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AULA 5 PROFº MARCELO MORAES Nutrição Enteral – NE “Alimento para fins especiais, com ingestão controlada de nutrientes, na forma isolada ou combinada, de composição definida ou estimada, especialmente formulada e elaborada para uso por sondas ou via oral, industrializado ou não, utilizada exclusiva ou parcialmente para substituir ou complementar a alimentação oral em pacientes desnutridos ou não, conforme suas necessidades nutricionais, em regime hospitalar, ambulatorial ou domiciliar, visando a síntese ou manutenção dos tecidos, órgãos ou sistemas” RDC 63, de 06 de Julho de 2000 - ANVISA Tipos de NE ➢NE em Sistema Aberto ✓NE que requer manipulação prévia à sua administração ✓Uso imediato ou atendendo à orientação do fabricante ➢NE em Sistema Fechado ✓NE industrializada ✓Estéril ✓Acondicionada em recipiente hermeticamente fechado e apropriado para conexão ao equipo de administração Dietas não industrializadas, caseiras ou artesanais ➢Preparadas à base de alimentos in natura com ou sem adição de produtos industrializados ➢Liquidificadas e coadas ➢Vantagens ✓Individualização quanto à composição ✓Menor custo ➢Desvantagens ✓> risco microbiológico ✓Instabilidade da composição nutricional ✓Dificuldade de adequação nutricional VASCONCELOS, 2014 VIAS DE ACESSO E TIPOS DE SONDA Métodos de Administração ➢Administração em “bolus”: Infusão de 200 a 300 ml da dieta enteral, com seringa de 20 a 60 ml durante 15 a 30 minutos, a cada 3-4 horas. ➢Administração intermitente: 200 a 300 ml de dieta infundida durante 20 a 35 minutos, a cada 4-6 horas. A infusão é livre, deixando-se fluir através do equipo, apenas impulsionada pela força da gravidade ➢Administração cíclica: Administração contínua das fórmulas enterais, com auxílio de bombas de infusão, por períodos de 10 a 16 horas por dia ➢Administração contínua: Infusão contínua de dieta durante o dia, com auxílio de bombas de infusão VASCONCELOS, 2014; MATARESE e GOTTSCHLICH, 2016 Bomba infusora Equipo de conexão Bomba infusão em funcionamento Dieta conectada Classificação quanto ao conteudo da NE ➢Dietas Poliméricas: São aquelas em que os macronutrientes se encontram na sua forma intacta, necessitando de sofrer digestão prévia à sua absorção. As proteínas estão na forma de caseinatos, sojas, lectoalbuminas, os lipídios na forma de óleo de milho, canola, girassol, podendo ter ou não adição de TCM, AGE, e os hidratos de carbono na forma de maltodextrina, sacarose, podendo ou não ter a presença de fibras. ➢Dietas Oligoméricas: São aquelas em que principalmente as proteínas estão na forma de hidrolisado, como no hidrolisado de lectoalbuminas, no hidrolisado de soja e outros. Os hidratos de carbono podem ser complexos ou não e os lipídios estão em sua maior concentração na forma de triglicerídeos de cadeia média (TCM) e ácidos graxos essenciais (AGE) . ➢Dietas Monoméricas: São aquelas em que os macronutrientes de apresentam na sua forma mais simples e hidrolisadas. As proteínas se apresentam principalmente na forma de aminoácidos livres, os hidratos de carbono na forma simples e os lipídios em forma de ácidos graxos essenciais, vitaminas e minerais. ➢Dietas Especiais: Indicada para pacientes com tubo gastrintestinal funcionante, mas que requerem formulações especiais em virtude das doenças de base. Podem ter características poliméricas, oligomérica ou elementar bem como serem nutricionalmente completas ou incompletas. As formulações são específicas para atender as necessidades nutricionais diferenciadas de acordo com a doença de base. Dietas Modulares São aquelas que usam base de sua formação os módulos de macro e micronutrientes (proteínas intactas ou aminoácidos, hidratos de carbono, lipídios, vitaminas, minerais, fibras, glutamina e outros). Os módulos de nutrientes também podem ser utilizados para complementar uma dieta já formulada ou como complemento alimentar. VASCONCELOS, 2014; MATARESE