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CAPÍTULO 2
O PaPel da Família nO desenvOlvimentO 
dO deFiciente intelectual
A partir da concepção do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
 3 A influência da família no desenvolvimento da personalidade do deficiente intelectual.
 3 Perceber o deficiente intelectual como sujeito capaz de se desenvolver.
 3 Mediar família, deficiente intelectual e escola.
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 A Relação Família, Escola e Deficiência Intelectual
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O PaPel da Família nO desenvOlvimentO dO deFiciente intelectual Capítulo 2 
Vygotsky (1997) 
enfatiza que o 
deficiente Intelectual 
só conseguirá evoluir 
nos aspectos do 
desenvolvimento 
da linguagem e do 
pensamento quando 
houver a qualidade 
das interações 
interpsicológicas.
cOntextualizaçãO
No capítulo anterior você estudou sobre aspectos que envolvem deficiência 
intelectual, seu contexto familiar, escolar e social. Também contemplamos um 
breve histórico sobre as nomenclaturas e paradigmas envolvidos. 
Você já deve ter ouvido falar de alguns rótulos sobre as pessoas que 
apresentam deficiência intelectual, não é? Esses sujeitos são considerados 
muitas vezes como incapazes, perturbadores e inconvenientes por seus 
colegas de classe, seus professores e até mesmo pelos próprios familiares. 
Sobre essa situação convidamos você a refletir: 
• Será que é isso mesmo que acontece? 
• Nas residências, eles realmente perturbam ou é apenas fruto das 
frustrações da família? 
• Na escola, as práticas pedagógicas estão voltadas para a inserção desse 
estudante com deficiência intelectual? 
• O que fazer para desmistificar esses paradigmas? 
Para responder essas questões, iremos estudar, com base em autores, os 
mitos e verdades sobre o comportamento do deficiente intelectual e a influência 
que o ambiente familiar exerce no desenvolvimento de sua personalidade.
Boa leitura!
a inFluência Familiar nO desenvOlvimentO da 
PersOnalidade dO deFiciente intelectual
A relação das pessoas com deficiência intelectual no seu ambiente 
familiar deve ser tranquila e de aconchego, para que o sujeito com deficiência 
reconheça que esse espaço para ele é natural e faz parte de sua convivência. 
Vygotsky (1997) enfatiza que o deficiente Intelectual só conseguirá evoluir nos 
aspectos do desenvolvimento da linguagem e do pensamento quando houver 
a qualidade das interações interpsicológicas. Este aspecto pode configurar-se 
de forma problemática na situação das crianças com necessidades especiais, 
cujo histórico aponta com frequência para situações de isolamento social. 
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 A Relação Família, Escola e Deficiência Intelectual
Se a pessoa com deficiência não tem no ambiente familiar ou escolar o 
conforto psicológico, e sua necessidade física atendida, poderá sentir-se 
excluída. E esse sentimento poderá levar ao isolamento, a agressividade e a 
distúrbios intelectuais.
Segundo Ballone (2008) Para adaptar-se ao ambiente 
satisfatoriamente, o indivíduo deve se utilizar da capacidade de 
integrar várias modalidades sensoriais (os sentidos), de modo a 
constituir uma noção (consciência) da situação presente. Além disso, 
deve desenvolver uma capacidade de aprendizagem. Finalmente, 
deve desenvolver uma capacidade de agir objetivamente. 
O ambiente de convivência do deficiente intelectual é um dos grandes 
responsáveis pelo seu comportamento. Um ambiente em que as pessoas 
desferem suas angústias e frustrações, que demonstram falta de respeito e 
discussão, pode se tornar impróprio para uma relação saudável.
Sempre que você, caro pós-graduando, sentir necessidade 
de alguma consulta para ampliar seus conhecimentos sobre a 
condição da mente humana, consulte o site http://www.psiqweb.
med.br/ , lá inúmeros artigos podem vir a auxiliá-lo.
