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possa torná-
los capazes de conceber e ministrar uma educação plural, 
democrática e transgressora, como são as escolas para todos.
Alguns profissionais da educação ainda são inflexíveis em aceitar a 
educação inclusiva como uma situação escolar irreversível. No momento 
em que o mundo e as academias se voltam para a educação inclusiva, há 
resistências de se aceitar a inclusão e classes especiais para os alunos com 
deficiência intelectual. 
Conforme estudos de Rocha e Miranda (2009) há muitos profissionais 
da educação que se mostram inseguros no trabalho com as deficiências, 
reconhecem que ainda não possuem o conhecimento adequado para uma 
prática inclusiva. Não é um caso isolado, muitos profissionais ainda não 
conseguem lidar com as crianças da educação inclusiva por preconceito 
exacerbado.
Os professores deveriam compreender que a inclusão escolar é uma 
atitude que deveria estar intrinsecamente ligada ao seu trabalho, pois, 
conforme Mittler (2003, p. 139), 
Inclusão e exclusão começam na sala de aula. Não 
importa o quão comprometido um governo possa ser 
com relação à inclusão; são as experiências cotidianas 
das crianças nas salas de aula que definem a qualidade 
de sua participação e a gama total de experiências de 
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 A Relação Família, Escola e Deficiência Intelectual
aprendizagem oferecidas em uma escola. Da mesma 
maneira, são importantes as interações e as relações 
sociais que as crianças têm umas com as outras e com 
os outros membros da comunidade escolar. As formas 
através das quais as escolas promovem a inclusão e 
previnem a exclusão constituem o cerne de qualidade de 
viver e aprender experimentado por todas as crianças.
O professor é o maior fomentador da inserção da criança com deficiência 
intelectual na escola, ele é quem pode e deve criar qualidade de aprendizagem, 
de socialização, de bem estar na escola para esses sujeitos. 
A partir do momento em que esse suporte não é fornecido pelo profissional 
da educação, compreende-se que é necessário que o mesmo busque modos 
de fazer com que sua prática pedagógica torne-se compatível com essa 
realidade da escola. 
Mesmo que alguns profissionais nas suas licenciaturas não tiveram 
disciplinas sobre a inclusão escolar, ainda assim isso não impede sua prática. 
Não estamos descartando a teoria escolar sobre a inclusão escolar, ela é 
extremamente necessária, no entanto, se o professor não teve acesso a esse 
tipo de conhecimento, deverá usar suas experiências e saberes adquiridos 
nas suas práticas pedagógicas, pois, sobre os “saberes experienciais”, Tardif 
(p.38 /39, 2002) esclarece que,
[...] os próprios professores, no exercício de suas funções 
e na prática de sua profissão, desenvolvem saberes 
específicos, baseados em seu trabalho cotidiano e no 
conhecimento de seu meio. Esses saberes brotam da 
experiências, são por elas validados. Eles incorporam-se à 
experiência individual e coletiva sob a forma de habituse de 
habilidades de saber-fazer e de saber-se. Podemos chamá-
los de saberes experienciais ou práticos. 
Esses saberes são muito importantes para sua prática pedagógica, no 
momento de inserção de seus conhecimentos experienciais anteriormente e 
que agora serão úteis na forma de inserir esse aluno em seu contexto escolar 
e buscar maneiras que possam ajudá-los na sua aprendizagem.
Essas aplicabilidades de saberes adquiridos nas experiências escolares 
de profissionais da educação são observadas naqueles que acreditam na 
educação inclusiva, que crêem no potencial das pessoas com deficiência 
intelectual.
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Reflexões sobRe a Inclusão escolaR Capítulo 4 
Para que você, caro pós-graduando, entenda melhor como se processa o 
conhecimento experiencial, apresentamos um pequeno texto que trata sobre 
esses saberes.
[...] os saberes que servem de base para o ensino, tais como 
são vistos pelos professores, não se limitam a conteúdos bem 
circunscritos que dependem de um conhecimento especializado. 
Eles abrangem uma grande diversidade de objetos, de questões, 
de problemas que estão todos relacionados com seu trabalho. 
Além disso, não correspondem, ou pelo menos muito pouco, aos 
conhecimentos teóricos obtidos na universidade e produzidos pela 
pesquisa na área da Educação: para professores de profissão, 
a experiência de trabalho parece ser a fonte privilegiada de seu 
saber-ensinar. Notemos também a importância que atribuem 
a fatores cognitivos: sua personalidade, talentos diversos, o 
entusiasmo, a vivacidade, o amor às crianças etc. Finalmente, 
os professores se referem também a conhecimentos sociais 
partilhados, conhecimentos esses que possuem em comum com 
os alunos enquanto membros de um mesmo mundo social, pelo 
menos no âmbito da sala de aula (TARDIF,2002, p. 61).
Busque compreender, caro pós-graduando, que a 
aprendizagem envolve tanto os saberes teóricos quando os 
aprendidos no dia a dia da prática escolar, não podendo esquecer 
que ensinar requer também usar o que já foi aprendido com os 
anos de experiência.
Gostaríamos de compartilhar com você este site: http://diversa.
org.br/
O projeto DIVERSA é uma plataforma de troca de experiências 
e construção de conhecimento sobre educação inclusiva.
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 A Relação Família, Escola e Deficiência Intelectual
Aqui você terá acesso a estudos de caso, vídeos, relatos de 
educadores, artigos, notícias e outros materiais de referência. 
Você também pode contribuir com o projeto enviando relatos de 
experiência que possam inspirar outras pessoas.
O DIVERSA é uma iniciativa do Instituto Rodrigo Mendes
, em parceria com o Ministério da Educação e diferentes 
organizações comprometidas com o tema da equidade.
Atividades de Estudos: 
1) Qual sua opinião, sobre uma reforma de pensamento para uma 
escola mais inclusiva?
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2) Estudamos que os conhecimentos adquiridos nas experiências 
são importantes, pois, de acordo com Tardif (p.38-39, 2002), 
“[...] os próprios professores, no exercício de suas funções e 
na prática de sua profissão, desenvolvem saberes específicos, 
baseados em seu trabalho cotidiano e no conhecimento de 
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Reflexões sobRe a Inclusão escolaR Capítulo 4 
seu meio”. No entanto, nunca devem ser descartados os 
conhecimentos teóricos da academia. Como você entende 
esses processos de conhecimentos teóricos e experienciais?
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