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CAPÍTULO 4
Reflexões sobRe a Inclusão escolaR 
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
 3 Compreender como a escola está recebendo a pessoas com Deficiência 
Intelectual. 
 3 Analisar o preparo da escola e a formação dos professores para o trabalho 
com o deficiente intelectual. 
 3 Proporcionar aos docentes subsídios para lidar com o deficiente intelectual 
no contexto escolar, numa concepção inclusiva. 
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 A Relação Família, Escola e Deficiência Intelectual
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Reflexões sobRe a Inclusão escolaR Capítulo 4 
contextualIzação
Atualmente, o tema inclusão vem se “ressignificando” de acordo com 
novas concepções da sociedade e contexto escolar. O ambiente educativo é 
o principal provedor dessa nova realidade que agora se volta para a inserção 
efetiva da pessoa com deficiência, independentemente do tipo de deficiência. 
Ao se especificar a deficiência intelectual nessa nova perspectiva surge um 
novo paradigma de função escolar. 
Mas afinal, o que é inclusão? Segundo estudos,
A palavra inclusão (1999) vem do latim, do verbo includere 
e significa “colocar algo ou alguém dentro de outro espaço”, 
“entrar num lugar até então fechado”. É a junção do prefixo in 
(dentro) com o verbo cludo (cludere), que significa “encerrar, 
fechar, clausurar”. O termo, cada vez mais, é aplicado não 
só apenas para questões das necessidades especiais, 
como também para construir discursos de acessibilidade a 
quaisquer indivíduos que são excluídos de determinados 
espaços e situações, fala-se então, por exemplo, em inclusão 
digital, econômica, entre outras. Assim, ao utilizarmos 
a palavra podemos nos referir tanto especificamente às 
pessoas com necessidades especiais quanto a atitude de 
inclusão que se referem a outras situações observadas em 
nossa sociedade. (FARIAS; SANTOS; SILVA, 2009, p.39)
De acordo com a citação, inclusão não é apenas permitir acesso ao 
espaço, mas promover a todos o direito de usufruir de todos os espaços 
da escola e tornar possível, por meio de estratégias diferenciadas, a 
aprendizagem do aluno. Para que isso favoreça a pessoa com deficiência, 
é necessário que todos os profissionais da escola estejam preparados para 
atender essa demanda.
Ocorre que em alguns casos a pessoa com deficiência intelectual não tem 
um diagnóstico do profissional da medicina sacramentando sua deficiência 
intelectual. Há deficiências que provêm de alguma síndrome, ou sociopatias, 
ou seja, que sofreram alguma alteração relacionada ao comportamento. No 
entanto, quando o sujeito não é considerado dentro dos padrões que a escola 
entende como “normal”, é tratado como um deficiente intelectual. 
Para compreender melhor a inserção desses sujeitos na sociedade e 
ambiente escolar, traremos à baila a conjuntura escolar, e os subsídios que se 
designam para o preparo dessa instituição e dos profissionais da educação.
Boa leitura!
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 A Relação Família, Escola e Deficiência Intelectual
Os profissionais da 
área médica foram os 
primeiros profissionais 
que perceberam 
a possibilidade de 
aprendizagem e 
convivência social 
das pessoas com 
deficiência.
o PRocesso de InseRção da Pessoa com 
defIcIêncIa Intelectual
Os documentos que norteiam a inclusão escolar e social nos âmbitos 
mundial, nacional e estadual, relativos às deficiências, vêm se orientando 
conforme as declarações e leis, tais como: Declaração de Salamanca, 
Montreal, Jomtein, Constituição Federal do Brasil, Legislação de Educação 
Especial, LDBEN, Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva 
da Educação Especial e a RESOLUÇÃO N° 112, que fixa normas para a 
Educação Especial no Sistema Estadual de Educação de Santa Catarina. 
Cabe salientar que as orientações levam em consideração também o contexto 
próprio de cada região.
O processo de trabalhar para a educação inclusiva ainda 
pode ser visto como uma expressão de luta para atingir os direitos 
universais (MITLLER, p.37,2003).
