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UNIVERSIDADE VEIGA DE ALMEIDA ENGENHARIA DE PRODUÇÃO José Guilherme Montezano Lopes Vidigal Rafael Ferreira Modelagem de Sistemas Discretos Simulação Rio de Janeiro – RJ 2019 Modelagem de Sistemas Discretos Simulação Trabalho da Matéria Modelagem de Sistemas Discretos, apresentado a Izabel Saldanha como parte dos requisitos necessários para a Composição da Nota AV2 na Matéria do Curso de Engenharia de Produção Professora: Izabel Saldanha Rio de Janeiro 2019 2 Sumário Introdução 4 Definição de Simulação 5 Tipos de Simulação 6 Aplicações da Simulação 7 Metodologia da Simulação 8 Simulação de Monte Carlo 9 Definição da Simulação de Monte Carlo 9 Como surgiu a simulação de Monte Carlo 9 Aplicações da simulação de Monte Carlo 10 Vantagens da aplicação da simulação de Monte Carlo 11 Características Essenciais 11 Exemplo Prático 13 Bibliografia 14 3 Introdução O uso de simulação como é utilizada nos dias atuais teve seu no início dos anos 80 à medida que os computadores foram surgindo com maior tecnologia no mercado, além de se tornarem mais acessíveis à sociedade. Com o fim da década de 80, a introdução de computadores no mercado de utensílios domésticos e a possibilidade de realizar simulações , esta começou ganhar espaço nos grandes centros empresariais da época. Segundo KELTON e SADOWSK et al. (2004) “a simulação era usada principalmente como uma ferramenta para determinar a causa de acidentes e quem culpar.” Apesar de muito usada para analisar sistemas com falhas em muitos casos a simulação passou a ser solicitada antes do início do funcionamento do sistema e, já em empresas maiores, passou a ser pré-requisito para grandes investimentos e de grandes projetos. No Brasil a simulação é pouco difundida, sendo usada na maioria das vezes por grandes empresas na análise de grandes investimentos e de projetos para verificar sua viabilidade e potencial de retorno. 4 Definições de Simulação “Estudos de simulação buscam responder a perguntas sobre operações por meio de uma modelagem computacional, portanto, a intenção principal da modelagem é capturar o que realmente é importante no sistema para a finalidade em questão” Chwif and Medina (2006) .” Segundo Schriber (1974), “simulação implica na modelagem de um processo ou sistema, de tal forma que o modelo imite as respostas do sistema real numa sucessão de eventos que ocorrem ao longo do tempo.” De Acordo com Pegden (1991), a simulação é o processo de projetar um modelo de um sistema real e conduzir experimentos com este modelo com o propósito de entender seu comportamento e/ou avaliar estratégias para sua operação” A empresa nominada como Paragon (2017), representante do software de simulação ARENA no Brasil, se posiciona em seu site ( http://www.paragon.com.br), dizendo que: “A simulação computacional de sistemas, ou apenas simulação, consiste na utilização de certas técnicas matemáticas, empregadas em computadores, as quais permitem imitar o funcionamento de, praticamente qualquer tipo de operação ou processo do mundo real, ou seja, é o estudo do comportamento de sistemas reais através do exercício de modelos.“ Greenblatt (apud KLEIBOER, 1997) define simulação como um "modelo refletindo as características centrais de um sistema, processo ou ambiente, real ou proposto". Em Bruyne (1977), "a construção e a manipulação de um modelo operatório representando todo, ou parte de, um sistema ou processos que o caracterizam". 5 Tipos de Simulação Os modelos matemáticos de simulação, ou simplesmente modelos de simulação, podem ser classificados em: ● Estáticos ou dinâmicos : Denominam-se como modelos estáticos os que visam representar o estado de um sistema em um instante ou que em suas formulações não se leva em conta a variável tempo, enquanto os modelos dinâmicos são formulados para representarem as alterações de estado do sistema ao longo da contagem do tempo de simulação, ● Determinístico ou estocástico : são modelos determinísticos os que em suas formulações não fazem uso de variáveis aleatórias, enquanto os estocásticos podem empregar uma ou mais . ● Discretos ou contínuo : Modelos discretos aqueles em que o avanço da contagem de tempo na simulação se dá na forma de incrementos cujos valores podem ser definidos em função da ocorrência dos eventos ou pela determinação de um valor fixo, nesses casos só é possível determinar os valores das variações de estado do sistema nos instantes de atualização da contagem de tempo; enquanto para os modelos contínuos o avanço da contagem de tempo na simulação dá-se de forma contínua, o que possibilita determinar os valores das variáveis de estado a qualquer instante. 