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AULA 5 ÉTICA E RELAÇÕES INTERPESSOAIS Prof. Roberto Luis Renner 2 CONVERSA INICIAL Esta aula está dividida em cinco temas e tem por objetivo apresentar aspectos ligados às relações interpessoais nas empresas. O primeiro tema mostra os diferentes entendimentos e conceitos sobre relacionamento interpessoal. Esse assunto está intimamente ligado ao sujeito e aos seus valores pessoais e princípios de vida. A partir do momento em que o sujeito tem conhecimento de si mesmo e de seus valores, ele poderá desenvolver um relacionamento pessoal mais equilibrado e consciente. No segundo tema será apresentada a relação entre ética e relacionamento no trabalho. A maioria das pessoas, em dada fase de sua vida, enfrentam entre seis a dez horas diárias de atividade profissional das mais diversas. Essas atividades sempre então acompanhadas de uma gama menor ou maior de pessoas, e essas relações na maioria das vezes são um grande desafio. O terceiro ponto a ser abordado no texto será sobre as relações interpessoais e a qualidade de vida no trabalho, o que envolve aspectos éticos. Para que haja um ambiente de qualidade no trabalho é necessário um relacionamento interpessoal positivo que oportunize tal ambiente. Em uma organização de trabalho, seja ela de pequeno porte ou não, o relacionamento saudável entre os funcionários será possível quando cada um desenvolver a capacidade de conhecer-se a si e de se colocar no lugar dos colegas. Um quarto ponto que será articulado no presente texto é a questão da superação de conflitos interpessoais na empresa. Muitas vezes, nas organizações, há pessoas de diferentes lugares do mundo e com culturas diferentes – e isso poderá, de certa forma, contribuir muito para o desenvolvimento de uma empresa. Todavia, por outro lado, poderá gerar os mais diferentes conflitos, dos mais simples aos mais complexos. E por fim será analisada a questão do trabalho em equipe, pois um time coeso em uma empresa é um objetivo a ser alcançado. Equipe é definida como um grupo de pesssoas com habilidades complementares, que trabalham juntas com o fim de atingir um propósito comum. Em uma equipe as pessoas se consideram coletivamente responsáveis, esforçando-se pelos objetivos do grupo e estão engajadas em alcançá-los de forma compartilhada. Agora que você já sabe todos os conteúdos que vamos estudar, mãos à obra! Vamos começar? 3 CONTEXTUALIZANDO No mundo globalizado que nos encontramos hoje, as empresas, desde as de pequeno porte até as grandes corporações internacionais, preocupam-se com as relações interpessoais de seus colaboradores. Quando um grupo de pessoas se propõe a conviver juntas por períodos longos – como é o caso das atividades profissionais em uma empresa – as relações sociais são um desafio. O líder precisa saber lidar com essas diferenças culturais do mundo globalizado e saber articular as diferentes ideias para o êxito de toda a equipe. TEMA 1 – RELAÇÕES INTERPESSOAIS: DEFINIÇÕES E DIFERENTES ENTENDIMENTOS O ser humano sempre viveu em grupo, e com o passar do tempo, estes grupos foram crescendo e se tornando sociedades. Para que houvesse um bom relacionamento entre essas pessoas, foram criados leis e critérios para que as relações permanecessem estáveis. Estas relações entre os indivíduos sempre compuseram um tema a ser estudado, pois elas são complexas e muitas vezes difíceis de serem compreendidas. Essa dificuldade se dá pela diversidade de fatores que as envolvem, sejam elas em um pequeno núcleo familiar, em uma escola, empresa ou em uma sociedade. Antes de nos propormos a buscar o entendimento de alguns aspectos que dificultam tais relações, iremos apresentar alguns entendimentos ou definições sobre o que elas sejam. Primeiramente faz-se necessário estabelecer o entendimento do que é uma relação. Para Abbagnano, (2007, p. 990), relação é o “modo de ser ou de comportar-se dos objetos entre si”. Conforme essa definição, o termo relacionamento não está somente ligado a seres humanos entre si, mas sim a uma relação do indivíduo com algum objeto, animal ou outro ser humano. Essa relação com um objeto – como seu carro – está relacionada ao entendimento que o sujeito tem a respeito deste objeto, ou seja, ao valor atribuído a esse. Por sua vez, o relacionamento interpessoal é compreendido como uma relação entre duas pessoas