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Filosofia das Ciências: Bases Epistemológicas da Psicopedagogia Material Teórico Responsável pelo Conteúdo: Prof. Me. Bruno Pinheiro Ribeiro Revisão Textual: Prof.ª Me. Sandra Regina Fonseca Moreira Epistemologia da Psicopedagogia • O Desenvolvimento da Psicopedagogia; • O Objeto da Psicopedagogia; • As Práticas Psicopedagógicas. • Observar as transformações dos conceitos dos processos de aprendizagem; • Entender o objeto de estudo da psicopedagogia atualmente; • Estudar os métodos de trabalho da psicopedagogia nos ambientes clínicos e institucionais; • Compreender a importância da transdisciplinaridade como ferramenta de trabalho. OBJETIVOS DE APRENDIZADO Epistemologia da Psicopedagogia Orientações de estudo Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua formação acadêmica e atuação profissional, siga algumas recomendações básicas: Assim: Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e horário fixos como seu “momento do estudo”; Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo; No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você tam- bém encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados; Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus- são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e de aprendizagem. Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Determine um horário fixo para estudar. Aproveite as indicações de Material Complementar. Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma Não se esqueça de se alimentar e de se manter hidratado. Aproveite as Conserve seu material e local de estudos sempre organizados. Procure manter contato com seus colegas e tutores para trocar ideias! Isso amplia a aprendizagem. Seja original! Nunca plagie trabalhos. UNIDADE Epistemologia da Psicopedagogia O Desenvolvimento da Psicopedagogia Nas unidades anteriores estudamos conceitos importantes para a compreensão do campo de trabalho da psicopedagogia, com destaque para a apresentação de distintas perspectivas epistemológicas da pedagogia e da psicologia. Nesta unidade de nossa disciplina, nos concentraremos no desenvolvimento mais específico da psicopedagogia e em suas linhas epistemológicas. A psicopedagogia surgiu como área de conhecimento a partir da demanda prá- tica de atendimento a crianças com dificuldades de aprendizagem. Nos primórdios, em meados do século XIX, especialmente na França, sua abordagem agrupava saberes da medicina, psicologia e psicanálise. Com seu desenvolvimento posterior, outras áreas de conhecimento agregaram saberes às suas elaborações, tais como: Psicologia Social, Pedagogia, Teorias da Linguagem, entre outras. Nesse período inicial, os processos de aprendizagem recebiam fortes influências das perspectivas evolucionistas e praticavam-se testes e estudos para verificar a su- posta diferença de aprendizagem entre as crianças. É também nesse momento que as noções de anormalidade foram importadas da psiquiatria e passaram a compor o quadro analítico escolar. Desse modo, as crianças que não atingiam certos graus pré-estabelecidos de suposta aprendizagem eram entendidas como anormais, e, portanto, deveriam ser corrigidas, recondicionadas à normalidade. As dificuldades de aprendizagem foram sendo incorporadas ao ambiente edu- cacional e aos estudos teóricos, recebendo contribuições ao longo do século XIX, como as de: • Janine Mery, que apresentou o termo psicopedagogia para definir uma prática terapêutica para trabalhos sobre dificuldade de aprendizagem; • George Mauco, fundador do primeiro centro médico-psicopedagógico na Fran- ça, tentando articular conhecimentos da medicina, psicanálise, psicologia e pedagogia, a fim de solucionar problemas de comportamento e aprendizagem; • Jean Itard. Pestalozzi e Pereira também se concentraram em estudar, desen- volver pesquisas e abrir centros educacionais com reflexões e práticas sobre as dificuldades de aprendizagem; • No final do século XIX, Seguin e Esquirol deram destaque aos problemas neurológicos que compõem os processos de aprendizagem, sendo também quando Montessori desenvolveu um método sensorial dedicado, em princípio, às crianças com dificuldades. Essas iniciativas se intensificam e, no começo do século XX, surgem os pri- meiros centros de reeducação para deficientes infantis. A caracterização feita era organicista, logo, os problemas de aprendizado eram classificados como “distúr- bios”, como alguma coisa que precisava ser corrigida para que a criança voltasse à orientação normal. 