6 Aplicações da Simulação É importante observar que levando em conta essas definições não é preciso um computador, pois é possível fazer uma simulação apenas por conjecturas do tipo "e se", que podem ser mais abertas e chegar mais perto de técnicas de cenários (HEIJDEN, 1996; RINGLAND, 1998). Kleiboer (1997) coloca a técnica de cenários na mesma categoria de simulações, sendo dois conceitos diferentes sobre como modelar o mundo e aprender interativamente. Reibstein e Chussil (1999) colocam tanto as simulações quanto os cenários dentro da categoria "técnicas de predição". O uso de modelos está mais associado ao paradigma funcionalista de Burrel e Morgan (1982), tanto dentro do que esses autores classificam como "objetivismo" quanto dentro das "disfunções burocráticas". Isso significa que todas as linhas de pesquisa que utilizam esse paradigma e se valem de funções e modelos dentro da teoria dos sistemas podem se valer desse tipo de metodologia de pesquisa. Na administração isso inclui marketing, logística, finanças, produção e estratégia, tanto na área da gestão pública quanto na de empresas privadas. 7 Metodologia da Simulação Muitos projetos de simulação são fadados ao fracasso desde o início devido a um planejamento incompleto.Objetivos indefinidos, expectativas não realistas e uma falta de compreensão das necessidades frequentemente resultam em frustração e desapontamento. ● Definir objetivos - Definir objetivos deve levar em conta qual é a intenção final do modelo. Objetivos típicos de um projeto de simulação incluem: análise de desempenho; análise de capacidade; estudo comparativo; análise de sensibilidade; análise de otimização, entre outros. ● Identificar as Restrições - Tão importante quanto definir os objetivos é determinar as restrições sob as quais o estudo deve ser conduzido. Não se pode permitir que a simulação resolva o problema e o tempo do estudo ultrapasse o limite para a aplicação da solução, ou que o custo de se achar a solução exceda o benefício conseguido. Os objetivos devem ser amarrados pelas restrições do projeto tais como budget, prazos, disponibilidade de recursos etc. ● Preparar as especificações da Simulação – Com os objetivos claramente definidos e com as restrições conhecidas, as exigências da simulação podem ser determinadas. Definir as especificações da simulação é fundamental para se projetar o tempo e custo que serão necessários para completar o estudo. As especificações incluem: nível de detalhe; precisão e formas de experimento. ● Desenvolver um Budget e um cronograma - Com os objetivos e as restrições claramente definidas e a especificação preparada, um budget e um cronograma devem ser desenvolvidos, projetando as expectativas de custo e tempo para completar o estudo de simulação. Obviamente o tempo de um projeto dependerá de sua dificuldade e de seu tamanho. 8 Simulação de Monte Carlo Definição da Simulação de Monte Carlo Conhecido também como método de Monte Carlo ou MMC, a simulação de Monte Carlo é uma série de cálculos de probabilidade que estimam a chance de um evento futuro acontecer. Assim, são feitas diversas simulações para calcular probabilidades de um acerto ou perda. Inicialmente, a simulação de Monte Carlo era mais voltada para áreas da física, matemática e biologia. Mas como a teoria consegue tornar em estatísticas algumas situações, ela passou a ser usada para embasar decisões e fazer a gestão de riscos. A Simulação de Monte Carlo se provou útil em diversas áreas e tem sido uma técnica frequentemente usada por analistas do mundo todo, isso nas mais diversas áreas de finanças e investimentos. Seja através de software de amostragem ou por cálculos manuscritos. Como surgiu a Simulação de Monte Carlo De acordo com Hammerseley, o nome da teoria surgiu na Segunda Guerra Mundial. Durante a construção