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AULA 5 
ÉTICA E RELAÇÕES 
INTERPESSOAIS 
Prof. Roberto Luis Renner 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Esta aula está dividida em cinco temas e tem por objetivo apresentar 
aspectos ligados às relações interpessoais nas empresas. 
O primeiro tema mostra os diferentes entendimentos e conceitos sobre 
relacionamento interpessoal. Esse assunto está intimamente ligado ao sujeito e 
aos seus valores pessoais e princípios de vida. A partir do momento em que o 
sujeito tem conhecimento de si mesmo e de seus valores, ele poderá desenvolver 
um relacionamento pessoal mais equilibrado e consciente. 
No segundo tema será apresentada a relação entre ética e relacionamento 
no trabalho. A maioria das pessoas, em dada fase de sua vida, enfrentam entre 
seis a dez horas diárias de atividade profissional das mais diversas. Essas 
atividades sempre então acompanhadas de uma gama menor ou maior de 
pessoas, e essas relações na maioria das vezes são um grande desafio. 
O terceiro ponto a ser abordado no texto será sobre as relações 
interpessoais e a qualidade de vida no trabalho, o que envolve aspectos éticos. 
Para que haja um ambiente de qualidade no trabalho é necessário um 
relacionamento interpessoal positivo que oportunize tal ambiente. Em uma 
organização de trabalho, seja ela de pequeno porte ou não, o relacionamento 
saudável entre os funcionários será possível quando cada um desenvolver a 
capacidade de conhecer-se a si e de se colocar no lugar dos colegas. 
Um quarto ponto que será articulado no presente texto é a questão da 
superação de conflitos interpessoais na empresa. Muitas vezes, nas 
organizações, há pessoas de diferentes lugares do mundo e com culturas 
diferentes – e isso poderá, de certa forma, contribuir muito para o desenvolvimento 
de uma empresa. Todavia, por outro lado, poderá gerar os mais diferentes 
conflitos, dos mais simples aos mais complexos. 
E por fim será analisada a questão do trabalho em equipe, pois um time 
coeso em uma empresa é um objetivo a ser alcançado. Equipe é definida como 
um grupo de pesssoas com habilidades complementares, que trabalham juntas 
com o fim de atingir um propósito comum. Em uma equipe as pessoas se 
consideram coletivamente responsáveis, esforçando-se pelos objetivos do grupo 
e estão engajadas em alcançá-los de forma compartilhada. 
Agora que você já sabe todos os conteúdos que vamos estudar, mãos à 
obra! Vamos começar? 
 
 
3 
CONTEXTUALIZANDO 
No mundo globalizado que nos encontramos hoje, as empresas, desde as 
de pequeno porte até as grandes corporações internacionais, preocupam-se com 
as relações interpessoais de seus colaboradores. 
Quando um grupo de pessoas se propõe a conviver juntas por períodos 
longos – como é o caso das atividades profissionais em uma empresa – as 
relações sociais são um desafio. 
O líder precisa saber lidar com essas diferenças culturais do mundo 
globalizado e saber articular as diferentes ideias para o êxito de toda a equipe. 
TEMA 1 – RELAÇÕES INTERPESSOAIS: DEFINIÇÕES E DIFERENTES 
ENTENDIMENTOS 
O ser humano sempre viveu em grupo, e com o passar do tempo, estes 
grupos foram crescendo e se tornando sociedades. Para que houvesse um bom 
relacionamento entre essas pessoas, foram criados leis e critérios para que as 
relações permanecessem estáveis. 
Estas relações entre os indivíduos sempre compuseram um tema a ser 
estudado, pois elas são complexas e muitas vezes difíceis de serem 
compreendidas. Essa dificuldade se dá pela diversidade de fatores que as 
envolvem, sejam elas em um pequeno núcleo familiar, em uma escola, empresa 
ou em uma sociedade. 
Antes de nos propormos a buscar o entendimento de alguns aspectos que 
dificultam tais relações, iremos apresentar alguns entendimentos ou definições 
sobre o que elas sejam. 
Primeiramente faz-se necessário estabelecer o entendimento do que é uma 
relação. Para Abbagnano, (2007, p. 990), relação é o “modo de ser ou de 
comportar-se dos objetos entre si”. Conforme essa definição, o termo 
relacionamento não está somente ligado a seres humanos entre si, mas sim a 
uma relação do indivíduo com algum objeto, animal ou outro ser humano. Essa 
relação com um objeto – como seu carro – está relacionada ao entendimento que 
o sujeito tem a respeito deste objeto, ou seja, ao valor atribuído a esse. 
Por sua vez, o relacionamento interpessoal é compreendido como uma 
relação entre duas pessoas ou mais. Logo essa relação tem uma articulação dos 
dois lados, ou seja, dois indivíduos que apresentam diferentes características e 
 
