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Terapia Nutricional Enteral: indicação, contra-indicação, vias de acesso, técnicas de administração, critérios para seleção da fórmula enteral e complicações no adulto Emília Delesderrier Franco Legislação vigente revogada Definição - Nutricional Enteral (NE) “Alimentos para fins especiais, com ingestão controlada de nutrientes na forma isolada ou combinada, de composição química definida ou estimada, especialmente elaborada para uso por sondas ou via oral, industrializadas ou não utilizado exclusiva ou parcialmente para substituir ou complementar a alimentação oral em pacientes desnutridos ou não, conforme suas necessidades nutricionais, em regime hospitalar, ambulatorial ou domiciliar, visando a síntese ou manutenção de tecidos, órgãos ou sistemas. “ RDC Nº 503, 2021. “conjunto de procedimentos terapêuticos para manutenção ou recuperação do estado nutricional do paciente por meio de NE.” Definição – Terapia nutricional enteral (TNE) RDC Nº 503, 2021. Para que a terapia nutricional enteral (TNE) seja implementada, é necessária a formação de uma equipe MULTIPROFISSIONAL de terapia nutricional (EMTN) Obrigatoriamente formada por 1 profissional de cada categoria: Médico Nutricionista Enfermeiro Farmacêutico Podendo ainda ter profissionais de outras categorias envolvidos – devem estar devidamente treinados e habilitados. RDC Nº 503, 2021. Etapas da prática da TNE Indicação da TNE: O médico é responsável pela indicação da TNE; Deve ser precedida da avaliação nutricional; Repetir a avaliação nutricional a cada 10 dias Prescrição: O médico é responsável pela prescrição médica da TNE O nutricionista é responsável pela prescrição dietética da NE O que deve contemplar na prescrição dietética da TNE? Tipo e quantidade dos nutrientes requeridos pelo paciente; Considerar o estado mórbido; Considerar o estado nutricional e necessidades nutricionais Considerar condições do TGI RDC Nº 503, 2021. Competências do Nutricionista na EMTN Realizar avaliação nutricional do paciente com base no protocolo pré-estabelecido; Elaborar a prescrição dietética e acompanhar a evolução nutricional do paciente em TNE, independente da via de administração, até alta nutricional estabelecida pela EMTN; Formular a NE estabelecendo a sua composição qualitativa e quantitativa, seu fracionamento segundo horários e formas de apresentação; Acompanhar a evolução nutricional do paciente; Garantir o registro de todas as informações na evolução nutricional em prontuário; Orientar o paciente e à família quanto à preparação e a utilização da NE após a alta hospitalar; Preparação da NE que assegurem a manutenção das características organolépticas e a garantia microbiológica e bromatológica dentro de padrões recomendados na BPPNE Selecionar, adquirir, armazenar e distribuir criteriosamente os insumos necessários ao preparo da NE, bem como a NE industrializada; Qualificar fornecedores – assegurar que insumos e NE industrializada seja acompanhada do certificado de análise microbiológica; RDC Nº 503, 2021. Competências do Nutricionista na EMTN Participar de estudos para o desenvolvimento de novas fórmulas de NE; Participar, promover e registrar atividades de treinamento operacional, e de educação continuada – garantindo a atualização de todos envolvidos na preparação da NE; Registro da NE deve conter no mínimo: Data e hora da manipulação da NE; Nome completo e registro do paciente; Número sequencial da manupulação; Número de doses manipuladas por prescrição; Identificação (nome e registro) do médico e manipulador; Prazo de validade da NE. Desenvolver e atualizar regularmente diretrizes e procedimentos relativos aos aspectos operacionais de preparação da NE. Supervisionar as rotinas de preparação de NE RDC Nº 503, 2021. Indicação da TNE em adultos Quando