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ao alcoolismo, droga dicção, histerias de várias 
formas, violência doméstica, chantagens emocionais, enfim, toda 
sorte de excessos capazes de perturbar o bom andamento das 
coisas familiares. 
Pode parecer estranho, mas, de fato, o que interessa 
considerar aqui é o exercício da maldade, tortura e crueldade. 
Mas não se trata da maldade, tortura e crueldade clássicas e 
francas. Aí ficaria muito fácil diagnosticar a dinâmica familiar 
deturpada. Mas não, o que nos interessa é o exercício da maldade, 
tortura e crueldade exercidas velada e dissimuladamente. Esse 
tipo disfarçado de crueldade e maldade inclui toda espécie de 
chantagens emocionais, cerceamentos de liberdade, desrespeito, 
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O PaPel da Família nO desenvOlvimentO dO deFiciente intelectual Capítulo 2 
Segundo Hockenbury 
e Hockenbury (2002, 
p.369), “personalidade 
é definida como 
os padrões únicos 
e relativamente 
consistentes de 
pensamentos, 
sentimentos e 
comportamentos de 
um indivíduo”.
omissões e opressões que familiares dirigem uns contra os outros 
de forma surda, calada e, muitas vezes, socialmente irreprimível. 
Esse tipo de família onde existem pessoas capazes de gerar 
ansiedade e mal estar emocional em outros familiares constitui 
aquilo que chamamos de Família de Alta Emoção Expressa. O 
termo Alta Emoção Expressa foi adotada, inicialmente, para indicar 
características de famílias que favoreciam a recaída dos sintomas 
de pacientes psiquiátricos. Hoje em dia, podemos empregar o 
termo para designar famílias que favorecem o desenvolvimento de 
estados emocionais desconfortáveis. 
Na maior parte das vezes, o discurso de tais famílias nos dá 
a impressão de que todos são ótimos e desejam ardentemente 
o bem estar dos demais. Mas, avaliando com mais cuidado, 
surdamente, nas entrelinhas e dissimuladamente, veremos que as 
coisas são feitas de forma a piorar o estado emocional dos demais 
ou de alguém, especificamente. 
Fonte: Disponível em: <http://www.psiqweb.med.br/site/?area=NO/
LerNoticia&idNoticia=29>. Acesso em: 14 ago. 2012.
O texto que você leu, discute como a influência familiar pode alterar a 
personalidade de uma pessoa e o quanto o uma pessoa com deficiência 
intelectual está mais suscetível a sofrer essa influência negativa.
Mas o que é personalidade?
Segundo Hockenbury e Hockenbury (2002, p.369), “personalidade é 
definida como os padrões únicos e relativamente consistentes de pensamentos, 
sentimentos e comportamentos de um indivíduo”. Quando esses padrões 
não correspondem às expectativas, as coerências desses pensamentos e 
comportamentos já começam demonstrar anomalias por parte dos que estão 
próximos desses sujeitos, que são os familiares, já que o princípio básico de 
início de vida é a estrutura familiar.
As particularidades de cada indivíduo e principalmente da pessoa 
com deficiência intelectual, sua maneira de agir e interagir no contexto 
que está inserido traz de suas vivências familiares uma carga da formação 
de sua identidade. É uma influência que está intrinsecamente arraigada na 
subjetividade desse sujeito. Quando os familiares não estão preparados 
para lidar com a deficiência intelectual e agem como se os mesmos fossem 
incapazes, cria-se uma forte relação de dependência dessas pessoas.
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 A Relação Família, Escola e Deficiência Intelectual
A suspeita da existência de famílias com características 
psiquiatricamente mórbidas ocorreu de forma científica em 1959. As 
conclusões do primeiro estudo de George Brown, em 1959, apontaram 
para uma possível associação entre a qualidade das relações 
familiares e o desenvolvimento da doença mental do paciente 
Ballone (2008) fez uma lista de razões que fazem com que os filhos sofram 
uma alguma angústia ou sofrimento, e que podem vir a originar um distúrbio 
emocional. Segundo o autor há alguns fatores que podem desencadear esses 
sentimentos.
O quadro a seguir orientar-lhe-á na melhor compreensão desses fatores. 
Todos esses fatores podem causar muito estresse tanto nos filhos como 
nos pais, gerando assim angústias que podem vir a desenvolver distúrbios 
emocionais que poderão afetar sua vida social, escolar e afetiva.
Causariam sofrimento emocional os pais...
1 – omissos e ausentes. 
2 – tiranos e opressores. 
3 – que exigem muito. 
4 – que não exigem nada. 
5 – que nutrem fortes expectativas sobre os filhos. 
6 – que não se interessam tanto pelos filhos. 
7 – que se separam para não brigarem mais. 
8 – que não se separam, mas brigam. 
9 – que só pensam em dinheiro. 
10 – que não ensinam a valorizar o dinheiro. 
11 – muito enérgicos (que limitam muito). 
12 – muito camaradas (não dão limites). 
13 – que não entendem (ou não querem entender) os filhos. 
14 – que interferem muito e querem saber de tudo. 
15 – que proíbem muito. 
16 – que permitem muito. 
17 – que nunca estão satisfeitos. 
18 – que acham que está sempre tudo muito bom. 
19 – etc.
Fonte: Disponível em <http://www.psiqweb.med.br/site/?area=NO/
LerNoticia&idNoticia=195>. Acesso em: 14 ago. 2012.
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O PaPel da Família nO desenvOlvimentO dO deFiciente intelectual Capítulo 2 
A figura a seguir é analisada na obra de Hockenbury e 
Hockenbury (2002, p.450): “Vias do Sistema Endócrino no Estresse 
– Duas vias estão envolvidas nas respostas ao estresse”. A via 
endócrina, apresentada à esquerda do diagrama, é a via envolvida 
na resposta lutar ou fugir (fightorflight response) para ameaças 
imediatas. A via endócrina à direita tem uma função importante 
quando lidamos com estressores prolongados ou crônicos.
A seguir, duas formas de como o estresse pode se manifestar, e como ele 
pode agir no seu organismo.
Figura 1 - Como se processa o estresse no corpo
Fonte: Hockenbury e Hockenbury (2002, p.450).
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 A Relação Família, Escola e Deficiência Intelectual
De acordo com a ilustração podemos perceber que a influência familiar é 
a maior responsável pelo desenvolvimento integral da criança, apresente ela 
alguma deficiência ou não. E o papel da família é proporcionar ao sujeito que 
apresenta deficiência um laço de confiança e amor.
Esperamos que as discussões até então apresentadas possam ajudá-lo 
a repensar em uma prática que valorize um ambiente profissional tranquilo e 
acolhedor para a pessoa com ou sem deficiência intelectual.
Atividades de Estudos: 
1) Sobre a definição de Personalidade desenvolvido por 
Hockenbury e Hockenbury (2002), reflita e responda, você 
concorda com esse conceito? Justifique sua opinião. 
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2) Aprendemos que vários fatores, como sociais, familiares e 
escolares podem causar estresse. Você já passou por alguma 
situação que desencadeou essa emoção? Pense sobre isso.
 Agora, com base em seus estudos, defina:
a) Estresse:
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O PaPel da Família nO desenvOlvimentO dO deFiciente intelectual Capítulo 2 
As relações nas 
famílias podem vir 
a causar danos 
emocionais e, caso 
o sujeito seja um 
deficiente intelectual, 
pode essa falta