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1 FACULDADE UNINASSAU CURSO DE GRADUAÇÃO EM DIREITO DISCIPLINA: DESENVOLVIMENTO E TRABALHABILIDADE O significado de "relações humanas" Que atitude deve tomar a empresa, ao despertar para a importância das relações humanas na empresa? Considerá-las panaceia para todos os males administrativos? A grande dificuldade que se apresenta são os interessados no problema das "relações humanas no trabalho" é que esta expressão quer dizer tanta coisa diferente, para tanta gente diferente, que ninguém mais tem certeza do que realmente significa. Há os que acham que relações humanas e relações industriais são a mesma coisa. Outros consideram relações humanas como administração de pessoal e outros há, ainda, que empregam relações públicas e relações humanas como sinônimos perfeitos. Aqueles que entendem as relações humanas como uma área de prática administrativa, muitas vezes empregam a expressão para significar "passar a conversa", "adoçar a pílula", "levar o operário no bico" e por aí afora. Há, ainda, outros que entendem por relações humanas a "arte de fazer amigos e influenciar pessoas". Poderíamos prosseguir neste trabalho e arrolar outros significados emprestados atualmente à expressão "relações humanas", porém aqueles que mencionamos são talvez os mais representativos do conjunto e bastam para demonstrar a confusão reinante em torno da matéria. Nesta nossa discussão, tentaremos trazer alguma luz a este assunto tão controvertido, com o objetivo de oferecer um subsídio aos administradores que, na prática, se defrontam, a todo instante, com problemas que são eminentemente humanos e que requerem, para sua solução, uma compreensão correta do significado e das implicações das relações entre os. seres humanos no ambiente de trabalho. Retrospecto Histórico Embora as relações humanas tenham existido desde os primórdios da vida humana, a preocupação científica com essas relações, no ambiente de trabalho, é relativamente nova. Nos Estados Unidos, até 1940, a expressão "relações humanas no trabalho" era muito pouco usada(1) e o PROF. MÂRIO WAGNER VIEIRA DA CUNHA nos diz que, em 1945, ao findar a Segunda Grande Guerra, a mesma era praticamente ignorada entre nós(2). Se pudéssemos, fazendo voltar os ponteiros do relógio no tempo, observar o desenrolar dos acontecimentos no início da Revolução Industrial, veríamos que, então, os seres humanos eram incluídos no processo de produção apenas como mais um recurso produtivo, ao lado das matérias-primas e das máquinas, sem qualquer consideração especial. Em outras palavras, o homem nada mais era do que uma máquina que operava outra máquina. À medida que as organizações industriais se desenvolviam, mais se perdia a possibilidade de contato pessoal direto entre o trabalhador e seu empregador. A ênfase, naquele momento, era colocada sobre a produção, com um consequente desinteresse pela sorte do trabalhador. Este, então, era obrigado a trabalhar longas horas, em condições desfavoráveis e sob padrões de supervisão tão rígidos e rigorosos que quase não podia manter contato informal com seus colegas. Na maioria dos casos, esse contato humano ocorria fora do ambiente de trabalho, porém, ainda assim, limitado pelas longas horas de atividade na fábrica. É KEITH DAVIS quem nos fala do aparecimento, nesse momento da História, de dois homens que representaram uma filosofia pioneira, na consideração do fator humano no esforço de produção: ROBERT OWEN e ANDREW URE(3). OWEN, um industrial http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-75901961000200001#1a http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-75901961000200001#2a http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-75901961000200001#3a 2 FACULDADE UNINASSAU CURSO DE GRADUAÇÃO EM DIREITO DISCIPLINA: DESENVOLVIMENTO E TRABALHABILIDADE galês, foi talvez o primeiro homem de empresa a se preocupar, por volta do ano de 1800, com o problema das necessidades dos trabalhadores. O segundo, ANDREW URE, publicou, em 1835, um livro intitulado a "Filosofia da Indústria", no qual apontava aos industriais da época o fator humano como merecedor de considerações especiais, devido a sua importância para o processo produtivo. As ideias desses dois pioneiros tiveram fria acolhida na época e, na maioria dos casos, descambou-se para um paternalismo exagerado, ao invés de chegar-se a um reconhecimento sadio e genuíno da importância dos trabalhadores em relação à produção. Embora fosse possível notar alguns