8 9 S ó em meados do século XX é que essa concepção normativa passa a ser pro- blematizada, e novos contornos conceituais passam a ser explorados pela psicope- dagogia para designar problemas com a aprendizagem. O objetivo do tratamento psicopedagógico é o desaparecimento do sin- toma e a possibilidade de o sujeito aprender normalmente em condições melhores enfatizando a relação que ele possa ter com a aprendizagem, ou seja, que o sujeito seja o agente da sua própria aprendizagem e que se aproprie do conhecimento. (PÁIN apud BOSSA, 2007, p.21) Depois da França, a Argentina aparece como importante polo de desenvolvi- mento e aprofundamento dos estudos e práticas da psicopedagogia. Já imbuídos por essa reorientação epistemológica, a primeira faculdade de psicopedagogia é inaugurada em 1956, com forte influência da filosofia e posteriormente da psico- logia experimental. Na década de 1970 são criados, em Buenos Aires, Centros de Saúde Mental, onde trabalhavam os psicopedagogos. Depois de avanços significati- vos nas dificuldades de aprendizado, sintomas ligados à distúrbios de personalidade foram identificados nos pacientes, e a psicanálise passou a ser incorporada. N o final da década de 1970 e na década de 1980, alguns autores começam a questionar a origem das dificuldades de aprendizado e a perceber nas dinâmicas extra escolares, vetores de incidência sobre os alunos. Desse modo, passa-se a não responsabilizar individualmente alunos e famílias pelas dificuldades, e os fatores socio históricos passam a ser componentes fundamentais dos processos de aprendizado. O utro ponto importante que passou a ser debatido e implementado é a agência preventiva da psicopedagogia e não somente a sua prática clínica, sendo assim, as atividades educativas passaram a ter uma importância fundamental para esse pro- cesso de entendimento sobre a aprendizagem. E m 1990, uma importante mudança nos estudos e práticas da psicopedagogia é empreendida. Até então, grosso modo, a psicopedagogia tratava os processos de aprendizado com foco na doença, nos distúrbios, nos transtornos. A partir desse momento, começa a haver um ponto de inflexão, e a linha epistemológica da psico- pedagogia passa a centrar-se na caracterização do sujeito capaz de conhecer e em seus processos de aprendizado. Esse sujeito que é capaz de conhecer e aprender foi designado por Maria Cecília Silva como sujeito cognoscente. O Objeto da Psicopedagogia Uma das questões importantes para a compreensão epistemológica da psico- pedagogia é a sua dinâmica transdisciplinar. E la é produto de uma interface que converge múltiplas áreas do conhecimento e as elabora, tendo em vista a compre-ensão dos processos de aprendizagem. No entanto, é importante salientar que ela não é um mero reflexo das disciplinas que ela toma como referência, sobretudo a psicologia e a pedagogia. 9 UNIDADE Epistemologia da Psicopedagogia Como defende Bossa (2007, p.19), “a psicopedagogia enquanto produção de um conhecimento científico nasceu da necessidade de uma melhor compreensão do processo de aprendizagem, não basta como aplicação da psicologia à pedagogia”. Sendo assim, sua perspectiva epistemológica se relaciona com outras influências conceituais, por vezes se fazendo valer de conceitos importantes dessas disciplinas, contudo, sua perspectiva não é a de simplesmente somar conceitos e experiencias, e sim constituir um campo que consiga avançar nos estudos sobre o objeto em questão, o processo de aprendizagem. O artigo número 1 da Associação Brasileira de Psicopedagogia define seus ter- mos assim: A Psicopedagogia é um campo de conhecimento e ação interdisciplinar em Educação e Saúde com diferentes sujeitos e sistemas, quer sejam pessoas, grupos, instituições e comunidades. Ocupa-se do processo de aprendizagem considerando os sujeitos e sistemas, a família, a escola, a