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UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA PRÓ-REITORIA ACADÊMICA CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA RECREAÇÃO E LAZER ORGANIZADORES: PROF.ª. IVONE IVO E EDNA LUZ SÃO GONÇALO 1 APRESENTAÇÃO A apostila tem como proposta dar suporte na literatura e estimular uma investigação sobre Recreação e Lazer o que não significa que o professor em sala de aula irá fazer toda leitura,porém ,ela é um referencial teórico para os estudos do semestre. O plano de Ensino é um instrumento acadêmico que transcreve a ementa da disciplina com seus conteúdos de acordo com o PPC (PROJETO PEDAGOGICO DO CRUSO).Os capítulos trabalhados na apostila indicam as unidades do PLANO DE ENSINO. MENSAGEM “A criançada se reunia a tardinha, logo após os deveres de casa. A rua, então, transformava-se em uma espécie de parque, de pátio, de escola. Ali se ensinava e se aprendia [...] inúmeros brinquedos, suas técnicas e seus segredos: A pedra mais achatada para o jogo da amarelinha, os lugares secretos para o esconde-esconde [...] naquele espaço pedagógico, esqueciam-se os padrões externos, a seriedade, a formalização. Ludicamente assimilávamos aquela quantidade infinita de regras, valores, comportamentos e conhecimentos. A técnica de cada jogo, seus movimentos mais próprios e suas características era internalizados de uma forma espontânea e agradável, distante daquela maneira de “aprender” com a qual, hoje, já adultos, lidamos. “(Educação Física Infantil: Construindo o movimento na escola . (Mattos a/ Neira). CAPÍTULO I PLANO DE ENSINO-UNIDADE I - 2 1.ASPECTOS HISTÓRICOS DA RECREAÇÃO A recreação teve sua origem na pré-história, quando homem primitivo se divertia festejando o início da temporada de caça, ou a habitação de uma nova caverna, já que as atividades se caracterizam por festas de adoração, celebrações fúnebres, invocação de deuses, o vencimento de um obstáculo, com alegria, caracterizando assim um dos principais intuitos da recreação moderna. As atividades e os jogos para os adultos tinham um caráter religioso que foram passadas de geração em geração às crianças em forma de brincadeiras, quer dizer já era uma constante na vida do homem, sendo que era manifestada através das danças primitivas de adoração, rituais fúnebres e invocação de deuses, destacando-se seu aspecto recreativo de alegria e vencimento de obstáculos. A criança ao nascer, após todo o impacto sofrido pela diferença de ambiente vai adaptando-se à medida que o sistema nervoso se desenvolve, tornando-a capaz de movimentar- se, começa então a recrear-se, mexendo as mãos, pegando os pés, entre outros movimentos, isto vem afirmar que a recreação é algo instintivo do ser humano. Começando com a criança em forma de brincadeiras, a recreação chega até o adulto como fato social. O movimento da recreação sistematizada iniciou-se na Alemanha em 1774 com a criação do Philantropinum por J.B. Basedow, professor das escolas nobres da Dinamarca. Lá as atividades intelectuais ficavam lado a lado às atividades físicas, como equitação, lutas, corridas e esgrima. Froebol contribuiu criando os jardins de infância onde as crianças brincavam na terra. Nos EUA o movimento iniciou-se em Boston, em 1985 com a criação de jardins de areia para crianças se recrearem. Com o tempo, o espaço tornou-se pequeno visto que os irmãos mais velhos vinham se recrearem nos jardins, criavam-se então os playgrounds em prédios escolares, chamados pátios de recreio. No ano de 1892, em Chicago acontecera o 1º-HULL HOUSE, área para jogos, aparelhos de ginástica e caixa de areia para atingir um público de diferente faixa etária, como os jovens e adultos, e também devido a crescente importância do tempo de lazer, o termo playground foi mudado para recreação, como um conceito mais amplo de brincadeiras para crianças e outras atividades para os adultos, a partir disso foram criados centros recreativos, que funcionavam o ano todo. Eram casas campestres com sala de teatro, de reuniões, clubes, bibliotecas e refeitórios. Havia estruturas semelhantes as de hoje em dia, caixas de areia, escorregadores, quadras e ginásio para ambos os sexos com vestiários e banheiros, balanços, gangorra, entre outros. Para orientação das atividades existiam os líderes especialmente treinados. Em 1929, aparecem as praças para a Educação física, orientadas por instrutores, pois não havia professores especializados. A partir daí foram surgindo novas praças, parques e os Centros Comunitários Municipais, sendo que o primeiro chefe desse serviço foi o professor Gaelzer. 3 Isaias Highlight Isaias Sticky Note Resposta 1 Isaias Highlight Isaias Highlight Em 1972, foi criado o “Projeto RECOM” (Recreação – Educação – Comunicação), pelo prefeito Telmo Thompson Flores, com o Secretário Municipal de Educação e Cultura Prof. Frederico Lamacchia Filho, juntamente com o professor Gaelzer. Porto alegre foi a pioneira desse tipo de projeto, realizou atividades recreativas e físicas promovendo o aproveitamento sadio das horas de lazer e a integração do homem com sua comunidade. Funcionavam no RECOM uma tenda e um carrossel de cultura, desmontáveis e de fácil remoção. A tenda é uma casa de espetáculos. O carrossel foi criado para apresentações externas e espetáculos ao ar livre. Ressalvando a importância da recreação, a Alemanha a introduziu nas escolas e criou os parques infantis. Os EUA criou os playgrounds equipados revolucionando a recreação pública. O rio Grande do Sul pelo pioneirismo e a implantação do RECOM com a recreação móvel. 