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DAS VÁRIAS ESPÉCIES DE CONTRATO
I - DA COMPRA E VENDA
I.1.- Conceito:
A definição do instituto pode ser extraída do art. 481, CC: “Pelo contrato de compra e venda, um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa, e o outro, a pagar-lhe certo preço em dinheiro”.
Assim, trata-se de um contrato donde defluem obrigações recíprocas para cada uma das partes. Para o vendedor, a obrigação de transferir o domínio da coisa; para o comprador, a de entregar o preço.
I.2) O caráter obrigacional da compra e venda
No direito brasileiro, os efeitos derivados do contrato são meramente obrigacionais, e não reais, pois a compra e venda não transfere, por si só, o domínio da coisa vendida, mas apenas gera para o vendedor a obrigação de transferi-lo.
Há a necessidade, portanto, no tocante aos bens móveis, da tradição para a transferência da propriedade.
Demonstra tal tese o art. 1.267, CC, que afirma que a propriedade das coisas não se transfere pelos negócios jurídicos antes da tradição.
Seguiu o nosso código a orientação do direito romano, desprezando a tradição francesa para quem do contrato de compra e venda derivam efeitos reais, visto que, através dele, e sem outras formalidades, o comprador adquire o domínio.
I.3) Natureza Jurídica
A compra e venda é contrato:
Consensual; em oposição aos contratos reais, se aperfeiçoa independentemente da entrega do objeto, pela mera coincidência da vontade das partes sobre o preço da coisa (art. 482, CC)
Sinalagmático; envolve prestações recíprocas de ambas as partes;
Oneroso; implica sacrifício patrimonial para ambos os contratantes;
Comutativo; a estimativa da prestação a ser recebida por qualquer das partes pode ser feita no ato mesmo em que o contato se aperfeiçoa.
Em alguns casos, no entanto, nos deparamos com contratos aleatórios – art. 458, CC e art. 459, CC. Exemplificamos a questão com a “venda de coisa futura”: frutos de uma colheita esperada.
Alguns casos sujeito à forma prescrita em lei, mas no mais das vezes independendo de qualquer formalidade.
I.4) Elementos da Compra e Venda
Extrai-se do art. 482, CC três elementos:
a) consensualismo: basta o acordo de vontades, deve recair sobre o objeto e sobre o preço;
b) preço: deve ser em dinheiro sob pena, em determinados casos, de caracterizar contrato de troca; deve também ser sério sob pena de ser entendido como doação.
Deve ser determinado ou, ao menos, determinável. Nesse sentido, a lei autoriza que as partes deixem a sua fixação a critério de terceiros (art. 485, CC), ou a taxa de mercado (art. 486, CC).
Não se admite, porém, que uma das partes exclusivamente posso fixar o preço (art. 489, NCC)
c) coisa: engloba todas as coisas móveis e imóveis que não estejam fora do comércio.(escapam as insuscetíveis de apropriação e as legalmente inalienáveis).
I.5) Da Venda de Coisa Alheia:
De regra é nula, pois ninguém pode alienar o que não é seu. Duas exceções:
a) o vendedor, ao depois e antes que o comprador sofra a evicção, torne-se proprietário da coisa.
b) se as partes souberem desde o início que a coisa pertence a terceiro, o negócio valerá como promessa de fato de terceiro, uma vez que o alienante estará prometendo que obterá a anuência do proprietário para vender a coisa.
I.6) Consequências subsidiárias decorrentes da compra e venda:
a) obrigações acessórias: responsabilidade pela evicção e pelos vícios redibitórios:
O alienante responde pela perda que o adquirente venha a sofrer ao ser privado da coisa comprada, em virtude de sentença judicial que a atribuir a terceiro, como também responde pelos vícios ocultos de que a coisa vendida por acaso seja portadora.
b) despesas do contrato:
As partes podem fixar quem deverá arcar com as despesas mas, no silêncio, o art. 490, CC, determina que as despesas de escritura ficarão a cargo do comprador e as de tradição a cargo do vendedor.
c) o problema dos riscos:
O art. 492, CC, determina que “até o momento da tradição, os riscos da coisa correm por conta do vendedor, e os do preço por conta do comprador”
O parágrafo 1o. do art. 492 estipula que os casos fortuitos ocorridos no ato de contar, marcar ou assinalar coisa que já estiverem a disposição do comprador, correrão por conta destes. Veremos exceção a esta regra quando o comprador estiver em mora de receber a coisa comprada (parág. 2o. do art. 492, CC)
d) a questão da garantia:
Por seu um contrato bilateral, não sendo ajustado prazo diferenciado, a permuta das prestações deve ser simultânea. Nesse sentido, o art. 491, CC. Verifica-se, aqui, que a lei mune o vendedor de uma “direito de retenção”.
O art. 495, CC, determina que o vendedor poderá sobrestar a entrega da coisa pactuada a termo sempre que o comprador estiver em insolvência, exigindo caução. Este artigo deve ser lido em consonância com o artigo art. 477, CC.
II.- Cláusulas especiais à compra e venda:
a) Retrovenda
A retrovenda é a cláusula adjeta à compra e venda pela qual o vendedor se reserva ao direito de reaver, em certo prazo, o imóvel alienado, restituindo ao comprador o preço ou valor recebido, mais as despesas por ele realizadas durante o período de resgate, desde que autorizadas por escrito, inclusive as empregadas em melhoramentos necessários do imóvel.
Apenas admissível nas propriedades de bens imóveis.
O adquirente terá propriedade resolúvel que se extinguirá no instante em que o alienante exercer o seu direito de reaver o bem.
O CC, em seu art. 512, fala que o prazo para a resgate ou retrato é de três anos. Se as partes fixarem prazo com excesso será considerado não escrito.
Se a coisa vier a perecer em virtude de caso fortuito ou força maior, extingue-se o direito de resgate, uma vez que houve perda do bem para o comprador, sem que ele seja obrigado a pagar o seu valor, e do direito para o vendedor. Se o imóvel se deteriorar, o vendedor não terá direito à redução proporcional do preço, que deverá restituir ao comprador.
O comprador, enquanto detiver a propriedade sob condição resolutiva, terá direitos aos frutos e rendimentos do imóvel, não respondendo pelas deteriorações surgidas dentro do prazo reservado para resgate, salvo se agir dolosamente.
Se a cláusula de retrovenda for nula, tal nulidade não afetará a validade da obrigação principal.
Na retrovenda, o vendedor conserva a sua ação contra terceiros adquirentes da coisa retrovendida, ainda que eles não conhecessem a cláusula de retrato (art. 507, CC). Assim, se o vendedor fizer uso do seu direito de retrato, resolver-se-á a posterior alienação do imóvel feita pelo adquirente a terceiro, mesmo que o pacto de retrovenda não tenha sido averbado no registro imobiliário.
b) Venda a Contento
É a que se realiza sob a condição de só se tornar perfeita e obrigatória se o comprador declarar que a coisa adquirida lhe satisfaz.
O negócio somente se aperfeiçoa com a manifestação de agrado da coisa pelo adquirente.
O vendedor não poderá discutir a manifestação de desagrado do comprador que tem julgamento de caráter subjetivo e interno.
Destina-se geralmente àqueles negócios que têm por objeto gêneros que se costumam provar, medir, pesar ou experimentar antes de aceitos.
A matéria vem tratada nos artigos 509 a 512 do CC.
O CC (art. 509) entende que é uma venda realizada sob condição suspensiva (ainda que a coisa lhe tenha sido entregue), somente se aperfeiçoando se o adquirente manifestar sua vontade.
Consequências:
a) enquanto não advier a manifestação de concordância do adquirente, e a despeito de ter havido a tradição, o domínio continua com o alienante, que sofre as perdas advindas do fortuito;
b) não tendo adquirido o domínio, o comprador é, antes da ocorrência da tradição, mero comodatária, com o dever de restituir o bem respondendo por perdas e danos por culpa, sem ter direito a cobrar as despesas de conservação (salvo extraordinárias).
A lei não determina tempo para a manifestação de interesse do comprador. Assim, se no contrato não tiver prazo, poderá o vendedor intimar o adquirente para que, num intervalo improrrogável, declare se a coisa lhe satisfaz ou não, sobpena de considerar perfeita venda (art. 512, CC)
c) Preempção
Preempção ou preferência é o pacto adjeto à compra e venda em que o comprador de uma coisa móvel ou imóvel fica com a obrigação de oferecê-la a quem lhe vendeu, para que este use de seu direito de prelação em igualdade de condições, no caso de pretender vendê-la ou dá-la em pagamento.
Somente existirá se o comprador resolver vender a coisa, o vendedor quiser adquiri-la, e estivermos dentro de um prazo determinado. Caso contrário, não será exigível.
A matéria vem regulada nos artigos 513 a 520 do CC.
Alteração: art. 513, parágrafo único: o prazo para exercício do direito de preferência não poderá exceder 180 dias se for bem móvel ou 2 anos se for bem imóvel.
O vendedor pode também exercer o seu direito de prelação, tendo conhecimento de que a coisa vai ser vendida, intimando o vendedor. (art. 514, CC)
Não observado o direito de preempção, não se inibe a venda feita a terceiro mas responderá o alienante por perdas e danos. (art. 518, CC)
Segundo o art. 516, CC, inexistindo outro prazo, o direito de preempção caducará se não exercido em 3 dias (bens móveis) ou 60 dias (bens imóveis).
O art. 519, CC, estipula que se a coisa expropriada para fins de utilidade pública ou interesse social, se não for adotada para o destino desapropriatório, conferirá ao expropriado o direito de preempção pelo preço atual da coisa.
Diferenças para a Retrovenda:
a) enquanto na retrovenda o negócio original se resolve, no pacto de preferência há uma aquisição feita pelo vendedor primitivo ao primitivo comprador;
b) enquanto a retrovenda recai tão-só sobre bens imóveis, o pacto de preferência não sofre igual restrição;
c) enquanto que na retrovenda o vendedor conserva o direito de readquirir a coisa, desde que o queira e pelo preço que vendeu, na preempção o pretendente só pode recomprar a coisa se o proprietário a quiser vender e pelo preço que for alcançado no mercado.
d) Reserva de Domínio
A matéria vem regulada no CC nos artigos 521 a 528.
Tem-se a reserva de domínio quando se estipula, contrato de compra e venda, em regra de coisa móvel infungível, que o vendedor reserva para si a sua propriedade até o momento em que se realize o pagamento integral do preço.
O comprador só adquire o domínio da coisa se integralizar o preço, momento em que o negócio terá plena eficácia.
Negócio confere ampla garantia ao vendedor uma vez que, se não for pago o preço, poderá optar entre reclamar o preço ou reaver a coisa, por meio de ação de busca e apreensão ou reintegração de posse.
Caso decida pela recuperação do bem, nos termos do art. 527, CC, poderá reter as prestações pagas até o necessário para cobrir a depreciação da coisa, as despesas feitas e o mais de direito que lhe for devido, sendo o excedente devolvido ao comprador.
Deverá ser o devedor constituído em mora mediante o protesto do título ou interpelação judicial antes do ajuizamento de qualquer ação.
O comprador deverá suportar os riscos da coisa durante todo o período em que estiver como bem (pode se utilizar até de interditos), uma vez que, embora o vendedor conserve o domínio, com a tradição passou o adquirente a usar e gozar do bem, retirando todas as vantagens que a coisa puder lhe oferecer.
A cláusula de reserva de domínio não impede que a coisa seja vendida a terceiro, desde que haja permissão do alienante, situação em que o ônus se transmitirá.
e) Venda sobre documentos
Em razão da ampla utilização nos negócios de importação e exportação da venda contra documentos, a matéria vem regulada pelo CC em seus artigos 529 a 532.
A grande novidade é justamente a substituição da figura da tradição da coisa pela entrega de seu título representativo e dos outros documentos exigidos pelo contrato.
O pagamento, salvo estipulação em contrário deverá ser feitos no ato da entrega dos documentos, e o comprador não poderá recusar-se ao pagamento, alegando defeito de qualidade ou de estado na coisa vendida, exceto se o vício já estiver comprovado.
 
Exercício resolvido:
O que significa o caráter obrigacional do contrato de compra e venda?
No direito brasileiro, os efeitos derivados do contrato são meramente obrigacionais, e não reais, pois a compra e venda não transfere, por si só, o domínio da coisa vendida, mas apenas gera para o vendedor a obrigação de transferi-lo. Há a necessidade, portanto, no tocante aos bens móveis, da tradição para a transferência da propriedade. Demonstra tal tese o art. 1.267, CC, que afirma que a propriedade das coisas não se transfere pelos negócios jurídicos antes da tradição.  Seguiu o nosso código a orientação do direito romano, desprezando a tradição francesa para quem do contrato de compra e venda derivam efeitos reais, visto que, através dele, e sem outras formalidades, o comprador adquire o domínio.
 
 
Exercício 1:
Quanto às frases abaixo:
I – Na compra e venda, um dos contratantes se obriga a transferir o domínio  de certa coisa, e o outro, pagar-lhe certo preço em dinheiro. 
II – Na compra e venda apenas um dos contratantes assume obrigações, qual seja aquele que estiver obrigado a pagar opreço do negócio, razão pela qual é considerado o mesmo uma espécie de contrato bilateral.
III - A compra e venda, em regra, é um contrato formal
Podemos afirmar que:
A) Apenas a assertiva I é verdadeira;
B) Apenas a assertiva II é verdadeira;
C) Todas as assertivas são verdadeiras;
D) Todas as assertivas são falsas.
 
E) somente a assertiva III está correta
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(A)
Comentários:
A) É um contrato bilateral onde as partes tem obrigação
Exercício 2:
A venda de ascendente para descendente:
A) é nula;
B) é anulável, salvo se os outros descendentes e o cônjuge do alienante expressamente houverem consentido,
C) não está regulamentada no atual Código Civil;
D) independe da anuência dos demais descendentes.
E) nda
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(B)
Comentários:
B) É anulável pode ser entendida como um benefício
Exercício 3:
Com relação à venda a contento:
 
 
A) reputar-se-á feita sob condição resolutiva;  
 
B) esta espécie de venda constitui pacto adjeto a contratos de compra e não se constituirá perfeita enquanto o comprador não manifestar o seu agrado; 
 
C) impõe ao comprador a obrigação de oferecer ao vendedor a coisa que aquele vai vender;  
 
D) exige que o vendedor, não pago, desfaça o contrato;
E) A venda a contento foi revogada pelo atual Código Civil.
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(B)
Comentários:
B) O vendedor não poderá discutir a manifestação de desagrado do comprador que tem julgamento de caráter subjetivo
Exercício 4:
A venda e compra entre cônjuges:
A) é nula;
B) é anulável;
C) é lícita em relação a qualquer bem;
D) é lícita apenas em relação aos bens excluídos da comunhão.
E) somente é possível de ser realizada no casamento submetido ao regime da comunhão universal de bens;
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(D)
Exercício 5:
Nos contratos de compra e venda, assinale, dentre as respostas abaixo, a única alternativa correta:
A) O contrato de compra e venda é real, uma vez que sempre há necessidade da tradição.
B) A fixação de preço não pode ser feita em função de índices e parâmetros, ainda que suscetíveis de objetiva determinação.
C) Quando se tratar de bem móvel o vendedor pode reservar para si a propriedade até que o preço seja integralmente pago.
D) É impossível ocorrer a evicção, pois está somente ocorre nos contratos gratuitos.
E) É possível juridicamente o contrato de compra e venda de herança de pessoa viva.
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(C)
Exercício 6:
Adotou o direito brasileiro teoria segundo a qual a aquisição de um bem móvel, decorrente de um contrato de compra e venda, ocorre: 
A) no ato do pagamento;
B) no ato da assinatura do contrato;
C) no ato da tradição;
D) todas as situações acima podem ser consideradas como efetivação do contrato.
E) pela transcrição
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(C)
Exercício 7:
O contrato de compra e venda: 
A) Considera-se obrigatórioe perfeito quando as partes acordem no objeto e no preço.
B) Não pode ter por objeto coisa futura, uma vez que a coisa ainda não existe.
C) É lícita a venda quando deixa ao arbítrio exclusivo de uma das partes a fixação do preço.
D) É impossível ser realizada sobre documentos, pois sempre se exige a tradição da coisa.
E) A retrovenda é uma cláusula que pode ser inserida quando o objeto for bem móveis.
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(A)
Comentários:
A) Obriga as partes a deveres e obrigação
Exercício 8:
A venda "ad mensuram": 
A) Não foi previsto no Código Civil.
B) É a mesma coisa que venda "ad corpus".
C) É uma venda que recai sobre bens incorpóreos.
D) É uma venda realizada à vista de amostras, protótipos ou modelos, em que o vendedor assegura ter a coisa as qualidades que a elas correspondem.
E) É uma venda em que o preço é estipulado com base nas dimensões do imóvel (alqueire, hectare ou metro quadrado).
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(E)
Comentários:
E) É a venda de bem com medida exata
Exercício 9:
Assinale a alternativa correta:
 
A) A cláusula de retrovenda prevê a possibilidade do vendedor de bem imóvel em recobrar o bem no prazo decadencial de 3 anos, restituindo o preço recebido e reembolsando as despesas do comprador
 
B) A cláusula de preempção impõe ao comprador a obrigação de oferecer ao vendedor a coisa que vai vender, ou dar em pagamento, desde que seja pago valor superior
C) Não é possível a celebração de contrato de troca ou permuta de bens imóveis. Nesse caso, será necessário a realização de dois contratos de compra e venda
D) a cláusula de preferência é considerada abusiva.
E) não há prazo máximo para que seja exercido o direito inserido na cláusula de retrovenda.
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(A)
Comentários:
A) Inclusive as que durante o período de resgate, se efetuaram com a sua autorização escrita, realização de benfeitoria
DA TROCA
I.1- Conceito:
A troca ou permuta, é o contrato pelo qual as partes se obrigam a dar uma coisa por outra, que não seja dinheiro.
As prestações dos permutantes são em espécie e não em dinheiro como na compra e venda. Necessário a presença de dois bens, sendo certo que se um dos contratantes prestar um serviço, não será troca.
Aliás, vale ressaltar que a compra e venda é espécie do contrato de troca uma vez que àquele é posterior a este, já que a compra e venda somente surgiu após o aparecimento da moeda.
Da mesma forma que a compra e venda a troca é negócio jurídico bilateral, oneroso, comutativo, translativo de propriedade e consensual (de regra, podendo ser solene se forem permutadas coisas móveis).
A matéria vem regulada pelo artigo 533 do CC.
I.2 – Regramento:
Aplicam-se para a troca, em geral, as mesmas disposições aplicáveis à compra e venda, vale dizer, evicção, vícios redibitórios, etc. Duas, porém, são as particularidades:
a) Como ambas as partes são ao mesmo tempo adquirentes e alienantes, as despesas do contrato, salvo convenção em contrário, serão repartidas entre os permutantes. - Observa-se que na compra e venda, as despesas de escritura ficam a cargo do comprador e as da tradição correm por conta de vendedor (art. 490, CC).
b) Da permuta de valores desiguais:
Observa-se, a princípio, que nem sempre os valores permutados são equivalentes, razão pela qual para compensar a diferença, necessário se faz a complementação em dinheiro da eventual diferença.
Ainda assim, com quantias em dinheiro envolvidas no negócio, estaríamos diante de troca ou passaríamos a contar com a compra e venda?
A corrente defendida por Silvio Rodrigues sustenta que até a concorrência de valores há permuta, sendo que se transforma o negócio em compra e venda se o desembolso em dinheiro é excessivo.
Ainda que a distinção seja em parte meramente teórica na medida em que aplicam-se para a troca as mesmas disposições para a compra e venda.
Assim, se houver diversidade de valores, o negócio, no que concerne ao excesso, constitui uma liberalidade (se não houver torna) ou, então, uma compra e venda no que diz respeito ao sobrepreço, se este for superior ao valor da permuta.
b.1) Entre descendentes:
Há necessidade de observação quando se tratar de negócio envolvendo ascendentes e descendentes, o artigo 496 do CC diz ser anulável a troca com valores desiguais neste caso ser não houver a concordância dos demais descendentes e do cônjuge do alienante.
Note-se que o parágrafo único do artigo 496 do CC, dispensa o consentimento do cônjuge se o regime de bens for o da separação obrigatória.
LOCAÇÃO DE COISAS
I – CONCEITO
É o contrato pelo qual uma das partes se obriga a conceder à outra o uso e gozo de uma coisa não fungível, temporariamente e mediante remuneração (Carlos Roberto Gonçalves).
 
II ) NATUREZA JURIDICA :
- Contrato bilateral oneroso,
- comutativo (cada parte desde o momento do ajuste,pode antever a prestação que lhe será fornecida, a qual subjetivamente é equivalente a que se dispõem a dar),
- consensual (tendo em vista que se aperfeiçoa com o acordo de vontades, gerendo um direito pessoal).
III) ELEMENTOS
A) TEMPO: A locação pode ser convencionada por tempo determinado ou indeterminado.
B) REMUNERAÇÃO: A remuneração, na locação de coisas, é denominada de aluguel.
C) OBJETO DO NEGÓCIO: a locação pode ter por objeto uma coisa móvel ou imóvel
 
Exercício resolvido:
O que é contrato de permuta?
A troca ou permuta, é o contrato pelo qual as partes se obrigam a dar uma coisa por outra, que não seja dinheiro. As prestações dos permutantes são em espécie e não em dinheiro como na compra e venda. Necessário a presença de dois bens, sendo certo que se um dos contratantes prestar um serviço, não será troca.
 
DOAÇÃO
 
Considera-se doação o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere de seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra. É um contrato previsto nos artigos 538 a 564, do Código Civil.
O artigo 538 do Código Civil menciona a transferência de "bens ou vantagens", Objeto da doação é, portanto, a prestação de dar coisa ou vantagens . Pode ser objeto da doação todo bem que esteja "in commercium", ou seja, qualquer coisa que tenha expressão econômica e possa ser alienada, Incluem-se os bens móveis, imóveis, corpóreos, incorpóreos, consumíveis e inconsumíveis.
Assim como há promessa (ou compromisso) de compra e venda, pode haver, também, promessa de doação. Há controvérsias, entretanto, a respeito da exigibildiade de seu cumprimento. A promessa de doação em favor da prole é admitida quando realizada dentro de acordo homologado judicialmente.
Os elementos da doação são os seguintes:
. "animus donandi" - é o elemento subjetivo, é a intenção de fazer a doação.
. transferência - é o elemento objetivo.
.aceitação - a aceitação deve ser expressa, tácita ou presumida.
 