esforços isolados, na direção de dar maior relevância ao fator humano no trabalho, a verdade é que os rápidos progressos, nas ciências físicas, feitos nos séculos imediatamente anteriores a este desviaram a preocupação científica com os problemas humanos para outros mais materiais. Somente no início deste nosso século é que se pôde notar um novo esforço no sentido de olhar para o homem como fator importante na indústria. Nesse momento, surge o americano FREDERICK WINSLOW TAYLOR, hoje chamado de "o pioneiro da organização racional do trabalho". Sua contribuição ao campo das relações humanas no trabalho é relevante, por ter sido ele o primeiro a chamar a atenção para os seres humanos no trabalho como fatores importante para a eficiência da produção. A preocupação de TAYLOR, na época, era dirigida para a produção e sua consideração para com o fator humano prendia-se apenas a sua produtividade, no sentido da racionalização e eficiência do processo produtivo. Contudo, se bem que seu objetivo fosse diferente, as inovações que introduziu na administração abriram o caminho para as posteriores contribuições ao campo das relações humanas no trabalho. Significado da Teoria das Relações Humanas O que é a Teoria das Relações Humanas: A Teoria das Relações Humanas, também chamada de Escola das Relações Humanas é a reunião das teorias sobre o comportamento humano no ambiente de trabalho, criadas para nortear os estudos da Administração. Estas teorias ganharam força em meados de 1920, com a grande depressão devido a quebra da bolsa de valores de Nova Iorque, em 1929. Entre 1927 e 1932, a empresa de fabricação de equipamentos e componentes telefônicos Hawthorne, de Western Eletric Company, contratou uma equipe de cientistas sociais para realizar observações acerca do comportamento dos funcionários. O objetivo era identificar a relação entre a iluminação e a eficiência dos operários, medida pela produção dos mesmos. A pesquisa era liderada pelo médico especializado em psicopatologia George Elton Mayo e seu assistente, o engenheiro Fritz J. Roethlisberger. Mayo é considerado o pai das Relações Humanas. As novas ideias trazidas pela Teoria das Relações Humanas buscaram criar uma nova visão de recuperação das empresas, tendo como foco principal a preocupação com o ser humano. Elas criaram então perspectivas para o ramo da Administração, através do conhecimento das atividades e do comportamento dos seus funcionários ao formarem grupos Características da Teoria da Relações Humanas 3 FACULDADE UNINASSAU CURSO DE GRADUAÇÃO EM DIREITO DISCIPLINA: DESENVOLVIMENTO E TRABALHABILIDADE No período que antecede a Teoria das Relações Humanas, o trabalhador era tratado de maneira mecânica, seguindo os preceitos da Teoria Clássica. Com as novas teorias, o foco mudou e o trabalhador (homo economicus) passou a ser visto com uma importância mais social. A principais características destas teorias são: • O ser humano não pode ser reduzido a um ser cujo comportamento é simples e mecânico; • O homem é, ao mesmo tempo, guiado pelo sistema social e pelas demandas de ordem biológica; • Todos os homens possuem necessidades de segurança, afeto, aprovação social, prestígio e autorrealização. Inicia-se então um processo que envolve cada vez mais os funcionáriosnas tomadas de decisão da empresa e na disponibilização de informações acerca do seu local de trabalho. Também se iniciou uma melhor compreensão dos aspectos ligados à afetividade humana no ambiente de trabalho, assim como a determinação de limites do controle burocrático para regulamentação social. Como consequência desta teoria, houve uma quebra de paradigmas nos princípios da Teoria da Administração Científica de Frederick Winslow Taylor. Esta ruptura incluiu também variáveis comportamentais dos indivíduos na execução de atividades e a humanização do trabalho, com aplicação de métodos mais científicos e precisos. O Significado de "Relações Humanas" A expressão "relações humanas" significa, literalmente, o estabelecimento e/ou a manutenção de contatos entre seres humanos(7). Como tal, ocorrem, diária e frequentemente, na vida de todos nós. Acontecem em casa, com a nossa esposa e nossos filhos; no clube, quando integramos a nossa valorosa equipe de futebol; no bar da esquina, com o rapaz que nos serve um refresco no dia de calor; no ônibus, com o cobrador a quem pagamos a passagem; e, principalmente, no ambiente de trabalho - onde passamos a maior parte de nosso tempo útil -, com nossos colegas, superiores e