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TRABALHO DF- GUGU NOMES: Andréia de Souza Bruna Xavier Medeiros Julia Silva e Santos Luana Lima Vieira Maria Inês Faria Siqueira Millena Pereira André PROFESSOR: Tiago Vendramini MATÉRIA: Direito de Família Caso Gugu: Quem fica com a herança? Segundo o Código Civil, o direito brasileiro reconhece a união estável como entidade familiar e possibilita o recebimento de herança do falecido. Conforme exposto no artigo 1.723 do CC: “É reconhecida como entidade familiar a união estável entre o homem e a mulher, configurada na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família”. Entretanto, alguns requisitos devem ser observados para que se possa comprovar a união estável na prática. Uma delas é por meio de testemunhas que convivem com casal, sendo também possível a prova através de documentos que demonstrem a vida em comum do casal, estando alguns deles indicados no Decreto nº 3048/99, do artigo 22, § 3º. São exemplos desses documentos: fotografias, certidão de nascimento de filho havido em comum, declaração de imposto de renda, declaração especial feita perante tabelião, prova de mesmo domicílio, existência de sociedade ou comunhão nos atos da vida civil, conta bancária conjunta, etc. Seguindo essa linha de raciocínio, é importante ressaltar que a união estável se configura por meio de documento público realizado em cartório e permite que se faça prova plena da união e se presumem verdadeiros os fatos ali relatados. Ademais, convém ressaltar o direito do companheiro na herança, assim como, disposto no artigo 1790 do CC: “A companheira, ou o companheiro participará da sucessão do outro, quanto aos bens adquiridos onerosamente na vigência da união estável”. Assim, pode-se concluir que o regime de bens da união estável é a Comunhão Parcial de Bens cujo companheiro será meeiro. Isto é, quando um morre, o outro tem direito à metade dos bens adquiridos a título oneroso na constância da união (artigo 1725 do Código Civil). Atualmente, na mídia e em vários canais de comunicação, vem sendo discutido o caso do famoso apresentador da emissora de televisão, SBT, Antônio Augusto de Moraes Liberato, mais conhecido como “Gugu Liberato”. Em 20 de novembro de 2019, o apresentador sofreu uma queda de uma altura de cerca de quatro metros do sótão de sua casa em Orlando, na Flórida, Estados Unidos, enquanto tentava trocar o filtro do seu ar-condicionado. Mais tarde, foi diagnosticado a morte encefálica no dia 21 de novembro. Nesse viés, após o falecimento de Gugu começou uma disputa judicial pela sua herança entre Rose Miriam di Matteo e a família do apresentador. Em 2011 Gugu Liberato fez um testamento, em que excluiu a mãe de seus filhos, Rose Miriam di Matteo, não a reconhecendo como companheira em união estável e consequentemente como uma das herdeiras de seus bens. No documento, Gugu nomeou sua irmã Aparecida Liberato como inventariante do espólio e curadora de seus filhos. Segundo ela, os três filhos do apresentador seriam os maiores beneficiários do espólio, destinados a eles 75% dos bens e os outros 25% seriam destinados aos 5 sobrinhos. Em dezembro de 2019, Rose declarou à imprensa que iria de fato recorrer à Justiça para ser reconhecida como herdeira, alegando união estável entre casal e declarando ser companheira de Gugu por 19 anos. A partir dos fatos narrados acima, convenha-se discutir sobre a questão da união estável no Brasil e quem seria, de fato, o herdeiro do inventário bilionário de Gugu Liberato. De um lado, está Rose Miriam di Matteo, mãe dos 3 filhos do apresentador, em que alega união estável entre o casal e ser herdeira de 50% dos bens estipulados no inventário. Segundo Nelson Willians, advogado de Rose, o relacionamento do casal possuía todos os requisitos definidos pela lei para a constituição da união estável, como por exemplo a publicidade, em que foram divulgadas diversas fotos do casal desde a gravidez dos filhos, além de fotos de viagens e momentos que passavam juntos com a família. Além disso, o https://pt.wikipedia.org/wiki/Orlando https://pt.wikipedia.org/wiki/Fl%C3%B3rida https://pt.wikipedia.org/wiki/Morte_encef%C3%A1lica https://pt.wikipedia.org/wiki/Invent%C3%A1rio https://pt.wikipedia.org/wiki/Curatela relacionamento, consistia em uma união duradoura, continuada e com a finalidade de constituição de família, já que possuíam 3 filhos juntos. Do outro lado está a família Liberato, em que luta pela permanecia do inventário deixado por Antônio Augusto. De acordo com Maria do Céu, mãe de Gugu, não havia união estável entre o casal e que segundo ela: “eles nunca tiveram nada”. De acordo com o advogado da família, houve um contrato assinado em 2011 entre Rose e Antônio, o qual dispõe: “O pai e mãe das crianças, nada tendo a reclamar pela deliberação ou qualquer outro título, declaram-se plenamente satisfeitos, cada qual mantendo e conservando, isoladamente, sem qualquer participação ou ingerência do outro, os seus próprios bens”. Ainda, está em discussão outro contrato assinado pelo casal, em que afirmam: “Os pais vinculam-se apenas por respeito e amizade, ligados tão somente como pais e, portanto, responsáveis pelo bem-estar dos filhos”. A partir desses trechos retirados de contratos feitos por ambos, pode-se perceber que a família de Gugu defende veementemente que não havia união estável entre os dois e que de acordo com os próprios autores do contrato haviam apenas uma “amizade” entre eles. Contudo, a defesa de Rose alega que no período em que foram assinados os contratos, ela passava por graves problemas psicológicos, como depressão. Nesse sentindo, se for comprovado que não havia condições psíquicas de Rose no momento da celebração dos contratos, estes podem tornar-se nulos. O caso que já não é simples, ficou ainda mais complexo depois da entrada de um terceiro elemento nesta disputa, o suposto namorado de Gugu, chamado Thiago Salvático. Este, alega ter uma união com o apresentador e ter direito a uma parte da herança. Embora consta no artigo 1723 do Código Civil a união apenas entre homem e mulher, em 2011 com decisão do STF, houve uma alteração na especificação de gênero neste artigo e passou a ser reconhecida a união entre pessoas do mesmo sexo, ou seja, a união homoafetiva. Contudo, no direito brasileiro não pode haver mais de uma união estável, porque é defendido a monogamia. Nesse sentido, no Brasil, só poderá haver um casamento ou uma união estável, sendo impossível considerar uma união estável entre Thiago e Gugu Liberato. A partir da definição de união estável tendo seus requisitos considerados no Brasil e além e dos fatos narrados com o caso Gugu, pode-se chegar a uma conclusão. Muito embora, leve tempos para haver respostas do judiciário, convém ressaltar, que ao viés do Código Civil, é possível constar que houve uma união estável entre Rose Miriam di Matteo e Antônio Augusto de Moraes, uma vez que havia no relacionamento deles características familiar e a união com a intenção de constituir família, vivendo como se casados fossem. Vê-se assim, todos os requisitos definidos pelo artigo 1723, além de demonstrarem estabilidade, durabilidade e publicidade da relação. Pode-se chegar a essa conclusão levando em conta não apenas as questões patrimoniais do casal e sim situações afetivas que haviam entre eles. Assim, declara-se que o testamento deve ser revisto e que terá que haver o reconhecimento de Rose Miriam di Matteo como companheira de Gugu Liberato e assim como os filhos e sobrinhos, terá direito ao seu percentual no patrimônio.