 
4 
entendimentos de mundo. Esse tipo de relacionamento tem aspectos importantes 
que precisam ser considerados, tais como a formação dos sujeitos no que diz 
respeito à sua criação, suas crenças e seus valores pessoais e sociais. 
A frase presente no Oráculo de Delfos exprime bem o pensamento de 
Sócrates, que dizia: “conhece-te a ti mesmo”. Sócrates demonstrou interesse 
investigativo na natureza do homem. Para ele, um homem sábio é antes de tudo 
um homem virtuoso. Dessa maneira, em suas palavras podemos encontrar 
proposições de um caráter ético que se manifestam em forma de virtude. Sendo 
assim, para o filósofo a ética é apresentada como virtude: um homem ético é um 
homem virtuoso. 
O relacionamento interpessoal está intimamente ligado ao sujeito e seus 
valores e princípios pessoais de vida. A partir do momento que o sujeito tem o 
conhecimento de si mesmo e de seus valores, ele poderá desenvolver um 
relacionamento pessoal mais equilibrado e consciente. O conhecimento que um 
indivíduo tem de seus desejos, sentimentos e anseios lhe dará condições de obter 
um maior nível de autoconhecimento, e isso poderá ser um aspecto positivo em 
suas relações pessoais. 
As relações interpessoais dependem, portanto, do conhecimento que o 
indivíduo tem de si, e elas sofrem influência desse conhecimento. Porém o 
contexto em que um relacionamento ocorre é algo que precisa ser observado: 
pode ser no contexto da família, da escola, da comunidade ou do trabalho. É fácil 
perceber que, para que haja um relacionamento interpessoal de qualidade, vários 
aspectos precisam ser levados em conta. No entanto, em cada contexto os 
relacionamentos podem ter características próprias. Ou seja, a relação 
interpessoal em uma estrutura familiar tem aspectos diferentes de uma relação 
interpessoal dentro da empresa. Isso deve ser considerado para que se possa ter 
uma compreensão dos diferentes fatores que envolvem tais relacionamentos. 
Um aspecto importante ressaltado por Carvalho (2009, p. 72) é que “os 
seres humanos são essencialmente seres sociais, instintivamente motivados por 
uma necessidade de se relacionar. É nessa interação que descobrem suas 
próprias capacidades e as exercitam”. Conforme esse autor, podemos ressaltar 
alguns aspetos relevantes no que diz respeito ao ser humano e suas relações 
interpessoais. 
Em primeiro lugar o autor citado afirma que o ser humano é um ser social: 
faz parte da natureza humana relacionar-se. Um segundo ponto é o da 
 
 
5 
necessidade: quando mencionamos este fator, revela-se que a maioria dos seres 
humanos precisam se relacionar com outras pessoas. O autor não apresenta a 
profundidade desses relacionamentos, mas o ser humano em suas relações 
interpessoais tem indivíduos com os quais ele tem maior afinidade relacional. Um 
terceiro aspecto ressaltado por Carvalho é que nessas interações sociais o ser 
humano descobre suas capacidades; será nas relações interpessoais que o 
indivíduo se desenvolverá, pois é por meio de tais relações que lhe é dada a 
oportunidade de desenvolver suas habilidades e qualidades pessoais. 
O relacionamento interpessoal está imbuído de normas de comportamento 
e isso irá influenciar a relação social do indivíduo. Esse conjunto de normas irá 
estabelecer interações diversas entres os diferentes indivíduos na sociedade. 
Nesse contexto social aparece a questão da ética,pois ela é uma iniciativa 
do coletivo, e desse modo é produto da relação dos diferentes indivíduos em uma 
sociedade. 
Outro ponto importante ressaltado por Carvalho (2009, p. 82): “Nossa 
cultura enfatiza a observação de qualidades e defeitos das pessoas, e sobre essa 
base estruturamos o relacionamento”. Conforme esta colocação, a cultura na qual 
estamos inseridos conduz o ser humano a dar ênfase a diferentes aspectos 
comportamentais do semelhante para então desenvolver suas relações sociais. 
Ou seja, a base da relação social na grande maioria está fundamentada nas ações 
dos indivíduos, e não no sujeito em si. Em concordância com essa mesma 
reflexão, muitas vezes uma única ação negativa apresentada por alguém pode ter 
maior peso em nossas relações sociais do que várias ações positivas por parte 
da mesma pessoa. 
Isso nos revela que precisamos desenvolver a cada dia nossas relações 
sociais, para que possamos a cada dia nos tornar seres mais sociáveis. 
TEMA 2 – A ÉTICA E O RELACIONAMENTO NO TRABALHO 
A grande maioria das pessoas têm entre seis e dez horas diárias de 
atividades laborais as mais diversas, o que corresponderia a uma forte intensidade 
no que diz respeito às relações sociais. Essas atividades profissionais podem, 
com muita frequência, envolver uma gama menor ou maior de pessoas. 
Em qualquer tipo de trabalho o aspecto ético é algo que precisa se 
salientado e observado por todos aqueles que envolvidos em atividades 
 