ou mais. Logo essa relação tem uma articulação dos dois lados, ou seja, dois indivíduos que apresentam diferentes características e 4 entendimentos de mundo. Esse tipo de relacionamento tem aspectos importantes que precisam ser considerados, tais como a formação dos sujeitos no que diz respeito à sua criação, suas crenças e seus valores pessoais e sociais. A frase presente no Oráculo de Delfos exprime bem o pensamento de Sócrates, que dizia: “conhece-te a ti mesmo”. Sócrates demonstrou interesse investigativo na natureza do homem. Para ele, um homem sábio é antes de tudo um homem virtuoso. Dessa maneira, em suas palavras podemos encontrar proposições de um caráter ético que se manifestam em forma de virtude. Sendo assim, para o filósofo a ética é apresentada como virtude: um homem ético é um homem virtuoso. O relacionamento interpessoal está intimamente ligado ao sujeito e seus valores e princípios pessoais de vida. A partir do momento que o sujeito tem o conhecimento de si mesmo e de seus valores, ele poderá desenvolver um relacionamento pessoal mais equilibrado e consciente. O conhecimento que um indivíduo tem de seus desejos, sentimentos e anseios lhe dará condições de obter um maior nível de autoconhecimento, e isso poderá ser um aspecto positivo em suas relações pessoais. As relações interpessoais dependem, portanto, do conhecimento que o indivíduo tem de si, e elas sofrem influência desse conhecimento. Porém o contexto em que um relacionamento ocorre é algo que precisa ser observado: pode ser no contexto da família, da escola, da comunidade ou do trabalho. É fácil perceber que, para que haja um relacionamento interpessoal de qualidade, vários aspectos precisam ser levados em conta. No entanto, em cada contexto os relacionamentos podem ter características próprias. Ou seja, a relação interpessoal em uma estrutura familiar tem aspectos diferentes de uma relação interpessoal dentro da empresa. Isso deve ser considerado para que se possa ter uma compreensão dos diferentes fatores que envolvem tais relacionamentos. Um aspecto importante ressaltado por Carvalho (2009, p. 72) é que “os seres humanos são essencialmente seres sociais, instintivamente motivados por uma necessidade de se relacionar. É nessa interação que descobrem suas próprias capacidades e as exercitam”. Conforme esse autor, podemos ressaltar alguns aspetos relevantes no que diz respeito ao ser humano e suas relações interpessoais. Em primeiro lugar o autor citado afirma que o ser humano é um ser social: faz parte da natureza humana relacionar-se. Um segundo ponto é o da 5 necessidade: quando mencionamos este fator, revela-se que a maioria dos seres humanos precisam se relacionar com outras pessoas. O autor não apresenta a profundidade desses relacionamentos, mas o ser humano em suas relações interpessoais tem indivíduos com os quais ele tem maior afinidade relacional. Um terceiro aspecto ressaltado por Carvalho é que nessas interações sociais o ser humano descobre suas capacidades; será nas relações interpessoais que o indivíduo se desenvolverá, pois é por meio de tais relações que lhe é dada a oportunidade de desenvolver suas habilidades e qualidades pessoais. O relacionamento interpessoal está imbuído de normas de comportamento e isso irá influenciar a relação social do indivíduo. Esse conjunto de normas irá estabelecer interações diversas entres os diferentes indivíduos na sociedade. Nesse contexto social aparece a questão da ética,pois ela é uma iniciativa do coletivo, e desse modo é produto da relação dos diferentes indivíduos em uma sociedade. Outro ponto importante ressaltado por Carvalho (2009, p. 82): “Nossa cultura enfatiza a observação de qualidades e defeitos das pessoas, e sobre essa base estruturamos o relacionamento”. Conforme esta colocação, a cultura na qual estamos inseridos conduz o ser humano a dar ênfase a diferentes aspectos comportamentais do semelhante para então desenvolver suas relações sociais. Ou seja, a base da relação social na grande maioria está fundamentada nas ações dos indivíduos, e não no sujeito em si. Em concordância com essa mesma reflexão, muitas vezes uma única ação negativa apresentada por alguém pode ter maior peso em nossas relações sociais do que várias ações positivas por parte da mesma pessoa. Isso nos revela que precisamos desenvolver a cada dia nossas relações sociais, para