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AFETIVIDADE E SEXUALIDADE NA 
EDUCAÇÃO ESPECIAL 
Me. Denise Marques Alexandre 
GUIA DA 
DISCIPLINA 
 2020 
 
 
1 Afetividade e Sexualidade na Educação Especial 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
1. AFETIVIDADE E O CONTEXTO ESCOLAR INCLUSIVO 
 
Objetivo 
Compreender o conceito de afetividade no contexto escolar inclusivo. 
 
Introdução 
Atualmente, vivemos em condições desafiadoras como seres humanos, a rotina 
moderna exige estarmos cada vez mais antenados a tudo que nos rodeia, exigindo grandes 
resultados, mesmo diante de tantos acúmulos de tarefas e funções. 
 
O contexto do século XXI pautado por novos paradigmas mostra que, cada vez mais, 
precisaremos estar preparados para lidar com a diversidade, seja ela, humana, social ou 
de opinião. 
 
A diversidade surge como temática para ser desenvolvida e para a escola, 
possibilitando debates, promovendo leis, atividades, congressos e tudo que estimule os 
conhecimentos relacionados às pessoas com deficiência. 
 
Porém, para que isso realmente 
aconteça, nós como educadores precisamos 
refletir sobre o novo papel da escola 
contemporânea no processo de inclusão de 
alunos com deficiência e que elementos 
utilizamos para identificar a afetividade nos 
processos educativos de inclusão. 
 
Partindo dessas reflexões, cabe ressaltar que por muito tempo estivemos permeados 
por uma enorme barreira, a qual promovia a exclusão e perdurou por longos séculos, ainda 
deixando alguns vestígios que persistem até os dias atuais. 
 
Sabemos que uma das premissas básicas é: todo o ser humano tem direito a 
educação. Para que esse direito fundamental seja assegurado, cabe a nós educadores 
lembrarmos de alguns documentos decisivos: 
 
Fonte da imagem: 
http://jobller.com/aescolanoseculoxxi/wp-
content/uploads/2012/09/Capa-Google.png 
 
 
 
2 Afetividade e Sexualidade na Educação Especial 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
✓ A Constituição Federal Brasileira (1988) - educação é direito de todos e dever do 
Estado e da família, visando preparar a pessoa para o exercício da cidadania e 
para o trabalho. 
✓ Declaração de Salamanca (1994) - toda criança tem a educação como direito 
fundamental, devendo ser dada a oportunidade de aprender. 
✓ A Lei 9394/1996, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) - a 
educação especial será oferecida preferencialmente na rede regular de ensino e a 
Lei 13.146/2015, 
✓ Lei Brasileira de Inclusão (LBI) - toda pessoa com deficiência terá direito à 
igualdade de oportunidades e não sofrerá nenhuma espécie de discriminação. 
 
O conceito de sociedade inclusiva veio se fortalecendo através das leis, das 
campanhas de conscientização e das mudanças de atitudes. 
 
No contexto educativo as mudanças vieram com a convivência das diferenças que 
promoveram a valorização das potencialidades de cada um, vemos aqui que a escola 
inclusiva se transformou em um espaço de convivência entre todas as diversidades 
humanas. 
 
Segundo Mattos (2008), a 
afetividade é um caminho para incluir 
qualquer educando no ambiente 
escolar, sendo considerada a 
mediadora entre a aprendizagem e 
os relacionamentos desenvolvidos 
em sala de aula, na busca da 
inclusão de qualquer educando na 
escola. 
 
 
Fonte da imagem: 
http://www.eapevirtual.se.df.gov.br/ 
Fonte da imagem: 
 
 
3 Afetividade e Sexualidade na Educação Especial 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Na teoria de Henry Wallon (1971), a 
dimensão afetiva ocupa lugar central tanto 
do ponto de vista da construção da pessoa, 
quanto na construção do conhecimento. 
Para esse autor, a formação da pessoa tem 
seus aspectos integrados (afetivo, motor e 
cognitivo), sendo que a afetividade é vista 
em diferentes aspectos e estágios, seja 
através das características sociais de cada 
idade: orgânicas, orais e morais; ou através 
das condições de maturação do ser 
humano: emoções, sentimentos e paixão. 
 
Segundo Wallon (1951), a escola não deveria apenas lidar com a mente, mas 
também com o corpo e com as emoções das crianças, fundamentando suas ideias em 
quatro elementos básicos: 
 
 
Percebe-se, então, que é no convívio com o meio que a expressão da afetividade 
evolui, sendo a escola o meio social necessário para a aprendizagem do aluno, é 
imprescindível programações que articulem o desenvolvimento de aspectos cognitivos e 
afetivos. 
 
 
 
A afetividade
O movimento 
A inteligência
A formação do eu como pessoa
Fonte da imagem: 
http://jobller.com/aescolanoseculoxxi/wp-
content/uploads/2012/09/Capa-Google.png 
 
 
 
4 Afetividade e Sexualidade na Educação Especial 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Segundo Almeida (2012, p.53): 
A afetividade, termo mais abrangente, inclui os sentimentos que são estados 
subjetivos mais duradouros e menos orgânicos que as emoções das quais se 
diferenciam nitidamente. As emoções, uma das formas de afetividade, são 
verdadeiras síndromes: de cólera, medo, tristeza, alegria, timidez. A afetividade, 
com este sentido abrangente, evolui ao longo da psicogênese, uma vez que 
incorpora as conquistas realizadas no plano da inteligência. 
 