 
6 
específicas, e isso decorre do fato de as relações sociais estarem presentes em 
qualquer trabalho. 
De acordo com Abbagnano (2007), a ética é compreendida como a ciência 
da conduta e tem duas concepções básicas: “a que a considera como ciência do 
fim para qual a conduta dos homens deve ser orientada e dos meios para atingir 
tal fim”. Conforme o autor, a ética está relacionada à conduta do ser humano, e 
no trabalho tal conduta irá influenciar de maneira considerável as relações sociais. 
A segunda concepção é “[...] a que considera como ciência do móvel da conduta 
humana e procura determinar tal móvel com vistas a dirigir ou disciplinar essa 
conduta”. Essa ideia está relacionada aos motivos ou àquilo que move a conduta 
humana e está ligada aos fatos, ou seja, o sujeito dentro de uma empresa precisa 
compreender a importância de suas ações em seu trabalho. 
A ética deve ser compreendida como um empreendimento coletivo, ou seja, 
buscada por todos que fazem parte de uma organização, pois ela deve ser 
constantemente retomada e rediscutida por todos. 
Não nos surpreende saber que em qualquer atividade profissional haja as 
mais diversas dificuldades relacionais. Conforme afirma Rios (2008, p. 1), 
“Trabalhar é meio de prover sustento para o corpo e para a alma. No trabalho 
passamos a vida, desenvolvemos nossa identidade, experimentamos situações, 
construímos relações, realizamos nosso espírito criativo. E é no trabalho que 
também adoecemos”. Conforme a autora, podemos considerar alguns aspectos 
com respeito ao trabalho e à relação do sujeito. 
Primeiramente temos que entender que é por meio do trabalho que o 
indivíduo promove seu sustento financeiro e de sua família. Desse modo esse 
trabalho tem um certo grau de relevância, sendo assim há uma carga emocional 
envolvida. 
Um segundo aspecto ressaltado pela autora é que no trabalho passamos 
uma grande parte de nosso tempo de vida. Ou seja, muitos passam em média oito 
horas diárias no trabalho, e há quem passe ali até doze horas de seu dia. Outro 
aspecto relacionado ao tempo que o indivíduo passa no trabalho é o tanto de anos 
no mesmo trabalho. Alguns passam a vida toda: trinta, quarenta anos na mesma 
atividade profissional. 
Essa extensão diária no trabalho e também de anos na mesma atividade 
profissional pode gerar muito desgaste, mas também aprofundamento nas 
relações pessoais no ambiente profissional. 
 