1.2 CONCEITO E DEFINIÇÃO DE RECREAÇÃO A palavra recreação provém do verbo latino recreare, que significa recrear, reproduzir ou renovar. A recreação pode, desta forma, compreender as atividades espontâneas, prazerosas e criadoras, que o individuo busca para melhor ocupar o seu tempo livre. A recreação tem como objetivo principal criar as condições necessárias para o desenvolvimento integral das pessoas, além de promover a participação de forma coletiva e individual em ações que possam melhorar a qualidade de vida das pessoas; possui ainda caráter educacional, auxiliando na preservação da natureza e na afirmação dos valores imprescindíveis à convivência social e profissional. Recreação ocorre à ideia de prazer, de espontaneidade, de livre escolha. De acordo com a opinião de vários autores, segundo Cavalcante (apud Canto, 2004, p11). Recreação é uma atividade física ou mental a que o indivíduo é naturalmente impelido para satisfazer necessidades de ordem física, psíquica e social de cuja realização lhe advém prazer e que é aprovada pela sociedade. Partindo desta definição é possível compreender que a recreação busca desenvolver capacidade do ser humano numa totalidade. Uma vez que, permite divertimento e oferece benefícios para a pessoa, despertando então, um interesse pela sua importância e necessidade para a prática na sociedade. É hoje pacífico que a recreação constitui um processo eficiente de educação: Higiênica, porque o jogo ao ar livre é condição indispensável ao seu desenvolvimento físico; Intelectual, porque servindo para lhes dar hábitos de cálculo, reflexão e previdências, constitui para formação de sua mentalidade; e Social, porque estreitando o convívio de crianças de várias origens, tem por fim eliminar-lhes o preconceito de classes, despertarem nestas o amor e respeito 4 Isaias Highlight Isaias Highlight Isaias Highlight Isaias Highlight Isaias Highlight Isaias Sticky Note Resposta 2 Isaias Highlight pelos humildes, e naquelas o hábito e as maneiras das já foram beneficiadas pela educação no lar e nas escolas. De acordo com Vinicius Ricardo Cavallari e Vany Zacharias as principais características das atividades recreativas são (2007): Deve ser desenvolvida de forma espontânea, semesperar resultados ou benefícios específicos. Para tanto a opção por sua prática deve ser livre, atendendo os interesses de cada indivíduo. A prática das atividades recreativas deve levar as pessoas a “estados psicológicos positivos”, se realizando em um clima e com uma atitude predominantemente alegre e entusiasta; Deve ser estímulo para criatividade, um benefício para a formação pessoal e para as relações sociais, dando lugar à liberação de tensões da vida cotidiana, resgatando os valores essenciais para uma auto realização. A atividade recreativa tem sua essência na organização própria dos jogos e brincadeiras, segundo KISHIMOTO (2005), o jogo aqui entendido em seu sentido amplo, ou seja, também denominado como brincadeira, tem por excelência duas funções: Função Lúdica: propicia diversão, prazer e até desprazer, quando escolhido voluntariamente; Função Educativa: ensina qualquer coisa que complete o indivíduo em seu saber, seus conhecimentos e sua apreensão do mundo. Há de se ressaltar que os jogos e as brincadeiras podem ser aplicados nas diversas faixas etárias, sem distinção, mas que cada um deles vai sofrer alterações e interferências nos seus procedimentos de aplicação, nos recursos que são metodologia de organização e aplicação de suas estratégias. Mesmo com estas características genéricas e ao mesmo unificantes, ao se deparar com a necessidade de um correto planejamento de ações recreativas, torna-se fundamental conhecer e entender as características e necessidades específicas das faixas etárias com as quais poderemos estar nos envolvendo no momento da aplicação dos jogos e brincadeiras. 1.2 CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE A RECREAÇÃO A Educação Física nas séries iniciais é considerada como uma aula de atividade recreativa que segundo a autora Verderi (1999), não deve ser considerada como uma atividade 5 Isaias Highlight Isaias Highlight Isaias Highlight Isaias Sticky Note Resposta 3 Isaias Highlight Isaias Sticky Note Segundo kishimoto as brincadeiras tem como característicase a proporção do prazer e diversão. E ensina ao indiviuo o saber e sua apreensão do mundo. Isaias Highlight desorganizada, mas sim uma atividade natural que ocorre em um processo contínuo de desenvolvimento. No pensamento de Verderi (1999), os educadores de Educação Física são formadores de seres que interagem com o mundo, são responsáveis não só pelas capacidades físicas, mas pelo cognitivo e sócio emocional. Afirma ainda que se podem fundamentar as aulas recreativas em teóricas e práticas, de maneira que na realização de brincadeiras e atividades de recreação venham promover condições de reflexão, lazer, e construção de conhecimentos, aprimorando a corporeidade, promovendo a auto-organização, estabelecendo relações equilibradas e construtivas com os outros, fazendo-os reconhecerem que são elementos integrantes da sociedade e que são cidadãos com responsabilidades, direitos e deveres. A recreação pública se propõe como uma ação educativa na escola, ocupando de maneira sadia e orientada, oferecendo uma variedade de atividades: esportes, teatro, pesquisas, músicas, danças, jogos recreativos, brincadeiras entre outras. Segundo o CONFEF (Conselho Federal de Educação Física), para que a educação física seja de qualidade nas escolas é indispensável que tenha práticas esportivas e jogos em seu conteúdo, possibilite ao aluno uma variedade considerável de experiências, vivências e convivências no uso de atividades físicas e no conhecimento de sua corporeidade e constitua-se num meio efetivo para conquista, de um estilo de vida, ativo dos eres humanos. 