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AFETIVIDADE E SEXUALIDADE NA EDUCAÇÃO ESPECIAL Me. Denise Marques Alexandre GUIA DA DISCIPLINA 2020 1 Afetividade e Sexualidade na Educação Especial Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 1. AFETIVIDADE E O CONTEXTO ESCOLAR INCLUSIVO Objetivo Compreender o conceito de afetividade no contexto escolar inclusivo. Introdução Atualmente, vivemos em condições desafiadoras como seres humanos, a rotina moderna exige estarmos cada vez mais antenados a tudo que nos rodeia, exigindo grandes resultados, mesmo diante de tantos acúmulos de tarefas e funções. O contexto do século XXI pautado por novos paradigmas mostra que, cada vez mais, precisaremos estar preparados para lidar com a diversidade, seja ela, humana, social ou de opinião. A diversidade surge como temática para ser desenvolvida e para a escola, possibilitando debates, promovendo leis, atividades, congressos e tudo que estimule os conhecimentos relacionados às pessoas com deficiência. Porém, para que isso realmente aconteça, nós como educadores precisamos refletir sobre o novo papel da escola contemporânea no processo de inclusão de alunos com deficiência e que elementos utilizamos para identificar a afetividade nos processos educativos de inclusão. Partindo dessas reflexões, cabe ressaltar que por muito tempo estivemos permeados por uma enorme barreira, a qual promovia a exclusão e perdurou por longos séculos, ainda deixando alguns vestígios que persistem até os dias atuais. Sabemos que uma das premissas básicas é: todo o ser humano tem direito a educação. Para que esse direito fundamental seja assegurado, cabe a nós educadores lembrarmos de alguns documentos decisivos: Fonte da imagem: http://jobller.com/aescolanoseculoxxi/wp- content/uploads/2012/09/Capa-Google.png 2 Afetividade e Sexualidade na Educação Especial Universidade Santa Cecília - Educação a Distância ✓ A Constituição Federal Brasileira (1988) - educação é direito de todos e dever do Estado e da família, visando preparar a pessoa para o exercício da cidadania e para o trabalho. ✓ Declaração de Salamanca (1994) - toda criança tem a educação como direito fundamental, devendo ser dada a oportunidade de aprender. ✓ A Lei 9394/1996, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) - a educação especial será oferecida preferencialmente na rede regular de ensino e a Lei 13.146/2015, ✓ Lei Brasileira de Inclusão (LBI) - toda pessoa com deficiência terá direito à igualdade de oportunidades e não sofrerá nenhuma espécie de discriminação. O conceito de sociedade inclusiva veio se fortalecendo através das leis, das campanhas de conscientização e das mudanças de atitudes. No contexto educativo as mudanças vieram com a convivência das diferenças que promoveram a valorização das potencialidades de cada um, vemos aqui que a escola inclusiva se transformou em um espaço de convivência entre todas as diversidades humanas. Segundo Mattos (2008), a afetividade é um caminho para incluir qualquer educando no ambiente escolar, sendo considerada a mediadora entre a aprendizagem e os relacionamentos desenvolvidos em sala de aula, na busca da inclusão de qualquer educando na escola. Fonte da imagem: http://www.eapevirtual.se.df.gov.br/ Fonte da imagem: 3 Afetividade e Sexualidade na Educação Especial Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Na teoria de Henry Wallon (1971), a dimensão afetiva ocupa lugar central tanto do ponto de vista da construção da pessoa, quanto na construção do conhecimento. Para esse autor, a formação da pessoa tem seus aspectos integrados (afetivo, motor e cognitivo), sendo que a afetividade é vista em diferentes aspectos e estágios, seja através das características sociais de cada idade: orgânicas, orais e morais; ou através das condições de maturação do ser humano: emoções, sentimentos e paixão. Segundo Wallon (1951), a escola não deveria apenas lidar com a mente, mas também com o corpo e com as emoções das crianças, fundamentando suas ideias em quatro elementos básicos: Percebe-se, então, que é no convívio com o meio que a expressão da afetividade evolui, sendo a escola o meio social necessário para a aprendizagem do aluno, é imprescindível programações que articulem o desenvolvimento de aspectos cognitivos e afetivos. A afetividade O movimento A inteligência A formação do eu como pessoa Fonte da imagem: http://jobller.com/aescolanoseculoxxi/wp- content/uploads/2012/09/Capa-Google.png 4 Afetividade e Sexualidade na Educação Especial Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Segundo Almeida (2012, p.53): A afetividade, termo mais abrangente, inclui os sentimentos que são estados subjetivos mais duradouros e menos orgânicos que as emoções das quais se diferenciam nitidamente. As emoções, uma das formas de afetividade, são verdadeiras síndromes: de cólera, medo, tristeza, alegria, timidez. A afetividade, com este sentido abrangente, evolui ao longo da psicogênese, uma