 
7 
Nesse período em que o sujeito passa no trabalho, ele desenvolve diversas 
relações interpessoais, as quais poderão ajudar em seu desenvolvimento pessoal 
e profissional; logo, tal indivíduo provavelmente encontrará prazer em suas 
atividades profissionais. Em contrapartida, em muitos casos, tais relacionamentos 
podem não ser tão favoráveis, o que pode gerar tensões das mais diferentes. 
Um terceiro aspecto salientado por Rios é que no trabalho também 
podemos adoecer. Ou seja, muitas pessoas somatizam as mais diferentes 
doenças em locais de trabalho com ambiente difícil de relacionamentos, seja com 
o colega ao lado, seja com o chefe. 
A importância que é dada ao trabalho por muitos é muito grande, pois estes 
dele dependem, e por isso muitas pessoas investem grande parte de suas vidas 
na profissão, o que configura ao trabalho um grande grau de relevância. 
Para Mendes (1995, p. 2), “o trabalho, como parte do mundo externo ao 
sujeito e do seu próprio corpo e relações sociais, representa uma fonte de prazer 
ou de sofrimento, desde que as condições externas oferecidas atendam ou não à 
satisfação dos desejos inconscientes”. Para o autor, o trabalho de uma pessoa 
pode representar uma fonte de prazer ou de sofrimento, e isso ocorre porque 
muitas vezes as relações pessoais que o indivíduo tem em seu trabalho não são 
as mais favoráveis. Contudo, o clima relacional de um trabalho não é a única fonte 
que pode gerar sofrimento – pode haver outros fatores geradores de angústia. O 
ser humano em geral busca uma satisfação em seu trabalho – e essa postura 
pode ser considerada normal, pois a busca da felicidade e da satisfação fazem 
parte da natureza humana. 
Outro aspecto salientado por Mendes é que no trabalho as relações 
pessoais são presentes, e como tal precisam ser alimentadas e cuidadas, pois de 
tais relações dependem muitos aspectos, como a continuidade ou não no 
trabalho, a satisfação de permanecer (ou não) nessa atividade profissional, entre 
muitos outros pontos. 
Um terceiro autor importante a ser considerado é Maria do Carmo Nacif de 
Carvalho. Conforme Carvalho (2009, p. 11), “Em um trabalho, colocamos nosso 
raciocínio, nossa emoção, nossa capacidade motora, enfim, nos identificamos 
com ele”. De acordo com a autora, alguns aspectos precisam ser ressaltados. 
No trabalho, o ser humano utiliza seu raciocínio. Atualmente, a capacidade 
intelectual é cada vez mais requerida: as atividades profissionais têm exigido mais 
aptidão de raciocínio, em virtude do grande avanço da tecnologia. 
 
 
8 
Um segundo aspecto ressaltado pela autora é que no trabalho colocamos 
nossas emoções. O ser humano em sua atividade profissional expões suas 
diferentes emoções e muitas vezes isso pode dificultar suas relações de trabalho, 
pois simplesmente externar aquilo que se pensa sem medir qualquer 
consequência positiva ou negativa pode ser uma ação imprudente. 
O trabalho é uma parte fundamental da vida de um indivíduo, e isso pode 
afetá-lo em muitos aspectos. É na vida profissional em que diariamente são 
vivenciadas uma diversidade de relações humanas. Essa organização que é o 
trabalho é formada por um agrupamento de indivíduos que nem sempre têm os 
mesmos objetivos ou interesses. É composta de uma rede de relações 
construídas por diferentes pessoas, sendo que cada qual tem seus princípios 
éticos e morais. 
A não observação de alguns princípios éticos no trabalho, pode, muitas 
vezes, dificultar as relações sociais e também a própria produção. Desse modo, é 
importante que tais aspectos éticos sejam apresentados pela empresa para que 
todos possam observar e praticar estes princípios. Quando estes são 
apresentados com clareza e são cobrados em relação à sua prática, todos os 
envolvidos na empresa serão beneficiados de alguma forma. 
TEMA 3 – RELAÇÕES INTERPESSOAIS E QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO: 
UM ASPECTO ÉTICO 
Em um trabalho ou em uma empresa, todos os funcionários querem de uma 
forma ou outra um ambiente propício para desenvolver suas atividadesprofissionais. Porém, para que isso aconteça, é necessário desenvolver uma 
qualidade de vida na empresa. 
Primeiramente é necessário buscar diferentes entendimentos do que seja 
qualidade de vida no trabalho. De acordo com Fernandes (1996, p. 45), “a gestão 
dinâmica e contingencial de fatores físicos, tecnológicos e sociopsicológicos que 
afetam a cultura e renovam o clima organizacional, refletindo-se no bem-estar do 
trabalhador e na produtividade das empresas”. A qualidade de vida no trabalho, 
conforme o autor citado, ocorre a partir do momento em que acontece um 
sincronismo entre diferentes fatores no interior da empresa; fatores como o clima 
organizacional da empresa, que de certa maneira poderá afetar o bem-estar dos 
funcionários. 
 