Espécies de doação:
. doação purae simples:  é aquela que constitui uma liberalidade, pois o doador não exige uma contraprestação.
. doação onerosa (com encargo, gravada ou modal): não há uma liberalidade total, pois o doador impõe um determinado encargo ao donatário. Assim, por exemplo, o autor da liberalidde impõe ao município donatário a construir uma escola na área urbana doada.
. doação remuneratória: é aquela que se destina ao pagamento de serviços prestados que não podem ser mais cobrados. É o caso do paciente que paga serviços prestados ao seu médico, mas quando a ação  de cobrança já estava prescrita. 
. doação em contemplação do merecimento do donatário: ocorre quando o doador declara que o motivo da doação é o merecimento do donatário.
. doação em contemplação de casamento futuro: é uma doação condicional, pois somente valerá se o casamento ocorrer.
. doação com cláusula de retorno: caso o donatário faleça antes do doador o bem doado retorna a este.
. doação feita ao nascituro: o artigo 542 do Código Civil dispõe que tal espécie de doação valerá se for aceita pelo seu representante legal.
. doação em forma de subvenção periódica: é aquela que fornece auxilio ao donatário de modo periódico.
. doação de pais a filhos: importa o adiantamentoda legítima (herança).
. doação inoficiosa: quando o doador possuir herdeiros necessários somente é possível dispor da metade disponível do patrimônio. Quando ultrapassar esse limite, fala-se que houve doação inoficiosa.
. doação manual: é a doação verbal de bens móveis de pequeno valor.
 
Restrições à liberdade de doar.
. doação do devedor já insolvente, uma vez que poderá configurar fraude contra credores.A regra procura proteger os credores do doador.
. doação de todos os bens, uma vez que é nula a doação que não prevê reserva de parte ou renda suficiente para a subsistência do doador.
. doação do cônjuge adúltero a seu cúmplice, uma vez que a Lei procura desestimular qualquer violação aos deveres do casamento. Tal proibição tem o propósito de protegera a família e repelir o adultério, que constitui afronta à moral e aos bons costumes,
. doação da parte inoficiosa: o artigo 549 do Código Civil proclama ser nula a "doação quanto à parte que exceder à de que o doador, no momento da liberalidade, poderia dispor em testamento."
 
Revogação da doaçao.
A revogação da doação pode se dar por descumprimento do encargo ou ingratidão do donatário, nos termos dos artigos 555 a 564 do Código Civil.
O encargo não se confunde com a condição. A doação com encargo é aquela em que há um ônus imposto ao donatário. O encargo não suspende a eficácia do ato, mas poderá ser revogada a doação se o donatário incorrer em mora. Às vezes, a doação é feita no interesse do donatário ou de terceiro. O Ministério Público pode promover a ação de a doação foi feita no interesse geral e o doador já tiver falecido sem ter exigido o cumprimento do encargo.
A revogação da doação pode decorrer por ingratidão do donatário.  Somente aqueles fatos previstos no artigo 557, do Cógigo Civil são definidos como ingratidão. 
- se o donatário atentou contra a vida do doador ou cometeu crime de homicídio doloso contra ele,4
- se cometeu contra ele ofensa física,
- se o injuriou ou o caluniou gravemente,
se, podendo ministrá-los, recusou ao doador alimentos de que necessitva.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Exercício 1:
Da locação de coisas,  assinale a alternativa correta.
I - Uma das partes se obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou não, o uso e gozo de coisa não fungível, mediante certa retribuição. 
II - O locador é obrigado a garantir ao locatário, durante o tempo do contrato, o uso pacífico da coisa.
III - O locatário não é obrigado a pagar o aluguel quando o contrato estiver vencido por prazo indeterminado.
 
A) as alternativas I e II estão corretas.
B) as alternativas I e III estão corretas
C) só a alternativa I está correta.
D) só a alternativa III está correta.
E) Todas as alternativas são falsas.
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(A)
Comentários:
A) Obriga as partes a obrigação e deveres recíprocos
Exercício 2:
A diferença entre a compra e venda e a permuta:
 
A) A compra e venda é bilateral enquanto a troca é unilateral.
 
B) A compra e venda por envolver dinheiro é oneroso, enquanto a troca não.
 
C) A compra e vendo pode ser para qualquer objeto, já a troca deve ser regulada pela lei.
 
D) A única diferença é que a compra e venda envolve dinheiro e a troca envolve uma coisa.
E) A compra e venda pode ser feita verbalmente e a troca somente se formaliza por contrato escrito.
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(D)
Exercício 3:
A troca pode poderá ser anulada quando:
A) houver negócio envolvendo valores desiguais entre ascendentes e descendentes, sem consentimento expresso dos outros descendentes e do cônjuge do alienante.
B) houver a troca de valores iguais entre ascendente e descendente, sem consentimento do cônjuge do alienante.
 
C) houver a troca de valores iguais entre ascendente e descendente, sem consentimento dos demais descendentes.
 
D) o objeto for lícito
E) o agente for capaz
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(A)
Comentários:
A) deve haver o consentimento das partes para a legitimidade da troca
Exercício 4:
A locação de coisas: 
A) Não cessa de pleno direito findo o prazo estipulado, sendo necessário notificação ou aviso.
B) O locatário não é obrigado a levar ao conhecimento do locador as turbações de terceiros, que se pretendam fundadas em direito.
C) Morrendo o locador ou o locatário, transfere-se aos seus herdeiros a locação por tempo determinado.
D) O locatário jamais tem o direito de retenção no caso de benfeitorias necessárias por ele introduzidas.
E) Se durante a locação a coisa se deteriorar sem culpa do locador cabe ao locatário pleitear perdas e danos.
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(C)
Exercício 5:
A locação deve ser:
A) sempre a título oneroso
B) a título oneroso ou gratuito
C) a título gratuito somente se assim as partes pactuarem
D) gratuita, mas poderá se cobrar as despesas com o uso da coisa.
E) NDA
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(A)
Comentários:
A) Por entender ser o bem alugado deve ser oneroso
Exercício 6:
Quanto às assertivas abaixo:
I – As partes, no contrato de permuta, devem sempre realizar o negócio mediante autorização marital ou outorga uxória.
 II – Válido será o contrato de permuta que se deixa a fixação do preço ao arbítrio exclusivo de uma das partes.
III -  O  contrato de permuta pode ser considerado uma espécie de venda "ad mensuram" bilateral,
Podemos afirmar que:
A) Apenas a assertiva I é verdadeira;
B) Apenas a assertiva II é verdadeira;
C) Todas as assertivas são verdadeiras;
D) Todas as assertivas são falsas
E) Somente a assertiva III é verdadeira
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(D)
Exercício 7:
Considera-se contrato de permuta:
A) a aquisição de um bem, sendo que uma das partes faz a reposição parcial em dinheiro em valor superior a 50% do contrato.
B) É o contrato pelo qual as partes se obrigam a dar uma coisa por outra, que não seja dinheiro.
C) a aquisição de um bem, sendo pago com 70% em dinheiro e 30% com um outro bem.
D) a restituição do bem em função da obrigação de fazer
E) Somente recai sobre bens móveis, uma vez que o bem imóvel somente pode ser objeto de compra e venda.
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(B)
Comentários:
B) Pode ser um acordo onde as partes acertem quais as regras devem ser recíprocas
Exercício 8:
A doação pode ser revogada: 
A) Somente quando o doador manifestar arrependimento por meio de notificação judicial ou extrajudicial ao donatário.
B) Em nenhuma hipótese, pois a doação é considerada ato jurídico perfeito.
C) Quando se comprovar que o doador fez uma doação inoficiosa.
D) Quando houver ingratidão do donatário ou por inexecução do encargo.
E) Quando se comprovar que a doação foi feita ao cúmplice no adultério.
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(D)
Comentários:
D) Não se pode renunciar antecipadamente o direito de revogar a liberalidade por ingratidão do donatário
Contrato de Locação
1. Introdução
Trata-se de um dos contratos mais presentes no dia-a-dia das relações sociais, para moradia, lazer, turismo, dentre outros.
É muito frequente atualmente a locação de bicicleta e patinete por meio de aplicativos.
Os romanos utilizavam a palavra locação também para prestação de serviços (locação de serviços) ou realização de obra (locação de obra).
O CC/1916 já tratava de forma diferente chamando de empreitada e prestação de serviços, contratos que serão estudados separadamente.
 
2. Conceito de locação de coisas
É o negócio jurídico por meio do qual o locador se compromete a ceder ao locatário, por tempo determinado ou indeterminado, o uso e o gozo de determinado bem infungível, mediante remuneração.
 
2.1 Partes
Locador: Quem cede o bem uso e gozo
Locatário: Quem recebe o bem para uso e gozo
 
Obs.: as diversas modalidades de locação constituem um microssistema jurídico com princípios e regras próprios, a exemplo das locações imobiliárias urbanas que são reguladas pela Lei 8245/91.
 
Serão feitas diversas referências a essa lei, mas não haverá um estudo aprofundado. A atenção maior será às regras previstas no Código Civil.
 
3. Elementos essenciais3.1 Tempo
Se refere a duração do contrato de locação que é essencialmente temporário. Não pode ser considerado um contrato vitalício, ainda que não haja tempo determinado no contrato.
Assim, o contrato de locação pode ter prazo determinado ou indeterminado.
 
Prazo determinado
 
Art. 573. A locação por tempo determinado cessa de pleno direito findo o prazo estipulado, independentemente de notificação ou aviso.
 
Dies interpellat pro homine
 
Se o contrato tem prazo determinado não é preciso interpelar o locatário para restituir o bem, passando a ter posse ilícita após o decurso do prazo.
Entretanto, pode ser que o locador releve essa fato não se opondo à continuidade da posse do locatário, sendo considerada prorrogada a locação por prazo indeterminado.
 
Art. 574. Se, findo o prazo, o locatário continuar na posse da coisa alugada, sem oposição do locador, presumir-se-á prorrogada a locação pelo mesmo aluguel, mas sem prazo determinado.
 
Assim, para considerar posse de má-fé do locatário é preciso que o prazo tenha sido ultrapassado e oposição à continuidade desta posse pelo locador.
 
Prazo indeterminado
Neste caso é preciso interpelação do locador exigindo que o locatário restitua a coisa em um prazo razoável, sob pena de incidir os efeitos da mora.
 
Prazo razoável é aquele compatível com a entrega do bem. É conceito indeterminado, devendo ser analisado o caso concreto.
Pablo Stolze sugere que o prazo para restituição seja o mesmo da periodicidade do pagamento.
Ex.: pagamento deve ser diário, o prazo para devolução será de um dia.
Obs.: na locação imobiliária existe regra específica exigindo antecedência de 30 dias (art. 6º).
 
Aluguel-pena
Caso o locatário se negue a restituir o bem deverá pagar um aluguel arbitrado pelo locador correspondente ao dano que venha sofrer.
É uma sanção imposta pelo descumprimento do contrato. Entretanto, não é permitida a abusividade, podendo ser revisto o valor judicialmente, caso se torne excessivamente oneroso.
 
Art. 575. Se, notificado o locatário, não restituir a coisa, pagará, enquanto a tiver em seu poder, o aluguel que o locador arbitrar, e responderá pelo dano que ela venha a sofrer, embora proveniente de caso fortuito.
Parágrafo único. Se o aluguel arbitrado for manifestamente excessivo, poderá o juiz reduzi-lo, mas tendo sempre em conta o seu caráter de penalidade.
 
Como está em mora, responderá o locatário pela perda ou deterioração da coisa, ainda que proveniente de caso fortuito ou força maior.
 
Limite temporal
Não existe limite de período de vigência do contrato de locação. Entretanto, na locação imobiliário com prazo igual ou superior a 10 anos é necessária a anuência do cônjuge de qualquer das partes (art. 3º).
Se não houver anuência não há nulidade, mas apenas ineficácia da cláusula para o cônjuge que não concordou com ela.
 
3.2 Coisa
É o objeto do contrato de locação.
Pode ser qualquer bem móvel ou imóvel, desde que, seja infungível. Não seria possível pensar em restituição de bem fungível ou consumível.
 
Propriedade da coisa
A coisa locada não precisa necessariamente ser do locador, pois é possível que o possuidor alugue mesmo não possuindo o domínio do bem.
 
3.3 Retribuição
É o preço, aluguel ou renda da locação, ou seja, a retribuição pela disposição da coisa.
A locação é contrato essencialmente oneroso.
Carlos Roberto Gonçalves deixa claro que o preço deve ser sério. Se fixado em valor ínfimo ou irrisório descaracterizará o contrato de locação.
 
Atenção!
Deve ser pago preferencialmente em dinheiro ou ao menos parte dele em dinheiro. Se for pago exclusivamente em benfeitorias, frutos ou produtos, é considerado contrato inominado.
 
4. Características do contrato de locação
4.1 Típico
4.2 Nominado
4.3 Bilateral
4.4 Oneroso
4.5 Comutativo
4.6 Consensual
4.7 Não-solene
 
5. Modalidades
 
5.1 Locação de bens móveis 
Regida pelo CC/02
5.2 Locação imobiliária urbana 
Regida pela Lei 8245/91
5.2.1 Locação residencial (art. 46 e 47)
5.2.2 Locação para temporada ou time sharing (art.48 a 50)
5.2.3 Locação não residencial (art. 51 a 57)
5.3 Arrendamento rural (locação para exploração agrícola ou pecuária)
Disciplinado pelo Estatuto da Terra (Lei 4504/64)
 
Obs.: Contratos de hospedagem
Apart-hotel e hotel-residência não são regulados pela Lei 8.245/91.
Se a locação não é alcançada pela lei do inquilinato não cabe ação de despejo, mas ação possessória.
 
Obs.: Locação em site especializado (Airbnb)
O TJSP no processo nº 1124567-87.2017.8.26.0100 equiparou a locação para temporada não considerando contrato de hospedagem. Não foi permitido ao condomínio proibir tais contratos de locação.
 
6. Conteúdo do contrato de locação (Direitos e deveres)
 
6.1 Obrigações do locador (Art. 566)
6.1.1 Entregar a coisa alugada ao locatário (art. 566, I, CC + art. 22 Lei 8245)
O locador deve entregar a coisa locada ao locatário com as pertenças em estado que possa utilizá-la do modo convencionado.
Caso o locatário se negue haverá resolução do contrato e indenização pelas perdas e danos.
Deve, além de entregar a coisa, respeitar o tempo de contrato quando tiver prazo determinado.
 
Art. 571. Havendo prazo estipulado à duração do contrato, antes do vencimento não poderá o locador reaver a coisa alugada, senão ressarcindo ao locatário as perdas e danos resultantes, nem o locatário devolvê-la ao locador, senão pagando, proporcionalmente, a multa prevista no contrato.
 
O Juiz pode rever a multa caso ela se torne excessiva.
 
Art. 572. Se a obrigação de pagar o aluguel pelo tempo que faltar constituir indenização excessiva, será facultado ao juiz fixá-la em bases razoáveis.
 
Obs.: o art. 4º, p. único, da Lei 8245 dispensa da multa caso a extinção do contrato decorra de fato de terceiro (transferência de localidade pelo empregador).
 
6.1.2 Manter a coisa alugada no mesmo estado
O locador tem o dever de conservação do bem locado durante o tempo de contrato, exceto se houver estipulação em sentido contrário no contrato.
As despesas necessárias para conservação devem ser suportadas pelo locador (art. 566, I, 567 e art. 22, II e X, da Lei 8245/91).
Obs.: despesas ordinárias de condomínio cabem ao locatário (art. 23, XII, Lei 8245).
Obs.: demais despesas ordinárias (impostos e taxas) são do locador (art. 22, VIII).
Obs.: a regra do art. 25 tem a intenção apenas de facilitar a cobrança do locatário pelo locador.
 
Deterioração da coisa
Se a coisa deteriorar, sem culpa do locatário, durante a locação, ele poderá requerer uma diminuição no valor pago ou a resolução do contrato, caso ela não sirva mais ao fim a que se destina.
 
Art. 567. Se, durante a locação, se deteriorar a coisa alugada, sem culpa do locatário, a este caberá pedir redução proporcional do aluguel, ou resolver o contrato, caso já não sirva a coisa para o fim a que se destinava.
 
Obs.: reparos urgentes
O locatário deve permitir que o locador promova os reparos urgentes no imóvel.
Se o tempo necessário para os reparos for superior a 10 dias, ele terá direito ao abatimento no preço e, se o prazo for superior a 30 dias o contrato pode ser extinto (art. 26 da Lei 8245).
 
6.1.3 Garantir o uso pacífico da coisa
O locatário tem direito à posse mansa e pacífica do bem.
Deriva desta obrigação a garantia contra vício redibitórios (art. 568 e art. 22, IV, Lei 8245).
 
6.2 Obrigações do locatário (art. 569)
 
6.2.1 Utilizar da coisa de acordo com a finalidade contratada
O contrato de locação tem natureza causal, não admitindo o desvio de finalidade.
Dar destinação à coisa diferente da prevista no contrato é ilícito contratual, autorizando a resolução do contrato e a cobrança de perdas e danos.
É uma forma de inadimplemento contratual.
 
Art. 570. Se o locatário empregar a coisa em uso diverso do ajustado, ou do a que se destina, ou se ela se danificar por abuso do locatário, poderá o locador, além de rescindir o contrato, exigir perdas e danos.
 
6.2.2 Tratar a coisa alugada como se fosse sua
O locatário deve utilizar a coisa com o máximo dever de cuidado.
Ao final do contrato a coisa deverá ser restituída pelo locatário.6.2.3 Pagar pontualmente o aluguel
O pagamento da locação normalmente é pós-retributivo, ou seja, o pagamento se dá após o uso.
Obs.:  art. 20 da Lei 8245 proíbe o pagamento antecipado, exceto nos contratos de temporada ou sem garantia (caução, seguro-fiança, fiança, etc).
 
6.2.4 Levar ao conhecimento do locador as turbações de terceiros
Isso é necessário para que o locador exerça a defesa da coisa locada.
Nada impede que o locatário também defenda a sua posse.
 
6.2.5 Restituir a coisa no estado em que recebeu
Ao terminar a locação deve restituir a coisa no mesmo estado que a recebeu, exceto em relação aos desgastes naturais decorrentes do uso.
 
7. Indenização por benfeitorias nas coisa locada
É comum que o locatário realize benfeitorias na coisa durante a locação. Ele somente terá direito à indenização das benfeitorias necessárias e úteis expressamente autorizadas.
 
8. Direito de Retenção
Ele pode reter o bem até a restituição dos valores pagos.
É uma forma de autotutela permitida pelo ordenamento.
 
9. Extinção do contrato de locação
9.1 Extinção natural
Se dá com o advento do termo final.
 
9.2 Resilição bilateral
Quando as partes consensualmente resolvem colocar um fim na relação contratual.
 
9.3 Resilição unilateral
Nos contratos com prazo indeterminado a parte deve notificar a outra com prazo razoável colocando fim ao contrato.
 
Denúncia vazia
Quando uma das partes, sem necessidade de justificar, coloca fim ao contrato (Art. 6º da Lei 8245).
 
Obs.: morte de uma das partes e mudança de estado civil não são causas de extinção do contrato (art. 12 Lei 8245 alterado pela Lei 12.112/2009).
 
9.4 Inadimplemento
Descumprimento das obrigações pelo locador ou locatário.
 
9.5 Realização de reparos urgentes
Já estudado.
 
9.6 Extinção de usufruto ou fideicomisso
Caso a locação tenha sido celebrada pelo usufrutuário ou fiduciário, uma vez extinto o usufruto ou o fideicomisso estará extinta a locação.
Prazo para desocupação é de 30 dias.
 
 
10. Da Lei nº. 8.245/91
A Lei nº 8.245/91, popularmente conhecida como Lei do Inquilinato, dispõe da locação de imóveis urbanos e procedimentos a ela inerentes.
Trata-se de um verdadeiro microssistema regido por lei especial, e, nos casos de lacuna deve ser aplicado o Código Civil.
Serão analisados os artigos mais importantes relativos a esta lei.
Neste tópico serão abordados os principais artigos da referida lei (alguns temas já foram abordados acima).
 
Sublocação
Art. 13, caput: Diz o dispositivo que a sublocação depende do consentimento (prévio e escrito) do locador.
Art. 15: Depreende-se do dispositivo que rescindida a locação, resolve-se a sublocação.
Obrigações:
Obrigações do locador:
Art. 22. O locador é obrigado a:
I - entregar ao locatário o imóvel alugado em estado de servir ao uso a que se destina;
II - garantir, durante o tempo da locação, o uso pacífico do imóvel locado;
III - manter, durante a locação, a forma e o destino do imóvel;
IV - responder pelos vícios ou defeitos anteriores à locação;
V - fornecer ao locatário, caso este solicite, descrição minuciosa do estado do imóvel, quando de sua entrega, com expressa referência aos eventuais defeitos existentes;
VI - fornecer ao locatário recibo discriminado das importâncias por este pagas, vedada a quitação genérica;
VII - pagar as taxas de administração imobiliária, se houver, e de intermediações, nestas compreendidas as despesas necessárias à aferição da idoneidade do pretendente ou de seu fiador;
VIII - pagar os impostos e taxas, e ainda o prêmio de seguro complementar contra fogo, que incidam ou venham a incidir sobre o imóvel, salvo disposição expressa em contrário no contrato;
IX - exibir ao locatário, quando solicitado, os comprovantes relativos às parcelas que estejam sendo exigidas;
X - pagar as despesas extraordinárias de condomínio.
Parágrafo único. Por despesas extraordinárias de condomínio se entendem aquelas que não se refiram aos gastos rotineiros de manutenção do edifício, especialmente:
a) obras de reformas ou acréscimos que interessem à estrutura integral do imóvel;
b) pintura das fachadas, empenas, poços de aeração e iluminação, bem como das esquadrias externas;
c) obras destinadas a repor as condições de habitabilidade do edifício;
d) indenizações trabalhistas e previdenciárias pela dispensa de empregados, ocorridas em data anterior ao início da locação;
e) instalação de equipamento de segurança e de incêndio, de telefonia, de intercomunicação, de esporte e de lazer;
f) despesas de decoração e paisagismo nas partes de uso comum;
g) constituição de fundo de reserva.
 