subordinados. Temos, então, que, no seu sentido estritamente literal, a expressão "relações humanas" quer dizer todos aqueles contatos entre os seres humanos que se processam em todas as situações. Porém, paralelamente ao significado literal, surgiu um outro significado para a expressão "relações humanas", que é mais amplo do que o primeiro. Modernamente, entende-se por relações humanas uma atitude que deve prevalecer no estabelecimento e na manutenção dos contatos entre pessoas. Essa atitude deve estar assentada no princípio do reconhecimento dos seres humanos como entes possuidores de uma personalidade própria que merece ser respeitada. Isso implica numa compreensão sadia de que toda pessoa traz consigo, em todas as situações, necessidades materiais, sociais e psicológicas que procura satisfazer e que dirigem seu comportamento neste ou naquele sentido. Assim como as pessoas são diferentes entre si, também a composição e estruturadas necessidades variam de indivíduo para indivíduo. Praticar relações humanas significa, portanto, muito mais do que estabelecermos e/ou mantermos contatos com outros indivíduos. Significa estarmos condicionados, nessas nossas relações, por uma atitude, um estado de espírito ou uma maneira de ver as coisas, que nos permita compreender o nosso interlocutor, respeitando a sua personalidade, cuja estrutura é, sem dúvida, diferente da nossa. Isto quer dizer que praticar relações humanas não equivale simplesmente a "amar ao próximo como a nós http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-75901961000200001#7a 4 FACULDADE UNINASSAU CURSO DE GRADUAÇÃO EM DIREITO DISCIPLINA: DESENVOLVIMENTO E TRABALHABILIDADE mesmos" pois o que é bom para uns não é necessariamente válido para outros, em decorrência das diferenças de composição e estrutura de suas necessidades. De acordo com esse significado mais amplo, podemos dizer que, onde quer que se estabeleçam e/ou mantenham contatos entre pessoas, poderá ou não estar presente aquela atitude que chamamos de "relações humanas". Na ausência dessa atitude, o que resulta é um clima de ressentimento, resistência, incompreensão, falta de colaboração e iniciativa, enfim, uma atmosfera que não conduz a um aproveitamento positivo na relação que se estabelece. É nesse momento que, por vezes, temos as nossas "brigas" com a esposa, somos mal servidos no restaurante, discutimos com o inquilino do andar de cima e perdemos a boa vontade e a cooperação espontânea de nossos subordinados. Se, por outro lado, se manifesta a prática de relações humanas, então podemos afirmar, sem medo de errar, que o contato humano que se estabelece tenderá para um resultado positivo, eliminando, "a priori", a possibilidade de conflito básico entre as partes, dando a cada uma um crédito preliminar que facilitará o desenvolvimento da relação. É nossa intenção, nesta discussão genérica do significado do termo, deixar claro que a conceituação atual de relações humanas se aplica a qualquer situação. Esse fato é facilmente constatável através de uma análise sumária da variedade terminológica que se pode observar na literatura, nos artigos de jornais, nas revistas especializadas, nas conferências e em outros meios de divulgação, atribuindo um qualificativo a essa expressão genérica. Encontramos, então, relações humanas "na família", "na indústria", "para vendedores", "na escola", "no trabalho" e assim por diante, refletindo uma preocupação atual e geral pelo aspecto positivo das relações entre pessoas. Para efeito deste artigo, todavia, nosso interesse é mais restrito, pois nos permitimos afirmar, ao início, que tentaríamos oferecer um subsídio aos administradores, no sentido de uma compreensão mais ampla do significado das relações humanas no trabalho. Assim, além dos comentários genéricos que intentamos, vale dizer que todas as pesquisas realizadas nesse campo, a partir de MAYO, nos levam a concluir que, nas, suas atitudes para com os demais membros da organização, os administradores deverão sempre reconhecer que cada um de seus colegas, chefes e subordinados, mais do que o simples executor de uma tarefa específica, é um ser humano, e que embora fosse desejável - por vezes - que os indivíduos, na organização, se comportassem única e exclusivamente de acordo com a "nossa" lógica e com os "nossos" padrões de expectativa, isso nem sempre acontece, pois os sentimentos, a sensibilidade e as emoções são qualidades inerentes aos seres humanos, das quais não se desvestem ao entrar no escritório, na fábrica ou na loja. Cabe