que possamos a cada dia nos tornar seres mais sociáveis. TEMA 2 – A ÉTICA E O RELACIONAMENTO NO TRABALHO A grande maioria das pessoas têm entre seis e dez horas diárias de atividades laborais as mais diversas, o que corresponderia a uma forte intensidade no que diz respeito às relações sociais. Essas atividades profissionais podem, com muita frequência, envolver uma gama menor ou maior de pessoas. Em qualquer tipo de trabalho o aspecto ético é algo que precisa se salientado e observado por todos aqueles que envolvidos em atividades 6 específicas, e isso decorre do fato de as relações sociais estarem presentes em qualquer trabalho. De acordo com Abbagnano (2007), a ética é compreendida como a ciência da conduta e tem duas concepções básicas: “a que a considera como ciência do fim para qual a conduta dos homens deve ser orientada e dos meios para atingir tal fim”. Conforme o autor, a ética está relacionada à conduta do ser humano, e no trabalho tal conduta irá influenciar de maneira considerável as relações sociais. A segunda concepção é “[...] a que considera como ciência do móvel da conduta humana e procura determinar tal móvel com vistas a dirigir ou disciplinar essa conduta”. Essa ideia está relacionada aos motivos ou àquilo que move a conduta humana e está ligada aos fatos, ou seja, o sujeito dentro de uma empresa precisa compreender a importância de suas ações em seu trabalho. A ética deve ser compreendida como um empreendimento coletivo, ou seja, buscada por todos que fazem parte de uma organização, pois ela deve ser constantemente retomada e rediscutida por todos. Não nos surpreende saber que em qualquer atividade profissional haja as mais diversas dificuldades relacionais. Conforme afirma Rios (2008, p. 1), “Trabalhar é meio de prover sustento para o corpo e para a alma. No trabalho passamos a vida, desenvolvemos nossa identidade, experimentamos situações, construímos relações, realizamos nosso espírito criativo. E é no trabalho que também adoecemos”. Conforme a autora, podemos considerar alguns aspectos com respeito ao trabalho e à relação do sujeito. Primeiramente temos que entender que é por meio do trabalho que o indivíduo promove seu sustento financeiro e de sua família. Desse modo esse trabalho tem um certo grau de relevância, sendo assim há uma carga emocional envolvida. Um segundo aspecto ressaltado pela autora é que no trabalho passamos uma grande parte de nosso tempo de vida. Ou seja, muitos passam em média oito horas diárias no trabalho, e há quem passe ali até doze horas de seu dia. Outro aspecto relacionado ao tempo que o indivíduo passa no trabalho é o tanto de anos no mesmo trabalho. Alguns passam a vida toda: trinta, quarenta anos na mesma atividade profissional. Essa extensão diária no trabalho e também de anos na mesma atividade profissional pode gerar muito desgaste, mas também aprofundamento nas relações pessoais no ambiente profissional. 7 Nesse período em que o sujeito passa no trabalho, ele desenvolve diversas relações interpessoais, as quais poderão ajudar em seu desenvolvimento pessoal e profissional; logo, tal indivíduo provavelmente encontrará prazer em suas atividades profissionais. Em contrapartida, em muitos casos, tais relacionamentos podem não ser tão favoráveis, o que pode gerar tensões das mais diferentes. Um terceiro aspecto salientado por Rios é que no trabalho também podemos adoecer. Ou seja, muitas pessoas somatizam as mais diferentes doenças em locais de trabalho com ambiente difícil de relacionamentos, seja com o colega ao lado, seja com o chefe. A importância que é dada ao trabalho por muitos é muito grande, pois estes dele dependem, e por isso muitas pessoas investem grande parte de suas vidas na profissão, o que configura ao trabalho um grande grau de relevância. Para Mendes (1995, p. 2), “o trabalho, como parte do mundo externo ao sujeito e do seu próprio corpo e relações sociais, representa uma fonte de prazer ou de sofrimento, desde que as condições externas oferecidas atendam ou não à satisfação dos desejos inconscientes”. Para o autor, o trabalho de uma pessoa pode representar uma fonte de prazer ou de sofrimento, e isso ocorre porque muitas vezes as relações pessoais que o indivíduo tem em seu trabalho não são as mais favoráveis. Contudo, o clima relacional de um trabalho não é a única fonte que pode gerar sofrimento – pode