vez que incorpora as conquistas realizadas no plano da inteligência. Perpassando, pelo sentido abrangente da afetividade percebemos a importância do desenvolvimento das relações afetivas, suas ações propiciam um ambiente acolhedor e saudável de aprendizagem para o aluno com deficiência. O professor que efetiva essa prática em sala de aula consegue obter de seus alunos superações de barreiras e bloqueios que o impedem, muitas vezes, de aprender. Segundo Tardif (2002), aprender é adquirir conhecimentos, construir saberes que são ferramentas para desenvolver seu trabalho. O professor vai aprendendo a ensinar enfrentando cotidianamente diversas situações que lhe possibilitam construir tais ferramentas. De acordo com essa tipologia, os saberes dos professores possuem várias fontes de aquisição e diferentes modos de integração no trabalho docente. Sabemos, em todos os segmentos profissionais, a formação é um processo diário e continuo para toda a vida. Na docência, este quadro não é diferente, o professor tem que focar a aprendizagem permanente, estruturar seus saberes e consolidar sua trajetória. Porque ela é permanente, se faz de diversas formas, e é adquirida em lugares distintos. Conforme Mantoan (2008), ainda temos muitas barreiras a serem ultrapassadas para que a educação inclusiva seja de fato e de direito, uma conquista da educação brasileira. Ainda, precisamos mobilizar mais no sentido de compatibilizar suas intenções inclusivas com suas propostas de trabalho pedagógico e com o aprimoramento do processo educativo de todos os alunos. Conclusão Iniciamos nessa unidade a oportunidade de relembrar que a escola atua como provedora de acesso a todos para aprendizagem, isso envolve os aspectos cognitivos, bem como, os aspectos afetivos. 5 Afetividade e Sexualidade na Educação Especial Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Sabemos que a função da escola é promover a aprendizagem no sentido de oportunizar o aluno superar seus próprios limites, estimulando sua permanência na escola. No que se refere à educação inclusiva, sabemos que a verdadeira inclusão não é apenas abrir as portas para todos os alunos, como educadores, devemos compreender que o ambiente escolar deve apresentar características saudáveis para cada vez mais estimular confiança e participação dos alunos. Portanto, redimensionar aspectos na estrutura física, desenvolver adaptações curriculares e promover as mudanças de atitudes dos educadores fará com que realmente os alunos ampliem o convívio social e vivenciem uma aprendizagem significativa. A oportunidade de ampliar contato social entre toda comunidade escolar, mostrará que incluir, perpassa pela ressignificação do papel da escola contemporânea e reforçaa importância do afeto, propiciando um ambiente de aprendizagem acolhedor e produtivo. Apesar dos contextos tradicionalistas enraizados, é preciso acreditar que tal tarefa é possível e importante para o desenvolvimento humano, na próxima unidade iremos compreender mais, que aspectos são esses que promovem os diferentes saberes, possibilitando a formação e o desenvolvimento de um indivíduo capaz de dialogar com as diferenças e a diversidade humana. Fonte da imagem: http://www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/educ acao/img/0388_01.jpg 6 Afetividade e Sexualidade na Educação Especial Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 2. DESENVOLVIMENTO HUMANO, AFETIVIDADE E INCLUSÃO ESCOLAR. Objetivo Compreender as visões de Piaget, Vygotsky e Wallon a respeito do desenvolvimento humano, suas concepções e aspectos relevantes. Introdução Conhecer o ser humano abrange compreender todos os aspectos que envolvem suas fases de desenvolvimento, partindo do seu nascimento, passando pelo seu crescimento até maturidade. A maioria dos estudos e pesquisas evidenciam que de acordo com a faixa etária podemos perceber, compreender e se comportar de diferentes formas. Quando estudamos o desenvolvimento humano significa conhecer as características comuns de várias faixas etárias, sendo assim, permitindo reconhecer as individualidades. O estudo do desenvolvimento humano é considerado um campo repleto de descobertas, todas as pesquisas resultaram na elaboração de várias teorias que demonstram diferentes concepções sobre as etapas de desenvolvimento. Nesta unidade, abordaremos visões diferentes de: PIAGET VYGOTSKY WALLON 7 Afetividade e Sexualidade na Educação Especial Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Ao iniciar o estudo do desenvolvimento humano, percebemos que seu grande desafio é compreender o homem em sua totalidade, sendo assim, abordaremos todos os aspectos que envolvem seu nascimento até a maturidade. Sabemos que o desenvolvimento humano é vivenciado junto aos acontecimentos da vida, a cada acontecimento demonstramos aspectos do comportamento humano que são expressos através dos sentimentos e emoções. Os estados emocionais e sentimentais formam a afetividade, Mahoney