1.3 VALORES ESPECÍFICOS DA RECREAÇÃO Segundo Gaelzer (1979), a recreação apresenta valores para as fases da vida humana: Pedagógica: é essencialmente a finalidade na idade infantil e na adolescência; Formativa: na juventude, recreando e reafirmando os bons hábitos, canaliza as tendências antissociais, favorece o equilíbrio emocional, age como elemento integrador e unificador e amplia as oportunidades do desenvolvimento cultural; Compensadora: na idade madura, levando o indivíduo a praticar correspondente às suas necessidades; cria estímulos novos, oportuniza e revigora o sentimento de participação social; encontram na prática regular motivações para a sua saúde e bem-estar geral. Segundo Cavallcanti (apud Canto – 2004), as atividades recreativas são inúmeras proporcionando satisfação como: O prazer da criação – é algo por demais importante. Desde criança o ser humano demonstra suas tendências para a criatividade. Em seus desenhos, as crianças procuram externar os seus pensamentos. Realizam coisas interessantes com areia da beira-mar. Com argila e massa, formam coisas maravilhosas que, tendo sempre oportunidade de dar trabalho às mãos, tornam-se verdadeiros artistas. E definem, ou talvez tendem pra uma profissão: desenhista, pintor, arquiteto, etc. É muito comum que os pais fiquem tristes quando tendo ofertado aos seus filhos, brinquedos caríssimos, e dias depois, veem os mesmos espedaçados. E por que eles fazem 6 Isaias Highlight Isaias Highlight isto? – é o poder da criatividade. Eles querem desmontar o brinquedo para refazê-lo, se não igual, mas, criando outro tipo. Psicologicamente falando, o brinquedo surgiu, não para enfeitar a prateleiras ou paredes e sim, para as crianças brincarem. Daí, necessário é, que os adultos lhes oportunizem o prazer, a sensação de criar e recriar. Isso acontece não só com as crianças, mas dia a dia o adulto se depara e sente necessidade de tal. Todas as atividades recreativas, mesmo feitas individualmente, serão mais completas, se transmitidas, comentadas, do companheirismo. Este fator recreacional abrange a maior parte das atividades recreativas nas reuniões comunitárias, nas festas, nos bailes sociais, nos jantares, nas excursões, nos jogos e até mesmo nas conversações. 1.4 ASPECTOS GERAIS DO BRINCAR Brincar, segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN’s (1998): A brincadeira é uma ação que pode ocorrer da imaginação. Para brincar é preciso apropriar-se da realidade e poder atribuir a novos significados, por meio de articulações entre a imaginação e a imitação no plano das emoções, surgindo ideias criativas de uma real vivência. No brincar a criança tem a oportunidade de interagir com pessoas e objetos, liberar a criatividade, podendo também se beneficiar de uma qualidade de vida. O Brincar faz parte do ser humano, e para a criança a brincadeira representa a capacidade de compreender a realidade que vive. Conforme Referencial curricular Nacional de Educação Infantil (1998). Desde muito cedo a criança se comunica por meio de gestos e sons desenvolvendo sua imaginação. Brincar é uma das atividades fundamentais para o desenvolvimento da identidade e autonomia. Na brincadeira as crianças podem desenvolver algumas capacidades importantes, tais como a atenção, a limitação, a memória, a imaginação. As capacidades de socialização da criança amadurecem, por meio da interação e da utilização e experimentação de regras e papeis sociais. O brincar representa um dos modos pelos quais a criança pode aprender sem ninguém ensinar. O adulto deve oportunizar brincadeiras diferentes e variadas possibilitando que as crianças criem outros tipos de atividades a partir delas. O brincar pode ser visto como a própria essência da infância, sendo que ação promove o crescimento, permitindo a criança explorar o mundo e o ambiente do qual faz parte. A motivação parece ser algo que antecede e mantém o brincar. Pode ser classificada como: automotivação, que vem dentro da criança e a motivação externa, que deriva de algo motivador, da curiosidade, do estímulo do adulto, dos materiais disponíveis,do ambiente. A imaginação da criança é infinita, é fácil estimulá-la, oferecendo-lhe opções variadas. 1.6 A CONCEPÇÃO AO DO LÚDICO De acordo com Oliveira (1996) palavra lúdico vem do latim ludus e significa brincar, incluindo os jogos, brinquedos e divertimentos, sendo também, que brinca e que se diverte. 7 Isaias Highlight Isaias Highlight Isaias Highlight O lúdico é muito abrangente, nele estando contidos o jogar e o brincar, nos quais as relações entre o lúdico são muito próximas. O dia-a-dia, a prática e a literatura demonstram que os jogos e as atividades lúdicas, não só atraem as crianças, mas também adultos, pois são atividades necessárias para a constituição psíquica do ser humano. Do ponto de vista de Borges (2006), pode-se sugerir a utilização de atividades lúdicas nas escolas, contribuindo para o melhor rendimento e aproveitamento dos alunos, auxiliando-os a obter melhores resultados no processo ensino aprendizagem. O lúdico estabelece um ponto entre o prazer e a aprendizagem. 