e GOTTSCHLICH, 2016 Indicações da NE ✓Funcionamento do TGI ✓Ingestão via oral insuficiente (IVO): < 60% das NET e PTN ✓IVO + suplementação < 75% das NET e PTN ✓Grau de desnutrição/ catabolismo ✓Perda ponderal importante (>10% em 6 meses) ✓Disfagia ✓Deficiência neurológica, coma ou estado delirante ✓Aumento do requerimento nutricional (queimaduras, traumas) Contraindicações da NE ✓TGI não funcionante (disfunção, condições que requerem o repouso, obstrução); ✓Vômitos e diarreia severa; ✓Enterocolite severa; ✓Pancreatite aguda grave; ✓Doença terminal; ✓Inconsistência em relação ao prognóstico ou desejos do paciente. Equipe Multiprofissional de Terapia Nutricional – EMTN ✓Grupo formal e obrigatoriamente constituído de pelo menos um profissional de cada categoria •Médico: indicar e prescrever a TNE; assegurar o acesso; estabelecer a melhor via •Nutricionista: avaliação e prescrição dietética; supervisão da manipulação da NE •Enfermeiro: proceder a colocação da sonda enteral; realizar os cuidados de enfermagem na TNE a nível hospitalar, ambulatorial e domiciliar •Farmacêutico: selecionar, adquirir, armazenar e distribuir as NE industrializadas* •Outras categorias RDC 63, de 06 de Julho de 2000 - ANVISA Dispensação de fórmulas nutricionais ✓Demanda: •Após alta da atenção hospitalar – EMTN •Equipes de atenção básica ou atenção domiciliar ✓Dispensação permanente ✓Dispensação condicional ou temporária ❖Acompanhamento clínico e nutricional ❖Avaliar a possibilidade de uso de fórmulas artesanais BRASIL, 2015 DIETAS INDUSTRIALIZADAS DIETA ENTERAL PEDIATRICA SUPLEMENTOS ALIMENTARES MODÚLOS DE NUTRIENTES NUTRIÇÃO PARENTERAL TOTAL - NPT NUTRIÇÃO PARENTERAL - Solução ou emulsão, composta basicamente de carboidratos, aminoácidos, lipídios, vitaminas e minerais, estéril e apirogênica, acondicionada em recipiente de vidro ou plástico, destinada à administração intravenosa em pacientes desnutridos ou não, em regime hospitalar, ambulatorial ou domiciliar, visando a síntese ou a manutenção dos tecidos, órgãos ou sistemas.¨ Solução = sem lipídio Emulsão = com lipídio (formação de micelas) Estéril = sem microorganismos Apirogênica = sem pirogênios (substâncias produzidas pelos microoganismos que provocam febre, endotoxinas) EMTN: Equipe Multiprofissional de Terapia Nutricional • Médico: Indicação, prescrição e acompanhamento dos pacientes submetidos à TNP; • Nutricionista: Avaliação e acompanhamento nutricional do paciente; • Farmacêutico: Preparação, aquisição de insumos, avaliação da prescrição, manipulação, controle de qualidade, conservação e transporte; • Enfermeiro: Preparo do paciente e Administração da TNP. Quando usar Nutrição Parenteral ? ❖ Em casos que a absorção de nutrientes é incompleta; ❖ Impossibilidade de utilização do trato digestivo, seja por via oral ou enteral ; ❖Em casos que a nutrição enteral é ineficaz ou contra-indicada; ❖ Condições acima associadas a desnutrição; ❖Rn prematuros para ganho de peso. Padronização: Foi estabelecido como padronizaçãopara a instituição a seguinte especificação: Bolsa de câmara tripla de 1000ml para mistura e infusão contendo poliaminoácidos, glicose e emulsão lipídica, na seguinte formulação: o Aminoácidos 10% - 400ml o Glicose 40% - 400ml o Emulsão lipídica 20% - 200ml Características após a mistura: o Nitrogênio (g) 6,6; Aminoácido (g) 40; Calorias totais (kcal) 1200; Calorias não protéicas (kcal) 1040; Calorias glicídicas (kcal) 640; Calorias lipídica (kcal) 400; Taxa de calorias não protéicas (kcal/gN) 158; sódio (mmol) 32; Potássio (mmol) 24; Magnésio (mmol) 2,2; Cálcio (mmol) 2; Fosfato (mmol) 10; Acetato (mmol) 57; Cloreto (mmol) 48; pH 6; Osmolaridade (mOsm/L) 1450. o A solução não reconstituída deve ser armazenada até 25°C. Após a reconstituição, deve ser administrada, ou armazenada entre 2 e 8°C estável por até 7 dias. o Mesmo antes da ruptura dos lacres a capacidade da bolsa é suficiente para permitir a adição de vitaminas, eletrólitos