Obrigações do locatário
 
Art. 23. O locatário é obrigado a:
I - pagar pontualmente o aluguel e os encargos da locação, legal ou contratualmente exigíveis, no prazo estipulado ou, em sua falta, até o sexto dia útil do mês seguinte ao vencido, no imóvel locado, quando outro local não tiver sido indicado no contrato;
II - servir - se do imóvel para o uso convencionado ou presumido, compatível com a natureza deste e com o fim a que se destina, devendo tratá - lo com o mesmo cuidado como se fosse seu;
III - restituir o imóvel, finda a locação, no estado em que o recebeu, salvo as deteriorações decorrentes do seu uso normal;
IV - levar imediatamente ao conhecimento do locador o surgimento de qualquer dano ou defeito cuja reparação a este incumba, bem como as eventuais turbações de terceiros;
V - realizar a imediata reparação dos danos verificados no imóvel, ou nas suas instalações, provocadas por si, seus dependentes, familiares, visitantes ou prepostos;
VI - não modificar a forma interna ou externa do imóvel sem o consentimento prévio e por escrito do locador;
VII - entregar imediatamente ao locador os documentos de cobrança de tributos e encargos condominiais, bem como qualquer intimação, multa ou exigência de autoridade pública, ainda que dirigida a ele, locatário;
VIII - pagar as despesas de telefone e de consumo de força, luz e gás, água e esgoto;
IX - permitir a vistoria do imóvel pelo locador ou por seu mandatário, mediante combinação prévia de dia e hora, bem como admitir que seja o mesmo visitado e examinado por terceiros, na hipótese prevista no art. 27;
X - cumprir integralmente a convenção de condomínio e os regulamentos internos;
XI - pagar o prêmio do seguro de fiança;
XII - pagar as despesas ordinárias de condomínio.
 
Direito de Preferência
A lei confere ao inquilino a prioridade na aquisição do bem locado nas mesmas condições ofertadas.
O locador deve interpelar o inquilino, com as informações das condições do negócio, para exercer seu direito no prazo de 30 dias.
Por ser tratar de um direito potestativo do inquilino, caso este não seja exercido no prazo haverá decadência.
Caso o locatário seja preterido pelo locador, terá direito de exercer a preferência depositando o preço pago, acrescido das despesas com o registro.
O contrato de locação deve estar averbado na matrícula do imóvel ao menos 30 dias antes da alienação.
O prazo para o exercício é de 30 dias, contados da averbação da alienação no registro de imóveis.
Não pretendendo adquirir o bem, pode o locatário requerer indenização pelas perdas e danos.
 
Benfeitorias e Direito de Retenção
No silêncio do contrato, as benfeitorias necessárias realizadas pelo locatário e as úteis, autorizadas pelo locador, deverão ser indenizadas.
Caso o locador não indenize, terá direito o locatário à retenção do imóvel.
 
As benfeitorias voluptuárias não serão indenizadas, podendo ser retiradas pelo locatário, desde que não cause danos a estrutura do imóvel.
 
Garantias Locatícias
As garantias estão previstas no artigo 37.
 
Art. 37. No contrato de locação, pode o locador exigir do locatário as seguintes modalidades de garantia:
I - caução;
II - fiança;
III - seguro de fiança locatícia.
IV - cessão fiduciária de quotas de fundo de investimento.
 
A caução é garantia real que recai sobre bens móveis ou imóveis. Já a fiança é uma garantia pessoal, quando um terceiro se compromete a cumprir a obrigação, caso o devedor não o faça.
O seguro fiança locatícia émodalidade de garantia decorrente de um contrato entre o locatário e uma seguradora.
Na cessão fiduciária há cessão da propriedade resolúvel das cotas em favor do locador que consolidará a propriedade em caso de inadimplemento.
Não é permitido ao locador exigir mais de uma garantia. Além de ilícito civil, a conduta caracteriza contravenção penal.
 
 
Locação residencial
As locações residenciais com prazo igual ou superior a 30 meses, poderão ser resilidos unilateralmente sem qualquer justificativa (denúncia vazia). Já as locações com prazo inferior a 30 meses somente poderão resilidos unilateralmente havendo justa causa (denúncia cheia).
Locação para temporada
A locação para temporada é aquela destinada à residência temporária do locatário por prazo não superior a 30 dias.
Como dito anteriormente, neste caso é possível exigir o pagamento do aluguel antecipadamente.
 
Locação não residencial
Nas locações não residenciais é possível ao locatário a propositura da ação renovatória que é a ação destinada a renovação compulsória do contrato de locação.
São requisitos da ação renovatória:
Art. 51. Nas locações de imóveis destinados ao comércio, o locatário terá direito a renovação do contrato, por igual prazo, desde que, cumulativamente:
I - o contrato a renovar tenha sido celebrado por escrito e com prazo determinado;
II - o prazo mínimo do contrato a renovar ou a soma dos prazos ininterruptos dos contratos escritos seja de cinco anos;
III - o locatário esteja explorando seu comércio, no mesmo ramo, pelo prazo mínimo e ininterrupto de três anos.
 
O locador não estará obrigado a renovar o contrato nas seguintes hipóteses:
Art. 52. O locador não estará obrigado a renovar o contrato se:
I - por determinação do Poder Público, tiver que realizar no imóvel obras que importarem na sua radical transformação; ou para fazer modificações de tal natureza que aumente o valor do negócio ou da propriedade;
II - o imóvel vier a ser utilizado por ele próprio ou para transferência de fundo de comércio existente há mais de um ano, sendo detentor da maioria do capital o locador, seu cônjuge, ascendente ou descendente.
 
Estas matérias podem ser alegadas pelo locador em sua defesa na ação renovatória.
 
Prazo para propositura da ação
A ação renovatória deve ser interposta no primeiro semestre do último ano do contrato de locação.
Art. 51
§ 5º Do direito a renovação decai aquele que não propuser a ação no interregno de um ano, no máximo, até seis meses, no mínimo, anteriores à data da finalização do prazo do contrato em vigor.
Assim, nos primeiros 6 meses do 5º ano do contrato de locação, deverá o locatário (cessionário, sucessor ou sublocatário) promover ação.
O prazo para o exercício desse direito é decadencial, ou seja, caso não seja proposta a ação perde-se o direito.
 
Procedimentos
O art. 58 traz regras gerais para as ações previstas na Lei nº 8.245/91.
Os processos não se interrompem durante as férias forenses.
Em relação à competência territorial, será o foro do local do imóvel, exceto de o contrato estipular regra diferente.
O valor da causa deve será o correspondente a 12 vezes o valor do aluguel ou se decorrente da relação de emprego, o valor correspondente a 3 salários.
 
AÇÃO DE DESPEJO
Será processada pelo procedimento comum.
É possível a concessão de liminar, inaudita altera pars, nos seguintes termos:
Art. 59, §1º:
I - o descumprimento do mútuo acordo (art. 9º, inciso I), celebrado por escrito e assinado pelas partes e por duas testemunhas, no qual tenha sido ajustado o prazo mínimo de seis meses para desocupação, contado da assinatura do instrumento;
II - o disposto no inciso II do art. 47, havendo prova escrita da rescisão do contrato de trabalho ou sendo ela demonstrada em audiência prévia;
III - o término do prazo da locação para temporada, tendo sido proposta a ação de despejo em até trinta dias após o vencimento do contrato;
IV - a morte do locatário sem deixar sucessor legítimo na locação, de acordo com o referido no inciso I do art. 11, permanecendo no imóvel pessoas não autorizadas por lei;
V - a permanência do sublocatário no imóvel, extinta a locação, celebrada com o locatário.
VI – o disposto no inciso IV do art. 9o, havendo a necessidade de se produzir reparações urgentes no imóvel, determinadas pelo poder público, que não possam ser normalmente executadas com a permanência do locatário, ou, podendo, ele se recuse a consenti-las; (Incluído pela Lei nº 12.112, de 2009)
VII – o término do prazo notificatório previsto no parágrafo único do art. 40, sem apresentação de nova garantia apta a manter a segurança inaugural do contrato; (Incluído pela Lei nº 12.112, de 2009)
VIII – o término do prazo da locação não residencial, tendo sido proposta a ação em até 30 (trinta) dias do termo ou do cumprimento de notificação comunicando o intento de retomada; (Incluído pela Lei nº 12.112, de 2009)
IX – a falta de pagamento de aluguel e acessórios da locação no vencimento, estando o contrato desprovido de qualquer das garantias previstas no art. 37, por não ter sido contratada ou em caso de extinção ou pedido de exoneração dela, independentemente de motivo. (Incluído pela Lei nº 12.112, de 2009)
 
Obs.: Concordância do réu com a desocupação na contestação
Art. 61 Nas ações fundadas no § 2º do art. 46 e nos incisos III e IV do art. 47, se o locatário, no prazo da contestação, manifestar sua concordância com a desocupação do imóvel, o juiz acolherá o pedido fixando prazo de seis meses para a desocupação, contados da citação, impondo ao vencido a responsabilidade pelas custas e honorários advocatícios de vinte por cento sobre o valor dado à causa. Se a desocupação ocorrer dentro do prazo fixado, o réu ficará isento dessa responsabilidade; caso contrário, será expedido mandado de despejo.
Será concedido prazo de seis meses para desocupação.
 
FALTA DE PAGAMENTO
A lei permite a cumulação de pedido de cobrança com o despejo quando houver inadimplemento do locatário.
Ao invés de contestar, é direito do locatário e do fiador purgar a mora, depositando o valor devido, acrescido de multa, juros, custas e honorários advocatícios, evitando-se a extinção do contrato de locação.
Caso se constate que o valor não foi integral, será concedido prazo de 10 dias para o locatário complementar.
 
CONSIGNAÇÃO DE ALUGUEL E ACESSÓRIOS DA LOCAÇÃO
Ação que tem por objetivo pagamento judicial dos aluguéis e acessórios, em caso de mora do locador.
Após a citação o autor terá 24 horas para realizar o depósito.
É possível que o réu além da contestação apresente reconvenção com pedido de despejo e cobrança dos aluguéis.
O autor poderá complementar o depósito após a citação, acrescido de 10%, além de arcar com as custas e honorários advocatícios.
 
Matérias arguidas na contestação:
O réu poderá arguir as seguintes matérias na contestação:
a) não ter havido recusa ou mora em receber a quantia devida;
b) ter sido justa a recusa;
c) não ter sido efetuado o depósito no prazo ou no lugar do pagamento;
d) não ter sido o depósito integral;
 
O réu poderá levantar os valores depositados.
 
REVISIONAL
É cabível nas locações residenciais e não residenciais.
Apesar da lei declarar que será processada pelo rito sumário, o CPC/2015 aboliu este rito, devendo ser adotado o procedimento comum.
Na petição inicial deve ser indicado o valor pretendido que não poderá ser superior a 80%, se proposta pelo locador, nem inferior a 80% se proposta pelo locatário.
É possível a execução da diferença entre o valor provisoriamente arbitrado e o definitivo nos próprios autos.
A contestação deverá ser apresentada na audiência de instrução e julgamento.
 
 
Exercício resolvido:
O que é direito de preferência do locatário?
Locatário tem prioridade em igualdade de condições e preço, quanto a aquisição do imóvel locado que for colocado a venda.
O que é denúncia vazia?
É a resilição unilateral do contrato de locação sem necessidade de justificativa.
Exercício 1:
Não se considera locação para temporada:
A) para a prática de lazer.
B) para a prática de cursos
C) paratratamento de saúde.
D) contratados por prazo não superior a 120 dias.
E) n.d.a.
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(D)
Exercício 2:
Sobre a renovação do contrato de locação não residencial, assinale a alternativa incorreta.
A) o contrato tenha sido celebrado por escrito e com prazo determinado.
B) o prazo mínimo do contrato a renovar ou a soma dos prazos ininterruptos dos contratos escritos seja de 5 anos
C) o locatário esteja explorando seu comércio, no mesmo ramo, pelo prazo mínimo e ininterrupto de 3 anos.
D) o locatário terá que propor a renovação no prazo de um ano, no máximo, até seis meses, no mínimo, anteriores à data da finalização do prazo do contrato em vigor. 
E) n.d.a.
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(E)
Exercício 3:
Durante o período estipulado para a duração do contrato para fins residencias poderá o locador reaver o imóvel quando:
A) para uso próprio.
B) para uso próprio mediante indenização e danos causados.
C) para uso de ascendente ou descendente.
D) Nenhuma das alternativas
E) necessita de mudar seu domicílio
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(D)
Comentários:
D) somente no período que encerrar o prazo específico
Exercício 4:
Sobre o valor do aluguel:
 
 
A) Deve ser sempre em moeda nacional;
 
B) Pode ser fixado em moeda estrangeira;
 
C) Pode ter variação de acordo com o salário mínimo;
 
D) não incide correção monetária
E) nda
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(A)
Comentários:
A) Sempre em moeda nacional
Exercício 5:
São obrigações do locador:
 
A) Servir-se da coisa alugada para os usos convencionados ou presumidos, conforme a natureza dela e as circunstâncias, bem como tratá-la com o mesmo cuidado como se sua fosse;
 
B) Pagar pontualmente o aluguel nos prazos ajustados, e, em falta de ajuste, segundo o costume do lugar;
 
C) A levar ao conhecimento do locador as turbações de terceiros, que se pretendam fundadas em direito;
 
D) A restituir a coisa, finda a locação, no estado em que a recebeu, salvas as deteriorações naturais ao uso regular;
 
E) A entregar ao locatário a coisa alugada, com suas pertenças, em estado de servir ao uso a que se destina, e a mantê-la nesse estado, pelo tempo do contrato, salvo cláusula expressa em contrário
 
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(E)
Comentários:
E) pagar os impostos e taxas, e ainda o prêmio de seguro complementar contra fogo, que incidam ou venham a incidir sobre o imóvel, salvo disposição expressa em contrário no contrato;
Exercício 6:
Caio e Tício celebram contrato de locação de imóvel com fim residencial por prazo de 30 meses, sendo o termo final previsto no dia 22/02/2020.
Ocorre que, após esta data, Tício não restituiu o imóvel a Caio e, decorridos 30 dias, não apresentou qualquer oposição.
Diante da situação apresentada responda:
 
A) a posse de Caio é ilícita, pois é desnecessária a sua interpelação para restituição do bem (dies interpellat pro homine);
 
B) o contrato de locação está automaticamente prorrogado pelo mesmo prazo nele previsto (30 meses);
 
C) Tício poderá exigir a desocupação do imóvel no prazo de 24 horas, pois já transcorreu o prazo para Caio restituir o bem;
 
D) Em razão da não oposição de Tício, o contrato está prorrogado por prazo indeterminado.
 
E) Nda.
 
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(D)
Comentários:
D) prorrogação da locação por prazo indeterminado uma vez que não houve objeção
Exercício 7:
Analise as afirmações abaixo e responda:
I - Se a obrigação de pagar o aluguel pelo tempo que faltar constituir indenização excessiva, não poderá o juiz fixá-la em bases razoáveis.
II - Se a coisa for alienada durante a locação, o adquirente não ficará obrigado a respeitar o contrato, se nele não for consignada a cláusula da sua vigência no caso de alienação, e não constar de registro.
III - A locação por tempo determinado cessa de pleno direito findo o prazo estipulado, independentemente de notificação ou aviso.
A) Somente a afirmativa I está correta.
 
B) Somente a afirmativa II está correta.
 
C) As afirmativas I e II estão corretas
 
D) As afirmativas II e III estão corretas
 
E) As afirmativas I, II e III estão corretas.
 
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(D)
Exercício 8:
Na ação de consignação de aluguel prevista na Lei nº 8.245/91, o réu, na contestação, além das questões de mérito, poderá alegar:
 
 
A) não ter havido recusa ou mora em receber a quantia devida;
 
B) ter sido justa a recusa;
 
C) não ter sido efetuado o depósito no prazo ou no lugar do pagamento;
 
D) não ter sido o depósito integral;
 
E) todas as alternativas estão corretas.
 
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(E)
Comentários:
E) o adquirente poderá denunciar o contrato, com o prazo de noventa dias para a desocupação, salvo se a locação for por tempo determinado e o contrato contiver cláusula de vigência em caso de alienação e estiver averbado junto à matrícula do imóvel.
Exercício 9:
Caio e Tício celebraram contrato de locação de imóvel.
Ocorre que, Tício, com medo da garantia não ser suficiente, está exigindo de Caio além da fiança, a caução de um imóvel.
Com base nessa conduta, responda:
A) não há qualquer ilegalidade na conduta de Tício, pois as garantias existem justamente para a parte se precaver dos riscos.
 
B) Tício está exigindo apenas as garantias previstas na lei, não havendo qualquer ilicitude na conduta.
 
C) a conduta é lícita, pois as duas garantias estão previstas na Lei 8245/91.
 
D) exigir mais de uma garantia é contravenção penal punível com prisão simples de cinco dias a seis meses ou multa de três a doze meses do valor do último aluguel atualizado, revertida em favor do locatário.
 
E) Nda
 
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(D)
Comentários:
D) que não poderá exceder o equivalente a três meses de aluguel, será depositada em caderneta de poupança
Exercício 10:
Caio e Tício celebraram contrato de locação de imóveis residencial por prazo de 30 meses.
Após a assinatura do contrato, Tício informou que para receber a chaves do imóvel Caio deverá antes pagar o aluguel.
A conduta de Tício é:
 
A) Lícita, pois não há qualquer impedimento legal na cobrança antecipada do aluguel;
 
B) É apenas um ilícito civil, não havendo consequências na esfera penal;
 
C) É ilícita, sendo considerada contravenção penal punível com prisão simples de cinco dias a seis meses ou multa de três a doze meses do valor do último aluguel atualizado, revertida em favor do locatário;
 
D) É ilícito penal grave, sendo considerado crime hediondo.
 
E) Nda.
 
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(C)
DO EMPRÉSTIMO
I – Conceito:
Empréstimo é o contrato pelo qual uma pessoa entrega a outra, gratuitamente, uma coisa, para que dela se sirva, com a obrigação de a restituir.
II – Espécies:
Duas são as espécies de empréstimo: o Comodato e o Mútuo.
III – Do Comodato:
Comodato é o contrato unilateral, a título gratuito, pelo qual alguém entrega a outrem coisa infungível, para ser usada temporariamente e depois restituída. (art. 579 do CC).
IV - Características:
- unilateral: coloca só uma das partes na posição de devedor, ou seja, o comodatário.
- gratuito: é um contrato gratuito, observando-se, porém, que o comodatário poderá assumir a obrigação de pagar impostos ou taxas que recaiam sobre o bem, sem que com isso se descaracterize o contrato.
- real: é um contrato que só se complementa com a tradição da coisa. Recorde-se que a posse indireta ficará com o proprietário.
- intuito personae: o objeto do contrato de comodato não poderá ser cedido pelo comodatário a terceiro. O contrato é feito tendo em vista características do próprio contratante, daí o seu caráter personalíssimo.
- infungibilidade e não consumibilidade do bem: o bem objeto do contrato de comodato deve ser infungível e não poderá ser consumido, tendo em vista que, ao final do contrato, deverá haver a restituição do mesmo ao proprietário.
- temporariedade: Diz o art. 581 do CC que “se o comodato não tiver prazo convencional, presumir-se-lhe á o necessário para o uso concedido;não podendo o comodante, salvo necessidade imprevista e urgente, reconhecida pelo juiz, suspender o uso e gozo da coisa emprestada, antes de findo o prazo convencional, ou o que se determine pelo uso outorgado”.
- obrigação de restituir a coisa emprestada: caso não haja a devolução pacífica do bem objeto , poderemos dizer que está havendo esbulho, sendo cabível reintegração de posse.
V - Requisitos:
1) Subjetivo: Exige-se dos contratantes a capacidade genérica para praticar os atos da vida civil. Observar que o art. 580 do CC traz restrições a algumas figuras de representação no ato de praticar o comodato.
2) Objetivo: só podem ser dados em comodato bens infungíveis e inconsumíveis, móveis ou imóveis.
3) Formal: a forma do contrato de comodato é livre, não exigindo qualquer solenidade. Admite-se que seja feito, também, sob a forma oral, observando-se que a jurisprudência tem decidido que, na dúvida, entre este e a locação, presume-se a última.
VI - Obrigações do Comodatário:
São obrigações do comodatário:
1o.) guardar e conservar a coisa emprestada como se fosse sua (art. 582 do CC);
2o.) limitar o uso da coisa ao estipulado no contrato;
3o.) restituir a coisa empregada in natura;
4o.) responder pela mora derivada da não devolução do bem no prazo estipulado;
5o.) responder pelos riscos da coisa no caso do art. 583 do CC;
6o.) responsabilizar-se, solidariamente, se houver mais comodatários.
VII - Obrigações do Comodante:
1o) não pedir a restituição do bem dada em comodato antes do prazo ajustado, salvo as hipóteses previstas no art. 581 do CC. Se o prazo for indeterminado, o bem poderá ser retomado a qualquer tempo sem qualquer justificativa.
2o.) pagar as despesas extraordinárias e necessárias feitas pelo comodatária na conservação da coisa.
3o.) responsabilizar-se pela posse útil e pacífica da coisa por parte do comodatário. Não terá, porém, o comodante, responsabilidade pela evicção ou pelos vícios redibitórios, que se presumem comutativos (art. 441 do CC) e onerosos (art. 447 do CC).
 
