
aberto brechas para que se utilizassem certos 
tipos de juramentos que não seriam considera­
dos como de cumprimento obrigatório. Explique 
que foi em resposta a tudo isso que Jesus falou 
sobre o terceiro mandamento.
Discipulando Professor 4
COMENTÁRIO | INTRODUÇÃO
Hoje, estudaremos, sob a perspectiva 
da justiça mais elevada pregada por Cristo, o 
terceiro mandamento do Decálogo (Êx 20.7a), 
que é o que proíbe o perjúrio. Esse mandamento 
divino fala originalmente de não tomar o nome 
de Deus em vão, isto é, levianamente, hipocri­
tamente, e isso incluía, claro, o falso juramento 
usando o nome de Deus. Esse mandamento 
era levado tão a sério no Antigo Testamento 
que o próprio Deus, no Decálogo, afirmava que 
não tomaria por inocente quem tomasse “o 
seu nome em vão” (Êx 20.7b). Aliás, naquela 
época, quem blasfemasse e amaldiçoasse a 
Deus publicamente no meio do seu povo era 
punido com a morte (Lv 24.15,16). Em o Novo 
Testamento, não há mais punição com morte 
para esse tipo de pecado, como também não 
há para o descumprimento de qualquer outro 
mandamento divino, mas isso não significa 
que tal pecado seja considerado por Deus 
agora de pouca importância. Ele ofende hoje 
a Deus tanto quanto ofendia antes, e todoaquele que o comete se não arrepender-se, 
haverá de dar contas um dia diante de Deus 
pela sua atitude blasfema tomada em vida. 
Atentemos, pois, para o que Jesus fala sobre 
esse mandamento.
1. NÃO JUREIS NEM PELO CÉU 
NEM PELA TERRA
►1.1. De maneira nenhuma jureis. Ao
apresentar mais um exemplo da justiça mais
40 | Discipulando Professor 4 |
elevada do Reino de Deus, Jesus foi além do 
senso comum em sua época na exposição 
das verdades divinas que estavam implícitas 
no terceiro mandamento. Ele afirmou que o 
homem e a mulher não apenas pecam quando 
proferem falso juramento; eles, na verdade, 
nem deveriam jurar por nada. Deveriam tão 
somente serem sempre verdadeiros e honestos 
em suas afirmações e promessas. O cristão só 
deve proferir juramento nos casos em que é 
obrigado a isso por força dos magistrados civis, 
pois tal medida é necessária para fins legais 
no que diz respeito ao julgamento de causas 
seculares (Hb 6.16), Os votos de casamento 
e os chamados “juramentos profissionais”, 
que também têm força legal, também não se 
aplicam ao caso do juramento proibido. São 
condenados por Jesus apenas os juramentos 
desnecessários e os irreverentes, isto é, aqueles 
juramentos que não são obrigados por força 
da lei e aqueles feitos por brincadeira ou por 
falsidade, hipocrisia e manipulação.
1.2. Honestidade o tempo todo. Ao
afirmar que seus discípulos não deveriam jurar 
“de maneira nenhuma” (Mt 5.34), Jesus estava 
frisando o fato de que é da natureza humana 
não cumprir promessas, mentir ou relaxar 
no cumprimento total de um compromisso 
assumido publicamente. Sabendo disso, 
Jesus, que conhecia muito bem a natureza 
humana, vai direto ao âmago da questão; Ele 
proíbe a prática do juramento ordinário, o 
juramento comum, do dia a dia, para propor 
algo muito mais importante: o ser honesto 
todo tempo e o tempo todo, estejamos sob 
juramento ou não.
► 1.3. Nem pelo céu, nem pela terra.
Essa orientação de Jesus de não jurar nem 
pelo céu e nem pela terra nos remete a duas 
coisas: primeiro, a uma prática muito comum 
em seus dias de se fazer juramentos invocando 
entidades genéricas, como o céu e a terra, 
como uma forma de subterfúgio para poder 
mentir. Um ditado rabino antigo afirmava: 
“Como o céu e a terra passarão, assim tam­
bém o juramento passará, pois os conclamou
como testemunhas". Assim pensavam os que 
usavam desse expediente. Entretanto, Jesus 
afirma que quem usasse desse subterfúgio se 
equivocava em seu objetivo, porque esquecia 
que jurar pelos céus é jurar “pelo trono de Deus”, 
e jurar pela terra é jurar “pelo estrado dos seus 
pés”. Mas, em segundo lugar, quando Jesus se 
refere a jurar pelo céu e pela terra Ele também 
estava, implicitamente, se referindo ao jurar de 
forma geral, seja invocando coisas da terra, seja 
invocando coisas do céu como garantia de que 
se está proferindo a verdade ao prometer ou 
afirmar alguma coisa. Jesus rompeu com isso 
ao dizer que não se deve jurar por nada na terra 
e por nada no céu, porque, além de ser algo 
muito sério, é absolutamente desnecessário, 
uma vez que o cristão não precisa jurar para dizer 
a verdade. Ele sempre deverá dizer a verdade.
► 1.4. A verdade deve ser a regra. Jesus 
cita ainda o caso específico daqueles que jura­
vam por Jerusalém, por ser um local sagrado 
para os judeus, ou pelas suas próprias cabeças 
(Mt 5.35,36). Era outra prática muito comum 
em seus dias, e que, como no caso anterior, 
eram juramentos muito sérios e absolutamente 
desnecessários, uma vez que, como filhos de 
Deus, não precisamos proferir juramentos para 
dizer a verdade. A verdade deve ser o nosso 
“dia a dia” como cristãos.
► 1.5. As duas categorias de juramen­
tos usadas nos dias de Jesus. Um detalhe 
importante é que, na época de Jesus, as 
autoridades religiosas em Israel haviam 
classificado os juramentos em dois grupos: o 
grupo daqueles juramentos que não poderiam 
ser descumpridos de maneira nenhuma, e o 
grupo daqueles juramentos que poderiam 
ser descumpridos à vontade, sem prejuízo 
espiritual para quem descumprisse esses 
juramentos. Uma lista trazendo essas duas 
categorias de juramentos aparece no contun­
dente discurso de Jesus contra os escribas e 
fariseus registrado em Mateus 23. A lista se 
encontra mais precisamente nos versículos de
16 a 22 do referido capítulo. De forma geral, os 
juramentos que invocassem o nome de Deus
eram de cumprimento obrigatório. Entretanto, 
Jesus ensina o contrário: um juramento deve 
ter cumprimento obrigatório independente­
mente se foi realizado invocando o nome de 
Deus ou não. E mais: o uso de um juramento 
é uma desnecessidade quando a palavra da 
pessoa já é normalmente confiável - é “sim, 
sim” ou “não, não”. Aliás, fazer juramento é 
uma confissão implícita de que nem sempre 
estamos falando a verdade.
^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 1
'“ De maneira nenhuma jureis’ (Mt 5.34). 
[...] Claro que Jesus não proíbe juramentos 
em tribunais, porque Ele mesmo respondeu a 
Caifás sob juramento (Mt 26.63,64). Paulo fez 
apelos solenes a Deus (1Co 15.31; 1Ts 5.27). 
Jesus proíbe todas as formas de profanação. 
Os judeus eram mestres na arte de perder-se 
em minúcias sobre juramentos permissíveis
í í
[...] quem é 
verdadeiramen­
te honesto não 
precisa fazer 
juramento. Bas­
ta um simples
í í " 5 5 í í * * 55sim ou nao .
J 5
J Discipulando Professor 4 J
Tiago [Tg 5.12] nem Jesus [Mt 5.33-37] tinham 
a intenção de proibir o juramento sério e ofi­
cial ordenado nas Escrituras (Dt 6.13; 10.20; Is 
65.16; Jr 4.2; 12.16). Ambos estavam preocu­
pados com o uso irreverente do nome de Deus 
e advertiam contra o falar desonesto que re­
queria um juramento para apoiar cada afirma­
ção. O caminho para evitar ofensa desse tipo 
é fazer uso da linguagem simples e sincera: 
‘Que a vossa palavra seja sim, sim e não, não’” 
(Comentário Bíblico Beacon. Vol. 10. Rio de 
Janeiro: CPAD, 2006, p.193).
ou formas de profanação” (ROBERTSON, A. 
T., Comentário Mateus & Marcos à Luz do 
Novo Testamento Grego. Rio de Janeiro: 
CPAD, 2011, p.74).
2. AS PALAVRAS DO DISCÍPULO 
DEVEM SER “SIM, SIM”
E “ NÃO, NÃO”
► 2.1. A pessoa honesta. A essência 
do ensino de Jesus sobre essa questão dos 
juramentos é que quem é verdadeiramente 
honesto não precisa fazer juramento. Basta um 
simples “sim” ou “não”. Sua simples palavra já 
é suficiente. Tiago, o irmão do Senhor, reforça 
mais à frente esse importante ensino de Jesus, 
inclusive citando quase que com 100% de 
fidelidade as palavras de Jesus registradas 
pelo apóstolo Mateus (Tg 5.12).
► 2,2. “Sim, sim” e “não, não”. As ex­
pressões “sim, sim” e “não, não” denotam uma 
ênfase. É como se Jesus estivesse dizendo 
aos seus discípulos: “Se é sim, é sim mesmo! 
E quando for não, é não mesmo!”. Ou seja, não 
há duplo padrão para o verdadeiro cristão. O 
padrão para este é um só. Nada de coxear 
entre dois pensamentos.
y AUXÍLIO TEOLÓGICO 2
“Debaixo da pressão das circunstâncias, 
há uma tendência de se falar explosivamente 
e se usar o nome de Deus em vão com jura­
mentos precipitados e irreverentes. [...] Nem
42 | Discipulando Professor 4 |
3. SEJAMOS HONESTOS COM 
AS NOSSAS PALAVRAS
► 3.1. Palavras e ações. Deus quer que 
sejamos honestos não apenas em nossas 
atitudes, mas também em nossas palavras. 
Ele deseja que falemos sempre a verdade uns 
com os outros (Ef 4.25). O verdadeiro cristão 
não vive em duplicidade, e muito menos em 
falsidade. Muito pelo contrário: as suas ações 
sempre condizem com as suas afirmações e 
vice-versa. As suas palavras sempre significam 
um forte compromisso.
► 3.2. Procedência maligna. A Bíblia Sa­
grada afirma que o Diabo é o “pai da mentira” 
(Jo 8.44) - ou seja, a mentira faz parte de sua 
essência. Fazer juramentos falsos é, portanto, 
tomar o partido dele. Esse é o significado da 
expressão “deprocedência maligna” (Mt 5.37). 
A mentira não faz parte da vida do seguidor 
de Cristo. Jesus é a verdade (Jo 8.32,36; 14.6). 
“Deus é luz, e não há nele treva nenhuma” (1 
Jo 1.5).
► 3.3. Sendo verdadeiros. Deus é o 
Deus da verdade e fomos chamados para 
pregarmos a verdade, vivermos a verdade e 
sermos verdadeiros em tudo. Como ressalta 
o pastor Elienai Cabral, “vivemos em um 
mundo de mentiras que influencia a vida da 
humanidade. O papel do cristão é não só 
proclamar a verdade, mas viver a verdade 
no seu comportamento cotidiano. [...] A 
mentira [...] vem maquiada de falsa imagem
da verdade, escondendo a realidade moral 
e espiritual por baixo dessa maquiagem. 
Deus sempre abominou a mentira. A Igreja 
de Jesus Cristo não pode e não deve permitir 
que o espírito de mentira domine a sua mente 
(Cl 3.9). Mentes dominadas por sentimentos 
carnais fantasiam seus pensamentos com 
mentiras. Deus abomina a mentira e a sua 
Palavra diz em Salmos 119.163: ‘Abomino e 
aborreço a falsidade’. É verdadeiro aquilo que 
é autêntico e não se baseia em suposições, 
boatos, mentiras e coisas sem comprovação,
f...] Atitudes verdadeiras têm a ver com o 
caráter de quem as pratica” (Filipenses - A 
humildade de Cristo como exemplo para a 
Igreja, CPAD, pp.135-36).
► AUXÍLIO TEOLÓGICO 3
“ Portanto, em todas as nossas comu­
nicações, devemos nos contentar com ‘sim, 
sim’ e ‘não, não’ (Mt 5.37). Nas conversas 
normais, se afirmamos alguma coisa, deve­
mos somente dizer: 'Sim, é assim’; e se for 
necessário, para evidenciar a nossa certeza 
de alguma coisa, podemos nos manifestar 
dizendo: ‘Sim, sim, realmente é assim’. ‘Na 
verdade, na verdade’ era o ‘sim, sim’ do nos­
so Salvador. Da mesma forma, para negar 
uma coisa, é suficiente dizer: ‘Não’; ou se 
for necessário repetir a negação, dizer ‘Não, 
não’; e se a nossa fidelidade for conhecida, 
que isto seja suficiente para termos crédito; 
e se ela for questionada, reforçar o que dize­
mos com juramentos não será nada além de 
torná-lo mais duvidoso. Aquele que é capaz 
de engolir um juramento profano não con­
seguirá discernir uma mentira. É uma pena 
que isto que Cristo coloca na boca de to­
dos os seus discípulos precise ser fortale­
cido, segundo alguns, por outras maneiras, 
quando qualquer coisa além de sim e não 
nos é proibido, e não somos orientados a 
fazer uso de outras palavras. É fácil perce­
ber a razão: porque o que passa disso é de 
procedência maligna. [...] ‘Todo homem é
mentiroso’ (Rm 3.4) e, consequentemente, 
os homens usam estas declarações porque 
desconfiam uns dos outros e pensam que 
sem estas palavras não se pode acreditar 
neles” (HENRY, Matthew. Comentário Bíbli­
co do Novo Testamento - Mateus a João. 
Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p.57).
CONCLUSÃO
Cada ensino de Jesus traz consigo muitas 
reflexões enríquecedoras sobre as nossas 
vidas. Neste caso em particular, este seu 
ensino que apreciamos na lição de hoje, em 
resumo, revela a importância que a palavra 
tem ou deve ter na vida das pessoas, e que, 
infelizmente, tem sido muito esquecida em 
nossos dias. Que sejamos colunas de inte­
gridade, verdade e honestidade neste mundo 
onde a mentira se tornou o “pão de cada dia” 
de muitas pessoas. Lembremo-nos que Deus 
nos chamou para sermos “sal da terra” e “ luz 
do mundo” (Mt 5.13-16).
APROFUNDANDO
“O cerne deste mandamento é proibir 
o costume de juramento falso, pois o 
verdadeiro juramento se fazia median­
te a invocação do nome de Deus (Lv
19.12). Era uma necessidade imperiosa 
que todos falassem a verdade, bem 
como era dever de cada um honrar o 
compromisso assumido com os homens 
e diante de Deus. Era dever de todos 
cumprir os votos feitos a Deus; a lei era 
clara sobre essa responsabilidade (Nm 
30.2; Dt 23.21). Essa exigência divina se 
fazia necessária por causa da inclinação 
humana à mentira. Era grande a falsidade 
no relacionamento entre familiares e ami­
gos. Ninguém podia confiar em ninguém, 
já que a falta de sinceridade era a marca 
do povo. Não era uma questão de desvio 
ocasional, mas de estilo de vida (Jr 9.2-5).
| Discipulando Professor 4
Uma sociedade não pode viver numa 
decadência dessa; a vida se torna insu­
portável. Mas, as autoridades religiosas 
de Israel classificaram os juramentos em 
duas categorias: os que podiam ser des- 
cumpridos e os que não podiam. Há uma 
lista deles em Mateus 5.33-37; 23.16-22.
O Senhor Jesus reprovou com veemência 
essa violação dos escribas e fariseus. A 
interpretação/abínica da época permitia 
violar o terceiro mandamento e fazer de 
conta que ele não havia sido violado. O 
terceiro mandamento é um apelo à santi­
ficação do nome de Deus. Na oração do 
‘Pai Nosso’, Jesus nos ensinou a abrir 
a oração santificando o nome de Deus: 
‘Santificado seja o teu nome’” (SOARES, 
Esequias. Os Dez Mandamentos. Rio de 
Janeiro: CPAD, 2015, p.59).
SUGESTÃO 
DE LEITURA
► Falando Honestamente
Este é um livro franco, que fala sobre como 
se tornar espiritualmente saudável, identifi­
cando e combatendo doenças da alma que 
ameaçam enfraquecer a sua fé.
A obra inclui a experiência do autor de lutar 
para encontrar a sua própria crença.
Falando Honestamente fará com que a sua 
alma se sinta viva, onde você e o mundo se 
tornarão melhores por isso.
VERIFIQUE O SEU
APRENDIZADO
1 . Apresente um resumo do ensino de Jesus 
sobre os juramentos.
As pessoas não apenas pecam quando 
proferem falso juramento; elas, na verdade, nem 
deveriam jurar por nada. Deveriam tão somente 
serem sempre verdadeiras e honestas em suas 
afirmações e promessas.
2 . Em que casos o juramento não é proibido 
por Jesus?
Nos casos em que a pessoa é obrigada a 
isso por força dos magistrados civis, pois tal 
medida é necessária para fins legais no que diz 
respeito ao julgamento de causas seculares (Hb 
6.16). Nos votos de casamento e os chamados 
“juramentos profissionais”, que também têm 
força legal, também não se aplica a condenação 
de Jesus em relação aos juramentos.
3 . Por que os judeus juravam até pela cida­
de de Jerusalém?
Por considerarem-na uma cidade sagrada.
4 . Quantas e quais eram as categorias de ju­
ramento estabelecidas pelos fariseus na época 
de Jesus?
Eram duas: os julgamentos que a pessoa 
não era obrigada a cumprir e aqueles que as 
pessoas eram obrigadas a cumprir.
5. 0 que significam as expressões “sim, sim” 
e “não, não”
As expressões “sim, sim” e “não, não” de­
notam uma ênfase. É como se Jesus estivesse 
dizendo aos seus discípulos: “Se é sim, é sim 
mesmo! E quando for não, é não mesmo!”.
► “Era comum no judaísmo do século 1 
fazer uma distinção entre as promessas 
compulsórias e as não compulsórias. 
Por exemplo, uma pessoa que jurasse 
pelo altar do Templo não se via obrigada 
pelo seu juramento, mas se jurasse pelo 
ouro do altar, era obrigada a cumprir o 
seu juramento. Jesus eliminou o engano 
envolvido e disse: ‘Seja, porém, o vosso 
falar: sim, sim’. Seja o tipo de pessoa cuja 
palavra signifique um forte compromisso” 
(RICHARDS, Lawrence. Comentário De- 
vocional da Bíblia. Rio de Janeiro: CPAD, 
2012, p.558).
44 | Discipulando Professor 4 j
TEXTO BÍBLICO BASE
Mateus 5.38-48
38 - Ouvistes que foi dito: Oiho por olho e dente 
por dente,
39 - Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal; 
mas, se qualquer te bater na face direita, ofere- 
ce-lhe também a outra;
40 - e ao que quiser pleitear contigo e tirar-te a 
vestimenta, larga-lhe também a capa;
41 -e, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha,
vai com ele duas.
42 - Dá a quem te pedir e não te desvies daquele 
que quiser que lhe emprestes.
43 - Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e 
aborrecerás o teu inimigo.
44 - Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, 
bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos 
que vos odeiam e orai pelosque vos maltratam 
e vos perseguem,
45 - para que sejas filhos do Pai que está nos céus;
porque faz que o seu sol se levante sobre maus 
e bons e a chuva desça sobre justos e injustos.
46 - Pois, se amardes os que vos amam, que galar­
dão tereis? Não fazem os publicanos também 
o mesmo?
47 - E, se saudardes unicamente os vossos irmãos,
que fazeis de mais? Não fazem os publicanos 
também assim?
48 - Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o 
vosso Pai, que está nos céus.
MEDITAÇÃO
A ninguém torneis mal por mal; procurai 
as coisas honestas perante todos os homens. 
(Rm 12.17)
REFLEXÃO BÍBLICA DIÁRIA
► SEGUNDA - Romanos 12.9-!
► TERÇA - Provérbios 20.22
► QUARTA - Provérbios 24.29
► QUINTA - Provérbios 25.21,22
► SEXTA - Salmos 112.5
► SÁBADO - 1 Coríntios 13.1-7
| Discipulando Professor 4 |
ORIENTAÇÃO AO
PROFESSOR
INTERAGINDO COM O ALUNO
Esta lição apresenta princípios do Reino de 
Deus que chocam-se frontalmente com o senso 
comum da sociedade de nossa época, assim 
como aconteceu com a sociedade da época 
de Jesus. Isso porque Jesus fala aqui de não 
reagirmos às agressões dos inimigos e ainda 
amá-los e orarmos em favor deles.
Explique aos seus alunos que não é fácil 
mesmo viver esses princípios ensinados por 
Jesus, mas é, sim, possível. Em primeiro lugar, 
somente aqueles que um dia passaram pela 
conversão em Cristo, permitindo a ação do 
Espírito Santo de Deus em suas vidas, têm a 
possibilidade de viver esses princípios em sua 
plenitude, pois foi gerada neles, desde o dia em 
que entregaram-se a Cristo, uma nova nature­
za. Só com a natureza antiga, pecaminosa, o 
ser humano nunca atingiria os ideais do Reino 
de Deus. Para isso, é preciso uma nova natu­
reza, de ordem espiritual. E em segundo lugar, 
lembre aos seus alunos também que quando 
passamos, como cristãos, por dificuldades, po­
demos buscar forças em Deus, que derramará 
o seu amor em nossos corações (Rm 5.5) para 
nos dar condições de cumprir a sua vontade. 
° b je t iv o s 
Na lição de hoje, sua aula precisa 
atingir os seguintes alvos:
► Enfatizar aos seus alunos que o cristão 
não deve ser litigioso e deve ser generoso;
► Explicar que o amor do cristão deve ser 
como o amor de Deus, estendendo-se 
também para os seus inimigos;
► Conscientizar seus alunos de que o 
cristão é chamado para viver uma vida 
de perfeição em Cristo.
PROPOSTA PEDAGÓGICA
A lição de hoje constitui-se uma excelen­
te oportunidade para você clarificar na men­
te de seus alunos alguns dos princípios mais 
elevados do Reino de Deus, e que envolvem 
o amor aos inimigos, a renúncia, o perdão, a 
compaixão, a generosidade, a liberalidade e 
o desprendimento. Para ilustrar esses princí­
pios, reúna resumos de histórias e belas ex­
periências de grandes homens de Deus do 
passado que encarnaram esses princípios. 
Essas histórias enriquecerão ainda mais a sua 
aula e, com certeza, inspirarão os seus alunos 
a viverem os ideais do Reino de Deus. Lem­
bre-se que, como professor de discipulado, 
você deve não apenas orientar os seus alunos 
e esclarecer suas dúvidas, mas também esti­
mulá-los, inspirá-los a viverem os valores do 
Evangelho no dia a dia de suas vidas.
46 | Discipulando Professor 4 |
1. A VINGANÇA NÃO É 
DE CRISTO
► 1.1. A outra face, a capa, a segunda 
milha e o emprestar. Quando Jesus usa a 
figura do “dar a outra face”, do “dar a capa” 
e do “andar a segunda milha”, Ele não está 
sendo literalista, mas está usando essas figuras 
fortes para enfatizar um princípio: o cristão não 
deve ser litigioso. Ele não deve ser retaliador, 
não deve retribuir o mal com o mal, mas deve 
ser perdoador, pacificador, não beligerante, e 
sim superior em suas ações. Ele não deve se 
igualar ao agressor, descendo ao seu nível, 
contra-atacando com outra agressão, mas deve 
buscar a paz, a conciliação. Da mesma forma, 
quando Jesus fala de “dar a quem pedir” e “não 
se desviar daquele que quer que lhe empreste” 
(Mt 5.42), Ele não está dizendo que o cristão 
deve sair por aí dando dinheiro a qualquer um 
que lhe pedir, mas, sim, que deve ser generoso; 
que estando em condições de dar e emprestar, 
e a causa sendo justa, o cristão deve, sim, dar 
e emprestar. Mas tal não pode ser um amor
COMENTÁRIO | INTRODUÇÃO
Na lição de hoje, Jesus lembra o princípio 
básico de justiça na lei de Moisés, representado 
na expressão “Olho por olho e dente por dente” 
(Êx 21.24; Lv 24.20; Dt 19.21). Ao estabelecer 
esse princípio no Antigo Testamento, em ne­
nhum momento Deus estava encorajando os 
homens a saírem por aí retribuindo todas as 
agressões que sofressem. O objetivo divino 
era evitar que criminosos recebessem penas 
maiores que os seus crimes cometidos, con­
trolando os excessos, tão comuns no antigo 
Oriente Próximo. Tratava-se da defesa do que 
hoje é conhecido como princípio penal da pro­
porcionalidade da pena em relação ao crime. É 
um princípio correto e justo. Porém, Jesus, não 
condenando o princípio legal, apresenta, por 
sua vez, uma alternativa mais elevada para os 
seus discípulos: a não retaliação. E em seguida, 
enfatiza o amor como algo a ser estendido não 
só a quem nos ama, mas também aos nossos 
inimigos (Mt 5.43-48).
burro, tolo, imprudente, leviano, mas um amor 
sábio. O amor é prudente (1 Co 13.4-6).