ao administrador, cujo poder de decisão influencia e orienta o sentido das relações entre os indivíduos, na organização, estabelecer um clima positivo e favorável para que a empresa possa contar com um ponto de apoio para a realização e execução de suas funções essenciais. Essa tarefa superlativa que se espera seja executada em todos os níveis de supervisão só poderá ser levada a cabo se os próprios administradores estiverem condicionados pela atitude que aqui chamamos de "relações humanas". Às empresas cabe a formulação e o estabelecimento de diretrizes administrativas que traduzam uma preocupação com o clima de relações humanas que deve permear a organização, a fim de que seus objetivos possam ser alcançados ao mesmo tempo que se promove, tanto quanto possível, a satisfação das necessidades de seus membros. Eliminando a Confusão Cabe-nos, agora, tentar eliminar algumas das confusões que mencionamos ao início deste trabalho e aquelas que mais frequentemente lemos, ouvimos e vimos, no 5 FACULDADE UNINASSAU CURSO DE GRADUAÇÃO EM DIREITO DISCIPLINA: DESENVOLVIMENTO E TRABALHABILIDADE decorrer dos nossos contatos com a literatura, com os jornais, com muitos administradores e com muitas empresas. A - Relações Humanas e Relações Industriais. Relações Industriais é uma função dentro da estrutura organizacional que tem, por objetivo, "planejar, encaminhar e integrar os recursos humanos da empresa"(8). Inclui a administração de pessoal e vai além, estabelecendo programas de treinamento, mantendo ambulatórios médicos, operando restaurantes, publicando o jornal da empresa, etc.. É o departamento, a divisão ou o serviço ao qual cabe implementar as diretrizes de relações humanas formuladas pela empresa, quer cuidando da satisfação das necessidades materiais dos membros da organização, quer treinando esses membros - principalmente os supervisores dos vários níveis - para a prática de relações humanas no trabalho. Em muitas empresas, infelizmente, o departamento de relações industriais é considerado como o departamento "quebra-galho",pois somente depois que o conflito se estabeleceu entre as pessoas se corre ao médico, na esperança de que, aplicando o remédio "relações humanas", o paciente melhore. O problema que se coloca para esse departamento é que "relações humanas", em geral, é, antes de tudo, uma vacina. Cabe aqui observar, resumindo, que relações industriais é uma função definida dentro da estrutura da organização da empresa e que, portanto, difere de relações humanas, que se traduz numa atitude que deve condicionar os membros da organização nas suas inter-relações pessoais. Não se deve ainda confundir relações humanas com administração de pessoal, uma vez que esta função se refere principalmente aos problemas de seleção, colocação, avaliação e controle dos empregados. B - Relações Humanas e Relações Públicas Esta é, provavelmente, a confusão mais generalizada. Devemos, antes de mais nada, definir relações públicas: "é o processo contínuo através do qual a empresa, como entidade, procura obter e manter a boa vontade e a compreensão de seus fregueses, dos seus empregados e do público, em geral"(9). A preocupação básica na execução desta função, como vemos, é criar uma imagem favorável da empresa perante os vários "públicos" com quem ela se relaciona. Seria possível, tomando-se para esta expressão um sentido ultra amplo, que a preocupação com as relações humanas no trabalho estivesse nela incluída. Porém, na prática, as relações públicas significam mais esforço funcional para divulgar do que implementar a atitude de relações humanas. Não nos esqueçamos ainda que, para efeito de relações públicas, os membros da organização constituem-se em apenas um dos muitos "públicos" da empresa. C - Relações Humanas como Artifício de Manipulação "Levar os outros no bico", "adoçar a pílula" e "passar a conversa" são, para alguns, a aplicação das técnicas (sic) de relações humanas. Quando se tenta manipular o indivíduo, explorando seus sentimentos para um fim que é apenas nosso, não é "relações humanas" que estamos praticando, mas sim manipulação, no sentido mais deplorável da palavra. O exemplo clássico é o do administrador que finge estar interessado nos seus subordinados e nas suas sugestões, mas somente para disfarçar a sua atitude essencialmente autoritária. Porém, a maioria das pessoas descobre facilmente quando há ou não sinceridade na atitude expressa e, então, a situação se torna muito mais difícil, pois, além da resistência lógica que poderiam