sociedade e o contexto social, histórico e cultural. Utiliza instrumentos e procedimentos próprios, fundamentados em referenciais teóricos dis- tintos, que convergem para o entendimento dos sujeitos e sistemas que aprendem e sua forma de aprender. (ABPP) Nesse ambiente transdisciplinar da saúde e da educação, a psicopedagogia se orienta fundamentalmente, segundo Golbert, citado por Bossa (2007) por dois parâmetros: o preventivo e o terapêutico. Na dinâmica preventiva, a educação é o pilar fundamental. É por meio dos processos educativos que o processo de apren- dizado deve ser entendido, e tal enfoque não se limita às escolas, ele se espraia pelas famílias, comunidades, instituições etc. Ou seja, a dimensão educacional, que procura compreender e melhorar os processos de aprendizado, é ampla, tentando se espalhar pelo corpo social como um todo. O parâmetro terapêutico se concen- tra no estudo, análise e elaboração de métodos de diagnóstico e tratamento para a dificuldades de aprendizado, tendo o trabalho clínico como grande agente. Figura 1 – Ecole rue Buffon, Paris Vème Fonte: DOISNEAU, Robert, 1956 10 11 Além das questões da validação de campo, dada a sua conjugação transdisci- plinar, a psicopedagogia também enfrenta, desde a sua fundação e no interior de seu desenvolvimento, o problema de definição de seu objeto. Se sabemos que a psicopedagogia debruça seus interesses sobre os processos de aprendizagem, é necessário que algumas perguntas sejam feitas, como: O que é aprendizagem? Como se aprende? O que é uma dificuldade de aprendizagem? Como lidar com dificuldades de aprendizagem? Como se educa? Quais as instâncias de prevenção e tratamento? E tantas outras perguntas que a teoria e a prática psicopedagógica tentam responder. No s primórdios da psicopedagogia, seu trabalho concentrava-se mais detida- mente nos processos de reeducação, nos quais a aprendizagem era medida de acordo com a capacidade de realização de determinados padrões, que quando não cumpridos era tratados como déficits. Se ndo assim, nessa perspectiva, a psicope- dagogia insidia para ultrapassar os déficits e atingir os padrões. O objeto da psi- copedagogia era então o “não-aprendizado”, ou seja, o sujeito que não aprendia e deveria aprender. Nessa linha epistemológica, buscava-se estabelecer uma norma que pudesse servir de corte para determinar a capacidade, e gerar um padrão, a fim de garantir uma uniformidade entre as crianças. Nu m momento posterior, por influência de outras áreas do conhecimento, so- bretudo a Psicologia Genética e a Psicanálise, a Psicopedagogia passou a conceber o “não-aprendizado” de uma outra maneira. Essa nova forma começou a conside- rar a singularidade dos sujeitos envolvidos nos processos de aprendizagem. Sendo assim, as características individuais das crianças, bem como suas histórias e seus contextos sócio culturais passaram a ser levados em conta para a compreensão do processo de aprendizagem. O foco agora deixa de ser o “não-aprendizado” e passa a ser o sujeito “aprendendo”. Depois dessa transição epistemológica, a psicopedagogia passou a entender a aprendizagem como dentro de uma dinâmica afetiva e intelectual que faz parte da constituição do sujeito. Constituição essa que dinamiza o meio no qual ele está inserido e, ao mesmo tempo, é dinamizada por esse meio. Sendo assim, a aprendizagem tem relação intrínseca com os processos sociais e culturais, com as relações familiares, com as amizades, com convivências das mais variadas e com características físicas e biológicas do sujeito. São esses elementos em conjunto e a relação que tecem nos processos de aprendizagem, que influenciam essa nova concepção psicopedagógica. Ne ssa perspectiva, as dificuldades de aprendizagem não são percebidas como irredutíveis, ao contrário, elas são passíveis de soluções. O foco dessa linha epis- temológica é a aposta no desenvolvimento dos processos de aprendizagem do sujeito. Ou seja, ne ssa dinâmica de aprendizagem, o intuito não é definir a apren- dizagem como parâmetro de um grupo determinado de sujeitos, nem de deter- minadas práticas específicas, sua intenção é que o aprender é possível mesmo diante das dificuldades. 