1.7 CLASSIFICAÇÃO DAS ATIVIDADES RECREATIVAS Segunda o professor Maurício Leandro (Choquito, 1998), o objetivo da classificação das atividades recreativas além da padronização, é evidenciar a funcionalidade dessas atividades dentro de uma programação ou de um programa de lazer e recreação. Para que seja escolhida uma determinada atividade devendo fazer parte de uma programação, é necessário saber suas características e classificações. De acordo com os objetivos aos quais é proposto alcançar, ai sim, é escolhida uma determinada atividade recreativa. É enaltecido o valor e a importância da leitura e da pesquisa como fonte de aquisição de conhecimento. Então será abordada aqui uma compilação de dados, extraídas de boas literaturas, mas sem expressão do seu conteúdo na íntegra, com isso é importante a leitura, para que se busque nos livros as informações necessárias e completas. Segundo Ferreira (2003), a classificação das atividades : Grandes jogos: com regras preestabelecidas e complexas, em maior quantidade e em locais grandes e abertos, com maior número de participantes. Difícil de ser dominado. Pequenos jogos: Pequenos – regras fáceis e em menor quantidade, menor número de participantes e locais restritos.extrai dos participantes características individuais como: velocidade, destreza, força, revezamento ou estafetas – constitui-se pelo revezamento dos participantes para a realização das tarefas. E uma atividade em grupo que preza pelas potencialidades individuais. Indicado para a infância. Jogos combinados (exigem mais de uma aptidão física) correr, saltar, giros. Aquáticos – jogos realizados dentro da água Àquela na qual o praticante coloca à prova sua integridade. Ex. Paraquedismo, mergulho profundo, voo livre etc., com excelente valor terapêutico o diminuir o impacto causado pelo solo. Jogos sensoriais – utilizam os sentidos (tao, visão, audição etc). Esses jogos desenvolvem o pensamento, diminui a tensão. Jogos sociais de mesa – jogos que são realizados na mesa, com caráter educativo, sem estimular os jogos de azar. 8 Isaias Highlight Isaias Sticky Note Cabra cega: Uma criança será vedada e utilizando a audição terá que pega seu amigos. O maestro: uma pessoa será retirada da sala e ao seu retorno terá que descobrir qual pessoa está regendo todo o grupo. Isaias Sticky Note Isaias Highlight Isaias Highlight Isaias Highlight Isaias Highlight Quanto a faixa etária as recreações podem ser: Adultas : para maiores de 18 anos; Infantojuvenil: para crianças de 8 a 12 anos; Juvenil : para jovens acima de 12 anos; Infantil : para crianças até os 7 anos; Mista : para várias faixas etárias – como pais e filhos juntos; Terceira idade ou idade especial :para idosos. Quanto ao espaço as recreações podem ser internas e externas: Internas: Salas de festas, Ginásios esportivos, salas de ginástica, de musculação, de danças modernas ou clássicas, salas de música, de leitura, de projeção, piscinas térmicas, saunas, duchas, salões de jogos, sinuca, bilhar, tênis de mesa, totó, boliche; salões d jogos de mesa, buraco, biriba, paciência, xadrez, dama, estandes fechados – tiro ao alvo e arco e flecha, sala de jogos eletrônicos. Externas: Campos, futebol, beisebol, golfe, quadras poliesportivas, esportes. Jogos de Seleção – utilizada para a separação de equipes e/ou participantes (par ou ímpar, palitinho); Jogos gráficos – realizado em cima de algum desenho ou traçado (amarelinha, xadrez) Jogos de competição – disputa física entre os participantes (pegas, cabo de guerra) Jogos de salão – Motricidade fina em locais restrito e/ou fechados (baralho, quebra-cabeça); Jogos com música - com ritmo (cantiga de rosa, karaokê) Exemplos de Atividades Recreativas Atividades Motoras – exigência maior do físico. Ex. Jogos infantis e esportes em geral; Atividades Intelectuais – a mente é mais utilizada. Ex. Xadrez e quebra-cabeça; Atividades Artísticas ou Criadoras – Ex. Pintura, desenho, carpintaria, escultura, teatro, música, etc. 9 Isaias Highlight Isaias Highlight Atividades Individuais e Coletivas: Playgrounds infantis, piscinas, pátios para comemoração de datas especiais, pistas de atletismo, hortos com pistas diversas, quadras, lagos, ciclovias entre outros. CAPÍTULO II PLANO DE ENSINO - UNIDADE II 1. CRIATIVIDADE Existem várias definições diferentes para criatividade. “A criatividade é o processo que resulta em um produto novo, que é aceito com útil e/ou satisfatório por um número significativo de pessoas em algum ponto no tempo. (Stein, 1974). Anderson (1965) : “Criatividade representa a emergência de algo único e original”. Para Torrance (1965) criatividade “é o processo de tornar-se sensível a problemas, deficiências, lacunas no conhecimento, desarmonia, identificar a dificuldade, buscar soluções, formulando hipóteses a respeito das deficiências, testar e retestar estas hipóteses, e finalmente comunicar resultados.” 1.2 TIPOS DE CRIATIVIDADE Pode-se classificá-la segundo o lugar de origem e a forma como se manifesta. Um exemplo de classificação por lugar de origem é : Criatividade individual: é a forma criativa expressa por indivíduo. Criatividade coletiva: ou grupo ou criatividade de equipe: forma criativa expressa por uma organização, equipe ou grupo. Surge geralmente da interação de um grupo com o seu exterior ou de interações dentro do próprio grupo e tem como objetivo principal otimizar ou criar produtor, serviços e processos. Na organização moderna “ a criatividade em equipe” é o caminho mais curto e mais rápido para a modernização e atualização métodos de gestão e de produção. 1.3 POTENCIAL CRIATIVO 10 Isaias Highlight Isaias Highlight Isaias Highlight Acredita-se que o potencial criativo humano tenha início na infância. Quando as crianças têm suas iniciativas criativas elogiadas e incentivadas pelos pais, tendem a ser adultos ousados, propensos a agir de forma inovador. Quando as pessoas sabem que suas ações serão valorizadas. Quando sentem que não estão sob ameaça de perder o emprego ou de cair no ridículo, por exemplo, as pessoas perdem o medo de inovar e revelam suas habilidades criativas. Algumas pessoas acreditam que ver a criatividade como habilidade passível de desenvolvimento é um grande passo para o desenvolvimento humano, enquanto outras têm a visão de que a criatividade é uma habilidade inata, ligada a fatores genéticos/hereditários e, portanto, determinista. Certas pessoas também admitem que a criatividade não tem necessariamente ligação com o quociente de inteligência (QI), que ela tem mais afinidade com motivação do que com inteligência. Outras pessoas, por outro lado, confirma uma forte correlação entre QI e potencial criativo. 