e oligoelementos, caso esta suplementação seja necessária. Sistema de Nutrição Parenteral Sistemas 2-em-1: compostos por aminoácidos, glicose e micronutrientes Sistemas 3-em-1: compostos por aminoácidos, glicose, lipídios e micronutrientes Sistemas com vitaminas: a NP pode ter aparência amarelada Vias de acesso para nutrição parenteral A Terapia de Nutrição Parenteral (TNP) pode ser administrada por via periférica ou central conforme a osmolaridade da solução. o Periférica: É indicada para soluções com osmolaridade menor que 700 mOsm/L. Vantagens: mais simples, mais barata, apresenta menor risco de complicações (infecções, trombose). Desvantagens: não permite a infusão de soluções hiperosmolares, geralmente mais nutritivas. Via Perif. < 900 mOsm/L o Central: É indicada para soluções que tem osmolaridade maior que 700 mOsm/L. Utiliza-se veia central de grosso calibre e alto fluxo sanguíneo, tais como: veias subclávias e jugulares. Está contra-indicada a femoral pelo risco de infecção. Vantagens: permite a administração de soluções hiperosmolares e pode ser utilizada em longos períodos de terapia. Desvantagens: apresenta maior risco de infecções e complicações. Via Central > 900mOsm/L Complicações As complicações da TNP podem ser classificadas em: mecânicas, metabólicas e infecciosas. Monitorização da NPT Os Parâmetros a seguir devem ser monitorizados em pacientes com NPT. Metabólicos: o Controles Glicêmicos: Devem ser realizados nas primeiras 24h a cada 8h; se a glicemia se mantiver > 180mg%, realizar controle de 4/4h o Eletrólitos e Hemograma: Inicialmente monitorizar diariamente: sódio, potássio, cloro, uréia, cálcio magnésio, fósforo; ou então uma ou duas vezes por semana se estiverem estáveis; o Deverão ser avaliados semanalmente: atividade de protrombina, triglicerídeos, bilirrubina, transaminases e fosfatase alcalina. Nutricionais: o Avaliação diária do peso; o Albumina e/ou pré-albumina solicitadas semanalmente Infecciosos: o Avaliar diariamente o local de inserção quanto a presença de sinais inflamatórios e infecciosos; o Observar presença de picos febris associada ao cateter ou uso de NPT, se necessário realizar hemocultura sistêmica e cultura do cateter; CUIDADOS GERAIS: o A solução somente deverá ser misturada á beira do leito do paciente, ou seja, a selagem entre as câmaras da bolsa devem ser rompidas somente no momento da instalação da nutrição parenteral; o O equipo deverá ser colocado na bolsa após acesso venoso instalado e verificado a permeabilidade do mesmo; o Caso o equipo tenha sido colocado na bolsa, o sistema será considerado como violado e não poderá mais ser armazenado; deverá portanto ser desprezado; o Caso a solução tenha sido misturada e equipo não colocado, mas não será mais utilizada pelo paciente, então poderá ser armazenada por 7 dias em refrigeração ou 48h em ar ambiente, devidamente etiquetada com data e hora do rompimento da selagem; CUIDADOS ESPECÍFICOS: o Conferir prescrição médica: volume e tipo de NPT; o Verificar glicemia capilar conforme horários estabelecidos; o Realizar esquema de insulinoterapia conforme prescrição; o Avaliar acesso venoso central antes de cada administração; o Registrar volume, data, hora, nome do paciente, leito e enfermaria; o A NPT deverá ser instalada em acesso venoso exclusivo em caso de cateter de único lúmen; o Controlar rigorosamente o gotejamento (equipo microgotas) e velocidade de infusão (bomba de infusão) nas 24h; o Trocar NPT após término de cada etapa ou se necessário; o Manter técnica asséptica na instalação das bolsas; o Trocar equipo a cada troca de bolsa. COMPONENTES DA NUTRIÇÃO PARENTERAL GLICOSE 1 g de glicose anidra = 4 calorias 1 g de glicose monohidratada = 3,4 calorias Principal fonte energética Soluções a: 25% (100ml – 25g de glicose) 50% (100ml – 50g de glicose) LIPÍDIOS* Fonte energética e prevenção de deficiência de ácidos graxos essenciais 1 g de lipídio = 9 calorias 1 – 