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ROMANTISMO ROMANTISMO X ARCADISMO Não se pode lisonjear muito o Brasil de dever a Portugal sua primeira educação, tão mesquinha foi ela que bem parece ter sido dada por mãos avaras e pobres; contudo boa ou má dele herdou, e o confessamos, a literatura e a poesia, que chegadas a este terreno americano não perderam o seu caráter europeu. Com a poesia vieram todos os deuses do paganismo; espalharam-se pelo Brasil, e dos céus, e das florestas, e dos rios se apoderaram.(...) A poesia brasileira não é uma indígena civilizada; é uma grega vestida à francesa e à portuguesa, e climatizada no Brasil;(...) Enfeitiçados por esse nume sedutor, por essa bela estrangeira, os poetas brasileiros se deixaram levar por seus cânticos, e olvidaram a simples imagem que uma natureza virgem com tanta profusão lhes oferecia.(...) Em poesia requer-se mais que tudo invenção, gênio e novidade; repetidas imitações o espírito esterilizam, como a muita arte e preceitos tolhem e sufocam o gênio. As primeiras verdades da ciência, como os mais belos ornamentos da poesia, quando a todos pertencem, a ninguém honram. O que mais dá realce e nomeada a alguns dos nossos poetas não é certamente o uso dessas sediças fábulas, mas sim outras belezas naturais, não colhidas nos livros, e que só o céu da pátria lhes inspirará. (...) O homem colocado diante de um vasto mar, ou no cume de uma alta montanha, ou no meio de uma virgem e emaranhada floresta, não poderá ter por longo tempo os mesmos pensamentos, as mesmas inspirações, como se assistisse aos olímpicos jogos, ou na pacífica Arcádia habitasse. Se sobre tais pontos meditassem os primeiros poetas brasileiros, certo que logo teriam abandonado essa poesia estrangeira, que destruía a sublimidade de sua religião, paralisava-lhe o engenho, e o cegava na contemplação de uma natureza grandiosa, reduzindo-os afinal a meros imitadores. Não, eles não meditaram, nem meditar podiam; no princípio das coisas obra-se primeiro como se pode, a reflexão vem mais tarde (...) Os acontecimentos notáveis da história do Brasil se apresentam neste século como espécies de contrapancadas ou ecos dos grandes fatos modernos da Europa. ROMANTISMO (1836 – 1881) Contexto histórico (mundo) Revolução Francesa Ascenção da burguesia Liberalismo Declaração dos direitos do homem e do cidadão Art. 11 “...todo cidadão pode portanto , falar, escrever e imprimir livremente” Contexto histórico (Brasil) Chegada da Família Real Independência Implantação da imprensa Inauguração da Biblioteca Real Características Sentimentos e emoções Subjetivismo Individualismo Evasão (espaço e tempo) Nacionalismo Indianismo Natureza Liberdade de criação poética (verso livre e branco) Mal - do – Século (morte) Influências Mito “bom selvagem” (Rousseau) Movimentos na Alemanha que valoriza o nacional e o popular Publicação do romance Os sofrimentos do jovem Werther (Goethe) Primeira geração : nacionalismo ou indianismo SUSPIROS POÉTICOS E SAUDADES - Gonçalves de Magalhães -1836 É um livro de poesias escritas segundo as impressões dos lugares; ora sentado entre as ruínas da antiga Roma, meditando sobre a sorte dos impérios; ora no cimo dos Alpes, a imaginação vagando no infinito como um átomo no espaço; ora na gótica catedral, admirando a grandeza de Deus e os prodígios do cristianismo; ora entre os ciprestes que espalham sua sombra sobre túmulos; ora, enfim, refletindo sobre a sorte da pátria, sobre as paixões dos homens, sobre o nada da vida. São poesias de um peregrino, variadas como as cenas da natureza, diversas como as fases da vida, mas que se harmonizam pela unidade do pensamento e se ligam como os anéis de uma cadeia; poesias d’alma e do coração, e que só pela alma e o coração devem ser julgadas Características Exaltação do índio Valorização da nova pátria Menção ao passado histórico do país Autores Gonçalves de Magalhães – Suspiros poéticos e saudades (1836); Confederação dos Tamoios (1856): rebelião dos indígenas contra os colonos portugueses Gonçalves Dias (GODI) - Canção do Exílio: saudosismo, nacionalismo, exaltação da natureza, visão idealizada da pátria e religiosidade.) Joaquim Manuel de Macedo - “A