Perpassando, pelo sentido abrangente da afetividade percebemos a importância do 
desenvolvimento das relações afetivas, suas ações propiciam um ambiente acolhedor e 
saudável de aprendizagem para o aluno com deficiência. O professor que efetiva essa 
prática em sala de aula consegue obter de seus alunos superações de barreiras e bloqueios 
que o impedem, muitas vezes, de aprender. 
 
Segundo Tardif (2002), aprender é adquirir conhecimentos, construir saberes que 
são ferramentas para desenvolver seu trabalho. O professor vai aprendendo a ensinar 
enfrentando cotidianamente diversas situações que lhe possibilitam construir tais 
ferramentas. 
 
De acordo com essa tipologia, os saberes dos professores possuem várias fontes de 
aquisição e diferentes modos de integração no trabalho docente. Sabemos, em todos os 
segmentos profissionais, a formação é um processo diário e continuo para toda a vida. 
 
Na docência, este quadro não é diferente, o professor tem que focar a aprendizagem 
permanente, estruturar seus saberes e consolidar sua trajetória. Porque ela é permanente, 
se faz de diversas formas, e é adquirida em lugares distintos. 
 
Conforme Mantoan (2008), ainda temos muitas barreiras a serem ultrapassadas para 
que a educação inclusiva seja de fato e de direito, uma conquista da educação brasileira. 
Ainda, precisamos mobilizar mais no sentido de compatibilizar suas intenções inclusivas 
com suas propostas de trabalho pedagógico e com o aprimoramento do processo educativo 
de todos os alunos. 
 
Conclusão 
Iniciamos nessa unidade a oportunidade de relembrar que a escola atua como 
provedora de acesso a todos para aprendizagem, isso envolve os aspectos cognitivos, bem 
como, os aspectos afetivos. 
 
 
5 Afetividade e Sexualidade na Educação Especial 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
 Sabemos que a função da escola é promover a aprendizagem no sentido de 
oportunizar o aluno superar seus próprios limites, estimulando sua permanência na escola. 
 
No que se refere à educação inclusiva, sabemos que a verdadeira inclusão não é 
apenas abrir as portas para todos os alunos, como educadores, devemos compreender que 
o ambiente escolar deve apresentar características saudáveis para cada vez mais estimular 
confiança e participação dos alunos. 
 
Portanto, redimensionar aspectos na estrutura física, desenvolver adaptações 
curriculares e promover as mudanças de atitudes dos educadores fará com que realmente 
os alunos ampliem o convívio social e vivenciem uma aprendizagem significativa. 
 
 A oportunidade de ampliar contato social 
entre toda comunidade escolar, mostrará que 
incluir, perpassa pela ressignificação do papel da 
escola contemporânea e reforçaa importância do 
afeto, propiciando um ambiente de aprendizagem 
acolhedor e produtivo. 
 
Apesar dos contextos tradicionalistas 
enraizados, é preciso acreditar que tal tarefa é 
possível e importante para o desenvolvimento 
humano, na próxima unidade iremos 
compreender mais, que aspectos são esses que 
promovem os diferentes saberes, possibilitando a formação e o desenvolvimento de um 
indivíduo capaz de dialogar com as diferenças e a diversidade humana. 
 
 
 
 
 
Fonte da imagem: 
http://www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/educ
acao/img/0388_01.jpg 
 
 
6 Afetividade e Sexualidade na Educação Especial 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
2. DESENVOLVIMENTO HUMANO, AFETIVIDADE E INCLUSÃO 
ESCOLAR. 
 
Objetivo 
Compreender as visões de Piaget, Vygotsky e Wallon a respeito do desenvolvimento 
humano, suas concepções e aspectos relevantes. 
 
Introdução 
Conhecer o ser humano abrange compreender todos os aspectos que envolvem 
suas fases de desenvolvimento, partindo do seu nascimento, passando pelo seu 
crescimento até maturidade. 
 
A maioria dos estudos e pesquisas evidenciam que de acordo com a faixa etária 
podemos perceber, compreender e se comportar de diferentes formas. Quando estudamos 
o desenvolvimento humano significa conhecer as características comuns de várias faixas 
etárias, sendo assim, permitindo reconhecer as individualidades. 
 
O estudo do desenvolvimento humano é considerado um campo repleto de 
descobertas, todas as pesquisas resultaram na elaboração de várias teorias que 
demonstram diferentes concepções sobre as etapas de desenvolvimento. 
 
Nesta unidade, abordaremos visões diferentes de: 
 
 
 
PIAGET
VYGOTSKY
WALLON
 
 
7 Afetividade e Sexualidade na Educação Especial 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Ao iniciar o estudo do desenvolvimento humano, percebemos que seu grande 
desafio é compreender o homem em sua totalidade, sendo assim, abordaremos todos os 
aspectos que envolvem seu nascimento até a maturidade. 
 
Sabemos que o desenvolvimento humano é vivenciado junto aos acontecimentos da 
vida, a cada acontecimento demonstramos aspectos do comportamento humano que são 
expressos através dos sentimentos e emoções. 
 