 
9 
Um segundo autor que poderá contribuir para o melhor entendimento do 
que seja qualidade de vida no trabalho é França (2004). Este apresenta a ideia de 
qualidade de vida com a sensação de bem-estar, sendo que isso ocorre a partir 
do momento em que as diferentes necessidades do trabalhador são supridas. 
Essas necessidades dizem respeito a um bom ambiente de trabalho e a aspectos 
econômicos atingidos a contento em respeito ao indivíduo e suas crenças, entre 
outros. 
Para que seja possível um ambiente de qualidade no trabalho, é necessário 
um relacionamento interpessoal positivo que possa gerar tal ambiente. 
Em uma organização, seja uma empresa de pequeno porte ou não, o 
relacionamento saudável entre os funcionários será possível quando cada um 
desenvolver a capacidade de conhecer-se a si e de se colocar no lugar dos 
companheiros. 
Quando há, na organização, um relacionamento interpessoal positivo, 
naturalmente teremos um bom ambiente de trabalho, e isso poderá contribuir para 
que haja um aumento na produtividade. Porém, além desse aumento de 
produtividade temos um ambiente de trabalho que gera para os funcionários 
qualidade de vida. 
Conforme Bom Sucesso (1997 p. 36), a valorização do ser humano, a 
preocupação com sentimentos e emoções e com a qualidade de vida são fatores 
que fazem diferença. O trabalho é a forma como o homem, por um lado, interage 
e transforma o meio ambiente, assegurando sua sobrevivência, e, por outro, 
estabelece relações interpessoais, que teoricamente serviriam para reforçar a sua 
identidade e o senso de contribuição. 
De acordo com a autora, alguns aspectos importantes devem ser 
observados para aumentar qualidade de vida dos funcionários. Em primeiro lugar, 
a valorização do ser humano. Esse aspecto deve ser observado quase que 
diariamente em uma empresa. Quando um encarregado ou um chefe valoriza 
seus colaboradores, naturalmente o ambiente de trabalho pode melhorar de forma 
considerável, mesmo que as atividades técnicas sejam complexas. Muitas 
empresas, para cortar despesas, demitem funcionários com muitos anos de total 
dedicação e empenho. Tal ação não só é uma postura que demonstra 
desvalorização do indivíduo, bem como, em muitos casos, é uma atitude antiética. 
Um segundo aspecto salientado por Bom Sucesso, é que o que poderá gerar 
aspectos positivos na empresa é a preocupação pelo fator emocional do 
 
 
10 
funcionário por parte do encarregado ou do chefe. Cada ser humano tem 
momentos em que suas emoções não estão em pleno equilíbrio; todavia, é 
necessário que essa pessoa venha a cumprir suas tarefas. No entanto, sabemos 
que o desequilíbrio eventual poderá causar uma certa dificuldade para o 
cumprimento das atividades laborais. Desse modo, cabe à liderança o esforço de 
compreender tal situação. 
É importante que o líder de uma equipe de trabalho tenha o entendimento 
de que as pessoas são, na maioria das vezes, fruto do meio em que se encontram. 
E isso não é diferente em uma empresa, pois cada indivíduo carrega suas 
emoções e sentimentos para o ambiente de trabalho. 
Quando falamos em qualidade de vida no trabalho, precisamos refletir 
sobre o fato de que haverá resultados positivos na empresa que se esforça para 
obter tal qualidade. A partir do momento que uma instituição apresenta um modelo 
de gestão cujo objetivo é esta qualidade de vida no trabalho, observa-se que 
existe uma maior disposição por parte dos colaboradores dessa empresa na 
realização de suas tarefas e também uma melhora na qualidade do aspecto 
relacional no interior da empresa. Outros fatores dizem respeito a um maior 
comprometimento dos funcionários e, naturalmente, uma maior produtividade, 
aspecto este desejado por todos os líderes das empresas. 
Muitas empresas desejam um aumento em sua lucratividade, mas não 
observam e tampouco se esforçam para que seus colaboradores possam ter 
qualidade de vida. Esta está intimamente ligada às decisões tomadas pelo 
responsável, seja um chefe direto ou o diretor geral dessa empresa. 
A qualidade de vida dos funcionários de uma instituição de trabalho é um 
aspecto ético que precisa ser observado por todos que fazem parte desse grupo 
de trabalho. 
TEMA 4 – SUPERANDO OS CONFLITOS INTERPESSOAIS 
Hoje em dia a humanidade movimenta-se para um período de muitas 
mudanças; aspectos como a globalização influenciam essas mudanças. As 
tecnologias e o seu domínio têm gerado um avanço em várias áreas do 
conhecimento. 
Em uma empresa, é comum haver pessoas de diferentes lugares e com 
culturas diferentes, e isso por um lado poderá contribuir em muito para o 
 