houver risco de desnutrição OU se ingestão oral for inadequada para promover 2/3 a 3/4 ou 60% das necessidades nutricionais diárias. TGI totalmente ou parcialmente funcionante Atenção: não iniciar TNE se não houver previsão de manter por 5-7 dias sem benefícios. WAITZBERG, 2017. CUPPARI, 2019. Indicação da TNE em adultos Principais indicações de acordo com a situação do TGI 1) TGI íntegro (ingestão inadequada) Gravemente desnutrido (ex.: caquexia cardíaca ou oncológica) Anorexia nervosa Desnutrido em pré-op. Médio/grande porte Lesões no SNC Depressão grave Trauma/cirurgia ortopédico (comprometem posicionamento adequado para alimentação via oral) Queimaduras elevado gasto energético 3) Comprometimento da digestão e absorção Fístulas entéricas de baixo débito (<500 ml/24h) Doenças inflamatórias intestinais Síndrome do intestino curto (fase intermediária) Enterite (radioterapia/quimioterapia) Pancreatite (quando há possibilidade pós ângulo de Treiz) Estados hipermetabólicos 2) Dificuldade de acesso ao intestino Lesões de face/mandíbula Câncer de cabeça e pescoço Deglutição comprometida Obstrução em TGI alto (esôfago) WAITZBERG, 2017. CUPPARI, 2019. Benefícios da TNE Mantém fluxo sanguíneo local e liberação de hormônios gastrointestinais Reduz permeabilidade de células intestinais Estímulo ao sistema imunológico no intestino = (+) IgA + redução do crescimento bacteriano oportunista (+) pH e flora intestinal normal Esses benefícios também são garantidos em pacientes críticos, quando impossibilidade de via oral; TNE precoce: 24-48h, caso impossibilidade de nutrir via oral. Mantém integridade da mucosa e trofismo intestinal WAITZBERG, 2017. BRASPEN, 2018. KHOSHBIN AND CAMILLERI, 2020. Contra-indicação da TNE em adultos Podem ser relativas ou temporárias: Disfunção do TGI ou condições que requeiram repouso intestinal; Íleo paralítico intestinal; Instabilidade hemodinâmica; Síndrome do intestino curto (fase inicial de reabilitação pós op.); Obstrução intestinal mecânica; Sangramento gastrointestinal; Vômitos e diarréias incoercíveis; Fístulas no TGI de alto débito >500ml/24h (principalmente intestino delgado); Doença terminal. Expectativa de usar TNE por período inferir a 5-7 dias (se desnutrido) OU 7-9 dias com estado nutricional adequado. WAITZBERG, 2017. CUPPARI, 2019. Vias de acesso da TNE A sonda enteral pode estar posicionadas no estômago, duodeno ou jejuno. Mas o que deve ser considerado inicialmente? Período provável da TNE: WAITZBERG, 2017. CUPPARI, 2019. ESPEN, 2022. Vias de acesso da TNE 2) Risco de Broncoaspiração: Optar pela via de acesso pós-pilórica Déficit neurológico Distúrbios da deglutição (diafagia) Obstrução gástrica Gastroparesia História de aspiração WAITZBERG, 2017. CUPPARI, 2019. CURTA DURAÇÃO LONGA DURAÇÃO DURAÇÃO Tomada de decisão sobre o posicionamento da extremidade distal da sonda 14 Vias de acesso da TNE Acesso gástrico (pré-pilórico)– vantagens e desvantagens Vantagens da localização gástrica Desvantagens da localização gástrica Maior tolerância à fórmulas variadas (polimérica, oligomérica, artesanal) Boa aceitação de fórmulas hiperosmóticas Permite progressão rápida para alcance do VET Permite maiores volumes em curto tempo Fácil posicionamento da sonda Maior risco de aspiração (distúrbios de deglutição) Tosse, náuseas ou vômitos = (+) saída acidental da sonda SONDA NASOGÁSTRICA GASTROSTOMIA WAITZBERG, 2017. Vias de acesso da TNE Acesso duodenal/jejunal (pós-pilórico) – vantagens e desvantagens Vantagens da localização duodenal/jejunal Desvantagens da localização duodenal/jejunal - Menor risco de aspiração - Maior dificuldade de saída acidental da sonda Requer realização de endoscopia para posicionar Menor tolerância à dietas hiperosmolares SONDA ORO/NASOJEJUNAL JEJUNOSTOMIA WAITZBERG, 2017. Escolhendo a sonda... Calibre 8 fr: dietas