► 1.2. A “vingança” na Bíblia. Tanto no 
Antigo quanto no Novo Testamentos, encontra­
mos muitas passagens que falam de vingança 
como algo positivo, notadamente as passagens 
que se referem à vingança divina - fato que, 
às vezes, causa uma certa estranheza ao 
leitor hodierno da Bíblia. Isso porque o termo 
vingança traz à nossa mente a ideia de algo 
que não tem um valor ético louvável. Como, 
então, entender essa discrepância?
A questão é que o termo vingança, em si 
mesmo, em seu sentido original e não com a 
conotação popular que ganhou com o passar 
do tempo, nada mais é do que castigar ou 
punir alguém de quem recebemos uma lesão 
real, seja ela uma lesão em palavras ou atos. 
É nesse sentido que o termo aparece muitas 
vezes na Bíblia. Nesses casos, vingar significa 
literalmente defender, indenizar, compensar, 
desafrontar, isto é, responder justa e propor­
cionalmente a uma lesão genuína. Resumindo, 
vingar, nesses casos, significa fazer justiça. É 
como quando afirmamos nos dias de hoje que 
quando um criminoso é condenado na justiça 
pelo seu crime, a pessoa que foi lesada por 
ele e a sociedade são vingadas.
Vingança, portanto, em seu sentido origi­
nal usado na Bíblia, só aparece como um mal 
quando é (1) fruto de um senso distorcido de
| Discipulando Professor 4 | W Í
justiça, (2) aplicada desproporcionalmente e (3) 
aplicada pelos meios e pelas pessoas erradas. 
Vingança nessas condições é o que chamamos 
de vingança no sentido popular usado hoje em 
dia: é fazer justiça pelas próprias mãos, sem um 
julgamento justo e sem regras que respeitem 
os direitos do acusado. Ora, a Bíblia condena 
esse tipo de coisa. Aliás, a sociedade ocidental 
condena essa vingança porque seu sistema 
jurídico foi erigido sobre os princípios judai- 
co-cristãos. Portanto, o termo “vingança” na 
Bíblia nem sempre significa mero revanchismo, 
resposta ilegal ou desproporcional a um ataque 
que sofremos ou retribuir uma maldade com 
outra maldade. Depende muito do contexto onde 
ela se encontre no texto sagrado. Na maioria 
das vezes em que o termo aparece na Bíblia, 
o sentido é apenas de fazer justiça, como no 
caso de Apocalipse 6.10, onde a vingança é 
executada pelo Justo Juiz: Deus.
► 1.3. C risto e o perdão. A Bíblia, de 
forma geral, desestimula os servos de Deus 
a buscarem vingança (no sentido original bí­
blico) aqui na Terra. Em lugar disso, estimula 
os servos de Deus a exercerem o poder do 
perdão - e isso não só no Novo Testamento, 
mas no Antigo Testamento também(Lv 19.18), 
de maneira que quando Jesus estava orien­
tando seus discípulos a não retribuírem o mal 
com o mal, mas perdoarem e serem bondosos
48 | Discipulando Professor 4 |
com os que os maltratavam, Ele não estava, 
na verdade, falando de nada que fosse com­
pletamente estranho à lei mosaica. Sim, a lei 
mosaica legitimava o “olho por olho”; ela não o 
condenava. Porém, ela também apresentava o 
perdão como uma alternativa (Lv 19.18). Jesus, 
por outro lado, colocou o perdão em primeiro 
plano. E mais: seguindo o princípio da justiça 
mais elevada, de que falamos na Lição 3 desta 
revista, Ele foi além, condenando de forma 
geral o retribuir o mal com o mal. Ou seja, a 
vingança não é de Cristo.
► 1.4. Cristo não desautorizou de forma 
geral a reparação legal. Quando Jesus diz para 
seus filhos preferirem sofrer o dano em vez de 
procurar repará-lo, não está desautorizando de 
forma geral a reparação legal, muito menos a 
reparação via justiça secular em casos graves. 
Ele mesmo citou como bom exemplo o caso de 
uma viúva que importunava um juiz iníquo para 
que este julgasse com correção a sua causa, e 
seu dano fosse finalmente reparado legalmente 
(Lc 18.1-8). O que Jesus estava querendo dizer 
é que nunca devemos fazer justiça com as 
nossas próprias mãos e que devemos relevar 
as injustiças e maus tratamentos do cotidiano, 
que sofremos eventualmente no dia a dia. E 
mais: que devemos também confiar que o 
Senhor, que é o Justo Juiz, e que também foi 
ofendido por aquela ofensa ou ataque a seus 
filhos, irá vingar (julgar, compensar, reparar, 
punir, castigar) o mal feito contra seus filhos. 
Há também o fato, frisado nas Sagradas Es­
crituras, de que, independente de a punição 
secular ser dada ou não ao ofensor, o cristão 
ofendido deve sempre perdoar o ofensor e não 
retribuir o crime com outro crime, a maldade 
com outra maldade, o erro com outro erro. Não 
retribuir o mal com o mal não quer dizer que, 
cometido um crime contra mim, minha família 
ou próximos, não devamos denunciar o crime 
para que o criminoso seja preso e condenado 
pelos seus crimes. Não retribuir o mal com o 
mal quer dizer: “Não haja com ele da mesma 
forma que ele agiu com você. Não retribua a 
maldade com maldade, injustiça com injustiça.
E, apesar de tudo, não guarde mágoa ou rancor, 
mas perdoe e siga em frente”.
► 1.5.0 poder do perdão. O perdão exerce 
um poder transformador tanto sobre a vida de 
quem é o ofendido quanto de quem é o ofensor. 
Sobre o ofendido, tem o poder de curar a ferida 
aberta; e em relação ao ofensor, tem o poder de 
fazer com que reflita sobre seus atos, caia em 
si, arrependa-se e mude seu comportamento. 
O amor constrange.' O amor transforma. Mas, 
para isso, deve ser um perdão, um amor, não 
só em palavras, mas também em obras (Rm
12.20), o que só é possível pela ação do Espírito 
Santo em nossas vidas (Rm 5.5).
^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 1
‘“Sede vós perfeitos como é perfeito o 
vosso Pai que está nos céus’ (Mt 5.48). Este 
parece ser um conselho desesperador, mas a 
interpretação correta é que, na esfera huma­
na, devemos ser perfeitos, assim como Deus é 
perfeito na esfera divina. Este é o alvo e o obje­
tivo da vida cristã. O contexto imediato [dessa 
passagem] sugere que ‘perfeito’ deva ser in­
terpretado como perfeição em amor. Isto pode 
ser experimentado na vida aqui e agora (1Jo 
2.5; 4.12,17,18). [...] A perfeição transcendente 
do amor de Deus é vista em (1) sua universa­
lidade, pois todos os homens estão incluídos; 
(2) em sua compaixão, pois Ele a estende aos 
ímpios e indignos, incluindo aqueles que não 
o amam em retribuição; (3) em sua praticida- 
de, pois busca ativamente o bem-estar deles 
enviando a chuva e o sol - e, acima de tudo, 
enviando o seu Filho. Somente quando o nos­
so amor é assim perfeito é que eie pode ser 
considerado sobrenatural e verdadeiramente 
cristão. Tal amor não é só o nosso dever atual, 
mas o nosso privilégio atual, através do poder 
do Espírito. Sem ele, o que fazemos mais do 
que os outros? Deus graciosamente concede a 
todos aqueles que o buscam um amor perfeito 
por Ele e por sua vontade. Depois disso, o cris­
tão busca uma manifestação ainda mais perfei­
ta desse amor em sua vida e conduta. Por ser­
mos finitos, essa perfeita manifestação nunca 
será completamente alcançada neste mundo, 
mas cada seguidor consagrado de Cristo deve 
constantemente se esforçar para alcançá-la 
(Fp 3.12-14)” (Comentário Bíblico Beacon. 
Vol. 10. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p.62).
2. AMAR O PRÓXIMO 
É AMAR A DEUS
► 2.1. Amai a vossos inimigos. Jesus 
tratou antes do tema da vingança justamente 
porque Ele queria, na seqüência, falar sobre 
amar os nossos inimigos. O interessante é 
que Jesus, ao citar o mandamento “Amarás 
o teu próximo” (Mt 5.43a), que se encontra 
no Antigo Testamento justamente naquela 
passagem que também condenava a vin­
gança (Lv 19.18), acrescentou em seguida 
“...e aborrecerás o teu inimigo” (Mt 5.43b), 
o que não está escrito em parte alguma 
do Antigo Testamento. A razão para isso é 
que Jesus estava chamando a atenção dos 
seus discípulos para um acréscimo que os 
mestres judeus de seus dias haviam feito 
e que consideravam uma fiel interpretação 
do texto sagrado. Segundo eles, o próximo 
que eles deveriam amar e do qual nunca 
deveriam se vingar era o seu próprio povo, 
os da sua religião, e não as pessoas de 
forma geral. É verdade que há passagens 
do Antigo Testamento que dá margens para 
essa interpretação, mas também é fato que 
não há nenhuma ordem explícita de odiar 
os inimigos no Antigo Testamento. Jesus, 
por sua vez, condena explicitamente esse 
acréscimo, afirmando que devemos, sim, 
amar os nossos inimigos, aqueles que nos 
maltratam e perseguem, sejam ou não do 
nosso povo, família, grupo ou fé.
► 2.2. Deus é compassivo com todos: 
devemos ser como Ele. O próprio Deus, 
conforme frisa Jesus, mesmo condenando 
a impiedade, pela sua graça e misericórdia, 
concede sol e chuva para justos e injustos 
igualmente (Mt 5.45b). Ora, se somos filhos de
| Discipulando Professor 4 I
Deus, se o amamos mesmo como nosso Pai e 
Senhor, devemos agir como Ele (Mt 5.45a). Ou 
seja, amar o próximo é amar a Deus.
^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 2
‘“ Não resistais ao mal’ (Mt 5.39). Jesus 
não está falando contra a administração da 
correta justiça aos malfeitores (Rm 13.1-4). 
Os versículos que se seguem (w.43-48) indi­
cam que Ele se refere ao caso de amarmos 
os nossos inimigos (v.44; Lc 6.27). Não deve­
mos reagir com espírito de ódio contra o mal 
praticado contra nós, mas de maneira que 
demonstre que possuímos valores centrados 
em Cristo e no seu Reino. Nosso tratamento 
para com aqueles que nos fazem mal deve ser 
de tal modo que os leve a aceitar Cristo como 
,seu Salvador. Como exemplos desse espírito, 
compare Gênesis 13.1-13 com Gênesis 14.14, 
e Gênesis 50.19-21 com Gênesis 37.18-28. 
Veja também 1 Samuel 24.26, Lucas 23.34 e 
Atos 7.60” (STAMPS, Donald. Bíblia de Estudo 
Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, p.1395).
3. BUSCANDO A PERFEIÇÃO 
DE CRISTO
► 3.1. A nossa justiça não deve se igua­
lar a dos publicanos. Os publicanos eram 
os cobradores de impostos para o Império 
Romano. Exatamente por sua função, mas não 
apenas por ela, pois costumavam ter também 
uma vida de devassidão, os publicanos eram 
considerados desprezíveis pela maioria dos 
judeus de sua época. Eles eram tidos “como 
estando no patamar mais baixo da escala da 
iniqüidade” pelos judeus dos tempos de Jesus 
(Comentário Bíblico Beacon, vol.6. CPAD, p. 
61). Logo, Jesus afirma que se os escribas e 
os fariseus defendiam que deveríamos odiar 
os nossos inimigos, eles estavam, na prática, 
defendendo uma ética que em nada se dis­
tanciava da ética dos publicanos (Mt 5.46,47). 
Ou seja, a justiça dos escribas e fariseus era 
tão baixa quanto àdos publicanos, a quem 
desprezavam. A nossa justiça, como filhos do
50 | Discipulando Professor 4 |
Reino, deve exceder a de ambos. Devemos 
seguir o padrão do nosso Pai (Mt 5.48), que é 
o padrão de Cristo.
► 3.2. Chamados para sermos perfeitos.
Não somos perfeitos, mas somos chamados 
para sermos perfeitos (Mt 5.48). A vida cristã, 
essencialmente, nada mais é do que isso: 
um processo constante de aperfeiçoamento 
operado por Deus em nossas vidas pela ação 
do seu Santo Espírito; um processo diário de 
santificação. E o nosso modelo nesse pro­
cesso, o nosso alvo, o nosso padrão, é Cristo 
(Rm 8.28,29; Ef 4.12-16). Busquemos, pois, a 
perfeição de Cristo!
^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 3
“A marca do verdadeiro filho ‘do Pai que 
está no céu’ (Mt 5.45) é ter o coração do Pai. 
Repare na acusação do irmão mais velho da 
Parábola do Filho Pródigo, em Lucas, o moti­
vo de ele recusar amar seu irmão errante (Lc 
15.25-31). Assim também Jesus exige amor 
incondicional. O perdão amoroso recebido 
de Deus requer que o perdão amoroso seja 
dado aos outros (Mt 6.12; 18.21-35)” (Stan­
ley Horton (Ed.). Teologia Sistemática. Uma 
Perspectiva Pentecostal. 1 .ed. Rio de Janeiro: 
CPAD, 1996, p.48).
CONCLUSÃO
O padrão ético do cristão está bem acima 
do padrão ético do mundo. Simplesmente, esse 
padrão é o padrão de Deus. Logo, devemos 
honrar a Deus e nos tornar cada vez mais 
humildes pelo fato de termos o compromisso 
de pregarmos e vivermos os valores divinos 
neste mundo tão corrompido. Cristo é o nosso 
modelo. Sigamos, pois, o seu exemplo
APROFUNDANDO-SE
“O mandamento de Jesus foi: ‘Não
retribua a agressão!’ Ele aplicou este
princípio de cinco maneiras específicas: 
ofereça a outra face (v.39), deixe levar a 
sua capa (v.40), acompanhe a pessoa em 
uma segunda milha (v.41), dê a quem lhe 
pedir e não se desvie daquele que quiser 
que lhe empreste (v.42). Muitas pessoas 
têm presumido que essas palavras de 
Jesus devem ser entendidas de forma 
totalmente literal. Mas pensar um pouco 
a respeito mostrará como esta posição é 
equivocada. Por exemplo, se um homem 
pedir algum dinheiro para se embriagar, 
será que você fez uma boa ação? Você 
agiu de acordo com um amor inteligente? 
Ou será que aquilo que você pretendia que 
fosse uma bênção se tornou uma maldi­
ção? O que Jesus estava ordenando era 
um espírito generoso e compassivo em 
relação aos necessitados. O que se deve 
sempre lembrar é que ‘a letra mata, e o 
Espírito vivifica’ (2 Co 3.6). A nova lei de 
Jesus é primeiramente um novo espírito. O 
Mestre estava principalmente interessado 
nas atitudes. Deve ser reconhecido que o 
Sermão da Montanha trata, em toda a sua 
extensão, de princípios e não de regras” 
(Comentário Bíblico Beacon. Vol.6. Rio 
de Janeiro: CPAD, 2012, p.61).
VERIFIQUE O SEU
APRENDIZADO
1 . O que Jesus estava ensinando ao usar as 
figuras da “outra face”, do “dar a capa” e do 
“andar a segunda milha”?
R. Ele está usando essas figuras fortes 
para enfatizar um princípio: o cristão não deve 
ser litigioso. Ele não deve ser retaliador, não 
deve retribuir o mal com o mal, mas deve ser 
perdoador, pacificador, não beligerante, supe­
rior em suas ações. Ele não deve se igualar ao 
agressor, descendo ao seu nível, contra-ata­
cando com outra agressão, mas deve buscar 
a paz, a conciliação.
2. Quando é que o termo “vingança”, em seu 
sentido original na Bíblia, aparece em um senti­
do totalmente negativo, que é o usado hoje?
R. Quando é fruto de um senso distorcido 
de justiça, aplicada desproporcionalmente e 
pelos meios e pessoas errados.
3 . Jesus desautorizou de forma geral a busca 
por reparação legal?
R. Não. Ele mesmo citou como bom exemplo 
o caso de uma viúva que importunava um juiz 
iníquo para que este julgasse com correção a 
sua causa, e seu dano fosse finalmente repa­
rado legalmente (Lc 18.1-8).
4. Há algum texto do Antigo Testamento con­
denando a vingança? Se sim, qual?
R. Sim, há: Levítico 19.18.
5. No que consiste, essencialmente, a vida 
cristã?
R. Ela é um processo constante de aperfei­
çoamento operado por Deus em nossas vidas 
pela ação do seu Santo Espírito; um processo 
diário de santificação.
“É dever dos cristãos desejar, aspirar e 
perseverar em direção à perfeição na graça 
e na santidade (Fp 3.12-14). E devemos 
estudar este assunto para que possamos 
estar de acordo com o exemplo do nosso 
Pai celestial (1 Pe 1.15,16). [...] A perfeição 
de Deus é mostrada [aos homens] à medi­
da que Ele perdoa as ofensas, recebe os 
estranhos e faz bem aos iníquos e ingratos. 
A nossa responsabilidade consiste em 
procurarmos ser perfeitos, assim como 
Ele é perfeito. Nós, que devemos tudo o 
que somos à generosidade divina, deve­
mos imitá-la tão bem quanto pudermos” 
(HENRY, Matthew. Comentário Bíblico do 
Novo Testamento - Mateus a João. Rio 
de Janeiro: CPAD, 2013, pp.60-61).
| Discipulando Professor 4 j w
S e í v
V
Sem
Hipocrisia, 
m as com Verdade
TEXTO BÍBLICO BASE
Mateus 6.1-4
1 - Guardai-vos de fazer a vossa esmola diante
dos homens, para serdes vistos por eles; 
aliás, não tereis galardão junto de vosso 
Pai, que está nos céus.
2 - Quando, pois, deres esmola, não faças
tocar trombeta diante de ti, como fazem 
os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, 
para serem glorificados pelos homens. 
Em verdade vos digo que já receberam o 
seu galardão.
3 - Mas, quando tu deres esmola, não saiba a
tua mão esquerda o que faz a tua direita,
4 - para que a tua esmola seja dada oculta­
mente, e teu Pai, que vê em secreto, te 
recompensará publicamente.
MEDITAÇÃO
O amor seja não fingido. Aborrecei o mal 
e apegai-vos ao bem. (Rm 12.9)
REFLEXÃO BÍBLICA DIÁRIA
► SEGUNDA-Lucas 12.33
► TERÇA-Atos 10.1-4,31
► QUARTA - Romanos 12.8,9
► QUINTA-2 Coríntios9.13
► SEXTA - Lucas 11.40-42
► SÁBADO - Deuteronômio 6.5
52 | Discipulando Professor 4 |
ORIENTAÇÃO AO
PROFESSOR
INTERAGINDO COM O ALUNO
Aproveite o conteúdo da lição de hoje para 
alertar os seus alunos a nunca perderem de vista 
o propósito das boas obras que realizam como 
crentes em Cristo. Ressalte que todos nós, se não 
vigiarmos, corremos o risco de algum dia cair no 
mesmo pecado cometido pelos fariseus nos dias 
de Jesus, que se dedicavam muito às boas obras, 
mas com o propósito errado. Aquilo que deveria 
ser realizado com amor não fingido acabou, 
com o passar do tempo, se tornando uma reli­
gião mecânica para os fariseus e descambando 
para o uso das boas obras como meio para se 
conquistar os elogios e aplausos dos homens.
Leve seus alunos a não perderem em suas 
mentes e corações o espírito do Evangelho. 
Lembre a importância das boas obras na vida 
do crente, mas destacando também que os 
“atos de justiça” (esmolas, oração e jejum) não 
devem ser vistos nunca como base da nossa 
salvação, mas como conseqüência natural dela; 
e que quando as boas obras estão deslocadas 
de seu verdadeiro lugar na vida do crente, elas 
acabam perdendo o caráter que devem ter na 
vida do cristão, se tornando “muletas” para a 
salvação ou meios de ganhar os louvores dos 
homens. Deus nos livre de uma coisa ou outra!
OBJETIVOS
Na lição de hoje, sua aula deve 
obter os seguintes objetivos:
► Conscientizar os seus alunos sobre a 
importância de ajudar aos outros, mas 
sempre pelas motivações certas;
► Orientar os seus alunos sobre a necessida­
de da discrição na prática das boas obras, 
em oposição à ostentação da piedade;
► Enfatizar aos seus alunos o prazer que 
Deus tem em galardoar, com bênçãos, 
aqueles que se dedicam à sua obra com 
amor sincero.
PROPOSTA PEDAGÓGICA
As três palavras-chave que resumem toda 
a lição de hoje são “motivação”, “discrição” e 
“galardão”. Portanto, para você começar a 
aula hoje de forma diferente, uma sugestão é 
iniciá-la já escrevendono quadro essas três 
palavras-chave logo depois de saudar a clas­
se, e anunciar em seguida que falará sobre 
cada uma delas a partir do ensino de Jesus 
em Mateus 6.1-4, que é o texto bíblico base da 
lição de hoje. Após ler o texto com a classe, 
comece a exposição da lição. Dessa forma, 
você acabará despertando a curiosidade da 
sua turma desde o início da aula, fazendo-os 
acompanhar sua exposição até chegar ao 
sentido de cada uma dessas palavras dentro 
do ensino de Jesus no Sermão da Montanha. 
Tal ação dinamizará sua aula. Experimente.
| Discipulando Professor 4 |
COMENTÁRIO | INTRODUÇÃO
A esmola, a oração e o jejum eram prá­
ticas bastante comuns do judaísmo nos dias 
de Jesus. Eles eram considerados exigências 
básicas para um judeu piedoso. Jesus, por 
sua vez, não poderia deixar de falar sobre 
esses importantes assuntos em seu sermão, 
só que combatendo as distorções freqüentes 
na prática dessas exigências. Nos primeiros 
oito versículos do capítulo 6 de Mateus, Ele 
redefine essas três práticas, resgatando seu 
real sentido para a vida dos servos de Deus. 
Ou seja, mais uma vez Ele contrasta a justiça 
do Reino de Deus com o conceito popular de 
justiça ensinado e pregado pelas autoridades 
religiosas de sua época. O foco de Jesus é, 
mais uma vez, a pureza de motivos. Vejamos, 
nesta lição, o ensino de Cristo sobre as esmolas.
1. ESMOLAS SEM HIPOCRISIA
► 1.1. “Quando, pois, deres esmola”.
A primeira coisa que chama a atenção neste 
texto do Sermão da Montanha é que a prática 
de dar esmola como ato de justiça estava tão 
arraigada entre os judeus da época de Jesus, 
que nosso Senhor não diz “Se deres esmola”, 
mas, sim, “Quando deres esmola”. Isso quer 
dizer que os seus ouvintes tinham o hábito 
natural de dar esmolas. Que bom seria se as 
pessoas de hoje tivessem o bom hábito de 
ajudar as outras! Entretanto, mesmo que todos 
tivessem esse hábito, isso não seria ainda tudo, 
porque, como aprendemos com Jesus, além do 
ato correto, é preciso ter a motivação correta.
► 1.2. Motivos errados. Jesus condena o 
uso indevido da prática de dar esmolas. Ele não 
estava condenando o fato dos fariseus darem 
esmolas, mas, sim, os motivos errados pelos 
quais estes e muitas pessoas em seus dias es- 
tavam dando esmolas. Ou seja, Jesus chama a 
atenção dos seus discípulos para as motivações 
corretas. Mesmo boas coisas podem ser feitas 
pelas motivações mais vis. Não basta que algo 
em si seja bom, mas que os meios e as intenções 
de fazer tal coisa sejam também boas.
► 1.3. Hipocrisia. As pessoas que dão 
esmolas pelos motivos errados são chamados 
por Jesus de “hipócritas” (Mt 6.2). O vocábu­
lo grego traduzido aqui como “hipócrita” é 
hypokrites, que significa literalmente “ator”. 