VIII – Extinção do comodato:
1o.) advento do prazo.
2o.) resolução por inexecução contratual: O comodante poderá requerer a resolução antes do final do contrato, pleiteando perdas e danos, se o comodatário utilizar o bem de maneira diversa da estipulada.
3o.) resilição unilateral:
a) O comodante, devido a gratuidade do contrato, poderá resolve-lo, se provar a superveniência de necessidade urgente e imprevista à época do negócio;
b) o comodatário poderá, a qualquer tempo, resilir tal negócio porque, se foi contratado em seu interesse, não está obrigado a conservar objeto de cujo uso se desinteressou.
4o.) distrato.
5o.) morte do comodatário se fora convencionado que o uso da coisa era estritamente pessoal.
6o.) a alienação da coisa emprestada (exceto quando o adquirente assumir a obrigação de manter o comodato).
Mútuo:
I – Conceito:
Mútuo é o contrato pelo qual um dos contratantes transfere a propriedade de bem fungível ao outro, que se obriga a lhe restituir coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade (art. 586 do CC).
II - Características:
- unilateral: uma vez entregue o bem emprestado, apenas o mutuário contrairá obrigações.
- gratuito: de regra o mutuante nada recebe do mutuário em troca do favor que lhe faz. Pode, porém, vir a se tornar oneroso se houver a estipulação de juros.
- real: o contrato de mútuo só se perfaz com a tradição da coisa.
- translatividade do domínio do bem emprestado: por ser fungível, e em regra, consumível, se possibilita a transferência de sua propriedade para terceiros. Assim, o mutuário pode consumi-lo, abandoná-lo, aliená-lo, sem autorização do mutuante.
- Fungibilidade da coisa emprestada: o bem objeto do contrato de mútuo deve ser fungível.
- temporariedade: O art. 592 do CC, traz hipóteses de prazos do contrato de mútuo:
I – até a próxima colheita, se o mútuo for de produtos agrícolas;
II – de trinta dias, pelo menos, se for de dinheiro;
III – do espaço de tempo que declarar o mutuante, se for de qualquer outra coisa fungível.
- obrigação de restituição de outra coisa da mesma espécie, qualidade e quantidade. Não há que se falar em devolução in natura, ou seja a própria coisa emprestada. O mutuário, conforme o art. 590 do CC, poderá exigir garantia dessa restituição, se, antes do vencimento do prazo, o mutuário vier a sofrer notória mudanças na sua situação econômica.
Requisitos:
1) Subjetivo: Necessária a capacidade dos contratantes.
Pelo art. 558 do CC, o mútuo feito a pessoa menor, sem prévia autorização daquele sob cuja guarda estiver, não poderá ser reavido nem do mutuário, nem de seus fiadores. Referida norma deixa de ser aplicada:
a) 589, I, do CC: se houver ratificação posterior da pessoa responsável pelo menor;
b) 589, II, do CC: se o empréstimo contraído for para alimentos (abrangendo estudos, vestuário, etc.);
c) 589, III, do CC: se o menor tenha adquirido bens com seu trabalho, situação em que a execução não poderá ultrapassar o patrimônio do menor;
d) 588, IV do CC: se o empréstimo se reverteu em benefício do menor;
e) 180 do CC: se o menor obteve o empréstimo maliciosamente, por exemplo, ocultando a sua idade. (ninguém pode invocar a sua própria malícia – art. 589, V, do CC).
2) Objetivo: o objeto do contrato de mútuo deve ser fungível, por se tratar de empréstimo de consumo.
3) Formal: o contrato de mútuo não requer forma especial, exceto se oneroso, situação em que se exigirá seja convencionado expressamente.
Efeitos Jurídicos:
1o) gera obrigações ao mutuário: a) restituir o que recebeu em coisa da mesma espécie, qualidade e quantidade, dentro do prazo estipulado e; b) pagar juros, se oneroso.
2o.) confere direitos ao mutuante: a) exigir garantia da restituição nos termos do art. 590 do CC; b) reclamar a restituição de coisa equivalente, uma vez vencido o prazo ajustado. No silêncio, pode haver o reclamo em qualquer tempo; c) demandar a resolução do contrato se o mutuário deixar de pagar os juros.
Extinção:
1o.) vencimento do prazo convencionado para a sua duração.
2o.) resolução por inadimplemento das obrigações contratuais: ex: não-pagamento dos juros convencionados no tempo e forma devidos.
3o.) resilição unilateral por parte do devedor: presume-se que se o prazo foi concedido em seu favor, poderá pôr fim ao negócio a qualquer momento.(art. 133 do CC)
4o.) distrato.
5o.) ocorrência das hipóteses do art. 592 do CC (prazos).
 
 Exercício resolvido:
O que é contrato de comodato? Quais são as suas características?
Comodato é o contrato unilateral, a título gratuito, pelo qual alguém entrega a outrem coisa infungível, para ser usada temporariamente e depois restituída. As suas características são: gratuidade é um contrato gratuito, observando-se, porém, que o comodatário poderá assumir a obrigação de pagar impostos ou taxas que recaiam sobre o bem, sem que com isso se descaracterize o contrato; rea, já que é um contrato que só se complementa com a tradição da coisa; intuito personae, pois o objeto do contrato de comodato não poderá ser cedido pelo comodatário a terceiro. O contrato é feito tendo em vista características do próprio contratante, daí o seu caráter personalíssimo; infungibilidade e não consumibilidade do bem, uma vez que o bem objeto do contrato de comodato deve ser infungível e não poderá ser consumido, tendo em vista que, ao final do contrato, deverá haver a restituição do mesmo ao proprietário; temporariedade:
 
Exercício 1:
Quanto as proposições abaixo:
 
I - Mútuo e Comodato são as espécies do contrato de empréstimo.
 
II - Comodato é o empréstimo gratuito de coisas não fungíveis.
 
III - Descaracteriza o comodato de um imóvel o fato do comodatário se responsabilizar pelo pagamento das despesas condominiais.
 
IV - Admite-se tanto o comodato de coisas móveis como imóveis.
A) Todas são falsas
B) Apenas as proposições I e II são verdadeiras
C) Apenas as proposições I, II e III são verdadeiras
D) Apenas as proposições I, II e IV são verdadeiras
E) Todas são verdadeiras
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(D)
Exercício2:
Assinale a alternativa correta quanto o contrato de comodato:
A) O comodato sem prazo estipulado se extingue automaticamente em dois anos.
B) O comodatário não deve conservar o bem dado em comodato.
C) Poderá o comodante, mesmo antes do término do prazo contratual previsto para o comodato, requerer judicialmente a rescisão do pacto justificando necessidade imprevista e urgente
D) O comodatário em mora quanto à restituição do bem responde pela sua perda ou deterioração, salvo nas hipóteses comprovadas de caso fortuito
E) O comodatário poderá cobrar do comodante as despesas feitas com o uso e gozo da coisa emprestada, desde que estas sejam devidamente comprovadas
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(C)
Exercício 3:
Quanto às proposições abaixo:
I - O depósito distingue-se do comodato pois enquanto neste último o comodatário recebe a coisa para seu uso, no depósito o depositário não poderá se servir da coisa depositada sem licença expressa do depositante;
II - Há depósito e não contrato de transporte quando a coisa é entregue para ser transportada, com cuidado, de um Estado para outro;
III - Se a coisa é entregue para ser administrada, há contrato de mandato e não contrato de depósito.
 
A) Apenas as afirmativas I e II são verdadeiras.
B) Todas as assertivas são verdadeiras.
C) Apenas as afirmativas I e III são verdadeiras.
D) Apenas as afirmativas II e III são verdadeiras.
E) Todas as afirmativas são falsas.
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(C)
Exercício 4:
São obrigações do comodatário:
I - guardar e conservar a coisa emprestada como se fosse sua (art. 582 do CC);
II - limitar o uso da coisa ao estipulado no contrato;
III - restituir a coisa empregada in natura;
IV - pagar as despesas extraordinárias e necessárias feitas pelo comodatária na conservação da coisa;
Estão corretas as assertivas:
 
 
A) Estão corretas I e II apenas;
 
B) Estão corretas II e III apenas;
 
C) Estão corretas I e IV apenas;
 
D) Estão corretas I, II e III apenas;
 
E) Todas as assertivas estão corretas.
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(D)
Exercício 5:
Leia as assertivas abaixo e responda:
I – O comodato não é necessariamente temporário.
II - Os tutores, curadores e em geral todos os administradores de bens alheios não poderão dar em comodato, sem autorização especial, os bens confiados à sua guarda.
III – Não podem ser objeto de comodato os bens para ornamentação, pois são bens fungíveis.
A) Somente a assertiva I está correta;
 
B) Somente a assertiva II está correta;
 
C) Somente a assertiva III está correta;
 
D) As assertivas I e III estão corretas;
 
E) As assertivas II e III estão corretas.
 
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(E)
Exercício 6:
Caio celebrou contrato de comodato com Tício de uma moto.
Ocorre que, inesperadamente, uma tempestade abalou a cidade onde morava, causando enorme enchente que atingira sua residência.
Ao perceber que não haveria tempo de salvar seu carro e a moto de Tício, Caio optou pelo primeiro.
A conduta de Caio está:
A) Está correta, pois qualquer pessoa em seu lugar salvaria seu patrimônio em primeiro lugar e o Código Civil não estabelece qualquer regra em sentido contrário.
 
B) Está correta, não havendo nenhum prejuízo pela perda da moto, pois res perit domino. O prejuízo será de Tício e Caio não é obrigado a indenizá-lo.
 
C) Está incorreta, pois a moto se perdeu em razão do comportamento culposo de Caio.
 
D) Está incorreta, pois Caio deveria salvar a moto antes de salvar seu patrimônio.
 
E) Nda
 
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(D)
Comentários:
D) Devia salvar a moto em razão de em caso de perda responde pelo danos e a reparação
Exercício 7:
Analise as afirmações abaixo e responda
I - O comodatário não poderá jamais recobrar do comodante as despesas ordinárias feitas com o uso e gozo da coisa emprestada. 
II – O comodatário não poderá jamais recobrar do comodante as despesas extraordinárias feitas com o uso e gozo da coisa emprestada. 
III - O comodatário só poderá reter o bem por benfeitorias necessárias. Não terá direito às indenizações por benfeitorias úteis e voluptuárias. 
A) A assertiva I e II estão corretas.
B) A assertiva II e III estão corretas.
C) As assertivas I e III estão corretas
 
D) As assertivas I, II e III estão corretas.
 
E) Nenhuma assertiva está correta.
 
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(C)
Exercício 8:
Não se tendo convencionado expressamente, o prazo do mútuo será:
A) imediato, se o mútuo for de produtos agrícolas, assim para o consumo, como para semeadura;
 
B) de trinta dias, pelo menos, se for de dinheiro;
 
C) sempre imediato.
 
D) de quinze dias, pelo menos, se for de dinheiro;
 
E) Nda
 
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(B)
Exercício 9:
Tício, com 17 anos de idade, celebrou contrato de mútuo de dinheiro com Caio, pois não tinha condições sequer de almoçar.
Caio, sabendo da dificuldade financeira e que ninguém da família se encontrava na cidade naquele dia, decidiu entregar a quantia.
Analisando a situação narrada, responda:
A) Por se tratar de contrato celebrado por absolutamente incapaz, é inválido, não estando Tício obrigado a restituir a quantia;
 
B) Tício somente poderá ser demandado por Caio após completar 18 anos;
 
C) Caio por ter celebrado mútuo com Tício para comprar alimentos habituais em razão da ausência de seus representantes legais, poderá exigir a restituição da quantia;
 
D) Caio somente poderia exigir a restituição da quantia se o representante legal de Tício tivesse ratificado o mútuo;
 
E) Caio não terá direito à restituição da quantia, pois agiu com animus donandi.
 
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(C)
Comentários:
C) Sendo Caio legalmente capaz pode sim em consequência do momento vivido
DO DEPÓSITO
I – Conceito:
O depósito é o contrato pelo qual uma pessoa – depositário – recebe, para guardar, um objeto móvel alheio, com a obrigação de restituí-lo quando o depositante o reclamar (art. 627 do CC).
A “guarda da coisa alheia” é a finalidade precípua do contrato de depósito. Daí ser, em regra, vedada a utilização da coisa emprestada pelo depositário. Essa, aliás, a principal diferença para o contrato de comodato.
Uma das diferenças entre esses dois institutos reside no fato de que o comodatário goza do benefício de preservar a coisa até o final do contrato (art. 581 do CC), ao passo que o depositário é obrigado a devolver a coisa pedida de imediato (art. 627 do CC).
II – Natureza Jurídica:
a) unilateral: (excepcionalmente o contrato pode ser bilateral)
b) gratuito: (excepcionalmente o contrato pode ser oneroso)
c) real: (para se aperfeiçoar, depende da entrega de coisa móvel corpórea pelo depositante ao depositário)
d) intuito personae: (o contrato é personalíssimo)
III – Requisitos:
a) Subjetivo: Capacidade genérica para praticar atos da vida civil.
b) Objetivo: o bem deve ser móvel, corpóreo e infungível. Exceção: em algumas situações admite-se, excepcionalmente, bens imóveis e fungíveis.
Ao estipular a regra do bem móvel, quis o legislador observar que quando se trata de bens móveis há atos de administração, o que faz com que o instituto se situe mais no campo da locação de serviços.
c) Formais: o contrato de depósito tem forma livre. Exceção: instrumento escrito para a prova de depósito voluntário (art. 646 do CC)
IV - Espécies:
a) Depósito Voluntário ou Convencional (arts. 627 a 646 do CC)
É aquele livremente ajustado pelas partes, visto que o depositante escolhe livremente o depositário sem pressão das circunstâncias externas.
b) Do Depósito Necessário (arts. 647 a 652 do CC)
É aquele em que o depositante, não podendo escolher livremente a pessoa do depositário, é forçado pelas circunstâncias a efetuar o depósito com pessoas cujas virtudes desconhece.
Subdivide-se, nos termos do art. 647 do CC em:
1) Depósito Legal: Se realizado em desempenho de obrigação legal. Ex: arts. 647, I, 1.233, 345, 1.435, V e 648 do CC.
2) Depósito Miserável: Se efetuado por ocasião de alguma calamidade, que, deixando a pessoa ao desabrigo,impõe-lhe a necessidade de se socorrer da primeira pessoa que aceite, para com ela depositar os bens que porventura salvou (arts. 647, II, 648, parágrafo único do CC). No mais das vezes é oneroso (art. 651 do CC).
3) Depósito do Hospedeiro: arts. 649, parágrafo único, 650 e 651 do CC.
O hospedeiro responde por culpa presumida. A própria lei prevê casos de exoneração de responsabilidade.
I - se provar que os fatos prejudiciais aos hóspedes, viajantes ou fregueses não poderiam ser evitados;
II – se ocorrer força maior, como nas hipóteses de escalada, invasão da casa, roubo a mão armada, ou violência semelhante.
c) Do Depósito Judicial:
Aquele depósito determinado por mandado do juiz, que entrega a terceiro a coisa litigiosa, móvel ou imóvel, com o intuito de preservar a sua incolumidade, até que se decida a causa principal, para que não haja prejuízo aos direitos dos interessados. (art. 635 do CC)
Ex: art. 822, 998, 1016, parág. 1o. do CPC.
Quanto à coisa depositada:
a) Depósito Regular: Se atinente a coisa individuada, infungível e inconsumível, que deve ser restituída in natura.
b) Depósito Irregular: Se recai sobre bem fungível ou consumível, que deverá ser restituído por outro do mesmo gênero, qualidade e quantidade. Pela sua semelhança rege-se de acordo com as regras do mútuo (a principal diferença refere-se ao fato do depositário poder requerer a devolução do bem a qualquer tempo).
Ex: depósito bancário nas hipóteses em que este se compromete a restituir a importância depositada a qualquer tempo, depósito de mercadorias nos armazéns gerais.
V – Obrigações do Depositário:
a) guardar a coisa como se fosse sua (sobrevindo boa razão para romper o contrato, tal como a ocorrência de fato que obrigue o depositário a viajar ou que, de qualquer maneira, torne impossível ou penosa a guarda da coisa, pode ele devolvê-lo ao depositante, ou requerer o depósito judicial, caso esbarre com a recusa no recebimento);
b) restituir a coisa quando reclamada;
c) não se utilizar do bem depositado sem autorização expressa do depositante sob pena de responder por perdas e danos (art. 640 e parágrafo único do CC).
VI – Obrigações do Depositante:
- pagar a remuneração do depositário, se convencionada.
- dar caução idônea no caso do art. 644, parágrafo único do CC.
VIII – Da extinção do depósito
a) vencimento do prazo;
b) manifestação unilateral do depositante;
c) iniciativa do depositário (art. 635 do CC);
d) perecimento da coisa depositada;
e) morte do depositário (quando o contrato for intuito personae).
f) decurso de prazo de 25 anos (Lei 2.313/54 regulamentado pelo Dec. 40.395/56).
 
Exercício 1:
Quanto às proposições abaixo:
I - O contrato de depósito aperfeiçoa-se pela assinatura do pacto independentemente da entrega da coisa;
II - A natureza jurídica do contrato de depósito diz ser ele uma espécie de contrato real;
III - De regra, o contrato de depósito voluntário é oneroso.
A) Todas as afirmativas são verdadeiras.
B) Apenas as afirmativas I e II são verdadeiras.
C) Apenas as afirmativas I e III são falsas.
D) Apenas as afirmativas II e III são verdadeiras. 
E) Todas as afirmativas são falsas. 
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(C)
Exercício 2:
Quanto às proposições abaixo:
I - Depósito necessário é aquele que resulta de acordo de vontade, posto ter sido livremente ajustado pelas partes, enquanto que o depósito voluntário é aquele em que o depositante, por imposição legal, ou premido por circunstâncias imperiosas, realiza com pessoa não escolhida;
II - Depósito efetuado em alguma calamidade como uma inundação ou saque é considerado espécie de depósito necessário;
III - É considerado depósito voluntário aquele feito pelos viajantes ou hóspedes junto aos seus hospedeiros em relação às suas bagagens quando em viagem;
A) Todas as afirmativas são verdadeiras.
B) Apenas as afirmativas I e II são verdadeiras.
C) Apenas as afirmativas I e III são falsas.
D) Apenas as afirmativas II e III são verdadeiras.
E) Todas as afirmativas são falsas.
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(C)
Comentários:
C) desde que previamente ajustados entre as partes
Exercício 3:
 
São espécies do depósito Necessário:
I – Deposito Legal;
II – Depósito Miserável;
III – Depósito Hospedeiro;
IV -  Depósito Convencional
Aponte as assertivas CORRETAS:
 
A) Estão corretas as assertivas I, II e IV
 
B) Estão corretas as assertivas I, III e IV
 
C) Estão corretas as assertivas I, II e III
 
D) Todas as assertivas estão corretas.
E) n.d.a.
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(C)
Comentários:
C) Efetuado em obediência a uma obrigação
Exercício 4:
Não é Depósito Necessário aquele:
 
A) que o depositante, não podendo escolher livremente a pessoa do depositário, é forçado pelas circunstâncias a efetuar o depósito com pessoas cujas virtudes desconhece;
 
B) realizado em desempenho de obrigação legal;
 
C) efetuado por ocasião de alguma calamidade, que, deixando a pessoa ao desabrigo, impõe-lhe a necessidade de se socorrer da primeira pessoa que aceite
 
D) que livremente ajustado pelas partes, visto que o depositante escolhe livremente o depositário sem pressão das circunstâncias externas;
 
E) determinado por mandado do juiz;
 
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(D)
Exercício 5:
O hospedeiro responde por culpa presumida. A própria lei prevê casos de exoneração de responsabilidade.
I - se provar que os fatos prejudiciais aos hóspedes, viajantes ou fregueses não poderiam ser evitados;
II – se ocorrer força maior, como nas hipóteses de escalada, invasão da casa, roubo a mão armada, ou violência semelhante.
III – não há possibilidade de exoneração da culpa, já que a lei lhe impõe a responsabilidade pela guarda;
Aponte as assertivas CORRETAS:
 
A) Estão corretas as assertivas I, II;
 
B) Estão corretas as assertivas I, III;
 
C) Está correta apenas a assertiva I;
 
D) Todas as assertivas estão corretas.
E) n.d.a.
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(A)
Exercício 6:
Quanto às proposições abaixo:
I - Se o depósito se entregou fechado e lacrado o depositário precisa entregar a coisa nesse mesmo estado;
II - Pelo contrato de depósito recebe o despositário um objeto móvel, para guardar, até que o depositante o reclame. 
III - O depositário responderá por perdas e danos se, sem licença expressa do depositante, servir-se da coisa depositada.
A) Todas as afirmativas são verdadeiras.
B) Apenas as afirmativas I e II são verdadeiras.
C) Apenas as afirmativas I e III são verdadeiras.
D) Apenas as afirmativas II e III são verdadeiras.
E) Todas as afirmativas são falsas.
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(A)
Exercício 7:
Quanto às proposições abaixo:
I - Depósito miserável é assim chamado em razão de seu pequeno valor ou de sua gratuidade;
II - O depósito será chamado de irregular quando o depositário puder utilizar da coisa depositada e restituir outra da mesma qualidade e quantidade;
III - O depositário não responde pelos casos de força maior; mas para que lhe valha a escusa, terá de prová-los.
A) Todas as afirmativas são verdadeiras.
B) Apenas as afirmativas I e II são verdadeiras.
C) Apenas as afirmativas I e III são verdadeiras.
D) Apenas as afirmativas II e III são verdadeiras.
E) Todas as afirmativas são falsas.
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(D)
Comentários:
D) se ocorrer força maior, como nas hipóteses de escalada, invasão da casa, roubo a mão armada, ou violência semelhante.
Exercício 8:
Assinale a alternativa INCORRETA, de acordo com as características do contrato de Depósito:
 
A) unilateral: (excepcionalmente o contrato pode ser bilateral)
 
B) oneroso, não podendo ser gratuito devido a guarda do bem pelo depositário.
 