pouco viscosas ou com utilização de bomba de infusão; Calibre 10-12 fr: dietas viscosas, de alta densidade calórica; Material: silicone, poliuretano - flexíveis, diminuindo os riscos impostos por uma sonda rígida; Demarcação das sondas: facilitam o posicionamento; Fio-guia:garante flexibilidade da sonda, facilita a instalação. No entanto, deve-se observar o risco de perfuração do TGI; não deve ser utilizado para desobstruir a sonda; usá-lo apenas para a entubação esofágica e, então, removê-lo antes de prosseguir com a introdução da sonda; Radiopaca: facilita a visualização radiológica, dando segurança ao profissional. WAITZBERG, 2017. CUPPARI, 2019. Escolhendo a sonda... CURTA DURAÇÃO - CATETER NASO/OROGÁSTRICO OU NASO/ORO ENTÉRICO Calibre entre 8 e 12 Fr – diferentes calibres Posicionamento a beira leito manualmente com ausculta e confirmação do posicionamento por RX iniciar a dieta enteral após a confirmação por RX WAITZBERG, 2017. CUPPARI, 2019. Escolhendo a sonda... LONGA DURAÇÃO – OSTOMIAS (GASTROSTOMIA OU JEJUNOSTOMIA) Colocação por endoscopia percutânea ou cirúrgica; Calibres maiores (20-22 Fr) – permite dietas mais viscosas WAITZBERG, 2017. CUPPARI, 2019. Ostomias WAITZBERG, 2017. É a introdução de um cateter comunicando a luz de uma porção do trato gastrointestinal ao meio externo, com a finalidade para alimentação. Ostomias Jejunostomia Indicações: >6semanas RGE grave Gastroparesia Estreitamento/neoplasia duodenal Gastrectomia total Esofagectomia WAITZBERG, 2017. Técnicas de administração da NE A NE pode ser administrada de forma intermitente ou contínua: Intermitente: volume de dieta administrada a cada 3 a 6 horas, precedida e seguida por irrigação da sonda enteral com 20 a 30 mL de água potável. Bolus: infusão com seringa Gravitacional Bomba infusora Indicado para pacientes que deambulam WAITZBERG, 2017. CUPPARI, 2019. Técnicas de administração da NE Contínua Indicada para pacientes que não toleram alimentação intermitente ou aqueles que precisam de taxa de infusão menor. Velocidade de infusão de 25-150ml/h por 20-24h – podendo ser interrompida a cada 6-8h para irrigação com 20 a 30 ml de água. Cíclica – adm contínua por períodos de 12h (noturna, geralmente) indicada para complementar dieta via oral Indicado para pacientes restritos ao leito Gravitacional Bomba infusora WAITZBERG, 2017. CUPPARI, 2019. Critério para seleção da fórmula enteral Após a decisão de iniciar a NE, e depois da escolha da via de acesso Escolher fórmula enteral adequada A escolha da fórmula enteral se baseia na compatibilidade da composição da fórmula com o quadro clínico do paciente e funcionalidade do TGI. Critérios para seleção da fórmula enteral Fontes e complexidade dos nutrientes na fórmula enteral Osmolaridade/osmolalidade da fórmula Densidade calórica da fórmula Forma de preparo (artesanal ou industrializada) Desenho da fórmula versus Indicação clínica WAITZBERG, 2017. Critérios para seleção da fórmula enteral Fontes e complexidade dos nutrientes na fórmula enteral Proteínas Complexidade da Proteína Fonte protéica Digestão necessária Características Proteína intacta Caseína Proteína isolada da soja Lactoalbumina Ovoalbumina Leite Sim Indicação: pacientes com TGI íntegro Promove maior estimulação de hormônios intestinais e fatores de crescimento do que aminoácidos Osmolalidade não é afetada Proteína parcialmente hidrolisada (pequenos peptídeos e oligopeptídeos) Caseína Proteína isolada da soja Lactoalbumina Soro do leite Sim Indicação: capacidade digestiva e absortiva diminuída Promove maior estimulação de hormônios intestinais (se comparado à aminoácidos) Dipeptídeos e tripeptídeos Caseína Proteína isolada da soja Lactoalbumina Soro do leite Não Indicação: na presença de comprometimento na função GI Absorção por difusão passiva no intestino delgado Melhor absorção