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Assistência de Enfermagem à Criança e Adolescente com TRAUMATISMO CRANIOENCEFÁLICO (TCE) OBJETIVOS A SEREM ALCANÇADOS v Conhecer a definição, a fisiopatologia, a epidemiologia e a eMologia do TCE na infância; v IdenMficar os sinais associados à gravidade do TCE na infância; v Definir a sequência adequada do atendimento pré-hospitalar baseado no ABCDE; v IdenMficar os principais diagnósMcos de enfermagem relacionados ao atendimento da criança com TCE; v Selecionar as intervenções de enfermagem apropriadas para o cuidado da criança com TCE. Trauma Cranioencefálico (TCE) é qualquer agressão que acarrete como resultado lesão anatômica ou compromeMmento de: v couro cabeludo; v crânio; v meninges; v encéfalo. Definição Classificada em duas etapas: a lesão cerebral primária e a lesão cerebral secundária. Primária: ocorre no momento do trauma e correspondem principalmente às fraturas, contusões cerebrais, lacerações da substância cinzenta e à lesão axonal difusa (LAD). § É aquela que não pode ser evitada § É devido ao impacto direto do trauma § É proporcional à intensidade e duração da força aplicada, assim como a direção do impacto § Pode ser focal ou difusa Fisiopatologia Secundária: é determinada por processos iniciados no momento do trauma, mas evidenciada clinicamente algum tempo depois que ocorrem devido à hipotensão, hipoxemia, hipovenMlação, edema cerebral e formação de hematomas. v Pode ser evitada ou, pelo menos, minimizada; v Devido a uma cascata de resposta metabólica que leva a lesão secundária; v Ocorre minutos, horas ou dias após a lesão primária; v Pode levar a dano parenquimatoso, piorando o dano neurológico. • Principais lesões secundárias: hematomas intracranianos, hipertensão Intracraniana (HIC) e Lesão cerebral isquêmica. • Hematomas intracranianos classificam-se em: epidurais, subdurais e intraparenquimatosas. Fisiopatologia Imagem: Google imagem Imagem: Google imagem Espaço entra a duramater e a aracnóide Imagem: Google imagem Imagem: Google imagem TCE: consMtui frequente causa de invalidez e morte em crianças e jovens em todo o mundo. • EUA: < de 14 anos - representa aproximadamente 500 mil visitas aos PS/PA o 37 mil hospitalizações por ano o mais de 2.000 mortes por ano. • A maioria das crianças com traumaMsmo craniano são jovens, de sexo masculino e tem trauma leve. Epidemiologia Um grande estudo realizado no Reino Unido com 10.965 crianças com trauma leve demonstrou que : • 55% das crianças eram < de cinco anos; • 28% Mnham menos do que dois anos de idade; • Meninos representaram 65% dos pacientes; • 98% das crianças Mnham escores de Escala de Coma de Glasgow (ECG) de 15. Epidemiologia Dentre os mecanismo mais comuns de TCE destacam-se: • as quedas (mais comum); • acidentes automobilísMcos; • acidentes de pedestres e bicicletas; • projéteis; • assaltos; • trauma relacionado ao esporte; • abuso. A real incidência de lesão cerebral traumáMca, clinicamente importante, após traumaMsmo craniano leve é desconhecida. EJologia: Deve seguir o protocolo do Prehospital Trauma Life Support (PHTLS) Suporte de Vida Pré-Hospitalar ao Trauma (SVPHT) Este protocolo define a sequência adequada do atendimento pré-hospitalar aos doentes traumaMzados, baseado nos ABCDE´s: A - (Airway - Via aérea): Manter vias aéreas pérvias com proteção da coluna cervical; B - (Breathing - Respiração): Avaliar e manter respiração e venMlação adequadas; C - (Circula>on - Circulação): Controlar sangramento externo e iniciar reposição volêmica; D - (Disability - Incapacidade): Avaliar o estado neurológico; E - (Exposure/Environment - Exposição/Controle ambiental): Despir completamente o doente para que nenhuma lesão passe despercebida, protegendo da hipotermia. Atendimento Pré Hospitalar A de Airway (ou via aérea) - Vias aéreas e controle da coluna cervical. 