Nada mais pertinente, uma vez que a descrição 
que Jesus faz da atitude desses homens que 
dão esmolas objetivando serem louvados pelas 
pessoas é a de atores em plena atuação. Esses 
homens gostavam de dar esmolas em lugares 
públicos, onde pudessem ser vistos pela maior 
quantidade de pessoas na hora de conceder as 
esmolas. Eles atuavam, literalmente, como bons 
moços, visando ao elogio e aos aplausos das 
pessoas, à sua própria glorificação. A expressão 
“tocar trombeta” denota isso. A ideia aqui é de 
chamar a atenção das pessoas. Jesus reprova 
contundentemente essa atitude, enfatizando 
que o dar esmolas não é um ato que existe para 
glorificar quem as doa, mas para beneficiar o 
próximo mais necessitado. O ato deve ser feito 
com amor, e o amor é desinteressado; ele não 
busca os seus próprios interesses (1 Co 13.5).
► AUXÍLIO TEOLÓGICO 1
“A palavra grega hypokrites significa ‘al­
guém que interpreta um papel’, um persona­
gem em uma obra teatral. Dezesseis dos 27 
usos dessa palavra no Novo Testamento são 
encontrados no Evangelho de Mateus, que ca­
racteriza o hipócrita como uma pessoa cujos 
atos pretendem impressionar os observadores 
(Mt 6.1-3,16-18), cujo foco está nos enfeites e 
não nas questões centrais da religião (Mt 15.1 - 
21) e cuja conversa espiritual esconde motivos 
corruptos. Em Mateus 6, o hipócrita está em 
contraste com a pessoa de fé, cujo relacio­
namento com Deus é ‘secreto’” (RICHARDS, 
Lawrence. Comentário Devocional da Bíblia. 
Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p.559).
2. AJUDANDO O PRÓXIMO SEM 
ALARDE
► 2.1. A ostentação de piedade. Jesus, 
em nenhum momento, objetiva alertar os seus
54 | Discipulando Professor 4
discípulos sobre alguma espécie de “perigo” ou 
“pecado” em as pessoas verem as suas boas 
obras. Ao contrário, Ele mesmo havia dito antes 
que as boas obras dos seus discípulos deveriam 
ser vistas pelos homens, para que eles glorifi- 
cassem a Deus (Mt 5.16). O que Jesus condena 
aqui é a ostentação de piedade, é fazer as boas 
obras para ser glorificado pelos homens em vez 
de fazê-las como fruto do amor de Deus por nós 
e pelo próximo. As boas obrgs não são para 
serem escondidas, pois uma lâmpada escondida 
debaixo do alqueire não é útil (Mt 5.15). Por outro 
lado, elas não devem ter como centro da atenção 
quem faz as boas obras, mas, sim, Deus, que 
as impele e inspira pelo seu amor derramado 
em nossos corações. As boas obras, portanto, 
devem ser feitas com discrição.
► 2.2. “Já receberam o seu galardão”.
O vocábulo grego traduzido por “galardão” ou 
“recompensa” em Mateus 6.2 é apecho, que 
era usado com frequência nos recibos emitidos 
nos dias de Jesus. Ou seja, “a força plena da 
afirmação de Jesus é que aquele que almeja 
e obtém o louvor dos homens está dando 
virtualmente um recibo de Totalmente pago’” ; 
logo, essa declaração de Jesus quer dizer que 
“não haverá nenhum outro galardão aguardando 
por essa pessoa no céu” (Comentário Bíblico 
Beacon. vol.6, CPAD, p. 63).
^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 2
“A doença no coração dos fariseus, nos 
tempos antigos, era a doutrina sem amor. Com 
os ensinamentos dos fariseus, Cristo tinha 
poucos problemas; mas, com o espírito fari- 
saico, Ele teve uma incessante batalha até o 
fim. Foi a religião que colocou Cristo na cruz, a 
religião sem o Espírito no interior. É inútil negar 
que Cristo foi crucificado por pessoas que hoje 
seriam chamadas de ‘fundamentalistas’. Isto 
deve ser inquietante, se não completamente 
angustiantes para nós, que nos orgulhamos de 
nossa ortodoxia. Uma alma não abençoada, 
apesar de cheia da verdade literal, pode ser 
pior que um pagão que se ajoelha diante de
um fetiche. Estamos seguros somente quan­
do o amor de Deus é derramado em nossos 
corações pelo Espírito Santo, somente quan­
do nossos intelectos são habitados pelo fogo 
amoroso que veio no Pentecostes, Pois o Es­
pírito Santo não é um luxo, não é algo acres­
centado de vez em quando para produzir um 
tipo especial de cristão, uma vez a cada ge­
ração. Não. Ele é para cada filho de Deus que 
tem uma necessidade vital; e o fato de que Ele 
enche e habita o seu povo é mais que uma lân­
guida esperança. É, na verdade, um imperativo 
inevitável” (Bíblia com Anotações A. W. To- 
zer. Rio de Janeiro: CPAD, 2013, p.1157).
3. DEUS VÊ O BEM QUE 
FAZEMOS EM SECRETO
► 3.1. “Não saiba a tua mão esquerda o 
que faz a direita”. Jesus usa aqui mais uma 
figura de linguagem, desta feita para enfatizar 
a necessidade de fazermos o bem às pessoas 
sem querer chamar a atenção para nós mesmos. 
A expressão “não saiba a tua mão esquerda 
o que faz a direita” é outro hiperboiismo de 
Jesus, assim como o “arrancar o olho” ou o 
“cortar a mão” para “atirar para longe de ti” 
em Mateus 5.29,30, os quais comentamos na 
Lição 5 desta revista.
Hiperboiismo é uma expressão ou imagem 
exagerada para enfatizar alguma coisa; no 
caso, um princípio. A imagem da mão direita 
fazendo algo com discrição, que nem mesmo a 
sua “colega”, a mão esquerda, bem ali ao lado,
| Discipulando Professor 4 |
percebe o que ela faz, traz uma mensagem 
muitoclara para nós. Jesus está dizendo, em 
outras palavras: “Não faça boas obras com 
alarde, mas faça-as com discrição”. Não é 
esconder as ações de maneira obsessiva e 
quase neuroticamente, como se estivéssemos 
escondendo das outras pessoas algo muito 
feio da nossa parte. É tão somente fazer o 
que precisa ser feito com o cuidado de não 
chamar a atenção para si, sem ostentação, 
sem exibicionismo, sem vaidade.
► 3.2. “E teu Pai, que vê em secreto, 
te recompensará publicamente”. Ainda 
que ninguém aqui na terra - a não ser você e 
a pessoa beneficiada - saiba das ações que 
você praticou em benefício de uma pessoa, 
saiba que o teu Pai celestial está vendo e 
conhece tudo, e promete recompensar você 
pelo bem que está fazendo. Deus honra os 
seus filhos que o honram com as suas vidas, 
com suas palavras, com suas ações, com 
sua dedicação sincera e apaixonada. Nós 
muitas vezes sentimos a necessidade de 
sermos reconhecidos pelas pessoas quando 
fazemos alguma coisa que julgamos muito 
significativa. Esse é um sentimento natural, 
mas que devemos tomar o cuidado para que 
eventualmente não se torne em algo doentio, 
vaidoso. E uma das formas de evitar que isso 
aconteça é lembrar que o bem que fazemos 
“em oculto”, isto é, com discrição, sem alarde, 
e que - justamente por isso - muitas vezes não 
chama a atenção das pessoas, é reconhecido
e visto com amor, prazer e alegria pelo nosso 
Pai celestial, a quem amamos e que nos ama 
com amor eterno! Como declara Matthew 
Henry, um pastor inglês do século 17, “o fato 
de Deus ver todas as coisas em secreto é um 
terror para os hipócritas, mas é um conforto 
para os cristãos sinceros”.
► 3.3. A recompensa divina. Jesus 
promete que o próprio Pai nos recompensará 
pelo que fizermos para Ele aqui na terra em 
favor dos outros. E essa recompensa, que se 
dará na Eternidade, será pública, diante dos 
homens e dos anjos. A Bíblia dá a entender 
que o galardão celestial será alguma espécie
í í
Deus honra os 
seus filhos que 
o honram com 
as suas vidas, 
com suas pala­
vras, com suas 
ações, com 
sua dedicação 
sincera e 
apaixonada.
33
56 | Discipulando Professor 4 |
de poder (Ap 1.6; 5.9,10), glória (Mt 5.12; cf. 2 
Co 4.17,18) e posição que os fiéis a Deus rece­
berão na Eternidade como recompensa pela 
sua dedicação humilde, sincera e fervorosa a 
Deus na terra (Mt 20.20-28; 1 Co 3.8).
► 3.4. Deus: Gaiardoador dos que o 
buscam sinceramente. A Bíblia diz que Deus 
tem prazer em abençoar. Ele é gaiardoador 
de todos que o buscam (Hb 11.6). Veja que 
grande contraste: àqueles que fazem boas 
obras visando à glória entre os homens terão 
um galardão humano, passageiro, vazio em 
sua essência. Entretanto, aqueles que faziam 
boas obras visando à glória de Deus receberão 
um galardão divino, eterno, perene, de glória 
indizível (Pv 11.18; Mt 25.23). Vale a pena ser­
vir ao Senhor! Somos salvos pela sua graça, 
abençoados na terra e, depois, galardoados na 
Eternidade pelo que fizemos em seu nome, para 
sua glória, quando estávamos aqui. Portanto, 
como disse o apóstolo Paulo: “Não sejamos 
cobiçosos de vanglorias, irritando-nos uns aos 
outros, invejando-nos uns aos outros; “[...] não 
nos cansemos de fazer o bem, porque a seu 
tempo ceifaremos, se não houvermos desfale­
cido”; “Mas longe esteja de mim o gloriar-me, a 
não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo” 
(Gl 5.26; 6.9,14).
^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 3
“Uma autoestima saudável é importante, 
porque alguns se depreciam; por outro lado, 
alguns se superestimam. O segredo para uma 
avaliação honesta e precisa é conhecer a base 
do nosso valor próprio - a nossa identidade 
com Cristo. Sem Ele, não conseguimos nada 
pelos padrões esternos; nEle, somos valiosos 
e capazes de desempenhar um serviço digno. 
Avaliar-se segundo os padrões do mundo, de 
sucesso e realizações, pode fazer com que 
você superestime o seu valor aos olhos dos 
outros, deixando de perceber o seu verdadei­
ro valor aos olhos de Deus" (Manual da Bíblia 
de Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 
2012, p.71).
CONCLUSÃO
Desde o Antigo Testamento, Deus deixou 
claro o que deseja de seus filhos. Através do 
profeta Miqueias, Ele afirmou: “Ele te declarou, 
ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor 
pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames 
a beneficência, e andes humildemente com o 
teu Deus?” (Mq 6.8). O que Jesus exige dos 
filhos do Reino nada mais é do que isso: amor 
sincero por Deus e pelo próximo, bondade, 
humildade, integridade, submissão à vontade 
divina. Aqueles que fazem a obra de Deus com 
esse espírito, com esse sentimento, nunca 
buscarão a glória para si quando estiverem 
praticando uma boa ação, mas sempre farão 
o que devem fazer em favor de seu próximo 
para glória de Deus e por amor ao seu próximo, 
nunca por interesse meramente pessoal.
Boas ações não devem ser nunca uma 
competição de egos ou um exibicionismo de 
“piedade externa”, mas, sim, uma demons­
tração sincera do amor de Deus derramado 
em nossos corações e em favor dos neces­
sitados. Qualquer coisa diferente disso é 
apenas aparência de piedade, e não piedade 
cristã de fato. É hipocrisia, farisaísmo, e não 
vida cristã genuína. Deus nos livre desse 
cristianismo artificial, falso, teatralizado. 
Que vivamos um cristianismo verdadeiro, 
genuíno, do coração!
APROFUNDANDO-SE
“ ‘Guardai-vos de fazer a vossa esmola 
diante dos homens, para serdes vistos 
por eles; aliás, não tereis galardão junto 
de vosso Pai, que está nos céus’ (Mt 6.1). 
Deus recompensa atos altruístas feitos em 
segredo. É mais fácil fazer o que é certo 
quando recebemos reconhecimento e 
louvor. Para ter certeza de que os nossos 
motivos não são egoístas, devemos rea­
lizar nossas boas obras silenciosamente, 
ou em segredo, sem nenhum
| Discipulando Professor
p = -
sobre recompensa. Jesus diz que deve­
mos examinar os nossos motivos em três 
áreas: generosidade (Mt 6.2-4), oração (Mt
6.5,6) e jejum (Mt 6.16-18). Esses atos não 
devem ser egocêntricos, mas centrados 
em Deus, feitos não para que pareçamos 
bons, mas para que a bondade de Deus 
seja vista. A recompensa que Deus prome­
te não é material, e nunca é dada àqueles 
que a buscam [istoé, que fazem as coisas 
só por recompensas]. Fazer alguma coisa 
apenas para si mesmo(a) não é um sacri­
fício de amor. Na sua próxima boa ação, 
pergunte-se: ‘Eu ainda faria isto se nin­
guém jamais descobrisse que eu o fiz?’” 
(Manual da Bíblia de Aplicação Pessoal. 
Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p.706).
SUGESTÃO 
DE LEITURA
► Quando Falar na Hora Certa
A vida, material e espiritual, depende da 
capacidade e disposição de falar e calar no 
tempo apropriado. Mas como perceber esse 
momento e identificar quando o silêncio é 
ouro e quando não é?
VERIFIQUE O SEU
APRENDIZADO
! . O que Jesus condenou exatamente na 
prática de dar esmolas como executada pelos 
fariseus de sua época?
R. Jesus condenou o uso indevido da 
prática de dar esmolas por parte dos fariseus. 
Ele condenou os motivos errados pelos quais 
eles e muitas pessoas em seus dias estavam 
dando esmolas, porque os fariseus faziam o 
bem hipocritamente, visando ao elogio e aos 
aplausos das pessoas.
2 . O que Jesus quer dizer quando afirma 
que muitos das sinagogas “tocavam trombeta 
diante de si” ao dar esmolas?
R. A expressão significa chamar a atenção 
das pessoas para si. Jesus reprova contunden­
temente essa atitude, enfatizando que o dar 
esmolas não é um ato que existe para glorificar 
quem doa as esmolas.
3 . O que Jesus quer dizer quando afirma 
que os que “tocavam trombeta diante de si” já 
haviam “recebido o seu galardão”?
R. Aquele que almeja e obtém o louvor 
dos homens está dando virtualmente um re­
cibo de “Totalmente pago”. Logo, não haverá 
nenhum outro galardão aguardando por essa 
pessoa no céu”.4 . O que significa a orientação de Jesus de 
que “não saiba a tua mão esquerda o que faz 
a direita”?
R. Não faça boas obras com alarde, mas 
faça-as com discrição.
5 . Que recompensa pública é esta que os 
filhos de Deus receberão no céu por suas boas 
obras na terra realizadas em amor?
R. O galardão celestial, que será alguma 
espécie de poder, glória e posição que os fiéis 
a Deus receberão na Eternidade como recom­
pensa pela sua dedicação humilde, sincera e 
fervorosa a Deus na terra.
“A doação caridosa era tão importante 
neste período [de Jesus] que a palavra he­
braica para ‘justiça’ adquiriu o significado 
de ‘dar esmolas’. Este talvez seja o motivo 
pelo qual a prática de dar esmolas seja 
discutida primeiramente aqui [na seção 
do Sermão da Montanha sobre os atos 
de justiça: esmolas, oração e jejum], Hoje 
em dia, a oração provavelmente receberia 
o primeiro lugar, e dar esmolas o último” 
(Comentário Bíblico Beacon. Vol.6. Rio 
de Janeiro: CPAD, 2012, p.62).
58 | Discípulando Professor 4
Lição 9
TEXTO BÍBLICO BASE
Mateus 6.5-18
5 - E, quando orares, não sejas como os hipócri­
tas, pois se comprazem em orar em pé nas 
sinagogas e às esquinas das ruas, para serem 
vistos pelos homens. Em verdade vos digo 
que já receberam o seu galardão.
6 - Mas tu, quando orares, entra no teu aposento
e, fechando a tua porta, ora a teu Pai, que vê 
o que está oculto; e teu Pai, que vê o que está 
oculto, te recompensará.
7 - E, orando, não useis de vãs repetições, como
os gentios, que pensam que, por muito fala­
rem, serão ouvidos.
8 - Não vos assemelheis, pois, a eles, porque
vosso Pai sabe o que vos é necessário antes 
de vós lho pedirdes.
9 - Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que
estás nos céus, santificado seja o teu nome.
10 - Venha o teu Reino. Seja feita a tua vontade, 
tanto na terra como no céu.
1 1 - 0 pão nosso de cada dia dá-nos hoje.
12 - Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como 
nós perdoamos aos nossos devedores.
13 - E não nos induzas à tentação, mas livra-nos 
do mal; porque teu é o Reino, e o poder, e a 
glória, para sempre. Amém!
14 - Porque, se perdoardes aos homens as suas 
ofensas, também vosso Pai celestial vos 
perdoará a vós.
15 - Se, porém, não perdoardes aos homens as 
suas ofensas, também vosso Pai vos não 
perdoará as vossas ofensas.
16 - E, quando jejuardes, não vos mostreis 
contristados como os hipócritas, porque 
desfiguram o rosto, para que aos homens 
pareça que jejuam. Em verdade vos digo que 
já receberam o seu galardão.
17 - Porém tu, quando jejuares, unge a cabeça 
e lava o rosto,
18 - para não pareceres aos homens que jejuas, 
mas sim a teu Pai, que está oculto; e teu Pai, 
que vê o que está oculto, te recompensará.
MEDITAÇÃO
£ buscar-me-eis e me achareis quando 
me buscardes de todo o i/osso coração. 
(Jr 29.13)
REFLEXÃO BÍBLICA DIÁRIA
► SEGUNDA - Romanos 12.12
► TERÇA - Lucas 18.1-8
► QUARTA - Colossenses 4.2
► QUINTA-Lucas 18.9-14
► SEXTA - Marcos 9.25-29
SÁBADO-Lucas 21.36 
| Díscipulando Professor 4 |
Oração não Mecânica,
mas Consciente
ORIENTAÇÃO AO
PROFESSOR
INTERAGINDO COM O ALUNO
A lição de hoje é uma oportunidade para 
falar aos seus alunos sobre dois temas muito 
importantes para a vida do cristão: a oração e o 
jejum. Seu objetivo será explicar do que se trata a 
oração, qual o seu propósito e importância na vida 
do crente; o que é o jejum e como ele é importante 
para o cristão em momentos específicos da sua 
vida; e apresentar de forma didática a Oração do 
Pai Nosso.
►Apresentar didaticamente a oração- 
modelo ensinada por Jesus, chamada 
“Oração do Pai Nosso”;
Estimule os seus alunos a jejuarem e a se 
tornarem homens e mulheres de oração. Para 
inspirá-los a isso, você pode incrementar sua 
aula com histórias inspiradoras sobre oração. 
Mas tenha cuidado para que tais histórias não 
ocupem muito tempo em sua aula ao ponto de 
a exposição de todo o conteúdo da lição ser 
comprometida. Use sabiamente o tempo que 
você tem de aula.
Lembre-se que as funções principais do 
discipulador são esclarecer e orientar seus alunos 
quanto às verdades da Palavra de Deus, e inspi­
rá-los a viverem uma vida cristã piedosa, santa, 
madura e fervorosa. Não se esqueça de orar 
sempre pelos seus alunos e pelo conteúdo a ser 
ministrado. Afinal, sua responsabilidade é muito 
grande, mas também igualmente prazerosa.
OBJETIVOS
^ 5 / Na lição de hoje, sua aula deve 
a t e r alcançar os seguintes objetivos:
► Explicar do que se trata realmente 0 
momento da oração, qual 0 seu caráter 
e importância para a vida do cristão;
60 j Discipulando Professor 4 1
► Conscientizar seus alunos sobre a im­
portância do jejum e diferenciá-lo do je­
jum hipócrita.
PROPOSTA PEDAGÓGICA
Um dos pontos altos da lição de hoje é a 
Oração do Pai Nosso, a oração-modelo ensina­
da por Jesus aos seus discípulos e que resume 
todos os aspectos de uma oração ideal. Logo, 
para apresentar didaticamente aos seus alunos 
o significado de cada expressão dessa prece 
para 0 entendimento do caráter e do propósito 
da oração, coloque no quadro e separe aos 
poucos cada frase dessa oração à medida que 
você for explicando cada uma delas, para que 
0 conteúdo fique muito bem fixado na mente 
e no coração dos seus alunos. Aproveite para 
estimular seus alunos a, nos seus próximos mo­
mentos de oração, seguirem esse “roteiro” ideal 
de oração ensinado por Jesus. Com certeza, 
isso vai enriquecer ainda mais a vida de oração 
e de comunhão com Deus de seus alunos.
COMENTÁRIO | INTRODUÇÃO
Assim como é possível dar esmolas pelas 
motivações erradas, é possível orar e jejuar do­
minado por motivações erradas. E assim como 
é possível realizar boas obras como fruto de 
uma religião meramente mecânica e ativista, é 
possível também orar e jejuar de forma mecânica 
e meramente ritualística. É o que Jesus alerta na 
passagem em apreço do Sermão da Montanha 
que estudaremos na iição de hoje. Nela, Cristo 
ensina que a oração é, na verdade, uma conversa 
com o Pai Celestial e apresenta um modelo de 
oração para inspirar os seus discípulos a orarem 
de forma correta. Na chamada “Oração do Pai 
Nosso”, encontramos, resumidamente, tudo 
aquilo que deve haver em uma oração. E Jesus 
ainda ensina aos seus discípulos sobre como 
deve se dar o momento de oração. Aprendamos 
a orar com Jesus!
1. A ORAÇÃO É UMA CONVERSA 
COM O PAI
► 1.1. A falsa oração: uma forma de 
aparentar piedade. Jesus inicia sua exposição 
sobre o importante tema da oração condenando 
mais uma vez a ostentação de “piedade” dos 
fariseus, desta vez manifestada nas orações 
públicas que realizavam nas sinagogas e nas 
esquinas das ruas (Mt 6.5). Tudo isso eles faziam 
“para serem vistos pelos homens”, assim como 
no caso das esmolas (Mt 6.1,2). Eles chegavam 
a orar em pé nas esquinas só para parecerem 
piedosos diante dos demais judeus.
► 1.2. A oração deve ser um momento 
particular de intimidade com Deus. Jesus nunca 
condenou a oração coletiva no Templo ou nas 
casas, mas reprovou, sim, as orações públicas 
nas sinagogas e nas ruas com objetivos exibicio- 
nistas. Ele mesmo participava das reuniões das 
sinagogas (Lc 4.16 - “segundo o seu costume”), 
que incluíam momentos de oração coletiva, e 
instou com seus discípulos Pedro, Tiago e João 
certa vez para que orassem juntamente com Eie, 
fazendo-lhe companhia na oração e nas súplicas 
que derramou diante do Pai no momento tão 
intenso do Getsêmani (Mt 26.36-38,40).
A ênfase de Jesus, porém, sempre foi na 
oração em particular, individual, na vida privada, 
realizada individualmente entre o cristão e o 
seu Pai Celestial (Mt 6.6). Mesmo na oração do 
Getsêmani Jesus chegou a ficar só em alguns 
momentos (Mt 26.39). A oração em privado é 
muito importante. É necessárioorar com os 
nossos irmãos, com nossos familiares, com 
nosso cônjuge, com nossos filhos etc., mas 
devemos, sobretudo, ter momentos particu­
lares de oração. Devemos valorizar muito os 
momentos a sós com Deus. Devemos valorizar 
muito as experiências particulares com Deus 
em oração, porque são parte importante e 
imprescindível do nosso crescimento e ama­
durecimento espirituais, e do aprofundamento 
da nossa comunhão com o nosso Pai Celestial.
► 1.3. Respostas de Deus. Jesus afirma que 
o Pai recompensará os filhos que o buscam “em 
oculto” (Mt 6.6), isto é, em particular, na intimidade, 
em suas orações. Essa “recompensa” a que se 
refere Jesus é a resposta de Deus às nossas 
petições feitas em oração (Mt 6.8). O Senhor é 
galardoador dos que o buscam (Hb 11.6). Deus 
tem prazer em abençoar os seus filhos.
► 1.4. “Vãs repetições”. Ao reprovar 
as “vãs repetições” (Mt 6.7), Jesus não está 
condenando todo tipo de repetição na oração. 