quando comparado a aminoácidos ou proteínas intactas Melhor retenção nitrogenada Melhora a absorção de sódio e água Aminoácidos L-aminoácidos Não Indicação: capacidade digestiva/absortiva reduzida, requer transporte ativo, aumenta a osmolaridade da fórmula, prejudica a palatabilidade Proteínas: fonte predominante – soja e caseína WAITZBERG, 2017. CUPPARI, 2019. Forma do carboidrato Fonte alimentar Digestão necessária Características Amido Amido de milho Sim Osmolalidade não é afetada Polímeros de glicose (amido de milho parcialmente hidrolisado) Xarope de milho Maltodextrina Oligossacarídeos/ Polissacarídeo de glicose Sim Rápida hidrólise intestinal Favorece a absorção de glicose Maior influência na osmolaridade Exige menor capacidade de digestão no TGI Melhora a absorção de cátions divalentes (Cálcio, zinco e magnésio) Dissacarídeos - sacarose, maltose, lactose Dextrina Maltose Sacarose Lactose Sim / pouca Rápida hidrólise da sacarose e maltose Lenta hidrólise da lactose Maioria das fórmulas comerciais são isentas de lactose Monossacarídeos – glicose (dextrose) e frutose Glicose Frutose Não Confere sabor adocicado Influencia na osmolalidade (contribui para hiperosmolalidade) Critérios para seleção da fórmula enteral Fontes e complexidade dos nutrientes na fórmula enteral Carboidratos: predominante – hidrolisado de amido ou maltodextrina WAITZBERG, 2017. CUPPARI, 2019. Critérios para seleção da fórmula enteral Fontes e complexidade dos nutrientes na fórmula enteral Lipídios: Principais fontes dietéticas: óleos vegetais (garantem AGE – linoléico e linolênico) Melhoram a palatabilidade (caso seja utilizado por VO) WAITZBERG, 2017. CUPPARI, 2019. Forma do lipídeo Fonte alimentar Digestão necessária Características Ácidos graxos poli-insaturados (AGPI) e triglicerídeos de cadeia longa (TCL) Óleo de milho Óleo de girassol Óleo de soja Óleo de peixe Sim Fornecem os ácidos graxos essenciais Transportam as vitaminas lipossolúveis e produzem os eicosanóides Não contribuem para a osmolalidade Triglicerídeo de cadeia média (TCM) Óleo de coco Não Densidade calórica de 8,2 a 8,3 kcal/g Rapidamente hidrolisados no intestino, vão diretamente para o sistema portal Não contêm ácidos graxos essenciais Indicados a paciente com má absorção de gordura Critérios para seleção da fórmula enteral Fontes e complexidade dos nutrientes na fórmula enteral Fibras: polissacarídeos vegetais não hidrolisados por enzimas do TGI Conteúdo de fibra nas dietas: 5-14g/L Forma da fibra Fonte alimentar Características Polissacarídeo da soja (fibra solúvel e insolúvel) Cotilédone da soja Principais fontes de fibras das formulações enterais Retardam o tempo de trânsito intestinal Aumenta o peso fecal Reduz a hipoglicemia rebote pós-prandial Insolúveis celulose hemicelulose lignina Plantas Aumento do peso fecal (capacidade de reter água) (+) peristaltismo = Aceleram o tempo de trânsito no cólon Solúveis: - pectina - Mucilagem - polissacarídeos de algas - gomas (guar) Plantas Retardam o tempo de trânsito do cólon Retardam o esvaziamento gástrico Aumentam o peso fecal (aumento da massa bacteriana) Ácidos graxos de cadeia curta = (+) absorção de sódio e água no cólon WAITZBERG, 2017. CUPPARI, 2019. Critérios para seleção da fórmula enteral Complexidade das fontes de macronutrientes Poliméricas Macronutrientes intactos (principalmente proteína) Oligoméricas Macronutrientes parcialmente hidrolisados (principalmente proteína) Elementar ou monomérica Macronutrientes totalmente hidrolisados (principalmente proteína) Incompletas Suplementos nutricionais ou módulos (proteína, carboidrato e lipídio) Critérios para seleção da fórmula enteral Fontes e complexidade dos nutrientes na fórmula enteral Água Dieta enteral possui água em sua composição (mL de água por litro de fórmula) Necessidade hídrica – adultos: 