1.4 A IMPORTÂNCIA DA CRIATIVIDADE NAS ORGANIZAÇÕES DE ENSINO Criar só é possível quando o cérebro detém umagrandiosa e alargada variedade de conhecimentos e informações. Fazendo com que as associações de ideias, ocorram de uma forma mais fluida e direcionada. Essas associações permitirão alcançar as ideias e conceitos novos, de uma forma única e original. Porém, para que o processo criativo nas organizações, nomeadamente nas Instituições de ensino superior, seja eficaz e eficiente, torna-se necessário e decisivo a aceitação por parte das mesmas, das suas ideias e da liberdade de expressão no meio em que se executam. O processo criativo refere-se a algo atendido por outras pessoas, e que se harmonize com as expectativas e valores de um determinado grupo de indivíduos. Somente desta forma será visto como algo importante e decisivo, num mercado produtivo e evolutivos, que possa vender a ideia ou mesmo solucionar situações complicadas e/ou expandir novos produtos ou serviços. Cada vez mais o setor do Ensino está mais criativo e inovador, no que diz respeito à diversidade de cursos, cada vez mais adaptados ao mercado de trabalho. O setor do Ensino Superior, não foge à regra no que diz respeito à criatividade, pelo fato de, devido ao constante desenvolvimento do mercado, ser imperativo, uma adaptação, o mais expansiva possível, atendendo às constantes mutações existentes. 1.5 CRIATIVIDADE EM EQUIPE: PRODUTO Criatividade é arma de combate na conquista da sobrevivência dos seres vivos. Na escala animal da natureza, as conquistas ocorrem através de ajustas e aprimoramentos a cada espécie, viva, de acordo com os princípios da seleção naturais descobertos por Darwin. 11 Isaias Highlight Isaias Highlight Na escala humana, as conquistas ocorrem dentro da História, não apenas socioeconômica, mas sobretudo, industrial e tecnológica com seu processo fantasioso e delirante de avanço. O exercício de criatividade dentro da história impele a todos, por competitividade, a incrementar seu potencial criativo, adquirindo a consciência deste fenômeno e adquirindo novas ferramentas de criatividade que o impulsionem, discutidas em “criatividade em Equipe”. 1.6 COMO AMPLIAR O POTENCIAL CRIATIVO É plenamente possível fazer com que uma pessoa se torne mais criativa. Os principais resultados criativos não advêm de execícios mentais que prometem aumentar o potencial de criação dos indivíduos de forma isolada, a exemplo de exercícios mentais com CDs ou fórmulas mirabolantes que apregoam sete ou oito lições para aprimorar a criatividade. A criatividade humana se revela a partir de associações e combinações inovadoras de planos, modelos, sentimentos, experiências e fatos. O que realmente funciona é propiciar oportunidades e incentivar os indivíduos a buscar novas experiências, testar hipóteses e, principalmente, a estabelecer novas formas de diálogos, sobretudo com pessoas de outras formações, tipos de experiências e cultura. Alguns indivíduos altamente criativos já apresentam naturalmente esse padrão de comportamento curioso, investigativo, voltado à experimentação, à inovação e a busca persistente de pequenas e grandes nuances, seja em suas áreas de interesse ou em teremos nem tão familiares, envolvendo outras culturas, tecnologias, idiomas, etc. São pessoas que intuitivamente fazem o melhor exercício possível para o cérebro ao investir, de maneira consistente, no aprendizado e no estímulo a diferentes capacidades cognitivas e sensoriais. Em suma, embora seja impossível modificar algumas características essenciais das pessoas, podemos incentivar comportamentos, estilos de vida e formas de interação com o mundo que permitam o desenvolvimento de novos padrões cognitivos. O mais importante, no entanto, está no fato de que no contexto organizacional, o que vale mesmo é a capacidade criativa e coletiva. Aumentar a criatividade é exercitar o pensamento! PLANO DE ENSINO-UNIDADE III 1.7 CONCEITOS BÁSICOS DE RECREAÇÃO E LAZER - Capacidade física: Definida como todo atributo físico treinável num organismo humano. - Habilidade motora: Consiste da Capacidade adquirida de atingir algum resultado final com o máximo de certeza e um mínimo dispêndio de energia, ou tempo e energia. - Habilidades motoras básicas: andar, puxar, empurrar, carregar, andar ou correr combinado, quicar, saltitar, subir, trepar, equilibrar etc. - Imagem corporal: Noção de corpo, conhecimento e utilização em situação de exploração e orientação espaço-tempo. 12 Isaias Highlight Isaias Highlight - Flexibilidade: Uma qualidade física que evidência o grau de amplitude do movimento de uma articulação ou conjunto de articulações. - Resistência muscular localizada (RML): É capacidade de um segmento do corpo de realizar e sustentar um movimento por um período longo de tempo. A RML é uma valência física importante para a manutenção e melhoria da qualidade de vida das pessoas. - Equilíbrio: é a habilidade que permite o indivíduo assumir e manter uma posição corporal contra a força da gravidade. A manutenção do equilíbrio resulta da interação dos músculos, trabalhando para sustentar o corpo e sua base. - Coordenação: É a capacidade de realizar movimento de forma ótima, com o máximo de eficiência e de economia de esforço. Qualidade física considerada como um pré-requisito para que qualquer atleta atinja o alto nível. A coordenação possui graduações