Ele mesmo, em seu momento de angústia no 
Getsêmani, passou horas em oração “dizendo 
as mesmas palavras" (Mt 26.44). Jesus se refere 
claramente a repetições que, com Ele mesmo 
designa, são “vãs”, isto é, vazias, mecânicas, e 
deixa claro ainda que se refere a um hábito dos 
gentios (“...como os gentios...”, Mt 6.7), isto é, a 
um costume dos pagãos que provavelmente era 
imitado pelos fariseus para chamar a atenção 
das pessoas que presenciavam as suas orações 
públicas. Possivelmente, esses judeus religiosos 
imitavam tal prática porque achavam que ela 
denotava espiritualidade, Como bem explica o 
teólogo A. T. Robertson, os pagãos da antigui­
dade “pensavam que por meio de repetições 
infinitas e muitas palavras eles informariam os 
deuses sobre o que estivessem precisando e 
os cansariam para que lhes concedessem os 
pedidos, mas a intenção dos fariseus não era 
ganhar os ouvidos de Deus, mas os
| Discipulando Professor 4
homens" (Comentário Mateus & Marcos à Luz 
do Novo Testamento Grego. Rio de Janeiro: 
CPAD, 2011, p.81).
► 1.5. “Blá, blá, blá”. Não precisamos 
ficar repetindo informações para Deus em 
oração, como se Ele dependesse que essas 
informações fossem repetidas por nós para 
então saber - ou não se esquecer - delas; 
nem precisamos orar em público floreando as 
nossas palavras, pavoneando nossas preces, 
como se quiséssemos impressionar as pessoas 
à nossa volta com a nossa “bela oratória” de 
oração. Tudo isso para Deus é, literalmente, o 
que chamamos de “Blá-blá-blá”. O vocábulo 
traduzido por “vãs repetições” nessa passagem 
do ensino de Jesus é battalogeõ, que, segundo 
obras especializadas, como o Dicionário Vine, 
que traz o significado exegético e expositivo 
das palavras do Antigo e do Novo Testamentos, 
é uma palavra “provavelmente advinda de uma 
frase aramaica e de caráter onomatopeico” 
(Dicionário Vine, CPAD, p. 1049). Ou seja, 
battalogeõ é uma onomatopéia como o nosso 
“Blá, blá, blá”, e com o mesmo significado 
deste: palavras sem sentido e mecanicamente 
repetidas. Orações mecânicas, empavonadas 
para impressionar as pessoas, são para Deus 
mero “Blá, blá, blá” para os seus ouvidos.
► 1.6. Uma relação de amor sincero 
entre um Pai e seus filhos. Jesus orientou 
seus discípulos a se dirigirem a Deus em 
oração chamando-o de “Pai”. Tal prática não 
era comum na cultura judaica da época. O 
uso que Jesus faz dessa expressão para se 
referir a Primeira Pessoa da Trindade, e o fato 
de ensinar seus discípulos a se dirigirem assim 
a Ela, demonstra o desejo que Cristo tinha de 
seus discípulos entenderem que o momento 
da oração era um momento de intimidade, de 
comunhão, de relação sincera e aberta entre 
Pai e filho. E, numa relação assim, a conversa é 
sempre de respeito, reverência, mas também, 
e sobretudo, amorosa, sincera.
Deus quer que os nossos momentos de 
oração sejam corretamente entendidos como 
momentos em que os filhos de Deus se lançam 
nos braços de seu Pai celestial para abrirem seus 
corações para Ele, terem comunhão com Ele,
62 | Discipulando Professor 4 |
gozarem de sua presença, ouvirem a sua voz e 
receberem toda força e consolo de que precisam.
^ AUXÍLIO DIDÁTICO 1
‘“ E não nos induzas à tentação’ (Mt 6.13). 
‘Induzir’ é uma palavra que aborrece muitas 
pessoas. Parece que apresenta Deus como 
agente ativo em nos sujeitar à tentação, uma 
ação especificamente negada em Tiago 1.13. 
A palavra grega aqui traduzida por tentação 
significa ‘tentativa’, ‘experiência’ ou ‘teste’, 
como em Tiago 1.2. É como [o teólogo Martin 
Richardson] Vincent a considera nesse trecho. 
Deus realmente nos testa ou nos peneira, 
ainda que não nos tente para o mal. Ninguém 
entendeu a tentação tão bem como Jesus, 
porque o Diabo o tentou usando toda forma 
de abordagem e todos os tipos de pecado, 
mas sem sucesso. No jardim do Getsêmani, 
Jesus diz a Pedro, Tiago e João: ‘Orai, para 
que não entreis em tentação’ (Lc 22.40). Esta 
é a ideia desse excerto. Nessa passagem, te­
mos o que os gramáticos chamam ‘imperativo 
permissivo’. A ideia é: ‘Não nos permitas ser 
induzidos à tentação’. Há um escape (1Co 
10.31), mas é um risco terrível” (ROBERTSON, 
A. T. Comentário Mateus & Marcos à Luz 
do Novo Testamento Grego. Rio de Janeiro: 
CPAD, 2011, p.84).
2. A ORAÇÃO QUE JESUS 
ENSINOU
► 2.1.0 propósito da Oração do Pai Nosso.
A Oração do Pai Nosso (Mt 6.9-13) não trata de 
uma oração para ser repetida mecanicamente. 
Ela é apenas um modelo de oração ensinado 
por Jesus aos seus discípulos resumindo tudo o 
que uma oração deve ter; é um esboço didático 
da oração ideal. Erra, portanto, quem faz dessa 
oração apenas mais uma oração mecânica. Isso 
é tudo o que Jesus não queria que ela fosse. 
Analisemos a seguir cada trecho dessa oração- 
modelo e o que basicamente ela nos ensina.
► 2.2. “Pai nosso”. O termo “nosso” 
denota intimidade. Na abertura desse modelo 
de oração ideal, mais uma vez Jesus enfatiza
a intimidade reverente que deve haver entre 
os filhos do Reino e o seu Paí Celestial. Ele 
não é simplesmente “o Pai”. Ele é o “nosso 
Pai” ! Aleluia!
► 2.3. “Santificado seja o teu nome”.
Essa expressão significa “Que teu nome seja 
santificado em minha vida!”. O cristão deve ter 
como objetivo principal de sua vida exaltar e 
glorificar a Deus. E ele faz isso quando escolhe 
encarnar os princípios do Evangelho em sua 
vida, quando decide honrar a Deus em seus 
pensamentos, palavras e ações. Essa expres­
são significa também que a oração ideal deve 
não apenas ser um momento de intimidade, 
reverência, sinceridade e amor (“Paí nosso”), 
mas deve também começar com adoração 
(“Santificado seja o teu nome”).
► 2.4. “Venha o teu reino”. Trata-se de 
um pedido para que Deus reine sobre nós; ou 
melhor, para que seu senhorio esteja não apenas 
sobre nós, mas que alcance todo o mundo. Essa 
expressão demonstra a preocupação que o filho 
de Deus deve ter em ver a expansão do Reino de 
Cristo na terra. Devemos orar pela conversão de 
vidas, pela obra de Deus, pelos nossos irmãos, 
pela causa divina na terra, e não apenas por 
nossas questões pessoais. Elas vêm depois.
► 2.5. “Seja feita a tua vontade”. Aqui 
vemos uma petição específica para que a von­
tade divina seja cumprida em nossa vida, na 
vida de nossos familiares, na vida de nossos 
irmãos. A expressão “Tanto na terra como no 
céu” (Mt 6.10b) significa que da mesma forma 
que a vontade de Deus é cumprida no céu - e 
lá ela é cumprida de forma plena - ela seja 
cumprida em nossas vidas aqui na terra.
► 2.6. “O pão nosso de cada dia dá-nos 
hoje". Finalmente, vemos a petição por necessi­
dades pessoais, particulares e do nosso próximo 
(“pão nosso”). Essas petições devem fazer parte 
das nossas orações. Deus nos estimula a orar 
pedindo a sua ajuda, graça, força e intervenções 
em nosso favor e em favor dos nossos entes 
queridos, suprindo as nossas necessidades(Mt 7.7-11). Entretanto, a oração, como já vimos 
até aqui, não é constituída apenas de petições 
por questões pessoais. Em primeiro plano está
a nossa comunhão com Deus, a adoração, a 
glória de Deus, a expansão do Reino de Deus, 
a vontade de Deus para nossas vidas, e logo 
depois vêm as nossas necessidades pessoais. 
Em primeiro lugar está “o Reino de Deus e a 
sua justiça”, e “Todas essas coisas vos serão 
acrescentadas” (Mt 6.33). Primeiro vem o “Pai 
nosso”, depois o “pão nosso”.
► 2.7. “Perdoa as nossas dívidas, assim- 
como nós perdoamos”. Na oração, precisa­
mos tratar também, arrependidos, dos nossos 
pecados, das nossas falhas diárias. Mas, não 
só isso: devemos também ter disposição para 
perdoar os nossos ofensores.
► 2.8. “E não nos induzas à tentação, 
mas livra-nos do mal”. Devemos orar para 
que Deus nos livre de toda artimanha do Ma­
ligno contra as nossas vidas. Se quisermos 
proteção divina, devemos buscar a presença 
de Deus. Não podemos querer a proteção 
divina se não buscamos a sua presença. Deus 
promete livrar aqueles que “habitam” em sua 
presença (SI 91.1). Isso não significa dizer que 
quem busca a Deus está isento de aflições, 
mas sim, que quando elas nos sobrevierem, 
Deus, com certeza, nos dará vitória em todas 
elas (SI 34.19). Quanto à expressão “E não 
nos induzas à tentação”, ela significa “E não 
permita que sejamos provados de tal forma 
que não suportemos”, pois o termo traduzido 
por “ tentação” aqui quer dizer “provação”.
- ► 2.9. “Porque teu é o Reino, o poder e 
a glória para sempre”. A oração ideal começa 
com adoração e termina com adoração. Ela é
[ Discipulando Professor 4 |
um momento especial de comunhão com o 
nosso Pai Celestial, com o Deus do universo. 
Portanto, a nossa oração deve começar e ter­
minar com um momento especial de devoção, 
de adoração sincera e fervorosa à glória dEle.
► 2.10. “Amém!” A expressão “Amém!” 
significa literalmente “Assim seja!”. Quando 
concluímos nossas orações com “Amém!”, 
estamos dizendo a Deus: “Senhor, te peço 
que tudo o que coloquei diante de ti seja uma 
realidade”, “Peço que seja assim”. E quando 
acrescentamos “Em nome de Jesus” ao “Amém”, 
estamos dizendo “Pedimos-te que seja assim 
em nome de Jesus”, isto é, “por Jesus”, “pelos 
méritos de Jesus”. Esta é uma bela forma de 
concluir nossas orações, reconhecendo que 
tudo o que somos e temos o são por intermé­
dio de Jesus.
^ AUXÍLIO DIDÁTICO 2
“O significado exato das palavras ‘de 
cada dia’ (Mt 6.11) - encontrada apenas na 
oração do Pai Nosso - é incerta. A palavra 
grega epiousion tem sido traduzida como ‘o 
necessário para a existência’, ‘para o dia de 
hoje’ , ‘para amanhã’, ‘para o futuro’. A expres­
são ‘de cada dia’ é melhor. Uma necessidade 
mais urgente é o perdão: ‘Perdoa-nos as 
nossas dívidas, assim como nós perdoamos 
aos nossos devedores’ (Mt 6.12). Aquele que 
carrega um espírito que não perdoa os outros 
deve parar antes de oferecer esta oração. 
Suponha que Deus o tome por sua palavra: 
que esperança haveria para ele? A versão de 
Lucas da Oração do Pai Nosso apresenta ‘pe­
cados’ em vez de ‘dívidas’ (Lc 11.4). Todo ser 
humano está em dívida, pois ‘todos pecaram’ 
(Rm 3.23)” (Comentário Bíblico Beacon. Vol. 
10. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p.64).
3. ORAÇÃO E JEJUM
► 3.1.0 jejum espiritual e o jejum hipó­
crita. Nos dias de Jesus, havia religiosos que, 
infelizmente, fingiam-se contritos e jejuavam só 
para parecerem espirituais e ganharem a honra 
do povo pela sua “consagração”. Entretanto, 
esse jejum não era recebido por Deus. O jejum
64 | Discipulando Professor 4 |
verdadeiro é abstinência de alimentos como um 
desprendimento espontâneo das coisas terrenas 
para se focar nas coisas espirituais. Ele é algo 
pessoal, intimo, que você faz para Deus e não 
para aparecer para os outros. Esse jejum, que 
é de ordem espiritual, é recebido por Deus.
^ AUXÍLIO DIDÁTICO 3
“Há três formas principais de jejum vistas 
na Bíblia: (a) Jejum normal - a abstenção de 
todos os alimentos, sólidos ou líquidos, mas 
não de água (Mt 4.2); (b) Jejum absoluto - a 
abstenção tanto de alimentos como de água (Ef 
4.16; At 9.9). Normalmente, este tipo de jejum 
não deve ir além de três dias, pois a partir daí 
o organismo se desidrata, o que é muito nocivo 
à saúde. Moisés e Elias fizeram jejum absoluto 
por 40 dias, mas sob condições sobrenaturais 
(Dt 9.9,18; Êx 34.28; 1Rs 19.8); (c) Jejum parcial
- uma restrição alimentar, e não uma abstenção 
total dos alimentos (Dn 10.3)” (STAMPS, Donald 
(Ed.). Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de 
Janeiro: CPAD, 2005, pp. 1396-97).
CONCLUSÃO
Que todos os nossos “atos de justiça” - 
como eram chamadas as práticas das esmolas, 
da oração e do jejum nos dias de Jesus - sejam 
realizados cumprindo o propósito pelo qual 
existem: glorificar a Deus, e não aos homens.
APROFUNDANDO
“Todo filho de Deus deve ter um lugar para 
estar a sós com Deus a fim de buscá-lo. 
Sem isto, a oração secreta não terá a du­
ração desejada ou será casual. Jesus tinha 
seus lugares secretos para orar (Mt 14.23; 
Mc 1.35; Lc 4.42; 5.16; 6.12). Nós também 
devemos disciplinar nossa vida a fim de 
mantermos nossa comunhão com Deus e 
demonstrar nosso amor por Ele. A oração 
secreta é especialmente importante de ma­
nhã cedo, para dedicarmos a Deus o nosso 
dia; no fim da tarde, para render-lhe graças 
por suas misericórdias; e nos momentos
em que o Espírito nos impulsiona a orar. A 
promessa é que nosso Pai nos recompen­
sará abertamente com a resposta à nossa 
oração, com sua presença íntima e com 
honra genuína por toda a eternidade. [...] 
‘Orareis assim’ (Mt 6.9) - Com esta oração 
modelo [do Pai Nosso], Cristo indicou áreas 
de interesse que devem constar da oração 
do cristão. [...] A brevidade desta oração 
não significa que devemos ser breves 
quando oramos. Às vezes, Cristo orava a 
noite inteira (Lc 6.12)” (STAMPS, Donald 
(Ed.). Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio 
de Janeiro: CPAD, 2005, pp.1395-96).
Ty SUGESTÃO 
DE LEITURA
> Pai Nosso
Analisando exaustivamente a oração ensi­
nada por Jesus aos seus discípulos, o autor 
leva você a descobrir os grandes tesouros 
de uma vida plena e vitoriosa.
► Jejum e Oração
O autor expõe neste livro estudos bíblicos 
sobre o jejum, que colocados em prática 
resultarão em bênçãos espirituais e materiais 
para o povo de Deus.
2. O que são as “vãs repetições" que Jesus 
condenou?
R. São palavras vazias e mecânicas que 
destoam do caráter do momento da oração.
3 . Qual o propósito da Oração do Pai Nosso?
R. Ser um modelo de oração resumindo 
tudo o que uma oração deve ter; é um esboço 
didático da oração ideal.
4. O que quer dizer “Venha o teu reino”?
R. Trata-se de um pedido para que Deus 
reine sobre nós; ou melhor, para que seu senhorio 
esteja não apenas sobre nós, mas que alcance 
todo o mundo. Essa expressão demonstra a 
preocupação que o filho de Deus deve ter em 
ver a expansão do Reino de Cristo na terra.
5 . Qual a diferença entre o jejum espiritual e
o hipócrita?
R. No jejum hipócrita, fingia-se contrição e 
se jejuava só para parecer espiritual e ganhar a 
honra do povo pela sua “consagração”. O jejum 
verdadeiro é abstinência de alimentos como um 
desprendimento espontâneo das coisas terrenas 
para se focar nas coisas espirituais. Ele é algo 
pessoal, íntimo, que você faz para Deus e não 
para aparecer para os outros.
Você sabi
VERIFIQUE O SEU
APRENDIZADO
I . Como deve se dar a oração?
R. Deve ser um momento sincero e particular 
de intimidade com Deus.
“Muitos fariseus jejuavam duas vezes por 
semana como um dever religioso. Estes 
não eram jejuns de 24 horas, mas jejuns de
12 horas, de sol a sol. Jesus não criticou 
o costume de jejuar. O que Ele realmente 
criticou foram aqueles que anunciavam 
seu jejum desfigurandoseu rosto. O que 
fazemos para Deus deve ser feito para 
Deus. O que fizermos para ‘mostrar aos 
homens’ estará corrompido" (RICHARDS, 
Lawrence. Comentário Devocional da 
Bíblia. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p.560).
| Discipulando Professor 4 |
A Am bição do x X
Discípulo: não à
Segurança dos Bens Materiais
TEXTO BÍBLICO BASE
Mateus 6.24-34
24 - Ninguém pode servir a dois senhores, porque 
ou há de odiar um e amar o outro ou se dedi­
cará a um e desprezará o outro. Não podeis 
servir a Deus e a Mamom.
25 - Por isso, vos digo: não andeis cuidadosos 
quanto à vossa vida, pelo que haveis de co­
mer ou pelo que haveis de beber; nem quanto 
ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. 
Não é a vida mais do que o mantimento, e o 
corpo, mais do que a vestimenta?
26 - Olhai para as aves do céu, que não semeiam, 
nem segam, nem ajuntam em celeiros; e 
vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes 
vós muito mais valor do que elas?
27 - E qual de vós poderá, com todos os seus 
cuidados, acrescentar um côvado à sua 
estatura?
28 - E, quanto ao vestuário, porque andais solíci­
tos? Olhai para os lírios do campo, como eles 
crescem; não trabalham, nem fiam.
29 - E eu vos digo que nem mesmo Salomão, 
em toda a sua glória, se vestiu como qualquer 
deles.
30 - Pois, se Deus assim veste a erva do campo, 
que hoje existe e amanhã é lançada no forno, 
não vos vestirá muito mais a vós, homens de 
pequena fé?
31 - Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que 
comeremos ou que beberemos ou com que 
nos vestiremos?
32 - (Porque todas essas coisas os gentios 
procuram.) Decerto, vosso Pai celestial bem 
sabe que necessitais de todas essas coisas;
33 - Mas buscai primeiro o Reino de Deus, e a 
sua justiça, e todas essas coisas vos serão 
acrescentadas.
34 - Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, 
porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. 
Basta a cada dia o seu mal.
MEDITAÇÃO
Porque o amor do dinheiro é a raiz de toda 
espécie de males; e nessa cobiça alguns se 
desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos 
com muitas dores. (1 Tm 6.10)
REFLEXÃO BÍBLICA DIÁRIA
► SEGUNDA -1 Timóteo 6.6-12
► TERÇA - Hebreus 13.5
► QUARTA - Filipenses 4.10-13
► QUINTA - 1 Pedro 1.3,4
► SEXTA - Filipenses 4.6-8
► SÁBADO -1 Timóteo 6.17-19
66 | Discipulando Professor 4 |
ORIENTAÇÃO AO
PROFESSOR
INTERAGINDO GOM O ALUNO
Quem nunca esteve ansioso alguma vez 
em relação à conquista de algum bem material? 
Ainda mais nesta era do consumismo, onde 
até mesmo coisas consideradas supérfluas 
são tratadas muitas vezes, por muitas pesso­
as, como se fossem artigos de primeiríssima 
necessidade. Aproveite, portanto, o conteúdo 
da lição de hoje para conscientizar os seus 
alunos a remarem contra a correnteza deste 
mundo mais uma vez; a não seguirem o espírito 
materialista, cobiçoso e inquieto deste mundo, 
mas a aprenderem a priorizar o espiritual, a não 
se deixarem ser consumidos pelas ambições 
deste mundo e a trabalharem pelo seu sustento 
e pela melhoria de suas condições materiais 
e sociais sem ansiedade doentia e confiando 
sempre e plenamente em Deus, no seu cuida­
do diário por nós e na sua provisão amorosa. 
Estimule os seus alunos também a ajudarem 
os mais necessitados e abundarem em boas 
obras, lembrando-os que, inclusive, dessa for­
ma, eles estarão amontoando galardão divino 
sobre suas vidas na eternidade. Conscientize 
-os de que investir no Reino de Deus, nas coisas 
espirituais, é o maior e melhor investimento que 
alguém pode fazer na existência.
OBJETIVOS
Na lição de hoje, sua aula deve 
alcançar os seguintes propósitos;
► Conscientizar seus alunos de que os 
bens materiais são passageiros e nunca 
devem ser o centro de nossas vidas;
► Enfatizar que devemos priorizar as “ri­
quezas espirituais” em nossa vida;
► Conscientizar seus alunos a não esta­
rem ansiosos pelas coisas dessa vida, 
mas aprenderem a quietude cristã.
PROPOSTA PEDAGÓGICA
Em suma, esta lição de hoje enfatiza duas 
verdades espirituais que estão entrelaçadas, 
que são dois lados de uma mesma moeda: de 
um lado, o fato de que não devemos valorizar 
os bens materiais mais do que Deus e o seu 
Reino em nossas vidas; e de outro, o fato de 
que quando fazemos isso, Deus cuida de nós, 
suprindo as nossas necessidades materiais. Ou 
seja, há uma mensagem de repreensão e de 
consolo ao mesmo tempo no texto bíblico que 
serve de base para a lição de hoje, e você deve 
saber explorar bem isso ao ministrar o conteúdo 
dela aos seus alunos na aula de hoje. Enfatize 
que o problema não são as coisas materiais, 
mas onde colocamos o nosso coração, isto é, 
quais são as nossas prioridades; e que quando 
priorizamos as coisas certas, as demais coisas 
também são acrescentadas pela graça divina 
(Mt 6.33).
Discipulando Professor 4
COMENTÁRIO | INTRODUÇÃO
Na lição de hoje, estudaremos o ensino 
de Jesus contra o materialismo, que sempre 
foi um dos principais maies para a vida espi­
ritual. Trata-se do apego e da obsessão pelas 
coisas materiais, pelos bens terrenos. Jesus 
não condenou os bens terrenos, mas, sim, o 
apego a eles. Há pessoas que, infelizmente, 
vivem mais para amontoar bens na terra do 
que para qualquer outra coisa. A finalidade da 
vida dessas pessoas é o material; as coisas 
espirituais ficam em segundo plano, quando 
não em terceiro, no seu dia a dia. Entretanto, 
Jesus nos ensina a priorizarmos o espiritual. 
Não é negar ou condenar o material. Ele é 
importante, só não é o mais importante nem 
deve ser o centro da nossa vida. O centro da 
nossa vida deve ser Deus. Aliás, Ele é a razão do 
nosso viver, o sentido das nossas vidas. Fomos 
feitos por Ele e para Ele. Glórias, pois, a Ele!
1. A RIQUEZA DA TERRA EA 
RIQUEZA DO CÉU
► 1.1. A loucura de amontoar riquezas 
na terra. Jesus chamou a atenção dos seus 
discípulos para a loucura que é uma pessoa 
viver apenas amontoando riquezas na terra. 
Ele não está aqui condenando o ser rico, mas, 
sim, a obsessão em enriquecer mais e mais, de 
maneira a apenas amontoar riquezas em vez 
de usá-las de forma sábia. Jesus cita como 
exemplos realidades de sua época: quem ajun- 
tava muitas roupas acabava perdendo muitas
delas para as traças, que faziam a festa; quem 
amontoava metais, fazia com que boa parte 
deles, por não estarem em circulação, fossem 
acometidos pela ferrugem; e quem guardava 
seus bens mais preciosos nas paredes de suas 
casas, que geralmente eram feitas de barro, 
muitas vezes eram alvos de ladrões, que “mi­
navam” as paredes das casas, cavavam-nas, 
para roubar as riquezas dos outros (Mt 6.19). 
Claro que muita coisa mudou de lá para cá 
na questão dos métodos de preservação das 
coisas, mas a principal lição de Jesus aqui, para 
as nossas vidas, permanece. O que Jesus quis 
dizer nessa passagem é que os bens materiais 
são passageiros, razão pela qual não devemos 
ficar presos a eles, não devemos permitir que 
eles nos dominem, mas devemos ser bons 
mordomos, administradores sábios e liberais 
dos bens que recebemos.
► 1.2. Riqueza do céu. A única riqueza 
que pode ser amontoada sem prejuízo para a 
pessoa, enfatiza Jesus, é a riqueza de ordem 
espiritual (Mt 6.20), isto é, tudo aquilo que faze­
mos para Deus aqui na terra e que resultará em 
galardão para nós na eternidade. Acumulemos 
boas obras, dedicação sincera à obra de Deus, 
e seremos grandemente galardoados nos céus.