30-35 mL/Kg de peso WAITZBERG, 2017. CUPPARI, 2019. Cálculo de água – fórmula enteral Exemplo de cálculo: Digamos que estou fornecendo 1.500 ml de uma fórmula com DC de 1,2. Então: 1L de dieta --- 800 mL de água 1,5 L de dieta ---- x = 1200 mL de água que forneço pela dieta em 24h Isso basta? Necessidade hídrica: 30 x peso do paciente (50Kg) = 1500 ml/dia 1500 ml (necessidade diária de água) – 1200 ml (já dou pela dieta) = 300 ml deágua livre devo fornecer Critérios para seleção da fórmula enteral Osmolalidade e Osmolaridade Osmolalidade: mOsm/Kg de água Osmolaridade: mOsm/L de água Fatores que interferem na osmolalidade da fórmula: Maior hidrólise dos nutrientes (proteínas e carboidratos) Minerais/eletrólitos WAITZBERG, 2017. CUPPARI, 2019. Ambos refletem a concentração de partículas osmoticamente ativas na solução Quanto MENOR o tamanho da molécula (componente dietético) MAIOR a quantidade de soluto MAIOR é a pressão osmótica no lúmen intestinal Característica Osmolalidade Baixa osmolalidade – dieta hipotônica 280-300 (mOsm/Kg de água) Osmolalidade normal – dieta isotônica 300-350 (mOsm/Kg de água) Osmolalidade pouco alta - dieta levemente hipertônica 350-550 (mOsm/Kg de água) Osmolalidade alta – dieta hipertônica 550-750 (mOsm/Kg de água) Osmolalidade muito alta – dieta muito hipertônica >750 (mOsm/Kg de água) Osmolalidade do plasma: 300-350 mOsm Estômago: tolera fórmulas com maior osmolalidade. Pós pilórico: tolera melhor fórmulas isotônicas. Critérios para seleção da fórmula enteral Osmolalidade WAITZBERG, 2017. CUPPARI, 2019. Quantidade de calorias fornecida por mililitro de dieta Densidade calórica Kcal/mL fórmula % de água Muito baixa < 0,6 Muito hipocalórica - Baixa 0,6 – 0,8 hipocalórica - Padrão 0,9 – 1,2 normocalórica 80-86 Alta 1,3 – 1,5 Hipercalórica 76-78 Muito alta > 1,5 Muito hipercalórica 69-71 DENSIDADE CALÓRICA = KCAL/VOLUME(ml) Pacientes com restrição hídrica tem indicação de dieta com maior densidade calórica: 1,5 a 2,0 kcal/mL Critérios para seleção da fórmula enteral Densidade calórica WAITZBERG, 2017. CUPPARI, 2019. Critérios para seleção da fórmula enteral Formas de preparo da fórmula enteral INDUSTRIALIZADAS Industrializadas em pó para reconstituição Industrializadas líquidas semiprontas (200ml) Industrializadas prontas Industrializadas prontas (acoplar diretamento no equipo – sistema fechado) CUPPARI, 2019. Sistema aberto X Sistema fechado Há manipulação da dieta diluição do pó, adição de módulos de fibra, carboidrato e proteína Necessário infra-estrutura adequada, de acordo com RDC 63 Ajuste apenas de volume para adequação das necessidades nutricionais Não há manipulação da dieta Não precisa de infra-estrutura detalhada na RCD 63 Critérios para seleção da fórmula enteral Formas de preparo da fórmula enteral NÃO INDUSTRIALIZADAS, CASEIRAS OU ARTESANAIS Acrescidas ou não de produtos industrializados (módulos) Preparadas a base de alimentos in natura Liquidificadas e preparadas artesanalmente (geralmente em NE domiciliar) CUPPARI, 2019. Critérios para seleção da fórmula enteral Desenho da fórmula versus Indicação clínica Dietas padrão Dietas especializadas para condições clínicas especiais: Nefropatias Hepatopatias Controle glicêmico Lesão por pressão Imunomodulação (cirurgias e médio e grande porte) WAITZBERG, 2017. CUPPARI, 2019. WAITZBERG, 2017. Complicações da TNE Gastrointestinais Mecânica Metabólicas Infecciosa Mais frequentes! WAITZBERG, 2017. CUPPARI, 2019. Complicações da TNE Gastrointestinais Náuseas e vômitos Causas Manejo clínico Uso de grandes volumes de dieta enteral Reduzir volume da dieta Troca de medicações Uso de prócinético Avaliar causa da obstrução Efeito colateral de medicações Obstrução do TGI Estase gástrica/Gastroparesia Causas Manejo clínico Uso de fórmulas enterais ricas em lipídios/fibras Troca de