Os estados emocionais e sentimentais formam a afetividade, Mahoney e Almeida 
(2007, p.17) afirmam que ‚ a afetividade se refere à capacidade, à disposição do ser humano 
ser afetado pelo mundo externo e interno por meio de sensações agradáveis ou 
desagradáveis. 
 
Ao estudarmos o desenvolvimento humano, 
percebemos que nos primeiros meses de vida, que o 
bebê usa a afetividade para se expressar e interagir 
com as pessoas. A cada etapa que a criança vai 
adquirindo novas experiências, como andar, falar e 
manipular objetos sua afetividade está mais voltada 
para o exterior, sendo assim, para o conhecimento. 
 
A afetividade tem um papel 
importantíssimo no desenvolvimento intelectual, 
pois através da aprendizagem os vínculos vão 
sendo construídos e a criança vai adquirindo novos conhecimentos ao longo do seu 
desenvolvimento biológico. 
 
Para compreender melhor a interferência da afetividade na inclusão e nos processos 
de ensino-aprendizagem, faz-se necessário entender o processo de desenvolvimento 
humano, através das ideias de Piaget, Vygotsky e Wallon. 
 
No quadro comparativo entre os teóricos, podemos observar a relação do indivíduo 
com o mundo, de acordo com cada autor o indivíduo apresenta determinada concepção. 
Por exemplo, para Piaget existe uma construção de conhecimento a cada estágio do 
desenvolvimento; para Vygotsky o desenvolvimento e a aprendizagem do indivíduo 
Fonte da imagem:https://encrypted-
tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTgN2u9XR2Bw
yzsvw9vpPZ04bIlkwB_30MKdLpL1ZTZrb7_jdRbvw 
 
 
8 Afetividade e Sexualidade na Educação Especial 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
acontecem na interação social através da mediação. Já a teoria de Wallon, considera que 
o desenvolvimento da pessoa é integrado ao meio que está inserido, contando com os 
aspectos afetivo, cognitivo e motor. 
 
QUADRO COMPARATIVO 
 
 
 
 
Contaremos com as contribuições das diferentes teorias, a de Jean Piaget (1896-
1980) que dedicou sua vida investigando o desenvolvimento cognitivo humano, 
desvendando pontos importantes no desenvolvimento infantil. De acordo com sua teoria de 
aprendizagem o desenvolvimento cognitivo das crianças ocorre em quatro estágios 
diferentes: sensório-motor; pré-operatório, operacional concreto e operacional formal. 
 
As ideias de Piaget representam um grande avanço quando o assunto é afetividade 
nos processos de ensino-aprendizagem, esclarecendo que: 
A afetividade seria a energia que move a ação, enquanto a razão seria o que 
possibilitaria ao sujeito identificar os desejos, sentimentos variados e obter êxito nas 
ações. Neste caso, não há conflito entre as duas partes. Porém, pensar a razão 
contra a afetividade é problemático porque então dever-se-ia de alguma forma, 
dotar a razão de algum poder semelhante ao da afetividade, ou seja, reconhecer 
nela a característica móvel de energia. (LA TAILLE, 1992, p.65) 
 
 
Fonte da imagem: https://www.soescola.com/wp-content/uploads/2017/11/quadro-comparativo-das-concepcoes-de-
aprendizagem 
 
 
9 Afetividade e Sexualidade na Educação Especial 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Pensando no desenvolvimento do indivíduo para Vygotsky, considera que seu 
conhecimento é adquirido através da interação com o meio, processo conhecido como 
mediação. O autor ressalta o desenvolvimento do indivíduo apontando o processo histórico-
social e a linguagem, para ele não é suficiente ter todo o aparato biológico para realizar 
uma tarefa. 
 
Já a teoria de Wallon, considera o desenvolvimento da pessoa completa integrada 
ao meio que está imersa, incluindo os aspectos afetivos, cognitivo e motor. Nesse caso, a 
pessoa é vista como um conjunto funcional resultante da integração de suas dimensões, 
cujo desenvolvimento se dá na integração de seu aparato orgânico com o meio e 
predominantemente com o social. 
 
Conhecer a visão dos autores nos possibilita compreender que todos os seres 
humanos são movidos através de seus comportamentos e podem alterar suas ações devido 
aos fatores sentimentais, físicos e intelectuais. Agora mais do que nunca, podemos 
perceber que o quesito afetividade exerce uma enorme influência no desenvolvimento 
cognitivo dos indivíduos em processo de formação. 
 
Com base no que vimos, é essencial que as escolas estabeleçam estratégias 
educacionais que permitam mais que o desempenho cognitivo, enfatizando o 
desenvolvimento das emoções e sentimentos que tornam a aprendizagem mais prazerosa 
e completa. 
 
Conclusão 
Como vimos, um processo de inclusão eficaz está intimamente ligado as relações 
afetivas, sendo assim, torna-se imprescindível que o aluno esteja rodeado de atitudes de 
afeto no âmbito escolar. 
 
Cabe ressaltar, que afeto não é atenção, o aluno necessita sentir-se acolhido. Criar 
apenas estratégias de entretenimento e interação não é suficiente para estabelecer o 
vínculo de afeto. 
 