e Almeida (2007, p.17) afirmam que ‚ a afetividade se refere à capacidade, à disposição do ser humano ser afetado pelo mundo externo e interno por meio de sensações agradáveis ou desagradáveis. Ao estudarmos o desenvolvimento humano, percebemos que nos primeiros meses de vida, que o bebê usa a afetividade para se expressar e interagir com as pessoas. A cada etapa que a criança vai adquirindo novas experiências, como andar, falar e manipular objetos sua afetividade está mais voltada para o exterior, sendo assim, para o conhecimento. A afetividade tem um papel importantíssimo no desenvolvimento intelectual, pois através da aprendizagem os vínculos vão sendo construídos e a criança vai adquirindo novos conhecimentos ao longo do seu desenvolvimento biológico. Para compreender melhor a interferência da afetividade na inclusão e nos processos de ensino-aprendizagem, faz-se necessário entender o processo de desenvolvimento humano, através das ideias de Piaget, Vygotsky e Wallon. No quadro comparativo entre os teóricos, podemos observar a relação do indivíduo com o mundo, de acordo com cada autor o indivíduo apresenta determinada concepção. Por exemplo, para Piaget existe uma construção de conhecimento a cada estágio do desenvolvimento; para Vygotsky o desenvolvimento e a aprendizagem do indivíduo Fonte da imagem:https://encrypted- tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTgN2u9XR2Bw yzsvw9vpPZ04bIlkwB_30MKdLpL1ZTZrb7_jdRbvw 8 Afetividade e Sexualidade na Educação Especial Universidade Santa Cecília - Educação a Distância acontecem na interação social através da mediação. Já a teoria de Wallon, considera que o desenvolvimento da pessoa é integrado ao meio que está inserido, contando com os aspectos afetivo, cognitivo e motor. QUADRO COMPARATIVO Contaremos com as contribuições das diferentes teorias, a de Jean Piaget (1896- 1980) que dedicou sua vida investigando o desenvolvimento cognitivo humano, desvendando pontos importantes no desenvolvimento infantil. De acordo com sua teoria de aprendizagem o desenvolvimento cognitivo das crianças ocorre em quatro estágios diferentes: sensório-motor; pré-operatório, operacional concreto e operacional formal. As ideias de Piaget representam um grande avanço quando o assunto é afetividade nos processos de ensino-aprendizagem, esclarecendo que: A afetividade seria a energia que move a ação, enquanto a razão seria o que possibilitaria ao sujeito identificar os desejos, sentimentos variados e obter êxito nas ações. Neste caso, não há conflito entre as duas partes. Porém, pensar a razão contra a afetividade é problemático porque então dever-se-ia de alguma forma, dotar a razão de algum poder semelhante ao da afetividade, ou seja, reconhecer nela a característica móvel de energia. (LA TAILLE, 1992, p.65) Fonte da imagem: https://www.soescola.com/wp-content/uploads/2017/11/quadro-comparativo-das-concepcoes-de- aprendizagem 9 Afetividade e Sexualidade na Educação Especial Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Pensando no desenvolvimento do indivíduo para Vygotsky, considera que seu conhecimento é adquirido através da interação com o meio, processo conhecido como mediação. O autor ressalta o desenvolvimento do indivíduo apontando o processo histórico- social e a linguagem, para ele não é suficiente ter todo o aparato biológico para realizar uma tarefa. Já a teoria de Wallon, considera o desenvolvimento da pessoa completa integrada ao meio que está imersa, incluindo os aspectos afetivos, cognitivo e motor. Nesse caso, a pessoa é vista como um conjunto funcional resultante da integração de suas dimensões, cujo desenvolvimento se dá na integração de seu aparato orgânico com o meio e predominantemente com o social. Conhecer a visão dos autores nos possibilita compreender que todos os seres humanos são movidos através de seus comportamentos e podem alterar suas ações devido aos fatores sentimentais, físicos e intelectuais. Agora mais do que nunca, podemos perceber que o quesito afetividade exerce uma enorme influência no desenvolvimento cognitivo dos indivíduos em processo de formação. Com base no que vimos, é essencial que as escolas estabeleçam estratégias educacionais que permitam mais que o desempenho cognitivo, enfatizando o desenvolvimento das emoções e sentimentos que tornam a aprendizagem mais prazerosa e completa. Conclusão Como vimos, um processo de inclusão eficaz está intimamente ligado as relações afetivas, sendo assim, torna-se imprescindível que o aluno esteja rodeado de atitudes de afeto no âmbito escolar. Cabe ressaltar, que afeto não é atenção, o aluno necessita sentir-se acolhido. Criar apenas estratégias de entretenimento e interação não é suficiente para estabelecer o vínculo de afeto. O aluno deve ser visto como ser humano dotado de emoções possuindo a necessidade de manter vínculos de carinho em todo o contexto escolar que ele circule. O 10 Afetividade e Sexualidade na Educação Especial Universidade Santa Cecília - Educação a Distância ambiente escolar deve proporcionar alternativas para que esse alunado se descubra diante do mundo. Sabemos que a inclusão social envolve uma postura de aceitação e respeito pelas diferenças, oportunidade de vivência plena nos diversos contextos: escolar, familiar, mercado de trabalho e lazer, disponibilizando assim, as mesmas oportunidades para todos. PARA REFLETIR! 