► 1.3. “Onde estiver o vosso tesouro, ali 
estará também o vosso coração”. Essa frase 
lapidar de Cristo quer dizer que se considera­
mos mais os bens terrenos do que as riquezas 
espirituais, então nosso coração está preso às 
coisas terrenas; e se valorizamos mais as coi­
sas celestiais do que os bens materiais, então 
claramente nosso coração está voltado para
o céu. O que desejamos: ser escravos do que 
perece ou servosde um Reino incorruptível?
O que é melhor: servir a Deus ou às riquezas?
^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 1
‘“ Não é a vida mais do que o mantimen­
to, e o corpo, mais do que a vestimenta?’ (Mt 
6.25). Sim, sem dúvida. Jesus diz que há mo­
tivos para entendermos o verdadeiro valor das 
coisas presentes, porque Ele as fez, Ele as
68 | Discipulando Professor 4 |
sustenta, e nos sustenta através delas; e esta 
situação fala por si só. Perceba que a nossa 
vida é uma bênção maior do que a nossa sub­
sistência. É verdade que a vida não pode sub­
sistir sem o sustento, mas o mantimento e a 
vestimenta, que são aqui apresentados como 
inferiores à vida e ao corpo, são como o or­
namento e o prazer, e temos a tendência de 
ser solícitos em relação a estas coisas. O man­
timento e a vestimenta.são úteis para a vida, 
e o seu fim é mais nobre e excelente do que 
os meios. A comida mais saborosa e a melhor 
roupa são da terra, mas a vida é o sopro de 
Deus. A vida é a luz dos homens, o mantimento 
é apenas o azeite que alimenta a luz, de forma 
que a diferença entre o rico e o pobre é muito 
insignificante, visto que, nas maiores coisas, 
eles ficam no mesmo nível, e diferem apenas 
em algo que tem dimensões menores” (HEN- 
RY, Matthew. Comentário Bíblico do Novo 
Testamento: Mateus a João. Rio de Janeiro: 
CPAD, 2010, p.75).
2. NÃO PODEMOS SERVIR A 
DEUS E AO DINHEIRO
► 2.1. Olhos maus, corpo em trevas; olhos 
bons, corpo iluminado. Nos versículos 22 a 
24, Jesus fala sobre a necessidade de haver 
no cristão uma unidade correta de propósitos. 
Para isso, Ele usa mais uma figura de linguagem. 
Nesse caso, os olhos e o corpo. Diz Jesus que 
se os olhos forem bons, o corpo terá luz; e se 
foram ma j s , o corpo estará em trevas. Olhos 
falam de foco, de visão. Ou seja, Jesus está 
afirmando que se nosso foco e visão forem 
equivocados, toda a nossa vida estará imersa 
em trevas; mas se nossos foco e visão forem 
acertados, estaremos na luz. Não pode haver 
sobre nós luz — que simboliza aqui a presença 
de Deus —, se não há um foco acertado, uma 
unidade de propósito, uma pureza de intenção 
em tudo o que fazemos. Devemos priorizar 
a Deus. Não podemos dividir o nosso foco, 
dividir a nossa lealdade. Deus tem que reinar 
sem rival no trono do nosso coração. Ele é o 
nosso foco.
► 2.2. “Mamom”: o amor ao dinheiro.
A palavra “Mamom” é a forma aramaica para 
dinheiro ou riquezas usada nos dias de Jesus. 
Logo, “servir a Mamom” significa “servir às 
riquezas”, colocá-las como prioridade em 
nossas vidas. A Bíblia classifica como algo 
ruim o amor às riquezas, o confiar nelas. Isso 
está claro também em várias outras passagens 
das Escrituras. A Bíblia nos diz, por exemplo, 
que passamos a ser ímpios em relação às 
riquezas quando: (1) passamos a amar as 
riquezas (1 Tm 6.10); (2) as riquezas passam 
a ser senhor em nossas vidas e não um ser­
vo (Mt 6.24); (3) tornamo-nos avarentos (Lc 
12.15a); (4) passamos a medir a qualidade da 
nossa vida pela abundância do que possuímos 
(Lc 12.15b); (5) pomos o coração nas riquezas 
(Mt 6.19-21), colocamos nossa esperança 
nelas (1 Tm 6.17b); (6) tornamo-nos altivos, 
soberbos, arrogantes, por causa das riquezas 
(1 Tm 6.17a); (7) cobiçamos as riquezas (1 Tm 
6.10), tornamo-las a obsessão da nossa vida 
(1 Tm 6.9). Como já disse alguém com grande
i í
Deus tem 
que reinar 
sem rival no 
trono do nosso 
coração. Ele é 
o nosso foco.
j j
| Discipulando Professor 4
acerto, “as riquezas são um excelente servo, 
mas um péssimo senhor”. Que as riquezas 
nos sirvam, e não nós a elas. Afinal, nós não 
servimos ao que perece. Servimos a Deus.
► 2.3. Ser pobre ou rico materialmente 
não tem, necessariamente, nada a ver com 
condição espiritual. Há casos na Bíblia de 
servos de Deus ricos e pobres, de servos de 
Deus ricos que empobreceram e de servos de 
Deus pobres que enriqueceram. Por exemplo: 
Abraão foi rico; Isaque foi rico; Jacó nasceu 
em uma família rica, depois foi ganhar a vida 
como empregado de seu tio Labão até que 
Deus o fez enriquecer sem precisar da ajuda 
de seus pais; o rico Jó era um homem justo e 
reto diante de Deus, mas se tornou miserável e 
voltou a ser rico; o profeta Jeremias era pobre, 
permaneceu assim e morreu assim; os profetas 
Sofonias e Isaías foram aristocratas palacianos, 
mas o profeta Amós foi um simples camponês; 
o pobre Lázaro da história contada por Jesus 
em Lucas 16, e que morreu pobre e na miséria, 
era um homem justo; a Bíblia diz que um profeta 
que realmente “temia ao Senhor” e auxiliava 
no ministério do profeta Eliseu morreu pobre e 
endividado (2 Rs 4.1), mas sua esposa acabou 
prosperando após um milagre de Deus (2 Rs
4.7) etc. Deus abençoa, sim, materialmente os 
seus filhos, mas bens materiais não podem ser 
necessariamente sinal da bênção de Deus, se 
não o que dizer de ímpios que são prósperos 
financeiramente, mas infelizes por não terem 
Jesus em suas vidas?
As riquezas não são o mais importante na 
vida de um crente. Muito longe disso, podem 
se tornar ainda um mal, quando se tornam um 
deus na vida da pessoa. Deus nos livre disso!
^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 2
“O Novo Testamento nos adverte sobre 
o perigo da inversão de valores. [...] [Ele] nar­
ra o encontro que Jesus Cristo teve com certo 
homem (Lc 12.2-5). Nessa passagem, encon­
tramos alguém que está mais preocupado em 
‘ter’ do que em ‘ser’. Ele queria ‘ter’, isto é,
possuir muitos bens materiais, mas mostrou 
total descaso em ‘ser’ alguém zeloso com as 
coisas espirituais (Lc 12.21). ‘Ter’ está relacio­
nado com aquilo que possuímos, enquanto 
‘ser’ tem a ver com aquilo que somos. De fato, 
o relato sagrado diz que quando Deus pediu 
conta da alma daquele homem, ele nada ti­
nha preparado (Lc 12.20). Possuir bens e ter 
dinheiro é bom, e a riqueza em si não é má. O 
que fazemos com ela pode, sim, transformar- 
se em algo danoso (SI 62.10). De fato, a Bíblia 
condena o amor ao dinheiro (1Tm 6.10) e não 
a aquisição dele. O Novo Testamento cita cris­
tãos que possuíam bens e não os condena por 
isso, como, por exemplo, José de Arimateia 
(Mt 27.57), Zaqueu (Lc 19.2) e Dorcas (At 9.36). 
Mas quando se trata de riquezas, parece que 
há um desequilíbrio crônico entre ‘ser’ e ‘ter’. 
Parece que para muitos ter posses é melhor 
do que ser amigo de Deus (Lc 18.24). [...] Esse 
desejo exacerbado por trás das posses está in­
timamente relacionado ao exercício do poder. 
Queremos ‘ter’, isto é, possuir, para mostrar 
quem somos. Alguém já disse que existe muita 
gente comprando o que não precisa, com o di­
nheiro que não tem, para mostrar o que não é” 
(GONÇALVES, José. A Prosperidade à Luz da 
Bíblia. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, pp.72-73).
3. VIVENDO A QUIETUDE DO 
REINO DE DEUS
► 3.1. “Não andeis cuidadosos”. Ain­
da dentro do tema materialísmo ou foco ou 
obsessão nas coisas terrenas, Jesus fala, na 
seqüência, nos versículos 25 a 34, sobre a 
ansiedade em relação às coisas materiais. E 
Ele não está falando mais de amontoar rique­
zas, mas de necessidades básicas. Jesus diz 
a seus discípulos que eles devem aprender a 
confiar na providência divina, crer que Deus 
haverá de prover todas as nossas necessida­
des básicas: da alimentação ao vestuário. Ou 
seja, o cristão deve fazer a sua parte, que é 
trabalhar (1 Ts 4.11,12) - assim como os pás­
saros são diligentes e as plantas se esforçam 
normalmente para crescer e confiar que
70 | Discipulando Professor 4 j
Deus cuidará dEle (SI 127.1,2). Afinai, como 
lembra Jesus, Deus cuida das aves do céu e 
dos lírios do campo, que valem menos do que 
nós; então como Ele não cuidaria de nós, que 
somos os seus filhos amados?
Confiemos no Senhor! Não permitamos 
que as ansiedades pelas coisas naturais dessa 
vida nos levem a um estado desnecessário e 
doentio de preocupação. Não devemos ficar 
ansiosos pelo que haveremosde comer, beber 
ou vestir (v.31), porque nosso Pai Celestial sabe 
muito bem do que precisamos (v.32). Apenas 
façamos a nossa parte e confiemos em sua 
provisão amorosa.
► 3.2. O contentamento cristão - Em
Tiago 1.9-11, Tiago fala que da mesma forma 
que o cristão pobre deve alegrar-se em sua 
melhora de vida (v,9), o cristão rico também deve 
alegrar-se nas circunstâncias difíceis (v.10a), 
porque as riquezas terrenas são passageiras, 
transitórias, logo não devemos nos apegar a 
elas (vv.10b-11). Ou seja, o cristão deve aceitar 
as ordens da providência divina com gratidão.
O cristão transforma a sua provação 
em grande alegria quando ele reconhece na 
provação uma oportunidade para amadurecer 
e fortalecer-se na fé (Tg 1.2-4); quando ele se 
aproxima de Deus em oração, pedindo-lhe 
sabedoria (Tg 1.5-8); e quando ele aceita com 
gratidão a soberania e a providência divinas 
em todas as circunstâncias de sua vida (Tg 
1.9-11), sabendo que Deus está no controle 
de tudo e Ele sabe o que faz e o que é melhor 
para a sua vida (Rm 8.28; 12.2).
O apóstolo Paulo declara: “[...] já aprendi 
a contentar-me com o que tenho. Sei estar 
abatido, e sei também ter em abundância; 
em toda maneira, e em todas as coisas, estou 
instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; 
tanto a ter abundância, como a padecer neces­
sidade. Posso todas as coisas naquele que me 
fortalece” (Fp 4.11-13). Em 1 Timóteo 6.8, ele 
ainda diz: “Tendo, porém, sustento, e com que 
nos cobrirmos, estejamos com isso contentes”.
0 que Tiago e Paulo estão dizendo é que, rico 
ou pobre, o cristão deve ser humilde e tempe- 
rante. O cristão deve aprender a ser contente 
e satisfeito em todas as situações da vida.
^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 3
“ ‘Não andeis cuidadosos’ (Mt 6.25). Je­
sus não está dizendo que é errado o cristão 
tomar providências para suprir suas futuras 
necessidades materiais (2 Co 12.14; 1 Tm 
5.8). O que Ele realmente reprova aqui é a 
ansiedade ou a preocupação angustiosa da 
pessoa, revelando sua falta de fé no cuida­
do e no amor paternais de Deus (Ez 34.12;
1 Pe 5.7)” (STAMPS, Donald (Ed.). Bíblia de 
Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 
2005, p. 1397).
CONCLUSÃO
A vida cristã não despreza as coisas ma­
teriais, muito menos as nossas necessidades 
materiais, mas tem como foco o espiritual, e 
isso não quer dizer que o material deve ser 
anulado pelo espiritual, mas, sim, que deve 
estar subordinado ao espiritual. Deus deseja 
que sejamos bons mordomos de tudo o que 
temos recebido de sua parte, inclusive, as 
bênçãos materiais. Quando aprendemos isso, 
usufruímos melhor do que temos, somos mais 
sábios na administração de nossos recursos, 
não ficamos presos às ansiedades consumistas
Discipulando Professor 4
desta vida e somos mais contentes e gratos 
a Deus por tudo que temos, em vez de nos 
sentirmos sempre e doentiamente insatisfeitos 
com tudo o que conquistamos na vida.
APROFUNDANDO-SE
“O materialismo é um sintoma comum e 
fatal de hipocrisia como qualquer outro, 
porque por nenhum pecado Satanás pode 
ter um domínio mais seguro e mais rápido 
da alma, sob a capa de uma profissão de 
religião visível e admissível, do que por 
meio do materialismo. Portanto, tendo 
nos alertado contra cobiçar o louvor dos 
homens, Cristo, em seguida, nos alerta 
contra cobiçar a riqueza do mundo; 
também devemos prestar atenção a isto 
para que não sejamos como os hipócritas 
e não façamos o que eles fazem. O erro 
fundamental de que eles são culpados 
consiste em escolher o mundo como o 
seu galardão. Devemos, portanto, estar 
alertas contra a hipocrisia e o materialismo 
na escolha que fazemos do nosso tesou­
ro, do nosso fim e dos nossos senhores” 
(HENRY, Matthew. Comentário Bíblico do 
Novo Testamento - Mateus a João. Rio 
de Janeiro: CPAD, 2013, p.70).
2 . Quais as únicas riquezas que podem ser 
amontoadas sem prejuízo para a pessoa que 
as têm?
R. As riquezas espirituais.
3 . 0 que significa a metáfora usada por Jesus 
dos “olhos bons, corpo iluminado; olhos maus, 
corpo em trevas”?
R, Se nossos foco e visão forem equivoca­
dos, toda a nossa vida estará imersa em trevas; 
mas se nossos foco e visão forem acertados, 
estaremos na luz. Não pode haver sobre nós 
luz, que simboliza aqui a presença de Deus, 
se não há um foco acertado, uma unidade de 
propósito, uma pureza de intenção em tudo o 
que fazemos.
4. O que significa “Mamom”?
R. É a palavra aramaica usada nos dias 
de Jesus para designar o dinheiro e a riqueza.
5 . 0 que é o contentamento cristão ensinado 
na Bíblia?
R. O cristão deve aprender a ser contente 
e satisfeito em todas as situações da vida.
VERIFIQUE O SEU
APRENDIZADO
1 . Ao falar contra o amontoar riquezas na 
terra, que mensagem Jesus estava querendo 
enfatizar aos seus discípulos de ontem e de 
hoje?
R. Os bens materiais são passageiros, 
razão pela qual não devemos ficar presos a 
eles, não devemos permitir que eles nos do­
minem, mas devemos ser bòns mordomos, 
administradores sábios e liberais dos bens 
que recebemos pela graça de Deus.
» ÍiÍg ^ Í| S IÍÍg ^ g ^ l^ | § | » S i® ^ iií3 S f
► “Quando compreendermos o quanto Deus 
realmente nos ama, não mais nos sentiremos 
pressionados para ‘correr atrás’ das necessida­
des da vida. Isso nos liberta para estabelecer as 
prioridades corretas, e buscar ‘primeiro o Reino 
de Deus, e a sua justiça’ (Mt 6.33). Que alegria 
não se preocupar com nada, exceto agradar 
a Jesus!” (RICHARDS, Lawrence. Comentário 
Devocional da Bíblia. Rio de Janeiro: CPAD,
2012, p.560).
72 | Discipulando Professor 4
Não Julgue 
o Próximo, para que 
não sejas julgado
TEXTO BÍBLICO BASE
Mateus 7.1-6
1 - Não julgueis, para que não sejais julgados,
2 - porque com o juízo com que julgardes sereis
julgados, e com a medida com que tiverdes 
medido vos hão de medir a vós.
3 - E por que reparas tu no argueiro que está no
olho do teu irmão e não vês a trave que está 
no teu olho?
4 - Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o
argueiro do teu olho, estando uma trave no teu?
5 - Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e,
então, cuidarás em tirar o argueiro do olho do 
teu irmão.
6 - Não deis aos cães as.coisas santas, nem deiteis
aos porcos as vossas pérolas; para que não ás 
pisem e, vottando-se, vos despedacem.
MEDITAÇÃO
Olhai por vós mesmos. E se teu irmão pecar 
contra ti, repreende-o; e se ele se arrepender, 
perdoa-lhe. (Lc 17.3)
REFLEXÃO BÍBLICA DIÁRIA
► SEGUNDA - Romanos 14.4,13
► TERÇA - João 7.24
► QUARTA - Lucas 17.1 -4
► QUINTA - Romanos 2.1
► SEXTA -1 Coríntios 4.3-5
► SÁBADO -1 Coríntios 11.28-32
| Discipulando Professor 4 I
ORIENTAÇÃO AO
PROFESSOR
INTERAGINDO COM O ALUNO
Através da lição de hoje, você deve dei­
xar claro aos seus alunos que nem todo tipo 
de julgamento é bom, Há julgamentos que 
são necessários serem feitos e há outros que 
são mero criticismo, julgamentos maldosos, 
intriga, juízos meramente condenatórios que 
não acrescentam nada positivo na vida das 
pessoas, mas, ao contrário, destroem vidas. 
Fale também sobre a necessidade de o cristão 
ser mais rigoroso na avaliação que ele faz de 
si mesmo do que nas eventuais avaliações 
que porventura venha fazer sobre as outras 
pessoas. Aliás, estimule seus alunos a realiza­
rem periodicamente um autoexame diante de 
Deus. Explique que esse autoexame deve ser 
feito com oração, pedindo ajuda ao Espírito 
Santo para nos orientar. Lembre o exemplo do 
salmista Davi, no Salmo 139, versículos 23 e 
24, onde ele pede a Deus para sondá-lo e aju­
dá-lo a encontrar os “caminhos maus” em seu 
interior que precisam ser extirpados para que 
ele possa prosseguir pelo “caminho eterno” . 
Dessa forma, essa aula terá uma importância 
muito grande para o crescimento espiritual dos 
seus alunos, que é uma dasprincipais razões 
de ser das aulas do Discipulado Cristão.
0BJETIV0S 
Sua aula deverá alcançar os se- 
guintes objetivos:
► Explicar aos seus alunos que eles de­
vem repugnar os julgamentos maldosos 
e os juízos meramente condenatórios;
► Enfatizar a necessidade de o cristão ser 
mais rigoroso na avaliação de si mesmo 
do que na avaliação dos outros;
► Conscientizar seus alunos sobre a ne­
cessidade de realizarmos um autoexame 
com a ajuda de Deus, buscando o aper­
feiçoamento cristão.
PROPOSTA PEDAGÓGICA
Para que a lição de hoje seja bem compre­
endida pelos seus alunos, é preciso que você 
diferencie bem o “julgar” positivo de que fala a 
Bíblia (Jo 7.24; 1 Jo 4.1; 1 Co 5.12,13) do “jul­
gar” negativo, de que falam passagens como 
a de Mateus 7.1 -5. Para isso, você pode criar 
exemplos práticos desses dois tipos de julga­
mento, situações hipotéticas que ilustram muito 
bem essa diferença. Você pode fazer isso até 
interagindo com seus alunos na sala de aula, 
fazendo alguns deles participarem de cada 
uma das “encenações” das situações que você 
idealizou. Sem dúvida alguma, depois dessa 
apresentação prática do tema, seus alunos 
terão maior probabilidade de guardar em suas 
mentes o real significado do “julgar” condenado 
por Jesus em seu Sermão da Montanha.
74 | Discipulando Professor 4 |
COMENTÁRIO | INTRODUÇÃO
Na lição de hoje, veremos o ensino de 
Jesus a respeito da forma como devemos nos 
conduzir diante das falhas das outras pessoas. 
Sua crítica recai sobre a questão do juízo, e o 
alvo original desse trecho do seu Sermão da 
Montanha parece ser mais uma vez os escribas 
e fariseus, que eram conhecidos pela forma 
arrogante como tratavam as outras pessoas 
que eles entendiam não serem “dignas”. Logo, 
Jesus não está aqui condenando todo tipo de 
julgamento, como pode parecer à primeira vista, 
para os mais desatentos, mas apenas o julgamento 
falso e o julgamento arrogante. Vejamos, a seguir, 
as principais lições que aprendemos sobre os 
outros e também sobre nós mesmos a partir 
dessa importante parte do ensino do Mestre.
1. NÃO DEVEMOS SER JULGA­
DORES DOS OUTROS
► 1.1. Juízo de condenação. Quando Jesus 
condena julgarmos os outros (Mt 7.1), Ele não está 
condenando, por exemplo, os magistrados civis 
que julgam as causas dos homens - isto é, Ele 
não estava condenando a instituição judiciária, 
que é um braço importante e necessário para o 
Estado cumprir a sua função de proteção social 
(Rm 13.1-7). Jesus também não estava dizendo 
que nunca devemos ter posições definidas em 
relação às atitudes e pensamentos expressos 
das pessoas. Se fosse assim, o próprio Jesus 
não orientaria seus discípulos depois a fazerem 
esse tipo de avaliação, alertando, porém, que 
não deveriam fazê-la segundo padrões pró­
prios, mas, sim, “segundo a reta justiça”, isto 
é, segundo o padrão divino (Jo 7.24). Em seu 
Sermão da Montanha, Jesus está condenando 
uma disposição doentia à crítica, e uma crítica 
condenatória. O teólogo A. T. Robertson, já 
falecido e considerado um dos maiores especia­
listas em grego do Novo Testamento em todos 
os tempos, frisa que o vocábulo traduzido em 
Mateus 7.1 como “julgar” refere-se “ao hábito 
da disposição de condenar e criticar”, à “crítica 
acentuada e injusta” (Comentário Mateus & Marcos 
à Luz do Novo Testamento Grego, CPAD, p.91).
Jesus está condenando a crítica injusta, o falar 
mal dos outros, a crítica arrogante, maldosa e 
destrutiva. O julgar aqui não tem nada a ver com 
“avaliar”, mas, sim, com “condenar”. E é um juízo 
feito pelas pessoas em particular.
1.2. “Para que não sejais julgados”. Je­
sus apresenta a razão dessa proibição do juízo 
maldoso e condenatório: “[...] para que não sejais 
julgados” (Mt 7.1b). O que Cristo está dizendo aqui 
é que aqueles que se mostram mais rigorosos e 
juizes dos outros serão naturalmente os que mais 
estarão sujeitos à censura de terceiros. Quem 
muito exige será muito exigido pelos outros. Se 
os misericordiosos alcançarão misericórdia (Mt
5.7), os não misericordiosos também não rece­
berão misericórdia quando cometerem alguma 
falha. O próprio Deus estabelece que devemos 
aprender a perdoar os outros se queremos 
receber o perdão de Deus. Jesus nos ensinou 
a orar nessa perspectiva (Mt 6.12).
► 1.3. “Com a medida com que tiverdes 
medido vos hão de medir a vós”. Esse é o 
princípio da proporcionalidade. A mesma medida 
que usarmos para medir os nossos irmãos será 
usada para nos medir. O propósito de Jesus ao 
alertar os seus discípulos para isso é conscienti­
zá-los de que eles devem evitar serem rigorosos 
no relacionamento com os seus irmãos. Precisa­
mos reconhecer que todos nós somos falhos e 
dependentes da graça e da misericórdia divina. 
Ninguém é superior ao outro, mas todos somos 
pecadores agraciados pela misericórdia divina. 
Isso não significa dizer que devemos relevar o 
pecado, como se ele não fosse nada demais, 
nem que um cristão que cometeu um pecado 
que escandalizou seus irmãos não é passível de 
disciplina da igreja, mas que mesmo na disciplina 
devemos agir com amor, e não com arrogância; 
com misericórdia, e não com o intuito de “es­
magar” aquele ou aquela que já está sofrendo 
as conseqüências de seus próprios pecados.