C) real: (para se aperfeiçoar, depende da entrega de coisa móvel corpórea pelo depositante ao depositário)
 
D) O depósito voluntário provar-se-á por escrito.
E) N.D.A.
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(B)
Exercício 9:
Assinale a alternativa correta:
A) Pelo contrato de depósito recebe o depositário um objeto móvel, para guardar, até que o depositanteo reclame.
B) Pelo contrato de depósito recebe o depositário um objeto móvel ou imóvel, para guardar, até que o depositante o reclame.
C) Pelo contrato de depósito recebe o depositário um objeto móvel, imóvel ou semovente, para guardar, até que o depositante o reclame.
D) Pelo contrato de depósito recebe o depositário um objeto móvel e imóvel, para guardar e usar, até que o depositante o reclame.
E) Nenhuma das alternativas são corretas.
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(A)
Exercício 10:
Assinale a alternativa correta:
A) Se o depósito se entregou fechado, colado, selado ou lacrado, o depositário pode abrir para verificar o conteúdo da coisa antes de devolver.
B) O depositante é obrigado a pagar ao depositário as despesas feitas com a coisa, e os prejuízos que do depósito provierem,
C) O depósito necessário é que se faz em desempenho de obrigação contratual.
D) O depósito voluntário pode ser provado por qualquer meio de prova aceito pelo Direito.
E) Quando se realizar depósito de bem imóvel, o depositário tem direito de retenção pelas benfeitorias.
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(B)
Exercício 11:
O depósito realizado por ocasião de alguma calamidade, como o incêndio, a inundação, o naufrágio ou saque é chamado de:
A) Depósito irregular.
B) Depósito voluntário.
C) Depósito miserável.
D) Depósito hipossuficiente.
E) Depósito judicial.
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(C)
Comentários:
C) socorrer da primeira pessoa que aceite, para com ela depositar os bens que porventura salvou
DO MANDATO
I – Conceito:
O mandato é o contrato pelo qual alguém – mandatário – recebe de outrem – mandante – poderes para, em seu nome, praticar atos ou administrar interesses. (art. 653 do CC).
A idéia da “representação” é o que distingue este contrato dos demais, em especial, o de locação de serviços. Neste último, o locador atua para o locatário, ao passo que no mandato, o mandatário age em nome, no lugar e pelo mandante.
Da idéia de representação decorrem quatro conseqüências:
a) os atos do mandatário vinculam o mandante, se dentro dos poderes constantes da procuração, ainda que contravenham suas instruções;
b) se o mandatário obrar em seu próprio nome, não vincula o mandante;
c) os atos praticados além dos poderes conferidos no mandato não vinculam o mandante, se por ele não forem ratificados;
d) os atos do mandatário, praticados após a extinção do mandato, são incapazes de vincular o mandante.
Alguns atos não admitem representação, como, por exemplo, o testamento, o exercício de cargo público e a prestação de serviço militar.
O casamento admite procuração.
Casos há de representação sem que haja mandato, como na hipótese do representante legal (pai, tutor ou curador) ou judicial (inventariante, depositário judicial).
II – Natureza Jurídica:
a) unilateral: (admite-se que, às vezes, seja bilateral)
b) gratuito: (admite-se que, às vezes, seja oneroso) – O art. 658 do CC, presume gratuito o mandato quando não se estipulou retribuição, exceto se o objeto do mandato for daqueles que o mandatário trata por ofício ou profissão.
O mandato confiado ao advogado deve ser presumido oneroso.
c) consensual: se aperfeiçoa pelo mero consentimento das partes)
d) intuito personae: (ter carácterísticas personalíssimas)
e) não solene: embora determine a lei ser a procuração o instrumento de mandato (art. 653 do CC), admite ela tanto o mandato tácito, como o verbal (art. 656 do CC).
Exceção: art. 657 do CC – atos que a lei exige certa solenidade.
e) depende da aceitação, a qual pode ser presumida, que se dá com o início das atividades (art. 659 do CC).
III – A Procuração e o Substabelecimento:
A procuração é o instrumento do mandato (art. 653, in fine do CC).
Pode ser outorgada tanto por instrumento público como particular.
Ainda quando se outorgue mandato por instrumento público, pode substabelecer-se mediante instrumento particular (art. 655 do CC).
O substabelecimento é o ato pelo qual o mandatário transfere, ao substabelecido, os poderes que lhe forem conferidos pelo mandante. Pode ser efetuado reservando-se ao procurador os mesmos poderes para si, ou sem reserva.
Questão relevante é a da fixação da responsabilidade por atos praticados pelo substabelecido e de que resultam prejuízos para o mandante. O legislador figura três hipóteses diferentes:
a) procurador tem poderes para substabelecer: não responde ele pelos danos causados, a não ser que o mandante prove que a escolha recaiu em pessoa notoriamente incapaz, ou notoriamente insolvente (art. 667, parágrafo 2o., do CC).
b) procurador substabelece a despeito de não haver sido autorizado para tanto: sua responsabilidade aumenta, pois responde pelos prejuízos que o mandante experimentar em virtude do comportamento negligente do substabelecido (art. 667 do CC).
c) a despeito de proibição, o procurador substabelece: Nessa hipótese, por ser mais grave, o mandatário responderá pelos atos de seu substituto, não só pelos derivados da culpa ou dolo, como também pelos verificados em razão de caso fortuito e força maior, salvo se provar que o dano teria ocorrido ainda que não houvesse substabelecimento (art. 667, parágrafo 1o. do CC).
Obs: Se a proibição de substabelecer constar da procuração, os atos praticados pelo substabelecido não obrigam o mandante, salvo ratificação expressa, que retroagirá à data do ato (art. 667, parágrafo 3o. do CC).
Se omissa a procuração quanto ao substabelecimento, o procurador será responsável se o substabelecido proceder culposamente (art. 667, parágrafo 4o. do CC).
IV – Poderes conferidos no mandato:
Mandato ad negocia ou extrajudicial (autorização para a prática de atos extrajudiciais da vida civil).
Mandato ad judicia ou judicial autorização para a prática de atos judiciais).
V – Obrigações do Mandatário
a) agir em nome do mandante, com o necessário zelo e diligência;
b) transferir ao mandante as vantagens que em seu lugar auferir (art. 668 do CC):
conseqüências:
b.1) pelas somas que deveria entregar ao mandante mas empregou em proveito próprio, pagará o mandatário juros desde o momento em que abusou (art. 670 do CC);
b.2) se o mandatário comprar em nome próprio, algo que deveria comprar para o mandante, terá a obrigação da entrega da coisa (art. 671 do CC)
c) prestar, a final, contas de sua gestão (art. 668 do CC). Não é possível compensar os prejuízos a que deu causa com os proveitos que tenha granjeado ao seu constituinte (art. 669 do CC)
d) concluir os negócios já iniciados no caso da hipótese do artigo 674 do CC.
e) direito de retenção pelo que despendeu no exercício do encargo: art. 681 do CC.
VI) Dois ou mais mandatários:
Observar da regra do art. 672 do CC que diz que qualquer dos mandatários poderá exercer os poderes outorgados, se não forem expressamente declarados conjuntos, nem especificadamente designados para atos diferentes, ou subordinados a atos sucessivos.
VII – Obrigações do Mandante
a) honrar as obrigações assumidas pelo mandatário, dentro dos poderes conferidos no mandato (art. 675 do CC). Sobre essa passagem, observar, também, atentamente, a regra excepcional do art. 679 do CC que fala nas perdas e danos em razão da inobservância das instruções por parte do mandatário.
b) pagar o mandatário, quando oneroso o contrato (art. 676 do CC);
c) reembolsar as despesas efetuadas pelo mandatário, ainda que o negócio não surta os efeitos esperados (art. 676 do CC);
d) indenizar o mandatário dos prejuízos experimentados na execução do mandato (art. 678 do CC).
Seguro
No contrato de seguro, uma pessoa – segurador – se compromete, mediante o pagamento de parcelas periódicas – prêmio –, a indenizar uma outra – segurado – de prejuízos ou danos futuros – sinistro.
O instrumento do contrato de seguro é a apólice ou o bilhete do se¬guro, que deverá conter, segundo a lei: os riscos assumidos, o início e o fim de sua validade, o limite da garantia e o prêmio devido, e, quando for o caso, o nome do segurado e o do beneficiário.
Como alerta Maria Helena Diniz, existem três espécies de apólice e bilhete de segurono tocante à sua titularidade:
a) nominativos, que men¬cionam o nome do segurador, do segurado e de seu representante, se for o caso, ou de terceiro beneficiário;
b) à ordem, quando forem transmissíveis por endosso em preto; ou
c) ao portador, quando transmissíveis por simples tradição, espécie inadmissível nos seguros de vida ou de pessoas, casos em que é relevante a identidade do beneficiário.
Trata-se de contrato aleatório, posto que a obrigação da seguradora de indenizar se concretizará apenas com o acontecimento de um evento futuro e incerto, que é a ocorrência do sinistro.
É claro que os riscos pelo qual se obriga a segu¬radora serão previamente estabelecidos na apólice, podendo estar rela¬cionado com pessoas ou coisas.
Ademais, salientamos que para que a seguradora esteja efetivamente vinculada ao cumprimento da sua obrigação, qual seja a de pagar a indenização em caso de ocorrência de sinistro, deve o segurado cumprir a sua parte do contrato, pagando, no tempo, forma e modo devidos, o valor do prêmio. Nesse sentido, caso ocorra o sinistro, estando o segurado em mora, não haverá o pagamento da indenização.
Estando o contrato com regular cumprimento dado pelas partes, ocorrendo o sinistro, deverá a seguradora apresentar o pagamento da indenização em dinheiro, salvo disposição expressa em contrário de reposição da coisa.
Veja-se, nessa passagem, o art. 776, do Código Civil sobre o pagamento da indenização; e, uma vez pago o devido ao segurado, a seguradora terá direito de regresso em face do causador do dano, segundo a Súmula 188, do Supremo Tribunal Federal: “O segurador tem ação regressiva contra o causador do dano, pelo que efetivamente pagou, até ao limite previsto no contrato de seguro”
Importante destacar outras figuras do contrato de seguro, como leciona Silvio Luís Ferreira da Rocha: “Como espécies de seguros, mas com finalidades diversas, temos o resseguro e o co-seguro. Ambos visam a repartir os riscos. Com o resseguro o segurador transfere para outros seguradores parte dos riscos que ele assumiu, mediante a celebração de outro contrato de seguro ou mediante a cessão do contrato de seguro. Já no co-seguro, o segurador propõe ao segurado que escolha, para a cobertura global do risco, diversos seguradores, de modo que cada um deles assume uma parte do risco. A diferença entre um e outro está que, no primeiro, o segurado é alheio ao contrato, pois a operação de resseguro diz respeito com exclusividade ao segurador e ressegurados, enquanto no segundo, o co-seguro, o segurado é parte, pois concordou em escolher vários seguradores”.
Por fim, o seguro mútuo (mutual corporations) é aquele que se constitui “de um grupo de pessoas que se dispõem a proteger determinado prejuízo, a fim de que sua repercussão se atenue pela dispersão dos valores vertidos em favor da coletividade restrita. Forma-se uma entidade de auxílio mútuo para a qual contribuem todos os integrantes em benefício dos sócios atingidos pelo infortúnio”.
 
Exercício 1:
Assinale a alternativa correta:
A) Mandato é sinônimo de mandado; 
B) Os atos praticados pelo mandatário para os quais não tinha poderes são eficazes em relção àquele em cujo nome foram praticados;  
C) Não há distinção entre mandato e prestação de serviços; 
D) O que caracteriza o mandato é a ideia de representação. 
E) N.D.A
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(D)
Exercício 2:
Quanto às características do contrato de mandato, é incorreto afirmar que ele: 
A) terá presunção de gratuidade; 
B) admite revogação; 
C) é, em regra, solene ; 
D) é consensual. 
E) N.D.A
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(C)
Exercício 3:
Quanto às afirmativas abaixo:
I - o mandato nunca poderá ser revogado;
II - não se admite procuração para venda de imóvel;
III - a capacidade para outorgar procuração é aferida na data da celebração do contrato, de forma que, se essa faltar, não terão validade os atos dele decorrente, não se convalidando o vício com a superveniente aquisição da capacidade por parte do mandante;
A) Todas as afirmativas são falsas; 
B) Apenas a afirmativa I é verdadeira; 
C) Apenas a afirmativa II é verdadeira; 
D) Apenas a afirmativa III é verdadeira; 
E) n.d.a.
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(D)
Comentários:
D) sim é necessário observar o limite imposto na data de início
Exercício 4:
O depósito de bagagem dos hospedes dos hotéis onde estiverem é modalidade de deposito:
 
A) Irregular
B) Convencional
C) Necessário
D) Voluntário
E) n.d.a.
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(C)
Comentários:
C) O deposito se destina a uma causa especifica
Exercício 5:
De acordo com o Código Civil, opera-se o mandato quando alguém recebe de outrem poderes par, em nome deste, praticar atos ou administrar interesses. Daniel outorgou a Heron, por instrumento público, poderes especiais e expressos, por prazo indeterminado, para vender sua casa na Rua da Abolição, em Salvador, Bahia. Ocorre que, três dias depois de lavrada e assinada a procuração, em viagem para um congresso realizado no exterior, Daniel sofre um acidente automobilístico e vem a falecer, quando ainda fora do país. Heron, no mesmo dia da morte de Daniel, ignorando o óbito, vende a casa para Fábio, que a compra, estando ambos de boa-fé. De acordo com a situação narrado, assinale a afirmativa correta.
 
 
A) A compra e venda é nula, em razão de ter cessado o mandato automobilisticamente, com a morte do mandante.
 
B) A compra e venda é válida, em relação aos contratantes.
 
 
C) A compra e venda é inválida, em razão de ter o mandato sido celebrado por prazo indeterminado, quando deveria no caso ter termo certo.
 
 
D) A compra e venda é anulável pelos herdeiros de Daniel, que podem escolher entre corroborar o negócio realizado em nome do mandante falecido, revogá-lo, ou cobrar indenização do mandatário.
E) n.d.a.
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(B)
Comentários:
B) A procuração da legitimidade ao procurador efetiva a venda
Exercício 6:
Assinale a alternativa incorreta:
A) existem três espécies de representantes: legais, judiciais e convencionais; 
B) admite-se casamento por procuração; 
C) o substabelecimento é o instrumento do mandato.
D) admite-se a revogação da procuração. 
E) N.D.A
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(C)
Exercício 7:
Sobre o mandato, é errado afirmar que:
 
A) O noivo pode ser representado por mandatário na celebração do casamento
 
B) Outorgado mandato por instrumento público com o fim especial de o mandatário alugar a casa do mandante, eventual substabelecimento pode ser feito por instrumento particular
 
C) O mandato pode ser verbal
 
D) O mandato não cessa pela morte ou interdição de uma das partes.
E) n.d.a.
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(D)
Comentários:
D) Cessa o mandato sempre que o mandante com a morte do mandante
Exercício 8:
Assinale a alternativa correta:
 
A) O contrato de mandato que contiver cláusula de irrevogabilidade não pode ser revogado unilateralmente pelo mandante
B) O mandado judicial é aquele estabelecido em audiência.
C) Cessa o mandato pelo término do prazo ou pela conclusão do negócio.
D) Ocorre gestão de negócios quando o mandatário cumpre fielmente os poderes que lhe foram outorgados.
E) n.d.a.
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(C)
Exercício 9:
Assinale a alternativa correta:
A) O mandato pode ser expresso ou tácito; verbal ou escrito.
B) O mandato é o instrumento da procuração.
C) A aceitação do mandato somente pode ser expressa.
D) Quando tomar ciência da morte do mandante, o mandatário jamais deve concluir o negócio já começado.
E) O mandatário não precisa prestar contas da sua gestão ao mandante, uma vez que o mandato é contrato gratuito.
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(A)
Exercício 10:
Assinale a alternativa errada:
A) Todas as pessoas capazes são aptas para dar procuração mediante instrumento particular, que valerá desde que tenha a assinatura do outorgante.
B) Umas das hipóteses legais de extinção do mandato é o substabelecimento,
C) Quando o mandato contivera cláusula de irrevogabilidade e o mandante revogar, pagará perdas e danos.
D) A aceitação do mandato pode ser tácita, e resulta do começo da execução.
E) Sendo omissa a procuração quanto ao substabelecimento, o procurador será responsável se o substabelecido proceder culposamente.
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(B)
Exercício 11:
Assinale a alternativa errada:
A) O mandato é um contrato não solene e não se exige uma forma especial, salvo exceções previstas na Lei,
B) O mandato pode ser considerado bilateral quando for oneroso.
C) A renúncia do mandato é iniciativa do mandante que não está obrigado a declinar os motivos.
D) O mandato em termos gerais só confere poderes de administração.
E) O mandatário que exceder os poderes do mandato será considerado mero gestor de negócios, enquanto o mandante não lhe ratificar os atos.
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(C)
DO JOGO E DA APOSTA
I – Conceito:
 
Nota-se, desde logo, contradição na ação do legislador que cuida no jogo e da aposta dentro do título do Código Civil destinado aos contratos, mas nega os efeitos almejados pelas partes a estas espécies de pactos.
 
Art. 814. As dívidas de jogo ou de aposta não obrigam a pagamento; mas não se pode recobrar a quantia, que voluntariamente se pagou, salvo se foi ganha por dolo, ou se o perdente é menor ou interdito.
  
 
Lembrar que a sua exigência em juízo leva a extinção do processo sem julgamento de mérito em razão da impossibilidade jurídica do pedido.
 
1. Conceito de Jogo
É o negócio jurídico por meio do qual duas ou mais pessoas, chamada de jogadores, se comprometem a realizar uma prestação a quem conseguir um resultado favorável na prática de um ato que todos participam e que depende da inteligência, habilidade, força ou apenas da sorte de cada um.
 
2. Conceito de Aposta
É o negócio jurídico por meio do qual dois ou mais apostadores se comprometem a realizar determinada prestação a pessoa cuja opinião prevalecer.
Neste caso não se exige participação ativa das partes, bastando opinião pessoal.
 
Obs.: a doutrina critica a redação do artigo 814 quando ressalva “salvo se foi ganha por dolo”, pois os demais vícios do consentimento devem ser considerados.
 
O jogo se distingue em lícito ou ilícito conforme seja permitido ou vedado por lei.
Todo jogo que não for proibido por lei é lícito. Entretanto, aqueles que não forem autorizados ou legalmente permitidos, serão considerados obrigações naturais.
§2º O preceito contido neste artigo tem aplicação, ainda que se trate de jogo não proibido, só se excetuando os jogos e apostas legalmente permitidos.
§3º Excetuam-se, igualmente, os prêmios oferecidos ou prometidos para o vencedor em competição de natureza esportiva, intelectual ou artística, desde que os interessados se submetam às prescrições legais e regulamentares.
II - Consequências Jurídicas do Jogo e da Aposta:
 
 
As dívidas de jogo, ou de aposta, não obrigam o pagamento.
 
Não se pode recobrar a quantia que voluntariamente se pagou, salvo se foi ganha por dolo, ou se o perdente é menor ou interdito (art. 814 do CC). – obrigação natural.
 
Ë ineficaz não só qualquer negócio que encubra ou envolva reconhecimento, novação ou fiança de dívida de jogo, como também é incobrável as dívidas resultantes de empréstimos destinados à aposta ou ao jogo, feitos na hora de apostar ou de jogar (art. 815 do CC).
 
 Não pode, no entanto, o devedor opor a inexigibilidade da dívida a terceiro de boa-fé. Se o perdente emitiu, por exemplo, cheque para resgate de seu prejuízo e o beneficiário transferiu o título a terceiro, que o recebeu ignorando sua origem espúria, não pode este, que agiu de boa-fé, ser lesado pelo recusa do emissor em efetuar o pagamento.
 
 
III - Contratos diferenciais: analisar a regra do art. 816 do CC.
 
IV – O Sorteio: A lei permite a utilização do sorteio para dirimir questões ou dividir coisas comuns. (art. 817 do CC).
 
Exercício 1:
Cobrança de dívida de jogo em juízo gera:
A) extinção do processo sem resolução de mérito por ilegitimadade de parte;
B) extinção do processo sem resolução de mérito por falta de interesse de agir;
C) extinção do processo sem resolução de mérito por impossibilidade jurídica do pedido;
 
D) extinção do processo com resolução de mérito improcedente;
E) n.d.a
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(C)
Exercício 2:
O sorteio, segundo a legislação civil brasileira:
A) não é admissível por se tratar de espécie de jogo;
B) não é admissível por se tratar de espécie de aposta;
C) é admissível para dividir coisas comuns;
D) não é admissível por se contar com o elemento sorte;
E) n.d.a
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(C)
Comentários:
C) dese que acertado entre as partes é legitimo a entrega da coisa
Exercício 3:
Quanto às afirmativas abaixo:
I - o mandato não se admite revogação;
II - admite-se casamento por procuração;
III - O mandato pode ser tácito ou expresso, e este, verbal ou escrito.
 
A) Todas as afirmativas são verdadeiras;
B) Apenas as afirmativas I e II são verdadeiras;
C) Apenas as afirmativas II e III são verdadeiras;
D) Apenas as afirmativas I e III são verdadeiras;
E) n.d.a.
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(C)
Comentários:
C) Pode ser tácito ou por escrito
Exercício 4:
Falecido o fiador:
A) a obrigação não se transmite aos herdeiros do mesmo;
B) a obrigação se transmite aos herdeiros do mesmo que deverão pagar a fiança ainda que se valendo de recursos próprios;
C) o código civil é omisso quanto às consequências do falecimento do fiador, razão pela qual deverá ser observado o que estiver disposto no contrato;
D) extingue-se a fiança uma vez que a obrigação era personalíssima;
E) todas as frases acima são falsas
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(E)
Comentários:
E) Tendo patrimônio a obrigação será paga porque é o patrimônio que responde pela obrigção
Exercício 5:
As apostas feitas em corridas de cavalos em locais apropriados:
 
A) são exemplos de intoleráveis.
 
B) são ilícitas, e por isso originam somente obrigações naturais.
 
C) são ilícitas, e por isso não originam sequer obrigações naturais.
 
D) São aqueles previstos em Lei, regulamentados pelo Estado, por isso geram uma obrigação civil, sendo, portanto, juridicamente exigíveis.
E) n.d.a.
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(D)
Comentários:
D) Deve ser pago em função de ser permitido
Exercício 6:
Uma corrida qualquer de cavalos, fora de local apropriado é:
A) legal;
B) tolerável;
C) Permitida;
D) proibida, ilícita
E) n.d.a.
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(D)
Comentários:
D) Estando em local que ofereça risco é ilícita e proibida
Exercício 7:
A consequência jurídica do jogo e aposta é:
A) a impossibilidade de recobrar a quantia que voluntariamente se pagou;
B) a impossibilidade do pagamento quando o apostador estava de má-fé;
C) o dever do pagamento, já que não deixa de ser uma obrigação natural;
D) a equiparação entre jogos lícitos e ilícitos
E) n.d.a.
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(A)
Comentários:
A) Não tem a legitimidade para ser cobrada
Exercício 8:
Em relação aos negócios jurídicos envolvendo o jogo e aposta é possível afirmar que:
A) O jogo é o ato pelo qual duas ou mais pessoas se obrigam a pagar certa soma àquela que resulte vencedora na prática de determinado ato, a que todos se entregam.
 
B) O jogo é o ajuste em que suas ou mais pessoas, de opinião diferente sobre qualquer assunto, concordam em perder certa soma, ou certo objeto, em favor daquela, entre os contraentes, cuja opinião se verificar ser verdadeira.
 
C) O jogo não se distingue em lícito ou ilícito, conforme seja permitido ou vedado por lei.
 