11 Afetividade e Sexualidade na EducaçãoEspecial Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 3. DEFICIÊNCIA E SEXUALIDADE Objetivo Compreender o conceito de sexualidade e as suas implicações na deficiência. Introdução Inicialmente é necessário que tenhamos clareza sobre os significados dos termos sexo e sexualidade, nessa unidade daremos ênfase ao conceito de sexualidade. A sexualidade é um fenômeno muito mais abrangente do que a expressão de práticas sexuais e, em todos os casos, essas expressões sexuais têm representações a partir de como cada sociedade em diferentes momentos históricos se organiza. Nesse sentido, embora se revele em sujeitos particulares a sexualidade reflete questões sociais e culturais, sendo constituída por quatro elementos primordiais: Devemos lembrar que a sexualidade é forma de comunicação e pode ser aprendida, controlada e dominada pela consciência, pela vontade, assim como pela liberdade das pessoas. Por isso, se constitui na linguagem de entendimento do ser humano, na interação de acasalamento e têm múltiplas formas de manifestação, segundo a idade, sexo, etnias, costumes, valores e normas. Potencial Biológico Processo de Socialização Capacidade Psico-Emocional Dimensão Integradora Fonte: Elaborado pela Autora (2018) 12 Afetividade e Sexualidade na Educação Especial Universidade Santa Cecília - Educação a Distância O preconceito aparece arraigado em relação à sexualidade das pessoas com deficiência, demonstrado, através da negação e do pouco caso sobre a mesma. O desafio que se apresenta para a pessoa com deficiência é superar o estereótipo de que ela é “incapaz de aprender normas como as outras pessoas”. As pessoas com deficiência levam mais tempo para aprender a amar a si mesmas e a seu próprio corpo, sem se importar com os padrões ideais trazidos pela mídia, cinema, moda, televisão, revistas. Antes de tudo ela faz e refaz um caminho longo, incluindo fases de negação. Envolve ainda, um processo complexo de auto-aceitação da deficiência, tal processo se apresenta em três níveis: A mudança na forma de abordagem da sexualidade e da afetividade da pessoa com deficiência implica em resultados extremamente significativos no sentido de ser pessoa passiva de cidadania, uma vez que parece ser um desejo humano universal ocupar um lugar no mundo de alguém e a frequente observação de que cada qual procura não só “um outro” para amar e ser amado, mas também alguém que se sinta gratificado por esse amor (Laing, 1986, p. 129). Reconhecimento do fato ou condição da deficiência Aceitação das implicações da deficiência Acolhida da experiência de aceitação Fonte: Elaborado pela Autora (2018) Fonte da imagem: http://www.cantinhodoscadeirantes.com.br/2015/08/sexualida de-sobrerodas-tem-alguma.html Fonte da imagem: http://www.cantinhodoscadeirantes.com.br/2015/08/sexualida de-sobrerodas-tem-alguma.html 13 Afetividade e Sexualidade na Educação Especial Universidade Santa Cecília - Educação a Distância A saída reside na aceitação das limitações que a deficiência impõe às pessoas que são afetadas diretamente por elas e às pessoas que convivem com as mesmas. Assim, teremos competência não somente para lutar, mas também, para buscar ressignificar a diferença como algo inerente à condição humana e distanciar no tempo o sentimento de ficar pouco à vontade nas situações e vivências em que um fica diante do outro. Sabemos que para que o processo de exclusão seja trabalhado e combatido é imprescindível redimensionar o processo educacional, dando início a um novo caminho em parceria com todos que fazem a escola. A escola será o espaço para debater os preconceitos, as limitações impostas pela deficiência e, ainda, os tabus que são criados; discutir a sexualidade na forma como se apresenta em uma sociedade e nas possibilidades de ser vivida por cada um de nós, com nossas características pessoais, apresentem elas deficiências/diferenças ou não (Costa, 2000, p.54) Conclusão Com base no que vimos, a educação inclusiva faz parte do processo de inclusão de todas as pessoas na sociedade e pode favorecer a reconstrução de uma força cultural para a renovação da escola. Podemos dizer que se refere a estratégias gratificantes de aprender a estar “juntos”, compreendendo, respeitando e aceitando as diferenças, bem como tornando possível os relacionamentos sociais., ou seja, fazer amigos, namorar e acreditar que uma deficiência é apenas parte da pessoa. 