► AUXÍLIO TEOLÓGICO 1
“Jesus condena o hábito de criticar os ou­
tros sendo nós mesmos faltosos. O crente deve ,^
| Díscipulando Professor 4 I
primeiramente submeter-se ao justo padrão de 
Deus, antes de pensar em examinar e influenciar 
a conduta de outros cristãos (Mt 7.3-5). Cristo 
não está aqui abolindo a necessidade do exer­
cido do discernimento e de fazermos avaliação 
dos pecados dos outros. O crente é ordenado 
a identificar falsos ministros dentro da igreja (Mt 
7.15) e a avaliar o caráter de certas pessoas (Mt 
7.6; Jo 7.24; 1 Co 5.12; Gl 1.9; 1 Tm 4.1; 1 Jo 4.1). 
Mateus 7.1 não deve servir de desculpa para a 
omissão do exercício da disciplina eclesiástica 
(Mt 18.15)’’ (STAMPS, Donald (Ed.). Bíblia de Es­
tudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, 
p.1398).
2. DEVEMOS PRIMEIRO OLHAR 
PARA NÓS MESMOS
► 2.1. O argueiro e a trave. O termo 
“argueiro”, que aparece nos versículos 4 e 5, 
não é uma referência a um grão de pó, mas 
a uma lasquinha de madeira, um pedacinho 
muito pequeno, que cai no olho da pessoa, 
prejudicando e irritando o olho. Já o termo 
“trave”, que aparece nesses mesmos versículos, 
é uma alusão a uma viga ou travessa enorme, 
que segura muitas tábuas. Ou seja, Jesus está 
usando aqui de uma hipérbole mais uma vez: 
“Por que reparas na minúscula lasquinha de 
madeira irritando o olho do teu irmão e não vês 
antes a imensa viga no teu olho?”. Há, inclu­
sive, um antigo ditado árabe, provavelmente 
inspirado nas palavras de Jesus, que afirma: 
“Como tu vês a lasca no olho do teu irmão, e 
não vês a viga-mestra no teu próprio olho?”.
76 | Discipulando Professor 4 j
► 2.2. Um princípio ético. Em primeiro lugar, 
Jesus está estabelecendo aqui um princípio 
ético claro: por questão de ética, uma pessoa 
não pode chamar a atenção de outra por ter 
cometido o mesmo erro que ela cometeu, a não 
ser que chame a sua atenção particularmente, 
e em amor, e reconhecendo, antes de qualquer 
palavra, o seu próprio erro. E se seu próprio erro 
ainda não foi resolvido, que ela resolva antes 
o seu próprio erro, antes de querer cuidar dos 
erros das outras pessoas. Se a pessoa não 
agir assim, agirá como um perfeito hipócrita, 
como afirma Jesus (Mt 7.5). Antes do argueiro 
do outro, a nossa própria trave: “[...] tira primeiro 
a trave do teu olho e, então, cuidarás em tirar o 
argueiro do olho do teu irmão”.
► 2.3. Devemos ser mais tolerantes com 
o próximo do que com os nossos próprios 
erros. Em segundo lugar, o ensino de Jesus sobre 
o “argueiro” e a “trave” significa que devemos 
ser mais tolerantes com os erros do próximodo que com os nossos próprios erros. Aquilo 
que é “argueiro” no meu irmão, quando o vejo 
em mim, devo vê-lo como uma “trave”. Aliás, 
já imaginou se todos agissem assim? Como o 
mundo seria totalmente diferente!
► 2.4. Visão distorcida. Em terceiro lugar, 
os olhos são usados nesta metáfora de Jesus 
não por acaso. Olhos falam de visão. Logo, 
Jesus está afirmando aqui que não assumir e 
resolver os nossos próprios erros distorce a 
nossa visão das coisas, das situações e das 
pessoas. Somente depois de nos livrarmos 
daquilo que turva a nossa visão, poderemos 
ajudar de forma correta aqueles que estão 
passando por situação semelhante à nossa. 
Somente depois de nos livrarmos de nossa 
“trave” poderemos ajudar nossos irmãos com 
seus “argueiros”.
► AUXÍLIO TEOLÓGICO 2
“ ‘Não julgueis para que não sejais jul­
gados’ (Mt 7.1). Aqui, ‘julgar’ não é ‘avaliar’, 
mas ‘condenar’ ou ‘criticar’ . Como o relacio­
namento de cada cristão com Deus é ‘se-
ereto’, não temos nenhuma base para julgar 
os motivos ou as convicções [íntimas] dos 
outros, nem mesmo seus fracassos e suas 
fraquezas. Se desejarmos ser críticos, deve­
mos ser críticos de nós mesmos. Existe uma 
diferença entre essa advertência e o chama­
do de Paulo para que a igreja discipline os 
pecadores (1 Co 5.1-12). Quando um crente 
professante insiste em um comportamen­
to que a Bíblia claramente identifica como 
sendo pecado, devemos concordar com as 
Escrituras e punir. Neste caso, nós não julga­
mos, mas concordamos com o julgamento 
da Palavra de Deus. Jesus estava falando, 
nesse texto de Mateus, sobre um espírito de 
crítica ou uma arrogância que nos leva a su­
por que temos o direito de julgar o coração 
dos outros. Não é isso. Assim como a verda­
deira natureza do nosso relacionamento com 
Deus é uma coisa ‘secreta’, também o é a 
verdadeira natureza do relacionamento dos 
outros [com Deus]. Aqueles que desejam 
ser bem-sucedidos vivendo no Reino atual 
de Cristo devem se proteger contra esse es­
pírito de crítica e de orgulho” (RICHARDS, 
Lawrence, Comentário Devocional da Bí­
blica. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p. 560).
3. E SE FÔSSEMOS JULGADOS 
PELA SEVERIDADE DE DEUS?
► 3.1. Uma reflexão muito importante.
Sempre quando precisarmos lidar com o pro­
blema de um irmão, um bom exercício para nós 
será fazer a seguinte reflexão: “E se fôssemos 
julgados pela severidade de Deus?”. Comentando 
esse texto de Mateus, que ora estudamos hoje, 
o teólogo britânico Matthew Henry, do século 
17, faz a seguinte e precisa reflexão: “O que 
faremos quando Deus se levantar (Jó 31.14)? 
O que seria de nós, se Deus fosse tão rigoroso 
e severo ao nos julgar como somos ao julgar 
os nossos irmãos? Se Ele fosse nos pesar na 
mesma balança? Podemos justamente espe­
rar que isso [julgar-nos com a mesma medida 
que julgamos os outros] venha a acontecer, se 
formos exagerados ao registrar o que nossos
irmãos fazem de errado. Nisso, como em outras 
coisas, o violento comportamento dos homens 
irá recair sobre suas próprias cabeças” (Comen­
tário Bíblico do Novo Testamento - Mateus a 
João, CPAD, pp.77-78).
► 3.2. Sobre dar “coisas santas” aos 
“cães” e “pérolas” aos “porcos”. O versículo
6 de Mateus 7 parece, à primeira vista, destoar 
completamente do assunto dos versículos 1 a 5 
e dos temas da bondade de Deus e dos falsos 
profetas, que são tratados a seguir, nos versículos 
de 7 a 20. Porém, isso é apenas uma impressão. 
O que Jesus afirma ali está intimamente ligado 
com o tema do juízo condenatório. Ao orientar 
seus discípulos a não lançarem “coisas santas” 
aos “cães” e “pérolas” aos “porcos”, para que 
estes não as “pisem” e depois voltem-se contra 
os discípulos para os “despedaçarem”, Jesus 
está querendo dizer que devemos ser pruden­
tes em nosso zelo contra o pecado. Em alguns 
casos - e isso significa que é importante ter 
discernimento para identificá-los -, convém não 
sair por aí aconselhando e exortando aqueles 
que realmente merecem censura (os religiosos 
hipócritas e pecadores de forma geral declara­
damente arrogantes e zombadores), porque isso 
poderá ser perda de tempo, uma vez que eles
í i
Se desejarmos 
ser críticos, 
devemos ser 
críticos de nós 
mesmos
55
| Discípulando Professor 4 |
poderão não dar ouvidos aos seus importantes 
conselhos e depois ainda se voltarão contra você, 
que só queria ajudá-los. Lançar uma pérola para 
um porco ou para um cão é como lançar uma 
pedra contra ele - isso só irá irritá-lo. Ou seja, 
em determinados casos, é melhor não perder 
tempo voltando-se para essa gente.
^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 3
“O fato de nos abstermos de julgar os 
outros, pois isso seria um grande pecado, 
não quer dizer que não devemos reprová 
-los, porque isso representa um grande de­
ver. E também pode ser uma forma de salvar 
uma alma da morte e de evitar que nossas 
almas participem da sua culpa. Agora, ob­
serve que nem todos estão aptos a censu­
rar. Aqueles que são culpados das mesmas 
faltas que acusam-nos outros, ou pior, que 
trazem vergonha sobre si mesmos, não são 
aqueles que têm a melhor condição de fa­
zer o bem àqueles que reprovam (Mt 7.3-5)” 
(HENRY, Matthew. Comentário Bíblico do 
Novo Testamento: Mateus a João. Rio de 
Janeiro: CPAD, 2010, p.80).
CONCLUSÃO
Que esse importante ensino de Jesus 
sobre o juízo condenatório possa ser aplicado 
em nossa vida, sábia e obedientemente, para 
que possamos nos conduzir com sabedoria no 
relacionamento com o nosso próximo. Esses 
conselhos do Mestre são “pérolas” que seriamos 
absolutamente tolos em desprezar. Se assim o 
fizéssemos, seriamos como os “porcos” e “cães” 
de sua fala. Deus, porém, pela sua graça, nos 
deu discernimento para entender e apreciar o 
valor das “pérolas” do Evangelho!.
APROFUNDANDO-SE
‘“ Não deis aos cães as coisas santas’ (Mt
7.6). [...] Quem iria curar e ajudar aqueles
que não desejam ser curados e ajudados?
[...] Não é apropriado tirar o pão das crian­
ças para lançá-lo aos cães. No entanto, 
devemos ser cuidadosos com quem con­
denamos como ‘cão’ ou ‘porco’, e não 
fazê-lo antes de um cuidadoso julgamento 
e somente com evidências indiscutíveis. 
Muitos pacientes são perdidos, quando são 
assim considerados. Se os devidos meios 
tivessem sido usados, eles poderiam ter 
sido salvos. Da mesma forma que devemos 
ter cuidado para não chamarmos o bom de 
mau, julgando todos os ensinadores como 
hipócritas; devemos também prestar aten­
ção para não chamarmos os desesperados 
de maus, julgando que todos os iníquos 
sejam ‘cães’ e ‘porcos’” (HENRY, Matthew. 
Comentário Bíblico do Novo Testamento
- Mateus a João. Rio de Janeiro: CPAD,
2013, p.81).
u
Deus, porém, 
pela sua graça, 
nos deu discer­
nimento para 
entender e 
apreciar o valor 
das “pérolas” 
do Evangelho!
53
78 | Discipulando Professor 4 |
SUGESTÃO 
DE LEITURA
► Quem é Você para Julgar
Como podemos nos precaver do farisaísmo, 
de um lado, e da credulidade descuidada, de 
outro? Como saber o que deve ser julgado 
e como os julgamentos devem ser feitos? 
Quais são os parâmetros para nos guiar?
Neste livro, você encontrará resposta para 
essas e outras perguntas e se tornará um 
cristão vigilante e de alto-impacto que ama 
a verdade e está disposto a viver por ela, 
mesmo com grande custo pessoal.
► Faces do Perdão
Os autores F. LeRon Schuts e Steven J. 
Sandage, teólogo e psicólogo respectiva­
mente, ao escreverem Faces do Perdão, se 
preocuparam em estudar o significado de 
perdão e como as pessoas o praticam em 
sua cultura.
R. O de que uma pessoa não pode chamar 
a atenção de outra por ter cometido o mesmo 
erro que ela cometeu, a não ser que chame 
a sua atenção particularmente, e em amor, e 
reconhecendo, antes de qualquer palavra, o 
seu próprio erro. E se seu próprio erro ainda 
não foi resolvido, que ela resolva antes o seupróprio erro antes de querer cuidar dos erros 
das outras pessoas.
3 . Qual o propósito do autoexame que o cris­
tão deve praticar com frequência em sua vida?
R. O cristão deve sempre avaliar a sua 
própria vida, pedindo a Deus que o ajude nessa 
avaliação, para que possa acertar os seus passos, 
aperfeiçoando sua vida espiritual.
4. O que são as “pérolas” e “coisas santas” 
de que fala Jesus?
R. Os conselhos do Evangelho..
5. Quem são os “porcos” e “cães”?
R. ímpios zombadores, arrogantes, escar- 
necedores, que rejeitam deliberadamente os 
conselhos do Evangelho e se voltam contra os 
servos de Deus que querem lhes ajudar.
VERIFIQUE O SEU
APRENDIZADO
1 . Que tipo de julgamento Jesus está con­
denando?
R. Jesus está condenando uma disposição 
doentia à crítica, e uma crítica condenatória. 
Ele está condenando a crítica injusta, o falar 
mal dos outros, bem como a crítica arrogante, 
maldosa, destrutiva.
2. Que princípio ético Jesus está estabele­
cendo ao usar as figuras do argueiro e da trave 
nos olhos?
► “De certo modo, os apóstolos e os profetas 
eram sua fundação (Ef 2.20), os represen­
tantes autorizados por Jesus Cristo para 
completar a revelação de sua Palavra ao seu 
povo. Nesse sentido básico do apostolado, 
não poderia haver sucessão dos apóstolos 
depois daqueles que haviam testemunhado 
o ministério e a ressurreição do Senhor 
Jesus (At 1.21,22) [...]” (Dicionário Bíbli­
co Wycliffe. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, 
p.952).
| Discipulando Professor 4 |
Data
___ / ___ /
a Bondade
de D6US e os
falsos profetas
TEXTO BÍBLICO BASE
Mateus 7.7-20
7 - Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e encontrareis;
batei, e abrir-se-vos-á.
8 - Porque aquele que pede recebe; e o que
busca encontra; e, ao que bate, se abre.
9 - E qual dentre vós é o homem que, pedindo-
lhe pão o seu filho, lhe dará uma pedra?
10 - E, pedindo-lhe peixe, lhe dará uma ser­
pente?
11 - Se, vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas 
coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso 
Pai, que está nos céus, dará bens aos que 
lhe pedirem?
12 - Portanto, tudo o que vós quereis que os 
homens vos façam, fazei-lho também vós, 
porque esta é a lei e os profetas.
13 - Entrai pela porta estreita, porque larga é a 
porta, e espaçoso, o caminho que conduz à 
perdição, e muitos são os que entram por ela;
14 - E porque estreita é a porta, e apertado, o 
caminho que leva à vida, e poucos há que 
a encontrem.
15 - Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, 
que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas 
interiormente são lobos devoradores.
16 - Por seus frutos os conhecereis. Porventura, 
colhem-se uvas dos espinheiros ou figos 
dos abrolhos?
17 - Assim, toda árvore boa produz bons frutos, 
e toda árvore má produz frutos maus.
18 - Não pode a árvore boa dar maus frutos, 
nem a árvore má dar frutos bons.
19 - Toda árvore que não dá bom fruto corta-se 
e lança-se no fogo.
20 - Portanto, pelos seus frutos os conhecereis.
MEDITAÇÃO
Misericordioso e piedoso é o Senhor; lon- 
gânimo e grande em benignidade. (S1103.8)
REFLEXÃO BÍBLICA DIÁRIA
► SEGUNDA - Salmos 103.1-22
► TERÇA - Êxodo 34.5-7
► QUARTA - Jeremias 33.3
► QUINTA - Mateus 24.11,24
► SEXTA- 2 Pedro 2.1-8
► SÁBADO -1 João 2.3-6
80 | Discipulando Professor 4 |
ORIENTAÇÃO AO
PROFESSOR
INTERAGINDO.COM O ALUNO
Enfatize aos seus alunos a seriedade do 
Evangelho. Cristo não pregou uma mensagem 
que abria espaço para um meio-termo. Muito 
pelo contrário, a Boa Notícia do Evangelho é 
apresentada como sendo a única alternativa 
para o ser humano. A mensagem do Evangelho 
é uma mensagem de amor, graça e misericórdia 
da parte de Deus em favor dos seres humanos, 
mas também é uma conclamação para que o 
ser humano se arrependa dos seus pecados e 
volte-se totalmente para Deus, que está sempre 
pronto para recebê-lo enquanto ainda há vida 
e a porta da graça não se fecha.
► Enfatizar que o Evangelho fala claramen­
te de dois caminhos, logo não há meio 
termo quando o assunto é a salvação;
► Esclarecer aos seus alunos como eles 
podem identificar um falso profeta e o 
perigo que é ser enganado por esse tipo 
de gente.
Explique-lhes também o perigo das seitas, 
dos falsos mestres, daqueles que se apresen­
tam com uma aparência de piedade, mas na 
verdade são lobos devoradores. Mostre-lhes 
como identificar um falso profeta e incentive 
-os a não temerem o espírito relativista deste 
mundo, mas proclamarem a mensagem do 
Evangelho, com toda a sua clareza e impacto 
natural sobre a vida das pessoas. Lembre-os 
que assim como o Evangelho um dia os alcan­
çou, Deus quer alcançar outras vidas também 
pela instrumentalidade deles.
OBJETIVOS
Na lição de hoje, sua aula deve 
alcançar os seguintes alvos:
► Conscientizar seus alunos de que vale a 
pena perseverar em oração porque nos­
so Pai celestial é bom, nos ouve e quer o 
nosso bem;
PROPOSTA PEDAGÓGICA
Uma sugestão interessante para esta 
aula, na sua parte final, quando o tema são 
os falsos profetas, é elencar no quadro uma 
série de características dos falsos profetas, 
e de seus seguidores, encontradas na Bíblia 
e explicar cada uma dessas características. 
0 Auxílio Teológico 3 da lição de hoje traz 
uma lista, feita pelo teólogo Donald Stamps, 
trazendo algumas dessas características 
que poderiam ser apresentadas e expli­
cadas em sala de aula. Com certeza, essa 
sugestão deve enriquecer mais a sua aula 
e torná-la ainda mais interessante aos seus 
alunos, uma vez que se espera que eles es­
tejam, devido à seriedade e à importância 
do assunto, interessados em identificar bem 
qualquer falso profeta e evitar caírem no en­
gano como muitos já caíram na história e es­
tão caindo ainda hoje.
| Discipulando Professor 4 |
COMENTÁRIO | INTRODUÇÃO
Na lição de hoje, começaremos a ver a 
parte final do Sermão da Montanha. Aqui, Je­
sus se aproxima do final de sua exposição. Ele 
fala sobre a bondade de Deus e, em seguida, 
introduz o desfecho do sermão, conclamando 
seus ouvintes a tomarem uma decisão.
Depois de tudo o que falou, fica claro 
que só há dois caminhos, duas portas, duas 
alternativas: uma leva,à perdição e a outra, à 
salvação. Não há meio-termo: ou você está em 
um caminho ou você está no outro.
Para reforçar o seu alerta sobre o falso 
caminho, Jesus fala dos falsos profetas e como 
identificá-los para não sermos enveredados 
pelo caminho da perdição. Atentemos, pois, 
aos alertas de Jesus.
1. DEUS É BOM
► 1.1. “Pedi e dar-se-vos-á”. Em pri­
meiro lugar, Jesus inicia essa parte falando 
sobre a bondade divina. A bondade de Deus 
é manifestada em nossa vida, não apenas na 
bênção da salvação e no seu cuidado diário 
por nós, mas também em sua disposição em 
nos abençoar. Sim, Ele é galardoador dos que 
o buscam (Hb 11.6). Mas nem sempre o bus­
camos como deveríamos; ou, então, às vezes, 
pedimos coisas que pensamos que serão para 
o nosso bem, quando, na verdade, não serão. 
Ou seja, pedimos mal (Tg 4.3). A Bíblia diz que 
Deus só atenderá àquilo que estiver dentro de 
sua vontade (1 Jo 5.14), que é boa, perfeita e 
agradável (Rm 12.2). Confiemos! Ele sabe o 
que é melhor para as nossas vidas.
► 1.2. “Pedir”, “buscar” e “bater”. Je­
sus usa esses três verbos em seqüência para 
descrever a atitude dos seus discípulos em 
relação à oração. Eles deveriam colocar os 
pedidos nesta ordem dramática crescente: 
primeiro, pede; depois, busca; por fim, bate.
Buscar é uma atitude mais fervorosa 
ainda que pedir; e bater já é um ato de maior 
dramaticidade, quase de desespero. Em outras 
palavras, Jesus está dizendo aqui: “Não pare 
de clamar! Peça”.
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Buscar é uma 
atitude mais 
fervorosa 
ainda que 
pedir; e bater 
já é um ato de 
maior dramati­
cidade, quase 
de desespero. 
Em outras 
palavras, 
Jesus estádizendo aqui: 
“Não pare de 
clamar! Peça” .
53
82 | Discipulando Professor 4
Ora, por que Deus, às vezes, adia a 
chegada das respostas que pedimos? Muitas 
vezes porque ainda não é a hora de receber­
mos e também porque durante o processo em 
que continuamos a pedir a Ele pela bênção, 
o Altíssimo aperfeiçoará a nossa vida, para 
que finalmente quando a bênção chegar, es­
tejamos em condições de recebê-la. Dessa 
forma, a oração não é apenas um meio para 
recebermos algo de Deus, mas também um 
dos meios pelos quais Deus nos prepara para 
recebermos o que precisamos.
► 1.3. A certeza da bondade de Deus 
estimula nossa perseverança. Deus é bom 
e, por isso, podemos nos aproximar dEle com 
confiança, pelos méritos de Cristo, como seus 
filhos, e pedirmos a Ele com humildade o que 
precisarmos. É isso que Jesus afirma. Ele 
estimula os seus discípulos a perseverarem 
em oração, pedindo a Deus o que precisam, 
justamente porque eles podem ter certeza de 
que Deus deseja abençoá-los (Mt 7.7-11). O Pai 
Celestial nos ouvirá justamente porque Ele nos 
ama. Se até mesmo um pai, aqui na terra, por 
mais imperfeito que seja, não daria pedra ao 
seu filho que pede um peixe, muito mais o Pai 
Celestial, que é bom e perfeito, dará a seus 
filhos, a quem ama, o que realmente precisam 
e pedem a Ele (Mt 7.11).
► 1.4. A “Regra de Ouro”. Jesus encerra 
seu ensino sobre a bondade divina manifestada 
através da sua busca em oração pelo crente 
com o que tradicionalmente ficou conhecido 
como “A Regra de Ouro”: “Portanto, tudo o 
que vós quereis que os homens vos façam, 
fazei-lho também vós” (Mt 7.12). E Ele ainda 
acrescenta que esse princípio sintetiza toda “a 
lei e os profetas” - ou seja, resume todos os 
preceitos morais do Antigo Testamento. Esse 
princípio, claro, ainda é válido para nós hoje. A 
prática cristã não é nada menos do que isso.
► AUXÍLIO TEOLÓGICO 1
“ Havia falsos profetas nos tempos do 
Antigo Testamento. Jesus prediz a vinda de 
‘falsos cristos e falsos profetas’ (Mt 24.24)
que desviarão a muitos. No tempo deter­
minado, eles surgirão como se fossem an­
jos de luz, assim como Satanás faz. Entre 
eles haveria judaizantes (2Co 11.13-15) e 
protognósticos (1 Tm 4.1; 1 Jo 4.1). No mo­
mento em que Jesus falava, já existiam os 
falsos profetas (At 13.6; 2Pe 2.1). Por fora, 
parecem ‘ovelhas’, mas por dentro são ‘lo­
bos devoradores’, ávidos pelo poder, ganho 
e orgulho. É uma tragédia que tais homens e 
mulheres tenham reaparecido ao longo dos 
séculos e sempre encontrem vítimas. Lobos 
são mais perigosos do que cães e porcos” 
(ROBERTSON, A. T. Comentário Mateus & 
Marcos à Luz do Novo Testamento Grego. 
Rio de Janeiro: CPAD, 2011, p.93).
2. ELE NOS OFERECE A 
ESCOLHA DE DOIS CAMINHOS
► 2.1. Os dois caminhos e as duas 
portas. Já iniciando o final do seu sermão, 
Jesus conclama seus discípulos e ouvintes de 
forma geral a tomarem a decisão certa. E para 
descrever a importância dessa decisão e os 
perigos de confundi-la, Jesus usa a imagem 
dos dois caminhos, que já fora usada antes 
no Antigo Testamento (SI 1; Jr 21.8), sendo 
que agora Ele acrescenta também as duas 
portas: o caminho para perdição é espaçoso 
e sua porta é larga, e o caminho para salvação 
é apertado e sua porta é estreita (Mt 7.13,14).