O aluno deve ser visto como ser humano dotado de emoções possuindo a 
necessidade de manter vínculos de carinho em todo o contexto escolar que ele circule. O 
 
 
10 Afetividade e Sexualidade na Educação Especial 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
ambiente escolar deve proporcionar alternativas para que esse alunado se descubra diante 
do mundo. 
 
Sabemos que a inclusão social envolve uma postura de aceitação e respeito pelas 
diferenças, oportunidade de vivência plena nos diversos contextos: escolar, familiar, 
mercado de trabalho e lazer, disponibilizando assim, as mesmas oportunidades para todos. 
 
PARA REFLETIR! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
11 Afetividade e Sexualidade na EducaçãoEspecial 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
3. DEFICIÊNCIA E SEXUALIDADE 
 
Objetivo 
Compreender o conceito de sexualidade e as suas implicações na deficiência. 
 
Introdução 
Inicialmente é necessário que tenhamos clareza sobre os significados dos termos 
sexo e sexualidade, nessa unidade daremos ênfase ao conceito de sexualidade. 
 
 A sexualidade é um fenômeno muito mais abrangente do que a expressão de 
práticas sexuais e, em todos os casos, essas expressões sexuais têm representações a 
partir de como cada sociedade em diferentes momentos históricos se organiza. 
 
 Nesse sentido, embora se revele em sujeitos particulares a sexualidade reflete 
questões sociais e culturais, sendo constituída por quatro elementos primordiais: 
 
 
 
Devemos lembrar que a sexualidade é forma de comunicação e pode ser aprendida, 
controlada e dominada pela consciência, pela vontade, assim como pela liberdade das 
pessoas. 
 
Por isso, se constitui na linguagem de entendimento do ser humano, na interação de 
acasalamento e têm múltiplas formas de manifestação, segundo a idade, sexo, etnias, 
costumes, valores e normas. 
Potencial Biológico
Processo de Socialização
Capacidade Psico-Emocional
Dimensão Integradora
Fonte: Elaborado pela Autora (2018) 
 
 
 
12 Afetividade e Sexualidade na Educação Especial 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
O preconceito aparece arraigado em 
relação à sexualidade das pessoas com 
deficiência, demonstrado, através da 
negação e do pouco caso sobre a mesma. 
O desafio que se apresenta para a pessoa 
com deficiência é superar o estereótipo de 
que ela é “incapaz de aprender normas 
como as outras pessoas”. 
 
As pessoas com deficiência levam 
mais tempo para aprender a amar a si 
mesmas e a seu próprio corpo, sem se 
importar com os padrões ideais trazidos pela 
mídia, cinema, moda, televisão, revistas. 
 
Antes de tudo ela faz e refaz um 
caminho longo, incluindo fases de negação. 
Envolve ainda, um processo complexo de 
auto-aceitação da deficiência, tal processo 
se apresenta em três níveis: 
 
 
A mudança na forma de abordagem da sexualidade e da afetividade da pessoa com 
deficiência implica em resultados extremamente significativos no sentido de ser pessoa 
passiva de cidadania, uma vez que parece ser um desejo humano universal ocupar um 
lugar no mundo de alguém e a frequente observação de que cada qual procura não só “um 
outro” para amar e ser amado, mas também alguém que se sinta gratificado por esse amor 
(Laing, 1986, p. 129). 
Reconhecimento do fato ou condição da deficiência
Aceitação das implicações da deficiência
Acolhida da experiência de aceitação
Fonte: Elaborado pela Autora (2018) 
 
Fonte da imagem: 
http://www.cantinhodoscadeirantes.com.br/2015/08/sexualida
de-sobrerodas-tem-alguma.html 
Fonte da imagem: 
http://www.cantinhodoscadeirantes.com.br/2015/08/sexualida
de-sobrerodas-tem-alguma.html 
 
 
13 Afetividade e Sexualidade na Educação Especial 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
A saída reside na aceitação das limitações que a deficiência impõe às pessoas que 
são afetadas diretamente por elas e às pessoas que convivem com as mesmas. Assim, 
teremos competência não somente para lutar, mas também, para buscar ressignificar a 
diferença como algo inerente à condição humana e distanciar no tempo o sentimento de 
ficar pouco à vontade nas situações e vivências em que um fica diante do outro. 
 
Sabemos que para que o processo de exclusão seja trabalhado e combatido é 
imprescindível redimensionar o processo educacional, dando início a um novo caminho em 
parceria com todos que fazem a escola. 
 
A escola será o espaço para debater os preconceitos, as limitações impostas pela 
deficiência e, ainda, os tabus que são criados; discutir a sexualidade na forma como se 
apresenta em uma sociedade e nas possibilidades de ser vivida por cada um de nós, com 
nossas características pessoais, apresentem elas deficiências/diferenças ou não (Costa, 
2000, p.54) 
 
Conclusão 
Com base no que vimos, a educação inclusiva faz parte do processo de inclusão de 
todas as pessoas na sociedade e pode favorecer a reconstrução de uma força cultural para 
a renovação da escola. 
 
Podemos dizer que se refere a estratégias gratificantes de aprender a estar “juntos”, 
compreendendo, respeitando e aceitando as diferenças, bem como tornando possível os 
relacionamentos sociais., ou seja, fazer amigos, namorar e acreditar que uma deficiência é 
apenas parte da pessoa. 
 