14 Afetividade e Sexualidade na Educação Especial Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 4. SEXUALIDADE E SEXO Objetivo Ampliar a compreensão do conceito de sexualidade, diferenciando do conceito de sexo e seus desfechos no campo da educação especial. Introdução Sabemos que existem muitos desafios para se trabalhar com a sexualidade dentro de instituições, principalmente no campo da educação especial. A dificuldade surge na maioria das vezes pelo preconceito social, pela desinformação. Sendo assim, ora as pessoas com deficiência são vistas como assexuados, ora como seres hipersexualizados. Como vimos anteriormente, o desenvolvimento da sexualidade é uma etapa fundamental do ser humano. Todas as pessoas, incluindo aquelas com deficiência, têm direito à sexualidade, que é parte integrante da personalidade de cada um. É considerada uma necessidade básica e um aspecto do ser humano que não pode ser separado dos outros aspectos da vida, afinal a sexualidade influencia pensamentos, sentimentos, ações, interações, tanto na saúde física como na mental. Vimos até aqui o conceito e dimensão de sexualidade, agora iniciaremos a jornada da compreensão do conceito de sexo. Observando sua concepção no dicionário, a palavra sexo apresenta ter vários sentidos, os quais são: ✓ Diferença física e constitutiva do homem e da mulher, do macho e da fêmea: sexo masculino, feminino. (Sexo Biológico) ✓ Conformação que distingue o macho da fêmea nos animais e nos vegetais. ✓ Conjunto dos indivíduos que têm o mesmo sexo: reunião para os dois sexos. ✓ Órgãos da reprodução. ✓ Órgãos sexuais externos. Fonte: Cartilha sobre Sexualidade – Instituto Mara Gabrilli 15 Afetividade e Sexualidade na Educação Especial Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Apesar de encontrarmos sempre uma abrangência maior do conceito de sexualidade, a função e o valor do sexo merecem ser devidamente considerados. Para isso, podemos recorrer a Machado (1995) que o define como “um modo de as pessoas se encontrarem e fazerem deste encontro um momento muito agradável e prazeroso, cheio de atos carinhosos e tornando as pessoas muito íntimas e ligadas entre si. ” (op. cit., p. 60) Sempre descobrimos a representação de sexualidade como um conjunto de comportamentos complexos que envolvem a busca da satisfação pessoal, indo além dos aspectos biológicos e genitais, portanto podemos considerar como amor, afetividade, busca de prazer. Os autores, Maia e Aranha (2005) afirmam que; e deve-se situá-la sempre no contexto do relacionamento, do prazer e da responsabilidade. Diante disso, podemos entender a sexualidade como parte integrada à personalidade, envolvendo aspectos físicos, emocionais, psicológicos e sociais. Sendo assim, as Informações introjetadas na infância e adolescência refletem de modo significativo na vida adulta, inclusive na área sexual do indivíduo, e “embora a sexualidade seja uma experiência pessoal ela reflete os padrões sociais de onde nós desenvolvemos” (Maia & Ribeiro, 2009, p. 11). Percorrendo os artigos que abordam a sexualidade também foi possível verificar aspectos que reforçam a dificuldade de lidar com o assunto, Rossi (2009) pontua que a “sexualidade ainda é um tabu na maior parte das instituições sociais, este começana família, se estende até a escola e toma forma na sociedade” (p. 149). Cada vez mais, observamos a importância da ação educativa da família em relação à sexualidade, para Werebe (1998), “a ação educativa da família em relação à sexualidade é a mais importante, pois envolve a formação de opiniões, atitudes e comportamentos do jovem”. Essa ação é informal e os pais geralmente não se dão conta de que já estão educando, uma vez que transmitem ensinamentos mais pelo que fazem do que pelo que dizem. Fonte da imagem: http://www.cantinhodoscadeirantes.com. br/2015/08/sexualidade-sobrerodas-tem- alguma.html 16 Afetividade e Sexualidade na Educação Especial Universidade Santa Cecília - Educação a Distância De acordo com os estudos de Giami (2004), a percepção de muitas famílias e profissionais sobre a sexualidade de seus filhos/alunos se alterna: por um lado, eles são considerados sexualmente infantis e assexuados e, por outro, sexualmente agressivos e sem controle. Como vemos, o estereótipo do deficiente como sexualmente agressivo ou assexuado é uma extensão da visão popular do deficiente como um ser “demoníaco” ou “eterna criança”. O autor ainda coloca que tanto em pais como em educadores, apesar das diferentes crenças, há um fundamento único que é a negação da sexualidade. Diante de todo esse panorama, nós como educadores precisamos compreender que ignorar a sexualidade do aluno, nos distancia cada vez mais da possibilidade de ampliar os conceitos de cidadania para a diversidade. Sendo assim, vejamos que Maia (2012), destaca a importância de se ensinar comportamentos sexuais adequados, refletir sobre a compreensão de modelos sociais, questões como gênero e diversidade, bem como prevenção em saúde sexual e reprodutiva e prevenção contra o abuso e violência. Portanto, torna-se imprescindível