O meio familiar e a ação de seus membros, pode influenciar a maneira 
como a pessoa com deficiência intelectual atua nos demais ambientes que 
possa vir a frequentar. Compreendemos com isso, segundo Abenhaim (2009, 
p. 237) que:
O grau de comprometimento intelectual não é fator 
determinante da não aprendizagem. A crença no limite do 
outro é muito mais danosa pois resulta numa autoimagem 
negativa em baixa autoestima. As pessoas identificadas 
como incapazes geralmente assumem essa condição e 
acreditam que jamais poderão modificar esse resultado.
Alguns pais, com a intenção de proteger os filhos com deficiência 
intelectual, de olhares preconceituosos e deboches acabam por limitar 
ainda mais seu desenvolvimento. Uma das preocupações dos pais é em 
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O PaPel da Família nO desenvOlvimentO dO deFiciente intelectual Capítulo 2 
Piletti (1986) esclarece 
que as famílias 
muitas vezes são 
caracterizadas por 
situações injustas, 
de desigualdade 
econômica e social, 
que lutam por vários 
razões, principalmente, 
financeiras.
relação ao bullying, não apenas na escola, mas também na sociedade. 
Esse tipo de preconceito pode piorar o desenvolvimento do sujeito com 
deficiência, fazendo se sentir inseguro e prejudicando assim sua autonomia 
e confiança nas pessoas.
Bullying é uma palavra inglesa sem tradução para o 
português, mas que é compreendida como todo tipo de violência 
que o sujeito pode vir a sofrer, seja física ou verbal. Atualmente é 
muito discutida nos espaço escolar.
É interessante pensar em uma perspectiva de desenvolvimento satisfatório, 
com o intuito de que o ambiente familiar em que se encontra o deficiente 
intelectual possa estar apropriado para que esse sujeito possa desenvolver 
suas potencialidades, pois segundo Abenhaim (2009, p. 154), “A educação 
familiar dos filhos, sobretudo daqueles que apresentam necessidades 
educativas especiais, representa um requisito social decisivo para a sua 
formação escolar(...).” Nesse sentido Piletti (1986) esclarece que as famílias 
muitas vezes são caracterizadas por situações injustas, de desigualdade 
econômica e social, que lutam por vários razões, principalmente, financeiras. 
Deixando não por negligência, mas, às vezes, por falta de conhecimento de 
como atuar no sentido de inserir adequadamente seus filhos nas esferas 
sociais, culturais e escolares.
A ideia de que essas famílias sejam necessariamente abaladas em sua 
qualidade de vida deve ser revista. Núñez (2003), pesquisando as famílias 
com filhos deficientes, descreve os conflitos presentes nos vínculos e os 
indicadores de risco nessas famílias, conclui que os conflitos familiares não 
surgem em resultado direto da deficiência, mas em função das possibilidades 
de a família adaptar-se ou não a essa situação.
Estresse
Estado emocional negativo que ocorre em resposta a eventos 
percebidos como uma sobrecarga ou que excedam as habilidades 
ou recursos da pessoa para gerenciá-los.
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 A Relação Família, Escola e Deficiência Intelectual
Estressores
Eventos ou situações que são percebidos como perigosos, 
ameaçadores ou desafiadores (HOCKENBURY E HOCKENBURY, 
2002, p.444).
A família desempenha um papel primordial no desempenho da pessoa 
com deficiência intelectual na escola e na sociedade, quando cria nesse sujeito 
capacidades e o envolve nas atividades essenciais da família.
(...) Segundo mostram os dados do Sistema de Avaliação 
da Educação Básica (Saeb) de 1999, nas escolas que 
contam com a participação dos pais, por meio de trocas 
de informações com os professores e os diretores, os 
alunos tendem a aprender mais e melhor. (ABENHAIM, 
2009, p. 154),
O texto a seguir trata da relação familiar e da influência nas atitudes das 
pessoas com deficiência intelectual.
FAMÍLIA E TRANSTORNOS EMOCIONAIS
No meio familiar, a crueldade e a maldade disfarçadas se 
apresentam como chantagens emocionais, cerceamentos de 
liberdade... É dispensável relacionar aqui as situações familiares 
bizarras e extremas, capazes de prejudicar o bom desenvolvimento 
emocional de seus membros, incluindo os filhos, cônjuge, netos, 
sobrinhos e até o cachorro da casa. Normalmente essas situações 
dizem respeito