 
 
 
 
 
14 Afetividade e Sexualidade na Educação Especial 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
4. SEXUALIDADE E SEXO 
 
Objetivo 
Ampliar a compreensão do conceito de sexualidade, 
diferenciando do conceito de sexo e seus desfechos no campo 
da educação especial. 
 
Introdução 
Sabemos que existem muitos desafios para se 
trabalhar com a sexualidade dentro de instituições, 
principalmente no campo da educação especial. A dificuldade surge na maioria das vezes 
pelo preconceito social, pela desinformação. Sendo assim, ora as pessoas com deficiência 
são vistas como assexuados, ora como seres hipersexualizados. 
 
Como vimos anteriormente, o desenvolvimento da sexualidade é uma etapa 
fundamental do ser humano. Todas as pessoas, incluindo aquelas com deficiência, têm 
direito à sexualidade, que é parte integrante da personalidade de cada um. É considerada 
uma necessidade básica e um aspecto do ser humano que não pode ser separado dos 
outros aspectos da vida, afinal a sexualidade influencia pensamentos, sentimentos, ações, 
interações, tanto na saúde física como na mental. 
 
Vimos até aqui o conceito e dimensão de sexualidade, agora iniciaremos a jornada 
da compreensão do conceito de sexo. 
 
Observando sua concepção no dicionário, a palavra sexo apresenta ter vários 
sentidos, os quais são: 
✓ Diferença física e constitutiva do homem e da mulher, do macho e da fêmea: 
sexo masculino, feminino. (Sexo Biológico) 
✓ Conformação que distingue o macho da fêmea nos animais e nos vegetais. 
✓ Conjunto dos indivíduos que têm o mesmo sexo: reunião para os dois sexos. 
✓ Órgãos da reprodução. 
✓ Órgãos sexuais externos. 
Fonte: Cartilha sobre Sexualidade 
– Instituto Mara Gabrilli 
 
 
 
15 Afetividade e Sexualidade na Educação Especial 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Apesar de encontrarmos sempre uma abrangência maior do conceito de 
sexualidade, a função e o valor do sexo merecem ser devidamente considerados. Para isso, 
podemos recorrer a Machado (1995) que o define como “um modo de as pessoas se 
encontrarem e fazerem deste encontro um momento muito agradável e prazeroso, cheio de 
atos carinhosos e tornando as pessoas muito íntimas e ligadas entre si. ” (op. cit., p. 60) 
 
Sempre descobrimos a representação de sexualidade como um conjunto de 
comportamentos complexos que envolvem a busca da satisfação pessoal, indo além dos 
aspectos biológicos e genitais, portanto podemos considerar como amor, afetividade, busca 
de prazer. Os autores, Maia e Aranha (2005) afirmam que; e deve-se situá-la sempre no 
contexto do relacionamento, do prazer e da responsabilidade. 
 
Diante disso, podemos entender a sexualidade como parte integrada à 
personalidade, envolvendo aspectos físicos, emocionais, psicológicos e sociais. Sendo 
assim, as Informações introjetadas na infância e adolescência refletem de modo 
significativo na vida adulta, inclusive na área sexual do indivíduo, e “embora a sexualidade 
seja uma experiência pessoal ela reflete os padrões sociais de onde nós desenvolvemos” 
(Maia & Ribeiro, 2009, p. 11). 
 
Percorrendo os artigos que abordam a sexualidade também foi possível verificar 
aspectos que reforçam a dificuldade de lidar com o assunto, Rossi (2009) pontua que a 
“sexualidade ainda é um tabu na maior parte das instituições sociais, este começana 
família, se estende até a escola e toma forma na sociedade” (p. 149). 
 
Cada vez mais, observamos a importância da 
ação educativa da família em relação à sexualidade, para 
Werebe (1998), “a ação educativa da família em relação 
à sexualidade é a mais importante, pois envolve a 
formação de opiniões, atitudes e comportamentos do 
jovem”. Essa ação é informal e os pais geralmente não 
se dão conta de que já estão educando, uma vez que 
transmitem ensinamentos mais pelo que fazem do que 
pelo que dizem. 
 
Fonte da imagem: 
http://www.cantinhodoscadeirantes.com.
br/2015/08/sexualidade-sobrerodas-tem-
alguma.html 
 
 
16 Afetividade e Sexualidade na Educação Especial 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
De acordo com os estudos de Giami (2004), a percepção de muitas famílias e 
profissionais sobre a sexualidade de seus filhos/alunos se alterna: por um lado, eles são 
considerados sexualmente infantis e assexuados e, por outro, sexualmente agressivos e 
sem controle. 
 
 Como vemos, o estereótipo do deficiente como sexualmente agressivo ou 
assexuado é uma extensão da visão popular do deficiente como um ser “demoníaco” ou 
“eterna criança”. O autor ainda coloca que tanto em pais como em educadores, apesar das 
diferentes crenças, há um fundamento único que é a negação da sexualidade. 
 
Diante de todo esse panorama, nós como educadores precisamos compreender que 
ignorar a sexualidade do aluno, nos distancia cada vez mais da possibilidade de ampliar os 
conceitos de cidadania para a diversidade. 
 
Sendo assim, vejamos que Maia (2012), destaca a importância de se ensinar 
comportamentos sexuais adequados, refletir 
sobre a compreensão de modelos sociais, 
questões como gênero e diversidade, bem 
como prevenção em saúde sexual e 
reprodutiva e prevenção contra o abuso e 
violência. 
 