oferecer, as pessoas ressentem-se ainda da má fé envolvida na tentativa de manipulação. As relações humanas presumem uma atitude que http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-75901961000200001#8a http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-75901961000200001#9a 6 FACULDADE UNINASSAU CURSO DE GRADUAÇÃO EM DIREITO DISCIPLINA: DESENVOLVIMENTO E TRABALHABILIDADE envolve uma compreensão mútua e sincera dos sentimentos e anseios que todo ser humano leva consigo. D - Relações Humanas e a "Arte de Fazer Amigos" Já tivemos a oportunidade, por vezes, de perceber que existem administradores que entendem relações humanas como uma "arte de fazer amigos". Um sorriso sempre plantado na face, memorização forçada dos nomes dos funcionários e "tapinhas" generalizados nas costas de todo mundo são algumas das obrigações a que se comprometem esses administradores. Não queremos aqui negar o mérito destes comportamentos recomendados por muitos. É preciso deixar bem claro, todavia, que se usados apenas como artifícios, sem uma atitude correspondente que lhes empreste autenticidade e sinceridade, de nada valerão. Da prática de relações humanas deve fluir, necessariamente, um comportamento natural e sincero que não implica em ser "bonzinho", paternal ou sorridente a todo instante. A empresa tem seus objetivos a alcançar e, no cumprimento de suas funções, o administrador não tem por meta fundamental "fazer amigos", mas sim providenciar para a execução do trabalho. Claro está que, em criando um clima saudável de relações humanas, esse objetivo poderá ser alcançado com mais facilidade. Ainda assim, porém, haverá momentos nos quais, mesmo condicionado por essa atitude, o administrador terá que responsabilizar pessoalmente este ou aquele subordinado, tomar decisões práticas e objetivas e "botar na rua quem não presta". Conclusões Para resumir esta discussão sobre o significado de relações humanas, queremos, uma vez mais, insistir em que falamos da atitude de reconhecimento dos indivíduos como seres humanos, na sua mais ampla acepção, que deve condicionar os administradores nas suas relações com os demais membros da organização e nas suas decisões administrativas. Assim, "relações humanas" não pode ser compreendida como uma função a ser executada, como um artifício de manipulação ou maneira de tomar todos felizes e contentes. Na empresa, as relações humanas agem como um lubrificante, evitando os atritos e tomando o funcionamento mais suave. Nada mais. Mas, assim como uma máquina não funciona apenas com uma boa lubrificação, a empresa precisa de muitas coisas, além de relações humanas. Não se pretende assim, que estas sejam um substituto para as demais funções do administrador. "Relações humanas" não é, pois, uma panaceia que, por si só, cure todos os males CONCEITO DE COMPETÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS As competências sociais e humanas representam as capacidades/habilidades para lidar com as pessoas, escutando-as, compreendendo-as, unindo-as e motivando-as para atingir objetivos organizacionais. Para isso é fundamental o espírito de equipa, a justiça, imparcialidade e ética na resolução de conflitos e na atribuição de elogios e incentivos aos seus subordinados. Segundo Robert L. Katz, em “As habilidades de um administrador eficiente”, as competências sociais e humanas são exigidas, de igual forma aos gestores de todos http://knoow.net/cienceconempr/gestao/objectivos-organizacionais/ http://knoow.net/cienceconempr/gestao/espirito-de-equipa/ 7 FACULDADE UNINASSAU CURSO DE GRADUAÇÃO EM DIREITO DISCIPLINA: DESENVOLVIMENTO E TRABALHABILIDADE os níveis hierárquicos pois todos têm de lidar diretamente com subordinados tendo, por isso, necessidade de saber gerir equipas, motivar pessoas e resolver conflitos. E esse tipo de inteligência é emocional, você já deve imaginar que não é o tipo de coisa que se aprende na escola nem depende de equações matemáticas ou fórmulas bizarras. Basicamente, inteligência emocional é a habilidade que uma pessoa tem de perceber, entender, avaliar e administrar suas próprias emoções e também as emoções dos outros, de maneira positiva. 