compreender que a educação sexual está presente cotidianamente, de modo não intencional, geral e assistemática (COUWENHOVEN, 2007; MAIA, 2012; WEREBE, 1998) e todas as pessoas são expostas as mensagens da televisão, comentários, comportamentos que o tempo todo nos diz sobre sexualidade, construindo valores e regras sobre como devemos nos comportar sexualmente. Já educação sexual intencional, por outro lado, é aquela que faz parte de uma proposta sistemática e organizada que ocorre de modo planejado para informar sobre questões da sexualidade; tendo como objetivo promover o aprendizado formal sobre sexualidade a partir de ações informativas e formativas (MAIA, 2011; WEREBE, 1998). Fonte da imagem: http://www.cantinhodoscadeirantes.com.br/2015/08/sexualidade- sobrerodas-tem-alguma.html 17 Afetividade e Sexualidade na Educação Especial Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Conclusão Vejam o professor tem esse espaço garantido, para realizar intervenções que ampliem a autonomia do aluno com deficiência em relação a sua sexualidade, precisamos nos fortalecer em relação ao tema para utilizar plenamente a função que ele representa. Cada vez que ingressamos no assunto, pode-se perceber a falta de informações precisas e o conhecimento efetivo sobre temas da sexualidade é superficial e precário. Couwenhoven (2007) e Glat (1992) também perceberam que muitas vezes esse aluno não compreende questões abstratas ou principalmente porque carecem de receber educação sexual intencionalmente por parte da família ou de profissionais preparados para essa tarefa. Além disso, a falta de informações precisas que demonstram que uma e de uma educação sexual deficitária é comum e aumentam significativamente a vulnerabilidade a que são alvos. Lembremos que a sociedade inclusiva deve incorporar o direito à educação sexual para garantir a todos a proteção para uma expressão sexual prazerosa, responsável e satisfatória. 18 Afetividade e Sexualidade na Educação Especial Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 5. SEXUALIDADE, CRENÇAS E ATITUDES Objetivo Promover a discussão conceitual sobre a sexualidade, a formação de crenças e atitudes em relação à educação sexual. Introdução Percorrendo os caminhos da sexualidade, percebemos que ela é culturalmente definida e influenciada por familiares, amigos, religião, leis costumes, conhecimentos e economia (Roy, 2006). Também pudemos ver que sua função não se restringe ao ato sexual, pois envolve também o que as pessoas sentem, fazem e pensam sobre si e as pessoas com quem se relacionam. Pensando neste sentido, a OMS reconhece aos portadores de deficiência as mesmas necessidades de Saúde Sexual e Reprodutiva que reconhece a todas as pessoas. Todavia, as barreiras impostas pela sociedade, pela sua tolerância e ignorância, a esse grupo minoritário de população que, por si só, perfaz o maior obstáculo ao acesso a esse tipo de conhecimento (OMS, 2009). Atualmente, a ideia restritiva que afirmava que a sexualidade se encontra apenas ligada à genitalidade e ao sexo vem sendo superada, dando lugar às mudanças sociais e políticas que se vão impondo na sociedade relativamente ao conceito de sexualidade (Gabriel, 2013). Pensando por essa perspectiva, autores como Silva (2013) reforçam a ideia de superação diante do tema, ele afirma que “sexualidade é um domínio da nossa existência que merece especial atenção, sendo que o seu desenvolvimento saudável é imprescindível para o equilíbrio psicossocial de qualquer ser humano, independentemente da sua condição de vida”. Deste modo, todas as manifestações sexuais são fruto da condição da vida do ser humano e precisam ser consideradas para sua existência. Parece simples quando falamos, porém, se estivermos falando do ponto de vista da deficiência, encontraremos grandes preocupações, principalmente se estivermos falando dos adolescentes. A grande 19 Afetividade e Sexualidade na Educação Especial Universidade Santa Cecília - Educação a Distância preocupação de seus pais e da sociedade, é fruto do preconceito, que ora infantilizam essa sexualidade, e ora têm o receio de que ela se manifeste de forma socialmente inadequada. Félix e Marques (1995) atestam que ao proibirem os comportamentos afetivo- sexuais à população com deficiência, estaremos a impedindo a satisfação de necessidades fundamentais para o crescimento e desenvolvimento enquanto pessoas. Sendo assim se reforça como os profissionais exercem um papel fundamental na educação sexual de cada indivíduo. Contudo, tais profissionais muitas vezes se sentem despreparados e condicionados pelas regras institucionais ou pela falta delas. Por esse motivo, muitos deles decidem agir conforme as suas próprias ideias, expressando deste modo, suas atitudes, consideradas reflexo de suas crenças e dos seus valores (Félix & Marques, 1995). Na opinião de Delville e Mercier (1997), se faz necessário reforçar os laços entre as famílias e os profissionais para