Portanto, torna-se imprescindível 
compreender que a educação sexual está 
presente cotidianamente, de modo não 
intencional, geral e assistemática 
(COUWENHOVEN, 2007; MAIA, 2012; WEREBE, 1998) e todas as pessoas são expostas 
as mensagens da televisão, comentários, comportamentos que o tempo todo nos diz sobre 
sexualidade, construindo valores e regras sobre como devemos nos comportar 
sexualmente. 
 
Já educação sexual intencional, por outro lado, é aquela que faz parte de uma 
proposta sistemática e organizada que ocorre de modo planejado para informar sobre 
questões da sexualidade; tendo como objetivo promover o aprendizado formal sobre 
sexualidade a partir de ações informativas e formativas (MAIA, 2011; WEREBE, 1998). 
Fonte da imagem: 
http://www.cantinhodoscadeirantes.com.br/2015/08/sexualidade-
sobrerodas-tem-alguma.html 
 
 
17 Afetividade e Sexualidade na Educação Especial 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Conclusão 
Vejam o professor tem esse espaço garantido, para realizar intervenções que 
ampliem a autonomia do aluno com deficiência em relação a sua sexualidade, precisamos 
nos fortalecer em relação ao tema para utilizar plenamente a função que ele representa. 
 
Cada vez que ingressamos no assunto, pode-se perceber a falta de informações 
precisas e o conhecimento efetivo sobre temas da sexualidade é superficial e precário. 
Couwenhoven (2007) e Glat (1992) também perceberam que muitas vezes esse aluno não 
compreende questões abstratas ou principalmente porque carecem de receber educação 
sexual intencionalmente por parte da família ou de profissionais preparados para essa 
tarefa. 
 
Além disso, a falta de informações precisas que demonstram que uma e de uma 
educação sexual deficitária é comum e aumentam significativamente a vulnerabilidade a 
que são alvos. Lembremos que a sociedade inclusiva deve incorporar o direito à educação 
sexual para garantir a todos a proteção para uma expressão sexual prazerosa, responsável 
e satisfatória. 
 
 
18 Afetividade e Sexualidade na Educação Especial 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
5. SEXUALIDADE, CRENÇAS E ATITUDES 
 
Objetivo 
Promover a discussão conceitual sobre a sexualidade, a formação de crenças e 
atitudes em relação à educação sexual. 
 
Introdução 
Percorrendo os caminhos da sexualidade, percebemos que ela é culturalmente 
definida e influenciada por familiares, amigos, religião, leis costumes, conhecimentos e 
economia (Roy, 2006). Também pudemos ver que sua função não se restringe ao ato 
sexual, pois envolve também o que as pessoas sentem, fazem e pensam sobre si e as 
pessoas com quem se relacionam. 
 
Pensando neste sentido, a OMS reconhece aos portadores de deficiência as 
mesmas necessidades de Saúde Sexual e Reprodutiva que reconhece a todas as pessoas. 
Todavia, as barreiras impostas pela sociedade, pela sua tolerância e ignorância, a esse 
grupo minoritário de população que, por si só, perfaz o maior obstáculo ao acesso a esse 
tipo de conhecimento (OMS, 2009). 
 
Atualmente, a ideia restritiva que afirmava que a sexualidade se encontra apenas 
ligada à genitalidade e ao sexo vem sendo superada, dando lugar às mudanças sociais e 
políticas que se vão impondo na sociedade relativamente ao conceito de sexualidade 
(Gabriel, 2013). 
 
Pensando por essa perspectiva, autores como Silva (2013) reforçam a ideia de 
superação diante do tema, ele afirma que “sexualidade é um domínio da nossa existência 
que merece especial atenção, sendo que o seu desenvolvimento saudável é imprescindível 
para o equilíbrio psicossocial de qualquer ser humano, independentemente da sua condição 
de vida”. 
 
Deste modo, todas as manifestações sexuais são fruto da condição da vida do ser 
humano e precisam ser consideradas para sua existência. Parece simples quando falamos, 
porém, se estivermos falando do ponto de vista da deficiência, encontraremos grandes 
preocupações, principalmente se estivermos falando dos adolescentes. A grande 
 
 
19 Afetividade e Sexualidade na Educação Especial 
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preocupação de seus pais e da sociedade, é fruto do preconceito, que ora infantilizam essa 
sexualidade, e ora têm o receio de que ela se manifeste de forma socialmente inadequada. 
 
Félix e Marques (1995) atestam que ao proibirem os comportamentos afetivo-
sexuais à população com deficiência, estaremos a impedindo a satisfação de necessidades 
fundamentais para o crescimento e desenvolvimento enquanto pessoas. Sendo assim se 
reforça como os profissionais exercem um papel fundamental na educação sexual de cada 
indivíduo. 
 
Contudo, tais profissionais muitas vezes se sentem despreparados e condicionados 
pelas regras institucionais ou pela falta delas. Por esse motivo, muitos deles decidem agir 
conforme as suas próprias ideias, expressando deste modo, suas atitudes, consideradas 
reflexo de suas crenças e dos seus valores (Félix & Marques, 1995). 
 