1. CONHECIMENTO – HABILIDADE – ATITUDE O CHA, uma sigla formada pelas letras iniciais das palavras: Conhecimento, Habilidade, Atitude. CONHECIMENTO Saber Domínio Cognitivo HABILIDADE Saber fazer Domínio Psicomotor ATITUDE Querer fazer Domínio Afetivo Habilidades, uma Questão de Competências? (1) • As habilidades são atributos relacionados não apenas ao saber- fazer, mas aos saberes (conhecimentos), ao saber ser (atitudes) e ao saber-agir (práticas no trabalho). • As habilidades básicas podem ser entendidas em uma ampla escala de atributos, que parte de habilidades mais essenciais, como ler, interpretar, calcular, até chegar ao desenvolvimento de funções cognitivas que propiciem o desenvolvimento de raciocínios mais elaborados. • As habilidades específicas estão estreitamente relacionadas ao trabalho e dizem respeito aos saberes, saber-fazer e saber-ser exigidas por postos, profissões ou trabalhos em uma ou mais áreas correlatas. • As habilidades de gestão estão relacionadas às competências de autogestão, de empreendimento, de trabalho em equipes. • No planejamento das habilidades, devem-se considerar as expectativas não apenas domercado de trabalho, mas as http://knoow.net/cienceconempr/gestao/niveis-da-gestao/ 8 FACULDADE UNINASSAU CURSO DE GRADUAÇÃO EM DIREITO DISCIPLINA: DESENVOLVIMENTO E TRABALHABILIDADE expectativas e interesses do trabalhador. • Na perspectiva das ações educativas, deve-se pensar na formação de formadores para que as habilidades tenham potencial para serem realmente incorporadas. • Os planejamentos de desenvolvimento das habilidades básicas, específicas e de gestão devem prever o acompanhamento e a avaliação dos resultados obtidos. REFERENCIAS Laerte Leite Cordeiro Professor-Adjunto, Departamento de Administração Geral e Relações Industriais e Conselheiro para o Centro Acadêmico da Escola de Administração de Empresas de São Paulo. Acesso em: 27/02/2020. http://www.administradores.com.br/artigos/carreira/o-que-e-empregabilidade/31256/. Acesso em 04/02/2018. https://www.campograndenews.com.br/marketing-pessoal/o-que-significa-o-termo- empregabilidade. 26/02/2018. Barduchi, Ana Lúc,ia Jankovic.Empregabilidade: competências pessoais e profissionais. São Paulo 2009 . Júlio Cesar Moledo. Disponível em: https://pt.linkedin.com/pulse/fatores-que- influenciam-empregabilidade-j%C3%BAlio-cesar-moledo. Acesso em 28/02/2018 https://www.campograndenews.com.br/marketing-pessoal/o-que-significa-o-termo-empregabilidade https://www.campograndenews.com.br/marketing-pessoal/o-que-significa-o-termo-empregabilidade https://www.campograndenews.com.br/marketing-pessoal/o-que-significa-o-termo-empregabilidade https://www.campograndenews.com.br/marketing-pessoal/o-que-significa-o-termo-empregabilidade https://pt.linkedin.com/pulse/fatores-que-influenciam-empregabilidade-j%C3%BAlio-cesar-moledo https://pt.linkedin.com/pulse/fatores-que-influenciam-empregabilidade-j%C3%BAlio-cesar-moledo FACULDADE UNINASSAU CURSO DE GRADUAÇÃO EM DIREITO DISCIPLINA: DESENVOLVIMENTO E TRABALHABILIDADE “Definimos, assim, competência: um saber agir responsável e reconhecido, que implica mobilizar, integrar, transferir conhecimentos, recursos, habilidades, que agreguem valor econômico à organização e valor social ao indivíduo.” (4) Conceito de Competência De acordo com Hamel e Prahalad, “competência é a integração e a coordenação de um conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes que na sua manifestação produzem uma atuação diferenciada”. O conceito de competência vai, portanto, alem do CHA. Envolve, também o conceito de Entrega (manifestação). Para FLEURY, A; FELURY, M (2) Competência é uma palavra do senso comum, utilizada para designar pessoa qualificada para realizar algo. Seu oposto ou antônimo não apenas implica a negação dessa capacidade, mas também guarda um sentimento pejorativo, depreciativo. “Chega mesmo a sinalizar que a pessoa encontra-se ou se encontrará brevemente marginalizada dos circuitos de trabalho e de reconhecimento social.” As competências são sempre contextualizadas. Os conhecimentos e o know- how não adquirem status de competência a não ser que sejam comunicados e trocados. A rede de conhecimento em que se insere o indivíduo é fundamental para que a comunicação seja eficiente e gere competência. A noção de competência aparece, assim, associada a verbos como saber agir, mobilizar recursos, integrar saberes múltiplos e complexos, saber aprender, saber se engajar, assumir responsabilidades, ter visão estratégica. As competências devem agregar valor econômico para a organização e valor social para o indivíduo. Significado dos verbos expressos nesse conceito (3): Saber agir 1. Saber o que e por que faz. 2. Saber julgar, escolher, decidir. Saber mobilizar 1. Saber mobilizar recursos de pessoas, financeiros, materiais, criando sinergia entre eles. Saber comunicar 1. Compreender, processar, transferir informações e conhecimentos, assegurando o entendimento da mensagem pelos outros. Saber aprender 1. Trabalhar o conhecimento e a experiência. 