 
11 
desenvolvimento da empresa. Por outro lado, isso poderá gerar conflitos de toda 
ordem, dos mais simples aos mais complexos. 
Diante dessa nova forma globalizada de vida, há a necessidade de 
aprender a conviver de maneira mais harmônica, e isso representa que devemos 
ter a capacidade de lidar com diferentes aspectos éticos e morais que a nova 
realidade apresenta. 
Qualquer empresa ou local de trabalho em que houver duas ou mais 
pessoas, em algum momento terá algum tipo de conflito. Conflitos fazem parte de 
qualquer relação social, e no trabalho não é diferente. O importante é saber lidar 
com estes conflitos e saber tirar lições positivas dessas experiências. 
A liderança de uma organização de trabalho que toma a atitude de resolver 
um conflito existente em sua empresa demonstrará para sua equipe que possui 
uma postura ética diante das diferentes situações, pois tem como objetivo prever 
o melhor para a empresa e para todos ali envolvidos. 
Aproveitar o conflito como oportunidade para o crescimento é algo que 
exige das pessoas envolvidas certo esforço e humildade. É importante que os 
indivíduos possam ter o conhecimento de seus deveres e direitos. Com base 
nesse conhecimento, cada um poderá tirar do conflito algum aprendizado para 
seu desenvolvimento. 
Em uma empresa, o bom relacionamento entre os funcionários irá contribuir 
e muito para o bom desempenho de toda a instituição. Dessa maneira, a liderança 
da empresa precisa construir um ambiente de trabalho favorável e harmonioso. 
A habilidade de lidar com conflitos e buscar a harmonia entre a equipe é 
umas das responsabilidades do líder da empresa. Para que isso seja possível, é 
preciso observar alguns aspectos importantes para que não só o conflito existente 
seja resolvido, mas também para que esse conflito gere um maior número de 
ensinamentos. 
Vamos olhar algumas dicas que poderão contribuir para que a liderança da 
empresa possa resolver os conflitos com maior eficiência, conforme o artigo “5 
maneiras de lidar com conflitos na sua empresa”, publicado pela revista Exame 
em 14/12/2012. 
Em primeiro lugar seja empático. A empatia é a habilidade de se colocar no 
lugar da outra pessoa. Muitas vezes o conflito tem sua origem na não capacidade 
de colocar-se no lugar da outra pessoa, e com isso ocorre o embate. A liderança 
que quer resolver o conflito precisa desenvolver a habilidade de se colocar no 
 
 
12 
lugar do outro. Isso irá ajudar a entender as diferentes razões, que conduziram ao 
conflito. Ser empático é saberentender as causas que provocaram o conflito. 
Uma segunda atitude importante a ser tomada pela liderança da empresa 
é saber ouvir os dois lados. Muitos líderes querem resolver o problema, mas não 
estão dispostos a investir tempo em ouvir os dois lados envolvidos no conflito. 
Saber ouvir os envolvidos no conflito é uma característica importante a ser tomada 
para que seja possível entender os diferentes pontos de vista, e dessa maneira 
tomar a melhor decisão. Existe o perigo do líder se colocar ao lado de uma das 
partes, por isso é necessário ter cautela para que essa falha não seja cometida. 
Uma terceira atitude que o líder precisa é ter uma postura racional. Muitas 
vezes, no intuito e na pressa de resolver o conflito, o líder faz mais uso das 
emoções do que da razão. Isso pode resultar em um envolvimento emocional com 
a situação, o que dificultará uma decisão racional e equilibrada. O objetivo primário 
que o líder precisa ter é que ele está ali para buscar uma solução, portanto, ele 
precisa ter autocontrole. As pessoas envolvidas irão respeitar o líder e quando ele 
demonstrar equilíbrio emocional diante da situação apresentada, isso poderá 
contribuir muito para que haja a solução do conflito. 
A quarta atitude que o líder que pretende resolver um conflito precisa ter é 
saber estimular o diálogo. Um aspecto importante é que o líder incentive as partes 
envolvidas a apresentarem de maneira clara e coerente seus argumentos, sem 
ataques mútuos. Apresentar os fatos implica em mensurar o tamanho do problema 
e dar possibilidade aos envolvidos de serem ouvidos. A prática de permitir que as 
pessoas falem irá contribuir muito com a solução de situações problemáticas, pois 
ser ouvido é uma necessidade humana. Quanto maior for a quantidade de 
informações que o líder tiver, maior será a possibilidade de ele tomar uma decisão 
equilibrada e coerente. 
Não ser omisso é a quinta atitude que o líder deve ter para buscar a solução 
de conflitos. A omissão diante um conflito poderá fazer o problema tornar-se 
maior, pois isso pode demonstrar à equipe que o líder é fraco e que não consegue 
se posicionar diante de tal adversidade. Um segundo problema que pode surgir 
devido à omissão é a possibilidade de que algum dos envolvidos no conflito que 
tenha uma personalidade mais forte, vir a controlar a situação, causando alguma 
injustiça. Diante disso, a outra parte envolvida poderá achar que não há nada que 
possa ser feito, e a omissão será a causa de agravar ainda mais a situação. 
 
