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PI - restabelecimento AD - psiquiatria

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EXMO(A). SR(A). DR(A). JUIZ(ÍZA) FEDERAL DA __ VARA DOS JUIZADOS ESPECIAIS CÍVEIS DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DO ESTADO DA BAHIA. 
************, brasileiro, convivente (união estável), portador do RG n° ***********, inscrito no CPF sob nº **********, residente e domiciliado na Rua **************, nº 51, 2º andar, *********, Salvador/BA, CEP: ********, telefones: *************, vem por intermédio da DEFENSORIA PÚBLICA DA UNIÃO, representado por sua Defensora in fine firmada, propor, perante Vossa Excelência, a presente
AÇÃO PARA RESTABELECIMENTO DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO DE AUXÍLIO DOENÇA C/C APOSENTADORIA POR INVALIDEZ COM PEDIDO DE TUTELA DE URGÊNCIA,
 em face do INSTITUTO NACIONAL DE SEGURIDADE SOCIAL – INSS, Autarquia Federal com endereço à Rua da Polônia, n. 01, Comércio, Salvador/BA, pelos fatos e fundamentos que passa a aduzir.
1. DOS BENEFÍCIOS DA JUSTIÇA GRATUITA E DAS PRERROGATIVAS DOS DEFENSORES PÚBLICOS FEDERAIS
Afirma o Autor não possuir condições de arcar com custas processuais e honorários advocatícios sem prejuízo do sustento próprio e de sua família, consoante os artigos 98 e 99 do NCPC, razão pela qual faz jus ao benefício da GRATUIDADE DE JUSTIÇA e indica a Defensoria Pública Federal para o patrocínio de seus interesses na presente demanda, atendendo-se às prerrogativas constantes do art. 44 da LC 80/94.
2. DOS FATOS 
O Autor, segurado do Regime de Geral da Previdência Social – RGPS, é portador de Transtorno afetivo bipolar, episódio atual depressivo grave sem sintomas psicóticos (CID F31.4) e "Estado de ""stress"" pós-traumático" (CID F43.1), conforme atestam os laudos médicos assinados pelo psiquiatra Dr. ********* (CRMEB *****). 
Em razão do referido quadro e incapacidade dele decorrente, o segurado gozou do benefício previdenciário auxílio-doença (**********) de 17/07/2017 até 06/08/2018, quando foi indevidamente cessado.
De acordo com tais documentos médicos, o Sr. ****** passou acontecimentos em sua vida pessoal que acarretaram um período de instabilidade, com crises recorrentes de caráter agudo sucessivas e sem apresentar resultados efetivos em relação às mudanças em seu tratamento médico.
O Autor encontra-se sob prescrição de Desvenlafaxina, Quetiapina e Clonazepan, entretanto “segue ainda instável, pelo que se reitera a recomendação de prorrogação de seu afastamento (...)”. 
Nesse mesmo período, por recomendações médicas, o Autor requereu ao INSS, em 25/07/2018, o restabelecimento do benefício do auxílio-doença, o qual foi indeferido sob a justificativa de não constatação da incapacidade laborativa. Inconformado com a negativa, o Autor interpôs recurso administrativo, o qual não foi julgado favorável e, em 07/08/2018, fez novo requerimento administrativo (NB 624.270.721-0) para concessão do benefício, mas que restou sem êxito. 
Em casos como o presente, é imprescindível associar a enfermidade com a atividade exercida, posto que o Autor desempenhava a atividade de enfermeiro, profissão que lida diretamente com os pacientes acometidos por diversas patologias e, consequentemente, com comportamentos distintos, o que demanda do profissional, em especial, equilíbrio psicológico e emocional para conseguir lidar com situações extremas e/ou delicadas. Além disto, insta salientar que os profissionais de saúde, de modo geral, se expõem a longas e exaustivas jornadas de trabalho - plantão. 
Com efeito, as patologias são responsáveis por graves danos à saúde do Postulante, obrigando-a a fazer usos de vários medicamentos que possam amenizar o quadro álgico. A despeito da regular submissão a acompanhamento médico, até a presente data não houve recuperação da capacidade laboral.