Na opinião de Delville e Mercier (1997), se faz necessário reforçar os laços entre as 
famílias e os profissionais para evitar as contradições em relação à educação sexual e 
orientação desses jovens. Tal parceria entre os pais e profissionais ampliaria a consciência 
das suas diferentes opiniões, atitudes e representações 
 
Além da parceria dos pais e profissionais, precisamos elaborar ações que atentam 
as intenções sugeridas pela Lei nº60/2009, artigo 2º, que pontua as principais finalidades 
da educação sexual: 
✓ a valorização da sexualidade e afetividade; 
✓ o desenvolvimento de competências que permitam escolhas informadas e 
seguras nível da sexualidade; 
✓ a melhoria dos relacionamentos; 
✓ a redução dos comportamentos sexuais de risco; 
✓ a capacidade de proteção perante exploração e o abuso sexual; 
✓ a valorização de uma sexualidade responsável e informada; 
✓ o conhecimento do funcionamento do sistema reprodutor; 
✓ e o reconhecimento da importância de participação no processo educativo de 
encarregados de educação, alunos, professorese técnicos de saúde. 
 
 
 
 
20 Afetividade e Sexualidade na Educação Especial 
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Compreender a finalidade da educação sexual traz aos profissionais e pais uma 
orientação as suas práticas e atitudes em relação à deficiência e a sexualidade. É possível 
perceber através das opiniões e pensamentos a formação das crenças em relação a esse 
assunto. 
 
De acordo com Fernandes (1963), as crenças constituem uma estrutura de 
percepções e cognições em torno de configurações do mundo individual, réplica do mundo 
grupal projetada pelos processos educativos próprios a cada cultura: “Toda crença é um 
padrão de conduta do pensamento de cada um, podendo significar a opinião, conhecimento 
e fé, embora isoladamente opinião e conhecimento possam não chegar a constituir uma 
crença”. 
 
Já as atitudes são culturais, familiares 
e pessoais, ou seja, cada indivíduo tende a 
assumir as atitudes que prevalecem na 
cultura em que se cresce, passando de 
geração em geração dentro da estrutura 
familiar (Chaplin, 1981). Como vimos, as 
atitudes são formadas ao longo da vida 
através das vivências e comportamentos 
aprendidos, segundo Insko e Schopler (1980, 
cit. in López & Fuertes, 1999) são 
“predisposições para avaliar favorável ou 
desfavoravelmente os objetos”. 
 
Conclusão 
Ao longo dessa unidade, vimos que os valores influenciam as atitudes, e estas, 
naturalmente, influenciam o comportamento (Kahle, 1988), e consequentemente, podem 
influenciar o estilo de supervisão e as decisões tomadas das pessoas que trabalham com 
indivíduos e a deficiência. 
 
Observando ao longo dos tempos até hoje, os conceitos relativos à deficiência 
continuam impregnados por um conjunto de crenças e valores que conduzem a atitudes 
negativas face às pessoas com deficiência (Félix, 2003) 
 
 
21 Afetividade e Sexualidade na Educação Especial 
Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 
Como vimos alguns estudos (McCarthy e Thompson, 1997; Walcott, 1997; Wilcox 
2001 cit in Swango-Wilson,2008) identificam que os profissionais serão a chave para 
reverter esse conjunto de crenças. Sua atuação desenvolverá a formação do indivíduo com 
deficiência ampliando suas experiências sociais e de identidade sexual. 
 
DICA 
 
 
 
 
22 Afetividade e Sexualidade na Educação Especial 
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6. EDUCAÇÃO SEXUAL E AS ESTRATÉGIAS DE INTERVENÇÃO 
 
Objetivo 
Sugerir propostas para ampliar as oportunidades de orientação e intervenção em 
relação a educação sexual. 
 
Introdução 
Como vimos anteriormente, o desenvolvimento da sexualidade é uma etapa 
fundamental do ser humano. Todas as pessoas, incluindo aquelas com deficiência, têm 
direito à sexualidade, considerada parte integrante da personalidade de cada um. É uma 
necessidade básica e um aspecto do ser humano que não pode ser separado dos outros 
aspectos da vida. 
 
A disseminação de informações sobre o tema é um dos elementos contribuintes que 
faz com que alguns tabus e mitos sejam revistos e, consequentemente, seu exercício da 
sexualidade se torne possível, saudável e seguro. 
 
Como parte fundamental para transformação de crenças e atitudes, torna-se 
necessário propiciar e ampliar espaços que criem momentos para compartilhar 
conhecimentos e informações em relação à sexualidade. 
 
A elaboração de atividades para esses espaços surge sob o ponto de vista 
preventivo, esclarecendo dúvidas e informando sobre todos os assuntos relacionados a 
sexualidade. Também é possível construir possibilidades de cunho remediativo, 
solucionando situações que se estabeleceram de forma negativa em relação ao assunto. 
 
As propostas sugeridas devem ser avaliadas a cada situação de aplicação, sabemos 
que todas trazem o intuito de ampliar as potencialidades de cada um em relação à educação 
sexual e sexualidade. Como ideia central, estaremos a cada intervenção trabalhando 
desconhecimento, tabus e medos oportunizando as mudanças de comportamento em 
relação à educação sexual. 
 