haver outros fatores geradores de angústia. O ser humano em geral busca uma satisfação em seu trabalho – e essa postura pode ser considerada normal, pois a busca da felicidade e da satisfação fazem parte da natureza humana. Outro aspecto salientado por Mendes é que no trabalho as relações pessoais são presentes, e como tal precisam ser alimentadas e cuidadas, pois de tais relações dependem muitos aspectos, como a continuidade ou não no trabalho, a satisfação de permanecer (ou não) nessa atividade profissional, entre muitos outros pontos. Um terceiro autor importante a ser considerado é Maria do Carmo Nacif de Carvalho. Conforme Carvalho (2009, p. 11), “Em um trabalho, colocamos nosso raciocínio, nossa emoção, nossa capacidade motora, enfim, nos identificamos com ele”. De acordo com a autora, alguns aspectos precisam ser ressaltados. No trabalho, o ser humano utiliza seu raciocínio. Atualmente, a capacidade intelectual é cada vez mais requerida: as atividades profissionais têm exigido mais aptidão de raciocínio, em virtude do grande avanço da tecnologia. 8 Um segundo aspecto ressaltado pela autora é que no trabalho colocamos nossas emoções. O ser humano em sua atividade profissional expões suas diferentes emoções e muitas vezes isso pode dificultar suas relações de trabalho, pois simplesmente externar aquilo que se pensa sem medir qualquer consequência positiva ou negativa pode ser uma ação imprudente. O trabalho é uma parte fundamental da vida de um indivíduo, e isso pode afetá-lo em muitos aspectos. É na vida profissional em que diariamente são vivenciadas uma diversidade de relações humanas. Essa organização que é o trabalho é formada por um agrupamento de indivíduos que nem sempre têm os mesmos objetivos ou interesses. É composta de uma rede de relações construídas por diferentes pessoas, sendo que cada qual tem seus princípios éticos e morais. A não observação de alguns princípios éticos no trabalho, pode, muitas vezes, dificultar as relações sociais e também a própria produção. Desse modo, é importante que tais aspectos éticos sejam apresentados pela empresa para que todos possam observar e praticar estes princípios. Quando estes são apresentados com clareza e são cobrados em relação à sua prática, todos os envolvidos na empresa serão beneficiados de alguma forma. TEMA 3 – RELAÇÕES INTERPESSOAIS E QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO: UM ASPECTO ÉTICO Em um trabalho ou em uma empresa, todos os funcionários querem de uma forma ou outra um ambiente propício para desenvolver suas atividadesprofissionais. Porém, para que isso aconteça, é necessário desenvolver uma qualidade de vida na empresa. Primeiramente é necessário buscar diferentes entendimentos do que seja qualidade de vida no trabalho. De acordo com Fernandes (1996, p. 45), “a gestão dinâmica e contingencial de fatores físicos, tecnológicos e sociopsicológicos que afetam a cultura e renovam o clima organizacional, refletindo-se no bem-estar do trabalhador e na produtividade das empresas”. A qualidade de vida no trabalho, conforme o autor citado, ocorre a partir do momento em que acontece um sincronismo entre diferentes fatores no interior da empresa; fatores como o clima organizacional da empresa, que de certa maneira poderá afetar o bem-estar dos funcionários. 9 Um segundo autor que poderá contribuir para o melhor entendimento do que seja qualidade de vida no trabalho é França (2004). Este apresenta a ideia de qualidade de vida com a sensação de bem-estar, sendo que isso ocorre a partir do momento em que as diferentes necessidades do trabalhador são supridas. Essas necessidades dizem respeito a um bom ambiente de trabalho e a aspectos econômicos atingidos a contento em respeito ao indivíduo e suas crenças, entre outros. Para que seja possível um ambiente de qualidade no trabalho, é necessário um relacionamento interpessoal positivo que possa gerar tal ambiente. Em uma organização, seja uma empresa de pequeno porte ou não, o relacionamento saudável entre os funcionários será possível quando cada um desenvolver a capacidade de conhecer-se a si e de se colocar no lugar dos companheiros. Quando há, na organização, um relacionamento interpessoal positivo, naturalmente teremos um bom ambiente de trabalho, e isso poderá contribuir para que haja um aumento na produtividade. Porém, além desse aumento de