1ª fase do atendimento: o socorrista deve checar se a criança ou adolescente está com as vias aéreas desobstruídas. • É importante verificar se não há corpos estranhos impedindo a respiração, fraturas de face ou qualquer lesão na coluna cervical. • Todo o processo deve ser táJl: sinais de edemas e/ou sangramentos e observando se a víMma não emite qualquer som durante a respiração, tosse ou apresenta alguma agitação. • GaranMda a permeabilização, o colar cervical deve ser colocado. B de Breathing (ou respiração) - Respiração e venMlação. Depois de garanMr a permeabilidade das vias respiratórias, é preciso aferir se a criança está, de fato, respirando bem. • Observar os movimentos do tórax, fazer ausculta a fim de eliminar qualquer lesão torácica e, se necessário, uMlizar métodos de venMlação mecânica para reestabelecer a função. C de Circula2on (ou circulação) - Circulação com controle de hemorragia. Após os primeiros procedimentos, é preciso impedir que a víMma entre em quadros como a hipovolemia, que podem trazer como consequência o choque hemorrágico. • Realizar palpação, verificar o dorso e idenMficar de onde surgiu a hemorragia é o primeiro passo para sua contenção. • Impedir que a criança conMnue perdendo sangue durante o atendimento pode ser decisivo para que o óbito não aconteça. • Nessa etapa também são aferidos a frequência e a amplitude do pulso, a perfusão periférica, a pressão arterial, ainda notando se há sudorese. D de Disability (incapacidade) - Exame neurológico sumário Uma avaliação primária do nível de consciência da víMma deve ser determinada no momento do primeiro atendimento para que, depois, seja encaminhada e classificada pela Escala de Coma de Glasgow Pediátrica. • A primeira verificação deve ser feita pelo método AVDI: Alerta - resposta a esrmulo Verbal, resposta a esrmulo Doloroso ou Inconsciente aos esrmulos. • Depois da primeira classificação, o paciente deve passar por um novo teste ao chegar na unidade de atendimento. Soma total de 15 pontos = normal Soma total de 3 pontos = criança em coma - Abertura Ocular = O - Resposta Verbal = V - Resposta Motora = M - Resultado da avaliação: O4V4M5 = 13 TCE severo (escore Glasgow: 3-8); TCE moderado (escore Glasgow: 9-12); TCE leve (escore Glasgow: 13-15). Escala de Glasgow para adolescentes e adultos E de Exposure (ou exposição) - Exposição com controle da hipotermia Para idenMficar fraturas e hemorragias, a víMma deve ser despida. • Para facilitar o trabalho e impedir novos traumas, corta-se a roupa. • Nesse procedimento, é comum que a temperatura do corpo baixe, deixando as crianças mais suscerveis à hipotermia. • Assim, antes da remoção é preciso garanMr que sua temperatura esteja estável. Por isso, é preciso ter mantas térmicas sempre à mão. A definição de “lesão cerebral traumáJca de importância clínica” considera os seguintes pontos: • presença de uma lesão intracraniana (por exemplo, hematoma peridural, hematoma subdural ou contusão cerebral) na TC (tomografia de crânio), associada a um ou mais dos seguintes fatores: • Intervenção neurocirúrgica (cirurgia ou monitorização invasiva da pressão intracraniana) • Intubação endotraqueal para o tratamento de lesões cerebrais • Hospitalização diretamente relacionada à lesão na cabeça por pelo menos 48 horas • Morte • OU • Fratura de crânio deprimida que jusMfique correção cirúrgica; • Achados clínicos de uma fratura de base de crânio (equimose periorbital, sinal de BaSle, hemormpano, otorréia do líquido cefalorraquidiano [LCR] ou rinorréia do LCR). O que define uma lesão traumáJca? equimose periorbital sinal de BaSle Na admissão na unidade hospitalar da criança ou adolescente com história de TCE a primeira medida a ser feita é aestabilização clínica (ABCDE) e ser colhida uma história sumária com atenção especial aos pontos abaixo: • Qual a Idade da