► 2.2. Renúncia. Esses dois caminhos e 
essas duas portas significam que o caminho 
para salvação exige renúncia, enquanto o 
caminho da perdição, não. Como bem define 
o teólogo Myer Pearlman, “o caminho espa­
çoso é um caminho onde não há necessidade 
de grande esforço para andar nele. Basta 
abandonar-se à turba e ser levado por ela. 
O homem, como criatura [espiritualmente] 
caída, tende para o mal. E, satisfeito consigo 
mesmo, consentindo nos costumes egoístas 
da sociedade e no hábito do mal refinado, 
deixando-os correr livremente, será levado
| Discipulando Professor 4 |
por maligna correnteza à morte eterna. O 
caminho é largo, porque ali se acham aqueles 
entregues aos prazeres, sensuais, céticos, 
ateus e criminosos. A destruição é o seu fim, 
este determinado pela natureza do caminho. O 
resultado lógico e inevitável será a destruição 
da fé, do amor, da esperança e do caráter. 
O fim do caminho é a dor da condenação 
final da parte de Deus e o eterno banimento 
de sua presença” (Mateus: O Evangelho do 
Grande Rei, CPAD, p.41).
A expressão “porta” dá a ideia de início, 
entrada. Logo, isso quer dizer que não só o 
caminho para a perdição é espaçoso, como 
a entrada a esse caminho é larga, cheia de 
facilidades. Já a porta da salvação é estreita e 
o caminho, apertado, pois exigem renúncia. O 
resultado natural disso, como afirma o próprio 
Jesus, é que poucos são os que tomam o ca­
minho certo, e muitos são os que se perdem 
pelo caminho destrutivo das facilidades.
^ AUXÍLIO DIDÁTICO 2
“Falsos profetas ‘podem enganar algu­
mas pessoas o tempo todo, e todas as pes­
soas por algum tempo, mas não todas as 
pessoas o tempo todo’. Nosso Senhor ensi­
na-nos a como reconhecê-los (Mt 7.15-18). 
O fruto corresponde à árvore. A verdadeira 
obra é produto do ser. De modo que, mais 
cedo ou mais tarde, a natureza do falso pro­
feta há de se revelar. Pode parecer verdadei­
ro no começo, mas os efeitos (frutos) do seu 
ministério - a vida ou a doutrina manchada - 
o trairão (At 8.13,18,23)” (PEARLMAN, Myer. 
Mateus: O Evangelho do Grande Rei. Rio de 
Janeiro: CPAD, 1995, p.43),
3. A MENTIRA DOS 
FALSOS PROFETAS
► 3.1. Os falsos profetas. Após alertar 
sobre os dois caminhos, Jesus alerta sobre
os falsos profetas, que são guias para o falso 
caminho; são enganadores, falsos mestres, 
lobos em pele de ovelha. E lobos devoradores 
(Mt 7.15b) - ou seja, seu estrago é grande no 
meio do rebanho que o acolhe, que lhe dá 
ouvidos. Mas, como identificá-los? Como ter 
certeza de que estamos na frente de um falso 
profeta e não de um homem de Deus? Jesus 
usou um critério bastante simples para isso: 
o das duas árvores.
► 3.2. “Por seus frutos os conhecereis”: 
os dois tipos de árvores. Segundo Jesus, 
uma das melhores formas de identificar o falso 
profeta é analisar os seus frutos. Uma árvore 
boa não produzirá frutos maus, e uma árvore má 
não produzirá frutos bons. Árvore má? Frutos 
maus. Árvore boa? Frutos bons. Os frutos, aqui, 
representam a conduta, as obras, as ações, as 
atitudes das pessoas. Isto é, os falsos profetas 
serão facilmente identificados quando olharmos 
não para suas palavras lisonjeiras, mas para 
suas atitudes, suas ações, sua forma de ser. 
“Pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7.19).
► 3.3. “Corta-se e lança-se no fogo”. O
final do falso profeta e de seus seguidores é a 
condenação eterna. As palavras de Jesus aqui 
são claras: “toda a árvore que não dá bom fruto” 
terá inevitavelmente esse fim (Mt 7.19). A não ser 
que haja arrependimento e volta genuína para 
Deus, todos que tomam esse caminho serão 
condenados para sempre. Eis a seriedade e o 
cuidado que devemos ter com falsos ensinos 
e falsos mestres, que muitas vezes aparecem 
com uma áurea de piedade absolutamente 
falsa, enganando a muitos. Devemos conhe­
cer bem a Palavra de Deus, buscar de Deus 
o discernimento espiritual e estarmos atentos 
para os frutos da pessoa para nos certificar de 
que não estamos sendo enganados.
^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 3
“Os falsos mestres exteriormente pa­
recem justos, mas ‘interiormente são lobos
84 | Díscipulando Professor 4 |
devoradores’ (Mt 7.15). Eles devem ser iden­
tificados pelos seus ‘frutos’. Os ‘frutos’ dos 
falsos mestres consistem, principalmente, 
no caráter dos seus seguidores (1 Jo 4.5,6). 
O falso mestre produzirá discípulos que ma­
nifestarão as seguintes características: (1) 
Serão cristãos professos, cuja lealdade é 
dedicada mais a indivíduos do que à Palavra 
de Deus (Mt 7.21); honram e servem a cria­
tura mais do quêao seu Criador (Rm 1.25); 
(2) serão seguidores que se ocupam mais 
com seus próprios desejos do que com a 
glória e a honra de Deus. Sua doutrina será 
mais antropocêntrica do que teocêntrica (Mt 
7.21-23; 2 Tm 4.3); (3) serão seguidores que 
aceitam doutrinas e tradições dos homens, 
mesmo que isso contradiga a Palavra de 
Deus (Mt 7.24-27; 1 Jo 4.6); (4) serão se­
guidores que buscam mais as experiências 
religiosas e as manifestações sobrenaturais 
do que a Palavra de Deus e seus padrões de
a
Uma árvore 
boa não pro­
duzirá frutos 
maus, e uma 
árvore má não 
produzirá 
frutos bons
35
justiça; a sua experiência religiosa ou mani­
festações espirituais são a sua autoridade 
final quanto à autenticidade da verdade (Mt 
7.22,23), e não todo o conselho da Pala­
vra de Deus; (5) serão seguidores que não 
suportarão a são doutrina, mas procurarão 
mestres que lhes ofereçam a salvação, em 
conjunto com o caminho largo da injustiça 
(Mt 7.13,14,23; 2 Tm 4.3)” (STAMPS, Donald 
(Ed.). Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de 
Janeiro: CPAD, 2005, p.1399).
CONCLUSÃO
No mundo de hoje, reina o relativismo. 
As pessoas não gostam muito de definições 
claras, de certo e errado, bom e mal. Tudo é 
muito turvo, impreciso. Porém, o Evangelho é 
diferente: há bem e mal, certo e errado, céu 
e inferno, acerto e erro, luz e trevas. Há dois 
caminhos, duas portas, duas alternativas. Cabe 
a nós tomarmos o caminho certo, entrarmos 
pela porta certa e permanecermos nesse ca­
minho. Mas, não só isso. Não tenhamos receio 
de pregar a mensagem objetiva do Evangelho 
a este mundo de incertezas, de indefinições, 
de flexibilidade moral, de valores invertidos. A 
luz do Evangelho tem o poder de dissipar as 
trevas e trazer para a luz todos aqueles que 
estavam profundamente imersos nelas.
APROFUNDANDO-SE
“Uma cédula falsificada pode trabalhar 
muito enquanto passa de mão em mão, 
comprando coisas boas. Mas toda a sua 
utilidade não a salvará da destruição 
quando o caixa do banco declarar: ‘É 
falsa!’. É possível ao homem de falso cora­
ção fazer certas coisas boas. Pode-se até 
perceber edificação pela sua mensagem, 
porque Deus honra a sua Palavra. Mas a 
pregação não o salvará da sentença do 
Juiz: ‘Apartai-vos de mim, vós que pra- 
ticais a iniqüidade!’. Mais cedo ou
Discipulando Professor 4
u mais A
'Ú M
tarde, o verdadeiro caráter de cada um 
será revelado. A árvore boa produz bons 
frutos; a árvore má, frutos maus. 0 que se 
pode fazer por alguém que reconhece ser 
árvore má e deseja ser mudado? Cristo 
enxertado na vida altera o caráter do ho­
mem, e esta alteração produzirá nova con­
duta. Cristo não somente salva, mas salva 
totalmente, transformando pensamentos 
e intuitos do coração” (PEARLMAN, Myer. 
Mateus: O Evangelho do G rande Rei. 
Rio de Janeiro: CPAD, pp.43-44).
SUGESTÃO 
DE LEITURA
 ^ Assim diz o Senhor?
Se você deseja conhecer mais a Deus, se 
já recebeu uma profecia ou se foi usado no 
ministério profético, então este livro é para 
você!
► A Sedução das Novas Teologias
Neste livro, você vai perceber como os 
princípios da pós-modernídade estão inva­
dindo as igrejas e afetando negativamente 
a Teologia. Talvez você já tenha entrado em 
contato com alguns ensinos e propostas 
como Igreja Emergente, Teísmo Aberto, 
Teologia Quantíca, Ortodoxia Generosa e 
com o chamado evangelho da auto-ajuda, 
mas nem saibia do que se tratavam. Por 
isso, é necessário despertar a igreja para a 
necessidade de uma fé ortodoxa, engajada 
e sob o poder do Espírito para vencer os 
desafios do nosso tempo.
C.. Qual é a chamada “Regra de Ouro” , ensi­
nada por Jesus?
R. O resumo do espírito da lei e dos profetas 
proferido por Jesus: “Portanto, tudo o que vós 
quereis que os homens vos façam, fazei-lho 
também vós” (Mt 7.12).
3 . O que significam os caminhos apertado e 
espaçoso, e as portas estreita e larga, citadas 
por Jesus?
R. Significam que o caminho para salvação 
exige renúncia, enquanto o caminho da per­
dição, não. A expressão “porta” dá a ideia de 
início, entrada. Logo, ela quer dizer que não só 
o caminho para a perdição é espaçoso, como 
a entrada para esse caminho é larga, cheia de 
facilidades. Já a porta da salvação é estreita 
e o caminho, apertado, pois exigem renúncia.
4 . Como identificar um falso profeta?
R. Pelos seus frutos: obras, ações, atitudes.
5. Qual será o destino do falso profeta e de 
seus seguidores?
R. A condenação eterna (Mt 7.19).
VERIFIQUE O SEU
APRENDIZADO
1 . 0 que Jesus invocou como base para nossa 
perseverança em oração?
R. A bondade do Pai celestial.
“A Regra de Ouro havia sido declarada de forma 
negativa antes da vinda de Cristo. Confúcío dis­
se: ‘Não faça aos outros o que você não gostaria 
que fizessem a você’. Os mestres judeus tinham 
um ditado similar. Mas, é geralmente reconhe­
cido que Jesus foi o primeiro a apresentá-lo de 
uma forma positiva. Isso é algo muito diferente. 
Deixar de ferir é uma coisa; estender uma mão 
para ajudar é outra. Esta atitude positiva é 
ilustrada pela Parábola do Bom Samaritano (Lc 
10.30-35)” (Comentário Bíblico Beacon. vol.6. 
Rio de Janeiro: CPAD, 2006, pp.68-9).
86 | Discipulando Professor 4 |
/ /
JeSUS é a 
nossa identidade
TEXTO BÍBLICO BASE
Mateus 7.21-29
21 - Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! 
entrará no Reino dos céus, mas aquele que 
faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.
22 - Muitos me dirão naquele Dia: Senhor, Se­
nhor, não profetizamos nós em teu nome? 
E, em teu nome, não expulsamos demô­
nios? E, em teu nome, não fizemos muitas 
maravilhas?
23 - E, então, lhes direi abertamente: Nunca 
vos conheci; apartai-vos de mim, vós que 
praticfis a iniqüidade.
24 - Todo aquele, pois, que escuta estas minhas 
palavras e as pratica, assemelhá-lo-ei ao 
homem prudente, que edificou a sua casa 
sobre a rocha.
25 - E desceu a chuva, e correram rios, e asso- 
praram ventos, e combateram aquela casa, 
e não caiu, porque estava edificada sobre 
a rocha.
26 - E aquele que ouve estas minhas palavras 
e as não cumpre, compará-lo-ei ao homem 
insensato, que edificou a sua casa sobre 
a areia.
27 - E desceu a chuva, e correram rios, e asso- 
praram ventos, e combateram aquela casa, 
e caiu, e foi grande a sua queda.
28 - E aconteceu que, concluindo Jesus este 
discurso, a multidão se admirou da sua 
doutrina,
29 - porquanto os ensinava com autoridade e 
não como os escribas.
MEDITAÇÃO
Pelo que, rejeitando toda imundícia e acúmu­
lo de malícia, recebei com mansidão a palavra 
em vós enxertada, a qual pode salvar a vossa 
alma. (Tg 1.21)
REFLEXÃO BÍBLICA DIÁRIA
► SEGUNDA - Tiago 1.21 -27
► TERÇA - 2 Pedro 2.17-22
► QUARTA - 1 João 2.3-6
► QUINTA-1 João 2.18,19
► SEXTA - Colossenses 3.12
► SÁBADO - Mateus 24.24,25
| Discipulando Professor 4
ORIENTAÇÃO AO
PROFESSOR
INTERAGINDO COM O ALUNO
Ao final desta última revista de Discipu- 
lando, chame a atenção de seus alunos para 
a exortação final de Jesus em seu Sermão da 
Montanha para que seus discípulos vivam de 
acordo com a fé que afirmam professar. Fale 
sobre a importância do compromisso com os 
valores do Reino de Deus, sobre a importância 
de ter uma vida totalmente orientada pelos 
princípios do Evangelho, esposados na Bíblia 
Sagrada, nossa única regra de fé e prática.
Como trata-se da última lição, você pode 
aproveitar para rememorar resumidamente 
alguns pontos do ensino de Jesus no Sermão 
da Montanha e enfatizar o compromisso firme 
que devemos ter de encarnar esses valores em 
nosso dia a dia.
Conclua a lição exaltando a pessoa de 
Cristo como o nosso grande exemplo, nosso 
modelo a ser perseguido, o “manequim” de 
nossa fé, o alvo da nossa vocação, Aquele a 
quem devemos imitar todos os dias como filhos 
do Reino. E não se esqueça deressaltar tam­
bém a recompensa divina que receberão todos 
aqueles que fazem de Cristo o Senhor, modelo 
e alvo de suas vidas.
OBJETIVOS
Na lição de hoje, sua aula deve 
alcançar os seguintes objetivos:
► Deixar claro aos seus alunos o perigo de 
uma falsa profissão de fé em Jesus;
> Explicar a necessidade de vivermos uma 
vida sobre fundamento verdadeiro;
► Conscientizar seus alunos que Cristo é 
o nosso grande modelo, o exemplo a ser 
seguido, a nossa identidade, como filhos 
do Reino.
PROPOSTA PEDAGÓGICA
Conscientize seus alunos a não se dei­
xarem guiar por um tipo de cristianismo bas­
tante popular hoje em dia, que professa fé em 
Jesus, mas não tem compromisso algum com 
o Evangelho de Cristo. Você não precisa ne­
cessariamente citar o nome de celebridades 
ou pessoas famosas de hoje que se dizem 
cristãos, mas não vivem de fato o Evangelho. 
Basta você mencionar, hipoteticamente, algu­
mas incoerências bastante comuns na vida da­
queles que, nos dias de hoje, seguem um falso 
evangelho, um evangelho que não é realidade 
em suas vidas. O objetivo dessa explanação 
é destacar a seus alunos mais uma vez, e de 
forma enfática, a necessidade de vivermos o 
Evangelho e não apenas professá-lo e pregá 
-Io. Portanto, nada melhor do que, através des­
ses exemplos hipotéticos inspirados na reali­
dade, ilustrar de forma prática e contextualiza- 
da a mensagem de Jesus para os nossos dias.
88 Discipulando Professor 4
COMENTÁRIO | INTRODUÇÃO
Para fechar com chave de ouro o seu ser­
mão, o Mestre apresenta uma ilustração clara 
e contundente sobre a obediência à Palavra de 
Deus como o verdadeiro teste do discipulado 
cristão (Mt 7.24-29). Isto é, nessa parte final 
do Sermão da Montanha, encontramos uma 
síntese de toda a sua mensagem e um alerta 
sobre a necessidade de vivermos de fato a 
mensagem do Evangelho do Reino de Deus.
1. A CONDENAÇÃO 
DOS FALSOS PROFETAS
► 1.1. Uma falsa profissão de fé. Jesus 
é claro: não adianta termos uma profissão 
de fé correta; é preciso viver conforme essa 
profissão de fé correta (Mt 7.21), e isso só é 
possível quando permitimos que a mensagem 
da Palavra de Deus se torne uma realidade em 
nossa vida (Tg 1.21), inclusive buscando todos 
os dias a presença do Espírito Santo para nos 
ajudar cotidianamente a viver as verdades do 
Evangelho (Fp 2.13). Jesus disse: “Nem todo o 
que me diz ‘Senhor! Senhor!’...”. Ou seja, não 
basta chamar Jesus de “Senhor”; é preciso 
também viver como se Ele fosse realmente 
Senhor de nossas vidas.
1.2. Operação de milagres não é tudo.
Jesus enfatiza aos seus discípulos e à multidão 
que o ouvia (Mt 7.28) que nem mesmo milagres 
são comprovação definitiva de um verdadeiro 
discipulado cristão. Os milagres fazem, sim, 
parte da vida cristã, entretanto, eles não po­
dem ser considerados a prova definitiva. Jesus 
afirma que é possível alguém efetuar milagres, 
até mesmo em nome dEle, se apresentando 
como porta-voz do Reino de Deus, mas mesmo 
assim serem falsos discípulos, porque eles 
não fazem “a vontade do Pai, que está nos 
céus” (Mt 7.21). Mas “praticam a iniqüidade” 
(Mt 7.22,23). Pois como Jesus disse: “Por seus 
frutos o conhecereis” (Mt 7.16).
1.3. Sem comunhão com Deus. Jesus 
afirma que, infelizmente, muitos, e não pou­
cos, tomarão o caminho do falso discipulado: 
“Muitos me dirão naquele Dia...” (Mt 7.22). Ele 
afirma também que tais pessoas nunca foram 
realmente “conhecidas” por Ele: “Nunca vos 
conheci...” (Mt 7.23). O verbo “conhecer” aqui, 
como em muitas outras passagens da Bíblia, 
significa ter um relacionamento íntimo, estar 
em comunhão pessoal com alguém. Logo, 
o que Jesus está declarando é que não há 
relacionamento entre Jesus e um falso discí­
pulo. Só há comunhão entre Cristo e os seus 
verdadeiros discípulos.
1.4. A condenação dos falsos discípulos 
e profetas. Jesus é igualmente claro sobre a 
condenação daqueles que são falsos discípulos 
e/ou profetas: “Apartai-vos de mim, vós que 
praticais a iniqüidade” (Mt 7.23). Enquanto 
estamos vivos há tempo de consertarmo-nos 
com Deus. Porém, se desperdiçarmos essa 
oportunidade e morrermos em duplicidade de
u
[...] não basta 
chamar Jesus 
de “Senhor”;
é preciso 
também viver 
como se Ele 
fosse realmente 
Senhor de 
nossas vidas.
J5
j Discipulando Professor 4 |
vida, vivendo descarada e deliberadamente 
um falso evangelho, nosso destino será a 
separação eterna de Deus.
► AUXÍLIO DIDÁTICO 1
“Os discípulos não serão julgados pelo 
que dizem (‘Senhor, Senhor’) ou pelas ma­
ravilhas que fazem, mas pelo caráter viven- 
ciado neste mundo (veja também a Parábola 
das Ovelhas e Bodes em Mateus 25.31-46). 
Jesus sustenta que misericórdia dada será 
recebida com misericórdia (Mt 5.7; 6.14). 
[...] A expressão ‘naquele dia’ (Mt 7.22) re- 
fere-se ao dia do julgamento (Mt 24.36; Lc 
10.12). Repare também na característica 
de Mateus: ‘Reino dos Céus’ (Mt 7.21). [...] 
Este ‘governo de Deus’ requer atos de mi­
sericórdia como sinal de que a misericórdia 
de Deus foi recebida no coração, pois o seu 
Reino de misericórdia visa a dar o perdão 
jurídico bem como transformar a natureza, 
disposição e caráter daquele que o recebe” 
(ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Ro- 
ger (Eds.). Comentário Bíblico Pentecos­
tal Novo Testamento. 1.ed. Rio de Janeiro: 
CPAD, 2003, p. 62).
2. EM QUE ESTAMOS 
ALICERÇADOS?
► 2.1. O homem insensato e o homem 
prudente. Como desfecho do seu célebre 
sermão, Jesus usa mais uma ilustração, onde 
Ele fala de um homem insensato e de um ho­
mem sábio. O insensato é aquele que edificou 
a sua casa sobre a areia (Mt 7.26), e o homem 
prudente é aquele que edificou a sua casa 
sobre a rocha (Mt 7.24); ou seja, todo aquele 
que não pratica, ou não cumpre o Evangelho
- isto é, não o vive -, é um verdadeiro tolo, 
pois conhece a verdade, mas não a aplica 
em sua vida, de maneira que está semeando 
condenação para si. O prudente é aquele que, 
conhecendo a verdade, teme e aplica-a sábia 
e obedientemente à sua vida. Este nunca será
90 | Discipulando Professor 4 |
abalado pelas circunstâncias (2 Co 4.8,9), 
porque ele está firmado em Jesus, de maneira 
que Cristo vive nele (2 Co 4.10).
2.2. Duas casas, dois fundamentos. Nessa 
ilustração de Jesus, as duas casas representam 
a nossa vida; e se guardar a Palavra de Deus 
é ser edificado sobre a rocha e o oposto é ser 
edificado sobre a areia, isso significa dizer 
que ser edificado sobre a rocha representa 
edificar a vida verdadeiramente sobre a Palavra 
de Deus, e ser edificado sobre a areia é, por 
sua vez, edificar a vida sobre um fundamento 
falso, sobre uma falsa confissão de fé, sobre 
uma vida de incoerência e desobediência à 
Palavra de Deus.
2.3. Vencendo as tempestades da 
vida. Agora, Jesus afirma que as duas casas 
sofreram as mesmas intempéries. Tanto a 
casa edificada sobre a areia quanto a casa 
edificada sobre a rocha enfrentaram “chuva”, 
“ rios” e “ventos” (Mt 7.25,27). Entretanto, 
uma casa naturalmente permaneceu de pé
- a edificada sobre a rocha - e a outra veio 
abaixo - a edificada sobre a areia. Isso sig­
nifica que aquele que tem sua vida edificada 
sobre um fundamento verdadeiro resiste às 
tempestades da vida, enquanto aquele que 
edifica sua vida sobre um fundamento falso 
não resistirá às tempestades mais intensas. Ou 
seja, é como disse o apóstolo João, “aquele 
que faz a vontade de Deus permanece para 
sempre” (1 Jo 2.17).
2.4. Sobrevivendo ao julgamento di­
vino. Essa tempestade de que fala Jesus em 
sua ilustração final não representa apenas 
as adversidades desta vida, mas também o 
julgamento divino, que aparece na Bíblia, em 
algumas passagens, descrito metaforicamente 
como uma inundação (Is 28.17; Ez 13.10-16). Em 
outras palavras, Jesus está dizendo também 
aqui que quando o juízo divino se manifestar,aqueles que estiverem sobre fundamento 
verdadeiro não serão destruídos, mas aqueles 
que estiverem edificados sobre um fundamento 
falso não sobreviverão ao julgamento divino.
3. JESUS: A NOSSA 
VERDADEIRA IDENTIDADE
► A autoridade de Jesus. A multidão 
se maravilhou com o ensino de Jesus, re­
conhecendo nEie uma autoridade que não 
viam nos escribas e fariseus (Mt 7.28,29). 
Essa autoridade de Jesus era uma autoridade 
divina que se refletia naturalmente em suas 
palavras e gestos. Mais do que isso: quando 
Jesus falava de humildade, amor, misericórdia 
etc, eles viam em sua própria vida aquilo que 
Ele estava ensinando, de maneira que suas 
palavras ganhavam um peso muito maior. 
Pregar e ensinar com autoridade o Evangelho 
é pregá-lo e ensiná-lo vivendo-o e sob o poder 
divino, como Jesus o fez.
^ AUXÍLIO DIDÁTICO 2
“O que está em jogo não é o nosso 
compromisso verbal para com o Senhor. 