produtividade temos um ambiente de trabalho que gera para os funcionários qualidade de vida. Conforme Bom Sucesso (1997 p. 36), a valorização do ser humano, a preocupação com sentimentos e emoções e com a qualidade de vida são fatores que fazem diferença. O trabalho é a forma como o homem, por um lado, interage e transforma o meio ambiente, assegurando sua sobrevivência, e, por outro, estabelece relações interpessoais, que teoricamente serviriam para reforçar a sua identidade e o senso de contribuição. De acordo com a autora, alguns aspectos importantes devem ser observados para aumentar qualidade de vida dos funcionários. Em primeiro lugar, a valorização do ser humano. Esse aspecto deve ser observado quase que diariamente em uma empresa. Quando um encarregado ou um chefe valoriza seus colaboradores, naturalmente o ambiente de trabalho pode melhorar de forma considerável, mesmo que as atividades técnicas sejam complexas. Muitas empresas, para cortar despesas, demitem funcionários com muitos anos de total dedicação e empenho. Tal ação não só é uma postura que demonstra desvalorização do indivíduo, bem como, em muitos casos, é uma atitude antiética. Um segundo aspecto salientado por Bom Sucesso, é que o que poderá gerar aspectos positivos na empresa é a preocupação pelo fator emocional do 10 funcionário por parte do encarregado ou do chefe. Cada ser humano tem momentos em que suas emoções não estão em pleno equilíbrio; todavia, é necessário que essa pessoa venha a cumprir suas tarefas. No entanto, sabemos que o desequilíbrio eventual poderá causar uma certa dificuldade para o cumprimento das atividades laborais. Desse modo, cabe à liderança o esforço de compreender tal situação. É importante que o líder de uma equipe de trabalho tenha o entendimento de que as pessoas são, na maioria das vezes, fruto do meio em que se encontram. E isso não é diferente em uma empresa, pois cada indivíduo carrega suas emoções e sentimentos para o ambiente de trabalho. Quando falamos em qualidade de vida no trabalho, precisamos refletir sobre o fato de que haverá resultados positivos na empresa que se esforça para obter tal qualidade. A partir do momento que uma instituição apresenta um modelo de gestão cujo objetivo é esta qualidade de vida no trabalho, observa-se que existe uma maior disposição por parte dos colaboradores dessa empresa na realização de suas tarefas e também uma melhora na qualidade do aspecto relacional no interior da empresa. Outros fatores dizem respeito a um maior comprometimento dos funcionários e, naturalmente, uma maior produtividade, aspecto este desejado por todos os líderes das empresas. Muitas empresas desejam um aumento em sua lucratividade, mas não observam e tampouco se esforçam para que seus colaboradores possam ter qualidade de vida. Esta está intimamente ligada às decisões tomadas pelo responsável, seja um chefe direto ou o diretor geral dessa empresa. A qualidade de vida dos funcionários de uma instituição de trabalho é um aspecto ético que precisa ser observado por todos que fazem parte desse grupo de trabalho. TEMA 4 – SUPERANDO OS CONFLITOS INTERPESSOAIS Hoje em dia a humanidade movimenta-se para um período de muitas mudanças; aspectos como a globalização influenciam essas mudanças. As tecnologias e o seu domínio têm gerado um avanço em várias áreas do conhecimento. Em uma empresa, é comum haver pessoas de diferentes lugares e com culturas diferentes, e isso por um lado poderá contribuir em muito para o 11 desenvolvimento da empresa. Por outro lado, isso poderá gerar conflitos de toda ordem, dos mais simples aos mais complexos. Diante dessa nova forma globalizada de vida, há a necessidade de aprender a conviver de maneira mais harmônica, e isso representa que devemos ter a capacidade de lidar com diferentes aspectos éticos e morais que a nova realidade apresenta. Qualquer empresa ou local de trabalho em que houver duas ou mais pessoas, em algum momento terá algum tipo de conflito. Conflitos fazem parte de qualquer relação social, e no trabalho não é diferente. O importante é saber lidar com estes conflitos e saber tirar lições positivas dessas experiências. A liderança de uma organização de trabalho que toma a atitude de resolver um conflito existente em sua empresa demonstrará para sua equipe que possui uma postura ética diante das diferentes situações, pois tem como objetivo