2g/Kg/dia Soluções a: 10% = 1,1 cal/ml 20% = 2,0 cal/ml *É isotônico, podendo ser administrado em vaso periférico Solução de aminoácidos (aa) a 10% (100ml – 10g de aa) 1 g de aa = 4 calorias Solução de aminoácidos (aa) a 10% (100ml – 10g de aa) Solução de aa essenciais a 10% (100ml – 10g de aa) Insuficiência renal em tratamento conservador – baixo catabolismo Solução de aa de cadeia ramificada a 8% (100ml – 8g de aa) Encefalopatia hepática* *Indicação relativa (1 ampola/dia atinge as necessidades)** MICRONUTRIENTES Vitaminas* (polivitamínicos)** Minerais*** Eletrólitos (sódio, potássio, magnésio, cálcio e fósforo, de acordo com os níveis séricos) Oligoelementos (1 ampola/dia atinge as necessidades)** *Algumas situações clínicas podem exigir suplementação de vitaminas específicas, além do polivitamínico; em neoplasias não se deve administrar folato e cianocobalamina. **Conforme a Recommended Dietary Allowances de 1989 (RDA). ***O nível sérico de ferro e ferritina devem ser monitorados para decidir sobre a reposição em pacientes com NP exclusiva, uma vez que este não está presente na solução de parenteral. Injúria / Condições Patológicas CÁLCULO Estimativa kcal/kg de peso corporal KCAL/KG/DIA Injúria / Condições Patológicas 20-22 Obesidade mórbida 22-25 Marasmo 25- 27 Cirurgias de pequeno porte, estados crônicos 27-30 Sepses, trauma invasivo 30-33 Trauma esquelético 33-35 Queimados 30% ASC Fonte: ASPEN, 1998 Necessidade Protéica Fonte: ASPEN, 1998 Deve seguir as recomendações de: EXEMPLO DE CÁLCULO: Sexo Feminino, 14 anos, 60Kg, 160 cm,com diagnóstico de politrauma c/ IRA. Cálculo das necessidades energéticas: 30 Kcal/Kg peso atual = 1800 Kcal Necessidade proteica: 1g/Kg peso atual = 60g Deve seguir as recomendações de: 55 – 60% VCT CHO 15 – 20% Proteínas 25 – 30% de Lipídeos Encontrar a % do VCT de proteínas Proteína: 60g x 4 = 240 Kcal 1800 Kcal______100% 240 Kcal_______ x = 13 % Volume de Solução: Solução de aa à 10% 100 ml g X ml g X = 600 ml Distribuir a % do VCT para CHOS (60% do VET) CHO: 1800 Kcal -------- 100 % x % x = 1080 ÷ 4 = 270g Volume de Solução à 50% 100 ml g X g = 540ml Distribuir o restante da % do VCT em Lipídios 1800 Kcal % x % = 486 Kcal Solução de lipidios a 10%: tem 1,1 Kcal/ml Solução de lipidios a 20%: tem 2 Kcal/ml 1 ml Kcal x = 243 ml ≌ 240 ou 250 ml Proteína = kcal (13,18 ≌ 13,2%) Carboidratos = 1080 Kcal (59,34 ≌ 59,3%) Lipídeos = Kcal (27,47 ≌ 27,5%) 1820 Kcal ⇒ % Oligoelementos = 2 ml Trezevit A e B = 5 ml de cada (vit A,C,D,E e Vits do Complexo B) Cerne 12 = 5ml Eletrólitos:Fosfato de K = 2mEq/ml = 6 ml Sulfato de Mg 10% = 10 ml Gluconato de Ca 10% = 10 ml Cloreto de Na 20% = 10 ml Cloreto de K 19,1% = 10ml * Corrigir através do Algorítmo CALCULO DA OSMOLARIDADE Grama de aa x 10 = mOsm Caloria da glicose = mOsm Caloria de lipideo = mOsm Eletrólitos mOsm Volume final____mOsm no volume final/litro 1000ml________ x X=______mOsm/litro REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA • ARAÚJO, I.S. et al. Guia multiprofissional de orientação para pacientes em uso de nutrição enteral domiciliar. Petrolina: HEWAR, 2017. • BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Cuidados em terapia nutricional. Brasília: Ministério da Saúde, 2015. • BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Especializada e Temática. Manual de terapia nutricional na atençã especializada hospitalar no âmbito do Sistema Único de Saúde – SUS. Brasília: Ministério da Saúde, 2016. • RDC 63, de 06 de Julho de 2000 – ANVISA • MATARESE, L.E.; GOTTSCHLICH, M.M. Alimentação enteral. In.: ROSS, A.C. et al. Nutrição Moderna de Shils na saúde e na doença. 11ª ed. São Paulo: Manole, 2016. Cap. 83. • MONTE, J.C.M. Nutrição Parenteral. In: CUPPARI, L. Guia de Nutrição: Nutrição Clínica no Adulto. Barueri – SP: Manole, 2002. Cap.19; p.391. • VASCONCELOS, M.I.L. Nutrição Enteral. In: CUPPARI, L. Guia de Nutrição: clínica no adulto. Barueri – SP: Manole, 2014. Cap.22.