 
D) É possível recobrar a quantia que voluntariamente se pagou por dívida de jogo lícito.
E) n.d.a.
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(A)
Comentários:
A) De acordo com a vontade voluntária as partes de comum ajustam pagar ao vencedor a quantia
Exercício 9:
Analise as assertivas abaixo e responda:
 
I - As dívidas de jogo ou de aposta obrigam a pagamento, sendo permitidorecobrar a quantia, que voluntariamente se pagou, salvo se foi ganha por dolo, ou se o perdente é menor ou interdito.
II - os prêmios oferecidos ou prometidos para o vencedor em competição de natureza esportiva, intelectual ou artística, ainda os interessados se submetam às prescrições legais e regulamentares, são ilícitos.
III - O sorteio para dirimir questões ou dividir coisas comuns considera-se sistema de partilha ou processo de transação, conforme o caso.
A) Somente a I está correta;
B) Somente a II está correta;
C) Somente a III está correta;
D) As afirmações I e II estão corretas;
E) As afirmações II e III estão corretas
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(C)
Exercício 10:
Analise as afirmações abaixo e responda.
I – Um contrato que encubra ou envolva reconhecimento, novação ou fiança de dívida de jogo, caso a dívida seja paga não poderá ser recobrada
II A nulidade resultante de um contrato de dívida de jogo não pode ser oposta ao terceiro de boa-fé.
III – Toda dívida de jogo ou aposta é ilícita.
A) Somente a I está correta;
B) Somente a II está correta;
C) Somente a III está correta;
D) As afirmações I e II estão corretas;
E) As afirmações II e III estão corretas
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(D)
Exercício 11:
Analise as assertivas abaixo e responda:
I – Não existe nenhum tipo de jogo lícito no Brasil;
II – Todo jogo que não for proibido por lei é lícito. Entretanto, aqueles que não forem autorizados ou legalmente permitidos, serão considerados obrigações naturais.
III – O pagamento realizado em razão de dívida de jogo sempre deverá ser restituído.
A) Somente a I está correta;
B) Somente a II está correta;
C) Somente a III está correta;
D) As afirmações I e II estão corretas;
E) As afirmações II e III estão corretas
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(B)
DA FIANÇA
I – Conceito:
 
É uma espécie do gênero garantia. A garantia pode ser real, quando o devedor fornece um bem móvel ou imóvel para responder pela dívida (penhor, hipoteca), ou pessoal (fidejussória), quando uma terceira pessoa se propõe para pagar a dívida.
 
A garantia pessoal chama-se fiança e sua definição vem trazida no art. 818 do CC.
 
II – Espécies:
 
Convencional: resultante de contrato
Judicial: determinada pelo juiz
Legal: imposta pela lei (ex: tutor)
 
III – Natureza Jurídica:
 
Contrato acessório e, portanto, tem o destino atrelado ao contrato principal.
Princípio da Gravitação jurídica: o acessório segue o principal.
Art. 824. As obrigações nulas não são suscetíveis de fiança, exceto se a nulidade resultar apenas de incapacidade pessoal do devedor
.
- não pode ser de valor superior ao principal. Se for maior, reduz-se o seu montante até o valor da obrigação afiançada (art. 823 do CC);
 
unilateral;
 
- admite-se, mesmo contra a vontade do devedor (art. 820 do CC)
- não é obrigado o credor aceitar se não for pessoa idônea (art. 825 do CC)
- se o fiador se tornar insolvente ou incapaz, pode o credor exigir que seja substituído (art. 826 do CC)
 
 
solene –
- depende de forma escrita, prevista em lei (art. 819 do CC)
 
gratuito (de regra)
- inspirado no propósito de ajudar;
- nada impede que o fiador exija remuneração (ex: fiança bancária)
 
 
IV – Exceção da lei de bem de família.:
Lei 8.009/90 – art. 3o.
Neste caso é possível haver penhora.
 
V – Dos Efeitos da Fiança:
 
a) benefício de ordem: consiste na prerrogativa, conferida ao fiador, de exigir que os bens do devedor principal sejam excutidos antes dos seus. Tal ideia funda-se no postulado de que a fiança é obrigação subsidiária (salvo disposição em contrário – art. 828, II do CC) .
 Observe-se que admite a lei a renúncia a esse direito. (art. 828, I, do CC)
 
Para ser exercido, exige-se os requisitos do art. 827, caput e parágrafo único do CC.
 
b) solidariedade dos cofiadores:  Se a fiança for prestada por dois ou mais fiadores, sem se especificar a parte da dívida que cada qual garante, determina a lei a sua solidariedade.  (art. 829 do CC)
 
VI – Obrigações Impostas e direitos deferidos ao fiador:
 
A obrigação básica do fiador é pagar a dívida, a qual é transferida a seus herdeiros. (não pode ultrapassar as forças da herança) – art. 836 do CC.
 
- sendo compelido a pagar a dívida, fica o fiador com direito de regresso contra o afiançado (art. 831 do CC), para dele reclamar não apenas a importância que desembolsou, como também todas as perdas e danos que houver pago e ainda os prejuízos que sofrer em razão da garantia prestada. (arts. 832 e 833 do CC)
 
- vencida a dívida, pode o fiador exigir que o devedor satisfaça a obrigação para com o credor, ou de qualquer modo o exonere de sua responsabilidade.
 
- confere a lei possibilidade ao fiador de promover o andamento da ação executiva iniciada contra o devedor, quando o credor, sem justa causa, suster tal andamento ou demorar em sua promoção (art. 834 do CC)
 
- tem direito o fiador de exonerar-se da fiança assinada sem limitação de tempo. Observar que o art. 835 aduz a responsabilidade por mais 60 dias após notificação.
 
VII – Da extinção da fiança:
- extingue-se com o término do contrato principal;
 
- moratória concedida ao devedor, sem o consentimento do fiador; (observar que moratória é a concessão expressa de prazo ao devedor e não a mera tolerância) – art. 838, I, do CC
 
- ato do credor que torne impossível a sub-rogação do fiador em seus direitos e preferências; (ex: crédito garantido por penhor e fiança e o credor abre mão do penhor); - art. 838, II, do CC.
 
- dação em pagamento, consentida pelo credor; (aceita a dação pelo credor, extingue a obrigação da fiança, ainda que haja evicção). – art. 838, III, do CC.
 
- retardamento do credor na execução. (ex: fiador mostra bens do devedor que, com a demora da
 
Outros Contratos:
 
Contrato Estimatório
Art. 534 a 537
Também conhecido como Venda em Consignação.
 
1. Conceito
Estimar = avaliar; calcular.
 
É o contrato por meio do qual o consignante entrega bens móveis estipulando o preço previamente, autorizando o consignatário a vendê-los ou restituí-los em um determinado prazo.
2. Partes
Consignante = quem entrega os bens móveis a outra pessoa
Consignatário = Quem recebe os bens móveis com autorização para venda.
 
3. Prazo
Deve ser estipulado pelas partes. Se isso não ocorrer, o consignante deve interpelar o consignatário para que devolva a coisa ou pague o preço estipulado.
 
4. Valor
O valor é o previamente ajustado pelas partes, não podendo, durante o prazo estipulado, alterá-lo.
Somente é possível alterar o preço após o prazo assinalado ou após a interpelação em razão da mora do consignatário.
 
5. Poder de Disposição da coisa
O consignante (proprietário) não tem poder de disposição da coisa enquanto estiver consignada. Somente o consignatário pode vendê-la.
Caso ele venda a coisa a terceiros, o negócio será nulo (Rosa Nery).
 
Enunciado 32 I Jornada D. Civil
No contrato estimatório (art. 534), o consignante transfere ao consignatário, temporariamente, o poder de alienação da coisa consignada com opção de pagamento do preço de estima ou sua restituição ao final do prazo ajustado.
 
Contrato de Doação
1. Conceito
É um negócio jurídico por meio do qual o doador, por liberalidade e sem remuneração, transfere bens do seu patrimônio ao patrimônio do donatário.
Por ser um contrato benéfico ou benévolo. Que não admite interpretação extensiva., regra do art 114 do CC
 
Art. 114. Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretam-se estritamente.
 
 2. Partes
2.1 Doador 
Aquele que transfere o bem
2.2 Donatário 
Aquele que recebe o bem.
 
3. Características
3.1 Unilateral
Obrigação apenas para uma parte. 
Mesmo a doação onerosa não chega a desvirtuar a natureza do contrato, pois não tem o mesmo peso de uma contraprestação (há divergência na doutrina neste caso).
Obs.: bilateral na origem, pois depende da aceitação. Mas para surtir efeitos é unilateral.
3.2 Formal
Deve ser feita por instrumento público ou particular (art. 541).
Obs.1: bem de pequeno valor (conceito indeterminado)
Pode ser verbal.Obs.2: Bem imóvel acima de 30 salários mínimos
Deve ser por escritura pública (art. 108).
 
3.3 Animus donandi
É a intenção de beneficiar patrimonialmente o destinatário (donatário).
Obs.: renúncia abdicativa 
Não é doação, pois não há intenção de beneficiar alguém, mas sim de abandonar o bem.
Ex.: abandono de imóvel, perdão de débito, renúncia à prescrição.
Obs.: animus solvendi
É intenção de pagar. Não é doação.
Ex.: dação em pagamento.
 
4. Aceitação da doação
O donatário deve se manifestar sobre a doação, aceitando-a ou não.
A manifestação pode se dar de qualquer forma (verbal, escrita ou gesto).
Na origem é contrato bilateral. Precisa de 2 vontades para se formar.
Entretanto, há quem entenda que aceitação do donatário não é mais requisito essencial do contrato, pois o artigo 538 do CC de 2002, não utiliza mais o termo ‘que os aceitem’ .  
Paulo Lôbo utiliza como argumento o art. 539 do CC que permite aceitação tácita. Para esse autor a aceitação do donatário está no plano da eficácia do contrato, e não  no plano da validade.
 
Art. 539. O doador pode fixar prazo ao donatário, para declarar se aceita ou não a liberalidade. Desde que o donatário, ciente do prazo, não faça, dentro dele, a declaração, entender-se-á que aceitou, se a doação não for sujeita a encargo.
 
Silêncio?
Somente é considerado aceitação se houver prazo previsto no contrato e a doação for pura e simples.
 
Aceitação tácita
É possível. Se a pessoa pratica atos compatíveis com a ideia de aceitação, esta é presumida.
Ex.: realizar limpeza do bem
Ex.: pagar tributos incidentes sobre o bem.
Ex.: fazer orçamentos para melhorias do bem.
 
Capacidade civil
Capacidade do doador
O doador, obviamente, deve ser pessoa capaz e legitimada.
Ex.: casado não pode doar.
Capacidade do donatário
Ainda que seja absolutamente incapaz ou até mesmo nascituro pode ser beneficiado pela doação, desde que seja uma doação pura e simples (art. 542 + 543)
Neste caso a aceitação é presumida.
Se o nascituro não nascer com vida, a doação perde o efeito.
 
5. Doação mortis causa
Quando uma pessoa prevê transferência do bem do seu patrimônio, a título gratuito, depois da sua morte.
Esse tipo de doação não é admitida, pois o ordenamento prevê o testamento para esse caso (art. 1.862).
 
6. Doação inoficiosa
 
É aquela que violação a legítima dos herdeiros necessários.
 
Art. 544. A doação de ascendentes a descendentes, ou de um cônjuge a outro, importa adiantamento do que lhes cabe por herança.
 
Art. 549. Nula é também a doação quanto à parte que exceder à de que o doador, no momento da liberalidade, poderia dispor em testamento.
 
Não pode doar mais de 50%.
 
Nulo ou anulável?
 
Antes do CC/02 o STJ entendia que esta doação era anulável e o prazo para invalidar era de 20 anos.
Hoje esse prazo seria de 2 anos (art.179 do CC).
Parte considerável da doutrina vem entendendo que trata-se de nulidade absoluta, pois a garantia da legítima é norma de interesse público.
O CC/02 foi técnico ao tratar das nulidades diferenciando as expressões nulo e anulável.
Perceba que no artigo 549 ele fala que é nulo e no artigo 550 fala anulável.
 
7. Doação universal
É aquela que abarca todo o patrimônio do doador, sem deixar reserva mínima para sua subsistência.
Fere o princípio da dignidade da pessoa humana.
Trata-se de ato nulo.
 
Obs.: princípio da conservação dos negócios jurídicos.
O juiz pode evitar a invalidade total do negócio, declarando parcialmente nulo.
 
8. Promessa de doação
É possível contrato preliminar ou pré-contrato?
Há divergência na doutrina.
Na doação com encargo é possível. Já na doação simples, por ser mera liberalidade, alguns entendem não ser possível.
Neste caso caberia apenas perdas e danos e não execução específica.
 
9. Espécies de doação
Algumas já foram vistas anteriormente
 
9.1 Doação pura
É aquela proveniente de um ato de mera liberalidade sem fixação de qualquer fator eficacial (condição, termo ou encargo).
 
9. 2 Doação condicional (art. 121)
É aquela submetida a uma condição, ou seja, a um evento futuro e incerto.
Ex.: doarei uma casa a minha filha quando ela casar.
 
9.3 Doação a termo
É aquela submetida a um termo, ou seja, a um evento futuro e certo.
Ex.: darei um carro a minha filha quando completar 18 anos.
 
9.4 Doação modal/ onerosa/ encargo
É aquela doação gravada com um ônus, ou seja, há uma incumbência ao donatário.
Ex. (Pablo Stolze): te dou uma casa se pagar uma pensão de ½ salário a minha tia idosa.
Ex.: te dou um carro se você se comprometer a levar meu cachorro para passear todo dia.
O encargo não é tão pesado quanto uma contraprestação. Se isso ocorrer a doação está descaracterizada.
 
9.5 Doação contemplativa
É aquela que o doador expõe os motivos que o levaram a realizar a doação.
É a doação feita em razão do mérito de alguém.
Ex.: te dou todos os meus livros pq é um excelente aluno.
 
Obs.: doação em contemplação de casamento futuro (art. 540).
Neste caso a doação deve ser para casamento com pessoa certa e determinada.
Caso o casamento não se realize a doação é ineficaz (não é nulidade).
 
9.6 Doação remuneratória
É aquela feita em remuneração aos serviços prestados pelo donatário.
Ex.: dou meu carro para o médico que sempre atendeu meus pais sem cobrar um centavo.
 
9.7 Doação conjuntiva
É aquela feita a mais de uma pessoa simultaneamente.
Caso o doador não faça a distribuição, se presume que são em partes iguais.
Se os donatários forem casados e um deles falecer, o cônjuge sobrevivente receberá a totalidade do bens, independente do regime.
Obs.: há quem sustente aplicar aos companheiros.
 
9.8 Doação com cláusula de reversão
É aquela em que o doador estipula o retorno do bem caso o donatário venha a falecer antes dele.
Neste caso a propriedade é resolúvel.
Obs.: Sílvio Venosa entende que é possível a cláusula de reversão submetida a termo.
É possível a renúncia à reversão.
Não é possível a reversão de um bem doado a um terceiro.
 
9.9 Doação mista
É um negócio com prestação híbrida, com características de negócio oneroso e também de ato de liberalidade.
Ex.: pagar R$200,00 em algo que vale apenas R$100,00.
 
9.10 Doações mútuas
Quando as partes fazem atos de liberalidade reciprocamente.
Não se confunde com a troca por ser ato de liberalidade. A troca é ato negocial.
 
9.11 Doação Remuneratória
Art. 540. A doação feita em contemplação do merecimento do donatário não perde o caráter de liberalidade, como não o perde a doação remuneratória, ou a gravada, no excedente ao valor dos serviços remunerados ou ao encargo imposto.
Não é ato de liberalidade, havendo apenas doação na parte que exceder o serviço prestado. 
Exemplo: doação de um carro ao médico que salvou a vida do meu filho.
DA FIANÇA
I – Conceito:
 
É uma espécie do gênero garantia. A garantia pode ser real, quando o devedor fornece um bem móvel ou imóvel para responder pela dívida (penhor, hipoteca), ou pessoal (fidejussória), quando uma terceira pessoa se propõe para pagar a dívida.
 
A garantia pessoal chama-se fiança e sua definição vem trazida no art. 818 do CC.
 
II – Espécies:
 
Convencional: resultante de contrato
Judicial: determinada pelo juiz
Legal: imposta pela lei (ex: tutor)
 
III – Natureza Jurídica:
 
Contrato acessório e, portanto, tem o destino atrelado ao contrato principal.
Princípio da Gravitação jurídica: o acessório segue o principal.
Art. 824. As obrigações nulas não são suscetíveis de fiança, exceto se a nulidade resultar apenas de incapacidade pessoal do devedor
.
- não pode ser de valor superior ao principal. Se for maior, reduz-se o seu montante até o valor da obrigação afiançada (art. 823 do CC);
 
unilateral;
 
- admite-se, mesmo contra a vontade do devedor (art. 820 do CC)
- não é obrigado o credor aceitar se não for pessoa idônea (art. 825 do CC)
- se o fiador se tornar insolvente ou incapaz, pode o credor exigir que seja substituído (art. 826 do CC)
 
 
solene –
- depende de forma escrita, prevista em lei (art. 819 do CC)
 
gratuito (de regra)
- inspirado no propósito de ajudar;
- nada impede que o fiador exija remuneração (ex:fiança bancária)
 
 
IV – Exceção da lei de bem de família.:
Lei 8.009/90 – art. 3o.
Neste caso é possível haver penhora.
 
V – Dos Efeitos da Fiança:
 
a) benefício de ordem: consiste na prerrogativa, conferida ao fiador, de exigir que os bens do devedor principal sejam excutidos antes dos seus. Tal ideia funda-se no postulado de que a fiança é obrigação subsidiária (salvo disposição em contrário – art. 828, II do CC) .
 Observe-se que admite a lei a renúncia a esse direito. (art. 828, I, do CC)
 
Para ser exercido, exige-se os requisitos do art. 827, caput e parágrafo único do CC.
 
b) solidariedade dos cofiadores:  Se a fiança for prestada por dois ou mais fiadores, sem se especificar a parte da dívida que cada qual garante, determina a lei a sua solidariedade.  (art. 829 do CC)
 
VI – Obrigações Impostas e direitos deferidos ao fiador:
 
A obrigação básica do fiador é pagar a dívida, a qual é transferida a seus herdeiros. (não pode ultrapassar as forças da herança) – art. 836 do CC.
 
- sendo compelido a pagar a dívida, fica o fiador com direito de regresso contra o afiançado (art. 831 do CC), para dele reclamar não apenas a importância que desembolsou, como também todas as perdas e danos que houver pago e ainda os prejuízos que sofrer em razão da garantia prestada. (arts. 832 e 833 do CC)
 
- vencida a dívida, pode o fiador exigir que o devedor satisfaça a obrigação para com o credor, ou de qualquer modo o exonere de sua responsabilidade.
 
- confere a lei possibilidade ao fiador de promover o andamento da ação executiva iniciada contra o devedor, quando o credor, sem justa causa, suster tal andamento ou demorar em sua promoção (art. 834 do CC)
 
- tem direito o fiador de exonerar-se da fiança assinada sem limitação de tempo. Observar que o art. 835 aduz a responsabilidade por mais 60 dias após notificação.
 
VII – Da extinção da fiança:
- extingue-se com o término do contrato principal;
 
- moratória concedida ao devedor, sem o consentimento do fiador; (observar que moratória é a concessão expressa de prazo ao devedor e não a mera tolerância) – art. 838, I, do CC
 
- ato do credor que torne impossível a sub-rogação do fiador em seus direitos e preferências; (ex: crédito garantido por penhor e fiança e o credor abre mão do penhor); - art. 838, II, do CC.
 
- dação em pagamento, consentida pelo credor; (aceita a dação pelo credor, extingue a obrigação da fiança, ainda que haja evicção). – art. 838, III, do CC.
 
- retardamento do credor na execução. (ex: fiador mostra bens do devedor que, com a demora da
 
Outros Contratos:
 
Contrato Estimatório
Art. 534 a 537
Também conhecido como Venda em Consignação.
 
1. Conceito
Estimar = avaliar; calcular.
 
É o contrato por meio do qual o consignante entrega bens móveis estipulando o preço previamente, autorizando o consignatário a vendê-los ou restituí-los em um determinado prazo.
2. Partes
Consignante = quem entrega os bens móveis a outra pessoa
Consignatário = Quem recebe os bens móveis com autorização para venda.
 
3. Prazo
Deve ser estipulado pelas partes. Se isso não ocorrer, o consignante deve interpelar o consignatário para que devolva a coisa ou pague o preço estipulado.
 
4. Valor
O valor é o previamente ajustado pelas partes, não podendo, durante o prazo estipulado, alterá-lo.
Somente é possível alterar o preço após o prazo assinalado ou após a interpelação em razão da mora do consignatário.
 
5. Poder de Disposição da coisa
O consignante (proprietário) não tem poder de disposição da coisa enquanto estiver consignada. Somente o consignatário pode vendê-la.
Caso ele venda a coisa a terceiros, o negócio será nulo (Rosa Nery).
 
Enunciado 32 I Jornada D. Civil
No contrato estimatório (art. 534), o consignante transfere ao consignatário, temporariamente, o poder de alienação da coisa consignada com opção de pagamento do preço de estima ou sua restituição ao final do prazo ajustado.
 
Contrato de Doação
1. Conceito
É um negócio jurídico por meio do qual o doador, por liberalidade e sem remuneração, transfere bens do seu patrimônio ao patrimônio do donatário.
Por ser um contrato benéfico ou benévolo. Que não admite interpretação extensiva., regra do art 114 do CC
 
Art. 114. Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretam-se estritamente.
 
 2. Partes
2.1 Doador 
Aquele que transfere o bem
2.2 Donatário 
Aquele que recebe o bem.
 
3. Características
3.1 Unilateral
Obrigação apenas para uma parte. 
Mesmo a doação onerosa não chega a desvirtuar a natureza do contrato, pois não tem o mesmo peso de uma contraprestação (há divergência na doutrina neste caso).
Obs.: bilateral na origem, pois depende da aceitação. Mas para surtir efeitos é unilateral.
3.2 Formal
Deve ser feita por instrumento público ou particular (art. 541).
Obs.1: bem de pequeno valor (conceito indeterminado)
Pode ser verbal.
 
Obs.2: Bem imóvel acima de 30 salários mínimos
Deve ser por escritura pública (art. 108).
 