prever o melhor para a empresa e para todos ali envolvidos. Aproveitar o conflito como oportunidade para o crescimento é algo que exige das pessoas envolvidas certo esforço e humildade. É importante que os indivíduos possam ter o conhecimento de seus deveres e direitos. Com base nesse conhecimento, cada um poderá tirar do conflito algum aprendizado para seu desenvolvimento. Em uma empresa, o bom relacionamento entre os funcionários irá contribuir e muito para o bom desempenho de toda a instituição. Dessa maneira, a liderança da empresa precisa construir um ambiente de trabalho favorável e harmonioso. A habilidade de lidar com conflitos e buscar a harmonia entre a equipe é umas das responsabilidades do líder da empresa. Para que isso seja possível, é preciso observar alguns aspectos importantes para que não só o conflito existente seja resolvido, mas também para que esse conflito gere um maior número de ensinamentos. Vamos olhar algumas dicas que poderão contribuir para que a liderança da empresa possa resolver os conflitos com maior eficiência, conforme o artigo “5 maneiras de lidar com conflitos na sua empresa”, publicado pela revista Exame em 14/12/2012. Em primeiro lugar seja empático. A empatia é a habilidade de se colocar no lugar da outra pessoa. Muitas vezes o conflito tem sua origem na não capacidade de colocar-se no lugar da outra pessoa, e com isso ocorre o embate. A liderança que quer resolver o conflito precisa desenvolver a habilidade de se colocar no 12 lugar do outro. Isso irá ajudar a entender as diferentes razões, que conduziram ao conflito. Ser empático é saberentender as causas que provocaram o conflito. Uma segunda atitude importante a ser tomada pela liderança da empresa é saber ouvir os dois lados. Muitos líderes querem resolver o problema, mas não estão dispostos a investir tempo em ouvir os dois lados envolvidos no conflito. Saber ouvir os envolvidos no conflito é uma característica importante a ser tomada para que seja possível entender os diferentes pontos de vista, e dessa maneira tomar a melhor decisão. Existe o perigo do líder se colocar ao lado de uma das partes, por isso é necessário ter cautela para que essa falha não seja cometida. Uma terceira atitude que o líder precisa é ter uma postura racional. Muitas vezes, no intuito e na pressa de resolver o conflito, o líder faz mais uso das emoções do que da razão. Isso pode resultar em um envolvimento emocional com a situação, o que dificultará uma decisão racional e equilibrada. O objetivo primário que o líder precisa ter é que ele está ali para buscar uma solução, portanto, ele precisa ter autocontrole. As pessoas envolvidas irão respeitar o líder e quando ele demonstrar equilíbrio emocional diante da situação apresentada, isso poderá contribuir muito para que haja a solução do conflito. A quarta atitude que o líder que pretende resolver um conflito precisa ter é saber estimular o diálogo. Um aspecto importante é que o líder incentive as partes envolvidas a apresentarem de maneira clara e coerente seus argumentos, sem ataques mútuos. Apresentar os fatos implica em mensurar o tamanho do problema e dar possibilidade aos envolvidos de serem ouvidos. A prática de permitir que as pessoas falem irá contribuir muito com a solução de situações problemáticas, pois ser ouvido é uma necessidade humana. Quanto maior for a quantidade de informações que o líder tiver, maior será a possibilidade de ele tomar uma decisão equilibrada e coerente. Não ser omisso é a quinta atitude que o líder deve ter para buscar a solução de conflitos. A omissão diante um conflito poderá fazer o problema tornar-se maior, pois isso pode demonstrar à equipe que o líder é fraco e que não consegue se posicionar diante de tal adversidade. Um segundo problema que pode surgir devido à omissão é a possibilidade de que algum dos envolvidos no conflito que tenha uma personalidade mais forte, vir a controlar a situação, causando alguma injustiça. Diante disso, a outra parte envolvida poderá achar que não há nada que possa ser feito, e a omissão será a causa de agravar ainda mais a situação. 