Somente fazendo sua vontade é que mani­
festamos, de maneira adequada, a expres­
são do nosso relacionamento para com Ele 
(Mt 7.21-23). Por todo o Sermão do Monte, 
Jesus tira suas conclusões com uma ilus­
tração poderosa. Construímos sobre fun­
damento sólido ao praticarmos as palavras 
de Jesus. Somente assim estaremos em 
condições de suportar as tempestades da 
vida (Mt 7.24-28). O versículo-chave aqui 
é Mateus 7.24: os ensinamentos de Jesus 
são uma rocha sólida. [,..] Jesus conclui o 
sermão com quatro advertências, cada qual 
caracterizada por comparações duplas: as 
duas estradas (Mt 7.13,14), as duas árvores 
(Mt 7.15-20), as duas afirmativas (Mt 7.21 - 
23) e os dois construtores (Mt 7.24-27). Es­
tejamos certos de ter feito, de cada dupla, a 
escolha mais sábia” (RICHARDS, Lawrence. 
Guia do Leitor da Bíblia. Rio de Janeiro: 
CPAD, 2007, CPAD, p.609).
í í
O prudente é 
aquele que, 
conhecendo a 
verdade, teme e 
aplica-a sábia e 
obedientemente 
à sua vida.
5 5
3.2. Jesus: o nosso exemplo. Cristo 
enfatiza que o discípulo verdadeiro é aquele 
que segue de fato ao seu senhor. Ele não 
apenas o chama de “senhor”, mas se relaciona 
com ele de fato como tal. O discípulo tem o 
seu mestre como modelo, padrão, exemplo 
a ser seguido. O apóstolo Paulo, que foi um 
discípulo verdadeiro de Cristo, afirmou aos 
seus discipulandos: “Sede meus imitadores, 
como também eu, de Cristo” (1 Co 11.1). So­
mos chamados para seguir os seus passos, 
para viver como Ele viveu. Isso significa que 
a verdadeira identidade do cristão é Cristo. 
Aliás, a expressão “cristão” nada mais quer 
dizer do que “seguidor de Cristo". Todo aquele 
que se declara como cristão deve viver como
| Discipulando Professor 4 |
tal. Todo aquele que se diz filho de Deus, ci­
dadão do Reino dos Céus, deve imitar o seu 
Senhor e viver segundo os valores do Reino 
ao qual pertence. Esse é o ideal máximo dos 
filhos do Reino (Rm 8.29; Fp 3.13,14).
► AUXÍLIO DIDÁTICO 3
“Cada um de nós tem uma casa para 
construir, e essa casa representa a nos­
sa esperança em relação ao céu. Deve ser 
nosso principal e constante cuidado fazer 
com que nosso chamado e eleição fiquem 
garantidos, assim como a nossa salvação. 
[...] Muitos nunca se importam com isso; é 
o que está mais longe do seu pensamento. 
Eles estão construindo para este mundo, 
como se fossem permanecer aqui para sem­
pre, e não se importam em construir algo em 
um outro mundo. [...] Existe uma rocha pro­
videnciada para nós, sobre a qual podemos 
construir essa casa - essa rocha é Cristo. 
Jesus Cristo foi colocado como a sua fun­
dação, e nenhuma outra fundação pode ser 
colocada (Is 28.16; 1 Co 3.11). Ele é a nossa 
esperança (1 Tm 1.1). Esse é o Cristo que 
está em nós” (HENRY, Matthew. Comentá­
rio Bíblico do Novo Testamento: Mateus a 
João. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p.89).
► AUXÍLIO DIDÁTICO 3.1
“Quando é que os cristãos da nossa 
época perceberão que somente a confissão 
de fé não é suficiente e que a fé genuína 
nos leva à obediência? As Sagradas Escri­
turas procuram, acima de tudo, fazer com 
que as pessoas ouçam a Palavra de Deus, 
mas o ouvir válido é aquele ouvir que gera 
obediência. Devemos lembrar que a palavra 
hebraica utilizada para ‘ouvir’ é normalmen­
te traduzida como ‘obedecer’. A obediên­
cia não ocorre sem que façamos escolhas, 
compromissos e um exercício da vontade 
alimentado pelo Espírito. A salvação não é 
alcançada de outra maneira. Não basta ter­
mos a aparência de bondade. Saber o que
é correto não é suficientemente correto. Na 
verdade, precisaremos colocar em prática o 
que sabemos ser correto.
Por que a negligência em se colocar 
em prática os ensinos de Jesus no Sermão 
do Monte mostra que a pessoa é tola e a 
sua prática demonstra que ela é prudente? 
Imagine um mundo - ou uma comunidade
- onde as pessoas não abusam verbalmen­
te umas das outras quando estão furiosas, 
onde elas não são cobiçosas e não violam 
os votos matrimoniais, onde elas sempre 
dizem a verdade, não fazem retaliação da 
violência sofrida e amam os seus inimigos. 
Todos nós gostaríamos de viver nesse lugar, 
não é mesmo? A negligência em vivermos 
dessa forma é autodestrutiva e tola. Uma 
vida assim cria estabilidade e paz. E esta é a 
concentração, de forma suficientemente vá­
lida, na sabedoria de se seguir a Jesus por 
toda a nossa vida neste mundo. A parábola 
trata, primariamente, do tema do Juízo Fi­
nal. Se o Juízo de Deus for levado a sério, a 
negligência em vivermos segundo a vontade 
dEle realmente será uma tolice.
i i
Existe uma rocha 
providenciada 
para nós, sobre 
a qual podemos 
construir essa 
casa - essa 
rocha é Cristo.
11
92 | Disciplilando Professor 4 |
Será que precisaremos enfatizar um 
juízo? Por mais que repudiemos essa ideia, 
o Juízo é um aspecto essencial do ensino 
cristão. Se não haverá juízo, não precisa­
mos de salvação e o que fizermos, na ver­
dade, não importará. Jesus ensina que a 
vida importa. A obediência a Jesus importa” 
(SNODGRASS, Klyne. Compreendendo as 
Parábolas de Jesus: Guia Completo. Rio 
de Janeiro: CPAD, 2010, pp.475-76).
^ AUXÍLIO DIDÁTICO 3.2
“A obediência nos desafia a ir além do 
mero entendimento. Algumas das pessoas 
da multidão eram especialistas em dizer às 
outras o que fazer, mas não percebiam o 
essencial das próprias leis de Deus. Jesus 
deixou claro, no entanto, que obedecer à lei 
de Deus é mais importante que explicá-la. 
É muito mais fácil estudar as leis de Deus e 
dizer aos outros que devem obedecer a elas 
do que colocá-las em prática. Como está 
sua obediência a Deus?
A obediência nos desafia a ir além da 
mera conformidade. Os fariseus eram exi­
gentes e escrupulosos em seus esforços 
para obedecer às suas leis. Assim, como 
poderia Jesus nos convocar a uma justiça 
maior que a deles? A fraqueza dos fariseus 
era o fato de que se contentavam em obe­
decer externamente às leis, sem permitir 
que Deus transformasse seus corações (ou 
atitudes). Jesus estava dizendo, portanto, 
que a qualidade de nossa bondade deve 
ser maior que a dos fariseus. Eles pareciam 
piedosos, mas estavam longe do Reino de 
Deus. Deus julga o nosso coração, além das 
nossas obras, pois é no coração que está a 
nossa verdadeira lealdade. Esteja igualmen­
te preocupado com as suas atitudes, que as 
pessoas não veem, como também com as 
suas ações, que são vistas por todos.
A obediência os desafia a agir por Deus 
e para Deus com amor. Jesus estava di­
zendo que os Seus ouvintes precisavam de 
um tipo de justiça completamente diferen­
te (amor e obediência), e não apenas uma 
versão mais intensa da justiça dos fariseus 
(submissão legal). A nossa justiça deve (1) 
se originar do que Deus faz em nós, e não 
do que podemos fazer sozinhos; (2) ser cen­
trada em Deus, e não egocêntrica; (3) es­
tar baseada na reverência por Deus, e não 
na aprovação das pessoas; (4) e ir além daobediência à lei, para que possamos viver 
segundo os princípios que estão por trás da 
lei” (Manual da Bíblia de Aplicação Pesso­
al. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, pp.576-77).
^ AUXÍLIO DIDÁTICO 3.3
“Cada pessoa está a imprimir na alma 
o caráter que vai passar à eternidade. Esta 
casa para a alma é composta dos nossos 
atos, palavras, pensamentos, esperanças e 
ambições. Como o bicho da seda, tecemos o 
nosso caráter até atingirmos o próximo está­
gio de vida. As coisas que dizemos, pesamos 
ou fazemos permanecem conosco, embora 
pareçam transitórias. Elas permanecem em 
nossa memória e hábitos, de centenas de 
maneiras, a influenciar-nos o caráter. Por­
tanto, a grande pergunta é: O que você está 
edificando? Falando figurativamente, algu­
mas pessoas estão edificando lojas e imer­
gindo nos negócios; outras constroem casas 
de prazer, onde dissipam suas vidas em fri­
volidade; outras ainda fazem prisões, onde 
jazem atados pelas cordas do pecado. Mas, 
graças a Deus, há muitas pessoas edifican­
do templos para adorar e servir a Deus. Ou­
tra pergunta importante: Que materiais você 
esta colocando na sua construção? Cada ato 
de pecado, covardia, egoísmo ou ambigüida­
de representa material inferior. Bondade, pa­
ciência, generosidade e consagração repre­
sentam material sólido” (PEARLMAN, Myer. 
Mateus: O Evangelho do Grande Rei. Rio de 
Janeiro: CPAD, 1995, pp.45-46).
| Discipulando Professor 4 |
CONCLUSÃO
O Evangelho de Cristo nos conclama à 
obediência. O Reino de Deus nada mais é 
do que Deus reinando sem rival no trono do 
nosso coração. Não há Evangelho de Cristo 
em nossa vida se não procuramos viver como 
Ele andou. Cristo é a nossa identidade. Viva­
mos, pois, os seus passos, a sua mensagem, 
o seu exemplo, a sua vida, não apenas hoje, 
mas todos os dias. Só assim poderemos, de 
fato, dizer que somos seguidores de Cristo. Só 
assim poderemos vencer as tempestades da 
vida e, no dia do juízo divino, sermos louvados 
por Deus pela nossa fidelidade sincera a Ele.
APROFUNDANDO-SE
“Alguns que se autodenominam atletas 
podem gabar-se de sua atuação em 
um esporte, mas isso não prova suas 
habilidades inatas. Do mesmo modo, 
nem todo aquele que fala sobre o céu 
faz parte do Reino de Deus. Jesus está 
mais preocupado com o nosso compor­
tamento do que com o nosso discurso. 
Ele quer que façamos o que é certo, e não 
apenas ensinemos o que é correto. A sua 
casa, que representa sua vida (Mt 7.24), 
resistirá às tempestades da vida apenas 
se você fizer o que é correto, em vez de 
apenas falar disso. Aquilo que você faz 
não pode ser diferente do que você diz 
crer. [...] No dia do Juízo, haverá o ajuste 
final de contas (Mt 7.22). Deus resolverá 
todas as pendências, julgando o pecado 
e recompensando a fé. Edificar a casa 
sobre a rocha (Mt 7.24) significa ser um 
discípulo que ouve e coloca em prática o 
que aprendeu, e não que age com impru­
dência e superficialidade. A obediência é 
o sólido fundamento para que possamos 
resistir às tempestades da vida. [...] Como 
uma casa feita de papelão, a vida do tolo 
se desmancha, reduzindo-se a pó” (Bíblia 
de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de 
Janeiro: CPAD, 2010, p. 1231).
94 | Discipulando Professor 4 |
í t
0 Reino de 
Deus nada mais 
é do que Deus 
reinando sem 
rival no trono do 
nosso coração. 
Não há Evange­
lho de Cristo em 
nossa vida se 
não procuramos 
viver como Ele 
andou. Cristo 
é nossa identi­
dade.
5J
r j SUGESTÃO 
/ DE LEITURA
► Como vencer a Frustação Espiritual
O que leva um crente dedicado, ativo, ope­
roso, sincero em sua fé, honesto em sua 
devoção, a desenvolver uma vida espiritual 
doentia, marcada por neuroses, bizarrias e 
frustrações? Por que há pessoas que quanto 
mais se dedicam à.sua vida espiritual, quanto 
mais buscam a Deus, acabam neurotizadas, 
em vez de encontrar cura e equilíbrio para 
seus corações?
Através deste livro, você descobrirá que a 
cura para as feridas da alma passa inexo­
ravelmente por uma compreensão correta 
sobre quem é Deus, a vida cristã e a natu­
reza humana, sempre à luz das Sagradas 
Escrituras.
► Uma Jornada de Fé
O livro do Êxodo é famoso por mostrar o 
início da escravidão dos hebreus pelos egíp­
cios, a escolha de Moisés como libertador e a 
forma como Deus retirou os hebreus do jugo 
egípcio. E nele, a figura de Moisés ocupa um 
lugar central. Moisés foi, sem dúvida alguma, 
uma das maiores personalidades e um dos 
maiores heróis da fé de todos os tempos. 
Nesta obra, acompanharemos a história de 
Moisés no Êxodo bem como o seu legado 
para o povo de Israel, para a humanidade 
como um todo e para a igreja até os dias 
de hoje
► Crescimento em Cristo
Orientações bíblicas para o novo convertido 
com exposições dos passos fundamentais 
da nova vida em Cristo e como vivê-la vito­
riosamente.
VERIFIQUE O SEU
APRENDIZADO
1 . Qual é o verdadeiro teste do discipulado 
cristão?
R. O teste da obediência.
2 . É possível alguém se dizer de Jesus, falar 
e operar milagres em seu nome, e ser um falso 
discípulo dEle?
R. Sim, quando ele não pratica o Evangelho 
em sua vida, no dia a dia.
3 . Qual será a condenação dos falsos discí­
pulos e profetas?
R. Serão separados eternamente de Deus.
4 . O que significam as duas casas e os dois 
fundamentos da ilustração final de Jesus no 
Sermão do Monte?
R. As duas casas representam a nossa 
vida; a rocha representa o fundamento verda­
deiro, a Palavra de Deus não apenas pregada, 
mas vivida; e a areia é o fundamento falso, uma 
falsa confissão de fé, uma vida de incoerência 
e desobediência à Palavra de Deus.
5 . Qual é a nossa maior referência e exemplo 
como filhos do Reino?
R. O Senhor Jesus.
► “O clima da Palestina é como o do sul da 
Califórnia [EUA], sob muitos aspectos. Os 
leitos dos rios ficam secos durante a maior 
parte do ano. Mas quando as chuvas do 
inverno e da primavera chegam, surgem 
as inundações. Jesus retratou o ouvinte 
descuidado como um homem que de for­
ma insensata construiu a sua casa sobre 
a areia, e então a perdeu. As casas na 
Palestina eram em sua maioria construí­
das com pedras ou com tijolos secos ao 
sol. Quando as tempestades dissolviam 
a argamassa, as paredes tendiam a cair” 
(Comentário Bíblico Beacon. vol.6. Rio 
de Janeiro: CPAD, 2006, p.69).
| Discipulando Professor 4 |
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24, 25, 26 e 27 de março de 2016
26a CONFERÊNCIA DE ESCOLA DOMI 
21, 22, 23 e 24 de julho de
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7 A IO DE SETEMBRO DE 2016
	Discipulando^Pnull
	Díscipulandonull
	do Reinonull
	de Deusnull
	TEXTO BÍBLICO BASEnull
	MEDITAÇÃOnull
	PROFESSORnull
	INTERAGINDO COM O ALUNOnull
	PROPOSTA PEDAGÓGICAnull
	COMENTÁRIO | INTRODUÇÃOnull
	1.nullO SERMÃO DA MONTANHA E O CARÁTER DOS FILHOS DO REINOnull
	^ AUXÍLIO DEVOCIONAL1null
	2.nullAS BEM-AVENTURANÇASnull
	^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 2null
	3.nullNÓS SOMOS BEM-AVENTURADOSnull
	^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 3null
	CONCLUSÃOnull
	APROFUNDANDO-SEnull
	r j SUGESTÃO Nl// DE LEITURAnull
	APRENDIZADOnull
	Sal e Luznull
	TEXTO BÍBLICO BASEnull
	MEDITAÇÃOnull
	PROPOSTA PEDAGÓGICAnull
	OBJETIVOSnull
	COMENTÁRIO | INTRODUÇÃOnull
	1	. “VÓS SOIS O SAL DA TERRA”
	íínull
	J5null
	AUXÍLIO DIDÁTICO 1null
	2.	“VÓS SOIS A LUZ DO MUNDO”
	^ AUXÍLIO DIDÁTICO 2null
	3.nullINFLUENCIANDO A SOCIEDADEnull
	^ AUXÍLIO DIDÁTICO 3null
	CONCLUSÃOnull
	APROFUNDANDO-SEnull
	SUGESTÃO DE LEITURAnull
	APRENDIZADOnull
	TEXTO BÍBLICO BASEnull
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	PROFESSORnull
	INTERAGINDO COM O ALUNOnull
	PROPOSTA PEDAGÓGICAnull
	COMENTÁRIO | INTRODUÇÃOnull
	1.nullCRISTO CUMPRIU TODA A LEInull
	55null
	^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 1null
	2.nullO PERIGO DE SE FAZER DA LETRA UMA RELIGIÃO MECÂNICAnull
	^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 2null
	3.nullA JUSTIÇA DO REINO DE DEUSnull
	►	AUXÍLIO TEOLÓGICO 3
	CONCLUSÃOnull
	APROFUNDANDO-SEnull
	APRENDIZADOnull
	TEXTO BÍBLICO BASEnull
	MEDITAÇÃOnull
	PROFESSORnull
	INTERAGINDO COM O ALUNOnull
	PROPOSTA PEDAGÓGICAnull
	OBJETIVOSnull
	COMENTÁRIO | INTRODUÇÃOnull
	1.nullO EVANGELHO NÃO É ANTINOMIANISTAnull
	^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 1null
	2.nullCÓLERA: O PASSO PARA O HOMICÍDIOnull
	^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 2null
	3.	A “OFERTA NO ALTAR”
	E OS PROCESSOS LEGAISnull
	^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 3null
	CONCLUSÃOnull
	APROFUNDANDO-SEnull
	SUGESTÃO DE LEITURAnull
	APRENDIZADOnull
	a Fidelidade no Casamentonull
	TEXTO BÍBLICO BASEnull
	MEDITAÇÃOnull
	PROFESSORnull
	INTERAGINDO COM O ALUNOnull
	PROPOSTA PEDAGÓGICAnull
	COMENTÁRIO | INTRODUÇÃOnull
	1.nullJESUS CONDENA A LUXÚRIAnull
	ítnull
	^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 1null
	2.nullA INTENÇÃO DO CORAÇÃO TRANSPARECERÁ NOS MEMBROS DO CORPOnull
	^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 2null
	3.nullA INDISSOLUBILIDADE DO CASAMENTOnull
	^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 3null
	CONCLUSÃOnull
	APROFUNDANDO-SEnull
	APRENDIZADOnull
	TEXTO BÍBLICO BASEnull
	PROFESSORnull
	INTERAGINDO COM O ALUNOnull
	OBJETIVOSnull
	PROPOSTA PEDAGÓGICAnull
	COMENTÁRIO | INTRODUÇÃOnull
	1.nullNÃO JUREIS NEM PELO CÉU NEM PELA TERRAnull
	^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 1null
	íínull
	J5null
	2.	AS PALAVRAS DO DISCÍPULO DEVEM SER “SIM, SIM”
	E “NÃO, NÃO”
	y AUXÍLIO TEOLÓGICO 2null
	3. SEJAMOS HONESTOS COM AS NOSSAS PALAVRASnull
	►	AUXÍLIO TEOLÓGICO 3
	CONCLUSÃOnull
	APROFUNDANDOnull
	SUGESTÃO DE LEITURAnull
	APRENDIZADOnull
	TEXTO BÍBLICO BASEnull
	MEDITAÇÃOnull
	PROFESSORnull
	INTERAGINDO COM O ALUNOnull
	PROPOSTA PEDAGÓGICAnull
	1. A VINGANÇA NÃO É DE CRISTOnull
	COMENTÁRIO | INTRODUÇÃOnull
	^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 1null
	2.nullAMAR O PRÓXIMO É AMAR A DEUSnull
	^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 2null
	3.nullBUSCANDO A PERFEIÇÃO DE CRISTOnull
	^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 3null
	CONCLUSÃOnull
	APROFUNDANDO-SEnull
	APRENDIZADOnull
	Hipocrisia, mas com Verdadenull
	TEXTO BÍBLICO BASEnull
	MEDITAÇÃOnull
	PROFESSORnull
	INTERAGINDO COM O ALUNOnull
	OBJETIVOSnull
	PROPOSTA PEDAGÓGICAnull
	COMENTÁRIO | INTRODUÇÃOnull
	1.nullESMOLAS SEM HIPOCRISIAnull
	►	AUXÍLIO TEOLÓGICO 1
	2.nullAJUDANDO O PRÓXIMO SEM ALARDEnull
	^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 2null
	3.nullDEUS VÊ O BEM QUE FAZEMOS EM SECRETOnull
	íínull
	33null
	^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 3null
	SUGESTÃO DE LEITURAnull
	APRENDIZADOnull
	Lição 9null
	TEXTO BÍBLICO BASEnull
	MEDITAÇÃOnull
	mas Conscientenull
	PROFESSORnull
	INTERAGINDO COM O ALUNOnull
	OBJETIVOSnull
	PROPOSTA PEDAGÓGICAnull
	COMENTÁRIO | INTRODUÇÃOnull
	1. A ORAÇÃO É UMA CONVERSA COM O PAInull
	^ AUXÍLIO DIDÁTICO 1null
	2.nullA ORAÇÃO QUE JESUS ENSINOUnull
	^ AUXÍLIO DIDÁTICO 2null
	3.nullORAÇÃO E JEJUMnull
	^ AUXÍLIO DIDÁTICO 3null
	CONCLUSÃOnull
	APROFUNDANDOnull
	Ty SUGESTÃO DE LEITURAnull
	APRENDIZADOnull
	TEXTO BÍBLICO BASEnull
	MEDITAÇÃOnull
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	INTERAGINDO GOM O ALUNOnull
	OBJETIVOSnull
	PROPOSTA PEDAGÓGICAnull
	COMENTÁRIO | INTRODUÇÃOnull
	1. A RIQUEZA DA TERRA EA RIQUEZA DO CÉUnull
	^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 1null
	2.nullNÃO PODEMOS SERVIR A DEUS E AO DINHEIROnull
	iínull
	jjnull
	^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 2null
	3.nullVIVENDO A QUIETUDE DO REINO DE DEUSnull
	^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 3null
	CONCLUSÃOnull
	APROFUNDANDO-SEnull
	APRENDIZADOnull
	Não Julgue o Próximo, para que não sejas julgadonull
	TEXTO BÍBLICO BASEnull
	MEDITAÇÃOnull
	PROFESSORnullINTERAGINDO COM O ALUNOnull
	PROPOSTA PEDAGÓGICAnull
	COMENTÁRIO | INTRODUÇÃOnull
	1.nullNÃO DEVEMOS SER JULGADORES DOS OUTROSnull
	►	AUXÍLIO TEOLÓGICO 1
	2.nullDEVEMOS PRIMEIRO OLHAR PARA NÓS MESMOSnull
	►	AUXÍLIO TEOLÓGICO 2
	3.nullE SE FÔSSEMOS JULGADOS PELA SEVERIDADE DE DEUS?null
	íinull
	55null
	^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 3null
	CONCLUSÃOnull
	APROFUNDANDO-SEnull
	SUGESTÃO DE LEITURAnull
	APRENDIZADOnull
	a Bondadenull
	falsos profetasnull
	TEXTO BÍBLICO BASEnull
	MEDITAÇÃOnull
	OBJETIVOSnull
	PROPOSTA PEDAGÓGICAnull
	COMENTÁRIO | INTRODUÇÃOnull
	1.nullDEUS É BOMnull
	íínull
	53null
	►	AUXÍLIO TEOLÓGICO 1
	2.nullELE NOS OFERECE A ESCOLHA DE DOIS CAMINHOSnull
	^ AUXÍLIO DIDÁTICO 2null
	3.nullA MENTIRA DOS FALSOS PROFETASnull
	^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 3null
	35null
	CONCLUSÃOnull
	APROFUNDANDO-SEnull
	SUGESTÃO DE LEITURAnull
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	JeSUS é a nossa identidadenull
	TEXTO BÍBLICO BASEnull
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	1.nullA CONDENAÇÃO DOS FALSOS PROFETASnull
	J5null
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	2.nullEM QUE ESTAMOS ALICERÇADOS?null
	3.nullJESUS: A NOSSA VERDADEIRA IDENTIDADEnull
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