criança? • Mecanismo da injúria X fatores protetores? • Houve perda de consciência? Por quanto tempo? • Presença de vômitos? • Presença de cefaleia? • Distúrbios visuais? • Existe algum déficit focal? • Os sintomas estão progredindo? Anamnese Exame zsico geral com uma atenção especial ao exame neurológico: ü Avaliar couro cabeludo (presença de feridas abertas na cabeça); ü Avaliar nível de consciência (Escala de Coma de Glasgow para crianças – ECG); ü Avaliar pupilas e seus reflexos; ü Avaliar função cerebelar*; ü Avaliar função motora; ü Avaliar sensibilidade; ü Avaliar reflexos. Exame Físico • Dissinergia: coordenação deficiente de grupo de músculos ou órgãos que normalmente trabalham em concordância. • Tremor • Dismetria: interpretação errônea da distância, desorientação espacial e incapacidade para alcançar com precisão um ponto determinado, mas não há interpretação errônea se esse ponto determinado esta à frente, atrás ou de ambos os lados. • Hipotonia: diminuição do tônus muscular e da força, o que causa moleza e flacidez. • Falta de coordenação motora • Disartria: arMculação da fala pode ser lenta, atáxica, pastosa, arrastada, espasmódica ou do Mpo explosivo, devido a dissinergia do músculo da fonação. • Nistagmo: são oscilações rítmicas, repeMdas e involuntárias de um ou ambos os olhos. Exame Físico – funções cerebelares anormais Exame clínico Exames de imagem • O traumaMsmo de repercussão clínica importante requer diagnósMco rápido, especialmente quando o tratamento consiste em intervenção cirúrgica imediata. DiagnósJco Mecanismos de trauma grave • Ejeção do carro • Acidente automobilísMco com morte de um dos passageiros • Capotamento • Atropelamento de pedestre ou ciclista sem capacete • Quedas de mais de 0,9m (< 2 anos) e mais de 1,5m (≥ 2 anos) • Trauma ocasionado por objeto de alto impacto ALGORITMO DE DECISÃO PARA TRAUMA CRANIANO - PECARN CRIANÇAS COM IDADE < 2 ANOS CRIANÇAS COM 2 ANOS OU MAIS TC de Crânio recomendado se as caracterís2cas abaixo es2verem presentes (taxa de TC = 14%) EG Pediátrica = 14 EG Pediátrica = 14 Outros sinais de estado mental alterado Outros sinais de estado mental alterado Fratura de crânio palpável Sinais de fratura de base de crânio Se nenhuma das situações anteriores es2verem presentes, observação e se qualquer uma das seguintes caracterís2cas es2ver presente (cerca de 30% dos pacientes): Hematoma subgaleal não frontal História de perda de consciência História de perda de consciência de mais de 5 segundos História de vômitos Mecanismo de trauma grave Mecanismo de trauma grave Não está normal segundo os pais Cafaleia forte Se nenhuma dessas situações es2ver presente, a tomografia não é recomendada. ALGORITMO DO PECARN Ajuda na tomada de decisão em relação à realização ou não de tomografia de crânio, observação ou alta. Para a estraMficação de risco, inicialmente dividimos em 2 grupos, de acordo com a faixa etária: < 2 anos ≥ 2 anos Tratamento Uma observação adequada da resposta da criança deve ser feita. Em caso de hospitalização a criança será internado na UTI Pediátrica. • Cabeceira elevada – decúbito em 30°. • Cabeça em linha média – O colar cervical pode ser manMdo a fim de evitar a instabilidade no fluxo de sangue para o cérebro. • Monitorização de SSVV (FC, FR, PA, T). • Oxigenoterapia – oxigênio de baixo fluxo suplementar de modo a evitar parada respiratória. A intubação pode ser feita, de acordo com a conduta médica, de modo a oMmizar o fluxo de ar para as vias respiratórias. • Fisioterapia Respiratória – imprescindível para prevenção de complicações respiratórias. Tratamento • Analgesia – A dor deve ser controlada através de analgésicos por via intravenosa. • Hidratação Venosa – Manutenção normovolemia. • Sonda oro/nasogástrica para descompressão gástrica. A nutrição enteral deve ser iniciada após 48 horas de admissão na UTI. • Sonda