3.3 Animus donandi
É a intenção de beneficiar patrimonialmente o destinatário (donatário).
Obs.: renúncia abdicativa 
Não é doação, pois não há intenção de beneficiar alguém, mas sim de abandonar o bem.
Ex.: abandono de imóvel, perdão de débito, renúncia à prescrição.
Obs.: animus solvendi
É intenção de pagar. Não é doação.
Ex.: dação em pagamento.
 
4. Aceitação da doação
O donatário deve se manifestar sobre a doação, aceitando-a ou não.
A manifestação pode se dar de qualquer forma (verbal, escrita ou gesto).
Na origem é contrato bilateral. Precisa de 2 vontades para se formar.
Entretanto, há quem entenda que aceitação do donatário não é mais requisito essencial do contrato, pois o artigo 538 do CC de 2002, não utiliza mais o termo ‘que os aceitem’ .  
Paulo Lôbo utiliza como argumento o art. 539 do CC que permite aceitação tácita. Para esse autor a aceitação do donatário está no plano da eficácia do contrato, e não  no plano da validade.
 
Art. 539. O doador pode fixar prazo ao donatário, para declarar se aceita ou não a liberalidade. Desde que o donatário, ciente do prazo, não faça, dentro dele, a declaração, entender-se-á que aceitou, se a doação não for sujeita a encargo.
 
Silêncio?
Somente é considerado aceitação se houver prazo previsto no contrato e a doação for pura e simples.
 
Aceitação tácita
É possível. Se a pessoa pratica atos compatíveis com a ideia de aceitação, esta é presumida.
Ex.: realizar limpeza do bem
Ex.: pagar tributos incidentes sobre o bem.
Ex.: fazer orçamentos para melhorias do bem.
 
Capacidade civil
Capacidade do doador
O doador, obviamente, deve ser pessoa capaz e legitimada.
Ex.: casado não pode doar.
Capacidade do donatário
Ainda que seja absolutamente incapaz ou até mesmo nascituro pode ser beneficiado pela doação, desde que seja uma doação pura e simples (art. 542 + 543)
Neste caso a aceitação é presumida.
Se o nascituro não nascer com vida, a doação perde o efeito.
 
5. Doação mortis causa
Quando uma pessoa prevê transferência do bem do seu patrimônio, a título gratuito, depois da sua morte.
Esse tipo de doação não é admitida, pois o ordenamento prevê o testamento para esse caso (art. 1.862).
 
6. Doação inoficiosa
 
É aquela que violação a legítima dos herdeiros necessários.
 
Art. 544. A doação de ascendentes a descendentes, ou de um cônjuge a outro, importa adiantamento do que lhes cabe por herança.
 
Art. 549. Nula é também a doação quanto à parte que exceder à de que o doador, no momento da liberalidade, poderia dispor em testamento.
 
Não pode doar mais de 50%.
 
Nulo ou anulável?
 
Antes do CC/02 o STJ entendia que esta doação era anulável e o prazo para invalidar era de 20 anos.
Hoje esse prazo seria de 2 anos (art.179 do CC).
Parte considerável da doutrina vem entendendo que trata-se de nulidade absoluta, pois a garantia da legítima é norma de interesse público.
O CC/02 foi técnico ao tratar das nulidades diferenciando as expressões nulo e anulável.
Perceba que no artigo 549 ele fala que é nulo e no artigo 550 fala anulável.
 
7. Doação universal
É aquela que abarca todo o patrimônio do doador, sem deixarreserva mínima para sua subsistência.
Fere o princípio da dignidade da pessoa humana.
Trata-se de ato nulo.
 
Obs.: princípio da conservação dos negócios jurídicos.
O juiz pode evitar a invalidade total do negócio, declarando parcialmente nulo.
 
8. Promessa de doação
É possível contrato preliminar ou pré-contrato?
Há divergência na doutrina.
Na doação com encargo é possível. Já na doação simples, por ser mera liberalidade, alguns entendem não ser possível.
Neste caso caberia apenas perdas e danos e não execução específica.
 
9. Espécies de doação
Algumas já foram vistas anteriormente
 
9.1 Doação pura
É aquela proveniente de um ato de mera liberalidade sem fixação de qualquer fator eficacial (condição, termo ou encargo).
 
9. 2 Doação condicional (art. 121)
É aquela submetida a uma condição, ou seja, a um evento futuro e incerto.
Ex.: doarei uma casa a minha filha quando ela casar.
 
9.3 Doação a termo
É aquela submetida a um termo, ou seja, a um evento futuro e certo.
Ex.: darei um carro a minha filha quando completar 18 anos.
 
9.4 Doação modal/ onerosa/ encargo
É aquela doação gravada com um ônus, ou seja, há uma incumbência ao donatário.
Ex. (Pablo Stolze): te dou uma casa se pagar uma pensão de ½ salário a minha tia idosa.
Ex.: te dou um carro se você se comprometer a levar meu cachorro para passear todo dia.
O encargo não é tão pesado quanto uma contraprestação. Se isso ocorrer a doação está descaracterizada.
 
9.5 Doação contemplativa
É aquela que o doador expõe os motivos que o levaram a realizar a doação.
É a doação feita em razão do mérito de alguém.
Ex.: te dou todos os meus livros pq é um excelente aluno.
 
Obs.: doação em contemplação de casamento futuro (art. 540).
Neste caso a doação deve ser para casamento com pessoa certa e determinada.
Caso o casamento não se realize a doação é ineficaz (não é nulidade).
 
9.6 Doação remuneratória
É aquela feita em remuneração aos serviços prestados pelo donatário.
Ex.: dou meu carro para o médico que sempre atendeu meus pais sem cobrar um centavo.
 
9.7 Doação conjuntiva
É aquela feita a mais de uma pessoa simultaneamente.
Caso o doador não faça a distribuição, se presume que são em partes iguais.
Se os donatários forem casados e um deles falecer, o cônjuge sobrevivente receberá a totalidade do bens, independente do regime.
Obs.: há quem sustente aplicar aos companheiros.
 
9.8 Doação com cláusula de reversão
É aquela em que o doador estipula o retorno do bem caso o donatário venha a falecer antes dele.
Neste caso a propriedade é resolúvel.
Obs.: Sílvio Venosa entende que é possível a cláusula de reversão submetida a termo.
É possível a renúncia à reversão.
Não é possível a reversão de um bem doado a um terceiro.
 
9.9 Doação mista
É um negócio com prestação híbrida, com características de negócio oneroso e também de ato de liberalidade.
Ex.: pagar R$200,00 em algo que vale apenas R$100,00.
 
9.10 Doações mútuas
Quando as partes fazem atos de liberalidade reciprocamente.
Não se confunde com a troca por ser ato de liberalidade. A troca é ato negocial.
 
9.11 Doação Remuneratória
Art. 540. A doação feita em contemplação do merecimento do donatário não perde o caráter de liberalidade, como não o perde a doação remuneratória, ou a gravada, no excedente ao valor dos serviços remunerados ou ao encargo imposto.
Não é ato de liberalidade, havendo apenas doação na parte que exceder o serviço prestado. 
Exemplo: doação de um carro ao médico que salvou a vida do meu filho.
Essa é importante por três aspectos:
1) cabe alegação de vício redibitório, art 441 parágrafo único CC
Art. 441. A coisa recebida em virtude de contrato comutativo pode ser enjeitada por vícios ou defeitos ocultos, que a tornem imprópria ao uso a que é destinada, ou lhe diminuam o valor.
Parágrafo único. É aplicável a disposição deste artigo às doações onerosas.
2) não cabe revogação dessa doação por ingratidão. 564 CC
Art. 564. Não se revogam por ingratidão:
I - as doações puramente remuneratórias;
II - as oneradas com encargo já cumprido;
III - as que se fizerem em cumprimento de obrigação natural;
IV - as feitas para determinado casamento.
3) Há dispensa de colação no caso de serviço prestado ao ascendente.  2011 CC
Art. 2.011. As doações remuneratórias de serviços feitos ao ascendente também não estão sujeitas a colação.
 
9.12) doação contemplativa ou meritória
Art 540. A doação feita em contemplação do merecimento do donatário não perde o caráter de liberalidade, como não o perde a doação remuneratória, ou a gravada, no excedente ao valor dos serviços remunerados ou ao encargo imposto.
È aquela realizada em contemplação de um merecimento do donatário, constituindo ato de liberalidade.  
Não há qq relevância jurídica.
 
9.13 doação a nascituro art 542 CC
Art. 542. A doação feita ao nascituro valerá, sendo aceita pelo seu representante legal.
Nascituro é aquele que foi concebido, mas ainda não nasceu, essa doação só será válida, sendo aceita pelo representante legal do nascituro.
Além disso, no plano da eficácia  a doação depende do nascimento com vida, (condição). 
Doutrina e jurisprudência admitem doação a prole eventual (MHD).
 
9.13 Doação sob forma de subvenção periódica
Art. 545. A doação em forma de subvenção periódica ao beneficiado extingue-se morrendo o doador, salvo se este outra coisa dispuser, mas não poderá ultrapassar a vida do donatário.
Trata-se da doação de rendas (contrato de trato sucessivo), esse contrato é personalíssimo, pois em regra extingue-se com a morte do doador. Entretanto o doador pode estipular que os herdeiros continuem a doação, até os limites da herança, em casos tais o contrato não pode ultrapassar a vida do donatário. (contrato personalíssimo)
Não confundir com o contrato de constituição de renda, que é gênero, e que pode ser gratuito ou oneroso. Art 803 a 813 CC.
 
9.14 Doação propriter nuptias
Art. 546. A doação feita em contemplação de casamento futuro com certa e determinada pessoa, quer pelos nubentes entre si, quer por terceiro a um deles, a ambos, ou aos filhos que, de futuro, houverem um do outro, não pode ser impugnada por falta de aceitação, e só ficará sem efeito se o casamento não se realizar.
È aquela realizada em contemplação de um casamento futuro do donatário (doação condicional). Essa doação pode ser feita por terceiro aos cônjuges ou entre os próprios cônjuges, inclusive em caso de nascimento de filho. Não ocorrendo a condição opera uma cláusula resolutiva tácita. 
Essa doação é anterior a declaração de casamento, não se confundindo com os presentes posteriores.
 
9.20 Doação indireta
É um ato de vantagem patrimonial conferido a alguém, entretanto, não é uma doação.
Ex.: Remissão de dívida.
 
9.21 Doação disfarçada
É um negócio jurídico simulado ou uma fraude à lei.
 
10. Extinção do contrato de doação
10. 1 Extinção pelo meio natural
Ocorre com o cumprimento da prestação a que se obrigara o doador.
 
10.2 Revogação da Doação 
É uma forma especial de extinção do contrato de doação.
A revogação opera efeito ex nunc.
 
10.2.1 Inexecução do encargo
Nada impede do próprio beneficiário do encargo exigir o seu cumprimento. Entretanto, a revogação do encargo somente o doador pode fazer.
O prazo para revogar a doação por inexecução do encargo é de 10 anos.
Esse prazo é decadencial (art. 205).
 
10.2.2 Extinção em razão da ingratidão do donatário
Ingrato é aquele que não reconhece os benefícios que lhe foram prestados.
É violação da boa-fé objetiva pós contratual.
 
Enunciado 33
O rol do art. 557 deixou de ser taxativo, admitindo outras hipóteses excepcionais.
 
Hipóteses de ingratidão (art. 557)
 
a. Homicídio doloso tentado ou consumado contra o doador;
O crime culposo está fora do rol.
No caso da tentativa de homicídio o doador pode exercer seu direito potestativo à revogação.
Já no homicídio consumado os herdeiros poderão propor ação de revogação, a não ser que o doador haja perdoado o donatário.
 
Perdão do doador
Carlos Roberto Gonçalves entende que o perdão pode ser tácito, caso o doador não exerça o direito à revogação dentrodo prazo legal.
Há quem critique dizendo que o perdão deveria sempre ser expresso e inequívoco.
 
Condenação Criminal
O Código Civil não exige que haja condenação criminal, basta o fato para caracterizar a ingratidão.
 
b. Ofensa física contra o doador
Qualquer ato que viole a integridade física ou corporal, especialmente a lesão corporal praticada contra o doador.
Da mesma forma a lesão corporal culposa não é considerada ato de ingratidão.
Também não é preciso sentença condenatória.
 
c. Crimes contra a honra do doador;
O Código menciona apenas injúria grave e calúnia, mas a doutrina entende que ele disse menos do que deveria. Então, tanto a calúnia, injúria e a difamação estão abrangidos.
 
d. Negar alimentos ao doador.
Princípio da Solidariedade no direito de família.
 
Requisitos:
 
d.1) possibilidade do donatário
d.2) legitimidade passiva do donatário
d.3) recusa injustificada do donatário
 
e. Praticar tais atos contra pessoas próximas ao doador (ascendente, descendente, cônjuge e irmão).
Obs.: companheiro(a) é considerado pessoa próxima.
 
11. Ação Revocatória
É a ação proposta com o objetivo de revogar a doação.
Prazo 1 ano 
A contar do conhecimento do fato.
Esse prazo é decadencial.
 
Não é possível a renúncia antecipada à ação revocatória.
 
Polo ativo: doador
A ação é personalíssima. Somente ele pode propor ação, exceto no caso do homicídio consumado.
 
Polo passivo: donatário
Obs.: falecendo o doador ou donatário após a propositura da ação revocatória seus herdeiros poderão dar continuidade a ela.
 
Efeito ex nunc
Somente produz efeitos após a citação válida do donatário.
 
12. Doações não sujeitas a revogação
a) doações puramente remuneratórias
Ex.: doação feita a médico da família que nunca cobrou pelos serviços.
 
b) doações oneradas com encargo já cumprido
O donatário já teve gasto.
 
c) doações em cumprimento de obrigação natural
Tecnicamente é pagamento. Não pode ser desfeita por ser título de honra.
 
d) doações feitas a casamento
Prejudicaria a família.
 
13. Doação por procuração
Não é proibida por lei, mas deve especificar o doador, o bem a ser doado e o donatário beneficiado pela doação.
Se for procuração com poderes gerais não é permitido.
 
Prestação de Serviços
1. Introdução
Como mencionado anteriormente, antigamente era chamado Locação de Serviço. 
A expressão atual é considerada mais adequada, pois o trabalho realizado pelo ser humano não pode ser considerado objeto, pois o ser humano não pode ser considerado objeto.
 
2. Conceito
É o negócio jurídico por meio do qual o prestador se obriga a realizar uma atividade em benefício do tomador mediante uma remuneração.
 
Art. 594. Toda a espécie de serviço ou trabalho lícito, material ou imaterial, pode ser contratada mediante retribuição.
 
Qualquer atividade lícita manual ou intelectual que não seja regulamentado por lei trabalhista ou especial.
 
Prestação de serviço e relação de emprego
Na prestação de serviço não há subordinação, ou seja, relação hierárquica entre tomador e prestador, como ocorre na relação trabalhista. A relação civilista é autônoma.
 
Prestação de serviço e contrato de empreitada
A empreitada há uma finalidade específica: realização de obra ou criação de algo novo.
Pode ser a construção civil, uma criação técnica, artística ou artesanal.
 
3. Características
3.1 Típico
3.2 Nominado
3.3 Bilateral (atividade x remuneração)
3.4 Comutativo
3.4 Não solene
3.5 Personalíssimo/ intuitu personae (em regra)
Art. 605. Nem aquele a quem os serviços são prestados, poderá transferir a outrem o direito aos serviços ajustados, nem o prestador de serviços, sem aprazimento da outra parte, dar substituto que os preste.
É possível que o prestador de serviço seja substituído por outra pessoa desde que haja anuência do tomador.
Obs.: na relação de emprego não é admitida a substituição.
3.6 Instantâneo ou diferido
3.7 Prazo determinado ou indeterminado
 
Obs.: limite temporal
O contrato não pode ter prazo superior a 4 anos.
 
4. Objeto
É uma atividade humana lícita material (manual) ou imaterial (intelectual).
O objeto deve ser, em regra, determinado. Excepcionalmente, poderá ser indeterminado, mas não de forma ampla e irrestrita. Deve estar de acordo com as características relativas a sua condição.
Ex.: contratar escritório de advocacia para cuidar de questões jurídicas da empresa. Vai fazer todo tipo de atividade ligada à advocacia, como fazer petição, pareceres, audiência. Claro que não vai fazer serviço contábil, por exemplo.
 
5. Forma
Por ser contrato não solene, pode ser celebrado por qualquer forma, inclusive verbal.
 
Obs.: não alfabetizado
Se uma das partes não for alfabetizada, pode ser assinada por outra pessoa em seu lugar e subscrito por duas testemunhas.
 
Art. 595. No contrato de prestação de serviço, quando qualquer das partes não souber ler, nem escrever, o instrumento poderá ser assinado a rogo e subscrito por duas testemunhas.
 
6. Retribuição
A prestação de serviço é contrato bilateral e comutativo.
A retribuição é também chamado de honorários, soldadas (CC/1916), preço ou salário.
 
Obs.: apesar da expressão “salário” normalmente ser utilizado na relação de emprego o artigo 599 do CC/02 também faz uso dela. A doutrina critica dizendo houve atecnia.
 
Obs.: Gratuidade
O Código Civil não admite a prestação de serviços gratuitos, então o prestador sempre fará jus à remuneração. No silêncio das partes caberá ao Juiz fixar o valor de acordo com os costumes locais, levando em conta o tempo para realização do serviço e sua qualidade.
 
6.1 Compensação na ausência de habilitação (art. 606)
Mesmo que o prestador não esteja habilitado para prestar o serviço deve receber alguma compensação, exceto se estivesse de má-fé.
 
7. Tempo de duração
O contrato não pode ser fixado em prazo superior a 4 anos.
 
Art. 598. A prestação de serviço não se poderá convencionar por mais de quatro anos, embora o contrato tenha por causa o pagamento de dívida de quem o presta, ou se destine à execução de certa e determinada obra. Neste caso, decorridos quatro anos, dar-se-á por findo o contrato, ainda que não concluída a obra.
 
A conclusão de obra o legislador quis se referir à atividade, pois obra se refere ao contrato de empreitada.
Caso o contrato tenha cláusula com duração superior, somente esta deve ser considerada nula e não o instrumento inteiro.
A intenção é evitar que as partes fiquem amarradas por tanto tempo o que traria enorme dificuldade financeira. Então, nada impede que, vencido o prazo, as partes renovem o contrato.
Na contratação por prazo indeterminado, obviamente, não há limite.
 
7.1 Aviso prévio
Caso o contrato não tenha termo final, as partes estão vinculadas por prazo indeterminado.
Havendo intenção de uma das partes resilir unilateralmente o contrato, deverá comunicar previamente a outra.
 
Art. 599. Não havendo prazo estipulado, nem se podendo inferir da natureza do contrato, ou do costume do lugar, qualquer das partes, a seu arbítrio, mediante prévio aviso, pode resolver o contrato.
Parágrafo único. Dar-se-á o aviso:
I - com antecedência de oito dias, se o salário se houver fixado por tempo de um mês, ou mais;
II - com antecipação de quatro dias, se o salário se tiver ajustado por semana, ou quinzena;
III - de véspera, quando se tenha contratado por menos de sete dias.
 
A falta de comunicação da parte acarreta no dever de pleitear as perdas e danos.
 
7.2 Contagem do tempo
Não pode ser computado o tempo do contrato o período que, por culpa do prestador, não houve atividade. A contrário senso, o tempo que ele deixou de servir, sem culpa, deve ser computado.
Isso não quer dizer que o prestador tem direito  à retribuição do serviço. Se a retribuição não é global, mas por dia disponibilizado, a remuneração não é devida.
Ex.: contrato “A” para ser consultor durante 6 meses pelo preço de R$10.000,00.
Se ele vai para os EUA passear, esse tempo não pode ser computado. Entretanto, se ele ficou doente, o período deve ser computado. A remuneração somente será devida se o serviço foi efetivamente prestado.
Obs.:é diferente da relação de emprego, pois o empregador assume os riscos da atividade e deve remunerar.
 
8. Extinção do contrato de trabalho
a) Termo final
b) Realização da atividade
c) Aviso Prévio
d) Inadimplemento
e) Impossibilidade de continuação por caso fortuito ou força maior
f) Morte
 
8.1 Direito à certificação
Os contratantes têm direito de exigir declaração de quitação após a conclusão do contrato.
 
8.2 Indenização pela extinção antecipada
No contrato por prazo indeterminado é possível resilição unilateral desde que haja aviso prévio. Já nos contratos por prazo determinado a expectativa é que o termo seja respeitado, entretanto, deverá a parte inocente ser indenizado pelas perdas e danos.
 
9. Aliciamento de mão de obra
 
Art. 608. Aquele que aliciar pessoas obrigadas em contrato escrito a prestar serviço a outrem pagará a este a importância que ao prestador de serviço, pelo ajuste desfeito, houvesse de caber durante dois anos.
 
É quebra da boa-fé em razão de comportamento desleal.
 
Comissão
1. Conceito
É o negócio jurídico por meio do qual o comissário assume em seu próprio nome e à conta do comitente a obrigação de adquirir ou vender bens móveis.
 
Obs.:Não é possível este tipo de contrato para bens imóveis, pois precisa de instrumento público e respeitar a cadeia registral.
 
Obs.: apesar de semelhante não é possível confundir com a corretagem, pois o objetivo não é aproximar pessoas que desejam contratar, mas celebrar o contrato no interesse de outrem, embora não em seu nome.
 
1.1 Partes
1.1.1 Comitente:
Pessoa por cujo interesse os bens móveis são vendidos.
1.1.2 Comissário
Pessoa que em nome próprio realiza atos negociais com terceiros.
 
Comissão
É a retribuição ajustada ou arbitrada.
Ex.: agência de viagem compra passagens aéreas em seu nome.
Art. 693. O contrato de comissão tem por objeto a aquisição ou a venda de bens pelo comissário, em seu próprio nome, à conta do comitente.
Obs.: perceba que comissão é tanto a designação do contrato quanto da remuneração a ser recebida.
 
3. Direitos e Obrigações das partes
 
3.1. Obrigações do comissário
3.1.1 adquirir e vender bens em seu nome e no interesse do comitente
 
A principal obrigação neste contrato é do comissário que assume o dever de adquirir e vender bens em seu próprio nome e no interesse do comitente.
 