13 Esses aspectos apresentados poderão contribuir para que haja a resolução de conflitos, entretanto a capacidade de aprender a viver juntos é um grande desafio que todos precisam superar. A promoção de valores éticos e morais é uma atitude a ser promovida pelo indivíduo que visa a desenvolver uma consciência direcionada a gerenciar positivamente a diversidade. TEMA 5 – TRABALHO EM EQUIPE: UM DESAFIO A SER ALCANÇADO O trabalho em equipe em uma empresa é um objetivo que muitos líderes almejam. Isso caracteriza um grande desafio a ser alcançado. O termo equipe é definido como um grupo de pessoas com habilidades complementares que trabalham juntas com o fim de atingir um propósito comum. Em uma equipe as pessoas se consideram coletivamente responsáveis, esforçando-se para que os objetivos da equipe que está engajada em alcançá-los sejam atingidos de forma compartilhada. Toda equipe de trabalho tem pessoas com características próprias, no entanto há alguns aspectos que são comuns a todos os seres humanos. Entender essas necessidades irá contribuir para o bom desenvolvimento do grupo. A hierarquia de necessidades apresentadas por Abraham Maslow (conhecida como a pirâmide de Maslow) é uma divisão hierárquica que apresenta as diferentes necessidades do ser humano, sendo que as do nível mais baixo devem ser satisfeitas antes das necessidades de nível mais alto. Primeiro nível: são as necessidades fisiológicas ou básicas, tais como o sono, a sede, a fome, a habitação, a proteção contra a dor e o desejo sexual – ou seja, são as necessidades vitais. Segundo nível: são as necessidades de segurança; são os sentimentos de proteção e de defesa diante de eventuais situações de perigo e contra ameaças ambientais. Essas necessidades começam a ser uma preocupação quando as básicas (do primeiro nível) estão garantidas. Terceiro nível: consistem em necessidades sociais e afetivas, como a participação, a amizade, o afeto, o amor, a aceitação por parte dos outros. Quando essas necessidades não estão suficientemente satisfeitas, o indivíduo torna-se hostil e agressivo na relação interpessoal. Se estão 14 satisfeitas, são gerados sentimentos de autoconfiança, de prestígio e de facilitação das relações interpessoais. Quarto nível: refere-se às necessidades de estima, que estão muito próximas ao modo como o indivíduo se vê e se avalia. Envolvem sentimentos de autoapreciação, autoconfiança, necessidade de aprovação social, de respeito, de prestígio e de consideração Quinto nível: correspondem às necessidades de autorrealização, as quais estão relacionadas com a competência e o sucesso. Tais necessidades fazem parte de todos nós, por essa razão é importante que estejamos atentos, pois nas equipes que lideramos as pessoas têm essas necessidades, e apoiar os indivíduos a suprir tais necessidades é uma atitude ética por parte do líder. Após o líder conhecer as necessidades dos membros de sua equipe, é importante que ele esteja ciente das diferentes qualidades ou atributos de seus liderados, pois determinadas características poderão ajudar a equipe a se tornar mais forte e provavelmente obterá maior êxito em suas atividades. Para verificarmos se uma equipe de trabalho é bem integrada ou não, é importante que alguns atributos sejam observados. Deve-se, primeiramente, notar a interdependência do grupo. Importa observar se cada pessoa na equipe reconhece seu próprio papel e compreende os alvos que o time e a organização pretendem alcançar. É importante que todos saibam qual é o objetivo a ser atingido, assim como a organização, pois sua equipe faz parte de um todo. Uma segunda qualidade a ser observada é o sentimento de propriedade. Cada pessoa da equipe deve ter senso de pertencimento, sentir-se parte do grupo, conhecer os alvos e ter disposição para atingi-los. Importa notar se a pessoa “veste a camisa”, pois essa atitude contribui não só para o crescimento da organização, mas também para o crescimento de cada membro da equipe; como resultado, todos provavelmente sentirão segurança. A terceira característica a ser percebida em uma equipe é o sentimento de contribuição. Cada pessoa tem de contribuir com a equipe com seus dons, talentos, conhecimentos e ideias. Essa contribuição ultrapassa a ideia de retorno, ou de “só faço aquilo para o que estou sendo pago”. Por exemplo: sou coordenador em uma empresa e encontro um papel jogado no chão, logo afirmo: 15 “isto não diz respeito a mim, mas sim ao zelador”. Tal atitude é limitada e de pouco envolvimento com a organização. Normalmente, em espaços sociais nos quais há grupos que já têm certa integração e familiaridade, muito