qualificadas como: - Coordenação grossa: Resultam do desenvolvimento dos músculos esqueléticos ou grandes músculos produzindo um movimento corporal eficiente. - Coordenação fina: O uso coordenado de pequenos músculos resultando do desenvolvimento dos músculos a um grau em que possam desempenhar, pequenos movimentos específicos, como cortar, escrever, segurar, pintar etc. - Coordenação entre o olho e a mão: diz respeito à capacidade do indivíduo em usar conjuntamente: seus olhos e mãos para concretizar uma tarefa. - Coordenação entre olho e pé: Diz respeito à capacidade do indivíduo em usar conjuntamente: seus olhos e pós para concretizar uma tarefa. -Controle viso motor: Refere-se a capacidade de integrar com êxito respostas visuais e motoras numa ação física. Capacita ao indivíduo controlar o movimento, e deslocar-se fácil e regularmente, de um lugar para o outro. -Acompanhamento ocular: Capacidade dos olhos em trabalhar conjunto, seguindo (rastreando) um objeto móvel ou de mudar o foco de um objeto para outro. -Força: é a capacidade de usar a energia mecânica, encendo resistência e superando oposições criadas. Tipos de força: - Força dinâmica: É o tipo de qualidade no qual a força muscular se deferência da resistência produzindo movimento, ou seja, é a força em movimento. - Força estática: Ocorre quando a força muscular se iguala a resistência não havendo movimento. É a força que explica o fato que ocorre a produção de calor mas não ocorrendo o movimento. - Força explosiva: É a capacidade que o atleta tem de exercer o máximo de energia numa to explosivo. - Velocidade: É a capacidade que o indivíduo tem de responder a um estímulo o mais rápido possível. 13 - Agilidade: É qualidade física que permite um atleta mudar a posição do corpo no menor tempo possível. O tempo é uma variável importante, o que evidencia a presença da velocidade na agilidade. - Lateralidade: Traduz a percepção integrada dos dois lados do corpo, predominância lateral direita e esquerda. Elemento fundamental de relação orientação com o mundo exterior. Noções espaciais como encima, embaixo, anterior e posterior. Depende da noção de lateralidade. - Direcionalidade: Capacidade para transferir a lateralidade para as noções de esquerda-direita dos objetos no espaço-tempo. É qualidade que permite um atleta mudar a posição do corpo no menor tempo possível. O tempo é uma variável importante, o que evidencia a presença da velocidade na agilidade. - Propriocepção: a percepção do movimentomuscular e da posição do corpo no espaço. OBSERVAÇÕES: 1º CIRCUITO – É uma excelente estratégia para trabalhar com as diversas habilidades motoras. Lembrando que nas atividades recreativa essas e outras habilidades estão inseridas umas com maior destaque que outras, também nas atividades e ou exercícios desportivas trabalhamos com tais habilidades. 2º CONSULTE -as obras do professor Manoel Gomes Tubino, é um clássico entre os grandes mestres da Educação Física. CAPÍTULO III PLANO DE ENSINO-UNIDADE IV - 1. RECREAÇÃO E SAÚDE 1.1 QUALIDADE DE VIDA: Assumpção (2000), cita as seguintes características essenciais para a avaliação da qualidade de vida infantil: a) Incluir a abordagem da função física, desempenho escolar e ocupacional, ajustamento social e autossatisfação, ter sensibilidade para detectar os problemas funcionais mais comuns de crianças; b) Ser confiável, ser breve, fácil de administrar e computar; c) Valer-se de informação dos familiares e professores (no caso da escola); d) Estar adequado e permitir à criança a oportunidade se auto avaliar. 14 Sabeh e Verdugo (2002), mencionam em seus estudos que na busca de encontrar um instrumento de avaliação da percepção de qualidade de vida na infância realizam uma categorização para detectar dimensões, baseadas em modelos de qualidade de vida já construídos, especialmente o de Schalock (1997). As categorias são: • Ócio e a atividade recreativa: Experiências de ócio, recreativas e de tempo livre, como jogos, esportes, atividade física, atividades recreativas, televisão, vídeos, realizadas de forma individual ou em grupo. • Rendimento: relacionado ao desempenho e aos resultados alcançados em atividades escolares ou esportivas • Relações interpessoais: interação positiva ou negativa com e entre pessoas de seu meio; • Bem-estar físico e emocional: Estado físico e saúde da criança, de familiares e amigos; • Bem-estar coletivo e valores: Situações sociais, econômicas políticas que a criança percebe de seu meio sociocultural, assim como em relação a valores humanos; • Bem-estar material: Consecução e relação com objetos, e a característica física dos ambientes em que vivem; Desta forma, a percepção infantil sobre a qualidade de vida requer muitos fatores. As crianças são suspeitas a mudanças, sendo influenciadas por eventos cotidianos e problemas crônicos. Para estas, bem-estar pode significar o quanto seus desejos e esperanças estão próximos da realidade. 1.2 A EDUCAÇÃO FÍSICA E QUALIDADE DE VIDA Acreditamos ser a educação física um processo de Educação em saúde, seja por vias formais ou não formais, pois ao promover uma educação efetiva para a saúde e uma ocupação saudável do tempo livre de lazer, constitui-se em um meio efetivo para a conquista de um estilo de vida ativo e em consequência favorece a obtenção de qualidade de vida. 1.3 SEGUNDO OS PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS ( Brail, 1998, b:36) As relações que se estabelecem entre Saúde e Educação Física são perceptíveis ao considerar- se a similaridade de objetos de conhecimentos envolvidos e relevantes em ambas às abordagens. Dessa forma, a preocupação e a responsabilidade na valorização de conhecimentos relativos à construção da autoestima e da identidade pessoal, ao cuidado do corpo, à consecução de amplitudes gestuais, à valorização dos vínculos afetivos e a negociação de atitudes e todas as implicações relativas à saúde da coletividade, são compartilhadas e constituem um campo de interação na atuação escolar. Asim, é correta a afirmação que a Educação Física possui um objetivo primordial: promover uma qualidade de vida favorável. 