11 UNIDADE Epistemologia da Psicopedagogia Figura 2 – Songs of freedom Fonte: ABOYA, Michel, 2019 As Práticas Psicopedagógicas Como destacado anteriormente, as práticas psicopedagógicas têm dois parâme- tros fundamentais: a prevenção e o tratamento. A partir de cada um desses parâ- metros se articulam uma série de práticas, métodos, ambientes e reflexões. Nesse contexto, a família, a escola e a clínica aparecem como atores fundamentais para os processos de aprendizado, e o ideal é que haja um trabalho integrado entre esses três atores sociais. Começaremos nossos estudos sobre as práticas psicopedagógicas com as ativi- dades de tratamento. As atividades de tratamento são produzidas, de modo geral, pelo trabalho clíni- co, e em grande parte realizadas no espaço do consultório. Para a psicopedagogia, o profissional responsável por esse trabalho deve ter como foco a compreensão de como, por que e o que o sujeito aprende, além de apreender as formações e trans- formações desse sujeito, tentando entender como os recursos de conhecimento são mobilizados pelo sujeito. O trabalho acontece fundamentalmente em duas fases: o diagnóstico e a inter- venção. No diagnóstico, a investigação e a reflexão sobre os possíveis problemas é 12 13 o norte do tratamento. Na intervenção, algumas práticas são experimentadas para a tentativa de avanço no processo de aprendizagem. O c uidado e a atenção especial dedicados à criança são fatores muito impor- tantes para que o processo transcorra de maneira interessante. Nesse sentido, é substancial perceber sensivelmente na criança seu ritmo, sua construção do pen- samento, sua maneira de se comunicar, suas formas de expressão etc. A c onexão com a escola e com outros profissionais é outro fator importante nesse processo, bem como a percepção das relações sociais nas quais a criança está inserida. Figura 3 Fonte: PETROS, Dawit Essas bases de pensamento sobre os processos de aprendizado e seus possíveis tratamentos desenvolveram alguns métodos e práticas para a realização do traba- lho clínico. Abaixo, estudaremos algumas dessas formas de atuação. A en trevista com a família é um primeiro passo importante. Ness a etapa do trabalho clínico, há a escuta do motivo da consulta e a narração da história de vida do sujeito. Nesse primeiro momento, o psicopedagogo deve deixar a família falar de modo espontâneo, e, a partir disso, procurar perceber se a família acredita ser possível o aprendizado da criança e se a criança demostra interesse pela aprendi- zagem. Além disso, o profissional deve observar o comportamentoentre a família, e da família com a criança, e questionar o que a família espera do tratamento. No segundo momento da entrevista, o terapeuta deve buscar elementos na vida da criança que possam dar alguma causalidade para a dificuldade de aprendizado, como traumas, dificuldades de socialização, aspectos físicos e biológicos, falta de interesse, entre outros. O pr óximo passo é a entrevista com o sujeito. Ness e momento, o psicopedagogo ouve a criança, procura que ela expresse o que ela entende como motivo da consul- ta. Nessa instância são diagnosticadas as dificuldades e o potencial de aprendizado. Com isso será possível definir quais instrumentos de avaliação serão necessários 13 UNIDADE Epistemologia da Psicopedagogia para o desenvolvimento do tratamento. É bom que se diga, não há uma regra fixa para essa conduta, é necessário que o terapeuta, com base em seus estudos e em sua experiência, tenha sensibilidade para avaliar o sujeito e seu contexto. A seguir, há o contato com a escola, que pode acontecer antes ou depois da entrevista com o sujeito. Mais uma vez, não há uma regra pré estabelecida, valendo assim a sensibilidade de leitura do psicopedagogo. Nesse período, é importante que o contato com a escola seja fluido, para que se possa comunicar o tipo e o modo do trabalho, bem como para que o terapeuta possa ter um canal direto de diálogo com o(a) professor(a) da criança. O contato com outros profissionais é outro elemento fundamental do trabalho clínico. A partir deste contato, é possível proceder com uma avaliação multidiscipli- nar que tendencialmente é mais rica e complexa, conseguindo assim