 
13 
Esses aspectos apresentados poderão contribuir para que haja a resolução 
de conflitos, entretanto a capacidade de aprender a viver juntos é um grande 
desafio que todos precisam superar. 
A promoção de valores éticos e morais é uma atitude a ser promovida pelo 
indivíduo que visa a desenvolver uma consciência direcionada a gerenciar 
positivamente a diversidade. 
TEMA 5 – TRABALHO EM EQUIPE: UM DESAFIO A SER ALCANÇADO 
O trabalho em equipe em uma empresa é um objetivo que muitos líderes 
almejam. Isso caracteriza um grande desafio a ser alcançado. 
O termo equipe é definido como um grupo de pessoas com habilidades 
complementares que trabalham juntas com o fim de atingir um propósito comum. 
Em uma equipe as pessoas se consideram coletivamente responsáveis, 
esforçando-se para que os objetivos da equipe que está engajada em alcançá-los 
sejam atingidos de forma compartilhada. 
Toda equipe de trabalho tem pessoas com características próprias, no 
entanto há alguns aspectos que são comuns a todos os seres humanos. Entender 
essas necessidades irá contribuir para o bom desenvolvimento do grupo. 
A hierarquia de necessidades apresentadas por Abraham Maslow 
(conhecida como a pirâmide de Maslow) é uma divisão hierárquica que apresenta 
as diferentes necessidades do ser humano, sendo que as do nível mais baixo 
devem ser satisfeitas antes das necessidades de nível mais alto. 
 Primeiro nível: são as necessidades fisiológicas ou básicas, tais como o 
sono, a sede, a fome, a habitação, a proteção contra a dor e o desejo sexual 
– ou seja, são as necessidades vitais. 
 Segundo nível: são as necessidades de segurança; são os sentimentos de 
proteção e de defesa diante de eventuais situações de perigo e contra 
ameaças ambientais. Essas necessidades começam a ser uma 
preocupação quando as básicas (do primeiro nível) estão garantidas. 
 Terceiro nível: consistem em necessidades sociais e afetivas, como a 
participação, a amizade, o afeto, o amor, a aceitação por parte dos outros. 
Quando essas necessidades não estão suficientemente satisfeitas, o 
indivíduo torna-se hostil e agressivo na relação interpessoal. Se estão 
 
 
14 
satisfeitas, são gerados sentimentos de autoconfiança, de prestígio e de 
facilitação das relações interpessoais. 
 Quarto nível: refere-se às necessidades de estima, que estão muito 
próximas ao modo como o indivíduo se vê e se avalia. Envolvem 
sentimentos de autoapreciação, autoconfiança, necessidade de aprovação 
social, de respeito, de prestígio e de consideração 
 Quinto nível: correspondem às necessidades de autorrealização, as quais 
estão relacionadas com a competência e o sucesso. 
Tais necessidades fazem parte de todos nós, por essa razão é importante 
que estejamos atentos, pois nas equipes que lideramos as pessoas têm essas 
necessidades, e apoiar os indivíduos a suprir tais necessidades é uma atitude 
ética por parte do líder. 
Após o líder conhecer as necessidades dos membros de sua equipe, é 
importante que ele esteja ciente das diferentes qualidades ou atributos de seus 
liderados, pois determinadas características poderão ajudar a equipe a se tornar 
mais forte e provavelmente obterá maior êxito em suas atividades. Para 
verificarmos se uma equipe de trabalho é bem integrada ou não, é importante que 
alguns atributos sejam observados. 
Deve-se, primeiramente, notar a interdependência do grupo. Importa 
observar se cada pessoa na equipe reconhece seu próprio papel e compreende 
os alvos que o time e a organização pretendem alcançar. É importante que todos 
saibam qual é o objetivo a ser atingido, assim como a organização, pois sua 
equipe faz parte de um todo. 
Uma segunda qualidade a ser observada é o sentimento de propriedade. 
Cada pessoa da equipe deve ter senso de pertencimento, sentir-se parte do grupo, 
conhecer os alvos e ter disposição para atingi-los. Importa notar se a pessoa 
“veste a camisa”, pois essa atitude contribui não só para o crescimento da 
organização, mas também para o crescimento de cada membro da equipe; como 
resultado, todos provavelmente sentirão segurança. 
A terceira característica a ser percebida em uma equipe é o sentimento de 
contribuição. Cada pessoa tem de contribuir com a equipe com seus dons, 
talentos, conhecimentos e ideias. Essa contribuição ultrapassa a ideia de retorno, 
ou de “só faço aquilo para o que estou sendo pago”. Por exemplo: sou 
coordenador em uma empresa e encontro um papel jogado no chão, logo afirmo: 
 