Tais propostas podem ser feitas através de: 
✓ debates, 
✓ depoimentos, 
 
 
23 Afetividade e Sexualidade na Educação Especial 
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✓ filmes, 
✓ leituras 
✓ análise de textos ou de materiais como uma produção 
didática, 
✓ discussão de valores, atitudes. 
✓ integração das pessoas com deficiência, 
✓ o aspecto biológico da sexualidade 
✓ e como lidar com esta sexualidade e suas fases. 
 
As dinâmicas de grupo constituem um valioso instrumento educacional que pode ser 
utilizado para trabalhar o ensino/aprendizagem, quando opta-se por uma concepção de 
educação que valoriza tanto a teoria como a prática e considera todos os envolvidos neste 
processo como sujeitos. 
 
A opção pelo trabalho que promova a 
interação das pessoas envolvidas faz com 
que o processo de ensino/aprendizagem se 
coloque como um caminho a interferir na 
realidade, modificando-a. Isso porque a 
experiência do trabalho com dinâmica 
promove o encontro de pessoas, assim o 
saber é construído junto, em grupo. 
 
Alguns autores apontam que 
oportunizar atividades que os pais participem, faz com que o tema seja abordado e algumas 
crenças revistas. As verbalizações indicam o aumento da percepção dos participantes 
acerca dos interesses afetivo-sexuais por parte dos filhos, pois alguns pais que antes não 
os percebiam passaram a fazê-lo. 
 
 De forma semelhante, Amaral (2004) percebeu que a maior parte dos pais 
participantes de seu programa de orientação sexual passou a apresentar indicações de 
aceitação e reconhecimento do direito do filho com deficiência intelectual exercer sua 
sexualidade. 
 
Fonte da imagem: 
http://www.cantinhodoscadeirantes.com.br/2015/08/sexu
alidade-sobrerodas-tem-alguma.html 
 
 
24 Afetividade e Sexualidade na Educação Especial 
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Para que o processo de exclusão seja trabalhado e combatido é imprescindível 
redimensionar o processo educacional, dando início a um novo caminho em parceria com 
todos que fazem da escola para debater os preconceitos, as limitações impostas pela 
deficiência e, ainda, os tabus que são criados discutir a sexualidade na forma como se 
apresenta em uma sociedade e nas possibilidades de ser vivida por cada um de nós, com 
nossas características pessoais, apresentem elas deficiências/diferenças ou não 
(Costa,2000, p.54). 
 
Sabemos que os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) propõem que se ensine 
sobre sexualidade nas escolas. De acordo com sua, a Educação Sexual (FIGUEIRÓ, 1996, 
2001a,2001b), deve ser inserida como um tema transversal e pode ser incluída duas 
formas: 
 
As duas formas de se ensinar sobre sexualidade, propostas pelos PCNs, 
correspondem aos dois tipos de Educação Sexual estabelecidos por Werebe (1981): 
 
A Educação Sexual formal, que equivale a ensinar “dentro da programação”, fazendo 
planejamento prévio entre as disciplinas e atividades propostas. E a Educação Sexual 
informal, que equivale à “extra-programação”, isto é, aproveitar, de forma espontânea, um 
fato, uma pergunta, uma situação ocorrida e, ensinar a partir daí. 
 
Modelo de Intervenção 
Um garoto deficiente, de aproximadamente 14 anos, estava na sala de aula, em uma 
APAE, quando se levantou e foi até a mesa da professora, levando nas mãos um saquinho 
para geladinho, que é estreito e comprido, e uma régua pequena. 
 
Pondo essa última dentro do saquinho, disse: “Olha professora, não parece que eu 
estou pondo a camisinha no pênis? ” (FIGUEIRÓ, 1999, p.67). 
 
dentro da programação
extra-programação
 
 
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(Esta é uma situação que oferece oportunidade para a professora começar a falar 
sobre o assunto.) 
 
Ela poderia ter exploradoa conversa e respondido: “É mesmo! Parece! E você sabe 
para que serve a camisinha? ” 
 
A partir daí, explicaria sobre a função da mesma na prevenção da gravidez e da 
contaminação de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST). 
 
MAS.... 
 
Infelizmente, no fato ocorrido, a professora respondeu ao aluno da seguinte forma: 
“É, parece! Mas vai se sentar, pois isso não é um pênis e nem isso, uma camisinha!” 
 
Fonte: FIGUEIRÓ, Mary Neide Damico. Educação Sexual: problemas de conceituação e terminologias básicas adotadas na 
produção acadêmico-científica brasileira. Semina:Ciências Sociais/Humanas, v.17, n.3, p.5, set. 1996. 
 
Conclusão 
Considerando o professor como um profissional que constrói saber em sua prática 
cotidiana, os modelos de estratégias aqui propostos devem ser vistos apenas como ideias, 
sugestões. 
 
Será a reflexão sobre e durante a ação, complementada com a reflexão junto aos 
demais professores, que assegurará o avanço constante na forma de ensinar sobre 
sexualidade. 
 
É importante dizer que, além dos vários resultados positivos obtidos junto e para os 
alunos, haverá sempre um ganho pessoal e profissional para o educador que se dispuser 
a ensinar no espaço da escola, pois como diz Naumi de Vasconcelos (1985), “Falar sobre 
sexo é a melhor maneira de se vencer a culpa e a vergonha a ele associadas”. (op. cit., 
p.59)

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