das primeiras bombas atômicas. Mas há registros de que outro físico, William Thomson, já tinha se referido ao termo “Simulação de Monte Carlo” pelo menos 40 anos antes. O método Monte Carlo também começou a ser usado para avaliar integrais matemáticas complicadas. O método, hoje, também pode ser usada para se fazer análise de mercado para investimentos, isso porque ela consegue demonstrar em dados variabilidade de riscos. Em 1946 o matemático Stanislaw Ulam durante um jogo de paciência tentou calcular as probabilidades de sucesso de uma determinada jogada utilizando a tradicional análise combinatória. Após gastar bastante tempo fazendo cálculos percebeu que uma alternativa mais prática seria simplesmente realizar inúmeras jogadas, por exemplo, cem ou mil, e contar quantas vezes cada resultado ocorria. 9 O Método de Monte Carlo foi formalizado em 1949, por meio do artigo intitulado “Monte Carlo Method”, publicado por John Von Neumann e Stanislav Ulam Aplicações da simulação de Monte Carlo A aplicação da simulação de Monte Carlo em finanças acontece principalmente para modelagem de simulação de um mercado de opção. Além disso, é comum usarem desse modelo para fazer avaliações de empresas. Isso porque se consegue fazer cálculos mais complexos, como a avaliação por opções. Outro ponto que favorece o uso da teoria na área financeira é que é possível integrar questões que não são possíveis de ser resolvidas só com análises. Por isso, a importâncias das demonstrações em dados. Monte Carlo é utilizado rotineiramente em muitos campos de conhecimentos que vão desde simulação de complexos fenômenos físicos e econômicos. Alguns exemplos de aplicação deste método, em diferentes áreas, são: ● Atuária: tábua de expectativa de vida, casamento de passivos/ativos, etc.; ● Finanças: séries macroeconômicas, opções futuras, hedge, etc.; ● Computação gráfica: redução de artefatos, espalhamento, etc.; ● Geologia: caracterização de reservatórios; ● Análise de Projetos: opções reais; ● Jogos: geração de redes (grafos). A teoria também pode ser usada para se calcular riscos em investimentos, isso porque permite calcular perdas em casos de aumento de inflação, juros e taxações, desvalorização de ativos e mudanças nas políticas monetárias. Todas as simulações feitas vão poder quais os cenários ideais e quais são os riscos de um investimento. Por isso, a teoria é tão utilizada para evitar surpresas. A simulação não garante acertos totais, mas permite que analistas possam prever possíveis cenários e buscarem estratégias para cada probabilidade. 10 Vantagens da aplicação da simulação de Monte Carlo Os resultados gerados indicam o que pode ocorrer, bem como os riscos destas ocorrências; A resolução gerada pela simulação permite a criação de gráficos que indiquem os diferentes resultados e probabilidades obtidas. Assim, a comunicação a respeito das informações geradas flui de maneira mais ágil dentro da empresa; O método permite que sejam identificados os projetos de maiores efeitos nos resultados finais; É possível apresentar como determinadas situações podem modificar conforme a eventualidade; As dificuldades de um projeto podem ser analisadas em diferentes formas; A geração de resultados permite projeções para o futuro, bem como auxílio na fase inicial de um projeto; Permite a prática de testes, o que resulta em praticidade. Características Essenciais O método torna desnecessário escrever as equações diferenciais que descrevem o comportamento de sistemas complexos. A única exigência é que o sistema físico ou matemático seja descrito (modelado) em termos de funções de densidade de distribuição de probabilidade (FDP). Uma vez conhecidas essas distribuições, a Simulação de Monte Carlo pode proceder fazendo as amostragens aleatórias a partir das mesmas. Este processo é repetido inúmeras vezes e o resultado desejado é obtido por meio de técnicas estatísticas (média, desvio padrão, etc.) sobre um determinado número de realizações (amostra) que podem chegar a milhões. A figura a seguir ilustra a ideia genérica do método, assumindo que o comportamento do sistema possa ser descrito por apenas uma FDP. 11 Figura 1 – Ideia genérica do Método de Monte Carlo Na prática, diante de um problema envolvendo