membros podem ter alguma dificuldade em fazer a inserção de novos participantes. Desta maneira, centralizam a responsabilidade de integração dos novos membros para possíveis líderes ou responsáveis por esses grupos. Por serem tão coesos, inconscientemente muitos grupos acabam por excluir outras pessoas. A quarta qualidade de uma equipe bem integrada é a comunicação. Uma boa equipe tem uma comunicação clara. Existe um esforço de todos os membros da equipe para compreender o ponto de vista do outro. A fofoca é algo que não existe em equipes bem integradas. A comunicação efetiva implica em muito mais do que a somente falada, pois envolve também a comunicação nãoverbal, por isso é importante tomar muito cuidado com ela. A quinta qualidade a ser notada em uma equipe é a confiança. É preciso perceber se as pessoas confiam na equipe, pois assim podem expressar suas ideias, opiniões e sentimentos e não se sentirão ameaçadas por isso. Diante disso, todos sabem que se falharem, os outros membros da equipe estarão prontos a ajudar. A sexta qualidade a ser alcançada é o desenvolvimento. Cada participante da equipe tem de ser encorajado a desenvolver suas habilidades e capacidades – não somente para o crescimento do grupo, mas para que haja o desenvolvimento dos indivíduos. Importa notar se o indivíduo é estimulado a buscar a superação. Por último, e não menos importante, deve-se observar a coesão. Esse ponto é parte da equipe que motiva seus membros a permanecerem unidos. As pessoas do grupo gostam de estar juntas, pois se sentem bem. Cabe ao líder buscar situações para desenvolver essa característica no time, pois dessa forma todos tendem a ganhar. Um grupo coeso irá suportar as adversidades com mais facilidade. Cabe ao líder tomar sobre si a responsabilidade de buscar alcançar essas qualidades em sua equipe e procurar sempre atender as necessidades de todos os envolvidos. 16 Vídeo Para saber mais sobre os pilares para um melhor relacionamento interpessoal no trabalho, assista ao vídeo “Relacionamento interpessoal no trabalho – Regina Giannetti D. Pereira”, disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=gfyuPwm8QLM>. Acesso em: 24 ago. 2017. FINALIZANDO A presente aula abordou diferentes entendimentos e conceitos sobre relacionamento interpessoal. Quando falamos em relacionamentos interpessoais logo aparecem os valores pessoais, que estão intimamente ligados a cada indivíduo. Um segundo ponto trabalhado foi ética e relacionamento no trabalho. As atividades profissionais sempre estão acompanhadas de uma gama maior ou menor de pessoas, e essas relações sociais podem ser um grande desafio. Discorremos também sobre as relações interpessoais e qualidade de vida no trabalho, o que caracteriza um aspecto ético. Em uma organização de trabalho, o relacionamento saudável entre os funcionários será possível quando cada um desenvolver a capacidade de conhecer a si e de se colocar no lugar de seus colegas. Outro ponto articulado foi a questão da superação de conflitos interpessoais na empresa. Nas relações sociais sempre haverá uma grande variedade de possíveis. Diante disso, o grande desafio não é só diminuir o número de conflitos, mas saber trabalhar aqueles que surgem. Por último, analisamos a questão do trabalho em equipe. Obter uma equipe coesa em uma empresa é um desafio, pois em um grupo bem integrado as pessoas se consideram coletivamente responsáveis, esforçando-se para alcançar objetivos comuns de forma compartilhada. 17 REFERÊNCIAS ABBAGNANO, N. Dicionário de filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 2007. BOM SUCESSO, E. de P. Trabalho e qualidade de vida. Rio de Janeiro: Dunya, 1997. BRAVIN, P. de P. 9 dicas para administrar conflitos organizacionais. Administradores. 29 jul. 2013. Disponível em: <http://www.administradores.com.br/artigos/negocios/9-dicas-para-administrar- conflitos-organizacionais/72009/>. Acesso em: 24 ago. 2017. BRONDANI, J. P. Relacionamento interpessoal e o trabalho em equipe: uma análise sobre a influência na qualidade de vida no trabalho. Disponível em: <http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/andle/10183/29873/000779376.pdf?sequenc e=1>. Acesso: 24 ago. 2017. CARVALHO, M. do C. N. de. Relacionamento interpessoal: como preservar o sujeito coletivo. Rio de Janeiro: LTC, 2009. 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