evitar as contradições em relação à educação sexual e orientação desses jovens. Tal parceria entre os pais e profissionais ampliaria a consciência das suas diferentes opiniões, atitudes e representações Além da parceria dos pais e profissionais, precisamos elaborar ações que atentam as intenções sugeridas pela Lei nº60/2009, artigo 2º, que pontua as principais finalidades da educação sexual: ✓ a valorização da sexualidade e afetividade; ✓ o desenvolvimento de competências que permitam escolhas informadas e seguras nível da sexualidade; ✓ a melhoria dos relacionamentos; ✓ a redução dos comportamentos sexuais de risco; ✓ a capacidade de proteção perante exploração e o abuso sexual; ✓ a valorização de uma sexualidade responsável e informada; ✓ o conhecimento do funcionamento do sistema reprodutor; ✓ e o reconhecimento da importância de participação no processo educativo de encarregados de educação, alunos, professorese técnicos de saúde. 20 Afetividade e Sexualidade na Educação Especial Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Compreender a finalidade da educação sexual traz aos profissionais e pais uma orientação as suas práticas e atitudes em relação à deficiência e a sexualidade. É possível perceber através das opiniões e pensamentos a formação das crenças em relação a esse assunto. De acordo com Fernandes (1963), as crenças constituem uma estrutura de percepções e cognições em torno de configurações do mundo individual, réplica do mundo grupal projetada pelos processos educativos próprios a cada cultura: “Toda crença é um padrão de conduta do pensamento de cada um, podendo significar a opinião, conhecimento e fé, embora isoladamente opinião e conhecimento possam não chegar a constituir uma crença”. Já as atitudes são culturais, familiares e pessoais, ou seja, cada indivíduo tende a assumir as atitudes que prevalecem na cultura em que se cresce, passando de geração em geração dentro da estrutura familiar (Chaplin, 1981). Como vimos, as atitudes são formadas ao longo da vida através das vivências e comportamentos aprendidos, segundo Insko e Schopler (1980, cit. in López & Fuertes, 1999) são “predisposições para avaliar favorável ou desfavoravelmente os objetos”. Conclusão Ao longo dessa unidade, vimos que os valores influenciam as atitudes, e estas, naturalmente, influenciam o comportamento (Kahle, 1988), e consequentemente, podem influenciar o estilo de supervisão e as decisões tomadas das pessoas que trabalham com indivíduos e a deficiência. Observando ao longo dos tempos até hoje, os conceitos relativos à deficiência continuam impregnados por um conjunto de crenças e valores que conduzem a atitudes negativas face às pessoas com deficiência (Félix, 2003) 21 Afetividade e Sexualidade na Educação Especial Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Como vimos alguns estudos (McCarthy e Thompson, 1997; Walcott, 1997; Wilcox 2001 cit in Swango-Wilson,2008) identificam que os profissionais serão a chave para reverter esse conjunto de crenças. Sua atuação desenvolverá a formação do indivíduo com deficiência ampliando suas experiências sociais e de identidade sexual. DICA 22 Afetividade e Sexualidade na Educação Especial Universidade Santa Cecília - Educação a Distância 6. EDUCAÇÃO SEXUAL E AS ESTRATÉGIAS DE INTERVENÇÃO Objetivo Sugerir propostas para ampliar as oportunidades de orientação e intervenção em relação a educação sexual. Introdução Como vimos anteriormente, o desenvolvimento da sexualidade é uma etapa fundamental do ser humano. Todas as pessoas, incluindo aquelas com deficiência, têm direito à sexualidade, considerada parte integrante da personalidade de cada um. É uma necessidade básica e um aspecto do ser humano que não pode ser separado dos outros aspectos da vida. A disseminação de informações sobre o tema é um dos elementos contribuintes que faz com que alguns tabus e mitos sejam revistos e, consequentemente, seu exercício da sexualidade se torne possível, saudável e seguro. Como parte fundamental para transformação de crenças e atitudes, torna-se necessário propiciar e ampliar espaços que criem momentos para compartilhar conhecimentos e informações em relação à sexualidade. A elaboração de atividades para esses espaços surge sob o ponto de vista preventivo, esclarecendo dúvidas e informando sobre todos os assuntos relacionados a sexualidade. Também é possível construir possibilidades de cunho remediativo, solucionando situações que se estabeleceram de forma negativa em relação ao assunto. As propostas sugeridas devem ser avaliadas a cada situação de aplicação, sabemos que todas trazem o intuito de ampliar as potencialidades de cada um em relação à educação sexual e sexualidade. Como ideia central, estaremos a cada intervenção trabalhando desconhecimento, tabus e medos oportunizando as mudanças de comportamento em relação à educação sexual. Tais propostas podem ser feitas através de: ✓ debates, ✓ depoimentos, 23 Afetividade e Sexualidade