Ex positis, considerando o cumprimento dos requisitos legais para o restabelecimento do benefício previdenciário, o Autor socorre-se do Poder Judiciário a fim de requerer o restabelecimento do benefício de auxílio-doença e, se for comprovada a incapacidade definitiva para atividade laboral, que lhe seja concedido o benefício previdenciário aposentadoria por invalidez.
3. DO DIREITO
Conforme adrede salientado, a pretensão resta cabalmente demonstrada nos autos. Não obstante, a parte Ré cessou indevidamente o benefício anteriormente deferido, verificando-se, destarte, nítida infração à norma legal, havendo patente violação a um direito subjetivo do segurado que, embora preenchendo todos os requisitos legais, foi privado de gozar o auxílio-doença.
Nesse sentido, a Lei nº 8.213/91, estabelece, em seu artigo 59: 
“O auxílio-doença será devido ao segurado que, havendo cumprido, quando for o caso, o período de carência exigido nesta lei, ficar incapacitado para o seu trabalho ou para a sua atividade habitual por mais de 15 (quinze) dias consecutivos”.
Na vertente hipótese, a qualidade de segurado resta mantida, já que a incapacidade laborativa da postulante se mantém desde a última cessação do benefício (06/08/2018), estando acobertado pelo período de graça.
De mais a mais, o diploma legal em apreço, em seu art. 42, dispondo também acerca da matéria, apregoa:
“Art. 42. A aposentadoria por invalidez, uma vez cumprida, quando for o caso, a carência exigida, será devida ao segurado que, estando ou não em gozo de auxílio-doença, for considerado incapaz e insuscetível de reabilitação para o exercício de atividade que lhe garanta a subsistência, e ser-lhe-á paga enquanto permanecer nesta condição. 
§ 1º A concessão de aposentadoria por invalidez dependerá da verificação da condição de incapacidade mediante exame médico-pericial a cargo da Previdência Social, podendo o segurado, às suas expensas, fazer-se acompanhar de médico de sua confiança”.
Por fim, não é despiciendo recordar que a Previdência Social é o seguro que substitui a renda do segurado-contribuinte quando ele, entre outras situações, perde sua capacidade de trabalho por motivo de doença e, com ela, os meios de prover seu sustento e o de sua família.
Portanto, a denegação administrativa não pode prosperar, por afrontar, de modo evidente, o princípio constitucional da dignidade da pessoa humana, razão pela qual se faz premente o restabelecimento do auxílio doença/concessão da aposentadoria por invalidez, a fim de garantir-lhe o mínimo necessário à sua sobrevivência e à de sua família, cumprindo, destarte, a finalidade social a que se destina tal benefício.
4. DA TUTELA DE URGÊNCIA
Conforme a previsão legal expressa no art. 300/CPC: “A tutela de urgência será concedida quando houver elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo”.
Imperioso se faz na presente demanda a concessão da antecipação dos efeitos da tutela. Os relatórios médicos anexos induzem de forma clara à incapacidade laborativa do Demandante. Deste modo, fica comprovada a verossimilhança da alegação, ou probabilidade de direito.
De fato, o Autor se encontra em uma situação de urgência agravada pela sua incapacidade laborativa, não possuindo condições financeiras para manter seu sustento próprio. Consequentemente, caso a tutela não seja concedida, pode acarretar um dano de difícil, se não impossível, reparação. 
A prestação pretendida possui, neste caso, caráter alimentar, sendo indispensável à sobrevivência do requerente, que inclusive precisa de remédios para controlar os efeitos da doença. 
Concluindo, por ser manifesta a existência dos dois fatores necessários à autorização do provimento antecipado, imperioso se torna a concessão liminar do auxílio-doença.
5. DOS PEDIDOS
Diante do exposto, requer:
a) a concessão da gratuidade da justiça, na forma dos artigos 98 e seguintes do NCPC, uma vez que o Autor não tem condições de arcar com as custas processuais e honorários advocatícios sem prejuízo do seu próprio sustento;
b) concessão de tutela de urgência para fazer-se implantar imediatamente o benefício cessado pelo INSS;
c) A citação da Ré para, querendo, contestar a presente ação;
d) A realização de perícia médica com especialista, a fim de averiguar-se se o Autor se encontra temporariamente ou definitivamente incapaz para o trabalho;