3.1.2 agir de acordo com as instruções recebidas
Art. 695. O comissário é obrigado a agir de conformidade com as ordens e instruções do comitente, devendo, na falta destas, não podendo pedi-las a tempo, proceder segundo os usos em casos semelhantes.
É semelhante ao contrato de mandato. Entretanto, se não conseguir obter as instruções a tempo, poderá agir de acordo com a sua vontade, desde que esteja de acordo com os usos e costumes do lugar.
Parágrafo único. Ter-se-ão por justificados os atos do comissário, se deles houver resultado vantagem para o comitente, e ainda no caso em que, não admitindo demora a realização do negócio, o comissário agiu de acordo com os usos.
O parágrafo único traz essas duas situações que justificam a atuação do comissário mesmo que não tenha instruções do comitente.
Obs.: perceba que,nesta segunda justificativa, caso o comissário não possa esperar e tenha agido de acordo com os costumes, ainda que não haja vantagem ao comitente, não haverá responsabilidade. Só será responsabilizado por ter feito um mau negócio se o comissário agiu com dolo.
 
3.1.3 agir com cuidado e diligência
Art. 696. No desempenho das suas incumbências o comissário é obrigado a agir com cuidado e diligência, não só para evitar qualquer prejuízo ao comitente, mas ainda para lhe proporcionar o lucro que razoavelmente se podia esperar do negócio.
Está ligado a boa-fé objetiva.
 
Parágrafo único. Responderá o comissário, salvo motivo de força maior, por qualquer prejuízo que, por ação ou omissão, ocasionar ao comitente.
Caso fortuito e força maior rompem o nexo de causalidade, por isso não há responsabilidade.
 
Obs.: conceder dilação de prazo para pagamento.
Art. 700. Se houver instruções do comitente proibindo prorrogação de prazos para pagamento, ou se esta não for conforme os usos locais, poderá o comitente exigir que o comissário pague incontinenti ou responda pelas conseqüências da dilação concedida, procedendo-se de igual modo se o comissário não der ciência ao comitente dos prazos concedidos e de quem é seu beneficiário.
O comissário pode, de acordo com os usos, conceder dilação de prazo para pagamento, exceto se houver proibição expressa do comitente (art. 699).
 
3.2. Obrigação do comitente
3.2.1. Remunerar o comissário
Normalmente é baseada em percentual sobre o valor do contrato. No silêncio, a comissão deve ser arbitrado segundo os usos locais (costume praeter legem).
Obs.: a remuneração é tão relevante que o Código Civil deixou claro que é crédito preferencial na falência ou insolvência (art. 707).
 
Obs.: extinção do contrato por caso fortuito ou força maior
A remuneração será devida proporcionalmente ao tempo de contrato.
Ex.: morte do comissário.
 
Direito de retenção
O comissário tem direito potestativo de retenção do valores gastos e da comissão devida.
Art. 708. Para reembolso das despesas feitas, bem como para recebimento das comissões devidas, tem o comissário direito de retenção sobre os bens e valores em seu poder em virtude da comissão.
 
Recebimento de juros
Art. 706. O comitente e o comissário são obrigados a pagar juros um ao outro; o primeiro pelo que o comissário houver adiantado para cumprimento de suas ordens; e o segundo pela mora na entrega dos fundos que pertencerem ao comitente.
Esse artigo estabelece o pagamento de duas espécies de juros:
 
Juros compensatório
Devidos ao comissário pelo adiantamento das despesas
 
Juros moratórios
Devidos em razão do atraso na entrega dos valores devidos ao comitente.
 
4. Espécies de Comissão
4.1 Quanto à liberdade das partes
 
a) Comissão imperativa
É aquela que caracteriza um contrato de adesão, pois a execução é ditada unilateralmente pelo comitente.
 
b) Comissão Facultativa
Quando há liberdade contratual ao comissário em relação ao ato a ser praticado.
 
4.2 Quanto à quantidade de comissão
a) Comissão simples
Quando há apenas uma comissão
b) Comissão complexa
Quando há mais de uma comissão reunida, sendo que a execução de uma não depende da outra.
c) Comissão Conexa
Aquele que reúne mais de uma comissão coligada e inseparáveis.
d) Comissão alternativa
Quando existe mais de uma comissão, facultando ao comissário escolher uma delas.
 
5. Cláusula Del Credere/ Cláusula de Confiança/ Cláusula de Garantia
É a cláusula que estipula responsabilidade solidária entre o comissário e a pessoa que ele contratou.
Art. 698. Se do contrato de comissão constar a cláusula del credere , responderá o comissário solidariamente com as pessoas com que houver tratado em nome do comitente, caso em que, salvo estipulação em contrário, o comissário tem direito a remuneração mais elevada, para compensar o ônus assumido.
O comissário não responde pela insolvência das pessoas com quem contratar, exceto se agir com culpa ou se for estabelecida cláusula del credere.
Essa cláusula tem o objetivo de dar maior garantia ao comitente no recebimento do crédito.
 
Obs.: não é se confunde com o seguro, pois a intenção não é garantia contra risco.Além disso, o comissário não preenche requisitos para ser segurador e atuar no mercado de seguro.
Obs.: também não se confunde com fiança, pois a responsabilidade do comissário é solidária e não subsidiária.
 
Por outro lado, o comissário terá direito a uma remuneração maior, exceto se o contrato dispuser o contrário.
Art. 698. Se do contrato de comissão constar a cláusula del credere , responderá o comissário solidariamente com as pessoas com que houver tratado em nome do comitente, caso em que, salvo estipulação em contrário, o comissário tem direito a remuneração mais elevada, para compensar o ônus assumido.
Obs.: caso a modalidade seja de adesão a cláusula del credere é considerada por parte da doutrina inválida em razão da abusividade.
 
6.Extinção do contrato
6.1 Com a consumação do objeto
6.2 Resilição bilateral (distrato)
6.3 Resilição unilateral 
6.4 Inadimplemento (resolução)
 
Obs.: extinção promovida pelo comitente o comissário terá direito à remuneração independente do motivo
 
Art. 703. Ainda que tenha dado motivo à dispensa, terá o comissário direito a ser remunerado pelos serviços úteis prestados ao comitente, ressalvado a este o direito de exigir daquele os prejuízos sofridos.
 
Art. 705. Se o comissário for despedido sem justa causa, terá direito a ser remunerado pelos trabalhos prestados, bem como a ser ressarcido pelas perdas e danos resultantes de sua dispensa.
 
Obs.: não há vínculo trabalhista
 
Agência e Distribuição
São contratos mercantis.
 
1. Conceito
 
Art. 710. Pelo contrato de agência, uma pessoa assume, em caráter não eventual e sem vínculos de dependência, a obrigação de promover, à conta de outra, mediante retribuição, a realização de certos negócios, em zona determinada, caracterizando-se a distribuição quando o agente tiver à sua disposição a coisa a ser negociada.
 
Agência e Distribuição são sinônimos?
1ª Corrente Humberto Theodoro Jr. não vê diferença entre os dois institutos.
2ª Corrente Pablo Stolze há diferença, como será explicado abaixo.
 
Obs.: a diferença entre os dois está na disposição ou não da coisa comercializada.
 
1.1 Contrato de agência
É o negócio jurídico por meio do qual o agente, sem subordinação, em caráter não eventual, e sem deter a coisa que comercializa, realiza negócios em área determinada, fazendo jus a uma remuneração fixa ou percentual.
O agente promove a celebração do negócio entre o agenciado e o adquirente (normalmente consumidor).
 
1.2 Contrato de distribuição
É o negócio jurídico por meio do qual o distribuidor, sem subordinação, já possuindo a coisa que comercializa, realiza negócios em determinada área, fazendo jus a uma remuneração fixa ou percentual.
Há uma primeira etapa que é a venda do produto pelo distribuído ao distribuidor que, posteriormente, revende ao destinatário final. O distribuidor vende o produto que está em seu poder.
 
2. Direitos e Obrigações das partes
 
2.1 Exclusividade territorial do agente
 
Art. 711. Salvo ajuste, o proponente não pode constituir, ao mesmo tempo, mais de um agente, na mesma zona, com idêntica incumbência; nem pode o agente assumir o encargo de nela tratar de negócios do mesmo gênero, à conta de outros proponentes.
2.2 O agente deve agir com diligência de acordo com as instruções recebidas.
Art. 712. O agente, no desempenho que lhe foi cometido, deve agir com toda diligência, atendo-se às instruções recebidas do proponente.
2.3 Cabe ao agente arcar com as despesas decorrentes do contrato, exceto se houver previsão expressa em contrário
Art. 713. Salvo estipulação diversa, todas as despesas com a agência ou distribuição correm a cargo do agente ou distribuidor.
2.4 Direito à remuneração dos negócios promovidos dentro do seu território, ainda que seja fruto da sua interferência. Caso o negócio não seja realizado por culpa (lato sensu) do proponente, a remuneração também será devida.
Art. 714. Salvo ajuste, o agente ou distribuidor terá direito à remuneração correspondente aos negócios concluídos dentro de sua zona, ainda que sem a sua interferência.
Art. 716. A remuneração será devida ao agente também quando o negócio deixar de ser realizado por fato imputável ao proponente.
Art. 717. Ainda que dispensado por justa causa, terá o agente direito a ser remunerado pelos serviços úteis prestados ao proponente, sem embargo de haver este perdas e danos pelos prejuízos sofridos.
Art. 718. Se a dispensa se der sem culpa do agente, terá ele direito à remuneração até então devida, inclusive sobre os negócios pendentes, além das indenizações previstas em lei especial.
Art. 719. Se o agente não puder continuar o trabalho por motivo de força maior, terá direito à remuneração correspondente aos serviços realizados, cabendo esse direito aos herdeiros no caso de morte.
 
Corretagem
1. Conceito
Art. 722. Pelo contrato de corretagem, uma pessoa, não ligada a outra em virtude de mandato, de prestação de serviços ou por qualquer relação de dependência, obriga-se a obter para a segunda um ou mais negócios, conforme as instruções recebidas.
O corretor tem a tarefa de aproximar as duas partes para que realizem determinado contrato.
 
Partes
 
Corretor
Quem se obriga a obter um ou mais negócios para outra parte
 
Comitente
Quem contrata a intermediação do corretor
 
Obs.: não confundir com o comitente do contrato de comissão.
 
A atividade do corretor é obrigação de resultado, pois somente terá direito à remuneração se o negócio se concretizar. 
 
Corretagem e Mandato
No contrato de mandato o mandatário realiza atos pelo mandante. Na corretagem há apenas aproximação das partes e não realização do ato.
 
Corretagem e prestação de serviço
O corretor não deixa de prestar serviço para o comitente, entretanto, o contrato de corretagem tem peculiaridades em relação ao de prestação de serviços.
O corretor precisa ser profissional, além do corretor intermediar as partes e na prestação de serviços o prestador age em seu nome.
 
Direitos e Deveres das partes
Obrigação do corretor
Art. 723.  O corretor é obrigado a executar a mediação com diligência e prudência, e a prestar ao cliente, espontaneamente, todas as informações sobre o andamento do negócio.  
Parágrafo único.  Sob pena de responder por perdas e danos, o corretor prestará ao cliente todos os esclarecimentos acerca da segurança ou do risco do negócio, das alterações de valores e de outros fatores que possam influir nos resultados da incumbência.
Obrigação do Comitente
A obrigação do comitente surgirá após a celebração do negócio pretendido.
 
 Remuneração
A remuneração é denominada comissão, preço ou corretagem.
É devida após a conclusão do negócio.
É negócio oneroso, não sendo possível a estipulação de contrato gratuito.
Art. 724. A remuneração do corretor, se não estiver fixada em lei, nem ajustada entre as partes, será arbitrada segundo a natureza do negócio e os usos locais.
Art. 725. A remuneração é devida ao corretor uma vez que tenha conseguido o resultado previsto no contrato de mediação, ou ainda que este não se efetive em virtude de arrependimento das partes.
Caso o negócio tenha sido concretizado e, posteriormente, as partes se arrependerem a remuneração será devida de qualquer forma.
Não é possível se confundir arrependimento com desistência, pois esta ocorre numa fase pré-contratual e aquele na fase contratual.
 
Cláusula de exclusividade
Se houver cláusula de exclusividade, será devida a remuneração, ainda que não haja intermediação do negócio, exceto se houver desídia do corretor.
Art. 726. Iniciado e concluído o negócio diretamente entre as partes, nenhuma remuneração será devida ao corretor; mas se, por escrito, for ajustada a corretagem com exclusividade, terá o corretor direito à remuneração integral, ainda que realizado o negócio sem a sua mediação, salvo se comprovada sua inércia ou ociosidade.
 
Caberá, neste caso, ao comitente demonstrar a desídia do corretor.
 
Divisão da remuneração
Art. 728. Se o negócio se concluir com a intermediação de mais de um corretor, a remuneração será paga a todos em partes iguais, salvo ajuste em contrário.
Deve ser interpretado amplamente a expressão “salvo ajuste em contrário” para não dar margem a injustiça. O pagamento igualitário somente pode ser feito se não houver possibilidade de comprovar a divisão desigual de tarefas.
 
Transporte
Contrato de transporte (CT) é aquele em que alguém se obriga, mediante retribuição, a transportar, de um lugar para outro, pessoas ou coisas (CC730). A relação de transporte pode apresentar-se como acessória de outro negócio jurídico, como a compra e venda, em que o vendedor se obriga a entregar a coisa no domicílio do comprador. Nesse caso, o primeiro não se qualifica como transportador, cuja obrigação é exclusivamente a de efetuar o translado de uma coisa ou pessoa, regendo-se a sua responsabilidade pelasnormas que disciplinam a compra e venda.
Constituição de renda
É o contrato pelo qual uma pessoa se obriga a pagar outra, a título gratuito, uma prestação periódica (art. 803). Em sua modalidade onerosa, uma pessoa recebe de outra, certo capital, consistente em bens móveis ou imóveis, obrigando-se a pagar a esta ou a um terceiro, eleito beneficiário, uma prestação por determinado prazo (art. 804).
Contrato de Seguro
Contrato de seguro é aquele pelo qual uma das partes (segurador) se obriga para com a outra (segurado), mediante o pagamento de um prêmio, a indenizá-lo de prejuízo decorrente de riscos futuros, previstos no contrato (CC, art. 757).
Transação
É um negocio jurídico bilateral, pelo qual as partes interessadas, fazendo-se concessões mútuas, previnem ou extinguem obrigações litigiosas ou duvidosas.
Compromisso
Segundo Maria Helena Diniz
“Um acordo bilateral em que as partes interessadas submeterem suas controvérsias jurídicas à decisão de árbitros, comprometendo-se a acatá-la, subtraindo a demanda da jurisdição da justiça comum.” (Diniz: 2011)
Contrato de Alienação Fiduciária em Garantia
Alienação fiduciária é a transferência da propriedade de um bem móvel ou imóvel do devedor ao credor para garantir o cumprimento de uma obrigação.
Leasing
O leasing é um contrato denominado na legislação brasileira como “arrendamento mercantil”. As partes desse contrato são denominadas “arrendador” e “arrendatário”, conforme sejam, de um lado, um banco ou sociedade de arrendamento mercantil e, de outro, o cliente. O objeto do contrato é a aquisição, por parte do arrendador, de bem escolhido pelo arrendatário para sua utilização. O arrendador é, portanto, o proprietário do bem, sendo que a posse e o usufruto, durante a vigência do contrato, são do arrendatário. O contrato de arrendamento mercantil pode prever ou não a opção de compra, pelo arrendatário, do bem de propriedade do arrendador.
Factoring
É a prestação continua e cumulativa de assessoria mercadológica e creditícia, de seleção de riscos, de gestão de crédito, de acompanhamento de contas a receber e de outros serviços, conjugada com a aquisição de créditos de empresas resultantes de suas vendas mercantis ou de prestação de serviços, realizadas a prazo. Esta definição foi aprovada na Convenção Diplomática de Ottawa-Maio/88 da qual o Brasil foi uma da 53 nações signatárias, consta do Art. 28 da Lei 8981/95, ratificado pela Resolução 2144/95, do Conselho Monetário Nacional. (https://www.pa.sebrae.com.br/sessoes/pse/tdn/tdn_fac_oque.asp)
 
 
Exercício 1:
Após analisar as afirmações abaixo, é correto dizer que:
 
I – não se pode estipular a fiança sem o consentimento do devedor;
II – a fiança é contrato acessório, razão pela qual a sua nulidade não afeta ao contrato principal;
III – a fiança exige, sempre, interpretação restritiva.
A) todas as afirmativas são verdadeiras;
B) apenas as afirmativas I e II são verdadeiras;
C) apenas as afirmativas I e III são verdadeiras;
D) apenas as afirmativas II e III são verdadeiras;
E) todas as afirmativas são falsas
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(D)
Exercício 2:
Após analisar as afirmações abaixo, é correto dizer que:
I – a fiança não pode ser de valor inferior ao da obrigação principal;
II – sendo ilimitada, a fiança não compreenderá todos os acessórios da dívida principal.
III - a fianção nunca resultará em obrigação solidária
A) todas as afirmativas são verdadeiras;
B) apenas a afirmativa I é verdadeira;
C) apenas a afirmativa II é verdadeira; 
D) todas as afirmativas são falsas.
E) somente a assertiva III é verdadeira
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(D)
Exercício 3:
Após analisar as afirmações abaixo, é correto dizer que:
 
I – admite-se a renúncia ao benefício de ordem;
 
II – se a execução não for proposta de imediato contra o devedor, o fiador poderá se eximir da obrigação se provar que o retardo na providência do credor foi a razão que o impediu de receber o crédito do devedor originário.
A) todas as afirmativas são verdadeiras;
B) apenas a afirmativa I é verdadeira;
C) apenas a afirmativa II é verdadeira;
D) todas as afirmativas são falsas.
E) n.d.a.
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(A)
Exercício 4:
É incorreto afirmar que:
A) admite, nossa legislação, seguro de dano e de pessoa;
B) no seguro de pessoa a apólice não pode ser ao portador;
C) o segurado perde o direito à garantia se agravar intencionalmente o risco objeto do contrato;
D) admite-se que qualquer empresa, desde que tenha CNPJ, possa oferecer serviços como seguradora.
E) n.d.a.
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(D)
Comentários:
D) Somente a empresa específica que tenha habilidades e legitimidade para comercializar o seguro
Exercício 5:
Sobre a fiança, é correto afirmar:
 
A) cuida-se de contrato que se pode celebrar verbalmente;
B) as pessoas casadas podem prestá-la livremente, sem autorização do outro cônjuge, qualquer que seja o regime de bens do casamento;
C) o fiador pode exonerar-se da obrigação assumida, sem limitação de tempo, sempre que lhe convier, mediante notificação ao credor;
 
D)  a responsabilidade do fiador é sempre solidária.
E) NDA
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(C)
Exercício 6:
Acerca dos contratos em espécie, considere as proposições abaixo e marque a alternativa correta.
 
 
I. Se o locatário, no contrato de locação de coisas, empregar a coisa em uso diverso do ajustado, ou do a que se destina, ou se ela se danificar por abuso do locatário, poderá o locador, além de extinguir o contrato, exigir perdas e danos.
II. O comodatário não poderá jamais recobrar do comodante as despesas feitas com o uso e gozo da coisa emprestada, salvo se forem de natureza extraordinária.
III. Aquele que aliciar pessoas obrigadas em contrato escrito a prestar serviço a outrem pagará a este a importância que ao prestador de serviço, pelo ajuste desfeito, houvesse de caber durante dois anos.
IV. Não se pode estipular a fiança sem o consentimento do devedor ou contra a sua vontade.
V. O fiador demandado pelo pagamento da dívida tem direito de exigir, até a contestação da lide, que sejam primeiros executados os bens do devedor devendo, para tanto, nomear bens do devedor. 
A) Estão corretas apenas as assertivas I, II e III.
 
B) Estão corretas apenas as assertivas I, II, III e IV.
 
C) Apenas a assertiva IV está incorreta.
 
D) Todas as assertivas estão corretas.
E) n.d.a.
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(C)
Exercício 7:
O fiador demandado pelo pagamento da divida tem direito de exigir, até a contestação da lide, que sejam excutidos primeiro os bens do devedor. o enunciado caracteriza:
A) o abono do fiador;
B) o benefício de ordem;
C) a extinção da fiança;
D) nada significa, pois a fiança civil é sempre solidária.
E) n.d.a.
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(B)
Exercício 8:
São espécies de fiança:
I - Legal;
II - Judicial;
III - Convencional
Estão corretas as assertivas:
A) I e II;
B) II e III;
C) I e III;
 
D) Todas as assertivas estão corretas.
E) n.d.a.
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(D)
Comentários:
D) Pelo contrato de uma fiança uma pessoa garante satisfazer o credor de uma obrigação
Exercício 9:
1. Complete a frase abaixo:
É o contrato por meio do qual o __________________ entrega bens móveis estipulando o preço previamente, autorizando o ________________a vendê-los ou restituí-los em um determinado prazo.
A) Consignatário e Consignado;
B) Consignatário e Consignante;
C) Consignante e Consignatário
D) Mutuário e Consignatário;
E) Mandante e Consignante.
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(C)
Comentários:
C) De acordo que as obrigações estejam de comum acordo
Exercício 10:
Em relação à doação, analise as afirmações abaixo e assinale a alternativa correta:
I – O doador não pode fixar prazo ao donatário, para declarar se aceita ou não a liberalidade.
II – Desde que o donatário, ciente do prazo, não faça, dentro dele, a declaração, entender-se-á que aceitou, se a doação não for sujeita a encargo.
III – Não se admite aceitaçãotácita na doação.
A) Somente a I está correta;
B) Somente a II está correta;
C) Somente a III está correta;
D) As afirmações I e II estão corretas;
E) As afirmações II e III estão corretas
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(B)
Exercício 11:
Com base nas hipóteses de revogação da doação por ingratidão, marque a alternativa correta:
A) Homicídio doloso tentado ou consumado contra o doador;
B) Ofensa física contra o doador
C) Crimes contra a honra do doador;
D) Negar alimentos ao doador.
E) todas estão corretas
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(E)
Exercício 12:
Complete a frase abaixo, levando em consideração as espécies de contrato previstas no Código Civil Brasileiro de 2.002.
______________ é o negócio jurídico por meio do qual o prestador se obriga a realizar uma atividade em benefício do tomador mediante uma remuneração.
A) O contrato de mandato;
B) O contrato de doação;
C) O contrato de prestação de serviços
D) O contrato de compra e venda;
E) O contrato de empreitada.
O aluno respondeu e acertou. Alternativa(C)
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