na Educação Especial Universidade Santa Cecília - Educação a Distância ✓ filmes, ✓ leituras ✓ análise de textos ou de materiais como uma produção didática, ✓ discussão de valores, atitudes. ✓ integração das pessoas com deficiência, ✓ o aspecto biológico da sexualidade ✓ e como lidar com esta sexualidade e suas fases. As dinâmicas de grupo constituem um valioso instrumento educacional que pode ser utilizado para trabalhar o ensino/aprendizagem, quando opta-se por uma concepção de educação que valoriza tanto a teoria como a prática e considera todos os envolvidos neste processo como sujeitos. A opção pelo trabalho que promova a interação das pessoas envolvidas faz com que o processo de ensino/aprendizagem se coloque como um caminho a interferir na realidade, modificando-a. Isso porque a experiência do trabalho com dinâmica promove o encontro de pessoas, assim o saber é construído junto, em grupo. Alguns autores apontam que oportunizar atividades que os pais participem, faz com que o tema seja abordado e algumas crenças revistas. As verbalizações indicam o aumento da percepção dos participantes acerca dos interesses afetivo-sexuais por parte dos filhos, pois alguns pais que antes não os percebiam passaram a fazê-lo. De forma semelhante, Amaral (2004) percebeu que a maior parte dos pais participantes de seu programa de orientação sexual passou a apresentar indicações de aceitação e reconhecimento do direito do filho com deficiência intelectual exercer sua sexualidade. Fonte da imagem: http://www.cantinhodoscadeirantes.com.br/2015/08/sexu alidade-sobrerodas-tem-alguma.html 24 Afetividade e Sexualidade na Educação Especial Universidade Santa Cecília - Educação a Distância Para que o processo de exclusão seja trabalhado e combatido é imprescindível redimensionar o processo educacional, dando início a um novo caminho em parceria com todos que fazem da escola para debater os preconceitos, as limitações impostas pela deficiência e, ainda, os tabus que são criados discutir a sexualidade na forma como se apresenta em uma sociedade e nas possibilidades de ser vivida por cada um de nós, com nossas características pessoais, apresentem elas deficiências/diferenças ou não (Costa,2000, p.54). Sabemos que os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) propõem que se ensine sobre sexualidade nas escolas. De acordo com sua, a Educação Sexual (FIGUEIRÓ, 1996, 2001a,2001b), deve ser inserida como um tema transversal e pode ser incluída duas formas: As duas formas de se ensinar sobre sexualidade, propostas pelos PCNs, correspondem aos dois tipos de Educação Sexual estabelecidos por Werebe (1981): A Educação Sexual formal, que equivale a ensinar “dentro da programação”, fazendo planejamento prévio entre as disciplinas e atividades propostas. E a Educação Sexual informal, que equivale à “extra-programação”, isto é, aproveitar, de forma espontânea, um fato, uma pergunta, uma situação ocorrida e, ensinar a partir daí. Modelo de Intervenção Um garoto deficiente, de aproximadamente 14 anos, estava na sala de aula, em uma APAE, quando se levantou e foi até a mesa da professora, levando nas mãos um saquinho para geladinho, que é estreito e comprido, e uma régua pequena. Pondo essa última dentro do saquinho, disse: “Olha professora, não parece que eu estou pondo a camisinha no pênis? ” (FIGUEIRÓ, 1999, p.67). dentro da programação extra-programação 25 Afetividade e Sexualidade na Educação Especial Universidade Santa Cecília - Educação a Distância (Esta é uma situação que oferece oportunidade para a professora começar a falar sobre o assunto.) Ela poderia ter exploradoa conversa e respondido: “É mesmo! Parece! E você sabe para que serve a camisinha? ” A partir daí, explicaria sobre a função da mesma na prevenção da gravidez e da contaminação de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST). MAS.... Infelizmente, no fato ocorrido, a professora respondeu ao aluno da seguinte forma: “É, parece! Mas vai se sentar, pois isso não é um pênis e nem isso, uma camisinha!” Fonte: FIGUEIRÓ, Mary Neide Damico. Educação Sexual: problemas de conceituação e terminologias básicas adotadas na produção acadêmico-científica brasileira. Semina:Ciências Sociais/Humanas, v.17, n.3, p.5, set. 1996. Conclusão Considerando o professor como um profissional que constrói saber em sua prática cotidiana, os modelos de estratégias aqui propostos devem ser vistos apenas como ideias, sugestões. Será a reflexão sobre e durante a ação, complementada com a reflexão junto aos demais professores, que assegurará o avanço constante na forma de ensinar sobre sexualidade. É importante dizer que, além dos vários resultados positivos obtidos junto e para os alunos, haverá sempre um ganho pessoal e profissional para o educador que se dispuser a ensinar no espaço da escola, pois como diz Naumi de Vasconcelos (1985), “Falar sobre sexo é a melhor maneira de se vencer a culpa e a vergonha a ele associadas”. (op. cit., p.59)