2. Rever modelos mentais. 3. Saber desenvolver-se e propiciar o desenvolvimento dos outros. Saber comprometer- se 1. Saber engajar-se e comprometer-se com os objetivos da organização. Saber assumir responsabilidad es 1. Ser responsável, assumindo os riscos e as conseqüências de suas ações, e ser por isso reconhecido. Ter visão estratégic a 1. Conhecer e entender o negócio da organização, seu ambiente, identificando oportunidades, alternativas. “Se tenho dois funcionários em minha equipe que desempenham as mesmas FACULDADE UNINASSAU CURSO DE GRADUAÇÃO EM DIREITO DISCIPLINA: DESENVOLVIMENTO E TRABALHABILIDADE Conceito de Entrega funções, que são remunerados e avaliados por parâmetros idênticos, mas um deles quando lhe é pedido que resolva um problema, traz a solução com muita eficiência e eficácia, devo admitir que, para minha equipe, este último é mais valioso.” “Ao olharmos as pessoas por sua capacidade de entrega, temos uma perspectiva mais adequada (porque mais individualizada) para avaliá-las, para orientar o desenvolvimento delas e para estabelecer recompensas.” (5) Caracterização das Entregas As competências devem ser graduadas tendo-se em vista o nível de complexidade da entrega. Tal graduação permite um melhor acompanhamento da evolução da pessoa em relação à sua entrega para a organização e/ou negócio. Uma vez que graduamos as competências em relação à complexidade da entrega esperada, temos uma escala mais adequada para acompanhar sua evolução. Veja, a seguir, um modelo de graduação citado por Leonardo Trevisan (6). O modelo se refere ao “Sistema de competências” desenvolvido pelo governo britânico. Graduação das Competências Nível 1 - o trabalhador possui competência para desenvolver algumas atividades de rotina dentro do conjunto de atividades englobadas por aquela função; Nível 2 - o trabalhador possui competência e conhecimento para exercer com “relativa autonomia” as atividades daquela função em uma variedade de contextos, e sua formação lhe permite trabalhar em grupo; Nível 3 - trabalhador possui competência para exercer um amplo conjunto de atividades referentes àquela função, mesmo as mais complexas e não-rotineiras, e sua formação lhe permite exercer com autonomia funções desprovidas de maior complexidade; Nível 4 - o trabalhador possui competência para exercer todo tipo de atividade relativa àquela função, em diferentes contextos, e um “substancial grau de responsabilidade e autonomia” para exercer posto que envolva alocação de recursos; Nível 5 - o trabalhador possui competência prevista no Nível 4 e formação para analisar e estabelecer “diagnóstico de situação”, bem como exercer funções de planejamento e avaliação de desempenho”. Competência Essencial: Muitas empresas estão confusas em relação ao que é uma competência essencial (core competence). A introdução do conceito pode ser útil para fornecer uma definição um pouco mais específica dessa competência. A integração é a marca de autenticidade das competências essenciais. Uma competência específica de uma organização representa a soma do aprendizado de todos os conjuntos de habilidades tanto em nível pessoal quanto de unidade organizacional. Portanto, é muito pouco provável que uma competência essencial se baseie inteiramente em um único indivíduo ou em FACULDADE UNINASSAU CURSO DE GRADUAÇÃO EM DIREITO DISCIPLINA: DESENVOLVIMENTO E TRABALHABILIDADE uma pequena equipe. Segundo Prahalad e Hamel (7), para que uma competência seja considerada essencial deve passar por três testes: Valor percebido pelos clientes. Uma competência essencial deve permitir a empresa agregar valor de forma consistente e diferenciada a seus clientes. Diferenciação entre concorrentes. Uma competência essencial deve diferenciar a empresade seus competidores. Precisa ser algo percebido pelo mercado como específico da marca, do produto ou da própria empresa. Capacidade de expansão. Uma competência essencial deve abrir as portas do futuro para a empresa. Não basta que ela seja a base para os produtos e serviços atuais. É necessário que ela possa sustentar novos produtos e serviços. A vantagem de trabalhar com o conceito de competência é que ele permite direcionar o foco, concentrar energias no que é necessário trabalhar para que a empresa alcance os seus objetivos operacionais e estratégicos. De nada adianta elaborar