 
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“isto não diz respeito a mim, mas sim ao zelador”. Tal atitude é limitada e de pouco 
envolvimento com a organização. 
Normalmente, em espaços sociais nos quais há grupos que já têm certa 
integração e familiaridade, muito membros podem ter alguma dificuldade em fazer 
a inserção de novos participantes. Desta maneira, centralizam a responsabilidade 
de integração dos novos membros para possíveis líderes ou responsáveis por 
esses grupos. Por serem tão coesos, inconscientemente muitos grupos acabam 
por excluir outras pessoas. 
A quarta qualidade de uma equipe bem integrada é a comunicação. Uma 
boa equipe tem uma comunicação clara. Existe um esforço de todos os membros 
da equipe para compreender o ponto de vista do outro. A fofoca é algo que não 
existe em equipes bem integradas. A comunicação efetiva implica em muito mais 
do que a somente falada, pois envolve também a comunicação nãoverbal, por 
isso é importante tomar muito cuidado com ela. 
A quinta qualidade a ser notada em uma equipe é a confiança. É preciso 
perceber se as pessoas confiam na equipe, pois assim podem expressar suas 
ideias, opiniões e sentimentos e não se sentirão ameaçadas por isso. Diante 
disso, todos sabem que se falharem, os outros membros da equipe estarão 
prontos a ajudar. 
A sexta qualidade a ser alcançada é o desenvolvimento. Cada participante 
da equipe tem de ser encorajado a desenvolver suas habilidades e capacidades 
– não somente para o crescimento do grupo, mas para que haja o 
desenvolvimento dos indivíduos. Importa notar se o indivíduo é estimulado a 
buscar a superação. 
Por último, e não menos importante, deve-se observar a coesão. Esse 
ponto é parte da equipe que motiva seus membros a permanecerem unidos. As 
pessoas do grupo gostam de estar juntas, pois se sentem bem. Cabe ao líder 
buscar situações para desenvolver essa característica no time, pois dessa forma 
todos tendem a ganhar. Um grupo coeso irá suportar as adversidades com mais 
facilidade. 
Cabe ao líder tomar sobre si a responsabilidade de buscar alcançar essas 
qualidades em sua equipe e procurar sempre atender as necessidades de todos 
os envolvidos. 
 
 
 
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Vídeo 
Para saber mais sobre os pilares para um melhor relacionamento 
interpessoal no trabalho, assista ao vídeo “Relacionamento interpessoal no 
trabalho – Regina Giannetti D. Pereira”, disponível em: 
<https://www.youtube.com/watch?v=gfyuPwm8QLM>. Acesso em: 24 ago. 2017. 
FINALIZANDO 
A presente aula abordou diferentes entendimentos e conceitos sobre 
relacionamento interpessoal. Quando falamos em relacionamentos interpessoais 
logo aparecem os valores pessoais, que estão intimamente ligados a cada 
indivíduo. 
Um segundo ponto trabalhado foi ética e relacionamento no trabalho. As 
atividades profissionais sempre estão acompanhadas de uma gama maior ou 
menor de pessoas, e essas relações sociais podem ser um grande desafio. 
Discorremos também sobre as relações interpessoais e qualidade de vida 
no trabalho, o que caracteriza um aspecto ético. Em uma organização de trabalho, 
o relacionamento saudável entre os funcionários será possível quando cada um 
desenvolver a capacidade de conhecer a si e de se colocar no lugar de seus 
colegas. 
Outro ponto articulado foi a questão da superação de conflitos interpessoais 
na empresa. Nas relações sociais sempre haverá uma grande variedade de 
possíveis. Diante disso, o grande desafio não é só diminuir o número de conflitos, 
mas saber trabalhar aqueles que surgem. 
Por último, analisamos a questão do trabalho em equipe. Obter uma equipe 
coesa em uma empresa é um desafio, pois em um grupo bem integrado as 
pessoas se consideram coletivamente responsáveis, esforçando-se para alcançar 
objetivos comuns de forma compartilhada. 
 
 
 
 
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