15 Segundo o Conselho Federal de Educação Física (CONFEF, 2002), o profissional de Educação Física é um especialista em atividades físicas, nas suas diversas manifestações, tendo como propósito prestar serviços que favoreçam o desenvolvimento da educação e da saúde, contribuindo para a capacitação e/ ou restabelecimento de níveis adequados de desempenho e condicionamento físico corporal dos seus beneficiários, visando à consecução do bem-estar, da consciência da expressão e estética do movimento, da prevenção de doenças, de problemas posturais, da compensação de distúrbios funcionais, contribuindo ainda para a consecução da autonomia, da autoestima, da solidariedade, da integração, da cidadania, das relações pessoais, da preservação do meio ambiente, visando, enfim à consecução da qualidade de vida. Portanto, a Educação Física deverá ser conduzida como um caminho de desenvolvimento de estilos de vidas ativas pelos brasileiros, para que possa contribuir para a qualidade de vida da população. Queremos enfatizar que durante a prática da Educação Física na escola, a criança está realizando as mais diferentes formas de movimento, em consequência disso realiza uma atividade física que lhe proporcionará uma boa qualidade de vida por diversos aspectos, sejam eles relacionados à satisfação pessoal, diversão, alegria, ludicidade, condicionamento físico e relacionamento interpessoal. Assim, na escola, a atividade física, promotora da qualidade de vida, é perfeitamente observável durante a prática ministrada pelo profissional de Educação física. Esta prática pode ser indicada como um dos fatores comprovadamente importantes para a aquisição de um estilo de vida saudável, sendo muito importante para a prevenção e combate aos agravos à saúde da nossa sociedade. CAPÍTULO IV PLANO DE ENSINO - UNIDADE V - 1-LAZER Lazer= deriva do latim licere, ou seja “ser licito” - “ser permitido”. Ócio (do latim otiu)= vagar, descanso, repouso, preguiça. Ociosidade (do latim otiositate)- o vício de gastar tempo inutilmente, preguiça, descanso = repouso, sossego, folga, vagar, pausa, apoio, demora. 1.1- Historia do Lazer – Breve relato As Preocupações Com os Momentos de Lazer e sua Importância Cresceram após a Revolução Industrial, momento em que a sociedade passa a ser chamada de “sociedade industrial” e os pensadores do século XIX começam a dar mais ênfase a essa questão em suas produções. A Europa vem se preocupando com a questão do lazer muito antes do Brasil; aqui o início se deu a partir da urbanização das cidades (Marcellino 2002). 16 No Brasil, a história da educação física e a do lazer caminham juntas; não é por acaso que o profissional de educação física foi considerado o mais apto a atuar no campo do lazer. Em uma época de mudança social, em meio ao processo de construção das grandes cidades, o lazer era o discurso de regeneração do homem da vida urbana. Em uma das primeiras publicações sobre o tema lazer, de autoria de Lenea Gaelzer, destaca-se a ênfase do “tempo livre” como forma de recuperação das forças físicas, psíquicas e espirituais. Para Gaelzer (1985),era necessário um processo de educação para o tempo livre, acreditava-se que esse era o meio pelo qual o indivíduo se conscientizaria do valor das Lazer e educação física atividades criadoras que “(...) não só estabelecem a sua saúde integral como podem constituir-se em uma promoção cultural no sentido de saber mais” Esse discurso focado na saúde e na educação da população é também presente na história do lazer de outros países, como Portugal. Em meio ao processo de urbanização da cidade, da mudança de sensibilidades nos sujeitos, da vida dividida pelo tempo do trabalho, o lazer era o tempo disponível em busca por uma vida saudável. Em Hasse (1999), podemos identificar uma narrativa de como era a vida em Oeiras, região próxima da cidade de Lisboa. É na natureza, na praia e no mar que os sujeitos, orientados pelo discurso médico, buscavam um estado de equilíbrio característico da saúde, na crença de que o banho de mar era fonte de regeneração do desgaste vivido na cidade. Sem desmerecer o fato de o Sesc se propor a sistematizar oconhecimento relacionado ao lazer, é fundamental compreender que essa influência é de caráter assistencialista e funcionalista e, segundo Marcellino tem contribuído para uma compreensão restrita à ideia de atividade e às possibilidades práticas proporcionadas por ela. O problema que se coloca é que o lazer passa a ser compreendido como mera ocupação, incentivando os sujeitos ao consumo passivo dos bens culturais, ficando para segundo plano o papel pedagógico da animação, de intervenção na cultura. A abrangência do lazer é um ponto relevante nos escritos de Marcellino. É uma questão que merece destaque, pelo fato de seu entendimento, na maioria das vezes, ser superficial, parcial e limitado; Constatamos isso tanto em ações dos órgãos públicos, quanto na legislação e também na pesquisa. Além disso, é necessário que o profissional tenha consciência dessa abrangência do lazer, sendo fundamental que se trabalhe com equipes multiprofissionais, buscando a interdisciplinaridade, mostrando que o trabalho integrado é um elemento facilitador da ação. Assim, é necessário que a atuação do profissional de lazer não esteja alienada dos problemas que permeiam essa área específica, pelo contrário, deve considerar em sua prática os fatores limitantes da participação em Lazer e educação física em momentos de lazer que sejam significativos, e procurar amenizar essas limitações. Com isso, o profissional contribui para a disseminação de uma ideia de lazer não excludente, demonstrando que são possíveis ações que vençam as barreiras sociais e culturais que restringem a prática de um lazer crítico e criativo a uma elite (Marcellino 2003). 