uma lista extensa de capacidades se não conseguirmos dar destaque e desenvolver aquelas que poderão ter mais impacto no negócio. O que caracteriza a competência é a integração e a coordenação de um conjunto de habilidades, conhecimentos e atitudes que na sua manifestação produzem uma atuação diferenciada. Elas não se restringem a uma área específica da empresa, estão difundidas de forma ampla em toda a organização. Em termos práticos, se, durante o processo de definição das competências específicas de uma empresa ou unidade de negócios de médio porte, uma equipe de gerentes identifica quarenta, cinqüenta ou mais “competências”, provavelmente está descrevendo habilidades e tecnologias, e não as competências essenciais. Por outro lado, se listar apenas uma ou duas competências, provavelmente está usando um nível de agregação demasiadamente amplo para gerar insights significativos. Normalmente o nível de agregação mais útil resulta em cinco a quinze competências essenciais. Competências Individuais Competências individuais são aquelas que os profissionais devem possuir para assegurar o desenvolvimento das competências de suas áreas e, conseqüentemente, das competências essenciais da organização. Deve-se, primeiro, identificar as competências essenciais da organização. A seguir, as competências das áreas e, a partir destas, identificar as competências dos seus profissionais. Para identificar as competências individuais dos profissionais, nada melhor que a participação dos gestores no processo de validação de uma lista preliminar de competências. Uma lista preliminar pode ser obtida no Ministério do Trabalho que elaborou a Classificação Brasileira de Ocupações. Obviamente, esta lista pode ser modificada, de acordo com as características da empresa que pretende adotá-la. Veja, a seguir, as competências de Diretor de recursos humanos, conforme definição da CBO 2002 FACULDADE UNINASSAU CURSO DE GRADUAÇÃO EM DIREITO DISCIPLINA: DESENVOLVIMENTO E TRABALHABILIDADE 1232-05: Diretor de recursos humanos Diretor de capital humano Competências pessoais • Agir com ética profissional • Mostrar liderança • Reciclar-se constantemente • Demonstrar capacidade de empreender • Negociar • Agir como facilitador • Trabalho em equipe • Demonstrar facilidade de comunicação • Mostrar flexibilidade • Trabalhar com pessoas No site www.mtecbo.gov.br além das competências pessoais, estão à disposição as seguintes informações: Histórico da ocupação; Descrição sumária; Características de trabalho; Áreas de atividades; Relatório de família; Conversão; e Participantes da descrição que é competência para as normas de gestão Competência é: Competência é: Processo de Mudança (8) Para se ter competência é indispensável adquirir conhecimento, como bem explica o seguinte gráfico: A mudança mais fácil de realizar é a de conhecimento, seguida pela mudança de atitude. A mudança de comportamento já é, consideravelmente, mais difícil e bem mais demorada que qualquer uma das duas anteriores. Mas talvez a mais difícil e mais lenta de todas seja a mudança no desempenho de grupos ou organizações. Considerando a importância do treinamento como recurso para aumentar e melhorar a competência das organizações e dos profissionais, a International Standardization Organization – ISO desenvolveu a Norma ISO 10015: Diretrizes para treinamento. “Estas diretrizes abrangem o desenvolvimento, implementação, manutenção e melhoria das estratégias e dos métodos de treinamento que afetam a qualidade dos produtos fornecidos por uma organização”. “Aplicação do conhecimento, habilidade e comportamento no desempenho” “... a capacidade demonstrada para aplicar conhecimentos e habilidades” ABNT NBR ISO 10015: 2001 ABNT NBR ISO 9000: 2008 http://www.mtecbo.gov.br/ FACULDADE UNINASSAU CURSO DE GRADUAÇÃO EM DIREITO DISCIPLINA: DESENVOLVIMENTO E TRABALHABILIDADE Sebastião Guimarães 1. Excertos de “Habilidades, uma questão de competências? “ - Mtb/SEFOR 2. FLEURY, Afonso; FLEURY, Maria Tereza Leme. Estratégias Empresariais e Formação de Competências. 2ª Edição. São Paulo. Editora Atlas 3. Idem 4. Ibidem 5. DUTRA, Joel Souza. Gestão por competências. São Paulo. Editora Gente - pág 52 6. TREVISAN, Leonardo. Educação e Trabalho. São Paulo. Editora Senac. 2001- pág. 202 e 203 7. HAMEL, Gary; PRAHALAD, C.K. Competindo pelo Futuro. 12ª Rio de Janeiro. Editora Campus. 1995. 8. Fonte: Psicologia para Administradores - Hersey/Blanchard - E.P. U - Texto adaptado para fins didáticos. mailto:guimaraes@tgtreinamento.com.br