fórmulas densas Controle glicêmico Troca de medicações causadores de gastroparesia Pacientes DM ou críticos Uso de opióides (reduzem peristalse) Atenção: não há consenso sobre indicação de averiguação de VOLUME DE RESÍDUO GÁSTRICO e impacto na interrupção da TNE (ASPEN,2016:200-500mL de VRG = intolerância à TNE) WAITZBERG, 2017. Complicações da TNE Gastrointestinais Diarréia - Causas Manejo clínico Intolerância à lactose Retirar fórmulas que contenham lactose/dissacarídeos Avaliar o uso de fibras solúveis Substituir fórmula enteral para iso/hiposmolar Reduzir volume e/ou administração contínua Considerar o uso de pre/probióticos Avaliar medicações/infecções que sejam a causa Contaminação da fórmula enteral Administração de grandes volumes Induzida por medicações Infecção intestinal Constipação - Causas Manejo clínico Desidratação Descartar obstrução intestinal/íleo paralítico Aumentar aporte hídrico – se possível Uso de fibras – insolúveis (principalmente) Avaliar com equipe médica associação de medicamentos laxativos e/ou substituição de opióies/sedativos Fórmulas com pouca fibra – menor bolo fecal Distúrbio de motilidade GI / uso de opióides WAITZBERG, 2017. Complicações da TNE Mecânicas Mau posicionamento da sonda Saída acidental Erosão nasal, faringite, otite Obstrução – medicações, dietas artesanais com alta viscosidade. A lavagem rotineira com água antes e depois da alimentação pode prevenir a obstrução do tubo. Recomendado: lavagem de 4/4horas, com volume mínimo de 20 ml de água. WAITZBERG, 2017. CUPPARI, 2019. ESPEN, 2022. SNG em brônquio Complicações da TNE Metabólicas Hiper hidratação - causas Intervenção Excesso de líquido administrado Escolha de fórmulas mais concentradas (DC aumentada) Controle do peso e Balanço hídrico diários Intolerância de volume devido a patologia (insuficiência renal, cardíaca) Desidratação - causas Intervenção Uso de fórmulas hipertônicas Escolha de fórmulas isotônicas Aumentar aporte hídrico (água livre) Controle de diarréia e perdas Baixo consumo de água Diarréia ou náuseas e vômitos WAITZBERG, 2017. Complicações da TNE Metabólicas Hipoglicemia - causas Intervenção Suspensão súbita da NE MONITORAR NÍVEIS DE GLICEMIA – principalmente na parada da TN (HGT<70mg/dL) Administração de glicose (20mL glicose a 50% IV) Administração de insulina/hipoglicemiante em excesso Hiperglicemia - causas Intervenção Situações críticas (resistência insulínica) – trauma/sepse/pós op. MONITORAR NÍVEIS DE GLICEMIA – HGT>180mg/dL adm de insulina Administrar dietas isentas de carboidrato simples Dietas com fibras – solúveis Ajuste de medicação (insulina/hipoglicemiante) WAITZBERG, 2017. Complicações da TNE Metabólicas Alterações eletrolíticas Fósforo, Magnésio, Potássio SÍNDROME DE REALIMENTAÇÃO Frequente complicação em pacientes desnutridos que iniciam a TNE com aporte calórico elevado nas primeiras 24-72h. ASPEN,2020. Síndrome de realimentação ↑ingestão calórica em situação de inanição ↑insulina Rápido desvio de glicose intracelular ↓potássio ↓ fósforo ↓magnésio tiamina Sinais e sintomas da síndrome de realimentação Complicações da TNE Metabólicas – Síndrome de realimentação ASPEN,2020. Hipofosfatemia Alterações neurológicas Alterações cardíacas Hipocalemia e Hipomagnesemia Alterações neurológicas Alterações Gastrointestinais Deficiência de tiamina Retenção de sódio Alterações pulmonares Alterações hematológicas Encefalopatia Acidose lática Neuropatia Síndrome de Wernicke Beribéri úmido e seco Sobrecarga de fluidos Edema pulmonar Insuficiência cardíaca Complicações da TNE Metabólicas – Síndrome de realimentação ASPECTO DO CUIDADO RECOMENDAÇÕES PARA ADULTOS COM RISCO DE SÍND. REALIMENTAÇÃO Início da nutrição Iniciar com 10-20kcal/kg nas primeiras 24h e avançar 33% da meta a cada 1-2dias. Correção de eletrólitos (P,Mg e K) baixos para início ou