incertezas, realizar uma Simulação com Monte Carlo para aproximar sua solução consiste em quatro passos padrões: A) Modelar o problema definindo uma FDP pararepresentar o comportamento de cada uma das suas incertezas. B) Gerar valores pseudo aleatórios aderentes à FDP de cada incerteza do problema. C) Calcular o resultado determinístico substituindo as incertezas pelos valores gerados obtendo, assim, uma observação do problema. Repetir os passos B e C até se obter uma amostra com o tamanho desejado de realizações. D) Agregar e manipular os resultados da amostra de forma a obter uma estimativa da solução do problema. Note que este método apenas proporciona uma aproximação da solução, portanto, é fundamental analisar o erro de aproximação, que é 3ơ/(N½), onde ơ é o desvio padrão da amostra e N o tamanho da amostra. Logo, é evidente que quanto maior o tamanho da amostra, menor o erro de aproximação. 12 Exemplo Prático A simulação de Monte Carlo pode ser utilizada para determinar, por exemplo, a probabilidade de ocorrência do número 7 ao se jogar dois dados comuns de seis faces. Acompanhe o passo a passo a seguir. A) As incertezas envolvidas são o resultado que cada dado apresentará ao ser jogado. Os valores que podem ser assumidos por cada incerteza são os números inteiros de 1 a 6, com igual probabilidade de ocorrência de cada número, pois são dados idôneos. Portanto, a FDP nos leva a um destes valores. B) A geração de dois valores pseudo aleatórios aderentes à FDP representará o resultado obtido ao se jogar os dois dados, ou seja, dois valores inteiros entre 1 e 6. C) O resultado determinístico é dado pela soma do resultado dos dois dados que foram obtidos no passo anterior, ou seja, valores entre 2 e 12. Se este valor é 7 temos um resultado positivo na observação, se não, um negativo. Repetindo o passo B e C conseguiremos obter uma amostra suficientemente grande, com n realizações. D) Com base na amostra podemos contar quantas vezes tivemos um resultado positivo e dividir pelo tamanho da amostra para obter a probabilidade desta ocorrência. Obviamente, esse problema é suficientemente simples para ser resolvido por análise combinatória, mas serve para exemplificar a simulação e tornar evidente que o esforço computacional envolvido está diretamente relacionado ao tamanho da amostra (quantidade de repetição dos passos B e C) que, por sua vez, conforme demonstrado, está diretamente relacionado ao erro de aproximação. Portanto, quanto menor o erro de aproximação desejado, maior o esforço computacional envolvido. 13 Bibliografia ● Método de monte carlo, Disponível em < https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/19632/19632_4.PDF/> , Acesso em 03 de Dezembro de 2019. ● Simulação de monte carlo, Disponível em < http://clubedefinancas.com.br/materias/simulacao-de-monte-carlo/> , Acesso em 03 de Dezembro de 2019. ● Método de monte carlo, Disponível em < https://sca.profmat-sbm.org.br/sca_v2/get_tcc3.php?id=150070513 > , Acesso em 03 de Dezembro de 2019. ● Simulacao de monte carlo, Disponível em < http://www.portalaction.com.br/simulacao-monte-carlo/41-introducao > , Acesso em 03 de Dezembro de 2019. ● O que e a simulacao de monte carlo, Disponível em < http://www.krozai.com.br/blog/o-que-e-a-simulacao-de-monte-carlo > , Acesso em 03 de Dezembro de 2019. ● conheca o conceito de simulacao de monte carlo e sua utilidade em uma gestao, Disponível em < https://www.ibccoaching.com.br/portal/conheca-o-conceito-de-simulacao-de-m onte-carlo-e-sua-utilidade-em-uma-gestao/ > , Acesso em 03 de Dezembro de 2019. ● Fonte: Suno Research em https://www.sunoresearch.com.br/artigos/simulacao-de-monte-carlo/ 14 https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/19632/19632_4.PDF http://clubedefinancas.com.br/materias/simulacao-de-monte-carlo/ http://clubedefinancas.com.br/materias/simulacao-de-monte-carlo/ http://www.krozai.com.br/blog/o-que-e-a-simulacao-de-monte-carlo https://www.ibccoaching.com.br/portal/conheca-o-conceito-de-simulacao-de-monte-carlo-e-sua-utilidade-em-uma-gestao/ https://www.ibccoaching.com.br/portal/conheca-o-conceito-de-simulacao-de-monte-carlo-e-sua-utilidade-em-uma-gestao/ ● Chwif, L. and Medina, A. 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