1.2 FORMAÇÃO PROFISSIONAL EM LAZER O lazer, sendo um direito do cidadão pela Constituição de 1988, requer ações no âmbito das políticas públicas para a disseminação de atividades que enfoquem os vários conteúdos culturais. Sendo assim, Marcellino (2007) afirma que um dos aspectos fundamentais em políticas públicas nessa área diz respeito à formação e ao desenvolvimento de pessoal.O autor ainda examina as origens do profissional que atua na área, com base na diferenciação entre lazer e 17 trabalho, observando as mais variadas denominações para esse profissional, tais como: “chefes de prazer”, “consultores de lazer”, “recreacionistas”, “monitores”, “animadores”, entre outros. Essas denominações acabam insinuando uma visão restrita e limitada da abrangência do lazer. 1.3- CONCEITOS DE LAZER É conjunto de ocupações ás quais o individuo pode entregar-se de livre vontade,seja para repousar,seja para divertir-se,recrear-se e entreter-se,ou ainda para desenvolver sua informação ou formação desinteressada,sua participação social voluntária ou sua livre capacidade criadora após livrar-se das obrigações profissionais,familiares e sociais.( Dumazedier,1976) O indivíduo se libera à vontade do cansaço, repousando, do aborrecimento, divertindo-se, da especialização funcional, desenvolvendo de forma intencional as capacidades de seu corpo e espírito. ( Rolin ) Conjunto de atividades gratuitas, prazerosas, voluntárias e liberatórias, centradas em interesses culturais, físicos, manuais, intelectuais, artísticos e associativos, realizadas num tempo livre roubado ou conquistado historicamente sobre a jornada de trabalho profissional e doméstico e que interferem no desenvolvimento pessoal e social dos indivíduo. (Camargo, 1989, apud Oleias). 1.4-OS CONTEÚDOS DO LAZER E A ESPECIFICIDADE DA EDUCAÇÃO FÍSICA Para uma vivência efetiva de um lazer crítico e criativo, devemos reconhecer as possibilidades que a área oferece para um desenvolvimento social e pessoal, possibilitando contatos, e não somente levar em conta o divertimento e o descanso proporcionados nesses momentos, como já enfatizado em outros capítulos. Para que isso ocorra, é preciso estimular a população a participar de atividades de lazer, sendo, portanto, necessário um mínimo de orientação que permita a opção por qual seja a atividade. Assim, faremos a distinção das áreas abrangidas pelo lazer. Com base em Joffre Dumazedier e Luiz Octávio de Lima Camargo, Marcellino (2007) aponta seis áreas fundamentais do lazer: os interesses artísticos, os intelectuais, os físicos, os manuais, os sociais e os turísticos. Os interesses artísticos são aqueles em que é predominante o imaginário. Nesse sentido, vemos que as artes são exemplos desse interesse ou conteúdo cultural, como o teatro, o cinema, as apresentações artísticas de modo geral, as exposições. Para Dumazedier (1980), esse interesse envolve a necessidade de democratização das artes eruditas e a promoção das formas de arte tradicional e popular na cultura de hoje. Os interesses intelectuais são aqueles em que é predominante a busca pelo conhecimento sistematizado. Há também fronteiras entre o interesse artístico e o intelectual, por exemplo, um sujeito pode se interessar por assistir a um filme e também buscar conhecimento sobre a sua produção, a fim de identificar quem o dirigiu, quais os diferentes pontos de vista das pessoas que analisam o filme etc. A procura por cursos, a realização de leituras especializadas, de cunho científico, são exemplos desse tipo de interesse. Os interesses físicos ou físico-esportivos são aqueles que abrangem a cultura física, sendo que na sociedade contemporânea o esporte é um elemento da cultura amplamente difundido e comentado – no caso brasileiro, especialmente o futebol. No entanto, os interesses físicos não se restringem ao esporte, mas incluem as 18 diferentes manifestações culturais (danças,ginásticas, lutas, jogos etc.). Os interesses manuais são trabalhos executados no lar, nos quais se tem o predomínio das habilidades manuais, como pequenos reparos na casa, bricolagem, jardinagem, costura e tricô. De acordo com Dumazedier (1980),tais interesses ganham grande importância na sociedade atual, diante da despersonalização que é observada nas atividades do trabalho obrigatório. Os interesses sociais interesses turísticos são aqueles em que o principal foco é a sociabilidade. Segundo Dumazedier (1980), isso pode ocorrer em duas dimensões: 1) relacionada aos outros interesses, por exemplo, um grupo de amigos que se encontram aos domingos para jogar futebol; nesse caso pode estar presente tanto o interesse físico como o social . 2) relacionada aos comportamentos de lazer, como é o caso de pessoas que frequentam associações sociais. Os interesses turísticos são aqueles em que a busca é pela quebra da rotina temporal ou espacial e por conhecer culturas. Esse interesse pode ser exemplificado em passeios para outras cidades e países ou mesmo na própria cidade, tendo como intuito conhecer distintos espaços e usufruir de opções de lazer turístico. AO LONGO DO SEMESTRE DIVERSAS TAREFAS SERÃO APRESENTADA PARA VIVÊNCIA PRÁTICA. ATENÇÃO AOS EVENTOS PROJETO INTERDISCIPLINAR – DOMINGO ALEGRE - AÇÃO AFRO CULTURAL 19