aumento das calorias. Restrição de fluidos/sódio/proteína Nenhuma Eletrólitos Monitorar a cada 12horas durante os primeiros 3 dias Tiamina e multivitaminas Suplementar 100mg de tiamina antes da alimentação Suplementar 100mg de tiamina/dia durante 5-7d em pacientes em inanição grave Multivitamínico para oral/enteral 1x/dia por 10d Multivitaminico TNP diariamente Monitoramento Sinais vitais a cada 4horas Peso diário ASPEN,2020. Complicações da TNE Infecciosas Pneumonia aspirativa Gastroenterocolites por contaminação PsicológicasAnsiedade Depressão Falta de estímulo ao paladar Monotonia alimentar Insociabilidade Inatividade CUPPARI, 2019. Terapia nutricional domiciliar Via de acesso em casa: Sondas nasoentéricas apenas se curto prazo (<4-6semanas) >6 semanas = Gastrostomia/jejunostomia endoscópica percutânea caso tenha confeccionado: iniciar dieta 4-6h após procedimento. Administração em casa: Bolus (200-400mL por 15-60 min) ou infusão intermitente contínua ou contínua (bomba ou gravitacional) A lavagem rotineira com água antes e depois da alimentação = devem fazer parte do cuidado Fórmula enteral: Dieta padrão Especializada – se diarréia/constipação OU se DM (s/ CHO simples, com AGPI e AG monoinsaturado) ESPEN, 2022. Terapia nutricional domiciliar Outros cuidados... Atenção a dietas artesanais: ESPEN destaca que não deve ser sugerido para o paciente, por ser menos eficaz do que as dietas industrializadas completas. Atenção à higienização dos materiais a serem utilizados; Atenção às complicações – diarréia (associado à contaminação da dieta), obstruções, constipação. ESPEN, 2022. MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2016 Orientar o paciente quanto ao manejo dessas situações! GARANTIR ORIENTAÇÕES DE ALTA!! Caso Clínico João, 45 anos, diagnóstico de câncer de língua, interna com fraqueza e dificuldade para alimentar-se. Após avaliação fonoaudiológica, a via oral foi suspensa, por oferecer riscos ao paciente. O paciente irá iniciar tratamento oncológico que terá duração de 2 meses. Medidas antropométricas: Peso atual: 40Kg; Estatura: 1,70m Qual via de acesso deverá ser indicada para esse paciente? Justifique. Qual complicação da TNE o nutricionista deve estar atento para este caso? Terapia Nutricional Enteral Vídeos Explicativos O que é alimentação enteral - terapia nutricional - alimentação por sonda - https://www.youtube.com/watch?v=2c1egoz2kVw Formas de nutrição enteral - alimentação por sonda - https://www.youtube.com/watch?v=HbQy1Tazerc Vias de administração da dieta enteral ou por sonda - https://www.youtube.com/watch?v=J_-FSaDvFsA Preparação para administração da dieta enteral ou por sonda - https://www.youtube.com/watch?v=JeT4z23M-h4 Preparação do paciente para alimentação enteral ou por sonda - https://www.youtube.com/watch?v=Yh0SzhXKxj0 Administração da Dieta Enteral via sonda - https://www.youtube.com/watch?v=A29XYmQNzuA Dicas de administração de dieta enteral via sonda - https://www.youtube.com/watch?v=VsM-bwBjT3I Bibliografia image2.png image3.png image4.png image5.png image6.png image7.png image8.jpeg image9.png image10.png image11.png image12.png image13.jpeg image14.jpeg image15.png image16.png image17.jpeg image18.png image19.png image20.png image21.png image22.jpeg image23.png image24.png image25.png image26.png image27.png image28.jpeg image29.png image30.png image31.png image32.jpeg image33.png image34.png image35.jpeg image36.png image37.png image38.png image39.png image40.jpeg image41.png image42.png image43.png image44.jpeg image45.jpeg image46.png image47.png image48.png image49.png image50.png image51.png image52.png image53.png image54.png image55.png image56.png image57.jpeg image58.png image59.png image60.jpeg image61.png image62.png image63.png image64.png image65.png image66.jpeg image67.jpeg image68.jpeg image69.png