endereçar de maneira mais qualificada o tratamento para a melhoria no processo de aprendiza- gem do sujeito. A devolutiva constitui-se como a etapa final desse processo de diagnóstico e iní- cio do tratamento, e ela deve ser dirigida à família da criança. Na devolutiva, o psi- copedagogo apresenta à família suas avaliações, fazendo um resumo do processo de diagnóstico e apresentando possibilidades de trabalho. É nesse momento que se conectam elementos da vida da criança, do motivo da consulta, da dinâmica escolar e da relação com os outros profissionais. Os outros ambientes de trabalho da psicopedagogia são as instituições, onde a instância é preventiva. Nesse ambiente, são avaliadas as metodologias, os proces- sos didáticos e a dinâmica de funcionamento da instituição. Ou seja, o objeto de es- tudo é a instituição, como espaço físico e psíquico de formação e desenvolvimento dos processos de aprendizagem dos sujeitos. É mais comum que esses espaços institucionais correspondam às escolas, mas também é possível que empresas, hospitais e instituições públicas sejam espaços de trabalho para a psicopedagogia. Além do caráter preventivo, a atuação institucional também pode prever a atividade clínica, realizando assim investigações, proceden- do avaliações dos casos e recomendando intervenções para o avanço dos processos de aprendizagem. No ambiente escolar, de acordo com Cavichia (2000), o trabalho da psico- pedagogia pode ser o de assessor ou coordenador pedagógico. Na assessoria, cabe a interlocução com educadores e a reflexão sobre suas práticas pedagógi- cas. Na coordenação, faz-se necessário orientar aos educadores em relação ao trabalho com as crianças, de modo que as identidades profissionais e pessoais possam ser esclarecidas. Assim como no trabalho clínico, o trabalho institucional prevê a interdisciplina- ridade, de modo que as avaliações sobre os processos de aprendizagem possam ser mais completas e complexas, gerando mais qualidade nos métodos de trabalho. 14 15 Como mencionado anteriormente, o trabalho institucional se destaca como pre- ventivo e, para Bossa (2007), existem três níveis de prevenção. O pr imeiro deles trabalha com questões didático metodológicas e é direcionado aos educadores e ao aconselhamento da família. Seu objetivo é mitigar os problemas de aprendiza- gem, evitando que eles se desenvolvam e cresçam em tamanho e complexidade. No segundo nível, são realizados diagnósticos e depois propostas de intervenções para que os transtornos instalados possam diminuir. O terceiro nível consiste na tentativa de eliminação desses transtornos. E embora seja uma instância com forte caráter clínico, a prevenção nas instituições é muito importante para que este trans- torno não se reestabeleça, ou mesmo que novos transtornos apareçam. A escola é o ambiente onde acontece, ou deveria acontecer, a parte mais subs- tancial do processo de aprendizagem do sujeito, e embora ela ainda não consiga trabalhar dinamicamente com as necessidades preventivas, deve ser um espaço de prática e desenvolvimento metodológico e didático para a psicopedagogia, bem como um objeto de estudo importante para o desenvolvimento e o aprimoramento dos processos de aprendizagem na sociedade. Figura 4 – Teatro de Arena da UFRJ Fonte: Acervo UFRJ 15 UNIDADE Epistemologia da Psicopedagogia Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Sites Código de Ética do Psicopedagogo http://bit.ly/32XBQw7 Revista da Associação Brasileira de Psicopedagogia http://bit.ly/38vwppi Vídeos Especialização em Psicopedagogia Clínica e Institucional na UEM https://youtu.be/-n4Q4BPYY8k Qual a função do psicopedagogo? https://youtu.be/d-s_TmahO_A 16 17 Referências ABPP. Site da Associação Brasileira de Psicopedagogia. Disponível em: <ht- tps://www.abpp.com.br/>. Acessado em: 20/02/2020. BARBOSA, L. M. S. A Epistemologia da Psicopedagogia: Reconhecendo seu fundamento, seu valor social e seu campo de ação. Comemorando os 15 anos da ABPP – Paraná Sul, 2016. Revista Psicopedagogia, 2007. BOSSA, Nadia A. A Psicopedagogia no Brasil: contribuições a partir da prática. Porto Alegre: Artmed, 2007. CAVICCHIA, D. C. 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