Moreninha” (1844) Manuel Antônio de Almeida foi escritor - “Memórias de um Sargento de Milícias” (1852) José de Alencar - Cinco Minutos (1856), O Guarani (1857), A Viuvinha (1857), Iracema (1865) Principais Autores Gonçalves de Magalhães – Suspiros poéticos e saudades (1836); Confederação dos Tamoios (1856): rebelião dos indígenas contra os colonos portugueses Gonçalves Dias (GODI) - Canção do Exílio: saudosismo, nacionalismo, exaltação da natureza, visão idealizada da pátria e religiosidade.) Segunda geração: ultrarromântica e Mal - do - Século Lord Byron foi um poeta romântico inglês que influenciou toda uma geração de escritores com sua poesia ultrarromântica. A ele estão associados termos como o spleen, que significa tédio, mau humor e melancolia, geralmente causados por amores não correspondidos ou pela descrença na vida em razão da aproximação da morte. Autores “byronianos” Características Pessimismo Excesso de subjetividade Fantasia como fuga Mal – do - século Principais Autores Álvares de Azevedo - Lira dos Vinte Anos (publicada postumamente em 1853): caraterísticas góticas, pois retratam paisagens sombrias, donzelas em perigo, personagens misteriosas. Casimiro de Abreu - As primaveras (1859): linguagem simples, acompanhada por um ritmo fácil, rima pobre. Sentimentos saudosistas com relação à pátria e à infância. Fagundes Varela - Cântico do Calvário (1864) : morte Junqueira Freire (monge e poeta, seus versos oscilam entre a vida espiritual, a religiosa e o mundo material) - Inspirações do claustro (1855): morte Terceira geração romântica: condoreira Condor – ave que vive no alto das Cordilheiras dos Andes e que representa a liberdade. Victor-Marie Hugo foi um romancista, poeta, dramaturgo, ensaísta, artista, estadista e ativista pelos direitos humanos francês de grande atuação política em seu país Geração “hugoana” Características Poesia social Denúncia das condições dos escravos Igualdade, justiça e liberdade. Principais autores Castro Alves (“Poeta dos escravos”) - Espumas Flutuantes (1870): poesia lírico-amorosa; Vozes D'África: Navio Negreiro (1869): poesia social (eloquência, a utilização de hipérboles, de antíteses, de metáforas, comparações grandiosas e diversas figuras de linguagem) "Castro Alves do Brasil, hoje que o teu livro puro torna a nascer para a terra livre, deixa a mim, poeta da nossa América, coroar a tua cabeça com os louros do povo. Tua voz uniu-se à eterna e alta voz dos homens. Cantaste bem. Cantaste como se deve cantar. Pablo Neruda Sousândrade (Joaquim de Sousa Andrade) - Guesa Errante (escrito entre 1858 e 1888) (O aspecto que mais o diferencia dos outros poetas brasileiros é a originalidade da sua poesia, principalmente com relação à ousadia de vocabulário com o uso de palavras em inglês e neologismos, bem como de palavras indígenas.) Suspiros poéticos e saudades A lucífera estrela ali fulgura; Lá se ergue o Sol num Oceano de ouro, De rubins ondeado! Tu, que iluminas mil milhões de povos, Que outros tantos baixar tens visto ao nada, E outros tantos subir ao grau daqueles; Cem, e cem vezes eu te vi radiante Atravessar contente e vagaroso De minha Pátria os campos, Os serros, e as cidades(...) Sem este novo Deus morta já foras. Teus velhos deuses a paixões sujeitos, Teus senhores, teus Neros, e teus filhos (...) “A praça! A praça é do povo Como o céu é do condor” Castro Alves “Negras mulheres, suspendendo às tetas Magras crianças, cujas bocas pretas Rega o sangue das mães: Outras moças, mas nuas e espantadas, No turbilhão de espectros arrastadas, Em ânsia e mágoa vãs! E ri-se a orquestra irônica, estridente... E da ronda fantástica a serpente Faz doudas espirais... Se o velho arqueja, se no chão resvala, Ouvem-se gritos... o chicote estala. E voam mais e mais...Presa nos elos de uma só cadeia, A multidão faminta cambaleia, E chora e dança ali! Um de raiva delira, outro enlouquece, Outro, que martírios embrutece, Cantando, geme e ri!” Canção do Exílio Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá; As aves que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá. Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores, Nossas flores têm mais vida, Nossa vida mais amores.