vesical de demora para controle do balanço hídrico. • Controle Glicêmico e de Sódio. DiagnósJcos de Enfermagem v Capacidade adaptaMva intracraniana diminuída v Risco de perfusão Mssular ineficaz cerebral v Hipertermia v Padrão respiratório ineficaz v Risco de aspiração v Nutrição desequilibrada: menos do que as necessidades corporais v Risco de consMpação v Dor aguda v Risco de infecção v Risco de integridade da pele prejudicada Assistência de enfermagem – Intervenções de Enfermagem • Manter crânio alinhado e decúbito elevado a 30º; • Imobilização da coluna (colar cervical, prancha rígida e mobilização em bloco); • UMlizar protetores nas laterais da cama; • Avaliação Nível de Consciência (Escala de Coma de Glasgow) e Atentar para Crises Convulsivas; • Monitorização da PIC (normal em níveis menores que 10 mmHg); • Monitorização da Temperatura; • Monitorização Cardíaca (FC e PAM); • Monitorização Respiratória (FR e padrão respiratório); • Monitorização da SAT O2; Assistência de enfermagem – Intervenções de Enfermagem • Manter vias aéreas pérvias; • Manter acesso venoso calibroso ou cateter venoso central pérvio; • Controle de glicemia capilar na admissão e de 3/3 horas; • Se necessidade de bomba de insulina, glicemia capilar de 1/1 hora; • Realizar balanço hídrico de 6 em 6 horas; • Proteger os olhos entreabertos aplicando creme protetor ocular (Epitezan®) na pálpebra inferior a cada oito horas (CPM); • UMlização de medidas descompressivas nos locais de maior apoio se mudança de decúbito contra indicada (HIC). Bibliografia • Dunning, J; Daly, J P; Malhotra, R; et al. The implicaMons of NICE guidelines on the management of children presenMng with head injury. The Children’s Head injury Algorithm for the IdenMficaMon of significant Clinical Events Study (CHALICE Study). Available in: Archives of Disease in Chidhood. h�p://adc.bmj.com/content/89/8/763.long. • HOCKENBERRY J H, WILSON, D. WONG, Fundamentos de Enfermagem Pediátrica, 8º. Edição, ed. Elsevier, 2011. Estudo de Caso • Criança de 07 anos, sexo masculino, cor amarela, deu entrada na Unidade de Emergência de um Hospital Municipal no dia 20/05 proveniente de seu domicilio, devido a TraumaMsmo Cranioencefálico causado por agressão zsica. DiagnósMco de TCE e Hematoma Subdural. • Paciente encontra-se no 16º dia de internação, em coma induzido, não resposnsivo, afebril, bradpenico FR 18 ipm, sat O² 99%, normocardico 108 bpm, normotenso 100 x 60 mmHg. Pele e Mucosas anictéricas, acianóMcas, hipocoradas. Em uso de colar cervical. Calota craniana sem presença óssea em região frontal D, sutura na região frontal-parietal D. Hematoma periorbital bilateral. Pupilas em midríase, bleno�almia (inflamação da conjunMva palpebral), sutura no sulco palpebral lateral esquerdo. Orelhas com cerúmen, otorreia e pavilhão auricular integro. Septo nasal sem desvio. SNG aberta com débito de secreção biliar de cor esverdeada. Palato integro, língua saburrosa, com tubo orotraqueal. Cateter Venoso Central em Veia Subclávia D sem sinais flogísMcos. Tórax simétrico com boa expansibilidade. MV + S/ruídos advenrcios. BRNF 2t s/sopro. Abdome plano, flácido, Mmpânico, RHA+. SVD com débito de 100 ml, coloração amarelo escuro. Lesão por pressão grau II em região sacra com curaMvo. Edema em MMSS e MMII; lesão por pressão grau II em região do calcâneo D. Extremidades frias e perfundidas. • Levando em consideração o caso acima e a fisiopatologia do TCE: Que Mpo de lesão esta criança apresenta? • Levando em consideração a epidemiologia do TCE: O caso acima se enquadra nas estarsMcas? Por que? • De acordo com a classificação do TCE, como você classificaria a gravidade deste paciente? • Façalevantamento de 2 diagnósMcos de enfermagem para este paciente. • Estabeleça um plano assistencial para cada diagnósMco (Metas e Intervenções). • Efetue as prescrições de enfermagem.