Para a sociedade chegar aos parâmetros atuais das declarações que 
foram deflagradas a demanda de tempo foi grande. A Educação Inclusiva e 
social não aconteceu de maneira abrangente, foram necessárias mudanças, 
na forma de entender o deficiente intelectual, no contexto social, familiar e 
principalmente dos profissionais da educação. 
Os profissionais da área médica foram os primeiros profissionais que 
perceberam a possibilidade de aprendizagem e convivência social das 
pessoas com deficiência.
A sociedade entendia que o deficiente intelectual era perigoso para as 
relações da época e a ordem estabelecida pela mesma sociedade temia o 
acesso da pessoa com deficiência aos âmbitos familiares, sociais e escolares. 
A segregação desse sujeito é repensada de forma que a sociedade não poderia 
mais deixá-los a mercê dos próprios familiares, pois o sujeito era enviado ao 
manicômio sem sua autorização. Para Mendes (2006, p. 2),
[...] apesar de algumas escassas experiências inovadoras 
desde o século XVI, o cuidado foi meramente custodial, e 
a institucionalização em asilos e manicômios foi a principal 
resposta social para o tratamento dos considerados 
desviantes. Foi uma fase de segregação, justificada pela 
crença de que a pessoa diferente seria mais bem educada e 
protegida se confinada em ambiente separado, também para 
proteger a sociedade dos ‘anormais’. 
REGI LOUREIRO
Realce
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Reflexões sobRe a Inclusão escolaR Capítulo 4 
Há necessidade de 
que toda sociedade, 
em consonância 
com a família e 
escola,adotem 
como meta atender 
a inclusão escolar 
de qualidade, 
principalmente no 
respeito às diferenças 
ao deficiente.
Não foi um movimento que se alastrou nos âmbitos familiares e as 
instituições escolares não eram citadas como meio da fazer ou trazer 
algum tipo de benefício, mesmo que fosse para uma convivência social 
com outros sujeitos. 
A esfera social demora a entender a participação dessas pessoas nos 
contextos sociais e escolares, principalmente pela falta da própria família de 
acreditar na possibilidade de socialização e aprendizagem da pessoa com 
deficiência intelectual.
A sociedade não está preparada para a inserção escolar, devido à falta de 
preparo dos profissionais da educação, por não saberem e nem entenderem 
como lidar com esses sujeitos. Surgem nas universidades graduações e pós-
graduações que visam preparar o corpo docente para trabalhar com a pessoa 
com deficiência.
Só depois de algum tempo é que se percebe a capacidade de 
aprendizagem desses sujeitos, pois, de acordo com Almeida (2011),
A grande maioria das crianças com deficiência intelectual 
consegue aprender a fazer muitas coisas úteis para a sua 
família, escola, sociedade e todas elas aprendem algo para 
sua utilidade e bem-estar da comunidade em que vivem. 
Para isso precisam, em regra, de mais tempo e de apoios 
para lograrem sucesso.
Atualmente existe um preparo maior por parte da sociedade, da família 
e dos profissionais da educação no lidar com a pessoa com deficiência 
intelectual. O que a escola necessita é criar mecanismos para que essa 
inserção dê resultados em termos de aprendizagem e quebra de preconceitos 
para com a pessoa com deficiência intelectual.
Há necessidade de que toda sociedade, em consonância com a família 
e escola,adotem como meta atender a inclusão escolar de qualidade, 
principalmente no respeito às diferenças ao deficiente. É direito do deficiente 
ser visto como sujeito capaz de aprender e desenvolver-se com autonomia e 
confiança.
Dentre tantos dispositivos que protegem as pessoas com deficiência, a 
Declaração de Salamanca é mais um subsídio que disponibiliza preceitos para 
que a sociedade e a escola possam entender esse sujeito. Apesar de durante 
muito tempo ter ficado à margem dos processos sociais, familiares e escolares, 
agora se encontram nos âmbitos e fazem parte dos mesmos.
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 A Relação Família, Escola e Deficiência Intelectual
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